Cá estou de volta no filme 'De ida para o passado* - cpvsp.org.br

cpvsp.org.br

Cá estou de volta no filme 'De ida para o passado* - cpvsp.org.br

O tum over numa empresa como<br />

a IBM, por exemplo, é caríssimo. Não<br />

interessa a empresa que haja rotativi-<br />

dade no seu quadro de pessoal. Mas<br />

mesmo que houvesse esse risco de-<br />

vido ao investimento da empresa em<br />

formandos de última geração universi-<br />

tária (os acordos de financiamento às<br />

universidades buscam muitas vezes a<br />

criação de mão-de-obra mais qualidi-<br />

cada a preços menores) o acordo de<br />

recontratação prioritária minimizaria<br />

essa possibilidade.<br />

No Brasil, um dos defensores da<br />

idéia é o ex-ministro Mario Henrique<br />

Simonsen, que considera a medida<br />

naturalmente lógica no caso do setor<br />

público, onde ainda funciona o curioso<br />

sistema de estabilidade no emprego,<br />

responsável pela demissão de funcio-<br />

nários eficientes em troca do "encos-<br />

tamento' de funcionários negligentes<br />

estáveis.<br />

As demissões que vêm sendo fei-<br />

tas em toda a máquina de Estado, no<br />

governo Collor, são efetuadas com os<br />

olhos voltados para o caixa e não pa-<br />

ra o desempenho operacional ou a<br />

orodutividade do trabalho. Simonsen<br />

lembra que, inevitavelmente, o Estado<br />

voltará a crescer - mesmo que seja<br />

pelo efeito de uma simples resposta<br />

ao aumento do contingente demográ-<br />

Relatório Reservado - 14.10.90<br />

fico. E o ideal é que possa crescer o<br />

mais rápido possível. O exHiiinistro<br />

considera, portanto, que essas demis-<br />

sões forçadas pelo caixa devem ser<br />

reconsideradas prioritariamente.<br />

O vice-presidente da Federação<br />

das Indústrias do Rio de Janeiro (Fir-<br />

jan), César Moreira, apoia a medida e<br />

lembra que em acordos coletivos pas-<br />

sados entre trabalhadores e empresá-<br />

rios privados a dáusula constou nas<br />

negociações. Até aí, nada demais.<br />

Basta lembrar que a participação dos<br />

trabalhadores no lucro das empresas<br />

é uma medida constitucional desde<br />

1946, e nunca foi aplicada.<br />

Já o presidente do Sindicato dos<br />

Metalúrgicos de São Bernardo do<br />

Campo, Vicente Paulo da Silva - o<br />

"Vicentinho" - é radicalmente contra<br />

esse tipo de acordo, pois em sua opi-<br />

nião significa "admitir a demissão e o<br />

trabalhador tem que lutar pela estabi-<br />

lidade e não administrá-la".<br />

Mas, infelizmente, as demissões<br />

existem e, como reconhece o ex-dire-<br />

tor do Departamento Intersindical de<br />

Estudos e Estatísticas Sócio-Econô-<br />

micas, Walter Barelli, continuarão<br />

existindo. Barelli, que reconhece um<br />

certo atraso nas concepções de luta<br />

do sindicalismo brasileiro, é totalmen-<br />

te favorável à idéia E lembrou um<br />

caso de um operário, conhecido seu,<br />

que trabalhava na Ford norte-ameri-<br />

cana Em períodos de contenção,<br />

quando ocorriam demissões necessá-<br />

rias, o trabalhador vinha para o Brasil<br />

e se empregava aqui. Após um certo<br />

tempo, quando o mercado se estabili-<br />

zava e as coisas voltavam ao normal,<br />

ele recebia da Ford uma carta de<br />

convite de retomo ao trabalho. E se<br />

mandava novamente para os Estados<br />

Unidos. Não é necessário dizer, é cla-<br />

ro, que a Ford utiliza o sistema de re-<br />

contratação prioritária<br />

No caso brasileiro, onde sempre<br />

tem predominado o famoso "jeitinho",<br />

seria necessário todo empenho para<br />

evitar a transformação de um expe-<br />

diente sério em mais um truque de<br />

prestidigitadores. A idéia de inclusão<br />

da recontratação prioritária no "enten-<br />

dimento nacional", contemplando em<br />

especial os funcionários públicos, de-<br />

ve ser tratada com cuidados, tais co-<br />

mo a definição de prazos de inativi-<br />

dade e ressarcimentos pelo eventual<br />

descumprimento desses prazos.<br />

Em caso contrário, a recontratação<br />

prioritária pode demorar mais de mil<br />

anos para se tomar realmente prioritá-<br />

ria<br />

Demissões não reduziram despesas da União<br />

O corte de pessoal promovido no<br />

início do governo Collor, a pretexto<br />

de reduzir gastos da União, não al-<br />

cançou o objetivo pretendido. Ao<br />

contrário, dados da Secretaria do Te-<br />

souro Nacional, deflacionados pelo<br />

índice Geral de Preços, mostram cres-<br />

cimento significativo dessas despesas<br />

entre fevereiro e agosto de 1990, em<br />

comparação com igual período do ano<br />

passado.<br />

A avaliação dos dados indica que o<br />

corte atingiu em maior escala o fun-<br />

cionalismo com baixa remuneração e<br />

que o ajuste da folha vem se dando<br />

muito mais através do congelamento<br />

dos salários. No somatório de janeiro<br />

a agosto, o dispêndio com pessoal<br />

chega a Cr$ 1,3 trilhão, pouco menos<br />

do que foi gasto durante todo o ano de<br />

1989. O acréscimo dos valores de se-<br />

tembro a esses gastos torneira o dis-<br />

pêndio com pessoal, em 1990, o mais<br />

elevado dos últimos quatro anos.<br />

A variação mês a mês é a seguinte:<br />

• Janeiro — Único mês em que as<br />

despesas com pessoal e encargos so-<br />

ciais ficaram abaixo do valor pago em<br />

igual período de 1989; razão: mudan-<br />

ça da data-base, de dezembro para ja-<br />

neiro, do reajuste do funcionalismo.<br />

• Fevereiro — Os gastos com pes-<br />

soal se elevaram em Cr$ 40,6 bilhões,<br />

devido à atualização salarial.<br />

• Março — Registra pequena queda<br />

em reação ao mês anterior, basica-<br />

mente por causa da aceleração infla-<br />

cionária (o índice aplicado é sempre o<br />

do mês anterior).<br />

• Abril — As despesas voltam a<br />

apresentar grande salto — de Cr$ 36,8<br />

bilhões -, como conseqüência do<br />

reajuste de 83% sobre os salários.<br />

• Maio — Com o congelamento sa-<br />

larial, a folha recebeu nova sobrecar-<br />

ga, desta vez pelo pagamento de inde-<br />

nizações trabalhistas a funcionários<br />

demitidos.<br />

• Junho — A União pagou ao Judi-<br />

ciário e ao Legislativo a parcela de<br />

antecipação do 13 e salário, além de<br />

prosseguir com o pagamento das in-<br />

denizações do pessoal demitido.<br />

• Julho — Foi o primeiro mês lim-<br />

po, com base no qual se pode aferir o<br />

impacto real do corte de servidores. A<br />

despesa com pagamento de pessoal foi<br />

de Cr$ 151,9 bilhões, contra Cr$ 85,6<br />

bilhões em julho de 1989. Houve<br />

crescimento da ordem de 43,6%.<br />

• Agosto — Novo incremento de<br />

gastos, com a parcela de antecipação<br />

do 13 e salário ao restante do funcio-<br />

nalismo.<br />

Setembro será um novo mês limpo<br />

e, segundo estimativas, os dispêndios<br />

da União com pessoal, em termos<br />

reais, ficarão em tomo de Cr$ 120<br />

bilhões. A queda, em relação aos de-<br />

mais meses, pode ser atribuída à cor-<br />

rosão da inflação sobre os salários.<br />

Em relação a setembro do ano passa-<br />

do, também em termos reais, a despe-<br />

sa da União com pessoal e encargos<br />

sociais acusará crescimento significa-<br />

tivo, superior a 40%.

More magazines by this user
Similar magazines