comercialização de frutas, legumes e verduras - Asbraer
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COMERCIALIZAÇÃO DE<br />
FRUTAS, LEGUMES<br />
E VERDURAS
COMERCIALIZAÇÃO DE FRUTAS,<br />
LEGUMES E VERDURAS<br />
Edison José Trento 1<br />
Odílio Sepulcri 2<br />
Fukuo Morimoto 3<br />
Curitiba, PR<br />
2011<br />
Ministério do<br />
Desenvolvimento Agrário<br />
1 Engenheiro Agrônomo, Especialista em Desenvolvimento e Planejamento Agrícola e<br />
Cafeicultura Empresarial, Extensionista do Instituto Emater, Unida<strong>de</strong> Estadual, Curitiba-PR<br />
2 Engenheiro Agrônomo, MSc, Mestre em Desenvolvimento Econômico, Especialista em<br />
Gestão da Qualida<strong>de</strong>, Extensionista do Instituto Emater, Unida<strong>de</strong> Estadual, Curitiba-PR<br />
3 Engenheiro Agrônomo MSc, Mestre em Horticultura, Professor do Curso <strong>de</strong> Agronomia do<br />
Setor <strong>de</strong> Ciências Agrárias da Universida<strong>de</strong> Fe<strong>de</strong>ral do Paraná, Curitiba-PR
Copyright© 2011, by Instituto Emater<br />
GOVERNO DO ESTADO DO PARANÁ<br />
Instituto Paranaense <strong>de</strong> Assistência Técnica e Extensão Rural – EMATER<br />
Vinculado à Secretaria <strong>de</strong> Estado da Agricultura e do Abastecimento<br />
Série Informação Técnica n° 085, 2011<br />
Elaboração Técnica Instituto Emater:<br />
Engenheiro Agrônomo Edson José Trento, Especialista em Desenvolvimento e Planejamento<br />
Agrícola e Cafeicultura Empresarial, Extensionista do Instituto Emater, Unida<strong>de</strong> Estadual,<br />
Curitiba-PR<br />
Engenheiro Agrônomo Odílio Sepulcri, MSc, Mestre em Desenvolvimento Econômico, Especialista<br />
em Gestão da Qualida<strong>de</strong>, Extensionista do Instituto Emater, Unida<strong>de</strong> Estadual, Curitiba-PR<br />
Engenheiro Agrônomo Fukuo Morimoto, MSc, Mestre em Horticultura, Professor do Curso <strong>de</strong><br />
Agronomia do Setor <strong>de</strong> Ciências Agrárias da Universida<strong>de</strong> Fe<strong>de</strong>ral do Paraná, Curitiba-PR<br />
Revisão Instituto Emater:<br />
Licenciado em Letras-Português José Renato Rodrigues <strong>de</strong> Carvalho<br />
Ilustração/Diagramação:<br />
Marlene Suely Ribeiro Chaves e Roseli Rozalim Silva<br />
Tiragem: 2.000 exemplares<br />
Exemplares <strong>de</strong>sta publicação po<strong>de</strong>m ser adquiridos junto ao:<br />
Instituto Paranaense <strong>de</strong> Assistência Técnica e Extensão Rural – EMATER<br />
SAC – Serviço <strong>de</strong> Atendimento ao Cliente – Fone 41 3250-2166<br />
Rua da Ban<strong>de</strong>ira, 500, CEP 80035-270, Cabral – Curitiba-PR<br />
http://www.pr.gov.br/emater<br />
e-mail: sac@emater.pr.gov.br<br />
Todos os direitos reservados.<br />
A reprodução não autorizada <strong>de</strong>sta publicação, no seu todo ou em parte,<br />
constitui violação dos direitos autorais (Lei nº 9610).<br />
T795 TRENTO, Edison José<br />
Comercialização <strong>de</strong> Frutas, Legumes e Verduras. / Edison<br />
José Trento; Odílio Sepulcri; Fukuo Morimoto. -- Curitiba:<br />
Instituto Emater, 2011.<br />
40 p. : il. color. (Série Informação Técnica nº 085)<br />
ISBN 978-85-63667-17-5<br />
1. Comercialização <strong>de</strong> Frutas. 2. Comercialização <strong>de</strong><br />
Legumes. 3. Comercialização <strong>de</strong> Verduras. I. Trento, Edison<br />
José II. Sepulcri, Odílio. III. Morimoto, Fukuo. IV Título.<br />
Maria Sueli da Silva Rodrigues - 9/1464<br />
CDU 634:339.138
SUMÁRIO<br />
1 INTRODUÇÃO .......................................................................................................6<br />
2 PLANEJAMENTO DA PRODUÇÃO E COMERCIALIZAÇÃO ....................6<br />
2.1 CONHECER PRIMEIRO O MERCADO A QUE SE DESTINA<br />
O PODUTO PARA DEPOIS PRODUZIR ..................................................................6<br />
3 DIAGNÓSTICO-PROBLEMAS DO AGRONEGÓCIO<br />
FRUTI-OLERÍCOLA................................................................................................8<br />
4 OS VÍCIOS DO MERCADO .................................................................................9<br />
5 ONDE ESTÃO OS MERCADOS ..........................................................................9<br />
6 OPORTUNIDADES DO SETOR DE FRUTAS E HORTALIÇAS ..................10<br />
7 GRANDES ESTRATÉGIAS PARA AS MUDANÇAS DO SETOR<br />
DE FRUTAS, VERDURAS E HORTALIÇAS ......................................................11<br />
8 COLHEITA, CLASSIFICAÇÃO E USO DE EMBALAGENS<br />
PADRONIZADAS PARA FRUTAS E HORTALIÇAS ........................................12<br />
8.1 PONTO DE COLHEITA .....................................................................................12<br />
8.2 FORMAS E HORÁRIOS DE COLHEITA DE FRUTAS E HORTALIÇAS<br />
E CUIDADOS DURANTE A OPERAÇÃO .............................................................13<br />
8.2.1 Forma manual <strong>de</strong> colheita .................................................................................13<br />
8.2.2 Forma mecânica <strong>de</strong> colheita ..............................................................................13<br />
8.3 HORÁRIO DE COLHEITA.................................................................................14<br />
8.4 CUIDADOS ESPECIAIS NA COLHEITA .........................................................14<br />
9 OBJETIVOS E VANTAGENS DA CLASSIFICAÇÃO DE<br />
FRUTAS E HORTALIÇAS .....................................................................................14<br />
10 FORMAS DE CLASSIFICAÇÃO DE FRUTAS E HORTALIÇAS ..............15<br />
11 USO DE EMBALAGENS PADRÕES, ACONDICIONAMENTO<br />
E IDENTIFICAÇÃO DO PRODUTO E DO PRODUTOR .................................15<br />
11.1 OBJETIVOS DO USO DE EMBALAGENS PADRÕES PARA FRUTAS ......16<br />
11.2 ACONDICIONAMENTO DE FRUTAS E HORTALIÇAS<br />
NAS EMBALAGENS ...............................................................................................17<br />
11.3 IDENTIFICAÇÃO DO PRODUTO E DO PRODUTOR .................................18<br />
12 AGREGAÇÃO DE VALOR PELA OFERTA DIFERENCIADA<br />
DE FRUTAS E OLERÍCOLAS ..............................................................................18<br />
12.1 FORMAS DIFERENCIADAS DE OFERTA ....................................................18<br />
12.2 DESDOBRAMENTO ........................................................................................19<br />
12.3 ORGÂNICOS E HIDROPÔNICOS ..................................................................19<br />
12.4. PROCESSAMENTO MÍNIMO ........................................................................19
13 MERCADOS .......................................................................................................22<br />
13.1 CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO OU DE COMERCIALIZAÇÃO<br />
DISPONÍVEIS ...........................................................................................................22<br />
13.2 QUEM SÃO OS CONCORRENTES E COMO SE COMPORTAM................23<br />
13.3 COMO SÃO PRATICADAS AS TRANSAÇÕES DE COMPRA<br />
E VENDA ..................................................................................................................24<br />
13.3.1 Enten<strong>de</strong>ndo a ca<strong>de</strong>ia produtiva dos produtos ..................................................24<br />
13.3.2 Forma <strong>de</strong> <strong>comercialização</strong> ..............................................................................25<br />
13.3.3 Estratégia <strong>de</strong> <strong>comercialização</strong> .........................................................................25<br />
13.4 TIPOS DE MERCADOS ...................................................................................27<br />
13.4.1 Mercado atacadista (basicamente três canais) ................................................27<br />
13.4.2 Mercado varejista ............................................................................................27<br />
13.4.3 Mercado consumidor institucional ..................................................................27<br />
13.4.4 Mercado institucional ......................................................................................29<br />
13.4.5 Comércio justo “fair tra<strong>de</strong>” .............................................................................30<br />
13.4.6 Re<strong>de</strong> <strong>de</strong> organizações para a <strong>comercialização</strong> <strong>de</strong> produtos da<br />
agricultura familiar .....................................................................................................31<br />
13.4.7 Re<strong>de</strong> <strong>de</strong> <strong>comercialização</strong> via web ..................................................................32<br />
13.5 AGREGAÇÃO DE VALOR AO PRODUTO ....................................................34<br />
14 EXIGÊNCIAS DOS CONSUMIDORES ..........................................................35<br />
15 SÍNTESE/PASSOS PARA COMERCIALIZAÇÃO DOS PRODUTOS<br />
DE FRUTAS, LEGUMES E VERDURAS ............................................................35<br />
15.1 CONHECER PRIMEIRO O MERCADO PARA DEPOIS PRODUZIR .........36<br />
15.2 AUMENTAR O VALOR DO PRODUTO .........................................................37<br />
15.3 BENEFICIAR O PRODUTO ............................................................................37<br />
15.4 DIFERENCIAR O PRODUTO .........................................................................37<br />
15.5 APRENDER A SATISFAZER OS CLIENTES .................................................37<br />
15.6 NÃO BASTA TER O MELHOR PRODUTO, É PRECISO<br />
DIVULGÁ-LO ...........................................................................................................38<br />
15.7 CONHECER A LEGISLAÇÃO ........................................................................38<br />
15.8 ASSOCIAR-SE A OUTROS PRODUTORES ..................................................39<br />
DOCUMENTOS CONSULTADOS ........................................................................40
1 INTRODUÇÃO<br />
A globalização leva ao livre mercado sem fronteiras, com os concorrentes<br />
mais próximos, com integração cada vez maior dos mercados<br />
e dos meios <strong>de</strong> comunicação e transporte, permite que o abastecimento<br />
<strong>de</strong> uma empresa possa ser feito por fornecedores que se encontram em<br />
diversas partes do mundo, cada um oferecendo melhores condições <strong>de</strong><br />
preço e qualida<strong>de</strong>. Esse mercado exige volume, constância na oferta,<br />
diversida<strong>de</strong> e produtos <strong>de</strong> qualida<strong>de</strong> com rastreabilida<strong>de</strong>. Quando o mercado<br />
se torna altamente exclu<strong>de</strong>nte cabe a mediação por parte do Estado.<br />
O acesso ao mercado e à <strong>comercialização</strong> <strong>de</strong> produtos agrícolas da<br />
AF (Agricultura Familiar) constitui um dos principais gargalos <strong>de</strong>ssa<br />
categoria <strong>de</strong> produtores. A escolha do mecanismo <strong>de</strong> <strong>comercialização</strong><br />
envolve ações que se adaptem à pequena escala, ao tipo <strong>de</strong> qualifi cação<br />
do trabalho, ao relacionamento com fornecedores, clientes e prestadores<br />
<strong>de</strong> serviços e à existência <strong>de</strong> estratégias competitivas. O processo <strong>de</strong><br />
<strong>comercialização</strong> tem início com a produção, mas não se limita a isso,<br />
passando pelo benefi ciamento, embalagem, compra, venda e ativida<strong>de</strong>s<br />
<strong>de</strong> logística. Essa dinâmica <strong>de</strong> produção, para permanência no mercado,<br />
implica que os produtores tenham volume, qualida<strong>de</strong>, diversida<strong>de</strong> e regularida<strong>de</strong><br />
<strong>de</strong> oferta, pois os consumidores precisam se alimentar diariamente<br />
e os fornecedores <strong>de</strong>vem estar estruturados para isso.<br />
No momento <strong>de</strong> ven<strong>de</strong>r a produção, a maioria dos agricultores sofre<br />
<strong>de</strong>ságio <strong>de</strong> preços em seus produtos, por <strong>de</strong>sconhecer as regras <strong>de</strong><br />
mercado, principalmente quando se trata <strong>de</strong> produtos perecíveis (<strong>frutas</strong>,<br />
<strong>legumes</strong> e <strong>verduras</strong>). Há <strong>de</strong>ságio por ser perecível, por ser colhido fora<br />
do ponto i<strong>de</strong>al <strong>de</strong> colheita, por não ser classifi cado, não ser <strong>de</strong>vidamente<br />
embalado, não ter rastreabilida<strong>de</strong> e não ser transportado corretamente.<br />
A redução das perdas na <strong>comercialização</strong> começa no planejamento<br />
da ativida<strong>de</strong>, antes <strong>de</strong> iniciar a produção, através do estudo <strong>de</strong> mercado<br />
e verifi cação <strong>de</strong> suas exigências em relação aos produtos que se quer<br />
produzir. O i<strong>de</strong>al é ven<strong>de</strong>r o produto antes <strong>de</strong> produzi-lo e, quando possível,<br />
formalizado via contrato.<br />
5
Geralmente ao se falar em mercados como áreas geográfi cas (mercado<br />
local, regional, estadual, internacional etc) po<strong>de</strong>-se segmentá-lo<br />
em mercados geográfi cos, incorporando a utilida<strong>de</strong> <strong>de</strong> lugar, mercados<br />
<strong>de</strong> um produto, incorporando a utilida<strong>de</strong> <strong>de</strong> forma (mercado <strong>de</strong> milho,<br />
como exemplo) e mercados temporais, como utilida<strong>de</strong> <strong>de</strong> tempo (mercado<br />
<strong>de</strong> feijão em junho). O problema a ser analisado na <strong>comercialização</strong><br />
é que <strong>de</strong>fi ne o tipo <strong>de</strong> mercado. Como exemplo, tem-se o preço do tomate<br />
praticado na CEASA (Centrais <strong>de</strong> Abastecimento do Paraná SA) <strong>de</strong><br />
Curitiba ou o preço da soja no mercado internacional.<br />
As ativida<strong>de</strong>s da <strong>comercialização</strong> <strong>de</strong>vem facilitar respostas aos problemas<br />
econômicos: o que, quanto, quando, e on<strong>de</strong> e como produzir, e<br />
<strong>de</strong> que forma distribuir os produtos. O papel da <strong>comercialização</strong> está<br />
centrado em orientar a produção e o consumo e produzir utilida<strong>de</strong>s.<br />
2 PLANEJAMENTO DA PRODUÇÃO E COMERCIALIZAÇÃO<br />
O primeiro passo <strong>de</strong> qualquer empreendimento é o planejamento<br />
para verificar os riscos que estão embutidos no negócio e como<br />
implementá-lo com segurança. O planejamento, ou plano <strong>de</strong> negócio,<br />
quando bem feito, permite i<strong>de</strong>ntifi car os riscos, analisá-los e tomar a<br />
<strong>de</strong>cisão antes <strong>de</strong> fazer os investimentos, reduzindo, assim, as possibilida<strong>de</strong>s<br />
<strong>de</strong> prejuízo.<br />
Numa breve refl exão é possível verifi car que na <strong>comercialização</strong><br />
<strong>de</strong> <strong>frutas</strong>, <strong>legumes</strong> e <strong>verduras</strong> (FLV) existem alguns riscos tais como:<br />
risco <strong>de</strong> produção, <strong>de</strong> preço, <strong>de</strong> crédito, risco <strong>de</strong> conduta e dos contratos,<br />
como se po<strong>de</strong> observar na FIGURA 1, na página 7.<br />
2.1 CONHECER PRIMEIRO O MERCADO A QUE SE DESTINA O<br />
PODUTO PARA DEPOIS PRODUZIR<br />
A questão é amadurecer a idéia <strong>de</strong> que a <strong>comercialização</strong> não po<strong>de</strong><br />
mais ser <strong>de</strong>ixada para <strong>de</strong>pois da colheita. Tornou-se necessário <strong>de</strong>dicar<br />
tempo e atenção às cotações e às oportunida<strong>de</strong>s <strong>de</strong> negócios antes mesmo<br />
do plantio. Esse monitoramento, à base <strong>de</strong> informação qualifi cada,<br />
é que permite as avaliações particulares.<br />
6
FIGURA 1 – RISCOS QUE OCORREM NA COMERCIALIZAÇÃO DE FRUTAS<br />
LEGUMES E VERDURAS<br />
Em ano <strong>de</strong> incerteza climática, amadurecer as vendas dá mais resultado<br />
do que reclamar do clima e da produtivida<strong>de</strong>.<br />
- Antes <strong>de</strong> <strong>de</strong>cidir o que e quanto produzir, é preciso conhecer o mercado<br />
ao qual se vai ven<strong>de</strong>r o produto (indústria, cooperativa, intermediário,<br />
atacadista, varejista, consumidor), a sua localização e a sua<br />
infraestrutura e área disponível para produção;<br />
- Analisar as potencialida<strong>de</strong>s, difi culda<strong>de</strong>s, oportunida<strong>de</strong>s e ameaças;<br />
- Que quantida<strong>de</strong> o mercado está disposto a comprar;<br />
- Qual a estimativa <strong>de</strong> preço que o mercado está disposto a pagar;<br />
- De quem o mercado compra atualmente e qual a forma <strong>de</strong> pagamento;<br />
- Qual a periodicida<strong>de</strong> <strong>de</strong> compra e qual a qualida<strong>de</strong> exigida (classifi -<br />
cação, padronização, embalagem, rotulagem <strong>de</strong>sejada do produto).<br />
A pesquisa <strong>de</strong> mercado po<strong>de</strong> ser feita junto aos canais locais <strong>de</strong><br />
<strong>comercialização</strong>, tais como: agroindústrias, supermercados, armazéns,<br />
mercearias, açougues, padarias, sacolões, feiras, restaurantes, cooperativas<br />
e hotéis, entre outros.<br />
Planejamento é o ato <strong>de</strong> pensar, analisar, refl etir, organizar e exercitar<br />
antecipadamente o que <strong>de</strong>ve ser feito para alcançar os resultados esperados.<br />
O que produzir, quanto produzir, quando produzir, para quem<br />
produzir e como produzir.<br />
7
O que produzir<br />
Uma vez estudado o mercado é necessário <strong>de</strong>fi nir:<br />
- O que produzir e a tecnologia a ser usada, consi<strong>de</strong>rando as exigências<br />
dos consumidores;<br />
- Verifi car se existem recursos produtivos sufi cientes;<br />
- Verifi car para qual mercado em que quantida<strong>de</strong> produzir.<br />
O mercado <strong>de</strong> <strong>frutas</strong>, <strong>legumes</strong> e <strong>verduras</strong> é exigente em quantida<strong>de</strong>,<br />
qualida<strong>de</strong>, preço, regularida<strong>de</strong> <strong>de</strong> oferta, padronização da mercadoria e<br />
embalagem, além <strong>de</strong> exigir a nota fi scal dos produtos. Diante dos possíveis<br />
mercados (municipal, regional, nacional) é preciso que o produtor<br />
<strong>de</strong>fi na do qual <strong>de</strong>les irá participar e a capacida<strong>de</strong> <strong>de</strong> produção a ser<br />
ofertada em função da <strong>de</strong>manda existente. Fazer o cadastramento dos<br />
possíveis compradores e iniciar os contatos na perspectiva das futuras<br />
vendas:<br />
- Que qualida<strong>de</strong> a produção <strong>de</strong>verá ter;<br />
- Com que frequência o produto vai chegar ao mercado: diária, semanal,<br />
mensal, anual ou, ainda, na safra ou na entressafra. Conforme a<br />
frequência será preciso todo um esforço no planejamento da infraestrutura<br />
da proprieda<strong>de</strong>, da logística e do processo <strong>de</strong> <strong>comercialização</strong>;<br />
- Aumentar o valor do produto.<br />
3 DIAGNÓSTICO/PROBLEMAS DO AGRONEGÓCIO<br />
FRUTI-OLERÍCOLA<br />
- Baixa produção/produtivida<strong>de</strong>, baixa qualida<strong>de</strong> e alto custo <strong>de</strong> produção;<br />
- Produção segmentada e inconstante (<strong>de</strong>sequilibrada);<br />
- Defi ciência na qualifi cação dos produtos pós-colheita (seleção, limpeza,<br />
classifi cação, acondicionamento, embalagens, rotulagem e i<strong>de</strong>ntifi<br />
cação do produtor e do produto);<br />
- Muitos produtores sem casas <strong>de</strong> embalagens (“paking house”), ou local<br />
apropriado para o processamento pós-colheita;<br />
- Problemas ambientais e sanitários, tanto na produção e no proces-<br />
8
samento, quanto na <strong>comercialização</strong>;<br />
- Defi ciência na logística <strong>de</strong> armazenamento, transporte e <strong>comercialização</strong>;<br />
- Baixo consumo e hábito alimentar restrito;<br />
- Escassez <strong>de</strong> tecnologia mais avançada e <strong>de</strong> conhecimento do mercado;<br />
- Defi ciência no “marketing”;<br />
- Desorganização do setor produtivo com <strong>de</strong>fi ciência na oferta <strong>de</strong> produtos<br />
e serviços diferenciados;<br />
- Espírito imediatista e ganância dos agentes da ca<strong>de</strong>ia.<br />
4 OS VÍCIOS DO MERCADO<br />
- Produtores <strong>de</strong>sunidos, <strong>de</strong>sorganizados, fragmentados e <strong>de</strong>svinculados<br />
dos consumidores;<br />
- Comerciantes (atacadistas e atravessadores) com visão oportunista;<br />
- Setor varejista inexperiente, embora perceba necessida<strong>de</strong> <strong>de</strong> mudanças;<br />
- Inexistência <strong>de</strong> dados ofi ciais e/ou confi áveis para se <strong>de</strong>terminar o<br />
mercado no Brasil.<br />
5 ONDE ESTÃO OS MERCADOS<br />
Depen<strong>de</strong>ndo do planejamento e do sistema <strong>de</strong> produção, do produto<br />
e do volume <strong>de</strong> produção, o mercado po<strong>de</strong> estar no próprio município<br />
ou nos municípios circunvizinhos.<br />
Po<strong>de</strong> estar nos estados, principalmente junto aos gran<strong>de</strong>s centros<br />
urbanos.<br />
No Paraná: Curitiba, Ponta Grossa, Londrina, Maringá, Cascavel,<br />
Foz do Iguaçu e outras gran<strong>de</strong>s cida<strong>de</strong>s.<br />
No Brasil, o mercado localiza-se nas capitais, regiões metropolitanas<br />
e cida<strong>de</strong>s mais populosas.<br />
9
Nos países do Mercosul, é possível incrementar a exportação <strong>de</strong><br />
<strong>frutas</strong> como banana, abacaxi, melancia, melão, morango, maçã gala e<br />
fuji, uva fi na <strong>de</strong> mesa, acerola, maracujá e suco/polpa (congelada), caqui,<br />
fi go, goiaba, lichia, mamão “hawai”, manga e nozes “macadâmia e pecã”.<br />
Esses produtos po<strong>de</strong>m ser exportados (“in natura”, em forma <strong>de</strong> suco,<br />
polpa congelada e industrializada).<br />
Entre as hortaliças, po<strong>de</strong> ser viabilizada a exportação <strong>de</strong> abóbora,<br />
abobrinha, tomate, pimentão, batata, batata doce, aipim, batata salsa,<br />
cebola e outras menos perecíveis.<br />
6 OPORTUNIDADES DO SETOR DE FRUTAS E<br />
HORTALIÇAS<br />
- Efetivação e surgimento <strong>de</strong> novos canais <strong>de</strong> distribuição e <strong>de</strong> <strong>de</strong>manda<br />
e novas formas <strong>de</strong> <strong>comercialização</strong> forçarão o <strong>de</strong>senvolvimento <strong>de</strong><br />
novas organizações, melhorando o lucro da ca<strong>de</strong>ia;<br />
FONTE: INSTITUTO EMATER<br />
10
- Surgimento <strong>de</strong> formas para encurtar o caminho até o consumidor fi -<br />
nal, reduzindo as intermediações;<br />
- Possibilida<strong>de</strong> <strong>de</strong> agregação <strong>de</strong> renda através da melhoria na qualida<strong>de</strong>,<br />
da qualifi cação pós-colheita e do uso <strong>de</strong> embalagens a<strong>de</strong>quadas e<br />
padronizadas;<br />
- Novos nichos <strong>de</strong> mercado: produtos orgânicos; produtos hidropônicos;<br />
produtos isentos <strong>de</strong> agrotóxicos e <strong>de</strong> agentes biológicos nocivos à saú<strong>de</strong><br />
humana; produtos <strong>de</strong>sdobrados, diferenciados; produtos pré ou minimamente<br />
processados (lavados, higienizados, cortados, <strong>de</strong>scascados,<br />
picotados, ralados) e produtos agroindustrializados;<br />
- Redução do <strong>de</strong>sperdício médio, que gira, na pós-colheita, em torno<br />
<strong>de</strong> 30%.<br />
7 GRANDES ESTRATÉGIAS PARA AS MUDANÇAS DO<br />
SETOR DE FRUTAS, LEGUMES E VERDURAS<br />
- Produção e <strong>comercialização</strong> programada, visando constância <strong>de</strong> oferta,<br />
em volume a<strong>de</strong>quado (<strong>de</strong> acordo com o mercado ou o cliente);<br />
- Instalações em conjunto <strong>de</strong> infraestrutura (“paking house”) <strong>de</strong> classifi<br />
cação, processamento pós-colheita, <strong>de</strong> armazenamento e/ou <strong>de</strong><br />
agroindústrias;<br />
- Compra conjunta <strong>de</strong> insumos, venda conjunta da produção e transporte<br />
em conjunto;<br />
- Melhoria na qualida<strong>de</strong> e na qualifi cação pós-colheita (reconquistar a<br />
credibilida<strong>de</strong>);<br />
- Aumento na produtivida<strong>de</strong> e redução <strong>de</strong> custo;<br />
- Educação alimentar junto ao consumidor fi nal;<br />
- Desenvolvimento <strong>de</strong> polos <strong>de</strong> produção programada, transporte, aquisição<br />
<strong>de</strong> insumos e agroindústria conjunta, para maximizar a <strong>comercialização</strong>;<br />
- Organização da classe produtora para produção e <strong>comercialização</strong><br />
conjunta e/ou or<strong>de</strong>nada, visando lucros a médio/longo prazo com<br />
oferta diversifi cada e em escala, a preços competitivos e através <strong>de</strong><br />
produtos e prestação <strong>de</strong> serviços diferenciados.<br />
11
8 COLHEITA, CLASSIFICAÇÃO E USO DE EMBALAGENS<br />
PADRONIZADAS PARA FRUTAS E HORTALIÇAS<br />
A colheita <strong>de</strong> <strong>frutas</strong> e hortaliças <strong>de</strong>ve ser feita <strong>de</strong> forma criteriosa,<br />
<strong>de</strong>fi nindo-se o ponto correto <strong>de</strong> colheita, a forma e o horário mais a<strong>de</strong>quado<br />
<strong>de</strong> colheita, tomando-se os <strong>de</strong>vidos cuidados no manuseio e transporte<br />
do produto até o “packing house” ou galpão <strong>de</strong> processamento.<br />
Todos os itens e cuidados são importantes porque vão <strong>de</strong>fi nir, conforme<br />
a distância do mercado e a necessida<strong>de</strong> <strong>de</strong> armazenamento (principalmente<br />
em frigoconservação), a qualida<strong>de</strong> do produto junto ao consumidor<br />
fi nal.<br />
O ponto a<strong>de</strong>quado <strong>de</strong> colheita é importante também para se <strong>de</strong>fi nir<br />
a conservabilida<strong>de</strong> do produto.<br />
Tudo isso é importante porque vai justifi car o trabalho <strong>de</strong> classifi -<br />
cação, o uso <strong>de</strong> a<strong>de</strong>quadas embalagens e <strong>de</strong>fi nir, conforme a época e a<br />
distância do mercado, a necessida<strong>de</strong> ou não <strong>de</strong> armazenamento. O produto<br />
precisa chegar à mesa do consumidor com frescor, sabor característico,<br />
aroma e coloração normal e textura fi rme. Tal como foi colhido.<br />
8.1 PONTO DE COLHEITA<br />
Defi ne o estádio <strong>de</strong> maturação no qual o produto <strong>de</strong>ve ser colhido,<br />
levando-se em consi<strong>de</strong>ração o seu <strong>de</strong>stino e o seu potencial <strong>de</strong> armazenamento.<br />
Cada espécie <strong>de</strong> fruta e hortaliça tem o seu ponto i<strong>de</strong>al <strong>de</strong> colheita.<br />
O ponto i<strong>de</strong>al <strong>de</strong> colheita é aquele que infl uencia diretamente as<br />
características <strong>de</strong> boa qualida<strong>de</strong> da espécie e/ou cultivar <strong>de</strong> <strong>frutas</strong> e hortaliças,<br />
e <strong>de</strong>pen<strong>de</strong> <strong>de</strong> fatores como: local ao qual se <strong>de</strong>stinam, meio <strong>de</strong><br />
transporte, intervalo entre a colheita e o consumo e características internas<br />
do produto.<br />
O ponto i<strong>de</strong>al <strong>de</strong> colheita <strong>de</strong>pen<strong>de</strong> da fi nalida<strong>de</strong>, da distância até o<br />
mercado, da necessida<strong>de</strong> <strong>de</strong> armazenamento e da característica <strong>de</strong> cada<br />
espécie. Existe um grupo <strong>de</strong> espécies <strong>de</strong> <strong>frutas</strong> e hortaliças que só amadurecem<br />
na planta (<strong>frutas</strong> e olerícolas não climatéricas), como o fi go, e<br />
um grupo <strong>de</strong> espécies que po<strong>de</strong>m completar a maturação mesmo <strong>de</strong>pois<br />
<strong>de</strong> colhidas (<strong>frutas</strong> e olerícolas climatéricas), como é o caso do tomate<br />
e <strong>frutas</strong> <strong>de</strong> caroço.<br />
12
8.2 FORMAS E HORÁRIOS DE COLHEITA DE FRUTAS E<br />
HORTALIÇAS E CUIDADOS DURANTE A OPERAÇÃO<br />
Defi nido o ponto <strong>de</strong> colheita ou <strong>de</strong> maturação a<strong>de</strong>quado inicia-se o<br />
processo <strong>de</strong> colheita.<br />
As formas <strong>de</strong> colheita po<strong>de</strong>m ser: manual e mecânica.<br />
8.2.1 Forma manual <strong>de</strong> colheita<br />
É o procedimento mais utilizado no Brasil e mesmo nos países<br />
<strong>de</strong>senvolvidos como os Estados Unidos, por causa das seguintes vantagens:<br />
- Permite seleção acurada da maturida<strong>de</strong>;<br />
- Provoca mínimos danos ao produto;<br />
- Não requer gran<strong>de</strong> investimento <strong>de</strong> capital.<br />
Os instrumentos e procedimentos utilizados na colheita manual <strong>de</strong><br />
<strong>frutas</strong> e hortaliças, sempre com o objetivo <strong>de</strong> protegê-las são: bal<strong>de</strong>s,<br />
cestos, sacolas e caixas <strong>de</strong> colheita, para facilitar a colheita <strong>de</strong> uma só<br />
vez em algumas plantas/árvores (tomate, <strong>frutas</strong> em geral). No caso <strong>de</strong><br />
bal<strong>de</strong>s, para <strong>frutas</strong> mais sensíveis, é importante forrá-los com pano ou<br />
espuma. No caso <strong>de</strong> sacola, é interessante que seja <strong>de</strong> fundo falso para<br />
permitir “<strong>de</strong>scarga” pelo fundo, sem danifi car o produto;<br />
Facas e tesouras: muitas <strong>frutas</strong> e hortaliças tipo fruto po<strong>de</strong>m ser<br />
<strong>de</strong>stacadas da planta com uma leve torção sobre o pedúnculo (pêssego,<br />
nectarina, maçã, pêra etc), mas alguns necessitam ser colhidos cortando-se<br />
o pedúnculo ou a raiz com a faca (abacaxi, banana, repolho, alface<br />
etc) ou <strong>de</strong>stacando-se os frutos, cortando-se o pedúnculo com tesouras<br />
especiais (uva, abobrinha, tomate, vagem, pepino, berinjela, pimentão,<br />
melancia, melão, maracujá etc). As facas e tesouras têm a <strong>de</strong>svantagem<br />
<strong>de</strong> po<strong>de</strong>r transmitir doenças <strong>de</strong> uma planta para a outra. Para evitar isso,<br />
é importante a <strong>de</strong>sinfecção frequente <strong>de</strong>sses instrumentos.<br />
8.2.2 Forma mecânica <strong>de</strong> colheita<br />
Geralmente é utilizada para produtos menos sensíveis às injúrias<br />
mecânicas (nozes, cítricos industriais, tomates industriais, cenouras<br />
encanteiradas, cebolas, alhos e batatas plantadas sobre camalhões, uvas<br />
para vinho etc). Tem as seguintes vantagens: rapi<strong>de</strong>z e maior rendimen-<br />
13
to na colheita, melhores condições <strong>de</strong> trabalho para os colhedores e redução<br />
<strong>de</strong> mão <strong>de</strong> obra, mas também apresentam <strong>de</strong>svantagens: necessida<strong>de</strong><br />
<strong>de</strong> uniformida<strong>de</strong> na lavoura, maior dano ao produto colhido (batidas,<br />
ferimentos) e necessida<strong>de</strong> <strong>de</strong> maior investimento.<br />
8.3 HORÁRIO DE COLHEITA<br />
- O horário i<strong>de</strong>al <strong>de</strong> colheita <strong>de</strong> <strong>frutas</strong> e hortaliças é ao fi nal da tar<strong>de</strong>,<br />
classifi cando-as e embalando-as ao anoitecer e transportando-as à<br />
noite e/ou pela madrugada, ofertando produtos frescos antes do raiar<br />
do sol. Evitar as manhãs orvalhadas e dias chuvosos.<br />
8.4 CUIDADOS ESPECIAIS NA COLHEITA<br />
- Não provocar qualquer tipo <strong>de</strong> dano mecânico ao produto;<br />
- Não colher <strong>frutas</strong> e hortaliças muito antes ou muito <strong>de</strong>pois do ponto<br />
i<strong>de</strong>al <strong>de</strong> colheita, não danifi car as que permanecem na lavoura ou na<br />
árvore e evitar quebra <strong>de</strong> galhos e danifi cações nos ramos ou plantas;<br />
- Plantas muito altas, utilizar escadas, evitando-se <strong>de</strong>rrubar os frutos;<br />
- Produto colhido <strong>de</strong>ve ser colocado imediatamente à sombra ou ser<br />
transportado ao “packing house” ou galpão <strong>de</strong> preparo;<br />
- Na colheita, utilizar bal<strong>de</strong>s, cestos protegidos ou sacolas (com fundo<br />
falso);<br />
- Utilizar caixas <strong>de</strong> colheita para o transporte do produto até o “packing<br />
house”;<br />
- Desinfetar sempre os materiais utilizados na colheita utilizando-se <strong>de</strong><br />
uma solução <strong>de</strong> hipoclorito <strong>de</strong> sódio (água sanitária) na concentração<br />
<strong>de</strong> 4 ml (para materiais plásticos) a 8 ml do produto para 10 litros <strong>de</strong><br />
água (para materiais <strong>de</strong> ma<strong>de</strong>ira);<br />
- Antes do início da colheita realizar trabalhos <strong>de</strong> manutenção das estradas<br />
internas da lavoura e da proprieda<strong>de</strong>.<br />
9 OBJETIVOS E VANTAGENS DA CLASSIFICAÇÃO DE<br />
FRUTAS E HORTALIÇAS<br />
A classifi cação <strong>de</strong> <strong>frutas</strong> e hortaliças traz as seguintes vantagens:<br />
- Melhora a apresentação do produto (pela melhor uniformida<strong>de</strong> em<br />
14
tamanho, na coloração, no acondicionamento e no tipo);<br />
- Simplifi ca e facilita os negócios (pela padronização do produto e da<br />
embalagem e pela credibilida<strong>de</strong> no volume e no peso);<br />
- Permite maior e melhor opção aos compradores;<br />
- Reduz perdas na <strong>comercialização</strong> e evita a <strong>comercialização</strong> <strong>de</strong> produtos<br />
ina<strong>de</strong>quados.<br />
A classifi cação dá maior credibilida<strong>de</strong> e competitivida<strong>de</strong> ao produto<br />
com maior segurança <strong>de</strong> negócio e maior lucro ao produtor e toda a<br />
ca<strong>de</strong>ia produtiva.<br />
10 FORMAS DE CLASSIFICAÇÃO DE FRUTAS E<br />
HORTALIÇAS<br />
- Antes <strong>de</strong> iniciar a classifi cação fazer uma limpeza geral (retirada <strong>de</strong><br />
impurezas) e, se for o caso, lavagem em água limpa (<strong>de</strong> preferência<br />
tratada) e/ou secagem e/ou escovação;<br />
- Na classifi cação, que po<strong>de</strong> ser manual ou mecânica, cada espécie é<br />
classifi cada em:<br />
- Grupo/Subgrupo - Separa o produto conforme a cor externa ou interna,<br />
formato ou varieda<strong>de</strong>;<br />
- Classe ou Categoria - Classifi ca o produto conforme o tamanho (calibre)<br />
ou o peso;<br />
- Tipo ou qualida<strong>de</strong>: é o que <strong>de</strong>fi ne a qualida<strong>de</strong> externa, visual, conforme<br />
o nível <strong>de</strong> <strong>de</strong>feitos (graves ou leves) apresentados, lembrando-se<br />
que, no momento da embalagem, todos os produtos com <strong>de</strong>feitos graves<br />
<strong>de</strong>vem ser <strong>de</strong>scartados;<br />
- Antes ou <strong>de</strong>pois da classifi cação os produtos po<strong>de</strong>m ainda sofrer tratamento<br />
fúngico e serem encerados.<br />
11 USO DE EMBALAGENS PADRÕES,<br />
ACONDICIONAMENTO E IDENTIFICAÇÃO DO PRODUTO<br />
E DO PRODUTOR<br />
As <strong>frutas</strong> e hortaliças classifi cadas <strong>de</strong>vem ser <strong>de</strong>vidamente embaladas<br />
antes do envio para o mercado.<br />
15
- As embalagens para <strong>frutas</strong> e hortaliças po<strong>de</strong>m ser <strong>de</strong> caixaria <strong>de</strong> papelão<br />
ondulado, <strong>de</strong> ma<strong>de</strong>ira ou <strong>de</strong> plástico e sacos <strong>de</strong> juta ou <strong>de</strong><br />
polietileno/propropileno;<br />
- Atualmente não existem normas fe<strong>de</strong>rais do Ministério da Agricultura<br />
quanto às embalagens padrões, po<strong>de</strong>ndo, cada produtor e/ou grupo<br />
<strong>de</strong> produtores terem as suas embalagens padronizadas para cada espécie<br />
e/ou grupo <strong>de</strong> espécies, conforme a <strong>de</strong>manda dos clientes;<br />
- Os materiais utilizados para a confecção das embalagens po<strong>de</strong>m ser<br />
<strong>de</strong> qualquer tipo <strong>de</strong>s<strong>de</strong> que sejam <strong>de</strong>scartáveis, recicláveis, bio<strong>de</strong>gradáveis<br />
e seguros e não sejam tóxicos e nem infl amáveis. As embalagens<br />
po<strong>de</strong>m ser até retornáveis, como no caso <strong>de</strong> embalagens plásticas<br />
e/ou <strong>de</strong> ma<strong>de</strong>ira, mas <strong>de</strong>s<strong>de</strong> que existam esquemas especiais <strong>de</strong><br />
<strong>de</strong>sinfecção, após cada uso;<br />
- O tamanho ou dimensões externas das embalagens po<strong>de</strong>m ser variados,<br />
<strong>de</strong>s<strong>de</strong> que possibilitem a perfeita paletização sobre “pallets” internacionais<br />
<strong>de</strong> 1,00 m x 1,20 m;<br />
- As dimensões internas das embalagens também po<strong>de</strong>m ser diversas,<br />
<strong>de</strong>s<strong>de</strong> que permitam acomodar perfeitamente o produto <strong>de</strong>ntro <strong>de</strong>las,<br />
em volume que dê segurança e proteção e com um mínimo <strong>de</strong> espaço<br />
vazio.<br />
- As embalagens <strong>de</strong>vem ser limpas, higiênicas, lisas (não ásperas) e<br />
que não contenham peças quebradas ou lascadas e sejam sem remendos;<br />
- Os produtos mais sensíveis <strong>de</strong>vem ser embalados em apenas uma e,<br />
no máximo, duas camadas ou <strong>de</strong>vem utilizar ban<strong>de</strong>jas especiais para<br />
a separação das camadas.<br />
11.1 OBJETIVOS DO USO DE EMBALAGENS PADRÕES PARA<br />
FRUTAS<br />
Disciplinar a utilização <strong>de</strong> embalagens no mercado, visando proteção,<br />
conservação e integrida<strong>de</strong> do produto, durante o acondicionamento,<br />
o manuseio, o transporte, o armazenamento e a <strong>comercialização</strong>.<br />
Vantagens do uso <strong>de</strong> embalagens padronizadas:<br />
16
- Garantir proteção e segurança ao produto;<br />
- Uniformizar e melhorar a apresentação do produto no mercado;<br />
- Facilitar o manuseio, o armazenamento, o empilhamento e o transporte<br />
do produto;<br />
- Facilitar e agilizar as transações comerciais.<br />
Em consequência:<br />
- Aumentar a credibilida<strong>de</strong> e a competitivida<strong>de</strong> do produto e melhorar<br />
a venda, agregando maior renda para o produtor e para toda a ca<strong>de</strong>ia<br />
produtiva;<br />
- Alguns produtos po<strong>de</strong>m ser transportados e/ou comercializados a granel.<br />
Frutas: abacaxi, abacate, banana em cacho e em penca, cítricos,<br />
coco, jaca, mamão, manga, melão e melancia. Hortaliças: abóbora,<br />
couve-fl or, milho ver<strong>de</strong> e repolho.<br />
11.2 ACONDICIONAMENTO DE FRUTAS E HORTALIÇAS NAS<br />
EMBALAGENS<br />
- As <strong>frutas</strong> e/ou hortaliças <strong>de</strong> uma <strong>de</strong>terminada espécie <strong>de</strong>vem ser acondicionadas<br />
nas embalagens, separando-se por cultivar, por grupo/<br />
subgrupo, por uniformida<strong>de</strong> <strong>de</strong> coloração e/ou maturação, por calibre<br />
ou classe e por tipo, categoria ou qualida<strong>de</strong>;<br />
- Cada espécie <strong>de</strong> fruta ou hortaliças tem forma correta <strong>de</strong> ser colocada<br />
na embalagem (<strong>de</strong>itada, em pé, inclinada), mas o importante é que a<br />
camada da “boca” (caixas fundas e fechadas como a “K”) ou a camada<br />
do fundo (caixas rasas e/ou abertas) <strong>de</strong>ve ser bem feita. As <strong>de</strong>mais<br />
camadas <strong>de</strong>vem ser representativas da primeira camada;<br />
- Frutas e hortaliças <strong>de</strong>vem ser colocadas nas embalagens <strong>de</strong> forma justaposta,<br />
sem forçar e com o menor espaço vazio possível;<br />
- Proteger muito bem as <strong>frutas</strong> e hortaliças, principalmente as mais sensíveis<br />
e cuidar para que o peso e o volume dos produtos nas embalagens<br />
sejam sempre uniformes, <strong>de</strong> acordo com as espécies e os padrões<br />
<strong>de</strong> classifi cação;<br />
- Fechar bem a embalagem, sem pressão e sem danifi car a camada superior<br />
do produto.<br />
17
11.3 IDENTIFICAÇÃO DO PRODUTO E DO PRODUTOR<br />
Produtos bem classifi cados e <strong>de</strong>vidamente embalados <strong>de</strong>vem e<br />
merecem ser bem divulgados.<br />
Deve-se colar nas cabeceiras e/ou nas vistas principais das embalagens<br />
(locais bem visíveis ao comprador), rótulos/etiquetas (ou carimbos,<br />
legendas, estampas, gravações) contendo informações mínimas<br />
importantes como:<br />
- Nome da espécie/varieda<strong>de</strong>;<br />
- Nome do produtor ou da proprieda<strong>de</strong>;<br />
- En<strong>de</strong>reço ou zona <strong>de</strong> produção;<br />
- Números <strong>de</strong> registros do INCRA e MA;<br />
- Grupo, subgrupo, classe/calibre, tipo/categoria do produto;<br />
- Peso líquido do produto e data da embalagem.<br />
Para reforçar, po<strong>de</strong>-se colar selos individuais <strong>de</strong> i<strong>de</strong>ntifi cação (com<br />
a marca) em cada produto e/ou código <strong>de</strong> barra, e/ou certifi cado <strong>de</strong> sanida<strong>de</strong>,<br />
visando oferta <strong>de</strong> produtos diferenciados.<br />
12 AGREGAÇÃO DE VALOR PELA OFERTA DIFERENCIADA<br />
DE FRUTAS E OLERÍCOLAS<br />
12.1 FORMAS DIFERENCIADAS DE OFERTA<br />
O setor fruti-olerícola oferece oportunida<strong>de</strong>s diversas <strong>de</strong> agregação<br />
<strong>de</strong> valor pela diferenciação na oferta do produto, <strong>de</strong>ntre as quais po<strong>de</strong>mos<br />
citar:<br />
Classifi cação e padronização do produto e uso <strong>de</strong> embalagens a<strong>de</strong>quadas<br />
e padronizadas: Classifi car o produto signifi ca agregar valor, pois<br />
os <strong>de</strong>scartáveis, porém ainda consumíveis, po<strong>de</strong>m ser industrializados<br />
<strong>de</strong> forma caseira ou utilizados para o tratamento <strong>de</strong> animais e/ou recomposição<br />
<strong>de</strong> matéria orgânica no próprio pomar ou horta; o simples fato<br />
<strong>de</strong> não enviar esses <strong>de</strong>scartáveis para o mercado, agrega valor por economizar<br />
em embalagens e transporte, por reduzir perdas nos segmentos<br />
do mercado, pela melhor apresentação do produto e, no caso <strong>de</strong> uso <strong>de</strong><br />
18
embalagens a<strong>de</strong>quadas e padronizadas, pela uniformização dos lotes,<br />
pela facilida<strong>de</strong> no manuseio, no transporte, no empilhamento e na<br />
melhoria da segurança do produto.<br />
12.2 DESDOBRAMENTO<br />
Signifi ca ofertar o produto em embalagens menores, com quantida<strong>de</strong><br />
<strong>de</strong> produto a<strong>de</strong>quado para o consumo, em um curto espaço <strong>de</strong> tempo<br />
(hoje, as donas <strong>de</strong> casa vão ao mercado pelo menos uma vez por semana,<br />
quando antigamente iam apenas uma vez por mês, fazer o “rancho”).<br />
Exemplos: <strong>frutas</strong> e olerícolas inteiras, selecionadas, embaladas<br />
em ban<strong>de</strong>jas <strong>de</strong> plástico ou isopor, saquinhos <strong>de</strong> papel ou <strong>de</strong> plástico,<br />
cumbucas <strong>de</strong> ma<strong>de</strong>ira ou <strong>de</strong> plástico, bananas em “buquês” (pencas com<br />
poucos frutos).<br />
12.3 ORGÂNICOS E HIDROPÔNICOS<br />
Por questão <strong>de</strong> saú<strong>de</strong>, parte dos consumidores começa a procurar<br />
produtos orgânicos e hidropônicos, cujos setores, principalmente o dos<br />
orgânicos, começam a tomar impulso. Entretanto, conforme o cenário<br />
econômico, preços muito altos po<strong>de</strong>m inviabilizar a sua <strong>comercialização</strong><br />
e nem todas as espécies po<strong>de</strong>m ser produzidas sem o uso <strong>de</strong> agrotóxicos<br />
e/ou fertilizantes. De qualquer forma, são nichos <strong>de</strong> mercado que po<strong>de</strong>m<br />
ser conquistados e/ou ampliados.<br />
12.4 PROCESSAMENTO MÍNIMO<br />
a) Simples naturais: Frutas ou olerícolas naturais, apenas cortadas e<br />
<strong>de</strong>scascadas, sem equipamento e produtos especiais <strong>de</strong> higienização,<br />
embaladas em ban<strong>de</strong>jas ou saquinhos plásticos. Exemplos: Aipim,<br />
abóbora.<br />
b) Completas, naturais: Frutas e olerícolas <strong>de</strong>scascadas, lavadas,<br />
higienizadas, picadas ou fatiadas ou cortadas, embaladas em saqui-<br />
19
nhos ou ban<strong>de</strong>jas <strong>de</strong> plástico (a vácuo ou não), prontas para o consumo<br />
(basta temperá-las). Já existem empresas que anexam sachês com<br />
tempero ou preparam e ofertam “kits” específi cos para alguns pratos<br />
como o “sukiyaki”, “tepanyaki” e outros. Exemplos: quase todas as<br />
olerícolas folhosas (alface, escarola, chicória etc), olerícolas fl oríferas<br />
(couve-fl or e brócolis), olerícolas fruto (pepino, tomate, pimentão etc),<br />
olerícolas raízes (cenoura, bardana, batata-doce etc), olerícolas bulbo<br />
ou haste (cebola, salsa, cebolinha etc) e algumas olerícolas tubérculos.<br />
c) Completas, pré-cozidas: I<strong>de</strong>m ao item anterior, mas são pré-cozidas.<br />
Exemplos: batata-inglesa, batata-salsa, aipim etc.<br />
d) Transformação: É o segmento com maior opção no qual os produtos,<br />
naturais ou não, recebem algum tipo <strong>de</strong> tratamento, que modifi ca<br />
o seu sabor e/ou aspecto.<br />
e) Sucos concentrados e congelados <strong>de</strong> laranja (cerca <strong>de</strong> 60% da produção<br />
<strong>de</strong> laranja do país é transformada nessa forma), <strong>de</strong> maracujá, abacaxi,<br />
<strong>de</strong> uva etc, cuja qualida<strong>de</strong> é primordial, principalmente no que<br />
tange ao conteúdo <strong>de</strong> açúcar e <strong>de</strong> ácido, normalmente exportadas e/ou<br />
distribuídas em gran<strong>de</strong>s indústrias <strong>de</strong> <strong>de</strong>sdobramento (em refrigerantes<br />
e/ou sucos).<br />
f) Polpas <strong>de</strong> <strong>frutas</strong> como <strong>de</strong> goiaba, acerola, maracujá etc, que são <strong>de</strong>stinadas<br />
às indústrias alimentícias.<br />
g) Sucos naturais (<strong>de</strong> consumo imediato), <strong>de</strong> uva, maracujá, tangerina<br />
etc, embalados em garrafas <strong>de</strong> vidro, caixas tetrapak cujos produtos,<br />
numa gama enorme <strong>de</strong> espécies, são hoje encontrados no mercado em<br />
gran<strong>de</strong> quantida<strong>de</strong>.<br />
h) Vinho para o qual a qualida<strong>de</strong> da uva é primordial (cerca <strong>de</strong> 40% da<br />
produção nacional <strong>de</strong> uvas é transformada em vinhos) e vinagres (<strong>de</strong><br />
uva, <strong>de</strong> maçã etc).<br />
I) Néctares <strong>de</strong> <strong>frutas</strong>, com polpas mais viscosas, como <strong>de</strong> pêssegos,<br />
nectarinas, pêras e maçãs.<br />
20
j) Conservas e picles, muito utilizados para olerícolas como pepino, pimentão,<br />
cebola e quiabo, para os quais o padrão <strong>de</strong> tamanho tem importância<br />
muito gran<strong>de</strong> (quando <strong>de</strong>stinados às indústrias), embora possam<br />
ser transformados <strong>de</strong> forma caseira, quando po<strong>de</strong>m ser utilizados<br />
produtos <strong>de</strong>scartáveis.<br />
k) Desidratadas (tomate, alho, cebola etc) e passas (uva, banana, damasco<br />
e ameixa), simplesmente torradas (noz <strong>de</strong> caju) ou fatiadas e fritas<br />
em forma <strong>de</strong> “chips” (<strong>de</strong> batata, <strong>de</strong> banana etc).<br />
l) Doces (tipo marrom glacê ou cristalizados <strong>de</strong> goiaba, batata-doce,<br />
marmelo, albedo <strong>de</strong> cidras etc).<br />
m) Geléias (<strong>de</strong> ameixa, <strong>de</strong> uva etc), compotas (<strong>de</strong> pêssego, <strong>de</strong> fi go etc),<br />
balas (<strong>de</strong> banana, como exemplo) para os quais também po<strong>de</strong>m ser<br />
utilizados os <strong>de</strong>scartáveis, nas proprieda<strong>de</strong>s.<br />
FONTE: INSTITUTO EMATER<br />
21
13 MERCADOS<br />
13.1 CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO OU DE COMERCIALIZAÇÃO<br />
DISPONÍVEIS<br />
Enten<strong>de</strong>-se aqui canais <strong>de</strong> <strong>comercialização</strong> como os vários espaços<br />
e oportunida<strong>de</strong>s nos quais se praticam as transações comerciais, <strong>de</strong>s<strong>de</strong><br />
locais até internacionais.<br />
Canais <strong>de</strong> marketing ou <strong>de</strong> distribuição po<strong>de</strong>m ser entendidos como<br />
“um conjunto <strong>de</strong> organizações inter<strong>de</strong>pen<strong>de</strong>ntes envolvidas no processo<br />
<strong>de</strong> tornar o produto ou serviço disponível para o consumo ou uso”.<br />
(STERN, 1996). O conceito indica que várias empresas estão evolvidas<br />
no processo, a fi m <strong>de</strong> satisfazer os usuários fi nais no mercado, sejam eles<br />
consumidores ou compradores empresariais.<br />
22<br />
FONTE: INSTITUTO EMATER
Os canais <strong>de</strong> <strong>comercialização</strong> <strong>de</strong>sempenham, cada vez mais, papel<br />
importante para o agricultor, po<strong>de</strong>ndo ser o fator mais relevante para o<br />
<strong>de</strong>senvolvimento efetivo da participação <strong>de</strong> mercado. Os canais <strong>de</strong> distribuição<br />
efi cientes vêm se tornando mais importantes para garantir que<br />
os agricultores alcancem sucesso em mercados altamente competitivos.<br />
É preciso conhecer os canais <strong>de</strong> <strong>comercialização</strong> para:<br />
- Enten<strong>de</strong>r o processo <strong>de</strong> formação <strong>de</strong> preços;<br />
- I<strong>de</strong>ntifi car pontos <strong>de</strong> estrangulamento da <strong>comercialização</strong>;<br />
- I<strong>de</strong>ntifi car possíveis oportunida<strong>de</strong>s;<br />
- I<strong>de</strong>ntifi car possíveis parcerias e alianças;<br />
- Organizar estratégias para participar <strong>de</strong> mercados mais competitivos.<br />
Os principais canais <strong>de</strong> <strong>comercialização</strong> utilizados pelos agricultores<br />
familiares estão relacionados a seguir, com a predominância do<br />
intermediário, o que <strong>de</strong>monstra um longo caminho a ser percorrido na<br />
organização dos agricultores e da produção para que passem a ser protagonistas<br />
<strong>de</strong> seus negócios, através do cooperativismo.<br />
Principais canais <strong>de</strong> <strong>comercialização</strong>:<br />
Intermediário, Cooperativas, Indústria, Mercado atacadista (Centrais<br />
<strong>de</strong> Abastecimento – CEASA, Operadores in<strong>de</strong>pen<strong>de</strong>ntes e Produtores<br />
expedidores), Mercado Institucional (PAA E PNAE), Comércio Justo etc.<br />
13.2 QUEM SÃO OS CONCORRENTES E COMO SE<br />
COMPORTAM<br />
O agricultor precisa i<strong>de</strong>ntifi car quem são os concorrentes que atuam<br />
no mercado <strong>de</strong> seus produtos, como eles operam, qual a qualida<strong>de</strong><br />
apresentada, como são feitas as transações, forma <strong>de</strong> pagamento e qual a<br />
fatia <strong>de</strong> mercado ocupada pelos concorrentes. Tais observações permitem<br />
<strong>de</strong>tectar os pontos fortes e fracos e i<strong>de</strong>ntifi car novas oportunida<strong>de</strong>s <strong>de</strong><br />
mercado.<br />
23
13.3 COMO SÃO PRATICADAS AS TRANSAÇÕES DE COMPRA<br />
E VENDA<br />
13.3.1 Enten<strong>de</strong>ndo a ca<strong>de</strong>ia produtiva dos produtos<br />
Um <strong>de</strong>safi o para os agricultores familiares é enten<strong>de</strong>r como estão<br />
estruturadas as ca<strong>de</strong>ias produtivas <strong>de</strong> seus produtos e <strong>de</strong> seus negócios,<br />
como interagem os agentes nessas ca<strong>de</strong>ias, como estão compostas as<br />
forças <strong>de</strong> mercado, como a ca<strong>de</strong>ia é coor<strong>de</strong>nada e i<strong>de</strong>ntifi car o mercado<br />
apropriado para cada produto, os canais <strong>de</strong> <strong>comercialização</strong>, as estratégias<br />
específi cas para cada grupo <strong>de</strong> produtos e como fortalecer o po<strong>de</strong>r<br />
<strong>de</strong> barganha dos produtores para enfrentar a força dos compradores.<br />
Sem dúvida é uma tarefa difícil, quase impossível, para os agricultores<br />
enfrentarem individualmente, sem o espírito cooperativo.<br />
As ca<strong>de</strong>ias produtivas são entendidas como um conjunto <strong>de</strong> componentes<br />
interativos, compreen<strong>de</strong>ndo <strong>de</strong>s<strong>de</strong> os fornecedores <strong>de</strong> serviços<br />
e insumos, sistemas produtivos agropecuários e agrofl orestais, processamento<br />
e transformação, distribuição e <strong>comercialização</strong>, até os consumidores<br />
fi nais <strong>de</strong> produtos e subprodutos (EMBRAPA).<br />
FIGURA 2 - REPRESENTAÇÃO GRÁFICA GERAL DE UMA CADEIA<br />
PRODUTIVA<br />
24
Segundo (Batalha et al, 1997) a ca<strong>de</strong>ia produtiva po<strong>de</strong> ser analisada<br />
sob diversos enfoques:<br />
Técnico - A ca<strong>de</strong>ia <strong>de</strong> produção é uma sucessão <strong>de</strong> operações <strong>de</strong><br />
transformação dissociáveis, capazes <strong>de</strong> serem separadas e ligadas entre<br />
si por um enca<strong>de</strong>amento técnico;<br />
Econômico - A ca<strong>de</strong>ia <strong>de</strong> produção é também um conjunto <strong>de</strong> relações<br />
comerciais e fi nanceiras que estabelecem, entre todos os estados<br />
<strong>de</strong> transformação, um fl uxo <strong>de</strong> troca situado <strong>de</strong> montante a jusante, entre<br />
fornecedores e clientes;<br />
Estratégico - A ca<strong>de</strong>ia <strong>de</strong> produção é um conjunto <strong>de</strong> ações econômicas<br />
que presi<strong>de</strong>m a valoração dos meios <strong>de</strong> produção e asseguram as<br />
articulações das operações.<br />
13.3.2 Forma <strong>de</strong> <strong>comercialização</strong><br />
A <strong>comercialização</strong> é complexa, dinâmica e processual.<br />
Ela possui as seguintes funções:<br />
- Função comercial – refere-se às informações e <strong>de</strong>cisões <strong>de</strong> venda;<br />
- Função logística – inerente ao transporte e à entrega <strong>de</strong> mercadorias;<br />
- Função fi nanceira – trata da forma <strong>de</strong> pagamento e <strong>de</strong> como serão<br />
formalizados os contratos entre as partes.<br />
A forma <strong>de</strong> <strong>comercialização</strong> do produto, venda “in natura”, produto<br />
minimamente processado e produto processado irá implicar no investimento<br />
em infraestrutura e na legislação a ser seguida no processo <strong>de</strong><br />
<strong>comercialização</strong>.<br />
13.3.3 Estratégia <strong>de</strong> <strong>comercialização</strong><br />
No contexto do mundo globalizado, as relações comerciais são<br />
caracterizadas pela alta competitivida<strong>de</strong>. Só haverá espaço para quem:<br />
buscar, permanentemente, informações sobre o mercado consumidor <strong>de</strong><br />
seus produtos e sobre o mercado fornecedor <strong>de</strong> suas matérias-primas;<br />
dominar técnicas <strong>de</strong> gerenciamento da ativida<strong>de</strong> rural e aplicá-las no seu<br />
negócio; analisar, rotineiramente, os preços praticados pelo mercado, os<br />
custos <strong>de</strong> produção e os preços <strong>de</strong> seus produtos.<br />
25
A <strong>comercialização</strong> po<strong>de</strong> ser efetuada <strong>de</strong> várias formas:<br />
- Venda individual;<br />
- Venda associativa;<br />
- Organização <strong>de</strong> re<strong>de</strong>.<br />
Para inserção dos agricultores familiares no mercado é necessário<br />
melhorar o seu po<strong>de</strong>r <strong>de</strong> competição com organização em cooperativas,<br />
centrais <strong>de</strong> associações, formando re<strong>de</strong>s <strong>de</strong> <strong>comercialização</strong> e parcerias<br />
formalizadas, como forma <strong>de</strong> superar mais facilmente as barreiras <strong>de</strong> sua<br />
inserção no mercado, para aten<strong>de</strong>rem as <strong>de</strong>mandas dos diversos canais <strong>de</strong><br />
<strong>comercialização</strong> públicos e privados, para que possam organizar a oferta<br />
<strong>de</strong> produção, a diversida<strong>de</strong> <strong>de</strong> alimentos, a logística <strong>de</strong> benefi ciamento,<br />
armazenagem, processamento, embalagem, padronização, transporte,<br />
distribuição, aquisição <strong>de</strong> insumos, caminhões, máquinas <strong>de</strong> benefi ciamento<br />
e marketing. As transações <strong>de</strong>vem ocorrer do informal para o<br />
formal, através <strong>de</strong> contratos, alianças e outros mecanismos. Instituições,<br />
<strong>de</strong>vidamente registradas, observando os amparos legais tornam-se “o<br />
braço” dos produtores no mercado.<br />
O agricultor sozinho difi cilmente consegue acessar bons mercados<br />
e manter a regularida<strong>de</strong> na oferta <strong>de</strong> produtos também, na maioria dos<br />
casos, não dispõe da infraestrutura necessária. Portanto, o associativismo<br />
é uma estratégia competitiva <strong>de</strong> acesso ao mercado.<br />
A tendência <strong>de</strong> monopolização no sistema <strong>de</strong> abastecimento agroalimentar<br />
tem difi cultado a inserção <strong>de</strong> alguns segmentos tradicionais<br />
ao mercado. O resultado tem sido a exclusão <strong>de</strong> pequenos e médios<br />
empreendimentos agrícolas, industriais e comerciais.<br />
Paralelamente, novas possibilida<strong>de</strong>s são abertas à <strong>comercialização</strong><br />
para produtos diferenciados, como os artesanais, orgânicos e “naturais”,<br />
que apresentem valor econômico, social e cultural. Dentre as estratégias<br />
<strong>de</strong> inserção no mercado <strong>de</strong>stacam-se duas: verticalizar a <strong>comercialização</strong><br />
ou fazer parcerias. Na verticalização é necessário criar “uma marca para<br />
obter a fi <strong>de</strong>lida<strong>de</strong> dos consumidores”. É preciso conhecer os consumidores<br />
pois, normalmente, nesse caso as margens <strong>de</strong> ganho são pequenas.<br />
Isso tem implicações na efi ciência em termos <strong>de</strong> redução dos custos <strong>de</strong><br />
produção e transação. Já no caso das parcerias, o i<strong>de</strong>al é buscar produto-<br />
26
es parceiros já estabelecidos. É fundamental ter uma coor<strong>de</strong>nação das<br />
ativida<strong>de</strong>s, que também realizam o controle dos custos <strong>de</strong>ssa transação<br />
e uma postura associativista madura <strong>de</strong> forma a reduzir o oportunismo,<br />
evitando criar a fi gura do intermediário.<br />
13.4 TIPOS DE MERCADOS<br />
13.4.1 Mercado atacadista (basicamente três canais)<br />
1) Centrais <strong>de</strong> abastecimento (CEASA): Existem nos principais centros<br />
urbanos, <strong>de</strong> proprieda<strong>de</strong> do estado e/ou municípios e, por não terem<br />
acompanhado a evolução da globalização e da mo<strong>de</strong>rnização, começam<br />
a per<strong>de</strong>r forças para outros canais;<br />
2) Operadores In<strong>de</strong>pen<strong>de</strong>ntes: São os intermediários ou atravessadores<br />
operando <strong>de</strong>ntro e fora das Centrais <strong>de</strong> Abastecimento, aten<strong>de</strong>ndo<br />
pequenos varejistas localizados nas pequenas cida<strong>de</strong>s. De modo geral,<br />
esses intermediários não têm qualquer comprometimento com o<br />
produtor e assumem poucos riscos;<br />
3) Produtores Expedidores: Representam uma classe nova <strong>de</strong> distribuidores,<br />
resultado da <strong>de</strong>manda <strong>de</strong> mercado, gerado por varejistas em<br />
busca <strong>de</strong> melhor serviço e menor custo, além da constância <strong>de</strong> entrega<br />
em volume e qualida<strong>de</strong>. São originários <strong>de</strong> operadores in<strong>de</strong>pen<strong>de</strong>ntes,<br />
com a diferença <strong>de</strong> que também são produtores. Esses mecanismos<br />
substituem a difi culda<strong>de</strong> <strong>de</strong> operacionalização <strong>de</strong> associações e cooperativas,<br />
na área <strong>de</strong> perecíveis.<br />
13.4.2 Mercado varejista<br />
Composto pelos canais tradicionais como as feiras livres os varejões,<br />
as quitandas, as mercearias, os ambulantes, sacolões, mercados municipais<br />
e os canais que englobam as gran<strong>de</strong>s re<strong>de</strong>s <strong>de</strong> super e hipermercados.<br />
13.4.3 Mercado consumidor institucional<br />
É constituído <strong>de</strong> inúmeros canais como: cozinhas industriais <strong>de</strong><br />
gran<strong>de</strong>s fábricas, exército, merenda escolar, re<strong>de</strong> <strong>de</strong> restaurantes e <strong>de</strong><br />
hotéis e outros.<br />
27
Pontos <strong>de</strong> estrangulamento para os produtores ven<strong>de</strong>rem seus produtos<br />
neste mercado:<br />
a) Baixa produção, tanto em volume como em diversida<strong>de</strong> <strong>de</strong> produtos;<br />
b) Descontinuida<strong>de</strong> na oferta;<br />
c) Falta <strong>de</strong> padronização da qualida<strong>de</strong> ofertada;<br />
d) Fraca infraestrutura <strong>de</strong> produção e <strong>comercialização</strong>;<br />
e) Baixa disponibilida<strong>de</strong> <strong>de</strong> recursos produtivos (capital e mão <strong>de</strong> obra);<br />
f) Pouca organização dos pequenos agricultores;<br />
g) Baixa remuneração.<br />
Os super e hipermercados, sacolões, quitandas, mercearias, varejões,<br />
feiras livres e os ambulantes representam o setor varejista <strong>de</strong> <strong>frutas</strong> e<br />
hortaliças no Brasil.<br />
Os estabelecimentos acima citados, exceto os super e hipermercados,<br />
ainda participam com consi<strong>de</strong>rável fatia <strong>de</strong> mercado na distribuição <strong>de</strong><br />
<strong>frutas</strong> e hortaliças.<br />
Entretanto, o aumento da concorrência aliado a baixos custos (economia<br />
<strong>de</strong> escala) e o incremento da efi ciência fará com que os super<br />
e hipermercados (que hoje <strong>de</strong>têm aproximadamente entre 45-50% da<br />
fatia do mercado) continuem a ganhar maior fatia <strong>de</strong> mercado (po<strong>de</strong>ndo<br />
atingir, nos próximos 5 anos, em torno <strong>de</strong> 70-80 %).<br />
As re<strong>de</strong>s recentes (<strong>de</strong> ca<strong>de</strong>ias internacionais) e as antigas re<strong>de</strong>s<br />
<strong>de</strong> super e hipermercados estão submetendo os seus <strong>de</strong>partamentos <strong>de</strong><br />
<strong>frutas</strong> e hortaliças a substanciais mudanças, realocando e atualizando<br />
o setor, transformando-o num elemento muito importante para atrair o<br />
consumidor, consi<strong>de</strong>rando-o como “ponto chave diferencial” entre todos<br />
os outros produtos. Efi ciência operacional e baixo custo são as chaves<br />
da sobrevivência.<br />
Os segmentos da ca<strong>de</strong>ia <strong>de</strong> <strong>frutas</strong> e hortaliças que os antece<strong>de</strong>m<br />
(produtores e distribuidores) estão muito longe <strong>de</strong> aten<strong>de</strong>r os requisitos<br />
necessários para garantir uma efi ciente operacionalida<strong>de</strong> <strong>de</strong>sse setor,<br />
excessivamente segmentado, oportunista, com ina<strong>de</strong>quada tecnologia<br />
<strong>de</strong> classifi cação, manuseio, armazenagem pós-colheita e transporte <strong>de</strong><br />
distribuição.<br />
É necessário na ca<strong>de</strong>ia o incremento e a organização <strong>de</strong> empresas e<br />
28
associações in<strong>de</strong>pen<strong>de</strong>ntes <strong>de</strong> distribuição, com a<strong>de</strong>quada infraestrutura<br />
<strong>de</strong> armazenamento, classifi cação, acondicionamento, armazenamento<br />
e <strong>de</strong> transporte para, <strong>de</strong> forma efi ciente, constante e preço competitivo<br />
(ganho por escala) po<strong>de</strong>r suprir o mo<strong>de</strong>rno setor varejista (principalmente,<br />
super e hipermercados e consumidores institucionais).<br />
13.4.4 Mercado institucional<br />
Nas imperfeições do mercado o Estado <strong>de</strong>ve interferir para proteger<br />
as populações excluídas <strong>de</strong>sse processo. Nesse sentido, o mercado<br />
institucional aparece como alternativa para inclusão dos agricultores,<br />
especialmente os mais <strong>de</strong>scapitalizados e para distribuição <strong>de</strong> alimentos<br />
seguros e saudáveis, para grupos <strong>de</strong> pessoas com insegurança alimentar.<br />
É um canal <strong>de</strong> <strong>comercialização</strong> no qual o agricultor familiar e/ou suas<br />
organizações comercializam a produção com instituição governamental<br />
ou não, <strong>de</strong>s<strong>de</strong> que permitida uma relação direta com o consumidor fi nal.<br />
A utilização <strong>de</strong>sse canal pela agricultura familiar é comumente<br />
fomentada pela ação extensionista em diversas experiências no estado,<br />
e tem como propósito oportunizar a inclusão social e sua inserção nas<br />
políticas públicas locais <strong>de</strong> abastecimento, bem como contribuir com a<br />
promoção da soberania alimentar.<br />
É responsabilida<strong>de</strong> coletiva fortalecer esse canal <strong>de</strong> <strong>comercialização</strong><br />
como estratégia <strong>de</strong> promoção do <strong>de</strong>senvolvimento rural sustentável e<br />
solidário, o que <strong>de</strong>pen<strong>de</strong> da ação organizada dos agricultores familiares,<br />
dos <strong>de</strong>mais atores sociais e do interesse do po<strong>de</strong>r público, sendo<br />
<strong>de</strong> fundamental importância relacionar o mercado institucional com as<br />
compras governamentais <strong>de</strong> alimento, do ponto <strong>de</strong> vista da construção<br />
e fortalecimento <strong>de</strong> políticas públicas <strong>de</strong> abastecimento.<br />
No Paraná os principais programas nessa área são: Programa <strong>de</strong><br />
Aquisição <strong>de</strong> Alimentos (PAA) que é executado pela SETP e CONAB;<br />
Programa <strong>de</strong> Alimentação Escolar cujos gestores são as Prefeituras e a<br />
Secretaria da Educação (Núcleos Regionais da Educação); e Política <strong>de</strong><br />
Garantia <strong>de</strong> Preços Mínimos (PGPM).<br />
Tem ainda os Programas Leite das Crianças e Leite Paraná, dos<br />
quais os produtores e suas organizações po<strong>de</strong>m participar.<br />
Estratégias <strong>de</strong> operacionalização no mercado institucional:<br />
29
- Estabelecer e fortalecer parcerias com instituições governamentais e<br />
não governamentais, organizações <strong>de</strong> agricultores e conselhos gestores,<br />
como o CMDRS - Conselho Municipal <strong>de</strong> Desenvolvimento Rural<br />
Sustentável e CONSEA - Conselho <strong>de</strong> Segurança Alimentar, entre<br />
outros;<br />
- Consi<strong>de</strong>rar, nos processos <strong>de</strong> licitação, os diferenciais da origem <strong>de</strong><br />
produtos locais, tais como: proximida<strong>de</strong> geográfi ca, produtos da agricultura<br />
familiar e produtos <strong>de</strong> base agroecológica;<br />
- I<strong>de</strong>ntifi car agricultores familiares que tenham potencial para aten<strong>de</strong>r<br />
<strong>de</strong>manda e que estejam em busca <strong>de</strong> oportunida<strong>de</strong>s <strong>de</strong> novos mercados<br />
e aumento da renda. Atentar para a possibilida<strong>de</strong> <strong>de</strong> inserção <strong>de</strong><br />
agricultores excluídos ou vulneráveis na perspectiva da redução da<br />
pobreza e inclusão produtiva.<br />
A experiência com o mercado institucional <strong>de</strong>ve ser consi<strong>de</strong>rada<br />
como um espaço <strong>de</strong> aprendizagem pela agricultura familiar, suas organizações<br />
e <strong>de</strong>mais atores, constituindo-se um processo educativo <strong>de</strong><br />
inserção ao mercado, do ponto <strong>de</strong> vista da qualifi cação para o acesso a<br />
outros canais <strong>de</strong> <strong>comercialização</strong>.<br />
13.4.5 Comércio justo “fair tra<strong>de</strong>”<br />
É um mo<strong>de</strong>lo <strong>de</strong> comércio mais transparente, <strong>de</strong>mocrático, que<br />
procura pagar remuneração justa pelo produto, aproxima o produtor,<br />
comprador e consumidor, procurando uma relação equitativa, fugindo às<br />
regras do mercado global, incentiva o empo<strong>de</strong>ramento dos produtores,<br />
tornando-os mais in<strong>de</strong>pen<strong>de</strong>ntes.<br />
Tem como objetivos:<br />
- Benefi ciar produtores e organizações que se encontram em difi culda<strong>de</strong>s<br />
para ven<strong>de</strong>r no mercado nacional e internacional;<br />
- Trazer benefícios, como melhor acesso ao mercado, ampliação das<br />
vendas e da renda;<br />
- Melhorar a qualida<strong>de</strong> <strong>de</strong> vida dos produtores e trabalhadores;<br />
- Promover o <strong>de</strong>senvolvimento social, econômico e ambiental;<br />
- Melhorar as habilida<strong>de</strong>s produtivas.<br />
O Comércio Justo “fair tra<strong>de</strong>”, conhecido também como mercado<br />
30
solidário, responsável ou ainda “ético”, é um movimento social e um<br />
sistema internacional <strong>de</strong> comércio, que busca atenuar <strong>de</strong>sigualda<strong>de</strong>s nos<br />
países pobres, por meio da venda <strong>de</strong> produtos feitos em padrões diferenciados<br />
e sustentáveis. Demonstra o exercício da cidadania, por meio <strong>de</strong><br />
<strong>de</strong>cisões individuais <strong>de</strong> consumo, contra situações injustas e <strong>de</strong>siguais.<br />
É uma prática solidária construída no dia-a-dia pela socieda<strong>de</strong>, a partir<br />
<strong>de</strong> relações comerciais diferenciadas, cumprindo alguns critérios que<br />
vão <strong>de</strong>s<strong>de</strong> a produção e <strong>comercialização</strong> até o consumo.<br />
Estão envolvidos nessa re<strong>de</strong> <strong>de</strong> comércio justo cerca <strong>de</strong> 57 países,<br />
569 associações, 1.4 milhão <strong>de</strong> agricultores e trabalhadores, 3 mil lojas<br />
alternativas e um “mix” <strong>de</strong> 250 produtos. No Paraná temos a laranja, na<br />
região <strong>de</strong> Paranavaí e a Cooperativa <strong>de</strong> Artesãs <strong>de</strong> Seda (COPRASEDA),<br />
participando <strong>de</strong>sse comércio.<br />
13.4.6 Re<strong>de</strong> <strong>de</strong> organizações para a <strong>comercialização</strong> <strong>de</strong> produtos da<br />
agricultura familiar<br />
O papel da re<strong>de</strong> <strong>de</strong> <strong>comercialização</strong> é fazer as articulações e conexões<br />
com parceiros, clientes, concorrentes, fornecedores e outros segmentos<br />
que têm infl uência sobre o negócio. São necessários alguns produtos e<br />
serviços elaborados e disponibilizados pelos componentes das parcerias.<br />
A gestão da re<strong>de</strong> requer habilida<strong>de</strong>s <strong>de</strong> negociação, ou seja, <strong>de</strong> como<br />
lidar com interesses comuns porém confl itantes, como estabelecer novas<br />
conexões e compromissos para obter resultados <strong>de</strong> forma compartilhada.<br />
O sucesso do negócio <strong>de</strong>pen<strong>de</strong> do sucesso da re<strong>de</strong>.<br />
Num sistema capitalista como o brasileiro, os agricultores familiares<br />
só conseguem realizar seus objetivos <strong>de</strong> melhoria <strong>de</strong> qualida<strong>de</strong> <strong>de</strong><br />
vida se comercializarem seus produtos e serviços e, com esse resultado<br />
monetário, adquirirem os bens <strong>de</strong> que necessitam.<br />
Os agricultores, individualmente, com relativa facilida<strong>de</strong>, produzem<br />
bem, porém, na hora <strong>de</strong> enfrentar o mercado, não possuem po<strong>de</strong>r<br />
<strong>de</strong> competitivida<strong>de</strong>, em função do baixo po<strong>de</strong>r <strong>de</strong> compra e venda e das<br />
baixas quantida<strong>de</strong>s ofertadas e adquiridas frente ao po<strong>de</strong>r <strong>de</strong> mercado,<br />
pelo gigantismo dos compradores e ven<strong>de</strong>dores, em função da concentração<br />
da renda das ca<strong>de</strong>ias produtivas nos elos a montante e a jusante<br />
da produção agrícola.<br />
31
Os mercados são estruturas sociais que se articulam entre agentes,<br />
preços e condições <strong>de</strong> pagamento específi cos. A análise <strong>de</strong> situações<br />
empíricas exige a compreensão das interações entre esses agentes econômicos,<br />
na maioria das vezes confl ituosas e longe <strong>de</strong> serem <strong>de</strong>terminadas<br />
por fl uxo contínuo e anônimo <strong>de</strong> fatores envolvendo a produção, a<br />
<strong>comercialização</strong> e o consumo (CHANLITA e PANZUTTI, 2005).<br />
As re<strong>de</strong>s <strong>de</strong> organizações para a <strong>comercialização</strong> po<strong>de</strong>rão ser um<br />
caminho para facilitar o acesso aos diversos mercados, em função da<br />
atuação <strong>de</strong> cada parceiro que as integra. Formam volume diversifi cado<br />
<strong>de</strong> produtos, compram e ven<strong>de</strong>m em gran<strong>de</strong>s quantida<strong>de</strong>s, obtendo,<br />
<strong>de</strong>sta forma, melhores preços, em <strong>de</strong>corrência do aumento do po<strong>de</strong>r <strong>de</strong><br />
mercado proporcionado pela amplitu<strong>de</strong> da re<strong>de</strong>.<br />
Em termos gerais, as re<strong>de</strong>s <strong>de</strong> organizações pressupõem a existência<br />
<strong>de</strong> objetivos e interesses comuns ou complementares entre os participantes,<br />
caracterizando-se por:<br />
- Serem compostas por diferentes atores, organizações que interagem<br />
entre si e <strong>de</strong>têm, cada qual, um conjunto <strong>de</strong> recursos;<br />
- Manterem as organizações participantes com um razoável grau <strong>de</strong><br />
in<strong>de</strong>pendência formal e contratual entre si;<br />
- Propiciarem relações “não formais” <strong>de</strong> <strong>de</strong>pendência signifi cativa entre<br />
os participantes da re<strong>de</strong>, as quais se aprofundam na medida em que<br />
dinamicamente se <strong>de</strong>senvolvem os laços entre eles;<br />
- Manterem as interações entre os participantes não em momentos<br />
únicos, mas repetidos ao longo do tempo, confi gurando padrões e<br />
evoluindo.<br />
Resumindo, objetivos como o <strong>de</strong> interação, relacionamento, ajuda<br />
mútua, compartilhamento, integração e complementarida<strong>de</strong> estarão<br />
sempre presentes na análise <strong>de</strong> re<strong>de</strong>s <strong>de</strong> organizações, ainda que sob<br />
diferentes enfoques conceituais.<br />
13.4.7 Re<strong>de</strong> <strong>de</strong> <strong>comercialização</strong> via web<br />
O objetivo principal <strong>de</strong> uma re<strong>de</strong> <strong>de</strong> <strong>comercialização</strong> via web é reunir<br />
em um só lugar a produção ao alcance <strong>de</strong> ven<strong>de</strong>dores e compradores,<br />
visando aten<strong>de</strong>r quem a quer comprar e a quem quer ven<strong>de</strong>r. Busca-se<br />
também dar maior agilida<strong>de</strong> ao processo <strong>de</strong> compra e venda, pois os pro-<br />
32
dutos agropecuários, em função <strong>de</strong> sua perecibilida<strong>de</strong>, precisam ter<br />
<strong>comercialização</strong> rápida, <strong>de</strong> preferência, ven<strong>de</strong>r para <strong>de</strong>pois produzir,<br />
nesse caso a re<strong>de</strong> po<strong>de</strong> ser um canal para fi rmar contratos ou acordos<br />
<strong>de</strong> <strong>comercialização</strong>. Na re<strong>de</strong> via internet, os agricultores familiares têm<br />
a oportunida<strong>de</strong> <strong>de</strong> expor seus produtos ao mundo inteiro, mostrar sua<br />
qualida<strong>de</strong> e se apresentar <strong>de</strong> forma organizada. Por outro lado, os compradores<br />
também informam os produtos que <strong>de</strong>sejam comprar.<br />
A re<strong>de</strong> po<strong>de</strong> funcionar também como uma estratégia <strong>de</strong> comprar e<br />
ven<strong>de</strong>r entre os próprios produtores, por seu intermédio, com certeza,<br />
surgirá regionalmente uma nova ferramenta <strong>de</strong> <strong>comercialização</strong>.<br />
O gran<strong>de</strong> resultado <strong>de</strong>sse processo é a ampliação dos contatos e parcerias<br />
para a busca <strong>de</strong> novas oportunida<strong>de</strong>s <strong>de</strong> mercado, favorecendo uma<br />
<strong>comercialização</strong> direta e organizada, evitando a fi gura do intermediário.<br />
O <strong>de</strong>safi o <strong>de</strong>ssa estratégia <strong>de</strong> <strong>comercialização</strong> é a gestão dos negócios<br />
realizados, pois a re<strong>de</strong> em si não efetiva negociações.<br />
É o canal pelo qual o comprador se relaciona com o consumidor fi nal.<br />
Portanto, é aquele que promove a ligação entre o produtor ou atacadista e<br />
o consumidor. É mais um canal <strong>de</strong> <strong>comercialização</strong> no qual a <strong>de</strong>manda dos<br />
consumidores por produtos naturais e saudáveis tem levado a agricultura<br />
familiar, cada vez mais, a inserir sua produção nas diversas opções <strong>de</strong>sse<br />
canal tais como: supermercados, feiras livres e feiras do produtor, feiras<br />
promocionais, centros <strong>de</strong> <strong>comercialização</strong> dos produtores, cooperativas<br />
locais, venda direta para as re<strong>de</strong>s varejistas do comércio local, regional<br />
e estadual, mercearias e assemelhados, circuito local <strong>de</strong> turismo rural,<br />
sacolões, lojas especializadas, lojas <strong>de</strong> conveniência, Feiras dos Sabores<br />
do Paraná, empórios, intermediários, CEASAS, agroindústrias etc.<br />
Nessa ótica, o mercado varejista é uma oportunida<strong>de</strong> para a agricultura<br />
familiar, exigindo, portanto, alto nível <strong>de</strong> qualifi cação em relação<br />
ao comportamento mercadológico: produtos, serviços, distribuição,<br />
logística, divulgação, regularida<strong>de</strong> <strong>de</strong> oferta, escala <strong>de</strong> produção e preço<br />
competitivo.<br />
Para a inserção nesse mercado, em condições <strong>de</strong> competitivida<strong>de</strong>,<br />
faz-se necessário que os agricultores familiares <strong>de</strong>senvolvam algumas<br />
habilida<strong>de</strong>s técnicas e gerenciais, incorporando, na ativida<strong>de</strong>, algumas<br />
33
práticas que garantam aos produtos a qualida<strong>de</strong> exigida pelos consumidores,<br />
e nas unida<strong>de</strong>s <strong>de</strong> produção, sustentabilida<strong>de</strong> econômica, social<br />
e ambiental.<br />
13.5 AGREGAÇÃO DE VALOR AO PRODUTO<br />
Existem diversas formas <strong>de</strong> agregar valor às FLV pela sua diferenciação.<br />
A estratégia <strong>de</strong> diferenciação dos produtos para a agricultura<br />
familiar compreen<strong>de</strong> o grau em que um <strong>de</strong>terminado produto é consi<strong>de</strong>rado<br />
diferente pelos compradores e consumidores. As FLV po<strong>de</strong>m<br />
diferenciar-se por meio <strong>de</strong> diversas estratégias, tais como:<br />
- Diferenciação <strong>de</strong> produto (tecnologia, rotulagem, <strong>de</strong>sempenho, conformida<strong>de</strong>,<br />
confi abilida<strong>de</strong>, durabilida<strong>de</strong>, estilo e <strong>de</strong>sign);<br />
- Diferenciação <strong>de</strong> serviços ao cliente (facilida<strong>de</strong> <strong>de</strong> pedido, consulta<br />
e consultoria ao consumidor, prêmios oferecidos aos adquirentes dos<br />
produtos, compra pela internet);<br />
- Diferenciação por meio do canal <strong>de</strong> distribuição (rapi<strong>de</strong>z <strong>de</strong> entrega,<br />
entrega em domicílio e cobertura geográfi ca ampliada do canal <strong>de</strong><br />
entrega);<br />
- Diferenciação pela imagem da marca (conhecimento, tradição, segurança,<br />
garantia <strong>de</strong> qualida<strong>de</strong>);<br />
- Diferenciação <strong>de</strong> pessoas no atendimento aos clientes (vantagens competitivas<br />
pela qualifi cação das pessoas, cortesia, credibilida<strong>de</strong>, confi abilida<strong>de</strong>,<br />
responsabilida<strong>de</strong> e comunicação);<br />
- Diferenciação por atributos especiais <strong>de</strong> qualida<strong>de</strong> do produto (orgânico<br />
e agroecológico, alimento funcional e assemelhado);<br />
- Diferenciação pela rastreabilida<strong>de</strong>, certifi cação e <strong>de</strong>nominação <strong>de</strong><br />
origem;<br />
- Diferenciação pelo respeito socioambiental e não emissão <strong>de</strong> gases<br />
<strong>de</strong> efeito estufa;<br />
- Diferenciação pela transformação dos produtos e processamento<br />
mínimo (Agroindústria Familiar) – segue uma estratégia <strong>de</strong> <strong>comercialização</strong><br />
específi ca para cada produto, em função da tributação e outras<br />
exigências legais para acesso ao mercado.<br />
34
14 EXIGÊNCIAS DOS CONSUMIDORES<br />
- Segurança dos alimentos – saú<strong>de</strong> – isentos <strong>de</strong> resíduos;<br />
- Maior exigência em relação à qualida<strong>de</strong> e forma <strong>de</strong> produção;<br />
- Respeito ao meio ambiente;<br />
- Produtos e serviços qualifi cados;<br />
- Menos tempo <strong>de</strong> cozinha;<br />
- Dieta mais saudável;<br />
- Mais sabor nos alimentos;<br />
- Mais refeições fora <strong>de</strong> casa;<br />
- Frutas fáceis <strong>de</strong> consumir;<br />
- Bebidas prontas;<br />
- Garantia sobre os atributos do produto.<br />
15 SÍNTESE/PASSOS PARA COMERCIALIZAÇÃO DOS<br />
PRODUTOS DE FRUTAS, LEGUMES E VERDURAS<br />
Mais importante que ven<strong>de</strong>r é ven<strong>de</strong>r sempre. Para isso é necessário<br />
um compromisso <strong>de</strong> longo prazo. Signifi ca honrar compromissos mesmo<br />
tendo que abrir mão <strong>de</strong> oportunida<strong>de</strong>s mais vantajosas e garantir a<br />
qualida<strong>de</strong> a qualquer custo.<br />
Um dos segredos para o sucesso da <strong>comercialização</strong> é satisfazer as<br />
exigências do cliente, disponibilizando um produto que atenda, <strong>de</strong> forma<br />
regular, aos seus <strong>de</strong>sejos e necessida<strong>de</strong>s. Para tanto, <strong>de</strong>ve-se lançar<br />
mão <strong>de</strong> estratégias <strong>de</strong> marketing (relacionamento pós-venda, pesquisa<br />
<strong>de</strong> mercado etc). Segundo Hamel e Prahalad, (1995) “qualida<strong>de</strong> não<br />
será mais um diferencial competitivo, mas, apenas, o passaporte para a<br />
entrada no mercado”.<br />
O segredo do sucesso na <strong>comercialização</strong> é buscar sempre a satisfação<br />
dos <strong>de</strong>sejos e necessida<strong>de</strong>s dos clientes. Há necessida<strong>de</strong> <strong>de</strong> se<br />
conhecer um pouco mais sobre o mercado, potencialida<strong>de</strong>s, oportunida<strong>de</strong>s<br />
e ameaças.<br />
35
15.1 CONHECER PRIMEIRO O MERCADO PARA DEPOIS<br />
PRODUZIR<br />
- Antes <strong>de</strong> <strong>de</strong>cidir o que e quanto produzir, é preciso conhecer o mercado<br />
ao qual se vai ven<strong>de</strong>r o produto, a saber:<br />
- Quem são os compradores (indústrias, cooperativas, intermediários,<br />
atacadistas, varejistas, consumidores);<br />
- Que quantida<strong>de</strong> o mercado está disposto a comprar;<br />
- Qual a estimativa <strong>de</strong> preço que o mercado está disposto a pagar;<br />
- De quem o mercado compra atualmente e qual a forma <strong>de</strong> pagamento;<br />
- Qual a periodicida<strong>de</strong> <strong>de</strong> compra e qual a qualida<strong>de</strong> exigida (classifi -<br />
cação, padronização e embalagem <strong>de</strong>sejada do produto);<br />
- A pesquisa <strong>de</strong> mercado po<strong>de</strong> ser feita em agroindústrias, supermercados,<br />
armazéns, mercearias, açougues, padarias, sacolões, feiras,<br />
restaurantes, cooperativas, hotéis e outros.<br />
FONTE: PROF. DRA. RENATA DINNIES SANTOS, UNIVERSIDADE<br />
ESTADUAL DE PONTA GROSSA, DEPARTAMENTO DE<br />
ENGENHARIA DE ALIMENTOS<br />
36
15.2 AUMENTAR O VALOR DO PRODUTO<br />
- De maneira geral, os produtos agrícolas não estão prontos para o<br />
consumo ao serem colhidos. Precisam passar por algum tratamento<br />
que vai valorizá-los na hora da <strong>comercialização</strong>.<br />
15.3 BENEFICIAR O PRODUTO<br />
- Deve-se fazer limpeza, polimento, aparas, <strong>de</strong>sinfecção, seleção, classifi<br />
cação, padronização, embalagem <strong>de</strong>sejada ou mesmo um processamento;<br />
- Ter em mente que o transporte, o armazenamento e a divulgação, até<br />
chegarem à mesa do consumidor, são etapas importantes para a agregação<br />
<strong>de</strong> valor ao produto;<br />
- Quanto mais o produto é melhorado, maior será o seu valor. Se o produtor<br />
não fi zer isso, alguém vai fazer e ganhar dinheiro no lugar <strong>de</strong>le.<br />
15.4 DIFERENCIAR O PRODUTO<br />
- Outra maneira <strong>de</strong> se obter preços melhores é diferenciando o produto<br />
<strong>de</strong> alguma forma. Produtos como milho, feijão ou leite não têm muita<br />
variação <strong>de</strong> preços, pois não são produtos diferenciados;<br />
- É preciso criar uma imagem para o produto que o torne diferente dos<br />
<strong>de</strong>mais. Exemplo: a marca, a cor, o sabor, a aparência, o odor, o formato,<br />
a consistência, a textura, a higiene, o tamanho, a embalagem,<br />
as informações contidas no rótulo, a forma <strong>de</strong> entrega e até mesmo o<br />
serviço prestado após a venda do produto;<br />
- Os consumidores estão buscando produtos saudáveis e naturais;<br />
- Hoje em dia tem aumentado a procura por produtos orgânicos, ecológicos<br />
e sem agrotóxicos.<br />
15.5 APRENDER A SATISFAZER OS CLIENTES<br />
- O segredo do sucesso na <strong>comercialização</strong> é buscar sempre a satisfação<br />
dos <strong>de</strong>sejos e necessida<strong>de</strong>s dos clientes;<br />
- É preciso conhecer o cliente e o que ele precisa;<br />
- Mesmo que o produtor não venda diretamente para o consumidor fi nal,<br />
precisa conhecê-lo e saber suas preferências;<br />
37
- Uma forma <strong>de</strong> conhecer os clientes é visitar os locais <strong>de</strong> venda dos<br />
produtos e conversar com os compradores;<br />
- A venda direta em domicílio também é uma boa opção para pequenas<br />
quantida<strong>de</strong>s <strong>de</strong> produtos. O atendimento po<strong>de</strong> ser personalizado, <strong>de</strong><br />
acordo com as preferências dos consumidores;<br />
- Deve-se comparar o produto que se está ven<strong>de</strong>ndo com outros similares<br />
concorrentes, e avaliar as diferenças.<br />
FONTE: INSTITUTO EMATER<br />
15.6 NÃO BASTA TER O MELHOR PRODUTO, É PRECISO<br />
DIVULGÁ-LO<br />
- Conhecer o mercado a (oferta e procura);<br />
- Conhecer as experiências <strong>de</strong> outras regiões e mesmo em outros estados;<br />
- Garantir oferta regular e constante <strong>de</strong> produto;<br />
- Apresentar o produto em feiras e exposições;<br />
- Oferecer o produto para <strong>de</strong>gustação em postos <strong>de</strong> venda;<br />
- Afi xar cartazes nos pontos <strong>de</strong> vendas;<br />
- Fazer propaganda do produto.<br />
15.7 CONHECER A LEGISLAÇÃO<br />
A produção e <strong>comercialização</strong> <strong>de</strong> produtos agrícolas e pecuários<br />
38
está sujeita ao cumprimento <strong>de</strong> diversas leis que <strong>de</strong>vem ser obe<strong>de</strong>cidas:<br />
- Legislação sanitária que <strong>de</strong>fi ne padrões para produção e <strong>de</strong> instalações<br />
e equipamentos;<br />
- Legislação tributária que <strong>de</strong>fi ne impostos e taxas para a produção e<br />
<strong>comercialização</strong>;<br />
- Os produtos <strong>de</strong> origem vegetal <strong>de</strong>vem estar legalizados na vigilância<br />
sanitária do município;<br />
- Os produtos <strong>de</strong> origem animal <strong>de</strong>vem estar legalizados no: SIM/POA,<br />
SIP/POA, SIF/POA:<br />
- SIM – Serviço <strong>de</strong> Inspeção Municipal<br />
- SIP – Serviço <strong>de</strong> Inspeção Paraná<br />
- SIF – (Serviço <strong>de</strong> Inspeção Fe<strong>de</strong>ral)<br />
Cada produtor <strong>de</strong>ve procurar a agência da secretaria da fazenda, ou<br />
a prefeitura do seu município para conhecer quais os impostos que<br />
<strong>de</strong>vem ser pagos para produzir e comercializar o seu produto.<br />
15.8 ASSOCIAR-SE A OUTROS PRODUTORES<br />
- A organização entre produtores facilita comprar bem, produzir bem e<br />
ven<strong>de</strong>r bem, facilita o transporte, o benefi ciamento, a industrialização e<br />
a venda da produção. Reduz os custos e aumenta o po<strong>de</strong>r <strong>de</strong> barganha<br />
dos produtores;<br />
- Juntos, os produtores conseguem resolver problemas que não conseguiriam<br />
sozinhos e se fortalecem para enfrentar as difi culda<strong>de</strong>s do<br />
mercado;<br />
- É preciso buscar informações sobre produção, mercado e recursos<br />
fi nanceiros;<br />
- É preciso <strong>de</strong>senvolver estratégias <strong>de</strong> <strong>comercialização</strong>;<br />
- É necessário ter infraestrutura e logística;<br />
- Ter articulação entre os diversos atores da ca<strong>de</strong>ia é fundamental;<br />
- Fazer parceria com o segmento privado (industrial e comercial).<br />
É necessário implementar mo<strong>de</strong>los <strong>de</strong> organização dos produtores,<br />
da produção, <strong>de</strong> compra <strong>de</strong> insumos e <strong>de</strong> <strong>comercialização</strong> que sejam<br />
competitivos, sustentáveis e que atendam as exigências do mercado<br />
consumidor.<br />
39
DOCUMENTOS CONSULTADOS<br />
AWAD, M. Fisiologia pós-colheita <strong>de</strong> frutos. São Paulo: Nobel, 1993.<br />
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40
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Desenvolvimento Agrário