sonangol celebra 35ºaniversário - Sonangol Limited - Oil Trading ...

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sonangol celebra 35ºaniversário - Sonangol Limited - Oil Trading ...

nacional

opinião

Quanto tempo dura o petróleo?

cultura

Exposição Em paris

Cultura Angolana em destaque

talento

josé carlos dE almEida

Jurista e escritor de sucesso

Orientação ao cliente

Revista tRimestRal • infoRmação GeRal • DistRibuição GRatuita • maRço 2011 • nº23

Trabalho em equipa

Qualidade, Saúde, Segurança e Ambiente

Desempenho

Conduta ética

Comunicação efectiva

Destaque

Sonangol

celebra

35ºaniverSário

Petrolífera angolana integrada e competitiva

com lugar de destaque no mercado mundial


ProPrieDaDe

Sonangol, E.P.

06 NotíCias

BrEvEs dA ActuAlidAdE

As últimas novidades no sector

do petróleo e no Universo Sonangol

20 aNálise

prEços soBEm

soB o signo dA incErtEzA

O preço do barril está novamente em alta.

Veja a análise completa ao mercado

30 NaCioNal

ministro dos pEtrólEos

fAz BAlAnço

José Botelho de Vasconcelos

analisa o ano que passou

e perspectiva o futuro do sector

• sede

Rua Rainha Ginga, 29/31

Caixa Postal 1316 Luanda

Tel.: 226 643 342 / 226 643 343

Fax: 226 643 996

www.sonangol.co.ao

42

taleNto

José cArlos

dE AlmEidA

Além das funções

como jurista na Sonangol,

José Carlos de Almeida

é o autor do livro

"Ensaboado & Enxaguado"

34

revista disponivel nos voos da:

08

Destaque

35º AnivErsário

Conferência de

Imprensa assinala

os 35 anos da Sonangol

e marca nova etapa

da empresa

NaCioNal

turismo Em AngolA

Um sector em crescimento potenciado

pelas belezas naturais do País

40 Cultura & lazer

AngolA ExpõE Em pAris

Em Paris, uma exposição de artefactos

artísticos testemunha o génio criador

dos povos e culturas de Angola

Colabore Com a revista sonangol notíCias, mande os seus textos para hld.gCi@sonangol.Co.ao

CoNselho De aDmiNistração

• presidente – Manuel Vicente • administradores executivos – Anabela Fonseca, Fernando Roberto, Francisco de Lemos,

Mateus de Brito, Baptista Muhongo Sumbe, Sebastião Gaspar Martins • administradores não executivos – Albina Assis

Africano, José Guime, André Lelo

eDição

• gabinete de Comunicação e imagem – hld.gci@sonangol.co.ao • director – João Rosa Santos • assistência executiva

– Nadiejda Santos (coordenadora), Hélder Sirgado, Paula Almeida, José Augusto, Raimundo Vilares, Kimesso Kissoca,

Edvaldo Nelumba • assistência editorial – José Mota, Beatriz Silva, Carlos Guerreiro, Sandra Teixeira, Marta Sousa, Lúcio

Santos, Sarissari Diniz • Fotografia – José Quarenta, Henrique Artur • secretariado – Helena Tavares, Yolanda Carvalho

• distribuição – Mateus Tavares, Carvalho Neto, Diogo Lino • impressão – Damer Gráficas, S. A. • tiragem – 5000 exemplares

• design gráfico, apoio editorial e produção –


oPiNião

04

pElos cAminhos dE AngolA E do mundo

sonAngol comEmorou

35º AnivErsário

Palavra Do DireCtor

João Rosa Santos

a petrolífera estatal angolana comemorou 35 anos de existência no passado dia

25 de Fevereiro, data associada à história do sector petrolífero nacional que, em 1976,

abriu a sua primeira página, agigantando-se, ao longo dos anos, para lá das fronteiras

de angola. Com o rigor e a competência que lhe são característicos, a sonangol constitui

o retrato fiel de uma empresa permanentemente empenhada na valorização do interesse

público, da sustentabilidade social, económica e ambiental.

Qualquer abordagem da realidade

e perspectivas de desenvolvimento

económico e social em

Angola, em África ou no mundo, tem

no nome da Sonangol uma referência

obrigatória. Por cá e além fronteiras,

esta importante empresa angolana é

sinónimo de evolução, de progresso, uma

razão contínua e renovável de orgulho

nacional.

Ainda ontem, uma pequena unidade

económica estatal, a Sonangol é hoje

a maior e primeira multinacional angolana,

cuja marca desfila portentosamente

pelos quatro continentes numa afirmação

e consolidação de um processo de

internacionalização sem volta.

Actualmente com cerca de 10 mil trabalhadores

e mais de 15 Subsidiárias e

múltiplas participações dignas de registo,

a Sonangol é um grupo empresarial

integrado e competitivo, que tem em

destaque, na cadeia primária, a Pesquisa

e Produção, o Gás Natural, o Shipping, a

Refinação, a Logística, a Distribuição e a

Holdings, na complementar, a SonAir, a

• Março 2011 - Nº23

MSTelcom e a Essa e, por último, na responsabilidade

social, a Clínica Girassol,

a Sonangol Investimentos Industriais e

a Sonangol Imobiliária.

Apesar de mais velha do que ontem, a

Sonangol está hoje mais nova do que

amanhã, desfilando energia, vitalidade,

competência e proactividade.

Desde os primórdios da sua existência,

a empresa trilha os caminhos da evolução

organizada em plena e perfeita

sintonia com o meio envolvente, alicerçando

continuamente os paradigmas de

relacionamento e, consequentemente,

melhores práticas de se fazer negócio.

Os resultados positivos conseguidos,

ano após ano, evidenciam uma marca

forte em permanente evolução. A melhoria

constante da qualidade dos seus

produtos e serviços é uma boa referência

de uma empresa com saúde, talentos,

crença, personalidade e carisma.

Os últimos anos têm sido de intenso

labor, de enormes avanços. A Sonangol

cresceu, enveredou por uma filosofia

de gestão aprimorada e melhorou

sobremaneira, a todos os níveis, o seu

desempenho.

A dimensão organizacional da petrolífera

estatal angolana assenta em estratégias

específicas, de acordo com os ventos da

modernidade e das tecnologias de informação,

com o objectivo de estimular o

trabalho e diminuir os níveis de incertezas

da vida quotidiana, assegurando um

norte e uma identidade forte e marcante.

A história, recente e passada, da Sonangol,

é uma “biblioteca” sempre actual e

indispensável pois, os métodos de gestão

e liderança registados incentivam

e valorizam a criatividade, a inovação

e a ousadia, razão fundamental para a

consolidação das bases de um diferencial

competitivo.

No evoluir do tempo, os esforços consentidos

ajudam a desenvolver metodologias,

mudar a cultura organizacional,

trabalhar mais e melhor e fazer crescer

o potencial económico e financeiro da

empresa e do país.

A essência da Sonangol é, sempre foi

e será a felicidade e o optimismo.

Neste percurso de 35 anos, a Sonangol

conheceu líderes como Percy Fredenthal,

Hermínio Escórcio, Desidério Costa, Joaquim

David e Manuel Vicente, tendo, cada

um, no seu tempo e contexto, contribuído

com o melhor do seu saber e energias na

criação de uma empresa com universo

próprio e sustentável.

Particularmente a Manuel Vicente, actual

Presidente do Conselho de Administração

da Sonangol EP, tem sabido

continuar a obra, tarefa que assume com

bastante competência, consistência, coerência

e profissionalismo. Não por mera

casualidade, devido a sua capacidade

de materialização, o Jornal de Angola

atribuiu-lhe, recentemente, a honrosa

distinção de gestor do ano.

A Sonangol nestes 35 anos de existência

jamais cruzou os braços. Com a globalização

dos seus negócios e a necessidade de

se estabelecer e conquistar novos mercados,

a empresa apostou fortemente

na internacionalização e diversificação

das suas áreas preferenciais de actuação.

É notória a sua presença nas principais

praças do petróleo do mundo, gerenciando

ambientes multiculturais e encarando

desafios no estabelecimento

e conquista de novos mercados, trabalhando

e partilhando objectivos comuns.

Aliás, é próprio das grandes empresas

simbolizar bons exemplos de interacção,

de lógicas e sentidos diversos e alavancar

relações humanas e sociais.

A caminhada tem sido bastante intensa.

A cada passo encaram-se novos projectos,

uns mais complexos que outros,

buscam-se soluções, acredita-se na

mudança, prega-se a necessidade de

se agregar valor em todas as etapas e

fases a percorrer.

Palavras como sinergia, integração, trabalho

em equipa e engajamento ocupam

o dicionário quotidiano da alta liderança

da empresa, cada vez mais apostada na

elevação das boas práticas de gestão

e no senso da responsabilidade compartilhada.

A cada ano que passa, a Sonangol cresce

em várias direcções, supera expectativas,

quebra barreiras, sabe renascer e

ultrapassar reveses de forma esplendorosa,

mesmo nas condições mais

adversas.

Os milhares de angolanos que constituem

o seu principal activo tipificam a sua

força motora, são os principais mentores

deste processo evolutivo que assenta no

investimento nas pessoas, no treinamento

comportamental, na formação de líderes,

na preparação de sucessores e no

desenvolvimento de talentos.

Como bem diz um velho e sempre actual

ditado popular, “quem planta, colhe”.

É isso o que de facto se passa na Sonangol.

No seu dia-a-dia tão dinâmico

consegue saber perceber a realidade

circundante, promover a integração,

semear a credibilidade, aproveitar as

oportunidades, falar menos e fazer mais.

Aos 35 anos, a Sonangol segue em frente,

com realismo, capacidade de realização

e gestão de ideias, produzindo para

transformar e actuando com valores e

estratégias que servem de bússola para

o alcance das metas e objectivos programados.

05


06

© Gavin Withers

AngolA AssumE

prEsidÊnciA não

ExEcutivA nA ArA

A cidade do Cabo, na África do Sul,

acolheu na última semana de Março a

Conferência Anual da Associação dos

Refinadores Africanos (ARA), evento

no decurso do qual Angola assumiu a

presidência não executiva dessa organização

regional, mandato que terá a

duração de um ano. Na ocasião, a Administradora

da Sonangol E.P., Anabela

Fonseca, recebeu o respectivo testemunho

do então Presidente da ARA, o

argelino Abdel Kader Benchouia.

Recorde-se que a ARA foi criada em

Março de 2006 com o objectivo de aproveitar

as sinergias existentes no downstream

da indústria petrolífera e encorajar

os seus membros a trocar ideias e experiências

em todas as áreas de refinação

de petróleo, distribuição e abastecimento.

A Associação está igualmente

empenhada em melhorar a qualidade

dos combustíveis comercializados no

continente africano, a fim de eliminar a

poluição do ar.

A ARA tem como países membros Angola,

Egipto, Sudão, Líbia, Zâmbia, Quénia,

África do Sul, Nigéria, Marrocos, Senegal,

Côte D’Ivoire, Gana, Argélia, Camarões

e República Democrática do Congo.

• Março 2011 - Nº23

EmprEsA rEsponsávEl por dEsAstrE

no golfo dá "prémio dE sEgurAnçA"

A Transocean, co-responsabilizada

com a BP e a Halliburton pelo derrame

de crude no Golfo do México,

decidiu conceder bónus aos seus

administradores, declarando 2010

«o melhor ano de sempre da companhia

em termos de segurança».

«Apesar da trágica perda de vidas no

Golfo do México, alcançámos estatísticas

de segurança exemplares

comprovadas pelo nosso índice de

EuA pondErAm

utilizAção dE

rEsErvAs EstrAtégicAs

O chefe de gabinete do Presidente

Barack Obama, Bill Daley, afirmou

que a Administração Obama está a

estudar a possibilidade de utilizar as

reservas estratégicas norte-americanas

de petróleo como uma das

formas de aliviar os preços globais.

Falando ao programa televisivo da

NBC “Meet the Press”, Daley afirmou:

“Estamos a analisar as opções.

A questão das reservas é uma das

que estão a ser consideradas. Tudo

está a ser colocado na mesa”.

acidentes e gravidade dos mesmos»,

é dito no relatório anual da Transocean,

que considera 2010 «o melhor

ano de sempre da companhia em termos

de segurança».

E este é precisamente um dos pontos

que leva a empresa sedeada na Suíça

a conceder bónus aos seus administradores,

afirma a britânica BBC. Isto

apesar de nove dos onze trabalhadores

mortos na explosão da plataforma

petrolífera Deepwater Horizon

serem funcionários da Transocean.

A companhia foi responsabilizada

pelo Governo dos Estados Unidos,

juntamente com a britânica BP e a

norte-americana Halliburton, pelo

que o Presidente Barack Obama considera

ter sido o «11 de Setembro do

ambiente».

A Transocean, responsável por operações

de prospecção e exploração

petrolífera em alto mar, terá

negligenciado aspectos cruciais de

segurança através do corte indiscriminado

de custos, acusou Washington.

A empresa, no entanto, remete toda

a responsabilidade para a BP.

Recorde-se que neste momento

o petróleo está a ser negociado

acima de 100 dólares o barril no

mercado internacional. O Congresso

tem pressionado a Administração

Obama para considerar o uso de

reservas de emergência para acalmar

temores de consumidores sobre

os crescentes preços da gasolina,

que ameaçam atingir quatro dólares

por galão nos postos de abastecimento

norte-americanos. Os altos

preços do petróleo podem afectar

a frágil recuperação da economia

norte-americana e atingir politicamente

o Presidente Barack Obama,

que se movimenta para tentar a reeleição

em 2012.

pEtrólEo BAtE rEcordEs com londrEs

A ultrApAssAr os 120 dólArEs

Os preços do petróleo atingiram no ínicio de Abril novos máximos tanto em

Nova Iorque como em Londres, onde o barril de crude ultrapassou os 120

dólares pela primeira vez desde Agosto de 2008.

No mercado de Londres, que serve de referência para Portugal e para a

Europa, o barril de brent do Mar do Norte ganhava 2,47 dólares para os 121,17

dólares/barril, pelas 18h45 GMT, avança a AFP.

Na praça nova-iorquina, o barril de crude para entregar em Maio fechou nos

108,47 dólares, uma subida de 53 cêntimos face a sexta-feira e o valor mais

alto desde Setembro de 2008.

«É difícil imaginar um cenário propício a uma desaceleração do mercado»,

afirmou John Kilduff, da Again Capital.

Os confrontos na Líbia prosseguiram no fim-de-semana entre os rebeldes

e as forças leais a Kadhafi, concentrando-se hoje junto ao porto petrolífero

de Brega, na zona este do país.

A Líbia exportava 1,3 milhões de barris de petróleo por dia antes da crise (mais

de 1,5 por cento do consumo mundial), sobretudo para a Europa.

Os preços do brent são muito mais sensíveis à situação líbia do que os preços

de Nova-Iorque, onde os stocks continuam elevados.

opEp

AtEntA à situAção

do pEtrólEo

O ministro da Energia do Qatar,

Mohammed Saleh al-Sada, afirmou

recentemente que a Organização

dos Países Exportadores

de Petróleo (OPEP) está a avaliar

a situação do mercado de petróleo

e a necessidade de uma reunião,

mas acrescentou que não

há escassez no fornecimento ao

mercado.

“O fornecimento e stocks (de petróleo)

estão em níveis confortáveis.

Não há motivo para nervosismo.

Alguns países podem cobrir a

queda da produção líbia”, afirmou

o responsável.

As preocupações derivam de uma

possível interrupção no fornecimento

pela Líbia, país onde neste

momento acontece uma rebelião

contra o líder do país, situação que

pode provocar uma grande subida

nos preços.

voltA Ao mundo

num BArco movido

A EnErgiA solAr

O Turanor PlanetSolar saíu do Mónaco

a 27 de setembro e atingiu Bora Bora no

Oceano Pacífico. O objetivo é dar a volta

ao mundo apenas com a ajuda do sol.

O PlanetSolar completou a 1 de abril

o seu 187º dia de viagem, depois de

ter saído do Mónaco a 27 de setembro

de 2010.

Passou em Bora Bora, no Oceano Pacífico,

onde fez uma escala técnica antes

de seguir viagem. Já atravessou o Atlântico,

tendo entrado no Pacífico através

do canal do Panamá. Seguir-se-á

o Oceano Índico, navegando depois em

direção ao Canal do Suez, para regressar

ao Mediterrâneo, onde concluirá a

sua viagem.

O PlanetSolar tem 31 metros de comprimento

por 15 de largura e está coberto

por 537 metros quadrados de painéis

solares. Pesa 95 toneladas.

A tripulação é constituída por 6 pessoas

mas pode transportar até 40 passageiros.

Foi construído pela Knierim Yacht

Club, em Kiel, na Alemanha, ao longo

de 14 meses.

07


NaCioNal

08

visão pArA 2015

sonAngol nA lidErAnçA

do dEsEnvolvimEnto nAcionAl

a petrolífera angolana registou, em 2010, lucros positivos.

e até 2015, quer conquistar novos mercados, mas pretende

catalisar o desenvolvimento do país.

texto: Adão João

Fotografia: Arquivo

a

sociedade Nacional de Combustíveis

de Angola (SONANGOL), quer

tornar-se numa empresa petrolífera

integrada e competitiva, manter-se

como catalisadora do desenvolvimento

nacional, estar a altura das suas responsabilidades

para com o Estado, os

seus parceiros económicos e a sociedade,

além de conquistar um lugar de

destaque no mercado Africano e projectar-se

no mercado internacional como

entidade de prestígio.

Estes objectivos, que fazem parte da

Visão da empresa até 2015, foram refor-

• Março 2011 - Nº23

çados em conferência de imprensa sobre

os 35 anos da Sonangol, assinalados

a 25 de Fevereiro. Na ocasião, o Presidente

do Conselho de Administração da

Sonangol, Manuel Vicente revelou que a

petrolífera angolana registou, em 2010,

lucros líquidos de mais de 3 mil milhões

de dólares.

Manuel Vicente disse que dos 640,6

milhões de barris de petróleo produzidos

no ano passado, 314,2 milhões

correspondem à produção da companhia.

Segundo Manuel Vicente, comparativamente

ao ano 2009, a produção

nacional do ano passado registou uma

redução de dois por cento, a nível do

petróleo bruto e de oito por cento a nível

do gás natural.

rEfinAriA do loBito Em 2015

O Executivo angolano mantém o objectivo

estratégico de concluir a construção

da Refinaria do Lobito em 2015, apesar

de ter que fazer alguns reajustes

de ordem financeira ao projecto inicial,

frisou a administradora da Sonangol,

Anabela Fonseca. "Pensamos levá-lo,

até Maio, novamente, ao Conselho de

Ministros para uma actualização que

visa a redução de custos”, confirmou.

A primeira fase de construção da Refinaria

do Lobito, com capacidade para

processar 115 mil barris de petróleo por

dia, entrará em funcionamento em 2014,

disse a gestora.

Afirmou que um ano mais tarde ficará

concluída a segunda fase da construção

e nessa altura a unidade disporá

de uma capacidade instalada de processamento

de 200 mil barris de petróleo

por dia.

o ExEcutivo AngolAno

mAntém o oBJEctivo

EstrAtégico dE concluir

A construção dA rEfinAriA

do loBito Em 2015

O empreendimento propiciará o nascimento

conjunto de novas empresas,

em ramos como a construção

civil, prestação de serviços, consultoria,

logística, limpeza, entre outras.

Com este projecto, a Sonangol pretende

agregar valor ao petróleo bruto,

produzindo, combustíveis de elevada

qualidade, destinados, em 90%, ao

mercado nacional.

A refinaria está a ser erguida a dez quilómetros

a Norte da cidade do Lobito,

num perímetro de sete quilómetros de

comprimento e cinco de largura.

09


NaCioNal

10

sonAngol Em grAndE durAntE 2011

O calendário internacional de operações

da Sonangol está marcado pelo levantamento

sísmico nos blocos N23 e N33

na zona económica exclusiva de Cuba,

em Abril, e as perfurações nas bacias

de campos e santos no Brasil. Deste

calendário constam ainda actividades

na Venezuela, Iraque e nos Estados Unidos

da América, onde a Sonangol é a

única companhia africana a operar no

sector petrolífero.

De acordo com o Administrador – executivo

da Sonangol E.P Mateus de Brito,

foi assinado um contrato tripartido entre

a Sonangol e mais duas Empresas venezuelanas

para produzir e desenvolver

dois campos com uma capacidade de

20 mil barris/dia, num um prazo de cinco

anos, que iria ter um volume de produção

de 94 milhões de barris.

“Relativamente ao Iraque nós temos

um contrato para desenvolver e produzir

em dois campos, portanto, actualmente

nós estamos numa fase de

estudos para o levantamento sísmico

e também a construção da base logística”,

frisou.

Desta forma, a Companhia pensa

no final de 2011, apresentar já alguns

resultados para os campos do Iraque.

Quanto ao Golfo do México, o Administrador,

destacou uma participação

da Sonangol, porém, aguarda-se

neste momento por uma licença para

retomar as perfurações nesta região

devido os incidentes registados anteriormente

com a BP.

• Março 2011 - Nº23

“não há intEnção

dA sonAngol comprAr

As AcçõEs dA Eni,

mAs o procEsso

não Está fEchAdo.

Em momEnto Algum

dissEmos quE quEríAmos

AumEntAr o nosso cApitAl

nA gAlp, mAs tEr umA

pArticipAção dirEctA”

PCA Manuel Vicente

comBustívEis

A Sonangol quer passar a ter uma participação

directa na Galp Energia (portuguesa)

que actualmente é feita através

da Amorim Energia, mas as suas orientações

estratégicas não passam para já

por reforçar o seu peso entre os accionistas,

afirmou o presidente do conselho

de administração, Manuel Vicente.

De acordo com Manuel Vicente, que

falava a propósito dos 35 anos da companhia,

os objectivos da petrolífera angolana

face às actuais alterações na estrutura

accionista da Galp Energia passam por

um compromisso com o empresário

português Américo Amorim, tendo em

vista a sua saída da sociedade gestora

de participações sociais Amorim Energia,

através da qual tem uma participação

indirecta na Galp. “Não há intenção

da Sonangol comprar as acções da ENI,

mas o processo não está fechado.

Em momento algum dissemos que queríamos

aumentar o nosso capital na Galp,

mas ter uma participação directa”, frisou

Manuel Vicente.

A Galp Energia actualmente explora e

produz petróleo, mas principalmente produtos

refinados, e dispunha, no final de

2009, de reservas de 3,1 mil milhões de

barris, estando presente em treze países,

entre os quais Angola. A participação

da Sonangol na holding, além de secundária

(45 porcento) é representada por

uma "offshore", a empresa Esperanza.

Essa participação indirecta representa

actualmente perto de 15 porcento do

capital da Galp Energia.

11


visão

12

mArcos importAntEs dA históriA dA EmprEsA

sonAngol dE A-z

35 anos de realizações, mais de três décadas a produzir para transformar.

assim se faz o caminho da sonangol no país e no mundo.

texto: Joana Simões Piedade

Fotografia: GCI

Angol

A história da petrolífera estatal Sonangol

começa com a companhia Sociedade

de Lubrificantes e Combustíveis, SARL,

fundada em 1953 como uma subsidiária

da companhia portuguesa SACOR.

Anos depois, foi nacionalizada e dividida

em duas, formando a Sonangol

U.E.E. e a Direcção Nacional de Petróleos.

A Directiva 52/76 instituiu a Sonangol

como uma empresa estatal com

poderes para administrar as reservas

de gás e petróleo do país.

• Março 2011 - Nº23

BArris

É estimado que Angola tenha mais de

5 mil milhoes de barris de petróleo em

reservas costeiras e de alto mar.

cApitAl humAno

Os recursos humanos da empresa são

uma das suas mais valias. Investir no

capital humano através da formação

dos seus quadros tem sido uma aposta

contínua.

distriBuição

A continuação do projecto de melhoramento

da rede de distribuição, na sua

componente de construção de novos

postos de abastecimento tem sido uma

das pedras de toque da actividade da

empresa. Objectivos: expandir e melhorar

a rede de distribuição, permitir um regular

funcionamento do abastecimento e

diminuir as filas de espera.

EssA

(Empresa de Serviços e Sondagens de

Angola) – Empresa subsidiária que actua

no ramo de formação e capacitação de

técnicos para a área petrolífera e segurança

industrial.

fuEl

O combustível proveniente da destilação

do petróleo bruto, cuja produção,

distribuição e comercialização é o core

business da Sonangol.

gás nAturAl

O maior projecto de África de exploração

de gás natural liquefeito, Angola LNG

arranca o processo de produção ainda

este ano na cidade do Soyo. A fábrica

de gás tem a capacidade para produzir

5,2 milhões de toneladas de gás por

ano, dos quais 125 milhões de pés cúbicos

são destinados ao consumo interno.

13


visão

hidrocArBonEtos

A escassez de recursos humanos qualificados

na área de hidrocarbonetos

levou a que a Sonangol apostasse na

formação de quadros, tendo o 1º grupo

de bolseiros partido para a Itália, com o

apoio da ENI - Grupo Italiano de Petróleos

e o 2o para a Argélia. Estes estudantes

regressaram ao país nos finais

da década de 70, marcando a entrada

da Sonangol numa nova era.

intErnAcionAlizAção

O processo de internacionalização da

Sonangol continua imparável. Recentemente

a Sonangol assinou um contrato

com a petrolífera Cubapetróleos (CUPET),

em Cuba, na Venezuela foi assinado um

acordo de parceria com a CUPET e a

petrolífera venezuelana PDVSA, no Iraque,

a Sonangol vai explorar dois campos,

no Brasil, a vai produzir e explorar

petróleo nas bacias de Santos e em Campos,

e espera pela licença de exploração

e produção no Golfo do México, onde é

a única companhia africana.

JAnEiro

A cada novo ano, inicia-se mais um ciclo

de operações na empresa. Conseguir

sempre mais e melhor com a motivação

e empenho de todos os trabalhadores

é o lema.

14 • Março 2011 - Nº23

KWAnzA-sul

Província onde ficará situado o primeiro

Centro de Formação Marítima de Angola,

projecto tutelado pela Sonangol. A primeira

pedra foi colocada no passado

dia 6 de Abril e a inauguração está prevista

para 2012.

londrEs

Em 1983, foi fundada a primeira subsidiária

internacional, a Sonangol Limited

em Inglaterra.

ms tElcom

Subsidiária responsável pela gestão da

área de telecomunicações da petrolífera.

nEgócio

Em todas as áreas de negócio nas quais a

empresa está envolvida, a visão empresarial

pauta-se pela eficiência e competência,

alcance de uma posição de

referência no mercado e actuação de

acordo com os padrões internacionais.

opEp

Desde Janeiro de 2007 que Angola é

membro da Organização dos Países

Exportadores de Petróleo, composta por

países que retêm algumas das maiores

reservas de petróleo do mundo.

pEsquisA E produção

Em 1991 ocorreu a adjudicação da primeira

concessão em águas profundas, o

bloco 16. Um ano depois, criou-se a subsidiária

Sonangol P&P como empresa

petrolífera.

qAiyArAh

Na região setentrional de Ninewa, no Iraque,

é um dos campos onde a Sonangol

começou agora a laborar. Neste campo,

com reservas conhecidas de 807 milhões

de barris, a Sonangol tem como objectivo

a produção de 120.000 barris por

dia, enquanto que no outro campo também

situado no Iraque, Najma, que possui

reservas de 858 milhões de barris, a

meta de produção fixada é de 110.000

barris diários.

rEfinAriA do loBito

É um projecto estruturante que vai

aumentar as capacidades de produção

de refinados no país. Está prevista

a sua conclusão em 2015.

sAl (pré-)

As áreas do Pré-Sal caracterizam-se por

jazigos de grande profundidade e elevados

custos de pesquisa e produção e

risco operacional, mas que podem dar

origem a grandes descobertas petrolíferas.

trABAlho Em EquipA

Um dos mais importantes valores corporativos

da empresa. Do ADN da empresa

faz parte o incentivo à integração, à criatividade

e criação de sinergias entre os colaboradores,

equipas e unidades orgânicas

para que os objectivos sejam comuns.

utEc

A Universidade de Tecnologia e Ciências,

enquanto escola privada da Sonangol,

tem como objectivo alcançar uma alta

qualidade de ensino e de investigação

em áreas cruciais para o desenvolvimento

do País.

vAlorEs

corporAtivos

No 35º aniversário da Sonangol foi proclamada

a nova Visão e Valores 2015.

A saber: Orientação ao cliente; Desempenho;

Trabalho em Equipa; Qualidade,

Saúde, Segurança e Ambiente; Conduta

Ética; Comunicação Efectiva.

WElWitschiA

Welwitschia Mirabilis. A protecção

ambiental assume uma importância

cada vez maior no decurso das actividades

da empresa. Preservar o património

ambiental angolano é o objectivo

a alcançar.

zAirE

A província do Zaire foi o lugar escolhido

para a construção da fábrica de gás

natural liquefeito (LNG) com o suporte

financeiro da Sonangol Gás Natural e

outras petrolíferas multinacionais. No

Soyo irão trabalhar mais de quatro mil

funcionários.

15


aNálise

16

tEcnologiAs dE informAção

uso dE sistEmAs dE informAção

no AlcAncE dE rEsultAdos

os sistemas de informação possibilitam que, periodicamente,

as subsidiárias do Grupo sonangol procedam a uma avaliação

do seu desempenho operacional e aperfeiçoem os processos.

texto: Miguel Guerra

(SAP PM – Sonangol Pesquisa e Produção)

Fotografia: Arquivo

G

estão é sinónimo de administração,

que significa planear, executar

de acordo com o planeamento,

comparar o resultado do executado com

o planeado e tomar medidas correctivas

e/ou de melhorias contínuas.

Quanto aos Sistemas de Informação, é

um termo genérico que corresponde a

aplicativos com finalidades específicas

que são processados em computadores.

Estes sistemas “correm por baixo” de sistemas

operacionais, como o Windows.

Vendas

Contabilidade

Produção

• Março 2011 - Nº23

Gerar

Pedido

Ao longo dos anos desenvolveram-se

sistemas sofisticados capazes de obter

uma série de informações complementares

e analíticas para planeamento e

tomada de decisões.

Inicialmente independentes entre si,

os Sistemas de Informação passaram

a integrar-se cada vez mais, para atender

à natural necessidade de integração

das actividades de uma empresa

(encomendas, facturação, pagamentos,

contabilidade, etc.), o que culminou no

submeter

Pedido

Conferir

Crédito

Conferir

Crédito

Conferir

Crédito

desenvolvimento dos chamados ERP’s

(Enterprise Resource Planning).

O ERP é um sistema integrado de gestão

composto de pacotes de software

sob a forma de módulos. Entre os mais

diversos fornecedores de ERP temos a

SAP, empresa fundada na Alemanha,

em 1972. No âmbito do projecto SINCO,

a Sonangol é uma das empresas que

utiliza este eficiente Sistema de Informação

para melhorar a performance

organizacional.

Gerar

faCtura

entreGa

de Produto

níVel

oPeraCional

níVel

de Gestão

Evolução tEcnológicA

dos sistEmAs dE informAção

pArA mEdir dEsEmpEnho

níVel

estratéGiCo

Vendas

marketinG

A maior responsabilidade social de uma

empresa é gerar lucros, pois este garante

a sua sobrevivência assim como a dos

seus colaboradores. Sendo o principal

dever do gestor a busca dos melhores

resultados económicos com base

nos recursos disponíveis, é necessário

medir e ter uma ideia sobre o que se

deseja ganhar. É aqui que um Sistema

de Informação tem muito a contribuir.

Houve então necessidade de se desenvolver

soluções tecnológicas para se

estabelecer métricas de desempenho:

tiPos de sistemas

de informação

executive

supporte systems ess

decision supporte system (dss)

Management information

sistems (Mis)

transaction processing system (tps)

Produção

Sistema de

Apoio Executivo

Sistema de Suporte

de Decisão

Sistema de Processamento

de Transacção

Áreas funCionais

finanças e

Contabilidade

Gestores

séniores

a)- Desenvolvimento de núcleo de

inteligência, que monitore o mercado,

recolha e junte informações e conhecimento

do mercado e em tempo real

emita um resumo analítico para quem

toma decisões na empresa. É o chamado

BI- Business Intelligence System

ou Sistema de Negócios Inteligente;

b)- Combinação de modelo analítico

de gestão integrada com planeamento

estratégico. É o chamado BSC- Balanced

Scoredcard;

c)- Administração integrada entre

níveis estratégico, táctico e operacional

(que começa na parte da estratégia

e termina na acção). As empresas

necessitam de transformar as infor-

Gestores

Júniores

reCursos

Humanos

mações que recebem, em acções correctivas.

Elas exigem, a cada dia, que

os sistemas analíticos sejam integrados

aos processos operacionais, e

tudo isto em tempo real. É aqui que

entra o BPM (Business Performance

Management), também conhecido por

EPM (Enterprise Performance Management).

conclusão

oPeraCionais

É através de soluções deste tipo que,

periodicamente, as Subsidiárias do

Grupo Sonangol avaliam o seu desempenho

operacional e aperfeiçoam os

processos.

17


aNálise

18

sonAngol E.p. AprEsEntA

rEsultAdos dE concursos

púBlicos limitAdos do pré-sAl

as áreas do pré-sal áreas caracterizam-se por jazigos de grande

profundidade e elevados custos de pesquisa e produção e risco operacional,

mas que podem dar origem a grandes descobertas petrolíferas.

texto: Hélder Sirgado

Fotografia: Arquivo

A

Sonangol E.P. realizou, no dia

24 de Janeiro de 2011, no Edifício

Sede da empresa, um acto

público de apresentação dos resultados

dos Concursos Públicos Limitados

relativos aos Blocos 19, 20, 22, 24, 25, 35,

36, 37, 38, 39 e 40 do Pré-Sal angolano.

Os referidos Concursos tiveram como

ponto de partida a realização, em Houston,

Estados Unidos da América, no

início de Maio de 2010, de reuniões de

auscultação de conceituadas empresas

petrolíferas internacionais interessadas

na exploração de Blocos no

referido objectivo geológico de Angola.

O Júri dos Concursos, presidido por

um representante da Sonangol E.P. e

integrado também por entidades dos

Ministérios dos Petróleos e das Finanças,

decidiu conceder a exploração do

Bloco 19 à BP, como operadora, com

50% de participação, a Sonangol Pesquisa

e Produção, com 40%, e a China

Sonangol, com 10%. O Bloco 20 inclui

a Cobalt (40%, operadora), a Sonangol

Pesquisa e Produção (30%), a BP

(20%) e a China Sonangol (10%).

Eis outros resultados dos Concursos

Públicos Limitados do Pré-Sal angolano,

cuja cerimónia de apresentação

foi presidida pelo Administrador da

Sonangol E.P., Gaspar Martins, na qualidade

de responsável da área de Upstream

da petrolífera estatal angolana:

• Março 2011 - Nº23

Bloco 22 (Repsol, operadora, 30%,

Sonangol Pesquisa e Produção 50%

e Statoil 20%); Bloco 24 (BP, operadora,

50% e Sonangol Pesquisa e Produção

50%); Bloco 25 (Total, operadora, 35%,

Sonangol Pesquisa e Produção 30%,

Statoil 20% e BP 15%); Bloco 35 (ENI,

operadora, 30%, Sonangol Pesquisa

e Produção 45% e Repsol 25%); Bloco

36 (Conoco Phillips, operadora, 30%,

Sonangol Pesquisa e Produção 50%

e China Sonangol 20%).

Fazem parte do Bloco 37 a Conoco

Phillips, como operadora, com 30%,

a Sonangol Pesquisa e Produção, com

50% e a Repsol com 20%, enquanto o

Bloco 38 integra a Statoil (operadora,

20%), a Sonangol Pesquisa e Produção

(30%), a China Sonangol (15%)

e a Exxon Mobil (15%).

O Bloco 39 tem a Statoil na qualidade

de operadora, com 40%, a Sonangol

Pesquisa e Produção com 30%, a Total

com 15% e a Exxon Mobil com igual

percentagem. Finalmente, o Bloco 40

tem como participantes a Total (operadora,

35%), a Sonangol Pesquisa e

Produção (30%), a Statoil (20%) e a

Exxon Mobil (15%).

O acto público durante o qual foram

também dados a conhecer o conteúdo

das propostas apresentadas pelos concorrentes,

o nome das empresas vencedoras

de cada Bloco e a composição

dos respectivos Grupos Empreiteiros,

registou um número significativo de

presenças, com destaque para representantes

de companhias petrolíferas

interessadas, da Sonangol E.P. e

de outras empresas e entidades convidadas,

incluindo jornalistas dos mais

distintos órgãos de comunicação social

nacionais e estrangeiros.

Refira-se que o Director de Negociações

da Sonangol E.P., Carlos Saturnino,

representou a empresa na presidência

do Júri dos Concursos Públicos Limitados

do Pré-Sal, cujas áreas se caracterizam

por jazigos de grande profundidade

e elevados custos de pesquisa e produção

e risco operacional, mas que

podem dar origem a grandes descobertas

petrolíferas, tal como sucedeu

recentemente no Brasil com os gigantescos

campos de petróleo da Bacia

do Santos.

durAntE o Encontro foi dAdo

A conhEcEr o contEúdo dAs

propostAs AprEsEntAdAs pElos

concorrEntEs E o nomE dAs

EmprEsAs vEncEdorAs

dE cAdA Bloco

Oceano

Camada

pós-sal

Camada

de sal

Camada

pré-sal

Reservatório de petróleo

e gás natural do pré-sal

Nível

do mar

2140m

3500m

5500m

19


aNálise

pEtrólEo

prEços soBEm

soB o signo dA incErtEzA

O preço do barril parece mover-se numa montanha russa urdida pela incerteza dos tempos.

Após ter atingido os píncaros em 2008 e registado uma quebra abrupta em 2009, o preço do barril

está novamente em alta. E, provavelmente, não baixará dos 100 dólares nos próximos tempos.

texto: José Massinga

Fotografia: GCI

nunca o preço do barril de petróleo

apresentou tamanha “volatilidade”,

palavrão que os mercados utilizam

correntemente e que, em linguagem

comum, significa incerteza. atingiu os

píncaros em 2008, com um máximo histórico

no mês de Julho (com o barril de

Brent a atingir os 147,5 dólares e o de

Wti os 147,27 dólares), sofreu a seguir

uma queda abrupta na sequência da

crise económica e financeira internacional,

o que obrigou a opep a retirar,

a partir do início de 2009, 4,2 milhões

de barris do mercado diariamente, e

poucos antecipariam que, passados

uns meses, o preço do barril de ouro

negro galgaria de novo a barreira dos

100 dólares. a escalada teve início em

Fevereiro deste ano com as manifestações

no Cairo e intensificou-se com

o conflito interno na líbia, para o qual

não se descortina um desfecho plausível.

no passado dia 22 de Fevereiro

o Brent abeirava-se em londres, no

fecho do mercado, dos 106 dólares,

superando os máximos de setembro

de 2008 e, nos estados Unidos, o Wti

superava os 95 dólares, a maior subida

registada desde abril de 2009. nem

o egipto nem mesmo a líbia são susceptíveis

de provocar desequilíbrios de

vulto nos mercados. o egipto praticamente

é deficitário em termos petrolíferos,

não bastando já a sua produção

para abastecer o mercado interno.

20 • Março 2011 - Nº23

Já a líbia é o quarto produtor africano

e possui reservas petrolíferas consideráveis

(posiciona-se em 10º lugar

em termos mundiais e detém as maiores

reservas em África). Há ainda o

problema do Bahrein, país que também

não reveste qualquer importância

enquanto produtor. os países da

opep aprestaram-se, de imediato,

A opEp procurA oriEntAr As suAs

dEcisõEs tEndo como rEfErÊnciA

o chAmAdo “prEço dE EquilíBrio”

a suprir a produção líbia (que se terá

reduzido de 1,6 milhões de barris diários

para 300 mil barris), em especial

a arábia saudita, que disputa com

a venezuela o estatuto de país que

detém as maiores reservas mundiais,

e que possui uma capacidade excedentária

da ordem dos 3,5 milhões

de barris diários. a arábia saudita

terá aumentado, de imediato, a sua

produção para cerca de 9 milhões de

barris diários, um milhão a mais que a

quota que lhe está fixada pela opep.

o nervosismo dos mercados tem mais

a ver com o alastramento da instabi-

lidade social e política a produtores

importantes do Médio oriente, como

é o caso da arábia saudita e dos emiratos

Árabes Unidos.

As cAutElAs dos pAísEs produtorEs

a novidade é que estas bruscas oscilações

não resultam de qualquer política

deliberada por parte dos países

produtores mas antes dos choques

sucessivos que vão atingindo a economia

mundial. pelo contrário, a organização

que reúne 12 grandes países

exportadores da matéria-prima, a

opep, que angola integra, vem procurando

que o preço do barril não suba

nem desça demasiado. a opep procura

orientar as suas decisões tendo

como referência o chamado “preço de

equilíbrio”, o qual deverá compensar os

investimentos efectuados pelos países

produtores e permitir, ao mesmo

tempo, a recuperação da economia

internacional, não colocando obstáculos

aos esforços de superação definitiva

da crise que se instalou desde

2007 e começou a dissipar-se em 2010.

não existe no seio da organização um

consenso absoluto quanto ao valor do

“preço de equilíbrio”.

Há países membros, como a arábia

saudita, que adoptam uma posição

mais conservadora situando-o nos 80

dólares o barril. outros, como angola,

Alasca,

a próxima febre do ouro negro

21


aNálise

Tensões na Líbia

adensam clima volátil

colocam-no no patamar dos 90 dólares

– o Ministro dos petróleos de angola

e ex-presidente da opep, Botelho de

vasconcelos tem reiterado este valor.

"não há dúvidA dE quE

A nossA pEsquisA mostrA

quE o pEtrólEo E o gás

nAturAl são produzidos

sEm o EnvolvimEnto

dE fóssEis. todos os tipos

dE rochAs podEm sErvir como

rEsErvAtórios dE pEtrólEo."

Vladimir A. Kutcherov, geólogo,

Setembro de 2009

Já a venezuela e a líbia defendem um

valor superior, admitindo como viável

que o preço do barril possa fixar-

22 • Março 2011 - Nº23

-se nos 100 dólares. Fasquia que já foi

claramente ultrapassada, embora as

perspectivas de evolução se apresentem

marcadas pela incerteza. Basta

referir que na sequência do terramoto,

seguido de tsunami, que devastou o

Japão, o preço do barril desceu face

ao receio dos mercados em relação ao

impacto da quebra da economia japonesa

(houve logo quem antecipasse

que a catástrofe iria traduzir-se num

“atraso” de seis meses na recuperação

económica nipónica) sobre a economia

mundial. Mas se o efeito dos

acontecimentos na líbia havia sido,

momentaneamente, “arrefecido” pela

catástrofe japonesa, um recrudescimento

dos problemas no regime de

Gaddafi inverteu novamente a situação.

a prazo, ainda mais que a instabilidade

política na líbia e o seu

impacto sobre o norte de África e o

Médio oriente, o factor que mais pesará

na evolução do preço do crude, tudo

o indica, será o previsível ostracismo

a que será votada a energia nuclear.

só o Japão precisará de encontrar

recursos alternativos para suprir os

20% de fornecimento de energia que

eram garantidos pelos seus reactores

nucleares.

Até ondE vão As rEsErvAs?

Mas se a resistência à crise e a pujança

da recuperação demonstrada pelos

países emergentes que dependem largamente

do suprimento de petróleo

para assegurar o seu abastecimento

energético, como é o caso da China e

Índia, associados à instabilidade política

na zona que é responsável pela

terça parte da oferta mundial de petróleo

fizeram, nos últimos meses, disparar

o preço da matéria-prima para

níveis inuspeitáveis, começa a radicar-

-se uma outra novidade que baralha

completamente o que há pouco tempo

parecia adquirido quanto ao futuro

mediato da energia designada “fóssil”.

(USD)

115

110

105

100

95

90

85

80

Evolução sEmAnAl do BArril

Fonte OPEP

17

Dez.

2010

24

Dez.

2010

31

Dez.

2010

7

Jan.

2011

14

Jan.

2011

28

Jan.

20110

a tese, que não é nova, de que o petróleo

não tem uma natureza orgânica e

que as suas reservas poderão ser muito

maiores do que se pensa ganha cada

vez mais adeptos, contrariando os célebres

postulados que o Clube de roma

formulou em 1972 quanto aos limites

do crescimento e ao calendário esboçado

para o esgotamento da matéria-prima

(ver caixa). por outro lado,

a recente catástrofe japonesa irá travar,

porventura por algumas décadas,

os ímpetos nucleares, afinal de contas

a principal alternativa que se colocava

ao petróleo. o acidente da central de

Fukushima, pelos riscos apocalípticos

que encerra, é de molde a fazer esquecer

os estragos ambientais decorrentes

do derrame na plataforma da British

petroleum (Bp), deepwater Horizon, no

Golfo do México.

em suma, encontramo-nos perante

uma situação nova em que, por um

lado, a procura de petróleo é sucessivamente

revista em alta nos relatórios

periódicos produzidos pela opep

e pela aie (a agência internacional de

energia, geralmente conotada com os

interesses dos países consumidores) e,

por outro, se adivinha que a oferta da

matéria-prima aumente, quer em função

da exploração das camadas profundas

do designado “pré-sal”, quer

através da perfuração de novas zonas

como é o caso do alasca, onde russos,

noruegueses e norte-americanos

deram já o tiro de partida para a corrida

à exploração. por todo o lado, são

intuídas novas jazidas por todo o lado,

como é o caso da Bacia do rovuma,

no norte de Moçambique. o Brasil, em

apenas uma década, fez mais de 960

descobertas.

4

Fev.

2011

embora esteja ainda por demonstrar o

carácter comercializável destas descobertas

elas constituem, só por si, um

indicador dos avanços registados no

plano da prospecção. Facto particularmente

significativo foi registado em

Fevereiro deste ano, quando a rússia e

a noruega puseram termo a uma disputa

que durava há quatro décadas, em

torno da exploração do Mar de Barents.

em causa estava uma área de 67.950

quilómetros quadrados, compreendendo

uma zona que, de acordo com o

estudo Geológico dos estados Unidos,

deverá encerrar uma reserva de cerca

de 90 mil milhões de barris, o que corresponde

a cerca de 13% das reservas

mundiais de petróleo ainda não descobertas

e 30% dos recursos em gás natural.

É natural que, nos próximos tempos,

sejam anunciadas novas reservas e a

abertura de novas prospecções.

(USD)

95

85

75

65

55

45

35

25

15

11

Fev.

2011

Evolução AnuAl do BArril

Fonte OPEP

1999

2000

18

Jan.

2011

2001

25

Jan.

2011

2002

4

Mar.

2011

2003

11

Mar.

2011

2004

18

Mar.

2011

o quE o futuro nos rEsErvA

a evolução do preço do petróleo dependerá

assim, no futuro imediato, da intersecção

de vários factores: o grau de

crescimento da procura por parte dos países

emergentes, designadamente China

e Índia, o que pressupõe que a recuperação

económica internacional não sofra

um revés, a evolução política no Médio

oriente e no norte de África, o aumento

da oferta no mercado internacional resultante

da descoberta e início da exploração

de novas jazidas, da capacidade dos

países industrializados porem em marcha

alternativas energéticas e ainda e

sempre das manobras dos especuladores

nos mercados, tirando partido de um

ambiente onde a incerteza ganhou cidadania.

poder-se-ia acrescentar um outro

factor, que vem de trás e nunca foi suficientemente

elucidado, o qual se prende

com a manutenção de elevadas cargas

fiscais por parte dos países consumidores

sobre os produtos petrolíferos e que

os faz obter receitas que se equivalem

ao rendimento obtido pelos países produtores.

Com efeito, em muitos países,

mais de metade do preço dos combustíveis

colocados no mercado é constituído

por impostos, indispensáveis do

ponto de vista das receitas orçamentais

captadas pelos respectivos governos.

assim, os países consumidores compensam

o desiquílibrio infligido às respectivas

balanças comerciais pela importação

maciça de petróleo bruto com o equílibrio

orçamental que a sua tributação

proporciona.

2005

2006

2007

2008

2009

2010

2011

(Ano)

23


aNálise

só que não é nada provável que esta

situação se venha a modificar. o que

significa que o preço do barril se manterá

acima ou perto dos 100 dólares.

Mesmo com a Zona euro a braços com a

crise da dívida soberana em alguns países

periféricos, nomeadamente os piG

(portugal, irlanda e Grécia), apesar de a

alemanha crescer, já este ano, acima dos

2%, a economia mundial deverá registar

um crescimento global da ordem dos

3,9%. a China aumentará em 5,1% a sua

procura de petróleo, a américa latina

em 2,52% e a américa do norte em 1%.

só na europa ocidental se registará uma

contracção da procura (menos 0,29%).

a procura petrolífera global aumentará,

este ano, em 1,23 milhões de barris

diários, devendo situar-se entre os 87

e os 89 milhões de barris diariamente.

isto se, em tempo de surpresas, novos

acontecimentos não vierem provocar

mais reviravoltas e adensar a “volatilidade”

que impera nos mercados.

Mas uma coisa parece mais que certa:

se a pressão sobre a procura fizer disparar

os preços é mais que provável venha

a rever as quotas de produção fixadas

aos respectivos membros antes da reunião

da organização agendada para o

mês de Junho.

As 20 mAiorEs rEsErvAs

mundiAis dE pEtrólEo

Fonte OPEP

Arábia Saudita

Venezuela

Canadá

Irão

Iraque

Kuwait

(com pré-sal) Brasil

EAU

Rússia

Líbia

Argélia

Cazaquistão

Nigéria

Estados Unidos

China

Qatar

México

Noruega

Azerbeijão

Angola

24 • Março 2011 - Nº23

0 50 100 150 200 250 300

(mil milhões de barris)

"A EscAssEz dE pEtrólEo

é grAndE como o horizontE,

rEcuA sEmprE quE Alguém

sE movE nA suA dirEcção."

A. Morris Adelman, economista, 1991

E sE o pEtrólEo

em 1972 era publicado o

célebre relatório do Clube

de roma sobre os “limites

do Crescimento”.

o documento elaborado

sob a égide de exclusivo

clube, que reunia personalidades

como Jacques

delors, da França,

Belisario Betancur, da

Colômbia, César Gaviria,

da Colômbia, Fernando

Henrique Cardoso, do

Brasil, Mikhail Gorbachev,

da rússia, vaclav Havel, da

república Checa, enrique iglesias,

do Uruguai, Helio Jaguaribe,

do Brasil, o rei Juan Carlos

i, da espanha, a rainha Beatriz, dos

países Baixos, Cândido Mendes de

almeida, do Brasil, Mário soares, de

portugal, foi confiado a uma equipa

do prestigiado Mit (Massachusetts

institute of tecnology) coordenada

dana Meadows. por isso também ficou

conhecido como “relatório Meadows”.

o relatório traçava cenários em que o

exponencial crescimento da população

mundial contrastava com a escassez

dos recursos. o petróleo, segundo

um dos cenários avançados, não duraria

mais de 31 anos, ou seja, ter-se-

-ia esgotado em 2003. este cenário

foi elaborado com base nas reservas

publicadas pelo departamento

de Minas dos eUa em 1970 e à taxa

de consumo da época.

Um outro cenário, menos restrito,

apontava para 50 anos, caso as reservas

fossem 5 vezes maiores e a taxa

de crescimento médio anual fosse

de 3.9%. assim, ainda poderíamos

contar com o ouro negro até 2022.

ora, tudo indica que tenhamos petróleo

muito para lá daqui a 11 anos!

Wallace e. pratt, um geólogo, fez, em

1942, o seguinte relato: "Quando, em

1915, um perfurador de um poço pioneiro

disse ter-se deparado com um

granito a 1100 pés, ou algo assim, bem

no meio do estado (do Kansas), não

nos mostrámos apenas cépticos; ficámos

indignados. negámos que no poço

havia granito, e quando a perfuradora

atirou, sob a nossa supervisão, para

fora do poço lindos fragmentos de granito

rosa, acusámo-lo de ter lá plantado

o granito!”

de acordo com a visão tradicional o

petróleo é um combustível fóssil, produzindo

a partir dos restos sedimentados

de organismos extintos. daí a

sua finitude.

isto contradiz a visão tradicional de que

o petróleo seria um "combustível fóssil",

produzido a partir dos restos de antigos

organismos e, portanto esgotável. ora

acontece que o metano (CH4, molécula

não for finito?

formada por um átomo

de carbono ligado a quatro

átomos de hidrogénio),

o constituinte

primordial do petróleo,

é comum no interior

da terra, sendo

assim possível a formação

de hidrocarbonetos

em grandes

profundidades.

a teoria da origem

inorgânica do petróleo

(também conhecida

como abiogénica, abiótica,

abissal, endógena, juvenil,

mineral ou primordial dos

hidrocarbonetos naturais) sustenta

que o petróleo é formado por

processos não biológicos, a partir de

material primordial, que compreende

moléculas de hidrocarbonetos estáveis

a altas pressões e temperaturas, nas

profundezas da terra (manto), sofrendo

posterior contaminação biológica (por

bactérias) em níveis de baixa pressão e

temperatura, na crosta terrestre.

põe em causa a possibilidade de esgotamento

do petróleo (peak oil), com

base na ideia de que este seria formado

a partir de processos biológicos e portanto

ocorreria apenas em pequenas

quantidades. de acordo com esta teoria

os hidrocarbonetos são muito abundantes

no planeta.

Jack F. Kenney, geólogo e geofísico, alertou,

em 2002, que "não houve qualquer

tipo de" debate "sobre a origem de hidrocarbonetos

por mais de um século.

Competentes físicos, químicos, engenheiros

químicos e os homens conhecedores

da termodinâmica sabem que

o petróleo natural não evolui a partir de

material biológico, desde o último quarto

do século XiX”.

25


aNálise

gEstão dA cAdEiA logísticA

André JimBE

doutorado pela Universidade nova de lisboa,

na especialidade de sistemas de Gestão logística para indústria petrolífera.

professor convidado da Universidade lusíada e Metodista de angola

nas disciplinas de economia industrial, Gestão de produção e logística,

estratégia e sistemas de informação de Gestão e engenharia de software.

texto: André Jimbe

Fotografia: GCI

A

logística desenvolveu-se, ao longo

das últimas décadas, no sentido

de uma crescente integração, primeiro

interna e depois externamente.

Entretanto, em meados da década de

90, tendo como pano de fundo a globalização

e a revolução tecnológica,

começou a popularizar-se o conceito

de Gestão da Cadeia de Abastecimento

(Supply Chain Management – SCM) que

corresponde ao aprofundamento da

integração logística, num processo em

que a cooperação e a partilha de informação

são elementos estruturantes -

Mentzer (2001).

Estudos recentes referem-se ao conceito

de SCM como não tendo atingido

ainda a maturidade. Como será referido

adiante, não restarão dúvidas da

sua ligação ao processo de integração

das áreas funcionais nas décadas de 70

e 80 e, por outro lado, às mudanças no

contexto dos negócios, alterações das

estruturas empresariais, fusões, aquisições,

o redesenho radical dos processos

de negócios (reengenharia) para

obter melhorias drásticas nas áreas de

custos, serviços e tempo, e na realização

de uma redução radical no tamanho

da organização (downsizing), que

pode ser obtida através da redução dos

níveis hierárquicos ou da venda de negócios

não estratégicos.

A compreensão plena do potencial total

da SCM envolve a abordagem de vários

aspectos da gestão, alguns dos quais

sumarizados na tabela (Focos da Gestão

da Cadeia de Abastecimento).

26 • Março 2011 - Nº23

FoCos da Gestão da Cadeia de aBasteCiMento

Campo da Gestão Foco tradicional Foco sCM

processo de gestão produtos, vendas, receitas

objectivos-chave do desempenho

objectivos e metas do negócio

relações de negócio

processos de melhoria

do negócio

As ideias-chave associadas ao conceito

de pipeline constituem: a integração dos

diferentes elos, desde o aprovisionamento

até à distribuição física; a efectiva

capacidade de controlo do sistema

nas diferentes fases; a sincronização

das operações, evitando, desse modo,

duplicações e desperdícios, com redução

ou contenção de custos; a natureza

sistémica e de atravessamento funcional

(cross-functional), na medida em que

o desempenho resulta da acção conjugada

das várias actividades orientadas

para o serviço ao cliente.

Quando é utilizado o termo pipeline,

pretende-se associar os conceitos de

objectivos departamentais,

especificações de produtos e

processos

Consistência do desempenho,

alinhamento departamental,

métricas-chave das melhores

práticas

Foco nas estruturas e valores

internos da organização

reduções nos custos e defeitos;

taxa de melhorias em produtos

e processos

processos inter-organizacionais,

processos alargados,

investimento em inovações

no canal

Capacidades inovadoras

e de valor acrescentado

em todo o canal

alinhamento dos objectivos

e metas do canal, visão

competitiva partilhada do canal

parcerias estruturadas no canal,

operação em processos

e objectivos

Melhoria em todo o canal; criação

de valor e de inovação no canal

logística integrada e de pipeline em termos

físicos, ou seja, um sistema tubular

que transporta fluidos, de pequenas

a grandes distâncias, sem congestionamentos,

de forma controlada e com

rapidez.

Se no modo de transporte pipeline os

produtos circulam de uma forma contínua,

embora com interfaces e mecanismos

de segurança ao longo do percurso,

o pipeline logístico adopta, tanto quanto

possível, esses princípios aos movimentos

de produtos que, tendencialmente,

devem fluir de forma contínua,

com um mínimo de stocks e armazenagem

- Moura (2006).

Para compreendermos melhor a natureza

da cadeia de abastecimento é importante

que se perceba, se aprofundem

os conceitos de pull (puxar de jusante,

i.e., o processo conduzido pela procura)

e push (empurrar de montante,

i.e., o processo conduzido pela oferta),

assim como o Efeito de Bullwhip, também

conhecido por Efeito de Forrester.

1.2 procEssos push E pull

Os processos Push (empurrar) e Pull

(puxar) serão descritos no âmbito da

gestão e controlo de stocks em virtude

do tema da dissertação incidir, principalmente,

na gestão de processos da

cadeia de abasteciemnto.

Tradicionalmente, a cadeia de abastecimento

era encarada de forma semelhante

a uma linha de produção que

transforma matérias-primas em produtos

acabados e os distribui pelos clientes,

à medida da procura, ou seja, produz-se

para vender mais tarde, com base em

previsões sobre a procura, na busca da

eficiência da produção e dos transportes,

no cálculo de quantidades económicas

de produção e de encomenda.

Deste modo, a gestão e a coordenação

de funções visa a optimização da cadeia

de oferta (fornecimento ou abastecimento),

de montante a jusante, ou seja,

a perspectiva push (empurrar), em que

o produto é fabricado antes da procura,

aguardando em armazém as encomendas

dos clientes.

Actualmente, será mais apropriado dizer-

-se que a cadeia logística começa no

momento em que o cliente decide o que

vai comprar (por ex., num supermercado

ou quando faz uma encomenda

pela Internet), i.e., a cadeia é puxada

pelos clientes, mais do que empurrada

27


aNálise

fluxo dos sistEmAs dE informAçõEs logísticAs pipElinE logístico

adaptado de Bowersox (1999)

Gerência

previsão

pedidos

pC para pC

entrada

pedidos e cunsultas

on-line

entrada

lotes de pedidos

despesas

de frete

recebimentos

28 • Março 2011 - Nº23

Gestão

de pedidos

abrir

lotes de pedidos

transporte

e expedição

pelos fornecedores, enfatizando, assim,

a ligação entre a logística e o mercado,

com tendência para se aprofundar com

a expansão da Web que permite, muitas

vezes, saber-se o que se pretende,

quando e onde.

A mudança do processo push para pull

é facilitada pela agilização da cadeia de

abastecimento, associada ao desenvolvimento

das tecnologias da informação

e da comunicação, que possibilitam

fáceis ligações internas e para além das

fronteiras da empresa, constituindo a

base de movimentos como o QR (Quick

Response), em especial nos sectores de

confecções e têxtil, e o ECR (Efficient

Consumer Response), particularmente

no sector de produtos de grande consumo

e na distribuição alimentar.

Podemos também distinguir os conceitos

de push e pull do ponto de vista do Marketing.

Nestes termos, push significa que as

empresas “empurram” os produtos, com

apoio da força de vendas, por políticas

de preços atraentes e outras soluções.

Na perspectiva pull, são os clientes que

“puxam” os produtos, incentivados pela

publicidade, promoções, etc.

Gestão

de

stocks

processamento

de pedidos

stock

e depósito

operações

de expedição

Sistematizando: pull é um processo reactivo,

na medida em que reage à procura

dos clientes, exigindo, contudo, que a

informação seja transmitida com grande

agilidade, de forma a garantir que a produção

e distribuição possam reflectir,

com a maior fidelidade possível, a procura

real; push é um processo especulativo,

uma vez que responde a uma

especulação ou previsão e não a uma

procura real. A comparação de características

dos dois tipos de processos

pode ser obtida em Hummel e Stenger

(1988), e Benjamim (2006).

No entanto, uma observação detalhada

a alguns desses processos de controlo

revela que a maior parte são híbridos,

observando em simultâneo as duas

componentes de controlo, Bonney e

tal. (1999).

1.3 fluxo dos sistEmAs dE informAçõEs

logísticAs

Os Sistemas de Informações Logísticas

(LIS) são a espinha dorsal das operações

logísticas modernas.

Logística Integrada por Computador

relatório

necessidades

de distribuição

plano

de recursos

logísticos

Contabilidade

de

stocks

Contas

a receber

Contas

a pagar

1)

2)

3)

4)

5)

Módulos

arquivos de dados

Gestão e entrada de dados

relatórios

elos de ligação

(CIL) é a expressão geralmente utilizada

para designar os sistemas integrados,

que incluem dados e decisões relativamente

às principais funções logísticas e

envolvem a armazenagem e movimentação

de materiais, desde os fornecedores

até aos clientes - Fox (1998).

O Fluxo dos Sistemas de Informações

Logísticas, apresentado na figura 1.1,

baseia-se no estudo efectuado por

Bowersox (1999), que ilustra a estrutura

conceptual de LIS, juntamente com

o fluxo, considerando uma perspectiva

mais voltada para o processo. O esquema

contém os principais elementos desses

sistemas, que incluem:

1) Módulos

2) Arquivos de dados

3) Gestão e entrada de dados

4) Relatórios

5) Elos de comunicação

Os módulos são rotinas que processam

dados ou informações, como entradas

de pedidos ou alocações de stocks.

Os arquivos de dados substituem os

antigos arquivos de pastas.

Fornecedores

Fornecedores

adaptado de Mentzer (2001)

Fornecedores

As actividades de gestão e entrada de

dados representam as interfaces dos LIS

e devem obter informações do ambiente

externo, tais como pessoas com poder

de decisão ou até outras empresas.

Os relatórios fornecem informações relativas

à actividade logística e ao desempenho

dos elos de comunicação. Estes são

as interfaces internas e externas entre

os componentes dos LIS e o ambiente

externo.

O Fluxo dos Sistemas de Informações

Logísticas deve incorporar cinco módulos:

entrada de pedidos, processamento

de pedidos, transporte e expedição, operações

de distribuição e gestão de stocks.

Os arquivos contêm a base de dados

e informações para apoiar as actividades

de comunicação.

As principais estruturas de bancos de

dados necessárias para apoiar as comunicações

relativas à distribuição são:

a) arquivo de pedidos

b) arquivos de stocks e depósitos

c) arquivo de contas a receber

d) arquivos de necessidades

de distribuição

As actividades de gestão e entrada de

dados ocorrem quando os dados têm

que ser incluídos no sistema ou quando

a gerência deve incluir, no sistema, uma

decisão. Os exemplos de intervenção

incluem:

a) entrada de pedidos

Materiais Materiais Materiais

informação informação informação

b) consulta de pedidos

c) formulação e reconciliação

de previsões

d) tarifas de fretes

e) recebimentos e ajustes em

depósitos

Clientes

Clientes

Clientes

Os relatórios consistem em inúmeras listas

resumidas, detalhadas e de excepções,

que fornecem informações em

papel documentado sobre as actividades

e o desempenho do sistema.

Os elos de comunicação ligam o fluxo de

informações entre subsistemas, arquivos,

actividades de entrada e relatórios.

A utilização da CIL permite melhorar significativamente

as comunicações entre

as áreas funcionais da empresa, reduzir

os níveis das existências e os custos dos

transportes e implementar um método

proactivo nas operações. - Machado

(1998).

Os executivos de logística vêem a tecnologia

de informação como uma fonte

importante de melhoria de produtividade

e competitividade. Ao contrário da maioria

dos outros recursos, a velocidade e a

capacidade da tecnologia de informação

estão a aumentar e o seu custo a diminuir.

Embora surjam diariamente novas

capacidades, cinco tecnologias específicas

demonstraram amplas aplicações

logísticas, nomeadamente o intercâmbio

electrónico de dados (EDI), computadores

pessoais, inteligência artificial e

sistemas especialistas, comunicações

e código de barras e leitura óptica.

O conceito de Pipeline Logístico tem

subjacente a perspectiva de inte-

gração dos vários subsistemas que

asseguram a circulação de produ-

tos e informação ao longo da cadeia,

com interfaces mas sem estrangula-

mentos, “alimentando” eficazmente

os clientes (finais ou intermédios),

onde quer que estejam, como ilus-

tra a figura.

rEfErÊnciAs BiBliográficAs

Bowersox D.J., Closs D.J., (1996)

“logistical management: the integrated

supply chain process”, copyright by the

McGraw-Hill Companies, Inc.

Benjamim C. Moura (2006), “logística:

Conceitos e tendências”.

Bonney, M. C., Zhang, Z., Head, M. A., Tien, C. C.

e Barson, R. J. (1999). “are push and

pull systems really so different?”

International Journal of Production

Economic, Vol. 59, p. 53-64.

Christopher, M. (1992) “logistics and

supply Chain management. strategies

for reducing Cost and improving

services”, Pitman Publishing, London.

Machado, V.C. (1998), “gestão de stocks

para sistemas de distribuição de gases

de petróleo liquefeitos”, Dissertação de

Doutoramento em Engenharia Industrial,

Universidade Nova de Lisboa.

Jimbe, A. (2008), “gestão da Cadeia

logística”, Tese de Doutoramento em

Engenharia Industrial, Universidade

Nova de Lisboa.

29


NaCioNal

José mAriA BotElho dE vAsconcElos

“pEtrólEo continuA como

principAl fontE dE rEcEitAs do pAís”

no seu discurso de final de ano, proferido em Janeiro de 2011, o Ministro dos petróleos,

José Maria Botelho de vasconcelos, fez o balanço do ano transacto e perspectivou 2011.

texto: Manuel Lopes

Fotografia: GCI

o

Ministro dos Petróleos no discurso

de final de ano, começou

por evidenciar que o ínicio

de 2010 ficou marcado por “uma situação

de aperto em virtude da crise

financeira que se arrastava desde

dezembro de 2008”. Após uma das

30 • Janeiro 2011 - Nº23

fases mais críticas da crise económica

mundial, que obrigou os países

a rever as suas politicas económicas,

“entrámos numa fase de alguma estabilização

que levou a OPEP a manter

as quotas de produção, aquando

da sua reunião de março de 2010.

Seguiram-se melhorias e o

ano terminou com preços

relativamente estáveis",

referiu o responsável.

A nível das exportações

o ministro

destacou o comportamento

do

mercado que, ao

longo do ano, reagiu de forma favorável

registando-se a recuperação de

algumas das principais economias

cujos reflexos mantiveram os preços

de petróleo bruto em níveis que satisfazem

tanto os produtores como os

importadores.

Como destaque do ano de 2010, o Ministro

referiu a entrada em produção dos

campos Tômbua-Landana, (bloco14),

Mafumeira (associação de Cabinda).

Foram perfurados um total de vinte e

um (21) poços de exploração dos quais

seis (6) em descobertas de petróleo e

dois (2) em descobertas de gás.

novA rEfinAriA do loBito

O projecto estruturante da nova Refinaria

do Lobito, que vai aumentar as

capacidades de produção de refinados

no país, e o projecto Angola LNG foram

referidos pelo Ministro como estando

em fase avançada de execução, mantendo-se

o objectivo estratégico de concluir

a construção da Refinaria em 2015.

O projecto Angola LNG, que vai fazer o

aproveitamento do gás natural, tanto

para exportação como para alimentação

de uma indústria petroquímica

nacional, regista, segundo adiantou

Botelho de Vasconcelos, avanço significativo

com um nível de execução

global de 62%, mantendo-se assim

as perspectivas da primeira exportação

ocorrer no primeiro trimestre de

2012, conforme inicialmente previsto.

lEgislAção E invEstimEntos

Quanto à futura legislação que visa a

exploração de gás foi realçado que, no

que toca à segurança operacional, as

empresas deverão estar dotadas de

capacidade para combater derrames

a todos os níveis, revestindo–se de

maior importância a formação específica

dos seus técnicos, a obrigatoriedade

de actualização dos planos de

prevenção e resposta a emergências

em todas as instalações petrolíferas,

através da implementação de exercícios

e simulacros para respostas eficazes

em casos de desastres.

Na área de investimentos, destaque para

o projecto “Alimentos e Biocombustíveis”

a ser implementado pela Sonangol E.P.

e a ENI Angola, e que visa promover a

reabilitação dos palmares, a satisfação

da demanda de óleo de palma e a produção

de biodiesel. Ainda no mercado

interno, o ministro assinalou o facto do

sector petrolífero dar continuidade ao

programa de ampliação das capacidades

de armazenagem de combustíveis,

bem como da ampliação da rede de

postos de abastecimento, no sentido

de suprir as necessidades do mercado

nas melhores condições técnico operacionais

em todo o território nacional.

A abertura de vários novos postos de

abastecimento pelo país e consequente

funcionamento regular dos postos de

abastecimento sem enormes filas de

espera, foi um dos factos assinalados.

pErspEctivAs pArA o Ano dE 2011

Segundo o Ministro dos Petróleos, as

actividades do ministério estarão voltadas

para a realização de acções que

concorram para o cumprimento das

metas traçadas no “plano nacional 2011”

no qual, o petróleo continua a ser o pro-

duto de exportação e a principal fonte

de receitas do país. Para tal, será necessário

controlar um ritmo de exploração

de petróleo e gás natural que considere

a evolução das reservas técnicas (comprovadas

e prováveis), economicamente

viáveis, as alterações da matriz energética

mundial e os respectivos preços (a

médio e longo prazos); a continuação

do projecto de melhoramento da rede

de distribuição, na sua componente de

construção de novos postos de abastecimento

com o objectivo de expandir

e melhorar a rede de distribuição;

implementação das condições de aplicação

do programa de liberalização da

actividade de distribuição e comercialização

de combustíveis; intensificação

dos estudos e/ou trabalhos preparatórios

para atrair e fixar dos investimentos

significativos, nomeadamente no

âmbito do projecto SONAREF (Refinaria

do Lobito).

31


iNterNaCioNal

32

fErro, invEstimEnto sidErúrgico

Económico mundiAl

Aquando da devastadora combinação de terramoto, tsunami e desastre nuclear no Japão,

ficou claro que, não obstante o gigante asiático (Japão) ser uma fonte importante de todo

tipo de componentes de alta tecnologia – muito utilizados na Ásia e em outros países

para finalizar produtos –, este desastre afectou importantes sectores da vida económica

japonesa, entre as quais o sector siderúrgico.

texto: Afonso Chipepe (Economista)

ilustração: TJT

O

Japão ultrapassou a China

tornou-se o maior exportador

mundial de aço em 2010.

Apesar do declínio previsto

na produção Japonesa por causa do

terramoto, o mercado mundial de aço

não deve passar por um período amplo

da volatilidade no preço e na oferta.

O motivo para tal é que siderúrgicas

nos Estados Unidos, na Europa, na

Ásia e em outros países ainda assolados

pelos efeitos da recessão mundial,

estão subutilizadas.

Em face do relançamento da indústria

siderúrgica, Angola, o país de futuro, tem

enormes potencialidades no desenvolvimento

e produção de aço no continente.

Dos investimentos até esta altura,

Angola deverá estar a produzir cerca

de 180 mil toneladas anuais.

A siderurgia Nacional de Angola foi criada

em 1956, tendo a sua actividade paralisado

mais de cinco anos, altura em

que se produzia cerca de 30 mil toneladas

de aço por ano.

• Março 2011 - Nº23

O consumo anual médio de Angola

ascende a cerca de um milhão de toneladas

de aço.

As maiores siderúrgicas de 64 países

operam em cerca de 84% da capacidade,

segundo a Associação Mundial

de Aço. Analistas do sector prevêem

que a produção japonesa pode cair até

20%, ou 24 milhões de toneladas por

ano, nos próximos três meses.

A RioTinto, segunda maior fornecedora

mundial de ferro transportada maritimamente,

não prevê quedas das vendas

do minério embora o Japão, segundo

maior comprador mundial de ferro,

possa diminuir as suas importações

no curto prazo.

Portanto, julgo que Angola está diante

de um novo desafio mundial se tivermos

em linha de conta que a utilização

do ferro é um dos pressupostos importantes

para a empreitada de reconstrução

de infra estruturas, casas, pontes,

caminhos-de-ferro, plataformas marítimas,

etc.

Contudo, devem multiplicar as condições

para a substituição da importação

de produtos siderúrgicos pela produção

interna, o reforço da formação profissional,

a criação de novos postos de

trabalho, o aumento da taxa de crescimento

médio do produto interno bruto

(PIB) como passaporte para estimular

o desenvolvimento da engenharia

“ Made in Angola”.

33


turismo

os lugArEs dE lAzEr

quE são ExcEpcionAis

o turismo já começa a crescer no país. para lá dos números deste sector, trazemos-lhe ainda

os lugares que fazem o crescimento, cujo destaque vai para uma extensa orla marítima,

com belas praias, ilhotas e restingas, ricas em fauna e flora exóticas, além de parques

naturais que proporcionam lugares de lazer excepcionais.

texto: Lígia Katumbela

Fotografia: Tiago Jales Tomé

A

ngola consegue reunir no seu

território um pouco de toda a

África, desde a floresta tropical,

no Norte, passando pela zona de

savana e floresta aberta no planalto

central até ao deserto no Sul. Além

disso, uma extensa orla marítima, com

belas praias, ilhotas e restingas, ricas

em fauna e flora exóticas, proporcionam

locais de lazer excepcionais.

Os seus parques naturais permitem

aos visitantes ter um contacto com a

natureza e a observação de espécies

no seu habitat. Nas extensas reservas

de caça os amantes deste desporto

encontram excelentes oportunidades

para a sua prática, face à variedade e

abundância de espécies cinegéticas.

Infra-estruturas adequadas têm sido

criadas e serviços correlacionados

desenvolvidos, garantindo conforto

e segurança. Associado aos encantos

naturais, temos um povo acolhedor,

alegre e amigo. Por tudo isto, vale

a pena, viajar descobrindo Angola, pelo

que, além dos factores de crescimento

do sector do turismo, apresentamos-

-lhe as melhores opções de lazer nas

18 províncias angolanas.

34 • Março 2011 - Nº23

Congo

07

10

06

01

02

09

03

04

11

Namibia

05

12

18

15

República

Democrática do Congo

08

17

14

13

ANGOLA

16

Zambia

01 luAndA

É a capital de Angola e é a maior cidade

do país, com cerca de quatro milhões de

habitantes, o seu clima é tropical com

temperatura média de 24ºC e duas estações:

a das chuvas, de Setembro a Maio,

e seca, de Junho a Agosto.

Existem dois grandes rios, o Bengo e o

Kwanza, do qual deriva o nome da moeda

nacional. Ambos cortam a província e

originam planícies aluviadas.

Anteriormente designada por São Paulo

de Luanda, foi fundada em 25 de Janeiro

de 1575, pelo capitão Paulo Dias de Novais.

Em Luanda, o visitante encontra praias

calmas ou agitadas, de areias brancas

e finas, planas ou repletas de dunas,

compõem um quadro de rara beleza.

Há muitas construções notáveis e bem

conservadas, como a Ermida de Nazaré,

a Igreja do Carmo, o Palácio do Governo,

a Alfândega, o Hospital Maria Pia, Reservas

Naturais Integral do Ilhéu dos pássaros,

com 1,7Km 2 povoados por aves

migratórias. Além da bela paisagem e

das construções históricas, com o Arquivo

Histórico Nacional, os Museus de Historia

Nacional, da Escravatura, das Forças

Armadas e o de Antropologia.

Centros culturais e recreativos, teatros,

salas de cinema e de espectáculos, galerias

e feiras de arte e artesanato, oficinas

culturais e livrarias, casas nocturnas,

bares e restaurantes oferecem opções

de todos os gostos.

O seu carnaval é considerado o mais animado

do país, e suas danças incluem o

semba, a varina, a Kabetula e a Kazukuta,

envolvendo poliritmia invulgar de expressão

corporal e teatralização muito vivas.

Miradouro da Lua

02 BEngo

Destaca-se por suas praias e artesanato.

Parque Nacional da Kissama, com 9.900Km 2 ,

onde podem ser encontrados elefantes, macacos,

palancas vermelhas e tartarugas marinhas.

Na estação chuvosa, as margens dos rios ficam

repletas de aves aquáticas como flamingos,

garças, patos e pelicanos.

É possível alugar carros próprios para passeio

e, à noite, “jantar e relaxar a volta da fogueira”.

Existe também a Reserva Florestal de Kibinda,

com mais de 100Km 2 , o rio Kwanza, o mais

importante do país, a Igreja de Nossa Senhora

da Muxima e a Fortaleza da Muxima, que

datam do século XVI.

03 KWAnzA nortE

Região de planaltos de clima tropical húmido, com temperatura média de 23ºC,

as suas principais actividades económicas são a agricultura e a indústria.

Destaca-se a Reserva Florestal do Golungo-Alto, com uma área de 558Km 2 , a Reserva

Florestal de Caculama, com 800Km 2 e a Fortaleza de Massangano. O visitante terá

a oportunidade de visitar as quedas do Rio Muebemje, a 10 km da capital, com 110

metros de altura. Visite também, os 2 km da capital, as nascentes de santa Isabel

e Sobranceiro, onde há parque com gramados e piscinas, para crianças e adultos.

04 KWAnzA-sul

Alguns pontos turísticos

Com relevo variado entre montanhas e planaltos,

a sua actividade económica é a pesca.

Destacam-se pelas praias de temperaturas

agradáveis, e pelo artesanato em barro, sisal,

marfim, madeiras e chifre de animais.

Aproveite para conhecer as águas medicinais

do Waco Kungo e, a apenas 11 km da capital,

as grutas do Sumbe, uma das mais belas formações

de estalactites e estalagmites existentes

no mundo. Existem diversos locais

de interesse histórico e cultural para visitar,

como ruínas de fortificações a sítios arqueológicos

com pinturas rupestres que datam

do Neolítico.

Muxima

Cachoeiras do Binga

35


NaCioNal

05 uígE

Província agrícola de clima tropical

húmido possui fauna variada com a

presença de elefantes, búfalos, antílopes,

macacos azuis e outras espécies

raras.

06 zAirE

Localizada no extremo norte do litoral

e fazendo fronteira com a República do

Zaire, apresenta um clima

tropical húmido.

A vegetação combina com

savanas e, embora possua

actividades agrícolas e salinas,

na capital ainda é possível

ver ruínas do antigo Rei

do Congo.

07 cABindA

Enclave situado ao norte está

unido ao restante do país pelo

território da República do Zaire.

O seu clima é tropical húmido.

As suas reservas florestais do

Kakongo e a Floresta do Maiombe,

onde árvores com 50 metros de altura

dividem espaço com gorilas, chipanzés

e elefantes, é um paraíso para quem

ama a natureza. Também há muitos

locais de interesse histórico que podem

ser visitados.

Rio Luali

36 • Março 2011 - Nº23

©Ana Maurício

08 BEnguElA

Destaca-se pelo carnaval (considerado o segundo melhor do país, após o de

Luanda), por suas praias, e pela variedade do relevo e da vegetação. O seu nome

está ligado à corrente de Benguela, que parte da Antárctida e resulta numa temperatura

média anual amena.

Da sua segunda cidade, o Lobito, parte a maior ferrovia do país, que cruza todo o

território angolano. Na província, existe o parque Regional de Chimalavera com

uma superfície de 156Km 2 , tem fauna variada e a cabra de leque é sua atracção.

Visite também a Reserva Parcial do Búfalo, com 400Km 2 , a Praia Morena, preferida

pelos casais de namorados, que se estende por mais de mil quilómetros, e a

Baía Azul, que deve o seu nome à cor das suas águas.

Ponte do Rio Katumbela

09 nAmiBE

Localizada no extremo sul do litoral e fazendo fronteira com a República da Namíbia,

é o maior centro pesqueiro do país e ponto de partida da ferrovia que liga o

litoral às minas de ferro da Jamba. O seu nome é o mesmo que o do deserto que

ocupa grande parte de sua superfície. No litoral, porém, o clima é húmido, resultante

da proximidade entre o mar, onde passa a corrente fria de Benguela, e deserto do

Namibe. Na província do Namibe existe o Parque Nacional de Iona, que é o maior

de todos os parques nacionais de Angola, com 15.150 Km 2 . Lá podem ser encontrados

a zebra da montanha e o guelengue. Visite também a Reserva Especial do

Namibe (4.450Km 2 ).

Lagoa dos Arcos

Baia Azul

10 huílA

A Fenda da Tundavala, o Miradouro do Bimbi,

a Escadaria da Serra de Leba, a cascata da

Estação Zootécnica da Humpata e a Barragem

das Neves são excelentes indicações

para a sua visita. Visite o Parque Nacional

do Bicuar, com uma área de 7.900Km 2 , nele

podem ser encontrados elefantes, leões,

palancas e búfalos, alem de uma flora espectacular.

Existe também a Reserva Florestal

de Guelengue e Dongo e as várias construções

religiosas e fortificações, algumas

datadas do século XVII, que mostram boa

parte da história de Angola.

Serra da Leba

Cristo Rei - Lubango

Tundavala

11 huAmBo

Planalto com vocação agrícola situado no

centro do país, é um importante entrocamento

de vias entre as províncias.

Aqui está o ponto mais alto de Angola

(260m), o Moro do Moco. Também

tem ligações ferroviárias, de cargas

ou de passageiros, com destino à

fronteira da República do Congo,

da Zâmbia, África do Sul, Moçambique

e Malawi.

Destaca-se pelos seus jardins,

onde podem ser encontradas

mais de 500 variedades

de dálias. Por isso, conheça o parque do

centro da cidade, que integra um parque infantil

e uma estufa, e a Reserva florestal do Kavongue. A 20Km

da capital, encontra-se a Albufeira do Cuango, com uma praia em

pleno planalto. Tem muitos pontos de interesse histórico para serem visitados.

Porém, o morro de Santo António do Bailundo e a ilha dos Ambles são

de belezas deslumbrantes, e não podem ser esquecidas.

12 Bié

Com clima marcado por duas estações: a das chuvas, de Setembro a Maio,

e o cacimbo, estação mais fria, de Maio a Setembro. Os penteados e trajes

usados na região expressam tradições seculares. Na Província existe

a Reserva Florestal de Umpulo e diversos sítios históricos.

13 lundA-nortE

Localizada na fronteira com a República

do Congo, caracteriza-se por sua

rede fluvial composta de afluentes do

Rio Zaire. Os depósitos aluviais de

diamantes são as suas grandes fontes

de riqueza.

14 lundA-sul

Granja do Por do Sol

Rio Zaire

Existem várias ruínas e sítios arqueológicos, como o do Rio Cassai-Cawewe,

onde se observam pedras gravadas com pegadas de pessoas e animais.

O seu clima tropical chuvoso, quente e húmido, cuja temperatura varia

entre 16 e 23ºC, favorece a ocorrência de florestas densa e sempre verde.

Visite o Centro Turístico da Ilha do Rio Chiumbwe, o Poligno Florestal do

Rio Muangues, a Piscina Municipal e Saurimo, o Complexo Turístico Murino

Wa Lunga e o Túnel do Rio Luachimo.

37


NaCioNal

15 mAlAnJE

Segunda maior cidade de Angola é onde está situado a maior

barragem do País, a Hidrelétrica de Capanda. Essencialmente

agrícola, a sua população também se ocupa do artesanato.

Há importantes centros de artesanato nos municípios de

Marimba, Quirima e Massango, onde produzem cestos,

sofás, bonecos, peneiras, pilões, chapéus, pentes de pau

e outros objectos feitos de palha, madeira e bambu.

O maior realce turístico pertence às Quedas de Kalandula,

a 85 km da capital, com 105 metros de altura. Há muitas

outras quedas de águas importantes, pois a província é

banhada por duas importantes bacias hidrográficas: a do

Rio Kwanza e a do Rio Zaire.

Pedras Negras de Pungo Andongo

16 KuAndo KuBAngo

Um grande potencial turístico ainda não

explorado está preservado pela Reserva

Parcial de Luiana e pela Reserva Parcial

de Mavinga. Também estão acessíveis

diversos pontos de interesse histórico,

como o Centro Histórico do Missombo

e o Balombo.

Reserva de Luiana

38 • Março 2011 - Nº23

17 moxico

Sendo a prática da agricultura a sua principal

actividade económica, a população

também se ocupa do artesanato,

olaria de barro, fibras e escultura e da

mineração. Depois de Cabinda, o Moxico

aparece em segundo lugar na exploração

de madeira.

Alguns tipos de árvores da província,

como o mussixi e a muvuca, possibilitam

a produção de variedades de

mel de abelha conhecidas por suas

características medicinais. Na província

existe o Parque Nacional da Cameia,

com uma superfície de 14.450Km 2 ,

é um dos lugares mais virgens do país

e onde podem ser encontradas diversas

espécies de peixes. Conheça também

a Reserva Florestal do Katupe

(150Km 2 ), a Reserva Florestal do Lucusse

(2.450Km 2 ), a Reserva Florestal do Kassai

(190Km 2 ), a Reserva Florestal do

Mucondo (750Km 2 ) e a Reserva Florestal

de Luizavo (400Km 2 ).

Um pouco mais distante, a 116 km da capital, encontram-se

as belas e misteriosas pedras negras de Pungo Andongo,

que surgem repentinamente num terreno plano.

Conta à lenda que, há séculos, ali existia um coliseu de

torturas e bacanais da Rainha Ginga. Conheça ainda a

Reserva Florestal Caminho de Ferro de Malanje (200Km 2 ),

as Reservas do Luondo e do Milondo e a Reserva Florestal

de Samba-Lucala (400Km 2 ). Além dessas reservas

existem diversos locais de

interesse histórico e com

vestígios arqueológicos

que podem ser visitados.

18 cunEnE

Quedas de Kalandula

A agricultura e a criação de gado são

suas principais actividades económicas.

Visita o Parque Nacional do Mupa

situado ao norte da província, tem uma

área de 6.600Km 2 , onde se podem

encontrar girafas, rinocerontes, zebras,

elefantes, avestruzes, leões, palancas

vermelhas e impalas.

Na província existe o complexo Memorial

do Rei Mandume, localizado no

município de Namacunde, a 42 quilómetros

da capital Ondjiva, tem acomodações,

creche, restaurante e jangadas

para receber os visitantes. Além de

diversos locais de interesse histórico,

conheça também as quedas de água do

Rio Cunene, na Barragem do Ruacaná,

e as quedas de água do Monte Negro,

que ficam na região do Koroca, quase

na fronteira com a Namíbia.

os númEros dos visitAntEs

Um grande número dos turistas que escala o nosso país vem a

negócio. Porém, já começa a pesar igualmente o número de visitantes

que decidem vislumbrar os encantos com os quais a natureza

nos brindou. Sendo por isso que, durante o ano passado, um

total de 365.784 pessoas de vários países escalou, Angola para

visitas turísticas, de negócios e serviços.

De acordo com o Boletim Estatístico do Ministério da Hotelaria e

Turismo, referente ao ano 2009, a cifra traduz-se num aumento

significativo de 55%, representando 71.526 turistas a mais em

relação a 2008, período em que se registou 294.258 visitantes.

Em termos de continentes, a Europa lidera a lista com 161.169 visitantes,

contra os 129.838 de 2008, seguindo-se a América com

76.321 em 2009, contra os 59.358 do ano anterior, e a Ásia com

75.929 (63.752 em 2008).

África surge na quarta posição com 48.127 chegadas registadas

o ano transacto, ao passo que em 2008 o número de visitas foi

de 38.059. Do Médio Oriente chegaram 2.823 pessoas (1.860 em

2008), enquanto da Austrália 1.415 contra as 1.369.

Em termos percentuais, a Europa registou um crescimento na

ordem dos 44,1%, a América de 20,9%, a Ásia de 20,8% e a

África de 13,2%. Registou-se a vinda ao país de 315.172 homens

e 50.612 mulheres.

Segundo o boletim, o maior movimento turístico ocorreu no mês

de Agosto, representando 20% do total de chegadas em 2009,

durante o qual 42% dos turistas vieram a Angola em férias ou

visitas familiares e 37% em serviço. Os restantes 21% vieram em

negócio ou trânsito.

Da Europa desembarcaram a Angola 157.579 indivíduos provenientes

de 19 países, com maior incidência para Portugal, de

onde emigraram 86.330 cidadãos. Da América vieram 74.359

pessoas, de dez países, liderados pelo Brasil com 46.866 turistas.

Enquanto isso, da Ásia saíram 74.349 cidadãos, de nove países,

com destino a Angola, destacando-se a China com 51.900.

A África do Sul encabeça a lista dos países de África, absorvendo

25.803 das 43.175 saídas que o continente registou. Além disso,

5.684 pessoas são provenientes dos países africanos de língua

oficial portuguesa, com realce para São Tomé e Príncipe com

2.696 registos. Da África Central vieram 5.695 turistas.

Lagoa dos Arcos - Namibe

EmprEgos

O impacto do turismo sobre o emprego em 2009, no país,

resultou em 134.600 novos postos de trabalho, mais 31.900

que a cifra do ano anterior, segundo dados do Boletim Estatístico

do Mercado Hoteleiro e Turístico de Angola.

De acordo com o boletim, o sector de restaurante e similares

foi o que mais contribuiu, com 54.300 empregos, seguido

das pensões, dos hotéis e das agências de viagens e turismo.

A capital do país, Luanda, lidera a lista das províncias que

mais empregos ofereceram no sector, contribuindo com

104.300 postos de trabalho. Já as províncias do Kuando

Kubango, Moxico e Bié são as que menos empregos proporcionaram

neste ramo em 2009.

Nos últimos três anos a evolução do emprego no ramo de hotelaria

e turismo teve os registos de 72.100 (em 2007), 102.700

(2008) e 134.600 (2009). O Boletim Estatístico do Mercado

Hoteleiro e Turístico de Angola é uma publicação anual do

Ministério da Hotelaria e Turismo, no qual são divulgados os

resultados relativos à actividade turística em Angola.

EmprEEndimEntos hotElEiros

pArA dEmAndA

Cabo Ledo

Actualmente, a oferta turística nas unidades hoteleiras e

estabelecimentos similares atingiu 302.142 quartos disponíveis,

dos quais 47% nos hotéis e 53% nas pensões e outros

estabelecimentos de alojamentos. Em termos de camas

disponíveis, em 2009, houve a disponibilidade de 401.072.

Com efeito, a cidade de Luanda, capital de Angola, ganhará

até ao final do ano em curso, mais de 700 novos quartos para

acomodar turistas nacionais e estrangeiros, na sequência

da inauguração, no decurso do último trimestre de 2010, de

várias unidades hoteleiras de três a cinco estrelas.

Alguns destes quartos (entre normais e suites) já estão disponíveis

essencialmente nos hotéis Diamante, na baixa de

Luanda e Sana. Além desses, há previsões de se inaugurarem

outros hotéis em Luanda, alguns dos quais já em funcionamento,

assim como em outras províncias do país, com

realce para Benguela e Huíla, no quadro da política do executivo

de expansão da rede a nível do país.

Em carteira, está ainda a projecção do Plano Directório do

Turismo e o Plano de Inventário Turístico, para melhor organizar

e gerir a actividade hoteleira no país, pelo que foi já criada

uma direcção do ordenamento turístico.

39


Cultura

40

AngolA

ExpõE Em pAris

até dia 12 de Julho está patente no Museu dapper em paris.

a exposição “angola, Figuras de poder”, a maior deste género

realizada na europa nos últimos quinze anos

texto: Francisca Matos

Fotografia: direitos reservados

Acontece num dos museus que possui

umas das principais mostras

da arte e das culturas da África

e do Caribe e as suas respectivas diásporas.

aqui, é possível ver reunidos no

mesmo local artefactos artísticos culturais

que testemunham o génio criador

dos povos e culturas de angola, representativos

do património artístico e cultural

angolano.

as cerca de cento e quarenta obras de

arte e artefactos culturais são provenientes

de mais de dez museus de portugal,

Bélgica, França, suiça, incluindo também

peças cedidas à titulo de empréstimo

pelo futuro Museu nacional de

antropologia de luanda. o valor destas

peças está também no permitir contextualizar

da história política, diplomática

e económica de angola.

a mais antiga das peças em exibição

remonta ao século Xv. as mais recentes

são telas e esculturas em ferro, madeira e

vestígios da vida animal, vegetal e social,

que o pintor contemporâneo antónio ole

junta às representações esculturais do

poder político-religioso presentes nas

estatuetas de culto, nas insígnias de dignidade

e nas máscaras de cariz educativo

e ordenador.

inaugurada oficialmente no dia 9 de

novembro de 2010 pelo embaixador

de angola em França, Miguel Costa, na

presença do vice-ministro da Cultura,

Cornélio Caley, a exposição oferece ao

público o alto nível estético do património

artístico dos povos que constitui o

mosaico cultural angolano.

para além da exposição etnográfica,

“angola, Figuras de poder” tem um programa

de animação cultural que inclui

debates, palestras, sessões de cinema,

espectáculos e concertos, em que participarão

também criadores e ou artistas

de países com fronteiras com angola.

atente-se ainda no facto desta exposição

acontecer no mesmo momento em

que, em França, acontecem as grandes

exposições da temporada como as de

Jean Michel Basquiat no Museu de arte

Moderna, a de Moebius na Fundação

Cartier, a de arman no Museu Centro de

arte George pompidou ou a de Monet

no Grand palais.

Kongo / ambaQuista - angola

Região : Provincia do Kwanza Norte,

cemitério de Quibanda

Vaso funerário de barro

Altura: 30,5 cm

Colecção de Victor Bandeira, 1967

Museu Nacional de Etnologia, Lisboa

Inv. n° AM-939

© IMC / MC - Fotografia José Pessoa, 1993

• Março 2011 - Nº23

ChoKWe - angola

Estatueta representante do herói

mítico Chibinda Ilunga Bois

(Uapaca sp.)

Altura: 40 cm

Colecção de Fonseca Cardoso, 1904

Museu de História Natural,

Faculdade de Ciências, Porto

Inv. n° 86-04-3

© Arquivo Museu Dapper

© Fotografia Hughes Dubois

ChoKWe - angola

Estatueta representativa de um

Chefe.

Altura: 25,5 cm

Colecção particular

© Arquivo Museu Dapper

e Hughes Dubois

songo - angola

Trono "mbenza ya ngana"

Altura: 74 cm

Museu Nacional de Antropologia, Luanda

Inv. n° P101014

© Arquivo do Museu Dapper e Museu

Nacional de Antropologia

© Fotografia Rui Tavares

antónio ole

ANJO DA PAZ

detalhe da instalação

Margem da Zona Limite,

1994-1995

Altura: 246 cm

Colecção particular

© Fotografia António Ole

41


taleNto

42

tAlEnto sonAngol

o dEfEnsor dA línguA portuguEsA

escritor, jurista e docente

universitário, José Carlos

de almeida é um homem

de vários ofícios.

em todas as actividades

procura o rigor e o falar

bom português.

texto: Joana Simões Piedade

Fotografia: GCI

José Carlos de Almeida, 42 anos, é

jurista na Sonangol e está a revelar-se

um escritor de sucesso em

Angola. O seu livro “Ensaboado &

Enxaguado” é objecto de conversa

e troca de ideias em vários meios.

O escritor tem até marcado presença

nas rádios nacionais e restantes meios

de comunicação social.

Jurista de formação, José Carlos, sempre

se preocupou em estudar e investigar

questões relacionadas com a

fala e a escrita da língua portuguesa.

“Ensaboado & Enxaguado” é resultado

dessa mesma investigação e um livro

que, segundo palavras do próprio autor,

"visa ajudar as pessoas que fazem da

língua portuguesa o seu instrumento

de trabalho, e todos os curiosos, a corrigirem

certos erros e a melhorarem a

fala e a escrita".

Esta obra é especialmente dirigida aos

jovens estudantes, uma vez que José

Carlos de Almeida acredita que uma

formação deficiente da língua portuguesa

no ensino de base, pode influenciar

negativamente o futuro profissional

do estudante.

• Março 2011 - Nº23

“EnsABoAdo & EnxAguAdo”,

umA fErrAmEntA útil

pArA todos os quE

quErEm dominAr

mElhor A línguA

portuguEsA

José Carlos de Almeida considera-se um

investigador, por excelência, da língua

portuguesa. “Sempre que viajo tenho a

preocupação de comprar manuais de

língua portuguesa”, confessa.

Começou a escrever muito cedo, mas

não tinha sequer pensado vir a tornar-

-se um escritor. Através de contactos

diários com as pessoas, ouvindo rádio e

assistindo à televisão, no fundo, observando

as condutas comportamentais

e formas de falar a língua portuguesa,

José Carlos de Almeida chegou à conclusão

que grande parte dos cidadãos

não tem preocupação em expressar

correctamente o seu pensamento e

opiniões. A existência de erros ortográficos

em documentos de entidades

com responsabilidades era também

uma constante.

A pensar em tudo isto, procurou colocar

em livro informação que esclarecesse

as pessoas acerca de alguns erros

comuns que são praticados. Assim nasceu

o “Ensaboado & Enxaguado”, uma

ferramenta útil para todos os querem

dominar melhor a língua portuguesa.

um JuristA quE sE prEocupA

com o portuguÊs o Autor E A oBrA

José Carlos de Almeida nasceu em Luanda,

no bairro Rangel, a 12 de Março de 1968. Passou

a sua adolescência no Rangel e no Precol.

Em 1998, em Lisboa, adoptou o pseudónimo

MAKIESSE. Desempenhou as funções de professor

em vários estabelecimentos de ensino

como a Escola nº 504, a Escola NJinga Mbandi,

Escola Comandante Jika, no Centro Pré-Universitário

de Luanda, na Universidade Metodista de

Angola e, hoje em dia, é docente na Universidade

Lusíada de Angola. Estudou na Escola Político-

-Militar Comandante Jika, foi oficial das FAPLA

e Comissário Político. Licenciou-se em Direito

na Universidade Autónoma de Lisboa “Luís de

Camões”, em Portugal. Actualmente, é Jurista

da Sonangol, EP, colocado na Direcção dos Serviços

Jurídicos.

A sua obra “Ensaboado & Enxaguado” assinala

ao longo de 187 páginas algumas importantes

questões relacionadas com a língua portuguesa.

O livro é apresentado em seis capítulos

e conta com uma tiragem inicial

de dois mil exemplares.

43


história

44

BrEvE históriA

do Atlético pEtrólEos dE luAndA

Falar do atlético petróleos de luanda é falar de um dos maiores e mais emblemáticos

clubes de angola, fruto da sua grandiosidade e dos feitos nacionais e internacionais

conseguidos desde a data da sua fundação, a 14 de Janeiro de 1980.

texto: Manuel Lutomatala

Fotografia: Direitos Reservados

O

Petro de Luanda, como muitos

preferem chamar-lhe, é

uma agremiação de carácter

desportivo e associativo,

gerida juridicamente de forma anónima,

tendo surgido de uma associação

com o Sport Luanda e Benfica.

É patrocinado pela Sonangol, e responde

à estratégia da companhia petrolífera

nacional, tendo como principais

objectivos a expansão e promoção do

desporto no seio dos seus associados

e da juventude.

O futebol é a modalidade de bandeira

e é motivo de orgulho para milhares

de angolanos residentes em Angola e

não só, pelo facto de ser a equipa mais

titulada (15 taças) no Girabola, o maior

campeonato de futebol do país. Aliás,

a isto se juntam oito troféus da Taça de

Angola e quatro Supertaças.

Na Liga dos Campeões, a maior competição

de futebol organizada pela Confederação

Africana de Futebol (CAF),

o Petro Atlético de Luanda tem cinco

participações, mas foi na Taça CAF que

a equipa chegou à final, em 1997.

Obviamente, ao longo desses anos

de conquistas destacam-se muitos

nomes que não podem ser apagados

da memória do clube, como o de

• Março 2011 - Nº23

Hermínio Escórcio, o seu primeiro presidente,

Oliveira Saturnino “Jesus”, um

dos maiores ícones da equipa principal

de futebol e Palmira Barbosa, uma

das principais referências do andebol.

Voltando ao futebol, não se pode esquecer

os nomes de Nejó, Ndongala, Abel

Campos, Tozé, Amaral Aleixo Gilberto,

Flávio, Betinho, Manucho Gonçalves,

entre outros que tiveram uma passagem

notável pelo clube.

Na lista de treinadores despontaram

figuras como António Clemente, Carlos

Queirós, Goiko Zec, Djalma Cavalcanti

e Bernardino Pedroto, sendo os

que mais taças levaram para a galeria

da agremiação do Eixo-viário.

O andebol feminino granjeou prestígio

no país e em África, onde conquistou

todas as provas realizadas pela Confederação

Africana da modalidade

de Andebol (CAHB), entre as quais

a Taça Babakar Fall, tendo conquistado

15 títulos.

André Bandeira, Filomena Trindade,

Fâbia Raposo, Belinha Bandeira,

Armando Culau, Elisa Webba, Joaquim

Cunha, Vivaldo Eduardo, Maninho

e Beto Ferreira, fazem parte da

longa lista de jogadores e treinadores

que contribuíram para esses feitos.

Dr. Alberto Cardoso S. Pereira

presidente do petro de luanda

"foi longo E árduo

o cAminho Até EstA fAsE,

E constitui, pArA nós,

motivo dE orgulho,

podErmos colocAr

Ao dispôr dA nossA

mAssA AssociAtivA, dos

AmAntEs do dEsporto

E dA comunidAdE

AngolAnA"

45


história

46

• Março 2011 - Nº23

cluBE tEm 7.500

sócios EspAlhAdos

por todo o pAís

No basquetebol, também são várias as

taças conquistadas a nível nacional e

internacional, que fazem do Petro uma

das maiores potências da modalidade

no continente. Ao longo desses anos,

as equipas de basquetebol do Petro

Atlético revelaram-se sempre como

uma das maiores referências da bola

ao cesto por causa dos torneios conquistados

e do grande número de jogadores

cedidos à Selecção Nacional.

Deste modo, não se pode deixar de

destacar nomes como de Vladimiro

Romero, Benjamim Romano, Benjamim

Avó, Victor de Carvalho, Manuela Oliveira,

Paulo Jorge, Artur Barros, Joana

Adriana e outros tantos que, com o seu

saber e dedicação, inscreveram o basquetebol

petrolífero entre os melhores

do continente.

Além do futebol, basquetebol e andebol,

a agremiação desenvolve ainda

Além do futEBol,

BAsquEtEBol E AndEBol,

A AgrEmiAção

dEsEnvolvE AindA

o AtlEtismo, volEiBol,

ténis, lutAs, hóquEi Em

pAtins, vElA, ginásticA,

KArAté E AtlEtismo

o atletismo, voleibol, ténis, lutas, hóquei

em patins, vela, ginástica, karaté e

atletismo. Lembrar que, esta última

foi a primeira modalidade do clube e

forjou excelentes praticantes como

Suzana Kiesse, Guilhermina Cruz, Maria

da Conceição Abel Issac, André Quitongo

e José Lourenço. Relativamente

ao hóquei, o Petro apresenta-se como

umas das principais equipas de Angola

por causa de campeonatos conquistados

e da quantidade de atletas cedidos

à Selecção Nacional. Toy Adão,

Kirro, Orlando Graça, Rolf dos Santos,

Jó, Magalhães e Abel, são alguns dos

nomes sonantes.

O Atlético Petróleos de Luanda surgiu

essencialmente graças ao espí-

rito empreendedor de personalidades

que consideravam o desporto um meio

para a formação do homem moderno.

Hoje, por força de uma campanha que

tem sido levada a cabo pela actual

direcção, chefiada por Alberto Cardoso,

o clube tem 7.500 sócios espalhados

por todo o país.

sEdE sociAl

A sua sede social, localizada na rua

Abdel Nasser, é composta por um edifício

de cinco andares e comporta uma

quadra para a prática do basquetebol,

andebol, e hóquei em patins. Enquanto

o futebol funciona no Complexo Desportivo

“Catetão 2", no Bairro Popular.

47


DesPorto

motocross

sAltos Em vElocidAdE

o Motocross é um desporto com cada vez mais adeptos em todo o mundo.

angola não é excepção.

texto: Germano Gomes

Fotografia: GCI

Motocross, modalidade desportiva

de motovelocidade,

é praticada sobre motocicletas

de estilo off-road, em várias categorias

tais como: Arenacross, Trial e

Enduro. As Competições de motocross

são geralmente realizadas em

pistas fechadas com distâncias que

podem chegar a 1,5 Km, essas pistas

incorporam características naturais

do terreno com quantidades variadas

de saltos, costelas (sequência de lombadas

e pequenos morros) e curvas.

As corridas de motocross ocorrem tra-

48 • Março 2011 - Nº23

dicionalmente em terreno molhado.

Este desporto tem evoluído muito na

última década, mas é ainda um desporto

de alto custo. No entanto, têm-

-se encontrado algumas facilidades na

aquisição de motos e pistas para treinos.

Um dos aspectos menos compreendidos

do motocross consiste no nível extremo

da aptidão física requerido dos concorrentes.

Ao piloto é exigido muito mais

do que conduzir um veículo motorizado

num campo, e de facto, o Motocross

exige muito fisicamente, especialmente

a nível dos braços, ombros e glúteos.

O piloto tem de possuir controle, força,

resistência e reflexos rápidos.

Todos estes são requisitos que aparecem

camuflados por debaixo da

protecção corporal que inclui capacete,

coletes, luvas, botas, joelheiras,

calça com proteção, camisa, protetor

de coluna e pescoço, óculos, protector

de nariz. Aos olhos do leigo, o salto

é o ponto alto de uma corrida, porém

para o piloto, o salto é o momento de

descanso e relaxamento. As curvas e

ultrapassagens são os pontos determinantes

para um boa corrida.

49


DesPorto

50 • Março 2011 - Nº23

Assinale-se que o piloto está montado

numa máquina que pesa, pelo menos,

quase cem quilos e, que, no nível profissional

de elite, tem um motor que

produz pelo menos cinquenta cavalos-força.

Os braços e os pés de um

piloto estão no movimento constante

durante uma prova, lutando pelo controle

da motocicleta e absorvendo a

energia produzida por aterragens de

alta velocidade das alturas, que excedem

frequentemente vinte pés, ou das

colisões elevadas das pedaleiras.

As corridas de motocross são ricas em

imagens, tal como se pode ver nestas

páginas. O esforço dos pilotos em

ultrapassar os seus limites e os limites

das suas motos, observa-se em cada

curva, no aumento da velocidade, em

cada salto no qual o piloto quer subir

mais em altura. Este é um desporto

que cativa quem assiste e não deseja

perder uma imagem.

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