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1 Os Primórdios da Irmandade de Nossa Senhora da ... - Hospital

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Construir um templo

Construir um templo de raiz, mas onde? É que o bom do Missionário fazia questão de que o local a escolher dispusesse de certos pré-requisitos: era bom que fosse sítio retirado e nas saídas da cidade, dele devia avistar-se o mar e ao seu redor haveria fartura de pedra e água para mais fácil levantamento da obra. O Monte de Santa Catarina nas imediações do chafariz de Vila Parda terá sido a primeira escolha. Aliás, logo aí se começou a cortar e a lavrar pedra para o efeito. Mas, por qualquer motivo que desconhecemos, foi preciso abandonar o projecto. Alguém se lembrou então de oferecer dinheiro para a compra de um campo lá para as bandas da Torre da Marca. Mas também aqui não foi possível a construção. Como o Padre Ângelo de Sequeira não era pessoa para desistir, entrou em conversações com a senhora Dona Antónia Micaela de Souza, moradora na sua quinta em Cedofeita, a qual lhe prometeu resolver o problema. Com ela devia ir ter o mensageiro do Padre em dia aprazado mas, por engano resultante de haver duas pessoas com nomes iguais, dirigiu-se antes à quinta de Santo Ovídio, onde foi recebido por outra piedosa dama, também Dona Antónia, isto é, Dona Antónia Joana de Azeredo e Albuquerque, casada com o Contador da Fazenda, João de Figueiroa Pinto. A Senhora estranhou o teor das palavras do mandatário, mas admitiu que, sem seu conhecimento, o marido ( na altura ausente em outra sua quinta) tivesse prometido ao bom do Padre algum espaço do muito que possuía ali nas imediações. Com o auxílio do seu capelão, o Padre Simão Antunes, a senhora certificou-se do equívoco, mas descobriu uma solução: é que junto da quinta de Santo Ovídio havia um monte maninho, propriedade da Câmara, que respondia às exigências do Missionário. O Monte chamava-se «do Padrão Velho», era dividido a meio por um atalho que efectivamente ia ter a um padrão antigo, onde outrora se erguera um cruzeiro de dez palmos de altura com a imagem de Cristo Crucificado 3 e onde, curiosamente, se esculpira também a imagem do Apóstolo S. Tiago, a evocar possíveis itinerários de peregrinação. Confinava a nascente e a norte com a nova estrada de Braga, a sul com a estrada que ia ter ao chafariz de Vila Parda e ao lugar de Germalde e a poente com os casais de Salgueiros, Fial e Pinheiro. Sendo logradouro público mas despovoado, não gozava de grande fama: as muitas covas que por ali havia eram esconderijo de ladrões e não faltava quem contasse histórias brutais de homicídios recentes ali perpetrados. Tão ruins notas não dissuadiram o Padre Ângelo que conseguiu do Senado doação inicial de uma área diminuta que depois foi consideravelmente alargada. As limitações impostas pelo Município tinham a ver com a protecção dos canos de abastecimento de água à cidade que, provenientes da Arca d’Água, passavam ali perto. 3 Segundo o nosso manuscrito, por volta de 1761, um tal António Pinho, ferreiro, morador na rua de Santo Ovídio, construiu uma outra Capela, no outro lado do monte, à distância de vinte palmos para norte e poente, na qual colocou o padrão em que estava a Imagem de Cristo Crucificado. Esta imagem era conhecida pelo Senhor do Olho Vivo porque algum devoto lhe havia pendurado uma lâmpada que muitas vezes ardia de noite. Por isso, a Capela ficou conhecida pelo mesmo nome: Capela do Senhor do Olho Vivo. 2

Não tem, pois, grande consistência a tradição de que o Padre, chegado ao Porto pela primeira vez, ainda dentro do navio, avistara e escolhera definitivamente aquela elevação para a construção da Igreja. Mas para que a Capela tivesse futuro garantido e a sua manutenção não pesasse à cidade, tornava-se necessário um fiador que garantisse os custos do culto, - que no caso foi o fidalgo D. Lourenço de Amorim da Gama Lobo - ou a dotação da Capela com bens próprios que lhe rendessem renda certa. Dádivas generosas de algumas individualidades e esmolas do povo proporcionaram depressa a quantia de 800$000 reis que ao juro de 5% proporcionavam 40$000 anuais - quantia julgada suficiente para libertar o fiador do seu compromisso. O poder da Fé Em 7 de Janeiro de 1755 deu-se início à construção. Poucos dias depois, estava pronto um pequeno compartimento onde o Missionário dormia e ouvia de confissão quantos quisessem reconciliar-se, especialmente os que haviam roubado e se dispunham a restituir os objectos mal adquiridos. Por isso, se lhe chamou o confessionário das restituições. E o santuário depressa foi conhecido como a Capela de Nossa Senhora da Lapa das Confissões. Um mês decorrido, isto é, no dia 9 de Fevereiro seguinte celebrou-se aí a primeira Missa. Como foi possível tal celeridade? É evidente que a celebração eucarística não exigia que a obra se achasse acabada. Depois, a acreditar no testemunho do Autor do manuscrito que nos serve de fonte, as circunstâncias tornam verosímil a rapidez: a primeira vantagem foi o aproveitamento da pedra que fora preparada e jazia no monte de Santa Catarina. Depois, foi possível congregar o esforço de muitas gentes, a começar pelo comandante ( tenente-coronel Vicente da Silva), oficiais e soldados do Regimento de Infantaria da Guarnição da Cidade que se comprometeram nas operações de corte da pedra, terraplanagem e abertura dos alicerces. E muitas pessoas de ambos os sexos, esquecidas «da condição do seu estado», ajudaram no desentulho e nos carretos. As obras prosseguiram com o mesmo frenesim, tendo a Capela ficado apta a receber a imagem de Nossa Senhora da Lapa em 10 de Março de 1755, dia em que, vinda em procissão solene a partir da Igreja de Santa Clara onde estava depositada provisoriamente, 4 para lá foi morar. 4 A questão das diversas imagens de Nossa Senhora da Lapa é algo confusa. Supomos que nas suas pregações pelo Norte do País, o Padre Ângelo Sequeira se fazia acompanhar de uma pequena imagem a qual terá sido reproduzida e deixada em algumas Igrejas, por exemplo, em Esposende. Quanto ao Porto, o manuscrito de Coimbra informa-nos que uma primeira imagem foi colocada na Igreja da Irmandade dos Clérigos, dedicada a Nossa Senhora da Assunção. Mais tarde aparece-nos a notícia de outra imagem depositada na Igreja de Santa Clara, imagem que o Padre mandara fazer «imitando nas roupas ao modelo de hua de piqueno vulto que trazia na sua companhia» e que, por autorização do Bispo Governador do Porto, D.João da Silva Ferreira, fora benzida numa missa celebrada no Oratório da casa de D. Lourenço Amorim da Gama Lobo em 5 de Fevereiro de 1754 ( No manuscrito escreveu-se o ano de 1754 mas, se o Padre chegou ao Porto em Setembro desse ano, a menção desse ano não pode ser senão gralha, que viria já no livro do Padre Angelo Sequeira, Botica da Lapa. Propomos antes o ano de 1755. ). Como o Oratório era privado, não permitia o livre afluxo de fieis pelo que a Imagem foi levada processionalmente para a Igreja de Santa Clara, onde foi colocada no altar do Senhor Jesus e venerada pelo povo do Porto. Será a mesma que esteve na Igreja dos Clérigos? Não parece. Refira-se, no entanto, que na solene procissão da trasladação da imagem para a sua nova Capela, que se realizou a 10 de Março de 1755, a Cruz da Irmandade dos Clérigos ocupava posição de destaque. 3

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