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achatina fulica bowdich, 1822 - Ministério do Meio Ambiente

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TRABALHO CIENTÍFICO: (Apresentação Oral)<br />

CONTROLE DO CARACOL GIGANTE AFRICANO (ACHATINA FULICA BOWDICH,<br />

<strong>1822</strong>): AMEAÇA ECOLÓGICA, SANITÁRIA, AGRÍCOLA E PAISAGÍSTICA.<br />

1. INTRODUÇÃO:<br />

Rêmulo Araújo Carvalho – Engenheiro Agrônomo – M.Sc. Plant Pathology<br />

EMEPA (Empresa Estadual de Pesquisa Agropecuária da Paraíba S.A.)<br />

Rua Eurípedes Tavares, 210 – Tambiá – João Pessoa, PB<br />

e-mail: remuloc@hotmail.com<br />

CEP. 58.000.000<br />

1.1. Origem e nomenclatura<br />

O caracol gigante africano (Achatina <strong>fulica</strong> Bowdich, <strong>1822</strong>) (Figura 1) é origina<strong>do</strong> <strong>do</strong><br />

leste da África e foi introduzi<strong>do</strong> no Brasil na década de 1980 como uma opção ao consumo de<br />

"escargot" ( caracóis <strong>do</strong> gênero Helix ). Poden<strong>do</strong> atingir 15 cm de concha e mais de 200 g de<br />

peso, o gigante africano aparentava apresentar vantagens econômicas em relação à criação<br />

tradicional de "escargot". Entretanto, o insucesso merca<strong>do</strong>lógico alia<strong>do</strong> a um descontrola<strong>do</strong><br />

intercâmbio comercial entre produtores de diversos esta<strong>do</strong>s tem repeti<strong>do</strong> um ciclo de<br />

insucesso que tem gera<strong>do</strong> populações excedentes. Estas terminam fugin<strong>do</strong> ou sen<strong>do</strong><br />

deliberada e irresponsavelmente soltas em ecossistemas florestais, agrícolas e áreas urbanas<br />

onde esses caracóis demonstram suas desvantagens, geralmente proporcionais aos seus<br />

nomes e tamanhos.<br />

A propósito, o caracol gigante africano tem si<strong>do</strong> equivocadamente designa<strong>do</strong> como<br />

caramujo (nomenclatura própria das formas com hábitos aquáticos) provavelmente devi<strong>do</strong> a<br />

uma “cultura <strong>do</strong> caramujo” formada por longas campanhas educacionais e sanitárias visan<strong>do</strong><br />

o controle de caramujos vetores da esquistossomose. Entretanto, os gastrópodes pulmona<strong>do</strong>s<br />

terrestres porta<strong>do</strong>res de conchas devem ser corretamente denomina<strong>do</strong>s de caracóis, fican<strong>do</strong> a<br />

designação de lesmas para aqueles que não as possuem.<br />

1.2. Ameaça ecológica<br />

Sem inimigos naturais nas novas áreas onde têm si<strong>do</strong> introduzi<strong>do</strong>s, os caracóis gigantes<br />

africanos já se encontram dissemina<strong>do</strong>s por quase to<strong>do</strong>s os esta<strong>do</strong>s brasileiros. Possuin<strong>do</strong><br />

hábitos semi-arborícolas, é muito comum encontrá-los repousan<strong>do</strong> durante o dia em troncos<br />

de árvores, em ramos e folhagens, como também em cercas, muros e paredes. Em ambientes<br />

urbanos os caracóis têm causa<strong>do</strong> incômo<strong>do</strong> ao escalarem paredes de casas e prédios e ao se<br />

movimentarem em grande número dificultan<strong>do</strong> o trânsito de pedestres em calçadas e ruas de<br />

locais altamente infesta<strong>do</strong>s. Podem também infligir sérios danos a praças e jardins ao se<br />

alimentarem de flores, folhas e ramos de diversas plantas ornamentais.<br />

Resistentes à seca e ao frio, são capazes de se adaptar a caatingas, florestas e brejos<br />

prejudican<strong>do</strong> outras espécies de caracóis nativos ao desequilibrar suas relações ecológicas. As<br />

dimensões das conseqüências negativas sobre a biodiversidade das novas áreas para onde o<br />

caracol gigante africano tem si<strong>do</strong> introduzi<strong>do</strong> são ainda imprecisas e se constituem num<br />

risco invisível que, não obstante sua importância, tem si<strong>do</strong> pouco divulga<strong>do</strong> e muito<br />

subestima<strong>do</strong>.<br />

1.3. Ameaça sanitária<br />

Outra fonte de preocupação encontra-se no campo da saúde pública, pois o caracol<br />

gigante africano pode hospedar formas intermediárias de vermes comuns em pulmões de<br />

roe<strong>do</strong>res. Os caracóis são infecta<strong>do</strong>s ao se alimentarem de fezes de ratos conten<strong>do</strong> esses


vermes que desenvolvem apenas uma parte de seu ciclo biológico no interior <strong>do</strong>s caracóis.<br />

Quan<strong>do</strong> caracóis infecta<strong>do</strong>s são, por sua vez, comi<strong>do</strong>s por ratos, os vermes desenvolvem uma<br />

última fase no interior desses roe<strong>do</strong>res completan<strong>do</strong> assim seus ciclos biológicos.<br />

Os principais vermes que podem ser transmiti<strong>do</strong>s pelo caracol gigante africano são o<br />

Angiostrongylus cantonensis (causa<strong>do</strong>r da meningite eosinofílica) e o Angiostrongylus<br />

costaricensis (causa<strong>do</strong>r da angiostrongilíase ab<strong>do</strong>minal).<br />

Geralmente, a meningite é causada por infecções bacterianas. Já a meningite<br />

eosinofílica é assim chamada por ser causada pelo aumento <strong>do</strong> número de eosinófilos no<br />

flui<strong>do</strong> cérebro-espinal. Os eosinófilos são glóbulos brancos especiais capazes de liberar<br />

substâncias tóxicas para os vermes que atacam o nosso organismo. Quan<strong>do</strong> as larvas <strong>do</strong> A.<br />

cantonensis são ingeridas elas penetram nos vasos sangüíneos e finalmente alcançam as<br />

meninges (membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal). Um grande número de<br />

eosinófilos é então produzi<strong>do</strong> como uma reação de defesa contra as larvas invasoras<br />

provocan<strong>do</strong> esse tipo peculiar de inflamação das meninges. Apesar de haver ocorrências em<br />

países da Ásia e da América Central, esse tipo de meningite eosinofílica ainda não foi<br />

registra<strong>do</strong> no Brasil.<br />

A angiostrongilíase ab<strong>do</strong>minal já é mais comum nos países das Américas Central e <strong>do</strong><br />

Sul. Essa <strong>do</strong>ença é caracterizada por uma grande concentração de vermes no intestino,<br />

causan<strong>do</strong> uma grande infiltração de eosinófilos na parede intestinal e uma reação inflamatória<br />

que pode causar oclusão ou perfuração <strong>do</strong> intestino.<br />

De acor<strong>do</strong> com o Centro de Prevenção e Controle de Doenças de Atlanta, nos Esta<strong>do</strong>s<br />

Uni<strong>do</strong>s, a única maneira <strong>do</strong> ser humano se tornar infecta<strong>do</strong> com o verme causa<strong>do</strong>r da<br />

meningite eosinofílica é através <strong>do</strong> consumo de caracóis mal cozi<strong>do</strong>s ou crus (não só na<br />

culinária como também em brincadeiras de desafios entre crianças). Não está comprovada a<br />

transmissão <strong>do</strong>s vermes através <strong>do</strong> muco produzi<strong>do</strong> pelo caracol. Entretanto, como os vermes<br />

se alojam no caracol em locais próximos àqueles onde o muco é produzi<strong>do</strong>, essa possibilidade<br />

de transmissão é sempre motivo de preocupação. Por isso sempre se recomenda a utilização<br />

de luvas durante o manuseio <strong>do</strong> caracol gigante africano ou de produtos ataca<strong>do</strong>s por ele.<br />

O caracol gigante africano pode também ser inadvertidamente consumi<strong>do</strong><br />

juntamente com hortaliças frescas, pois as formas jovens <strong>do</strong>s caracóis são pequenas e<br />

transparentes e, deste mo<strong>do</strong>, de difícil visualização poden<strong>do</strong> ser esmagadas durante o corte de<br />

hortaliças folhosas no preparo de saladas. Portanto, para evitar esse tipo de contaminação, é<br />

indispensável re<strong>do</strong>brar os cuida<strong>do</strong>s de limpeza e higiene no preparo de hortaliças provenientes<br />

de áreas infestadas por esse molusco.<br />

1.4. Ameaça agrícola e paisagística<br />

O caracol gigante africano tem se torna<strong>do</strong> uma praga agrícola nos diversos países onde<br />

foi introduzi<strong>do</strong>, fato esse que tem origina<strong>do</strong> a proibição de sua entrada por legislação<br />

quarentenária em potências agrícolas como os Esta<strong>do</strong>s Uni<strong>do</strong>s, Canadá e Israel.<br />

Ao atingirem plantações, praças e jardins, os caracóis gigantes africanos provocam<br />

severos danos na folhagem, pois possuem um apetite voraz em razão da sua necessidade de<br />

grandes quantidades de cálcio para manter o adequa<strong>do</strong> desenvolvimento das conchas. É<br />

comum deparar-se apenas com os restos da planta destruída, e concluir erroneamente que os<br />

sintomas foram provoca<strong>do</strong>s por gafanhotos ou lagartas, visto que os caracóis, quan<strong>do</strong> não<br />

estão escalan<strong>do</strong> alguma planta ou parede, geralmente passam as horas quentes <strong>do</strong> dia<br />

escondi<strong>do</strong>s em entulhos, lixos, lugares sombrios e úmi<strong>do</strong>s, sain<strong>do</strong> <strong>do</strong>s esconderijos apenas no<br />

final da tarde.<br />

Contu<strong>do</strong>, mesmo quan<strong>do</strong> não encontra<strong>do</strong> flagrantemente devoran<strong>do</strong> as plantas é fácil<br />

identificar esse agente causal pelas fezes cilíndricas depositadas em forma de pequenos<br />

círculos sobrepostos deixa<strong>do</strong>s aderentes às folhas em locais adjacentes aos pontos de ataque.<br />

O caracol gigante africano é capaz de atacar mais de 500 tipos de plantas entre<br />

ornamentais e culturas agrícolas. Essa característica polifágica aumenta sua capacidade de<br />

adaptação a ambientes diversos tornan<strong>do</strong>-se um problema econômico quan<strong>do</strong> os gigantes<br />

africanos atingem plantações, hortas e pomares. Esses ataques em áreas agrícolas repercutem<br />

também socialmente quan<strong>do</strong> pequenos produtores rurais, geralmente carentes de recursos e<br />

assistência técnica, têm suas plantações de culturas de subsistência destruídas pelos caracóis<br />

que possuem predileção por esses tipos de plantas, especialmente pelo feijão.


Em João Pessoa, PB, em sítios, quintais e jardins localiza<strong>do</strong>s no bairro <strong>do</strong> Castelo<br />

Branco, foi verificada a ocorrência <strong>do</strong> caracol gigante africano escalan<strong>do</strong> coqueiros, mamoeiros<br />

e bananeiras (aparentemente apenas repousan<strong>do</strong> ou se abrigan<strong>do</strong> de preda<strong>do</strong>res durante o<br />

dia) e se alimentan<strong>do</strong> de folhas de alface, pimentão, milho, feijão, quiabo, jerimum, ervacidreira<br />

e frutos de acerola, além de plantas ornamentais, principalmente helicônias (Figura 2).<br />

Essa susceptibilidade da helicônia é preocupante, pois a mesma representa uma<br />

significativa parcela <strong>do</strong> merca<strong>do</strong> de flores tropicais que se encontra em franco<br />

desenvolvimento em to<strong>do</strong> o Nordeste <strong>do</strong> Brasil com programas de cultivo estimula<strong>do</strong>s pelo<br />

<strong>Ministério</strong> da Agricultura Pecuária e Abastecimento por ser uma atividade reconhecidamente<br />

rentável e para a qual essa região brasileira apresenta condições climáticas excepcionais.<br />

Portanto, necessário se faz tomar providências quarentenárias para que o caracol gigante<br />

africano não atinja essas áreas de floricultura destinadas à exportação, principalmente nos<br />

esta<strong>do</strong>s de Pernambuco e Ceará.<br />

Quan<strong>do</strong> o ataque em helicônias ocorre em plantas desenvolvidas o mesmo é<br />

concentra<strong>do</strong> na nova folha que se encontra ainda enrolada (Figura 3). O ataque nesse estádio<br />

provoca um sintoma típico. À medida que as folhas se desenrolam e se abrem totalmente<br />

aparecem recortes simétricos semelhantes àqueles feitos artesanalmente em papel <strong>do</strong>bra<strong>do</strong><br />

(Figura 4). Os danos são maiores quan<strong>do</strong> as plantas se encontram ainda com pequeno porte.<br />

Nesse estádio as folhas e os brotos terminais são completamente destruí<strong>do</strong>s até mesmo por<br />

caracóis ainda diminutos prejudican<strong>do</strong> a formação de novas folhas e, conseqüentemente, o<br />

desenvolvimento da cultura (Figura 5).<br />

1.5. Controle<br />

Dentre as medidas de controle mais recomendadas destacam-se os méto<strong>do</strong>s culturais.<br />

Estes consistem em práticas que objetivam diminuir a população da praga sem a utilização de<br />

produtos tóxicos fazen<strong>do</strong>-se apenas um manejo adequa<strong>do</strong> da área atacada através da limpeza<br />

de terrenos baldios e da eliminação de entulhos, lixos, restos de culturas, folhas amontoadas,<br />

plantas hospedeiras ou qualquer material ou substrato que possa servir de esconderijo para o<br />

caracol gigante africano.<br />

Mundialmente, a catação manual seguida de incineração tem se mostra<strong>do</strong> um méto<strong>do</strong><br />

eficiente, mas que precisa ser executa<strong>do</strong> por toda a comunidade de uma área infestada e<br />

sempre com a utilização de equipamento de proteção individual, principalmente luvas. Este<br />

tipo de controle necessita também ser executa<strong>do</strong> com certa regularidade até que a população<br />

de caracóis diminua significativamente.<br />

No Havaí, onde o caracol gigante africano também foi introduzi<strong>do</strong>, tentou-se o controle<br />

biológico introduzin<strong>do</strong>-se também espécies de caracóis carnívoros capazes de se tornarem<br />

preda<strong>do</strong>res <strong>do</strong> caracol gigante africano. Infelizmente essa meto<strong>do</strong>logia apenas agravou o<br />

problema, pois os caracóis preda<strong>do</strong>res ameaçam também extinguir outras espécies de caracóis<br />

nativos encontra<strong>do</strong>s nas matas.<br />

Outra meto<strong>do</strong>logia empregada no controle <strong>do</strong> caracol gigante africano consiste na<br />

utilização de iscas conten<strong>do</strong> produtos químicos, principalmente metaldeí<strong>do</strong> e metil carbamato.<br />

Entretanto esses produtos, além de serem perigosos ao homem e ao meio ambiente, são de<br />

difícil aquisição e utilização pela populações rurais e urbanas.<br />

Portanto, o objetivo desta pesquisa foi testar produtos alternativos capazes de controlar<br />

o caracol gigante africano sem colocar em risco a saúde da população urbana que ora se<br />

encontra incomodada pela alta incidência da mesma.<br />

2. METODOLOGIA:<br />

Os experimentos foram realiza<strong>do</strong>s em uma área infestada <strong>do</strong> bairro Castelo Branco em<br />

João Pessoa, Paraíba. Para to<strong>do</strong>s os experimentos foi utiliza<strong>do</strong> um delineamento estatístico<br />

inteiramente casualiza<strong>do</strong> com 4 repetições conten<strong>do</strong> de 8 a 10 tratamentos.<br />

No experimento 1. os produtos: cal hidratada (5% e 10%), cloro para piscina (5% e<br />

10%), cloreto de potássio (5% e 10%), água sanitária (100%), creolina (100%) e sabão em<br />

pó (10%) foram aplica<strong>do</strong>s em solução aquosa sobre grupos de caracóis dispostos sobre o solo.<br />

Cada unidade experimental constou de parcelas individuais medin<strong>do</strong> 30 cm x 30 cm onde<br />

foram coloca<strong>do</strong>s 5 caracóis, sen<strong>do</strong> 20 caracóis por tratamento num total de 200 caracóis por


esse experimento. To<strong>do</strong>s os caracóis foram captura<strong>do</strong>s num perío<strong>do</strong> de 30 minutos<br />

antecedentes à aplicação <strong>do</strong>s tratamentos. Para evitar a fuga <strong>do</strong>s caracóis cada tratamento foi<br />

aplica<strong>do</strong> imediatamente após a sua casualização. Assim que a posição <strong>do</strong> tratamento foi<br />

definida em cada bloco os caracóis eram coloca<strong>do</strong>s em seus respectivos lugares e recebiam a<br />

aplicação <strong>do</strong> produto puro ou em solução aquosa. Após a aplicação <strong>do</strong>s produtos os caracóis<br />

foram vira<strong>do</strong>s com a parte côncava voltada para cima receben<strong>do</strong> uma nova aplicação <strong>do</strong>s<br />

produtos para que os mesmos pudessem ficar reti<strong>do</strong>s pelas próprias conchas aumentan<strong>do</strong><br />

assim o seu poder residual. Foram realizadas duas avaliações: 30 minutos e 8 horas após a<br />

aplicação <strong>do</strong>s produtos.<br />

No experimento 2. os produtos: cal hidratada (5% e 10%), cloro para piscina (5%),<br />

cloro potável (5%), sulfato de cobre (5%) e cal semi hidratada (1% e 5%) foram aplica<strong>do</strong>s<br />

em solução aquosa sobre os caracóis durante os seus deslocamentos em perío<strong>do</strong> de atividade<br />

noturna objetivan<strong>do</strong> superiores eficiências <strong>do</strong>s produtos em virtude de uma maior exposição<br />

<strong>do</strong>s corpos <strong>do</strong>s caracóis nessa fase de locomoção. Imediatamente após a aplicação <strong>do</strong>s<br />

produtos os caracóis foram dispostos sobre o solo também em grupos de 5, sen<strong>do</strong> 20 caracóis<br />

por tratamento num total de 160 caracóis por esse experimento.<br />

No experimento 3. os produtos: cal hidratada e cal semi hidratada (aplicadas em pó<br />

seco e puras) e os seguintes produtos em solução aquosa: cal hidratada (5% e 10%), cal semi<br />

hidratada (5% e 10%) e sulfato de cobre (5%) foram aplica<strong>do</strong>s sobre caracóis dispostos em<br />

garrafas de refrigerantes de 1,5 L cortadas na altura de 25cm e furadas na base para permitir<br />

um rápi<strong>do</strong> escoamento <strong>do</strong>s produtos. Foram usa<strong>do</strong>s 5 caracóis por garrafa, sen<strong>do</strong> 20 caracóis<br />

por tratamento num total de 160 caracóis por esse experimento.<br />

No experimento 4. os produtos: sulfato de cobre (1%), sulfato de cobre (1%) + cal<br />

hidratada (5%), cal hidratada (1% e 5%), cal semi hidratada (1% e 5%) e sabão em pó (1%)<br />

foram aplica<strong>do</strong>s em solução aquosa sobre caracóis dispostos em garrafas de refrigerantes de<br />

1,5 L cortadas na altura de 25cm e, desta vez, sem furos na base para provocar uma imersão<br />

contínua <strong>do</strong>s caracóis nas soluções conten<strong>do</strong> os produtos. Foram usa<strong>do</strong>s 5 caracóis por<br />

garrafa, sen<strong>do</strong> 20 caracóis por tratamento num total de 180 caracóis por esse experimento.<br />

To<strong>do</strong>s os experimentos tiveram como tratamento testemunha (ou controle) a água “de<br />

torneira” disponibilizada pela CAGEPA (Companhia de Água e Esgotos <strong>do</strong> Esta<strong>do</strong> da Paraíba).<br />

No experimento 4., como outro tratamento testemunha, foi utilizada também a água mineral.<br />

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO:<br />

A aplicação de cal hidratada (10%) e de cloro de piscina (5% e 10%) provocou a morte<br />

de 95% de caracóis quan<strong>do</strong> esses produtos foram aplica<strong>do</strong>s em grupos de caracóis dispostos<br />

sobre o solo (Tabela 1). Apesar <strong>do</strong> eleva<strong>do</strong> nível de controle, essa meto<strong>do</strong>logia não deve ser<br />

recomendada por não ser suficiente para eliminar toda a população de caracóis tratada, pois<br />

no caso dessa espécie de praga, a sobrevivência de apenas 2 indivíduos pode em pouco tempo<br />

ocasionar o restabelecimento de sua população em uma determinada área (apesar desses<br />

caracóis serem hermafroditas, isto é, possuírem ambos os sexos, eles precisam copular e<br />

trocar espermatóforos, uma espécie de bolsa que acumula o líqui<strong>do</strong> seminal, conten<strong>do</strong><br />

espermatozóides).<br />

Nem mesmo a aplicação de água sanitária e creolina puras, sem diluição em água, foi<br />

suficiente para eliminar em sua totalidade os caracóis trata<strong>do</strong>s, contrarian<strong>do</strong> uma concepção<br />

popular que atribui eficácia plena a esses produtos.<br />

A sobrevivência de alguns caracóis após a aplicação de produtos reconhecidamente<br />

eficientes pode ser atribuída a capacidade que esses moluscos possuem de se retrair<br />

totalmente para o interior da concha (Figura 6), quan<strong>do</strong> ameaça<strong>do</strong>s, impedin<strong>do</strong> assim, o<br />

contato de substâncias nocivas com seus órgãos vitais.<br />

Com a aplicação <strong>do</strong>s produtos realizada exclusivamente sobre caracóis durante<br />

atividade de deslocamento, esperava-se a eficiência máxima da maioria <strong>do</strong>s tratamentos<br />

testa<strong>do</strong>s, pois durante a locomoção, uma grande parte <strong>do</strong> corpo <strong>do</strong> caracol se encontra<br />

exposta, aumentan<strong>do</strong> não só a área de contato com os produtos testa<strong>do</strong>s como também o<br />

efeito residual <strong>do</strong>s mesmos, ao serem carrega<strong>do</strong>s também para o interior da concha durante a<br />

retração <strong>do</strong>s caracóis em busca de proteção . Entretanto, apenas a cal hidratada (10%) e o<br />

sulfato de cobre (5%) conseguiram eliminar to<strong>do</strong>s os indivíduos submeti<strong>do</strong>s a esses<br />

tratamentos (Tabela 2).


A aplicação de cal pura, sem diluição, não foi suficiente para eliminar em sua totalidade<br />

os caracóis submeti<strong>do</strong>s (por uma semana) a esse tipo de tratamento (Tabela 3). Nesta<br />

mesma tabela verifica-se que num breve perío<strong>do</strong> de contato (2-3 segun<strong>do</strong>s necessários para o<br />

escoamento <strong>do</strong>s produtos através <strong>do</strong>s furos das garrafas) apenas o sulfato de cobre (5%)<br />

apresentou eficiência máxima no controle <strong>do</strong> caracol gigante africano.<br />

A tentativa de controlar os caracóis por afogamento em água pura, visto que os<br />

mesmos possuem respiração pulmonar, foi completamente ineficiente. Num perío<strong>do</strong> de 5 a<br />

30 minutos, to<strong>do</strong>s os caracóis submeti<strong>do</strong>s à imersão (20 caracóis em água tratada e 20 em<br />

água mineral) foram capazes de sair <strong>do</strong> interior da concha, de emergir e de sair das garrafas<br />

usadas como unidades experimentais (Tabela 4; Figura 7).<br />

Entretanto, quan<strong>do</strong> cal, sulfato de cobre e sabão em pó foram, separadamente,<br />

adiciona<strong>do</strong>s à água usada para a imersão <strong>do</strong>s caracóis, a mortalidade foi de 100% (Tabela 4;<br />

Figura 8).<br />

4. CONCLUSÕES:<br />

4.1 O caracol gigante africano pode ser facilmente controla<strong>do</strong> quan<strong>do</strong> submeti<strong>do</strong> à imersão<br />

contínua em soluções aquosas conten<strong>do</strong> produtos alternativos, sem a necessidade de<br />

utilização de agrotóxicos perigosos. Cal, sabão em pó e sulfato de cobre, quan<strong>do</strong> utiliza<strong>do</strong>s<br />

por esse méto<strong>do</strong> na concentração de apenas 1% promovem um controle de 100% <strong>do</strong>s<br />

caracóis trata<strong>do</strong>s.<br />

4.2 A utilização de cal pura, em pó, não foi suficiente para matar 100% <strong>do</strong>s caracóis trata<strong>do</strong>s<br />

quan<strong>do</strong> a aplicação foi realizada sobre caracóis intactos. Portanto, no caso da opção por esse<br />

tipo de controle (em aterros sanitários, por exemplo), necessário se faz promover o<br />

esmagamento <strong>do</strong>s caracóis para que a cal possa entrar em contato com seus órgãos vitais.<br />

4.3 O caracol gigante africano é capaz de subir à superfície quan<strong>do</strong> submerso em água pura.<br />

4.4 Entre os tratamentos testa<strong>do</strong>s nessa pesquisa, apenas o sulfato de cobre foi capaz de<br />

proporcionar um controle total <strong>do</strong>s caracóis quan<strong>do</strong> se utilizou uma meto<strong>do</strong>logia de rápi<strong>do</strong><br />

contato, como no caso de pulverizações. Isso faz desse produto (e de seus correlatos), o mais<br />

indica<strong>do</strong> para o tratamento de plantas atacadas pelos caracóis gigantes africanos, desde que<br />

sejam toma<strong>do</strong>s os cuida<strong>do</strong>s necessários para, dependen<strong>do</strong> de sua formulação, neutralizar os<br />

efeitos fitotóxicos <strong>do</strong> cobre. Essa neutralização pode ser obtida pela adição de cal que, além<br />

de realizar essa função, ainda exercerá um poder sinérgico, por ser também eficiente no<br />

controle desses caracóis.


5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS<br />

BARNES, R. D. Zoologia <strong>do</strong>s invertebra<strong>do</strong>s. (4 a edição). São Paulo: Livraria Roca Ltda,<br />

1984. 1179 p.:il.<br />

SILVA JÚNIOR. C. da; SASSON, S. Biologia. São Paulo: Editora Saraiva, 1999. 672 p.:il.<br />

FERREIRA, A. B. de H. et al. Novo Aurélio: o dicionário da língua portuguesa – século XXI.<br />

(3 a edição). Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 1999. 2128 p.<br />

6. REFERÊNCIAS ELETRÔNICAS<br />

COLUMBIA UNIVERSITY. Rosy wolfsnail (Euglandina rosea). 2002<br />

www.columbia.edu/itc/cer/danoff-gur/invasio_bio/inv_spp_summ/Euglandina_rosea.html<br />

GRAPHIC IMAGES OF PARASITES. Angiostrongylus cantonensis. 2002.<br />

www.biosci.ohio-state.edu/~paasite/angiostrongylus.html<br />

HPG HOSPEDAGEM. Sistema nervoso - a medula espinhal. 2000 .<br />

www.corpohumano.hpg.ig.com.br/sist_nervoso/medula_espinhal/med_espinhal.html<br />

MEDICAL DICTIONARY DEFINITIONS. Eosinophilic meningitis. 2004.<br />

www.MedicineNet.com<br />

MORERA, P. Intestinal parasites (helminths), Nematoda, order: Strongylida. 2004.<br />

www.cdfound.to.it/HTML/angio.htm<br />

PAIVA, C. L. Achatina <strong>fulica</strong> (Moluscos) praga agrícola e ameaça à saúde pública<br />

no Brasil. 1999. www.geocities.com/lagopaiva/achat-tr.htm<br />

THE WORLD OF SNAILS. Giant African Land Snails. 2002.<br />

www.freewebs.com/worl<strong>do</strong>fsnails/giantafricanlandsnails.htm<br />

UFRGS. Angiostrongylus costaricensis. 2002.<br />

www.ufrgs.br/para-site/Imagensatlas/Animalia/Angiostrongylus%20costaricensis


7. ANEXOS:<br />

7.1 TABELAS:<br />

Tabela 1. Número médio de caracóis mortos em função <strong>do</strong>s tratamentos aplica<strong>do</strong>s sobre grupos<br />

dispostos em parcelas no solo.<br />

Tratamentos Número médio de caracóis mortos % de controle<br />

1. Cal hidratada 5% 4,25 ab 85%<br />

2. Cal hidratada 10% 4,75 a 95%<br />

3. Cloro para piscina 5% 4,75 a 95%<br />

4. Cloro para piscina 10% 4,75 a 95%<br />

5. Cloreto de Potássio 5% 2,25 bc 45%<br />

6. Cloreto de Potássio 10% 4,00 ab 80%<br />

7. Água sanitária 100% 4,25 ab 85%<br />

8. Creolina 100% 4,50 ab 90%<br />

9. Sabão em pó 10% 3,75 ab 75%<br />

10. Testemunha 0,00 c 0%<br />

Média 3,73<br />

Teste F 9,01**<br />

CV (%) 26,96<br />

dms (Tukey, p=0,05) 2,42<br />

Na coluna, médias seguidas pela mesma letra, não diferem significativamente entre si, pelo<br />

teste de Tukey a 5% de probabilidade.<br />

Tabela 2. Número médio de caracóis mortos em função <strong>do</strong>s tratamentos aplica<strong>do</strong>s sobre grupos<br />

durante atividade de deslocamento.<br />

Tratamentos Número médio de caracóis mortos % de controle<br />

1. Cal hidratada 5% 4,25 a 85%<br />

2. Cal hidratada 10% 5,00 a 100%<br />

3. Cloro para piscina 5% 4,75 a 95%<br />

4. Cloro potável 5% 4,75 a 95%<br />

5. Sulfato de cobre 5% 5,00 a 100%<br />

6. Cal semi hidratada 5% 4,25 a 85%<br />

7. Cal semi hidratada 1% 3,75 a 75%<br />

8. Testemunha 0,0 b 0%<br />

___________________________________________________________________________<br />

Média 3,97<br />

Teste F 27,15<br />

CV (%) 16,1


dms (Tukey, p=0,05) 1,49<br />

Na coluna, médias seguidas pela mesma letra, não diferem significativamente entre si, pelo<br />

teste de Tukey a 5% de probabilidade.<br />

Tabela 3. Número médio de caracóis mortos em função <strong>do</strong>s tratamentos aplica<strong>do</strong>s sobre grupos<br />

dispostos em garrafas plásticas furadas.<br />

Tratamentos Número médio de caracóis mortos % de controle<br />

1. Cal hidratada pura 4,50 ab 90%<br />

2. Cal hidratada 5% 1,50 cd 30%<br />

3. Cal hidratada 10% 2,00 cd 40%<br />

4. Cal semi hidratada pura 2,50 bc 50%<br />

5. Cal semi hidratada 5% 3,25 abc 65%<br />

6. Cal semi hidratada 10% 4,50 ab 90%<br />

7. Sulfato de cobre 5% 5,00 a 100%<br />

8. Testemunha 0,0 d 0%<br />

Média 2,90<br />

Teste F 12,65<br />

CV (%) 33,5<br />

dms (Tukey, p=0,05) 2,28<br />

Na coluna, médias seguidas pela mesma letra, não diferem significativamente entre si, pelo<br />

teste de Tukey a 5% de probabilidade.<br />

Tabela 4. Número médio de caracóis mortos em função <strong>do</strong>s tratamentos aplica<strong>do</strong>s<br />

sobre grupos dispostos em garrafas plásticas intactas (sem furos).<br />

Tratamentos Número médio de caracóis mortos % de controle<br />

1. Sulfato de cobre 5% 5,00 a 100%<br />

2. Cobre 1% + cal hidratada 5% 5,00 b 100%<br />

3. Cal hidratada 5% 5,00 c 100%<br />

4. Cal semi hidratada 5% 5,00 d 100%<br />

5. Cal hidratada 1% 5,00 e 100%<br />

6. Cal semi hidratada 1% 5,00 f 100%<br />

7. Sabão em pó 1% 5,00 g 100%<br />

8. Água tratada 0,0 h 0,0%<br />

9. Água mineral 0,0 i 0,0%<br />

Média 3,88<br />

Teste F 99999,99<br />

CV (%) 0<br />

dms (Tukey, p=0,05) 0<br />

Na coluna, médias seguidas pela mesma letra, não diferem significativamente entre si, pelo<br />

teste de Tukey a 5% de probabilidade.


7.2 FIGURAS:<br />

Foto: Rêmulo Carvalho<br />

Figura 1. Caracol gigante africano ( Achatina <strong>fulica</strong> Bowdich, <strong>1822</strong>)<br />

Foto: Rêmulo Carvalho<br />

Figura 2. A. <strong>fulica</strong> sobre brácteas de helicônia


Foto: Rêmulo Carvalho<br />

Figura 3. A. <strong>fulica</strong> atacan<strong>do</strong> folha (ainda enrolada) de helicônia<br />

Foto: Rêmulo Carvalho<br />

Figura 4. Danos causa<strong>do</strong>s por A. <strong>fulica</strong> em folha de helicônia


Foto: Rêmulo Carvalho<br />

Figura 5. Danos causa<strong>do</strong>s por A. <strong>fulica</strong> em planta jovem de helicônia<br />

Foto: Rêmulo Carvalho<br />

Figura 6. A. <strong>fulica</strong> retraí<strong>do</strong> em sua concha


Foto: Rêmulo Carvalho<br />

Figura 7. Exemplares de A. <strong>fulica</strong> escapan<strong>do</strong> da imersão em água mineral<br />

Foto: Rêmulo Carvalho<br />

Figura 8. Exemplares de A. <strong>fulica</strong> mortos por imersão contínua em cal hidratada<br />

(30 minutos e 4 dias após a aplicação)

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