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ANO 1976 SEGUNDA MOSTRA UNIVERSITÁRIA DE POESIA DA FAI CR$ 15.00


COLETÂNEA DOS POEMAS INSCRITOS<br />

NA SEGUNDA MOSTRA UNIVERSITÁ-<br />

RIA DE POESIA DAS FACULDADES<br />

ASSOCIADAS DO IPIRANGA — F.A.I.<br />

APRESENTAÇÃO<br />

Revista de Poesia n? 2, ano 2. Trabalho coletivo dos alunos da FAI<br />

Coordenação do Diretório Acadêmico "Jacques Maritain". Poesias sem<br />

caráter seletivo. Todos os estilos, correntes e ismos. Enfim, a poesia do<br />

Brasil de hoje. A crítica, o endosso, a corda bamba. O perigo e o posicio-<br />

namento urgente.<br />

Esta revista custou sangue, suor, reuniões, burocracias e entraves.<br />

Mas está aqui para mostrar a iniciativa / a persistência do grupo realizador.<br />

Acreditamos na Revista de Poesia n° 2, e queremos receber sua<br />

crítica, leitor. Escreva-nos.<br />

Endereço para correspondência:<br />

Diret. Acad. Jacques Maritain<br />

Av. Nazaré, 993 — CEP 04263<br />

Ipiranga — S. Paulo — SP<br />

Diret. Ac. Jacques Maritain<br />

agosto/76


D. A. gestão/1976<br />

amador ribeiro neto<br />

dirce dias<br />

enilda de paula pedro<br />

m. Júlia souza lima<br />

leocir pessini<br />

roberto m. spada<br />

Equipe organizadora<br />

amador ribeiro neto<br />

dirce dias<br />

enilda de paula pedro<br />

Equipe de revisão<br />

ana maria rocha bastos<br />

Irene pires do amaral<br />

maria da graça diniz<br />

Agradecimentos<br />

FICHA TÉCNICA<br />

Virgílio ciaccio / iara maria de rosa / itamar zanin / ellene de oliveira barros /<br />

cidamara dos santos fim / luís manuei prata ramos / ester luque / fernando trotta /<br />

cristian celso maricato<br />

Ilustrações<br />

leo barone e edu cruz<br />

capa: leo barone


"Apelo"<br />

Trazes no passo cansado, mas firme,<br />

A incerteza e o sofrer do cotidiano;<br />

A mão cortada pela navalha do inverno,<br />

O desconforto grande, do trabalho rude e mal pago.<br />

A luta do dia-a-dia te priva o raciocínio<br />

Mas, homem de enormes pés, sapatos rotos<br />

E desconfortes terríveis:<br />

Pára e pensa.<br />

Olha a tua volta:<br />

És tu, com tuas mãos, que constrois tudo<br />

O edifício, a avenida, o carro<br />

A roupa com a qual vestes os "privilegiados"!<br />

O alimento, quem o planta e colhe?<br />

O dinheiro, que te falta para o pão,<br />

Da mulher magra e filhos desnutridos,<br />

É o excesso que sobra nas ricas mansões<br />

E nos luxuosos automóveis das iluminadas avenidas.<br />

Pára e pergunta: (e não o faças sozinho)<br />

Por que a distribuição injusta,<br />

Que torna medonho o teu mundo?<br />

Não sejas dispersivo, homem de pés e mãos enormes,<br />

E enormes sofrimentos,<br />

Se tu paras, pára o mundo.<br />

Tua força é enorme.<br />

Não te omitas do teu papel no mundo e na História.<br />

Os crimes que cometem contra ti<br />

Só cessarão no momento em que<br />

Tu e teus companheiros,<br />

na força que a vossa união representa<br />

Aprenderdes a dizer NÃO!<br />

Ao invés do condicionado e costumeiro<br />

Amém, Obrigado.<br />

Cristian Celso Maricato<br />

Matemática<br />

5? semestre


Não me olhes assim.<br />

Menina, não me olhes com esses olhos de cobiça;<br />

Beija-me, não com essa boca de paixão;<br />

Com esses braços de força, não me abraces!<br />

Com essas mãos de senhora, não me agarres!<br />

Cativa-me! não com dedos de brilhantes;<br />

Venha! não com corpo-objeto.<br />

Menina, não me olhes, assim, com ser menina ôntico<br />

Falas com boca de profeta — e podes morrer;<br />

Ages com cansados braços de ação — e podes transformar;<br />

Buscas com rasgadas mãos de procura — e podes encontrar;<br />

Com empoeirados pés de caminho andas — porque podes caminhar;<br />

Escolhes, nos dedos de pluralidade, respostas que não te respondem.<br />

Não me olhes assim menina, com olhos de crítica — podes ocultar-me.<br />

Quero-te com esse corpo banhado de tempo, menina!<br />

Com esse ser — ser menina que não te basta!<br />

Com peregrinos olhos de caminho... a caminhar...<br />

A caminhar... sem parar...<br />

Jozimas Geraldo Lucas<br />

Teologia


MULTIPLICIDADE<br />

FUTURO<br />

FUTEBOL<br />

FURTO<br />

FUTEBOL<br />

FUNERAL<br />

VAMOS LÁ MINHA GENTE<br />

FUTEBOL<br />

FUBÁ<br />

FUTEBOL<br />

FLORESTA<br />

FUTEBOL<br />

FÚRIA<br />

FUTEBOL<br />

FULMINAR.<br />

AGORA: FURO<br />

URRO<br />

TEMO<br />

ESTÁTICO<br />

BITOLO<br />

OPACO<br />

LÍDER.<br />

VALDÍVIA DALLA DÉA<br />

LETRAS — 2.° ano


Acalanto<br />

Jamais pensei que um braço forte colaria o meu;<br />

Que robustas rodas me transportariam ao acaso do além.<br />

Jamais pensei que a vida como um sonho de alguém que adormeceu,<br />

Me falaria de um futuro que afinal já me vem.<br />

Agora inerte na mansão de nostalgia,<br />

no turbilhão que rrTenleva e que num sopro s'esvai.<br />

O sangue que parou, uma vida que sofria<br />

a luta que cessou no aroma dos mortais.<br />

Não odeio os céus que tanto amais<br />

Oh! alma. Sou morto de cansaço.<br />

Levai-me, acompanhai meus funerais.<br />

A morte é o meu primeiro e último fracasso.<br />

Quero encontrar no gélido da terra<br />

Q que a vida não tem no seu regaço.<br />

Caldeira<br />

Pedagogia<br />

1? ano


Entreato<br />

Hoje a noite traz o cheiro forte da morte.<br />

Traz a corda e o cadafalso.<br />

Um brado retumbante<br />

se cala:<br />

Pescoço estala.<br />

Amador Ribeiro Neto<br />

Filosofia<br />

3 9 ano


10<br />

permutando...<br />

SUB-SER VIVO<br />

SER SUB-VIVO<br />

SUBVERSIVO.<br />

Fernando Trotta


12<br />

ilustração de Leo Barone, inspirada no poema<br />

"permutando..." de Fernando Trotta.


Expresso Fantasma das Três e meia da Manhã<br />

há um trem que sai do mundo<br />

todos os dias de madrugadade tempestade<br />

e que leva quem quiser ir, desde que sejam<br />

boas as razões para se ir.<br />

o trem tem a cor negra e não faz ruídos,<br />

anda por paisagens maravilhosas,<br />

campos lotados de flores<br />

e crianças brincando nas ruas.<br />

o ponto final é um lugar escuro<br />

onde as pessoas são invisíveis mas,<br />

à primeira vista,<br />

tudo parecerá natural, já que é noite.<br />

com o passar tempo irá se apercebendo<br />

que lá, os dias e as noites são iguais;<br />

não há luz, nem sonhos, nem flores, nem gente sorrindo.<br />

— os dias e as noites são iguais —<br />

ruídos terríveis o tempo todo,<br />

a cor do sangue lavando as ruas,<br />

mulheres chorando em cada esquina...<br />

as lembranças de lugares lindos percorridos<br />

serão uma constante, assim como um certo arrependimento,<br />

por ter deixado tudo passar.<br />

como sempre, será tarde demais,<br />

o trem noturno o levou para um mundo quase<br />

igual ao que você vivia, onde existe tudo o<br />

que você fez...<br />

e você não poderá voltar.<br />

— expresso fantasma das três e meia da manhã.<br />

Eduardo de Barros e Almeida<br />

13


14<br />

Tire sua máscara de pureza (pensamento)<br />

Tu és podridão e pureza;<br />

Não és humano se fores só pureza,<br />

Nem és humano se fores só podridão.<br />

Como vês, não és uma coisa ou outra.<br />

Tu és aquilo que és;<br />

És podre e puro (a).<br />

Braz Rodrigues Nogueira<br />

Teologia<br />

3 9 semestre


Feitio de saudade<br />

Desfecho trivial de um fato superado,<br />

Amor desfeito, despersonalizado,<br />

Saudade calcada, cicatrizada<br />

Na imobilidade infinita das paralelas,<br />

Tudo é emoção, berros e estertores.<br />

Na poeira dos escombros do enlace.<br />

Algo ainda ecoa, profana e engasga,<br />

No ritmo descompassado da solidão.<br />

Nada agora apetece, alivia e anima.<br />

Grito de louca desmascarada.<br />

Liberdade novamente, percebem?...<br />

Esperança apesar de tudo.<br />

Retorno à doce ilusão dos sonhos<br />

Reencontrada deve agora.<br />

Rir... chorar... gritar... AMAR.<br />

Maria Lidia Freitas Medeiros<br />

Filosofia<br />

15


16<br />

Renascer<br />

Liberdade! Paz! Evolução!<br />

uma minúscula Luz de esperança<br />

em um século que buscava eco,<br />

para uma vindoura e esperançosa geração.<br />

Belém facultou-Lhe luz,<br />

deixou brotar em seu seio<br />

o mais magnificante e maravilhoso Ser.<br />

Brancos, amarelos, negros e vermelhos<br />

se prosternaram. A Luz os deslumbrou.<br />

Em cada raça novo renascer, nova vida,<br />

sonho de amor em cada ser.<br />

Progressivamente as gerações se sucederam,<br />

a estrela florescente de Belém se projetou<br />

e os homens viram o Homem-Deus,<br />

através das eras se transcender.<br />

Maria José de Lourdes da Silva<br />

2? Letras


"Drágeas para sua Calma'<br />

Não seja apenas o que aparece.<br />

Seja o que se esconde nas dobras secretas do coração,<br />

junto do seu Deus.<br />

Fazer o bem, vale multo mais do que evitar o mal.<br />

Vá fazendo todo o seu bem.<br />

Um que outro defeito, sempre nos escapa.<br />

Paciência! Marca debrica.<br />

Quando notar que a "máquina humana"<br />

anda em fervuras, pare um pouco.<br />

Desvie o rumo do trabalho.<br />

Entre no desvio de uma pequena pausa.<br />

Não ande com todo o vapor.<br />

Tom levantado é quilate abaixado no coração.<br />

Fale sempre no mesmo tom.<br />

Não dê toda a sua voz.<br />

Tendo de viver no meio de muita gente,<br />

fique sabendo:<br />

cada qual tem seu feitio, seus nervos, seus direitos.<br />

Não deixe torcer demais seus feixes de nervos.<br />

Distorça-os na paz<br />

de uma distração vagarosa.<br />

Matemática<br />

1 ? semestre<br />

17


18<br />

E O AMOR<br />

Por que tanto desamor,<br />

Por que tantos conflitos,<br />

Por que tantas lutas.<br />

Por que tantos choques.<br />

Por que tantas guerras,<br />

Por que tantas ameaças,<br />

Por que tantas vinganças,<br />

Por que tanta rebeldia.<br />

Por que tantas revoluções.<br />

Por que tantas perseguições.<br />

Por que tantos crimes.<br />

Por que tanta maldade.<br />

Por que tanto ódio,<br />

Se o amor ainda existe?...<br />

Antônio Manzatto<br />

Filosofia<br />

1° semestre


Esperança<br />

Você era a esperança da minha vida<br />

A esperança já conseguida<br />

A esperança de compreender e ser compreendida<br />

A esperança de amar e ser amada.<br />

Você é como a luz do sol que veio para me aquecer<br />

É como a brisa do mar que veio para me acariciar<br />

Enfim, você é minha vida<br />

Esperança conseguida.<br />

Noely Alvarez<br />

Estudos Sociais<br />

I 9 ano<br />

19


20<br />

Nós<br />

Você que passa<br />

Você que corre,<br />

Você que luta,<br />

Você que discute,<br />

Você que duvida,<br />

Você que questiona,<br />

Você que pesquisa,<br />

Você que conclui,<br />

Você que soluciona,<br />

Você que age,<br />

Você comum,<br />

Você que ama,<br />

Você que compreende,<br />

Você que busca,<br />

Você que liberta,<br />

Você... vive...<br />

César Lima de Paula<br />

Matemática<br />

1? ano


— 1 —<br />

O tempo desce<br />

rangendo correntes<br />

e limpando a sala com<br />

piaçava lenta.<br />

60 ANOS DE CASADOS<br />

Levou a casa da fazenda,<br />

o cafezal,<br />

os pastos, porcos, patos e passos. Nossos passos.<br />

Trouxe-nos à casa urbana<br />

com esta dolorosa xícara de porcelana inglesa.<br />

quase vazia, quase azia.<br />

Esqueceu um espelho de bolso<br />

embaçado por graves rugas contraditórias.<br />

Dói.<br />

— 2 —<br />

É penumbra<br />

e uma absurda mão bate à porta.<br />

— Vem<br />

comer<br />

nosso<br />

bolo?<br />

Amador Ribeiro Neto<br />

3.° Filosofia<br />

21


22<br />

NOITE<br />

Vazia é a noite!<br />

Uma noite comum de novela.<br />

O que fazer numa noite comum de novela?<br />

O que fazer numa noite vazia?<br />

Vazia é a noite.<br />

Vazio é o dia.<br />

Vazio, sem você!<br />

O que fazer numa noite sem você?<br />

O que pensar numa noite sem você?<br />

Acendo um cigarro.<br />

Olho a fumaça e penso em você.<br />

Tento afogar a saudade num copo de bar.<br />

Mas o bar está cheio de gente vazia.<br />

E no vazio penso em você.<br />

O que fazer sem você?<br />

Pra que viver sem você?<br />

Mas por que morrer,<br />

se morrendo,<br />

eu não poderei mais pensar em você?<br />

Você foi-se embora,<br />

e eu nunca mais a vi.<br />

Você foi-se embora,<br />

mas meu pensamento continuou fixo em você.<br />

Você foi-se embora,<br />

e eu nunca mais a vi,<br />

mas meus olhos continuam cheios de você!<br />

Antônio Manzatto<br />

Filosofia<br />

I 9 semestre


Odisséia<br />

O céu acomodando-se com a chegada da noite...<br />

e as pessoas se perdendo...<br />

Nós somos nossos dentro d'um ventre social...<br />

Palavras cruas — nuas — invadindo o ser pensante...<br />

Sorriso em forma de lágrimas... dor em forma de diamante.<br />

Ruas coloridas de concreto.<br />

Vida constituída de sonho infantil,<br />

O amarelo que ficou azul-anil.<br />

O homem — ser vegetante...<br />

Maria Cristina C. Bucheb<br />

Letras<br />

5° semestre<br />

23


24<br />

Universus<br />

Esse ir, esse partir, esse vai-e-vém,<br />

Essa televisão, esse jornal, esses livros,<br />

Esses carros, essas ruas, essa gente apressada,<br />

Esse mundo...<br />

Essa vontade de gritar, de correr e de poder sorrir,<br />

Esse ódio, essas frustrações, esses desenganos,<br />

Essas poucas alegrias,<br />

Esse Deus...<br />

Essa sociedade, essa máquina de escrever, esse arquivo,<br />

Essa dependência do passado, esse futuro tão escuro,<br />

Essa corrida louca para "ser",<br />

Essa vida...<br />

Essa certeza de estar morrendo dia-a-dia.<br />

Sem saber porque,<br />

Essa juventude findando, correndo, sofrendo, passando,<br />

Essa vontade de falar sem restrições,<br />

Essa liberdade...<br />

Essa vontade louca de amar e ser amada,<br />

Essa forma de loucura desusada,<br />

Esse céu que grita a luz aventurada,<br />

Esse medo de amar sem ser amada,<br />

Esse amor...<br />

Essa inanição em ouvir, calar e consentir,<br />

Essa farsa de sorrir e desistir,<br />

Esse jeito de sentir fatalidade,<br />

Esse medo...<br />

Esse mundo...<br />

Essa vida...<br />

Essa morte já chegada.<br />

Maria Carolina<br />

Estudos Sociais


26<br />

"Poeta II"<br />

ilustração de Leo Barone


Rotina<br />

Meus olhos estão queimantes como brasas,<br />

Oh! infinita vontade de permanecer dormindo.<br />

E esta poluição de ruídos, sons, átomos,<br />

atordoam meus tímpanos já enfraquecidos.<br />

São carro, fábricas. É a industrialização!<br />

Que vontade infinita de permanecer dormindo,<br />

se o curto descanso começou há pouco.<br />

O relógio trabalha, velozmente, no tempo,<br />

e eu já não tenho tempo.<br />

Subi na condução e já passei do ponto.<br />

Olho os espigões sem poesia<br />

e corro, como todos, pela cidade afora.<br />

Deus! onde buscar inspiração para meus versos?<br />

onde encontrar a natureza para refletir?<br />

se na confusão constante da cidade imensa,<br />

há um misto de tudo em inovação?<br />

Minha metrópole magnificante!<br />

Tu és a essência de um país gigante,<br />

tu és Máquina, tu és Técnica!<br />

És conseqüência da evolução.<br />

Maria José de Lourdes da Silva<br />

2 9 Letras<br />

27


28<br />

Espelho<br />

Nos rostos opacos que tu olhas,<br />

procurando, indagando respostas,<br />

tu nunca encontrarás nada,<br />

mesmo se encontrar, de nada adiantará,<br />

pois verdades transmitidas<br />

são mentiras repetidas,<br />

e em toda repetição há falhas e,<br />

falhas, falhas não são cabíveis aos seres<br />

humanos, que sabem viver.<br />

Não procure o tudo, onde nada existe.<br />

Pensa: todas as respostas estão em ti,<br />

Desperta-as, coloca-as em prática,<br />

só assim viverás, e quem sabe,<br />

poderás até sorrir, e quem sabe,<br />

poderás até sorrir, e olhar-te de cabeça erguida,<br />

no espelho que reflete as verdades vividas.<br />

César Lima de Paula<br />

Matemática<br />

1? ano


Um poema, nada mais.<br />

Se tudo o que se fala revelasse<br />

O nosso sofrimento interior<br />

Não haveria quem contasse<br />

O que sofremos por amor.<br />

Ai, amor esse ente divino<br />

Que chora, que canta, que dói.<br />

Ai, amor esse grande desatino<br />

Que mata, ressuscita e constrói.<br />

Amor, ternura e poesia<br />

Que mora nalma da gente,<br />

Que tudo o que for desafia<br />

Que nada fala e consente.<br />

Amor, uma palavra apenas<br />

Que não se esquece jamais.<br />

Amor, quatro letras pequenas<br />

Um poema, nada mais...<br />

Doracy A. Tasquim<br />

Estudos Sociais<br />

1? ano<br />

29


30<br />

Amanhã que vai raiar<br />

Legal sair por aí<br />

Andar na calçada<br />

No meio da criançada<br />

às vezes sem pensar em nada.<br />

Que loucura<br />

Quanto movimento<br />

De gente ocupada<br />

Êta vida agitada!<br />

Mas é na praça<br />

Que eu vou encontrar paz<br />

Lá está o menino com seu cachorrinho<br />

E seu barquinho de papel.<br />

Na praça irei passear<br />

Com meu amor<br />

De mãos dadas<br />

Vamos à procura de um amanhã melhor.<br />

Vamos pois minha gente<br />

Dar as mãos e amar<br />

Juntar um mundo de esperanças<br />

Para o amanhã que vai raiar.<br />

Jacy Teresa V. Ávila


Madrugada tranqüila.<br />

Madrugada tranqüila e fria.<br />

Fria, epidêmica — e podre.<br />

O rádio noticia neste momento:<br />

vários partiram. Entristeço...<br />

Sou madrugada<br />

E a madrugada fria avança.<br />

O cansaço não me domina,<br />

mas preciso dormir, procurar esquecer.<br />

Sou gente de couro frio,<br />

atrás de tranqüilidade invernal,<br />

Tranqüilidade é madrugada.<br />

Já terminei de escrever algo.<br />

Hoje poderá ser um melhor dia.<br />

Hoje é sábado. Será melhor?<br />

Morrerão muitos?<br />

Ou não adoecerá ninguém?<br />

Eu estou aqui!<br />

Nos fatos de vida e morte.<br />

Todos dormem, menos eu.<br />

Vivo e morro com o crepúsculo do alvorecer.<br />

Sem madrugada não tenho vida.<br />

Sem aurora não vivo a morte.<br />

Com madrugada eu amo!<br />

Com madrugada me compreendo!<br />

Com madrugada me perdôo!<br />

Com madrugada sinto Deus!<br />

Com madrugada eu sou eu...<br />

Com madrugada sou poeta!<br />

José Benedito Simão<br />

2 9 Filosofia<br />

31


32<br />

ER<br />

Poesia estou a fazer?<br />

causa não sei dizer e,<br />

medo tenho de ver,<br />

Tudo a se perder<br />

por causa do prazer,<br />

de não compreender.<br />

Na cuca do LAZER.<br />

Da Igreja do BENZER,<br />

do BOM aparecer<br />

Do BELO a CRESCER,<br />

Do, Desprazer!<br />

VEM SE ESPAIRECER.<br />

No longo estremecer.<br />

Desaparecer?<br />

É o que não pretendo FAZER.<br />

Bale


C —o —n F —I —i —t<br />

O principal é não pensar...<br />

Não sofrer, ou entristecer-se.<br />

Não parar. Não pesar.<br />

Disfarçar... e... mexer-se.<br />

Burlar o próprio espírito,<br />

Ou simplesmente, Ignorá-lo.<br />

Por que aceitar o conflito,<br />

Quando podemos evitá-lo?<br />

Não... não é simples assim.<br />

Eu até gosto de um conflito.<br />

... E o espírito importa, sim.<br />

Na verdade, busco uma solução<br />

Que apague o insistente atrito<br />

Entre eu... e meu coração.<br />

Roberto<br />

Roberto G. dos Santos<br />

Filosofia<br />

2 ? ano<br />

33


34<br />

Dúvida<br />

Duvido,<br />

Que tanta gente<br />

em meio ao caos da cidade grande<br />

possa parar para pensar.<br />

Duvido,<br />

que se a gente<br />

Não parar para pensar,<br />

nunca duvidará que existe.<br />

E assim pensando,<br />

duvidei,<br />

parei,<br />

e pensei.<br />

Se duvido é porque penso,<br />

se penso é porque duvido,<br />

se duvido, paro e penso<br />

é porque existo.<br />

Cândido da Costa<br />

Filosofia<br />

semestre


Portal<br />

Não corro mais para as portas que se abrem.<br />

Abro as portas que me ocorrem.<br />

Não luto contra a palavra da ignorância alheia<br />

Mas, não fico alheio à inteligência superior.<br />

Saio do irreal para viver feliz.<br />

Sou feliz porque não sou normal.<br />

Sou anormal por não ser o mal.<br />

Vivo longe daqui<br />

E aqui vivo perto de mim.<br />

O tempo passa e elas se abrirão<br />

Quando eu precisar.<br />

Carlos Eduardo M. Cruz<br />

1 9 Matemática<br />

35


36<br />

Gigante<br />

Acorda, acorda gigante<br />

Solta-te desse sono profundo.<br />

Acorda, acorda gigante<br />

Não deves dormir um segundo.<br />

Olha ao teu redor a flora<br />

Conta os séculos já idos;<br />

Desperta, desperta gigante<br />

Ouve este meu gemido.<br />

O embalo em que fostes é errôneo<br />

Tu que dormes na mansão do não-saber.<br />

Olha o mato em teu redor, faminto<br />

Vê a paisagem sedenta de saber.<br />

Jaz inerte neste sono embevecido<br />

Neste sono letárgico e profundo<br />

Olha! acorda, acorda gigante<br />

Levanta-te, tu és o mundo.<br />

Quanta força embotas neste sono!<br />

Ouve minha voz súplice, ofegante,<br />

Como um eco de um além distante<br />

Que te repete que tu és gigante.<br />

Levanta-te, toma tua espada e luta<br />

Eis que se principia o alvorecer<br />

Com a paisagem que cobres com teu corpo<br />

Que se vê impedido de crescer.<br />

Levanta-te!<br />

Caldeira<br />

1 ? Pedagogia


De uma Cela, Cela, Cela<br />

Para as meninas da Penitenciária<br />

Feminina do Carandiru — S. Paulo<br />

A água que me lava os cabelos<br />

lava apenas os meus cabelos.<br />

O esperma que molha a cama<br />

fecunda apenas a noite.<br />

Mas as grades que prendem meu corpo<br />

amordaçam minha voz<br />

e me imprimem uma solidão<br />

pesada e única<br />

onde nem Deus resvala:<br />

absorto cala.<br />

Amador Ribeiro Neto<br />

Filosofia<br />

3 9 ano<br />

37


38<br />

'í*<br />

Situação<br />

Amigo fiel, valente de luta, não mais labuta.<br />

Entrelaçaram-lhe as forças restantes<br />

e lançaram-nas pela tormenta impetuosa.<br />

A vitória uniu-se ao fracasso<br />

devido à falsidade imaculada,<br />

que o invade como uma espécie de réstia,<br />

reluzindo cores mórbidas,<br />

refletindo ímpetos apáticos de morte.<br />

Sedento, procurou a verdade inalterável.<br />

O que mudara, de fato, eram as pessoas, para o melhor ou pior.<br />

Quis retroceder parte da vida<br />

e exterminar os mensageiros das dificuldades.<br />

As tardes não são mais suas inspiradas amantes,<br />

surgem-lhe como inoportunas visitantes<br />

e partem como expressão de nada.<br />

Coisas bem sérias também se foram.<br />

Viver da expectativa duma imediata mudança<br />

não leva ao correto. Ciente estava disto.<br />

Realizou-se no instante em que ouviu o coração.<br />

Carbonizou a lembrança que o tempo não esquecia,<br />

segurando firme as cinzas de um mundo abandonado.<br />

Em desabafo completou o vulgar colorido da réstia.<br />

Valorizou-se! Vantagens e desvantagens indiscutíveis.<br />

José Benedito Simão<br />

2? Filosofia


Jitf


CAPA<br />

ilustração de Leo Barone


Dimensão da Solidão<br />

Num cômodo vazio, inútil,<br />

Galerias de fantasmas anônimos,<br />

Gestos inanimados desdenhando<br />

A mescla do passado e do presente,<br />

Toma forma e proporção hedionda.<br />

Aquela mão fria, rígida, enorme.<br />

Avança... agarra... arrasta...<br />

Para qualquer galáxia infinita<br />

Girando... encharcando...<br />

Rolando... e fecundando...<br />

Desnudando... e saciando...<br />

Aquela mão fria, rígida, enorme.<br />

Avança... agarra... abandona...<br />

Num cômodo vazio, inútil,<br />

Ecoando metálicos sussurros,<br />

Olhar perdido no silêncio.<br />

Corpo arrepiado na ilusão.<br />

Resto de vida distante.<br />

Desespero do quase-foi,<br />

Alucinação real.<br />

Dizendo-se solitário.<br />

Sentindo-se sozinho.<br />

Solidão...<br />

Sozinho...<br />

Só...<br />

Maria Lidia Freitas Medeiros<br />

Filosofia<br />

39


40<br />

Só tu.<br />

Tua ausência de mágoa e dor cruel<br />

Cativa minh'alma sombria...<br />

No coração o gosto do amargo fel,<br />

Que pensamento envolve e inebriai<br />

Se te procuro, olhando para o céu,<br />

Sinto a escuridão desta noite fria...<br />

Há em tudo um negro véu,<br />

A envolver-me em nostalgia...<br />

E me perco, por um instante,<br />

Na distância imensa a nos separar.<br />

E te sinto tão perto e tão distante,<br />

Que não sei se sorrir ou se chorar.<br />

Ao meu filho, Carlos Alberto,<br />

conhecido nos meios motociclísticos<br />

como Jacaré.<br />

Nelita<br />

Pedagogia<br />

3? ano


Limite<br />

Caso existencial<br />

procuro o potencial<br />

humano<br />

que pode ser desumano.<br />

Vivendo a vida<br />

com ou sem medo da partida<br />

lento ou em disparada<br />

na certeza de que não há chegada.<br />

Há sempre uma constante<br />

e nisto o homem é inconstante,<br />

há a verdadeira necessidade<br />

que pode estar enfumaçada de falsidade.<br />

O certo objeto<br />

que pode ser destrutivo<br />

no homem infundido<br />

e que se encontra escondido<br />

incomoda interiormente<br />

mesmo que seja inconsciente.<br />

Liberdade interior<br />

é sempre superior<br />

ou estou enganado<br />

atravessando o deserto a nado?<br />

E nesta extrema circunstância<br />

elevada à infinita potência<br />

é questionante o serviço<br />

e a prova disso<br />

é que procurei rima<br />

para esta poesia.<br />

Márcio P. da Silva<br />

3 9 Filosofia<br />

41


42<br />

"Felicidade"<br />

Felicidade não é castelo de luxo.<br />

Não milhões de cruzeiros<br />

E nem bola colorida.<br />

Felicidade é muito mais.<br />

É amar a Deus, amar ao próximo,<br />

Amar a infinita natureza.<br />

Amar tudo o que existe em nossa vida.<br />

Felicidade é perdoar ao semelhante.<br />

É consolar o coração aflito.<br />

É fazer um benefício cada dia.<br />

Felicidade é sorrir.<br />

É contemplar o sorriso da criança.<br />

É dar esmola a quem pede pão,<br />

É dar ao outro um pouco da alegria.<br />

Felicidade é repartir com o outro<br />

O nosso amor, o nosso coração.<br />

Matemática<br />

1 9 semestre


Aeternitas Ignota<br />

Transação<br />

Transição<br />

Gravitação<br />

APARIÇÃO<br />

Procissão<br />

Poematização<br />

Escravidão<br />

Depressão<br />

Agonização<br />

d s n e r ç o<br />

e i t g a ã<br />

FUTURAÇÃO:<br />

FUTURIÇÃO?<br />

Aparecida de Bastos Ventura<br />

Letras<br />

5 9 semestre<br />

43


PÉS NA TERRA<br />

Nas ruas, o contraste de aspirações:<br />

O sonho de ascensão, o carro<br />

A moto, o vestido da noiva e da moda<br />

O televisor a cores (e a formatura?)<br />

O colarinho e a gravata no rosto sem expressão<br />

O seguro e o futuro da família<br />

(lembram do moço de 25 anos? Atropelado!!!)<br />

Na outra vida, o João, a Maria, o Zé-sem-sonho<br />

O salário difícil, esquecido pelas finanças<br />

A favela, a fome, o filho magro, inconformado<br />

O estômago, reclamando o feijão que não veio<br />

O trabalho, o ônibus repleto, o atraso do trem<br />

O cartão e o patrão, no aperto ao homem de azul<br />

Afinal, a escola e o alimento do filho que esperem<br />

E a produção?<br />

Tá ruim a situação<br />

Mas é necessário os pés na terra<br />

Um ser divino, místico, abstrato<br />

Não é o culpado das negligências, das diferenças<br />

O mundo, a vida e os fatos estão aqui<br />

Ao alcance das mãos (e os responsáveis?)<br />

É necessário pegá-los<br />

A justiça, a distribuição<br />

O alimento, a escola, a saúde<br />

Os valores importantes do Zé, Maria e João<br />

Apenas com os pés na terra<br />

Raciocinando juntos, fazendo, lutando juntos.<br />

Cristian C. Maricato<br />

Matemática — 3.° ano


46<br />

"Liberdade"<br />

ilustração de Leo Barone


Sinto frio<br />

o vazio<br />

a dor<br />

a ansiedade.<br />

Sinto<br />

Sinto a chuva penetrar ainda mais<br />

pela pele queimada<br />

pelos cabelos molhados.<br />

Dentro os pensamentos nadam sem destino<br />

fora os pés pisam nas poças.<br />

Sinto frio e uma angústia de viver essa vida vazia.<br />

Maria Julia de Souza Lima<br />

Matemática<br />

3 9 semestre,<br />

47


48<br />

Sonhar<br />

Sonhar é estar presente<br />

num mundo bem distante,<br />

onde tudo se toma realidade,<br />

onde tudo se torna mentira.<br />

Sonhando procurei desfrutar do nosso amor.<br />

Sonhando de ti fiz um príncipe,<br />

sonhando procurei sonhar,<br />

Sonhando te perdi.<br />

O teu olhar tanto enigma irradiava<br />

e eu, procurando vibrar cada corda do teu ser,<br />

dentro de ti mergulhava.<br />

Sonhando, a passos lentos,<br />

do teu ser me afastei.<br />

Sonhando construí um mundo tão irreal,<br />

procurando de ti a realidade desviar.<br />

Por teu amor durante o sonho proclamei<br />

e ao ver que não há sonho,<br />

mas apenas realidade, perplexa fiquei.<br />

Procurei, mentindo a mim e a ti,<br />

transformar a realidade,<br />

Procurei transformar a realidade em sonho<br />

e o sonho em realidade.<br />

Vera Lúcia Péttine<br />

Letras<br />

5° semestre


A dor da Alegria<br />

Horrendo e lascivo é o cheiro,<br />

De uns corpos suados,<br />

Cansados, jazidos e sedentos.<br />

E um sorriso sufocado e debochado.<br />

E as bocas a gritar<br />

A maltratar o de sempre.<br />

E a agredir e sentir.<br />

E a sofrer e andar.<br />

E o cheiro é o perfume barato<br />

Fundido na água.<br />

Água do corpo da noite<br />

Que aumenta.<br />

Da fábrica que afugenta.<br />

É um que avança.<br />

É outro que ameaça.<br />

É o desejo rodando<br />

E os corpos tocando...<br />

Há gente que ri<br />

Há gente que cala<br />

E há gente que espanta<br />

E há até, gente que devaneia!<br />

Chico Roberto<br />

Francisco Roberto T. Mourão<br />

Letras<br />

49


50<br />

Trevas<br />

Na noite sombria,<br />

em que minha alma se debate,<br />

é nau alucinada,<br />

que contra os rochedos se abate.<br />

Quem me dera o clarão vermelho<br />

de uma luz, ainda que distante,<br />

esperança verde, caminho reto<br />

ao porto certo da salvação.<br />

Mas tudo são trevas, solidão e morte.<br />

Nelson Norberto G. Rodrigues


Não sei se o amor é dor.<br />

Vivo sofrendo.<br />

Alivia-me!<br />

Grito Solitário<br />

Não sei se o amor é lágrima,<br />

Vivo chorando.<br />

Acalenta-me!<br />

Não sei se o amor é solidão.<br />

Vivo sozinho.<br />

Ajuda-me!<br />

Não sei se o amor é ébrio.<br />

Vivo tonto.<br />

Afaga-me!<br />

Não sei se o amor é surdo.<br />

Vivo gritando.<br />

Responda-me!<br />

Não sei se o amor é invisível<br />

Vivo procurando.<br />

Apresente-se!<br />

Cândido da Costa<br />

Filosofia<br />

semestre<br />

51


52<br />

Canto<br />

Onde está você, neste fim de tarde, quando os pássaros se recolhem,<br />

as luzes vão se acendendo, o sol vai-se embora, a lua vem, envaidecida,<br />

brincar com os vagalumes, os pirilampos a pular, a alma a chorar...<br />

Onde está você, nessa noite tão calma, quando as árvores vão<br />

adormecer,<br />

a cidade vai descansar, a música vai ninar, só as estrelas vão<br />

acordar e brincar, e a madrugada de sentinela, velar por nós...<br />

Onde está você, que a canção levou na mais doce melodia<br />

e a saudade canta...<br />

Onde está você, que vem brincar com o meu pensamento e,<br />

depois... fica o perfume de uma vida...<br />

Onde está você, agora, nessa hora de calma, quando o teu nome veio e<br />

brincou n'alma...<br />

Onde está você... que eu canto para não chorar...<br />

Maria Cristina Corsini Bucheb<br />

Letras<br />

5.° semestre


Paradoxo<br />

Sorrindo, chorando...<br />

Vivendo alegrias, morrendo em tristezas!<br />

Mundo de ideais e fracassos,<br />

Que são paralelas inevitáveis<br />

E saturadas de sentimentos paradoxais...<br />

Vida...<br />

Longa estrada que se caminha<br />

Sem saber para onde ir...<br />

Afinal, o que és?<br />

Um doce palmilhar<br />

Ou o triste calvário do FIM?<br />

Nelita<br />

Pedagogia<br />

3? ano<br />

53


54<br />

Santos<br />

Terra de heróis e berço de gigantes,<br />

Que nunca dantes o Homem registrou,<br />

Com GUSMÃO voa e com ANDRADA, antes<br />

Que fosse tarde, a Pátria libertou.<br />

Quando a argúcia dos filhos teus amantes,<br />

Com ALEXANDRE o solo dilatou,<br />

Galardoaste a fé dos bandeirantes,<br />

Na brava luta que os perenizou.<br />

Alindou-te VICENTE DE CARVALHQ,<br />

GQNÇALVES, MARTINS FQNTES, com o orvalho<br />

Da poesia em seus versos decantantes.<br />

E nós, filhos queridos de teu lar,<br />

podemos, exaltando-te, exclamar:<br />

Terra de heróis e berço de gigantes!<br />

Nelson N. Gonçalves Rodrigues


Quem és tu?<br />

Penso que és!<br />

Penso que és a fonte,<br />

Mas de ti não jorra o alimento que sustenta.<br />

Quem és tu?<br />

Penso que és!<br />

Penso que és a realização,<br />

Mas vivendo de ti ninguém se realiza.<br />

Quem és tu?<br />

Penso que és o encontro,<br />

Mas vivendo de ti nos desencontramos.<br />

Quem és tu?<br />

Braz Rodrigues Nogueira<br />

Teologia<br />

3? semestre<br />

55


56<br />

Horizonte Perdido<br />

Por que essa tristeza contente?<br />

Essa alegria triste invade todo o meu ser.<br />

Talvez porque sou jovem, e o meu dia é triste como um velho.<br />

Parece que relembro o meu passado, através de um espelho<br />

do horizonte.<br />

Horizonte bendito? Não, horizonte perdido.<br />

Onde eu te procuro e não te encontro.<br />

Onde um samba chora uma saudade e o meu coração machucado<br />

responde.<br />

Meu violão reclama a canção que não sai.<br />

Meu olhar se perde no espaço.<br />

Minhas mãos te procuram e não te encontram.<br />

Olha, sou dono de uma alegria contagiante.<br />

Mas, quando chega a tarde, com ela meu contentamento se esvai.<br />

Meu corpo se cansa e a tristeza se instala.<br />

Em louvor à alegria me acho alegre.<br />

Eu canto à tristeza me entristeço.<br />

Baby<br />

Letras<br />

3 ? semestre


"Preconceito"<br />

De que vale a tua honra,<br />

se ninguém a valoriza?<br />

De que vale o teu esforço,<br />

se ninguém o sabe aceitar?<br />

De que importa o teu respeito,<br />

se nem sequer alguém o reconhece?<br />

O que importa,<br />

É teres a certeza de que carregas contigo,<br />

algo de muito valor,<br />

Que cultivas em teu coração,<br />

Um sentimento capaz de superar<br />

Qualquer ofensa ou injustiça<br />

Que a ti dirijam.<br />

Q que importa,<br />

É seres humilde, saberes perdoar,<br />

E conseguires amar<br />

A todo teu semelhante.<br />

Elyane de Fátima Pafume<br />

Letras<br />

5° semestre<br />

57


58<br />

T o b b ' s<br />

Eu aqui e você não sei onde,<br />

poderíamos estar juntos neste raio de luar.<br />

Poderíamos estar juntos para nos amar.<br />

A saudade aqui bate, ela quer entrar.<br />

Mas aqui já tem tanta, que tenho vontade de chorar.<br />

Mas ela diz que eu não devo, pois você voltará.<br />

E nesse dia o céu brilhará, cometas e cometas cairão sobre nós.<br />

Dissolveremos num plasma translúcido<br />

Formando o AMOR.<br />

Noely Alvarez<br />

Estudos Sociais<br />

ano


"Transa"<br />

Transo<br />

tango<br />

tenho<br />

tanto<br />

... Te vejo!<br />

Tremo<br />

todo<br />

tenso<br />

tonto<br />

... Te beijo!<br />

Teso<br />

tomo<br />

tremes<br />

toda<br />

... Te amo..<br />

Roberto<br />

Roberto G. dos Santos<br />

Filosofia<br />

2? ano<br />

59


60<br />

Felicidade<br />

Buscando achar real felicidade<br />

Adormeci nos braços da ilusão.<br />

Porém, veio a tal realidade<br />

E deixou-me na igual desilusão.<br />

Recordando os sonhos já passados<br />

vivo em eternas contemplações<br />

restando apenas do leal passado<br />

muita saudade e mil recordações.<br />

Corina Batista Tosi<br />

Pedagogia<br />

Habilitação Magistério


O homem da Noite<br />

Longe do tumulto do mundo,<br />

do complexo humano irrefletido,<br />

quero ser o notívago errante<br />

a cada instante do meu vir-a-ser.<br />

À procura de novos valores<br />

na aquisição do bem,<br />

no idealismo do ser mais:<br />

aspiração infinita de um ser humano.<br />

Quero ser a semente à beira do caminho<br />

da boa terra surgir, crescer, existir<br />

para ajudar e ser ajudado,<br />

ser útil na edificação dinâmica do universo.<br />

Longe demais é o caminho da teoria à prática,<br />

o da inteligência ao coração.<br />

A Moira me arrasta,<br />

mas a metanóia e a catarse me edificam.<br />

Quero ser o homem da noite,<br />

O Nicodemos ao encontro do Mestre.<br />

Quero crer para ter VIDA,<br />

VIDA que já se perpetua nesta minha eternidade.<br />

Germano Alves dos Santos<br />

Letras<br />

3 9 semestre<br />

61


62<br />

Trégua<br />

Olhando em torno de si<br />

viu a multidão, num movimento<br />

parado, diante de seus olhos.<br />

Confundiu o dia, a noite,<br />

na busca da vida, aquela<br />

que brotava de dentro de si mesmo.<br />

E seu olhar distante<br />

descreveu trajetórias confundíveis<br />

num vai-e-vem de inquietação,<br />

de esperança,<br />

de medo.<br />

Parou,<br />

cantou uma canção em silêncio,<br />

como a se reconciliar com a vida.<br />

Murmurou um protesto tímido,<br />

mas não foi ouvido,<br />

porque<br />

a multidão agora, retomava<br />

seu destino desconhecido.<br />

Conjugou seus esforços,<br />

transpôs o muro de imaginações<br />

e viu o mundo...<br />

Mas era um mundo igual,<br />

um mundo que estava ali, bem perto,<br />

nele.<br />

Viu coisas que não eram coisas,<br />

e gente,<br />

que gente não parecia ser.<br />

Viu a guerra,<br />

sentiu-se nela, porque dela fazia parte.<br />

Fez tudo um todo e chorou.<br />

O mundo parecia um estranho conhecido<br />

e divagou no tempo,<br />

parado,<br />

ali onde só viu<br />

em torno de si mesmo.<br />

Abel Rocha dos Santo<br />

(Roraima)<br />

Pedagogia<br />

1? ano


K<br />

63


64<br />

ilustração de Edu Cruz


Você está vivendo o Amor?<br />

Meu sangue latino conviveu com o interior de alguém<br />

E essa vivência fez-se fertilizante de paz<br />

Agora temos certeza da maravilha que vem<br />

Porque só o amor sabe exatamente o que faz.<br />

Tudo aconteceu porque tivemos humildade<br />

Aceitando o outro como ele resolveu ser<br />

Fazendo da compreensão, a maior finalidade<br />

E principalmente um deixando o outro crescer.<br />

Reestruturamos nossos conceitos de liberdade<br />

Resolvemos só a verdade um ao outro dizer<br />

Desta forma nos preparamos pra a eternidade<br />

Procurando sempre fazer do amor nosso viver.<br />

E hoje de mãos dadas caminhamos pela vida<br />

Cada qual sabendo entender a dor que o outro tem<br />

Compartilhando a presença ou a falta da alegria<br />

E que o nosso exemplo seja útil a mais um alguém.<br />

Tala<br />

Luzia Regina Tala<br />

V Letras<br />

65


66<br />

Como explicar você, meu filho?<br />

Há coisas lindas na vida.<br />

Poesia...<br />

Amor...<br />

Você...<br />

Poesia é linda porque é triste.<br />

Amor é lindo porque existe,<br />

Mas lindo mesmo é você, meu filho.<br />

Há grandes coisas na vida,<br />

Amor...<br />

Perdão...<br />

Você...<br />

Amor é grande porque isola.<br />

Perdão, porque consola,<br />

E você, meu filho, é todo o meu amor.<br />

Há coisas inexplicáveis na vida.<br />

Deus...<br />

Saudades...<br />

Você...<br />

Deus se ama, não se explica,<br />

Saudades não se justificam,<br />

Mas, como explicar você, José Aurélio?<br />

Há coisas boas na vida,<br />

Livros...<br />

Carinhos...<br />

Você...<br />

Livros instruem a gente.<br />

Carinhos, quem não os sente?<br />

Mas bom para mim, é você.<br />

Há coisas incompreensíveis na vida,<br />

Crianças...<br />

Sonhos...<br />

Você...<br />

Crianças, vocês, não sei se entendo.<br />

Sonhos, não os compreendo,<br />

Mas você, sei que amo.<br />

Dirce Dias<br />

Pedagogia


Até Quando?<br />

Falar sem pensar<br />

Agir sem pensar<br />

pensar em falar<br />

pensar em agir<br />

CALAR.<br />

Ceder<br />

Retroceder<br />

Padecer<br />

SER.<br />

Maria Júlia de Souza Lima<br />

Matemática<br />

3 9 semestre<br />

67


68<br />

E o Homem brinca de "Faz-de-conta.<br />

Certa vez um ser<br />

Repleto de idéias e esperanças.<br />

Era o Homem...<br />

Parecia ser o possuidor de toda natureza,<br />

Amigo das aves, de todos os animais.<br />

Enfim, um todo de verdade, pureza e lealdade.<br />

Era livre para amar ou odiar, rir ou chorar.<br />

Até que um dia qualquer a evolução se inicia;<br />

O desabrochar de um progresso, de uma sociedade.<br />

A partir deste momento,<br />

O homem deixa de ser livre, para se escravizar<br />

Em uma nova vida que resplandece.<br />

Cujo lema principal é proibir.<br />

O homem quer sorrir! ela o impede...<br />

Ele quer amar! ela não permite...<br />

Ao menos sonhar! ela o proíbe...<br />

Então seu coração se torna um poço.<br />

Dentro do qual a sociedade<br />

Deposita suas vontades e ordens.<br />

Suas idéias são infundidas de uma maneira tal,<br />

Que ele se torna uma máquina.<br />

E o homem brinca de "faz-de-conta..."<br />

Que sua maneira de viver, seus atos, são honestos;<br />

Mas que na verdade, ele está só e desorientado;<br />

Alimenta dentro de si um imenso conflito.<br />

Entre frustrações, recalques, insatisfações,<br />

E que nada pode fazer para que essa revolta cesse.<br />

Q que lhe resta somente é<br />

Brincar de "faz-de-conta"...<br />

Eiyane de Fátima Pafume<br />

Letras<br />

5 9 semestre


O Caminho Aberto<br />

O importante na vida é vencer;<br />

e pra vencer é preciso esperar<br />

e esperar com esperança.<br />

Quem espera, busca:<br />

amor, ódio, saudade,<br />

caminho e descaminho,<br />

esperança perdida,<br />

na ânsia de viver.<br />

Olhos buscam a beleza, o rústico,<br />

a mulher nua, a alegria do verbo viver;<br />

Braços, o abraço, a namorada, o amigo,<br />

o tapa, o violão;<br />

os pés, a bola, o chute, o sapato antigo,<br />

o caminho de cada dia,<br />

samba, ritmo e canção;<br />

A boca, o beijo, a palavra<br />

bendita ou maldita,<br />

a música que nos aquece,<br />

o pão nosso de cada dia,<br />

e o grito que nos alerta:<br />

Pés cansados, por certo,<br />

não vêem o caminho em aberto;<br />

e bendita seja a benvinda morte.<br />

Jozimas Geraldo Lucas<br />

Teologia<br />

69


70<br />

A Praça<br />

Na perdição de um mundo,<br />

ouço um sax tocar a paz.<br />

Mas um brado desfaz a harmonia.<br />

É alguém que fala de lei e de ordem.<br />

Alguém que só desfaz.<br />

Alguém que, com vômito, jorra.<br />

O outro só, pára... e ora.<br />

Os outros indignados, coram.<br />

Alguns até choram.<br />

E o silêncio cai sobre o olhar de todos.<br />

A podridão sobressai à pureza.<br />

Mais uma vez, a paz tem que esperar.<br />

Carlos Eduardo M. Cruz<br />

Matemática<br />

1? ano


Sensação<br />

E os dedos tocam.<br />

Tocam os objetos da casa.<br />

Os livros jazidos<br />

E o chão quente agora.<br />

Tocam a dor.<br />

E tocam, tocam.<br />

Tocam os cabelos soltos<br />

E os lábios enrugados e úmidos.<br />

Tocam fortemente a mão do amigo.<br />

A maciez da fina flor.<br />

Tocam também um coração.<br />

E a cara de um pequeno.<br />

Tocam com quem<br />

Não quer tocar.<br />

E tocam com aqueles<br />

Pra quem tocar é um prazer.<br />

Tocam lascivos atuantes.<br />

Momentos inertes.<br />

Com aquela mulher<br />

Que tão somente, deseja tocar.<br />

Chico Roberto<br />

Francisco R. T. Mourão<br />

Letras<br />

71


72<br />

AMIGO<br />

Sabe amigo, eu tenho te visto<br />

Nas ruas por onde passo.<br />

Nas pessoas que eu vejo.<br />

Nas profissões que elas têm<br />

Nos carros que cruzam por mim.<br />

Nos gestos, nos movimentos, eu gravei teu pensamento em meu<br />

crânio; em minha mente.<br />

Em mim ficou a semente dos teus gestos, das tuas palavras de<br />

amor.<br />

Vejo-te ainda em minha vida como marca grande de saudade mar-<br />

cante, de um presente que passou e ainda não se foi.<br />

Tenho te visto muito perto e ao mesmo tempo muito longe.<br />

Nas músicas que ouço ou canto, nas coisas que toco, até mes-<br />

mo nas conversas que tenho.<br />

Nos gestos<br />

Pensamentos, sentimentos;<br />

No amor ganho ou perdido, ficaste em mim como em toda minha<br />

vida.<br />

SABE, AMIGO, FAZ MUITO TEMPO QUE A GENTE NÃO SE VÊ. MAS<br />

EU NÃO CONSIGO TE ESOUECER.<br />

Baby<br />

ano de Letras


ROSINHA DE VESTIDO CURTO<br />

Rosinha colocou o vestido,<br />

deixado de lado há já dois anos<br />

porque ficara muito curto pra ela<br />

que, nesse tempo, cresceu bastante.<br />

Rosinha, envolta em lágrimas,<br />

se despediu dos irmãozinhos menores<br />

e da sua mãe que, também envolta em lágrimas,<br />

a abraçou e beijou durante um prolongado tempo.<br />

Rosinha deu um ligeiro adeus<br />

pra velha boneca de pano,<br />

achada um dia na rua;<br />

que menina de doze anos não brinca mais com boneca.<br />

Rosinha passou na casa, de luzinha vermelha na porta,<br />

onde sua irmã mais velha morava com outras moças;<br />

pediu que ela lhe pintasse o rosto<br />

e, ainda envolta em lágrimas, se despediu dela.<br />

Rosinha espera agora que seu pai volte da cidade<br />

com o primeiro moço bom que aparecesse<br />

e aceitasse levá-la embora para sempre,<br />

em troca de alguns trocados.<br />

Fernando Trotta<br />

73


74<br />

PERON<br />

NASSER<br />

Personagens Mundiais<br />

FRANCO<br />

MUSSOUNI<br />

LENIN<br />

MAO TSE TUNG<br />

JESUS<br />

SHAKESPEARE<br />

LINCOLN<br />

JECA TATU???...<br />

HIROITO<br />

NAPOLEÃO<br />

FIDEL CASTRO<br />

HITLER<br />

DADA<br />

SOLANO LOPES<br />

Valdívia Dalla Déa<br />

Letras<br />

2°- ano<br />

SALAZAR<br />

SELASSIÉ

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