NAS PÁGINAS 15 E 16 6 - Veran

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NAS PÁGINAS 15 E 16 6 - Veran

CULTURA

A nova animação e a velha infância

Um dia desses fui incumbido de ser

babá (ou babão) da minha sobrinha

de 5 anos, e pensando num

jeito fácil e eficiente de entreter a “ferinha”,

aluguei alguns desenhos. Começamos a

nossa sessão com Kung Fu Panda (2008,

produzido pelos estúdios DreamWorks).

Pra todos aqueles que um dia já assistiram

um desenho, o filme não tem nada de

diferente. A mensagem é a mesma desde

Carlos

Gaspar Jr. é

formado em

Rádio e TV e

pós-graduado

em Cinema e

Fotografia. Amante da sétima

arte, já escreveu e dirigiu

diversos curta-metragens.

que os filmes infantis

existem... “Nunca desista

dos seus sonhos”,

“seja, acima de tudo,

persistente” e “valorize

suas amizades”... Você

nunca notou isso? A fórmula

não mudou. Sempre

temos o “mocinho

e a mocinha” (pelos quais torcemos) e o

inimigo que será derrotado no final com

uma boa lição de moral, acima de tudo.

Então pergunto aos senhores: Por

que só eu dei risada das piadas do Po (o

panda do desenho)? Quer dizer, será que

nossas crianças (que na verdade são o

público-alvo desses filmes) têm maturidade

suficiente para entender que enfrentarão

decepções a vida inteira e que,

se elas não acreditarem nos sonhos, eles

não vão se realizar?

Reconheço que já fiz perguntas demais,

então vamos às possíveis respos-

Inaugurado oficialmente no dia 20 de

março de 2006, o Museu da Língua

Portuguesa recebeu, em seus três

primeiro anos de funcionamento, mais

de 1.600.000 pessoas, consolidando-o

como um dos museus mais visitados do

Brasil e da América do Sul.

O museu apresenta uma exposição

diferente, usando tecnologia

de ponta e recursos

interativos para a apresentação

de seus conteúdos. Isso

porque, o acervo, nosso idioma,

é um “patrimônio imaterial”

e não pode ser guardado

em uma redoma de vidro.

JORNALVERAN49

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tas: Desde o primeiro longa de animação

(El Apóstol, do argentino Quirino Cristiani,

em 1917) até o sucesso de Toy Story

(primeira parceria da Pixar com a Walt

Disney, também o primeiro longa totalmente

feito em computador, lançado em

1995), nossas crianças se tornaram mais

inteligentes, o que permitiu ou obrigou

os estúdios a fazerem filmes mais inteligentes

e com piadas mais audaciosas.

Nesse período, o mercado parou de

receber as velhas histórias dos livros

usados para fazerem as crianças

dormir, como Bela Adormecida, Branca

de Neve e os 7 Anões e começou a lançar

seus próprios heróis, como a dupla Mike

e Sulley (Monstros S.A., 2001) e o mais

famoso de todos, Shrek (2001). O ogro

se deu tão bem nas telonas que ganhou

duas sequências e já é até papai.

A segunda resposta que encontrei para

explicar essa evolução do cinema de animação

(sem entrar no ambiente da tecnologia,

claro, pois só ela já obrigaria os

desenhos a evoluírem), foi o fato de que

hoje a animação é o gênero mais bem

sucedido do cinema americano (e os EUA

são nosso ponto de referência quando se

trata de produções cinematográficas).

Boa parte do sucesso se deve à “infantilização”

do público. Isso quer dizer

que não são as crianças que amadureceram,

e sim os adultos que voltaram

a ser crianças (conseguiu entender?).

A prova disso é, que nos últimos anos,

além dos longas de animação fomos invadidos

por super heróis e brinquedos.

A Marvel e a DC Comics colocaram

seus melhores personagens nas telonas

(Homem-Aranha, X-Men, Wolverine,

Batman e o Super-Homem).

Quadrinhos famosos amosos

também foram parar arar no

cinema: V de Vingança, ngança,

Sin City e 300, como omo jjá


vimos aqui no Jornal Jornal al

Veran. Nos últimos

anos, nossos antigos

brinquedos ganharam haram

vida (Transformers erss e

G.I. Joe - pra quem m não

lembra são os Comandos mandos

em Ação) e até os famosos mosos

brinquedos LEGO O (em

parceria com os estúdios túdios

da Warner Bros) virarão irarão

filme em Hollywood, wood,

uma produção que

misturará realidade ade e

animação.

No final, acho o que

simplesmente as s

duas partes da

“teoria” formam m

a resposta correta a

pra tudo isso: Enn- Museu da Língua mistura

história e modernidade

Localizado na Estação da Luz, em São

Paulo, o museu contou com uma equipe

de criação e pesquisa composta por

mais de trinta profissionais, entre sociólogos,

museólogos, especialistas em

língua portuguesa e artistas.

El Apóstol 1917

Branca de Neve

e os 7 Anões 1937

Bela Adormecida 1959

Toy Story 1995

Monstros S.A 2001

Shrek 2001

Kung Fu Panda 2008

Principais atrações

Grande Galeria: tela de 106 metros

com projeções simultâneas de filmes

que mostram a língua portuguesa no

cotidiano de seus usuários.

Palavras Cruzadas: totens dedicados

às influências das línguas e dos

povos que contribuíram para formar o

português falado no Brasil.

Linha do Tempo: uma linha com

recursos interativos onde o visitante

pode conhecer melhor a história da

língua portuguesa.

Beco das Palavras: sala com jogo

eletrônico interativo onde, além de

brincar com a criação de palavras, o

quanto as crianças se tornam adultos,

os adultos voltam a ser crianças! Essa é

que é a grande verdade.

Ah, já ia me esquecendo... Da minha

“sessão pra amansar fera” só mencionei

o Kung Fu Panda porque a minha sobrinha

dormiu no meio do filme e eu tive

que assistir ao outro sozinho!

visitante conhece a origem e o significado

das mesmas.

Auditório: projeção de um filme de

10 minutos sobre as origens da Língua

Portuguesa falada no Brasil.

Praça da Língua: espécie de “planetário

da língua”, composto de imagens

projetadas e áudio.

Elevadores: Também são espaços expositivos,

pois dão visão total da escultura

“árvore de palavras” criada por

Rafic Farah, com 16 metros de altura.

Além disso, no interior dos elevadores,

o visitante pode ouvir uma espécie de

mantra, composto por Arnaldo Antunes,

que repete as palavras “língua” e

“palavra” em vários idiomas.

Exposições temporárias: Até o dia 11

de outubro, a exposição “O Francês no

Brasil em Todos os Sentidos” ocupa o

primeiro andar do museu, celebrando

o ano da França no Brasil. Vale a pena!

Cadê o respeito

pelos professores?

Operfil dos alunos em sala de

aula mudou muito nos últimos

30 anos. A postura dos

jovens passou da atenção, dedicação

e respeito pelo educador para o desinteresse

e falta de disciplina. O ator

principal na formação desses futuros

cidadãos, o professor, adquiriu múltiplas

funções com o objetivo de educar,

promover e favorecer o desenvolvimento

de crianças e adolescentes em

todos os setores sociais. Mas o papel

do professor no Brasil ainda é levado

a sério?

Com o decorrer dos anos, a sociedade

passou a ver o professor não apenas

como um formador e defensor das

políticas públicas, que visam a cidadania

plena e a garantia dos direitos.

Após a Constituição de 1988, que garantiu

o direito de educação a todos

os cidadãos, houve uma separação no

ensino, sendo dividido em público e

privado.

As escolas privadas conquistaram

a classe média e média alta com

profissionais mais valorizados. Já os

colégios públicos que mudaram seu

paradigma, atenderam a população

mais carente. “O problema foi que os

professores das escolas públicas passaram

a ter uma carga de trabalho

e responsabilidade muito maiores,

mas os rendimentos foram diminuídos”,

explica Clovis Donizeti Berti,

que atua como professor de história

há 25 anos.

Novas formas de

relacionamento

Hoje, a velocidade de interação com

os meios de comunicação e o imediatismo

de ideias, impôs um novo ritmo nas

relações entre professores e alunos. As

mudanças nas hierarquias familiares

e sociais fizeram com que as escolas e

seus educadores sofressem um grande

impacto. “Na sociedade brasileira, o

alto nível de liberdade trouxe a informalidade

quase que total, impedindo

que o relacionamento aberto entre os

dois seja saudável, respeitoso e prazeroso”,

afirma o historiador.

Para o professor de ciências biológicas,

Antonio Cesário de Lima, que

atua há 23 anos, a relação professor x

aluno mudou porque a concepção dos

Número de analfabetos, segundo dados atuais do IBGE:

11,5% das crianças de oito a nove anos.

A UNESCO estima que mais 18 milhões de professores

são necessários para que a meta de Educação Primária

Universal seja atingida até 2015

53,23 milhões de alunos matriculados no ensino fundamental

em 2008, um aumento de alunos em escolas de educação

profissional no país em relação ao ano anterior, com acréscimo

de 14,7 pontos percentuais (dados do Censo 2008)

Há 2,5 milhões de profissionais do magistério em exercício –

entre professores, diretores e coordenadores pedagógicos,

segundo o Conselho Nacional de Trabalhadores da

Educação (CNTE)

jovens com relação à função

da escola é diferente de

30 anos atrás. “O interesse

do aluno sempre foi fundamental

no aprendizado.

Hoje ele precisa perceber

que a escola não é um lugar

só para se divertir e brincar,

mas sim o local onde

ele irá adquirir conhecimento

e formação para o

futuro”, destaca.

O desrespeito

pelos

professores

é uma

realidade?

Para o educador de história, a

agressividade de muitos alunos atinge

em primeiro lugar os professores,

que são os representantes dos padrões

sociais. “Por não compreender a complexidade

social, o jovem vai enfrentar

os membros da família ou agentes

sociais, no qual o professor está inserido”,

garante. “Dessa forma, desrespeito

e desânimo dão as mãos

como meios de resistência aos

professores”.

Nas escolas públicas, os educadores

são vistos como funcionários

que devem entender totalmente os

“desejos juvenis”. Já nos colégios

privados, muitos estudantes vêem

o professor como o seu empregado

particular, não como um agente

social. “É difícil ao jovem compreender

o novo papel do educador

numa sociedade imediatista, onde

a desigualdade social e a impunidade

são grandes”, reforça Berti.

“É necessário mudar a mentalidade

da sociedade, se quisermos

melhorar a escola. Precisamos melhorar

muito o nosso poder de representação

para dar um exemplo

mais positivo ao ato de ensinar e

aprender”, garante o historiador.

Obedecendo ao novo acordo ortográfico

Educar, o caminho

para o futuro

Atenção, respeito, proteção e

conhecimento são alguns dos valores

fundamentais para a instrução e

educação de crianças e adolescentes.

Quem não se lembra com carinho

de um professor da infância? A

postura mais humana e cuidadosa

dos educadores colabora para a

formação de uma cultura cidadã, que

visa um futuro mais próspero.

Segundo a Unesco, para que

todos os professores sigam esses

valores, é necessário uma formação

profi ssional com qualidades pessoais

e intelectuais compatíveis com a

profi ssão, além da consciência do

dever de contribuir com o ensino e o

exemplo ao desenvolvimento social,

cultural e econômico da sociedade.

O papel do educador, segundo Lima,

é preparar os indivíduos

para o mercado de

trabalho e a cidadania.

“O professor tem um

participação fundamental

nessa formação, pois,

até se tornar um bom

profi ssional, todo mundo é

instruído por um professor”, rr”,

ressalta.

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