Cá estou de volta no filme 'De ida para o passado* - cpvsp.org.br

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Quinzena Trabalhadores<br />

nessa discussão. 0 Conselho Nacional<br />

dos Seringueiros não é uma entidade am-<br />

bientalista, uma entidade ecológica, mas<br />

também não é uma entidade sindical. To-<br />

dos que participam do Conselho Nacional<br />

dos Senngueiros dirige um sindicato, é<br />

membro de um sindicato de trabalhadores<br />

rurais. A gente acha que essa é uma dis-<br />

cussão que não tem de ser levada adiante,<br />

e o que nos preocupa mais é que estão to-<br />

das as entidades voltadas para o conse-<br />

lho, querendo que ele dê logo uma res-<br />

posta, se vai entrar ou não. Há entidade<br />

dizendo que só vai entrar nessa questão<br />

se o conselho entrar. E nós não estamos<br />

interessados, enquanto a gente não enten-<br />

der isso muito bem.<br />

Primeiro, pelo movimento sindical, nos<br />

não reconhecemos a dívida, pois nas últi-<br />

mas décadas, de 70 até agora, a gente<br />

sabe que foram pgados na Amazônia US$<br />

800 milhões, entre os projetos Carajás e<br />

Gica. Uma série de coisas que não trouxe<br />

resultado, nenhum benefício. Então nós<br />

não queremos entrar nessa discussão<br />

sem poder envolver a sociedade, porque<br />

em qualquer discussão sobre a questão da<br />

dívida nós vamos querer que a sociedade<br />

AGEN-4.10.90<br />

Valdo França'<br />

A maior parte do movimento ecológico<br />

está alheia à discussão da proposta refe-<br />

rente à conservação da dívida externa em<br />

projetos ambientalistas.<br />

No entanto, algumas fundações ecoló-<br />

gicas articulam-se com governantes, ban-<br />

queiros, entidades internacionais, e estão<br />

organizando um consórcio para usufruir<br />

dessa nova fonte.<br />

Apesar da nobreza da causa, a concre-<br />

tização dessa proposta de forma indiscri-<br />

minada fere frontalmente as resoluções<br />

dos diversos fóruns dos movimentos so-<br />

ciais populares, sindicatos etc. que se<br />

pronunciaram e assumiram politicamente a<br />

ilegitimidade da divida externa.<br />

Estamos receptivos à conversão de tí-<br />

tulos pelo valor de mercado somente após<br />

auditona rigorosa que comprove a utiliza-<br />

ção honesta dos recursos em projetos de<br />

interesse social. Por exemplo: os títulos<br />

contraídos para construir as usinas de An-<br />

gra dos Reis e Itaipu, a Transamazõnica,<br />

Balbina, Perimetral Norte, indústrias de<br />

armas e outras barbaridades irreversíveis<br />

não devem ser honrados. Aceitar a con-<br />

versão simplesmente é legitimar o mon-<br />

tante da dívida externa, que é o maior ob-<br />

jetivo dos banqueiros internacionais e das<br />

tenha participação.<br />

A questão da Amazônia não é uma<br />

questão> isolada dos outros problemas do<br />

BrasiL É uma questão que é muito interli-<br />

gada às outras, e nós não vamos querer<br />

prejudicar parte da sociedade simples-<br />

mente por uma questão ambiental. Para<br />

nós, a discussão primeiro passa pela<br />

questão fundiária, pela questão social. Nós<br />

acreditamos que só vai haver defesa da<br />

questão ecológica quando a terra for tirada<br />

da mão de poucas pessoas que a pos-<br />

suem. Aí poderemos começar a discutir<br />

realmente progresso e desenvolvimento. A<br />

terra é muito concentrada, principalmente<br />

na Amazônia. No Acre, que tem 15 mi-<br />

lhões de hectares de terra, dez pessoas<br />

se dizem donas de oito milhões. É difícil<br />

discutir como desenvolver um trabalho na<br />

questão ecológica se não se resolve o<br />

problema econômico das pessoas que fa-<br />

zem a defesa dessa floresta, os índios, os<br />

seringueiros, os ribeirinhos."<br />

Depoimento de Osmarino Amâncio Rodrigues<br />

para o programa "Nave Terra", da rádio municipal<br />

de Piracicaba (FM), promovido pela Sociedade de<br />

Defesa do Meio Ambiente de Piracicaba (Sode-<br />

map/Apedema).<br />

w<br />

Ecologismo marrom<br />

elites dirigentes do pais, descomprometi-<br />

das com a sociedade dos descamisados.<br />

O compromisso do pagamento da dívi-<br />

da extema de forma indiscriminada é a<br />

perpetuação do calvário de miséria, fome e<br />

marginalidade, o fim do futuro e da cidada-<br />

nia para cem milhões de brasileiros.<br />

Essas mesmas elites agrupadas nas<br />

grandes entidades ecológicas estão cada<br />

vez mais distantes do verdadeiro ecolo-<br />

gismo, que se propõe libertário e transfor-<br />

mador da sociedade injusta, autoritária,<br />

consumista e exploradora da natureza.<br />

KING ONGs<br />

O consórcio pró-conversão da dívida<br />

externa foi criado de forma isolada e não-<br />

transparente por 13 grandes entidades.<br />

A direção do consórcio está a cargo da<br />

Funatura, que é dirigida por Maria "Triste-<br />

za" Jorge Pádua. Essa fundação assom-<br />

brou o movimento ecológico quando apre-<br />

sentou entre seus benfeitores empresas e<br />

entidades mais do que suspeitas: Dow<br />

Química, Andef (lobby dos agrotóxicos).<br />

Associação Brasileira de Caça, Aracruz,<br />

Ripasa e Roberto Klabin (lobby de celulo-<br />

se), Companhia Brasileira de Cartuchos,<br />

Cesp e Eletropaulo (décimo lugar na "Lista<br />

Suja" eleita no 5 Ç Congresso Paulista de<br />

Ecologistas e Pacifistas de São Paulo).<br />

S.O.S. CAIÇARAS DA MATA<br />

ATLÂNTICA<br />

A Fundação S.O.S. Mata Atlântica, uma<br />

das integrantes do "consórcio marrom", já<br />

apresenta em seu cumculo uma denúncia<br />

muito séria. O Movimento São Sebastião<br />

Tem Alma denunciou recentemente, na<br />

Assembléia Legislativa de São Paulo, o<br />

pedido da Fundação S.O.S. Mata Atlântica<br />

junto ao Ibama (Instituto Brasileiro do Meio<br />

Ambiente) e à Secretaria do Meio Am-<br />

biente de São Paulo, pelo aforamente de<br />

21 ilhas na costa de São Paulo.<br />

Nenhuma entidade popular congregado-<br />

ra de olhéus, caiçaras e ecologistas foi<br />

convidada para discutir o projeto da referi-<br />

da fundação para as ilhas em questão.<br />

Outros participantes do "consórcio mar-<br />

rom": Associação em Defesa da Juréia,<br />

Sociedade em Defesa do Pantanal, Socie-<br />

dade de Pesquisa em Meio Ambiente, So-<br />

ciedade Brasileira de Espeleologia, So-<br />

prem (Sociedade de Preservação da Natu-<br />

reza), Fundação Biodiversitas, Fundação<br />

Ecotrópica do Pantanal, FBCN (Fundação<br />

Brasileira de Conservação da Natureza),<br />

Movimento Onda Azul, Oikos e Fundação<br />

Nacional de Ação Ecológica.<br />

Parte significativa desse conjunto de<br />

entidades tem aparecido constantemente<br />

na mídia eletrônica vinculada à propaganda<br />

de bancos, cademetas de poupança,<br />

jeans, celulose e outros produtos, com o<br />

objetivo de transferir a "imagem ecológica"<br />

em troca de rendimentos.<br />

O tema dívida extema é muito delicado<br />

e complexo para ser tratado por uma dúzia<br />

de entidades pouco representativas da so-<br />

ciedade.<br />

Cabe ao conjunto de ONGs ambienta-<br />

listas brasileiras promover um fórum espe-<br />

cial para discutir politicamente o encami-<br />

nhamento da questão para não ficarmos à<br />

margem da história e pecarmos contra os<br />

anseios da sociedade.<br />

Toda a luta e a expectativa da socieda-<br />

de por uma democracia transparente e<br />

participativa está sendo colocada no lixo<br />

por essas elites.<br />

ECOLOGISMO AUTÊNTICO<br />

A preservação da floresta Amazônica,<br />

Pantanal, mata Atlântica e todos os patri-<br />

mônios da ecologia nacional são funda-<br />

mentais a nosso projeto de sociedade.<br />

Se a preservação de nossas florestas<br />

condiz com as necessidades climáticas do<br />

planeta, é razoável que todos os países ri-<br />

cos participem e colaborem, não só com a<br />

preservação de áreas de valor ecológico<br />

mas também no manejo sustentado e na<br />

recuperação de áreas desfiorestadas,<br />

através da implantação de bosques produ-<br />

tivos.<br />

Não há dúvida: a ciência já mostrou o<br />

tamanho oa ignorância e ao descalabro<br />

sócio-econômico que foram os projetos<br />

agropecuários na Amazônia. Destruíram<br />

florestas ricas em castanheiras, açaizei-