capitulo 39 - Departamento de Cirurgia e Anatomia
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Protocolo Clínico e <strong>de</strong><br />
Regulação para o Trauma<br />
do Cotovelo<br />
INTRODUÇÃO E JUSTIFICATIVA<br />
<strong>39</strong><br />
Ricardo A. L. Penno<br />
Nilton Mazzer<br />
Cláudio Henrique Barbieri<br />
O trauma do cotovelo po<strong>de</strong> causar lesões que limitam os movimentos e<br />
originam dores crônicas que incapacitam, interferem nas ativida<strong>de</strong>s da vida<br />
diária ou nos esportes recreativos. O posicionamento da mão no espaço é<br />
<strong>de</strong>pen<strong>de</strong>nte dos movimentos do cotovelo e confere a amplitu<strong>de</strong> <strong>de</strong> função do<br />
membro superior. As ativida<strong>de</strong>s básicas exigem uma diversida<strong>de</strong> <strong>de</strong> posições e<br />
movimentos do cotovelo, tanto <strong>de</strong> fl exão e extensão como também <strong>de</strong> rotação<br />
do antebraço.<br />
A avaliação do trauma no cotovelo po<strong>de</strong> ser <strong>de</strong>safi adora pela sua complexida<strong>de</strong><br />
articular e <strong>de</strong> estruturas que o compõe. O diagnóstico correto da lesão<br />
<strong>de</strong>pen<strong>de</strong> do conhecimento correto da anatomia do cotovelo, composto por<br />
três articulações, quatro grupos musculares e três gran<strong>de</strong>s nervos que atravessam<br />
essa região anatômica.<br />
CONSIDERAÇÕES TEÓRICAS<br />
Dos traumas no cotovelo, as fraturas e luxações que ocorrem nos adultos<br />
correspon<strong>de</strong>m a 31,8% dos casos, segundo um levantamento feito em 342<br />
pacientes. Nesse levantamento, observou-se que a fratura mais frequente foi<br />
a da cabeça do rádio (<strong>39</strong>,4%), seguida da luxação do cotovelo (14,7%) e da<br />
fratura do olécrano (12,9%).<br />
A frequência encontrada <strong>de</strong>monstra que a maioria dos traumas no cotovelo<br />
do adulto é consequência <strong>de</strong> forças indiretas ou ocasionadas por compressão<br />
451
<strong>39</strong> (fratura<br />
452<br />
Protocolo Clínico e <strong>de</strong> Regulação para o Trauma do Cotovelo<br />
da cabeça do rádio), por fl exão e distração (fratura do olécrano) ou<br />
por extensão e distração (luxação).<br />
ABORDAGEM DO TRAUMA NA ATENÇÃO BÁSICA<br />
A quantida<strong>de</strong> <strong>de</strong> energia absorvida pelos tecidos é estimada por uma anamnese<br />
cuidadosa sobre o mecanismo do trauma. Deverá ser observada <strong>de</strong>formida<strong>de</strong><br />
do membro, bem como a capacida<strong>de</strong> <strong>de</strong> mobilização ativa da articulação<br />
e sua amplitu<strong>de</strong> <strong>de</strong> movimento.<br />
A avaliação do trauma do cotovelo consiste em inspeção local e verifi cação<br />
da mobilida<strong>de</strong>, da estabilida<strong>de</strong> e da força.<br />
Estimar a qualida<strong>de</strong> do osso do paciente é fundamental; no idoso, uma<br />
simples queda po<strong>de</strong> causar fraturas complexas.<br />
Uma lesão <strong>de</strong> qualquer nervo ou vaso que passe no cotovelo po<strong>de</strong> ocorrer<br />
após fraturas e luxações do cotovelo. A laceração <strong>de</strong> nervos é rara, mas po<strong>de</strong>m<br />
ocorrer lesões por tração ou pelo aprisionamento. Os movimentos dos <strong>de</strong>dos<br />
e a sensibilida<strong>de</strong> <strong>de</strong>vem ser sempre testados com o membro cuidadosamente<br />
estabilizado.<br />
Os pulsos <strong>de</strong>verão ser palpados e comparados. A perfusão distal do membro<br />
po<strong>de</strong>rá estar mantida mesmo se a artéria braquial tiver sido lesada, dada a<br />
circulação colateral abundante.<br />
Outro aspecto que <strong>de</strong>ve ser avaliado é o e<strong>de</strong>ma causado pelo trauma, o qual<br />
po<strong>de</strong> ser controlado pela simples elevação do membro imobilizado.<br />
Uma dor forte e a incapacida<strong>de</strong> <strong>de</strong> tolerar a extensão dos <strong>de</strong>dos, seja ativa<br />
ou passiva, apontam para a presença <strong>de</strong> uma síndrome compartimental, necessitando<br />
<strong>de</strong> tratamento cirúrgico em caráter emergencial.<br />
Deve-se estar atento a qualquer ferimento associado à fratura, o que a torna<br />
potencialmente exposta e constitui uma urgência para tratamento hospitalar.<br />
A cirurgia imediata reduz o risco <strong>de</strong> infecção.<br />
As lesões por esmagamento acarretam o risco <strong>de</strong> uma necrose cutânea <strong>de</strong><br />
monta pelo <strong>de</strong>senluvamento e posterior exposição da fratura e <strong>de</strong>ve ser tratada<br />
com a mesma priorida<strong>de</strong>. O encaminhamento não <strong>de</strong>ve ser postergado<br />
para avaliar a viabilida<strong>de</strong> tecidual.<br />
EXAMES COMPLEMENTARES<br />
A maioria das lesões traumáticas ao nível da articulação do cotovelo é diagnosticada<br />
por radiografi as simples anteroposteriores e laterais. Devido à<br />
complexida<strong>de</strong> anatômica, radiografi as com incidências oblíquas também<br />
<strong>de</strong>verão ser solicitadas. Em algumas situações, como fraturas complexas, a<br />
tomografi a computadorizada (TC) é muito importante para indicação do tratamento<br />
<strong>de</strong>fi nitivo.
Protocolo Clínico e <strong>de</strong> Regulação para o Trauma do Cotovelo<br />
Fluxograma <strong>39</strong>-1 Avaliação do paciente com trauma do cotovelo a partir da atenção<br />
básica. UBS: Unida<strong>de</strong> Básica <strong>de</strong> SAú<strong>de</strong>; UPA: Unida<strong>de</strong> <strong>de</strong> Pronto Atendimento; SAMU:<br />
Serviço <strong>de</strong> Atendimento Móvel <strong>de</strong> Urgência.<br />
<strong>39</strong><br />
453
<strong>39</strong> Alguns<br />
454<br />
Protocolo Clínico e <strong>de</strong> Regulação para o Trauma do Cotovelo<br />
quadros do trauma <strong>de</strong> cotovelo para os quais não se encontra justifi -<br />
cativa nas radiografi as simples <strong>de</strong>verão ser motivo <strong>de</strong> atenção e encaminhados<br />
em caráter urgente para realização <strong>de</strong> TC e avaliação especializada: contratura<br />
articular, gran<strong>de</strong>s <strong>de</strong>rrames e presença <strong>de</strong> dor. Estes po<strong>de</strong>m signifi car lesão<br />
ligamentar, osteocondral ou fraturas ocultas.<br />
TRATAMENTO INICIAL NA ATENÇÃO BÁSICA<br />
O tratamento inicial <strong>de</strong>verá ser realizado pela imobilização provisória do cotovelo<br />
em posição anatômica <strong>de</strong> menor incômodo ao paciente, usualmente próxima<br />
dos 90 graus <strong>de</strong> fl exão. Traumas mais graves com gran<strong>de</strong>s <strong>de</strong>formida<strong>de</strong>s<br />
não <strong>de</strong>vem ser manipulados, apenas imobilizados na posição <strong>de</strong> apresentação<br />
e elevados para evitar o e<strong>de</strong>ma.<br />
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