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ANIMAIS PEÇONHENTOS NO BRASIL - Área Administrativa Docente

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<strong>ANIMAIS</strong> <strong>PEÇONHENTOS</strong> <strong>NO</strong> <strong>BRASIL</strong><br />

Elisabeth Ferroni Schwartz<br />

Laboratório de Toxinologia<br />

Departamento de Ciências Fisiológicas<br />

Instituto de Ciências Biológicas - UnB


Considerações iniciais<br />

• Toxinologia toxinas<br />

• Veneno: combinado de toxinas<br />

• Veneno x peçonha


Instituto Butantan - SP<br />

Fundação Ezequiel Dias - MG<br />

Instituto Vital Brazil - RJ<br />

Centro de Produção e Pesquisa em Imunobiológicos - PR<br />

Ministério da Saúde<br />

Secretarias Estaduais de Saúde<br />

Regionais de saúde<br />

Secretarias Municipais de Saúde<br />

Pontos estratégicos


nº casos<br />

30000<br />

25000<br />

20000<br />

15000<br />

10000<br />

5000<br />

0<br />

ACIDENTES COM <strong>ANIMAIS</strong> <strong>PEÇONHENTOS</strong><br />

Brasil, 2001 a 2004<br />

Serpente Escorpião Aranha Lonomia Outros Ign/branco<br />

2001 19442 17922 11175 437 3692 2666<br />

2002 24975 21781 12894 275 4814 2535<br />

2003 28130 24653 17477 323 6083 2314<br />

2004 23137 23096 14437 364 6195 2176<br />

Fonte:SINAN-Animais Peçonhentos (02/03/05)<br />

Dados sujeitos a revisão


Acidentes ofídicos of dicos


Características dos gêneros de serpentes peçonhentas no Brasil


As serpentes do gênero Micrurus não apresentam fosseta loreal e<br />

possuem dentes inoculadores pouco desenvolvidos e fixos na<br />

região anterior da boca


Bothrops atrox


Bothrops erythromelas


Bothrops neuwiedi


Bothrops jararacussu


Bothrops alternatus


Bothrops moojeni


Bothrops jararaca


Acidente Botrópico<br />

Acidente ofídico de maior importância epidemiológica no país<br />

cerca de 90% dos envenenamentos<br />

Ações da peçonha<br />

Proteolítica Lesões locais, edema, bolhas e necrose<br />

patogênese complexa: proteases, hialuronidases e PLA 2 ,<br />

liberação de mediadores da resposta inflamatória, ação das<br />

hemorraginas sobre o endotélio vascular e ação pró-coagulante.<br />

Ação coagulante Ativa fator X e protrombina e tem ação<br />

semelhante à trombina incoagulabilidade sangüínea.<br />

Ação hemorrágica Hemorraginas que provocam lesões na<br />

membrana basal dos capilares, associadas à plaquetopenia e<br />

alterações da coagulação.


Acidente Botrópico<br />

Quadro clínico<br />

Manifestações locais dor e edema no local da picada, de<br />

intensidade variável e, em geral, de instalação precoce e caráter<br />

progressivo. Equimoses e sangramentos no ponto da picada são<br />

freqüentes. Infartamento ganglionar e bolhas podem aparecer na<br />

evolução, acompanhados ou não de necrose.<br />

Manifestações sistêmicas Além de sangramentos em<br />

ferimentos cutâneos pré-existentes, podem ser observadas<br />

hemorragias à distância como gengivorragias, epistaxes,<br />

hematêmese e s acidentes


Acidente Botrópico<br />

Leve dor e edema local pouco intenso ou ausente,<br />

manifestações hemorrágicas discretas ou ausentes, com ou sem<br />

alteração do Tempo de Coagulação.<br />

Moderado dor e edema evidente ultrapassando a região da<br />

picada, acompanhados ou não de alterações hemorrágicas locais<br />

ou sistêmicas como gengivorragia, epistaxe e hermatúria.<br />

Grave edema local intenso e extenso, podendo atingir todo o<br />

membro picado, acompanhado de dor intensa e, eventualmente<br />

com presença de bolhas. O edema pode levar à isquemia local<br />

devido à compressão de vasos e nervos. Hipotensão arterial,<br />

choque, oligoanúria ou hemorragias intensas.


Acidente Botrópico<br />

Complicações Locais<br />

Síndrome Compartimental isquemia de extremidades<br />

provocada pelo edema. Manifestações mais importantes: dor<br />

intensa, parestesia, queda na temperatura do segmento distal,<br />

cianose e déficit motor.<br />

Abscesso Ação “proteolítica” favorece o aparecimento de<br />

infecções locais.<br />

Necrose é devida principalmente à ação “proteolítica” do<br />

veneno, associada à isquemia local decorrente de lesão vascular<br />

e de outros fatores como infecção, trombose arterial, síndrome de<br />

compartimento ou uso indevido de torniquetes. O risco é maior<br />

nas picadas em extremidades (dedos) podendo evoluir para<br />

gangrena


Acidente Botrópico<br />

Complicações Sistêmicas<br />

Choque casos graves. Sua patogênese é multifatorial,<br />

podendo decorrer da liberação de substâncias vasoativas, do<br />

seqüestro de líquido na área do edema e de perdas por<br />

hemorragias.<br />

Insuficiência Renal Aguda (IRA) também de patogênese<br />

multifatorial, pode decorrer da ação direta da peçonha sobre os<br />

rins, isquemia renal secundária à deposição de microtrombos nos<br />

capilares, desidratação ou hipotensão arterial e choque.


Acidente Botrópico<br />

Exames complementares<br />

Tempo de Coagulação (TC) fácil execução e importante na<br />

elucidação diagnóstica<br />

Hemograma leucocitose com neutrofilia e desvio à esquerda,<br />

hemossedimentação elevada nas primeiras horas do acidente e<br />

plaquetopenia de intensidade variável.<br />

Exame sumário de urina pode haver proteinúria, hemafúria e<br />

leucocitúria.<br />

Outros exames laboratoriais eletrólitos, uréia e creatinina,<br />

visando à detecção da insuficiência renal aguda.<br />

Métodos de imunodiagnóstico técnica de ELISA


Acidente Botrópico<br />

Tratamento<br />

Específico soro antibotrópico (SAB) i.v. Na falta deste, soro<br />

antibotrópico-crotálico (SABC) ou antibotrópicolaquética (SABL).<br />

Geral Manter elevado e estendido o segmento picado;<br />

Analgésicos; Hidratação; Antibioticoterapia.<br />

Tratamento das complicações locais diagnóstico + de<br />

síndrome de compartimento: fasciotomia, debridamento de áreas<br />

necrosadas e drenagem de abscessos<br />

Prognóstico Geralmente é bom. A letalidade nos casos tratados<br />

é baixa (0,3%). Há possibilidade de ocorrer seqüelas locais<br />

anatômicas ou funcionais.


Classificação do Acidente Botrópico


Crotalus durissus


Acidente Crotálico<br />

7,7% dos acidentes ofídicos no Brasil. 30% em algumas regiões.<br />

Maior coeficiente de letalidade devido à freqüência com que<br />

evolui para insuficiência renal aguda (IRA).<br />

Ações da peçonha<br />

Ação neurotóxica Crotoxina, neurotoxina de ação présináptica<br />

que inibe a liberação de Ach: paralisias motoras.<br />

Ação miotóxica Lesões de fibras musculares esqueléticas<br />

(rabdomiólise) com liberação de enzimas e mioglobina para o<br />

soro e que são posteriormente excretadas pela urina.<br />

Ação coagulante Atividade do tipo trombina. Incoagulabilidade<br />

sangüínea. Geralmente não há redução do número de plaquetas.<br />

As manifestações hemorrágicas, quando presentes, são<br />

discretas.


Acidente Crotálico<br />

Quadro clínico<br />

Manifestações locais Pouco importantes. Não há dor. Há<br />

parestesia local ou regional, podendo ser acompanhada de<br />

edema discreto ou eritema no ponto da picada.<br />

Manifestações sistêmicas<br />

Gerais mal-estar, prostração, sudorese, náusea, vômito,<br />

sonolência ou inquietação e secura da boca.<br />

Neurológicas Ação neurotóxica da peçonha: fácies miastênica<br />

(fácies neurotóxica de Rosenfeld) evidenciadas por ptose<br />

palpebral uni ou bilateral, flacidez da musculatura da face,<br />

alteração do diâmetro pupilar, incapacidade de movimentação do<br />

globo ocular (oftalmoplegia), podendo existir dificuldade de<br />

acomodação (visão turva) e/ou visão dupla (diplopia). Pode<br />

ocorrer paralisia velopalatina, com dificuldade à deglutição,<br />

diminuição do reflexo do vômito, alterações do paladar e olfato.


Acidente Crotálico<br />

Acidente grave em criança<br />

de seis anos, atendida três<br />

horas após a picada:<br />

ptose palpebral bilateral<br />

(Foto: F. Bucaretchi).


Acidente Crotálico<br />

Coleta de urina seqüencial<br />

entre a admissão e 48 h após<br />

acidente: urina escura com<br />

mioglobinúria<br />

Manifestações sistêmicas<br />

Musculares dor muscular<br />

generalizada (mialgias). Fibra<br />

muscular esquelética lesada:<br />

liberação de mioglobina que é<br />

excretada pela urina<br />

(mioglobinúria), conferindo-lhe<br />

uma cor avermelhada ou de<br />

tonalidade mais escura, até o<br />

marrom. A mioglobinúria constitui<br />

a manifestação clínica mais<br />

evidente da necrose da<br />

musculatura esquelética<br />

(rabdomiólise).


Acidente Crotálico<br />

Manifestações sistêmicas<br />

Distúrbios da Coagulação incoagulabilidade sangüínea ou<br />

aumento do Tempo de Coagulação, em 40% dos pacientes,<br />

observando-se raramente sangramentos restritos às gengivas<br />

(gengivorragia).<br />

Manifestações clínicas pouco freqüentes<br />

Insuficiência respiratória aguda, fasciculações e paralisia de<br />

grupos musculares têm sido relatadas. Tais fenômenos são<br />

interpretados como decorrentes da atividade neurotóxica e/ou da<br />

ação miotóxica do veneno.


Acidente Crotálico<br />

Complicações<br />

Locais parestesias locais duradouras, reversíveis após algumas<br />

semanas.<br />

Sistêmicas insuficiência renal aguda, com necrose tubular<br />

geralmente de instalação nas primeiras 48 horas.<br />

Exames complementares<br />

Sangue creatinoquinase (CK), desidrogenase lática (LDH),<br />

aspartase-amino-transferase (AST), aspartase-alanino-transferase<br />

(ALT), aldolase, uréia, creatinina, ác úrico, fósforo, potássio e<br />

calcemia. Tempo de Coagulação >.<br />

Leucocitose, com neutrofilia e desvio à esquerda.<br />

Urina sedimento urinário normal quando não há IRA e<br />

proteinúria discreta. Com IRA, hematúria. Presença de mioglobina.


Acidente Crotálico<br />

Tratamento<br />

Específico Soro anticrotálico, i.v. Pode ser utilizado soro<br />

antibotrópico-crotálico (SABC).<br />

Geral Hidratação adequada é fundamental na prevenção da<br />

IRA. A diurese osmótica pode ser induzida com manitol a 20%.<br />

Caso persista oligúria: uso de diuréticos de alça tipo furosemida.<br />

O pH urinário deve ser > de 6,5 (urina ácida potencia a<br />

precipitação intratubular de mioglobina), portanto, alcalinação da<br />

urina pela administração parenteral de bicarbonato de sódio.<br />

Prognóstico<br />

Bom nos acidentes leves e moderados e nos pacientes atendidos<br />

até 6 horas após a picada. Nos acidentes graves, depende da<br />

existência de IRA. A evolução do quadro depende de diálise<br />

eficiente, em tempo hábil.


Lachesis muta


Acidente Laquético<br />

Informações disponíveis sobre acidentes são raras: distribuição<br />

geográfica. Os acidentes por Lachesis são raros, mesmo na região<br />

Amazônica.<br />

Ações da peçonha<br />

Ação proteolítica Lesão tecidual (~ botrópico)<br />

Ação coagulante atividade tipo trombina<br />

Ação hemorrágica intensa atividade hemorrágica<br />

(hemorraginas)<br />

Ação neurotóxica É descrita uma ação do tipo estimulação<br />

vagal, porém ainda não caracterizada.


Acidente Laquético<br />

Quadro clínico<br />

Manifestações locais ~ botrópico: dor e edema, que podem<br />

progredir para todo o membro. Podem surgir vesículas e bolhas<br />

de conteúdo seroso ou sero-hemorrágico logo após o acidente.<br />

Hemorragia local.<br />

Manifestações sistêmicas Hipotensão arterial, tonturas,<br />

escurecimento da visão, bradicardia, cólicas abdominais e<br />

diarréia (síndrome vagal).<br />

Acidentes laquéticos são classificados como moderados e<br />

graves. Grande porte do animal e qtidade de peçonha injetada.<br />

Complicações ~ botrópico (síndrome compartimental,<br />

necrose, infecção secundária, abscesso, déficit funcional)


Acidente Laquético<br />

Exames complementares Tempo de Coagulação (TC),<br />

hemograma, dosagens de uréia, creatinina e eletrólitos. ELISA<br />

vem sendo utilizado em caráter experimental.<br />

Diagnóstico diferencial Acidentes botrópico x laquético:<br />

manifestações da “síndrome vagal”. Maioria dos acidentes<br />

referidos pelos pacientes como causados por Lachesis é do<br />

gênero botrópico (ELISA).<br />

Tratamento<br />

Tratamento específico Soro antilaquético (SAL), ou<br />

antibotrópico-laquético (SABL), na ausência dos 2, soro<br />

antibotrópico (não neutraliza de maneira eficaz a ação<br />

coagulante do veneno laquético).<br />

Tratamento geral Mesmas medidas indicadas para o acidente<br />

botrópico.


Micrurus corallinus


Micrurus lemniscatus


Micrurus frontalis


Acidente Elapídico<br />

0,4% dos acidentes por serpentes peçonhentas no Brasil. Pode<br />

evoluir para insuficiência respiratória aguda, causa de óbito neste<br />

tipo de envenenamento.<br />

Ações da peçonha (neurotóxica)<br />

NTX de ação pós-sináptica presente em todas sps estudadas.<br />

Proteínas de baixo MW, rapidamente distribuídas para os tecidos:<br />

precocidade dos sintomas de envenenamento. As NTXs competem<br />

com Ach pelos receptores colinérgicos da junção neuromuscular,<br />

atuando de modo semelhante ao curare. Nos envenenamentos<br />

onde predomina essa ação (M. frontalis), o uso de substâncias<br />

anticolinesterásticas (edrofônio e neostigmina) pode prolongar a<br />

vida média do neurotransmissor (Ach), levando a uma rápida<br />

melhora da sintomatologia.


Acidente Elapídico<br />

Ações da peçonha (neurotóxica)<br />

NTX de ação pré-sináptica Presentes em algumas corais (M.<br />

coralliunus) e também em alguns viperídeos, como a cascavel<br />

sulamericana. Atuam na junção neuromuscular, bloqueando a<br />

liberação de Ach pelos impulsos nervosos, impedindo a deflagração<br />

do potencial de ação. Esse mecanismo não é antagonizado pelas<br />

substâncias anticolinesterásicas.


Acidente Elapídico<br />

Quadro clínico<br />

Manifestações locais Discreta dor local, parestesia<br />

Manifestações sistêmicas Inicialmente, vômitos.<br />

Posteriormente, fraqueza muscular progressiva, ocorrendo<br />

ptose palpebral, oftalmoplegia e a presença de fácies miastênica<br />

ou “neurotóxica”. Dificuldade para manutenção da posição ereta,<br />

mialgia localizada ou generalizada e dificuldade para deglutir em<br />

virtude da paralisia do véu palatino. A paralisia flácida da<br />

musculatura respiratória compromete a ventilação, podendo<br />

haver evolução para insuficiência respiratória aguda e apnéia.


Acidente Elapídico<br />

fácies miastênica


Acidente Elapídico<br />

Exames complementares Não há exames específicos para o<br />

diagnóstico.<br />

Tratamento<br />

Tratamento específico Soro antielapídico (SAE), i.v.<br />

Todos os casos de acidente por coral com manifestações<br />

clínicas devem ser considerados como potencialmente<br />

graves.<br />

Tratamento geral Nos casos de insuficiência respiratória:<br />

ventilação artificial. Anticolinesterásicos (neostigmina) em<br />

acidentes por M. frontalis, M. lemniscatus).


número acidentes<br />

4000<br />

3500<br />

3000<br />

2500<br />

2000<br />

1500<br />

1000<br />

500<br />

0<br />

MÉDIA ANUAL DE ACIDENTES OFÍDICOS<br />

por Unidade Federada, 2001 a 2004<br />

RO AC AM RR PA AP TO MA PI CE RN PB PE AL SE BA MG ES RJ SP PR SC RS MT MS GO DF<br />

Fonte:SINAN-Animais Peçonhentos (02/03/05)


TIPO DE ACIDENTE<br />

<strong>BRASIL</strong> - 1990-3 1990 3 e 2001-4 2001 4<br />

1990-3 2001-4<br />

tipo de acidente n % n %<br />

botrópico 59.619 73,1 65.697 68,7<br />

crotálico 5.072 6,2 6.959 7,3<br />

laquético 939 1,2 2.170 2,3<br />

elapídico 281 0,3 486 0,5<br />

não-peçonhento 2.361 2,9 2.160 2,3<br />

ignorado 13.339 16,3 18.212 19,0<br />

total 81.611 100,0 95.684 100,0<br />

Fonte:SINAN-Animais Peçonhentos (02/03/05)


NÚMERO DE ÓBITOS E LETALIDADE<br />

por tipo de acidente, 1990-3 1990 3 e 2001-4 2001 4<br />

1990-3<br />

2001-4<br />

a cide nte óbito tota l le ta lida de óbito tota l le ta lida de<br />

botrópic o 185 59.619 0,31 243 65.697 0,37<br />

c rotálic o 95 5.072 1,87 70 6.959 1,01<br />

laquétic o 9 939 0,96 22 2.170 1,01<br />

elapídic o 1 281 0,36 1 486 0,21<br />

não peç . 0 2.361 0,00 0 2.160 0,00<br />

ign 69 13.339 0,52 75 18.212 0,41<br />

Tota l 359 81.611 0,45 411 95.684 0,43<br />

Fonte:SINAN-Animais Peçonhentos (02/03/05)


Escorpionismo<br />

Importantes em virtude da grande freqüência e da potencial<br />

gravidade, principalmente em crianças picadas pelo Tityus<br />

serrulatus.<br />

Cerca de 8.000 acidentes/ano<br />

Epidemiologia<br />

Minas Gerais e São Paulo responsáveis por 50% do total, com<br />

aumento significativo de casos na Bahia, Rio Grande do Norte,<br />

Alagoas e Ceará.<br />

Importância médica: T. serrulatus, T. bahiensis e T. stigmurus.<br />

Letalidade em 0,58%, principalmente por T. serrulatus, mais<br />

comumente em crianças menores de 14 anos.


Escorpionismo


Escorpionismo<br />

São carnívoros: insetos, como<br />

grilos ou baratas. Hábitos<br />

noturnos.<br />

Podem sobreviver vários meses<br />

sem alimento e sem água, o<br />

que torna seu combate muito<br />

difícil.


Tityus serrulatus<br />

Serrilha dorsal nos dois<br />

últimos segmentos (daí o<br />

nome Tityus serrulatus)<br />

Mede de 6 cm a 7 cm.<br />

Distribuição geográfica:<br />

Bahia, Espírito Santo,<br />

Goiás, Minas Gerais,<br />

Paraná, Rio de Janeiro e<br />

São Paulo.


Tityus bahiensis<br />

marrom-escuro, patas e<br />

pedipalpos com manchas<br />

escuras.<br />

Mede de 6 cm a 7 cm<br />

Distribuição geográfica:<br />

Goiás, São Paulo, Mato<br />

Grosso do Sul, Minas<br />

Gerais, Paraná, Rio Grande<br />

do Sul e Santa Catarina.


Tityus stigmurus<br />

amarelo-escuro, triângulo<br />

negro no cefalotórax, uma<br />

faixa escura longitudinal<br />

mediana e manchas<br />

laterais escuras nos<br />

tergitos.<br />

Mede de 6 cm a 7 cm<br />

Distribuição geográfica:<br />

Nordeste do Brasil.


Tityus cambridgei<br />

Tronco e pernas<br />

escuros, quase negros<br />

Mede cerca de 8,5 cm<br />

Distribuição<br />

geográfica: região<br />

Amazônica.


Tityus metuendus<br />

Vermelho-escuro, quase negro<br />

com manchas confluentes<br />

alaranjadas; patas com<br />

manchas amareladas; cauda<br />

da mesma cor do tronco<br />

apresentando um<br />

espessamento dos últimos dois<br />

artículos.<br />

Mede de 6 cm a 7 cm<br />

Distribuição geográfica:<br />

Amazonas, Acre e Pará.


Tityus fasciolatus<br />

Listrado amarelo e preto.<br />

Mede de 4 cm a 8,5 cm<br />

Distribuição geográfica:<br />

Goiás e DF.


Escorpionismo<br />

Preocupante o aumento da dispersão do Tityus serrulatus.<br />

Reprodução por partenogênese.<br />

No estado de Pernambuco (Recife), há relatos de óbitos<br />

provocados por T. stigmurus, espécie que também tem sido<br />

capturada em Alagoas.<br />

Ações da peçonha<br />

Dor local e efeitos resultantes da ação em canais iônicos (Na + ),<br />

levando à liberação de catecolaminas e acetilcolina.<br />

Manifestações sistêmicas são decorrentes dos efeitos simpáticos<br />

ou parassimpáticos.


Escorpionismo<br />

Quadro clínico→ Dor local, parestesias. Nos acidentes<br />

moderados e graves, principalmente em crianças, após intervalo<br />

de minutos até poucas horas (duas, três horas), podem surgir<br />

manifestações sistêmicas:<br />

Gerais → Hipo ou hipertermia e sudorese profusa.<br />

Digestivas → Náuseas, vômitos, sialorréia, dor abdominal e<br />

diarréia.<br />

Cardiovasculares → Arritmias cardíacas, hipertensão ou<br />

hipotensão arterial, insuficiência cardíaca congestiva e choque.<br />

Respiratórias → Taquipnéia, dispnéia e edema pulmonar agudo.<br />

Neurológicas → agitação, sonolência, confusão mental,<br />

hipertonia e tremores.


Escorpionismo<br />

Os acidentes podem ser classificados como:<br />

Leves → apenas dor local e parestesias.<br />

Moderados → dor intensa no local e manifestações sistêmicas:<br />

sudorese discreta, náuseas, vômitos ocasionais, taquicardia,<br />

taquipnéia e hipertensão leve.<br />

Graves → sudorese profusa, vômitos incoercíveis, salivação<br />

excessiva, alternância de agitação com prostração, bradicardia,<br />

insuficiência cardíaca, edema pulmonar, choque, convulsões e<br />

coma.<br />

Os óbitos estão relacionados a complicações como edema<br />

pulmonar agudo e choque.


Escorpionismo<br />

Exames complementares<br />

→ECG pode mostrar as disfuncões cardíacas.<br />

→Glicose, amilase elevados. Leucocitose com neutrofilia.<br />

Hipopotassemia e hiponatremia.<br />

→ ELISA para detecção Tityus serrulatus<br />

→ Nos raros casos de pacientes com hemiplegia, a tomografia<br />

cerebral computadorizada pode mostrar alterações compatíveis<br />

com infarto cerebral.


Escorpionismo<br />

Exames complementares<br />

→ Radiografia de tórax:<br />

aumento da área cardíaca e<br />

edema pulmonar agudo.


Escorpionismo<br />

Tratamento<br />

Sintomático → Consiste no alívio da dor<br />

Específico → Consiste na administração i.v. de soro<br />

antiescorpiônico (SAEEs) ou antiaracnídico (SAAr) nos casos<br />

moderados e graves.<br />

Manutenção das funções vitais → Controle da função cardíaca<br />

e uso de respiração artificial em casos de edema pulmonar<br />

agudo.


Araneísmo<br />

3 gêneros de aranhas de<br />

importância médica:<br />

Phoneutria, Loxosceles e<br />

Latrodectus.<br />

Animais carnívoros:<br />

insetos, como grilos e<br />

baratas. Muitas têm hábitos<br />

domiciliares e<br />

peridomiciliares.


Araneísmo


Araneísmo<br />

Epidemiologia<br />

Incremento da notificação de casos no país, notadamente nos<br />

estados do Sul.<br />

Coeficiente de incidência dos acidentes araneídicos situa-se em<br />

torno de 1,5 casos por 100.000 habitantes, com registro de 18<br />

óbitos no período de 1990-1993. A maioria das notificações<br />

provem das regiões Sul e Sudeste.


Phoneutria<br />

Aranhas armadeiras<br />

Medem de 3 a 4 cm de<br />

corpo e até 15 cm de<br />

envergadura de pernas.<br />

Não constroem teia<br />

geométrica, caçam à<br />

noite.


Phoneutria<br />

Distribuição geográfica<br />

P. fera e P. reidyi - região Amazônica;<br />

P. nigriventer - Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais,<br />

Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, São Paulo e Santa<br />

Catarina;<br />

P. keyserfingi - Espírito Santo, Minas Gerais, Paraná, Rio de<br />

Janeiro, Rio Grande do Sul, São Paulo e Santa Catarina.


Foneutrismo<br />

42,2% dos casos no Brasil, predominantemente no Sul e<br />

Sudeste. Raramente levam a um quadro grave. Acidentes<br />

ocorrem em áreas urbanas, no intra e peridomicílio.<br />

Ações da peçonha<br />

Neurotóxica (PhTx2) ativa canais de Na + , levando à<br />

despolarização e liberação de neurotransmissores, Ach e<br />

catecolaminas. Peptídeos atuam na musc lisa vascular e na<br />

permeabilidade vascular, por ativação do sistema calicreínacininas<br />

e de <strong>NO</strong>.<br />

Quadro clínico<br />

Predominam manifestações locais: dor imediata, edema, eritema,<br />

parestesia e sudorese no local da picada.


Acidente por Phoneutria sp: edema em indivíduo picado<br />

há 2 h


Foneutrismo<br />

Os acidentes são classificados em:<br />

Leves 91% dos casos. Sintomatologia local. Taquicardia e<br />

agitação, secundárias à dor.<br />

Moderados 7,5% do total de acidentes. Manifestações locais<br />

e sistêmicas, como taquicardia, hipertensão arterial, sudorese<br />

discreta, agitação psicomotora, visão “turva” e vômitos<br />

ocasionais.<br />

Graves raros, 0,5% do total, restritos às crianças. Sudorese<br />

profusa, sialorréia, vômitos freqüentes, diarréia, priapismo,<br />

hipertonia muscular, hipotensão arterial, choque e edema<br />

pulmonar agudo.<br />

Exames complementares<br />

Acidentes graves (crianças) leucocitose com neutrofilia,<br />

hiperglicemia, acidose metabólica e taquicardia sinusal.


Foneutrismo<br />

Tratamento<br />

Sintomático Analgésico, imersão do local em água morna ou<br />

o uso de compressas quentes.<br />

Específico a soroterapia tem sido formalmente indicada<br />

nos casos com manifestações sistêmicas em crianças e em<br />

todos os acidentes graves.<br />

Prognóstico<br />

Bom. Lactentes, pré-escolares e idosos devem sempre ser<br />

mantidos em observação pelo menos por seis horas. Os óbitos<br />

são muito raros, havendo relatos de 14 mortes na literatura<br />

nacional de 1926 a 1996.


Loxosceles<br />

Aranhas-marrons<br />

Teias irregulares<br />

Podem ter 1 cm de corpo e<br />

até 3 cm de envergadura<br />

de pernas.<br />

Não são agressivas,<br />

picando quando são<br />

comprimidas contra o<br />

corpo.


Loxosceles<br />

Distribuição geográfica<br />

L. intermedia - predomina nos estados do sul do país;<br />

L. laeta - ocorre em focos isolados em várias regiões do país,<br />

principalmente no estado de Santa Catarina;<br />

L. gaucho - predomina no estado de São Paulo.


Loxoscelismo<br />

Forma mais grave de araneísmo no Brasil.<br />

A maioria dos acidentes no Sul, particularmente no Paraná e<br />

Santa Catarina. O acidente atinge mais comumente adultos, com<br />

discreto predomínio em mulheres, no intradomicílio.<br />

Ações da peçonha<br />

Enzima esfingomielinase D membrana das células,<br />

principalmente do endotélio vascular e hemácias. Cascatas do<br />

sist complemento, da coagulação e das plaquetas,<br />

desencadeando intenso processo inflamatório no local da picada,<br />

acompanhado de obstrução de pequenos vasos, edema,<br />

hemorragia e necrose focal. Hemólise intravascular nas formas<br />

mais graves de envenenamento.


Loxoscelismo<br />

Quadro clínico<br />

A picada quase sempre é imperceptível<br />

Forma cutânea 87-98% dos casos. Lenta e progressiva,<br />

caracterizada por dor, edema e eritema no local da picada, pouco<br />

valorizados pelo paciente.<br />

Os sintomas locais se acentuam nas primeiras 24-72 h após o<br />

acidente, podendo variar sua apresentação desde:<br />

Lesão incaracterística bolha de conteúdo seroso, edema,<br />

calor e rubor, com ou sem dor em queimação;<br />

Lesão sugestiva enduração, bolha, equimoses e dor em<br />

queimação;<br />

Lesão característica dor em queimação, lesões hemorrágicas<br />

focais, mescladas com áreas pálidas de isquemia (placa<br />

marmórea) e necrose. Geralmente o diagnóstico é feito nesta<br />

oportunidade.


Loxoscelismo<br />

Paciente masculino, 25 anos,<br />

apresentando lesão com 5 dias<br />

de evolução, tratamento com<br />

corticóide, cura total<br />

A lesão cutânea pode evoluir para necrose seca (escara), em<br />

cerca de 7-12 dias, que, ao se destacar em 3 a 4 semanas,<br />

deixa uma úlcera de difícil cicatrização.<br />

Paciente feminino, 22 anos,<br />

apresentando lesão com 12 dias de<br />

evolução, tratada de forma incorreta,<br />

encaminhada para o desbridamento<br />

cirúrgico


Loxoscelismo<br />

Forma cutâneo-visceral (hemolítica)<br />

Além do comprometimento cutâneo, manifestações clínicas<br />

decorrentes de hemólise intravascular anemia, icterícia e<br />

hemoglobinúria (primeiras 24 horas). Petéquias e equimoses,<br />

relacionadas à coagulação intravascular disseminada (1-13% dos<br />

casos, mais comum nos acidentes por L. laeta).<br />

Casos graves insuficiência renal aguda, de etiologia<br />

multifatorial (diminuição da perfusão renal, hemoglobinúria e<br />

CIVD), principal causa de óbito no loxoscelismo.


Loxoscelismo<br />

Acidente loxoscélico pode ser classificado em:<br />

Leve lesão incaracterística sem alterações clínicas ou<br />

laboratoriais e com a identificação da aranha causadora do<br />

acidente.<br />

Moderado lesão sugestiva ou característica, mesmo sem a<br />

identificação do agente causal, podendo ou não haver alterações<br />

sistêmicas do tipo rash cutâneo, cefaléia e mal-estar;<br />

Grave lesão característica e alterações clínico-laboratoriais de<br />

hemólise intravascular.


Loxoscelismo<br />

Complicações<br />

Locais infecção secundária, perda tecidual, cicatrizes<br />

desfigurantes.<br />

Sistêmicas insuficiência renal aguda.<br />

Exames complementares<br />

Forma cutânea hemograma com leucocitose e neutrofilia<br />

Forma cutâneo-visceral anemia aguda, plaquetopenia,<br />

reticulocitose, hiperbilirrubinemia indireta, K + , creatinina e uréia<br />

e coagulograma alterado.<br />

Tratamento<br />

A indicação do antiveneno é controvertida na literatura. Eficácia<br />

da soroterapia é reduzida após 36 h do acidente.


Loxoscelismo


Loxoscelismo<br />

Tratamento Corticoterapia e dapsone (modulador da resposta<br />

inflamatória), analgésicos, compressas frias, antisséptico local e<br />

limpeza periódica da ferida são fundamentais para que haja uma<br />

rápida cicatrização.<br />

Antibiótico sistêmico, remoção da escara e tratamento cirúrgico<br />

na correção de cicatrizes.<br />

Manifestações sistêmicas transfusão de sangue ou<br />

concentrado de hemácias nos casos de anemia intensa e manejo<br />

da insuficiência renal aguda.<br />

Prognóstico Na maioria dos casos, bom.<br />

Nos casos de ulceração cutânea, de difícil cicatrização:<br />

complicações no retorno do paciente às atividades rotineiras. A<br />

hemólise intravascular pode levar a quadros graves e neste<br />

grupo estão incluídos os raros óbitos.


Loxoscelismo


Latrodectus<br />

Viúvas-negras<br />

Teias irregulares.<br />

Podem apresentar hábitos<br />

domiciliares.<br />

Fêmeas: 1cm (3cm de<br />

envergadura de pernas).<br />

Machos menores (3 mm)<br />

Os acidentes ocorrem<br />

normalmente quando são<br />

comprimidas contra o corpo.


Latrodectus<br />

Distribuição geográfica<br />

L. curacaviensis - Ceará, Bahia, Espírito Santo, Rio de Janeiro,<br />

Rio Grande do Norte e São Paulo;<br />

L. geometricus - encontrada praticamente em todo o país.


Latrodectismo<br />

Nordeste (Bahia, Ceará, Rio Grande do Norte, Sergipe),<br />

principalmente por L. curacaviensis.<br />

Ações da peçonha<br />

Alpha-latrotoxina atua sobre terminações nervosas sensitivas<br />

provocando quadro doloroso no local da picada. Ação no SNA<br />

liberação neurotransmissores adrenérgicos e colinérgicos. Na<br />

junção neuromuscular pré-sináptica, altera a permeabilidade aos<br />

íons sódio e potássio.<br />

Quadro clínico<br />

Manifestações locais dor local (60% dos casos) e sensação<br />

de queimadura 15-60min após a picada. Pápula eritematosa e<br />

sudorese localizada (20% dos casos). Lesões puntiformes,<br />

distando de 1 mm a 2 mm entre si. Na área da picada há<br />

referência de hiperestesia e pode ser observada a presença de<br />

placa urticariforme acompanhada de infartamento ganglionar<br />

regional.


Latrodectismo<br />

Manifestações sistêmicas<br />

Gerais tremores (26%), ansiedade (12%), excitabilidade<br />

(11%), insônia, cefaléia, prurido, eritema de face e pescoço.<br />

Distúrbios de comportamento e choque nos casos graves.<br />

Motoras dor irradiada para os membros inferiores (32%),<br />

contraturas musculares periódicas (26%), movimentação<br />

incessante, atitude de flexão no leito; hiperreflexia ósteomúsculo-tendinosa<br />

constante. Dor abdominal intensa (18%),<br />

acompanhada de rigidez e desaparecimento do reflexo cutâneoabdominal.<br />

Contratura facial, trismo dos masseteres caracteriza o fácies<br />

latrodectísmica observado em 5% dos casos.


Latrodectismo<br />

Cardiovasculares opressão precordial, com sensação de<br />

morte iminente, taquicardia inicial e hipertensão seguidas de<br />

bradicardia.<br />

Exames complementares Leucocitose, linfopenia,<br />

eosinopenia. Hiperglicemia, hiperfosfatemia. Albuminúria,<br />

hematúria, leucocitúria e cilindrúria. Arritmias cardíacas. Essas<br />

alterações podem persistir até por dez dias.


Latrodectismo<br />

Tratamento<br />

Específico soro antilatrodectus (SALatr) é indicado nos casos<br />

graves, i.m. A melhora do paciente ocorre de 30 min a 3 h após<br />

soroterapia. Soro antilatrodectus atualmente disponível no Brasil<br />

é importado.<br />

Sintomático Analgésicos e:<br />

Suporte cardiorespiratório e hospitalização por, no mínimo, 24<br />

horas.<br />

Prognóstico Não há registro de óbitos.


Latrodectismo


Lycosidae<br />

Aranha-de-grama ou aranha-dejardim.<br />

Acidentes são freqüentes, mas não<br />

constituem problema de saúde<br />

pública.<br />

Não constroem teia<br />

As maiores atingem 3cm de corpo e<br />

5 cm de envergadura de pernas.<br />

Há um grande número de espécies<br />

descritas para todo o Brasil.


Aranhas caranguejeiras<br />

Aranhas caranguejeiras<br />

Grande variedade de cores e<br />

tamanhos (mm a até 20 cm de<br />

envergadura de pernas).<br />

Algumas são muito pilosas.<br />

Não são de importância<br />

médica, exceto pela irritação<br />

ocasionada na pele e mucosas<br />

por causa dos pêlos urticantes.


Himenópteros<br />

Únicos insetos com ferrões verdadeiros. Três famílias de<br />

importância médica: Apidae (abelhas e mamangavas), Vespidae<br />

(vespa amarela, vespão e marimbondo ou caba) e Formicidae<br />

(formigas).<br />

Epidemiologia<br />

Incidência de acidentes desconhecida. A hipersensibilidade<br />

provocada por picada de insetos tem sido estimada em 0,4-10%.<br />

As reações alérgicas tendem a ocorrer em adultos e nos<br />

indivíduos profissionalmente expostos. Os relatos de acidentes<br />

graves e de mortes pela picada de abelhas africanizadas são<br />

conseqüência da maior agressividade dessa espécie (ataques<br />

maciços) e não das diferenças de composição da sua peçonha.


Abelhas<br />

Ferrão dividido em uma<br />

estrutura muscular e quitinosa,<br />

responsável pela introdução do<br />

ferrão e da peçonha e outra<br />

glandular, que secreta e<br />

armazena a peçonha.<br />

Padrão de utilização do ferrão:<br />

com autotomia e sem<br />

autotomia.<br />

Com autotomia injetam mais<br />

peçonha e morrem.<br />

Sem autotomia o ferrão pode<br />

ser utilizado várias vezes.


Abelhas<br />

Distribuição geográfica<br />

As abelhas de origem alemã (Apis mellifera mellifera) foram<br />

introduzidas no Brasil em 1839.<br />

Em 1870, foram trazidas as abelhas italianas (Apis mellifera<br />

ligustica), principalmente ao sul do Brasil.<br />

Em 1956, foram introduzidas as abelhas africanas (Apis mellifera<br />

scutellata).<br />

As abelhas africanas e seus híbridos com as abelhas européias<br />

são responsáveis pela formação das chamadas abelhas<br />

africanizadas que, hoje, dominam toda a América do Sul, a<br />

América Central e parte da América do Norte.<br />

O deslocamento destas abelhas foi mais rápido no Nordeste do<br />

Brasil, onde o clima é tropical seco.


Abelhas<br />

Ações da peçonha<br />

Hialuronidases e PLAs, peptídeos ativos como melitina e a<br />

apamina, aminas como histamina e serotonina entre outras. PLA 2<br />

e melitina (75% peçonha) Bloqueio neuromuscular, paralisia<br />

respiratória, lisam membranas. Apamina (2%) neurotoxina de<br />

ação motora. Cardiopeptídeo propriedades antiarrítmicas.<br />

Peptídeo MCD (fator degranulador de mastócitos) liberação de<br />

histamina e 5HT.<br />

Quadro clínico<br />

Manifestações clínicas: alérgicas (mesmo com uma só picada) e<br />

tóxicas (múltiplas picadas).


Abelhas<br />

Manifestações<br />

Locais dor aguda local, que tende a desaparecer<br />

espontaneamente em poucos minutos, deixando vermelhidão,<br />

prurido e edema por várias horas ou dias. A intensidade desta<br />

reação inicial causada por uma ou múltiplas picadas deve alertar<br />

para um possível estado de sensibilidade e exacerbação de<br />

resposta às picadas subseqüentes.


Abelhas<br />

Regionais Eritema, prurido e<br />

edema, este pode ser tão<br />

exuberante a ponto de limitar a<br />

mobilidade do membro.


Abelhas<br />

Sistêmicas Anafilaxia, cefaléia, vertigens e calafrios, agitação<br />

psicomotora, sensação de opressão torácica, prurido<br />

generalizado, eritema, urticária e angioedema. Rinite, edema de<br />

laringe e pulmonar. Náuseas, cólicas abdominais ou pélvicas,<br />

vômitos e diarréia. Hipotensão. Palpitações e arritmias cardíacas<br />

e, quando há lesões preexistentes (arteriosclerose), infartos<br />

isquêmicos no coração ou cérebro.<br />

Reações alérgicas tardias ocorrem vários dias após a(s)<br />

picada(s).


Abelhas<br />

Manifestações tóxicas<br />

Ataque múltiplo de abelhas (+ 500<br />

picadas) desenvolve-se um quadro<br />

tóxico generalizado: síndrome de<br />

envenenamento. Hemólise<br />

intravascular e rabdomiólise.<br />

Alterações neurológicas como<br />

torpor e coma, hipotensão arterial,<br />

oligúria/anúria e insuficiência renal<br />

aguda podem ocorrer.


Abelhas<br />

Complicações As reações de hipersensibilidade podem ser<br />

desencadeadas por uma única picada e levar o acidentado à<br />

morte, em virtude de edema de glote ou choque anafilático.<br />

Síndrome de envenenamento distúrbios graves<br />

hidroeletrolíticos e do equilíbrio ácido-básico, anemia aguda pela<br />

hemólise, depressão respiratória e insuficiência renal aguda são<br />

as complicações mais freqüentemente relatadas.<br />

Exames complementares<br />

Não há exames específicos para o diagnóstico. Exame de urina e<br />

hemograma completo.


Abelhas<br />

Tratamento<br />

Remoção dos ferrões raspagem com lâmina e não pelo<br />

pinçamento de cada um deles, pois a compressão poderá<br />

espremer a glândula ligada ao ferrão e inocular no paciente a<br />

peçonha ainda existente.<br />

Analgésicos e tratamento para reações alérgicas.


Abelhas<br />

Complicações<br />

Não há antiveneno de abelha.<br />

Choque anafilático, insuficiência respiratória e insuficiência renal<br />

aguda devem ser tratados de maneira rápida e vigorosa.<br />

Pacientes vítimas de enxames devem ser mantidos em Unidades<br />

de Terapia Intensiva, em razão da alta mortalidade observada.


Vespa<br />

Synoeca cyanea (marimbondo-tatu) e Pepsis fabricius<br />

(marimbondo-cavalo) em todo o território nacional.<br />

Peçonha pouco conhecida. Produzem hipersensibilidade. Não<br />

deixam o ferrão no local da picada.<br />

Efeitos locais e sistêmicos semelhantes aos das abelhas, porém<br />

menos intensos.


Formigas<br />

Hymenoptera, Formicoidea. Algumas sp são portadoras de um<br />

aguilhão abdominal ligado a glândulas de peçonha. A picada<br />

pode ser muito dolorosa e pode provocar anafilaxia, necrose e<br />

infecção secundária.<br />

Formiga tocandira, cabo-verde vinte-e-quatrohoras (3 cm),<br />

negra, Norte e Centro-Oeste. Picada muito dolorosa e pode<br />

provocar edema e eritema local, e ocasionalmente fenômenos<br />

sistêmicos (calafrios, sudorese, taquicardia).<br />

Formigas de correição, ocorrem na selva amazônica. Picada é<br />

pouco dolorosa.<br />

De interesse médico formigas-de-fogo ou lava-pés (gênero<br />

Solenopsis) e as formigas saúvas (gênero Atta).


Formiga lava-pés<br />

Peçonha produzida em uma<br />

glândula conectada ao ferrão e<br />

cerca de 90% constituída de<br />

alcalóides oleosos, onde a<br />

fração mais importante é a<br />

Solenopsin A, de efeito<br />

citotóxico.<br />

A morte celular provocada pela<br />

peçonha promove diapedese<br />

de neutrófilos no ponto de<br />

ferroada.


Formiga lava-pés<br />

Eritema, vesículas e pústulas<br />

em paciente picado por formiga<br />

Solenopsis (lava-pés)<br />

(Foto: Acervo HVB/IB)


Formiga lava-pés<br />

Complicações Processos alérgicos podem ocorrer, sendo<br />

inclusive causa de óbito.<br />

Diagnóstico O diagnóstico é basicamente clínico.<br />

Tratamento Uso imediato de compressas frias locais, seguido<br />

da aplicação de corticóides tópicos. Analgesia e uso de antihistamínicos<br />

por via oral.<br />

Anafilaxia ou reações respiratórias do tipo asmático são<br />

emergências que devem ser tratadas prontamente.


Lepidópteros<br />

Forma larvária e adulta:<br />

Dermatite urticante<br />

a) contato com lagartas urticantes de vários gêneros;<br />

b) contato com cerdas da mariposa Hylesia sp.<br />

Periartrite falangeana por pararama<br />

Síndrome hemorrágica por Lonomia sp<br />

Epidemiologia<br />

Os acidentes por lepidópteros têm sido, de modo geral,<br />

subnotificados.


Lepidópteros<br />

Formas larvárias<br />

Quase 100% acidentes: contato com lagartas, recebendo esse<br />

tipo de acidente a denominação de erucismo (erucae = larva),<br />

onde a lagarta é também conhecida por taturana ou tatarana,<br />

denominação tupi que significa semelhante a fogo (tata = fogo,<br />

rana = semelhante).<br />

As principais famílias de lepidópteros causadoras de erucismo<br />

são Megalopygidae, Saturniidae e Arctiidae.


Megalopygidae<br />

Megalopygidae - Podalia sp<br />

(Foto: R. Moraes).<br />

Sauí, lagarta-de-fogo,<br />

chapéu-armado,<br />

taturanagatinho,<br />

taturana-de-flanela.<br />

Cerdas verdadeiras,<br />

pontiagudas contendo as<br />

glândulas basais de<br />

peçonha.<br />

Cerdas mais longas,<br />

coloridas e inofensivas.


Saturniidae<br />

Saturnídeo - Automeris sp.<br />

(Foto: R. Moraes)<br />

“Espinhos” ramificados e<br />

pontiagudos de aspecto<br />

arbóreo, com glândulas de<br />

peçonha nos ápices.<br />

Apresentam tonalidades<br />

esverdeadas, exibindo no dorso<br />

e laterais, manchas e listras,<br />

características de gêneros e<br />

espécies. Muitas vezes<br />

mimetizam as plantas que<br />

habitam.


Saturnídeo - Lonomia<br />

Orugas ou rugas (Sul do Brasil), beijus-de-tapuru-deseringueira<br />

(norte do Brasil).<br />

Causadoras de síndrome hemorrágica.<br />

Lonomia obliqua. (R. Moraes)<br />

Colônia de Lonomia sp<br />

(Foto: V. Haddad Jr.)


Arctiidae<br />

Lagartas Premolis semirufa, causadoras da pararamose.<br />

Premolis semirufa. (R. Moraes)


Formas adultas (mariposas-da-coceira)<br />

Hylesia paulex. (Foto: R. Moraes)<br />

Somente fêmeas adultas do<br />

gênero Hylesia sp<br />

(Saturniidae) apresentam<br />

cerdas no abdome que, em<br />

contato com a pele, causam<br />

dermatite<br />

papulopruriginosa.


Dermatite urticante<br />

Lagartas de vários gêneros<br />

Acidente muito comum em todo o Brasil, em geral, de curso<br />

agudo e evolução benigna. Fazem exceção os acidentes com<br />

Lonomia sp.<br />

Ações da peçonha<br />

Não se conhece exatamente como agem as peçonhas das<br />

lagartas. Atribui-se ação aos líquidos da hemolinfa e da secreção<br />

das espículas, tendo a histamina o principal componente<br />

estudado até o momento.


Dermatite urticante<br />

Quadro clínico<br />

Manifestações do tipo dermatológico,<br />

dependendo da intensidade e extensão<br />

do contato.<br />

Dor local intensa, edema, eritema e,<br />

eventualmente, prurido local. Existe<br />

infartamento ganglionar regional<br />

característico e doloroso. Nas primeiras<br />

24 h, a lesão pode evoluir com<br />

vesiculação e, mais raramente, com<br />

formação de bolhas e necrose na área<br />

do contato.<br />

Acidente com lagarta na mão<br />

e tronco: edema, eritema nas<br />

áreas<br />

de contato. (Acervo HVB/IB)


Dermatite urticante<br />

Complicações<br />

O quadro local de boa evolução, regredindo no máximo em 2-3<br />

dias sem maiores complicações ou seqüelas.<br />

Tratamento→ compressas frias; anestésico local; elevação do<br />

membro acometido; corticosteróides tópicos; anti-histamínico<br />

oral.<br />

Por causa da possibilidade de se tratar de acidente hemorrágico<br />

por Lonomia sp, todo o paciente que não trouxer a lagarta para<br />

identificação deve ser orientado para retorno, no caso de<br />

apresentar sangramentos até 48 h após o contato.


Dermatite urticante - mariposa Hylesia sp<br />

Fêmeas de mariposas de Hylesia sp têm causado surtos de<br />

dermatite papulopruriginosa. As mariposas, atraídas pela luz,<br />

invadem os domicílios e, ao se debaterem, liberam no ambiente<br />

as espículas que, atingindo a superfície cutânea, podem causar<br />

quadros de dermatite aguda.<br />

Ações da peçonha<br />

Além do trauma mecânico provocado pela introdução das<br />

espículas, postula-se a presença de fatores tóxicos que, até<br />

agora, praticamente não foram estudados.


Mariposa Hylesia sp<br />

Acidente por Hylesia sp: lesões<br />

pápulo-pruriginosas extensas por<br />

contato há sete dias. (Foto: Acervo<br />

HVB/IB)<br />

Quadro clínico<br />

Lesões papulopruriginosas logo<br />

após contato com as cerdas.<br />

Intenso prurido e cura após 7-14.<br />

Tratamento<br />

Anti-histamínicos, via oral,<br />

compressas frias, banhos de amido<br />

e, eventualmente, cremes à base de<br />

corticosteróides.


Periartrite falangeana - pararama<br />

Pararamose ou reumatismo dos seringueiros →larva da<br />

mariposa Premolis semirufa, “pararama”.<br />

Restritos à Amazônia (seringais)<br />

> 90% acidentes comprometem as mãos, originando lesões<br />

crônicas que comprometem as articulações falangeanas, levando<br />

a deformidades com incapacidade funcional.<br />

Ações da peçonha<br />

A reação granulomatosa e fibrose do tecido cartilaginoso e<br />

bainhas do periósteo → ação mecânica das cerdas e/ou à<br />

existência de secreções protéicas no interior dessas cerdas.


Periartrite falangeana - pararama<br />

Quadro crônico de pararamose:<br />

tumefação de articulação<br />

interfalangeana distal do dedo<br />

médio. (Foto: R. M. Costa)<br />

Tratamento<br />

Não há conduta terapêutica<br />

específica.<br />

Tratamento imediato, ~ ao<br />

descrito para dermatite por<br />

contato.<br />

Formas crônicas, com<br />

artropatia, deverão ter<br />

acompanhamento<br />

especializado.


Síndrome hemorrágica - Lonomia<br />

Principalmente na região Sul, atingindo principalmente<br />

trabalhadores rurais. Há registros em SP e GO.<br />

Ações da peçonha<br />

Mecanismo síndrome hemorrágica não está esclarecido.<br />

PLA 2 , substância caseinolítica e ativadora de complemento. Ação<br />

pró-coagulante moderada. Diminuição dos níveis de fator XIII,<br />

responsável pela estabilização da fibrina e controle da fibrinólise.<br />

Não se observa alteração nas plaquetas.


Síndrome hemorrágica - Lonomia<br />

Quadro clínico<br />

Constitui a forma mais grave do erucismo.<br />

Local→ Dermatite urticante<br />

Gerais → cefaléia holocraniana, mal-estar geral, náuseas e<br />

vômitos, ansiedade, mialgias, dores abdominais, hipotermia,<br />

hipotensão.<br />

Equimoses, hematomas espontâneos ou provocados por trauma<br />

ou em lesões cicatrizadas, hemorragias de mucosas, hematúria<br />

macroscópica, sangramentos em feridas recentes, hemorragias<br />

intra-articulares, abdominais, pulmonares, glandulares (tireóide,<br />

glândulas salivares) e hemorragia intraparenquimatosa cerebral.


Síndrome hemorrágica - Lonomia<br />

Equimoses espontâneas à distância<br />

pós contato com Lonomia sp. (Foto:<br />

A. Duarte)<br />

Hematúria macroscópica<br />

(Foto: A. Duarte)


Síndrome hemorrágica - Lonomia


Síndrome hemorrágica - Lonomia<br />

Complicações→ insuficiência renal aguda (5% dos casos).<br />

Exames complementares → coagulograma, diminuição<br />

acentuada do fibrinogênio plasmático, elevação de produtos de<br />

degradação do fibrinogênio e fibrina, no. plaquetas normal.<br />

Diagnóstico<br />

Não existem métodos diagnósticos específicos. O diagnóstico<br />

diferencial com as dermatites urticantes provocadas por outros<br />

lepidópteros deve ser feito pela história clínica, identificação do<br />

agente e presença de distúrbios hemostáticos.


Síndrome hemorrágica - Lonomia<br />

Tratamento<br />

Local→ ~ a dermatite urticante<br />

Manifestações hemorrágicas → repouso, evitando-se traumas<br />

mecânicos. Agentes antifibrinolíticos. Correção da anemia por<br />

meio da administração de concentrado de hemácias. Sangue<br />

total ou plasma fresco são contra-indicados pois podem<br />

acentuar o quadro de coagulação intravascular.<br />

Soro antilonômico (SALon) começa a ser produzido em pequena<br />

escala, estando em fase de ensaios clínicos, de utilização<br />

restrita.


Coleópteros<br />

Coleópteros de importância médica<br />

No Brasil, acidentes por besouros do gênero Paederus<br />

(Coleoptera, Staphylinidae) nas regiões Norte, Nordeste e<br />

Centro-Oeste e pelo gênero Epicauta (Coleoptera, Meloidae) no<br />

estado de São Paulo.<br />

O gênero Paederus (potó, trepa-moleque, péla-égua, fogoselvagem)<br />

compõe-se de pequenos besouros de corpo<br />

alongado, medindo de 7-13 mm; possuem élitros curtos, que<br />

deixam descoberta mais da metade do abdome. Vivem em<br />

lugares úmidos, arrozais, culturas de milho e algodão.


Coleópteros<br />

Paederus amazonicus, P.<br />

brasiliensis, P. columbinus,<br />

P. fuscipes e P. goeldi.<br />

Predam outros insetos,<br />

nematódeos e girinos.<br />

Defendem-se com as<br />

mandíbulas, ao mesmo<br />

tempo em que encurvam o<br />

abdome, provavelmente<br />

também para acionar a<br />

secreção das glândulas<br />

pigidiais.<br />

Paederus sp (Potó). (R. Moraes)


Potó-grande, potó-pimenta,<br />

papa-pimenta, caga-fogo e<br />

caga-pimenta correspondem<br />

ao gênero Epicauta, as<br />

cantáridas do Novo Mundo,<br />

também dotadas de<br />

propriedades vesicantes<br />

(atribuídas à cantaridina) sendo<br />

causadoras de lesões menos<br />

evidentes, que regridem em<br />

cerca de 3 dias.<br />

Coleópteros<br />

Epicauta sp.


Coleópteros<br />

Ações do veneno<br />

Hemolinfa e secreção glandular do potó→ potente toxina de<br />

contato, pederina, de ação cáustica e vesicante. Trata-se de uma<br />

amida cristalina, de ação inibidora do DNA, bloqueando a mitose.<br />

Adultos, ovos e larvas contêm a toxina.<br />

Sensação de ardor contínuo<br />

Quadro clínico<br />

Os dedos que friccionaram o inseto podem levar a toxina a outras<br />

áreas, inclusive à mucosa conjuntival, provocando dano ocular<br />

(conjuntivite, blefarite, ceratite esfoliativa, irite).


Leve → discreto eritema.<br />

Moderado → marcado eritema,<br />

ardor e prurido, vesículas que<br />

se alargam gradualmente (48h).<br />

Estádio escamoso, vesículas<br />

secam (8 dias), deixando<br />

manchas pigmentadas (1 mês<br />

ou +).<br />

Grave → contato com vários<br />

espécimes. Febre, dor local,<br />

artralgia e vômitos. O eritema<br />

pode persistir por meses.<br />

Infecção secundária<br />

Coleópteros<br />

Acidente por Epicauta sp.<br />

(Foto: N. Dillon)


Coleópteros<br />

Tratamento<br />

Lavar imediatamente as áreas atingidas, com abundante água<br />

corrente e sabão. Nas lesões instaladas, utilizar banhos antisépticos<br />

com permanganato e antimicrobianos tópicos. A tintura<br />

de iodo destrói a pederina, mas deve ser empregada<br />

precocemente.<br />

Em caso de contato com os olhos, deve-se lavar o local com<br />

água limpa e abundante.


Ictismo<br />

Peixes marinhos ou fluviais.<br />

Acidentes acantotóxicos (arraias, p.e.)→ caráter necrosante e a<br />

dor é o sintoma proeminente.<br />

Peçonha das arraias: 5-HT e peptídeos de alta MW, como<br />

fosfodiesterase e 5-nucleotidase. Termolábil.<br />

Acidentes sarcotóxicos → ingestão de peixes e frutos do mar.<br />

Os baiacus possuem TTX, podendo provocar paralisia<br />

consciente e óbito por falência respiratória. Peixes que se<br />

alimentam do dinoflagelado Gambierdiscus toxicus podem ter<br />

acúmulo progressivo de ciguatoxina nos tecidos, provocando o<br />

quadro denominado ciguatera.


Ictismo<br />

Acidentes escombróticos → acontecem quando bactérias<br />

provocam descarboxilação da histidina na carne de peixes<br />

malconservados, produzindo a toxina saurina, capaz de liberar<br />

histamina em seres humanos.<br />

Acúmulo de metil-mercúrio em peixes pescados em águas<br />

contaminadas podem produzir quadros neurológicos em<br />

humanos, quando houver ingestão crônica. Doença de<br />

Minamata.


Ictismo


Ictismo - peixes acantotóxicos<br />

Os peixes acantotóxicos possuem espinhos ou ferrões<br />

pontiagudos e retrosserrilhados, envolvidos por bainha de<br />

tegumento sob a qual estão as glândulas de peçonha existentes<br />

nas nadadeiras dorsais, peitorais ou na cauda, com exceção do<br />

niquim, cujas glândulas estão na base dos ferrões.<br />

Bagres (Bagre bagre, B. marinus, etc), mandi (Genidens<br />

genidens, Pimelodella brasiliensis), peixe escorpião, beatinha<br />

ou mangangá (Scorpaena brasiliensis, S. plumeri), niquim ou<br />

peixe sapo (Thalassophryne natterreri, T. amazonica) e arraias.


Ictismo - peixes acantotóxicos<br />

Arraias marinhas (Dasyatis guttatus, D. americana, Gymnura<br />

micrura, etc) e fluviais (Potamotrygon hystrix, P. motoro)<br />

Potamotrygon sp: arraia fluvial. (Foto:<br />

P. Pardal)<br />

Duplo ferrão de arraia.<br />

(Foto: P. Pardal)


Ictismo- peixes sarcotóxicos<br />

Contém toxinas termoestáveis na pele, músculos, vísceras e<br />

gônadas.<br />

Acidente tetrodontóxico→ baiacus (Tetraodontidae):<br />

Colomesus psittacus, Lagocephalus laevigatus, Diodon hystrix,<br />

etc.).<br />

Acidentes ciguatóxicos → ciguatera, principalmente no<br />

Oceano Pacífico e são causados por peixes comestíveis como:<br />

garoupa (Cephalopholis argus), barracuda (Sphyraena<br />

barracuda), bicuda (Sphyraena picudilla), etc., contaminados pela<br />

ciguatoxina.


Ictismo - acidentes traumáticos<br />

Acidentes traumáticos→ causados por dentes, rostros e<br />

acúleos sem ligação com glândulas de peçonha. Exemplos:<br />

espadarte (Xiphias gladius), piranhas (fam. Serrasalmidae) e<br />

tubarões.<br />

Os candirus (Vandellia cirrhosa) são peixes pequenos e que<br />

podem penetrar em qualquer orifício natural de banhistas nos rios<br />

da Amazônia.<br />

Acidentes por descarga elétrica são provocados por contato<br />

com peixes que possuem órgãos capazes de produzir<br />

eletricidade. Exemplos: poraquê (Electrophorus electricus) e<br />

arraia treme-treme (Narcine brasiliensis).


Colomesus psitacus<br />

Electrophorus<br />

electricus<br />

Cephalopholis argus<br />

Xiphias gladius


Ictismo - Acantotóxico<br />

Quadro clínico<br />

Ferimento, dor imediata e intensa.<br />

Eritema e edema regionais. Casos<br />

graves: linfangite, reação<br />

ganglionar, abscedação e necrose<br />

tecidual no local.<br />

Lesões não tratadas: infeção<br />

bacteriana.<br />

Manifestações gerais: fraqueza,<br />

sudorese, náuseas, vômitos,<br />

vertigens, hipotensão, choque e<br />

até óbito.<br />

Acidente por arraia fluvial com<br />

cinco dias de evolução. (Foto: P.<br />

Pardal)


Ictismo - Sarcotóxico<br />

Manifestações→ neurológicas e gastrintestinais.<br />

Neurológicas: Sensação de formigamento da face, lábios, dedos<br />

das mãos e pés, fraqueza muscular, mialgias, vertigens, insônia,<br />

dificuldade de marcha e distúrbios visuais. Agravamento:<br />

convulsões, dispnéia, parada respiratória e morte, que pode<br />

ocorrer nas primeiras 24 horas.<br />

Gastrintestinal:náuseas, vômitos, dores abdominais e diarréia.<br />

A recuperação clínica do envenenamento por peixes pode se<br />

estender de semanas a meses.


Ictismo<br />

Escombróticos→ Sintomatologia semelhante à intoxicação<br />

causada pela histamina: cefaléia, náuseas, vômitos, urticária,<br />

rubor facial, prurido e edema de lábios.<br />

Intoxicação mercurial → Doença de Minamata, de alterações<br />

principalmente neurotóxicas, com distúrbios sensoriais das<br />

extremidades e periorais, incoordenação motora, disartrias,<br />

tremores, diminuição do campo visual e auditivo, salivação, etc.


Ictismo<br />

Tratamento<br />

Acidente traumatogênico ou acantotóxico: objetiva o alívio da<br />

dor, o combate dos efeitos da peçonha e a prevenção de<br />

infecção secundária.<br />

Acidente por ingestão de peixes tóxicos: Tratamento de<br />

suporte. Lavagem gástrica e laxante. Insuficiência respiratória e o<br />

choque devem ser tratados com medidas convencionais. Nos<br />

acidentes escombróticos está indicado o uso de anti-histamínico.


Ictismo<br />

Prognóstico<br />

Acidentes acantotóxicos e traumatogênicos→ favorável,<br />

mesmo nos casos com demora da cicatrização, com exceção dos<br />

acidentes provocados por arraias e peixes escorpião, cujo<br />

prognóstico pode ser desfavorável.<br />

Acidentes tetrodontóxico e ciguatóxico → prognóstico é<br />

reservado e a taxa de letalidade pode ultrapassar 50% e 12%,<br />

respectivamente.<br />

Acidentes escombróticos → bom.


Celenterados<br />

Tentáculos com nematocistos→ injeta peçonha<br />

Anthozoa: anêmonas e corais. Acidentes pouco freqüentes e de<br />

pouca gravidade<br />

Acidentes mais importantes:<br />

Hydrozoa: são as hidras (pólipos fixos) e colônias de pólipos de<br />

diferenciação maior (caravelas ou Physalias).<br />

Scyphozoa: medusas ou águas-vivas.


Celenterados<br />

Chiropsalmus<br />

quadrumanus Physalia physalis<br />

A caravela (Physalia) é sem dúvida a responsável pelo<br />

maior número e pela maior gravidade dos acidentes<br />

desse gênero no Brasil


Celenterados<br />

• Nematocisto


Celenterados<br />

Ações da peçonha<br />

Ações enzimáticas, neurotóxicas (arritmias sérias, altera o tônus<br />

vascular e pode levar à insuficiência respiratória por congestão<br />

pulmonar) e hemolítica (Physalia).<br />

Quadro clínico<br />

Manifestações locais→ ardência e dor intensa no local.<br />

Manifestações sistêmicas → casos mais graves: cefaléia, malestar,<br />

náuseas, vômitos, espasmos musculares, febre, arritmias<br />

cardíacas.


Celenterados<br />

Diagnóstico<br />

O diagnóstico é clínico.<br />

Padrão linear edematoso é<br />

muito sugestivo, se<br />

acompanhado de dor<br />

aguda e intensa.<br />

Lesões eritematosas lineares<br />

dois dias após contato com<br />

“água-viva”.<br />

(Foto: Acervo HVB/IB)


Celenterados<br />

Tratamento<br />

Fase 1→ repouso do segmento afetado.<br />

Fase 2 → retirada de tentáculos aderidos: a descarga de<br />

nematocistos é contínua e a manipulação errônea aumenta o<br />

grau de envenenamento. Não usar água doce para lavar o local<br />

(descarrega nematocistos por osmose) ou esfregar panos secos<br />

(rompe os nematocistos). Os tentáculos devem ser retirados<br />

suavemente levantando-os com a mão enluvada, pinça ou bordo<br />

de faca. O local deve ser lavado com água do mar.


Celenterados<br />

Tratamento<br />

Fase 3 →- inativação da peçonha: ácido acético a 5% (vinagre<br />

comum), aplicado no local, por no mínimo 30 min.<br />

Fase 4 → retirada de nematocistos remanescentes: deve-se<br />

aplicar uma pasta de bicarbonato de sódio, talco e água do mar<br />

no local, esperar secar e retirar com o bordo de uma faca.<br />

Fase 5 → bolsa de gelo ou compressas de água do mar fria por 5<br />

a 10 minutos e corticóides tópicos duas vezes ao dia aliviam os<br />

sintomas locais. A dor deve ser tratada com analgésicos.

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