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À ESQUERDA Revista Brasileira de Engenharia de Pesca

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ISSN –<br />

ISSN 1980-587X<br />

1<br />

<strong>Revista</strong><br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

Volume 1, Número 1 - Agosto <strong>de</strong> 2006<br />

VEJA TAMBÉM NESTE NÚMERO<br />

<strong>Brasileira</strong> <strong>de</strong><br />

<strong>Engenharia</strong> <strong>de</strong> <strong>Pesca</strong><br />

<strong>Pesca</strong>, Aqüicultura, Tecnologia do <strong>Pesca</strong>do e Ecologia Aquática<br />

<strong>Engenharia</strong> <strong>de</strong> <strong>Pesca</strong><br />

na UEMA<br />

<strong>Pesca</strong> na ZEE: Sua<br />

Importância para<br />

o Brasil<br />

Planejamento da<br />

Aqüicultura no Brasil<br />

HB: Novo Mo<strong>de</strong>lo<br />

<strong>de</strong> Incubadora<br />

AEP-AM: Histórico Egeria <strong>de</strong>nsa e a Piscicultura Extensiva<br />

Reversão Sexual em Tilápia Organização dos <strong>Pesca</strong>dores no Agreste <strong>de</strong> PE<br />

Parachromis managuensis no Brasil Nova Metodologia para Hipofisectomia<br />

Ectoparasitas e Bactérias em Tilápia Arranjos Produtivos: <strong>Pesca</strong> e Aqüicultura<br />

ATENÇÃO: PARA NAVEGAR USE “BOOKMARKS” <strong>À</strong> <strong>ESQUERDA</strong>


2<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

REVISTA BRASILEIRA DE ENGENHARIA DE PESCA<br />

VOLUME 1, NÚMERO 1, 2006<br />

Eds.: José Milton Barbosa e Haroldo Gomes Barroso<br />

DIRETOR GERAL<br />

Haroldo Gomes Barroso - UEMA<br />

EDITOR CHEFE<br />

JOSÉ MILTON BARBOSA<br />

DIRETOR DE MARKETING<br />

Rogério Bellini - Netuno<br />

ASSISTENTES DE EDIÇÃO<br />

PAULO DE PAULA MENDES - UFRPE<br />

Ivo Tha<strong>de</strong>u Lira Mendonça – UFRPE<br />

WEBMASTER<br />

Junior Bal<strong>de</strong>z - UEMA<br />

COMISSÃO EDITORIAL<br />

Athiê Jorge Guerra dos Santos - UFRPE<br />

Leonardo Teixeira <strong>de</strong> Sales - FAEP-BR<br />

Luiz <strong>de</strong> Souza Viana – Emater/PR<br />

Maria do Carmo Gominho Rosa - Unioeste<br />

Maria Nasaré Bona <strong>de</strong> Alencar Araripe - UFPI<br />

Paula Maria Gênova <strong>de</strong> Castro - Instituto <strong>de</strong> <strong>Pesca</strong>/SP<br />

Paulo <strong>de</strong> Paula Men<strong>de</strong>s - UFRPE<br />

Rogério Souza <strong>de</strong> Jesus - INPA<br />

Raimundo Nonato <strong>de</strong> Lima Conceição - UFC<br />

Neiva Maria <strong>de</strong> Almeida - UFPB<br />

Vanildo Souza <strong>de</strong> Oliveira - UFRPE<br />

Walter Moreira Maia Junior - UFPB<br />

CONSULTORES AD HOC (NESTE NÚMERO)<br />

José Milton Barbosa - UFRPE<br />

Manlio Ponzi Junior - UFRPE<br />

Maria do Carmo Figueredo Soares - UFRPE<br />

Neiva Maria <strong>de</strong> Almeida - UFPB<br />

Paula Maria Gênova <strong>de</strong> Castro – Instituto <strong>de</strong> <strong>Pesca</strong>/SP<br />

Paulo <strong>de</strong> Paula Men<strong>de</strong>s - UFRPE<br />

Rogério Souza <strong>de</strong> Jesus - IMPA<br />

Raimundo Nonato <strong>de</strong> Lima Conceição - UFC<br />

Walter Moreira Maia Junior - UFPB


© Publicada em agosto <strong>de</strong> 2006<br />

Todos os direitos reservados aos Editores<br />

Proibida a reprodução, por qualquer meio,<br />

Sem autorização dos editores.<br />

Impresso no Brasil<br />

Printed in Brazil<br />

Ficha catalográfica<br />

Setor <strong>de</strong> Processos Técnicos da Biblioteca Central – UFRPE<br />

R454 <strong>Revista</strong> <strong>Brasileira</strong> <strong>de</strong> <strong>Engenharia</strong> <strong>de</strong> <strong>Pesca</strong><br />

Nacional / editores José Milton Barbosa, Haroldo Gomes<br />

Barroso -- São Luís, Ed. UEMA, 2006.<br />

V.1, N. 1: 143p : il.<br />

Quadrimestral<br />

3<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

__________________________________________________________________________________<br />

Apoio<br />

Curso <strong>de</strong> <strong>Engenharia</strong> <strong>de</strong> <strong>Pesca</strong><br />

Universida<strong>de</strong> Estadual do Maranhão<br />

1. <strong>Pesca</strong> 2. Aqüicultura 3. Ecossistemas Aquáticos,<br />

4. <strong>Pesca</strong>dos – Tecnologia I. Barbosa, José Milton II. Barroso<br />

Haroldo Gomes III. Universida<strong>de</strong> Estadual do Maranhão<br />

CDD 639<br />

Departamento <strong>de</strong> <strong>Pesca</strong> e Aqüicultura<br />

Universida<strong>de</strong> Fe<strong>de</strong>ral Rural <strong>de</strong> Pernambuco


4<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

REVISTA BRASILEIRA DE ENGENHARIA DE PESCA<br />

ISSN-1980-587X<br />

Volume 1 Agosto, 2006 Número 1<br />

EDITORIAL<br />

Prezados Engenheiros <strong>de</strong> <strong>Pesca</strong>, <strong>de</strong> formação ou por a<strong>de</strong>são, temos o<br />

prazer <strong>de</strong> apresentar o primeiro numero da nossa <strong>Revista</strong> <strong>Brasileira</strong> <strong>de</strong><br />

<strong>Engenharia</strong> <strong>de</strong> <strong>Pesca</strong> (RE<strong>Pesca</strong>): baseada no sonho <strong>de</strong> alguns e no esforço <strong>de</strong><br />

muitos.<br />

Críticas são estímulos para os que querem vencer. Assim, lembro o dia em que<br />

Haroldo Gomes Barroso, da UEMA, colocou a idéia na re<strong>de</strong>, provocando um<br />

reboliço, como era <strong>de</strong> se esperar quando se trata <strong>de</strong> nossa aguerrida classe.<br />

Serenados os ânimos vieram as idéias, as conversas e, como diria nosso querido<br />

Leonardo Sales: os encaminhamentos...<br />

Durante a conferência da SEAP, em Luziânia, alguns colegas reunidos<br />

<strong>de</strong>cidiram dar os primeiros passos e a mim foi dada a incumbência <strong>de</strong> traçar o<br />

perfil <strong>de</strong> nossa RE<strong>Pesca</strong>. O que não é uma tarefa fácil, em virtu<strong>de</strong> da logística,<br />

principalmente <strong>de</strong> informática, a<strong>de</strong>quada para a tarefa.<br />

Mas, felizmente a idéia virou realida<strong>de</strong> e cá estamos com o primeiro<br />

volume <strong>de</strong> nossa revista eletrônica. Vencedores? Somos todos nós. Ninguém<br />

mais... ninguém menos. Afinal, não importa o tamanho do tijolo que cada um<br />

trouxe: o que importa é o tamanho da construção. Lembrando que o importante<br />

não é fazer, é dar continuida<strong>de</strong>.<br />

Sobre o Curso <strong>de</strong> <strong>Engenharia</strong> <strong>de</strong> <strong>Pesca</strong> na UEMA<br />

Mas a RE<strong>Pesca</strong> não veio só: o seu lançamento se <strong>de</strong>u durante a aula<br />

inaugural do Curso <strong>de</strong> <strong>Engenharia</strong> <strong>de</strong> <strong>Pesca</strong> da Universida<strong>de</strong> Estadual do<br />

Maranhão, UEMA.<br />

Este curso, o mais novo implantado no Brasil, coroou a visão política das<br />

autorida<strong>de</strong>s governamentais e acadêmicas, e dos colegas Engenheiros <strong>de</strong> <strong>Pesca</strong><br />

do Estado do Maranhão, cujo feito espelha o espírito supremo do povo<br />

maranhense.<br />

José Milton Barbosa<br />

Editor Chefe


CONTATOS<br />

5<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

FAEP/BR - FEDERAÇÃO DAS ASSOCIAÇÕES DE ENGENHEIROS DE PESCA DO BRASIL<br />

PRESIDENTE - Leonardo Teixeira <strong>de</strong> Sales<br />

E-mail: leopesca76@yahoo.com<br />

VICE-PRESIDENTE - Osvaldo Segundo da Costa Filho<br />

E-mail osvaldosegundo@seagri.ce.gov.br<br />

SECRETÁRIA GERAL - Maria do Carmo Figueiredo Soares<br />

E-mail: mcfs@ufrpe.br<br />

PRIMEIRO SECRETÁRIO - Elizeu Augusto <strong>de</strong> Brito<br />

E-mail: britopesca@uol.com.br<br />

SEGUNDA SECRETÁRIA - Adriana Maria Cunha da Silva<br />

E-mail: amcunha@uneb.br<br />

DIRETORA FINANCEIRA - Eliana Barbosa Ferreira<br />

E-mail: elianabarbosaf@hotmail.com<br />

DIRETOR DE POLÍTICA PROFISSIONAL - Jair Valentim da Silva<br />

E-mail: jairvalentim@bol.com.br<br />

DIRETOR DE RELAÇÕES INTERNACIONAIS - Rogério Souza <strong>de</strong> Jesus<br />

E-mail: djesus@inpa.gov.br<br />

DIRETOR DE RELAÇÕES PÚBLICAS - Luiz <strong>de</strong> Souza Viana<br />

E-mail: souzaviana@zipmail.com.br<br />

DIRETOR TÉCNICO CIENTÍFICO - José Milton Barbosa<br />

E-mail: jmiltonb@gmail.com<br />

AEPs - ASSOCIAÇÃO DOS ENGENHEIROS DE PESCA DOS ESTADOS<br />

AEP/Amazonas - Presi<strong>de</strong>nte: Leocy Cutrim dos Santos Filho<br />

E-mail: leocy_cutrim@yahoo.com.br<br />

AEP/Pará - Presi<strong>de</strong>nte: Mutsuo Asano Filho<br />

E-mail: mutsuo7@hotmail.com<br />

AEP/Maranhão - Presi<strong>de</strong>nte: Lauro Ferreira do Nascimento<br />

E-mail: jbvportela@ig.com.br<br />

AEP/Ceará - Presi<strong>de</strong>nte: José Roberto Pinto<br />

E-mail: joserobertopinto@yahoo.com.br<br />

AEP/Rio Gran<strong>de</strong> do Norte - Presi<strong>de</strong>nte: Elizeu Augusto <strong>de</strong> Brito<br />

E-mail: aep-rn@uol.com.br<br />

AEP/Paraíba - Presi<strong>de</strong>nte: Alberto Luiz Vasconcelos Motta<br />

E-mail: mottatiburon@hotmail.com<br />

AEP/Pernambuco - Presi<strong>de</strong>nte: Vanildo Souza <strong>de</strong> Oliveira<br />

E-mail: vanildo@ufrpe.br<br />

AEP/Sergipe - Salustiano Marques dos Santos<br />

E-mail: salu_marques@uol.com.br<br />

AEP/Bahia - Presi<strong>de</strong>nte: Leonardo Campos Dell'Orto<br />

E-mail: leo<strong>de</strong>lorto@yahoo.com.br<br />

AEP/Espírito Santo - Presi<strong>de</strong>nte: Jair Valentim da Silva<br />

E-mail: jairvalentim@bol.com.br<br />

AEP/Paraná - Presei<strong>de</strong>nte: Fernando Angst<br />

E-mail: fangst@hotmail.com


Sumário<br />

6<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

Pag.<br />

Normas para Publicação 7<br />

Artigos Técnico/Informativos<br />

<strong>Pesca</strong> na Zona Econômica Exclusiva, ZEE: sua importância para o Brasil<br />

Fábio HAZIN<br />

Contribuições para o Planejamento Estratégico da Aqüicultura <strong>Brasileira</strong><br />

Rodolfo RANGEL<br />

Histórico da Associação dos Engenheiros <strong>de</strong> <strong>Pesca</strong> do Estado do Amazonas<br />

Leonardo Teixeira <strong>de</strong> SALES; Leocy Cutrim dos SANTOS FILHO; José Milton<br />

BARBOSA; Rogério Souza <strong>de</strong> JESUS; Maria do Carmo Figueredo SOARES<br />

Arranjos produtivos no sertão nor<strong>de</strong>stino: aqüicultura e pesca<br />

José Milton BARBOSA e Manlio PONZI-JUNIOR<br />

Organização do Polo Pesqueiro do Agreste <strong>de</strong> Pernambuco e Propostas <strong>de</strong> Ações para a <strong>Pesca</strong> e<br />

Piscicultura<br />

Sileno Luís <strong>de</strong> ALCÂNTARA; Márcia Maria Galvão <strong>de</strong> AGUIAR<br />

Artigos Científicos<br />

Reversão sexual em larvas <strong>de</strong> tilápia-do-nilo Oreochromis niloticus (Linnaeus, 1758) em<br />

diferentes condições ambientais<br />

Ana Paula CORREIA; Ângela Raquel Moraes ALVES; José Patrocínio LOPES; Fátima<br />

Lúcia Brito dos SANTOS<br />

Comportamento social e crescimento em alevinos <strong>de</strong> Parachromis managuensis (Günther,<br />

1867) (Pisces, Cichlidae): uma espécie introduzida no Brasil<br />

José Milton BARBOSA; Ivo Tha<strong>de</strong>u Lira MENDONÇA; Manlio PONZI JÚNIOR<br />

Diagnóstico <strong>de</strong> ectoparasitas e bactérias em tilápias (Oreochromis niloticus) cultivadas na região<br />

<strong>de</strong> Paulo Afonso, Bahia<br />

Jeudi Brito <strong>de</strong> LEMOS; Maria Elizabeth <strong>de</strong> Barros RODRIGUES; José Patrocínio LOPES<br />

Nova metodologia <strong>de</strong> Hipofisectomia em curimatá Prochilodus brevis (Prochilodontidae)<br />

visando melhor beneficiamento do peixe hipofisectomizado<br />

José Patrocínio LOPES; Jeane Gomes <strong>de</strong> SOUZA; Maria Conceição Freire ROCHA<br />

Contribuição <strong>de</strong> eló<strong>de</strong>a Egeria <strong>de</strong>nsa à piscicultura através da colonização do camarão-canela<br />

Macrobrachium amazonicum no submédio rio São Francisco<br />

Emerson dos SANTOS; Silevagno <strong>de</strong> Oliveira GOMES; José Patrocínio LOPES<br />

Incubadora HB para ovos <strong>de</strong> peixes <strong>de</strong> água doce e sua larvicultura<br />

Haroldo Gomes BARROSO<br />

10<br />

19<br />

23<br />

30<br />

38<br />

54<br />

65<br />

75<br />

91<br />

102<br />

119


7<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

REVISTA BRASILEIRA DE ENGENHARIA DE PESCA (RE<strong>Pesca</strong>)<br />

NORMAS PARA PUBLICAÇÃO<br />

Objetivo: A <strong>Revista</strong> <strong>Brasileira</strong> <strong>de</strong> <strong>Engenharia</strong> <strong>de</strong> <strong>Pesca</strong> (RE<strong>Pesca</strong>) tem por objetivo publicar artigos<br />

resultantes <strong>de</strong> pesquisa científica e técnicos/informativos, das diversas áreas da <strong>Engenharia</strong> <strong>de</strong> <strong>Pesca</strong>,<br />

com enfoque nas áreas <strong>de</strong> Aqüicultura e Ecologia Aquática, Técnicas <strong>de</strong> <strong>Pesca</strong>, Estatística Pesqueira,<br />

Organismos Aquáticos e Tecnologia do <strong>Pesca</strong>do, prioritariamente redigidos em português, abordando<br />

temas <strong>de</strong> interesse para o setor pesqueiro.<br />

Informações Gerais: Os originais enviados à Comissão Editorial, que estejam rigorosamente <strong>de</strong><br />

acordo com as Instruções aos Autores, serão enviados aos assessores científicos “ad hoc”, indicados<br />

pela Comissão Editorial. O parecer do assessor será transmitido anonimamente aos autores. Em caso<br />

<strong>de</strong> recomendação <strong>de</strong>sfavorável, será pedida a opinião <strong>de</strong> um outro assessor. Os trabalhos serão<br />

publicados na or<strong>de</strong>m <strong>de</strong> aceitação pela Comissão Editorial e estarão disponíveis na revista on-line.<br />

Preparação <strong>de</strong> originais: O trabalho a ser consi<strong>de</strong>rado para publicação <strong>de</strong>ve obe<strong>de</strong>cer às seguintes<br />

recomendações gerais:<br />

Digitação: ser digitado em letra Times New Roman, tamanho 12, em tamanho A4 e em espaço 1,5<br />

(entre linhas) com uma margem <strong>de</strong> 2 cm em todos os lados e, justificado à direita e à esquerda, sem<br />

dividir palavras no final da linha. Nomes científicos e palavras estrangeiras <strong>de</strong>vem <strong>de</strong>r grafados em<br />

itálico.<br />

Título: o título <strong>de</strong>ve dar uma idéia precisa do conteúdo e ser o mais curto possível, escrito em letras<br />

maiúsculas, tamanho 12.<br />

Nomes dos autores: Os nomes dos autores <strong>de</strong>vem constar sempre na sua or<strong>de</strong>m correta, sem inversões,<br />

com o sobrenome maiúsculo, do en<strong>de</strong>reço institucional e seguido do e-mail do primeiro autor ou autor<br />

correspon<strong>de</strong>nte. Mais <strong>de</strong> um autor separar com “;” (ponto e vírgula).<br />

Ciro Men<strong>de</strong>s CASTOR (cirocn@ymail.com); José Mário BRAGA<br />

Departamento <strong>de</strong> Educação, Universida<strong>de</strong> Fe<strong>de</strong>ral <strong>de</strong> Carolina<br />

Maria da Penha PIRILO<br />

Instituto <strong>de</strong> <strong>Pesca</strong> <strong>de</strong> Carolina<br />

Recomendações: os trabalhos <strong>de</strong>vem ser redigidos <strong>de</strong> forma concisa, com a exatidão e a clareza<br />

necessárias à sua fiel compreensão. Os mesmos (incluindo ilustração e tabelas) <strong>de</strong>vem ser submetidos<br />

por e-mail. Se as figuras forem muito “pesadas” <strong>de</strong>vem ser enviadas em separado, com a indicação do<br />

trabalho a que pertence. As figuras não <strong>de</strong>vem ser “recortadas” e “coladas” e sim “inseridas” no texto.


8<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

O Resumo e o Abstract – que é iniciado com o título em inglês – <strong>de</strong>vem conter as mesmas<br />

informações e sempre sumariar resultados e conclusões. Não <strong>de</strong>vem ultrapassar 300 palavras e serem<br />

seguidos <strong>de</strong> no máximo 5 palavras-chaves e Key-words<br />

Os artigos <strong>de</strong>vem ter, no máximo, 15 páginas, incluindo tabelas e figuras, estas restringidas ao<br />

necessário para o entendimento do texto. Artigos mais extensos po<strong>de</strong>rão ser publicados a critério da<br />

Comissão Editorial.<br />

Os artigos <strong>de</strong>vem ter os seguintes itens, em linhas gerais:<br />

Artigos científicos: Resumo (+ Palavras-chave), Abstract (+ Key words), Introdução, Material e<br />

Métodos, Resultados e Discussão (estes dois juntos ou separados), Conclusões (opcional),<br />

Agra<strong>de</strong>cimentos (opcional) e Referências.<br />

Artigos Técnicos/informativos: Resumo (+ Palavras-chave), Introdução, Corpo (<strong>de</strong>senvolvimento do<br />

assunto) Conclusões (<strong>de</strong>nominados <strong>de</strong> Comentários Conclusivos ou Finais, Consi<strong>de</strong>rações Finais),<br />

Agra<strong>de</strong>cimentos (opcional) e Referências (quando houver citações no texto).<br />

Os nomes dos itens <strong>de</strong>vem ser grafados em letras times New Roman 12, maiúsculas e centralizados,<br />

com um espaço acima e abaixo.<br />

Referências Bibliográficas: No texto, será usado o sistema autor–ano para citações bibliográficas,<br />

utilizando-se “;” (ponto e vírgula), no caso <strong>de</strong> dois ou mais autores. As referências, <strong>de</strong>vem aparecer em<br />

or<strong>de</strong>m alfabética. Deverão conter nome(s) e iniciais do(s) autor(es), ano, título por extenso, nome da<br />

revista (abreviado e sublinhado), volume e primeira e última páginas. Citações <strong>de</strong> livros e monografias<br />

<strong>de</strong>verão também incluir a editora e, conforme citação, indicar o capítulo do livro. Deve(m) também ser<br />

referido(s) nome(s) do(s) organizador(es) da coletânea. Exemplos:<br />

SELVA, T. R., 1999, Assembléia <strong>de</strong> Peixes no Rio Farinha, MA. Rev. Brasil. Biol., 10 (2): 33-39.<br />

REIS, J., 1980, Microbiologia, pp. 3-31. In: M. G. Ferri; Motoyama, S. (orgs.), História das<br />

Ciências no Brasil, EDUSP, São Paulo, 468p.<br />

BRITO, N.; DATENA, C. R., 2005, Efeito da dieta sobre o crescimento <strong>de</strong> miracéu Astrocopus<br />

y-grecum, criado em laboratório, pp.33-37. In: H. G. Barroso (ed.), Biology of the Sea Fishes,<br />

Editora Amazonia, São Luis, 777p.<br />

RIZZINI, C. T., 1979, Tratado <strong>de</strong> Fitogeografia do Brasil. Aspectos Sociológicos e Florísticos.<br />

HUCITEC, São Paulo, 2 vol., 374p.<br />

PANTALEÃO, N. T.; ONIMO P.; FALCÃO, E., 1947, Contribuição ao estudo das raias do<br />

Brasil. Arq. Zool. 7: 3-13.


9<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

Os trabalhos que necessitarem <strong>de</strong> correções serão enviados aos autores para revisão (restrita a erros e<br />

composição) e <strong>de</strong>verão ser <strong>de</strong>volvidos imediatamente. Os que não forem <strong>de</strong>volvidas em tempo hábil (7<br />

dias) terão sua publicação postergada para outra edição, <strong>de</strong>pen<strong>de</strong>ndo <strong>de</strong> espaço.<br />

Material Ilustrativo: Os autores <strong>de</strong>verão limitar as tabelas e as figuras (ambas numeradas em<br />

arábicos) ao estritamente necessário e po<strong>de</strong>m ser inseridas no próprio texto do manuscrito.<br />

As tabelas <strong>de</strong>verão ter sua própria legenda, auto-explicativa, acima da mesma e as figuras, abaixo.<br />

Símbolos e abreviaturas <strong>de</strong>vem ser <strong>de</strong>finidos nas legendas.<br />

Na preparação do material ilustrativo e das tabelas, <strong>de</strong>ve-se ter em mente o tamanho da página útil da<br />

REVISTA. Desenhos e fotografias muito gran<strong>de</strong>s <strong>de</strong>vem ser evitados, pois po<strong>de</strong>rão per<strong>de</strong>r a niti<strong>de</strong>z<br />

quando forem reduzidos.<br />

As ilustrações <strong>de</strong>vem ser agrupadas, sempre que possível. A Comissão Editorial reserva-se o direito <strong>de</strong><br />

dispor esse material do modo mais econômico, sem prejudicar sua apresentação.<br />

Todos os <strong>de</strong>senhos <strong>de</strong>vem ser nítidos e apresentados <strong>de</strong> tal forma que seja possível sua reprodução sem<br />

retoques, <strong>de</strong>ve-se ter cuidado as figuras copiadas da internet.<br />

Disquete e CD: Os autores po<strong>de</strong>m a enviar seus manuscritos em disquete ou CD. Textos <strong>de</strong>vem ser<br />

preparados em Word for Windows.<br />

Atenção: Antes <strong>de</strong> remeter o trabalho, o autor <strong>de</strong>ve verificar se está <strong>de</strong> acordo com as instruções<br />

anteriores, atentando ainda para os seguintes itens: correção gramatical, correção da digitação,<br />

correspondência entre os trabalhos citados no texto e os referidos na bibliografia, tabelas e figuras em<br />

arábicos, correspondência entre os números <strong>de</strong> tabelas e figuras citadas no texto e os referidos em cada<br />

um e posição correta das legendas.<br />

Nunca use negrito no texto, em parte ou para <strong>de</strong>stacar expressões.<br />

Dúvidas sobre estas normas po<strong>de</strong>m ser dirigidas a Comissão Editorial.<br />

José Milton Barbosa/Haroldo Gomes Barroso<br />

E-mail exclusivo da RE<strong>Pesca</strong> para contato e envio <strong>de</strong> trabalhos:<br />

repesca@gmail.com<br />

A Repesca está disponível no site da Universida<strong>de</strong> Estadual do Maranhão/<strong>Engenharia</strong> <strong>de</strong> <strong>Pesca</strong>:<br />

www.engenharia<strong>de</strong>pesca.uema.br


I - ARTIGOS TÉCNICOS/INFORMATIVOS<br />

10<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

A PESCA NA ZONA ECONÔMICA EXCLUSIVA, ZEE: SUA IMPORTÂNCIA PARA O<br />

BRASIL<br />

Fábio H. V. HAZIN (fhvhazin@terra.com.br)<br />

Departamento <strong>de</strong> <strong>Pesca</strong> e Aqüicultura, Universida<strong>de</strong> Fe<strong>de</strong>ral Rural <strong>de</strong> Pernambuco<br />

A produção mundial <strong>de</strong> pescado por captura saltou <strong>de</strong> 17 milhões <strong>de</strong> toneladas, em 1950, para<br />

35 milhões, em 1960, representando, assim, um crescimento <strong>de</strong> 100% em uma única década. A partir<br />

dos anos 70, porém, a taxa <strong>de</strong> crescimento passou a <strong>de</strong>clinar <strong>de</strong> forma acentuada, levando duas décadas<br />

para a produção vir a dobrar novamente, alcançando cerca <strong>de</strong> 70 milhões <strong>de</strong> toneladas, somente em<br />

1980. Nas duas décadas que se seguiram, a taxa <strong>de</strong> crescimento caiu ainda mais, reduzindo-se para<br />

35%, com a produção em 2003 atingindo apenas 90 milhões <strong>de</strong> toneladas. Na verda<strong>de</strong>, essa<br />

<strong>de</strong>saceleração do crescimento indica uma aproximação do limite da capacida<strong>de</strong> produtiva dos estoques<br />

explotados. A Organização para Alimentação e Agricultura das Nações Unidas, FAO, estimou que em<br />

2005 a produção mundial <strong>de</strong> pescado por captura atingiu o seu nível máximo, próximo a 105.000.000t.<br />

A referida Organização estima ainda que 7% dos estoques <strong>de</strong> pescado no mundo estão exauridos, 16%<br />

estão sobre-explotados, 52% plenamente explotados e 1% em recuperação. Assim sendo, cerca <strong>de</strong><br />

apenas 25% dos estoques existentes apresentariam alguma possibilida<strong>de</strong> <strong>de</strong> expansão.<br />

Apesar <strong>de</strong> sua gran<strong>de</strong> extensão costeira, com cerca <strong>de</strong> 8.500km <strong>de</strong> costa no Atlântico Sul, o<br />

Brasil possui uma produção pesqueira bastante reduzida, ocupando a 27 a posição entre os países<br />

produtores, atrás <strong>de</strong> nações como Vietnã, Bangla<strong>de</strong>sh e Myanmar. Em gran<strong>de</strong> parte, a tímida<br />

participação brasileira nos <strong>de</strong>sembarques mundiais <strong>de</strong> pescado <strong>de</strong>ve-se às condições oceanográficas<br />

prevalecentes nos mares brasileiros, as quais não favorecem uma elevada produtivida<strong>de</strong>. Diversos<br />

entraves políticos e estruturais, porém, também têm contribuído historicamente para esta situação.<br />

A produção pesqueira nacional por captura cresceu significativamente entre 1967 e 1973,<br />

saltando <strong>de</strong> 435.000 t para 750.000 t, um crescimento equivalente a 70%, em 6 anos, crescimento este,<br />

em gran<strong>de</strong> medida, propiciado pelos incentivos fiscais instituídos pelo Decreto-Lei 221. Nos 12 anos<br />

seguintes, entre 1973 e 1985, a taxa <strong>de</strong> crescimento caiu para menos da meta<strong>de</strong>, alcançando cerca <strong>de</strong><br />

30%, para o período, com uma produção <strong>de</strong>sembarcada, em 1985, igual a 970.000 t. A partir <strong>de</strong>ste


11<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

máximo, a produção pesqueira nacional entrou em <strong>de</strong>clínio, caindo para 650.000 t, em 1995,<br />

significando uma retração <strong>de</strong> 30% em uma década. A razão para esta forte queda na produção foi à<br />

exaustão dos estoques, resultante da falta <strong>de</strong> planejamento e do conseqüente crescimento <strong>de</strong>sor<strong>de</strong>nado<br />

vivenciado pelo setor, o qual resultou em um esforço <strong>de</strong> pesca fortemente concentrado na pesca<br />

extrativa e nos recursos costeiros. Mesmo hoje, a maior parcela (45%) da produção nacional <strong>de</strong><br />

pescado provêm da pesca costeira, com a pesca oceânica apresentando uma participação, embora<br />

crescente, ainda reduzida (apenas 7%). A pesca continental respon<strong>de</strong> por 25% e a aqüicultura pelos<br />

<strong>de</strong>mais 23%. A pergunta que se impõe, portanto, é: quais as alternativas para o crescimento da<br />

produção brasileira <strong>de</strong> pescado?<br />

No segmento da pesca costeira e continental, consi<strong>de</strong>rando-se a atual condição <strong>de</strong> esgotamento<br />

da maioria dos estoques, já não há praticamente qualquer possibilida<strong>de</strong> <strong>de</strong> expansão das capturas. A<br />

recuperação do setor <strong>de</strong>ve ser, assim, buscada a partir do aprimoramento dos instrumentos <strong>de</strong> gestão,<br />

or<strong>de</strong>namento e fiscalização, no sentido <strong>de</strong> assegurar a sustentabilida<strong>de</strong> da ativida<strong>de</strong>, além <strong>de</strong> iniciativas<br />

que permitam agregação <strong>de</strong> valor ao produto capturado, sem que haja necessariamente uma ampliação<br />

da produção. Entre as alternativas disponíveis para se estimular a recuperação do setor estão: a)<br />

<strong>de</strong>senvolvimento da aqüicultura, particularmente em escala familiar; b) organização da base produtiva<br />

(associativismo, cooperativismo e gestão); c) <strong>de</strong>senvolvimento <strong>de</strong> técnicas <strong>de</strong> beneficiamento e<br />

conservação do pescado que permitam a agregação <strong>de</strong> valor ao produto capturado; d) <strong>de</strong>senvolvimento<br />

<strong>de</strong> novas tecnologias <strong>de</strong> captura, que permitam a explotação <strong>de</strong> novos estoques; e) política <strong>de</strong> crédito<br />

a<strong>de</strong>quada à ativida<strong>de</strong> e voltada para a melhoria <strong>de</strong> infra-estrutura, aparelhos <strong>de</strong> pesca e embarcações; f)<br />

capacitação e treinamento nas várias fases da ca<strong>de</strong>ia produtiva, incluindo a alfabetização dos<br />

pescadores e dos seus filhos; e g) aprimoramento dos processos <strong>de</strong> comercialização.<br />

Cabe <strong>de</strong>stacar a importância do trabalho <strong>de</strong>senvolvido pelo Programa REVIZEE- Programa <strong>de</strong><br />

Avaliação dos Recursos Vivos na Zona Econômica Exclusiva <strong>Brasileira</strong>, em relação às avaliações <strong>de</strong><br />

estoque das espécies existentes sobre a plataforma continental e quanto à <strong>de</strong>scoberta <strong>de</strong> novos recursos<br />

pesqueiros presentes no talu<strong>de</strong> continental, como o peixe-batata Lopholatilus villarii, o cherne<br />

Epinephelus spp. e o caranguejo-<strong>de</strong>-profundida<strong>de</strong> Chaceon epp., na costa nor<strong>de</strong>stina. Essas espécies,<br />

entretanto, habitam águas frias (abaixo da termoclina/+200m), possuindo um ciclo <strong>de</strong> vida longo e área<br />

<strong>de</strong> distribuição estreita, o que implica um potencial <strong>de</strong> explotação relativamente reduzido.<br />

Em relação à pesca oceânica, a situação é bastante diversa. No Oceano Atlântico, atualmente,<br />

são capturadas cerca <strong>de</strong> 600.000t <strong>de</strong> atuns e espécies afins, por ano, correspon<strong>de</strong>ndo a um valor da<br />

or<strong>de</strong>m <strong>de</strong> US$ 4 bilhões. A participação brasileira neste total, contudo, é ainda bastante tímida, com<br />

uma produção próxima a 40.000t, o que representa cerca <strong>de</strong> apenas 7% do total capturado.


12<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

Consi<strong>de</strong>rando-se, porém, que praticamente a meta<strong>de</strong> da produção brasileira é <strong>de</strong> bonito listrado, uma<br />

das espécies <strong>de</strong> atum <strong>de</strong> menor valor comercial, capturada quase que inteiramente <strong>de</strong>ntro da ZEE, a<br />

participação nacional, em termos <strong>de</strong> valor, é ainda muito mais reduzida.<br />

Os recursos pesqueiros oceânicos apresentam uma série <strong>de</strong> vantagens comparativas, em relação<br />

aos recursos costeiros, <strong>de</strong>ntre os quais po<strong>de</strong>-se <strong>de</strong>stacar: a) gran<strong>de</strong> proximida<strong>de</strong> das principais áreas <strong>de</strong><br />

pesca, no caso do Brasil; b) algumas espécies capturadas, como as albacoras, apresentam um alto valor<br />

comercial para exportação, constituindo-se em uma importante fonte <strong>de</strong> divisas para o País; c) outras<br />

espécies, também presentes nas capturas, como os tubarões e agulhões, apresentam preço relativamente<br />

baixo, apesar do seu excelente valor nutritivo, representando uma importante fonte <strong>de</strong> proteínas para a<br />

população <strong>de</strong> baixa renda; d) ciclo <strong>de</strong> vida in<strong>de</strong>pen<strong>de</strong>nte dos ecossistemas costeiros, já intensamente<br />

<strong>de</strong>gradados; e) ampla distribuição; e f) biomassa elevada. Uma vantagem adicional é que, <strong>de</strong>s<strong>de</strong> que<br />

a<strong>de</strong>quadamente planejado, o <strong>de</strong>senvolvimento da pesca oceânica nacional po<strong>de</strong>ria resultar em uma<br />

redução do esforço <strong>de</strong> pesca sobre os estoques costeiros, já sobre-explotados.<br />

A produção nacional <strong>de</strong> atuns e afins cresceu <strong>de</strong> pouco mais <strong>de</strong> 20.000t, em 1995, para mais <strong>de</strong><br />

40.000t, em 2001, em <strong>de</strong>corrência, principalmente, da ampliação dos arrendamentos promovidos pelo<br />

DPA/ MAPA (Departamento <strong>de</strong> <strong>Pesca</strong> e Agricultura do Ministério da Agricultura, Pecuária e<br />

Abastecimento). Entre 2002 e 2004, porém, a produção <strong>de</strong> atuns e afins <strong>de</strong>cresceu quase 40%,<br />

principalmente em função da retração da frota espanhola, em retaliação à ampliação da quota brasileira,<br />

e da frota chinesa, em função <strong>de</strong> dificulda<strong>de</strong>s para o a<strong>de</strong>quado cumprimento da legislação nacional. Tal<br />

situação, evi<strong>de</strong>ntemente, expõe a elevada vulnerabilida<strong>de</strong> do País, em função <strong>de</strong> sua <strong>de</strong>pendência da<br />

frota estrangeira.<br />

Para que o País consiga ampliar a sua participação na pesca oceânica, precisa consolidar uma<br />

frota pesqueira oceânica nacional, ampliar quotas <strong>de</strong> captura, formar mão-<strong>de</strong>-obra especializada e gerar<br />

conhecimento científico e tecnológico sobre as espécies explotadas. As principais dificulda<strong>de</strong>s para o<br />

<strong>de</strong>senvolvimento da pesca oceânica nacional são a falta <strong>de</strong> mão-<strong>de</strong>-obra especializada, <strong>de</strong> tecnologia e<br />

<strong>de</strong> embarcações a<strong>de</strong>quadas, as quais, <strong>de</strong>vido ao seu elevado custo, encontram-se, muito comumente,<br />

além da capacida<strong>de</strong> <strong>de</strong> investimento das empresas <strong>de</strong> pesca nacionais.<br />

No intuito <strong>de</strong> superar tais dificulda<strong>de</strong>s e <strong>de</strong> fomentar o <strong>de</strong>senvolvimento da pesca oceânica, o<br />

governo brasileiro tem realizado um gran<strong>de</strong> esforço, a partir <strong>de</strong> diversos instrumentos, que incluem<br />

<strong>de</strong>s<strong>de</strong> o arrendamento <strong>de</strong> barcos estrangeiros, passando pela sua importação, até o apoio à construção<br />

<strong>de</strong> embarcações pesqueiras no país, aspecto crucial para a consolidação <strong>de</strong> uma frota genuinamente<br />

nacional, sem o que o País jamais conseguirá ingressar <strong>de</strong> forma <strong>de</strong>finitiva no fechado clube dos<br />

gran<strong>de</strong>s pescadores <strong>de</strong> alto mar.


13<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

A necessida<strong>de</strong> <strong>de</strong> fomentar o <strong>de</strong>senvolvimento da pesca oceânica brasileira foi, assim, um dos<br />

principais motivadores para a criação do Programa <strong>de</strong> Financiamento da Ampliação e Mo<strong>de</strong>rnização da<br />

Frota Pesqueira Nacional, PROFROTA.<br />

Como os estoques pesqueiros oceânicos, porém, também já estão sendo explotados em níveis<br />

próximos do limite sustentável, a ampliação da produção brasileira <strong>de</strong>pen<strong>de</strong>rá diretamente da sua<br />

capacida<strong>de</strong> <strong>de</strong> negociação com os países pesqueiros tradicionais, no âmbito da ICCAT- Comissão<br />

Internacional para a Conservação do Atum Atlântico, assim como na FAO, no seu Comitê <strong>de</strong> <strong>Pesca</strong>, na<br />

OMC e na própria ONU. Ocorre que os atuns e afins são espécies altamente migratórias com suas<br />

populações distribuindo-se por todo o Oceano Atlântico ou hemisfério oceânico. A albacora-bandolim<br />

capturada por barcos nacionais, por exemplo, pertence à mesma população explorada pelos barcos<br />

norte-americanos na costa do Maine, ou pelos barcos espanhóis na Baía <strong>de</strong> Biscay, uma vez que há<br />

uma única população em todo o Atlântico. Já a albacora-branca que o Brasil captura no nor<strong>de</strong>ste<br />

brasileiro faz parte do mesmo estoque explorado pelos sul-africanos e namibianos, na costa africana.<br />

Ou seja, são todos estoques internacionais, explotados simultaneamente por vários países.<br />

Não existe, assim, atum brasileiro. O atum brasileiro é somente aquele pescado por barcos<br />

nacionais ou estrangeiros arrendados a empresas brasileiras e <strong>de</strong>sembarcado nos portos do País. É<br />

exatamente em função disto, por serem recursos internacionais e altamente migratórios, que o seu<br />

or<strong>de</strong>namento tem que ser realizado por um organismo internacional, no caso a Comissão Internacional<br />

para a Conservação do Atum Atlântico- ICCAT, da qual o país é membro <strong>de</strong>s<strong>de</strong> a sua fundação, aliás,<br />

na cida<strong>de</strong> do Rio <strong>de</strong> Janeiro, em 1966. A ICCAT possui um corpo científico, <strong>de</strong>nominado <strong>de</strong> Comitê<br />

Permanente <strong>de</strong> Pesquisa e Estatística (SCRS- Standing Committee on Research and Statistics),<br />

integrado por pesquisadores dos vários países membros, e uma Comissão política.<br />

De uma maneira simplificada, a ICCAT funciona da seguinte forma: todos os anos o SCRS se<br />

reúne e <strong>de</strong>fine os limites sustentáveis <strong>de</strong> captura das diversas espécies explotadas. Subseqüentemente, a<br />

Comissão política <strong>de</strong>ci<strong>de</strong> como a captura máxima permitida (TAC- Total Allowable Catch) será<br />

repartida entre os vários países membros. Um ponto fundamental, neste contexto, é que a gran<strong>de</strong><br />

maioria, se não a totalida<strong>de</strong>, das espécies <strong>de</strong> atuns e afins já estão sendo capturadas no limite <strong>de</strong> suas<br />

capacida<strong>de</strong>s máximas sustentáveis, ou seja, não há, concretamente, como se ampliar a captura total <strong>de</strong><br />

atuns no Oceano Atlântico sem comprometer a sustentabilida<strong>de</strong> dos seus estoques. Neste sentido, a<br />

posição do governo brasileiro tem sido sempre a <strong>de</strong> <strong>de</strong>fen<strong>de</strong>r o respeito aos limites máximos<br />

sustentáveis <strong>de</strong> captura, com a mesma ênfase com que tem <strong>de</strong>fendido o direito do País <strong>de</strong> <strong>de</strong>senvolver a<br />

sua pesca oceânica. Ou seja, o tamanho da torta <strong>de</strong> atum do Atlântico <strong>de</strong>ve ser respeitado, mas o<br />

tamanho da fatia brasileira tem que aumentar. Assim sendo, é evi<strong>de</strong>nte que o crescimento da produção


14<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

nacional <strong>de</strong> atuns e afins implicará necessariamente a redução das capturas por parte dos países<br />

pesqueiros tradicionais, como Espanha, Japão, Taiwan, etc. Consi<strong>de</strong>rando-se que esta ativida<strong>de</strong> no<br />

Oceano Atlântico envolve valores da magnitu<strong>de</strong> <strong>de</strong> US$ 4 bilhões, conforme dito acima, é fácil<br />

compreen<strong>de</strong>r a forma agressiva com que os países pesqueiros tradicionais têm <strong>de</strong>fendido a sua<br />

hegemonia histórica nesta ativida<strong>de</strong>.<br />

É óbvio, também, que o atum que o Brasil não pescar, será pescado por outras nações. O que<br />

precisa ser compreendido é que há, claramente, uma guerra em curso: a guerra pelos recursos atuneiros<br />

do Atlântico, travada entre os países pesqueiros tradicionais e os países em <strong>de</strong>senvolvimento com<br />

pescarias emergentes.<br />

É preciso, também, contextualizar o momento político atravessado pela ICCAT hoje. A entrada<br />

em vigor da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, em novembro <strong>de</strong> 1994, e do<br />

Acordo das Nações Unidas sobre as Espécies <strong>de</strong> Peixes Transzonais e Altamente Migratórias, em<br />

Dezembro <strong>de</strong> 2001, estabeleceu um arcabouço jurídico com base no qual os países pesqueiros em<br />

<strong>de</strong>senvolvimento conquistaram uma condição muito mais favorável <strong>de</strong> ampliar as suas quotas <strong>de</strong><br />

captura, a partir do pleno reconhecimento do seu direito <strong>de</strong> <strong>de</strong>senvolverem sua pesca oceânica.<br />

Foi com base nestes e em outros instrumentos jurídicos internacionais, como o Código <strong>de</strong><br />

Conduta para uma <strong>Pesca</strong> Responsável, da FAO (Organização para Alimentação e Agricultura das<br />

Nações Unidas), com os seus Planos Internacionais <strong>de</strong> Ação correlatos, que o Brasil conseguiu aprovar<br />

na ICCAT, em novembro <strong>de</strong> 1998, um Grupo <strong>de</strong> Trabalho para a Definição <strong>de</strong> Novos Critérios para<br />

Alocação <strong>de</strong> Quotas <strong>de</strong> Captura. Finalmente, em 2001, após 4 longas reuniões, marcadas por<br />

negociações duríssimas, a ICCAT terminou por aprovar uma lista <strong>de</strong> 27 novos critérios, em<br />

substituição ao critério <strong>de</strong> capturas históricas, até então utilizado <strong>de</strong> forma quase que exclusiva pela<br />

Comissão na distribuição <strong>de</strong> quotas <strong>de</strong> captura. Entre os novos critérios aprovados, incluem-se, por<br />

exemplo, a ocorrência do estoque na Zona Econômica Exclusiva do país, a necessida<strong>de</strong> <strong>de</strong> se<br />

privilegiar a pesca artesanal e <strong>de</strong> pequena escala, a importância do estoque para as comunida<strong>de</strong>s<br />

costeiras, entre outros.<br />

A vitória dos países em <strong>de</strong>senvolvimento foi resultado <strong>de</strong> sua sólida argumentação jurídica,<br />

fundamentada nos instrumentos citados. Segundo o critério <strong>de</strong> capturas históricas, as quotas eram<br />

tradicionalmente divididas em função dos montantes capturados pelo País nos últimos anos, ou seja, os<br />

países <strong>de</strong>senvolvidos com pescarias tradicionais perpetuavam a sua hegemonia, enquanto os países em<br />

<strong>de</strong>senvolvimento viam os seus direitos legítimos <strong>de</strong> <strong>de</strong>senvolverem sua pesca oceânica tolhidos. Assim<br />

foi que em uma reunião realizada na Paraíba, em Julho <strong>de</strong> 1997, ao Brasil coube apenas 16% (2.340 t)


15<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

da quota do espadarte do Atlântico Sul, cabendo à Espanha e ao Japão (países sem costa no Atlântico<br />

Sul), respectivamente, 40% e 26%.<br />

Vale ressaltar que até o ano <strong>de</strong> 1987 a Espanha não possuía qualquer captura no Atlântico Sul.<br />

Naquele ano, em <strong>de</strong>corrência da aplicação <strong>de</strong> medidas <strong>de</strong> limitação das capturas no Atlântico Norte, a<br />

Espanha <strong>de</strong>slocou boa parte da sua frota para o Atlântico Sul com o objetivo óbvio <strong>de</strong> construir um<br />

histórico <strong>de</strong> captura, que assegurasse a sua hegemonia quando <strong>de</strong> uma futura alocação <strong>de</strong> quotas, como<br />

<strong>de</strong> fato aconteceu. De zero t, em 1987, a captura espanhola <strong>de</strong> espadarte no Atlântico Sul alcançou já<br />

no ano seguinte, em 1988, 4.400 t, saltando para 9.622 t, em 1996, ano anterior ao da reunião da<br />

Paraíba, 1997, quando as quotas <strong>de</strong> captura para os anos <strong>de</strong> 1998 a 2000 foram estabelecidas.<br />

Nas reuniões da ICCAT em 2000 e 2001, gran<strong>de</strong> parte em função <strong>de</strong> um endurecimento da<br />

posição brasileira, não foi possível se alcançar um consenso para distribuição das quotas <strong>de</strong> espadarte<br />

no Atlântico Sul. Finalmente, na reunião da ICCAT realizada em Bilbao, em 2002, com base nos novos<br />

critérios <strong>de</strong> captura, a <strong>de</strong>legação brasileira conseguiu aumentar a quota para o País no Atlântico Sul, <strong>de</strong><br />

2.340 t, para 4.086 t, em 2003, crescendo <strong>de</strong>ste ano em diante até atingir 4.365t (ou 27,2% do total), em<br />

2006. Além disto, conquistou, também, pela primeira vez, o direito <strong>de</strong> pescar até 200t no Atlântico<br />

Norte, além <strong>de</strong> haver sido perdoado da penalida<strong>de</strong> <strong>de</strong> 1.500t que <strong>de</strong>veria <strong>de</strong>scontar em função do seu<br />

excesso <strong>de</strong> captura em 1998.<br />

Em função <strong>de</strong>ssas conquistas, imediatamente após a reunião da ICCAT, o Governo da Espanha,<br />

em retaliação, proibiu a continuida<strong>de</strong> das operações dos barcos espanhóis arrendados a empresas<br />

brasileiras. O <strong>de</strong>spacho do Secretário Geral <strong>de</strong> <strong>Pesca</strong> Marítima do Ministério <strong>de</strong> Agricultura, <strong>Pesca</strong> e<br />

Alimentação da Espanha, datado <strong>de</strong> 05/12/2001, no qual baixa a referida or<strong>de</strong>m, é bastante<br />

esclarecedor acerca <strong>de</strong> como as autorida<strong>de</strong>s daquele país compreen<strong>de</strong>m a gestão dos recursos atuneiros<br />

do Atlântico: “As razões para impedi-lo (o arrendamento) são sólidas e se fundamentam na melhor<br />

<strong>de</strong>fesa do patrimônio espanhol gerado pelos direitos históricos na pesca <strong>de</strong> espadarte e outras<br />

espécies reguladas pela ICCAT”.<br />

Uma gran<strong>de</strong> dificulda<strong>de</strong> enfrentada pelo País no processo <strong>de</strong> negociação foi, e continua sendo, o<br />

fato dos principais adversários serem também os nossos principais mercados (Espanha, EUA e Japão).<br />

Assim, o Brasil tem disputado com estes países o direito <strong>de</strong> pescar mais, em gran<strong>de</strong> parte com barcos<br />

arrendados aos mesmos, para ven<strong>de</strong>r o peixe capturado para eles. É evi<strong>de</strong>nte, que tal circunstância<br />

torna o País altamente vulnerável, em função da possível utilização por parte dos mesmos <strong>de</strong> barreiras<br />

comerciais, sejam estas <strong>de</strong> natureza tarifária ou não. Um outro argumento recorrente tem sido o <strong>de</strong> que<br />

o país não <strong>de</strong>ve receber quotas <strong>de</strong> captura se não tem a capacida<strong>de</strong> <strong>de</strong> utilizá-las <strong>de</strong> forma plena. Neste<br />

contexto, uma outra batalha dificílima, finalmente vencida também na reunião da ICCAT em Bilbao,


16<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

foi o reconhecimento formal por parte da Comissão, refletido na Recomendação 02/21 (Art. 5), <strong>de</strong> que<br />

as capturas realizadas pelos barcos arrendados pertencem ao país arrendatário (Brasil).<br />

Note-se que esta batalha vem sendo travada também em outros fóruns internacionais,<br />

particularmente no Comitê <strong>de</strong> Regras <strong>de</strong> Origem, da Organização Mundial do Comércio (OMC). Aliás,<br />

pulverizar a agenda internacional da pesca em diversos fóruns tem sido uma das estratégias dos países<br />

pesqueiros tradicionais para preservar a sua hegemonia, apostando na tradicional dificulda<strong>de</strong> dos países<br />

em <strong>de</strong>senvolvimento <strong>de</strong> acompanhar os <strong>de</strong>sdobramentos internacionais, em <strong>de</strong>corrência <strong>de</strong> suas<br />

<strong>de</strong>ficiências <strong>de</strong> coor<strong>de</strong>nação interna.<br />

Com a retirada dos barcos espanhóis arrendados, a aposta da Espanha foi a <strong>de</strong> que o Brasil não<br />

conseguiria utilizar a integralida<strong>de</strong> <strong>de</strong> sua quota a partir <strong>de</strong> 2003, o que <strong>de</strong> fato se confirmou, aspecto<br />

que <strong>de</strong>verá trazer gran<strong>de</strong>s dificulda<strong>de</strong>s para o País na rodada <strong>de</strong> negociações prevista para novembro <strong>de</strong><br />

2006, quando as quotas <strong>de</strong>verão ser revistas. A batalha dos países em <strong>de</strong>senvolvimento pelo direito <strong>de</strong><br />

ampliarem as suas capturas, entretanto, <strong>de</strong> certa forma, já foi vencida a partir da aprovação dos novos<br />

critérios.<br />

Há, ainda, duas outras gran<strong>de</strong>s dificulda<strong>de</strong>s conjunturais que vêm diminuindo sobremaneira a<br />

capacida<strong>de</strong> competitiva da pesca oceânica nacional: a <strong>de</strong>fasagem cambial e o preço do petróleo. O<br />

valor do Real frente ao Dólar atingiu em 2006 níveis próximos à meta<strong>de</strong> do que se verificou no início<br />

da década reduzindo, portanto, substancialmente a margem <strong>de</strong> lucro do pescado exportado. Por outro<br />

lado, em função <strong>de</strong> um aumento <strong>de</strong> quase sete vezes no preço do petróleo no mesmo período, o custo<br />

do diesel e do frete, particularmente o aéreo, subiram <strong>de</strong> maneira bastante forte, aumentando<br />

simultaneamente o custo <strong>de</strong> operação e <strong>de</strong> exportação do produto capturado.<br />

Cabe <strong>de</strong>stacar, por fim, que o <strong>de</strong>senvolvimento da pesca oceânica nacional não diz respeito<br />

apenas à produção <strong>de</strong> pescado, nem à geração das divisas, empregos e renda <strong>de</strong>la resultantes, ele<br />

implica também a efetiva ocupação, não apenas da Zona Econômica Exclusiva, mas das águas<br />

internacionais do Atlântico Sul, essencial à plena realização da estatura geopolítica do País.<br />

Por fim, cabe <strong>de</strong>stacar a gran<strong>de</strong> importância da maricultura para a produção nacional <strong>de</strong><br />

pescado, já respon<strong>de</strong>ndo por mais <strong>de</strong> 100.000t anuais. O crescimento da carcinicultura nacional, assim<br />

como do cultivo <strong>de</strong> salmão no Chile, para dar um exemplo, sinalizam o enorme potencial para o<br />

<strong>de</strong>senvolvimento da ativida<strong>de</strong>. Cabe notar, neste contexto, que somente <strong>de</strong> salmão e truta, o Chile já<br />

produz cerca <strong>de</strong> 600.000t, valor superior a toda a produção nacional pela pesca e aqüicultura marinha<br />

(585.000t). Uma fazenda <strong>de</strong> cultivo <strong>de</strong> beijupirá, por exemplo, com 48 gaiolas <strong>de</strong> 500m 2 cada e<br />

ocupando uma área <strong>de</strong> apenas 2,5 ha, po<strong>de</strong>ria produzir cerca <strong>de</strong> 5.000t/ ano.


17<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

em 1988, 4.400 t, saltando para 9.622 t, em 1996, ano anterior ao da reunião da Paraíba, 1997, quando<br />

as quotas <strong>de</strong> captura para os anos <strong>de</strong> 1998 a 2000 foram estabelecidas.<br />

Nas reuniões da ICCAT em 2000 e 2001, gran<strong>de</strong> parte em função <strong>de</strong> um endurecimento da<br />

posição brasileira, não foi possível se alcançar um consenso para distribuição das quotas <strong>de</strong> espadarte<br />

no Atlântico Sul. Finalmente, na reunião da ICCAT realizada em Bilbao, em 2002, com base nos novos<br />

critérios <strong>de</strong> captura, a <strong>de</strong>legação brasileira conseguiu aumentar a quota para o País no Atlântico Sul, <strong>de</strong><br />

2.340 t, para 4.086 t, em 2003, crescendo <strong>de</strong>ste ano em diante até atingir 4.365t (ou 27,2% do total), em<br />

2006. Além disto, conquistou, também, pela primeira vez, o direito <strong>de</strong> pescar até 200t no Atlântico<br />

Norte, além <strong>de</strong> haver sido perdoado da penalida<strong>de</strong> <strong>de</strong> 1.500t que <strong>de</strong>veria <strong>de</strong>scontar em função do seu<br />

excesso <strong>de</strong> captura em 1998.<br />

Em função <strong>de</strong>ssas conquistas, imediatamente após a reunião da ICCAT, o Governo da Espanha,<br />

em retaliação, proibiu a continuida<strong>de</strong> das operações dos barcos espanhóis arrendados a empresas<br />

brasileiras. O <strong>de</strong>spacho do Secretário Geral <strong>de</strong> <strong>Pesca</strong> Marítima do Ministério <strong>de</strong> Agricultura, <strong>Pesca</strong> e<br />

Alimentação da Espanha, datado <strong>de</strong> 05/12/01, no qual baixa a referida or<strong>de</strong>m, é bastante esclarecedor<br />

acerca <strong>de</strong> como as autorida<strong>de</strong>s daquele país compreen<strong>de</strong>m a gestão dos recursos atuneiros do Atlântico:<br />

“As razões para impedi-lo (o arrendamento) são sólidas e se fundamentam na melhor <strong>de</strong>fesa do<br />

patrimônio espanhol gerado pelos direitos históricos na pesca <strong>de</strong> espadarte e outras espécies<br />

reguladas pela ICCAT”. Uma gran<strong>de</strong> dificulda<strong>de</strong> enfrentada pelo País no processo <strong>de</strong> negociação foi, e<br />

continua sendo, o fato dos principais adversários serem também os nossos principais mercados<br />

(Espanha, EUA e Japão).<br />

Assim, o Brasil tem disputado com estes países o direito <strong>de</strong> pescar mais, em gran<strong>de</strong> parte com<br />

barcos arrendados aos mesmos, para ven<strong>de</strong>r o peixe capturado para eles. É evi<strong>de</strong>nte, que tal<br />

circunstância torna o País altamente vulnerável, em função da possível utilização por parte dos mesmos<br />

<strong>de</strong> barreiras comerciais, sejam estas <strong>de</strong> natureza tarifária ou não. Um outro argumento recorrente tem<br />

sido o <strong>de</strong> que o país não <strong>de</strong>ve receber quotas <strong>de</strong> captura se não tem a capacida<strong>de</strong> <strong>de</strong> utilizá-las <strong>de</strong> forma<br />

plena. Neste contexto, uma outra batalha dificílima, finalmente vencida também na reunião da ICCAT<br />

em Bilbao, foi o reconhecimento formal por parte da Comissão, refletido na Recomendação 02/21 (Art.<br />

5), <strong>de</strong> que as capturas realizadas pelos barcos arrendados pertencem ao país arrendatário (Brasil). Notese<br />

que esta batalha vem sendo travada também em outros fóruns internacionais, particularmente no<br />

Comitê <strong>de</strong> Regras <strong>de</strong> Origem, da Organização Mundial do Comércio (OMC). Aliás, pulverizar a<br />

agenda internacional da pesca em diversos fóruns tem sido uma das estratégias dos países pesqueiros<br />

tradicionais para preservar a sua hegemonia, apostando na tradicional dificulda<strong>de</strong> dos países em


18<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

<strong>de</strong>senvolvimento <strong>de</strong> acompanhar os <strong>de</strong>sdobramentos internacionais, em <strong>de</strong>corrência <strong>de</strong> suas<br />

<strong>de</strong>ficiências <strong>de</strong> coor<strong>de</strong>nação interna.<br />

Com a retirada dos barcos espanhóis arrendados, a aposta da Espanha foi a <strong>de</strong> que o Brasil não<br />

conseguiria utilizar a integralida<strong>de</strong> <strong>de</strong> sua quota <strong>de</strong> 2003 em diante, o que <strong>de</strong> fato se confirmou, aspecto<br />

que <strong>de</strong>verá trazer dificulda<strong>de</strong>s para o País nas negociações prevista para novembro <strong>de</strong> 2006, quando as<br />

quotas <strong>de</strong>verão ser revistas. A batalha dos países em <strong>de</strong>senvolvimento pelo direito <strong>de</strong> ampliarem as<br />

suas capturas, entretanto, <strong>de</strong> certa forma, já foi vencida a partir da aprovação dos novos critérios.<br />

Há, ainda, duas outras gran<strong>de</strong>s dificulda<strong>de</strong>s conjunturais que vêm diminuindo sobremaneira a<br />

capacida<strong>de</strong> competitiva da pesca oceânica nacional: a <strong>de</strong>fasagem cambial e o preço do petróleo. O<br />

valor do real frente ao dólar atingiu em 2006 níveis próximos à meta<strong>de</strong> do que se verificou no início da<br />

década reduzindo, portanto, substancialmente a margem <strong>de</strong> lucro do pescado exportado. Por outro lado,<br />

em função <strong>de</strong> um aumento <strong>de</strong> quase sete vezes no preço do petróleo no mesmo período, o custo do<br />

diesel e do frete, particularmente o aéreo, subiram <strong>de</strong> maneira bastante forte, aumentando<br />

simultaneamente o custo <strong>de</strong> operação e <strong>de</strong> exportação do produto capturado.<br />

Cabe <strong>de</strong>stacar, por fim, que o <strong>de</strong>senvolvimento da pesca oceânica nacional não diz respeito<br />

apenas à produção <strong>de</strong> pescado, nem à geração das divisas, empregos e renda <strong>de</strong>la resultantes, ele<br />

implica também a efetiva ocupação, não apenas da Zona Econômica Exclusiva, mas das águas<br />

internacionais do Atlântico Sul, essencial à plena realização da estatura geopolítica do País.<br />

Por fim, cabe <strong>de</strong>stacar a gran<strong>de</strong> importância da maricultura para a produção nacional <strong>de</strong><br />

pescado, já respon<strong>de</strong>ndo por mais <strong>de</strong> 100.000t anuais. O crescimento da carcinicultura nacional, assim<br />

como do cultivo <strong>de</strong> salmão no Chile, para dar um exemplo, sinalizam o enorme potencial para o<br />

<strong>de</strong>senvolvimento da ativida<strong>de</strong>. Cabe notar, neste contexto, que somente <strong>de</strong> salmão e truta, o Chile já<br />

produz cerca <strong>de</strong> 600.000t, valor superior a toda a produção nacional pela pesca e aqüicultura marinha<br />

(585.000t). Por exemplo, uma fazenda <strong>de</strong> cultivo <strong>de</strong> beijupirá, com 48 gaiolas <strong>de</strong> 500m 2 cada e<br />

ocupando uma área <strong>de</strong> apenas 2,5 ha, po<strong>de</strong>ria produzir cerca <strong>de</strong> 5.000t/ ano.<br />

• Palestra apresentada no Simpósio: A Segurança das Águas Juridicionais <strong>Brasileira</strong>s nas Áreas <strong>de</strong> Exploração<br />

Econômica - Escola <strong>de</strong> Guerra Naval/Centro <strong>de</strong> Estudos Político-Estratégicos.


19<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

CONTRIBUIÇÕES PARA O PLANEJAMENTO ESTRATEGICO DA AQÜICULTURA<br />

BRASILEIRA<br />

Rodolfo RANGEL (rodolforangel@seap.gov.br )<br />

Secretaria Especial <strong>de</strong> Aqüicultura e <strong>Pesca</strong><br />

Nos três seminários <strong>de</strong> aqüicultura do projeto TCP-BRA-300, <strong>de</strong> fortalecimento institucional da<br />

SEAP-PR, ocorrido nos meses passados (<strong>de</strong> <strong>de</strong>zembro <strong>de</strong> 2005 a maio <strong>de</strong> 2006) com a participação da<br />

comunida<strong>de</strong> técnica e cientifica brasileira, os resultados preliminares, serão acervos para subsidiar a<br />

próxima etapa do planejamento estratégico da aqüicultura brasileira.<br />

Recordar que nas priorida<strong>de</strong>s da aqüicultura brasileira estará na aqüicultura familiar, <strong>de</strong> forma<br />

competitiva e organizada pelo forte apoio institucional, na extensão aqüícola associada ao credito, a<br />

pesquisa e a comercialização. Alem das necessida<strong>de</strong>s dos avanços ambientais e <strong>de</strong> uma maior<br />

aproximação com a iniciativa privada. Neste contexto é fundamental a participação empresarial em<br />

todos segmentos estimulando mercado, transferindo tecnologia e estabelecendo a parceria com a média,<br />

pequena e micro proprieda<strong>de</strong>s no processo <strong>de</strong> parceria das populações tradicionais e na inclusão social.<br />

Acrescenta a necessida<strong>de</strong> do crescimento da produção aqüícola <strong>de</strong> forma diversificada.<br />

Na aproximação da política governamental com a aqüicultura empresarial, nota-se avanços<br />

consi<strong>de</strong>ráveis na aqüicultura oceânica. Po<strong>de</strong>ndo ser um importante segmento <strong>de</strong> inovação tecnológicas,<br />

que já vem sendo iniciado no cultivo do beijupirá (Rachycentron canadum).<br />

O domínio tecnológico e a consolidação do mercado na introdução <strong>de</strong> uma nova espécie,<br />

segundo estarão previstos resultados para períodos <strong>de</strong> <strong>de</strong>z a quinze anos. Em menor espaço <strong>de</strong> tempo<br />

para, talvez, com a continuida<strong>de</strong> (que já tem atuação <strong>de</strong> cultivo e da pesquisa do setor privado e<br />

publico) e intensificação da pesquisa e da transferência <strong>de</strong> tecnologia, nos próximos seis a nove anos<br />

tenha a transferência <strong>de</strong> tecnologia e a consolidação do mercado da espécie nativa, o pirarucu<br />

(Arapaima gigas) como a marca do peixe brasileiro.<br />

Por outro lado, nos diversos fóruns <strong>de</strong>ste projeto com a comunida<strong>de</strong> cientifica notou-se uma<br />

preocupação das limitações do crescimento da aqüicultura <strong>de</strong> tanques-re<strong>de</strong> em gran<strong>de</strong>s lagos, barragens<br />

e açu<strong>de</strong>s, sobretudo, em águas da união, vinculando a um processo complicado e oneroso na gestão<br />

transversal <strong>de</strong> licenciamento, outorga e autorização do uso. A unificação institucional do or<strong>de</strong>namento<br />

com o <strong>de</strong>senvolvimento sustentável, sobretudo, fortalecida ao nível <strong>de</strong> ministério, facilitaria todo este<br />

processo. (assunto que abordaremos com mais <strong>de</strong>talhes nas próximas edições, visando uma discussão<br />

previa com o setor). Outro aspecto a se consi<strong>de</strong>rar refere-se à necessida<strong>de</strong> da redução do custo <strong>de</strong>


20<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

ração, que representar cerca 50 % do custo operacional, sobretudo para obter baixo preço <strong>de</strong><br />

comercialização do pescado como plataforma <strong>de</strong> gestão.A redução do preço <strong>de</strong> ração po<strong>de</strong> ter sucesso<br />

na produção <strong>de</strong> insumos e /ou na compra <strong>de</strong> ração por atacado contando com a organização <strong>de</strong> toda<br />

ca<strong>de</strong>ia produtiva .Agregar valor no crescimento da industria <strong>de</strong> cooperativas <strong>de</strong> couro <strong>de</strong> pescado é um<br />

dos aspectos que contribuirá na rentabilida<strong>de</strong> econômica da ativida<strong>de</strong>. Um outro caminho da<br />

rentabilida<strong>de</strong> da aqüicultura po<strong>de</strong>rá otimizar os lucros, esta na industria <strong>de</strong> cooperativa <strong>de</strong> filé <strong>de</strong><br />

pescado, bem como, no aproveitamento <strong>de</strong> subprodutos <strong>de</strong> pescado (carcaça) na produção <strong>de</strong> farinha<br />

como insumo <strong>de</strong> ração e/ou sua interação com a pesca. Talvez concretizando o velho sonho da pesca da<br />

Anchoita.(Engraulis anchoita).<br />

Nota-se também que o exercício da transversalida<strong>de</strong> nos seminários <strong>de</strong> aqüicultura <strong>de</strong>sta<br />

cooperação técnica, parece ter efeitos positivo na gestão transversal, sobre o licenciamento, que<br />

predominam em impactos locais, embora, reconheçamos a necessida<strong>de</strong> da padronização <strong>de</strong><br />

procedimentos a níveis estaduais.<br />

Por outro lado, abrem-se perspectivas para uma intensificação <strong>de</strong> ações em outros ambientes <strong>de</strong><br />

cultivos como os pequenos corpos d’água, lagos, viveiros e canais.E na aqüicultura oceânica e <strong>de</strong><br />

repovoamento <strong>de</strong> ambientes naturais.<br />

Os pequenos corpos d’água, do sul da Ásia apresentam em inúmeras potencialida<strong>de</strong>, que a<br />

exemplo da Índia, chegam a gerar 600 mil toneladas/ano em ocupação <strong>de</strong> 600mil hectares, po<strong>de</strong>m<br />

constituírem importantes recursos aquáticos para o <strong>de</strong>senvolvimento do policultivo e do cultivo<br />

consorciado e integrado. No Brasil com potencial, a ser melhor <strong>de</strong>finido.<br />

Imaginar no futuro, uma expansão da ocupação na zona costeira por cultivos simples <strong>de</strong> algas e<br />

moluscos, como forma <strong>de</strong> alternativas para as comunida<strong>de</strong>s tradicionais e, sobretudo, aten<strong>de</strong>ndo<br />

prioritariamente as trabalhadoras do setor pesqueiro costeiro.<br />

Nota-se também em 78.552 hectares <strong>de</strong> viveiros existente no Brasil, provavelmente cerca <strong>de</strong><br />

21,12 % são ocupadas na zona costeira pela carcinicultura, gerando emprego e contribuído<br />

significativamente no aumento da balança comercial <strong>de</strong> pescado.Segundo dados do Boletim Estatístico<br />

IBAMA – ABCC, com 16.598 hectares. A ampliação do <strong>de</strong>senvolvimento sustentável da ativida<strong>de</strong><br />

nesta região, esta associada ao exercício do zoneamento da zona costeira.<br />

Preliminarmente, a expansão da política <strong>de</strong> construção <strong>de</strong> viveiros <strong>de</strong>ve priorizar a sua<br />

interiorização.Esta interiorização da aqüicultura é uma atuação estratégica para o <strong>de</strong>senvolvimento<br />

sustentável da aqüicultura brasileira. É fundamental estabelecer uma política <strong>de</strong> construção <strong>de</strong> viveiros<br />

para a aquicültura brasileira, sobretudo, <strong>de</strong>vido inúmeras analises sobre a margem <strong>de</strong> lucro são mais<br />

promissora que nos tanques-re<strong>de</strong>s.


21<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

Segundo estudiosos somente no semi-árido nor<strong>de</strong>stino existe um potencial <strong>de</strong> 18 mil hectares <strong>de</strong><br />

áreas <strong>de</strong>gradas consi<strong>de</strong>radas mortas e glebas salinizadas propiciam ao <strong>de</strong>senvolvimento da aqüicultura.<br />

Po<strong>de</strong>ria em curto espaço <strong>de</strong> tempo, expandir a interiorização do camarão marinho e dobrar a produção<br />

atual, com resultados significativos na balança comercial <strong>de</strong> pescado.Acrescenta-se ainda uma<br />

perspectiva incalculável da expansão <strong>de</strong> viveiros dulcícolas, para cultivo <strong>de</strong> peixes e crustáceos. O<br />

aquecimento do mercado do camarão <strong>de</strong> água doce e a retomada do <strong>de</strong>senvolvimento da ativida<strong>de</strong><br />

passam necessariamente no aporte da extensão aquicola e na oferta <strong>de</strong> pós-larvas e divulgação <strong>de</strong> um<br />

produto diferenciado <strong>de</strong> alta palatabilida<strong>de</strong> e <strong>de</strong> culinária especifica, associando-se e a pratica do<br />

policultivo pelo tilapicultores <strong>de</strong> viveiros, ampliando e diversificando a produção local. Além <strong>de</strong><br />

incentivar a ativida<strong>de</strong> <strong>de</strong> monocultivo na carcinicultura <strong>de</strong> água doce que se <strong>de</strong>senvolve<br />

predominantemente ao nível <strong>de</strong> pequena proprieda<strong>de</strong>.<br />

Também expandir a experiência bem sucedida no Amazonas a do cultivo superintensivo do<br />

matrichã (Brycon cephalus) em canais, em áreas <strong>de</strong> assentamentos.<br />

Buscar a expansão da aqüicultura ornamental gerando emprego e renda, priorizando o mercado<br />

externo <strong>de</strong> gran<strong>de</strong> perspectiva <strong>de</strong> crescimento. Além do estimulo a expansão da piscicultura <strong>de</strong> peixes<br />

ditos “redondos” como, tambaqui (Colossoma macropomum) e o pacu (Piaractus mesopotamicus).<br />

Some-se a isso a necessida<strong>de</strong> <strong>de</strong> maiores avanços e estimulo na aqüicultura certificada e<br />

orgânica.<br />

Caberá ainda a iniciativa publica estabelecer programas <strong>de</strong> gestões <strong>de</strong> aqüicultura <strong>de</strong><br />

repovoamento <strong>de</strong> ambientes naturais, para integração com a pesca brasileira e melhoria <strong>de</strong><br />

produtivida<strong>de</strong>s nestes ambientes naturais. Acredita-se que ao longo prazo possamos associá-la a uma<br />

melhoria na taxa <strong>de</strong> recrutamento das espécies a serem pescadas e/ou <strong>de</strong> fortalecimento da ca<strong>de</strong>ia<br />

trófica objeto para a pesca .<br />

Estes são apenas alguns dos aspectos que constituirão para o subsidio do planejamento<br />

estratégico da aqüicultura brasileira que a cooperação técnica FAO e SEAP-PR, associará as<br />

contribuições ao relatório do consultor internacional <strong>de</strong> aqüicultura da FAO Dr. Carlos Wurmann, bem<br />

como, o relatório da oficial <strong>de</strong> pesca da FAO Roma Drª. Doris Sotto, que brevemente estará<br />

disponível na pagina http://www.planalto.gov.br/seap/)<br />

Ressalta-se que o projeto se encontra na fase final <strong>de</strong> aprovação pela FAO-Roma, para ter continuida<strong>de</strong><br />

nos próximos meses, provavelmente sendo concluído ainda em 2006<br />

Finalmente, contribuindo para que uma reflexão do futuro do crescimento da aqüicultura<br />

brasileira esteja respaldada no conhecimento e no sentimento da comunida<strong>de</strong> técnica e cientifica do<br />

crescimento sustentável, estabelecendo a inclusão social e a distribuindo renda e dos avanços das


22<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

parcerias dos setores publico e privado. Que se manifestarão <strong>de</strong>mocraticamente na validação do<br />

planejamento estratégico da aqüicultura brasileira para as próximas décadas, e dando em consulta as<br />

suas representações do CONAPE (Conselho Nacional <strong>de</strong> Aqüicultura e <strong>Pesca</strong>)/aqüicultura.


23<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

HISTÓRICO DA ASSOCIAÇÃO DOS ENGENHEIROS DE PESCA DO ESTADO DO<br />

AMAZONAS<br />

Leonardo Teixeira <strong>de</strong> SALES (leopesca76@yahoo.com.br) FAEP-BR; Leocy Cutrim dos SANTOS<br />

FILHO (leocy_cutrim@yahoo.com.br) AEP-AM; José Milton BARBOSA (jmiltonb@gmail.com)<br />

FAEP-BR; Rogério Souza <strong>de</strong> JESUS (djesus@inpa.gov.br) FAEP-BR; Maria do Carmo Figueredo<br />

SOARES (mcfs@ufrpe) FAEP-BR<br />

INTRODUÇÃO<br />

A AEPA - Associação dos Engenheiros <strong>de</strong> <strong>Pesca</strong> da Amazônia, foi fundada em 08 <strong>de</strong> junho <strong>de</strong><br />

1978 para representar e propugnar pelos interesses dos Engenheiros <strong>de</strong> <strong>Pesca</strong> que viviam e trabalhavam<br />

na região amazônica. Para alcançar seus objetivos sua abrangência teve caráter regional (Estados do<br />

Amazonas, Acre, Pará e Distritos Fe<strong>de</strong>rais <strong>de</strong> Roraima, Rondônia e Macapá). Os engenheiros <strong>de</strong> pesca<br />

daq região atores <strong>de</strong>sta epopéia estão listados abaixo como membros da primeira diretoria e/ou<br />

fundadores:<br />

PRIMEIRA DIRETORIA<br />

Presi<strong>de</strong>nte: Rigoberto Nei<strong>de</strong> Pontes<br />

Vice-presi<strong>de</strong>nte: Antonio Clerton <strong>de</strong> Paula Pontes<br />

Primeiro Secretário: Paulo Ramos Rolim<br />

Segundo Secretário: Leonardo Teixeira <strong>de</strong> Sales<br />

Primeiro Tesoureiro: Cla<strong>de</strong>milson Farias Barreto<br />

Segundo Tesoureiro: Rolfran Cacho Ribeiro<br />

OBS: Devido ao pequeno número <strong>de</strong> sócios, não houve eleição para o Conselho Fiscal.<br />

SÓCIOS FUNDADORES:<br />

Antônio Clerton <strong>de</strong> Paula Pontes (Manaus-AM) José Cosmo N. <strong>de</strong> Andra<strong>de</strong> (Manacapuru-AM)<br />

Antônio Fernan<strong>de</strong>s Dias (Manaus-AM) Leonardo Teixeira <strong>de</strong> Sales (Manacapuru-AM)<br />

Clau<strong>de</strong>milson Farias Barreto (Manaus-AM) Paulo Ramos Rolim (Manaus-AM)<br />

Efren Jorge Gondim Ferreira (Manaus-AM) Rigoberto Nei<strong>de</strong> Pontes (Manaus-AM)<br />

Flávio Marcelo Correa <strong>de</strong> Melo (Manaus-AM) Rolfran Cacho Ribeiro (Manaus-AM)<br />

Francisco Jean Frota <strong>de</strong> Araújo (Rio Branco-AC) Wagner Rocha Silveira (Belém-PA)<br />

Ivanildo Barbosa <strong>de</strong> Farias (Belém-PA)<br />

Em setembro <strong>de</strong> 1981, numa <strong>de</strong>monstração <strong>de</strong> unida<strong>de</strong> todos os dirigentes da AEPA participaram em


24<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

Recife do II Congresso Brasileiro <strong>de</strong> <strong>Engenharia</strong> <strong>de</strong> <strong>Pesca</strong> – II CONBEP. Durante a realização do<br />

Congresso, surgiram correntes no âmbito da categoria que <strong>de</strong>fen<strong>de</strong>ram abertamente a extinção da<br />

Fe<strong>de</strong>ração das Associações dos Engenheiros <strong>de</strong> <strong>Pesca</strong> do Brasil -FAEP-BR.<br />

Os sócios da AEPA que participavam do Evento, juntamente com li<strong>de</strong>ranças da AEP-PE<br />

(Raimundo Evangelista Neto, Antônio Lisboa Nogueira, Eu<strong>de</strong>s <strong>de</strong> Souza Correia e Itamar <strong>de</strong> Paiva<br />

Rocha) <strong>de</strong>fen<strong>de</strong>ram a manutenção da FAEP-BR e <strong>de</strong>cidiram apoiar e eleger uma Chapa composta<br />

integralmente pelos engenheiros <strong>de</strong> pesca que trabalhavam na Amazônia e sócios da AEPA, tendo a<br />

frente como candidato e Presi<strong>de</strong>nte eleito o Engenheiro Leonardo Teixeira <strong>de</strong> Sales.<br />

Com a eleição da II Diretoria Executiva da FAEP-BR (1981/1983) composta por Engenheiros<br />

resi<strong>de</strong>ntes em Manaus / AM, a se<strong>de</strong> da Fe<strong>de</strong>ração foi transferida <strong>de</strong> Brasília-DF para a capital do<br />

Amazonas. Além do presi<strong>de</strong>nte Leonardo Sales, a Diretoria Executiva ficou assim composta: vice –<br />

presi<strong>de</strong>nte - Antônio Clerton <strong>de</strong> Paula Pontes; primeiro secretário - Rigoberto Nei<strong>de</strong> Pontes; segundo<br />

secretário - Antônio Fernan<strong>de</strong>s Dias; primeiro tesoureiro - Francisco Jean Frota <strong>de</strong> Araújo e segundo<br />

tesoureiro - Ivo da Rocha Calado.<br />

A AEPA não mediu esforços pra dar suporte técnico, administrativo e financeiro a FAEP-BR,<br />

durante o período que sua se<strong>de</strong> esteve em Manaus, contribuindo <strong>de</strong> forma <strong>de</strong>cisiva para a consolidação<br />

da Fe<strong>de</strong>ração. Durante o III CONBEP como previa o Estatuto, foi eleita a III Diretoria Executiva da<br />

FAEP-BR que a partir <strong>de</strong>ste período, teve sua se<strong>de</strong> transferida para Recife-PE, on<strong>de</strong> permanece até os<br />

dias atuais.<br />

III DIRETORIA DA FAEP-BR (ELEITA EM MANAUS-AM)<br />

Presi<strong>de</strong>nte - Raimundo Evangelista Neto; Vice-presi<strong>de</strong>nte - Sinfrônio Sousa Silva; Primeira Secretária -<br />

Isabel Cristina <strong>de</strong> Sá Marinho; Segundo Secretário - José Dias Neto; Primeiro Tesoureiro - Nilton<br />

Celso Batista <strong>de</strong> Oliveira; Segundo Tesoureiro - Francisco Ivo Barbosa; Diretores <strong>de</strong> Política<br />

Profissional - Antônio Clerton <strong>de</strong> Paula Pontes, Luís Augusto Sisneiros e Clau<strong>de</strong>milson Farias Barreto;<br />

Diretores <strong>de</strong> Relações Internacionais - José Augusto Negreiros Aragão, Paulo Parente Lira Cavalcante<br />

e Paulo Roberto Studart Gomes; CONSELHO FISCAL TITULARES - Astrogildo José Gomes <strong>de</strong><br />

Melo, Maria <strong>de</strong> Nazaré Bona <strong>de</strong> Alencar Araripe e Eu<strong>de</strong>s <strong>de</strong> Souza Correia; SUPLENTES - Moisés<br />

Almeida <strong>de</strong> Oliveira, Francisco Arturo Pires <strong>de</strong> Freitas e Antônio <strong>de</strong> Almeida Sobrinho (Nogueira,<br />

2005).


25<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

A partir <strong>de</strong> 1982 a AEPA passou a comemorar no Amazonas o dia 14 <strong>de</strong> <strong>de</strong>zembro como o “Dia<br />

Nacional do Engenheiro <strong>de</strong> <strong>Pesca</strong>. (Data da colação <strong>de</strong> grau em Recife-PE da primeira turma <strong>de</strong><br />

Engenheiros <strong>de</strong> <strong>Pesca</strong> do Brasil).<br />

Diversas foram às ativida<strong>de</strong>s <strong>de</strong>senvolvidas pela AEPA <strong>de</strong>s<strong>de</strong> a sua criação até a atualida<strong>de</strong>,<br />

sempre no intuito <strong>de</strong> divulgar aspectos importantes da profissão e do profissional, <strong>de</strong>stacando-se:<br />

a) O III CONGRESSO BRASILEIRO DE ENGENHARIA DE PESCA – CONBEP, realizou-se em<br />

Manaus no ano <strong>de</strong> 1983, com apoio da FAEP-BR. Esse Congresso beneficiou vários jovens<br />

engenheiros <strong>de</strong> pesca, recém formados na UFRPE, que ao conhecerem a região amazônica tiveram a<br />

oportunida<strong>de</strong> <strong>de</strong> iniciar suas ativida<strong>de</strong>s profissionais em função da <strong>de</strong>manda regional por este tipo <strong>de</strong><br />

profissional e da própria vocação natural <strong>de</strong> região norte com relação aos recursos pesqueiros. Nesta<br />

época a EMATER-AM acolheu um gran<strong>de</strong> número <strong>de</strong> engenheiros <strong>de</strong> pesca que passaram a atuar,<br />

principalmente, na Extensão Pesqueira nos diversos escritórios da EMATER, que tinham<br />

representações nos vários municípios do Estado do Amazonas.<br />

Este congresso foi realizado pela AEPA com o apoio da FAEP-BR e sob a presidência do Eng.<br />

Rolfran Cacho Ribeiro, nas <strong>de</strong>pendências do Hotel Tropical Manaus. A abertura oficial realizou-se no<br />

Teatro Amazonas, contando com diversas presenças ilustres, entre elas a do Governador do Estado –<br />

Gilberto Mestrinho e do Presi<strong>de</strong>nte do CONFEA – Engenheiro Onofre Braga <strong>de</strong> Faria, que<br />

oportunamente anunciou a Resolução Nº 279, por ele assinada em 15 <strong>de</strong> julho <strong>de</strong> 2003, que discrimina<br />

as ativida<strong>de</strong>s profissionais do Engenheiro <strong>de</strong> <strong>Pesca</strong>. “Compete ao Engenheiro <strong>de</strong> <strong>Pesca</strong> o <strong>de</strong>sempenho<br />

das ativida<strong>de</strong>s 01 a 18 do Art. 1º da Resolução nº 218, do CONFEA, <strong>de</strong> 29 JUN 1973, no referente ao<br />

aproveitamento dos recursos naturais aqüicolas, a cultura e utilização da riqueza biológica dos mares,<br />

ambientes estuarinos, lagos e cursos d’água; a pesca e o beneficiamento do pescado, seus serviços afins<br />

e correlatos.”<br />

B) APOIO INCONDICIONAL DOS INTEGRANTES DA AEPA PARA A CRIAÇÃO DO TERCEIRO CURSO DE<br />

ENGENHARIA DE PESCA DO BRASIL NA UNIVERSIDADE DO AMAZONAS - UA. Em 1979 a UA instituiu em<br />

seu concurso vestibular, cinco vagas para o curso <strong>de</strong> <strong>Engenharia</strong> <strong>de</strong> <strong>Pesca</strong>. Os discentes, após<br />

realizarem o ciclo básico em Manaus, eram encaminhados à Universida<strong>de</strong> Fe<strong>de</strong>ral do Ceará (UFC) para<br />

completarem a sua formação profissional, através <strong>de</strong> convênio mantido entre as duas instituições.<br />

Em 1988, o Conselho Universitário da antiga UA, hoje UFAM, aprovou o projeto apresentado<br />

pela Faculda<strong>de</strong> <strong>de</strong> Ciências Agrárias, <strong>de</strong> autoria do Prof. Deusimar Freire Brasil, com o apoio <strong>de</strong> vários<br />

engenheiros <strong>de</strong> pesca filiados a AEPA, propondo o oferecimento integral do curso no Amazonas.


26<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

(Resoluções N o 08/88 do CONSEP e N o 19/88 <strong>de</strong> 6/10/88 do CONSUNI-UA). Assim, teve início, no<br />

primeiro semestre letivo <strong>de</strong> 1989, a primeira turma do Curso <strong>de</strong> <strong>Engenharia</strong> <strong>de</strong> <strong>Pesca</strong> integralmente no<br />

Amazonas com o oferecimento <strong>de</strong> 10 vagas.<br />

c) O I SEMINÁRIO SOBRE VALORIZAÇÃO PROFISSIONAL DA ENGENHARIA DE PESCA, nos dias 24 e 25 <strong>de</strong><br />

agosto <strong>de</strong> 1995, numa promoção da Fe<strong>de</strong>ração das Associações dos Engenheiros <strong>de</strong> <strong>Pesca</strong> do Brasil -<br />

FAEP-BR; Associação dos Engenheiros <strong>de</strong> <strong>Pesca</strong> da Amazônia - AEPA; Conselho Fe<strong>de</strong>ral De<br />

<strong>Engenharia</strong>, Arquitetura e Agronomia - CONFEA e do Conselho Regional <strong>de</strong> <strong>Engenharia</strong>, Arquitetura<br />

e Agronomia do Amazonas e Roraima - CREA-AM/RR. e contou com o apoio do Conselho Regional<br />

<strong>de</strong> <strong>Engenharia</strong>, Arquitetura e Agronomia <strong>de</strong> Pernambuco - CREA-PE; do Serviço <strong>de</strong> Apoio às Micro e<br />

Pequenas Empresas do Amazonas - SEBRAE-AM; do Programa Especial <strong>de</strong> Treinamento do Curso <strong>de</strong><br />

<strong>Engenharia</strong> <strong>de</strong> <strong>Pesca</strong>/Universida<strong>de</strong> do Amazonas - PET/PESCA-CAPES/UA e da Escola Agrotécnica<br />

Fe<strong>de</strong>ral <strong>de</strong> Manaus - EAFM.<br />

Este seminário congregou profissionais e estudantes do Setor Pesqueiro a fim <strong>de</strong> <strong>de</strong>flagrar um<br />

processo <strong>de</strong> mobilização nacional para <strong>de</strong>finir uma política a<strong>de</strong>quada ao setor, relevando a sua<br />

importância científica, econômica e social, evi<strong>de</strong>nciando o papel fundamental que o Engenheiro <strong>de</strong><br />

<strong>Pesca</strong> <strong>de</strong>sempenha nesse processo. Apresentou as diversas áreas <strong>de</strong> atuação do profissional qualificado<br />

na <strong>Engenharia</strong> <strong>de</strong> <strong>Pesca</strong> e discutiu as suas atribuições, sua a<strong>de</strong>quação às peculiarida<strong>de</strong>s das realida<strong>de</strong>s<br />

nacional e regional, com <strong>de</strong>staque para o setor pesqueiro da região amazônica. Na Tabela 1 é<br />

apresentado o conteúdo programático <strong>de</strong>ste evento, que conseguiu reunir em Manaus Engenheiros <strong>de</strong><br />

<strong>Pesca</strong> que atuavam em quase todas as regiões do país.<br />

Os resultados e sugestões <strong>de</strong>correntes dos Grupos <strong>de</strong> Trabalho (GT), <strong>de</strong>ste evento foi<br />

apresentado, sob a forma <strong>de</strong> Painel no IX Congresso Brasileiro <strong>de</strong> <strong>Engenharia</strong> <strong>de</strong> <strong>Pesca</strong> em São Luís do<br />

Maranhão, na última semana <strong>de</strong> Setembro/95, promovendo uma maior divulgação da ação.<br />

D) INFORMATIVO DA ASSOCIAÇÃO DOS ENGENHEIROS DE PESCA DA AMAZÔNIA, DENOMINADO: PESCA E<br />

PISCICULTURA, cuja edição n o 1 foi editada em Dezembro/1994, durante a gestão 94/95, sendo uma<br />

publicação da AEPA que visava divulgar informações voltadas a <strong>Engenharia</strong> <strong>de</strong> <strong>Pesca</strong>.


27<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

Tabela 1. Conteúdo Programático do I Seminário sobre Valorização profissional da <strong>Engenharia</strong> <strong>de</strong><br />

<strong>Pesca</strong>, ocorrido em Manaus-AM nos dias 24 e 25/08/1995.<br />

DIA/HORA TEMA PROGRAMA/PARTICIPANTES<br />

24.08.95<br />

07:30h<br />

08:00h<br />

Inscrição<br />

Abertura<br />

Público alvo: profissionais e estudantes da área<br />

Presi<strong>de</strong>ntes do CREA-AM, FAEP-BR, AEPA, SEBRAE,<br />

IBAMA, Reitor da UA, Diretor do INPA, Representante do<br />

Governo do Estado.<br />

09:00h Piscicultura Mesa Redonda com participação dos palestrantes:<br />

Eng. <strong>de</strong> <strong>Pesca</strong> Geraldo Bernardino - CEPTA/IBAMA/SP<br />

Eng. <strong>de</strong> <strong>Pesca</strong> Taciano César - Inst. Ambiental do Paraná/PR<br />

Prof. Deusimar Freire Brasil - DEPESCA / UA<br />

Mo<strong>de</strong>radora: Engª. <strong>de</strong> <strong>Pesca</strong> Maria do Carmo F. Soares -<br />

Presi<strong>de</strong>nte da AEPA<br />

10:45 <strong>Pesca</strong> Mesa Redonda com participação dos palestrantes:<br />

Eng. <strong>de</strong> <strong>Pesca</strong> Efrem Jorge Ferreira - INPA<br />

Eng. <strong>de</strong> <strong>Pesca</strong> <strong>Pesca</strong> Philip Conolly - IBAMA/ SC<br />

14:00h Tecnologia<br />

do Pesado<br />

15:45h Extensão<br />

Pesqueira<br />

17:00 Formação<br />

<strong>de</strong> Grupos<br />

25:08.95<br />

8:00h<br />

9:00h<br />

10:00h<br />

14:00h<br />

16:00h<br />

17:30h<br />

18:00h<br />

<strong>de</strong> Trabalho<br />

Conferências<br />

GT<br />

GT<br />

Relatores<br />

dos GT<br />

Plenário<br />

Mesa<br />

Mo<strong>de</strong>rador: Eng. <strong>Pesca</strong> Antônio Nery Oliveira - IBAMA/AM<br />

Mesa Redonda com a participação dos paletrantes:<br />

Eng. <strong>de</strong> <strong>Pesca</strong> José Stênio Pinheiro - AMASA / PA<br />

Prof. Dr. Edson Lessi - INPA/AM<br />

Prof. Zeneudo Luna Machado - UFRPE/PE<br />

Mo<strong>de</strong>rador: Eng. <strong>de</strong> <strong>Pesca</strong> Pedro Roberto <strong>de</strong> Oliveira - AEPA<br />

Mesa Redonda com participação dos palestrantes:<br />

Eng. <strong>de</strong> <strong>Pesca</strong> Ângelo Brás F. Callou - UFRPE/PE<br />

Eng. <strong>de</strong> <strong>Pesca</strong> Paulo Ramos Rolim - EAFM/AM<br />

Mo<strong>de</strong>rador: Eng. <strong>de</strong> <strong>Pesca</strong> Artur S. Dantas - AEPA<br />

Elaboração <strong>de</strong> propostas sobre a valorização da categoria<br />

profissional dos Engenheiros <strong>de</strong> <strong>Pesca</strong> por gran<strong>de</strong>s áreas <strong>de</strong><br />

atuação<br />

1. Atribuições do Profissional Engenheiro <strong>de</strong> <strong>Pesca</strong>.<br />

Conferencista: Eng. <strong>de</strong> <strong>Pesca</strong> Leonardo Teixeira <strong>de</strong> Sales -<br />

Presi<strong>de</strong>nte da FAEP - BR.<br />

2. Panorama da Piscicultura <strong>Brasileira</strong><br />

Conferencista: Geraldo Bernardino. CEPTA / IBAMA/SP<br />

Elaboração <strong>de</strong> propostas para valorização do Profissional<br />

Continuação dos trabalhos em grupos<br />

Apresentação das propostas elaboradas nos grupos <strong>de</strong> trabalho<br />

em plenário<br />

Discussão e aprovação das propostas e moções<br />

Encerramento.


MUDANÇA PARA AEP-AM<br />

28<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

A partir <strong>de</strong> 10 <strong>de</strong> maio <strong>de</strong> 2005, cumprindo <strong>de</strong>cisão da Assembléia Geral, a Associação (AEPA)<br />

passou a ser <strong>de</strong>nominada “ASSOCIAÇÃO DOS ENGENHEIROS DE PESCA DO ESTADO DO<br />

AMAZONAS”, <strong>de</strong>signada pela sigla “AEP-AM”, com área <strong>de</strong> atuação restrita ao Estado do Amazonas,<br />

se<strong>de</strong> e foro jurídico na Comarca <strong>de</strong> Manaus. O documento foi lavrado no Cartório do Registro <strong>de</strong><br />

Títulos e Documentos sob o número <strong>de</strong> or<strong>de</strong>m 16.243 e apontado pelo número 16.269 do Livro <strong>de</strong><br />

Protocolo “A”, n.º 15. No mesmo Cartório consta que a Associação Civil tem personalida<strong>de</strong> jurídica<br />

adquirida <strong>de</strong>s<strong>de</strong> 28/03/1979, em virtu<strong>de</strong> do primitivo registro lavrado naquela data sob número <strong>de</strong><br />

or<strong>de</strong>m 3.132 no Livro “A” nº 20 <strong>de</strong> Pessoas Jurídicas.<br />

PRIMEIRA DIRETORIA DA AEP-AM<br />

Presi<strong>de</strong>nte: Leocy Cutrim dos Santos Filho; vice-presi<strong>de</strong>nte: Sandro Loris Aquino Pereira; Primeiro<br />

Secretário: João Bosco Ferreira da Silva; Segundo Secretário: Leonardo Bruno Barbosa Monteiro;<br />

Primeiro Tesoureiro: Gelson da Silva Batista; Segundo Tesoureiro: Sebastião Batalha Pinto <strong>de</strong> Souza;<br />

CONSELHO FISCAL TITULARES - Júlio Alberto Dias Siqueira, José Gurgel Rabello e Charles<br />

Hanry Faria Junior; SUPLENTE - Aprígio Mota Moraes; COMISSÃO ELEITORAL - Rogério <strong>de</strong><br />

Jesus, Antônio Inhamuns e Leonardo Bruno; COMISSÃO DE FILIAÇÃO - Rigoberto Nei<strong>de</strong> Pontes,<br />

Sandro Loris, Marcelo Barroncas e Nívea Geovana.<br />

A AEP-AM é uma socieda<strong>de</strong> civil, sem fins lucrativos e que tem como principais objetivos:<br />

α) Congregar os Engenheiros <strong>de</strong> <strong>Pesca</strong> que vivem no Estado do Amazonas;<br />

β) Contribuir para o aperfeiçoamento da cultura pesqueira;<br />

χ) Defen<strong>de</strong>r os interesses e direitos profissionais dos associados e da classe;<br />

δ) Promover a valorização e a <strong>de</strong>fesa da profissão do Engenheiro <strong>de</strong> <strong>Pesca</strong>.<br />

A atual gestão da AEP-AM, através <strong>de</strong> sua diretoria, participou do XIV CONBEP em Fortaleza<br />

– CE, juntamente com um expressivo número <strong>de</strong> associados, on<strong>de</strong> apresentou a proposta vitoriosa da<br />

realização em Manaus-AM, no ano <strong>de</strong> 2007 do XV CONGRESSO Brasileiro <strong>de</strong> <strong>Engenharia</strong> <strong>de</strong> <strong>Pesca</strong> –<br />

CONBEP.<br />

A AEP-AM, participou com um stand próprio no evento, divulgando o Estado do Amazonas e<br />

seu potencial pesqueiro. Até a dança folclórica do Boi Bumba animou os participantes, ajudando-os no<br />

convencimento <strong>de</strong> que o próximo CONBEP precisava ser em Manaus.


29<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

A proposta <strong>de</strong> Manaus foi vencedora, premiando o esforço dos Engenheiros <strong>de</strong> <strong>Pesca</strong>, daquele Estado,<br />

cuja pujança espelha a autivez do povo amazônico.<br />

A AEP-AM é uma das Associações <strong>de</strong> Engenheiros <strong>de</strong> <strong>Pesca</strong> mais antigas do Brasil e encontrase<br />

filiada à Fe<strong>de</strong>ração das Associações dos Engenheiros <strong>de</strong> <strong>Pesca</strong> do Brasil – FAEP-BR. Atualmente<br />

possui cerca <strong>de</strong> 80 associados.<br />

Tabela 2 – Presi<strong>de</strong>ntes da AEP/AM com as datas <strong>de</strong> seus respectivos mandatos.<br />

Nome Associação Mandato<br />

Rigoberto Nei<strong>de</strong> Pontes AEPA 1978 a 1980<br />

Rolfran Cacho Ribeiro AEPA 1981 a 1983<br />

Ativa – Falta resgatar memória AEPA 1984 a 1990<br />

Carlos Edward Freitas AEPA 1991 a 1992<br />

Ativa – Falta resgatar memória AEPA 1993<br />

Antonio Romildo Ximenes Carneiro* AEPA Janeiro a Abril/1994<br />

Maria do Carmo Figueiredo Soares* AEPA Abril/1994 a Janeiro/1995<br />

Ativa – Falta resgatar memória AEPA 1996 a 2002<br />

Charles Hanry Faria Junior AEPA 2003 a 2004<br />

Leocy Cutrim dos Santos Filho AEP/AM 2005 a 2007<br />

* Gestões não concluídas por afastamento dos presi<strong>de</strong>ntes para doutorado em outros Estados<br />

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS<br />

MOURA, K. C.; SOARES, M. C. F., 2002. Quarta da Comunicação PET/<strong>Pesca</strong>. Anais do II JEPEX -<br />

UFRPE, CD-ROM.<br />

NOGUEIRA, A. J.; BARBOSA, J. M.; SALES, L. T., 2005, A <strong>Engenharia</strong> <strong>de</strong> <strong>Pesca</strong> no Brasil e sua<br />

organização. XIV Congresso Brasileiro <strong>de</strong> <strong>Engenharia</strong> <strong>de</strong> <strong>Pesca</strong>, Fortaleza-CE. CD-ROM.<br />

SOARES, M. C. F. 2004. <strong>Engenharia</strong> <strong>de</strong> <strong>Pesca</strong>: A profissão, os cursos e o Programa Especial <strong>de</strong><br />

Treinamento (PET), Imprensa Universitária UFRPE, Recife, 53 p.


30<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

ARRANJOS PRODUTIVOS NO SERTÃO NORDESTINO: AQÜICULTURA E PESCA<br />

José Milton BARBOSA (jmiltonb@gmail.com) e Manlio PONZI JR. (mponzi@elogica.com.br)<br />

Departamento <strong>de</strong> <strong>Pesca</strong> e Aqüicultura Universida<strong>de</strong> Fe<strong>de</strong>ral, Rural <strong>de</strong> Pernambuco.<br />

INTRODUÇÃO<br />

O termo sertão <strong>de</strong>fine áreas secas, especialmente no norte oci<strong>de</strong>ntal do país. No sentido mais amplo, a<br />

palavra <strong>de</strong>signa regiões longínquas ou pelo menos longe do mar, <strong>de</strong> forma que o termo <strong>de</strong>ixa implícita<br />

a escassez <strong>de</strong> água. No entanto, é notável que durante a colonização do Brasil o termo teve um<br />

significado diverso, ligado às aventuras, dos sertanistas, em terras longínquas, distantes das áreas já<br />

colonizadas. Nesta resenha, nos reportamos ao sertão como áreas interiores <strong>de</strong> baixa pluviosida<strong>de</strong>,<br />

típicas do Nor<strong>de</strong>ste do Brasil, não sugerindo necessariamente à escassez <strong>de</strong> água.<br />

O uso da água evolui e <strong>de</strong>mocratizou-se, da simples <strong>de</strong>se<strong>de</strong>ntação humana e animal para uso<br />

especializados ligados à arranjos produtivos locais, tais como a pesca e a piscicultura extensiva e mais<br />

recentemente a piscicultura intensiva em tanques re<strong>de</strong>s.<br />

Este trabalho teve por objetivo analisar esta mudança <strong>de</strong> paradigma e as questões históricas a<br />

ela relacionadas.<br />

ÁGUA E AÇUDAGEM NO NORDESTE<br />

RECURSOS HÍDRICOS NO NORDESTE SEMI-ÁRIDO<br />

O Nor<strong>de</strong>ste do Brasil apresenta uma extensão <strong>de</strong> cerca <strong>de</strong> 1,6x10 6 km 2 , on<strong>de</strong> vivem mais <strong>de</strong> 45<br />

milhões <strong>de</strong> habitantes. Nesta região, <strong>de</strong>staca-se espaço semi-árido, <strong>de</strong>signado como o Polígono das<br />

Secas, que ocupa 936.993 km 2 , ou seja, 60% do território nor<strong>de</strong>stino e se caracteriza por apresentar<br />

temperaturas elevadas durante o ano todo (IBGE, 2002).<br />

As precipitações pluviais concentram-se em poucos meses e são imprevisíveis, o que caracteriza a<br />

existência <strong>de</strong> gran<strong>de</strong> diversida<strong>de</strong> climática, incluindo áreas muito secas com menos <strong>de</strong> 300mm <strong>de</strong><br />

chuvas anuais, on<strong>de</strong> a taxa <strong>de</strong> evaporação chega a superar a <strong>de</strong> precipitação e áreas semi-áridas<br />

caracterizadas por isoietas anuais inferiores a 800mm. Esta estratificação é notória no Estado <strong>de</strong><br />

Pernambuco (Figura 1). O clima do semi-árido é marcado sobre tudo pela escassez e imprevisibilida<strong>de</strong><br />

das chuvas, assim como por uma variabilida<strong>de</strong> temporal e espacial das precipitações.<br />

As secas no Nor<strong>de</strong>ste são anteriores à colonização, porém sua intensida<strong>de</strong> vem aumentando com<br />

o crescimento da população no semi-árido, <strong>de</strong>vido às modificações do meio-ambiente, que ocorrem


Latitu<strong>de</strong><br />

-7.0<br />

-7.5<br />

-8.0<br />

-8.5<br />

-9.0<br />

-9.5<br />

Figura 1 – Isoietas médias anuais no estado <strong>de</strong> Pernambuco<br />

31<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

-10.0<br />

-42.0 -41.5 -41.0 -40.5 -40.0 -39.5 -39.0 -38.5 -38.0 -37.5<br />

Longitu<strong>de</strong><br />

-37.0 -36.5 -36.0 -35.5 -35.0 -34.5 -34.0<br />

lado a lado com o <strong>de</strong>senvolvimento agro-pecuário, a mais marcada sendo a <strong>de</strong>gradação da cobertura<br />

vegetal (ANDRADE, 1998).<br />

O problema do semi-árido não é apenas <strong>de</strong>corrente da escassez <strong>de</strong> chuvas e <strong>de</strong> temperaturas<br />

elevadas, como também da natureza do solo. Com exceção das serras e das chapadas, beneficiadas por<br />

chuvas orográficas, as formações geomorfológicas do Nor<strong>de</strong>ste semi-árido apresentam gran<strong>de</strong>s<br />

extensões <strong>de</strong> rochas cristalinas, formando os pediplanos sertanejos, on<strong>de</strong> as águas das chuvas se<br />

per<strong>de</strong>m rapidamente, escoadas pela re<strong>de</strong> fluvial temporária, <strong>de</strong>vido à baixa capacida<strong>de</strong> <strong>de</strong> retenção do<br />

solo, fora algumas formações sedimentares ricas em águas subterrâneas. Para conservar a água nessas<br />

áreas, tornou-se necessário a construção <strong>de</strong> obras hidráulicas, como barreiros, açu<strong>de</strong>s e barragens.<br />

A construção <strong>de</strong> açu<strong>de</strong>s no Nor<strong>de</strong>ste foi iniciada pelos portugueses, com o objetivo <strong>de</strong> conduzir<br />

água até os moinhos dos engenhos no início da colonização. Durante a colonização do interior do país,<br />

a açudagem foi uma das estratégias utilizada pelos sertanejos para minimizar os efeitos das secas e<br />

resolver o problema do abastecimento d’água que atingia os colonizadores e os seus rebanhos. Essa<br />

técnica <strong>de</strong> manejo do meio ambiente, frente à adversida<strong>de</strong> climática, foi o único meio <strong>de</strong> suprir a falta<br />

<strong>de</strong> rios perenes e <strong>de</strong> fontes permanentes <strong>de</strong> água no sertão nor<strong>de</strong>stino.<br />

Em 1857 o relatório da comissão, nomeada pelo Imperador D. Pedro II para estudar a<br />

problemática da seca no Nor<strong>de</strong>ste, aconselhava a construção <strong>de</strong> açu<strong>de</strong>s para conservar a água das<br />

chuvas. Em 1877 o Nor<strong>de</strong>ste foi assolado por uma gran<strong>de</strong> seca, com a morte <strong>de</strong> cerca <strong>de</strong> mais <strong>de</strong> 500<br />

mil pessoas na Província do Ceará e vizinhanças. A falta <strong>de</strong> água e <strong>de</strong> alimentos foi tão drástica que<br />

2200 mm<br />

2100 mm<br />

2000 mm<br />

1900 mm<br />

1800 mm<br />

1700 mm<br />

1600 mm<br />

1500 mm<br />

1400 mm<br />

1300 mm<br />

1200 mm<br />

1100 mm<br />

1000 mm<br />

900 mm<br />

800 mm<br />

700 mm<br />

600 mm<br />

500 mm<br />

400 mm


32<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

uma gran<strong>de</strong> massa da humana abandonou o sertão e dirigiu-se para as cida<strong>de</strong>s do litoral ANDRADE,<br />

1999). Essa tragédia, que abalou a opinião pública e a classe política, marcou o início da política<br />

governamental <strong>de</strong> açudagem no Nor<strong>de</strong>ste. Logo em seguida, foi nomeada uma comissão encarregada<br />

<strong>de</strong> estudar os meios práticos <strong>de</strong> abastecer a população, para suprir as suas necessida<strong>de</strong>s e possibilitar a<br />

produção agrícola, com irrigação.<br />

No século XX, o problema da escassez da água agravou-se, com a ocorrência <strong>de</strong> numerosos e<br />

prolongados períodos <strong>de</strong> estiagem. O clima do semi-árido, marcado pela intermitência dos rios, as<br />

secas periódicas, e a escassez <strong>de</strong> água, era o principal fator limitante ao <strong>de</strong>senvolvimento sócioeconômico<br />

regional, cuja solução seria a construção <strong>de</strong> obras hidráulicas, sem consi<strong>de</strong>rar o contexto<br />

social e econômico, as práticas culturais, a estrutura fundiária característica do semi-árido e os direitos<br />

<strong>de</strong> acesso à água: apropriação e uso múltiplo (ANDRADE, 1980).<br />

Foram criados, a cada seca, órgãos e instituições específicas e <strong>de</strong>senvolvidos programas <strong>de</strong><br />

emergência. Após a proclamação da República foram criadas três comissões: <strong>de</strong> Açu<strong>de</strong>s e Irrigação; <strong>de</strong><br />

Estudos e Obras Contra os Efeitos da Seca e <strong>de</strong> Perfuração <strong>de</strong> Poços. Em 1909, estas comissões foram<br />

reunidas na Inspetoria Fe<strong>de</strong>ral <strong>de</strong> Obras Contra as Secas (IFOCS), que em 1919, <strong>de</strong>u lugar ao<br />

Departamento Nacional <strong>de</strong> Obras Contra as Secas (DNOCS) (DNOCS, 1940).<br />

Em 1931, o DNOCS programou a construção <strong>de</strong> onze gran<strong>de</strong>s açu<strong>de</strong>s. O Banco do Nor<strong>de</strong>ste foi o<br />

fruto da seca <strong>de</strong> 1952, e a SUDENE foi montada <strong>de</strong>pois da seca <strong>de</strong> 1958. Nos anos setenta, estimava-se<br />

à cerca <strong>de</strong> 60 mil açu<strong>de</strong>s construídos no Nor<strong>de</strong>ste (GURGEL, 1990) e 100 mil no final do século XX.<br />

Destes, 410 são <strong>de</strong> gran<strong>de</strong> porte, e acumulam mais <strong>de</strong> 17,5 bilhões <strong>de</strong> metros cúbicos <strong>de</strong> água.<br />

APROVEITAMENTO SOCIAL DOS AÇUDES<br />

A população nor<strong>de</strong>stina está razoavelmente adaptada a conviver com a ausência <strong>de</strong><br />

precipitações durante um período anual <strong>de</strong> até oito meses utilizando a água armazenada em cisternas,<br />

cacimbas, barreiros, poços, açu<strong>de</strong>s e barragens (ANDRADE, 1980). Entretanto, a política <strong>de</strong> açudagem<br />

nem sempre trouxe os benefícios econômicos esperados para a população na sua maioria ainda<br />

analfabeta, pobre e <strong>de</strong>sestruturada. Apenas 20% dos açu<strong>de</strong>s são usados na distribuição <strong>de</strong> água, <strong>de</strong><br />

forma que pouco ajudam no combate a a seca, <strong>de</strong>vido a baixa capacida<strong>de</strong> técnica e <strong>de</strong>ficiência no uso<br />

social da água, especialmente no que diz respeito à produção <strong>de</strong> alimentos, pela pesca e a aqüicultura.<br />

A construção <strong>de</strong> gran<strong>de</strong>s açu<strong>de</strong>s públicos pelo DNOCS veio acompanhada <strong>de</strong> uma proposta <strong>de</strong><br />

reor<strong>de</strong>nação da estrutura fundiária. à montante do reservatório, a terra era dividida em pequenos lotes,<br />

i<strong>de</strong>ntificados como “faixa seca”, cuja vocação seria pecuária, e “faixa úmida”, <strong>de</strong>stinada a culturas <strong>de</strong>


33<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

subsistência. Anos <strong>de</strong>pois, um novo mo<strong>de</strong>lo <strong>de</strong> or<strong>de</strong>namento do espaço priorizou a utilização das terras<br />

a jusante com a implementação dos perímetros irrigados. Entretanto em alguns anos apareceram<br />

fenômenos <strong>de</strong> salinização e <strong>de</strong> <strong>de</strong>gradação rápida dos solos na maioria dos perímetros irrigados,<br />

limitando seriamente o aproveitamento <strong>de</strong>ssas obras.<br />

Ainda hoje, apesar dos gran<strong>de</strong>s investimentos realizados no semi-árido e das gran<strong>de</strong>s barragens<br />

públicas, a política <strong>de</strong> combate aos efeitos da seca continua sendo feita <strong>de</strong> modo emergencial, com<br />

distribuição <strong>de</strong> cestas básicas e abertura <strong>de</strong> frentes <strong>de</strong> trabalho voltada à construção e limpeza <strong>de</strong> poços,<br />

cisternas e açu<strong>de</strong>s, para amenizar o êxodo rural e a miséria. Há necessida<strong>de</strong> da busca <strong>de</strong> novas<br />

ativida<strong>de</strong>s que ofereçam alternativas <strong>de</strong> renda e melhoria dos Índices <strong>de</strong> Desenvolvimento Humano das<br />

populações sertanejas, que habitam áreas próximas a mananciais d’água.<br />

A criação <strong>de</strong> organismos aquáticos visando a produção <strong>de</strong> alimentos e a pesca esportiva, com<br />

forte apelo para o turismo sertanejo <strong>de</strong>sponta como uma ativida<strong>de</strong> capaz <strong>de</strong> gerar renda e implementar<br />

as ativida<strong>de</strong>s turísticas no nosso sertão.<br />

USO MÚLTIPLO DOS RECURSOS HÍDRICOS: ARRANJOS PRODUTIVOS<br />

O uso múltiplo da água contempla: abastecimento humano e animal, suporte a vida vegetal, produção<br />

<strong>de</strong> alimentos, uso industrial, produção <strong>de</strong> energia, navegação, recreação e turismo. É relevante lembrar<br />

que, dos mais importantes usos da água, os quatros primeiros visam a vida.<br />

A Agenda 21 da Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente aponta a necessida<strong>de</strong><br />

<strong>de</strong> reconhecer o caráter multissetorial do gerenciamento dos recursos hídricos associado ao<br />

<strong>de</strong>senvolvimento socioeconômico sustentável, bem como os interesses múltiplos na utilização da água<br />

para abastecimento humano, saneamento, agricultura, industria, <strong>de</strong>senvolvimento urbano, geração <strong>de</strong><br />

energia hidroelétrica, transporte, recreação, manejo <strong>de</strong> terras baixas e planícies alagadas, pesca,<br />

aqüicultura e turismo interior.<br />

A gestão dos recursos hídricos no Brasil, baseada no Código da Água, promulgado em 1934, dá<br />

ênfase ao valor econômico da água, tendo como priorida<strong>de</strong> o uso para produção <strong>de</strong> energia elétrica. O<br />

uso da água para irrigação, aqüicultura, saneamento, lazer e turismo vem em segundo plano.<br />

PROVEITAMENTO PESQUEIRO DAS ÁGUAS INTERIORES DO NORDESTE: AQÜICULTURA<br />

PESCA E TURISMO<br />

VALORIZAÇÃO PESQUEIRA DOS AÇUDES<br />

No Brasil, a piscicultura <strong>de</strong>senca<strong>de</strong>ou-se a partir das décadas <strong>de</strong> 20 e 30, quando foram<br />

realizados os primeiros trabalhos <strong>de</strong> Rodolpho von Ihering sobre a reprodução dos peixes, dando um


34<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

gran<strong>de</strong> impulso para essa ativida<strong>de</strong> a partir da década <strong>de</strong> 70, com a organização e aperfeiçoamento <strong>de</strong><br />

várias estações <strong>de</strong> pesquisa e produção <strong>de</strong> alevinos (PROENÇA & BITTENCOURT, 1994).<br />

Nos países do primeiro mundo, a aqüicultura foi <strong>de</strong>senvolvida numa perspectiva empresarial,<br />

enquanto nos países em <strong>de</strong>senvolvimento esse setor produtivo foi consi<strong>de</strong>rado inicialmente como parte<br />

da economia <strong>de</strong> subsistência. Sendo assim, a atuação do Estado, através <strong>de</strong> peixamentos <strong>de</strong><br />

reservatórios e <strong>de</strong> financiamento <strong>de</strong> projetos estruturadores, foi realizado geralmente a fundo perdido,<br />

dirigido às camadas mais pobres da população.<br />

No Nor<strong>de</strong>ste, o DNOCS foi encarregado <strong>de</strong> implantar e promover a pesca em água doce, através<br />

da produção <strong>de</strong> alevinos, realização <strong>de</strong> peixamentos, administração pesqueira, e estatística <strong>de</strong> pesca,<br />

cadastramento <strong>de</strong> pescadores e comercialização do pescado. Estima-se que foram introduzidos mais <strong>de</strong><br />

100 milhões <strong>de</strong> alevinos nos açu<strong>de</strong>s públicos e particulares, através <strong>de</strong> ações empreendidas pela<br />

ADENE, DNOCS e IBAMA. Ao todo, 39 espécies <strong>de</strong> peixes e 3 <strong>de</strong> camarões foram trabalhadas, <strong>de</strong>stas<br />

apenas 14 espécies <strong>de</strong> peixe e 1 <strong>de</strong> camarão foram bem aclimatadas. Destacando-se as tilápias Tilapia<br />

rendalli e Oreochromis niloticus, o tambaqui, Colossoma macropomum, a pescada-do-piauí<br />

Plagioscion squamosissimus, as curimatãs Prochilodus spp. e o camarão-sossego Macrobrachium<br />

amazonicum (GURGEL & OLIVEIRA, 1987) .<br />

O DNOCS monitorou a pesca em cerca <strong>de</strong> 100 açu<strong>de</strong>s públicos <strong>de</strong> 1948 a 1990. Nesse período,<br />

a produção pesqueira média foi <strong>de</strong> 111,7 kg/ha, variando entre um máximo <strong>de</strong> 1.011 kg/ha e um<br />

mínimo <strong>de</strong> 12,7 kg/há, com produtivida<strong>de</strong> pesqueira média dos açu<strong>de</strong>s estimada em 100-200 kg/ha,<br />

sem consi<strong>de</strong>rar, entretanto, a ida<strong>de</strong>, o tamanho e a profundida<strong>de</strong> dos açu<strong>de</strong>s. Os reservatórios mais<br />

antigos são menos produtivos que os recentes. De modo geral, a introdução das tilápias Tilápia rendalli<br />

e Oreochromis niloticus, contribuiu para o aumento da produção pesqueira dos açu<strong>de</strong>s que passou <strong>de</strong><br />

43,5 kg/ha em 1960 para 161,4 kg/ha em 1978, sendo essas espécies representando atualmente mais <strong>de</strong><br />

30% das capturas (GURGEL & FERNANDO, 1994).<br />

AQÜICULTURA, PESCA ESPORTIVA E TURISMO<br />

A água é pano <strong>de</strong> fundo para as mais belas paisagens do planeta, e não seria diferente no sertão.<br />

Além do contraste paisagístico gerado pela água em meio ao semi-árido, o que possibilita a oferta <strong>de</strong><br />

passeios temáticos, os turistas po<strong>de</strong>rão visitar projetos <strong>de</strong> criação <strong>de</strong> peixes em tanques-re<strong>de</strong> e praticar<br />

pesca esportiva nos mananciais aquáticos e em pesque-pagues.<br />

CRIAÇÃO EM TANQUE-REDE<br />

A criação <strong>de</strong> peixes em tanques-re<strong>de</strong>, além <strong>de</strong> ser uma ativida<strong>de</strong> produtiva importante em


35<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

mananciais aquáticos, po<strong>de</strong> apresentar um agradável visual, po<strong>de</strong>ndo ser um local <strong>de</strong> visitação e <strong>de</strong><br />

compra <strong>de</strong> peixes pelos turistas e/ou prática <strong>de</strong> pesca esportiva. Esta ativida<strong>de</strong> é uma realida<strong>de</strong> em<br />

várias regiões do Nor<strong>de</strong>ste e, em especial, no Médio São Francisco, on<strong>de</strong> é praticada em larga escala.<br />

PESQUE-PAGUES<br />

Outra alternativa, que apresenta forte apelo turístico e potencial gerador <strong>de</strong> renda, é o pesquepague<br />

e a sua <strong>de</strong>rivação, o pesque-solte. Esta ativida<strong>de</strong>, se bem administrada, é uma ativida<strong>de</strong> lúdica<br />

das mais apreciadas por turistas <strong>de</strong> todo mundo. O pesque-pague é uma ativida<strong>de</strong> on<strong>de</strong> se oferece a<br />

estrutura necessária ao pescador: manancial com peixes, bar, banheiros, áreas <strong>de</strong> lazer para crianças,<br />

estacionamento, e serviços como aluguel <strong>de</strong> material <strong>de</strong> pesca e evisceração e escamação dos peixes<br />

capturados.<br />

PESCA ESPORTIVA NOS MANANCIAIS AQUÁTICOS<br />

As estações <strong>de</strong> piscicultura promovem a <strong>de</strong>sova e propagação artificial <strong>de</strong> peixes nos<br />

mananciais a do Nor<strong>de</strong>ste, propiciando o <strong>de</strong>senvolvimento da pesca, dirigidas ao turismo e o<br />

incremento da criação <strong>de</strong> peixes, <strong>de</strong> forma extensiva, nos próprios açu<strong>de</strong>s e barragens e <strong>de</strong> forma<br />

intensiva em tanques-re<strong>de</strong>.<br />

As principais espécies utilizadas na aqüicultura nor<strong>de</strong>stina e que po<strong>de</strong>m ser dirigidas à pesca<br />

amadora, são as seguintes: tucunarés Cichla ocellaris. (Figura 2), pescada-do-piauí Plagioscion<br />

squamosissimus (Figura 3), surubim Pseudoplatystoma fasciatum (Figura 4), traíra Hoplias<br />

malabaricus (Figura 5), tambaqui Colossoma macropomum (Figura 6), curimatá-pacu Prochilodus<br />

argenteus (Figura 7), piaus Leporinus sp. (Figura 8), acarás Geophagus brasiliensis (Figura 9), tilápia<br />

Oreochromis niloticus (Figura 10) e apaiari Astronotus ocellatus (Figura 11), <strong>de</strong>ntre outras.<br />

A pesca esportiva apresenta gran<strong>de</strong> potencial, como ativida<strong>de</strong> do turismo rural, pela capacida<strong>de</strong><br />

<strong>de</strong> oferecer lazer e entretenimento, além <strong>de</strong> propiciar emprego e renda às populações locais.<br />

Figura 2 - Tucunaré Cichla ocellaris Figura 3 - <strong>Pesca</strong>da Plagioscion squamosissimus


36<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

Figura 4 - Surubim Pseudoplatystoma fasciatum Figura 5 - Traíra Hoplias malabaricus<br />

Figura 6 - tambaqui Colossoma macropomum Figura 7 - Curimatá Prochilodus argenteus<br />

Figura 8 - Piau Leporinus sp. Figura 9 - Acará Geophagus brasiliensis<br />

Figura 10 -.Tilápia Oreochomis niloticus Figura 11 - Apaiari Astronotus ocellatus


37<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

BIBLIOGRAFIA<br />

ANDRADE, M. C., 1980, A terra e o homem no Nor<strong>de</strong>ste, 4 a ed. Editora Ciências Humanas, São<br />

Paulo, 334p.<br />

ANDRADE, M. C., 1998, A terra e o homem no Nor<strong>de</strong>ste, 6 a ed. Editora UFPE, Recife, 427p.<br />

ANDRADE, M. C., 1989, L'intervention <strong>de</strong> l'Etat et la sécheresse dans le Nor<strong>de</strong>ste du Brésil. In:<br />

Bernard Bret (coord.). Les Hommes face aux sécheresses. Paris, IHEAL & EST Samuel Tasted Ed., p.<br />

391-398.<br />

GURGEL, J.J.S. & FERNANDO, 1994, Fisheries in semi-arid Northest Brazil with references to the<br />

roles tilapias. Int. Revue ges Hydrob. v. 79, n. 1, 77-94.<br />

GURGEL, J.J.S.& OLIVEIRA, 1987, Efeitos da introdução <strong>de</strong> peixes e crustáceos no semi-árido do<br />

Nor<strong>de</strong>ste brasileiro, Coleção Mossoroense, série B, N o 453, Mossoró, 28p.<br />

IBGE, 2002, Censo <strong>de</strong>mográfico <strong>de</strong> 2000, IBGE, Rio <strong>de</strong> Janeiro, 591p.<br />

PROENÇA, C.E.M. & BITTENCOURT, P.R.L., 1994, Manual <strong>de</strong> piscicultura tropical, IBAMA,<br />

Brasília, 196p.


38<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

ORGANIZAÇÃO DO POLO PESQUEIRO DO AGRESTE DE PERNAMBUCO E PROPOSTAS<br />

PARA A PESCA E PISCICULTURA<br />

PROJETO RENASCER/PRORURAL-PE<br />

Sileno Luís <strong>de</strong> ALCANTARA (silenoluis@yahoo.com.br);<br />

Márcia Maria Galvão <strong>de</strong> AGUIAR (marciaaguiar@ig.com.br)<br />

INTRODUÇÃO<br />

A coleção <strong>de</strong> água existente no Agreste Pernambucano apresenta um gran<strong>de</strong> potencial para a<br />

produção <strong>de</strong> pescado, através da pesca artesanal e do cultivo intensivo. No entanto, a pesca extrativa<br />

carece da melhoria da qualida<strong>de</strong> <strong>de</strong> técnicas <strong>de</strong> pesca e <strong>de</strong> um or<strong>de</strong>namento da ativida<strong>de</strong>, visando o<br />

aumento racional da produção e a resolução <strong>de</strong> conflitos <strong>de</strong> interesses. No que concerne à aqüicultura,<br />

trata-se <strong>de</strong> uma ativida<strong>de</strong> com potencial significativo entre as ativida<strong>de</strong>s rurais, em face <strong>de</strong> fatores<br />

capitais como o atual domínio <strong>de</strong> tecnologia e rentabilida<strong>de</strong> relativa muito superior à maioria das<br />

culturas tradicionais. O mercado <strong>de</strong> pescado qualificado seja local, regional ou internacional, apresentase<br />

com <strong>de</strong>manda em franca expansão.<br />

Essa ativida<strong>de</strong> econômica, tratada <strong>de</strong> forma planejada em toda sua ca<strong>de</strong>ia produtiva, trará aos<br />

beneficiários, uma forte motivação para o aproveitamento racional, respeitando o conceito <strong>de</strong><br />

<strong>de</strong>senvolvimento sustentável.<br />

O PROJETO POLO PEIXE<br />

Os pescadores dos municípios <strong>de</strong> Belo Jardim, Bonito, Cumaru, Frei Miguelinho, Riacho das<br />

Almas e São Joaquim do Monte são representados por uma Colônia e Asociações que atuam nas<br />

barragens da região do agreste <strong>de</strong> Pernambuco.<br />

O Projeto Polo Peixe originou-se da idéia, comum aos municípios, <strong>de</strong> explorar racionalmente o<br />

potencial pesqueiro existente em suas localida<strong>de</strong>s, através <strong>de</strong> ações com base em um sistema planejado<br />

<strong>de</strong> <strong>de</strong>senvolvimento sustentável, que visa mostrar a viabilida<strong>de</strong> <strong>de</strong>sta ação na geração <strong>de</strong> novas<br />

oportunida<strong>de</strong>s <strong>de</strong> trabalho, renda e na perspectiva <strong>de</strong> melhoria da qualida<strong>de</strong> <strong>de</strong> vida das comunida<strong>de</strong>s<br />

rurais, através do aumento da oferta <strong>de</strong> produtos pesqueiros com valor agregado.<br />

HISTÓRICO E FORMAÇÃO DO CONSELHO DO POLO PESQUEIRO DO AGRESTE - COPESCA<br />

As ações <strong>de</strong> organização das comunida<strong>de</strong>s pesqueiras levadas a efeito nos municípios <strong>de</strong> Belo<br />

Jardim, Bonito, Cumaru, Frei Miguelinho, Riacho das Almas e São Joaquim do Monte (Figura 1),<br />

resultaram na criação ou fortalecimento <strong>de</strong> entida<strong>de</strong>s. Congregando representantes das Associações e


Surubim<br />

Cumaru<br />

Frei Miguelinho<br />

Riacho das Almas<br />

Belo Jardim<br />

São Joaquim do Monte<br />

Bonito<br />

ESTADO DE PERNAMBUCO<br />

Figura 1. Polo Pesqueiro no agreste pernambucano<br />

39<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

Recife<br />

Colônia <strong>de</strong> <strong>Pesca</strong>dores, Conselhos Municipais <strong>de</strong> Desenvolvimento e Prefeituras, foi criado o Conselho<br />

do Polo Pesqueiro do Agreste – COPESCA, com a proposta <strong>de</strong> reger a administração, o or<strong>de</strong>namento e<br />

o <strong>de</strong>senvolvimento <strong>de</strong> um Polo pesqueiro em sete municípios na região do Agreste Pernambucano,<br />

<strong>de</strong>nominado Projeto Polo Peixe.<br />

O COPESCA é formado com a participação <strong>de</strong> três representantes por município, sendo um<br />

representante da Associação dos <strong>Pesca</strong>dores, um representante do Conselho Municipal <strong>de</strong><br />

Desenvolvimento e um representante do Governo Municipal.<br />

O município <strong>de</strong> Surubim, através da Associação <strong>de</strong> <strong>Pesca</strong>dores, não vinha participando do Polo<br />

pesqueiro mesmo sendo um dos fundadores, sendo reintegrado recentemente, razão pela qual não foi<br />

incluída no diagnóstico. Surubim, assim como Cumaru, Frei Miguelinho e Riacho das Almas margeiam<br />

a barragem <strong>de</strong> Jucazinho.<br />

A exploração sustentável do potencial da região po<strong>de</strong> ser avaliada, inicialmente, através do seu<br />

estudo nas principais barragens que compõe o Polo Peixe, que possuem juntas capacida<strong>de</strong> <strong>de</strong><br />

acumulação <strong>de</strong> água <strong>de</strong> aproximadamente 416.200.000 m 3 (Figura 2).


40<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

Figura 2 - Capacida<strong>de</strong> aproximada <strong>de</strong> água das barragens do agreste<br />

pernambucano (416.200.000 m 3 )<br />

OBJETIVOS DO PROJETO POLO PEIXE<br />

O objetivo geral do Projeto Polo Peixe é a melhoria da qualida<strong>de</strong> <strong>de</strong> vida das comunida<strong>de</strong>s<br />

integrantes do Polo, através da exploração racional da pesca artesanal e da aqüicultura na região.<br />

São objetivos específicos:<br />

O fortalecimento organizacional das comunida<strong>de</strong>s pesqueiras<br />

A geração <strong>de</strong> trabalho e renda para pescadores e aqüicultores<br />

O envolvimento <strong>de</strong> mulheres e jovens nos processos produtivos<br />

A legalização das ativida<strong>de</strong>s <strong>de</strong> pesca e aqüicultura, <strong>de</strong>staque à utilização a<strong>de</strong>quada das águas<br />

públicas.<br />

A geração <strong>de</strong> alternativa <strong>de</strong> produção para produtores rurais<br />

A qualificação, diversificação (transformação) e agregação <strong>de</strong> valores aos produtos pesqueiros<br />

O estímulo à educação formal; e<br />

A criação <strong>de</strong> um centro <strong>de</strong> referência para a comercialização do pescado.<br />

ENTIDADES PARCEIRAS<br />

Enten<strong>de</strong>ndo a importância da formação <strong>de</strong> parcerias, o Polo Peixe vem mantendo contatos com<br />

entida<strong>de</strong>s governamentais, não governamentais e iniciativa privada, objetivando a consolidação <strong>de</strong><br />

ações complementares. Dentre as instituições contatadas, citamos:<br />

• Prorural/Projeto Renascer<br />

327.000.000; 78%<br />

• Companhia Pernambucana <strong>de</strong> Saneamento – COMPESA<br />

• Companhia Pernambucana <strong>de</strong> Meio Ambiente – CPRH<br />

40.000.000; 10%<br />

49.200.000; 12%<br />

Jucarzinho (Cumaru, Frei Miguelinho, Riacho das Almas e Surubim)<br />

Prata (Bonito e S. Joaquim dos Montes)<br />

Ipojuca, Bitury e Tabocas (Belo Jardim)


• Empresa Pernambucana <strong>de</strong> Pesquisa Agropecuária - IPA<br />

• Secretaria Especial <strong>de</strong> Aqüicultura e <strong>Pesca</strong> - SEAP/PR<br />

• Secretaria <strong>de</strong> Ciência Tecnologia e Meio Ambiente - SECTMA<br />

41<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

• Programa <strong>de</strong> Pós Graduação em Extensão Rural e Desenvolvimento Local/Universida<strong>de</strong><br />

Fe<strong>de</strong>ral Rural <strong>de</strong> Pernambuco - POSMEX /UFRPE.<br />

• Departamento Nacional <strong>de</strong> Obras Contra a Seca - DNOCS<br />

DIAGNÓSTICOS DA COLÔNIA E DAS ASSOCIAÇÕES DE PESCADORES<br />

COLÔNIA DE PESCADORES Z-28 DO MUNICÍPIO DE BELO JARDIM, PE<br />

Os pescadores <strong>de</strong> Belo Jardim estão organizados na Associação <strong>de</strong> <strong>Pesca</strong>dores <strong>de</strong> Belo Jardim –<br />

ADEPE Associação e na Colônia Z-28.<br />

A Associação surgiu com o objetivo <strong>de</strong> unir os pescadores da região, em busca dos objetivos<br />

comuns. Apresntam boas relações pessoais e vivem <strong>de</strong> comum acordo.<br />

A Colônia é composta por cerca <strong>de</strong> 150 sócios, com registro <strong>de</strong> contribuição financeira mensal,<br />

entre os quais quinze mulheres.<br />

O patrimônio <strong>de</strong> Colônia é o seguinte: um freezer para conservação do pescado, uma se<strong>de</strong> em<br />

construção - resultado da parceria firmada com a Prefeitura Municipal. Enquanto isso se reúnem às<br />

margens da Barragem, na localida<strong>de</strong> Prainha, uma vez por mês e a participação dos sócios é regular.<br />

A Prainha, local <strong>de</strong> <strong>de</strong>sembarque do pescado, tornou-se ponto turístico e <strong>de</strong> lazer, como:<br />

competições náuticas, apresentação <strong>de</strong> shows etc, gerenciado pela Colônia Z-28 em parceria firmada<br />

com o município.<br />

Têm parceira ainda com o Conselho <strong>de</strong> Desenvolvimento Municipal, o Conselho do Polo<br />

Pesqueiro do Agreste e o Projeto Renascer.<br />

As dificulda<strong>de</strong>s são: cerca <strong>de</strong> cem pessoas não sócias pescam na área <strong>de</strong> abrangência da<br />

barragem, o que sugere a necessida<strong>de</strong> da atenção do IBAMA, no que se refere à fiscalização das<br />

embarcações e apetrechos utilizados por esses pescadores; falta <strong>de</strong> capacitação dos pescadores.<br />

SOBRE A PESCA E A PISCICULTURA<br />

Os apetrechos <strong>de</strong> pesca predominantes na Barragem do Ipojuca são tarrafa e re<strong>de</strong> <strong>de</strong> espera.<br />

Alguns pescam com linha e anzol. As embarcações predominantes são barco e canoa, cerca <strong>de</strong> 100<br />

unida<strong>de</strong>s. Na maioria das vezes os pescadores trabalham em forma <strong>de</strong> parceria, dois ou três na mesma<br />

embarcação.


42<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

Quanto ao pescado capturado, a tilápia nilótica (Oreochromis niloticus) representa 90%, a traíra<br />

(Hoplias malabaricus) e a piaba (Astyanax gr. bimaculatus) representam, cada uma, 5% das espécies<br />

encontradas. No que se refere à quantida<strong>de</strong> pescador/dia, apontaram 7 kg para a tilápia, 2 kg para a<br />

piaba e 1 kg para a espécie traíra. A variação <strong>de</strong> peso do pescado: tilápia (200g a 800g), traíra (500g a<br />

1000g) e a piaba (10g a 20g).<br />

Os pescadores trabalham normalmente <strong>de</strong> segunda a sexta-feira. Reservando o final <strong>de</strong> semana<br />

para o “<strong>de</strong>scanso” da barragem. Acreditam que nesse período, a água se renova e aumenta o tamanho e<br />

a quantida<strong>de</strong> do pescado.<br />

Geralmente conservam o produto em gaiolas ou freezeres e quando beneficiam, limpam e<br />

evisceram. O tempo médio <strong>de</strong> estocagem do pescado é <strong>de</strong> 3 (três) dias e o número aproximado <strong>de</strong><br />

freezeres é <strong>de</strong> 10 (<strong>de</strong>z) unida<strong>de</strong>s distribuídos entre os pescadores da região.<br />

A comercialização é realizada na feira livre, diretamente ao atravessador e no mercado público<br />

do município, on<strong>de</strong> existe local específico para venda do produto. O meio <strong>de</strong> transporte mais utilizado é<br />

bicicleta ou moto.<br />

Os preços do pescado variam para o atravessador e para o mercado (feira livre). O quilo <strong>de</strong><br />

tilápia e traíra é repassado ao atravessador por R$ 3,00 (três reais) e a piaba por R$ 1,50 (um real e<br />

cinqüenta centavos). Para o mercado, o quilo <strong>de</strong> tilápia e traíra é vendido a R$ 4,00 (quatro reais) e a<br />

piaba por R$ 2,00 (dois reais).<br />

Quanto as principais dificulda<strong>de</strong>s para exercer a profissão, apontam a falta <strong>de</strong> um espaço a<strong>de</strong>quado para<br />

estocar e beneficiar o produto, bem como a quantida<strong>de</strong> insuficiente <strong>de</strong> apetrechos <strong>de</strong> pesca e<br />

embarcações em situação precária.<br />

O grupo tem interesse em piscicultura através do sistema <strong>de</strong> tanques-re<strong>de</strong>, para a tilápia.<br />

Segundo eles, “é como se tivesse fazendo um <strong>de</strong>pósito para guardar o peixe e tirar na hora certa”.<br />

ASSOCIAÇÃO DOS PESCADORES DO MUNICÍPIO DE BONITO<br />

A Associação dos <strong>Pesca</strong>dores do Município <strong>de</strong> Bonito surgiu com objetivo principal <strong>de</strong><br />

“conseguir projetos e investimentos para a pesca e a comunida<strong>de</strong> se <strong>de</strong>dicar exclusivamente a esta<br />

ativida<strong>de</strong>”. Quanto às relações interpessoais afirmaram que “em princípio havia <strong>de</strong>sconfiança, mas<br />

agora estão bem, os complicados saíram.”<br />

No que se refere ao patrimônio, citaram a estação <strong>de</strong> produção <strong>de</strong> alevinos (construção em<br />

andamento), resultado da parceria firmada com a Prefeitura Municipal e equipamentos: 10 tanquesre<strong>de</strong>,<br />

01 balança, 1 barco, caixas d’água. Não possuem se<strong>de</strong>, se reúnem na casa do presi<strong>de</strong>nte, uma vez<br />

por mês e a participação é regular.


43<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

Além <strong>de</strong>ssa parceria, apontaram o Conselho <strong>de</strong> Desenvolvimento Municipal, o Conselho do<br />

Polo Pesqueiro do Agreste e o Projeto Renascer, como instituições que apóiam a entida<strong>de</strong>. Ressalta-se<br />

a articulação <strong>de</strong>ssa associação e da Prefeitura Municipal, com instituições que <strong>de</strong> forma direta ou<br />

indireta atuam na área <strong>de</strong> manejo e controle <strong>de</strong> recursos hídricos, tais como: COMPESA, CPRH,<br />

SECTMA, ITEP, UFRPE, IBAMA e RENASCER/Prorural.<br />

Com as mudanças na administração municipal <strong>de</strong>corrente das eleições <strong>de</strong> 2004, estão sendo<br />

rediscutidos compromissos assumidos anteriormente pela administração municipal e outros órgãos<br />

públicos acima citados.<br />

A associação é composta por sessenta sócios. Há registro <strong>de</strong> contribuição financeira mensal e 10<br />

(<strong>de</strong>z) mulheres participam da entida<strong>de</strong>, gran<strong>de</strong> parte trabalha na ativida<strong>de</strong> <strong>de</strong> alguma forma: captura do<br />

pescado e comercialização. Cerca <strong>de</strong> cinqüenta pessoas, não sócias, pescam na área da barragem.<br />

Como principais dificulda<strong>de</strong>s, apontaram poucos apetrechos <strong>de</strong> pesca e tanques-re<strong>de</strong> para o<br />

número <strong>de</strong> pescadores e oportunismo por parte <strong>de</strong> alguns pescadores que aparecem quando tem<br />

recursos.<br />

SOBRE A PESCA E A PISCICULTURA<br />

Os apetrechos <strong>de</strong> pesca predominantes na Barragem do Prata são a re<strong>de</strong> <strong>de</strong> espera e a tarrafa.<br />

Alguns pescam com linha e anzol e mergulham com arpão. A embarcação predominante é barco <strong>de</strong><br />

ma<strong>de</strong>ira a remo, individual, com número aproximado <strong>de</strong> seis. Como substituto <strong>de</strong> barcos utiliza-se bóia,<br />

equipamento consi<strong>de</strong>rado bastante ina<strong>de</strong>quado.<br />

Quanto ao pescado capturado, as espécies tucunaré (Cichla ocellaris) e traíra são as mais<br />

representativas, com a média <strong>de</strong> 40% e 30%, respectivamente. O carito – cará (Cichlasoma sp.), a<br />

tilápia (Oreochromis niloticus) e o piau (Leporinus fri<strong>de</strong>rici) representam, cada uma, 10% das espécies<br />

encontradas. No que se refere à quantida<strong>de</strong> pescador/dia, apontaram 6 kg para o tucunaré, 4 kg para a<br />

traíra, 3 kg para a tilápia, 2 kg para o piau e 1kg para o carito zebu. A variação <strong>de</strong> peso do pescado:<br />

tucunaré (300g a 700g), traíra (400g a 1000g), tilápia (800g a 1500g), piau (20g a 30g) e o carito (100g<br />

a 250g).<br />

Os pescadores trabalham geralmente da quarta-feira ao sábado, reservando os <strong>de</strong>mais dias para<br />

participar das feiras-livres da região.<br />

Conservam o produto em quatro freezeres, <strong>de</strong> uso comum entre os pescadores da região, com tempo<br />

médio <strong>de</strong> estocagem <strong>de</strong> quatro dias. O pescado é comercializado sem nenhum tipo <strong>de</strong> beneficiamento.


44<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

A comercialização é realizada na feira livre ou na residência do pescador. Não utilizam meios<br />

<strong>de</strong> transporte. O preço/Kg do pescado não varia, o tucunaré, a tilápia e traíra custam R$ 4,00 (quatro<br />

reais), o carito zebu a R$ 3,00 (três reais) e o piau a R$ 2,00 (dois reais).<br />

Quanto as principais dificulda<strong>de</strong>s para exercer a profissão apontam o controle rígido <strong>de</strong> órgãos<br />

ambientais, poluição ambiental proveniente <strong>de</strong> esgotos domésticos, agrotóxicos utilizados na<br />

agricultura e a falta <strong>de</strong> segurança na área, como exemplo o roubo <strong>de</strong> apetrechos <strong>de</strong> pesca. No que se<br />

refere à poluição ambiental, proveniente <strong>de</strong> esgotos domésticos, tem havido entendimentos entre<br />

Associação <strong>de</strong> <strong>Pesca</strong>dores, Prefeitura do Município e órgãos ambientais para minimizar o problema.<br />

O grupo tem interesse em piscicultura através do sistema <strong>de</strong> tanques-re<strong>de</strong> para a tilápia.<br />

Segundo eles, “é mais fácil o manuseio, possuem conhecimento da técnica e o custo é menor”.<br />

ASSOCIAÇÃO DOS PESCADORES E PRODUTORES RURAIS DO SÍTIO CAMPOS<br />

NOVOS, MUNICÍPIO DE CUMARU, PE<br />

A associação surgiu com objetivo principal <strong>de</strong> “unir, fortalecer e gerar riqueza para a<br />

comunida<strong>de</strong>”. Quanto às relações interpessoais afirmaram “existir conflitos em <strong>de</strong>terminadas épocas,<br />

mas sempre chegam a um acordo”.<br />

A associação ainda não possui patrimônio. Os sócios vêm se reunindo no Grupo Escolar e a<br />

participação é boa. A contribuição é mensal e tem sido efetuada pela maioria.<br />

Apontaram o Projeto Renascer, o Conselho <strong>de</strong> Desenvolvimento Municipal e o Conselho do<br />

Polo Pesqueiro do Agreste como instituições parceiras <strong>de</strong>ssa entida<strong>de</strong>.<br />

A associação é composta por aproximadamente 38 sócios cadastrados. Afirmam que cerca <strong>de</strong> 50<br />

pessoas, não sócias, pescam na área <strong>de</strong> abrangência da barragem. Citaram ainda a falta <strong>de</strong> recursos<br />

financeiros e poucos apetrechos <strong>de</strong> pesca como as principais dificulda<strong>de</strong>s.<br />

SOBRE A PESCA E A PISCICULTURA<br />

O apetrecho <strong>de</strong> pesca predominante na Barragem <strong>de</strong> Jucazinho, área <strong>de</strong> Campos Novos, é a re<strong>de</strong><br />

<strong>de</strong> espera. Alguns pescam com tarrafa. A embarcação predominante é barco ou canoa, com cerca <strong>de</strong><br />

quinze. Na maioria das vezes os pescadores trabalham em forma <strong>de</strong> parceria, duas pessoas na mesma<br />

embarcação.<br />

Quanto ao pescado capturado, a tilápia (Oreochromis niloticus), representa 80%, a traíra (Hoplias<br />

malabaricus), e a piaba (Astyanax gr.bimaculatus) representam, cada uma, 10% das espécies<br />

encontradas. No que se refere à quantida<strong>de</strong> pescador/dia, apontaram 5 kg para a tilápia, 2 kg para a


45<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

traíra e 10 kg para a o camarão. A variação <strong>de</strong> peso do pescado: tilápia (300g a 500g), traíra (1000g a<br />

2000g) e o camarão (10g a 15g).<br />

Os pescadores trabalham geralmente <strong>de</strong> domingo a domingo. Conservam o produto em sete<br />

freezeres, <strong>de</strong> uso comum entre os pescadores da região, por um tempo médio <strong>de</strong> três dias. O pescado é<br />

comercializado, em parte beneficiado (limpo e eviscerado) ou sem beneficiamento.<br />

A comercialização é realizada pelo pescador no mercado municipal ou ao atravessador. O meio<br />

<strong>de</strong> transporte é moto ou carro <strong>de</strong> aluguel. Os preços do pescado variam para o atravessador e para o<br />

mercado. O quilo da tilápia é repassado ao atravessador por R$ 2,00 (dois reais), a traíra por R$ 3,00<br />

(três reais) e o camarão a R$ 1,20 (um real e vinte centavos). Para o mercado, o quilo das espécies<br />

tilápia e camarão é vendido a R$ 3,00 (três reais) e a traíra por R$ 4,00 (quatro reais).<br />

O tempo <strong>de</strong> estocagem, o beneficiamento, e os preços do pescado comercializado são<br />

semelhantes também nas Associações <strong>de</strong> Frei Miguelinho (Frei Miguelinho) e Couro D’antas (Riacho<br />

das Almas), sendo que em Couro D’antas a piaba é comercializada a R$ 2,00 (dois reais) o kilo.<br />

Quanto as principais dificulda<strong>de</strong>s para exercer a profissão, apontam a falta <strong>de</strong> valorização e<br />

apoio para a ativida<strong>de</strong> e local para estocar e beneficiar.<br />

O grupo tem interesse em piscicultura através do sistema <strong>de</strong> tanques-re<strong>de</strong>. Segundo eles, “é uma<br />

criação segura, on<strong>de</strong> po<strong>de</strong> marcar o tempo para a <strong>de</strong>spesca”.<br />

ASSOCIAÇÃO DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL DOS PESCADORES DO MUNICÍPIO<br />

DE FREI MIGUELINHO<br />

A associação surgiu com objetivo principal <strong>de</strong> “conseguir melhorias econômicas para as<br />

famílias dos pescadores”. Quanto às relações interpessoais “afirmaram não ter problemas”.<br />

A associação não possui patrimônio. Os sócios se reúnem no Centro Comunitário local que se encontra<br />

<strong>de</strong>sativado e a participação é regular.<br />

Apontaram o Conselho <strong>de</strong> Desenvolvimento Municipal e o Conselho do Polo Pesqueiro do<br />

Agreste como instituições que apóiam a entida<strong>de</strong>.<br />

A associação é representada atualmente por aproximadamente cinqüenta e oito sócios.<br />

Aproximadamente vinte pescadores estão com a contribuição financeira mensal em dia. Não há registro<br />

<strong>de</strong> mulheres associadas.<br />

Afirmaram que cerca <strong>de</strong> vinte pessoas, não sócias, pescam na área <strong>de</strong> abrangência da barragem. Não<br />

opinaram sobre as principais dificulda<strong>de</strong>s encontradas pela associação.


SOBRE A PESCA E A PISCICULTURA<br />

46<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

Os apetrechos <strong>de</strong> pesca predominante na Barragem <strong>de</strong> Jucazinho, distrito <strong>de</strong> Capivara, é tarrafa<br />

e re<strong>de</strong> <strong>de</strong> espera. A embarcação predominante é canoa, com número aproximado <strong>de</strong> vinte unida<strong>de</strong>s. Na<br />

maioria das vezes trabalham dois pescadores por embarcação.<br />

Quanto ao pescado capturado, a tilápia representa 95%, e a traíra representa 5%. No que se<br />

refere à quantida<strong>de</strong> pescador/dia, apontaram 5 kg para a tilápia. Cujo peso varia entre (200g a 300g).<br />

A comercialização é realizada na comunida<strong>de</strong> ou direto ao atravessador. Utilizam como meio <strong>de</strong><br />

transporte moto ou bicicleta.<br />

Quanto as principais dificulda<strong>de</strong>s para exercer a profissão, apontam a pouca produção, falta<br />

espaço para armazenar e comercializar o produto, bem como a quantida<strong>de</strong> insuficiente <strong>de</strong> apetrechos <strong>de</strong><br />

pesca.<br />

O grupo tem interesse em piscicultura através do sistema <strong>de</strong> tanques-re<strong>de</strong>. Segundo eles, “é<br />

para aumentar a produção”. Para a tilápia.<br />

ASSOCIAÇÃO DE PESCADORES DE COURO D’ANTAS, MUNICÍPIO DE RIACHO DAS<br />

ALMAS<br />

A associação surgiu com objetivo principal <strong>de</strong> “melhorar a pesca e a vida dos pescadores,<br />

através da associação tem mais condições <strong>de</strong> trabalho”. Quanto às relações interpessoais “afirmaram<br />

que as opiniões po<strong>de</strong>m ser contrárias, mas não existem conflitos”.<br />

A entida<strong>de</strong> ainda não possui patrimônio. Os sócios se reúnem no Centro Comunitário e a<br />

participação é boa.<br />

Apontaram o Conselho <strong>de</strong> Desenvolvimento Municipal, o Conselho do Polo Pesqueiro do<br />

Agreste e o Projeto Renascer como instituições que apóiam a entida<strong>de</strong>.<br />

A associação é representada por aproximadamente cinqüenta e sete sócios. Atualmente todos<br />

contribuem financeiramente para a associação. Sete mulheres participam da entida<strong>de</strong>. Gran<strong>de</strong> parte das<br />

mulheres da região trabalha na ativida<strong>de</strong> <strong>de</strong> alguma forma: limpeza, comercialização do produto e<br />

também na captura do pescado.<br />

Afirmaram que cerca <strong>de</strong> vinte pessoas, não sócias, pesca na área <strong>de</strong> abrangência da barragem.<br />

Apresentaram a necessida<strong>de</strong> <strong>de</strong> uma atuação conjunta entre a associação e o IBAMA, pois são comuns<br />

os casos <strong>de</strong> roubos <strong>de</strong> apetrechos, gerando um clima <strong>de</strong> <strong>de</strong>sconfiança entre os associados. Citaram<br />

ainda a dificulda<strong>de</strong> <strong>de</strong> comunicação e transporte como entraves para a comunida<strong>de</strong>.


SOBRE A PESCA E A PISCICULTURA<br />

47<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

Os apetrechos <strong>de</strong> pesca predominante na Barragem <strong>de</strong> Jucazinho, Vila <strong>de</strong> Couro D’Antas, são<br />

re<strong>de</strong> e tarrafa. Alguns pescam ainda com linha e anzol. A embarcação predominante é barco a remo,<br />

com número aproximado <strong>de</strong> <strong>de</strong>zesseis. A proprieda<strong>de</strong> é individual.<br />

Quanto ao pescado capturado, a tilápia e o camarão são as mais representativas, com média <strong>de</strong><br />

40% e 30%, respectivamente. A piaba representa 20% das capturas e a traíra 10%.<br />

No que se refere à quantida<strong>de</strong> pescador/dia, apontaram 6 kg para o camarão, 4 kg para a tilápia,<br />

3 kg para piaba e 1 kg para a espécie traíra. A variação <strong>de</strong> peso do pescado: camarão (5g a 8g), tilápia<br />

(200g a 300g), traíra (500g a 2000g) e a piaba (10g a 20g).<br />

A comercialização é realizada com atravessadores e no mercado. Em alguns casos utilizam<br />

como meio <strong>de</strong> transporte moto ou carro <strong>de</strong> aluguel.<br />

Quanto as principais dificulda<strong>de</strong>s para exercer a profissão apontam a falta <strong>de</strong> apetrechos <strong>de</strong><br />

pesca, local para beneficiar e comercializar, a pesca predatória, roubo <strong>de</strong> apetrechos, pessoas <strong>de</strong> outras<br />

localida<strong>de</strong>s pescando.<br />

O grupo tem interesse em piscicultura através do sistema <strong>de</strong> tanques-re<strong>de</strong>. Segundo eles, “é<br />

mais simples para trabalhar, mais apropriado para a região, conhecimento da técnica e custo menor”.<br />

Para a tilápia.<br />

ASSOCIAÇÃO DE PESCADORES DO MUNICÍPIO DE SÃO JOAQUIM DO MONTE – ADESPE<br />

A associação surgiu com objetivo <strong>de</strong> “gerar renda fixa e melhoria dos pescadores. Trabalho<br />

in<strong>de</strong>pen<strong>de</strong>nte <strong>de</strong> patrão”. Quanto às relações interpessoais: “existiam pessoas complicadas, mas não<br />

estão mais”.<br />

A entida<strong>de</strong> não possui patrimônio. Os sócios reúnem-se na se<strong>de</strong> do Conselho FUMAC e a<br />

participação é regular.<br />

Apontaram o Conselho <strong>de</strong> Desenvolvimento Municipal e o Conselho do Polo Pesqueiro do<br />

Agreste, além do Projeto Renascer, como instituições que apóiam a entida<strong>de</strong>.<br />

A associação é representada atualmente por aproximadamente trinta e seis sócios. Há registro <strong>de</strong><br />

contribuição mensal.<br />

Afirmaram que cerca <strong>de</strong> cinqüenta pessoas, não sócias, pescam na área <strong>de</strong> abrangência da<br />

Barragem do Prata. Como principais dificulda<strong>de</strong>s da associação, citaram a falta <strong>de</strong> apetrechos <strong>de</strong> pesca,<br />

embarcação e a organização da pesca.


SOBRE A PESCA E A PISCICULTURA<br />

48<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

Os apetrechos <strong>de</strong> pesca predominante na Barragem do Prata são tarrafa e re<strong>de</strong> <strong>de</strong> espera. Os<br />

pescadores utilizam bóias, como ferramenta auxiliar, consi<strong>de</strong>rada ina<strong>de</strong>quada para o trabalho, com<br />

número aproximado <strong>de</strong> trinta unida<strong>de</strong>s. Um tipo <strong>de</strong> embarcação utilizada é a jangada.<br />

Quanto ao pescado capturado, a maioria absoluta é da tilápia, com a média <strong>de</strong> 70%. A traíra e o<br />

carito representam, cada um, 10% das espécies encontradas. A piaba e o piau, 5%. No que se refere à<br />

quantida<strong>de</strong> pescador/dia, apontaram 7 kg para a tilápia, 2 kg para a traíra e carito zebu e 1,5 kg para as<br />

espécies piaba e piau. A variação <strong>de</strong> peso do pescado: tilápia (400g a 1000g), traíra (500g a 1500g),<br />

caritó-zebu (250g a 350g), piaba (10g a 15g) e o piau (15g a 20g).<br />

Os pescadores trabalham geralmente <strong>de</strong> segunda a sexta-feira. Conservam o produto em gaiolas<br />

e freezeres. Quando beneficiam, limpam e evisceram. O tempo médio <strong>de</strong> estocagem do pescado é <strong>de</strong><br />

três dias e o número aproximado <strong>de</strong> freezeres ou gela<strong>de</strong>ira, é <strong>de</strong> 20 unida<strong>de</strong>s entre os pescadores da<br />

região.<br />

A comercialização é realizada na feira livre do município ou direto ao atravessador. O meio <strong>de</strong><br />

transporte mais utilizado é a bicicleta.<br />

O preço do pescado é semelhante ao praticado pela Associação do município <strong>de</strong> Bonito. Quanto<br />

as principais dificulda<strong>de</strong>s para exercer a profissão, apontam o número insuficiente <strong>de</strong> apetrechos e<br />

embarcações, transporte para <strong>de</strong>slocamentos, objetos na água dificultando a captura.<br />

O grupo tem interesse em piscicultura através do sistema <strong>de</strong> tanques-re<strong>de</strong> para a tilápia.<br />

Segundo eles, “facilita a captura”.<br />

ANÁLISE DO DIAGNÓSTICO SOCIAL E PRODUTIVO<br />

De acordo com o diagnóstico da organização associativa e produtiva do Polo Pesqueiro do<br />

Agreste, po<strong>de</strong>-se perceber uma significativa semelhança na gestão <strong>de</strong>ssas entida<strong>de</strong>s através <strong>de</strong> dados<br />

comuns: legalização, patrimônio, parcerias, número <strong>de</strong> sócios e participação dos sócios nas reuniões da<br />

entida<strong>de</strong> (Tabela 1).<br />

Observa-se um tempo <strong>de</strong> existência curto das entida<strong>de</strong>s que formam o Polo, resultando assim<br />

em ações consi<strong>de</strong>radas ainda incipientes, a exemplo da formação <strong>de</strong> patrimônios e parcerias.


49<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

Tabela 1. Perfil das Associações <strong>de</strong> <strong>Pesca</strong>dores do Agreste <strong>de</strong> Pernambuco: legalização, patrimônio,<br />

parcerias, número <strong>de</strong> sócios e participação dos sócios.<br />

MUNICÍPIO TEMPO/<br />

EXIST.<br />

Belo Jardim 4 anos Sim<br />

Bonito 2 anos Sim<br />

LEGAL. PATRIM. APOIO INSTITUCIONAL<br />

1 freezer, se<strong>de</strong><br />

em construção<br />

10 tanques-re<strong>de</strong>,<br />

1 balança, 1<br />

barco, caixas<br />

d’água<br />

Cumaru 4 anos Sim -<br />

Frei<br />

Miguelinho<br />

Riacho das<br />

Almas<br />

São<br />

Joaquim do<br />

Monte<br />

2 anos Sim -<br />

2 anos Sim -<br />

2 anos Sim -<br />

Prefeitura, Renascer,<br />

Conselho FUMAC,<br />

COPESCA, SEAP-PR<br />

Renascer, Conselho<br />

FUMAC, COPESCA,<br />

PREFEITURA<br />

Prefeitura, Renascer,<br />

Conselho FUMAC,<br />

COPESCA, DNOCS<br />

Renascer, Conselho<br />

FUMAC, COPESCA<br />

Prefeitura, Renascer,<br />

Conselho FUMAC,<br />

COPESCA<br />

Prefeitura, Renascer,<br />

Conselho FUMAC,<br />

COPESCA<br />

Nº.<br />

SÓCIOS<br />

PARTICIPAÇÃO<br />

NAS REUNIÕES<br />

150 Regular/Boa<br />

60 Regular/Boa<br />

38 Boa<br />

58 Regular<br />

57 Boa<br />

36 Regular/Boa<br />

Destaca-se, nesse bloco, o município <strong>de</strong> Belo Jardim, on<strong>de</strong> a Associação <strong>de</strong> <strong>Pesca</strong>dores, em<br />

quatro anos <strong>de</strong> existência, tornou-se Colônia <strong>de</strong> <strong>Pesca</strong>dores, garantindo vantagens adicionais para os<br />

associados, como: aposentadoria e seguro <strong>de</strong>semprego durante o período <strong>de</strong> proibição da pesca<br />

(<strong>de</strong>feso). Esse município, juntamente com Bonito, apresentou a formação <strong>de</strong> patrimônio, justificada<br />

pela parceria com a Prefeitura Municipal.<br />

A representação, ou seja, o número <strong>de</strong> sócios cadastrados é consi<strong>de</strong>rada na média. Observa-se<br />

ainda que a quantida<strong>de</strong> <strong>de</strong> sócios não <strong>de</strong>termina a participação e o interesse durante as reuniões da<br />

entida<strong>de</strong>.<br />

Quanto ao apoio institucional, o quadro apresenta uma repetição <strong>de</strong> entida<strong>de</strong>s, entendida pela<br />

presença <strong>de</strong> técnicos <strong>de</strong>sses órgãos nessas localida<strong>de</strong>s. Acreditamos que, paralelamente ao<br />

<strong>de</strong>senvolvimento <strong>de</strong> ações e financiamentos <strong>de</strong> subprojetos <strong>de</strong> pesca e piscicultura, faz-se necessário a<br />

elaboração <strong>de</strong> proposta e cronograma <strong>de</strong> ativida<strong>de</strong>s <strong>de</strong> <strong>de</strong>senvolvimento organizacional envolvendo as<br />

entida<strong>de</strong>s representadas no Conselho do Polo Pesqueiro do Agreste, bem como o próprio COPESCA.


50<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

No que se refere à ativida<strong>de</strong> da pesca, dados comuns são observados, tendo como referência captura,<br />

transporte, conservação, beneficiamento e comercialização do pescado (Tabela 2).<br />

Tabela 2. Ativida<strong>de</strong>s da Associação <strong>de</strong> <strong>Pesca</strong>dores do Agreste <strong>de</strong> Pernambuco<br />

MUNICÍPIOS CAPTURA TRANSPORTE CONSERVAÇÃO BENEFICIAMENTO COMERCIALIZAÇÃO<br />

Belo Jardim Re<strong>de</strong>/Tarrafa Bicicleta,<br />

Moto<br />

Gaiola/Freezer<br />

Limpeza,<br />

Evisceração<br />

Bonito Re<strong>de</strong>/Tarrafa - Freezer -<br />

Cumaru Re<strong>de</strong>/Tarrafa Carro, Moto Freezer<br />

Frei<br />

Miguelinho<br />

Riacho das<br />

Almas<br />

São Joaquim<br />

do Monte<br />

Re<strong>de</strong>/Tarrafa - Freezer<br />

Re<strong>de</strong>/Tarrafa Carro Freezer<br />

Re<strong>de</strong>/Tarrafa Bicicleta Gaiola/Freezer<br />

Limpeza,<br />

Evisceração<br />

Limpeza,<br />

Evisceração<br />

Limpeza,<br />

Evisceração<br />

Limpeza,<br />

Evisceração<br />

Feira Livre,<br />

Atravessador<br />

Feira Livre,<br />

Atravessador<br />

Feira Livre,<br />

Atravessador<br />

Feira Livre,<br />

Atravessador<br />

Feira Livre,<br />

Atravessador<br />

Feira Livre,<br />

Atravessador<br />

As re<strong>de</strong>s <strong>de</strong> espera (emalhar) e as tarrafas são os principais apetrechos utilizados para captura.<br />

Devido às condições precárias da maioria <strong>de</strong>sses equipamentos, verifica-se um baixo volume <strong>de</strong><br />

produtivida<strong>de</strong>.<br />

Durante a pesca são utilizadas pequenas embarcações <strong>de</strong> ma<strong>de</strong>ira a remo com 5m <strong>de</strong><br />

comprimento, em média utilizando 2 (dois) pescadores. Os que não possuem embarcações <strong>de</strong> ma<strong>de</strong>ira<br />

utilizam individualmente bóias (câmara <strong>de</strong> ar) no exercício da ativida<strong>de</strong>.<br />

Para conservação do pescado são utilizados freezeres, em alguns casos gaiolas <strong>de</strong> ma<strong>de</strong>ira ou<br />

plásticas submersas.<br />

Não realizam beneficiamento e quando o fazem, apenas lavam e evisceram com água da própria<br />

barragem. A comercialização é feita ao atravessador na própria comunida<strong>de</strong> ou diretamente ao<br />

consumidor em feiras livres ou mercado público.<br />

O pescado é acondicionado em caixas isotérmicas geralmente sem gelo e o transporte utilizado<br />

é o mais variável, <strong>de</strong>s<strong>de</strong> bicicleta até veículos utilitários.<br />

PROPOSTAS DE AÇÕES PARA A PESCA E A PISCICULTURA<br />

Visando a consolidação do Polo Pesqueiro do Agreste quanto a sua sustentabilida<strong>de</strong> na região,<br />

envolvendo os componentes sócio-econômico e produtivo, serão necessárias ações na área <strong>de</strong><br />

legislação e licença ambiental, produção, capacitação, parcerias, beneficiamento e mercado. As ações


51<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

prepostas, baseadas em Alcântara (2003) visam contribuir para melhorar as condições sócioeconômicas<br />

das comunida<strong>de</strong>s envolvidas.<br />

• Com relação ao meio ambiente, a formação <strong>de</strong> um fórum <strong>de</strong> discussão dos importantes aspectos da<br />

ativida<strong>de</strong>, tais como qualida<strong>de</strong> dos mananciais, conflito do uso das águas, qualida<strong>de</strong> da água <strong>de</strong><br />

esgotamento, uso <strong>de</strong> agrotóxicos, lixo, entre outros, é fundamental para qualquer processo <strong>de</strong><br />

<strong>de</strong>senvolvimento sustentável. O monitoramento relativo à poluição ambiental <strong>de</strong>ve ser intensificado<br />

pelos órgãos competentes, através <strong>de</strong> programas <strong>de</strong> educação ambiental, orientação e<br />

disciplinamento, para o cumprimento da legislação vigente.<br />

• Consi<strong>de</strong>rando que a qualida<strong>de</strong> da água é um dos fatores básicos na produção <strong>de</strong> peixes inócuos, fazse<br />

necessário seu monitoramento, muito embora seu controle seja <strong>de</strong> difícil operacionalização<br />

<strong>de</strong>vido ao gran<strong>de</strong> volume <strong>de</strong> água nas barragens, é <strong>de</strong> fundamental importância o monitoramento<br />

que irá alertar para a potencial contaminação principalmente <strong>de</strong> resíduos <strong>de</strong> esgotos sanitários <strong>de</strong><br />

povoados próximos a essas barragens bem como a utilização <strong>de</strong> adubos químicos e orgânicos<br />

provenientes da agricultura. Os perigos com doenças no ambiente aquático não se limitam apenas<br />

aos peixes, segundo (Leite,2000), pessoas envolvidas com a manipulação <strong>de</strong> peixes também são<br />

acometidas <strong>de</strong> doenças.<br />

• De acordo com observações, é comum encontrar no entorno das barragens criação <strong>de</strong> animais do<br />

tipo bovino, caprino, ovino, eqüino, entre outros. Sendo estes, gran<strong>de</strong>s vetores <strong>de</strong> contaminação,<br />

comprometem a qualida<strong>de</strong> da água, no caso <strong>de</strong> cultivo intensivo <strong>de</strong> peixes em tanques-re<strong>de</strong> (em<br />

estudo), <strong>de</strong>ve-se evitar a sua presença.<br />

• No caso <strong>de</strong> alevinos adquiridos para o cultivo intensivo <strong>de</strong> peixes em tanques-re<strong>de</strong> nas barragens, o<br />

produtor <strong>de</strong>ve dar preferência às estações <strong>de</strong> produção <strong>de</strong> alevinos que adotem programas<br />

profiláticos, métodos usados nas doenças <strong>de</strong> peixes. (Cecarelli & Rocha, 2000). É importante a<br />

implantação <strong>de</strong> um sistema <strong>de</strong> gestão da qualida<strong>de</strong> visando obter animais livres <strong>de</strong> enfermida<strong>de</strong> e<br />

com bom potencial <strong>de</strong> <strong>de</strong>senvolvimento.<br />

• Visando a melhoria na produção, é necessário aumentar o número <strong>de</strong> embarcações, consi<strong>de</strong>rando o<br />

esforço <strong>de</strong> pesca em cada barragem, bem como a aquisição <strong>de</strong> melhores apetrechos <strong>de</strong> pesca.<br />

• As re<strong>de</strong>s utilizadas para a captura <strong>de</strong>vem ter malha seletiva, <strong>de</strong> acordo com o tamanho do pescado<br />

para maior controle da produção, além <strong>de</strong> esta <strong>de</strong> acordo com as normas dos órgãos ambientais.<br />

• Para que se possa manter uma produção sistemática, é importante um cronograma <strong>de</strong> peixamento<br />

nas barragens on<strong>de</strong> se <strong>de</strong>senvolve essa ativida<strong>de</strong>.


52<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

• Consi<strong>de</strong>rando que bens como transportes, embarcações, apetrechos e infra-estrutura <strong>de</strong> conservação<br />

e beneficiamento são fundamentais para ativida<strong>de</strong>, é importante a disponibilização <strong>de</strong> linhas <strong>de</strong><br />

crédito específico, sendo necessária à mobilização <strong>de</strong> reivindicação das Associações e Colônias <strong>de</strong><br />

<strong>Pesca</strong>dores junto aos organismos <strong>de</strong> crédito.<br />

• A orientação associativista junto às associações e colônias <strong>de</strong> pescadores subsidiará essas entida<strong>de</strong>s<br />

na gestão organizacional e na promoção do <strong>de</strong>senvolvimento das comunida<strong>de</strong>s pesqueiras.<br />

• A extensão dos treinamentos técnicos a todos os envolvidos na ativida<strong>de</strong> da pesca, da piscicultura,<br />

conservação e beneficiamento do pescado, <strong>de</strong>verá ser consi<strong>de</strong>rada.<br />

• A realização da capacitação po<strong>de</strong> ser levada a cabo com as parcerias <strong>de</strong> representações <strong>de</strong><br />

produtores, a exemplo <strong>de</strong>ntre outros do Projeto Renascer, SEAP, IPA, SEBRAE e governo<br />

municipal.<br />

• A construção <strong>de</strong> entrepostos básicos para armazenamentos e primeiros beneficiamentos como<br />

lavagem e evisceração irão diminuir os riscos <strong>de</strong> contaminação ao pescado, bem como proporcionar<br />

maior valor ao produto.<br />

• As condições existentes <strong>de</strong> armazenamento e exposição do pescado nas comunida<strong>de</strong>s pesqueiras e<br />

mercados públicos municipais <strong>de</strong>vem ser melhoradas.<br />

• Apresentação do produto (embalagens), códigos <strong>de</strong> barra e publicida<strong>de</strong> <strong>de</strong>vem ser implementadas.<br />

• A comercialização que atualmente é realizada através <strong>de</strong> atravessadores, direto ao consumidor ou<br />

em mercados públicos <strong>de</strong>verá ser melhorada, para isso os pescadores precisarão discutir formas<br />

mais organizadas <strong>de</strong> comercialização para uma melhor valorização <strong>de</strong> seus produtos.<br />

• A legislação brasileira exige para a operação <strong>de</strong> indústria <strong>de</strong> alimentos, a implementação do<br />

Sistema <strong>de</strong> Análise <strong>de</strong> Perigos e Pontos Críticos <strong>de</strong> Controle - APPCC. (APPCC...2000). Para<br />

diminuir os riscos <strong>de</strong> contaminação dos alimentos para a população, é importante que este sistema<br />

atue em toda ca<strong>de</strong>ia produtiva.<br />

CONSIDERAÇÕES FINAIS<br />

A oferta <strong>de</strong> produtos pesqueiros no Estado <strong>de</strong> Pernambuco tem sido insuficiente para aten<strong>de</strong>r a<br />

<strong>de</strong>manda interna, por esta razão o mercado vem sendo abastecido com aproximadamente 70% do<br />

pescado oriundo <strong>de</strong> outras regiões do país e do exterior.<br />

As barragens <strong>de</strong> Jucarzinho, Prata, e Ipojuca, on<strong>de</strong> atua o Polo Pesqueiro do Agreste, possuem<br />

um consi<strong>de</strong>rável volume <strong>de</strong> água – cerca <strong>de</strong> 416.000.000m3 - que oferecem boas condições para o<br />

<strong>de</strong>senvolvimento da pesca e aqüicultura.


53<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

Os recursos hídricos do Estado, notadamente na região do agreste são utilizados com o objetivo<br />

principal <strong>de</strong> abastecimento humano e dos rebanhos, não sendo aproveitado gran<strong>de</strong> parte do seu<br />

potencial para o <strong>de</strong>senvolvimento or<strong>de</strong>nado <strong>de</strong> ativida<strong>de</strong>s produtivas, como a pesca e à aqüicultura.<br />

Muito embora essas ativida<strong>de</strong>s produtivas tenham evi<strong>de</strong>nciado lucrativida<strong>de</strong>, a gran<strong>de</strong> maioria<br />

das comunida<strong>de</strong>s pesqueiras vive da pesca <strong>de</strong> subsistência favorecendo <strong>de</strong>ssa forma o seu grau <strong>de</strong><br />

pobreza. Contudo, tem se constatado, o interesse dos pescadores em adotar técnicas para melhorar a<br />

produção e beneficiamento do pescado visando melhorar o atendimento ao mercado consumidor.<br />

Para melhorar a rentabilida<strong>de</strong> da aqüicultura e da pesca, numa perspectiva <strong>de</strong> <strong>de</strong>senvolvimento<br />

sustentável, existe a necessida<strong>de</strong> <strong>de</strong> estudos sobre a ictiofauna para realização <strong>de</strong> peixamento <strong>de</strong>vido ao<br />

esforço <strong>de</strong> pesca praticado em algumas barragens, além dos cultivos intensivos <strong>de</strong> peixes em tanquesre<strong>de</strong>,<br />

<strong>de</strong> assistência técnica, aporte <strong>de</strong> recursos e consolidação <strong>de</strong> parcerias, atuando em toda a ca<strong>de</strong>ia<br />

produtiva.<br />

A viabilida<strong>de</strong> <strong>de</strong>ssas ações irá contribuir para o fortalecimento dos grupos e motivá-los na busca<br />

<strong>de</strong> ações mais empreen<strong>de</strong>doras, oferecendo condições para o seu <strong>de</strong>senvolvimento sócio-econômico, ao<br />

mesmo tempo em que proporcionará competitivida<strong>de</strong> as associações no mercado produtivo.<br />

Nessa perspectiva, o trabalho organizacional, visando a inclusão social das comunida<strong>de</strong>s<br />

pesqueiras, será fundamental para assegurar a sustentabilida<strong>de</strong> e impulsionar a sócio-economia da<br />

ativida<strong>de</strong> no Agreste do Estado <strong>de</strong> Pernambuco.<br />

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA<br />

APPCC, 2000. Controle <strong>de</strong> qualida<strong>de</strong> <strong>de</strong> alimentos, senai/dn, cni, sebrae, Brasília, 301p.<br />

ALCANTARA, S. L, 2003. Propostas <strong>de</strong> melhorias sobre as práticas <strong>de</strong> cultivo e conservação do<br />

pescado no polo aquícola <strong>de</strong> barreiras-ba, UFLA, Lavras-MG,<br />

CECCARELLI, P. S. ROCHA, R. C., 2001. Principais enfermida<strong>de</strong>s <strong>de</strong> peixes tropicais e respectivos<br />

controles, Textos Acadêmicos, Lavras- UFLA/FAEPE, 43p.<br />

LEITE, C. A. L, 1999. Noções aplicadas sobre manejo higiênico-sanitário em piscicultura brasileira.<br />

Boletim Técnico ano VIII, n. 62, UFLA, Lavras. 33p.


II - ARTIGOS CIENTÍFICOS<br />

54<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

REVERSÃO SEXUAL EM LARVAS DE TILÁPIA-DO-NILO, Oreochromis niloticus (LINNAEUS,<br />

1758) EM DIFERENTES CONDIÇÕES AMBIENTAIS<br />

Ana Paula CORREIA (anacorreia17@yahoo.com.br); Ângela Raquel MORAES ALVES<br />

(armab@bol.com.br); José Patrocínio LOPES (jpatrobr@yahoo.com.br); Fátima Lúcia Brito dos<br />

SANTOS (fatlucia@terra.com.br).<br />

Depto. <strong>de</strong> Educação, Universida<strong>de</strong> do Estado da Bahia<br />

RESUMO<br />

Na aqüicultura <strong>de</strong> águas interiores, uma das espécies mais utilizadas para o cultivo comercial no<br />

Nor<strong>de</strong>ste brasileiro é a Tilápia-do-nilo Oreochromis niloticus. Trata-se <strong>de</strong> um animal <strong>de</strong> hábito<br />

onívoro, gran<strong>de</strong> capacida<strong>de</strong> <strong>de</strong> adaptar-se a condições adversas do meio, rápidos incrementos <strong>de</strong><br />

tamanho e peso, facilida<strong>de</strong> <strong>de</strong> reprodução em diferentes condições ambientais, alta resistência a<br />

enfermida<strong>de</strong>s e altos índices <strong>de</strong> sobrevivência. Este trabalho foi <strong>de</strong>senvolvido na Estação <strong>de</strong><br />

Piscicultura <strong>de</strong> Paulo Afonso (EPPA), pertencente à Companhia Hidrelétrica do São Francisco<br />

(CHESF), com objetivo <strong>de</strong> testar a eficiência na obtenção <strong>de</strong> uma população <strong>de</strong> monossexo <strong>de</strong> machos<br />

<strong>de</strong> tilápia-do-nilo, administrando ração com o andrógeno sintético 17α-metiltestosterona, através <strong>de</strong><br />

testes utilizando-se pequena <strong>de</strong>nsida<strong>de</strong> <strong>de</strong> estocagem em diferentes condições ambientais (águas claras<br />

e águas fertilizadas). No tratamento sem fertilização foi observada a baixa sobrevivência (38 %) o que<br />

não ocorreu nos tanques em tratamento com águas escuras a base <strong>de</strong> adubação orgânica que apresentou<br />

71 % <strong>de</strong> sobrevivência. Não houve diferença significativa entre os dois tratamentos no que se refere ao<br />

peso, comprimento e reversão sexual. Portanto, o tipo <strong>de</strong> tratamento águas claras ou águas fertilizadas,<br />

não influi na taxa <strong>de</strong> reversão sexual em tilápia-do-nilo (Oreochromis niloticus), no entanto a taxa <strong>de</strong><br />

sobrevivência apresentada no tratamento com águas fertilizadas <strong>de</strong>ve ser consi<strong>de</strong>rada um fator<br />

relevante na produção <strong>de</strong> alevinos.<br />

Palavras-chave: Peixes, Reprodução, Masculinização


55<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

SEXUAL REVERSION IN LARVAE TILAPIA OF NILE, Oreochromis niloticus (LINNAEUS, 1758)<br />

IN DIFFERENT ENVIRONMENTAL CONDITIONS<br />

ABSTRACT<br />

In the aquaculture of interior waters, one of the species more used for the commercial<br />

cultivation in the Brazilian Northeast is the tilapia of Nile Oreochromis niloticus. It is treated of an<br />

animal of habit omnivorous, big capacity of adapting to adverse conditions of the middle, fast size<br />

increments and weight, reproduction easiness in different conditions environmental, high resistance to<br />

illnesses and high survival in<strong>de</strong>xes. This work was <strong>de</strong>veloped in the Station of Fish Farming of Paulo<br />

Afonso (SFPA), belonging to the Hydroelectric Company of San Francisco (HCSF), with objective of<br />

testing the efficiency in the obtaining of a population monossexe of males in tilapias of Nile,<br />

administering ration with the androgenic synthetic 17α-metiltestosterone, through tests being used<br />

small stockpiling <strong>de</strong>nsity in different environmental conditions (clear waters and fertilized waters). In<br />

the treatment without fertilization the low survival was observed (38 %) what didn't happen in the tanks<br />

in treatment with dark waters the base of organic manuring that it presented 71 % of survival. There<br />

was not significant difference among the two treatments in what refers to the weight, length and<br />

reversion. The treatment clear waters or fertilized waters, it doesn't influence on the tax of sexual<br />

reversion in tilapias of Nile (Oreochromis niloticus), however the survival tax presented in the<br />

treatment with fertilized waters a relevant factor should be consi<strong>de</strong>red in the alevines production.<br />

Key words: Fishes, Reproducion, Indução, Male protuction<br />

INTRODUÇÃO<br />

A piscicultura vem assumindo importância cada vez maior no panorama do abastecimento<br />

alimentar, uma vez que a alta taxa <strong>de</strong> crescimento <strong>de</strong>mográfico está em ritmo <strong>de</strong> colisão com a oferta<br />

<strong>de</strong> alimentos, notadamente os <strong>de</strong> origem animal, que requerem um esforço maior para serem<br />

produzidos. Infelizmente a prática <strong>de</strong> criação <strong>de</strong> peixes, embora antiga, não tem sido <strong>de</strong>vidamente<br />

disseminada no Brasil (FRANÇA NETO et al. 1998).<br />

A tilápia pertence à Or<strong>de</strong>m Perciformes, família Cichlidae, oriunda do continente Africano, é<br />

encontrada principalmente nas bacias dos rios Nilo, Níger, Tcha<strong>de</strong> e nos lagos do centro–oeste<br />

(VERANI, 1980). Foi introduzida em mais <strong>de</strong> 100 países das regiões tropicais e subtropicais, tanto para<br />

melhorar a produtivida<strong>de</strong> pesqueira como para auxiliar o <strong>de</strong>senvolvimento da aqüicultura (COWARD<br />

& BROMAGE, 2000; LÈVEQUE, 2002).


56<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

As primeiras informações sobre a tilápia no Oci<strong>de</strong>nte, como peixe promissor para a aqüicultura,<br />

surgiram no início da década <strong>de</strong> cinqüenta. De acordo com Chimits (1955), <strong>de</strong>s<strong>de</strong> a segunda guerra<br />

mundial, um novo peixe, tilápia, tem aparecido como um dos melhores negócios para os piscicultores;<br />

sua cultura tem tido prodigioso progresso, especialmente em água tropicais e, sem dúvida, constitui<br />

uma nova força para obtenção <strong>de</strong> proteínas. Na oportunida<strong>de</strong>, o autor catalogou 173 artigos sobre este<br />

grupo <strong>de</strong> peixes (SILVA, 1996 apud NOGUEIRA, 2003).<br />

As tilápias possuem alta capacida<strong>de</strong> <strong>de</strong> reprodução e po<strong>de</strong>m atingir a maturida<strong>de</strong> sexual entre o<br />

3° e o 4° mês após a estocagem <strong>de</strong> alevinos, sendo que esta reprodução prematura ocasiona a<br />

ocorrência <strong>de</strong> superpopulação dos viveiros, resultando em uma maior competição pelo alimento e<br />

conseqüentemente um crescimento insatisfatório para uma ativida<strong>de</strong> econômica.<br />

A adoção <strong>de</strong> técnica <strong>de</strong> reversão sexual para obtenção <strong>de</strong> tilápia monosexo <strong>de</strong> machos revela<br />

gran<strong>de</strong>s vantagens na produção <strong>de</strong> carne, já que neste, o período <strong>de</strong> crescimento é 2,5 vezes menor que<br />

na fêmea; isto se dá porque as fêmeas utilizam boa parte <strong>de</strong> sua energia para produção <strong>de</strong> óvulos, além<br />

<strong>de</strong> incubar seus ovos na boca com intuito <strong>de</strong> protegê-los, permanecendo assim sem se alimentar num<br />

intervalo <strong>de</strong> aproximadamente 10 dias <strong>de</strong> acordo com a temperatura da água.<br />

A Tilapicultura é um dos segmentos da Piscicultura que tem contribuído com o <strong>de</strong>senvolvimento<br />

socioeconômico da região <strong>de</strong> Paulo Afonso. No entanto, um dos problemas que ainda aflige os<br />

pequenos e médios piscicultores é a falta <strong>de</strong> produção <strong>de</strong> alevinos <strong>de</strong> tilápias sexualmente revertidos e<br />

com um bom padrão <strong>de</strong> qualida<strong>de</strong> como: peso entre 25 e 30 g, uniformida<strong>de</strong> e índice <strong>de</strong> reversão sexual<br />

em torno <strong>de</strong> 99% para machos. Estas qualida<strong>de</strong>s visam aten<strong>de</strong>r aos piscicultores que cultivam suas<br />

tilápias em viveiros escavados ou tanques-re<strong>de</strong>. Quando o índice <strong>de</strong> reversão sexual gira em torno <strong>de</strong><br />

5% para fêmeas ou superior, contribui favoravelmente à reprodução <strong>de</strong> tilápias neste sistema <strong>de</strong> cultivo<br />

prejudicando o <strong>de</strong>senvolvimento dos peixes através da superpopulação, principalmente os cultivados<br />

em viveiros escavados que oferecem melhores condições à reprodução.<br />

Atualmente é importante a retomada <strong>de</strong> pesquisas que viabilizem a aqüicultura no Nor<strong>de</strong>ste.<br />

Neste trabalho, busca-se elucidar qual a eficiência na obtenção <strong>de</strong> uma população <strong>de</strong> monossexo<br />

machos <strong>de</strong> tilápia-do-nilo, através <strong>de</strong> testes <strong>de</strong> reversão sexual utilizando-se pequena <strong>de</strong>nsida<strong>de</strong> <strong>de</strong><br />

estocagem em diferentes condições ambientais (águas claras e águas fertilizadas) contribuindo<br />

significativamente com os Projetos <strong>de</strong> Produção <strong>de</strong> Alevinos, pois para a implantação <strong>de</strong> quaisquer<br />

Projetos <strong>de</strong> Piscicultura torna-se imperativo que os alevinos estejam<br />

prontamente disponíveis, sem os quais inviabilizariam os trabalhos <strong>de</strong> comercialização e geração <strong>de</strong><br />

emprego e renda.


MATERIAL E MÉTODOS<br />

57<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

Este trabalho foi <strong>de</strong>senvolvido na Estação <strong>de</strong> Piscicultura <strong>de</strong> Paulo Afonso – EPPA, pertencente<br />

à Companhia Hidro Elétrica do São Francisco - CHESF, entre os meses <strong>de</strong> julho a outubro <strong>de</strong> 2004.<br />

Para realização <strong>de</strong>ste trabalho foram utilizados inicialmente cinco tanques <strong>de</strong> alvenaria<br />

pertencentes a EPPA. São tanques <strong>de</strong> 50 m 2 com profundida<strong>de</strong>s entre 0,80 a 1,00 m apresentando fundo<br />

revestido <strong>de</strong> tijolos e cimento e com uma camada <strong>de</strong> areia <strong>de</strong> rio <strong>de</strong> 0,20 m. Nestes tanques foi<br />

realizado o acasalamento <strong>de</strong> reprodutores e matrizes <strong>de</strong> tilápia-do-nilo, Oreochromis niloticus<br />

(Linnaeus, 1766) varieda<strong>de</strong> Chitralada da própria Estação, visando a obtenção <strong>de</strong> larvas da referida<br />

espécie. Em cada tanque foram estocados 30 fêmeas com 15 machos. Estes peixes estavam separados<br />

anteriormente por sexo em outros tanques <strong>de</strong> 144 m 2 cada, para <strong>de</strong>scanso. Decorridos quinze dias do<br />

acasalamento as larvas foram coletadas para início da reversão sexual.<br />

Foram realizados dois tratamentos (águas claras e águas fertilizadas) com três repetições. Três<br />

tanques foram fertilizados com esterco bovino na proporção <strong>de</strong> 0,5 Kg/m 2 e estocados com larvas <strong>de</strong><br />

tilápia-do-nilo na <strong>de</strong>nsida<strong>de</strong> <strong>de</strong> 100 larvas/m 2 . Outros três tanques tiveram suas águas limpas sem<br />

fertilização e também estocadas com 100 larvas/m 2 .<br />

MATERIAL BIOLÓGICO<br />

A tilápia-do-nilo, Oreochromis niloticus, foi introduzida no Brasil em 1971, proce<strong>de</strong>nte da<br />

Costa do Marfim. Nativa <strong>de</strong> diversos países africanos, ela recebeu o nome <strong>de</strong> tilápia-do-nilo ou nilótica<br />

por ser originária da bacia do rio Nilo. É a espécie mais cultivada no mundo, <strong>de</strong>stacando-se das <strong>de</strong>mais<br />

pelo seu crescimento e a resistência ao manejo. Apresenta hábito alimentar onívoro, ou seja, alimentase<br />

<strong>de</strong> algas unicelulares, mas aceita outros alimentos, sendo que por isso se torna uma das espécies<br />

mais a<strong>de</strong>quadas para piscicultura (NOGUEIRA, 2003).<br />

Descen<strong>de</strong>nte <strong>de</strong> uma linhagem <strong>de</strong> Oreochromis niloticus, que <strong>de</strong>s<strong>de</strong> o final da década <strong>de</strong> 60 tem<br />

sido domesticada na Tailândia, tornou-se a mais importante espécie <strong>de</strong> peixe cultivada em diversos<br />

países. Inicialmente, esses peixes foram criados em viveiros da Estação Experimental no Palácio Real<br />

<strong>de</strong> Chitralada em Bangkok. A partir <strong>de</strong>sses estoques é que houve a distribuição para outras partes do<br />

mundo. A linhagem real, porém, foi entregue ao cuidados do Asian Institute of Tecnology (AIT),<br />

passando a ser <strong>de</strong>nominada Chitralada ou tai-Chitralada. Estudos realizados com essa linhagem<br />

mostraram que ela tem um crescimento superior ao das outras linhagens <strong>de</strong> Oreochromis niloticus<br />

(TAVE apud NOGUEIRA 2003).<br />

A tilápia Chitralada utilizada neste trabalho é produzida na EPPA e foi importada da Tailândia<br />

proce<strong>de</strong>nte do Asian Institute of Technology, chegando ao Brasil em 04 <strong>de</strong> abril do ano 2000. Esta


58<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

varieda<strong>de</strong> vem <strong>de</strong>spertando interesse <strong>de</strong> muitos piscicultores e técnicos pelo rápido crescimento quando<br />

cultivada em tanques-re<strong>de</strong>, em altas <strong>de</strong>nsida<strong>de</strong> <strong>de</strong> estocagem (300 a 500 alevinos/m 3 ). Apresenta valor<br />

comercial para venda em feiras livres com peso médio entre 350 a 400 g. Na região <strong>de</strong> Paulo Afonso,<br />

em virtu<strong>de</strong> da comercialização visando filetagem a preferência é por tilápias com peso <strong>de</strong> 700 a 800 g.<br />

O PROCESSO DE MASCULINIZAÇÃO<br />

Passados, 15 dias da estocagem dos reprodutores, as larvas foram coletadas com puçá <strong>de</strong> malhas<br />

finas pela manhã, para evitar risco <strong>de</strong> mortalida<strong>de</strong>; transferidas imediatamente para um selecionador, a<br />

fim <strong>de</strong> remover indivíduos maiores que 14 mm e transportados em bal<strong>de</strong>s com água limpa para os<br />

tanques <strong>de</strong> reversão. Recomenda-se que a ração com o andrógeno sintético 17α-metiltestosterona seja<br />

administrado oralmente adicionado a ração logo após a absorção do saco vitelínico, período em que a<br />

diferenciação sexual das gônadas torna-se possível.<br />

Para início da reversão sexual sem uso <strong>de</strong> fertilização, foram estocadas nos tanques 3, 4 e 6, da<br />

EPPA 5000 larvas <strong>de</strong> tilápia Chitralada recém-nascidas. Nos tanques 8, 10 e 12 com fertilização,<br />

também foram estocadas em cada tanque 5000 larvas da referida espécie. A quantificação foi realizada<br />

pelo método padrão visual. As larvas <strong>de</strong>pois <strong>de</strong> estocadas nos tanques receberam diariamente uma<br />

ração balanceada com 55% <strong>de</strong> proteína bruta adicionada do hormônio masculinizante 17 αmetiltestosterona<br />

distribuída 4 vezes ao dia durante 30 dias. A ração utilizada foi em forma <strong>de</strong> pó e<br />

adicionada do hormônio diluído em álcool etílico na proporção <strong>de</strong> 60 mg <strong>de</strong> hormônio por quilo <strong>de</strong><br />

ração.<br />

Para preparo da ração, foi utilizada uma solução <strong>de</strong> álcool – hormônio segundo Popma & Green<br />

(1990) que é preparada <strong>de</strong> acordo com os seguintes procedimentos:<br />

Dissolver exatamente 6 g <strong>de</strong> metiltestosterona em 1 litro <strong>de</strong> álcool etílico a 90-95% (esta<br />

quantida<strong>de</strong> é suficiente para tratar aproximadamente 300.000 alevinos);<br />

A solução <strong>de</strong>ve ser armazenada em garrafa escura. Deve ser guardada em temperatura<br />

ambiente, mas preferencialmente sob refrigeração. A valida<strong>de</strong> é <strong>de</strong> no mínimo 3 meses.<br />

Para cada quilo <strong>de</strong> dieta foram utilizados os seguintes ingredientes:<br />

Solução álcool – hormônio 10 mL<br />

Álcool comum 500 mL<br />

Ingredientes (ração) 1.000 g<br />

PROCEDIMENTOS PARA MISTURA DOS INGREDIENTES:<br />

(a) Preparar o recipiente e peneirar os ingredientes (ração);


59<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

(b) Misturar a solução <strong>de</strong> álcool – hormônio com álcool comum;<br />

(c) Adicionar a solução do item (b) vagarosamente sobre a ração e misturá-los;<br />

(d) Esperar a evaporação do álcool que po<strong>de</strong> ser feita em temperatura ambiente sem presença direta <strong>de</strong><br />

luminosida<strong>de</strong>, cobrindo a mistura com material <strong>de</strong> espessura entre 3 a 5 cm. Misturar 2 a 3 vezes.<br />

A ração após seca sob temperatura ambiente <strong>de</strong>verá ser guardada em sacos plásticos, esperando-se<br />

que todo o odor <strong>de</strong> álcool <strong>de</strong>sapareça, cerca <strong>de</strong> 6 a 12 horas. Refrigerar ou congelar para ter vida<br />

útil mínima <strong>de</strong> 2 meses. A dieta po<strong>de</strong> ser guardada no mínimo por uma semana sob temperatura<br />

ambiente. Alimentação dos alevinos seguiu o propost por Popma & Green (1990) (Tabela 1).<br />

Tabela 1. Quantida<strong>de</strong> <strong>de</strong> alimentação diária <strong>de</strong> acordo com o comprimento total dos alevinos.<br />

Comprimento<br />

médio (mm)<br />

Ração diária por<br />

1000 alevinos (g)<br />

Comprimento<br />

médio (mm)<br />

Ração diária por<br />

1000 alevinos (g)<br />

8 2 17 13<br />

9 3 18 15<br />

10 4 19 16<br />

11 5 20 17<br />

12 6 21 19<br />

13 7 22 21<br />

14 8 23 24<br />

15 10 24 27<br />

16 11 24 > 30<br />

Após os trinta dias <strong>de</strong> tratamento a base <strong>de</strong> ração /hormônio; 150, ou seja, 3% do total <strong>de</strong><br />

alevinos <strong>de</strong> cada tratamento foram utilizados para crescimento em tanques distintos e alimentados com<br />

ração para crescimento com 36% <strong>de</strong> proteína bruta, sem hormônio masculinizante, até atingirem um<br />

peso médio em torno <strong>de</strong> 50 g, quando então no ato da <strong>de</strong>spesca foi realizada sexagem e biometria dos<br />

alevinos; para confirmação do melhor índice <strong>de</strong> reversão sexual e também o melhor <strong>de</strong>sempenho<br />

(sobrevivência, crescimento e qualida<strong>de</strong> dos alevinos) entre os tratamentos. Para análise dos resultados<br />

foi aplicado o teste “t” Stu<strong>de</strong>nt.<br />

Decorridos 60 dias, foi realizada a sexagem final no laboratório da EPPA. Para peixes que<br />

apresentaram dúvidas quanto ao sexo utilizou-se um bisturi para observação das gônadas em<br />

microscópio óptico. A sexagem do tratamento com adubo foi realizada em 137 peixes e sem adubo em<br />

123 peixes.


RESULTADOS<br />

60<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

No tanque <strong>de</strong> águas claras, e baixa <strong>de</strong>nsida<strong>de</strong> os resultados apresentados foram: peso médio<br />

1,52±0,97 g e comprimento médio 42,16±8,15 mm. A sobrevivência <strong>de</strong>ste tratamento foi <strong>de</strong> 38%.<br />

No tratamento sem fertilização foi observada além da baixa sobrevivência a formação <strong>de</strong><br />

colônias <strong>de</strong> algas filamentosas em um dos tanques (Figura 1), o que dificultou a captura dos alevinos.<br />

Este fato não se verificou nos tanques com águas escuras a base <strong>de</strong> adubação orgânica (Figura 2).<br />

Figura 1. Tanque com águas não feritilizadas (águas<br />

claras), apresentando proliferação <strong>de</strong> algas<br />

filamentosas.<br />

Os resultados <strong>de</strong> sexagem, comprimento (mm), peso (g) e percentual <strong>de</strong> sobrevivência nos<br />

tratamentos (T1 e T2) estão <strong>de</strong>monstrados na Tabela 2 e Figura 3.<br />

ANÁLISE ESTATÍSTICA<br />

Figura 2 - Tanque com águas não feritilizadas<br />

sem proliferação <strong>de</strong> algas<br />

filamentosas.<br />

Na análise estatística quando da aplicação do teste <strong>de</strong> significância entre as duas médias, foi<br />

verificado que não ocorreu diferença significativa entre os dois tratamentos no que se refere ao<br />

peso e ao comprimento. Quanto à sobrevivência foi confirmada expressiva diferença entre os<br />

tratamentos, com melhores resultados no tratamento em águas fertilizadas.


Tabela 2. Resultados finais dos tratamentos.<br />

61<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

TRATAMENTO ÁGUAS CLARAS ÁGUAS FERTILIZADAS<br />

L (mm) 106,8 99,6<br />

W (g) 24,62 20,21<br />

Índice <strong>de</strong> Reversão (%) 95,12 93,43<br />

Sobrevivência (%) 38 71<br />

No tratamento com adubação, os alevinos apresentaram os seguintes dados biométricos: Peso médio<br />

0,7±0,41 g e Comprimento médio <strong>de</strong> 34,44±5,6 mm. A sobrevivência final foi <strong>de</strong> 71% alevinos.<br />

80<br />

60<br />

40<br />

20<br />

Figura 3. Peso e Comprimento médios, e sobrevivência dos alevinos entre os tratamentos<br />

MANEJO DOS REPRODUTORES<br />

0<br />

Valores médios entre os tratamentos<br />

DISCUSSÃO<br />

W (g) em águas claras<br />

L (mm) em águas claras<br />

Sobrevivência (%) em águas<br />

claras<br />

W (g) em águas fertilizadas<br />

L (mm) em águas fertilizadas<br />

Sobrevivência (%) em águas<br />

fertilizadas<br />

Os estudos realizados mostraram que a prévia separação dos reprodutores por sexo em tanques<br />

<strong>de</strong> <strong>de</strong>scanso mostrou-se eficiente por facilitar a captura e seleção dos exemplares. A relação 1 macho<br />

para 2 fêmeas foi suficiente para proporcionar um bom <strong>de</strong>sempenho no acasalamento para produção <strong>de</strong><br />

larvas.<br />

Souza (2001), fez referência à relação, macho e fêmea em <strong>de</strong>sova natural, atribuindo a proporção <strong>de</strong> 1<br />

macho para 1 fêmea, a relação que mais ovos produziu por fêmea durante o experimento, sendo<br />

consi<strong>de</strong>rada, portanto, a melhor proporção.


62<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

O período <strong>de</strong> 15 dias da estocagem dos reprodutores teve sua finalida<strong>de</strong> alcançada, por<br />

possibilitar a aquisição <strong>de</strong> larvas em estágios <strong>de</strong> <strong>de</strong>senvolvimento i<strong>de</strong>al para início do processo <strong>de</strong><br />

masculinização.<br />

CAPTURA DAS LARVAS<br />

A captura das larvas foi realizada no início da manhã antes do aumento da temperatura da água<br />

por causa do risco <strong>de</strong> sobrevivência, respeitada a data prevista, evitou-se <strong>de</strong>sta forma o aparecimento <strong>de</strong><br />

uma gran<strong>de</strong> quantida<strong>de</strong> <strong>de</strong> pós-larvas maiores que 14 mm que já haviam consumido o saco vitelínico.<br />

De acordo com Siqueira Filha et al. (1999), na produção <strong>de</strong> alevinos monossexo é necessário<br />

evitar estresse das larvas no momento da captura, contagem e seleção evitando a ocorrência <strong>de</strong> altas<br />

mortalida<strong>de</strong>s durante o tratamento e diminuindo a probabilida<strong>de</strong> <strong>de</strong> se fazer o tratamento com larvas<br />

fora do tamanho a<strong>de</strong>quado, o que resultaria em índices <strong>de</strong> reversão pouco efetivos.<br />

ALIMENTAÇÃO DAS PÓS-LARVAS<br />

Segundo Pascual (1992), citado por Morais Junior (1994), o uso do hormônio alfa metil<br />

testosterona quando ministrado via alimentação em pós-larvas <strong>de</strong> tilápia-vermelha com comprimento<br />

inferior a 7 mm, tem a capacida<strong>de</strong> <strong>de</strong> reverter sexualmente estes animais durante a diferenciação<br />

gonadal, tornando-os 100% machos. Portanto, pô<strong>de</strong>-se confirmar que comprimentos superiores a 7 mm<br />

e inferiores a 14 mm respon<strong>de</strong>m muito bem ao processo <strong>de</strong> reversão estando <strong>de</strong> acordo com Santos &<br />

Silva citado por Brunello (2002), on<strong>de</strong> diz que por precaução, <strong>de</strong>ve ser o mais cedo possível, ou seja,<br />

logo após o consumo do saco vitelínico, isto porque o "timing" on<strong>de</strong> o peixe <strong>de</strong>ci<strong>de</strong> pelo sexo po<strong>de</strong><br />

variar <strong>de</strong> acordo com as condições ambientais, principalmente com a temperatura da água. O mais<br />

comum, atualmente, é utilizar - se como referência o tamanho <strong>de</strong> até 13 mm.<br />

SEXAGEM FINAL<br />

Os resultados <strong>de</strong> reversão obtidos entre os tratamentos <strong>de</strong> baixa <strong>de</strong>nsida<strong>de</strong>, mostram que a<br />

presença da fertilização não influi negativamente no mesmo, concordando, portanto, com os estudos<br />

realizados por Siqueira Filha (1999), on<strong>de</strong> conclui que a utilização <strong>de</strong> águas ver<strong>de</strong>s para processos <strong>de</strong><br />

reversão sexual, produz alevinos homogêneos e saudáveis com boas taxas <strong>de</strong> crescimento e<br />

sobrevivência, além <strong>de</strong> eficientes índices <strong>de</strong> reversão. O estudo <strong>de</strong> Saldanha et al. (1998) citado por<br />

Saldanha (1999), mostra que esta espécie aproveita muito bem o alimento natural disponível no<br />

ambiente, que seria responsável por cerca <strong>de</strong> 40 a 50 % do crescimento do peixe.<br />

Saldanha et al. (1999), fizeram referência ao crescimento compensatório da tilápia-do-nilo<br />

(Oreochromis niloticus) submetidos quando juvenis a três diferentes dietas alimentares; citando que a<br />

utilização <strong>de</strong> algumas técnicas <strong>de</strong> manejo, cuja finalida<strong>de</strong> é <strong>de</strong> minimizar custos, retardam o


63<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

crescimento dos alevinos e estes não conseguem recuperar esta perda, aumentando o tempo <strong>de</strong> cultivo,<br />

e, conseqüentemente os custos.<br />

Assim, a utilização <strong>de</strong> fertilizante nas águas on<strong>de</strong> serão realizados os tratamentos <strong>de</strong> reversão sexual em<br />

tilápia-do-nilo, além <strong>de</strong> não influenciar no índice <strong>de</strong> reversão, completa a dieta alimentar favorecendo o<br />

crescimento do peixe. O tratamento com águas claras apesar <strong>de</strong> apresentar resultados equivalentes ao<br />

tratamento com águas fertilizadas, não se mostrou muito eficiente, uma vez que a proliferação <strong>de</strong> algas<br />

no fundo dos tanques dificultou o processo <strong>de</strong> colheita das larvas além <strong>de</strong> atingir um baixo índice <strong>de</strong><br />

sobrevivência.<br />

Segundo Pretto-Malca, Pruginin e Pereira apud Lira (1999), o tratamento com águas claras em<br />

alta <strong>de</strong>nsida<strong>de</strong> apresentou baixa taxa <strong>de</strong> reversão já que este fator ocasiona competição pelo espaço e<br />

alimento, canibalismo, heterogeneida<strong>de</strong> no tamanho e baixo preço no mercado.<br />

A técnica <strong>de</strong> sexagem através da visualização do aparelho genital mostrou-se satisfatória em<br />

função do bom <strong>de</strong>senvolvimento biométrico dos espécimes; no entanto a utilização <strong>de</strong> bisturi e<br />

microscópio óptico fez-se necessário para elucidar o sexo daqueles indivíduos que não atingiram<br />

tamanhos suficientes para visualização do aparelho genital.<br />

Os tanques sem fertilização, os alevinos apresentaram maior crescimento em peso e<br />

comprimento, como visualizado na Figura 3, o que vai <strong>de</strong> encontro ao esperado com relação aos<br />

tanques fertilizados. No entanto, a baixa sobrevivência nesse tratamento (38 %) inferior a do tratamento<br />

com adubação (7 1%) <strong>de</strong>ve ter influenciado no maior <strong>de</strong>senvolvimento <strong>de</strong>sses alevinos em relação aos<br />

<strong>de</strong>mais.<br />

CONCLUSÕES<br />

O tipo <strong>de</strong> tratamento, águas claras ou águas fertilizadas, não influi na taxa <strong>de</strong> reversão sexual<br />

em tilápia-do-nilo (Oreochromis niloticus), no entanto a taxa <strong>de</strong> sobrevivência apresentada no<br />

tratamento com águas fertilizadas <strong>de</strong>ve ser consi<strong>de</strong>rada um fator relevante na produção <strong>de</strong> alevinos.<br />

REFERÊNCIAS<br />

BRUNELLO, A.E.M., 2005, Reversão sexual para a obtenção <strong>de</strong> populações monossexo <strong>de</strong> tilápias.<br />

Disponível em: . Acesso em: 15 abril.<br />

COWARD, K & BROMAGE N. R., 2000. Reproductive physiology of female tilapia broodstock.<br />

Reviews in Fish Biology and Fisheries. 10, pp. 1–25.<br />

FRANÇA NETO, V.L.; COSTA, F.H.F.; LIMA, M.F.; NASCIMENTO, M.M., 1998, Capacitação <strong>de</strong><br />

pessoal <strong>de</strong> cultivo <strong>de</strong> machos revertidos <strong>de</strong> tilápia-do-nilo, Oreochromis niloticus (L., 1766) em


64<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

tanques-re<strong>de</strong>, nos municípios do Ceará. In: Congresso Sul-americano <strong>de</strong> Aqüicultura. I Simpósio<br />

Brasileiro <strong>de</strong> Aqüicultura. Recife – PE. Anais ...p.796.<br />

LÈVEQUE, C., 2002, Out of Africa: the success story of tilapias. Environmental Biology of Fishes. 64,<br />

pp. 461–464.<br />

LIRA, J.M.T.; SIQUEIRA, A.T.; SIQUEIRA FILHA, N.T.; SANTOS, A.J.G., 1999, Estágio <strong>de</strong><br />

<strong>de</strong>senvolvimento e <strong>de</strong>nsida<strong>de</strong> <strong>de</strong> estocagem <strong>de</strong> tilápia-do-nilo (Oreochromis niloticus) na incubação<br />

artificial em sistema <strong>de</strong> recirculação. In: Congresso brasileiro <strong>de</strong> engenharia <strong>de</strong> pesca. Olinda – PE.<br />

Anais ...p. 157.<br />

NOGUEIRA, J.A., 2003, Aspectos da biologia reprodutiva e padrões <strong>de</strong> crescimento da tilápia<br />

Oreochromis niloticus, Linnaeus, 1758, (Linhagem Chitralada) em cultivos experimentais. Recife, PE.<br />

Dissertação (Curso <strong>de</strong> Mestrado em Recursos Pesqueiros e Aqüicultura) Departamento <strong>de</strong> <strong>Pesca</strong>,<br />

Universida<strong>de</strong> Fe<strong>de</strong>ral Rural <strong>de</strong> Pernambuco. 76p.<br />

POPMA, T.J. & GREEN, B.W., 1990, Sex Reversal of Tilapia in Earthen Ponds. International Center<br />

for Aquaculture. Alabama Agricultural Experiment Station, Auburn University Lowell T. Frobish,<br />

Director Auburn University, Alabama Research and Development. Series N o . 35. September.<br />

SALDANHA, A.C.A.; LEITE, L.J.A.; SILVA, A.L.N.; CARMO, J.L., 1999, Crescimento<br />

compensatório <strong>de</strong> tilápia-do-nilo (Oreochromis niloticus) submetidas quando juvenis a três diferentes<br />

dietas alimentares. In: Congresso brasileiro <strong>de</strong> engenharia <strong>de</strong> pesca. Olinda – PE. Anais ...p.71.<br />

SIQUERA FILHA, N.T.; SIQUEIRA, A.T.; LIRA, J.M.T.; SANTOS, A.J.G., 1999, Reversão sexual<br />

<strong>de</strong> tilápia nilótica (Oreochromis niloticus) em água ver<strong>de</strong>, com larvas provenientes <strong>de</strong> incubação<br />

natural e artificial. In: Congresso brasileiro <strong>de</strong> engenharia <strong>de</strong> pesca. Olinda – PE,. anais ...p.147.<br />

VERANI, J. R., 1980, Controle populacional em cultivo intensivo consorciado entre Tilápia-do-nilo<br />

Oreochromis niloticus (LINNAEUS, 1758) e o tucunaré comum, Cichla ocellaris (SCHNEIDER,<br />

1801) – aspectos quantitativos. 116 p.. Dissertação <strong>de</strong> Mestrado em Ecologia e Recursos Naturais.<br />

Departamento <strong>de</strong> Ciências Biológicas da UFSCar.


65<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

COMPORTAMENTO SOCIAL E CRESCIMENTO EM PARACHROMIS MANAGUENSIS<br />

(GÜNTHER, 1867) (PISCES, CICHLIDAE): UMA ESPÉCIE INTRODUZIDA NO BRASIL<br />

José Milton BARBOSA (jmiltonb@gmail.com); Ivo Tha<strong>de</strong>u Lira MENDONÇA<br />

(ivo_tha<strong>de</strong>u@yahoo.com.br); Manlio PONZI JÚNIOR (mponzi@elogica.com.br)<br />

Deptº. <strong>de</strong> <strong>Pesca</strong> e Aqüicultura, Universida<strong>de</strong> Fe<strong>de</strong>ral Rural <strong>de</strong> Pernambuco<br />

RESUMO<br />

Este trabalho teve por objetivo estudar o comportamento: hábito social, hierarquia <strong>de</strong><br />

dominância, hábito alimentar, e suas relações com o crescimento no peixe-jaguar Parachromis<br />

managuensis, espécie centro-americana introduzido no Brasil da qual pouco se conhece da biologia,<br />

apesar <strong>de</strong> utilizado na aqüicultura. Para o estudo do comportamento, os alevinos foram observados por<br />

60 dias em 8 aquários (50 litros d’água, quatro alevinos cada) abastecidos em sistema fechado com<br />

filtro biológico. O crescimento heterogêneo (CHet) foi calculado pelo coeficiente <strong>de</strong> variação do peso<br />

(CV%) e a avaliação estatística por ANOVA e teste <strong>de</strong> Tukey (p = 0,05). A alimentação constou <strong>de</strong><br />

ração balanceada (34% <strong>de</strong> proteína bruta) e alimento vivo: um lebiste (Poecilia sp.) por peixe. P.<br />

managuensis apresenta hábito territorial, é um predador voraz, mas também aceita ração. Apresenta<br />

confrontos agonísticos para estabelecimento da hierarquia <strong>de</strong> dominância, em três níveis: primeiro<br />

dominante (D1), segundo dominante (D2) e submissos (S1 e S2). Os dominantes (D1) crescem mais<br />

que os submissos a partir do trigésimo dia <strong>de</strong> agrupamento (F(3;28) = 5,56 p


66<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

SOCIAL BEHAVIOUR AND GROWTH IN PARACHROMIS MANAGUENSIS<br />

(GÜNTHER, 1867) (PISCES, CICHLIDAE): AN INTRODUCED SPECIES IN BRAZIL.<br />

ABSTRACT<br />

This work the objective studied the social behaviour: dominance hierarchy, feeding habit,<br />

relationed with the growth in the Parachromis managuensis (jaguar guapote) a species origined of the<br />

Central America and introduzed in Brazil that the biology is still unknown, but utilizable in aquiculture.<br />

The fingerling behaviour was observed during 60 days in eight aquarium (four fingerling in the 50 litre<br />

of water) stoking in close system with biological filter. The heterogeneous growth (Het-G) were<br />

calculated for coefficient of variation in weight (CV%) and statistical evaluate for ANOVA and Test of<br />

Turkey (p = 0.05). The feed has 34% cru<strong>de</strong> protein and live food; one “lebiste” (Poecilia sp.) for fish.<br />

P. managuensis show territorial habit, it is a voracious predator, but accept feed. Show fight for<br />

establishment of dominance hierarchy, in three levels: first dominate (D1) second dominate (D2)<br />

submissive (S1 and S2). The dominates (D1) to outgrow submissive in the thirtieth day of the grouping<br />

(F(3;28) = 5,56 p


67<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

Aspectos comportamentais têm relação direta com a variabilida<strong>de</strong> <strong>de</strong> crescimento visto que animais<br />

dominantes apresentam taxas <strong>de</strong> crescimento superiores às dos submissos. Este fenômeno é<br />

referendado na literatura pelo termo crescimento heterogêneo (CHet) e po<strong>de</strong> ser influenciada por<br />

fatores genéticos e populacionais.<br />

Segundo Hulata et al. (1976), o CHet é <strong>de</strong>corrente <strong>de</strong> fatores genéticos que <strong>de</strong>terminam as taxas<br />

<strong>de</strong> crescimento individual. A ocorrência <strong>de</strong> diferenças no crescimento <strong>de</strong> machos e fêmeas seria um<br />

fator que promoveria o CHet. No entanto, Volpato et al. (1987) afirmam que a variabilida<strong>de</strong> <strong>de</strong><br />

crescimento em alevinos <strong>de</strong> tilápia-do-nilo Oreochromis niloticus não está correlacionado ao sexo dos<br />

animais.<br />

Por outro lado, fatores populacionais envolvem diferentes mecanismos que reduzem o<br />

crescimento dos animais submissos. Estes mecanismos po<strong>de</strong>m ser resumidos em: competição<br />

alimentar, estresse social e substâncias químicas liberadas por coespecíficos dominantes, para inibir o<br />

crescimento dos submissos (BARBOSA, 1997).<br />

Na competição alimentar, alguns indivíduos do grupo obtêm mais alimento do que<br />

outros e crescem mais, ou o sucesso na obtenção <strong>de</strong> alimento estaria relacionado à posição social do<br />

indivíduo no grupo (VOLPATO et al., 1989). Wohlfarth (1977) argumenta que o aumento na oferta <strong>de</strong><br />

alimento em grupos <strong>de</strong> carpa (Cyprinus carpio) reduz a competição alimentar e, assim, a diferença <strong>de</strong><br />

crescimento. No entanto, Korneyeva (1969) verificou um aumento no CHet, após aumentar a oferta <strong>de</strong><br />

alimento. (VOLPATO et al., 1989) encontraram que, na tilápia-do-nilo, dominantes e submissos<br />

ingerem porções similares <strong>de</strong> alimento, mesmo em competição alimentar.<br />

Outro mecanismo refere-se ao estresse social <strong>de</strong>corrente das interações agonísticas,<br />

quando o estresse é maior nos peixes submissos e atua sobre o crescimento por vários meios, como<br />

redução da eficiência <strong>de</strong> conversão alimentar, supressão do apetite, alterações nos processos digestivos<br />

e <strong>de</strong>svio energético.<br />

Estudos nesse sentido foram <strong>de</strong>senvolvidos para diversas espécies <strong>de</strong> animais aquáticos. Porém,<br />

nenhuma referência foi encontrada para Parachromis managuensis. Assim, o presente trabalho teve por<br />

objetivo estudar o comportamento social: hábito social, hierarquia <strong>de</strong> dominância; hábito alimentar, e<br />

suas relações com o crescimento, nesta espécie.<br />

MATERIAL E MÉTODOS<br />

Os alevinos <strong>de</strong> P. managuensis provenientes da Estação <strong>de</strong> Piscicultura IBAMA, foram<br />

transportados para o Laboratório <strong>de</strong> Avaliação Pon<strong>de</strong>ral <strong>de</strong> Animais Aquáticos (LaAqua) do<br />

Departamento <strong>de</strong> <strong>Pesca</strong> e Aqüicultura da Universida<strong>de</strong> Fe<strong>de</strong>ral Rural <strong>de</strong> Pernambuco, on<strong>de</strong>, após uma


68<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

semana <strong>de</strong> aclimatização, foram mantidos por 60 dias em oito aquários (30cm X 60cm X 40cm <strong>de</strong><br />

altura, contendo 60L d’água), (com quatro alevinos cada) dispostos lado a lado em uma bancada,<br />

distribuídos <strong>de</strong> forma inteiramente casualizada e separados por folhas <strong>de</strong> papelão, a fim <strong>de</strong> evitar<br />

contacto visual entre os indivíduos <strong>de</strong> diferentes aquários. A água utilizada, inicialmente advinda <strong>de</strong><br />

abastecimento público, no <strong>de</strong>correr do experimento era recirculada, em sistema fechado, através <strong>de</strong><br />

tubulação em PVC instalada no laboratório, com vazão suficiente para renovação total 12 vezes ao dia,<br />

filtrada por filtro biológico composto <strong>de</strong> casca <strong>de</strong> ostra, brita e cascalho, com função <strong>de</strong> oxidação da<br />

amônia dissolvida.<br />

O comportamento social dos indivíduos foi analisado através <strong>de</strong> observações diretas ao longo do<br />

dia (12 horas no primeiro dia e a partir do segundo, duas horas pela manhã e tar<strong>de</strong>), quando foram<br />

tomadas as relações comportamentais: hábito social; interações agonísticas, a fim <strong>de</strong> estabelecer a<br />

hierarquia dominância, e verificada a posição hierárquica <strong>de</strong> cada animal no grupo.<br />

O hábito alimentar foi avaliado pelo fornecimento <strong>de</strong> ração balanceada e, extrusada, com 34%<br />

<strong>de</strong> proteína bruta, ofertada, em 3% da biomassa <strong>de</strong> peixes, duas vezes ao dia (manhã e tar<strong>de</strong>),<br />

complementada com alimento vivo que constou <strong>de</strong> dois lebistes (Poecilia sp.) por peixe experimental.<br />

O CHet foi avaliado pelo cálculo do coeficiente <strong>de</strong> variação do peso (CHet = <strong>de</strong>svio padrão ×<br />

100 / média do peso) do animal. Para tal, todos os peixes foram pesados no início do experimento e a<br />

cada 15 dias, até 60 dias, final do experimento. Consi<strong>de</strong>rou-se como tratamento a posição hierárquica<br />

do animal no grupo, a saber: submisso (I); submisso (II); segundo dominante e primeiro dominante, em<br />

oito réplicas.<br />

Diariamente, foi realizada limpeza dos aquários através <strong>de</strong> sifonamento, para retirada <strong>de</strong> <strong>de</strong>tritos<br />

e excrementos dos animais.<br />

As variáveis físico-químicas da água, pH, D.O., salinida<strong>de</strong> e condutivida<strong>de</strong> foram tomadas a<br />

cada três dias e a temperatura, três vezes ao dia.<br />

Na avaliação estatística dos dados <strong>de</strong> crescimento foi empregada Análise <strong>de</strong> Variância,<br />

complementada pelo teste <strong>de</strong> Tukey (p = 0,05), verificando-se se dados apresentavam distribuição<br />

normal e variâncias homocedásticas.<br />

RESULTADOS E DISCUSSÃO<br />

Parachromis managuensis apresentou hábito territorial, sendo bastante agressivo e resistente às<br />

condições <strong>de</strong> agrupamento. Suportou as mudanças <strong>de</strong> condições da água, <strong>de</strong> forma que na fase <strong>de</strong><br />

aclimatização não houve mortalida<strong>de</strong>. Mostrou-se um predador voraz, <strong>de</strong>s<strong>de</strong> alevino (3 cm <strong>de</strong><br />

comprimento), perseguindo presas vivas lebistes (Poecilia sp.) <strong>de</strong> até 1cm <strong>de</strong> comprimento.


69<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

Foram verificados sinais <strong>de</strong> agressivida<strong>de</strong> nas situações <strong>de</strong> agrupamento, evi<strong>de</strong>nciados por<br />

confrontos agonísticos para estabelecer posições hierárquicas e domínio territorial através <strong>de</strong><br />

movimentos comuns entre os ciclí<strong>de</strong>os. Essas disputas começam cerca <strong>de</strong> 30 minutos após o<br />

pareamento, o que esta <strong>de</strong> acordo com o observado por (FERNANDES & VOLPATO, 1993), para a<br />

tilápia Oreochromis niloticus e po<strong>de</strong>m ser assim <strong>de</strong>scritas: A) eriçamento da nada<strong>de</strong>ira dorsal - nos<br />

primeiros confrontos, antes do estabelecimento da hierarquia <strong>de</strong> dominância, e após este fato, como<br />

ameaça aos submissos, os dominantes eriçam a nada<strong>de</strong>ira dorsal (Figura 1A), causando a evitação por<br />

parte do submisso; B) postura lateral – os animais se postam lado a lado e <strong>de</strong>flagram toques com a<br />

nada<strong>de</strong>ira caudal na cabeça do coespecífico (Figura 1B); C) tremores, (VOLPATO et al., 1987) – os<br />

peixes se postam transversalmente, com os corpos apresentando tremores curtos, pôr muito tempo até<br />

que um contendor se afaste do local (Figura 1C); D) briga bucal, igual a “mouth fighting” (BAKKER &<br />

SEVENSTER, 1983) – os peixes candidatos a dominantes se pegam pela boca e lutam pela<br />

dominância, até que um seja vencedor (Figura 1D).<br />

Figura 1 – Confrontos agonísticos em Parachromis managuensis: A) eriçamento da nada<strong>de</strong>ira dorsal,<br />

em sinal <strong>de</strong> ameaça; B) postura lateral, <strong>de</strong>flagrando toques com as nada<strong>de</strong>ira caudal na<br />

cabeça do coespecífico; C) tremores curtos e após afastamento do logal e D) Briga bucal<br />

(=Mouth fighting) na disputa da dominância.


70<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

Após os confrontos agonísticos, verifica-se a <strong>de</strong>terminação da hierarquia <strong>de</strong> dominância (HD), com<br />

<strong>de</strong> três níveis distintos: primeiro dominante; segundo dominante e submissos. Essas posições<br />

hierárquicas dos animais no grupo po<strong>de</strong>m ser responsáveis por alterações nos processos fisiológicos<br />

nos indivíduos, como aventados pôr diversos autores. Variações <strong>de</strong> coloração e distribuição espacial<br />

são as mais freqüentemente relatadas. Os dominantes adquiriram coloração mais clara e ocuparam a<br />

porção próxima do substrato dos aquários, enquanto os submissos apresentaram coloração mais escura,<br />

mais notável ao redor dos olhos e na região dorsal e foram <strong>de</strong>slocados para a parte superficial da água.<br />

Resultados semelhantes aos obtidos por (VOLPATO et al., 1987) com tilápia. Para a distinção<br />

<strong>de</strong> hierarquia são notáveis a agressivida<strong>de</strong> individual e o fator tamanho, pois os dominantes crescime<br />

mais que os submissos. VOLPATO et al., 1989 citam ainda outros fatores, como a posse prévia do<br />

território, condição hierárquica anterior e estado nutricional.<br />

Os submissos <strong>de</strong> Parachromis managuensis apresentaram manchas esbranquiçadas na região<br />

dorsal, quando submetido a condições <strong>de</strong> estresse. Hipoteticamente as manchas po<strong>de</strong>m ser<br />

características da espécie, como resposta ao estresse, este fato <strong>de</strong>ve ser testado posteriormente Outra<br />

fato observado nestes indivíduos, após disputas com dominantes, foram injúrias físicas pelo corpo.<br />

O crescimento dos dominantes é superior ao dos submissos. No início do experimento os peixes<br />

apresentam tamanho similar (F(3;28) = 0,25, p > 0,05); a variabilida<strong>de</strong> não é significativa até o os<br />

primeiros quinze dias (F(3;28) = 1,25, p > 0,05); a partir do trigésimo dia os dominantes apresentam<br />

crescimento igual aos segundos dominantes e superior aos submissos (F(3;28) = 5,56 p < 0,01); a partir<br />

do dos 45 dias o crescimento do dominante é superior a dos <strong>de</strong>mais peixes do grupo (F(3;28) = 13,13, p<br />

< 0,01), o que prevalece até o final do experimento (F(3;28) = 20,01, p < 0,01) (Figura 2).<br />

Estes resultados sugerem a ocorrência <strong>de</strong> exacerbação do CHet nos dominantes em <strong>de</strong>trimento<br />

dos <strong>de</strong>mais animais do grupo. Este fato reforça a tese <strong>de</strong> que energia para o crescimento é disponível<br />

somente <strong>de</strong>pois que a <strong>de</strong>manda <strong>de</strong> outras necessida<strong>de</strong>s são atendidas.<br />

Assim, vários estressores têm sido relatados como supressores <strong>de</strong> crescimento, como reportado para<br />

espécies territoriais que aumentam as interações agonísticas em condição <strong>de</strong> agrupamento, o que reduz<br />

o crescimento em <strong>de</strong>corrência das alterações metabólicas <strong>de</strong>correntes do estresse social (FERNANDES<br />

& VOLPATO, 1993).<br />

No início do experimento foi <strong>de</strong> 2,4%, a exacerbação do CHet. Ocorreu <strong>de</strong>s<strong>de</strong> os primeiros quinze dias<br />

<strong>de</strong> agrupamento e foi crescente até o final, quando chegou a 42,7% (Figura 3). Da mesma forma que<br />

ocorre em outras espécies da família Cichlidae, a alta variabilida<strong>de</strong> <strong>de</strong> crescimento ocorre em função<br />

das diferenças hierárquicas entre os indivíduos: as taxas <strong>de</strong> crescimento são diretamente proporcionais<br />

à posição hierárquica do animal no grupo.


71<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

Figura 2 – Parachromis managuensis: média dos pesos (g) <strong>de</strong> acordo com a posição hierárquica do<br />

animal no grupo pelo tempo <strong>de</strong> cultivo (● D1; ▲ D2; □ S1; ◊ S2).<br />

Figura 3 – Parachromis managuensis: crescimento heterogêneo (Chet) <strong>de</strong> todos os animais pelo tempo<br />

<strong>de</strong> cultivo.


72<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

Estes resultados corroboram muitos trabalhos constantes da literatura que <strong>de</strong>monstram que o<br />

agrupamento exacerba o CHet, o que sugerem fortemente a participação <strong>de</strong> controle populacional,<br />

como discutido por (HENRY & ATCHISON, 1979; FERNANDES & VOLPATO, 1993). Desta forma,<br />

é possível inferir que vários mecanismos <strong>de</strong>correntes do agrupamento reduzem, <strong>de</strong> diferentes maneiras,<br />

a energia final disponível para o crescimento, provocando a supressão social do crescimento em alguns<br />

indivíduos.<br />

Dentre os estressores, <strong>de</strong>staca-se a má qualida<strong>de</strong> da água, como um importante fator que reduz o<br />

crescimento em peixes. Neste estudo a água apresentou boa qualida<strong>de</strong>, não variou entre as condições e<br />

manteve-se <strong>de</strong>ntro dos padrões necessários ao bem estar dos peixes: pH 7,8 (7,7-8,0); D.O. 7,1 mg/L<br />

(6,7-7,3); salinida<strong>de</strong> 0,5 ppm (0,4-0,6) e temperatura 24,6ºC (23,1-26,5).<br />

O comportamento social do peixe-jaguar Parachromis managuensis apresenta relações diretas<br />

com o crescimento e os seguintes padrões <strong>de</strong> comportamentais: é uma espécie <strong>de</strong> hábito territorial, é<br />

carnívora, muito voraz, mas também aceita ração balanceada; apresenta hierarquia <strong>de</strong> dominância bem<br />

<strong>de</strong>finida e a posição hierárquica é diretamente proporcional à taxa <strong>de</strong> crescimento do indivíduo: os<br />

dominantes crescem mais que os <strong>de</strong>mais animais do grupo, <strong>de</strong> forma que apresenta alta variabilida<strong>de</strong> <strong>de</strong><br />

crescimento (CHet).<br />

AGRADECIMENTOS<br />

<strong>À</strong> Hel<strong>de</strong>r Correia Lima e Erivaldo José da Silva Júnior pela confecção dos <strong>de</strong>senhos, Edson<br />

José da Silva Filho e Artur Delmiro S. da Mota pelo auxílio nas coletas <strong>de</strong> dados e Luiz Fernando S.<br />

Souza pela revisão do texto.<br />

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75<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

DIAGNÓSTICO DE ECTOPARASITAS E BACTÉRIAS EM TILÁPIAS (Oreochromis niloticus)<br />

CULTIVADAS NA REGIÃO DE PAULO AFONSO, BAHIA<br />

Jeudi Brito <strong>de</strong> LEMOS (jeudibl@hotmail.com); Maria Elizabeth <strong>de</strong> Barros RODRIGUES<br />

(ebethrodrigues@hotmail.com); José Patrocínio LOPES (jpatrobr@yahoo.com.br)<br />

Departamento <strong>de</strong> Educação, Universida<strong>de</strong> do Estado da Bahia.<br />

RESUMO<br />

No Brasil, o aumento no cultivo <strong>de</strong> organismos aquáticos, tem ocasionado aparecimento e<br />

manifestações <strong>de</strong> enfermida<strong>de</strong>s com gran<strong>de</strong>s prejuízos. Esse problema torna-se preocupante <strong>de</strong>vido ao<br />

pouco conhecimento dos aquicultores sobre profilaxia e tratamento a<strong>de</strong>quado. Este trabalho teve por<br />

objetivo diagnosticar ectoparasitas e bactérias em Tilápia (Oreochromis niloticus) nos cultivos da<br />

região <strong>de</strong> Paulo Afonso/Bahia. O trabalho foi elaborado na Universida<strong>de</strong> do Estado da Bahia (UNEB)<br />

com participação da Estação <strong>de</strong> Piscicultura <strong>de</strong> Paulo Afonso (EPPA), da Companhia Hidro Elétrica do<br />

São Francisco (CHESF). Foram realizadas visitas para conhecer o manejo <strong>de</strong> cultivo em duas estações<br />

<strong>de</strong> produção <strong>de</strong> alevinos aqui <strong>de</strong>nominadas Estação 01 e 02 e em duas pisciculturas intensivas do setor<br />

privado, tanques-re<strong>de</strong> (TR) e raceways (RC) que trabalham com juvenis até a comercialização. O<br />

material colhido nas Estações 01 e 02 apresentaram comprimento médio <strong>de</strong> 5,8±20 e 3,1±15 cm<br />

respectivamente e o proce<strong>de</strong>nte dos TR e RC apresentaram pesos médios <strong>de</strong> 679±165,43 e 531±77,57 g<br />

respectivamente. Os alevinos colhidos nas Estações 1 e 2 foram enviados ao laboratório da EPPA em<br />

sacos plásticos com água e oxigênio, on<strong>de</strong> realizou-se raspagem do tegumento e das brânquias para<br />

observação em microscópio. No material proce<strong>de</strong>nte da comercialização <strong>de</strong> pescado foi realizado<br />

swabs <strong>de</strong> cérebro e <strong>de</strong> rim <strong>de</strong> cinco peixes <strong>de</strong> cada forma <strong>de</strong> cultivo, como também exames externos e<br />

internos para visualizar sinais clínicos infecções causados por bactérias e, posteriormente enviados ao<br />

laboratório para i<strong>de</strong>ntificação. Os resultados obtidos na Estação <strong>de</strong> Piscicultura 02 indicaram<br />

ectoparasitas <strong>de</strong> Trichodina sp. E nas pisciculturas intensivas em TR e RC, as bactérias Streptococcus<br />

agalactiae e Aeromonas hydrophila. Conclui-se que há necessida<strong>de</strong> <strong>de</strong> verificar as condições <strong>de</strong><br />

manejo <strong>de</strong> cultivo na Estação <strong>de</strong> Piscicultura 02, como também nas pisciculturas intensivas em TR e<br />

RC, antes <strong>de</strong> introduzir tratamentos com produtos químicos.<br />

Palavras-chave: Peixes, Doenças, Parasitas


76<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

DIAGNOSTIC OF ECTOPARASITES AND BACTERIAS IN TILAPIAS (Oreochromis niloticus)<br />

CULTIVED IN PAULO AFONSO REGION – BAHIA<br />

ABSTRACT<br />

In Brazil, the increase in the cultivation of aquatic organisms, it has been causing emergence<br />

and manifestations of illnesses with great damages. That problem becomes preoccupying due to the<br />

little knowledge of the aquiculture on prophylaxis and appropriate treatment. This work aims at to<br />

diagnose ectoparasites and bacteria in Tilapia (Oreochromis niloticus) in the cultivations of Paulo<br />

Afonso/Bahia's area. The work was elaborated in the University of the State of Bahia (USB) with<br />

participation of the Station of Fish farming of Paulo Afonso (SFFPA), of the San Francisco<br />

Hydroelectric Company (SFHC). Visits were accomplished to know the cultivation handling here in<br />

two stations of alevines production <strong>de</strong>nominated Station 01 and 02 and in two intensive fish farmings<br />

of the private section, tank-net (TR) and raceways (RC) that work with juvenile until the<br />

commercialization. The material picked in the Stations 01 and 02 presented medium length of 5,8±20<br />

and 3,1±15 cm respectively and the coming from TR and RC presented medium weights of 679±165,43<br />

and 531±77,57 g respectively. The alevines picked in the Stations 01 and 02 were sent to the laboratory<br />

of EPPA in plastic sacks with water and oxygen, where he/she took place scratching of the tegument<br />

and of the gills for observation in microscope. In the material coming from the fish commercialization<br />

brain swabs was accomplished and of kidney of five fish in each cultivation way, as well as external<br />

and internal exams to visualize signs clinical infections caused by bacteria and, later correspon<strong>de</strong>nts to<br />

the laboratory for i<strong>de</strong>ntification. The results obtained in the Station of Fish farming 02 indicated<br />

ectoparasites of Trichodina sp. and in the intensive fish farmings in TR and RC, the bacteria<br />

Streptococcus agalactiae and Aeromonas hydrophila. It is en<strong>de</strong>d that there is need to verify the<br />

conditions of cultivation handling in the Station of Fish farming 02, as well as in the intensive fish<br />

farmings in TR and RC, before introducing treatments with chemical products.<br />

Key words: Fishes, Disease, Parasites<br />

INTRODUÇÃO<br />

No Brasil, o aumento nos cultivos <strong>de</strong> organismos aquáticos através da aqüicultura, tem<br />

ocasionado o aparecimento e manifestações <strong>de</strong> várias enfermida<strong>de</strong>s que muitas vezes respon<strong>de</strong>m por<br />

gran<strong>de</strong>s prejuízos. Esse problema torna-se preocupante <strong>de</strong>vido ao pouco conhecimento dos aquicultores<br />

sobre a profilaxia e o tratamento a<strong>de</strong>quado.


77<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

Há muitos fatores capazes <strong>de</strong> provocar a morte dos peixes, inclusive as moléstias. As gran<strong>de</strong>s<br />

mortanda<strong>de</strong>s <strong>de</strong> que freqüentemente se têm notícias são provocadas pelas bruscas modificações da<br />

constituição física e química das águas, especialmente no tocante à temperatura, da oxidação da matéria<br />

orgânica, da pressão barométrica e da respiração dos animais e plantas aquáticas, <strong>de</strong>stacando-se os dois<br />

primeiros fatores como os principais (STEMPNIEWSKI, 1978; MARTINS, 1997).<br />

Quando o organismo aquático encontra-se intensamente parasitado ou tomado por lesões<br />

profundas, dificilmente recupera a saú<strong>de</strong> com tratamento. Portanto, o criador <strong>de</strong>ve concentrar a sua<br />

atenção na prevenção das doenças, tendo em vista que a administração <strong>de</strong> produtos químicos po<strong>de</strong><br />

apresentar conseqüências para o peixe, para o meio ambiente on<strong>de</strong> se aplica e para a saú<strong>de</strong> do<br />

consumidor. Devemos apren<strong>de</strong>r a conviver em equilíbrio com certos parasitas e patógenos, tentando<br />

manter boas às condições aquáticas <strong>de</strong> cultivo, adotando práticas a<strong>de</strong>quadas <strong>de</strong> manejo como,<br />

monitorar a qualida<strong>de</strong> da água e utilizar <strong>de</strong>nsida<strong>de</strong>s <strong>de</strong> estocagem e alimentação a<strong>de</strong>quadas a cada<br />

forma <strong>de</strong> cultivo. O objetivo <strong>de</strong>ste trabalho foi conhecer o manejo e diagnosticar ectoparasitas e<br />

bactérias nos mo<strong>de</strong>los <strong>de</strong> cultivo praticados na região <strong>de</strong> Paulo Afonso, Bahia.<br />

MATERIAL E MÉTODOS<br />

O trabalho foi <strong>de</strong>senvolvido na Universida<strong>de</strong> do Estado da Bahia (UNEB), na cida<strong>de</strong> <strong>de</strong> Paulo<br />

Afonso em parceria com a Estação <strong>de</strong> Piscicultura <strong>de</strong> Paulo Afonso (EPPA), pertencente à Companhia<br />

Hidro Elétrica do São Francisco (CHESF) e da Associação <strong>de</strong> Piscicultura Beira Rio, que produzem<br />

alevinos para repovoamento <strong>de</strong> reservatórios e venda a terceiros, respectivamente.<br />

No tocante à comercialização <strong>de</strong> animais cultivados diretamente para consumo, contou-se com a<br />

participação da Associação <strong>de</strong> Piscicultura Pia do Roque Xingozinho e da AAT International Ltda.<br />

Assim, este trabalho está contribuindo com empresas públicas e privadas que atuam na produção e<br />

comercialização <strong>de</strong> alevinos e <strong>de</strong> pescado.<br />

Nas unida<strong>de</strong>s <strong>de</strong> cultivo, foram realizadas observações no manejo com relação: ao<br />

abastecimento e qualida<strong>de</strong> da água - qual a fonte <strong>de</strong> abastecimento dos tanques e viveiros, a<br />

manutenção da boa qualida<strong>de</strong> da água através do monitoramento constante das variáveis físicas e<br />

químicas, a utilização <strong>de</strong> filtros que evita a contaminação direta ou indireta através da água que entra na<br />

criação; à administração <strong>de</strong> alimento balanceado para a espécie cultivada; ao controle da <strong>de</strong>nsida<strong>de</strong><br />

populacional <strong>de</strong> peixes nos viveiros e nos tanques; à eliminação <strong>de</strong> animais mortos diariamente da<br />

criação, pois po<strong>de</strong>m se constituir em foco <strong>de</strong> proliferação e <strong>de</strong> disseminação dos patógenos; à<br />

mortalida<strong>de</strong> e à alteração no comportamento dos alevinos.


78<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

Na Piscicultura intensiva em tanques-re<strong>de</strong>, as estruturas dos tanques, apresentam volume <strong>de</strong> 4 m³,<br />

sendo (2 x 2 x 1,20 m), <strong>de</strong> aço inoxidável com malha 17 mm e comedouros dos tipos anteparo sobre<br />

tela e redondo. Os tanques-re<strong>de</strong> estão dispostos em linha reta (A, B e C) num total <strong>de</strong> 115, distando um<br />

do outro 1,5 m, aproximadamente, e estão amarrados com cabos <strong>de</strong> aço que ficam presos às margens do<br />

Rio. Os alevinos <strong>de</strong> tilápia (Oreochromis niloticus) varieda<strong>de</strong> Chitralada, são provenientes <strong>de</strong> uma<br />

empresa, localizada em Pernambuco, adquiridos <strong>de</strong> dois em dois meses e são revertidos sexualmente.<br />

Quando, no cultivo, ocorre uma mortalida<strong>de</strong> alta, principalmente nos peixes com pesos <strong>de</strong> 400 a 500 g<br />

e esta chega a 15 peixes/tanque/dia, utiliza-se oxitetraciclina (terramicina). A administração é feita<br />

através da mistura <strong>de</strong> 100 g <strong>de</strong> oxitetraciclina, 50 g <strong>de</strong> vitamina C e 50 g <strong>de</strong> metionina em um litro <strong>de</strong><br />

óleo <strong>de</strong> soja para a<strong>de</strong>rir à ração que vai ser dada aos peixes, por um período <strong>de</strong> oito dias. Este<br />

tratamento foi indicado aos associados por um fornecedor <strong>de</strong> ração da região. Quando é necessário<br />

utilizar o tratamento com este antibiótico, em peixes que já estão prontos para a comercialização, a<br />

venda fica suspensa por uma semana e os animais ficam em observação.<br />

Quando há programação para <strong>de</strong>spesca, é feito um jejum nos peixes dos tanques que serão<br />

<strong>de</strong>spescados, <strong>de</strong> vinte e quatro horas. Os peixes são comercializados quando atingem um peso <strong>de</strong> 800 a<br />

1000 g, num período <strong>de</strong> 180 dias <strong>de</strong> cultivo.<br />

A Empresa que cultiva peixe em sistema intensivo tipo raceways, abrange uma área <strong>de</strong> duas<br />

baterias com 104 tanques cada uma, ocupando uma área <strong>de</strong> 0,7 ha, <strong>de</strong>stinada à engorda <strong>de</strong> tilápia-donilo<br />

(Oreochromis niloticus), varieda<strong>de</strong> QAAT 1. Nos raceways, os alevinos, revertidos sexualmente<br />

são estocados com peso médio inicial <strong>de</strong> 5 a 10 g nas <strong>de</strong>nsida<strong>de</strong>s <strong>de</strong> 150, 115, 85 e 60/m³ por um<br />

período <strong>de</strong> 240 dias e utiliza-se telas <strong>de</strong> malha com 8 mm para um total <strong>de</strong> 5000, 4000, 3000 e 2000<br />

alevinos na 1ª, 2ª, 3ª e 4ª linhas, respectivamente. No momento da estocagem, são aclimatados por<br />

alguns minutos, e é utilizado sal como produto profilático. Antes da <strong>de</strong>spesca, a ração dos peixes é<br />

suspensa por 24 horas. Começa retirando-se os peixes com re<strong>de</strong> <strong>de</strong> <strong>de</strong>spesca, faz-se a repicagem,<br />

coloca-os em sacos e leva-os imediatamente para as caixas com gelo que são colocadas em carro<br />

frigorífico. No momento a venda está sendo feita in natura e os pesos variam entre 400 e 900 g.<br />

Os peixes, colhidos nas estações <strong>de</strong> pisciculturas, foram enviados ao laboratório em sacos<br />

plásticos com 1/3 <strong>de</strong> água e oxigênio, medidos, e, em seguida, realizaram-se raspagens do tegumento e<br />

das brânquias da espécie em estudo, que foram observadas em microscópio para registrar a presença,<br />

ou não, <strong>de</strong> ectoparasitas. A quantida<strong>de</strong> <strong>de</strong> animais colhidos nas estações <strong>de</strong> produção <strong>de</strong> alevinos<br />

(<strong>de</strong>nominadas, neste trabalho, <strong>de</strong> Estação <strong>de</strong> Piscicultura I e Estação <strong>de</strong> Piscicultura II) com os<br />

respectivos comprimentos médios estão representados na Tabela 1.


79<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

Tabela 1. Comprimento médio dos alevinos <strong>de</strong> tilápias (Oreochromis niloticus) cultivados nas Estações<br />

<strong>de</strong> Piscicultura visitadas.<br />

Estação <strong>de</strong><br />

Piscicultura<br />

Número <strong>de</strong><br />

alevinos<br />

Tanque (n˚) Viveiro (n˚)<br />

Comprimento médio<br />

(mm)<br />

I 15 - 1, 12 e 14 58±20<br />

II 15 8 - 31±15<br />

Os animais proce<strong>de</strong>ntes dos tanques-re<strong>de</strong>, com respectivos pesos e comprimentos, estão<br />

representados na Tabela 2. Os peixes foram colhidos com o auxílio <strong>de</strong> re<strong>de</strong> <strong>de</strong> <strong>de</strong>spesca e puçá, sendo<br />

acondicionados em caixas isotérmicas e transferidos, imediatamente, para o laboratório da EPPA, na<br />

CHESF. Cada peixe foi <strong>de</strong>nominado <strong>de</strong> acordo com a linha C e o número do tanque <strong>de</strong> on<strong>de</strong> foram<br />

retirados.<br />

Tabela 2. Pesos e comprimentos <strong>de</strong> tilápias (Oreochromis niloticus) cultivadas em tanques-re<strong>de</strong>.<br />

Tanques-re<strong>de</strong> Peso (g) Comprimento (mm)<br />

C5 815 320<br />

C17 845 311<br />

C18 655 305<br />

C20 430 243<br />

C23 650 309<br />

Média 679±165,43 294±35,04<br />

Os materiais proce<strong>de</strong>ntes dos raceways, com respectivos pesos e comprimentos estão<br />

representados na Tabela 3. Todo material foi colhido com o auxílio <strong>de</strong> re<strong>de</strong> <strong>de</strong> <strong>de</strong>spesca e puçá, sendo<br />

acondicionado em caixas isotérmicas e transferidos imediatamente para o laboratório da EPPA, na<br />

CHESF. Cada peixe foi <strong>de</strong>nominado <strong>de</strong> acordo com as linhas A e B e o número do tanque <strong>de</strong> on<strong>de</strong><br />

foram retirados.<br />

Para o material colhido nas unida<strong>de</strong>s <strong>de</strong> comercialização <strong>de</strong> pescado, além <strong>de</strong> pesados e medidos, foram<br />

colhidos swabs (palito longo com uma das extremida<strong>de</strong>s envolvida em algodão esterilizado) <strong>de</strong> cérebro<br />

e <strong>de</strong> rim <strong>de</strong> cinco peixes <strong>de</strong> cada forma <strong>de</strong> cultivo. Os peixes foram lavados, <strong>de</strong>scamados e<br />

<strong>de</strong>sinfectados inteiros, com álcool iodado a 2% em ambiente asséptico. As facas, tesouras e pinças


80<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

Tabela 3. Pesos e comprimentos <strong>de</strong> tilápias (Oreochromis niloticus) cultivadas em raceways.<br />

Raceways Peso (g) Comprimento (mm)<br />

A4 580 320<br />

A6 575 282<br />

A18(1) 395 -<br />

A18(2) 565 292<br />

B15 540 290<br />

Média 531±77,57 291±17,92<br />

também foram <strong>de</strong>sinfectadas com álcool iodado a 2%. Foi feito um corte em “L” na cabeça do peixe e<br />

introduziu-se um swab no cérebro, em seguida o peixe foi cortado pela coluna, na região dorsal, e<br />

introduziu-se o swab no rim até ficar ume<strong>de</strong>cido. Após este procedimento foram realizados exames<br />

visuais externos nos olhos, boca, opérculo, brânquias, tegumento e nada<strong>de</strong>iras e internos no estômago,<br />

intestino, fígado, vesícula biliar, rim e baço nos peixes para i<strong>de</strong>ntificar os sinais clínicos <strong>de</strong> infecções<br />

causadas por bactérias. As amostras colhidas foram enviadas para o laboratório da Universida<strong>de</strong><br />

Fe<strong>de</strong>ral <strong>de</strong> Lavras (UFLA) em Minas Gerais, em temperatura ambiente, para isolamento e i<strong>de</strong>ntificação<br />

<strong>de</strong> bactérias que possam danificar a qualida<strong>de</strong> do produto, contribuindo com a disseminação <strong>de</strong><br />

doenças, tanto nos cultivos <strong>de</strong> peixes como nos consumidores dos produtos na região. No laboratório<br />

todas as amostras foram semeadas em ágar sangue, com incubação a 37 ºC, por até 72 horas. Isolados<br />

com diagnóstico presuntivo <strong>de</strong> Streptococcus sp. foram submetidos à i<strong>de</strong>ntificação bioquímica pelo kit<br />

API-STREP 20 (Biomerieux, França) e o grupo <strong>de</strong> Lancefield <strong>de</strong>terminado pelo kit Sli<strong>de</strong>x Strepto<br />

(Biomerieux, França).<br />

RESULTADOS E DISCUSSÃO<br />

Nas visitas às estações <strong>de</strong> piscicultura foram observadas que na Estação I (EP-01) as infraestruturas<br />

são compostas por tanques <strong>de</strong> alvenaria e viveiros escavados, enquanto que na Estação II<br />

(EP-02) somente viveiros escavados. A água <strong>de</strong> abastecimento nestas Estações é proveniente do rio São<br />

Francisco e passa por filtro até o abastecimento dos tanques e viveiros, não há tratamento dos efluentes<br />

e não possuem lagoa <strong>de</strong> <strong>de</strong>cantação. São realizadas análises <strong>de</strong> água, calagem e adubação <strong>de</strong> acordo<br />

com as necessida<strong>de</strong>s e, diariamente, são retirados os peixes mortos, que são enterrados. Com relação<br />

ao processo reprodutivo, os machos são colocados junto às fêmeas e após o acasalamento, as larvas são


81<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

coletadas no próprio ambiente <strong>de</strong> reprodução e transportadas para os tanques e viveiros <strong>de</strong> alevinagem.<br />

Na EP-01 os tanques <strong>de</strong> alevinagem são <strong>de</strong> alvenaria e me<strong>de</strong>m 50 m² (5 m x 10 m), com estocagem <strong>de</strong><br />

até 5000 alevinos/tanque, numa <strong>de</strong>nsida<strong>de</strong> <strong>de</strong> aproximadamente 100 alevinos/m².<br />

A ração utilizada contém 36% <strong>de</strong> proteína bruta acrescida das vitaminas A, D e E na<br />

proporção <strong>de</strong> 1 Kg do complexo vitamínico para 100 Kg <strong>de</strong> ração. A quantida<strong>de</strong> máxima fornecida é <strong>de</strong><br />

1 Kg <strong>de</strong> ração/tanque/dia, sendo o primeiro arraçoamento às 8:00 horas e o último às 13:00 horas. Esta<br />

estação não faz reversão sexual, pois segundo os técnicos, há trabalhos já comprovados da não<br />

necessida<strong>de</strong> da reversão sexual em tilápias para cultivo <strong>de</strong>stas em tanques-re<strong>de</strong>, isto já se pratica<br />

também tendo em vista futuros problemas ambientais.<br />

Após a <strong>de</strong>sova os reprodutores passam por um período <strong>de</strong> repouso <strong>de</strong> no mínimo quinze dias.<br />

Nesta Estação, cultivam-se espécies nativas como: Curimatã (Prochilodus argenteus) e outras<br />

alóctones para repovoamento; tambaqui (Colossoma macropomum) e tilápia (Oreochromis niloticus)<br />

para comercialização dos alevinos a terceiros.<br />

A Estação II cultiva somente a tilápia com a finalida<strong>de</strong> <strong>de</strong> venda a terceiros. Nesta Estação,<br />

os viveiros me<strong>de</strong>m 1000 m² e <strong>de</strong>ntro <strong>de</strong>stes são colocados 16 tanques <strong>de</strong> reversão sexual com estrutura<br />

<strong>de</strong> polietileno e malha <strong>de</strong> 4 mm medindo 4 m² (2 m x 2 m), on<strong>de</strong> são colocados 15.000 alevinos/tanque,<br />

numa <strong>de</strong>nsida<strong>de</strong> <strong>de</strong> 240 alevinos/m².<br />

As pisciculturas não dispõem <strong>de</strong> unida<strong>de</strong> <strong>de</strong> quarentena em local isolado do cultivo, como<br />

também <strong>de</strong> pedilúvio, rodolúvio e registro <strong>de</strong> controle <strong>de</strong> visitas. Os alevinos da EP-01 que foram<br />

observados externamente apresentaram a pele, as nada<strong>de</strong>iras, os olhos, os opérculos e as brânquias<br />

aparentemente normais, já os alevinos da EP-02 observados apresentaram-se <strong>de</strong>bilitados, com cabeça<br />

gran<strong>de</strong> e restante do corpo fino, indicando subnutrição.<br />

No material colhido através <strong>de</strong> raspagem no tegumento e brânquias e observado ao microscópio,<br />

não se i<strong>de</strong>ntificou ectoparasitas na EP-01, enquanto que na EP-02 foram encontrados vários<br />

protozoários <strong>de</strong> trichodina (Trichodina spp.).<br />

O diagnóstico <strong>de</strong> bactérias dos animais colhidos baseou-se nos sintomas externos, internos e<br />

alterações no comportamento dos peixes, conforme a Tabela 4, cultivados nos tanques-re<strong>de</strong> e no<br />

isolamento e i<strong>de</strong>ntificação da bactéria Streptococcus agalactiae, realizado através <strong>de</strong> testes<br />

bioquímicos.<br />

Cada peixe colhido nos tanques-re<strong>de</strong> recebeu a <strong>de</strong>nominação <strong>de</strong> acordo com a linha C e o número<br />

do tanque <strong>de</strong> on<strong>de</strong> foram retirados. A Figura 1 mostra espécime com sinais clínicos externos como:<br />

pele escura e com lesão, podridão na nada<strong>de</strong>ira caudal e erosão na nada<strong>de</strong>ira dorsal.


82<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

Tabela 4. Sinais clínicos <strong>de</strong> doença em tilápias (Oreochromis niloticus) cultivadas em tanques-re<strong>de</strong>.<br />

I<strong>de</strong>ntificação da<br />

amostra<br />

TR-C5<br />

TR-C17<br />

TR-C18<br />

TR-C20<br />

TR-C23<br />

Sinais clínicos externos Sinais clínicos<br />

internos<br />

Pele, olhos, nada<strong>de</strong>iras<br />

normais, opérculos normais<br />

e brânquias vermelho<br />

brilhante.<br />

Pele com lesão, exoftalmia,<br />

nada<strong>de</strong>ira peitoral partida e<br />

hemorrágica.<br />

Pele com lesão, exoftalmia,<br />

erosão nas nada<strong>de</strong>iras.<br />

Pele com lesões, olhos<br />

normais, erosão nas<br />

nada<strong>de</strong>iras.<br />

Pele normal, córneas opacas<br />

(catarata) e exoftalmia<br />

bilateral, erosão nas<br />

nada<strong>de</strong>iras.<br />

Rim, fígado, vesícula<br />

biliar e baço com aspecto<br />

normal.<br />

Rim, fígado, vesícula<br />

biliar e baço com aspecto<br />

normal.<br />

Rim, fígado e baço com<br />

aspecto normal, vesícula<br />

biliar com cor ver<strong>de</strong><br />

azulada.<br />

Rim hemorrágico, lesão<br />

na região caudal, fígado<br />

<strong>de</strong> cor anormal (bege)<br />

aspecto friável.<br />

Rim, fígado e baço com<br />

aspecto normal, vesícula<br />

biliar extremamente<br />

repleta com cor ver<strong>de</strong><br />

azulada.<br />

Alterações no<br />

comportamento<br />

Aparentemente<br />

normal.<br />

Aparentemente<br />

normal.<br />

Redução no<br />

apetite, letargia e<br />

peixe boquejando<br />

na superfície.<br />

Redução no<br />

apetite, letargia e<br />

peixe boquejando<br />

na superfície.<br />

Redução no apetite,<br />

letargia e peixe<br />

boquejando na<br />

superfície.<br />

Figura 1. Exemplar <strong>de</strong> tilápia-do-nilo Oreochromis niloticus com sinais <strong>de</strong> ataque por ectoparasitos.


83<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

Nos resultados do laboratório, as amostras colhidas nos tanques-re<strong>de</strong>, foram semeadas em ágar sangue,<br />

suplementado com 5% <strong>de</strong> sangue <strong>de</strong> ovino, com incubação a 37 ºC, por até 72 horas. Isolados com<br />

diagnóstico presuntivo <strong>de</strong> Streptococcus sp. foram submetidos à i<strong>de</strong>ntificação bioquímica pelo kit API-<br />

STREP 20 (Biomerieux, França) e o grupo <strong>de</strong> Lancefield <strong>de</strong>terminado pelo kit Sli<strong>de</strong>x Strepto<br />

(Biomerieux, França). A partir dos espécimes TR-C20 RIM e TR-C20 CÉREBRO foram obtidos dois<br />

isolados i<strong>de</strong>ntificados como Streptococcus agalactiae (grupo B <strong>de</strong> Lancefield). No antibiograma<br />

realizado (Tabela 5), esta bactéria apresentou resistência aos antibióticos: ácido nalidíxico,<br />

gentamicina, neomicina, nofloxacina e tetraciclina, isto é, quando o peixe é submetido ao tratamento<br />

com estes produtos químicos não apresenta resposta imunológica suficiente para matar a bactéria;<br />

sensibilida<strong>de</strong> ao cloranfenicol, cuja utilização está proibida pelo Ministério da Agricultura; e alta<br />

sensibilida<strong>de</strong> a amoxicilina, eritromicina e sulfazotrim que são os terapêuticos mais indicados por<br />

apresentar melhor eficiência no combate à bactéria.<br />

Tabela 5. Antibiograma para Streptococcus agalactiae nas amostras TR-C20 rim e cérebro.<br />

Drogas<br />

Amostra: TR-C20 Rim<br />

Germe: Streptococcous<br />

Amostra: TR-C20 Cérebro<br />

Germe: Streptococcus<br />

Amoxicilina MS MS<br />

Acido Nalidíxico R R<br />

Cloranfenicol S S<br />

Eritromicina MS MS<br />

Gentamicina R R<br />

Neomicina R R<br />

Norfloxacina R R<br />

Tetraciclina R R<br />

Sulfazotrim MS R<br />

MS = Muito Sensível; R = Resistente; S = Sensível.<br />

FONTE: Laboratório do Departamento <strong>de</strong> Medicina Veterinária – UFLA, Minas Gerais, 2005.<br />

O exemplar <strong>de</strong> tilápia colhido num raceway apresentou erosão na nada<strong>de</strong>ira peitoral e lesão na<br />

pele próximo ao opérculo, conforme a Figura 2. O diagnóstico dos animais colhidos baseou-se nos


84<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

sintomas externos, internos e alterações no comportamento dos peixes, <strong>de</strong> acordo com as Tabelas 6 e<br />

no isolamento da bactéria, realizada através <strong>de</strong> testes bioquímicos (Tabela 7).<br />

Figura 2. Oreochromis niloticus com sinais <strong>de</strong> ataque por Aeromonas hydrophila.<br />

Tabela 6. Sinais clínicos <strong>de</strong> doença em tilápias (Oreochromis niloticus) cultivadas em raceways.<br />

I<strong>de</strong>ntificação da<br />

amostra<br />

RC/BL – A4<br />

RC/BL – A6<br />

RC/BL – A18(1)<br />

RC/BL - B15<br />

Sinais clínicos externos Sinais clínicos internos<br />

Lesão com podridão na<br />

pele próxima ao<br />

opérculo, brânquias<br />

normais.<br />

Lesão próxima à<br />

nada<strong>de</strong>ira caudal, erosão<br />

em das nada<strong>de</strong>iras,<br />

brânquias hemorrágicas<br />

e com lesão, córnea<br />

esbranquiçada.<br />

Lesões próximas às<br />

nada<strong>de</strong>iras, exoftalmia,<br />

brânquias pálidas com<br />

lesões.<br />

Escurecimento da pele,<br />

lesão nas brânquias,<br />

erosão em todas as<br />

nada<strong>de</strong>iras.<br />

Vesícula biliar repleta, fígado<br />

hemorrágico e friável<br />

apresentando lesão, baço<br />

escurecido, rim aumentado.<br />

Fígado cheio <strong>de</strong> traços brancos<br />

com área hemorrágica, baço<br />

com a<strong>de</strong>rências <strong>de</strong> gordura.<br />

Coração lesionado, rim<br />

aparentemente normal, fígado<br />

com pontos brancos e áreas<br />

hemorrágicas, baço com área<br />

hemorrágica.<br />

Fígado com lesão e<br />

apresentando áreas mais claras<br />

e petéquias, vesícula biliar<br />

repleta e <strong>de</strong> cor ver<strong>de</strong> azulada,<br />

baço e rim aumentados.<br />

Alterações no<br />

comportamento<br />

Aparentemente<br />

normal.<br />

Aparentemente<br />

normal.<br />

Redução no apetite,<br />

letargia e peixe<br />

boquejando na<br />

superfície.<br />

Redução no apetite,<br />

letargia e peixe<br />

boquejando na<br />

superfície.<br />

Os resultados laboratoriais dos swabs colhidos em raceways apresentam os testes bioquímicos<br />

<strong>de</strong>: catalase, oxidase, hidróxido <strong>de</strong> potássio (KOH) e Gram-stain utilizados para crescimento dos<br />

organismos estudados, conforme a Tabela 7.


Tabela 7. Características bioquímicas dos organismos estudados.<br />

85<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

Amostras Origem Catalase Oxidase KOH GRAM Morfologia<br />

RC-Bloco A4 Lesão * * * * Levedura<br />

RC-Bloco A4 Rim + + + - Cocobacilos<br />

RC-Bloco A4 Cérebro * * * * *<br />

Rim + - + - Cocobacilos<br />

RC-Bloco A6 Rim + - - + Cocos<br />

Rim + - - + Cocos<br />

RC-Bloco B15 Cérebro * * * * *<br />

RC-Bloco B15 Rim + + + - Cocobacilos<br />

RC-Bloco A18-1 Cérebro * * * * *<br />

RC-Bloco A18-1 Rim * * * * *<br />

RC-Bloco A18-2 Cérebro * * * * *<br />

RC-Bloco A18-2 Rim * * * * Levedura<br />

*Não houve crescimento.<br />

OBS: Na amostra RC-Bloco A6 Rim, foi observado o crescimento <strong>de</strong> três tipos <strong>de</strong> colônias diferentes.<br />

FONTE: Laboratório do Departamento <strong>de</strong> Medicina Veterinária – UFLA, Minas Gerais - 2005.<br />

A i<strong>de</strong>ntificação da bactéria Aeromonas hydrophila foi realizada a partir das amostras RC-A4<br />

RIM e RC-B15 RIM, através <strong>de</strong> testes bioquímicos (Tabela 8). O antibiograma das amostras <strong>de</strong><br />

Aeromonas não foi realizado porque a maioria <strong>de</strong>stas bactérias é sensível a oxitetraciclina, no Brasil<br />

(FIGUEIREDO, comunicação eletrônica).<br />

Segundo Vieira e Vieira (2003), com a chegada das tilápias <strong>de</strong> Bangkok, Tailândia ao Centro <strong>de</strong><br />

Pesquisas em Aqüicultura do Departamento Nacional <strong>de</strong> Obras Contra as Secas.<br />

(DNOCS) em meados <strong>de</strong> <strong>de</strong>zembro <strong>de</strong> 2002, citam que também chegou a informação <strong>de</strong> que<br />

uma das causas <strong>de</strong> elevada mortalida<strong>de</strong> (70 a 80 %) entre as pós-larvas (PL’s) e alevinos <strong>de</strong> tilápia- do-<br />

Nilo (Oreochromis niloticus) era a infestação <strong>de</strong>stas PL’s por trichodina (Trichodina spp.) e<br />

Americulture (2005), Walker & Foott (1992), concordam que altas infestações causam mortalida<strong>de</strong><br />

elevada em animais jovens.


86<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

Tabela 8. Testes bioquímicos para i<strong>de</strong>ntificação <strong>de</strong> Aeromonas hydrophila.<br />

Amostra Salicina Sacarose Manitol Inositol Arabinose Trealose Dextrina<br />

RC-A4 RIM + + + - + + +<br />

RC-B15 RIM + + + - + + +<br />

Amostras Glicose Esculina Vp Ornitina Lisina Arginina<br />

RC-A4 RIM + - - - + +<br />

RC-B15 RIM + - + + - +<br />

Kubitza (1998), Fishdoc (2005), relatam que quanto maior o acúmulo <strong>de</strong> resíduos orgânicos nos<br />

tanques <strong>de</strong> produção, maior será a população <strong>de</strong>stes parasitos e, quanto maior a <strong>de</strong>nsida<strong>de</strong> <strong>de</strong> estocagem<br />

dos peixes, maior a possibilida<strong>de</strong> <strong>de</strong> infestação. Estes organismos po<strong>de</strong>m estar normalmente presentes<br />

no tanque <strong>de</strong> cultivo, mas proliferam em águas com excesso <strong>de</strong> material em <strong>de</strong>composição, sendo<br />

encontrados no peixe, (MARTINS, 1997).<br />

As medidas para se evitar ou reduzir a ocorrência do protozoário Trichodina spp. são: manejo<br />

a<strong>de</strong>quado da qualida<strong>de</strong> da água e boa nutrição; controlar a introdução <strong>de</strong> novos peixes, adquiri-los <strong>de</strong><br />

fornecedor idôneo, provi<strong>de</strong>nciar local a<strong>de</strong>quado para quarentena e realizar <strong>de</strong>sinfecção dos<br />

equipamentos, caixas e utensílios usados no transporte para evitar a transferência do parasito e outros<br />

patógenos <strong>de</strong> uma proprieda<strong>de</strong> a outra; utilizar filtros e telas para controlar a entrada <strong>de</strong> peixes<br />

in<strong>de</strong>sejáveis; remoção diariamente <strong>de</strong> peixes mortos do sistema; conscientização do pessoal que<br />

trabalha no cultivo.<br />

Segundo Shoemaker et al. (2000), Kubitza (2000) e Kubitza (2005), no Brasil, os problemas<br />

com Streptococcus parecem ser mais severos e freqüentes em sistemas intensivos. A septicemia<br />

causada pelo Streptococcus continua sendo a doença mais séria no cultivo <strong>de</strong> tilápias. As condições <strong>de</strong><br />

alto a<strong>de</strong>nsamento, elevada carga orgânica, má qualida<strong>de</strong> <strong>de</strong> água e <strong>de</strong>sequilíbrios nutricionais reduzem<br />

a resposta imune dos peixes, favorecendo as infecções por esta bactéria. Vários sistemas intensivos <strong>de</strong><br />

produção <strong>de</strong> tilápia, nos Estados Unidos, já experimentaram perdas significativas <strong>de</strong> peixes <strong>de</strong>vido a<br />

infecções por Streptococcus.<br />

O modo <strong>de</strong> infecção ocorre pela presença <strong>de</strong> Streptococcus em peixes mortos ou vivos<br />

(moribundos ou sadios), que é liberado na água e po<strong>de</strong> colonizar a superfície da pele <strong>de</strong> outros peixes<br />

ou, até mesmo, causar infecções invasivas que po<strong>de</strong>m levar a gran<strong>de</strong> mortalida<strong>de</strong>. Estas bactérias


87<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

também po<strong>de</strong>m permanecer durante um longo período na água, no lodo ou substrato <strong>de</strong> tanques e<br />

viveiros e, até mesmo, em equipamentos usados nas operações rotineiras (re<strong>de</strong>s, puçás, roupas, tanques<br />

<strong>de</strong> transporte, etc.) (KUBITZA, 2001).<br />

Os órgãos indicados para a colheita do material para cultura são: cérebro, fígado e rim. O meio<br />

<strong>de</strong> cultivo indicado para o isolamento <strong>de</strong> Streptococcus é o ágar-sangue, Kubitza (2001), suplementado<br />

com 5% <strong>de</strong> sangue <strong>de</strong> ovino <strong>de</strong>sfibrinado. O material coletado <strong>de</strong>ve ser semeado em placas <strong>de</strong> Petri e<br />

incubado a 29 ou 30ºC durante 24 a 48 horas (Phillip Klesius apud KUBITZA, 2001). A partir das<br />

colônias <strong>de</strong> bactérias <strong>de</strong>senvolvidas nas placas <strong>de</strong> Petri, <strong>de</strong>vem ser realizados os seguintes<br />

procedimentos: coloração Gram (positivo para Strepto); teste da catalase (negativa para Strepto);<br />

observar o tipo <strong>de</strong> hemólise; prova da hidrólise do amido (positivo para Streptococcus iniae); prova da<br />

hidrólise da insulina (positiva para Streptococcus iniae) <strong>de</strong>ntre outros.<br />

Os sinais clínicos típicos <strong>de</strong>sta bacteriose estão representados na Tabela 4, concordando com<br />

os <strong>de</strong>scritos por (KUBITZA & KUBITZA, 1999; KUBITZA, 2001 e 2005; COSTA, 2003). Foram<br />

registradas infecções por Streptococcus também em humanos que manipularam tilápias infectadas, nos<br />

Estados Unidos. Esta bactéria foi isolada do sangue <strong>de</strong> algumas pessoas que apresentavam um quadro<br />

clínico <strong>de</strong> e<strong>de</strong>ma e vermelhidão nas mãos e nos braços (inflamação cutânea).<br />

Segundo Kubitza (2000), Kubitza (2001) e Costa (2003), os problemas com Streptococcus<br />

po<strong>de</strong>m ser minimizados assegurando boas práticas <strong>de</strong> manejo como: a<strong>de</strong>quada qualida<strong>de</strong> da água, uma<br />

correta nutrição e evitando a manipulação excessiva dos peixes nas operações rotineiras e nas<br />

transferências dos mesmos. Peixes moribundos e peixes mortos <strong>de</strong>vem ser removidos dos tanques-re<strong>de</strong>.<br />

Ficar atento para não cometer excesso na <strong>de</strong>nsida<strong>de</strong> <strong>de</strong> estocagem. Proporcionar a<strong>de</strong>quada nutrição aos<br />

peixes, evitando o acúmulo excessivo <strong>de</strong> resíduos orgânicos e a <strong>de</strong>teriorização da qualida<strong>de</strong> da água.<br />

Os sintomas mais comumente associados à infecção por Aeromonas hydrophila encontrados no<br />

cultivo em raceways estão <strong>de</strong>scritos no Tabela 04, concordando com (PASTOR, 1981; MARTINS,<br />

1997; CAMUS et al. 1998; PAVANELLI, 1998; BOIJINK & BRANDÃO, 2001; COSTA, 2003;<br />

KUBITZA, 2004). Em humanos, <strong>de</strong> acordo com Costa (2001) po<strong>de</strong> causar oftalmites, ulcerações,<br />

infecções e feridas na pele, além <strong>de</strong> meningite e septicemia.<br />

De acordo com Pavanelli (1998), o diagnóstico é efetuado através do isolamento <strong>de</strong> bactérias,<br />

por exemplo, a partir do rim – semeadas em meio <strong>de</strong> cultura <strong>de</strong> rotina (TSA), incubadas entre 20 e 25ºC<br />

durante 24 a 48 horas, e Kubitza (2000) relata que os meios <strong>de</strong> cultura utilizados po<strong>de</strong>m ser Rimler-<br />

Shotts e TSA. Assim, será possível i<strong>de</strong>ntificar a bactéria e confirmar a etiologia da doença, sendo este<br />

procedimento indispensável, já que a sintomatologia é idêntica a <strong>de</strong> outras septicemias <strong>de</strong> origem<br />

bacteriana.


88<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

A melhor prevenção contra problemas com Aeromonas é garantir uma a<strong>de</strong>quada nutrição e<br />

manuseio dos peixes, Pavanelli et al. (2000), Kubitza (2004), Swann & White (1989) bem como atentar<br />

para as condições <strong>de</strong> qualida<strong>de</strong> <strong>de</strong> água, principalmente no que diz respeito aos níveis <strong>de</strong> oxigênio<br />

dissolvido e às concentrações <strong>de</strong> metabólitos como o gás carbônico, a amônia e o nitrito. Boa qualida<strong>de</strong><br />

<strong>de</strong> água é conseguida quando as <strong>de</strong>nsida<strong>de</strong>s <strong>de</strong> estocagem e taxas <strong>de</strong> arraçoamento se a<strong>de</strong>quam à<br />

capacida<strong>de</strong> <strong>de</strong> suporte dos sistemas <strong>de</strong> produção. Devido às características e ao fato das bactérias serem<br />

um componente normal da flora microbiana aquática, não se <strong>de</strong>ve utilizar antibióticos, mas apenas<br />

controlar os fatores indutores <strong>de</strong> estresse, que, indiretamente, são os são os responsáveis pelas<br />

epizootias.<br />

A presença <strong>de</strong> vários ectoparasitas Trichodina spp. encontrados nos alevinos <strong>de</strong> tilápia<br />

(Oreochromis niloticus) varieda<strong>de</strong> Chitralada na EP-II, po<strong>de</strong> ter ocorrido em função da quantida<strong>de</strong> <strong>de</strong><br />

ração ina<strong>de</strong>quada e aumento na <strong>de</strong>nsida<strong>de</strong> <strong>de</strong> estocagem nos tanques <strong>de</strong> reversão sexual <strong>de</strong>sses<br />

alevinos. Sugere-se que sejam realizados estudos para i<strong>de</strong>ntificar e quantificar a espécie e <strong>de</strong>terminar o<br />

grau <strong>de</strong> infestação, como também verificar a <strong>de</strong>nsida<strong>de</strong> <strong>de</strong> estocagem e a quantida<strong>de</strong> <strong>de</strong> ração fornecida<br />

aos animais.<br />

Foi i<strong>de</strong>ntificada a bactéria Streptococcus agalactiae em tilápia (Oreochromis niloticus) varieda<strong>de</strong><br />

Chitralada cultivada em tanques-re<strong>de</strong>. O antibiograma indica que se po<strong>de</strong> utilizar a amoxicilina,<br />

eritromicina e sulfazotrim no tratamento <strong>de</strong>sta doença. Sugere-se verificar as condições no manejo <strong>de</strong><br />

cultivo, com relação à qualida<strong>de</strong> <strong>de</strong> água, à limpeza dos tanques-re<strong>de</strong> e ao <strong>de</strong>scarte <strong>de</strong> peixes mortos<br />

antes <strong>de</strong> optar pelo tratamento dos peixes com produtos químicos.<br />

A bactéria Aeromonas hydrophila está presente no cultivo <strong>de</strong> tilápia (Oreochromis niloticus)<br />

varieda<strong>de</strong> QAAT 1 em raceways. É necessário que sejam avaliadas as condições <strong>de</strong> manejo do cultivo<br />

com relação às análises da qualida<strong>de</strong> <strong>de</strong> água, à limpeza dos tanques e à qualida<strong>de</strong> e quantida<strong>de</strong> <strong>de</strong><br />

ração fornecida aos peixes em função da capacida<strong>de</strong> <strong>de</strong> suporte do sistema. Depois <strong>de</strong> verificadas as<br />

condições <strong>de</strong> manejo, <strong>de</strong>verá ser avaliada a necessida<strong>de</strong> da utilização <strong>de</strong> antibiótico.<br />

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91<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

NOVA METODOLOGIA DE HIPOFISECTOMIA EM CURIMATÃ Prochilodus brevis<br />

(PISCES, PROCHILODONTIDAE)<br />

José Patrocínio Lopes (jpatrobr@yahoo.com.br), Jeane Gomes <strong>de</strong> Souza;<br />

Maria Conceição Freire Rocha<br />

Departamento <strong>de</strong> Educação, Universida<strong>de</strong> do Estado da Bahia<br />

RESUMO<br />

No nor<strong>de</strong>ste <strong>de</strong> Brasil, peixes reofilicos total são usados como doadores <strong>de</strong> hipófises. O presente<br />

trabalho <strong>de</strong>screve uma nova metodologia <strong>de</strong> hipofisectomia em curimatãs, Prochilodus brevis<br />

<strong>de</strong>senvolvida na Estação <strong>de</strong> Piscicultura <strong>de</strong> Paulo Afonso (EPPA), da Companhia Hidro Elétrica <strong>de</strong> São<br />

Francisco (CHESF) buscando melhor utilização do peixe hipofisectomizado. Foram<br />

hipofisectomizados 53 espécimes <strong>de</strong> curimatãs sexualmente maduros. Foram postas em uma calha <strong>de</strong><br />

contenção e com ajuda <strong>de</strong> arco <strong>de</strong> serra ou uma faca, foi efetuado um corte na região occipital da<br />

cabeça do peixe. Com pinças metálicas o encéfalo foi removido <strong>de</strong>scobrindo a sela túrsica do esfenói<strong>de</strong><br />

on<strong>de</strong> fica a hipófise. Depois <strong>de</strong> retirada à hipófise, esta é colocada em recipiente com álcool absoluto.<br />

Os peixes foram eviscerados, espalmados, salgados ficando prontos para o mercado. Esta nova técnica<br />

apresenta diferencial em relação a técnica tradicional, que apresenta uma metodologia complicada,<br />

quando da utilização do cotóstomo que dificulta a realização do procedimento e <strong>de</strong>ixa o peixe com<br />

apresentação <strong>de</strong> difícil comercialização. Esta pesquisa <strong>de</strong>screve uma nova metodologia <strong>de</strong><br />

hipofisectomia em curimatã Prochilodus brevis com melhor aproveitamento do peixe para o mercado,<br />

contribuindo <strong>de</strong>ste modo com uma metodologia <strong>de</strong> fácil aplicação.<br />

Palavras-chave: Peixes, Reprodução, Hipófise<br />

NEW METODOLOGY OF HYPOPHYSECTOMY IN Prochilodus brevis<br />

(PISCES, PROCHILODONTIDAE)<br />

ABSTRACT<br />

In the northeast of Brazil, fish of total spawning are used as donors of hypophyses. The present<br />

work aims at to <strong>de</strong>scribe new hypophysectomy technique in curimata, Prochilodus brevis <strong>de</strong>veloped in<br />

the Station of Fish farming of Paulo Afonso (SFFPA), of the San Francisco Hydro Electric Company<br />

(SFHC). Seeking better use of the fish hypophysectomized. They were hypophysectomized 53


92<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

specimens of curimatã sexually ripe. The fish were put in a contention gutter and with aid of mountain<br />

arch or a knife, traverse cut was given in the subsequent bor<strong>de</strong>r of the occipital of the head of the fish.<br />

With metallic tweezers the encephalon was moved away discovering the saddle of the sphenoid where<br />

is the hypophysis. After retreat to the hypophysis, it is conditioned in container with absolute alcohol.<br />

The fish were eviscerates, flattened, salty being ready to the market. This new technique presents<br />

differential in relation to the previous technique, that it presented a complicated methodology, using<br />

apparels as scissors that hin<strong>de</strong>rs the accomplishment of the procedure and clue the fish with aesthetic<br />

presentation of difficult commercialization. That research lance the importance of that new<br />

hypophysectomized methodology in curimatãs Prochilodus brevis seeking better use of the fish to the<br />

market, contributing in that way with methodology of easy application.<br />

Key words: Fishes, Reproduction, Hypophyses<br />

INTRODUÇÃO<br />

A Aqüicultura tem como finalida<strong>de</strong> produzir alimentos <strong>de</strong> alto valor protéico <strong>de</strong> baixo custo e<br />

melhorar as condições sociais e econômicas da população, buscando criar novos nichos econômicos.<br />

Porém não se po<strong>de</strong> esquecer que essa produção para ser praticada <strong>de</strong> forma perene, <strong>de</strong>ve estar<br />

sustentada em três pilares: 1) prudência ecológica; 2) viabilida<strong>de</strong> econômica e 3) eqüida<strong>de</strong> social<br />

(VINATEA, 1999). Dessa forma a produção estará aten<strong>de</strong>ndo a todos os requisitos da sustentabilida<strong>de</strong>.<br />

Na América Latina, a Aqüicultura recebeu maior atenção quando entraram em funcionamento<br />

diversas estações experimentais <strong>de</strong> piscicultura. Na Venezuela, essa ativida<strong>de</strong> teve início em 1937,<br />

<strong>de</strong>stacando-se na aqüicultura daquele país uma espécie <strong>de</strong> salmoni<strong>de</strong>o <strong>de</strong> água doce, embora houvesse<br />

alternativas tecnológicas, inclusive <strong>de</strong> várias espécies nativas (SALAYA et al. 1980). No Brasil,<br />

apesar dos 8.400 quilômetros <strong>de</strong> costa e <strong>de</strong> extensas bacias hidrográficas (só a Amazônia <strong>de</strong>tém 18% da<br />

água doce do planeta), o consumo anual <strong>de</strong> pescado é <strong>de</strong> apenas 5,8 kg percapita, contra 16 kg no<br />

Canadá e 65 kg no Japão. Enquanto em Manaus o consumo <strong>de</strong> pescado atinge o expressivo número <strong>de</strong><br />

50 kg/habitante/ano, há regiões no interior do país on<strong>de</strong> o consumo percapita está abaixo <strong>de</strong> um kg/ano.<br />

O hábito alimentar está diretamente relacionado à oferta do produto (<strong>Pesca</strong> Brasil, 2004).<br />

A pesca predatória está reduzindo drasticamente os estoques pesqueiros <strong>de</strong> ambientes naturais,<br />

sejam eles mares ou rios. As frotas pesqueiras dotadas <strong>de</strong> sofisticados equipamentos para <strong>de</strong>tecção <strong>de</strong><br />

cardumes facilitam a pesca, porém, torna as populações <strong>de</strong> peixes cada vez mais vulneráveis. Segundo<br />

a Organização das Nações Unidas – ONU, será necessário cerca <strong>de</strong> 120 milhões <strong>de</strong> toneladas <strong>de</strong><br />

pescado por ano, um acréscimo <strong>de</strong> 30 milhões do que é produzido atualmente. Os técnicos garantem


93<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

que a única forma <strong>de</strong> fazer frente a esse <strong>de</strong>safio é através da aqüicultura, que se trata da criação racional<br />

<strong>de</strong> animais e vegetais aquáticos.<br />

Assim, a reprodução é a ativida<strong>de</strong> biológica mais vital para a preservação das espécies animais e<br />

vegetais. Sendo a reprodução no ambiente natural <strong>de</strong>terminada pela ida<strong>de</strong> <strong>de</strong> maturação sexual,<br />

condições ambientais e matrizes <strong>de</strong> muitas espécies.<br />

No Nor<strong>de</strong>ste brasileiro, os peixes <strong>de</strong> <strong>de</strong>sova total, normalmente, po<strong>de</strong>m ser usados como<br />

doadores <strong>de</strong> hipófises a partir do mês <strong>de</strong> novembro <strong>de</strong> cada ano até a realização da reprodução em<br />

natureza (FONTENELE, 1981). Uma boa parte das espécies <strong>de</strong> água doce que se <strong>de</strong>stacam quanto ao<br />

seu porte e conseqüentemente ao seu valor comercial são espécies que precisam realizar migrações no<br />

período reprodutivo, a fim <strong>de</strong> promover a maturação final das gônadas. O período <strong>de</strong> cheias, o aumento<br />

do fotoperíodo, a quantida<strong>de</strong> <strong>de</strong> íons dissolvidos na água (condutivida<strong>de</strong>) e a temperatura da água são<br />

os fatores indutores da finalização <strong>de</strong>sse processo.<br />

Conhecidos como reofílicos, os peixes que apresentam este comportamento somente liberam<br />

seus gametas mediante tais sinais indutores; caso contrário, a <strong>de</strong>sova não ocorre mesmo que as gônadas<br />

já se encontrem <strong>de</strong>senvolvidas. Desta forma, a reprodução <strong>de</strong>stas espécies em ambientes confinados<br />

somente é possível através <strong>de</strong> duas maneiras: simulação das condições naturais, como o aumento da<br />

temperatura e elevação do nível da água, ou via indução hormonal (VINATEA, 2004).<br />

Nos dias atuais é <strong>de</strong> fundamental importância o cultivo <strong>de</strong> peixes através da propagação em<br />

massa, artificial ou semi-artificial <strong>de</strong> alevinos das espécies cultiváveis. Por isto, é cada vez maior a<br />

importância atribuída à cultura <strong>de</strong> peixes, sendo necessário que criadores leigos aprimorem as técnicas<br />

para assegurar o bom êxito na cultura (WOYNAROVICH & HORVÁTH, 1993).<br />

Nos peixes, como em todos os animais, os fatores <strong>de</strong>terminantes da reprodução estimulam uma<br />

glândula, conhecida por hipófise, existente na base do cérebro, que envia mensagens (hormônios) às<br />

gônadas (ovários em fêmeas e testículos em machos), para que se preparem e realizem a <strong>de</strong>sova.<br />

Muitas espécies <strong>de</strong> peixes <strong>de</strong> água doce <strong>de</strong> importância econômica necessitam migrar rio acima para<br />

realizarem a reprodução, fenômeno este conhecido como piracema. É, justamente, essa viagem rio<br />

acima, esse esforço e os fatores ambientais que provocam os estímulos para a reprodução.<br />

A temperatura da água, enxurradas provocadas pela chuva e a ampliação da quantida<strong>de</strong> <strong>de</strong> horas<br />

<strong>de</strong> luz por dia (na primavera), induzem a hipófise a intensificar a produção <strong>de</strong> hormônios para provocar<br />

a reprodução <strong>de</strong> muitas espécies <strong>de</strong> peixes. A “hipófise” é, portanto, uma glândula que comanda todo o<br />

processo <strong>de</strong> reprodução.<br />

Com vistas a aten<strong>de</strong>r a <strong>de</strong>manda mundial, esta glândula está sendo industrializada e<br />

comercializada por muitos países, principalmente os Estados Unidos da América, Canadá, Hungria,


94<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

França, índia, China e Japão, mediante extração <strong>de</strong> peixes doadores como a carpa, o salmão, a truta e<br />

outros, que a exportam sob a forma <strong>de</strong> pó liofilizado, extrato glicerinado ou em unida<strong>de</strong>s integrais<br />

<strong>de</strong>ssecadas. O preço <strong>de</strong>ste produto no mercado internacional é <strong>de</strong> UD$ 300,00/grama, muito superior ao<br />

do ouro, pelo que seria para o nosso país uma fonte <strong>de</strong> renda muito boa, se fosse <strong>de</strong>senvolvida esta<br />

indústria <strong>de</strong> produção, pois temos <strong>de</strong> sobra a matéria prima necessária, haja vista a riqueza <strong>de</strong> nossa<br />

ictiofauna (GURGEL, 2005).<br />

A hipofisação é uma técnica que tem dado bons resultados na maturação e extrusão das células<br />

reprodutoras <strong>de</strong> peixes adultos. O processo <strong>de</strong> coleta <strong>de</strong> hipófises, utilizado convencionalmente, não<br />

altera a qualida<strong>de</strong> do peixe. No entanto, como é feita através <strong>de</strong> cortes realizados na cabeça, provoca<br />

aspecto <strong>de</strong>sagradável para comercialização.<br />

Por isso, é que essa pesquisa tem como objetivo <strong>de</strong>senvolver uma técnica <strong>de</strong> hipofisectomia em<br />

Prochilodus brevis, através da eficiência na coleta <strong>de</strong> hipófises para os trabalhos <strong>de</strong> propagação <strong>de</strong><br />

alevinos e maior qualida<strong>de</strong> no beneficiamento e comercialização do peixe hipofisectomizado.<br />

LOCAL DE EXECUÇÃO<br />

MATERIAL E MÉTODOS<br />

O trabalho <strong>de</strong> pesquisa foi realizado na Estação <strong>de</strong> Piscicultura <strong>de</strong> Paulo Afonso (EPPA),<br />

pertencente à Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (CHESF), localizada próximo às usinas<br />

Apolônio Sales, PA I, II, III e IV. Apresenta uma área inundada <strong>de</strong> 3,8 hectares e é abastecida d’água<br />

através do reservatório <strong>de</strong> Moxotó. Tendo como objetivo a propagação <strong>de</strong> alevinos nos reservatórios da<br />

CHESF (Moxotó, Itaparica, PA IV, Delmiro Gouveia) e lagos do acampamento <strong>de</strong> Paulo Afonso<br />

(Balneário, Touro e a Sucuri, SE III, Vila Militar, Cemitério e Capuchú). Também colabora com a<br />

região através da venda <strong>de</strong> alevinos para povoamentos <strong>de</strong> açu<strong>de</strong>s e cultivo em viveiros e tanques-re<strong>de</strong>.<br />

O peixe utilizado neste trabalho pertence à família Prochilondonti<strong>de</strong> da espécie Prochilodus<br />

brevis (antiga P. cearensis), conhecido vulgarmente na região nor<strong>de</strong>ste do Brasil, como curimatãcomum<br />

(Figura 1). Todos eram adultos e estavam sexuadamente maduros.<br />

Figura 1. Exemplar <strong>de</strong> curimatã Prochilodus brevis


95<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

Em geral apresentam hábito alimentar iliófago, consumindo matéria orgânica <strong>de</strong>positada no fundo dos<br />

açu<strong>de</strong>s e viveiros. Esta característica permite usá-las em policultivo, junto espécies que se alimentam<br />

<strong>de</strong> frutas, sementes e organismos aquáticos <strong>de</strong> pequeno porte, que são onívoras.<br />

Segundo Fontenele (1982), a curimatã ocupa lugar <strong>de</strong> <strong>de</strong>staque pela precocida<strong>de</strong>, prolificida<strong>de</strong>,<br />

regime alimentar e principalmente pela gran<strong>de</strong> aceitação que tem merecido por parte dos habitantes da<br />

região nor<strong>de</strong>ste.<br />

A curimatã exige para sua <strong>de</strong>sova uma modificação <strong>de</strong> ambiente. Essa modificação é produzida<br />

pelas chuvas. O peixe prepara-se para <strong>de</strong>sovar, se não houver águas novas não o faz, pois não consegue<br />

aquele conjunto <strong>de</strong> fatores necessários a maturação e promove a eliminação dos óvulos (FONTENELE,<br />

1981).<br />

Daí, ser necessária a hipofisação para realização da <strong>de</strong>sova em cativeiro. Para realização <strong>de</strong><br />

<strong>de</strong>sovas artificiais se faz necessário o uso <strong>de</strong> hipófises ou hormônios sintéticos. Para coleta <strong>de</strong> hipófises<br />

(hipofisectomia) é necessária a captura <strong>de</strong> curimatãs, peixe este utilizado principalmente pela facilida<strong>de</strong><br />

com que é encontrado em açu<strong>de</strong>s nor<strong>de</strong>stinos.<br />

DOADORES DE HIPÓFISES<br />

Como as espécies <strong>de</strong> piracema necessitam realizar a migração para a reprodução, não atingem<br />

pleno <strong>de</strong>senvolvimento das gônadas quando se encontram permanentemente em águas paradas (lagoas,<br />

tanques, barragens etc.), é preciso que se estimulem fêmeas e machos, a completarem o estágio <strong>de</strong><br />

maturação gonadal, para que consigam realizar a <strong>de</strong>sova. Daí a importância da hipófise, como elemento<br />

imprescindível à obtenção da reprodução artificial. Injetando artificialmente a mesma quantida<strong>de</strong> <strong>de</strong><br />

hormônio que a hipófise forneceria aos ovários e aos testículos, se estivessem em condições ambientais<br />

naturais, então, po<strong>de</strong>r-se-á fazer, também, com que os peixes <strong>de</strong> piracema se reproduzam em águas<br />

paradas.<br />

Esta técnica, conhecida como “hipofisação", foi <strong>de</strong>senvolvida pelo cientista brasileiro Rodolpho<br />

von Ihering, no tempo em que dirigiu a Comissão Técnica <strong>de</strong> Piscicultura do Nor<strong>de</strong>ste, atual Diretoria<br />

<strong>de</strong> <strong>Pesca</strong> e Piscicultura do Departamento Nacional <strong>de</strong> Obras Contra as Secas (DNOCS). Este<br />

acontecimento, o mais notável do Século XX, no campo da biologia da pesca, foi apresentado no XV<br />

Congresso Internacional <strong>de</strong> Fisiologia, realizado em agosto <strong>de</strong> 1935 nas cida<strong>de</strong>s <strong>de</strong> Leningrado e<br />

Moscou, da então União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, a partir <strong>de</strong> quando o Método Ihering <strong>de</strong><br />

Reprodução Induzida (MIRI), passou a ser adotado no mundo inteiro com êxito total na propagação <strong>de</strong><br />

peixes (GURGEL, 2005).


96<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

A forma mais comum <strong>de</strong> se obter o hormônio a ser fornecido aos reprodutores e matrizes para a<br />

reprodução artificial, é retirando-o <strong>de</strong> outros peixes, que funcionam como doadores. Alguns peixes são<br />

cultivados com o objetivo principal <strong>de</strong> fornecerem suas hipófises para a reprodução <strong>de</strong> outros peixes.<br />

Cada peixe possui uma hipófise que, próxima à época <strong>de</strong> <strong>de</strong>sova, apresenta certa quantida<strong>de</strong> <strong>de</strong><br />

hormônio. Para realização <strong>de</strong> hipofisações com sucessos utiliza-se 5 mg <strong>de</strong> hipófise por Kg <strong>de</strong> peixe a<br />

ser hipofisado.<br />

Os hormônios gonadotróficos são produzidos pelo peixe sexualmente maduro e as mudanças<br />

cíclicas, da concentração da glândula pituitária, estão relacionadas com o ciclo reprodutivo do peixe. A<br />

sua concentração é máxima durante o período <strong>de</strong> pré-<strong>de</strong>sova, e é neste momento que o peixe <strong>de</strong>ve ser<br />

hipofisectomizado. No entanto, ela é muito baixa ou quase nula durante e pós <strong>de</strong>sova. A liberação <strong>de</strong><br />

gonadotropina pela glândula pituitária é comandada pelo hipotálamo, através da secreção do hormônio<br />

que libera a gonadotropina.<br />

A gonadotropina é também responsável pela indução da migração da <strong>de</strong>sova, durante a qual sua<br />

concentração na glândula pituitária <strong>de</strong>cresce gradualmente. O <strong>de</strong>senvolvimento gonadal durante a<br />

migração <strong>de</strong> <strong>de</strong>sova provavelmente é controlada pela gonadotropina liberada continuamente.<br />

A glândula pituitária está situada do lado ventral do cérebro abaixo do hipotálamo, o qual está<br />

ligado à glândula pituitária por uma estrutura tipo funil, o infundíbulo. A parte do crânio on<strong>de</strong> a<br />

glândula pituitária se encontra é conhecida como sela túrcica do esfenói<strong>de</strong>. A glândula está<br />

normalmente envolvida por tecido adiposo.<br />

Quando o cérebro é retirado do crânio a glândula pituitária permanece ligada ao cérebro <strong>de</strong><br />

alguns peixes, ao passo que na maioria <strong>de</strong>les, um infundíbulo se rompe e a glândula fica na base do<br />

crânio. Os doadores <strong>de</strong> hipófises para este trabalho apresentavam-se maduros sexualmente. Os machos<br />

apresentavam liberação fácil <strong>de</strong> sêmen e as fêmeas, ventres abaulados com papila genital hiperemiada.<br />

O período propício à coleta <strong>de</strong> hipófise é <strong>de</strong> novembro a fevereiro antes das chuvas. Pois ocorrendo<br />

inverno nesse período os peixes já aptos à <strong>de</strong>sova po<strong>de</strong>m realizar a piracema e assim não servem mais<br />

como doadores <strong>de</strong> hipófises, tendo que se esperar mais um ano para nova coleta.<br />

HIPOFISECTOMIA<br />

Depois <strong>de</strong> capturados os peixes; <strong>de</strong>ve-se esperar que estes terminem <strong>de</strong> morrer para se dar início<br />

aos trabalhos <strong>de</strong> coleta <strong>de</strong> hipófise. No caso dos peixes utilizados neste trabalho, estes foram mortos<br />

através <strong>de</strong> choque térmico utilizando gelo na água.


PROCESSO TRADICIONAL<br />

97<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

A técnica <strong>de</strong> extração <strong>de</strong> hipófise (também conhecida por pituitária) <strong>de</strong> peixe resume-se na<br />

execução <strong>de</strong> uma craniectomia, nos peixes doadores, visando atingir a sela túrcica do esfenoi<strong>de</strong>,<br />

localizada exatamente sob o encéfalo. Após a coleta, caso se <strong>de</strong>seje obtenção <strong>de</strong> <strong>de</strong>sovas, a hipófise é<br />

macerada em soro fisiológico e, em seguida, aplicada por via intramuscular nos exemplares receptores,<br />

que estimulados pela gonadotropina - hormônio da reprodução - são induzidos à <strong>de</strong>sova.<br />

No Nor<strong>de</strong>ste brasileiro são utilizados, geralmente, como doadores <strong>de</strong> hipófises, exemplares <strong>de</strong><br />

curimatã comum, capturados pelos pescadores em açu<strong>de</strong>s públicos e particulares <strong>de</strong>stinados a<br />

comercialização.<br />

No método <strong>de</strong> coleta utilizado tradicionalmente, usam-se os seguintes instrumentos: calha <strong>de</strong><br />

contenção (Figura 2), constituída <strong>de</strong> duas peças <strong>de</strong> ma<strong>de</strong>iras, que se engavetam, a maior, 0,30 x 0,20 m,<br />

que tem por finalida<strong>de</strong> manter o peixe imóvel na posição ventral.<br />

Figura 2. Calha para contenção dos peixes<br />

São utilizados: arco <strong>de</strong> serra, metálico, e respectiva serra <strong>de</strong> aço; cotóstomo, instrumento<br />

cirúrgico, metálico, niquelado, tipo tesoura; pinça cirúrgica, niquelada, pontas curvas, corrugadas; vidro<br />

para preservação da hipófise frasco boca larga, cor âmbar com rolha <strong>de</strong> vidro esmerilhada, com<br />

capacida<strong>de</strong> <strong>de</strong> 20 cc; álcool absoluto <strong>de</strong> boa qualida<strong>de</strong> (90º ) e algodão hidrófilo.<br />

Contudo, antes da operação se verifica se o peixe preenche as condições para ser doador (fresco e<br />

com <strong>de</strong>senvolvimento gonadal in<strong>de</strong>pen<strong>de</strong>nte do sexo). Imobiliza-se o doador na calha <strong>de</strong> contenção, e,<br />

com o auxilio do arco <strong>de</strong> serra, dar um corte transversal na cabeça, no bordo posterior do occipital<br />

(pouco atrás das órbitas) sem separar a cabeça do peixe e <strong>de</strong>pois com auxílio com cotóstomo retirava-se<br />

o tampão da cabeça para posterior coleta da hipófise (Figura 3).


Figura 3. Utilização do cotóstomo para retirada da hipófise<br />

98<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

Com auxílio do cotóstomo retirasse uma seção triangular do occipital, com base, na borda<br />

anterior do corte <strong>de</strong> serra; utilizando a pinça, afastar o encéfalo, <strong>de</strong>scobrindo a sela túrcica do esfenói<strong>de</strong><br />

<strong>de</strong>ntro da qual se encontre a hipófise, protegida por uma membrana.<br />

Na eventualida<strong>de</strong> <strong>de</strong> peixe possuir bastante substância adiposa ou sangue, usar pelota <strong>de</strong><br />

algodão, na ponta da pinça, para absorver o excesso <strong>de</strong> material existente no local ocupado pelo<br />

encéfalo e finalmente, romper a membrana, extrair a glândula da sela túrcica e introduzi-la no frasco <strong>de</strong><br />

vidro contendo álcool absoluto.<br />

PROCESSO INOVADOR<br />

A nova metodologia utilizada segue o mesmo princípio da técnica tradicional. Depois da<br />

hipofisectomia o peixe é eviscerado, espalmado e salgado.<br />

O que diferencia estes processos é que neste, o peixe po<strong>de</strong> ser ou não imobilizado numa calha<br />

<strong>de</strong> contenção e isto vai <strong>de</strong>pen<strong>de</strong>r do tamanho do exemplar. Quando gran<strong>de</strong>, a exemplo <strong>de</strong> curimatã pacu<br />

Prochilodus argenteus, utiliza-se a calha <strong>de</strong> contenção e com o auxílio <strong>de</strong> um arco <strong>de</strong> serra, será dado<br />

um corte transversal na cabeça, no bordo posterior do occipital, sem separar a cabeça do peixe. Se <strong>de</strong><br />

pequeno porte, a exemplo <strong>de</strong> P. brevis, utiliza-se a calha apenas como suporte <strong>de</strong> apoio sem necessitar<br />

<strong>de</strong> contenção e com auxílio <strong>de</strong> uma faca efetua-se os procedimentos <strong>de</strong> craniectomia. Desta forma, é<br />

possível expor a hipófise, com o auxílio <strong>de</strong> uma pinça<br />

cirúrgica <strong>de</strong> pontas curvas, com a qual se afasta o encéfalo, para <strong>de</strong>scoberta da sela túrcica e retira-se a<br />

hipófise. O uso <strong>de</strong> uma pequena pelota <strong>de</strong> algodão é necessário, na ponta da pinça, para absorver o<br />

excesso <strong>de</strong> gordura e/ou sangue existente no local ocupado pelo encéfalo. A hipófise <strong>de</strong>pois <strong>de</strong> extraída<br />

po<strong>de</strong> ser fixada em álcool absoluto ou tratada com acetona.


BENEFICIAMENTO<br />

99<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

Depois <strong>de</strong> retirada a hipófise, o peixe hipofisectomizado <strong>de</strong>verá ser espalmado tendo suas<br />

vísceras retiradas através da abertura na região dorsal para em seguida ser beneficiado.<br />

O tipo <strong>de</strong> sal usado foi o sal misturado (partes iguais <strong>de</strong> sal moído fino e <strong>de</strong> sal grosso). A<br />

salmoura exudada não <strong>de</strong>ve atingir meia altura das camadas <strong>de</strong> peixe. Este processo foi realizado a<br />

sombra e a temperatura ambiente. Pelo fato da curimatã ter proteína média e ter gordura alta,<br />

recomenda-se salga por salmoura. O tempo <strong>de</strong> exposição à salga foi <strong>de</strong> 8 horas quando então os peixes<br />

foram lavados para retirada do excesso <strong>de</strong> sal e <strong>de</strong>pois expostos ao sol para secagem.<br />

HIPOFISECTOMIA<br />

RESULTADOS E DISCUSSÃO<br />

O corte das narinas ao final do pescoço do peixe (processo inovador) (Figura 4), utilizando uma<br />

pequena faca tornou o processo mais ágil, <strong>de</strong>vido a facilida<strong>de</strong> da coleta e a não utilização <strong>de</strong><br />

procedimentos que só inviabilizavam o peixe para comércio, pois quase sempre <strong>de</strong>ixava a cabeça do<br />

peixe estragada o que dificultava a retirada da hipófise.<br />

Figura 4. Descoberta do cérebro para retirada da hipófise<br />

Depois <strong>de</strong> extraídas as hipófises foram fixadas em álcool absoluto, sendo guardadas em vidro <strong>de</strong><br />

cor âmbar.<br />

O corte com arco <strong>de</strong> serra e <strong>de</strong>pois cotóstomo (processo tradicional) tomava maior tempo para<br />

realização da técnica <strong>de</strong> coleta <strong>de</strong> hipófises em função da utilização <strong>de</strong> mais um aparelho (no caso o<br />

cotóstomo) como pela dificulda<strong>de</strong> <strong>de</strong> coleta em função do corte realizado que além da danificação da<br />

cabeça do peixe o que influência na comercialização do pescado hipofisectomizado.


BENEFICIAMENTO<br />

100<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

O peixe hipofisectomizado pela nova metodologia apresentou melhor aspecto para<br />

comercialização, pois o corte dado rente ao crânio permitiu que a cabeça dos exemplares permanecesse<br />

fixa ao corpo. Também o tipo <strong>de</strong> corte não <strong>de</strong>ixa ser percebida a craniectomia quando o peixe é<br />

espalmado para salga <strong>de</strong>ixando com bom aspecto para comercialização (Figura 5).<br />

Figura 5. Peixe pronto para comercialização<br />

A certeza <strong>de</strong> qualida<strong>de</strong> dos alimentos está ligada não somente a quantida<strong>de</strong> energética mais<br />

também ao valor nutritivo, em particular <strong>de</strong> proteína animal. O habitante do mundo <strong>de</strong>senvolvido<br />

consome 100 kg <strong>de</strong> carne <strong>de</strong> peixe e o equivalente a 178 kg <strong>de</strong> leite por ano, enquanto que no mundo<br />

sub<strong>de</strong>senvolvido 29 e 31 kg respectivamente (BECKER & FOCKER, 1998).<br />

Pelo <strong>de</strong>creto nº. 1.255, <strong>de</strong> 25.06.1942 (Artigo 465, único), regulamentado pelo DIPOA, o pescado<br />

salgado e seco não <strong>de</strong>ve ter mais <strong>de</strong> 35% <strong>de</strong> umida<strong>de</strong>. Freitas & Gurgel (1971), afirmam que o<br />

nor<strong>de</strong>stino prefere peixe com teores <strong>de</strong> umida<strong>de</strong> entre 40 e 45% e consi<strong>de</strong>ram que a relação sal em base<br />

úmida/umida<strong>de</strong> é i<strong>de</strong>al quando apresenta valores superiores a 0,3%. Numa salmoura saturada (a 26%) o<br />

valor <strong>de</strong>sta relação é 26 (100 – 26) = 0,35.<br />

Diante dos espécimes <strong>de</strong> Prochilodus brevis, utilizados nessa pesquisa, po<strong>de</strong>-se observar a<br />

diferença em relação ao aspecto externo do peixe hipofisectomizado com a técnica tradicional<br />

comparada a nova metodologia <strong>de</strong> hipofisectomia.<br />

Essa pesquisa lança uma inovação na metodologia <strong>de</strong> hipofisectomia em curimatãs Prochilodus<br />

brevis, contribuindo <strong>de</strong>ssa forma com uma metodologia <strong>de</strong> fácil aplicação, <strong>de</strong> maior agilida<strong>de</strong> no<br />

processo <strong>de</strong> coleta <strong>de</strong> hipófises e tornando o peixe hipofisectomizado com potencial <strong>de</strong> ser aproveitado<br />

comercialmente pelos pescadores.


REFERÊNCIAS<br />

101<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

FONTENELE, O., 1982, Contribuição para o conhecimento da biologia da Curimatã pacu, Prochilodus<br />

argenteus Spix in Spix & Agassiz (Pisces: Characidae, Prochilodontinae). Coletânea <strong>de</strong> Trabalhos<br />

Técnicos. <strong>Pesca</strong> e Piscicultura. Ministério do Interior. DNOCS. p. 215-231.<br />

FONTENELE, O., 1981, Curimatã nos açu<strong>de</strong>s nor<strong>de</strong>stinos (Prochilodus argenteus). Coletânea <strong>de</strong><br />

Trabalhos Técnicos. <strong>Pesca</strong> e Piscicultura. Ministério do Interior. DNOCS. p. 227 – 284.<br />

FONTENELE, O., 1981, Metodologia <strong>de</strong> hipofisação <strong>de</strong> peixes, adotado pelo DNOCS, Fortaleza.<br />

GURGEL, J.J.S., 2005, Histórias <strong>de</strong> <strong>Pesca</strong>dor. Coleção Aca<strong>de</strong>mia Cearense <strong>de</strong> Farmácia (ACF) n. 2.<br />

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GURGEL, J.J.S., FREITAS, J.V., 1971, Boletim Técnico <strong>de</strong> DNOCS, Fortaleza, v.29, n.1.<br />

PESCA BRASIL. Aqüicultura: O milagre da multiplicação dos peixes. Disponível em:<br />

www.pescabrasil.com.br/aquicultura.asp. Acesso: 18 <strong>de</strong> fevereiro <strong>de</strong> 2004, as 22:00h.<br />

SALAYA, J.J.; MARTINEZ, M.; ESPINOSA, V. DE; CARVAJAL, J., 1980, Investigaciones y<br />

aspectos tecnológicos <strong>de</strong> la acuicultura em Venezuela.Ver. Lat. Acui. Lima (4): 14-27.<br />

VINATEA, L.A., 2004, Fundamentos <strong>de</strong> Aqüicultura. Universida<strong>de</strong> Fe<strong>de</strong>ral <strong>de</strong> Santa Catarina.<br />

Florianópolis: Ed. da UFSC.<br />

VINATEA, L.A.,1999, Aqüicultura e <strong>de</strong>senvolvimento sustentável: subsídios para a formulação <strong>de</strong><br />

políticas <strong>de</strong> <strong>de</strong>senvolvimento da aqüicultura brasileira. Florianópolis: Ed. da UFSC. 310p.<br />

WOYNAROVICH, E.; HORVÁTH, L., 1983, A Propagação artificial <strong>de</strong> peixes <strong>de</strong> águas tropicais:<br />

manual <strong>de</strong> extensão.Brasília: FAO/CODEVASF/CNPq, 225 p.


102<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

CONTRIBUIÇÃO DE ELÓDEA Egeria <strong>de</strong>nsa <strong>À</strong> PISCICULTURA ATRAVÉS DA COLONIZAÇÃO<br />

DO CAMARÃO-CANELA Macrobrachium amazonicum NO SUB-MÉDIO RIO SÃO FRANCISCO,<br />

NO NORDESTE DO BRASIL<br />

Emerson dos SANTOS; Silevagno <strong>de</strong> Oliveira GOMES; José Patrocínio LOPES<br />

(jpatrobr@yahoo.com.br)<br />

Departamento <strong>de</strong> Educação, universida<strong>de</strong> do Estado da Bahia.<br />

RESUMO<br />

Estudou-se, preliminarmente, a dieta <strong>de</strong> várias espécies <strong>de</strong> peixes carnívoros encontradas no<br />

sub-médio rio São Francisco, em áreas inundadas pelos reservatórios das usinas da Companhia<br />

Hidroelétrica do São Francisco (CHESF), que compõem o Complexo Hidro Elétrico <strong>de</strong> Paulo Afonso<br />

(CHPA) e região. Este trabalho teve o objetivo <strong>de</strong> verificar o efeito <strong>de</strong> Egeria <strong>de</strong>nsa na provável<br />

colonização do camarão-canela, Macrobrachium amazonicum, nos reservatórios da CHESF, submédio<br />

rio São Francisco. Foram efetuadas capturas <strong>de</strong> aproximadamente 200 peixes carnívoros nesses<br />

Reservatórios para análise <strong>de</strong> conteúdo alimentar, como também a captura <strong>de</strong>ste camarão como fauna<br />

acompanhante entre as macrófitas. Foram analisados os conteúdos estomacais utilizando o percentual<br />

<strong>de</strong> ocorrência e índices <strong>de</strong> freqüência do item alimentar dos peixes. Os espécimes, ainda frescos,<br />

foram eviscerados através <strong>de</strong> uma incisão ventro-longitudinal. A pesca foi do tipo artesanal através <strong>de</strong><br />

anzóis, utilizando em muitos casos o crustáceo como isca. A captura foi realizada com base na<br />

presença ou ausência <strong>de</strong> macrófitas aquáticas nos Reservatórios, o que explicou a oscilação no número<br />

<strong>de</strong> presas ingeridas pelos peixes. A análise qualitativa mostrou poucas mudanças na dieta dos peixes<br />

carnívoros <strong>de</strong>stes Reservatórios invadidos por E. <strong>de</strong>nsa.<br />

Palavras-chave: Rio São Franscisco, Reservatório, Piscicultura


103<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

CONTRIBUICION OF Egeria <strong>de</strong>nsa IN THE FISHCULTURE THROUGHT OF COLONIZATION<br />

OF Macrobrachium amazonicum SHRIMP IN SUB-MEDIUM SAN FRANCISCO RIVER, IN<br />

NORTHEAST OF BRAZIL<br />

ABSTRACT<br />

It was studied, preliminarly the diet of several species of carnivorous fish found in the submedium<br />

San Francisco river, in areas floo<strong>de</strong>d by the reservoirs of the dam of the San Francisco Hidro<br />

Electric Company (SFHC), that compose the Complex Hidro Electric of Paulo Afonso (CHPA) and<br />

region. For verification of the effect of Egeria <strong>de</strong>nsa in the probable colonization of the shrimp,<br />

Macrobrachium amazonicum, in the reservoirs of CHESF, sub-medium San Francisco river, captures<br />

were ma<strong>de</strong> of approximately 200 carnivorous fish for analysis of alimentary content, as well as the<br />

capture of that Shrimp as accompanying fauna among the aquatics macrophytes. The stomach contents<br />

were analyzed using the percentile of occurrence and in<strong>de</strong>xes of frequency of the alimentary item of<br />

fish. The specimens, still fresh, were eviscerates through a ventro-longitudinal incision. The fishing<br />

was of the craft type through fishhooks, using in many cases the crustacean as bait. The capture was<br />

ma<strong>de</strong> with base in the presence or absence of aquatic macrophytes in the Reservoirs, what explained<br />

the oscillation in the number of preys ingested by the fish. The qualitative analysis showed few<br />

changes in the diet of the fish of those Reservoirs inva<strong>de</strong>d by E. <strong>de</strong>nsa.<br />

Key-words: São Franscisco river, Reservoir, Fish culture<br />

INTRODUÇÃO<br />

De forma geral, a formação <strong>de</strong> reservatórios para hidrelétricas <strong>de</strong> gran<strong>de</strong> porte são feitas em<br />

bacias hidrográficas muito expressivas, compostas em gran<strong>de</strong> parte por rios, córregos e nascentes que<br />

estão inseridas num ambiente muito rico em nutrientes minerais e orgânicos, sejam estes <strong>de</strong> origem<br />

natural (formação geológica), seja pelo uso da terra para agricultura e pecuária, e principalmente pela<br />

<strong>de</strong>scarga sanitária das cida<strong>de</strong>s. O resultado final da <strong>de</strong>gradação do solo associado ao não tratamento dos<br />

esgotos em toda bacia se esten<strong>de</strong> e se acumula nos rios <strong>de</strong> maior porte, geralmente os primeiros a serem<br />

aproveitados para a geração <strong>de</strong> energia. Estes nutrientes e elementos estranhos à biota local provocam<br />

um <strong>de</strong>sequilíbrio entre a oferta e <strong>de</strong>manda <strong>de</strong> nutrientes, refletindo, inclusive, num crescimento<br />

<strong>de</strong>sequilibrado das macrófitas aquáticas (OIKOS, 2005).<br />

A ocorrência <strong>de</strong> macrófita aquática Egeria <strong>de</strong>nsa no sistema <strong>de</strong> barragens <strong>de</strong> Paulo Afonso e Itaparica<br />

foi verificada pela primeira vez no ano <strong>de</strong> 1984, quando algumas tentativas <strong>de</strong> resolver o problema<br />

foram tomadas. Mesmo assim vem ocorrendo o agravamento do fato, tendo a barragem Delmiro


104<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

Gouveia apresentado já alguns problemas preliminares, pois algumas vezes gran<strong>de</strong> massa vegetal se<br />

<strong>de</strong>spren<strong>de</strong> das áreas <strong>de</strong> colonização e atinge áreas das comportas, <strong>de</strong>terminando a necessida<strong>de</strong> <strong>de</strong><br />

suspen<strong>de</strong>r a geração <strong>de</strong> energia para a limpeza das gra<strong>de</strong>s <strong>de</strong> contenção (FADURPE, 2000). A<br />

proliferação <strong>de</strong>sta macrófita na década <strong>de</strong> 1990 trouxe prejuízos na geração <strong>de</strong> energia elétrica pelas<br />

usinas, o que levou a criação <strong>de</strong> programas <strong>de</strong> manejo <strong>de</strong> E. <strong>de</strong>nsa como o da usina <strong>de</strong> Jupiá que<br />

pertence ao sistema do rio Paraná. Sua presença em alguns locais dos reservatórios aliados a outros<br />

fatores não favorece a implantação <strong>de</strong> tanques-re<strong>de</strong>, prejudicando a piscicultura (CORRÊA et al, 2003).<br />

LOPES & TENÓRIO (2002), no entanto, citam que as macrófitas aquáticas possuem gran<strong>de</strong><br />

importância ecológica servindo <strong>de</strong> proteção e substrato para muitas espécies aquáticas como também <strong>de</strong><br />

alimentação para várias espécies terrestres a exemplo <strong>de</strong> bovinos, ovinos, suínos e eqüinos que entram<br />

na água para se alimentar <strong>de</strong> E. <strong>de</strong>nsa. Enquanto a <strong>de</strong>manda mundial por organismos aquáticos tem<br />

crescido em ritmo acelerado durante os últimos anos, em <strong>de</strong>corrência do aumento populacional e da<br />

procura por alimentos mais saudáveis, com menores taxas <strong>de</strong> gordura e colesterol, as possibilida<strong>de</strong>s <strong>de</strong><br />

captura em ambientes naturais têm dado sinais <strong>de</strong> esgotamento.<br />

Segundo VINATEA (1999), a taxa <strong>de</strong> crescimento anual da piscicultura intensiva cresce a mais<br />

<strong>de</strong> 8% <strong>de</strong>s<strong>de</strong> 1981, ao contrário <strong>de</strong> outros setores como o da criação <strong>de</strong> gado, cuja taxa <strong>de</strong> crescimento é<br />

da or<strong>de</strong>m <strong>de</strong> 3% ao ano. Mas, é difícil acreditar que um dia ela possa empregar todas as pessoas que<br />

vivem da pesca natural hoje, além do que o <strong>de</strong>safio mais importante para a aqüicultura <strong>de</strong> hoje é<br />

justamente conseguir garantir a sustentabilida<strong>de</strong> da produção por um longo prazo <strong>de</strong>ntro <strong>de</strong> um mo<strong>de</strong>lo<br />

inspirado no eco<strong>de</strong>senvolvimento.<br />

O cultivo não convencional <strong>de</strong> camarões caracteriza-se, basicamente, por ser uma alternativa<br />

economicamente viável para as comunida<strong>de</strong>s <strong>de</strong> pescadores artesanais como ocorre no estado <strong>de</strong> Santa<br />

Catarina, on<strong>de</strong> se produzem pós-larvas <strong>de</strong> camarão marinho para serem liberadas em ambiente natural.<br />

Depois o crescimento dos camarões é monitorado semanalmente por meio <strong>de</strong> biometrias, com a captura<br />

iniciando quando os camarões atingem tamanho comercial – 10 a 12 gramas (VINATEA, 1999).<br />

Na região do sub-médio rio São Francisco, a carcinicultura extensiva e a pesca natural<br />

revitalizada permitida pela associação entre macrófitas aquáticas e camarões po<strong>de</strong>m beneficiar<br />

populações carentes, surgindo então, uma nova fonte protéica como alternativa alimentar.<br />

No lago Itaparica, o maior prado <strong>de</strong> E. <strong>de</strong>nsa, apresentou a extensão <strong>de</strong> 250 metros, sendo que a<br />

profundida<strong>de</strong> do limite superior variou entre 1,2 a 1,9 metro, com plantas entre 0,6 e 0,8 metro <strong>de</strong><br />

comprimento. Já nos prados <strong>de</strong> profundida<strong>de</strong>, as plantas apresentaram variação <strong>de</strong> tamanho, <strong>de</strong> 0,4 a<br />

2,2 metros, sendo encontradas nas profundida<strong>de</strong>s entre 3,5 e 6,0 metros (FADURPE, 2000).


105<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

Uma conseqüência da superpopulação da macrófita, ratificando as opiniões <strong>de</strong> pescadores e<br />

pesquisadores é a criação <strong>de</strong> um ambiente propício ao <strong>de</strong>senvolvimento e sobrevivência <strong>de</strong> crustáceos e<br />

moluscos, com <strong>de</strong>staque para Macrobrachium amazonicum conhecido na região como camarão- canela.<br />

E. <strong>de</strong>nsa seria então um meio <strong>de</strong> proteção para esses organismos, permitindo assim o crescimento e<br />

reprodução <strong>de</strong>ssas espécies. A invasão nos reservatórios por esta macrófita trouxe com o tempo o<br />

aumento na população do camarão-canela, passando o crustáceo a servir como principal fonte <strong>de</strong><br />

alimento para os peixes carnívoros e alguns onívoros dos reservatórios da CHESF.<br />

Portanto o objetivo <strong>de</strong>ste trabalho foi mostrar a importância <strong>de</strong> E. <strong>de</strong>nsa na colonização do<br />

camarão-canela e seus inúmeros benefícios às populações <strong>de</strong> peixes, com especialida<strong>de</strong> os carnívoros,<br />

contribuindo assim com o <strong>de</strong>senvolvimento da piscicultura extensiva na região.<br />

MATERIAL E MÉTODOS<br />

A área <strong>de</strong>limitada para coleta compreen<strong>de</strong> os reservatórios <strong>de</strong> Itaparica, Moxotó Paulo Afonso<br />

IV, Delmiro Gouveia e lago da Subestação III, localizados no sub-médio São Francisco, sendo<br />

realizada <strong>de</strong> modo seqüenciado na or<strong>de</strong>m dada aos cinco reservatórios citados acima. A coleta <strong>de</strong><br />

material foi realizada nos reservatórios das usinas hidrelétricas da CHESF no município <strong>de</strong> Paulo<br />

Afonso – Bahia, sendo analisado na Estação <strong>de</strong> Piscicultura <strong>de</strong> Paulo Afonso (EPPA) pertencente a<br />

CHESF. Para cada reservatório foram realizadas diversas coletas em locais variados. A caracterização<br />

dos reservatórios contou com dados bibliográficos cedidos pela CHESF. A <strong>de</strong>scrição dos locais <strong>de</strong><br />

coletas foi efetuada durante a realização das ativida<strong>de</strong>s.<br />

O trecho sub-médio do rio São Francisco, compreendido entre os municípios <strong>de</strong> Belém do São<br />

Francisco – PE e Barra do Tarrachil – BA ao norte, e Piranhas – AL e Canindé do São Francisco – SE<br />

ao sul, engloba cinco reservatórios: Itaparica, Moxotó, Delmiro Gouveia, Paulo Afonso IV e Xingó.<br />

Dentre estes, apenas o Delmiro Gouveia não apresenta condições <strong>de</strong> aproveitamento para projetos<br />

aquícolas, em função <strong>de</strong> suas dimensões reduzidas e <strong>de</strong> restrições técnicas impostas pela CHESF. Os<br />

<strong>de</strong>mais reservatórios, cujas características físicas constam na Tabela 1, apresentam potencial variável<br />

<strong>de</strong> utilização, <strong>de</strong>pen<strong>de</strong>nte <strong>de</strong> suas condições físicas, ambientais e <strong>de</strong> sua infra-estrutura.<br />

RESERVATÓRIO ITAPARICA<br />

A Usina Hidrelétrica <strong>de</strong> Itaparica, posteriormente <strong>de</strong>nominada Usina Luiz Gonzaga (ULG), está<br />

localizada na divisa entre os estados <strong>de</strong> Pernambuco e Bahia, a cerca <strong>de</strong> 25 Km à jusante da cida<strong>de</strong> <strong>de</strong>


106<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

Tabela 1. Dados sobre os reservatórios do sub-médio São Francisco, com potencial para<br />

utilização na aqüicultura.<br />

Dados<br />

Reservatórios<br />

Itaparica Moxotó PA - IV Xingó<br />

Área normal do reservatório (Km 2 ) 828 98 12,9 60<br />

Volume total do reservatório (10 6 m 3 ) 10.780 1.200 128,5 3.800<br />

Volume útil do reservatório (10 6 m 3 ) 3.700 50 30 500<br />

Fonte: CHESF<br />

Petrolândia – PE, distando cerca <strong>de</strong> 460 Km da cida<strong>de</strong> <strong>de</strong> Recife, através das BR’s 423 e 110. Sua Usina<br />

está posicionada a cerca <strong>de</strong> 50 Km à montante do Complexo Hidrelétrico <strong>de</strong> Paulo Afonso, tendo não<br />

apenas a função <strong>de</strong> geração <strong>de</strong> energia elétrica, mas <strong>de</strong> permitir uma operação mais eficiente do<br />

Complexo Hidroelétrico <strong>de</strong> Paulo Afonso (CHPA), com papel <strong>de</strong>cisivo no controle da regularização das<br />

<strong>de</strong>scargas diárias e semanais das usinas do referido Complexo (Moxotó, PA IV e Delmiro Gouveia). Por<br />

esta razão, apresenta uma oscilação sazonal <strong>de</strong> seu nível, mais marcante que nos <strong>de</strong>mais reservatórios do<br />

trecho sub-médio do rio São Francisco.<br />

O reservatório formado inundou áreas pertencentes aos municípios <strong>de</strong> Glória, Ro<strong>de</strong>las e<br />

Chorrochó no estado da Bahia, e Abaré, Belém do São Francisco, Itacuruba, Floresta, Petrolândia,<br />

Tacaratú e Jatobá, no estado <strong>de</strong> Pernambuco. Este reservatório apresenta uma superfície aproximada <strong>de</strong><br />

828 Km 2 , com uma capacida<strong>de</strong> <strong>de</strong> armazenamento da or<strong>de</strong>m <strong>de</strong> 10 bilhões <strong>de</strong> metros cúbicos, e possui<br />

diversas agrovilas implantadas e em implantação, abastecidas por sistemas <strong>de</strong> irrigação, que servem <strong>de</strong><br />

base para as populações reassentadas (FADURPE, 2000).<br />

RESERVATÓRIO MOXOTÓ<br />

A Usina Hidrelétrica Apolônio Sales (UHAS) está localizada no município <strong>de</strong> Paulo Afonso,<br />

estado da Bahia, distando cerca <strong>de</strong> 420 Km da cida<strong>de</strong> <strong>de</strong> Recife, através das BR’s 423 e 232, e cerca <strong>de</strong><br />

380 Km da cida<strong>de</strong> <strong>de</strong> Salvador, através da BR 110. Esta Usina integra o CHPA, localizada cerca <strong>de</strong> três<br />

quilômetros à montante da primeira barragem, <strong>de</strong> modo que a água turbinada por suas máquinas, aciona<br />

também as Usinas <strong>de</strong> Paulo Afonso I, II e III (Delmiro Gouveia). Através <strong>de</strong> um canal escavado em sua<br />

margem direita, o reservatório Moxotó fornece a água necessária ao funcionamento da Usina Paulo<br />

Afonso IV. O reservatório formado inundou áreas pertencentes aos municípios <strong>de</strong> Glória e Paulo<br />

Afonso no estado da Bahia; Petrolândia, no estado <strong>de</strong> Pernambuco; e Água Branca e Delmiro Gouveia,<br />

no estado <strong>de</strong> Alagoas. O mesmo apresenta superfície aproximada <strong>de</strong> 98 Km 2 , com uma capacida<strong>de</strong> <strong>de</strong>


107<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

armazenamento da or<strong>de</strong>m <strong>de</strong> 1,2 milhões <strong>de</strong> metros cúbicos. Tem como principal tributário o rio<br />

Moxotó (divisa entre os Estados <strong>de</strong> Alagoas e Pernambuco), em cujo vale inundado pelo reservatório<br />

estão localizadas diversas vilas, com projetos <strong>de</strong> irrigação.<br />

A presença da macrófita E. <strong>de</strong>nsa, é marcante por gran<strong>de</strong> parte do Lago e sua imponência é bem<br />

mais perceptível na <strong>de</strong>sembocadura e por vasta área a<strong>de</strong>ntrando o rio Moxotó. Os bancos <strong>de</strong><br />

E. <strong>de</strong>nsa marcam todo perímetro submerso, sendo mais visíveis nas margens e em ilhotas quase<br />

emersas no meio do Lago, talvez por se tratar <strong>de</strong> um ambiente artificial, esse acúmulo <strong>de</strong> macrófitas, se<br />

torna tão gran<strong>de</strong> em relação aos locais on<strong>de</strong> o Rio percorre o leito original.<br />

RESERVATÓRIO PA IV<br />

O aproveitamento hidrelétrico <strong>de</strong> Paulo Afonso IV, também integra o CHPA, e está igualmente<br />

localizado no município <strong>de</strong> Paulo Afonso, estado da Bahia. A água utilizada para a geração <strong>de</strong> energia<br />

<strong>de</strong>sta Usina é proveniente do reservatório Moxotó, através <strong>de</strong> um canal <strong>de</strong> <strong>de</strong>rivação do mesmo. Desta<br />

forma, seu reservatório é operado em paralelo com o Moxotó e as suas vazões turbinadas, juntamente<br />

com aquelas oriundas das <strong>de</strong>mais usinas do Complexo <strong>de</strong> Paulo Afonso (PA I, II, III), são lançadas<br />

diretamente no reservatório <strong>de</strong> Xingó. O reservatório Paulo Afonso IV, por sua localização à jusante da<br />

cida<strong>de</strong> <strong>de</strong> Paulo Afonso, é aquele que apresenta maior proximida<strong>de</strong> ao centro urbano. Possui dois<br />

compartimentos (leste e oeste), separados pela estrada que dá acesso à cida<strong>de</strong>, não apresentando<br />

tributários perenes em sua bacia <strong>de</strong> captação. Ao longo <strong>de</strong> suas margens, encontram-se pequenos<br />

empreendimentos agrícolas irrigados, sobretudo para a produção <strong>de</strong> olerícolas. Apresenta uma<br />

superfície aproximada <strong>de</strong> 12,9 Km 2 , com uma capacida<strong>de</strong> <strong>de</strong> armazenamento da or<strong>de</strong>m <strong>de</strong> 128 milhões<br />

<strong>de</strong> metros cúbicos (FADURPE, 2000).<br />

RSERVATÓRIO DLMIRO GUVEIA<br />

É o menor dos reservatórios da CHESF com área <strong>de</strong> 480 hectares. Na realida<strong>de</strong> constitui um<br />

reservatório <strong>de</strong> regularização, embora <strong>de</strong>le <strong>de</strong>pendam as usinas Paulo Afonso I, II e II escavadas em<br />

cavernas in<strong>de</strong>pen<strong>de</strong>ntes. Um problema que esse reservatório vem enfrentando é a acentuada<br />

proliferação <strong>de</strong> Egeria <strong>de</strong>nsa. Neste reservatório em virtu<strong>de</strong> da pequena extensão e proximida<strong>de</strong> da<br />

zona urbana <strong>de</strong> Paulo Afonso, praticamente não existem lugares fixos para <strong>de</strong>sembarque. Os<br />

pescadores, em sua maioria, praticam a pesca eventualmente e, portanto têm nessa ativida<strong>de</strong> apenas um<br />

meio complementar a renda, ou então pescam para o próprio consumo. Um aspecto <strong>de</strong>ste Reservatório<br />

é o predomínio <strong>de</strong> peixes carnívoros, como Cichla ocellaris (tucunaré), Plagioscion squamosissimus<br />

(pescada-do-piauí), Astronotus ocellatus (apaiarí) e Serrasalmus brandtii (pirambeba) e o uso do anzol<br />

como arte <strong>de</strong> pesca mais empregada.


LAGO DA SE III<br />

108<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

O lago da subestação III não apresenta potencial hidroelétrico. Trata-se <strong>de</strong> um lago <strong>de</strong> pequena<br />

extensão, dois hectares aproximadamente, cuja área é inacessível a população local. Apesar disso, há<br />

indícios claros <strong>de</strong> pesca predatória intensa no local, o que diminuiu drasticamente as populações <strong>de</strong><br />

peixes que habitam o Lago, peixes estes fruto <strong>de</strong> repovoamento feito pela EPPA. Trata-se <strong>de</strong> um<br />

ambiente raso, sem presença significante <strong>de</strong> macrófitas e com algumas ilhotas <strong>de</strong> taboas Typha<br />

domingensis (Hunt) no corpo principal <strong>de</strong>ste ambiente.<br />

PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS<br />

Para realização <strong>de</strong>ste trabalho contou-se com o apoio da EPPA ao ce<strong>de</strong>r seu laboratório para<br />

i<strong>de</strong>ntificação do conteúdo alimentar dos peixes capturados nos diversos reservatórios. Na i<strong>de</strong>ntificação<br />

do conteúdo estomacal foi utilizado microscópio binocular com amplitu<strong>de</strong> <strong>de</strong> 30 vezes o tamanho<br />

normal do material a ser i<strong>de</strong>ntificado. Todos os peixes foram examinados a fresco com muito cuidado,<br />

sendo a i<strong>de</strong>ntificação do alimento acompanhada através da freqüência <strong>de</strong> ocorrência (FO) e itens<br />

alimentares (IA), comumente logo após a captura. Nas capturas <strong>de</strong> peixes, contou-se com a valiosa<br />

colaboração <strong>de</strong> diversos pescadores profissionais e amadores nos diversos reservatórios.<br />

A ELÓDEAEgeria <strong>de</strong>nsa<br />

A macrófita E. <strong>de</strong>nsa Planchon (Figura 1) conhecida vulgarmente na região <strong>de</strong> Paulo Afonso –<br />

Bahia como eló<strong>de</strong>a, está incluída na relação das monocotiledôneas aquáticas. Segundo COOK, et al.<br />

(1974) (1974) apud FADURPE (2002), apresenta a seguinte classificação:<br />

Classe: Monocotyledoneae<br />

Or<strong>de</strong>m: Helobiae<br />

Família: Hydrocharitaceae<br />

Gênero: Egeria<br />

Espécie: Egeria <strong>de</strong>nsa<br />

Figura 1. Eló<strong>de</strong>a, Egeria (Fonte: LOPES, 2001).


109<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

O CAMARÃO-CANELA Macrobrachium amazonicum<br />

Existem diversas espécies nativas <strong>de</strong> camarões <strong>de</strong> água doce no Brasil. Todas elas pertencem ao<br />

gênero Macrobrachium. Este camarão (Figura 2), conhecido vulgarmente como camarão-canela ocorre<br />

em todo Brasil, principalmente no Nor<strong>de</strong>ste. Possui coloração castanha clara, po<strong>de</strong>ndo atingir 10 cm <strong>de</strong><br />

comprimento e 12 gramas <strong>de</strong> peso. Nos camarões existe dimorfismo sexual: os machos <strong>de</strong> água doce<br />

são maiores e com quelas mais <strong>de</strong>senvolvidas do que as fêmeas. São animais bentônicos e reptantes. A<br />

sua classificação segundo Heller (1862), segue abaixo:<br />

Classe: Crustacea<br />

Or<strong>de</strong>m: Decapoda<br />

Família: Pelaemonidae<br />

Gênero: Macrobrachium<br />

Espécie: M. amazonicum<br />

Figura 2. Casal <strong>de</strong> camarão-canela, M. amazonicum<br />

(♂ a esquerda e ♀ a direita)<br />

EFEITO DE Egeria <strong>de</strong>nsa NA COLONIZAÇÃO DE Macrobrachium amazonicum.<br />

Para verificação do efeito <strong>de</strong> E. <strong>de</strong>nsa na provável colonização do camarão-canela, M.<br />

amazonicum nos reservatórios da CHESF, sub-médio rio São Francisco, foram efetuadas capturas <strong>de</strong><br />

peixes carnívoros nesses reservatórios para análise <strong>de</strong> conteúdo alimentar, como também a captura<br />

<strong>de</strong>sse camarão como fauna acompanhante entre as macrófitas. Foram analisados os conteúdos<br />

estomacais <strong>de</strong> vários peixes carnívoros provenientes dos reservatórios da CHESF, com interesse<br />

especial para C. ocellaris, S. brandtii, H. malabaricus, P. squamossisimus, Salminus brasiliensis,<br />

Serrasalmus natereri e S. piraya (Piranhas). Na oportunida<strong>de</strong>, foram obtidos também dados<br />

biométricos, peso (g) e comprimento (mm) dos exemplares em estudo.<br />

A pesca foi do tipo artesanal através <strong>de</strong> anzóis <strong>de</strong> números 04, 06 e 08 e linha 0,60 para<br />

piranhas e linha 0,30, 0,35 e 0,40 para C. ocellaris e outros peixes carnívoros. Os espécimes, ainda<br />

frescos, foram eviscerados na EPPA através <strong>de</strong> incisão ventro-longitudinal. Para a análise do conteúdo<br />

estomacal utilizou-se o percentual <strong>de</strong> ocorrência e índices <strong>de</strong> freqüência do item alimentar.<br />

No reservatório <strong>de</strong> Itaparica a coleta <strong>de</strong> peixes carnívoros, para análise, foi realizada na região do<br />

município <strong>de</strong> Nova Glória, povoado Agrovila 3. O local preferido dos pescadores localiza-se a 15 Km


110<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

da Usina Hidroelétrica Luiz Gonzaga. A coleta <strong>de</strong> M. Amazonicum utilizado como isca viva é feita às<br />

margens do Lago, com jereré, pois estes ficam concentrados em gran<strong>de</strong>s quantida<strong>de</strong>s entre macrófitas<br />

aquáticas, especificamente em E. <strong>de</strong>nsa.<br />

O conteúdo estomacal dos espécimes coletados no lago da Usina Hidroelétrica Apolônio Sales<br />

apresentou uma variabilida<strong>de</strong> muito gran<strong>de</strong> <strong>de</strong> recursos alimentares. Cinco espécies diferentes <strong>de</strong><br />

peixes carnívoros foram coletadas, sendo duas exclusivamente capturadas nesse ambiente, a citar:<br />

Gimnotus carapo (sarapó) e Acestrorhynchus britskii (piau-cachorro).<br />

O reservatório Paulo Afonso IV está situado no entorno da cida<strong>de</strong> <strong>de</strong> Paulo Afonso, sendo um<br />

ambiente totalmente artificial criado em função da construção do CHPA centrado entre os bairros da<br />

Prainha e Tancredo Neves, margeado também por outras localida<strong>de</strong>s rurais como Caiçara e Vila<br />

Matias. Sob o ponto <strong>de</strong> vista limnológico, a característica mais marcante do reservatório PA IV,<br />

notadamente no compartimento Oeste, é a presença <strong>de</strong> macrófitas aquáticas enraizadas emersas <strong>de</strong>s<strong>de</strong> a<br />

linha <strong>de</strong> margem, tendo Typha domingensis e gramíneas terrestres invasoras como as mais dominantes,<br />

e submersas, como E. <strong>de</strong>nsa e Hydrotrix gardneri, nas regiões mais profundas (FADURPE, 2000).<br />

Este trabalho contou com o apoio <strong>de</strong> vários pescadores profissionais e amadores, em diferentes<br />

pontos do lago, on<strong>de</strong> foi evi<strong>de</strong>nciada uma diferença entre a predominância <strong>de</strong> espécies <strong>de</strong> peixes. A<br />

espécie C. ocellaris predominou na parte inicial da montante, próximo ao povoado Caiçara, já outras<br />

espécies como H. malabaricus, S. brandtii e Myleus micans (pacu) eram encontradas na região mediana<br />

do Reservatório. Foram realizadas diversas coletas para verificação do conteúdo estomacal <strong>de</strong> espécies<br />

<strong>de</strong> peixes carnívoros como C. ocellaris, H. malabaricus, S. brandtii e da espécie onívora com tendência<br />

a carnivoria M. micans.<br />

O reservatório Delmiro Gouveia, localizado no município <strong>de</strong> Paulo Afonso, não possui<br />

potencial para gran<strong>de</strong>s empreendimentos aqüícolas. Apesar <strong>de</strong> encontrar-se <strong>de</strong>ntro <strong>de</strong> complexo<br />

urbano, em suas margens não possuem residências, pois o local é área particular da CHESF. Isso reduz<br />

muito a quantida<strong>de</strong> <strong>de</strong> efluentes domésticos liberados neste Reservatório. Porém, não se verifica no<br />

ambiente uma diminuição na quantida<strong>de</strong> <strong>de</strong> macrófitas. Tal fato vem se intensificando após a<br />

implantação <strong>de</strong> um projeto <strong>de</strong> piscicultura intensiva em raceways que lança seus efluentes diretamente<br />

neste Reservatório. A luminosida<strong>de</strong> atinge o fundo do mesmo estimulando a ativida<strong>de</strong> fotossintética e<br />

proliferação vegetal. A pesca intensa com re<strong>de</strong>s é evi<strong>de</strong>nte. O reservatório é margeado por vegetação<br />

arbórea e rasteira sendo a pesca realizada com anzol, mas principalmente com a utilização <strong>de</strong> re<strong>de</strong>s<br />

com malha 12. Os pescadores relatam a presença <strong>de</strong> M. amazonicum no Reservatório.<br />

Localizado, a princípio, em território restrito aos funcionários da CHESF, o pequeno lago da SE III é<br />

abastecido pelo reservatório da Usina PA IV. As espécies <strong>de</strong> peixes que habitam esse Lago são frutos


111<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

do repovoamento realizado pela EPPA, encontrando-se neste, populações carnívoras, herbívoras e<br />

onívoras.<br />

RESULTADOS<br />

A freqüência <strong>de</strong> ocorrência (FO) <strong>de</strong>monstrou que entre as espécies <strong>de</strong> peixes carnívoros dos<br />

reservatórios alimentaram-se principalmente <strong>de</strong> M. amazonicum isolado ou combinado a outras fontes<br />

<strong>de</strong> alimento - peixes e vegetais com freqüência <strong>de</strong> ocorrência superior a 57%. Nos locais <strong>de</strong> ocorrência<br />

<strong>de</strong> E. <strong>de</strong>nsa permitiu-se conseqüentemente a colonização dos reservatórios pelo M. amazonicum,<br />

interferindo assim, na composição da dieta alimentar das espécies carnívoras (Figura 3).<br />

Figura 3. Domínio do camarão-canela Macrobrachium amazonicum na composição alimentar <strong>de</strong><br />

peixes carnívoros, nos Reservatórios do sub-médio do rio São Francisco.<br />

Os exemplares <strong>de</strong> peixes capturados no reservatório <strong>de</strong> Itaparica num total <strong>de</strong> 50 peixes e seus<br />

conteúdos estomacais estão listados na Tabela 2.<br />

O exame da Tabela 2 evi<strong>de</strong>ncia que, através foram duas as espécies que figuraram na dieta<br />

alimentar <strong>de</strong> C. ocellaris (camarão e peixe) com predominância do camarão sobre o item peixe. H.<br />

malabaricus apresentou percentual <strong>de</strong> 63% <strong>de</strong> camarão como alimento e S. brasiliensis 100%. S.<br />

brandtii apresentou uma alimentação bastante versátil, pois além <strong>de</strong> camarão (44%) foram encontrados<br />

moluscos e peixes. M. micans, mesmo sendo espécie onívora <strong>de</strong>u preferência por camarão associado a<br />

vegetais (93%). Os <strong>de</strong>mais reservatórios apresentaram resultados semelhantes (ver Tabelas), domínio<br />

do camarão-canela, a exceção do lago da SE III que pela ausência <strong>de</strong> macrófitas a exemplo <strong>de</strong> E. <strong>de</strong>nsa,<br />

o único alimento, encontrado para P. squamosissimus foi peixes.


112<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

Tabela 2. Composição do conteúdo estomacal <strong>de</strong> espécies <strong>de</strong> peixes carnívoros do reservatório<br />

Itaparica.<br />

Espécie Tamanho (mm) Peso (g) Conteúdo estomacal<br />

C. ocellaris 195 – 340 60 - 620 75% camarão, 18% peixe e camarão e 7%<br />

peixe<br />

H. malabaricus 210 – 280 100 - 200 63% camarão, 37% vazio<br />

S. brandtii 155 – 290 100 - 400 44% camarão, 44% camarão, moluscos e<br />

insetos e 12% peixes<br />

M. micans 135 – 150 30 - 90 93% camarão e vegetais, 7% vazio<br />

S. brasiliensis 265 120 100% camarão<br />

Foram capturados 40 peixes <strong>de</strong> cinco espécies diferentes no reservatório Moxotó. Os dados<br />

obtidos estão expostos na Tabela 3. Foram encontrados nas vísceras <strong>de</strong> <strong>de</strong>terminados peixes, exemplares<br />

<strong>de</strong> M. amazonicum, gastrópo<strong>de</strong>s, pequenos peixes, além <strong>de</strong> bivalves. Alguns exemplares estavam <strong>de</strong><br />

estômago vazio, já em outros <strong>de</strong>vido ao tipo <strong>de</strong> alimento e a um longo período <strong>de</strong>pois do alimento<br />

ingerido e, portanto <strong>de</strong>gradado, o material não se prestou a uma i<strong>de</strong>ntificação substancialmente concreta.<br />

Os exemplares <strong>de</strong> peixes capturados no reservatório <strong>de</strong> PA IV num total <strong>de</strong> 50 e seus conteúdos<br />

estomacais estão listados na Tabela 4. As observações feitas sobre Egeria <strong>de</strong>nsa mostraram um gran<strong>de</strong><br />

índice <strong>de</strong> a<strong>de</strong>nsamento <strong>de</strong>ssa espécie em toda extensão do reservatório.<br />

Tabela 3. Composição do conteúdo estomacal <strong>de</strong> espécies <strong>de</strong> peixes carnívoros do reservatório<br />

Moxotó.<br />

Espécie Tamanho (mm) Peso (g) Conteúdo estomacal<br />

A. ocellatus 210 –230 310 – 450 100% camarão<br />

S. brandtii 160 – 260 90 - 400 80% camarão, 10% moluscos e 10% vazio<br />

P. squamosissimus 110 – 240 25 – 190 50% camarão, 12% peixe e 38% vazio<br />

A. britskii 160 – 200 20 – 50 33% peixe, 33% gastrópodos, 34% vazio ou<br />

não i<strong>de</strong>ntificado<br />

G. carapo 190 – 205 10 – 20 vazio


113<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

Tabela 4. Composição do conteúdo estomacal <strong>de</strong> espécies <strong>de</strong> peixes carnívoros do reservatório<br />

PA IV.<br />

Espécie Tamanho (mm) Peso (g) Conteúdo estomacal<br />

C. ocellaris 250-370 150-550 14% camarão, 72% camarão e peixe e 14% vazio<br />

S. brandtii 180-240 170-370 43% camarão, 14% camarão e peixe, 14%<br />

camarão e molusco e 29% vazio<br />

H. smalabaricus 210-270 90-240 61% camarão, 39 % vazio<br />

M. micans 85-120 30-50 14% camarão, 43% camarão e vegetais e 43%<br />

vegetais<br />

Foram realizadas duas coletas neste Reservatório que apresentaram a maior varieda<strong>de</strong> <strong>de</strong><br />

espécies entre os ambientes aquáticos estudados, num total <strong>de</strong> 50 exemplares. Destaca-se a presença <strong>de</strong><br />

A. ocellatus e P. squamosissimus como mostra a Tabela 5. A presença <strong>de</strong> M. amazonicum no<br />

reservatório po<strong>de</strong> ser confirmada pela análise do conteúdo estomacal dos peixes. A presença <strong>de</strong> A.<br />

ocellatus po<strong>de</strong> ser explicada pela preferência que o peixe tem por moluscos bivalves e gastrópodos<br />

encontrados em gran<strong>de</strong> quantida<strong>de</strong> no Reservatório geralmente associado a macrófitas. É notável<br />

também a preferência <strong>de</strong> P. squamosissimus pelo M. amazonicum na sua dieta alimentar. Sendo o<br />

menor dos quatro reservatórios pesquisados, o reservatório Delmiro Gouveia <strong>de</strong>monstrou uma maior<br />

<strong>de</strong>nsida<strong>de</strong> <strong>de</strong> macrófitas no lado Oeste. As macrófitas, principalmente E. <strong>de</strong>nsa, são arrastadas para<br />

essa região <strong>de</strong>vido à ação eólica.<br />

Tabela 5. Composição do conteúdo estomacal <strong>de</strong> espécies <strong>de</strong> peixes carnívoros no reservatório Delmiro<br />

Gouveia.<br />

Espécie Tamanho (mm) Peso (g) Conteúdo estomacal<br />

C. ocellaris 225 130-130 100% Vazio<br />

S. brandtii 175-265 120-450 52% camarão, 26% molusco, 22% vazio<br />

H. malabaricus 250-360 200-540 40% camarão, 30% peixe, 30% vazio<br />

P. squamosissimus 255-275 200-260 100% camarão<br />

A. ocellatus 215-240 280-380 16% camarão, 84% molusco<br />

M. micans 200 170-170 100% vegetação<br />

No lago da Se III <strong>de</strong> aproximadamente dois hectares, foram coletados exemplares <strong>de</strong> P.<br />

squamosissimus (a captura predatória reduz as populações <strong>de</strong> peixes neste Lago, o que torna a pesca<br />

escassa). O conteúdo estomacal dos exemplares analisados apresentou apenas resíduos <strong>de</strong> peixe. P.


114<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

squamosissimus apresentou gran<strong>de</strong> preferência por M. amazonicum nos reservatórios povoados por E.<br />

<strong>de</strong>nsa, macrófita praticamente inexistente neste Lago. A análise do conteúdo estomacal <strong>de</strong> alguns<br />

exemplares <strong>de</strong> P. squamosissimus capturados no Lago confirma a importância <strong>de</strong> E. <strong>de</strong>nsa para a<br />

colonização <strong>de</strong> M. amazonicum, pois a freqüência do crustáceo como índice alimentar foi <strong>de</strong> 0% neste<br />

ambiente.<br />

DISCUSSÃO<br />

Os estudos sobre macrófitas aquáticas aumentaram consi<strong>de</strong>ravelmente no Brasil a partir <strong>de</strong><br />

1980. Essa comunida<strong>de</strong> apresenta reconhecida importância ecológica, mas, em <strong>de</strong>terminadas situações<br />

em que seu crescimento é acelerado po<strong>de</strong> provocar sérios prejuízos aos usos múltiplos dos ecossistemas<br />

aquáticos (THOMAZ & BINI, 2003).<br />

As plantas aquáticas como o aguapé, Eichornia crassipes propicia em suas raízes a proliferação<br />

<strong>de</strong> toda uma comunida<strong>de</strong> viva, constituída <strong>de</strong> bactérias aeróbias, algas, protozoários ou pequenos<br />

crustáceos e larvas <strong>de</strong> insetos ou moluscos (LUTZENBERGER, 1985).<br />

Segundo MILSTEIN (1992) em manejos <strong>de</strong> lagos, a ativida<strong>de</strong> alimentar da carpa capim,<br />

diminui o escon<strong>de</strong>rijo para invertebrados, pequenos peixes e crustáceos, com a gran<strong>de</strong> disponibilida<strong>de</strong><br />

<strong>de</strong> predação, <strong>de</strong>vido à erradicação da vegetação.<br />

Informações sobre a dieta <strong>de</strong> peixes do gênero Brycon, em estudo realizado por LEITE (2002),<br />

principalmente adultos, e <strong>de</strong> jovens maiores que 60 mm, mostraram a importância dos alimentos <strong>de</strong><br />

origem vegetal e artrópo<strong>de</strong>s (MULLER & TROSCHEL, 1844; BREEDER, 1927; MENEZES, 1969;<br />

KNÖPELL, 1970; GOULDING, 1980; BORGES, 1986). As informações sobre juvenis iniciais <strong>de</strong><br />

Brycon amazonicum (Pisces, Characidae) em condições naturais são escassas, principalmente porque<br />

nas primeiras fases <strong>de</strong> <strong>de</strong>senvolvimento, os indivíduos <strong>de</strong>sta espécie se encontram entre as macrófitas<br />

aquáticas (JUNK, 1973).<br />

Áreas alagadas associadas às represas são fonte da diversida<strong>de</strong> e aumento da biomassa <strong>de</strong><br />

espécies <strong>de</strong> peixes, crustáceos, macrófitas, aves e mamíferos. Os macroinvertebrados bentônicos,<br />

macrozoobentos ou macrofauna bentônica compreen<strong>de</strong>m um grupo <strong>de</strong> organismos com tamanhos a<br />

partir <strong>de</strong> 1 mm, que apresentam uma relação direta com o fundo, o que resulta numa certa uniformida<strong>de</strong><br />

<strong>de</strong> modos <strong>de</strong> vida, apesar das suas distintas origens filogenéticas (DAY et al. 1989).<br />

Em relação a macrofauna <strong>de</strong> maior mobilida<strong>de</strong> BEMVENUTI (1992) e GACIA et al. (1996)<br />

mencionam, que nas enseadas estuarinas da Lagoa dos Patos, os juvenis dos camarões Farfantepenaeus<br />

paulensis e Palaemonetes argentinus, do siri Callinectes sapidus e do caranguejo Cytograpsus<br />

angulatus, são encontrados em maior abundância entre as macrófitas. Tanto os juvenis <strong>de</strong> <strong>de</strong>cápo<strong>de</strong>s


115<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

como os integrantes da epifauna se<strong>de</strong>ntária, beneficiam-se da presença da pradaria pelo aumento da<br />

oferta <strong>de</strong> alimento, da disponibilida<strong>de</strong> e diversida<strong>de</strong> <strong>de</strong> habitat e <strong>de</strong> proteção contra a predação <strong>de</strong><br />

peixes, <strong>de</strong>cápo<strong>de</strong>s <strong>de</strong> maior porte e aves (BEMVENUTI, 1987).<br />

A análise dos distintos trabalhos envolvendo os macroinvertebrados bentônicos em pradarias <strong>de</strong><br />

Ruppia maritima na região Sul (ASMUS 1984, GARCIA et al. 1996, GERALDI 1997), indicaram que<br />

a espermatófita e suas algas associadas, especialmente Enteromorpha spp. influenciam na estruturação<br />

das associações <strong>de</strong> macroinvertebrados bentônicos, incluindo os crustáceos <strong>de</strong>cápo<strong>de</strong>s.<br />

No presente trabalho, o estudo dos hábitos alimentares dos peixes carnívoros do sub-médio rio São<br />

Francisco mostrou que em ambientes invadidos por E. <strong>de</strong>nsa, espécies <strong>de</strong> macroinvertebrados tiveram<br />

sua colonização favorecida. Essa invasão variou <strong>de</strong> um reservatório para outro, no caso do Reservatório<br />

PA IV, por tratar-se <strong>de</strong> um ambiente não muito profundo em seu leito e as margens possuem largas<br />

faixas bem rasas, possivelmente a espécie tenha encontrado condições favoráveis para sua dispersão,<br />

pois a quantida<strong>de</strong> excessiva <strong>de</strong> nutrientes <strong>de</strong> origem artificial oriundo <strong>de</strong> esgotos domésticos e<br />

industriais, aliado a transparência da água permite que uma gran<strong>de</strong> penetração <strong>de</strong> luz favoreça a<br />

proliferação <strong>de</strong> organismos autotróficos. Quando o nível <strong>de</strong> água do Reservatório está muito alto e a<br />

água turva, ocorre dispersão da população <strong>de</strong> E. <strong>de</strong>nsa presente nas margens do reservatório. Essa<br />

dispersão, segundo os pescadores, diminui a quantida<strong>de</strong> <strong>de</strong> camarão, mesmo assim, alguns exemplares<br />

po<strong>de</strong>m ser capturados na própria vegetação ciliar inundada.<br />

Resultado diferente dos outros reservatórios estudados ocorre no Lago da SE III. Como não<br />

recebe água diretamente do rio São Francisco, não se encontra neste ambiente populações <strong>de</strong><br />

macrófitas, sendo as margens e parte central do Lago povoado por gramíneas esparsas. A ausência <strong>de</strong><br />

E. <strong>de</strong>nsa torna o estudo <strong>de</strong>ste Lago particularmente especial como forma <strong>de</strong> comparação em relação aos<br />

<strong>de</strong>mais reservatórios estudados on<strong>de</strong> o vegetal estava presente sempre em gran<strong>de</strong> quantida<strong>de</strong>. A<br />

ausência <strong>de</strong> um microambiente para refúgio torna difícil, em tese, a colonização do Lago por M.<br />

amazonicum.<br />

Sobre a alimentação dos peixes nos diversos reservatórios a espécie P. squamosissimus<br />

apresentou 75% <strong>de</strong> M. amazonicum em sua dieta, enquanto em ambientes sem a macrófita a pesquisa<br />

apontou para 100% <strong>de</strong> peixes na dieta alimentar <strong>de</strong>ssa espécie. C. ocellaris apresentou em ambientes<br />

invadidos por E. <strong>de</strong>nsa uma freqüência <strong>de</strong> ocorrência <strong>de</strong> 44,5% para M. amazonicum e 45% <strong>de</strong> M.<br />

amazonicum associado a peixes na sua dieta alimentar. A espécie onívora M. micans, apresentou quase<br />

sempre camarão associado a macrófitas em sua dieta (FO = 68%) ou apenas vegetação. A. ocellatus<br />

mostrou preferência marcante em sua alimentação por moluscos planorbí<strong>de</strong>os do gênero Biamphalaria<br />

no reservatório Delmiro Gouveia (FO = 84%). Porém, no reservatório Moxotó esta espécie restringiu


116<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

sua dieta a M. amazonicum. A facilida<strong>de</strong> para captura do crustáceo ou a ausência <strong>de</strong> moluscos neste<br />

Reservatório po<strong>de</strong> ser uma explicação plausível para o fato ocorrido. S. brasiliensis no reservatório<br />

Itaparica, apresentou em seu conteúdo alimentar 100% do crustáceo em estudo. Sabe-se que Salminus<br />

spp., pelo gran<strong>de</strong> porte, alimenta-se também <strong>de</strong> gran<strong>de</strong> varieda<strong>de</strong> <strong>de</strong> peixes. Assim, supõe-se que o<br />

percentual <strong>de</strong> 100% do crustáceo na alimentação da espécie no reservatório <strong>de</strong> Itaparica <strong>de</strong>veu-se ao<br />

fato dos exemplares capturados serem juvenis com comprimento médio <strong>de</strong> 265 mm dando preferência<br />

nessa fase por crustáceos, aliado também à abundância <strong>de</strong>sse alimento no Reservatório.<br />

As macrófitas são componentes muito importantes na biocenose do ambiente aquático.<br />

Constituem fontes <strong>de</strong> alimentos e abrigo para reprodução e proteção <strong>de</strong> inúmeros organismos aquáticos.<br />

Também são importantes na promoção <strong>de</strong> heterogeneida<strong>de</strong> espacial e sazonal, promovendo maior<br />

diversida<strong>de</strong> <strong>de</strong> habitats, com reflexos na diversida<strong>de</strong> biológica do sistema.<br />

As regiões dos reservatórios da CHESF, sub-médio rio São Francisco povoadas por macrófitas,<br />

principalmente E. <strong>de</strong>nsa, contribuem substancialmente à piscicultura extensiva, pois permitem a<br />

colonização nos reservatórios por crustáceos, larvas <strong>de</strong> peixes, moluscos, <strong>de</strong>stacando-se a presença do<br />

camarão-canela M. amazonicum. Estes organismos beneficiam-se do aumento da oferta <strong>de</strong> alimento, da<br />

disponibilida<strong>de</strong> e diversida<strong>de</strong> <strong>de</strong> habitat e <strong>de</strong> proteção contra a predação <strong>de</strong> peixes.<br />

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119<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

INCUBADORA HB PARA OVOS DE PEIXES DE ÁGUA DOCE E SUA LARVICULTURA<br />

(PATENTE : MU 7903279-6*)<br />

Haroldo Gomes BARROSO (hgbarosso@cca.uema.br)<br />

Diretoria do Curso <strong>de</strong> <strong>Engenharia</strong> <strong>de</strong> <strong>Pesca</strong>, Universida<strong>de</strong> Estadual do Maranhão.<br />

Athiê Jorge Guerra dos SANTOS (athie@hotlink.com)<br />

Departamento <strong>de</strong> <strong>Pesca</strong> e Aqüicultura Universida<strong>de</strong> Fe<strong>de</strong>ral, Rural <strong>de</strong> Pernambuco.<br />

*Patenteada pelo primeiro autor<br />

RESUMO<br />

Este trabalho teve como objetivo, projetar e operacionalizar um novo sistema <strong>de</strong> incubação <strong>de</strong> ovos <strong>de</strong><br />

peixes <strong>de</strong> água doce <strong>de</strong> valor comercial, motivado pela carência <strong>de</strong> pesquisas aplicadas ao<br />

<strong>de</strong>senvolvimento <strong>de</strong> novos equipamentos capazes <strong>de</strong> maximizar uma produção segura <strong>de</strong> larvas e<br />

alevinos na piscicultura. Projetou-se uma incubadora em forma <strong>de</strong> taça rasa, circular, medindo<br />

1500mm <strong>de</strong> diâmetro na parte superior e 100mm na tomada d’água, com uma área <strong>de</strong> 1,77 m 2 e<br />

profundida<strong>de</strong> média <strong>de</strong> 300mm, seu volume operacional é <strong>de</strong> 410 L, executada em fibra <strong>de</strong> vidro,<br />

contendo um filtro em sua base, oferecendo maior qualida<strong>de</strong> da água durante o processo <strong>de</strong> incubação.<br />

Os testes realizados na incubação <strong>de</strong> ovos flutuantes <strong>de</strong> tambaqui (Colossoma macropomum CUVIER,<br />

1818) e curimatãs Prochilodus spp. e nos ovos a<strong>de</strong>rentes <strong>de</strong> carpa-comum Cyprinus carpio<br />

LINNAEUS (1758) e bagre-africano (Clarias gariepinus BURCHELL, 1822), mostrou-se eficiente na<br />

qualida<strong>de</strong> da água nos aspectos físicos, químicos e biológicos. O equipamento ainda mostrou-se eficaz<br />

na sobrevivência dos ovos flutuantes, com índice <strong>de</strong> 94% e nos a<strong>de</strong>rente com 87%, <strong>de</strong>monstrou-se<br />

ainda na larvicultura seu total aproveitamento.<br />

Palavras-chave: Peixes, Incubadora, reprodução, sobrevivência, larvicultura.<br />

ABSTRACT<br />

This study had the purpose of projecting and marking operational a new system for the incubation of<br />

commercially valuable fish eggs, motived by the lack of researches applied on <strong>de</strong>velopmet of news<br />

equipments able to increase the safe larvae and alevins production in fish culture. A circular and flat<br />

cup shaped incubator was projected, having an upper part of 1.500 mm of diameter and a part of 100<br />

mm on to take water, with an area of 1,77 m 2 and average <strong>de</strong>pth 300 mm, its volume is 410 L,<br />

projected in glass fiber with a filter in its base; offering larger quality of water during the process of<br />

incubation. The tests accomplished in the tambaqui (Colossoma macropomum-CURVIER, 1818) and<br />

Curimatás (Prochilodus spp.) floating and adherent eggs and commom carp (Cyprinus carpio-


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Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

LINAEUS, 1758) and African catfish (Clarias gariepinus-BURCHELL-1822) adherent eggs, has<br />

shown efficacy in the physical, chemical and biological water aspect. The has still equipment shown<br />

efficacy on the floating eggs survival with in<strong>de</strong>x of 94%, and on the adherent eggs survival with 87%,<br />

shwn in the larva culture its total profit.<br />

Key-words: Fishes, System for the incubation, reproduction, survival, larviculture<br />

INTRODUÇÃO<br />

A quantida<strong>de</strong> <strong>de</strong> água na terra é estimada em aproximadamente 1,65 bilhões <strong>de</strong> km 3 , mantendo-se em<br />

ciclos hidrológicos dinâmicos a partir da energia radiada pelo sol e trabalhado pelos infindos<br />

ecossistemas existentes no planeta, (ODUM, 1975).<br />

De acordo com a publicação do ALMANAQUE ABRIL (2005), a <strong>de</strong>mografia mundial é <strong>de</strong>mografia<br />

mundial foi <strong>de</strong> 6.3 bilhões <strong>de</strong> habitantes com um crescimento médio <strong>de</strong> 1,68% ao ano, apontando para<br />

7.9 bilhões habitantes em 2025. Por outro lado, a Food and Agriculture Organization-FAO,<br />

GARIBALDI (1996), revelam uma produção <strong>de</strong> pescado na or<strong>de</strong>m <strong>de</strong> 108,75 milhões <strong>de</strong> toneladas,<br />

tendo como média a produção <strong>de</strong> 98 milhões <strong>de</strong> toneladas nos últimos 10 anos, o que equivale a um<br />

consumo per capta <strong>de</strong> aproximadamente 0,02 kg, contra a sua recomendação que é <strong>de</strong> 13,10 kg,<br />

totalizando uma <strong>de</strong>manda mundial <strong>de</strong> 82 bilhões <strong>de</strong> toneladas necessárias para aten<strong>de</strong>r as taxas <strong>de</strong><br />

oferta protéica <strong>de</strong> origem animal à humanida<strong>de</strong>. Do total produzido em 1995, a América Latina e<br />

Caribe contribuíram com 20,62 milhões <strong>de</strong> toneladas, correspon<strong>de</strong>nte a 18,95% da produção mundial.<br />

Segundo relata SILVA (1996), a partir da década <strong>de</strong> 70, houve um gran<strong>de</strong> avanço tecnológico<br />

objetivando o aumento da produção <strong>de</strong> pescado mundial. Fatos como este, concorreram para que a<br />

FAO, em reunião técnica realizada na cida<strong>de</strong> <strong>de</strong> Tóquio, em 1996, apontasse a aqüicultura como a<br />

única alternativa viável a aten<strong>de</strong>r a <strong>de</strong>manda mundial crescente <strong>de</strong> pescado, sem contudo <strong>de</strong>sequilibrar<br />

o meio ambiente. Outrossim, com a estabilização da captura em torno <strong>de</strong> 100 milhões <strong>de</strong> toneladas por<br />

ano, a aqüicultura será a real alternativa à oferta regular <strong>de</strong> pescado no mercado, nos diversos níveis.<br />

Dados <strong>de</strong>mográficos registram uma população <strong>de</strong> 179,1 milhões habitantes no Brasil, com taxa <strong>de</strong><br />

crescimento <strong>de</strong> 1,3% ao ano em 2004 (IBGE, 2006). Em 2002, cerca <strong>de</strong> 1,006 milhão <strong>de</strong> toneladas <strong>de</strong><br />

pescado foram produzidas, o que representou um consumo per capta <strong>de</strong> apenas 0,01 kg, embora<br />

disponha <strong>de</strong> 55.457 km 2 <strong>de</strong> águas interiores e 7.367 km <strong>de</strong> litoral.<br />

SILVA, (1996), relata os primeiros trabalhos sobre a fecundação artificial <strong>de</strong> peixes é datada <strong>de</strong> 1758,<br />

pelo austro-alemão Jacobi, porém a primeira estação <strong>de</strong> piscicultura do mundo foi construída em<br />

Munique, na Alemanha, em 1850; daí a disseminação da piscicultura na Europa Central, Inglaterra,


121<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

Estados Unidos da América, Argentina e Brasil, embora a mesma só tenha sido estimulada após o<br />

segundo pós-guerra, <strong>de</strong>vido a carência <strong>de</strong> alimentos proteicos <strong>de</strong> baixo custo <strong>de</strong> produção.<br />

Segundo (VAZZOLER, 1997), os estudos <strong>de</strong> ecologia <strong>de</strong> ovos e larvas nos ambientes naturais<br />

encontram-se ainda muito incipiente, porém, a reprodução natural, nos cursos d’água, sofre <strong>de</strong>cadência<br />

em curto espaço <strong>de</strong> tempo em função das agressões ambientais, que modificam a vida aquática.<br />

Segundo WOYNAROVICH & HÓRVATH, (1983) e TAVARES, (1994); a qualida<strong>de</strong> <strong>de</strong> água é um<br />

dos fatores mais importantes no processo <strong>de</strong> incubação <strong>de</strong> ovos e larvicultura. Fatores físicos,<br />

químicos, biológicos e mecânicos precisam estar em perfeita harmonia com as exigências das espécies,<br />

garantindo o sucesso da incubação e larvicultura. Tais fatores po<strong>de</strong>m ser alterados não só pelo formato<br />

da incubadora, mas também pelos acessórios que nela possam ser adaptados.<br />

De acordo com relatos <strong>de</strong> LIMA et al. (1989); CHABALIN et al. (1989) e SILVA (1996), nota-se que,<br />

a exemplo do Brasil, países europeus como a Hungria, Áustria, Espanha, Alemanha, França e Portugal,<br />

promovem poucos investimentos em qualida<strong>de</strong> na propagação artificial <strong>de</strong> peixes, principalmente no<br />

que diz respeito à eficiência <strong>de</strong> equipamentos na incubação <strong>de</strong> ovos e larvicultura. Os últimos<br />

lançamentos são da década <strong>de</strong> 70, na Hungria e introduzida no Brasil na década <strong>de</strong> 80 pelo próprio<br />

inventor Élek Woynarovich (WOYNAROVICH, 1988).<br />

O presente trabalho teve como objetivo, projetar, <strong>de</strong>senvolver e operar um novo sistema <strong>de</strong> incubação<br />

<strong>de</strong> ovos <strong>de</strong> peixes <strong>de</strong> água doce, bem como garantir a sobrevivência das larvas até absoverem sua<br />

reserva alimentar e a primeira refeição via oral.<br />

O PROJETO INICIAL DA INCUBADORA<br />

MATERIAL E MÉTODO<br />

Inúmeros foram os motivos que nortearam a projeção da nova incubadora:<br />

- Alta <strong>de</strong>manda <strong>de</strong> alevinos e precária oferta;<br />

- Falta <strong>de</strong> assistência técnica, pública e privada;<br />

- A necessida<strong>de</strong> <strong>de</strong> uma aproximação <strong>de</strong> tecnologias simplificadas, <strong>de</strong> fácil concepção por<br />

produtores dos diversos níveis.<br />

O primeiro passo foi a elaboração <strong>de</strong> um projeto <strong>de</strong> um laboratório móvel, em 1989, na tentativa <strong>de</strong><br />

resolver os problemas <strong>de</strong> <strong>de</strong>manda, <strong>de</strong>slocando-se até as proprieda<strong>de</strong>s produtoras <strong>de</strong> peixe em cativeiro.<br />

Como não foi possível sua execução, priorizou-se a construção <strong>de</strong> parte do projeto que foi o protótipo<br />

da nova incubadora. Ainda naquele ano, várias diligências foram feitas a diversas entida<strong>de</strong>s,<br />

objetivando-se financiamento para sua execução, fato concretizado em 1995.<br />

O projeto da nova incubadora priorizou os seguintes aspectos:


a) Área: Essa pesquisa foi <strong>de</strong>senvolvida sobre dois aspectos principais:<br />

122<br />

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ÁREA SUPERFICIAL – A nova incubadora tem uma superfície <strong>de</strong> 1,77 m 2 , consi<strong>de</strong>rada <strong>de</strong> fundamental<br />

importância, tanto em relação contato da água com o ar, como oferta <strong>de</strong> espaço para natação horizontal<br />

das larvas após o aparecimento da bexiga natatória, para espécies pelágicas, com maior dinamismo.<br />

SUBSTRATO – O <strong>de</strong>senho da nova incubadora tem forma <strong>de</strong> taça, contempla uma área <strong>de</strong> cerca <strong>de</strong> 3 m 3<br />

<strong>de</strong> substrato para as larvas bentônicas, com menor dinamismo (FIGURAS 1 e 2).<br />

b) Profundida<strong>de</strong>: outro aspecto <strong>de</strong> fundamental importância é a pouca profundida<strong>de</strong> da nova<br />

incubadora, com uma média <strong>de</strong> 25 cm, em sua maior área e 55 cm no centro da mesma, on<strong>de</strong> acontece<br />

o abastecimento. O projeto preconizou uma incubadora rasa <strong>de</strong>vido ao gran<strong>de</strong> stress submetido às<br />

larvas nos sistemas utilizado ultimamente (FIGURAS 1 e 2).<br />

Com a construção do primeiro protótipo, as falhas foram sendo <strong>de</strong>tectadas e conseqüentemente<br />

ajustadas <strong>de</strong> acordo com as necessida<strong>de</strong>s. A primeira necessida<strong>de</strong> refere-se ao abastecimento da água,<br />

que normalmente conduz inúmeros problemas para a incubação como materiais em suspensão,<br />

predadores, consumidores, entre outros. Daí o estudo <strong>de</strong> um sistema <strong>de</strong> abastecimento com filtro<br />

individual. O filtro foi projetado, construído e testado, e posteriormente acoplado na base inferior da<br />

incubadora, na tomada <strong>de</strong> água.<br />

c) Filtro: Construído em PVC rígido, <strong>de</strong> 111 mm <strong>de</strong> diâmetro e 350 mm <strong>de</strong> comprimento; em sua<br />

extremida<strong>de</strong> posterior interna, encontra-se um projetor <strong>de</strong> tela perfurado (furos <strong>de</strong> 1,00 mm), também<br />

<strong>de</strong> PVC e uma tela interna <strong>de</strong> 360 µ, cuja finalida<strong>de</strong> cuja finalida<strong>de</strong> é tão somente pressionar o material<br />

filtrante existente no interior do filtro. Na extremida<strong>de</strong> anterior existe outro protetor e tela semelhante,<br />

<strong>de</strong>scrito ao anterior, que pressiona <strong>de</strong> forma contrária, mantendo o material filtrante sempre<br />

compactado. Ainda nesta extremida<strong>de</strong> fechada foi colocado um adaptador em PVC LR <strong>de</strong> 50 mm para<br />

25 mm., que objetiva receber o abastecimento da água e a válvula <strong>de</strong> retro-lavagem.<br />

O filtro ainda contém uma pedra porosa, na bolsa formada pelo niple, on<strong>de</strong> o ar comprimido é lançado,<br />

antes <strong>de</strong> passar pela filtragem, evitando bolhas. Com isso, eliminam-se os atritos mecânicos das bolhas<br />

<strong>de</strong> ar e os ovos, especialmente os flutuantes, mais <strong>de</strong>licados e sensíveis. Este novo sistema <strong>de</strong><br />

incubação, <strong>de</strong> agora em diante <strong>de</strong>nominada HB, foi projetado na tentativa <strong>de</strong> preencher uma lacuna<br />

<strong>de</strong>ixada na fase pós-eclosão, on<strong>de</strong> os índices <strong>de</strong> mortalida<strong>de</strong> nessa fase são bastante elevados. Teve sua<br />

concepção final com as seguintes fases:<br />

1 – CONSTRUÇÃO<br />

Inicialmente proce<strong>de</strong>u-se a construção <strong>de</strong> uma pré-forma, confeccionada em gesso, polida e acabada.<br />

Após construiu-se a primeira incubadora em fibra <strong>de</strong> vidro, que serviu <strong>de</strong> mol<strong>de</strong> para a construção da


123<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

forma <strong>de</strong>finitiva, também em fibra <strong>de</strong> vidro. Foram construídas mais quatro unida<strong>de</strong>s, totalizando em<br />

cinco o número <strong>de</strong> incubadoras HB, para efetuar os experimentos subseqüentes.<br />

As incubadoras HB são construídas em fibra <strong>de</strong> vidro, reforçada em suas curvaturas para evitar<br />

flambagem e possíveis rachaduras. Nelas estão contidos drenos simétricos, protegidos com telas <strong>de</strong><br />

360µ, para evitar a fuga <strong>de</strong> ovos, larvas e pós-larvas (dimensões nas FIGURAS 1, 2 e 3). As<br />

incubadoras HB dispõem <strong>de</strong> filtro capaz <strong>de</strong> evitar o ingresso <strong>de</strong> partículas em suspensão, concorrentes<br />

bióticos, e abióticos, neutralizar o pH da água, controlar a oferta <strong>de</strong> oxigênio a partir <strong>de</strong> um compressor<br />

<strong>de</strong> ar, adaptar termostatos para regular a temperatura da água nas incubadoras e <strong>de</strong> fácil limpeza.<br />

2 – OPERAÇÃO<br />

Operação do equipamento é muito simples. O abastecimento é feito por gravida<strong>de</strong>, com graduação<br />

mecânica <strong>de</strong> vazão, que varia <strong>de</strong> zero a 18,636 L /min., com uma altura monométrica <strong>de</strong> 2 m. A<br />

drenagem é feita por drenos simétrico. O equipamento dispõe <strong>de</strong> um filtro na parte inferior, por on<strong>de</strong> a<br />

água entra na incubadora; por sua vez, o mesmo contém uma válvula para retrolavagem, capaz <strong>de</strong><br />

limpar os resíduos retidos na filtragem, evitando-se assim, qualquer risco <strong>de</strong> interrupção no fluxo<br />

d’água. A incubadora HB <strong>de</strong>ve ser montada em base <strong>de</strong> ferro ou ma<strong>de</strong>ira, <strong>de</strong> forma que seu<br />

nivelamento seja perfeito, capaz <strong>de</strong> favorecer a drenagem pelas quatro saídas.<br />

Figura 1 – Vista frontal da incubadora (Escala 1:10)<br />

LEGENDA<br />

1 Cano <strong>de</strong> abastecimento<br />

2 Registro p/retrolavagem do filtro- PVC<br />

25mm.<br />

3 “T” liso PVC 25mm<br />

4 Adaptador p/cx.d’água PVC Liso-<br />

25mm<br />

5 Caps PVC rígido rosca interna<br />

6 Cano PVC rígido rosca externa 110mm<br />

7 Luva rígida rosca interna 110mm<br />

8 Niple LR-PVC p/drenagem 20mm<br />

9 Cx <strong>de</strong> coleta d’água drenada em fibra<br />

<strong>de</strong> vidro<br />

10 Tela micrométrica 360 micras<br />

11 Cupula p/discipação e direcionamento<br />

da corrente d’água<br />

12 Base <strong>de</strong> sustentação <strong>de</strong> ma<strong>de</strong>ira


Figura 2 – Corte frontal da incubadora (Escala 1:10)<br />

Figura 3 – Detalhe do filtro (Escala 1:2)<br />

LEGENDA<br />

1 Ralo <strong>de</strong> chuveiro PVC 80mm 4 Carvão ativado<br />

2 Tela 360 micras 5 Mármore branco triturado 8mm<br />

3 Mármore triturado 4mm<br />

124<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

LEGENDA<br />

1 Raio <strong>de</strong> pneu <strong>de</strong> bicicleta<br />

2 Ralo <strong>de</strong> chuveiro PVC <strong>de</strong> 80mm<br />

3 Tela <strong>de</strong> 360 micras<br />

4 Mármore trituado 4mm<br />

5 Carvão ativado<br />

6 Mármore branco triturado 8mm


125<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

3 – CUSTOS<br />

No <strong>de</strong>senvolvimento do equipamento, obtiveram-se dois tipos <strong>de</strong> custos, os fixos, com gastos<br />

exclusivos com material e mão-<strong>de</strong>-obra,e os variados, com <strong>de</strong>spesas <strong>de</strong> <strong>de</strong>slocamentos e testes. O custo<br />

<strong>de</strong> produção <strong>de</strong> cada incubadora foi estimada em torno <strong>de</strong> R$ 995,58 (novecentos noventa e cinco reais<br />

e cinqüenta e oito centavos), <strong>de</strong>s<strong>de</strong> a matéria-prima, mão-<strong>de</strong>-obra e acabamento (TABELA 1).<br />

TABELA 1 – Custo <strong>de</strong> produção da Incubadora HB (X R$ 1,00)<br />

Discriminação Quant. Unid. Valor Unit. Valor Total<br />

Ma<strong>de</strong>irite 150 mm 3 Folhas 22 91,20<br />

Cola 2 L 3 8,30<br />

Lixa 1 Dz 3 4,10<br />

Tinta aparelho 2 L 3 8,30<br />

Desmoldante 2 galão 70 195,50<br />

Fibra <strong>de</strong> vidro 60 Kg 18 1.492,90<br />

Resina 6 galão 35 290,20<br />

Tinta antitóxica 6 L 26 215,60<br />

Niple <strong>de</strong> PVC-RR 10 unid 22 304,10<br />

Luva <strong>de</strong> PVC-RR 5 und 15 103,60<br />

Cano <strong>de</strong> PVC-RR 1 und 160 221,10<br />

Material filtrante 9 Kg 2 24,80<br />

Mão-<strong>de</strong>-obra 2.018,20<br />

TOTAL (R$) 4.977,90<br />

TOTAL (U$) 2.118,26<br />

Dividido por 5 temos o valor unitário


TESTES DE INCUBAÇÃO DE OVOS E LARVICULTURA<br />

126<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

Para testar a eficiência do novo sistema <strong>de</strong> incubadora, escolheram-se quatro espécies <strong>de</strong> peixe; duas<br />

que <strong>de</strong>sovassem ovos a<strong>de</strong>rentes e outras duas que possuíssem ovos flutuantes.<br />

OVOS ADERENTES<br />

a) carpa-comum (Cyprinus carpio LINNAEUS, 1758)<br />

Este teste foi realizado na base <strong>de</strong> Piscicultura da UFRPE, em novembro <strong>de</strong> 1996. um total <strong>de</strong> 44<br />

carpas maduras (26 machos e 18 fêmeas) foram selecionadas no viveiro estoque <strong>de</strong> 1.000 m 2 e<br />

transferidas para o tanque interno <strong>de</strong> <strong>de</strong>sova <strong>de</strong> 6,0 m 2 (3,0 x 2,0). Logo em seguida foram colocadas<br />

baronesas, Eichornia crassispes, para servirem <strong>de</strong> substrato para os ovos. O tanque foi mantido com<br />

fluxo <strong>de</strong> água contínuo. A <strong>de</strong>sova foi induzida naturalmente e após a sua ocorrência, durante a<br />

madrugada, os ovos junto com as baronesas foram transferidos para as incubadoras do tipo HB (duas<br />

incubadoras), e do tipo funil, que serviu como controle. O fluxo <strong>de</strong> água em ambas incubadoras foi do<br />

tipo ascen<strong>de</strong>nte e contínuo. Nas incubadoras tipo HB, porém, foi acoplado o filtro, conforme <strong>de</strong>scrito<br />

no item anterior. Este filtro ficou posicionado no sentido horizontal, junto ao solo, em fase <strong>de</strong> testes<br />

iniciais.<br />

b) Bagre-africano (Clarias geriepinus BURCHELL, 1822)<br />

Este teste foi realizado em setembro <strong>de</strong> 1997 na Mar Doce Nor<strong>de</strong>ste Piscicultura Projetos Ltda. –<br />

Produção <strong>de</strong> alevinos e projetos <strong>de</strong> piscicultura, empresa <strong>de</strong> iniciativa privada, localizada em<br />

Camaragibe-PE. Para a <strong>de</strong>sova do bagre-africano foram selecionados quatro peixes maduros; dois<br />

machos e duas fêmeas. A <strong>de</strong>sova foi induzida por meio da hipofisação. Os óvulos foram extraídos da<br />

fêmea logo após a ovulação, e fecundados com sêmen coletados <strong>de</strong> machos recém sacrificados. Os<br />

ovos foram então espalhados em telas <strong>de</strong> nylon, armadas em aros <strong>de</strong> ferro, e dispostas na incubadora<br />

HB e noutra convencional, ou seja, do tipo funil. Na incubadora HB acoplou-se o filtro, porém, já no<br />

sentido vertical, junto à base da incubadora, e não no sentido horizontal como <strong>de</strong>monstrado no item<br />

anterior. Semelhante à <strong>de</strong>sova <strong>de</strong> carpa, os parâmetros tais como temperatura da água, oxigênio<br />

dissolvido e pH também foram mensurados. O teste teve a duração <strong>de</strong> cinco dias.<br />

Ovos flutuantes<br />

a) Tambaqui (Colossoma macropomum CURVIER, 1818)<br />

Este experimento foi realizado em três etapas: a primeira em julho/96 em Colinas – MA. A segunda foi<br />

realizada em novembro/96 em Recife-PE e a terceira em Pedreiras-MA, em janeiro/98; com duração <strong>de</strong><br />

cinco dias, as quais passaremos a <strong>de</strong>screver:<br />

Primeira: Utilizaram-se 2 fêmeas maduras <strong>de</strong> tambaqui com 10 kg, cada uma, e 4 machos com 8 kg, <strong>de</strong><br />

peso médio. A <strong>de</strong>sova foi induzida por meio <strong>de</strong> tratamento hormonal. Após a fecundação dos óvulos à


127<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

seco, 200 g <strong>de</strong> ovos hidratados foram colocados nas incubadora tipo funil e HB. Uma terceira<br />

incubadora HB, porém, recebeu 400 g <strong>de</strong> ovos, a fim <strong>de</strong> verificar o efeito do a<strong>de</strong>nsamento. Todas as<br />

incubadoras funcionaram sem a presença <strong>de</strong> filtro.<br />

Segunda: Este experimento foi realizado na Base <strong>de</strong> Piscicultura da Universida<strong>de</strong> Fe<strong>de</strong>ral Rural <strong>de</strong><br />

Pernambuco – UFRPE. Todas as incubadoras (duas mo<strong>de</strong>lo funil e uma tipo HB) receberam 200 g <strong>de</strong><br />

ovos hidratados. Neste segundo teste, a incubadora tipo HB já havia sido re<strong>de</strong>finida, com filtro<br />

individual e nova distribuição <strong>de</strong> ar comprimido.<br />

Terceira: Este foi realizado em Pedreiras-MA, on<strong>de</strong> o sistema <strong>de</strong> incubadora HB sofreu um novo<br />

reajuste. Na parte central da incubadora acoplou-se uma cúpula <strong>de</strong> 50 cm <strong>de</strong> diâmetro, para eliminar os<br />

choques mecânicos da água com ovos, em cima da cúpula adaptou-se uma armação cilíndrica para<br />

manter os ovos sempre numa zona <strong>de</strong> maior fluxo <strong>de</strong> água ascen<strong>de</strong>nte, evitando-se com isto, a sua<br />

<strong>de</strong>cantação.<br />

A segunda etapa, realizada na Mar Doce Nor<strong>de</strong>ste Piscicultura Projetos Ltda., em Camaragibe – PE,<br />

teve uma duração <strong>de</strong> 16 h para a eclosão das larvas nos dois sistemas <strong>de</strong> incubação HB e tradicional,<br />

tipo funil. As taxas <strong>de</strong> eclosão registradas na incubadora HB foram <strong>de</strong> 68% enquanto na controle foram<br />

<strong>de</strong> 86%. Após a eclosão, juntaram-se as larvas <strong>de</strong> duas incubadoras controle, tipo funil, com as da<br />

incubadora HB, não se registrou mortalida<strong>de</strong> na larvicultura, enquanto as duas incubadoras controle<br />

<strong>de</strong>monstraram uma eficiência estimada em 72%. O cultivo foi concluído no 5º dia, a contar da<br />

incubação dos ovos.<br />

Na terceira etapa, em Pedreiras – MA com duração <strong>de</strong> 16 horas, para eclosão <strong>de</strong> larvas nos dois<br />

sistemas <strong>de</strong> incubação HB e tradicional, tipo funil, a taxa <strong>de</strong> eclosão estimada nas incubadoras HB foi<br />

<strong>de</strong> 96%, enquanto nas controle foi <strong>de</strong> 84%. Após a eclosão, as larvas permaneceram por 14 dias, não se<br />

registrando mortalida<strong>de</strong> nas incubadoras HB, enquanto nas controle a sobrevivência das larvas, até 5º<br />

dia, foi <strong>de</strong> 48%.<br />

Segundo os resultado obtidos, a incubação dos ovos flutuantes, <strong>de</strong> Tambaqui e Curimatá, foram<br />

incubados com sucesso na incubadora HB, chegando-se a índices <strong>de</strong> 92 a 96%, respectivamente<br />

(TABELA 2). Com os ovos flutuantes, utilizou-se <strong>de</strong> artifícios (telado e cúpula) para manter os ovos<br />

sempre no centro da incubadora sob movimentos suaves, evitando-se fortes contatos com a água do<br />

abastecimento, na zona <strong>de</strong> maior choque mecânico. Tais aparatos foram retirados após a eclosão das<br />

larvas, juntamente com as cascas dos ovos e outros metabólicos da incubação. Os resultados mostraram<br />

que as larvas suportaram bem o período <strong>de</strong> tratamento <strong>de</strong> cinco dias.<br />

A incubadora HB, obteve portanto uma ótima performance no que refere-se a produção <strong>de</strong> pós-larvas,<br />

<strong>de</strong>stacando-se em aspectos positivos como: 1. Espaço físico e 2. Abrigo seguro por um período longo


128<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

(até duas semanas), evitando-se a predação das pós-larvas nessa fase ontogênica em que as mesmas não<br />

dispõem <strong>de</strong> maiores mecanismos <strong>de</strong> <strong>de</strong>fesa.<br />

Este experimento ocorreu também em três etapas, com duração <strong>de</strong> cinco dias em cada etapa <strong>de</strong>scritas a<br />

seguir:<br />

Primeira: Aconteceu no município <strong>de</strong> Colinas – MA, em julho <strong>de</strong> 1997. foram utilizadas quatro fêmeas<br />

maduras, peso médio <strong>de</strong> 0,8 kg e seis machos também <strong>de</strong> peso igual. A <strong>de</strong>sova foi induzida<br />

artificialmente por meio da hipofisação. Das quatro fêmeas, induzidas, foram obtidos 0,8 kg <strong>de</strong> ovo,<br />

que, após fecundados, foram distribuídos numa incubadora tipo funil (0,2 kg), e em duas incubadoras<br />

HB sem o acessório filtro. A quantida<strong>de</strong> <strong>de</strong> ovos nestas últimas incubadora foi <strong>de</strong> 0,2 e 0,4 kg,<br />

respectivamente.<br />

Segunda: Este segundo teste foi realizado na Mar Doce Nor<strong>de</strong>ste Piscicultura Projetos Ltda.,<br />

Camaragipe – PE, em setembro <strong>de</strong> 1997. similar ao primeiro teste, as fêmeas foram induzidas à<br />

ovulação por meio <strong>de</strong> tratamento hormonal e os óvulos fecundados à seco. Aqui, objetivam-se 0,4 kg<br />

<strong>de</strong> ovos hidratados, distribuídos da seguinte forma entre as incubadoras: 0,05kg na incubadora HB<br />

adaptadas com filtro e aeração, e 0,1 kg <strong>de</strong> ovos em quatro incubadoras tradicionais, do tipo funil.<br />

Terceira: O teste aconteceu na cida<strong>de</strong> <strong>de</strong> Pedreiras – MA, em janeiro <strong>de</strong> 1998. Na pesquisa foram<br />

utilizados seis fêmeas maduras, com peso médio <strong>de</strong> 1,2 kg, e oito machos com peso médio <strong>de</strong> 0,8 kg.<br />

Obteve-se 1,0 kg <strong>de</strong> ovos, distribuídos da seguinte maneira: 0,2 kg na incubadora HB, com filtro e<br />

aeração e 0,4 kg em outra, 0,2 kg em duas incubadoras tradicionais tipo funil. Diferente das outras duas<br />

etapas.<br />

Os índices <strong>de</strong> fertilização foram estimados, <strong>de</strong> acordo com a seguinte metodologia:<br />

- Os ovos secos foram pesados e calculados em função do seu peso. Após sua hidratação e duas horas<br />

sua incubação coletou-se, assim, um percentual estimado (NOGUEIRA, 1992).<br />

QUALIDADE DE ÁGUA NAS INCUBADORAS<br />

Além das investigações sobre a eficiência da incubadora HB quanto ao tipo <strong>de</strong> ovos, investigou-se<br />

também a qualida<strong>de</strong> da água <strong>de</strong>ntro da referida incubadora, referentes aos parâmetros físicos, químicos<br />

e biológicos. Este estudo foi realizado na Mar Doce Ltda., em novembro <strong>de</strong> 1997. os parâmetros foram<br />

analisados, utilizando-se duas incubadoras HB (com acoplamento do filtro numa <strong>de</strong>las) e uma<br />

incubadora tipo funil.<br />

Fatores físicos<br />

a) Abastecimento e vazão<br />

O sistema foi abastecido por gravida<strong>de</strong>, a partir <strong>de</strong> caixas d’água, com altura máxima <strong>de</strong> 2,00 m, a<br />

partir da base da caixa até a borda superior da incubadora. A distribuição da água foi feita a partir <strong>de</strong>


129<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

tubulações <strong>de</strong> PVC com 100 a 150 mm <strong>de</strong> diâmetro, com redução para 25 mm no abastecimento<br />

individual das incubadoras. A vazão inicial, em cada incubadora HB, foi <strong>de</strong> aproximadamente 18,6 ℓ<br />

durante o experimento. A investigação teve um período <strong>de</strong> 24 horas, começando às 11:00 do dia 1 e<br />

terminando às 11:00 do dia seguinte.<br />

b) Temperatura<br />

A temperatura foi registrada, a cada uma hora, com o termômetro do equipamento mo<strong>de</strong>lo YSI<br />

58, juntamente com as medidas <strong>de</strong> oxigênio dissolvido.<br />

c) Carga sestônica<br />

A carga sestônica foi medida na hora zero (início) e <strong>de</strong>pois com 24 horas <strong>de</strong> funcionamento, assim<br />

como indicado na TABELA 3, para medir a carga sestônica foi utilizada uma bomba mo<strong>de</strong>lo portátil<br />

masterflex e filtro micrométrico para captar as partículas existentes na água. O material filtrado foi<br />

<strong>de</strong>ssecado e pesado.<br />

FATORES QUÍMICOS<br />

No presente estudo, observaram-se os seguintes variáveis: Amônia, Oxigênio dissolvido e pH.<br />

Para a <strong>de</strong>terminação do teor <strong>de</strong> amônia nas incubadoras, as amostras <strong>de</strong> água foram coletadas no<br />

instante inicial (hora zero) e 24 h após. O método utilizado para a medição foi o do Indofenol, segundo<br />

CARMOUZE (1994).<br />

As medidas <strong>de</strong> oxigênio dissolvido foram realizadas simultaneamente com as leituras <strong>de</strong> temperatura<br />

por meio do Oximetro mo<strong>de</strong>lo YSI 58.<br />

As medidas <strong>de</strong> pH também foram registradas simultaneamente às medidas <strong>de</strong> temperatura e oxigênio<br />

dissolvido na água. O equipamento usado foi pH-metro, mo<strong>de</strong>lo ION ANALYZER – p603 <strong>de</strong> origem<br />

francesa.<br />

FATORES BIOLÓGICOS<br />

Sabe-se que alguns organismos aquáticos vivos po<strong>de</strong>m a<strong>de</strong>ntrar facilmente nas incubadoras, através da<br />

água que as abastece. Fato este que po<strong>de</strong> ser i<strong>de</strong>ntificado nos testes preliminares realizados com as<br />

incubadoras HB, em Colinas – MA. Daí surgiu a necessida<strong>de</strong> <strong>de</strong> acoplar um filtro específico na entrada<br />

d’água da incubadora (veja o item Projeto da Incubadora). As observações foram realizadas<br />

simultaneamente com os estudos da qualida<strong>de</strong> d’água <strong>de</strong>ntro das incubadoras.<br />

TESTES ESTÁTICOS<br />

Para a comprovação da significância do projeto, aplicou-se, sobre os resultados obtidos com a<br />

incubação <strong>de</strong> ovos e sobrevivência das larvas, temperatura, hP oxigênio dissolvido e carga sestônica, o<br />

teste Fisher e o teste Tukey, segundo GOMES (1970).


O PROJETO DA INCUBADORA<br />

RESULTADOS<br />

130<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

Com a viabilida<strong>de</strong> técnica da construção da nova incubadora, passou-se à fase <strong>de</strong> testes <strong>de</strong>finitivas.<br />

Capazes <strong>de</strong> avaliar seu <strong>de</strong>sempenho nos diversos requerimentos da propagação artificial <strong>de</strong> peixes <strong>de</strong><br />

valor comercial. Os aspectos físicos, químicos, biológicos, mecânicos e formato do equipamento<br />

obteve os seguintes resultados:<br />

TESTES DE INCUBAÇÃO DE OVOS E LARVICULTURA<br />

A) OVOS ADERENTES<br />

a.1 Carpa-comum<br />

Nos testes <strong>de</strong> incubação <strong>de</strong> ovos da carpa-comum no laboratório da base <strong>de</strong> piscicultura da UFRPE,<br />

constatou-se que o período <strong>de</strong> eclosão ocorreu durante o intervalo <strong>de</strong> 36 a 42 horas <strong>de</strong> incubação, isto<br />

se <strong>de</strong>u em virtu<strong>de</strong> dos diferentes tempos <strong>de</strong> <strong>de</strong>sova dos indivíduos. Após a eclosão, manteve-se o<br />

substrato (baronesas) <strong>de</strong> fixação dos ovos até o 3º dia para servir <strong>de</strong> refúgio às larvas, proce<strong>de</strong>u-se a<br />

limpeza geral das incubadoras, retirando-se plantas aquáticas, restos <strong>de</strong> raízes e outros, mantendo-se as<br />

larvas até o 6º dia, sendo que no 5º dia elas receberam sua primeira alimentação à base <strong>de</strong> gema <strong>de</strong> ovo<br />

cozido e liquidificado.<br />

Tanto no período <strong>de</strong> incubação <strong>de</strong> ovos como na larvicultura, não registrou-se mortalida<strong>de</strong> na<br />

incubadora HB, observou-se ovos j mortos (gorados) nas raízes <strong>de</strong> baronesas numa taxa <strong>de</strong> 12%,<br />

acredita-se que estes eram ovos não fecundados. A produção estimada nas incubadoras HB foi <strong>de</strong><br />

300.000 ovos em cada e <strong>de</strong> 30.000 no controle, tipo funil (TABELA 2).<br />

A incubadora controle funil, <strong>de</strong> 200 ℓ, tem uma área superficial <strong>de</strong> aproximadamente 0,5m 2 , o que<br />

limita sua produtivida<strong>de</strong> utilizando-se baronesas como substrato para sustentação <strong>de</strong> ovos <strong>de</strong> carpacomum<br />

durante a incubação dos mesmos.<br />

A sobrevivência <strong>de</strong> ovos fecundados e larvas nas incubadoras HB foi total, e na tradicional, tipo funil,<br />

observe-se um índice <strong>de</strong> 42% (TABELA 2).<br />

a.2 Bagre-africano<br />

A eclosão das larvas foi observada após 18 h <strong>de</strong> incubação dos ovos neste experimento, a taxa <strong>de</strong><br />

fecundação foi <strong>de</strong> 87%, não se registrando porém nenhuma mortalida<strong>de</strong> nas fases subseqüentes à<br />

eclosão. As pós-larvas foram retiradas da incubadora HB e controle no quinto dia <strong>de</strong> cultivo. A<br />

produção média na incubadora HB foi <strong>de</strong> 98% enquanto na controle foi <strong>de</strong> 31% (TABELA 2).


B) OVOS FLUTUANTES<br />

b.1 Tambaqui<br />

131<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

Conforme mencionado na metodologia, o experimento ocorreu em três etapas.<br />

Na primeira etapa a eclosão ocorreu após 14 h <strong>de</strong> incubação, tanto nas incubadoras HB como na<br />

controle, tipo funil. As larvas nasceram <strong>de</strong>bilitadas e o índice <strong>de</strong> mortalida<strong>de</strong> foi na or<strong>de</strong>m <strong>de</strong> 70%,<br />

ocorrendo mortalida<strong>de</strong> total em 24 h.<br />

Já na segunda etapa, realizada na UFRPE – Recife – PE, as larvas eclodiram após 16 horas <strong>de</strong><br />

incubação, tanto na incubadora HB como na controle, tipo funil, com índice estimado em 20% <strong>de</strong><br />

sobrevivência nas incubadoras respectivamente.<br />

Após a eclosão as larvas da incubadora HB, e <strong>de</strong> uma controle, foram reunidas em uma só incubadora<br />

HB uma outra incubadora usada como controle permaneceu intacta até o quinto dia. Finalizando o<br />

experimento não se observou mortalida<strong>de</strong> das pós-larvas na incubadora HB, enquanto na tradicional,<br />

tipo funil, observou-ser uma mortalida<strong>de</strong> <strong>de</strong> 12%.<br />

Na terceira etapa, realizada em Pedreiras – MA, as larvas eclodiram após 16 h nas incubadoras HB e<br />

tradicional, tipo funil. A temperatura na ocasião manteve uma média <strong>de</strong> 27ºC. A taxa <strong>de</strong> eclosão<br />

estimada foi na faixa <strong>de</strong> 92% em ambos sistemas, porém, enquanto não se registrou mortalida<strong>de</strong><br />

durante sua larvicultura nas incubadoras HB registrou-se uma sobrevivência <strong>de</strong> 56% na incubadora<br />

controle tipo funil, até o 5º dia <strong>de</strong> cultivo (TABELA 2).<br />

b.2 Curimatá<br />

Este experimento ocorreu em três etapas, em três locais diferentes <strong>de</strong>scritos anteriormente na<br />

metodologia.<br />

A primeira etapa, realizada em Colinas – MA teve uma duração <strong>de</strong> 16 horas para eclosão das<br />

larvas com uma taxa <strong>de</strong> 58% e 65% nas incubadoras HB e controle, tipo funil, respectivamente. A<br />

sobrevivência foi estimada em 8% nas incubadoras HB e 2% na controle, tipo funil, até o 5º dia <strong>de</strong><br />

cultivo. A segunda etapa, realizada na Mar Doce Nor<strong>de</strong>ste Piscicultura Projetos LTDA., em<br />

Camaragibe-PE, teve uma duração <strong>de</strong> 16 h para eclosão das larvas nos dois sistemas <strong>de</strong> incubação HB<br />

e tradicional, tipo funil. A taxa <strong>de</strong> eclosão registrada nas incubadoras HB foi <strong>de</strong> 68% enquanto na<br />

controle foi <strong>de</strong> 86%. Após a eclosão, juntaram-se as larvas <strong>de</strong> duas incubadoras controle, tipo funil,<br />

com as da incubadora HB, não se registrou mortalida<strong>de</strong> na larvicultura, enquanto as duas incubadoras<br />

controle <strong>de</strong>monstraram uma eficiência estimada em 72%. O cultivo foi concluído no 5º dia, a contar da<br />

incubação dos ovos.


132<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

Na terceira etapa, em Pedreiras-MA. com duração <strong>de</strong> 16 horas, para eclosão <strong>de</strong> larvas nos dois sistemas<br />

<strong>de</strong> incubação, HB e tradicional, tipo funil, a taxa <strong>de</strong> eclosão estimada nas incubadoras HB foi <strong>de</strong> 96%,<br />

enquanto a controle foi <strong>de</strong> 84%. Após a eclosão, as larvas permaneceram por mais 14 dias, não se<br />

registrando mortalida<strong>de</strong> nas incubadoras HB, enquanto nas controle a sobrevivência das larvas, até o 5º<br />

dia, foi <strong>de</strong> 48%.<br />

Segundo os resultados obtidos, a incubação dos ovos flutuantes, <strong>de</strong> tambaqui e curimatá, ocorreu com<br />

sucesso nas incubadoras HB,chegando-se a índices <strong>de</strong> 92 a 96%, respectivamente (TABELA 2). Com<br />

os ovos flutuantes, utilizou-se <strong>de</strong> artifícios (telado e cúpula) para manter os ovos sempre no centro da<br />

incubadora sob movimentos suaves, evitando-se fortes contatos com a água do abastecimento, na zona<br />

<strong>de</strong> maior choque mecânico. Tais aparatos foram retirados após a eclosão das larvas, juntamente com as<br />

cascas dos ovos e outros metabólicos da incubação. Os resultados mostraram que as laarvas suportaram<br />

bem o período <strong>de</strong> tratamento <strong>de</strong> cinco dias.<br />

A incubatora HB obteve, portanto, uma ótima performance no que refere-se a produção <strong>de</strong> pós-larvas,<br />

<strong>de</strong>stacando-se em aspectos positivos como:<br />

1-Espaço físico<br />

2-Abrigo seguro por um período longo (até duas semanas), evitando-se a predação das pós-larvas nessa<br />

fase ontogênica em que as mesmas não dispõem <strong>de</strong> maiores mecanismos <strong>de</strong> <strong>de</strong>fesa.<br />

Testes <strong>de</strong> significância para percentagem <strong>de</strong> sobrevivência <strong>de</strong> larvas nas incubadoras HB e controle.<br />

A aplicação do teste F <strong>de</strong>monstrou uma probabilida<strong>de</strong> <strong>de</strong> 99% <strong>de</strong> certeza <strong>de</strong> haver diferenças<br />

significativas entre os tratamentos. Portanto, conclui-se que o tratamento 1 é superior ao tratamento<br />

Estudos da qualida<strong>de</strong> <strong>de</strong> água<br />

Nesta investigação utilizaram-se duas incubadoras HB (HB1 com filtro mais injetor <strong>de</strong> ar e HB2 sem<br />

filtro <strong>de</strong> ar), e uma incubadora, tipo funil, como controle. As variáveis físico-químicas foram<br />

registradas durante 24 h (TABELA 4).<br />

TURBIDEZ E CARGA SESTÔNICA<br />

A água da incubadora HB1 (com filtro), mostrou-se cristalina, não apresentando macrocospicamente<br />

nenhum material em suspensão, <strong>de</strong> origem biótica ou abiótica. Porém, na incubadora HB2 (sem filtro) a<br />

água mostrou-se um pouco turva no fundo, mais precisamente na área <strong>de</strong>stinada ao <strong>de</strong>scanso <strong>de</strong> larvas.<br />

Já na incubadora controle, a água mostrou-se muito mais turva em sua totalida<strong>de</strong>.


133<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

TABELA 2 – Níveis comparativos <strong>de</strong> aproveitamento em incubadora mo<strong>de</strong>lo HB1 e HB2, com o<br />

mo<strong>de</strong>lo Woynarovich, após o último ajuste <strong>de</strong> construção do sistema <strong>de</strong> incubação HB.<br />

Espécie<br />

Número <strong>de</strong> Ovos % <strong>de</strong> Eclosão<br />

% <strong>de</strong> sobrevivência <strong>de</strong><br />

larvas<br />

HB1 HB2 W HB1 HB2 W HB1 HB2 W<br />

Tambaqui 400.000 200.000 200.000 92 92 92 100 100 56<br />

Curimatá 400.000 200.000 200.000 96 96 84 100 100 48<br />

Carpa-com. 300.00 300.000 30.000 88 88 88 100 100 42<br />

Bagre afric. 50.000 - 50.000 86 - 86 98 - 31<br />

HB1 = Mo<strong>de</strong>lo com micro-filtro e ar comprimido<br />

HB2 = Mo<strong>de</strong>lo sem micro-filtro e ar comprimido<br />

W = Woynarovich – Mo<strong>de</strong>lo tradicional sem filtro (controle)<br />

TABELA 3 – Níveis comparativos <strong>de</strong> variações <strong>de</strong> amônia e carga sestônica em incubadora mo<strong>de</strong>los<br />

HB1 e HB2, com o mo<strong>de</strong>lo Woynarovich, período <strong>de</strong> 24 h.<br />

Especificação Período<br />

Mo<strong>de</strong>lo<br />

HB1 (1)<br />

Mo<strong>de</strong>lo<br />

HB2 (2)<br />

Mo<strong>de</strong>lo<br />

W (3)<br />

Variação da Amônia (mg / L) Hora inicial 0,143 0,160 0,161<br />

Hora inicial 0,203 0,214 0,244<br />

Variação da carga setônica (mg / L) Hora inicial 6,13 9,28 7,42<br />

(1) – Incubadora HB1 com micro-filtro<br />

(2) – Incubadora HB2 sem filtro<br />

(3) – Incubadora Woynarovich sem filtro<br />

Hora final 11,96 17,23 19,40


134<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

2 - TESTE DE SIGNIFICÂNCIA DE VARIAÇÃO DOS FATORES FÍSICOS NAS INCUBADORAS HB E CONTROLE<br />

DURANTE 24 H.<br />

Os resultados estatísticos entre mo<strong>de</strong>los, <strong>de</strong>monstraram não haver significância. Porém, do espaço<br />

inicial (t1) ao final (t2), do abastecimento, mostrou-se que t2 > T1, com gran<strong>de</strong> variação da carga<br />

sestônica, segundo o teste F com 99% <strong>de</strong> certeza.<br />

Segundo o teste F, ao nível <strong>de</strong> 99% <strong>de</strong> certeza, não houve diferenças significativas nos níveis <strong>de</strong><br />

temperatura.<br />

3 – FATORES QUÍMICOS<br />

a) Amônia:<br />

Assim como está indicado na TABELA 3, os valores <strong>de</strong> amônia elevaram-se em todas as incubadoras<br />

entre o tempo To e o T24. Porém, os valores registrados nas incubadoras HB2 e controle foram maiores<br />

que os registrados na incubadora HB1 com 0,214 mg/L e 0,203 mg/L respectivamente (TABELA 3).<br />

b) Oxigênio dissolvido<br />

Quanto ao oxigênio dissolvido, na incubadora HB1, ele foi constante, em torno <strong>de</strong> 7.2 mg/L, durante<br />

quase todo experimento. Porém, sempre acima dos teores registrados nas incubadoras HB2 e na<br />

controle, que variou entre 5.2 e 6.9 mg/L. no fim do experimento observou-se uma elevação dos teores<br />

<strong>de</strong> oxigênio em todas as incubadoras; os valores da incubadora HB1 permaneceram maiores<br />

comparadas com as <strong>de</strong>mais (TABELA 4).<br />

c) PH<br />

Quanto ao pH, os resultados registrados na incubadora HB1 variaram entre 7.2 e 7.9, durante todo o<br />

experimento. Portanto, sempre ligeiramente alcalino. Nas incubadoras HB2 e tradicional a variação foi<br />

<strong>de</strong> 6.0 e 7.2, ligeiramente ácido e alcalina (TABELA 4).<br />

4 – TESTES DE SIGNIFICÂNCIA DA VARIAÇÃO DOS FATORES QUÍMICOS ESTUDADOS NAS INCUBADORAS HB<br />

E CONTROLE DURANTE 24 H.<br />

Não há significância entre os mo<strong>de</strong>los, porém do espaço inicial (t1) do abastecimento para o espaço<br />

final (t2), da variação <strong>de</strong> amônia, há diferença significativa, on<strong>de</strong> t2 é superior a t1, ao nível <strong>de</strong> 99% <strong>de</strong><br />

certeza, segundo o teste F.<br />

Com aplicação do teste Tukey, os tratamentos HB1, HB2 e Woynarovich relativo ao oxigênio<br />

dissolvido na água das incubadoras, diferem entre si. On<strong>de</strong> concluiu-se que o tratamento HB1 é<br />

superior aos <strong>de</strong>mais. O tratamento HB2 é superior ao tratamento Woynarovich, ao nível <strong>de</strong> 99% <strong>de</strong><br />

certeza (HB1 > HB2 e HB2 > Woynarovich).


135<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

Para os níveis <strong>de</strong> pH, o tratamento HB1 é superior aos <strong>de</strong>mais, porém o tratamento HB2 não difere<br />

estatisticamente do tratamento Woynarovich ao nível <strong>de</strong> 99% <strong>de</strong> certeza (HB1 > HB2 e HB2 =<br />

Woynarovich).<br />

Tabela 4 – Níveis comparativos <strong>de</strong> Temperatura (T o C), Oxigênio dissolvido (OD, mg/L) e pH<br />

observados nas incubadora mo<strong>de</strong>lo HB1 e HB2, e mo<strong>de</strong>lo Woynarovich (W) no período <strong>de</strong> 24 horas<br />

Variável Físicoquímica<br />

Mo<strong>de</strong>lo <strong>de</strong> Incubadora<br />

HB1 HB2 Woynarovich<br />

T ( o C) 26,51 26,65 26,34<br />

O2D (mg/L) 7,24 6,05 5,63<br />

pH 7,55 6,98 6,85<br />

(1) Mo<strong>de</strong>lo com micro-filtro e ar comprimido<br />

(2) Mo<strong>de</strong>lo sem filtro<br />

(3) Mo<strong>de</strong>lo sem filtro<br />

PROJETO DA INCUBADORA<br />

DISCUSSÃO<br />

Segundo relatam CHABALIN et al. (1989); NAKATANI et al. (1997), os equipamentos utilizados<br />

atualmente propiciam a um alto índice <strong>de</strong> mortalida<strong>de</strong>, seja pela falta <strong>de</strong> controle <strong>de</strong> qualida<strong>de</strong> <strong>de</strong> água,<br />

concorrência na incubação, utilização <strong>de</strong> organofosforados no combate a pequenos predadores<br />

existentes nos reservatórios que abastecem os laboratórios, entre outros. Denuncia também a falta <strong>de</strong><br />

geração, adaptação e difusão <strong>de</strong> tecnologia a respeito do assunto.<br />

O objetivo principal do presente trabalho foi projetar, <strong>de</strong>senvolver e operar um novo sistema <strong>de</strong><br />

incubação <strong>de</strong> ovos <strong>de</strong> peixes <strong>de</strong> água doce; <strong>de</strong> forma que sua operacionalização venha a favorecer o<br />

crescimento da oferta <strong>de</strong> alevinos <strong>de</strong> boa qualida<strong>de</strong> para um mercado sempre crescente. Visou também<br />

solucionar alguns problemas operacionais <strong>de</strong>ntro da larvicultura <strong>de</strong> peixes, aten<strong>de</strong>ndo assim, algumas<br />

exigências, resultantes <strong>de</strong> grupos <strong>de</strong> trabalhos técnicos, relativos ao setor.<br />

Estudou-se portanto, um <strong>de</strong>senho <strong>de</strong> incubadora capaz <strong>de</strong> reduzir todos os fatores que comumente<br />

interferem na incubação <strong>de</strong> ovos, eclosão <strong>de</strong> larvas e larvicultura <strong>de</strong> espécies <strong>de</strong> água doce.<br />

Inicialmente, o projeto visou à construção <strong>de</strong> uma incubadora capaz <strong>de</strong> minimizar a mortalida<strong>de</strong> das<br />

larvas recém eclodidas e seu <strong>de</strong>senvolvimento até o estágio <strong>de</strong> pós-larvas, período em que ocorre


136<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

maior incidência <strong>de</strong> mortalida<strong>de</strong>, em torno <strong>de</strong> 50%, segundo CHABALIN et al. (1989) e LOPES et al<br />

(1995). O <strong>de</strong>senho da incubadora em forma <strong>de</strong> taça oferece uma ampla área superficial (1,77m 2 )<br />

exposta à atmosfera, propiciando: a) Maior adsorção <strong>de</strong> oxigênio; b) Maior espaço para as larvas<br />

pelágicas nadarem horizontalmente após absorver total ou parcial seu saco vitelino; c) Pouca<br />

profundida<strong>de</strong>, evitando-se assim o stress das larvas <strong>de</strong> natação vertical, lenta ou ativa; d) Amplo<br />

substrato para as larvas que se <strong>de</strong>positam e agarra-se a objetos ou no fundo. Visando aumentar a sua<br />

eficiência na larvicultura, em relação aos atuais sistemas, algumas modificações foram feitas para o<br />

seu melhor aproveitamento na incubação <strong>de</strong> ovos tanto flutuantes como os a<strong>de</strong>rentes. O primeiro passo<br />

foi o <strong>de</strong>senvolvimento <strong>de</strong> um filtro, cuja finalida<strong>de</strong> foi a melhoria da qualida<strong>de</strong> <strong>de</strong> água, nos seus<br />

aspectos físicos, químicos, biológicos e dos efeitos mecânicos, provocados pelo abastecimento,<br />

circulação e renovação <strong>de</strong> água durante a incubação dos ovos principalmente. Melhorias essas que<br />

serão abordadas mais <strong>de</strong>talhadamente em seguida.<br />

Quanto ao aspecto operacional, a incubadora HB, <strong>de</strong>monstrou ser <strong>de</strong> fácil manejo, precisando-se<br />

apenas instala-la em nível, para que haja simetria na drenagem em quatro pontos simétricos, po<strong>de</strong>ndose<br />

aumentar o número <strong>de</strong> drenos, diminuindo-se assim a pressão das correntes d’água contra os ovos e<br />

larvas, sem contudo, afetar a renovação e o fluxo <strong>de</strong> água requerido no processo <strong>de</strong> incubação. As<br />

fontes supridoras <strong>de</strong> água e ar po<strong>de</strong>m ser a mesma para várias incubadoras HB, <strong>de</strong>pen<strong>de</strong>ndo da<br />

disponibilida<strong>de</strong> e <strong>de</strong>manda do sistema.<br />

O custo <strong>de</strong> cada incubadora HB foi na or<strong>de</strong>m R$ 995,58 (novecentos e noventa e cinco reais e<br />

cinqüenta e oito centavos), o que compreen<strong>de</strong> a incubadora em forma <strong>de</strong> taça, em fibra <strong>de</strong> vidro, filtro<br />

com registro em PVC e base <strong>de</strong> ferro com parafusos.<br />

Testes <strong>de</strong> incubação <strong>de</strong> ovos e larvicultura<br />

OVOS ADERENTES<br />

Na incubação dos ovos a<strong>de</strong>rentes <strong>de</strong> carpa-comum utilizando-se baronesa e tela <strong>de</strong> nylon para o bagreafricano,<br />

como substrato para os ovos fecundados, o <strong>de</strong>sempenho da incubadora HB foi consi<strong>de</strong>rado<br />

ótimo por não se registrar na larvicultura este alto rendimento a fatores diversos proporcionado pela<br />

incubadora HB tais como: ausência <strong>de</strong> choque mecânico, alta oferta <strong>de</strong> oxigênio, resultante da injeção<br />

contínua <strong>de</strong> ar forçado a partir <strong>de</strong> um compressor, e amplo substrato disponível aos ovos, água limpa,<br />

sem agregação <strong>de</strong> qualquer resíduo nas pare<strong>de</strong>s externas dos ovos. Na larvicultura proveniente <strong>de</strong> ovos<br />

a<strong>de</strong>rentes, as larvas mostraram-se bastante confortável pelo seu comportamento aparente: os <strong>de</strong> carpa<br />

continuaram utilizando como substrato às raízes da baronesa, até o terceiro dia, quando se limpou a<br />

incubadora. Mantiveram-se assim, até o quinto dia, quando receberam a sua primeira alimentação. Já<br />

na larvicultura do bagre-africano, o substrato foi retirado (tela com resíduos e cascas <strong>de</strong> ovos a<strong>de</strong>ridos


137<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

a ela), logo após a eclosão das larvas, precavendo-se dos efeitos <strong>de</strong> ataques <strong>de</strong> bactérias e fungos a que<br />

naturalmente seriam submetidos. De acordo com a físio-ecologia das larvas, elas <strong>de</strong>scansam<br />

naturalmente em substratos rígidos logo após a sua eclosão. Devido a conformida<strong>de</strong> das pare<strong>de</strong>s da<br />

incubadora HB, tal substrato foi logo encontrado pelas larvas.<br />

OVOS FLUTUANTES<br />

Na incubação <strong>de</strong> ovos <strong>de</strong> tambaquis e curimatás, utilizaram-se artifícios para mantê-los no centro da<br />

incubadora, na área <strong>de</strong> fluxo ascen<strong>de</strong>nte <strong>de</strong> água, objetivando-se a manutenção dos mesmos sempre em<br />

movimento, sem espalharem-se pelas zonas periféricas da incubadora, on<strong>de</strong> a corrente é tão pequena<br />

que os ovos juntam-se, formando uma gran<strong>de</strong> massa <strong>de</strong> ovos, afetando assim sua sobrevivência. Para<br />

evitar os choques mecânicos, colocou-se a cúpula e para evitar espalharem-se para as laterais da<br />

incubadora HB, colocou-se um filtro da incubadora tipo Woynarovich <strong>de</strong> 200 L; após a eclosão total<br />

das larvas, efetuou-se a limpeza da área central através <strong>de</strong> sinfonação, retirada do filtro e cúpula para<br />

que as larvas nadassem livremente em toda a área da incubadora HB.<br />

Na TABELA 2, observa-se que há uma gran<strong>de</strong> significância produtiva na incubadora HB1, (com filtro<br />

e ar), para a região Nor<strong>de</strong>ste; <strong>de</strong>monstrando assim o total aproveitamento na larvicultura das espécies<br />

pesquisadas.<br />

Apesar <strong>de</strong> obterem-se esses resultados, muitas pesquisas ainda <strong>de</strong>verão ser realizadas, junto à nova<br />

incubadora para que a mesma tenha seus ajustes crescentes, com perspectivas para sua perfeição,<br />

principalmente no tocante aos ovos flutuantes, que são mais frágeis, que os a<strong>de</strong>rentes.<br />

QUALIDADE DE ÁGUA<br />

FATORES FÍSICOS<br />

a) Abastecimento e vazão<br />

O abastecimento da incubadora HB é do tipo vertical ascen<strong>de</strong>nte, objetivando-se a manutenção dos<br />

ovos flutuantes sempre em movimento, assim como acontece também na incubação <strong>de</strong> ovos a<strong>de</strong>rentes<br />

com a água é sempre limpa e oxigenada. A vazão <strong>de</strong> abastecimento controlável <strong>de</strong> zero a 18,6 l/min<br />

satisfaz os requisitos para as distintas eco-fisiologia <strong>de</strong> ovos e larvas (GERKING 1978; BRANCO<br />

1986; WOYNAROVICH & HÓRVATH 1983; VAZZOLER 1996 e HUET 1983). Utilizando-se,<br />

normalmente uma vazão <strong>de</strong> 10 a 12 L/min para a incubação <strong>de</strong> ovos <strong>de</strong> peixe.<br />

b) Temperatura<br />

Pelos resultados alcançados durante os testes, registrou-se uma maior estabilida<strong>de</strong> da temperatura na<br />

incubadora HB, garantindo aos ovos incubados um <strong>de</strong>senvolvimento mais uniforme e uma eclosão <strong>de</strong><br />

larvas mais sincrônica. Sabe-se que a temperatura <strong>de</strong>staca-se como o fator físico <strong>de</strong> maior importância<br />

no processo <strong>de</strong> incubação <strong>de</strong> ovos <strong>de</strong> peixes, segundo CHABALIN et al. (1989); COLLINS, L. A. &


138<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

NELSON, S. G (1993) ; BROOKS et al (1995); JOHNSTON & VIEIRA (1996); ALBUQUERQUE et<br />

al. (1989).<br />

Conforme observações, os sistemas <strong>de</strong> incubadoras, tradicional tipo funil e HB, apresentaram<br />

diferentes oscilações <strong>de</strong> temperatura, a primeira (tipo funil), com uma amplitu<strong>de</strong> <strong>de</strong> 4ºC e a segunda<br />

(HB) com amplitu<strong>de</strong> <strong>de</strong> 2ºC, acima e abaixo do eixo 0 (zero). Tais diferenças, atribui-se a fatores<br />

como: o dobro do volume da incubadora HB (410 L) em relação à tradicional (200 L), pH constante na<br />

incubadora HB, maior oferta <strong>de</strong> oxigênio dissolvido durante os testes. As pesquisas <strong>de</strong>monstram que a<br />

faixa aceitável para incubação <strong>de</strong> ovos <strong>de</strong> peixes tropicais varia <strong>de</strong> 22ºC a 31ºC, tendo como a melhor<br />

temperatura a <strong>de</strong> 27ºC (JOHNSTON & VIEIRA, 1996). Quanto menor a oscilação <strong>de</strong> temperatura<br />

menor a freqüência <strong>de</strong> choques térmicos, favorecendo um melhor <strong>de</strong>sempenho geral da incubação,<br />

tanto <strong>de</strong> ovo como <strong>de</strong> larva , JOHNSTON & VIEIRA (1996); BROOKS et al. (1995).<br />

Um outro ponto <strong>de</strong> <strong>de</strong>sequilíbrio da incubadora HB em relação à tradicional tipo funil, além dos<br />

citados, é a possibilida<strong>de</strong> <strong>de</strong> controle da temperatura da água através <strong>de</strong> um termostato graduado<br />

instalado na câmera do filtro, ajustando-se a mesma para cada tipo <strong>de</strong> ovo, <strong>de</strong>ntro <strong>de</strong> sua tolerância<br />

específica. Para consolidar a eficiência <strong>de</strong>ste mecanismo, será preciso <strong>de</strong>senvolver maiores<br />

investigações, principalmente em regiões com maiores oscilações térmicas.<br />

Segundo JOHNSTON & VIEIRA (1996), a temperatura é responsável pela duração do período <strong>de</strong><br />

incubação <strong>de</strong> ovos <strong>de</strong> espécies tropicais, tornando vital a manutenção <strong>de</strong> temperaturas medianas, e<br />

prejudicial, os valores extremos.<br />

c) Carga sestônica<br />

Os testes realizados durante 24 h, <strong>de</strong>monstraram que a incubadora HB1 (com filtro e ar), obteve um<br />

índice <strong>de</strong> 5,83 ng/l <strong>de</strong> material em suspensão, a HB2 (sem filtro <strong>de</strong> ar) 7,95 ng/l e a tipo Woynarovich,<br />

11,98 ng/l <strong>de</strong> material em suspensão e outros. Ao comparar-se esses dados, observa-se a eficiência da<br />

infiltração da água na incubadora HB1, reduzindo-se o material em suspensão na or<strong>de</strong>m <strong>de</strong> 51,34% por<br />

dia, em relação ao sistema tradicional, tipo Woynarovich.<br />

Segundo CHABALIN et al. (1989); BOYD (1997); BOUVY (1997), o controle das partículas em<br />

suspensão é sem dúvida indispensável num sistema <strong>de</strong> cultivo, da incubação à engorda, pois os ovos,<br />

larvas adultos melhor sobrevivem, sem concorrência <strong>de</strong> outros organismos pelo oxigênio e<br />

espaço.Além <strong>de</strong> favorecer uma melhor observação ao cultivo pela equipe responsável pela reprodução.<br />

Os resultados <strong>de</strong>ssa pesquisa são animadores para o processo <strong>de</strong> incubação <strong>de</strong> ovos e larvas <strong>de</strong> peixes,<br />

uma vez que a diminuição da amônia concorre para a melhoria do meio aquático, eliminando as<br />

possibilida<strong>de</strong>s <strong>de</strong> toxi<strong>de</strong>z.<br />

b) Oxigênio dissolvido


139<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

O oxigênio dissolvido na água é também um dos fatores limitantes, no sucesso da incubação. Os ovos<br />

têm um consumo muito baixo <strong>de</strong> oxigênio nas primeiras fases <strong>de</strong> <strong>de</strong>senvolvimento, acelerando sua<br />

<strong>de</strong>manda gradativamente liberando CO2 e NH3, po<strong>de</strong>ndo provocar envenenamento dos ovos e/ou<br />

larvas. Isto requer constante renovação da água, para a troca <strong>de</strong>sses elementos nocivos,<br />

(ALBUQUERQUE, 1989; ALBURQUEQUE, 1995; WOYNAROVICH, 1988).<br />

Segundo JOHNSTON & VIEIRA (1996), a tensão limite <strong>de</strong> oxigênio requerido para o<br />

<strong>de</strong>senvolvimento normal, <strong>de</strong>cresce significativamente seguindo a remoção da cápsula do ovo, o que<br />

sugere que o corion e/ou membrana previtelina, constitui uma barreira significativa para a troca<br />

gasosa.A <strong>de</strong>manda <strong>de</strong> oxigênio do embrião em <strong>de</strong>senvolvimento aumenta dramaticamente com a<br />

temperatura, ou seja o oxigênio dissolvido não <strong>de</strong>ve ser dissociado <strong>de</strong> outros fatores sincrônicos com<br />

temperatura, pH, altitu<strong>de</strong>, entre outros. A incubadora HB, contempla o controle <strong>de</strong> oxigênio dissolvido<br />

(TABELA 4) on<strong>de</strong> a menor taxa é <strong>de</strong> 6,85 mg/l e a maior <strong>de</strong> 9,2 mg/l ao nível do mar, enquanto que a<br />

incubadora tradicional tipo Woynarovich, <strong>de</strong>monstrou um <strong>de</strong>sempenho mínimo em 5,19 mg/l e um<br />

máximo <strong>de</strong> 6,63 mg/l. Concluindo-se que o sistema HB, manteve um nível elevado na oferta <strong>de</strong><br />

oxigênio dissolvido, na or<strong>de</strong>m <strong>de</strong> 7,33 mg/l em média, enquanto que a incubadora controle manteve<br />

um nível médio <strong>de</strong> 5,63 mg/l durante 24 h <strong>de</strong> aferições.<br />

c) pH<br />

Na escala <strong>de</strong> importância na incubação <strong>de</strong> ovos e larvicultura <strong>de</strong> peixes, o pH disponta como um fator<br />

químico <strong>de</strong> alto valor, pelo que po<strong>de</strong> proporcionar às reações ao meio aquático, ovos e larvas são<br />

muito sensíveis a mudanças do pH ou a qualquer outro fator que interrompa seu curso normal, seja ele<br />

físico, químico ou biológico, WOYNAROVICH & HÓRVATH (1983); JOHNSTON & VIEIRA<br />

(1996).<br />

Os principais fatores que influenciam as mudanças no pH são: respiração, fotossíntese, poluição,<br />

adubação e calagem na fonte abastecedora do laboratório <strong>de</strong> incubação. A incubadora HB <strong>de</strong>monstrou<br />

que po<strong>de</strong> controlar as variações do pH em conseqüência da filtração da água no abastecimento da<br />

incubadora, dado ao material utilizado na filtragem e injeção <strong>de</strong> ar comprimido no filtro.<br />

Os resultados obtidos foram animadores; na incubadora HB1 (com filtro e ar), o pH manteve-se<br />

controlado acima <strong>de</strong> 7, ou seja, ligeiramente alcalino. Na tradicional (controle) o pH médio abaixo <strong>de</strong><br />

7,0, ou ligeiramente ácido e a incubadora HB2 manteve-se com o pH médio neutro. As incubadoras<br />

HB, portanto, proporcionam uma gran<strong>de</strong> vantagem em relação a qualida<strong>de</strong> <strong>de</strong> água na incubação <strong>de</strong><br />

ovos <strong>de</strong> peixes e larvicultura, quando comparados aos mo<strong>de</strong>los existentes e os métodos para elevar o<br />

padrão <strong>de</strong> qualida<strong>de</strong> da água para incubação.


OUTRAS UTILIDADES DA INCUBADORA HB<br />

140<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

Além <strong>de</strong> sua função <strong>de</strong> incubação <strong>de</strong> ovos e larvicultura <strong>de</strong> peixes, as incubadoras HB po<strong>de</strong>m<br />

assumir outras utilizações, <strong>de</strong>scritas a seguir:<br />

a) Manutenção <strong>de</strong> alevinos para embalagem e transporte<br />

Consi<strong>de</strong>rando-se a necessida<strong>de</strong> dos centros <strong>de</strong> propagação servirem também como local <strong>de</strong><br />

manutenção <strong>de</strong> alevinos para a comercialização, obrigam-se <strong>de</strong> promoverem a eliminação <strong>de</strong><br />

excrementos intestinais dos mesmos, profilaxia e acondicionamento para transporte, a incubadora HB,<br />

dispõe <strong>de</strong> todos os requisitos para solucionar estas ativida<strong>de</strong>s com perfeição. A incubadora HB, dispõe<br />

<strong>de</strong> área capaz <strong>de</strong> abrigar 10.000 alevinos <strong>de</strong> 30 dias <strong>de</strong> vida durante 48 h, período suficiente para todo<br />

o ritual que antece<strong>de</strong> o seu perfeito acondicionamento e transporte com segurança.<br />

b) Reversão sexual<br />

A área disponível <strong>de</strong> 1,77 m 2 , a qualida<strong>de</strong> <strong>de</strong> água fornecida pela incubadora HB, sem fitoplancton e<br />

zooplancton, que po<strong>de</strong>riam servir <strong>de</strong> alimento aos alevinos em reversão, obrigando-os a alimentar-se<br />

exclusivamente da ração fornecida com hormônio promovendo a eficiência da operação. Além disso, a<br />

oferta <strong>de</strong> oxigênio dissolvido, controle do pH e temperatura fazem da incubadora HB um equipamento<br />

utilizável nesta operação durante todo o ano.<br />

c) Desova natural<br />

A <strong>de</strong>sova <strong>de</strong> algumas espécies <strong>de</strong> pequeno porte em incubadora tipo funil, já é praticada no Nor<strong>de</strong>ste<br />

brasileiro, porém a incubadora HB, oferece maior área e conseqüentemente capaz <strong>de</strong> abrigar em torno<br />

<strong>de</strong> três casais <strong>de</strong> peixes <strong>de</strong> porte médio, tais como: curimatãs, carpa-comum, piaus, entre outros.<br />

Obviamente, é necessário que se conheça o hábito reprodutivo <strong>de</strong> cada espécie, a fim <strong>de</strong> evitar-se<br />

perda por meios <strong>de</strong> fuga e a<strong>de</strong>nsamento ina<strong>de</strong>quados.<br />

d) Banhos profílicos em adultos e isolamento<br />

A incubadora HB, po<strong>de</strong> servir como isolamento e tratamento <strong>de</strong> peixes adultos com problemas <strong>de</strong><br />

saú<strong>de</strong>, sejam eles causados por fungos, bactérias e vírus, oriundos <strong>de</strong> traumatismos ocasionados pelo<br />

manejo e outros. Eles po<strong>de</strong>m ficar isolados e receber tratamentos específicos ou em conjunto para o<br />

mesmo tratamento. O controle <strong>de</strong> fluxo <strong>de</strong> água, oxigênio dissolvido, pH e temperatura, disponíveis na<br />

incubadora HB, favorecem, sem dúvida, uma melhor e mais rápida reabilitação dos individuais<br />

submetidos ao tratamento.


CONCLUSÕES<br />

141<br />

Rev. Bras. Eng. <strong>Pesca</strong> 1[1]<br />

1. O equipamento HB por apresentar um formato <strong>de</strong> uma taça rasa, propicia uma superfície <strong>de</strong> contato<br />

expressivamente superior à tradicional.Apresenta também um gran<strong>de</strong> substrato para o <strong>de</strong>scanso <strong>de</strong><br />

larvas, baixa pressão, e uma circulação <strong>de</strong> água eficiente.<br />

2 .O filtro acoplado na base da incubadora, na tomada <strong>de</strong> água, favoreceu o controle da qualida<strong>de</strong> <strong>de</strong><br />

água quanto aos aspectos: pH (média 7,55), turbi<strong>de</strong>z (média 5,83 ng/l/dia), controle <strong>de</strong> predadores e<br />

competidores (total).<br />

3. A incubadora HB, <strong>de</strong>monstra menor variação <strong>de</strong> temperatura durante o experimento oscilando em<br />

2 o C em 24:00.<br />

4. A incubadora HB dispõe <strong>de</strong> acessórios que garantem o controle da oferta <strong>de</strong> oxigênio dissolvido<br />

durante o experimento (média 7,24 mg/l).<br />

5. Os resultados experimentais <strong>de</strong>monstram uma elevação nos índices <strong>de</strong> sobrevivência quando<br />

comparados com as incubadoras tradicionais (ovos flutuantes 94% e ovos a<strong>de</strong>rentes 87% em média).<br />

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