Diagnóstico Ambiental da - Governo do Estado do Rio de Janeiro
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Igara Consultoria em Aquicultura e Gestão <strong>Ambiental</strong><br />
DEFINIÇÃO DE CATEGORIA<br />
DE UNIDADE DE CONSERVAÇÃO DA NATUREZA<br />
PARA O ESPAÇO TERRITORIAL CONSTITUIDO PELA<br />
RESERVA ECOLOGICA DA JUATINGA e<br />
ÁREA ESTADUAL DE LAZER DE PARATY MIRIM<br />
PRODUTO 2 - CARACTERIZAÇÃO AMBIENTAL,<br />
SOCIOECONÔMICA E FUNDIÁRIA<br />
VOLUME II - CARACTERIZAÇÃO AMBIENTAL<br />
MARÇO 2011
<strong>Governo</strong> <strong>do</strong> Esta<strong>do</strong> <strong>do</strong> <strong>Rio</strong> <strong>de</strong> <strong>Janeiro</strong><br />
Sérgio Cabral<br />
Secretaria <strong>de</strong> Esta<strong>do</strong> <strong>do</strong> Ambiente<br />
Carlos Minc<br />
Instituto Estadual <strong>do</strong> Ambiente<br />
Presi<strong>de</strong>nte<br />
Marilene Ramos<br />
Diretoria <strong>de</strong> Biodiversi<strong>da</strong><strong>de</strong> e Áreas Protegi<strong>da</strong>s<br />
André Ilha<br />
Gerência <strong>de</strong> Uni<strong>da</strong><strong>de</strong>s <strong>de</strong> Conservação <strong>de</strong> Proteção Integral<br />
Patrícia Figueire<strong>do</strong> <strong>de</strong> Castro<br />
Chefe <strong>do</strong> Serviço <strong>de</strong> Planejamento e Pesquisa Científica<br />
Eduar<strong>do</strong> Il<strong>de</strong>fonso Lar<strong>do</strong>sa<br />
Núcleo <strong>de</strong> Regularização Fundiária<br />
Heloisa Bortolo<br />
Gerência <strong>de</strong> Uni<strong>da</strong><strong>de</strong>s <strong>de</strong> Conservação <strong>de</strong> Uso Sustentável<br />
Daniel Toffoli<br />
Gerência <strong>de</strong> Geoprocessamento e Estu<strong>do</strong>s Ambientais<br />
Andréa Franco <strong>de</strong> Oliveira<br />
Chefia <strong>da</strong> Reserva Ecológica <strong>da</strong> Juatinga<br />
Rodrigo Rocha Barros<br />
Igara Consultoria em Aquicultura e Gestão <strong>Ambiental</strong><br />
Coor<strong>de</strong>nação Técnica<br />
Anna Cecília Cortines, agrônoma, Msc ciências sociais<br />
Paulo J. Navajas Nogara, biólogo, Msc ciências ambientais e gerenciamento<br />
<strong>do</strong>s recursos marítimos<br />
Coor<strong>de</strong>nação Administrativa<br />
Luiz Alberto Fernan<strong>de</strong>s, biólogo<br />
Equipe<br />
André Lima, advoga<strong>do</strong>, Msc gestão e política ambiental<br />
Bruno Henrique Coutinho, biólogo, Msc ciências<br />
Flavio Souza Brasil Nunes, geógrafo<br />
Leonar<strong>do</strong> Esteves <strong>de</strong> Freitas, ecólogo, Msc ciências<br />
Equipe <strong>de</strong> Apoio – Levantamento informações socioeconômicas<br />
Marina Men<strong>do</strong>nça, geógrafa<br />
Julian Zambrotti, engenheiro <strong>de</strong> aquicultura<br />
Julian Idrobo, <strong>do</strong>utoran<strong>do</strong> (Ponta Negra)<br />
Monitores comunitários – Leila <strong>da</strong> Conceição e Jardson <strong>do</strong>s Santos (Sono);<br />
Josiana (Ponta Negra); Thalita e Jussara (Juatinga); Marcelo (Saco <strong>da</strong><br />
Sardinha); Josinete Souza; Francisco Xavier Sobrinho; Rosana e Silvana<br />
(Ensea<strong>da</strong> <strong>da</strong> Cajaiba); Sueli <strong>de</strong> Oliveira e Oziel (Mamanguá).
SUMÁRIO<br />
VOLUME II – CARACTERIZAÇÃO AMBIENTAL<br />
Introdução<br />
1. Apresentação ................................................................................................................. 5<br />
2. Meto<strong>do</strong>logia ................................................................................................................... 5<br />
2.1. Definição <strong>da</strong> Área <strong>de</strong> Estu<strong>do</strong>s ................................................................................ 5<br />
2.2. Levantamento <strong>do</strong>s <strong>da</strong><strong>do</strong>s bibliográficos e cartográficos .......................................... 9<br />
2.3. Elaboração <strong>do</strong> SIG ............................................................................................... 10<br />
2.3.1. Base cartográfica ............................................................................................ 10<br />
2.3.2. Mapas temáticos............................................................................................. 11<br />
3. Caracterização Regional – Baía <strong>da</strong> Ilha Gran<strong>de</strong>........................................................... 16<br />
3.1.1. Geologia e Geomorfologia .............................................................................. 20<br />
3.1.2. Clima .............................................................................................................. 24<br />
3.1.3. Solos .............................................................................................................. 26<br />
3.1.4. Vegetação e Uso <strong>do</strong> Solo <strong>da</strong> Baía <strong>da</strong> Ilha Gran<strong>de</strong> .......................................... 29<br />
4. Caracterização <strong>da</strong> Área <strong>de</strong> Estu<strong>do</strong>s ............................................................................. 35<br />
4.1.1. Geologia ......................................................................................................... 35<br />
4.1.2. Geomorfologia ................................................................................................ 37<br />
4.1.3. Clima .............................................................................................................. 46<br />
4.1.4. Solos .............................................................................................................. 46<br />
4.1.5. Áreas <strong>de</strong> Preservação Permanentes (APPs) na Área <strong>de</strong> Estu<strong>do</strong>s .................. 48<br />
4.1.6. Vegetação e uso <strong>do</strong> solo (IBGE,2006) na Área <strong>de</strong> Estu<strong>do</strong>s ............................ 51<br />
4.1.7. Vegetação e Uso <strong>do</strong> Solo por Subsistemas Hidrográficos .............................. 54<br />
4.1.7.1. Subsistema Hidrográfico <strong>da</strong> Ensea<strong>da</strong> <strong>de</strong> Trin<strong>da</strong><strong>de</strong>................................ 56<br />
4.1.7.2. Subsistema Hidrográfico <strong>da</strong> Ensea<strong>da</strong> <strong>de</strong> Laranjeiras – Bacia <strong>do</strong><br />
Córrego <strong>da</strong> Toca <strong>do</strong> Boi ............................................................................................... 59<br />
4.1.7.3. Subsistema Hidrográfico <strong>da</strong>s Bacias <strong>do</strong>s Córregos <strong>da</strong> Ponta Negra<br />
e <strong>do</strong> Caju .............................................................................................................. 62<br />
4.1.7.4. Subsistema Hidrográfico <strong>da</strong> Ensea<strong>da</strong> <strong>da</strong> Juatinga – Córrego<br />
Cairuçú 65<br />
4.1.7.5. Subsistema Hidrográfico <strong>da</strong> Ensea<strong>da</strong> <strong>do</strong> Pouso ................................... 69<br />
4.1.7.6. Subsistema Hidrográfico <strong>da</strong>s Pequenas Bacias <strong>do</strong> Saco <strong>do</strong><br />
Mamanguá 73<br />
4.1.7.7. Subsistema Hidrográfico <strong>da</strong>s Bacias Contribuintes <strong>do</strong> Baixo Curso<br />
<strong>do</strong> <strong>Rio</strong> Paraty-Mirim – Córrego <strong>do</strong> Curupira ................................................................. 76<br />
4.1.7.8. Subsistema Hidrográfico <strong>da</strong>s Bacias Contribuintes <strong>do</strong> Alto Curso<br />
<strong>do</strong> <strong>Rio</strong> Paraty-Mirim – Córrego <strong>da</strong>s Pedras Azuis ........................................................ 79<br />
4.1.8. Evolução espaço-temporal <strong>da</strong> Vegetação e Uso <strong>do</strong> Solo na Área <strong>de</strong><br />
Estu<strong>do</strong>s 82<br />
4.1.9. Evolução espaço-temporal <strong>da</strong> Vegetação e Uso <strong>do</strong> Solo por Subsistemas<br />
Hidrográficos ................................................................................................................ 87<br />
4.1.9.1. Subsistema Hidrográfico <strong>da</strong> Ensea<strong>da</strong> <strong>de</strong> Trin<strong>da</strong><strong>de</strong>................................ 87<br />
4.1.9.2. Subsistema Hidrográfico <strong>da</strong> Ensea<strong>da</strong> <strong>de</strong> Laranjeiras – Bacia <strong>do</strong><br />
Córrego <strong>da</strong> Toca <strong>do</strong> Boi ............................................................................................... 89<br />
4.1.9.3. Subsistema Hidrográfico <strong>da</strong>s Bacias <strong>do</strong>s Córregos <strong>da</strong> Ponta Negra<br />
e <strong>do</strong> Caju 92<br />
4.1.9.4. Subsistema Hidrográfico <strong>da</strong> Ensea<strong>da</strong> <strong>da</strong> Juatinga – Córrego<br />
Cairuçú 94<br />
4.1.9.5. Subsistema Hidrográfico <strong>da</strong> Ensea<strong>da</strong> <strong>do</strong> Pouso ................................... 96<br />
4.1.9.6. Subsistema Hidrográfico <strong>da</strong>s Pequenas Bacias <strong>do</strong> Saco <strong>do</strong><br />
Mamanguá 98<br />
4.1.9.7. Subsistema Hidrográfico <strong>da</strong>s Bacias Contribuintes <strong>do</strong> Baixo Curso<br />
<strong>do</strong> <strong>Rio</strong> Paraty-Mirim – Córrego <strong>do</strong> Curupira ............................................................... 101
4.1.9.8. Subsistema Hidrográfico <strong>da</strong>s Bacias Contribuintes <strong>do</strong> Alto Curso<br />
<strong>do</strong> <strong>Rio</strong> Paraty-Mirim – Córrego <strong>da</strong>s Pedras Azuis ...................................................... 103<br />
4.1.10. Caracterização <strong>da</strong> fauna ............................................................................. 106<br />
4.1.11. Caracterização <strong>do</strong> uso <strong>do</strong>s ambientes marinhos ......................................... 107<br />
Bibliografia Consulta<strong>da</strong> ...................................................................................................... 112
INTRODUÇÃO<br />
O presente <strong>do</strong>cumento constitui o Segun<strong>do</strong> Produto <strong>do</strong> Contrato <strong>de</strong> Prestação <strong>de</strong><br />
Serviços <strong>de</strong> Consultoria 104/2010, firma<strong>do</strong> entre o Funbio e a Igara Consultoria em<br />
Aquicultura e Gestão <strong>Ambiental</strong> Lt<strong>da</strong>, para realizar estu<strong>do</strong>s e elaborar proposta para<br />
re<strong>de</strong>limitação <strong>da</strong>s áreas compreendi<strong>da</strong>s pela Reserva Ecológica <strong>da</strong> Juatinga – REJ e a<br />
Área Estadual <strong>de</strong> Lazer <strong>de</strong> Paraty Mirim – AELPM e suas respectivas áreas <strong>de</strong><br />
amortecimento.<br />
O Produto apresenta a Caracterização <strong>Ambiental</strong>, Socioeconômica e Fundiária <strong>da</strong><br />
área <strong>da</strong> REJ e AELPM, conten<strong>do</strong> informações previstas no Plano <strong>de</strong> Trabalho <strong>de</strong>sta<br />
consultoria. O <strong>do</strong>cumento está dividi<strong>do</strong> em <strong>do</strong>is Volumes, <strong>da</strong> seguinte forma:<br />
Volume I - Caracterização Socioeconômica e Fundiária;<br />
Volume II - Caracterização <strong>Ambiental</strong>.<br />
No Volume I apresentamos <strong>de</strong> forma separa<strong>da</strong> as informações para a área <strong>da</strong> REJ e<br />
para a área <strong>da</strong> AELPM, pois enten<strong>de</strong>mos que os contextos são bastante distintos e<br />
<strong>de</strong>ssa forma facilita o entendimento <strong>do</strong> leitor.<br />
A Primeira Parte <strong>do</strong> Volume I apresenta a Caracterização Socioeconômica, conten<strong>do</strong><br />
informações sobre a população <strong>de</strong>ssas áreas, no que diz respeito a: ocupação por<br />
mora<strong>do</strong>res e veranistas – número <strong>de</strong> edificações, famílias e pessoas resi<strong>de</strong>ntes;<br />
evolução <strong>da</strong> dinâmica <strong>de</strong>mográfica e <strong>de</strong> <strong>do</strong>micílios, entre os anos 2000, 2007 e 2011;<br />
principais ativi<strong>da</strong><strong>de</strong>s econômicas <strong>da</strong> população resi<strong>de</strong>nte e ativi<strong>da</strong><strong>de</strong>s<br />
complementares; breve avaliação <strong>da</strong> situação <strong>do</strong> turismo, <strong>da</strong> pesca artesanal, <strong>da</strong><br />
agricultura e <strong>do</strong> artesanato na área <strong>de</strong> influência <strong>da</strong>s comuni<strong>da</strong><strong>de</strong>s; atrativos turísticos<br />
utiliza<strong>do</strong>s; serviços disponíveis – educação, saú<strong>de</strong>, coleta <strong>de</strong> lixo, abastecimento <strong>de</strong><br />
água, vias <strong>de</strong> acesso, luz, etc; e as principais obras <strong>de</strong> infraestrutura existentes e<br />
previstas na área <strong>de</strong> estu<strong>do</strong>.<br />
Incluímos uma parte conceitual retratan<strong>do</strong> quem são os caiçaras <strong>da</strong> Península <strong>da</strong><br />
Juatinga. Enten<strong>de</strong>mos que os núcleos e comuni<strong>da</strong><strong>de</strong>s caiçaras <strong>de</strong>têm características<br />
singulares e que precisam estar <strong>de</strong>staca<strong>da</strong>s no universo <strong>de</strong>ste estu<strong>do</strong>, já que o<br />
resulta<strong>do</strong> <strong>de</strong>ste processo <strong>de</strong> recategorização afetará diretamente suas vi<strong>da</strong>s. E hoje,<br />
com a existência <strong>da</strong> Política Nacional <strong>de</strong> Desenvolvimento Sustentável <strong>do</strong>s Povos e<br />
Comuni<strong>da</strong><strong>de</strong>s Tradicionais este tema ganha lugar <strong>de</strong> <strong>de</strong>staque e se coloca como<br />
oportuni<strong>da</strong><strong>de</strong> para as instituições ambientais oficiais fazerem a diferença com ações<br />
inova<strong>do</strong>ras no senti<strong>do</strong> <strong>de</strong> inclusão <strong>de</strong>ssas comuni<strong>da</strong><strong>de</strong>s em busca <strong>de</strong> uma gestão<br />
socioambiental eficaz.<br />
No caso <strong>da</strong> REJ, partimos <strong>da</strong>s informações produzi<strong>da</strong>s no Plano <strong>de</strong> Manejo <strong>da</strong> Área<br />
<strong>de</strong> Proteção <strong>Ambiental</strong> <strong>do</strong> Cairuçu – APA Cairuçu, elabora<strong>do</strong> no perío<strong>do</strong> <strong>de</strong> 2000 a<br />
2002 e publica<strong>do</strong> em 2005. A partir <strong>da</strong>í produzimos informações atualiza<strong>da</strong>s, com base<br />
em entrevistas às famílias <strong>de</strong> ca<strong>da</strong> locali<strong>da</strong><strong>de</strong>, obten<strong>do</strong> <strong>da</strong><strong>do</strong>s quantitativos e<br />
qualitativos que nos aju<strong>da</strong>m a enten<strong>de</strong>r <strong>de</strong> forma mais precisa como está a reali<strong>da</strong><strong>de</strong><br />
<strong>de</strong>ssa população. Com isso temos elementos mais ricos para avaliar a evolução<br />
<strong>de</strong>ssas comuni<strong>da</strong><strong>de</strong>s nos últimos <strong>de</strong>z anos.<br />
Já para a AELPM, trabalhamos somente com informações secundárias, na sua<br />
maioria retratan<strong>do</strong> o conjunto <strong>da</strong>s locali<strong>da</strong><strong>de</strong>s inseri<strong>da</strong>s na área. Porém, mesmo com<br />
essa diferença em relação à REJ acreditamos que as informações apresenta<strong>da</strong>s nos<br />
possibilitam compreen<strong>de</strong>r a dinâmica populacional <strong>da</strong>s <strong>de</strong>z locali<strong>da</strong><strong>de</strong>s que integram a<br />
AELPM, que vão <strong>de</strong>s<strong>de</strong> núcleos rurais, urbano isola<strong>do</strong>, até territórios <strong>de</strong> povos<br />
tradicionais quilombolas e indígenas Guarani. Os resulta<strong>do</strong>s apontam que essa<br />
dinâmica populacional tem aconteci<strong>do</strong> sem consi<strong>de</strong>rar a existência <strong>da</strong> AELPM,<br />
1
geran<strong>do</strong> uma situação ca<strong>da</strong> vez mais distante com a reali<strong>da</strong><strong>de</strong> <strong>de</strong> uma uni<strong>da</strong><strong>de</strong> <strong>de</strong><br />
conservação. Por outro la<strong>do</strong>, temos os povos tradicionais manten<strong>do</strong> sua cultura viva,<br />
valorizan<strong>do</strong> ca<strong>da</strong> vez mais suas ativi<strong>da</strong><strong>de</strong>s que compõem um mo<strong>do</strong> <strong>de</strong> vi<strong>da</strong> próprio e<br />
fazen<strong>do</strong> as a<strong>de</strong>quações necessárias como forma <strong>de</strong> se a<strong>da</strong>ptar a nova reali<strong>da</strong><strong>de</strong> e<br />
aproveitar as oportuni<strong>da</strong><strong>de</strong>s que surgem, como é o caso <strong>de</strong> Paraty ser consi<strong>de</strong>ra<strong>do</strong><br />
Destino <strong>de</strong> Turismo Cultural, integran<strong>do</strong> um <strong>do</strong>s 65 <strong>de</strong>stinos turísticos <strong>do</strong> Brasil, pelo<br />
Ministério <strong>do</strong> Turismo.<br />
Ain<strong>da</strong> nesta primeira parte <strong>do</strong> Volume I, seguin<strong>do</strong> a meto<strong>do</strong>logia <strong>de</strong> uso <strong>de</strong><br />
informações secundárias utiliza<strong>da</strong> para a AELPM, apresentamos as informações<br />
disponíveis <strong>de</strong> ocupação <strong>da</strong>s áreas limítrofes a REJ e AELPM, atualmente conti<strong>da</strong>s<br />
nas Zonas <strong>de</strong> Expansão <strong>da</strong>s Vilas Caiçaras – ZVC e nas Zonas <strong>de</strong> Expansão<br />
Resi<strong>de</strong>ncial e Turística - ZERT <strong>da</strong> APA Cairuçu e nos bairros <strong>da</strong> Vila <strong>do</strong> Oratório e<br />
Trin<strong>da</strong><strong>de</strong>.<br />
A Segun<strong>da</strong> Parte <strong>do</strong> Volume I retrata a Caracterização Fundiária, no que se refere à<br />
i<strong>de</strong>ntificação e caracterização <strong>do</strong>s principais conflitos fundiários existentes; à situação<br />
<strong>de</strong> <strong>do</strong>mínio <strong>da</strong>s terras; e ao histórico <strong>da</strong>s iniciativas <strong>de</strong> regularização fundiária<br />
realiza<strong>da</strong>s e em an<strong>da</strong>mento. No caso <strong>da</strong> REJ, há a <strong>de</strong>man<strong>da</strong> <strong>de</strong> se fazer uma<br />
pesquisa mais <strong>de</strong>talha<strong>da</strong> sobre as proprie<strong>da</strong><strong>de</strong>s priva<strong>da</strong>s na área, buscan<strong>do</strong> a<br />
totali<strong>da</strong><strong>de</strong> <strong>da</strong>s informações existentes em especial no Cartório <strong>de</strong> Registro Geral <strong>de</strong><br />
Imóveis <strong>de</strong> Paraty, visto que as informações obti<strong>da</strong>s nos revelam que a área em<br />
questão está nas mãos <strong>de</strong> particulares, em alguns casos envolven<strong>do</strong> processos<br />
judiciais que dificultam a efetivação <strong>de</strong> ações <strong>de</strong> regularização fundiária no curto<br />
prazo. E <strong>da</strong> parte <strong>do</strong>s núcleos e comuni<strong>da</strong><strong>de</strong>s caiçaras que vivem na área <strong>da</strong> reserva<br />
temos uma situação <strong>de</strong> insegurança, in<strong>de</strong>finição, e em alguns casos omissão <strong>do</strong><br />
Esta<strong>do</strong>, que mantém a sombra <strong>do</strong> conflito fundiário com gran<strong>de</strong>s proprietários<br />
<strong>de</strong>ixan<strong>do</strong> marcas às vezes irreversíveis como é o caso <strong>da</strong> Praia Gran<strong>de</strong> <strong>da</strong> Cajaíba.<br />
Por outro la<strong>do</strong>, na área <strong>da</strong> AELPM, on<strong>de</strong> a situação <strong>de</strong> <strong>do</strong>mínio é resolvi<strong>da</strong>, temos na<br />
prática uma reali<strong>da</strong><strong>de</strong> bastante complexa, que vai <strong>de</strong>man<strong>da</strong>r um esforço concentra<strong>do</strong><br />
e continua<strong>do</strong> para efetivar ações <strong>de</strong> regularização fundiária que resulte numa ação <strong>de</strong><br />
or<strong>de</strong>namento <strong>de</strong> uso e parcelamento <strong>do</strong> solo, bem como na redução <strong>de</strong> conflitos <strong>de</strong><br />
interesses institucionais, que possam se traduzir em futuras ações <strong>de</strong> gestão<br />
partilha<strong>da</strong> <strong>de</strong>ste território.<br />
No Volume II apresentamos na Caracterização <strong>Ambiental</strong> um conjunto <strong>de</strong> informações<br />
sobre clima, geologia, pe<strong>do</strong>logia, geomorfologia/hidrologia, <strong>de</strong>clivi<strong>da</strong><strong>de</strong>, vegetação e<br />
uso <strong>do</strong> solo, breve caracterização <strong>da</strong> fauna e <strong>do</strong>s ambientes marinhos. Essas<br />
informações foram obti<strong>da</strong>s a partir <strong>de</strong> bibliografia disponível e em alguns casos<br />
atualiza<strong>da</strong>s por meio <strong>de</strong> comparação com imagens <strong>de</strong> satélite mais recentes, e estão<br />
organiza<strong>da</strong>s por meio <strong>de</strong> mapeamento temático.<br />
Neste Volume II, a área <strong>de</strong> estu<strong>do</strong> consi<strong>de</strong>ra<strong>da</strong> foi amplia<strong>da</strong> a partir <strong>da</strong> inclusão <strong>de</strong><br />
to<strong>da</strong> a porção <strong>de</strong> terras que se encontra entre estas duas uni<strong>da</strong><strong>de</strong>s <strong>de</strong> conservação -<br />
atualmente sob a proteção <strong>da</strong> Área <strong>de</strong> Proteção <strong>Ambiental</strong> <strong>do</strong> Cairuçu – APA cairuçu,<br />
para averiguação <strong>da</strong>s condições ambientais <strong>de</strong>ssas áreas <strong>de</strong> amortecimento que<br />
serão objeto <strong>de</strong> avaliações durante o processo <strong>de</strong> re<strong>de</strong>limitação <strong>da</strong>s mesmas. Esse<br />
novo recorte territorial possui 20.722 hectares e inclui várias bacias hidrográficas, <strong>de</strong><br />
diferentes tamanhos.<br />
Os resulta<strong>do</strong>s apresenta<strong>do</strong>s indicam que cerca <strong>de</strong> <strong>do</strong>is terços <strong>da</strong> área <strong>de</strong> estu<strong>do</strong> é<br />
coberta por florestas em estágio médio ou avança<strong>do</strong> <strong>de</strong> sucessão ecológica. Além<br />
disso, há mais <strong>de</strong> 17% <strong>de</strong> florestas em estágio inicial, totalizan<strong>do</strong> pouco mais <strong>de</strong> 84%<br />
<strong>de</strong> ecossistemas florestais. Para a discussão mais <strong>de</strong>talha<strong>da</strong> <strong>da</strong> cobertura vegetal e<br />
2
uso <strong>do</strong> solo nessa área <strong>de</strong> estu<strong>do</strong>, o recorte espacial foi dividi<strong>do</strong> em oito subsistemas<br />
hidrográficos, separa<strong>do</strong>s pelos principais divisores <strong>de</strong> água, que foram analisa<strong>do</strong>s em<br />
escala <strong>de</strong> <strong>de</strong>talhes possibilitan<strong>do</strong> uma análise <strong>da</strong>s especifici<strong>da</strong><strong>de</strong>s internas.<br />
Um <strong>do</strong>s mapeamentos produzi<strong>do</strong>s apresenta as Áreas <strong>de</strong> Preservação Permanente -<br />
APP. Porém cabe ressaltar, que a escala trabalha<strong>da</strong> (1:50.000) neste relatório não<br />
possibilita a real localização <strong>da</strong> APP em campo, sen<strong>do</strong> necessário escalas maiores<br />
para suas i<strong>de</strong>ntificações locais. Entretanto, o resulta<strong>do</strong> apresenta<strong>do</strong> serve <strong>de</strong><br />
orientação para tal tema.<br />
Para a evolução espaço temporal <strong>da</strong> vegetação e uso <strong>do</strong> solo na área <strong>de</strong> estu<strong>do</strong>s foi<br />
realiza<strong>da</strong> a comparação entre o mapeamento realiza<strong>do</strong> com ortofotografias aéreas <strong>de</strong><br />
1987 e 1995 <strong>do</strong> Plano <strong>de</strong> Manejo <strong>da</strong> APA Cairuçu e o mapeamento realiza<strong>do</strong> com<br />
ortofotografias aéreas <strong>de</strong> 2006 (IBGE/Inea). De forma geral, o resulta<strong>do</strong> <strong>de</strong>monstra<br />
que o padrão <strong>da</strong> paisagem pouco se alterou. A <strong>de</strong>speito <strong>de</strong> to<strong>do</strong>s os problemas<br />
meto<strong>do</strong>lógicos que dificultam essa comparação (discuti<strong>do</strong>s na meto<strong>do</strong>logia <strong>do</strong><br />
presente trabalho), algumas observações relevantes na evolução <strong>da</strong> paisagem foram<br />
apresenta<strong>da</strong>s a partir <strong>de</strong>sse procedimento.<br />
Foi verifica<strong>do</strong> um aumento <strong>de</strong> quase 1000 hectares nas áreas <strong>de</strong> floresta em estágio<br />
médio ou avança<strong>do</strong> <strong>de</strong> sucessão, o que correspon<strong>de</strong> a cerca <strong>de</strong> 5% <strong>da</strong> área <strong>de</strong><br />
estu<strong>do</strong>. Este resulta<strong>do</strong> é bastante expressivo e indica que a floresta existente nessa<br />
área, <strong>de</strong> forma geral, está sen<strong>do</strong> conserva<strong>da</strong> e, em <strong>de</strong>termina<strong>do</strong>s locais, recupera<strong>da</strong>.<br />
Como refinamento <strong>de</strong>ssa evolução é apresenta<strong>do</strong> também a análise <strong>de</strong> <strong>de</strong>talhe por<br />
bacia hidrográfica, on<strong>de</strong> notam-se algumas diferenças importantes entre a cobertura<br />
vegetal e o uso <strong>do</strong> solo entre os <strong>do</strong>is mapeamentos.<br />
A região sul <strong>da</strong> Península <strong>da</strong> Juatinga, compreen<strong>de</strong>n<strong>do</strong> as locali<strong>da</strong><strong>de</strong>s <strong>da</strong> Praia <strong>do</strong><br />
Sono e Ponta Negra, foi a que apresentou maior ampliação nas áreas <strong>de</strong> floresta em<br />
estágio médio e avança<strong>do</strong>, possivelmente causa<strong>do</strong> pela diminuição <strong>da</strong>s práticas<br />
agrícolas nessas comuni<strong>da</strong><strong>de</strong>s. A região leste, entre Ponta Negra e Ponta <strong>da</strong> Juatinga,<br />
on<strong>de</strong> existem os núcleos isola<strong>do</strong>s, não apresentou gran<strong>de</strong>s diferenças entre os <strong>do</strong>is<br />
mapeamentos, manten<strong>do</strong> gran<strong>de</strong>s áreas <strong>de</strong> floresta em estágio médio e avança<strong>do</strong> e<br />
pequenos pontos <strong>de</strong> roças. A região <strong>da</strong> Baía <strong>da</strong> Cajaíba apresentou pequena variação<br />
entre as áreas <strong>de</strong> floresta em estágio médio ou avança<strong>do</strong> <strong>de</strong> sucessão ecológica entre<br />
os mapeamentos <strong>de</strong> 1987/1995 e <strong>de</strong> 2006, que sugerem como motivo as péssimas<br />
condições <strong>do</strong> solo nessa região <strong>de</strong> afloramentos rochosos. Na região <strong>do</strong> Saco <strong>do</strong><br />
Mamanguá ocorreu uma variação bastante significativa nas florestas em estágio médio<br />
e avança<strong>do</strong> <strong>de</strong> sucessão ecológica, que aumentaram em 440 hectares, em<br />
<strong>de</strong>corrência <strong>da</strong> consoli<strong>da</strong>ção <strong>da</strong>s ocupações turísticas que inutilizam as áreas acima<br />
<strong>da</strong>s residências e <strong>do</strong> gra<strong>da</strong>tivo aban<strong>do</strong>no <strong>da</strong> agricultura pela população local.<br />
Na região inferior <strong>da</strong> AELPM, <strong>da</strong> estra<strong>da</strong> BR 101 até a praia, a comparação indica a<br />
ocorrência <strong>de</strong> um aumento <strong>de</strong> mais <strong>de</strong> 90 hectares nas áreas <strong>de</strong> floresta em estágio<br />
avança<strong>do</strong> <strong>de</strong> sucessão ecológica, sobretu<strong>do</strong> na margem direita <strong>do</strong> rio Paraty Mirim,<br />
<strong>da</strong><strong>do</strong>s que nos causam surpresa quan<strong>do</strong> avalia<strong>do</strong>s em conjunto com o crescente<br />
processo <strong>de</strong> ocupação <strong>de</strong>sor<strong>de</strong>na<strong>da</strong> que ali ocorre. Na parte alta <strong>da</strong> AELPM, entre a<br />
BR 101 e a divisa <strong>do</strong>s esta<strong>do</strong>s <strong>do</strong> <strong>Rio</strong> <strong>de</strong> <strong>Janeiro</strong> e São Paulo, a comparação <strong>de</strong><br />
imagens também apresentou um aumento na área <strong>de</strong> floresta em estágio médio ou<br />
avança<strong>do</strong> <strong>de</strong> sucessão ecológica, amplian<strong>do</strong> em mais <strong>de</strong> 200 hectares.<br />
De forma geral, para a área <strong>da</strong> REJ vemos que as restrições impostas pela uni<strong>da</strong><strong>de</strong> <strong>de</strong><br />
conservação consi<strong>de</strong>ra<strong>da</strong> <strong>de</strong> proteção integral acabou por limitar as ativi<strong>da</strong><strong>de</strong>s <strong>de</strong><br />
agricultura e retira<strong>da</strong> <strong>de</strong> recursos <strong>da</strong> mata, o que certamente contribuiu para a<br />
3
ampliação <strong>da</strong>s áreas com vegetação nativa. Alia<strong>do</strong> a isso, também po<strong>de</strong>mos<br />
consi<strong>de</strong>rar fatores como o aumento <strong>do</strong> interesse <strong>da</strong>s comuni<strong>da</strong><strong>de</strong>s caiçaras por se<br />
manter no seu território <strong>de</strong> origem e <strong>da</strong> afirmação <strong>da</strong> i<strong>de</strong>nti<strong>da</strong><strong>de</strong> caiçara; o aumento <strong>do</strong><br />
turismo na região, oportunizan<strong>do</strong> o envolvimento direto <strong>de</strong>ssas populações no<br />
<strong>de</strong>senvolvimento <strong>de</strong> diferentes iniciativas proporciona<strong>da</strong>s pelos seus saberes e<br />
capaci<strong>da</strong><strong>de</strong> <strong>de</strong> a<strong>de</strong>quação, ain<strong>da</strong> que com muitas <strong>de</strong>man<strong>da</strong>s <strong>de</strong> capacitação; e ao<br />
mesmo tempo a manutenção <strong>da</strong>s ativi<strong>da</strong><strong>de</strong>s <strong>de</strong> pesca, agricultura <strong>de</strong> subsistência e<br />
artesanato. Tu<strong>do</strong> isso se dá <strong>de</strong> forma diferencia<strong>da</strong> em ca<strong>da</strong> núcleo e comuni<strong>da</strong><strong>de</strong><br />
caiçara, <strong>de</strong>pen<strong>de</strong>n<strong>do</strong> <strong>de</strong> condições como: a facili<strong>da</strong><strong>de</strong> <strong>de</strong> acesso; a existência <strong>de</strong><br />
serviços como educação e saú<strong>de</strong>; a presença <strong>de</strong> recursos naturais; a organização <strong>da</strong><br />
comuni<strong>da</strong><strong>de</strong>; o grau <strong>de</strong> conflito fundiário existente; entre outros.<br />
E para a AELPM, a presença <strong>da</strong> Uni<strong>da</strong><strong>de</strong> <strong>de</strong> Conservação é uma ficção e está distante<br />
<strong>do</strong> universo <strong>de</strong> quem habita este território. As áreas ain<strong>da</strong> preserva<strong>da</strong>s, que integram<br />
as áreas mais eleva<strong>da</strong>s e íngremes, mantêm as características <strong>de</strong> uma área<br />
preserva<strong>da</strong>, e também compõem a Zona <strong>de</strong> Proteção <strong>da</strong> Vi<strong>da</strong> Silvestre <strong>da</strong> APA<br />
Cairuçu. As áreas ocupa<strong>da</strong>s e já homologa<strong>da</strong>s para os quilombolas <strong>do</strong> Campinho e os<br />
indígenas <strong>do</strong> Parati Mirim e Araponga po<strong>de</strong>m ser consi<strong>de</strong>ra<strong>da</strong>s <strong>de</strong>safeta<strong>da</strong>s <strong>da</strong><br />
uni<strong>da</strong><strong>de</strong> <strong>de</strong> conservação. Porém, as negociações para ampliação <strong>de</strong>stas Terras<br />
Indígenas po<strong>de</strong>m se conformar objeto <strong>de</strong> conflito institucional. A esse respeito,<br />
notamos que as instituições que atuam na área não conseguem ter uma ação<br />
compartilha<strong>da</strong> <strong>de</strong> fato, o que contribui para o aumento <strong>do</strong>s conflitos existentes e para a<br />
lentidão e falta <strong>de</strong> continui<strong>da</strong><strong>de</strong> <strong>da</strong>s ações <strong>de</strong> gestão ambiental e patrimonial. Um<br />
exemplo disso é o <strong>de</strong>stino <strong>do</strong> Casarão no Paraty-Mirim, que <strong>de</strong> tantas propostas e<br />
in<strong>de</strong>finições encontra-se hoje quase to<strong>do</strong> em ruínas, <strong>de</strong>generan<strong>do</strong> o patrimônio<br />
cultural ali envolvi<strong>do</strong>.<br />
4
VOLUME II – CARACTERIZAÇÃO AMBIENTAL<br />
1. Apresentação<br />
Este relatório é parte <strong>do</strong>s estu<strong>do</strong>s preliminares <strong>do</strong> Projeto <strong>de</strong> recategorização <strong>da</strong><br />
Reserva Ecológica <strong>da</strong> Juatinga e <strong>da</strong> Área Estadual <strong>de</strong> Lazer <strong>de</strong> Paraty-Mirim. E tem<br />
como objetivo apresentar a caracterização ambiental <strong>da</strong> Área <strong>de</strong> Estu<strong>do</strong>s abrangen<strong>do</strong><br />
<strong>da</strong><strong>do</strong>s sobre clima, geologia, pe<strong>do</strong>logia, geomorfologia, hidrologia, <strong>de</strong>clivi<strong>da</strong><strong>de</strong>,<br />
vegetação e uso <strong>do</strong> solo, caracterização <strong>da</strong> fauna, caracterização <strong>do</strong> uso <strong>do</strong>s<br />
ambientes marinhos.<br />
Este <strong>do</strong>cumento está estrutura<strong>do</strong> em três partes. A primeira traz a apresentação <strong>da</strong><br />
meto<strong>do</strong>logia <strong>de</strong> elaboração. A segun<strong>da</strong> apresenta <strong>de</strong> forma sucinta as características<br />
regionais na qual se insere a Área <strong>de</strong> Estu<strong>do</strong>s com o foco na região <strong>da</strong> Baía <strong>da</strong> Ilha<br />
Gran<strong>de</strong>. E a terceira apresenta as características geobiofísicas <strong>da</strong> Área <strong>de</strong> Estu<strong>do</strong>s<br />
organiza<strong>da</strong> por meio <strong>de</strong> mapas temáticos.<br />
2. Meto<strong>do</strong>logia<br />
Este estu<strong>do</strong> a<strong>do</strong>ta uma linha meto<strong>do</strong>lógica volta<strong>da</strong> para a análise integra<strong>da</strong> <strong>de</strong><br />
elementos, processos e variáveis, fixos e fluxos que compõem a paisagem estu<strong>da</strong><strong>da</strong>.<br />
E seguiu etapas complementares, que se iniciaram com os levantamentos<br />
informações preexistentes e com a <strong>de</strong>finição <strong>da</strong> área <strong>de</strong> abrangência <strong>do</strong> estu<strong>do</strong>. Em<br />
paralelo ao levantamento bibliográfico, foi elabora<strong>da</strong> uma base digital <strong>de</strong> informações<br />
espaciais preliminar através <strong>da</strong> montagem, a<strong>de</strong>quação e sistematização <strong>da</strong> base<br />
cartográfica em escala 1:50.000 <strong>de</strong>sta área e, posteriormente, foram elabora<strong>do</strong>s os<br />
mapas temáticos, incluin<strong>do</strong> a elaboração <strong>do</strong> Mapa <strong>de</strong> Vegetação e Uso <strong>do</strong> Solo <strong>da</strong><br />
área <strong>de</strong> estu<strong>do</strong>s (elabora<strong>do</strong> sobre as ortofotografias <strong>do</strong> IBGE <strong>do</strong> ano <strong>de</strong> 2006), o mapa<br />
<strong>de</strong> APPs, o mapa <strong>de</strong> posicionamento topográfico, o mapa <strong>de</strong> <strong>de</strong>clivi<strong>da</strong><strong>de</strong>s, o mapa <strong>de</strong><br />
hipsometria e o mapa <strong>de</strong> Uni<strong>da</strong><strong>de</strong>s <strong>de</strong> Conservação, além <strong>da</strong> a<strong>da</strong>ptação <strong>do</strong> mapa <strong>de</strong><br />
vegetação e uso <strong>do</strong> solo produzi<strong>do</strong> no âmbito <strong>do</strong> Plano <strong>de</strong> Manejo <strong>da</strong> APA Cairuçú<br />
(em escala 1:50.000 elabora<strong>do</strong> sobre ortofotografias <strong>de</strong> 1987 e 1995 pela SOS Mata<br />
Atlântica). To<strong>do</strong>s estes mapas foram a<strong>de</strong>qua<strong>do</strong>s ao recorte espacial <strong>da</strong> área <strong>de</strong><br />
estu<strong>do</strong>s e <strong>da</strong>s duas UCs que são foco principal <strong>de</strong>ste estu<strong>do</strong>.<br />
A ultima etapa meto<strong>do</strong>lógica foi a realização <strong>de</strong> análises <strong>do</strong> conjunto integra<strong>do</strong> <strong>do</strong>s<br />
mapas e bibliografia levanta<strong>da</strong>.<br />
2.1. Definição <strong>da</strong> Área <strong>de</strong> Estu<strong>do</strong><br />
Para este relatório, a Área <strong>de</strong> Estu<strong>do</strong> foi <strong>de</strong>fini<strong>da</strong> a partir <strong>da</strong> inclusão <strong>da</strong>s áreas <strong>da</strong><br />
Reserva Ecológica <strong>da</strong> Juatinga (REJ) e <strong>da</strong> Área Estadual <strong>de</strong> Lazer <strong>de</strong> Paraty-Mirim<br />
(AELPM), Uni<strong>da</strong><strong>de</strong>s <strong>de</strong> Conservação que são foco <strong>do</strong> projeto <strong>de</strong> recategorização, e <strong>de</strong><br />
to<strong>da</strong> a porção <strong>de</strong> terras que se encontra entre estas duas UCs - atualmente sob a<br />
proteção <strong>da</strong> APA Cairuçú.<br />
Esse recorte territorial possui 20.722 hectares e inicia-se na bacia hidrográfica <strong>do</strong> rio<br />
Paraty-Mirim, que incorpora a totali<strong>da</strong><strong>de</strong> <strong>da</strong> Área Estadual <strong>de</strong> Lazer <strong>de</strong> Paraty-Mirim e<br />
segue incluin<strong>do</strong> terras protegi<strong>da</strong>s pela APA Cairuçú até a inclusão total <strong>do</strong>s limites <strong>da</strong><br />
Reserva Ecológica <strong>da</strong> Juatinga. Como limites, este recorte espacial possui o Oceano<br />
Atlântico, a sul, leste e nor<strong>de</strong>ste; os divisores <strong>da</strong> bacia <strong>do</strong> <strong>Rio</strong> Paraty-Mirim, a<br />
noroeste, e os limites <strong>do</strong> esta<strong>do</strong> <strong>do</strong> <strong>Rio</strong> <strong>de</strong> <strong>Janeiro</strong> com o esta<strong>do</strong> <strong>de</strong> São Paulo, na<br />
porção oeste (figura 2.1-1).<br />
5
Esta área inclui várias bacias hidrográficas, <strong>de</strong> diferentes tamanhos. Algumas são <strong>de</strong><br />
porte significativo, com a bacia <strong>do</strong> <strong>Rio</strong> Paraty-Mirim, enquanto diversas outras são<br />
bacias pequenas, forma<strong>da</strong>s uma <strong>de</strong>nsi<strong>da</strong><strong>de</strong> menor <strong>de</strong> rios que drenam diretamente<br />
para o mar.<br />
Para a discussão mais <strong>de</strong>talha<strong>da</strong> <strong>da</strong> cobertura vegetal e uso <strong>do</strong> solo na área <strong>de</strong><br />
estu<strong>do</strong>, esse recorte espacial foi dividi<strong>do</strong> em oito subsistemas hidrográficos, separa<strong>do</strong>s<br />
pelos principais divisores <strong>de</strong> água inseri<strong>do</strong>s na área <strong>de</strong> estu<strong>do</strong> (tabela 2.1-1 e figura<br />
2.1-2).<br />
Tabela 2.1-1: Áreas (hectares) e Proporções <strong>de</strong> áreas <strong>do</strong>s subsistemas hidrográficos<br />
Sigla Nome Área (ha) %<br />
SbSH 1 Subsistema Hidrográfico <strong>da</strong> Ensea<strong>da</strong> <strong>da</strong> Trin<strong>da</strong><strong>de</strong> 944,86 4,56<br />
SbSH 2<br />
Subsistema Hidrográfico <strong>da</strong> Ensea<strong>da</strong> <strong>da</strong>s Laranjeiras - Bacia <strong>do</strong><br />
Córrego <strong>da</strong> Toca <strong>do</strong> Boi<br />
1.295,97 6,25<br />
SbSH 3<br />
Subsistema Hidrográfico <strong>da</strong>s Bacias <strong>do</strong>s Córregos <strong>da</strong> Ponta Negra e<br />
<strong>do</strong> Caju<br />
2.161,13 10,43<br />
SbSH 4 Subsistema Hidrográfico <strong>da</strong> Ensea<strong>da</strong> <strong>do</strong> Juatinga - Córrego Cairuçú 2.725,56 13,15<br />
SbSH 5 Subsistema Hidrográfico <strong>da</strong> Ensea<strong>da</strong> <strong>do</strong> Pouso 2.498,21 12,06<br />
SbSH 6<br />
Subsistema Hidrográfico <strong>da</strong>s Pequenas Bacias <strong>do</strong> Saco <strong>do</strong><br />
Mamanguá - Drenagem Noroeste<br />
4.395,28 21,21<br />
SbSH 7<br />
Subsistema Hidrográfico <strong>da</strong>s Bacias Contribuintes <strong>do</strong> Baixo Curso <strong>do</strong><br />
<strong>Rio</strong> Parati-Mirim - Córrego <strong>do</strong> Curupira<br />
1.192,79 5,76<br />
SbSH 8<br />
Subsistema Hidrográfico <strong>da</strong>s Bacias Contribuintes <strong>do</strong> Alto Curso <strong>do</strong><br />
<strong>Rio</strong> Parati-Mirim - Córrego <strong>da</strong>s Pedras Azuis<br />
5.508,77 26,58<br />
Total 20.722,57 100<br />
Exceção são os subsistemas 7 e 8, que incluem a bacia <strong>do</strong> <strong>Rio</strong> Paraty-Mirim. Nesse<br />
caso, houve uma cisão <strong>da</strong> parte alta/média e baixa <strong>da</strong> bacia. Esta divisão se <strong>de</strong>ve a<br />
<strong>do</strong>is aspectos: o aspecto fundiário, pois as duas partes correspon<strong>de</strong>m a duas antigas<br />
fazen<strong>da</strong>s distintas – Fazen<strong>da</strong> Paraty-Mirim e Fazen<strong>da</strong> In<strong>de</strong>pendência, e à relação<br />
<strong>de</strong>sses espaços com a ro<strong>do</strong>via <strong>Rio</strong>-Santos (BR-101), já que a porção superior<br />
apresenta uma influência <strong>de</strong>sta ro<strong>do</strong>via que é bastante distinta <strong>da</strong> porção inferior –<br />
constituin<strong>do</strong>-se em um vetor <strong>de</strong> incorporação <strong>de</strong> consi<strong>de</strong>ráveis porções <strong>de</strong>sta área<br />
superior <strong>da</strong> bacia.<br />
Dentre os oito subsistemas, o <strong>da</strong> porção superior <strong>da</strong> bacia <strong>do</strong> Paraty-Mirim, situa<strong>do</strong> no<br />
extremo noroeste <strong>da</strong> Área <strong>de</strong> Estu<strong>do</strong>s, é o maior em área (cerca <strong>de</strong> ¼ <strong>da</strong> Área <strong>de</strong><br />
Estu<strong>do</strong>s), além <strong>de</strong> ser o único que não possui limite marinho, ten<strong>do</strong> a BR-101 como<br />
acesso quase único. O rio Paraty-Mirim é o rio principal <strong>de</strong>sta bacia.<br />
O Subsistema <strong>do</strong> Saco <strong>do</strong> Mamanguá também é bastante significativo em termos<br />
espaciais, com mais <strong>de</strong> 4 mil hectares, o que representa mais <strong>de</strong> 20% <strong>da</strong> área total <strong>de</strong><br />
estu<strong>do</strong>s. Esse subsistema, situa<strong>do</strong> na porção norte <strong>da</strong> área <strong>de</strong> estu<strong>do</strong>, inclui uma<br />
vasta área litorânea, que abrange diversas pequenas bacias hidrográficas, com<br />
<strong>de</strong>staque para as bacias <strong>do</strong>s córregos Mamanguá, Pão-<strong>de</strong>-Açúcar, rio Gran<strong>de</strong>, rio<br />
Cairuçú, rio <strong>do</strong> Sono, rio <strong>do</strong> Regato, Cairuçú e a bacia <strong>do</strong> rio Iriró. A via marítima é a<br />
principal forma <strong>de</strong> entra<strong>da</strong> e saí<strong>da</strong> <strong>de</strong>ssa área. Acessos terrestres são restritos a<br />
caminha<strong>da</strong>s por trilhas <strong>de</strong> servidão.<br />
6
Figura 2.1-1 – Mapa básico <strong>da</strong> área <strong>de</strong> estu<strong>do</strong>.<br />
7
Figura 2.1-1 – Subsistemas hidrográficos <strong>da</strong> área <strong>de</strong> estu<strong>do</strong>.<br />
8
Os Subsistemas Hidrográficos <strong>da</strong>s Bacias <strong>do</strong>s córregos <strong>da</strong> Ponta Negra e <strong>do</strong> Caju (bacias<br />
<strong>do</strong>s córregos <strong>da</strong> Jamanta, <strong>da</strong> Ponta Negra e <strong>do</strong> Caju são os principais <strong>de</strong>sse subsistema),<br />
<strong>da</strong> Ensea<strong>da</strong> <strong>do</strong> Juatinga - Córrego Cairuçú (rios principais <strong>da</strong> bacia são os córregos <strong>do</strong><br />
Cairuçú e <strong>da</strong> Cachoeira Gran<strong>de</strong>) e <strong>da</strong> Ensea<strong>da</strong> <strong>do</strong> Pouso (As bacias <strong>do</strong>s córregos <strong>da</strong> praia<br />
Gran<strong>de</strong> e <strong>da</strong> Espiã e a bacia <strong>do</strong> <strong>Rio</strong> Itaoca são s principais componentes <strong>de</strong>sse subsistema)<br />
possuem tamanhos semelhantes, com valores entre 2 mil e 3 mil hectares. O primeiro está<br />
na porção sul <strong>da</strong> área <strong>de</strong> estu<strong>do</strong>, o segun<strong>do</strong> na porção su<strong>de</strong>ste e o terceiro na parte<br />
nor<strong>de</strong>ste.<br />
O Subsistema Hidrográfico <strong>da</strong> Ensea<strong>da</strong> <strong>da</strong>s Laranjeiras - Bacia <strong>do</strong> córrego <strong>da</strong> Toca <strong>do</strong> Boi<br />
(que possui o Córrego Laranjeiras e o Córrego Toca <strong>do</strong> Boi como as principais drenagens) e<br />
o Subsistema Hidrográfico <strong>da</strong>s Bacias Contribuintes <strong>do</strong> Baixo Curso <strong>do</strong> <strong>Rio</strong> Parati-Mirim -<br />
Córrego <strong>do</strong> Curupira (que possui o Paraty-Mirim como principal rio) possuem áreas<br />
próximas a 1.200 hectares. O primeiro está na parte sul <strong>da</strong> área <strong>de</strong> estu<strong>do</strong> e apresenta uma<br />
gran<strong>de</strong> área <strong>de</strong> litoral. Já o segun<strong>do</strong> possui uma área <strong>de</strong> litoral muito menor, estan<strong>do</strong> situa<strong>da</strong><br />
no extremo norte.<br />
O menor <strong>do</strong>s subsistemas é <strong>da</strong> Ensea<strong>da</strong> <strong>da</strong> Trin<strong>da</strong><strong>de</strong>, com pouco menos <strong>de</strong> 1.000 hectares,<br />
situa-se no extremo su<strong>do</strong>este <strong>da</strong> área <strong>de</strong> estu<strong>do</strong>s e ten<strong>do</strong> o córrego <strong>da</strong> Trin<strong>da</strong><strong>de</strong> como uma<br />
<strong>de</strong> suas drenagens principais.<br />
2.2. Levantamento <strong>do</strong>s <strong>da</strong><strong>do</strong>s bibliográficos e cartográficos<br />
O processo <strong>de</strong> elaboração <strong>de</strong>ste estu<strong>do</strong> foi basea<strong>do</strong>, principalmente, em <strong>da</strong><strong>do</strong>s secundários,<br />
tanto para a coleta <strong>de</strong> <strong>da</strong><strong>do</strong>s cartográficos quanto <strong>de</strong> <strong>da</strong><strong>do</strong>s bibliográficos que auxiliaram na<br />
caracterização ambiental <strong>da</strong> Área <strong>de</strong> Estu<strong>do</strong>s.<br />
Como base bibliográfica foi utiliza<strong>do</strong> os encartes <strong>do</strong> Plano <strong>de</strong> Manejo <strong>da</strong> APA Cairuçú e <strong>do</strong><br />
Plano <strong>de</strong> Manejo <strong>do</strong> Parque Nacional <strong>da</strong> Serra <strong>da</strong> Bocaina, o Relatório Final <strong>do</strong>s Estu<strong>do</strong>s <strong>de</strong><br />
Criação <strong>do</strong> Parque Estadual <strong>do</strong> Cunhambebe e o Estu<strong>do</strong> <strong>de</strong> Base <strong>do</strong> Projeto <strong>de</strong> Gestão<br />
Integra<strong>da</strong> <strong>da</strong> <strong>do</strong>s Ecossistemas <strong>da</strong> Baía <strong>da</strong> Ilha Gran<strong>de</strong>.<br />
Os <strong>da</strong><strong>do</strong>s cartográficos, como bases cartográficas e ortofotografias, foram adquiri<strong>da</strong>s<br />
através <strong>de</strong> sítios <strong>da</strong> internet <strong>de</strong> diversos órgãos públicos, como órgãos <strong>do</strong> esta<strong>do</strong>, como o<br />
Instituto Estadual <strong>do</strong> Ambiente (INEA) e o Instituto Brasileiro <strong>de</strong> Geografia e Estatística<br />
(IBGE), <strong>de</strong> on<strong>de</strong> foi adquiri<strong>do</strong> o conjunto <strong>de</strong> cartas topográficas, em formato digital, que<br />
cobrem a área <strong>de</strong> estu<strong>do</strong> na escala 1:50.000 e o conjunto <strong>de</strong> ortofotografias em escala<br />
1:25.000 <strong>do</strong> ano <strong>de</strong> 2006.<br />
A partir <strong>da</strong>s bases <strong>do</strong> IBGE, foram levanta<strong>da</strong>s to<strong>da</strong>s as informações básicas <strong>de</strong> cunho<br />
territorial, como divisão municipal, estra<strong>da</strong>s, hidrografia, toponímias, sistema <strong>de</strong> transportes,<br />
infraestrutura, recortes territoriais político-administrativos, topografia entre outros <strong>da</strong><strong>do</strong>s. A<br />
utilização <strong>da</strong>s bases cartográficas <strong>do</strong> IBGE como fonte <strong>de</strong>ssas informações confere aos<br />
<strong>da</strong><strong>do</strong>s um caráter oficial, e que em alguns casos, foi alvo <strong>de</strong> compilações para a a<strong>de</strong>quação<br />
ao mapeamento <strong>de</strong> vegetação e uso <strong>do</strong> solo na escala <strong>de</strong> 1:10.000 – como a compilação<br />
<strong>do</strong>s limites <strong>da</strong>s duas UCs (REJ e AELPM), linha <strong>de</strong> costa, toponímias <strong>de</strong> locali<strong>da</strong><strong>de</strong>s entre<br />
outras.<br />
Para Geologia e Geomorfologia foram levanta<strong>do</strong>s os <strong>da</strong><strong>do</strong>s disponíveis no site <strong>da</strong><br />
Companhia <strong>de</strong> Pesquisa <strong>de</strong> Recursos Minerais (CPRM), liga<strong>da</strong> ao Serviço Geológico <strong>do</strong><br />
Brasil. Os <strong>da</strong><strong>do</strong>s cartográficos obti<strong>do</strong>s nessas instituições serviram como base para a<br />
elaboração <strong>do</strong>s mapas geomorfológico, pe<strong>do</strong>lógico e geológico.<br />
Para a caracterização <strong>da</strong> vegetação e uso <strong>do</strong> solo foi realiza<strong>do</strong> um novo mapeamento a<br />
partir <strong>de</strong> interpretação visual em ortofotografias aéreas <strong>do</strong> ano <strong>de</strong> 2006 disponibiliza<strong>da</strong>s pelo<br />
9
IBGE. Outras informações sobre a vegetação na região foram retira<strong>da</strong>s <strong>de</strong> diferentes fontes,<br />
como o Plano <strong>de</strong> Manejo <strong>da</strong> APA Cairuçú, teses e artigos científicos.<br />
2.3. Elaboração <strong>do</strong> SIG<br />
A abor<strong>da</strong>gem <strong>de</strong>ste trabalho segue linha meto<strong>do</strong>lógica volta<strong>da</strong> para a análise integra<strong>da</strong> <strong>do</strong><br />
espaço geográfico, a partir <strong>do</strong> <strong>de</strong>senvolvimento <strong>de</strong> mo<strong>de</strong>los <strong>de</strong> análise sobre aspectos<br />
geobiofísicos e socioeconômicos em escala <strong>de</strong> paisagem como subsídios para diagnósticos<br />
e prognósticos no geoecossistema em questão.<br />
Diante <strong>da</strong> inexistência <strong>de</strong> cartografia digital em escalas maiores para a área estu<strong>da</strong><strong>da</strong>, foram<br />
utiliza<strong>da</strong>s as bases cartográficas em escala <strong>de</strong> 1:50.000 produzi<strong>da</strong>s pelo IBGE e<br />
disponibiliza<strong>da</strong>s gratuitamente.<br />
Estas bases contêm Topografia, Hidrografia, Sistema <strong>de</strong> Transportes, Infraestrutura e<br />
recortes territoriais Político-Administrativos. Vale ressaltar que o sistema <strong>de</strong> transportes e a<br />
infraestrutura foram atualiza<strong>do</strong>s (compila<strong>do</strong>s) sobre as ortofotografias aéreas <strong>de</strong> 2006.<br />
Toponímias <strong>de</strong> locali<strong>da</strong><strong>de</strong>s foram extraí<strong>da</strong>s <strong>da</strong>s bases, checa<strong>da</strong>s e atualiza<strong>da</strong>s em trabalhos<br />
<strong>de</strong> campo.<br />
Bases cartográficas em escala <strong>de</strong> 1:2.000 (apenas para as áreas <strong>da</strong> Secretaria <strong>de</strong><br />
Patrimônio <strong>da</strong> União – SPU) foram incorpora<strong>da</strong>s na base <strong>de</strong> informações espaciais e<br />
tiveram alguns <strong>de</strong> seus temas utiliza<strong>do</strong>s durante os trabalhos <strong>de</strong> campo <strong>do</strong> levantamento<br />
socioeconômico.<br />
Também foram incorpora<strong>do</strong>s arquivos referentes ao Plano <strong>de</strong> Manejo <strong>da</strong> APA Cairuçú . E<br />
to<strong>da</strong>s as Bases Cartográficas e Mapas Temáticos foram edita<strong>do</strong>s e transforma<strong>do</strong>s para o<br />
Sistema Geodésico <strong>de</strong> Projeção SIRGAS 2000.<br />
2.3.1. Base cartográfica<br />
Foi <strong>de</strong>fini<strong>da</strong> a escala cartográfica <strong>de</strong> 1:50.000 para as análises, com ressalvas para as<br />
analises <strong>de</strong> vegetação e uso <strong>do</strong> solo que seguiram a escala <strong>de</strong> 1:10.000. Para a<br />
organização, sistematização e montagem <strong>da</strong> base cartográfica foram utiliza<strong>da</strong>s folhas<br />
topográficas elabora<strong>da</strong>s pelo IBGE; os arquivos vetoriais foram disponibiliza<strong>do</strong>s pelo IBGE<br />
(página <strong>da</strong> Internet): As folhas utiliza<strong>da</strong>s foram Cunha (SF-23-Z-C-I-1), Paraty (SF-23-Z-C-I-<br />
2), Picinguaba (SF-23-Z-C-I-3) e Juatinga (SF-23-Z-C-I-4).<br />
Os arquivos disponibiliza<strong>do</strong>s foram trata<strong>do</strong>s no senti<strong>do</strong> <strong>de</strong> a<strong>de</strong>quar informações <strong>de</strong> diversas<br />
fontes a uma mesma base <strong>de</strong> <strong>da</strong><strong>do</strong>s georreferencia<strong>do</strong>s integra<strong>do</strong>s.<br />
Destas folhas foram extraí<strong>da</strong>s as informações referentes à topografia, hidrografia,<br />
infraestrutura, transportes, limites político-administrativos e locali<strong>da</strong><strong>de</strong>s.<br />
A base cartográfica é instrumento fun<strong>da</strong>mental neste trabalho já que, além <strong>de</strong> fornecer<br />
subsídios para a produção <strong>de</strong> <strong>da</strong><strong>do</strong>s primários, é a cartografia básica para receber to<strong>do</strong>s os<br />
mapas temáticos produzi<strong>do</strong>s para o banco <strong>de</strong> <strong>da</strong><strong>do</strong>s georreferencia<strong>do</strong>s.<br />
A base <strong>de</strong> informações levanta<strong>da</strong>s e produzi<strong>da</strong>s foi organiza<strong>da</strong> em uma estrutura <strong>de</strong><br />
diretórios <strong>de</strong> maneira hierárquica (figura2.3.1-1), respeitan<strong>do</strong> critérios <strong>de</strong> formato <strong>da</strong><br />
informação (vetorial, raster, imagem, tabela, gráfico, texto), escala e conteú<strong>do</strong> temático.<br />
A partir <strong>de</strong>sta estrutura e <strong>da</strong>s necessi<strong>da</strong><strong>de</strong>s aponta<strong>da</strong>s pelos estu<strong>do</strong>s é possível executar as<br />
funcionali<strong>da</strong><strong>de</strong>s <strong>do</strong> SIG, articula<strong>do</strong> em diversas escalas e esquemas relacionais, para<br />
mo<strong>de</strong>lagem temática e produção <strong>de</strong> novas informações espaciais e mapas.<br />
10
Atingiu-se, no entanto, um produto intermediário que é a base <strong>de</strong> informações espaciais<br />
organiza<strong>da</strong> para utilização <strong>de</strong> usuários experientes em SIGs. Além disso, o volume <strong>de</strong><br />
informações atingi<strong>do</strong> ain<strong>da</strong> sofrerá modificações com a incorporação <strong>de</strong> novas informações<br />
que surgiram ao longo <strong>do</strong> projeto.<br />
Os mapas produzi<strong>do</strong>s ao longo <strong>de</strong>sta etapa estão sen<strong>do</strong> organiza<strong>do</strong>s em uma mapoteca<br />
digital e será apresenta<strong>da</strong> no final <strong>do</strong> projeto. Esta mapoteca é uma iniciativa imediata para<br />
disponibilização <strong>da</strong>s informações gera<strong>da</strong>s.<br />
Figura 2.3.1-1: Esquema ilustrativo <strong>da</strong> estrutura <strong>de</strong> diretórios <strong>da</strong> base <strong>de</strong> <strong>da</strong><strong>do</strong>s espacial.<br />
2.3.2. Mapas temáticos<br />
Geologia<br />
O Mapa Geológico utiliza<strong>do</strong> foi o Mapa Geológico <strong>do</strong> Esta<strong>do</strong> <strong>do</strong> <strong>Rio</strong> <strong>de</strong> <strong>Janeiro</strong> (CPRM-RJ)<br />
disponibiliza<strong>do</strong> em formato vetorial em escala 1:250.000. Embora tenha si<strong>do</strong> disponibiliza<strong>do</strong><br />
em escala <strong>de</strong> 1:250.000, a origem <strong>da</strong> informação <strong>de</strong>ste mapeamento é em escala <strong>de</strong><br />
1:50.000, o que diminui os problemas <strong>de</strong> utilização <strong>de</strong>sta informação (em escala menor)<br />
neste estu<strong>do</strong>. Além disso, para uma caracterização geral <strong>da</strong> área <strong>de</strong> estu<strong>do</strong> o mapa aten<strong>de</strong><br />
às necessi<strong>da</strong><strong>de</strong>s <strong>de</strong>ste trabalho.<br />
Pe<strong>do</strong>logia<br />
O Mapa <strong>de</strong> Solos utiliza<strong>do</strong> foi o Mapa Pe<strong>do</strong>lógico <strong>do</strong> Esta<strong>do</strong> <strong>do</strong> <strong>Rio</strong> <strong>de</strong> <strong>Janeiro</strong> (EMBRAPA/<br />
CPRM-RJ) disponibiliza<strong>do</strong> em formato vetorial em escala 1:250.000. Foi feita uma<br />
generalização <strong>de</strong> legen<strong>da</strong>s em gran<strong>de</strong>s uni<strong>da</strong><strong>de</strong>s pe<strong>do</strong>lógicas, o que gerou um mapa<br />
simplifica<strong>do</strong>, mais a<strong>de</strong>qua<strong>do</strong> para os objetivos <strong>do</strong> estu<strong>do</strong>.<br />
11
Geomorfologia<br />
Além <strong>da</strong> utilização <strong>do</strong> Mapa Geomorfológico <strong>do</strong> Esta<strong>do</strong> <strong>do</strong> <strong>Rio</strong> <strong>de</strong> <strong>Janeiro</strong> (CPRM-RJ),<br />
disponibiliza<strong>do</strong> em formato vetorial e escala 1:250.000, também foi realiza<strong>do</strong> um<br />
mapeamento geomorfológico com foco nas formas e processos hidroerosivos <strong>do</strong>minantes, a<br />
partir <strong>de</strong> análises em 3D <strong>do</strong> mo<strong>de</strong>lo digital <strong>de</strong> terreno gera<strong>do</strong> através <strong>da</strong>s bases <strong>de</strong> Relevo e<br />
Hidrografia em escala <strong>de</strong> 1:50.000.<br />
Foram gera<strong>do</strong>s quatro mapas liga<strong>do</strong>s a geomorfologia <strong>da</strong> Área <strong>de</strong> Estu<strong>do</strong>s: Mapa <strong>de</strong><br />
Classes <strong>de</strong> Altitu<strong>de</strong>s; Mapa <strong>de</strong> Declivi<strong>da</strong><strong>de</strong>s, Mapa <strong>de</strong> Posicionamento Topográfico e Mapa<br />
<strong>de</strong> Formas <strong>de</strong> Relevo.<br />
Classes <strong>de</strong> altitu<strong>de</strong><br />
Para o Mapa Hipsométrico foram calcula<strong>da</strong>s as classes <strong>de</strong> altitu<strong>de</strong> a partir <strong>do</strong> mo<strong>de</strong>lo <strong>de</strong><br />
elevação (com resolução <strong>de</strong> 15 metros) com a utilização <strong>de</strong> ferramentas <strong>de</strong> estatísticas por<br />
zonas em softwares <strong>de</strong> geoprocessamento.<br />
As áreas foram agrupa<strong>da</strong>s por classes <strong>de</strong> <strong>de</strong>snivelamento (0 - 20; 20 - 100; 100 – 500; 500 -<br />
1.000; 1.000 – 1.500 e 1.500 - 1840), busca<strong>do</strong> caracterizar as diferenças altimétricas <strong>da</strong><br />
área <strong>de</strong> estu<strong>do</strong>s, que contou também com tabelas e gráficos <strong>de</strong>riva<strong>do</strong>s <strong>de</strong>ste tema e as<br />
discussões sobre localização foram apoia<strong>da</strong>s pelo uso <strong>do</strong> mapa.<br />
Declivi<strong>da</strong><strong>de</strong>s<br />
O Mapa <strong>de</strong> Declivi<strong>da</strong><strong>de</strong>s foi <strong>de</strong>riva<strong>do</strong> <strong>do</strong> Mo<strong>de</strong>lo <strong>de</strong> Elevação com as seguintes classes em<br />
graus: 0 – 5; 5 – 10; 10 – 20; 20 – 30; 30 -45 e > 45.<br />
Para caracterização <strong>da</strong>s <strong>de</strong>clivi<strong>da</strong><strong>de</strong>s área <strong>de</strong> estu<strong>do</strong>s, foram <strong>de</strong>riva<strong>do</strong>s tabelas e gráficos<br />
<strong>de</strong> <strong>de</strong>clivi<strong>da</strong><strong>de</strong>s e as discussões sobre localização foram realiza<strong>da</strong>s com apoio <strong>do</strong> mapa.<br />
Posicionamento Topográfico<br />
Para este mapa foi utiliza<strong>do</strong> o Índice <strong>de</strong> Posicionamento Topográfico (Jennes, J. 2006.<br />
http://www.jennessent.com/arcview/tpi.htm). A partir <strong>de</strong> um MDT, este índice classifica<br />
formas <strong>de</strong> relevo <strong>de</strong> acor<strong>do</strong> com posicionamento topográfico <strong>de</strong> pixels nas encostas.<br />
O algoritmo aplica<strong>do</strong> é a diferença entre o valor <strong>de</strong> elevação <strong>de</strong> um <strong>de</strong>termina<strong>do</strong> pixel e a<br />
média <strong>de</strong> pixels vizinhos; valores positivos significam que este pixel esta em altitu<strong>de</strong> mais<br />
alta e valores negativos que este pixel está em altitu<strong>de</strong> mais baixa. O quanto este pixel é<br />
mais alto ou mais baixo que seus vizinhos, soma<strong>do</strong> ao seu valor <strong>de</strong> <strong>de</strong>clivi<strong>da</strong><strong>de</strong>, po<strong>de</strong> ser<br />
utiliza<strong>do</strong> para classificar seu posicionamento nas encostas. Se for significantemente mais<br />
alto que seus vizinhos, <strong>de</strong>ve estar localiza<strong>do</strong> próximo ao topo ou no topo <strong>de</strong> uma montanha;<br />
sen<strong>do</strong> significantemente mais baixo que seus vizinhos, <strong>de</strong>ve estar localiza<strong>do</strong> próximo ao<br />
fun<strong>do</strong> <strong>de</strong> vale ou no próprio fun<strong>do</strong> <strong>de</strong> vale.<br />
Valores próximos a 0 significam que este pixel po<strong>de</strong> estar localiza<strong>da</strong> em uma área plana ou<br />
<strong>de</strong> baixa ou média encosta; valores <strong>de</strong> <strong>de</strong>clivi<strong>da</strong><strong>de</strong> po<strong>de</strong>m diferenciá-los.<br />
Este índice <strong>de</strong>pen<strong>de</strong> inteiramente <strong>da</strong> escala utiliza<strong>da</strong> para a análise <strong>da</strong> paisagem. Neste<br />
caso, a escala <strong>de</strong> análise está relaciona<strong>da</strong> com o número <strong>de</strong> pixels vizinhos a ser avalia<strong>do</strong>,<br />
ou por um raio <strong>de</strong> análise ao pixel avalia<strong>do</strong>.<br />
12
A figura 2.3.2-1 ilustra esta discussão; no cenário A o resulta<strong>do</strong> entre as diferenças <strong>do</strong> pixel<br />
para seus vizinhos é nulo, ao contrário <strong>do</strong> cenário B on<strong>de</strong> seus vizinhos têm altitu<strong>de</strong> menor<br />
<strong>do</strong> que o pixel analisa<strong>do</strong>, portanto o TPI <strong>de</strong>ste pixel é maior que 0. No último cenário, os<br />
pixels vizinhos são mais eleva<strong>do</strong>s que o pixel analisa<strong>do</strong>, este terá, portanto um TPI menor<br />
que 0.<br />
A<br />
TPI ~ 0<br />
Raio <strong>de</strong> análise<br />
Pixels vizinhos<br />
Pixel analisa<strong>do</strong><br />
Figura 2.3.2-1: Esquema ilustrativo <strong>do</strong> índice <strong>de</strong> posicionamento topográfico (a<strong>da</strong>pta<strong>do</strong> <strong>de</strong> Jennes, J. 2006).<br />
Para este estu<strong>do</strong> foi utiliza<strong>do</strong> o raio <strong>de</strong> análise <strong>de</strong> 5 km, que apresentou os melhores<br />
resulta<strong>do</strong>s. As classes <strong>do</strong> índice <strong>de</strong> posicionamento topográfico utiliza<strong>da</strong>s estão<br />
apresenta<strong>da</strong>s na tabela 2.3.2-1.<br />
Tabela 2.3.2-1: Tabela <strong>de</strong> Índice <strong>de</strong> Posicionamento Topográfico.<br />
Número Classes <strong>de</strong> Formas <strong>de</strong> Relevo TPI - Padrão<br />
1 Ridge (topo, crista, divisores) > 1<br />
2 Upper slope (Alta encosta) 0,5<br />
3 Middle slope (Média encosta) 0<br />
4 Flat (Plano) 0<br />
5 Lower slope (Baixa encosta) = -1<br />
6 Valley (Fun<strong>do</strong> <strong>de</strong> vale) < -1<br />
Para a <strong>de</strong>finição <strong>do</strong> Posicionamento Topográfico utiliza<strong>do</strong> neste estu<strong>do</strong> estas classes foram<br />
reclassifica<strong>da</strong>s a partir <strong>de</strong> análises espaciais conforme apresenta<strong>do</strong> na tabela 2.3.2-2.<br />
Tabela 2.3.2-2: Tabela <strong>de</strong> Classes <strong>de</strong> Posicionamento Topográfico<br />
Número Classes <strong>de</strong> Formas <strong>de</strong> Relevo Posicionamento topográfico<br />
1 Ridge Topos <strong>de</strong> morros e montanhas e Linhas <strong>de</strong> cumea<strong>da</strong><br />
2 Upper slope<br />
3 Middle slope<br />
Encostas<br />
4 Flat Plano<br />
5 Lower slope<br />
6 Valley (Fun<strong>do</strong> <strong>de</strong> vale)<br />
B C<br />
TPI > 0 TPI < 0<br />
Fun<strong>do</strong>s <strong>de</strong> vale<br />
Para caracterização <strong>do</strong> posicionamento topográfico na área <strong>de</strong> estu<strong>do</strong>s, foram <strong>de</strong>riva<strong>do</strong>s<br />
tabelas e gráficos <strong>de</strong>ste tema e as discussões sobre localização foram realiza<strong>da</strong>s com apoio<br />
<strong>do</strong> mapa.<br />
13
Formas <strong>de</strong> Relevo<br />
Para a <strong>de</strong>finição <strong>da</strong>s Formas <strong>de</strong> Relevo foi realiza<strong>do</strong> o cruzamento <strong>da</strong>s informações <strong>do</strong>s<br />
mapas <strong>de</strong> hipsometria (com as classes agrupa<strong>da</strong>s), <strong>de</strong> posicionamento topográfico e<br />
<strong>de</strong>clivi<strong>da</strong><strong>de</strong>, geran<strong>do</strong> <strong>de</strong>zessete classes <strong>de</strong> compartimentos topográficos conforme<br />
apresenta<strong>do</strong> na tabela 2.3.2-3.<br />
Tabela 2.3.2-3: Tabela <strong>de</strong> Descrição <strong>da</strong>s Classes <strong>de</strong> Formas <strong>de</strong> Relevo.<br />
Classes <strong>de</strong> Forma <strong>de</strong> Relevo Descrição <strong>da</strong>s Classes<br />
Divisores pouco íngremes<br />
Divisores íngremes<br />
Divisores muito íngremes<br />
Encostas costeiras pouco íngremes<br />
Encostas costeiras íngremes<br />
Encostas costeiras muito íngremes<br />
Encostas pouco íngremes<br />
Encostas íngremes<br />
Encostas muito íngremes<br />
Fun<strong>do</strong>s <strong>de</strong> vales costeiros pouco íngremes<br />
Fun<strong>do</strong>s <strong>de</strong> vales costeiros íngremes<br />
Fun<strong>do</strong>s <strong>de</strong> vales costeiros muito íngremes<br />
Fun<strong>do</strong>s <strong>de</strong> vales pouco íngremes<br />
Fun<strong>do</strong>s <strong>de</strong> vales íngremes<br />
Fun<strong>do</strong>s <strong>de</strong> vales muito íngremes<br />
Áreas planas acima <strong>de</strong> 20 m<br />
Áreas planas abaixo <strong>de</strong> 20 m<br />
Vegetação e Uso <strong>do</strong> Solo:<br />
Topos <strong>de</strong> Morros e Montanhas com <strong>de</strong>clivi<strong>da</strong><strong>de</strong>s inferiores a 10<br />
graus<br />
Topos <strong>de</strong> Morros e Montanhas com <strong>de</strong>clivi<strong>da</strong><strong>de</strong>s superiores a 10<br />
graus e inferiores a 30 graus<br />
Topos <strong>de</strong> Morros e Montanhas com <strong>de</strong>clivi<strong>da</strong><strong>de</strong>s superiores a 30<br />
graus<br />
Encostas (convexi<strong>da</strong><strong>de</strong>s) com <strong>de</strong>clivi<strong>da</strong><strong>de</strong>s inferiores a 10 graus<br />
entre 0 e 100m <strong>de</strong> altitu<strong>de</strong><br />
Encostas (convexi<strong>da</strong><strong>de</strong>s) com <strong>de</strong>clivi<strong>da</strong><strong>de</strong>s superiores a 10 graus<br />
e inferiores a 30 graus entre 0 e 100m <strong>de</strong> altitu<strong>de</strong><br />
Encostas (convexi<strong>da</strong><strong>de</strong>s) com <strong>de</strong>clivi<strong>da</strong><strong>de</strong>s superiores a 30 graus<br />
entre 0 e 100m <strong>de</strong> altitu<strong>de</strong><br />
Encostas (convexi<strong>da</strong><strong>de</strong>s) com <strong>de</strong>clivi<strong>da</strong><strong>de</strong>s inferiores a 10 graus<br />
acima <strong>de</strong> 100m <strong>de</strong> altitu<strong>de</strong><br />
Encostas (convexi<strong>da</strong><strong>de</strong>s) com <strong>de</strong>clivi<strong>da</strong><strong>de</strong>s superiores a 10 graus<br />
e inferiores a 30 graus acima <strong>de</strong> 100m <strong>de</strong> altitu<strong>de</strong><br />
Encostas (convexi<strong>da</strong><strong>de</strong>s) com <strong>de</strong>clivi<strong>da</strong><strong>de</strong>s superiores a 30 graus<br />
acima <strong>de</strong> 100m <strong>de</strong> altitu<strong>de</strong><br />
Fun<strong>do</strong>s <strong>de</strong> vales com <strong>de</strong>clivi<strong>da</strong><strong>de</strong>s inferiores a 10 graus entre 0 e<br />
100m <strong>de</strong> altitu<strong>de</strong><br />
Fun<strong>do</strong>s <strong>de</strong> vales com <strong>de</strong>clivi<strong>da</strong><strong>de</strong>s superiores a 10 graus e<br />
inferiores a 30 graus entre 0 e 100m <strong>de</strong> altitu<strong>de</strong><br />
Fun<strong>do</strong>s <strong>de</strong> vales com <strong>de</strong>clivi<strong>da</strong><strong>de</strong>s superiores a 30 graus entre 0 e<br />
100m <strong>de</strong> altitu<strong>de</strong><br />
Fun<strong>do</strong>s <strong>de</strong> vales com <strong>de</strong>clivi<strong>da</strong><strong>de</strong>s inferiores a 10 graus acima <strong>de</strong><br />
100m <strong>de</strong> altitu<strong>de</strong><br />
Fun<strong>do</strong>s <strong>de</strong> vales com superiores a 10 graus e inferiores a 30<br />
graus acima <strong>de</strong> 100m <strong>de</strong> altitu<strong>de</strong><br />
Fun<strong>do</strong>s <strong>de</strong> vales com <strong>de</strong>clivi<strong>da</strong><strong>de</strong>s superiores a 30 graus acima<br />
<strong>de</strong> 100m <strong>de</strong> altitu<strong>de</strong><br />
Áreas planas ou com <strong>de</strong>clivi<strong>da</strong><strong>de</strong>s inferiores a 5 graus acima <strong>de</strong><br />
20m <strong>de</strong> altitu<strong>de</strong><br />
Áreas planas ou com <strong>de</strong>clivi<strong>da</strong><strong>de</strong>s inferiores a 5 graus entre 0 e<br />
20m <strong>de</strong> altitu<strong>de</strong><br />
O Mapeamento <strong>de</strong> Vegetação e Uso <strong>do</strong> Solo foi realiza<strong>do</strong> a partir <strong>de</strong> interpretação visual<br />
(em escala 1:10.000) <strong>de</strong> ortofotografias aéreas (em escala 1:25.000 e com resolução<br />
espacial <strong>de</strong> 1m) <strong>de</strong> 2006 disponibiliza<strong>da</strong>s pelo IBGE. Para as áreas <strong>de</strong> Mata Atlântica e<br />
ecossistemas associa<strong>do</strong>s utilizou-se a Resolução CONAMA Nº 6/1994 para classificação<br />
<strong>do</strong>s estágios <strong>de</strong> sucessão, sen<strong>do</strong> realiza<strong>da</strong>s algumas checagens <strong>de</strong> campo para <strong>de</strong>finição<br />
fisionômica <strong>da</strong>s classes.<br />
Além <strong>da</strong> elaboração <strong>de</strong>ste mapa (Ortofotografias IBGE, 2006), foi utiliza<strong>do</strong>, também, com o<br />
objetivo <strong>de</strong> orientar uma analise <strong>de</strong> evolução espaço-temporal <strong>da</strong> cobertura vegetal e o uso<br />
<strong>do</strong> solo, o mapeamento (escala 1:50.000) elabora<strong>do</strong> no âmbito <strong>do</strong> Plano <strong>de</strong> Manejo <strong>da</strong> APA<br />
Cairuçú (versão final 2005). Este mapeamento foi produzi<strong>do</strong> sobre ortofotografias aéreas <strong>de</strong><br />
1995 (escala 1:12.500) e, nas áreas mais interiores, sobre ortofotografias aéreas <strong>de</strong> 1987<br />
(escala 1:20.000).<br />
14
Evolução Temporal <strong>da</strong> Vegetação:<br />
Com vistas a uma análise <strong>da</strong> evolução <strong>da</strong> vegetação, o mapa elabora<strong>do</strong> sobre as<br />
ortofotografias IBGE (2006) foi compara<strong>do</strong> com o mapa elabora<strong>do</strong> no âmbito <strong>do</strong> Plano <strong>de</strong><br />
Manejo <strong>da</strong> APA Cairuçú (ortofotografias <strong>de</strong> 1995 e 1987). Devi<strong>do</strong> às diferenças<br />
meto<strong>do</strong>lógicas no processo <strong>de</strong> elaboração <strong>de</strong>sses mapas, não foi possível sobrepor os <strong>do</strong>is<br />
mapas <strong>de</strong> vegetação e uso <strong>do</strong> solo. Entretanto, foram elabora<strong>do</strong>s mapas e tabelas <strong>de</strong><br />
proporções <strong>de</strong> áreas nos recortes espaciais <strong>do</strong>s subsistemas hidrográficos e <strong>da</strong> área <strong>de</strong><br />
estu<strong>do</strong>s. Para tanto, a legen<strong>da</strong> <strong>do</strong> mapa elabora<strong>do</strong> pela SOS Mata Atlântica para o Plano <strong>de</strong><br />
Manejo <strong>da</strong> APA Cairuçú, foi a<strong>de</strong>qua<strong>da</strong> à legen<strong>da</strong> <strong>do</strong> mapeamento elabora<strong>do</strong> sobre as<br />
ortofotografias <strong>de</strong> 2006 (Tabela 2.3.2-4).<br />
Classe no<br />
Shape <strong>do</strong> PM<br />
APA Cairuçú<br />
Tabela 2.3.2-4: Tabela <strong>de</strong> A<strong>de</strong>quações <strong>de</strong> Legen<strong>da</strong> entre os Mapeamentos utiliza<strong>do</strong>s<br />
Classes <strong>do</strong> Mapa <strong>do</strong> Plano <strong>de</strong> Manejo <strong>da</strong><br />
APA Cairuçú<br />
Classes a<strong>de</strong>qua<strong>da</strong>s ao Mapeamento IBGE,<br />
2006<br />
fre Floresta <strong>de</strong> Transição restinga/Encosta Floresta em estágio inicial <strong>de</strong> sucessão<br />
ms87<br />
Mata Secundária em Estágio Inicial/Médio<br />
<strong>de</strong> Regeneração<br />
Floresta em estágio inicial <strong>de</strong> sucessão<br />
msi95<br />
Mata Secundária em Estágio Inicial/Médio<br />
<strong>de</strong> Regeneração<br />
Floresta em estágio inicial <strong>de</strong> sucessão<br />
msa95<br />
Mata Primária/Secundária em Estágio<br />
Avança<strong>do</strong> <strong>de</strong> Regeneração<br />
Floresta em estágio médio ou avança<strong>do</strong> <strong>de</strong><br />
sucessão<br />
msa87<br />
Mata Primária/Secundária em Estágio<br />
Avança<strong>do</strong> <strong>de</strong> Regeneração<br />
Floresta em estágio médio ou avança<strong>do</strong> <strong>de</strong><br />
sucessão<br />
ri Recuperação Inicial Vegetação arbustiva<br />
br Brejo Brejo/Caxetais<br />
cx Caxetais Brejo/Caxetais<br />
ca Campo antrópico Gramíneas<br />
res Restinga Restinga<br />
ocl Ocupação litorânea Área edifica<strong>da</strong><br />
afr Afloramento rochoso Afloramento rochoso<br />
pr Praia Praia<br />
urb Ocupação urbana Área edifica<strong>da</strong><br />
mangue Mangue Mangue<br />
ocr Ocupação rural Área edifica<strong>da</strong><br />
Através <strong>da</strong> observação <strong>do</strong>s <strong>do</strong>is mapas em questão po<strong>de</strong>-se constatar que a classe ―Mata<br />
Secundária em Estágio Inicial/Médio <strong>de</strong> Regeneração‖ (SOS Mata Atlântica) se aproxima<br />
muito mais <strong>da</strong> classe ―Floresta em estágio inicial <strong>de</strong> sucessão‖ (Ortofotografias <strong>de</strong> 2006) que<br />
<strong>da</strong> classe <strong>de</strong> ―Floresta em estágio médio/avança<strong>do</strong> <strong>de</strong> sucessão‖. Cabe ressaltar, que o<br />
mapeamento realiza<strong>do</strong> no âmbito <strong>do</strong> Plano <strong>de</strong> Manejo <strong>da</strong> APA Cairuçú foi realiza<strong>do</strong> antes <strong>da</strong><br />
<strong>de</strong>cretação <strong>da</strong> Lei <strong>da</strong> Mata Atlântica, o que po<strong>de</strong> sugerir tais preferências <strong>de</strong> classes por<br />
parte <strong>do</strong> primeiro mapeamento.<br />
Quanto à legen<strong>da</strong> elabora<strong>da</strong> para o mapeamento sobre as ortofotografias <strong>do</strong> IBGE (2006),<br />
foram agrega<strong>da</strong>s, para fins <strong>de</strong> análise <strong>da</strong> evolução <strong>de</strong> uso e vegetação, as classes ―Água‖<br />
com a classe ―Brejo‖ e a classe ―Costão rochoso‖ com a classe ―Afloramento rochoso‖.<br />
Desta forma, a classe <strong>de</strong> ―afloramento rochoso‖ não <strong>de</strong>ve ser foco <strong>de</strong> análise, entretanto, a<br />
classe ―brejo‖ que teve a adição <strong>da</strong> classe ―água‖ po<strong>de</strong> ser foco <strong>de</strong> análise já que no<br />
mapeamento elabora<strong>do</strong> pela SOS Mata Atlântica esses poucos polígonos mapea<strong>do</strong>s nas<br />
ortofotografias <strong>de</strong> 2006 encontram-se nos polígonos <strong>de</strong> brejo <strong>do</strong> mapa <strong>do</strong> Plano <strong>de</strong> Manejo<br />
<strong>da</strong> APA Cairuçú.<br />
15
Áreas <strong>de</strong> Preservação Permanente:<br />
O mapeamento <strong>de</strong> Áreas <strong>de</strong> Preservação Permanente (APPs) se <strong>de</strong>u com base na Lei<br />
4.771 <strong>de</strong> 15 <strong>de</strong> setembro <strong>de</strong> 1965 (Código Florestal) e na Resolução CONAMA 303 <strong>de</strong> 20<br />
<strong>de</strong> março <strong>de</strong> 2002. É importante ressaltar, que a escala trabalha<strong>da</strong> neste relatório (1:50.000)<br />
não possibilita a real localização <strong>da</strong> APPs em campo, sen<strong>do</strong> necessário escalas maiores<br />
para suas i<strong>de</strong>ntificações locais. De fato, os <strong>da</strong><strong>do</strong>s produzi<strong>do</strong>s para este tema são estima<strong>do</strong>s,<br />
entretanto, se adéquam satisfatoriamente para os objetivos <strong>de</strong>sse estu<strong>do</strong>, servin<strong>do</strong> <strong>de</strong><br />
orientação para discussão <strong>de</strong> proporções <strong>de</strong> áreas <strong>de</strong> ca<strong>da</strong> classe e <strong>de</strong> localização <strong>da</strong>s<br />
mesmas na escala <strong>de</strong> 1:50.000.<br />
Foram mapea<strong>da</strong>s como APPs as margens <strong>de</strong> rios (30m para maioria <strong>do</strong>s rios e 50m em<br />
trechos próximo a foz <strong>do</strong>s maiores rios); áreas com <strong>de</strong>clivi<strong>da</strong><strong>de</strong>s superiores a 45 graus e<br />
topos <strong>de</strong> morros e montanhas.<br />
O mapeamento <strong>da</strong>s APPs <strong>de</strong> topos <strong>de</strong> morro e montanhas foi realiza<strong>do</strong> através <strong>de</strong> análises<br />
pontuais sobre as informações topográficas (curvas <strong>de</strong> nível e topos cota<strong>do</strong>s) e hidrográficas<br />
importa<strong>do</strong>s <strong>da</strong> carta topográfica <strong>do</strong> IBGE (1:50.000). Para a <strong>de</strong>limitação <strong>de</strong>ssas áreas foram<br />
avalia<strong>do</strong>s os diversos níveis <strong>de</strong> base locais para a <strong>de</strong>limitação <strong>do</strong>s terços superiores <strong>do</strong>s<br />
morros e montanhas. Desta forma, chegou-se em um resulta<strong>do</strong> bastante rigoroso.<br />
As APPs <strong>de</strong> linhas <strong>de</strong> cumea<strong>da</strong> não foram analisa<strong>da</strong>s, esta necessita <strong>de</strong> mais discussões<br />
meto<strong>do</strong>lógicas e, que serão avalia<strong>da</strong>s ao longo <strong>do</strong> projeto <strong>de</strong> recategorização. Portanto,<br />
ain<strong>da</strong> existem consi<strong>de</strong>ráveis áreas sob a proteção <strong>de</strong>ssa classe <strong>de</strong> APPs.<br />
Para a <strong>de</strong>limitação <strong>da</strong>s margens <strong>de</strong> rios, foi aplica<strong>do</strong> um ―buffer‖ <strong>de</strong> 30m para os rios <strong>de</strong><br />
linha simples e <strong>de</strong> 50m para os trechos com larguras entre 10m e 50m.<br />
Devi<strong>do</strong> ao tamanho <strong>da</strong> escala trabalha<strong>da</strong> (1:50.000) não foram mapea<strong>da</strong>s as áreas <strong>de</strong><br />
nascentes, sen<strong>do</strong> necessário para o mapeamento <strong>da</strong>s mesmas uma hidrografia em escala<br />
mais a<strong>de</strong>qua<strong>da</strong> e verificações <strong>de</strong> campo. Entretanto, os ―buffers‖ realiza<strong>do</strong>s no mapeamento<br />
<strong>da</strong>s APPs <strong>de</strong> rios incorporam parte <strong>da</strong>s áreas que incluiriam APPS <strong>de</strong> nascentes.<br />
Para as áreas com <strong>de</strong>clivi<strong>da</strong><strong>de</strong>s superiores a 45 graus, foi gera<strong>do</strong> um mapa <strong>de</strong> <strong>de</strong>clivi<strong>da</strong><strong>de</strong>s<br />
a partir <strong>do</strong> mo<strong>de</strong>lo digital <strong>de</strong> elevação, com pixels <strong>de</strong> 15mx15m. Os pixels com <strong>de</strong>clivi<strong>da</strong><strong>de</strong>s<br />
superiores a 45 graus foram seleciona<strong>do</strong>s e converti<strong>do</strong>s para polígonos vetoriza<strong>do</strong>s.<br />
3. Caracterização Regional – Baía <strong>da</strong> Ilha Gran<strong>de</strong><br />
A Área <strong>de</strong> Estu<strong>do</strong>s localiza-se na porção mais meridional <strong>do</strong> município <strong>de</strong> Paraty, que junto<br />
com o município <strong>de</strong> Angra <strong>do</strong>s Reis compõe a região <strong>da</strong> Baía <strong>da</strong> Ilha Gran<strong>de</strong> (figura 3.1-1).<br />
Segun<strong>do</strong> <strong>da</strong><strong>do</strong>s <strong>do</strong> Relatório Base <strong>do</strong> Projeto <strong>de</strong> Gestão Integra<strong>da</strong> <strong>do</strong>s Ecossistemas <strong>da</strong><br />
Baía <strong>da</strong> Ilha Gran<strong>de</strong>, a região hidrográfica <strong>da</strong> Baía <strong>da</strong> Ilha Gran<strong>de</strong> engloba uma área<br />
aproxima<strong>da</strong> <strong>de</strong> 2.356 km², abrangen<strong>do</strong> terras <strong>do</strong>s Esta<strong>do</strong>s <strong>do</strong> <strong>Rio</strong> <strong>de</strong> <strong>Janeiro</strong> e <strong>de</strong> São<br />
Paulo. A porção Fluminense compreen<strong>de</strong> 1.728 km², sen<strong>do</strong> composta pela totali<strong>da</strong><strong>de</strong> <strong>da</strong>s<br />
terras continentais e insulares <strong>do</strong>s municípios <strong>de</strong> Angra <strong>do</strong>s Reis e Paraty. Em sua porção<br />
Paulista totaliza uma área <strong>de</strong> 620 km², compreen<strong>de</strong>n<strong>do</strong> parte <strong>do</strong>s municípios <strong>de</strong> Bananal,<br />
Arapeí, São Jose <strong>do</strong> Barreiro e Cunha. Esta região hidrográfica é limita a leste pela bacia<br />
hidrográfica <strong>da</strong> Baía <strong>de</strong> Sepetiba, ao norte pela bacia <strong>do</strong> rio Paraíba <strong>do</strong> Sul e ao oeste pela<br />
bacia <strong>do</strong> litoral norte paulista.<br />
Esta região é forma<strong>da</strong> por bacias que drenam diretamente para o mar, condiciona<strong>da</strong> pela<br />
proximi<strong>da</strong><strong>de</strong> <strong>da</strong> Serra <strong>da</strong> Bocaina com o Oceano Atlântico. São rios encaixa<strong>do</strong>s no relevo,<br />
16
com bacias hidrográficas caracteriza<strong>da</strong>s por encostas <strong>de</strong> gran<strong>de</strong> <strong>de</strong>clivi<strong>da</strong><strong>de</strong>, orientan<strong>do</strong> os<br />
rios que nascem no topo <strong>da</strong> Serra <strong>da</strong> Bocaina, em altitu<strong>de</strong>s acima <strong>de</strong> 1.500 metros, e<br />
<strong>de</strong>sembocam diretamente no mar, com <strong>de</strong>sníveis <strong>de</strong> gran<strong>de</strong> amplitu<strong>de</strong> e extensões<br />
relativamente pequenas.<br />
A área <strong>de</strong> contribuição hídrica <strong>da</strong> Baía <strong>de</strong> Ilha Gran<strong>de</strong>, partin<strong>do</strong> <strong>do</strong> município <strong>de</strong> Angra <strong>do</strong>s<br />
Reis, na divisa com o município <strong>de</strong> Mangaratiba, em direção a Paraty, é drena<strong>da</strong>,<br />
principalmente, pelos rios Jacareí, Cantagalo, Córrego <strong>da</strong> Monsuaba, Jacuecanga, Japuíba,<br />
<strong>da</strong> Areia <strong>do</strong> Pontal, Jurumirim, Ariró, Córrego <strong>de</strong> Arreio, Bracuí, Grataú, <strong>do</strong> Ambrósio,<br />
Mambucaba (forma<strong>do</strong> por diversos rios, com <strong>de</strong>staque para o Perequê e o Funil), São<br />
Gonçalo, Taquari, <strong>da</strong> Barra Gran<strong>de</strong>, Pequeno, <strong>do</strong> Grataú, Perequê-Açu, <strong>do</strong> Corisco, <strong>do</strong>s<br />
Meros e Paraty-Mirim (figura 3.1-2).<br />
17
Figura 3.1-1: Mapa <strong>de</strong> localização <strong>da</strong> área <strong>de</strong> estu<strong>do</strong>s.<br />
18
Figura 3.1-2: Mapa <strong>de</strong> Principais rios <strong>da</strong> Baía <strong>da</strong> Ilha Gran<strong>de</strong>.<br />
19
3.1.1. Geologia e Geomorfologia<br />
A geomorfologia <strong>da</strong> Baía <strong>da</strong> Ilha Gran<strong>de</strong> é caracteriza<strong>da</strong> pelo avanço <strong>da</strong> Serra <strong>do</strong> Mar,<br />
<strong>de</strong>nomina<strong>da</strong> localmente <strong>de</strong> Serra <strong>da</strong> Bocaina, em relação ao Atlântico, o que, associa<strong>do</strong> à<br />
existência <strong>da</strong> Baía <strong>da</strong> Ilha Gran<strong>de</strong>, torna as baixa<strong>da</strong>s inexistentes na maior parte <strong>da</strong> região.<br />
As mesmas só são vistas nas áreas <strong>de</strong> <strong>de</strong>sembocadura <strong>de</strong> alguns rios e em locais on<strong>de</strong> as<br />
montanhas recuam em relação a linha <strong>de</strong> costa. Mesmo assim, são to<strong>da</strong>s baixa<strong>da</strong>s <strong>de</strong><br />
pequenas extensões. Esta característica geomorfológica confere rara beleza ao conjunto<br />
paisagístico, forman<strong>do</strong> diversas pequenas baías e angras no litoral e possibilitan<strong>do</strong> a<br />
existência <strong>de</strong> muitas ilhas, <strong>de</strong> varia<strong>do</strong>s tamanhos, que representam os picos <strong>da</strong>s montanhas<br />
que estão afoga<strong>da</strong>s pelo mar.<br />
A região é marca<strong>da</strong> pela presença <strong>de</strong> escarpas eleva<strong>da</strong>s, entremea<strong>da</strong>s por bacias<br />
sedimentares e <strong>de</strong>pressões (figura 3.1.1-1). O ponto culminante <strong>de</strong>ssa Serra é o Pico <strong>do</strong><br />
Fra<strong>de</strong>, a 1.600 metros <strong>de</strong> altitu<strong>de</strong>. Há, frequentemente, contato direto <strong>da</strong> Serra com o mar.<br />
Além <strong>da</strong>s escarpas e <strong>da</strong>s baixa<strong>da</strong>s, há ain<strong>da</strong> uma feição morfológica importante <strong>do</strong> ponto <strong>de</strong><br />
vista regional: o Planalto <strong>da</strong> Bocaina, que correspon<strong>de</strong> a uma superfície <strong>de</strong> erosão anterior<br />
ao soerguimento <strong>da</strong>s escarpas serranas. Este planalto <strong>do</strong>mina as porções superiores <strong>da</strong><br />
Serra <strong>da</strong> Bocaina.<br />
Na porção superior <strong>da</strong>s encostas pre<strong>do</strong>minam afloramentos rochosos e na base acúmulos<br />
<strong>de</strong> <strong>de</strong>pósitos coluviais (sedimentos transporta<strong>do</strong>s por gravi<strong>da</strong><strong>de</strong> e pela chuva) e aluviais<br />
(transporta<strong>do</strong>s pelos rios), frequentemente pouco espessos, <strong>de</strong>vi<strong>do</strong> à inclinação <strong>da</strong>s<br />
encostas. As planícies, quan<strong>do</strong> existentes, são muito curtas, exceto nas bacias <strong>do</strong>s rios<br />
principais, como o Perequê-Açu, Mambucaba e o Ariró, on<strong>de</strong> se apresentam mais extensas.<br />
Estas formações são mais comuns após a se<strong>de</strong> <strong>do</strong> Município <strong>de</strong> Angra, a partir <strong>do</strong> rio Ariró,<br />
em direção ao sul (figura 3.1.1-1).<br />
Esta composição morfológica <strong>da</strong> paisagem é resulta<strong>do</strong> <strong>do</strong> soerguimento <strong>da</strong> ca<strong>de</strong>ia<br />
montanhosa que forma a Serra <strong>do</strong> Mar e remonta aos processos <strong>de</strong> abertura <strong>do</strong> oceano<br />
Atlântico, quan<strong>do</strong> os continentes africano e americano se separaram. Neste processo,<br />
houve a formação <strong>de</strong> uma extensa ca<strong>de</strong>ia montanhosa no litoral <strong>da</strong> América <strong>do</strong> Sul.<br />
Posteriormente, essa gran<strong>de</strong> ca<strong>de</strong>ia <strong>de</strong> montanhas sofreu falhamentos no senti<strong>do</strong><br />
longitudinal, que resultaram no seu escalonamento e na formação <strong>de</strong> ―<strong>de</strong>graus‖ <strong>de</strong> ca<strong>de</strong>ias.<br />
O <strong>de</strong>grau mais alto correspon<strong>de</strong> a Serra <strong>da</strong> Mantiqueira, o <strong>de</strong>grau imediatamente mais baixo<br />
correspon<strong>de</strong> à Serra <strong>do</strong> Mar; o <strong>de</strong>grau abaixo é correspon<strong>de</strong>nte aos maciços litorâneos ou<br />
ilhas (como a Ilha Gran<strong>de</strong>). Abaixo <strong>de</strong>stes, há ain<strong>da</strong> <strong>de</strong>graus submersos ou apenas com os<br />
picos fora <strong>do</strong> mar (as diversas ilhas costeiras existentes no litoral su<strong>de</strong>ste). A erosão <strong>de</strong>stas<br />
serras, soma<strong>da</strong> à <strong>de</strong>posição <strong>de</strong> sedimentos marinhos, entulhou os vales, forman<strong>do</strong> as<br />
planícies litorâneas.<br />
Portanto, <strong>do</strong> ponto <strong>de</strong> vista <strong>da</strong> estrutura geológica, a região é complexa, com extensos<br />
falhamentos escalona<strong>do</strong>s, já amplamente disseca<strong>do</strong>s pelos processos erosivos, forman<strong>do</strong><br />
os contrafortes <strong>da</strong> Serra <strong>do</strong> Mar.<br />
Suas características geológicas se relacionam às Uni<strong>da</strong><strong>de</strong>s Morfoestruturais Cinturão<br />
Orogênico <strong>do</strong> Atlântico, mais especificamente na Faixa <strong>da</strong> Ribeira e Bacias Sedimentares<br />
Cenozóicas. Que caracteriza-se pelas rochas <strong>de</strong> formação muito antiga, <strong>do</strong> pré-cambriano,<br />
muito anteriores a abertura <strong>do</strong> Atlântico, como já dito anteriormente. Nessas rochas há<br />
pre<strong>do</strong>mínio <strong>de</strong> gnaisses, granitói<strong>de</strong>s e migmatitos, haven<strong>do</strong> intrusões <strong>de</strong> granitos diversos,<br />
basalto e diabásio (figura 3.1.1-2).<br />
As rochas são cobertas por sedimentos holocênicos, com características arenosas ou<br />
areno-argilosa, representa<strong>do</strong>s por <strong>de</strong>pósitos marinhos, flúvio-marinhos e aluviais. Além<br />
disso, são comuns os <strong>de</strong>pósitos coluviais <strong>de</strong>riva<strong>do</strong>s <strong>de</strong> processos erosivos a partir <strong>da</strong>s<br />
encostas.<br />
20
Merece <strong>de</strong>staque a <strong>de</strong>scontinui<strong>da</strong><strong>de</strong> existente na Serra <strong>do</strong> Mar, na direção NE <strong>da</strong> Baía <strong>da</strong><br />
Ilha Gran<strong>de</strong> para o continente (figura 3.1.1-2), forman<strong>do</strong> uma calha entre as Serras <strong>da</strong><br />
Carioca e a Serra <strong>da</strong>s Araras (nomes locais <strong>da</strong> Serra <strong>do</strong> Mar), cujo nível mais eleva<strong>do</strong><br />
possui altitu<strong>de</strong>s <strong>de</strong> cerca <strong>de</strong> 600 metros <strong>de</strong> altitu<strong>de</strong>. Esse falhamento <strong>da</strong> ca<strong>de</strong>ia<br />
montanhosa, forma<strong>do</strong>r <strong>da</strong> bacia <strong>do</strong> rio Ariró, além <strong>de</strong> influência diretamente no clima<br />
regional, exerce papel importante no <strong>de</strong>senvolvimento sócioespacial <strong>da</strong> região –<br />
condicionan<strong>do</strong> a distribuição espacial <strong>da</strong>s ocupações humanas. E <strong>de</strong>sta forma, impon<strong>do</strong> a<br />
concentração <strong>da</strong>s ocupações às planícies e vales, dificultan<strong>do</strong> a comunicação física <strong>da</strong><br />
região com os gran<strong>de</strong>s eixos <strong>de</strong> <strong>de</strong>senvolvimento. Nesse contexto, a ro<strong>do</strong>via <strong>Rio</strong> — Santos<br />
(BR-101) representou importante eixo <strong>de</strong> avanço <strong>da</strong>s ativi<strong>da</strong><strong>de</strong>s econômicas, assim como a,<br />
estra<strong>da</strong> interligan<strong>do</strong> Angra <strong>do</strong>s Reis a Volta Re<strong>do</strong>n<strong>da</strong>, que conecta a região <strong>do</strong> litoral sul<br />
fluminense com a ro<strong>do</strong>via BR-116 (Via Dutra) justamente através <strong>do</strong> gran<strong>de</strong> falhamento que<br />
forma a bacia <strong>do</strong> rio Ariró.<br />
21
Figura 3.1.1-1: Mapa Geomorgológico <strong>da</strong> Baía <strong>da</strong> Ilha Gran<strong>de</strong> (CPRM).<br />
22
Figura 3.1.1-2: Mapa Geológico <strong>da</strong> Baía <strong>da</strong> Ilha Gran<strong>de</strong> (CPRM).<br />
23
3.1.2. Clima<br />
As características climáticas <strong>da</strong> região <strong>da</strong> Baía <strong>da</strong> Ilha Gran<strong>de</strong> são influencia<strong>da</strong>s pela<br />
proximi<strong>da</strong><strong>de</strong> <strong>do</strong> Oceano Atlântico e, sobretu<strong>do</strong>, pelo relevo, que é importante condicionante<br />
para as diferenças <strong>de</strong> temperatura e <strong>de</strong> regime pluviométrico. Por se esten<strong>de</strong>r na direção<br />
leste-oeste e apresentar sua porção oeste alonga<strong>da</strong> no senti<strong>do</strong> norte-sul, a Serra <strong>da</strong><br />
Bocaina (nome local <strong>da</strong> Serra <strong>do</strong> Mar) caracteriza-se por <strong>do</strong>is gran<strong>de</strong>s conjuntos <strong>de</strong><br />
encostas, um volta<strong>do</strong> para norte, e outro para o sul. Esta diferença <strong>de</strong> posicionamento se<br />
reflete na dinâmica climática <strong>de</strong>stas encostas, geran<strong>do</strong> diferenças <strong>de</strong> caráter geoecológico.<br />
Devi<strong>do</strong> à proximi<strong>da</strong><strong>de</strong> com o mar o maciço montanhoso torna-se uma barreira para a<br />
entra<strong>da</strong> <strong>do</strong>s sistemas frontais (Massa Polar Atlântica) vin<strong>do</strong>s <strong>do</strong> Oceano Atlântico. A<br />
umi<strong>da</strong><strong>de</strong> <strong>de</strong>stas massas condiciona as vertentes volta<strong>da</strong>s para o oceano (para o sul), a uma<br />
maior umi<strong>da</strong><strong>de</strong> frente às vertentes volta<strong>da</strong>s para os quadrantes norte e oeste. Isto ocorre<br />
porque as massas <strong>de</strong> ar ten<strong>de</strong>m a per<strong>de</strong>r umi<strong>da</strong><strong>de</strong> ao se encontrarem com o maciço<br />
(barlavento), geran<strong>do</strong> chuvas orográficas, ventos úmi<strong>do</strong>s ou névoa. Portanto, ao atingirem<br />
as vertentes opostas (sotavento), as massas <strong>de</strong> ar já per<strong>de</strong>ram boa parte <strong>de</strong> sua umi<strong>da</strong><strong>de</strong>,<br />
tornan<strong>do</strong> estas vertentes, em geral, mais secas que aquelas volta<strong>da</strong>s para sul. Como<br />
agravante, as encostas <strong>do</strong> quadrante norte recebem, em média, 60% a mais <strong>de</strong> insolação<br />
que aquelas volta<strong>da</strong>s para sul, como <strong>de</strong>corrência <strong>do</strong> posicionamento <strong>de</strong>stas encostas, o que<br />
acentua o caráter <strong>de</strong> maior umi<strong>da</strong><strong>de</strong> <strong>da</strong>s vertentes volta<strong>da</strong>s para sul (Oliveira et al., 1995).<br />
Outro fator climático a influenciar a distribuição <strong>da</strong> precipitação é a altitu<strong>de</strong>. Ao atingirem as<br />
áreas mais eleva<strong>da</strong>s, as massas <strong>de</strong> ar úmi<strong>da</strong>s encontram um ambiente mais frio, on<strong>de</strong> a<br />
umi<strong>da</strong><strong>de</strong> ten<strong>de</strong> a se con<strong>de</strong>nsar e precipitar, <strong>de</strong> forma que as áreas mais íngremes<br />
apresentam totais pluviométricos maiores. No caso <strong>da</strong> Serra <strong>da</strong> Bocaina, as partes mais<br />
eleva<strong>da</strong>s <strong>do</strong> Planalto <strong>da</strong> Bocaina possuem precipitação média bem superior às áreas mais<br />
baixas (Ibama, 2001).<br />
No âmbito <strong>do</strong>s estu<strong>do</strong>s realiza<strong>do</strong>s pela UFRJ para a elaboração <strong>do</strong> ZEE-RJ foi realiza<strong>do</strong> um<br />
mapeamento <strong>do</strong> Balanço Hídrico para o esta<strong>do</strong> <strong>do</strong> <strong>Rio</strong> <strong>de</strong> <strong>Janeiro</strong>, este <strong>da</strong><strong>do</strong> foi recorta<strong>do</strong><br />
para o recorte <strong>da</strong> Baía <strong>da</strong> Ilha Gran<strong>de</strong> e apresenta a média pluviométrica entre os anos <strong>de</strong><br />
1950 e 2000 <strong>de</strong>scontan<strong>do</strong> os valores <strong>de</strong> evaporação e evapotranspiração no continente. A<br />
análise <strong>de</strong>stes <strong>da</strong><strong>do</strong>s (figura 3.1.2-1) sugere que as áreas <strong>de</strong> maiores altitu<strong>de</strong>s, como a<br />
Pedra <strong>da</strong> jamanta e o Pico <strong>do</strong> Cairuçú (ambos inseri<strong>do</strong>s na área <strong>de</strong> estu<strong>do</strong>s), apresentam<br />
as maiores concentrações <strong>de</strong> balanço hídrico, refletin<strong>do</strong> na contribuição <strong>da</strong>s bacias<br />
hidrográficas que servem essas regiões mais altas.<br />
Segun<strong>do</strong> a classificação <strong>de</strong> Koppen, o clima <strong>da</strong> região po<strong>de</strong> ser caracteriza<strong>do</strong> por duas<br />
categorias. A área costeira apresenta um clima quente e úmi<strong>do</strong>, sem estação seca marca<strong>da</strong>,<br />
classifica<strong>do</strong> como Af. Nessa área a pluviosi<strong>da</strong><strong>de</strong> média anual é <strong>de</strong> cerca <strong>de</strong> 1.800 mm, com<br />
exceção <strong>da</strong> região mais próxima a Paraty, on<strong>de</strong> a pluviosi<strong>da</strong><strong>de</strong> cai para cerca <strong>de</strong> 1.350 mm<br />
anuais, <strong>de</strong>vi<strong>do</strong> a seu posicionamento longitudinal em relação às massas frontais (Ibama,<br />
2001). Nas áreas altas <strong>da</strong> região, em especial no planalto <strong>da</strong> Bocaina, o clima é<br />
caracteriza<strong>do</strong> como Tropical <strong>de</strong> Altitu<strong>de</strong> (Cwb), com verões bran<strong>do</strong>s e temperatura média<br />
anual inferior a 22 o . A precipitação nessa área apresenta média anual <strong>de</strong> cerca <strong>de</strong> 2.100<br />
mm, caracterizan<strong>do</strong> o regime pluviométrico como superúmi<strong>do</strong>, sen<strong>do</strong> comuns anos com<br />
pluviosi<strong>da</strong><strong>de</strong> superior a 3.000 mm.<br />
24
Figura 3.1.2-1: Mapa <strong>de</strong> Balanço Hídrico <strong>da</strong> Baía <strong>da</strong> Ilha Gran<strong>de</strong> (ZEE/RJ, 2010).<br />
25
Outro fator climático importante na região é a dinâmica <strong>da</strong>s massas <strong>de</strong> ar, caracteriza<strong>da</strong><br />
pelo <strong>do</strong>mínio <strong>da</strong> Massa Tropical Atlântica na maior parte <strong>do</strong> ano. Esta massa apresenta<br />
umi<strong>da</strong><strong>de</strong> e temperatura relativamente altas. Durante o ano ocorrem entra<strong>da</strong>s <strong>da</strong> Massa<br />
Polar Atlântica <strong>de</strong> característica úmi<strong>da</strong> e fria. Quan<strong>do</strong> <strong>da</strong> entra<strong>da</strong> <strong>de</strong>sta massa há o impacto<br />
com a Massa Tropical Atlântica formam-se os sistemas frontais (―frentes frias‖), resultan<strong>do</strong><br />
em fortes chuvas e, portanto, intensifican<strong>do</strong> os índices pluviométricos na região. Como a<br />
formação <strong>do</strong>s sistemas frontais apresenta uma atuação maior no verão, os gran<strong>de</strong>s eventos<br />
ocorrem principalmente nesta época, que associa<strong>do</strong>s as chuvas convectivas, fazem <strong>de</strong>sta<br />
época <strong>do</strong> ano o perío<strong>do</strong> mais chuvoso.<br />
Em to<strong>da</strong> a região, a distribuição <strong>da</strong> precipitação apresenta uma concentração <strong>de</strong> chuvas <strong>de</strong><br />
novembro a abril e uma redução pluviométrica entre junho e setembro. Segun<strong>do</strong> Soares<br />
(2006), a partir <strong>do</strong>s <strong>da</strong><strong>do</strong>s coleta<strong>do</strong>s nas estações pluviométricas <strong>da</strong> Usina Nuclear <strong>de</strong> Angra<br />
<strong>do</strong>s Reis e <strong>da</strong> Ilha Guaíba, a média pluviométrica <strong>do</strong>s meses mais chuvosos no perío<strong>do</strong> <strong>de</strong><br />
1960 a 2004, varia <strong>de</strong> 229 a 276 mm e ocorre nos meses <strong>de</strong> <strong>de</strong>zembro e março,<br />
<strong>de</strong>monstran<strong>do</strong> a gran<strong>de</strong> concentração <strong>de</strong> chuvas durante o verão. Essa mesma autora<br />
i<strong>de</strong>ntifica os dias mais chuvosos no mesmo perío<strong>do</strong>, e <strong>de</strong>monstra a ocorrência <strong>de</strong> diversos<br />
dias com precipitação superior a 200 mm, o que ten<strong>de</strong> a gerar <strong>de</strong>slizamentos <strong>de</strong> terra e,<br />
conseqüentemente, problemas graves às populações <strong>de</strong>ssa região. Entretanto, as médias<br />
anuais variam muito <strong>de</strong> ano para ano, <strong>de</strong> mo<strong>do</strong> que há anos muito chuvosos, como 1985,<br />
1995 e 2002 e anos mais secos, como 1983, 1987 e 1999.<br />
O regime <strong>de</strong> temperaturas também é influencia<strong>do</strong> diretamente pelo relevo, com as menores<br />
temperaturas encontra<strong>da</strong>s na porção superior e as maiores no litoral. Além disso, o litoral<br />
apresenta uma variação <strong>de</strong> temperaturas significativamente menor que as áreas <strong>do</strong> interior,<br />
em função <strong>da</strong> influencia <strong>da</strong> maritimi<strong>da</strong><strong>de</strong> – quanto mais próximo <strong>do</strong> litoral maior a umi<strong>da</strong><strong>de</strong><br />
e, portanto, menores amplitu<strong>de</strong>s térmicas. No litoral as temperaturas médias anuais variam<br />
entre 25 e 26 ºC, enquanto a porção superior <strong>do</strong> planalto apresenta temperatura média <strong>de</strong><br />
cerca <strong>de</strong> 17 ºC, com mínimas próximas aos 0 ºC.<br />
Quanto às temperaturas registra<strong>da</strong>s no perío<strong>do</strong> entre 1960 e 1990, concentram-se as mais<br />
eleva<strong>da</strong>s no verão, ten<strong>do</strong> janeiro como o mês <strong>de</strong> maior temperatura média (30,4 o C) e julho<br />
como o mês <strong>de</strong> menor temperatura média (16,5 o C). O pico máximo <strong>de</strong> temperatura<br />
encontra<strong>do</strong> neste perío<strong>do</strong> foi <strong>de</strong> 39,3 o C e a temperatura mínima registra<strong>da</strong> foi <strong>de</strong> 9,4 o C<br />
(Soares, 2006).<br />
A umi<strong>da</strong><strong>de</strong> relativa <strong>do</strong> ar na região <strong>de</strong> estu<strong>do</strong> é bastante eleva<strong>da</strong> e apresenta poucas<br />
variações ao longo <strong>do</strong> ano. Geralmente, esta umi<strong>da</strong><strong>de</strong> permanece em torno <strong>de</strong> 80 a 83%. O<br />
regime <strong>de</strong> ventos é marca<strong>do</strong> por uma variação consi<strong>de</strong>rável <strong>da</strong> direção <strong>do</strong>s ventos, que<br />
apresenta médias baixas <strong>de</strong> veloci<strong>da</strong><strong>de</strong>, e pela pre<strong>do</strong>minância <strong>de</strong> calmarias durante os<br />
meses <strong>de</strong> maio (Ibama, 2001).<br />
3.1.3. Solos<br />
Segun<strong>do</strong> o Mapa <strong>de</strong> Solos <strong>do</strong> CPRM (figura 3.1.3-1) e o Plano <strong>de</strong> Manejo <strong>do</strong> Parque<br />
Nacional <strong>da</strong> Bocaina, pre<strong>do</strong>minam na região <strong>do</strong> os Cambissolos álicos distróficos, ocorren<strong>do</strong><br />
sozinhos ou em associação com Latossolos vermelho-amarelos, Cambissolos húmicos e<br />
argisolos, <strong>de</strong>pen<strong>de</strong>n<strong>do</strong> <strong>da</strong> posição na paisagem e <strong>da</strong>s características geomorfológicas e<br />
climáticas <strong>de</strong> ca<strong>da</strong> área.<br />
De forma geral, nas áreas <strong>de</strong> encosta, entre os afloramentos rochosos, os Cambissolos<br />
álicos em associação com os Latossolos pre<strong>do</strong>minam, assim como nas áreas <strong>do</strong> Planalto <strong>da</strong><br />
Bocaina, on<strong>de</strong> os Cambissolos álicos ocorrem frequentemente em associação com<br />
Cambissolos húmicos, além <strong>de</strong> consi<strong>de</strong>ráveis ocorrências <strong>de</strong> solos litólicos associa<strong>do</strong>s com<br />
Cambissolos.<br />
26
Os Cambissolos ocorrem nas áreas <strong>de</strong> encosta, pois são solos muito rasos e com estrutura<br />
pe<strong>do</strong>genética simples, já que os sedimentos não ficam tempo suficiente em um ponto para<br />
haver ação <strong>de</strong> fatores como clima e organismos vivos, transforman<strong>do</strong> as partículas,<br />
diferencian<strong>do</strong> os horizontes e forman<strong>do</strong> solos mais complexos. Nas áreas <strong>do</strong> Planalto, os<br />
solos são <strong>de</strong> profundi<strong>da</strong><strong>de</strong> ligeiramente maior. Já nas áreas <strong>de</strong> planície, on<strong>de</strong> pre<strong>do</strong>minam<br />
solos aluviais distróficos, além <strong>de</strong> solos argilosos nos mangues e solos hidromórficos, os<br />
solos ten<strong>de</strong>m a ser mais profun<strong>do</strong>s.<br />
Nas partes inferiores <strong>da</strong>s encostas, sobre os pacotes <strong>de</strong> colúvio, são encontra<strong>do</strong>s<br />
geralmente Latossolos vermelho-amarelo, que são solos mais espessos que po<strong>de</strong>m possuir<br />
significativo horizonte orgânico em matas, mas são sempre bastante lixivia<strong>do</strong>s pelas chuvas<br />
constantes, apresentan<strong>do</strong> alto teor <strong>de</strong> ferro e alumínio e baixa fertili<strong>da</strong><strong>de</strong>. Tais condições<br />
não impe<strong>de</strong>m a ocorrência <strong>de</strong> vegetação arbórea diversifica<strong>da</strong>, já que um <strong>do</strong>s motivos <strong>da</strong><br />
baixa fertili<strong>da</strong><strong>de</strong> <strong>do</strong>s solos é justamente a veloci<strong>da</strong><strong>de</strong> <strong>de</strong> funcionamento <strong>do</strong>s sistemas<br />
florestais que <strong>de</strong>compõem rapi<strong>da</strong>mente tu<strong>do</strong> que chega ao solo, disponibilizan<strong>do</strong> os<br />
nutrientes para as plantas, que são rapi<strong>da</strong>mente absorvi<strong>do</strong>s; portanto, a matéria orgânica é<br />
acumula<strong>da</strong> na biomassa viva florestal.<br />
Nas planícies litorâneas os solos são influencia<strong>do</strong>s por sedimentos diversos, incluin<strong>do</strong><br />
aluviões, <strong>de</strong>pósitos colúvio-aluvionares, <strong>de</strong>pósitos flúvio-marinhos, praias e solos <strong>de</strong><br />
mangue, geran<strong>do</strong> condições diversas para a formação <strong>de</strong> ecossistemas e para a<br />
conservação. Geralmente os solos <strong>de</strong>ssa região apresentam alto teor <strong>de</strong> aci<strong>de</strong>z, com<br />
gran<strong>de</strong> concentração <strong>de</strong> alumínio (fruto <strong>da</strong> intensa lixiviação), que chega a ser tóxica em<br />
profundi<strong>da</strong><strong>de</strong>. Essas características, soma<strong>da</strong>s à pobreza <strong>de</strong>stes solos, po<strong>de</strong>m chegar a<br />
limitar o <strong>de</strong>senvolvimento <strong>de</strong> formações vegetais.<br />
27
Figura 3.1.3-1: Mapa Geológico <strong>da</strong> Baía <strong>da</strong> Ilha Gran<strong>de</strong> (CPRM).<br />
28
3.1.4. Vegetação e Uso <strong>do</strong> Solo <strong>da</strong> Baía <strong>da</strong> Ilha Gran<strong>de</strong><br />
Dentre as áreas on<strong>de</strong> se concentram os principais fragmentos florestais e importantes<br />
ambientes marinhos <strong>do</strong> esta<strong>do</strong> <strong>do</strong> <strong>Rio</strong> <strong>de</strong> <strong>Janeiro</strong>, a região <strong>da</strong> Baía <strong>da</strong> Ilha Gran<strong>de</strong> merece<br />
<strong>de</strong>staque, apresentan<strong>do</strong> uma <strong>da</strong>s maiores áreas coberta por floresta e ecossistemas<br />
associa<strong>do</strong>s.<br />
Com a construção <strong>do</strong> trecho <strong>Rio</strong>-Santos <strong>da</strong> ro<strong>do</strong>via BR 101, na primeira meta<strong>de</strong> <strong>da</strong> déca<strong>da</strong><br />
<strong>de</strong> 1970, criou-se um acesso fácil à região, o que resultou no crescimento <strong>da</strong>s ci<strong>da</strong><strong>de</strong>s e em<br />
uma invasão turística <strong>de</strong> larga escala.<br />
Atualmente, as pressões sobre os fragmentos florestais são muito intensas, sobretu<strong>do</strong> por<br />
parte <strong>da</strong> especulação imobiliária, responsável pelo loteamento e <strong>de</strong>struição <strong>de</strong> vastas áreas<br />
conserva<strong>da</strong>s, incluin<strong>do</strong> florestas <strong>de</strong> encosta e o que ain<strong>da</strong> existe <strong>de</strong> mangue e restinga, para<br />
a construção <strong>de</strong> con<strong>do</strong>mínios, hotéis, pousa<strong>da</strong>s, etc. Estas pressões se refletem nos<br />
ambientes marinhos, que sofrem principalmente, com a <strong>de</strong>gra<strong>da</strong>ção <strong>do</strong>s mangues e seus<br />
estuários (uma <strong>da</strong>s principais áreas <strong>de</strong> reprodução <strong>de</strong> espécies marinhas <strong>da</strong> região).<br />
Mesmo neste contexto, o relevo apresenta papel prepon<strong>de</strong>rante na conservação, as<br />
encostas são muito íngremes e <strong>de</strong> eleva<strong>da</strong> altitu<strong>de</strong>, dificultan<strong>do</strong> o acesso a gran<strong>de</strong>s áreas<br />
<strong>da</strong> região, o que contribuiu <strong>de</strong>cisivamente para o grau <strong>de</strong> conservação <strong>da</strong> vegetação<br />
regional. Porém, as áreas <strong>de</strong> baixa<strong>da</strong>s e as partes baixas <strong>da</strong>s serras ficam muito mais<br />
<strong>de</strong>sprotegi<strong>da</strong>s, pois o relevo nessas áreas não é limita<strong>do</strong>r <strong>da</strong>s ativi<strong>da</strong><strong>de</strong>s humanas.<br />
A vegetação que caracteriza a região faz parte <strong>do</strong> bioma Mata Atlântica, com pre<strong>do</strong>mínio <strong>de</strong><br />
formações florestais típicas <strong>de</strong>ste bioma. Estas florestas colonizam gran<strong>de</strong> parte <strong>da</strong>s áreas<br />
<strong>de</strong> encosta e ain<strong>da</strong> hoje apresentam graus <strong>de</strong> conservação relativamente altos, sobretu<strong>do</strong><br />
nas áreas <strong>de</strong> encostas íngremes <strong>de</strong> nas porções mais altas, no interior <strong>do</strong> Parque Nacional<br />
<strong>da</strong> Serra <strong>da</strong> Bocaina. Na reali<strong>da</strong><strong>de</strong>, a região <strong>de</strong>ste estu<strong>do</strong> conserva um <strong>do</strong>s mais<br />
importantes fragmentos <strong>de</strong> Mata Atlântica, forman<strong>do</strong> uma <strong>da</strong>s áreas contíguas <strong>de</strong> tamanho<br />
relativamente gran<strong>de</strong> quan<strong>do</strong> compara<strong>da</strong> com os fragmentos que ain<strong>da</strong> restam <strong>de</strong>stes<br />
ecossistemas. Este fragmento está justamente inseri<strong>do</strong> no Parque Nacional <strong>da</strong> Serra <strong>da</strong><br />
Bocaina e no seu entorno, fazen<strong>do</strong> comunicação com o fragmento florestal inseri<strong>do</strong> no<br />
Parque Estadual <strong>da</strong> Serra <strong>do</strong> Mar, no esta<strong>do</strong> <strong>de</strong> São Paulo e incorporan<strong>do</strong> o território <strong>da</strong><br />
Área <strong>de</strong> Estu<strong>do</strong>s <strong>de</strong>ste relatório.<br />
As formações típicas representa<strong>da</strong>s pelas florestas <strong>de</strong> encosta fazem contato direto com os<br />
ecossistemas litorâneos associa<strong>do</strong>s à Mata Atlântica, já que nesta área as planícies<br />
litorâneas estão praticamente ausentes, <strong>de</strong> mo<strong>do</strong> que as matas palu<strong>do</strong>sas, matas <strong>de</strong><br />
restinga, brejos e outras formações típicas <strong>do</strong> contato <strong>da</strong>s serras com as baixa<strong>da</strong>s litorâneas<br />
estão praticamente ausentes no litoral sul fluminense. Neste, são encontra<strong>do</strong>s basicamente<br />
três ecossistemas. Nos terrenos arenosos encontram-se as restingas e nas áreas <strong>de</strong> águas<br />
calmas, on<strong>de</strong> se <strong>de</strong>positam os finos, os solos lo<strong>do</strong>sos são <strong>do</strong>mina<strong>do</strong>s por manguezais. Já<br />
nas áreas <strong>de</strong> afloramentos <strong>de</strong> rocha o <strong>do</strong>mínio é <strong>do</strong>s ecossistemas <strong>de</strong> costões rochosos.<br />
Entretanto, a reali<strong>da</strong><strong>de</strong> atual é o pre<strong>do</strong>mínio <strong>de</strong> áreas urbanas ou rurais em<br />
<strong>de</strong>trimento aos ecossistemas <strong>de</strong> baixa<strong>da</strong>. Nas áreas rurais, são comuns gran<strong>de</strong>s pastos,<br />
além <strong>de</strong> algumas culturas, com <strong>de</strong>staque em área para bananas. Os pastos geralmente<br />
abrigam fragmentos <strong>de</strong> vegetação em distintos estágios <strong>de</strong> sucessão, sobretu<strong>do</strong> no topo <strong>de</strong><br />
morrotes e alguns fun<strong>do</strong>s <strong>de</strong> vale. São muito comuns fragmentos em estágios iniciais e<br />
médios <strong>de</strong> sucessão, que correspon<strong>de</strong>m a pastos aban<strong>do</strong>na<strong>do</strong>s, <strong>de</strong>vi<strong>do</strong> às baixas<br />
produtivi<strong>da</strong><strong>de</strong>s, ou mesmo áreas <strong>de</strong> agricultura aban<strong>do</strong>na<strong>da</strong>s ou florestas <strong>de</strong>gra<strong>da</strong><strong>da</strong>s.<br />
Geralmente essas paisagens rurais possuem fontes distintas que representam uma pressão<br />
significativa sobre os fragmentos vegetais, em especial através <strong>da</strong>s queima<strong>da</strong>s para<br />
renovação <strong>de</strong> pasto ou outras práticas ina<strong>de</strong>qua<strong>da</strong>s à sustentabili<strong>da</strong><strong>de</strong> socioambiental.<br />
Porém, quan<strong>do</strong> compara<strong>do</strong>s as áreas urbanas, possibilitam ao menos a existência <strong>de</strong><br />
29
pequenos fragmentos e se tornam importantes zonas <strong>de</strong> amortecimento entre as áreas<br />
urbanas e os fragmentos mais conserva<strong>do</strong>s que <strong>do</strong>minam as encostas mais altas, ten<strong>do</strong><br />
fun<strong>da</strong>mental papel na conservação <strong>da</strong>s paisagens regionais, sobretu<strong>do</strong> <strong>da</strong>s florestas que<br />
<strong>do</strong>minam as encostas volta<strong>da</strong>s para o Oceano Atlântico. A<strong>de</strong>mais, os pequenos fragmentos<br />
representam ecossistemas em si, tornan<strong>do</strong> as paisagens rurais mais heterogêneas e,<br />
portanto, aumentan<strong>do</strong> a biodiversi<strong>da</strong><strong>de</strong> local, a partir <strong>da</strong> formação <strong>de</strong> nichos distintos para<br />
os seres vivos.<br />
Essas formações secundárias apresentam um padrão <strong>de</strong> difícil classificação, incluin<strong>do</strong><br />
espécies nativas e exóticas e, muitas vezes espécies <strong>de</strong> diferentes etapas <strong>de</strong> sucessão<br />
existin<strong>do</strong> juntas, o que indica a ocorrência <strong>de</strong> impactos sucessivos que tornam a sucessão<br />
um processo bastante distinto <strong>do</strong> tradicional.<br />
Quan<strong>do</strong> foca-se nas áreas mais conserva<strong>da</strong>s <strong>da</strong> paisagem, po<strong>de</strong>-se utilizar classificações<br />
mais tradicionais para <strong>de</strong>screver as formações vegetais. Segun<strong>do</strong> Plano <strong>de</strong> Manejo <strong>do</strong><br />
Parque Nacional <strong>da</strong> Serra <strong>da</strong> Bocaina e seguin<strong>do</strong> terminologia a<strong>do</strong>ta<strong>da</strong> pelo IBGE, as<br />
formações vegetais serranas <strong>da</strong> região po<strong>de</strong>m ser classifica<strong>da</strong>s em três tipos: Floresta<br />
Ombrófila Densa, (com variação entre Submontana, Montana e Alto Montana, <strong>de</strong> acor<strong>do</strong><br />
com o gradiente altitudinal), Floresta Ombrófila Mista, nas áreas mais altas <strong>do</strong> Planalto <strong>da</strong><br />
Bocaina, on<strong>de</strong> na formação característica <strong>de</strong> Mata Atlântica aparecem inseri<strong>do</strong>s a Araucária<br />
angustifólia e o pinheiro Po<strong>do</strong>carpus lambertii e os Campos <strong>de</strong> Altitu<strong>de</strong>, que formam<br />
ecossistemas bastante distintos, <strong>do</strong>mina<strong>do</strong>s por espécies herbáceas, com graus <strong>de</strong><br />
en<strong>de</strong>mismo bastante gran<strong>de</strong>, mesmo para gêneros. A biodiversi<strong>da</strong><strong>de</strong> nesse complexo <strong>de</strong><br />
ecossistemas serranos é muito acentua<strong>da</strong>, representan<strong>do</strong> ambiente essencial à<br />
conservação.<br />
Além <strong>da</strong>s áreas <strong>de</strong> encosta, os ecossistemas que <strong>do</strong>minam as curtas planícies também<br />
marcam a paisagem. As restingas e mangues apresentam áreas bastante pequenas quan<strong>do</strong><br />
compara<strong>da</strong>s às áreas <strong>de</strong> floresta <strong>da</strong> região, porém tem importância fun<strong>da</strong>mental para a<br />
biodiversi<strong>da</strong><strong>de</strong>, já que são habitats <strong>de</strong> vasta diversi<strong>da</strong><strong>de</strong> <strong>de</strong> fauna e flora, além <strong>da</strong> exercerem<br />
papéis fun<strong>da</strong>mentais nos processos erosivos <strong>da</strong>s regiões litorâneas.<br />
Na região ain<strong>da</strong> existem importantes remanescentes e áreas <strong>de</strong> floresta secundária em<br />
estágio avança<strong>do</strong> <strong>de</strong> sucessão. As formações encontra<strong>da</strong>s são típicas <strong>de</strong> Mata Atlântica,<br />
com a existência <strong>de</strong> pelo menos três estratos vegetais: o mais alto está situa<strong>do</strong> a cerca <strong>de</strong><br />
30 metros <strong>de</strong> altura; o intermediário é forma<strong>do</strong> pelas árvores <strong>de</strong> altura entre cerca <strong>de</strong> 10 e<br />
15 metros; e o mais baixo é forma<strong>do</strong> por arbustos e ervas. Frequentemente essas<br />
formações possuem mais <strong>de</strong> três estratos.<br />
As formações em estágio avança<strong>do</strong> <strong>de</strong> sucessão possuem gran<strong>de</strong> diversi<strong>da</strong><strong>de</strong> <strong>de</strong> espécies<br />
arbóreas <strong>de</strong> diferentes grupos, como: piperaceas, loranthaceas, gesneriaceas, hepaticeaes<br />
e musci. São comuns fragmentos com espécies típicas <strong>da</strong>s áreas em estágio avança<strong>do</strong> <strong>da</strong><br />
Mata Atlântica, como: cedros (Cedrela ocbrata, Cedrela fissilis), angicos (Pipta<strong>de</strong>nia spp),<br />
canela-branca (Cryptocaria moschata), jatobá (Hymenaea coubaril), peroba (Aspi<strong>do</strong>sperma<br />
sp), angelim (Andira anthelmia), canjerana (Cabralea canjerana), paineira (Chorisia<br />
speciosa), canela-preta (Nectandra mollis), entre muitas outras. É bastante comum a<br />
ocorrência, no sub-bosque <strong>da</strong> mata, forman<strong>do</strong> os estratos arbóreos inferiores e arbustivos,<br />
diversas espécies, entre as quais são frequentes a palmeira <strong>da</strong> qual se tira o palmito<br />
(Euterpe edulis), bambus (Gênero Bambusasea) e algumas rutaceas. No estrato epifítico,<br />
além <strong>da</strong>s bromélias e orquí<strong>de</strong>as, muito comuns e <strong>de</strong> varia<strong>da</strong>s espécies, são encontra<strong>da</strong>s<br />
diferentes lianas, begoniaceas, araceas e pteri<strong>do</strong>phytas. O estrato herbáceo é povoa<strong>do</strong> por<br />
begônias, orquí<strong>de</strong>as, bromélias, gramíneas, etc., além <strong>de</strong> fetos arborescentes, isto é, jovens<br />
<strong>da</strong>s espécies arbóreas <strong>de</strong> tamanho semelhante ao <strong>da</strong>s espécies herbáceas e arbustivas.<br />
Porém, a maior parte <strong>da</strong>s formações apresenta interferências humanas significativas, <strong>de</strong><br />
forma que a <strong>de</strong>finição <strong>do</strong> seu nível <strong>de</strong> <strong>de</strong>senvolvimento sucessional é, por vezes, difícil. Há<br />
30
espécies típicas <strong>de</strong> ambientes <strong>de</strong>gra<strong>da</strong><strong>do</strong>s em formações com características e espécies<br />
típicas <strong>de</strong> áreas conserva<strong>da</strong>s. O Palmito Jussara (Euterpe edulis), por exemplo, é uma<br />
espécie que apresenta populações bastante reduzi<strong>da</strong>s na maior parte <strong>da</strong>s formações<br />
florestais, como consequência <strong>do</strong> extrativismo florestal, quan<strong>do</strong> compara<strong>do</strong> com formações<br />
sem interferência humana significativa.<br />
As florestas submontanas, que vão <strong>do</strong>s 50 metros <strong>de</strong> altitu<strong>de</strong> até cerca <strong>de</strong> 600 metros na<br />
região (altitu<strong>de</strong> consi<strong>de</strong>ra<strong>da</strong> como limite <strong>de</strong> transição para a floresta Montana no<br />
mapeamento <strong>de</strong> vegetação e uso <strong>do</strong> solo <strong>do</strong> Plano <strong>de</strong> manejo <strong>do</strong> Parque nacional <strong>da</strong> Serra<br />
<strong>da</strong> Bocaina, 2001) apresentam formações mais secas que as áreas superiores, o que<br />
condiciona florestas mais baixas e com menor estratificação, exceto nos vales que<br />
acumulam umi<strong>da</strong><strong>de</strong>, on<strong>de</strong> a vegetação apresenta características <strong>de</strong> florestas montanas<br />
(Rizzini, 1997). Nas florestas submontanas as maiores árvores, que compõe o <strong>do</strong>ssel<br />
superior, possuem entre 15 e 20 metros (as espécies emergentes raramente ultrapassam<br />
este tamanho), com troncos <strong>de</strong> diâmetro máximo atingin<strong>do</strong> 60 cm. Há uma <strong>de</strong>nsi<strong>da</strong><strong>de</strong> <strong>de</strong><br />
árvores menor que na floresta montana e menor presença <strong>de</strong> epífitas, como bromélias,<br />
orquí<strong>de</strong>as e cipós. Na região <strong>da</strong> Serra <strong>da</strong> Bocaina, Euterpe edulis tem presença importante<br />
no sub-bosque e palmeiras e fetos arborecentes são comuns. Entre as espécies<br />
características <strong>de</strong>sse ambiente na região merecem <strong>de</strong>staque canelas (Nectandra sp e<br />
Ocotea sp) e mirtáceas, Vochysia cf. magnífica, além <strong>de</strong> espécies ameaça<strong>da</strong>s <strong>de</strong> extinção<br />
(Ibama, 1992), como o palmito e o xaxim (Dicksonia sellowiana). Segun<strong>do</strong> o Plano <strong>de</strong><br />
Manejo <strong>do</strong> Parque Nacional <strong>da</strong> Serra <strong>da</strong> Bocaina, Vochysia cf. magnifica <strong>de</strong>limita, na região<br />
o <strong>do</strong>mínio <strong>da</strong>s formações submontanas. Nos vales áreas outras espécies se <strong>de</strong>stacam,<br />
como Alchornea triplinervia, Croton floribundus, embaúba (Cecropia sp.) e jacatirão (Miconia<br />
theaezans).<br />
Especificamente na região <strong>da</strong> Baía <strong>da</strong> Ilha Gran<strong>de</strong>, nas encostas volta<strong>da</strong>s para o mar, a<br />
umi<strong>da</strong><strong>de</strong> garante que a floresta submontana possa se <strong>de</strong>senvolver mais acentua<strong>da</strong>mente,<br />
com a formação <strong>de</strong> mais <strong>de</strong> três estratos vegetais, freqüentemente chegan<strong>do</strong> a cinco<br />
estratos, com o maior estan<strong>do</strong> a mais <strong>de</strong> 25 metros. É comum ain<strong>da</strong> mais <strong>do</strong>is estrato<br />
arbóreos, um a cerca <strong>de</strong> 15 metros e outro próximo aos 5 metros <strong>de</strong> altura. As epífitas são<br />
muito comuns, ao contrário <strong>de</strong> formações menos úmi<strong>da</strong>s, com <strong>de</strong>staque para aráceas,<br />
bromélias e orquí<strong>de</strong>as. Entre as árvores são comuns espécies nobres como a maçaranduba<br />
(Persea pyrifolia), o jequitibá (Cariniana estrellensis) e o cedro (Cedrela fissilis).<br />
Assim como as áreas <strong>de</strong> restinga e mangue, as florestas submontanas são as mais<br />
altera<strong>da</strong>s pelo homem, pois ocupam regiões <strong>de</strong> mais fácil acesso, geralmente coloniza<strong>da</strong>s<br />
há muito tempo. Observan<strong>do</strong>-se o mapa <strong>de</strong> vegetação e uso <strong>do</strong> solo <strong>da</strong> região <strong>da</strong> Baía <strong>da</strong><br />
Ilha Gran<strong>de</strong> (figura 3.1.3-1), percebe-se que a ocupação urbana ocorre nas baixa<strong>da</strong>s, no<br />
sopé <strong>do</strong>s morros e nas encostas baixas, esta última área é a região <strong>de</strong> <strong>do</strong>mínio <strong>da</strong>s<br />
formações submontanas. Deste mo<strong>do</strong>, essas áreas apresentam freqüentemente fragmentos<br />
florestais bastante altera<strong>do</strong>s, forma<strong>do</strong>s por ecossistemas em estágio médio ou inicial <strong>de</strong><br />
sucessão ecológica. Além disso, as áreas mais conserva<strong>da</strong>s que possuem esse tipo <strong>de</strong><br />
formação é alvo <strong>de</strong> extrativismo em nível comercial. A retira<strong>da</strong> <strong>de</strong> espécies ornamentais, em<br />
especial as epífitas, e <strong>de</strong> palmito jussara, já ameaça <strong>de</strong> extinção local <strong>de</strong> diversas espécies.<br />
Nas áreas <strong>de</strong> <strong>do</strong>mínio <strong>da</strong>s florestas Montanas, entre 600 e 1500 metros <strong>de</strong> altitu<strong>de</strong>, a<br />
formação é bastante semelhante àquela <strong>de</strong>scrita para as áreas <strong>da</strong> vertente atlântica, com a<br />
presença <strong>de</strong> jequitibá (Cariniana estrellensis), cedros (Cedrela sp) e canelas (Nectandra sp<br />
e Ocotea sp). Mas nesse ambiente aparecem em maior diversi<strong>da</strong><strong>de</strong> e quanti<strong>da</strong><strong>de</strong> as<br />
palmeiras (Palmae), lianas e epífitas. Bromélias e orquí<strong>de</strong>as aparecem <strong>de</strong> forma significativa<br />
entre estas últimas. Além disso, essas formações ten<strong>de</strong>m a ser maiores, com o <strong>do</strong>ssel<br />
superior próximo aos 30 metros e com a formação comum <strong>de</strong> cinco estratos vegetais. A<br />
biodiversi<strong>da</strong><strong>de</strong> nessas formações é excepcional, com gran<strong>de</strong> proporção <strong>de</strong> espécies raras e<br />
en<strong>de</strong>mismos.<br />
31
As formações Altomontanas apresentam padrão bastante característico, diferencian<strong>do</strong>-se<br />
acentua<strong>da</strong>mente <strong>da</strong>s <strong>de</strong>mais formações. As limitações impostas pela disponibili<strong>da</strong><strong>de</strong> <strong>de</strong><br />
água e nutrientes nos solos muito rasos (em topos <strong>de</strong> morros a partir <strong>do</strong>s 1.500 metros)<br />
mantêm as árvores com tamanhos inferiores aos <strong>de</strong>z metros e possibilita a formação <strong>de</strong><br />
apenas um estrato. A vegetação apresenta características <strong>de</strong> formações mais secas e<br />
submeti<strong>da</strong>s à intensa luminosi<strong>da</strong><strong>de</strong>, com folhas coreáceas e troncos tortuosos. As espécies<br />
mais freqüentes pertencem aos gêneros Rapanea, Roupala, Drymis e Miconia, sen<strong>do</strong> que<br />
algumas são endêmicas <strong>da</strong> região. São vistas ain<strong>da</strong> bromélias, pteridófitas e ciperáceas.<br />
Gran<strong>de</strong> parte <strong>da</strong>s áreas <strong>de</strong> restingas que ocorrem na região é forma<strong>da</strong> basicamente por<br />
cordões arenosos simples. Há uma pequena praia, e na sua retaguar<strong>da</strong> já existe montanha,<br />
haven<strong>do</strong> espaço curto para a formação <strong>do</strong>s ecossistemas <strong>de</strong> restinga, que são bastante<br />
reduzi<strong>do</strong>s em área.<br />
Porém, na foz <strong>do</strong>s principais rios <strong>da</strong> região as áreas <strong>de</strong> planície ten<strong>de</strong>m a serem maiores,<br />
possibilitan<strong>do</strong> a formação <strong>de</strong> complexos <strong>de</strong> ecossistemas mais bem estrutura<strong>do</strong>s, com<br />
<strong>de</strong>staque para a saí<strong>da</strong> <strong>do</strong>s rios Mambucaba, Ariró, Taquari, Bracuí e Perequê-Açú com<br />
Mateus-Nunes (na ci<strong>da</strong><strong>de</strong> <strong>de</strong> Paraty).<br />
As planícies mais extensas possibilitam a ocorrência <strong>de</strong> um mosaico <strong>de</strong> ecossistemas que<br />
inclui restinga, mangues e ecossistemas <strong>de</strong> costões rochosos, além <strong>de</strong> áreas brejosas e<br />
matas <strong>de</strong> baixa<strong>da</strong>. As restingas estão associa<strong>da</strong>s aos cordões arenosos e, normalmente,<br />
estão restritas à retaguar<strong>da</strong> <strong>da</strong>s praias, on<strong>de</strong> há formações típicas <strong>de</strong>ste ambiente, com<br />
áreas <strong>do</strong>mina<strong>da</strong>s por vegetação herbácea mais próxima ao mar, e florestas <strong>de</strong> restinga nas<br />
áreas internas.<br />
Nessas formações <strong>do</strong>minam espécies típicas <strong>de</strong> restinga, sobretu<strong>do</strong> as bromeliáceas,<br />
cactáceas, agaves e as espécies <strong>do</strong>s gêneros Clusia sp e Rapania sp. São vistas palmeiras<br />
Baba-<strong>de</strong>-boi (Syagrus romanzoffiana) entre as espécies arbóreas. Além <strong>de</strong>ssas, muitas<br />
outras espécies vegetais são encontra<strong>da</strong>s nessas formações.<br />
Entretanto, a maior parte <strong>da</strong>s restingas existentes na região <strong>de</strong> Angra <strong>do</strong>s Reis e Paraty<br />
sofre com a forte interferência humana. Por estarem ocupan<strong>do</strong> os terrenos prioritários para o<br />
loteamento e a construção <strong>de</strong> infra-estrutura para turismo, as restingas vem sen<strong>do</strong><br />
rapi<strong>da</strong>mente substituí<strong>da</strong>s por áreas urbanas, o que vem reduzin<strong>do</strong> drasticamente a área <strong>de</strong><br />
ocorrência <strong>de</strong>stas formações.<br />
Os mangues são os ecossistemas <strong>do</strong>minantes na foz <strong>do</strong>s rios que <strong>de</strong>sembocam na Baía <strong>da</strong><br />
Ilha Gran<strong>de</strong>. Essas formações colonizam os solos lo<strong>do</strong>sos nas áreas <strong>de</strong> água salobra e<br />
ocupavam gran<strong>de</strong>s áreas na região.<br />
Na área <strong>de</strong> interesse <strong>do</strong> trabalho estes ecossistemas também apresentam gran<strong>de</strong><br />
representativi<strong>da</strong><strong>de</strong>, ocupan<strong>do</strong> áreas significativas nas planícies costeiras, nas bor<strong>da</strong>s <strong>da</strong><br />
Baía <strong>de</strong> Ilha Gran<strong>de</strong> e a<strong>de</strong>ntran<strong>do</strong> os rios a partir <strong>de</strong> sua foz, como no recôncavo <strong>do</strong> Saco<br />
<strong>do</strong> Mamanguá e na foz <strong>do</strong> rio Paraty-Mirim.<br />
São comuns as formações conten<strong>do</strong> as três espécies arbóreas que colonizam os mangues,<br />
o mangue-vermelho (Rhizophora mangle), o mangue-branco (Laguncularia racemosa), e o<br />
mangue–preto (Avicennia sp.), alem <strong>de</strong> espécies típicas <strong>da</strong> retaguar<strong>da</strong> <strong>de</strong>sses<br />
ecossistemas, como algo<strong>do</strong>eiros-<strong>da</strong>-praia (Hibiscus pernambucensis). Em alguns casos,<br />
estas espécies aparecem no esquema típico <strong>de</strong> manguezais, com uma zonação bem<br />
marca<strong>da</strong> <strong>da</strong> área mais próxima ao mar seguin<strong>do</strong> para o continente.<br />
Entretanto, são também bastante comuns formações nas quais há a presença <strong>de</strong> apenas<br />
uma ou duas espécies entre as arbóreas típicas e nas quais a zonação não é percebi<strong>da</strong> tão<br />
32
facilmente. Ocorrem formações, inclusive, com a <strong>do</strong>minância explícita <strong>de</strong> apenas uma<br />
<strong>de</strong>termina<strong>da</strong> espécie.<br />
Deve ser ressalta<strong>do</strong>, que a transição entre as áreas <strong>de</strong> restinga, mangues e matas <strong>de</strong><br />
baixa<strong>da</strong> nem sempre é níti<strong>da</strong>. Esses ecótonos, geralmente, são habitats <strong>de</strong> espécies<br />
vegetais características, como as Sennas, incluin<strong>do</strong> a Senna pendula. Isto está associa<strong>do</strong><br />
ao grau <strong>de</strong> diferenciação <strong>de</strong>stas áreas em relação aos ecossistemas <strong>de</strong> mangue e restinga,<br />
propician<strong>do</strong> condições ambientais únicas para o <strong>de</strong>senvolvimento <strong>de</strong> espécies específicas.<br />
No caso <strong>da</strong> região <strong>da</strong> Baía <strong>da</strong> Ilha Gran<strong>de</strong>, esses ecótonos são bastante comuns, já que as<br />
formações <strong>de</strong> planície misturam frequentemente os diversos ecossistemas, <strong>de</strong> forma que as<br />
espécies que colonizam, ou colonizavam esses ambientes, ten<strong>de</strong>m a apresentar populações<br />
significativas na região.<br />
Porém, essas áreas estão, atualmente, bastante reduzi<strong>da</strong>s, pois a ocupação humana <strong>da</strong>s<br />
planícies praticamente extinguiu as restingas, mangues e florestas <strong>de</strong> baixa<strong>da</strong>, sobretu<strong>do</strong><br />
nas últimas déca<strong>da</strong>s, quan<strong>do</strong> a especulação imobiliária associa<strong>da</strong> ao turismo passou a ser o<br />
principal vetor <strong>de</strong> <strong>de</strong>gra<strong>da</strong>ção.<br />
Esta alteração na paisagem representou a substituição <strong>de</strong> ecossistemas originais por áreas<br />
antropiza<strong>da</strong>s. Neste processo merecem <strong>de</strong>staque as áreas urbanas e rurais, que ocuparam<br />
quase to<strong>do</strong>s os ecossistemas <strong>de</strong> baixa<strong>da</strong> existentes, transforman<strong>do</strong>-os <strong>de</strong> forma <strong>de</strong>finitiva.<br />
Áreas <strong>de</strong> encosta também se tornaram pastos, áreas <strong>de</strong> plantio ou mesmo áreas urbanas, o<br />
que gera freqüentes prejuízos humanos durante as chuvas <strong>de</strong> verão. Neste processo,<br />
muitos fragmentos secundários são encontra<strong>do</strong>s, como retalhos na paisagem que pontuam<br />
os pastos e as bor<strong>da</strong>s <strong>de</strong> formações vegetais mais conserva<strong>da</strong>s, como as capoeiras em<br />
estágio inicial <strong>de</strong> sucessão, estan<strong>do</strong> totalmente associa<strong>do</strong> às paisagens maneja<strong>da</strong>s, nas<br />
quais os fragmentos vegetais passam por alterações constantes.<br />
Nesses fragmentos vegetais pre<strong>do</strong>minam espécies típicas <strong>de</strong> estágios pioneiros ou<br />
secundários iniciais <strong>de</strong> sucessão, com <strong>de</strong>staque para as embaúbas (Cecrópia sp), o<br />
cambará (Gochnatia polymorpha), as quaresmeiras (Tibouchina sp), o pau-jacaré<br />
(Pipta<strong>de</strong>nia gonoacantha), o jacatirão (Miconia cinnamomifolia), a capororoquinha (Myrsine<br />
ferruginea), a goiaba (Psidium guajava), as canelas, como Nectandra rigi<strong>da</strong>, entre muitas<br />
outras espécies, além <strong>de</strong> gramíneas, como o capim colonião (Panicum maximum), o capimgordura<br />
(Melinis minutiflora) e o Capim Navalha (Ryncospora sp).<br />
A distribuição <strong>de</strong>stas espécies <strong>de</strong>pen<strong>de</strong> <strong>de</strong> diversos fatores, como a região <strong>do</strong> fragmento, as<br />
condições ecológicas <strong>do</strong> mesmo e os tipos <strong>de</strong> impacto a que estão submeti<strong>do</strong>s. Fragmentos<br />
com gran<strong>de</strong> entra<strong>da</strong> <strong>de</strong> luz ten<strong>de</strong>m a ter maior presença <strong>de</strong> herbáceas, como as gramíneas.<br />
Fragmentos sujeitos a incêndios po<strong>de</strong>m ter flora específica, com pre<strong>do</strong>mínio <strong>de</strong> crandiúvas<br />
(Trema micranta) e frutas <strong>de</strong> lobo (Solanum, sp), além <strong>de</strong> capim colonião (Panicum<br />
maximum) e a samambaia brava (Pterydium aquilinum). A<strong>de</strong>mais, o corte seletivo <strong>de</strong><br />
espécies para os mais diversos fins altera a composição <strong>do</strong>s fragmentos, possibilitan<strong>do</strong> o<br />
convívio <strong>de</strong> espécies <strong>de</strong> distintas etapas <strong>da</strong> sucessão ecológica e praticamente eliminan<strong>do</strong><br />
espécies <strong>de</strong> interesse humano.<br />
33
Figura 3.1.3-1: Mapa <strong>de</strong> Vegetação e Uso <strong>do</strong> Solo <strong>da</strong> Baía <strong>da</strong> Ilha Gran<strong>de</strong> (PROBIO, 2006).<br />
34
4. Caracterização <strong>da</strong> Área <strong>de</strong> Estu<strong>do</strong>s<br />
Para a caracterização <strong>da</strong> Área <strong>de</strong> Estu<strong>do</strong>s foram realiza<strong>da</strong>s análises foca<strong>da</strong>s principalmente<br />
na produção <strong>do</strong>s mapas temáticos elabora<strong>do</strong>s para este recorte, além <strong>de</strong> consultas aos<br />
encartes <strong>do</strong> Plano <strong>de</strong> Manejo <strong>da</strong> APA Cairuçú. Desta forma, buscou-se complementar as<br />
informações apresenta<strong>da</strong>s no recorte regional com o máximo <strong>de</strong> informações locais<br />
disponíveis.<br />
A utilização <strong>de</strong> cruzamentos <strong>de</strong> informações advin<strong>da</strong>s <strong>da</strong> Base <strong>de</strong> Da<strong>do</strong>s Espaciais com as<br />
bibliografias disponíveis para área <strong>de</strong> estu<strong>do</strong>s, também tem como objetivo orientar, numa<br />
próxima etapa, a elaboração <strong>do</strong>s possíveis cenários para conservação <strong>de</strong>ssa área –<br />
principal objetivo <strong>do</strong> projeto que o presente relatório se insere.<br />
4.1.1. Geologia<br />
A análise <strong>da</strong>s características geologias <strong>da</strong> área <strong>de</strong> estu<strong>do</strong>s <strong>de</strong>ve ser apoia<strong>da</strong> pelas análises<br />
realiza<strong>da</strong>s para este tema na escala regional (tópico 3.1.1). A fim <strong>de</strong> particularizar mais as<br />
características geológicas <strong>da</strong> área <strong>de</strong> estu<strong>do</strong>s, foi elabora<strong>do</strong> mapa temático (figura 4.1.1-1) e<br />
tabela <strong>de</strong> proporção <strong>de</strong> áreas (tabela 4.1.1.-1) para o recorte <strong>da</strong> área em questão com os<br />
<strong>da</strong><strong>do</strong>s <strong>do</strong> mapeamento geológico <strong>do</strong> CPRM, que como dito anteriormente, apesar <strong>de</strong> ter<br />
si<strong>do</strong> generaliza<strong>do</strong> em escala <strong>de</strong> 1:250.000, a origem <strong>da</strong> informação <strong>de</strong>ste mapeamento é em<br />
escala <strong>de</strong> 1:50.000, o que aten<strong>de</strong> as necessi<strong>da</strong><strong>de</strong>s <strong>de</strong>ssa escala <strong>de</strong> análise.<br />
Quanto à geologia, a área <strong>de</strong> estu<strong>do</strong>s caracteriza-se pela presença <strong>de</strong> granitói<strong>de</strong>s,<br />
correspon<strong>de</strong>n<strong>do</strong> a pouco mais <strong>de</strong> 50% <strong>da</strong> área total (tabela 4.1.1.-1), segui<strong>do</strong> <strong>de</strong> gnaisses<br />
(cerca <strong>de</strong> 30%), além <strong>de</strong> menores proporções <strong>de</strong> migmatitos, granitos e sedimentos<br />
holocênicos.<br />
Tabela 4.1.1-1: Áreas (hectares) e Proporções <strong>de</strong> Geológicas na Área <strong>de</strong> Estu<strong>do</strong>s.<br />
Classes Hectares %<br />
Gnaisses 6.496,70 32,08<br />
Granitos 600,54 2,97<br />
Granitói<strong>de</strong> 10.978,35 54,21<br />
Migmatitos 1.796,78 8,87<br />
Sedimentos Holocênicos 377,78 1,87<br />
Total 20.250,15 100<br />
Os gnaisses estão relaciona<strong>do</strong>s à Uni<strong>da</strong><strong>de</strong> Duas barras, que apresenta fáceis homogênea,<br />
folia<strong>da</strong>, <strong>de</strong> composição tonalítica, intrudi<strong>da</strong> por veios e bolsões <strong>de</strong> leucogranito tipo-S, e na<br />
área <strong>de</strong> estu<strong>do</strong>s localizam-se, principalmente no interior <strong>de</strong>ste recorte, dividin<strong>do</strong> duas<br />
gran<strong>de</strong>s áreas a leste e a oeste, cuja presença <strong>do</strong>s granitói<strong>de</strong>s é mais marcante (Silva,<br />
2001). Estas últimas, possuem características <strong>da</strong> Suite Getulândia, com Hornblen<strong>da</strong>-biotita<br />
granito, tipo-I, <strong>de</strong> granulação média, porfirítico (porfiro clástico), folia<strong>do</strong> a isótropo, com<br />
manchas localiza<strong>da</strong>s <strong>de</strong> charnockitização localmente com autólitos quartzo –dioríticos (Silva,<br />
2001). E se distribuem pelas encostas e divisores <strong>da</strong> bacia <strong>do</strong> rio Paraty-Mirim (Granito<br />
Paraty-Mirim) e por essas mesmas feições na face leste <strong>da</strong> península <strong>da</strong> Juatinga (Granito<br />
Paraty) (figura 4.1.1-1), e são característicos <strong>do</strong> processo <strong>de</strong> formação <strong>da</strong> Serra <strong>do</strong> Mar,<br />
quan<strong>do</strong> por força <strong>do</strong>s processos orogénicos e <strong>de</strong> diversos cisalhamentos que se seguiram,<br />
incorporaram diversos corpos granitói<strong>de</strong>s <strong>de</strong> dimensões muito varia<strong>da</strong>s.<br />
A ocorrência <strong>do</strong>s granitos é mais pontual, caracterizan<strong>do</strong> a estrutura geológica <strong>do</strong> Morro <strong>da</strong><br />
Cajaíba, <strong>da</strong> mesma forma, os <strong>de</strong>pósitos holocênicos também são pontuais, caracterizan<strong>do</strong><br />
as praias marinhas <strong>da</strong> região. Estas rochas caracterizam áreas escarpa<strong>da</strong>s <strong>de</strong> gran<strong>de</strong>s<br />
diferenças altimétricas e <strong>de</strong>snivelamentos que condicionam solos pobres e bastantes<br />
lixivia<strong>do</strong>s.<br />
35
Figura 4.1.1-1: Mapa Geológico <strong>da</strong> área <strong>de</strong> estu<strong>do</strong>s (CPRM).<br />
36
4.1.2. Geomorfologia<br />
Para a caracterização <strong>da</strong> geomorfologia <strong>da</strong> área <strong>de</strong> estu<strong>do</strong>s, foram realiza<strong>do</strong>s cruzamentos<br />
<strong>de</strong> informações espaciais extraí<strong>da</strong>s <strong>da</strong> base <strong>de</strong> informações espaciais produzi<strong>da</strong> para este<br />
estu<strong>do</strong>.<br />
De forma geral, a área <strong>de</strong> estu<strong>do</strong>s caracteriza-se por maciços costeiros (península <strong>da</strong><br />
Juatinga), escarpas serranas (bacia hidrográfica <strong>do</strong> Paraty-Mirim), além <strong>de</strong> <strong>do</strong>mínios<br />
colinosos e planícies flúvio-marinhas entre estas duas gran<strong>de</strong>s formas.<br />
Segun<strong>do</strong> o mapa <strong>de</strong> posicionamento topográfico (figura 4.1.2-1) e sua tabela associa<strong>da</strong><br />
(tabela 4.1.2-1), a região <strong>da</strong> área <strong>de</strong> estu<strong>do</strong>s caracteriza-se pela presença <strong>de</strong> encostas (36%<br />
<strong>da</strong> área <strong>de</strong> estu<strong>do</strong>s), segui<strong>da</strong> <strong>de</strong> consi<strong>de</strong>ráveis proporções <strong>de</strong> topos <strong>de</strong> montanha/linhas <strong>de</strong><br />
cumea<strong>da</strong>s (30%) e fun<strong>do</strong>s <strong>de</strong> vale (29%). Em menor quanti<strong>da</strong><strong>de</strong>, cerca <strong>de</strong> 1.000 hectares,<br />
ocorrem terrenos planos, que se distribuem pelas áreas <strong>da</strong> foz <strong>do</strong>s rios Paraty-Mirim, <strong>da</strong><br />
Jamanta, <strong>da</strong>s Laranjeiras, no fun<strong>do</strong> <strong>do</strong> Saco <strong>do</strong> Mamanguá, entre outros menores.<br />
Tabela 4.1.2-1: Áreas (hectares) e Proporções <strong>de</strong> Classes <strong>de</strong> Posicionamento Topográfico na área <strong>de</strong> Estu<strong>do</strong>s.<br />
Classe Hectares %<br />
Encostas 7.528,69 36,33<br />
Fun<strong>do</strong>s <strong>de</strong> Vale 5.968,19 28,80<br />
Plano 1.060,81 5,12<br />
Topos <strong>de</strong> montanhas e morros/ Linhas <strong>de</strong> cumea<strong>da</strong> 6.164,88 29,75<br />
Total 20.722,57 100<br />
Figura 4.1.2-1: Gráfico <strong>de</strong> distribuição <strong>de</strong> Classes <strong>de</strong> Posicionamentos Topográfico na área <strong>de</strong> Estu<strong>do</strong>s.<br />
37
Figura 4.1.2-2: Mapa <strong>de</strong> Posicionamento Topográfico <strong>da</strong> área <strong>de</strong> Estu<strong>do</strong>s.
Ao analisar o Mapa <strong>de</strong> Formas <strong>de</strong> Relevo (figura 4.1.2-4), seu gráfico associa<strong>do</strong> (figura 4.<br />
1.2-3) e sua tabela associa<strong>da</strong> (tabela 4.1.2-2), observa-se um relevo bastante aci<strong>de</strong>nta<strong>do</strong>,<br />
composto, principalmente, <strong>de</strong> encostas íngremes (21%) acompanha<strong>da</strong>s por divisores <strong>de</strong><br />
drenagem íngremes (18%) e fun<strong>do</strong>s <strong>de</strong> vales íngremes (13%). O que sugere uma<br />
susceptibili<strong>da</strong><strong>de</strong> maior aos processos hidroerosivos, como <strong>de</strong>tonação e movimentos <strong>de</strong><br />
massa. Entretanto, esta instabili<strong>da</strong><strong>de</strong> geomorfológica é minimiza<strong>da</strong> pelas características <strong>da</strong><br />
cobertura vegetal composta <strong>de</strong> gran<strong>de</strong>s fragmentos <strong>de</strong> matas conserva<strong>da</strong>s (ver capitulo<br />
4.1.6).<br />
Tabela 4.1.2-2: Áreas (hectares) e Proporções <strong>de</strong> Classes <strong>de</strong> Formas <strong>de</strong> Relevo na área <strong>de</strong> Estu<strong>do</strong>s.<br />
Classe Hectares %<br />
Divisores muito íngremes 1.732,07 8,36<br />
Divisores pouco íngremes 628,12 3,03<br />
Divisores íngremes 3.804,83 18,36<br />
Encostas costeiras muito íngremes 217,47 1,05<br />
Encostas costeiras pouco íngremes 223,58 1,08<br />
Encostas costeiras íngremes 1.151,74 5,56<br />
Encostas muito íngremes 1.302,61 6,29<br />
Encostas pouco íngremes 263,46 1,27<br />
Encostas íngremes 4.370,48 21,09<br />
Fun<strong>do</strong>s <strong>de</strong> vales costeiros muito íngremes 170,92 0,82<br />
Fun<strong>do</strong>s <strong>de</strong> vales costeiros pouco íngremes 625,03 3,02<br />
Fun<strong>do</strong>s <strong>de</strong> vales costeiros íngremes 931,55 4,50<br />
Fun<strong>do</strong>s <strong>de</strong> vales muito íngremes 1.000,08 4,83<br />
Fun<strong>do</strong>s <strong>de</strong> vales pouco íngremes 462,10 2,23<br />
Fun<strong>do</strong>s <strong>de</strong> vales íngremes 2.777,75 13,40<br />
Planaltos 505,01 2,44<br />
Planícies costeiras 555,78 2,68<br />
Total 20.722,57 100
Figura 4.1.2-3: Gráfico <strong>de</strong> distribuição <strong>de</strong> Classes <strong>de</strong> Formas <strong>de</strong> Relevo na área <strong>de</strong> Estu<strong>do</strong>s.
Figura 4.1.2-4: Mapa <strong>de</strong> Formas <strong>de</strong> Relevo <strong>da</strong> Área <strong>de</strong> Estu<strong>do</strong>s.
A distribuição <strong>da</strong>s classes <strong>de</strong> altitu<strong>de</strong> na área <strong>de</strong> estu<strong>do</strong>s (figura 4.1.2-5 e 4.1.2-6 e tabela<br />
4.1.2-4) apresenta uma concentração nas classes <strong>de</strong> 100 a 500 metros (63%) localiza<strong>da</strong>s,<br />
principalmente, nas encostas <strong>do</strong> maciço costeiro (Península <strong>da</strong> Juatinga) e <strong>da</strong> bacia<br />
hidrográfica <strong>do</strong> rio Paraty-Mirim, e que ocupam uma área <strong>de</strong> cerca <strong>de</strong> 13.000 hectares.<br />
As classes mais altas (500 a 1.000 e 1.000 a 1.500 metros) localizam-se no Pico <strong>do</strong> Cairuçú<br />
e Pedra <strong>da</strong> Jamanta, além <strong>da</strong>s cabeceiras <strong>da</strong> bacia hidrográfica <strong>do</strong> rio Paraty-Mirim, que<br />
juntas, somam cerca <strong>de</strong> 2.800 hectares.<br />
A classe entre 0 e 20 metros (5%), caracteriza<strong>da</strong>s pelas planícies costeiras <strong>do</strong> rio Paraty-<br />
Mirim; <strong>da</strong>s comuni<strong>da</strong><strong>de</strong> <strong>do</strong> Sono, <strong>do</strong> con<strong>do</strong>mínio Laranjeiras, <strong>da</strong> Praia Gran<strong>de</strong> <strong>da</strong> Cajaíba e,<br />
<strong>do</strong> fun<strong>do</strong> <strong>do</strong> Saco <strong>do</strong> Mamanguá.<br />
A classe entre 20 e 100 metros também se <strong>de</strong>staca, e como será apresenta<strong>do</strong> no capitulo<br />
4.1.6, é um <strong>do</strong>s principais espaços <strong>de</strong> usos agrícolas por parte <strong>da</strong>s comuni<strong>da</strong><strong>de</strong>s que<br />
habitam a área <strong>de</strong> estu<strong>do</strong>s.<br />
Tabela 4.1.2-4: Áreas (hectares) e Proporções <strong>de</strong> Classes <strong>de</strong> Altitu<strong>de</strong> na área <strong>de</strong> Estu<strong>do</strong>s.<br />
Classe Hectares %<br />
0 - 20 1.181,46 5,70<br />
20 - 100 3.603,62 17,39<br />
100 - 500 13.118,78 63,31<br />
500 - 1000 2.708,19 13,07<br />
1000 - 1500 110,51 0,53<br />
TOTAL 20.722,57 100<br />
Figura 4.1.2-5: Gráfico <strong>de</strong> distribuição <strong>de</strong> Classes <strong>de</strong> Altitu<strong>de</strong>s na área <strong>de</strong> Estu<strong>do</strong>s.<br />
42
Figura 4.1.2-6: Mapa Hipsométrico <strong>da</strong> Área <strong>de</strong> Estu<strong>do</strong>s.<br />
43
As principais características <strong>de</strong> <strong>de</strong>clivi<strong>da</strong><strong>de</strong> na área <strong>de</strong> estu<strong>do</strong>s estão relaciona<strong>da</strong>s às<br />
classes <strong>de</strong> 10 a 20 e 20 a 30 graus <strong>de</strong> <strong>de</strong>clivi<strong>da</strong><strong>de</strong>s (tabela 4.1.2-5 e figura 4.1.2-7), que<br />
soma uma área com cerca <strong>de</strong> 13 mil hectares.<br />
As <strong>de</strong>clivi<strong>da</strong><strong>de</strong>s entre 30 e 45 graus (20%) também se <strong>de</strong>stacam na área estu<strong>da</strong>s (tabela<br />
4.1.2-5). Estas áreas associa<strong>da</strong>s às vertentes mais úmi<strong>da</strong>s (quadrante sul) sugerem uma<br />
maior cautela quanto a sua ocupação.<br />
A classe acima <strong>de</strong> 45 graus (1,6%) se distribui, principalmente na vertente oeste <strong>do</strong> Saco <strong>do</strong><br />
Mamanguá, no paredão entre as comuni<strong>da</strong><strong>de</strong>s <strong>de</strong> Cairuçú <strong>da</strong>s Pedras e Ponta Negra, além<br />
<strong>da</strong>s áreas mais altas localiza<strong>da</strong>s no Pico <strong>do</strong> Cairuçú e Pedra <strong>da</strong> Jamanta, e na bacia<br />
hidrográfica <strong>do</strong> rio Paraty-Mirim (figura 4.1.2-8).<br />
Tabela 4.1.2-5: Áreas (hectares) e Proporções <strong>de</strong> Classes <strong>de</strong> Declivi<strong>da</strong><strong>de</strong>s na área <strong>de</strong> Estu<strong>do</strong>s.<br />
Classe Hectares %<br />
0 - 5 2.186,58 10,55<br />
5 - 10 1.077,75 5,20<br />
10 - 20 5.548,98 26,78<br />
20 - 30 7.485,28 36,12<br />
30 - 45 4.089,75 19,74<br />
> 45 334,23 1,61<br />
Total 20.722,57 100<br />
Figura 4.1.2-7: Gráfico <strong>de</strong> distribuição <strong>de</strong> Classes <strong>de</strong> Declivi<strong>da</strong><strong>de</strong>s na área <strong>de</strong> Estu<strong>do</strong>s.<br />
44
Figura 4.1.2-8: Mapa <strong>de</strong> Declivi<strong>da</strong><strong>de</strong> <strong>da</strong> Área <strong>de</strong> Estu<strong>do</strong>s.<br />
45
4.1.3. Clima<br />
Devi<strong>do</strong> à escassez <strong>de</strong> <strong>da</strong><strong>do</strong>s climáticos para o recorte estu<strong>da</strong><strong>do</strong>, sugere-se que os <strong>da</strong><strong>do</strong>s<br />
apresenta<strong>do</strong>s no capitulo 3.1.2 sejam observa<strong>do</strong>s para este mesmo recorte com algumas<br />
particulari<strong>da</strong><strong>de</strong>s abaixo apresenta<strong>da</strong>s.<br />
O relevo é o principal fator climático para esta área, <strong>de</strong>ve-se ressaltar que a gran<strong>de</strong> variação<br />
altimétrica <strong>da</strong> área <strong>de</strong> estu<strong>do</strong>s (ver capitulo 4.1.3) atua como um intensifica<strong>do</strong>r <strong>da</strong>s chuvas<br />
<strong>do</strong> tipo orográficas caracterizan<strong>do</strong> áreas <strong>de</strong> barlavento (mais úmi<strong>da</strong>s) e <strong>de</strong> sotavento (menos<br />
úmi<strong>da</strong>s).<br />
Desta forma, a porção sul (barlavento) <strong>da</strong> área <strong>de</strong> estu<strong>do</strong>s sofre influencia direta <strong>do</strong>s<br />
sistemas frontais <strong>de</strong> SW e SE, e a porção norte <strong>de</strong>sta mesma área, volta<strong>da</strong> para <strong>da</strong> Baía <strong>de</strong><br />
Ilha Gran<strong>de</strong> (sotavento), encontra-se mais protegi<strong>da</strong> <strong>de</strong>ssas massas <strong>de</strong> ar e, portanto,<br />
apresentan<strong>do</strong> índices pluviométricos inferiores a porção sul. Na região litorânea volta<strong>da</strong> para<br />
a Baía <strong>da</strong> Ilha Gran<strong>de</strong>, a umi<strong>da</strong><strong>de</strong> relativa <strong>do</strong> ar apresenta pequenas variações ao longo <strong>do</strong><br />
ano, com índices entre 80 – 83%, já na porção sul, a variação nos índices <strong>de</strong> umi<strong>da</strong><strong>de</strong> <strong>do</strong> ar<br />
é maior, apresentan<strong>do</strong> médias mensais <strong>de</strong> 85% (verão), e inferiores no inverno, com médias<br />
abaixo <strong>de</strong> 80% (Ibama, 2005).<br />
Quanto ao comportamento térmico <strong>da</strong> área estu<strong>da</strong><strong>da</strong>, a ausência total <strong>de</strong> <strong>da</strong><strong>do</strong>s no seu<br />
interior também sugere uma análise apoia<strong>da</strong> pelas informações <strong>do</strong> recorte regional.<br />
Segun<strong>do</strong> o Plano <strong>de</strong> Manejo <strong>da</strong> APA Cairuçú, as temperaturas médias nos meses <strong>de</strong> verão<br />
po<strong>de</strong>m variar entre 25 o C e 26 o C, nas médias mínimas, e 28 o C e 30 o C na médias máximas;<br />
já nos meses <strong>de</strong> inverno, as variações <strong>de</strong> temperatura oscilam entre 18 o C e 20 o C.<br />
4.1.4. Solos<br />
O mapeamento <strong>da</strong>s características pe<strong>do</strong>lógicas <strong>da</strong> área <strong>de</strong> estu<strong>do</strong>s foi realiza<strong>do</strong> a partir <strong>do</strong><br />
mapa pe<strong>do</strong>lógico <strong>do</strong> CPRM em escala 1:250.000, o que dificulta uma análise mais apura<strong>da</strong><br />
na escala <strong>da</strong> área <strong>de</strong> estu<strong>do</strong>s. Entretanto, po<strong>de</strong>-se observar que os principais tipos <strong>de</strong> solo<br />
são caracteriza<strong>do</strong>s por Cambissolos álicos associa<strong>do</strong>s à Latossolos vermelho-amarelo, além<br />
<strong>de</strong> Latossolos e solos Litólicos associa<strong>do</strong>s à Cambissolos (figura 4.1.4-9).<br />
As áreas <strong>de</strong> ocorrência <strong>do</strong>s Latossolos associa<strong>do</strong>s à Cambissolos se distribuem,<br />
principalmente, pelas áreas <strong>de</strong> relevo pouco ondula<strong>do</strong> a suaves, como as áreas mais baixas<br />
<strong>da</strong> cabeceira <strong>do</strong> rio Paraty-Mirim e ao longo <strong>de</strong> seu vale. Assim como, nas bacias<br />
hidrográficas <strong>do</strong> córrego <strong>da</strong> Toca <strong>do</strong> Boi e <strong>da</strong>s áreas baixas <strong>do</strong> fun<strong>do</strong> <strong>do</strong> Saco <strong>do</strong><br />
Mamanguá.<br />
Isto sugere que essas áreas apresentam solos <strong>de</strong> pouca fertili<strong>da</strong><strong>de</strong> e bastante lixivia<strong>do</strong>s,<br />
entretanto, por se tratarem <strong>de</strong> solos <strong>de</strong> gran<strong>de</strong> espessura (longo tempo <strong>de</strong>senvolvimento) e<br />
associa<strong>do</strong>s a terrenos <strong>de</strong> menores <strong>de</strong>clivi<strong>da</strong><strong>de</strong>s, estas áreas se tornam menos susceptíveis<br />
a movimento <strong>de</strong> massa.<br />
Já os Cambissolos (<strong>de</strong> maior ocorrência na área <strong>de</strong> estu<strong>do</strong>s), neste caso, associa<strong>do</strong>s aos<br />
Latossolos, se distribuem por áreas <strong>de</strong> relevos ondula<strong>do</strong>s a fortemente ondula<strong>do</strong>s, sen<strong>do</strong><br />
típicos <strong>de</strong> áreas <strong>de</strong> montanhas. No caso <strong>da</strong> área <strong>de</strong> estu<strong>do</strong>s, observa-se a distribuição<br />
<strong>de</strong>stes, nas áreas altas <strong>da</strong>s bacias hidrográficas e divisores <strong>de</strong> drenagem como o que segue<br />
<strong>do</strong> Morro <strong>da</strong> Pedra Re<strong>do</strong>n<strong>da</strong> (noroeste a área <strong>de</strong> estu<strong>do</strong>s) até o morro Cerro Gran<strong>de</strong> (na<br />
ponta <strong>da</strong> ensea<strong>da</strong> <strong>de</strong> Paraty-Mirim). Além <strong>da</strong>s áreas <strong>de</strong> entorno <strong>do</strong> Morro <strong>do</strong> Ilhéu, Morro <strong>da</strong><br />
Cajaíba, Pico <strong>do</strong> Cairuçú , Pedra <strong>da</strong> Jamanta, praia <strong>do</strong> Sono e na Ponta Negra. Devi<strong>do</strong> a<br />
sua distribuição por terrenos <strong>de</strong> eleva<strong>da</strong> <strong>de</strong>clivi<strong>da</strong><strong>de</strong> e por se tratarem <strong>de</strong> solos bastante<br />
rasos com um contato abrupto solo-rocha, estas áreas se apresenta com uma maior<br />
susceptibili<strong>da</strong><strong>de</strong> a <strong>de</strong>slizamentos e outros movimentos <strong>de</strong> massa.<br />
46
Figura 4.1.4-9: Mapa <strong>de</strong> Solos <strong>da</strong> área <strong>de</strong> estu<strong>do</strong>s (CPRM).<br />
47
4.1.5. Áreas <strong>de</strong> Preservação Permanentes (APPs) na Área <strong>de</strong> Estu<strong>do</strong>s<br />
A análise <strong>da</strong> distribuição <strong>da</strong>s Áreas <strong>de</strong> Preservação Permanentes na área <strong>de</strong> estu<strong>do</strong>s<br />
teve como instrumento o mapa temático (figura 4.1.5-11) e tabela (tabela 4.1.5-6) e<br />
gráfico (figura 4.1.5-10) elabora<strong>do</strong>s para esse tema.<br />
As áreas em APPs ocupam cerca <strong>de</strong> 7.400 hectares (36%) <strong>do</strong> território estu<strong>da</strong><strong>do</strong> e<br />
caracterizam-se por topos <strong>de</strong> morro/montanhas (20%), margens <strong>de</strong> rios (12%), áreas<br />
<strong>de</strong> manguezais (1 %) entre outras <strong>de</strong> menores proporções.<br />
Cabe ressaltar, que não foram calcula<strong>da</strong>s as APPs <strong>de</strong> linhas <strong>de</strong> cumea<strong>da</strong>, o que<br />
aumentaria significativamente a proporção <strong>de</strong> APPs na área <strong>de</strong> estu<strong>do</strong>s, já que as<br />
características <strong>do</strong> relevo, bastante recorta<strong>do</strong>, sugerem que esta classe ocuparia<br />
extensas áreas.<br />
Tabela 4.1.5-6: Áreas (hectares) e Proporções <strong>de</strong> Classes <strong>de</strong> APPs na área <strong>de</strong> Estu<strong>do</strong>s.<br />
Classes Hectares % % <strong>de</strong> APPs Geral<br />
> 45 202,69 2,71 0,98<br />
Brejo 77,31 1,03 0,37<br />
Costão rochoso 119,48 1,60 0,58<br />
Mangue 238,55 3,19 1,15<br />
Margens <strong>de</strong> <strong>Rio</strong>s (10, 30 e 50m) 2.452,00 32,78 11,83<br />
Restinga 52,96 0,71 0,26<br />
Topos <strong>de</strong> montanhas e morros/ Linhas <strong>de</strong> cumea<strong>da</strong> 4.337,96 57,99 20,93<br />
TOTAL EM APPs 7.480,94 100 36,10<br />
TOTAL DE ÁREAS FORA DE APPs 13.241,63 63,90<br />
TOTAL DA AREA DE ESTUDOS 20.722,57 100<br />
48
70,00<br />
60,00<br />
50,00<br />
40,00<br />
30,00<br />
20,00<br />
10,00<br />
0,00<br />
> 45<br />
Distribuição (% <strong>de</strong> área) <strong>da</strong>s Classes <strong>de</strong> Áreas <strong>de</strong> Proteção<br />
Permanentes (APPs) na Área <strong>de</strong> Estu<strong>do</strong>s (20.722,55 ha)<br />
0,98 0,37 0,58 1,15<br />
Brejo<br />
Costão rochoso<br />
Mangue<br />
Margens <strong>de</strong> <strong>Rio</strong>s (30 e 50m)<br />
11,83<br />
Restinga<br />
0,26<br />
Topos <strong>de</strong> montanhas e morros<br />
20,93<br />
TOTAL EM APPs<br />
36,10<br />
TOTAL DE ÁREAS FORA DE APPs<br />
63,90<br />
Figura 4.1.5-10: Gráfico <strong>de</strong> Áreas <strong>de</strong> Preservação Permanente <strong>da</strong> área <strong>de</strong> estu<strong>do</strong>s<br />
49
Figura 4.1.5-1: Mapa <strong>de</strong> Áreas <strong>de</strong> Preservação Permanentes <strong>da</strong> área <strong>de</strong> estu<strong>do</strong>s.<br />
50
4.1.6. Vegetação e uso <strong>do</strong> solo (IBGE,2006) na Área <strong>de</strong> Estu<strong>do</strong>s<br />
Cerca <strong>de</strong> <strong>do</strong>is terços <strong>da</strong> área <strong>de</strong> estu<strong>do</strong> é coberta por florestas em estágio médio ou<br />
avança<strong>do</strong> <strong>de</strong> sucessão ecológica, formação protegi<strong>da</strong> <strong>de</strong> retira<strong>da</strong> pela Lei <strong>da</strong> Mata<br />
Atlântica. Além disso, há mais <strong>de</strong> 17% <strong>de</strong> florestas em estágio inicial, totalizan<strong>do</strong><br />
pouco mais <strong>de</strong> 84% <strong>de</strong> ecossistemas florestais (figura 4.1.6-1).<br />
Tabela 4.1.6-1: Áreas (hectares) e Proporções <strong>de</strong> Classes <strong>de</strong> Vegetação e Uso <strong>do</strong> Solo (IBGE, 2006) na<br />
área <strong>de</strong> Estu<strong>do</strong>s.<br />
Classe Hectares %<br />
Afloramento rochoso 502,22 2,42<br />
Água 3,72 0,02<br />
Área edifica<strong>da</strong> 255,55 1,23<br />
Brejo 77,31 0,37<br />
Costão rochoso 152,50 0,74<br />
Floresta em estágio inicial <strong>de</strong> sucessão 3.652,22 17,62<br />
Floresta em estágio médio ou avança<strong>do</strong> <strong>de</strong> sucessão 13.810,95 66,65<br />
Gramíneas 1.632,21 7,88<br />
Mangue 238,55 1,15<br />
Praia 48,98 0,24<br />
Restinga 52,96 0,26<br />
Vegetação arbustiva 295,41 1,43<br />
Total 20.722,57 100<br />
51
70,00<br />
60,00<br />
50,00<br />
40,00<br />
30,00<br />
20,00<br />
10,00<br />
0,00<br />
Distribuição (% <strong>de</strong> área) <strong>da</strong>s Classes <strong>de</strong> Vegetação e Uso <strong>do</strong> Solo<br />
(Ortofoto IBGE, 2006) na Área <strong>de</strong> Estu<strong>do</strong>s (20.722,57 ha)<br />
Afloramento rochoso<br />
2,42<br />
Água<br />
0,02 1,23 0,37 0,74<br />
Área edifica<strong>da</strong><br />
Brejo<br />
Costão rochoso<br />
Floresta em estágio inicial <strong>de</strong> sucessão<br />
17,62<br />
66,65<br />
Floresta em estágio médio ou<br />
avança<strong>do</strong> <strong>de</strong> sucessão<br />
Gramíneas<br />
7,88<br />
Mangue<br />
1,15 0,24 0,26 1,43<br />
Figura 4.1.6-1 – Gráfico com a proporção <strong>da</strong>s classes <strong>do</strong> mapa <strong>de</strong> cobertura vegetal e uso <strong>do</strong> solo (IBGE,<br />
2006) <strong>da</strong> área <strong>de</strong> estu<strong>do</strong>.<br />
Deve ser ressalta<strong>do</strong>, que essas áreas <strong>de</strong> floresta em estágio inicial, em gran<strong>de</strong> parte,<br />
correspon<strong>de</strong>m às roças caiçaras, on<strong>de</strong> áreas <strong>de</strong> mata são utiliza<strong>da</strong>s em sistema <strong>de</strong><br />
rodízio e aban<strong>do</strong>na<strong>da</strong>s. Assim, são cria<strong>da</strong>s marcas na paisagem, on<strong>de</strong> se percebe um<br />
mosaico <strong>de</strong> formações florestais com diferentes tempos <strong>de</strong> <strong>de</strong>senvolvimento e,<br />
consequentemente, em distintos estágios <strong>de</strong> sucessão ecológica.<br />
As áreas <strong>de</strong> floresta em estágio médio e avança<strong>do</strong> estão concentra<strong>da</strong>s nos topos <strong>de</strong><br />
morro e nas partes superiores <strong>da</strong>s encostas, junto aos divisores <strong>de</strong> água existentes no<br />
interior <strong>da</strong> área <strong>de</strong> estu<strong>do</strong> e também nos limites <strong>de</strong>ssa área (figura 4.1.6-2), com<br />
<strong>de</strong>staque para aos subsistemas hidrográficos volta<strong>do</strong>s para o sul, on<strong>de</strong> mesmo nos<br />
fun<strong>do</strong>s <strong>de</strong> vale é comum o <strong>do</strong>mínio <strong>de</strong> florestas em estágio médio e avança<strong>do</strong> <strong>de</strong><br />
sucessão ecológica.<br />
Praia<br />
Restinga<br />
Vegetação arbustiva<br />
52
Figura 4.1.6-2: Mapa <strong>de</strong> cobertura vegetal e uso <strong>do</strong> solo <strong>da</strong> área <strong>de</strong> estu<strong>do</strong>.<br />
53
As florestas em estágio inicial, por sua vez, está consentra<strong>da</strong> nos fun<strong>do</strong>s <strong>de</strong> vale e<br />
próximo às áreas <strong>de</strong> planície, mas ocorre também em áreas <strong>de</strong> encosta, indican<strong>do</strong> seu<br />
papel como roça caiçara.<br />
O pastos (gramineas) ocupam quase 8% <strong>da</strong> area <strong>de</strong> estu<strong>do</strong>. Apresentam padrão <strong>de</strong><br />
distrbuição espacial semelhante àquele observa<strong>do</strong> para as florestas em estágio inicial,<br />
mas avançam menos sobre as encostas, estan<strong>do</strong> mais concentra<strong>do</strong>s nos fun<strong>do</strong>s <strong>de</strong><br />
vale, mesmo nas partes mais altas <strong>da</strong>s bacias hidrográficas. Mas em algmas áreas as<br />
gramineas avançam até os divisores <strong>de</strong> água, como na parte superior <strong>da</strong> bacia <strong>do</strong> <strong>Rio</strong><br />
Paraty-Mirim.<br />
To<strong>da</strong>s as <strong>de</strong>mais classes são pouco significativas em termos espaciais, possuin<strong>do</strong><br />
menos <strong>de</strong> 2,5% <strong>da</strong> área <strong>de</strong> estu<strong>do</strong>. Algumas <strong>de</strong>ssas classes apresentam maior<br />
importância em alguns subsistemas, como será percebi<strong>do</strong> na discussão abaixo.<br />
4.1.7. Vegetação e Uso <strong>do</strong> Solo por Subsistemas Hidrográficos<br />
O mapa <strong>de</strong> vegetação e uso <strong>do</strong> solo <strong>da</strong> área <strong>de</strong> estu<strong>do</strong> foi elabora<strong>do</strong> em escala <strong>de</strong><br />
<strong>de</strong>talhe, possibilitan<strong>do</strong> uma análise <strong>da</strong>s especifici<strong>da</strong><strong>de</strong>s internas <strong>de</strong> ca<strong>da</strong> subsistema<br />
hidrográfico que compõe essa área. Essa opção garante um entendimento <strong>da</strong>s<br />
características <strong>de</strong>sses subsistemas, além <strong>de</strong> possibilitar uma comparação entre eles,<br />
com vistas a ressaltar as características ambientais relevantes <strong>de</strong> ca<strong>da</strong> um.<br />
54
Figura 4.1.7-1: Mapa <strong>de</strong> cobertura vegetal e uso <strong>do</strong> solo <strong>da</strong> área <strong>de</strong> estu<strong>do</strong> por Subsistemas Hidrogáfico.<br />
55
4.1.7.1. Subsistema Hidrográfico <strong>da</strong> Ensea<strong>da</strong> <strong>de</strong> Trin<strong>da</strong><strong>de</strong><br />
O subsistema <strong>da</strong> Ensea<strong>da</strong> <strong>de</strong> Trin<strong>da</strong><strong>de</strong>, situa<strong>do</strong> no extremo su<strong>do</strong>este e limita<strong>do</strong> pelos<br />
subsistemas <strong>da</strong> Ensea<strong>da</strong> <strong>de</strong> Laranjeiras (a leste), pela bacia <strong>do</strong> <strong>Rio</strong> Paraty-Mirim (a<br />
norte), Pelo Oceano Atlântico (a sul) e pelo limite <strong>do</strong> esta<strong>do</strong> <strong>do</strong> <strong>Rio</strong> <strong>de</strong> <strong>Janeiro</strong> (a<br />
oeste), é o menor entre os oito subsistemas. Este recorte possui uma área total <strong>de</strong> 944<br />
hectares, <strong>de</strong>stes, cerca <strong>de</strong> 700 hectares (75% <strong>do</strong> total) são áreas cobertas por floresta<br />
em estágio médio ou avança<strong>da</strong>s <strong>de</strong> sucessão ecológica, proporção bastante<br />
significativa e superior à média <strong>da</strong> área <strong>de</strong> estu<strong>do</strong> (figura 4.1.7.1-1).<br />
Figura 4.1.7.1-1: Gráfico com a proporção <strong>da</strong>s classes <strong>do</strong> mapa <strong>de</strong> cobertura vegetal e uso <strong>do</strong> solo <strong>do</strong><br />
Subsistema Hidrográfico <strong>da</strong> Ensea<strong>da</strong> <strong>de</strong> Trin<strong>da</strong><strong>de</strong><br />
Essas áreas <strong>de</strong> floresta em melhor esta<strong>do</strong> <strong>de</strong> conservação estão concentra<strong>da</strong>s nas<br />
áreas superiores e mais íngremes <strong>de</strong>sse subsistema, comumente acima <strong>da</strong> cota <strong>de</strong><br />
100 metros (figura 4.1.7.1-2). Exceção são as porções extremas <strong>de</strong>ssa área, tanto a<br />
su<strong>do</strong>este, como a nor<strong>de</strong>ste. Estas áreas, que não possuem acessos por estra<strong>da</strong>,<br />
sen<strong>do</strong> impossível a chega<strong>da</strong> <strong>de</strong> veículos automotores, a floresta em estágio médio e<br />
avança<strong>do</strong> se esten<strong>de</strong> até a linha <strong>de</strong> costa, ocupan<strong>do</strong> as encostas inteiramente. Cabe<br />
ressaltar, que a porção mais a su<strong>do</strong>este encontra-se protegi<strong>da</strong> pelo Parque Nacional<br />
<strong>da</strong> Serra <strong>da</strong> Bocaina.<br />
As florestas em estágio inicial também são relevantes em termos espaciais, ocupan<strong>do</strong><br />
13,7% <strong>de</strong>sse subsistema. Essa formação está concentra<strong>da</strong> na porção inferior <strong>do</strong><br />
56
elevo, mas avança para as áreas superiores, especialmente nos fun<strong>do</strong>s <strong>de</strong> vale.<br />
Nesse caso, <strong>de</strong>staca-se o vale <strong>do</strong> córrego <strong>da</strong> Trin<strong>da</strong><strong>de</strong> e seus afluentes, on<strong>de</strong> a<br />
florestas em estágio inicial <strong>do</strong>minam a parte inferior. Mas to<strong>do</strong>s os fun<strong>do</strong>s <strong>de</strong> vale <strong>do</strong>s<br />
pequenos córregos apresentam ocupação por florestas em estágio inicial.<br />
Há também algumas áreas com formações florestais em estágio inicial nas encostas<br />
mais íngremes e em topos <strong>de</strong> morro, especialmente nas áreas situa<strong>da</strong>s próximo ao<br />
mar e no entorno <strong>da</strong> estra<strong>da</strong> <strong>de</strong> acesso ao núcleo urbano <strong>de</strong> Trin<strong>da</strong><strong>de</strong>.<br />
Outro ponto relevante é o morrote situa<strong>do</strong> na ponta leste <strong>de</strong>sse subsistema<br />
hidrográfico, que se apresenta inteiramente coberto por florestas em estágio inicial.<br />
Ten<strong>do</strong> em vista a dificul<strong>da</strong><strong>de</strong> <strong>de</strong> acesso à essa área, é possível que essa formação<br />
não se caracterize como resulta<strong>do</strong> <strong>de</strong> um processo <strong>de</strong> <strong>de</strong>gra<strong>da</strong>ção florestal.<br />
Possivelmente, em função <strong>do</strong>s solos <strong>da</strong>s encostas <strong>de</strong>sse morrote serem muito rasos,<br />
as florestas locais não conseguem se <strong>de</strong>senvolver e formar florestas em estágios mais<br />
avança<strong>do</strong>s <strong>de</strong> sucessão ecológica.<br />
O núcleo urbaniza<strong>do</strong> <strong>de</strong> Trin<strong>da</strong><strong>de</strong> concentra-se a área edifica<strong>da</strong> <strong>de</strong> 15,6 hectares<br />
existente nesse subsistema, o que representa apenas 1,65% <strong>do</strong> mesmo. Ain<strong>da</strong><br />
existem pequenas áreas edifica<strong>da</strong>s em outros pontos <strong>da</strong> ensea<strong>da</strong>, especialmente ao<br />
longo <strong>da</strong> estra<strong>da</strong> <strong>de</strong> acesso à Trin<strong>da</strong><strong>de</strong>, mas também a oeste <strong>de</strong>sse núcleo <strong>de</strong><br />
edificações.<br />
As gramíneas são a terceira classe com maior representativi<strong>da</strong><strong>de</strong> espacial, ocupan<strong>do</strong><br />
31,4 hectares, ou 3,3% <strong>de</strong>sse subsistema hidrográfico. Estas áreas apresentam uma<br />
distribuição, aparentemente, vincula<strong>da</strong> ao núcleo urbano <strong>de</strong> Trin<strong>da</strong><strong>de</strong> e a sua estra<strong>da</strong><br />
<strong>de</strong> acesso, já que as manchas <strong>de</strong> gramíneas mapea<strong>da</strong>s estão em contato ou muito<br />
próximas a um <strong>de</strong>sses elementos. Também percebe-se uma relação espacial entre<br />
essas formações e as florestas em estágio inicial <strong>de</strong> sucessão ecológica, já que as<br />
gramíneas ocorrem no interior <strong>de</strong>ssas matas ou em suas proximi<strong>da</strong><strong>de</strong>s. O que po<strong>de</strong><br />
indicar que essas duas áreas compartilham <strong>do</strong> mesmo processo <strong>de</strong> incorporação<br />
pratica<strong>do</strong> por parte <strong>da</strong> população local.<br />
57
Figura 4.1.7.1-2: Mapa <strong>de</strong> cobertura vegetal e uso <strong>do</strong> solo <strong>do</strong> Subsistema Hidrográfico <strong>da</strong> Ensea<strong>da</strong> <strong>de</strong> Trin<strong>da</strong><strong>de</strong>.<br />
58
Vale ressaltar ain<strong>da</strong>, a presença significativa <strong>de</strong> costões rochosos, que recobrem<br />
1,59% <strong>da</strong> área <strong>do</strong> subsistema, proporção bastante superior a média <strong>da</strong> área <strong>de</strong><br />
estu<strong>do</strong>. Essas formações são protegi<strong>da</strong>s pelo Código Florestal, que as classifica como<br />
Áreas <strong>de</strong> Preservação Permanente, sen<strong>do</strong> <strong>de</strong> gran<strong>de</strong> relevância para a conservação.<br />
4.1.7.2. Subsistema Hidrográfico <strong>da</strong> Ensea<strong>da</strong> <strong>de</strong> Laranjeiras –<br />
Bacia <strong>do</strong> Córrego <strong>da</strong> Toca <strong>do</strong> Boi<br />
Com pouco menos <strong>de</strong> 1.300 hectares, esse subsistema situa<strong>do</strong> no extremo sul <strong>da</strong><br />
área <strong>de</strong> estu<strong>do</strong> é limita<strong>do</strong> pelos subsistemas <strong>de</strong> Trin<strong>da</strong><strong>de</strong> (a oeste), pela bacia <strong>do</strong><br />
Paraty-Mirim (a norte), pelo oceano Atlântico (a sul) e pelo subsistema <strong>da</strong>s bacias <strong>do</strong>s<br />
Córregos Ponta Negra e Caju (a leste). Apresenta proporção <strong>de</strong> vegetação<br />
semelhante à <strong>de</strong>scrita para a Ensea<strong>da</strong> <strong>de</strong> Trin<strong>da</strong><strong>de</strong>, com ¾ <strong>da</strong> área coberto por<br />
florestas em estágio médio ou avança<strong>do</strong> <strong>de</strong> sucessão ecológica (figura 4.1.7.2-1).<br />
Porém, nesse subsistema a distribuição <strong>de</strong>ssa formação vegetal se dá tanto nas áreas<br />
mais eleva<strong>da</strong>s, quanto nos fun<strong>do</strong>s <strong>de</strong> vale, especialmente na bacia hidrográfica <strong>do</strong><br />
Córrego <strong>do</strong> Boi, mas também na bacia <strong>do</strong> <strong>Rio</strong> <strong>da</strong>s Laranjeiras. Também no entorno <strong>da</strong><br />
estra<strong>da</strong> <strong>de</strong> acesso ao con<strong>do</strong>mínio Laranjeiras e a Vila Oratório há <strong>do</strong>mínio <strong>de</strong> florestas<br />
em estágio avança<strong>do</strong> ou médio <strong>de</strong> sucessão ecológica (4.1.7.2-2).<br />
Nesse subsistema, a proporção <strong>de</strong> florestas em estágio inicial é significativa,<br />
alcançan<strong>do</strong> quase 15% <strong>da</strong> área, proporção semelhante à encontra<strong>da</strong> para Trin<strong>da</strong><strong>de</strong>. O<br />
padrão espacial <strong>de</strong> distribuição <strong>de</strong>ssa classe também é semelhante, com formações<br />
florestais em estágio inicial ocorren<strong>do</strong> no entorno <strong>da</strong> área urbana. Porém, no<br />
subsistema <strong>de</strong> Laranjeiras essa classe não avança pelos fun<strong>do</strong>s <strong>de</strong> vale,<br />
concentran<strong>do</strong>-se nas encostas <strong>do</strong>s morrotes mais próximos ao mar. Deve ser<br />
ressalta<strong>do</strong> que essas formações não parecem estar associa<strong>da</strong>s a usos empreendi<strong>do</strong>s<br />
pela população local. As florestas em estágio inicial <strong>de</strong>vem resultar <strong>de</strong> processo <strong>de</strong><br />
<strong>de</strong>gra<strong>da</strong>ção <strong>da</strong> mata e, sobretu<strong>do</strong>, por conta <strong>da</strong> gran<strong>de</strong> <strong>de</strong>clivi<strong>da</strong><strong>de</strong> <strong>da</strong>s encostas na<br />
área, o que dificulta o <strong>de</strong>senvolvimento <strong>da</strong>s matas.<br />
A terceira classe <strong>de</strong> maior representativi<strong>da</strong><strong>de</strong> espacial nesse subsistema é a <strong>de</strong> área<br />
edifica<strong>da</strong>, que ocupa 7,6% <strong>de</strong> to<strong>do</strong> o subsistema, proporção muito maior que a <strong>do</strong>s<br />
outros oito subsistemas <strong>da</strong> área <strong>de</strong> estu<strong>do</strong>, que nunca ultrapassam 2%. Essa área<br />
está quase to<strong>da</strong> concentra<strong>da</strong> no con<strong>do</strong>mínio Laranjeiras, mas também é relevante na<br />
Vila Oratório. Além disso, há pequenas manchas <strong>de</strong> edificação ao longo <strong>da</strong> estra<strong>da</strong> <strong>de</strong><br />
acesso, na bacia <strong>do</strong> córrego Toca <strong>do</strong> Boi e em áreas <strong>do</strong> entorno <strong>da</strong> Vila Oratório, on<strong>de</strong><br />
o acesso se dá através <strong>de</strong> pequenos acessos.<br />
As <strong>de</strong>mais classes <strong>de</strong> cobertura vegetal e uso <strong>do</strong> solo são pouco significativas,<br />
inclusive as gramíneas, proporção significativamente menor <strong>de</strong>ntre os oito<br />
subsistemas hidrográficos analisa<strong>do</strong>s.<br />
59
Figura 4.1.7.2-1: Gráfico com a proporção <strong>da</strong>s classes <strong>do</strong> mapa <strong>de</strong> cobertura vegetal e uso <strong>do</strong> solo <strong>do</strong><br />
Subsistema Hidrográfico <strong>da</strong> Ensea<strong>da</strong> <strong>de</strong> Laranjeiras – Bacia <strong>do</strong> Córrego <strong>da</strong> Toca <strong>do</strong> Boi<br />
60
Figura 4.1.7.2-2: Mapa <strong>de</strong> cobertura vegetal e uso <strong>do</strong> solo <strong>do</strong> Subsistema Hidrográfico <strong>da</strong> Ensea<strong>da</strong> <strong>de</strong> Laranjeiras – bacia <strong>do</strong> Córrego <strong>da</strong> Toca <strong>do</strong> Boi<br />
61
4.1.7.3. Subsistema Hidrográfico <strong>da</strong>s Bacias <strong>do</strong>s Córregos <strong>da</strong><br />
Ponta Negra e <strong>do</strong> Caju<br />
Este subsistema apresenta mais <strong>de</strong> <strong>do</strong>is mil hectares e está situa<strong>do</strong> na parte sul <strong>da</strong><br />
área <strong>de</strong> estu<strong>do</strong>. É limita<strong>do</strong> pelo mar e pelos subsistemas <strong>da</strong> Ensea<strong>da</strong> Laranjeiras, <strong>do</strong><br />
Saco <strong>de</strong> Mamanguá e <strong>da</strong> Ensea<strong>da</strong> <strong>da</strong> Juatinga – Córrego Cairuçú. Inclui a locali<strong>da</strong><strong>de</strong>s:<br />
<strong>de</strong> Sono, situa<strong>do</strong> junto à foz <strong>do</strong> Córrego <strong>da</strong> Jamanta, on<strong>de</strong> se localiza a maior parte<br />
<strong>do</strong>s 18 hectares <strong>de</strong> áreas edifica<strong>da</strong>s (0,83% <strong>do</strong> subsistema), e Ponta Negra, localiza<strong>da</strong><br />
junto à foz <strong>do</strong> <strong>Rio</strong> Caju. (figuras 4.1.7.3-1 e 4.1.7.3-2).<br />
Figura 4.1.7.3-1: Gráfico com a proporção <strong>da</strong>s classes <strong>do</strong> mapa <strong>de</strong> cobertura vegetal e uso <strong>do</strong> solo <strong>do</strong><br />
Subsistema Hidrográfico <strong>da</strong>s Bacias <strong>do</strong>s Córregos <strong>da</strong> Ponta Negra e <strong>do</strong> Caju<br />
62
Figura 4.1.7.1-2: Mapa <strong>de</strong> cobertura vegetal e uso <strong>do</strong> solo <strong>do</strong> Subsistema Hidrográfico as bacias <strong>do</strong>s Córregos <strong>da</strong> Ponta Negra e <strong>do</strong> Caju<br />
63
Nesse subsistema, as florestas em estágio avança<strong>do</strong> e médio <strong>de</strong> sucessão ecológica<br />
colonizam a maior parte <strong>da</strong> área, cobrin<strong>do</strong> 78% <strong>do</strong> total. Esse tipo <strong>de</strong> formação <strong>do</strong>mina<br />
to<strong>do</strong> o subsistema, com exceção <strong>da</strong>s áreas <strong>de</strong> planície próxima a foz <strong>do</strong>s três rios <strong>de</strong><br />
maior porte <strong>da</strong> área (Córregos <strong>da</strong> Jamanta, <strong>do</strong> Caju e <strong>da</strong> Ponta Negra).<br />
Figura 4.1.7.1-3: Foto <strong>da</strong> Ensea<strong>da</strong> <strong>da</strong> Praia <strong>do</strong> Sono.<br />
As florestas em estágio inicial <strong>de</strong> sucessão ecológica formam a segun<strong>da</strong> maior classe<br />
em termos espaciais, ocupan<strong>do</strong> pouco mais <strong>de</strong> 7% <strong>da</strong> área. Essa classe recobre o<br />
entorno <strong>da</strong>s áreas edifica<strong>da</strong>s, especialmente na planície junto à foz <strong>do</strong>s rios. Mas essa<br />
classe também avança pelo eixo <strong>do</strong>s vales maiores, como o <strong>do</strong>s rios Jamanta, nas<br />
proximi<strong>da</strong><strong>de</strong>s <strong>da</strong> locali<strong>da</strong><strong>de</strong> <strong>de</strong> Sono, e <strong>do</strong>s Córregos <strong>do</strong> Caju e Ponta Negra, no<br />
entorno <strong>de</strong> Ponta Negra. As encostas <strong>do</strong>s morros ao re<strong>do</strong>r <strong>de</strong>ssas locali<strong>da</strong><strong>de</strong>s também<br />
são ocupa<strong>da</strong>s por formações florestais em estágio inicial <strong>de</strong> sucessão.<br />
Figura 4.1.7.1-4: Foto <strong>da</strong> ensea<strong>da</strong> <strong>da</strong> Ponta Negra.<br />
64
Essas formações ocorrem associa<strong>da</strong>s às gramíneas, que ocupam menos <strong>de</strong> 3% <strong>do</strong><br />
subsistema. Estão, geralmente, no interior <strong>da</strong>s manchas <strong>de</strong> floresta em estágio inicial.<br />
Essa conformação espacial indica marcas <strong>do</strong> processo <strong>de</strong> produção através <strong>de</strong> roças<br />
caiçaras, on<strong>de</strong> a rotativi<strong>da</strong><strong>de</strong> <strong>da</strong>s áreas <strong>de</strong> mata gera um mosaico <strong>de</strong> formações, que<br />
inclui áreas abertas e floresta em diferentes graus <strong>de</strong> <strong>de</strong>senvolvimento ecológico.<br />
Nesse subsistema os afloramentos <strong>de</strong> rocha ocupam 1,83% <strong>da</strong> área total, proporção<br />
relevante, quan<strong>do</strong> compara<strong>da</strong> a <strong>do</strong>s ouros sistemas. Esses afloramentos estão<br />
concentra<strong>do</strong>s junto às cabeceiras <strong>do</strong> Córrego <strong>da</strong> Lameira e nas proximi<strong>da</strong><strong>de</strong>s <strong>da</strong> Praia<br />
<strong>do</strong> Sono, on<strong>de</strong> marcam a paisagem. Outro aspecto importante é a presença <strong>do</strong>s<br />
costões rochosos, com pouco mais <strong>de</strong> 1% <strong>da</strong> área <strong>de</strong>sse subsistema e que po<strong>de</strong>m ser<br />
percebi<strong>do</strong>s nas extremi<strong>da</strong><strong>de</strong>s figuras 4.1.7-3 e 4.1.7-4.<br />
4.1.7.4. Subsistema Hidrográfico <strong>da</strong> Ensea<strong>da</strong> <strong>da</strong> Juatinga –<br />
Córrego Cairuçú<br />
Esse subsistema está localiza<strong>do</strong> no extremo su<strong>de</strong>ste <strong>da</strong> área <strong>de</strong> estu<strong>do</strong>, ten<strong>do</strong> seus<br />
limites junto ao mar, e aos divisores <strong>de</strong> água <strong>do</strong> Subsistema <strong>da</strong>s bacias <strong>do</strong>s Córregos<br />
<strong>da</strong> Ponta Negra e <strong>do</strong> Caju, <strong>da</strong> ensea<strong>da</strong> <strong>do</strong> Pouso e <strong>do</strong> Saco <strong>de</strong> Mamanguá (em sua<br />
porção superior).<br />
Possui cerca <strong>de</strong> 2,7 mil hectares, <strong>do</strong>s quais 85,6% são áreas <strong>de</strong> floresta em bom<br />
esta<strong>do</strong> <strong>de</strong> conservação, maior proporção entre to<strong>do</strong>s os subsistemas analisa<strong>do</strong>s<br />
(figuras 4.1.7.4-1 e 4.1.7.4-2). As matas em estágio médio e avança<strong>do</strong> <strong>de</strong> sucessão<br />
ecológica <strong>do</strong>minam quase to<strong>do</strong> o subsistema. Este fato parece relaciona<strong>do</strong> tanto à<br />
gran<strong>de</strong> <strong>de</strong>clivi<strong>da</strong><strong>de</strong> <strong>da</strong>s encostas existentes na área, como ao isolamento <strong>de</strong>sse<br />
subsistema, cujo acesso só é possível através <strong>de</strong> trilhas, sen<strong>do</strong> impossível a utilização<br />
<strong>de</strong> veículos automotores, ou pelo mar através <strong>de</strong> embarcações – condiciona<strong>da</strong>s às<br />
condições <strong>do</strong> mar.<br />
Além disso, não existem muitas áreas edifica<strong>da</strong>s, o que ten<strong>de</strong> a reduzir a pressão<br />
sobre os ecossistemas <strong>da</strong> área. O principal núcleo <strong>de</strong> áreas edifica<strong>da</strong>s no Subsistema<br />
Hidrográfico <strong>da</strong> Ensea<strong>da</strong> <strong>da</strong> Juatinga – Córrego Cairuçú e Martim <strong>de</strong> Sá, que<br />
concentra a maior parte <strong>da</strong> área classifica<strong>da</strong> <strong>de</strong>sta forma no mapeamento <strong>de</strong> cobertura<br />
vegetal e uso <strong>do</strong> solo, recobrin<strong>do</strong> 0,09% <strong>de</strong>sse subsistema.<br />
65
Figura 4.1.7.4-1: Gráfico com a proporção <strong>da</strong>s classes <strong>do</strong> mapa <strong>de</strong> cobertura vegetal e uso <strong>do</strong> solo <strong>do</strong><br />
Subsistema Hidrográfico <strong>da</strong> Ensea<strong>da</strong> <strong>de</strong> Juatinga – Córrego Cairuçú.<br />
As exceções no <strong>do</strong>mínio <strong>de</strong> florestas são as áreas no entorno <strong>de</strong> Martin <strong>de</strong> Sá (on<strong>de</strong><br />
pre<strong>do</strong>minam florestas em estágio inicial <strong>de</strong> sucessão), a ponta <strong>da</strong> Juatinga, <strong>do</strong>mina<strong>da</strong><br />
por gramíneas e florestas iniciais, e o entorno <strong>da</strong>s locali<strong>da</strong><strong>de</strong>s <strong>de</strong> Saco <strong>da</strong>s Enchovas<br />
e Cairuçú <strong>da</strong>s Pedras, on<strong>de</strong> as roças caiçaras parecem marcar a paisagem, geran<strong>do</strong> o<br />
característico mosaico <strong>de</strong> áreas <strong>de</strong> capoeira e gramíneas.<br />
66
Figura 4.1.7.4-2: Mapa <strong>de</strong> cobertura vegetal e uso <strong>do</strong> solo <strong>do</strong> Subsistema Hidrográfico <strong>da</strong> Ensea<strong>da</strong> <strong>de</strong> Juatinga – Córrego Cairuçú.<br />
67
Figura 4.1.7.4-3: Foto <strong>da</strong> Ensea<strong>da</strong> <strong>de</strong> Martim <strong>de</strong> Sá.<br />
Figura 4.1.7.4-4: Foto <strong>do</strong> Saco <strong>da</strong>s Enchovas (primeiro plano) e Ponta <strong>da</strong> Juatinga (ao fun<strong>do</strong>).<br />
Esta última classe, que recobre pouco mais <strong>de</strong> 25 <strong>da</strong> área <strong>do</strong> subsistema, está<br />
justamente concentra<strong>da</strong> nessa porção <strong>do</strong> terreno. O mesmo ocorre com as formações<br />
florestais em estágio inicial que, conforme observa<strong>do</strong> em quase to<strong>do</strong>s os subsistemas,<br />
é a segun<strong>da</strong> classe <strong>de</strong> maior representativi<strong>da</strong><strong>de</strong> espacial, cobrin<strong>do</strong> pouco mais <strong>de</strong> 7%<br />
68
<strong>da</strong> área. Esse valor é menor que o observa<strong>do</strong> na maior parte <strong>do</strong>s outros sistemas, mas<br />
é relevante na paisagem, representan<strong>do</strong> 195 hectares.<br />
Figura 4.1.7.4-5: Foto <strong>da</strong> locali<strong>da</strong><strong>de</strong> <strong>de</strong> Cairuçú <strong>da</strong>s Pedras.<br />
4.1.7.5. Subsistema Hidrográfico <strong>da</strong> Ensea<strong>da</strong> <strong>do</strong> Pouso<br />
Esse subsistema, que está situa<strong>do</strong> na porção leste <strong>da</strong> área <strong>de</strong> estu<strong>do</strong>, fazen<strong>do</strong> divisa<br />
com o Saco <strong>de</strong> Mamanguá e com a Ensea<strong>da</strong> <strong>da</strong> Juatinga, é o que possui maior<br />
alteração nos ecossistemas originais, entre os oito subsistemas analisa<strong>do</strong>s. Menos <strong>da</strong><br />
meta<strong>de</strong> <strong>do</strong>s cerca <strong>de</strong> 2,5 mil hectares <strong>de</strong> sua área é recoberto por florestas em estágio<br />
médio ou avança<strong>do</strong> <strong>de</strong> sucessão ecológica. Essas formações estão localiza<strong>da</strong>s,<br />
basicamente, na meta<strong>de</strong> noroeste <strong>de</strong>sse subsistema, nas bacias <strong>do</strong>s córregos <strong>da</strong><br />
Espiã, Itaoca e Praia Gran<strong>de</strong>, além <strong>da</strong>s pequenas bacias hidrográficas <strong>do</strong> norte <strong>de</strong>sse<br />
recorte. Mesmo nessas pequenas bacias, as florestas em estágio médio e avança<strong>do</strong><br />
<strong>de</strong> sucessão ecológica estão restritas às áreas <strong>de</strong> encosta íngreme acima <strong>da</strong> cota <strong>de</strong><br />
100 metros, com exceção <strong>do</strong> extremo norte <strong>de</strong>sse subsistema, on<strong>de</strong> as florestas mais<br />
conserva<strong>da</strong>s chegam às proximi<strong>da</strong><strong>de</strong>s <strong>do</strong> mar (figuras 4.1.7.5-1 e 4.1.7.5-2).<br />
69
Figura 4.1.7.5-1: Gráfico com a proporção <strong>da</strong>s classes <strong>do</strong> mapa <strong>de</strong> cobertura vegetal e uso <strong>do</strong> solo <strong>do</strong><br />
Subsistema Hidrográfico <strong>da</strong> Ensea<strong>da</strong> <strong>do</strong> Pouso<br />
Tanto as florestas em estágio inicial, como as áreas cobertas por gramíneas<br />
apresentam as maiores proporções entre to<strong>do</strong>s os ecossistemas: 27,4 e 11,3%<br />
respectivamente. Estas formações, que <strong>do</strong>minam as vertentes <strong>da</strong>s porções sul e leste<br />
<strong>de</strong>sse recorte espacial, ocupam as encostas no entorno <strong>da</strong>s locali<strong>da</strong><strong>de</strong>s <strong>de</strong> Praia<br />
Gran<strong>de</strong>, Cajaíba, Calhaus, Ipanema, Pouso <strong>da</strong> Cajaíba, Costão <strong>da</strong>s Araras e Juatinga,<br />
em muitos casos avançan<strong>do</strong> até o divisor <strong>de</strong> águas no topo <strong>do</strong>s morros e montanhas.<br />
Geralmente, as gramíneas concentram-se no entorno imediato aos núcleos <strong>de</strong><br />
edificação, enquanto as florestas em estágio inicial avançam para as partes superiores<br />
<strong>da</strong>s encostas.<br />
70
Figura 4.1.7.5-2: Mapa <strong>de</strong> cobertura vegetal e uso <strong>do</strong> solo <strong>do</strong> Subsistema Hidrográfico <strong>da</strong> Ensea<strong>da</strong> <strong>de</strong> Juatinga – Córrego Cairuçú<br />
71
Os núcleos <strong>de</strong> ocupação humana agregam quase a totali<strong>da</strong><strong>de</strong> <strong>da</strong>s áreas edifica<strong>da</strong>s,<br />
que recobrem 0,85% <strong>do</strong> subsistema. Destaque para Calhaus e Pouso <strong>da</strong> Cajaíba, que<br />
contemplam as maiores concentrações <strong>de</strong> edificação existentes nessa área.<br />
Figura 4.1.7.5-3: Foto <strong>da</strong> Ensea<strong>da</strong> <strong>de</strong> Praia Gran<strong>de</strong> <strong>da</strong> Cajaíba.<br />
Figura 4.1.7.5-4: Foto <strong>da</strong> Praia <strong>de</strong> Pouso <strong>da</strong> Cajaíba.<br />
72
Vale ressaltar ain<strong>da</strong> a gran<strong>de</strong> presença <strong>de</strong> afloramentos <strong>de</strong> rocha nesse subsistema,<br />
em proporções muito superiores aos <strong>de</strong>mais (mais <strong>de</strong> 8% e chegan<strong>do</strong> a9% se<br />
consi<strong>de</strong>rarmos os costões <strong>de</strong> rocha). Estes afloramentos marcam a paisagem <strong>da</strong>s<br />
encostas e picos <strong>da</strong> porção sul <strong>de</strong>sse subsistema, especialmente acima <strong>da</strong>s<br />
locali<strong>da</strong><strong>de</strong>s <strong>de</strong> Pouso <strong>da</strong> Cajaíba, Ipanema e Calhaus, nas proximi<strong>da</strong><strong>de</strong>s <strong>do</strong> divisor <strong>de</strong><br />
águas que separa esse subsistema <strong>do</strong>s rios que drenam para Martin <strong>de</strong> Sá e<br />
arre<strong>do</strong>res.<br />
4.1.7.6. Subsistema Hidrográfico <strong>da</strong>s Pequenas Bacias <strong>do</strong> Saco<br />
<strong>do</strong> Mamanguá<br />
Esse subsistema, localiza<strong>do</strong> na porção norte <strong>da</strong> área <strong>de</strong> estu<strong>do</strong>, inclui diversas<br />
pequenas bacias hidrográficas que drenam diretamente para o mar. É a área on<strong>de</strong> se<br />
formam pequenas planícies flúvio-marinha coloniza<strong>da</strong>s por mangues, <strong>de</strong> forma que<br />
esse subsistema é o que possui a maior proporção <strong>de</strong>sse ecossistema (consi<strong>de</strong>ra<strong>do</strong><br />
APP pelo Código Florestal) entre os oito situa<strong>do</strong>s na área <strong>de</strong> estu<strong>do</strong>. Os mangues, que<br />
ocupam 199 hectares <strong>do</strong> subsistema <strong>do</strong> Saco <strong>do</strong> Mamanguá (4,53% <strong>do</strong> total) estão<br />
concentra<strong>do</strong>s na área que vai <strong>da</strong> foz <strong>do</strong> <strong>Rio</strong> Iriró à foz <strong>do</strong> Córrego Cairuçú, on<strong>de</strong><br />
diversos rios <strong>de</strong>ságuam. Mas também há áreas <strong>de</strong> mangue entre as locali<strong>da</strong><strong>de</strong>s <strong>de</strong><br />
Regato e Curupira, junto à <strong>de</strong>sembocadura <strong>do</strong> Córrego Mamanguá e <strong>de</strong> outros<br />
pequenos rios que drenas diretamente para o mar (figuras 4.1.7.6-1 e 4.1.7.6-2).<br />
Figura 4.1.7.6-1: Gráfico com a proporção <strong>da</strong>s classes <strong>do</strong> mapa <strong>de</strong> cobertura vegetal e uso <strong>do</strong> solo <strong>do</strong><br />
Subsistema Hidrográfico <strong>do</strong> Saco <strong>de</strong> Mamanguá<br />
73
Figura 4.1.7.6-2: Mapa <strong>de</strong> cobertura vegetal e uso <strong>do</strong> solo <strong>do</strong> Subsistema Hidrográfico <strong>do</strong> Saco <strong>de</strong> Mamanguá.<br />
74
Como os <strong>de</strong>mais ecossistemas, a formação que <strong>do</strong>mina esse subsistema é a <strong>de</strong><br />
floresta em estágio médio ou avança<strong>do</strong> <strong>de</strong> sucessão ecológica, que ocupam pouco<br />
mais <strong>de</strong> 60% <strong>da</strong> área. Seguin<strong>do</strong> o padrão observa<strong>do</strong> em to<strong>da</strong> a região, essas matas<br />
concentram-se nas encostas íngremes, acima <strong>do</strong>s 100 metros <strong>de</strong> altitu<strong>de</strong> Há variações<br />
nesse padrão, com florestas à 0 metros, junto ao mangues, e matas restritas às áreas<br />
acima <strong>do</strong>s 300 metros, em trechos <strong>de</strong> maior influência humana, como o entorno <strong>de</strong><br />
Vila Cruzeiro, Baixio, Regato, Curupira, Pontal, Praia Gran<strong>de</strong> e Ponta <strong>do</strong> Leão.<br />
Figura 4.1.7.6-3: Foto <strong>do</strong> fun<strong>do</strong> <strong>do</strong> Saco <strong>do</strong> Mamanguá.<br />
Nessas áreas <strong>do</strong>minam as florestas em estágio inicial e as gramíneas. As primeiras<br />
ocupam quase ¼ <strong>do</strong> subsistema, enquanto as últimas abarcam 4,5%. Mais uma vez,<br />
essas formações aparecem <strong>de</strong> mo<strong>do</strong> associa<strong>do</strong>, indican<strong>do</strong> a utilização <strong>de</strong> manejo<br />
caiçara <strong>de</strong> roças, a partir <strong>da</strong> utilização e aban<strong>do</strong>no <strong>de</strong> terras. Essas duas classes<br />
tornam-se <strong>do</strong>minantes na paisagem ao norte <strong>de</strong> Vila Cruzeiro, na região <strong>de</strong> Ponta <strong>da</strong><br />
Romana e entorno. Nessa área as florestas em estágio médio ou avança<strong>do</strong> estão<br />
praticamente ausentes e as florestas em estágio inicial avançam até o divisor <strong>de</strong><br />
águas. O entorno <strong>da</strong>s locali<strong>da</strong><strong>de</strong>s é <strong>do</strong>mina<strong>do</strong> por essas formações e por gramíneas.<br />
Há também áreas <strong>de</strong> vegetação arbustiva no entorno <strong>de</strong> Vila Cruzeiro e Ponta <strong>da</strong><br />
Romana, <strong>de</strong> mo<strong>do</strong> que esta classe alcança quase 2% <strong>do</strong> subsistema.<br />
Os aglomera<strong>do</strong>s rurais representam menos <strong>de</strong> 1% <strong>da</strong> área total e não possuem<br />
concentração relevante, estan<strong>do</strong> dividi<strong>da</strong> nas diversas locali<strong>da</strong><strong>de</strong>s já cita<strong>da</strong>s, algumas<br />
<strong>de</strong> porte um pouco maior e outras constituí<strong>da</strong>s por poucas casas.<br />
75
Figura 4.1.7.6-4: Foto <strong>da</strong> face leste <strong>do</strong> Saco <strong>do</strong> Mamanguá.<br />
4.1.7.7. Subsistema Hidrográfico <strong>da</strong>s Bacias Contribuintes <strong>do</strong><br />
Baixo Curso <strong>do</strong> <strong>Rio</strong> Paraty-Mirim – Córrego <strong>do</strong> Curupira<br />
Situa<strong>do</strong> na porção inferior <strong>da</strong> bacia <strong>do</strong> <strong>Rio</strong> Paraty-Mirim, porção norte <strong>da</strong> área <strong>de</strong><br />
estu<strong>do</strong>, esse subsistema faz divisa com o Saco <strong>do</strong> Mamanguá, e com a parte externa<br />
<strong>da</strong> área <strong>de</strong> estu<strong>do</strong>, além <strong>do</strong> mar e <strong>da</strong> parte superior <strong>da</strong> bacia <strong>do</strong> Paraty-Mirim.<br />
Trata-se <strong>de</strong> uma <strong>da</strong>s áreas <strong>de</strong> maior presença humana, com alteração <strong>de</strong> parte<br />
significativa <strong>do</strong>s ecossistemas. Do total <strong>de</strong> cerca <strong>de</strong> 1200 hectares, pouco mais <strong>da</strong><br />
meta<strong>de</strong> é coberto por florestas em estágio médio ou avança<strong>do</strong> <strong>de</strong> sucessão, Essas<br />
matas estão concentra<strong>da</strong>s acima <strong>da</strong> cota <strong>de</strong> 100 metros <strong>de</strong> altitu<strong>de</strong>, nas encostas que<br />
caem direto no <strong>Rio</strong> Paraty-Mirim e para o Córrego <strong>do</strong> Curupira, cuja bacia hidrográfica<br />
apresenta alta proporção <strong>de</strong> floretas conserva<strong>da</strong>s (figuras 4.1.7.7-1 e 4.1.7.7-2).<br />
Além <strong>da</strong>s florestas em bom esta<strong>do</strong> <strong>de</strong> conservação, nesse subsistema há uma<br />
proporção significativa <strong>de</strong> mangues (36%) e restingas (mais <strong>de</strong> 4,4%), situa<strong>do</strong>s nas<br />
proximi<strong>da</strong><strong>de</strong>s <strong>da</strong> foz <strong>do</strong> Paraty-Mirim. Ambos esses ecossistemas são protegi<strong>do</strong>s pelo<br />
Código Florestal, que os consi<strong>de</strong>ra como Áreas <strong>de</strong> Preservação Permanente, sen<strong>do</strong><br />
<strong>de</strong> gran<strong>de</strong> relevância para a conservação.<br />
76
Figura 4.1.7.7-1: Gráfico com a proporção <strong>da</strong>s classes <strong>do</strong> mapa <strong>de</strong> cobertura vegetal e uso <strong>do</strong> solo <strong>do</strong><br />
Subsistema Hidrográfico <strong>da</strong>s Bacias Contribuintes <strong>do</strong> Baixo Curso <strong>do</strong> <strong>Rio</strong> Paraty-Mirim – Córrego <strong>do</strong><br />
Curupira<br />
As gramíneas merecem <strong>de</strong>staque, recobrin<strong>do</strong> 17% <strong>do</strong> subsistema, maior percentual<br />
entre os oito que compõem a área <strong>de</strong> estu<strong>do</strong>. Essas formações ocorrem entremea<strong>da</strong>s<br />
às florestas em estágio inicial <strong>de</strong> sucessão, que recobrem 18,8% <strong>do</strong> subsistema.<br />
Ambas as formações <strong>do</strong>minam os fun<strong>do</strong> <strong>do</strong>s vales, especialmente o <strong>do</strong> <strong>Rio</strong> Paraty-<br />
Mirim, mas também <strong>do</strong>s seus maiores afluentes, como Curupira, que possui<br />
gramíneas até as proximi<strong>da</strong><strong>de</strong>s <strong>do</strong> divisor <strong>de</strong> águas.<br />
77
Figura 4.1.7.7-2: Mapa <strong>de</strong> cobertura vegetal e uso <strong>do</strong> solo <strong>do</strong> Subsistema Hidrográfico <strong>do</strong> Baixo Curso <strong>do</strong> <strong>Rio</strong> Paraty-Mirim – Córrego <strong>do</strong> Curupira.<br />
78
Figura 4.1.7.7-3: Foto <strong>da</strong> Ensea<strong>da</strong> <strong>de</strong> Paraty-Mirim.<br />
As áreas edifica<strong>da</strong>s têm pouca representativi<strong>da</strong><strong>de</strong> espacial, ocupan<strong>do</strong> menos <strong>de</strong> 1%<br />
<strong>do</strong> subsistema. Essa classe está distribuí<strong>da</strong> em áreas próximas a estra<strong>da</strong> que dá<br />
acesso à Paraty-Mirim, além <strong>da</strong> própria locali<strong>da</strong><strong>de</strong> <strong>de</strong> Paraty-Mirim, e pequenas áreas<br />
situa<strong>da</strong>s junto ao mar.<br />
4.1.7.8. Subsistema Hidrográfico <strong>da</strong>s Bacias Contribuintes <strong>do</strong><br />
Alto Curso <strong>do</strong> <strong>Rio</strong> Paraty-Mirim – Córrego <strong>da</strong>s Pedras Azuis<br />
Maior <strong>do</strong>s subsistemas, com mais <strong>de</strong> 5.500 hectares, a porção superior <strong>da</strong> bacia <strong>do</strong><br />
<strong>Rio</strong> Paraty-Mirim ocupa o extremo nor<strong>de</strong>ste <strong>da</strong> área <strong>de</strong> estu<strong>do</strong>. Tem como limites a<br />
parte inferior <strong>da</strong> bacia, além <strong>da</strong> porção externa à área <strong>de</strong> estu<strong>do</strong> (norte) e os<br />
subsistemas <strong>da</strong>s ensea<strong>da</strong>s <strong>de</strong> Trin<strong>da</strong><strong>de</strong> e Laranjeiras, a sul.<br />
É uma área com cobertura expressiva <strong>de</strong> matas em estágio médio ou avança<strong>do</strong> <strong>de</strong><br />
sucessão ecológica, que abrangem 65% <strong>da</strong> área <strong>do</strong> subsistema. Essas matas ocupam<br />
as porções média e superior <strong>da</strong>s bacias contribuintes <strong>do</strong> Paraty-Mirim em sua porção<br />
mais alta (Córrego <strong>do</strong>s Micos, <strong>Rio</strong> Guarapitanga margem esquer<strong>da</strong> <strong>do</strong> <strong>Rio</strong> Povoa,<br />
entre outros afluentes), além <strong>da</strong>s nascentes <strong>do</strong> próprio <strong>Rio</strong> Paraty-Mirim. As florestas<br />
em bom esta<strong>do</strong> <strong>de</strong> conservação também são relevantes nas bacias hidrográficas <strong>de</strong><br />
afluentes <strong>do</strong> Paraty-Mirim que drenam as partes mais baixas <strong>da</strong> bacia <strong>de</strong>ste último rio.<br />
É o caso <strong>do</strong> Córrego <strong>da</strong> Limeira, contribuinte <strong>da</strong> margem direita <strong>do</strong> Paraty-Mirim; <strong>do</strong><br />
Córrego <strong>da</strong>s Carneiras, também afluente <strong>da</strong> margem direita <strong>do</strong> Paraty-Mirim, mas que<br />
<strong>de</strong>semboca mais abaixo, e <strong>do</strong> Córrego <strong>da</strong>s Pedras Azuis, on<strong>de</strong> a parte alta <strong>da</strong>s<br />
encostas que formam a bacia <strong>de</strong>ste rio possui florestas em estágio médio ou avança<strong>do</strong><br />
<strong>de</strong> sucessão (figuras 4.1.7.8-1 e 4.1.7.8-2).<br />
Mas os fun<strong>do</strong>s <strong>de</strong> vale ao longo <strong>de</strong> to<strong>do</strong> o <strong>Rio</strong> Paraty-Mirim e <strong>de</strong> gran<strong>de</strong> parte <strong>de</strong> seus<br />
afluentes (com exceção <strong>da</strong>s cabeceiras <strong>de</strong> drenagem) são <strong>do</strong>mina<strong>do</strong>s por florestas em<br />
estágio inicial <strong>de</strong> sucessão ecológica e por áreas <strong>de</strong> gramíneas. Essas formações, que<br />
recobrem, respectivamente, 15,6 e 14,7% <strong>de</strong>sse subsistema hidrográfico, também<br />
<strong>do</strong>minam to<strong>do</strong> o entorno e interior <strong>do</strong> Quilombo <strong>do</strong> Campinho, mesmo nas páreas <strong>de</strong><br />
79
encosta e morrotes. Isso indica, mais uma vez, o mo<strong>do</strong> <strong>de</strong> produção em roças<br />
Caiçaras, que geram um mosaico <strong>de</strong> formações florestais em diversos estágios <strong>de</strong><br />
<strong>de</strong>senvolvimento e <strong>de</strong> formações herbáceas.<br />
Figura 4.1.7.8-1: Gráfico com a proporção <strong>da</strong>s classes <strong>do</strong> mapa <strong>de</strong> cobertura vegetal e uso <strong>do</strong> solo <strong>do</strong><br />
Subsistema Hidrográfico <strong>da</strong>s Bacias Contribuintes <strong>do</strong> Alto Curso <strong>do</strong> <strong>Rio</strong> Paraty-Mirim – Córrego <strong>da</strong>s<br />
Pedras Azuis.<br />
As áreas edifica<strong>da</strong>s ocupam pouco mais <strong>de</strong> 1% <strong>de</strong> to<strong>do</strong> o Subsistema Hidrográfico <strong>da</strong>s<br />
Bacias Contribuintes <strong>do</strong> Alto Curso <strong>do</strong> <strong>Rio</strong> Paraty-Mirim – Córrego <strong>da</strong>s Pedras Azuis.<br />
Esta forma <strong>de</strong> ocupação <strong>do</strong> solo ocorre <strong>de</strong> forma esparsa, em vários núcleos urbanos<br />
situa<strong>do</strong>s ao longo <strong>da</strong> bacia, especialmente no fun<strong>do</strong> <strong>de</strong> vale <strong>do</strong> <strong>Rio</strong> Paraty-Mirim, mas<br />
também <strong>de</strong> alguns <strong>de</strong> seus afluentes, como o Córrego <strong>do</strong>s Micos, por Exemplo. Essa<br />
ocupação, mesmo que <strong>de</strong> forma esparsa, avança bastante para o interior <strong>da</strong> bacia,<br />
haven<strong>do</strong> núcleos <strong>de</strong> edificação até as proximi<strong>da</strong><strong>de</strong>s <strong>do</strong> divisor <strong>de</strong> águas.<br />
Afloramentos <strong>de</strong> rocha ocupam 1,76% <strong>do</strong> subsistema e ocorrem <strong>de</strong> forma esparsa,<br />
situa<strong>do</strong>s junto aos picos e nas encostas <strong>de</strong> maior <strong>de</strong>clivi<strong>da</strong><strong>de</strong>. A vegetação arbustiva<br />
também é pouco representativa, estan<strong>do</strong> restrita a pequenas manchas, com <strong>de</strong>staque<br />
para a região <strong>do</strong> entorno <strong>de</strong> Patrimônio, on<strong>de</strong> pequenas bacias contribuintes <strong>do</strong><br />
Paraty-Mirim e o próprio fun<strong>do</strong> <strong>de</strong> vale <strong>de</strong>ste rio são ocupa<strong>do</strong>s por esta formação.<br />
80
Figura 4.1.7.8-2: Mapa <strong>de</strong> cobertura vegetal e uso <strong>do</strong> solo <strong>do</strong> Subsistema Hidrográfico <strong>da</strong>s Bacias Contribuintes<br />
<strong>do</strong> Alto Curso <strong>do</strong> <strong>Rio</strong> Paraty-Mirim – Córrego <strong>da</strong>s Pedras Azuis.<br />
81
4.1.8. Evolução espaço-temporal <strong>da</strong> Vegetação e Uso <strong>do</strong> Solo na Área<br />
<strong>de</strong> Estu<strong>do</strong>s<br />
Para a evolução-espaço temporal <strong>da</strong> vegetação e uso <strong>do</strong> solo na Área <strong>de</strong> Estu<strong>do</strong>s foi<br />
realiza<strong>da</strong> a comparação entre o mapeamento realiza<strong>do</strong> com ortofotografias aéreas <strong>de</strong><br />
1987 e 1995, para a elaboração <strong>do</strong> Plano <strong>de</strong> Manejo <strong>da</strong> APA Cairuçú, e o<br />
mapeamento realiza<strong>do</strong> com ortofotografias aéreas <strong>de</strong> 2006 (IBGE/INEA), <strong>de</strong>scrito no<br />
capítulo anterior. A <strong>de</strong>speito <strong>de</strong> to<strong>do</strong>s os problemas meto<strong>do</strong>lógicos que dificultam essa<br />
comparação (discuti<strong>do</strong>s na meto<strong>do</strong>logia <strong>do</strong> presente trabalho), algumas observações<br />
relevantes na evolução <strong>da</strong> paisagem po<strong>de</strong>m ser apresenta<strong>da</strong>s a partir <strong>de</strong>sse<br />
procedimento.<br />
Ao se comparar as figuras 4.1.8-1 e 4.1.8-2 e a tabela 4.1.8-1 (apresenta<strong>da</strong>s abaixo e<br />
que trazem o mapeamento <strong>de</strong> cobertura vegetal e uso <strong>do</strong> solo <strong>da</strong> área <strong>de</strong> estu<strong>do</strong> <strong>de</strong><br />
1987/1995), com as figuras 4.1.7-1 e 4.1.7-2 e a tabela 4.1.7-1 (cobertura vegetal e o<br />
uso <strong>do</strong> solo <strong>de</strong> 2006), nota-se que o padrão <strong>da</strong> paisagem pouco se alterou. Há<br />
<strong>do</strong>mínio <strong>de</strong> florestas em estágio médio ou avança<strong>do</strong> <strong>de</strong> sucessão ecológica na porção<br />
superior <strong>da</strong>s encostas e nos divisores <strong>de</strong> água e pre<strong>do</strong>mínio <strong>de</strong> ecossistemas<br />
altera<strong>do</strong>s, especialmente florestas em estágio inicial e gramíneas, nos fun<strong>do</strong>s <strong>de</strong> vale<br />
e nas áreas planas e <strong>de</strong> baixa encosta. Além disso, percebe-se que as proporções e<br />
as áreas absolutas <strong>de</strong> ca<strong>da</strong> classe também não se alteraram muito, com algumas<br />
exceções.<br />
Tabela 4.1.8-1: Áreas (hectares) e Proporções <strong>de</strong> Classes <strong>de</strong> Vegetação e Uso <strong>do</strong> Solo (Plano <strong>de</strong> Manejo<br />
APA Cairuçú, 1987/1995) na área <strong>de</strong> Estu<strong>do</strong>s.<br />
Classe Hectares %<br />
Afloramento rochoso 342,00 1,63<br />
Área edifica<strong>da</strong> 280,38 1,33<br />
Brejo/Caxeta 146,82 0,70<br />
Floresta em estágio inicial <strong>de</strong> sucessão 3.849,63 18,33<br />
Floresta em estágio médio ou avança<strong>do</strong> <strong>de</strong> sucessão 12.827,82 61,07<br />
Gramíneas 2.545,85 12,12<br />
Mangue 212,53 1,01<br />
Praia 48,97 0,23<br />
Restinga 6,69 0,03<br />
Vegetação arbustiva 744,91 3,55<br />
Total 21.005,60 100<br />
A partir <strong>de</strong> uma análise <strong>de</strong> <strong>de</strong>talhe, notam-se algumas diferenças importantes<br />
entre a cobertura vegetal e o uso <strong>do</strong> solo entre os <strong>do</strong>is mapeamentos.<br />
82
Figura 4.1.8-1 – Mapa <strong>de</strong> cobertura vegetal e uso <strong>do</strong> solo (Plano <strong>de</strong> Manejo APA Cairuçú, 1987/1995) <strong>da</strong> área <strong>de</strong> estu<strong>do</strong>.<br />
83
Figura 4.1.8-2 – Gráfico com a proporção <strong>da</strong>s classes <strong>do</strong> mapa <strong>de</strong> cobertura vegetal e uso <strong>do</strong> solo (Plano<br />
<strong>de</strong> Manejo APA Cairuçú, 1987/1995) <strong>da</strong> área <strong>de</strong> estu<strong>do</strong>.<br />
É possível perceber um aumento <strong>de</strong> quase 1000 hectares nas áreas <strong>de</strong> floresta em<br />
estágio médio ou avança<strong>do</strong> <strong>de</strong> sucessão, o que correspon<strong>de</strong> a cerca <strong>de</strong> 5% <strong>da</strong> área<br />
<strong>de</strong> estu<strong>do</strong> (figura 4.1.8-3 e tabela 4.1.8-2). Este resulta<strong>do</strong> é bastante expressivo e<br />
indica que a floresta existente nessa área, <strong>de</strong> forma geral, está sen<strong>do</strong> conserva<strong>da</strong> e,<br />
em <strong>de</strong>termina<strong>do</strong>s locais, recupera<strong>da</strong>. Aparentemente esse aumento <strong>de</strong> florestas se<br />
<strong>de</strong>u sobre as áreas <strong>de</strong> floresta em estágio inicial, <strong>de</strong> vegetação arbustiva e, sobretu<strong>do</strong>,<br />
<strong>de</strong> gramínea, que foi a classe que apresentou maior redução entre s <strong>do</strong>is<br />
mapeamentos. As gramíneas apresentaram uma diminuição <strong>de</strong> mais <strong>de</strong> 900 hectares,<br />
o que representa 4,34% <strong>da</strong> área <strong>de</strong> estu<strong>do</strong>. A vegetação arbustiva também apresentou<br />
uma redução importante, pois apesar <strong>de</strong> pequena em termos <strong>de</strong> área (pois essa<br />
classe apresenta dimensões reduzi<strong>da</strong>s), os <strong>da</strong><strong>do</strong>s obti<strong>do</strong>s em 2006 representam<br />
menos <strong>da</strong> meta<strong>de</strong> <strong>da</strong> área encontra<strong>da</strong> em 1987/1995.<br />
84
Figura 4.1.8-3 – Gráfico <strong>de</strong> Indica<strong>do</strong>r e Evolução <strong>da</strong> cobertura vegetal e uso <strong>do</strong> solo entre os anos <strong>de</strong> 1987/1995 e 2006 <strong>da</strong> área <strong>de</strong> estu<strong>do</strong>.<br />
85
Tabela 4.1.8-2 – Indica<strong>do</strong>r e Evolução <strong>da</strong> cobertura vegetal e uso <strong>do</strong> solo entre os anos <strong>de</strong> 1987/1995 e 2006 <strong>da</strong> área <strong>de</strong> estu<strong>do</strong>.<br />
Vegetação e uso <strong>do</strong> solo (Plano <strong>de</strong> Manejo APA Cairuçú, 1987/1995) Vegetação e uso <strong>do</strong> solo (IBGE, 2006)<br />
Classe Hectares % Classe Hectares %<br />
Afloramento rochoso 342,00 1,63 Afloramento rochoso 654,71 3,16<br />
Área edifica<strong>da</strong> 280,38 1,33 Área edifica<strong>da</strong> 255,55 1,23<br />
Brejo/Caxeta 146,82 0,70 Brejo 81,03 0,39<br />
Floresta em estágio inicial <strong>de</strong> sucessão 3.849,63 18,33 Floresta em estágio inicial <strong>de</strong> sucessão 3.652,22 17,62<br />
Floresta em estágio médio ou avança<strong>do</strong> <strong>de</strong> sucessão 12.827,82 61,07 Floresta em estágio médio ou avança<strong>do</strong> <strong>de</strong> sucessão 13.810,95 66,65<br />
Gramíneas 2.545,85 12,12 Gramíneas 1.632,21 7,88<br />
Mangue 212,53 1,01 Mangue 238,55 1,15<br />
Praia 48,97 0,23 Praia 48,98 0,24<br />
Restinga 6,69 0,03 Restinga 52,96 0,26<br />
Vegetação arbustiva 744,91 3,55 Vegetação arbustiva 295,41 1,43<br />
Total 21.005,60 100 Total 20.722,57 100<br />
86
4.1.9. Evolução espaço-temporal <strong>da</strong> Vegetação e Uso <strong>do</strong> Solo por<br />
Subsistemas Hidrográficos<br />
A análise <strong>de</strong> <strong>de</strong>talhe <strong>de</strong>sse processo <strong>de</strong> evolução espaço-temporal, discuti<strong>da</strong> à luz <strong>do</strong><br />
recorte <strong>de</strong> ca<strong>da</strong> subsistema, mostra algumas questões importantes.<br />
4.1.9.1. Subsistema Hidrográfico <strong>da</strong> Ensea<strong>da</strong> <strong>de</strong> Trin<strong>da</strong><strong>de</strong><br />
No subsistema <strong>da</strong> Ensea<strong>da</strong> <strong>de</strong> Trin<strong>da</strong><strong>de</strong> percebe-se uma semelhança bastante<br />
significativa entre os <strong>do</strong>is mapeamentos, que possuem poucas distinções, mostran<strong>do</strong><br />
que houve uma variação pequena na paisagem entre 1987/1995 e2006. Chama a<br />
atenção a redução <strong>da</strong>s áreas <strong>de</strong> floresta em estágio médio e avança<strong>do</strong>, que caíram <strong>de</strong><br />
76,4% <strong>da</strong> área <strong>de</strong>sse subsistema, para 74,8% (figura 4.1.9.1-1 e 4.1.9.1-2).<br />
Figura 4.1.9.1-1 – Gráfico Das Classes <strong>de</strong> cobertura vegetal e uso <strong>do</strong> solo (Plano <strong>de</strong> Manejo APA<br />
Cairuçú, 1987/1995) no Subsistema Hidrográfico <strong>da</strong> Ensea<strong>da</strong> <strong>de</strong> Trin<strong>da</strong><strong>de</strong>.<br />
87
Figura 4.1.9.1-2 – Mapa <strong>de</strong> cobertura vegetal e uso <strong>do</strong> solo (Plano <strong>de</strong> Maneja APA Cairuçú, 1987/1995) no Subsistema Hidrográfico <strong>da</strong> Ensea<strong>da</strong> <strong>de</strong> Trin<strong>da</strong><strong>de</strong>.<br />
88
Essa diminuição parece estar relaciona<strong>da</strong> ao aumento <strong>da</strong>s florestas secundárias<br />
iniciais (que passaram <strong>de</strong> 7% <strong>do</strong> subsistema <strong>da</strong> Ensea<strong>da</strong> <strong>de</strong> Trin<strong>da</strong><strong>de</strong> para 13,7%<br />
entre 1995 e 2006, um aumento <strong>de</strong> mais <strong>de</strong> 60 hectares), especialmente no entorno<br />
<strong>de</strong> Trin<strong>da</strong><strong>de</strong> e no extremo leste <strong>da</strong> área <strong>de</strong> estu<strong>do</strong>, no morrote que divi<strong>de</strong> águas com o<br />
subsistem <strong>da</strong> Ensea<strong>da</strong> <strong>de</strong> laranjeiras.<br />
O mesmo ocorre com as gramíneas, que apresentaram uma redução no perío<strong>do</strong> 1995-<br />
2006, ten<strong>do</strong> si<strong>do</strong> substituí<strong>da</strong>s, principalmente, por florestas em estágio inicial,<br />
especialmente no entorno <strong>de</strong> Trin<strong>da</strong><strong>de</strong>.<br />
Percebe-se um aumento nas áreas edifica<strong>da</strong>s nesse subsistema, indican<strong>do</strong> um<br />
crescimento urbano, especialmente no entorno <strong>do</strong> núcleo urbano <strong>de</strong> Trin<strong>da</strong><strong>de</strong>.<br />
4.1.9.2. Subsistema Hidrográfico <strong>da</strong> Ensea<strong>da</strong> <strong>de</strong> Laranjeiras –<br />
Bacia <strong>do</strong> Córrego <strong>da</strong> Toca <strong>do</strong> Boi<br />
Esse subsistema apresentou significativo aumento nas áreas <strong>de</strong> floresta em estágio<br />
médio e avança<strong>do</strong> <strong>de</strong> sucessão ecológica, que passaram <strong>de</strong> pouco mais <strong>de</strong> 67%, para<br />
75% <strong>da</strong> área total, o que representou quase 100 hectares a mais <strong>de</strong> matas em bom<br />
estágio <strong>de</strong> conservação.<br />
Esse aumento parece ter ocorri<strong>do</strong> sobre as áreas <strong>de</strong> formação em estágio inicial, que<br />
evoluíram para formações em estágio médio ou avança<strong>do</strong>. A redução <strong>da</strong>s florestas em<br />
estágio inicial no mapa <strong>de</strong> 2006 em relação ao anterior foi <strong>de</strong> cerca <strong>de</strong> 60 hectares, o<br />
que equivale a quase 4,5% <strong>do</strong> subsistema. Esta diferença está concentra<strong>da</strong> nas<br />
encostas a norte <strong>do</strong> con<strong>do</strong>mínio Laranjeiras, on<strong>de</strong> pre<strong>do</strong>minavam formações em<br />
estágio inicial em 1987/1995 e em 2006 estas formações estavam praticamente<br />
ausentes <strong>de</strong>ssa área (figura 4.1.9.2-1 e 4.1.9.2-2).<br />
89
Figura 4.1.9.2-1 – Gráfico Das Classes <strong>de</strong> cobertura vegetal e uso <strong>do</strong> solo (Plano <strong>de</strong> Maneja APA<br />
Cairuçú, 1987/1995) no Subsistema Hidrográfico <strong>da</strong> Ensea<strong>da</strong> <strong>de</strong> Laranjeiras – Bacia <strong>do</strong> Córrego <strong>da</strong> Toca<br />
<strong>do</strong> Boi.<br />
Há uma redução nas áreas edifica<strong>da</strong>s entre o primeiro e o segun<strong>do</strong> mapeamento, que<br />
chega a pouco mais <strong>de</strong> 8 hectares. Provavelmente, isto é fruto <strong>da</strong>s diferenças<br />
meto<strong>do</strong>lógicas entre ambos. Por ter si<strong>do</strong> realiza<strong>do</strong> em uma escala <strong>de</strong> maior <strong>de</strong>talhe,<br />
no mapeamento <strong>de</strong> 2006 as áreas que apresentavam construções humanas foram<br />
<strong>de</strong>limita<strong>da</strong>s com mais precisão, separan<strong>do</strong> estruturas que no mapeamento anterior<br />
foram consi<strong>de</strong>ra<strong>da</strong>s pertencentes a uma mesma mancha <strong>de</strong> área com edificações.<br />
Isso é facilmente perceptível na porção norte <strong>do</strong> núcleo <strong>de</strong> Vila Oratório, on<strong>de</strong> uma<br />
mancha urbana contínua aparece no mapa <strong>de</strong> 1987/1995 e essa mesma área aparece<br />
no mapa mais <strong>de</strong>talha<strong>do</strong> com duas pequenas áreas edifica<strong>da</strong>s, com floresta em<br />
estágio inicial entre elas<br />
90
Figura 4.1.9.2-2 – Mapa <strong>de</strong> cobertura vegetal e uso <strong>do</strong> solo (Plano <strong>de</strong> Maneja APA Cairuçú, 1987/1995) Subsistema Hidrográfico <strong>da</strong> Ensea<strong>da</strong> <strong>de</strong> Laranjeiras – Bacia <strong>do</strong><br />
Córrego <strong>da</strong> Toca <strong>do</strong> Boi.<br />
91
4.1.9.3. Subsistema Hidrográfico <strong>da</strong>s Bacias <strong>do</strong>s Córregos <strong>da</strong><br />
Ponta Negra e <strong>do</strong> Caju<br />
Entre os oito subsistemas, o <strong>da</strong>s Bacias <strong>do</strong>s Córregos <strong>da</strong> Ponta Negra e <strong>do</strong> Caju foi o<br />
que apresentou maior ampliação nas áreas <strong>de</strong> floresta em estágio médio e avança<strong>do</strong>,<br />
que passaram <strong>de</strong> 1.215 hectares para 1.695 hectares, o que representa 22% <strong>de</strong>sse<br />
subsistema (figuras 4.1.9.3-1 e 4.1.9.3-2).<br />
Figura 4.1.9.3-1 – Gráfico Das Classes <strong>de</strong> cobertura vegetal e uso <strong>do</strong> solo (Plano <strong>de</strong> Maneja APA<br />
Cairuçú, 1987/1995) no Subsistema Hidrográfico <strong>da</strong>s Bacias <strong>do</strong>s Córregos <strong>da</strong> Ponta Negra e <strong>do</strong> Caju.<br />
92
Figura 4.1.9.3-2 – Mapa <strong>de</strong> cobertura vegetal e uso <strong>do</strong> solo (Plano <strong>de</strong> Maneja APA Cairuçú, 1987/1995) no Subsistema Hidrográfico <strong>da</strong>s<br />
Bacias <strong>do</strong>s Córregos <strong>da</strong> Ponta Negra e <strong>do</strong> Caju.<br />
93
Esse aumento ocorreu, principalmente, a partir <strong>da</strong> redução <strong>da</strong>s áreas <strong>de</strong> floresta em<br />
estágio inicial, já que esta classe reduziu <strong>de</strong> 30% <strong>da</strong> área <strong>do</strong> subsistema, para pouco<br />
menos <strong>de</strong> 14%. A maior parte <strong>de</strong>ssas áreas evoluiu para estágio médio. Isto ocorreu<br />
na região <strong>de</strong> entorno <strong>do</strong>s <strong>do</strong>is aglomera<strong>do</strong>s rurais: Sono e Ponta Negra.<br />
No entorno <strong>do</strong> Sono também houve redução <strong>da</strong>s gramíneas e <strong>da</strong>s áreas <strong>de</strong> vegetação<br />
arbustiva, classes que passaram <strong>de</strong> 6% para 2,85% e <strong>de</strong> 4,66 para 0,88% <strong>da</strong> área <strong>do</strong><br />
subsistema, respectivamente.<br />
4.1.9.4. Subsistema Hidrográfico <strong>da</strong> Ensea<strong>da</strong> <strong>da</strong> Juatinga –<br />
Córrego Cairuçú<br />
Esse subsistema foi o que apresentou as maiores semelhanças entre os <strong>do</strong>is<br />
mapeamentos. As florestas em estágio médio e avança<strong>do</strong> <strong>de</strong> sucessão ecológica<br />
apresentaram uma redução <strong>de</strong> 43 hectares, o que po<strong>de</strong> ser consi<strong>de</strong>ra<strong>do</strong> insignificante,<br />
ten<strong>do</strong> em vista as diferenças <strong>de</strong> mapeamento.<br />
As florestas em estágio inicial apresentaram um aumento <strong>de</strong> 66 hectares, ou 2,5% <strong>do</strong><br />
subsistema, o que também não é muito significativo (figura 4.19.4-1 e 4.1.9.4-2).<br />
As <strong>de</strong>mais classes tampouco apresentaram alteração significativa nos <strong>do</strong>is<br />
mapeamentos, apresentan<strong>do</strong> valores semelhantes. Assim, não é possível afirmar se<br />
esses resulta<strong>do</strong>s <strong>de</strong>rivam <strong>da</strong> dinâmica <strong>de</strong> alteração <strong>da</strong> paisagem ou se está associa<strong>do</strong><br />
somente às distinções meto<strong>do</strong>lógicas <strong>do</strong> mapeamento.<br />
94
Figura 4.1.9.4-1 – Mapa <strong>de</strong> cobertura vegetal e uso <strong>do</strong> solo (Plano <strong>de</strong> Maneja APA Cairuçú, 1987/1995) no Subsistema Hidrográfico<br />
<strong>da</strong> Ensea<strong>da</strong> <strong>da</strong> Juatinga – Córrego Cairuçú<br />
95
Figura 4.1.9.4-2 – Gráfico Das Classes <strong>de</strong> cobertura vegetal e uso <strong>do</strong> solo (Plano <strong>de</strong> Maneja APA<br />
Cairuçú, 1987/1995) no Subsistema Hidrográfico <strong>da</strong> Ensea<strong>da</strong> <strong>da</strong> Juatinga – Córrego Cairuçú.<br />
4.1.9.5. Subsistema Hidrográfico <strong>da</strong> Ensea<strong>da</strong> <strong>do</strong> Pouso<br />
Esse subsistema apresentou pequena variação entre as áreas <strong>de</strong> floresta em estágio<br />
médio ou avança<strong>do</strong> <strong>de</strong> sucessão ecológica entre os mapeamentos <strong>de</strong> 1987/1995 e <strong>de</strong><br />
2006, passan<strong>do</strong> <strong>de</strong> 51.155 para 48,37% <strong>do</strong> total <strong>do</strong> subsistema, uma diferença <strong>de</strong><br />
cerca <strong>de</strong> 70 hectares (figura 4.19.5-1 e 4.1.9.5-2).<br />
Porém, a classe <strong>de</strong> floresta em estágio inicial apresentou uma variação mais<br />
significativa, com aumento <strong>de</strong> quase 6% <strong>da</strong> área <strong>do</strong> subsistema. Essa ampliação<br />
ocorreu, na maior parte, sobre as áreas <strong>de</strong> gramínea e <strong>de</strong> vegetação arbustiva <strong>do</strong><br />
entorno <strong>do</strong>s aglomera<strong>do</strong>s rurais, especialmente na porção intermediária <strong>da</strong>s encostas.<br />
96
Figura 4.1.9.5-1 – Mapa <strong>de</strong> cobertura vegetal e uso <strong>do</strong> solo (Plano <strong>de</strong> Maneja APA Cairuçú, 1987/1995) no Subsistema Hidrográfico <strong>da</strong> Ensea<strong>da</strong> <strong>do</strong> Pouso.<br />
97
Figura 4.1.9.5-2 – Gráfico Das Classes <strong>de</strong> cobertura vegetal e uso <strong>do</strong> solo (Plano <strong>de</strong> Maneja APA<br />
Cairuçú, 1987/1995) no Subsistema Hidrográfico <strong>da</strong> Ensea<strong>da</strong> <strong>do</strong> Pouso.<br />
4.1.9.6. Subsistema Hidrográfico <strong>da</strong>s Pequenas Bacias <strong>do</strong> Saco<br />
<strong>do</strong> Mamanguá<br />
No Saco <strong>do</strong> Mamanguá ocorreu uma variação bastante significativa nas florestas em<br />
estágio médio e avança<strong>do</strong> <strong>de</strong> sucessão ecológica, que aumentaram em 440 hectares,<br />
ou 10% <strong>da</strong> área <strong>do</strong> subsistema. Foi a maior variação absoluta entre os oito<br />
subsistemas estu<strong>da</strong><strong>do</strong>s e correspon<strong>de</strong>u a pouco menos <strong>da</strong> meta<strong>de</strong> <strong>de</strong> to<strong>do</strong> o aumento<br />
<strong>de</strong> florestas em bom esta<strong>do</strong> <strong>de</strong> conservação observa<strong>do</strong> entre 1987/1995 e 2006 (figura<br />
4.19.6-1 e 4.1.9.6-2).<br />
98
Figura 4.1.9.6-1 – Gráfico Das Classes <strong>de</strong> cobertura vegetal e uso <strong>do</strong> solo (Plano <strong>de</strong> Maneja APA<br />
Cairuçú, 1987/1995) no Subsistema Hidrográfico <strong>da</strong>s Pequenas Bacias <strong>do</strong> Saco <strong>do</strong> Mamanguá.<br />
Essa ampliação na área <strong>de</strong> florestas em estágio médio ou avança<strong>do</strong> ocorreu sobre as<br />
áreas <strong>de</strong> floresta em estágio inicial, gramíneas e vegetação arbustiva, que reduziram<br />
167 hectares (3,63%), 153 hectares (3,45%) e 133 hectares (2%), respectivamente.<br />
Essa substituição está concentra<strong>da</strong> nas encostas <strong>da</strong> porção noroeste <strong>do</strong> saco, acima<br />
<strong>da</strong>s locali<strong>da</strong><strong>de</strong>s <strong>de</strong> Regato, Curupira, Praia Gran<strong>de</strong> e Ponta <strong>do</strong> Leão. Enquanto no<br />
mapeamento <strong>de</strong> 1987/1995 as áreas <strong>de</strong> floresta em estágios médio e avança<strong>do</strong> estão<br />
restritas a porção superior <strong>da</strong>s encostas, em 2006 essas <strong>do</strong>minavam largamente as<br />
vertentes, alcançan<strong>do</strong> cotas junto ao Mar, inclusive no entorno <strong>do</strong>s pequenos<br />
aglomera<strong>do</strong>s rurais. Nas <strong>de</strong>mais áreas <strong>de</strong>sse subsistema a distribuição <strong>do</strong>s<br />
remanescentes <strong>de</strong> ecossistemas e <strong>da</strong>s áreas <strong>de</strong> uso <strong>do</strong> solo são muito semelhantes<br />
entre os <strong>do</strong>is mapeamentos.<br />
99
Figura 4.1.9.6-2 – Mapa <strong>de</strong> cobertura vegetal e uso <strong>do</strong> solo (Plano <strong>de</strong> Maneja APA Cairuçú, 1987/1995) no Subsistema Hidrográfico <strong>da</strong>s Pequenas Bacias <strong>do</strong> Saco <strong>do</strong><br />
Mamanguá.<br />
100
4.1.9.7. Subsistema Hidrográfico <strong>da</strong>s Bacias Contribuintes <strong>do</strong><br />
Baixo Curso <strong>do</strong> <strong>Rio</strong> Paraty-Mirim – Córrego <strong>do</strong> Curupira<br />
Ocorreu um aumento <strong>de</strong> mais <strong>de</strong> 90 hectares (6,5% <strong>do</strong> subsistema) nas áreas <strong>de</strong><br />
floresta em estágio avança<strong>do</strong> <strong>de</strong> sucessão ecológica entre 1987/1995 e 2006. Esse<br />
aumento ocorre, basicamente, sobre as áreas <strong>de</strong> floresta em estágio inicial <strong>de</strong><br />
sucessão, que situa<strong>da</strong>s na margem direita <strong>do</strong> <strong>Rio</strong> Paraty-Mirim no mapa mais antigo.<br />
Essas áreas foram quase to<strong>da</strong>s substituí<strong>da</strong>s por mata em estágio médio e avança<strong>do</strong><br />
(figura 4.1.9.7-1 e 4.1.9.7-2).<br />
Figura 4.1.9.7-1 – Gráfico Das Classes <strong>de</strong> cobertura vegetal e uso <strong>do</strong> solo (Plano <strong>de</strong> Maneja APA<br />
Cairuçú, 1987/1995) no Subsistema Hidrográfico <strong>da</strong>s Bacias Contribuintes <strong>do</strong> Baixo Curso <strong>do</strong> <strong>Rio</strong> Paraty-<br />
Mirim – Córrego <strong>do</strong> Curupira.<br />
101
Figura 4.1.9.7-2 – Mapa <strong>de</strong> cobertura vegetal e uso <strong>do</strong> solo (Plano <strong>de</strong> Maneja APA Cairuçú, 1987/1995) no Subsistema Hidrográfico<br />
<strong>da</strong>s Bacias Contribuintes <strong>do</strong> Baixo Curso <strong>do</strong> <strong>Rio</strong> Paraty-Mirim – Córrego <strong>do</strong> Curupira.<br />
102
Desse mo<strong>do</strong> as florestas em estágio inicial apresentaram uma redução relativa <strong>de</strong><br />
9,5% <strong>da</strong> área <strong>do</strong> subsistema. Mas <strong>de</strong>ve ser ressalta<strong>do</strong> que parte <strong>de</strong>ssa redução <strong>de</strong><br />
mata em estágio inicial <strong>de</strong>ve-se à meto<strong>do</strong>logia <strong>de</strong> classificação, ten<strong>do</strong> em vista que a<br />
área mapea<strong>da</strong> como restinga em 2006 (52 hectares, que correspon<strong>de</strong>m a 4,4% <strong>do</strong><br />
subsistema), situa<strong>da</strong> no extremo noroeste <strong>do</strong> subsistema, foi consi<strong>de</strong>ra<strong>da</strong> floresta em<br />
estágio inicial no primeiro mapeamento.<br />
Vale ressaltar a gran<strong>de</strong> redução nas áreas edifica<strong>da</strong>s, que passaram <strong>de</strong> 3% para<br />
0,75% em 2006. Essa diminuição foi tão gran<strong>de</strong>, com as manchas mapea<strong>da</strong>s no<br />
primeiro mapeamento sen<strong>do</strong> tão distintas <strong>da</strong>quelas mapea<strong>da</strong>s em 2006, que é<br />
impossível a comparação<br />
4.1.9.8. Subsistema Hidrográfico <strong>da</strong>s Bacias Contribuintes <strong>do</strong><br />
Alto Curso <strong>do</strong> <strong>Rio</strong> Paraty-Mirim – Córrego <strong>da</strong>s Pedras Azuis<br />
Esse subsistema apresentou um aumento na área <strong>de</strong> floresta em estágio médio ou<br />
avança<strong>do</strong> <strong>de</strong> sucessão ecológica, amplian<strong>do</strong> em mais <strong>de</strong> 200 hectares essa última<br />
classe <strong>do</strong> mapa. Gran<strong>de</strong> parte <strong>de</strong>ssa mata que aparece em 2006 e não está mapea<strong>da</strong><br />
em 1987/1995 está situa<strong>da</strong> nas bacias <strong>de</strong> afluentes <strong>do</strong> <strong>Rio</strong> Paraty-Mirim,<br />
especialmente os <strong>da</strong> margem esquer<strong>da</strong>. Mas também houve <strong>de</strong>senvolvimento <strong>de</strong><br />
florestas no entorno <strong>do</strong> <strong>Rio</strong> Paraty-Mirim e <strong>da</strong>s estra<strong>da</strong>s que cortam esse subsistema,<br />
on<strong>de</strong> formações inicialmente classifica<strong>da</strong>s como florestas em estágio inicial ou<br />
gramíneas passaram a ser classifica<strong>da</strong>s como estágio médio ou avança<strong>do</strong>.<br />
As florestas em estágio inicial apresentam um aumento que equivale a 4,5% <strong>da</strong> área<br />
<strong>do</strong> subsistema. A maior parte <strong>de</strong>sse avanço se <strong>de</strong>u sobre as áreas <strong>de</strong> gramíneas,<br />
assim como parte <strong>do</strong> aumento <strong>da</strong>s florestas em estágio médio e avança<strong>do</strong>. Assim, há<br />
uma redução significativa <strong>da</strong>s gramíneas, que chega a mais <strong>de</strong> 500 hectares, como<br />
po<strong>de</strong> ser visto nas bacias <strong>do</strong>s rios Guarapitanga e <strong>do</strong>s Micos, on<strong>de</strong> passam a <strong>do</strong>minar<br />
florestas em estágio inicial e em estágio médio <strong>de</strong> sucessão. Além disso, no entorno<br />
<strong>do</strong> <strong>Rio</strong> Paraty–Mirim e <strong>da</strong>s estra<strong>da</strong>s <strong>da</strong> região também é níti<strong>da</strong> a substituição <strong>de</strong><br />
gramíneas por florestas, assim como no entorno <strong>da</strong> locali<strong>da</strong><strong>de</strong> <strong>de</strong> Pedras Azuis.<br />
103
Figura 4.1.9.8-1 – Gráfico Das Classes <strong>de</strong> cobertura vegetal e uso <strong>do</strong> solo (Plano <strong>de</strong> Maneja APA<br />
Cairuçú, 1987/1995) no Subsistema Hidrográfico <strong>da</strong>s Bacias Contribuintes <strong>do</strong> Alto Curso <strong>do</strong> <strong>Rio</strong> Paraty-<br />
Mirim – Córrego <strong>da</strong>s Pedras Azuis.<br />
104
Figura 4.1.9.8-2 – Mapa <strong>de</strong> cobertura vegetal e uso <strong>do</strong> solo (Plano <strong>de</strong> Maneja APA Cairuçú, 1987/1995) no Subsistema Hidrográfico<br />
<strong>da</strong>s Bacias Contribuintes <strong>do</strong> Alto Curso <strong>do</strong> <strong>Rio</strong> Paraty-Mirim – Córrego <strong>da</strong>s Pedras Azuis.<br />
105
4.1.10. Caracterização <strong>da</strong> fauna<br />
Os estu<strong>do</strong>s sobre a fauna <strong>da</strong> região são exíguos, sobretu<strong>do</strong> aqueles relaciona<strong>do</strong>s a<br />
grupos <strong>de</strong> invertebra<strong>do</strong>s, ou mesmo peixes, répteis e anfíbios. O próprio Plano <strong>de</strong><br />
Manejo <strong>do</strong> PNSB pouco acrescenta, sen<strong>do</strong> a maior referencia para a área <strong>de</strong> estu<strong>do</strong>s<br />
os levantamentos realiza<strong>do</strong>s no âmbito <strong>do</strong> Plano <strong>de</strong> Manejo <strong>da</strong> APA Cairuçú. Este<br />
último <strong>de</strong>terminou 74 espécies <strong>de</strong> mamíferos, 345 espécies <strong>de</strong> aves, 26 espécies <strong>de</strong><br />
répteis e 35 espécies <strong>de</strong> anfíbios.<br />
Ain<strong>da</strong> toman<strong>do</strong> como base o Plano <strong>de</strong> Manejo <strong>da</strong> APA Cairuçú, <strong>da</strong>s 546 espécies<br />
endêmicas <strong>da</strong> Mata Atlântica foram encontra<strong>da</strong>s durante os trabalhos <strong>de</strong> campo para a<br />
produção <strong>do</strong> Plano <strong>de</strong> Manejo apenas 104 (19 %).<br />
Em estu<strong>do</strong>s realiza<strong>do</strong>s por longos perío<strong>do</strong>s <strong>de</strong> tempo e em áreas próximas a APA<br />
Cairuçú foram lista<strong>da</strong>s 66 espécies <strong>de</strong> mamíferos (97 % no Cairuçú ), 410 espécies<br />
<strong>de</strong> aves (94 % encontra<strong>da</strong>s no Cairuçú ), 27 espécies <strong>de</strong> répteis (96 % no Cairuçú ) e<br />
58 espécies <strong>de</strong> anfíbios (60 % <strong>da</strong>s espécies encontra<strong>da</strong>s no Cairuçú ) (Ibama 2005).<br />
Outro importante trabalho é o inventário <strong>de</strong> mamíferos realiza<strong>do</strong> na déca<strong>da</strong> <strong>de</strong> 60 na<br />
região <strong>de</strong> Paraty, que <strong>de</strong>monstrou a ocorrência <strong>de</strong> uma diversi<strong>da</strong><strong>de</strong> <strong>de</strong> gran<strong>de</strong>s e<br />
pequenos mamíferos, to<strong>do</strong>s ain<strong>da</strong> encontra<strong>do</strong>s na região, mas, estima-se que em<br />
populações consi<strong>de</strong>ravelmente menores.<br />
A fauna <strong>da</strong> região <strong>da</strong> Baía <strong>da</strong> Ilha Gran<strong>de</strong>, e que po<strong>de</strong> ser extrapola<strong>da</strong> para área <strong>de</strong><br />
estu<strong>do</strong>s, é bastante diversifica<strong>da</strong> e típica <strong>da</strong> Mata Atlântica. Entre os gran<strong>de</strong>s<br />
mamíferos ain<strong>da</strong> são encontra<strong>do</strong>s os animais <strong>de</strong> topo <strong>de</strong> ca<strong>de</strong>ia alimentar, como a<br />
onça par<strong>da</strong> (Puma concolor) e a jaguatirica (Leopardus par<strong>da</strong>lis), indican<strong>do</strong> que as<br />
florestas que <strong>do</strong>minam as encostas <strong>da</strong> região ain<strong>da</strong> apresentam complexi<strong>da</strong><strong>de</strong> e área<br />
<strong>de</strong> tamanho suficiente para a existência <strong>de</strong> animais com gran<strong>de</strong>s áreas <strong>de</strong> vi<strong>da</strong>.<br />
Além <strong>de</strong>ssas espécies, <strong>de</strong>staca-se a presença <strong>do</strong> mono-carvoeiro (Bractheles<br />
aracnói<strong>de</strong>s), macaco <strong>de</strong> importância fun<strong>da</strong>mental para a conservação, <strong>do</strong> qual existem<br />
apenas pequenas populações em fragmentos <strong>de</strong> Mata Atlântica bastante conserva<strong>do</strong>s.<br />
Segun<strong>do</strong> o Plano <strong>de</strong> Manejo <strong>da</strong> APA Cairuçú , em 1990 cinco mono-carvoeiros foram<br />
mortos próximo ao Pico <strong>do</strong> Cairuçú , e em 2000 um mora<strong>do</strong>r <strong>da</strong> Ponta Negra acusou a<br />
presença <strong>de</strong> 8 muriquis na região <strong>do</strong> Pico <strong>do</strong> Cairuçú .<br />
Outra espécie <strong>de</strong> primata existente na região e <strong>de</strong> importância fun<strong>da</strong>mental para a<br />
conservação é o Challithrix aurita, espécie ameaça<strong>da</strong> <strong>de</strong> extinção e que ocupa matas<br />
em diversis estágios <strong>de</strong> sucessão, inclusive florestas em estágios iniciais e médios. As<br />
lontras (Lontra longicaudis), queixa<strong>da</strong>s (Tayassu pecari) e catetos (Pecari tajacu) têm<br />
importantes populações na região.<br />
Outra espécie que é consi<strong>de</strong>ra<strong>da</strong> importante para a conservação na região é a anta<br />
Tapirus terrestris, espécie típica <strong>da</strong>s florestas <strong>do</strong> Brasil, que está em vias <strong>de</strong> extinção<br />
local, <strong>de</strong> forma que exemplares <strong>de</strong>sta espécies têm si<strong>do</strong> avista<strong>do</strong>s muito raramente<br />
nos últimos anos (Ibama, 2001).<br />
Quanto aos répteis e anfíbios, os estu<strong>do</strong>s são praticamente inexistentes, mas alguns<br />
levantamentos mostram uma alta diversi<strong>da</strong><strong>de</strong>. São conheci<strong>da</strong>s as ocorrências <strong>de</strong><br />
cobras diversas, típicas <strong>do</strong> ambiente <strong>de</strong> Mata Atlântica. Lagartos também são vistos,<br />
com <strong>de</strong>staque para o teiú (Tupinambis teguixim), lagarto <strong>de</strong> gran<strong>de</strong> porte e na lista <strong>do</strong>s<br />
animais em extinção. Sapos e rãs estão presentes em gran<strong>de</strong> diversi<strong>da</strong><strong>de</strong>, ten<strong>do</strong> si<strong>do</strong><br />
<strong>de</strong>scritas algumas espécies recentemente. Há inclusive espécies ameaça<strong>da</strong>s <strong>de</strong><br />
106
extinção, como o sapo Cycloramphus eleuthero<strong>da</strong>ctylus, endêmico <strong>da</strong>s áreas<br />
montanhosas <strong>do</strong> su<strong>de</strong>ste brasileiro e <strong>de</strong> ocorrência na região.<br />
A diversi<strong>da</strong><strong>de</strong> <strong>de</strong> aves na região é muito gran<strong>de</strong>, a ponto <strong>de</strong> até a área <strong>de</strong> estu<strong>do</strong>s ser<br />
consi<strong>de</strong>ra<strong>da</strong> uma <strong>da</strong>s áreas prioritárias para a conservação <strong>da</strong>s aves, compon<strong>do</strong> parte<br />
<strong>do</strong> IBAS RJ/SP 01. Esta classificação relaciona-se a existência <strong>de</strong> uma gran<strong>de</strong><br />
quanti<strong>da</strong><strong>de</strong> <strong>de</strong> espécies <strong>de</strong> pássaros ameaça<strong>do</strong>s <strong>de</strong> extinção, ou <strong>de</strong> ocorrência rara ou<br />
endêmicos <strong>da</strong> região.<br />
A<strong>de</strong>mais, estu<strong>do</strong>s na área <strong>da</strong> Serra <strong>da</strong> Bocaina <strong>de</strong>monstram a existência <strong>de</strong> 294<br />
espécies <strong>de</strong> aves, sen<strong>do</strong> 12 ameaça<strong>da</strong>s <strong>de</strong> extinção e 26 presumi<strong>da</strong>mente<br />
ameaça<strong>da</strong>s, como: Tijuca atra, Pipile jacutinga, Carpornis cucullatus, Campephilus<br />
robustus, Tinamus solitarius, Myrmotherula minor, Hylopezus nattereri, Piprites<br />
pileatus, Phylloscartes paulistus, Claravis go<strong>de</strong>fri<strong>da</strong>, Triclaria malachitacea, Touit<br />
melanonota, Macropsalis creagra, Xiphocolaptes albicollis e Onychorhynchus c.<br />
swainsoni, (Collar et al., 1992; Wege and Long, 1995; Stotz et al., 1996)<br />
Um <strong>do</strong>s fatores que contribui para a diversi<strong>da</strong><strong>de</strong> <strong>de</strong> espécies é o gradiente altitudinal,<br />
que limita várias espécies, crian<strong>do</strong> nichos específicos, o que ten<strong>de</strong> a contribuir para o<br />
aumento <strong>da</strong> biodiversi<strong>da</strong><strong>de</strong>. É o caso <strong>do</strong> F. eritronothos, que apresenta sua<br />
distribuição claramente limita<strong>da</strong> pela altitu<strong>de</strong>. A lista e aves apresenta<strong>da</strong> no Plano <strong>de</strong><br />
Manejo <strong>do</strong> Parque Nacional <strong>da</strong> Bocaina e no Plano <strong>de</strong> Manejo <strong>da</strong> APA Cairuçú indica<br />
fortemente a distribuição <strong>da</strong>s aves em função <strong>da</strong> altitu<strong>de</strong>, com um conjunto pequeno<br />
<strong>de</strong> espécies ocorren<strong>do</strong> nas diversas altitu<strong>de</strong>s e colonizan<strong>do</strong> <strong>de</strong>s<strong>de</strong> a floresta<br />
submontana até os campos <strong>de</strong> altitu<strong>de</strong> e a maior parte <strong>da</strong>s aves restrita a uma <strong>da</strong>s<br />
formações.<br />
Quan<strong>do</strong> focamos nas florestas submontanas percebemos que existem diversas<br />
espécies limita<strong>da</strong>s a esse ambiente, com <strong>de</strong>staque para o Phaetorns ruber, o<br />
Calliphlox ametistina, o falcão-<strong>de</strong>-relógio (Micrastus semitorquatus), a pomba-<strong>de</strong>espelho<br />
(Claravis go<strong>de</strong>fri<strong>da</strong>), a rolinha roxa (Columbina talpacoti), a saripoca-<strong>de</strong>-bicoraja<strong>do</strong><br />
(Selni<strong>de</strong>ra maculirostris), os pica-paus <strong>de</strong> cabeça-amar (Celeus flavescens) e<br />
<strong>de</strong> ban<strong>da</strong>-branca (Dryocopus lineatus), o tucano-<strong>de</strong>-bico-preto (Ramphastus vitellinus),<br />
o Xenops minutus, entre outras. Mais comuns ain<strong>da</strong> são as aves que ocorrem nesse<br />
ambiente, mas também estão distribuí<strong>da</strong>s pelas florestas Montanas, como o macuco<br />
(Tinamus solitarius), a jacutinga (Pipile jcutinga), ou o carcará (Polyborus plancus). Há<br />
ain<strong>da</strong> importantes pássaros ocorren<strong>do</strong> em to<strong>da</strong>s as formações florestais, como o<br />
gavião-carijó (Buteo magnirostris) e o falcão-caburé (Micrastus ruficollis)<br />
Uma característica importante <strong>da</strong> região <strong>de</strong> estu<strong>do</strong>s é abrigar grupos <strong>de</strong> espécies<br />
indica<strong>do</strong>ras <strong>da</strong> quali<strong>da</strong><strong>de</strong> ambiental e <strong>de</strong> espécies endêmicas, fortalecen<strong>do</strong> a<br />
necessi<strong>da</strong><strong>de</strong> <strong>de</strong> conservação <strong>do</strong>s seus habitats.<br />
4.1.11. Caracterização <strong>do</strong> uso <strong>do</strong>s ambientes marinhos<br />
Os ecossistemas marinhos <strong>da</strong> Área <strong>de</strong> Estu<strong>do</strong>s se comportam como áreas <strong>de</strong><br />
transição entre a terra e o mar. Do continente recebem to<strong>da</strong> a matéria orgânica<br />
proveniente <strong>da</strong> Serra <strong>do</strong> Mar, através <strong>do</strong> <strong>de</strong>ságüe <strong>do</strong>s rios, e <strong>da</strong> produção <strong>do</strong>s<br />
manguezais. Do mar, recebem os nutrientes vin<strong>do</strong>s <strong>da</strong>s águas profun<strong>da</strong>s <strong>do</strong> oceano<br />
durante o verão (ACAS), durante o inverno (frente fria) que afloram próximo a costa e<br />
penetram na Baía pelo canal entre a Ponta <strong>da</strong> Juatinga e a Ilha Gran<strong>de</strong>, causan<strong>do</strong> o<br />
fenômeno <strong>da</strong> ressurgência.<br />
107
O eleva<strong>do</strong> índice pluviométrico anual soma<strong>do</strong> à fisiografia <strong>da</strong> região, com inúmeras<br />
baías, ensea<strong>da</strong>s e sacos, on<strong>de</strong> a circulação <strong>de</strong> água é restrita, fazem <strong>de</strong>sta região<br />
uma <strong>do</strong>s ambientes aquáticos mais ricos em micro-nutrientes <strong>do</strong> Brasil.<br />
Estes fatos ocasionam uma constante turbi<strong>de</strong>z <strong>da</strong>s águas e a proliferação <strong>de</strong><br />
organismos plantônicos que contém clorofila, como as diatomaceas e os<br />
dinoflagela<strong>do</strong>s, caracterizan<strong>do</strong> as águas com sua coloração esver<strong>de</strong>a<strong>da</strong>.<br />
Nos locais mais protegi<strong>do</strong>s <strong>do</strong> interior <strong>da</strong> baía <strong>de</strong> Paraty ocorre um acúmulo <strong>de</strong><br />
sedimentos finos, argilas, que <strong>de</strong>finem a ocorrência <strong>de</strong> animais mais a<strong>da</strong>pta<strong>do</strong>s a este<br />
tipo <strong>de</strong> ambiente <strong>de</strong> fun<strong>do</strong> não consoli<strong>da</strong><strong>do</strong> (lo<strong>do</strong>so), baixa luminosi<strong>da</strong><strong>de</strong>, alta turbi<strong>de</strong>z<br />
e variação <strong>de</strong> salini<strong>da</strong><strong>de</strong>.<br />
Outras espécies menos tolerantes a este tipo <strong>de</strong> ambiente ocorrem <strong>de</strong> maneira<br />
sazonal, somente nas épocas em que o ambiente é favorável à sua permanência, seja<br />
para reprodução, engor<strong>da</strong> ou refúgio. A fauna bentônica, com ênfase ao camarão<br />
sete-barbas e branco, juntamente com os organismos plantônicos constituem a base<br />
<strong>da</strong> ca<strong>de</strong>ia alimentar local.<br />
Consi<strong>de</strong>ran<strong>do</strong> a fisiografia, a batimetria, o hidrodinamismo, os tipos <strong>de</strong> sedimentos <strong>de</strong><br />
fun<strong>do</strong> e a biota associa<strong>da</strong> à região em estu<strong>do</strong>, po<strong>de</strong>mos <strong>de</strong>finir 2 (<strong>do</strong>is) gran<strong>de</strong>s<br />
ambientes: o ambiente <strong>de</strong> mar aberto e o ambiente estuarino, que são permea<strong>do</strong>s por<br />
ambientes <strong>de</strong> transição entre um e outro. Desta maneira foram <strong>de</strong>fini<strong>do</strong>s os seguintes<br />
ambientes marinhos:<br />
a) De mar aberto, entre a Trin<strong>da</strong><strong>de</strong> e a Ponta <strong>da</strong> Juatinga;<br />
b) Estuarinos, conti<strong>do</strong>s no interior <strong>da</strong> Baía <strong>da</strong> Ilha Gran<strong>de</strong> (Saco <strong>do</strong> Mamanguá e<br />
Fundão <strong>de</strong> Paraty Mirim) e;<br />
c) Ambientes <strong>de</strong> transição, que sofrem influência tanto <strong>da</strong>s águas <strong>da</strong> plataforma<br />
continental, como <strong>do</strong> continente, <strong>de</strong>pen<strong>de</strong>n<strong>do</strong> <strong>da</strong>s condições climatológicas<br />
(Baía <strong>da</strong> Cajaíba).<br />
Ambiente <strong>de</strong> mar aberto<br />
Compreen<strong>de</strong> to<strong>da</strong> área litorânea entre a Ponta <strong>da</strong> Trin<strong>da</strong><strong>de</strong> e a Ponta <strong>da</strong> Juatinga,<br />
incluin<strong>do</strong> as ensea<strong>da</strong>s <strong>de</strong> Trin<strong>da</strong><strong>de</strong>, Laranjeiras, Sono e Juatinga, o Saco <strong>da</strong>s<br />
Enchovas, as Ilhas <strong>da</strong> Trin<strong>da</strong><strong>de</strong>, <strong>da</strong>s Laranjeiras e Cairuçú <strong>da</strong>s Pedras, a laje <strong>do</strong> Sono<br />
e as diversas praias <strong>de</strong> areia fina e os costões rochosos <strong>de</strong> gnaisses que margeiam a<br />
costa.<br />
Esta é uma região <strong>de</strong>sabriga<strong>da</strong> <strong>da</strong> ação direta <strong>da</strong>s frentes frias e <strong>do</strong>s ventos <strong>de</strong> sul /<br />
su<strong>de</strong>ste e leste que ali levantam fortes on<strong>da</strong>s. A intensa ação hidrodinâmica, com o<br />
pre<strong>do</strong>mínio <strong>de</strong> correntes <strong>de</strong> superfície <strong>de</strong> sul para o norte e o afloramento <strong>de</strong> águas<br />
frias provenientes <strong>da</strong>s regiões profun<strong>da</strong>s, age sobre os sedimentos <strong>de</strong> fun<strong>do</strong>,<br />
constituí<strong>do</strong>s em sua maioria, <strong>de</strong> material arenoso.<br />
Este ambiente apresenta gran<strong>de</strong>s profundi<strong>da</strong><strong>de</strong>s, isóbata <strong>de</strong> 10 m junto à costa, e é<br />
banha<strong>do</strong> por águas <strong>da</strong> plataforma continental que apresentam em média altos valores<br />
<strong>de</strong> salini<strong>da</strong><strong>de</strong> (35.67 °/oo) e baixas temperaturas (19° C). Estas águas são ricas em<br />
fitoplâncton, sobretu<strong>do</strong> diatomáceas, que atingem maiores <strong>de</strong>nsi<strong>da</strong><strong>de</strong>s durante o<br />
verão.<br />
No grupo <strong>do</strong>s zooplanctons, ocorrem principalmente o grupo <strong>do</strong>s Copepo<strong>da</strong>. Este<br />
ambiente favorece o <strong>de</strong>senvolvimento <strong>de</strong> algas bentônicas, com a ocorrência <strong>de</strong><br />
espécies raras, além <strong>de</strong> espécies <strong>de</strong> alto valor econômico como: Sargassum spp,<br />
108
Pterocladia capillacea, Hypnea spp e Porphyra sp. Os zoobentos e a ictiofauna<br />
também são abun<strong>da</strong>ntes neste ambiente, que apresenta um rico conjunto <strong>de</strong> habitats.<br />
Neste ambiente há pre<strong>do</strong>mínio <strong>de</strong> peixes pelágicos <strong>de</strong> passagem (migratórios) e<br />
<strong>de</strong>mersais (pedras).<br />
Ambiente com áreas estuarinas abriga<strong>da</strong>s<br />
Compreen<strong>de</strong> o Saco <strong>de</strong> Mamanguá e a ensea<strong>da</strong> <strong>de</strong> Paraty-Mirim, no interior <strong>da</strong><br />
isóbata <strong>de</strong> 10 m.<br />
Esse ambiente é caracteriza<strong>do</strong> como estuarino, uma vez que sofre influencia direta <strong>do</strong><br />
aporte <strong>do</strong>s rios que <strong>de</strong>ságuam nestas áreas <strong>de</strong> fun<strong>do</strong> <strong>de</strong> baías e ensea<strong>da</strong>s. Por serem<br />
extremamente abriga<strong>da</strong>s, apresentam circulação <strong>de</strong> água restrita ocasiona<strong>da</strong> por um<br />
quase-constante fluxo induzi<strong>do</strong> por gradientes <strong>de</strong> <strong>de</strong>nsi<strong>da</strong><strong>de</strong>, on<strong>de</strong> a circulação gera<strong>da</strong><br />
pela maré e gravitacional é pouco intensa.<br />
Estas regiões apresentam variações mais acentua<strong>da</strong>s <strong>do</strong>s parâmetros físico-químicos<br />
e <strong>do</strong>s micronutrientes em suas águas, em função <strong>de</strong> sua fisiografia e aporte<br />
continental <strong>de</strong> água <strong>do</strong>ce. Grosso mo<strong>do</strong>, apresentam temperatura <strong>de</strong> água eleva<strong>da</strong><br />
(28° C) e salini<strong>da</strong><strong>de</strong> mo<strong>de</strong>ra<strong>da</strong>.<br />
Neste ambiente ocorre pre<strong>do</strong>mínio <strong>de</strong> sedimentos finos, argilas e siltes argilosos que<br />
estão associa<strong>do</strong>s à baixa energia <strong>do</strong> meio que permite a <strong>de</strong>posição <strong>de</strong> material em<br />
suspensão. São consi<strong>de</strong>ra<strong>do</strong>s como importantes áreas <strong>de</strong> crescimento, alimentação e<br />
refúgio <strong>de</strong> organismos marinhos, base <strong>da</strong> ca<strong>de</strong>ia alimentar e energética marinha. Os<br />
bentos encontra<strong>do</strong>s são típicos <strong>de</strong> substrato não consoli<strong>da</strong><strong>do</strong>, lo<strong>do</strong>so, como ênfase a<br />
espécies <strong>de</strong> interesse econômico como os vôngoles e a gran<strong>de</strong> quanti<strong>da</strong><strong>de</strong> <strong>de</strong><br />
camarões, sete barbas e branco que ali se <strong>de</strong>senvolvem antes <strong>de</strong> migrarem para se<br />
reproduzirem em águas mais salinas. A ictiofauna também é abun<strong>da</strong>nte com<br />
pre<strong>do</strong>mínio <strong>de</strong> pequenos pelágicos, como parati, pesca<strong>da</strong>-branca, corvina e robalos.<br />
Ambiente <strong>de</strong> transição sob maior influência <strong>do</strong> mar aberto<br />
Compreen<strong>de</strong> to<strong>da</strong> a área litorânea entre a Ponta <strong>da</strong> Juatinga e a Ponta <strong>da</strong> Cajaíba,<br />
incluin<strong>do</strong> a região costeira <strong>do</strong> interior <strong>da</strong> Ponta <strong>da</strong> Juatinga, a ensea<strong>da</strong> <strong>do</strong> Pouso com<br />
suas praias intercala<strong>da</strong>s pelas áreas <strong>de</strong> costão rochoso e a ilha Itaoca.<br />
Esta região, apesar <strong>de</strong> estar conti<strong>da</strong> no interior <strong>da</strong> baía <strong>da</strong> Ilha Gran<strong>de</strong>, apresenta<br />
características semelhantes às <strong>do</strong> ambiente I, ten<strong>do</strong> como diferença a menor ação<br />
hidrodinâmica e a presença <strong>de</strong> sedimentos mais finos no interior <strong>da</strong> ensea<strong>da</strong> <strong>do</strong><br />
Pouso. Também sofre influencia <strong>da</strong>s águas <strong>da</strong> plataforma continental que aqui se<br />
misturam com as águas provenientes <strong>do</strong>s sistemas estuarinos <strong>do</strong> Saco <strong>de</strong> Mamanguá<br />
e ensea<strong>da</strong> <strong>de</strong> Paraty Mirim.<br />
A temperatura média <strong>da</strong> água varia entre 22° a 24° C e a salini<strong>da</strong><strong>de</strong> <strong>de</strong> 32.8 a 35.00<br />
°/oo. A profundi<strong>da</strong><strong>de</strong> também diminui, com isobata <strong>de</strong> 10 m ao largo <strong>da</strong> ensea<strong>da</strong> <strong>do</strong><br />
Pouso. A biota presente é típica <strong>do</strong> ambiente <strong>de</strong> mar aberto, ocorren<strong>do</strong> o pre<strong>do</strong>mínio<br />
<strong>da</strong>s espécies <strong>de</strong> fun<strong>do</strong> rochoso e sedimento mais grosseiro (areias finas e silte).<br />
To<strong>do</strong>s esses ambientes marinhos apresentam uma varie<strong>da</strong><strong>de</strong> <strong>de</strong> seres vivos e um<br />
número <strong>de</strong> taxa superior muito maior <strong>do</strong> que no ambiente terrestre. Essa<br />
biodiversi<strong>da</strong><strong>de</strong> tem si<strong>do</strong> muito pouco estu<strong>da</strong><strong>da</strong>, apesar <strong>do</strong> seu reconheci<strong>do</strong> papel nos<br />
ciclos biogeoquímicos <strong>do</strong>s ecossistemas e na produção <strong>de</strong> alimento.<br />
109
O esta<strong>do</strong> <strong>do</strong> conhecimento entre os grupos taxonômicos e entre diferentes locali<strong>da</strong><strong>de</strong>s<br />
na Baía <strong>da</strong> Ilha Gran<strong>de</strong> e península <strong>da</strong> Juatinga é muito variável. No que se refere à<br />
abundância e distribuição <strong>do</strong>s organismos marinhos, o conhecimento ain<strong>da</strong> é<br />
insuficiente, com informações fragmenta<strong>da</strong>s em diferentes tipos <strong>de</strong> literatura. Além<br />
disso, os estu<strong>do</strong>s <strong>do</strong>s ecossistemas <strong>da</strong> região são pontuais e utilizam meto<strong>do</strong>logias<br />
não comparáveis que dificultam a análise crítica <strong>do</strong> esta<strong>do</strong> atual <strong>de</strong> conservação <strong>da</strong><br />
baía.<br />
Segun<strong>do</strong> Creed et al. (2007), existem sete gran<strong>de</strong>s grupos <strong>de</strong> organismos na Baía <strong>da</strong><br />
Ilha Gran<strong>de</strong> (Macroalgas marinhas; Echino<strong>de</strong>rmata; Cni<strong>da</strong>ria; Mollusca, Anneli<strong>da</strong>:<br />
Polychaeta e Crustacea, sen<strong>do</strong> estes três últimos somente em substrato não<br />
consoli<strong>da</strong><strong>do</strong>, e ain<strong>da</strong> peixes recifais e <strong>de</strong> praias arenosas), registran<strong>do</strong> um total <strong>de</strong> 291<br />
famílias, 472 gêneros e 889 espécies (estes números não incluem peixes <strong>de</strong> praias<br />
arenosas, que foram inventaria<strong>do</strong>s apenas em alguns pontos no inverno). Foram<br />
encontra<strong>da</strong>s 20 espécies novas para ciência, 21 novas ocorrências para o Brasil, 206<br />
para o Esta<strong>do</strong> <strong>do</strong> <strong>Rio</strong> <strong>de</strong> <strong>Janeiro</strong> e 241 para a Baía <strong>da</strong> Ilha Gran<strong>de</strong>.<br />
Os usos <strong>do</strong>s ambientes marinhos <strong>da</strong> área <strong>de</strong> estu<strong>do</strong>s são antigos e <strong>da</strong>tam <strong>de</strong>s<strong>de</strong> as<br />
ativi<strong>da</strong><strong>de</strong>s <strong>de</strong> pesca realiza<strong>da</strong>s pelos índios que ocupavam essa região. Atualmente, a<br />
ativi<strong>da</strong><strong>de</strong> pesqueira e as ativi<strong>da</strong><strong>de</strong>s liga<strong>da</strong>s ao turismo náutico e <strong>de</strong> mergulho<br />
caracterizam-se com principais usos que se fazem <strong>de</strong>ste ambiente.<br />
As diversas mo<strong>da</strong>li<strong>da</strong><strong>de</strong>s <strong>de</strong> pesca se diferenciam em <strong>do</strong>is grupos, os realiza<strong>do</strong>s em<br />
ambientes marinhos interiores (Baía <strong>da</strong> Ilha Gran<strong>de</strong>) e em ambientes marinhos <strong>de</strong> mar<br />
aberto. Um <strong>do</strong>s principais fatores <strong>de</strong>terminantes para os méto<strong>do</strong>s <strong>de</strong> captura utiliza<strong>do</strong>s<br />
é a fisiografia <strong>da</strong> região, assim, como o ambiente e o local <strong>de</strong>terminam a composição<br />
<strong>do</strong> pesca<strong>do</strong>, <strong>de</strong>fine também os méto<strong>do</strong>s e a forma como a pesca é feita (Ibama, 2005).<br />
Segun<strong>do</strong> levantamentos realiza<strong>do</strong>s para a elaboração <strong>do</strong> Plano <strong>de</strong> Manejo <strong>da</strong> APA<br />
Cairuçú, os principais méto<strong>do</strong>s <strong>de</strong> pesca para os <strong>do</strong>is ambientes são: cerco flutuante,<br />
a re<strong>de</strong> <strong>de</strong> espera, a linha <strong>de</strong> mão, a caça submarina e o arrasto <strong>de</strong> fun<strong>do</strong>. Entretanto,<br />
os peixes procura<strong>do</strong>s nestas pescas variam bastante <strong>de</strong> ambiente para ambiente, e<br />
segun<strong>do</strong> uma sazonali<strong>da</strong><strong>de</strong> que <strong>de</strong>termina a utilização <strong>do</strong> méto<strong>do</strong> <strong>de</strong> pesca. Essa<br />
ativi<strong>da</strong><strong>de</strong> é intensifica<strong>da</strong> durante o verão, quan<strong>do</strong> o mar é mais calmo e as águas<br />
costeiras estão mais enriqueci<strong>da</strong>s (Ibama, 2005).<br />
O crescente aumento <strong>da</strong>s ativi<strong>da</strong><strong>de</strong>s náuticas com o aumento <strong>do</strong> trafego marítimo, <strong>da</strong><br />
urbanização e <strong>da</strong> <strong>de</strong>struição e ocupação <strong>da</strong>s áreas costeiras e <strong>de</strong> manguezais<br />
representam ameaças à manutenção <strong>de</strong>sta boa quali<strong>da</strong><strong>de</strong> ambiental.<br />
A tendência <strong>do</strong> <strong>de</strong>senvolvimento <strong>de</strong> empreendimentos turísticos como a construção <strong>de</strong><br />
marinas e atraca<strong>do</strong>uros nas áreas <strong>de</strong> fun<strong>do</strong> <strong>de</strong> baías e sacos, como o Mamanguá e<br />
Paraty-Mirim, apesar <strong>de</strong> já serem restringi<strong>da</strong>s pela existência <strong>da</strong> APA municipal <strong>de</strong><br />
Paraty, <strong>de</strong>vem ser inteiramente veta<strong>da</strong>s, uma vez que representará a completa<br />
<strong>de</strong>struição <strong>da</strong> biota local e o comprometimento <strong>da</strong>s funções ecológicas liga<strong>da</strong>s à<br />
manutenção <strong>da</strong> ca<strong>de</strong>ia alimentar marinha, função que é <strong>de</strong>sempenha<strong>da</strong> por este tipo<br />
<strong>de</strong> ecossistema estuarino.<br />
Verifica-se que os maiores problemas liga<strong>do</strong>s aos ambientes marinhos consistem na<br />
falta <strong>de</strong> or<strong>de</strong>namento e controle <strong>da</strong>s ativi<strong>da</strong><strong>de</strong>s humanas <strong>de</strong> uso <strong>do</strong> espaço marinho.<br />
Tanto as ativi<strong>da</strong><strong>de</strong>s turísticas como as <strong>de</strong> pesca tem enorme potencial para se<br />
<strong>de</strong>senvolverem <strong>de</strong> maneira integra<strong>da</strong> e complementar.<br />
Os ambientes marinhos <strong>de</strong> entorno <strong>da</strong> REJ e AELPM são ti<strong>do</strong>s como fun<strong>da</strong>mentais<br />
para a sobrevivência <strong>da</strong> população <strong>de</strong> mora<strong>do</strong>res nativos que <strong>de</strong>pen<strong>de</strong>m <strong>da</strong> pesca<br />
110
artesanal. Nas áreas mais abriga<strong>da</strong>s como no Saco <strong>do</strong> Mamanguá e fundão <strong>de</strong> Paraty<br />
Mirim ocorriam, até o ano <strong>de</strong> 2002, intenso conflito entre os pequenos pesca<strong>do</strong>res<br />
artesanais com os barcos <strong>de</strong> pesca ilegal <strong>de</strong> arrasto <strong>de</strong> fun<strong>do</strong>. Essa questão começou<br />
a ser soluciona<strong>da</strong> a partir <strong>do</strong> importante projeto <strong>de</strong> gestão participativa <strong>do</strong>s recursos<br />
pesqueiros <strong>do</strong> Mamanguá, <strong>de</strong>senvolvi<strong>do</strong> pela Associação <strong>de</strong> Mora<strong>do</strong>res e Amigos <strong>do</strong><br />
Mamanguá que instalou dispositivos <strong>de</strong> exclusão <strong>da</strong> pesca <strong>de</strong> arrasto na área e<br />
promoveu intensa campanha <strong>de</strong> sensibilização pública.<br />
Atualmente pesquisa<strong>do</strong>res <strong>da</strong> Universi<strong>da</strong><strong>de</strong> <strong>de</strong> Campinas, juntamente com o Ministério<br />
<strong>da</strong> Pesca e Aquicultura e a Prefeitura Municipal <strong>de</strong> Paraty, estão promoven<strong>do</strong> ampla<br />
discussão com os pesca<strong>do</strong>res <strong>de</strong> to<strong>da</strong> a região <strong>da</strong> Baía <strong>da</strong> Ilha Gran<strong>de</strong> para<br />
celebração <strong>de</strong> Acor<strong>do</strong>s <strong>de</strong> Pesca, mo<strong>de</strong>lo atual <strong>de</strong> gestão participativa volta<strong>do</strong> para o<br />
uso sustentável <strong>do</strong>s recursos pesqueiros.<br />
De mo<strong>do</strong> geral, consi<strong>de</strong>ramos que os ambientes marinhos <strong>da</strong> área <strong>de</strong> estu<strong>do</strong>, ain<strong>da</strong> se<br />
encontram em um esta<strong>do</strong> <strong>de</strong> conservação privilegia<strong>do</strong> em comparação a outros<br />
municípios litorâneos, pois não existem no município <strong>de</strong> Paraty indústrias polui<strong>do</strong>ras.<br />
Além disto, estes ambientes já se encontram legalmente protegi<strong>do</strong>s pela existência <strong>da</strong><br />
Área <strong>de</strong> Proteção <strong>Ambiental</strong> Municipal Marinha <strong>da</strong> Baía <strong>de</strong> Paraty, Paraty Mirim e<br />
Saco <strong>do</strong> Mamanguá, além <strong>do</strong>s diferentes diplomas e dispositivos que regulam as<br />
ativi<strong>da</strong><strong>de</strong>s pesqueiras, faltan<strong>do</strong> unicamente implementá-los.<br />
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