Protecção Integrada: - Agenda Setting

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Protecção Integrada: - Agenda Setting

Segundo o presidente da Associação de Olivicultores da Região

Produtores da região de Elvas defendem

aumento do preço do azeite

O presidente da Associação de Olivicultores

da Região de Elvas (AORE), José

Falcão, defendeu a subida do preço da

azeitona e do azeite, alegando que estabilizou

em baixa há três anos. “O preço do

azeite está muito baixo. Há três anos que

estabilizou em baixa. Nesta campanha, a

qualidade da nossa azeitona é elevada,

com cerca de 1,5 a 2 por cento de maior

rentabilidade, e é vendida a um preço similar

ao do ano passado. Não é justo”, lamentou.

“Este tem sido um dos principais

problemas com que se debate o sector,

que põe em causa a nossa rentabilidade

e sustentabilidade”, afirmou.

Quem ganha neste processo, segundo

José Falcão, “é o intermediário, que vende

a azeitona no lagar ao quilo e não pela

sua qualidade ou rentabilidade na transformação

em azeite”.

Outra das situações que José Falcão

questiona é a produção de azeitona de

mesa. “Este ano, tivemos uma alta produção

em azeitona de mesa, mas parte

dela vai para o processo de transformação

em azeite e os lagares incorporamna

juntamente com as outras variedades

a um preço médio abaixo do seu real valor”,

disse.

O responsável indicou ainda que grande

parte da azeitona produzida na região

de Elvas é transformada em lagares de

outras zonas e alguma é exportada para

a vizinha Espanha. “A variedade da azeitona

galega é muito procurada pelos

produtores espanhóis para enriquecer as

misturas que fazem na transformação em

azeite”, explicou. “A nossa região, assim

como o país, tem vindo a perder capacidade

lagareira. Já tivemos dois mil lagares

em Portugal e hoje restam apenas 600”,

lamentou.

A colheita de azeitona para a produção

de azeite na região de Elvas atinge este

ano valores “acima da média”. “Seguramente

vamos ter este ano uma produção

com valores acima da média, em relação

aos anos anteriores”, avançou o mesmo

responsável.

A ausência de chuva nos meses de Agosto,

Setembro e Outubro “não prejudicou

a produção deste ano”, assegurou. “Não

registamos quebras de produção, porque

temos culturas muito bem adaptadas às

condições de sequeiro, que conseguem

aguentar muito bem os stress hídricos e,

por isso, temos uma produção superior à

média”, explicou. “Importa lembrar que o

olival de sequeiro é o que predomina na

nossa região”, recordou.

O responsável, que ainda não avança

números concretos respeitantes às produções

deste ano, assegura que o sector

mais penalizado é o olival de regadio.

“Nas produções de regadio, em culturas

intensivas, registámos uma quebra de

produção devido às condições meteorológicas

que tivemos com um início de

Outono praticamente sem chuva”, disse.

De acordo com José Falcão, a ausência

de precipitação no final deste verão e início

do Outono vai ser prejudicial para as

próximas produções. “Os novos raminhos

que vão dar a azeitona para o próximo

ano é que podem estar comprometidos

pela falta de chuva”, explicou.

A Associação de Olivicultores da Região

de Elvas, uma das principais do país, tem

cerca de 1200 associados e abrange uma

área de 20 mil hectares de olival.

Depois de passar por Carregal do Sal

Cavaco Silva inaugurou Centro Escolar de Nelas

O Presidente da Republica inaugurou

em Nelas o novo Centro Escolar, que

oferece melhores condições, num edifício

dotado das mais modernas valências

em matéria educativa e que vai servir os

alunos que até aqui estavam dispersos

pelos edifícios antigos de Nelas (Avenida

e Serra), Moreira, Folhadal, Vila Ruiva e

Senhorim.

A obra do Centro Escolar de Nelas teve

um investimento total de 3.855.504,67

euros, comparticipado por Fundos da

União Europeia em 2.672.960,72 euros,

sendo o investimento restante de cerca

de 1.200.000 euros, assumidos na totalidade

pela autarquia.

No discurso realizado no novo Centro

Escolar de Nelas, Cavaco Silva, que esteve

acompanhado de Isaura Pedro, presidente

da Camara de Nelas, depois de sinalizar

a educação como uma área onde

não deve ser regateado investimento,

regressou no tempo à figura do moiral

para sublinhar os tempos de exigência

que Portugal atravessa.

O Presidente da República pediu aos

portugueses “o melhor do seu esforço”

no trabalho, recorrendo ao exemplo

Rota… e passeios pelo vinho

A falta de organização é, para mim, um dos

factores que marcam a forma como se trabalha

na agricultura em Portugal. Dou hoje como

exemplo as rotas do vinho e a forma como os

viticultores olham as mesmas e para o seu

produto.

Numa recente visita à Alemanha, andei

pela bacia do Reno, na região de Frankfurt. Em

primeiro lugar fiquei surpreendido pela imensidão

de vinhedos, depois pela cultura do vinho,

não falo do cultivo da vinha, mas em tudo o

que a envolve. Diria mesmo que é uma verdadeira

indústria.

De visita a uma aldeia, “encravada” no

meio de cerca de 280 mil hectares de vinhedos,

onde o “motivo” vinho está presente em

cada esquina, fui surpreendido, assim como

que o grupo que me acompanhava, com um

simpático convite para entrar num pátio. De

repente, estamos de visita à adega, às caves

e quando demos por ela estávamos numa sala

de provas, onde nos foram dados a provar

todos os vinhos do produtor. Porque não os

conhecia, acabei surpreendido pela qualidade

dos mesmos, nomeadamente os brancos. O

riesling pareceu-me o nosso bem conhecido

borrado de mosca, uma uva bastante doce e

aromática.

de uma figura típica de Nelas, o moiral,

aquele que levava todos os dias os rebanhos

para a Serra da Estrela. “Esta é

uma fase da vida portuguesa que exige a

todos muito trabalho. Aqui em Nelas lembramo-nos

daquele que era moiral e que

ao longo dos séculos conduziu os seus

rebanhos para as terras altas da Serra da

Estrela”, apontou.

A prova revelou-me vinhos com alguma

acidez, aromas frutados, aveludados e com um

interessante final de boca, ideais para acompanhar

pratos leves ou… uma conversa em

final de tarde ou noite. No fim da visita, lá saí

eu, e quem me acompanhava, com uma caixa

de vinhos debaixo do braço. Fiquei a saber que,

na sua grande maioria, é ali, à porta de casa,

que os produtores vendem grande parte da

sua produção.

Abordei esta questão para demonstrar o

muito que a grande maioria dos nossos viticultores

tem que evoluir, para além de, por vezes,

se mostrarem alheios a algumas iniciativas que

poderiam ser bem mais rentáveis do que a participação

em feiras internacionais ou outras.

Porém, muita coisa há a fazer para chegarmos

a este estádio. Precisamos de uma

Rota a funcionar, que deve ser associada a um

conjunto de actividades, lúdico-desportivas e

culturais, promovidas pelas autarquias e/ou

entidades ligadas ao sector do turismo, que

sejam atractivas aos visitantes, mas também

aos residentes dessas regiões, pois, como diz

o povo, ‘uma coisa puxa a outra’.

Por outro lado, falta-nos uma mudança de

mentalidades. Ao domingo é mais fácil sair de

casa e ir até ao shopping, do que, por exem-

Cavaco Silva pede solidariedade aos

portugueses para convencer instituições

internacionais

O Presidente da República disse que

tem “grande esperança” que o espírito de

solidariedade dos portugueses permita

“demonstrar à Europa e às instituições

internacionais” que o país “é capaz de ultrapassar

as dificuldades.

Cavaco Silva falava aos jornalistas

após um discurso no novo Centro Cultural,

que inaugurou em Carregal do Sal,

sublinhando o período difícil do país e

apelou ao “esforço de todos” e acrescentou

que são extensas as dificuldades

que esperam os portugueses.

O Presidente da República deu como

exemplo as situações que resultam da

perda do desemprego, da quebra de rendimentos

das famílias e da emergência

de novos pobres, tendo feito uma referência

explicita no discurso da cerimónia

à “insuficiência alimentar” de alguns portugueses,

sublinhando que conta com o

empenho do poder do local e das Instituições

Particulares de Solidariedade Social

(IPSS) para contornar as dificuldades.

plo, andar pelo campo. Naturalmente que no

Dão, e falo desta região porque é a que melhor

conheço, as vinhas estão “escondidas”

entre pinhais, o que não acontece naquela

região da Alemanha, onde ao fim de semana

é normal encontrar milhares de pessoas a passear

por entre hectares e hectares de vinhedos.

Chamar-lhe-ia a ‘atracção pelo campo e

pelo vinho’, porque nestas andanças, nestes

passeios, acabam sempre por comprar umas

garrafas de vinho aos produtores locais. É esta

mentalidade que nos falta.

Mas, fica um desafio. Faça uma visita à

região do Dão, porque não, pare o carro em

Santar ou em Silgueiros, calce uma roupa e

uns sapatos confortáveis e, em ritmo de passeio,

vá conhecer as vinhas e os produtores

desta região. Todavia, aqui outro problema

pode surgir e que é transversal a toda a região

do Dão: Quantas adegas/produtores estarão

de portas abertas para receber quem por lá

passa? Talvez os dedos de uma mão cheguem

para os contar.

É por aqui que temos que começar, se quisermos

ter um sector mais dinâmico e rentável.

José Luís Araújo

In: Agenda Setting

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