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CONSUMO DE NUTRIENTES E DESEMPENHO PRODUTIVO DE

OVINOS ALIMENTADOS COM DIETAS ORGÂNICAS*

INTAKE OF NUTRIENTS AND PRODUCTIVE PERFORMANCE BY SHEEP FED WITH

ORGANIC DIETS

Castro, K.J. de 1 , G.M.B. Moreno 2 , M.A.B. Cavalcante 3 , J.N.M. Neiva 4 , M.J.D. Cândido 5 ,

H.A.V. Carneiro 6 e P.M.L. Cidrão 6

1Zootecnista pela Universidade Federal do Ceará (UFC). E-mail: kelviajc@yahoo.com.br

2Zootecnista pela Universidade Federal do Ceará (UFC). E-mail: greicymoreno@bol.com.br

33Agrônoma, bolsista de DCR/CNPq do DZ/UFC. Av. Sargento Hermínio Sampaio, 1511, apto. 214, Bl. B,

Monte Castelo. CEP 60326-500, Fortaleza-CE. Brasil. E-mail: andreacavalcante@bol.com.br

4DS em Zootecnia e Professor Adjunto do Depto. de Zootecnia da Universidade Federal de Tocantins. Email:

araguaia@uft.edu.br.

5DS em Zootecnia e Professor Adjunto do Depto. de Zootecnia da UFC. E-mail: mjdcandido@gmail.com.

6Estudante de graduação do curso de Zootecnia da UFC. E-mail: alexandrevcarneiro@yahoo.com.br.

PALAVRAS CHAVE ADICIONAIS

Dieta orgânica. Feno de folíolo de leucena. Ovinos.

Silagem de milho. Silagem de sorgo. Vagem de

algaroba.

RESUMO

Objetivou-se avaliar os consumos de matéria

seca (MS), matéria orgânica (MO), proteína bruta

(PB), extrato etéreo (EE), fibra em detergente

neutro (FDN), fibra em detergente ácido (FDA) e

de carboidratos totais (CHOT), o ganho de peso

médio e a conversão alimentar de ovinos alimentados

com quatro dietas. Os tratamentos

consistiam de: a) dieta padrão, constituída por

feno de capim elefante e concentrado à base de

farelos de milho e soja; b) dieta orgânica-sorgoleucena,

composta por silagem de sorgo como

volumoso e feno de folíolo de leucena como

concentrado; c) dieta orgânica-algaroba-uréia,

*Projeto financiado pelo PRODETAB e

desenvolvido com apoio da EMBRAPA-Caprinos

e Universidade Federal do Ceará (UFC).

ADDITIONAL KEYWORDS

Organic diet. Leucaena leucocephala leaflet hay.

Sheep. Maize silage. Sorghum silage. Prosopis

juliflora bean.

formada por um volumoso constituído de 50,0

p.100 de silagem de milho e 50,0 p.100 de silagem

de sorgo; e por um concentrado constituído de

vagem de algaroba e 3,0 p.100 de uréia (em

relação à matéria seca da vagem de algaroba);

d) dieta orgânica-milho-leucena, composta por

silagem de milho como volumoso e feno de folíolo

de leucena como concentrado. Foram utilizados

24 carneiros, sem raça definida, castrados, com

peso vivo médio inicial de 20,5 kg, distribuídos em

um delineamento inteiramente casualizado, com

6 repetições. O consumo de nutrientes, o ganho

de peso médio e a conversão alimentar foram

afetados (p


CASTRO, MORENO, CAVALCANTE, NEIVA, CÂNDIDO, CARNEIRO E CIDRÃO

e de FDA, enquanto a dieta orgânica-algarobauréia,

os menores consumos de PB e de EE. Para

o ganho de peso médio diário e a conversão

alimentar registraram-se maiores valores nos

animais que receberam a dieta orgânica-milholeucena,

de 123,08 g/dia e 8,34, respectivamente.

A dieta orgânica-milho-leucena apresentou

melhores resultados para todas essas variáveis.

SUMMARY

One experiment was conducted to evaluate

the intakes of dry matter (DM), organic matter

(OM), crude protein (CP), ether extract (EE),

neutral detergent fiber (NDF), acid detergent

fiber (ADF) and total carbohydrates (TCHO), the

daily mean gain and feed conversion in sheep fed

with four diets. The treatments consisted of: a)

pattem diet composed for elephant grass hay and

corn and soy meal to concentrate; b) organic diet,

composed sorghum silage and leucaena leaf

hay; c) organic added of urea diet, formed for 50

percent of the voluminous in the form of corn

silage and 50 percent, sorghum silage, and as

concentrate Prosopis juliflora bean; and d)

organic diet, composed by corn silage and

leucaena leaf hay. 24 sheep, without defined

race, castrated, with initial mean live weight of

20.5 kg, distribuited in the experimental desing

completely randomized, with 6 replicates, were

used. The nutrient intake, daily mean gain and

feed conversion were affected (p


CONSUMO E DESEMPENHO DE OVINOS ALIMENTADOS COM DIETAS ORGÂNICAS

domésticos, tem se apresentado como

uma alternativa para produção de alimentos

orgânicos com o objetivo de

atender à demanda por esses produtos

no mercado interno e de transformar o

cenário da exploração caprina e ovina

atual, oferecendo uma melhor remuneração

ao empreendedor pelo seu

produto diferenciado.

As técnicas de manejo da produção

orgânica animal baseiam-se primordialmente

no atendimento das necessidades

fisiológicas e etológicas dos

animais, ou seja, aos animais deve ser

permitido satisfazer suas necessidades

comportamentais associadas a condições

sanitárias adequadas e ao contínuo

bem-estar e conforto. Assim, o tamanho

do rebanho não deve interferir nos

padrões comportamentais dos animais,

que as áreas das pastagens e dos apriscos

sejam suficientes para que os

animais se movimentem livremente,

muito espaço para adequada aeração

e luminosidade nos estábulos, associado

à proteção contra os excessos de luz,

temperatura, chuva e vento, bastante

área para repouso, com material natural

para cobertura do solo, acesso amplo

à água fresca e à alimentação, enfim,

instalações que não impeçam a

expressão plena das atividades

comportamentais. Gaiolas para porcos,

coelhos, peixes e aves jamais serão

permitidas.

No caso de carnes, considera-se

como produtos orgânicos apenas

aqueles provenientes de animais criados

exclusivamente a past ou alimentados

com dietas 100 p.100 orgânica,

produzida na própria fazenda ou na

região e balanceada e ministrada na

forma que permita aos animais exerçam

seus padrões comportamentais de

alimentação e atenda suas necessidades

digestivas. Só devem ser usados

produtos oriundos de fábricas de

processamento de alimentos orgânicos.

É exigido que, no mínimo, 50 p.100 do

alimento sejam produzidos na própria

fazenda ou em cooperação com outras

fazendas orgânicas da região. No

entanto, é permitido, somente para

cálculo de rações, que alimentos

produzidos na fazenda no primeiro ano

de manejo orgânico sejam classificados

como orgânicos. No caso de ser

impossível a aquisição de produtos

comprovadamente orgânicos, podem

ser ofertados aos animais alimentos

não organicamente produzidos, obedecendo

aos valores máximos (em

matéria seca) de 10 p.100 para

ruminantes e 15 p.100 para não

ruminantes. Existe ainda uma possibilidade

de se aumentar esses percentuais

nos casos de ocorrência de eventos

imprevistos destrutivos naturais ou

induzidos pelo homem, condições

climáticas extremas ou se as áreas de

trabalho se encontram em estádios

iniciais de desenvolvimento da agricultura

orgânica (Araújo Filho e Marinho,

2003).

Alguns produtos devem ser definitivamente

excluídos da alimentação

orgânica de animais. São eles: promotores

e estimulantes sintéticos do

crescimento e do apetite, conservantes,

exceto quando usados em processamento,

corantes artificiais, uréia,

subprodutos de origem animal (farinha

de carne, farinha de osso, camas de

aviário ou qualquer outro tipo de

esterco), tortas de oleaginosas submetidas

à extração por solventes,

amino-ácidos puros e alimentos

geneticamente modificados.

Archivos de zootecnia vol. 56, núm. 214, p. 205.


CASTRO, MORENO, CAVALCANTE, NEIVA, CÂNDIDO, CARNEIRO E CIDRÃO

Em termos de manejo sanitário, vale

o refrão é melhor prevenir do que

remediar. As práticas, pois, devem

ser direcionadas para o bem-estar dos

animais, a fim de que se possa adquirir

a resistência máxima contra as

doenças, prevenindo-os contra a

infecção. Os animais doentes ou feridos

devem receber tratamento imediato e

adequado. Preferencialmente, devem

ser utilizados tratamentos e remédios

naturais, incluindo homeopatia, medicina

hindu e acunpuctura. No caso de

ocorrência de doenças, os objetivos

devem ser encontrar as causas e prevenir

futuros surtos, mudando as

práticas de manejo. Onde for apropriado,

os órgãos de certificação devem

estabelecer as condições fundamentados

nos recordes veterinários da

fazenda para que seja minimizado o

uso de remédios.

A criação animal exclusivamente a

pasto exigida para obtenção do selo de

produto orgânico é difícil, principalmente

no Nordeste, em que a estacionalidade

na produção de forragem

imposta pela escassez de chuvas em

grande parte do ano (oito meses) limita

sua quantidade e qualidade e, consequentemente

o consumo pelos animais.

O consumo, determinante do aporte

de nutrientes e conseqüentemente

do atendimento das exigências nutricionais

dos animais, é considerado a

principal variável que influencia o

desempenho animal e, juntamente com

a digestibilidade e a eficiência energética,

constitui o parâmetro mais relacionado

com a qualidade dos alimentos

(Van Soest, 1994). Dessa forma, para

produzir carne orgânica, além de se

utilizar técnicas de conservação de

forragens (fenação e ensilagem), é

Archivos de zootecnia vol. 56, núm. 214, p. 206.

importante avaliar o potencial alimentício

das dietas orgânicas.

Esse trabalho foi conduzido com o

objetivo de avaliar o desempenho

produtivo e o consumo voluntário de

nutrientes, em ovinos terminados em

confinamento, alimentados com dietas

produzidas organicamente (sem

utilização de produtos químicos).

MATERIAL E MÉTODOS

O experimento foi conduzido no

Núcleo de Pesquisa em Forragicultura

do Departamento de Zootecnia da

Universidade Federal do Ceará-NPF/

DZ/CCA/UFC (www.npf.ufc.br), em

Fortaleza-CE, durante o período de

agosto a novembro de 2004. O

município de Fortaleza localiza-se a

15,49 m de altitude, 3° 43'02" de latitude

sul e 38°32'35" de longitude oeste e

apresenta médias anuais de temperatura

de 26,7°C, umidade relativa de 79

p.100 e total de precipitação anual

médio de 1378,3 mm.

Foram utilizados 24 ovinos, sem raça

definida, castrados, com idade aproximada

de seis meses e peso vivo médio

inicial de 20,5 kg, distribuídos em um

delineamento inteiramente casualizado,

com quatro tratamentos e seis

repetições (períodos de medição). É

importante salientar que os animais

apenas foram terminados com alimentos

produzidos organicamente, e durante

esse período não receberam

nenhum tratamento ou medicamento.

Os tratamentos consistiram de quatro

dietas: a) dieta padrão, constituída por

feno de capim elefante e concentrado

à base de farelos de milho e soja; b)

dieta orgânica-sorgo-leucena, com-


CONSUMO E DESEMPENHO DE OVINOS ALIMENTADOS COM DIETAS ORGÂNICAS

posta por silagem de sorgo como

volumoso e feno de folíolo de leucena

como concentrado; c) dieta orgânicaalgaroba-uréia,

formada por um

volumoso constituído de 50,0 p.100 de

silagem de milho e 50,0 p.100 de silagem

de sorgo; e por um concentrado

constituído de vagem de algaroba e 3,0

p.100 de uréia (em relação à matéria

seca da vagem de algaroba); d) dieta

orgânica-milho-leucena, composta por

silagem de milho como volumoso e

feno de folíolo de leucena como concentrado.

A composição químicobromatológica

das dietas encontra-se

na tabela I.

As silagens foram confeccionadas

na EMBRAPA-Caprinos, localizada no

município de Sobral-CE, Brasil,

enquanto os fenos (capim Elefante e

Leucena) e a vagem de Algaroba foram

provenientes da Fazenda Experimental

Vale do Curú-FEVC/CCA/UFC,

em Pentecoste-CE. As rações concentradas

foram formuladas na Fábrica

de Rações da UFC, localizada no

Campus do Pici, em Fortaleza, Ceará.

O experimento teve duração de 102

dias, dos quais os 18 primeiros dias

foram para adaptação às dietas, às

instalações e às condições de manejo.

Os animais foram mantidos confinados

em grupo, em baias providas de

bebedouro e suplemento mineral à

vontade e pesados semanalmente.

As dietas foram fornecidas duas

vezes ao dia, às 7 e às 16 horas,

possibilitando sobras de, aproximadamente,

15 p.100 do total oferecido. A

quantidade do alimento volumoso

ofertado foi ajustada diariamente, pela

manhã, de acordo com as sobras do dia

anterior, enquanto a quantidade do alimento

concentrado a ser fornecido foi

estipulada em 1,8 p.100 do peso vivo

médio dos animais e ajustada uma vez

Tabela I. Teores médios de matéria seca (MS), matéria orgânica (MO), proteína bruta (PB),

extrato etéreo (EE), fibra em detergente neutro (FDN), fibra em detergente ácido (FDA),

hemicelulose (HC), carboidratos totais (CHOT) e carboidratos não fibrosos (CNF) das

dietas, expressos na base da MS. (Content of dry matter (DM), organic matter (OM), crude protein

(CP), ether extract (EE), neutral detergent fiber (NDF), acid detergent fiber (ADF), hemicelluloses (HC),

total carbohydrates (TCHO) and non-fibrous carbohydrates of the diets, in DM basis).

Padrão Sorgo + Silagem Milho +

Variável leucena (milho+sorgo) + algaroba leucena

MS 94,25 50,44 55,13 55,93

MO 92,55 94,75 94,69 94,24

PB 17,16 14,78 12,68 14,39

EE 5,12 4,89 2,47 4,95

FDN 43,40 52,94 42,97 43,47

FDA 22,06 30,06 19,05 24,26

HC 21,33 22,88 23,92 19,21

CHOT 70,26 75,08 78,52 72,74

CNF 26,87 22,14 35,55 29,27

Archivos de zootecnia vol. 56, núm. 214, p. 207.


CASTRO, MORENO, CAVALCANTE, NEIVA, CÂNDIDO, CARNEIRO E CIDRÃO

por semana, no dia de suas pesagens.

Todas as pesagens foram realizadas

pela manhã, antes do fornecimento da

alimentação.

Para a determinação do consumo

de nutrientes, pesou-se diariamente as

quantidades de alimentos fornecidos e

das sobras, fazendo-se a amostragem

destes uma vez por semana. Dessas

amostras semanais, foram feitas

amostras compostas, por tratamento e

por período (2 semanas cada), as quais

foram mantidas em freezer (-10°C),

para posteriores análises. Ao fim do

experimento, foi realizada a présecagem

das amostras em estufa com

circulação de ar a 65°C, por 72 horas.

Em seguida, as amostras foram trituradas

em moinho com malha de 1 mm

e armazenadas em frascos identificados

e hermeticamente fechados. Os

teores de matéria seca (MS), proteína

bruta (PB), extrato etéreo (EE), cinzas,

fibra em detergente neutro (FDN) e

fibra em detergente ácido (FDA) foram

determinados de acordo com os

procedimentos descritos em Silva e

Queiroz (2002). Os carboidratos totais

foram calculados conforme Sniffen et

al. (1992), onde p.100 CHOT= 100 –

(p.100 PB + p.100 EE + p.100 cinzas).

Os teores de carboidratos não fibrosos

(CNF) foram calculados conforme Hall

(2000), em que p.100CNF= 100 –

(p.100PB + p.100EE + p.100cinzas +

p.100FDN).

Para o cálculo da conversão alimentar,

considerou-se a relação entre

o consumo de MS e o ganho médio

diário (kg de matéria seca consumida

por ovino por dia/kg de PV ganho por

ovino por dia).

Os dados foram submetidos à

análise de variância e teste de com-

Archivos de zootecnia vol. 56, núm. 214, p. 208.

paração de médias, adotando-se o teste

de Tukey, ao nível de 5 p.100 de

probabilidade. Como ferramenta de

auxílio às análises estatísticas, foi utilizado

o procedimento GLM do programa

estatístico SAS (SAS Institute,

1999).

RESULTADOS E DISCUSSÃO

As médias e os coeficientes de

variação para os consumos diários de

matéria seca (MS), matéria orgânica

(MO), proteína bruta (PB), extrato etéreo

(EE), fibra em detergente neutro

(FDN), fibra em detergente ácido

(FDA) e carboidratos totais (CHOT)

são apresentados na tabela II.

Com relação ao consumo em g/

animal x dia de MS das dietas,

observou-se diferença (p


CONSUMO E DESEMPENHO DE OVINOS ALIMENTADOS COM DIETAS ORGÂNICAS

al. (1986), que, em trabalho com ovinos

Santa Inês, encontraram valores de

1096 g/dia e por Camurça et al. (2002),

de 911 g/dia. Entre as dietas estudadas,

esta foi a única que mais se aproximou

para atender às exigências de CMS

para ovinos com 20 kg e ganho de peso

esperado de 250 g/dia, que é de 1000 g/

animal/dia (NRC, 1985). O CMS para

esta dieta foi, em média, pouco inferior

(995,00 g/animal x dia) ao valor preconizado.

Quanto ao consumo de MS das

dietas expresso em p.100PV não houve

diferença (p>0,05) em nenhum dos

tratamentos, que variou de 3,10 a 3,86

p.100. Entretanto, quando o consumo

de MS foi expresso em g/UTM

verificou-se diferença (p


CASTRO, MORENO, CAVALCANTE, NEIVA, CÂNDIDO, CARNEIRO E CIDRÃO

tropicais (capim elefante, capim

uruchloa, capim gramão e capim milhãroxa),

Camurça et al. (2002) obtiveram

consumo médio de 3,23 p.100 PV, valor

inferior ao encontrado no presente

trabalho (3,50 p.100 PV).

Resposta semelhante ao consumo

de MS em g/animal x dia foi observada

para o consumo de MO.

Quanto ao consumo de PB, em g/

dia, apenas a dieta orgânica-algarobauréia

foi inferior (p


CONSUMO E DESEMPENHO DE OVINOS ALIMENTADOS COM DIETAS ORGÂNICAS

dos com a dieta orgânica-sorgo-leucena

podem estar relacionados com os seus

teores nas dietas, respectivamente, de

52,94 e 30,06 p.100 na MS, que foram

superiores aos das demais dietas. A

superioridade observada para o consumo

dos referidos nutrientes dos animais

submetidos à dieta orgânica-milholeucena

pode ser atribuída ao maior

consumo de MS.

O consumo de FDN tanto em

p.100PV como em g/UTM foi superior

(p


CASTRO, MORENO, CAVALCANTE, NEIVA, CÂNDIDO, CARNEIRO E CIDRÃO

Tabela III. Médias e coeficientes de variação (CV) do peso vivo inicial (PVI), peso vivo final

(PVF), ganho de peso médio diário (GPM) e conversão alimentar (CA) de ovinos terminados

com dietas orgânicas. (Means and variation coefficients (VC) of the inicial live weight (ILW), end live

weight (ELW), daily mean weight gain (DWG) and food conversion (FC) of sheep feeder with organic

diets).

Item Padrão Sorgo + Silagem Milho + CV (p.100) Média

leucena (milho+sorgo) + leucena

algaroba

PVI (kg) 20,08 20,80 20,80 20,38 13,73 -

PVF (kg) 28,97 30,07 26,55 32,97 12,13 -

GMD (g/animal x dia) 86,63 b 74,36 b 64,62 b 123,08 a 23,81 87,17

CA 9,01 ab 12,12 ab 12,55 a 8,34 b 23,64 10,5

Médias seguidas da mesma letra minúscula na linha não diferem entre si pelo teste de Tukey ao nível

de 5 p.100 de probabilidade.

pode ser atribuída ao elevado consumo

de MS registrado nessa dieta quando

comparado com as demais. De acordo

com Van Soest (1994), o consumo

relaciona-se diretamente com o aporte

de nutrientes e o atendimento das

exigências nutricionais dos animais,

sendo considerado a principal variável

determinante do desempenho animal.

Quanto à conversão alimentar (CA),

houve diferença (p


CONSUMO E DESEMPENHO DE OVINOS ALIMENTADOS COM DIETAS ORGÂNICAS

o ganho de peso médio diário e a

conversão alimentar de ovinos foram

afetados pelas dietas produzidas

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