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Capítulo 7 — Uma advertência contra a hipocrisia

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Atos dos apóstolos, pp. 70-76 (“<strong>Uma</strong> <strong>advertência</strong> <strong>contra</strong> a <strong>hipocrisia</strong>”)<br />

<strong>Capítulo</strong> 7 <strong>—</strong> <strong>Uma</strong> <strong>advertência</strong> <strong>contra</strong> a <strong>hipocrisia</strong><br />

Este capítulo é baseado em Atos dos Apóstolos 4:32-37 para 5:11.<br />

Ao proclamarem os discípulos as verdades do evangelho em Jerusalém, Deus<br />

confirmou suas palavras, e uma multidão creu. Muitos desses primeiros crentes<br />

foram imediatamente separados da família e dos amigos pelo zeloso fanatismo<br />

dos judeus, sendo, portanto, necessário prover-lhes alimento e abrigo. {AA 39.1}<br />

O relato declara: “Não havia pois entre eles necessitado algum”. Atos dos<br />

Apóstolos 4:34. E diz como as necessidades eram supridas. Aqueles dentre os<br />

crentes que tinham dinheiro e bens, alegremente sacrificavam-nos para socorrer<br />

na emergência. Vendendo suas casas ou suas terras, eles levavam o dinheiro e o<br />

depositavam aos pés dos apóstolos. “E repartia-se por cada um, segundo a<br />

necessidade que cada um tinha”. Atos dos Apóstolos 4:35. {AA 39.2}<br />

Essa liberalidade da parte dos crentes foi o resultado do derramamento do<br />

Espírito. “Era um o coração e a alma” (Atos dos Apóstolos 4:32) dos conversos<br />

ao evangelho. Um comum interesse os guiava <strong>—</strong> o êxito da missão a eles<br />

confiada; e a avareza não tinha lugar em sua vida. Seu amor aos irmãos e à<br />

causa que haviam abraçado, era maior do que o amor ao dinheiro e às posses.<br />

Suas obras testificavam que eles tinham a salvação dos homens em maior<br />

apreço que as riquezas terrestres. {AA 39.3}<br />

Assim será sempre, quando o Espírito de Deus toma posse da vida. Aqueles<br />

cujo coração transborda do amor de Cristo seguirão o exemplo dAquele que, por<br />

amor de nós, Se tornou pobre, para que por Sua pobreza enriquecêssemos.<br />

Dinheiro, tempo, influência <strong>—</strong> todos os dons que receberem das mãos de Deus<br />

<strong>—</strong> só serão por eles apreciados quando usados como meio de fazer avançar a<br />

obra do evangelho. Assim foi na igreja primitiva e, ao ver-se na igreja de hoje que,<br />

pelo poder do Espírito, os membros retiraram suas afeições das coisas do mundo<br />

e se dispõem a fazer sacrifícios a fim de que seus semelhantes possam ouvir o<br />

evangelho, as verdades proclamadas terão poderosa influência sobre os ouvintes.<br />

{AA 39.4}<br />

Contraste flagrante com o exemplo de generosidade manifestada pelos crentes,<br />

foi a conduta de Ananias e Safira, cuja experiência, traçada pela pena da<br />

Inspiração, deixou uma escura nódoa na história da igreja primitiva. Com outros,<br />

esses professos discípulos haviam participado do privilégio de ouvir o evangelho<br />

pregado pelos apóstolos. Haviam eles estado presentes com outros crentes,<br />

quando, após haverem os apóstolos orado, “moveu-se o lugar em que estavam<br />

reunidos; e todos foram cheios do Espírito Santo”. Atos dos Apóstolos 4:31.<br />

Profunda convicção havia-se apossado de todos os presentes e, sob a direta<br />

influência do Espírito de Deus, Ananias e Safira haviam feito o voto de dar ao<br />

Senhor o produto da venda de certa propriedade. {AA 39.5}<br />

Depois, Ananias e Safira ofenderam o Espírito Santo cedendo a sentimentos<br />

de cobiça. Começaram a lamentar o haverem feito aquela promessa e logo<br />

perderam a suave influência da bênção que lhes havia aquecido o coração com o<br />

desejo de fazer grandes coisas em benefício da causa de Cristo. Julgaram<br />

haverem-se precipitado e sentiam ser necessário reconsiderar sua decisão.


Falaram entre si sobre o caso e resolveram não cumprir a promessa. Viam,<br />

porém, que os que entregavam seus bens para suprir as necessidades de seus<br />

irmãos mais pobres, eram tidos em alta estima pelos crentes e, com vergonha de<br />

que os irmãos viessem a saber que sua mesquinhez de alma regateara aquilo<br />

que haviam solenemente dedicado a Deus, resolveram deliberadamente vender<br />

sua propriedade e fingir que davam todo o produto para o fundo comum,<br />

guardando, porém, para si mesmos, grande parte. Desse modo garantiriam para<br />

si o pão do depósito comum, ao mesmo tempo que alcançariam a alta estima de<br />

seus irmãos. {AA 40.1}<br />

Mas Deus aborrece a <strong>hipocrisia</strong> e a falsidade. Ananias e Safira praticaram<br />

fraude em sua conduta para com Deus. Mentiram ao Espírito Santo, e seu<br />

pecado foi punido com juízo rápido e terrível. Quando Ananias chegou com sua<br />

oferta, Pedro disse: “Ananias, por que encheu Satanás o teu coração, para que<br />

mentisses ao Espírito Santo, e retivesses parte do preço da herdade?<br />

Guardando-a, não ficava para ti? E, vendida, não estava em teu poder? Por que<br />

formaste este desígnio em teu coração? Não mentiste aos homens, mas a Deus”.<br />

Atos dos Apóstolos 5:3, 4. {AA 40.2}<br />

“E Ananias, ouvindo estas palavras, caiu e expirou. E um grande temor veio<br />

sobre todos os que isto ouviram”. Atos dos Apóstolos 5:5. {AA 40.3}<br />

“Guardando-a não ficava para ti?” perguntou Pedro. Atos dos Apóstolos 5:4.<br />

Nenhuma escusa influência tinha levado Ananias a sacrificar sua propriedade<br />

pelo bem geral. Ele agira por livre escolha. Mas, procurando enganar os<br />

discípulos, tinha mentido ao Onipotente. {AA 40.4}<br />

“E, passando um espaço quase de três horas, entrou também sua mulher, não<br />

sabendo o que havia acontecido. E disse-lhe Pedro: Diz-me, vendestes por tanto<br />

aquela herdade? E ela disse: Sim, por tanto. Então Pedro lhe disse: Por que é<br />

que entre vós vos concertastes para tentar o Espírito do Senhor? Eis aí à porta os<br />

pés dos que sepultaram o teu marido, e também te levarão a ti. E logo caiu aos<br />

seus pés, e expirou. E, entrando os mancebos, acharam-na morta, e a<br />

sepultaram junto de seu marido. E houve um grande temor em toda a igreja, e em<br />

todos os que ouviram estas coisas”. Atos dos Apóstolos 5:7-11. {AA 40.5}<br />

A infinita sabedoria viu que essa evidente manifestação da ira divina era<br />

necessária para impedir que a jovem igreja se desmoralizasse. O número dos<br />

crentes aumentava rapidamente. A igreja teria corrido perigo se, no rápido<br />

aumento de conversos, fossem acrescentados homens e mulheres que, embora<br />

professassem servir a Deus, adoravam a Mamom. Esse juízo testificou que os<br />

homens não podem enganar a Deus, que Ele descobre o pecado oculto do<br />

coração e não Se deixa escarnecer. Destinava-se a ser uma <strong>advertência</strong> à igreja,<br />

para levá-la a evitar a pretensão e <strong>hipocrisia</strong>, e acautelar-se de roubar a Deus.<br />

{AA 41.1}<br />

Não apenas para a igreja primitiva, mas para todas as gerações futuras, esse<br />

exemplo de como Deus aborrece a cobiça, a fraude, a <strong>hipocrisia</strong>, foi dado como<br />

um sinal de perigo. Foi a cobiça que Ananias e Safira tinham acariciado em<br />

primeiro lugar. O desejo de reter para si a parte que haviam prometido ao Senhor,<br />

levou-os à fraude e à <strong>hipocrisia</strong>. {AA 41.2}


Deus tem feito depender a proclamação do evangelho do trabalho e dos<br />

donativos de Seu povo. As ofertas voluntárias e os dízimos constituem o meio de<br />

manutenção da obra do Senhor. Dos bens confiados aos homens, Deus reclama<br />

uma porção definida <strong>—</strong> o dízimo. A todos deixa Ele liberdade para decidir se<br />

desejam ou não dar mais do que isso. Mas quando o coração é tocado pela<br />

influência do Espírito Santo, e é feito um voto de dar certa importância, aquele<br />

que fez o voto não tem mais direito sobre a porção consagrada. Promessas<br />

dessa espécie feitas aos homens são consideradas como irrescindíveis; seriam<br />

menos obrigatórias as feitas a Deus? São as promessas julgadas no tribunal da<br />

consciência menos obrigatórias que as escritas nos <strong>contra</strong>tos humanos? {AA<br />

41.3}<br />

Quando a luz divina brilha no coração com clareza e poder inusitados, o<br />

habitual egoísmo relaxa as garras e há disposição para dar para a causa de Deus.<br />

Mas ninguém deve pensar que lhe será permitido cumprir as promessas feitas,<br />

sem protesto da parte de Satanás. Ele não tem prazer em ver o reino do<br />

Redentor estabelecido na Terra. Sugere que a promessa feita foi excessiva, que<br />

isso poderá prejudicar a aquisição de propriedades ou a satisfação dos desejos<br />

da família. {AA 41.4}<br />

É Deus quem abençoa os homens dando-lhes bens, e faz isso para que eles<br />

possam contribuir para o progresso de Sua causa. Ele envia o sol e a chuva. Faz<br />

florescer a vegetação. Dá saúde e habilidade para serem adquiridos os meios.<br />

Todas as nossas bênçãos são recebidas de Sua mão generosa. Em retribuição,<br />

Ele quer que homens e mulheres demonstrem sua gratidão devolvendo-Lhe uma<br />

parte em dízimos e ofertas <strong>—</strong> em ofertas de ação de graças, em ofertas pelo<br />

pecado e ofertas voluntárias. Se o dinheiro entrasse para a tesouraria de acordo<br />

com este plano divinamente recomendado <strong>—</strong> a décima parte do que ganhamos e<br />

as ofertas liberais <strong>—</strong> haveria abundância para o avanço do trabalho do Senhor.<br />

{AA 41.5}<br />

Mas o coração dos homens torna-se endurecido pelo egoísmo e, à semelhança<br />

de Ananias e Safira, são tentados a reter parte do preço, conquanto pretendam<br />

estar cumprindo os requisitos de Deus. Muitos gastam dinheiro prodigamente na<br />

satisfação própria. Homens e mulheres consultam o prazer e satisfazem o gosto,<br />

ao passo que levam para Deus, quase de má vontade, uma oferta mesquinha.<br />

Esquecem-se de que, um dia, Deus pedirá estrita conta de como Seus bens<br />

foram usados, e que não aceitará a insignificância que levam à tesouraria, mais<br />

do que aceitou a oferta de Ananias e Safira. {AA 42.1}<br />

Do severo castigo infligido àquelas pessoas, quer Deus que aprendamos<br />

também quão profunda é Sua aversão e desprezo por toda a <strong>hipocrisia</strong> e engano.<br />

Simulando haverem dado tudo, Ananias e Safira mentiram ao Espírito Santo e,<br />

como resultado, perderam essa vida e a futura. O mesmo Deus que os puniu,<br />

condena hoje toda falsidade. Lábios mentirosos são-Lhe uma abominação. Ele<br />

declara que na cidade santa “não entrará... coisa alguma que contamine, e<br />

cometa abominação e mentira”. Apocalipse 21:27. Seja a verdade dita sem<br />

disfarces nem frouxidão. Torne-se ela uma parte da vida. Considerar<br />

levianamente a verdade, e dissimular para servir a planos egoístas, significa o


naufrágio da fé. “Estai pois firmes, tendo cingidos os vossos lombos com a<br />

verdade”. Efésios 6:14. Quem profere inverdades, vende sua alma por baixo<br />

preço. Suas falsidades podem parecer servir em emergências; pode parecer,<br />

assim, que faz negócios vantajosos que não poderia conseguir pelo reto proceder.<br />

Mas, finalmente, chega ao ponto em que não pode confiar em ninguém. Sendo<br />

ele mesmo falsificador, não tem confiança na palavra de outros. {AA 42.2}<br />

No caso de Ananias e Safira, o pecado da fraude <strong>contra</strong> Deus foi rapidamente<br />

punido. O mesmo pecado foi muitas vezes repetido na história posterior da igreja,<br />

e é cometido por muitos em nosso tempo. Mas, embora, possa não manifestar-se<br />

visivelmente o desagrado de Deus, não é menos desprezível a Sua vista agora<br />

do que o foi no tempo dos apóstolos. A <strong>advertência</strong> foi dada; Deus tem<br />

claramente mostrado Sua desaprovação a esse pecado; e todos os que se dão à<br />

<strong>hipocrisia</strong> e à cobiça, podem estar certos de que estão destruindo a própria vida.<br />

{AA 42.3}


Educação, pp. 135-145 (“Princípios e métodos comerciais”).<br />

<strong>Capítulo</strong> 15 <strong>—</strong> Princípios e métodos comerciais<br />

“Quem anda em sinceridade, anda seguro.”<br />

Não há nenhum ramo de negócio lícito, para o qual a Bíblia não conceda um<br />

preparo essencial. Seus princípios de diligência, honestidade, economia,<br />

temperança e pureza, são o segredo do verdadeiro êxito. Tais princípios, como<br />

os apresenta o livro dos Provérbios, constituem um tesouro de sabedoria prática.<br />

Onde poderá o negociante, o artífice, o dirigente de homens em qualquer ramo<br />

de negócios, en<strong>contra</strong>r melhores máximas para si próprio ou para seus<br />

empregados do que as que se en<strong>contra</strong>m nestas palavras do sábio: {Ed 135.1}<br />

“Viste a um homem diligente na sua obra? perante reis será posto; não será<br />

posto perante os de baixa sorte.” Provérbios 22:29. {Ed 135.2}<br />

“Em todo o trabalho há proveito, mas a palavra dos lábios só encaminha para a<br />

pobreza.” Provérbios 14:23. {Ed 135.3}<br />

“A alma do preguiçoso deseja, e coisa nenhuma alcança.” “O beberrão e o<br />

comilão cairão em pobreza; e a sonolência faz trazer os vestidos rotos.”<br />

Provérbios 13:4; 23:21. {Ed 135.4}<br />

“O que anda maldizendo descobre o segredo; pelo que com o que afaga com<br />

seus lábios não te entremetas.” Provérbios 20:19. {Ed 135.5}<br />

“Retém as suas palavras o que possui o conhecimento”, mas “todo o tolo se<br />

entremete nelas”. Provérbios 17:27; 20:3. {Ed 135.6}<br />

“Não entres na vereda dos ímpios”; “andará alguém sobre as brasas, sem que<br />

se queimem os seus pés?” Provérbios 4:14; 6:28. {Ed 136.1}<br />

“Anda com os sábios e serás sábio.” Provérbios 13:20. {Ed 136.2}<br />

“O homem que tem muitos amigos pode congratular-se.” Provérbios 18:24. {Ed<br />

136.3}<br />

Todo o ciclo de nossas obrigações de uns para com os outros, é compreendido<br />

naquelas palavras de Cristo: “Tudo o que vós quereis que os homens vos façam,<br />

fazei-lho também vós.” Mateus 7:12. {Ed 136.4}<br />

Quantos homens poderiam ter evitado o malogro e ruína financeiros, se<br />

atendessem às admoestações tantas vezes repetidas e encarecidas nas<br />

Escrituras: {Ed 136.5}<br />

“O que se apressa a enriquecer não ficará sem castigo.” Provérbios 28:20. {Ed<br />

136.6}<br />

“A fazenda que procede da vaidade diminuirá, mas quem a ajunta pelo trabalho<br />

terá aumento.” Provérbios 13:11. {Ed 136.7}<br />

“Trabalhar por ajuntar tesouro com língua falsa é uma vaidade, e aqueles que a<br />

isso são impelidos buscam a morte.” Provérbios 21:6. {Ed 136.8}<br />

“O que toma emprestado é servo do que empresta.” Provérbios 22:7. {Ed<br />

136.9}<br />

“Decerto sofrerá severamente aquele que fica por fiador do estranho; mas o<br />

que aborrece a fiança estará seguro.” Provérbios 11:15. {Ed 136.10}


“Não removas os limites antigos, nem entres nas herdades dos órfãos, porque<br />

o seu Redentor é forte; Ele pleiteará a sua causa <strong>contra</strong> ti.” “O que oprime ao<br />

pobre para se engrandecer a si, ou o que dá ao rico, certamente empobrecerá.”<br />

“O que faz uma cova nela cairá; e o que revolve a pedra, esta sobre ele rolará.”<br />

Provérbios 23:10, 11; 22:16; 26:27. {Ed 136.11}<br />

Tais são princípios que dizem respeito ao bem-estar da sociedade, e das<br />

associações tanto seculares como religiosas. São estes princípios que dão<br />

segurança à propriedade e à vida. Tudo que contribui para que a confiança e a<br />

cooperação sejam possíveis, deve o mundo à lei de Deus, conforme se acha em<br />

Sua Palavra e ainda se en<strong>contra</strong> delineada, em traços muitas vezes obscuros e<br />

quase obliterados, no coração dos homens. {Ed 137.1}<br />

As palavras do salmista: “Melhor é para mim a lei da Tua boca do que<br />

inúmeras riquezas em ouro ou prata” (Salmos 119:72) declaram aquilo que é<br />

verdadeiro além de outro ponto de vista que não o religioso. Declaram uma<br />

verdade absoluta, e que é reconhecida no mundo comercial. Mesmo nesta época<br />

de paixão pela aquisição do dinheiro, em que a concorrência é grande e os<br />

métodos tão pouco escrupulosos, ainda se reconhece amplamente que, para um<br />

jovem que se inicia na vida, a integridade, a diligência, a temperança, a pureza e<br />

a economia constituem um melhor capital do que qualquer quantidade de simples<br />

dinheiro. {Ed 137.2}<br />

No entanto, mesmo daqueles que apreciam o valor destas qualidades e<br />

admitem a Bíblia como sua fonte, poucos há que reconheçam o princípio de que<br />

dependem. {Ed 137.3}<br />

Aquilo que se acha na base da integridade comercial e do verdadeiro êxito, é o<br />

reconhecimento da propriedade de Deus. O Criador de todas as coisas, delas é o<br />

proprietário original. Somos Seus mordomos. Tudo que temos foi confiado por Ele,<br />

para ser usado de acordo com Sua direção. {Ed 137.4}<br />

Esta é uma obrigação que repousa sobre todo ser humano. Afeta toda esfera<br />

da atividade humana. Quer o reconheçamos quer não, somos despenseiros,<br />

supridos por Deus com talentos e facilidade, e colocados no mundo para realizar<br />

uma obra indicada por Ele. {Ed 137.5}<br />

A cada homem é dada “a sua obra” (Marcos 13:34) <strong>—</strong> a obra para a qual o<br />

adaptam suas capacidades e que resultará no maior benefício a si próprio e a<br />

seus semelhantes, e na maior honra a Deus. {Ed 138.1}<br />

Assim é que nossas ocupações ou vocação são uma parte do grande plano de<br />

Deus e, tanto quanto são realizadas de acordo com Sua vontade, Ele próprio Se<br />

responsabiliza pelos resultados. Como “cooperadores de Deus” (1 Coríntios 3:9)<br />

nossa parte consiste em uma conformidade fiel com Suas orientações. De<br />

maneira que não há lugar para ansiosos cuidados. Requer-se diligência,<br />

fidelidade, responsabilidade, economia e discrição. Toda faculdade deve ser<br />

exercitada na sua mais alta possibilidade. A confiança deverá ser, porém, não no<br />

desfecho feliz de nossos esforços, mas na promessa de Deus. A palavra que<br />

alimentou Israel no deserto e sustentou Elias durante o tempo da fome, tem o<br />

mesmo poder hoje. “Não andeis pois inquietos, dizendo: Que comeremos, ou que


eberemos, ou com que nos vestiremos?... Buscai primeiro o reino de Deus e<br />

Sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.” Mateus 6:31-33. {Ed<br />

138.2}<br />

Aquele que dá ao homem a capacidade de adquirir riqueza, deu, juntamente<br />

com este dom, uma obrigação. De tudo que adquirimos Ele exige determinada<br />

porção. O dízimo é do Senhor. “Todas as dízimas do campo, da semente do<br />

campo, do fruto das árvores”, “as dízimas das vacas e ovelhas, são santas ao<br />

Senhor.” Levítico 27:30, 32. O voto feito por Jacó em Betel mostra a extensão da<br />

obrigação. “De tudo quanto me deres, certamente Te darei o dízimo”, disse ele.<br />

Génesis 28:22. {Ed 138.3}<br />

“Trazei todos os dízimos à casa do tesouro” (Malaquias 3:10), é a ordem de<br />

Deus. Não se apela para a gratidão ou generosidade. É uma questão de simples<br />

honestidade. O dízimo é do Senhor; e Ele nos ordena que Lhe devolvamos aquilo<br />

que é Seu. {Ed 138.4}<br />

“Requer-se nos despenseiros que cada um se ache fiel.” 1 Coríntios 4:2. Se a<br />

honestidade é um princípio essencial nos negócios da vida, não deveríamos<br />

reconhecer nossa obrigação para com Deus, obrigação esta que se acha na base<br />

de todas as outras? {Ed 139.1}<br />

De acordo com as condições de nossa mordomia, temos obrigação não<br />

somente para com Deus mas também para com o homem. Todo ser humano<br />

deve os dons da vida ao infinito amor do Redentor. Alimento, roupa e abrigo, bem<br />

como o corpo, o espírito e a alma, tudo são aquisição de Seu sangue. Pelo dever<br />

de gratidão e serviço, assim imposto, Cristo nos ligou a nossos semelhantes. Ele<br />

nos ordena: “Servi-vos uns aos outros.” Gálatas 5:13. “Quando o fizestes a um<br />

destes Meus pequeninos irmãos, a Mim o fizestes.” Mateus 25:40. {Ed 139.2}<br />

“Eu sou devedor”, disse Paulo, “tanto a gregos como a bárbaros, tanto a sábios<br />

como a ignorantes”. Romanos 1:14. Assim também nós. Em virtude de tudo que<br />

tornou nossa vida mais abençoada do que a dos outros, achamo-nos colocados<br />

em obrigação para com todo ser humano a quem podemos beneficiar. {Ed 139.3}<br />

Estas verdades não se destinam mais ao gabinete particular do que ao<br />

escritório comercial. Os bens que manuseamos não são nossos propriamente, e<br />

jamais se poderia, sem más consequências, perder de vista este fato. Não somos<br />

senão despenseiros, e do desempenho de nossa obrigação para com Deus e o<br />

homem, depende tanto o bem-estar de nossos semelhantes como nosso próprio<br />

destino nesta vida e na vindoura. {Ed 139.4}<br />

“Alguns há que espalham, e ainda se lhes acrescenta mais; e outros que retêm<br />

mais do que é justo, mas é para a sua perda.” “Lança o teu pão sobre as águas,<br />

porque depois de muitos dias o acharás.” “A alma generosa engordará, e o que<br />

regar também será regado.” Provérbios 11:24; Eclesiastes 11:1; Provérbios 11:25.<br />

{Ed 139.5}<br />

“Não te canses para enriqueceres. ... Porventura fitarás os teus olhos naquilo<br />

que não é nada? porque certamente isso se fará asas e voará ao céu como a<br />

águia.” Provérbios 23:4, 5. {Ed 140.1}<br />

“Dai, e ser-vos-á dado; boa medida, recalcada, sacudida e transbordando, vos<br />

deitarão no vosso regaço; porque com a mesma medida com que medirdes<br />

também vos medirão de novo.” Lucas 6:38. {Ed 140.2}


“Honra ao Senhor com a tua fazenda, e com as primícias de toda a tua renda; e<br />

se encherão os teus celeiros abundantemente, e transbordarão de mosto os teus<br />

lagares.” Provérbios 3:9, 10. {Ed 140.3}<br />

“Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na<br />

Minha casa, e depois fazei prova de Mim, diz o Senhor dos exércitos, se Eu não<br />

vos abrir as janelas do Céu, e não derramar sobre vós uma bênção tal, que dela<br />

vos advenha a maior abastança. E por causa de vós repreenderei o devorador,<br />

para que não vos consuma o fruto da terra; e a vide no campo vos não será<br />

estéril. ... E todas as nações vos chamarão bem-aventurados; porque vós sereis<br />

uma terra deleitosa.” Malaquias 3:10-12. {Ed 140.4}<br />

“Se andardes nos Meus estatutos, e guardardes os Meus mandamentos, e os<br />

fizerdes, então Eu vos darei as vossas chuvas a seu tempo, e a terra dará a sua<br />

novidade, e a árvore do campo dará o seu fruto; e a debulha se vos chegará à<br />

vindima, e a vindima se chegará à sementeira; e comereis o vosso pão a fartar, e<br />

habitareis seguros na vossa terra. Também darei paz na terra,... e não haverá<br />

quem vos espante.” Levítico 26:3-6. {Ed 140.5}<br />

“Praticai o que é reto, ajudai o oprimido, fazei justiça ao órfão, tratai da causa<br />

das viúvas.” “Bem-aventurado é aquele que atende ao pobre; o Senhor o livrará<br />

no dia do mal. O Senhor o livrará, e o conservará em vida; será abençoado na<br />

terra, e Tu não o entregarás à vontade de seus inimigos.” “Ao Senhor empresta o<br />

que se compadece do pobre, e Ele lhe pagará o seu benefício.” Isaías 1:17;<br />

Salmos 41:1, 2; Provérbios 19:17. {Ed 141.1}<br />

Aquele que aplica desta maneira os seus bens, acumula um duplo tesouro.<br />

Além daquilo que, embora sabiamente aproveitado, terá finalmente de deixar,<br />

estará ele acumulando uma riqueza para a eternidade, a saber, o tesouro de<br />

caráter que é a posse mais valiosa da Terra e do Céu. {Ed 141.2}<br />

Honestidade nas transações comerciais<br />

“O Senhor conhece os dias dos retos, e a sua herança permanecerá para<br />

sempre. Não serão envergonhados nos dias maus, e nos dias de fome se<br />

fartarão.” Salmos 37:18, 19. {Ed 141.3}<br />

“Aquele que anda em sinceridade, e pratica a justiça, e fala verazmente,<br />

segundo o seu coração; ... aquele que, mesmo que jure com dano seu, não<br />

muda”; “o que arremessa para longe de si o ganho de opressões; o que sacode<br />

das suas mãos todo o presente; ... e fecha os seus olhos para não ver o mal; este<br />

habitará nas alturas; ... o seu pão lhe será dado, as suas águas serão certas. Os<br />

teus olhos verão o Rei na Sua formosura, e verão a terra que está longe.” Salmos<br />

15:2-4; Isaías 33:15-17. {Ed 141.4}<br />

Deus dá em Sua Palavra a descrição de um homem próspero, cuja vida foi, na<br />

mais exata acepção da palavra, um êxito, homem este que tanto o Céu como a<br />

Terra se deleitavam em honrar. Jó mesmo diz acerca de sua experiência: {Ed<br />

142.1}<br />

“Como era nos dias da minha mocidade,<br />

Quando o segredo de Deus estava sobre a minha tenda;


Quando o Todo-poderoso ainda estava comigo,<br />

E os meus meninos em redor de mim. ...<br />

Quando saía para a porta da cidade,<br />

E na praça fazia preparar a minha cadeira,<br />

Os moços me viam e se escondiam,<br />

E os idosos se levantavam e se punham em pé;<br />

Os príncipes continham as suas palavras,<br />

E punham a mão sobre a sua boca;<br />

A voz dos chefes se escondia. ... {Ed 142.2}<br />

“Ouvindo-me algum ouvido, me tinha por bem-aventurado;<br />

Vendo-me algum olho, dava testemunho de mim;<br />

Porque eu livrava o miserável, que clamava,<br />

Como também o órfão que não tinha quem o socorresse. {Ed 142.3}<br />

“A bênção do que ia perecendo vinha sobre mim,<br />

E eu fazia que rejubilasse o coração da viúva<br />

Cobria-me de justiça, e ela me servia de vestido;<br />

Como manto e diadema era o meu juízo.<br />

Eu era o olho do cego,<br />

E os pés do coxo;<br />

Dos necessitados era pai<br />

E as causas, de que eu não tinha conhecimento, inquiria com diligência.” {Ed<br />

142.4}<br />

“O estrangeiro não passava a noite na rua;<br />

As minhas portas abria ao viandante.” {Ed 142.5}<br />

“Ouvindo-me esperavam,...<br />

E não faziam abater a luz do meu rosto;<br />

Se eu escolhia o seu caminho, assentava-me como chefe,<br />

E habitava como rei entre as suas tropas,<br />

Como aquele que consola os que pranteiam.” {Ed 142.6}<br />

Jó 29:4-16; 31:32; 29:21-25.<br />

“A bênção do Senhor é que enriquece, e não acrescenta dores.” Provérbios<br />

10:22. {Ed 142.7}<br />

“Riquezas e honras estão comigo; sim, riquezas duráveis e justiça.” Provérbios<br />

8:18. {Ed 143.1}<br />

A Bíblia mostra também o resultado do afastamento dos retos princípios em<br />

nosso trato, não somente com Deus, mas igualmente no de uns para com outros.<br />

Àqueles a quem foram confiados os Seus dons, mas que são indiferentes às<br />

Suas exigências, diz Deus: {Ed 143.2}<br />

“Aplicai os vossos corações aos vossos caminhos. Semeais muito, e recolheis<br />

pouco; comeis, mas não vos fartais; bebeis mas não vos saciais; vestis-vos, mas<br />

ninguém se aquece; e o que recebe salário, recebe salário num saco furado. ...<br />

Olhastes para muito, mas eis que alcançastes pouco; e esse pouco, quando o<br />

trouxestes para casa, Eu lhe assoprei.” “Depois daquele tempo, veio alguém a um<br />

monte de vinte medidas, e havia somente dez; vindo ao lagar para tirar cinquenta,<br />

havia somente vinte.” “Por que causa? disse o Senhor dos exércitos. Por causa


da Minha casa, que está deserta.” “Roubará o homem a Deus? Todavia vós Me<br />

roubais, e dizeis: Em que Te roubamos? Nos dízimos e nas ofertas alçadas.” “Por<br />

isso retêm os céus o seu orvalho, e a terra retém os seus frutos.” Ageu 1:5-9;<br />

2:16; Malaquias 3:8; Ageu 1:10. {Ed 143.3}<br />

“Portanto, visto que pisais o pobre,... edificareis casas de pedras lavradas, mas<br />

nelas não habitareis; vinhas desejáveis plantareis, mas não bebereis do seu<br />

vinho.” “O Senhor mandará sobre ti a maldição, a turbação e a perdição em tudo<br />

em que puseres a tua mão.” “Teus filhos e tuas filhas serão dados a outro povo,<br />

os teus olhos o verão, e após deles desfalecerão todo o dia; porém não haverá<br />

poder na tua mão.” Amós 5:11; Deuteronómio 28:20, 32. {Ed 143.4}<br />

“Aquele que ajunta riquezas, mas não retamente; no meio de seus dias as<br />

deixará, e no seu fim se fará um insensato.” Jeremias 17:11. {Ed 143.5}<br />

Os cálculos de cada negócio, os pormenores de cada transação passam pelo<br />

exame de auditores invisíveis, agentes dAquele que nunca transige com a<br />

injustiça, nem abona o mal, nem passa por alto o erro. {Ed 144.1}<br />

“Se vires em alguma província opressão de pobres, e a violência em lugar do<br />

juízo e da justiça, não te maravilhes de semelhante caso; porque o que mais alto<br />

é do que os altos para isso atenta.” “Não há trevas nem sombra de morte, onde<br />

se escondam os que obram a iniquidade.” Eclesiastes 5:8; Jó 34:22. {Ed 144.2}<br />

“Erguem a sua boca <strong>contra</strong> os Céus,... e dizem: Como o sabe Deus? ou há<br />

conhecimento no Altíssimo? Estas coisas tens feito”, diz Deus, “e Eu Me calei;<br />

pensavas que era como tu; mas Eu te arguirei, e, em sua ordem, tudo porei<br />

diante dos teus olhos.” Salmos 73:9, 11; 50:21. {Ed 144.3}<br />

“E outra vez levantei os meus olhos e olhei, e vi um rolo voante. ... Esta é a<br />

maldição que sairá pela face de toda a Terra; porque qualquer que furtar, será<br />

desarraigado, conforme a maldição de um lado; e qualquer que jurar falsamente,<br />

será desarraigado, conforme a maldição do outro lado. Eu a trarei, disse o Senhor<br />

dos exércitos, e a farei entrar na casa do ladrão, e na casa do que jurar<br />

falsamente pelo Meu nome; e pernoitará no meio da sua casa, e a consumirá a<br />

ela com a sua madeira e com as suas pedras.” Zacarias 5:1-4. {Ed 144.4}<br />

Contra todo malfeitor a lei de Deus profere condenação. Pode ele deixar de<br />

atender àquela voz, pode procurar fazer silenciar o seu aviso, mas em vão. Ela o<br />

acompanha. Faz-se ouvir. Destrói-lhe a paz. Desatendida, persegue-o até à<br />

sepultura. Dá testemunho <strong>contra</strong> ele no juízo. Qual fogo, inextinguível, consumirá<br />

finalmente corpo e alma. {Ed 144.5}<br />

“Pois que aproveitaria ao homem ganhar todo o mundo e perder a sua alma?<br />

Ou que daria o homem pelo resgate da sua alma?” Marcos 8:36, 37. {Ed 145.1}<br />

Esta é uma questão que exige consideração por parte de todo pai, professor e<br />

estudante, todo ser humano, jovem ou velho. Não pode ser integral ou completo<br />

nenhum projeto de negócios ou plano para a vida que apenas compreenda os<br />

breves anos da existência presente, e não tome providências para o interminável<br />

futuro. Que se ensinem os jovens a tomar em consideração a eternidade. Sejam<br />

ensinados a escolher princípios e buscar possessões que sejam duradouros, a<br />

acumular para si aquele “tesouro nos Céus que nunca acabe, aonde não chega


ladrão e a traça não rói”; a adquirir para si amigos “com as riquezas da injustiça”,<br />

para que quando estas faltarem, aqueles os possam receber “nos tabernáculos<br />

eternos”. Lucas 12:33; 16:9. {Ed 145.2}<br />

Todos os que fazem isto estão efetuando a melhor preparação possível para a<br />

vida neste mundo. Ninguém poderá acumular tesouro no Céu sem que venha por<br />

isso mesmo a ver sua vida na Terra enriquecida e enobrecida. {Ed 145.3}<br />

“A piedade para tudo é proveitosa, tendo a promessa da vida presente e da<br />

que há de vir.” 1 Timóteo 4:8. {Ed 145.4}

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