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Um índio brasileiro na escola

Está na Hora!

ASSOCIAÇÃO DE PAIS E ENCARREGADOS DE EDUCAÇÃO

ESCOLA EB2,3 DA SENHORA DA HORA

ESCOLA DE LÍNGUAS

Inglês

Francês

Alemão

Espanhol

Italiano

Russo

Português

(como língua estrangeira)

Avenida Fabril do Norte, 819 - 1º X • 4460-444 S. da Hora • Telef. / Fax: 229 549 035

Boletim n.º 7 / Março de 2008


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Editorial

Está na hora de mudança, caros pais e encarregados de

educação. Com a entrada em vigor da nova legislação,

iremos ter mais intervenção e responsabilidade na vida

escolar.

A organização administrativa e pedagógica da escola irá

sofrer alterações: significativas ou não, a ver vamos:

– O conselho executivo dará lugar a um director executivo,

que verá alargadas e reforçadas as suas competências,

sendo, por exemplo, da sua responsabilidade a atribuição

dos cargos pedagógicos inerentes às diferentes estruturas

intermédias de orientação educativa;

– A assembleia de escola será substituída pelo conselho

geral, órgão em que os pais têm assento e que, dentro de

outras competências reguladoras e deliberativas, procede

à eleição/destituição do director executivo.

Estas alterações vão-nos obrigar a nós, pais e encarregados

de educação, a ter responsabilidades acrescidas. Temos

portanto de nos disponibilizar e preparar para as mudanças

que se avizinham. Está na hora de deixarmos de assobiar

para o alto e participarmos activa e responsavelmente

na construção de uma escola melhor. Nesse sentido, foi

criada, no passado mês de Fevereiro, a UNAPASH, União

das Associações de Pais das Escolas do Agrupamento

Vertical da Senhora da Hora (vd. artigo mais adiante),

a qual será com certeza muito importante na abordagem

aos novos tempos e desafios educativos.

Quero ainda deixar uma palavra de agradecimento aos

delegados e subdelegados de turma e aos representantes

dos pais, efectivos e suplentes, que compareceram às

reuniões convocadas pela associação de pais.

Não posso deixar igualmente de agradecer aos nossos

parceiros e patrocinadores a sua extraordinária

Editorial pág. 02

Associação pág. 03

Agrupamento pág. 04

A Voz dos Alunos pág. 08

O Sal da Língua pág. 09

Opinião pág. 10/14

Matemática pág. 12

Segurança pág. 13

colaboração, na esperança de que outros mais se juntem

a nós, de forma que o Está na Hora! possa sobreviver

cada vez com mais qualidade.

Como o boletim é sempre lançado no fim de cada período

lectivo, é tempo de se começar a preparar, desde já,

matéria para o próximo número. Ou por mão própria ou

através do endereço electrónico apais.eb23shora@sapo.

pt, faça chegar à associação o seu contributo: divulgue,

aconselhe, eduque, ensine, sugira, advirta, interrogue,

questione, consulte, reflicta, partilhe, critique, divirta,

enfim, escreva o que lhe vai na alma. Escreva qualquer

coisa, escreva uma coisa qualquer, mas, por favor,

escreva! Ajude-nos a dar vida a este PROJECTO.

A terminar, impõe-se que a direcção da associação

de pais dê, uma vez mais, justo e público testemunho

da colaboração, do apoio e da abertura que têm sido

excelentemente prestados pelo conselho executivo em

muitas das actividades propostas e levadas a cabo por

esta associação.

Rui Meireles


No passado dia 17 de Janeiro, a convite da Associação de

Pais da EB2,3 da Senhora da Hora, o Dr. José Francisco

de Lima proferiu, no auditório, uma palestra intitulada

Os Índios Brasileiros, destinada, em tempo de aula e no

âmbito da disciplina de Geografia, aos alunos do 8.º A

e do 8.º B, obviamente acompanhados pelas respectivas

senhoras professoras.

Antes de mais, um pequeno episódio que vale a pena

contar. Feita a divulgação da palestra, rapidamente correu

a notícia de que um índio iria à escola. Chegado o dia e a

hora, ansiosos, os miúdos estavam à espera de um índio

a sério: com arco e flechas e tudo, sem ser de Carnaval.

Uns ficaram apenas espantados, quando se depararam

com um índio igual a eles, mas outros, não resistindo à

curiosidade de ver o dito cujo e espreitando pela porta

entreaberta do auditório, ficaram na dúvida se o índio era

Um índio brasileiro na escola

Associação

o verdadeiro ou o membro da associação de pais que o

acompanhava: «Qual deles é o índio? É o careca?!» A

coisa prometia…

Os alunos lá entraram, acomodaram-se e facilmente se

deram conta de quem era, afinal, o índio palestrante: era

brasileiro, filho de mãe portuguesa e pai índio yanomami,

professor de educação artística em São Paulo, tendo

desenvolvido, ao longo de vários anos, importantes

trabalhos no domínio da recolha de documentos sobre a

cultura popular brasileira.

O Dr. José Francisco de Lima iniciou a palestra com o

registo, no quadro, do seu nome em yanomami, o que,

desde logo, deixou os miúdos extasiados com um sistema

de escrita que lhes era completamente estranho.

Em seguida, deu a conhecer costumes e hábitos do povo

yanomami e identificou as principais diferenças entre os

índios yanomami da Venezuela e do Brasil em relação

aos meios de sobrevivência.

Falou também dos descasos feitos pelos povos e

garimpeiros na sua guerra pelo ouro, das doenças causadas

pelo chumbo contido em águas usadas na preparação de

alimentos e do incumprimento, pelo governo brasileiro,

de leis específicas que garantem ao povo indígena não

só o direito à sua terra e à produção bem como o direito

à sua existência como povo e cultura.

Das tradições e das dificuldades dos Yanomami, projectou

algumas imagens que ora seduziram os presentes pela

sua exótica beleza ora os inquietaram pela sua crueldade

atroz.

Por fim, respondeu às perguntas feitas por alunos e

professores, esclarecendo muitas dúvidas e satisfazendo

inúmeras curiosidades, num testemunho inequívoco de

que todos, os mais miúdos e os mais graúdos, tinham

gostado do que tinham visto e ouvido.

Ficou inclusive a promessa de que seriam desenvolvidos

trabalhos de pesquisa e, posteriormente, divulgados

à comunidade escolar. Com certeza que o Dr. José

Francisco de Lima iria gostar de saber, na sua imensa

São Paulo, que uma escola portuguesa de uma pequena

vila, de nome Senhora da Hora, tinha cumprido o que

prometera, contribuindo, do lado de cá do Atlântico,

ainda que muito modestamente, para a causa humanitária

dos Yanomami.

Assim seja!

Jorge Moranguinho

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Associação/Notícias

União das Associações de Pais da Senhora da Hora

Durante os meses de Janeiro e de Fevereiro, as associações de pais das escolas do Agrupamento Vertical da Senhora

da Hora desenvolveram a parte final do trabalho que levou à constituição de uma estrutura que, no futuro, lhes

permitirá tratar e debater problemas comuns.

Após a concepção dos estatutos da nova união, a formalização final ocorreu em meados de Fevereiro, com a aprovação

do referido documento regulamentador da sua actividade e a eleição dos primeiros corpos gerentes.

A denominada União das Associações de Pais das Escolas do Agrupamento Vertical da Senhora da Hora (UNAPASH)

integra as associações de pais da EB2,3 da Senhora da Hora, da EB1 da Amieira, da EB1 do Sobreiro e da EB1 dos

Quatro Caminhos.

No presente ano lectivo, a UNAPASH terá os seguintes corpos sociais:

Assembleia Geral

Presidente – Paulo Marinho (EB1 da Amieira)

1.º Secretário – Silvino Tavares (EB1 do Sobreiro)

2.º Secretário – Vítor Veiga (EB2,3 da Senhora da Hora)

Conselho Fiscal

Presidente – Suzana Valente (EB1 do Sobreiro)

Vogal – Homero Carvalho (EB2,3 da Senhora da Hora)

Vogal – Ana Paula Oliveira (EB1 da Amieira)

Os clubes rotários são associações de profissionais

que têm como principal objectivo proporcionar dignas

condições de vida às populações, no âmbito da saúde,

do trabalho, do ensino, da família, da juventude, da

velhice…

Na Senhora da Hora, existe, há mais de vinte anos, um

clube rotário que tem procurado desempenhar essas

tarefas com o maior êxito.

No caso do ensino, porque é desse que pretendemos,

hoje, tratar neste boletim, há que destacar o apoio que

é concedido a jovens estudantes, através de diplomas

atribuídos aos melhores alunos de cada turma de cada

ano escolar de todas as escolas secundárias da Senhora

da Hora.

No dia 22 de Fevereiro passado, na sede do Rotary Club,

na Rua Clubes de Serviços (transversal à Rua Chaby

Pinheiro), foram distinguidos os melhores alunos do

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Conselho Executivo

Presidente – Rui Meireles (EB2,3 da Senhora da Hora)

Secretário – Fernando Oliveira (EB1 da Amieira)

Tesoureiro – José Ferreira (EB1 do Sobreiro)

Vogal – Marta Pinto (EB2,3 da Senhora da Hora)

Vogal – Ana Raquel (EB1 da Amieira)

Vogal – Rui Morais (EB1 dos Quatro Caminhos)

Vogal – Vítor Carvalho (EB1 do Sobreiro)

Rotary distinguiu jovens estudantes

ano escolar de 2006/2007, entre os quais se encontram os

seguintes, indicados pela EB2,3 da Senhora da Hora:

• 5.° ano - Mariana Carvalho Muga

• 6.° ano - João Carlos Gomes Queiroz

• 7.° ano - Ana Filipa Peixoto Miranda

• 8.° ano - Joana Patrícia Gonçalves Meireles

• 9.° ano - Joana Moreno Silva

Para eles e para as respectivas famílias, os nossos parabéns

e votos de que continuem os seus cursos mantendo as

classificações que têm conseguido obter, o que lhes trará

proveito na sua futura vida profissional.

Na festa de entrega de diplomas, a entrada foi livre e

contou-se com a presença dos seus colegas de escola e

das respectivas famílias.

Além destas distinções atribuídas aos melhores alunos de

cada escola secundária local, o Rotary Club da Senhora

da Hora concede, também, bolsas de estudo para o

ensino superior a alunos cujas dificuldades económicas

impediriam não só o pagamento de despesas com

inscrição, propinas, transportes, alimentação, livros e

outro material escolar mas também, por consequência, a

continuação dos seus estudos.

No ano em curso, são dez os jovens que frequentam

cursos superiores e beneficiam de bolsas de estudo.

Relativamente aos anos anteriores, foram muitos os

bolseiros que completaram os seus cursos com a ajuda

financeira dos rotários e se encontram já no exercício da

sua actividade profissional.

Rotary Club da Senhora da Hora


Carnaval 2008

Agrupamento

No passado dia 1 de Fevereiro, os alunos do 9.º A realizaram uma festa de Carnaval dirigida a todos os alunos da

escola. Durante a festa, a diversão foi generalizada, com momentos de música e de dança.

Tivemos a belíssima actuação da Escola JDS (Just Dance School), que nos animou com o seu ritmo e a sua

enorme vontade de actuar e dar o seu melhor.

Seguiu-se o concurso de máscaras, em que muitos dos alunos presentes nos divertiram com as suas máscaras, a

sua boa disposição e o seu extraordinário sentido de humor.

Queremos agradecer, assim, a colaboração de todos aqueles que nos ajudaram a preparar a festa e que nela

participaram, proporcionando-nos gratos momentos de diversão para mais tarde recordar.

Brevemente, o 9.º A realizará mais iniciativas e conta de novo com a colaboração de todos: alunos, professores,

funcionários, pais e associação de pais.

Obrigada! Esperamos que se tenham divertido.

Patrícia Meireles (9.º A)

No dia quatro de Janeiro, esteve, na nossa escola, um

historiador, o Dr. João Simões, que veio fazer um

workshop sobre arqueologia, tendo trazido diversos

objectos que ele próprio descobriu nas variadíssimas

escavações arqueológicas que tem dirigido e em que

se tem empenhado.

A turma pôde contactar com a sua realidade e

sentir quanto ele é apaixonado pelo conhecimento

do passado. Enquanto nos falava, ia mostrando os

diferentes objectos que estavam ligados a várias

épocas.

As pedras pertenciam à Pré-História, época do

início da evolução da espécie humana, em que os

homens recolhiam da natureza o que necessitavam,

e também ao período posterior, quando os homens já

produziam bens para as suas necessidades. De realçar

que muitas das pedras que trouxe tinham marcas de

Um historiador na escola

serem trabalhadas pelos primeiros artesãos. Também nos

mostrou réplicas de objectos que faziam parte da vida

quotidiana dos habitantes da Península dos primeiros

séculos da nossa era (a época dos Romanos, com a sua

civilização, mudou toda a Europa).

Entre o variado espólio, pudemos observar livros

manuscritos, dactilografados e impressos (ficando com

uma ideia geral da evolução do livro), mas o que mais

nos impressionou foram uns botões de punho do último

rei de Portugal, D. Manuel II.

O Dr. João Simões também trouxe imensas aventuras

para nos contar. Passámos um bom bocado e aprendemos

muito!

Trabalho elaborado por Carla Sousa e Clara Megre Lousada (7.º C)

com a colaboração da professora de História, Dr.ª Helena Pratinha.

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Agrupamento

Visita de estudo ao Castelo de Guimarães

No passado dia 30 de Janeiro, as turmas A, B e C do

4.º ano da EB1 Quinta de S. Gens realizaram uma visita

de estudo à cidade de Guimarães, com o objectivo de os

alunos aprofundarem conhecimentos sobre História de

Portugal.

Começaram por visitar o Palácio dos Duques,

acompanhados por uma guia que foi explicando a função

No dia 16 de Outubro, no âmbito das comemorações do

Dia Mundial da Alimentação, realizou-se, na nossa escola,

um peddy-paper, tendo sido as equipas vencedoras as

seguintes:

2. º Ciclo

Equipa Vencedora – TRAQUINAS (6.º D)

3.º Ciclo

Equipa Vencedora – DARK ANGELS (9.º A)

No dia 19 de Novembro, em colaboração com a Equipa de

Saúde Escolar do Centro de Saúde da Senhora da Hora,

realizou-se, na nossa escola, uma acção subordinada ao

tema: Distúrbios Alimentares - Obesidade, Anorexia e

Bulimia.

Tendo sido o principal objectivo da acção a sensibilização

dos pais e encarregados de educação para hábitos

alimentares pouco saudáveis, é de lamentar a sua pouca

adesão, pois apenas estiveram presentes nove.

Projecto Educar para a Saúde

A Comissão do Projecto Educar para a Saúde

de cada divisão do palácio. Nalgumas divisões, havia

tapeçarias que ilustravam batalhas e episódios numa

época da nossa História. A sala de armas foi a que

entusiasmou mais os alunos, por verem armas e

escudos dos séculos passados. A imaginação levouos

para os campos de batalha cheios de guerreiros

corajosos…

Nos quartos, estavam as camas do rei e da rainha. A

guia contou que, naquela época, dormiam sentados,

porque as mulheres não queriam estragar os penteados,

e os homens pensavam que, se dormissem esticados,

morreriam.

Depois do almoço (piquenique), o grupo seguiu para

o Castelo de Guimarães, que é símbolo do nascimento

de Portugal. Os alunos observaram e percorreram

parte das muralhas do castelo.

A visita terminou na capela de D. Afonso Henriques,

local do seu baptismo e onde foram enterrados alguns

cruzados e nobres.

A prova de que estas actividades são aprendizagens

vivas é esta notícia, que foi redigida por vários alunos

do 4.º B. As descrições e curiosidades contadas

demonstram bem que apreciaram a visita à cidade

berço.

Cristina Cabral


Hora do Conto na Escola da Amieira

A Hora do Conto saiu da Escola EB2,3 da Senhora da Hora

pela mão da professora Esperança e foi à Amieira, escola

que faz parte do nosso agrupamento, levar a alegria e o

sonho aos alunos do 1.º ciclo.

São momentos mágicos que se têm repetido, com os

alunos do 2.º ano a viajarem por florestas de bruxas que

transformam noites de meninos chorões em noites de

sonho e pensamentos bonitos. Todos aprenderam a lição

da bruxa Lucília e prometeram nunca mais acordar os pais

durante a noite.

Também combinámos que seriam eles a contar a história

aos pais, antes de deitar. Esperamos que todos se tenham

recordado dessa promessa.

Informação

ambiental

Esperança Ferronha

A Terra vale um pequeno esforço extra em cada dia.

Sabia que os Estados Unidos produzem cerca de 200

milhões de toneladas de lixo comum por dia? O típico

americano gera cerca de 10 kg de lixo comum por dia.

Aproximadamente 3 650 kg por pessoa num ano.

Em cada três meses, deitamos fora alumínio que

daria para reconstruir uma frota mundial de aviões

por inteiro. O alumínio reciclado usa somente 5% da

energia necessária para o fabricar a partir da matéria-

-prima original.

Quando se recicla uma garrafa de vidro, poupa-se a

energia necessária para acender uma lâmpada de 100

O que vale a Terra para si?

Agrupamento

watts durante 4 horas.

Quanto tempo pensa que alguns materiais levam para se

degradar? Por exemplo, o estanho leva cerca de 100 anos,

o alumínio, 500 anos e o vidro, 1 000 000 de anos!

A média pessoal de consumo de papel nos Estados Unidos

é de 250 kg por ano. Quando 1 tonelada de jornais é

reciclada, 3 metros cúbicos de papel de escritório podem

ser produzidos, e cerca de 15 árvores são salvas.

Se cada um de nós cumprir a sua parte na gestão dos

resíduos, podemos fazer uma grande diferença!

Demonstre que a Terra tem valor para si e divulgue estas

informações.

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A Voz dos Alunos

A anorexia nervosa é uma doença do foro psíquico que afecta,

sobretudo, jovens adolescentes do sexo feminino entre os 10

e os 20 anos, mas, na realidade, pode ocorrer em pessoas de

ambos os sexos e das mais variadas idades.

A característica mais comum, associada a uma progressiva

mudança de comportamento, é a perda de peso lenta mas

progressiva, que, normalmente, tem início com uma dieta

normal, podendo também ocorrer, de forma brusca, como

consequência de uma determinada restrição alimentar.

A tentativa de controlo do corpo relaciona-se quase sempre

com uma forma inconsciente de compensação de um

sentimento generalizado de incapacidade, de dependência,

de dificuldades de autonomia e de capacidade. A opinião dos

outros, principalmente dos que estão mais próximos, é de

extrema importância. As raparigas anorécticas têm um desejo

contínuo de obter um corpo “perfeito”. Para tal fazem regimes

de emagrecimento, por vezes desconhecendo as possíveis

consequências. Os esforços feitos, no sentido de lhes fazer

diminuir ou acabar com a restrição alimentar, são geralmente

encarados com muita resistência.

Existem dois tipos de anorexia nervosa: anorexia nervosa

restritiva, caracterizada por uma dieta rigorosa e pela recusa

em manter um peso normal, e anorexia nervosa compulsiva/

purgativa (também designada por anorexia nervosa bulímica),

em que predominam as crises bulímicas e os comportamentos

para evitar o aumento de peso.

Esta doença pode ser provocada pela natureza da personalidade

da rapariga em causa, por aspectos familiares, como, por

exemplo, a forma de relacionamento entre membros da família

e eventuais problemas que tenha fora de casa, sobretudo na

escola. Há ainda uma causa que pode aumentar o risco de se

vir a sofrer de anorexia nervosa: a predisposição genética, ou

seja, haver alguém na família que sofra da mesma doença.

Antes de sofrerem de anorexia, as jovens afectadas evidenciam

uma personalidade conformista, disciplinada e trabalhadora,

que se acentua com o desenvolvimento do distúrbio alimentar.

Além disso, são extremamente carentes de afecto, têm uma

tendência obsessiva para o perfeccionismo intelectual, com

uma racionalização excessiva. Quando os argumentos, tendo

em conta a visível perda de peso e a fraca alimentação, se

esgotam, o comportamento das anorécticas passa a afectar e a

controlar todos os que as rodeiam.

Anorexia

Sintomas:

Físicos: perda visível de peso; dificuldade em dormir;

dores de estômago; perda de cabelo; sensação de frio

constante/dificuldades circulatórias; menstruação irregular

ou inexistente; perda da força muscular; dores de cabeça,

tonturas e desmaios; palidez; lanugo (penugem em todo o

corpo).

Psicológicos: sentir-se gorda, apesar de se estar

excessivamente magra (distorção corporal); depressão,

emotividade, irritabilidade e mudanças repentinas de humor;

concepções erradas quanto ao peso; procura constante

do perfeccionismo; perda de interesse pelas actividades

normais; perda gradual do desejo sexual; isolamento

social; interesse excessivo/obsessão por comida, calorias

e receitas; dificuldade de concentração; auto-estima

determinada pela ingestão, ou não, de alimentos; culpa ou

vergonha ao alimentar-se; desconforto visível na presença

de alimentos.

Comportamentais: prática excessiva de exercício;

cozinhar para terceiros e não comer; recurso ao vómito

forçado, a laxantes, diuréticos, clisteres e comprimidos

para a perda de peso; constantes desculpas para não comer

(indisposição, refeição feita há pouco tempo, etc.); pesagens

constantes; uso de roupas largas para esconder a perda

de peso; hábitos alimentares estranhos (cortar a comida

em pedacinhos, mordiscar os alimentos); dificuldade em

alimentar-se em público; secretismo quanto a hábitos

alimentares.

As consequências da anorexia: fadiga e perda de energia;

ausência de menstruação ou menstruação irregular;

infertilidade; problemas de pele; tonturas e dores de

cabeça; desidratação; falta de ar; batimentos cardíacos

irregulares; mãos e pés frios; inchaço das extremidades;

prisão de ventre; enfraquecimento e queda de cabelo; dores

de estômago; retenção de líquidos; perda da massa óssea

(osteoporose); problemas de fígado e rins; desequilíbrio dos

electrólitos; baixa nos níveis de potássio (causa comum de

paragem cardíaca); insónia; anemia; depressão; paragem

cardíaca e morte.

Excerto do trabalho Anorexia, Bulimia e Obesidade, realizado, em

Outubro de 2007, por Diogo Barreira e Ruben Alves (6.ºF)


O Sal da Língua

Espontaniedade ou espontaneidade?.....

Precaridade ou precariedade?...

Não diga nem escreva Diga e escreva

Espontaniedade Espontaneidade

Precaridade Precariedade

Espontaneidade

Não diga nem escreva espontaniedade, mas espontaneidade, que resultou de espontaniedade por metátese, ou seja, por troca

da posição dos fonemas (sons) -i- e -e-, como acontece, por via de regra, nas palavras derivadas de adjectivos terminados em

–âneo, em que a terminação –iedade passa a –eidade: contemporâneo, contemporaneidade; extemporâneo, extemporaneidade;

idóneo, idoneidade; momentâneo, momentaneidade.

Precariedade

Ouve-se e vê-se escrita, com muita frequência, a palavra precaridade, mas a forma correcta deve levar -e-: precariedade, como

ocorre em outros derivados de adjectivos terminados em -ário, -ério, -ório: arbitrário, arbitrariedade; contrário, contrariedade;

solidário, solidariedade; vário, variedade; sério, seriedade; notório, notoriedade.

Destes ou de estes? Neles ou em eles? Pelo ou por o?...

Não diga nem escreva

Telefonou aos fornecedores com o objectivo destes apressarem

a entrega da mercadoria.

Passei por casa da Maria, a fim dela não se esquecer do

trabalho para a aula de amanhã.

Não podemos fazer este trabalho, em virtude dos livros ainda

não terem chegado.

Pelo facto dele ser mais velho, não quer dizer que não nos

respeite.

A objecção reside neles ainda não terem a idade legal.

Pelo caminho escolhido ser mais curto, não quer dizer que

seja o melhor.

Diga e escreva

Telefonou aos fornecedores com o objectivo de estes

apressarem a entrega da mercadoria.

Passei por casa da Maria, a fim de ela não se esquecer do

trabalho para a aula de amanhã.

Não podemos fazer este trabalho, em virtude de os livros ainda

não terem chegado.

Pelo facto de ele ser mais velho, não quer dizer que não nos

respeite.

A objecção reside em eles ainda não terem a idade legal.

Por o caminho escolhido ser mais curto, não quer dizer que

seja o melhor.

Todos os exemplos acima apresentados assentam na seguinte regra:

Quando as preposições de, em, por se encontram antes dos artigos o, a, os, as ou de quaisquer pronomes ou advérbios começados por vogal e se

trata de uma construção com o verbo no infinitivo, a preposição não se contrai com essa palavra que a segue, mas escreve-se separada.

Militar ou melitar? Ministro ou menistro?...

É antinatural dizer:

Casimiro, civil, definido, dividir, equilíbrio, esquisito, feminino, filhinho, indefinido, medicina, militar, ministério, ministro, privilégio, requisito,

sinistro, vizinho, visitar, dando aos dois -i-i- a mesma quantidade forte, ou seja, lendo a palavra como se deve escrever.

Também não soa bem pronunciar o primeiro -i- como o -e final de pede:

Casemiro, cevil, defenido, devidir, equelíbrio, esquesito, femenino, felhinho, indefenido, medecina, melitar, menistério, menistro, previlégio

requesito, senistro, vezinho, vesitar, como se ouve cada vez mais no discurso radiofónico ou televisivo.

Parece preferível um meio-termo, que só o ouvido pode apreciar e assimilar, mas nada mais importante para uma correcta dicção do

que falar com naturalidade.

Jorge Moranguinho

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Opinião

Desde 1912 que Portugal participa nos Jogos Olímpicos.

A estreia das comitivas lusas teve lugar na cidade de

Estocolmo, naqueles que a história identifica como os

quintos Jogos da Era Moderna, e, desde então, o nosso

país nunca deixou de comparecer na maior festa do

desporto mundial, certame onde os povos e os países

confraternizam e competem de forma pacífica, num

salutar exemplo para os governantes e líderes do nosso

planeta.

A história de Portugal no movimento olímpico iniciou-

-se em 1909, quando se tornou no 13.º país a aderir a

esta organização. Três anos depois, na cerimónia de

abertura da capital sueca, Portugal desfilou com uma

pequena delegação de seis atletas, apurados para três

modalidades: atletismo, esgrima e luta.

A estreia portuguesa não se traduziu em sucessos, mas

marcou, de forma bem triste, esta edição e toda a história

dos Jogos Olímpicos. Na prova da maratona, Francisco

Lázaro tombou aos 30 quilómetros e, passadas algumas

horas, viria a falecer, vítima de insolação. Com 24 anos,

este homem modesto, a quem o mundo das corridas

tinha tornado célebre, cometera os erros fatais de cobrir

o corpo de sebo e não usar um resguardo para a cabeça,

num dia em que os termómetros marcaram mais de 30

Portugal nos Jogos Olímpicos

graus. A sua morte causou uma grande consternação

em todo o mundo, e o próprio rei da Suécia prestou-lhe

homenagem.

Mais alegres para as nossas cores foram os Jogos de

1924, torneio em que, através da selecção de hipismo, se

conquistou a primeira medalha.

Durante décadas, a presença de Portugal só teve

notoriedade e chegou às medalhas em modalidades

praticadas por elites sociais e económicas e de difícil

acesso à maioria das pessoas, como o hipismo, a vela, a

esgrima e o tiro.

Tudo mudou a partir do momento em que Portugal passou

a viver num regime democrático.

Em 1975, o treinador de atletismo Mário Moniz Pereira

apresentou um plano inédito de preparação da sua

modalidade, tendo em vista os Jogos Olímpicos do ano

seguinte, programados para Montreal, no Canadá. Foi

aprovado, e, assim, uma meia dúzia de atletas começou

a poder treinar (a exemplo do que há muito se fazia no

estrangeiro) duas vezes por dia. Os resultados foram

fantásticos: Carlos Lopes foi segundo nos 10 000 metros,

depois de ter liderado grande parte da prova, e vários

outros portugueses atingiram a final das suas corridas.

A partir de então, com excepção dos Jogos de 1980

(boicotados, por motivos políticos, por alguns dos nossos

primeiros planos) e de 1992, o atletismo português sempre

conseguiu ganhar medalhas. Três delas significaram títulos

e, desta forma, Portugal teve os seus primeiros campeões

olímpicos: Carlos Lopes, em 1984, Rosa Mota, em 1988,

e Fernanda Ribeiro, em 1996. O atletismo contabiliza,

assim, os únicos “ouros” que o nosso país ganhou até hoje

e quase metade das medalhas conquistadas (9 em 20),

mas a entrada na elite do desporto mundial foi também

alcançada por outros desportos, como, por exemplo, o

judo e o ciclismo, que também já introduziram o nome

de seus atletas no quadro de honra.

Portugal, com 21 presenças consecutivas nos Jogos

Olímpicos, é o 18.º país, entre os mais de 200 que

participam, com melhor assiduidade. A partir de 1952,

muito embora isso não constitua mais do que um facto

simbólico, o nosso país também esteve presente em

algumas edições dos Jogos Olímpicos de Inverno.

Entre as várias centenas de atletas portugueses que

possuem o estatuto de olímpicos, quatro deles destacam-se

no número de presenças com cinco participações cada:

Duarte Bello (vela), Henrique Calado (hipismo), João

Rebelo (tiro) e Fernanda Ribeiro (atletismo).

António Ferreira


Opinião

Lopes, Rosa e Fernanda trouxeram-nos o Ouro

As 20 medalhas de Portugal

Ano Local Atleta Desporto Prova

Ouro

1984 Los Angeles Carlos Lopes Atletismo Maratona

1988 Seul Rosa Mota Atletismo Maratona

1996 Atlanta Fernanda Ribeiro Atletismo 10 000 m

Prata

1948 Londres Duarte Bello e Fernando Bello Vela Swallow

1960 Roma Mário Gentil Quina e José Manuel Quina Vela Star

1976 Montreal Carlos Lopes Atletismo 10 000 m

1976 Montreal Armando Marques Tiro Fosso olímpico

2004 Atenas Francis Obikwelu Atletismo 100 m

2004 Atenas Sérgio Paulinho Ciclismo Estrada

Bronze

1924 Paris Equipa Hipismo Prémio das Nações

1928 Amesterdão Equipa Esgrima Espada (equipas)

1936 Berlim Equipa Hipismo Prémio das Nações

1948 Londres Equipa Hipismo Prémio das Nações

1952 Helsínquia Joaquim Fiúza e Francisco de Andrade Vela Star

1984 Los Angeles António Leitão Atletismo 5 000 m

1984 Los Angeles Rosa Mota Atletismo Maratona

1996 Atlanta Vítor Hugo Rocha e Nuno Barreto Vela 470

2000 Sydney Fernanda Ribeiro Atletismo 10 000m

2000 Sydney Nuno Delgado Judo 73-81 kg

2004 Atenas Rui Silva Atletismo 1 500 m

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Matemática

Matemática … Sim ou não? Eis a questão!

Por mim, sim!

Acabei, no ano passado, o 9.º ano na EB2,3 da

Senhora da Hora e, como era um zero à esquerda a

Matemática, optei, no 10.º ano, por fugir dela.

Fiz mal. Quando temos um problema, devemos

enfrentá-lo. Não é a fugir que se resolvem os

problemas.

Fiz um primeiro período com boas notas nas disciplinas

que escolhi, mas não estava na área de que gostava e

que queria seguir no futuro.

As férias do Natal ajudaram-me a decidir: mudei

de área e, desta vez, esforcei-me. Tenho estudado

Matemática como nunca! Pratiquei, exercitei,

adquiri conhecimentos (é que eu sempre achei que

a Matemática não era para mim), e os resultados

apareceram.

Os números

Agora, sou aluno de positiva a Matemática!

Agora, gosto de Matemática!

Agora, percebo o quanto a Matemática é importante!

Agora, posso seguir a minha área, o desporto!

Desafio:

Um autocarro leva 7 raparigas dentro,

Cada rapariga tem 7 mochilas,

Dentro de cada mochila, há 7 gatos grandes,

Cada gato grande tem 7 gatos pequenos,

Todos os gatos têm 4 pernas cada.

Bernardo M. R.

Pergunta:

Não existindo condutor, quantas pernas vão dentro do

autocarro?

Os números que todos usamos (1, 2, 3, 4, 5, 6, etc.) são chamados números indoarábicos (numeração árabe)

para os distinguirmos dos números romanos (I, II, III, IV, V, VI, etc.).

Os árabes popularizaram estes números, mas a sua origem remonta aos comerciantes fenícios, que os usavam

para contar e fazer a contabilidade comercial. Mas já alguma vez pensou por que motivo ‘1’ significa ‘um’, ‘2’

significa ‘dois’ e por aí fora, e como evoluíram na escrita?

Os números romanos são fáceis de compreender, mas qual é a lógica que há por trás da numeração árabe?

Muito simples: trata-se de ângulos. É pura lógica: se escrever o número na sua forma primitiva, verá que o

número 1 tem um ângulo, o número 2 tem dois ângulos, o número 3 tem três ângulos e assim por diante; 0 não

tem ângulo nenhum. E como uma imagem vale mais que mil palavras…

Retirado do trabalho mais extenso de João Polícia de Carvalho (8.º A)


Embora a legislação seja de 2006 (Lei n.º 13/2006, de

17 de Abril – Transporte colectivo de crianças), ainda

subsistem algumas dúvidas quanto às recomendações de

segurança relativas aos veículos que efectuam transporte

colectivo de crianças e assiste-se a algumas situações de

incumprimento.

De realçar que esta lei define o regime jurídico do

transporte colectivo de crianças e jovens até aos 16

anos, de e para os estabelecimentos de educação e

ensino, creches, jardins-de-infância e outras instalações

ou espaços em que decorram actividades educativas

ou formativas, designadamente os transportes para

locais destinados à prática de actividades desportivas

ou culturais, visitas de estudo e outras deslocações

organizadas para ocupação de tempos livres.

Eis alguns dos aspectos mais importantes desta lei:

Dotar todos os veículos com:

– Estojos de primeiros socorros, devendo estes estar em

local de fácil acesso;

– Coletes reflectores e raquetas de sinalização para uso

dos vigilantes;

– Martelos para quebra de vidros;

– Extintores (pelo menos dois);

(todos os itens anteriores deverão estar identificados por

aposição do pictograma respectivo)

– Cintos de segurança homologados;

– Garantir a existência de vidros com dimensão passível

de ser transposta após serem quebrados;

– Dispositivos de encravamento nos vidros (no caso de

existirem janelas);

– Corrimão nas escadas de acesso à carrinha;

– Plataforma elevatória associada a um dos acessos,

no caso de transporte de pessoas com mobilidade

condicionada;

– Dístico identificativo relativo ao transporte de

crianças.

Veículos de transporte escolar

Segurança

Deve, também, promover-se a realização periódica de

verificações aos veículos e aos equipamentos auxiliares.

Opcionalmente, deverá ser considerada a frequência

de cursos de formação de condução defensiva dos

motoristas.

Em marcha e tomada ou largada de passageiros,

devem tomar-se algumas precauções:

– No tocante à sinalização em circulação, os veículos

devem circular sempre com as luzes de cruzamento

ligadas;

Quanto à tomada e largada de passageiros:

– Os motoristas devem assegurar-se de que o local não

constitui perigo e, sempre que pararem, devem accionar

as luzes de perigo (os quatro piscas);

– Deve ser efectuada, sempre que possível, dentro dos

recintos ou em locais, devidamente assinalados, junto das

instalações a que se dirigem;

– As viaturas devem parar o mais perto possível do local

de tomada ou largada das crianças, não devendo fazê-lo

nem no lado oposto da faixa de rodagem nem em vias

desprovidas de bermas ou passeios;

– As crianças devem ser acompanhadas, no atravessamento

da via, pelo vigilante, devidamente identificado por colete

retrorreflector e com raqueta de sinalização.

As obrigações do vigilante são as seguintes:

– Zelar pela segurança das crianças;

– Sempre que o veículo possuir dois pisos ou transportar

mais de 30 crianças, devem existir pelo menos dois

vigilantes;

– Deve ocupar um lugar que lhe permita aceder

rapidamente às crianças transportadas, cabendo-lhe

acompanhar as crianças no atravessamento da via usando

colete retrorreflector e raqueta de sinalização.

O vigilante deve ainda garantir que:

– A cada criança corresponde um lugar sentado no

automóvel, não podendo a lotação do mesmo ser

excedida;

– As crianças menores de 12 anos não se sentam nos

lugares contíguos ao motorista nem nos lugares da

primeira fila;

– Todas as crianças colocaram o cinto de segurança;

– Não se transportem volumes (mochilas e outros) nos

lugares de passageiro;

– Os volumes só possam ser transportados junto das

crianças, caso existam locais apropriados para esse

efeito que permitam o seu acondicionamento, sem causar

qualquer risco ou incómodo para os passageiros.

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Opinião

O Eu e o Nós na construção de uma sociedade melhor

As acções voluntárias estão presentes em todo o mundo,

ao longo da nossa história.

Há alguns anos, quando se falava em trabalho voluntário

ou voluntariado, associavam-se estas acções a

movimentos religiosos ligados à saúde e à Santa Casa da

Misericórdia.

Com o decorrer dos anos, o voluntariado começa a ganhar

um papel expressivo na sociedade e a estender-se a áreas

como o apoio a idosos, a deficientes, aos sem-abrigo, a

crianças abandonadas e a outras onde era necessário a

resolução de problemas sociais.

As acções voluntárias são iniciativas individuais ou

colectivas em que o objectivo é proporcionar a melhoria

da qualidade de vida das pessoas e das comunidades.

Através das contribuições voluntárias, a sociedade

mobiliza-se, organizando e desenvolvendo projectos e

acções sociais, transformando uma determinada realidade

em um bem comum.

Os projectos sociais são um bom exemplo de cidadania,

pois envolvem pessoas que, com uma participação

consciente e solidária, são capazes de realizar projectos

e objectivos para o bem de todos. O voluntariado pode

ser visto como um empreendedor social, porque constrói

novos conceitos e, portanto, novas referências na nossa

sociedade, humanizando cada vez mais o nosso dia-adia.

O voluntariado deixa de ser visto como uma forma de

ocupar o tempo e começa a ser considerado como um

novo comportamento, contrapondo-se à actual cultura do

individualismo, que acaba por promover a passividade

da sociedade. O voluntariado não deve ser visto como

uma moda. É fundamental que seja considerado como

uma nova cultura.

Actualmente, o voluntariado tem legislação nacional

em que são estabelecidas as bases de enquadramento

jurídico. Assim o art.º 2.º da Lei n.º 71/98 define como

sendo voluntariado “um conjunto de acções de interesse

social e comunitário, realizado de forma desinteressada

por pessoas no âmbito de projectos, programas e outras

formas de intervenção ao serviço de indivíduos, das

famílias e da comunidade, desenvolvidas sem fins

lucrativos por entidades públicas ou privadas”, e o art.º

3.º define o voluntário como sendo o “individuo que de

forma livre, desinteressada e responsável se compromete,

de acordo com as suas aptidões próprias e no seu tempo

livre, a realizar acções de voluntariado no âmbito de uma

organização promotora.”

O voluntário rege-se pelos princípios da solidariedade,

participação, cooperação, complementaridade,

gratuitidade, responsabilidade e convergência. Cada

organização define qual o perfil do seu voluntário bem

como as tarefas a desempenhar. A legislação estabelece

os seus direitos e as suas obrigações, que devem ser

cumpridos de uma forma rigorosa.

A ONU, em 1985, criou o Dia Internacional do Voluntário

a 5 de Dezembro, com o objectivo de promover reflexões

sobre a cidadania e a solidariedade como valores

fundamentais para a melhoria da vida no mundo.

Assim, cada um de nós pode colocar não só o nosso

conhecimento e as nossas aptidões mas, sobretudo, a

nossa boa vontade ao serviço dos outros, para que seja

possível melhorar as suas vidas, tendo, no dia-a-dia,

atitudes altruístas usadas muitas vezes como forma de

solidariedade.

Maria de Fátima Ruivo


Ser dador de medula é, antes de mais, uma intenção de

salvar alguém. Salvar em qualquer sítio do mundo, onde

a idade, o género, a raça, a cor, a religião, a condição

social, o credo político ou qualquer outra divergência

não fazem qualquer diferença nem dividem os homens.

Porque há valores que se sobrepõem às discrepâncias de

opinião e às diferenças que as culturas, as religiões ou a

política parecem trazer aos homens. Porque a vida é um

bem sagrado que nos foi concedido e confiado.

O que é a medula óssea?

Fica dentro dos ossos e é a fábrica de sangue onde se

produzem os glóbulos vermelhos, os glóbulos brancos

e as plaquetas. Os glóbulos vermelhos transportam

o oxigénio, os glóbulos brancos defendem-nos das

infecções, e as plaquetas ajudam a coagulação. Não

podemos viver sem estas células.

Há doentes que têm a sua fábrica do sangue tão doente,

que precisam de a substituir por outra, precisam de fazer

um transplante de medula. Todas as pessoas saudáveis,

que tenham entre 18 e 45 anos, podem inscrever-se, pela

primeira vez, como voluntários para a dádiva de medula

óssea. A dádiva pode ser feita até aos 55 anos, se não

houver doenças intercorrentes que a contra-indiquem,

podendo ser feita mais do que uma vez, pois é um tecido

renovável.

Dador de medula óssea

Opinião

A vida é o que os homens se empenham em preservar,

quando, para além das guerras, dos conflitos, das

calamidades, se mantêm solidários na doação anónima e

universal da medula óssea. A vida é a causa da luta e da

união mundial contra a ameaça da leucemia.

Ser dador de medula óssea é ser combatente, é ser militante

em torno da protecção do valor supremo que é a vida. O

registo mundial de dadores de medula óssea é o corpo

dos companheiros nesta luta. Os registos nacionais são as

primeiras correntes de união destes elos salvadores, que

se entrelaçam atravessando fronteiras, esbatendo serras e

ligando planuras, cruzando oceanos e unindo continentes,

ligando num abraço o mundo inteiro. Nesta corrente,

neste abraço, faz-se o colo da esperança, que teima em

fugir das famílias e dos doentes. Quanto maior o abraço,

maior será o espaço para a esperança. Quanto maior a

rede de dadores, maior será a bóia de salvação a quem

podem agarrar-se as famílias e os doentes, maior será o

espaço para caber mais um, maior será a probabilidade de

encontrar algum.

Texto retirado de: http://www.chnorte.min-saude.pt/ser_dador.php

Contribua com o seu esforço, sendo dador ou ajudando

a que outros que possam o venham a ser. Inscreva-se em

http://www.chnorte.min-saude.pt/cedace.php

Concurso de painéis de azulejos

No âmbito do concurso, far-se-á a integração de painéis

de azulejos, realizados por alunos das escolas de

todo o país, no interior do edifício-sede do Centro de

Histocompatibilidade do Norte. Será um testemunho para

o futuro e simbolizará a participação das crianças e da

sociedade civil na luta contra a leucemia e na construção

conjunta de soluções para os doentes, muitos deles

crianças também.

Mais informações em: http://www.chnorte.min-saude.pt/concurso.php

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Opinião

Tai-Chi, a arte da longevidade e da harmonia

Uma das imagens mais características da China que nos

chegam através dos media é a de grupos de pessoas,

das mais variadas idades, que, bem cedo, enchem os

parques e as praças e riscam, no ar, com o corpo, suaves

movimentos que nos fazem lembrar uma dança. Estes

movimentos surpreendem-nos pela sua leveza, delicadeza

e espantosa qualidade da energia que nos transmitem. Na

verdade, estamos a falar de Tai-Chi.

Desde há centenas de anos que o Tai-Chi é praticado

pela população chinesa como um veículo para cultivar

a saúde e o equilíbrio físico e mental. Ainda que possa

ser usado como arte marcial, uma vez que se integra nos

sistemas das arte marciais chinesas, o Tai-Chi prima pelo

cultivo da energia interna, o Chi (Qi), entendido como a

energia essencial e vital que alimenta tudo o que vive no

universo.

Da mesma forma que necessitamos de alimentos e de

água todos os dias, também precisamos de renovar a

energia diariamente. O mundo actual, caracterizado por

uma vida apressada e cheia de tensões, é favorável à

produção de estados altamente agressivos do ponto de

vista fisico e mental, sujeitando o homem a uma série de

condições que, muitas vezes, o conduzem à doença. Para

a medicina chinesa, a doença ocorre, quando a energia

vital, por excesso, deficiência ou estagnação, deixa de

percorrer o corpo num estado de equilíbrio.

A Organização Mundial de Saúde (OMS), através de

estudos realizados nos últimos anos, revela que, por

exemplo, a depressão, em resultado do ritmo da vida

moderna, é, a par dos problemas do foro oncológico e das

cardiopatias, uma das maiores ameaças à saúde e

ao equilíbrio do homem. É hoje indiscutível que as

sociedades modernas necessitam de pôr em marcha

algumas estratégias que permitam ao homem lidar

com o stress e as suas consequências, posto que o

stress esteja aí e necessitamos de aprender a lidar

com ele ou, pelo menos, a não estar tão vulnerável

às suas nefastas resultantes.

O Tai-Chi é vulgarmente designado de arte

da longevidade e da harmonia e, sem dúvida,

uma proposta muito interessante para o homem

moderno. As suas características únicas fazem dele

um tipo de exercício completo, pois engloba as

várias vertentes do ser humano. Através da prática

do Tai-Chi, o homem é convidado a regressar

ao seu centro e a mergulhar, de forma natural e

consciente, no interior de si mesmo, reconhecendo

e reaprendendo a tríade que o completa: corpo,

mente e espírito.

As vantagens imediatas da prática do Tai-Chi são: maior

mobilidade e flexibilidade dos músculos, dos tendões

e das articulações; melhoria da postura corporal e,

consequentemente, dos problemas da coluna; respiração

equilibrada com todas as resultantes do ponto de vista

metabólico (maior libertação das toxinas, radicais livres

e maior oxigenação); aumento da capacidade da memória

e da concentração; alívio do stress; melhoria da qualidade

do sono; mais energia; enfim, um conjunto de factores

que resultam numa maior sensação de bem-estar geral.

Não nos é difícil associar as ideias de movimento e

respiração à ideia de vida. O movimento, a par de uma

dieta equilibrada e de um estado mental tranquilo, é

condição para a manutenção da saúde e do equilíbrio do

homem. A proposta do Tai-Chi é essa: movimento (interno

e externo), respiração consciente e focalização mental,

factores que garantem o movimento suave e equilibrado

da energia através de todo o corpo.

Na vertente saúde, o Tai-Chi, como prática, dirige-se a

todas as pessoas, independentemente da sua idade e da

sua condição física, porque é adaptável a qualquer pessoa.

Ideia central, nesta prática, é respeitar os ritmos de cada

um, pois, no Tai-Chi, não estamos em competição com

ninguém, simplesmente perseguimos um caminho na

busca do nosso equilíbrio total.

Ângela Santos

Instrutora de Tai-Chi e estudante de medicina tradicional chinesa


O cancro do colo do útero (CCU) é causado pelo Papiloma

Vírus Humano (HPV) e representa, em Portugal, após

o cancro da mama, o segundo tumor mais frequente na

mulher.

A infecção por HPV é transmissível sexualmente.

Cerca de 50% dos casos ocorrem entre os 15-25 anos. A

prevalência, em mulheres jovens, varia entre 27 a 46%.

A probabilidade de uma mulher de 50 anos ser infectada

com HPV, ao longo da sua vida, atinge os 70-80%.

A aprovação de vacinas contra os tipos 16 e 18 do HPV,

que estão envolvidos na génese de 70-75% dos casos

de cancro invasivo do colo do útero, torna acessível um

meio eficaz de prevenção primária, podendo contribuir

para a redução significativa deste tipo de cancro.

Por um lado, o primeiro contacto com o HPV é coincidente

com o início da actividade sexual. Por outro lado, o início

da actividade sexual é cada vez mais precoce, sendo, por

isso, fundamental garantir a eficácia da vacinação em

idades jovens.

Actualmente, no mercado, estão disponíveis duas

vacinas: Gardasil (Merck) e Cervarix (GSK), geradas

por tecnologias recombinantes e compostas por

partículas semelhantes ao vírus, tendo como principais

características as seguintes: não conterem material

genético; não serem infecciosas; não serem oncogénicas;

induzirem níveis elevados de anticorpos e serem eficazes

na prevenção das infecções e das lesões pré-malignas.

A Cervarix é uma vacina bivalente (genótipos 16 e 18)

e previne o CCU. O esquema de vacinação é uma dose

intramuscular aos 0,1 e 6 meses.

A Gardasil é uma vacina quadrivalente (genótipos

6,11,16 e 18) e previne o CCU e as verrugas genitais. O

esquema de vacinação é uma dose intramuscular aos 0,2

Prevenção do cancro do colo do útero

Opinião

e 6 meses

A população alvo para vacinação são as mulheres entre

os 9-26 anos, antes do início da actividade sexual, sendo

a idade recomendada para vacinação entre os 11 e os

13 anos. A duração da protecção é desconhecida, mas

actualmente comprovada por 4-5 anos. As vacinas têm

um bom perfil de segurança/tolerabilidade. As reacções

no local da infecção como a dor ligeira e o eritema são as

perturbações mais frequentes.

A proposta da Direcção-Geral da Saúde de calendarização

da vacina HPV é a de alterar o calendário vacinal, com

disponibilização gratuita de vacinas este ano, a começar

nas crianças nascidas em 1995, em 2009, para as crianças

nascidas em 1996, e assim sucessivamente.

Estima-se que a vacinação diminuirá em 95,4% os casos

de cancro relacionados com o HPV 16 e 18.

Rosa Azevedo

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Parcerias

10% na mensalidade.

EXPRESSÕES POPULARES

Erro crasso

Significado: Erro grosseiro.

Origem: Na Roma antiga havia o Triunvirato: o

poder dos generais era dividido por três pessoas. No

primeiro destes Triunviratos, tínhamos: Caio Júlio,

Pompeu e Crasso. Este último foi incumbido de atacar

um pequeno povo chamado Partos. Confiante

na vitória, resolveu abandonar todas as formações

e técnicas romanas e simplesmente atacar. Ainda

por cima, escolheu um caminho estreito e de pouca

visibilidade. Os partos, mesmo em menor número,

conseguiram vencer os romanos, sendo o general

que liderava as tropas um dos primeiros a cair.

Desde então, sempre que alguém tem tudo para acertar,

mas comete um erro estúpido, dizemos tratarse

de um " erro crasso".

Prof. Doutor J. Carlos Caldas

Psicologia Clínica

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A esquizofrenia do poder

Dizem alguns manuais de Psiquiatria (e de História) que o poder é uma espécie de vício. Especialmente, quando se perde

o seu sentido de serviço, pode provocar adições graves em que o paciente tem necessidade de mandar em alguém, nem que seja no

desgraçado do gato lá de casa. Prova-se que os tiranos de “longa duração” só deixam o poder quando já não podem e, mesmo assim,

terão um séquito em quem mandar, para poderem continuar a ter a ilusão de mandar.

Na verdade, o poder só tem interesse, quando não se perdem os seus fins. Os poderosos são iguais a todos os outros, só que,

a dado momento, foram escolhidos para servirem os outros conforme os planos que puseram à eleição dos outros seus iguais. Por isso

mandam interinamente e enquanto perseguem os fins a que se propuseram.

Mas, por vezes, quando a realidade não é aquela que nos interessa e já não sabemos o que fazer com a nossa teoria, surge

um grande problema: o que devemos deitar fora: a teoria ou a realidade? Na verdade, a pergunta não tem grande sentido, porque

a realidade é algo muito forte que se impõe de modo absoluto e que não anda à vontade de quem a pensa. Contudo, há ainda uma

solução.

A solução que alguns encontram é criar uma realidade que justifique o modo como pensam. É por isso que, por vezes,

ouvimos alguns, e nestes últimos tempos têm sido muitos, que falam e vivem uma realidade diferente de todos os outros. Acontece:

criam um mundo que lhes convém, independente da realidade que negam com toda a convicção, para não terem de mudar a maneira

como pensam, para não se porem em causa. A isso chama-se esquizofrenia: viver num mundo criado por si, cor-de-rosa quase sempre

ou com inimigos eleitos à medida do seu heroísmo, mas que não tem nada que ver com a realidade.

Bem sei que a questão do real é um assunto muito interessante e não é sempre o mesmo para todos. Por isso é que as pessoas

se sentam, conversam, definem objectivos e estratégias comuns, concordam com o essencial e divergem no acessório. Só assim é

possível construir o mundo e o futuro, com os pés assentes no concreto da vida e as metas não esquecerem ninguém, porque todos

merecemos o futuro.

Ora, nos tempos que correm, anda uma esquizofrenia no ar, que é irritante. Quem sofre dessa doença deve procurar tratamento,

que parece ser cada vez mais eficaz. Mas não deve exibir o seu mal e muito menos deve iludir os seus concidadãos. Estar a convencer

os outros da ilusão em que vive, só por doença não é crime.

Não sei em que mundo vivem alguns dos poderosos, daqueles que vemos e ouvimos todos os dias, mas estou certo de que

tem muito pouco que ver com aquele em que vivo e dos muitos com quem converso.

Aconselho os esquizofrénicos do meu país a irem ao médico. Pode ser espanhol ou ucraniano, que também são bons, porque

as faculdades de medicina, em Portugal, são só para eleitos. Melhor ainda é procurar um médico particular para não ter de esperar vez

no centro de saúde. Depois, se quiser fazer umas análises, pode ter de esperar mês e meio para que seja chamado e mais outro mês

para o resultado. Depois voltar ao médico ou, melhor ainda, agora também se usa, mandar os resultados à consulta, porque o doente

não interessa nada…

Lembram-se do Simplex? Foi um grande pacote do governo que só chegou onde quiseram. Eu estou de acordo com o simplex:

devia ser mais simples mandar alguns às urtigas e que deixassem de nos enganar com um país cor-de-rosa, que só deve existir para

os lados da Atlântida.

O que nos vale é sabermos que estamos de passagem…

P.e Fernando Rosas

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