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Um mercado em

Unidade da Kinross:

investimentos de

US$ 470 milhões no

segmento nacional

30 | Brasil-Canadá

FOTOS: DIVULGAÇÃO

Com planos de investir cerca

de US$ 2 bilhões até 2009,

empresas canadenses

impulsionam o setor de

mineração brasileiro que,

em alta, já representa

10,5 % do PIB nacional

Beatriz Cardoso e Cassiano Viana

Depois de enfrentar dificuldades por

quase duas décadas – as de 1980 e 1990 –, o

setor mundial de mineração volta a respirar

aliviado, favorecido, principalmente, pelos

baixos estoques, pela liquidez do mercado

financeiro internacional e pelos preços

elevados. No Brasil, dados do Instituto

Brasileiro de Mineração (IBRAM) revelam que

o segmento tem ganhado força,

representando 10,5% do PIB (R$ 150 bilhões/

ano) – e uma participação de 25% no saldo

da balança comercial. “A mineração está em

ascensão no país. E, ao identificar esse

potencial, as empresas canadenses passaram

a ter um papel relevante na recuperação dessa

indústria”, avalia Paulo Camillo Vargas Penna,

presidente do IBRAM.

Um estudo realizado pelo Economics

Group e divulgado na última edição de

um dos principais eventos do setor – o

Prospectors and Developers Association of


expansão

Canada International Trade Show (PDAC) – mostra que, em

2006, 1.624 empresas de pequeno, médio e grande porte

investiram US$ 7,5 bilhões na exploração de minerais

não-ferrosos. Deste total, US$ 300 milhões foram destinados

ao Brasil. “Num primeiro instante, esse resultado pode

parecer pouco significativo, mas representa praticamente o

triplo do valor obtido em 2003, que foi de US$ 88,6 milhões”,

explica Penna. Para 2007, as projeções estimam

investimentos de US$ 350 milhões. E, no que depender do

Canadá, este montante tende a aumentar nos próximos anos.

Com mais de 30 mineradoras canadenses operando em

território nacional, os investimentos previstos pelo país –

entre projetos e parcerias – podem chegar a US$ 2 bilhões

até 2009. A justificativa para esse número é traduzida pelo

potencial mineral brasileiro, o que o torna equiparável aos

maiores produtores mundiais, como Estados Unidos, Rússia,

Austrália, China e África do Sul, além do próprio Canadá.

“O Brasil é hoje um dos grandes provedores de minério de

ferro, nióbio, tântalo e gemas, e por abrigar reservas, como a

O país é hoje um dos grandes

fornecedores mundiais de

ferro, nióbio, tântalos e gemas

mina de Sossego e a 118 e as jazidas de Vermelho e Onça-

Puma, projeta-se entre os maiores fornecedores mundiais de

cobre e níquel”, avalia o presidente da IBRAM.

A jazida de Onça-Puma, aliás, é citada por Penna como

exemplo de prospecção das mineradoras canadenses.

Localizada em Ourilândia do Norte (PA), a reserva é um

grande depósito mundial de níquel, com vida útil estimada

em 68 anos. Foi a Canico Resource Corporation que

identificou o potencial da jazida e deu início ao projeto de

instalações, repassado há dois anos para a Companhia Vale

do Rio Doce (CVRD). Com capacidade produtiva de 57 mil

toneladas de níquel, a planta demandará um investimento

de implantação de US$ 1,1 bilhão. “Por conciliar os

interesses do Brasil e do Canadá de forma eficiente, a

Onça-Puma é avaliada como um dos negócios

bem-sucedidos entre os países”, completa.

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mineração |

Atuando no setor brasileiro de mineração há cerca de 50

anos – representado a princípio pela Alcan, uma das maiores

empresas mundiais de alumínio –, o Canadá reforçou sua

presença no país a partir de 1995, motivado pela

implementação de uma nova legislação e pela privatização da

CVRD, em 1997. “Com a retomada dos preços das

commodities minerais no mercado internacional, os

canadenses voltaram-se para a América do Sul, em particular

para o Brasil, reforçando suas operações com a implantação

de empresas de exploração mineral de risco, conhecidas como

juniors companies”, explica Jean-Yves Dionne, cônsul-geral do

Canadá no Rio de Janeiro. Esses investimentos deram

oportunidade para que mineradoras como a Kinross Gold,

Yamana Gold, Vaaldiam Resources, Jaguar Mining e ATCO Group

se instalassem no país.

Presentes nos Estados do Pará, da Bahia e de Goiás,

as empresas canadenses se concentram, em sua maioria, na

região de Minas Gerais, principal reserva de diamantes e de

pedras preciosas, sendo hoje responsável por cerca de 40%

do PIB mineral nacional. Dionne explica que as unidades

instaladas no Brasil utilizam a mesma tecnologia de ponta

existente no Canadá para a exploração, o beneficiamento e

também nos projetos de engenharia mineral. “Este know-how

é oferecido por grandes empresas de engenharia mineral,

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FOTOS: DIVULGAÇÃO

Unidades brasileiras:

tecnologia de ponta e suporte

de empresas de engenharia

mineral em novos projetos

como a Hatch Corporation, a Golder Associates, a Sandwell

e a Teck Cominco, que contam com escritórios em São

Paulo, Minas Gerais e Maranhão”, explica. Assim como na

implantação de tecnologias, as mineradoras também se

preocupam com a proteção ambiental. “Os padrões de

preservação do meio ambiente são idênticos aos do Canadá,

o que tem resultado em uma imagem positiva de todo o

setor no país”, diz o cônsul.

Extração de diamantes – Desde 2003, a Vaaldiam

Resources – representada pela subsidiária Vaaldiam do

Brasil Mineração Ltda, sediada em Sete Lagoas (MG) –

desenvolve pesquisas e projetos voltados para a produção de

diamantes, investindo, desde então, mais de US$ 20 milhões.

Com projetos avançados de exploração em kimberlitos

(rocha vulcânica fonte primária de diamantes), como os

Projetos Pimenta Bueno (RO) e Braúna (BA), a empresa

inaugurou, recentemente, sua primeira mina no Brasil.

Localizada na região de Olho D’Água (MG), a Mina de Duas

Barras vai receber, em 2007, um investimento previsto em

mais de US$ 10 milhões. Segundo o vice-presidente José

Ricardo Thibes Pisani, a mina está capacitada para produzir

cerca de 350 mil quilates de diamantes durante seus oito

anos de vida. “O ouro será um dos subprodutos do local,


em que será extraído 0,18 g/m 3 do metal, resultando em uma

recuperação total projetada de mais de 300 kg”, explica.

Logo no início de suas operações em território brasileiro,

a Vaaldiam registrava um investimento inferior a US$ 500 mil

por ano. Pisani justifica o potencial geológico brasileiro

como principal motivo de interesse da empresa.

“O Brasil também foi considerado por especialistas do

setor como um alvo de novas descobertas”, destaca.

Com planos de se tornar a maior empresa de diamantes

da América do Sul, a canadense anunciou recentemente a

intenção de adquirir a Elkedra Diamonds e a Great Western

Diamonds, presentes, respectivamente, nos Estados de

Mato Grosso e Rondônia.

O setor de mineração em Minas Gerais também recebe

investimentos da canadense Brazilian Diamonds Limited.

Sediada em Vancouver, a companhia conta com quatro

subsidiárias no Brasil – a Mineração do Sul, a Samsul

Mineração, a Cobre Sul Mineração e a Parimá Mineração.

Depois de investir mais de US$ 16 milhões em aquisições

e pesquisas minerais em solo nacional, a empresa viu seus

esforços compensados ao descobrir o primeiro kimberlito

mineralizado economicamente viável na região. Batizado

de Projeto Canastra 1, o empreendimento tornou o

estado a sede da primeira jazida de diamantes primários

do país. Motivada por esse resultado, a mineradora já

identificou cerca de 50 novos alvos – com dimensões

superiores às de Canastra 1– e, sem revelar detalhes de

suas pesquisas atuais, informa somente ter adqurido o banco

de dados da De Beers – maior produtora mundial de

diamantes, que recentemente encerrou suas atividades no

país –, para identificar novas oportunidades de mercado.

Atravessando as fronteiras de Minas Gerais, a Sola

Resource elegeu o Estado de Rondônia como alvo de seus

investimentos. Em uma propriedade de 2.554.77 quilômetros

quadrados – no município de Pimenta Bueno –, a empresa

extrai, anualmente, 12 mil quilates de diamantes. Para

intensificar suas operações no país, a companhia emitiu, em

março, títulos para arrecadar mais de 1,8 milhão de dólares

canadenses para exploração de propriedades de

diamantes na região.

Segundo dados do Departamento

Nacional de Produção Mineral (DNPM),

em 2006, o Brasil produziu 41,2 t de

ouro, sendo que, deste total, cerca de

80% provêm das mineradoras.

Depois de conquistar um

financiamento de US$ 7,5 milhões

para explorar e desenvolver ativos

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do ouro, a Amarillo Gold

resolveu intensificar os

investimentos em seus projetos

na região de Mara Rosa (GO) e

de Lavras do Sul (RS). Com

reservas totais de 12,8 milhões

t de diamante, com teor de

1,8 g/t, e 726 mil onças de

ouro, a mina de Mara Rosa

conta com 60 mil hectares de

área de exploração e receberá,

em 2007, cerca de

US$ 340 mil. Em Lavras do Sul,

o projeto da Amarillo se estende por cerca de

100 quilômetros quadrados, envolvendo, principalmente,

as cidades de Butiá e Cerrito.

Médio porte – Atuando especificamente na prospeção e

extração de ouro, a Yamana Gold tem a meta de produzir mais

de 500 mil t de diamante e de 600 mil onças de ouro em 2007

e 2008, respectivamente. Por meio da subsidiária brasileira

Yamana, a mineradora investe em projetos de exploração,

construção e desenvolvimento no Brasil e na América Central.

No país desde 2003, primeiramente com a mina da Fazenda

Brasileiro (BA) – adquirida por U$ 21 milhões pela CVRD –, a

empresa decidiu expandir sua atuação, assumindo o

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Penna, do IBRAM: “Empresas

canadenses têm um papel importante

na recuperação do setor no Brasil”

Mapa das minas

controle das mineradoras

Jacobina Mineração e

Comércio (BA), Mineração

Bacilândia (BA), Chapada de

Ouro (GO), Mina São Francisco (MT)

e Mina Cumaru (PR).

“Por meio desses projetos, a

Yamana conquistou o patamar

de mineradora de médio porte”,

explica o diretor de operações,

Ludovico Sebastião Costa.

Produzindo, no primeiro

trimestre de 2007, 120 mil onças

de ouro e 27,4 milhões de libras-peso de cobre nas instalações

do Brasil e em Honduras, a empresa, segundo o executivo,

manterá essa posição de crescimento até o fim deste ano.

“Com a mina Chapada de Ouro operando acima das

especificações, permanecemos com a meta de aumentar a

produção de 180 mil para 205 mil onças de ouro e 130 milhões

para 145 milhões de libras de cobre em 2007”, reforça.

Em maio, a Largo Resources – mineradora júnior

sediada em Toronto – anunciou os resultados obtidos nas

perfurações das minas de vanádio da Platinum Group Metals

(PGM), em sua propriedade de 2 mil hectares em

Maracás (BA), resultado de um acordo privado no valor

de US$ 10 milhões para a exploração de jazidas de

Investir no desenvolvimento do setor de mineração faz parte dos planos das

empresas canadenses instaladas no Brasil. Conheça alguns números:

Empresa

(Brasil)

Sede Atuação

Investimentos

(milhões)

Brazilian Diamonds Vancouver Brasil US$ 16

Kinross Toronto Brasil/Canadá/

Chile/EUA/Rússia US$ 470

Largo Resource Toronto Brasil/Canadá/Equador US$ 10

Sola Resource Calgari Brasil Não divulgado

Vaaldiam Resources Toronto Brasil US$ 20

Yamana Gold Toronto Argentina/Brasil/Honduras Não divulgado

DIVULGAÇÃO


tungstênio-molibdênio da Northern Dancer, em Yukon,

e de vanádio, no Brasil.

Atuando no país desde 2003, a Kinross Brasil também

demonstra satisfação com seus resultados. “O Brasil hoje é

estratégico para o grupo, que conta com minas de ouro em

cinco países e produz 40 toneladas de metal”, afirma o

presidente José Roberto Freire. Com o objetivo de triplicar a

produção de ouro na Rio Paracatu Mineração, no interior de

Minas Gerais, comprada da Rio Tinto há menos de três anos,

a mineradora canadense está investindo US$ 470 milhões no

setor. Sétima maior produtora de ouro do mundo, a Kinross

já detinha 49% da mina Morro do Ouro (MG) e agora avalia

oportunidades nos Estados de Tocantins, Maranhão e Pará.

“Estamos sempre à procura de novos negócios e, ao que

parece, eles não faltam no Brasil”, avalia Freire.

No alvo dos investimentos

Durante o primeiro trimestre deste ano, o setor de

extração de minerais metálicos brasileiro recebeu investimentos

significativos do exterior. Dados divulgados pelo

Banco Central (BC) revelam que, dos US$ 6,6 bilhões

que entraram no Brasil como Investimentos Estrangeiros

Diretos (IED), 4,9% correspondem ao segmento. Comparados

aos três primeiros meses de 2006 – em que

US$ 31 milhões foram reservados para o setor –, os investimentos

obtidos agora são dez vezes superiores.

De acordo com o Banco Central, o crescimento da economia

mundial contribuiu para a forte demanda por metais,

elevando os preços das commodities, como minério

de ferro e ouro. Por outro lado – ao contrário do registrado

no ano passado –, em 2007 os Investimentos Diretos

do Brasil no exterior (IBD) deverão ter um volume inferior,

reduzindo as estimativas do BC de US$ 12 bilhões para

US$ 6 bilhões. Em 2006, a aquisição da Inco pela

Companhia Vale do Rio Doce foi considerada pela

instituição como decisiva para que o volume

bruto do IBD fosse de US$ 28,38 bilhões

– ante US$ 2,5 bilhões em 2005 –,

superando, pela primeira vez, o ingresso

líquido de investimento estrangeiro,

que somou US$ 18,782 bilhões.

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