Cá estou de volta no filme 'De ida para o passado* - cpvsp.org.br

cpvsp.org.br

Cá estou de volta no filme 'De ida para o passado* - cpvsp.org.br

sentes no país e o resultado das elei-<br />

ções comprova isto. As esquerdas não<br />

perceberam que estavam acontecendo<br />

mudanças no eleitorado após a esco-<br />

lha do presidente Collor de Mello.<br />

Houve alterações no país do ponto de<br />

vista econômico - com as quais não<br />

concordamos, mas que não podemos<br />

negar. A esquerda deixou a impressão<br />

que perdeu um pouco do bonde da<br />

história e foi punida por isto. Nós não<br />

A Classe Operária -2.11.90<br />

0 voto anti-Maluf se impõe, em pri-<br />

meiro lugar, como uma exigência de<br />

nossa oposição infatigável e intransi-<br />

gente ao governo Collor e seu plano de<br />

superação pró-imperialista, pró-mono-<br />

polista e pró-latifundiária da crise bra-<br />

sileira. Qualquer omissão na batalha do<br />

segundo turno paulista significa ajudar<br />

indiretamente a trama collorida.<br />

0 voto anti-Maluf decorre, em se-<br />

gundo lugar, do conhecimento de quem<br />

é e o que representa Paulo Salim Maluf,<br />

em São Paulo e nacionalmente. Não se<br />

trata simplesmente de mais um político<br />

burguês de direita. Maluf é o filho pri-<br />

mogênito da ditadura militar, seu último<br />

e empedernido representante paisano.<br />

Além de dezenas de processos e várias<br />

codenações nas costas, encarna como<br />

ninguém o fascismo tupiniquim. Tru-<br />

culento, arrogante, mentiroso, cínico,<br />

nunca, em momento algum, por dimi-<br />

Linha Direta- 12.10.90<br />

Lula (presidente nacional do PP):<br />

"É importante lembrar que é ex-<br />

traordinário mostrar para aqueles que<br />

achavam que o PT estava morto, que<br />

sua legenda é mais forte do cjue qual-<br />

quer outro partido político. É uma le-<br />

genda muito forte ainda muito mal<br />

trabalhada por todos nós. Se a tivés-<br />

semos utilizado com mais força na te-<br />

levisão e usado o símbolo da nossa<br />

estrela, poderíamos ter obtido mais<br />

votos. Não adianta nada o Maluf ficar<br />

dizendo que gannou as eleições no<br />

AÜC e que o Kl se enfraqueceu.<br />

Basta ver a votação do Suplicy e a da<br />

legenda. Para o Brasil, as eleições são<br />

importantes porque são sempre uma<br />

nos articulamos como devíamos. Pre-<br />

cisamos rever nossas posturas. O meu<br />

partido, o PT, continuará fazendo<br />

oposição sistemática ao Plano Collor,<br />

mesmo com um resultado eleitoral fa-<br />

vorável aos conservadores. E essa<br />

nossa postura e eu acredito que está<br />

correta. O que nós precisamos redis-<br />

cutir é como fazer oposição. Precisa-<br />

mos aprender a fazer alianças e aglu-<br />

tinar forças. Mas, às vezes, reconhe-<br />

0 voto anti-Maluf<br />

Aldo Rebelo'<br />

nuto e fugaz que fosse, esteve ao lado<br />

do povo; ao contrário, sempre comba-<br />

teu, ferrenhamente, do outro lado da<br />

barricada. Basta ver onde estava Paulo<br />

Maluf por ocasião do golpe de 64, do<br />

terrorismo ditatorial, da campanha pela<br />

Anistia, das greves dos metalúrgicos do<br />

ABC, da campanha das Diretas-Já, da<br />

ofensiva final contra o regime militar, da<br />

Constituinte, das eleições de 89.<br />

Esse engendro dos generais alcançou<br />

certa popularidade, entre os menos avi-<br />

sados, escondendo sua face e suas<br />

idéias atrás de um coração de plástico e<br />

explorando habilmente as frustações da<br />

gente humilde. Porém não mudou em<br />

nada sua essência. Uma vitória de Maluf<br />

em São Paulo representaria a revanche,<br />

pelo voto, das forças mais tenebrosas<br />

do retrocesso e da ditadura.<br />

Ao pregar o voto anti-Maluf, o PC-<br />

doB expressa também sua opinião so-<br />

O que aconteceu com o PT?<br />

oportunidade para o povo dizer se está<br />

politizado ou não; se está maduro ou<br />

não; se tem lógica a sua luta diária<br />

com seu voto. Por mais que revolte as<br />

pessoas, que querem a solução de seus<br />

problemas através do voto, vai servin-<br />

do para politizar, ensinar, para que as<br />

pessoas tenham um clima dentro de<br />

suas cabeças de como proceder eleito-<br />

ralmente".<br />

José Dirceu (Secretário-Geral do<br />

PT):<br />

"O PT precisa aprender a fazer<br />

alianças e a analisar melhor as mu-<br />

danças que existem no Brasil, como a<br />

eleição de Collor para a presidência<br />

ço, isso é difícil. Dou como exemplo<br />

o segundo turno das eleições paulis-<br />

tas. De um lado, o candidato de Col-<br />

lor, Paulo Maluf, que até por questões<br />

históricas não podemos apoiar. Do<br />

outro, "Luiz Antônio Fleury Filho, o<br />

candidato do governador Orestes<br />

Quércia, do qual discordamos politi-<br />

camente. O militante do PT fica em<br />

uma situação difícil entre anular seu<br />

voto ou apoiar o candidato Freury.<br />

bre a candidatura Fleury, ao esquema<br />

do governo Orestes Quércia. Trata-se<br />

de um esquema conservador que só se<br />

impõe como alternativa ao retrocesso<br />

representado por uma eventual vitória<br />

de Maluf. As críticas de Fleury ao go-<br />

verno Collor não constituem uma opo-<br />

sição conseqüente ao projeto do gover-<br />

no federal. São críticas de uma oposição<br />

conservadora, das classes dominantes,<br />

expressam a disputa da sucessão presi-<br />

dencial em 94, que já se iniciou. Cabe às<br />

forças democráticas e populares explo-<br />

rar essas contradições para impor uma<br />

derrota àquele que melhor expressa o<br />

projeto Collor no Estado de São Paulo.<br />

Nesse quadro, a posição do PCdoB de<br />

votar em Fleury não implica qualquer<br />

compromisso com o futuro governo ou<br />

com projetos de seu esquema político.<br />

* da direção nacional do PC do B.<br />

da Republica. Precisa também apren-<br />

der a ser socialista. Considero uma<br />

das piores eleições em termos de dis-<br />

puta interna do Partido: máquinas uti-<br />

lizadas em favor de candidatos, luta<br />

interna durante o período eleitoral,<br />

falta de solidariedade e de unidade<br />

dentro do Partido. O povo brasileiro<br />

votou branco e nulo, em parte, indu-<br />

zido pelos meios de comunicação. Em<br />

parte, porque repudiou o atual sistema<br />

político/eleitoral e a atuação das casas<br />

legislativas; ou seja, repudiou o<br />

"centrão", o fisiologismo. Não repu-<br />

diou o PT e as esquerdas, ainda que o

More magazines by this user
Similar magazines