UTILIZAÇÃO DE AGENTE COMPLEXANTE NA PURIFICAÇÃO DA ...
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<strong>UTILIZAÇÃO</strong> <strong>DE</strong> <strong>AGENTE</strong> <strong>COMPLEXANTE</strong> <strong>NA</strong> <strong>PURIFICAÇÃO</strong> <strong>DA</strong> GLICERI<strong>NA</strong> BRUTA ORIUN<strong>DA</strong><br />
<strong>DA</strong> PRODUÇÃO <strong>DE</strong> BIODIESEL<br />
Silvio Leandro Corrêa da Purificação 1 , Alexandre dos Santos Machado 1 , Rebeca Pinheiro Jesus dos<br />
Santos 1 , Rogério Conceição Rodrigues 1 , Alessander Acácio Ferro 1<br />
1Tecnologia em Processos, SE<strong>NA</strong>I, Centro Tecnológico Industrial Pedro Ribeiro,<br />
silvio_purificacao@ig.com.br<br />
RESUMO - Desde janeiro de 2008, tornou-se obrigatória a adição de 2% de biodiesel ao diesel comum,<br />
sendo previsto um aumento para 3% em julho. Na produção do biodiesel são gerados 10% de glicerina<br />
bruta. Há uma crescente necessidade em desenvolver métodos de purificação para esse subproduto.<br />
Algumas rotas fazem uso de ácidos inorgânicos para a neutralização do catalisador empregado na<br />
transesterificação, seguido da destilação à pressão reduzida ou fazem uso de resinas de troca iônicas.<br />
Em busca de aperfeiçoamentos, já que as mesmas apresentam pontos críticos em termos econômicos,<br />
faz-se necessário investigar novas alternativas. Com base nas informações descritas na literatura, um<br />
novo procedimento para purificar a glicerina bruta é discutido. O estudo explora a utilização do<br />
Hexanitrocobaltato (III) como agente precipitante de íons potássio. Resultados preliminares revelam o<br />
forte potencial de complexação, bem como a melhor rota a ser explorada.<br />
Palavras-chave: agente complexante, composto de cobalto, glicerina, potássio.<br />
INTRODUÇÃO<br />
A implantação da nova Lei Federal, relacionada à aplicação dos recursos energéticos obriga, a<br />
partir de 2008 o acréscimo de 2% de biodiesel no diesel comum, o chamado B2, aumentando para 3%<br />
em junho deste ano, podendo chegar a 20% em 2020.<br />
Com o aumento na produção do biodiesel, haverá um excedente de glicerina no mercado<br />
mundial, levando em consideração que ela representa cerca de 10% do subproduto formado na reação<br />
de transesterificação deste biocombustível.<br />
Hoje, o B2 resulta numa oferta de oitenta mil litros de glicerina bruta, sem qualquer destino pré-<br />
definido. O problema poderá se agravar ainda mais, segundo estudos realizados recentemente que<br />
mostram um crescimento de quatro bilhões de litros/ano de biodiesel no mundo para a próxima década,<br />
o que resultará numa oferta de quatrocentos milhões de litros/ano de glicerina (ÓLEO, 2008).<br />
Estudos recentes revelam que as indústrias produtoras de biodiesel, principalmente os<br />
pequenos produtores, não sabem o que fazer com este gargalo; e algumas plantas já estão tendo que<br />
diminuir a sua produção por não ter um destino pré-estabelecido para este subproduto (SILVEIRA,<br />
2007).
A glicerina é um composto cujos derivados são de grande aplicação para diversas indústrias,<br />
sendo a maior parte de seu consumo associada à cosmética e fármacos. A introdução do biodiesel na<br />
indústria do petróleo trouxe para o mercado internacional uma considerável queda no preço deste<br />
composto. O gráfico na Figura 1 mostra o mercado mundial para este co-produto oriundo da produção<br />
do biodiesel.<br />
A necessidade do aumento da investigação científico/tecnológica referindo-se a utilização da<br />
glicerina oriunda de processos de produção de biodiesel, podendo esta se tornar uma importante<br />
matéria-prima para a indústria química, ocupando parcela considerável da nafta petroquímica na<br />
produção de plásticos e outros derivados químicos de maior valor agregado.<br />
Algumas rotas de purificação de glicerina estão sendo investigadas para que a entrada do<br />
biodiesel no mercado nacional venha ser efetiva e os preços deste combustível se mantenham<br />
estáveis, propiciando, também, o crescimento de uma nova linha de investigação, a chamada<br />
gliceroquímica. Todavia, faz-se necessário encontrar rotas mais viáveis e que apresentem alta<br />
eficiência na remoção de impurezas. A utilização de agentes complexantes de cátions metálicos tem<br />
sido uma importante ferramenta para a purificação da glicerina.<br />
Algumas rotas fazem uso de ácidos minerais, para a neutralização do catalisador empregado<br />
na transesterificação, seguido da destilação à pressão reduzida ou fazem uso de resinas de troca<br />
iônicas. Em busca de aperfeiçoamentos, já que as mesmas apresentam pontos críticos em termos<br />
econômicos como alto gasto de energia no processo de destilação da glicerina, faz-se necessário<br />
investigar novas alternativas.<br />
A complexação baseia-se em reações que envolvem um íon metálico e um agente ligante<br />
com formação de um complexo suficientemente estável (UFPI, 2008). Neste trabalho, foi utilizado um<br />
composto de cobalto como agente complexante do íon potássio, presente na glicerina oriunda da<br />
transesterificação do biodiesel, onde hidróxido de potássio é usado como catalisador.<br />
O metal cobalto ocorre na natureza normalmente associado ao níquel, arsênio e enxofre. O<br />
cobalto é um metal duro, branco-azulado e dissolve-se em ácidos minerais diluídos com certa<br />
facilidade. Os estados de oxidação mais importantes são +2 e +3 (AYALA, 2003).<br />
Este trabalho teve como objetivo investigar o potencial de complexação de alguns derivados<br />
do cobaltato, descrevendo os efeitos destes agentes na remoção do íon potássio presente em grande<br />
quantidade nos resíduos de glicerina bruta.
MATERIAL E MÉTODOS<br />
Inicialmente, preparou-se uma solução 0,2 M do agente complexante num volume de 30 mL.<br />
Após este procedimento, foram realizados testes com o objetivo de verificar o potencial de<br />
complexação do íon potássio.<br />
O primeiro teste envolveu a adição direta de 10 mL da solução do complexante a uma<br />
solução de KOH 10%. No segundo teste, 10 mL da solução complexante foram adicionados à uma<br />
solução de glicerina pura diluída em uma solução de KOH 10% e, por último, outros 10 mL do<br />
composto de cobalto foram adicionados à glicerina bruta diluída em água destilada. Em seguida, as<br />
três amostras foram postas para decantar.<br />
RESULTADOS E DISCUSSÃO<br />
Na amostra composta apenas pela solução de hidróxido de potássio, o precipitado foi posto<br />
para secar e pesado em seguida. Neste teste verificou-se que a complexação do íon potássio ocorreu<br />
de maneira eficiente, uma vez que o sólido obtido apresentava as características físicas semelhantes<br />
ao citado na literatura. Vale ressaltar que, a decantação ocorreu num tempo inferior a 10 minutos. O<br />
complexo foi separado da fase aquosa sendo filtrado e pesado. Obteve-se um rendimento de 80%.<br />
Este valor representa um bom resultado, uma vez que a massa adicionada do agente complexante não<br />
foi uma quantidade estequiométrica, para complexar todo íon potássio existente na solução de KOH.<br />
Nas amostras de glicerina pura e glicerina bruta, foram recuperados sólidos semelhantes ao<br />
obtido na solução anterior, porém o tempo de decantação processou-se de maneira mais lenta, em<br />
função da viscosidade, mesmo sendo diluída em um volume considerável de água destilada.<br />
Para tentar acelerar o processo de separação entre as fases, parte das amostras foi<br />
centrifugada. O complexo trocado foi isolado e após análise usando fluorescência de raios-X, pôde-se<br />
comprovar a presença do íon potássio na estrutura do agente complexante.<br />
Posteriormente, a glicerina trocada foi tratada com uma resina de troca iônica para remoção<br />
do sódio. A adição direta deste resíduo rico em íons potássio numa coluna de troca iônica não foi<br />
eficiente. Os testes indicaram que uma maior eficiência, no pré-tratamento, é obtida quando a espécie<br />
carregada é o íon sódio.<br />
CONCLUSÃO<br />
O emprego de compostos de cobalto como agentes complexantes de íons potássio, na pré-<br />
purificação da glicerina bruta, é uma estratégia economicamente viável visto que o agente complexante<br />
pode ser perfeitamente recuperado e reutilizado no processo. Além disso, após a perda da eficiência<br />
como complexante, o resíduo pode ser destinado às indústrias de fertilizantes químicos.
Agradecimentos: Às agências financiadoras PIBIT/CNPq/ SE<strong>NA</strong>I-CETIND e Fundação de Amparo à<br />
Pesquisa do Estado da Bahia - FAPESB<br />
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS<br />
AYALA, J. D.; BELLIS, V. M. Síntese e caracterização dos complexos de Co(III). In: Química<br />
Inorgânica experimental. [S.l.: s.n.], [198-?].<br />
ÓLEO de cozinha – B3 em julho. Revista Biodieselbr. ano 1, n. 4, p. 14, abr./maio 2008.<br />
SILVEIRA, L. Glicerina gerada na produção do biodiesel terá novos usos. Biodieselbr online.<br />
Disponível em: . Acesso em: 05 jun. 2008.<br />
UFPI. Química analítica quantitativa, “Volumetria de complexação”. Disponível em: <<br />
http://www2.ufpi.br/quimica/disciplinas/QAQEI/comp.doc,>. Acesso em: 05 jun. 2008.<br />
Revenda 14%<br />
Cosmet./ Saboaria/<br />
Fármacos 28 %<br />
Outros10 %<br />
Papel 1%<br />
Resinas Alquídicas<br />
6%<br />
Ésteres 13%<br />
Poliglicerina 12%<br />
Tabaco 3%<br />
Filmes de Celulose<br />
5%<br />
Alimentos/ bebidas<br />
8%<br />
Figura 1. Distribuição do consumo da glicerina pelos diferentes setores industriais.
Figura 2. Composto de cobalto utilizado como agente complexante.<br />
Figura 3. Complexo obtido após adição de composto de cobalto.