Protecção Integrada: - Agenda Setting

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Protecção Integrada: - Agenda Setting

França é o maior fornecedor da indústria portuguesa

France Agrimer promoveu cereais franceses

em Portugal num debate com entidades do sector

O Instituto francês France Agrimer

promoveu em Lisboa uma reunião subordinada

ao tema “As disponibilidade de

cereais franceses para Portugal em 2011”.

Neste encontro, que visa a promoção

anual dos cereais franceses em Portugal,

foram debatidos temas relacionados

com o sector dos cereais na Europa, mas

também em termos mundiais, a agricultura

em geral e, nomeadamente, a PAC

Pós 2013.

A France AgriMer é uma agência pública

do Ministério da Agricultura Francês

que tem vindo a pôr em prática um ambicioso

mecanismo de apoio público aos

seus agrupamentos de produtores para

melhorar os equipamentos de controlo

de qualidade física e sanitária dos cereais

armazenados nos seus silos, a que acresce

um outro projecto de aumento da capacidade

nacional de armazenamento de

cereais e aumento de calado em alguns

dos principais portos para aumentar, ainda

mais, a capacidade de exportação.

Recorde-se que a França é, entre os 27

da EU, o maior produtor de cereais.

Das conclusões desta reunião, destaque

para a troca de experiências entre os

produtores franceses e as empresas ligadas

em sector em Portugal. A necessidade

de produzir mais, face às necessidades

para alimentar a população mundial, foi

um dos temas abordados. Porém, há algumas

preocupações, nomeadamente

alguns constrangimentos nos métodos

de produção na Europa, que possam ir no

sentido de algum alívio, dos quais pode

advir alguma perda de competitividade,

comparado com os concorrentes do Mar

Negro ou da América do Norte e do Sul.

A questão da variação dos preços dos

cereais, e os Organismos Geneticamente

Modificados (OMG) foram outras questões

abordadas.

Reacções:

Rui Fontes (Presidente da Associação

Portuguesa da Industria de Moagem

e Massas): “Este seminário para nós é

fundamental”

Gazeta Rural (GR): Que leva daqui)

Rui Fontes (RF): Estes encontros

anuais, organizados pela France Agrimer,

são muito úteis, até porque a Franca

tornou-se no maior fornecedor de trigo

para as nossas indústrias. Por ausência

de produção nacional de trigo, fomos

obrigados, com a entrada de Portugal na

União Europeia, a consumir cereais de

países comunitários, principalmente da

França, o país com variedades de trigo

que melhor se adaptam à nossa tipologia

de massas para pão.

Como disse, este seminário para nós

é fundamental, porque trocamos ideias,

contactos e falarmos uns com os outros.

É um evento que já se realiza há vários

anos com bastante notoriedade e com

muito interesse para a indústria portuguesa.

GR: Uma das grandes questões

muito discutida foi a volatilidade dos

preços e as questões ligadas aos

OGMs, para além do uso de cereais

para o bioetanol. Estas questões trazem

dificuldades?

RF: Trazem-nos dificuldades acrescidas,

porque como não somos um país

produtor, deixámos de ser um país produtor

de trigo panificável e o que consumimos

é todo importado, para além de periférico,

todo o trigo tem de ser comprado

em quantidades muito maiores e é transportado

via marítima para os nossos silos

portuários. A volatilidade dos preços foi

algo que apareceu com a crise financeira

e isso origina que uma compra que façamos

agora possa estar completamente

desajustada, para bem ou para mal, daqui

a quinze dias.

Depois, não nos podemos esquecer

dos novos concorrentes estrangeiros que

colocam aqui as suas farinhas.

Quanto à questão dos organismos

geneticamente modificados, não há

qualquer demonstração real de que tenha

alguma interferência nociva para a

alimentação humana.

Jaime Piçarra (Secretário-Geral da

Associação Portuguesa dos Industriais

de Alimentos Compostos para Animais):

“Somos o sexto maior importador de

cereais de França”

Gazeta Rural (GR): O que leva desta

reunião?

Jaime Piçarra (JP): Fiquei com a percepção

de que os nossos colegas franceses

compreenderam bem a situação em

que nos encontramos, estão dispostos a

ajudar-nos e a permitir que a indústria de

alimentação animal em Portugal tenha

acesso a matérias-primas a preços mais

competitivos, para que a pecuária possa

ser competitiva, porque se não houver

pecuária em Portugal não há indústria

de rações e, portanto, dificilmente eles

venderão cereais ao mercado português.

Penso, que é de realçar essa disponibilidade,

cooperação e vontade de nos continuarem

a vender cereais, pois somos

o sexto maior importador de cereais de

França.

GR: O mercado de cereais tem estado

muito volátil em termos mundiais.

Em que medida isso afecta Portugal?

JP: Portugal é deficitário, pois importamos

80% dos cereais que precisamos.

Portanto, um país que é dependente é

mais vulnerável e essa volatilidade é negativa

para as nossas compras, porque é

muito difícil gerir mercados. Esta semana

os cereais podem estar a 210 euros e na

próxima a 270 euros.

Temos que nos defender e estamos a

trabalhar em Bruxelas também para isso.

É que existem medidas para limitar a

volatilidade excessiva, para que os preços

dos cereais sejam suficientemente compensadores

para quem produz e para

quem compra, nomeadamente quem os

utiliza na pecuária, de modo a que esta

seja competitiva. Se assim não for, não

teremos uma fileira competitiva, sobretudo

numa altura que em Portugal não

é possível aumentar os custos da carne

animal ao consumidor.

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