Educação - Sindicato dos Professores da Grande Lisboa
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ESCOLA DA PONTE:<br />
O SONHO E O PESADELO.<br />
Rubem Alves, além de teólogo, fi lósofo, psicanalista e poeta, é um<br />
ilustre pe<strong>da</strong>gogo brasileiro que um dia, acidentalmente, visitou a<br />
Escola <strong>da</strong> Ponte e descobriu que a escola com que sempre sonhara<br />
existia de facto. Não tinha salas de aula, não tinha turmas, não<br />
tinha toques de campainha, não tinha disciplinas nem indisciplina,<br />
não tinha aulas em que um professor <strong>da</strong>va a matéria…<br />
Ficou encantado e não resistiu à tentação de expressar esse encantamento<br />
nas páginas de um jornal de Campinas, ao longo de seis<br />
semanas, onde descreveu apaixona<strong>da</strong>mente os pormenores dessa<br />
experiência breve e intensa vivi<strong>da</strong> numa escola semanalmente discuti<strong>da</strong><br />
por uma Assembleia Geral de Alunos que funciona melhor<br />
que o Parlamento de qualquer país civilizado. São essas crónicas<br />
que constituem o essencial deste livro cuja leitura desta vez sugerimos,<br />
pelo facto de ter sido exactamente com a Escola <strong>da</strong> Ponte<br />
que o Ministério <strong>da</strong> <strong>Educação</strong> celebrou o seu primeiro contrato de<br />
autonomia.<br />
Pelo conteúdo desse contrato fi camos a saber que o regime de<br />
funcionamento <strong>da</strong> Escola tem aspectos não menos surpreendentes<br />
do que a sua prática pe<strong>da</strong>gógica. O órgão máximo <strong>da</strong> Escola é<br />
o Conselho de Pais/Encarrega<strong>dos</strong> de <strong>Educação</strong>. O Conselho de<br />
Direcção é maioritariamente constituído por não – professores.<br />
O Presidente do Conselho de Direcção é necessariamente um <strong>dos</strong><br />
Encarrega<strong>dos</strong> de <strong>Educação</strong>. O Gestor e o Conselho de Gestão<br />
são nomea<strong>dos</strong> pelo Conselho de Direcção. O pessoal docente é<br />
anualmente avaliado e seleccionado pelo Conselho de Gestão.<br />
Os lugares de quadro serão gradualmente extintos à medi<strong>da</strong> que<br />
os professores com essa situação jurídica forem abandonando a<br />
Escola. Os conceitos de educador e professor são substituí<strong>dos</strong> pelo<br />
conceito de orientador educativo. Os orientadores educativos não<br />
estão sujeitos ao regime geral de habilitações para a docência e<br />
comprometem-se formalmente a subordinar as normas do Estatuto <strong>da</strong><br />
Carreira Docente e demais legislação aplicável ao Projecto Educativo<br />
e ao Regulamento Interno <strong>da</strong> Escola. O critério para a matrícula<br />
<strong>dos</strong> alunos é a adesão <strong>dos</strong> respectivos encarrega<strong>dos</strong> de educação<br />
ao Projecto Educativo <strong>da</strong> Escola, independentemente <strong>da</strong> sua área<br />
geográfi ca de residência ou de trabalho. A Escola comprometese<br />
a ocupar diariamente os alunos até, pelo menos, às 18 horas,<br />
de acordo com as expectativas e necessi<strong>da</strong>des <strong>dos</strong> encarrega<strong>dos</strong><br />
de educação, inclusivamente durante as interrupções lectivas. O<br />
Ministério <strong>da</strong> <strong>Educação</strong> atribui uma dotação global de 215 euros<br />
por aluno, comprometendo-se a Escola a ampliar e diversifi car as<br />
suas fontes de fi nanciamento através de projectos, <strong>da</strong> ven<strong>da</strong> de<br />
publicações e serviços e <strong>da</strong> captação de recursos adicionais na<br />
comuni<strong>da</strong>de. É fácil também perceber que o horário de trabalho<br />
assim como o conteúdo funcional <strong>da</strong> profi ssão docente sofrerão<br />
signifi cativas alterações.<br />
Apesar de tudo vale a pena ler o livro de Rubem Alves e continuar<br />
a acreditar que é possível construir Escolas <strong>da</strong> Ponte sem desregulamentar<br />
a profi ssão docente e sem recuar nos direitos duramente<br />
conquista<strong>dos</strong> que a dignifi cam. Uma profi ssão materialmente desvaloriza<strong>da</strong><br />
pode atrair missionários ou quem não conseguir melhor<br />
emprego, mas seguramente não atrairá profi ssionais competentes.<br />
. A Escola com que sempre sonhei<br />
sem imaginar que pudesse existir<br />
. Rubem Alves<br />
. Ed. ASA, Porto, 2001
BD – Contactos<br />
Pág. 4<br />
Dossier<br />
Programa do<br />
Governo:<br />
A <strong>Educação</strong>.<br />
Pág. 5 - 12<br />
Ci<strong>da</strong><strong>da</strong>nia<br />
Homenagem<br />
a Inês Cosme<br />
Pág. 13-17<br />
Placard Sindical<br />
Casa Pia; Chama<strong>da</strong><br />
à Profi ssionalização;<br />
Formação<br />
de <strong>Professores</strong><br />
Pág. 18 e 19<br />
Reportagem<br />
EB1/JI Cova <strong>da</strong><br />
Moura: uma escola<br />
com projecto<br />
Pág. 20 e 21<br />
Opinião<br />
Pág. 22<br />
Sectores<br />
(Superior, Secundário,<br />
Pré-Escolar)<br />
Pág. 23-25<br />
Nas Escolas<br />
Pág. 26<br />
Serviço a Sócios<br />
Pág. 26-34<br />
Consultório Jurídico<br />
Regime Jurídico do<br />
Período Experimental<br />
<strong>dos</strong> Ensinos Particular<br />
e Cooperativo<br />
ficha técnica:<br />
Director: António Avelãs . Chefe de Re<strong>da</strong>cção: José<br />
António F. Pinto . Conselho de Re<strong>da</strong>cção: Teresa<br />
Chaveca, Margari<strong>da</strong> Mascarenhas, António Quitério,<br />
Luis Viana, Bráulio Martins, José António Pinto, Manuel<br />
Grilo . Re<strong>da</strong>cção: Lígia Calapez . Colaboração: Sofia<br />
Vilarigues Paginação e Grafismo: D.Petinha . Capa: Dora<br />
Petinha . Composição: I<strong>da</strong>lina Martins, Lina Roque .<br />
Revisão: Luisa Pereira . Fotos: Jorge Caria . Impressão:<br />
SOGAPAL, SA. - Av. <strong>dos</strong> Cavaleiros, 35, 2795-626 Carnaxide<br />
. Editado por: <strong>Sindicato</strong> <strong>dos</strong> <strong>Professores</strong> <strong>da</strong> <strong>Grande</strong><br />
<strong>Lisboa</strong>, Rua Fialho de Almei<strong>da</strong>, 3, 1070-128 <strong>Lisboa</strong> .<br />
Periodici<strong>da</strong>de: Mensal Tiragem: 29 000 Depósito<br />
legal: 915758 . ICS: 109893.<br />
Não esconder o essencial<br />
com o acessório<br />
O Inglês no 3º ano de escolari<strong>da</strong>de? Devo dizer que<br />
não tenho informação sufi ciente sobre a matéria. Mas<br />
a medi<strong>da</strong> parece estar a ser bem recebi<strong>da</strong> e parece<br />
acompanhar a “prática” <strong>da</strong> Europa Comunitária. E como<br />
entendo que o domínio excelente de uma língua estrangeira,<br />
nomea<strong>da</strong>mente a inglesa, é factor importante de<br />
sucesso no futuro, é capaz de ser boa ideia. Desde que,<br />
claro, ela não seja um factor acrescentado de insucesso<br />
escolar que, neste ciclo, se tem vindo a reduzir.<br />
O que, porém, me preocupa é que esta esteja a ser a<br />
“medi<strong>da</strong> pe<strong>da</strong>gógica” do governo do PS. É que, por<br />
mais correcta que esta medi<strong>da</strong> seja, ela é lateral à<br />
questão central que o governo deve atacar. O governo<br />
e não só, que o desígnio de uma educação democrática<br />
e igualitária é tarefa de to<strong>da</strong> a socie<strong>da</strong>de. O cerne de<br />
to<strong>dos</strong> os problemas <strong>da</strong> escola é, como se tornou evidente<br />
e consensual, a defi ciente quali<strong>da</strong>de <strong>da</strong>s aprendizagens<br />
nos domínios <strong>da</strong> língua portuguesa e <strong>da</strong> matemática e do<br />
fraquíssimo envolvimento na experimentação científi ca,<br />
que se traduzem nomea<strong>da</strong>mente num escan<strong>da</strong>loso insucesso/abandono<br />
nos ensinos secundário e superior. Neste<br />
contexto, o “inglês no 1º ciclo” é um “fait divers”.<br />
Os problemas <strong>da</strong> escola são um problema para a escola.<br />
O reconhecimento teoricamente inquestionável de que o<br />
eixo <strong>dos</strong> problemas com que a escola se confronta lhe<br />
é exterior não pode eximi-la de procurar no seu seio as<br />
formas de combater e atenuar as desigual<strong>da</strong>des que<br />
uma socie<strong>da</strong>de com crescentes e agu<strong>da</strong>s difi cul<strong>da</strong>des<br />
económicas e sociais vai impie<strong>dos</strong>amente ampliando. Os<br />
professores devem ser forma<strong>dos</strong> num espírito de agudo<br />
profi ssionalismo: não podem limitar-se a reconhecer o<br />
insucesso, o que é uma forma de cimentar a injustiça,<br />
nem repousar oportunisticamente na culpabilização extrema<br />
<strong>da</strong> socie<strong>da</strong>de exterior à escola, num mecanicismo<br />
elementar que envergonharia qualquer marxista, mesmo<br />
de “vulgata”.<br />
Porém, se aos professores se tem que exigir um melhorado<br />
profi ssionalismo e uma crescente competência, é<br />
ao governo que compete o essencial: mobilizar to<strong>da</strong>s<br />
as energias para uma escola pública de sucesso, o que<br />
implica, entre outras coisas, o combate à chaga social<br />
do desemprego e aos baixos salários. A nós to<strong>dos</strong> compete-nos<br />
exigir-lhe que cumpra o seu dever.<br />
António Avelãs<br />
Director do Escola Informação<br />
MARÇO 2005 . ESCOLA INFORMAÇÃO 3
. BD. Rui Fazen<strong>da</strong><br />
SEDE Rua Fialho de Almei<strong>da</strong>, 3, 1070-128 <strong>Lisboa</strong><br />
Tel: 213819100 Fax: 213819199 spgl@spgl.pt<br />
Direcção:direccao@spgl.pt www.spgl.pt<br />
SERVIÇO DE APOIO A SÓCIOS TEL: 21 381 9192 apoiosocios@spgl.pt<br />
SERVIÇO DE CONTENCIOSO TEL: 21 381 9127 contencioso@spgl.pt<br />
SERVIÇOS MÉDICOS TEL: 21 381 9109 servmedicos@spgl.pt<br />
SERVIÇOS (seguros, viagens,etc.) TEL: 21 381 9143 servicos@spgl.pt<br />
CENTRO DE FORMAÇÃO SPGL TEL: 21 381 9120 formacao@spgl.pt<br />
IIL . INSTITUTO IRENE LISBOA TEL: 21 381 9121 spgliil@spgl.pt<br />
CENTRO DE DOCUMENTAÇÃO TEL: 21 381 9119 fenprof@fenprof.pt<br />
DIRECÇÃO REGIONAL DE LISBOA<br />
ALGUEIRÃO - MEM MARTINS<br />
Estra<strong>da</strong> de Algueirão, Rua Padre Manuel Nobrega, Lt 8, Loja A<br />
Algueirão 2725-085 Mem Martins<br />
Tel: 219212573 Fax: 219212559<br />
PAREDE<br />
Trav. Rocha Martins, F – L, 2775-276 Parede<br />
Tel: 214563158 Fax: 214563157 E-Mail: parede@uniaolisboa-cgtp.pt<br />
VILA FRANCA DE XIRA<br />
Rua Serpa Pinto, 136 – 2º 2600-262 Vila Franca de Xira<br />
Tel.: 263276486 Fax: 263276487 E-Mail: vilafranca@spgl.pt<br />
DIRECÇÃO REGIONAL DO OESTE<br />
CALDAS DA RAINHA<br />
Av. Engº Luís Paiva e Sousa, 4 B 2500-329 Cal<strong>da</strong>s <strong>da</strong> Rainha<br />
Tel: 262841065 Fax: 262844240 E-Mail: cal<strong>da</strong>srainha@spgl.pt<br />
MAFRA<br />
Rua Luis de Camões, lt 4 r/c Esq. 2640-501 Mafra<br />
Tel: 261815730 Fax: 261815730<br />
TORRES VEDRAS<br />
Av. Gen. Humb. Delgado, 19 B - 1º Esq. 2560-272 Torres Vedras<br />
Tel: 261311634 Fax: 261314906 E-Mail: torresvedras@spgl.pt<br />
DIRECÇÃO REGIONAL DE SANTARÉM<br />
ABRANTES<br />
Rua 17 de Agosto de 1808, nº 1 - 1º 2200-370 Abrantes<br />
Tel: 241365170 Fax: 241366493 E-Mail:abrantes@spgl.pt<br />
SANTARÉM<br />
Rua Vasco <strong>da</strong> Gama, 16 J - 1º Esq. 2000-232 Santarém<br />
Tel: 243305790 Fax: 243333627 E-Mail:santarem@spgl.pt<br />
TOMAR<br />
Rua Santa Iria, 21 - 2º Dtº, 2300-475 Tomar<br />
Tel: 249316196 Fax: 249322656 E-Mail: tomar@spgl.pt<br />
TORRES NOVAS<br />
Lg. José Lopes <strong>dos</strong> Santos, Edif. Santa Isabel - 2º 2350-686 Torres Novas<br />
Tel: 249820734 Fax: 249824290 E-Mail: torresnovas@spgl.pt<br />
DIRECÇÃO REGIONAL DE SETÚBAL<br />
SETÚBAL<br />
Rua Dr. Alves <strong>da</strong> Fonseca, 5 - 2º, 2900-218 Setúbal<br />
Tel: 265228778 Fax: 265525935 E-Mail: setubal@spgl.pt<br />
BARREIRO<br />
Rua Marquês de Pombal, 40 - r/c 2830-336 Barreiro<br />
Tel: 212079395 Fax: 212079368 E-Mail: barreiro@spgl.pt<br />
ALMADA<br />
Av. D. Nuno Álvares Pereira, 21 - 1º Esq 2800-179 Alma<strong>da</strong><br />
Tel: 212761813 Fax: 212722865 E-Mail: alma<strong>da</strong>@spgl.pt
Testemunhos de:<br />
. Bráulio Martins<br />
. Luís Viana<br />
. João Cunha Serra<br />
....................................................................................................................<br />
Programa do Governo:<br />
<strong>Educação</strong><br />
E S C O L A I N F O R M A Ç Ã O N º 196<br />
O pro-<br />
grama do actual go-<br />
verno para a educação, nas suas<br />
diversas vertentes, é o tema deste Dossier.<br />
Um tema abor<strong>da</strong>do de diferentes perspectivas.<br />
Percorrendo a escola desde o primeiro ciclo ao ensino<br />
universitário e investigação.Nos vários textos que se seguem,<br />
múltiplas são as questões abor<strong>da</strong><strong>da</strong>s.<br />
Ao nível do primeiro ciclo do ensino básico, é valoriza<strong>da</strong> a intro-<br />
dução do inglês, passando-se entretanto à questão, mais profun<strong>da</strong>,<br />
do modelo de docência neste ciclo de escolari<strong>da</strong>de. “As equipas<br />
educativas de ca<strong>da</strong> escola ou grupo de escolas devem ser constituí<strong>da</strong>s<br />
por um conjunto de professores profissionaliza<strong>dos</strong> para a docência no<br />
1º Ciclo e com formações diferencia<strong>da</strong>s”. Uma posição defendi<strong>da</strong> pela<br />
FENPROF e que aqui é relembra<strong>da</strong>.<br />
No que ao Ensino Superior diz respeito, sublinha-se uma questão<br />
incontornável: “a aplicação do processo de Bolonha encontra-se<br />
inquina<strong>da</strong> pela forte desconfiança <strong>da</strong>s instituições de que será<br />
aproveita<strong>da</strong> para reduzir a responsabili<strong>da</strong>de do Estado”.<br />
Uma dúvi<strong>da</strong> que persiste.<br />
Como pano de fundo, temos um programa em<br />
que se identificam os principais problemas,<br />
mas sem que existam “metas ou<br />
objectivos”.
6<br />
Programa do Governo<br />
<strong>Educação</strong><br />
ESCOLA INFORMAÇÂO<br />
nº 196 . março 2005<br />
Escolas do 1º CEB<br />
A bandeira <strong>da</strong> generalização<br />
do ensino de inglês<br />
No que ao 1º CEB diz respeito o pro-<br />
grama do Governo elege como principal<br />
bandeira a generalização do ensino do<br />
Inglês desde o primeiro ciclo do ensino<br />
básico.<br />
Esta foi uma <strong>da</strong>s mais emblemáticas<br />
promessas <strong>da</strong> campanha eleitoral do PS<br />
e que o Sr. Primeiro Ministro declarou ser<br />
a segun<strong>da</strong> medi<strong>da</strong> do Plano Tecnológico<br />
garantindo a sua introdução como discip-<br />
lina obrigatória, a partir do 3º ano, já no<br />
próximo ano lectivo nas escolas engloba-<br />
<strong>da</strong>s em agrupamentos escolares.<br />
A<br />
introdução <strong>da</strong> disciplina de Inglês no primeiro CEB<br />
é uma medi<strong>da</strong> há muito proposta pela FENPROF<br />
ao ME e ain<strong>da</strong> há pouco tempo reafirma<strong>da</strong> na<br />
Carta Reivindicativa <strong>dos</strong> Docentes Portugueses. Estamos<br />
portanto de acordo com a medi<strong>da</strong> anuncia<strong>da</strong>.<br />
No entanto o que lemos e ouvimos sugerem-nos algumas<br />
questões: as escolas que funcionam como uni<strong>da</strong>des orgânicas<br />
(escolas com mais de 300 alunos) são afasta<strong>da</strong>s<br />
deste programa, porquê? Será porque as escolas do 1º<br />
CEB não têm nos seus quadros professores de inglês?<br />
Mas também as escolas integra<strong>da</strong>s em agrupamentos<br />
os não têm… Estará porventura na intenção do governo<br />
criar lugares docentes de inglês nas EB 2,3 atribuindo-lhes<br />
depois horários nas escolas do 1º CEB integra<strong>da</strong>s nos<br />
agrupamentos? Mas então só as escolas engloba<strong>da</strong>s em<br />
agrupamentos verticais serão abrangi<strong>da</strong>s pela medi<strong>da</strong><br />
agora anuncia<strong>da</strong>. O que deixa metade <strong>dos</strong> alunos do 3º<br />
ano de escolari<strong>da</strong>de de fora do programa. Convenhamos<br />
que é pouco e injusto. Na<strong>da</strong> condizente com o terceiro<br />
parágrafo do cap. 2 do programa do governo que me<br />
permito transcrever:<br />
“É fun<strong>da</strong>mental centrar as energias ao serviço <strong>dos</strong> be-<br />
neficiários do sistema educativo: os alunos. Não só do<br />
litoral, mas, também, os alunos do interior. Não só <strong>dos</strong><br />
integra<strong>dos</strong> em famílias esclareci<strong>da</strong>s e com meios, mas,<br />
também, <strong>da</strong>queles que menos apoios têm. Não só <strong>da</strong>s<br />
famílias que nasceram em Portugal, mas, também, de<br />
to<strong>da</strong>s aquelas que, vin<strong>da</strong>s de perto ou de longe, se<br />
integram na reali<strong>da</strong>de nacional.”<br />
Segun<strong>da</strong> questão: que professores irão ministrar esta<br />
disciplina nas escolas do 1º CEB? O programa não responde,<br />
mas pensamos que não será intenção do Governo<br />
propor a sua leccionação aos docentes do 1º CEB que<br />
não estão naturalmente prepara<strong>dos</strong> para isso. Ir-se-á pois<br />
recorrer aos colegas <strong>dos</strong> 2º e 3º ciclos.<br />
Esta questão leva-nos a outra mais profun<strong>da</strong> e menos<br />
debati<strong>da</strong>: o modelo de docência no primeiro ciclo de<br />
escolari<strong>da</strong>de. A escola do 1º CEB está alicerça<strong>da</strong> na<br />
monodocência e no professor polivalente que se desdobra<br />
em saberes e técnicas que se querem ca<strong>da</strong> vez<br />
mais diversifica<strong>da</strong>s e especializa<strong>da</strong>s. A organização<br />
curricular deste ciclo de Ensino inclui áreas disciplinares<br />
tão diversifica<strong>da</strong>s como: língua portuguesa, matemática,<br />
estudo do meio, expressões (artísticas e físico-motoras)<br />
e áreas curriculares não disciplinares como a área de<br />
projecto, o estudo acompanhado, a formação cívica e<br />
ain<strong>da</strong>, facultativamente, a educação moral e religiosa e<br />
as activi<strong>da</strong>des de enriquecimento, em que se destaca a<br />
iniciação a uma língua estrangeira. É demasiado para<br />
uma pessoa apenas com uma turma de 25 alunos mesmo<br />
tendo apenas uma ano de escolari<strong>da</strong>de. Entendemos<br />
pois que é tempo de introduzir práticas alternativas à<br />
monodocência. A FENPROF já há tempo que propõe a<br />
constituição de equipas educativas neste ciclo de ensino<br />
e curiosamente este programa de governo refere“…<br />
a constituição de equipas educativas e o reforço <strong>da</strong>s<br />
competências de ca<strong>da</strong> escola na gestão do seu pessoal<br />
docente…”. Será que estamos a falar do mesmo assunto?<br />
Segundo a FENPROF, “as equipas educativas de ca<strong>da</strong><br />
escola ou grupo de escolas devem ser constituí<strong>da</strong>s por<br />
um conjunto de professores profissionaliza<strong>dos</strong> para a<br />
docência no 1º Ciclo e com formações diferencia<strong>da</strong>s,<br />
por forma a <strong>da</strong>r resposta às necessi<strong>da</strong>des de organização<br />
pe<strong>da</strong>gógica e de cumprimento do currículo, que as
escolas, no quadro <strong>da</strong> sua autonomia, definiram como<br />
essenciais e prioritárias”.<br />
Uma outra vertente do programa do Governo refere que<br />
“a priori<strong>da</strong>de essencial na organização <strong>dos</strong> estabelecimentos<br />
de pré-escolar e escolas básicas será a<strong>da</strong>ptar os<br />
mo<strong>dos</strong> e tempos de funcionamento às necessi<strong>da</strong>des <strong>da</strong>s<br />
famílias”. Anunciando a intenção de colocar as escolas<br />
a funcionar a tempo inteiro com oferta de activi<strong>da</strong>des<br />
de complemento educativo, ocupação de tempos livres<br />
e apoio social.<br />
É inquestionável a necessi<strong>da</strong>de <strong>da</strong> institucionalização de<br />
uma resposta social de quali<strong>da</strong>de para as crianças que<br />
frequentam este ciclo de ensino. É necessário encontrar<br />
uma resposta para a ocupação <strong>dos</strong> tempos livres <strong>da</strong>s<br />
crianças e jovens em i<strong>da</strong>de escolar. De igual forma se<br />
coloca a necessi<strong>da</strong>de de dotar to<strong>da</strong>s as escolas do 1º<br />
Ciclo do Ensino Básico de serviço de refeições.<br />
Também neste campo a FENPROF apresentou em devido<br />
tempo propostas concretas:<br />
- a ocupação de tempos livres deve obedecer a requisitos<br />
nacionais de quali<strong>da</strong>de, nomea<strong>da</strong>mente quanto a espaços,<br />
equipamentos, pessoal com formação diferencia<strong>da</strong><br />
na área <strong>da</strong> animação sócio-educativa, horários e número<br />
de crianças por grupo.<br />
- as escolas do 1º Ciclo do Ensino Básico e as suas<br />
associações têm que passar a dispor de serviço de refeições.<br />
É inaceitável que este serviço passe por soluções<br />
improvisa<strong>da</strong>s sem quali<strong>da</strong>de e condições de salubri<strong>da</strong>de<br />
como tem acontecido em algumas regiões do país e que,<br />
de forma intolerável, os professores sejam desvia<strong>dos</strong> <strong>da</strong><br />
sua função educativa para realizar tarefas administrativas<br />
e outras. O financiamento, organização e acompanhamento<br />
deste serviço deve ser feito nos exactos termos em<br />
que ele ocorre noutros sectores de ensino.<br />
- A FENPROF jamais aceitará que aos professores seja<br />
solicita<strong>da</strong> intervenção nestes serviços de resposta às necessi<strong>da</strong>des<br />
<strong>da</strong>s famílias porque o conteúdo funcional <strong>da</strong><br />
sua profissão exige que a sua atenção e empenhamento<br />
devem estar volta<strong>da</strong>s (nas componentes lectiva e não<br />
lectiva do horário) para as activi<strong>da</strong>des curriculares.<br />
- É aos poderes central e local que cabe assegurar a<br />
resposta a esta crescente necessi<strong>da</strong>de <strong>da</strong>s famílias.<br />
Cabe aqui referir que as propostas <strong>da</strong> FENPROF para a<br />
direcção e gestão <strong>da</strong>s escolas avançam a necessi<strong>da</strong>de<br />
de criação de Conselhos Locais de <strong>Educação</strong> – enquanto<br />
órgãos de administração local do sistema educativo<br />
– que deveriam ter um importante papel na organização<br />
e administração destas activi<strong>da</strong>des.<br />
Para terminar gostaria de chamar a atenção para uma<br />
<strong>da</strong>s directrizes principais referi<strong>da</strong>s no programa do governo<br />
que determina a aplicação de programas de apoio<br />
à recuperação <strong>dos</strong> alunos com dificul<strong>da</strong>des na aprendizagem.<br />
Mais uma vez lembramos as posições <strong>da</strong> FENPROF:<br />
“A construção de uma escola ver<strong>da</strong>deiramente inclusiva<br />
passa pela formação especializa<strong>da</strong> <strong>dos</strong> docentes, pela<br />
Programa do Governo<br />
<strong>Educação</strong><br />
ESCOLA INFORMAÇÂO<br />
nº 196 . março 2005<br />
rede de parcerias públicas e pela criação de condições<br />
nas escolas para que respon<strong>da</strong>m adequa<strong>da</strong>mente a<br />
to<strong>da</strong>s as crianças e jovens com necessi<strong>da</strong>des educativas<br />
especiais, independentemente <strong>da</strong> sua natureza, e pela<br />
criação de lugares de quadro nas escolas”.<br />
Lembramos que com a revogação do Dec. Lei 35/88<br />
e a entra<strong>da</strong> em vigor do Dec. Lei 35/2002, foram as<br />
escolas do 1º CEB amputa<strong>da</strong>s de alguns mecanismos<br />
que lhes permitiam a criação de condições para responder<br />
mais eficazmente aos alunos com dificul<strong>da</strong>des de<br />
aprendizagem proporcionando-lhes mais meios humanos<br />
que aju<strong>da</strong>vam a desenvolver o processo de educação e<br />
aprendizagem.<br />
Estavam entre estas medi<strong>da</strong>s a criação de lugares docentes<br />
ao abrigo do nº 8 do artº 4º do Dec. Lei 35/88, as<br />
escolas de intervenção prioritária e os TEIPʼs. O ponto<br />
8 do artº 4º do Dec. Lei 35/88 determinava 1 professor<br />
de apoio para as escolas com mais de 4 turmas, 2 para<br />
as que tinham mais de 11 e 3 para as que tinham mais<br />
de 20.<br />
As escolas de intervenção prioritária e os TEIPʼs eram<br />
um <strong>dos</strong> mecanismos principais no combate ao insucesso<br />
escolar em escolas:<br />
- situa<strong>da</strong>s em zonas degra<strong>da</strong><strong>da</strong>s ou em locali<strong>da</strong>des cujo<br />
isolamento dificulta a fixação de professores;<br />
- frequenta<strong>da</strong>s por número significativo de alunos com<br />
dificul<strong>da</strong>des de aprendizagem, ina<strong>da</strong>pta<strong>dos</strong> ou portadoras<br />
de deficiência;<br />
- nas que se verifica um insucesso escolar sistemático;<br />
O Desp.119/ME/88 regulamentava o número de lugares<br />
docentes nestas escolas, o seu funcionamento e os apoios<br />
pe<strong>da</strong>gógicos e logísticos estabelecendo que o número de<br />
alunos por turma fosse no máximo 20.<br />
Tudo desapareceu e em sua substituição foi publicado,<br />
em 2004, o Desp. 8113-A que no seu ponto 5 determina<br />
que as escolas do 1º ciclo poderão criar lugares docentes<br />
de apoio mediante uma fórmula que se traduz num ratio<br />
de 1 docente para 334 alunos ou seja um professor de<br />
apoio para 14 turmas!!!<br />
Que vai fazer agora o novo Ministério <strong>da</strong> <strong>Educação</strong>?<br />
Esperamos que os princípios enuncia<strong>dos</strong> no Programa<br />
do XVII Governo Constitucional não sejam esqueci<strong>dos</strong> na<br />
prática do novo ME e que o 1º Ciclo do Ensino Básico<br />
deixe definitivamente de viver de promessas e seja alvo<br />
de uma reestruturação organiza<strong>da</strong> que permita que<br />
escolas e professores possam agir com eficácia, dispensando<br />
um atendimento ca<strong>da</strong> vez mais individualizado<br />
aos seus alunos, recorrendo mais intensamente a meios<br />
e processos que diluam as assimetrias sociais e as incapaci<strong>da</strong>des<br />
operacionais e motivem o processo educativo<br />
e de aprendizagem de alunos e professores.<br />
Bráulio Martins<br />
Coordenador do Departamento do 1º CEB do SPGL<br />
7
8<br />
Programa do Governo<br />
<strong>Educação</strong><br />
ESCOLA INFORMAÇÂO<br />
nº 196 . março 2005<br />
Dilemas <strong>da</strong>s políticas de <strong>Educação</strong><br />
Não existem metas,<br />
ou objectivos, mas ambições<br />
para a legislatura<br />
Eis aprovado, como era inevitável, o pro-<br />
grama do XVII governo <strong>da</strong> República, um<br />
governo com “preocupações sociais”, no<br />
dizer do seu responsável máximo.<br />
Nem de esquer<strong>da</strong>, nem de direita, mas<br />
com preocupações sociais.<br />
Não nos ilu<strong>da</strong>mos, que a isto estamos reduzi<strong>dos</strong>.<br />
É claro, mesmo para os mais distraí<strong>dos</strong>, que o<br />
espartilho <strong>da</strong> integração europeia – a que se<br />
não vislumbra qualquer cenário alternativo. num futuro<br />
previsível – relega para um plano de quase exercício<br />
académico qualquer velei<strong>da</strong>de de confronto ideológico<br />
entre projectos de socie<strong>da</strong>de. Na própria União se<br />
reflectem esses dilemas, entre a sua histórica tradição<br />
humanista e social e a pressão de uma globalização<br />
económica selvática, à qual demasiado se tem sacrificado.<br />
Esta rota não constitui uma fatali<strong>da</strong>de – o tempo<br />
histórico comprova que na<strong>da</strong> o foi, nunca –, mas é,<br />
indiscutivelmente, uma reali<strong>da</strong>de que ameaça perdurar.<br />
Alterar este percurso constitui um combate urgente para<br />
to<strong>dos</strong> aqueles que entendem que os esta<strong>dos</strong> devem<br />
existir, enquanto socie<strong>da</strong>des organiza<strong>da</strong>s, para propiciar<br />
aos seus membros a <strong>dos</strong>e de bem-estar e felici<strong>da</strong>de<br />
que o esforço comum tornar possível, e não apenas a<br />
sua afirmação na economia global enquanto empresa<br />
viável e lucrativa, para gozo e deleite de alguns e a<br />
escravização <strong>dos</strong> muitos.<br />
Daí que as experiências governativas <strong>dos</strong> últimos muitos<br />
anos, a despeito <strong>da</strong>s sucessivas alternâncias a que se<br />
tem assistido, em na<strong>da</strong> têm beliscado, sequer, os fun<strong>da</strong>mentos<br />
ideológicos que têm determinado o percurso <strong>da</strong><br />
Europa <strong>dos</strong> nossos dias - e que temos partilhado -, mas<br />
apenas acentuado, ora a omnipotência <strong>da</strong>s políticas<br />
economicistas, ora orientações mais caldea<strong>da</strong>s com as<br />
tais “preocupações sociais”.<br />
As políticas de educação têm seguido, com as devi<strong>da</strong>s<br />
flutuações, estes princípios, ora no sentido de uma maior<br />
selectivi<strong>da</strong>de e elitismo, ora na linha de uma escola mais<br />
inclusiva e abrangente. Têm, no entanto, persistido o<br />
desinvestimento no sistema público, nomea<strong>da</strong>mente em<br />
detrimento <strong>da</strong> sua contraparti<strong>da</strong> no sector privado, as<br />
progressivas restrições nos meios humanos e materiais à<br />
disposição <strong>da</strong>s escolas, as medi<strong>da</strong>s de “racionalização”<br />
de recursos que, frequentemente à revelia de quaisquer<br />
preocupações com a eficácia do sistema e com a quali<strong>da</strong>de<br />
do serviço prestado, fortemente indiciam, como<br />
intuito último, o <strong>da</strong> redução de custos, à sombra do<br />
quase sagrado princípio <strong>da</strong> imprescindível “redução<br />
do peso do Estado”.<br />
A falta de vontade do poder político - se não a incapaci<strong>da</strong>de<br />
- de concertar um percurso estratégico para<br />
o sistema de ensino não superior, e de ajustar a oferta<br />
educativa às necessi<strong>da</strong>des de uma socie<strong>da</strong>de à altura<br />
<strong>dos</strong> desafios de hoje, levou progressivamente à situação<br />
actual de degra<strong>da</strong>ção e ao sentimento de descrédito<br />
generalizado, bem como à desmotivação que grassa<br />
entre os agentes educativos e inquina o sistema ain<strong>da</strong><br />
mais.<br />
O diagnóstico é amplamente partilhado. É imperioso<br />
traçar um rumo para o sistema, remover os escolhos que<br />
entravam o seu desenvolvimento, contrariar, na prática,<br />
a visão negativa que a socie<strong>da</strong>de tem hoje <strong>da</strong> escola e<br />
<strong>dos</strong> agentes educativos, restaurar a autori<strong>da</strong>de – que<br />
não o autoritarismo - <strong>da</strong> escola e <strong>dos</strong> docentes e promover<br />
a consciência de que o sistema constitui o próprio<br />
cimento <strong>da</strong> construção <strong>da</strong> socie<strong>da</strong>de do futuro.
O programa do actual governo constitui, neste particular,<br />
um texto interessante, com uma identificação<br />
precisa <strong>dos</strong> principais problemas, embora o carácter<br />
delibera<strong>da</strong>mente genérico <strong>da</strong>s formulações não permita<br />
uma antevisão mais precisa <strong>da</strong>s políticas que irão<br />
concretizá-lo. Isso é expressamente assumido no texto,<br />
e constitui o mais sério entrave a qualquer tentativa de<br />
apreciação crítica, ou de antevisão <strong>da</strong>s medi<strong>da</strong>s práticas<br />
que <strong>da</strong>rão forma à política futura do governo nesta área.<br />
Não existem metas, ou objectivos, mas “ambições” para<br />
a legislatura. Ambições nobres, reconheça-se.<br />
Desde logo, não podemos senão sau<strong>da</strong>r, como altamente<br />
positiva, a intenção expressa de defender e valorizar<br />
o serviço público de educação, aberto a to<strong>dos</strong>, como<br />
forma de “avançar no caminho <strong>da</strong> inclusão e <strong>da</strong> igual<strong>da</strong>de<br />
de oportuni<strong>da</strong>des”.<br />
Nesta mesma linha, são, igualmente, de sau<strong>da</strong>r as<br />
intenções de alargamento <strong>da</strong> rede de educação préescolar<br />
e consoli<strong>da</strong>ção <strong>da</strong> universali<strong>da</strong>de do ensino<br />
básico de nove anos, além de perspectivar a extensão<br />
<strong>da</strong> chama<strong>da</strong> “educação fun<strong>da</strong>mental” até ao final <strong>da</strong><br />
formação de nível secundário, para as crianças e jovens<br />
em i<strong>da</strong>de adequa<strong>da</strong>. Não são esqueci<strong>dos</strong>, no processo,<br />
aqueles que, pelas mais diversas razões, não concluíram<br />
qualquer formação equiparável ao nono ano de escolari<strong>da</strong>de,<br />
prevendo-se uma “atenção particular” para as<br />
necessi<strong>da</strong>des destes jovens e adultos. Esta preocupação<br />
assume uma importância particular, conhecendo-se o<br />
processo de contracção <strong>da</strong> rede de oferta de segun<strong>da</strong><br />
oportuni<strong>da</strong>de que tem caracterizado os últimos anos<br />
de governo.<br />
As preocupações expressas com o fenómenos do insucesso<br />
e abandonos escolares são também adequa<strong>da</strong>mente<br />
salienta<strong>da</strong>s, o que é positivo, merecendo referência, por<br />
exemplo, a intenção de proceder a uma reavaliação e<br />
reformulação <strong>dos</strong> processos <strong>da</strong> revisão curricular do<br />
ensino secundário, assim como a promoção de uma<br />
maior diversificação <strong>dos</strong> percursos educativos, através<br />
de uma melhor articulação de cursos gerais, tecnológicos<br />
e profissionais. É também relevante a intenção de<br />
rever o sistema de avaliação <strong>dos</strong> alunos. Ver-se-á em<br />
que resultarão, na prática, essas iniciativas.<br />
São ain<strong>da</strong> salienta<strong>dos</strong> os aspectos relaciona<strong>dos</strong> com<br />
a administração e gestão escolares, com relevância<br />
para a constituição de agrupamentos e a participação<br />
<strong>da</strong> comuni<strong>da</strong>de nas escolas. Quanto ao primeiro, e<br />
sendo certo que a necessi<strong>da</strong>de de racionalização <strong>dos</strong><br />
recursos é um imperativo que ninguém se atreve hoje a<br />
ignorar, parece óbvia a urgência de repensar os critérios<br />
de constituição de muitos deles. A preponderância<br />
<strong>dos</strong> critérios “subordina<strong>dos</strong> às finali<strong>da</strong>des educativas”,<br />
prometido no texto, merece o aplauso e a memória<br />
atenta <strong>dos</strong> docentes. Quanto ao segundo aspecto, parece<br />
excessivamente optimista considerar que o regime<br />
Programa do Governo<br />
<strong>Educação</strong><br />
ESCOLA INFORMAÇÂO<br />
nº 196 . março 2005<br />
actualmente em vigor tenha propiciado uma maior ou<br />
melhor articulação entre a escola e a comuni<strong>da</strong>de. A<br />
democracia formal é apenas isso, formal. Não deveria<br />
considerar-se satisfatório o plano legislativo, quando a<br />
prática frequentemente contradiz a pretensa eficácia<br />
do sistema.<br />
Um outro aspecto que merece particular relevo é a intenção<br />
de estabelecer, para os educadores e professores,<br />
perfis de formação, inicial e contínua, e de implementar<br />
um plano nacional de formação de professores. Não se<br />
duvi<strong>da</strong> <strong>da</strong> necessi<strong>da</strong>de de repensar esses processos, e<br />
eles aju<strong>da</strong>riam, não só a adequar melhor as competências<br />
profissionais às necessi<strong>da</strong>des de hoje, mas também<br />
a circunscrever, com maior precisão, o próprio conteúdo<br />
funcional <strong>da</strong> profissão.<br />
Isto revela-se tão mais importante, quando é certo que se<br />
tem assistido, na prática <strong>da</strong>s escolas, a um alargamento<br />
sucessivo <strong>da</strong>s áreas de intervenção <strong>dos</strong> professores<br />
e educadores a extremos totalmente inaceitáveis. Os<br />
docentes carecem <strong>da</strong> formação adequa<strong>da</strong> para muitas<br />
exigências que actualmente lhes são impostas, além de<br />
que, exactamente porque elas extravasam o âmbito<br />
<strong>da</strong>s suas funções e se impõem como incontornáveis,<br />
deveriam pressupor a presença, nas escolas, de profissionais<br />
qualifica<strong>dos</strong> para responder a essas solicitações<br />
de forma adequa<strong>da</strong>.<br />
Um alerta, ain<strong>da</strong> neste âmbito, para as sugestões feitas<br />
no sentido de “a<strong>da</strong>ptar os mo<strong>dos</strong> e tempos de funcionamento<br />
às necessi<strong>da</strong>des <strong>da</strong>s famílias” , a<strong>da</strong>ptação<br />
que pode resvalar, com relativa facili<strong>da</strong>de, para a<br />
tentação de transformar os educadores e professores<br />
em “guar<strong>da</strong>dores de rebanhos”, o que, certamente, não<br />
constitui sua vocação.<br />
Uma parágrafo final para a intenção de promover mecanismos<br />
de avaliação do sistema, <strong>da</strong>s escolas e <strong>dos</strong><br />
docentes. A declaração crítica expressa relativamente<br />
às malfa<strong>da</strong><strong>da</strong>s listas de graduação <strong>da</strong>s escolas secundárias,<br />
que não passam de um exercício de demagogia<br />
fácil com uma marca ideológica clara, merece claramente<br />
uma sau<strong>da</strong>ção. Trata-se do reconhecimento de<br />
que o binómio desempenho / resulta<strong>dos</strong> é sempre uma<br />
equação complexa em que intervêm uma plurali<strong>da</strong>de<br />
de factores que ultrapassam largamente aquilo que a<br />
circunstância de uma classificação final podem traduzir.<br />
É imperioso que a concretização legislativa supere a<br />
tradicional obsessão do quantitativo e do critério meramente<br />
administrativo, e se assuma a diversi<strong>da</strong>de <strong>da</strong>s<br />
reali<strong>da</strong>des e <strong>da</strong>s soluções. Uma cultura de avaliação<br />
interessa a to<strong>dos</strong> os intervenientes no processo, apenas<br />
na condição de que constitua um contributo válido para<br />
o aperfeiçoamento <strong>da</strong>s soluções.<br />
Aguar<strong>da</strong>mos, expectantes.<br />
Luís Viana<br />
Esc. Sec. Dr. António Carvalho Figueiredo<br />
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Programa do Governo<br />
<strong>Educação</strong><br />
ESCOLA INFORMAÇÂO<br />
nº 196 . março 2005<br />
Ensino Superior e Investigação<br />
Comentários ao Programa<br />
do Governo<br />
1. O Financiamento e a Aplicação<br />
do Processo de Bolonha<br />
A aplicação do Processo de Bolonha encontra-se inquina<strong>da</strong><br />
pela forte desconfiança <strong>da</strong>s instituições de que será<br />
aproveita<strong>da</strong> para reduzir a responsabili<strong>da</strong>de do Estado<br />
pelo financiamento do Ensino Superior. De facto, a orientação<br />
do Governo anterior era a de forçar a duração do<br />
1º ciclo o mais possível a ser de 3 anos (exceptuando os<br />
casos de formações destina<strong>da</strong>s ao exercício de profissões<br />
regulamenta<strong>da</strong>s), o que, apesar <strong>da</strong>s tentativas <strong>da</strong> Ministra<br />
para tranquilizar as instituições de ensino superior, levou a<br />
que se criasse a convicção de que iriam ser exigi<strong>da</strong>s aos<br />
alunos propinas de mestrado (hoje de montantes muito<br />
eleva<strong>dos</strong> – <strong>da</strong> ordem do custo real) se desejassem frequentar<br />
o 2º ciclo. Como este 2º ciclo irá ter, em muitos casos,<br />
grandes sobreposições com os anos terminais <strong>da</strong>s actuais<br />
licenciaturas, no que se refere a objectivos formativos,<br />
uma situação destas corresponderia a transferir para os<br />
estu<strong>da</strong>ntes e para as suas famílias os custos <strong>da</strong>quilo que<br />
hoje o Estado já suporta.<br />
A este respeito, o Programa do Governo, apesar de referir<br />
que “as universi<strong>da</strong>des e os politécnicos terão a garantia<br />
de que a passagem para uma estrutura em dois ciclos de<br />
estu<strong>dos</strong> não representará, por si só, diminuição do funcionamento<br />
público disponível”, deixa algumas dúvi<strong>da</strong>s porque<br />
mais adiante refere o compromisso de “não aumentar,<br />
a preços constantes, o valor <strong>da</strong>s propinas de frequência<br />
do primeiro ciclo e adequar o valor <strong>da</strong>s propinas à nova<br />
natureza do 2º ciclo”.<br />
Uma leitura benevolente deste compromisso pode levar a<br />
concluir-se que as propinas do 2º ciclo serão tais que os<br />
custos acresci<strong>dos</strong> que provenham de uma procura do 2º<br />
ciclo superior àquela que actualmente se verifica nos mestra<strong>dos</strong><br />
serão pagos pelos estu<strong>da</strong>ntes e pelas suas famílias,<br />
através de propinas mais eleva<strong>da</strong>s do que as do 1º ciclo,<br />
mas ain<strong>da</strong> assim mais baixas do que as actualmente pratica<strong>da</strong>s<br />
nos mestra<strong>dos</strong>. Isto é, as “poupanças” feitas com a<br />
redução <strong>da</strong> duração <strong>dos</strong> cursos de licenciatura serviriam<br />
para financiar uma redução <strong>da</strong>s propinas no 2º ciclo, relativamente<br />
às hoje em vigor nos mestra<strong>dos</strong>.<br />
Ora, se esta é a proposta do Governo – e conviria que<br />
houvesse uma clarificação – ela não se coaduna com a necessi<strong>da</strong>de<br />
de alargar e democratizar o acesso ao 2º ciclo,<br />
pois a elevação do valor <strong>da</strong>s propinas na passagem do 1º<br />
para o 2º ciclo irá afastar muitos alunos do prosseguimento<br />
<strong>dos</strong> estu<strong>dos</strong>. É, aliás, interessante verificar que Bolonha<br />
acentua a sequência: 1º, 2º ciclo – e não licenciatura,<br />
mestrado – com a ideia de que o 2º ciclo completa o 1º.<br />
Portanto, um estu<strong>da</strong>nte, logo após ter terminado o 1º ciclo,<br />
ou depois de algum tempo a trabalhar, irá frequentar o<br />
2º ciclo, eventualmente noutra instituição do país ou do<br />
estrangeiro.<br />
A Declaração de Bolonha aponta assim claramente no<br />
sentido do acentuar a tendência para a universalização<br />
do acesso ao ensino superior, tanto no que se refere ao<br />
1º ciclo, como, especialmente, ao 2º ciclo de estu<strong>dos</strong>. Este<br />
desiderato, conforme aos objectivos <strong>da</strong> “Estratégia de<br />
<strong>Lisboa</strong>”, é fun<strong>da</strong>mental para a elevação <strong>da</strong> qualificação<br />
<strong>da</strong> nossa população activa e para o desenvolvimento<br />
cultural, social e económico sustentável do país. Ele não<br />
será atingível sem que o Estado se responsabilize pelo<br />
financiamento do Ensino Superior Público, em particular<br />
pelos dois ciclos de estu<strong>dos</strong>, sob pena de se acentuarem<br />
os efeitos muito negativos, já denuncia<strong>dos</strong> por responsáveis<br />
<strong>da</strong>s instituições, de que o aumento <strong>da</strong>s propinas, concretizado<br />
pelo 1º Governo PSD/PP, levou milhares de alunos<br />
a abandonarem os seus estu<strong>dos</strong>, ou a terem que passar à<br />
situação de estu<strong>da</strong>ntes-trabalhadores.<br />
Uma importante questão, relativamente à qual não há<br />
qualquer compromisso no Programa do Governo, é a<br />
<strong>da</strong> desejável eliminação do conteúdo do Programa de<br />
Estabili<strong>da</strong>de e Crescimento, que o Governo terá que apresentar<br />
em Bruxelas no próximo mês de Maio, <strong>da</strong> cláusula<br />
que afirma que não haverá, até 2007, qualquer aumento<br />
nominal de financiamento para o ensino superior. Esta limitação,<br />
a persistir, levantará as mais sérias dúvi<strong>da</strong>s sobre<br />
o efectivo empenho do Governo neste sector estratégico<br />
para o desenvolvimento do país, pois significará a certeza<br />
do prosseguimento de uma acentua<strong>da</strong> redução em termos<br />
reais <strong>dos</strong> recursos disponíveis.<br />
Ain<strong>da</strong> quanto a Bolonha, anote-se como potencialmente<br />
muito positiva a posição expressa no Programa de que<br />
será seguido “o modelo de organização por ciclos, com<br />
um primeiro ciclo de estu<strong>dos</strong> de duração não inferior a seis<br />
semestres”. Se isto significar que o Governo não irá forçar<br />
as instituições a reduzirem a duração <strong>dos</strong> seus cursos de<br />
licenciatura, obrigando-as a uniformizar essa duração ao
mínimo proposto por Bolonha (3 anos), independentemente<br />
<strong>da</strong>s necessi<strong>da</strong>des impostas pelos objectivos culturais, científicos<br />
e profissionais <strong>da</strong>s formações (defini<strong>dos</strong> com audição<br />
de representantes <strong>da</strong> socie<strong>da</strong>de nelas interessa<strong>dos</strong>), e <strong>da</strong>s<br />
limitações <strong>da</strong> formação com que os alunos ingressam do<br />
secundário, então estaremos no bom caminho. O SPGL e<br />
a FENPROF têm vindo a bater-se por isso e continuarão<br />
a fazê-lo.<br />
2. A Quali<strong>da</strong>de e o Futuro do Sistema<br />
de Ensino Superior<br />
É positivo que no Programa do Governo tenha caído o<br />
entusiasmo apologético que transparecia no Programa do<br />
PS quanto ao sistema binário (universi<strong>da</strong>des/politécnicos):<br />
“O PS é favorável ao sistema binário”. O Programa afirma<br />
uma posição que se aproxima muito <strong>da</strong> posição que<br />
o SPGL e a FENPROF têm defendido, ao referir valorizar<br />
“a articulação entre instituições com missões distintas<br />
e funções diversifica<strong>da</strong>s”, e ao defender que “a coexistência<br />
de formações e ambientes de ensino e pesquisa<br />
de perfil típico <strong>da</strong>queles tradicionalmente associa<strong>dos</strong> a<br />
universi<strong>da</strong>des e de perfil tradicionalmente associado a<br />
politécnicos constitui uma riqueza de que não devemos<br />
abdicar”. O Programa refere logo depois: “mas isso deve<br />
ser conseguido garantindo o relacionamento mais estreito<br />
entre os subsistemas universitário e politécnico, valorizando<br />
a excelência em ambos”, o que pode ser uma forma<br />
mitiga<strong>da</strong> de o Governo dizer que pretende perpetuar a<br />
existência e a separação <strong>dos</strong> subsistemas, embora com<br />
um relacionamento mais estreito, orientação que difere<br />
<strong>da</strong> que o SPGL e a FENPROF têm defendido, não no que<br />
concerne à cooperação institucional que têm advogado e<br />
às exigências <strong>da</strong> sua quali<strong>da</strong>de, mas no que se refere à<br />
proposta que de há muito fazem de se caminhar para um<br />
sistema integrado e diversificado.<br />
Deve registar-se, no entanto, como especialmente positivo,<br />
aquilo que se diz imediatamente a seguir: “Em particular,<br />
a possibili<strong>da</strong>de de concessão de graus deixará de estar<br />
fixa<strong>da</strong> por critérios unicamente administrativos, para passar<br />
a depender <strong>da</strong> satisfação de requisitos, exigentes e<br />
comuns, de quali<strong>da</strong>de”.<br />
Este compromisso coincide com aquilo que o SPGL e a<br />
FENPROF vêm reclamando há muito. Resta saber se o<br />
Governo vai ou não atribuir condições de igual<strong>da</strong>de<br />
de oportuni<strong>da</strong>des, designa<strong>da</strong>mente no que se refere a<br />
financiamento, às instituições universitárias e politécnicas,<br />
para se desenvolverem com quali<strong>da</strong>de e relevância social<br />
acresci<strong>da</strong>s. É fun<strong>da</strong>mental que seja posta em prática uma<br />
política de discriminação positiva e de incentivos à quali<strong>da</strong>de,<br />
basea<strong>da</strong> em processos transparentes de prestação<br />
de contas e de avaliação com critérios adequa<strong>dos</strong> e amplamente<br />
partilha<strong>dos</strong>.<br />
Quanto ao Ensino Superior Particular e Cooperativo<br />
(ESPC), o Programa do Governo é substancialmente<br />
omisso. Para além <strong>da</strong> ideia geral de apoio a iniciativas<br />
priva<strong>da</strong>s no ensino superior, surge apenas a afirmação de<br />
Programa do Governo<br />
<strong>Educação</strong><br />
ESCOLA INFORMAÇÂO<br />
nº 196 . março 2005<br />
que “o Ministério <strong>da</strong> tutela deve zelar pelo cumprimento<br />
<strong>dos</strong> requisitos de quali<strong>da</strong>de para cursos e instituições e<br />
<strong>da</strong> responsabili<strong>da</strong>de própria <strong>da</strong>s instituições priva<strong>da</strong>s face<br />
aos seus alunos”. Espera-se que esta afirmação de cumprimento<br />
<strong>da</strong>s funções de regulação que, note-se, se deve<br />
aplicar igualmente ao Ensino Superior Público, seja para<br />
levar a sério e não persista a atitude de omissão que na<br />
prática tem representado cumplici<strong>da</strong>de para com a falta<br />
de quali<strong>da</strong>de e para com inúmeros atropelos à legali<strong>da</strong>de<br />
que se têm verificado.<br />
3. A Situação Profissional <strong>dos</strong> Docentes<br />
Regista-se como muito negativo o facto de na<strong>da</strong> se referir<br />
quanto ao corpo docente do ensino particular e cooperativo<br />
que continua a ser tratado de forma prepotente<br />
e indigna por muitas enti<strong>da</strong>des instituidoras do ESPC. O<br />
Programa na<strong>da</strong> adianta quanto às exigências que o SPGL<br />
e a FENPROF têm apresentado relativamente à existência<br />
em to<strong>da</strong>s as instituições de corpos docentes próprios,<br />
adequa<strong>da</strong>mente qualifica<strong>dos</strong>, com uma carreira docente<br />
paralela à <strong>dos</strong> docentes do Ensino Superior Público (exigência<br />
<strong>da</strong> própria lei que não é cumpri<strong>da</strong>) e com condições<br />
dignas de contratação e de vinculação estável. Sem que<br />
estas exigências sejam contempla<strong>da</strong>s é ilusório falar-se<br />
de que se vai “zelar pelo cumprimento <strong>dos</strong> requisitos de<br />
quali<strong>da</strong>de”.<br />
No Ensino Superior Público, o Programa, embora refira a<br />
intenção de rever os estatutos de carreira com o objectivo<br />
de “estabelecer um único estatuto que acolha perfis docentes<br />
diversifica<strong>dos</strong>, mas com equivalência no topo <strong>da</strong><br />
carreira, que premeie o bom desempenho em to<strong>da</strong>s as<br />
dimensões <strong>da</strong> profissão docente e que facilite a mobili<strong>da</strong>de<br />
entre os diversos perfis e instituições, entre carreiras<br />
docente e de investigação e entre carreiras académicas<br />
e activi<strong>da</strong>des profissionais fora do ensino”, na<strong>da</strong> aponta<br />
para a correcção <strong>dos</strong> graves problemas <strong>da</strong> precarie<strong>da</strong>de<br />
de emprego e do estrangulamento <strong>dos</strong> quadros.<br />
Quanto à valorização nas carreiras docentes <strong>da</strong> vertente<br />
pe<strong>da</strong>gógica essa tem sido também uma proposta defendi<strong>da</strong><br />
pelo SPGL e pela FENPROF.<br />
4. Ciência e Investigação<br />
Quanto à ciência e à investigação, sector onde surgem os<br />
compromissos mais quantifica<strong>dos</strong>, o Programa é bastante<br />
ambicioso no que se refere a investimento, a crescimento do<br />
número de doutora<strong>dos</strong> e a aumento do emprego científico,<br />
sendo por isso positivo. Fica contudo a dúvi<strong>da</strong> sobre se o<br />
desenvolvimento económico e social do país vai permitir<br />
alcançar as metas que dele dependem e que se inserem<br />
na concretização <strong>da</strong> “Estratégia de <strong>Lisboa</strong>”, mesmo já<br />
depois <strong>da</strong> redução que levou na sua inicial ambição. A<br />
este respeito, não será apenas o MCIES que ficará sob<br />
escrutínio, mas o Governo como um todo.<br />
João Cunha Serra<br />
Coordenador do Departamento do Ensino<br />
Superior do SPGL e <strong>da</strong> FENPROF<br />
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Programa do Governo<br />
<strong>Educação</strong><br />
ESCOLA INFORMAÇÂO<br />
nº 196 . março 2005<br />
Manifesto<br />
Por uma efectiva política<br />
nacional de emprego científico<br />
Poucos temas recolherão hoje tão amplo consenso<br />
como a necessi<strong>da</strong>de de criação de emprego científico.<br />
A sua promoção é frequentemente considera<strong>da</strong><br />
condição essencial para o desenvolvimento nacional e<br />
para a superação do nosso atraso estrutural. Contudo,<br />
no plano <strong>da</strong> resposta concreta a esta imperiosa necessi<strong>da</strong>de,<br />
tem persistido uma preocupante ausência de<br />
políticas e de medi<strong>da</strong>s concretas, de fundo, que alterem<br />
a actual situação de franca carência.<br />
A questão do emprego científico, <strong>da</strong> sua escassez e precarie<strong>da</strong>de,<br />
muito mais do que um problema individual<br />
- <strong>dos</strong> licencia<strong>dos</strong>, mestres e doutores que o procuram<br />
uma vez termina<strong>da</strong> a sua formação académica - é,<br />
pela sua dimensão e significado, um grave problema<br />
nacional.<br />
O desperdício de recursos humanos e do “saber fazer”<br />
que decorre de um sistema de formação avança<strong>da</strong> sem<br />
correspondência com um adequado sistema de inserção<br />
profissional terá consequências particularmente penosas<br />
num país, como Portugal, reconheci<strong>da</strong>mente carente de<br />
quadros e de uma estratégia de desenvolvimento harmonioso<br />
e sustentável, que promova a inovação, assente<br />
no investimento na ciência e na tecnologia como factor<br />
decisivo de progresso.<br />
Na resolução deste problema, impõe-se a adopção de<br />
políticas pró-activas de promoção do emprego científico.<br />
Políticas que reforcem as oportuni<strong>da</strong>des de emprego<br />
existentes e que apostem au<strong>da</strong>ciosa e decidi<strong>da</strong>mente<br />
na criação de novas oportuni<strong>da</strong>des e mecanismos de<br />
atracção e inserção profissional de jovens qualifica<strong>dos</strong><br />
nas mais diversas áreas do conhecimento e do saber.<br />
De entre as medi<strong>da</strong>s necessárias - nas quais se incluem<br />
algumas <strong>da</strong>s recomen<strong>da</strong>ções constantes de inúmeros<br />
estu<strong>dos</strong> e pareceres, quer globais quer sectoriais, nacionais<br />
e internacionais, realiza<strong>dos</strong> nos últimos anos,<br />
- destacamos:<br />
. A criação de mecanismos de financiamento que permitam<br />
a contratação de pessoal pelas uni<strong>da</strong>des de I&D; as<br />
necessi<strong>da</strong>des de pessoal inerentes ao desenvolvimento<br />
<strong>dos</strong> projectos de investigação, sempre que de natureza<br />
temporária, deverão ser preenchi<strong>da</strong>s com recurso à<br />
figura do contrato de trabalho e não utilizando abusivamente<br />
bolseiros de investigação, como hoje sucede;<br />
. A integração de jovens investigadores, docentes e<br />
técnicos nos quadros de pessoal <strong>da</strong>s Universi<strong>da</strong>des e<br />
demais instituições de ensino superior e Laboratórios do<br />
Estado, com o descongelamento de novas admissões<br />
e o preenchimento de vagas existentes e a criar (na<br />
sequência, sublinhe-se, <strong>da</strong>s recomen<strong>da</strong>ções feitas pelos<br />
painéis externos de avaliação destas instituições);<br />
. O reforço do papel destas instituições no apoio ao<br />
delinear de políticas públicas, nomea<strong>da</strong>mente ao nível<br />
sectorial, e a criação de “interfaces” com o sector produtivo,<br />
a indústria e o tecido empresarial, promovendo<br />
a transferência do conhecimento produzido nestas instituições,<br />
demonstrando a utili<strong>da</strong>de <strong>da</strong> sua integração na<br />
activi<strong>da</strong>de <strong>da</strong>s empresas, despertando as necessi<strong>da</strong>des<br />
hoje não senti<strong>da</strong>s pela generali<strong>da</strong>de <strong>dos</strong> empresários;<br />
. A continuação e ampliação do apoio à inserção profissional<br />
de pós-gradua<strong>dos</strong> nas empresas, nomea<strong>da</strong>mente<br />
financiando os custos de pessoal numa fase inicial e a<br />
concessão de outros incentivos financeiros, incluindo<br />
incentivos fiscais, às empresas que empreguem mestres<br />
e doutores;<br />
. O reforço <strong>dos</strong> mecanismos de apoio e incentivo à criação<br />
de empresas que contribuam para o lançamento de<br />
novos produtos processos ou serviços, por licencia<strong>dos</strong>,<br />
mestres e doutores;<br />
. A promoção do emprego científico em associação a<br />
áreas de grandes investimentos públicos, em grandes<br />
empresas públicas ou com participação estatal;<br />
. A abertura <strong>da</strong> administração pública à inovação, com<br />
integração de pessoal qualificado (e não apenas de mais<br />
bolseiros), incluindo mestres e doutores, nos vários organismos<br />
e enti<strong>da</strong>des <strong>da</strong> administração central e local.<br />
Consideramos que a situação de bloqueio que enfrentamos<br />
torna imperiosa a definição de uma estratégia<br />
de desenvolvimento nacional que se apoie e articule,<br />
entre outras, com uma ver<strong>da</strong>deira política científica.<br />
Esta, por sua vez, e reafirmamo-lo, não será possível<br />
senão sustenta<strong>da</strong> por políticas de emprego científico<br />
consequentes e pela dignificação <strong>da</strong>s condições de<br />
prestação do trabalho científico.<br />
Ver: www.bolseiros.org/peticao_1.html<br />
ABIC<br />
Associação de Bolseiros de Investigação Científica
A «Arca» <strong>dos</strong> «papéis»<br />
<strong>da</strong> professora Inês Cosme<br />
Peço desculpa por não ter avisado mais cedo, mas só um TAC que fiz de urgência<br />
no Sábado revelou a natureza do meu problema de saúde [...]. Estou muito preo-<br />
cupa<strong>da</strong> com os meus alunos de 12º [...]. Peço o favor de entregarem as pastas <strong>dos</strong><br />
portfolios às alunas [...] para que elas os devolvam aos colegas. [...] Lembro tam-<br />
bém que os alunos vêm expressamente para as aulas de Português (3ª e 4ª, creio),<br />
pelo que é importante avisá-los já hoje <strong>da</strong> situação.<br />
A<br />
preocupação com os seus alunos, bem<br />
evidencia<strong>da</strong> neste excerto <strong>da</strong> sua última<br />
carta aos órgãos <strong>da</strong> Escola onde<br />
era professora, constituiria desde sempre<br />
o vector determinante do percurso<br />
profissional de Inês Cosme. Por essa<br />
mesma preocupação, não chegaria<br />
a concretizar o projecto de um ano sabático, em que<br />
se propunha organizar, com enquadramento crítico e<br />
teórico, os materiais construí<strong>dos</strong> para os seus alunos<br />
ao longo de trinta e dois anos de ensino (é que havia<br />
sempre uma turma à beira do exame, uma turma que<br />
ela não tinha o direito de abandonar naquele momento<br />
do percurso...). E deste modo, a escola portuguesa não<br />
pôde contar com a reflexão desta professora sobre a sua<br />
experiência, que traria certamente contributos valiosos<br />
tanto para o ensino do Português como para o combate<br />
ao insucesso escolar.<br />
Mas, mesmo assim, e em particular neste tempo em que<br />
tantos parecem aposta<strong>dos</strong> em desacreditar o ensino<br />
público e em promover políticas elitistas, vale a pena<br />
procurar conhecer a praxis pe<strong>da</strong>gógica de Inês Cosme;<br />
com efeito, o seu percurso é, ao avesso de tais perspectivas,<br />
uma luta sem tréguas, e não raro vencedora,<br />
por uma prática docente investi<strong>da</strong> na concretização<br />
de uma escola pública de quali<strong>da</strong>de, democrática e<br />
inclusiva. É certo que, face à carência de condições do<br />
nosso ensino, tal objectivo foi sempre por ela atingido à<br />
custa de um esforço pessoal quase gigantesco, seja na<br />
formação e actualização próprias, seja na construção e<br />
aperfeiçoamento de materiais didácticos, seja na criação<br />
de estruturas de apoio a alunos com dificul<strong>da</strong>des de<br />
aprendizagem, seja ain<strong>da</strong> na participação empenha<strong>da</strong><br />
em várias equipas pe<strong>da</strong>gógicas, dentro e fora <strong>da</strong><br />
escola... Um esforço de tal modo desproporcionado<br />
com o que por norma os professores despendem, que<br />
somos leva<strong>dos</strong> a questionar, face a tal trabalho, o nosso<br />
entendimento <strong>da</strong> função do professor e <strong>da</strong> função <strong>da</strong><br />
MARÇO 2005 . ESCOLA INFORMAÇÃO . 13
escola. É que, pelo rigor que punha na construção <strong>da</strong>s<br />
respostas às necessi<strong>da</strong>des <strong>dos</strong> alunos (necessi<strong>da</strong>des<br />
que Inês Cosme nunca iludia), a sua prática docente<br />
foi desenvolvendo conteú<strong>dos</strong> funcionais de certo modo<br />
inovadores e que, pertencendo, inquestionavelmente,<br />
à escola de hoje, podem estar, ou não, para além <strong>da</strong><br />
obrigação individual de um professor.<br />
Por tudo isto, é de sau<strong>da</strong>r a iniciativa <strong>da</strong> Civitas,<br />
Associação de Defesa e Promoção <strong>dos</strong> Direitos <strong>dos</strong><br />
Ci<strong>da</strong>dãos, ao propor-se criar, no seu Centro de Estu<strong>dos</strong><br />
e Recursos de Literatura e Literacia, sedeado na<br />
Escola Marquês de Pombal, em <strong>Lisboa</strong>, um espaço<br />
para acolher os materiais didácticos de Inês Cosme. E<br />
é de sau<strong>da</strong>r fun<strong>da</strong>mentalmente porque, ao promover o<br />
conhecimento de um modelo de prática docente de tão<br />
exigente profissionalismo, vai por certo contribuir para<br />
que, entre os professores portugueses, se aprofunde um<br />
debate necessário: o debate em torno <strong>da</strong>s questões de<br />
deontologia profissional.<br />
São muitos e diversos os «papéis» que Inês Cosme<br />
nos deixou, na sua maior parte, material construído<br />
para os alunos – fichas de trabalho, de avaliação,<br />
de registos vários, referentes sobretudo ao ensino e à<br />
aprendizagem do Português em turmas do secundário<br />
–, escasseando neste domínio os textos de reflexão ou<br />
de cariz teórico. A par destes «papéis», outros há, relativos<br />
nomea<strong>da</strong>mente a projectos de que foi autora e<br />
co-autora, e, nesses, a argumentação convoca relevante<br />
fun<strong>da</strong>mentação teórica.<br />
No entanto, apesar de, logicamente, não ser explicitado<br />
o enquadramento teórico nos dispositivos e instrumentos<br />
de gestão construí<strong>dos</strong> para as aulas de Português,<br />
aquele existe sempre: os «papéis» que Inês Cosme nos<br />
deixou documentam, na sua simplici<strong>da</strong>de funcional,<br />
práticas e opções assentes em abun<strong>da</strong>nte leitura e muita<br />
reflexão.<br />
Achei que valia a pena tentar fixar, em registo mesmo<br />
lacunar, aspectos do trabalho pe<strong>da</strong>gógico de Inês Cosme,<br />
que considero rico de ensinamentos para o aqui e<br />
agora nossos. Sem a pretensão de o explicar em to<strong>dos</strong><br />
os seus fun<strong>da</strong>mentos ou de o caracterizar de modo<br />
exaustivo, proponho-me apontar direcções significativas<br />
desse trabalho, baseando-me eventualmente nalguns<br />
«papéis» <strong>da</strong> Professora Inês Cosme, retira<strong>dos</strong> do lugar<br />
onde a autora os deixou guar<strong>da</strong><strong>dos</strong> e onde se encontram<br />
à espera de quem os traga à luz, um pouco à semelhança<br />
<strong>da</strong> mítica arca de Fernando Pessoa. Vale a pena reunir<br />
e organizar os «papéis» <strong>da</strong> «arca» que Inês Cosme nos<br />
legou, disponibilizá-los para consulta <strong>dos</strong> professores,<br />
promover debates em torno <strong>da</strong>s questões por eles levanta<strong>da</strong>s.<br />
Estou convicta de que esse trabalho frutificará<br />
em contributos úteis para o ensino do Português, para<br />
o combate ao abandono e insucesso escolares, e para<br />
que nos centremos em problemas substantivos <strong>da</strong> escola<br />
portuguesa.<br />
Activista sindical<br />
Entre 1971 e 1975 não decorreram apenas quatro anos,<br />
durante os quais Inês Cosme iniciou, no Liceu Nacional<br />
14. ESCOLA INFORMAÇÃO.MARÇO 2005 .<br />
de Santarém (1971-72), a sua carreira docente, fez o<br />
Estágio Pe<strong>da</strong>gógico no Liceu Rainha D. Leonor (1972-<br />
73) e esteve coloca<strong>da</strong>, como Professora Agrega<strong>da</strong>, no<br />
Liceu Nacional de D. João de Castro (1973-75): entre<br />
1971 e 1975 inscreveu-se o dia em que nós, Portugueses,<br />
«emergimos <strong>da</strong> noite e do silêncio», como haveria de<br />
escrever Sophia de Mello Breyner.<br />
O 25 de Abril de 1974 institui, de facto, uma ruptura<br />
profun<strong>da</strong> no tempo português e também na memória<br />
dele, para sempre reorganiza<strong>da</strong> num «antes» e num<br />
«depois». «Antes», Inês Cosme é membro activo <strong>dos</strong><br />
Grupos de Estudo do Pessoal Docente do Ensino Secundário,<br />
integrando grupos de trabalho sobre o Estatuto<br />
docente, empenhando-se, nas escolas onde é coloca<strong>da</strong>,<br />
em mobilizar os colegas para a luta pela alteração <strong>da</strong><br />
sua situação profissional profun<strong>da</strong>mente degra<strong>da</strong><strong>da</strong>,<br />
e enfrentando, consequentemente, medi<strong>da</strong>s e atitudes<br />
intimi<strong>da</strong>tórias ou, mesmo, repressivas, por parte de quem<br />
representava, nas escolas, o poder anti-democrático que<br />
dominava o país.<br />
«Depois», Inês Cosme é uma presença activa na luta<br />
pela democratização do ensino, lidera<strong>da</strong> pelo movimento<br />
sindical docente, que, de imediato, se organiza<br />
em todo o território nacional. Membro suplente <strong>da</strong> Comissão<br />
Directiva Provisória, a primeira direcção sindical<br />
eleita do SPGL, é também, nesses anos e em muitos <strong>dos</strong><br />
subsequentes, uma empenha<strong>da</strong> delega<strong>da</strong> sindical do<br />
Liceu Nacional de D. João de Castro e do Liceu/Escola<br />
Secundária de Passos Manuel, onde é coloca<strong>da</strong> a partir<br />
de 1975-76, integrando, no ano seguinte, o respectivo<br />
Quadro de <strong>Professores</strong> Efectivos.<br />
Professora de Português.<br />
Professora do Passos Manuel<br />
Durante vinte e oito anos foi professora no Passos. Licencia<strong>da</strong><br />
em Românicas, mas a sua paixão foi sempre o<br />
ensino do Português e o melhor do seu esforço, enquanto<br />
professora, seria investido na criação de situações, de<br />
activi<strong>da</strong>des e de materiais estimuladores do gosto de ler<br />
e de escrever, do desenvolvimento <strong>da</strong>s competências de<br />
leitura e de escrita, do conhecimento <strong>da</strong>s obras <strong>dos</strong> nossos<br />
escritores, do crescimento <strong>da</strong> consciência linguística<br />
<strong>dos</strong> seus alunos.<br />
Até 1988 – que pode considerar-se um primeiro período<br />
do seu trabalho no Passos – , desempenha, nomea<strong>da</strong>mente,<br />
as funções de Directora de Turma, de Vogal do<br />
Conselho Directivo, de Subdelega<strong>da</strong> e Delega<strong>da</strong> de<br />
Grupo de Português e de Responsável pela Sala de<br />
Apoio aos Tempos Livres <strong>dos</strong> Alunos.<br />
Em 1977, suspende por um ano o trabalho na Escola<br />
para partir, como cooperante, para Cabo Verde, onde,<br />
a convite do Ministério <strong>da</strong> <strong>Educação</strong> deste país, prepara<br />
uma selecta de Português para o segundo ciclo.<br />
Entre 1988 e 1992, participa, no âmbito <strong>da</strong> Reforma do<br />
ensino, na elaboração <strong>dos</strong> Programas de Língua Portuguesa<br />
do 3º ciclo do E. Básico e do nível 2 do GETAP,<br />
bem como <strong>dos</strong> respectivos Materiais de Apoio. Em 1992,<br />
participa ain<strong>da</strong> na a<strong>da</strong>ptação <strong>dos</strong> novos programas de<br />
Língua Portuguesa, com vista às Escolas Europeias.
A activi<strong>da</strong>de então desenvolvi<strong>da</strong> nesta área constitui um<br />
trabalho de grande fôlego. Para além <strong>dos</strong> textos programáticos,<br />
Inês Cosme é co-autora de diversos materiais<br />
de apoio ao ensino <strong>da</strong> Língua Portuguesa, edita<strong>dos</strong> pelo<br />
Ministério <strong>da</strong> <strong>Educação</strong> para distribuição às escolas.<br />
De 1992 a 1995, lecciona Didáctica do Português na<br />
Universi<strong>da</strong>de Nova de <strong>Lisboa</strong>, na quali<strong>da</strong>de de Assistente<br />
convi<strong>da</strong><strong>da</strong>.<br />
Em 1995, regressa ao trabalho com os seus alunos no<br />
Passos, envolvendo-se na liderança de sucessivos projectos:<br />
criação do Centro de Recursos Educativos <strong>da</strong> Escola;<br />
estruturação do TEIP (Território Educativo de Intervenção<br />
Prioritária), com sede na Escola Secundária Passos Manuel;<br />
lançamento <strong>dos</strong> Programas de Tutoria cria<strong>dos</strong> no<br />
âmbito do projecto TEIP; realização do projecto Urano<br />
– construção de um CD-ROM sobre Técnicas de Estudo<br />
para alunos do ensino secundário.<br />
Activista <strong>da</strong> <strong>Educação</strong>, <strong>da</strong> Infância<br />
e <strong>da</strong> Adolescência<br />
Este subtítulo podia apor-se a grande parte <strong>da</strong> sua<br />
activi<strong>da</strong>de docente no Passos, mas há também uma importante<br />
componente deste seu trabalho fora <strong>da</strong> Escola,<br />
que tem de ser referi<strong>da</strong>: desenvolveu, em regime de<br />
voluntariado, diversos serviços de âmbito educativo dirigi<strong>dos</strong><br />
à comuni<strong>da</strong>de, serviços cuja quali<strong>da</strong>de e conteúdo<br />
inovador foram reconheci<strong>dos</strong> pelo Instituto de Inovação<br />
Educacional, que seleccionou e apoiou financeiramente<br />
muitos deles. Em concreto, entre 1980 e 1998, colaborou<br />
como consultora, com a Direcção Pe<strong>da</strong>gógica de<br />
uma IPSS (Instituição Priva<strong>da</strong> de Soli<strong>da</strong>rie<strong>da</strong>de Social)<br />
implanta<strong>da</strong> na freguesia de Santa Maria de Belém e<br />
que actua nas áreas <strong>da</strong> <strong>Educação</strong> e Apoio Social, tendo<br />
sido autora e coordenadora <strong>dos</strong> seguintes projectos de<br />
Inovação Educativa dessa IPSS, relativos ao Jardim de<br />
Infância e ao Centro de Activi<strong>da</strong>des de Tempos Livres:<br />
Dialogar para Integrar (1995-96), projecto de combate<br />
à exclusão escolar; Recursos em Circulação – Diálogo<br />
entre culturas, de promoção <strong>da</strong> interculturali<strong>da</strong>de e<br />
também de prevenção precoce <strong>da</strong> iliteracia (1995-96).<br />
Foi ain<strong>da</strong> co-autora e consultora do projecto Literatura<br />
& Literacia – um percurso do Pré-escolar ao 6º ano<br />
de escolari<strong>da</strong>de (1996-97), que obteve o 1º lugar do<br />
concurso Inovar educando Educar inovando (Medi<strong>da</strong> 1<br />
do Sistema de Incentivos à Quali<strong>da</strong>de <strong>da</strong> <strong>Educação</strong>), a<br />
nível nacional. Refira-se, por fim, que foi também autora<br />
do projecto Desenvolvimento de Materiais Pe<strong>da</strong>gógicos<br />
para Apoio à Organização de Bibliotecas Escolares e<br />
Centros de recursos Multimédia no Pré-Escolar e 1º ciclo<br />
de Ensino Básico (1998-99).<br />
No âmbito destes projectos desenvolve iniciativas diversifica<strong>da</strong>s,<br />
relaciona<strong>da</strong>s com o pré-escolar e o 1º ciclo, os<br />
quais, sendo a base do sistema educativo, constituem,<br />
em sua opinião, a grande priori<strong>da</strong>de. Muito preocupa<strong>da</strong><br />
com a sequencialização, antecipa os agrupamentos<br />
verticais, colocando como um objectivo central o evitar<br />
roturas metodológicas entre os diferentes elos <strong>da</strong> cadeia<br />
educativa.<br />
A defesa do contacto precoce com o livro e com a lite-<br />
ratura constitui outra linha central destes projectos em<br />
que se envolve.<br />
A educação como instrumento de intervenção social é<br />
uma <strong>da</strong>s dimensões deste seu trabalho, mas uma outra<br />
deve ser evidencia<strong>da</strong> e que é, porventura, a marca mais<br />
profun<strong>da</strong> desta professora ou, mesmo, a sua impressão<br />
digital: o respeito, o afecto, o interesse por ca<strong>da</strong> uma<br />
<strong>da</strong>s crianças, ca<strong>da</strong> um <strong>dos</strong> adolescentes com quem trabalhava.<br />
A adolescência, a psicologia <strong>da</strong> aprendizagem<br />
constituem domínios em que busca, incessantemente, formação.<br />
O Professor João <strong>dos</strong> Santos – e os seus ensaios<br />
sobre os mun<strong>dos</strong> <strong>dos</strong> adultos e <strong>da</strong>s crianças, a educação,<br />
a evolução infantil – será a referência principal desta<br />
reflexão fun<strong>da</strong>dora, e a ela voltará sempre.<br />
Duas direcções significativas<br />
de trabalho<br />
Individualização e autonomia<br />
<strong>da</strong> aprendizagem<br />
A criação de instrumentos facilitadores <strong>da</strong> individualização<br />
<strong>da</strong>s aprendizagens será um objectivo persistentemente<br />
perseguido desde sempre e que se concretizará em<br />
sucessivas respostas, sempre mais afina<strong>da</strong>s. A partir <strong>da</strong><br />
déca<strong>da</strong> de 90, o trabalho com os alunos organiza-se em<br />
definitivo na base de dois instrumentos fun<strong>da</strong>mentais de<br />
planeamento e de avaliação <strong>da</strong>s activi<strong>da</strong>des lectivas: o<br />
Plano Colectivo de Trabalho, a definir com to<strong>da</strong> a turma<br />
e em função <strong>da</strong>s exigências do programa <strong>da</strong> disciplina, e<br />
o Plano Individual de Trabalho, a estabelecer com ca<strong>da</strong><br />
aluno, segundo as suas necessi<strong>da</strong>des e interesses, nas<br />
várias áreas <strong>da</strong> disciplina e tendo também em conta as<br />
exigências programáticas (exemplo de itens a preencher<br />
no Plano Individual: escritos; leituras; registos/produções<br />
efectua<strong>dos</strong> no âmbito <strong>da</strong> comunicação oral; fichas de<br />
treino/reflexão sobre o funcionamento <strong>da</strong> língua; pesquisas<br />
e tratamento de informação). Simultaneamente,<br />
utiliza de forma sistemática fichas de auto-avaliação, em<br />
que o aluno é convi<strong>da</strong>do a caracterizar o seu percurso<br />
de aprendizagem, identificando pontos mais fortes e<br />
mais fracos, eventuais avanços e retrocessos, construindo<br />
uma base, para, em diálogo com a Professora, proceder<br />
depois a reformulações do seu Plano Individual. Como<br />
suporte ao desenvolvimento deste, é disponibilizado,<br />
para o trabalho na aula ou em casa, um conjunto de<br />
materiais, frequentemente autocorrectivos, recobrindo<br />
as áreas <strong>da</strong> escrita, <strong>da</strong> comunicação oral, <strong>da</strong> leitura e<br />
<strong>da</strong> reflexão sobre o funcionamento <strong>da</strong> língua. Ain<strong>da</strong><br />
na déca<strong>da</strong> de 90, introduz nas suas aulas o portfolio,<br />
instrumento regulador <strong>da</strong> avaliação, destinado a fornecer,<br />
nomea<strong>da</strong>mente ao próprio aluno, uma «fotografia»<br />
<strong>dos</strong> seus progressos, <strong>da</strong>s suas aprendizagens, <strong>da</strong>s suas<br />
necessi<strong>da</strong>des e <strong>da</strong>s suas experiências.<br />
Em suma, to<strong>da</strong> a gestão <strong>da</strong> aula visa criar condições<br />
para ritmos de aprendizagem diferencia<strong>dos</strong>, para a<br />
consciencialização e autonomia efectivas do aluno relativamente<br />
ao respectivo percurso de aprendizagem; de<br />
caminho, estimula os intercâmbios e revela preferências,<br />
interesses comuns e interesses individuais <strong>da</strong> turma, isto<br />
MARÇO 2005 . ESCOLA INFORMAÇÃO . 15
é, traz as pessoas <strong>dos</strong> alunos, com os seus mun<strong>dos</strong> reais,<br />
para dentro <strong>da</strong> aula.<br />
Apoio a alunos em risco de<br />
desorganização do percurso escolar<br />
Como já foi referido, em 95, envolve-se na criação do<br />
Centro de Recursos Educativos <strong>da</strong> sua Escola, tendo<br />
como objectivo disponibilizar aos alunos recursos materiais<br />
atraentes para as necessi<strong>da</strong>des escolares actuais,<br />
bem como recursos humanos para acompanhamento<br />
fora do tempo de aulas (nomea<strong>da</strong>mente através <strong>da</strong><br />
presença «relativamente informal», no Centro, de professores<br />
disponíveis para apoiar os alunos em vários tipos<br />
de situações). Em 1996, empenha-se na estruturação<br />
de um T.E.I.P. (Território Educativo de Intervenção Prioritária)<br />
com sede no Passos Manuel, que integra, nos<br />
termos legais, «estabelecimentos <strong>dos</strong> diversos ciclos do<br />
ensino básico e <strong>da</strong> educação pré-escolar, nos quais se<br />
procede a um reforço <strong>da</strong> acção educativa concerta<strong>da</strong>,<br />
em articulação com os projectos de ca<strong>da</strong> escola e em<br />
associação», conjugando esforços com vista à prevenção<br />
do insucesso escolar. A sua intervenção pe<strong>da</strong>gógica<br />
na Escola alarga-se e complexifica-se, sendo notável o<br />
esforço que desenvolve a nível do trabalho de articulação<br />
e de cooperação com os estabelecimentos do préescolar<br />
e do primeiro ciclo que integram esse Território<br />
Educativo. Mas não só.<br />
Entre os projectos desencadea<strong>dos</strong> no âmbito do T.E.I.P.,<br />
destaca-se o Programa <strong>da</strong>s Tutorias, especialmente dirigido<br />
a alunos do 3º ciclo em risco de desorganização<br />
do percurso escolar, adolescentes provin<strong>dos</strong> de meios<br />
caracteriza<strong>dos</strong> por baixos níveis de literacia. A filosofia<br />
subjacente a estes Programas é a de «contrapor a uma<br />
escola compartimenta<strong>da</strong> nos saberes e nos afectos, um<br />
modelo de acompanhamento global do aluno centrado<br />
em figuras de referência (professores tutores) de modo<br />
a prevenir a desorganização do seu percurso escolar e<br />
a evitar a multiplicação de apoios educativos fora <strong>da</strong>s<br />
aulas.» É, aliás, no perfil pessoal e profissional <strong>dos</strong> Tutores<br />
que se joga o êxito de tais Programas, segundo Inês<br />
Cosme, que se empenha decidi<strong>da</strong>mente numa selecção<br />
exigente, com base em critérios pe<strong>da</strong>gógicos e humanos<br />
muito claros e que ela sintetiza do seguinte modo: «na<br />
disponibili<strong>da</strong>de para a relação com os adolescentes e<br />
na quali<strong>da</strong>de do trabalho pe<strong>da</strong>gógico» (Inês Cosme, in<br />
Práticas, n º 4, 1999).<br />
Para se entender melhor o conteúdo desta função, transcreve-se<br />
parte de um texto elaborado por Tutores do<br />
Passos Manuel, explicitando os conteú<strong>dos</strong> <strong>da</strong>s sessões<br />
de Tutoria: «programar o tempo, nomea<strong>da</strong>mente os<br />
tempos livres; adquirir técnicas de estudo (sublinha<strong>dos</strong>,<br />
esquemas, resumos,...); organizar o caderno diário;<br />
compreender a matéria e aprender a utilizar os manuais<br />
<strong>da</strong>s diferentes disciplinas; fazer os trabalhos de casa;<br />
preparar os exercícios escritos; apoiar na resolução<br />
de problemas de integração escolar e outros; aju<strong>da</strong>r a<br />
conhecer os colegas e a criar laços de amizade».<br />
A adesão <strong>dos</strong> alunos ao projecto manifesta-se nas ele-<br />
va<strong>da</strong>s percentagens de assidui<strong>da</strong>de e de sucesso, nas<br />
16. ESCOLA INFORMAÇÃO.MARÇO 2005 .<br />
apreciações de entusiasmo.<br />
Ao garantir – numa fase «em que as práticas de diferenciação<br />
pe<strong>da</strong>gógica na sala de aula são ain<strong>da</strong> muito<br />
incipientes e pontuais» – «um atendimento individualizado»,<br />
o Programa <strong>da</strong>s Tutorias constitui, segundo Inês<br />
Cosme, «uma oportuni<strong>da</strong>de de descobrir potenciali<strong>da</strong>des<br />
<strong>dos</strong> alunos, uma ocasião privilegia<strong>da</strong> para conferir<br />
significativi<strong>da</strong>de aos saberes escolares e, finalmente,<br />
uma forma de contribuir para que ca<strong>da</strong> aluno possa vir<br />
a construir, com autonomia e responsabili<strong>da</strong>de, o seu<br />
próprio percurso de aprendizagem.».<br />
Em jeito de conclusão<br />
Vai longo o artigo, importa concluir, não sem registar o<br />
facto de a avaliação <strong>da</strong> Professora Inês Cosme ter sido<br />
sempre «Satisfaz». Como to<strong>da</strong> a gente.<br />
Pergunto-me até quando continuaremos a ignorar aqueles<br />
que, de entre nós, se distinguem por uma eleva<strong>da</strong><br />
quali<strong>da</strong>de profissional e rasgam caminhos pioneiros.<br />
Quem an<strong>da</strong> pelas escolas sabe que são muito poucos,<br />
sem prejuízo de a esmagadora maioria <strong>dos</strong> professores<br />
portugueses cumprir de facto «satisfatoriamente» a<br />
sua função. Mas, em defesa <strong>da</strong> profissão, <strong>dos</strong> alunos<br />
e <strong>da</strong>s escolas, talvez seja tempo de reconhecer os que<br />
se distinguem <strong>da</strong> mediania, pelo rigor, pela quali<strong>da</strong>de,<br />
pela inovação, até porque há nestes percursos lições a<br />
aprender e convém não permitir que se apaguem, sem<br />
deixar rasto.<br />
É certo que o rasto mais significativo de um professor<br />
é o que ele deixa nos seus alunos. Relativamente à<br />
Professora Inês Cosme, sempre empenha<strong>da</strong> em regular<br />
o seu trabalho pela adequação aos seus alunos, o que<br />
a levava a auscultá-los com sistemática regulari<strong>da</strong>de,<br />
sabemos como os seus alunos reagiram às suas aulas<br />
ao longo <strong>dos</strong> anos. Não querendo alongar, termino,<br />
passando a palavra a alguns deles.<br />
«Seria boa ideia seguir esta linha de aulas, a que fomos<br />
habitua<strong>dos</strong> este ano, pois exige-nos rigor no trabalho e<br />
participação constante.»<br />
«Sinto que nunca saio destas aulas a saber o mesmo<br />
que quando entrei.»<br />
«Os aspectos positivos são, no geral, tudo, até porque<br />
gostei muito desta disciplina. Nos aspectos negativos só<br />
houve um problema: O MUITO TRABALHO. Sugestões:<br />
na<strong>da</strong> de relevante. Assim não estão más as aulas de<br />
Português.»<br />
«Este ano aprendi a gostar de fazer alguns tipos de trabalhos<br />
de que antes não gostava, por exemplo, analisar<br />
poemas. Eu hoje adoro fazer este tipo de trabalho.»<br />
«Esta disciplina resulta muito bem com este método e<br />
acho que os futuros alunos desta professora vão achar<br />
o mesmo. Será que também há Planos Individuais na<br />
Universi<strong>da</strong>de?»<br />
«Estou convenci<strong>da</strong> de que este método de ensino nos<br />
fez progredir bastante a to<strong>dos</strong>.»<br />
Fátima Rodrigues
DEPOIMENTOS<br />
A PROFESSORA<br />
CÓSMICA<br />
Há coisas de que só nos apercebemos quando olhamos<br />
para a <strong>da</strong>ta de nascimento e constatamos que já<br />
somos considera<strong>dos</strong> adultos. À distância, analisamos<br />
a importância que tiveram os professores naquilo<br />
que somos hoje. O que antes se resumia a adoro ou<br />
detesto (eram tempos de grandes paixões e de ódios<br />
viscerais) transforma-se em adorei por isto, detestei<br />
por aquilo; faz-se o balanço, afinal nem sempre fomos<br />
justos ou tínhamos to<strong>da</strong> a razão do mundo. No<br />
caso <strong>da</strong> professora Inês Cosme o passar do tempo<br />
não mu<strong>da</strong> uma vírgula à conclusão que já na altura<br />
aparecia lúci<strong>da</strong>: era uma professora solar, a quem<br />
to<strong>dos</strong> os alunos (não, não tenho medo de falar por<br />
to<strong>dos</strong>) estarão sempre imensamente gratos. (…)<br />
Não posso deixar de vos explicar a característica<br />
essencial <strong>da</strong> “Professora Cósmica”: conhecia-nos!<br />
Sabia exactamente quais eram os sonhos e os desgostos<br />
de ca<strong>da</strong> aluno. Assim, alimentava as paixões,<br />
moderava os ódios, encaminhava ca<strong>da</strong> um pelo<br />
caminho por si próprio traçado.):<br />
No 12º ano eu estava a despertar para a consciência<br />
política, para a necessi<strong>da</strong>de de intervenção, para o<br />
romantismo de uma esquer<strong>da</strong> livresca – mal sabia eu<br />
as desilusões que viria a ter nesse campo… Nas aulas<br />
de Português tornei-me leitora fanática de Antero<br />
de Quental. Antero de manhã à noite, Antero de<br />
cor e salteado, Antero pessimista e, acima de tudo,<br />
Antero revolucionário! A tal ponto que sentia como<br />
uma enorme traição o descanso final do coração na<br />
mão direita de Deus. Oh, Antero, então optamos<br />
pela via mais fácil?! Estava inconsolável…<br />
Aqui a professora teve uma intervenção preciosa e<br />
difícil, porque é difícil tratar de certos assuntos sem<br />
se impor a visão pessoal. E se, por um lado, poliu ao<br />
longo de umas quantas semanas o meu anti-clericalismo<br />
primário, alertando-me para a facili<strong>da</strong>de com<br />
que se julga os outros, pedindo-me um esforço de<br />
entendimento que ultrapassasse a reacção cutânea<br />
de achar que fé era necessariamente sinónimo de<br />
facilitismo (pois… eu achava isso…), por outro lado,<br />
deu todo o espaço possível ao entusiasmo <strong>da</strong> minha<br />
nova descoberta, preparando-me uma surpresa.<br />
No dia do teste esperavam-me sobre a mesa dois tesouros:<br />
os textos “políticos” de Antero, que na altura<br />
ain<strong>da</strong> não tinham sido reedita<strong>dos</strong>, e, cereja do bolo,<br />
o mecanismo de uma caixa de música. Se se desse à<br />
manivela tocava “A Internacional”!!! Escusado será<br />
dizer que foi o teste que correu pior, com a pressa<br />
de sair <strong>da</strong> sala e de ir infernizar os ouvi<strong>dos</strong> de to<strong>da</strong><br />
a gente. Enfim, um dia feliz…<br />
Deixo-vos este episódio, sem mais pretensões do<br />
que ilustrar os laços afectivos, a proximi<strong>da</strong>de,<br />
que professores e alunos tantas vezes teimam em<br />
desdenhar. Mas imagino que outras pessoas vos<br />
contarão outras histórias, vos falem <strong>dos</strong> méto<strong>dos</strong><br />
de trabalho, chegando to<strong>dos</strong>, pouco a pouco, a um<br />
retrato fiel. (…)<br />
Mariana Vieira - 10 de Dezembro de 2004<br />
A PALAVRA FINAL<br />
Os momentos difíceis tornam as palavras difíceis.<br />
Inês Cosme: nome improvável <strong>da</strong> professora <strong>da</strong><br />
língua mãe, <strong>da</strong> palavra escrita, fala<strong>da</strong>, <strong>da</strong> palavra<br />
pronuncia<strong>da</strong>.<br />
Foi a professora que não abandonou, a mulher<br />
<strong>da</strong> ci<strong>da</strong><strong>da</strong>nia através <strong>da</strong>s palavras, que cultivava<br />
um imenso rigor <strong>da</strong> escrita e que soube trabalhar<br />
com os seus alunos numa base de disciplina e<br />
liber<strong>da</strong>de.<br />
Por isso foi também a professora <strong>da</strong> liber<strong>da</strong>de,<br />
a professora que nos deu os direitos do leitor,<br />
que valorizava to<strong>da</strong>s as formas de leitura e de<br />
escrita e <strong>da</strong>s quais fazia o ponto de parti<strong>da</strong> para<br />
a caminha<strong>da</strong> que iniciava com ca<strong>da</strong> aluno, como<br />
se ca<strong>da</strong> um fosse o único, sabendo valorizar o<br />
que de melhor ca<strong>da</strong> um fazia, nunca corrigindo<br />
a vermelho.<br />
Fizemos uma viagem de 3 anos. Tive sucessos e<br />
insucessos, momentos de redenção e desalento,<br />
tendo sempre confiado no seu profundo sentido<br />
de justiça e na sua imparciali<strong>da</strong>de, quase obsessiva.<br />
O seu deslumbramento perante a língua, os autores,<br />
as personagens, as interpretações contagiavam<br />
como o olhar ladino de uma criança.<br />
Comigo ficará para sempre em ca<strong>da</strong> frase que<br />
construo, companheira na busca <strong>da</strong> ética através<br />
<strong>da</strong> língua, na exigência <strong>da</strong>s palavras justas, pesa<strong>da</strong>s<br />
mole a mole, li<strong>da</strong>s sílaba a sílaba.<br />
Inês Cosme: não sei por que a vi<strong>da</strong> é isto.<br />
Não sei porque estou hoje a escrever isto,<br />
Este é o texto maldito, o que mostra<br />
o que regista que morreste.<br />
Talvez seja esta a aula mais difícil<br />
a do verbo indesejado, do verbo final<br />
Conjugá-lo na segun<strong>da</strong> pessoa<br />
Essa outra que és tu<br />
Parece errado soa mal.<br />
To<strong>dos</strong> os verbos têm um tempo<br />
A vi<strong>da</strong> tem muitos<br />
Fica a liber<strong>da</strong>de de os conjugar<br />
Que o resto são interpretações.<br />
Lucas Manarte, aluno - 14-12-2004<br />
MARÇO 2005 . ESCOLA INFORMAÇÃO . 17
Conferência<br />
de Organização<br />
Quando esta revista chegar às mãos<br />
do leitor já se terá realizado a Conferência<br />
de Organização do SPGL.<br />
Dela <strong>da</strong>remos nota detalha<strong>da</strong> na<br />
próxima edição. As leis laborais e a<br />
acção sindical, a organização interna<br />
do sindicato, o desenvolvimento<br />
<strong>da</strong> acção sindical e as relações com<br />
a FENPROF, a CGTP e os movimentos<br />
sociais constituem os temas a<br />
debater durante os dois dias (7 e 8<br />
de Abril) em que decorrerá.<br />
Casa Pia de <strong>Lisboa</strong><br />
Jorna<strong>da</strong>s<br />
de Reflexão<br />
Uma comissão de docentes <strong>dos</strong> colégios<br />
<strong>da</strong> Casa Pia de <strong>Lisboa</strong> (CPL),<br />
com o apoio do SPGL, vai realizar<br />
umas Jorna<strong>da</strong>s de Reflexão sobre o<br />
futuro <strong>da</strong> Casa Pia de <strong>Lisboa</strong>, nos<br />
próximos dias 15 e 16 de Abril, em<br />
<strong>Lisboa</strong>, no Hotel Roma.<br />
Um conselho técnico-científico designado<br />
pelo anterior governo, e que tinha<br />
em Roberto Carneiro a sua face<br />
mais visível, elaborou um relatório<br />
que preconiza uma reestruturação<br />
<strong>da</strong> oferta educativa desta instituição,<br />
com implicações no emprego <strong>dos</strong><br />
docentes que aí trabalham.<br />
O envolvimento <strong>dos</strong> docentes nos<br />
processos de mu<strong>da</strong>nça que se avizinham,<br />
se bem que considerado<br />
estratégico no referido relatório, foi<br />
até ao momento, irrisório.<br />
O que se pretende com estas jorna<strong>da</strong>s<br />
de reflexão é “promover e<br />
organizar o envolvimento do vasto<br />
conjunto de pessoas que trabalha<br />
na CPL na construção de propostas<br />
para as crianças e jovens que a CPL<br />
acolhe, numa estreita interacção<br />
com o tecido social/cultural/profissional<br />
envolvente”.<br />
Chama<strong>da</strong> à<br />
profissionalização<br />
de professores com<br />
habilitação própria<br />
Um passo importante,<br />
dúvi<strong>da</strong>s legítimas<br />
Foi publicado no Diário <strong>da</strong> República de 24 de Março (2ª série) o<br />
despacho 6365/2005, ain<strong>da</strong> assinado por José Manuel Canavarro,<br />
com o qual se pretende resolver a profissionalização <strong>dos</strong> docentes<br />
com habilitação própria com 5 ou mais anos de serviço.<br />
A FENPROF tem vindo a fazer desta matéria - a profissionalização<br />
e vinculação <strong>dos</strong> docentes contrata<strong>dos</strong>, enquadra<strong>da</strong> na questão<br />
mais ampla <strong>da</strong> estabili<strong>da</strong>de do corpo docente - um objectivo <strong>da</strong> sua<br />
intervenção sindical. A chama<strong>da</strong> à profissionalização destes docentes<br />
tinha sido negocia<strong>da</strong> pela FENPROF no último governo de António<br />
Guterres e foi reafirma<strong>da</strong> aquando <strong>da</strong> negociação do novo diploma<br />
de concursos. A solução avança<strong>da</strong> por este despacho, mesmo que<br />
parcelar, é uma medi<strong>da</strong> que se saú<strong>da</strong>, mas que não deixa de levantar<br />
questões que urge desde já equacionar. De facto, para ter acesso à<br />
profissionalização, o docente terá que ter 5 ou mais anos de serviço,<br />
3 <strong>dos</strong> quais cumpri<strong>dos</strong> nos 4 anos imediatamente anteriores ao ano<br />
lectivo 2005/2006 e vir a ser colocado por concurso para o ano lectivo<br />
2005/2006, “com efeitos a 1 de Setembro”. A FENPROF exige que<br />
esta expressão “com efeitos a 1 de Setembro” seja entendi<strong>da</strong> como<br />
abrangendo to<strong>da</strong>s as colocações em horários para todo o ano lectivo<br />
de 2005-2006, uma vez que a experiência mostra que nem sempre<br />
os horários desta natureza são preenchi<strong>dos</strong> até 1 de Setembro por<br />
responsabili<strong>da</strong>des unicamente atribuíveis aos serviços ministeriais.<br />
Por outro lado, o despacho não indica qualquer prazo para a<br />
concretização deste direito agora conferido a estes docentes. A<br />
FENPROF exige que a chama<strong>da</strong> à profissionalização se faça no<br />
próximo ano lectivo.<br />
A FENPROF exige que os docentes que este despacho dispensa <strong>da</strong><br />
profissionalização (os que tenham 45 anos de i<strong>da</strong>de e 10 de serviço<br />
ou 15 anos de serviço independentemente <strong>da</strong> i<strong>da</strong>de) sejam integra<strong>dos</strong><br />
na carreira, com respeito total pelo tempo de serviço, a partir de 1 de<br />
Setembro próximo.<br />
Este despacho deve ser também aplicado aos docentes de técnicas<br />
especiais ain<strong>da</strong> em exercício, com a salvaguar<strong>da</strong> de que não lhes<br />
pode ser exigi<strong>da</strong> a “habilitação própria” uma vez que ao longo de<br />
30 anos os diferentes ministérios <strong>da</strong> <strong>Educação</strong> não foram capazes de<br />
as definir.<br />
Por outro lado, a aquisição <strong>da</strong> habilitação profissional deverá ser<br />
acompanha<strong>da</strong> de medi<strong>da</strong>s legislativas que conduzam à vinculação.<br />
Estas questões teriam sido clarifica<strong>da</strong>s e acautela<strong>da</strong>s se a FENPROF<br />
tivesse sido chama<strong>da</strong> pelo anterior governo a negociar estas matérias,<br />
o que lamentavelmente não aconteceu.
Seminário:<br />
Percursos e desafi os<br />
<strong>da</strong> formação de<br />
professores<br />
Realizou-se nos passa<strong>dos</strong> dias 17 e 18 de Março<br />
o seminário “Percursos e desafi os <strong>da</strong> formação de<br />
professores”, no Instituto Franco-Português, uma realização<br />
conjunta <strong>da</strong> FENPROF e do IIL.<br />
O seminário, destinado à análise e debate desta<br />
questão, juntou vários especialistas, que abor<strong>da</strong>ram<br />
o tema em quatro “módulos”.<br />
O decano <strong>da</strong> Universi<strong>da</strong>de Autónoma de Madrid,<br />
António Rico, descreveu um estudo por si coordenado<br />
destinado a propor alterações ao modelo espanhol<br />
de formação de professores,<br />
tendo já em<br />
conta as implicações<br />
do processo de Bolonha.<br />
Os painéis seguintes<br />
foram dedica<strong>dos</strong> ao<br />
problematizar <strong>da</strong> formação<br />
inicial e contínua,<br />
sendo descrito e<br />
debatido o papel <strong>da</strong>s<br />
ESEʼs e <strong>da</strong>s Universi<strong>da</strong>des<br />
e, fi nalmente,<br />
questiona<strong>da</strong>s as competências<br />
necessárias<br />
à profi ssão.<br />
A questão fun<strong>da</strong>mental<br />
- como transformar<br />
o formando em professor, “intelectual refl exivo”,<br />
curioso e desperto para a profi ssão, capaz de provocar<br />
o desejo de aprender e o espírito cívico de<br />
partilha de saber/es e de cooperação e como manter<br />
essa “chama” ao longo de uma vi<strong>da</strong> de trabalho,<br />
ocuparam estes dois dias de trabalho, debatendo<br />
“percursos” e lançando “desafi os”.<br />
Casa Pia de <strong>Lisboa</strong><br />
Até 14 de Abril<br />
ou há soluções<br />
ou há greve<br />
Em reuniões realiza<strong>da</strong>s em to<strong>dos</strong> os colégios <strong>da</strong><br />
Casa Pia de <strong>Lisboa</strong>, nos dias 2, 3 e 4 de Março,<br />
foi decidido, por maioria, através de voto<br />
expresso, um plano de acções a desenvolver<br />
pelos docentes desta instituição, que inclui o<br />
recurso à greve.<br />
Com a que<strong>da</strong> do anterior governo e a toma<strong>da</strong><br />
de posse do actual foi decidido, num primeiro<br />
momento, suspender estas formas de acção<br />
e entregar aos ministros <strong>da</strong> <strong>Educação</strong> e <strong>da</strong><br />
Segurança Social um <strong>dos</strong>sier sobre a situação.<br />
Um mês foi o tempo que se considerou como<br />
razoável para que se procedesse à análise <strong>da</strong><br />
documentação e se procedesse à consequente<br />
toma<strong>da</strong> de medi<strong>da</strong>s para repor a legali<strong>da</strong>de.<br />
Por isso até 14 de Abril, ou há soluções ou há<br />
greve.<br />
Relembramos que os docentes <strong>da</strong> Casa Pia de<br />
<strong>Lisboa</strong> lutam pelo direito a concorrerem em 1ª<br />
priori<strong>da</strong>de aos estabelecimentos do Ministério<br />
<strong>da</strong> <strong>Educação</strong>, direito que lhes foi sonegado<br />
com a alteração do diploma <strong>dos</strong> concursos pelo<br />
respectivo aviso de abertura (com a alteração<br />
<strong>da</strong> designação “estabelecimentos de educação<br />
ou de ensino públicos” para “estabelecimentos<br />
de educação ou de ensino do Ministério <strong>da</strong><br />
<strong>Educação</strong>”) e pelo direito a serem ouvi<strong>dos</strong> no<br />
processo de reestruturação <strong>da</strong> instituição, que<br />
terá profun<strong>da</strong>s repercursões profi ssionais.<br />
MARÇO 2005 . ESCOLA INFORMAÇÃO . 19
Uma escola com projecto<br />
Um menino abre-nos o portão, simplesmente<br />
porque nos vê aproximarmo-nos. No<br />
recreio, salta-se à cor<strong>da</strong>, jogam-se jogos<br />
tradicionais. As paredes estão ilustra<strong>da</strong>s<br />
com trabalhos <strong>da</strong>s crianças. Um espaço<br />
bem cui<strong>da</strong>do onde pais e comuni<strong>da</strong>de<br />
sentem que os seus filhos estão seguros.<br />
Um corpo de professores estável. <strong>Professores</strong> que gostam<br />
de ali estar e que recusam mesmo a simples ideia de<br />
mu<strong>da</strong>r para outro lado.<br />
Estamos de facto perante “uma reali<strong>da</strong>de muito diferente<br />
<strong>da</strong> que é fala<strong>da</strong>”. E que, por isso mesmo, vale<br />
a pena ver mais de perto. Até porque estas crianças,<br />
como sublinha Fátima Cruz, coordenadora, “estão um<br />
pouco cansa<strong>da</strong>s <strong>da</strong>s partes negativas – que é o que<br />
se sabe sobre o bairro. E querem uma coisa perfeitamente<br />
normal, como to<strong>da</strong>s as crianças. Casas bonitas,<br />
espaços verdes, sítios onde possam jogar – como to<strong>da</strong>s<br />
as crianças”.<br />
Se eu estiver com um problema,<br />
não fico sozinha com o problema<br />
O que há de melhor aqui “é a união de vontades entre<br />
os técnicos, que nos aju<strong>da</strong>m, os professores que querem<br />
ficar, e os pais que gostam <strong>da</strong> escola”, diz-nos Fátima<br />
Cruz, num sintético balanço do que mais há a valorizar<br />
no trabalho desenvolvido pela escola.<br />
Um comentário que confirma o conteúdo <strong>da</strong> conversa<br />
informal com Lúcia Pedro e Paula Gamito, professoras<br />
na EB/1JI há 14 anos.<br />
“Se eu tiver um problema, não fico com o problema<br />
– vou transmiti-lo a uma colega e a colega aju<strong>da</strong> a<br />
resolvê-lo”, diz Lúcia Pedro. “Trabalha-se muito em<br />
conjunto. Quando eu ponho um projecto em prática<br />
to<strong>dos</strong> colaboram – e os auxiliares de acção educativa<br />
20. ESCOLA INFORMAÇÃO.MARÇO 2005 .<br />
A Escola Básica1/JI <strong>da</strong> Cova <strong>da</strong> Moura<br />
é um testemunho vivo de que “há aqui<br />
uma reali<strong>da</strong>de muito diferente <strong>da</strong> que é<br />
fala<strong>da</strong>” – as primeiras palavras de uma<br />
<strong>da</strong>s professoras que entrevistámos. Um<br />
porto de abrigo implantado no seio de<br />
uma reali<strong>da</strong>de social difícil. Uma escola<br />
de excelência que trabalha em interacção<br />
– de portas abertas – com a comuni<strong>da</strong>de<br />
local. E que, antes do mais, quer ser uma<br />
escola com projecto. É por isso que luta.<br />
são fantásticos. Também são pessoas que estão cá há<br />
muitos anos e nos conhecem muito bem e nós a eles.<br />
Sabemos como é a maneira de ser de ca<strong>da</strong> um. E assim,<br />
tudo funciona”.<br />
Porquê este funcionamento bem diverso do de muitas<br />
outras escolas?<br />
Para Paula Gamito, o que está em causa é a própria<br />
reali<strong>da</strong>de envolvente: “é que a necessi<strong>da</strong>de é tanta no<br />
meio, nós vemos os miú<strong>dos</strong> com tantas necessi<strong>da</strong>des, que<br />
começámos a perceber que sozinhas não conseguíamos.<br />
Tínhamos que partilhar os problemas. E isso criou entre<br />
nós um laço que acabou por não ser só em relação aos<br />
problemas nas turmas”.<br />
Problemas que não são simples. Antes do mais a questão<br />
<strong>da</strong> alimentação – entretanto resolvi<strong>da</strong>, em grande<br />
medi<strong>da</strong>, com a criação de uma cantina. “Eu não tenho<br />
a certeza <strong>dos</strong> números, mas para aí 70% <strong>dos</strong> meninos<br />
são subsidia<strong>dos</strong> pela Câmara para os almoços. Eles<br />
precisavam era to<strong>dos</strong>. Já foi pior do que é agora. Mas<br />
temos por vezes crianças que vão para as aulas com<br />
fome”, esclarece Paula Gamito.<br />
Uma questão a que haverá que somar outras. Pois estas<br />
crianças têm por vezes uma “carga terrível. Os pais vão<br />
trabalhar e têm de cui<strong>da</strong>r <strong>dos</strong> irmãos mais pequenos<br />
– mesmo bebés”. E se, como refere Lúcia Pedro, em<br />
relação à aprendizagem “sente-se uma evolução, os<br />
miú<strong>dos</strong> estão muito mais informa<strong>dos</strong>”, há uma déca<strong>da</strong><br />
atrás “chegámos a ter aqui crianças que nunca tinham<br />
visto sequer como é que se folheava um livro”.<br />
Para além <strong>da</strong>s medi<strong>da</strong>s concretas, o “segredo” do conseguir<br />
<strong>da</strong>r resposta aos problemas que vão surgindo,<br />
de conseguir uma taxa de sucesso escolar superior à<br />
média nacional, está, na opinião de Paula Gamito, “na<br />
relação que se estabelece entre os miú<strong>dos</strong> e os professores<br />
e os auxiliares de educação – to<strong>da</strong> a comuni<strong>da</strong>de<br />
escolar”.
Afectos e estratégias<br />
“Tenho 19 crianças, e em pouco tempo ca<strong>da</strong> uma delas<br />
está a um nível diferente. Por exemplo, a um <strong>dos</strong> miú<strong>dos</strong>,<br />
estou já a <strong>da</strong>r-lhe um currículo completamente diferente<br />
do <strong>dos</strong> outros. Também temos que arranjar estratégias<br />
para aqueles miú<strong>dos</strong> que avançam”, frisa Lúcia Pedro.<br />
Esta versatili<strong>da</strong>de é uma prática corrente. “Fazemos<br />
normalmente a a<strong>da</strong>ptação <strong>dos</strong> currículos. Elaboramos<br />
novos objectivos para as crianças, sempre que necessário.<br />
Trabalhamos individualmente com elas, se for<br />
preciso. E funcionamos sempre a<strong>da</strong>ptando-nos o mais<br />
possível à sua reali<strong>da</strong>de.”<br />
E, como as crianças acompanham sempre a mesma<br />
turma, “ca<strong>da</strong> professora vai acompanhando sempre<br />
a criança. E acabamos por as conhecer muito bem. E<br />
eles a nós.”<br />
Para Paula Gamito “deve ser este empenhamento que<br />
torna as coisas um bocado mais mágicas. Penso que<br />
tudo depende do afecto com que as matérias são <strong>da</strong><strong>da</strong>s.<br />
Se eu der matemática de uma maneira chata, é uma<br />
coisa, mas se a ligar à prática, em função <strong>dos</strong> interesses<br />
deles, é outra”.<br />
A aposta é sempre numa discriminação positiva. Porque<br />
“a sonhar é que as pessoas conseguem fazer coisas. E<br />
trabalhando para isso”.<br />
Uma lógica idêntica preside à relação com os pais.<br />
“Aqui – em vez de se chamar os pais para dizer – o<br />
seu filho é péssimo, é mau aluno – não – chama-se os<br />
pais para lhes dizer – olhe, o seu filho teve um avanço<br />
fantástico nesta área, teve muito boas notas. Tudo o<br />
que seja boas notícias, os pais são chama<strong>dos</strong> à escola.<br />
As más são mais ou menos resolvi<strong>da</strong>s aqui. Ou, depois,<br />
em reuniões individuais com os pais. As coisas boas são<br />
promovi<strong>da</strong>s”.<br />
Discriminação positiva<br />
e activi<strong>da</strong>des múltiplas<br />
A aposta numa abor<strong>da</strong>gem pela positiva reflecte-se a<br />
to<strong>dos</strong> os níveis. Por exemplo – o domínio <strong>da</strong> língua, que<br />
constitui uma dificul<strong>da</strong>de muito real para as crianças <strong>da</strong><br />
escola, na sua maioria de origem cabo-verdiana. Para<br />
alem do reforço do tempo dedicado à língua portuguesa,<br />
refere Fátima Cruz, “a ideia é sempre incutir que,<br />
quanto melhor falarem o crioulo melhor aprendem o<br />
português. E quanto melhor aprenderem o português<br />
melhor também falam o crioulo”.<br />
Por outro lado, através do projecto “Escola de excelência”,<br />
a escola foi inseri<strong>da</strong> no programa “Urban”.<br />
Na prática, isto corresponde a importantes mais-valias<br />
para os alunos, pela diversi<strong>da</strong>de de activi<strong>da</strong>des e de<br />
aprendizagens.<br />
Permite, por exemplo, que os alunos tenham educação física,<br />
educação musical, que haja animação nos recreios,<br />
intercâmbio escolar e dinamização de um espaço onde<br />
os alunos desenvolvem activi<strong>da</strong>des liga<strong>da</strong>s às áreas de<br />
expressão e programam iniciativas mais dirigi<strong>da</strong>s aos<br />
seus interesses. As mais diversas. Por exemplo, informou<br />
Paula Gamito, “vamos escrever uma carta, com os meninos,<br />
para Cabo Verde, para uma escola com que se<br />
estabeleceu uma parceria”.<br />
Uma conjugação de factores<br />
A baixa taxa de insucesso, o próprio facto de as crianças<br />
gostarem de facto <strong>da</strong> escola – “nós não temos miú<strong>dos</strong><br />
que faltem”, diz-nos Fátima Cruz -, deve-se, não a um<br />
factor mas a uma conjugação de factores.<br />
“Deve-se às várias direcções de lideranças fortes. Devese<br />
ao facto de os projectos resultarem de um encontro<br />
de interesses que é negociado entre os professores.<br />
Deve-se também à maneira como o corpo docente traduziu<br />
e traduz to<strong>da</strong>s as ofertas que as várias políticas<br />
educativas ao longo de 16 anos nos deram e que nós<br />
aproveitámos. Nomea<strong>da</strong>mente projectos de dimensão<br />
intercultural. E depois também se deve um pouco a os<br />
professores conseguirem manter uma certa estabili<strong>da</strong>de<br />
com as turmas que formam”.<br />
Uma reali<strong>da</strong>de que muito terá a ver com o facto de ca<strong>da</strong><br />
um ter o seu espaço.<br />
“Os projectos educativos, do meu ponto de vista – acrescenta<br />
Fátima Cruz -, têm que ser construí<strong>dos</strong> na base e<br />
têm que ser feitos pela base. Portanto, não vão ser idealiza<strong>dos</strong><br />
por uma pessoa para depois serem cumpri<strong>dos</strong>. E<br />
penso que, sobretudo, nós tiramos muita vantagem <strong>da</strong>s<br />
nossas diferenças. Diferenças entre maneiras de estar,<br />
de viver a profissão, opções pe<strong>da</strong>gógicas. Aprendemos<br />
a li<strong>da</strong>r com as diferenças.”<br />
Há ain<strong>da</strong> outros factores. O apoio <strong>dos</strong> ATLs, que são<br />
um grande suporte. E o empenhamento de um grupo<br />
de famílias que apostam muito na escola – como factor<br />
de sucesso <strong>dos</strong> filhos. “A escola está para eles como a<br />
imigração esteve para os pais. Eles apostam niti<strong>da</strong>mente<br />
na escola como via de promoção social”, sublinha<br />
Fátima Cruz.<br />
“Nós não fazemos na<strong>da</strong> de especial”, considera entretanto<br />
a coordenadora. “Só queremos ser professores e<br />
ter uma escola. Não queremos um projecto para esta<br />
escola. Queremos uma escola com projecto.”<br />
“Um projecto que parte deste pressuposto – trabalhar<br />
com esta população. A partir <strong>da</strong>quilo que eles são e<br />
não a partir <strong>da</strong>quilo que eles não têm. Não podemos<br />
fazer uma leitura negativa <strong>da</strong> reali<strong>da</strong>de. Se fazemos<br />
uma leitura negativa <strong>da</strong> reali<strong>da</strong>de estamos a reproduzir,<br />
na teoria e na prática, o estigma.<br />
“É por tudo isto que lutamos” .<br />
MARÇO 2005 . ESCOLA INFORMAÇÃO . 21
O espaço de “Opinião” é hoje ocupado com duas cartas que o autor enviou à DREL. Pela sua<br />
importância, <strong>da</strong>do os temas que abor<strong>da</strong>m, decidimos divulgá-las em conjunto.<br />
Professor contratado não pode ser<br />
professor de 2ª<br />
Sou professor contratado, não profissionalizado, do<br />
7º Grupo, colocado no ano lectivo em curso na Escola<br />
Secundária Dr. Augusto César <strong>da</strong> Silva Ferreira, em Rio<br />
Maior.<br />
Quando me apresentei na referi<strong>da</strong> escola, fui confrontado<br />
com um horário incompleto que me obriga a leccionar em<br />
três sítios distintos: na própria Escola, em Rio Maior e nas<br />
extensões educativas de Vale de Judeus e Alcoentre.<br />
Surpreendeu-me o facto de um horário com tais<br />
características - dispersão de estabelecimentos de ensino<br />
e especifici<strong>da</strong>des do meio prisional – ser atribuído a<br />
um professor contratado e não profissionalizado, como<br />
é o meu caso. De resto, o próprio Despacho Conjunto<br />
nº 451/99 refere nos pontos 3.1 e 3.2 que deve ser<br />
<strong>da</strong><strong>da</strong> priori<strong>da</strong>de a docentes profissionaliza<strong>dos</strong> e com<br />
experiência de leccionação em meio prisional.<br />
Por outro lado, quando concorri e coloquei a Escola de<br />
Rio Maior na minha lista de priori<strong>da</strong>des, tive em conta<br />
a distância geográfica e a acessibili<strong>da</strong>de (auto-estra<strong>da</strong>)<br />
<strong>da</strong>quela ci<strong>da</strong>de à minha residência, nas Cal<strong>da</strong>s <strong>da</strong><br />
Rainha. De facto, eu concorri para Rio Maior. Não<br />
concorri para Vale de Judeus nem para Alcoentre. Nem<br />
teria concorrido se o soubesse, pois estes locais ficam<br />
mais longe <strong>da</strong> minha residência e com piores acessos.<br />
É certo que os estabelecimentos prisionais (EP) asseguram<br />
o transporte <strong>dos</strong> docentes entre a Escola e as prisões,<br />
mas, naturalmente, só o fazem ao primeiro e ao último<br />
tempo. No meu caso – único professor que lecciona nos<br />
dois EPs – isso implicaria passar to<strong>da</strong>s as tardes, entre<br />
segun<strong>da</strong> e sexta-feira, em Vale de Judeus ou Alcoentre,<br />
mesmo que só tivesse dois tempos de aulas. Como<br />
compreenderá, embora não estivesse a leccionar a tarde<br />
inteira, tal situação redun<strong>da</strong>ria num excesso de carga<br />
horária e num desperdício de tempo.<br />
Não tive, pois, outra alternativa que utilizar diariamente<br />
transporte próprio e percorrer a distância entre a<br />
minha casa e as prisões, ou o triângulo que tem por<br />
vértices Cal<strong>da</strong>s <strong>da</strong> Rainha, Rio Maior e Vale de Judeus/<br />
Alcoentre.<br />
Permita-me, em jeito de desabafo, lembrar que, na<br />
quali<strong>da</strong>de de professor não profissionalizado, venço<br />
pelo indíce 126 (apesar de já leccionar há 13 anos e<br />
ter ultrapassado os 40 anos de i<strong>da</strong>de sem ter direito à<br />
redução do tempo de serviço), pelo que o rendimento<br />
auferido se esvai no consumo de combustível.<br />
Devo também dizer que, mais de dois meses volvi<strong>dos</strong><br />
após a minha colocação, a experiência de leccionação<br />
em ambiente prisional se tem revelado positiva e muito<br />
enriquecedora.<br />
Contudo, inconformado com a excessiva despesa a que<br />
22. ESCOLA INFORMAÇÃO.MARÇO 2005 .<br />
Carlos Manuel Marques Cipriano<br />
sou sujeito para poder leccionar em três locais diferentes<br />
(dois deles mais longe do que a escola para a qual<br />
concorri), venho por este meio solicitar que me seja pago<br />
subsídio de deslocação.<br />
Na expectativa de uma resposta positiva por parte <strong>da</strong> V.<br />
Exa. Subscrevo-me com os melhores cumprimentos,<br />
Post Scriptum<br />
Permita-me ain<strong>da</strong> a seguinte reflexão:<br />
Quando fui colocado nos EPs fiquei a saber que teria direito<br />
a um subsídio de risco atribuído pela Direcção Geral <strong>dos</strong><br />
Serviços Prisionais. A existência de tal subsídio tem implícita<br />
a existência de um risco, o qual nunca me foi perguntado se<br />
eu estava disposto a correr. Salvo melhor opinião, não me<br />
parece correcto que a Administração possa de forma tão<br />
simples e imediata colocar docentes em ambiente de risco sem<br />
que estes tenham a oportuni<strong>da</strong>de de se pronunciar. Parece-me<br />
que, de futuro, o concurso de professores deveria acautelar<br />
tais situações através de uma cláusula em que o candi<strong>da</strong>to<br />
pudesse manifestar a sua disponibili<strong>da</strong>de ou indisponibili<strong>da</strong>de<br />
para leccionar em prisões.<br />
Carreira Docente<br />
Sou desde há 13 anos professor não profissionalizado,<br />
provisório, do ensino secundário.<br />
O Estatuto <strong>da</strong> Carreira Docente (Dec-Lei 1/98, de<br />
02/01/1998) estabelece no seu Artº 79º que “a<br />
componente lectiva a que estão obriga<strong>dos</strong> os docentes<br />
<strong>dos</strong> 2º e 3º ciclos do ensino básico e os do ensino<br />
secundário e do ensino especial é sucessivamente<br />
reduzi<strong>da</strong> de duas horas, de cinco em cinco anos, até ao<br />
máximo de oito horas, logo que os professores atinjam<br />
40 anos de i<strong>da</strong>de e 10 anos de serviço docente (…).<br />
To<strong>da</strong>via, o conceito de “Carreira Docente” é, no<br />
entendimento do Ministério <strong>da</strong> <strong>Educação</strong>, apenas<br />
associado aos professores <strong>dos</strong> Quadros (<strong>da</strong> Escola ou<br />
de Zona Pe<strong>da</strong>gógica).<br />
Creio que os fun<strong>da</strong>mentos que levam à existência do Artº<br />
79º (desgaste provocado pela profissão) são tão váli<strong>dos</strong><br />
para um professor do Quadro como para um professor<br />
que, não o sendo (e no meu caso porque o Ministério<br />
<strong>da</strong> <strong>Educação</strong> não o permite porque não me foi <strong>da</strong><strong>da</strong> a<br />
oportuni<strong>da</strong>de de me profissionalizar), tem também mais<br />
de 40 anos de i<strong>da</strong>de e mais de 10 anos de serviço.<br />
Aos 41 anos de i<strong>da</strong>de e com 13 anos de serviço sintome<br />
injustiçado por não poder auferir deste direito, uma<br />
vez que a minha activi<strong>da</strong>de como professor contratado<br />
em na<strong>da</strong> difere <strong>da</strong> <strong>dos</strong> meus colegas que pertencem ao<br />
Quadro.<br />
Os professores contrata<strong>dos</strong> leccionam tal como os<br />
professores do Quadro e têm as mesmas responsabili<strong>da</strong>des<br />
e activi<strong>da</strong>des em funções não lectivas, tais como direcções<br />
de turma, participação em reuniões, organização de<br />
visitas de estudo, vigilâncias de exames, etc. etc.
<strong>Professores</strong> de Técnicas Especiais<br />
Um problema de novo adiado<br />
A recente publicação do<br />
despacho sobre o acesso à<br />
profissionalização <strong>dos</strong> docentes<br />
com habilitação própria<br />
constitui sem dúvi<strong>da</strong> um<br />
avanço importante a registar<br />
na luta deste grupo de docentes<br />
que, apesar <strong>dos</strong> vários<br />
anos de serviço docente que<br />
possuem, foram assistindo ao<br />
progressivo encerramento de<br />
to<strong>da</strong>s as “portas” que lhes<br />
permitiriam adquirir a formação<br />
profissional.<br />
Pena foi que o Secretário de Estado do anterior<br />
Governo se tivesse esquecido de uma outra<br />
reivindicação <strong>da</strong> FENPROF que diz respeito<br />
a um quase residual grupo de docentes com<br />
muitos anos de serviço (alguns com 17 anos),<br />
os professores que os sucessivos governos<br />
acharam por bem “arrumar” num grupo a que<br />
chamaram de Técnicas Especiais - são estes<br />
docentes que nas escolas asseguram o ensino<br />
de áreas disciplinares como a Comunicação, a<br />
Expressão Dramática ….<br />
Para estes professores nunca foram defini<strong>da</strong>s<br />
habilitações próprias, argumentando-se que<br />
o próprio estatuto os dispensa de realizar a<br />
profissionalização. As consequências de to<strong>da</strong>s<br />
estas “benesses” têm sido ver<strong>da</strong>deiramente<br />
trágicas para estes professores:<br />
. Como não têm habilitações defini<strong>da</strong>s, não<br />
têm acesso aos concursos nacionais e são<br />
contrata<strong>dos</strong> ano a ano por concurso de “oferta<br />
de escola”, isto é, com estas regras, não têm<br />
acesso aos quadros.<br />
. Como não têm habilitações defini<strong>da</strong>s, estão<br />
igualmente impedi<strong>dos</strong> de usufruir do direito ao<br />
acesso à profissionalização nos termos defini<strong>dos</strong><br />
pelo despacho anteriormente referido.<br />
. Como não exercem funções nas escolas<br />
especializa<strong>da</strong>s de ensino artístico – António<br />
Arroio e Soares <strong>dos</strong> Reis (o exercício de<br />
funções <strong>dos</strong> docentes destas escolas foi objecto<br />
de legislação específica) – não usufruem <strong>dos</strong><br />
contratos administrativos de provimento e, em<br />
consequência, não têm direito a progressão nos<br />
índices salariais.<br />
É desumano e inadmissível que estes docentes,<br />
a quem se reconhece formação adequa<strong>da</strong>, se<br />
possam manter no sistema cinco, dez, vinte<br />
anos, numa situação de precarie<strong>da</strong>de de<br />
emprego e com vencimentos miseráveis, já que<br />
sem ingressarem nos quadros não ingressam<br />
na carreira e consequentemente mantêm<br />
sistematicamente o mesmo índice salarial.<br />
É pois prioritário que a nova equipa do<br />
Ministério <strong>da</strong> <strong>Educação</strong> tome as medi<strong>da</strong>s<br />
necessárias no sentido de integrar nos quadros<br />
estes docentes que efectivamente asseguram<br />
nas escolas o ensino de áreas inovadoras e<br />
importantes para a formação <strong>dos</strong> jovens que<br />
as frequentam.<br />
Reunião de <strong>Professores</strong> Contrata<strong>dos</strong> de Técnicas Especiais<br />
Dia 28 de Abril – 15 horas Sede do SPGL O.T. Medi<strong>da</strong>s a tomar<br />
Habilitação Própria:<br />
Uma vitória <strong>dos</strong> professores<br />
Após uma reunião de professores contrata<strong>dos</strong><br />
com habilitação própria para a docência<br />
promovi<strong>da</strong> pelo SPGL em mea<strong>dos</strong> de Outubro<br />
passado e <strong>da</strong> consequente vigília que levámos<br />
a cabo frente ao Ministério <strong>da</strong> <strong>Educação</strong>, conseguiu<br />
o SPGL confrontar o então Secretário<br />
de Estado <strong>da</strong> Administração Educativa, José<br />
Manuel Canavarro, com a situação de grave<br />
injustiça com que se debatem os professores<br />
contrata<strong>dos</strong> com habilitação própria, a par<br />
<strong>da</strong> reivindicação de medi<strong>da</strong>s concretas que<br />
solucionassem o problema <strong>da</strong> sua profissionalização.<br />
O Secretário de Estado declarou estar “sensibilizado”<br />
para o problema <strong>da</strong> precarie<strong>da</strong>de<br />
<strong>da</strong> situação destes professores com habilitação<br />
própria e do seu direito à profissionalização.<br />
Seguiram-se uma série de outras acções,<br />
entre as quais o envio de telegramas ao mesmo<br />
Secretário de Estado <strong>da</strong> Administração<br />
Educativa, exigindo o direito a uma carreira<br />
estável e dignifica<strong>da</strong> e reivindicando a criação<br />
de condições para a concretização de<br />
uma profissionalização reconheci<strong>da</strong> pelo<br />
Ministério <strong>da</strong> <strong>Educação</strong>.<br />
Entretanto e já após a realização <strong>da</strong>s eleições<br />
gerais de 20 de Março é publicado em Diário<br />
<strong>da</strong> República o Despacho 6365/2005 (2ª<br />
Série do Diário <strong>da</strong> República de dia 24 de<br />
Março), que abre uma perspectiva concreta<br />
de profissionalização <strong>dos</strong> docentes titulares<br />
de habilitação própria que, obtenham contrato<br />
no próximo ano lectivo 2005/2006 e<br />
preencham os requisitos estabeleci<strong>dos</strong> pelo<br />
referido Despacho.<br />
A situação é de facto ain<strong>da</strong> muito incerta<br />
atendendo à grande dificul<strong>da</strong>de de obter colocação<br />
no concurso que está a decorrer, tão<br />
exíguo é o número de vagas.<br />
É pois urgente agir no sentido de que não feche<br />
a porta entreaberta e não caia no esquecimento<br />
a promessa conquista<strong>da</strong>.<br />
PRÉ-ESCOLAR<br />
BÁSICO 1<br />
BÁSICO BÁSICO 2,3<br />
SECUNDÁRIO<br />
ESPECIAL<br />
PARTICULAR<br />
E COOPERATIVO<br />
IPSS’s<br />
SUPERIOR/<br />
INVESTIGAÇÃO<br />
SECTORES<br />
MARÇO 2005.ESCOLA INFORMAÇÃO .23
PRÉ-ESCOLAR<br />
BÁSICO 1<br />
BÁSICO 2,3<br />
SECUNDÁRIO<br />
ESPECIAL<br />
PARTICULAR<br />
E COOPERATIVO<br />
IPSS’s<br />
SUPERIOR / /<br />
INVESTIGAÇÃO<br />
SECTORES<br />
24. ESCOLA INFORMAÇÃO.MARÇO 2005 .<br />
Conferência do Ensino Superior e Investigação<br />
Bolonha como pano<br />
de fundo<br />
Desafios, expectativas, recusa<br />
de comercialização<br />
do ensino, necessi<strong>da</strong>de de<br />
diálogo, importância estratégica<br />
do Ensino Superior e<br />
<strong>da</strong> Ciência, defesa <strong>da</strong> diversi<strong>da</strong>de,<br />
receios de redução<br />
de financiamento estatal.<br />
Estas e muitas outras questões<br />
– em grande medi<strong>da</strong><br />
relaciona<strong>da</strong>s com o Processo<br />
de Bolonha - estiveram<br />
em debate na Conferência<br />
Nacional do Ensino Superior<br />
e <strong>da</strong> Investigação. Uma<br />
iniciativa <strong>da</strong> FENPROF que<br />
decorreu em <strong>Lisboa</strong>, em 11<br />
e 12 de Março.<br />
“Que o novo Governo esclareça de imediato<br />
a sua posição quanto ao financiamento<br />
<strong>dos</strong> ciclos de formação decorrentes <strong>da</strong> aplicação<br />
do Processo de Bolonha, de forma<br />
a afastar o receio de que esta possa vir a<br />
ser pretexto para uma ain<strong>da</strong> mais acentua<strong>da</strong><br />
desresponsabilização do Estado pelo<br />
financiamento do Ensino Superior”.<br />
Este o primeiro ponto <strong>da</strong>s exigências<br />
apresenta<strong>da</strong>s na resolução aprova<strong>da</strong> na<br />
Conferência. E que, par <strong>da</strong> preocupação<br />
com a não imposição de medi<strong>da</strong>s uniformizadoras,<br />
uma aposta na diversi<strong>da</strong>de e na<br />
quali<strong>da</strong>de, perpassou to<strong>da</strong>s as intervenções<br />
e debates.<br />
O que não implica rejeitar mu<strong>da</strong>nças. Nas<br />
palavras de João Cunha Serra, membro<br />
do Secretariado Nacional e coordenador<br />
do Departamento de Ensino Superior <strong>da</strong><br />
FENPROF, “uma postura de resistência<br />
obstina<strong>da</strong> é uma pren<strong>da</strong> ao liberalismo”.<br />
Mas implica a recusa <strong>da</strong> subordinação a<br />
lógicas de mercado.<br />
A difícil reali<strong>da</strong>de actual<br />
Em Portugal, o investimento estatal por aluno<br />
do ensino superior é igual ao do México.<br />
O investimento na investigação coloca-nos<br />
nos últimos lugares <strong>da</strong> Europa – 0,8% do<br />
PIB contra 2%. Da<strong>dos</strong> referi<strong>dos</strong> por Paulo<br />
Sucena, secretário-geral <strong>da</strong> FENPROF, que<br />
sublinhou a necessi<strong>da</strong>de de os professores<br />
serem ouvi<strong>dos</strong> nas mu<strong>da</strong>nças necessárias<br />
e nas perspectivas para o ensino. Na perspectiva<br />
de que educação e investigação<br />
são bens comuns.<br />
Este quadro de desinvestimento na área<br />
do ensino reflecte-se em vários planos. Por<br />
exemplo, e como referiu António Martins,<br />
vice-reitor <strong>da</strong> Universi<strong>da</strong>de de Coimbra,<br />
um aluno só terá direito à bolsa de estudo<br />
máxima se pertencer a uma família com 5<br />
filhos e salário mínimo nacional!<br />
De par com a questão do investimento no<br />
ensino – que necessariamente nos conduz<br />
à questão <strong>da</strong>s propinas e ao elitismo do conhecimento<br />
– outros <strong>da</strong><strong>dos</strong> testemunham <strong>da</strong><br />
frágil situação do nosso país relativamente<br />
ao quadro europeu.<br />
É o caso <strong>da</strong> percentagem de trabalhadores<br />
com Ensino Superior – 11% em Portugal e<br />
24% a nível <strong>da</strong> Europa <strong>dos</strong> 15.<br />
Ou ain<strong>da</strong> a frequência do ensino secundário.<br />
Na Inglaterra, por exemplo, o ensino<br />
secundário prolonga-se por 13 anos. Um<br />
elemento na<strong>da</strong> irrelevante quando está<br />
em causa a redução do tempo de cursos<br />
de licenciatura.<br />
A escola tem que se conhecer<br />
a si mesma<br />
As intenções de financiamento estão a inquinar<br />
todo o processo ligado à implemen-
tação de Bolonha – um facto dito e redito<br />
pelos intervenientes na Conferência.<br />
O que não obsta, entretanto, à necessi<strong>da</strong>de<br />
de aproveitar o desafi o para uma mu<strong>da</strong>nça<br />
activa e uma mu<strong>da</strong>nça escalona<strong>da</strong>, ao nível<br />
de ca<strong>da</strong> escola, de ca<strong>da</strong> instituição.<br />
Para José Tribolet, do Instituto Superior<br />
Técnico e do INESC, é fun<strong>da</strong>mental “olhar e<br />
aju<strong>da</strong>r a posicionar ca<strong>da</strong> instituição (as pessoas<br />
que estão na instituição e a socie<strong>da</strong>de<br />
envolvente)”, apostar numa quali<strong>da</strong>de que<br />
“é responsabili<strong>da</strong>de nossa”. Pois “estamos<br />
imersos numa economia do conhecimento<br />
A Conferência Nacional do Ensino<br />
Superior e <strong>da</strong> Investigação reuniu,<br />
em <strong>Lisboa</strong>, docentes e investigadores<br />
de diferentes regiões do país,<br />
e contou com a presença e intervenção<br />
no debate de convi<strong>da</strong><strong>dos</strong><br />
portugueses e estrangeiros.<br />
O painel de convi<strong>da</strong><strong>dos</strong> portugueses<br />
incluía os <strong>Professores</strong> António Martins,<br />
vice-reitor <strong>da</strong> Universi<strong>da</strong>de de<br />
Coimbra; José Tribolet, do Instituto<br />
Superior Técnico e do INESC; Raimundo<br />
Delgado, <strong>da</strong> Universi<strong>da</strong>de<br />
do Porto; Rui Namorado Rosa, <strong>da</strong><br />
Universi<strong>da</strong>de de Évora; e António<br />
Mendonça, do ISEG.<br />
Presentes estiveram também três convi<strong>da</strong><strong>dos</strong><br />
estrangeiros: José Manuel<br />
Palazon, <strong>da</strong> FECCOO (Espanha);<br />
Jeans Vrac-Jensen, do DM, organização<br />
sindical <strong>da</strong> Dinamarca; e<br />
Maurice Hérin, secretário-geral do<br />
SNESUP de França.<br />
A Conferência aprovou, para além<br />
<strong>da</strong> Resolução – que pode ser consulta<strong>da</strong><br />
no site <strong>da</strong> FENPROF -, os<br />
documentos-base que dinamizaram<br />
o debate preparatório, e que foram<br />
enriqueci<strong>dos</strong> com várias propostas,<br />
e duas moções, uma sobre o prosseguimento<br />
<strong>da</strong> luta em torno do direito<br />
ao subsídio de desemprego para os<br />
docentes e investigadores do Ensino<br />
Superior público e outra sobre a<br />
constituição de grupos de trabalho<br />
no âmbito <strong>da</strong> acção sindical.<br />
e Bolonha é só um prelúdio”.<br />
Trata-se assim de “olhar para a reali<strong>da</strong>de<br />
que existe, as condições iniciais do problema”,<br />
nas palavras de António Martins.<br />
Numa perspectiva de responsabili<strong>da</strong>de<br />
perante os ci<strong>da</strong>dãos, “os 10 milhões de<br />
accionistas de um projecto que tem a ver<br />
com a sua felici<strong>da</strong>de”.<br />
A polémica mantém-se assim bem actual.<br />
Oscilando entre a rejeição do processo<br />
de Bolonha e a sua utilização como um<br />
desafi o. Posições diversas que confl uem<br />
entretanto na recusa <strong>da</strong> comercialização<br />
do ensino.<br />
A persistência<br />
<strong>dos</strong> educadores<br />
de Infância<br />
Lança<strong>da</strong> a Campanha Nacional em<br />
defesa de uma <strong>Educação</strong> Pré-Escolar<br />
pública de quali<strong>da</strong>de, a 1 de Fevereiro,<br />
com uma Conferência de Imprensa,<br />
onde foi lançado um manifesto subscrito<br />
por alguns parceiros, seguiu-se um<br />
folheto sobre a componente educativa<br />
no Jardim de Infância.<br />
Vai ocorrer, em Abril, uma distribuição<br />
do folheto à população em to<strong>da</strong>s as<br />
capitais de distrito do País.<br />
Para os pais e/ou encarrega<strong>dos</strong> de<br />
educação <strong>da</strong>s crianças que frequentam<br />
os jardim estão disponíveis, nas sedes<br />
<strong>da</strong>s Direcções Regionais do SPGL<br />
(Cal<strong>da</strong>s <strong>da</strong> Rainha, Santarém, Setúbal<br />
e <strong>Lisboa</strong>), envelopes com exemplares<br />
para ca<strong>da</strong> sala de jardim de infância,<br />
caso não tenha chegado ao estabelecimento<br />
ou agrupamento.<br />
A reivindicação de calendário escolar<br />
idêntico ao do ensino básico tem de<br />
tomar um novo fôlego, não podemos<br />
abran<strong>da</strong>r a pressão sobre o novo<br />
Governo, subscreva uma posição individual,<br />
contacte o sindicato.<br />
A dignifi cação <strong>da</strong> <strong>Educação</strong> Pré-Escolar<br />
está nas nossas mãos. Façamos<br />
respeitar os deveres e os direitos<br />
profi ssionais <strong>dos</strong> educadores de infância.<br />
PRÉ-ESCOLAR<br />
BÁSICO 1<br />
BÁSICO 2,3<br />
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SECTORES<br />
MARÇO 2005.ESCOLA INFORMAÇÃO .25
Sejam bem vin<strong>dos</strong> ilustres DIABI-<br />
NHOS! Com o nº1 do ano 1 - isto<br />
é, são recém nasci<strong>dos</strong> - os meninos e<br />
meninas <strong>da</strong> EB1/JI de Quinta do Anjo,<br />
(anjos e diabinhos, uma mistura feliz)<br />
estão pois lança<strong>dos</strong> nesta aventura<br />
<strong>dos</strong> jornais escolares. Verão que não<br />
é fácil manter uma cui<strong>da</strong><strong>da</strong> periodici<strong>da</strong>de,<br />
mas as coisas que nos dão<br />
trabalho são as que nos dão também<br />
mais prazer. Vejamos então o que nos<br />
oferecem estes DIABINHOS. O Editorial<br />
faz-se eco de que há um novo edifício<br />
para estas escolas, o que não deixa de<br />
sau<strong>da</strong>r-se. Vamos lá usá-lo bem, o que<br />
não é a mesma coisa que estragá-lo<br />
depressa – bem pelo contrário! Claro<br />
que os olhos (devi<strong>da</strong>mente) atentos <strong>da</strong><br />
Associação de Pais detectaram logo<br />
falhas: há problemas com a segurança<br />
rodoviária <strong>dos</strong> “pequenos”, o refeitório<br />
não será grande coisa… E a professora<br />
Arman<strong>da</strong> Azenhas deixa uma série de<br />
propostas para que os pais “interajam”<br />
com os seus meninos na aquisição de<br />
um vocabulário mais rico. Passemos<br />
sobre os sismos (sala 5, 3º ano) – não<br />
vá o diabo tecê-las – e eis que os meninos<br />
<strong>da</strong> sala 2 (3º e 4º anos) o que<br />
querem mesmo é um passeio à Serra<br />
<strong>da</strong> Estrela no próximo Inverno – lá é<br />
que há neve!<br />
Permitam-me que destaque o texto do<br />
Francisco Simões, <strong>da</strong> mesma sala: não<br />
chove e o Francisco sabe que isso não<br />
é na<strong>da</strong> bom e di-lo <strong>da</strong> seguinte forma:<br />
“O meu chapéu de chuva está guar<strong>da</strong>do/<br />
Está triste por não ser usado./<br />
Queremos o cheiro a terra molha<strong>da</strong>/<br />
Queremos as poças na estra<strong>da</strong>/ Queremos<br />
saltar na rua molha<strong>da</strong>/ E ver a<br />
mãe com cara zanga<strong>da</strong>”. Brilhante. A<br />
26. ESCOLA INFORMAÇÃO.MARÇO 2005<br />
Inês Bispo diz-nos que “pão, queijo e<br />
vinho” é “uma combinação celestial”. É<br />
mesmo, Inês, mas olha que não é ain<strong>da</strong><br />
para a tua i<strong>da</strong>de!<br />
Ain<strong>da</strong> duas notas – os auto-retratos do<br />
1º ano <strong>da</strong> sala 7 são “o máximo”. É que<br />
a escola é mesmo diverti<strong>da</strong>, como escreveu<br />
o Natanael do 2º ano, sala 9.<br />
E pronto. Ficamos à espera <strong>da</strong>s vossas<br />
novas diabruras.<br />
É também a primeira vez que recebemos<br />
no sindicato o JORNAL FRA-<br />
GATA 14:35 <strong>da</strong> EB2,3 Fragatas do<br />
Tejo. Um primeiro reparo: não é indicado<br />
nem o número, nem o ano desta<br />
edição. No vosso próximo jornal peço<br />
que expliquem o vosso título: porquê<br />
FRAGATA 14:35?<br />
Neste número os sismos continuam a<br />
ser objecto de trabalhos escolares e a<br />
este tema se dedicaram o Gonçalo e a<br />
Diana do 9º A. Ain<strong>da</strong> do 9º A a Ana<br />
Sofia põe à prova as nossas reais preocupações<br />
ecológicas. Pelo destaque<br />
<strong>da</strong>do no jornal, o desporto, incluindo<br />
as “<strong>da</strong>nças sociais”, é mesmo relevante<br />
nesta escola. E é sempre útil aprender<br />
as comezainas em inglês e francês (e<br />
outras línguas) que é para quando<br />
forem a esses países não vos <strong>da</strong>rem<br />
“gato por lebre”.<br />
O TOJALINHO, <strong>da</strong> EB1 nº 4 de<br />
Agualva e J.I. Quinta Nova do Tojal<br />
já vai no número 35. Parabéns pela<br />
persistência. Boa ideia esta de logo<br />
na capa do jornal nos apresentarem o<br />
essencial do que vem no “interior”: a<br />
protecção ao Ambiente, o Teatro, as<br />
“farras” do Carnaval, as experiências<br />
na sala de aula, o uso racional <strong>da</strong> água<br />
e a melhoria <strong>da</strong> horta pe<strong>da</strong>gógica. Os<br />
nossos promissores cientistas descobriram<br />
que “tudo é feito de grãos”, que há<br />
energias renováveis – o que uma peça<br />
de Teatro nos pode ensinar! - e que só<br />
temos esta Terra, pelo que é melhor<br />
cui<strong>da</strong>r bem dela. Os ovos de Páscoa<br />
não são só para comer, também podem<br />
ser pinta<strong>dos</strong> para serem ofereci<strong>dos</strong>,<br />
como nos ensinam os meninos do 4º<br />
ano, sala 6.<br />
Estes são alguns <strong>dos</strong> temas do TOJALI-<br />
NHO num número muito variado, a testemunhar<br />
muito trabalho por parte de<br />
alunos, professores e educadores.<br />
Olhar para o RADICAL <strong>da</strong> EBI de Santo<br />
Onofre, Cal<strong>da</strong>s <strong>da</strong> Rainha, é olhar<br />
para um jornal a sério. Bom papel, bom<br />
uso <strong>da</strong> fotografia, vasta publici<strong>da</strong>de<br />
(sem ela o projecto não seria provavelmente<br />
viável). E ain<strong>da</strong> por cima, com<br />
boas notícias como essa de se terem<br />
iniciado as obras para o novo pavilhão<br />
desportivo, de a EBI ter implantado<br />
um sistema de cartão electrónico que<br />
facilita a vi<strong>da</strong> e cria maior segurança,<br />
e de se terem eficazmente divertido<br />
com os “romances amorosos” no dia<br />
de S. Valentim. De Cal<strong>da</strong>s <strong>da</strong> Rainha<br />
a <strong>Lisboa</strong> não é muito longe, e portanto<br />
toca a levar os 8ºs anos ao D. Maria II<br />
e ao CCB. Parabéns pela energia, Clara<br />
Botelho. Os do 7º foram ver a Menina<br />
do Mar ao Politeama.<br />
O Teatro e artes conexas têm nas nossas<br />
escolas um papel e uma tradição<br />
crescentes, a exigir por parte do Ministério<br />
maior apoio e melhores condições<br />
de trabalho para os professores, muitas<br />
vezes actores profissionais, que a ele se<br />
dedicam. A EBI de Santo Onofre não<br />
foge à regra: nas Artes Performativas<br />
“leram” Gil Vicente e uma turma <strong>da</strong><br />
Escola foi apresentar “o passar de uma<br />
vi<strong>da</strong>” à Sec. Raul Proença e a outros<br />
espaços caldenses. Deste excelente<br />
jornal salta a ideia de uma escola cheia<br />
de vi<strong>da</strong>!
Palestras para as escolas<br />
No quadro do Ano Internacional<br />
<strong>da</strong> Física, docentes do<br />
Departamento de Física <strong>da</strong><br />
Facul<strong>da</strong>de de Ciências <strong>da</strong> Universi<strong>da</strong>de<br />
de <strong>Lisboa</strong> oferecem<br />
um amplo leque de palestras<br />
para as escolas.<br />
A aventura do Universo -<br />
Luís Peralta<br />
O Universo é quântico -<br />
Augusto Barroso<br />
Do Big-Bang às galaxias -<br />
José Pedro Mimoso<br />
O Big Bang e a Evolução do Universo -<br />
Paulo Crawford<br />
Neutrinos Solares: a energia invisível -<br />
Luís Bento<br />
Descobrir a massa <strong>da</strong>s partículas -<br />
António Amorim<br />
Somos feitos de pó de estrelas -<br />
Ana Maria Eiró<br />
Albert Einstein cem anos depois -<br />
Paulo Crawford<br />
Einstein e a Teoria <strong>da</strong> Relativi<strong>da</strong>de -<br />
Paulo Crawford<br />
O que é o tempo -<br />
Rui Agostinho<br />
Planetas extra-solares -<br />
Filipe Duarte Santos<br />
A Colonização de Marte -<br />
Rui Agostinho<br />
Construindo novos instrumentos<br />
em Astrofísica -<br />
António Amorim<br />
Caos no sistema solar -<br />
Ana Nunes<br />
Computação para encontrarmos a agulha<br />
28 ESCOLA INFORMAÇÃO . MARÇO 2005<br />
no palheiro -<br />
António Amorim<br />
De que tamanho é o mundo? Da Internet<br />
às redes sociais -<br />
Ana Nunes<br />
Nano Lego - Jorge Pacheco<br />
Dos cristais de gelo aos fogos fl orestais - Margari<strong>da</strong><br />
Telo <strong>da</strong> Gama<br />
Auto-organizacão e as riscas <strong>dos</strong> tigres -<br />
Margari<strong>da</strong> Telo <strong>da</strong> Gama<br />
Fractais e a geometria <strong>da</strong> natureza -<br />
Ana Nunes<br />
Supercondutores e superfl ui<strong>dos</strong> -<br />
Margari<strong>da</strong> Telo <strong>da</strong> Gama<br />
A Física e o risco <strong>dos</strong> merca<strong>dos</strong> fi nanceiros -<br />
Augusto Barroso<br />
Radiação e saúde - Luís Peralta<br />
Física e a saúde - Pedro Almei<strong>da</strong><br />
Física e a saúde - Eduardo Ducla Soares<br />
<strong>Grande</strong>s contribuições <strong>da</strong> Física para a Medicina<br />
- Eduardo Ducla Soares<br />
Física e a saúde - Alexandre Andrade<br />
A Física no ambiente - Luísa Carvalho<br />
Porque aumenta a temperatura em Portugal<br />
- Pedro Miran<strong>da</strong><br />
Alterações climáticas - Filipe Duarte Santos<br />
Clima e ambiente - Filipe Duarte Santos<br />
Riscos sísmicos em Portugal - Paula Teves<br />
À procura <strong>da</strong>s origens do terramoto de 1755<br />
- Luís Matias<br />
À beira de uma inversão do campo magnético<br />
Terrestre? - Miguel Miran<strong>da</strong><br />
Viagem ao interior <strong>da</strong> Terra - Miguel Miran<strong>da</strong><br />
Imagens de satélite e a protecção ambiental<br />
- José Teixeira<br />
As on<strong>da</strong>s e o Surf - Isabel Ambar<br />
O mar está tão frio e é Verão? - Isabel Ambar<br />
As marés no Oceano - Joaquim <strong>dos</strong> Santos<br />
O papel do Oceano no clima - Joaquim <strong>dos</strong><br />
Santos<br />
Energia Solar Fotovoltaica - João Serra<br />
História <strong>da</strong> Física - Ana Isabel Simões<br />
Os interessa<strong>dos</strong> deverão contactar: Eduardo Gomes 21 799 3665<br />
eduardo.gomes@spf.pt<br />
Mais informações:<br />
SOCIEDADE PORTUGUESA DE FÍSICA Aveni<strong>da</strong> <strong>da</strong> República nº37, 4ºan<strong>da</strong>r<br />
1050 - 187 <strong>Lisboa</strong> Portugal . Tel: +351 21 799 36 65 . Fax: +351 21 795 23 49<br />
Email: secretariado@spf.pt<br />
<strong>Educação</strong> Sexual<br />
em Contexto Escolar<br />
A <strong>Educação</strong> Sexual em Contexto<br />
Escolar foi tema de um seminário promovido<br />
pelo <strong>Sindicato</strong> de <strong>Professores</strong><br />
<strong>da</strong> <strong>Grande</strong> <strong>Lisboa</strong>, Direcção Regional<br />
do Oeste.<br />
A iniciativa teve lugar nas Cal<strong>da</strong>s <strong>da</strong><br />
Rainha, Escola Superior de Arte e<br />
Design, dia 14 de Abril.<br />
“A importância <strong>da</strong> educação <strong>da</strong><br />
sexuali<strong>da</strong>de na prevenção de comportamentos<br />
de risco” foi o primeiro<br />
tema abor<strong>da</strong>do, com intervenção de<br />
Manuel de Freitas Gomes, médico e especialista<br />
em psiquiatria. Seguindo-se<br />
“A importância e o lugar <strong>da</strong> <strong>Educação</strong><br />
Sexual no processo de formação integral”,<br />
em que foram nomea<strong>da</strong>mente<br />
apresenta<strong>da</strong>s propostas de parti<strong>dos</strong><br />
com assento na Assembleia <strong>da</strong><br />
República (Sónia Fertuzinhos - PS, Teresa<br />
Chaveiro - PCP e Ana Drago - BE)<br />
e perspectivas <strong>dos</strong> pais e <strong>dos</strong> alunos<br />
(Albino Pinto de Almei<strong>da</strong>, presidente<br />
<strong>da</strong> CONFAP, e Catarina Rosa – AE <strong>da</strong><br />
ES do Bombarral).<br />
Uma outra vertente do programa<br />
centrou-se nas metodologias de intervenção<br />
na escola, ao nível <strong>da</strong>s<br />
abor<strong>da</strong>gens na escola, ao nível do desenho<br />
curricular (disciplina/conteúdo<br />
transversal) e ao nível <strong>da</strong> formação<br />
de professores. A intervenção de<br />
fundo esteve a cargo de Ângela Rodrigues,<br />
professora <strong>da</strong> Facul<strong>da</strong>de de<br />
Psicologia e Ciências <strong>da</strong> <strong>Educação</strong> <strong>da</strong><br />
Universi<strong>da</strong>de de <strong>Lisboa</strong> e presidente<br />
do Instituto Irene <strong>Lisboa</strong>.<br />
Neste âmbito foram igualmente apresenta<strong>da</strong>s<br />
algumas respostas existentes<br />
e problemas identifi ca<strong>dos</strong> por Elisabete<br />
Souto, <strong>da</strong> APF, e experiências em desenvolvimento<br />
nas escolas (Ana Varela<br />
– Escola Secundária de Peniche, Isabel<br />
Coentro e Dulce Fonseca – Escola<br />
Secundária do Bombarral).
A regulação <strong>da</strong> educação<br />
Política e actores<br />
O Fórum Português de Administração Educacional<br />
– como espaço de debate, de troca de experiências<br />
e de perspectivas no campo <strong>da</strong> Política Educativa<br />
e <strong>da</strong> Administração Educacional – vai promover,<br />
em 21 de Abril, um debate sobre “A regulação<br />
<strong>da</strong> educação em Portugal e na Europa – política<br />
e actores.”<br />
A iniciativa terá lugar no Auditório do Conselho Nacional<br />
de <strong>Educação</strong>, R. Florbela Espanca, <strong>Lisboa</strong>.<br />
A entra<strong>da</strong> é livre. A quem o desejar será emitido<br />
um Certifi cado de participação.<br />
Em nota de divulgação desta iniciativa – para que<br />
convi<strong>da</strong> to<strong>dos</strong> os interessa<strong>dos</strong> - o Fórum lembra<br />
que “Em Portugal como em to<strong>da</strong> a Europa, os valores,<br />
opções ideológicas e interesses específi cos<br />
expressos nas políticas educativas e nos mo<strong>dos</strong> de<br />
gestão <strong>da</strong> provisão pública <strong>da</strong> <strong>Educação</strong> têm vindo<br />
a adquirir crescente protagonismo nas preocupações<br />
<strong>dos</strong> ci<strong>da</strong>dãos, no debate público corrente e<br />
na agen<strong>da</strong> política mediática.”<br />
09h50 - Sessão de Abertura<br />
10h00 - Conferência<br />
“Evolução <strong>da</strong> Regulação <strong>da</strong> <strong>Educação</strong> em<br />
Portugal: Mo<strong>dos</strong> e Tendências”<br />
– João Barroso (FPCE – UL)<br />
10h45 - Debate<br />
11h15 - Pausa – Café<br />
11h30 - Painel (1ª parte)<br />
“A Regulação <strong>da</strong> <strong>Educação</strong>: Instâncias e<br />
Níveis de Intervenção”<br />
Moderadora<br />
Berta Macedo (Investigadora)<br />
Participantes<br />
“As Direcções Regionais de <strong>Educação</strong><br />
como Instâncias de Regulação”<br />
– Natércio Afonso (FPCE – UL)<br />
“As Autarquias Locais enquanto Instâncias<br />
de Regulação Intermédia”<br />
– João Pinhal (FPCE – UL)<br />
12h00 - Debate<br />
12h30 - Intervalo – Almoço<br />
14h30 - Painel (2ª parte) –<br />
“A Regulação <strong>da</strong> <strong>Educação</strong>: Instâncias<br />
e Níveis de Intervenção”<br />
Moderadora<br />
Berta Macedo (Investigadora)<br />
Participantes<br />
“A Regulação nos Espaços de Interdepen-<br />
dência Inter-escolas”<br />
Sofi a Viseu (INA)<br />
“A Gestão Escolar e a Micro-regulação<br />
Interna <strong>da</strong>s Escolas”<br />
Luís Leandro Dinis (ES Alves Redol)<br />
15h00 - Debate<br />
15h30 - Conferência – “Regulação e<br />
Desigual<strong>da</strong>des nos Sistemas Educativos<br />
Europeus” –<br />
Christian Maroy (Universi<strong>da</strong>de Católica<br />
de Lovaina)<br />
16h15 - Debate<br />
16h45 - Divulgação científi ca<br />
* Apresentação do 4º número <strong>da</strong> Revista<br />
“Administração Educacional”.<br />
* Apresentação <strong>da</strong>s Actas do 2º Congresso<br />
Nacional “A Escola entre o Estado<br />
e o Mercado: o Público e o Privado<br />
na Regulação <strong>da</strong> <strong>Educação</strong>”.<br />
* Lançamento do Livro “Organização<br />
e Gestão do Agrupamento Vertical de<br />
Escolas – a teia <strong>da</strong>s lógicas de acção”<br />
de Graça Jegundo Simões<br />
17h00 - Encerramento <strong>dos</strong> trabalhos<br />
Assembleia-Geral do Fórum (reserva<strong>da</strong><br />
aos Associa<strong>dos</strong>)<br />
FÓRUM SOCIAL<br />
PORTUGUÊS<br />
ÉVORA, 14 DE MAIO<br />
DE 2005<br />
Em 14 de Maio próximo, decorrerá<br />
na ci<strong>da</strong>de de Évora, no quadro do<br />
FÓRUM SOCIAL PORTUGUÊS, um encontro<br />
subordinado ao tema RESISTÊNCIAS E<br />
ALTERNATIVAS.<br />
O FÓRUM SOCIAL PORTUGUÊS, como os<br />
congéneres europeu e mundial, é um<br />
espaço que acolhe as iniciativas <strong>da</strong>s<br />
mulheres e <strong>dos</strong> homens que, a título<br />
individual ou no quadro de organizações,<br />
lutam contra as discriminações,<br />
a guerra e o neoliberalismo.<br />
Neste contexto, o encontro RESISTÊNCIAS<br />
E ALTERNATIVAS é um espaço aberto a<br />
quem queira contribuir para a criação,<br />
difusão e socialização de alternativas<br />
à actual estrutura <strong>da</strong> socie<strong>da</strong>de<br />
nacional, europeia e internacional<br />
e constitui uma ocasião privilegia<strong>da</strong><br />
de identifi car, sistematizar e partilhar<br />
um conjunto de práticas sociais<br />
que, em Portugal, anunciam e dão<br />
corpo à esperança numa outra ordem<br />
económica, social, política e cultural<br />
global mais justa e solidária.<br />
O programa do encontro RESISTÊNCIAS<br />
E ALTERNATIVAS é tripartido: de manhã<br />
será realizado um grande debate<br />
conjunto subordinado ao tema do<br />
encontro; a tarde será reserva<strong>da</strong><br />
à livre iniciativa <strong>da</strong>s organizações<br />
participantes; por fi m, um momento<br />
de convívio e de animação cultural<br />
encerrará os trabalhos, salienta uma<br />
nota de imprensa <strong>da</strong>s organizações<br />
proponentes <strong>da</strong> iniciativa.<br />
O SPGL participará nesta iniciativa. Os<br />
professores e educadores <strong>da</strong> área do<br />
SPGL interessa<strong>dos</strong> em participar nesta<br />
iniciativa poderão contactar o seu sindicato<br />
para organizar transportes.<br />
Aluga-se apartamento<br />
férias Albufeira<br />
Bem equipado; T2;<br />
boa vista; junto praia.<br />
Telef: 214396003<br />
Tm: 918368754<br />
Maria Graça Samora Pontes Correia<br />
MARÇO 2005 . ESCOLA INFORMAÇÃO 29
Viagem a Cuba - <strong>Grande</strong> Circuito<br />
de 18 de Julho a 2 de Agosto de 2005<br />
A <strong>da</strong>ta deste circuito, anteriormente previsto para<br />
o mês de Abril, foi altera<strong>da</strong> para a 2ª quinzena<br />
de Julho, por não estar preenchido o número de<br />
inscrições necessárias<br />
Nota: Esta viagem organiza<strong>da</strong> pela Frente de<br />
Trabalho de <strong>Professores</strong> Aposenta<strong>dos</strong>, é aberta a<br />
sócios do SPGL/FENPROF, familiares e/ou amigos,<br />
bem como aos funcionários do SPGL/FENPROF.<br />
Locais a visitar:<br />
HAVANA / PIÑAR DEL RIO /<br />
VIÑALES / PRAIA GIRÓN / CIEN-<br />
FUEGOS / TRINIDAD<br />
SANCTI SPIRITUS / CIEGO DʼÁVILA<br />
/ CAMAGÜEY<br />
LAS TUNAS / BAYAMO<br />
SIERRA MAESTRA / SANTIAGO<br />
DE CUBA<br />
HOLGUIN / GUARDALAVACA<br />
MORON / REMÉDIOS / SANTA<br />
CLARA / VARADERO<br />
MATANZAS<br />
Nome<br />
Acompanhante<br />
Mora<strong>da</strong> de contacto<br />
30 ESCOLA INFORMAÇÃO . MARÇO 2005<br />
A visita a estes locais é acompanha<strong>da</strong><br />
de guia local, bem como pelo guia<br />
<strong>da</strong> agência de viagens. Durante estes<br />
percursos haverá dias livres. Os voos<br />
serão via Madrid, pela Ibéria.<br />
Para conhecer o programa detalhado,<br />
com a indicação <strong>dos</strong> respectivos<br />
regimes hoteleiros poderá consultar<br />
o site do SPGL (www.spgl.pt) ou contactar<br />
directamente os dirigentes Alina<br />
Sousa ou Victor Chaves às quintas-feiras,<br />
<strong>da</strong>s 15h às 17h na sede.<br />
Preços:<br />
Preço por pessoa em quarto duplo<br />
Eur 2.120,00<br />
Suplemento para quarto individual<br />
Eur 125,00<br />
O Preço inclui:<br />
. Passagem aérea <strong>Lisboa</strong> / Madrid<br />
/ Havana – Havana / Madrid /<br />
<strong>Lisboa</strong><br />
. Alojamento nos hotéis em regime de<br />
meia pensão e/ou tudo incluído.<br />
(Alguns <strong>dos</strong> hotéis previstos poderão<br />
ser substituí<strong>dos</strong> por outros similares)<br />
Viagem a Cuba<br />
Ficha de Inscrição<br />
Telefone Telemóvel<br />
Pagamento:<br />
Cheque nº Banco<br />
. Almoços sempre que menciona<strong>dos</strong><br />
no programa.<br />
. Circuitos e visitas conforme itinerário<br />
com guia local e guia <strong>da</strong> Agência.<br />
. Taxas de aeroporto, de turismo, hoteleiras,<br />
de serviço e Iva.<br />
. Seguro de assistência em viagem<br />
Condições de pagamento:<br />
. 4 prestações de 530 Euros, sendo<br />
que a 1ª será efectua<strong>da</strong> no acto <strong>da</strong><br />
inscrição e a última até 18 de Junho.<br />
Nota: Esta viagem realizar-se-á com um<br />
mínimo de 30 participantes. A selecção<br />
será feita por ordem de inscrição.<br />
O cheque que acompanha a Ficha<br />
de Inscrição será devolvido, caso não<br />
haja inscrições sufi cientes para a sua<br />
realização.<br />
Nota: A fi cha de inscrição acompanha<strong>da</strong><br />
do respectivo cheque<br />
no valor de 530 euros deverá ser<br />
envia<strong>da</strong> até 30 de Abril, para<br />
a sede do SPGL (Rua Fialho de<br />
Almei<strong>da</strong>, nº 3 – 1070-128 <strong>Lisboa</strong>)<br />
ao cui<strong>da</strong>do de Alina Sousa ou<br />
Victor Chaves.
Concurso de Fotografia<br />
Olhares sobre a Escola Pública<br />
O concurso de fotografia Olhares<br />
sobre a Escola Pública, uma organização<br />
<strong>da</strong> Direcção Regional do<br />
Oeste, tem como objectivos:<br />
. Proporcionar uma reflexão sobre<br />
a reali<strong>da</strong>de escolar actual no nosso<br />
país;<br />
. Divulgar a imagem do SPGL<br />
como enti<strong>da</strong>de defensora de uma<br />
escola pública e de quali<strong>da</strong>de;<br />
. Promover a divulgação de trabalhos<br />
relaciona<strong>dos</strong> com a fotografia<br />
a to<strong>dos</strong> os membros <strong>da</strong> comuni<strong>da</strong>de<br />
educativa.<br />
Público alvo: <strong>Professores</strong> e alunos<br />
de qualquer grau de ensino e pessoas<br />
liga<strong>da</strong>s à comuni<strong>da</strong>de educativa<br />
Condições de participação:<br />
1. A participação no concurso está<br />
sujeita ao preenchimento <strong>da</strong> ficha<br />
de inscrição acompanha<strong>da</strong> <strong>da</strong>s informações<br />
e materiais solicita<strong>dos</strong>.<br />
2. A entrega <strong>da</strong> ficha de inscrição<br />
e <strong>dos</strong> trabalhos deverá ser<br />
feita nas delegações do SPGL em<br />
Cal<strong>da</strong>s <strong>da</strong> Rainha, Torres Vedras<br />
ou Mafra até ao dia 30 de Junho<br />
de 2005.<br />
3. Serão admiti<strong>da</strong>s a concurso<br />
obras em qualquer domínio <strong>da</strong><br />
fotografia sem restrição de dimensões<br />
4. Aceita-se o máximo de três trabalhos<br />
por concorrente.<br />
5. Os trabalhos entregues devem<br />
estar prontos a expor.<br />
6. A devolução <strong>dos</strong> trabalhos será<br />
feita na delegação de Cal<strong>da</strong>s <strong>da</strong><br />
Rainha após o encerramento <strong>da</strong><br />
mostra de trabalhos.<br />
7. A organização será responsável<br />
pela produção, montagem e apre-<br />
DIRECÇÃO REGIONAL DO OESTE<br />
sentação pública <strong>dos</strong> trabalhos<br />
selecciona<strong>dos</strong>.<br />
8. A organização não se responsabiliza<br />
por qualquer <strong>da</strong>no<br />
ou extravio causado durante a<br />
guar<strong>da</strong>, transporte ou apresentação<br />
<strong>dos</strong> trabalhos.<br />
9. A organização salvaguar<strong>da</strong>rá<br />
os direitos de autor <strong>dos</strong> trabalhos<br />
entregues à sua guar<strong>da</strong>.<br />
10. Os autores selecciona<strong>dos</strong> autorizarão<br />
a divulgação de imagens<br />
e informação referente aos<br />
respectivos trabalhos no âmbito<br />
de quaisquer suportes ou veículos<br />
de promoção <strong>da</strong> iniciativa.<br />
11. A participação no concurso<br />
implica a aceitação <strong>da</strong>s suas condições<br />
gerais e regulamentos.<br />
12. Os casos omissos serão resolvi<strong>dos</strong><br />
pela organização.<br />
13. A lista <strong>dos</strong> concorrentes selecciona<strong>dos</strong><br />
para a mostra de fotografia<br />
“Olhares sobre a Escola<br />
Pública” será publica<strong>da</strong> oportunamente<br />
no “Escola Informação”<br />
e no site do SPGL.<br />
14. A apresentação pública <strong>dos</strong><br />
trabalhos selecciona<strong>dos</strong> realizarse-á<br />
em Outubro/Novembro de<br />
2005.<br />
Constituição do júri: Um representante<br />
<strong>da</strong> região Oeste do<br />
SPGL, um fotógrafo do “Escola<br />
Informação” e um professor de<br />
fotografia <strong>da</strong> ESAD<br />
Prémio: 250 Euros (É premiado<br />
um único trabalho que ficará<br />
proprie<strong>da</strong>de do SPGL)<br />
ARRENDA-SE T3<br />
(5 camas,7 pessoas) NAZARÉ (férias), a 700 m <strong>da</strong> praia (à semana)<br />
Tel. 249 561 171 TLM: 966 288 523<br />
amilcarborges@oninet.pt<br />
DIRECÇÃO REGIONAL DO OESTE<br />
Lembrar<br />
José Afonso<br />
Programa<br />
Abril/Maio de 2005<br />
Dia 23 de Abril – 15h00 – Café<br />
Central – Abertura <strong>da</strong> Exposição<br />
“Vi<strong>da</strong> e Obra de José Afonso”<br />
21h00 – Pimpões – Concerto<br />
com Amélia Muge* e Sons do<br />
Bairro<br />
Dia 27 de Abril – 21h30 – Café<br />
Central – Audição comenta<strong>da</strong><br />
de canções para Teatro de José<br />
Afonso – colaboração José Carlos<br />
Faria, Teatro <strong>da</strong> Rainha<br />
Dia 28 de Abril – 21h30 – Café<br />
Central – Sessão Pública sobre o<br />
livro Livra-te do Medo, de José<br />
A. Salvador – organização <strong>da</strong><br />
Comuni<strong>da</strong>de de Leitores <strong>da</strong>s<br />
Cal<strong>da</strong>s <strong>da</strong> Rainha<br />
Dia 29 de Abril – 21h30 – Café<br />
Central – Sessão de Poesia sobre<br />
o 25 de Abril – com a presença<br />
de Vasco Lourenço e colaboração<br />
<strong>da</strong> Associação 25 de Abril<br />
Dia 30 de Abril – 21h30 – Café<br />
Central – José Afonso, o Homem<br />
e o Artista – painel com participação<br />
de Manuel Alegre, João<br />
Afonso <strong>dos</strong> Santos e Francisco<br />
Fanhais*<br />
Dia 1 de Maio – 17h00 – Café<br />
Central – Encerramento <strong>da</strong> exposição<br />
– “Grupo Coral Dixit”<br />
*Presença ain<strong>da</strong> não confirma<strong>da</strong>.<br />
www.spgl.pt<br />
SPGL on-line<br />
o portal <strong>dos</strong><br />
professores<br />
Brevemente remodelado<br />
MARÇO 2005 . ESCOLA INFORMAÇÃO 31
Teatro Ibérico<br />
A Castro<br />
A Castro, de António Ferreira, numa<br />
encenação de José Blanco Gil, está em<br />
palco, até 1 de Maio, no Teatro Ibérico.<br />
Rua de Xabregas, 54 - 1900-440 <strong>Lisboa</strong>.<br />
De Quinta a Domingo, às 21.30h.<br />
Um espectáculo que se insere na comemoração<br />
<strong>dos</strong> 650 anos <strong>da</strong> morte de Inês<br />
de Castro.<br />
Em cena, “uma nova abor<strong>da</strong>gem de um<br />
clássico, que pelas mãos desta Companhia<br />
já ganhou vários prémios internacionais,<br />
tendo este ano a honra de inaugurar<br />
os eventos teatrais do Ano Inesiano <strong>da</strong><br />
Cultura em Alcobaça, a convite <strong>da</strong> Associação<br />
<strong>dos</strong> Amigos de Pedro e Inês”.<br />
A Castro, de António Ferreira, é uma<br />
tragédia em cinco actos sobre amor<br />
proibido tão apaixonante, entre D. Inês<br />
de Castro e D. Pedro, futuro Rei de Portugal,<br />
que parte do momento em que a<br />
Castro e o Infante reafi rmam a força do<br />
seu amor aos seus confi dentes, percorre<br />
todo o julgamento em que se confrontam<br />
a Razão de Estado e Paixão, que culminará<br />
na morte trágica de Inês e na revolta<br />
dolorosa e apaixona<strong>da</strong> de D. Pedro.<br />
Castro é um drama em que o desenrolar<br />
<strong>da</strong> tragédia se vai apresentando como<br />
numa balança, em que ca<strong>da</strong> interveniente<br />
deposita as suas razões e motivações,<br />
que se entrecruzam com o Destino, o<br />
Fado, deixando no ar a dúvi<strong>da</strong> se existirá<br />
uma Predestinação ou se ca<strong>da</strong> personagem<br />
toma as rédeas <strong>da</strong> sua Fortuna.<br />
Reservas, informações - 21 868 2531<br />
http://teatroiberico.com.sapo.pt<br />
teatroiberico@sapo.pt<br />
32 ESCOLA INFORMAÇÃO . MARÇO 2005<br />
Com o apoio do SPGL,<br />
o Cineclube ABC promove o ciclo<br />
“Cinema e Ambiente”.<br />
Aproveite para ver (ou rever) alguns<br />
excelentes fi lmes.<br />
CINEMA QUARTETO<br />
Rua Flores de Lima, 16 – tel.: 21 7971244<br />
(Bilhetes 2,00€)<br />
Sexta-feira - 22 de Abril – 19h00<br />
NORTHFORK de Michael Polish<br />
Int. James Woods, Nick Nolte, Douglas Sebern, Claire<br />
Forlane<br />
U.S.A., 2003 – cor<br />
Sexta-feira - 29 de Abril – 19h00<br />
OS ÚLTIMOS DIAS DO PARAÍSO<br />
(Medicine Man) de John McTiernan<br />
Int. Sean Connery, Lorraine Bracco, José Wilker<br />
U.S.A., 1992 – cor<br />
Sexta-feira - 6 de Maio – 19h00<br />
OS RESPIGADORES E A RESPIGADORA<br />
(Les glaneurs et la glaneuse) de Agnès Var<strong>da</strong><br />
França, 2000 – cor | Documentário<br />
Sexta-feira – 13 de Maio – 18h30<br />
DERSU UZALA – A ÁGUIA DAS ESTEPES de Akira<br />
Kurosawa<br />
Int. Yuri solomin, Maksim Munzuk, Suimenkul<br />
Chokmotov<br />
U.R.S.S./Japão, 1974 – cor<br />
“Óscar” do Melhor fi lme de Língua Estrangeira, 1975<br />
SOCIEDADE PORTUGUESA DE AUTORES<br />
Auditório Frederico de Freitas<br />
Av. Duque de Loulé, 31 – tel.: 213594478<br />
(Entra<strong>da</strong> gratuita)<br />
Terça-feira – 19 de Abril – 18h30<br />
A COSTA DO MOSQUITO de Peter Weir<br />
Int. Harrison Ford, Helen Mirren, River Phoenix<br />
U.S.A., 1986 – cor<br />
Terça-feira – 3 de Maio – 18h30<br />
O SINDROMA DA CHINA de James Bridges<br />
Int. Jane Fon<strong>da</strong>, Jack Lemon, Michael Douglas<br />
U.S.A., 1979 – cor<br />
Terça-feira – 10 de Maio – 18h30<br />
KOYAANISQATSI – CENAS DE EQUILÍBRIO INSTÁVEL de<br />
Godfrey Reggio<br />
Mús. Philip Glass Prod. Francis Ford Coppola<br />
U.S.A., 1982 – cor<br />
Classifi cação etária geral: Maiores de 16 anos – O<br />
programa pode ser alterado por motivos imprevistos.<br />
To<strong>dos</strong> os fi lmes são legen<strong>da</strong><strong>dos</strong> em português<br />
protocolos<br />
protocolos<br />
Literacia Poder<br />
Local Ci<strong>da</strong><strong>da</strong>nia<br />
Europeia<br />
Na Déca<strong>da</strong> <strong>da</strong> Literacia, decreta<strong>da</strong><br />
pela ONU e pela UNESCO,<br />
a Civitas – Associação de<br />
Defesa e Promoção <strong>dos</strong> Direitos<br />
<strong>dos</strong> Ci<strong>da</strong>dãos – celebra o Ano<br />
<strong>da</strong> Literacia com a realização<br />
de uma Conferencia Nacional<br />
de Literacia Poder Local<br />
Ci<strong>da</strong><strong>da</strong>nia Europeia, em Junho<br />
de 2005, no Centro Jacques<br />
Delors, em <strong>Lisboa</strong>.<br />
Protocolo com a<br />
Clínica Harmonia<br />
protocolos<br />
O SPGL celebrou<br />
um protocolo com a<br />
Clínica Harmonia. Uma<br />
possibili<strong>da</strong>de mais<br />
aberta aos sócios na<br />
área <strong>da</strong> saúde.<br />
A Clínica Harmonia<br />
oferece diversos serviços<br />
em consultas e<br />
tratamentos, exames<br />
auxiliares de diagnóstico<br />
e dispõe ain<strong>da</strong> de<br />
um Centro de medicina<br />
laser – tratamento sem<br />
cirurgia.<br />
Para <strong>da</strong><strong>dos</strong> mais concretos<br />
consultar o site:<br />
www.clinicaharmonia.pt.<br />
A tabela de descontos<br />
acor<strong>da</strong><strong>da</strong> é a seguinte:<br />
. Consultas – 20%<br />
. Avaliações – 20%<br />
. Terapia Laser – 15%<br />
. Exames Auxiliares de<br />
Diagnóstico – 10%<br />
. Testes de Paterni<strong>da</strong>de<br />
– 5%<br />
Mora<strong>da</strong> e contactos <strong>da</strong><br />
Clínica:<br />
Av. <strong>da</strong> Liber<strong>da</strong>de, nº<br />
245, 5º D - 1250-143<br />
<strong>Lisboa</strong><br />
Tel: 213554680<br />
Fax: 213554583<br />
Mail:<br />
utentes@clinicaharmonia.pt
O SPGL celebra protocolos<br />
com várias enti<strong>da</strong>des<br />
liga<strong>da</strong>s ao turismo<br />
Nome <strong>da</strong> Enti<strong>da</strong>de Ramo/Activi<strong>da</strong>de Desconto/Protocolo Especial<br />
STAS (Colónia de Férias) Colónia de Férias Tel: 800205179<br />
Hotel do Parque Hotéis/Turismo<br />
Luna Hotéis Hotéis/Turismo<br />
Programa MAISHOTEL Hotéis/Turismo<br />
Grupo Accor Amorim Hotéis/Turismo/Cadeia de Hotéis Mercure<br />
Grupo Accor Amorim Hotéis/Turismo/Cadeia de Hotéis Sofi tel<br />
Grupo Accor Amorim Hotéis/Turismo/ Cadeias de Hotéis Novotel<br />
Grupo Hotéis VilaGalé Hotéis/Turismo<br />
Hotel Ci<strong>da</strong>dela Hotéis/Turismo<br />
Hotel Atlântico Hotéis/Turismo<br />
Quinta do Barracão Turismo Rural<br />
Monte Alerta Turismo Rural<br />
Douro Azul Cruzeiros/Turismo<br />
Desc. 6 a 10%<br />
Tel: 231512031<br />
www.hoteldoparquecuria.com<br />
geral@hoteldoparquecuria.com<br />
Desc. 10 a 15%<br />
www.lunahoteis.com<br />
Desc. 20%<br />
Tel: 218483203<br />
www.maishotel.com<br />
empresas@maishotel.com<br />
Desc. 10 a 15%<br />
Tel: 217244880<br />
www.accorhotels.com<br />
Desc. 15 a 20%<br />
Tel: 217244880<br />
www.accorhotels.com<br />
Desc. 10 a 15%<br />
Tel: 217244880<br />
www.accorhotels.com<br />
Desc. 25%<br />
Tel: 217907600<br />
Call Center: 800204224<br />
www.vilagale.pt<br />
Desc. 15%<br />
Tel: 214827600<br />
www.hotelci<strong>da</strong>dela.com<br />
hotelci<strong>da</strong>dela@hotelci<strong>da</strong>dela.com<br />
Desc. 15%<br />
Tel: 214680270<br />
www.hotelatlanticoestoril.com<br />
hotel.atlantico@mail.telepac.pt<br />
Desc. 6 a 10%<br />
Tel: 218442000<br />
www.pousa<strong>da</strong>s.pt<br />
Desc. 20%<br />
Tel: 266550150<br />
www.montealerta.pt<br />
Desc. 10%<br />
Tel: 223402518<br />
www.douroazul.com<br />
Orbitur Campismo/Turismo Desc. 10%<br />
Império Autocenter Serviços, Acessórios p/ Viaturas<br />
Desc. 5 a 30%<br />
Tel: 808201516<br />
Papelaria Fernandes Papelaria Desc. 10%<br />
ARTEHBY Hotelaria, Turismo e lazer<br />
O sócios do SPGL, bem como os seus trabalhadores e colaboradores,<br />
têm este ano à disposição um leque alargado de<br />
oportuni<strong>da</strong>des para as suas férias. As enti<strong>da</strong>des, contactos e<br />
descontos vêm referencia<strong>dos</strong> no quadro ao lado. Mas em breve<br />
será possível saber mais através do site do SPGL.<br />
De referir também o protocolo com a Papelaria Fernandes.<br />
Desc. 5 a 30%<br />
Tel: 217803477<br />
www.arteh-hotels.com<br />
info@arteh-hotels.com<br />
MARÇO 2005 . ESCOLA INFORMAÇÃO 33
Aviso 1988/05, de 28 de<br />
Fevereiro<br />
Procedimentos e áreas temáticas para efeitos<br />
do pedido de equiparação a bolseiro.<br />
Despacho nº 4457/02, de<br />
1 de Março<br />
Determina o nº de vagas para a concessão de<br />
equiparação a bolseiro.<br />
Despacho Normativo nº 15/05,<br />
de 28 de Fevereiro<br />
Regulamentos do Júri Nacional de Exames,<br />
Exames Nacionais do E. Básico e Exames de<br />
E. Secundário.<br />
Despacho nº 4456/05,<br />
de 1 de Março<br />
Regulamenta os procedimentos necessários<br />
ao reconhecimento do tempo de serviço<br />
prestado por professores/ forman<strong>dos</strong> que<br />
celebrem contratos de voluntariado com organizações<br />
não governamentais no âmbito<br />
de cooperação.<br />
Despacho Normativo nº 8/05,<br />
de 3 de Fevereiro<br />
Altera o nº 1 e 4 do Despacho Normativo nº<br />
185/92, de 8 de Outubro (dispensas para<br />
formação)<br />
Decreto-Lei nº 57/05,<br />
de 4 de Março<br />
Estabelece as normas de execução do<br />
Orçamento de Estado para 2005<br />
Despacho nº 5065/05,<br />
de 9 de Março<br />
Aprova o regulamento modelo para o mecanismo<br />
de transmissão em cadeia de manuais<br />
escolares nos 2º e 3º ciclos do ensino básico.<br />
Despacho nº 5208/05,<br />
de 10 de Março<br />
Estabelece normas a aplicar nas provas de<br />
aferição a realizar no fi nal <strong>dos</strong> 1º e 2º ciclos<br />
do Ensino Básico.<br />
Despacho nº 5426/05,<br />
de 14 de Março<br />
Defi ne a dotação máxima de pessoal docente<br />
a tempo inteiro na Universi<strong>da</strong>de Aberta.<br />
Despacho nº 5537/05,<br />
de 15 de Março<br />
Determina que o exame <strong>da</strong> área curricular<br />
<strong>dos</strong> TIC, do currículo do 9º ano de escolari<strong>da</strong>de,<br />
apenas terá lugar no ano lectivo<br />
2005/06<br />
Decreto-Lei nº 67/05,<br />
de 15 de Março<br />
Regula o reconhecimento pelo Estado<br />
Português <strong>dos</strong> graus académicos conferi<strong>dos</strong><br />
na sequência <strong>da</strong> conclusão com êxito de um<br />
curso de mestrado Erasmus Mundus e a sua<br />
titulação.<br />
Despacho nº6365/05, de 24 de<br />
Março (2ª série)<br />
Profi ssionalização <strong>dos</strong> professores com<br />
habilitação própria com 5 ou mais anos de<br />
serviço.<br />
DEPARTAMENTO DE CULTURA<br />
A exposição a Óleo de Carlos Dinis está patente ao público<br />
até 15 de Abril.<br />
A 20 de Abril, 4ª feira, pelas 18h30, haverá Inauguração<br />
<strong>da</strong> Exposição de Fotografi a “pelo Sul à procura do Norte”<br />
de Felizar<strong>da</strong> Barra<strong>da</strong>s. A mesma poderá ser visita<strong>da</strong> até 13<br />
de Maio.<br />
A 18 de Maio, 4ª feira, pelas 18h30 haverá Inauguração <strong>da</strong><br />
Exposição de Pintura de Cláudia Torres. A mesma estará<br />
patente até 9 de Junho.<br />
A 15 de Junho terá lugar uma Exposição de Serigrafi a de<br />
Margari<strong>da</strong> Rancy e Marina Santos, que poderá ser visita<strong>da</strong><br />
até 15 de Julho.<br />
Lembramos que os nossos sócios terão 10% de desconto na<br />
aquisição de bilhetes (também para os acompanhantes) para<br />
os seguintes espectáculos:<br />
- Ópera Tosca – 12 de Abril, 21h30 no Coliseu <strong>dos</strong> Recreios<br />
(<strong>Lisboa</strong>);<br />
- Spirit of the Dance – 28 e 29 de Maio no Coliseu <strong>dos</strong> Recreios<br />
(<strong>Lisboa</strong>).<br />
Os bilhetes devem ser adquiri<strong>dos</strong> na Sede do SPGL.<br />
O VI Colóquio de Ciências <strong>da</strong><br />
<strong>Educação</strong>, a realizar em 5 e 6<br />
de Maio, irá abor<strong>da</strong>r diferentes<br />
temas.<br />
5 de Maio<br />
Conferências:<br />
. A identi<strong>da</strong>de do Ensino Superior:<br />
universi<strong>da</strong>de e educação superior;<br />
. O processo de Bolonha e as suas<br />
implicações na reforma do ensino<br />
superior.<br />
Workshops:<br />
. A formação inicial de professores<br />
no quadro do processo de Bolonha.<br />
Modelos e desafi os;<br />
. As Licenciaturas de Ciências <strong>da</strong><br />
<strong>Educação</strong> no quadro do processo<br />
de Bolonha. Perfi s profi ssionais <strong>dos</strong><br />
técnicos de educação não docentes.<br />
6 de Maio<br />
Workshops:<br />
. O processo de Bolonha nas<br />
Universi<strong>da</strong>des Europeias. Debates e<br />
mu<strong>da</strong>nças;<br />
. Formação e carreiras docentes.<br />
Implicações nos estatutos <strong>da</strong> educação<br />
pré-escolar e <strong>dos</strong> ensinos básico e<br />
secundário do processo de Bolonha.<br />
Comentário:<br />
. As implicações do processo de<br />
Bolonha no espaço lusófono de ensino<br />
superior.<br />
Conferência:<br />
. A globalização do ensino superior<br />
e a competição entre os espaços<br />
mundiais.
Fátima Anjos<br />
1 – O artigo 104º do Código do<br />
Trabalho dá-nos o conceito de período<br />
experimental definindo-o como o período<br />
correspondente ao tempo inicial<br />
de execução do contrato de trabalho<br />
obedecendo a sua duração ao fixado<br />
na lei.<br />
Esta matéria encontra-se também regula<strong>da</strong><br />
no artigo 9º do Contrato Colectivo<br />
de Trabalho do Ensino Particular e<br />
Cooperativo o qual, como também refere<br />
o supra identificado preceito do<br />
Código do Trabalho, estabelece que a<br />
antigui<strong>da</strong>de do trabalhador é conta<strong>da</strong><br />
desde o início do período experimental,<br />
ou seja, decorrido este período a<br />
admissão do trabalhador considera-se<br />
definitiva contando-se a respectiva antigui<strong>da</strong>de<br />
desde o início do mesmo.<br />
2 – Os artigos 107º e 108º do Código<br />
do Trabalho vêm dispor sobre o período<br />
experimental nos contratos por tempo<br />
indeterminado e nos contratos a termo,<br />
respectivamente.<br />
No primeiro caso este período varia<br />
consoante as seguintes situações:<br />
a) 90 dias para a generali<strong>da</strong>de <strong>dos</strong> trabalhadores;<br />
b) 180 dias para os trabalhadores que<br />
exerçam cargos de complexi<strong>da</strong>de técnica,<br />
elevado grau de responsabili<strong>da</strong>de<br />
ou que pressuponham uma especial<br />
qualificação, bem como para os que<br />
desempenhem funções de confiança;<br />
c) 240 dias para pessoal de direcção e<br />
quadros superiores.<br />
Para as situações de contratos a termo a<br />
lei vem estabelecer perío<strong>dos</strong> experimentais<br />
com a seguinte duração:<br />
a) 30 dias para contratos de duração<br />
igual ou superior a seis meses;<br />
b) 15 dias nos contratos a termo certo<br />
de duração inferior a seis meses e nos<br />
contratos a termo incerto cuja duração<br />
se preveja não vir a ser superior àquele<br />
limite.<br />
Regime Jurídico do Período Experimental<br />
Docentes do Ensino Particular e Cooperativo<br />
O Contrato Colectivo de Trabalho do<br />
Ensino Particular e Cooperativo prevê<br />
expressamente a aplicação, ao pessoal<br />
docente, <strong>dos</strong> prazos previstos na lei ou<br />
seja, no Código do Trabalho. Considera<br />
este instrumento de regulamentação<br />
colectiva que estes trabalhadores, por<br />
exercerem um cargo de “elevado grau<br />
de responsabili<strong>da</strong>de e especial confiança”<br />
podem, mediante acordo escrito,<br />
ver o seu período experimental elevado<br />
a 180 dias”, tal como o é o previsto na<br />
alínea b) do artº 107º do Código do<br />
Trabalho para os contratos por tempo<br />
indeterminado. Contudo, tendo em conta<br />
a formulação deste preceito do C.C.T.<br />
e do disposto no artigo 110º do C.T.,<br />
que estabelece expressamente que a<br />
duração do período experimental pode<br />
ser reduzi<strong>da</strong> por instrumento de regulamentação<br />
colectiva de Trabalho, é de<br />
concluir que, na ausência de acordo escrito<br />
a prever um período experimental<br />
com a referi<strong>da</strong> duração de 180 dias,<br />
é de aplicar, aos contratos por tempo<br />
indeterminado do pessoal docente, o<br />
previsto na alínea a) do artigo 107º do<br />
Código do Trabalho ou seja, o período<br />
experimental de 90 dias.<br />
3 – O regime de denúncia do contrato<br />
de trabalho durante o período experimental<br />
é basicamente coincidente<br />
no Código do Trabalho e no Contrato<br />
Colectivo de Trabalho que dispõem<br />
que, nesse período, qualquer <strong>da</strong>s partes<br />
pode pôr termo ao contrato sem<br />
necessi<strong>da</strong>de de aviso prévio nem alegação<br />
de causa justa, não havendo lugar<br />
a qualquer indemnização. Contudo, o<br />
Código do Trabalho admite neste caso,<br />
a possibili<strong>da</strong>de de existência de indemnização<br />
se se verificar acordo escrito<br />
nesse sentido. Dever-se-á, no entanto,<br />
entender que este aspecto do regime<br />
não é aplicável no caso do pessoal docente<br />
na medi<strong>da</strong> em que, de acordo<br />
com o artigo 4º <strong>da</strong> lei nº 99/03, de 27<br />
de Agosto (diploma que aprova o C.<br />
T.) os instrumentos de regulamentação<br />
colectiva podem afastar as normas do<br />
Código de Trabalho se destas não resultar<br />
o contrário (o que é o caso).<br />
Finalmente e ain<strong>da</strong> no que diz respeito<br />
ao regime de denúncia do contrato neste<br />
período dispõe o Código do Trabalho<br />
que, no caso em que o período experimental<br />
tenha durado mais de 60 dias, a<br />
enti<strong>da</strong>de patronal têm que <strong>da</strong>r um aviso<br />
prévio de 7 dias para poder denunciar<br />
esse mesmo contrato (artº 105º C.T.).<br />
4 – No que diz respeito ao regime de<br />
contagem do período experimental estabelece<br />
a lei que este começa a contar-se<br />
a partir do início <strong>da</strong> execução <strong>da</strong> prestação<br />
do trabalhador, compreendendo<br />
as acções de formação ministra<strong>da</strong>s pela<br />
enti<strong>da</strong>de patronal ou frequenta<strong>da</strong>s por<br />
sua determinação, desde que não exce<strong>da</strong>m<br />
metade do período experimental.<br />
Nesta contagem não são, ti<strong>da</strong>s em atenção<br />
os dias de faltas, (mesmo que justifica<strong>da</strong>s),<br />
de licença e de dispensa, bem<br />
como de suspensão do contrato.<br />
5 – É de referir ain<strong>da</strong> que, o Código do<br />
Trabalho prevê que, tal como pode ser<br />
reduzido por instrumento de regulamentação<br />
colectiva (como atrás se referiu),<br />
o período experimental também pode<br />
ser reduzido, ou mesmo excluído, por<br />
acordo escrito <strong>da</strong>s partes.<br />
6 – Finalmente é de reter a norma conti<strong>da</strong><br />
no artº 9º, nº 5 do C.C.T. do Ensino<br />
Particular e Cooperativo que estabelece<br />
que fica afasta<strong>da</strong> a aplicação do<br />
regime do período experimental, por<br />
se entender que a admissão é desde o<br />
início definitiva, quando o trabalhador<br />
seja admitido por iniciativa <strong>da</strong> enti<strong>da</strong>de<br />
patronal, tendo para isso rescindido o<br />
contrato de trabalho anterior.<br />
JANEIRO 2005 . ESCOLA INFORMAÇÃO 35