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Educação - Sindicato dos Professores da Grande Lisboa

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ESCOLA DA PONTE:<br />

O SONHO E O PESADELO.<br />

Rubem Alves, além de teólogo, fi lósofo, psicanalista e poeta, é um<br />

ilustre pe<strong>da</strong>gogo brasileiro que um dia, acidentalmente, visitou a<br />

Escola <strong>da</strong> Ponte e descobriu que a escola com que sempre sonhara<br />

existia de facto. Não tinha salas de aula, não tinha turmas, não<br />

tinha toques de campainha, não tinha disciplinas nem indisciplina,<br />

não tinha aulas em que um professor <strong>da</strong>va a matéria…<br />

Ficou encantado e não resistiu à tentação de expressar esse encantamento<br />

nas páginas de um jornal de Campinas, ao longo de seis<br />

semanas, onde descreveu apaixona<strong>da</strong>mente os pormenores dessa<br />

experiência breve e intensa vivi<strong>da</strong> numa escola semanalmente discuti<strong>da</strong><br />

por uma Assembleia Geral de Alunos que funciona melhor<br />

que o Parlamento de qualquer país civilizado. São essas crónicas<br />

que constituem o essencial deste livro cuja leitura desta vez sugerimos,<br />

pelo facto de ter sido exactamente com a Escola <strong>da</strong> Ponte<br />

que o Ministério <strong>da</strong> <strong>Educação</strong> celebrou o seu primeiro contrato de<br />

autonomia.<br />

Pelo conteúdo desse contrato fi camos a saber que o regime de<br />

funcionamento <strong>da</strong> Escola tem aspectos não menos surpreendentes<br />

do que a sua prática pe<strong>da</strong>gógica. O órgão máximo <strong>da</strong> Escola é<br />

o Conselho de Pais/Encarrega<strong>dos</strong> de <strong>Educação</strong>. O Conselho de<br />

Direcção é maioritariamente constituído por não – professores.<br />

O Presidente do Conselho de Direcção é necessariamente um <strong>dos</strong><br />

Encarrega<strong>dos</strong> de <strong>Educação</strong>. O Gestor e o Conselho de Gestão<br />

são nomea<strong>dos</strong> pelo Conselho de Direcção. O pessoal docente é<br />

anualmente avaliado e seleccionado pelo Conselho de Gestão.<br />

Os lugares de quadro serão gradualmente extintos à medi<strong>da</strong> que<br />

os professores com essa situação jurídica forem abandonando a<br />

Escola. Os conceitos de educador e professor são substituí<strong>dos</strong> pelo<br />

conceito de orientador educativo. Os orientadores educativos não<br />

estão sujeitos ao regime geral de habilitações para a docência e<br />

comprometem-se formalmente a subordinar as normas do Estatuto <strong>da</strong><br />

Carreira Docente e demais legislação aplicável ao Projecto Educativo<br />

e ao Regulamento Interno <strong>da</strong> Escola. O critério para a matrícula<br />

<strong>dos</strong> alunos é a adesão <strong>dos</strong> respectivos encarrega<strong>dos</strong> de educação<br />

ao Projecto Educativo <strong>da</strong> Escola, independentemente <strong>da</strong> sua área<br />

geográfi ca de residência ou de trabalho. A Escola comprometese<br />

a ocupar diariamente os alunos até, pelo menos, às 18 horas,<br />

de acordo com as expectativas e necessi<strong>da</strong>des <strong>dos</strong> encarrega<strong>dos</strong><br />

de educação, inclusivamente durante as interrupções lectivas. O<br />

Ministério <strong>da</strong> <strong>Educação</strong> atribui uma dotação global de 215 euros<br />

por aluno, comprometendo-se a Escola a ampliar e diversifi car as<br />

suas fontes de fi nanciamento através de projectos, <strong>da</strong> ven<strong>da</strong> de<br />

publicações e serviços e <strong>da</strong> captação de recursos adicionais na<br />

comuni<strong>da</strong>de. É fácil também perceber que o horário de trabalho<br />

assim como o conteúdo funcional <strong>da</strong> profi ssão docente sofrerão<br />

signifi cativas alterações.<br />

Apesar de tudo vale a pena ler o livro de Rubem Alves e continuar<br />

a acreditar que é possível construir Escolas <strong>da</strong> Ponte sem desregulamentar<br />

a profi ssão docente e sem recuar nos direitos duramente<br />

conquista<strong>dos</strong> que a dignifi cam. Uma profi ssão materialmente desvaloriza<strong>da</strong><br />

pode atrair missionários ou quem não conseguir melhor<br />

emprego, mas seguramente não atrairá profi ssionais competentes.<br />

. A Escola com que sempre sonhei<br />

sem imaginar que pudesse existir<br />

. Rubem Alves<br />

. Ed. ASA, Porto, 2001


BD – Contactos<br />

Pág. 4<br />

Dossier<br />

Programa do<br />

Governo:<br />

A <strong>Educação</strong>.<br />

Pág. 5 - 12<br />

Ci<strong>da</strong><strong>da</strong>nia<br />

Homenagem<br />

a Inês Cosme<br />

Pág. 13-17<br />

Placard Sindical<br />

Casa Pia; Chama<strong>da</strong><br />

à Profi ssionalização;<br />

Formação<br />

de <strong>Professores</strong><br />

Pág. 18 e 19<br />

Reportagem<br />

EB1/JI Cova <strong>da</strong><br />

Moura: uma escola<br />

com projecto<br />

Pág. 20 e 21<br />

Opinião<br />

Pág. 22<br />

Sectores<br />

(Superior, Secundário,<br />

Pré-Escolar)<br />

Pág. 23-25<br />

Nas Escolas<br />

Pág. 26<br />

Serviço a Sócios<br />

Pág. 26-34<br />

Consultório Jurídico<br />

Regime Jurídico do<br />

Período Experimental<br />

<strong>dos</strong> Ensinos Particular<br />

e Cooperativo<br />

ficha técnica:<br />

Director: António Avelãs . Chefe de Re<strong>da</strong>cção: José<br />

António F. Pinto . Conselho de Re<strong>da</strong>cção: Teresa<br />

Chaveca, Margari<strong>da</strong> Mascarenhas, António Quitério,<br />

Luis Viana, Bráulio Martins, José António Pinto, Manuel<br />

Grilo . Re<strong>da</strong>cção: Lígia Calapez . Colaboração: Sofia<br />

Vilarigues Paginação e Grafismo: D.Petinha . Capa: Dora<br />

Petinha . Composição: I<strong>da</strong>lina Martins, Lina Roque .<br />

Revisão: Luisa Pereira . Fotos: Jorge Caria . Impressão:<br />

SOGAPAL, SA. - Av. <strong>dos</strong> Cavaleiros, 35, 2795-626 Carnaxide<br />

. Editado por: <strong>Sindicato</strong> <strong>dos</strong> <strong>Professores</strong> <strong>da</strong> <strong>Grande</strong><br />

<strong>Lisboa</strong>, Rua Fialho de Almei<strong>da</strong>, 3, 1070-128 <strong>Lisboa</strong> .<br />

Periodici<strong>da</strong>de: Mensal Tiragem: 29 000 Depósito<br />

legal: 915758 . ICS: 109893.<br />

Não esconder o essencial<br />

com o acessório<br />

O Inglês no 3º ano de escolari<strong>da</strong>de? Devo dizer que<br />

não tenho informação sufi ciente sobre a matéria. Mas<br />

a medi<strong>da</strong> parece estar a ser bem recebi<strong>da</strong> e parece<br />

acompanhar a “prática” <strong>da</strong> Europa Comunitária. E como<br />

entendo que o domínio excelente de uma língua estrangeira,<br />

nomea<strong>da</strong>mente a inglesa, é factor importante de<br />

sucesso no futuro, é capaz de ser boa ideia. Desde que,<br />

claro, ela não seja um factor acrescentado de insucesso<br />

escolar que, neste ciclo, se tem vindo a reduzir.<br />

O que, porém, me preocupa é que esta esteja a ser a<br />

“medi<strong>da</strong> pe<strong>da</strong>gógica” do governo do PS. É que, por<br />

mais correcta que esta medi<strong>da</strong> seja, ela é lateral à<br />

questão central que o governo deve atacar. O governo<br />

e não só, que o desígnio de uma educação democrática<br />

e igualitária é tarefa de to<strong>da</strong> a socie<strong>da</strong>de. O cerne de<br />

to<strong>dos</strong> os problemas <strong>da</strong> escola é, como se tornou evidente<br />

e consensual, a defi ciente quali<strong>da</strong>de <strong>da</strong>s aprendizagens<br />

nos domínios <strong>da</strong> língua portuguesa e <strong>da</strong> matemática e do<br />

fraquíssimo envolvimento na experimentação científi ca,<br />

que se traduzem nomea<strong>da</strong>mente num escan<strong>da</strong>loso insucesso/abandono<br />

nos ensinos secundário e superior. Neste<br />

contexto, o “inglês no 1º ciclo” é um “fait divers”.<br />

Os problemas <strong>da</strong> escola são um problema para a escola.<br />

O reconhecimento teoricamente inquestionável de que o<br />

eixo <strong>dos</strong> problemas com que a escola se confronta lhe<br />

é exterior não pode eximi-la de procurar no seu seio as<br />

formas de combater e atenuar as desigual<strong>da</strong>des que<br />

uma socie<strong>da</strong>de com crescentes e agu<strong>da</strong>s difi cul<strong>da</strong>des<br />

económicas e sociais vai impie<strong>dos</strong>amente ampliando. Os<br />

professores devem ser forma<strong>dos</strong> num espírito de agudo<br />

profi ssionalismo: não podem limitar-se a reconhecer o<br />

insucesso, o que é uma forma de cimentar a injustiça,<br />

nem repousar oportunisticamente na culpabilização extrema<br />

<strong>da</strong> socie<strong>da</strong>de exterior à escola, num mecanicismo<br />

elementar que envergonharia qualquer marxista, mesmo<br />

de “vulgata”.<br />

Porém, se aos professores se tem que exigir um melhorado<br />

profi ssionalismo e uma crescente competência, é<br />

ao governo que compete o essencial: mobilizar to<strong>da</strong>s<br />

as energias para uma escola pública de sucesso, o que<br />

implica, entre outras coisas, o combate à chaga social<br />

do desemprego e aos baixos salários. A nós to<strong>dos</strong> compete-nos<br />

exigir-lhe que cumpra o seu dever.<br />

António Avelãs<br />

Director do Escola Informação<br />

MARÇO 2005 . ESCOLA INFORMAÇÃO 3


. BD. Rui Fazen<strong>da</strong><br />

SEDE Rua Fialho de Almei<strong>da</strong>, 3, 1070-128 <strong>Lisboa</strong><br />

Tel: 213819100 Fax: 213819199 spgl@spgl.pt<br />

Direcção:direccao@spgl.pt www.spgl.pt<br />

SERVIÇO DE APOIO A SÓCIOS TEL: 21 381 9192 apoiosocios@spgl.pt<br />

SERVIÇO DE CONTENCIOSO TEL: 21 381 9127 contencioso@spgl.pt<br />

SERVIÇOS MÉDICOS TEL: 21 381 9109 servmedicos@spgl.pt<br />

SERVIÇOS (seguros, viagens,etc.) TEL: 21 381 9143 servicos@spgl.pt<br />

CENTRO DE FORMAÇÃO SPGL TEL: 21 381 9120 formacao@spgl.pt<br />

IIL . INSTITUTO IRENE LISBOA TEL: 21 381 9121 spgliil@spgl.pt<br />

CENTRO DE DOCUMENTAÇÃO TEL: 21 381 9119 fenprof@fenprof.pt<br />

DIRECÇÃO REGIONAL DE LISBOA<br />

ALGUEIRÃO - MEM MARTINS<br />

Estra<strong>da</strong> de Algueirão, Rua Padre Manuel Nobrega, Lt 8, Loja A<br />

Algueirão 2725-085 Mem Martins<br />

Tel: 219212573 Fax: 219212559<br />

PAREDE<br />

Trav. Rocha Martins, F – L, 2775-276 Parede<br />

Tel: 214563158 Fax: 214563157 E-Mail: parede@uniaolisboa-cgtp.pt<br />

VILA FRANCA DE XIRA<br />

Rua Serpa Pinto, 136 – 2º 2600-262 Vila Franca de Xira<br />

Tel.: 263276486 Fax: 263276487 E-Mail: vilafranca@spgl.pt<br />

DIRECÇÃO REGIONAL DO OESTE<br />

CALDAS DA RAINHA<br />

Av. Engº Luís Paiva e Sousa, 4 B 2500-329 Cal<strong>da</strong>s <strong>da</strong> Rainha<br />

Tel: 262841065 Fax: 262844240 E-Mail: cal<strong>da</strong>srainha@spgl.pt<br />

MAFRA<br />

Rua Luis de Camões, lt 4 r/c Esq. 2640-501 Mafra<br />

Tel: 261815730 Fax: 261815730<br />

TORRES VEDRAS<br />

Av. Gen. Humb. Delgado, 19 B - 1º Esq. 2560-272 Torres Vedras<br />

Tel: 261311634 Fax: 261314906 E-Mail: torresvedras@spgl.pt<br />

DIRECÇÃO REGIONAL DE SANTARÉM<br />

ABRANTES<br />

Rua 17 de Agosto de 1808, nº 1 - 1º 2200-370 Abrantes<br />

Tel: 241365170 Fax: 241366493 E-Mail:abrantes@spgl.pt<br />

SANTARÉM<br />

Rua Vasco <strong>da</strong> Gama, 16 J - 1º Esq. 2000-232 Santarém<br />

Tel: 243305790 Fax: 243333627 E-Mail:santarem@spgl.pt<br />

TOMAR<br />

Rua Santa Iria, 21 - 2º Dtº, 2300-475 Tomar<br />

Tel: 249316196 Fax: 249322656 E-Mail: tomar@spgl.pt<br />

TORRES NOVAS<br />

Lg. José Lopes <strong>dos</strong> Santos, Edif. Santa Isabel - 2º 2350-686 Torres Novas<br />

Tel: 249820734 Fax: 249824290 E-Mail: torresnovas@spgl.pt<br />

DIRECÇÃO REGIONAL DE SETÚBAL<br />

SETÚBAL<br />

Rua Dr. Alves <strong>da</strong> Fonseca, 5 - 2º, 2900-218 Setúbal<br />

Tel: 265228778 Fax: 265525935 E-Mail: setubal@spgl.pt<br />

BARREIRO<br />

Rua Marquês de Pombal, 40 - r/c 2830-336 Barreiro<br />

Tel: 212079395 Fax: 212079368 E-Mail: barreiro@spgl.pt<br />

ALMADA<br />

Av. D. Nuno Álvares Pereira, 21 - 1º Esq 2800-179 Alma<strong>da</strong><br />

Tel: 212761813 Fax: 212722865 E-Mail: alma<strong>da</strong>@spgl.pt


Testemunhos de:<br />

. Bráulio Martins<br />

. Luís Viana<br />

. João Cunha Serra<br />

....................................................................................................................<br />

Programa do Governo:<br />

<strong>Educação</strong><br />

E S C O L A I N F O R M A Ç Ã O N º 196<br />

O pro-<br />

grama do actual go-<br />

verno para a educação, nas suas<br />

diversas vertentes, é o tema deste Dossier.<br />

Um tema abor<strong>da</strong>do de diferentes perspectivas.<br />

Percorrendo a escola desde o primeiro ciclo ao ensino<br />

universitário e investigação.Nos vários textos que se seguem,<br />

múltiplas são as questões abor<strong>da</strong><strong>da</strong>s.<br />

Ao nível do primeiro ciclo do ensino básico, é valoriza<strong>da</strong> a intro-<br />

dução do inglês, passando-se entretanto à questão, mais profun<strong>da</strong>,<br />

do modelo de docência neste ciclo de escolari<strong>da</strong>de. “As equipas<br />

educativas de ca<strong>da</strong> escola ou grupo de escolas devem ser constituí<strong>da</strong>s<br />

por um conjunto de professores profissionaliza<strong>dos</strong> para a docência no<br />

1º Ciclo e com formações diferencia<strong>da</strong>s”. Uma posição defendi<strong>da</strong> pela<br />

FENPROF e que aqui é relembra<strong>da</strong>.<br />

No que ao Ensino Superior diz respeito, sublinha-se uma questão<br />

incontornável: “a aplicação do processo de Bolonha encontra-se<br />

inquina<strong>da</strong> pela forte desconfiança <strong>da</strong>s instituições de que será<br />

aproveita<strong>da</strong> para reduzir a responsabili<strong>da</strong>de do Estado”.<br />

Uma dúvi<strong>da</strong> que persiste.<br />

Como pano de fundo, temos um programa em<br />

que se identificam os principais problemas,<br />

mas sem que existam “metas ou<br />

objectivos”.


6<br />

Programa do Governo<br />

<strong>Educação</strong><br />

ESCOLA INFORMAÇÂO<br />

nº 196 . março 2005<br />

Escolas do 1º CEB<br />

A bandeira <strong>da</strong> generalização<br />

do ensino de inglês<br />

No que ao 1º CEB diz respeito o pro-<br />

grama do Governo elege como principal<br />

bandeira a generalização do ensino do<br />

Inglês desde o primeiro ciclo do ensino<br />

básico.<br />

Esta foi uma <strong>da</strong>s mais emblemáticas<br />

promessas <strong>da</strong> campanha eleitoral do PS<br />

e que o Sr. Primeiro Ministro declarou ser<br />

a segun<strong>da</strong> medi<strong>da</strong> do Plano Tecnológico<br />

garantindo a sua introdução como discip-<br />

lina obrigatória, a partir do 3º ano, já no<br />

próximo ano lectivo nas escolas engloba-<br />

<strong>da</strong>s em agrupamentos escolares.<br />

A<br />

introdução <strong>da</strong> disciplina de Inglês no primeiro CEB<br />

é uma medi<strong>da</strong> há muito proposta pela FENPROF<br />

ao ME e ain<strong>da</strong> há pouco tempo reafirma<strong>da</strong> na<br />

Carta Reivindicativa <strong>dos</strong> Docentes Portugueses. Estamos<br />

portanto de acordo com a medi<strong>da</strong> anuncia<strong>da</strong>.<br />

No entanto o que lemos e ouvimos sugerem-nos algumas<br />

questões: as escolas que funcionam como uni<strong>da</strong>des orgânicas<br />

(escolas com mais de 300 alunos) são afasta<strong>da</strong>s<br />

deste programa, porquê? Será porque as escolas do 1º<br />

CEB não têm nos seus quadros professores de inglês?<br />

Mas também as escolas integra<strong>da</strong>s em agrupamentos<br />

os não têm… Estará porventura na intenção do governo<br />

criar lugares docentes de inglês nas EB 2,3 atribuindo-lhes<br />

depois horários nas escolas do 1º CEB integra<strong>da</strong>s nos<br />

agrupamentos? Mas então só as escolas engloba<strong>da</strong>s em<br />

agrupamentos verticais serão abrangi<strong>da</strong>s pela medi<strong>da</strong><br />

agora anuncia<strong>da</strong>. O que deixa metade <strong>dos</strong> alunos do 3º<br />

ano de escolari<strong>da</strong>de de fora do programa. Convenhamos<br />

que é pouco e injusto. Na<strong>da</strong> condizente com o terceiro<br />

parágrafo do cap. 2 do programa do governo que me<br />

permito transcrever:<br />

“É fun<strong>da</strong>mental centrar as energias ao serviço <strong>dos</strong> be-<br />

neficiários do sistema educativo: os alunos. Não só do<br />

litoral, mas, também, os alunos do interior. Não só <strong>dos</strong><br />

integra<strong>dos</strong> em famílias esclareci<strong>da</strong>s e com meios, mas,<br />

também, <strong>da</strong>queles que menos apoios têm. Não só <strong>da</strong>s<br />

famílias que nasceram em Portugal, mas, também, de<br />

to<strong>da</strong>s aquelas que, vin<strong>da</strong>s de perto ou de longe, se<br />

integram na reali<strong>da</strong>de nacional.”<br />

Segun<strong>da</strong> questão: que professores irão ministrar esta<br />

disciplina nas escolas do 1º CEB? O programa não responde,<br />

mas pensamos que não será intenção do Governo<br />

propor a sua leccionação aos docentes do 1º CEB que<br />

não estão naturalmente prepara<strong>dos</strong> para isso. Ir-se-á pois<br />

recorrer aos colegas <strong>dos</strong> 2º e 3º ciclos.<br />

Esta questão leva-nos a outra mais profun<strong>da</strong> e menos<br />

debati<strong>da</strong>: o modelo de docência no primeiro ciclo de<br />

escolari<strong>da</strong>de. A escola do 1º CEB está alicerça<strong>da</strong> na<br />

monodocência e no professor polivalente que se desdobra<br />

em saberes e técnicas que se querem ca<strong>da</strong> vez<br />

mais diversifica<strong>da</strong>s e especializa<strong>da</strong>s. A organização<br />

curricular deste ciclo de Ensino inclui áreas disciplinares<br />

tão diversifica<strong>da</strong>s como: língua portuguesa, matemática,<br />

estudo do meio, expressões (artísticas e físico-motoras)<br />

e áreas curriculares não disciplinares como a área de<br />

projecto, o estudo acompanhado, a formação cívica e<br />

ain<strong>da</strong>, facultativamente, a educação moral e religiosa e<br />

as activi<strong>da</strong>des de enriquecimento, em que se destaca a<br />

iniciação a uma língua estrangeira. É demasiado para<br />

uma pessoa apenas com uma turma de 25 alunos mesmo<br />

tendo apenas uma ano de escolari<strong>da</strong>de. Entendemos<br />

pois que é tempo de introduzir práticas alternativas à<br />

monodocência. A FENPROF já há tempo que propõe a<br />

constituição de equipas educativas neste ciclo de ensino<br />

e curiosamente este programa de governo refere“…<br />

a constituição de equipas educativas e o reforço <strong>da</strong>s<br />

competências de ca<strong>da</strong> escola na gestão do seu pessoal<br />

docente…”. Será que estamos a falar do mesmo assunto?<br />

Segundo a FENPROF, “as equipas educativas de ca<strong>da</strong><br />

escola ou grupo de escolas devem ser constituí<strong>da</strong>s por<br />

um conjunto de professores profissionaliza<strong>dos</strong> para a<br />

docência no 1º Ciclo e com formações diferencia<strong>da</strong>s,<br />

por forma a <strong>da</strong>r resposta às necessi<strong>da</strong>des de organização<br />

pe<strong>da</strong>gógica e de cumprimento do currículo, que as


escolas, no quadro <strong>da</strong> sua autonomia, definiram como<br />

essenciais e prioritárias”.<br />

Uma outra vertente do programa do Governo refere que<br />

“a priori<strong>da</strong>de essencial na organização <strong>dos</strong> estabelecimentos<br />

de pré-escolar e escolas básicas será a<strong>da</strong>ptar os<br />

mo<strong>dos</strong> e tempos de funcionamento às necessi<strong>da</strong>des <strong>da</strong>s<br />

famílias”. Anunciando a intenção de colocar as escolas<br />

a funcionar a tempo inteiro com oferta de activi<strong>da</strong>des<br />

de complemento educativo, ocupação de tempos livres<br />

e apoio social.<br />

É inquestionável a necessi<strong>da</strong>de <strong>da</strong> institucionalização de<br />

uma resposta social de quali<strong>da</strong>de para as crianças que<br />

frequentam este ciclo de ensino. É necessário encontrar<br />

uma resposta para a ocupação <strong>dos</strong> tempos livres <strong>da</strong>s<br />

crianças e jovens em i<strong>da</strong>de escolar. De igual forma se<br />

coloca a necessi<strong>da</strong>de de dotar to<strong>da</strong>s as escolas do 1º<br />

Ciclo do Ensino Básico de serviço de refeições.<br />

Também neste campo a FENPROF apresentou em devido<br />

tempo propostas concretas:<br />

- a ocupação de tempos livres deve obedecer a requisitos<br />

nacionais de quali<strong>da</strong>de, nomea<strong>da</strong>mente quanto a espaços,<br />

equipamentos, pessoal com formação diferencia<strong>da</strong><br />

na área <strong>da</strong> animação sócio-educativa, horários e número<br />

de crianças por grupo.<br />

- as escolas do 1º Ciclo do Ensino Básico e as suas<br />

associações têm que passar a dispor de serviço de refeições.<br />

É inaceitável que este serviço passe por soluções<br />

improvisa<strong>da</strong>s sem quali<strong>da</strong>de e condições de salubri<strong>da</strong>de<br />

como tem acontecido em algumas regiões do país e que,<br />

de forma intolerável, os professores sejam desvia<strong>dos</strong> <strong>da</strong><br />

sua função educativa para realizar tarefas administrativas<br />

e outras. O financiamento, organização e acompanhamento<br />

deste serviço deve ser feito nos exactos termos em<br />

que ele ocorre noutros sectores de ensino.<br />

- A FENPROF jamais aceitará que aos professores seja<br />

solicita<strong>da</strong> intervenção nestes serviços de resposta às necessi<strong>da</strong>des<br />

<strong>da</strong>s famílias porque o conteúdo funcional <strong>da</strong><br />

sua profissão exige que a sua atenção e empenhamento<br />

devem estar volta<strong>da</strong>s (nas componentes lectiva e não<br />

lectiva do horário) para as activi<strong>da</strong>des curriculares.<br />

- É aos poderes central e local que cabe assegurar a<br />

resposta a esta crescente necessi<strong>da</strong>de <strong>da</strong>s famílias.<br />

Cabe aqui referir que as propostas <strong>da</strong> FENPROF para a<br />

direcção e gestão <strong>da</strong>s escolas avançam a necessi<strong>da</strong>de<br />

de criação de Conselhos Locais de <strong>Educação</strong> – enquanto<br />

órgãos de administração local do sistema educativo<br />

– que deveriam ter um importante papel na organização<br />

e administração destas activi<strong>da</strong>des.<br />

Para terminar gostaria de chamar a atenção para uma<br />

<strong>da</strong>s directrizes principais referi<strong>da</strong>s no programa do governo<br />

que determina a aplicação de programas de apoio<br />

à recuperação <strong>dos</strong> alunos com dificul<strong>da</strong>des na aprendizagem.<br />

Mais uma vez lembramos as posições <strong>da</strong> FENPROF:<br />

“A construção de uma escola ver<strong>da</strong>deiramente inclusiva<br />

passa pela formação especializa<strong>da</strong> <strong>dos</strong> docentes, pela<br />

Programa do Governo<br />

<strong>Educação</strong><br />

ESCOLA INFORMAÇÂO<br />

nº 196 . março 2005<br />

rede de parcerias públicas e pela criação de condições<br />

nas escolas para que respon<strong>da</strong>m adequa<strong>da</strong>mente a<br />

to<strong>da</strong>s as crianças e jovens com necessi<strong>da</strong>des educativas<br />

especiais, independentemente <strong>da</strong> sua natureza, e pela<br />

criação de lugares de quadro nas escolas”.<br />

Lembramos que com a revogação do Dec. Lei 35/88<br />

e a entra<strong>da</strong> em vigor do Dec. Lei 35/2002, foram as<br />

escolas do 1º CEB amputa<strong>da</strong>s de alguns mecanismos<br />

que lhes permitiam a criação de condições para responder<br />

mais eficazmente aos alunos com dificul<strong>da</strong>des de<br />

aprendizagem proporcionando-lhes mais meios humanos<br />

que aju<strong>da</strong>vam a desenvolver o processo de educação e<br />

aprendizagem.<br />

Estavam entre estas medi<strong>da</strong>s a criação de lugares docentes<br />

ao abrigo do nº 8 do artº 4º do Dec. Lei 35/88, as<br />

escolas de intervenção prioritária e os TEIPʼs. O ponto<br />

8 do artº 4º do Dec. Lei 35/88 determinava 1 professor<br />

de apoio para as escolas com mais de 4 turmas, 2 para<br />

as que tinham mais de 11 e 3 para as que tinham mais<br />

de 20.<br />

As escolas de intervenção prioritária e os TEIPʼs eram<br />

um <strong>dos</strong> mecanismos principais no combate ao insucesso<br />

escolar em escolas:<br />

- situa<strong>da</strong>s em zonas degra<strong>da</strong><strong>da</strong>s ou em locali<strong>da</strong>des cujo<br />

isolamento dificulta a fixação de professores;<br />

- frequenta<strong>da</strong>s por número significativo de alunos com<br />

dificul<strong>da</strong>des de aprendizagem, ina<strong>da</strong>pta<strong>dos</strong> ou portadoras<br />

de deficiência;<br />

- nas que se verifica um insucesso escolar sistemático;<br />

O Desp.119/ME/88 regulamentava o número de lugares<br />

docentes nestas escolas, o seu funcionamento e os apoios<br />

pe<strong>da</strong>gógicos e logísticos estabelecendo que o número de<br />

alunos por turma fosse no máximo 20.<br />

Tudo desapareceu e em sua substituição foi publicado,<br />

em 2004, o Desp. 8113-A que no seu ponto 5 determina<br />

que as escolas do 1º ciclo poderão criar lugares docentes<br />

de apoio mediante uma fórmula que se traduz num ratio<br />

de 1 docente para 334 alunos ou seja um professor de<br />

apoio para 14 turmas!!!<br />

Que vai fazer agora o novo Ministério <strong>da</strong> <strong>Educação</strong>?<br />

Esperamos que os princípios enuncia<strong>dos</strong> no Programa<br />

do XVII Governo Constitucional não sejam esqueci<strong>dos</strong> na<br />

prática do novo ME e que o 1º Ciclo do Ensino Básico<br />

deixe definitivamente de viver de promessas e seja alvo<br />

de uma reestruturação organiza<strong>da</strong> que permita que<br />

escolas e professores possam agir com eficácia, dispensando<br />

um atendimento ca<strong>da</strong> vez mais individualizado<br />

aos seus alunos, recorrendo mais intensamente a meios<br />

e processos que diluam as assimetrias sociais e as incapaci<strong>da</strong>des<br />

operacionais e motivem o processo educativo<br />

e de aprendizagem de alunos e professores.<br />

Bráulio Martins<br />

Coordenador do Departamento do 1º CEB do SPGL<br />

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8<br />

Programa do Governo<br />

<strong>Educação</strong><br />

ESCOLA INFORMAÇÂO<br />

nº 196 . março 2005<br />

Dilemas <strong>da</strong>s políticas de <strong>Educação</strong><br />

Não existem metas,<br />

ou objectivos, mas ambições<br />

para a legislatura<br />

Eis aprovado, como era inevitável, o pro-<br />

grama do XVII governo <strong>da</strong> República, um<br />

governo com “preocupações sociais”, no<br />

dizer do seu responsável máximo.<br />

Nem de esquer<strong>da</strong>, nem de direita, mas<br />

com preocupações sociais.<br />

Não nos ilu<strong>da</strong>mos, que a isto estamos reduzi<strong>dos</strong>.<br />

É claro, mesmo para os mais distraí<strong>dos</strong>, que o<br />

espartilho <strong>da</strong> integração europeia – a que se<br />

não vislumbra qualquer cenário alternativo. num futuro<br />

previsível – relega para um plano de quase exercício<br />

académico qualquer velei<strong>da</strong>de de confronto ideológico<br />

entre projectos de socie<strong>da</strong>de. Na própria União se<br />

reflectem esses dilemas, entre a sua histórica tradição<br />

humanista e social e a pressão de uma globalização<br />

económica selvática, à qual demasiado se tem sacrificado.<br />

Esta rota não constitui uma fatali<strong>da</strong>de – o tempo<br />

histórico comprova que na<strong>da</strong> o foi, nunca –, mas é,<br />

indiscutivelmente, uma reali<strong>da</strong>de que ameaça perdurar.<br />

Alterar este percurso constitui um combate urgente para<br />

to<strong>dos</strong> aqueles que entendem que os esta<strong>dos</strong> devem<br />

existir, enquanto socie<strong>da</strong>des organiza<strong>da</strong>s, para propiciar<br />

aos seus membros a <strong>dos</strong>e de bem-estar e felici<strong>da</strong>de<br />

que o esforço comum tornar possível, e não apenas a<br />

sua afirmação na economia global enquanto empresa<br />

viável e lucrativa, para gozo e deleite de alguns e a<br />

escravização <strong>dos</strong> muitos.<br />

Daí que as experiências governativas <strong>dos</strong> últimos muitos<br />

anos, a despeito <strong>da</strong>s sucessivas alternâncias a que se<br />

tem assistido, em na<strong>da</strong> têm beliscado, sequer, os fun<strong>da</strong>mentos<br />

ideológicos que têm determinado o percurso <strong>da</strong><br />

Europa <strong>dos</strong> nossos dias - e que temos partilhado -, mas<br />

apenas acentuado, ora a omnipotência <strong>da</strong>s políticas<br />

economicistas, ora orientações mais caldea<strong>da</strong>s com as<br />

tais “preocupações sociais”.<br />

As políticas de educação têm seguido, com as devi<strong>da</strong>s<br />

flutuações, estes princípios, ora no sentido de uma maior<br />

selectivi<strong>da</strong>de e elitismo, ora na linha de uma escola mais<br />

inclusiva e abrangente. Têm, no entanto, persistido o<br />

desinvestimento no sistema público, nomea<strong>da</strong>mente em<br />

detrimento <strong>da</strong> sua contraparti<strong>da</strong> no sector privado, as<br />

progressivas restrições nos meios humanos e materiais à<br />

disposição <strong>da</strong>s escolas, as medi<strong>da</strong>s de “racionalização”<br />

de recursos que, frequentemente à revelia de quaisquer<br />

preocupações com a eficácia do sistema e com a quali<strong>da</strong>de<br />

do serviço prestado, fortemente indiciam, como<br />

intuito último, o <strong>da</strong> redução de custos, à sombra do<br />

quase sagrado princípio <strong>da</strong> imprescindível “redução<br />

do peso do Estado”.<br />

A falta de vontade do poder político - se não a incapaci<strong>da</strong>de<br />

- de concertar um percurso estratégico para<br />

o sistema de ensino não superior, e de ajustar a oferta<br />

educativa às necessi<strong>da</strong>des de uma socie<strong>da</strong>de à altura<br />

<strong>dos</strong> desafios de hoje, levou progressivamente à situação<br />

actual de degra<strong>da</strong>ção e ao sentimento de descrédito<br />

generalizado, bem como à desmotivação que grassa<br />

entre os agentes educativos e inquina o sistema ain<strong>da</strong><br />

mais.<br />

O diagnóstico é amplamente partilhado. É imperioso<br />

traçar um rumo para o sistema, remover os escolhos que<br />

entravam o seu desenvolvimento, contrariar, na prática,<br />

a visão negativa que a socie<strong>da</strong>de tem hoje <strong>da</strong> escola e<br />

<strong>dos</strong> agentes educativos, restaurar a autori<strong>da</strong>de – que<br />

não o autoritarismo - <strong>da</strong> escola e <strong>dos</strong> docentes e promover<br />

a consciência de que o sistema constitui o próprio<br />

cimento <strong>da</strong> construção <strong>da</strong> socie<strong>da</strong>de do futuro.


O programa do actual governo constitui, neste particular,<br />

um texto interessante, com uma identificação<br />

precisa <strong>dos</strong> principais problemas, embora o carácter<br />

delibera<strong>da</strong>mente genérico <strong>da</strong>s formulações não permita<br />

uma antevisão mais precisa <strong>da</strong>s políticas que irão<br />

concretizá-lo. Isso é expressamente assumido no texto,<br />

e constitui o mais sério entrave a qualquer tentativa de<br />

apreciação crítica, ou de antevisão <strong>da</strong>s medi<strong>da</strong>s práticas<br />

que <strong>da</strong>rão forma à política futura do governo nesta área.<br />

Não existem metas, ou objectivos, mas “ambições” para<br />

a legislatura. Ambições nobres, reconheça-se.<br />

Desde logo, não podemos senão sau<strong>da</strong>r, como altamente<br />

positiva, a intenção expressa de defender e valorizar<br />

o serviço público de educação, aberto a to<strong>dos</strong>, como<br />

forma de “avançar no caminho <strong>da</strong> inclusão e <strong>da</strong> igual<strong>da</strong>de<br />

de oportuni<strong>da</strong>des”.<br />

Nesta mesma linha, são, igualmente, de sau<strong>da</strong>r as<br />

intenções de alargamento <strong>da</strong> rede de educação préescolar<br />

e consoli<strong>da</strong>ção <strong>da</strong> universali<strong>da</strong>de do ensino<br />

básico de nove anos, além de perspectivar a extensão<br />

<strong>da</strong> chama<strong>da</strong> “educação fun<strong>da</strong>mental” até ao final <strong>da</strong><br />

formação de nível secundário, para as crianças e jovens<br />

em i<strong>da</strong>de adequa<strong>da</strong>. Não são esqueci<strong>dos</strong>, no processo,<br />

aqueles que, pelas mais diversas razões, não concluíram<br />

qualquer formação equiparável ao nono ano de escolari<strong>da</strong>de,<br />

prevendo-se uma “atenção particular” para as<br />

necessi<strong>da</strong>des destes jovens e adultos. Esta preocupação<br />

assume uma importância particular, conhecendo-se o<br />

processo de contracção <strong>da</strong> rede de oferta de segun<strong>da</strong><br />

oportuni<strong>da</strong>de que tem caracterizado os últimos anos<br />

de governo.<br />

As preocupações expressas com o fenómenos do insucesso<br />

e abandonos escolares são também adequa<strong>da</strong>mente<br />

salienta<strong>da</strong>s, o que é positivo, merecendo referência, por<br />

exemplo, a intenção de proceder a uma reavaliação e<br />

reformulação <strong>dos</strong> processos <strong>da</strong> revisão curricular do<br />

ensino secundário, assim como a promoção de uma<br />

maior diversificação <strong>dos</strong> percursos educativos, através<br />

de uma melhor articulação de cursos gerais, tecnológicos<br />

e profissionais. É também relevante a intenção de<br />

rever o sistema de avaliação <strong>dos</strong> alunos. Ver-se-á em<br />

que resultarão, na prática, essas iniciativas.<br />

São ain<strong>da</strong> salienta<strong>dos</strong> os aspectos relaciona<strong>dos</strong> com<br />

a administração e gestão escolares, com relevância<br />

para a constituição de agrupamentos e a participação<br />

<strong>da</strong> comuni<strong>da</strong>de nas escolas. Quanto ao primeiro, e<br />

sendo certo que a necessi<strong>da</strong>de de racionalização <strong>dos</strong><br />

recursos é um imperativo que ninguém se atreve hoje a<br />

ignorar, parece óbvia a urgência de repensar os critérios<br />

de constituição de muitos deles. A preponderância<br />

<strong>dos</strong> critérios “subordina<strong>dos</strong> às finali<strong>da</strong>des educativas”,<br />

prometido no texto, merece o aplauso e a memória<br />

atenta <strong>dos</strong> docentes. Quanto ao segundo aspecto, parece<br />

excessivamente optimista considerar que o regime<br />

Programa do Governo<br />

<strong>Educação</strong><br />

ESCOLA INFORMAÇÂO<br />

nº 196 . março 2005<br />

actualmente em vigor tenha propiciado uma maior ou<br />

melhor articulação entre a escola e a comuni<strong>da</strong>de. A<br />

democracia formal é apenas isso, formal. Não deveria<br />

considerar-se satisfatório o plano legislativo, quando a<br />

prática frequentemente contradiz a pretensa eficácia<br />

do sistema.<br />

Um outro aspecto que merece particular relevo é a intenção<br />

de estabelecer, para os educadores e professores,<br />

perfis de formação, inicial e contínua, e de implementar<br />

um plano nacional de formação de professores. Não se<br />

duvi<strong>da</strong> <strong>da</strong> necessi<strong>da</strong>de de repensar esses processos, e<br />

eles aju<strong>da</strong>riam, não só a adequar melhor as competências<br />

profissionais às necessi<strong>da</strong>des de hoje, mas também<br />

a circunscrever, com maior precisão, o próprio conteúdo<br />

funcional <strong>da</strong> profissão.<br />

Isto revela-se tão mais importante, quando é certo que se<br />

tem assistido, na prática <strong>da</strong>s escolas, a um alargamento<br />

sucessivo <strong>da</strong>s áreas de intervenção <strong>dos</strong> professores<br />

e educadores a extremos totalmente inaceitáveis. Os<br />

docentes carecem <strong>da</strong> formação adequa<strong>da</strong> para muitas<br />

exigências que actualmente lhes são impostas, além de<br />

que, exactamente porque elas extravasam o âmbito<br />

<strong>da</strong>s suas funções e se impõem como incontornáveis,<br />

deveriam pressupor a presença, nas escolas, de profissionais<br />

qualifica<strong>dos</strong> para responder a essas solicitações<br />

de forma adequa<strong>da</strong>.<br />

Um alerta, ain<strong>da</strong> neste âmbito, para as sugestões feitas<br />

no sentido de “a<strong>da</strong>ptar os mo<strong>dos</strong> e tempos de funcionamento<br />

às necessi<strong>da</strong>des <strong>da</strong>s famílias” , a<strong>da</strong>ptação<br />

que pode resvalar, com relativa facili<strong>da</strong>de, para a<br />

tentação de transformar os educadores e professores<br />

em “guar<strong>da</strong>dores de rebanhos”, o que, certamente, não<br />

constitui sua vocação.<br />

Uma parágrafo final para a intenção de promover mecanismos<br />

de avaliação do sistema, <strong>da</strong>s escolas e <strong>dos</strong><br />

docentes. A declaração crítica expressa relativamente<br />

às malfa<strong>da</strong><strong>da</strong>s listas de graduação <strong>da</strong>s escolas secundárias,<br />

que não passam de um exercício de demagogia<br />

fácil com uma marca ideológica clara, merece claramente<br />

uma sau<strong>da</strong>ção. Trata-se do reconhecimento de<br />

que o binómio desempenho / resulta<strong>dos</strong> é sempre uma<br />

equação complexa em que intervêm uma plurali<strong>da</strong>de<br />

de factores que ultrapassam largamente aquilo que a<br />

circunstância de uma classificação final podem traduzir.<br />

É imperioso que a concretização legislativa supere a<br />

tradicional obsessão do quantitativo e do critério meramente<br />

administrativo, e se assuma a diversi<strong>da</strong>de <strong>da</strong>s<br />

reali<strong>da</strong>des e <strong>da</strong>s soluções. Uma cultura de avaliação<br />

interessa a to<strong>dos</strong> os intervenientes no processo, apenas<br />

na condição de que constitua um contributo válido para<br />

o aperfeiçoamento <strong>da</strong>s soluções.<br />

Aguar<strong>da</strong>mos, expectantes.<br />

Luís Viana<br />

Esc. Sec. Dr. António Carvalho Figueiredo<br />

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10<br />

Programa do Governo<br />

<strong>Educação</strong><br />

ESCOLA INFORMAÇÂO<br />

nº 196 . março 2005<br />

Ensino Superior e Investigação<br />

Comentários ao Programa<br />

do Governo<br />

1. O Financiamento e a Aplicação<br />

do Processo de Bolonha<br />

A aplicação do Processo de Bolonha encontra-se inquina<strong>da</strong><br />

pela forte desconfiança <strong>da</strong>s instituições de que será<br />

aproveita<strong>da</strong> para reduzir a responsabili<strong>da</strong>de do Estado<br />

pelo financiamento do Ensino Superior. De facto, a orientação<br />

do Governo anterior era a de forçar a duração do<br />

1º ciclo o mais possível a ser de 3 anos (exceptuando os<br />

casos de formações destina<strong>da</strong>s ao exercício de profissões<br />

regulamenta<strong>da</strong>s), o que, apesar <strong>da</strong>s tentativas <strong>da</strong> Ministra<br />

para tranquilizar as instituições de ensino superior, levou a<br />

que se criasse a convicção de que iriam ser exigi<strong>da</strong>s aos<br />

alunos propinas de mestrado (hoje de montantes muito<br />

eleva<strong>dos</strong> – <strong>da</strong> ordem do custo real) se desejassem frequentar<br />

o 2º ciclo. Como este 2º ciclo irá ter, em muitos casos,<br />

grandes sobreposições com os anos terminais <strong>da</strong>s actuais<br />

licenciaturas, no que se refere a objectivos formativos,<br />

uma situação destas corresponderia a transferir para os<br />

estu<strong>da</strong>ntes e para as suas famílias os custos <strong>da</strong>quilo que<br />

hoje o Estado já suporta.<br />

A este respeito, o Programa do Governo, apesar de referir<br />

que “as universi<strong>da</strong>des e os politécnicos terão a garantia<br />

de que a passagem para uma estrutura em dois ciclos de<br />

estu<strong>dos</strong> não representará, por si só, diminuição do funcionamento<br />

público disponível”, deixa algumas dúvi<strong>da</strong>s porque<br />

mais adiante refere o compromisso de “não aumentar,<br />

a preços constantes, o valor <strong>da</strong>s propinas de frequência<br />

do primeiro ciclo e adequar o valor <strong>da</strong>s propinas à nova<br />

natureza do 2º ciclo”.<br />

Uma leitura benevolente deste compromisso pode levar a<br />

concluir-se que as propinas do 2º ciclo serão tais que os<br />

custos acresci<strong>dos</strong> que provenham de uma procura do 2º<br />

ciclo superior àquela que actualmente se verifica nos mestra<strong>dos</strong><br />

serão pagos pelos estu<strong>da</strong>ntes e pelas suas famílias,<br />

através de propinas mais eleva<strong>da</strong>s do que as do 1º ciclo,<br />

mas ain<strong>da</strong> assim mais baixas do que as actualmente pratica<strong>da</strong>s<br />

nos mestra<strong>dos</strong>. Isto é, as “poupanças” feitas com a<br />

redução <strong>da</strong> duração <strong>dos</strong> cursos de licenciatura serviriam<br />

para financiar uma redução <strong>da</strong>s propinas no 2º ciclo, relativamente<br />

às hoje em vigor nos mestra<strong>dos</strong>.<br />

Ora, se esta é a proposta do Governo – e conviria que<br />

houvesse uma clarificação – ela não se coaduna com a necessi<strong>da</strong>de<br />

de alargar e democratizar o acesso ao 2º ciclo,<br />

pois a elevação do valor <strong>da</strong>s propinas na passagem do 1º<br />

para o 2º ciclo irá afastar muitos alunos do prosseguimento<br />

<strong>dos</strong> estu<strong>dos</strong>. É, aliás, interessante verificar que Bolonha<br />

acentua a sequência: 1º, 2º ciclo – e não licenciatura,<br />

mestrado – com a ideia de que o 2º ciclo completa o 1º.<br />

Portanto, um estu<strong>da</strong>nte, logo após ter terminado o 1º ciclo,<br />

ou depois de algum tempo a trabalhar, irá frequentar o<br />

2º ciclo, eventualmente noutra instituição do país ou do<br />

estrangeiro.<br />

A Declaração de Bolonha aponta assim claramente no<br />

sentido do acentuar a tendência para a universalização<br />

do acesso ao ensino superior, tanto no que se refere ao<br />

1º ciclo, como, especialmente, ao 2º ciclo de estu<strong>dos</strong>. Este<br />

desiderato, conforme aos objectivos <strong>da</strong> “Estratégia de<br />

<strong>Lisboa</strong>”, é fun<strong>da</strong>mental para a elevação <strong>da</strong> qualificação<br />

<strong>da</strong> nossa população activa e para o desenvolvimento<br />

cultural, social e económico sustentável do país. Ele não<br />

será atingível sem que o Estado se responsabilize pelo<br />

financiamento do Ensino Superior Público, em particular<br />

pelos dois ciclos de estu<strong>dos</strong>, sob pena de se acentuarem<br />

os efeitos muito negativos, já denuncia<strong>dos</strong> por responsáveis<br />

<strong>da</strong>s instituições, de que o aumento <strong>da</strong>s propinas, concretizado<br />

pelo 1º Governo PSD/PP, levou milhares de alunos<br />

a abandonarem os seus estu<strong>dos</strong>, ou a terem que passar à<br />

situação de estu<strong>da</strong>ntes-trabalhadores.<br />

Uma importante questão, relativamente à qual não há<br />

qualquer compromisso no Programa do Governo, é a<br />

<strong>da</strong> desejável eliminação do conteúdo do Programa de<br />

Estabili<strong>da</strong>de e Crescimento, que o Governo terá que apresentar<br />

em Bruxelas no próximo mês de Maio, <strong>da</strong> cláusula<br />

que afirma que não haverá, até 2007, qualquer aumento<br />

nominal de financiamento para o ensino superior. Esta limitação,<br />

a persistir, levantará as mais sérias dúvi<strong>da</strong>s sobre<br />

o efectivo empenho do Governo neste sector estratégico<br />

para o desenvolvimento do país, pois significará a certeza<br />

do prosseguimento de uma acentua<strong>da</strong> redução em termos<br />

reais <strong>dos</strong> recursos disponíveis.<br />

Ain<strong>da</strong> quanto a Bolonha, anote-se como potencialmente<br />

muito positiva a posição expressa no Programa de que<br />

será seguido “o modelo de organização por ciclos, com<br />

um primeiro ciclo de estu<strong>dos</strong> de duração não inferior a seis<br />

semestres”. Se isto significar que o Governo não irá forçar<br />

as instituições a reduzirem a duração <strong>dos</strong> seus cursos de<br />

licenciatura, obrigando-as a uniformizar essa duração ao


mínimo proposto por Bolonha (3 anos), independentemente<br />

<strong>da</strong>s necessi<strong>da</strong>des impostas pelos objectivos culturais, científicos<br />

e profissionais <strong>da</strong>s formações (defini<strong>dos</strong> com audição<br />

de representantes <strong>da</strong> socie<strong>da</strong>de nelas interessa<strong>dos</strong>), e <strong>da</strong>s<br />

limitações <strong>da</strong> formação com que os alunos ingressam do<br />

secundário, então estaremos no bom caminho. O SPGL e<br />

a FENPROF têm vindo a bater-se por isso e continuarão<br />

a fazê-lo.<br />

2. A Quali<strong>da</strong>de e o Futuro do Sistema<br />

de Ensino Superior<br />

É positivo que no Programa do Governo tenha caído o<br />

entusiasmo apologético que transparecia no Programa do<br />

PS quanto ao sistema binário (universi<strong>da</strong>des/politécnicos):<br />

“O PS é favorável ao sistema binário”. O Programa afirma<br />

uma posição que se aproxima muito <strong>da</strong> posição que<br />

o SPGL e a FENPROF têm defendido, ao referir valorizar<br />

“a articulação entre instituições com missões distintas<br />

e funções diversifica<strong>da</strong>s”, e ao defender que “a coexistência<br />

de formações e ambientes de ensino e pesquisa<br />

de perfil típico <strong>da</strong>queles tradicionalmente associa<strong>dos</strong> a<br />

universi<strong>da</strong>des e de perfil tradicionalmente associado a<br />

politécnicos constitui uma riqueza de que não devemos<br />

abdicar”. O Programa refere logo depois: “mas isso deve<br />

ser conseguido garantindo o relacionamento mais estreito<br />

entre os subsistemas universitário e politécnico, valorizando<br />

a excelência em ambos”, o que pode ser uma forma<br />

mitiga<strong>da</strong> de o Governo dizer que pretende perpetuar a<br />

existência e a separação <strong>dos</strong> subsistemas, embora com<br />

um relacionamento mais estreito, orientação que difere<br />

<strong>da</strong> que o SPGL e a FENPROF têm defendido, não no que<br />

concerne à cooperação institucional que têm advogado e<br />

às exigências <strong>da</strong> sua quali<strong>da</strong>de, mas no que se refere à<br />

proposta que de há muito fazem de se caminhar para um<br />

sistema integrado e diversificado.<br />

Deve registar-se, no entanto, como especialmente positivo,<br />

aquilo que se diz imediatamente a seguir: “Em particular,<br />

a possibili<strong>da</strong>de de concessão de graus deixará de estar<br />

fixa<strong>da</strong> por critérios unicamente administrativos, para passar<br />

a depender <strong>da</strong> satisfação de requisitos, exigentes e<br />

comuns, de quali<strong>da</strong>de”.<br />

Este compromisso coincide com aquilo que o SPGL e a<br />

FENPROF vêm reclamando há muito. Resta saber se o<br />

Governo vai ou não atribuir condições de igual<strong>da</strong>de<br />

de oportuni<strong>da</strong>des, designa<strong>da</strong>mente no que se refere a<br />

financiamento, às instituições universitárias e politécnicas,<br />

para se desenvolverem com quali<strong>da</strong>de e relevância social<br />

acresci<strong>da</strong>s. É fun<strong>da</strong>mental que seja posta em prática uma<br />

política de discriminação positiva e de incentivos à quali<strong>da</strong>de,<br />

basea<strong>da</strong> em processos transparentes de prestação<br />

de contas e de avaliação com critérios adequa<strong>dos</strong> e amplamente<br />

partilha<strong>dos</strong>.<br />

Quanto ao Ensino Superior Particular e Cooperativo<br />

(ESPC), o Programa do Governo é substancialmente<br />

omisso. Para além <strong>da</strong> ideia geral de apoio a iniciativas<br />

priva<strong>da</strong>s no ensino superior, surge apenas a afirmação de<br />

Programa do Governo<br />

<strong>Educação</strong><br />

ESCOLA INFORMAÇÂO<br />

nº 196 . março 2005<br />

que “o Ministério <strong>da</strong> tutela deve zelar pelo cumprimento<br />

<strong>dos</strong> requisitos de quali<strong>da</strong>de para cursos e instituições e<br />

<strong>da</strong> responsabili<strong>da</strong>de própria <strong>da</strong>s instituições priva<strong>da</strong>s face<br />

aos seus alunos”. Espera-se que esta afirmação de cumprimento<br />

<strong>da</strong>s funções de regulação que, note-se, se deve<br />

aplicar igualmente ao Ensino Superior Público, seja para<br />

levar a sério e não persista a atitude de omissão que na<br />

prática tem representado cumplici<strong>da</strong>de para com a falta<br />

de quali<strong>da</strong>de e para com inúmeros atropelos à legali<strong>da</strong>de<br />

que se têm verificado.<br />

3. A Situação Profissional <strong>dos</strong> Docentes<br />

Regista-se como muito negativo o facto de na<strong>da</strong> se referir<br />

quanto ao corpo docente do ensino particular e cooperativo<br />

que continua a ser tratado de forma prepotente<br />

e indigna por muitas enti<strong>da</strong>des instituidoras do ESPC. O<br />

Programa na<strong>da</strong> adianta quanto às exigências que o SPGL<br />

e a FENPROF têm apresentado relativamente à existência<br />

em to<strong>da</strong>s as instituições de corpos docentes próprios,<br />

adequa<strong>da</strong>mente qualifica<strong>dos</strong>, com uma carreira docente<br />

paralela à <strong>dos</strong> docentes do Ensino Superior Público (exigência<br />

<strong>da</strong> própria lei que não é cumpri<strong>da</strong>) e com condições<br />

dignas de contratação e de vinculação estável. Sem que<br />

estas exigências sejam contempla<strong>da</strong>s é ilusório falar-se<br />

de que se vai “zelar pelo cumprimento <strong>dos</strong> requisitos de<br />

quali<strong>da</strong>de”.<br />

No Ensino Superior Público, o Programa, embora refira a<br />

intenção de rever os estatutos de carreira com o objectivo<br />

de “estabelecer um único estatuto que acolha perfis docentes<br />

diversifica<strong>dos</strong>, mas com equivalência no topo <strong>da</strong><br />

carreira, que premeie o bom desempenho em to<strong>da</strong>s as<br />

dimensões <strong>da</strong> profissão docente e que facilite a mobili<strong>da</strong>de<br />

entre os diversos perfis e instituições, entre carreiras<br />

docente e de investigação e entre carreiras académicas<br />

e activi<strong>da</strong>des profissionais fora do ensino”, na<strong>da</strong> aponta<br />

para a correcção <strong>dos</strong> graves problemas <strong>da</strong> precarie<strong>da</strong>de<br />

de emprego e do estrangulamento <strong>dos</strong> quadros.<br />

Quanto à valorização nas carreiras docentes <strong>da</strong> vertente<br />

pe<strong>da</strong>gógica essa tem sido também uma proposta defendi<strong>da</strong><br />

pelo SPGL e pela FENPROF.<br />

4. Ciência e Investigação<br />

Quanto à ciência e à investigação, sector onde surgem os<br />

compromissos mais quantifica<strong>dos</strong>, o Programa é bastante<br />

ambicioso no que se refere a investimento, a crescimento do<br />

número de doutora<strong>dos</strong> e a aumento do emprego científico,<br />

sendo por isso positivo. Fica contudo a dúvi<strong>da</strong> sobre se o<br />

desenvolvimento económico e social do país vai permitir<br />

alcançar as metas que dele dependem e que se inserem<br />

na concretização <strong>da</strong> “Estratégia de <strong>Lisboa</strong>”, mesmo já<br />

depois <strong>da</strong> redução que levou na sua inicial ambição. A<br />

este respeito, não será apenas o MCIES que ficará sob<br />

escrutínio, mas o Governo como um todo.<br />

João Cunha Serra<br />

Coordenador do Departamento do Ensino<br />

Superior do SPGL e <strong>da</strong> FENPROF<br />

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12<br />

Programa do Governo<br />

<strong>Educação</strong><br />

ESCOLA INFORMAÇÂO<br />

nº 196 . março 2005<br />

Manifesto<br />

Por uma efectiva política<br />

nacional de emprego científico<br />

Poucos temas recolherão hoje tão amplo consenso<br />

como a necessi<strong>da</strong>de de criação de emprego científico.<br />

A sua promoção é frequentemente considera<strong>da</strong><br />

condição essencial para o desenvolvimento nacional e<br />

para a superação do nosso atraso estrutural. Contudo,<br />

no plano <strong>da</strong> resposta concreta a esta imperiosa necessi<strong>da</strong>de,<br />

tem persistido uma preocupante ausência de<br />

políticas e de medi<strong>da</strong>s concretas, de fundo, que alterem<br />

a actual situação de franca carência.<br />

A questão do emprego científico, <strong>da</strong> sua escassez e precarie<strong>da</strong>de,<br />

muito mais do que um problema individual<br />

- <strong>dos</strong> licencia<strong>dos</strong>, mestres e doutores que o procuram<br />

uma vez termina<strong>da</strong> a sua formação académica - é,<br />

pela sua dimensão e significado, um grave problema<br />

nacional.<br />

O desperdício de recursos humanos e do “saber fazer”<br />

que decorre de um sistema de formação avança<strong>da</strong> sem<br />

correspondência com um adequado sistema de inserção<br />

profissional terá consequências particularmente penosas<br />

num país, como Portugal, reconheci<strong>da</strong>mente carente de<br />

quadros e de uma estratégia de desenvolvimento harmonioso<br />

e sustentável, que promova a inovação, assente<br />

no investimento na ciência e na tecnologia como factor<br />

decisivo de progresso.<br />

Na resolução deste problema, impõe-se a adopção de<br />

políticas pró-activas de promoção do emprego científico.<br />

Políticas que reforcem as oportuni<strong>da</strong>des de emprego<br />

existentes e que apostem au<strong>da</strong>ciosa e decidi<strong>da</strong>mente<br />

na criação de novas oportuni<strong>da</strong>des e mecanismos de<br />

atracção e inserção profissional de jovens qualifica<strong>dos</strong><br />

nas mais diversas áreas do conhecimento e do saber.<br />

De entre as medi<strong>da</strong>s necessárias - nas quais se incluem<br />

algumas <strong>da</strong>s recomen<strong>da</strong>ções constantes de inúmeros<br />

estu<strong>dos</strong> e pareceres, quer globais quer sectoriais, nacionais<br />

e internacionais, realiza<strong>dos</strong> nos últimos anos,<br />

- destacamos:<br />

. A criação de mecanismos de financiamento que permitam<br />

a contratação de pessoal pelas uni<strong>da</strong>des de I&D; as<br />

necessi<strong>da</strong>des de pessoal inerentes ao desenvolvimento<br />

<strong>dos</strong> projectos de investigação, sempre que de natureza<br />

temporária, deverão ser preenchi<strong>da</strong>s com recurso à<br />

figura do contrato de trabalho e não utilizando abusivamente<br />

bolseiros de investigação, como hoje sucede;<br />

. A integração de jovens investigadores, docentes e<br />

técnicos nos quadros de pessoal <strong>da</strong>s Universi<strong>da</strong>des e<br />

demais instituições de ensino superior e Laboratórios do<br />

Estado, com o descongelamento de novas admissões<br />

e o preenchimento de vagas existentes e a criar (na<br />

sequência, sublinhe-se, <strong>da</strong>s recomen<strong>da</strong>ções feitas pelos<br />

painéis externos de avaliação destas instituições);<br />

. O reforço do papel destas instituições no apoio ao<br />

delinear de políticas públicas, nomea<strong>da</strong>mente ao nível<br />

sectorial, e a criação de “interfaces” com o sector produtivo,<br />

a indústria e o tecido empresarial, promovendo<br />

a transferência do conhecimento produzido nestas instituições,<br />

demonstrando a utili<strong>da</strong>de <strong>da</strong> sua integração na<br />

activi<strong>da</strong>de <strong>da</strong>s empresas, despertando as necessi<strong>da</strong>des<br />

hoje não senti<strong>da</strong>s pela generali<strong>da</strong>de <strong>dos</strong> empresários;<br />

. A continuação e ampliação do apoio à inserção profissional<br />

de pós-gradua<strong>dos</strong> nas empresas, nomea<strong>da</strong>mente<br />

financiando os custos de pessoal numa fase inicial e a<br />

concessão de outros incentivos financeiros, incluindo<br />

incentivos fiscais, às empresas que empreguem mestres<br />

e doutores;<br />

. O reforço <strong>dos</strong> mecanismos de apoio e incentivo à criação<br />

de empresas que contribuam para o lançamento de<br />

novos produtos processos ou serviços, por licencia<strong>dos</strong>,<br />

mestres e doutores;<br />

. A promoção do emprego científico em associação a<br />

áreas de grandes investimentos públicos, em grandes<br />

empresas públicas ou com participação estatal;<br />

. A abertura <strong>da</strong> administração pública à inovação, com<br />

integração de pessoal qualificado (e não apenas de mais<br />

bolseiros), incluindo mestres e doutores, nos vários organismos<br />

e enti<strong>da</strong>des <strong>da</strong> administração central e local.<br />

Consideramos que a situação de bloqueio que enfrentamos<br />

torna imperiosa a definição de uma estratégia<br />

de desenvolvimento nacional que se apoie e articule,<br />

entre outras, com uma ver<strong>da</strong>deira política científica.<br />

Esta, por sua vez, e reafirmamo-lo, não será possível<br />

senão sustenta<strong>da</strong> por políticas de emprego científico<br />

consequentes e pela dignificação <strong>da</strong>s condições de<br />

prestação do trabalho científico.<br />

Ver: www.bolseiros.org/peticao_1.html<br />

ABIC<br />

Associação de Bolseiros de Investigação Científica


A «Arca» <strong>dos</strong> «papéis»<br />

<strong>da</strong> professora Inês Cosme<br />

Peço desculpa por não ter avisado mais cedo, mas só um TAC que fiz de urgência<br />

no Sábado revelou a natureza do meu problema de saúde [...]. Estou muito preo-<br />

cupa<strong>da</strong> com os meus alunos de 12º [...]. Peço o favor de entregarem as pastas <strong>dos</strong><br />

portfolios às alunas [...] para que elas os devolvam aos colegas. [...] Lembro tam-<br />

bém que os alunos vêm expressamente para as aulas de Português (3ª e 4ª, creio),<br />

pelo que é importante avisá-los já hoje <strong>da</strong> situação.<br />

A<br />

preocupação com os seus alunos, bem<br />

evidencia<strong>da</strong> neste excerto <strong>da</strong> sua última<br />

carta aos órgãos <strong>da</strong> Escola onde<br />

era professora, constituiria desde sempre<br />

o vector determinante do percurso<br />

profissional de Inês Cosme. Por essa<br />

mesma preocupação, não chegaria<br />

a concretizar o projecto de um ano sabático, em que<br />

se propunha organizar, com enquadramento crítico e<br />

teórico, os materiais construí<strong>dos</strong> para os seus alunos<br />

ao longo de trinta e dois anos de ensino (é que havia<br />

sempre uma turma à beira do exame, uma turma que<br />

ela não tinha o direito de abandonar naquele momento<br />

do percurso...). E deste modo, a escola portuguesa não<br />

pôde contar com a reflexão desta professora sobre a sua<br />

experiência, que traria certamente contributos valiosos<br />

tanto para o ensino do Português como para o combate<br />

ao insucesso escolar.<br />

Mas, mesmo assim, e em particular neste tempo em que<br />

tantos parecem aposta<strong>dos</strong> em desacreditar o ensino<br />

público e em promover políticas elitistas, vale a pena<br />

procurar conhecer a praxis pe<strong>da</strong>gógica de Inês Cosme;<br />

com efeito, o seu percurso é, ao avesso de tais perspectivas,<br />

uma luta sem tréguas, e não raro vencedora,<br />

por uma prática docente investi<strong>da</strong> na concretização<br />

de uma escola pública de quali<strong>da</strong>de, democrática e<br />

inclusiva. É certo que, face à carência de condições do<br />

nosso ensino, tal objectivo foi sempre por ela atingido à<br />

custa de um esforço pessoal quase gigantesco, seja na<br />

formação e actualização próprias, seja na construção e<br />

aperfeiçoamento de materiais didácticos, seja na criação<br />

de estruturas de apoio a alunos com dificul<strong>da</strong>des de<br />

aprendizagem, seja ain<strong>da</strong> na participação empenha<strong>da</strong><br />

em várias equipas pe<strong>da</strong>gógicas, dentro e fora <strong>da</strong><br />

escola... Um esforço de tal modo desproporcionado<br />

com o que por norma os professores despendem, que<br />

somos leva<strong>dos</strong> a questionar, face a tal trabalho, o nosso<br />

entendimento <strong>da</strong> função do professor e <strong>da</strong> função <strong>da</strong><br />

MARÇO 2005 . ESCOLA INFORMAÇÃO . 13


escola. É que, pelo rigor que punha na construção <strong>da</strong>s<br />

respostas às necessi<strong>da</strong>des <strong>dos</strong> alunos (necessi<strong>da</strong>des<br />

que Inês Cosme nunca iludia), a sua prática docente<br />

foi desenvolvendo conteú<strong>dos</strong> funcionais de certo modo<br />

inovadores e que, pertencendo, inquestionavelmente,<br />

à escola de hoje, podem estar, ou não, para além <strong>da</strong><br />

obrigação individual de um professor.<br />

Por tudo isto, é de sau<strong>da</strong>r a iniciativa <strong>da</strong> Civitas,<br />

Associação de Defesa e Promoção <strong>dos</strong> Direitos <strong>dos</strong><br />

Ci<strong>da</strong>dãos, ao propor-se criar, no seu Centro de Estu<strong>dos</strong><br />

e Recursos de Literatura e Literacia, sedeado na<br />

Escola Marquês de Pombal, em <strong>Lisboa</strong>, um espaço<br />

para acolher os materiais didácticos de Inês Cosme. E<br />

é de sau<strong>da</strong>r fun<strong>da</strong>mentalmente porque, ao promover o<br />

conhecimento de um modelo de prática docente de tão<br />

exigente profissionalismo, vai por certo contribuir para<br />

que, entre os professores portugueses, se aprofunde um<br />

debate necessário: o debate em torno <strong>da</strong>s questões de<br />

deontologia profissional.<br />

São muitos e diversos os «papéis» que Inês Cosme<br />

nos deixou, na sua maior parte, material construído<br />

para os alunos – fichas de trabalho, de avaliação,<br />

de registos vários, referentes sobretudo ao ensino e à<br />

aprendizagem do Português em turmas do secundário<br />

–, escasseando neste domínio os textos de reflexão ou<br />

de cariz teórico. A par destes «papéis», outros há, relativos<br />

nomea<strong>da</strong>mente a projectos de que foi autora e<br />

co-autora, e, nesses, a argumentação convoca relevante<br />

fun<strong>da</strong>mentação teórica.<br />

No entanto, apesar de, logicamente, não ser explicitado<br />

o enquadramento teórico nos dispositivos e instrumentos<br />

de gestão construí<strong>dos</strong> para as aulas de Português,<br />

aquele existe sempre: os «papéis» que Inês Cosme nos<br />

deixou documentam, na sua simplici<strong>da</strong>de funcional,<br />

práticas e opções assentes em abun<strong>da</strong>nte leitura e muita<br />

reflexão.<br />

Achei que valia a pena tentar fixar, em registo mesmo<br />

lacunar, aspectos do trabalho pe<strong>da</strong>gógico de Inês Cosme,<br />

que considero rico de ensinamentos para o aqui e<br />

agora nossos. Sem a pretensão de o explicar em to<strong>dos</strong><br />

os seus fun<strong>da</strong>mentos ou de o caracterizar de modo<br />

exaustivo, proponho-me apontar direcções significativas<br />

desse trabalho, baseando-me eventualmente nalguns<br />

«papéis» <strong>da</strong> Professora Inês Cosme, retira<strong>dos</strong> do lugar<br />

onde a autora os deixou guar<strong>da</strong><strong>dos</strong> e onde se encontram<br />

à espera de quem os traga à luz, um pouco à semelhança<br />

<strong>da</strong> mítica arca de Fernando Pessoa. Vale a pena reunir<br />

e organizar os «papéis» <strong>da</strong> «arca» que Inês Cosme nos<br />

legou, disponibilizá-los para consulta <strong>dos</strong> professores,<br />

promover debates em torno <strong>da</strong>s questões por eles levanta<strong>da</strong>s.<br />

Estou convicta de que esse trabalho frutificará<br />

em contributos úteis para o ensino do Português, para<br />

o combate ao abandono e insucesso escolares, e para<br />

que nos centremos em problemas substantivos <strong>da</strong> escola<br />

portuguesa.<br />

Activista sindical<br />

Entre 1971 e 1975 não decorreram apenas quatro anos,<br />

durante os quais Inês Cosme iniciou, no Liceu Nacional<br />

14. ESCOLA INFORMAÇÃO.MARÇO 2005 .<br />

de Santarém (1971-72), a sua carreira docente, fez o<br />

Estágio Pe<strong>da</strong>gógico no Liceu Rainha D. Leonor (1972-<br />

73) e esteve coloca<strong>da</strong>, como Professora Agrega<strong>da</strong>, no<br />

Liceu Nacional de D. João de Castro (1973-75): entre<br />

1971 e 1975 inscreveu-se o dia em que nós, Portugueses,<br />

«emergimos <strong>da</strong> noite e do silêncio», como haveria de<br />

escrever Sophia de Mello Breyner.<br />

O 25 de Abril de 1974 institui, de facto, uma ruptura<br />

profun<strong>da</strong> no tempo português e também na memória<br />

dele, para sempre reorganiza<strong>da</strong> num «antes» e num<br />

«depois». «Antes», Inês Cosme é membro activo <strong>dos</strong><br />

Grupos de Estudo do Pessoal Docente do Ensino Secundário,<br />

integrando grupos de trabalho sobre o Estatuto<br />

docente, empenhando-se, nas escolas onde é coloca<strong>da</strong>,<br />

em mobilizar os colegas para a luta pela alteração <strong>da</strong><br />

sua situação profissional profun<strong>da</strong>mente degra<strong>da</strong><strong>da</strong>,<br />

e enfrentando, consequentemente, medi<strong>da</strong>s e atitudes<br />

intimi<strong>da</strong>tórias ou, mesmo, repressivas, por parte de quem<br />

representava, nas escolas, o poder anti-democrático que<br />

dominava o país.<br />

«Depois», Inês Cosme é uma presença activa na luta<br />

pela democratização do ensino, lidera<strong>da</strong> pelo movimento<br />

sindical docente, que, de imediato, se organiza<br />

em todo o território nacional. Membro suplente <strong>da</strong> Comissão<br />

Directiva Provisória, a primeira direcção sindical<br />

eleita do SPGL, é também, nesses anos e em muitos <strong>dos</strong><br />

subsequentes, uma empenha<strong>da</strong> delega<strong>da</strong> sindical do<br />

Liceu Nacional de D. João de Castro e do Liceu/Escola<br />

Secundária de Passos Manuel, onde é coloca<strong>da</strong> a partir<br />

de 1975-76, integrando, no ano seguinte, o respectivo<br />

Quadro de <strong>Professores</strong> Efectivos.<br />

Professora de Português.<br />

Professora do Passos Manuel<br />

Durante vinte e oito anos foi professora no Passos. Licencia<strong>da</strong><br />

em Românicas, mas a sua paixão foi sempre o<br />

ensino do Português e o melhor do seu esforço, enquanto<br />

professora, seria investido na criação de situações, de<br />

activi<strong>da</strong>des e de materiais estimuladores do gosto de ler<br />

e de escrever, do desenvolvimento <strong>da</strong>s competências de<br />

leitura e de escrita, do conhecimento <strong>da</strong>s obras <strong>dos</strong> nossos<br />

escritores, do crescimento <strong>da</strong> consciência linguística<br />

<strong>dos</strong> seus alunos.<br />

Até 1988 – que pode considerar-se um primeiro período<br />

do seu trabalho no Passos – , desempenha, nomea<strong>da</strong>mente,<br />

as funções de Directora de Turma, de Vogal do<br />

Conselho Directivo, de Subdelega<strong>da</strong> e Delega<strong>da</strong> de<br />

Grupo de Português e de Responsável pela Sala de<br />

Apoio aos Tempos Livres <strong>dos</strong> Alunos.<br />

Em 1977, suspende por um ano o trabalho na Escola<br />

para partir, como cooperante, para Cabo Verde, onde,<br />

a convite do Ministério <strong>da</strong> <strong>Educação</strong> deste país, prepara<br />

uma selecta de Português para o segundo ciclo.<br />

Entre 1988 e 1992, participa, no âmbito <strong>da</strong> Reforma do<br />

ensino, na elaboração <strong>dos</strong> Programas de Língua Portuguesa<br />

do 3º ciclo do E. Básico e do nível 2 do GETAP,<br />

bem como <strong>dos</strong> respectivos Materiais de Apoio. Em 1992,<br />

participa ain<strong>da</strong> na a<strong>da</strong>ptação <strong>dos</strong> novos programas de<br />

Língua Portuguesa, com vista às Escolas Europeias.


A activi<strong>da</strong>de então desenvolvi<strong>da</strong> nesta área constitui um<br />

trabalho de grande fôlego. Para além <strong>dos</strong> textos programáticos,<br />

Inês Cosme é co-autora de diversos materiais<br />

de apoio ao ensino <strong>da</strong> Língua Portuguesa, edita<strong>dos</strong> pelo<br />

Ministério <strong>da</strong> <strong>Educação</strong> para distribuição às escolas.<br />

De 1992 a 1995, lecciona Didáctica do Português na<br />

Universi<strong>da</strong>de Nova de <strong>Lisboa</strong>, na quali<strong>da</strong>de de Assistente<br />

convi<strong>da</strong><strong>da</strong>.<br />

Em 1995, regressa ao trabalho com os seus alunos no<br />

Passos, envolvendo-se na liderança de sucessivos projectos:<br />

criação do Centro de Recursos Educativos <strong>da</strong> Escola;<br />

estruturação do TEIP (Território Educativo de Intervenção<br />

Prioritária), com sede na Escola Secundária Passos Manuel;<br />

lançamento <strong>dos</strong> Programas de Tutoria cria<strong>dos</strong> no<br />

âmbito do projecto TEIP; realização do projecto Urano<br />

– construção de um CD-ROM sobre Técnicas de Estudo<br />

para alunos do ensino secundário.<br />

Activista <strong>da</strong> <strong>Educação</strong>, <strong>da</strong> Infância<br />

e <strong>da</strong> Adolescência<br />

Este subtítulo podia apor-se a grande parte <strong>da</strong> sua<br />

activi<strong>da</strong>de docente no Passos, mas há também uma importante<br />

componente deste seu trabalho fora <strong>da</strong> Escola,<br />

que tem de ser referi<strong>da</strong>: desenvolveu, em regime de<br />

voluntariado, diversos serviços de âmbito educativo dirigi<strong>dos</strong><br />

à comuni<strong>da</strong>de, serviços cuja quali<strong>da</strong>de e conteúdo<br />

inovador foram reconheci<strong>dos</strong> pelo Instituto de Inovação<br />

Educacional, que seleccionou e apoiou financeiramente<br />

muitos deles. Em concreto, entre 1980 e 1998, colaborou<br />

como consultora, com a Direcção Pe<strong>da</strong>gógica de<br />

uma IPSS (Instituição Priva<strong>da</strong> de Soli<strong>da</strong>rie<strong>da</strong>de Social)<br />

implanta<strong>da</strong> na freguesia de Santa Maria de Belém e<br />

que actua nas áreas <strong>da</strong> <strong>Educação</strong> e Apoio Social, tendo<br />

sido autora e coordenadora <strong>dos</strong> seguintes projectos de<br />

Inovação Educativa dessa IPSS, relativos ao Jardim de<br />

Infância e ao Centro de Activi<strong>da</strong>des de Tempos Livres:<br />

Dialogar para Integrar (1995-96), projecto de combate<br />

à exclusão escolar; Recursos em Circulação – Diálogo<br />

entre culturas, de promoção <strong>da</strong> interculturali<strong>da</strong>de e<br />

também de prevenção precoce <strong>da</strong> iliteracia (1995-96).<br />

Foi ain<strong>da</strong> co-autora e consultora do projecto Literatura<br />

& Literacia – um percurso do Pré-escolar ao 6º ano<br />

de escolari<strong>da</strong>de (1996-97), que obteve o 1º lugar do<br />

concurso Inovar educando Educar inovando (Medi<strong>da</strong> 1<br />

do Sistema de Incentivos à Quali<strong>da</strong>de <strong>da</strong> <strong>Educação</strong>), a<br />

nível nacional. Refira-se, por fim, que foi também autora<br />

do projecto Desenvolvimento de Materiais Pe<strong>da</strong>gógicos<br />

para Apoio à Organização de Bibliotecas Escolares e<br />

Centros de recursos Multimédia no Pré-Escolar e 1º ciclo<br />

de Ensino Básico (1998-99).<br />

No âmbito destes projectos desenvolve iniciativas diversifica<strong>da</strong>s,<br />

relaciona<strong>da</strong>s com o pré-escolar e o 1º ciclo, os<br />

quais, sendo a base do sistema educativo, constituem,<br />

em sua opinião, a grande priori<strong>da</strong>de. Muito preocupa<strong>da</strong><br />

com a sequencialização, antecipa os agrupamentos<br />

verticais, colocando como um objectivo central o evitar<br />

roturas metodológicas entre os diferentes elos <strong>da</strong> cadeia<br />

educativa.<br />

A defesa do contacto precoce com o livro e com a lite-<br />

ratura constitui outra linha central destes projectos em<br />

que se envolve.<br />

A educação como instrumento de intervenção social é<br />

uma <strong>da</strong>s dimensões deste seu trabalho, mas uma outra<br />

deve ser evidencia<strong>da</strong> e que é, porventura, a marca mais<br />

profun<strong>da</strong> desta professora ou, mesmo, a sua impressão<br />

digital: o respeito, o afecto, o interesse por ca<strong>da</strong> uma<br />

<strong>da</strong>s crianças, ca<strong>da</strong> um <strong>dos</strong> adolescentes com quem trabalhava.<br />

A adolescência, a psicologia <strong>da</strong> aprendizagem<br />

constituem domínios em que busca, incessantemente, formação.<br />

O Professor João <strong>dos</strong> Santos – e os seus ensaios<br />

sobre os mun<strong>dos</strong> <strong>dos</strong> adultos e <strong>da</strong>s crianças, a educação,<br />

a evolução infantil – será a referência principal desta<br />

reflexão fun<strong>da</strong>dora, e a ela voltará sempre.<br />

Duas direcções significativas<br />

de trabalho<br />

Individualização e autonomia<br />

<strong>da</strong> aprendizagem<br />

A criação de instrumentos facilitadores <strong>da</strong> individualização<br />

<strong>da</strong>s aprendizagens será um objectivo persistentemente<br />

perseguido desde sempre e que se concretizará em<br />

sucessivas respostas, sempre mais afina<strong>da</strong>s. A partir <strong>da</strong><br />

déca<strong>da</strong> de 90, o trabalho com os alunos organiza-se em<br />

definitivo na base de dois instrumentos fun<strong>da</strong>mentais de<br />

planeamento e de avaliação <strong>da</strong>s activi<strong>da</strong>des lectivas: o<br />

Plano Colectivo de Trabalho, a definir com to<strong>da</strong> a turma<br />

e em função <strong>da</strong>s exigências do programa <strong>da</strong> disciplina, e<br />

o Plano Individual de Trabalho, a estabelecer com ca<strong>da</strong><br />

aluno, segundo as suas necessi<strong>da</strong>des e interesses, nas<br />

várias áreas <strong>da</strong> disciplina e tendo também em conta as<br />

exigências programáticas (exemplo de itens a preencher<br />

no Plano Individual: escritos; leituras; registos/produções<br />

efectua<strong>dos</strong> no âmbito <strong>da</strong> comunicação oral; fichas de<br />

treino/reflexão sobre o funcionamento <strong>da</strong> língua; pesquisas<br />

e tratamento de informação). Simultaneamente,<br />

utiliza de forma sistemática fichas de auto-avaliação, em<br />

que o aluno é convi<strong>da</strong>do a caracterizar o seu percurso<br />

de aprendizagem, identificando pontos mais fortes e<br />

mais fracos, eventuais avanços e retrocessos, construindo<br />

uma base, para, em diálogo com a Professora, proceder<br />

depois a reformulações do seu Plano Individual. Como<br />

suporte ao desenvolvimento deste, é disponibilizado,<br />

para o trabalho na aula ou em casa, um conjunto de<br />

materiais, frequentemente autocorrectivos, recobrindo<br />

as áreas <strong>da</strong> escrita, <strong>da</strong> comunicação oral, <strong>da</strong> leitura e<br />

<strong>da</strong> reflexão sobre o funcionamento <strong>da</strong> língua. Ain<strong>da</strong><br />

na déca<strong>da</strong> de 90, introduz nas suas aulas o portfolio,<br />

instrumento regulador <strong>da</strong> avaliação, destinado a fornecer,<br />

nomea<strong>da</strong>mente ao próprio aluno, uma «fotografia»<br />

<strong>dos</strong> seus progressos, <strong>da</strong>s suas aprendizagens, <strong>da</strong>s suas<br />

necessi<strong>da</strong>des e <strong>da</strong>s suas experiências.<br />

Em suma, to<strong>da</strong> a gestão <strong>da</strong> aula visa criar condições<br />

para ritmos de aprendizagem diferencia<strong>dos</strong>, para a<br />

consciencialização e autonomia efectivas do aluno relativamente<br />

ao respectivo percurso de aprendizagem; de<br />

caminho, estimula os intercâmbios e revela preferências,<br />

interesses comuns e interesses individuais <strong>da</strong> turma, isto<br />

MARÇO 2005 . ESCOLA INFORMAÇÃO . 15


é, traz as pessoas <strong>dos</strong> alunos, com os seus mun<strong>dos</strong> reais,<br />

para dentro <strong>da</strong> aula.<br />

Apoio a alunos em risco de<br />

desorganização do percurso escolar<br />

Como já foi referido, em 95, envolve-se na criação do<br />

Centro de Recursos Educativos <strong>da</strong> sua Escola, tendo<br />

como objectivo disponibilizar aos alunos recursos materiais<br />

atraentes para as necessi<strong>da</strong>des escolares actuais,<br />

bem como recursos humanos para acompanhamento<br />

fora do tempo de aulas (nomea<strong>da</strong>mente através <strong>da</strong><br />

presença «relativamente informal», no Centro, de professores<br />

disponíveis para apoiar os alunos em vários tipos<br />

de situações). Em 1996, empenha-se na estruturação<br />

de um T.E.I.P. (Território Educativo de Intervenção Prioritária)<br />

com sede no Passos Manuel, que integra, nos<br />

termos legais, «estabelecimentos <strong>dos</strong> diversos ciclos do<br />

ensino básico e <strong>da</strong> educação pré-escolar, nos quais se<br />

procede a um reforço <strong>da</strong> acção educativa concerta<strong>da</strong>,<br />

em articulação com os projectos de ca<strong>da</strong> escola e em<br />

associação», conjugando esforços com vista à prevenção<br />

do insucesso escolar. A sua intervenção pe<strong>da</strong>gógica<br />

na Escola alarga-se e complexifica-se, sendo notável o<br />

esforço que desenvolve a nível do trabalho de articulação<br />

e de cooperação com os estabelecimentos do préescolar<br />

e do primeiro ciclo que integram esse Território<br />

Educativo. Mas não só.<br />

Entre os projectos desencadea<strong>dos</strong> no âmbito do T.E.I.P.,<br />

destaca-se o Programa <strong>da</strong>s Tutorias, especialmente dirigido<br />

a alunos do 3º ciclo em risco de desorganização<br />

do percurso escolar, adolescentes provin<strong>dos</strong> de meios<br />

caracteriza<strong>dos</strong> por baixos níveis de literacia. A filosofia<br />

subjacente a estes Programas é a de «contrapor a uma<br />

escola compartimenta<strong>da</strong> nos saberes e nos afectos, um<br />

modelo de acompanhamento global do aluno centrado<br />

em figuras de referência (professores tutores) de modo<br />

a prevenir a desorganização do seu percurso escolar e<br />

a evitar a multiplicação de apoios educativos fora <strong>da</strong>s<br />

aulas.» É, aliás, no perfil pessoal e profissional <strong>dos</strong> Tutores<br />

que se joga o êxito de tais Programas, segundo Inês<br />

Cosme, que se empenha decidi<strong>da</strong>mente numa selecção<br />

exigente, com base em critérios pe<strong>da</strong>gógicos e humanos<br />

muito claros e que ela sintetiza do seguinte modo: «na<br />

disponibili<strong>da</strong>de para a relação com os adolescentes e<br />

na quali<strong>da</strong>de do trabalho pe<strong>da</strong>gógico» (Inês Cosme, in<br />

Práticas, n º 4, 1999).<br />

Para se entender melhor o conteúdo desta função, transcreve-se<br />

parte de um texto elaborado por Tutores do<br />

Passos Manuel, explicitando os conteú<strong>dos</strong> <strong>da</strong>s sessões<br />

de Tutoria: «programar o tempo, nomea<strong>da</strong>mente os<br />

tempos livres; adquirir técnicas de estudo (sublinha<strong>dos</strong>,<br />

esquemas, resumos,...); organizar o caderno diário;<br />

compreender a matéria e aprender a utilizar os manuais<br />

<strong>da</strong>s diferentes disciplinas; fazer os trabalhos de casa;<br />

preparar os exercícios escritos; apoiar na resolução<br />

de problemas de integração escolar e outros; aju<strong>da</strong>r a<br />

conhecer os colegas e a criar laços de amizade».<br />

A adesão <strong>dos</strong> alunos ao projecto manifesta-se nas ele-<br />

va<strong>da</strong>s percentagens de assidui<strong>da</strong>de e de sucesso, nas<br />

16. ESCOLA INFORMAÇÃO.MARÇO 2005 .<br />

apreciações de entusiasmo.<br />

Ao garantir – numa fase «em que as práticas de diferenciação<br />

pe<strong>da</strong>gógica na sala de aula são ain<strong>da</strong> muito<br />

incipientes e pontuais» – «um atendimento individualizado»,<br />

o Programa <strong>da</strong>s Tutorias constitui, segundo Inês<br />

Cosme, «uma oportuni<strong>da</strong>de de descobrir potenciali<strong>da</strong>des<br />

<strong>dos</strong> alunos, uma ocasião privilegia<strong>da</strong> para conferir<br />

significativi<strong>da</strong>de aos saberes escolares e, finalmente,<br />

uma forma de contribuir para que ca<strong>da</strong> aluno possa vir<br />

a construir, com autonomia e responsabili<strong>da</strong>de, o seu<br />

próprio percurso de aprendizagem.».<br />

Em jeito de conclusão<br />

Vai longo o artigo, importa concluir, não sem registar o<br />

facto de a avaliação <strong>da</strong> Professora Inês Cosme ter sido<br />

sempre «Satisfaz». Como to<strong>da</strong> a gente.<br />

Pergunto-me até quando continuaremos a ignorar aqueles<br />

que, de entre nós, se distinguem por uma eleva<strong>da</strong><br />

quali<strong>da</strong>de profissional e rasgam caminhos pioneiros.<br />

Quem an<strong>da</strong> pelas escolas sabe que são muito poucos,<br />

sem prejuízo de a esmagadora maioria <strong>dos</strong> professores<br />

portugueses cumprir de facto «satisfatoriamente» a<br />

sua função. Mas, em defesa <strong>da</strong> profissão, <strong>dos</strong> alunos<br />

e <strong>da</strong>s escolas, talvez seja tempo de reconhecer os que<br />

se distinguem <strong>da</strong> mediania, pelo rigor, pela quali<strong>da</strong>de,<br />

pela inovação, até porque há nestes percursos lições a<br />

aprender e convém não permitir que se apaguem, sem<br />

deixar rasto.<br />

É certo que o rasto mais significativo de um professor<br />

é o que ele deixa nos seus alunos. Relativamente à<br />

Professora Inês Cosme, sempre empenha<strong>da</strong> em regular<br />

o seu trabalho pela adequação aos seus alunos, o que<br />

a levava a auscultá-los com sistemática regulari<strong>da</strong>de,<br />

sabemos como os seus alunos reagiram às suas aulas<br />

ao longo <strong>dos</strong> anos. Não querendo alongar, termino,<br />

passando a palavra a alguns deles.<br />

«Seria boa ideia seguir esta linha de aulas, a que fomos<br />

habitua<strong>dos</strong> este ano, pois exige-nos rigor no trabalho e<br />

participação constante.»<br />

«Sinto que nunca saio destas aulas a saber o mesmo<br />

que quando entrei.»<br />

«Os aspectos positivos são, no geral, tudo, até porque<br />

gostei muito desta disciplina. Nos aspectos negativos só<br />

houve um problema: O MUITO TRABALHO. Sugestões:<br />

na<strong>da</strong> de relevante. Assim não estão más as aulas de<br />

Português.»<br />

«Este ano aprendi a gostar de fazer alguns tipos de trabalhos<br />

de que antes não gostava, por exemplo, analisar<br />

poemas. Eu hoje adoro fazer este tipo de trabalho.»<br />

«Esta disciplina resulta muito bem com este método e<br />

acho que os futuros alunos desta professora vão achar<br />

o mesmo. Será que também há Planos Individuais na<br />

Universi<strong>da</strong>de?»<br />

«Estou convenci<strong>da</strong> de que este método de ensino nos<br />

fez progredir bastante a to<strong>dos</strong>.»<br />

Fátima Rodrigues


DEPOIMENTOS<br />

A PROFESSORA<br />

CÓSMICA<br />

Há coisas de que só nos apercebemos quando olhamos<br />

para a <strong>da</strong>ta de nascimento e constatamos que já<br />

somos considera<strong>dos</strong> adultos. À distância, analisamos<br />

a importância que tiveram os professores naquilo<br />

que somos hoje. O que antes se resumia a adoro ou<br />

detesto (eram tempos de grandes paixões e de ódios<br />

viscerais) transforma-se em adorei por isto, detestei<br />

por aquilo; faz-se o balanço, afinal nem sempre fomos<br />

justos ou tínhamos to<strong>da</strong> a razão do mundo. No<br />

caso <strong>da</strong> professora Inês Cosme o passar do tempo<br />

não mu<strong>da</strong> uma vírgula à conclusão que já na altura<br />

aparecia lúci<strong>da</strong>: era uma professora solar, a quem<br />

to<strong>dos</strong> os alunos (não, não tenho medo de falar por<br />

to<strong>dos</strong>) estarão sempre imensamente gratos. (…)<br />

Não posso deixar de vos explicar a característica<br />

essencial <strong>da</strong> “Professora Cósmica”: conhecia-nos!<br />

Sabia exactamente quais eram os sonhos e os desgostos<br />

de ca<strong>da</strong> aluno. Assim, alimentava as paixões,<br />

moderava os ódios, encaminhava ca<strong>da</strong> um pelo<br />

caminho por si próprio traçado.):<br />

No 12º ano eu estava a despertar para a consciência<br />

política, para a necessi<strong>da</strong>de de intervenção, para o<br />

romantismo de uma esquer<strong>da</strong> livresca – mal sabia eu<br />

as desilusões que viria a ter nesse campo… Nas aulas<br />

de Português tornei-me leitora fanática de Antero<br />

de Quental. Antero de manhã à noite, Antero de<br />

cor e salteado, Antero pessimista e, acima de tudo,<br />

Antero revolucionário! A tal ponto que sentia como<br />

uma enorme traição o descanso final do coração na<br />

mão direita de Deus. Oh, Antero, então optamos<br />

pela via mais fácil?! Estava inconsolável…<br />

Aqui a professora teve uma intervenção preciosa e<br />

difícil, porque é difícil tratar de certos assuntos sem<br />

se impor a visão pessoal. E se, por um lado, poliu ao<br />

longo de umas quantas semanas o meu anti-clericalismo<br />

primário, alertando-me para a facili<strong>da</strong>de com<br />

que se julga os outros, pedindo-me um esforço de<br />

entendimento que ultrapassasse a reacção cutânea<br />

de achar que fé era necessariamente sinónimo de<br />

facilitismo (pois… eu achava isso…), por outro lado,<br />

deu todo o espaço possível ao entusiasmo <strong>da</strong> minha<br />

nova descoberta, preparando-me uma surpresa.<br />

No dia do teste esperavam-me sobre a mesa dois tesouros:<br />

os textos “políticos” de Antero, que na altura<br />

ain<strong>da</strong> não tinham sido reedita<strong>dos</strong>, e, cereja do bolo,<br />

o mecanismo de uma caixa de música. Se se desse à<br />

manivela tocava “A Internacional”!!! Escusado será<br />

dizer que foi o teste que correu pior, com a pressa<br />

de sair <strong>da</strong> sala e de ir infernizar os ouvi<strong>dos</strong> de to<strong>da</strong><br />

a gente. Enfim, um dia feliz…<br />

Deixo-vos este episódio, sem mais pretensões do<br />

que ilustrar os laços afectivos, a proximi<strong>da</strong>de,<br />

que professores e alunos tantas vezes teimam em<br />

desdenhar. Mas imagino que outras pessoas vos<br />

contarão outras histórias, vos falem <strong>dos</strong> méto<strong>dos</strong><br />

de trabalho, chegando to<strong>dos</strong>, pouco a pouco, a um<br />

retrato fiel. (…)<br />

Mariana Vieira - 10 de Dezembro de 2004<br />

A PALAVRA FINAL<br />

Os momentos difíceis tornam as palavras difíceis.<br />

Inês Cosme: nome improvável <strong>da</strong> professora <strong>da</strong><br />

língua mãe, <strong>da</strong> palavra escrita, fala<strong>da</strong>, <strong>da</strong> palavra<br />

pronuncia<strong>da</strong>.<br />

Foi a professora que não abandonou, a mulher<br />

<strong>da</strong> ci<strong>da</strong><strong>da</strong>nia através <strong>da</strong>s palavras, que cultivava<br />

um imenso rigor <strong>da</strong> escrita e que soube trabalhar<br />

com os seus alunos numa base de disciplina e<br />

liber<strong>da</strong>de.<br />

Por isso foi também a professora <strong>da</strong> liber<strong>da</strong>de,<br />

a professora que nos deu os direitos do leitor,<br />

que valorizava to<strong>da</strong>s as formas de leitura e de<br />

escrita e <strong>da</strong>s quais fazia o ponto de parti<strong>da</strong> para<br />

a caminha<strong>da</strong> que iniciava com ca<strong>da</strong> aluno, como<br />

se ca<strong>da</strong> um fosse o único, sabendo valorizar o<br />

que de melhor ca<strong>da</strong> um fazia, nunca corrigindo<br />

a vermelho.<br />

Fizemos uma viagem de 3 anos. Tive sucessos e<br />

insucessos, momentos de redenção e desalento,<br />

tendo sempre confiado no seu profundo sentido<br />

de justiça e na sua imparciali<strong>da</strong>de, quase obsessiva.<br />

O seu deslumbramento perante a língua, os autores,<br />

as personagens, as interpretações contagiavam<br />

como o olhar ladino de uma criança.<br />

Comigo ficará para sempre em ca<strong>da</strong> frase que<br />

construo, companheira na busca <strong>da</strong> ética através<br />

<strong>da</strong> língua, na exigência <strong>da</strong>s palavras justas, pesa<strong>da</strong>s<br />

mole a mole, li<strong>da</strong>s sílaba a sílaba.<br />

Inês Cosme: não sei por que a vi<strong>da</strong> é isto.<br />

Não sei porque estou hoje a escrever isto,<br />

Este é o texto maldito, o que mostra<br />

o que regista que morreste.<br />

Talvez seja esta a aula mais difícil<br />

a do verbo indesejado, do verbo final<br />

Conjugá-lo na segun<strong>da</strong> pessoa<br />

Essa outra que és tu<br />

Parece errado soa mal.<br />

To<strong>dos</strong> os verbos têm um tempo<br />

A vi<strong>da</strong> tem muitos<br />

Fica a liber<strong>da</strong>de de os conjugar<br />

Que o resto são interpretações.<br />

Lucas Manarte, aluno - 14-12-2004<br />

MARÇO 2005 . ESCOLA INFORMAÇÃO . 17


Conferência<br />

de Organização<br />

Quando esta revista chegar às mãos<br />

do leitor já se terá realizado a Conferência<br />

de Organização do SPGL.<br />

Dela <strong>da</strong>remos nota detalha<strong>da</strong> na<br />

próxima edição. As leis laborais e a<br />

acção sindical, a organização interna<br />

do sindicato, o desenvolvimento<br />

<strong>da</strong> acção sindical e as relações com<br />

a FENPROF, a CGTP e os movimentos<br />

sociais constituem os temas a<br />

debater durante os dois dias (7 e 8<br />

de Abril) em que decorrerá.<br />

Casa Pia de <strong>Lisboa</strong><br />

Jorna<strong>da</strong>s<br />

de Reflexão<br />

Uma comissão de docentes <strong>dos</strong> colégios<br />

<strong>da</strong> Casa Pia de <strong>Lisboa</strong> (CPL),<br />

com o apoio do SPGL, vai realizar<br />

umas Jorna<strong>da</strong>s de Reflexão sobre o<br />

futuro <strong>da</strong> Casa Pia de <strong>Lisboa</strong>, nos<br />

próximos dias 15 e 16 de Abril, em<br />

<strong>Lisboa</strong>, no Hotel Roma.<br />

Um conselho técnico-científico designado<br />

pelo anterior governo, e que tinha<br />

em Roberto Carneiro a sua face<br />

mais visível, elaborou um relatório<br />

que preconiza uma reestruturação<br />

<strong>da</strong> oferta educativa desta instituição,<br />

com implicações no emprego <strong>dos</strong><br />

docentes que aí trabalham.<br />

O envolvimento <strong>dos</strong> docentes nos<br />

processos de mu<strong>da</strong>nça que se avizinham,<br />

se bem que considerado<br />

estratégico no referido relatório, foi<br />

até ao momento, irrisório.<br />

O que se pretende com estas jorna<strong>da</strong>s<br />

de reflexão é “promover e<br />

organizar o envolvimento do vasto<br />

conjunto de pessoas que trabalha<br />

na CPL na construção de propostas<br />

para as crianças e jovens que a CPL<br />

acolhe, numa estreita interacção<br />

com o tecido social/cultural/profissional<br />

envolvente”.<br />

Chama<strong>da</strong> à<br />

profissionalização<br />

de professores com<br />

habilitação própria<br />

Um passo importante,<br />

dúvi<strong>da</strong>s legítimas<br />

Foi publicado no Diário <strong>da</strong> República de 24 de Março (2ª série) o<br />

despacho 6365/2005, ain<strong>da</strong> assinado por José Manuel Canavarro,<br />

com o qual se pretende resolver a profissionalização <strong>dos</strong> docentes<br />

com habilitação própria com 5 ou mais anos de serviço.<br />

A FENPROF tem vindo a fazer desta matéria - a profissionalização<br />

e vinculação <strong>dos</strong> docentes contrata<strong>dos</strong>, enquadra<strong>da</strong> na questão<br />

mais ampla <strong>da</strong> estabili<strong>da</strong>de do corpo docente - um objectivo <strong>da</strong> sua<br />

intervenção sindical. A chama<strong>da</strong> à profissionalização destes docentes<br />

tinha sido negocia<strong>da</strong> pela FENPROF no último governo de António<br />

Guterres e foi reafirma<strong>da</strong> aquando <strong>da</strong> negociação do novo diploma<br />

de concursos. A solução avança<strong>da</strong> por este despacho, mesmo que<br />

parcelar, é uma medi<strong>da</strong> que se saú<strong>da</strong>, mas que não deixa de levantar<br />

questões que urge desde já equacionar. De facto, para ter acesso à<br />

profissionalização, o docente terá que ter 5 ou mais anos de serviço,<br />

3 <strong>dos</strong> quais cumpri<strong>dos</strong> nos 4 anos imediatamente anteriores ao ano<br />

lectivo 2005/2006 e vir a ser colocado por concurso para o ano lectivo<br />

2005/2006, “com efeitos a 1 de Setembro”. A FENPROF exige que<br />

esta expressão “com efeitos a 1 de Setembro” seja entendi<strong>da</strong> como<br />

abrangendo to<strong>da</strong>s as colocações em horários para todo o ano lectivo<br />

de 2005-2006, uma vez que a experiência mostra que nem sempre<br />

os horários desta natureza são preenchi<strong>dos</strong> até 1 de Setembro por<br />

responsabili<strong>da</strong>des unicamente atribuíveis aos serviços ministeriais.<br />

Por outro lado, o despacho não indica qualquer prazo para a<br />

concretização deste direito agora conferido a estes docentes. A<br />

FENPROF exige que a chama<strong>da</strong> à profissionalização se faça no<br />

próximo ano lectivo.<br />

A FENPROF exige que os docentes que este despacho dispensa <strong>da</strong><br />

profissionalização (os que tenham 45 anos de i<strong>da</strong>de e 10 de serviço<br />

ou 15 anos de serviço independentemente <strong>da</strong> i<strong>da</strong>de) sejam integra<strong>dos</strong><br />

na carreira, com respeito total pelo tempo de serviço, a partir de 1 de<br />

Setembro próximo.<br />

Este despacho deve ser também aplicado aos docentes de técnicas<br />

especiais ain<strong>da</strong> em exercício, com a salvaguar<strong>da</strong> de que não lhes<br />

pode ser exigi<strong>da</strong> a “habilitação própria” uma vez que ao longo de<br />

30 anos os diferentes ministérios <strong>da</strong> <strong>Educação</strong> não foram capazes de<br />

as definir.<br />

Por outro lado, a aquisição <strong>da</strong> habilitação profissional deverá ser<br />

acompanha<strong>da</strong> de medi<strong>da</strong>s legislativas que conduzam à vinculação.<br />

Estas questões teriam sido clarifica<strong>da</strong>s e acautela<strong>da</strong>s se a FENPROF<br />

tivesse sido chama<strong>da</strong> pelo anterior governo a negociar estas matérias,<br />

o que lamentavelmente não aconteceu.


Seminário:<br />

Percursos e desafi os<br />

<strong>da</strong> formação de<br />

professores<br />

Realizou-se nos passa<strong>dos</strong> dias 17 e 18 de Março<br />

o seminário “Percursos e desafi os <strong>da</strong> formação de<br />

professores”, no Instituto Franco-Português, uma realização<br />

conjunta <strong>da</strong> FENPROF e do IIL.<br />

O seminário, destinado à análise e debate desta<br />

questão, juntou vários especialistas, que abor<strong>da</strong>ram<br />

o tema em quatro “módulos”.<br />

O decano <strong>da</strong> Universi<strong>da</strong>de Autónoma de Madrid,<br />

António Rico, descreveu um estudo por si coordenado<br />

destinado a propor alterações ao modelo espanhol<br />

de formação de professores,<br />

tendo já em<br />

conta as implicações<br />

do processo de Bolonha.<br />

Os painéis seguintes<br />

foram dedica<strong>dos</strong> ao<br />

problematizar <strong>da</strong> formação<br />

inicial e contínua,<br />

sendo descrito e<br />

debatido o papel <strong>da</strong>s<br />

ESEʼs e <strong>da</strong>s Universi<strong>da</strong>des<br />

e, fi nalmente,<br />

questiona<strong>da</strong>s as competências<br />

necessárias<br />

à profi ssão.<br />

A questão fun<strong>da</strong>mental<br />

- como transformar<br />

o formando em professor, “intelectual refl exivo”,<br />

curioso e desperto para a profi ssão, capaz de provocar<br />

o desejo de aprender e o espírito cívico de<br />

partilha de saber/es e de cooperação e como manter<br />

essa “chama” ao longo de uma vi<strong>da</strong> de trabalho,<br />

ocuparam estes dois dias de trabalho, debatendo<br />

“percursos” e lançando “desafi os”.<br />

Casa Pia de <strong>Lisboa</strong><br />

Até 14 de Abril<br />

ou há soluções<br />

ou há greve<br />

Em reuniões realiza<strong>da</strong>s em to<strong>dos</strong> os colégios <strong>da</strong><br />

Casa Pia de <strong>Lisboa</strong>, nos dias 2, 3 e 4 de Março,<br />

foi decidido, por maioria, através de voto<br />

expresso, um plano de acções a desenvolver<br />

pelos docentes desta instituição, que inclui o<br />

recurso à greve.<br />

Com a que<strong>da</strong> do anterior governo e a toma<strong>da</strong><br />

de posse do actual foi decidido, num primeiro<br />

momento, suspender estas formas de acção<br />

e entregar aos ministros <strong>da</strong> <strong>Educação</strong> e <strong>da</strong><br />

Segurança Social um <strong>dos</strong>sier sobre a situação.<br />

Um mês foi o tempo que se considerou como<br />

razoável para que se procedesse à análise <strong>da</strong><br />

documentação e se procedesse à consequente<br />

toma<strong>da</strong> de medi<strong>da</strong>s para repor a legali<strong>da</strong>de.<br />

Por isso até 14 de Abril, ou há soluções ou há<br />

greve.<br />

Relembramos que os docentes <strong>da</strong> Casa Pia de<br />

<strong>Lisboa</strong> lutam pelo direito a concorrerem em 1ª<br />

priori<strong>da</strong>de aos estabelecimentos do Ministério<br />

<strong>da</strong> <strong>Educação</strong>, direito que lhes foi sonegado<br />

com a alteração do diploma <strong>dos</strong> concursos pelo<br />

respectivo aviso de abertura (com a alteração<br />

<strong>da</strong> designação “estabelecimentos de educação<br />

ou de ensino públicos” para “estabelecimentos<br />

de educação ou de ensino do Ministério <strong>da</strong><br />

<strong>Educação</strong>”) e pelo direito a serem ouvi<strong>dos</strong> no<br />

processo de reestruturação <strong>da</strong> instituição, que<br />

terá profun<strong>da</strong>s repercursões profi ssionais.<br />

MARÇO 2005 . ESCOLA INFORMAÇÃO . 19


Uma escola com projecto<br />

Um menino abre-nos o portão, simplesmente<br />

porque nos vê aproximarmo-nos. No<br />

recreio, salta-se à cor<strong>da</strong>, jogam-se jogos<br />

tradicionais. As paredes estão ilustra<strong>da</strong>s<br />

com trabalhos <strong>da</strong>s crianças. Um espaço<br />

bem cui<strong>da</strong>do onde pais e comuni<strong>da</strong>de<br />

sentem que os seus filhos estão seguros.<br />

Um corpo de professores estável. <strong>Professores</strong> que gostam<br />

de ali estar e que recusam mesmo a simples ideia de<br />

mu<strong>da</strong>r para outro lado.<br />

Estamos de facto perante “uma reali<strong>da</strong>de muito diferente<br />

<strong>da</strong> que é fala<strong>da</strong>”. E que, por isso mesmo, vale<br />

a pena ver mais de perto. Até porque estas crianças,<br />

como sublinha Fátima Cruz, coordenadora, “estão um<br />

pouco cansa<strong>da</strong>s <strong>da</strong>s partes negativas – que é o que<br />

se sabe sobre o bairro. E querem uma coisa perfeitamente<br />

normal, como to<strong>da</strong>s as crianças. Casas bonitas,<br />

espaços verdes, sítios onde possam jogar – como to<strong>da</strong>s<br />

as crianças”.<br />

Se eu estiver com um problema,<br />

não fico sozinha com o problema<br />

O que há de melhor aqui “é a união de vontades entre<br />

os técnicos, que nos aju<strong>da</strong>m, os professores que querem<br />

ficar, e os pais que gostam <strong>da</strong> escola”, diz-nos Fátima<br />

Cruz, num sintético balanço do que mais há a valorizar<br />

no trabalho desenvolvido pela escola.<br />

Um comentário que confirma o conteúdo <strong>da</strong> conversa<br />

informal com Lúcia Pedro e Paula Gamito, professoras<br />

na EB/1JI há 14 anos.<br />

“Se eu tiver um problema, não fico com o problema<br />

– vou transmiti-lo a uma colega e a colega aju<strong>da</strong> a<br />

resolvê-lo”, diz Lúcia Pedro. “Trabalha-se muito em<br />

conjunto. Quando eu ponho um projecto em prática<br />

to<strong>dos</strong> colaboram – e os auxiliares de acção educativa<br />

20. ESCOLA INFORMAÇÃO.MARÇO 2005 .<br />

A Escola Básica1/JI <strong>da</strong> Cova <strong>da</strong> Moura<br />

é um testemunho vivo de que “há aqui<br />

uma reali<strong>da</strong>de muito diferente <strong>da</strong> que é<br />

fala<strong>da</strong>” – as primeiras palavras de uma<br />

<strong>da</strong>s professoras que entrevistámos. Um<br />

porto de abrigo implantado no seio de<br />

uma reali<strong>da</strong>de social difícil. Uma escola<br />

de excelência que trabalha em interacção<br />

– de portas abertas – com a comuni<strong>da</strong>de<br />

local. E que, antes do mais, quer ser uma<br />

escola com projecto. É por isso que luta.<br />

são fantásticos. Também são pessoas que estão cá há<br />

muitos anos e nos conhecem muito bem e nós a eles.<br />

Sabemos como é a maneira de ser de ca<strong>da</strong> um. E assim,<br />

tudo funciona”.<br />

Porquê este funcionamento bem diverso do de muitas<br />

outras escolas?<br />

Para Paula Gamito, o que está em causa é a própria<br />

reali<strong>da</strong>de envolvente: “é que a necessi<strong>da</strong>de é tanta no<br />

meio, nós vemos os miú<strong>dos</strong> com tantas necessi<strong>da</strong>des, que<br />

começámos a perceber que sozinhas não conseguíamos.<br />

Tínhamos que partilhar os problemas. E isso criou entre<br />

nós um laço que acabou por não ser só em relação aos<br />

problemas nas turmas”.<br />

Problemas que não são simples. Antes do mais a questão<br />

<strong>da</strong> alimentação – entretanto resolvi<strong>da</strong>, em grande<br />

medi<strong>da</strong>, com a criação de uma cantina. “Eu não tenho<br />

a certeza <strong>dos</strong> números, mas para aí 70% <strong>dos</strong> meninos<br />

são subsidia<strong>dos</strong> pela Câmara para os almoços. Eles<br />

precisavam era to<strong>dos</strong>. Já foi pior do que é agora. Mas<br />

temos por vezes crianças que vão para as aulas com<br />

fome”, esclarece Paula Gamito.<br />

Uma questão a que haverá que somar outras. Pois estas<br />

crianças têm por vezes uma “carga terrível. Os pais vão<br />

trabalhar e têm de cui<strong>da</strong>r <strong>dos</strong> irmãos mais pequenos<br />

– mesmo bebés”. E se, como refere Lúcia Pedro, em<br />

relação à aprendizagem “sente-se uma evolução, os<br />

miú<strong>dos</strong> estão muito mais informa<strong>dos</strong>”, há uma déca<strong>da</strong><br />

atrás “chegámos a ter aqui crianças que nunca tinham<br />

visto sequer como é que se folheava um livro”.<br />

Para além <strong>da</strong>s medi<strong>da</strong>s concretas, o “segredo” do conseguir<br />

<strong>da</strong>r resposta aos problemas que vão surgindo,<br />

de conseguir uma taxa de sucesso escolar superior à<br />

média nacional, está, na opinião de Paula Gamito, “na<br />

relação que se estabelece entre os miú<strong>dos</strong> e os professores<br />

e os auxiliares de educação – to<strong>da</strong> a comuni<strong>da</strong>de<br />

escolar”.


Afectos e estratégias<br />

“Tenho 19 crianças, e em pouco tempo ca<strong>da</strong> uma delas<br />

está a um nível diferente. Por exemplo, a um <strong>dos</strong> miú<strong>dos</strong>,<br />

estou já a <strong>da</strong>r-lhe um currículo completamente diferente<br />

do <strong>dos</strong> outros. Também temos que arranjar estratégias<br />

para aqueles miú<strong>dos</strong> que avançam”, frisa Lúcia Pedro.<br />

Esta versatili<strong>da</strong>de é uma prática corrente. “Fazemos<br />

normalmente a a<strong>da</strong>ptação <strong>dos</strong> currículos. Elaboramos<br />

novos objectivos para as crianças, sempre que necessário.<br />

Trabalhamos individualmente com elas, se for<br />

preciso. E funcionamos sempre a<strong>da</strong>ptando-nos o mais<br />

possível à sua reali<strong>da</strong>de.”<br />

E, como as crianças acompanham sempre a mesma<br />

turma, “ca<strong>da</strong> professora vai acompanhando sempre<br />

a criança. E acabamos por as conhecer muito bem. E<br />

eles a nós.”<br />

Para Paula Gamito “deve ser este empenhamento que<br />

torna as coisas um bocado mais mágicas. Penso que<br />

tudo depende do afecto com que as matérias são <strong>da</strong><strong>da</strong>s.<br />

Se eu der matemática de uma maneira chata, é uma<br />

coisa, mas se a ligar à prática, em função <strong>dos</strong> interesses<br />

deles, é outra”.<br />

A aposta é sempre numa discriminação positiva. Porque<br />

“a sonhar é que as pessoas conseguem fazer coisas. E<br />

trabalhando para isso”.<br />

Uma lógica idêntica preside à relação com os pais.<br />

“Aqui – em vez de se chamar os pais para dizer – o<br />

seu filho é péssimo, é mau aluno – não – chama-se os<br />

pais para lhes dizer – olhe, o seu filho teve um avanço<br />

fantástico nesta área, teve muito boas notas. Tudo o<br />

que seja boas notícias, os pais são chama<strong>dos</strong> à escola.<br />

As más são mais ou menos resolvi<strong>da</strong>s aqui. Ou, depois,<br />

em reuniões individuais com os pais. As coisas boas são<br />

promovi<strong>da</strong>s”.<br />

Discriminação positiva<br />

e activi<strong>da</strong>des múltiplas<br />

A aposta numa abor<strong>da</strong>gem pela positiva reflecte-se a<br />

to<strong>dos</strong> os níveis. Por exemplo – o domínio <strong>da</strong> língua, que<br />

constitui uma dificul<strong>da</strong>de muito real para as crianças <strong>da</strong><br />

escola, na sua maioria de origem cabo-verdiana. Para<br />

alem do reforço do tempo dedicado à língua portuguesa,<br />

refere Fátima Cruz, “a ideia é sempre incutir que,<br />

quanto melhor falarem o crioulo melhor aprendem o<br />

português. E quanto melhor aprenderem o português<br />

melhor também falam o crioulo”.<br />

Por outro lado, através do projecto “Escola de excelência”,<br />

a escola foi inseri<strong>da</strong> no programa “Urban”.<br />

Na prática, isto corresponde a importantes mais-valias<br />

para os alunos, pela diversi<strong>da</strong>de de activi<strong>da</strong>des e de<br />

aprendizagens.<br />

Permite, por exemplo, que os alunos tenham educação física,<br />

educação musical, que haja animação nos recreios,<br />

intercâmbio escolar e dinamização de um espaço onde<br />

os alunos desenvolvem activi<strong>da</strong>des liga<strong>da</strong>s às áreas de<br />

expressão e programam iniciativas mais dirigi<strong>da</strong>s aos<br />

seus interesses. As mais diversas. Por exemplo, informou<br />

Paula Gamito, “vamos escrever uma carta, com os meninos,<br />

para Cabo Verde, para uma escola com que se<br />

estabeleceu uma parceria”.<br />

Uma conjugação de factores<br />

A baixa taxa de insucesso, o próprio facto de as crianças<br />

gostarem de facto <strong>da</strong> escola – “nós não temos miú<strong>dos</strong><br />

que faltem”, diz-nos Fátima Cruz -, deve-se, não a um<br />

factor mas a uma conjugação de factores.<br />

“Deve-se às várias direcções de lideranças fortes. Devese<br />

ao facto de os projectos resultarem de um encontro<br />

de interesses que é negociado entre os professores.<br />

Deve-se também à maneira como o corpo docente traduziu<br />

e traduz to<strong>da</strong>s as ofertas que as várias políticas<br />

educativas ao longo de 16 anos nos deram e que nós<br />

aproveitámos. Nomea<strong>da</strong>mente projectos de dimensão<br />

intercultural. E depois também se deve um pouco a os<br />

professores conseguirem manter uma certa estabili<strong>da</strong>de<br />

com as turmas que formam”.<br />

Uma reali<strong>da</strong>de que muito terá a ver com o facto de ca<strong>da</strong><br />

um ter o seu espaço.<br />

“Os projectos educativos, do meu ponto de vista – acrescenta<br />

Fátima Cruz -, têm que ser construí<strong>dos</strong> na base e<br />

têm que ser feitos pela base. Portanto, não vão ser idealiza<strong>dos</strong><br />

por uma pessoa para depois serem cumpri<strong>dos</strong>. E<br />

penso que, sobretudo, nós tiramos muita vantagem <strong>da</strong>s<br />

nossas diferenças. Diferenças entre maneiras de estar,<br />

de viver a profissão, opções pe<strong>da</strong>gógicas. Aprendemos<br />

a li<strong>da</strong>r com as diferenças.”<br />

Há ain<strong>da</strong> outros factores. O apoio <strong>dos</strong> ATLs, que são<br />

um grande suporte. E o empenhamento de um grupo<br />

de famílias que apostam muito na escola – como factor<br />

de sucesso <strong>dos</strong> filhos. “A escola está para eles como a<br />

imigração esteve para os pais. Eles apostam niti<strong>da</strong>mente<br />

na escola como via de promoção social”, sublinha<br />

Fátima Cruz.<br />

“Nós não fazemos na<strong>da</strong> de especial”, considera entretanto<br />

a coordenadora. “Só queremos ser professores e<br />

ter uma escola. Não queremos um projecto para esta<br />

escola. Queremos uma escola com projecto.”<br />

“Um projecto que parte deste pressuposto – trabalhar<br />

com esta população. A partir <strong>da</strong>quilo que eles são e<br />

não a partir <strong>da</strong>quilo que eles não têm. Não podemos<br />

fazer uma leitura negativa <strong>da</strong> reali<strong>da</strong>de. Se fazemos<br />

uma leitura negativa <strong>da</strong> reali<strong>da</strong>de estamos a reproduzir,<br />

na teoria e na prática, o estigma.<br />

“É por tudo isto que lutamos” .<br />

MARÇO 2005 . ESCOLA INFORMAÇÃO . 21


O espaço de “Opinião” é hoje ocupado com duas cartas que o autor enviou à DREL. Pela sua<br />

importância, <strong>da</strong>do os temas que abor<strong>da</strong>m, decidimos divulgá-las em conjunto.<br />

Professor contratado não pode ser<br />

professor de 2ª<br />

Sou professor contratado, não profissionalizado, do<br />

7º Grupo, colocado no ano lectivo em curso na Escola<br />

Secundária Dr. Augusto César <strong>da</strong> Silva Ferreira, em Rio<br />

Maior.<br />

Quando me apresentei na referi<strong>da</strong> escola, fui confrontado<br />

com um horário incompleto que me obriga a leccionar em<br />

três sítios distintos: na própria Escola, em Rio Maior e nas<br />

extensões educativas de Vale de Judeus e Alcoentre.<br />

Surpreendeu-me o facto de um horário com tais<br />

características - dispersão de estabelecimentos de ensino<br />

e especifici<strong>da</strong>des do meio prisional – ser atribuído a<br />

um professor contratado e não profissionalizado, como<br />

é o meu caso. De resto, o próprio Despacho Conjunto<br />

nº 451/99 refere nos pontos 3.1 e 3.2 que deve ser<br />

<strong>da</strong><strong>da</strong> priori<strong>da</strong>de a docentes profissionaliza<strong>dos</strong> e com<br />

experiência de leccionação em meio prisional.<br />

Por outro lado, quando concorri e coloquei a Escola de<br />

Rio Maior na minha lista de priori<strong>da</strong>des, tive em conta<br />

a distância geográfica e a acessibili<strong>da</strong>de (auto-estra<strong>da</strong>)<br />

<strong>da</strong>quela ci<strong>da</strong>de à minha residência, nas Cal<strong>da</strong>s <strong>da</strong><br />

Rainha. De facto, eu concorri para Rio Maior. Não<br />

concorri para Vale de Judeus nem para Alcoentre. Nem<br />

teria concorrido se o soubesse, pois estes locais ficam<br />

mais longe <strong>da</strong> minha residência e com piores acessos.<br />

É certo que os estabelecimentos prisionais (EP) asseguram<br />

o transporte <strong>dos</strong> docentes entre a Escola e as prisões,<br />

mas, naturalmente, só o fazem ao primeiro e ao último<br />

tempo. No meu caso – único professor que lecciona nos<br />

dois EPs – isso implicaria passar to<strong>da</strong>s as tardes, entre<br />

segun<strong>da</strong> e sexta-feira, em Vale de Judeus ou Alcoentre,<br />

mesmo que só tivesse dois tempos de aulas. Como<br />

compreenderá, embora não estivesse a leccionar a tarde<br />

inteira, tal situação redun<strong>da</strong>ria num excesso de carga<br />

horária e num desperdício de tempo.<br />

Não tive, pois, outra alternativa que utilizar diariamente<br />

transporte próprio e percorrer a distância entre a<br />

minha casa e as prisões, ou o triângulo que tem por<br />

vértices Cal<strong>da</strong>s <strong>da</strong> Rainha, Rio Maior e Vale de Judeus/<br />

Alcoentre.<br />

Permita-me, em jeito de desabafo, lembrar que, na<br />

quali<strong>da</strong>de de professor não profissionalizado, venço<br />

pelo indíce 126 (apesar de já leccionar há 13 anos e<br />

ter ultrapassado os 40 anos de i<strong>da</strong>de sem ter direito à<br />

redução do tempo de serviço), pelo que o rendimento<br />

auferido se esvai no consumo de combustível.<br />

Devo também dizer que, mais de dois meses volvi<strong>dos</strong><br />

após a minha colocação, a experiência de leccionação<br />

em ambiente prisional se tem revelado positiva e muito<br />

enriquecedora.<br />

Contudo, inconformado com a excessiva despesa a que<br />

22. ESCOLA INFORMAÇÃO.MARÇO 2005 .<br />

Carlos Manuel Marques Cipriano<br />

sou sujeito para poder leccionar em três locais diferentes<br />

(dois deles mais longe do que a escola para a qual<br />

concorri), venho por este meio solicitar que me seja pago<br />

subsídio de deslocação.<br />

Na expectativa de uma resposta positiva por parte <strong>da</strong> V.<br />

Exa. Subscrevo-me com os melhores cumprimentos,<br />

Post Scriptum<br />

Permita-me ain<strong>da</strong> a seguinte reflexão:<br />

Quando fui colocado nos EPs fiquei a saber que teria direito<br />

a um subsídio de risco atribuído pela Direcção Geral <strong>dos</strong><br />

Serviços Prisionais. A existência de tal subsídio tem implícita<br />

a existência de um risco, o qual nunca me foi perguntado se<br />

eu estava disposto a correr. Salvo melhor opinião, não me<br />

parece correcto que a Administração possa de forma tão<br />

simples e imediata colocar docentes em ambiente de risco sem<br />

que estes tenham a oportuni<strong>da</strong>de de se pronunciar. Parece-me<br />

que, de futuro, o concurso de professores deveria acautelar<br />

tais situações através de uma cláusula em que o candi<strong>da</strong>to<br />

pudesse manifestar a sua disponibili<strong>da</strong>de ou indisponibili<strong>da</strong>de<br />

para leccionar em prisões.<br />

Carreira Docente<br />

Sou desde há 13 anos professor não profissionalizado,<br />

provisório, do ensino secundário.<br />

O Estatuto <strong>da</strong> Carreira Docente (Dec-Lei 1/98, de<br />

02/01/1998) estabelece no seu Artº 79º que “a<br />

componente lectiva a que estão obriga<strong>dos</strong> os docentes<br />

<strong>dos</strong> 2º e 3º ciclos do ensino básico e os do ensino<br />

secundário e do ensino especial é sucessivamente<br />

reduzi<strong>da</strong> de duas horas, de cinco em cinco anos, até ao<br />

máximo de oito horas, logo que os professores atinjam<br />

40 anos de i<strong>da</strong>de e 10 anos de serviço docente (…).<br />

To<strong>da</strong>via, o conceito de “Carreira Docente” é, no<br />

entendimento do Ministério <strong>da</strong> <strong>Educação</strong>, apenas<br />

associado aos professores <strong>dos</strong> Quadros (<strong>da</strong> Escola ou<br />

de Zona Pe<strong>da</strong>gógica).<br />

Creio que os fun<strong>da</strong>mentos que levam à existência do Artº<br />

79º (desgaste provocado pela profissão) são tão váli<strong>dos</strong><br />

para um professor do Quadro como para um professor<br />

que, não o sendo (e no meu caso porque o Ministério<br />

<strong>da</strong> <strong>Educação</strong> não o permite porque não me foi <strong>da</strong><strong>da</strong> a<br />

oportuni<strong>da</strong>de de me profissionalizar), tem também mais<br />

de 40 anos de i<strong>da</strong>de e mais de 10 anos de serviço.<br />

Aos 41 anos de i<strong>da</strong>de e com 13 anos de serviço sintome<br />

injustiçado por não poder auferir deste direito, uma<br />

vez que a minha activi<strong>da</strong>de como professor contratado<br />

em na<strong>da</strong> difere <strong>da</strong> <strong>dos</strong> meus colegas que pertencem ao<br />

Quadro.<br />

Os professores contrata<strong>dos</strong> leccionam tal como os<br />

professores do Quadro e têm as mesmas responsabili<strong>da</strong>des<br />

e activi<strong>da</strong>des em funções não lectivas, tais como direcções<br />

de turma, participação em reuniões, organização de<br />

visitas de estudo, vigilâncias de exames, etc. etc.


<strong>Professores</strong> de Técnicas Especiais<br />

Um problema de novo adiado<br />

A recente publicação do<br />

despacho sobre o acesso à<br />

profissionalização <strong>dos</strong> docentes<br />

com habilitação própria<br />

constitui sem dúvi<strong>da</strong> um<br />

avanço importante a registar<br />

na luta deste grupo de docentes<br />

que, apesar <strong>dos</strong> vários<br />

anos de serviço docente que<br />

possuem, foram assistindo ao<br />

progressivo encerramento de<br />

to<strong>da</strong>s as “portas” que lhes<br />

permitiriam adquirir a formação<br />

profissional.<br />

Pena foi que o Secretário de Estado do anterior<br />

Governo se tivesse esquecido de uma outra<br />

reivindicação <strong>da</strong> FENPROF que diz respeito<br />

a um quase residual grupo de docentes com<br />

muitos anos de serviço (alguns com 17 anos),<br />

os professores que os sucessivos governos<br />

acharam por bem “arrumar” num grupo a que<br />

chamaram de Técnicas Especiais - são estes<br />

docentes que nas escolas asseguram o ensino<br />

de áreas disciplinares como a Comunicação, a<br />

Expressão Dramática ….<br />

Para estes professores nunca foram defini<strong>da</strong>s<br />

habilitações próprias, argumentando-se que<br />

o próprio estatuto os dispensa de realizar a<br />

profissionalização. As consequências de to<strong>da</strong>s<br />

estas “benesses” têm sido ver<strong>da</strong>deiramente<br />

trágicas para estes professores:<br />

. Como não têm habilitações defini<strong>da</strong>s, não<br />

têm acesso aos concursos nacionais e são<br />

contrata<strong>dos</strong> ano a ano por concurso de “oferta<br />

de escola”, isto é, com estas regras, não têm<br />

acesso aos quadros.<br />

. Como não têm habilitações defini<strong>da</strong>s, estão<br />

igualmente impedi<strong>dos</strong> de usufruir do direito ao<br />

acesso à profissionalização nos termos defini<strong>dos</strong><br />

pelo despacho anteriormente referido.<br />

. Como não exercem funções nas escolas<br />

especializa<strong>da</strong>s de ensino artístico – António<br />

Arroio e Soares <strong>dos</strong> Reis (o exercício de<br />

funções <strong>dos</strong> docentes destas escolas foi objecto<br />

de legislação específica) – não usufruem <strong>dos</strong><br />

contratos administrativos de provimento e, em<br />

consequência, não têm direito a progressão nos<br />

índices salariais.<br />

É desumano e inadmissível que estes docentes,<br />

a quem se reconhece formação adequa<strong>da</strong>, se<br />

possam manter no sistema cinco, dez, vinte<br />

anos, numa situação de precarie<strong>da</strong>de de<br />

emprego e com vencimentos miseráveis, já que<br />

sem ingressarem nos quadros não ingressam<br />

na carreira e consequentemente mantêm<br />

sistematicamente o mesmo índice salarial.<br />

É pois prioritário que a nova equipa do<br />

Ministério <strong>da</strong> <strong>Educação</strong> tome as medi<strong>da</strong>s<br />

necessárias no sentido de integrar nos quadros<br />

estes docentes que efectivamente asseguram<br />

nas escolas o ensino de áreas inovadoras e<br />

importantes para a formação <strong>dos</strong> jovens que<br />

as frequentam.<br />

Reunião de <strong>Professores</strong> Contrata<strong>dos</strong> de Técnicas Especiais<br />

Dia 28 de Abril – 15 horas Sede do SPGL O.T. Medi<strong>da</strong>s a tomar<br />

Habilitação Própria:<br />

Uma vitória <strong>dos</strong> professores<br />

Após uma reunião de professores contrata<strong>dos</strong><br />

com habilitação própria para a docência<br />

promovi<strong>da</strong> pelo SPGL em mea<strong>dos</strong> de Outubro<br />

passado e <strong>da</strong> consequente vigília que levámos<br />

a cabo frente ao Ministério <strong>da</strong> <strong>Educação</strong>, conseguiu<br />

o SPGL confrontar o então Secretário<br />

de Estado <strong>da</strong> Administração Educativa, José<br />

Manuel Canavarro, com a situação de grave<br />

injustiça com que se debatem os professores<br />

contrata<strong>dos</strong> com habilitação própria, a par<br />

<strong>da</strong> reivindicação de medi<strong>da</strong>s concretas que<br />

solucionassem o problema <strong>da</strong> sua profissionalização.<br />

O Secretário de Estado declarou estar “sensibilizado”<br />

para o problema <strong>da</strong> precarie<strong>da</strong>de<br />

<strong>da</strong> situação destes professores com habilitação<br />

própria e do seu direito à profissionalização.<br />

Seguiram-se uma série de outras acções,<br />

entre as quais o envio de telegramas ao mesmo<br />

Secretário de Estado <strong>da</strong> Administração<br />

Educativa, exigindo o direito a uma carreira<br />

estável e dignifica<strong>da</strong> e reivindicando a criação<br />

de condições para a concretização de<br />

uma profissionalização reconheci<strong>da</strong> pelo<br />

Ministério <strong>da</strong> <strong>Educação</strong>.<br />

Entretanto e já após a realização <strong>da</strong>s eleições<br />

gerais de 20 de Março é publicado em Diário<br />

<strong>da</strong> República o Despacho 6365/2005 (2ª<br />

Série do Diário <strong>da</strong> República de dia 24 de<br />

Março), que abre uma perspectiva concreta<br />

de profissionalização <strong>dos</strong> docentes titulares<br />

de habilitação própria que, obtenham contrato<br />

no próximo ano lectivo 2005/2006 e<br />

preencham os requisitos estabeleci<strong>dos</strong> pelo<br />

referido Despacho.<br />

A situação é de facto ain<strong>da</strong> muito incerta<br />

atendendo à grande dificul<strong>da</strong>de de obter colocação<br />

no concurso que está a decorrer, tão<br />

exíguo é o número de vagas.<br />

É pois urgente agir no sentido de que não feche<br />

a porta entreaberta e não caia no esquecimento<br />

a promessa conquista<strong>da</strong>.<br />

PRÉ-ESCOLAR<br />

BÁSICO 1<br />

BÁSICO BÁSICO 2,3<br />

SECUNDÁRIO<br />

ESPECIAL<br />

PARTICULAR<br />

E COOPERATIVO<br />

IPSS’s<br />

SUPERIOR/<br />

INVESTIGAÇÃO<br />

SECTORES<br />

MARÇO 2005.ESCOLA INFORMAÇÃO .23


PRÉ-ESCOLAR<br />

BÁSICO 1<br />

BÁSICO 2,3<br />

SECUNDÁRIO<br />

ESPECIAL<br />

PARTICULAR<br />

E COOPERATIVO<br />

IPSS’s<br />

SUPERIOR / /<br />

INVESTIGAÇÃO<br />

SECTORES<br />

24. ESCOLA INFORMAÇÃO.MARÇO 2005 .<br />

Conferência do Ensino Superior e Investigação<br />

Bolonha como pano<br />

de fundo<br />

Desafios, expectativas, recusa<br />

de comercialização<br />

do ensino, necessi<strong>da</strong>de de<br />

diálogo, importância estratégica<br />

do Ensino Superior e<br />

<strong>da</strong> Ciência, defesa <strong>da</strong> diversi<strong>da</strong>de,<br />

receios de redução<br />

de financiamento estatal.<br />

Estas e muitas outras questões<br />

– em grande medi<strong>da</strong><br />

relaciona<strong>da</strong>s com o Processo<br />

de Bolonha - estiveram<br />

em debate na Conferência<br />

Nacional do Ensino Superior<br />

e <strong>da</strong> Investigação. Uma<br />

iniciativa <strong>da</strong> FENPROF que<br />

decorreu em <strong>Lisboa</strong>, em 11<br />

e 12 de Março.<br />

“Que o novo Governo esclareça de imediato<br />

a sua posição quanto ao financiamento<br />

<strong>dos</strong> ciclos de formação decorrentes <strong>da</strong> aplicação<br />

do Processo de Bolonha, de forma<br />

a afastar o receio de que esta possa vir a<br />

ser pretexto para uma ain<strong>da</strong> mais acentua<strong>da</strong><br />

desresponsabilização do Estado pelo<br />

financiamento do Ensino Superior”.<br />

Este o primeiro ponto <strong>da</strong>s exigências<br />

apresenta<strong>da</strong>s na resolução aprova<strong>da</strong> na<br />

Conferência. E que, par <strong>da</strong> preocupação<br />

com a não imposição de medi<strong>da</strong>s uniformizadoras,<br />

uma aposta na diversi<strong>da</strong>de e na<br />

quali<strong>da</strong>de, perpassou to<strong>da</strong>s as intervenções<br />

e debates.<br />

O que não implica rejeitar mu<strong>da</strong>nças. Nas<br />

palavras de João Cunha Serra, membro<br />

do Secretariado Nacional e coordenador<br />

do Departamento de Ensino Superior <strong>da</strong><br />

FENPROF, “uma postura de resistência<br />

obstina<strong>da</strong> é uma pren<strong>da</strong> ao liberalismo”.<br />

Mas implica a recusa <strong>da</strong> subordinação a<br />

lógicas de mercado.<br />

A difícil reali<strong>da</strong>de actual<br />

Em Portugal, o investimento estatal por aluno<br />

do ensino superior é igual ao do México.<br />

O investimento na investigação coloca-nos<br />

nos últimos lugares <strong>da</strong> Europa – 0,8% do<br />

PIB contra 2%. Da<strong>dos</strong> referi<strong>dos</strong> por Paulo<br />

Sucena, secretário-geral <strong>da</strong> FENPROF, que<br />

sublinhou a necessi<strong>da</strong>de de os professores<br />

serem ouvi<strong>dos</strong> nas mu<strong>da</strong>nças necessárias<br />

e nas perspectivas para o ensino. Na perspectiva<br />

de que educação e investigação<br />

são bens comuns.<br />

Este quadro de desinvestimento na área<br />

do ensino reflecte-se em vários planos. Por<br />

exemplo, e como referiu António Martins,<br />

vice-reitor <strong>da</strong> Universi<strong>da</strong>de de Coimbra,<br />

um aluno só terá direito à bolsa de estudo<br />

máxima se pertencer a uma família com 5<br />

filhos e salário mínimo nacional!<br />

De par com a questão do investimento no<br />

ensino – que necessariamente nos conduz<br />

à questão <strong>da</strong>s propinas e ao elitismo do conhecimento<br />

– outros <strong>da</strong><strong>dos</strong> testemunham <strong>da</strong><br />

frágil situação do nosso país relativamente<br />

ao quadro europeu.<br />

É o caso <strong>da</strong> percentagem de trabalhadores<br />

com Ensino Superior – 11% em Portugal e<br />

24% a nível <strong>da</strong> Europa <strong>dos</strong> 15.<br />

Ou ain<strong>da</strong> a frequência do ensino secundário.<br />

Na Inglaterra, por exemplo, o ensino<br />

secundário prolonga-se por 13 anos. Um<br />

elemento na<strong>da</strong> irrelevante quando está<br />

em causa a redução do tempo de cursos<br />

de licenciatura.<br />

A escola tem que se conhecer<br />

a si mesma<br />

As intenções de financiamento estão a inquinar<br />

todo o processo ligado à implemen-


tação de Bolonha – um facto dito e redito<br />

pelos intervenientes na Conferência.<br />

O que não obsta, entretanto, à necessi<strong>da</strong>de<br />

de aproveitar o desafi o para uma mu<strong>da</strong>nça<br />

activa e uma mu<strong>da</strong>nça escalona<strong>da</strong>, ao nível<br />

de ca<strong>da</strong> escola, de ca<strong>da</strong> instituição.<br />

Para José Tribolet, do Instituto Superior<br />

Técnico e do INESC, é fun<strong>da</strong>mental “olhar e<br />

aju<strong>da</strong>r a posicionar ca<strong>da</strong> instituição (as pessoas<br />

que estão na instituição e a socie<strong>da</strong>de<br />

envolvente)”, apostar numa quali<strong>da</strong>de que<br />

“é responsabili<strong>da</strong>de nossa”. Pois “estamos<br />

imersos numa economia do conhecimento<br />

A Conferência Nacional do Ensino<br />

Superior e <strong>da</strong> Investigação reuniu,<br />

em <strong>Lisboa</strong>, docentes e investigadores<br />

de diferentes regiões do país,<br />

e contou com a presença e intervenção<br />

no debate de convi<strong>da</strong><strong>dos</strong><br />

portugueses e estrangeiros.<br />

O painel de convi<strong>da</strong><strong>dos</strong> portugueses<br />

incluía os <strong>Professores</strong> António Martins,<br />

vice-reitor <strong>da</strong> Universi<strong>da</strong>de de<br />

Coimbra; José Tribolet, do Instituto<br />

Superior Técnico e do INESC; Raimundo<br />

Delgado, <strong>da</strong> Universi<strong>da</strong>de<br />

do Porto; Rui Namorado Rosa, <strong>da</strong><br />

Universi<strong>da</strong>de de Évora; e António<br />

Mendonça, do ISEG.<br />

Presentes estiveram também três convi<strong>da</strong><strong>dos</strong><br />

estrangeiros: José Manuel<br />

Palazon, <strong>da</strong> FECCOO (Espanha);<br />

Jeans Vrac-Jensen, do DM, organização<br />

sindical <strong>da</strong> Dinamarca; e<br />

Maurice Hérin, secretário-geral do<br />

SNESUP de França.<br />

A Conferência aprovou, para além<br />

<strong>da</strong> Resolução – que pode ser consulta<strong>da</strong><br />

no site <strong>da</strong> FENPROF -, os<br />

documentos-base que dinamizaram<br />

o debate preparatório, e que foram<br />

enriqueci<strong>dos</strong> com várias propostas,<br />

e duas moções, uma sobre o prosseguimento<br />

<strong>da</strong> luta em torno do direito<br />

ao subsídio de desemprego para os<br />

docentes e investigadores do Ensino<br />

Superior público e outra sobre a<br />

constituição de grupos de trabalho<br />

no âmbito <strong>da</strong> acção sindical.<br />

e Bolonha é só um prelúdio”.<br />

Trata-se assim de “olhar para a reali<strong>da</strong>de<br />

que existe, as condições iniciais do problema”,<br />

nas palavras de António Martins.<br />

Numa perspectiva de responsabili<strong>da</strong>de<br />

perante os ci<strong>da</strong>dãos, “os 10 milhões de<br />

accionistas de um projecto que tem a ver<br />

com a sua felici<strong>da</strong>de”.<br />

A polémica mantém-se assim bem actual.<br />

Oscilando entre a rejeição do processo<br />

de Bolonha e a sua utilização como um<br />

desafi o. Posições diversas que confl uem<br />

entretanto na recusa <strong>da</strong> comercialização<br />

do ensino.<br />

A persistência<br />

<strong>dos</strong> educadores<br />

de Infância<br />

Lança<strong>da</strong> a Campanha Nacional em<br />

defesa de uma <strong>Educação</strong> Pré-Escolar<br />

pública de quali<strong>da</strong>de, a 1 de Fevereiro,<br />

com uma Conferência de Imprensa,<br />

onde foi lançado um manifesto subscrito<br />

por alguns parceiros, seguiu-se um<br />

folheto sobre a componente educativa<br />

no Jardim de Infância.<br />

Vai ocorrer, em Abril, uma distribuição<br />

do folheto à população em to<strong>da</strong>s as<br />

capitais de distrito do País.<br />

Para os pais e/ou encarrega<strong>dos</strong> de<br />

educação <strong>da</strong>s crianças que frequentam<br />

os jardim estão disponíveis, nas sedes<br />

<strong>da</strong>s Direcções Regionais do SPGL<br />

(Cal<strong>da</strong>s <strong>da</strong> Rainha, Santarém, Setúbal<br />

e <strong>Lisboa</strong>), envelopes com exemplares<br />

para ca<strong>da</strong> sala de jardim de infância,<br />

caso não tenha chegado ao estabelecimento<br />

ou agrupamento.<br />

A reivindicação de calendário escolar<br />

idêntico ao do ensino básico tem de<br />

tomar um novo fôlego, não podemos<br />

abran<strong>da</strong>r a pressão sobre o novo<br />

Governo, subscreva uma posição individual,<br />

contacte o sindicato.<br />

A dignifi cação <strong>da</strong> <strong>Educação</strong> Pré-Escolar<br />

está nas nossas mãos. Façamos<br />

respeitar os deveres e os direitos<br />

profi ssionais <strong>dos</strong> educadores de infância.<br />

PRÉ-ESCOLAR<br />

BÁSICO 1<br />

BÁSICO 2,3<br />

SECUNDÁRIO<br />

ESPECIAL<br />

PARTICULAR<br />

E COOPERATIVO<br />

IPSS’s<br />

SUPERIOR SUPERIOR/ /<br />

INVESTIGAÇÃO<br />

SECTORES<br />

MARÇO 2005.ESCOLA INFORMAÇÃO .25


Sejam bem vin<strong>dos</strong> ilustres DIABI-<br />

NHOS! Com o nº1 do ano 1 - isto<br />

é, são recém nasci<strong>dos</strong> - os meninos e<br />

meninas <strong>da</strong> EB1/JI de Quinta do Anjo,<br />

(anjos e diabinhos, uma mistura feliz)<br />

estão pois lança<strong>dos</strong> nesta aventura<br />

<strong>dos</strong> jornais escolares. Verão que não<br />

é fácil manter uma cui<strong>da</strong><strong>da</strong> periodici<strong>da</strong>de,<br />

mas as coisas que nos dão<br />

trabalho são as que nos dão também<br />

mais prazer. Vejamos então o que nos<br />

oferecem estes DIABINHOS. O Editorial<br />

faz-se eco de que há um novo edifício<br />

para estas escolas, o que não deixa de<br />

sau<strong>da</strong>r-se. Vamos lá usá-lo bem, o que<br />

não é a mesma coisa que estragá-lo<br />

depressa – bem pelo contrário! Claro<br />

que os olhos (devi<strong>da</strong>mente) atentos <strong>da</strong><br />

Associação de Pais detectaram logo<br />

falhas: há problemas com a segurança<br />

rodoviária <strong>dos</strong> “pequenos”, o refeitório<br />

não será grande coisa… E a professora<br />

Arman<strong>da</strong> Azenhas deixa uma série de<br />

propostas para que os pais “interajam”<br />

com os seus meninos na aquisição de<br />

um vocabulário mais rico. Passemos<br />

sobre os sismos (sala 5, 3º ano) – não<br />

vá o diabo tecê-las – e eis que os meninos<br />

<strong>da</strong> sala 2 (3º e 4º anos) o que<br />

querem mesmo é um passeio à Serra<br />

<strong>da</strong> Estrela no próximo Inverno – lá é<br />

que há neve!<br />

Permitam-me que destaque o texto do<br />

Francisco Simões, <strong>da</strong> mesma sala: não<br />

chove e o Francisco sabe que isso não<br />

é na<strong>da</strong> bom e di-lo <strong>da</strong> seguinte forma:<br />

“O meu chapéu de chuva está guar<strong>da</strong>do/<br />

Está triste por não ser usado./<br />

Queremos o cheiro a terra molha<strong>da</strong>/<br />

Queremos as poças na estra<strong>da</strong>/ Queremos<br />

saltar na rua molha<strong>da</strong>/ E ver a<br />

mãe com cara zanga<strong>da</strong>”. Brilhante. A<br />

26. ESCOLA INFORMAÇÃO.MARÇO 2005<br />

Inês Bispo diz-nos que “pão, queijo e<br />

vinho” é “uma combinação celestial”. É<br />

mesmo, Inês, mas olha que não é ain<strong>da</strong><br />

para a tua i<strong>da</strong>de!<br />

Ain<strong>da</strong> duas notas – os auto-retratos do<br />

1º ano <strong>da</strong> sala 7 são “o máximo”. É que<br />

a escola é mesmo diverti<strong>da</strong>, como escreveu<br />

o Natanael do 2º ano, sala 9.<br />

E pronto. Ficamos à espera <strong>da</strong>s vossas<br />

novas diabruras.<br />

É também a primeira vez que recebemos<br />

no sindicato o JORNAL FRA-<br />

GATA 14:35 <strong>da</strong> EB2,3 Fragatas do<br />

Tejo. Um primeiro reparo: não é indicado<br />

nem o número, nem o ano desta<br />

edição. No vosso próximo jornal peço<br />

que expliquem o vosso título: porquê<br />

FRAGATA 14:35?<br />

Neste número os sismos continuam a<br />

ser objecto de trabalhos escolares e a<br />

este tema se dedicaram o Gonçalo e a<br />

Diana do 9º A. Ain<strong>da</strong> do 9º A a Ana<br />

Sofia põe à prova as nossas reais preocupações<br />

ecológicas. Pelo destaque<br />

<strong>da</strong>do no jornal, o desporto, incluindo<br />

as “<strong>da</strong>nças sociais”, é mesmo relevante<br />

nesta escola. E é sempre útil aprender<br />

as comezainas em inglês e francês (e<br />

outras línguas) que é para quando<br />

forem a esses países não vos <strong>da</strong>rem<br />

“gato por lebre”.<br />

O TOJALINHO, <strong>da</strong> EB1 nº 4 de<br />

Agualva e J.I. Quinta Nova do Tojal<br />

já vai no número 35. Parabéns pela<br />

persistência. Boa ideia esta de logo<br />

na capa do jornal nos apresentarem o<br />

essencial do que vem no “interior”: a<br />

protecção ao Ambiente, o Teatro, as<br />

“farras” do Carnaval, as experiências<br />

na sala de aula, o uso racional <strong>da</strong> água<br />

e a melhoria <strong>da</strong> horta pe<strong>da</strong>gógica. Os<br />

nossos promissores cientistas descobriram<br />

que “tudo é feito de grãos”, que há<br />

energias renováveis – o que uma peça<br />

de Teatro nos pode ensinar! - e que só<br />

temos esta Terra, pelo que é melhor<br />

cui<strong>da</strong>r bem dela. Os ovos de Páscoa<br />

não são só para comer, também podem<br />

ser pinta<strong>dos</strong> para serem ofereci<strong>dos</strong>,<br />

como nos ensinam os meninos do 4º<br />

ano, sala 6.<br />

Estes são alguns <strong>dos</strong> temas do TOJALI-<br />

NHO num número muito variado, a testemunhar<br />

muito trabalho por parte de<br />

alunos, professores e educadores.<br />

Olhar para o RADICAL <strong>da</strong> EBI de Santo<br />

Onofre, Cal<strong>da</strong>s <strong>da</strong> Rainha, é olhar<br />

para um jornal a sério. Bom papel, bom<br />

uso <strong>da</strong> fotografia, vasta publici<strong>da</strong>de<br />

(sem ela o projecto não seria provavelmente<br />

viável). E ain<strong>da</strong> por cima, com<br />

boas notícias como essa de se terem<br />

iniciado as obras para o novo pavilhão<br />

desportivo, de a EBI ter implantado<br />

um sistema de cartão electrónico que<br />

facilita a vi<strong>da</strong> e cria maior segurança,<br />

e de se terem eficazmente divertido<br />

com os “romances amorosos” no dia<br />

de S. Valentim. De Cal<strong>da</strong>s <strong>da</strong> Rainha<br />

a <strong>Lisboa</strong> não é muito longe, e portanto<br />

toca a levar os 8ºs anos ao D. Maria II<br />

e ao CCB. Parabéns pela energia, Clara<br />

Botelho. Os do 7º foram ver a Menina<br />

do Mar ao Politeama.<br />

O Teatro e artes conexas têm nas nossas<br />

escolas um papel e uma tradição<br />

crescentes, a exigir por parte do Ministério<br />

maior apoio e melhores condições<br />

de trabalho para os professores, muitas<br />

vezes actores profissionais, que a ele se<br />

dedicam. A EBI de Santo Onofre não<br />

foge à regra: nas Artes Performativas<br />

“leram” Gil Vicente e uma turma <strong>da</strong><br />

Escola foi apresentar “o passar de uma<br />

vi<strong>da</strong>” à Sec. Raul Proença e a outros<br />

espaços caldenses. Deste excelente<br />

jornal salta a ideia de uma escola cheia<br />

de vi<strong>da</strong>!


Palestras para as escolas<br />

No quadro do Ano Internacional<br />

<strong>da</strong> Física, docentes do<br />

Departamento de Física <strong>da</strong><br />

Facul<strong>da</strong>de de Ciências <strong>da</strong> Universi<strong>da</strong>de<br />

de <strong>Lisboa</strong> oferecem<br />

um amplo leque de palestras<br />

para as escolas.<br />

A aventura do Universo -<br />

Luís Peralta<br />

O Universo é quântico -<br />

Augusto Barroso<br />

Do Big-Bang às galaxias -<br />

José Pedro Mimoso<br />

O Big Bang e a Evolução do Universo -<br />

Paulo Crawford<br />

Neutrinos Solares: a energia invisível -<br />

Luís Bento<br />

Descobrir a massa <strong>da</strong>s partículas -<br />

António Amorim<br />

Somos feitos de pó de estrelas -<br />

Ana Maria Eiró<br />

Albert Einstein cem anos depois -<br />

Paulo Crawford<br />

Einstein e a Teoria <strong>da</strong> Relativi<strong>da</strong>de -<br />

Paulo Crawford<br />

O que é o tempo -<br />

Rui Agostinho<br />

Planetas extra-solares -<br />

Filipe Duarte Santos<br />

A Colonização de Marte -<br />

Rui Agostinho<br />

Construindo novos instrumentos<br />

em Astrofísica -<br />

António Amorim<br />

Caos no sistema solar -<br />

Ana Nunes<br />

Computação para encontrarmos a agulha<br />

28 ESCOLA INFORMAÇÃO . MARÇO 2005<br />

no palheiro -<br />

António Amorim<br />

De que tamanho é o mundo? Da Internet<br />

às redes sociais -<br />

Ana Nunes<br />

Nano Lego - Jorge Pacheco<br />

Dos cristais de gelo aos fogos fl orestais - Margari<strong>da</strong><br />

Telo <strong>da</strong> Gama<br />

Auto-organizacão e as riscas <strong>dos</strong> tigres -<br />

Margari<strong>da</strong> Telo <strong>da</strong> Gama<br />

Fractais e a geometria <strong>da</strong> natureza -<br />

Ana Nunes<br />

Supercondutores e superfl ui<strong>dos</strong> -<br />

Margari<strong>da</strong> Telo <strong>da</strong> Gama<br />

A Física e o risco <strong>dos</strong> merca<strong>dos</strong> fi nanceiros -<br />

Augusto Barroso<br />

Radiação e saúde - Luís Peralta<br />

Física e a saúde - Pedro Almei<strong>da</strong><br />

Física e a saúde - Eduardo Ducla Soares<br />

<strong>Grande</strong>s contribuições <strong>da</strong> Física para a Medicina<br />

- Eduardo Ducla Soares<br />

Física e a saúde - Alexandre Andrade<br />

A Física no ambiente - Luísa Carvalho<br />

Porque aumenta a temperatura em Portugal<br />

- Pedro Miran<strong>da</strong><br />

Alterações climáticas - Filipe Duarte Santos<br />

Clima e ambiente - Filipe Duarte Santos<br />

Riscos sísmicos em Portugal - Paula Teves<br />

À procura <strong>da</strong>s origens do terramoto de 1755<br />

- Luís Matias<br />

À beira de uma inversão do campo magnético<br />

Terrestre? - Miguel Miran<strong>da</strong><br />

Viagem ao interior <strong>da</strong> Terra - Miguel Miran<strong>da</strong><br />

Imagens de satélite e a protecção ambiental<br />

- José Teixeira<br />

As on<strong>da</strong>s e o Surf - Isabel Ambar<br />

O mar está tão frio e é Verão? - Isabel Ambar<br />

As marés no Oceano - Joaquim <strong>dos</strong> Santos<br />

O papel do Oceano no clima - Joaquim <strong>dos</strong><br />

Santos<br />

Energia Solar Fotovoltaica - João Serra<br />

História <strong>da</strong> Física - Ana Isabel Simões<br />

Os interessa<strong>dos</strong> deverão contactar: Eduardo Gomes 21 799 3665<br />

eduardo.gomes@spf.pt<br />

Mais informações:<br />

SOCIEDADE PORTUGUESA DE FÍSICA Aveni<strong>da</strong> <strong>da</strong> República nº37, 4ºan<strong>da</strong>r<br />

1050 - 187 <strong>Lisboa</strong> Portugal . Tel: +351 21 799 36 65 . Fax: +351 21 795 23 49<br />

Email: secretariado@spf.pt<br />

<strong>Educação</strong> Sexual<br />

em Contexto Escolar<br />

A <strong>Educação</strong> Sexual em Contexto<br />

Escolar foi tema de um seminário promovido<br />

pelo <strong>Sindicato</strong> de <strong>Professores</strong><br />

<strong>da</strong> <strong>Grande</strong> <strong>Lisboa</strong>, Direcção Regional<br />

do Oeste.<br />

A iniciativa teve lugar nas Cal<strong>da</strong>s <strong>da</strong><br />

Rainha, Escola Superior de Arte e<br />

Design, dia 14 de Abril.<br />

“A importância <strong>da</strong> educação <strong>da</strong><br />

sexuali<strong>da</strong>de na prevenção de comportamentos<br />

de risco” foi o primeiro<br />

tema abor<strong>da</strong>do, com intervenção de<br />

Manuel de Freitas Gomes, médico e especialista<br />

em psiquiatria. Seguindo-se<br />

“A importância e o lugar <strong>da</strong> <strong>Educação</strong><br />

Sexual no processo de formação integral”,<br />

em que foram nomea<strong>da</strong>mente<br />

apresenta<strong>da</strong>s propostas de parti<strong>dos</strong><br />

com assento na Assembleia <strong>da</strong><br />

República (Sónia Fertuzinhos - PS, Teresa<br />

Chaveiro - PCP e Ana Drago - BE)<br />

e perspectivas <strong>dos</strong> pais e <strong>dos</strong> alunos<br />

(Albino Pinto de Almei<strong>da</strong>, presidente<br />

<strong>da</strong> CONFAP, e Catarina Rosa – AE <strong>da</strong><br />

ES do Bombarral).<br />

Uma outra vertente do programa<br />

centrou-se nas metodologias de intervenção<br />

na escola, ao nível <strong>da</strong>s<br />

abor<strong>da</strong>gens na escola, ao nível do desenho<br />

curricular (disciplina/conteúdo<br />

transversal) e ao nível <strong>da</strong> formação<br />

de professores. A intervenção de<br />

fundo esteve a cargo de Ângela Rodrigues,<br />

professora <strong>da</strong> Facul<strong>da</strong>de de<br />

Psicologia e Ciências <strong>da</strong> <strong>Educação</strong> <strong>da</strong><br />

Universi<strong>da</strong>de de <strong>Lisboa</strong> e presidente<br />

do Instituto Irene <strong>Lisboa</strong>.<br />

Neste âmbito foram igualmente apresenta<strong>da</strong>s<br />

algumas respostas existentes<br />

e problemas identifi ca<strong>dos</strong> por Elisabete<br />

Souto, <strong>da</strong> APF, e experiências em desenvolvimento<br />

nas escolas (Ana Varela<br />

– Escola Secundária de Peniche, Isabel<br />

Coentro e Dulce Fonseca – Escola<br />

Secundária do Bombarral).


A regulação <strong>da</strong> educação<br />

Política e actores<br />

O Fórum Português de Administração Educacional<br />

– como espaço de debate, de troca de experiências<br />

e de perspectivas no campo <strong>da</strong> Política Educativa<br />

e <strong>da</strong> Administração Educacional – vai promover,<br />

em 21 de Abril, um debate sobre “A regulação<br />

<strong>da</strong> educação em Portugal e na Europa – política<br />

e actores.”<br />

A iniciativa terá lugar no Auditório do Conselho Nacional<br />

de <strong>Educação</strong>, R. Florbela Espanca, <strong>Lisboa</strong>.<br />

A entra<strong>da</strong> é livre. A quem o desejar será emitido<br />

um Certifi cado de participação.<br />

Em nota de divulgação desta iniciativa – para que<br />

convi<strong>da</strong> to<strong>dos</strong> os interessa<strong>dos</strong> - o Fórum lembra<br />

que “Em Portugal como em to<strong>da</strong> a Europa, os valores,<br />

opções ideológicas e interesses específi cos<br />

expressos nas políticas educativas e nos mo<strong>dos</strong> de<br />

gestão <strong>da</strong> provisão pública <strong>da</strong> <strong>Educação</strong> têm vindo<br />

a adquirir crescente protagonismo nas preocupações<br />

<strong>dos</strong> ci<strong>da</strong>dãos, no debate público corrente e<br />

na agen<strong>da</strong> política mediática.”<br />

09h50 - Sessão de Abertura<br />

10h00 - Conferência<br />

“Evolução <strong>da</strong> Regulação <strong>da</strong> <strong>Educação</strong> em<br />

Portugal: Mo<strong>dos</strong> e Tendências”<br />

– João Barroso (FPCE – UL)<br />

10h45 - Debate<br />

11h15 - Pausa – Café<br />

11h30 - Painel (1ª parte)<br />

“A Regulação <strong>da</strong> <strong>Educação</strong>: Instâncias e<br />

Níveis de Intervenção”<br />

Moderadora<br />

Berta Macedo (Investigadora)<br />

Participantes<br />

“As Direcções Regionais de <strong>Educação</strong><br />

como Instâncias de Regulação”<br />

– Natércio Afonso (FPCE – UL)<br />

“As Autarquias Locais enquanto Instâncias<br />

de Regulação Intermédia”<br />

– João Pinhal (FPCE – UL)<br />

12h00 - Debate<br />

12h30 - Intervalo – Almoço<br />

14h30 - Painel (2ª parte) –<br />

“A Regulação <strong>da</strong> <strong>Educação</strong>: Instâncias<br />

e Níveis de Intervenção”<br />

Moderadora<br />

Berta Macedo (Investigadora)<br />

Participantes<br />

“A Regulação nos Espaços de Interdepen-<br />

dência Inter-escolas”<br />

Sofi a Viseu (INA)<br />

“A Gestão Escolar e a Micro-regulação<br />

Interna <strong>da</strong>s Escolas”<br />

Luís Leandro Dinis (ES Alves Redol)<br />

15h00 - Debate<br />

15h30 - Conferência – “Regulação e<br />

Desigual<strong>da</strong>des nos Sistemas Educativos<br />

Europeus” –<br />

Christian Maroy (Universi<strong>da</strong>de Católica<br />

de Lovaina)<br />

16h15 - Debate<br />

16h45 - Divulgação científi ca<br />

* Apresentação do 4º número <strong>da</strong> Revista<br />

“Administração Educacional”.<br />

* Apresentação <strong>da</strong>s Actas do 2º Congresso<br />

Nacional “A Escola entre o Estado<br />

e o Mercado: o Público e o Privado<br />

na Regulação <strong>da</strong> <strong>Educação</strong>”.<br />

* Lançamento do Livro “Organização<br />

e Gestão do Agrupamento Vertical de<br />

Escolas – a teia <strong>da</strong>s lógicas de acção”<br />

de Graça Jegundo Simões<br />

17h00 - Encerramento <strong>dos</strong> trabalhos<br />

Assembleia-Geral do Fórum (reserva<strong>da</strong><br />

aos Associa<strong>dos</strong>)<br />

FÓRUM SOCIAL<br />

PORTUGUÊS<br />

ÉVORA, 14 DE MAIO<br />

DE 2005<br />

Em 14 de Maio próximo, decorrerá<br />

na ci<strong>da</strong>de de Évora, no quadro do<br />

FÓRUM SOCIAL PORTUGUÊS, um encontro<br />

subordinado ao tema RESISTÊNCIAS E<br />

ALTERNATIVAS.<br />

O FÓRUM SOCIAL PORTUGUÊS, como os<br />

congéneres europeu e mundial, é um<br />

espaço que acolhe as iniciativas <strong>da</strong>s<br />

mulheres e <strong>dos</strong> homens que, a título<br />

individual ou no quadro de organizações,<br />

lutam contra as discriminações,<br />

a guerra e o neoliberalismo.<br />

Neste contexto, o encontro RESISTÊNCIAS<br />

E ALTERNATIVAS é um espaço aberto a<br />

quem queira contribuir para a criação,<br />

difusão e socialização de alternativas<br />

à actual estrutura <strong>da</strong> socie<strong>da</strong>de<br />

nacional, europeia e internacional<br />

e constitui uma ocasião privilegia<strong>da</strong><br />

de identifi car, sistematizar e partilhar<br />

um conjunto de práticas sociais<br />

que, em Portugal, anunciam e dão<br />

corpo à esperança numa outra ordem<br />

económica, social, política e cultural<br />

global mais justa e solidária.<br />

O programa do encontro RESISTÊNCIAS<br />

E ALTERNATIVAS é tripartido: de manhã<br />

será realizado um grande debate<br />

conjunto subordinado ao tema do<br />

encontro; a tarde será reserva<strong>da</strong><br />

à livre iniciativa <strong>da</strong>s organizações<br />

participantes; por fi m, um momento<br />

de convívio e de animação cultural<br />

encerrará os trabalhos, salienta uma<br />

nota de imprensa <strong>da</strong>s organizações<br />

proponentes <strong>da</strong> iniciativa.<br />

O SPGL participará nesta iniciativa. Os<br />

professores e educadores <strong>da</strong> área do<br />

SPGL interessa<strong>dos</strong> em participar nesta<br />

iniciativa poderão contactar o seu sindicato<br />

para organizar transportes.<br />

Aluga-se apartamento<br />

férias Albufeira<br />

Bem equipado; T2;<br />

boa vista; junto praia.<br />

Telef: 214396003<br />

Tm: 918368754<br />

Maria Graça Samora Pontes Correia<br />

MARÇO 2005 . ESCOLA INFORMAÇÃO 29


Viagem a Cuba - <strong>Grande</strong> Circuito<br />

de 18 de Julho a 2 de Agosto de 2005<br />

A <strong>da</strong>ta deste circuito, anteriormente previsto para<br />

o mês de Abril, foi altera<strong>da</strong> para a 2ª quinzena<br />

de Julho, por não estar preenchido o número de<br />

inscrições necessárias<br />

Nota: Esta viagem organiza<strong>da</strong> pela Frente de<br />

Trabalho de <strong>Professores</strong> Aposenta<strong>dos</strong>, é aberta a<br />

sócios do SPGL/FENPROF, familiares e/ou amigos,<br />

bem como aos funcionários do SPGL/FENPROF.<br />

Locais a visitar:<br />

HAVANA / PIÑAR DEL RIO /<br />

VIÑALES / PRAIA GIRÓN / CIEN-<br />

FUEGOS / TRINIDAD<br />

SANCTI SPIRITUS / CIEGO DʼÁVILA<br />

/ CAMAGÜEY<br />

LAS TUNAS / BAYAMO<br />

SIERRA MAESTRA / SANTIAGO<br />

DE CUBA<br />

HOLGUIN / GUARDALAVACA<br />

MORON / REMÉDIOS / SANTA<br />

CLARA / VARADERO<br />

MATANZAS<br />

Nome<br />

Acompanhante<br />

Mora<strong>da</strong> de contacto<br />

30 ESCOLA INFORMAÇÃO . MARÇO 2005<br />

A visita a estes locais é acompanha<strong>da</strong><br />

de guia local, bem como pelo guia<br />

<strong>da</strong> agência de viagens. Durante estes<br />

percursos haverá dias livres. Os voos<br />

serão via Madrid, pela Ibéria.<br />

Para conhecer o programa detalhado,<br />

com a indicação <strong>dos</strong> respectivos<br />

regimes hoteleiros poderá consultar<br />

o site do SPGL (www.spgl.pt) ou contactar<br />

directamente os dirigentes Alina<br />

Sousa ou Victor Chaves às quintas-feiras,<br />

<strong>da</strong>s 15h às 17h na sede.<br />

Preços:<br />

Preço por pessoa em quarto duplo<br />

Eur 2.120,00<br />

Suplemento para quarto individual<br />

Eur 125,00<br />

O Preço inclui:<br />

. Passagem aérea <strong>Lisboa</strong> / Madrid<br />

/ Havana – Havana / Madrid /<br />

<strong>Lisboa</strong><br />

. Alojamento nos hotéis em regime de<br />

meia pensão e/ou tudo incluído.<br />

(Alguns <strong>dos</strong> hotéis previstos poderão<br />

ser substituí<strong>dos</strong> por outros similares)<br />

Viagem a Cuba<br />

Ficha de Inscrição<br />

Telefone Telemóvel<br />

Pagamento:<br />

Cheque nº Banco<br />

. Almoços sempre que menciona<strong>dos</strong><br />

no programa.<br />

. Circuitos e visitas conforme itinerário<br />

com guia local e guia <strong>da</strong> Agência.<br />

. Taxas de aeroporto, de turismo, hoteleiras,<br />

de serviço e Iva.<br />

. Seguro de assistência em viagem<br />

Condições de pagamento:<br />

. 4 prestações de 530 Euros, sendo<br />

que a 1ª será efectua<strong>da</strong> no acto <strong>da</strong><br />

inscrição e a última até 18 de Junho.<br />

Nota: Esta viagem realizar-se-á com um<br />

mínimo de 30 participantes. A selecção<br />

será feita por ordem de inscrição.<br />

O cheque que acompanha a Ficha<br />

de Inscrição será devolvido, caso não<br />

haja inscrições sufi cientes para a sua<br />

realização.<br />

Nota: A fi cha de inscrição acompanha<strong>da</strong><br />

do respectivo cheque<br />

no valor de 530 euros deverá ser<br />

envia<strong>da</strong> até 30 de Abril, para<br />

a sede do SPGL (Rua Fialho de<br />

Almei<strong>da</strong>, nº 3 – 1070-128 <strong>Lisboa</strong>)<br />

ao cui<strong>da</strong>do de Alina Sousa ou<br />

Victor Chaves.


Concurso de Fotografia<br />

Olhares sobre a Escola Pública<br />

O concurso de fotografia Olhares<br />

sobre a Escola Pública, uma organização<br />

<strong>da</strong> Direcção Regional do<br />

Oeste, tem como objectivos:<br />

. Proporcionar uma reflexão sobre<br />

a reali<strong>da</strong>de escolar actual no nosso<br />

país;<br />

. Divulgar a imagem do SPGL<br />

como enti<strong>da</strong>de defensora de uma<br />

escola pública e de quali<strong>da</strong>de;<br />

. Promover a divulgação de trabalhos<br />

relaciona<strong>dos</strong> com a fotografia<br />

a to<strong>dos</strong> os membros <strong>da</strong> comuni<strong>da</strong>de<br />

educativa.<br />

Público alvo: <strong>Professores</strong> e alunos<br />

de qualquer grau de ensino e pessoas<br />

liga<strong>da</strong>s à comuni<strong>da</strong>de educativa<br />

Condições de participação:<br />

1. A participação no concurso está<br />

sujeita ao preenchimento <strong>da</strong> ficha<br />

de inscrição acompanha<strong>da</strong> <strong>da</strong>s informações<br />

e materiais solicita<strong>dos</strong>.<br />

2. A entrega <strong>da</strong> ficha de inscrição<br />

e <strong>dos</strong> trabalhos deverá ser<br />

feita nas delegações do SPGL em<br />

Cal<strong>da</strong>s <strong>da</strong> Rainha, Torres Vedras<br />

ou Mafra até ao dia 30 de Junho<br />

de 2005.<br />

3. Serão admiti<strong>da</strong>s a concurso<br />

obras em qualquer domínio <strong>da</strong><br />

fotografia sem restrição de dimensões<br />

4. Aceita-se o máximo de três trabalhos<br />

por concorrente.<br />

5. Os trabalhos entregues devem<br />

estar prontos a expor.<br />

6. A devolução <strong>dos</strong> trabalhos será<br />

feita na delegação de Cal<strong>da</strong>s <strong>da</strong><br />

Rainha após o encerramento <strong>da</strong><br />

mostra de trabalhos.<br />

7. A organização será responsável<br />

pela produção, montagem e apre-<br />

DIRECÇÃO REGIONAL DO OESTE<br />

sentação pública <strong>dos</strong> trabalhos<br />

selecciona<strong>dos</strong>.<br />

8. A organização não se responsabiliza<br />

por qualquer <strong>da</strong>no<br />

ou extravio causado durante a<br />

guar<strong>da</strong>, transporte ou apresentação<br />

<strong>dos</strong> trabalhos.<br />

9. A organização salvaguar<strong>da</strong>rá<br />

os direitos de autor <strong>dos</strong> trabalhos<br />

entregues à sua guar<strong>da</strong>.<br />

10. Os autores selecciona<strong>dos</strong> autorizarão<br />

a divulgação de imagens<br />

e informação referente aos<br />

respectivos trabalhos no âmbito<br />

de quaisquer suportes ou veículos<br />

de promoção <strong>da</strong> iniciativa.<br />

11. A participação no concurso<br />

implica a aceitação <strong>da</strong>s suas condições<br />

gerais e regulamentos.<br />

12. Os casos omissos serão resolvi<strong>dos</strong><br />

pela organização.<br />

13. A lista <strong>dos</strong> concorrentes selecciona<strong>dos</strong><br />

para a mostra de fotografia<br />

“Olhares sobre a Escola<br />

Pública” será publica<strong>da</strong> oportunamente<br />

no “Escola Informação”<br />

e no site do SPGL.<br />

14. A apresentação pública <strong>dos</strong><br />

trabalhos selecciona<strong>dos</strong> realizarse-á<br />

em Outubro/Novembro de<br />

2005.<br />

Constituição do júri: Um representante<br />

<strong>da</strong> região Oeste do<br />

SPGL, um fotógrafo do “Escola<br />

Informação” e um professor de<br />

fotografia <strong>da</strong> ESAD<br />

Prémio: 250 Euros (É premiado<br />

um único trabalho que ficará<br />

proprie<strong>da</strong>de do SPGL)<br />

ARRENDA-SE T3<br />

(5 camas,7 pessoas) NAZARÉ (férias), a 700 m <strong>da</strong> praia (à semana)<br />

Tel. 249 561 171 TLM: 966 288 523<br />

amilcarborges@oninet.pt<br />

DIRECÇÃO REGIONAL DO OESTE<br />

Lembrar<br />

José Afonso<br />

Programa<br />

Abril/Maio de 2005<br />

Dia 23 de Abril – 15h00 – Café<br />

Central – Abertura <strong>da</strong> Exposição<br />

“Vi<strong>da</strong> e Obra de José Afonso”<br />

21h00 – Pimpões – Concerto<br />

com Amélia Muge* e Sons do<br />

Bairro<br />

Dia 27 de Abril – 21h30 – Café<br />

Central – Audição comenta<strong>da</strong><br />

de canções para Teatro de José<br />

Afonso – colaboração José Carlos<br />

Faria, Teatro <strong>da</strong> Rainha<br />

Dia 28 de Abril – 21h30 – Café<br />

Central – Sessão Pública sobre o<br />

livro Livra-te do Medo, de José<br />

A. Salvador – organização <strong>da</strong><br />

Comuni<strong>da</strong>de de Leitores <strong>da</strong>s<br />

Cal<strong>da</strong>s <strong>da</strong> Rainha<br />

Dia 29 de Abril – 21h30 – Café<br />

Central – Sessão de Poesia sobre<br />

o 25 de Abril – com a presença<br />

de Vasco Lourenço e colaboração<br />

<strong>da</strong> Associação 25 de Abril<br />

Dia 30 de Abril – 21h30 – Café<br />

Central – José Afonso, o Homem<br />

e o Artista – painel com participação<br />

de Manuel Alegre, João<br />

Afonso <strong>dos</strong> Santos e Francisco<br />

Fanhais*<br />

Dia 1 de Maio – 17h00 – Café<br />

Central – Encerramento <strong>da</strong> exposição<br />

– “Grupo Coral Dixit”<br />

*Presença ain<strong>da</strong> não confirma<strong>da</strong>.<br />

www.spgl.pt<br />

SPGL on-line<br />

o portal <strong>dos</strong><br />

professores<br />

Brevemente remodelado<br />

MARÇO 2005 . ESCOLA INFORMAÇÃO 31


Teatro Ibérico<br />

A Castro<br />

A Castro, de António Ferreira, numa<br />

encenação de José Blanco Gil, está em<br />

palco, até 1 de Maio, no Teatro Ibérico.<br />

Rua de Xabregas, 54 - 1900-440 <strong>Lisboa</strong>.<br />

De Quinta a Domingo, às 21.30h.<br />

Um espectáculo que se insere na comemoração<br />

<strong>dos</strong> 650 anos <strong>da</strong> morte de Inês<br />

de Castro.<br />

Em cena, “uma nova abor<strong>da</strong>gem de um<br />

clássico, que pelas mãos desta Companhia<br />

já ganhou vários prémios internacionais,<br />

tendo este ano a honra de inaugurar<br />

os eventos teatrais do Ano Inesiano <strong>da</strong><br />

Cultura em Alcobaça, a convite <strong>da</strong> Associação<br />

<strong>dos</strong> Amigos de Pedro e Inês”.<br />

A Castro, de António Ferreira, é uma<br />

tragédia em cinco actos sobre amor<br />

proibido tão apaixonante, entre D. Inês<br />

de Castro e D. Pedro, futuro Rei de Portugal,<br />

que parte do momento em que a<br />

Castro e o Infante reafi rmam a força do<br />

seu amor aos seus confi dentes, percorre<br />

todo o julgamento em que se confrontam<br />

a Razão de Estado e Paixão, que culminará<br />

na morte trágica de Inês e na revolta<br />

dolorosa e apaixona<strong>da</strong> de D. Pedro.<br />

Castro é um drama em que o desenrolar<br />

<strong>da</strong> tragédia se vai apresentando como<br />

numa balança, em que ca<strong>da</strong> interveniente<br />

deposita as suas razões e motivações,<br />

que se entrecruzam com o Destino, o<br />

Fado, deixando no ar a dúvi<strong>da</strong> se existirá<br />

uma Predestinação ou se ca<strong>da</strong> personagem<br />

toma as rédeas <strong>da</strong> sua Fortuna.<br />

Reservas, informações - 21 868 2531<br />

http://teatroiberico.com.sapo.pt<br />

teatroiberico@sapo.pt<br />

32 ESCOLA INFORMAÇÃO . MARÇO 2005<br />

Com o apoio do SPGL,<br />

o Cineclube ABC promove o ciclo<br />

“Cinema e Ambiente”.<br />

Aproveite para ver (ou rever) alguns<br />

excelentes fi lmes.<br />

CINEMA QUARTETO<br />

Rua Flores de Lima, 16 – tel.: 21 7971244<br />

(Bilhetes 2,00€)<br />

Sexta-feira - 22 de Abril – 19h00<br />

NORTHFORK de Michael Polish<br />

Int. James Woods, Nick Nolte, Douglas Sebern, Claire<br />

Forlane<br />

U.S.A., 2003 – cor<br />

Sexta-feira - 29 de Abril – 19h00<br />

OS ÚLTIMOS DIAS DO PARAÍSO<br />

(Medicine Man) de John McTiernan<br />

Int. Sean Connery, Lorraine Bracco, José Wilker<br />

U.S.A., 1992 – cor<br />

Sexta-feira - 6 de Maio – 19h00<br />

OS RESPIGADORES E A RESPIGADORA<br />

(Les glaneurs et la glaneuse) de Agnès Var<strong>da</strong><br />

França, 2000 – cor | Documentário<br />

Sexta-feira – 13 de Maio – 18h30<br />

DERSU UZALA – A ÁGUIA DAS ESTEPES de Akira<br />

Kurosawa<br />

Int. Yuri solomin, Maksim Munzuk, Suimenkul<br />

Chokmotov<br />

U.R.S.S./Japão, 1974 – cor<br />

“Óscar” do Melhor fi lme de Língua Estrangeira, 1975<br />

SOCIEDADE PORTUGUESA DE AUTORES<br />

Auditório Frederico de Freitas<br />

Av. Duque de Loulé, 31 – tel.: 213594478<br />

(Entra<strong>da</strong> gratuita)<br />

Terça-feira – 19 de Abril – 18h30<br />

A COSTA DO MOSQUITO de Peter Weir<br />

Int. Harrison Ford, Helen Mirren, River Phoenix<br />

U.S.A., 1986 – cor<br />

Terça-feira – 3 de Maio – 18h30<br />

O SINDROMA DA CHINA de James Bridges<br />

Int. Jane Fon<strong>da</strong>, Jack Lemon, Michael Douglas<br />

U.S.A., 1979 – cor<br />

Terça-feira – 10 de Maio – 18h30<br />

KOYAANISQATSI – CENAS DE EQUILÍBRIO INSTÁVEL de<br />

Godfrey Reggio<br />

Mús. Philip Glass Prod. Francis Ford Coppola<br />

U.S.A., 1982 – cor<br />

Classifi cação etária geral: Maiores de 16 anos – O<br />

programa pode ser alterado por motivos imprevistos.<br />

To<strong>dos</strong> os fi lmes são legen<strong>da</strong><strong>dos</strong> em português<br />

protocolos<br />

protocolos<br />

Literacia Poder<br />

Local Ci<strong>da</strong><strong>da</strong>nia<br />

Europeia<br />

Na Déca<strong>da</strong> <strong>da</strong> Literacia, decreta<strong>da</strong><br />

pela ONU e pela UNESCO,<br />

a Civitas – Associação de<br />

Defesa e Promoção <strong>dos</strong> Direitos<br />

<strong>dos</strong> Ci<strong>da</strong>dãos – celebra o Ano<br />

<strong>da</strong> Literacia com a realização<br />

de uma Conferencia Nacional<br />

de Literacia Poder Local<br />

Ci<strong>da</strong><strong>da</strong>nia Europeia, em Junho<br />

de 2005, no Centro Jacques<br />

Delors, em <strong>Lisboa</strong>.<br />

Protocolo com a<br />

Clínica Harmonia<br />

protocolos<br />

O SPGL celebrou<br />

um protocolo com a<br />

Clínica Harmonia. Uma<br />

possibili<strong>da</strong>de mais<br />

aberta aos sócios na<br />

área <strong>da</strong> saúde.<br />

A Clínica Harmonia<br />

oferece diversos serviços<br />

em consultas e<br />

tratamentos, exames<br />

auxiliares de diagnóstico<br />

e dispõe ain<strong>da</strong> de<br />

um Centro de medicina<br />

laser – tratamento sem<br />

cirurgia.<br />

Para <strong>da</strong><strong>dos</strong> mais concretos<br />

consultar o site:<br />

www.clinicaharmonia.pt.<br />

A tabela de descontos<br />

acor<strong>da</strong><strong>da</strong> é a seguinte:<br />

. Consultas – 20%<br />

. Avaliações – 20%<br />

. Terapia Laser – 15%<br />

. Exames Auxiliares de<br />

Diagnóstico – 10%<br />

. Testes de Paterni<strong>da</strong>de<br />

– 5%<br />

Mora<strong>da</strong> e contactos <strong>da</strong><br />

Clínica:<br />

Av. <strong>da</strong> Liber<strong>da</strong>de, nº<br />

245, 5º D - 1250-143<br />

<strong>Lisboa</strong><br />

Tel: 213554680<br />

Fax: 213554583<br />

Mail:<br />

utentes@clinicaharmonia.pt


O SPGL celebra protocolos<br />

com várias enti<strong>da</strong>des<br />

liga<strong>da</strong>s ao turismo<br />

Nome <strong>da</strong> Enti<strong>da</strong>de Ramo/Activi<strong>da</strong>de Desconto/Protocolo Especial<br />

STAS (Colónia de Férias) Colónia de Férias Tel: 800205179<br />

Hotel do Parque Hotéis/Turismo<br />

Luna Hotéis Hotéis/Turismo<br />

Programa MAISHOTEL Hotéis/Turismo<br />

Grupo Accor Amorim Hotéis/Turismo/Cadeia de Hotéis Mercure<br />

Grupo Accor Amorim Hotéis/Turismo/Cadeia de Hotéis Sofi tel<br />

Grupo Accor Amorim Hotéis/Turismo/ Cadeias de Hotéis Novotel<br />

Grupo Hotéis VilaGalé Hotéis/Turismo<br />

Hotel Ci<strong>da</strong>dela Hotéis/Turismo<br />

Hotel Atlântico Hotéis/Turismo<br />

Quinta do Barracão Turismo Rural<br />

Monte Alerta Turismo Rural<br />

Douro Azul Cruzeiros/Turismo<br />

Desc. 6 a 10%<br />

Tel: 231512031<br />

www.hoteldoparquecuria.com<br />

geral@hoteldoparquecuria.com<br />

Desc. 10 a 15%<br />

www.lunahoteis.com<br />

Desc. 20%<br />

Tel: 218483203<br />

www.maishotel.com<br />

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Tel: 217244880<br />

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Tel: 217244880<br />

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Desc. 10 a 15%<br />

Tel: 217244880<br />

www.accorhotels.com<br />

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Tel: 217907600<br />

Call Center: 800204224<br />

www.vilagale.pt<br />

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Tel: 214827600<br />

www.hotelci<strong>da</strong>dela.com<br />

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Desc. 15%<br />

Tel: 214680270<br />

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Tel: 218442000<br />

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Tel: 266550150<br />

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Desc. 10%<br />

Tel: 223402518<br />

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Orbitur Campismo/Turismo Desc. 10%<br />

Império Autocenter Serviços, Acessórios p/ Viaturas<br />

Desc. 5 a 30%<br />

Tel: 808201516<br />

Papelaria Fernandes Papelaria Desc. 10%<br />

ARTEHBY Hotelaria, Turismo e lazer<br />

O sócios do SPGL, bem como os seus trabalhadores e colaboradores,<br />

têm este ano à disposição um leque alargado de<br />

oportuni<strong>da</strong>des para as suas férias. As enti<strong>da</strong>des, contactos e<br />

descontos vêm referencia<strong>dos</strong> no quadro ao lado. Mas em breve<br />

será possível saber mais através do site do SPGL.<br />

De referir também o protocolo com a Papelaria Fernandes.<br />

Desc. 5 a 30%<br />

Tel: 217803477<br />

www.arteh-hotels.com<br />

info@arteh-hotels.com<br />

MARÇO 2005 . ESCOLA INFORMAÇÃO 33


Aviso 1988/05, de 28 de<br />

Fevereiro<br />

Procedimentos e áreas temáticas para efeitos<br />

do pedido de equiparação a bolseiro.<br />

Despacho nº 4457/02, de<br />

1 de Março<br />

Determina o nº de vagas para a concessão de<br />

equiparação a bolseiro.<br />

Despacho Normativo nº 15/05,<br />

de 28 de Fevereiro<br />

Regulamentos do Júri Nacional de Exames,<br />

Exames Nacionais do E. Básico e Exames de<br />

E. Secundário.<br />

Despacho nº 4456/05,<br />

de 1 de Março<br />

Regulamenta os procedimentos necessários<br />

ao reconhecimento do tempo de serviço<br />

prestado por professores/ forman<strong>dos</strong> que<br />

celebrem contratos de voluntariado com organizações<br />

não governamentais no âmbito<br />

de cooperação.<br />

Despacho Normativo nº 8/05,<br />

de 3 de Fevereiro<br />

Altera o nº 1 e 4 do Despacho Normativo nº<br />

185/92, de 8 de Outubro (dispensas para<br />

formação)<br />

Decreto-Lei nº 57/05,<br />

de 4 de Março<br />

Estabelece as normas de execução do<br />

Orçamento de Estado para 2005<br />

Despacho nº 5065/05,<br />

de 9 de Março<br />

Aprova o regulamento modelo para o mecanismo<br />

de transmissão em cadeia de manuais<br />

escolares nos 2º e 3º ciclos do ensino básico.<br />

Despacho nº 5208/05,<br />

de 10 de Março<br />

Estabelece normas a aplicar nas provas de<br />

aferição a realizar no fi nal <strong>dos</strong> 1º e 2º ciclos<br />

do Ensino Básico.<br />

Despacho nº 5426/05,<br />

de 14 de Março<br />

Defi ne a dotação máxima de pessoal docente<br />

a tempo inteiro na Universi<strong>da</strong>de Aberta.<br />

Despacho nº 5537/05,<br />

de 15 de Março<br />

Determina que o exame <strong>da</strong> área curricular<br />

<strong>dos</strong> TIC, do currículo do 9º ano de escolari<strong>da</strong>de,<br />

apenas terá lugar no ano lectivo<br />

2005/06<br />

Decreto-Lei nº 67/05,<br />

de 15 de Março<br />

Regula o reconhecimento pelo Estado<br />

Português <strong>dos</strong> graus académicos conferi<strong>dos</strong><br />

na sequência <strong>da</strong> conclusão com êxito de um<br />

curso de mestrado Erasmus Mundus e a sua<br />

titulação.<br />

Despacho nº6365/05, de 24 de<br />

Março (2ª série)<br />

Profi ssionalização <strong>dos</strong> professores com<br />

habilitação própria com 5 ou mais anos de<br />

serviço.<br />

DEPARTAMENTO DE CULTURA<br />

A exposição a Óleo de Carlos Dinis está patente ao público<br />

até 15 de Abril.<br />

A 20 de Abril, 4ª feira, pelas 18h30, haverá Inauguração<br />

<strong>da</strong> Exposição de Fotografi a “pelo Sul à procura do Norte”<br />

de Felizar<strong>da</strong> Barra<strong>da</strong>s. A mesma poderá ser visita<strong>da</strong> até 13<br />

de Maio.<br />

A 18 de Maio, 4ª feira, pelas 18h30 haverá Inauguração <strong>da</strong><br />

Exposição de Pintura de Cláudia Torres. A mesma estará<br />

patente até 9 de Junho.<br />

A 15 de Junho terá lugar uma Exposição de Serigrafi a de<br />

Margari<strong>da</strong> Rancy e Marina Santos, que poderá ser visita<strong>da</strong><br />

até 15 de Julho.<br />

Lembramos que os nossos sócios terão 10% de desconto na<br />

aquisição de bilhetes (também para os acompanhantes) para<br />

os seguintes espectáculos:<br />

- Ópera Tosca – 12 de Abril, 21h30 no Coliseu <strong>dos</strong> Recreios<br />

(<strong>Lisboa</strong>);<br />

- Spirit of the Dance – 28 e 29 de Maio no Coliseu <strong>dos</strong> Recreios<br />

(<strong>Lisboa</strong>).<br />

Os bilhetes devem ser adquiri<strong>dos</strong> na Sede do SPGL.<br />

O VI Colóquio de Ciências <strong>da</strong><br />

<strong>Educação</strong>, a realizar em 5 e 6<br />

de Maio, irá abor<strong>da</strong>r diferentes<br />

temas.<br />

5 de Maio<br />

Conferências:<br />

. A identi<strong>da</strong>de do Ensino Superior:<br />

universi<strong>da</strong>de e educação superior;<br />

. O processo de Bolonha e as suas<br />

implicações na reforma do ensino<br />

superior.<br />

Workshops:<br />

. A formação inicial de professores<br />

no quadro do processo de Bolonha.<br />

Modelos e desafi os;<br />

. As Licenciaturas de Ciências <strong>da</strong><br />

<strong>Educação</strong> no quadro do processo<br />

de Bolonha. Perfi s profi ssionais <strong>dos</strong><br />

técnicos de educação não docentes.<br />

6 de Maio<br />

Workshops:<br />

. O processo de Bolonha nas<br />

Universi<strong>da</strong>des Europeias. Debates e<br />

mu<strong>da</strong>nças;<br />

. Formação e carreiras docentes.<br />

Implicações nos estatutos <strong>da</strong> educação<br />

pré-escolar e <strong>dos</strong> ensinos básico e<br />

secundário do processo de Bolonha.<br />

Comentário:<br />

. As implicações do processo de<br />

Bolonha no espaço lusófono de ensino<br />

superior.<br />

Conferência:<br />

. A globalização do ensino superior<br />

e a competição entre os espaços<br />

mundiais.


Fátima Anjos<br />

1 – O artigo 104º do Código do<br />

Trabalho dá-nos o conceito de período<br />

experimental definindo-o como o período<br />

correspondente ao tempo inicial<br />

de execução do contrato de trabalho<br />

obedecendo a sua duração ao fixado<br />

na lei.<br />

Esta matéria encontra-se também regula<strong>da</strong><br />

no artigo 9º do Contrato Colectivo<br />

de Trabalho do Ensino Particular e<br />

Cooperativo o qual, como também refere<br />

o supra identificado preceito do<br />

Código do Trabalho, estabelece que a<br />

antigui<strong>da</strong>de do trabalhador é conta<strong>da</strong><br />

desde o início do período experimental,<br />

ou seja, decorrido este período a<br />

admissão do trabalhador considera-se<br />

definitiva contando-se a respectiva antigui<strong>da</strong>de<br />

desde o início do mesmo.<br />

2 – Os artigos 107º e 108º do Código<br />

do Trabalho vêm dispor sobre o período<br />

experimental nos contratos por tempo<br />

indeterminado e nos contratos a termo,<br />

respectivamente.<br />

No primeiro caso este período varia<br />

consoante as seguintes situações:<br />

a) 90 dias para a generali<strong>da</strong>de <strong>dos</strong> trabalhadores;<br />

b) 180 dias para os trabalhadores que<br />

exerçam cargos de complexi<strong>da</strong>de técnica,<br />

elevado grau de responsabili<strong>da</strong>de<br />

ou que pressuponham uma especial<br />

qualificação, bem como para os que<br />

desempenhem funções de confiança;<br />

c) 240 dias para pessoal de direcção e<br />

quadros superiores.<br />

Para as situações de contratos a termo a<br />

lei vem estabelecer perío<strong>dos</strong> experimentais<br />

com a seguinte duração:<br />

a) 30 dias para contratos de duração<br />

igual ou superior a seis meses;<br />

b) 15 dias nos contratos a termo certo<br />

de duração inferior a seis meses e nos<br />

contratos a termo incerto cuja duração<br />

se preveja não vir a ser superior àquele<br />

limite.<br />

Regime Jurídico do Período Experimental<br />

Docentes do Ensino Particular e Cooperativo<br />

O Contrato Colectivo de Trabalho do<br />

Ensino Particular e Cooperativo prevê<br />

expressamente a aplicação, ao pessoal<br />

docente, <strong>dos</strong> prazos previstos na lei ou<br />

seja, no Código do Trabalho. Considera<br />

este instrumento de regulamentação<br />

colectiva que estes trabalhadores, por<br />

exercerem um cargo de “elevado grau<br />

de responsabili<strong>da</strong>de e especial confiança”<br />

podem, mediante acordo escrito,<br />

ver o seu período experimental elevado<br />

a 180 dias”, tal como o é o previsto na<br />

alínea b) do artº 107º do Código do<br />

Trabalho para os contratos por tempo<br />

indeterminado. Contudo, tendo em conta<br />

a formulação deste preceito do C.C.T.<br />

e do disposto no artigo 110º do C.T.,<br />

que estabelece expressamente que a<br />

duração do período experimental pode<br />

ser reduzi<strong>da</strong> por instrumento de regulamentação<br />

colectiva de Trabalho, é de<br />

concluir que, na ausência de acordo escrito<br />

a prever um período experimental<br />

com a referi<strong>da</strong> duração de 180 dias,<br />

é de aplicar, aos contratos por tempo<br />

indeterminado do pessoal docente, o<br />

previsto na alínea a) do artigo 107º do<br />

Código do Trabalho ou seja, o período<br />

experimental de 90 dias.<br />

3 – O regime de denúncia do contrato<br />

de trabalho durante o período experimental<br />

é basicamente coincidente<br />

no Código do Trabalho e no Contrato<br />

Colectivo de Trabalho que dispõem<br />

que, nesse período, qualquer <strong>da</strong>s partes<br />

pode pôr termo ao contrato sem<br />

necessi<strong>da</strong>de de aviso prévio nem alegação<br />

de causa justa, não havendo lugar<br />

a qualquer indemnização. Contudo, o<br />

Código do Trabalho admite neste caso,<br />

a possibili<strong>da</strong>de de existência de indemnização<br />

se se verificar acordo escrito<br />

nesse sentido. Dever-se-á, no entanto,<br />

entender que este aspecto do regime<br />

não é aplicável no caso do pessoal docente<br />

na medi<strong>da</strong> em que, de acordo<br />

com o artigo 4º <strong>da</strong> lei nº 99/03, de 27<br />

de Agosto (diploma que aprova o C.<br />

T.) os instrumentos de regulamentação<br />

colectiva podem afastar as normas do<br />

Código de Trabalho se destas não resultar<br />

o contrário (o que é o caso).<br />

Finalmente e ain<strong>da</strong> no que diz respeito<br />

ao regime de denúncia do contrato neste<br />

período dispõe o Código do Trabalho<br />

que, no caso em que o período experimental<br />

tenha durado mais de 60 dias, a<br />

enti<strong>da</strong>de patronal têm que <strong>da</strong>r um aviso<br />

prévio de 7 dias para poder denunciar<br />

esse mesmo contrato (artº 105º C.T.).<br />

4 – No que diz respeito ao regime de<br />

contagem do período experimental estabelece<br />

a lei que este começa a contar-se<br />

a partir do início <strong>da</strong> execução <strong>da</strong> prestação<br />

do trabalhador, compreendendo<br />

as acções de formação ministra<strong>da</strong>s pela<br />

enti<strong>da</strong>de patronal ou frequenta<strong>da</strong>s por<br />

sua determinação, desde que não exce<strong>da</strong>m<br />

metade do período experimental.<br />

Nesta contagem não são, ti<strong>da</strong>s em atenção<br />

os dias de faltas, (mesmo que justifica<strong>da</strong>s),<br />

de licença e de dispensa, bem<br />

como de suspensão do contrato.<br />

5 – É de referir ain<strong>da</strong> que, o Código do<br />

Trabalho prevê que, tal como pode ser<br />

reduzido por instrumento de regulamentação<br />

colectiva (como atrás se referiu),<br />

o período experimental também pode<br />

ser reduzido, ou mesmo excluído, por<br />

acordo escrito <strong>da</strong>s partes.<br />

6 – Finalmente é de reter a norma conti<strong>da</strong><br />

no artº 9º, nº 5 do C.C.T. do Ensino<br />

Particular e Cooperativo que estabelece<br />

que fica afasta<strong>da</strong> a aplicação do<br />

regime do período experimental, por<br />

se entender que a admissão é desde o<br />

início definitiva, quando o trabalhador<br />

seja admitido por iniciativa <strong>da</strong> enti<strong>da</strong>de<br />

patronal, tendo para isso rescindido o<br />

contrato de trabalho anterior.<br />

JANEIRO 2005 . ESCOLA INFORMAÇÃO 35

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