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Nº 106 • PUBLICAÇÃO BIMESTRAL • MAIO/JUNHO 2009<br />
ANO XVII • PREÇO € 6,50 – www.flfrevista.pt<br />
p.19<br />
Colheita mecânica de pêssegos<br />
Colheita assistida de melão<br />
p.40<br />
“Alhos de corrida”<br />
p.48Morango<br />
Morango<br />
de Verão no Oeste<br />
p.61 Batata indústria -<br />
perdas de conservação<br />
p.651.º<br />
1.º Concurso<br />
Nacional<br />
de Floricultores<br />
e Floristas
CAXARIAS / NORTE - - Ap. Ap. 1 1 - - CAXARIAS CAXARIAS - - 2436-909 2436-909 CAXARIAS CAXARIAS . . TEL.: TEL.: 351 351 249 249 57 57 00 00 00 00 - - FAX: FAX: 351 351 249 249 57 57 00 00 09 09<br />
SALVATERRA DE MAGOS - - AP. AP. 1 1 - - 2121-000 2121-000 S. S. MAGOS MAGOS - - TEL,; TEL,; 351 351 263 263 50 50 00 00 70 70 - - FAX: FAX: 351 351 263 263 50 50 00 00 79 79<br />
LISBOA - - AV. AV. ALMIRANTE ALMIRANTE REIS, REIS, 23 23 - - 3º 3º ESQ. ESQ. - - 1150-008 1150-008 LISBOA LISBOA . . TEL.: TEL.: 351 351 21 21 88 88 53 53 543 543 / / 47 47 - - FAX: FAX: 351 351 21 21 88 88 53 53 545<br />
545
editorial<br />
ESTATUTO<br />
EDITORIAL<br />
Frutas Legumes e Flores – a Revista dos Profissionais é uma publicação bimestral, especializada<br />
em informação técnica e de mercado dos sectores hortofrutícola, florícola, e outras áreas<br />
da produção vegetal.<br />
A sua vocação é informar o público profissional da área agrícola, com artigos de actualidade<br />
e reportagens. Os artigos técnicos que não sejam da responsabilidade de jornalistas são redigidos<br />
por técnicos e investigadores com formação nas áreas sobre as quais versam os artigos,<br />
sendo editados e revistos pela redacção da Frutas Legumes e Flores, antes da publicação.<br />
Os artigos identificados com a menção “Texto Publicitário” são pagos e têm uma apresentação<br />
gráfica distinta dos restantes, respeitando a Lei da Imprensa e o Código da Publicidade.<br />
A Frutas Legumes e Flores acredita que a divulgação de técnicas e tecnologias inovadoras<br />
e alternativas contribui para a melhoria do desempenho dos agricultores e outros agentes do<br />
sector agrícola, tornando Portugal mais competitivo.<br />
Os temas abordados não estão sujeitos a qualquer hierarquia e são escolhidos mediante a<br />
sua importância sazonal e relevância das culturas na economia do País.<br />
A Frutas Legumes e Flores está aberta a sugestões/críticas dos seus leitores e disponibilizase<br />
a fornecer gratuitamente informações que possam ajudá-los a melhorar a sua actividade<br />
profissional, dentro dos limites do seu conhecimento sectorial.<br />
A Frutas Legumes e Flores não representa nem veicula a opinião de qualquer grupo de interesses<br />
económicos, políticos, associativos ou ideológicos.<br />
A Frutas Legumes e Flores assume o compromisso do Direito de Resposta, tal como a publicação<br />
de notas rectificativas sobre eventuais erros veiculados através das suas edições e<br />
obriga-se a assegurar o respeito pelos princípios deontológicos e pela ética profissional<br />
dos jornalistas, assim como pela boa fé dos leitores.<br />
4<br />
<strong>FLF</strong> 106 | Maio/Junho 2009<br />
O Director<br />
Jean-Bernard Pouey<br />
www.flfrevista.pt<br />
ficha<br />
Direcção Editorial:<br />
Director: Jean-Bernard Pouey<br />
jb.pouey@reussirfl.com<br />
Chefe de Redacção: Nélia Silva<br />
neliasilva@flfrevista.pt<br />
Redacção: Nélia Silva.<br />
Colaboraram nesta edição: Ana M. Cavaco; Artur<br />
Amaral; Filipa Vinagre; Guy Dubon; Michel Bru;<br />
Paula Cruz de Carvalho; Veronique Bargain.<br />
Revisão Ortográfica: Piedade Góis<br />
Traduções: Carla Araújo, Nélia Silva, Eduardo<br />
Lemos<br />
Fotografias: Nélia Silva, Pierre Escodo<br />
Direcção de Arte:<br />
Concepção e projecto gráfico: Nuno Magro<br />
nunomagro@iol.pt<br />
Paginação: Nuno Magro<br />
Assinaturas:<br />
Carla Araújo<br />
carla@flfrevista.pt<br />
www.flfrevista.pt<br />
Dep. Comercial e Publicidade:<br />
José Sena<br />
josesena@flfrevista.pt<br />
Jorge Caleça<br />
jorge@flfrevista.pt<br />
Administração:<br />
Jean-Michel Ruchaud<br />
Direcção financeira:<br />
Carla Araújo<br />
carla@flfrevista.pt<br />
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PUBLICAÇÕES GROUPO TB<br />
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Empresa Jornalística nº 223666<br />
Depósito Legal Nº 545443/92<br />
ISSN 0873 - 6626<br />
Periodicidade:<br />
Bimestral<br />
Impressão:<br />
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Os artigos assinados e as páginas que possuem a<br />
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Agenda . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .6<br />
Actualidade<br />
Notícias . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .7<br />
Ser competitivo no sector hortofrutícola . . . . . . . . . . . . . . . . .10<br />
Espinafres frescos ultrapassam limites de nitratos . . . . . . . . . . . .12<br />
Alimentaria Lisboa revelou dinamismo em tempo de crise . . . . .14<br />
Fruit Attraction – nova feira de frutas e legumes . . . . . . . . . . . .18<br />
Dossiê Frutos de Verão . . . . . . . . . . . . . .19<br />
Retorno à normalidade na Europa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .20<br />
Herdade D. Joana colhe 2 milhões de quilos . . . . . . . . . . . . .23<br />
Extremadura especializa-se em frutas de caroço . . . . . . . . . . . .24<br />
Variedades de alperce mal adaptadas ao Sul . . . . . . . . . . . . . .26<br />
Colheita semimecânica de pêssegos . . . . . . . . . . . . . . . . . . .28<br />
Vale da Rosa e Uval investem 10 milhões . . . . . . . . . . . . . . . .31<br />
Frio obriga a replantar melão e melancia . . . . . . . . . . . . . . . . .32<br />
Colheita assistida em melão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .34<br />
Cultivo<br />
Citrinos - Certificação impulsiona sector viveirista . . . . . . . . . . .37<br />
Alho Francês- Produção na Europa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .38<br />
“Alhos de corrida” . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .40<br />
Critérios de avaliação de sementes hortícolas . . . . . . . . . . . . .42<br />
Mercado e Empresas<br />
Riscadinha de Palmela ganha novo fôlego . . . . . . . . . . . . . . . .46<br />
Morango - Oeste investe em produções de Primavera-Verão . . . .48<br />
Agronegócio . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .50<br />
Distribuição<br />
Alimentação resiste à crise . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .54<br />
Factores de Produção<br />
O papel das algas na agricultura . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .56<br />
Medidas de poupança de água desajustadas . . . . . . . . . . . . .60<br />
Tecnologia<br />
Perdas na conservação de batata para indústria . . . . . . . . . . . . .61<br />
Métodos não destrutivos de análise de frutos e legumes . . . . .63<br />
Flores e Ornamentais<br />
1.º Concurso Nacional de Floricultores e Floristas . . . . . . . . . .65<br />
14<br />
40<br />
56<br />
sumário<br />
34<br />
54<br />
65<br />
<strong>FLF</strong> 106 | Maio/Junho 2009 5
agenda<br />
6<br />
JUNHO<br />
SIMPÓSIO DA VINHA- CONSERTAR<br />
O FUTURO<br />
25 e 26 de Junho<br />
Auditório da Universidade de Évora<br />
www.bayercropscience.pt<br />
I VINALIA<br />
27 e 28 de Junho<br />
Penela<br />
www.cm-penela.pt<br />
JULHO<br />
II FEIRA DO MIRTILO<br />
3 a 5 de Julho<br />
Sever do Vouga, Parque Urbano da Vila<br />
www.severdovouga.pt<br />
ENCONTRO ANUAL DA SOCIEDADE<br />
PORTUGUESA DE CIÊNCIA DO SOLO<br />
8 a 10 de Julho<br />
Auditório da Universidade do Algarve<br />
http://eventos.ualg.pt/EACS09/<br />
AGOSTO<br />
PROGNOSFRUIT CONGRESS<br />
6 a 8 de Agosto<br />
Maastricht<br />
Holanda<br />
www.prognosfruit2009.nl<br />
XXIII SIMPÓSIO EUCARPIA SOBRE<br />
ORNAMENTAIS<br />
31 de Agosto a 4 de Setembro<br />
Leiden<br />
Holanda<br />
http://www.ornamentalbreeding.nl/<br />
I CONGRESSO AFRICANO<br />
DE HORTICULTURA<br />
31 de Agosto a 3 de Setembro<br />
Safari Park Hotel, Nairobi<br />
Quénia<br />
http://www.globalhort.org/newsevents/all-africa-horticulture-congress/<br />
SETEMBRO<br />
ASIA FRUIT LOGISTICA<br />
2 a 4 de Setembro<br />
Feira Internacional de Marketing de<br />
Frutas e Legumes<br />
Hong Kong<br />
www.asiafruitlogistica.com<br />
VII SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE<br />
DESINFECÇÃO DE SUBSTRATOS<br />
13 a 18 de Setembro<br />
Collegium De Valk, Leuven<br />
Bélgica<br />
http://ishs-horticulture.org/soildisinfest2009/<br />
WORLD FOOD MOSCOW<br />
15 a 18 de Setembro<br />
18ª Exposição Internacional do Sector<br />
Alimentar<br />
Expocentr at Krasnaya Presnya<br />
Moscovo, Rússia<br />
www.world-food.ru<br />
<strong>FLF</strong> 106 | Maio/Junho 2009<br />
SALÃO DE PLANTAS, JARDIM<br />
E COMPLEMENTOS<br />
17 a 19 de Setembro<br />
Fira de Girona<br />
Espanha<br />
www.firagirona.com<br />
XI SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE<br />
BIOREGULADORES DE PLANTAS<br />
NA PRODUÇÃO DE FRUTA<br />
20 a 24 de Setembro<br />
Bolonha<br />
Itália<br />
http://www.ishs.pbr.bologna2009.it/<br />
V SIMPÓSIO NACIONAL<br />
DE OLIVICULTURA<br />
25 e 26 de Setembro<br />
Auditório da ESAS<br />
Santarém<br />
http://olivicultura09.esa.ipsantarem.pt/<br />
CONGRESSO PORTUGUÊS<br />
DE DIETÉTICA E NUTRIÇÃO<br />
25 e 26 de Setembro<br />
Auditório ESTeSL/ESEL<br />
Lisboa<br />
www.cpdn.diets2009.org<br />
V SIMPÓSIO INTERNACIONAL<br />
SOBRE SEMENTES, TRANSPLANTE<br />
E ACLIMATAÇÃO<br />
“Integrar métodos para produzir mais<br />
com menos”<br />
27 de Setembro a 1 de Outubro<br />
Murcia<br />
Espanha<br />
http://www.sest2009.com<br />
II CONGRESSO IBÉRICO E V CONGRES-<br />
SO ESPANHOL DE AGRO-ENGENHARIA<br />
28 a 30 de Setembro<br />
Lugo<br />
Espanha<br />
www.aging2009.org/pt<br />
IV SIMPÓSIO INTERNACIONAL<br />
SOBRE FIGO<br />
29 de Setembro a 3 de Outubro<br />
Meknes<br />
Marrocos<br />
www.ficus2009.ma<br />
OUTUBRO<br />
LUSOFLORA<br />
8 a 11 de Outubro<br />
CNEMA, Santarém<br />
www.cnema.pt<br />
CASTANEA 2009<br />
13 a 16 de Outubro<br />
I Congresso Europeu do Castanheiro –<br />
Alimentação, Madeira, Biomassa<br />
e Energia<br />
Cuneo<br />
Itália<br />
http://www.arboree.unito.it/castanea2009<br />
SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE<br />
PISTACHIOS E AMÊNDOAS<br />
13 a 17 de Outubro<br />
Sanliurfa<br />
Turquia<br />
beak@harran.edu.tr<br />
IBERFLORA<br />
14 a 16 de Outubro<br />
Feira Internacional de Plantas, Flores,<br />
Tecnologia e Jardim<br />
Feira de Valencia<br />
Espanha<br />
http://iberflora.feriavalencia.com<br />
ECOTALAVERA 2009<br />
15 a 17 de Outubro<br />
II Feira Hispono-Lusa de Agricultura<br />
Biológica<br />
Talavera de la Reina, Toledo<br />
www.talavera-ferial.com<br />
III SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE<br />
EFEITOS DAS FRUTAS E LEGUMES<br />
NA SAÚDE HUMANA<br />
18 a 21 de Outubro<br />
Avignon<br />
França<br />
http://favhealth2009.com/<br />
JORNADAS DE FRUTICULTURA<br />
DE LAS VEGAS DEL GUADIANA<br />
21 a 23 de Outubro<br />
Valdelacalzada, Badajoz<br />
Espanha<br />
caval@frutosval.es<br />
I COLÓQUIO NACIONAL DE SEMENTES<br />
E VIVEIROS<br />
29 e 30 de Outubro<br />
Escola Superior Agrária de Coimbra<br />
www.aphorticultura.pt<br />
NOVEMBRO<br />
FRUIT ATTRACTION 2009<br />
4 a 6 de Novembro<br />
Feira de Frutas e Legumes<br />
Feira de Madrid<br />
(Espanha)<br />
www.proexport.es<br />
VI SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE<br />
ILUMINAÇÃO EM HORTICULTURA<br />
15 a 19 de Novembro<br />
Tsukuba<br />
Japão<br />
http://www.lightsym2009.jp<br />
VI SIMPÓSIO INTERNACIONAL<br />
SOBRE CEREJA<br />
15 a 20 de Novembro<br />
Santiago<br />
Chile<br />
zoffolij@uc.cl<br />
III JORNADAS DO GRUPO<br />
DE FERTILIZAÇÃO DA SECH<br />
“A fertilização e os códigos de Boas<br />
Práticas Agrícolas”<br />
24 a 26 de Novembro<br />
Suca S.C.A. (sala de conferências)<br />
El Ejido, Almeria<br />
Espanha<br />
www.sech.info<br />
ENOVITIS<br />
24 a 28 de Novembro<br />
7º Salão Internacional de Técnicas para<br />
Viticultura e Olivicultura<br />
Feira de Milão<br />
Itália<br />
www.enovitis.it<br />
II SIMPÓSIO INTERNACIONAL<br />
DE BIOTECNOLOGIA EM CITRINOS<br />
30 Novembro a 2 Dezembro<br />
Catania<br />
Itália<br />
www.citrusbiotech2009.it<br />
DEZEMBRO<br />
SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE<br />
REGA DO OLIVAL E QUALIDADE<br />
DO AZEITE<br />
6 a 10 de Dezembro<br />
Nazaré<br />
Israel<br />
www.olive-irrigation-symposium.org<br />
2010<br />
FEVEREIRO<br />
FRUIT LOGISTICA<br />
Feira Internacional de Frutas e Legumes<br />
Frescos<br />
3 a 5 de Fevereiro<br />
Berlim<br />
Alemanha<br />
www.fruitlogistica.com<br />
II SIMPÓSIO NACIONAL<br />
DE FRUTICULTURA<br />
4 e 5 de Fevereiro de 2010<br />
Castelo Branco<br />
www.aphorticultura.pt<br />
FRUCHTWELT BODENSEE<br />
19 a 21 de Fevereiro<br />
Feira Internacional de Frutos, Bagas<br />
e Destilação<br />
Messe Friedrichshafen<br />
Alemanha<br />
www.fruchtwelt-bodensee.de<br />
MARÇO<br />
11ª EXPOJARDIM<br />
Feira de Plantas, Flores, Mobiliário<br />
Urbano e de Jardim, Piscinas<br />
e Acessórios, Equipamentos, Máquinas<br />
e Acessórios para Jardinagem<br />
4 a 7 de Março<br />
Exposalão, Batalha<br />
www.exposolao.pt<br />
INTERVITIS INTERFRUCTA 2010<br />
24 a 27 de Março<br />
Salão Internacional de Tecnologias<br />
do Vinho, das Frutas, Sumos de fruta<br />
e Bebidas Espirituosas<br />
Estugarda<br />
Alemanha<br />
www.intervitis-interfructa.de<br />
JUNHO<br />
III SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE<br />
DOENÇAS DO TOMATE<br />
25 a 30 de Julho<br />
Ischia, Nápoles<br />
Itália<br />
www.3istd.com<br />
AGOSTO<br />
28 CONGRESSO INTERNACIONAL<br />
DE HORTICULTURA<br />
22 a 27 de Agosto<br />
Centro de Congressos de Lisboa<br />
Portugal<br />
www.ihc2010.org
Reconhecida Associação Interprofissional<br />
da Fileira Oleícola<br />
A Associação Interprofissional da Fileira Oleícola (AIFO) foi reconhecida<br />
oficialmente pelo Ministério da Agricultura, durante a Bienal<br />
do Azeite 09, que decorreu em Castelo Branco, de 29 a 31 de<br />
Maio. Esta estrutura interprofissional, que agrupa as principais associações<br />
representativas do sector, foi criada em 2006, mas desde<br />
então não havia sido dada qualquer resposta ao pedido de reconhecimento<br />
que apresentou ao Gabinete de Planeamento e Políticas.<br />
«O modelo interprofissional é, claramente, o modelo de organização<br />
de fileira oleícola que melhor responderá aos enormes<br />
desafios que o sector enfrenta: reorganização do sector produtivo<br />
nacional, ambiente concorrencial cada vez mais agressivo,<br />
decorrente do aumento de produção a nível mundial e da estagnação<br />
do consumo (o que condiciona, igualmente, o nível de preços<br />
de mercado do produto), etc.», podia ler-se num memorando<br />
entregue à Assembleia da República, a 13 de mês de Maio, pela AI-<br />
FO, sobre os contributos para a resolução dos constrangimentos<br />
no sector oleícola nacional. Este documento pede a criação de «linhas<br />
de apoio específicas para a promoção do consumo de azeite,<br />
tanto ao nível interno como ao nível da internacionalização das<br />
marcas de azeite português». Por outro lado, sugere que «a reforma<br />
do Pagamento Complementar poderá funcionar como alavanca<br />
financeira para a implantação de actuações das Organizações<br />
de Operadores Oleícolas directamente no terreno e numa lógica<br />
de proximidade com os utilizadores finais». A Bienal do Azeite reuniu<br />
mais de 100 expositores de todas as regiões produtoras de azeite<br />
e cerca de 60 mil pessoas a vivenciar as mais variadas experiências<br />
em torno do azeite degustações; concurso “Azeite & Design”;<br />
provas de BTT, cozinha ao vivo e a tibórnia gigante, foram das atracções<br />
que registaram uma maior afluência.<br />
Manual Técnico Ginja de Óbidos<br />
e Alcobaça<br />
O município de Óbidos e a Associação de Produtores de Maçã de Alcobaça<br />
apresentaram, a 30 de Abril, o “Manual Técnico Ginja de Óbidos<br />
e Alcobaça”, resultado de um projecto AGRO, que durou ano e<br />
meio, e que teve a coordenação do professor António Ramos, da Escola<br />
Superior Agrária de Castelo Branco. A apresentação deste livro<br />
decorreu no âmbito da jornada “Óbidos Gourmet”, durante a qual se<br />
realizam provas de ginja.<br />
país<br />
actualidade<br />
Portugal terá 2 M€ para fruta nas escolas<br />
Portugal receberá 2 199 600€ para distribuir frutas nas escolas, a cerca<br />
de 600 mil crianças, entre os 6 e os 10 anos. Esta verba indicativa foi<br />
estabelecida no âmbito do programa comunitário “Regime de Fruta nas<br />
Escolas”, que visa promover o consumo de fruta, como parte de uma alimentação<br />
saudável. As normas relativas a este regime foram publicadas<br />
nos Regulamentos n.º 13/2009 e n.º 288/2009.<br />
Apoios aos investimentos até 25 mil euros<br />
A Portaria n.º 482/2009, publicada a 6 de Maio, regula os apoios no âmbito<br />
da acção n.º 1.1.2, «Investimentos de pequena dimensão», ou seja,<br />
de montante igual ou superior a 5000€ e inferior a 25 000€. São elegíveis<br />
equipamentos para melhoramento ambiental e da eficiência energética<br />
das explorações, equipamento e máquinas agrícolas, pequenas<br />
construções e, ainda, pequenas plantações plurianuais. Os apoios, não<br />
reembolsáveis, são calculados sobre o valor do investimento: a) 50% no<br />
caso da aquisição de equipamentos para melhoramento ambiental e de<br />
eficiência energética, quando a exploração se situe em zona desfavorecida<br />
b) 45% no caso da aquisição de equipamentos e máquinas agrícolas,<br />
pequenas construções e pequenas plantações anuais, quando a<br />
exploração se situe em zona desfavorecida; c) 40% no caso de a exploração<br />
se situar em zona não desfavorecida. A primeira fase de candidaturas<br />
decorre de 19 de Junho a 15 de Semtembro de 2009.
8<br />
actualidade<br />
<strong>FLF</strong> 106 | Maio/Junho 2009<br />
país<br />
“Migração Circular” facilita entrada<br />
de trabalhadores ucranianos<br />
A entrada de cidadãos ucranianos em Portugal para trabalhar no sector<br />
agrícola está, este ano, facilitada. Os imigrantes daquele país podem<br />
ser contratados por seis meses, ao abrigo do “Projecto de Migração<br />
Circular entre Portugal e Ucrânia”, que visa combater a falta<br />
de mão-de-obra no sector agrícola em Portugal. A viagem Kiev-<br />
Lisboa-Kiev será paga pelo Programa, bem como aulas de português<br />
à chegada. Esta iniciativa envolve a CAP, o Instituto de Emprego e<br />
Formação Profissional, a Organização Internacional para as Migrações<br />
e o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, que facilitará a concessão<br />
de vistos.<br />
26.ª Ovibeja dedicada ao azeite<br />
A 26.ª edição da Ovibeja, realizada de 29 de Abril a 3 de Maio, teve<br />
como tema principal o azeite. O Pavilhão AzeiteAlentejo foi o centro<br />
das atenções dos visitantes, tendo recebido mais de 10 mil visitantes,<br />
segundo os números da organização. A feira decorreu durante<br />
cinco dias, ao invés de nove, uma alteração a manter nas próximas<br />
edições. No dia 30 de Abril, decorreu em paralelo um seminário<br />
sobre “Sustentabilidade Económica do Olival”. Neste evento<br />
foi divulgada uma linha de apoio, no âmbito do QREN, que apoia<br />
“clusters” e que poderá aplicar-se ao azeite. As candidaturas pressupõem<br />
que representantes de todos os pontos da fileira estejam<br />
junto no mesmo programa de acção produtores, distribuidores, mas<br />
também agentes que tragam inovação e tecnologia que ajudem a<br />
vender melhor o produto. Os projectos devem assentar em três pilares:<br />
uma ideia que se traduza numa estratégia; um programa de<br />
acção com projectos concretizáveis e “actores”, centrados à volta do<br />
plano de acção. Nelson Sousa, gestor do Programa Operacional Factores<br />
de Competitividade do QREN para o Alentejo, revelou que haverá<br />
um “cartão gold no acesso ao crédito” para estes projectos.<br />
mundo<br />
Comissão regula embalagens<br />
activas e inteligentes<br />
A Comissão Europeia adoptou, a 1 de Junho, um regulamento que introduzirá<br />
um mecanismo de autorização para substâncias utilizadas<br />
para funções activas e inteligentes em materiais em contacto com alimentos,<br />
especialmente embalagens para alimentos. A Autoridade Europeia<br />
de Segurança Alimentar será a entidade responsável pela avaliação<br />
de segurança das referidas substâncias. Será criado um mercado<br />
único para a utilização de embalagens activas e inteligentes, com critérios<br />
de segurança próprios, que permita uma situação concorrencial<br />
para este novo tipo de embalagem. Os materiais e artigos activos em<br />
contacto com alimentos destinam-se a aumentar o prazo de validade ou<br />
manter ou melhorar a condição dos alimentos embalados.<br />
Portuguese Wine nova revista sobre vinhos<br />
Acabou de ser publicada a Portuguese Wine, uma revista anual, bilingue<br />
(inglês e francês), especializada em informação técnica e de mercado<br />
do sector vinícola e destinada a promover o Vinho Português e<br />
produtos/serviços associados à fileira vinícola, no mercado externo. O<br />
lançamento do novo título decorreu na Vinexpo, uma das maiores feiras<br />
mundiais do sector do<br />
vinho, que decorreu em<br />
Bordéus, França, de 21 a<br />
25 de Junho. A Portuguese<br />
Wine é propriedade<br />
da Publicações Groupo<br />
TB, a editora da Frutas,<br />
Legumes e Flores, e tem<br />
o apoio da Viniportugal.<br />
O novo título será<br />
distribuído em outros<br />
eventos nacionais e internacionais<br />
do vinho,<br />
ao longo de 2009.
UE importou 14 milhões de toneladas<br />
de frutas legumes<br />
A União Europeia (UE) importou 11,9 milhões de toneladas de frutas (+1%)<br />
e 2,3 milhões de toneladas de produtos hortícolas (-6%) de países terceiros,<br />
em 2008, segundo os dados do Eurostat. África do Sul, Argentina, Chile<br />
e Brasil foram os principais países de proveniência das frutas,enquanto<br />
os hortícolas vieram sobretudo de Marrocos,Israel,Egipto e Turquia.O comércio<br />
de frutas e legumes entre países da UE,em 2008,atingiu os 31,1 milhões<br />
de toneladas, ou seja, menos 5% do que em 2007. Espanha, Holanda<br />
e Espanha foram os principais exportadores. Os citrinos (4,1 M t) e a maçã<br />
(2 M t) foram as frutas mais transaccionadas,enquanto a batata (5,5 M t),<br />
o tomate (2,4 M t) lideraram o comércio comunitário nas hortícolas.<br />
Ajudas à armazenagem<br />
privada de azeite<br />
A Comissão Europeia propôs, a 25 de Maio,<br />
que se autorize os produtores de azeite a<br />
concorrerem a ajudas à armazenagem privada<br />
de azeite virgem e virgem extra durante<br />
um período de 180 dias e para uma<br />
quantidade máxima de 110 000 toneladas,<br />
devido à quebra significativa e prolongada<br />
dos preços na UE. Os preços do azeite<br />
têm vindo a baixar constantemente desde<br />
o início da campanha de comercialização<br />
de 2008/2009. Nas últimas semanas, o preço<br />
do azeite, concretamente para as qualidades<br />
virgem e virgem extra, tem permanecido<br />
abaixo do previsto para dar origem<br />
a ajudas à armazenagem privada (1779 euros/tonelada<br />
para o azeite extra virgem e<br />
1710 euros/tonelada para o azeite virgem).<br />
AS NOSSAS FALHAS<br />
Na última edição da Frutas,Legumes e Flores, em alguns exemplares<br />
da revista, o endereço de e-mail da empresa J. SOBRAL & DIAS,<br />
na página 55, está ligeiramente cortado. Repomos aqui a informação:<br />
j.sobral-dias.lda@mail.telepac.pt.<br />
mundo<br />
actualidade<br />
Melhorar a venda de produtos de qualidade<br />
A Comissão Europeia emitiu, a 28 de Maio, várias recomendações que visam<br />
melhorar a venda de produtos alimentares de qualidade. Entre as<br />
medidas propostas destaca-se o reforço da coerência e a simplificação<br />
dos sistemas de rotulagem e de certificação privada. Quanto aos rótulos,<br />
é sugerido que se acrescente o local de produção e se criem menções<br />
de carácter facultativo para “produto de agricultura de montanha” e “produto<br />
tradicional”, este último substituindo o actual sistema de especialidades<br />
tradicionais garantidas. A rotulagem dos produtos de agricultura<br />
biológica deverá ser melhorada com o novo logótipo europeu para produtos<br />
bio (em elaboração), que será obrigatório depois de 1 de Julho de<br />
2010. Outra proposta é a criação de um registo único para todas as indicações<br />
geográficas (vinhos, bebidas espirituosas, produtos agrícolas e<br />
géneros alimentícios), como forma de as proteger no plano internacional.<br />
Por fim, são sugeridas orientações em matéria de boas práticas para<br />
os sistemas de certificação privados, de modo a esclarecer melhor o<br />
consumidor e evitar a burocracia imposta aos agricultores.<br />
Fruits & Légumes Magazine<br />
O grupo editorial francês Publications Agricoles, proprietário da revista<br />
Frutas, Legumes e Flores, acaba de lançar no mercado a revista Fruits<br />
& Légumes Magazine. Esta publicação, destinada aos consumidores, ensina<br />
a conhecer melhor as frutas e legumes, como são produzidos, sua<br />
diversidade e virtudes. Esta<br />
primeira edição de Primavera/Verão<br />
está repleta<br />
de conselhos práticos, gestos<br />
simples para descobrir,<br />
conhecer e cozinhar as frutas<br />
e legumes. Conhecer a<br />
história do morango, apreciar<br />
o tempo das cerejas ou<br />
como escolher um bom<br />
melão. Receitas, conselhos<br />
de saúde, encontros com<br />
artistas e com chefs de renome.Tudo<br />
na Fruits & Légumes<br />
Magazine.
10<br />
actualidade<br />
<strong>FLF</strong> 106 | Maio/Junho 2009<br />
país<br />
Ser competitivo no sector<br />
hortofrutícola<br />
Por: Nélia Silva<br />
A Escola Superior Agrária<br />
de Coimbra organizou, a<br />
17 de Abril, um colóquio<br />
sobre o tema “Frutas e<br />
legumes: inovação e competitividade”,<br />
no qual<br />
representantes da produção<br />
e da grande distribuição<br />
falaram sobre os desafios<br />
da competitividade<br />
no sector hortofrutícola.<br />
As empresas hortofrutícolas<br />
enfrentam o desafio da<br />
globalização e lutam por<br />
manter a competitividade.<br />
No futuro próximo (talvez<br />
já em 2010), uma das ameaças à<br />
competitividade das empresas europeias<br />
é a entrada em funcionamento<br />
da zona livre de comércio<br />
EuroMed (União para o Mediterrâneo),<br />
criada em Julho de 2008 por<br />
27 países membros da União Europeia<br />
mais 16 países do Norte de<br />
África e do Médio Oriente. No âmbito<br />
da EuroMed prosseguem as negociações<br />
para a liberalização das<br />
trocas comerciais de produtos agrícolas.<br />
«O mercado europeu será em<br />
breve aberto à produção do Norte<br />
de África, o que nos fará perder<br />
competitividade», constatou David<br />
del Pino, director-geral da Cooperativa<br />
Carchuna La Palma, de Granada,<br />
um dos oradores do colóquio.<br />
Segundo explicou, o primeiro efeito<br />
da globalização é a baixa dos preços<br />
das commodities, onde se incluem<br />
as frutas e legumes.<br />
A actual crise económica, que é<br />
Mesa de oradores do colóquio organizado pelo CERNAS<br />
em parte consequência da globalização,<br />
está a alterar a pirâmide de consumo,<br />
colocando novos desafios aos<br />
produtores. «A zona da classe média<br />
tende a estreitar-se e há cada vez<br />
mais pessoas na classe baixa que consomem<br />
sobretudo commoditties, a<br />
preço baixo. O topo da pirâmide também<br />
alarga, dando origem ao consumo<br />
de produtos masstige (prestígio<br />
de massas), ou seja, produtos<br />
“Premium” mas que não são muito<br />
caros», constatou o responsável espanhol<br />
daquela que é a maior empresa<br />
mundial de produção de tomate<br />
cereja e tomate de especialidade<br />
(525 agricultores associados, 51 mil<br />
toneladas produzidas e 81 milhões<br />
de euros facturados, em 2008).<br />
David del Pino acrescentou que<br />
há apenas «uma pequena oportunidade<br />
de diferenciação» no segmento<br />
das frutas e legumes, mas<br />
requer inovação, ou seja, investimento<br />
em investigação de novos<br />
produtos. «O ciclo de vida das frutas<br />
e legumes é hoje em dia de três<br />
anos e não de 15 ou 20 anos, como<br />
era no passado», justificou.<br />
Relações com<br />
as grandes superfícies<br />
A competitividade do sector hortofrutícola<br />
passa também pela capacidade<br />
de entrar no circuito de abastecimento<br />
das grandes cadeias de<br />
distribuição. «Entra-se pelo preço,<br />
mas mantemo-nos lá pelo serviço»,<br />
assegurou David del Pino. Nesta matéria,<br />
Manuel Évora, administrador<br />
do grupo português Luís Vicente (50<br />
mil toneladas de frutas movimentadas<br />
e 40 milhões de euros facturados,<br />
em 2008), referiu que há «uma<br />
pressão diabólica das grandes superfícies<br />
portuguesas para que os produtores<br />
baixem os preços, além de<br />
grande dificuldade em cobrar aos<br />
clientes, o que acarreta maiores riscos<br />
na programação das campanhas<br />
e gestão de stocks».<br />
Só através da inovação é possível<br />
sobreviver neste cenário. Algo<br />
que o grupo Luís Vicente tem sabido<br />
fazer através do investimento<br />
em produção própria no estrangeiro.<br />
Desde 2008, comprou três<br />
herdades na América do Sul e Central<br />
– uma na Baía, Brasil, com 670<br />
hectares em produção (lima, manga,<br />
papaia, mamão, melão, meloa<br />
e melancia); duas na Costa Rica,<br />
província de São Carlos, uma das<br />
quais já com 556 hectares em produção<br />
(abacaxi e mandioca). «Em<br />
2008, 35% das vendas (em kg) do<br />
grupo Luís Vicente foram de frutos<br />
tropicais, quando em 2005 os<br />
tropicais representavam apenas<br />
4%», acrescentou.<br />
A grande distribuição portuguesa<br />
esteve representada no colóquio pela<br />
Sonae, que em 2008 comprou 98<br />
216 toneladas de frutas e legumes,<br />
por 86 milhões de euros. «O futuro<br />
do Clube de Produtores Sonae passa<br />
pelo aumento dos níveis de serviço<br />
exigido aos produtores; pela sua<br />
localização em zonas de produção<br />
indicadas para o produto em causa;<br />
pela inovação dos produtos e pela<br />
aproximação entre os produtores e<br />
os consumidores», afirmou Nuno<br />
Passadinhas, do departamento agrícola<br />
da Sonae Distribuição. O Clube<br />
de Produtores Sonae tem 209 associados,<br />
metade dos quais da área das<br />
frutas e legumes. •
12<br />
actualidade<br />
Espinafres frescos<br />
ultrapassam limites de nitratos<br />
Por: Nélia Silva<br />
Aedição de Maio da revista<br />
ProTeste publica um estudo<br />
sobre a quantidade de<br />
nitratos contidos em 208<br />
amostras de espinafres<br />
frescos e congelados, alface (rosa,<br />
lisa e frisada), couve lombarda e<br />
alho francês, comprados em lojas,<br />
mercearias e hipermercados portugueses.<br />
O teste consistiu em verificar<br />
se o teor de nitratros ultrapassava<br />
os limites legais e se a dose<br />
diária aceitável era excedida, para<br />
uma criança de 20 kg e um adulto<br />
de 70 kg. A Associação para a Defesa<br />
do Consumidor (DECO), proprietária<br />
da revista, concluiu que<br />
«os espinafres frescos são, pelos<br />
menos em cru,<br />
<strong>FLF</strong> 106 | Maio/Junho 2009<br />
país<br />
Um estudo da DECO pôs à prova sete vegetais quanto ao seu teor em nitratos e alerta<br />
para valores acima da lei em espinafres crus e alface. No entanto, uma especialista<br />
do Departamento de Alimentação e Nutrição do Instituto Nacional de Saúde<br />
Dr. Ricardo Jorge desmistifica o problema, afirmando que «ultrapassar a DDA<br />
ocasionalmente não representa uma preocupação para a saúde».<br />
os mais problemáticos, pelo nível<br />
de concentração de nitratos que encontrámos.<br />
Por exemplo, o limite<br />
legal, para os colhidos no Verão, é<br />
de 2500 mg por kg, mas chegámos<br />
a encontrar 4864 mg», pode ler-se<br />
no artigo. A alface também ultrapassou,<br />
embora de forma menos expressiva,<br />
os limites legais. «Entre<br />
as alfaces lisas compradas no Verão<br />
uma amostra estava fora dos limites<br />
legais. Porém, para as crianças,<br />
e considerando uma porção de 60<br />
gramas, 11 em 14 alfaces superaram<br />
os valores diários admissíveis<br />
para este contaminante… na alface<br />
frisada, 16 em cada 44 amostras<br />
acusam a mesma<br />
transgressão», continua o artigo. É<br />
relatada grande variação na concentração<br />
média em nitratos nos<br />
legumes de folha testados, encontrados<br />
tanto em produtos de agricultura<br />
convencional como de agricultura<br />
biológica.<br />
A legislação europeia parece estar<br />
incompleta no que se refere aos<br />
valores máximos de nitratos nos<br />
legumes. O regulamento europeu<br />
aplica-se apenas a cinco: espinafres<br />
frescos, enlatados, congelados e ultracongelados,<br />
alface fresca, alface<br />
icebergue, alimentos à base de cereais<br />
e para lactentes e crianças jovens.<br />
De fora ficam outros como a<br />
rúcola, alho francês e couve lombarda,<br />
que a ProTeste inclui no seu<br />
estudo. A DECO desafia, por isso,<br />
os estados-membros a monitorizar<br />
e enviar à Comissão Europeia dados<br />
sobre os níveis de nitratos em<br />
produtos susceptíveis de conter este<br />
composto, de modo a contribuir<br />
para estabelecer os limites para os<br />
legumes em falta.<br />
Legumes – benefícios<br />
superam riscos<br />
O artigo não é escrito em tom<br />
alarmista e lembra que «os legumes<br />
contêm nutrientes que compensam<br />
ou mesmo neutralizam parcialmente<br />
os perigos dos nitratos», e que<br />
«os efeitos benéficos resultantes do<br />
consumo de fruta e legumes superam<br />
os riscos para a saúde com a<br />
exposição aos nitratos através dos<br />
legumes». No entanto, afirma que<br />
«o perigo é real», devendo ser tomadas<br />
precauções em relação às<br />
crianças, grávidas e pessoas com<br />
problemas gástricos. A ProTeste sugere<br />
algumas dicas de como diminuir<br />
a ingestão de nitratos, através<br />
da boa preparação e conservação<br />
dos legumes e sugere uma dieta alimentar<br />
que inclua todo o tipo de legumes,<br />
de forma diversificada.<br />
A Frutas, Legumes e Flores entrevistou<br />
o Departamento de Alimentação<br />
e Nutrição do Instituto<br />
Nacional de Saúde Dr. Ricardo<br />
Jorge sobre o tema dos nitratos<br />
e seu perigo para a saúde (ver em<br />
continuação). •
«O importante é as pessoas diversificarem os alimentos»<br />
Porque podem ser os nitratos perigosos para a saúde, se consumidos<br />
em excesso?<br />
O nitrato por si só tem uma toxicidade relativamente baixa, mas os<br />
seus metabólitos e produtos de reacção, tais como os nitritos, o óxido<br />
nítrico e os compostos N-nitroso podem ter efeitos adversos na saúde<br />
humana. O teor alto de nitrito altera a hemoglobina impedindo esta<br />
de transportar o oxigénio, levando à asfixia do bebé. O nome mais<br />
conhecido deste efeito é a Síndroma do Bebé Azul.<br />
Tem sido também referenciada a interacção, no estômago, do nitrito<br />
com compostos amida que levam à formação de compostos N-nitrosos,<br />
que são carcinogénicos em animais e até em humanos. No entanto, segundo<br />
a opinião do Painel Científico de Contaminantes na Cadeia Alimentar<br />
sobre Nitratos nos Vegetais da União Europeia, os estudos epidemiológicos<br />
que relacionam os nitratos e o risco de cancro humano<br />
não sugerem que a ingestão de nitratos através da alimentação esteja<br />
associada com o aumento de risco de cancro.<br />
As frutas e legumes são os principais alimentos que contêm nitratos?<br />
As principais fontes de nitratos na dieta são os vegetais, as carnes curadas<br />
e a água para consumo, mas os vegetais e a fruta podem representar<br />
mais de metade, ou mesmo dois terços, do total de ingestão de nitratos.<br />
Quais as frutas e legumes mais "perigosos" do ponto de vista do teor<br />
de nitratos?<br />
Segundo a opinião do mesmo painel científico, os vegetais de folha verde,<br />
tais como a alface, a couve, a rúcula e os espinafres, entre outros,<br />
são geralmente os que apresentam maiores níveis de nitratos.<br />
É verdade que os legumes produzidos no Norte da Europa contêm<br />
mais nitratos e também os produzidos em estufa?<br />
Sim, é verdade. A intensidade luminosa é o factor chave que determina<br />
a concentração de nitrato nas folhas. Os vegetais produzidos no Inverno<br />
apresentam conteúdos em nitrato superiores aos produzidos<br />
no Verão, no mesmo ambiente. No entanto, convém sublinhar que também<br />
os vegetais produzidos no norte da Europa apresentam conteúdos<br />
em nitrato superiores relativamente aos produzidos no Sul da Europa.<br />
Estas diferenças podem ser explicadas, quer pela maior irradiação<br />
no Verão, que tende a diminuir a quantidade de nitrato, quer pelas<br />
altas taxas de crescimento que coincidem com os períodos de grande<br />
irradiação e temperaturas quentes. Os vegetais produzidos em estufa<br />
tendem a acumular maior quantidade em nitratos pela mesma razão,<br />
ou seja, a exposição a uma menor irradiação.<br />
O que pode ser feito do ponto de vista da produção agrícola para minimizar<br />
o teor de nitratos nas frutas e legumes?<br />
Do ponto de vista agrícola, devem ser seguidos os esquemas de Boas<br />
Práticas Agrícolas elaborados no sentido de responder aos regulamentos<br />
da Europa sobre nitratos e minimizar a concentração de nitratos<br />
nos vegetais. Estas boas práticas têm em consideração factores<br />
como a intensidade luminosa adequada, a utilização de fertilizantes,<br />
a avaliação do teor de nitrato no solo, entre outros.<br />
É referido na reportagem/testes da Proteste de Maio 2009 que<br />
várias amostras de espinafres frescos ultrapassam os limites legais,<br />
tal como a alface. Parece-lhe preocupante?<br />
O eventual impacto para a saúde desta situação dependerá da representatividade<br />
das amostras que ultrapassam os limites legislados no<br />
total de amostras dos mesmos alimentos disponíveis no mercado. A<br />
dose diária admissível (DDA) é a dose diária de uma substância, que<br />
país<br />
actualidade<br />
«Os vegetais produzidos em estufa tendem a acumular maior quantidade<br />
de nitratos»<br />
ingerida durante toda a vida parece, à luz dos conhecimentos actuais,<br />
não ter risco apreciável para o homem. Ultrapassar a DDA ocasionalmente<br />
não representa uma preocupação para a saúde. O que é importante<br />
é as pessoas diversificarem os alimentos que fazem parte da sua<br />
alimentação diária. Para se ter uma ideia mais clara do risco para a<br />
saúde da ingestão de nitratos, seria necessário fazer estudos regulares<br />
de todos os vegetais para avaliar as tendências no que diz respeito<br />
ao conteúdo em nitratos.<br />
Qual o conselho ao consumidor para reduzir os riscos de ingestão de<br />
nitratos via legumes?<br />
Em primeiro lugar, os vegetais devem ser armazenados até ao seu consumo<br />
no frigorífico (a 5ºC) e até um máximo de sete dias. Não é aconselhável<br />
o armazenamento de vegetais à temperatura ambiente, porque<br />
o conteúdo em nitrito aumenta. No caso de crianças, os vegetais<br />
devem ser preparados para consumo imediato ou então congelados,<br />
uma vez que a congelação inibe a acumulação de nitritos. Quanto ao<br />
processamento, os nitratos são solúveis em água, logo a lavagem dos<br />
vegetais (espinafres, alface, endívias entre outros) diminui cerca de<br />
10 a 15% do nível de nitrato. No caso de vegetais que são possíveis de<br />
descascar (batatas, cenouras, tomate, courgete, entre outras) este procedimento<br />
diminui o conteúdo de nitratos. No caso de alface e espinafres,<br />
retirar o caule e a nervura também diminui o conteúdo em nitratos.<br />
Cozinhar os legumes em água também diminui o conteúdo em nitratos.<br />
Convém, todavia, não esquecer que outros nutrientes importantes<br />
se encontram na água de cozedura. Em conclusão, o manuseamento,<br />
o armazenamento e o processamento (incluindo a lavagem, o retirar<br />
a pele e o cozinhar de forma correcta) podem reduzir bastante o<br />
conteúdo em nitratos dos vegetais.<br />
De um modo geral, parece-lhe que as medições e parâmetros usados<br />
e conselhos dados pela ProTeste estão correctos?<br />
Os conselhos dados pela ProTeste estão correctos e são, sem dúvida,<br />
muito importantes para os consumidores. Em relação às medições e<br />
parâmetros, não nos podemos pronunciar, porque desconhecemos as<br />
metodologias utilizadas no estudo (metodologia, controlos interlaboratoriais,<br />
amostragem, etc.).<br />
Entrevista com Dra. Elsa Vasco, investigadora do Departamento de Alimentação<br />
e Nutrição do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge.<br />
<strong>FLF</strong> 106 | Maio/Junho 2009 13
14<br />
actualidade<br />
Alimentaria Lisboa revelou<br />
dinamismo em tempo de crise<br />
Omomento de crise que<br />
atravessamos pode ser<br />
uma oportunidade para<br />
o sector alimentar. O<br />
consumidor português<br />
gasta hoje cada vez mais em produtos<br />
de alimentação básica, incluindo<br />
os frescos, como as frutas<br />
e legumes, cujo consumo continua<br />
a crescer e a fazer crescer as vendas<br />
nas grandes superfícies. Mas a<br />
crise está a alterar os comportamentos<br />
do consumidor luso: o consumo<br />
de bens alimentares dentro<br />
do lar aumenta em detrimento do<br />
consumo fora do lar; o consumidor<br />
está mais sensível ao preço; compra<br />
mais “marcas brancas” (da<br />
grande distribuição); concentra os<br />
<strong>FLF</strong> 106 | Maio/Junho 2009<br />
país<br />
Por: Nélia Silva<br />
Informação alimentar em rede<br />
Vai ser criada em Portugal uma base de dados nacional sobre a<br />
composição dos alimentos. O projecto foi apresentado durante a Alimentaria<br />
Lisboa pelo Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge,<br />
em parceria com a GS1 Portugal. O objectivo da plataforma GRIA<br />
(Gestão da Rede de Informação Alimentar) é reunir bases de dados<br />
e dados isolados sobre alimentos (identificação e composição) que<br />
se encontram dispersos a nível nacional (em universidades, laboratórios<br />
do Estado, indústria alimentar e em organismos do Ministério<br />
da Agricultura) e integrá-los numa base de dados mais alargada<br />
a nível europeu, com uma linguagem universal. O projecto reúne já<br />
vários representantes do sector agro-alimentar e a organização convida<br />
todos os intervenientes da cadeia agro-alimentar a associarem-<br />
-se, fornecendo dados. O objectivo último da iniciativa é disponibilizar,<br />
num portal da internet, informação sobre a composição nutricional<br />
dos alimentos, mas também sobre avaliação de risco (químico,<br />
físico e biológico) e benefício dos mesmos para a saúde humana.<br />
A base de dados será uniformizada através de uma linguagem<br />
universal – sistema GS1 GDSN (rede global de sincronização de dados)<br />
– com garantia de qualidade e rastreabilidade das fontes de informação.<br />
Esta rede foi inspirada na rede europeia EuroFIR, que visa<br />
desenvolver e integrar um banco de dados da composição dos alimentos,<br />
global, coerente e validado, que constitua uma fonte oficial<br />
e única para a Europa. Este banco de dados será alimentado pelas<br />
bases de dados nacionais.<br />
O Salão Internacional de Alimentação, realizado na FIL de 19 a<br />
22 de Abril, mostrou que o sector alimentar está em crescimento<br />
apesar da crise. Perto de mil expositores e mais de 25 mil compradores<br />
mostraram o dinamismo desta área de negócio.<br />
A Alimentaria Lisboa reuniu cerca de 1000 expositores, perto de 2000<br />
marcas e 32 mil visitantes<br />
momentos de compra e está menos<br />
fiel às insígnias, comprando em várias<br />
cadeias de grande distribuição.<br />
Estes dados foram revelados pela<br />
empresa de estudos de mercado<br />
TNS, durante a Alimentaria Lisboa,<br />
concluindo-se que «a alimentação<br />
sobreviveu à crise em 2008»(ver estudo<br />
na rúbrica Distribuição).<br />
O ambiente vivido na Alimentaria<br />
Lisboa reflectiu este optimismo.<br />
«A organização cumpriu os objectivos<br />
traçados para esta edição e o<br />
sucesso deste projecto vai reflectirse<br />
na Alimentaria Lisboa de 2011.<br />
Tivemos 25 632 compradores, dos<br />
quais 2860 de origem internacional,<br />
e o certame realizou-se num<br />
ambiente dinâmico e profissional,<br />
conduzindo à realização de um considerável<br />
volume de negócios, o que<br />
me permite caracterizar esta como<br />
uma grande Alimentaria Lisboa»,<br />
concluiu Javier Galiana, directorgeral<br />
da FIL, num comunicado de<br />
balanço da feira. O certame reuniu<br />
cerca de 1000 expositores, perto de<br />
2000 marcas e 32 mil visitantes.<br />
O sector das frutas e legumes<br />
não teve um espaço exclusivo, mas<br />
foi possível encontrar algumas empresas<br />
dedicadas à produção e comércio<br />
de frutas e legumes frescos<br />
e também à transformação. Estiveram<br />
em destaque os produtos<br />
convenientes, como as frutas e legumes<br />
de IV Gama ou as frutas inteiras<br />
embaladas em doses individuais.<br />
Realce ainda para um mercado<br />
em crescimento, o dos rebentos<br />
e cogumelos exóticos, muito<br />
apreciados pelos cozinheiros de<br />
restauração de gama alta.<br />
Algumas empresas apresentaram<br />
soluções de embalamento, pesagem<br />
e etiquetagem destinadas ao sector<br />
hortofrutícola. Nesta reportagem<br />
faça uma pequena visita guiada pósfeira<br />
às novidades e empresas que<br />
interessam ao sector. •<br />
Santos Almeida
Os rebentos são um produto com<br />
cada vez maior procura na restauração<br />
de gama alta. Na Alimentaria<br />
Lisboa, 2 expositores apresentaram<br />
este tipo de produto fresco: a<br />
Cogumelos Cultivados (produtor<br />
biológico) e a Frutock (distribuidor<br />
para a restauração).<br />
A Frustock apresentou<br />
uma gama de rebentos<br />
e pequenas folhas.<br />
«Estamos na fase de<br />
lançamento, é algo<br />
inovador… temos fornecedoresinternacionais<br />
de rebentos, os<br />
chefes de cozinha dos<br />
hotéis pedem-nos coisas<br />
raras, inovadoras,<br />
originais, por vezes<br />
difíceis de encontrar<br />
em Portugal», revelou<br />
Sandra Félix, directora<br />
de Marketing desta<br />
empresa distribuidora de produtos hortofrutícolas para o<br />
canal HoReCa. A responsável refere que neste cenário de<br />
crise o factor preço está no topo das prioridades dos compradores,<br />
mas, ainda assim, a empresa tem tido um aumento<br />
significativo na venda de frutas e legumes, sobretudo a<br />
cadeias de restauração fast food.<br />
Embalagens unitárias de fruta até 200g, desenvolvidas em 2007 pela<br />
Frutifresh e premiadas nesse ano com o Prémio Nacional de Embalagem.<br />
«Garantimos que as nossas embalagens têm pelo menos 200 gramas de<br />
fruta e garantimos a maturidade dos frutos», diz Nuno Figueiredo, director-<br />
-geral da empresa. Segmento em crescimento nas gasolineiras, cafetarias<br />
dos hipermercados e máquinas de distribuição automática. «Apresentámos<br />
ao Ministério da Educação uma proposta para distribuir a nossa<br />
fruta em embalagens unitárias às escolas», revela. “Beba fruta” é outro<br />
conceito da Frutifresh, que visa impulsionar a venda de sumos naturais de<br />
fruta no canal HoReCa, através do preço baixo. «Garantimos que um copo<br />
(25 cl) de sumo natural de laranja tem um preço de 0,32€ para o cliente.»<br />
país<br />
actualidade<br />
Tâmaras secas, polpa de marmelo e molhos picantes<br />
de chilly da Tunísia. Produtos apresentados<br />
pelas empresas Tucoal e Utique Fruit Tunez. «É a<br />
primeira vez que expomos em Portugal, já temos<br />
alguns contactos para compra de tâmaras e polpa<br />
de marmelo destinada à indústria da marmelada.<br />
Procuramos um importador em Portugal que possa<br />
vender os nossos produtos à grande distribuição e<br />
comércio tradicional», diz Fethi Bem Sedrine,<br />
director-geral da Tucoal, acrescentando: «os produtos<br />
tunisinos consumidos em Portugal são<br />
importados via França a preços muito elevados.»<br />
A empresa tem interesse em comprar plantas de<br />
morangueiro em Portugal.<br />
A pior praga na<br />
agricultura é a falta<br />
de informação<br />
Saber a todo o momento qual é o problema e em que<br />
consiste a solução ideal, é imprescindível para defender<br />
eficazmente as culturas das pragas que as atacam.<br />
A Koppert põe à sua disposição todo o seu conhecimento<br />
acumulado durante mais de 40 anos de sucessos lutando<br />
contra insectos, ácaros e outras ameaças possíveis.<br />
O conhecimento é a arma mais eficaz contra as pragas<br />
na agricultura e a Koppert é tudo o que precisa conhecer.<br />
Tudo o que necessitas conhecer
actualidade<br />
Espaço Innoval<br />
país<br />
Bancada interactiva de frutas e legumes. Ao levantar a peça de fruta é<br />
despoletada, no ecrã, informação nutricional, características do produto,<br />
receitas, ou outra informação que se deseje inserir no sistema.<br />
Esta tecnologia permite enviar,<br />
via “blue tooth”, cartões de<br />
visita, vídeos, cupões de desconto,<br />
etc., para o telemóvel<br />
do consumidor próximo da<br />
bancada. Nova solução 100%<br />
“made in Portugal”, apresentada<br />
pela Ipesa Creative<br />
Systems e exposta no Espaço<br />
Innoval da Alimentaria.<br />
A Naturar apresentou as três marcas de vegetais<br />
da sua gama – “Verde Terra»; “Naturar Expert” e<br />
“Veg&Fresh” – , com embalagens atractivas e<br />
modernas. A empresa, sediada em Arazede, tem<br />
uma moderna central hortofrutícola de 50 000m 2 ,<br />
equipada com tecnologia de ponta e profissionais<br />
qualificados.<br />
Vinho feito com quivi fermentado<br />
e 20% de uva da casta<br />
Chardonnay. O sumo de quivi<br />
é estabilizado a frio, antes da<br />
fermentação alcoólica. A bebida<br />
tem 8,5º de álcool. Produto<br />
elaborado na Córsega, em<br />
França, desde Dezembro de<br />
2006. Apresentado pela<br />
empresa portuguesa<br />
“Descubra as Diferenças”, no<br />
Espaço Innoval da Alimentaria.<br />
“Flor das Hortas”, nova linha “gourmet” apresentada<br />
pela empresa Pimensor, inclui massa<br />
de pimentão, massa de alho, malaguetas picantes<br />
trituradas e tempero completo.<br />
OnVu é um rótulo que indica o estado de frescura dos<br />
alimentos refrigerados. Inicialmente, o indicador (a maçã<br />
azul no centro do coração) é azul-escuro e vai ficando<br />
cada vez mais claro com o passar do tempo e o aumento<br />
da temperatura. O contraste evidente entre o coração<br />
e o rebordo mais claro indica que o produto se encontra<br />
fresco, quando o coração fica mais claro do que o<br />
rebordo não é aconselhável o consumo do produto. O<br />
rótulo mantém ou diminui o tempo/dias de indicação de<br />
frescura inicialmente definida pelo produtor, em função<br />
das temperaturas a que o produto estiver sujeito. O sistema<br />
permite programar a etiqueta de acordo com as<br />
especificações do produtor. Inovação apresentada pela<br />
empresa Bizerba, no Espaço Innoval da Alimentaria.<br />
Novos produtos da marca 80G, especialista em fruta<br />
de IV Gama – embalagens familiares; morangos com<br />
cobertura de chocolate e maçã com caramelo. Marca<br />
do grupo Luís Vicente S.A..<br />
Levamos até si a frescura<br />
de nossas frutas todos os dias<br />
Lusopêra – Sociedade de Exportação e Comercialização de Produtos Hortofrutículas, Lda.<br />
Empresa responsável pela comercialização das frutas do CPF (Centro de Produção e Comercialização Hortofrutícula. Lda)<br />
MARCAS REGISTADAS AURORA E SABOR<br />
Estrada Nacional Nº 8, Km 69 – Sobreiral 2540-170 Bombarral • Tel.: 262 600 031 – Fax: 262 600 039 – info@lusopera.com – www.lusopera.com
A empresa libanesa<br />
Industrial Kingdom esteve<br />
na Alimentaria em busca de<br />
importadores de azeite libanês<br />
a granel. «Estou à procura<br />
de clientes do Brasil,<br />
África, etc.», refere, Basel<br />
Rafii, director de vendas da<br />
empresa. O Líbano é um<br />
pequeno produtor de azeite<br />
(20 000 t), mas ainda assim<br />
tem excedentes, devido ao<br />
baixo consumo no país<br />
(8000 t). O azeite libanês é<br />
baseado na variedade local<br />
Surani e resulta de misturas<br />
com azeites de outras proveniências<br />
(Espanha,<br />
Tunísia, Síria).<br />
Gazela 1000, máquina de embalamento<br />
de vegetais, incluindo flores,<br />
em flowpack. Adapta a embalagem<br />
à largura, altura e comprimento de<br />
cada unidade de produto. Introduz<br />
humidade na embalagem para prolongar<br />
a vida do produto.<br />
Capacidade de trabalho: 20 metros<br />
de filme/minuto. Preço base: 55 mil<br />
euros. Da marca italiana Record,<br />
representada em Portugal pela<br />
Emak.<br />
Sienna, máquina para embalamento de<br />
legumes (alface, alho-francês, couve lombarda,<br />
pepino, etc. ) em flowpack, com<br />
tapete de entrada automática, faz leitura<br />
do comprimento do produto e dimensiona<br />
a embalagem para cada unidade. Faz<br />
embalamento de produtos de grande<br />
dimensão (ex. couve portuguesa), com<br />
elevada fiabilidade. Sucessora do modelo<br />
PV 350 da Ulma Packaging. Capacidade<br />
de trabalho: 50 a 60 unidades minuto.<br />
Preço base: 60 mil euros.<br />
A Simpack é uma nova empresa<br />
dedicada ao fabrico e concepção de<br />
embalagens para produtos hortofrutícolas.<br />
A empresa dispõe de um<br />
departamento de design que concebe<br />
a imagem das embalagens ao<br />
gosto do cliente.<br />
país<br />
Projectamos espaços...<br />
actualidade<br />
Cogumelos Cultivados – produtor de<br />
cogumelos Shii-take e outros cogumelos<br />
exóticos. Também produz rebentos,<br />
microvegetais (melão com sabor a pepino<br />
e tomate), orquídeas e outras flores<br />
comestíveis. Principais clientes: cozinheiros<br />
de restaurantes de gama alta. Na foto,<br />
Klaas Zwart, gerente da empresa, sediada<br />
em Tábua. Expositor no stand colectivo<br />
da Interbio.<br />
... concebemos soluções de futuro.<br />
Rua das Pedreiras - Apartado 8 - 4741-908 FÃO • Tel.: 253 989 360 • Fax: 253 989 369<br />
E-mail: geral@estufasminho.pt • www.estufasminho.pt
actualidade<br />
Fruit Attraction – nova feira<br />
de frutas e legumes<br />
Realiza-se, de 4 a 6 de Novembro, na Feira de Madrid,<br />
a primeira edição da Fruit Attraction, uma nova feira<br />
profissional de frutas e legumes, no centro da<br />
Península Ibérica.<br />
Onovo certame está a cargo<br />
do Instituto Ferial de Madrid<br />
e da Fepex (Federação<br />
Espanhola de Produtores<br />
Exportadores de<br />
Frutas, Hortícolas, Flores e Plantas<br />
Vivas). «Espanha é o primeiro<br />
exportador mundial de frutas e legumes<br />
e necessita de uma feira que<br />
reforce a posição do sector nos<br />
mercados interno e externo. A<br />
mundo<br />
Fruit Attraction aglutinará todas<br />
as zonas de produção hortofrutícola<br />
num mesmo certame», explica<br />
a organização em comunicado.<br />
A feira ocupará uma área de 10<br />
000m 2 , em dois pavilhões, e está<br />
dividida em três sectores: Produtos<br />
(fruta e hortícolas frescos, IV e<br />
V Gama, produtos biológicos, legumes,<br />
frutos secos, especiarias e<br />
ervas aromáticas e produtos com<br />
denominação de origem); Fornecedores<br />
da Produção; Distribuidores<br />
e Serviços.<br />
Os promotores do evento anunciam<br />
um «modelo de organização<br />
e colaboração que garante a máxima<br />
orientação da feira para a satisfação<br />
das necessidades dos expositores».<br />
Um dos aspectos inovadores<br />
será a existência de stands modelares<br />
ou “ilhas” de 128 m 2 (para<br />
8 expositores de 16 m 2 cada ou<br />
múltiplos de 4 m 2 ), que, segundo<br />
a organização, permitem «poupar<br />
até 300% face à construção de um<br />
stand de desenho livre». Este último<br />
é possível só a partir de 128 m 2 .<br />
As ferramentas online – uma<br />
newsletter (www.fruitattractionnews.com)<br />
e um portal interactivo<br />
(www.fruitattraction.ifema.es)<br />
– são uma das apostas da organização<br />
para maximizar a comunicação<br />
dos participantes, desde já.<br />
Outro serviço é o “Ponto de Encontro<br />
Profissionais”, através do qual<br />
os expositores podem aceder, an-<br />
tes da data da feira, a informação<br />
sobre os visitantes profissionais<br />
inscritos para estes encontros. Permite<br />
marcar reuniões, fazer convites<br />
ou enviar informação prévia<br />
sobre produtos/serviços. A listagem<br />
de visitantes inscritos pode ser consultada<br />
online, por área de interesse,<br />
sector de actividade ou país de<br />
origem. Serviço disponível a partir<br />
de 1 de Julho e até duas semanas<br />
após conclusão da feira.<br />
A Fruit Attraction funcionará de<br />
quarta-feira (4) a sexta-feira (6) das<br />
10h às 19h.<br />
Espanha é o primeiro exportador<br />
mundial de frutas e legumes,<br />
depois dos EUA e da Holanda. Em<br />
2008, as exportações espanholas de<br />
frutas e legumes frescos superaram<br />
pela primeira vez os 8000 milhões<br />
de euros e atingiram 9,4 milhões<br />
de toneladas. As frutas e legumes<br />
são o principal ingrediente<br />
à mesa das famílias espanholas,<br />
com um consumo de 176 kg e<br />
244€/habitante/ano. •
DOSSIÊ frutos<br />
p20 – Frutos de caroço – retorno<br />
à normalidade na Europa<br />
p23 – Frutos de caroço – Herdade<br />
D. Joana colhe 2 milhões<br />
de quilos<br />
Chegaram os mais apetecidos<br />
p24 – Extremadura especializa-se<br />
em frutas de caroço<br />
p26 – Variedades de alperce mal<br />
adaptadas ao Sul<br />
p28 – Colheita semimecânica<br />
de pêssegos<br />
de verão<br />
p31 – Uva de Mesa – Vale da Rosa<br />
e Uval investem 10 milhões<br />
p32 – Frio obriga a replantar<br />
melão e melancia<br />
p34 – Colheita assistida<br />
em melão<br />
A produção europeia de pêssegos e nectarinas chegará aos 3 milhões de toneladas, mais 7% mais do que em 2008. No entanto, os<br />
efeitos da crise nos mercados e no consumo são difíceis de prever. Os produtores acreditam que o calor e o aumento do consumo<br />
dentro do lar venham a impulsionar as vendas de frutos de Verão, mas vivem espartilhados pelos preços esmagadores das grandes<br />
superfícies e pelas crescentes dificuldades de cobranças.<br />
No caso do alperce, é esperada uma produção 12% superior a 2008, na Europa, que ainda assim não chega para as encomendas.<br />
Apesar de ser um dos frutos mais apetecidos e valorizados na campanha de Verão, falta material vegetal adaptado para responder<br />
à procura. O problema é crítico em algumas zonas da Europa, incluindo Portugal.<br />
Os produtores nacionais de melão e de melancia tiveram um mau arranque de campanha, com custos acrescidos de replantação,<br />
devido ao frio. O mercado mantém o tradicionalismo habitual.<br />
A nível técnico,perseguem as tentativas de mecanizar parcialmente a colheita dos frutos de caroço e do melão.As opiniões dividem-<br />
-se quanto à performance das soluções encontradas.
20<br />
frutos de verão<br />
<strong>FLF</strong> 106 | Maio/Junho 2009<br />
DOSSIÊ<br />
Retorno à normalidade<br />
na Europa<br />
Por: Guy Dubon, Réussir<br />
Fruits et Légumes<br />
Aprodução europeia de pêssegos<br />
e nectarinas em<br />
2009 andará próxima dos<br />
3 milhões de toneladas,<br />
ou seja, cerca de 7% mais<br />
do que em 2008. Quanto às pavias,<br />
a produção deverá ultrapassar ligeiramente<br />
um milhão de toneladas,<br />
ou seja, mais 1% do que em<br />
2008», anunciou Eric Hostalnou,<br />
da Câmara de Agricultura do Roussillon,<br />
durante o 21.º Europech, o<br />
fórum onde anualmente são reveladas<br />
as previsões de colheita de<br />
frutos de caroço na Europa. O<br />
evento decorreu, de 28 a 30 de<br />
Abril, no âmbito do MedFel, o I Salão<br />
Internacional de Negócios da<br />
Fileira Hortofrutícola do Mediterrâneo,<br />
em Perpignan, França.<br />
As condições climáticas homogéneas e favoráveis nos países produtores de frutas de<br />
caroço deixam antever uma campanha europeia “clássica”. Os efeitos da crise nos<br />
mercados e no consumo são difíceis de prever.<br />
As condições climáticas de Maio<br />
e Junho serão decisivas para a qualidade<br />
final da produção e expressão<br />
do potencial produtivo dos pomares,<br />
muito pouco afectado por<br />
intempéries na Primavera e favorecido<br />
por um Inverno frio e com<br />
chuva suficiente para abastecer as<br />
reservas de água.<br />
A homogeneidade do cenário climático,<br />
ao longo dos últimos meses,<br />
nos países Sul da Europa – Espanha,<br />
Itália, Grécia, França e Portugal<br />
– deixam antever uma produção<br />
ligeiramente superior à de<br />
2008 e semelhante à de 2004, 2005,<br />
2006 e 2007.<br />
Quanto ao alperce, é esperada<br />
uma produção de 515 mil tonela-<br />
A produção europeia de<br />
pêssegos e nectarinas em<br />
2009 andará próxima dos<br />
3 milhões de toneladas<br />
É difícil prever o impacto da crise no consumo de frutos de caroço<br />
das, ou seja, mais 12% do que<br />
em 2008. «Em 2009, a<br />
produção de alperce<br />
não foi afectada por<br />
geadas, ou só em<br />
alguns casos e de<br />
forma muito ligeira.<br />
No entanto,<br />
e apesar da<br />
floração abundante,<br />
a carga de<br />
fruta das árvores é<br />
globalmente média»,<br />
relatou Eric Hostalnou. A<br />
produção francesa de alperce<br />
mais do que duplicará, depois de a<br />
campanha de 2008 ter sido gravemente<br />
afectada pelas geadas. Por<br />
outro lado, as produções da Grécia,<br />
Itália e Espanha serão ligeiramente<br />
mais baixas.<br />
Crise gera incerteza<br />
Com volumes confortáveis face<br />
a 2008, este ano as maiores dúvidas<br />
recaem sobre a evolução dos<br />
mercados e do consumo, num cenário<br />
de crise económica. A baixa<br />
do poder de compra, o aumento do<br />
desemprego, a pressão sobre os<br />
preços, imposta pelas grandes superfícies,<br />
são variáveis que causam<br />
incerteza aos produtores.<br />
Nos frutos de caroço, o sector da<br />
indústria de transformação é um<br />
indicador concreto que revela uma<br />
situação complicada. De acordo<br />
com fontes espanholas, o escoamento<br />
de produtos transformados à base<br />
de pêssego (xaropes, concentrados,<br />
etc.) está difícil, desde o final<br />
de 2008, e há grandes stocks nas indústrias.<br />
Fontes gregas partilham a<br />
FRUTOS DE VERÃO
mesma ideia e mencionam ainda<br />
a oferta de transformados argentinos<br />
e chilenos a preços muito baixos.<br />
A eventual redução dos volumes<br />
contratados com a indústria<br />
poderá ter reflexos no mercado de<br />
fresco, pela invasão da fruta que habitualmente<br />
se destinaria à indústria.<br />
Em 2008, só a Espanha vendeu<br />
150 mil toneladas de pavias para a<br />
indústria. «Qual será o impacto sobre<br />
o mercado de fresco espanhol?<br />
O preço dos pêssegos e nectarinas<br />
espanholas destinadas sobretudo à<br />
exportação serão afectados?», questionam-se<br />
os observadores.<br />
Os operadores da União Europeia<br />
também estão preocupados<br />
com os problemas de flutuação<br />
monetária fora da Zona Euro. Os<br />
mercados tradicionais como a Inglaterra,<br />
ou em plena expansão como<br />
a Rússia, estão este ano menos<br />
receptivos. A Grécia, que nos últimos<br />
anos cresceu na exportação<br />
de frutos de caroço para a Rússia e<br />
outros mercados de Leste, poderá<br />
ter que retomar o grosso da sua ex-<br />
frutos de verão<br />
portação para a Europa ocidental.<br />
Embora seja difícil encontrar efeitos<br />
positivos na crise, nota-se agora<br />
que os responsáveis políticos se voltaram<br />
a interessar pelo sector agrícola,<br />
que havia sido marginalizado<br />
em benefício de outras actividades<br />
(finanças, construção). O aumento<br />
do desemprego também cria oportunidades<br />
pela maior disponibilidade<br />
de mão-de-obra. Em Espanha,<br />
onde a falta crónica de mão-de-obra<br />
tem sido apontada algumas vezes<br />
como um travão ao desenvolvimento<br />
da produção agrícola, a situação<br />
está a inverter-se, graças a uma taxa<br />
de desemprego que não tardará<br />
a atingir os 20% da população activa.<br />
Este ano assiste-se, por exemplo,<br />
em Lérida (Catalunha), a uma<br />
diminuição da contratação de trabalhadores<br />
nos seus países de origem.<br />
De 5000 contratos deste tipo,<br />
assinados em 2008, a região passou<br />
para 1000 contratos, em 2009. A<br />
maior disponibilidade de mão-de-<br />
-obra local é visível em algumas regiões<br />
de Portugal. •
22<br />
frutos de verão<br />
<strong>FLF</strong> 106 | Maio/Junho 2009<br />
DOSSIÊ<br />
Previsões de produção<br />
pêssego-nectarina-alperce 2009<br />
Espanha<br />
O potencial de produção não está no<br />
seu máximo, mas é superior a 2008:<br />
+ 5% de pêssegos (326 784 t de produção<br />
estimada) e + 6% de nectarinas<br />
(436 175 t). Diminuição das áreas<br />
de pavias: -6% (406 505 t).<br />
Continuam as plantações de pêssegos<br />
“vermelhos”, de nectarinas e<br />
pêssegos achatados na Catalunha.<br />
No alperce há uma ligeira diminuição<br />
em relação a 2008 (-2%), que se<br />
acentua (- 15%) quando comparada<br />
com a média 2003-2007. A produção<br />
estimada de alperce é de 90 mil<br />
toneladas.<br />
Grécia<br />
Ligeira alta em relação a 2008: + 2%<br />
de pêssegos (252 mil t de produção<br />
estimada), + 4% de nectarinas (98<br />
mil t) e + 4% de pavias (550 mil t). A<br />
área de pomar está globalmente<br />
estável, mantém-se o potencial de<br />
produção de pavias.<br />
Está prevista uma colheita de 50 mil<br />
toneladas de alperce, -30% do que<br />
em 2008, devido a uma fraca taxa<br />
de vingamento.<br />
Produtores franceses agrupam-se<br />
As principais organizações de produtores de pêssegos e nectarinas<br />
francesas criaram uma associação de organizações de produtores<br />
(AOP), com o objectivo de valorizarem a sua produção face à<br />
concorrência estrangeira, nomeadamente espanhola. A nova AOP,<br />
reconhecida em Fevereiro passado, tem sede em Nimes, reúne 80%<br />
da produção organizada do país, ou seja, cerca de 150 mil toneladas<br />
e um volume de negócios de 140 milhões de euros. As quatro grandes<br />
zonas produtoras são: Vallé du Rhône, Crau, Costières du Gard<br />
e Roussillon. Esta associação está a lançar uma campanha de comunicação<br />
com a marca colectiva “Pêche d’ici” (pêssego daqui),<br />
incluindo a colagem de etiquetas desta marca nos frutos, fazendo<br />
apelo ao consumo dos frutos franceses, em detrimento do produto<br />
importado. Outro objectivo desta AOP é dar maior dimensão à produção,<br />
nas negociações com as grandes superfícies de distribuição.<br />
A França importa cerca de 123 mil toneladas de pêssego/nectarina<br />
espanhola, e consome um total de 350 mil toneladas.<br />
Itália<br />
Ligeiro aumento em relação a 2008:<br />
+5 de pêssegos (716 300 t de produção<br />
estimada), + 8% de nectarinas<br />
(795 600 t) e +19% de pavias (107<br />
800 t). Retorno aos níveis de 2005,<br />
2006 ou 2007, mas abaixo de 2002<br />
ou 2004.<br />
Está prevista uma colheita de 200<br />
mil toneladas de alperce, -5% do<br />
que em 2008.<br />
França<br />
Campanha claramente superior a<br />
2008: + 16% de pêssegos (167 185 t<br />
de produção estimada), + 15% de<br />
nectarinas (158 829 t) e +2% em<br />
pavias (6240 t). Grandes diferenças<br />
entre bacias de produção.<br />
A produção de alperce é estimada<br />
em 170 mil toneladas, + 115% do<br />
que em 2008, mas ligeiramente inferior<br />
às campanhas de 2005 ou 2006.<br />
FRUTOS DE VERÃO<br />
Fonte: Europech 2009
DOSSIÊ<br />
Herdade D. Joana<br />
colhe 2 milhões de quilos<br />
Por: Nélia Silva<br />
AHerdade D. Joana Sociedade<br />
Agrícola, Lda, situada<br />
nas freguesias de Caia e<br />
São Pedro, concelho de<br />
Elvas, é um investimento<br />
do grupo Tany Nature, com dois<br />
outros sócios espanhóis, Ricardo<br />
Leal e Frutas Fernandez, ambos<br />
proprietários de investimentos em<br />
Portugal, no sector têxtil (Cristian<br />
Lay) e no transporte de fruta por<br />
navio. A herdade abrange uma área<br />
cultivada de 200 hectares, com pomares<br />
de frutas de caroço (pêssego,<br />
nectarina, ameixa e alperce) e<br />
marmelo, que estão no segundo<br />
ano de produção. Em 2009, é esperada<br />
uma produção de 2 milhões<br />
de quilos, mas em 2011 deverá aumentar<br />
para 3,5 milhões de quilos.<br />
«Queríamos ser portugueses, não<br />
só vender fruta em Portugal mas<br />
também produzir. O nosso principal<br />
problema foi a burocracia, que<br />
atrasou a plantação, só iniciámos<br />
em Maio de 2006, quando já deveria<br />
estar terminada», conta Manuel<br />
Sanz, o gerente da Herdade D. Joa-<br />
Os paraguaios são uma das apostas da Herdade D. Joana<br />
FRUTOS DE VERÃO <strong>FLF</strong><br />
frutos de verão<br />
O grupo espanhol Tany Nature investiu 25 milhões de euros em 200 hectares<br />
de pomar de frutas de caroço, e 400 hectares de olival, no concelho de Elvas.<br />
Seguem-se mais 150 hectares de fruteiras e uma central de embalamento,<br />
avaliada em 100 milhões de euros.<br />
na. Entre os motivos que enuncia<br />
para a escolha da localização, destaca<br />
a qualidade da terra (aluvião do<br />
rio Guadiana) e da água (pH neutro)<br />
e a menor probabilidade de<br />
ocorrência de geadas, que permite<br />
plantar variedades de floração mais<br />
precoce. A colheita começa na primeira<br />
quinzena de Maio, com o alperce,<br />
e decorre até Setembro.<br />
Fruta de qualidade, com cor e sabor,<br />
é o objectivo do grupo Tany Nature,<br />
um dos maiores produtores<br />
de frutas de caroço da Europa –<br />
3000 hectares (incluindo pêra). Na<br />
Herdade D. Joana, tal como nas restantes<br />
quintas do grupo, instaladas<br />
ao longo do rio Guadiana, desde<br />
Mérida até Lepe, o leque de variedades<br />
é grande e inovador. «Começámos<br />
a fazer muita nectarina, variedades<br />
novas da gama Honey, e<br />
também alperces. Iniciámos a produção<br />
de alperces há dois anos, no<br />
total temos 30 hectares», explica<br />
Manuel Sanz. Os paraguaios (pêssegos<br />
achatados) são outra novidade,<br />
tal como novas variedades de<br />
Herdade D. Joana, nas freguesias de Caia e São Pedro, concelho de Elvas<br />
ameixas, de brix elevado (19º a 21º),<br />
obtidas por um geneticista israelita<br />
e exclusivas da Tany Nature.<br />
A fruta colhida na Herdade D.<br />
Joana é expedida para a sede da<br />
Tany Nature, em Zurbaran, Badajoz.<br />
Porém, o grupo deseja construir<br />
uma central de calibragem<br />
e embalamento na quinta portuguesa,<br />
um investimento de 100<br />
milhões de euros, mas que só avançará<br />
com apoios do Estado português.<br />
Entretanto, a área de pomar<br />
O grupo Tany Nature produz 30 hectares de alperce<br />
da Tany Nature continua a crescer<br />
em Portugal. Perto de Elvas, instalaram,<br />
este ano, mais 50 hectares<br />
de fruteiras de caroço.<br />
A Herdade D. Joana concorreu<br />
aos apoios do PRODER com um<br />
projecto (ainda sem resposta) que<br />
inclui a plantação de mais 100 hectares<br />
de fruteiras, 400 hectares de<br />
olival (já instalado) e a construção<br />
da central fruteira. Até ao momento,<br />
o grupo Tany Nature investiu 25<br />
milhões de euros em Portugal. •<br />
106 | Maio/Junho 2009 23
A Extremadura produz 110 mil toneladas de pêssego e nectarina<br />
FRUTOS DE VERÃO<br />
24<br />
frutos de verão<br />
<strong>FLF</strong> 106 | Maio/Junho 2009<br />
DOSSIÊ<br />
Extremadura especializa-se<br />
em frutas de caroço<br />
A área de pomar na Extremadura cresce a um ritmo de<br />
10 a 15% ao ano, com predomínio para as frutas de<br />
caroço. A campanha 2009 apresenta-se normal em produção,<br />
mas arrancou entre o optimismo e o receio,<br />
ensombrada pela crise.<br />
Aárea de pomar na Extremadura<br />
cresce a um ritmo de<br />
10 a 15% ao ano, «mais do<br />
que em qualquer zona de<br />
produção europeia… estamos<br />
isolados das restantes zonas<br />
de produção fruteira e apostamos<br />
na qualidade da nossa fruta, cada<br />
vez mais reconhecida», constata Miguel<br />
Angel, secretário-geral da Associação<br />
de Fruticultores da Extremadura<br />
(Afruex) em entrevista à<br />
Frutas, Legumes e Flores. A fruta<br />
de caroço tem sido a grande aposta<br />
desta província vizinha. A Afruex assegura<br />
que a Extremadura está a<br />
disputar o segundo lugar de produtor<br />
de fruta de caroço em Espanha,<br />
junto com La Rioja, o líder é a Catalunha.<br />
Números que contradizem<br />
as estatísticas apresentadas no Forum<br />
Ecopech 2009, que colocam<br />
a Extremadura como quinta região<br />
produtora de pêssego, pavia e nectarina<br />
em Espanha.<br />
A área de pomar de nectarina<br />
continua a aumentar, enquanto as<br />
áreas de pêssegos e ameixa tendem<br />
a estabilizar. O alperce e o paraguaio<br />
são culturas mais recentes na região,<br />
mas com potencial de crescimento.<br />
«O paraguaio está a ter grande aceitação<br />
no mercado. É uma fruta muito<br />
doce, fácil de pelar e tirar o caroço,<br />
chamam-lhe donuts», explica o<br />
responsável da Afruex. Quanto ao alperce,<br />
são ilustrativas as declarações<br />
de Marisa Petronila, directora de<br />
exportação da empresa Nogal Fruits:<br />
«este ano, se tivesse 5000 hectares<br />
de alperce, vendia toda a produção.<br />
Há mais procura do que oferta… na<br />
semana passada (2ª de Maio), o alperce<br />
de calibre 3-4 valia 3€/kg no<br />
mercado de Perpignan, o nosso que<br />
tem calibre 8, vale cerca de 5€/kg»,<br />
A área de pomar de nectarina continua a aumentar, enquanto as áreas<br />
de pêssegos e ameixas tendem a estabilizar<br />
acrescenta.<br />
A região tem apostado forte na<br />
promoção da imagem das suas frutas,<br />
através do selo de qualidade<br />
«Alimentos de Extremadura», e, em<br />
breve, apresentará a IGP Ameixa de<br />
Extremadura. «Pretendemos a diferenciação<br />
ao criar a IGP Ameixa<br />
de Extremadura, é mais um selo de<br />
qualidade… se vai valorizar a produção<br />
em preço não sei, mas permitirá<br />
vendê-la», opina Francisco<br />
Lopez, director de Frutas Caval,<br />
uma cooperativa que produz perto<br />
de 1000 hectares de ameixa.<br />
Entre o optimismo<br />
e o receio<br />
O ano agrícola correu de feição<br />
à produção de fruta de caroço na<br />
Extremadura espanhola. O Inverno<br />
frio e a Primavera com muitas<br />
horas de sol, sobretudo na data de<br />
floração, permitiram bom desenvolvimento<br />
da fruta. «À excepção<br />
de geadas pontuais e alguns problemas<br />
de vingamento (em ameixa),<br />
em algumas zonas, tudo correu<br />
bastante bem. Tendo em conta<br />
que o nosso potencial de produção<br />
ronda as 320 mil toneladas, em<br />
fruta de caroço (110 mil toneladas<br />
de pêssego e nectarina) e pomoideas,<br />
estaremos com uma produção<br />
à volta de 260 mil toneladas»,<br />
informa Miguel Angel, da Afruex.<br />
Os maiores receios de produtores<br />
e empresas estão associados à<br />
crise socioeconómica que se vive a<br />
Europa. «Preocupa-nos a gestão de<br />
cobranças, a diminuição das garantias<br />
por parte das empresas financeiras<br />
e as relações com as grandes<br />
cadeias de distribuição, que estão<br />
a baixar os preços de forma insuportável<br />
e fazem contratos com
FICHA<br />
DE PRODUTOR<br />
Nogal Fruits<br />
Extremadura S.L.<br />
Zonas de produção: Don<br />
Benito, Miajadas<br />
Área: 300 hectares<br />
(produção própria, 200 ha<br />
de frutos de caroço)<br />
Frutos: Alperce, ameixa<br />
(entre as quais Rainha<br />
Cláudia), pêssego, nectarina,<br />
paraguaio, pêra, nozes,<br />
marmelo<br />
Exportação: 95% da produção<br />
Exportação para Portugal:<br />
75% do total exportado<br />
(2008)<br />
cláusulas que quase chegam a ser<br />
abusivas», constata o mesmo responsável.<br />
Francisco Lopez, da Frutas<br />
Caval, dá voz a estas preocupações:<br />
«encaramos a campanha com<br />
muita incerteza, mantendo os mesmos<br />
clientes, e na esperança de<br />
conseguir cobrar. Vai haver mais<br />
concorrência na exportação, devido<br />
à crise em Espanha».<br />
Marisa Petronila é mais optimista:<br />
«estamos com muito boas expectativas,<br />
pelo menos até 20 de<br />
Junho, data em que começa a chegar<br />
ao mercado a fruta de Lérida.<br />
Por exemplo, na ameixa há menos<br />
uns 40% (zona das Vegas Altas do<br />
Guadiana), devido a problemas na<br />
floração, o que fará aumentar os<br />
preços», afirma.<br />
DOSSIÊ frutos<br />
FICHA<br />
DE PRODUTOR<br />
Frutas Caval<br />
Zonas de produção: Vale<br />
de la Calzada (Badajoz<br />
e Huelva)<br />
Nº de associados: 270, dois<br />
quais 180 produtores de<br />
fruta de caroço<br />
Área: 1200 hectares<br />
Frutos: ameixas (80% da<br />
produção), pêssego, nectarina<br />
e pêra<br />
Exportação: 95% da produção<br />
Exportação para Portugal:<br />
10%<br />
O secretário-geral da Afruex vê<br />
na crise uma oportunidade para<br />
aumento de consumo de fruta, relacionada<br />
com o aumento do consumo<br />
das famílias dentro do lar:<br />
«em situações de crise, muita gente<br />
volta a comer em casa ou leva<br />
a comida para o trabalho, incluindo<br />
uma peça de fruta. É preciso dizer<br />
que a fruta não é cara. Com um<br />
quilo uma família de cinco pessoas<br />
tem a sobremesa assegurada,<br />
por 1,20€. Poucos produtos conseguem<br />
competir com a fruta».<br />
Exportação muda de rota<br />
A Extremadura é hoje uma região<br />
exportadora de frutas por excelência.<br />
Nas maiores empresas, a<br />
exportação ronda os 95%, mas o le-<br />
que de países de destino está a sofrer<br />
mutações. «A exportação para<br />
Europa de Leste funcionou muito<br />
bem durante um par de anos, mas<br />
agora já não é tão atractiva, o poder<br />
de compra local baixou e há<br />
problemas de cobranças, devido à<br />
crise e à baixa dos preços do petróleo»,<br />
precisa Miguel Angel. Portugal<br />
(20%), Alemanha, Itália e Reino<br />
Unido são por esta ordem de importância<br />
(em volume) os principais<br />
clientes. Brasil (ameixa), Amé-<br />
de verão<br />
Novas variedades de frutas de caroço<br />
A Frutas Caval tem um projecto de investigação de novas variedades<br />
de frutas de caroço, em convénio com os Viveiros Provedo.<br />
São 38 variedades de pêssego e nectarina, precoces, com brix de 8º<br />
a 12º, em venda há três anos. Linhas Extreme ® , Fresh ® e Plane ® .<br />
«Iniciamos esse projecto, porque antes usávamos variedades norte-<br />
-americanas e italianas mal adaptadas às condições edafoclimáticas<br />
da Extremadura».<br />
rica do Sul e Sul de África são outros<br />
mercados onde a fruta da Extremadura<br />
começa a ser consumida.<br />
As mais recentes apostas dos<br />
fruticultores da Extremadura são<br />
os mercados do Médio Oriente, Malásia<br />
e Hong Kong. «Já consomem<br />
frutas de caroço, importadas do<br />
Chile e da Califórnia, mas têm gostos<br />
diferentes dos europeus, querem<br />
fruta muito doce, mas sem ácido»,<br />
explica Miguel Angel, a propósito<br />
dos mercados asiáticos. •<br />
Nas Vegas Altas do Guadiana há menos ameixa devido a problemas<br />
com a floração<br />
Empresa especializada em monitorização, confusão sexual e captura massiva de pragas agrícolas e florestais<br />
Ana Paula Santos (Coordenadora Técnica)<br />
Telem. (+351) 919 371 946<br />
paulasantos@atflda.com<br />
Sandra Custódio (Técnica Comercial)<br />
Telem. (+351) 918 498 390<br />
sandracustodio@atflda.com<br />
Paulo Manso (Técnico Comercial)<br />
Telem. +351 919 368 471<br />
paulomanso@atflda.com
26<br />
frutos de verão<br />
<strong>FLF</strong> 106 | Maio/Junho 2009<br />
DOSSIÊ<br />
Variedades de alperce<br />
mal adaptadas ao Sul<br />
Por: Michel Bru (Réussir<br />
Fruits et Légumes)<br />
e Nélia Silva<br />
Itália, França, Espanha e Grécia<br />
produzem cerca de 90% do<br />
alperce europeu. Longe estão<br />
a Hungria, Sérvia, República<br />
Checa e Suíça, produtores de<br />
menores volumes. Portugal é um<br />
produtor residual, com uma área<br />
de 283 hectares (inquérito da Eurostat<br />
relativo ao ano 2007). A<br />
maior parte da produção europeia<br />
de alperce ocorre em zonas tradicionais,<br />
ancorada em uma ou duas<br />
variedades locais, quase endémicas.<br />
«A falta de plasticidade das variedades<br />
explica que, apesar de<br />
existirem muitas variedades disponíveis,<br />
muitas zonas de produção<br />
não encontram novas variedades<br />
adaptadas às suas condições edafoclimáticas.<br />
A falta de material vegetal<br />
adaptado é o principal travão<br />
Apesar da crescente procura de alperce, a produção é muito flutuante de ano para<br />
ano. Falta material vegetal adaptado em algumas zonas de produção na Europa,<br />
incluindo o sul da Península Ibérica.<br />
ao desenvolvimento desta espécie<br />
em diversas zonas», constata Eric<br />
Hostalnou, especialista francês em<br />
frutas de caroço. Uma lacuna que<br />
está a impedir o desenvolvimento<br />
da cultura e a resposta à procura<br />
crescente de alperce no mercado.<br />
O consumidor tornou-se mais exigente<br />
quanto à qualidade, preferindo<br />
calibres médios a grandes, fruta<br />
de cor alaranjada a vermelho e<br />
de sabor doce. Características que<br />
as variedades tradicionais nem<br />
sempre conseguem assegurar.<br />
«Há problemas sérios na adaptação<br />
das variedades a Portugal, o seu<br />
comportamento é muito variável…<br />
a selecção varietal tem sido feita a<br />
pensar nas condições da França e<br />
do Canadá, a genética não está adaptada<br />
ao Sul», reconhece Francisco<br />
«Muitos geneticistas começam a ver um filão a explorar no segmento<br />
do alperce, com a venda de royalties», Manuel Sanz, Herdade D. Joana<br />
O consumidor prefere calibres médios a grandes, fruta de cor alaranjada<br />
a vermelho e de sabor doce<br />
Vez, gerente da Biodamasco, o<br />
maior produtor de alperce em Portugal<br />
(35 hectares em modo de produção<br />
biológica). O histórico de produção<br />
desta empresa de Serpa é<br />
exemplo dessa flutuação. Em 2008,<br />
produziu apenas 20 toneladas (devido<br />
ao granizo), já em 2009 a produção<br />
subiu para 100 toneladas<br />
(média de 3 toneladas/hectare), mas<br />
ficou abaixo do esperado. «Apesar<br />
de muitas horas de frio no Inverno,<br />
houve uma queda inexplicável de<br />
botões florais, algo que normalmente<br />
acontece em situações de falta de<br />
frio», adianta.<br />
Mais de metade da colheita da<br />
Biodamasco é garantida apenas por<br />
uma variedade (2 hectares) – a Ninfa<br />
– com a qual obtém 20 a 30 toneladas/hectare.<br />
Trata-se de uma<br />
variedade precoce, produtiva, mas<br />
com frutos de fraca qualidade.<br />
As queixas sobre o material vegetal<br />
dizem também respeito à<br />
época de produção, muito concentrada<br />
em poucas semanas. «Há 50<br />
ou 60 variedades, mas produzem<br />
todas no mesmo período. Não encontramos<br />
variedades produtivas<br />
que passem do 15 de Junho»,<br />
aponta Francisco Vez.<br />
Opinião um pouco diferente tem<br />
Manuel Sanz, gerente da Herdade<br />
D. Joana (grupo Tany Nature), em<br />
Elvas: «Há muitas geneticistas que<br />
começam a ver um filão a explorar<br />
no segmento do alperce, com a venda<br />
de royalties. Já há uma gama de<br />
variedades mais amplas, que podem<br />
ser produzidas em quase todos os<br />
sítios. Mas é mais difícil produzir<br />
alperce do que pêssego», afirma.<br />
A escassez de volumes e o curto<br />
FRUTOS DE VERÃO
período de tempo em que o alperce<br />
está à venda no mercado europeu –<br />
desde a segunda semana de Maio<br />
até meados de Julho – explicam, em<br />
grande medida, os preços elevados<br />
do alperce. «Na semana passada (2ª<br />
de Maio) o alperce de calibre 3-4 valia<br />
3€/kg no mercado de Perpignan,<br />
o nosso alperce, que tem calibre 8,<br />
vale cerca de 5€/kg!», reconhece<br />
Marisa Petronila, directora de exportação<br />
da empresa Nogal Fruits,<br />
na zona de Don Benito.<br />
Espanha – novas zonas<br />
produtoras<br />
Múrcia é a principal região produtora<br />
de alperce em Espanha. Bulida<br />
é a principal variedade cultivada.<br />
A maioria das explorações é<br />
de pequena dimensão e está dispersa.<br />
A área de pomar está a diminuir.<br />
Há pouca renovação varietal. O plano<br />
estatal que concede ajudas para<br />
replantação de pomares não<br />
convenceu os produtores, nem tão<br />
pouco as variedades existentes no<br />
mercado. Valência é outra zona de<br />
produção, onde a redução da área<br />
de pomar é ainda maior. O alperce<br />
está a despertar o interesse da Catalunha,<br />
Aragão e Extremadura,<br />
zonas onde predominam o pêssego<br />
e a nectarina. São áreas reduzidas,<br />
mas a produção pode evoluir<br />
frutos de verão<br />
rapidamente, se os obtentores conseguirem<br />
encontrar variedades<br />
adaptadas às condições locais.<br />
Grécia e Itália – pouca<br />
renovação<br />
Na Grécia, a produção está concentrada<br />
no Sul, na ilha de Creta,<br />
Tessalónica e Peloponeso. Bébéco<br />
é a variedade tradicional e predominante,<br />
usada tanto para produção<br />
em fresco como para transformação.<br />
Em Itália, a produção está concentrada<br />
em Campania e Emilia<br />
Romagna. Os pomares são compostos<br />
de variedades antigas, usadas<br />
para fresco e indústria. Nos últimos<br />
anos, o alperce começou a<br />
ser produzido em Basilicate e Métaponto.<br />
França – tradição<br />
do alperce<br />
A produção está situada na faixa<br />
mediterrânea – Roussillon, Costières<br />
de Nimes, Crau, Baronnies<br />
e Vale de Rhône. Beneficia de variedades<br />
bem adaptadas às suas<br />
condições edafoclimáticas, embora<br />
nem todas. A aposta na produção<br />
de alperce começou há mais de<br />
duas décadas, para fazer face à concorrência<br />
espanhola do pêssego e<br />
da nectarina. •<br />
«O mercado é deficitário devido à falta de variedades produtivas»,<br />
Francisco Vez
28<br />
frutos de verão<br />
<strong>FLF</strong> 106 | Maio/Junho 2009<br />
DOSSIÊ<br />
Colheita semimecânica<br />
de pêssegos<br />
Por: Nélia Silva<br />
Aprodução de pêssego, nectarina<br />
e pavia (pêssego<br />
amarelo usado na indústria)<br />
em Espanha é estimada<br />
em 1 169 464 toneladas<br />
(dados Forum Europech, Perpignan<br />
2009), das quais 406 mil toneladas<br />
são de pavia. A procura de<br />
produtos transformados à base de<br />
pêssego (metades, doces, sumos,<br />
etc.) está em crescimento, o que<br />
justifica a busca de soluções que<br />
reduzam os custos de produção,<br />
sobretudo quando a fruta se destina<br />
à indústria. Em Múrcia, uma<br />
das principais regiões produtoras<br />
de pavias em Espanha (110 000 t<br />
em 2009), o custo da mão-de-obra<br />
(monda, poda e colheita) representa<br />
cerca de 70 a 80% da conta de<br />
cultura, com 25% desses gastos<br />
destinados à colheita.<br />
Uma equipa de investigadores da<br />
Universidade Politécnica de Cartagena,<br />
da Universidade Politécnica<br />
A colheita de pêssegos com vibradores e um sistema de panos, inventado em<br />
Espanha, reduz o tempo e os custos de colheita, e os danos na fruta não são muito<br />
mais do que quando colhida à mão.<br />
de Valência e do Instituto Murciano<br />
de Investigação e Desenvolvimento<br />
Agrário e Alimentar testou<br />
três sistemas de colheita semimecânica<br />
– A, B e C, este último é<br />
uma versão melhorada do sistema<br />
A – em pêssego para indústria. O<br />
objectivo foi perceber se os meios<br />
mecânicos reduzem o tempo de<br />
colheita e se permitem obter frutos<br />
com a mesma qualidade do que<br />
os colhidos à mão.<br />
Em 2005 foram testados os sistemas<br />
A e B e comparado o seu<br />
desempenho com a colheita manual<br />
que decorria na mesma parcela.<br />
A colheita realizou-se em duas<br />
semanas distintas (meados e fins<br />
de Julho), na primeira em árvores<br />
pequenas (38kg/árvore) e com fruta<br />
em avançado estado de maturação,<br />
na segunda em árvores maiores<br />
(89 kg/árvore) e com idêntico<br />
estado de maturação. O sistema C<br />
foi testado em 2006.<br />
Sistema A: Derrube dos frutos com vibrador térmico de mochila, recepção<br />
dos mesmos com lonas movimentadas à mão e desenhadas pela equipa<br />
de investigadores.<br />
Frutos derrubados<br />
A percentagem de frutos derrubados<br />
com os sistemas mecânicos<br />
variou entre 83 e 95%, dependendo<br />
do tempo que os trabalhadores<br />
demoravam a encontrar a rama para<br />
ancorar o gancho do vibrador.<br />
Os frutos próximos do tronco ou<br />
na base dos ramos principais<br />
(
DOSSIÊ<br />
Sistema C: Derrube dos frutos com vibrador térmico de mochila, recepção<br />
dos mesmos com lonas movimentadas à mão.<br />
Trata-se do Sistema A melhorado.<br />
zidas no sistema. No sistema C, a<br />
percentagem de frutos com danos<br />
severos foi de 2,4% (os frutos colhidos<br />
em 2006 eram 73% maiores<br />
do que os colhidos em 2005). «É<br />
totalmente aceitável e semelhante<br />
aos danos provocados pela colheita<br />
manual. O sistema (C) não precisa<br />
de melhorias na colheita de<br />
fruta para indústria. Se quisermos<br />
usá-lo em fruta para consumo em<br />
fresco é preciso melhorar alguns<br />
pontos para reduzir danos ligeiros<br />
na fruta (picadas e escoriações).<br />
Quanto aos danos sofridos por golpes,<br />
é difícil reduzi-los em qualquer<br />
sistema mecânico, pois muitos<br />
acorrem quando os frutos batem<br />
nos ramos, ao cair», explica<br />
António Torregrosa.<br />
Capacidade de trabalho<br />
Com o sistema A, cada trabalhador<br />
colheu 193 kg/hora, quase o dobro<br />
da capacidade de colheita manual<br />
em pêssego de indústria na re-<br />
gião de Múrcia (100kg/trabalhador/hora).<br />
Com o sistema B, a capacidade<br />
de colheita por trabalhador<br />
foi de 216 kg/hora. No sistema C, a<br />
produtividade aumentou para 328<br />
kg/trabalhador/hora, três vezes mais<br />
do que no sistema manual.<br />
Os custos de colheita com o sistema<br />
C, o que demonstrou melhor<br />
performance, rondam os 500€ a<br />
700€/hectare: «pode-se estimar<br />
o custo de uma equipa, formada<br />
por 1 vibrador, 2 lonas e 3 trabalhadores,<br />
em 25-30€/hora, se colherem<br />
20-25 árvores/hora e com<br />
uma densidade de 500 árvores/hectare,<br />
sendo necessárias 20-25 horas/hectare,<br />
os custos rondarão os<br />
500 a 700€/hora», estima o investigador<br />
valenciano. •<br />
Bibliografia<br />
Artigo “Recolección mecânica de melocotones<br />
com vibradores manuales y lonas de<br />
recogida”, Fruticultura Profesional, nº 172,<br />
Janeiro-Fevereiro 2008<br />
Este sistema (C) foi testado com sucesso na colheita de pêssego, alperce,<br />
azeitona e citrinos. As lonas estão a ser fabricadas pela empresa Industrias<br />
David (Yecla, Múrcia) e vendidas a 2000€<br />
FRUTOS DE VERÃO <strong>FLF</strong><br />
frutos de verão<br />
Melhorias introduzidas no Sistema C: A lona foi aumentada de 3x3 m<br />
para 3x5 m, com perfil metálico na zona central para dar mais rigidez à<br />
lona, facilitando a descarga. Apoios da lona equipados com rodas com<br />
regulação em altura de forma independente (por cada apoio), o que permitiu<br />
facilitar o movimento das lonas entre árvores e regular a inclinação das<br />
lonas na descarga. Aumento do tamanho do gancho do vibrador de 40 mm<br />
para 67 mm, o que permitiu vibrar ramos de maior diâmetro e aumentar a<br />
percentagem de frutos derrubados.<br />
Formação adequada do pessegueiro<br />
para colheita semimecânica<br />
1. Quanto maior a altura do tronco melhor, pois maior é a pendente<br />
possível às lonas para que a fruta rode até ao ponto de descarga,<br />
sem se formarem bolsas de fruta. Pode usar-se o sistema a partir<br />
de 0,5 metros de altura do tronco.<br />
2. A copa da árvore deve estar o mais aberta possível, para evitar<br />
que os frutos choquem com os ramos ao cair.<br />
3. Evitar ramos muito compridos, que sairão para fora do perímetro<br />
das lonas.<br />
4. A poda mecânica ajudará a manter as árvores dentro dos limites<br />
desejados.<br />
A percentagem de danos severos com a colheita semimecânica é quase<br />
idêntica à verifica por colheita manual<br />
106 | Maio/Junho 2009 29
As empresas Herdade Vale da<br />
Rosa e Uval investiram<br />
cerca de 10 milhões de euros<br />
em novas plantações<br />
de uva de mesa, e na construção<br />
de câmaras frigoríficas e outros<br />
equipamentos na central de embalamento,<br />
situada em Ferreira do<br />
Alentejo, e comum às duas explorações.<br />
O investimento teve o apoio<br />
do PRODER, que co-financiou as<br />
duas empresas em 2006 milhões de<br />
euros (investimento total de cerca<br />
de 6000 milhões) e 1464 milhões de<br />
euros (investimento total de 3779<br />
milhões), respectivamente. O pri-<br />
DOSSIÊ frutos<br />
meiro-ministro, José Sócrates, e o<br />
ministro da Agricultura, Jaime Silva,<br />
estiveram na Herdade Vale da Rosa,<br />
dia 1 de Maio, para a assinatura<br />
do contrato de financiamento.<br />
O investimento da Herdade Vale<br />
da Rosa inclui a plantação de 88<br />
hectares de uva de mesa, sobretudo<br />
variedades sem grainha. Crimson,<br />
Thompson e Sugraone são as<br />
principais, mas destacam-se ainda<br />
as variedades Sophia e Midnight<br />
Beauty. Estas duas últimas introduzidas<br />
através de uma parceria<br />
com a Sun World, um importante<br />
obtentor californiano de varie-<br />
dades de uva de mesa e frutas de<br />
caroço. A Herdade Vale da Rosa colhe,<br />
por ano, cerca de 4 mil toneladas<br />
de uva, destinando cerca de<br />
25% da produção à exportação.<br />
O investimento da Uval consiste<br />
na plantação de 66 hectares de<br />
uva de mesa, com e sem grainha,<br />
instalação de coberturas e um sistema<br />
de rega gota-a-gota. A produção<br />
da Uval localiza-se na Herdade<br />
de verão<br />
Vale da Rosa e Uval investem<br />
10 milhões<br />
António Silvestre Ferreira o impulsionador da uva de mesa do Alentejo<br />
da Chã, Porto Mouro (Canhestros),<br />
com uma área útil actual de plantação<br />
de 55 hectares, que deverá<br />
expandir-se a mais 25 hectares, nos<br />
próximos dois anos. O target da<br />
Uval divide-se em 75% (exportação)<br />
e 25% (mercado nacional). A<br />
Uval é uma sociedade entre António<br />
Silvestre Ferreira (proprietário<br />
da Herdade Vale da Rosa) e um<br />
sócio italiano. •
32<br />
frutos de verão<br />
<strong>FLF</strong> 106 | Maio/Junho 2009<br />
DOSSIÊ<br />
Frio obriga a replantar melão<br />
e melancia<br />
Os produtores de melão e melan-<br />
Por: Nélia Silva<br />
cia tiveram um mau arranque de<br />
campanha, com custos acrescidos<br />
de replantação, devido ao frio que destruiu muitas<br />
plantas. A época de colheita é aguardada com apreensão,<br />
em virtude da crise económica. Só um Verão quente<br />
poderá aumentar o consumo.<br />
As baixas temperaturas ocorridas<br />
em Abril originaram<br />
queimaduras nas plantas<br />
de melão e melancia. A<br />
melancia, mais sensível ao<br />
frio, foi a mais afectada no Ribatejo.<br />
«No geral morreram 10 a 20% das<br />
plantas plantadas nos primeiros 15<br />
dias de Abril», afirma Carlos Ferreira,<br />
referindo-se à zona de produção<br />
de Santarém. Na zona de Almeirim<br />
e Alpiarça «as taxas de mortalidade<br />
atingiram os 30% em algumas parcelas,<br />
devido ao frio e ao excesso de<br />
água no solo», refere Alexandra Sequeira.<br />
Este cenário obrigou os agricultores<br />
a retanchar os meloais, com<br />
custos acrescidos na aquisição de<br />
plantas e em mão-de-obra. A replantação<br />
deverá originar uma menor<br />
homogeneidade da produção nas<br />
parcelas, com plantas a evoluir a diferentes<br />
velocidades. Por outro lado,<br />
é expectável um ligeiro atraso<br />
na colheita, que poderá ser recuperado,<br />
se o fim da Primavera e o<br />
início do Verão forem quentes.<br />
Crise gera apreensão<br />
Os produtores de melão aguardam<br />
a época de colheita com apreensão,<br />
devido à crise económica. A<br />
combinação crise-Verão frio é o cenário<br />
mais receado. Se o Verão for<br />
quente, o consumo de melão, melancia<br />
e meloa aumenta, tanto em<br />
Portugal como no resto da Europa,<br />
mas se as temperaturas se mantiverem<br />
amenas, o consumo cai.<br />
«Se não houver calor na Europa,<br />
como aconteceu nos últimos dois<br />
anos, a exportação diminui. Nesse<br />
caso, os espanhóis, que vivem da<br />
exportação, acabam por nos sufocar<br />
com preços baixos», antecipa<br />
Carlos Ferreira, o maior produtor<br />
individual de melão em Portugal e<br />
fundador da Hortomelão.<br />
Alexandra Sequeira, responsável<br />
do departamento agrícola da recém-criada<br />
Campihorta, teme pela<br />
baixa valorização do melão na<br />
produção, à semelhança do que relata<br />
no morango. «Estou convencida<br />
de que os consumidores vão<br />
“Terras do Barro”, nova marca<br />
da Hortomelão<br />
A Hortomelão vai lançar, este ano, a marca “Terras do Barro”,<br />
um melão seleccionado, com um brix mínimo de 13º, com forte aposta<br />
na suavidade da polpa, etiqueta individual e embalagens atraentes.<br />
Para tanto investiu num calibrador que faz selecção através do<br />
brix. «Estamos a investir nesta marca para lançar nos supermercados<br />
ou fora deles, o futuro nos dirá se o nosso produto merece<br />
aceitação», afirma Carlos Ferreira.<br />
As baixas temperaturas ocorridas em Abril originaram queimaduras<br />
nas plantas de melão e melancia<br />
retrair-se, adiando as compras até<br />
os preços baixarem», diz a propósito<br />
da habitual euforia de início<br />
de campanha. Carlos Ferreira nota<br />
uma retracção do consumo de<br />
hortícolas (couves e brócolos),<br />
desde Outubro a esta parte, e acrescenta:<br />
«as pessoas cada vez compram<br />
menos, e produtos mais baratos,<br />
como é o caso de uma meloa<br />
mais pequena, ao invés de levarem<br />
três ou quatro melões, vão<br />
levar só um ou dois.»<br />
Oportunidade<br />
no melão verde<br />
Apesar do habitual tradicionalismo<br />
do nosso mercado, centrado<br />
no melão branco, nota-se alguma<br />
evolução. Os melões verdes têm<br />
ganho quota de mercado e são ca-<br />
da vez mais procurados pelos hiper<br />
e supermercados. A justificação<br />
parece estar na melhor performance<br />
do melão verde em sabor,<br />
textura da polpa e apresentação exterior,<br />
mesmo em condições climáticas<br />
adversas.<br />
Apesar disso, os agricultores portugueses<br />
tardam em responder à<br />
procura do mercado, levando os<br />
compradores a abastecer-se em Espanha.<br />
«Por um lado, falta-nos<br />
“tradição” na produção do melão<br />
verde, e por outro lado, no Ribatejo,<br />
a humidade elevada gera problemas<br />
de oídio, que não se verificam<br />
em Espanha, onde o clima é<br />
mais seco. Os espanhóis conseguem<br />
fazer o melão com as características<br />
e os calibres que os supermercados<br />
procuram, e nós nem<br />
FRUTOS DE VERÃO
DOSSIÊ frutos<br />
«Estou convencida de que os consumidores vão<br />
retrair-se, adiando as compras até os preços baixarem»,<br />
Alexandra Sequeira, ao lado de um associado<br />
sempre», justifica Carlos Ferreira,<br />
que produz cerca de 50 hectares de<br />
melão verde, todo no Alentejo, uma<br />
região mais seca.<br />
O Alentejo foi também a opção<br />
da Campihorta para o melão. A empresa<br />
transferiu, este ano, grande<br />
parte da sua produção para Moura,<br />
Mourão e Montoito. «No Alentejo<br />
consegue-se melão com brix<br />
mais elevado e calibres mais homogéneos,<br />
além de permitir antecipar<br />
a colheita cerca de 15 dias em<br />
relação ao Ribatejo», avança Alexandra<br />
Sequeira.<br />
Na melancia aumenta a procura<br />
de variedades de casca “preta”<br />
(calibre menor, casca mais fina) e<br />
começa a despertar o interesse por<br />
variedades “sem sementes” (ou<br />
«Espero que apareçam melhores variedades<br />
de melão branco, do ponto de vista do consumidor»,<br />
Carlos Ferreira<br />
com micro-sementes”) em detrimento<br />
da melancia riscada.<br />
A meloa tem vindo a perder área<br />
em Portugal, tanto no Algarve como<br />
no Ribatejo. A concorrência da<br />
meloa espanhola, mais barata do<br />
que a portuguesa e em grandes<br />
quantidades, “sufoca” os produtores<br />
portugueses, que se começam<br />
a desinteressar da cultura. •<br />
Equilíbrio Perfeito<br />
Fertilizante potássico com teores equilibrados de enxofre e magnésio. Todos os<br />
nutrientes se encontram na forma de sulfatos, rapidamente assimiláveis pelas plantas<br />
na sua totalidade. Garantia de alto rendimento e qualidade de acordo com as actuais<br />
exigências de mercado. Recomendado em agricultura biológica de acordo com o<br />
Reg. CE Nº 834/2007 e CE Nº 889/2008.<br />
Patentkali ® 30% K 2O · 10% MgO · 42% SO 3<br />
de verão<br />
FICHA DE PRODUTOR<br />
Hortomelão, Produtos<br />
Hortícolas e Frutas, Lda<br />
Sede: Achete, Santarém<br />
Ano de fundação: 2005<br />
N.º produtores: 17<br />
Área por cultura: 460 ha de<br />
melão, meloa e melancia<br />
Zonas produção: Ribatejo e<br />
Alentejo<br />
FICHA DE PRODUTOR<br />
Campihorta, Sociedade<br />
Produção Produtos<br />
Agrícolas, Lda<br />
Sede: Alpiarça<br />
Ano de fundação: 2008<br />
N.º produtores: 36 produtores<br />
Área por cultura: 60 ha<br />
melão; 30 ha melancia; 28<br />
ha morango; 25 ha batata;<br />
20 ha cebola; 58 ha legumes<br />
Zonas produção: Ribatejo e<br />
Alentejo<br />
Parque Industrial de Mitrena · Lotes 42–45 · 2910-738 SETÚBAL · Portugal<br />
Tel.: +351 265 709 660 · Fax: +351 265 709 665 · E-Mail: deiba@dfgrupo.com · www.adubosdeiba.com
34<br />
frutos de verão<br />
<strong>FLF</strong> 106 | Maio/Junho 2009<br />
DOSSIÊ<br />
Colheita assistida em melão<br />
Por: Guy Dubon, Veronique<br />
Bargain (Réussir Fruits<br />
et Légumes) e Nélia Silva<br />
Acolheita representa uma fatia<br />
importante da conta de<br />
cultura do melão, a seguir<br />
aos grandes factores de<br />
produção (plantas, adubos,<br />
plásticos, pesticidas). A colheita<br />
ocupa 60 a 75% do tempo de trabalho<br />
necessário num meloal, muito<br />
menos do que, por exemplo, a<br />
plantação. É, pelo menos, esta a realidade<br />
em França.<br />
A estrutura tradicional da colheita<br />
do melão assenta nos baldes/caixas,<br />
nos paloxes e nos reboques. É<br />
um sistema flexível que se adapta<br />
bem ao maior ou menor volume a<br />
colher. Uma, duas ou três dezenas<br />
de trabalhadores deslocam-se ao<br />
longo de número equivalente de linhas,<br />
e por cada 4 apanhadores há<br />
um carregador que transporta os<br />
baldes/caixas e os descarrega nos paloxes.<br />
É simples e eficaz.<br />
No entanto, o trabalho é penoso,<br />
sobretudo o dos carregadores<br />
dos baldes/caixas. O que impede<br />
um nível constante de produtividade<br />
ao longo do dia. Por outro lado,<br />
as idas e vindas dos carregadores<br />
degradam a vegetação e provocam<br />
estragos nos frutos que estão<br />
a ser colhidos e nos que ainda estão<br />
em fase de maturação. Parece<br />
uma questão menor, muitas vezes<br />
desvalorizada pelos produtores,<br />
mas trata-se de facto de um «atentado»<br />
ao potencial de produção da<br />
parcela, tanto ao nível quantitativo,<br />
pela redução da longevidade<br />
das plantas, como ao nível qualitativo,<br />
através de “toques” nos melões.<br />
De acordo com alguns produtores<br />
franceses de melão, as perdas<br />
relacionadas com a colheita representam<br />
20 a 25% da perda do<br />
potencial de colheita de um melo-<br />
Reduzir a penosidade do trabalho, aumentar a quantidade de melão colhido<br />
por hora e preservar o potencial de produção do meloal são vantagens<br />
das máquinas de apoio à colheita de melão.<br />
al e estão relacionadas com a degradação<br />
da vegetação (plantas e<br />
flores) e impacto na fruta, por pisoteio<br />
e “toques”.<br />
Realidade em Portugal<br />
Em Portugal, os produtores<br />
contactados pela Frutas, Legumes<br />
e Flores não são unânimes nesta<br />
questão. «No ano passado, tive<br />
duas parcelas em que o agricultor<br />
recorreu a mão-de-obra sem experiência<br />
na colheita e em dois<br />
dias as plantas ficaram todas danificadas<br />
devido ao pisoteio, inviabilizando<br />
as colheitas secundárias»,<br />
conta Alexandra Sequeira,<br />
do departamento agrícola da Campihorta,<br />
uma nova empresa de Alpiarça,<br />
que contrata e vende 60<br />
hectares de melão branco. O preço<br />
elevado da mão-de-obra – a colheita<br />
representa em média 25 a<br />
30% dos custos da cultura, assumindo<br />
a contratação de mão-de-<br />
-obra sazonal, e uma produtividade<br />
de 30 toneladas/hectare – e a<br />
escassez de trabalhadores são ou-<br />
tros pontos críticos que refere na<br />
colheita do melão.<br />
Luís Correia, gerente da Planície<br />
Verde, em Rio Maior, que produz<br />
e contrata cerca de 120 hectares<br />
de melões, concorda que «a<br />
cultura do melão é muito dispendiosa<br />
e a colheita ocupa uma percentagem<br />
significativa dos gastos<br />
com mão-de-obra», mas desvaloriza<br />
o impacto da passagem dos<br />
trabalhadores e do pisoteio no melão<br />
e nas plantas. O produtor admite,<br />
no entanto, que os estragos<br />
possam ser maiores no caso da meloa,<br />
«cujos frutos descaem mais e<br />
são mais sensíveis aos toques».<br />
Para Carlos Ferreira, o maior<br />
produtor individual de melão em<br />
Portugal, o custo da colheita na<br />
conta da cultura ronda os 7% (melão)<br />
a 10% (meloa e melancia), valor<br />
que não justifica soluções de<br />
apoio à colheita. Quanto aos danos<br />
na cultura, este produtor fundador<br />
da Hortomelão, considera<br />
que são inevitáveis, mas sem grande<br />
impacto na produção: «há sem-<br />
pre pessoas que pisam mais do que<br />
deveriam pisar, mas não se consegue<br />
evitar isso.» Este empresário<br />
agrícola considera que os terrenos<br />
acidentados em Portugal são um<br />
entrave à rentabilização de máquinas<br />
de apoio à colheita e afirma:<br />
«ainda estou para ver um sistema<br />
mecanizado que me convença na<br />
colheita mecânica de melão e melancia.»<br />
Máquinas de apoio<br />
à colheita<br />
As máquinas de apoio à colheita<br />
são usadas em França desde os<br />
anos 90 e baseiam-se num conceito<br />
comum: cada colhedor deposita<br />
directamente a sua colheita (balde<br />
ou melão) numa “plataforma”<br />
rebocável, eliminando a tarefa árdua<br />
e “destruidora” do carregador.<br />
Alguns modelos são automotrizes<br />
e não necessitam de condutor. Do<br />
lado dos inconvenientes, há o investimento<br />
extra em materiais específicos<br />
e uma organização mais<br />
afinada da gestão do trabalho.<br />
FRUTOS DE VERÃO<br />
1
1<br />
E-Mail:<br />
hortasdoribatejo@iol.pt<br />
Sede:<br />
Lentrisqueira - Apartado 27<br />
2120-216 FOROS DE SAVATERRA<br />
DOSSIÊ frutos<br />
HORTAS DO RIBATEJO<br />
TRANSFORMAÇÃO E COMÉRCIO<br />
DE PRODUTOS AGRÍCOLAS, LDA.<br />
IMPORT - EXPORT<br />
Jorge Cardoso<br />
Tlm.: 917 287 656<br />
Armazém:<br />
Estrada do Convento<br />
Tel.: 263 506 720 - 263 506 724<br />
Fax: 263 506 722<br />
2120-063 SALVATERRA DE MAGOS<br />
2<br />
2<br />
Comércio de Produtos Alimentares, Lda.<br />
Cenouras<br />
Batatas<br />
IMPORTAÇÃO/ EXPORTAÇÃO<br />
de verão<br />
1 - Reboque para nove linhas<br />
O reboque tem uma largura de<br />
11,5 m, podendo levar nove paloxes,<br />
ou 18 paloxes quando empilhados.<br />
Em cada extremidade há<br />
uma extensão rebatível que aumenta<br />
a largura de trabalho para<br />
um total de nove linhas.<br />
O número de plataformas necessárias<br />
dependerá da área da parcela.<br />
Quando todos os paloxes do reboque<br />
estão cheios ele sai e dá lugar<br />
a outro reboque vazio que entra<br />
por detrás e se posiciona na<br />
frente dos apanhadores, permitindo<br />
a continuidade do trabalho,<br />
quase sem paragens.<br />
A plataforma com paloxes<br />
cheios é descarregada no campo<br />
ou levada directamente para a cen-<br />
Telef. 263 505 290/8 - Fax. 263 505 299 • Valqueimado<br />
Est. Nac. 118 - km 49,5<br />
2120-114 SALVATERRA DE MAGOS - PORTUGAL<br />
fruticenouras2008@gmail.com • www.fruticenouras.com
36<br />
frutos de verão<br />
tral de embalamento, se esta estiver<br />
próxima. Nem todas as plataformas<br />
estão autorizadas a circular<br />
na estrada.<br />
«O interesse é dispensar quatro<br />
carregadores de baldes num campo<br />
com uma dezena de colhedores.<br />
Mas a maior vantagem é evitar o pisoteio<br />
da vegetação, o que contribuiu<br />
para preservar a produção futura<br />
e evitar toques nos frutos, que<br />
são desclassificados para segunda<br />
escolha», afirma Yves Ricomes, produtor<br />
de 120 hectares de melão na<br />
região francesa de Languedoc.<br />
2 - Plataforma de recolha<br />
de baldes<br />
Esta máquina de assistência à<br />
colheita é uma plataforma de recolha<br />
de baldes com 21 metros de<br />
largura, abarcando 11 linhas de<br />
melão, e 82 baldes. Quando o bal-<br />
<strong>FLF</strong> 106 | Maio/Junho 2009<br />
DOSSIÊ<br />
3<br />
3<br />
de está cheio ou muito pesado, o<br />
trabalhador pendura-o no gancho<br />
e recolhe um balde vazio, sem nunca<br />
sair da linha onde encontra. Os<br />
baldes são pendurados em ganchos,<br />
que circulam na plataforma<br />
em contínuo, e são recolhidos numa<br />
das extremidades da plataforma,<br />
onde se encontra um tractor<br />
com reboque. A plataforma obriga<br />
os trabalhadores a seguir o seu ritmo<br />
de avanço, uma vez que precisam<br />
dela para pôr os baldes cheios<br />
e recolher outros vazios. Requer<br />
pelo menos dois tractores na parcela,<br />
mais um que leva os paloxes<br />
cheios para a central. Necessita de<br />
um grande espaço para manobra<br />
nos topos da parcela.<br />
«Com o esquema tradicional de<br />
colhedores e carregadores chegamos<br />
a uma média de 1200 a 1500<br />
kg/trabalhador/dia, com esta má-<br />
quina de assistência à colheita chegamos<br />
a colher 2500 kg», testemunha<br />
Francis Roques, produtor<br />
de 50 hectares de melão na região<br />
francesa de Languedoc, e 30 hectares,<br />
em Espanha.<br />
3 - Porta-paloxes automotriz sem<br />
condutor<br />
Este porta-paloxes automotriz<br />
abarca três linhas e desloca-se a<br />
uma velocidade de 0 a 4 km/h. A<br />
máquina avança sozinha no campo<br />
graças a um sistema de sensores<br />
instalados na parte frontal e ligados<br />
à caixa de comando. Permite<br />
aos trabalhadores apanhar o melão<br />
directamente para os paloxes e<br />
dispensa os custos com tractorista.<br />
Adaptado a parcelas de 5 a 10<br />
hectares, com flexibilidade de colheita<br />
de 3 a 5 linhas, com 2 a 5<br />
colhedores. Pontos desfavoráveis:<br />
ruído do motor, pouca mobilidade<br />
em solos argilo-calcários.<br />
«A máquina avança sozinha sem<br />
se perder na parcela. Concentramo-nos<br />
apenas na colheita e esquecemos<br />
que a máquina existe…<br />
ganhamos até 50% na velocidade<br />
de colheita, diminuindo a penosidade<br />
do trabalho», afirma Colette<br />
Bonnet, agricultora e administradora<br />
da Cadralbret, uma cooperativa<br />
agrícola francesa.<br />
4 - Colheita directa e embalamento<br />
no campo<br />
Está máquina automotriz dispensa<br />
o uso de baldes, as meloas<br />
são directamente depositadas num<br />
canal que converge para um tapete<br />
transportador dos frutos até um<br />
operador, que os recolhe e embala<br />
directamente em caixas, ainda<br />
no campo. •<br />
FRUTOS DE VERÃO<br />
4<br />
4
Certificação impulsiona<br />
sector viveirista<br />
Por: Nélia Silva<br />
As primeiras plantas (30 mil)<br />
de categoria certificada<br />
produzidas em Portugal<br />
entraram no mercado em<br />
2007, No ano seguinte foram<br />
produzidas 50 mil, e em 2009<br />
a produção duplicará, atingindo as<br />
100 mil plantas. O sector viveirista<br />
modernizou-se e está a dar resposta<br />
à procura de material de propagação<br />
de qualidade. «A citricul-<br />
D. João aguarda licença<br />
de multiplicação<br />
citrinos<br />
cultivo<br />
Três anos depois do aparecimento das primeiras plantas de categoria certificada em<br />
citrinos, alguns mecanismos do processo de certificação ainda não funcionam. Mas<br />
nos viveiros as condições de produção melhoraram e há novos empresários agrícolas<br />
a apostar na actividade.<br />
tura do Algarve tem consciência de<br />
que ao instalar um pomar tem de<br />
ser com plantas da categoria certificada<br />
… dão-lhe garantia varietal<br />
e sanitária», afirma Flávio Pereira,<br />
responsável técnico da Associação<br />
de Viveiristas do Distrito de<br />
Coimbra (AVDC), a entidade que<br />
faz a certificação das plantas de citrinos<br />
em Portugal.<br />
Nos próximos anos, é esperado<br />
A variedade portuguesa D. João, apreciada pelo seu elevado teor<br />
de sumo e com boa apetência para a indústria, aguarda a inscrição<br />
no Catálogo Nacional de Variedades e licença provisória de<br />
multiplicação. A AVDC tem material base desta variedade isolado em<br />
abrigos e pronto a ser multiplicado. «Temos sido confrontados por<br />
parte dos citricultores para a questão de multiplicar D. João, mas é<br />
um trabalho que demora no mínimo dois anos a ser feito, porque é<br />
necessário a caracterização, a limpeza e posteriormente o registo<br />
em CNV. Esperamos conseguir até final do ano a licença, e começar<br />
a fazer as primeiras plantas de D. João no primeiro trimestre do<br />
próximo ano», estima Flávio Pereira. Cabe à DGADR definir o número<br />
de plantas que podem ser multiplicadas e qual o período de validade<br />
da licença. A variedade foi caracterizada e está a ser sujeita a<br />
limpeza sanitária, estando já provado que o material existente está<br />
isento do Vírus da Tristeza dos Citrinos. Universidade da Algarve,<br />
DRAPAlgarve e AVDC são entidades envolvidas no processo.<br />
«A tendência é para que tenhamos um calendário de maturação<br />
de variedades de citrinos o mais alargado possível, ou seja, com a<br />
chegada dos novos híbridos iremos ter citrinos a colher em algumas<br />
regiões ainda durante o mês de Maio, podendo-se estender até Junho.<br />
Quanto às variedades para a indústria, tem-se estado a apostar<br />
na instalação de novos pomares com um clone de Valencia Late<br />
(a Delta Seedless), impulsionado pela fábrica (Don Simon) que está<br />
instalada na margem esquerda Guadiana, na Andaluzia», revela<br />
o técnico da AVDC.<br />
Este ano serão produzidas 100 mil plantas de citrinos de categoria certificada<br />
um aumento da área de viveiros,<br />
tanto em citrinos, como noutras<br />
espécies fruteiras. Há jovens empresários<br />
agrícolas a instalar-se na<br />
actividade e a área de infra-estruturas<br />
cobertas (estufas), com produção<br />
em substrato, está a aumentar<br />
no universo de associados da<br />
AVDC. «Os produtores de viveiro<br />
estão a ter consciência de que a<br />
produção de plantas (citrinos) no<br />
solo tende a diminuir, uma vez que<br />
os solos que se apresentam isentos<br />
de nemátodos e fungos, ou seja,<br />
onde nunca tenha sido feito viveiro,<br />
são cada vez menos aqui na região»,<br />
explica Flávio Pereira.<br />
Apesar de a legislação (Decreto-<br />
-Lei n.º 329/2007) sobre a certificação<br />
de plantas ter já três anos, o esquema<br />
de certificação ainda não está<br />
a funcionar em pleno. Uma das<br />
questões previstas na lei, que ainda<br />
não passou à prática, é a inspecção<br />
de todos os viveiros (frutícolas, hortícolas<br />
e de morangueiro) por inspectores<br />
oficiais ou técnicos credenciados<br />
pela DGADR, para que o vi-<br />
veiro possa produzir material de categoria<br />
certificada. Está a decorrer,<br />
desde final de 2008 e com fim previsto<br />
para Junho deste ano, um<br />
curso de onde sairão os primeiros<br />
19 técnicos credenciados pela<br />
DGADR. A fiscalização incidirá sobretudo<br />
na fitossanidade das plantas.<br />
«O técnico credenciado será<br />
uma mais-valia para o sistema de<br />
certificação, porque é mais um interveniente<br />
no controlo desses materiais.<br />
Contudo falta delinear quais<br />
as funções de um face ao outro<br />
(inspector e técnico credenciado),<br />
para que não haja duplicação do<br />
mesmo trabalho», acrescenta o responsável<br />
da AVDC.<br />
No que se refere aos citrinos, o<br />
Centro Operativo e Tecnológico<br />
Hortofrutícola Nacional (COTHN)<br />
está a solicitar, à DGADR, o licenciamento<br />
para certificar plantas de<br />
citrinos, devendo substituir a AVDC<br />
nessa tarefa. «Queremos que seja<br />
apenas uma entidade a nível nacional<br />
a fazer este trabalho», explica<br />
Flávio Pereira. •<br />
<strong>FLF</strong> 106 | Maio/Junho 2009 37<br />
AVDC
Produção na Europa<br />
Bélgica<br />
Uma marca comum a toda a produção<br />
Na Bélgica são cultivados 4000 hectares de alho francês para fresco<br />
e 1000 hectares com destino à indústria (sopas, etc.). Quase toda a<br />
produção está organizada, nomeadamente em três leilões – Roulers<br />
(Reo Veilling, 514 produtores), Maline e Brava. A produção é feita em<br />
pequenas explorações familiares, com reduzidos custos de mão-de-<br />
-obra, o que torna o alho belga competitivo em preço. Os maiores<br />
volumes são produzidos de Novembro a Abril, mas há produção<br />
durante todo o ano, excepto em Maio e Junho. Algumas empresas<br />
armazenam o alho francês não lavado, entre 0 graus C e 1 grau C,<br />
para vendê-lo neste período. Das 140 a 160 mil toneladas de alho<br />
francês produzido na Bélgica, 50 mil toneladas são exportadas para<br />
França, Alemanha, Espanha e Holanda. Portugal também importa<br />
alho francês da Bélgica (178 t em 2007). Nos últimos 10 anos, a área<br />
de produção belga aumentou de forma exponencial, tendendo agora<br />
a estabilizar ou crescer de forma mais lenta.<br />
Grã-Bretanha<br />
Organização e técnicas específicas<br />
A Grã-Bretanha produz 2000 hectares de alho francês, a produção<br />
está concentrada nas mãos de poucos produtores (menos de 20<br />
cultivam 20% dos volume total). A produção está organizada<br />
à volta de “category managers”. O alho francês é vendido<br />
sobretudo embalado, sob a forma de fuste branco e verde ou fuste<br />
com 3 a 5 cm de folhas.<br />
Espanha<br />
Alho francês primor<br />
Em Espanha, a área de alho francês é estimada em 2000 hectares.<br />
2/3 do volume é de alho francês precoce (colheita de Abril a Junho),<br />
as zonas de produção principais estão situadas na Andaluzia e<br />
Múrcia. O investimento é de produtores locais, mas também de agricultores<br />
franceses e ingleses que completam o seu calendário de<br />
produção, nestas paragens. A área média por exploração varia entre<br />
20 e 50 hectares, muito do alho destina-se à exportação. A cultura<br />
está em rápido crescimento na Península Ibérica, mas a produção é<br />
muito especulativa. Em 2007, Portugal importou 110 toneladas de<br />
alho francês de Espanha.<br />
38<br />
cultivo<br />
Por: Guy Dubon<br />
e Nélia Silva<br />
Alemanha<br />
Produção para o “hard discount”<br />
Na Alemanha, o alho francês ocupa 2200 a 2600 hectares, a área de<br />
produção está concentrada na região de Dusseldorf, com grandes<br />
produtores, e no Palatinado (norte de Estrasburgo). Na maioria são<br />
produtores independentes em contacto directo com a grande distribuição,<br />
nomeadamente as cadeias de “hard discount”. O alho francês<br />
vende-se sobretudo inteiro com folhas, em molhos de 5 a 10 kg,<br />
mas o pré-embalado começa a desenvolver-se.<br />
<strong>FLF</strong> 106 | Maio/Junho 2009<br />
alho francês<br />
Na Europa, são produzidos cerca de 25 mil hectares de alho francês, equivalentes a<br />
uma produção anual de 700 mil toneladas. Sete países agrupam a maior parte da área,<br />
embora com técnicas de produção, produtos e mercados muito diferentes entre si.<br />
Portugal<br />
Espanha<br />
Grã-Bretanha<br />
França<br />
Holanda<br />
Bélgica
Alemanha<br />
Polónia<br />
Holanda<br />
alho francês<br />
cultivo<br />
Grandes produtores independentes<br />
Na Holanda, 300 a 500 produtores produzem 2800 a 3300 hectares de<br />
alho francês, sobretudo no sudoeste do país. Uma parte da produção<br />
está organizada e é vendida pelas empresas The Greenery e Veiling Zon.<br />
Mas é cada vez mais composta de produtores independentes, que vendem<br />
directamente às grandes superfícies e à indústria de IV Gama (preparados<br />
para sopas e cozinha em wok). Cerca de 50% a 60% da produção<br />
é exportada para a Alemanha, Inglaterra e países da Escandinávia.<br />
A produção está estável, pois enquanto alguns investidores abandonaram<br />
a cultura, por falta de mão-de-obra, outros aumentaram áreas.<br />
Polónia<br />
Pequenos produtores vendem nos mercados tradicionais<br />
Na Polónia, a grande dispersão da produção torna difícil dar números<br />
exactos sobre a produção, estima-se que varie de 2000 a 4000<br />
hectares. A maior parte dos produtores estão situados nas periferias<br />
das cidades, alguns têm alguma especialização na cultura, produzindo<br />
dezenas de hectares. A organização da produção é incipiente, a<br />
mecanização é muito limitada e a qualidade do alho francês heterogénea.<br />
O produto atinge preços apetecíveis (0,66€/kg em 2007/2008)<br />
em comparação com a couve, cebola ou cenoura (0,20€/kg). A<br />
Polónia importa alho francês de qualidade da Holanda e Bélgica,<br />
entre Janeiro e Agosto, e os compradores tendem a preferir o produto<br />
importando, durante todo o ano, em detrimento da produção local.<br />
França<br />
Produção própria de plantas<br />
A França produz cerca de 6000 hectares de alho francês e colhe, por<br />
ano, 176 mil toneladas. Metade deste volume é produzido por agricultores<br />
organizados (80%) ou independentes, a outra metade é realizada<br />
por agricultores instalados na periferia das cidades. O alho<br />
francês é produzido um pouco por toda a França, mas as maiores<br />
regiões produtoras estão concentradas no Norte do país: Normandia<br />
(27 000 t), Pays de Loire (30 000 t, alho francês primor, de Abril a<br />
Agosto) e Nord Pas-De-Calais (20 000 t).<br />
A área média das explorações varia de 6 a 30 hectares, consoante as<br />
regiões, mas a tendência é para aumento da área por exploração e para<br />
a especialização da cultura. Apesar de as variedades híbridas estarem<br />
generalizadas, muitos produtores ainda fazem a produção das próprias<br />
plantas. Alguns começam a comprar plantas aos viveiros, na Bélgica,<br />
Holanda, Espanha e Marrocos. A produção tende a crescer, graças ao<br />
aumento da mecanização (plantação mecânica, colheita automática) e a<br />
investimentos em novas centrais de embalamento, na região Nord Pas-<br />
-De-Calais. Parte da produção é exportada para a Alemanha, Inglaterra,<br />
Escandinávia e Espanha e Portugal (173 toneladas, em 2007).<br />
Portugal<br />
Uma cultura emergente<br />
Não existem estatísticas oficiais sobre área ou volumes de alho francês<br />
produzidos em Portugal, mas estima-se que a área oscile entre<br />
os 400 e os 600 hectares. É uma cultura relativamente nova no País,<br />
que teve grande crescimento nos últimos anos. As principais zonas<br />
de produção são o Oeste (Olho Marinho, Pó, Bombarral, Óbidos),<br />
Ribatejo e Litoral Norte (Póvoa de Varzim, Esposende e Grande<br />
Porto). No Oeste, a área média por exploração é de 3 a 6 hectares.<br />
Vários agricultores usam plantadores ou máquinas de armar camalhões<br />
com marcação do terreno. A colheita é em geral mecanizada.<br />
Existem algumas estruturas organizadas de produção e comercialização,<br />
mas ainda há muitos agricultores a produzir de per si.<br />
A produção começa a ser excessiva para o consumo nacional, pelo<br />
que a exportação tem crescido e a importação baixado. Em 2007,<br />
Portugal importou 460 toneladas e exportou 2622 toneladas de produtos<br />
aliáceos frescos e refrigerados (excepto cebolas, alhos e chalotas),<br />
segundo dados do INE.<br />
<strong>FLF</strong> 106 | Maio/Junho 2009 39
“Alhos de corrida”<br />
De « uma maneira geral, as<br />
variedades híbridas, apesar<br />
de mais produtivas,<br />
são mais sensíveis ao espigamento<br />
e às doenças.<br />
São alhos de corrida. O mercado<br />
está sensível ao aspecto visual, nomeadamente<br />
a cor, mais do que ao<br />
sabor, por isso precisamos de responder<br />
com um alho que o mercado<br />
goste: 25 a 34 mm de calibre,<br />
parte branca importante e menos<br />
folhas», descreve Guy Richard, gerente<br />
da Pot au Pin em Portugal.<br />
O espigamento ocorre sobretudo<br />
em Maio, no final do ciclo das plantações<br />
de Inverno, mas «alguns alhos<br />
já têm potencial de espigamento<br />
no viveiro, por isso deve haver<br />
um equilíbrio perfeito da temperatura<br />
na estufa, a planta deve ser<br />
ajudada a ter um desenvolvimento<br />
progressivo. O alho não gosta de<br />
stress e excessos», garante este técnico<br />
experiente na cultura. Hélio<br />
Paiva, viveirista que fornece plantas<br />
à Pot au Pin, confirma a necessidade<br />
destes cuidados: «no período<br />
de Inverno não se deve deixar a<br />
temperatura descer dos 12ºC e não<br />
se pode deixar a planta parar o<br />
crescimento. É necessária uma fertilização<br />
adequada e contínua, para<br />
obter plantas com 3 a 4 mm de<br />
diâmetro, num ciclo de 90 a 95<br />
dias, que não deve ser ultrapassado»,<br />
explica.<br />
40<br />
cultivo<br />
Por: Nélia Silva<br />
Respeitar<br />
o ciclo da planta<br />
Os especialistas ainda não conseguiram<br />
explicar na totalidade<br />
o que está na origem do espigamento<br />
do alho francês. O fenómeno<br />
é associado a stress sofri-<br />
<strong>FLF</strong> 106 | Maio/Junho 2009<br />
alho francês<br />
O alho francês é uma cultura cara e que requer muitos cuidados, desde o viveiro<br />
à colheita. O espigamento é um dos seus principais constrangimentos, evitá-lo<br />
é difícil, mas não impossível.<br />
do pelas plantas – variações bruscas<br />
de temperatura, grandes amplitudes<br />
térmicas dia-noite –, mas<br />
também há quem refira uma relação<br />
entre a fase da lua à data da<br />
plantação e o espigamento. A Pot<br />
au Pin testou esta teoria em<br />
2008, fazendo plantações na lua<br />
cheia e no quarto minguante, e<br />
concluiu que a melhor solução é<br />
a segunda hipótese. Hélio Paiva<br />
também diz optar, sempre que<br />
pode, por plantações no quarto<br />
minguante e acrescenta: «trabalho<br />
com alguns agricultores pequenos<br />
que só plantam (variedades<br />
standard) no minguante e dizem<br />
nunca ter problemas de espigamento».<br />
Mas a questão crucial para evitar<br />
os prejuízos associados ao espigamento<br />
é a data de colheita.<br />
Uma vez terminado o seu ciclo natural<br />
de crescimento, o alho francês<br />
deve ser colhido de imediato:<br />
«quando a planta está acabada tem<br />
que ser colhida, independentemente<br />
de os preços estarem altos ou<br />
baixos», defende aquele técnico<br />
francês. Mas em Portugal isso nem<br />
sempre acontece (ver caixa).<br />
Planificar a cultura é o segredo<br />
do negócio e pode fazer a diferença<br />
entre uma boa colheita e o fracasso<br />
total. «É necessário preparar<br />
a cultura dois anos antes da plantação,<br />
há uma relação entre as rotações<br />
das culturas no terreno e a<br />
qualidade final do alho… mas o<br />
mais importante é fixar, desde o<br />
início, uma data de colheita, para<br />
obtermos exactamente o alho e a<br />
homogeneidade que precisamos<br />
para o nosso mercado», acrescenta<br />
Guy Richard.<br />
Uma vez terminado o seu ciclo natural de crescimento, o alho francês deve<br />
ser colhido de imediato para evitar o espigamento<br />
A Pot au Pin desenvolveu uma máquina própria de apoio à plantação<br />
Plantação<br />
A plantação é uma operação delicada,<br />
da qual também depende a<br />
qualidade e homogeneidade do produto<br />
final. Hoje em dia, muitos<br />
agricultores já recorrem a máqui-<br />
nas que armam os camalhões e<br />
marcam o local onde a planta é inserida,<br />
posteriormente, à mão. Alguns<br />
produtores usam plantadores<br />
de copos ou pinças. «A plantação é<br />
uma operação que precisa de ser
Produzir um hectare de alho pode custar entre 10 000 a 15 000€/hectare<br />
«Não há calendarização da produção»<br />
O aumento da área de alho francês em Portugal, nos últimos<br />
anos, está a criar um problema de saturação do mercado, devido ao<br />
excesso de oferta em alguns períodos do ano, que fazem baixar<br />
os preços do produto. «Não há calendarização da produção, quando<br />
o preço sobe, faz-se muito alho francês e depois há problemas<br />
de escoamento», admite Flávio Branco, gerente da Frishorta, um<br />
dos maiores operadores do mercado nacional em alho francês.<br />
Perante a saturação do mercado, esta empresa está a apostar no<br />
escoamento do alho para empresas de IV Gama (10 a 20% da produção),<br />
onde há menos oscilações de preço. Flávio Branco considera<br />
que uma solução para aliviar o mercado seria a venda da produção<br />
excedentária à indústria de transformação, mas não tem havido<br />
procura do alho francês neste segmento. «O problema do mercado<br />
português é que não há organização, cada produtor quer obter<br />
o monopólio e cada pessoa vai jogar a sua carta e quem aproveita<br />
a situação é o mercado (compradores) para maximizar as margens»,<br />
afirma Guy Richard.<br />
muito bem feita, com muita calma,<br />
com pessoas que tenham prática»,<br />
defende Guy Richard. Também a<br />
densidade de plantação deve ser calculada<br />
em função do objectivo da<br />
data de colheita e do calibre do alho<br />
que se pretende. No caso da Pot<br />
au Pin, instalada em Salvaterra de<br />
Magos, a densidade varia entre 180<br />
a 220 mil plantas por hectare. Já na<br />
região de Peniche, a densidade praticada<br />
pelos agricultores que trabalham<br />
com a Frishorta é de 120<br />
mil plantas por hectare. •<br />
FICHA<br />
DE PRODUTOR<br />
Frishorta, Comércio<br />
de Produtos Hortícolas, Lda<br />
Sede: Ferrel<br />
N.º produtores: 10<br />
Área de produção: 180<br />
hectares de alho francês<br />
Custo da cultura: 10 000€<br />
/hectare<br />
Exportação: 30 a 40%<br />
Mercados de exportação:<br />
Espanha, França<br />
alho francês<br />
cultivo<br />
FICHA<br />
DE PRODUTOR<br />
Pot au Pin, Exploração<br />
Agrícola, Sociedade Unipessoal,<br />
Lda<br />
Sede: Salvaterra de Magos<br />
N.º de produtores: 1 (própria)<br />
Área de produção: 300<br />
hectares (alho francês,<br />
cenoura, batata, cevada<br />
dística, ervilha)<br />
Área de alho francês: 24<br />
hectares<br />
Custo da cultura: 15 000€<br />
/hectare<br />
Exportação: 100%<br />
Mercados de exportação:<br />
França<br />
«A colheita mecanizada reduz 10 a 20% os custos de produção»,<br />
Flávio Branco, gerente da Frishorta<br />
<strong>FLF</strong> 106 | Maio/Junho 2009 41
42<br />
cultivo<br />
Critérios de avaliação<br />
de sementes hortícolas<br />
A semente certificada é garante de identidade e pureza<br />
varietais e de que estão salvaguardados os valores<br />
mínimos da sua qualidade, no que se refere à percentagem<br />
de semente pura, presença de sementes<br />
de outras espécies e faculdade germinativa. Conheça<br />
os critérios de avaliação de sementes hortícolas, desde<br />
o multiplicador ao mercado.<br />
Na produção e certificação<br />
de sementes de espécies<br />
hortícolas são aplicadas<br />
normas técnicas definidas<br />
por legislação, que<br />
envolvem as várias fases da produção,<br />
iniciando-se com o controlo<br />
dos campos de multiplicação e terminando<br />
com a realização de análises<br />
e ensaios laboratoriais para<br />
avaliar a qualidade da semente obtida<br />
a disponibilizar ao agricultor.<br />
O processo de multiplicação, controlo,<br />
produção e certificação de semente<br />
só pode ter início após a inscrição<br />
das variedades que se pretendem<br />
multiplicar, no Catálogo Nacional<br />
de Variedades (CNV) e/ou no<br />
Catálogo Comum de Variedades de<br />
Espécies Hortícolas (CCVH).<br />
Legislação aplicável<br />
A comercialização de sementes<br />
de espécies hortícolas está regulamentada<br />
a nível comunitário pela<br />
Directiva n.º 2002/55/CE, do Conselho,<br />
de 13 de Junho de 2002. No<br />
País aplica-se o disposto no Decreto-Lei<br />
n.º 144/2005, de 26 de Agosto,<br />
que regula a produção, o controlo<br />
e certificação de sementes de<br />
espécies agrícolas e de espécies hortícolas<br />
destinadas a comercialização,<br />
com excepção das utilizadas pa-<br />
<strong>FLF</strong> 106 | Maio/Junho 2009<br />
hortícolas<br />
Por: Eng.ª Paula Cruz de Carvalho*<br />
ra fins ornamentais, e que transpõe,<br />
além de outros diplomas comunitários,<br />
a Directiva n.º 2002/55/CE.<br />
Categorias de semente<br />
certificada<br />
O sistema de certificação das espécies<br />
hortícolas admite quatro categorias<br />
de semente: a semente<br />
‘Pré-base’, ‘Base’, ‘Certificada’ e a<br />
‘Standard’, sendo que a quase totalidade<br />
dos lotes de semente disponíveis<br />
no mercado pertencem<br />
a esta última categoria.<br />
Para cada espécie vegetal e categoria<br />
são definidas as respectivas<br />
normas de produção, assim como<br />
os valores mínimos de pureza, presença<br />
de sementes de outras espécies<br />
e faculdade germinativa, que<br />
devem ser cumpridos pelos lotes<br />
de semente a comercializar.<br />
Identidade varietal<br />
A cada variedade corresponde<br />
uma descrição morfológica e fisiológica<br />
única que permite a sua<br />
identificação de forma inequívoca.<br />
Essa descrição é efectuada pelos<br />
serviços oficiais responsáveis pelos<br />
catálogos nacionais, no decurso de<br />
ensaios de campo e laboratório, incluídos<br />
no processo de avaliação<br />
das novas variedades para efeitos<br />
Aspecto geral de ensaio de inscrição no Catálogo Nacional de Variedades<br />
da sua inscrição.<br />
Igualmente, a cada variedade<br />
corresponde uma denominação,<br />
podendo existir variedades com várias<br />
denominações (sinónimos) que<br />
se encontram devidamente identificados<br />
no CNV e/ou no CCVH.<br />
Purezas varietal<br />
e específica<br />
A fim de ser garantida a pureza<br />
varietal (% de plantas conforme a<br />
descrição da variedade) e específica<br />
(% de presença de outras espécies),<br />
os campos de multiplicação<br />
de semente devem obedecer a<br />
critérios estabelecidos no que se<br />
refere a: antecedente cultural da<br />
parcela de terreno onde se procede<br />
à multiplicação; isolamento dessas<br />
parcelas para outras culturas<br />
que possam constituir uma fonte<br />
indesejável de pólen e presença de<br />
infestantes, doenças e de organismos<br />
nocivos que reduzam a qualidade<br />
da semente a obter.<br />
Qualidade mínima<br />
da semente<br />
Após a colheita das sementes obtidas<br />
nos campos de multiplicação,<br />
procede-se à sua limpeza e calibragem,<br />
sendo então retiradas amostras<br />
representativas dos vários lotes<br />
de semente. Estas amostras destinam-se<br />
a ser submetidas a ensaios<br />
e análises de laboratório.<br />
Quer na amostragem dos lotes,<br />
quer na realização dos ensaios e<br />
análises de semente, são seguidas<br />
as regras internacionalmente estabelecidas<br />
pela Internacional Seed<br />
Testing Association (ISTA) ou,<br />
no caso de sementes produzidas<br />
nos EUA e Canadá, pelas regras da<br />
Association of Official Seed Analysts<br />
(AOSA). Em Portugal, o Laboratório<br />
de Ensaio de Sementes<br />
da Direcção-Geral de Agricultura<br />
e Desenvolvimento Rural é o único<br />
laboratório acreditado pela IS-<br />
TA para a realização de análises e<br />
ensaios de sementes.
A cada categoria de semente correspondem<br />
valores mínimos em %<br />
de semente pura e de germinação e<br />
valores máximos em % de sementes<br />
de outras espécies. Estes valores<br />
constam da legislação nacional<br />
e comunitária referidas. Apresentam-se<br />
no Quadro 1, para algumas<br />
espécies, exemplos desses valores.<br />
Embalamento e etiquetagem<br />
das sementes<br />
Todas as sementes destinadas ao<br />
comércio devem estar devidamente<br />
embaladas, fechadas e com etiquetas,<br />
que no caso dos lotes de semente<br />
da categoria standard são<br />
emitidas pela entidade que procede<br />
ao embalamento das sementes. Estas<br />
etiquetas, de cor amarelo-torrado,<br />
devem conter as informações<br />
obrigatórias constantes da legislação,<br />
das quais se destacam: o nome<br />
e endereço da entidade que procedeu<br />
à embalagem ou a sua marca,<br />
o nome da espécie e da variedade, a<br />
data de embalagem e o n.º do lote.<br />
Espécie<br />
% Mínima de<br />
semente pura<br />
No caso das pequenas embalagens,<br />
estas informações podem ser<br />
impressas sobre a embalagem.<br />
Prazo de validade<br />
Decorrido um prazo de 18 meses,<br />
no caso de embalagens de papel,<br />
ou de 36 meses, no caso de embalagens<br />
termo-soldadas ou latas,<br />
após a data de embalagem das sementes,<br />
as mesmas deixam de poder<br />
ser comercializadas.<br />
% Máxima de<br />
sementes de<br />
outras espécies<br />
Os lotes cuja validade expirou<br />
podem, no entanto, ser objecto de<br />
nova amostragem, a fim de ser realizado<br />
um ensaio de germinação.<br />
Caso os resultados obtidos nesse<br />
ensaio sejam superiores ou iguais<br />
aos valores mínimos estabelecidos,<br />
esses lotes podem ser introduzidos<br />
de novo no comércio, desde<br />
que as embalagens contenham indicação<br />
da data da revisão de germinação<br />
efectuada.<br />
hortícolas<br />
Quadro 1: Parâmetros de qualidade da semente<br />
% Mínima de<br />
germinação<br />
Abóbora-menina 98 0,1 80<br />
Couve 97 1,0 75<br />
Feijão 98 0,1 75<br />
Melão 98 0,1 75<br />
Nabo 97 1,0 80<br />
Pimento 97 0,5 65<br />
Pepino 98 0,1 80<br />
Tomate 97 0,5 75<br />
cultivo<br />
Outros requisitos legais<br />
• Passaporte fitossanitário<br />
Todas as embalagens de sementes<br />
de Phaseolus vulgaris (feijão comum)<br />
devem ser acompanhadas<br />
de passaporte fitossanitário, no<br />
qual deve estar a marca ZP para todo<br />
o território português.<br />
Todas as embalagens de sementes<br />
de feijão vulgar devem ser<br />
acompanhadas de passaporte fitossanitário,<br />
no qual deve estar a
cultivo<br />
Penca de Chaves,<br />
uma variedade tradicional<br />
inscrita no CNV<br />
Apresentação comercial e peso.<br />
HR Bl 1-25.<br />
Delegação Portugal :<br />
Sandra Marques : +351 966 108 935<br />
João Raposeira : +351 917 464 553<br />
hortícolas<br />
Avaliação da forma dos<br />
frutos de uma variedade<br />
de pimento<br />
PITICE<br />
De porte aberto<br />
e compacta.<br />
HR Bl 1-25.<br />
marca ZP para todo o território<br />
português.<br />
As sementes de cebola, alho-porro,<br />
cebolinho, tomate e outros feijões<br />
devem ser acompanhadas de<br />
passaporte fitossanitário sempre<br />
que a sua venda se destine a profissionais<br />
envolvidos na produção<br />
vegetal. Se se tratar de “pequenas<br />
embalagens” destinadas a não profissionais<br />
há isenção desta obrigatoriedade.<br />
• Tratamento fitossanitário<br />
das sementes<br />
As embalagens de sementes que<br />
tenham sido tratadas com produtos<br />
fitofarmacêuticos devem conter<br />
informação sobre o tratamento<br />
efectuado, nomeadamente: o nome<br />
da ou das substâncias activas,<br />
nome do ou dos produtos fitofarmacêuticos<br />
utilizados e as respectivas<br />
precauções toxicológicas e<br />
ambientais, assim como a frase<br />
“Sementes tratadas com produto<br />
fitofarmacêutico, impróprias para<br />
consumo humano e animal, des-<br />
A primeira batavia com Bl 1-25 e Nr.<br />
Para plantações de Primavera/Verão.<br />
Variedade de porte aberto, cor verde clara<br />
e frisado atractivo. Compacta e produtiva.<br />
Boa apresentação comercial.<br />
HR Bl 1-23, 25, Nr.<br />
tinadas apenas para sementeira”.<br />
No caso das pequenas embalagens<br />
e visto que as precauções toxicológicas<br />
e ambientais dos produtos<br />
podem ser extensas, poderá<br />
ser feita apenas referência às mesmas,<br />
com indicação de que podem<br />
ser consultadas em www.dgadr.pt.<br />
Notas finais<br />
A semente certificada é assim<br />
garante de identidade e pureza varietais<br />
e de que estão salvaguardados<br />
os valores mínimos da sua qualidade<br />
no que se refere à percentagem<br />
de semente pura, presença de<br />
sementes de outras espécies e faculdade<br />
germinativa.<br />
Para obter mais informação sobre<br />
este assunto pode ser consultada<br />
a página da internet da Direcção-<br />
-Geral de Agricultura e Desenvolvimento<br />
Rural (www.dgadr.pt). •<br />
*DGADR, Divisão de Sementes, Variedades<br />
e Recursos Genéticos<br />
ALFACES VILMORIN,<br />
A NOVA GERAÇÃO DE<br />
PRIMAVERA / VERÃO.<br />
COMICE EXQUISE MISTRESS BRP 5632<br />
JUNTOS INOVAMOS PARA VOCÊS<br />
Verde claro atractivo<br />
e productividade.<br />
HR Bl 1-25, Nr.<br />
www.vilmorincom<br />
V ilmorin<br />
Iberica<br />
S.<br />
A.<br />
- C/<br />
. Joaquín<br />
Orozco,<br />
17<br />
bajo<br />
03006 ALICANTE - ESPAÑA<br />
tel : 902 19 34 36 - fax : 96 592 20 44<br />
E-mail : ibericalicante@vilmorin.es<br />
- Illustrations Horticolor ©/Lyon/Reproduction, même partielle interdite. Documento não contractual.
46<br />
mercado e empresas<br />
Riscadinha de Palmela<br />
ganha novo fôlego<br />
A Maçã Riscadinha de Palmela está quase a chegar ao mercado.<br />
Esta variedade precoce já esteve ameaçada de extinção, mas voltou a interessar<br />
os agricultores da região. A Cooperativa Agrícola de Palmela aguarda há anos pelo<br />
reconhecimento da DOP.<br />
Dizem as gentes da terra<br />
que a Maçã Riscadinha de<br />
Palmela é a rainha das<br />
maçãs, a mais saborosa de<br />
Portugal. De odor intenso<br />
(era outrora usada para perfumar<br />
casas) e peculiar sabor acidulado,<br />
faz as delícias do paladar. Gostos<br />
à parte, ela tem o indiscutível<br />
mérito de ser a primeira a chegar<br />
ao mercado, no início de Julho.<br />
Não há registos escritos sobre a<br />
origem da Maçã Riscadinha de Palmela,<br />
mas testemunhas vivas remontam<br />
a sua origem ao século<br />
XIX, no lugar de Barris, concelho<br />
de Palmela. Na década de 70 do século<br />
passado a produção atingiu as<br />
3000 toneladas. A cultura desta variedade<br />
tornou-se uma importan-<br />
O calibre mais procurado e valorizado é o 65-70<br />
<strong>FLF</strong> 106 | Maio/Junho 2009<br />
maçã<br />
te fonte de rendimento para os<br />
agricultores da região, ajudando-<br />
-os a suportar as despesas com a<br />
vindima. As macieiras eram plantadas<br />
em consociação com a vinha,<br />
em regime de sequeiro. A partir<br />
dos anos 80, começaram a surgir<br />
os primeiros pomares estremes e<br />
regados, verificando-se uma intensificação<br />
da cultura.<br />
No entanto, a produção da Maçã<br />
Riscadinha de Palmela começou<br />
a entrar em declínio nos anos 90.<br />
Dificuldades de comercialização,<br />
problemas fitossanitários relacionados<br />
com o cancro do tronco<br />
(Nectria sp.), cujo aparecimento é<br />
facilitado pelas feridas que a zeuzera<br />
(Zeuzera pyrina L.) provoca,<br />
e legislação que proibiu a conso-<br />
Cooperativa Agrícola de Palmela<br />
A Maçã Riscadinha de Palmela tem mais sabor e mais riscas quando<br />
plantada em solos fortes de areia grossa<br />
ciação da vinha com pomar estiveram<br />
na origem desse declínio, que<br />
quase conduziu a Riscadinha à extinção.<br />
«As uvas para vinho começaram<br />
a dar mais retorno financeiro<br />
e, por outro lado, começou a entrar<br />
fruta importada em Portugal,<br />
a preços mais baixos», explica<br />
João Pinoia, presidente da Cooperativa<br />
Agrícola de Palmela, que<br />
vende 30 a 35 toneladas de Maçã<br />
Riscadinha de Palmela.<br />
Hoje em dia, a produção total de<br />
Maçã Riscadinha de Palmela não<br />
deve exceder as 150 toneladas<br />
anuais e grande parte está dispersa.<br />
A maior área está situada nas localidades<br />
de Lau, Areias Gordas,<br />
Serralheira e Pedras Negras (concelho<br />
de Palmela), e em parte do<br />
concelho do Montijo. «Há 30 anos,<br />
Cooperativa Agrícola de Palmela<br />
tínhamos a oferta concentrada na<br />
cooperativa e os compradores estavam<br />
dispersos. Hoje em dia, acontece<br />
o inverso, o comprador está<br />
concentrado e a oferta dispersa,<br />
muitos agricultores preferem vender<br />
nos mercados locais», reconhece<br />
Maria de Lurdes Atalaia, produtora<br />
de Maçã Riscadinha e membro<br />
da direcção da cooperativa.<br />
A procura da variedade é muita<br />
e a produção não chega para as encomendas.<br />
A maçã chega apenas a<br />
algumas lojas das grandes superfícies<br />
de distribuição, no Sul e, um<br />
pouco, no Centro do País, e aos<br />
mercados tradicionais. «Mais houvesse<br />
e mais se venderia», assegura<br />
Maria de Lurdes Atalaia.<br />
Devido à escassez, às suas qualidades<br />
e ao facto de ser a primei
a maçã a surgir no mercado, os<br />
preços pagos à produção são aliciantes<br />
– 0,55€ a 0,75€/kg, em<br />
2008. Sobretudo quando comparados<br />
com preço pago pelo quilo<br />
de uva para vinho (na ordem dos<br />
0,24€/kg). «Seria uma excelente<br />
decisão das pessoas arrancar vinha<br />
e plantar Maçã Riscadinha… custa<br />
mais sustentar um hectare de<br />
vinha do que um hectare de maçã»,<br />
alicia Maria de Lurdes Atalaia.<br />
A Cooperativa Agrícola de Palmela<br />
está decidida a incentivar os<br />
seus associados a voltar a produzir<br />
a Maçã Riscadinha. Hoje em dia,<br />
dos 1600 associados, apenas 40 produzem<br />
a variedade. O único obstáculo<br />
parece ser a descapitalização<br />
dos agricultores. Nos últimos três<br />
anos, surgiram no concelho novos<br />
pomares, cerca de 10 hectares no<br />
total, que deverão entrar em produção<br />
nos próximos anos, dando<br />
novo alento à Riscadinha.<br />
A variedade tem alguns problemas<br />
que requerem melhoria, para<br />
aumentar a produtividade por hectare<br />
e manter a qualidade dos frutos.<br />
«É um fruto muito fácil de fazer,<br />
a maior dificuldade está em<br />
manuseá-lo na colheita e pós-colheita,<br />
porque é muito sensível,<br />
mancha com os toques», descreve<br />
João Pinoia. Por outro lado, tem<br />
um problema de automonda, ou<br />
seja, os frutos mais pequenos caem<br />
naturalmente, e apenas um ou dois<br />
vingam em cada cacho. A cooperativa<br />
pensa que aumentar o comprimento<br />
do pedúnculo poderá ser<br />
uma solução para o problema. •<br />
maçã<br />
mercado e empresas<br />
Os novos pomares têm um compasso de 1,5- 2 m x 4 m<br />
No passado as macieiras eram plantadas em consociação com a vinha Nos anos 80 surgiram os primeiros pomares estremes<br />
FORMAÇÃO PROFISSIONAL<br />
DISPONIBILIZAÇÃO DE TÉCNICOS<br />
PARA ACOMPANHAMENTO DE CULTURAS<br />
COMERCIALIZAÇÃO DE:<br />
FRUTOS – Maçã riscadinha, uva de mesa, figos, citrinos e outros<br />
PRODUTOS HORTÍCOLAS – Nabos, batatas, cenouras e outros<br />
FACTORES DE PRODUÇÃO – Adubos, rações, fitofarmacêuticos e outros<br />
Foto: Cooperativa Agrícola de Palmela
48<br />
mercado e empresas<br />
Oeste investe em produções<br />
de Primavera-Verão<br />
Por: Nélia Silva<br />
OCentro Operativo e Tecnológico<br />
Hortofrutícola Nacional<br />
(COTHN) organizou,<br />
a 12 de Maio, um dia<br />
de campo sobre “As potencialidades<br />
da região Oeste para a<br />
extensão da época de produção de<br />
morango”. O evento decorreu na<br />
Quinta do Rato, Vale de Maceira,<br />
na exploração de Afonso Nobre,<br />
produtor de três hectares de mo-<br />
Lanai<br />
<strong>FLF</strong> 106 | Maio/Junho 2009<br />
morango<br />
A região Oeste tem boas condições naturais para estender o calendário de produção<br />
de morango até ao Outono, dando resposta à procura deste fruto na época quente.<br />
rango em ar livre. Um exemplo sobre<br />
o potencial do Oeste para extensão<br />
do calendário produtivo do<br />
morango. Este horticultor é membro<br />
da organização de produtores<br />
(OP) Lusomorango, há dois anos,<br />
produzindo em exclusivo as variedades<br />
Driscoll’s: San Juan e Lanai.<br />
Em 2009, a San Juan foi a primeira<br />
a ser plantada (20 e 21 de Novembro),<br />
começou a ser colhida<br />
San Juan<br />
A variedade Lanai produz 800g/planta e a San Juan 700g/planta, uma<br />
média que deverá ser ultrapassada no Oeste<br />
Com a máquina de apoio à colheita o rendimento atinge 150 kg/mulher/dia,<br />
com o carrinho fica-se pelos 50kg/mulher/dia<br />
Colheita mecânica baixa custo em 30%<br />
Afonso Nobre está a usar, este ano pela primeira vez, uma máquina<br />
de apoio à colheita, construída em Portugal e emprestada pela<br />
Casa Prudêncio. «É muito vantajoso, foi uma grande aposta mecanizar<br />
a colheita, consigo o dobro ou o triplo do rendimento. Com<br />
a máquina colho 150 kg/mulher/dia, enquanto com os carrinhos<br />
colho 50kg/mulher/dia», compara o horticultor. O número total de<br />
trabalhadoras necessárias à colheita diminuiu de 30 para 20 e a<br />
qualidade do trabalho manteve-se. A velocidade a que máquina avança<br />
é controlada pelo tractorista (máximo aceitável de 8 km/h), e a<br />
altura das cadeiras, em relação ao solo, é regulável. Afonso Nobre<br />
aponta uma diminuição de 20% a 30% nos custos da colheita, o<br />
factor de produção mais caro nesta cultura (70 a 80%). «A produção<br />
de cada hectare de morango custa 28 mil euros, excluindo custos<br />
de mão-de-obra», revelou o agricultor, acrescentando: «a grande<br />
ciência para conservar a qualidade do morango é colher dia sim, dia<br />
não, sem deixar adiantar o campo, nem deixar morangos para trás».
mais tarde (3.ª semana de Abril) e<br />
terminará duas a três semanas antes<br />
da Lanai. A Lanai, apesar de<br />
plantada mais tarde (14 e 15 de Dezembro),<br />
é mais produtiva e tem<br />
um ciclo produtivo maior - 1.ª semana<br />
de Abril até às primeiras chuvas<br />
do Outono.<br />
«Em 2008 alargamos a produção<br />
até Setembro com excelentes<br />
resultados… estas variedades são<br />
óptimas para produção de morango<br />
de ar livre no Oeste», garantiu<br />
Afonso Nobre. Este horticultor<br />
trocou os “baixos rendimentos e<br />
mercados complicados” das culturas<br />
de indústria no Ribatejo, para<br />
se dedicar à produção de morango<br />
no Oeste, uma cultura com<br />
“rendimentos mais elevados e<br />
mais certezas de escoamento do<br />
produto”.<br />
A Lusomorango, cujo objectivo<br />
comercial é abastecer o mercado<br />
365 dias no ano, vê no Oeste a solução<br />
para completar o calendário<br />
de produção de Julho a Setembro.<br />
Meses em que esta região tem<br />
morango<br />
Sentadas, as trabalhadoras fazem menos esforço e não perdem tempo a empurrar o carrinho, a baixar e a levantar<br />
condições climáticas mais apropriadas<br />
à produção de morango,<br />
do que a costa alentejana. «Na Península<br />
Ibérica há poucas geografias<br />
para produzir morango, de<br />
elevada qualidade, durante o Verão,<br />
vemos uma boa oportunidade<br />
no Oeste», esclarece Gonçalo<br />
Andrade, director executivo da Lusomorango.<br />
Este responsável acredita<br />
que a produção de morango<br />
no Verão é uma aposta ganha,<br />
uma vez que, nesta época do ano,<br />
a procura é maior do que a ofer-<br />
mercado e empresas<br />
ta. Os milhões de turistas que<br />
afluem a Portugal e Espanha no<br />
período estival, muitos deles vindos<br />
do Norte da Europa, são fiéis<br />
consumidores de pequenos frutos,<br />
dando garantias de escoamento ao<br />
produto. Motivo que leva a Lusomorango<br />
a direccionar 50 a 60%<br />
das suas vendas para o mercado<br />
ibérico, no período de Verão, enquanto<br />
no Inverno (1.º trimestre<br />
de 2009) 85% do morango desta<br />
OP se dirige a mercados fora da<br />
Península Ibérica. •
agro-negócio<br />
II edição Fórum Bayfruta<br />
A Bayer CropScience organizou, nos dias 26 e<br />
28 de Maio, a segunda edição do Fórum Bayfruta,<br />
em Lamego e nas Caldas da Rainha. Estes fóruns<br />
fazem parte das actividades do Clube<br />
Byfruta, criado pela Bayer em 2008, e servem<br />
para discutir assuntos técnicos e de actualidade<br />
relacionados com a fruticultura, fomentando<br />
as boas práticas agrícolas. O fórum das Caldas<br />
reuniu mais de duas centenas de técnicos<br />
e fruticultores no Inatel da Foz do Arelho.O evento<br />
começou com as “Delícias do Pomar”, um momento<br />
de degustação de aperitivos preparados<br />
com fruta, em combinação com outros ingredientes.<br />
Os oradores convidados versaram sobre<br />
temas como a actualidade e perspectivas<br />
futuras para o sector frutícola (COTHN), o potencial<br />
ilimitado da fruticultura de precisão<br />
(Campotec) e a filoxera da pereira.<br />
Filoxera da pereira a descoberto<br />
Délia Fialho (Frutus/Unirocha) lembrou que desde<br />
meados de 2007 não há qualquer substância<br />
activa homologada para combater esta praga,<br />
que começa a ser uma preocupação para os pericultores.<br />
Nos últimos cinco anos de monitorização<br />
da praga no Oeste (pela Frutus e Frutoeste),<br />
através de cintas armadilhas, o nível de<br />
capturas esteve quase sempre acima do nível<br />
económico de ataque (2%). No passado mês de<br />
Maio, a infestação detectada era já de 40%, tendo<br />
sido capturados afídeos junto ao pedúnculo<br />
das peras, o que revela a gravidade dos ataques.<br />
Em 2008, os técnicos do Oeste testaram substâncias<br />
activas aficídas (não homologadas para<br />
o afídeo filoxera da pereira) «cujos resultados<br />
se mostraram interessantes, necessitando de verificação<br />
e consolidação», afirmou Délia Fialho.<br />
O Calypso da Bayer foi um deles.<br />
«Proibição Integrada»<br />
Jorge Soares foi incisivo na sua apresentação,<br />
na qual rejeitou a fruticultura da “Proibição Integrada”,<br />
mostrando em alternativa exemplos<br />
de três pomares modelo. Num deles, da variedade<br />
Rocha, instalado em 1999, a produtividade<br />
média, em nove anos de vida, foi de 585<br />
000kg/ha (densidade de plantação de 3600 árvores/ha).<br />
«Esta fruticultura de alta densidade<br />
e de precisão é verdadeiramente eficiente e<br />
sustentável, porque em maiores produções utiliza<br />
menores recursos unitários (por kg de fruta)<br />
entre todos os factores de produção envolvidos,<br />
sem excepções… é mais amiga do ambiente,<br />
do consumidor e do produtor, podendo<br />
50<br />
<strong>FLF</strong> 106 | Maio/Junho 2009<br />
Oradores do Fórum Bayfruta na Foz do Arelho<br />
Mais de 200 pessoas participaram no Fórum Bayfruta<br />
atrair novas gerações à fruticultura», afirmou o<br />
administrador da Campotec.<br />
Luz - o alimento dos pomares<br />
Uma das apresentações mais aplaudidas pelos<br />
presentes foi a de Luca Corelli Grappadelli<br />
sobre “Fundamentos fisiológicos do pomar”.<br />
Este investigador da Universidade de Bolonha<br />
falou sobre a relação entre a produção potencial<br />
de frutos e a quantidade de luz interceptada<br />
pelas árvores e mostrou vários exemplos de<br />
sistemas de condução intensiva dos pomares,<br />
alguns dos quais novos (Bibaum; condução em<br />
V), e sua relação com absorção de luz. Grappadelli<br />
disse que não há um sistema ideal de condução<br />
aplicável a todas as geografias, mas antes<br />
um conjunto de pressupostos ou bases fisiológicas<br />
que devem ser respeitados: elevada intercepção<br />
de luz desde a fase inicial do pomar;<br />
boa distribuição da luz e boa gestão da copa<br />
(densidade e distribuição das folhas, pois é pre-<br />
ciso alta intercepção de luz pela folhas certas).<br />
Mas o excesso de luz pode conduzir à oxidação<br />
e queimaduras das folhas e frutos, sobretudo<br />
em pomares superintensivos, com copa reduzida.<br />
Um problema comum na zona do Mediterrâneo.<br />
Aplicação de caulino nas árvores, colocação<br />
de redes de ensombreamento coloridas (há<br />
estudos sobre efeitos das diferentes cores na<br />
morfogénese dos frutos) ou orientação assimétrica<br />
do pomar (diferentes inclinações e orientação<br />
das linhas de árvores numa mesma parcela)<br />
foram algumas das soluções apontadas<br />
pelo investigador italiano para prevenir o problema.<br />
«A investigação começa a mostrar que<br />
condicionar os elevados níveis de luz em pomares<br />
pode ser a próxima fronteira para aumentar<br />
a produção de fruta de uma forma sustentável…<br />
deve questionar-se se os sistemas de condução<br />
que expõem mais as folhas a níveis elevados de<br />
luz durante longos períodos do dia são os mais<br />
desejáveis», rematou Grappadelli.
agro-negócio<br />
Frimos – frio à medida<br />
A empresa Frimos SL, sediada em Pontevedra, na Galiza, esteve presente<br />
como expositora na Apúlia, em Esposende, no 1.º Concurso Nacional<br />
de Floricultores e Floristas, a 30 e 31 de Maio. A Frimos apresentou<br />
soluções de refrigeração para o sector da floricultura, com<br />
destaque para as câmaras de pré-arrefecimento (temperatura de 12º<br />
a 14ºC) para salas de preparação e embalamento de flores. Esta solução<br />
evita o choque térmico que as flores sofrem ao transitarem da<br />
estufa, a temperatura elevada, para as câmaras de frio, a baixa temperatura,<br />
prolongando a sua<br />
vida em jarra. A Frimos instala<br />
todo o tipo de refrigeração,<br />
ar condicionado, tanques<br />
de água fria, etc. em<br />
unidades agrícolas e industriais.<br />
A empresa opera há<br />
20 anos no mercado português<br />
e é responsável por<br />
instalações de frio em algumas<br />
das maiores empresas<br />
do sector agro-industrial<br />
em Portugal. Na foto, Miguel<br />
Márquez, responsável comercial<br />
em Portugal.<br />
Prémio Syngenta “Inovação<br />
em Agricultura 2009/2010”<br />
“Controlo da Estenfiliose em Pomóideas” é o tema do Prémio Syngenta<br />
“Inovação em Agricultura 2009-2010”, desta feita em edição bianual.<br />
Podem concorrer indivíduos ou instituições que desenvolvam<br />
em Portugal uma actividade que se enquadre no tema referido. Os<br />
trabalhos admitidos a concurso devem ser realizados entre 1 de Setembro<br />
de 2008 a 03 de Setembro de 2010. O prémio para o trabalho<br />
vencedor é de 10 mil euros. A Syngenta organiza este prémio pelo<br />
terceiro ano consecutivo, com o intuito de incentivar a investigação<br />
e desenvolvimento como trampolim para a inovação em agricultura<br />
e para o avanço tecnológico deste sector.<br />
Ampla frota<br />
de oficinas móveis<br />
Uma equipa experiente<br />
ao seu dispor<br />
Lagar de azeite móvel<br />
A empresa Centrifugación Alemana, com sede em Jaén, Espanha, esteve<br />
na Ovibeja a apresentar a sua mais recente novidade - um lagar de<br />
azeite móvel, que se descola ao olival dos produtores. Trata-se de um<br />
sistema contínuo integral a duas fases num contentor fechado, que realiza<br />
os processos de moenga e de extracção de azeite virgem, imediatamente<br />
após a colheita da azeitona.Tem capacidade para laborar 25 a 30<br />
toneladas/24 horas.<br />
• Instalações Frigoríficas<br />
• Reparações (serviço técnico próprio)<br />
• Tanques de água fria<br />
• Ar condicionado<br />
• Câmaras de painéis (de fresco e congelado)<br />
• Centrais frigoríficas automatizadas<br />
• Túneis de congelação<br />
• Máquinas de absorção de etileno<br />
FRIMOS S.L. 15 anos de experiência no sector do frio na Península Ibérica<br />
Orbenlle, s/n - Bidiño<br />
36400 O PORRIÑO - PONTEVEDRA - ESPAÑA<br />
Tel.: (0034) 986 346 755/6 • Fax: (0034) 986 346 757<br />
frimos@frimos.com • www.frimos.com
Novo Mercasalamanca inaugurado em Maio<br />
O novo mercado abastecedor de Salamanca foi inaugurado no final de<br />
Maio na confluência das autovias A-62, A-66 e N-501, na estrada Vitigudino.Trata-se<br />
do maior mercado abastecedor do Oeste da Península Ibérica,<br />
com uma área total de 250 000 m 2 . A uma distância de apenas 50 minutos<br />
de Portugal, o novo Mercosalamanca visa atrair agricultores e<br />
comerciantes da zona Centro e Norte de Portugal. O mercado é composto<br />
por três pavilhões: um de frutas e legumes, um polivalente (carne, peixe)<br />
e um terceiro para armazenamento de embalagens vazias, além do<br />
edifício administrativo. A tecnologia é uma das apostas do renovado Mercasalamanca,<br />
com a garantia de frio industrial, em ambos os pavilhões,<br />
a temperatura ideal para conservação dos produtos. É estimada a venda<br />
diária de 212 000 kg de frutas e legumes.<br />
Projecto Lusosem.pt<br />
A Lusosem - produtos para agricultura, S.A. já tem página<br />
na Internet - www.lusosem.pt. Neste espaço está disponível<br />
informação sobre a empresa, os seus produtos e<br />
informações relevantes sobre a actividade. A Lusosem,<br />
empresa portuguesa focada no mercado nacional, pretende<br />
colocar à disposição de todos informação útil, actual<br />
e acessível, esperando que a página seja uma ferramenta<br />
à disposição de todos e um canal privilegiado<br />
de comunicação com o mercado.<br />
• Equilíbrio natural O2-CO2<br />
• Venda faseada<br />
• Baixo investimento<br />
• Colocação e retirada em câmara por pequenos volumes<br />
• Manutenção da frescura do fruto (crocância, turgência)<br />
• Aumenta o tempo de vida útil dos frutos por redução do metabolismo<br />
exemplo de conservação de maçãs e de acordo com a variedade: por unidade de 300kg = até 330 dias<br />
agro-negócio<br />
Madrefruta investe em Angola<br />
A Madrefruta está em negociações com um empresário do Lubango,<br />
no intuito de levar para o sul de Angola a produção de morango em<br />
hidroponia. Humberto Teixeira, responsável da empresa algarvia, esteve<br />
em Angola, em Maio, para discutir o negócio. “Temos neste momento<br />
negociações com um empresário angolano que pretende implementar<br />
um projecto de produção de morango pelo método de hidroponia<br />
na zona do Lubango. Angola tem óptimas condições para<br />
produção de horticultura e na zona do Lubango tem mesmo produção<br />
de morango de ar livre que vem ainda da época colonial, quando<br />
os nossos colonos lá produziam morango”, disse Humberto Teixeira<br />
à Lusa.<br />
PATENTE INOVADORA
Alimentação<br />
resiste à crise<br />
O consumidor português<br />
Por: Nélia Silva<br />
está a gastar mais dinheiro<br />
com a alimentação, a preferir<br />
as marcas brancas e a centrar o consumo dentro<br />
do lar. Os frescos são das categorias mais dinâmicas.<br />
Num momento de crise como<br />
o actual os hábitos<br />
dos consumidores portugueses<br />
estão a mudar. De<br />
acordo com o painel de<br />
lares TNS Worldpanel, relativo ao<br />
primeiro trimestre de 2009, o consumidor<br />
está mais sensível ao preço<br />
(81% dos inquiridos está disposto<br />
a reduzir gastos), concentra os<br />
momentos de compra, fazendo menos<br />
visitas às lojas, e compra de forma<br />
mais racional (visita várias insígnias,<br />
usa mais cartões de desconto,<br />
está mais atento aos preços por<br />
kg). Os gastos feitos nas lojas da<br />
grande distribuição estão cada vez<br />
mais centrados na alimentação.<br />
Cerca de 3/4 do dinheiro gasto pelos<br />
lares portugueses nas lojas de<br />
distribuição moderna são dedicados<br />
54<br />
distribuição<br />
<strong>FLF</strong> 106 | Maio/Junho 2009<br />
aos produtos de grande consumo,<br />
e destes a alimentação representa<br />
62,5% da factura. A alimentação básica<br />
cresceu no primeiro trimestre<br />
deste ano. São exemplos disso<br />
os vegetais congelados (+20,8%), as<br />
batatas congeladas (+18,6%) e as<br />
conservas de legumes (+14,6%).<br />
Com o objectivo de controlar e<br />
reduzir despesas, os portugueses aumentaram<br />
o consumo dentro do lar,<br />
fazendo menos refeições fora. Uma<br />
tendência que pode ser boa notícia<br />
para o sector das frutas e legumes,<br />
em geral mais consumidos dentro<br />
do que fora do lar. Com efeito, os<br />
produtos frescos sobem em volume,<br />
mas não tanto em valor, porque os<br />
preços por kg estão a ter uma evolução<br />
muito baixa ou mesmo negativa<br />
nalguns casos, em comparação<br />
Valor (em %) das vendas de legumes<br />
e verduras para os lares de Portugal Continental<br />
Compra de legumes e verduras embalados diminuiu 9,2%<br />
com o 1.º trimestre de 2008.<br />
Já em 2008, os frescos (*) representaram<br />
33% do valor gasto pelos<br />
lares portugueses em produtos<br />
de grande consumo, mais 5,7% do<br />
que em 2007, indica a TNS Worldpanel,<br />
painel que analisa os hábitos<br />
de consumo dos lares portugueses,<br />
com e sem rede fixa, em<br />
Portugal, com base numa amostra<br />
representativa de 3000 lares.<br />
No ano passado, 7 em cada 10<br />
cestas de compras incluíram, pelos<br />
menos, um produto fresco. Modelo<br />
(76%), Pingo Doce (73%) e Intermarché<br />
(74%) foram as insígnias<br />
com maior percentagem de cestas<br />
com produtos frescos. O Minipreço<br />
foi a cadeia que menor percentagem<br />
de cestas com frescos (46%)<br />
apresentou, mas destacou-se por<br />
crescer 9 pp (pontos percentuais)<br />
face a 2007, neste item. As cestas<br />
compostas exclusivamente por frescos<br />
representaram 7%, na média de<br />
todas as insígnias. O Pingo Doce<br />
destacou-se neste aspecto particular,<br />
com 9% dos seus actos de compra<br />
a serem exclusivamente compostos<br />
por produtos frescos.<br />
Dentro da categoria dos frescos,<br />
as frutas e legumes são dos produtos<br />
que geram mais tráfego nas lojas.<br />
Um facto que as grandes superfícies<br />
têm presente ao centrar as<br />
suas promoções, em folhetos e publicidade<br />
nos media, nos preços das<br />
frutas e legumes.<br />
Legumes e verduras<br />
valeram mais 10%<br />
No que se refere aos legumes e<br />
verduras, entre 2007 e 2008, houve<br />
um crescimento de 10% no valor<br />
gasto nesta categoria (total de<br />
369 188 000€), e um crescimento<br />
de 6,4% no volume comprado (352<br />
989 000 kg). O preço médio por kg<br />
(1.05€) cresceu 4% em 2008. Em<br />
média, no ano passado, cada lar<br />
comprou 94,7 kg de legumes e verduras,<br />
e em cada acto de compra<br />
adquiriu em média 3,36 kg, gastando<br />
3,51€.<br />
Quanto à performance dos produtos,<br />
a cebola (15,8%) e a alface<br />
(15,1%) foram os produtos que<br />
mais aumentaram em valor absoluto<br />
(ver gráfico). A couve (-12,7%)<br />
foi a única verdura que perdeu valor<br />
face a 2007. A batata e o tomate<br />
são os legumes com mais peso
A batata, seguida do tomate, são dos legumes com mais peso em valor<br />
nas vendas das grandes superfícies<br />
em valor nas vendas das grandes<br />
superfícies nesta categoria. A batata<br />
é dos legumes que mais valor gera<br />
nas vendas. Em média cada lar<br />
gastou perto de 25€/ano na compra<br />
de batata. É importante relembrar<br />
que este é um valor médio por<br />
lar e é necessário ter em consideração<br />
que estamos a falar de produtos<br />
muito produzidos para autoconsumo,<br />
o que faz com que o va-<br />
TOMATE CLAUDIUS<br />
- Nova variedade de cacho indeterminada com TSWV<br />
- Frutos de calibre grande com 125 – 145 gr com muito<br />
boa qualidade, e consistência<br />
- Planta vigorosa e uniforme<br />
- Planta equilibrada, na sua relação massa foliar / fruto<br />
- Elevada produtividade<br />
- Resistências: ToMV: 0, 1, 2 / Fol: 1, 2 / For / TSWV /<br />
Ff:abcde<br />
- Para transplantes de Fevereiro / Agosto<br />
lor médio gasto pareça baixo. Por<br />
outro lado, a cenoura, o tomate e a<br />
alface são os “grandes geradores de<br />
tráfego”, ou seja, as verduras que<br />
mais vezes levam o consumidor a<br />
visitar a secção de frescos.<br />
Curiosamente, a compra (em valor<br />
absoluto) de legumes e verduras<br />
embalados diminuiu 9,2%, em<br />
2008. A venda de produtos avulso<br />
(a granel) representou cerca de<br />
70%, enquanto os embalados se ficaram<br />
pelos 30%.<br />
Crise reforça peso<br />
da grande distribuição<br />
O consumidor está a voltar-se<br />
cada vez mais para os super e hipermercados<br />
(76,6% do peso em<br />
valor nos bens de grande consumo),<br />
e a abandonar o comércio tradicional<br />
(11,4%). Mercearias, mer-<br />
distribuição<br />
Oportunidade junto dos reformados<br />
O envelhecimento da população cria oportunidades de venda<br />
nas faixas etárias mais envelhecidas. Estimativas europeias indicam<br />
que, em 2060, 30% da população europeia terá mais de 65 anos<br />
(em 2008 representa 17%) e que a população com mais de 80 anos<br />
representará 12% dos europeus. Em Portugal, 35% da população<br />
tem mais de 50 anos e 12,6% dos lares portugueses inclui-se na categoria<br />
dos reformados. De acordo com a TNS Worldpanel, este grupo<br />
é mais fiel às insígnias (cadeias de grande distribuição onde fazem<br />
compras), gasta menos em marcas brancas e é fortemente motivado<br />
pelos produtos frescos (40% dos gastos em produtos de grande<br />
consumo destinam-se aos frescos).<br />
HORTÍCOLA DO OESTE<br />
Raul Patrocínio Duarte, Lda.<br />
Estrada Municipal Silveira • Coutada<br />
2560-401 Silveira • Torres Vedras • Portugal<br />
Tel.: (+351) 261 937 392 • Fax: (+351) 261 937 435<br />
Telm.: (+351) 939 473 927<br />
e-mail: geral@horticoladooeste.com<br />
www.horticoladooeste.com<br />
cados, frutarias, talhos, etc. estão<br />
a perder clientes, sobretudo na categoria<br />
dos frescos. Em 2008, as<br />
marcas do distribuidor (marcas<br />
brancas) cresceram 21% em valor<br />
e já representam perto de um terço<br />
dos produtos de grande consumo<br />
vendidos em Portugal. •<br />
(*) Frescos: bacalhau seco, carne, peixe<br />
e marisco, frutas, legumes, pão padeiro<br />
TOMATE DURINTA<br />
- O melhor equilíbrio entre<br />
textura, sabor e coloração<br />
- Variedade de cacho indeterminada<br />
e de cor verde intenso<br />
- Cachos de 7 – 8 frutos de forma<br />
redonda, de excelente sabor<br />
com um peso de 110 – 130 gr<br />
- Larga vida ( L.S.L ) de<br />
3 semanas<br />
- Planta vigorosa e muito<br />
resistente<br />
- Resistências: Vírus do Mosaico<br />
do Tabaco ( Tmv ), Verticilium<br />
( V ), Fusarium 1 e 2 ( F1 e F2)<br />
- Variedade muito precoce,<br />
recomendada para cultivos<br />
em estufa e ar livre
factores de produção<br />
O papel das algas<br />
na agricultura<br />
Por: Nélia Silva<br />
Além do uso como fertilizantes,<br />
algumas espécies de<br />
algas produzem moléculas<br />
bioativas capazes de estimular<br />
processos fisiológicos<br />
e induzir resistência nas<br />
plantas.<br />
O efeito fitoprotector das algas<br />
acontece por duas vias: as moléculas<br />
extraídas das algas podem apresentar<br />
actividade directa (antibiose)<br />
ou indirecta (indução de resistência<br />
da planta e/ou melhoria da<br />
população de organismos antagónicos<br />
no solo) contra os patogénicos.<br />
A antibiose de metabólitos de<br />
algas contra bactérias, fungos e nematóides<br />
fitopatogénicos é relatada<br />
frequentemente em estudos<br />
prospectivos, e moléculas bioativas<br />
vêm sendo isoladas e identificadas<br />
em diferentes espécies de<br />
macroalgas.<br />
As macroalgas e os seus estratos<br />
podem reduzir as doenças das plantas<br />
de forma indirecta, ou seja,<br />
através da melhoria das condições<br />
Usadas há séculos na agricultura tradicional como fertilizantes, as algas marinhas são<br />
hoje utilizadas no fabrico de bioestimulantes e produtos naturais que protegem as<br />
plantas de doenças.<br />
física, química e/ou microbiológica<br />
do solo. A aplicação de algas<br />
e/ou extractos pode provocar um<br />
revestimento das partículas do solo<br />
com polissacarídeos, o que estimula<br />
o crescimento de bactérias e<br />
fungos saprófitas, que são antagonistas<br />
a microrganismos patogénicos<br />
presentes no solo. Por outro lado,<br />
algumas espécies de algas produzem<br />
moléculas bioactivas capazes<br />
de induzir resistência nas plantas.<br />
É o caso do polissacarídeo ulvana<br />
de Ulva fasciata, que reduz a<br />
severidade de oídio (Erysiphe polygoni)<br />
e da antracnose (Colletotrichum<br />
lindemuthianum), quando<br />
pulverizado preventivamente sobre<br />
plantas de feijoeiro. «Considerando<br />
que esse polissacarídeo não<br />
apresenta actividade antimicrobiana,<br />
tem-se atribuído o controlo da<br />
doença à indução de resistência das<br />
plantas», explica Marciel J. Stadnik,<br />
do Centro de Ciências Agrárias,<br />
Universidade Federal de Santa<br />
Catarina, Brasil, que esteve em<br />
protecção<br />
Recolha das algas na zona de rebentação, na Bretanha, França<br />
Dezembro passado numa palestra<br />
em Faro, a convite da Universidade<br />
do Algarve.<br />
O Centro Operativo e Tecnológico<br />
Hortofrutícola Nacional organizou,<br />
no passado dia 7 de Maio, um<br />
dia de campo, no Peral, sobre “Métodos<br />
complementares de protecção<br />
fitossanitária dos pomares: aplicação<br />
de algas”. António Guerra,<br />
técnico da Direcção Regional de<br />
Agricultura do Norte, orador desta<br />
jornada, mostrou-se um entusias-<br />
ta das algas e deu vários exemplos<br />
sobre o seu efeito fitoprotector.<br />
«Em 2008 em Armamar pude confirmar<br />
que um agricultor que usou<br />
semanalmente pequenas doses de<br />
algas, enxofre e cobre não teve pedrado<br />
no pomar, enquanto os pomares<br />
dos vizinhos estavam pejados<br />
de pedrado», afirmou. Este técnico<br />
garantiu ainda que os produtos<br />
à base de algas conferem maior<br />
resistência às árvores de fruto contra<br />
o oídio e as monílias. «Em Per-<br />
Goëmar
Moliço e sargaço<br />
Em Portugal, as algas marinhas utilizam-se como fertilizantes<br />
desde o século XIII, particularmente nos campos agrícolas próximos<br />
do mar. A colheita comercial de macroalgas para fertilizantes<br />
foi regulamentada, pela primeira vez, pelo rei D. Dinis, em 1309. Hoje,<br />
o uso de algas como fertilizantes está praticamente restrito à zona<br />
Norte, em particular nos campos hortícolas (masseiras) da Zona<br />
de Póvoa de Varzim e de Viana do Castelo. As duas principais misturas<br />
de algas usadas tradicionalmente como fertilizante são o “moliço”<br />
e o “sargaço”. O moliço é uma mistura de algas e plantas marinhas<br />
colhidas na ria de Aveiro. Esta mistura contém sobretudo Ulva,<br />
Enteromorpha (algas agora pertencentes ao género Ulva), Gracilaria<br />
e Lola, e as plantas marinhas pertencentes aos géneros Zostera,<br />
Ruppia e Potamogeton. O sargaço (também designado por “argaço<br />
e limos”) é o conjunto de diversas algas marinhas (Saccorhiza,<br />
Laminaria, Fucus, Codium, Palmaria, Gelidium e Chondrus) que<br />
crescem nos rochedos da plataforma continental. A tradicional apanha<br />
do sargaço consistia na recolha, na praia ou na beira-mar, das<br />
algas que se desprendem dos rochedos<br />
com o movimento das ondas.<br />
As algas são depois espalhadas<br />
na praia para secar, recolhidas<br />
e armazenadas em “medas”.<br />
O pilado (pequenos caranguejos)<br />
era também recolhido no mar e<br />
triturado, sendo usado juntamente<br />
com o sargaço na adubação<br />
das terras.<br />
pignan vi pessegueiros sem lepra,<br />
numa zona fria, o que me surpreendeu.<br />
Quando falei com os agricultores,<br />
soube que usam zinco e<br />
algas para evitar o problema», conta,<br />
acrescentando: «na Cova de Beira,<br />
fiz análises consecutivas e confirmei<br />
que onde há mais zinco, há<br />
menos lepra e monílias.»<br />
António Guerra realçou que o<br />
efeito fitoprotector das algas ainda<br />
é pouco conhecido, mas disse ter<br />
presenciado vários exemplos. Foi o<br />
caso de uma parcela de vinha da<br />
Fundação Eugénio de Almeida,<br />
afectada pela queda de granizo, onde<br />
se aplicou de imediato um produto<br />
à base de algas. Após uma semana,<br />
a vinha conseguiu recuperar<br />
dos estragos. A mesma “receita” é<br />
válida para as geadas: «após a ocorrência<br />
de geadas deve aplicar-se de<br />
imediato, no máximo até 48 horas,<br />
produtos à base de algas para restabelecer<br />
o crescimento das plantas»,<br />
sugeriu. Na vinha, as algas podem<br />
Medas de sargaço na localidade<br />
de Aver-o-Mar, concelho<br />
da Póvoa de Varzim<br />
ser usadas para minimizar o desavinho<br />
(estimulam o vingamento<br />
dos bagos) e a bagoinha (melhoram<br />
o calibre dos bagos), aumentam o<br />
alongamento dos raquis, conferem<br />
maior resistência das plantas contra<br />
míldio e oídio e aumentam o teor<br />
de polifenóis nas uvas.<br />
António Guerra sugeriu ainda<br />
que as algas podem ser uma solução<br />
para minimizar as doenças do<br />
lenho na vinha e plantas de quivi<br />
(um problema emergente nos pomares<br />
portugueses de quivi). «Só<br />
com medidas culturais conseguiremos<br />
resolver este problema. É preciso<br />
tornar os vasos lenhosos mais<br />
resistentes à entrada do vírus, através<br />
do boro e do zinco», afirmou.<br />
Bioestimulantes<br />
Extractos de algumas espécies de<br />
algas possuem propriedades bioestimulantes,<br />
sendo capazes de estimular<br />
processos fisiológicos da planta<br />
e, assim, aumentar a sua produ-
Goëmar<br />
factores de produção<br />
As algas (Ascophyllum Nodosum) usadas no fabrico dos produtos Goëmar<br />
BM 86 são processadas em fresco<br />
tividade. As algas estimulam a produção<br />
de algumas hormonas, que<br />
regulam o desenvolvimento, crescimento,<br />
senescência e resposta ao<br />
stresse pelas plantas. «Produtos comerciais<br />
à base de A. nodosum aumentam<br />
frequentemente a produtividade<br />
das plantas. Koo & Mayo<br />
(1994) constataram aumento de 10-<br />
25% em produtividade e diminuição<br />
de queda de frutos em plantas<br />
de citrinos com a aplicação aérea de<br />
extractos de algas. Em relação à qualidade<br />
de frutos, tem-se observado<br />
que a pulverização aérea com extracto<br />
de algas aumenta a coloração<br />
avermelhada de maçãs em cultivo<br />
biológico (Marangoni et al., 2004).<br />
Em cultivo convencional, Malaguti<br />
et al. (2002) encontraram o mesmo<br />
resultado na cultivar Mondial Gala»,<br />
relata Marciel J. Stadnik no seu<br />
trabalho “Uso de Macroalgas Marinhas<br />
na Agricultura”.<br />
«Além do uso tradicional consagrado<br />
como fertilizantes orgânicos,<br />
as algas apresentam um enorme<br />
potencial biotecnológico na obtenção<br />
de compostos bioestimulantes<br />
e/ou fitoprotectores. Outra<br />
grande vantagem a favor da utilização<br />
das algas como matéria-prima<br />
é que nas relações custo/benefício<br />
dos investimentos em pesqui-<br />
protecção<br />
Ensaios com Goëmar BM 86<br />
O Goëmar BM 86 foi alvo de ensaios em pereira Rocha (Pêro Moniz<br />
e Painho), em 2008, e em macieira Royal Gala (Peral). O ensaio<br />
realizado em Rocha demonstrou que o produto fez aumentar o<br />
número de corimbos com fruto (+ 15% Painho e + 43% Pêro Moniz<br />
do que a testemunha), bem como a taxa de vingamentos (em Pêro<br />
Moniz, em 150 corimbos, vingaram 196 frutos com Goëmar e 135<br />
com a testemunha). Houve ainda um ligeiro aumento do calibre<br />
(+1,6% e 1,9%) das peras e ligeiro aumento da produção (59 t/ha<br />
com Goëmar e 47 t/ha a testemunha). O ensaio com macieiras, visitado<br />
no âmbito do Dia de Campo sobre “Métodos complementares<br />
de protecção fitossanitária dos pomares: aplicação de algas”, a 7 de<br />
Maio, está a decorrer, num pomar de um dos associados da APAS.<br />
João Azevedo, responsável técnico da APAS, disse que nesta fase<br />
preliminar é possível identificar mais 5% de corimbos com fruto<br />
nas árvores tratadas com Goëmar, do que nas árvores testemunha,<br />
já a taxa de vingamento é um pouco inferior nas macieiras que receberam<br />
tratamento com Goëmar. Produto vendido pela Selectis.<br />
Visita a um pomar no Peral, onde decorre um ensaio com Goëmar BM<br />
86 em macieira Royal Gala<br />
sa e produção industrial, os produtos<br />
naturais têm os maiores retornos,<br />
pois não necessitam de síntese<br />
química de novas moléculas»,<br />
conclui este autor. •<br />
Bibliografia<br />
“As Algas Marinhas e Respectivas Utilidades”,<br />
Leonel Pereira, Departamento de Botânica,<br />
Universidade de Coimbra; “Uso de Macroalgas<br />
Marinhas na Agricultura”, Marciel J. Stadnik &<br />
Roberta Paulert, Centro de Ciências Agrárias,<br />
Universidade Federal de Santa Catarina, Brasil
www.flfrevista.pt<br />
• 6 edições (um ano) 39€<br />
• Europa - 55€<br />
• 12 edições (dois anos) 74€<br />
• Europa - 105€<br />
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Ajude-nos a conhecê-lo melhor. Diga-nos qual a sua actividade principal.<br />
Produtor Frutícola O que produz?<br />
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Técnico Área:<br />
Floricultor O que produz?<br />
Distribuidor de Factores de Produção Quais?<br />
Indústria de Transformação O que transforma?<br />
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Outros:
60<br />
factores de produção<br />
<strong>FLF</strong> 106 | Maio/Junho 2009<br />
rega<br />
Medidas de poupança<br />
de água desajustadas<br />
Por: Nélia Silva<br />
AAcção 7.1 da “Estratégia<br />
Nacional para Programas<br />
Operacionais Sustentáveis<br />
de Organizações de Produtores<br />
(OP) de Frutas e<br />
Legumes”, aprovada em Janeiro<br />
deste ano, visa incentivar as OP a<br />
modernizar ou trocar os sistemas<br />
de rega por outros que demonstrem<br />
uma poupança de água, na<br />
mesma área irrigada. No entanto,<br />
só poderão ser alvo de apoio os sistemas<br />
(rega localizada, aspersão,<br />
sistemas de irrigação integrada)<br />
que permitam uma redução de “no<br />
mínimo 25% do consumo de água<br />
…comprovada por pessoa ou entidade<br />
acreditada para o efeito”.<br />
Também são elegíveis sistemas ou<br />
equipamentos que reduzam a aplicação<br />
de fertilizantes e a erosão do<br />
solo e que “se espera venham a resultar<br />
numa redução de pelo menos<br />
10% no consumo de água”.<br />
Esta medida é polémica e revela<br />
desconhecimento da realidade<br />
agrícola por parte de quem a elaborou,<br />
indicam várias partes consultadas<br />
pela Frutas, Legumes e<br />
Flores. “As medidas previstas no<br />
âmbito dos Programas Operacionais<br />
não se adaptam à realidade dos<br />
agricultores”, afirma Domingos<br />
Santos, presidente da Federação<br />
Nacional das Organizações de Produtores<br />
de Frutas e Legumes<br />
(FNOP), explicando: “é extremamente<br />
importante modernizar os<br />
sistemas de rega e tirar o máximo<br />
proveito possível por unidade de<br />
água utilizada, mas não é possível<br />
O Governo aprovou medidas que visam a poupança de água através da modernização<br />
de sistemas de rega, mas as Organizações de Produtores de frutas e legumes<br />
consideram-nas desajustadas da realidade.<br />
assumir um compromisso de redução<br />
de 25% no consumo, porque<br />
cada ano agrícola é variável.<br />
Posso gastar mais água numa parcela<br />
e ser mais eficiente em quilos<br />
produzidos por hectare”, lembra.<br />
Gonçalo Escudeiro, outro dirigente<br />
da FNOP ligado ao sector do<br />
tomate para indústria, questiona<br />
como poderá ser feito o controlo<br />
da poupança de água, “se não há<br />
registos do gasto feito actualmente”.<br />
Uma ideia reforçada por Isaurindo<br />
Oliveira, ex-director técnico<br />
do Centro Operativo e Tecnológico<br />
do Regadio (COTR) e uma das<br />
pessoas que em Portugal mais se<br />
tem dedicado às questões da gestão<br />
da rega: “redução de 25% em<br />
relação a quê? Se não há qualquer<br />
controlo, nem conhecimento do<br />
que se faz, como é possível indicar<br />
um número? Como se garante que<br />
o novo sistema atingirá esse patamar?<br />
E se não se atingir os 25%,<br />
mas apenas 5% ou 10%, o que já é<br />
óptimo, o que acontece? Quem<br />
controla? E quem dá formação a<br />
esses controladores”, muitas dúvidas<br />
partilhadas também pelos agricultores.<br />
Nuno Manana, chefe da Divisão<br />
de Promoção da Competitividade<br />
do Gabinete de Planeamento e Políticas<br />
do Ministério da Agricultura,<br />
explicou à Frutas, Legumes e<br />
Flores que os limiares de redução<br />
indicados resultam do “elevado<br />
grau de exigência” da Comissão<br />
Europeia para com as medidas ambientais<br />
dos programas operacio-<br />
É desejável aumentar a eficiência da água por unidade utilizada, mas não é<br />
possível assumir um compromisso de redução de 25%<br />
nais das OP. Garante, no entanto,<br />
que a redução de 25% é tida apenas<br />
como um “indicador teórico”,<br />
reflectindo-se numa “redução prática”<br />
de 10%. “Não vamos obrigar<br />
a estudos de impacto ambiental,<br />
nem vamos obrigar ninguém a<br />
monitorizar o sistema de rega todos<br />
os anos. Não queremos complicar<br />
a vida às OP, até porque reconhecemos<br />
o atraso na aprovação<br />
da Estratégia Nacional”, disse.<br />
“Procuraremos credibilizar a poupança<br />
de água para que se cumpra<br />
o regulamento comunitário e não<br />
haja verbas a voltar para Bruxelas”,<br />
acrescentou.<br />
Apesar disso, Nuno Manana lembrou<br />
que os custos correntes (consumíveis)<br />
não são elegíveis no âmbito<br />
dos apoios aos programas operacionais<br />
das OP, e só serão admitidos<br />
como uma componente de<br />
um sistema reconvertido que prove<br />
poupar água, em relação ao que<br />
estava antes instalado.<br />
As OP que se candidataram a<br />
apoios no âmbito da poupança de<br />
água devem apresentar, em Setembro,<br />
o comprovativo da poupança<br />
gerada pelo sistema de rega. Mas,<br />
por enquanto, não está definido<br />
quem será a entidade responsável<br />
pela avaliação do mesmo. •
Perdas na conservação<br />
de batata para indústria<br />
Por: Artur Amaral (1)<br />
e Filipa Vinagre (2)<br />
Oconsumo de produtos<br />
transformados de batata<br />
tem aumentado nos últimos<br />
anos na UE. Em<br />
Portugal também se tem<br />
verificado este aumento. De um<br />
modo geral, a indústria tem necessidade<br />
de ser abastecida ao longo<br />
de todo o ano, o que implica conservar<br />
o produto e o seu fornecimento<br />
escalonado. Em muitas situações,<br />
a armazenagem deixou de<br />
ser da responsabilidade da unidade<br />
industrial e passou para os seus<br />
fornecedores, isto é, produtores e<br />
suas associações ou empresas privadas.<br />
As entregas de batata armazenada<br />
para a indústria decorrem,<br />
normalmente, de Novembro a Fevereiro.<br />
O aumento do período de<br />
armazenagem acarreta maiores encargos<br />
energéticos, além de maiores<br />
riscos da alteração da qualidade<br />
da batata. Importa, por isso, avaliar<br />
as principais perdas ocorridas,<br />
garantindo os padrões de qualida-<br />
Durante o processo de conservação ou armazenamento da batata ocorrem sempre<br />
perdas que convém avaliar e controlar, de forma a garantir os padrões de qualidade<br />
exigidos pelos diferentes tipos de consumidores, em especial pela indústria.<br />
de exigidos pela indústria.<br />
Principais tipos<br />
de perdas<br />
O processo de conservação pós-<br />
-colheita da batata é composto por<br />
diversas etapas: formação da casca<br />
(encascamento) e secagem no<br />
campo; acondicionamento no armazém;<br />
depois, uma segunda fase<br />
de secagem já durante o armazenamento;<br />
ao qual se segue o arrefecimento<br />
gradual, até ao valor ideal<br />
de conservação. O período de<br />
conservação poderá ser mais ou<br />
menos longo (semanas a meses),<br />
mantendo-se a temperatura desejável<br />
estável e com um teor de humidade<br />
relativa (HR) nunca inferior a<br />
90%. No final da conservação dever-se-á<br />
proceder ao “aquecimento”<br />
da câmara de conservação, antes<br />
do escoamento dos tubérculos.<br />
Durante o período de conservação,<br />
podem ser considerados dois<br />
tipos de perdas: perdas de peso e de<br />
Figura 2- Armazenamento de batata no interior das câmaras de frio<br />
pós-colheita<br />
Figura 1- Aspecto exterior das câmaras frigoríficas usadas no ensaio<br />
qualidade. Os principais factores<br />
que causam a perda de peso fresco<br />
e de qualidade são: respiração;<br />
abrolhamento; transpiração; alterações<br />
da composição química, especialmente<br />
do amido; doenças e<br />
danos causados por temperaturas<br />
extremas. Durante a conservação,<br />
os tubérculos irão perder peso fresco.<br />
Essa perda é devida essencialmente<br />
aos processos da respiração<br />
e da transpiração. Os processos metabólicos<br />
e de manutenção requerem<br />
energia e, por isso, os tubérculos<br />
utilizam parte da sua matéria<br />
seca (amido, principalmente) para<br />
o fornecimento desta. As perdas por<br />
respiração são relativamente menos<br />
importantes do que as perdas<br />
por transpiração. Estas últimas dependem<br />
de factores como a pressão<br />
de vapor de água do ambiente e da<br />
temperatura de conservação. A taxa<br />
de respiração é mais reduzida pelos<br />
5ºC e mais elevada abaixo ou aci-<br />
tecnologia<br />
ma desse valor. Temperaturas acima<br />
dos 15ºC levam a um aumento<br />
muito elevado da taxa de respiração.<br />
Este tipo de perdas poderá ser<br />
atenuado através da: manutenção<br />
de uma elevada HR (pelo menos 90-<br />
-95%); utilização de ventilação com<br />
ar com uma HR o mais próxima do<br />
valor do interior da câmara; restrição<br />
do período de ventilação; atenuação<br />
ou eliminação dos ataques<br />
de sarna prateada (Helminthosporium<br />
solani). Os tubérculos com<br />
perdas severas de água ficam mais<br />
sensíveis a acidentes fisiológicos (caso<br />
do denominado acastanhamento<br />
da polpa e/ou pinta ferrugenta).<br />
O abrolhamento dos tubérculos<br />
durante a armazenagem resulta<br />
num aumento das perdas de peso;<br />
contribuindo este processo, só por<br />
si, para as perdas por respiração,<br />
devido ao aumento da actividade<br />
metabólica (constituição de novos<br />
tecidos); bem como, num aumen-<br />
<strong>FLF</strong> 106 | Maio/Junho 2009 61
to mais significativo das perdas por<br />
transpiração, devido ao aumento<br />
de superfície.<br />
As perdas de qualidade industrial<br />
devem-se em grande medida às alterações<br />
da composição química dos<br />
tubérculos. Uma das alterações mais<br />
importantes é a conversão do amido<br />
em açúcares redutores e vice-versa,<br />
que é afectado especialmente pela<br />
temperatura. Com valores de temperaturas<br />
muito baixas os teores de<br />
açúcares redutores aumentam; contudo,<br />
a conservação a temperaturas<br />
mais elevadas são indutoras do envelhecimento<br />
fisiológico dos tubérculos,<br />
o que acarreta também o processo<br />
de adoçamento, devido também<br />
ao aumento dos açúcares redutores.<br />
Dever-se-á encontrar a temperatura<br />
ideal em função de factores<br />
como, por exemplo: a variedade<br />
em causa; a duração do período de<br />
conservação; os encargos energéticos<br />
e as condições de armazenagem.<br />
Monitorização da qualidade<br />
da batata Hermes<br />
Durante o período de Setembro<br />
de 2008 a Abril de 2009, avaliou-se<br />
comparativamente a evolução da<br />
qualidade e das perdas da batata de<br />
Figura 3 – Evolução do número médio de brolhos por tubérculo,<br />
na variedade Hermes, submetida a duas temperaturas de conservação<br />
62<br />
tecnologia<br />
Dias de conservação<br />
Percentagem de perda de peso fresco (%)<br />
Temperatura 10ºC Temperatura 7ºC<br />
31 0,7 0,8<br />
72 1,5 1,6<br />
108 2,3 2,5<br />
145 3,1 3,3<br />
172 4,0 4,0<br />
200 4,9 4,6<br />
<strong>FLF</strong> 106 | Maio/Junho 2009<br />
pós-colheita<br />
Quadro 1 – Evolução das perdas médias de peso fresco<br />
por tubérculo em duas temperaturas de conservação (7 e 10ºC).<br />
indústria, variedade Hermes, submetida<br />
a duas temperaturas de conservação:<br />
10ºC e 7ºC. Foram utilizadas<br />
duas câmaras de frio, com ventilação<br />
e controlo da humidade relativa<br />
do ar (Figura 1). Os tubérculos<br />
foram recebidos no dia 11 de Setembro<br />
2008 (Figura 2). A temperatura<br />
foi diminuída gradualmente em<br />
0,5ºC/dia até aos 15ºC e de 0,3ºC/dia,<br />
até aos valores de 7ºC, numa das câmaras,<br />
e 10ºC na outra.<br />
Procedeu-se ao controlo da temperatura<br />
(T) e HR no interior das<br />
câmaras de frio, mantendo-se a HR<br />
no seu interior acima dos 90%. Foram<br />
observadas as perdas de peso<br />
fresco, o número de brolhos e o<br />
comprimento do brolho de maior<br />
dimensão, numa amostra de 20 tubérculos.<br />
Observaram-se, ainda, os<br />
defeitos externos, internos, o peso<br />
específico e o teor de açúcares redutores<br />
em amostras de 10 kg.<br />
Até aos 172 dias de conservação,<br />
não se verificaram diferenças nas<br />
perdas de peso fresco entre as duas<br />
temperaturas de conservação<br />
(Quadro 1).<br />
Aos 200 dias de conservação, a<br />
percentagem de perda de peso fresco<br />
na batata foi de 4,6% e 4,9%<br />
quando armazenada a 7ºC e 10ºC,<br />
respectivamente. Verificou-se um<br />
aumento do número de brolhos<br />
nos tubérculos conservados à temperatura<br />
de 10ºC, a partir dos 127<br />
dias de conservação (Figura 3).<br />
Factores culturais e<br />
perdas de conservação<br />
A qualidade e as perdas durante<br />
a conservação resultam do produto;<br />
das condições de conservação;<br />
do factor varietal e das condições<br />
culturais. As condições culturais<br />
com maior influência na qualidade<br />
e nas perdas ocorridas durante a<br />
conservação são: a fertilização equilibrada<br />
da cultura, nomeadamente<br />
a fertilização azotada e potássica;<br />
o desenvolvimento das doenças e<br />
pragas; as datas e compassos de<br />
plantação, bem como o tipo e a qualidade<br />
da batata-semente; a rega e<br />
as condições de colheita. Uma fertilização<br />
equilibrada é fundamental<br />
de forma a garantir não só uma boa<br />
produtividade, como também os teores<br />
de matéria seca da batata adequados<br />
ao processamento industrial.<br />
Fertilizações desequilibradas,<br />
especialmente em azoto e potássio,<br />
poderão levar a atrasos de maturação,<br />
ocasionando atrasos na maturação<br />
e colheita.<br />
O controlo das doenças e das<br />
pragas é fundamental para se garantir<br />
uma adequada conservação.<br />
Algumas das doenças que atacam<br />
as plantas das batateiras durante o<br />
ciclo cultural poderão passar para<br />
os tubérculos, caso do míldio, afectando<br />
a sua conservação. Entre as<br />
principais pragas assume lugar de<br />
destaque a traça da batateira (Phothorimaea<br />
operculella Zell). Os ataques<br />
da traça iniciam-se no cam-<br />
po, ocorrendo muito próximo ou<br />
mesmo durante a colheita. A infestação<br />
dos tubérculos pode comprometer<br />
seriamente os rendimentos,<br />
através do seu valor comercial, provocando<br />
ainda mais estragos durante<br />
o período de conservação, devido<br />
à existência de galerias abertas,<br />
que facilitam a entrada de agentes<br />
causadores de podridões (fungos<br />
e bactérias). Uma baixa infestação<br />
no campo e uma rápida colheita<br />
e escolha da batata permitem<br />
a sua conservação em boas condições,<br />
diminuindo drasticamente os<br />
riscos. A realização da operação da<br />
amontoa é fundamental como forma<br />
de proteger os tubérculos da acção<br />
da luz do solo, evitando o seu<br />
esverdeamento, e os ataques da traça<br />
nos tubérculos.<br />
A rega é um factor cultural determinante,<br />
não só na obtenção de<br />
uma elevada produtividade (kg/ha)<br />
e qualidade dos tubérculos. A rega<br />
influencia o desenvolvimento e o<br />
crescimento das plantas, indo afectar<br />
muitos outros factores culturais:<br />
a eficiência dos elementos nutritivos;<br />
o desenvolvimento das doenças<br />
e pragas; as condições de colheita<br />
e os danos mecânicos; o teor<br />
de água dos tubérculos durante a<br />
armazenagem; o desenvolvimento<br />
das infestantes; etc...<br />
Actualmente, a totalidade da batata<br />
para indústria é colhida mecanicamente.<br />
Durante o processo de<br />
colheita e transporte da batata para<br />
a armazenagem deve-se ter cuidado<br />
com todos os factores que<br />
possam vir a provocar danos mecânicos<br />
nos tubérculos. A batata<br />
para indústria é especialmente sensível<br />
às feridas e pancadas provocadas<br />
durante este processo. Alguns<br />
destes danos podem agravar<br />
os defeitos externos e internos da<br />
batata, além de contribuírem para<br />
maiores perdas durante a conservação,<br />
seja por via das perdas de peso,<br />
seja pelo desenvolvimento e<br />
aparecimento de podridões. •<br />
(1) Escola Superior Agrária de Santarém,<br />
Instituto Politécnico de Santarém<br />
(2) Instituto Nacional dos Recursos Biológicos,<br />
Fonte Boa, 2005-048 Vale de Santarém
Métodos não destrutivos<br />
de análise de frutos e legumes<br />
Por: Ana M. Cavaco*<br />
Aglobalização do mercado<br />
internacional e uma<br />
maior procura de produtos<br />
hortofrutícolas de<br />
qualidade por parte dos<br />
consumidores têm exigido: uma legislação<br />
mais abrangente; práticas<br />
agrícolas de maior sustentabilidade;<br />
redução no uso de químicos e<br />
pesticidas na fase de cultura e conservação<br />
(e.g. Drzyzga, 2003);<br />
maior controlo e precisão na determinação<br />
do estado de maturação<br />
óptimo para a colheita dos produtos<br />
e na determinação da sua<br />
qualidade e estado de maturação<br />
na pós-colheita; desenvolvimento<br />
de tecnologias com vista à manipulação,<br />
transporte, conservação<br />
pós-colheita e prolongamento da<br />
Os métodos não destrutivos de análise qualitativa de frutos e legumes são rápidos<br />
e melhoram de forma significativa a precisão da calibragem e avaliação dos produtos,<br />
mas o seu custo médio ainda é elevado.<br />
vida de prateleira.<br />
Tão variados quanto o tipo de<br />
frutos são os parâmetros de qualidade<br />
e os métodos correntemente<br />
utilizados para os determinar. Estes<br />
métodos padrão de determinação<br />
directa, entre os quais se destacam<br />
a refractometria [teor de sólidos<br />
solúveis (TSS) (ºBrix)], a penetrometria<br />
(dureza ou firmeza)<br />
e a volumetria [acidez titulável<br />
(AT)], são todos eles destrutivos, demorados<br />
e pouco viáveis durante a<br />
época alta das campanhas de colheita<br />
nas cooperativas ou no quotidiano<br />
trepidante dos entrepostos.<br />
Além de exigirem um número elevado<br />
de operadores nas linhas de<br />
selecção, calibração e análise de<br />
qualidade, e de um ritmo de traba-<br />
pós-colheita<br />
lho intensivo e desgastante, optase<br />
muitas vezes por amostragens<br />
“possíveis” e não as “adequadas”.<br />
Como consequência, é elevada a<br />
probabilidade de erros respeitantes<br />
à caracterização e selecção dos produtos,<br />
e de eventual prejuízo para<br />
produtores, cooperativas, entrepostos<br />
e consumidores.<br />
Quem disse que «a rapidez é inimiga<br />
da perfeição» e que «depressa<br />
e bem, não há quem» desconhece<br />
a existência de métodos ou tecnologias<br />
não-invasivas para determinação<br />
da qualidade de frutos e<br />
legumes. A rapidez de análise nas<br />
linhas automatizadas de alguns<br />
destes aparelhos atinge os 10 frutos/seg/linha!<br />
Todavia, estas tecnologias<br />
não pretendem substituir a<br />
Detector de luminescência associada aos voláteis de frutos, indicativos da sua qualidade interna e frescura, protótipo<br />
da portuguesa Aromasensors<br />
tecnologia<br />
mão-de-obra associada a estas funções,<br />
mas sim aumentar a sua performance,<br />
uma vez que os sistemas<br />
automatizados não sofrem fadiga<br />
nem habituação visual, permitindo<br />
aos operadores serem mais rápidos<br />
e eficazes. As cooperativas e<br />
entrepostos poderão assimoptimizar<br />
a sua logística e recursos humanos,<br />
enquanto melhoram de<br />
forma significativa a precisão da<br />
calibração e avaliação dos seus produtos<br />
hortofrutícolas.<br />
Os aparelhos capazes de uma<br />
análise qualitativa de frutos e legumes,<br />
na sua forma portátil, para<br />
bancada, e para linhas automatizadas<br />
de calibração são rápidos e<br />
precisos, desde que devidamente<br />
calibrados. Não alteram as propriedades<br />
físicas ou químicas dos frutos,<br />
permitem seguir o mesmo fruto<br />
na pré e pós-colheita, fazem a<br />
análise através de modelos de previsão<br />
incorporados no respectivo<br />
software do aparelho, ou por determinação<br />
directa da imagem recolhida,<br />
e permitem o diagnóstico<br />
de fisiopatias e defeitos superficiais<br />
e internos. No entanto, muitas das<br />
empresas que os fabricam ainda<br />
não têm representantes em Portugal,<br />
embora uma vez contactadas,<br />
possam enviar ao local técnicos especializados<br />
para a sua instalação<br />
e formação dos respectivos operadores.<br />
O seu custo médio ainda é<br />
elevado, com preços que podem variar<br />
entre os 25 000 a 50 000€,<br />
atingindo no caso da sua integração<br />
em linhas automatizadas de ca-<br />
<strong>FLF</strong> 106 | Maio/Junho 2009 63
64<br />
tecnologia<br />
libração cerca de 200 000€. A aquisição<br />
destas tecnologias deve, por<br />
isso, ser sempre precedida de um<br />
aconselhamento especializado junto<br />
dos representantes ou técnicos<br />
das empresas que fazem a sua instalação<br />
e/ou de grupos científico-<br />
-académicos especialistas na área.<br />
Métodos não-invasivos<br />
Os métodos não-invasivos assentam<br />
em vários princípios fisicos ou<br />
químicos. Os mais versáteis e com<br />
maior disponibilidade no mercado<br />
actualmente são os ópticos, mais<br />
exactamente, a espectroscopia de<br />
Vis/NIR, cujo aparecimento inicial<br />
respeitava a fins medicinais e militares<br />
(Hand et al., 1998, Nicolaï<br />
et al., 2008), mas que posteriormente<br />
foi sendo assimilada pela<br />
área agrária e indústria agro-alimentar.<br />
No entanto, a sua integração<br />
na rotina de produtores, cooperativas<br />
e entrepostos ainda não<br />
é a realidade que gostaríamos!<br />
Na esperança de melhorar a vida<br />
de todos aqueles que diariamente<br />
se vêem a braços com toneladas<br />
de frutos e legumes para avaliar,<br />
aqui vão algumas propostas de tecnologia<br />
não-invasiva disponível no<br />
mercado.<br />
Grupo Unitec<br />
Os espectrómetros de Vis/NIR:<br />
NIR QS-200 © (bancada), Nir QS-<br />
300 © (portátil), QS_ON LINE 902 ©<br />
(para linha automatizada de cali-<br />
<strong>FLF</strong> 106 | Maio/Junho 2009<br />
pós-colheita<br />
O IQA da Aweta analisa o grau brix, acidez, aroma e taxa hidrométrica dos frutos através de raios infra-vermelhos<br />
bração de frutos sem caroço), comercializados<br />
pelo Grupo Unitec<br />
(Itália), permitem a determinação<br />
de TSS, dureza e AT, bem como peso,<br />
cor, tamanho e defeitos na casca,<br />
de vários frutos quando se associa<br />
o QS_ON LINE 902 © a linhas<br />
automatizadas de calibração.<br />
Maf Roda Agrobiotic<br />
A Maf Roda Agrobiotic (França<br />
com representante em Portugal)<br />
dispõe dos sistemas Optiscan II,<br />
Pomone II, Tetrascan II, Uvascan,<br />
Axone-Twinscan e InSight NIR, todos<br />
passíveis de serem integrados<br />
em linhas automatizadas de calibração,<br />
e que determinam cor e defeitos<br />
na casca de produtos tão diferentes<br />
como citrinos, cerejas,<br />
maçãs, batatas ou hortaliças, e ainda,<br />
TSS, índice de gordura e percentagem<br />
de massa seca.<br />
CAP GbR, Brimrose,<br />
Aweta<br />
O CP Pigment analizer PA1101<br />
comercializado pela CAP GbR. (Alemanha)<br />
permite o doseamento<br />
não-invasivo (Vis/NIR) de pigmentos<br />
em frutos e legumes (aparelho<br />
portátil). A Brimrose (USA, com representação<br />
em Espanha) apresenta<br />
também vários modelos de<br />
AOTF NIR (portátil, bancada e linha<br />
automatizada). Por outro lado,<br />
temos ainda o NIR IQA comercializado<br />
pela Aweta (Holanda, representada<br />
em Portugal pela Nova<br />
Electrolis) para linhas automatizadas<br />
de calibração. Este sistema<br />
que mede o grau de absorção de<br />
luz infra-vermelha e a largura de<br />
onda emitida, analisa o TSS dos<br />
frutos e permite análises rigorosas,<br />
uma vez que avalia a totalidade do<br />
fruto. Um importante avanço tecnológico,<br />
pois a distribuição de<br />
açúcar num fruto não é uniforme.<br />
Os desenvolvimentos recentes deste<br />
sistema permitem medir ainda<br />
a acidez, aroma e taxa hidrométrica.<br />
A Aweta dispõe ainda do sistema<br />
AFS (sensor acústico de firmeza)<br />
para análise da qualidade interna<br />
dos frutos. Através de ultrasons,<br />
mede o padrão de vibração<br />
produzido pelos frutos (“vibração<br />
ressoante atenuada”), determinando<br />
o índice de firmeza, que permite<br />
diagnosticar a podridão, perdas<br />
de peso, grau de frescura e estrutura<br />
interna do fruto.<br />
Bestnv<br />
A Bestnv (Bélgica) apresenta no<br />
mercado vários calibradores ópticos<br />
para linhas automatizadas como<br />
o Helius TM , Genius TM , Ixus TM ,<br />
Xyclops TM and Mat TM que permitem<br />
fazer a distinção de forma, cor e estrutura<br />
dos produtos hortofrutícolas.<br />
Estes aparelhos fazem uso da<br />
tecnologia FLUOTM, infravermelho,<br />
raios X, câmaras ou leds para<br />
obter maior contraste e determinar<br />
eficazmente defeitos superficiais<br />
de frutos e legumes e ainda<br />
resíduos tóxicos, como as aflotoxinas<br />
e outros contaminantes em<br />
hortaliças.<br />
Agro-technologie<br />
Relativamente a outro tipo de<br />
tecnologias não-invasivas, é de referir<br />
o texturómetro Durofel<br />
DTF100 (portátil) comercializado<br />
pela Agro-technologie (França,<br />
com representante em Espanha),<br />
que determina a firmeza do fruto<br />
por impedância mecânica, enquanto<br />
a Aweta apresenta no mercado<br />
um detector acústico de firmeza,<br />
AFS para bancada, muito útil na<br />
avaliação de frutos crocantes, como<br />
referido acima.<br />
Ripesense<br />
e Aromasensors<br />
A Ripesense disponibiliza um<br />
sensor ou nariz químico, o Ripesense<br />
® , que consiste numa etiqueta<br />
que se coloca nas embalagens, e<br />
que muda de cor por interacção<br />
com os voláteis libertados pelos<br />
frutos ao longo do processo de maturação<br />
na prateleira. Por sua vez,<br />
a Aromasensors (Portugal) tem já<br />
protótipos de vários tipos, prontos<br />
a serem fabricados e comercializados,<br />
de detectores de luminescência<br />
associada aos voláteis de frutos,<br />
indicativos da sua qualidade interna<br />
e frescura (ver artigo na edição<br />
Março-Abril 2009 da <strong>FLF</strong>). •<br />
*Investigadora em Bio-Sensing, Centro de<br />
Electrónica, Optoelectrónica e Telecomunicações<br />
(CEOT), Universidade do Algarve,<br />
Campus de Gambelas 8005-139 Faro;<br />
acavaco@ualg.pt<br />
Referências bibliográficas e web sites<br />
consultados:<br />
Drzyzga O. (2003) Diphenylamine and derivatives<br />
in the environment: a review. Chemosphere<br />
53: 809-818.<br />
Hand, A., Grant, B and Gaughan, R. (1998)<br />
Photonics brings in the harvest. Photonics<br />
Spectra 32 (10): 103-126.<br />
http://www.cp-info.de<br />
http://www.maf-roda.com<br />
http://www.brimrose.com<br />
http://www.bestnv.com<br />
http://www.ripesense.com<br />
http://www.aromasensors.com
país<br />
1.º Concurso Nacional<br />
flores e ornamentais<br />
de Floricultores e Floristas<br />
A vila da Apúlia,<br />
em Esposende, acolheu,<br />
nos dias 30 e 31 de Maio,<br />
o 1.º Concurso Nacional<br />
de Floricultores<br />
e Floristas. Um evento<br />
organizado pela<br />
Associação de<br />
Floricultores de Portugal,<br />
em colaboração<br />
com a Cooperativa<br />
de Arte Floral.<br />
Inauguração com o director regional de Agricultura do<br />
Norte, o presidente da Câmara Municipal de Esposende<br />
e o presidente da Junta de Freguesia da Apúlia<br />
Esta «<br />
festa tem como principal<br />
objectivo a promoção<br />
da flor e todo o sector associado,<br />
onde a AFP tem<br />
vindo a actuar, com intenção<br />
de o organizar e defender os interesses<br />
socioprofissionais dos floricultores,<br />
e ciente da oportunidade<br />
de negócio que este sector representa<br />
no actual panorama agrícola<br />
nacional. Acreditamos que é benéfico<br />
para o sector a realização de um<br />
certame onde todos os agentes da<br />
cadeia produtiva estão representados»,<br />
afirmou João Paulo Oliveira,<br />
presidente da direcção da AFP.<br />
Simultaneamente à mostra de<br />
flores, floricultores, floristas e produtos<br />
relacionados com o sector,<br />
decorreu o I Concurso Nacional de<br />
Floristas, organizado pela Cooperativa<br />
de Arte Floral (CAF). Estiveram<br />
em prova perto de uma dezena<br />
de concorrentes. O primeiro prémio<br />
(600€) foi atribuído a Catarina<br />
Maciel, de Ponte de Lima, em<br />
segundo lugar (400€) ficou Bruna<br />
Castro, de Guimarães, e em terceiro<br />
(300€) Sónia, de Torres Vedras.<br />
O evento decorreu junto à praia<br />
da Apúlia, uma paisagem agradável,<br />
que deslumbrou o muito público<br />
que por ali passou e contribuiu<br />
para divulgar a utilização da<br />
flor como elemento decorativo. Os<br />
dois dias foram também uma oportunidade<br />
para os agentes do sector<br />
se encontrarem e estabelecerem<br />
contactos comerciais.<br />
A inauguração contou com a<br />
<strong>FLF</strong> 106 | Maio/Junho 2009 65
flores e ornamentais<br />
presença do director regional de<br />
agricultura do Norte, António Ramalho,<br />
o presidente da Câmara Municipal<br />
de Esposende e o presidente<br />
da Junta de Freguesia da Apúlia.<br />
António Ramalho escutou as<br />
preocupações e ambições das empresas<br />
do sector florícola nortenho,<br />
algumas a aguardar resposta a projectos<br />
de investimento candidatos<br />
ao PRODER. «Ainda estamos a fe-<br />
país<br />
I Concurso<br />
Nacional<br />
de Floristas<br />
char o primeiro concurso (Julho<br />
2008), a avaliação dos projectos não<br />
terminou. Seguramente em Julho<br />
a avaliação estará concluída. No segundo<br />
concurso houve uma grande<br />
lacuna na junção de ficheiros de<br />
georreferenciação aos projectos de<br />
investimento, temos centenas de<br />
projectos à espera de avaliação por<br />
falta destes documentos», disse António<br />
Ramalho à Frutas, Legumes<br />
1.º Prémio - Catarina Maciel, de Ponte de Lima<br />
2.º Prémio - Bruna Castro, Guimarães 3º Prémio - Sónia, Torres Vedras<br />
e Flores. Questionado sobre os sectores<br />
de actividade que mais projectos<br />
candidataram na região Norte,<br />
o director-regional elencou o<br />
vinho, seguido das frutas (quivi).<br />
Até ao momento, estarão aprovados<br />
apenas dois projectos na área<br />
da floricultura, pelas contas de António<br />
Ramalho. Outros projectos<br />
aprovados: centrais de embalamento<br />
de quivi, transformação de fru-<br />
Produção de cravos, margaridas, rosas e bolbosas<br />
Ofereça uma flor,<br />
ganhe um sorriso!<br />
tas (Frulact, Maia), transformação<br />
da castanha, adegas, cogumelos<br />
(SousaCamp). «Não tivemos no<br />
Norte nenhum projecto de fileira<br />
que subsistisse, porque não havia<br />
coerência do ponto de vista técnico-económico<br />
nos investimentos<br />
conjuntos produção – agro-indústria.<br />
Alguns acabaram por ser reapresentados<br />
individualmente»,<br />
confessou. •<br />
Rua do Faicho, Lote 7 – 2º Esq.<br />
4740-055 Apúlia, Esposende<br />
Tel.: (00 351) 933 812 408<br />
Tel.: (00 351) 933 812 409<br />
joliveirapaulo@gmail.com
AGROGARANTE<br />
Sociedade de Garantia Mútua, S.A.<br />
Morada> Rua João Machado, nº86<br />
3000-226 COIMBRA<br />
Telefone> +(351) 239 854 310<br />
Fax> + 239 854 319<br />
E-mail> agrogarante@agrogarante.pt<br />
Site> www.agrogarante.pt<br />
O que precisa para<br />
concretizar o projecto<br />
agrícola que tem<br />
em mãos.<br />
Tem em mãos um projecto agrícola inovador, mas faltam-lhe apoios<br />
e as garantias para o concretizar? É para isso que existe a AGROGARANTE.<br />
A sociedade do sistema de Garantia Mútua vocacionada para apoiar<br />
a Agricultura, a Agro-Indústria e a Floresta, sectores estratégicos para<br />
a economia portuguesa.<br />
Agora através da AGROGARANTE, as empresas Agro-florestais podem obter<br />
todas as garantias que necessitam para se modernizarem e aumentarem<br />
a sua competitividade:<br />
> Garantia a sistema de incentivos, requerida no âmbito de programas de<br />
apoio às empresas, nomeadamente o IFAP, torna possível o recebimento<br />
antecipado de incentivos e outros apoios públicos.<br />
> Garantia a empréstimos, que lhe permite obter crédito junto das<br />
Instituições Bancárias em melhores condições de preço e prazo.<br />
> Garantias de bom pagamento, para o cumprimento dos compromissos assumidos<br />
com fornecedores e outras entidades.<br />
> Garantias ao Estado, que asseguram o cumprimento das obrigações<br />
perante as Instituições Públicas (IVA, etc.).<br />
É este forte investimento na inovação e na iniciativa empresarial que<br />
torna a Garantia Mútua um instrumento de sucesso. Porque tem soluções<br />
à medida das necessidades específicas dos diversos sectores de actividade.<br />
Porque aposta no futuro dos ENI, das Micro, Pequenas e Médias Empresas.<br />
Quando precisar de uma Garantia a Sistemas de Incentivos, Garantia<br />
a Empréstimos, Garantia de Bom Pagamento ou Garantia ao Estado, fale com<br />
o especialista em Garantias para o sector Agro-Florestal: a AGROGARANTE.<br />
No âmbito do novo Quadro de Incentivos (ProDeR)<br />
deve consultar a AGROGARANTE para a emissão<br />
de Garantias a favor do IFAP e/ou para empréstimos<br />
necessários ao seu PROJECTO.<br />
Estamos prontos a prestar-lhe todas as garantias de forma mais simples,<br />
rápida e económica.<br />
Com a AGROGARANTE, as boas<br />
produções estão garantidas!