Bem-estar para animais de pecuária

anilact.com

Bem-estar para animais de pecuária

Bem-estar Animal nas

Explorações de Leite

Critérios e Factores de Risco

George Stilwell

George Stilwell

Faculdade de Medicina Veterinária

Universidade Técnica de Lisboa

stilwell@fmv.utl.pt


PORQUÊ PROCURAR O BEM-ESTAR BEM ESTAR ANIMAL?

SUSTENTABILIDADE DAS EXPLORAÇÕES

MELHORES PERFORMANCES – incluindo longevidade

RAZÕES ÉTICAS – é moralmente errado causar sofrimento animal?

EXIGÊNCIA DO MERCADO


Paradigmas da moderna exploração

leiteira

• A relação próxima com animais é

cada vez mais rara.

• Mais animais para menos

pessoal.

• Maior dependência de tecnologia.

• Selecção genética exclusivamente

virada para aumento da produção

leiteira.

• Necessidade de produção com

altos padrões de qualidade e

segurança.

• Grande parte dos consumidores

não conhece a produção leiteira.


Resultados do

Eurobarometro 2005

A palavra aos

consumidores:


CONHECE

A

REALIDADE?

Já visitou uma exploração pecuária?

Sim, mais de 3 vezes Duas ou 3 vezes Uma vez Nunca


De uma forma geral como classifica o Bem-estar das

seguintes espécies pecuárias – VACAS DE LEITE


ROTULAGEM EM BEA?

Quando compra produtos de origem animal consegue identificar

aqueles que têm origem em sistemas que oferecem melhor Bem-estar

aos seus animais?


A LEGISLAÇÃO

NO MEU PAÍS?

Na legislação do seu país acham que

o Bem-estar animal recebe…?

Atenção insuficiente Atenção exacta e suficiente Demasiada atenção


A LEGISLAÇÃO

CHEGA?

Na sua opinião, da seguinte lista, quais são as três espécies

que precisam mais de melhorar a protecção do Bem-estar?


A PALAVRA AO PRODUTOR

BEM ESTAR ANIMAL = BOAS PERFORMANCES

BOAS PERFORMANCES = BEM ESTAR ANIMAL

AS REGRAS DE BEM ESTAR SÃO INVENTADAS POR

QUEM NÃO CONHECE A REALIDADE

AS REGRAS DE BEM ESTAR VÃO INVIABILIZAR

AS EXPLORAÇÕES PECUÁRIAS


LEGISLAÇÃO ACTUAL

Bem-estar para animais de pecuária (Directiva 98/58/EC) –

muito generalista!

• Vitelos (Directiva 91/629/EEC) – essencialmente pensado para

vitelos destinados a engorda (carne branca)

• Transporte (Regulamento do Conselho Europeu 1/25) –apenas

para fora da exploração.

• Plano de Acção Comunitário relativo à Protecção e ao

Bem-Estar Bem Estar dos Animais para 2006-2010 2006 2010

• Legislações nacionais – assistência veterinária,

mutilações, eutanásia…

– Dispersa

– Países nórdicos

– Pouco adaptável a todos os países da UE


A CERTIFICAÇÃO EM BEM-

• Uma mais valia

para bons

produtores.

• Uma garantia

para os

consumidores.

• Uma segurança

para os animais

ESTAR


• Pedido da Comissão –

emitir parecer científico:

– influência dos diversos

sistemas de produção sobre o

Bem-estar das vacas leiteiras.

– influência do melhoramento

genético actual sobre Bemestar

das vacas leiteiras.

– particular ênfase a problemas

metabólicos, mastites,

patologia podal e fertilidade.

EFSA (AHAW-Dairy Cows)

Relatório e recomendações no início 2009 (?)


CONCEITOS DE BEM-ESTAR

• Não são universais.

• Não são idênticos para

diferentes espécies.

• BEA é difícil medir –

ciência.

• BEA é difícil valorizar –

ética.

• São afectados por

inúmeros factores!


AS CINCO LIBERDADES

• Livre de fome, sede e carências

• Livre de desconforto

• Livre de stress, medo e ansiedade

• Livre de dor e doenças

• Livre de exibir comportamento

natural


AO AVALIAR O CONJUNTO

HÁ TENDÊNCIA PARA

ESQUECER

O INDIVÍDUO!!!


OS PROBLEMAS

MAIS PREMENTES

• O melhoramento genético

– A fertilidade

– Os problemas metabólicos

– As mastites

– As novas biotecnologias.

biotecnologias

• O problemas podais

• A relação homem-animal

homem animal

• Outros


EFEITO DA SELECÇÃO GENÉTICA

SOBRE BEM-ESTAR


O IMPACTO DO MELHORAMENTO

GENÉTICO SOBRE O BEA

• OBJECTIVO – MAIS

PRODUÇÃO

• ALVOS

– MORFOLOGIA

– COMPORTAMENTO

– FISIOLOGIA


LEITE – O (principal?) OBJECTIVO DO

MELHORAMENTO GENÉTICO NAS VACAS

LEITEIRAS

• Desde anos 50 que se

procura animais com

maiores produções – a

selecção genética focou

essencialmente o

incremento da

produção.

• EUA – 1993 a 2002

aumento 1287 kg/vaca

dos quais 55% foi devido

a melhoramento

genético!


A demonstração do impacto da selecção genética

sobre o BEA não é fácil!

1. Alterações são geralmente lentas.

2. Mesmo quando as mudanças sobre a morfologia

são notórias o impacto sobre o BEA podem não

ser imediatamente evidentes.

3. Mudanças e reajustes ambientais e de maneio

podem reduzir o impacto das alterações sobre o

BEA, e.g. cubículos maiores.

4. Alterações mais dramáticas podem reduzir a

viabilidade do animal na vacaria e por isso

conduzir rapidamente à eliminação do carácter.


Os efeitos do melhoramento genético

termos de BEA em vacas de leite

• Redução da fertilidade.

• Mais doenças metabólicas.

• Mais mastites e mais problemas de casco.

• Menor longevidade.

• Correlação genética antagonista entre produção e

fertilidade/doenças metabólicas.

• Alteração comportamento normal.

• Olho do consumidor – perspectiva que há maiores

lucros à custa do BEA.

• Relatório Delphi – mais sinais indicativos de pobre

BEA: claudicações, mastites, doenças metabólicas,

sub-fertilidade e longevidade.


Adaptado de Ingvartsen et al. (2003)

Vias que ligam o melhoramento genético para produção leiteira

ao BEA.


MELHORAMENTO GENÉTICO E

MORFOLOGIA

• Tamanho corporal – instalações

inadequadas mau BEA

• Peso corporal – mais peso sobre

estruturas principalmente em pisos

duros lesões membros, dor,

claudicações.

• Glândula mamaria – tamanho e

formato mais mastites,

traumatismos e dificuldade em

deitar e levantar.

• Aprumos e cascos – genética tem

alguma influencia sobre estruturas

do pé e aprumos patologias

podais e dor.


MELHORAMENTO GENÉTICO E

COMPORTAMENTO

• Aumento do metabolismo

mais tempo a comer; menos

tempo deitada; maior

necessidades hídricas; maior

susceptibilidade a stress de

calor…

• Eliminação da capacidade

para exibir comportamentos

naturais amamentação,

pastar, isolamento etc…


Incluir outros parâmetros nos

critérios de selecção genética

• Regras de BEA são frequentemente

acusadas de inviabilizar as

explorações pecuárias. pecuárias.

Seleccionar

para BEA é anti-económico

anti económico???? ????

• Na GB os critérios de melhoramento

passaram a incluir longevidade,

longevidade,

para além dos clássicos Kg, gordura

e proteína (Profitable Lifetime

Index, ou £PLI).

• Previsões sugerem que incluir

resistência a mastites e fertilidade

pode conduzir a 80% de ganhos

comparado com selecção tradicional

(Pryce Pryce et al. 2000).


Valor da imunidade

• Trabalhos de Sandoe et al. - Critérios de selecção: leite (kg)

e resistência a mastites (M)

• Previsão para 10 anos nas condições dinamarquesas.

• Usando só critério para leite: + 1179 kg e 12 vezes mais

tratamentos de mastites por 100 vacas.

• Dando o dobro do peso à selecção para M do que para Kg =

+ 964 kg e 5,5 vezes menos tratamentos de mastites por 100

vacas.

• Tendo em conta que cada não-tratamento de mastite

corresponde a um ganho de 1.168 kg percebe-se que

seleccionar para melhor BEA pode corresponder a maior

rendimento.


Biotecnologias

Inseminação artificial

Transferência de embriões

Sexagem do sémen/embriões.

Engenharia genética.

Clonagem

Perda variabilidade genética.

Perda vigor híbrido.

Imuno-exposição

Selecção por critérios produtivos.

Potencial ameaça ao Bem-estar.

Riscos da tecnologia.

Redução fertilidade e longevidade?


CONCLUSÕES

• Doenças metabólicas, podais,

mamárias e reprodutivas são mais

frequentes.

• A fertilidade, longevidade e

rusticidade da moderna vaca leiteira

tem diminuído.

• Os critérios de melhoramento genético

limitam-se limitam se à produção leiteira.


SOLUÇÕES

• Incluir outros parâmetros nos

critérios de selecção genética

• Introduzir alterações na nutrição,

instalações e maneio em antecipação

às alterações morfológicas,

fisiológicas e comportamentais. Não

esperar pelos problemas para

adequar a exploração!

• Recuperar a rusticidade das raças

leiteiras (essencial para explorações

orgânicas!)

• Cruzamentos entre raças leiteiras –

Holstein x Red Swedish…

• Biotecnologias deve procurar outras

prioridades – vaca sustentável!


PRINCIPAIS PROBLEMAS DAS VACARIAS EM

TERMOS DE BEM-ESTAR BEM ESTAR ANIMAL

• Relação com sistema de produção

• Influência do maneio

• Principais Factores de Risco


As Patologias podais

a grande e mais frequente ameaça ao

BEM-ESTAR da vaca leiteira


PATOLOGIAS PODAIS vs BEM

ESTAR

• DOR E SOFRIMENTO

• INCAPACIDADE DE SATISFAZER

NECESSIDADES

– METABÓLICAS

– COMPORTAMENTAIS

– SOCIAIS

• STRESS (incapacidade de fugir de insectos,

outros animais, calor ou insectos)

• INFERTILIDADE E REFUGO PRECOCE


Principais factores de risco

Principais factores de risco

• instalações

• cubículos, camas, piso…

• nutrição

• maneio – falta de correcção

preventiva

• genética


LESÕES

Relutância

em mover-se

Alteração no

ritmo de ingestão

de alimento.

DAE etc…

Cubículos desadequados

Dificuldade em levantar

ou

menor tempo deitada

Acidose ruminal

Menos sinais de cio,

anestro

Quebra produção

Claudicação

LAMINITE

Histamina, endotoxina

Substâncias vasoactivas


CORTE FUNCIONAL DE

CASCOS

Essencial ao BE das vacas de leite – e.g. 3 correcções anuais

reduz em 50% as claudicações comparando com 1 correcção anual!!!

Formação essencial (obrigatória?)

Operadores competentes e responsáveis (e responsabilizáveis)

II Curso Prático de Corte Funcional de Cascos da FMV


MASTITES – dor (aguda e crónica),

• Higiene

• Instalações

• Maneio

• Nutrição

• Genética

– Redução CCS é um

risco para BEA?

Imunodepressão

poderá levar a maior

incidência de mastites

clínicas ambientais?

refugo, morte.


DOENÇAS METABÓLICAS – doença, stress,

dor, desconforto, incapacidade de exibir

comportamento, refugo precoce e morte.


A CAUSA DE DOENÇAS

METABÓLICAS EM

ALTAS PRODUTORAS:

- maneio desadequado

- nutrição desadequada

- exigências elevadas.

- condições ambientais

adversas (calor…)

- incidência de outras

doenças.

Na falta de condições reduzir as exigências!


CONFORTO E INSTALAÇÕES

Instalações desadequadas estão na origem de graves problemas de BEA

doenças e lesões. Dor e desconforto.

stress e medo. Exposição ao clima (calor, frio, vento…)

incapacidade de manter comportamentos naturais.

conflitos e instabilidade social.

fome e sede.


INSTALAÇÕES

Hotéis

ou barracas?


RELAÇÃO HUMANOS-ANIMAIS

Personalidade dos

tratadores influencia BEA!!!

(e.g. ordenhadores)

ordenhadores

Sensibilidade, paciência,

vocação (e.g. menos diarreia

em vitelos se tratador for

mulher!

Formação (obrigatória) em

maneio e regras de BEA.


Outras ameaças:

breve resumo


ng/ml

40

35

30

25

20

15

10

5

0

0 HORA 1 HORA 3 HORA 6 HORA 24 HORA

TESTEMUNHA

ANESTESIA

ANESTESIA-

ANALGESIA

Largura = altura garupa

Comprimento = vitelo x 1,1


Separação imediata do vitelo – de que forma ameaça BEA?


PROCURAR SOLUÇÕES

• PENSAR ANIMAIS COMO SERES SENCIENTES (Tratado de

Amesterdão)

• SELECÇÃO GENÉTICA – MUDAR OS PARADIGMAS

• SELECÇÃO PARA CCS – ESTUDAR EFEITOS SECUNDÁRIOS

• ESTIMULAR E MANTER FORMAÇÃO DOS TRATADORES.

• EXIGIR FORMAÇÃO ESPECÍFICA – por exemplo, técnicos de

correcção de cascos.

• PENSAR AS INSTALAÇÕES PELO LADO DA VACA

• GARANTIR NUTRIÇÃO ADEQUADA AO POTENCIAL

• EM SUMA –

CONSTRUIR UMA VACARIA AMIGA DAS VACAS

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