# história si - Centro de Documentação e Pesquisa Vergueiro

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# história si - Centro de Documentação e Pesquisa Vergueiro

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t^^ #■ história si


SIWPICALISMO

A cidadela

Há 19 anos na CNTI, Campista continua

Mais uma vez ameaçada pela oposição, a cidadela de

Aiy Campista, na Conlèderaçãu Natújnal tios Traba-

UI.KIOKS na Indúsiiia, não se abalou. O assalto loi ten-

tada poi Joaquim dos Santos Andrade, o Joatpúmâo,

presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Sã(j Paulo,

mas Campista habilidosamente manobrou a máquina

da CNTI, que é sua desde - sintomaticamente - 1 ( JÒ4, e

derrotou o Joaquin/ão, na disputa paia a presidência,

na segunda, 11. Teve 38 dos 60 votos válidos, contra 20

dados ao competidor. Quem vota são delegados das

1 ederavões de operários industriais de todo o Pais - de-

legados que, na sua maioria, têm mandato vitalício,

moram em Brasília, são aposentados e há anos não bo-

tam o pé numa iábrica.

O modelado Juaquin/ão desde o início da campa-

nha denunciou que a votação seria "viciada", mas in-

sistiu, mesmo porque saiu de São Paulo com poderosa

sáNüo/? ■zvlu/ej

RESEN UA - 2

articularão e amplas simpatias, inclusive do inlluenle

Aigeu dos Santos, presidente da Federação dos Meta-

lúiguos de São Paulo, e homem que, em l ( J7 I, chegou

a lazer tremer os alicerces do poder de Campista, per-

dendo para ele por apenas cinco votos. Argeu entrou

na chapa de Joaquin/ão, mas nem assim. Joaquin/ão

lamentou que a CNTI continue optando pelo imobi-

lismo, num momento em que trabalhadoies desempre-

gados quebram vidraças e saqueiam supei mercados,

em desc spero. Mas Campista, lépido em seus 12 anos,

lestejou "o cai ater democrático' da eleição, comentou

que seu trabalho "em prol cios trabalhadores" loi no-

vamente reconhecido e posou, envaidecido, para uma

loto da viiéíiia, diante do monumental prédio da

CNTI, em Brasília.

Depois, como ele hábito, prometeu (|ue este seu

manilato, ele tiès anos, será o último.

Greve geral causa

lêmica na Pró-CUT

TAltíMA OFétkrf /&tx~ 2J/V/8í

Preocupados com os inci-

dentes de São Paulo, mais de

40 dirigentes sindicais da

Comissão Nacional Pró-CÜT

reuniram-se nos dias 9 e 10 em

São Paulo. A discussão da

greve geral voltou a tona com

força, deixando mais claras as

posições favoráveis e contrá-

rias à sua preparação. No

final prevaleceu a orientação

dos setores mais combativos

da Pró-CUT.

"Ou o movimento sindical dá

direção a luta contra o desem-

prego e o arrocho salarial, ou os

trabalhadores atropelam os

Sindicatos, saem às ruas sa-

queando, sem qualquer organi-

zação", afirmou, incisivo, Paulo

Azevedo, dos Metroviários

paulistas, que concluiu: "Não

podemos lavar as mãos frente

aos incidentes de São Paulo. O

descontentamento está ai e exige

uma resposta do movimento

sindical. Se não temos condi-

ções ainda de marcar a data da

greve geral nacional, temos que

pelo menos prepará-la".

Mesmo assim alguns sindica-

listas atacaram com fervor a

necessidade da Pró-CUT divul-

gar e preparar uma greve nacio-

nal. Entre eles, Ivan Martins, do

Sindicato dos Bancários do Rio,

que chegou a dizer que "é

rnaluquice falar em greve geral.

È uma aventura porque esta

discussão não está colocada na

ordem do dia entre os trabalha-

dores". Ivan se contrapôs,

inclusive, a que a Pró-CUT

divulgue a idéia da greve geral.

DIVULGAR A GREVE

Mas esta posição recuada foi

logo criticada por inúmeros

membros da Pró-CUT. que hoje

tem no seu interior sindicalistas

mais representativos e compro-

metidos com a luta operária.

Paulo Paim, dos metalúrgicos

de Canoas, deu primeiro o

exemplo dos gaúchos: "No Rio

Grande do Sul também havia os

que diziam que na assembléia

intercategorias no Araújo Viana

não iria ninguém, que o traba-

lhador está com medo. Mas o

auditório lotou, com mais de 10

mil pessoas, e lá se indicou uma

greve de um dia em L8 de maio.

Todos sairam de lá com a

responsabilidade de prepará-la.

No 1." de maio unitário em

Caxias vamos ver as condições

de fazê-la no Estado". Depois,

conclamou: "Temos que deixar

de fazer apenas discursos e

partir para prática". Ele ressal-

tou, com razão, que esta greve

não resolverá todos os proble-

mas da nação, não derrubará o

regime militar e nem atingirá

100% dos trabalhadores brasi-

leiros. Será uma paralisação de

protesto e de acumulação de

força do movimento operário.

Não houve necessidade nem

de votação. A Pró-CUT decidiu

continuar divulgando e prepa-

rando a greve geral. De 15 de

abril, quando se dá a leitura no

Congresso do decreto-lei 2.012

do arrocho salarial, até 25 de

junho, prazo para sua votação,

o movimento sindical deverá

realizar inúmeras ações para

combater o decreto e preparar a

deflagração da paralisação. O I."

de maio deverá ser unitário e

amplo, atraindo todos os setores

contrários à política econômica

do governo, c o lis de maio será o

um Dia Nacional de Pressão

contra o decreto-lei 2.012 e o

desemprego. Dcpendeado do

nível de organização, cada

Estado decidirá quais as formas

de protesto, que podem ir da

greve estadual, como no Rio

Grande do Sul, até atos locali-

zados. Haverá tamlvm uma


SJNVJCAL1SMÕ

caravana de sindicalistas a

Brasília no dia da votação do

decreto, a ser definido.

CQNCLAT EM AGOSTO!

A reuniáo também rcalirmou

que o Congresso Nacional das

Classes Trabalhadoras (Conclal)

será em agosto c em São Paulo.

Alguns sindicalistas, preocupa-

dos com a divisão do movimento

sindical paulista, chegaram a

mostrar vacilação quanto a esta

resolução. Mas o ânimo dos

outros os convenceu da neces-

sidade de se agili/ar o processo

de convocação do Concial.

(A II a miro Borges)

Aprovado calendário

de lutas

Num editorial curiosamente denomi-

nado "Unidade para açio de massas", o

Jornal Voz da Unidade, porta voz oficioso

do Partido Comunista afirma que "na

ttual conjuntura, a greve geral n&o é a

formadeluta adequada. O desemprego, a

ameaça de mais desemprego e a falta de

articulação política do movimento sindi-

cal com todos os segmentos da sociedade

que querem mudar a orientaç&o da eco-

nomia, esta situação nio cria espaço

político para a greve genL"

Seguindo fielmente essa afirmaçlo, ot

dirigen tes sindicais da Comissão Nacional

Prò-CUT que se identificam com o jornal

Voz da Unidade, como Ivan Pinheiro dos

bancários do Rio de janeiro, colocaram-se

virulentamente contra qualquer perspec-

tiva de preparação da greve geral na

ultima reunião que se realizou neste fim-de

semana.

£ sabida a influência que esses dirigen-

tes exercem sobre a maioria da Comissão

Nacional Prò-CUT. Assim mesmo, foi

aprovado um calendário de lutas cujo

wjetivoécriar as condições para a realiza-

Çáo da greve geral.

Como se explka isso? Em primeiro

lugar, pela pressão dos acontecimentos.

Contra a vontade do Partido Comunista

que preferiria ver os trabalhadores total-

n> J n te inclinados diante de Figueiredo e os

pianos de miséria do FMI, milhares de

desempregados manifestaram-se em São

Paulo alertando para quem quisesse ouvir

que a sua disposição è de combater sem

trégua contra o desemprego e a miséria.

Em Fortaleza e no Rio de Janerio o mesmo

recado foi dado. Em segundo lugar, pelo

quorum particular que constituiu esta

ultima reunião. Ao mesmo tempo em que

uma das reuniões mais representativas

pelo número de seus integrantes, o peso

HM Federaç&es Rurais estava reduzido

pela ausência de uma boa parcela delas.

Por último e bastante importante foi t

coesio dos petistas e de outros dirigentes

combativos que não puderam controlar a

sua indignação após a intervenção de Ivan

Pinheiro.

Uma longa série de intervenções

destes dirigentes destacava exatamente a

combatividade que as massas vêm de-

monstrando, seja em alguns estados onde

o Dia Nacional de LuU de 22 de março foi

bem preparado (Rio Grande do Sul.

Pernambuco, São Paulo), seja através das

manifestações espontâneas dos últimos

dias. Mais {que isso, os dirigentes petistas

destacavam o desespero que toma conta

da classe trabalhadora e a responsabilida-

de que têm os dirigentes no sentido de criar

as condições para a deflagração de uma

greve geral.

Contra a vontade do stalinismo que

tentou aprovar um plano voltado exclusi-

vamente para a mobilização dos dirigentes

nas rampas do Congresso Nacional, a

reunião da Prò-CUT obteve um resultado

positivo que permite aos trabalhadores

avançar na mobilização contra o Deere to-

Lei 2012 e contra o desemprego. O primei-

ro passo é a mobilização rumo à prepara-

ção de manifestação de luta no 1° de maio.

Em seguida, e apoiando-se no avanço

dado pelo Rio Grande do Sul ( que propôs

um dia de greve para 18 de maio) devem ser

realizadas atividades nesse mesmo dia de

acordo com a decisão de cada estado

(greve, manifestações, passeatas, etc). No

dia da votação do Decreto-Lei, os dirigen-

tes devem ir a Brasília reunindo-se no dia

seguinte para decidir a continuidade da

luta. A Prò-CUT deve divulgar uma con-

clamaçãoatodos os sindicatos, federações

e confederações para que encaminhem

este calendário conjuntamente e parti-

Rl-t UHA - 3

cipem desta reunião nacional. Por último.

no dia 25 de junho, quando se esgota o

praio para todas as tramitações do De-

creio-Ui. ot trabalhadores deverão deci-

dir se vãoà greve em aisembléiai estaduais

ou regionais ou em Endats se estes já

estiverem mencadee para o dia 25/6.

Os mesma forma que os trabalhadores

tiveram que combater contra cada uma

das direções pekgas e stalinistas para

poder realizar as manifestações do dia

22/3. esle plano s6 poderá ser encaminha-

do se em cada categoria e em cada

inlersindicsl foram vencidos QS obstáculos

daquelas direções.


SIWPICAI.I5M0

BEZRBTO DO Attomv eoMtçw ti &nR

"Nossa luta já está arrancando vitórias. A

posição do presidente do Congresso, acei-

tando antecipar a votação deste Decreto-Lei,

vem ao encontro dos interesses dos traba-

lhadores. Vamos em frente? Nossa mobiliza-

ção vai garantir a derrota deste arrocho

inaceitável!', disse Joaquim Andrade, presi-

dente de Sindicato dos Metalúrgicos de São

Paulo e candidato à presidência da Con-

federação Nacional dos Trabalhadores na

Indústria (CNTI). Ele comentava as decla-

rações do senador Nilo Coelho, que, na

semana passada, confirmou para o próximo

dia IS a leitura do decreto que altera a política

salarial — conforme vinha sendo exigido pelo

PMDB, através do pedido de votação anteci-

pada feita pelo deputado Luiz Henrique

(PMDB-SC). O próprio Ministro do Traba-

lho, Murilo Macedo, decidiu se reunir terça-

feira, dia IS, com os presidentes das con-

federações nacionais sindicais para discutir a

proposta dos trabalhadores.

A MAIOR MOBILIZAÇÃO JÁ FEITA

Já frutifica, assim, a grande mobilização

deflagrada pelo movimento sindical contra

esta imposição do FMI, na sua mais ampla e

enérgica ação já realizada. E foi isto o que se

viu no dia 2, em Brasília, na abertura dos tra-

balhos do Congresso, Nacional. Vindas de

vários egtagos, caravanas trouxeram quase 2

mil.dirigentes sindicais, representando 6 con-

federações, 42 federações e um sem número de

sindicatos que conclamaram o Legislativo a'

rejeitar este decreto que, levado à votação na

Câmara dos peputados, certamente será der-,

rotado.

O decreto-arrocho, inclusive, não conta

coTh o apoio da maioria do próprio PDS.

Mais da metade de seu diretórío-nacional já

declarou-se contrária a esta medida que, além

de agravar as difíceis condições de vida do

povo, golpeia o nosso empresariado com o

estreitamento dó mercado de consumo

interno. Para Guilherme Afiff. presidente da

Associação Comercial de São Pauio. e can-

didato a vioe-governador pelo PDS em 82.

"este é um decreto claramente recessivo que

reduz o poder de compra popular, o setor

empresarial terá enormes dificuldades de

aplicar isso". Atento a estas manifestações, o

senador Carlos Chiarelli(PDS-RS) disse acre-

ditar que "a negociação do governo com a

Oposição e os trabalhadores cm tonro do

Decreto-Lei 2012 é o primeiro grande teste

para a proposta de trégua do Presidente Fi-

gueiredo".

CONFEDERAÇÕES

À FRENTE

Num crescendo, o movimento sindical

intensifica os preparativos para assegurar a

urgente leitura, votação e derrubada deste,

decreto. No inicio de abril, os órgãos máxi-

mos do sindicalismo, as confederações nacio-

nais realizarão reunião com este fim. Estarão

reunidas a CNTI, CONTAG. CONTEC (em- '

presas de crédito), CNTTT (transporte terres-

tre), CNTTM AF (transporte marítimo, aéreo

c fluvial). CONTCOP (empresas de comuni-

cação e publicidade). CNTC (comércio),

CONTEEC (estabelecimentos de ensino) e

CNPL (profissionais liberais), "lançaremos

mão de todos os meios para derrotar este

arrocho", disse João Urbano da Silva, tesou-

reiro da CONTAG. "Atuaremos junto aoí

Congresso Nacional, conversaremos com

todos os partidos, com as autoridades o iremos

às ruas", assegurou o sindicalista. "Vamos

erguer todo' o nosso potencial de luta".

afirmou José Calixto. vice-presidente da

CNTI. "estamos mantendo permanente mobi-

lização de todas as confederações e federa-

ções ligadas à nós".

Ao mesmo tempo, prossegue e, com a par-

ticipação das confederações, se amplia, o

trabalho desenvolvido pelas federações e sin-

dicatos. Incorporam-se cada vez mais enti-

dades e as diversas categorias reunem-se cm

assembléias e manifestações. Somente cm São

Paulo, mais de 70 assembléias de base goram

realizadas na capital e no interior. O mesmo

vem acontecendo no Rio, Minas Gerais, Rio

Grande do Sul, Paraná e outros estados.

"Nosso dever n? I é botar o bloco na rua!"

enfatiza Maria Rodrigues, da Federação dos

Gráficos de São Paulo, "com nossa firmeza ,

deixando claro que não hesitaremos em

recorrer a greve-geral, já conquistamos as pri-

meiras vitórias. Que não reste dúvidas: quere-

mos negociar com o governo, a qualquer

momento. Esperamos, portanto, que haja

disposição de atender o clamor único de

empresários e trabalhadores; decreto-arro-

cho na gaveta e soberania da Nação preser-

vada'.

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BL:-i NHA - 4

Pró-CUT junto

com federações

"K (trctfcu qtw * Pró-CUT »tu» Jimlo è»

contaier*(ão « fedenttes. »* «sw» éon Ptdõros d*

Sio Paulo, mtmtwo dsí omMjoNtciwaJ Pró-

C. não leriww IHIS enjaj»*» *e Ida è «rasflla

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outras decfcões. tonclamou Iodai as entidade*

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(estado marcada para o dia l, ew pro«e»t«

conto* o arrocho aataríai- N««íe mcuao dia a

Prò-CIJT «presenlaril também um manWesto a

NaçSo.

Combater o pluralismo

l/O* A* VrJlOLPt N/V/ü Lyndolpho Silva

A atual estrutura sindical nasceu dentro de um regime:

de exceção, e é dentro de regimes de exceção que revela,

toda a sua força e a sua função fundamental de controlar,

dividir e impedir as justas ações reivindicatórias dos

trabalhadores. Mas a nossa história mostra que à medida

em que os trabalhadores e a sociedade conquistam

espaços democráticos desenvolve-se a luta no interior

desta própria estrutura e os trabalhadores encontram

diversos meios para conduzir aos caminhos democráticos

necessários à superação desta estrutura fascista.

Ekmentos da realidade do presente tornam evidentes

os malefícios que a atual estrutura sindical engendra para

a ação reivindicatória unitária do conjunto dos

trabalhadores brasileiros. A influência potencial do

conjunto da massa trabalhadora brasileira não tem se

expressado como agora convém, no processo político do

país.

No entanto, com essa estrutura sindical ainda em suas

mãos, as classes dominantes se movimentam e um

número cada vez mais expressivo de patrões e de porta-

vozes patronais se manifestam favoráveis a mudança na

estrutura sindical. Não devemos nos iludir: esses senhores

estão promovendo estudos em busca de novos caminhos;

para controlar o movimento sindical e enfraquecer a

potencialidade da luta unitária dos trabalhadores.

Não é ocasional todo o esforço recente do senador

Carlos Chiarelü do PDS gaúcho em apresentar propostas

de mudanças. Se é fato positivo uma certa abertura no

partido do governo para participar de discussões e

apresentar propostas, não deixa de ser ilustrativo não se

esconder a intenção de se abrir o caminho para o,

pluralismo.

O que representará o pluralismo para a classe

trabalhadora brasileira? Os patrões de monopólios

internacionais já jogaram sementes para a divisão dos

sindicatos dos metalúrgicos, sugerindo a criação de

,„■ ■..'


SINVJCALJSHO

eAMÈtireti o PLOMíUMO

sindicatos exclusivos para o setor automotivo. Muitos

não escondem sua simpatia para a possibilidade de

criação de diversos sindicatos na mesma empresa.

Assim, as propostas de mudança que vêm chegando

dos patrões não visam senão a pulverizar, a reduzir o

sindicalismo brasileiro a pequenos fragmentos. Apesar

dos ideólogos patronais criticarem a partidarização do

movimeqto sindical, as suas perspectivas de "liberdade"

levam justamente à partidarízação que lhes interessa,

aquela cuja essência é dividir para continuar reinando

como quer, sem ter que levar em consideração a força

unitária do movimento sindical.

Muitos patrões até querem o diálogo, desde que os

trabalhadores estejam fracos, desde que os trabalhadores

não possam alterar as condições do "paraíso das

multinacionais". De nosso lado precisa estar bem claro o

seguinte: sem a força unitária do conjunto do movimento

sindical brasileiro ficará muito difícil as conquistas

fundamentais para a cidadania operária brasileira.

Sabemos também que não se trata apenas de

conquistar. Trata-se também de garantir essas conquistas

e de ir criando desde já as condições e os pressupostos para

evitar os recuos, os retrocessos.

Lutar contra o pluralismo é uma necessidade histórica

para o conjunto dos trabalhadores brasileiros. Lutar

contra o divisionismo no movimento sindical é

fundamental para a afirmação da plena cidadania

operária neste país. Daí o significado histórico da luta

por uma Central Única dos Trabalhadores.

E daí também a necessidade de todos os esforços para

a unidade de ação no interior do movimento sindical.

Daí a necessidade de buscar a ampliação dos espaços

para a ação unitária das massas.

Aproxima-se o I o de maio, data histórica para a classe

trabalhadora. Vamos trabalhar com todas as nossas

energias para tomar esse I o de maio em expressão da

vontade unitária das massas. Vamos multiplicar todos os

contatos necessários para que as comemorações neste

dia sejam marco e expressão da vontade unitária do

conjunto dos trabalhadores deste país pela democracia,

pela paz e pelo progresso.

Um novo sindicalismo

surge nos pampas Iii*m

^^ greve da COEN4SA. in-

dústria eletro-mecânica

de Canoas, município da região

metropolitana de Porto Alegre,

constitui-se num exemplo de

luta contra o desemprego. Em

solidariedade a companheiros

demitidos e com a ameaça de

demissões em massa imediata,

os metalúrgicos — j sob direção

de seu Sindicato — deram uma

profunda demonstração de uni-

dade e organização. Desde o

primeiro momento a greve

paralisou completamente a fà-

orica com a adesão absoluta de

seus 1.600 operários.

Essa capacidade de luta não é

sigo puramente espontâneo mas

fruto de um processo que tem

passado despercebido ou pouco

refletido pelo movimento sindi-

cal gaúcho.

O movimento da COEMSA

reflete, além da luta pelo direito

ao trabalho, pela estabilidade no

emprego, um fenômeno novo no

sindicalismo gaúcho: a transfe-

rência para o Vale do Rio dos

Sinos do setor mais combativo e

dinâmico do sindicalismo que

até alguns anos atrás estava na

capital em sindicatos como o dos

bancários e dos trabalhadores

do vestuário.

É evidente que uma das razões

desse processo reside no esgota-

mento dos espaços da capital,

cercada pelo estuário do Guaiba

e pelos municípios vizinhos da

área metropolitana, o que obriga

a transferência de indústrias

para outros municípios. Há, no

entanto, outras razões que

explicam esse fenômeno.

O surgimento de um novo

sindicalismo no Vale começou

com a organização de uma Opo-

sição Sindical em São Leopoldo

e Novo Hamburgo, que passou a

questionar a prática pelega e

assistencialista de suas entida-

des.

O primeiro a cair foi o sindi-

cato dos metalúrgicos de Novo

Hamburgo, cujo presidente

estava há dezenove anos na pre-

sidência. Um sindicato pequeno

mas que, rapidamente, começou

a imprimir um outro ritmo na

organização da 'categoria e

obtendo conquistas importantes

como o reajuste trimestral em

vigor há dois anos

Isso incentivou ainda mais a

Oposição metalúrgica de São

Leopoldo, cujo Sindicato reúne

cinco cidades e uma das maio-

res concentrações operárias do

estado. A chapa oposicionista

somente foi derrotada pelo

alento que na última hora a di-

retoria pelega recebeu do PDT,

na época com o controle da

Prefeitura e da maioria dos ve-

readores. Mesmo assim, a oposi-

ção só perdeu no segundo turno

e por menos de cem votos. A

experiência e a combatividade,

porém, não foram esquecidas

apesar das listas negras e da

cumplicidade do Sindicato em

inúmeras demissões de metalúr-

gicos combativos.

Em 81, chegou a vez de

Canoas, vizinha cidade de Porto

Alegre e área de segurança. Uma

chapa nascida no interior das lu-

tas e do reconhecimento dos i.a-

balhadores mais combativos das

principais empresas impôs mais

uma derrota nos pelegos, desta

vez apoiados até o fim pela Hora

do Povo.

Com a realização da Conclat e

a orientação de organizar Inter-

sindicais estaduais e regionais, o

Vale do Rio dos Sinos, foi um

dos primeiros a contar com uma

Intersindkal que rapidamente

conseguiu a adesão de outros

sindicatos que por isolamento

ou despolitização de suas direto-

rias estavam numa apatia ou

simplesmente desmobilizados.

A ativa presença do Sindicato

na greve da COEMSA e nas ne-

gociações com a MASSEY-

FERGUSON. a participação de

dois desses dirigentes sindicais

na Executiva da Comissão Pró-

CUT do Rio Grande do Sul,

Paulo Renato Paim (Canoas) e

João Machado (Novo Hambur-

go), bem como na vanimarda

RE:i:NHA - 5


SINVJCALISMO RELV.NHA - 6

QjDNT/Mtitjíàoi

ÚM NO\)V

das mobilizações sindicais como

a que ocorreu dia 19de março

oito mil pessoas contra o Decre-

to Salarial em Porto Alegre

não são fatos isolados, mas de-

monstram que uma nova dire-

ção sindical se consolida no Rio

Grande e uma experiência sindi-

cal muito rica que deve servir de

exemplo para outras regiões do

estado.

Metalúrgicos em greve

pelo direito ao trabalho

Dia 24 passado os

trabalhadores da

COEMSA entraram

em greve reivindicando

um ano de estabilidade

no emprego, fim

da repressão dentro da

fábrica e pagamento

dos dias parados. A

empresa, de capital italiano,

alegando dificuldades

financeiras, redução

nas exportações

e inexistência de novos

pedidos, anunciava a

intenção de despedir

30% de seus 1600 em- OUtKfeHOS TIUBAUUR)

pregados.

Declarada a greve, a adesão foi de 100%. No segundo

dia, os ônibus que traziam os trabalhadores na porta da

fabrica as seis da manhã, ou vinham vazios, ou serviam

apenas para engrossar o piquete. Mesmo os operários que

eram levados até o pátio da empresa e coagidos a trabalhar

se recusavam a furar a greve. Possuidores de uma

organização de base forte na fábrica, os trabalhadores não

arredaram pé de suas reivindicações até o fechamento

desta matéria. A direção do movimento vinha sendo

discutida diariamente pelos grevistas. Diante da intransigência

patronal ao se negar a dar, na prática, mais

do que um mês de estabilidade, o movimento tomou um

novo fôlego na quarta-feira, da semana santa e começou a

se preparar para uma luta de grande duração, através da

organização de um fundo de greve.

A empresa argumenta que não pode ceder mais se o

governo não pagar uma divida de 6,5 bilhões de dólares.

Os trabalhadores tem respondido que esse é um problema

dos patrões com o governo e tem de ser resolvido com seus

pares.' Depois de uma semana de greve, as atenções de

todo o estado se voltam para a COEMSA. Diante do

enfrentamento, os jornais da burguesia local e os dirigentes

da FiERGS declaravam a impossibilidade da realização

de um pacto social Ao mesmo tempo já se

consolidava a certeza de que, apesar de ter ainda seu

desfecho nebuloso, o movimento já havia conquistado um

saldo positivo.

Paralelamente ao movimento grevista na COEMSA.

outra grande fábrica de Canoas passava por um processo

de luta. Na MASSEY-FERGUSON os patrões propuseram

a redução para 40 horas de trabalho semanais com

redução salarial de 15%. Dado o grau de organização de

base reduzido na fábrica, os patrões investiram em fazer

passar a sua proposta. Conseguiram inclusive que alguns

trabalhadores fossem à assembléia defender a proposta

patronal. Mesmo assim, o Sindicato dos Metalúrgicos dv

Canoas conseguiu um acordo melhor que o proposto e

levou os pelegos à desmoralização no interior da fábrica.

Paulo Renato Paim, presidente do Sindicato, após o

acordo firmado, aceitando a redução de jornada com

redução salarial mas garantindo estabilidade por cinco

meses, ressaltava que, apesar do acordo não ser o que o

sindicato pretendia, os trabalhadores da Massey saíram

do processo com um espirito de vitória e com a confiança

na sua capacidade de luta grandemente aumentada*

(PCR).

Como se prepara um

der sindical para

defender o patrão

Oswaldo Sales, fundador do Sindicato

dos Ferroviários da Estrada de Ferro

Sorocaba na, revela, nesta entrevista,

como é que os Estados Unidos preparam

os "quadros" sindicais que vão atuar

como fator de desestabilizaçâo no

movimento sindical latino-americano.

Em 1969 foi eleito para a diretoria da

União dos Ferroviários da Estrada d«

Ferro Sorocabana Logo liderou o

movimento para transformar a União em

Associação Profissional dos Ferroviários

da E.F.S., o que ocorreu em 1972. A

partir daí, como presidente da

Associação, dirigiu a luta para

transformá-la em Sindicato.

A Carta Sindical foi expedida em 1974,

só que, em razão da política autoritária

do governo, as eleições não puderam ser

realizadas imediatamente.

Não obstante, em 1977, o

Procurador-Geral do Ministério do

Trabalho autorizou a realização de

eleições, as quais ocorreram em 1978.

Oswaldo Sales foi eleito o primeiro

presidente do Sindicato, cargo que

ocupou até maio de 1982, quando se

desincompatibilizou para disputar uma

cadeira na Assembléia Legislativa de São

Paulo pelo PDT.

Era 1979, foi convidado para lazer um

curso de sindicalismo no EE.UU. Mais

de 60 dirigentes sindicais, vindos de todo

o Brasil, fizeram esse curso. Os 20 que

mais se destacaram foram convidados

para um curso de aperfeiçoamento em

Sindicalismo Livre e Negociações

Coletivas de Trabalho nos Estados

Unidos.

O Instituto Cultural do Trabalho é uma

subsede-do IADESIL — Instituto

Americano para o Desenvolvimento do

Sindicalismo Livre — em São Paulo, que

funciona na alameda Dino Bueno, atrás

dos Saiesíanos. Sua especialidade:

preparar quadros sindicais

comprometidos com os interesses

norte-americanos.

Pasquim — Conta pra gente o que é

?ue eles ensinavam no curso.

ÍSWALDO SALES — Uma porção

de coisas, principalmente o sindicalis-

mo deles, as coisas deles em geral.

Tínhamos também aulas de política

internacional, política econômica, so-

ciologia agrária, política financeira,

sindicalismo no mundo. Tínhamos

muitas aulas práticas, que eram as

visitas a centros de trabalho e entrevis-

tas com seus dirigentes sindicais. Nós

viajamos muito. Eu fiquei conhecendo

16 Estados nos Estados Unidos. Tudo

numa boa, com a maior mordomia.

Em cada lugar a gente visitava os

sindicatos, discutia com os sindicalistas

locais, tudo para convencer a gente

que o sindicalismo deles é o melhor.


SJHVJCALJSMO

êDNTíHMpíol

Como parte do curso eles levavam a

gente também para visitar as grandes

empresas multinacionais e os grandes

centros financeiros internacionais. Es-

sas visitas terminavam sempre em

grandes banquetes regados a vinhos da

Califórnia.

Pasquim — O que é que eles Calaram

para vocês a cerca do Brasil?

OSWALDO — Eles menosprezam o

Brasil. Dizem que é uma Naçáo sem

alternativa. Eles questionam a poten-

cialidade brasileira e afirmam que os

brasileiros são burros.

Pasquim — E sobre esse governo que

eles puseram aqui, o que é que cies

dizem?

OSWALDO — Eles dizem que o

governo náo tem orientação com rela-

ção aos problemas do País.

Pasquim — E sobre o gonerao anterla»

a 64?

OSWALDO — Dizem que os homens

aue caíram em 1964 eram precipita-

os, que provocaram desordens e

ameaçaram a estabilidade do sistema.

Para eles o pior inimigo da humanida-

de é o regime socialista.

Pasquim — Os professores eram todos

norte-americanos?

OSWALDO — A maioria era norte-

americana, mas havia muitos argenti-

nos, e também cubanos. O professor

Rotandaro, diretor do Departamento

dç Ensino do Centro Meamng é argen-

tino; a vice-diretora, uma tal de >el-

ma, e cubana. São bons professores.

Eles viajam o mundo inteiro dando

Vivas e vaias

O comunista mais amigo f ira e sonora vaia com que Pres-

•cs lioi brindado pela platéia de duas

ni il pessoas reunidas no Sindicato

dos Bancários, de a ganhou ao es-

P^sar a tese de que em 1981 o líder

F^lonès Lech Walesa estava cm vias

oe perpetrar uni golpe de Estado

M 1 ^ acabaria com o comunismo na-

tjucle pais. O golpe teria inclusive

"ata marcada - 17 de dezembro - e

* por essa razão o general Jaixizelslü

mlrninou o sindicato Solidariedade

no dia 13. A vaia prosseguiu

MUando Prestes citou a existência de

documentos comprobatórios de

M 111 ' havia até mesmo, em certas lá-

ibritas, fonas já montadas para os

pescoços dos comunistas. As vaias

não lizeram Prestes recuar um milí-

"ictro. Ao contrário, o Fausto do

aulas.

Pasquim — O aue é que os cubanos

diziam para vocês?

OSWALDO — Os cubanos dizem o

que era Cuba antes de Fidel Castro e o

que é hoje. O cuidado que devem ter

os povos, principalmente os sindicalis-

tas, para não se deixar contagiar pelo

atual regime de Cuba.

Pasquim — Não tinha ninguém entre

vocês capaz de fazer uma comparação

entre o que foi Cuba e o que é boje?

OSWALDO — Sim, claro, a gente

discutia. Ele contava empolgado as

delícias do regime de Batista e dizia

que depois que Batista se foi esteve

preso 10 anos. Quando nós forçáva-

mos as comparações, quando a gente

se referia aos avanços de Cuba, parti-

cularmente na área dos benefícios para

os trabalhadores, ele se embananava.

Eles mantêm agentes em todos os

países latino-americanos... Eles procu-

ram os governos, tratam de conhecer a

realidade sindical, criam os cursos co-

mo os que tem no Brasil e que eu

freqüentei. Através desses cursos eles

criam a imagem de que a política dos

Estados Unidos é a melhor, de que

eles é que são nossos amigos e que por

isso temos que estar do lado deles, de

acordo com a política deles.

Pasquim — Sobre dnrfú-aUgn^ pg^.

priaiuente dito, o que é que vocês

•prendiam? O que é que dês diziam

ora vocês?

OSWALDO — Nós visitamos vários

sindicatos. Em cada um eles informa-

vam como é que eles agem. Os carto-

rários de Nova York, por exemplo;

PCB respondeu á ulaiéia com um

conlieciclo chavão: 'Isso é provoca-

ção, isso é provocação ..."

Lula ínieiveio aiguineniaiulo que

não gostara de Walesa "como líder

sindicar' durante encomro de três

horas, em Roma, nos começos de

81. Apesar disso, emendou, nunca

duvidou das iiiicncões límpidas de

Walesa - "aperieiçoar o socialismo"

- nem viu nele a posiuia tle gol-

pisia. "Além disso, um snidicaio


SINPICALISMO RESENHA - 8

Desemprego, ainda pior

Comércio,indústria e agricufoini refazem - e multiplicam

- as contas do IBGE

Pesquisa da Duble

Levas de trabalhadores rurais co-

nicçaram a cruzar a fronteira pau-

lista em busca do trabalho que as

enchentes devastaram em sua re-

gião. Essa inesperada precipitarão

sobre a zona agrícola de São Paulo

inundaria o campo, fazendo trans-

bordar para as cidades, segundo a

Federação da Agricultura de São

Paulo, um exército de jOO mil no-

vos candidatos às imensas filas já

formadas ás portas da construção

civil, da indústria e do comércio.

Este é um panorama que começou

com o ano de 1983: semanalmenie,

a indústria se desfaz de 5 mil traba-

lhadores, o comércio dispensa os

quase 50 mil empregados contrata-

dos para enfrentar o bom movi-

mento das festas, e, como os demais

setores, até mesmo o governo ema-

grecia suas fileiras, desempregando,

só na Prefeitura de São Paulo, 700

servidores. A verdade é~que, se os

distúrbios do início do mês foram

causados pelo desemprego, o go-

verno que se prepare.

r\s contas do IBGE que infor-

mam a existência de 387.973 de-

sempregados, em fevereiro, em São

Paulo, são facilmente superadas por

informações obtidas junto aos seto-

res diretamente implicados. A

Fiesp, por exemplo, garante que a

indústria, no primeiro trirnestre do

ano, despejou nas ruas 65 mil de-

sempregados - 1096 a mais que em

todos os 12 meses do ano passado.

A construção civil, segundo fontes

do governo paulista, dispensou, nos

últimos seis meses, 150 mil ope-

rários, enquanto, uma pesquisa pa-

trocinada pela Federação do Co-

mércio do Estado de São Paulo,

projetou 498 mil demitidos só nos

dois primeiros meses de 83. Consi-

derando que esses quatro setores

representam menos de 70% dos em-

pregos oferecidos em São Paulo,

pode-se afirmar que mais alguns

milhares de trabalhadores que, no

ano passado, ainda batiam seus car-

tões, já não os têm na chapeira.

Indo mais longe, o Diecse, que

em 1981, com uma metodologia di-

ferente do IBGE, que não considera

desempregado aquele que desistiu

de procurar emprego, levantou,

numa pesquisa domiciliar, 774 mil

desempregados e 1,1 milhão de

subempregados entre os paulistas

ativos. "Como as pesquisas realiza-

das de lá para cá têm indicado, sis-

tematicamente, uma curva negativa

SC ti no a i&NNò

Variação do nível de emprego (%)

Estado dtt SAo Paulo

DoMmén/ai Janainl83

Indústria da Transformação • 1.S ■2.1 ■0.8

Construção Civil -3,9 ■1.0 3.2

Comércio . t.2 ■1.9 +0.4

Serviço -0.3 ■0.1 ■0.07

Total -1.2 1.2 ■0.5

no nível de emprego - propensão

ainda em vigência - é de se cogitar

que os desempregados de 1981,

continuam sem colocação", racio-

cina Márcia Rodrigues, técnica do

Diecse.

A indúsiiia em São Paulo que,

cm 1980, contava «om 2 IIIíIIKK-S


SIWPICALISMO RESENHA

a.útiTiNUfK*>: ses&mP&eóo 4//VDfi Pl04^

«•suivcis, ou st-ja, c-nipit-gain hoje o

IIICMIIU ijur em 1979.

"O ckvnipix-go c a ráJvula dt «-

tape do commiante", revda o su-

■M-riiucndenie íécnico da Ftesp, AJI-

•ònio Carlos Borges, para quem o

dedinio do volume de uegodos

vem sendo enfrentado pelo comer-

cio tom uma despretensiosa rotati-

vidade do estocjue, num processo

«le adaptação à eme, onde o desem-

prego é inevitável. Quanto às

empresas, Borges garante: "Quem

sobreviveu a 81, sobreviverá a 83"

L#a mesma forma que o comér-

cio, a agricultura tem períodos de

maior ou menor mão-de-obra,

com uma agravante: há o trabalha-

dor rural volante, que dificulta

• ainda mais o cálculo do desem-

Srego no tampo. Segundo Fábio

leirelles, presidente da Federação

da Agricultura do Estado de São

Paulo, a agricultura emprega em

Sào Paulo de 700 mil a 800 mil tra-

balhadores fixos e subemprega de

1.3 a 1,5 milhão de agricultores

"hóias-frias", nas épocas de saíra.

Nas contas da Faesp, o desemprego

nessa área gira em tomo dos 4%. Já

a Sociedade Rural Brasileira, que, a

exemplo da Secretaria da Agricul-

tura, do Instituto de Economia

Agrícola e mesmo do Incra, não dis-

põe de quaisquer números sobre o

emprego na zona agrícola, não per-

cebe indícios de sobra de mão-de-

obra no campo. "Pelo que percebe-

mos, tudo caminha em regime de

pleno emprego", opina Renato Ti-

coulat, presidente oa SRB, que en-

tende o êxodo rural como um lénò-

meno social dissociado da crise eco-

nômica.

Para Fábio Meirelles, enquanto a

•afra agrícola correspondeu às ex-

petativas, tendo sido boa também

a temporada para a pecuária de

cote. *Jà a pecuária do leite, essa

lofre os efeitos danosos de uma

campanha negativa e danosa de

lente inescrupulosa," informa c

presidente da Faesp.

Variação do nível de emprego industrial

Grande São Paulo

Fevareirol83 Março/83

Madeira 2.7 -1.0

Produtos Farmacêuticos e Medicinais 0.3 1.2

Produtos Alimentares e Bebidas 2.0 0.5

Minerais não Metálicos -4.0 -1.4

Metalurgia -.1.6 -0.6

Mecânica -0.8 -0.9

Materiais Elétricos e de Comunicação -2.0 -1.1

Material de Transporte -5.1 -0.2

Mobiliário -0.8 0.9

Papel e Papelão -1.0 -0.5

Artefatos de Borracha -0.6 0.3

Couros. Peles e Similares -2.3 -6.0

Químicos -1.8 -0.2

Prods. de Perfumaria, Sabões e Velas -0.1 0.6

Produtos de Matéria Plástica -1.3 0.2

Têxtil ■5.1 -0.7

Vestuário. Calçados e Artefatos de Tecido -2.2 -0.3

Editorial e Gráfica -1.8 0

Diversos 1.6 -0.4 ■

Total -2.1 1.03

fZme FIESP - DECAD (Deplo úe Documenucio Eitalluici Cídasuo. InfcumaçSes Indusma.il

Ptwoiüdas 620 empeeus. de 29 smdicaios pauonw

Política Salarial: Uma política

contra os assalariados.

A história da Política Salarial é uma história feita d« isis a praietoa para anochar •»-

lérios a dasmohüizar oa trabalhadoras.

As leis e decretos que hoje formam o

que se chama de Política Salarial do go-

verno no País começaram a aparecer em

1964.

Desde então, foram introduzidas mo-

dificações substanciais na concessão de

salários, e todas para conter os ganhos

salariais que a mobilização e a ação sindi-

cal dos trabalhadores propiciaram no

período anterior, controlando o custo da

mão-de-obra e favorecendo, assim, a

acumulação de capital pelas empresas pri-

vadas e estatais.

Já o começo da intervenção do gover-

no na questão salarial surge com tal pro-

sito.

0 fortalecimento do movimento sindi-

cal nos anos 50 tomou possível aos traba-

lhadores intensificar suas reivindicações

no sentido de manter o poder aquisitivo

dos salários.

Em conseqüência, nos primeiros anos

da década de 60, os salários são corrigi-

dos semestralmente e o poder de nego-

ciação dos sindicatos aumenta com a de-

flagração de greves bem-sucedidas.

Opondo-se a estas conquistas dos as-

salariados, em junho de 1964, o Ministério

da Fazenda dá a conhecer a Circular n. 0

10, explicitando os mecanismos da políti-

ca salarial que se tornaram base de toda a

legislação posterior.

Incorporada pelo Decreto n. 0 54.018,

a circular de n." 10 estabelecia mecanis-

. IOS para cálculo dos índices de reajustt,,

tomando por base a média salarial dos úl-

timos 24 meses, e determinava que nfio

poderiam mais ser concedidos reajustes

em período inferior a um ano.

Como se estivéssemos, 19 anos de-

pois, revendo o mesmo filme, naquela

época o governo justificava sua interven-

ção alegando que a estratégia do P AEG -

Programa de Ação Econômica do Gover-

no -1964/66 - contra a inflação propunha

a redução dos défichs governamentais, o

controle de crédito ao setor privado e uma

política de reajustes salariais, impedindo

aumentos reais.

Embora o reajuste salarial seja uma

resposta a um anterior aumento de pre-

ços, culpavam-se os salários pela alta dos

preços.

A diferença é que em 1964 a política

salarial a título de mecanismo antiinflacio-

nário era anunciada como medida provi-

sória, que só mais tarde foi declarada per-

manente.

Uma vez implantada, a política salarial

foi ficando cada vez mais rígida, até que

passou a ser mais conhecida como "arro-

cho salarial", pois comprimiu os níveis de

salário dos trabalhadores em geral.

Mas os trabalhadores não aceitaram

tranqüilamente a redução dos seus salá-

rios. Enquanto as assembléias passavam

a contar com maior número de participan-

tes, os dirigentes sindicais articulavam-se


S1NVJCAL1SM0 RESENHA - 10

eotiriNü^Âoi roLÍnefi SALA MAL # ♦»

para apresentar conjuntamente suas rei-

vindicações e chegaram a criar o MIA -

Movimento tntersindícal Antiarrocho.

A difícil situação imposta aos assala-

riados, e a mobilização resultante dessa

situação culminou com a greve dos meta-

lúrgicos de Contagem, em Minas Gerais

e, posteriormente, de Osasco, em São

Paulo.

O Ministério do Trabalho, para tentar

conseguir o fim da primeira greve, deter-

mina que as empresas concedam um au-

mento adicional de 10% aos funcionários.

Ao mesmo tempo, para evitar que o

adicional conquistado em Contagem in-

centivasse novas greves, surge em julho

de 1968 a Lei 5.451, estabelecendo um

abono emergência de 10% a ser concedi-

do a todos os trabalhadores.

Em contrapartida, a mesma lei revoga

o caráter provisório da política salarial até

então adotada e torna permanente a inter-

venção do governo na fixação de reajus-

tes salariais.

Depois disso, nova alteração surge

apenas em novembro de 1974, através da

Lei 6.147, que reduz de 24 para 12 meses

a base de cálculo do salário real médio.

Esta lei atenuava um pouco o arrocho,

numa época em que o Pais começava o

fim da fase mais aguda da repressão

política e toda a sociedade passava por

transformações.

A partir dal, com o fim do "milagre

econômico", surgem protestos e mani-

festações de variados setores contra o au-

toritarismo reinante.

Articula-se, então, o processo que

vem sendo chamado de abertura política,

dentro do qual o movimento sindical

revitaliza-se e ganha novos contornos,

principalmente com a campanha pela re-

posição das perdas causadas pelos reajus-

tes com índices manipulados pelo gover-

no, em prejuízo dos trabalhadores.

Em 1978, a partir da paralisação dos

metalúrgicos da Saab-Scania, em São

Bernardo do Campo, começa um surto

grevista que se estende até o final do ano

seguinte.

O êxito das greves levou muitas cate-

gorias a melhorar os níveis de reajuste.

Em setembro de 1978, quando o índice

oficial de reajuste foi de 42%, os bancá-

rios do Rio Grande do Sul conseguiram

até 57%. Os metalúrgicos de São Paulo,

no mesmo ano, contra um índice oficiai

de 43%, chegaram a conquistar 58% para

algumas faixas salariais.

Em 1979 a mobilização dos trabalha-

dores foi mais intensa. A Imprensa regis-

trou a ocorrência de 430 greves, sendo

340 por aumento e/ou antecipação de sa-

lários.

Resultado dessa mobilização, muhas

categorias obtêm reajustes bem acima do

Índice oficial determinado pelo Governo.

Em negociação com a Gessy-Lever, o sin-

dicato dos químicos e farmacêuticos de

Campinas, Valinhos e Sumaré conseguiu

77,2%, quando o Índice oficial foi de

44%.

O Governo percebe que em termos

práticos, pelos acordos que a mobilização

dos trabalhadores estava conseguindo

àquela altura, sua política salarial estava

ultrapassada, inútil.

Era necessária uma medida capaz de

conter ao mesmo tempo o crescente pro-

cesso de mobilização e o nível de reajus-

tes, ai surge a política dos reajustes se-

mestrais, baseada num novo índice, o

INPC.

Vigorando a partir de novembro de

1979, a Lei n." 6.708, da nova política sa-

larial, apesar das numerosas falhas, pena

lizava menos os trabalhadores pela infla-

ção que a lei anterior. Mas também fun-

cionou para conter os níveis de reajuste,

pois, se em 1978 os trabalhadores conse-

guiram até 33,2% acima do índice oficial.

•m 1981, quando já estava em vigor a Lei

n.* 6.886, com a primeira alteração da

"nova política salarial", o máximo que os

trabalhadores conseguiram foi 8% acima

do índice oficial.

O breve apanhado histórico demons-

tra que o Decreto-lei n.* 2.012, estabele-

cendo as alterações dos índices de reajus-

tes que passaram a vigorar em 1.° de fe-

vereiro, está em perfeita consonância

com a concepção que • potitica salarial te-

ve no Brasil até agora.

Seu objetivo nunca foi o de garantir

uma remuneração adequada aos trabalha-

dores, mas sim funcionar como instru-

mento financeiro e de crescimento econô-

mico em beneficio da classe patronal.

QUADRO DAS PRINCIPAIS LEIS

DA POLÍTICA SALARIAL

ESUAS DETERMINAÇÕES

AMOS LEIS CARACTERÍSTICAS E MODIFICAÇÕES

1964

1966

1074

197»

1960

isea

Circular n.* 10 do Ministério da Fazenda

Oacraton.*M.OI8

Dacieto n • M 228

Urin "4 725

Daci.10 •• 57.627

Oacietot 16 • 17

Lain.'5.451

Lai*.*t.t47

lain.*6.7M

Laia.*«.aM

Daerate-Wn.* 3.012

Atinge apenas empresas da área estatal. Raaius-

tes só de 12 em 12 meses e baseados no salário

médio dos últimos 24 meses. Taxa de produtivi-

dade estimada para o ano anterior. Porcentual

relativo a inflação "porventura admitida na pro-

gramarão do governo".

Primeira fase do Arrocho Salarial. Elimina-se, por

um ano, a taxa de produtividade. Elimina-se, a

depois sa restabelece, o "residuo mMacionério",

no cétculo do raaiusta.

Segunda fase do Arrocho Salarial. Os tndicea pa-

ra o cálculo do salário médio raal paaaam a sar

determinados paio Podar Executivo.

Oá aumento adicional de 10%. Mas revoga a U-

mitaçio da vigência da Política SatotW a tnéa

anos. Esta paesa a sar pandananta.

O salário médio, para o cálculo do ra^usta paeaa

a sei a média dos salários reais dos úkiaaoa doxe

meses.

"Nova" política salarial: reaiustes semestrais,

com porcenluais diferenciados do recém-criado

INPC, segundo 3 faixas salariais: até 3 salários-

mínimos; entre 3 e 10 e maiores que 10 salários-

minimos. Aumento anual baseado na produtivi-

dade.

Modifica as faixas salariais s oa Indicea de

tes nas faixas superiores a 10 salárioe-mMmoã.

Diminui os porcentuais doe reajustee semestrais,

elminando os 10% eclma do INPC para a fatxa de

até 3 aaléríos-mlnimo* • reduzindo o rea|uele pa-

ra 95% do INPC para a parte dos aalárioa supe-

rior a 3 saUrios-minimos s até 7 salários mlnlmoe.


"%! NP/CA LISMO

Depois dos tumultos de

Sáo PauJo e do Rio. a pauta

de discussão política nâo é

a mesma. De Italcl ao

Ministério do Trabalho, os

diagnósticos podem diver-

gir mas ninguém ousa dizer

que o combate ao desem-

prego não é prioritário.

Pode parecer pouco, mas

não é. Pena que náo tenha

sensibilizado o sr. Delfim

Neto, gue em recente de-

claração, oportunamente

destacada na seção "Co-

tidiano" desta ^Folha",

a/lrmou. "Não há situação

de emergência em São

Paulo. O índice de desem-

prego vem diminuindo no

Palsdesde 1981."

Se algum 'eltur esteve

viajando nos últimos anos e

ainda não se inteirou dos

.acontecimentos, conviria

consultar o nível de em-

prego da Fiesp para a

Grande São Paulo, para

veri/icar que as estatísticas

desautorizam a negligência

do ministro. Na semana

Passada, vimos nesta

ÇoJuna que o emprego in-

dustriai medido por esta

fonte estava no nível de

dezembro de 1973; com a

Queda de 1,07% no Índice de

{"arco, divulgada nos úl-

timos dias, o mergulho

Chegou a setembro/outubro

de 19731 Assim, as medidas

contra o desemprego já

{Jeveriam ter sido adotadas

há multo tempo. Neste

domingo, procuramos dis-

cutir algumas das prin-

cipais opções.

Antes de mais nada. con-

vém distinguir entre uma

ação contra o aesempregoe

PoliUca de emprego

A primeira diz respeito

aos diversos meios através

aos ouals pode-se minorar o

Problema do desemprego.

Apenas para mencionar al-

8Uns deles, teríamos.

, — redução da jornada de

trabalho;

. — garantia da establli-

"ade por um determinado

Pertodo;

— auxilio pecuniário ou

Combate ao desemprego

em espécie ao desem-

pregado;

— retreinamento da máo-

de-obra desempregada tor-

nando-a apta para ser

absorvida em outros se-

tores.

Já uma política de em-

prego visaria a alterar cer-

tos parâmetros da eco-

nomia de forma a incor-

porar uma parcela maior

da população trabalhadora.

Poder-se-la pensar em

mecanismos como.

— elevação e reorten-

tação do gasto público de

forma a empregar mais

trabalhadores.

— estímulos ao setor

privado para absorver

mais mão-de-obra.

Além das medidas

diretamente voltadas para

o mercado de trabalho, a

manutenção de níveis satis-

fatórios de emprego re-

quereria uma taxa ra-

zoável de crescimento da

economia (o que é incom-

patível com a atuai orien-

tação ditada pelo FMI).

Quem gosta de fazer esta

distinção entre ação contra

o desemprego e politlca ck

emprego é o ministro do

Trabalho, Murilo Macedo.

Ele. que algum tempo atrás

também dizia que o pro-

blema da desemprego não

era grave nem generali-

zado, apoia as propostas de

geração de novos empregos

mas. a exemplo de várias

outras autoridades, é con-

trário ás medidas mais

abrangentes de auxilio aos

desempregados. Vejamos

as principais vantagens

e/ou dificuldades de im-

plementação destas últi-

mas.

»

Com o auxilio-desem

nrego o trabalhador teria

direito de perceber uma

determinada quantia

(digamos um salárlomi-

nlmo) enquanto estivesse

desempregado. Vários

países adotam este sistema

há décadas sob as mais

variadas formas. Ê eviden-

te que seu sucesso pres-

supõe uma forma eficaz de

fiscalização, bem como o

estimuio permanente para

que seu beneficiário enoon*

tre logo um emprego, não

onerando demasiadamente

os cofres públicos.

Além de seu caráter

soctaJ, uma medida deste

tipo poderia compensar,

em parte, uma realimen-

taçáo das tendências reces-

sivas. Explicando melhor

a recessão provoca o de-

semprego; este diminui a

renda dos assalariados,

levando a uma queda do

consumo, que, por sua vez,

intensifica a queda da

economia. Ao manter, par-

cialmente, os rendimentos

dos trabalhadores, o be-

neficio desemprego po-

deria atenuar um pouco es-

te processo.

È comum ouvira objeção

de aue não há fundos dis-

poníveis para Um pro-

grama dessa natureza,

como se todas as boas In-

tenções esbarrassem ine-

vitavelmente na "falta de

verbas". Oproblçma é que

este raciocínio pressupõe

uma mesma e desumana

distribuição da renda. Náo

é difícil perceber que o

auxllio-desemprego po-

deria ser financiado

através de impostos que in-

cidissem sobre as classes

mais abastadas. Sem falar

nas gorduras dos balanços

do sistema bancário, bas-

taria lembrar os números

que o economista Dércio

Munhoz mostrou de ma-

neira tão cristalina em

recente artigo neste cader-

no; segundo o professor da

UnB, uma taxação média

de 20% nas atuais rendas

não-tributadas do Imposto

de Renda (isenção que

beneficia apenas marginal-

mente os assalariados)

propiciaria uma receita

adicional de Cr$ 1.6 trilhão,

suficiente para pagar um

salário mínimo para 5,7

milhões de desempregados

durante um ano. Por outro

lado, é verdade que redis-

tribuições dessa magnitude

não são feitas tão facilmen-

te quanto as operações de

RESENHA - 11

rcLMA õe Si. PACLO

Aritmética. Mas. não dá

para engolir a ladainha da

falta de fundos indefini-

damente.

Em segundo, pod«r-se-ia

dizer que o auxilio-desem-

prego mitiga as dores,

porem não acaba com a

doença. Ou seja, apesar de

garantir uma renda mí-

nima aos desocupados não

se lhes oferece oportuni-

dades de emprego. Isto é

verdade, até certo ponto;

teríamos, contudo que pen-

sar nos empregos que são

preservados graças á

manutenção de renda dos

assalariados.

Porém, a defesa da ca-

pacidade de consumo dos

trabalhadores não é tudo.

Se houver escassez de bens

populares (alimentos, ves-

tuário, transportes cole-

tivos etc...) uma política

dlstrlbutiva pressionaria os

preços, corroendo a renda

dos assalariados. Dal a

necessidade de expandir a

produção destes Itens, o

que permitiria também ab-

sorver maior número de

trabalhadores, portanto,

além dos vários mecanis-

mos de proteção do desem-

pregado haveria que es-

timular setores cuja expan-

são aumentasse a taxa de

crescimento do emprego e

fornecesse bens e serviços,

sem corroer a renda real

dos trabalhadores.

Em outras palavras, o

sucesso no combate ao

desemprego exigirá uma

profunda reortentaçáo da

atual política recessiva.

. Gcuer Oliveira ftlho é protoaor

do Departamento de Economia da

PUC-SP e pesquisador do Cebnp.

J*.?iOSKO E REt/QLTA EM S. PAULO

A violência, momento a momento rou+A-De Sí.PMLO éoNlss

Patquoa do

BA NC O OE DADOS — F O LHA

Convocada para âs 8 horas de

segunda-feira última, a concen-

tração promovida pelo Movimento

Contra o Desemprego e a Carestia —

9 U í; seria uma espécie de tribuna on-

de os desempregados apresentariam

seus problemas e relnvldlcaçôes —

^áo durou mela hora. Degenerou

Para o quebra-quebra num primeiro

estágio e para o saques no seguinte.

A ação violenta estendeu-se ao dia

seguinte, chegando ao centro da

c dade. Foram 48 horas de tensão e

violências que obedeceram a seguin-

te cronologia:

SEGUNDA-FEIRA

8 horas — Com 2.500 pessoas

Eresentes. começam os discursos no

■argo 13 de Maio, em Santo Amaro.

Nâo era grande o número de poll-

.clals

8h50 — A passeata foi iniciada e

com Isso, o inicio das depredações.

9 horas — O supermercado "Ao

Baratelro" é atacado e saqueado. A

ação da policia nâo è suficiente para

acalmar os ânimos e os atos de

violência estendem-se por todo o

bairro, chegando ao Jardim Sáo

Luís, onde até os Jornalistas sâo

atacados pelos manifestantes.

13 horas — Os organizadores da

concentração, depois de perderem o

controle dos acontecimentos mo-

bilizam 300 manifestantes e saem

com eles para a Assembléia Legi-

slativa.

14h30 — Os desempregados che-

gam à Assembléia Legislativa. Os

manifestantes retiraram-se, depois

de expor seus problemas. Na rua

ocuparam à força quatro ônibus da

CMTC e com eles voltaram para San-

to Arnaro.

15 horas — A tropa de choque da

Policia Militar nâo consegue evitar

saques ao supermercado Mlnlbox. a

tolas e padarias das ruas Capitão

Tiago Luz, Herculando Reis e até na

estrada de Itapecerica da Serra, a

cinco quilômetros da praça Floriano

Peixoto.

17 horas — Um grupo de 100 ma-

nifestantes tentou Invadir o 11.° Dis-

trito Policial. O grupo pretendia

libertar 70 detidos na ação policial

contra os saques. O ataque foi re-

pelido pela Policia Militar.

17h3Õ — As lojas Centersul e

Balaio do Povo, na rua Manuel Bor-

ba, foram atacadas e saqueadas.

19 horas — O bairro pára por falta

de condução Os saques e depre-

dações continuam.

20 horas — Os organizadores da


EXPLOSÃO E REVOLTA EM S. PÂUÍ.0

aONT/AJcWÇtit M WOL£tttiA,

concentração culpam a policia pela

ação violenta dos desempregados. O

governo do Estado anunciou uma

ação de emergência para a geração

de empregos.

21 horas — O balanço da violência

mostrava 70 pessoas presas (sendo

que quatro (oram autuadas por

roubo), seis supermercados, um

grande número de lojas, bares,

panificadoras saqueados e telefones

públicos depredados. Os manifes-

tantes marcavam nova concentração

para o dia seguinte.

QUARTA-FEIRA

Os tomais da manhã anunciavam

prontidão no 2.* Exército. Um forte

esquema policial foi montado no Lar-

go 13 de Maio. onde às 8 horas foi

realizada nova concentração. O

corretor de Imóveis, Pedro Ignàclo.

de 63 anos, baleado na cabeça no dia

anterior em frente a um superme-

cado, morreu na primeira hora do

dia, no Hospital do Morumbl.

Pelos caminhos

inflamáveis da

"região vermelha"

Aigun» lideres operários dt Sào

Paulc costumam chamar Santo

\inaio dt: "região vcnuelha" da ci-

dade. Não e para menos. Com 1,2

niühãú dt habitantes, espalhados

nii 150 bairros c vilas pobres, Santo

Amaro foi o nascedouro de alguns

viw> mais importantes movimentos

populairs pos-64. O Largo 13 de

Maio. oiuie começaram as manifes-

tações c depredações, c o coração

comercial e terminal de transportes

tlesia região, que abriga mil indús-

nias, entrr das 343 metalúrgicas

com mais de 50 empregados cada.

xgvrudo dados de dezembro do

Sindicaio dos Metalúrgicos.

Ciurc- t;las, empresai de grande

porte, como Villares, Caterpillar,

Mcial Leve. Cibié. Caloi. Monark,

IHHunlu-M, Piada, Scmp-Toshiba.

l..>nsideiando-se lambem as pe-

• |;i após 1964, realizadas em

.iluil d

aprender a fazer crochè, enquanto

os maridos trabalhavam), mas qu«

dariam origem a um importantí

movimento pela instalação de cre-

ches. Também nos Clubes de Ma


EXPLOSÃO E REVOLTA EM S. PAULO RESENHA - 13

1 £o/tr/A/Mç»o:

atuai deputada■ federa!. Inma Pa:-

soni, do Partido dos Trabalhadores;

com voracáo expressiva na região;

Que elegeu mais gente de oposição,

como os deputados federais Aurélio

Perez e Horácio Ortiz,. deputado*

estaduais Benedito Cintra e Paulo

Sogaiar, vereadores Ida Maria, Ed-

son Simões e Jinge Hato, todos do

PMDB'; e o vereador Paulo Diniz,

do PT.

Km 1973. surgiram na região as

toinunidadcs cdesiais de base e cm

1974 o rnovimeiuo por melhores

transportes, que atingiu dezenas de

bairros e tomou força prindpal-

ineme em M'Boi Mirim, Jardim

Angela. Grajaú. Pareihçiros,

Campo Limpo, Santa Margarida e

jardim Sáo Luiz. yj

O ano de 1976 "seria martado

por amplas mobilizações pela lega-

lização dos loteamentos clandesti- '

íIOS, vendidos irregularmente pelas

imobiliárias. O movimento atingiu

nada menos que 100 bairros de

Santo Amaro, criou uma coordena-

ção c subcooidenações c editou um

loinal próprio. Algo semelhante ao

que ocorreu com o movimento pela

instalação de rede de água, que al-

cançou grande nivel de organização

nos bainos de M^Boi Mirim, jar-

dim Ângela, Vila Remo e Grajaú-

Ot- algum desses bairros esteve

Êresente em todos os tipos de mo-

ilizacão loi o Grajaú: ali houve lu-

las por rede de água. transportes,

legalização de loteamemo e se for-

maram importantes núcleos da

Oposição Sindical Metalúrgica.

Movimento Contra o Custo de

Vida, comitês de apoio às greves e

comunidades edesiais de base. Gra-

jaú foi palco, há cerca de 20 dias, do

incêndio de 22 ônibus por usuários

levoltados contra a "operacão-

lanaruga" das empresas de ônibus,

deflagrada pelos empresários do se-

tor para forçar um maior aumento

das tanlas e que lèz escassear os

nansportes, em toda a Capital.

Santo Amaro tem 547 quilôme-

nos quadrados íé maior que todos

os municípios paulistas), uma re-

gião tão populosa que poderia ser a

"«étima capital brasileira. Todos os

partidos políticos legais c grupos de

esquerda contam com militantes,

ern Santo Amaro. Na pequena ba-

bei que c o Largo 13 de Maio, uma

pessoa com megafone "pode «en-

dei todo seu estoque de pentes,

iundar uma religião ou puxar uma

passeata", diz o deputado estadual

Paulo Frateschi, do PT. Talvez por

ironia, essa massa de bairros pobres

recheados de fábricas faz fronteira,

ao norte, com os baiiros abastados

do Biooldin e Morumbi. este, sede

do ! alácio do Governo,quase ima-

Jido pela passeata que saiu do

Largo 13 de Maio no segundo dia

de manifestações.

A crise na periferia

Pequenas questões e graves conseqüências

O PC do B não pode ser",

negava, incisivo, na noite da

segunda-feiru. o deputado federal

Roberto Cardoso Alves (PMDB-

SP) "O PC do B foi bem-atendi-

do." Segundo fontes do PMDB c

do PC do B (Partido Comunista

do Brasil), nas negociações para

montagem da equipe do prefeito

•Mimo Lima. o PC dü B foi con-

templado com duas admi-

nistruvões regionais da prefeitura

paulistana Ao contrário do que o

deputado Cardoso Alves imagina-

va, pjrcm. o PC do B não ficou

satisfeito, E isto porque o admi-

nistrador regional de Santo

\maro - um de seus objetivos -

foi indicado pelo deputado federal

Alberto Goldman (PMDB-SP),

identificado pelo PC do B como

representante de seu arquiinimigo

no espectro das forças de esquer-

da, o PCB (Partido Comunista

Brasileiro). Examinada através

de um microscópio, a crise que

deixou o pais de respiração sus-

pensa na semana passada se

revelaria como uma mera disputa

- literalmente de periferia - entre

dois grupos de esquerda. Assim, a

princípio, tudo teria sido articula-

do pelo PC do B para desestabdizar

o administrador regional de San-

to Amaro. Manoel Guerreiro Ramos.

Na manhã da segunda-feira, 4,

enquanto o deputado Aurélio Pcres

(PMDB-SP) se encontrava na reu-

nião da bancada federal pemedebista

com o governador Franco Montoro,

um grupo de cinqüenta militantes do

Movimento Contra o Desemprego

saiu de seu escritório, liderado por

Arnaldo Alves - candidato a verea-

dor pelo PMDB nas últimas eleições

-, para organizar uma passeata cora

os cerca de quatrocentos desempre-

gados que procuravam trabalho na

indústria Ki-Refresco. Segundo essa

versão, contada por fontes do

próprio PMDB, a passeata deveria ir

ao largo 13 de Maio, onde seria reali-

zada uma concentração - com ck_

apedrejamento de alguns ônibus e*

lojas - até a chegada do pacificador

Aurélio Pcres, como representante

pessoal do governador Franco Mon-

toro. Com isso Pcres se sobrepoda a

Manoel Guerreiro Ramos, tomando-

se o senhor de fato de Santo Amam.

São apenas pouco mais de 800

metros entre a fábrica da Ki-Rdres-

co, na ma Galeno de Castro, e o lar-

go 13 de Maio, mas nesses poucos

metros de rua o PC do B e o governo

Montoro perderam o controle sobre

o que aconteceria na cidade nos dois

dias seguintes. Ao atingir o largo 13

de Maio, a passeata já reunia mais de

2 mil desempregados. E, quando

Aurélio Pcres chegou a Santo

Amaro, a multidão já era absoluta-

mente incontrolável.

Na manhã do dia seguinte,

enquanto novos distúrbios eclodiam

na Zona Sul da cidade c diante das

notícias desencontradas, os deputa-

dos estaduais do PMDB fizeram uma

reunião para decidir que atitude

tomar. A sugestão do deputado

Paulo Kobayashi era que todos se

dirigissem a Santo Amaro. A maioria

da bancada, no entanto, decidiu que

todos deveriam permanecer na

Assembléia Legislativa. Dessa forma,

foram os deputados do PT que.

correram para as ruas, tentando

conter os desempregados.

Mas, $c o PT oficial procurava

evitar distúrbios, os "irregulares"

do partido contribuíam para seu

alastramento. Foi a arquiteta Cla-

ra Ant - petista, integrante da Co-

missão PróCUT c apontada como

miliianie da Organização Socialista

Iniemacional - qucif! propôs, por

exemplo, que a multidão marchas-

se até o Palácio dos Bandeirantes.

Na noite da terça-feira, um gru-

po de sindicalistas, liderado pelo

presidente do Sindicato dos

Metalúrgicos de São Bernardo do

Campo, Jair Mcncguelli, procurou

o secretário do Trabalho do

governo Montoro,deputado Almir

Pazzianotto, com uma fórmula

para acabar com os distúrbios.

Eles pediam a retirada do policia-

mento das ruas c a abertura do

estádio do Pacacmbu para uma

gigantesca assembléia de desem-

pregados, onde o movimento se-

ria organizado c indicadas lide-

ranças em condições de dialogar .

com o governo. Pazzianotto, no en-

tanto, recusou a proposta, o que

provocaria horas mais tarde uma

áspera conversa telefônica - "Al-

mir, você está repelindo o que os

patrões lhe diziam quando você esr

uva do lado de cá" - entre ele e

Luís Inácio Lula da Silva, o presi-

dente do PT. No dia seguinte, o mo-

vimento começaria a refluir da mes-

ma forma co-no começou: com uma

total ausência de lideranças. ,


EXPLOSÃO E REVOLTA EM S. PAULO

Organizador culpa

violência policial

e faz advertência

"O íM>SS«OIJJCIIV(W.' oi K'"'!'''" um inovliiion-

to de cnvurtiiiclura a hlvrl nacional", afirmou

José Lima Soares, d» o|M>sl!scmprego e a Carostla. Soares culpou a

"violência da polida" pelos aconteclinentos

de ontem e disse que o Movimento surgiu hâ

um mès e meio. no Comitê Contra o Desem-

prego, em Osasco

"Apoiado principalmente pela oposição do

Sindicato dos Metalúrgicos, ele loijo começou

a ganhar força com a adesão de outras enti-

dades e políticos de partidas de oj^sIçAo",

contou Soares f.ntre essas adesões, citou Fer-

nando d" O. da oposição sindical da 7x)na Sul.

a deputada federal do PT Irmã Passoni, ü

"pessoal do Grajau" tum bairro de Santo

Amaro. onde. recentemente, ônibus (oram

depredados e Incendiados), a Intcrslndlcal da

Lapa e os sindicatos dos Químicos e dos Vt

d rei ms

A _

EXPLOSÃO

DA

MISÉRIA

No Brasil, a classe operária está na miséria.

A fome, a fome mesmo, está batendo nos por-

tas de milhões de casas de trabalhadores,

Existem, hoje, cadastrados, mais de 3 milhões

e meio de desempregados, gente que estava tra-

balhando e hoje está na rua. De que este pes-

soal vive? De nada: vive de fome. No resto do

mundo, existe salário desemprego: aqui, não.

Cada um se vire para adiar a morte. Cada um

dê o seu jeito, se puder.

Oi salários, de quem está trabalhando, es-

tão baixando. Neste último ano, mllbõrs de

trabalhadores rebaixaram seu salário pela me-

tade. Centenas de firmas metalúrgicas estão

obrigando seus empregados a assinar acordos

para não receber o reajuste semestral. Isso c

bom lembrar. É bom refrescar a memória do

general Figueiredo e dos outros generais, dos

seus ministros, dos senadores, deputados, go-

vernadores. É bom repetir Isso, para começo

de conversa, aos senhores donos de Indústria,

donos de supermercados. É bom falar Isso, de

cara, para todo mundo que come bem. Isso é

o desemprego, a miséria, a fome, o det espero,

é o Brasa boje.

OtfoHfà

Jàtè l.lma Sounat Informou que a manlfes-

Laçâo de ontem foi decidida numa reunião

realizada na Lapa. no domingo retrasado,

"para ser a primeira de uma série a ser de-

flagrada em lodo o Pais" Repetindo a todo Ins-

tante que "a manifestação fugiu ao nosso

controle". Soares mostrava-se preocupado

com os possíveis desdobramentos, Jà que

outra passeata foi marcada para as 8 horas de

hoje, no largo 13 de Mato. com o objetivo de

seguir até o Palácio dos Bandeirantes. "Se

continuar a provocação da policia, se vier de

novo esta repressão, sem a qual nada teria

acontecido hoje (ontem), pode haver um con-

fronto direto", advertiu. Para a manifestação

de hoje, o líder do movimento anunciou a

presença do presidente nacional do PT. Luís

Inácio Lula da Silva, e de vários deputados

dos partidos de oposição

LUH

mml$3

r\

HEShKfíA - 1^

Nota da Oposição

Sindical Metalúrgica

"A Coordenação da Opo-

sição Sindical Metalúrgi-

ca de São Paulo vem a

público declarar que nos-

sa posição sobre os últi-

mos acontecimentos es-

tão no nosso órgão oficial

— iomal "Luta Sindi-

cal , número M, de abril.

"Não autorizamos ne-

nhum metalúrgico a se

posicionar em nome do

Coletivo da Oposição Sin-

dical Metalúrgica de São

Paulo, conforme declara-

ções publicadas no Jornal

"Folha de S. Paulo" no

dia S/4, atribuídas à Opo-

sição Sindical."

QUEM É O CULPADO?

Pela Coordenação da

Oposição Sindical Me-

talúrgica de S8« Paulo, A-'

Vítor Glannotti c Agenor

Ribeiro (Capital, SP).


EXPLOSÃO E REVOLTA EM 5. PAULO

zCmr/rtutKÃ):/} eÁ Puosfíí D» . ^

COMO SAIR DESTA SITUAÇÃO

Os trabalhadores quereiq comer. No brasil,

os trabalhadores famintos estão saqueando há

muitos anos. E vão continuar saqueando.

Hoje, para começar a solucionar esta crise,

tem algumas medidas que devem ser tomadas

já:

1 — Diminuir a semana de trabalho de 48

vemo para criar confusão política.

Essa situação de explosão do desespero é

conseqüência do esmagamento em que o Go-

verno deixou a classe operária por muitos

anos.

Os Sindicatos foram mantidos amordaça-

dos. As comissões de fábricas foram proibidas

e destruídas. E o resultado está aí.

É fácil para o Governo e para os pelegos di-

zer que isso é baderna, isso é vandalismo.

Em todo estouro de boiada vai ter todo

tipo de aproveitadores, de trombadlnhas, de

agentes do Governo. Mas quem só vê isso e

não o lado da fome, é contra o movimento da

classe operária, contra o povo. Está a fim de

propor acordos com os patrões.

O povo rejeita

essa "Umão , *

"Eles queriam um cadáver para

depois suscitar manifestações,

paralisações e derrubar a democracia

no Brasil."

Estas não são declarações de

homens do PDS, nem do general

figueiredo ou de algum outro general

da ditadura militar. São declarações

do governador "democrático" de

São Paulo, Franco Montoro,

r eferindo-se às mobilizações dos

desempregados iniciadas na zona Sul

de São Paulo. Elas estabelecem de

maneira clara o movimento realizado

Pela oposição burguesa e o regime, após

a revolta do povo trabalhador em São

Paulo. Para esses senhores, trata-se de

estreitar, intensificar o apoio à

"democracia" dos generais.

Já durante os acontecimentos que se

»>niciaram em Santo Amaro, uma

verdadeira gritaria se articulava desde

0 PMDB, o governador Montoro e

Kir.KNHA - 15

para 40 horas, sem nenhuma redução de salá-

rio. Isso vai criar milhões de empregos.

2 — Para quem continua desempregado,

deve ter um SALARIODESEMPREGO.

Mas isso não vamos conseguir só no papo,

com pedidos e abaixo-assinados. É a nossa

força, a nossa organização dentro das fábricas,

que vai pressionar os patrões para ceder.

Os trabalhadores não querem esmola como

está prometendo o Murilo Macedo e o governador

de São Paulo.

A OPOSIÇÃO SINDICAL E AS

MANIFESTAÇÕES

Teve gente que andou por aí, em rádio, te-

levisão e jornais, falando besteiras em nome

da Oposição. Não temos nada a ver com qual-

quer declaração sobre Isso. O que a Oposição

Sindical Metalúrgica pensa está aqui neste

jornal.

^-T CL !!/

aqueles que, no interior do movimento

operário, os sustentam. Era o coro da

"desestabilização" do governo

Montoro. Com o clima de caça às

bruxas a intenção não era outra senão

fazer aparecer o drama dos

trabalhadores desempregados como

algo menor e, com isso, calar as vozes

de todos os que denunciavam a

violência que não ficou a dever a

nenhum Maluf ou outro dos

interventores da ditadura militar.

Não há muita novidade no que

pretende essa oposição. Depois da ida

do general Figueiredo à televisão, no

sábado, em pronunciamento nacional,

os senhores do PMDB se alinharam

inteiramente com a fala do general,

que disse: "não tolerarei atos de

violência ou pertubação da ordem e da

tranqüilidade pública". Após os

pronunciamentos de Montoro, o


EXPLOSÃO E REVOLTA EM S. PAULO

ãúftJlNüftÇüO: ú PO(/0 XêTé/TA £-^v?

presidente do PMDB, Ulisses

Guiniarães,respeita o mesmo tom: "o

presidente Figueiredo falou em

preservação da ordem pública, uma

coisa lógica que queremos".

Na mesma linha, e ainda mais claro,

foi o governador de Minas Gerais,

Tancredo Neves: "o presidente foi

preciso, exato e seguro, tendo pregado

a união nacional contra o desemprego

e contra a violência". Sem meias

palavras: o entendimento com os

generais é o caminho apontado por

• essa oposição para,utHizando-se da

cobertura da "democracia", atacar

" as necessidades da maioria: aplicar

sobre o povo trabalhador as

decorrências dos acordos com o FMI;

aplicar sobre a maioria o arrocho

salarial e a miséria.

Para a oposição burguesa e o

Partido Comunista Brasileiro, que

igualmente saiu rapidamente em

defesa da "ordem democrática" de

Montoro e dos generais, o povo não

tem mais a fazer do que esperar ■

migalhas como o suposto plano de 30

mil novos empregos que o governo do

Estado de São Paulo anunciou. Isso,

numa situação de mais de 700 mil

desempregados e 1 milhão e meio de

subempregados só em São Paulo.

O povo trabalhador que votou em

massa contra a ditadura não pode

querer outra coisa do que a

desestabilização da "democracia" dos

generais. Uma "democracia" que é só

desemprego e miséria crescentes. Que

são as leis e instituições repressivas de

pé e um aparato policial do qual agora

se servem os governadores

"oposicionistas." O povo só pode

rechaçar essa "União Nacional", cujo

objetivo é preservar a "ordem"

estabelecida pelos generais.

Se os saques e quebra-quebra

acontecem,os responsáveis são aqueles

que "desestabilizam" as condições de

vida do povo trabalhador. Se os

governadores oposicionistas e seus

partidos querem tomar parte dessas

responsabilidades, o povo não quer.

Por essa mesma razão, o caminho

que se abre para os trabalhadores é o

da intensificação de sua organização e

lutas contra o desemprego e o arrocho.

Principalmente depois dos

enfrentamentos de São Paulo, cresce a

necessidade de juntar todas as forças

rumo à Greve Geral para barrar o

decreto-Lei do arrocho salarial, para

lutar pelo salário desemprego e a

estabilidade no emprego. É a essa

necessidade que todos os sindicatos.

Federações, a Pró-CUT devem

responder, fazendo do I o de maio um

passo nessa direção.

RESENHA -'15

-T/UJüMA osetACi* Jê (x^z/vJdJ

• —. .x

[ KI >: da rebelião

A explosão dos trabalhadores

famintos em São Paulo fez

tremer os donos do poder.

O braço erguido do povo voltou-se

não apenas contra o regime militar,

mas contra a própria dominação

capitalista. O proletariado tornou-se

centro das atenções no cenário políti-

co do país. Muita gente que fazia

pouco caso do trabalhador levou um

susto e agora mexe-se e discute o

assunto do desemprego.

Os ocupantes do Palácio do Pla-

nalto sentiram que entregar o país ao

l-MI não é a mesma coisa que

comandar ordem unida no quartel.

Sem ter solução alguma para o

problema, buscam aliviar a tensão

alardeando planos mirabolantes e

demagógicos. Enquanto isto, o

general Figueiredo vai para a televi-

são fazer ameaças e intimidar as

massas e ao mesmo tempo apelar

para a colaboração delodos — cul-

pados e vítimas -- para superar a

crise. Explorando o temor comum a

todos os setores burgueses diante do

movimento popular, ensaia um

"novo diálogo" com setores modera-

dos da oposição.

Mas atualmente são muitos

poucos os oposicionistas,

mesmo os mais atrasados,

que embarcam na canoa furada do

ataque aos "radicais de esquerda" e

aos comunistas. Além disto, é muito

grande a área de atritos entre interes-

ses regionalistas das classes domi-

nantes e é demasiadamente acirrada

a disputa em torno da sucesfão presi-

dencial. Nem mesmo as hostes do

PDS se entendem nestas questões.

Para abrir de fato algumas possibili-

dades de acordos, seria necessário

mexer na política econômica. Mas

isto diz respeito aos interesses maio-

res do regime, umbilicalmente atre-

lado ao capital internacional. Para os

generais, é intocável.

Diante da situação calamitosa

do país, até para os demo-

cratas mais vacilantes, a úni-

ca saída, mesmo a contragosto, é

aproximar-se do movimento operá-

no e popular. Não existe outra for-

ma viável para levar à frente os'

planos discutidos na campanha

eleitoral e aprovados por expressiva

maioria nas urnas em 15 de novem-'

bro. O outro caminho, de aproxima-

ção com o regime e de traição aos

eleitores, eqüivaleria à capitulação e

ao suicídio político.

i

Os trabalhadores também foram

sacudidos pelo movimento que

realizaram. Foram alertados para a

força que possuem. Vão compreen-

dendo que sua luta teria sido muito

mais profunda se empregados e

desempregados tivessem agido de

forma unitária. Se os desempregados

encontrarem solidariedade efetiva

dentro das empresas, se às manifesta-

ções de rua se somarem as paralisações

e outras formas de luta dentro das

fábricas, os resultados serão certa-4

mente outros. A própria ação dos

provocadores ficará tolhida. A luta é

essencial. Mas a luta com unidade.

As massas tomam também cons-

ciência do papel nocivo dos grupe-

lhos míopes que fizeram tudo para'

desviar o gume da luta do governo

federal para os governos oposicio-

nistas eleitos em !5de novembro. Fi-

cou evidente que os apelos contra o

governo de Montoro muitas vezes

serviram também para os grupos ter-

roristas de direita, interessados etn

confundir e isolar os trabalhadores

do conjunto do movimento demo-

crático.

A formação dos Comitês de

Luta Contra o Desemprego

revelou-se como um exem-

plo a ser multiplicado, englobando

empregados e desempregados. Os

trabalhadores testaram na prática as

suas formas de organização. Com-

provaram mais uma vez que organi-

zados podem neutralizar os pio\-

cadores e conquistar uni apoio mais

amplo e efetivo da opinião públiai


É

EXPLOSÃO E REVOLTA. EM S. PAULO

^a Xc/V/fcV

Os impasses da

espontaneidade

( m ífiitulrn


EXPLOSÃO E REVOLTA EM S. PAULO

e,OrtTINUAeÃ6 z JGFen/oe:/? CL

contrário, via cio regra estes elegeram-se contra o estado de coisas,

pela mudaiiva. Um segundo lugar, c lutulamcntal compreendei

que cabe aos governadores da oposição um papel fundamental na

desativação do estopim, na desarticulavão do esquema golpista. T

importante, neste sentido, que se adote medidas parciais contra o

desemprego. Mas é igualmente importante que seja evitado o

caminho da demagogia, que o povo seja plenamente informado

da situação real e, mobilizado para o entendimento de que é

necessário e possível a mudança da orientação da economia

nacional, de que isto depende da força do movimento neste

sentido. Em miúdos, os governadores devem fazer, cada vez mais,

a grande política, compreender e ocupar o espaço que lhes cabe na

cena política do país.

O momento não permite vacilações. Defender os governos

eleitos pelo povo é defender os espaços de liberdade conquistados

nestes duros anos de luta. Neste sentido, se não se deve confundir a

questão social com caso de polícia, a força policial dos governos

democráticos deve servir à manutenção da ordem pública, à

segurança dos cidadãos. Qualquer devaneio neste sentido pode

abrir espaço para que esta bandeira, anseio popular, caia nas mãos

da direita, servindo para minar a democracia. Apenas assumindo

esta postura é que os democratas poderão conquistar o espaço

para ganhar a corporação policial para o terreno e para as idéias

progressistas, inclusive para a necessidade do combate aos

métodos antipopulares ainda empregados por boa parte do

organismo policial, setores comprometidos com o passado

fascista e malufista, no caso específico de São Paulo.

A hora reclama que os partidos políticos, os sindicatos,

associações de classe, entidades estudantis, parlamentares c

administradores democráticos, todos utilizem o peso de sua

legitimidade na busca de mudanças, anseio cada vez mais

majoritário. Este é o caminho. Estamos convencidos de que se

todos principalmente os governadores eleitos pelo povo

apoiarem-se nas massas e na organização popular, procurarem

pressionar, influir de forma decidida na abertura e ocupação dos

canais de negociação política, o poder de pressão deste conjunto

de forças pode avolumar-se a ponto de impor a reorientação da

economia e na ampliação dos espaços de participação, avançando

na construção do Brasil democrático e independente que todos

desejamos.

r

LiíVíOA^

Reforçar a unidade pela

democracia e por uma nova

política econômica

Por.ocasião dos acontecimentos em SP, a Comissão Executiva do

Coletivo Estadual de Dirigentes Comunistas de São Paulo divulgoii«

seguinte nota:

Ao povo de São Paulo

São Paulo vive momentos dramáticos. Apenas vinte dias após a posse do

governo eleito pelo povo instala-se um clima de pânico e violência que visa

atemorizar e confundir a opinião pública, desgastar e paralisar a administração

estadual e provocar a intervenção federal no Estado.

As depredações e os saques ocorridos nos primeiros dias desta semana

exploram um legítimo sentimento de desespero de largas camadas de

trabalhadores acossadas pela ca réstia e pelo desemprego, tanto uma como outro

de responsabilidade única e exclusiva da criminosa política econômica aplicada

pelo governo federal, submetido aos ditames do Fundo Monetário

Internacional. O fato de tantos homens do povo poderem ser utilizados paru

atos de vandalismo é também uma denúncia viva das dificuldades impostas nos

últimos 19 anos de autoritarismo à organização e aoesclarecimentodas massas.

A gravidade dos fatos ocorridos e a evidente tentativa de usá-los contra o

governo democrático áe São Paulo representam uma advertência contra

/,7;.'.7.A7// - 18


If

EXPLOSÃO E REVOLTA EM S. PAULO

« ».

tentativas de manipular o descontentamento popular, seja por setores

equivocados da oposição, seja por elementos saudosos das piores épocas de

arbítrio e repressão. Todas as forças políticas devem estar alertas para nüo

servirem a escusas manobras dos inimigos da democracia.

Os comunistas conclamam os trabalhadores, o povo c lodo os democratas e

apoarem o governo de Franco Montoro, a manterem a tranqüilidade pública e a

reforça rem a organização e a unidade dos sindicatos, dos partidos políticos e das

demais entidades da sociedade civil, pela democracia e por uma nova política

econômica capaz de por termo à recessão, à inflação c ao desemprego. A luta

por estes objetivos será longaedura. Não é responsável ocultar as dificuldades a

enfrentar, pois elas exigirão tenacidade, firmeza e serenidade dos que se coloca m

ao lado do povo e do pais.

São Paulo, 06 de abril de 1983

BESENHA - 19

A Comissão Executiva do Coletivo Estadual

de Dirigentes Comunistas de Sio Paulo

Semeia-se vento há muito tempo s*Nip>*

Por que os tumultos paulistanos náo resultam apenas do desemprego *3/r/hB

Lun Gonzaga Balluizo

A rcLtssãcj c u discmprc^o deixaram de ser figuras

■U n-ióiiia. pu nuiurros tie uma tabela, e desceram á

'na. Au- mesmo os que previam c temiam semelhante

iktfechu litaram drseoncertados com a violência c o

Uy-sjx-iu ílu» saques e 'ias depredações. São Paulo vi-

*ci. as angústias de um bo^utaio.

Não e suipreeiidentt que tenha acontecido. É, sim,

■•mpu-tiulenie que tenha demorado tanto para acome-

ter A deurkwaçki das condições de vida da grande

'iwiona ai população brasSena não (fxige nenhum es-

'••ii., pta vr percebidü. O desamparo cm que vive

' sie ptivn t - soh todos os aspectos - alarmante. Por

iss,. f un; i.-xcrin io de estupidez e cinismo entregar-se a

'•i«K:ubracõe> iãbn- ronspirauis c maquinações de pai-

pus imeiessados cm perturbar a ordem. Nâo há dúvida

de tjui- cie» existem. Existem e prosperam no ambiente

morgãmeo desta pobre sociedade indefesa, desamuda

de instituições que a protejam. Uma sociedade cuias

'-lites e contra-elites são imbaüveis na arte da Hissimula-

são, e que - ao contrário do personagem de Lampe-

dusa - conseguem náo mudar nada, para que tudo

continue na mesma.

Este cacoete sempre nos ataca quando a orise social

vai às ruas. t quase um reflexo condicionado. O

mesmo cidadão respeitável e liberal que ontem mani-

festava sua preocupação com o desemprego e a MOC*-

^áo hoje só quer saber quem insrigou o g ovo , ■ °*'

derna. Tal atitude dá a dimensão exata da 'darividên-

«a" que cultivamos durante séculos nesta alma cordial.

Basta um arranhão para que ela se tome raivosa e »•

'■"'ame, aos gritos, pela manutenção da ordem. Mas a

desordem profunda e secular que sustenta a estrutura

social será, certamente, preservada. O primarismo das

instituições políticas passará incólume.

O intenso processo de urbanização e o crescimento

assustador das grandes metrópoles brasileiras, nas últi-

mas décadas, ao mesma tempo em que produziram

uma "moderna" diferenciação do tecido social - ex-

pressa na especialização da classe operária, na multipli-

cação de funções e assalariamento do trabalho não-

manual e na proliferação de uma pequena burguesia

oroprietária e "endinheirada" - também "criaram" a

miséria urbana. As formas sociais e econômicas herda-

das do "velho" capitalismo agrário-exportador c as es-

treitas condições poliucas que presidiram um largo

período de nossa industrialização contribuiram, decisi-

vamente, para agravar a natural tendência á desigual-

dade que dccoirc do avassalador c "antinatural" ins-

tinto de progresso do moderno capitalismo industrial.

A crise dos anos 70 veio-nos atingir no ápice desta es-

calada de modernização c num momento critico do

processo de diferenciação do tecido social que - numa

atmosfera de autoritarismo polídeo - ampliou as dispa-

ridades e frustrou as expectativas. Os imensos contin-

gentes atraídos pelo brilno das luzes da civilização do

bem-estar nela não chegaram a ingressar; Foram bar-

rados na porta, como o acusado de Kafka. As carências

acumulaoas na oferta de bens e serviços públicos, as

profundas desigualdades cristalizadas numa péssima

distribuição de renda e na precária situação do em-

prego explodiram nas ruas nesta segunda-feira. Explo-

diram pela violência dos impotentes. Os poderosos já

procuram um bode expiatório e, com certeza, encon-

trarão muitos para aplacar a má consciência. Mas o

acusado insiste em ser recebido.

O problema não é de polícia s&iw

Uma das tristes lições das arruaças paulistanas: há cidadãos acima fJ/r/ÔS

de qualquer suspeita dispostos a crer que basta baixar o cassetete para

pdr a casa em ordem. E atenção: novos problemas vêm aí

Existem idealistas pata sonhar com a léücitlade sobre

a terra e com sociedades perícias que dispensam sem-

VüS policiais. São Paulo, no entanto, não é um lugar

, «mvenienie para idealistas. Há, também, quem con-

deno o poder que se apoia na atuação de uma polícia

Hitka c de tlepartamentos de inlònnaçâo e inteligên-

cia. Se toda a sua capacidade de manter-se no comando

«le uma nação decom- tia sua lona policial, a conde-

nação por pane tios verdadeiros democratas tem de ser

inapelável. Mas, para descei a casos concretos, em

uma situação de grave tensão social, o governo deve

coniar com uma policia elicieiue para contei a ai maça

que põe em risco a segurança dos cidadãos e a proprie-

dade, como aconteceu em São Paulo. E deveria contar

(ambém com seivicos capacitados a prever e jurvvair

novos tumultos.


EXPLOSÃO E REVOLTA EM S. PAULO RESENHA - 20

QDW77*Umv: O MdfiLBn,^ tv/ih é D& pcací*-

É cornprcciisívf I, portanto, que as autoridades pau-

listas, escaldadas pt-los acontccinifiitos da semana pas-

sada, cogitem de equipar-se mellior para o lutuio, 110

(acil tiitnidimcntcj de que a segurança da cidade, e do

Estado, e de muitas coisas mais continua ameaçada.

Neste sentido devem ser interpretadas as inlormações

de que o govijno Monloro, depois de um encontro a

portas iechadas entre o próprio governador e o dele-

gado Romeu luma, não excluiria a possibilidade de

reativai o convênio mui o Dops. Tuma, que dirigiu o

Departamento por vários anos, não eMaría agora muito

salisleito no seu cargo de superintendente da Polícia

l-cdeial em São Paulo, para o qual loi nomeado depois

da extinção do Dops, criandu teita irritação entre os

luiuionários da PK, que o consideram biônico. Não

lalta, porém, (|uem, dentro do próprio governo Mon-

loro, não se esqueça de queo Dops já se piestou às pio-

res (areias, sem ialar das dúvidas que cercam o desem-

penho da Policia Civil, ambiente noioiiamenie propicie

à corrupção. Esses, que tem boa memória, lembrair

que dentro da Polícia Militai existem seiviços de inlor

inações^ esvaziados um ano antes das eleições, quande

a vitória de Montoro já se afigurava certa e Brasília nãc;

desejava que sobrassem para os luturos governanlei

eleitos pelo PMDB. Mas, acentuam, a estrutura existe t

poderia ser iortalecida imediatamente. Por uma série

de ra/ões, aparentemente boas, prelerem esta solução à

reativação do Dops.

Veremos. Mas um dos Irutos dos turvos eventos da

semana passada já parece ter amadurerido, e se trata

do sentimento que exala de editoriais de imprensa c de

declarações de várias figuras públicas: tudo o que pe-

dem, basicamente, é a repressão policial eficaz, como se

isto íbsse o bastante para resolver o problema. O pro-

blema, contudo, nasce de uma política econômica que

privilegiou a minoria, atrás da tachada da moderniza-

rão do País, de um desenvolvimento desvairado que

gera a miséria em lugar do bem-estar. Os que tapam os

olhos diante da evidência fantasiam de demônio perso-

nagens como, por exemplo, o deputado Aurélio Perez,

um peemedebista que oiganiza manilestações de de-

sempregados na ceiteza de pcxler conüolá-las. Não con-

trolou a da semana passacía, juntamente tom outros ci-

dadãos que não haveriam de desejar uma situação ca-

paz de pôr em dificuldade o governador que ajudaram

a elegei. Foram imprevidentes ;• E inegável, mas este é o

seu pecado e como tal, apenas, tem de ser julgado.

Bodes expiatórios parecem oportunos para quem

não quer encarar a realidade. Assim como soa opor-

tuno .iliim.u que a IMIIíC ia se dnnoioti paia agii com a

necessária firmeza, quando há provas de que o cassetete

vibrou desde a primeira hora. Ou deixar de levar em

consideração a possibilidade de que muitos entre aque-

les que marcharam até o Palácio dos Bandeirantes, na

manhã do dia 5, estivessem à procura do seu líder, o

piópiio Montoro, em quem vo'taram. Insiste-se, porém,

na tese da Bastilha, e logo mais, quem sabe, a insistên-

cia dobrará se das reivindicações dos seividoies públi-

cos do Estado brotarem, como a floração daninha das

inarias-sem-vergonha, novos momentos de conlusão.

Não é impossível. No dia 15, haverá uma assembléia

das associações dos servidores, e dela poderá sair con-

tinnada a exigência de um aumento dos salários da or-

dem de 12tWb. Deeidem-se, como sabe, os salános que

passarão a vigorar a partir de julho; e, como se sal)e, o

governo Montoro, que navega em plena crise finan-

ceira (com um "buraco" de 300 bilhões de cinzeiros

embutido no orçamento e uma dívida externa ele USS

2,5 babões, com gordos vencimentos a cuiio prazo),

não tem como atender a essas reivindicações.

O governo paulista tenta convencer as lidei ancas

mais moderadas do movimento a aderir a um piojcio

de niédio e longo prazos, desiinado a cobiir os quatio

anos do mandato cie Montoro. Não é por acaso, entre-

tanto, que a tensão maior se registra entre os luiuio

iüno\ do Hospital das Clinicas e do 1 lospiial do Seivi-

doi Publico. Uma paralisação dos seiviços Ia ameaça

de greve já eslá no ai I nesses dois hospitais esl.í ladad.i a

piovocai (onseqúências miiiio sérias no plano social.

Claro, não é mesmo:' Os jagunços da exliema diieil.i,

mlilliados nas m.inilesiações da semana passada, os

mesmos que na Zona Sul jã na segnnda-leiia. A, ceie

biavam a nomeação de José Maiia Maiin como iniei

venior de São Paulo, devem estar ensaiando novas ia

laníias. E alguns ediiorialistas e outras personagem

não necessariainenie empuriados, por vocação ou des-

tino, a criar embaraços para o novo governo paulista,

lalvev se preparem mais uma vez, e inconscientemente,

para uma campanha a lavor da administração anterior

e das ambições do sr. Paulo Salim Malul.

É nesse clima que Montoro acaba de se encontrar

com o presidente Figueiredo. Ao ser recebido no Pla-

nalto, o governador empossado há um mês certamente

não esqueceu a Irase inleliz do general Rubem Ludwig,

que acusou o seu governo de íalta de coragem (polí-

tica; pretendeu corrigir depois da firme e justa res-

posta que mereceu elo secretário da Segurança, Manuel

Pedro Pimentel). Ou não esqueceu a súbita inlormação

de ejue o telefone de um secretário de Estado revelou-se

desbloqueado (ou seja, as ligações poderiam ser ouvi-

das por apaitlhos instalados cm outios cantos da Secre-

taria) nos dias quentes do comexo do mês. O lato, aliás,

determinou uma inve - stigação, para apurar que existe,

além do mais, um problema na linha. Ou, por outra:

tudo indica que o telefone está grampeado. Mas, que

lazer? Isso é absolutamente normal. O próprio gover-

nador não escapa a esse risco, e ele devia ter isso em

mente, entre outras coisas, ao entrar no Planalto, sendo

que quem autoriza o grampo está sentado, digamos as-

sim, á direita do presidente.

E, sobretudo, Montoro certamente não se esqueceu

de que foi eleito em circunstâncias bastante diversas da-

ejuelas em que seu anfitrião da quarta, 13, foi escolhido.

Montoro não é governador por obra de uma decisão

tomada entre quatro paredes; e tem, assim, a legitimi-

dade de que Figueiredo carece. Nem por isso, pode

dar-se ao luxo de deixar de guiar-se pelo pragmatismo,

e não liá por que queixar-se disso, muito pelo CCMI-

trário. A rigor, ao procurar o encontro (através de uma

negociação que passa pelo ministro do Trabalho. Murillo

Macedo, e levando debaixo do braço o estudo da

situação econômica do Estado elaborado pelo secre-

tário da Fazenda, Joào Sayad), Montoro foi apenas coe-

rente. O PMDB, ao se constituir, e os seus candidatos,

ao concorrerem nas últimas eleições, aceitaram as re-

gras do jogo e agora tem de jogá-lo. Desta maneira, o,

governador de São Paulo tem agora de reconhecer e

prestigiar a autoridade do presidente da República.

O governador de São Paulo, ao mesmo tempo, sabe

que precisa do governo federal, e indo a Brasília Mon-

toro está simplesmente atendendo aos interesses dos

seus governados. Há senhores, na Capital Federal, que

esfregam as mãos ao verificarem que Montoro enfrenta

dificuldades. "Está vendo como é Dom governar?", eles

dizem, em um tom de chacota. Riem-se de si próprios,

evidentemente. O governo federal precisa de Sãeí

Paulo. Não somente porque 40% do PIB brasileiro está

concentrado em São Paulo, mas também porque, para

o êxito do seu projeto de democratização, o presidente

Figueiredo precisa do bom desempenho do governa-

dor Montoro. Quem não entende isso não está enten-

dendo o que aconiece no Biasil S/S.


EXPLOSÃO E REVOLTA EM S. PAULO

UL.

Igreja reconhece

a angustia, mas

critica violência

"Fraternidade é solução. Violência é caminho

para o caos", afirmou o arcebispo de Sflo Paulo,

cardeal dom Paulo Evarlsto Ama, em nota dis-

tribuída ontem, na qual, todavia, reitera a

posição de que "o povo tem direito ao trabalho e

ao salário Justo". Adverte que, sem estas con-

dições, "a fome e a tensão provocadas pela

procura Inútil de trabalho ameaçam transfor-

mar nossa cidade num palco de violências In-

controlávels. Já o presidente da Conferência

Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Ivo

Lorschelter. denunciou "a falência do modelo

econômico brasileiro", enquanto o secretário-

geral da entidade, dom Luciano Mendes de Al-

meida, lamentou a violência.

Em sua nota, dom Paulo^Evaristo Arns exor-

tou as "comunidades mais afetadas pela si-

tuação atual a se unirem num gesto de soli-

dariedade, para nâo deixar faltar o pfio às fa-

Partido explica "onde esteve 1

Sob o titulo "Onde o PT esteve

nas manifestações de São Paulo",

a Executiva Estadual do Partido

dos Trabalhadores distribuiu a

seguinte nota:

"Os parlamentares e militantes

do Partido dos Trabalhadores tèro

atuado nas manlfestaçAes contra o

desemprego que vém ocorrendo

em Sâo Paulo com as seguintes

Preocupações básicas: contribuir

Para que este movimento se or-

ganize cada vez mais e encontre,

ele mesmo, uma direção para suas

lutas; garantir a Integridade dos

cidadãos atingidos por uma violên-

cia Indiscriminada da policia: con-

vencer os manifestantes de que a

População nâo 6 responsável pela

sua situação e procurar abrlr

ca nals para que suas reivindi-

cações fossem ouvidas e atendidas

Pelo governo estadual.

"O Partido dos Trabalhadores

|jão estimulou nem estimulará

"Quebra-quebras" e saques. E

achamos possível que haja dentro

dessas manifestações a ação de

Provocadores de direita que es-

palham boatos e procuram Ins-

taurar o pânico entre a população.

"Isto, porém, não deve servir

Para descaracterizar o sentido das

roanlfestações surgidas em Santo

Amaro, na segunda-feira. No es-

sencial, trata-se de um movimento

^e desempregados, desorganl-

l adoB e sem direção, desesperados

com a situação vivida por eles

mesmos e suas famílias.

por Norton Codoy

de Brasília

O deputado Aurélio Fe-

res (PMDB-SP), acusado

"e incitar operários desem-

pregados às manifestações

de violência na capital pau

'•sta, dirigiu-se, na sexta-

feira, ao plenário da Cáma-

ra dos Deputados para, se-

gundo disse, "não exala-

m ente me defender, mas

Para deixar claro a minha

Posição e participação".

Como se estivesse prestes a

"O responsável por esta situação

nâo é o governo do sr. Franco Moo-

toro. A culpa pelo desemprego

cabe, fundamentalmente, ao

Regime Militar, seu modelo

econômico e sua política de enlrcn-

tamento da crise econômica que

penaliza os trabalhadores com a

recessão, o arrocho salarial e o

desemprego. O povo de São Paulo

deve. Independentemente de par-

tidos.. mobUIzar-se contra essa

política.

"Queremos, entretanto, criticar

a atuação que o governo estadual

vem tendo diante das manifes-

tações. Os manifestantes não en-

contraram logo naprlmelrahorajío

governo estadual, um Interlocutor

que fosse até eles. ouvisse, disses-

se o que podia e o que nâo podia

fazer, encaminhasse rapidamente

as suas propostas. O que os tra-

balhadores encootrararo desde um

primeiro momento foi a mesma

policia de sempre, espancando es

trabalhadores e cerceando tKsua

liberdade de manifestação. O

g ovemo estadual, que na noite de

segunda-feira parecia querer

deslocar a questão do plano

policial para o plano social, re-

trocedeu, cedendo á chantagem

feita pelo patronato e sua Impren-

sa, voltando a tratar a questão

como uma questão de policia. Os

sindicatos pediram ao governo que

cedesse um lugar para que os

desempregados se reunissem.

Aurélio Peres diz

direita foram os

ser punido, o deputado afir-

mou que só ao povo caberá

isso, ou, então, acrescen-

tou, "um ato violento e ar-

bitrário da ditadura mili-

tar".

Perante uma casa par-

cialmente cheia, apesar do

dia, mas com alguns lide-

res opos'cionistas premen-

tes, como') deputado Aír-

ton Soares íPT-SP), Auré

lio Peres procurou enume-

rar as causas da insatisfa-

ção popular que teriam le-

vado os desempregados às

mlllas vitimas do desemprego".

"Mas também Insistimos — acrescentou —

que as soluções sejam propostas de Imediato e

encaminhadas com a rapidez possível." Após

renovar sua confiança "na criatividade do povo

paulista e no bom senso que caracteriza noesa

população", condenou a violência, "caminho

para o caos", e enfatizou a fraternidade: "O que

esperamos é solução Justa para todos, dentro da

co-responsabilidade da grande família a que

todos pertencemos.''

IR AS CAUSAS

Em Italcl, ao comentar os atos de violência, o

presidente da CNBB. dom Ivo Lorschelter.

declarou que "a abertura ainda nAo chegou à

economia". Para ele, é necessário que as au-

toridades examinem "as razões profundas des-

sas explosões, as' causas do desemprego e o

modelo econômico, pois nfio basta apenas man-

ter a semestralldade dos salários".

Para o secretário-geral da CNBB, dom Lu-

ciano Mendes de Almeida, é preciso que haja

um limite na obtenção de lucros. Todavia res-

saltou que a Igreja reprova os atos de violência

registrados em Sflo Paulo, "e isso confirma nos-

sa grande preocupação ao lançarmos o tema da

Campanha da Fraternidade com a frase:

Fraternidade Sim, Violência Não."

fouA-Pe s^Pteto 9/


EXPLOSÃO E REVOLTA. EM S. PAULO

0/1 Clüfc - •

Para Aurélio Peres, gru-

pos de direita é que provo-

caram as ações de depre-

dação e saques em SSo

Paulo. Essas forças, disse,

tentem aproveitar-se de

um legitimo e ordeiro mo-

vimento reivindicatório,

para criar o caos, a desor-

dem, a balburdia, "com o

nitido objetivo de dosesta-

bilizar um goveno demo-

crático (de Franco Monto-

ro;. O movimento dos de-

sempregados em nenhum

momento teria incentivado

ou patrocinado a violência,

segundo Peres. No entanto,

acrescentou, as formas de

manifestação populares

não podem ser previstas e

muito menos esquematiza-

das. Os saques, no seu mo-

do de entender, são conse-

qüência quase que inevitá-

vel do desespero da massa,

"da explosão dos famin-

tos".

Ainda sobre violência, o

deputado afirmou que, no

curso dos acontecimentos

em São Paulo, ocorreram

violências policiais, "com

as quais não posso concor-

dar, como democrata e

principalmente operário".

Voltando á figura de Fran-

co Montoro, Aurélio Peres

disse em discurso que o go-

vernador "tem o nosso

apoio e solidariedade, en-

quanto estiver fiel aos com-

promissos democráticos

em cima dos quais o povo

de São Paulo o elegeu. E

acreditamos que isso será

permanente", Para fechar

sua exposição, o deputado

voltou a repetir que o saldo

geral dos episódios na capi-

tal paulista é positivo.

A polícia age

O governador Ltxmd Biizola

não vacilou. Na quaKa-lciia, dia b,

(juaiulo (lugou ao Palácio Guana-

l>aiaa iioiíua ttc tjuc uni gmpo ik

pessoas rsiava sai|iu-aiKlo casas co-

mnciais no ccnuo da cidade, elc

inaiulou a policia para as ruas.

Acjuclf alarme, no entamo, era

lalso. A policia miliiar, mobili/ada,

loi ao local, mas não precisou

entrar em ação Mesmo assim - em

cena inéclila nos úliimos anos -,

deixou as ruas aplaudida pelas pes-

soas curiosas que pararam para vei

o c|ue se passava. Dois dias depois,

na laule cie sexia-leira, 8, a coisa loi

paia valer. Cerca de 200 pessoas -

todas provavelmente moradoras na

Vila Aliança, uma comunidade ex-

tiemamenie pobre no subúrbio de

Senador Camará -,em menos de

RESENHA - 27

/Va televisão, um duro pronunciamento

Abaixo, na Integra, o pronunciamento

do governador na televisão:

"Como governador do Estado, quero

dirlglr-mc a w^ulaçAo de São Paulo a res-

peito das ocorrências que sfio do conhe-

cimento geral.

"Grupos de manifestantes, embora

levantando reivindicações Justas, que-

braram o clima de tranqüilidade que deve

prevalecer em nosso Estado e que é de

meu dever preservar, em nome dos In-

teresses da própria coletividade. A uma

delegação que recebi no palácio, reafir-

mei o absoluto empenho de minha ad-

ministração em dar solução aos proble-

mas que afligem o nosso povo e. de modo

especial, ao desemprego, que é o resultado

de uma política econômica recessiva, que

sempre combatemos.

"Não posso deixar de destacar, em melo

à crise nacional que atinge a todos, a es-

pantosa herança que recebemos da ad-

ministração passada, verdadeira massa

(ai Ida que meu governo precisa enfrentar.

Apesar de apenas 20 dias de governo, um

conjunto de providências vem sendo

adotado — algumas em caráter de emer-

gência, outras de maior profundidade,

como frentes de trabalho, mediante obras

públicas ao nível do Estado e dos Muni-

cípios e, sobretudo, o redimensionamento

dos recursos gastos em grandes obras, de

sorte a dor s eles uma aplicação social-

mente adequada e Justa.

"Dessas primeiras medidas itflo de

resultar, a curto prazo, 40 mil novos en.-

pregos. Fiz hoje um apelo aos empre-

sários, através das federações da indüS'

tria. do Comércio e da Agricultura, para

que colaborem com o Poder Público,

evitando demissões e criando novas opor-

tunidades de trabalho. Esse meu apelo foi

atendido. O governo está adotando tam-

bém medidas que facilitem o crédito ás

pequenas e médias empresas, com o In-

tuito de fortalecer a geração de empresas.

dev minutos de ação, saquearam

boa parte do estoque de came, ar-

ro/, leijão, íarinha, biscoitos, calça-

dos e, de quebra, perlumaria, do

Supermercado Guanabara.

FOLHA OfS* fí(k/to t/9/(?J

A\ polícia chegou rapidamente e

prencleu duas pessoas. Um epiledeo

de 19 anos, e uma menor de 15

anos, que tentavam sair do super-

mercado cerni mercadüiias tiradas

da prateleira. Os dois são morado-

res da Vila Aliança. Segundo o de-

poimento de luncionários do su-

permercado, o saque loi incitado

por três jovens motociclistas que

não loram localizados. Curiosa-

mente, há testemunhas que afir-

mam que loram tainbéin alguns

motociclistas que promoveram uma

ou duas das invasões de teirenos

que, há duas semanas, vém-se suce-

dendo no Rio de Janeiro.

Talvez por isto, o goveniadoi

Leonel Bnzola tenha denunciado a

As pequenas e médias empresas são as

grandes fornecedoras de trabalho em nos-

sa terra.

"Recebi também lideranças sindicais

que vieram hipotecar solidariedade ao

meu governo. O diálogo franco e aberto

com toda a população continuará sendo

nosso compromisso, assegurada a todos a

reciprocidade de respeito que se deve. de

um lado, ao povo e, de outro, ás autoii

dades constituídas.

"Respeitando o legitimo direito do povo

reivindicar os seus direitos, eu devo ob-

servar que as manifestações ocorridas em

vários pontas da Capital, as Informações

falsas da existência de bombas nas se-

cretArlas de Estado, as depredações e os

saqoes em vários pontos da cidade, tudo

leva a crer na existência de um plano con-

certado de pequenos grupos com o obje-

tivo de tumultuar a reorganização de-

mocrática da qual o governo de São Paulo

^ uma expressão legitima.

"Fique a população tranqüila. Os tra-

balhadores, os empresários, os comer-

ciantes podem ficar seguros. Reafirman-

do as minhas profundas convicções de-

mocráticas, declaro que a ordem pública

será mantida. A Secretaria da Segurança

Pública está por mim orientada a agir

com energia para garantir a integridade

sica das pessoas e o patrimônio público e

privado. O governo dispõe de todos os

meios materiais, da legitimidade e da

determinação necessários para assegurar

a tranqüilidade a todos.

"Reafirmo, de forma enfática e solene,

que a ordem pública será mantida. A von-

tade de mais de 5 milhões de brasileiros

não será fraudada pela maquinação de In-

teresses contrários aos Interesses do povo

de nossa terra.

"Multo obrigado a todos."

"ação de alguns irresponsáveis, que

incitam a estas situações". Falando

por uma cadeia regional de televi-

são logo depois que voltou de São

Paulo - onde esteve, com o gover-

nador Tancredo Neves, de Minas,

durante os distúrbios que tumul-

luaram a Capital paulista - e ame»

dos saques a supermercados cario-»

eis, o governador lembrou que não

podia "compactuar com a desor-

dem e com atos de violência". Além

das mlonnações de que as invasões

eram promovidas por agitadores.

Brizola mostrou no vídeo uni

exemplar do jornal Última Hora que

trazia tomo manchete daquele dia

uma provocativa sentença: "'Inva-

dam, Brizola garante."

"É uma atitude lamentavelmente

de irresponsabilidade" disse o go-

vernador. Vale registrar que »


EXTLOSM E REVOLTA EM S. PAULO RESEKHA - 23

^A/77W/&G>: /^ POLICIA- IQ-6£

Últuna l/ura, ciuraiXC a campanha

cleiiuial, combaieu Bri/ula e

apoiou osiensivamente o candidato

do PDS, no Rio, depois que demi-

liu a professora Sandra Cavalcanti,

candidata do PTB, que há quatro

anos mantinha uma coluna diária

no jornal. Mas os distúrbios no Rio,

que con levaram com as iftvasões e

depois com os saques, não se resu-

miram ao ataque ao Supermercado

Guanabara. A cidade foi invadida

pelos boatos consumes de saques e

depredações. Em meio a eles, as

ações concretas. Na segunda-feira

passada, aos gritos de "é agora, é

agora", um grupo de aproximada-

mente 100 pessoas invadiu o Super-

mercado Pague-Menos, no bairro

suburbano de Vigário Geral. Dis-

postos a não pagar nada, levaram o

que encontravam pela frente: leite,

óleo, (éijão e carne seca, segundo o

balanço do gerente da casa, Jcsé

Cláudio da Pa/, que descreveu a

cena: "Lies chegaram de sopetão.

Avançaram nas mercadorias que

nem mosca no mel."

O delegado Nilton Trajano, titu-

lar da delegacia de Senador Ca-

iiuuá, onde houve a primeira inva-

são, não vê, ao contrário do gover-

nador, "nenhuma conotação polí-

tica" nestas ações.

É possível que a verdade, no caso

do Rio, esteja mais próxima da ver-

são do delegado do que a do gover-

nador. Se há incitadores, eles estão

a reboque dos acontecimentos.

Tanto que, numa outra ação vio-

lenta, ocorrida no mesmo dia da in-

vasão do Supennercado Pague-

Menos, ninguém notoua paiticipa-

çào de ativistas políticos. Inadverti-

damente, uma empresa paulista pu-

blicou anúncio no Rio olèrecendo

emprego "para ttxlos os cargos,

mesmo sem experiência" e quase

duas mil pessoas loram em busca

tio empugo. Como o emprego era

de qmm chegasse primeiro, a con-

fusão se lonnou. A portaria do

Edilkio Rio D'Ouro, na avenida

Presidente Vargas, Ibi quebrada, os

candidatos invadiram o prédio c

chegaram ao 17 9 andar, sede da

Spar - Sociedade de Pi evidência ,

Privada - pelas escadas, já que o •

elevador, por excesso de peso, loi

para o losso. Com o tumulto lòr-

mado, duas centenas de desempre-

gados saíram pelas mas guiando

"queremos emprego", "estamos

com fome", quebrando cairos c

ônibus que passavam com pedras e

paus. Quatro horas depois, a j)olí-

cia controlou a situação e prendeu

sete pessoas.

A partir destas escaramuças, o

governador deixou os 31 mil ho-

mens da Polícia Militar em "estado

de alerta" e vem insistindo na sua

versão de que o que está aconte-

cendo no Rio "é um processo de

agitação artificial", provocado por

elementos que, para ele, "guardam

parentesco com os atentados na

OAB, no Riocentro e, possivel-

mente, com a Proconsult".

Figueiredo critica falta

de firmeza em São Paulo

fOífifr de ^ PA/U> - /(g/^yfe^

BRASÍLIA — "O primeiro dever do governo é

manter a tranqüilidade e a paz social. E ele

deve cuidar disso com firmeza. Um governante

fraco, tímida titubeia entre as diversas corren-

tes dos seus seguidores. Cada uma tentando

conduzi-lo. E quem paga, quem sofre as con-

seqüências dessas lutas é o povo. No quebra-

quebra muita gente sofreu prejuízos enormes.

Houve feridos e até um morto. Gente ordeira,

trabalhando para viver, vitima dessas mano-

bras. Isto eu náo aceito."

Essas declarações foram feitas pelo

presidente Figueiredo no programa "O

Povo e o Presidente", transmitido ontem à

noite pela TV Globo, ao responder pergunta es-

pecifica sobre os distúrbios ocorridos recen-

temente em Sào Paulo. ,. .

Figueiredo assinalou que "como presidente

da RepOblica, o meu dever é exigir de todos os

homens que governam esse Pais, que governem

com responsabilidade e firmeza. O progresso

politico e econômico, o avanço da democracia e

a melhoria do nosso padrão de vida dependem

da estabilidade e da paz social".

O Presidente negou, durante o programa, que

seu pronunciamento em Rondônia, quando

apreciou os acontecimentos de Sáo Paulo, seja o

sinal de uma ofensiva do governo nos meios de

comunicação de massa, "mas uma ação neces-

sária. Todos sabem que estamos atravessando

um ano difícil, mas já podem ver a luz no fim do

túnel. Então, nôo podemos perder o rumo no

meio do caminho. Náo podemos segi'}r as vozes

dos falsos lideres, que aproveitam dificuldades

para confundir as pessoas. Gritar na praça

pública, dizer que a culpa è do processo his-

tórico brasileiro é fácil. Governar è difícil e

mais dificll é governar com os recursos limi-

tados."

Sobre os episódios de São Paulo, assinalou,

ainda, que "só os militantes amadores acham

que podem introduzir movimentos de rua total-

mente controlados, conforme seus objetivos. A

multidão solta na rua tem comportamentos Im-

previsíveis" — acrescentou.

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