Industria Mineral e de Cerâmica Vermelha da Rio 92 à Rio+20

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Industria Mineral e de Cerâmica Vermelha da Rio 92 à Rio+20

REVISTA DA ANICER Nº 76

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PONTO DE VISTA

Indústria mineral e de cerâmica

vermelha da Rio 92 à Rio+20

Por Fernando A. Freitas Lins

Engenheiro metalúrgico pela

PUC-Rio, Mestre e Doutor pela

COPPE/UFRJ, pesquisador

titular do Centro de Tecnologia

Mineral-CETEM/MCTI, ex-diretor

de Transformação e Tecnologia

Mineral da SGM/MME, atual

diretor do CETEM.

Entre a Rio 92 e a Rio+20, houve grandes

mudanças no Brasil e no Mundo.

Na Rio 92, as cartas eram jogadas prin-

cipalmente pelo grupo de países do G-7.

Anunciava-se o fim da história, a globaliza-

ção intensificava-se, com a perspectiva de

trazer prosperidade para todos os países

que adotassem o novo paradigma, o novo

consenso, em um mundo plano.

Mas como nada é simples assim, as crises

sucederam-se e afetaram, a seu tempo, di-

versos países e regiões. Veio a crise finan-

ceira americana ao final de 2008, epicentro

de uma crise mundial que se desdobra até

os dias atuais. Na Rio+20, os países do G-7

encontram-se em situação econômi-

ca delicada. Novos atores mundiais,

China, Índia e Brasil são agora tam-

bém protagonistas.

O Brasil, nesses 20 anos, viu con-

solidada sua democracia, deixou no

passado a alta inflação e logrou, na

última década, um crescimento eco-

nômico que o tornou a sexta econo-

mia mundial em 2011; e com inclusão

social, o que levou ao surgimento de

30 a 40 milhões de novos consumi-

dores.

Isso fez com que mais que dobrasse,

por exemplo, nos últimos 10 anos, o

consumo per capita de peças de ce-

râmica vermelha, passando de menos

de 200 para cerca de 500 peças por

habitante, entre vários outros mate-

riais produzidos pela indústria mine-

ral que tiveram seu consumo interno

ampliado significativamente.

No que diz respeito à mineração, há o

reconhecimento que a atividade pode

ser uma catalisadora do desenvolvi-

mento sustentável, com potencial

para trazer benefícios econômicos e

sociais para os locais/regiões/países

onde a mineração se apresenta como

atividade econômica importante, e


com a gestão ambiental adequada. Houve avanços nesse

sentido nessas duas décadas, especialmente por inicia-

tivas das grandes mineradoras. Passaram a ser publica-

dos relatórios anuais de sustentabilidade, consolidados,

mostrando a evolução de indicadores de utilização de

água e energia e emissão de gases de efeito estufa, entre

outros, inclusive indicadores sociais.

Há muito que fazer, todavia, no sentido de um maior

comprometimento de empresas e governos, a exemplo

de maior transparência nos relatórios, discriminando e

detalhando por operação mineira a evolução dos indica-

dores de sustentabilidade, bem como a informação, por

parte dos governos locais, sobre o planejamento e uso

efetivo dos royalties da mineração.

Já o avanço na pequena mineração foi modesto. No Bra-

sil, cerca de 70% das empresas são micro e pequenos

empreendimentos, e nesses trabalham 30% da mão de

obra. Apresentam atraso no desenvolvimento técnico,

PONTO DE VISTA

ambiental e gerencial. Essa situação aplica-se à indústria

cerâmica brasileira, muito heterogênea, variando de ola-

rias com tecnologia do século XIX a empreendimentos

com as melhores técnicas disponíveis no século XXI. O

setor utiliza 180 Mt de argila por ano (3º no ranking de

extração mineral, depois de agregados e minério de fer-

ro), cerca de 300.000 empregos e apresenta uma susten-

tabilidade energética ainda por ser consolidada.

O importante é que tem havido iniciativas para avançar

na sustentabilidade. Uma forma eficaz nesse caminho é

por meio de organização em arranjos produtivos (APLs),

em associações comprometidas com a evolução de seus

associados. E já são encontrados vários exemplos. A Ani-

cer, na liderança nacional do setor, poderia contribuir

sugerindo um padrão de relatório de sustentabilidade,

de adoção voluntária, para os inúmeros APLs cerâmicos

existentes no País

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