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Página -2 JORNAL DE UMBANDA SAGRADA - ABRIL/2011

D

esenvolver a mediunidade na Umbanda

é algo considerado de

grande responsabilidade. O médium

que vai se desenvolver irá lidar

com vidas humanas, muitas vezes, em

momentos de dor e perdas, outros em

conflitos existenciais e questionamentos

de valores.

Este médium para exercer minimamente

bem sua atividade mediúnica

diante da responsabilidade assumida

deve ter ao menos comprometimento

com o compromisso assumido ou que

pretende assumir.

Se a tarefa mediúnica não é prioridade

em sua vida, então podemos concluir

que dificilmente realizará um bom

trabalho para si e para os outros, pois,

não basta ter o fenômeno de incorporação

e deixar que um espírito faça tudo

e assuma todas as responsabilidades

como se este trabalho não dependesse

também de uma parceria entre o médium

e seus guias que necessitam dele para

trabalhar e vice-versa.

Sem comprometimento o trabalho

espiritual fica para segundo plano: Vela

de anjo da guarda, banhos, firmezas,

orações e verdades ficam para trás.

Quando se dá conta já não consegue

mais ter a freqüência desejada no compromisso

assumido.

Quando chega a este ponto, de dar

desculpas a si mesmo e aos outros por

suas faltas, temos um sinal de alerta.

Talvez, este médium deva voltar a assistência

durante um período para pensar

melhor se quer apenas poder vir de vez

em quando ao terreiro ou assumir um

compromisso consigo mesmo e com a

espiritualidade.

Se pretende freqüentar esporadicamente

o templo de Umbanda, basta

estar na consulência e dar passagem a

seus Guias quando houver esta liberdade

EXPEDIENTE:

Diretor Responsável:

Alexandre Cumino

Tel.: (11) 3441-9637

E-Mail: alexandrecumino@uol.com.br

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Jornalistas Responsáveis:

Marcio Pugliesi - MTB: 33888

Wagner Veneziani Costa - MTB:35032

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ou mesmo recebê-los em sua casa para

que seus Mentores lhe dêem uma orientação

pessoal no caminho a seguir e

como lidar com a situação.

Precisamos ouvir nossos Guias antes

de esperar que os outros os ouçam.

Somos médiuns para oferecer o

dom a quem necessita, para recebermos

e buscar algo nossa posição é de consulente;

aquele que mais pretende

oferecer que receber é médium, aquele

que pretende mais receber que oferecer

é consulente. Mas há de convir que

o médium é o primeiro a receber os be-

É uma obra filantrópica, cuja missão é contribuir

para o engrandecimento da religião,

divulgando material teológico e unificando

a comunidade Umbandista.

Os artigos assinados são de inteira

responsabilidade dos autores, não

refletindo necessariamente a opinião

deste jornal.

As matérias e artigos deste jornal podem e

devem ser reproduzidas em qualquer

veículo de comunicação. Favor citar o

autor e a fonte (J.U.S.).

nefícios do convívio com as entidades

espirituais. Pois tudo de bom passa por

ele enquanto as cargas negativas, emoções

e dores se descarregam sem permanecer

nele mesmo.

A oportunidade de aprendizado ouvindo

as dores alheias são únicas e podem

transformar sua vida.

Assim como uma palavra certa pode

salvar vidas, uma palavra errada pode

destruir vidas e aí está a grande responsabilidade

mediúnica.

Melhor uma entidade “muda” a outra

que no seu afã “de ajudar” possa falar

fiscalização do poder executivo para

a aplicação de políticas públicas

propostas por Comunidades de

Terreiro foi o principal tema discutido

na última quarta-feira, dia 16 de Março,

pela manhã, em Brasília, durante café

da manhã entre deputados e representantes

de comunidades negras.

O evento marcou a criação da Frente

Parlamentar em defesa das Comunidades

Tradicionais de Terreiros, que

tem como objetivo não apenas fiscalizar,

mas impedir manifestações e ações

discriminatórias contra as comunidades

demais” ou “além da conta”, sem entrar

no mérito de “bobagens” ditas acerca

da vida, dos costumes ou valores de

quem se encontra na dor ou numa encruzilhada

da vida.

Comprometimento mediúnico é

comprometimento com a vida, o

descomprometimento mediúnico denota

descomprometimento com a vida, um

alto enganar-se, auto sabotagem ou

simplesmente um sinal de que, talvez,

pode ser, que o seu caminho seja em

outro lugar, o que pode ser na mesma

religião ou outra religião. E ninguém

Contatos: alexandrecumino@uol.com.br

Deputados e Comunidades Negras em defesa de Terreiros

Evento marcou a criação da

Frente Parlamentar para

impedir manifestações e

ações discriminatórias

A

negras no Brasil.

Um dos idealizadores da frente,

o deputado federal Valmir Assunção

(PT-BA) disse que “é inadmissível

nós termos esse tipo de

discriminação com as Religiões de

Matriz Africana em um país laico,

onde conseguimos tantos

avanços. Essa mobilização é a

expressão maior que estamos

reafirmando a nossa resistência”,

avaliou o deputado. A

representante do Ilê Axé Oyá

Bagan, Mãe Baiana, afirmou

que as entidades deverão

estar mobilizadas e alertas

contra as práticas discriminatórias.

“Devemos ter o cuidado para que não

volte como no tempo da escravidão,

pode saber esta resposta a não ser você

mesmo com a força do seu coração e

do seu ser junto ao “eu superior” e

Deus.

Escrevi estas linhas para meus

irmãos, filhos, do terreiro/templo –

escola Pena Branca, mas creio que

embora esteja carregado de alguns

conceitos locais (restritos a este

Templo) ofereço a todos como uma

reflexão sobre o compromisso e o

comprometimento mediúnico.

“As Mães de Chico Xavier”

por ALEXANDRE CUMINO

C

onfesso que fui com certo receio de encontrar

uma fórmula pronta para manter a

bilheteria dos últimos filmes sobre Chico

Xavier; medo de encontrar um enlatado ou que o

tema já tenha se tornando, apenas, um bom produto

comercial.

Preciso confessar que me surpreendi. O filme

difere dos outros filmes “espíritas” e vai direto e

sem rodeios ao assunto: A dor da perda e o contato

de “além túmulo” de mães com filhos. É uma lição

de vida. Para quem leu alguns romances e algumas

das cartas que Chico psicografou, tem um sabor

todo especial.

Neste filme o foco não é o médium Chico Xavier

e sim a mensagem, o conforto e a lição de vida.

Todos vamos morrer, embora muitos vivam

como se isso não fosse um fato. Mas algumas vezes

a ordem se inverte e um filho vai embora antes de

seus pais.

Não há palavras para descrever esta dor, assim

como não há palavras para descrever o trabalho

de quem conseguiu minimizar a dor e muitas vezes

os sentimentos de culpa de quem fica.

E como nada é por acaso, o filme está em cartaz

bem na semana em que aconteceu o crime na Escola

Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, na Zona

Oeste do Rio de Janeiro. Um crime que chocou a

todos nós e no qual muitas crianças foram privadas

de sua vida.

Quem sabe este filme nos ajuda a ter algum

conforto, esperança ou simplesmente manter a fé

em valores que podem dar um sentido ao que não

tem sentido; ou simplesmente acalentar um pouco

nossos corações, todos cortados e feridos, por

viver numa sociedade tão agressiva e desagregadora

de nossas identidades.

O Chico não está mais encarnado e este trabalho

de “carteiro do além” é muito raro e específico,

mesmo dentro do espiritismo. No entanto, assistindo

a mesma dor e as mesmas situações vividas por

outras mães podemos tirar nossa lição. É muito mais

que um filme espírita, é um filme sobre o ser humano.

Chorei do começo ao fim, me emocionei, me vi

em algumas situações e vislumbrei a possibilidade

de aprender e procurar ser melhor em muitos aspectos.Não

percam esta oportunidade.

onde não podíamos cultuar os

nossos santos”, alertou.

A criação da Frente

Parlamentar foi uma demanda

de organizações do

movimento negro, entre os

quais o Coletivo de Entidades

Negras (CEN), e contou com

o apoio dos deputados Valmir

Assunção (PT-BA) e Érika Kokai

(PT-DF). A frente terá o papel

de promover ações em defesa

das Religiões de Matriz Africana

para a promoção da liberdade de

culto e contra a intolerância

religiosa, de modo que os Terreiros

tenham o mesmo tratamento que

outros Templos Religiosos.

Fonte: R2C Press


JORNAL DE UMBANDA SAGRADA - ABRIL/2011 Página -3

NOTA DE ALEXANDRE CUMINO:

Abaixo está um diálogo do livro “O Guardião da Meia Noite”. Este texto é um

dos poucos que já repetimos em nossas edições e aqui está para reafirmar a

importância dessa obra para a religião de Umbanda.

Junto de “O Cavaleiro da Estrela Guia” e outros romances psicografados por

Rubens Saraceni (Editora Madras) este título mudou a concepção de literatura

umbandista.

Os romances mediúnicos de Umbanda descortinaram todo um universo

espiritual habitado por Caboclos, Pretos Velhos, Exus, Pombagiras e outras

entidades de Umbanda.

Por meio de “ O Guardião da Meia Noite”, milhares de médiuns passaram a

entender melhor quem são e como atuam seus Guardiões, conhecidos como Exus

na religião de Umbanda.

Por tudo isso e muito mais recomendamos a todos que são umbandistas ou

que querem conhecer melhor a Umbanda no astral e em sua atuação na esquerda

que leiam “O Guardião da Meia Noite”. Hoje, recorrer a literatura psicografada de

Umbanda, sejam romances ou livros doutrinários é um grande suporte para levar

o conhecimento e esclarecimento de nossos fundamentos.

A Umbanda é uma religião brasileira e como tal só pratica única e

exclusivamente o bem, o que for diferente disso, não é Umbanda.

Dirigentes, pais e mães espirituais, padrinhos e madrinhas, sacerdotes e

sacerdotisas incentivem a leitura e o estudo da Umbanda e assim terão médiuns

mais seguros, conscientes e responsáveis por sua missão.

Apenas conhecendo e aprendendo a falar mais e melhor sobre a nossa

religião é que venceremos o preconceito e a discriminação, com a luz do saber e

a informação correta.

Comecemos por entender quem é Exu na Umbanda:

E eu pensei:

“Como era poderoso o Guardião

dos Sete Portais das Trevas”, que leu o

meu pensamento.

- Não pense que consegui o meu

poder sendo um tolo. Sempre dormi com

um olho aberto. Nunca deixei uma

ofensa sem resposta, nem um inimigo

mais fraco sem conhecer o meu poder.

Nunca deixei de respeitar um igual ou

de temer a um mais forte. Foi assim que

consegui tanto poder.

Também nunca saí da lei do carma.

Não derrubo quem não merece, nem

elevo quem não fizer por merecer. Não

traio a ninguém mas também não deixo

de castigar um traidor. Leve o tempo

que for necessário, eu o castigo. Não

castigo um inocente, mas não perdôo

um culpado. Não dou a um devedor,

mas não tiro de um credor. Não salvo a

quem quer se perder, mas não ponho a

perder quem quer se salvar.

Não ajudo a morrer quem quer

viver, mas não deixo vivo quem quer se

matar. Não tomo de quem achar, mas

não devolvo a quem perder. Não pego o

poder do senhor da Luz, mas não recuso

o poder do senhor das Trevas. Não induzo

alguém a abandonar o caminho da Lei,

mas não culpo quem dele se afastou.

Não ajudo alguém que não queira ser

ajudado, mas não nego ajuda a quem

merecer.

Sirvo à Luz, mas também sirvo às

Trevas. No meu reino eu mando e sei

me comportar. Não peço o impossível

mas dou apenas o possível. Nem tudo

que me pedem eu dou, mas nem tudo

que dou é porque me pediram.

Só respeito à Lei do Grande da Luz

e das Trevas e nada mais. É por isso

que o Grande exige de mim, portanto é

isto que eu exijo dos que habitam, o

meu reino. Não faço chorar o inocente,

mas não deixo sorrir o culpado. Não

liberto o condenado, mas não aprisiono

o inocente. Não revelo o oculto, mas

não oculto ao que pode ser revelado.

Não infrinjo à Lei e pela Lei não sou

incomodado. A

gora sabe de onde vem meu poder,

senhor da Meia-Noite. Eu sou um dos

sete guardiões da Lei nas Trevas; os

outros seis, procure e a Lei lhe mostrará.

- Por que o senhor não socorreu o

Cavaleiro em sua queda?

- Foi a Lei Maior que o determinou,

por isto eu me calei. Mas quando Ela

saiu em seu auxílio, eu arrasei o reino

de Lúcifer para saber onde estava o

Cavaleiro e acabei descobrindo pois foi

a Lei que me ordenou que assim o fizesse.

Ele teve que calar-se e entregarme

o culpado.

- Obrigado, Guardião dos Sete Portais

das Trevas deu-me uma lição sábia.

Sou seu devedor.

- Nada me deve, Senhor da Meia-

Noite. Gosto de ensinar a quem quer

aprender mas também gosto de castigar

a quem aprende e faz mau uso do saber.

Ele bateu o pé esquerdo e o recinto

se encheu de entidades que haviam

sido religiosos quando na carne.

- Eis aí um exemplo do mau uso do

saber. Eles aprenderam tudo o que

precisavam para suas missões na terra

mas não seguiram o que pregaram.

Usaram do que sabiam em benefício próprio

ou para arruinar aos que acreditaram

neles.

Olhe bem, Guardião da Meia-Noite

e verá que os que se diziam sábios,

iluminados, profetas, grandes lideres

religiosos ou grandes sacerdotes não

passavam de otários, idiotas, tolos,

imbecis, cegos e mal intencionados.

Verá entre eles todo tipo de defeito e

nenhuma qualidade.

Eram lobos uns pois se aproveitavam

e comiam suas ovelhas e hienas

outro pois se contentavam em consumir

os restos deixados pelos lobos. Uns e

outros hoje choram pelo erro cometido

pela oportunidade perdida e pela luz

não conquistada.

Viveram do mundo e não pelo mundo.

A Lei não os perdoou e os entregou

a mim. Eu dou-lhes o que merecem porque

sou um guardião da Lei das Trevas

e esta é minha função.

A Lei não iria colocar um ser bom e

iluminado para castigar os canalhas nem

colocaria um carrasco como eu para

premiar aqueles que venceram suas

provas. Não!

Os guardiões da Lei na Luz tem uma

função como a minha mas afeta à Luz:

não deixam cair quem se fez por

merecer à ascensão. Eu não deixo subir

aos que se fizeram por merecer a queda.

Eu sou a mão que castiga, a outra é a

que acaricia. Eu sou a mão que derruba,

a outra a que levanta. Tudo isto eu sou

e ainda assim não sou infeliz, triste, arrependido

ou ruim. Não sofro de remorso

por castigar aquele que a Lei derrubou,

assim como um guardião da Lei na Luz

nada sente ao premiar a quem merecer.

Eu sou o que sou, um guardião da

Lei nas Trevas e me orgulho disto

porque sei que sou necessário à Lei. E

tudo isto você também é, ou será se

assumir todo o seu passado, resgatalo

e se sentir feliz em servir à Lei.

Ela o recompensará quando assim

quiser, não porque você peça qualquer

recompensa pelo seu trabalho mas

porque serve-a sem se lamentar por

estar nas Trevas pois Luz e Trevas são

os dois lados do Criador.

Há os que trabalham durante o dia

e dormem à noite mas

também há os que

trabalham de noite e

dormem durante o dia.

Há os animais que só

saem de sua morada sob o

sol e aqueles que só o

fazem sob o luar.

Há o verão mas há

também o inverno. O que

um aquece o outro esfria

e vice-versa.

Há a primavera mas há

também o outono: O que

um faz brotar o outro faz

se recolher e vice-versa.

Há o fogo para queimar

e a água para saciar a

sede. Há a terra para germinar

e há o ar para oxigenar.

Há tantas coisas e

no fim são somente partes

do Um.

Por isto lhe digo,

Guardião da Meia-Noite há os anjos e

há os demônios. Os anjos habitam na

Luz e os demônios nas Trevas. Uns não

condenam aos outros pois sabem que

são o que são porque assim quis o

Criador. Aqueles que vivem no meio é

que criam tanta confusão com suas

descidas na carne. Do nosso lado não

há nada disto.

Cada um sabe a que lado pertence.

E os que não sabem, são os primeiros

de quem nos apossamos. Esta é a Lei

que nos rege e a todo o resto da Criação.

Mais não vou falar pois precisaria

de muito tempo para tal coisa. Espero

que possa sair daqui melhor servidor

da Lei do que quando chegou.

- Eu agradeço suas palavras, Guardião

dos Portais. Pena que eu seja

muito pequeno para ajuda-lo, senão

eu diria: se precisar de minha ajuda é

só pedir!

- Pois ainda lhe digo que a maior das

pirâmides não prescinde da menor de

suas pedras; a maior das aves de sua

menor pena nem o maior teto de sua

menor telha; e nem o maior corpo do

seu menor dedo. O maior rio não rejeita

a menor gota da chuva nem o maior

exercito ao seu mais fraco soldado.

O maior rico é aquele que valoriza o

menor dos seus bens. Muito mais eu

poderia dizer mas me satisfaço em dizerlhe:

obrigado Guardião da Meia-Noite!

Se eu precisar de seu auxilio não terei

vergonha em lhe pedir pois por terem

vergonha muitos morrem. Morrem por

terem desejado algo e não terem

provado seu gosto. Vergonha não faz

parte do meu vocabulário e a palavra

que mais prezo é a que se chama ”respeito”.

Aja assim e não será traído nem

odiado, mas respeitado. Nem os maiores

passarão por cima de você e nem os

menores lhe escaparão.

Ele parou de falar.

- Até à vista, Guardião dos Sete

Portais das Trevas!

- Até à vista, Guardião da Meia-

Noite!


Página -4 JORNAL DE UMBANDA SAGRADA - ABRIL/2011

O

s que atendem as suplícios da tua mente

quando desequilibrada e dementada, ou

os fuxicos das parcerias vis que faz com

as trevas? Quer ir para onde, fio? Pras lindezas

do mundo da Luz fazer morada ou já acender a

Luz na sua caserna? He, he, he!

Interrogações que surgem na bifurcação dos

caminhos que quando se escolhe e segue pro

lado errado, pesado fica e se está inconformado,

melhor dar a meia volta que o caminho bifurca de

novo. E pra fazer a escolha certa nessa nova

oportunidade? Qual caminho vai seguir?

Oras...firma pra Ogun que tu já sabe; e se

apresse em esquecer as reclamações que por

justiça passou.

Pruquê na Verdade, o caminho só há um que

é o do BEM e só bifurca quando se tem dúvidas, o

que acontece pela diminuição da FÉ e do AMOR,

que é uma corrigenda.

É que para andar na passarela da Luz tem que

ter confiança. Quando tu a segue, Seus Guias e

Seus Orixás lhe dão fiança, acreditando que a

prática nos seus vícios tú vai abandonar. Eles te

irradiam energias renovadoras que limpa, que cura,

lhe dão o prazer feliz lhe despertando para o amor.

Tú fica todinho são! Mas aí, também tem que

ter cuidado pruquê quando fica tudo bem, às vezes

esquece-se de sentir a gratidão e a arrogância

e o egoísmo, talvez o medo e também o apego

demasiado, fazem desequilibrar.

Aí o caminho bifurca de novo. E se a Fé fraqueja,

volta e meia se der, cai pro ponto de início e aí fica

carregado de novo. E mais pesado. Bem mais pesado.

Então, pra descarregar, tú faz assim: Esqueça

o miserê, todo ele; inté os que tu achou que foi

vítima sem merecer... faz sim, fio, uma reflexão.

Fica um bocadinho nela... uns minutinhos... só

até o vento de Yansã fazer a nuvem negra

passar... é que isso é que é DAR MEIA VOLTA do

caminho errado. Pronto. Aliviou?

Então-se dê um Saravá de gratidão e siga

sem olhar pra trás que seu Guia está lhe puxando

pelas mãos, te dando os impulsos nas energias

Divinas, até que sinta a passarela da Luz em si e

recomece nas caminhadas Divinas.

É, fio. É assim que acontece pra que tu comece

a conhecer a si mesmo e limpar o que tu acha que

te carrega e que, na verdade, tu carregou.

Afinal, tu não veio viver essa vida só pra ficar

assistindo televisão, né? Tu não veio pra negativar

o sexo nem nada, né? Tu não nasceu e vive nesse

mundo pra maltratar os seus irmãos e irmãs, não

é? Nem pra roubar, nem enganar, nem sofrer e

nem pra fazer sofrer, não é mesmo? Tú não veio

nessa vida pra renegar Olorum e as Coisas Divinas

em troca dos prazeres dos sentidos mundanos,

mais uma vez, dessa vida ilusória, não é? Tu veio

pro mundo, mas o mundo não vai contigo, não é?

Tu não veio pra cair nas escolas do sofrimento,

mais uma vez, né? Nem tu veio pra ser carregado

por elas, não é mesmo? Mas se quiser, escolha

ser carregado pelos seus Guias de Luz até que

aprenda a andar tendo-os ao lado como irmãos

amorosos que o ensinam, protegem, amparam,

prove, reparte conhecimentos, certo?

Pois é assim nas bifurcações dos caminhos :

Tu faz da vida uma benção eterna, singela e leve,

ou, no mal se carrega e afunda nas trevas.

Queira ser feliz. É seu destino. Na humildade,

aceitando tudo como obra de Olorum que nos

ama. Ah, e como Ama! Ao invés de reclamar,

precisa compreender, aprender e, na gratidão,

para os mundos de Luz, se incluir.

Mesmo andando num mundo com tantas bifurcações

do caminho do Bem. É assim para que

aprenda a fazer sempre a escolha certa.

Quem espera a morada da Luz depois da vida

física, tem que saber que ela só acende Lá quando

é ligada cá, na vida humana.

E é assim que pela Fé, tu liga com o botão do

amor e acende a Luz. Que o ascende (he, he,

he!), finalmente para Aruanda da Umbanda Infinita,

Querida, Bendita, Divina, Magnífica Religação

com Olorum. Nossos Sagrados Pais e Mães

Orixás e Todos os nossos irmãos do Infinito das

Eternas Moradas. Zambi o espera para ajudá-lo a

acionar o vosso botão da Fé, junto a Oxum e

Todos os Sagrados Orixás Divinos.

Então? Descarregou? He, he, he!

As bênçãos de Oxalá e de Todos os Orixás,

na Infinita Bênção de Olorum estão sempre

conosco. Agradeçamos sempre! Saravá!

A

Umbanda é uma religião sem teto. Pode

parecer muito forte esta afirmação ou até

mesmo ininteligível, mas é assim que vivo

e vejo a situação.

Você conhece algum terreiro de Umbanda

que tenha SEDE PRÓPRIA?

Infelizmente eu não conheço, mas acredito

que existam alguns poucos nessa feliz condição.

A Umbanda enfrenta este problema há

algum tempo, ou desde sempre, já que é uma

religião de raízes humildes, onde a maioria dos

terreiros tem como lema fazer a caridade sem

olhar a quem e sem cobrar absolutamente nada

de quem a procura.

Normalmente um terreiro começa com um

pequeno grupo, em que uma pessoa coloca a

sua casa à disposição para a realização dos

trabalhos. Aos poucos a notícia corre e a casa

fica pequena. Daí, esse mesmo grupo resolve

alugar um lugar para começar o atendimento,

porque o ambiente caseiro não comporta mais

o número de pessoas. É nesse momento que

começam os problemas. Existe a necessidade

de aumentar o espaço físico, mas as questões

financeiras começam a pesar, já que não é só o

aluguel a ser pago e dividido entre os médiuns,

tem luz, água, velas, ervas, entre tantas outras

coisas necessárias aos trabalhos, já que

estamos falando de uma religião totalmente

ritualística.

Só que quando se saí para procurar o lugar

adequado que atenda todas as necessidades

(com facilidade de acesso, ônibus e metrô, para

a locomoção das pessoas; de preferência em

região não residencial, para não haver

problemas com a vizinhança e a “Lei do Psiu”;

com tamanho ideal para acolher médiuns e

consulentes confortavelmente; com pelo menos

dois banheiros e saída de emergência para

atender a legislação; com aceitação do Locador,

já que existe preconceito e resistência em se

alugar imóvel para terreiro de Umbanda, etc),

o valor do aluguel é tão absurdo que parece

impossível qualquer tipo de mudança.

Algumas pessoas perguntam: porque não

se aumenta o valor da contribuição dos

médiuns?

Aí os dirigentes pensam que aumentar o

valor das contribuições para viabilizar um lugar

maior pode ser um complicador, já que muitas

vezes os próprios médiuns não têm condições

de colaborar com mais e aí certamente a

debandada seria grande. Então, faz-se

necessário encontrar um lugar que caiba no

bolso do terreiro.

Outras pessoas dirão: porque não se procura

o imóvel em um local mais afastado para tentar

baixar o valor do aluguel? A distância e a

dificuldade de acesso, também torna inviável o

trabalho, pois vivemos numa cidade de trânsito

insano, em que qualquer lugar que se tenha que

ir demora, no mínimo, uma hora para se chegar

ao destino desejado. Portanto, se a distância

for grande, chegar ao terreiro depois de um

longo dia de trabalho se tornaria quase

impossível.

Infelizmente esta é a realidade nua e crua:

a Umbanda é uma religião sem teto.

Só que independente de qualquer coisa ou

problema, é uma religião que vale a pena ser

vivida, já que a convivência num terreiro com

pessoas com o mesmo ideal: de pisar no chão

sagrado que os nossos amados Guias e Orixás

se fazem presentes, de buscar sabedoria e

conhecimento para as nossas vidas e de poder

se dedicar a prática da caridade para com o

próximo, faz valer a pena cada gira e cada

trabalho que participamos.


JORNAL DE UMBANDA SAGRADA - ABRIL/2011 Página -5

A

princípio, uma comparação entre

o Alcorão, a Umbanda e a Magia

Divina parece ser coisa estranha,

mas não é. O Islam, como religião

enviada por Deus à humanidade, não

deveria ser estranho a nós, ainda mais

aos umbandistas cuja manifestação

religiosa é vista como mistificação aos

olhos alheios. Este pequeno comparativo

serve como prova da semelhança

entre as religiões.

Pois bem, falemos um pouco do

surgimento do Alcorão e da religião

islâmica. O profeta Muhammad (Maomé

– 571 a 632 d.C.) , nasceu órfão de pai

e logo também ficou órfão de mãe. Foi

criado pelos familiares e sempre se

distinguiu pela nobreza de caráter.

Levou uma vida razoavelmente normal,

casou, trabalhou, teve filhos e, antes

mesmo de ser considerado profeta, já

era conhecido pelo título Al-Amin, “O

Verdadeiro”.

Aos quarenta anos de idade, começou

a se retirar a uma caverna para

meditar sobre a vida e lá teve a visão

do Arcanjo Gabriel o qual lhe começou

a ditar o que hoje chamamos de Alcorão.

No começo ele apenas pregou aos

seus conhecidos e logo após começou

a pregar em público. Obviamente, os

deres da época não gostaram disso e

o perseguiram chegando mesmo a

atentarem contra a sua vida. Eis que

ele foge para a cidade de Medina,

dando início ao calendário islâmico.

Após um tempo, retorna a Meca e consagra

a cidade ao Islam. Unifica a península

arábica – fato este considerado

um milagre – e então morre, deixando

o legado para os sucessores, que, em

língua árabe, são chamados de califas.

O Alcorão chegou até nós porque,

na época do Profeta, os letrados escreviam

em tábuas, ossos e outros elementos

e havia também os “hafizun” –

guardiões – que até hoje memorizam o

Alcorão por completo. Eis como o Alcorão

nos chegou intacto desde aquela

época. Há uma cópia de um Alcorão desta

época na biblioteca de Samarcanda a

qual é idêntica ao Alcorão atual. Por isso,

o Alcorão é um dos poucos, senão o

único, livros religiosos com status

histórico.

A religião islâmica é monoteísta, não

admitindo culto a nenhum ser a não ser

Deus. Aliás, esse Deus é o mesmo da

tradição judaico-cristã. Os cristãos de

língua árabe usam a palavra “Allah” para

se referirem a Deus. Não há santos

adorados.

O profeta Muhammad não é considerado

Deus, nem filho de Deus e nem

lhe prestam adoração. Não há ídolos

nem imagens. No entanto, o muçulmano

acredita em todos os profetas

enviados à Terra por Deus.

Como está no capítulo 2, versículo

136: “Dizei: Cremos em Deus, no que

nos tem sido revelado, no que foi

revelado a Abraão, a Ismael, a Isaac,

a Jacó e às tribos; no que foi concedido

a Moisés e a Jesus e no que foi dado

aos profetas por seu Senhor; não

fazemos distinção alguma entre eles, e

nos submetemos a Ele.” Ainda em (4,

164): “E enviamos alguns mensageiros,

que te mencionamos, e outros, que não

te mencionamos...”. Por isso o muçulmano

deve respeitar todos os profetas,

como Buda, ainda que ele não seja

mencionado no Alcorão.

Há um código de conduta moral

baseado na caridade, na bondade e

na justiça. Não há passividade diante

do mal como está em (4, 75): “O que

vos impede de combater pela causa de

Deus e dos indefesos, homens, mulheres

e crianças, que dizem: ‘Ó Senhor

nosso, tira-nos dessa cidade cujos habitantes

são opressores’?”. Há orações

a serem feitas e o local de culto coletivo

é chamado de mesquita.

Pois bem, vamos às semelhanças.

O texto em itálico são trechos do Alcorão.

- ORIXÁS, TRONOS

E A CRIAÇÃO DO UNIVERSO

(Capítulo 41, Versículo 11):

“Então, abrangeu, em Seus desígnios,

os céus quando estes ainda eram

gases, e lhes disse, e também à terra:

Juntai-vos, de bom ou de mau grado!

Responderam: Juntamo-nos voluntariamente.”

Eis uma clara demonstração da correspondência

entre os Orixás (Tronos)

e sua contraparte material.

(1,2): “Louvado seja Deus, Senhor

do Universo,”

O interessante desta passagem é

que, no original em árabe, a palavra

traduzida para “universo” significa

“mundos”. Isto mesmo, está no plural!

“Rabb al-´Alamin”, ou seja, Senhor dos

Mundos! E não é isso que aprendemos

na Umbanda e na Magia Divina? Infinitos

universos cada qual correspondendo

a uma faixa vibratória de Deus?

(23,17): “E por cima de vós criamos

sete céus em estratos, e não

descuramos da Nossa criação.”

Eis uma passagem curiosa, já que

a Umbanda possui as suas Sete Linhas!

(50,38): “Criamos os céus e a

terra e, quanto existe entre ambos,

em seis dias, e jamais

sentimos fadiga alguma.”

O verbo criar está no

plural! São os Sagrados

Orixás regentes da natureza.

E como divindades

que são, não sentem cansaço.

- ANJOS E A

ESQUERDA

(32,11): “Dize-lhes:

O anjo da morte, que foi

designado para vos

guardar, recolher-vos-á,

e logo retornareis ao

vosso Senhor.”

Interessante notar

que, em árabe, a palavra

traduzida por “anjo” é

“malak”. Ao contrário da

palavra grega “ánguelos”

que significa “mensageiro”,

“malak” tem um

significado de “ser posse de alguém”.

Ora, como divindades de Deus, eles

poderiam muito bem ser Anjos no

sentido umbandista ou, quem sabe, os

Tronos de Deus (Orixás) uma vez que,

como divindades, eles são “posses de

Deus” – são manifestações do próprio

Deus – já que são governantes de

algum aspecto do Universo. Quem sabe

o anjo da morte não seja uma alegoria

para Omolu, Senhor do Campo Santo,

Cemitério e Senhor da Morte – Trono

Masculino da Geração?

(47,27): “Assim, o que farão,

quando os anjos se apossarem das suas

almas e lhes golpearem os rostos e os

dorsos?”

(50,17-18): “Eis que dois (anjos

da guarda), são apontados para anotarem

(suas obras), um sentado à sua

direita e o outro à esquerda. Não pronunciará

palavra alguma, sem que junto

a ele esteja presente uma sentinela

pronta (para a anotar).”

(66,6): “Ó fiéis, precavei-vos, juntamente

com as vossas famílias, do fogo,

cujo alimento serão os homens e

as pedras, o qual é guardado por anjos

inflexíveis e severos, que jamais deso-

bedecem às ordens que recebem de

Deus, mas executam tudo quanto lhes

é imposto.”

Muito curiosas estas passagens, pois

quem sabe não estão nelas representadas

os guias de Umbanda? Quem

sabe, os anjos que golpeiam os rostos e

são inflexíveis e severos não sejam

guardiões da Lei Maior que A aplicam nas

faixas vibratórias negativas?

Os anjos da guarda são um caso à

parte. Em árabe são chamados apenas

de “háfiz” – “guardião” – ou seja, são

um outro tipo de ser que não os anjos!!

Podem muito bem ser os guias pessoais,

sendo que o da esquerda, como o

próprio nome diz, pode ser um exu ou

pombagira.

- GÊNIOS

(6,130): “Ó assembléia de gênios

e humanos, acaso não se vos apresentaram

mensageiros, dentre vós, que

vos ditaram Meus versículos e vos

admoestaram com o comparecimento

neste vosso dia? Dirão: Testemunhamos

contra nós mesmos! A vida terrena os

iludiu, e confessarão que tinham sido

incrédulos.”

(15,26-27): “Criamos o homem de

argila, de barro modelável. Antes dele,

havíamos criado os gênios de fogo

puríssimo.”

(18,50): “E (lembra-te) de quando

dissemos aos anjos: Prostrai-vos ante

Adão! Prostraram-se todos, menos

Lúcifer [em árabe: Iblís], que era um

dos gênios, e que se rebelou contra a

ordem do seu Senhor.”

(46, 29-30): “Recorda-te de

quando te enviamos um grupo de gênios,

para escutar o Alcorão. E quando assis-

tiam à recitação disseram: Escutai em

silêncio! E quando terminaste a recitação,

volveram ao seu povo, para admoestá-lo.

Disseram: Ó povo nosso, em

verdade escutamos a leitura de um Livro,

que foi revelado depois do de Moisés,

corroborante dos anteriores, que conduz

o homem à verdade e ao caminho reto.”

(72,14-15): “E, entre nós, há

submissos, como os também há

desencaminhados. Quanto àqueles

que se submetem (à vontade de Deus),

buscam a verdadeira conduta. Quanto

aos desencaminhados, esses serão

combustíveis do inferno.”

(72,5-6): “E jamais imaginamos

que os humanos e ao gênios iriam urdir

mentiras a respeito de Deus. E, em

verdade, algumas pessoas, dentre os

humanos, invocaram a proteção de

pessoas, dentre os gênios. Porém, estes

só lhes aumentaram os desatinos.”

Um esclarecimento importante: a

palavra árabe para “gênio” possui uma

conotação abrangente. “Jinn” em

árabe significa alguma coisa oculta. Vem

do verbo “jann” que significa “ocultar”.

Assim sendo, não significa necessariamente

uma classe específica de seres

mas pode significar várias classes

abrangidas sob um termo comum: “os

ocultos”.

Obviamente, as interpretações relativas

às passagens citadas é enorme.

Seriam os gênios habitantes de dimensões

paralelas à nossa? Seriam os

gênios os seres que a magia clássica

chama de elementais? Ou seriam a

classe de seres que a Magia Divina trata

no grau da Magia Divina dos Gênios?

Ou seriam seres de outros planetas?

Ou quem sabe sejam todos eles? Ou

nenhum deles? Como o Alcorão é um

mistério de Deus, não há muito a fazer

a não ser especular.

Como vimos, no Alcorão há semelhanças

gritantes com o que apregoa a

Umbanda e a Magia Divina e que nesta

semelhança reside a Unidade de Deus

presente em tudo. Tenhamos a humildade

de aprender com aqueles que vieram

antes de nós e que as semelhanças

entre as religiões nos tornem humildes

perante os mistérios da criação divina

ao invés de acharmos que possuímos a

verdade última. Que estas semelhanças

aumentem o nosso sentimento de

fraternidade e tolerância pois aí sim

estaremos mais próximos de Deus – o

Sagrado Doador das Religiões!


Página -6 JORNAL DE UMBANDA SAGRADA - ABRIL/2011

Liberdade significa

a capacidade de

dizer “Sim” quando é preciso dizer “Sim”,

de dizer “Não” quando é preciso dizer

“Não” e de ficar calado às vezes, quando

nada é necessário. Quando se pode

dispor de todas essas dimensões possíveis,

existe liberdade.

Existem pouquíssimas pessoas no

mundo que são psicologicamente livres...

Todo o nosso jeito de criar os

filhos faz com que eles sejam escravos...

Não damos a eles nenhuma chance de

pensarem por si mesmos... Nós forçamos

a mente deles a se encaixar num

certo molde. Atulhamos a cabeça deles

com um monte de coisas – coisas em

que nem nós mesmos temos experiência...

Você está ensinando a seu filho

coisas que nem você mesmo conhece.

Você está só condicionando a mente

deles, pois a sua mente foi condicionada

por seus pais. Desse jeito a doença é

transmitida de geração em geração....

O mundo todo vive em escravidão psicológica...

A liberdade em relação a algo não é

liberdade de fato. A liberdade para fazer

tudo o que se quer também não é a

liberdade a que estou me referindo.

Minha visão de liberdade é ser você

mesmo... o querer, o desejo de “fazer”

alguma coisa, vem da mente – e a mente

é o seu cativeiro.

A verdadeira liberdade é fruto da

consciência que não escolhe, mas,

Por OSHO

quando existe a consciência que não

escolhe, a liberdade não depende nem

de coisas nem de que se faça alguma

coisa. A liberdade que resulta da consciência

que não escolhe é a liberdade

de ser você mesmo...

Uma espada pode cortar a sua cabeça,

mas não pode cortar a sua liberdade,

o seu ser...

Para ser totalmente livre, a pessoa

precisa estar absolutamente consciente,

pois nosso cativeiro está enraizado na

inconsciência; ele não vem de fora...

Nem o passado existe, nem o futuro

existe. Tudo que você tem nas mãos é o

presente. E aquele que vive no presente,

sem o fardo do passado ou do futuro,

conhece o gosto da liberdade. Não

existem correntes – as correntes das

lembranças, as correntes dos desejos.

Essas são as verdadeiras correntes que

oprimem a alma e nunca deixam que você

viva o momento que é seu.

No que me diz respeito, eu não vejo

como uma pessoa pode ser livre sem

uma mente meditativa.

No momento em que estiver livre

do passado e do futuro, sentado

simplesmente ao lado de uma arvore,

sussurre algo para a arvore e logo você

saberá que ela responde. Evidentemente,

a resposta dela não será com palavras;

talvez ela lhe mostre as suas flores;

talvez ela dance com o vento. Se

você estiver sentado bem perto, com

as costas contra o tronco, você come-

çará a sentir uma sensação diferente

que nunca sentiu antes. A árvore está

vibrando com amor para você.

Toda esta existência está repleta

de amor, repleta de liberdade – exceto

o infeliz do ser humano. E ninguém é

responsável por isso, exceto ele

mesmo... O próprio entendimento do

que é a liberdade faz de você uma

pessoa livre...

Não há outro jeito senão deixar

para trás todas as correntes. Todas

aquelas correntes que você começou

a criar à sua volta já na infância...

por ALEXANDRE CUMINO

S

e você vive a vida como se a morte

não existisse este é um alerta

umbandista para você. Um dia ela,

a morte, chega, então será tarde para

pensar no assunto.

A única sensação será de ter desperdiçado

a vida com bobagens.

Dinheiro, sexo e poder tudo se vai.

A única coisa que fica são os seus entes

queridos, estes mesmos que você

nunca tem tempo de estar junto. Sua

mulher, seu marido, seus pais e filhos,

serão separados de você, então,

apenas neste momento da morte, se

dará conta que mais do que trabalhar

para o sustento, o melhor que podia

fazer era estar junto deles e dizer o

quanto são importantes para você e

o quanto os ama.

Acorda para a vida que ela passa

muito rápido, e embora a gente

tenha muitas vidas, cada uma é

única e o desperdício do tempo mal

usado é incalculável.

As perdas materiais em nada

se comparam com a perda de vida

e da vida.

A vida é como um rio, você

pode entrar e sair dela muitas

vezes mas nunca estará mergulhando

nas mesmas águas,

embora o rio seja o mesmo,

cada momento é único.

Portanto, sinta com profundidade

cada dor e alegria

que a vida lhe oferecer.

Desça ao fundo do poço,

mergulhe na sua fossa, mas

busque na profundidade do

seu ser a força, força para

mudar, transformar-se em

alguém melhor.

Algumas mudanças importantes no

processo de crescimento de maturidade

só acontecem diante da dor profunda,

viva as suas dores mas aprenda com

elas, não se apegue no que está perdendo,

caso contrario, ficará preso

numa situação que passará a se repetir

em sua vida.

Transcenda seus medos, dores,

traumas e fobias; cure-se mas não se

esqueça de que fugir ou fingir que nada

está acontecendo impede tanto a cura

quanto o aprendizado.

Por este motivo, a vida é luz e trevas,

nascimento e morte, positivo e negativo,

primavera, verão, outono e

inverno...


JORNAL DE UMBANDA SAGRADA - ABRIL/2011 Página -7

É

a divindade Ordenadora da criação

em todas as dimensões e

estágios de vidas, onde tudo o que

Pai Olorum gera,gera ordenadamente

a essência eólica (ar) é

sua qualidade Divina.

Ogum é o Orixá da Lei

e seu campo de atuação

é a linha divisória

entre Razão

e a emoção. É

o orixá regente

das milícias celeste,guardiões

dos procedimentos

dos

seres em todos os

sentidos.

Ogum é sinônimo de Lei e Ordem e

seu campo de atuação é a ordenação

dos processos e dos procedimentos.

Todo ogum é um aplicador natural da

Lei e age com a mesma inflexibilidade,

rigidez e firmeza, pois não se permite

uma conduta alternativa.

Onde estiver um Pai Ogum, lá haverá

os olhos da Lei, mesmo que seja um

“caboclo de Ogum”,” baiano”, ”boiadeiro”,

”cigano”, ”marinheiro”, ”Exu”, ”Exu

Mirim”.

Ogum é, em si mesmo, os atentos

olhos da lei, sempre vigilante, marcial e

pronto para agir onde lhe foi ordenado.

Dizemos que Ogum é sinônimo de lei

e de ordem porque ele tanto aplica a Leu

quanto ordena a evolução dos seres não

permitindo que alguém tome a direção

errada.Por isso é chamado de “O senhor

dos Caminhos” (das direções).

Ogum não julga nada nem ninguém,

pois esta atribuição é de Xangô. Ele apenas

aplica os princípios da Lei e ordena

(direciona) os seres, e ponto final!

Ogum, ele é o pai e é rigoroso ao

extremo com seus “filhos”. E sua natureza

reta, e assim ele é.

Na Umbanda religião ordenadora

direcionada dos seus filhos, tem em Pai

ogum a base reta, protetora onde todos

os filhos de fé são guardados por ele.

Então, independentemente de você

ter Ogum ou não em sua coroa, saiba

que ele estará sempre te amparando,

protegendo e direcionando sua caminhada

evolutiva.

Todos os freqüentadores dos terreiros

também são beneficiados, pois

Pai Ogum está sempre atuante em to-

Federação Umbandista Luz Dourada

Colegio Umbandista Luz Dourada

Comunicado

das as casas que serve a LEI MAIOR.

São Jorge, Santo Expedito, São

Miguel Arcanjo, são classificados como

a essência ordenadora do Trono da Lei

na Umbanda temos as qualidade de Pais

Oguns?

• Ogum Matinata; • Ogum de Lei;

• Ogum Beira-Mar; • Ogum Iara;

• Ogum de Ronda; • Ogum do Fogo;

• Ogum Rompe-Mato; Ogum Marinho;

• Ogum Rompe-Ferro; • Ogum Megê;

• Ogum Sete Lanças; • Ogum do Naruê;

• Ogum do Tempo; • Ogum Corta-Fogo;

• Ogum Sete Espadas; • Ogum Peito de Aço;

• Ogum Ventania; • Ogum Sete Cobras;

• Ogum das Cachoeiras; • Ogum das Pedras;

• Ogum Sete Caminhos; • Ogum Sete Ondas;

• Ogum 7 Correntes; • Ogum das Passagens.

As cores vibratórias de Pai Ogum

na Umbanda são: Azul escura, vermelha,

branca.

Pedras: Rubi, granado, hematita,

sodalita, magnetita.

Frutas: Uva Niágara, manga, figo.

Folhas: eucalipto, pinheiro,

espada são Jorge, carqueijo, losna,

levante, tuia.

Flores: cravo vermelho, crista de

galo, palma vermelha.

Comida que têm grande Axé é a

feijoada.

QUE PAI OGUM TE PROTEJA, TE

GUARDE E CUBRA COM SUA CAPA A

SUA VIDA SARAVÁ OGUM.

- Parte do texto extraído do livro

Orixás – Teogonia de umbanda,

Ed. Madras – Rubens Saraceni.

Solicitamos a todos os Filiados da Federação e do Colegio que

entrem em contato conosco a fim de marcar uma reunião para a

renovação da Filiação.

As reuniões devem ser marcadas nos meses de Abril e Maio. O

não agendamento da reunião implicará no encerramento do contrato

de Filiação.

Favor agendar com a Valquíria – 2302-4087 – Após as 14:00hs

Pai Marcelo Berezutchi

E

xistem algumas atitudes e práticas

que atrapalham o desdobramento

espiritual consciente. Normalmen-

te são bloqueios energéticos, ocasionados

por nós mesmos e que nos desvitalizam,

bloqueiam nosso chacras e não

nos permite praticar o desdobramento

com o proveito necessário.

Vamos a esses “inimigos” do desdobramento

consciente:

BAIXA ENERGIA VITAL – Quando

não dormimos direito ou dormimos

pouco, quando não temos lazer e repouso,

quando abusamos de drogas,

cigarros ou álcool, ou quando abusamos

do sexo, por exemplo, ocorre um

esvaziamento de nossa energia vital.

O nosso corpo energético que é o responsável

por nossa saúde enfraquece

e adoecemos. Essa baixa de energia

também é responsável por dificultar o

desdobramento consciente.

Assistir filmes de terror ou violência

antes de dormir – Um dos principais motivos

que dificultam o desdobramento

são a ansiedade e o medo, pois esses

dois elementos funcionam como ativa-

U

m sultão decidiu fazer uma viagem

de navio com alguns de seus

melhores cortesãos. Embarcaram

no porto de Dubai e seguiram em

direção ao mar aberto. Porém, assim

que o navio se afastou da terra, um

dos súditos- que jamais tinha visto o

mar e passara grande parte de sua vida

nas montanhas- começou a ter um

ataque de pânico.

Sentado no porão do navio, ele

chorava, gritava e recusava-se a comer

ou dormir. Todos procuravam acalmálo,

dizendo que a viagem não era tão

perigosa assim. Mas, embora as palavras

dos outros chegassem aos seus

ouvidos, não atingiam seu coração. O

sultão não sabia o que fazer e a linda

viagem por mares calmos e céu azul

tornou-se um tormento para os passageiros

e a tripulação.

Dois dias se passaram sem que ninguém

pudesse dormir com os gritos do

homem. O sultão já estava prestes a

mandar o barco de volta ao porto,

quando um de seus ministros, conhecido

por ser um homem sábio, aproximou-se:

- Sua alteza, com sua permissão,

eu conseguirei acalmá-lo.

Sem hesitar um momento, o sultão

disse que não apenas permitia, mas que

o ministro seria recompensado se conseguisse

resolver o problema.

O sábio então pediu que o homem

fosse atirado ao mar. Na mesma hora,

contentes porque aquele pesadelo estava

prestes a terminar, um grupo de tripulantes

agarrou o homem que se debatia

no porão e o atiraram no oceano.

O Cortesão começou a se debater,

dores da defesa em nosso cérebro.

Com o cérebro em alerta, dificilmente

se consegue o relaxamento devido à

consciência.

DORMIR COM A CABEÇA CO-

BERTA – Dessa forma você diminuirá

a oxigenação de seu cérebro tornandoo

letárgico, dificultando o relaxamento

e atrapalhando o desdobramento

consciente.

DORMIR PRÓXIMO OU PEN-

SANDO EM ALGUÉM QUE ESTEJA

NEGATIVADO – Quando entramos em

relaxamento e começamos a nos preparar

através de técnicas energéticas

e projetivas para o desdobramento,

nosso corpo energético (e mediúnico)

se expande. Se você tiver ao seu lado

alguém que por algum motivo está alimentando

energias negativas, fará

contato com o campo energético/mediúnico

dessa pessoa o que influenciará

negativamente seu trabalho. Da mesma

forma, se pensar em alguém que

está nutrindo as mesmas energias negativas,

estará ligado a essa pessoa

através de um cordão energético proje-

afundou, engoliu água salgada, voltou

à superfície, gritou mais forte ainda,

afundou de novo e de novo conseguiu

voltar à tona. Neste momento, o ministro

pediu que o alçassem de novo

até o barco.

A partir daquele momento, ninguém

ouviu mais qualquer reclamação

do homem, que passou o resto da

viagem em silêncio, chegando mesmo

a comentar com um dos passageiros

que nunca tinha visto nada tão belo

como o céu e o mar que se juntavam

no horizonte. A viagem- que antes

eram um tormento para todos que se

encontravam no barco- transformouse

de novo em uma experiência de

harmonia e tranqüilidade.

Pouco antes de retornarem ao

porto, o Sultão foi procurar o ministro:

- Como é que você podia adivinhar

que, jogando aquele pobre homem no

mar, ele ia ficar mais calmo?

- Por causa do meu casamentorespondeu

o ministro.- Eu vivia apavorado

com a idéia de perder a minha

tado pelo seu mental e, definitivamente,

estará ligado às mesmas energias

negativas dessa pessoa.

DORMIR COM A LUZ ACESA OU

EM LOCAL BARULHENTO – Simplesmente,

porque não permite o relaxamento

necessário ao desdobramento,

mantendo o mental em alerta.

CAUSAS PRÁTICAS – Caso você

for dormir sem lembrar-se de pedir as

permissões necessárias a Deus, aos Sagrados

Orixás, aos Guias da Esquerda

e da Direita (seus amparadores astrais).

Se você não estudar desdobramento

e espiritualidade, evitar a meditação,

evitar os exercícios de visualização, as

técnicas energéticas, as técnicas projetivas

e, quando em desdobramento

consciente, recusar-se a fazer os trabalhos

que lhe forem solicitados, não

conseguirá progredir no desenvolvimento

de sua mediunidade de desdobramento

espiritual e dificilmente conseguirá

desdobrar-se com plena consciência.

Que Oxalá abençoe a todos.

mulher e meu ciúme era tão grande,

que eu não parava de chorar e gritar

como este homem- contou ele.

E continuou:

- Um dia, ela não agüentou mais e

foi embora. E eu pude experimentar o

terrível que seria a vida sem ela. Só voltou

depois que eu prometi que jamais

tornaria a atormentá-la com meus medos.

Da mesma maneira, este homem

jamais havia provado água salgada e

jamais tinha se dado conta da agonia de

um homem prestes a se afogar. Depois

que conheceu isso, entendeu perfeitamente

que maravilha é sentir as tábuas

de um navio debaixo de seus pés.

Sábia atitude- disse o sultão.

- Está escrito em um livro sagrado

dos cristãos, a Bíblia: “Tudo aquilo que

eu mais temia, terminou me acontecendo”.

Certas pessoas só conseguem

valorizar o que tem quando experimentam

a sensação da perda.

Texto de Paulo Coelho - extraído da

revista Diário Dez - Ano 4 - nº 180

Contatos:paulo@paulocoelho.com.br


Página -8 JORNAL DE UMBANDA SAGRADA - ABRIL/2011

Nota de Alexandre Cumino:

Parabenizo o Irmão Nino Denani do site: http://www.artefolk.com.br/ pela entrevista histórica sobre a Tenda Espirita São Jorge

que está disponível no link: http://www.artefolk.com.br/index.php/entrevistas/tenda-espirita-sao-jorge/

Nota de Nino Denani

No dia 16/11/1908 foi aberta a casa Nossa Senhora da Piedade, chefiada pelo Caboclo das 7 Encruzilhadas. Em 1918 o Caboclo das Sete

Encruzilhadas recebeu ordens do astral superior para fundar sete tendas para propagação da Umbanda. As Tendas receberam os seguintes

nomes: • Tenda Espírita Nossa Senhora da Guia; • Tenda Espírita Nossa Senhora da Conceição; • Tenda Espírita Santa Bárbara; • Tenda

Espírita São Pedro; • Tenda Espírita Oxalá; • Tenda Espírita São Jorge; • Tenda Espírita São Jerônimo. A Tenda Espírita São Jerônimo

fechou, infelizmente. As outras continuam abertas e, pra nossa imensa alegria, coseguimos contato com a Tenda Espírita São Jorge.

Extremamente simpáticos e solícitos, a entrevista foi respondida pela irmã Marizeli, médium da casa e presidente do conselho, e pelo

irmão Pedro Miranda, dirigente dos trabalhos espirituais. O Presidente da Tenda é o Sr. José Carlos Lopes Coelho (Tico).

Espero que gostem! Axé!

ArteFolk - A Tenda Espírita São Jorge,

segundo nos consta, foi fundada pouco depois

do Sr. Zélio iniciar a Umbanda por um dos

freqüentadores da casa em que ele fazia as

reuniões. O senhor poderia nos contar um

pouco da história da Tenda Espírita São Jorge?

TESJ – A Tenda Espírita São Jorge foi a

sexta casa fundada com a orientação direta

do Caboclo das Sete Encruzilhadas, em 15

de fevereiro de 1935. João Severino Ramos

era médium da Tenda Espírita Nossa Senhora

da Guia quando recebeu orientação para

fundar a Tenda Espírita São Jorge, cujo

mentor é um Mestre do Himalaia que veio

trabalhar na seara de Umbanda na irradiação

de Ogum, apresentando-se como Ogum Timbiri.

João Severino Ramos, desencarnado em

fins de 1973, relatava as maravilhas que assistiu,

às margens do rio Macacu, onde muitos

incrédulos se tornaram fiéis seguidores de

Umbanda e do Caboclo das Sete Encruzilhadas.

Ele era um exemplo vivo. A primeira

vez que lá estivera, vira várias demonstrações

da presença de um poder superior. Mas

continuava descrente. E pediu uma prova que

pudesse ser considerada conclusiva. Através

da mediunidade de Zélio, manifestava-se

Participantes da Festa de Ogum

na TESJ nos anos 90, que contou

com a presença de Mãe Zélia

e seu esposo, Dr. Júlio

(sentados ao centro)

nesse dia o Orixá Malê, que atuava,

principalmente, no combate aos trabalhos de

magia negra e na cura de obsediados.

Apanhando uma pedra, o Orixá Malê jogou-a

na testa de Severino. Vendo-o cair no rio, os

seus companheiros correram para o socorrer,

temerosos de que a correnteza o levasse.

“Não se movam” – ordenou o Orixá Malê –

“Ele voltará sozinho”.

Minutos depois, João Severino transpôs

a margem do rio transfigurado. Incorporara

uma entidade que daria, depois, o nome de

Ogum Timbiri e se tornaria guia espiritual da

Tenda Espírita São Jorge.

ArteFolk – Nos dias de hoje muito é

discutido com relação às raízes da Umbanda.

Alguns dizem que é Africana, remontando

aos primórdios da civilização no continente

Negro. Outros dizem que é centenária e

brasileira, tendo início nas mãos do Caboclo

das Sete Encruzilhadas. O senhor acha essa

discussão realmente válida? E qual é a sua

opinião quanto ao surgimento da Umbanda?

TESJ – Não vemos a Umbanda como uma

religião ou culto afro. Vemos como uma religião

brasileira. O povo e, conseqüentemente,

a cultura brasileira,

se caracterizam

pela miscigenação,

pelo sincretismo,

pela inclusão.

Assim, uma religião

que se inicia

nesta pátria tem

várias raízes. Não

consideramos que

os seus primórdios

estejam apenas no

continente africano.

Pensamos

que teve seu início

sim com o Caboclo

das Sete Encruzilhadas,

mas os fe-

nômenos dos quais ela trata são tão antigos

quanto o espírito do homem no planeta. Assim

como Kardec não criou nada novo, apenas

deu uma explicação filosófica e científica para

fenômenos que estudou, o Caboclo das Sete

Encruzilhadas não descobriu ou inventou nada

novo, somente deu legitimidade ao trabalho

de espíritos que eram excluídos de outras

correntes religiosas – como o espiritismo ou

kardecismo e o candomblé. Achamos que esta

discussão não é válida porque apenas cria

cisões e preconceitos dentro do próprio movimento

umbandista. Quanto ao surgimento

oficial, para nós da Tenda Espírita São Jorge,

e não poderia ser diferente, se deu com o

advento do Caboclo das Sete Encruzilhadas.

ArteFolk – Na época do Caboclo das 7

Encruzilhadas, como era: a dinâmica das

giras? (horários, uniformes, regras, etc)

TESJ – As giras aconteciam às segundas,

quartas e sextas feira das 20 às 22

horas. O dirigente, na primeira quinta-feira

de cada mês, participava das reuniões de

estudo com o Caboclo das Sete Encruzilhadas.

Era grande o número de médiuns e de consulentes.

A Tenda funcionava então na Rua

Dom Gerardo, nº 45, em prédio alugado.

Quando este prédio foi requisitado pelo dono,

a Tenda ficou um tempo parada enquanto se

construiu, às pressas, um terreiro em Vila

Isabel (Rua Senador Nabuco, 122) onde hoje

funcionamos, e muitos consulentes se

afastaram bem como alguns médiuns também

fundaram suas próprias casas. A diminuição

do corpo mediúnico fez com que as giras

ficassem restritas às segundas feiras e

somente algumas poucas giras festivas

ocorrem em outros dias da semana. A mudança

geográfica – da Praça Mauá para Vila Isabel –

e a situação de risco que a cidade como um

todo sofre no atual contexto também é fator

que contribui para um certo esvaziamento.

Quanto ao uniforme, ainda é o mesmo,

semelhante ao da Tenda Espírita Nossa Se-

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JORNAL DE UMBANDA SAGRADA - ABRIL/2011 Página -9

nhora da Piedade e outras casas surgidas na época: guardapó

branco com o símbolo da tenda no bolso esquerdo da parte

de cima e calça branca por baixo do guarda-pó (feminino);

jaleco com o símbolo da tenda no bolso esquerdo e calça

branca. Em giras festivas é permitido o uso de roupas que

estejam de acordo com a entidade ou Orixá homenageado.

ArteFolk – E os trabalhos em si? (curimbas, atabaques, etc).

TESJ – O trabalho em si, no que diz respeito a curimbas

e atabaque continua o mesmo. Muitas curimbas são as mesmas

cantadas desde 1935 e quanto ao uso de atabaque, a Tenda

Espírita São Jorge iniciou sem o seu uso mas de há muito o

incorporou em seus trabalhos.

ArteFolk – Como é a hierarquia dos médiuns? Havia

graus como pai pequeno e assim por diante? Se havia, como

esses graus eram distribuídos aos filhos?

TESJ – A Tenda Espírita São Jorge tinha um diretor dos

trabalhos espirituais e dois irmãos que formavam com ele a

direção dos trabalhos. Durante muito tempo tínhamos Feliciano

José Lopes – Diretor dos Trabalhos Espirituais e Tia

Albina e José Cândido como auxiliares. Com a mudança da

Rua Dom Gerardo para Vila Isabel a tenda sofreu algumas

alterações. Atualmente temos um Diretor dos Trabalhos

Espirituais. Naquela época, tínhamos apenas, como hoje,

médiuns já desenvolvidos para o trabalho de terreiro e

médiuns em desenvolvimento.

ArteFolk – E hoje, vocês ainda seguem como no passado

ou adaptações foram feitas?

TESJ – As adaptações são feitas como fato natural sem

deixar de observar os princípios da Tenda.

ArteFolk – Fala-se também dos “desrespeitos aos fundamentos

da Umbanda”, citando algumas modernizações ou

apropriações feitas por alguns segmentos, como a Umbanda

Exotérica, Umbanda Branca, Umbanda de Nação. O senhor

entende essas apropriações (estudos dos chakras, como

exemplo) como influências negativas no culto e na prática?

TESJ – Existe apenas uma Umbanda, esta é uma religião

de inclusão que se constrói e se renova a cada dia e não há

desrespeito a seus fundamentos desde que não se afaste da

As imagens que ilustram essa matéria extraídas do site:

https://picasaweb.google.com/rj.ciganinha/ImagensDoBlogger

contatos:tesj@ibest.com.br

prática do amor e da caridade e do lema de que se dá de

graça aquilo que de graça se recebeu. A mediunidade é um

dom divino que não pode ser passível de comercialização. A

Tenda Espírita São Jorge, com uma forte ligação com o

Oriente, jamais poderia achar que o estudo dos chakras é

um desrespeito aos fundamentos da Umbanda.

ArteFolk – Dentro dos terreiros pelo Brasil, vemos os

trabalhos de linhas como baianos, boiadeiros, marinheiros,

malandros, além dos conhecidos caboclos, pretos velhos,

crianças e exus. Como a Tenda Espírita São Jorge encara

essas linhas?

TESJ – Assim como no passado a Umbanda abraçou

caboclos e pretos velhos, que eram excluídos de outros

segmentos, hoje ela abraça ciganos, boiadeiros, marinheiros,

malandros. A Tenda encara com naturalidade. Não consideramos

linhas, mas sim entidades que se agregam a outras

vibrações por suas afinidades. Boiadeiros se afinizam com

Caboclos, malandros e marinheiros com Exus e Pomba Giras.

Ciganos em geral com Exus e Pombas Giras, embora alguns

tenham também afinidade com Caboclos.

ArteFolk – E os Orixás, para vocês, o que é o Orixá?

Vocês os cultuam?

TESJ – Orixás são as vibrações das forças da Natureza

e são cultuados como tal.

ArteFolk – Hoje encontramos federações das mais diferentes

que dizem defender a Umbanda. O que o senhor acha

delas?

TESJ – A grande maioria palco para a vaidade de alguns

que se utilizam da Umbanda em seus próprios interesses.

Algumas poucas tentam de fato e sinceramente dignificar o

trabalho dos umbandistas.

ArteFolk – Temos leitores do mundo todo, o senhor

gostaria de deixar alguma mensagem para eles?

TESJ – O que se poderia deixar de mensagem para

todos os que sinceramente desejam seguir a sagrada lei de

Umbanda é relembrar as palavras de dois grandes Caboclos:

o Caboclo das Sete Encruzilhadas que nos deixou a mensagem

Umbanda manifestação do espírito para a prática

da caridade, lembrando que a nós foi dada a graça de sermos

os instrumentos para esta manifestação – e do Caboclo

Mirim – Umbanda tem fundamento e é coisa séria para quem

é sério ou quer se tornar sério. Que nos tornemos então

sérios trabalhadores da sagrada seara de Umbanda,

praticando com amor a caridade. Sempre alerta como nos

ensinou Pai Oxalá, orando e vigiando.

Nota da médium Ciganinha:

Tenda Espírita São Jorge - Fundada em 15/02/1935

Rua Senador Nabuco, 122. Vila Isabel

http://tendaespiritasaojorge.blogspot.com

Atualizando as informações: O atual dirigente da Tenda é

Pedro Miranda e não tem mais telefone. Contatos podem ser

feitos por e-mail: tesj@ibest.com.br ou pelo orkut

“Ciganinha_rj ®” Médium da TESJ


D

Página -10 JORNAL DE UMBANDA SAGRADA - ABRIL/2011

o lado espiritual um clarão ilumina

aquela inóspita encruzilhada e de

frente à oferenda ele se posiciona,

é um mensageiro de Ogum, com ele

simultaneamente aparecem dezenas de

Guardiões Exus, formam um verdadeiro

cinturão no perímetro da encruzilhada,

desenhando uma roda de proteção.

Ogum dos Sete Caminhos toca a

ponta de sua espada na cabeça de Eliza

que “desmaia”, quando se dá conta está

do lado espiritual, vê seu corpo no chão

e se alegra com a miragem daquele

mensageiro à sua frente.

- Porque tanta dor minha filha?

- Meu Pai Ogum, não aguento tanto

sofrimento, tudo dá errado para mim,

tudo foge do controle, dívidas que não

acabam, problemas no casamento, desarmonia

na família. Meu Pai, sinto que

tenho muito olho gordo na minha direção,

também desconfio que estou sob

efeito de forte “magia negra” e estou

convencida de que isso é o que está

fechando meus caminhos.

- Filha, segure minha mão.

Ao encostar as mãos nas de Sr. Sete

Caminhos, uma luz intensa envolveu o

corpo de Eliza, que foi projetada ao

passado de sua memória presente agora

vista por um ângulo que não gostava

de imaginar, seguiram algumas cenas:

“A casa toda bagunçada, os dois filhos

pequenos brincando com o pai, Eliza

na cozinha preparando a janta, enquanto

cortava os legumes reclamava

baixinho da própria vida:

- Não aguento mais cuidar desta

casa, fazer comida, limpar, educar filhos.

Queria mesmo é estar agora num

restaurante, voltar para casa e dormir,

não ter hora para acordar amanhã...”

“É dia do aniversário de casamento

de 10 anos de Eliza e Roberto, ela

acorda depois dele, vai para a cozinha,

onde o marido o espera com a mesa

posta e flores decorando o ambiente:

- Bom dia querida!

- O que é isso Roberto? Enlouqueceu?

Tá gastando dinheiro com florzinha,

bolachinha e besteiras?

Decepcionado e triste pelo constante

desânimo da esposa e pela nítida

demonstração de esquecimento da data

P

ara que todos entendam a mensagem

e principalmente o título do

texto, terei que inicialmente pas-

sar por uma pequena parte de minha

vida, acontecimentos recentes, até alcançar

o meu objetivo.

O ano de 2010 foi um ano difícil pra

mim, acredito que para muitos também,

mas algo que não deixei de lado e nem

perdi: minha Fé.

Mesmo sendo um ano muito difícil,

recebemos (minha esposa e eu) um

presente que para nós vem a provar

mais uma vez a existência do Divino.

Qual é o maior presente que um

casal poderia receber? Sei que alguns

vão dizer: uma casa ou então um carro,

por parte dela, ele responde: - Não meu

bem, hoje completamos uma década de

casados e venho guardando há três

meses um dinheirinho para lhe surpreender

com este café, gostaria de lhe

oferecer mais para externar meu amor...

Mas isso é o que eu pude fazer...

Desculpe por lhe importunar com meus

sentimentos...”

“- Mamãe, mamãe, mamãe.

- Fala moleque! – esbraveja Eliza.

- Mamãe, eu fiz na escolinha, é para

você! Diz Juninho feliz da vida com o

primeiro cartão de dia das mães feito

por ele mesmo.

O cartão tinha o formato de um coração

com braços grandes, com os dizeres

na capa: Mamãe..., e dentro ‘Te

amo um tantão assim’!

- Tá bom moleque, vai brincar e me

deixa descansar.”

Ainda seguiram outras cenas como

estas e Sr. Sete Caminhos tirou Eliza do

“transe”, que imediatamente tomada

por vergonha chorou.

- Pois então minha filha. Acredita

etc. Na minha opinião o maior presente

é um filho(a) é A BENÇÃO SUPREMA.

Pois bem, adotamos um meninão que

simplesmente apareceu em nossas vidas,

com os seus “longos” 7 (sete) anos de

idade.

Posso garantir que não existe presente

melhor do que:

• Chegar em casa, após o trabalho

e ouvir aquela voz gritando de alegria:

“O Pai e a Mãe chegou...”. Não tem preço

que pague o prazer de ser recebido com

este enorme carinho.

• Estar em casa deitado na cama e

logo pela manhã ser acordado com o

afago daqueles pequeninos dedos e um

beijo seguido de um: “Bom dia, Pai” e

Ditado por Pai Zuluá de Aruanda

que sua vida ainda não está a contento

por ação mágica? A vida vai mal ou você

que não se permite olhar para a mesma?

Acaso pensa que haverá amor sem

cultivo? Pensa que haverá conquistas

sem luta, derrota e aprendizado? Acreditas

mesmo que pode viver em paz sem

gratidão?

Você tem o marido que escolheu, os

filhos que pretendeu, a casa que idealizou

e a rotina que pediu. Onde sua vida

vai mal? Que tanta insatisfação é essa?

Por que é tão difícil contentar-se com o

que se tem? É pertinente que almeje

sempre mais, mas não sem antes ser justa

com o que se tem, com o que escolheu,

pediu e optou.

Retribua o carinho do seu marido

que só não lhe abandonou por tê-la como

uma boa lembrança e querer a todo custo

retomar o que você deixou num passado

sem motivo. Seus filhos só precisam da

sua atenção e legítimo carinho.

Falta-lhe emoção? É disso que reclama?

Mas o que tem feito para alterar

a rotina? Quer mais conquistas mate-

“Bom dia, Mãe”, “Vamos fazer café, deixa

que eu ajudo”.

• Ver seu filho(a) te procurar, durante

a madrugada, porque teve um pesadelo

e está com “medo”, demonstrando

que confia em você e precisa de você.

• Ver seu filho(a) te procurar pra

brincar, para literalmente “rolar com ele

no chão” e ouvir aquelas risadas que

apenas as crianças possuem onde o som

parece quebrar e desmanchar todo e

qualquer cansaço ou qualquer sentimento

negativo que possa existir.

• Ver seu filho(a) olhando dentro

do seu olho e dizendo algumas palavras

que, muitos de nós, as vezes esquecemos:

“Desculpa, quebrei sem querer”,

riais? Do que você precisa? O que tem

feito para atingir seus objetivos?

Tem falta de um passado jovial?

Entenda que tudo passa, o tempo passa

e você passa pelo tempo. Lembranças

são o que são, memórias para

que você não se esqueça do é, foi e o

que não quer ser ou voltar a ser.

Seja sincera, a vida lhe foi muito

boa e você, por ser movida por uma

ingratidão constante, por uma necessidade

de ser mais do que faz por ser e

não mover um grão de areia para que

sua realidade seja ao menos diferente,

diz ainda ter a “certeza” que é algo de

inveja e magia?

Desfaça você mesma a magia da

ilusão que criou a si mesma. Saia deste

quadro de lamentos gratuitos e olhe

para o que tem, antes de almejar o que

poderá ter e ser.

Após estas duras e verdadeiras palavras,

Eliza num choro compulsivo de

vergonha não conseguia falar, talvez

nem pensar.

- Agora você voltará ao corpo, lem-

“Obrigado”, “Com licença”,

“Posso fazer isso ou aquilo?” e

“Posso pegar?”.

• E a suprema sensação de

ver seu filho(a) correr em sua

direção de braços abertos pelo

corredor de casa, jogando-se

em seu colo e te dando um beijo

dizendo: “Te amo, Pai” ou “Te

amo, Mãe”, tudo isso acompanhado

de um abraço forte e

apertado.

Com estas cenas de carinho,

de atenção, de respeito e de amor

que nosso filho demonstra por nós, fico

imaginando, se nós, simples mortais,

sentimos isso, então como nossos Pais

e Mães Orixás devem se sentir e

esperar de nós?

Será que sentem o mesmo quando

vamos visitá-los em vossos pontos de

força, e com o amor no coração saudamos

vossas forças e nos empenhamos

em aplicar tudo o que eles nos ensinaram?

Será que eles também sentem

orgulho quando dizemos: “Desculpa”,

“Obrigado”, “Com licença”, “Posso fazer?”,

“Posso pegar?”, etc?

Já pararam pra pensar que seremos

filhos eternos para os nossos Orixás?

brando de tudo o que ocorreu aqui e

estará de volta à sua realidade, seja

melhor consigo e com os seus.

E Sr. Ogum Sete Caminhos recostou

a ponta de sua espada na cabeça de

Eliza, novamente um clarão tomou conta

da encruzilhada e Eliza acordou com

seu marido desesperado lhe chamando:

- Meu bem, acorda, acorda, Eliza, meu

amor, por favor!

Ao abrir os olhos, ele sorriu amorosamente,

Eliza mais uma vez foi tomada

por uma vergonha incalculável, abraçou

Roberto e chorou...

Esta foi mais uma ação daqueles

ordenadores espíritos que trabalham

sob os ditames de Pai Ogum. Que

quando evocados não estão à disposição

do evocador, mas tão somente da

Lei, da Verdade e do Caminho reto.

Esta história de Eliza retrata um pouco

dos milhares de casos constantes de

pessoas que abarcam aos terreiros de

Umbanda, e vestidos com a “máscara

do desafortunado” lamentam sobre tudo,

e que não são capazes de reconhecer

o que têm e o que podem vir a ter

por serem capazes de ter.

Muitos destroem seus casamentos

por falta de zelo, respeito e maleabilidade.

Outros minam suas relações familiares

pelo insistente relapso de retribuição

e gratidão. Outros pedem empregos

e os desprezam por não serem

gratos ao que têm antes de se preparar

para algo a mais.

Assim, num fluxo contínuo e constante

de uma espécie de torpor comportamental,

os filhos desta matéria, deste

plano físico, perpetuam uma cultura de

crise existencial em prol de uma necessidade

mal expressa e incompreendida...

Desejo que Pai Ogum, aquele que

reflete a Lei do Criador, a Ordem no

Universo, através de seus milhares de

falangeiros e intermediários, esteja ao

lado destes filhos na matéria, e que

possam ser corrigidos e reposicionados

no caminho reto da evolução.

Ogum abençoe, Ogum proteja,

Ogum encaminhe!

Patakorê Ogum Yê!

Contatos: rodrigo@ica.org.br

Podemos ter 100 anos e ainda assim

continuaremos sendo filho(a)s. Nossos

Orixás continuarão SEMPRE do nosso

lados, continuarão olhando por nós,

continuarão a nos repreender (quando

necessário para uma melhor “educação”

ou “evolução”) e mesmo que cometamos

o mais dos hediondos crimes humanos

ou espirituais, eles sempre serão

nossos Pais e Mães Orixás. É claro que

um castigo será dado, pois é assim que

fazemos com nossos filho(a)s visando

sua evolução e educação; e tenha

certeza de uma coisa: Eles jamais o

abandonarão, bem como nós, pais e

mães (carnais), jamais abandonaremos

nossos filho(a)s. Assim como nossos

Orixás nos orientam e cuidam de nós,

também devemos fazer o mesmo,

orientar e cuidar e jamais DITAR ou

IMPOR.

Agora um conselho, a todos os

meus amigo(a)s, PAIS e MÃES:

Cheguem em casa hoje e dêem aquele

abraço e aquele beijo em seu(s)

filho(a)s, diga-lhes de coração o que

sentem por ele(a)s. Lembrem-se de que

os nossos Pais e Mães Orixás fazem

isso todos os dias e muitas vezes nós

que não os escutamos e sentimos.


JORNAL DE UMBANDA SAGRADA - ABRIL/2011 Página -11


Página -12 JORNAL DE UMBANDA SAGRADA - ABRIL/2011

O

cachimbo é um instrumento bastante

conhecido e apreciado na

Umbanda. Normalmente o vemos

na boca de um Preto Velho, que

sabiamente o pita quando aconselha um

filho de fé.

A origem do cachimbo é muito antiga

e ele é encontrado em todos os continentes,

possui diversos formatos e é

fabricado com materiais variados.

Na Mãe África o cachimbo é empregado

pelos curandeiros nativos com finalidades

mágicas e religiosas. O Kimbanda

– o mago bantu – nunca deixa seu

Pexi (cachimbo) de lado. Nei Lopes, no

Novo dicionário banto do Brasil, afirma

que a origem da palavra vem do idioma

kimbundu: kuxiba, “chupar” (a fumaça).

Nossos indígenas são peritos na arte

de cachimbar e os pajés são verdadeiros

mestres cachimbeiros.

Seja na boca de um Preto Velho ou

de um Caboclo, que também usa o charuto

para a mesma finalidade

religiosa, o cachimbo

possui muitos segredos.

Na Pajelança Cabocla,

uma variante da Pajelança

Indígena, ele é símbolo

do Universo.

Seu forno, onde colocamos

ervas misturadas

ou simplesmente tabaco,

é a imagem da Mãe Mata -

o feminino sagrado.

O tubo, por onde a fumaça é

aspirada, representa o Pai Céu - o

masculino sagrado.

As ervas colocadas no forno são as

criaturas viventes: os minerais, os vegetais

e os animais.

A fumaça é a Natureza em movimento,

o sopro que tudo envolve e o

espírito que anima os seres.

Quando a fumaça cobre um objeto

ou um vivente, ela infunde o poder do

encanto que liga a Terra ao Céu, e o

Mundo Humano ao Mundo Divino.

Pitar o cachimbo, dentro de um

ambiente religioso, é um ato sagrado.

O cachimbeiro é um veículo dos bons

espíritos e um agente da cura dos males

do corpo e da alma.

O cachimbo de um pajé não é mera

madeira. Ele é um aliado e uma criatura

com alma.

Nos rituais da Pajelança Cabocla o

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pito recebe um nome mágico.

Ele é lavado com ervas

secretas e depois é enterrado

numa Lua Cheia especialmente

escolhida.

Num ritual fechado para os não iniciados,

o cachimbo é retirado do ventre

da terra e é festejado como um novo

membro da irmandade.

Como “virou bicho”, no linguajar dos

curandeiros da floresta, ele será alimentado,

de tempos em tempos, com

sumos vegetais. Também habitará numa

toca, lugar escuro e quieto,

onde repousará depois das

sessões de cura.

Na calada da noite o

cachimbo fala com o pajé e

toma a forma de um animal

de poder... Ele está vivo!

Ervas variadas podem ir

dentro do Petenguá, como

os guaranis chamam o cachimbo.

A ordem delas varia

segundo a finalidade, o

momento e a intenção do ritual.

Plantas brasileiras e de outras terras

formam a farmácia do cachimbeiro

caboclo. O tabaco é a mais conhecida.

Na Pajelança Cabocla o Pai Tabaco

possui dois espíritos aliados: a Yawara

(onça) e a Yibóia (Jibóia).

A onça é uma emanação da Mãe da

Mata e a jibóia é sua filha. Estes dois

espíritos são invocados quando o pajé

se enfumaça e canta as palavras certas,

que convidam os aliados a se

manifestarem nesse mundo.

O Pajé Avarumã, nosso amigo e

mestre, fala que nenhum curandeiro

pode usar o tabaco como recreio!

Quem é viciado no tabaco, diz ele,

caiu na rede dos espíritos e está cativo.

Uma pessoa viciada é uma escrava da

planta, acaba doente e deve prestar

conta aos encantados.

Nenhum iniciado nos saberes da

Formando

turma para TEOLOGIA DE UMBANDA

Rua Mohamed Ibrahim Saleh, 422 -

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mata pode ser escravo!

Afinal, um xamã

é um guerreiro...

Cachimbo e tabaco só nos rituais de fé.

Quando armados com o cachimbo,

fala o sábio da floresta, nos erguemos

como uma árvore muito alta.

Nossa cabeça toca o céu, nossos

pés afundam no solo... O coração

bate junto com o da Mãe Terra

e por nossas veias corre o

sangue verde dos espíritos.

A Pajelança Cabocla

possui dois ramos espirituais:

o Caminho do Cachimbo

(Casa do Fogo e do Ar) e

o Caminho do Maracá (Casa da Terra e

da Água). No primeiro ramo, o futuro

guerreiro curandeiro estuda os mistérios

do Mundo da Fumaça, onde moram os

sonhos e os aliados. Ele também aprende

que o cachimbo está no corpo: o forno é

a cabeça e o tubo é a coluna vertebral.

Dentro do cachimbo-corpo o pajé

coloca as ervas e adiciona o fogo (espiritual),

para a fumaça (alma) sair e viajar

até os encantados.

O cachimbo é quem cachimba o cachimbeiro,

fala Avarumã.

Outras plantas fumáveis são também

utilizadas. As mais comuns, que

podemos encontrar com facilidade e

foram reconhecidas pelos curandeiros

como amigas espirituais, embora de

origem estrangeira, aqui estão.

ALFAZEMA: muito empregada em

defumações e fumaçadas no culto da

Jurema Encantada.

Ela entra na composição

da mistura básica de esfumaçamento,

junto com tabaco

forte, incenso (olíbano) e alecrim.

ARTEMÍSIA - chamada de

Tabaco de São Pedro: usada na forma

de charuto, pó, chá, tintura, extrato,

essência, sumo, banho e até vinho

(Vinho de São Pedro). Ela é tônica e

vermífuga. Não deve ser usada em

grande quantidade como chá, mas fumada

é inofensiva.

Uma mistura de cachimbo famosa é

a “Velha Bruxa”: 10 gramas de folha de

figueira, 15 gramas de verbena, 30

gramas de tabaco suave e 5 gramas

de artemísia. Ela também é usada

no Tauarí ou charuto de pajé.

ESCAROLA – conhecida

como Tabaco

Longa Vida: uma planta

fumável bem conhecida e

usada para substituir o tabaco.

Empregada como alimento,

loção, pó, charuto,

loção e cataplasma por

centenas de anos. Ela é nutritiva,

depurativa, analgésica e sedante, por

isso não deve ser fumada em grande

quantidade. Combinada com um pouco

de artemísia obtemos um boa fonte de

fumaça curativa.

VERBENA: a preferida pelos Mestres

dos Bosques – os curandeiros

bruxos de Portugal - que foram exilados

para o Brasil no período colonial.

Boa planta

para fumar, mas

deve ser misturada

com artemísia e

tabaco. Uma maravilha

para defumar.

Ela purifica o

ambiente e destrói

os miasmas (energias

negativas

aglomeradas nos

cantos das casas).

Muito ainda podemos contar sobre

este instrumento sagrado. É uma pena

que alguns centros de Umbanda estão

deixando o cachimbo de lado e adotando

o cigarro.

Outros centros estão abandonando

a fumaça, seja a do cachimbo ou a do

defumador. Isso é preocupante. O cachimbo

e a fumaça sagrada estão no

início da história da Umbanda, desde que

o primeiro Preto Velho sentou no seu

canto e pediu o querido pito...

Seria triste ver a alegre e perfumada

Umbanda parecendo uma melancólica

e inodora igreja evangélica!

Salve o cachimbo e viva a fumaça!


JORNAL DE UMBANDA SAGRADA - ABRIL/2011 Página -13

ADRIANO

CAMARGO

S

aravá sagrados irmãozinhos e irmãzinhas

em Mãe Natureza. Benção de Papais e

Mamães Orixás em nossas vidas.

Temos recebido exemplos de simplicidade

desde o começo de nossa história religiosa

na Umbanda. O Sagrado Pai Caboclo das

Sete Encruzilhadas e seu médium excelso Pai

Zélio de Morais, dispensam comentários. Referência

no assunto humildade, nunca puxou

pra si o resultado de nenhuma de suas ações

muito menos a própria criação da religião de

Umbanda no plano humano da criação. Sempre

trouxe o mérito ao Criador e a toda equipe

invisível que o acompanhava.

Quais são as entidades espirituais que se

manifestam na Umbanda? O conhecimento

sobre as ervas é exclusividade de alguma das

diversas manifestações localizadas dentro

desse contexto? Porque há tanta diferença

entre o trabalho com as ervas, se a relação

Erva X Orixá é tão diversa e quem está certo?

Vemos terreiros e seus respectivos médiuns

que atropelam seus guias espirituais sem

pensar duas vezes afirmar que são eles que

sabem tudo e os outros são loucos. São eles

que incorporam o verdadeiro caboclo, o xamã,

a verdadeira Jurema e muitas outras

afirmações que é melhor não colocarmos aqui

para manter o nível e o padrão vibratório da

sua leitura.

Umbanda é religião, é do bem e para o

bem. Umbanda ainda é Amor e Caridade.

Amor pois reconhecemos que sem acreditar

que temos ali tudo o que precisamos para

professar nossa fé e religiosidade, não agregamos

a nós próprios, os valores necessários

para evoluirmos nela. Amor também é respeito

aos seus aspectos humanos, pois manifesta-se

no meio humano como ferramenta

evolutiva e é passível da influencia humana,

portanto guarda em si aspectos positivos e

negativos humanos.

Caridade pois é doação, entrega. O desafio

de fazer o bem sem olhar a quem.

Doação de tempo, de recursos, de natureza

humana ou o humanismo. O Poder da Palavra

expresso no oráculo mediúnico, para tanto,

caridade consigo mesmo para aprender a

aprender.

A Umbanda é transformadora e através

das formas arquetípicas das manifestações

espirituais, encontramos nuances de cada

TEMPLO DE DOUTRINA UMBANDISTA

PAI OXALÁ E PAI OGUM

TERÇA-FEIRA: Das 20h00 às 22h00

AGENDA DE CURSOS

SACERDÓCIO DE UMBANDA

DESENVOLVIMENTO

MEDIÚNICO

QUINTA-FEIRA: Das 20h00 às 22h00

MAGIA DOS RAIOS

SÁBADO: Das 10h00 às 12h00

um de nós e formas de alcançar o Criador

em nós mesmos, por analogia. Caridosamente,

muito além de um prato de comida ao

faminto, oferece-se o exemplo transformador

em si.

A Umbanda é a religião da Natureza, mas

não só da natureza de elementos à nossa

volta, os quatro primordiais – terra, água,

fogo e ar, mais os elementos complementares

do setenário – cristal, mineral e vegetal, mas

não menos importante – a Natureza Humana,

com seus altos e baixos, aspectos diversos e

formas constantes de mutação.

Se a Umbanda lida com tudo isso é natural

que tenhamos “muitas umbandas” espalhadas

por aí. E porque será que a espiritualidade

superior não ordena tudo isso, de

forma que as intrigas fundamentalistas seja

eliminadas e nossa amada religião do bem

seja realmente um luminar na vida de todos?

Imagine no campo científico, vários laboratórios,

diferentes universidades voltadas

à pesquisa. Nesse momento dedicam-se à

analise e pesquisa para a descoberta de um

medicamento para a cura definitiva de um

mal comum, uma doença enfim. Trocam

experiências e farpas ao mesmo tempo que

buscam o mesmo resultado. Encontram-se

nos seminários, cumprimentam-se, sorriem,

mas continuam disputando e quantas vezes

se odiando.

Cientistas podem trocar de lugar, alunos

podem mudar de academia, trocarem “figurinhas”

a respeito do assunto, assim como

nos times esportivos, vemos os jogadores

hora em um time, hora em outro. Resumindo,

todos jogam o mesmo jogo, com a mesma

bola, continuam disputando e tentando

marcar o gol, no entanto, no alto da sabedoria,

a lei que rege as Coisas Divinas muda

o gol de lugar o tempo todo, então todos se

movimentam em vários sentidos, mas o

objetivo é o mesmo: A Evolução!

Acreditar em unificação ou codificação é

utopia desvairada. Acreditar que há uma

verdade absoluta idem, pois cada um de nós

tem a sua verdade e seu campo de ressonância,

onde essa verdade pessoal faz eco.

Um médium se liga a um terreiro por

afinidade. Desencadeia em si a necessidade,

os olhos brilham, o coração bate mais forte,

e as pernas se movem na direção do congá,

AINDA DÁ TEMPO!

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nova

direção

que o chama o atrai com seu magnetismo

particular, que soa no íntimo e reage ao espírito.

Ressonância, eco.

Abençoadas ervas; conhecimento natural

que vem de Aruanda para abençoar a

todos nós e consagrar nossos terreiros com

a força da Jurema. Desde o começo do nosso

tempo religioso nós cantamos para as ervas

cantando para Jurema.

Espalhamos folhas no chão e colocamos

flores no congá. Misturamos ervas secas e

resinas para defumação. A consagração do

espaço religioso e do corpo mediúnico.

Fazemos tudo isso igual. Se alguém quer

usar bacias e turíbulos de ouro que o façam,

mas viva a simplicidade que é por onde as

coisas boas fluem. Um caboclo, um preto

velho vem pra trabalhar independente da

marca do fumo ou do charuto que o oferecem.

Se acontecer algo diferente disso com

certeza é o íntimo vaidoso do médium

falando mais alto.

Vamos a algumas receitinhas básicas

para casa e principalmente para o terreiro:

PARA QUEBRAR DEMANDAS:

Defumação para purificação do ambiente

do terreiro – mirra, casca de alho, arruda,

casca de aoeira, casca de jurema preta,

pinhão roxo e pimenta do reino em grãos.

Bate folhas com aroeira, folha do fogo, para

raio e espada de são Jorge. Forrar o chão

com essas folhas por pelo menos 8 horas.

PARA EQUILÍBRIO E ORDENAÇÃO

(8 HORAS APÓS A PURIFICAÇÃO):

Defumação para harmonia e paz –

olíbano, alfazema, alecrim, sálvia, capim

cidreira ou melissa, hortelã, pichuri e noz de

cola, os dois últimos bem triturados.

Defumação para mediunidade – olíbano,

alfazema, jasmim, anis estrelado, rosa

branca.

DEFUMAÇÃO PARA SAÚDE E

PROSPERIDADE

Benjoim, louro, carapiá, assa peixe,

sete sangrias, capim rosário, folhas de

eucalipto Bate folhas com folhas de cana,

eucalipto, peregun verde, colônia e boldo

(tapete de oxalá), carobinha e são

gonçalinho. Espalhar essas folhas pelo chão

por pelo menos 8 horas.

Manter flores coloridas no ambiente.Não

esquecer de pelo menos a vela oferecida ao

Criador e ao Anjo da Guarda.

É isso turminha, muito obrigado pela

oportunidade!

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Página -14 JORNAL DE UMBANDA SAGRADA - ABRIL/2011


JORNAL DE UMBANDA SAGRADA - ABRIL/2011 Página -15

Na noite da quarta-feira (06/04/

2011) eu, meu filho e mais 108

pessoas que representaram (praticamente)

todos os principais segmentos

religiosos do país, vivemos uma ocasião

inesquecível de PAZ, AMOR e RESPEITO

MÚTUO. Participamos de um encontro

inter-religioso promovido pela Fundação

Lama Gangchen para Cultura de Paz,

por ocasião da curta temporada do Venerável

Lama Gangchen Rinpoche, cuja

vontade era rever antigos amigos e fazer

novas amizades, numa celebração

ecumênica. Todos os presentes foram

recebidos pessoalmente pelo Venerável

Lama Gangchen Rinpoche e fiquei

impressionado com a atenção e carinho

que ele dispensou a todos nós.

Entre as lideranças umbandistas estavam

presentes Pai Aguirre, nossa irmã

Sandra Santos - presidente da AUEESP,

nossa irmã Maria Aparecida Naléssio –

presidente do PRIMADO de Umbanda,

além de outros representantes de

religiões das matrizes afro. A reunião

decorreu em clima familiar e parecia que

todos se conheciam a anos, embora a

grande maioria estivesse em primeiro

contato.

O monge que atuou como apresentador

e mestre de cerimônia (com voz

radiofônica) convidava cada um dos

representantes para que fizesse uso da

palavra para uma MENSAGEM DE PAZ e

numa breve prece segundo sua crença

litúrgica. Aprendíamos muito com cada

palestrante. Cada fala, cada ponderação

era como uma semente de amor

brotando em nossos corações.

Todos fizeram uma prece em prol

da humanidade e seus problemas decorrentes

da evolução tecnológica. Lembramos,

principalmente, dos acidentes

atômicos, mas não podemos deixar de

mencionar os decorrentes do excesso

de lixo, do aquecimento global e da

devastação ecológica desenfreada em

nome da civilização.

Minha alegria era tanta e o aprendizado

tão sublime que, em minha vez

de falar, sendo um dos últimos oradores,

lembrei-me de meus quase 80 janeiros,

que sempre é tempo de aprender e

também que quando se está entre os

bons aprende-se coisas boas.

Me emocionei até as lágrimas após

sermos solidários às terríveis conseqüências

do terremoto e tsunami responsáveis

pela destruição de cidades

do Japão, fomos chamados à reflexão

sobre a necessidade da utilização da

energia nuclear e suas possíveis e

tétricas conseqüências. O político do PV,

Fábio Feldman - ex-secretário do meioambiente

– falou com muita lucidez

sobre o assunto. O mesmo fez a Sra.

Eloísa de Souza Arruda, secretária da

Justiça do Estado de São Paulo.

Finalmente fizemos um culto

ecumênico rogando ao Senhor dos

Nossos Destinos pela PAZ, pela

COMPREENSÃO, pelo AMOR e REPU-

DIANDO a GUERRA.

Após uma breve confraternização

voltei para casa com o coração mais

leve e batendo harmoniosamente por

trazer comigo a certeza de que “NÃO

VAI SER SEMPRE ASSIM”. A certeza

veio da confirmação de que há pessoas

das mais diferentes origens, raças,

cores, religiões e convicções dispostas

a fazer algo que a PAZ se instale e se

realize na vida, na mente e no coração

de cada um de nós. Assim... Cheguei

em minha casa adormeci e tive um sono

tranquilo.

07 de abril, acordo, beijo minha esposa,

meus filhos, tomo um apressado

desjejum e saio para o trabalho. Ligo o

rádio do carro (sempre na Jovem Pan

AM para manter-me informado). Logo

a programação é interrompida para

informar a notícia de última hora:

“TIROTEIO DENTRO DE ESCOLA MATA

VÁRIOS ADOLESCENTES E CRIANÇAS”.

Tiroteio na escola?

Mas a escola não é lugar onde deixamos

nossos filhos em segurança?

A escola não é o lugar que nos

tranqüiliza, pois nossos filhos estão aprendendo

a serem bons cidadãos, bons filhos

e bons pais no futuro? Não é a escola

hoje o palco de uma violência absurda,

inaudita, nunca vista em nosso país?

Até o momento que escrevo estas

linhas, 9 meninas e um garoto foram

mortos por um homem ensandecido.

Não sei mais quantos virão a morrer.

Vítimas graves, que internadas estão.

Qual a razão desse desatino? As

primeiras notícias muito confusas; “um

pai vingando-se de bullying em seu filho?

Embriaguês? E muitas outras especulações.

Na verdade, trata-se de um ato de

barbárie, de loucura, de um jovem insensato.

Não se trata de nenhum religioso,

mas sim de um maluco que tenta

esconder sua loucura na religião.

De nada adiantará sairmos à busca

de culpados e nem tampouco procurar

explicações para um ato que não se

explica, mas gostaria de fazer um

pedido:

Não quero aqui iniciar uma corrente

eletrônica, nem tampouco um abaixo

assinado que passe de mão em mão e

acabe por se perder durante sua jornada

física.

O que eu gostaria e desejo pedir a

todos é que:

• Façamos desses assuntos temas

recorrentes em nossas vidas;

• Ao sentar à mesa para uma refeição,

conversemos com nossos filhos,

saber o que pensam a respeito, se falam

sobre isso em suas salas de aulas;

• Estando com amigos, vamos perguntar

suas opiniões e debater sobre o

assunto;

• Em nossas casas ou em reuniões

de condomínios, perceber o que podemos

fazer para melhorar essa situação;

• Pensemos sinceramente sobre o

lixo que produzimos;

• Analisarmos se temos o hábito de

jogar lixo em qualquer outro lugar que

não sejam lixeiras;

• Os que fumam pensar se jogam

suas guimbas em qualquer lugar ou

procuram um cesto de lixo;

• Olharmos quantas plantinhas há

em nossas casas pensarmos e não seria

bom envolver as crianças nas podas e

no cuidado para que elas vissem as

flores nascer;

Nossa capa:

A imagem publicada

na capa

desta edição,

nas cores do

homenageado

deste mês,

nosso querido

Orixá Ogum,

é reprodução de

uma gravura de

um índio cherokee

livremente

editado em

photoshop

por Laura

Carreta.

• Levar nossos filhos em algum

lugar que pudessem plantar uma semente

para poder acompanhar seu

crescimento;

• Substituir, na medida do possível,

tudo o que não seja natural e que não

nos faça falta;

Vamos começar, um a um, uma

CULTURA DE PAZ que não fará muito

barulho, não movimentará grupos

parando o trânsito, nem tomará mais

tempo livre de quem já não tem quase

nenhum preenchendo correntes pela

internet, façamos nossa parte junto

aos nossos: pais, filhos, irmãos,

parentes, amigos próximos, enfim,

aquelas pessoas com quem podemos

ter a liberdade e oportunidade de falar

sinceramente, sem ser taxados de

chatos ou importunos.

Cada um de nós segurando a mão

de quem está ao lado, não tardará e a

corrente não terá mais fim.

CULTURA DE PAZ, ESSE É O MEU

PEDIDO A TODOS QUE TÊM AMOR NA

ALMA E OXALÁ NO CORAÇÃO.

Pai Ronaldo Linares - irmãopresidente

da Fundação Umbandista

do Grande ABC, mantenedora do

SANTUÁRIO NACIONAL

DA UMBANDA

O Vale dos Orixás

Tels. 4338-0946 / 4338-0261

Nextel: 100*42978

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Página -16 JORNAL DE UMBANDA SAGRADA - ABRIL/2011

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