Em movimento - comunicação, UFPR

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Em movimento - comunicação, UFPR

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Co:::unicação

jornal laboratório do curso de jornalismo da ufpr - edição especial

Pe s q u i s a

Eles já não fazem passeata como na

década de 60, mas usam web e religião

para fazer vingar o tal do mundo melhor.

P á g. 3

Em movimento

Há quem diga que as lutas sociais

ficaram sepultadas em alguma

passeata da década de 60,

mas os anos 2000 provam ao contrário:

os novos ativistas estão chegando

Ci da d e

Bairro Alto e Bigorrilho diferem na

renda, mas têm comum o amparo

das associações de bairro.

P á g. 5


2 :::

editorial

Alienação, apatia ou participação?

Após dois impressos, infelizmente, não publicados, o Jornal

Comunicação volta com uma tentativa nova. A proposta

trabalhada durante o mês de setembro foi de produzirmos

uma edição temática. O motivo? Aprofundar um só assunto

e, afinal, já que se trata de um jornal laboratório, experimentar

outras formas de produção. Nesta edição, as matérias têm o

objetivo de ser complementares e de trabalhar um mesmo

assunto sob diferentes enfoques.

“Desvendar” os mitos sobre o movimento social, o que

ele é, quem engloba, como se dá na cidade e como é visto

pelos jovens foram apenas bases para outras questões levantadas

na edição. A intenção não é apenas relatar quais são os

movimentos sociais e explicar como funcionam, mas principalmente

abordar e questionar a temática social em si.

O jovem é alienado? O pressuposto comum de que a juventude

de hoje não tem a mesma força política dos anos 80,

por exemplo, demonstrou-se – em muitas das matérias desse

Comunicação – falso. A entrevistada Samira Kauchakje

afirma que o jovem continua engajado. O que muda são as

formas e os motivos da luta social. A diversidade e o fim do

preconceito remetem ao mesmo tempo à localidade e à globalização

que marcam o movimento social jovem de hoje.

A amplitude desses temas da nova formulação do engajamento

social causa contradição, até mesmo entre os

próprios jovens. Em pesquisa realizada com a comunidade

da UFPR, 58% dos entrevistados dizem não acreditar

no potencial do movimento social e 66,5% não têm participação

nesses movimentos. Desses, no entanto, 20,4%

gostariam de realizar trabalho em ONGs.

Para Kauchakje, os jovens estão conscientes de que não

existem verdades prontas, nem um bem e um mal definidos.

O movimento social hoje busca a vida em harmonia (ambiental,

racial, social...) não sendo entendido como movimento

até mesmo por quem faça, de alguma maneira, parte dele.

expediente

O Comunicação é uma publicação do curso de Jornalismo da Universidade Federal

do Paraná, com a participação de alunos das disciplinas de Laboratório

de Jornalismo Impresso e Laboratório Avançado de Jornalismo Impresso.

Professor Orientador: Cleide Luciane Antoniutti (MTB 3278/PR).

Editor Chefe: Fábio Pupo. Secretaria de Redação (impresso): Chico Marés.

Secretária de Redação (on-line): Amanda Menezes.

Chefe de Reportagem: José Carlos Fernandes.

Esta edição foi produzinda exclusivamente por alunos do

segundo ano do Curso de Jornalismo da UFPR.

Arte e Projeto Gráfico:Juliana Karpinski. Capa: Helen Anacleto. Charge: Yuri Alhanati.

Diagramação: Juliana Karpinski, Marcela Varasquim e Verônica Gavloski

Endereço: Rua Bom Jesus, 650 – Juvevê – Curitiba-PR.

Telefone: (41) 3313-2017.

E-mail:jornalcomunicacao@ufpr.br

Site:www.jornalcomunicacao.ufpr.br

Dois milhões de ouvintes no Paraná,

cerca de 350 emissoras no estado e

por volta de 15 mil no Brasil. Essa é uma

ficha técnica breve sobre as rádios comunitárias,

baseada em números da Federação

das Mantenedoras de Rádios

Comunitárias, TVs e Rádios (Femarcom-PR)

e da Associação Brasileira de

Radiodifusão Comunitária (Abraço).

Os números realçam a presença desses

veículos e o seu potencial.

Uma das determinações da lei

federal nº 9.612 de 1998, que regulamentou

a radiodifusão comunitária,

deixa claro que as emissoras devem ter

como princípio a prestação de serviços

à localidade em que estão sediadas. Em

tese, os interesses comunitários passam

pelas antenas da rádio e se tornam

de conhecimento da vizinhança.

Para se ter uma ideia dessa força, a

Rádio Novo Ar, de São Gonçalo (RJ),

chegou a ter 36 horas de programas semanais

e programação durante todo o

dia. Além disso, foi premiada pela Câmara

Municipal e mobilizou 11 mil ouvintes

em 15 dias e mais de 40 telefonemas

em uma hora de programa. Mesmo

com tudo isso, em 2005 teria sido fechada

por representantes da Anatel (Agên-

edição especial

opinião

Vida e morte das

rádios comunitárias

Ciro Campos

Ferramentas mais rápidas e eficazes

de comunicação viabilizaram a

propagação de ideias aos quatro ventos

de forma rápida, quase instantânea. A

afirmação pode soar como um clichê,

mas foi graças a essa agilidade que o

desabafo de Cristiane e Gilmar Yared

tomou as proporções que hoje conhecemos.

A dor do casal curitibano se

tornou um movimento com adeptos

não só locais, mas até fora do país.

Aos que não têm uma clara memória

sobre o assunto, uma recapitulação:

Gilmar Rafael Yared, filho de

Gilmar e de Cristiane, morreu, ao lado

do amigo Carlos Murilo de Almeida,

na madrugada do dia 7 de maio deste

ano, no bairro do Mossunguê, em

Curitiba. O carro que ocupavam foi

atingido pelo automóvel do ex-deputado

Fernando Carli Filho – que, segundo

as evidências, conduzia a pelo

menos 160 Km/h e embriagado.

Do desabafo, um manifesto. Logo

após o episódio, o pai de Yared escreveu

uma carta, onde expressava sua tristeza

e decepção com a Justiça no tratamento

do caso. “Vejo o Poder Público sendo

colocado à disposição do deputado

para diminuir as evidências deste crime”.

A carta foi enviada por e-mail aos

seus amigos, que a repassaram e, em

poucos dias, o desabafo já havia chegado

até comunidades brasileiras fora

do país, como em Boston, nos Estados

Unidos.

Foi assim que surgiu o movimento

cujo slogan, “190 Km/h é crime”,

estampado em adesivos na janela dos

carros, simboliza a vontade popular de

um trânsito com menos violência. Com

a repercussão da carta, logo surgiram

cia Nacional de Telecomunicações).

Condutas desse tipo foram listadas

no dossiê “Querem calar a voz do povo:

a violência contra as rádios comunitárias

no Brasil”, realizado por mais de

dez organizações brasileiras e internacionais.

Segundo o levantamento, entre

2003 e 2004, mais de 7600 rádios foram

fechadas em todo o país. O motivo

apontado é que as emissoras desse tipo

atraem ouvintes das rádios comerciais

e, em represália, são feitas movimentações

para se fechar as “concorrentes”.

A liberdade de expressão se mostra

importante para que os movimentos

sociais divulguem ações e consigam

mais apoio. Boa parte da grande mídia

não cede muito espaço a esse tipo de

manifestação, visto que tem como alvo

uma parte da população. Os veículos

comunitários, por sua vez, podem ter

uma grande repercussão no âmbito

local por tentarem conversar de perto

com o público, os vizinhos do bairro.

As rádios comunitárias podem

ser consideradas a voz de uma determinada

localidade. Ao divulgarem

campanhas positivas e que tenham

como objetivo melhorias, passam a

ser mais do que isso: agentes de cidadania

na construção de um ambiente

melhor de convivência.

Um protesto

em alta velocidade

Rafael Antunes Rodrigues

apoiadores às ideias de Yared, que busca

a punição do deputado pela morte dos

dois jovens.

A disseminação virtual

A partir da repercussão inesperada

que a carta teve, a família percebeu

o poder da web para divulgar o caso

e não deixá-lo cair no esquecimento.

Além de caminhadas de protesto por

Curitiba, os apoiadores começaram

a se manifestar virtualmente.

Foram criados perfis em comunidades

de relacionamentos e um

blog foi montado para a divulgação

de notícias relacionadas ao caso e

ao andamento das investigações.

No Orkut, a comunidade e o perfil

relacionados ao movimento somam

mais de 600 participantes; além dos

120 seguidores no Twitter.

Gilmar Yared aponta as ferramentas

da Internet como fundamentais

para a divulgação do movimento,

que visa não só a diminuição da violência

no trânsito, mas também o fim

da impunidade legal. Para ele, “a ideia

do movimento foi uma consequência

da indignação da família e tem como

objetivo mostrar à população a manipulação

que está sendo feita”. E aponta,

ainda, a Internet como a maneira

mais fácil e rápida para fazer isso.

Apesar de os perfis virtuais estarem

aparentemente abandonados - há mais

de um mês não se posta nada novo no

Twitter -, Yared relatou que a campanha

continuará com as ferramentas virtuais,

e que a próxima mobilização será a

respeito da necessidade de um número

maior de blitz de trânsito nas ruas curitibanas.

Para ele, a falta de fiscalização traz

aos cidadãos uma sensação de impuni-

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