Economizar é preciso - Canal : O jornal da bioenergia

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Economizar é preciso - Canal : O jornal da bioenergia

Goiânia/GO dezembro de 2012 Ano 7 N° 74

Água e energia

IMPRESSO - Envelopamento autorizado. Pode ser aberto pelo ECT

www.canalbioenergia.com.br

Usinas buscam redução de desperdícios

e máximo aproveitamento de água e

energia em seus processos produtivos

Mala Direta Postal

Básica

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Mac Editora

REMETENTE

Caixa Postal 4116

A.C.F Serrinha

74823-971 - Goiânia - Goiás

Economizar é preciso


2012 © Spectrum Art Company

Supre

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o sistema solo-planta,

fornecendo fósforo e

cálcio em abundância.

Uniformiza

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a fertilidade do solo,

com suprimento contínuo

de fósforo.

Promove

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o crescimento das raízes,

aumentando o volume de

solo explorado.

Recomendado

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tanto para fosfatagem

corretiva e como para

adubação de manutenção.

Aumenta

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o volume de matéria verde,

o número de colmos e a

altura de plantas.

Em campo a nova linha

de fertilizantes sustentáveis,

garantia de suprimento

contínuo de fósforo.

Composição

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Fósforo (P2O5) solúvel

em CNA* + água 9 %

Fósforo (P2O5) total 14 %

Cálcio (Ca) total 12 %

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(64) 3442-4356

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Potencializa

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a brotação e formação das

soqueiras, aumentando a

longevidade do canavial.

Hastes

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com internódios longos,

mais produtivas e com

elevado teor de açúcar.

Otimiza

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os resultados da safra – é

um produto sustentável

e economicamente viável.

Supera

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concorrentes com melhor

custo/benefício e excelentes

vantagens para o produtor.

canal, o Jor nal da Bi o e ner gia, é uma pu bli ca ção da MAC Edi to ra e

Jor na lis mo Ltda. - CNPJ 05.751.593/0001-41

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“Não fui eu que lhe ordenei? Seja forte e

corajoso! Não se apavore, nem desanime,

pois o Senhor, o seu Deus, estará com você

por onde você andar.” (Josué 1:9)

26 motor fLEx

EspECiAListAs dizEm

quE é horA dE

iNvEstir mAis NA

EfiCiêNCiA do motor

fLEx A EtANoL.

14 pEsquisA

dEsENvoLvimENto dE

vAriEdAdEs dE CANA

AptAs às CArACtErístiCAs

do CErrAdo é disCutido

Em EvENto dA ridEsA.

Carta DO eDitOr

Confiança e energia renovadas

Mi ri an To mé

edi tor@ca nal bi o e ner gia.com.br

Mais um ciclo de trabalho

se encerra, período propício

para renovarmos as energias

com a esperança de que o ano

que começa trará melhores resultados para os

esforços que serão empreendidos com planejamento

e dedicação. Embora 2012 tenha sido um ano de

muitas dificuldades, confiamos que em 2013

conquistaremos avanços importantes.

Este ano o CANAL - Jornal da Bioenergia publicará

em janeiro uma edição especial sobre as perspectivas

para 2013, com análises de alguns dos principais

profissionais que atuam no setor sucroenergético e

de produção de biodiesel. Uma boa oportunidade

para se informar em primeira mão sobre as

tendências e fatores que vão influenciar o setor

10 EtANoL 2g

BrAsiL Está prEstEs A

iNtEgrAr o grupo dE

NAçõEs quE pLANEjAm

iNiCiAr A produção do

EtANoL 2 g Em EsCALA

ComErCiAL A pArtir dE 2013.

04 ENtrEvistA

igor moNtENEgro

fALA do AmpLo Estudo

soBrE As CAdEiAs

produtivAs do

AgroNEgóCio goiANo.

30 mAis BrAsiL

CidAdE muLtiCuLturAL,

rECifE, CApitAL dE

pErNAmBuCo, é umA

BoA opção pArA

AprovEitAr o CArNAvAL.

produtivo no ano que começa.

Nesta edição trazemos várias matérias de

destacada importância, a exemplo da reportagem

sobre as estratégias disponíveis para a economia de

água e energia nas indústrias, buscando sempre

aprimorar os processos produtivos e obter o melhor

desempenho.

Mostramos ainda como estão as pesquisas que

focam o desenvolvimento do etanol de segunda

geração, um salto tecnológico fundamental para

conferir sustentabilidade ambiental e econômica

ainda maior ao setor sucroenergético.

Não deixe de conferir nesta edição, caro leitor,

várias outras reportagens sobre o que há de mais

relevante no setor de bioenergia.

E um feliz e próspero 2013!

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Dezembro de 2012 • 3


Entrevista Igor Montenegro, presidente do Conselho Temático de Agronegócios da Fieg

Estratégia para crescer com

equilíbrio e sustentabilidade

evandro Bittencourt

Formado em Direito pela Pontifícia

Universidade Católica de Goiás

(PUC-Goiás), com MBA em Gestão

Empresarial pela Fundação

Getúlio Vargas, pós graduação em

Direito Tributário pela PUC-Goiás, MBA

em Gestão de Projetos e MBA em

Controladoria e Finanças pelo Instituto

de Pós-Graduação - IPOG, Igor

Montenegro Celestino Otto é diretor de

gestão e finanças do Grupo Scodro, foi

Secretário de Estado das Cidades do

Governo de Goiás, diretor administrativo

e de assuntos institucionais do

Grupo USJ e presidente executivo do

Sindicato da Indústria de Fabricação

de Álcool do Estado de Goiás e do

Sindicato da Indústria de Fabricação

de Açúcar do Estado de Goiás (Sifaeg/

Sifaçúcar). Atualmente é presidente do

Conselho Temático de Agronegócios da

Federação das Indústrias do Estado de

Goiás (Fieg), vice-presidente da ADIAL,

presidente do Comitê da Bacia do Rio

Meia Ponte, membro do Conselho

Temático de Assuntos Legislativos da

CNI e membro do Conselho Superior de

Comércio Exterior da FIESP.

4 • CANAL, Jornal da Bioenergia

Amplo estudo sobre cadeias produtivas do agronegócio goiano, iniciativa

da Federação da Indústria do Estado de Goiás (Fieg), propões soluções para

os gargalos que emperram o crescimento do setor. O trabalho, recentemente

concluído, é considerado um novo marco para o futuro do agronegócio

em Goiás. Na entrevista a seguir, algumas de seus principais diagnósticos

são comentados pelo presidente do Conselho Temático de Agronegócios da

Fieg, Igor Montenegro.

qual a importância de realizar um estudo

detalhado sobre as vantagens e desafios do

agronegócio em goiás?

Quando for colocado em ação, este projeto

irá transformar o futuro do nosso agronegócio.

Hoje o Estado de Goiás já é um dos

principais competidores do agronegócio

brasileiro e temos chance de assumir a

liderança em boa parte das cadeias produtivas

deste setor. Mas isso somente acontecerá

se tivermos uma estratégia bem

definida e bem implementada. Daí a

importância do projeto “Construindo

Juntos o Futuro do Agronegócio em Goiás”,

pois ele é o mapa do caminho para desenvolver

todo o potencial das cadeias de

grãos (soja e milho), de produtos lácteos,

de carnes e couro bovinos, de sucroenergia

(etanol e açúcar) e de aves e suínos.

Como esse trabalho foi realizado?

Utilizamos o conceito de sistema agroindustrial

(SAG), oferecendo uma visão mais

abrangente dos fluxos que ocorrem desde

os fornecedores de matéria-prima até chegar

ao consumidor final. A partir deste

conceito a ideia foi desenvolver um planejamento

estratégico para cada segmento

produtivo. Para realizar o trabalho a Fieg

convidou uma série de atores para desenvolver

uma parceria em torno desse projeto.

Fizeram parte do esforço o Sebrae, a

Faeg, a Adial, a Fecomercio, a Embrapa, a

UFG, a PUC-GO, a Alfa, o Sifaeg, o Sifaçúcar,

o Sindileite, o Sindicarnes, o Sindicurtume,

a Seagro, a SIC, a Seinfra, a Semarh, a

Segplan, o Mapa, além de agroindústrias e

produtores rurais. Também foram contratadas

consultorias especializadas como a

Markestrat, a MB Agro e a JRM Inovação.

Realizamos uma série de reuniões de trabalho,

além do levantamento de dados e

informações internacionais, nacionais e

regionais dos segmentos produtivos estudados.

Por fim, tudo foi consolidado em

um planejamento apontando para os objetivos

a serem alcançados por cada cadeia

produtiva e as respectivas estratégias de

execução.

de que forma esse instrumento pode ser

utilizado em favor do desenvolvimento

Goiás já é um dos principais

competidores do agronegócio brasileiro

e temos chance de assumir a liderança

em boa parte das cadeias produtivas

econômico de goiás e do Brasil?

Há perspectivas muito favoráveis para o

agronegócio no Brasil e em Goiás, mas é

preciso bem mais do que boa vontade para

concretizar o nosso potencial. Para promover

o desenvolvimento econômico e alcançar

todo o potencial do nosso agronegócio, é

preciso colocar em prática os projetos estratégicos

descritos para as áreas de produção,

produtos, pesquisa e inovação; comunicação;

distribuição, logística e exportações;

capacitação de recursos humanos; coordenação

e adequação ao ambiente institucional;

sustentabilidade; micro, pequenas e

médias empresas e fortalecimento dos elos

do sistema produtivo.

quais as principais vantagens competitivas

do agronegócio goiano e brasileiro?

Capacidade de expansão das áreas produtivas,

agroindústrias bem estabelecidas, existência

de uma indústria de base desenvolvida

(máquinas e equipamentos), centros de pesquisa

e tecnologia capazes de produzir inovação,

empreendedores rurais preparados e

uma boa base de mão de obra qualificada.

Um relatório conjunto da FAO e OECD

(Agricultural Outlook 2010-2019) apontou

que será necessário ampliar a área agricultável

existente no mundo em mais de 82

milhões de hectares até o ano de 2050 para

abastecer a população em crescimento. Este

mesmo estudo apontou o Brasil como o País

que tem a maior capacidade de atender a esse

crescimento de demanda. A estimativa é de

que haja um aumento de mais 40% da produção

agrícola brasileira nesta década.

E quais são os principais gargalos?

Os principais gargalos do agronegócio brasileiro

e goiano estão relacionados à infraestrutura

deficiente e mal dimensionada, alto

custo de logística, devido à baixa concorrência

entre os modais de transporte, deficiência

dos portos, baixa capacidade de articulação e

coordenação institucional das cadeias produtivas,

dificuldade de encontrar mão de obra

qualificada, baixos investimentos na imagem

das cadeias produtivas, dificuldade de acesso

ao crédito, poucos investimentos em pesquisa

e desenvolvimento.

quais os caminhos para agregar valor à produção

agrícola?

O único caminho é uma verdadeira estruturação

dos sistemas produtivos do agronegócio e

isto vai além da cadeia produtiva e das redes

de empresas. É preciso considerar não somente

os fluxos financeiros e de produtos, como

também todo o ambiente institucional e as

condições estruturais nas quais essas relações

acontecem. O objetivo deve ser a implementação

de ações coletivas, cujo foco é atender

o consumidor final com o melhor produto e

preço, em um ambiente de negócios competitivo.

Estruturar os sistemas produtivos por

completo é fundamental, assim como implantar

políticas públicas que estimulem a verticalização

da produção.

que soluções podem ser dadas aos problemas

relacionados à logística de transportes?

O Estado de Goiás tem importantes vantagens

logísticas comparativas no que se refere à

produção agrícola, como a existência de vastas

áreas para a produção, condições climáticas

favoráveis a várias culturas e localização

geográfica privilegiada para abastecimento

do mercado interno. No entanto, a precariedade

da infraestrutura logística para escoamento

da produção tem gerado custos adicionais

em diferentes pontos dos sistemas produtivos

do agronegócio, fazendo com que

parte do valor criado nos diferentes elos da

cadeia seja destruída antes que os produtos

goianos cheguem aos consumidores nacionais

e estrangeiros. É preciso atacar tanto as ineficiências

na distribuição quanto as ineficiências

logísticas dentro das propriedades/

empresas. As soluções propostas consistem

em estabelecer um programa de parcerias

público-privadas (PPPs) para revitalização e

ampliação da malha rodoviária; redução da

dependência do modal rodoviário, ampliando

a oferta de serviços nos modais ferroviário,

hidroviário e dutoviário; ampliação da capacidade

de estocagem das agroindústrias e dos

produtores rurais; estímulo à instalação dos

novos projetos agroindustriais mais próximos

dos modais mais eficientes; apoio ao término

da Ferrovia Norte-Sul e o início das obras da

Ferrovia Leste-Oeste; ampliação da navegabilidade

da hidrovia Paranaíba-Tietê-Paraná e

desburocratização das exportações.

Como os custos relacionados à distância entre as

regiões produtivas e os portos podem ser

reduzidos?

A redução dos custos de logística está ligada

a duas ações: Melhoria da infraestrutura existente

e implantação de novos modais de

transporte. Somente assim poderá haver

redução das perdas atuais no transporte rodoviário,

bem como a abertura de uma maior

competição entre diferentes modais de transporte.

Dezembro de 2012 • 5


Entrevista Igor Montenegro, presidente do Conselho Temático de Agronegócios da Fieg

que avaliação o senhor faz da infraestrutura

ferroviária em goiás e no Brasil e qual a

importância desse modal?

O Brasil é um país continental e nessa condição

já deveria ter privilegiado os investimentos

na infraestrutura ferroviária, assim como

fizeram os EUA, a China e a Rússia que também

são países continentais. Estamos apenas

no começo desse processo. As rodovias são

fundamentais, mas devem ser utilizadas para

trechos de transporte mais curtos, de até

300km, acima disso o transporte deve ser

feito em ferrovias ou hidrovias. Este é o futuro

e esperamos que chegue logo.

E quanto às hidrovias?

O caso das hidrovias é muito parecido com o

das ferrovias. Apesar de o Brasil ter uma grande

variedade de rios navegáveis esse modal

nunca foi bem desenvolvido. E o pior, as

hidroelétricas construídas não contemplaram

as respectivas eclusas, que garantiriam a

navegabilidade. Agora, é preciso fazer esses

investimentos e com um custo bem maior.

Além disso, no Brasil há muita mística em

torno dos impactos ambientais das hidrovias.

Elas são largamente utilizadas nos EUA e na

Europa e os seus impactos são muito baixos e

bem conhecidos. Acredito que está na hora de

o Brasil acordar para a realidade das hidrovias.

qual a importância do etanolduto para o setor

sucroenergético e quais as perspectivas de

conclusão dessa obra?

O etanolduto é viável, tem um bom projeto e

os parceiros-empreendedores são os melhores

possíveis. Mas para que esse projeto aconteça

dois grandes problemas precisam ser removidos:

O primeiro é a capacidade de investimento

da Petrobras, que está abalada em seu fluxo

de caixa pelo alto volume de importação de

combustíveis que está realizando; o segundo

é a viabilidade da produção de etanol para

exportação. Curiosamente, os dois problemas

estão relacionados à intervenção federal nos

preços do combustível no Brasil. Enquanto

6 • CANAL, Jornal da Bioenergia

Os estudos

apontaram espaço

para o crescimento

da produtividade de

todas as cadeias

produtivas do

agronegócio. “

isso não for resolvido, o projeto do etanolduto

vai continuar andando de lado.

E quanto aos portos brasileiros, o que precisa

ser melhorado?

Os portos brasileiros ainda são muito caros e

pouco eficientes. A gestão é feita por indicações

políticas e a cada quatro anos as pessoas

são trocadas, começando todo o processo

novamente. Isso é altamente prejudicial. É

preciso profissionalizar a administração portuária

com agentes privados, reduzindo as

ingerências políticas na gestão do setor. É

muito importante também criar condições

para a ampliação dos investimentos na expansão

dos portos. Outra ação fundamental é a

desburocratização das rotinas do setor.

o Brasil suportaria crescimento econômico em

níveis mais elevados, se consideramos a atual

capacidade de produção de energia elétrica?

Precisamos incentivar o crescimento econômico.

Sempre haverá os problemas inerentes

ao crescimento econômico, mas eles serão

enfrentados e solucionados. Realmente a

capacidade de produção de energia elétrica

no Brasil está perto do limite, mas há inúmeras

soluções possíveis, desde que haja os

investimentos necessários. Para haver mais

investimentos tem que haver crescimento

econômico, a mola propulsora do desenvolvimento.

Além disso, o próprio agronegócio

pode ser parte da solução da questão energética,

seja através dos biocombustíveis seja

pela produção de bioenergia.

o Brasil e goiás, especificamente, têm áreas

disponíveis para grandes expansões das áreas

cultivadas com soja e cana-de-açúcar?

Sim, há capacidade suficiente para o desenvolvimento

das duas cadeias produtivas e a

resposta está na produtividade. Os estudos

apontaram espaço para o crescimento da produtividade

de todas as cadeias produtivas do

agronegócio. A cadeia de carne e couro bovinos

é a que ocupa a maior área produtiva

atualmente, com cerca de 60% do total. A

soja ocupa cerca de 7% e a cana 2% da área

total. Portanto, uma maior competição entre

as cadeias vai pressionar os produtores a

investir mais na melhoria da produtividade e

com isso haverá mais espaço para a expansão

das culturas. Comparativamente com outros

Estados e outros países, percebemos que há

um grande espaço para um salto de produtividade

nas áreas de pastagens, que são exatamente

as que ocupam a maior extensão de

áreas.

quais as perspectivas para o setor sucroenergético

em 2013 e em médio prazo?

As perspectivas para o setor sucroenergético

estão muito relacionadas às políticas públicas

federais para os combustíveis. O modelo atual

de controle de preços dos combustíveis fósseis

está asfixiando tanto a Petrobras quanto

o setor sucroenergético. É um modelo insustentável,

que certamente será flexibilizado. O

problema é saber quando.

Mas o setor sucroenergético brasileiro é o

maior do mundo e por isso mesmo é forte e

punjante, apesar dos problemas momentâneos.

Todos os cenários apontam para um futuro

melhor.

Opinião

A verdade sobre o aquecimento global

Já experimentou a sensação de entrar em um

carro que ficou muito tempo exposto ao sol? O

calor que se sente é resultado do “efeito estufa”

dentro do veículo. O calor entra, mas não pode

sair e assim, o interior do automóvel fica aquecido.

Nosso planeta está sujeito à mesma lei da

física e graças aos gases de efeito estufa (que

promovem a retenção do calor), podemos viver!

A falta de vapor de água e gases de estufa e

até mesmo da própria atmosfera, leva outros

planetas a terem diferenças de temperatura de

200 graus Celsius das áreas expostas ao sol para

as áreas de sombra. Assim, o dia é escaldante e a

noite gélida, sendo a vida impossível.

O aquecimento global possibilita extremos

mais próximos e homogeneização das temperaturas,

sendo condição fundamental para a manutenção

da vida. O problema que se vive hoje é

que, o ideal projetado de concentração de CO2

na atmosfera para a manutenção da vida é da

ordem de 250 a 280 ppm (partes por milhão) -

níveis verificados antes da revolução industrial.

A revolução industrial nos ensinou, entre outras

coisas, a obter energia pela queima de combustíveis

fósseis e em pouco mais de cem anos a

concentração de CO2e na atmosfera passou para

390 ppm. Estima-se que a partir da concentração

de 450 ppm existe o risco de entrarmos

em um ciclo irreversível, chamado de “feedback

positivo”. Nele o aumento de temperatura impede

que mares e florestas absorvam CO2 da atmosfera,

consequentemente a temperatura aumenta,

o que leva a dificuldade maior da natureza

sequestrar o carbono e assim por diante.

O assunto é de extrema urgência. Desde o estabelecimento

da UNFCCC e do Protocolo de

Quioto - criados internacionalmente para combater

o aquecimento global, as emissões de gases

de efeito estufa não diminuíram. As previsões

do IPCC são de que as emissões médias do

planeta durante esse centenário, não sejam superiores

a 18 GToneladas ano a ano. As emissões

atuais são superiores a 40 Gtoneladas. Esse é o

tamanho do desafio que os negociadores enfrentam

ano a ano na Conferência das Partes.

Para piorar, o efeito não é sentido uniforme

ou regularmente. Ao contrário de colocar o dedo

na tomada, onde facilmente aprende-se a lição,

nas questões climáticas, quando se sente o choque

pode não haver mais tempo para reagir.

Fato é que o mundo não vai acabar. A decisão

que devemos tomar é se queremos aprender com

nossos próprios erros e agir racionalmente para

aumentar nossas chances como espécie de sobreviver

ou se vamos lançar à sorte nossa própria

existência e continuar negando os fatos.

fELipE BottiNi é economista pela USP

com especialização em Sustentabilidade

por Harvard - Consultor Senior

e cofundador da Green Domus

Desenvolvimento Sustentável, Neutralize

Carbono e Consultor especial do

Programa das Nações Unidas para o

Desenvolvimento - PNUD.

Dezembro de 2012 • 7


Panorama

ETH Bioenergia recebe Selo

“Empresa Amiga da Criança”

A ETH Bioenergia, empresa que atua na

produção e comercialização de etanol,

energia elétrica e açúcar, recebeu o Selo

“Empresa Amiga da Criança”, concedido pela

Fundação Abrinq e pela Save The Children por

assumir compromissos em benefício da

infância e adolescência, realizando ações

sociais para o público interno e para a

comunidade onde as suas Unidades

Agroindustriais estão instaladas.

Entre os principais programas da empresa

com foco em crianças e adolescentes está o

Energia Social para a Sustentabilidade Local,

que reúne ações e investimentos realizados

junto às comunidades e governo local,

visando o desenvolvimento sustentável e bem

estar nas regiões de atuação da ETH. Ao todo,

desde 2010, estão em desenvolvimento 37

projetos nas nove cidades, somando

investimento de R$ 11,6 milhões. O Programa

tem como prioridade as áreas de educação,

cultura, atividades produtivas, saúde,

segurança e preservação ambiental e já

beneficiou mais de 43 mil pessoas.

Energia eólica avança no Brasil

Grandes avanços para o setor de energia eólica

no Brasil foram obtidos em 2012. Segundo a

presidente executiva da ABEEólica, Elbia Melo, o

Brasil encerra o ano de 2012 com 2.4 GW de

potência eólica instalada e 2% de participação na

matriz elétrica brasileira. “Essa capacidade

instalada representa, de fato, a efetiva inserção da

indústria eólica no País. Somente em 2012

instalamos 38 novos parques eólicos, totalizando

106 empreendimentos, e acrescentamos 1 GW no

sistema. Esse mesmo volume foi injetado

anteriormente em um período de 13 anos, de 1998

a 2011. Tivemos um salto virtuoso”, destaca.

Os últimos doze meses marcaram os principais

caminhos para a consolidação da energia eólica na

matriz elétrica brasileira e a fase competitiva da

fonte, com a entrega dos parques eólicos vendidos

no 2º Leilão de Energia de Reserva, de 2009. Além

dos números do segmento, dados do Plano

Decenal de Energia (PDE 2021), documento do

governo federal que define metas do setor de

energia para o período 2012-2021, evidenciam o

crescimento surpreendente da fonte

eólica no Brasil. Segundo o PDE 2021, a

Goiás assume 2º lugar na moagem de cana

Goiás está assumindo o segundo lugar no ranking nacional da moagem de cana-de-açúcar, posição

que era de Minas Gerais. Segundo previsões do Ministério da Agricultura, a safra goiana deve subir de

45,6 milhões para 53 milhões de toneladas enquanto a safra mineira, que em 2011 foi de 49,8 milhões de

toneladas, será de 52 milhões. O presidente -executivo dos Sindicatos das Indústrias de Fabricação de

Álcool e Açúcar do Estado de Goiás (Sifaeg/Sifaçúcar), André Rocha, afirma que o governo goiano

sempre deu muito apoio ao setor sucroenergético, com uma política onde a usina recolhe 30% do ICMS

e os outros 70% podem ser pagos até 2020. “É uma política de incentivos que não acontece só para a

indústria sucroenergética, mas para vários setores. Além disso, o governo investe muito em

infraestrutura. Isso tudo ajudou a viabilizar o polo de etanol no Estado”, diz o executivo.

participação eólica na matriz elétrica chegará a

9% em 2021, com 16 GW instalados.

Para o próximo ano, de acordo com a

presidente executiva da ABEEólica,

o Brasil atingirá 4 GW de

capacidade instalada. Com isso, o

País saltará da atual 16ª posição para

se posicionar entre os 10 países com

maior capacidade eólica instalada no

mundo.“O ano de 2012, sob o aspecto

da contratação, não foi um período

muito animador, visto que a economia

cresceu menos do que o esperado e as

distribuidoras estão sobrecontratadas. Para

2013 esperamos a retomada do

crescimento do PIB nacional, em torno de

4%, e a retomada nos níveis de

contratação de energia elétrica,

possibilitando, dessa forma, que seja

mantida nossa meta de 2.0 GW por ano,

garantindo a consolidação e a

sustentabilidade da indústria no longo

prazo”, vislumbra Elbia. (Com

informações da ABEEólica).

Unidade da BP Biocombustíveis

terá investimento de R$ 700 milhões

A

unidade Tropical, da BP

Biocombustíveis, uma das três

unidades de processamento de

cana-de-açúcar da companhia no

Brasil, receberá investimentos de R$ 700

milhões, o que permitirá dobrar a capacidade

de produção da indústria, localizada

em Edéia, no Estado de Goiás. A estimativa

é que sejam gerados 7.650 empregos diretos

e indiretos com a ampliação, considerando

a implantação e operação. As obras

terão início em 2013.

A capacidade de processamento de

cana- de-açúcar da Tropical será elevada

de 2,5 milhões para 5 milhões de toneladas

por ano, aproximadamente. A unidade

deverá operar a plena capacidade até

2014/2015.

O anúncio da ampliação foi feito durante

solenidade realizada em Goiânia. O

governador Marconi Perillo e vários auxiliares

de seu governo prestigiaram o evento

que contou também com a participação

do presidente executivo do Sifaeg/

Sifaçúcar, André Rocha.

“Desde que assumimos como operadores,

em maio de 2011, temos trabalhado

fortemente na melhoria da eficiência operacional

e em oportunidades de crescimento.

A ampliação da Tropical é um

marco significativo na estratégia de biocombustíveis

da BP e reforça nosso com-

Governador Marconi Perillo, vários de

seus auxiliares e André Rocha , presidente

do Sifaeg, participaram do anúncio dos

investimentos no município de Edéia

promisso com o setor sucroenergético brasileiro,

afirma o presidente da BP Biocombustíveis no

Brasil, Mario Lindenhayn.

Com a ampliação, a unidade Tropical poderá

produzir cerca de 480 milhões de litros de etanol

equivalente por ano e comercializar, aproximadamente,

340 GWh de energia elétrica para o

Goiás

Sistema Integrado Nacional (SIN). A BP, uma das

maiores companhias de energia do mundo,

anunciou em 2006 investimentos de mais de

US$ 2 bilhões em pesquisas, desenvolvimento e

operações com biocombustíveis, além de investimentos

em unidades produtoras na Europa e

Brasil.

Dezembro de 2012 • 9


Tecnologia

Etanol

do futuro

Biocombustível de segunda geração promete

dobrar a produção das usinas sem aumentar a

área de plantio de cana-de-açúcar

Guilherme Barbosa

O

Brasil se encontra em uma posição privilegiada

no que se refere à produção de

etanol. Apresentamos vantagens na tecnologia

de produção, além da possibilidade

de liderança do mercado de biocombustíveis

sem ampliar a área desmatada ou reduzir a área

destinada à produção de alimentos. Apesar da

produção convencional, alcançada a partir da

sacarose, ser um processo bem estabelecido, com

os menores custos, a maior produtividade e o

melhor balanço energético do mundo, ainda

espaço para crescimento. Para isso, uma das grandes

apostas do setor é o desenvolvimento científico

e tecnológico para a produção de etanol celulósico,

conhecido como etanol de segunda geração,

obtido através da biomassa composta pelos

rejeitos e resíduos das colheitas e do processamento

de vegetais.

Com a produção de 2G integrada à produção

atual, o Brasil terá um enorme potencial para

aumentar de forma sustentável a quantidade produzida

de etanol sem expandir as fronteiras agrícolas.

“Traduzindo em números, passaremos dos

atuais 85 litros por tonelada de cana-de-açúcar

para valores de, no mínimo, 120 litros por tonelada

já no início da utilização desta tecnologia, em

2016”, afirma o gerente de projetos do Centro de

Tecnologia Canavieira (CTC), Oswaldo Godoy. Com

a maturidade do processo e o aproveitamento de

açúcares conhecidos como C5, provenientes da

hemicelulose, o crescimento da produção de etanol

poderá superar a barreira dos 90% de volume

atual produzido na 1ª geração. Segundo pesquisas

da Embrapa Agroenergia, o País poderá exportar,

em 2020, 17,2 bilhões de litros de etanol de 2ª

geração, quase a mesma quantidade de etanol de 1ª

geração produzida atualmente. Ou seja, a produção

de etanol dobraria em menos de uma década.

Outra vantagem econômica relacionada às

10 • CANAL, Jornal da Bioenergia

exportações está baseada no compromiso da

União Europeia de incluir 10% de etanol em seu

diesel e gasolina. Para atingir este objetivo, a

preferência é dada ao 2G. A Dinamarca, por

exemplo, ao invés de adicionar 10% de etanol de

primeira geração, adicionará 5% do etanol de

segunda. Uma vez que este conta em dobro,

também terá um preço mais elevado. E por mais

que esta tecnologia esteja mais avançada nos

Estados Unidos da América, o potencial produtor

brasileiro é muito maior, sendo apenas necessários

investimentos certeiros no desenvolvimento

desta nova forma de produção.

A tecnologia para produção de etanol de 2ª

geração, ou de conversão de resíduos celulósicos

em etanol, teve grandes avanços nas ultimas

décadas. Este desenvolvimento é devido, principalmente,

ao emprego da hidrólise enzimática e à

pesquisa de processos bioquímicos. “Em praticamente

todas as rotas de conversão a solução é

tecnicamente viável, porém ainda está limitada

pela viabilidade econômica”, afirma o vice-presidente

de tecnologia da Dedini Indústrias de Base,

José Luiz Olivério. Para que o etanol de 2ª geração

se torne competitivo em relação ao de 1ª geração,

completa Olivério, é necessário que ocorra uma

redução significativa dos custos de investimento,

operação e manutenção.

Pesquisas

Para que o 2G se torne comercializável, as pesquisas

têm focado especialmente no aumento da

eficiência de cada processo, buscando a otimização

de todas as etapas. Inicialmente, estuda-se o

melhoramento de matérias-primas através do

desenvolvimento de espécies que possuam, além de

composição da parede celular desejável, alta produtividade

em sistemas de produção sustentáveis.

Como explica Cristina Machado, pesquisadora de

processos fermentativos da Embrapa Agroenergia,

“milhares de genes participam da síntese, disposi-

ção e função das paredes celulares, sendo que

poucos destes foram identificados e suas enzimas

correspondentes são ainda menos conhecidas.”

Em um segundo momento, as pesquisas focam

o melhoramento das etapas de pré- tratamento e

hidrólise enzimática. Através do conhecimento de

mecanismos de quebra da parede celular, pretende-se

alcançar processos mais eficientes e econômicos

de pré-tratamento termoquímico e de

hidrólise. Para este resultado, é necessário desenvolver

enzimas mais eficientes, além de definir

quais seriam as condições mais adequadas de

hidrólise enzimática. Por fim, é necessário desenvolver

os processos de fermentação, que precisam

ser capazes de fermentar pentoses e hexoses, além

de criar microorganismos resistentes às características

da matéria-prima e inibidores formados

durante o pré-tratamento. Quanto à fermentação,

Cristina Machado afirma que é necessário diminuir

o tempo que este processo necessita. Atualmente,

requer algo em torno de 24 a 72 horas.

Sarita Cândida Rabelo, em sua tese de doutoramento

intitulada “Avaliação e otimização de

pré-tratamentos e hidrólise enzimática para a

produção de etanol de segunda geração”, defendida

na Faculdade de Engenharia Química (FEQ)

da Unicamp, analisou estas três etapas da produção

do etanol 2G. Utilizando peróxido de hidrogênio

alcalino e hidróxido de cálcio para o pré-tratamento

do bagaço, Sarita Rabelo alcançou uma

produção em torno de 240 a 250 litros de etanol

por tonelada de biomassa. Através de uma parceria

com pesquisadores franceses, a autora da tese

ainda produziu biogás a partir dos resíduos obtidos

durante o processo. Sua tese demonstrou que,

para uma tonelada de bagaço, é possível produzir

uma quantidade de etanol que corresponde a

33% do valor energético obtido com a queima

dessa biomassa, além de atingir uma recuperação

de energia da ordem de 65%. Porém, a tecnologia

estudada por Sarita Rabelo ainda precisa ser competitiva

economicamente quanto a cogeração de

energia.

Através de um projeto de pesquisa executado

em conjunto com o Instituto Nacional de

Tecnologia Agropecuária (INTA) da Argentina, a

Embrapa estuda enzimas provenientes de microrganismos

isolados do país vizinho. Estes microrganismos

identificados pelo órgão de pesquisa

argentino produzem celulases, enzimas capazes

de degradar a celulose de materiais do bagaço da

cana, liberando açúcares menos complexos para a

fermentação. Segundo Thaís Salum, pesquisadora

da Embrapa Agroenergia e coordenadora da pesquisa

no Brasil, o custo de enzimas utilizadas na

etapa de fermentação é o principal entrave para a

viabilidade econômica do 2G, e sua pesquisa atua

para a solução deste problema.

O CTC também desenvolve soluções em tecnologia

para o processo de fabricação de 2G. Dentre

estas, pode-se destacar o desenvolvimento de

uma solução inteligente para alimentação de

bagaço e palha de cana no sistema de pré-tratamento

de forma contínua e sob alta pressão, o

que sabidamente não é um processo trivial; a

operação dos reatores de hidrólise com elevado

teor de sólidos, o que permite reduzir o tamanho

dos tanques e aumentar a produtividade do processo,

ou seja, produzir maior quantidade de

açúcar por tempo; e a redução no consumo de

insumos típicos deste processo, o que também

auxilia na redução do custo final do produto.

Bioenergia

Uma das principais questões que envolvem a

produção em escala comercial do 2G diz respeito

à cogeração de energia. Como ambos os produtos

utilizam como matéria-prima o bagaço da cana-

-de-açúcar, teoricamente, um eliminaria a produção

do outro. Porém, com investimentos em tecnologia

no parque industrial, esta situação é

contornável. Para o consultor de emissões e tecnologia

da União da Indústria de Cana-de-açúcar

(UNICA), Alfred Szwarc, uma provável saída é a

atualização de caldeiras em usinas antigas. “Com

a atualização do parque, é possível alcançar uma

maior eficiência durante o processo de aproveitamento

do bagaço, o que geraria uma maior sobra

deste produto”, explica. Porém, completa, esta

não seria uma dificuldade geral do mercado

emergente, já que novas usinas já apresentariam

caldeiras de última tecnologia.

Para José Olivério, caso a produção de 2G seja

realizada de forma integrada a uma usina de primeira

geração, ela será complementar e não concorrente.

“A usina continuará sendo auto-suficiente

em energia, podendo até mesmo exportá-

-la. O que é necessário é o aumento da produção

de etanol com a mesma quantidade de cana-de-

-açúcar”, afirma. Para este aproveitamento máximo,

são necessários investimentos em um “mix”

de produtos, que são selecionados através de

estudos de viabilidade de produção, que somam

questões como época de implantação da usina e

nível tecnológico do maquinário.

Outra possível saída é o desenvolvimento de

matérias-primas paralelas. Cristina Machado

explica que estão sendo realizados estudos para a

utilização de capim elefante, capim braquiária,

resíduos da produção florestal, panicuns e resquícios

da produção de dendê na produção de 2G e

bioenergia. Além disso, hoje, toda a palhada da

Alfred Szwarc,

consultor de emissões

e tecnologia da União

da Indústria de

Cana-de-açúcar

(UNICA)

cana-de-açúcar é deixada no campo. Acredita-se

que parte deste material poderia ser recolhido e

utilizado para a produção de ambos os produtos.

“Mas é claro que as usinas seguirão a lógica de

mercado, produzindo o que for mais favorável

economicamente no momento”, finaliza.

Projeto piloto

Seguindo países como Estados Unidos, China e

Itália, o Brasil está prestes a integrar o grupo de

nações que planejam iniciar a produção de 2G em

escala comercial a partir de 2013. O início das

operações da primeira planta industrial de biocombustível

celulósico do Hemisfério Sul está

previsto para o segundo semestre do próximo ano.

Com investimento de R$ 300 milhões, a planta

será construída no município de São Miguel dos

Campos, em Alagoas, pela multinacional brasileira

GraalBio. Esta será a sexta unidade industrial de

etanol celulósico no mundo, fato que explica a

sua importância para o setor.

A GraalBio acredita que a nova usina terá capacidade

de produzir até 82 milhões de litros de

etanol de segunda geração por ano, sendo que

sua tecnologia irá incrementar a produção doméstica

do combustível renovável sem a necessidade

de expansão de fronteiras agrícolas nacionais. Na

opinião de Alfred Szwarc, embora Brasil, Itália e

China estejam evoluindo na produção do biocombustível

celulósico, os EUA deverão liderar, durante

alguns anos, este mercado através de seus

investimentos em novas tecnologias de produção.

“Ao longo dos próximos dois anos, os norte-americanos

devem inaugurar três usinas dedicadas ao

combustível renovável de segunda geração. Serão

duas plantas no estado de Iowa e uma no Kansas,”

informa o consultor.

Dezembro de 2012 • 11


Cenários

Mercado em ascensão,

mas sem guinada

Fornecedores

apostam em novo

crescimento do setor

sucroenergético.

Dúvida é quanto

tempo levará para

atingir o patamar

ideal

Celso Junqueira Franco, presidente da Udop,

é cauteloso quanto ao futuro do setor

12 • CANAL, Jornal da Bioenergia

igor Augusto Pereira

Confiança é, por definição, a segurança sobre

determinado tema. Uma pessoa de confiança é

aquela em que se pode contar em situações

adversas. Já um segmento econômico em que

se confia é aquele cercado por expectativas e conceitos

positivos – em que se pode investir. Embora sejam avaliadas

com parcimônia desde a crise deflagrada em

2008, as estratégias de crescimento sustentável dos

mercados de açúcar, etanol e bioeletricidade vêm elevando

a confiança de investidores no setor sucroenergético.

É o que aponta um levantamento encomendado

pela empresa Reed Multiplus e Fundação para

Pesquisa e Desenvolvimento da Administração,

Contabilidade e Economia (Fundace).

O Índice de Confiança dos Fornecedores do Setor

Sucroenergético (ICFSS) é formado a partir de uma

avaliação conjuntural das condições atuais e das

expectativas manifestas por 94 organizações do setor.

Para sua 10ª rodada, as informações foram coletadas

em outubro por meio eletrônico e mostraram uma

evolução de 0,02 em relação à apuração anterior, de

julho. A média ficou em 0,54, em um intervalo que vai

de zero a um. Números acima de 0,5 indicam que os

empresários estão confiantes. O maior índice registrado

desde o início do levantamento foi em 2011, quando as

expectativas atingiram 0,72.

A explicação para o ânimo dos fornecedores reside,

em parte, na elevação da moagem. “No meio do ano,

houve um pequeno aumento da demanda. Os fornecedores

começaram a fechar alguns contratos e novos

projetos surgiram, fazendo que as condições atuais

voltassem a subir. Com a aproximação do fim da safra

e as notícias de que a moagem havia aumentado (se

comparada à safra anterior), a confiança no próximo

trimestre aumenta”, explica o pesquisador Luiz Paulo

Zirnberger, do Programa de Pesquisa em Agronegócios

da Faculdade de Economia, Administração e

Contabilidade de Ribeirão Preto (Agrofea/USP). A instituição

é a responsável pelo estudo.

Ainda que em um nível distante do patamar máximo,

o crescimento traz efeitos positivos ao mercado,

em virtude da estreita relação entre o desempenho das

empresas do setor sucroenergético e suas parceiras.

“Com a confiança em geral em um nível melhor, os

fornecedores podem começar a investir mais na produção

de máquinas e equipamentos para o setor, já que

terão uma maior demanda das usinas”, avalia Zirnberger.

Para o pesquisador, além das quedas na produção de

cana-de-açúcar, a instabilidade das políticas de incentivo

ao etanol geram uma espécie de “bola de neve”.

“Isso (a falta de incentivo) faz com que as usinas não

invistam em expansão e, com a falta da matéria-prima,

utilizem menos seus equipamentos, diminuindo a

demanda aos fornecedores. Além disso, ainda tem o

problema da diminuição das margens de lucro, os

impostos e o preço ‘fixado da gasolina”, pontua. De

acordo com a diretora-presidente da Associação de

Produtores de Açúcar, Etanol e Energia (Biocana), Leila

Alencar Monteiro de Souza, as políticas governamentais

pró-etanol serão determinantes para a competitividade

do setor em 2013. “Para a próxima safra, é preciso

vencer barreiras, facilitando o acesso ao crédito

para investimentos e desenvolvimento de tecnologias

que proporcionem uma maior produtividade, além da

ampliação dos canaviais e expansão das unidades produtoras”,

pontua.

Apesar da sinalização positiva, o presidente da União

dos Produtores de Bioenergia (Udop), Celso Junqueira

Franco, recomenda cautela na avaliação desses números.

“Por enquanto, ainda não existe uma sinalização

clara para o investidor. O primeiro sinal para a consolidação

dos investimentos em infraestrutura é a política

do País”, defende. Embora o ICFSS não apresente categorias

diferentes de fornecedores, Franco acredita que

os efeitos mais positivos serão sentidos por quem produz

e comercializa máquinas agrícolas, devido, em

grande parte, à demanda pela renovação de canaviais.

O centro de pesquisa que organiza este levantamento

justifica que o indicador agrega fornecedores de

diversas naturezas para dar uma visão mais ampla do

mercado. Assim, se há elevação no índice, é sinal que os

setores que apresentaram melhorias tiveram peso

maior que o daqueles em que houve baixa. “Dessa

maneira, não deixamos de mostrar o cenário de expectativas

reais”, completa o pesquisador Luiz Paulo

Zirnberger. No último levantamento, foram ouvidos

representantes de 94 empresas de produtos e serviços

para produção de açúcar, etanol e bioeletricidade.

Estabilidade ou crescimento?

Embora o setor sucroenergético dependa de

urgentes estratégias governamentais para vislumbrar

um cenário mais positivo, especialistas ouvidos

pelo CANAL acreditam que as iniciativas

encabeçadas pelo mercado surtirão efeitos positivos

a médio prazo. “Estamos vivendo uma crise

sem precedentes, mas com uma condição extremamente

favorável para o etanol”, cita Celso

Junqueira Franco, presidente da UDOP, citando a

alta presença de veículos flex na frota brasileira e

os estímulos à utilização de combustível limpo

pelo mercado externo.

Analistas de mercado estimam que a demanda

pelo etanol brasileiro deve aumentar em 2,8

bilhões de litros na safra 2013/2014 – reflexo do

aumento na mistura à gasolina e das exportações

para os Estados Unidos. Para suprir esse aumento,

será necessário produzir 36 milhões de toneladas

de cana-de-açúcar a mais. “Tradicionalmente, o

setor tem investido na redução de custos e na

otimização de produtividade”, argumenta Franco.

Para ele, o desafio não é apenas manter as usinas

à salvo da crise, mas criar condições para que elas

cresçam de maneira orgânica.

Apesar das críticas às barreiras políticas, a diretora-presidente

da Biocana, Leila Alencar Monteiro de

Souza acredita em um 2013 com avanços para o

setor. “O balanço e as projeções são positivas, desde

que não haja nenhum problema climático”, pontua.

Como medir a confiança?

O Índice de Confiança dos Fornecedores do

Setor Sucroenergético é medido por meio de

uma complexa metodologia, que joga luz à

maneira que os gestores avaliam as condições

atuais e suas expectativas em relação à

economia, o sistema agroindustrial, o segmento

de fornecedores do setor sucroenergético e sua

própria empresa. Os valores finais ficam entre 0

e 1. Números acima de 0,5 indicam que

empresário está confiante. Em todos os

levantamentos, o desempenho das próprias

empresas no presente e seus projetos para o

futuro apresentam os números mais expressivos

entre todos os indicadores.

investimentos ganham contorno

Um dos maiores termômetros para avaliar se

os fornecedores do setor estão prontos para

investir é a participação em encontros de negócios

e exposições. Maior evento temático do

setor na América Latina, a Fenasucro & Agrocana

espera receber mais de 500 expositores, acomodados

em uma área de 60 mil metros quadrados.

Agendada para agosto em Sertãozinho (SP), esta

edição projeta uma maior integração entre os

setores industrial e agrícola, absorvendo a Feira

de Fornecedores Industriais do Interior de São

Paulo (ForInd-SP). A justificativa da organizadora

é que o novo formato reflete o crescimento

do setor na economia brasileira, com ênfase

nas previsões otimistas da safra 2012/2013. De

acordo com o diretor comercial da organizadora

do evento, Fernando Barbosa, um novo

layout será apresentado ao público. “O objetivo

é otimizar o tempo do visitante, facilitando a

procura pelos produtos e o contato com os

expositores”, esclarece.

De olho na demanda por novas estações de

tratamento de esgoto para usinas, em alta há

cinco anos, segundo fontes internas, a Edra do

Brasil também deve incrementar sua participação

no setor sucroenergético em 2013. A ideia é oferecer

soluções mais modernas que as fossas sépticas

e fossas-filtro. Ao longo de 2012, a empresa

apontava um aumento de 50% na venda de

projetos especializados na área. “A Edra possui

uma posição sólida no fornecimento de produtos

e serviços para o setor sucroenergético e, nos

últimos anos, tem se consolidado cada vez mais

nos mercados de petróleo, gás e saneamento”,

explica o diretor comercial Luiz Pena. Uma das

perspectivas para 2013 é o lançamento de tubos

de plástico reforçado com fibra de vidro com até

2.600 milímetros de diâmetro.

Alguns levam ao nascer do sol, outros nos aproximam do

abraço que mora longe. Trilhamos caminhos de terra, asfalto,

areia, pedra e até mesmo de folhas que caem das copas das

árvores e anunciam uma nova estação.

Existem caminhos que levam a noiva até o altar e o estudante

até o seu futuro. Vias, atalhos, ruas e, por que não, as linhas

de um livro ou as linhas da mão. São todos caminhos que nos

inspiram olhar a diante para seguir em frente na busca do que

nos traz o sorriso para os lábios.

E o que é melhor: estará sempre em nossas mãos a escolha de

qual caminho seguir. É a vida nos presenteando, dia após dia,

com a oportunidade de ser feliz.

Dezembro de 2012 • 13


Produtividade

Variedades de

cana para o Cerrado

Durante encontro

técnico da Ridesa,

pesquisador da

Universidade

Federal de Goiás

destaca o programa

de melhoramento

genético em cana

propício para a

região

14 • CANAL, Jornal da Bioenergia

Ao aportar no Centro-Oeste brasileiro,

as empresas produtoras de

cana, açúcar e etanol encontravam

um grande potencial de

expansão, mas também muitos desafios a

serem superados em nome da viabilização

do negócio na região. Falta de mão de obra

e necessidade imediata de mecanização,

problemas logísticos, déficit hídrico e

ambientes de produção intermediários em

algumas áreas são alguns deles. Obstáculos

que têm sido superados com investimentos,

pesquisa, projetos de capacitação e

muita determinação dos profissionais da

cadeia produtiva.

Mas outro desafio para a produção

sucroenergética no Centro-Oeste do Brasil

tem impelido usinas e instituições de pesquisa:

o desenvolvimento de variedades

aptas às características do Cerrado. Esse

tema foi bastante discutido durante a

Reunião Ridesa de Variedades Centro-Sul

2012, promovida pela Rede Interuniversitária

para o Desenvolvimento do Setor

Sucroenergético (Ridesa), realiada no dia 4

de dezembro, em Ribeirão Preto, e que

reuniu quase 250 pessoas, entre produto-

res de cana, profissionais de usinas, pesquisadores

da Ridesa e de outras instituições

de pesquisa, estudantes e até mesmo profissionais

de outros países.

Em uma das palestras, Américo José dos

Santos Reis, professor da Universidade

Federal de Goiás e pesquisador da Ridesa,

relatou o trabalho que tem sido feito no

desenvolvimento de variedades de cana

aptas ao Cerrado. Ele apresentou novos

materiais RBs que são promissores para o

bioma e que podem ser lançados em breve

no mercado.

As estações da Ridesa, que são as usinas

conveniadas em Goiás (95% das unidades

no Estado), e os campi da federal goiana

têm papel fundamental no desenvolvimento

de variedades adaptadas à região, uma

vez que Goiás está no centro do bioma.

“Hoje, a variedade mais plantada tanto no

Cerrado como no Brasil em geral é uma RB,

a 7515. Um material que se adaptou bem

às situações de ambientes mais desfavoráveis

que caracterizam o Centro-Oeste. Por

isso, essa variedade é hoje a mais plantada,

considerando que o setor expandiu vigorosamente

para a região central do País e

precisou recorrer aos materiais existentes

no mercado, já que não havia variedades

desenvolvidas especificamente para o

bioma.”

A cana ideal - De acordo com ele, como

a RB86-7515 é mais responsiva às características

do Cerrado. Atualmente a variedade

ocupa cerca de 30% da área de manejo

e cultivo de cana na região. “E no momento

a tendência é crescer.” Mas Reis lembra

que, no trabalho de melhoramento, não

existe um material ideal. “As necessidades

mudam com o tempo, por isso precisamos

sempre evoluir. O melhoramento não tem

como fixar um alvo único. O alvo muda

com o tempo e os programas de melhoramento

vão se movendo em busca de novos

materiais.”

Exemplo disso é a colheita mecanizada,

que hoje é preocupação comum no desenvolvimento

de todas as variedades. Na

opinião de Reis, as características desejáveis

para uma variedade apta ao Cerrado,

além da alta produção de açúcar por hectare,

é a resistência ao déficit hídrico.

“Precisamos de materiais com boa resposta

à falta d’água, em relação com materiais

usados no Estado de São Paulo, onde a seca

não é um grande problema.”

Para o Cerrado, os pesquisadores buscam

variedades mais produtivas para áreas

canaviais marginais. “Temos ambientes que

não são tão propícios à cultura da cana.

Precisamos de materiais mais rústicos do

que os desenvolvidos para São Paulo.”

Recorrer às variedades disponíveis e

aptas aos Estados canavieiros tradicionais,

como ocorreu no momento de expansão do

setor em direção ao Cerrado, ficou para

trás. Na opinião de Reis, cada vez mais os

produtores de cana no Centro-Oeste têm

consciência da importância de se buscar

novos materiais, adaptados à região. “E a

maioria tem consciência que dá para fazer

esse refinamento. A dificuldade está em

identificar esses materiais e manejá-los da

melhor maneira.”

Entre as variedades RBs aptas para a

região do Cerrado, além da RB867515, o

pesquisador destacou a RB855536 indicada

para colheita no início de safra; a

RB855156, muito precoce e de alta produtividade;

RB966928, com excelente brotação

e reposta à mecanização, porém, não

indicada para plantio nos piores ambientes;

RB92579, boa brotação e responde

bem ao plantio e colheita mecanizada;

RB931011, possível de manejar em áreas

desfavoráveis; RB937570, com boa adaptação

ao plantio e colheita mecanizada;

RB965902, bem aceita em Goiás, rica em

açúcar e que não floresce.

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Dezembro de 2012 • 15


Divulgação/Case

Safra 2012/2013

Estimativas superadas, cenário

positivo para o próximo ano

Instituições ligadas ao

setor sucroenergético

avaliam que números

da produção na região

Centro-Sul serão

superiores à expectativa

divulgada em setembro

de 2012

16 • CANAL, Jornal da Bioenergia

Fernando Dantas

A

atual safra de cana-de-açúcar chegará

ao fim em março de 2013 com volume

de moagem de 532 milhões de toneladas

nas unidades produtoras da região

Centro-Sul. A perspectiva resulta em um crescimento

de 2,60% em relação ao valor projetado

em setembro de 2012, que era de 518,50 milhões

de toneladas. Com os dados, divulgados pela

União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), a

estimativa é de um cenário favorável para a produção

de açúcar e etanol no próximo ciclo –

2013/2014.

Para o diretor Técnico da Unica, Antonio de

Padua Rodrigues, o clima seco registrado em

novembro favoreceu a colheita, contribuindo para

aumentar a disponibilidade de cana para moagem.

“A melhor condição climática e a maior disponibilidade

de cana-de-açúcar fizeram com que

as unidades produtoras adiassem o encerramento

da safra, ampliando a moagem nos primeiros

quinze dias de dezembro”, afirma o diretor. Com

isso, na primeira quinzena de dezembro, os números

preliminares levantados pela Unica, em conjunto

com os demais sindicatos e associações do

Centro-Sul, indicam que a quantidade de cana-

-de-açúcar processada deverá ser superior a 17

milhões de toneladas. Já o acumulado desde o

início da safra até 15 de dezembro poderá alcançar

528 milhões de toneladas.

produção de açúcar e de etanol

O aumento no volume de cana esmagada também

deverá repercutir na produção de açúcar e de

etanol. A produção de açúcar esperada para o

final da safra deverá totalizar 34,05 milhões de

toneladas, 4,13% acima do volume projetado

anteriormente. No caso do etanol, a produção

estimada até o final da atual safra é de 21,33

bilhões de litros, sendo 12,48 bilhões de etanol

hidratado e 8,85 bilhões de litros de anidro, crescimento

de 6,63% sobre a projeção de setembro.

A produção de etanol anidro e a regulação vigente,

que exige a manutenção de estoques por

produtores e distribuidores no final da entressafra,

deverão resultar em um cenário de abastecimento

mais tranquilo nesse período de interrupção

da produção.

faturamento

Apesar do aumento na produção de cana- de-

-açúcar, o faturamento das empresas do setor

nesta safra poderá ficar aquém dos valores

observados em 2011/2012. Em São Paulo, principal

Estado produtor do País, o faturamento

médio da indústria até novembro

atingiu R$ 105,90 por tonelada

de cana, queda de

6,72% em relação aos R$

113,53 observados no

mesmo período da safra

anterior.

No caso do etanol, a receita média por tonelada

de cana, acumulada de abril a novembro deste

ano, totalizou R$ 92,18, queda de 10,34% em

relação aos R$ 102,98 por tonelada em igual

período da safra passada. O faturamento com a

comercialização de açúcar acumulado até

novembro desta safra alcançou R$ 118,70 por

tonelada de cana, retração de 3,95% em relação

aos R$ 123,59 por tonelada na safra 2011/2012.

A menor retração na receita observada na venda

de açúcar se deve à desvalorização cambial nos

últimos meses, que atenuou a queda de preço do

produto no mercado internacional.

O etanol hidratado, combustível vendido

internamente, continua sendo o produto menos

atrativo para o produtor. A receita média obtida

com a venda do produto nesta safra, acumulada

de abril a novembro de 2012, alcançou apenas

R$ 87,95 por tonelada de cana, valor consideravelmente

inferior ao observado para o etanol

anidro e o açúcar.

Segundo o diretor da UNICA, a situação do

setor produtivo de etanol é delicada, os custos e

o nível de endividamento de parte das unidades

continuam elevados e, dessa vez, o processo de

consolidação observado no passado deu lugar ao

fechamento de usinas em dificuldades, com direcionamento

da cana para outras unidades. De

acordo com Rodrigues, o fechamento de indústrias

vem reduzindo a capacidade de produção

do setor. Ele explica que o processo ocorre gradativamente

e pode não ser visível para alguns

porque ainda há capacidade ociosa nas usinas,

mas nos próximos anos essa perda de potencial

de produção “certamente trará impactos na oferta

de etanol e de açúcar.”

Até o momento, já existe a confirmação de

que seis empresas deixarão de processar cana na

safra 2013/2014. Adicionalmente, apenas duas

novas unidades produtoras estão previstas para

iniciar as operações no próximo ano, número

consideravelmente inferior ao verificado em

anos anteriores (em 2008/2009, por exemplo, 30

novas unidades foram registradas).

Cautela e ranking

Em Goiás, os preços baixos também causaram

preocupação para produtores e fornecedores.

Segundo o assessor técnico da Federação da

Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg) para a

área de cana-de-açúcar e bioenergia, Alexandro

Alves, os números alcançados na atual safra

foram diferentes da safra 2011/2012. “O produtor

fez renovação de canavial e plantação de novas

áreas, acreditando que os preços seriam bons.

Como foram feitos investimentos na lavoura, a

perspectiva é que a próxima safra possa ser

melhor, apesar de que a palavra de ordem será

cautela.”

Apesar dos preços baixos e da cautela, em Goiás

prevalece o otimismo. O Estado deverá ocupar o

segundo lugar no ranking de moagem de cana-de-

-açúcar, superando Minas Gerais. Segundo estimativas

do Ministério da Agricultura, a safra mineira,

que em 2011 foi de 49,8 milhões de toneladas, vai

subir para pouco mais de 52 milhões. Já a safra

goiana deve subir de 45,6 milhões para 53 milhões

de toneladas.

Até a primeira quinzena de dezembro, Minas

Gerais tinha alcançado 51,64 milhões de toneladas

de cana, 5,55% acima da safra passada.

Porém, de acordo com a Associação das Indústrias

Sucroenergéticas do Estado de Minas Gerais

(Siamig), o número não deverá se elevar muito,

porque parte das unidades do Estado encerrou a

safra na primeira quinzena de dezembro, restando

apenas seis, das 38 empresas participantes do

acompanhamento de safra da SIAMIG. Estas

empresas encerraram ou encerrarão a safra ainda

em dezembro. O secretário-executivo do Siamig,

Mário Campos, afirma que a ultrapassagem era

esperada, por causa do volume de investimentos

que Goiás recebeu em usinas nos últimos anos,

enquanto em Minas Gerais foram registrados

fechamento de quatro unidades industriais.

De acordo com o presidente-executivo dos

Sindicatos da Indústria de Fabricação de Etanol e

Açúcar do Estado de Goiás (Sifaeg/Sifaçúcar),

André Rocha, enquanto diversos Estados brasileiros

produtores de cana passam por retração, o

Estado goiano recebe incentivos, redução de

carga tributária e investimentos em infraestrutura

e logística, favorecendo o crescimento no

número de usinas, que deverá saltar de 34 em

operação para 39.

mato grosso do sul

A Associação dos Produtores de Bioenergia de

Mato Grosso do Sul (Biosul) deverá registrar o

volume de cana moída de 38,60 milhões de toneladas

até 30 de novembro de 2012 nas 22 usinas

de MS, superando o total da safra passada que foi

de 33,85 milhões de toneladas. No acumulado da

safra, até o dia 30, as usinas processaram um

volume de 35 milhões de toneladas de cana- de-

-açúcar no Estado. Esse número é 9,67% superior

ao colhido até essa data na safra passada (31,9 mi

toneladas).

Do total moído na atual safra, no acumulado,

36,34% foram para a produção de açúcar, um

total de 1,66 milhões de toneladas de açúcar. Já

para a produção do etanol, esse total foi de

63,66%, sendo que a produção até o dia 30 de

novembro ficou em 1.795 milhão de litros produzidos

no Estado. A estimativa da Biosul é produzir

1.989 milhão de litros de etanol na safra

2012/2013, volume 21, 95% acima da anterior

(1.631 milhões de litros). Já para o açúcar a produção

deve alcançar 1,92 milhão de toneladas

nesta safra, até agora, a produção foi de 1,67 mi

toneladas, o que já supera a produção total da

safra passada, que foi de 1,58 mi toneladas. (Com

informações da Unica, Siamig, Faeg, Sifaeg e Biosul)

Dezembro de 2012 • 17


Água e energia

Com investimentos

em preservação e

racionalização de

água e energia é

possível garantir

um maior lucro

para usinas e um

produto cada vez

mais sustentável

para o mercado

18 • CANAL, Jornal da Bioenergia

Economia

na indústria

Guilherme Barbosa

A

palavra de ordem é sustentabilidade.

Para este fim, os parques industriais

das usinas modernas tendem

a avançar para um total aproveitamento

de insumos em todos os seus processos.

O desperdício de água e energia deve ser

erradicado através de atualizações tecnológicas

e otimização do maquinário existente,

o que abrange melhorias em todas as etapas

do processo industrial. Desde a extração até

a destilaria, passando pela produção de açúcar

bruto ou branco, existem possibilidades

de melhorias a serem implantadas que reduzem

consideravelmente o consumo de água

e energia, garantindo a distribuição de produtos

cada vez mais verdes no mercado

mundial.

Da maneira como os processos das usinas

são realizados ocorem perdas, em média, de

mil quilos de água por evaporação, purga da

lavagem e bagaço. Por tonelada de cana-de-

-açúcar moída, perdem-se mais 40 quilos de

água na torta do filtro. Ao adotar melhorias,

como a limpeza da cana-de-açúcar a seco,

resfriamento por torres, aquecimento indireto

na destilação, monitoramento dos condensados

e separador de arraste, José Luiz

Olivério, vice-presidente de tecnologia e

desenvolvimento da Dedini, acredita que é

possível que a usina se tornem autossuficiente

em água. Em seus processos, só seria

utilizada a água contida na própria cana-de-

açúcar que, esmagada, apresenta 75% de

líquidos. Fora o desperdício de energia,

decorrente de parques desatualizados.

Existem diversas tecnologias disponíveis

no mercado, algumas para maximizar energeticamente

a usina e outras para reduzir,

ou até mesmo zerar a necessidade de captação

de água. A solução para cada usina é

específica. A customização deve ser planejada

de acordo com os produtos desenvolvidos

por cada uma e, no caso de usinas já

existentes, do nível tecnológico da planta

original. “Em novos projetos”, como coloca

José Olivério, “a harmonização e seleção de

tecnologias são facilitadas por não existirem

investimentos prévios já realizados,

não sendo necessários estudos de adaptação e

aproveitamento das instalações existentes.”

Os custos de implantação variam de acordo com

cada necessidade, pois a solução final será estudada

através da adoção de um conjunto de tecnologias

variadas. A decisão pela adoção de cada conjunto

de soluções é o resultado de uma análise

econômico- financeira, abrangendo as atividades

agrícolas e industriais.

Alternativas

Quanto ao reaproveitamento de água, o diretor

comercial da Sergam, Sérgio Gama, garante que

muitas medidas podem ser tomadas para a eficiência

deste processo. “O tratamento e reúso da

água utilizada na lavagem da frota de veículos é

possível, com um reaproveitamento de 95% do

efluente. O esgoto sanitário, assim que tratado

corretamente, também pode ser reutilizado em

caminhões pipa para a aspersão nas estradas de

terra”, afirma. Com esta tecnologia, é possível

alcançar uma economia de até 80% de gastos com

o consumo de água e coleta de esgoto.

Outra opção apresentada por Sérgio Gama é o

reaproveitamento da água das chuvas a partir de

um sistema automático de micro filtragem e

desinfecção. Este sistema, chamado de Pluv Clean,

controla fatores como pH, DBO, turbidez, odor e

abrasividade das águas pluviais, permitindo a utilização

de um produto sem custos que, antes, era

desperdiçado. Ao final do processo, esta água pode

ser utilizada em descargas de bacias sanitárias,

lavagem de calçadas e carros, irrigação de jardins,

resfriamento de equipamentos e máquinas, reservatórios

contra incêndios, entre muitas outras

opções.

Uma opção que garante reservas de água e

energia é a modernização de torres de resfriamento

de água. Segundo o gerente comercial da Alpina

Equipamentos, Antonio Chiachia, “estas torres, que

incorporam as mais recentes tecnologias, têm consumo

energético menor e permitem campanhas

maiores entre as paradas de manutenção e limpeza”.

Com um planejamento adequado, elas podem

ser inseridas em diversos setores da usina, como

nos sistemas de vácuo, condensadores de turbinas,

destiladores e dornas de fermentação.

Para a economia de energia, uma alternativa

viável é a atualização de cozedores. Esta ação permite

a instalação de mais área em um mesmo

volume, viabilizando o uso de vapores menos

quentes, antes descartados sem uso nas linhas de

condensados. Como explica o diretor da Alpina

Orion, Maximilian Goehler, “a economia de energia

passa obrigatoriamente pela economia de vapor

na produção do açúcar e do etanol. Melhorando os

processos de diluição e concentração, reduzimos o

consumo de energia desnecessária na evaporação

e ainda regularizamos o processo de cristalização.”

Como resultado final, aumenta-se a capacidade de

produção da planta, reduzindo a recirculação de

matérias.

Dezembro de 2012 • 19


Estudos têm foco no reúso

A água remanescente do processamento da

cana-de-açúcar pode ser reutilizada na própria

usina. No processo de produção de açúcar, onde

o produto final é seco, quase toda a sobra de

água pode ser reaproveitada. Durante a produção

de etanol, que precisa de um caldo concentrado,

este reaproveitamento também é possível,

embora menor. Estas são constatações de estudos

desenvolvidos na Faculdade de Engenharia

Mecânica da Unicamp (FEM) por Mauro Francisco

Chávez-Rodríguez, com orientação de Silvia

Azucena Nebra de Pèrez. De acordo com os estudos

de Chávez-Rodríguez para a dissertação

“Uso de Água na Produção de Etanol de Canade-açúcar”,

é possível, através do reciclo, reduzir

a captação de água para menos de um metro

cúbico por tonelada de cana-de-açúcar (medida

máxima permitida pela legislação para várias

regiões do Estado de São Paulo).

A pesquisa focou justamente nas várias

possibilidades de não só cumprir a lei, mas

também de garantir a sustentabilidade dos

processos. Entre os resultados, o principal foi a

constatação de que a água retirada da própria

cana-de-açúcar poderia ser reutilizada com

segurança. Além de ser reciclada durante a

embebição e na preparação do leite de cal, o

pesquisador adverte que os caminhões transportadores

de cana-de-açúcar carregam um

20 • CANAL, Jornal da Bioenergia

volume de água que, se fosse reutilizado, evitaria

a necessidade da captação de recursos de

outras fontes. Ele ainda acredita que, utilizando

estudos de “pegada ecológica”, seria possível

reduzir o consumo de quase 12 litros de

água por litro de etanol para 3,6 litros. Esta

redução drástica, que não envolveria o uso da

água da vinhaça, apresenta valores similares

aos da gasolina, por exemplo. Além destes

fatores, também foram analisados outros como

irrigação e sequestro de carbono.

Para mensurar o estágio de desenvolvimento

e sucesso da implantação de uma nova

tecnologia de produção, o Laboratório Nacional

de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE)

está desenvolvendo uma Biorrefinaria Virtual.

Simulando os processos de uma cadeia de produção

padrão, esta ferramenta avaliará a sustentabilidade

econômica, ambiental e social de

novas tecnologias. A partir deste programa,

será possível projetar as alterações na produção

das usinas e os impactos causados em seu

rendimento em relação aos resultados atuais,

ou seja, antes da possível implantação de inovações

tecnológicas. Esta avaliação prévia será

realizada através de dados sólidos oferecidos

pelas próprias usinas, podendo, inclusive, avaliar

propostas de otimização de maquinários já

implantados em seus parques industriais.

Ismar Almeida/Usina São Francisco-GO

Estudante cria coletor

caseiro de energia solar

Luiz Henrique Betty dos Santos, aluno da

Universidade São Judas, de São Paulo, criou um

coletor de energia solar, feito de material reciclável,

capaz de aquecer a água depositada em

um reservatório de 20 litros, e que pode ser muito

útil na economia de energia elétrica em comunidades

de baixa renda.

Apesar de os coletores feitos de material reciclável já

serem conhecidos, poucas são as regiões que os utilizam.

“O objetivo do projeto é popularizar a utilização

desse tipo de coletor de calor de custo zero e beneficiar

a população que vive em áreas de exclusão de energia

elétrica, como em zonas periféricas ou rurais”, explica

Luiz Henrique. O futuro engenheiro construiu três tipos

de coletores diferentes. Dois modelos utilizam caixas de

leite longa vida e garrafas PET e o outro, latas de alumínio.

Cada um deles é ligado por dois tubos de PVC formando

dois ramos para um reservatório representado

por uma caixa de isopor.

Depois de prontos, foram realizados dois ensaios

de exposição ao sol. Os coletores ficaram ao ar livre

durante um dia totalmente claro e ensolarado e, num

segundo ensaio, com o dia nublado e sem visualização

do sol.

Quanto maior a exposição ao sol, obviamente mais

energia os coletores conseguem captar e, por isso,

mais quente a água fica, atingindo uma temperatura

próxima dos 46 graus. No dia nublado, os coletores

captaram pouco calor, mantendo a temperatura da

água próxima à temperatura ambiente.

“O que chamou a atenção foi que no dia ensolarado,

um dos modelos avaliados, construído com material

reciclável de custo zero, conseguiu atingir uma

captação de energia térmica semelhante a um dos

modelos fabricados comercialmente com tubos de

PVC e analisado pelo INMETRO.”, explica Luiz

Henrique. As particularidades, maneiras de montagem

e aplicação foram apresentadas no 12º Conic -

Congresso Nacional de Iniciação Científica, realizado

pelo Semesp, na Universidade São Judas Tadeu (SP).

(Com dados da Assessoria de imprensa da Semesp).

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Dezembro de 2012 • 21


econhecimento

Canal Bioenergia vence 4º

Prêmio Faeg/Senar de Jornalismo

A

matéria ‘O diferencial que desenvolve

o campo’, capa da edição 70 do

Canal – Jornal da Bioenergia, foi a

vencedora na 4ª edição do Prêmio

Faeg de Jornalismo, na categoria Impresso. A

solenidade de premiação foi realizada no dia

30 de novembro, na sede da Federação da

Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), em

Goiânia (GO).

De autoria do jornalista Fernando Dantas,

a matéria mostrou a importância da capacitação

e da informação para desenvolver o

agronegócio, principalmente o setor sucroenergético.

Foram apresentadas experiências

de personagens que perceberam a necessidade

de buscar conhecimento para alcançar

resultados satisfatórios em campo, como é o

caso do jovem empresário Renato Osvaldo

Amaral, que investiu e administra, junto com

a família, a Usina Serra do Caiapó, em

Montividiu, região Sudoeste de Goiás.

Durante suas atividades na usina, Renato

voltou a frequentar as salas de aula e o

retorno veio com o aumento da produtividade

da usina e percepção de que era preciso

incentivar a capacitação dos colaboradores

da unidade industrial.

A matéria premiada revelou também os

caminhos para quem atua no campo e quer

se qualificar, por meio de projetos do Serviço

Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) e o

Empreendedor Rural – parceria do Sebrae

Goiás e Faeg –; experiências de usinas que

investem, constantemente, na qualificação

de seus integrantes; estudantes que participam

de atividades extra-classe para aperfeiçoamento

profissional e até mesmo como se

tornar um empreendedor no agronegócio.

De acordo com o jornalista Fernando

Dantas, abordar o tema ‘capacitação’ por

meio de experiências de pessoas que atuam

diariamente no agronegócio e que reconhecem

a importância de estudar, se informar e

se capacitar foi o que enriqueceu a matéria.

“Apresentamos casos de empresários, estudantes

e colaboradores que deixaram a zona

de conforto, retornaram às salas de aula ou

investiram na qualificação de seus trabalhadores.

Essas histórias positivas são estimulantes

e incentivam outros a também buscar

o aperfeiçoamento profissional. Acredito que

cumprimos nosso papel de informar, de realmente

apresentar o diferencial responsável

por desenvolver o campo”, destaca Fernando.

Para a jornalista Mírian Tomé, diretora editorial

do Canal, o Prêmio é extremamente

importante porque representa o reconhecimento,

de entidades de grande credibilidade,

FAEG e Senar, e da qualidade editorial do jornal.

“Essa é a nossa marca: fazer um jornalismo

sempre focado na ética e na qualidade.”

22 • CANAL, Jornal da Bioenergia

Diretores da MAC Editora , César Rezende e Mírian Tomé , ao lado do jornalista Fernando Dantas

Marcelo Martins, superintendente do SENAR, entrega Prêmio para Fernando, 1º lugar na categoria impresso

A

agroindústria canavieira é uma grande geradora

de resíduos, os quais, pela natureza orgânica

e pela ausência de contaminantes, apresentam

alto potencial fertilizante. Apesar disso, diversas

demandas competem pelo uso destes resíduos,

principalmente pelo bagaço de cana, que tem como

principal destino a geração de energia.

Da perspectiva do solo, no entanto, a prática de

retornar os resíduos para o campo representa a devolução

de nutrientes essenciais que estarão disponíveis

para os cultivos subsequentes, a manutenção da

matéria orgânica e estrutura do solo, provendo maior

resistência contra a erosão. Os resíduos têm potencial

para direta ou indiretamente afetar diversos processos

químicos, físicos e biológicos do solo intimamente

relacionados com a manutenção de sua capacidade

para dar suporte à produção agrícola. Os solos

tendem a ser mais produtivos quando a matéria orgânica

é adicionada regularmente.

Recentemente, o documento final da Conferência

das Nações Unidas para o Meio Ambiente e Desenvolvimento,

Rio+20, denominado “O Futuro que Queremos”,

ressalta a aplicação do chamado “princípio

dos três erres” (redução, reutilização e reciclagem) em

apoio à gestão sustentável de resíduos. Tal apoio corrobora

o que foi evidenciado primeiramente na RIO-

92, quando a grande maioria dos países membros reconheceu,

dentre outras, a necessidade de agregar o

conceito de sustentabilidade ao padrão de produção

agrícola atual.

Neste contexto, a compostagem é uma estratégia

tradicional de reciclagem de resíduos orgânicos, cujo

produto final constitui um fertilizante de alto valor

agronômico. O uso da compostagem de resíduos com

maior potencial poluidor, como é o caso da vinhaça,

vem atender à necessidade do desenvolvimento de

novas tecnologias de tratamento e uso para esse

efluente, uma vez que a sua crescente geração decorrente

do aumento da produção de álcool não comportará

apenas o uso em fertirrigação. Validar o processo

de reciclagem da vinhaça por meio da compos-

Palavra do especialista

Reciclagem da vinhaça

via compostagem

tagem de resíduos sólidos da agroindústria sucroenergética

e seu uso em sistema de cultivo de cana.

Pesquisas com foco na redução do consumo de

fertilizantes minerais em cultivos de cana-de-açúcar

através da reciclagem dos resíduos da agroindústria

sucroenergética foram desenvolvidas entre 2006 e

2011 pela Embrapa Tabuleiros Costeiros, por meio da

equipe estabelecida na Unidade de Execução de Pesquisa

situada em Alagoas. Os resultados mostraram

que a compostagem é uma estratégia eficiente na reciclagem

da vinhaça, tendo favorecido a sua transformação

em um insumo de alto valor agronômico,

isento do potencial poluidor original. Além de reciclar

cinco litros de vinhaça por cada quilo de resíduos sólidos,

o uso exclusivo do composto obtido proporcionou,

em nível experimental, incrementos de nutrientes

e matéria orgânica no solo com reflexo sobre a

produtividade da cana, que não diferiu daquela obtida

com fertilizante mineral. Por outro lado, o uso dos

compostos melhorou a qualidade industrial da cana,

que resultou no aumento de 5,5% no preço pago por

tonelada colhida.

Apesar dos resultados promissores obtidos em nível

experimental, tal desempenho necessita de validação

em escala de produção, de forma a se poder

demonstrar e documentar que o processo realmente

funciona. Neste sentido, na fase seguinte da pesquisa,

que se inicia no próximo mês de dezembro, os ganhos

econômicos decorrentes da redução dos custos

de produção e da elevação do preço pago por tonelada

de cana serão estimados mediante a validação da

tecnologia em escala comercial. Parceira da pesquisa

desde o início dos estudos, a produção e o uso do

composto serão validados em áreas comerciais da

Cooperativa Pindorama, no município de Coruripe,

AL. Envolverá ações integradas de pesquisa e validação

desenvolvidas pela Embrapa Tabuleiros Costeiros,

Embrapa Semi-Árido, Embrapa Instrumentação,

Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia

de Alagoas - IFAL e Universidade Federal de Alagoas

– UFAL.

tâmArA CLáudiA dE ArAújo

gomEs é pesquisadora de

Manejo de Solos da embrapa

tabuleiros Costeiros (Aracaju,

Se), na Unidade de execução de

Pesquisas (UeP) de rio Largo (AL).

Dezembro de 2012 • 23


abastecimento

Setor de estocagem

vive indefinição

A aguardada liberação

de R$ 4,5 bilhões em

créditos para estocagem

de etanol não surtiu

efeitos sobre as contas

das empresas que

comercializam esses

equipamentos

24 • CANAL, Jornal da Bioenergia

igor Augusto Pereira

O

aguardado efeito estabilizador sobre os

preços do etanol entre os períodos de

safra e entressafra, anunciado graças à

liberação de uma linha de crédito de R$

4,5 bilhões para estocagem do produto, não deve

ser sentido pelo mercado. Embora nem o

Ministério da Fazenda, nem o Ministério da

Agricultura, Pecuária e Abastecimento tenham

informado quanto desse montante já foi captado,

a expectativa é que a iniciativa repita o

desempenho de iniciativas similares lançadas

anteriormente.

Em 2009, o governo brasileiro disponibilizou

R$ 2,3 bilhões em créditos para usinas interessadas

em estocar etanol, mas apenas R$ 32,6

milhões foram captados. Na época, a União da

Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica) argumentou

que a baixa procura aconteceu em virtude

das altas taxas de juros – de 11,25% ao ano –,

além da lentidão na chegada desses recursos aos

bancos autorizados a fazer o empréstimo. Hoje,

com juros menores, as dificuldades continuam.

Em fevereiro do ano passado, o Conselho

Monetário Nacional ampliou o crédito, acrescendo

aos R$ 2,5 bilhões do BNDES mais R$ 2

bilhões de recursos da Poupança Rural do Banco

do Brasil. Desta vez, as taxas de juros foram fixadas

em 8,7 % ao ano. A regra estabelecia concessões

a usinas, destilarias, cooperativas de produtores,

comercializadoras de etanol e distribuidoras

de combustível cadastradas pela Agência

Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustível

(ANP). O foco seria a garantia da oferta de até 3,7

bilhões de litros de etanol combustível durante os

meses de entressafra da cana-de-açúcar.

“A linha vai facilitar a estocagem desse excedente

que é geralmente gerado na safra para a

entressafra. O objetivo é que nós consigamos

favorecer a estocagem de pelo menos três meses

de consumo”, declarou, na época, o secretário-

adjunto de Política Agrícola do Ministério da

Fazenda, João Rabelo. Fornecedores de equipamentos

de estocagem ouvidos pelo CANAL relatam,

porém, que as linhas de crédito do governo

surtiram pouco efeito sobre as vendas e o acesso

aos equipamentos segue comprometido.

“Chegamos a sentir algumas melhorias, mas

nada expressivo”, conta o diretor- presidente da

GBA, José Augusto Marconato. Segundo o

empresário, uma das explicações está no fato

de esta ser uma iniciativa isolada, que não

contempla uma retomada do setor sucroenergético

como um todo. Diante das incertezas

do mercado, as empresas optaram por não

contrair novas dívidas. “Foi um ano difícil para

as usinas e, consequentemente, para as

empresas que atendem o setor”, avalia

Marconato.

A iniciativa fixou períodos de contratação

distintos para as áreas produtoras: de maio a

novembro de 2012 para o Centro- Sul e

setembro de 2012 a fevereiro de 2013 no

resto do País. O pagamento obedece a mesma

escala: a partir de fevereiro para as operações

contratadas no Centro Sul e de julho nos

demais casos, sempre em três parcelas.

Procurado pela reportagem, o Ministério da

Fazenda não informou quanto do montante

total já havia sido captado até o fim de 2012.

Já o Ministério da Agricultura, Pecuária e

Abastecimento informou que não tem informações

sobre quanto foi contratado nessa

safra. Segundo a assessoria do órgão, em virtude

dos recursos serem provenientes de duas

fontes, os dados ainda não estão consolidados.

Enquanto as articulações governamentais

não geram impactos positivos sobre a competitividade

do setor sucroenergético, o mercado

aloca investimentos para reforçar a sustentabilidade

desses negócios. Além de agente

do setor sucroenergético, o Grupo Delta

Energia atua como fornecedor de logística

para este mercado, contando com um armazém

de etanol em Ribeirão Preto (SP). A

empresa decidiu investir na fabricação de

tanques em um momento em que havia excedente

de etanol e, assim, alta demanda por

soluções para armazenar o produto.

O complexo é constituído por 13 tanques,

com volumes que variam de 1 mil a 20 mil

metros cúbicos. Os estoques são divididos em

cinco grupos, com linhas de carregamento

distintas. Além disso, um laboratório fica responsável

por analisar a qualidade do etanol

recebido, diminuindo os riscos de contaminação.

Os espaços estão em consonância com a API

650, regra internacional que estabelece regras

de segurança para a armazenagem de combustíveis.

No Brasil, também é utilizada a NBR

7821, da Associação Brasileira de Normas

Técnicas. Com escritório no Brasil, Estados

Unidos e Suíça, o Grupo Delta Energia uniu sua

expertise na produção e comercialização às

visões sobre tendências de negócios do setor.

“Quase a totalidade do etanol produzido no

Brasil é armazenado nas próprias usinas.

Quando os canaviais do País apresentam alta

produtividade, há uma carência de espaço

para armazenamento de produto”, avalia o

gerente comercial da empresa, João Paulo

Haddad.

O executivo destaca que esse modelo

pode ser um aliado do produtor. “Em um

momento de sobra do produto, como aconteceu

em 2008 e 2009, o produtor que estiver

com tanques cheios tem no Armazém

Geral a oportunidade de continuar estocando,

sem ser forçado a vender a preços indesejáveis”,

avalia Haddad.

José Augusto Marconato, diretor-presidente da GBA

Outro benefício é a emissão de certificados

de garantia de depósito, que podem ser utilizados

pelas empresas para alavancar capital

junto a instituições financeiras. Para continuar

atendendo o mercado, o Grupo Delta

Energia estuda a criação de um espaço para

armazenagem de biodiesel, produto que integra

seu portfólio ao lado do etanol e da eletricidade.

Diferente da maioria das commodities, a

estocagem do açúcar requer cuidados especiais

para evitar a contaminação e o amarelamento

do produto. Além da vedação, obtida

por meio de portas e marquises especiais, uma

das preocupações é com a temperatura interna

do armazém.

Para atender esse segmento, a GBA dispõe

de silos metálicos com capacidade de até 3,5

mil toneladas, feitos em aço carbônico e chapas

laminadas. Existem, também, opções para

armazenar até 40 milhões de litros de etanol.

Nesse caso, os produtos contam com tetos

flutuantes ou geodésicos, selo em alumínio

para evitar evaporação de sistema de segurança

para proteger os estoques de incêndios e

descargas atmosféricas – uma das grandes

preocupações das empresas do setor em períodos

chuvosos, quando os estoques geralmente

estão em alta.

Dezembro de 2012 • 25


Carro flex

Hora de tirar o pé do freio e acelerar

em pesquisa e novas tecnologias

Desde o lançamento

do veículo flex no

Brasil, poucos avanços

foram alcançados

no desenvolvimento

de tecnologia

automotiva. Para

especialistas, com

o crescimento da

oferta de carros

multicombustíveis,

está mais do que na

hora de investir em

melhorias

26 • CANAL, Jornal da Bioenergia

Fernando Dantas

De janeiro a setembro de 2012, 91% dos

licenciamentos de veículos feitos no

Brasil foram de carros flex. Esse número

equivale a mais de dois milhões de

veículos comercializados, segundo dados da

Associação Nacional dos Fabricantes de

Veículos Automotores (Anfavea) e da União da

Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica). A procura

foi ainda maior entre os meses de junho a

agosto, por causa da redução do Imposto sobre

Produtos Industrializados (IPI), concedida pelo

governo federal. O etanol mais competitivo do

que a gasolina, aumento na produção de cana-

-de-açúcar, economia e sustentabilidade também

são motivos que explicam o porquê do

crescimento acentuado nas vendas de veículos

multicombustíveis.

Para especialistas, o cenário que se desenha

para os próximos anos é do acréscimo na procura

por carros flex no País, pois será raro algum

fabricante oferecer versões que utilizam apenas

um combustível. Mas apesar do crescimento na

oferta de carros e a inovação da possibilidade de

o consumidor escolher qual combustível quer

usar, a análise de alguns especialistas é que

pouco investimento vem sendo feito em tecnologias

para melhoria da eficiência energética do

motor flex a etanol, desde o lançamento do

primeiro veículo flex no Brasil – Volkswagen Gol

Total Flex -, em março de 2003.

Se comparado a outros países que tem

avançado em tecnologia, o Brasil ainda está

‘pisando no freio’ do desenvolvimento automotivo.

Desde o lançamento do Gol Total

Flex, há quase dez anos, o que se viu de

avanços nos veículos flex foram introdução

de airbags, sistemas de freio ABS e pouca

coisa no que diz respeito aos motores, tanto

para gasolina quanto para etanol. Por esses

motivos, especialistas do segmento chega-

ram a ressaltar que o carro flex era uma

inovação defasada e em estado de ‘estagnação’.

“Estagnado talvez seja uma palavra

pesada, porque o carro flex surgiu no mercado

brasileiro em 2003. O advento do veículo

flexível já é uma evolução e desde então já

passou por melhorias. A própria eficiência

melhorou”, defende o engenheiro e professor

do Instituto Mauá de Tecnologia, Renato

Romio.

De acordo com o professor, é o momento de

uma nova evolução, isso porque se comparado

a outros países, principalmente da Europa,

enquanto o Brasil criava o flex, os países europeus

melhoraram a eficiência do motor a

gasolina. “Agora, chegou a hora da gente fazer

essa etapa que a Europa fez quando estávamos

lançando o flex. Só que temos que fazer com o

motor a etanol, pois eles não vão fazer isso”,

reforça.

Renato Romio diz que dinheiro existe para

inovar e desenvolver algo inédito. Porém,

enfatiza o professor, melhorar a eficiência do

motor flex a etanol não é, ainda, uma prioridade.

“Talvez com a redução do IPI mantida pelo

governo, agora passe a ser uma prioridade

porque o ganho de eficiência energética passa

a ser premiado. O desafio será dosar a tecnologia

utilizada, porque todas as disponíveis

deverão ser caras. E o Brasil não foi feito para

motores caros. É preciso colocar algo que não

encareça tanto o motor”, reforça.

O engenheiro Renato Romio até arrisca

prever duas mudanças que devem surgir nos

próximos anos. A primeira, chamada de dow

size, será a redução do tamanho dos motores,

inserindo um tubo compressor para

compensar a diminuição. A outra será a

injeção direta do combustível. “Essas duas

alterações vão oferecer um aumento de eficiência

para o motor, utilizando gasolina e

etanol”, afirma.

Pesquisas e

diagnósticos

O consultor de emissões e tecnologia da

Unica, Alfred Szwarc, e o professor e pesquisador

do Instituto de Pesquisas

Tecnológicas (IPT) do Estado de São Paulo,

Francisco Nigro, divulgaram pesquisa, neste

ano, com foco nessa abordagem. Com o

título de ‘Etanol como combustível veicular:

perspectivas tecnológicas e propostas de

políticas públicas’, a pesquisa analisa a evolução

da tecnologia de uso do etanol como

combustível veicular no Brasil, apontando

os principais desafios tecnológicos a serem

vencidos para tornar o etanol mais competitivo

nessa aplicação e propõe ações de

políticas públicas que possam ajudar a vencer

esses desafios.

Segundo Alfred Szwarc e Francisco Nigro,

a introdução da tecnologia de motores flexíveis

no Brasil foi inicialmente baseada no

conceito da não modificação do motor a

gasolina original, de modo que, na primeira

geração, a atenção foi quase que exclusivamente

dedicada à funcionalidade do sistema

e atendimento aos requisitos de emissões,

com reduzida preocupação com o consumo

do etanol. Em uma segunda geração, de

acordo com os pesquisadores, houve um

maior equilíbrio no desenvolvimento do

motor para os dois combustíveis, com ganhos

de potência e torque para o etanol, na faixa

dos 3% a 4%. Eles reforçam que também foi

introduzido o uso de novos catalisadores e

velas de ignição adequadas para novas taxas

de compressão. Os dois citam que numa terceira

geração, adotada em alguns modelos

pelas montadoras com grande experiência

no desenvolvimento de motores a etanol, as

taxas de compressão se aproximaram bastante

das máximas taxas admissíveis para o

etanol com ganhos de torque para o etanol

acima dos 5%.

incentivo

Uma das soluções visualizadas pelos pesquisadores

Alfred Szwarc e Francisco Nigro

para melhorar a eficiência do carro flex no

Brasil é investir em pesquisas. De acordo com

eles, novos processos de combustão em

motores e novos combustíveis são, comumente,

realizados por universidades e institutos

de tecnologia, instalados nos países

que lideram a indústria automobilística, que

formam pesquisadores que irão se dedicar à

pesquisa e ao desenvolvimento dos novos

motores que asseguram a evolução tecnológica

do setor.

O que falta para liderar o desenvolvimento

na utilização de etanol em motores,

segundo Alfred e Francisco, é incentivo a

grupos de pesquisa em universidades e institutos

capazes de formar pesquisadores

competentes na área de uso de etanol em

motores. Entre os possíveis tópicos a serem

abordados estão cinética da combustão do

etanol em motores; visualização e simulação

da combustão em motores; desenvolvimento

e controle do processo HCCI (homogeneous

charge compression ignition);

desenvolvimento e controle do processo

CAI (controlled auto-ignition); catalisadores

especiais para produtos da combustão de etanol

etc.

Os pesquisadores complementam que a formação

de pesquisadores e, principalmente, a estruturação

de um programa de pesquisa na área de

motores de combustão devem ser objeto de uma

política pública voltada para a parceria dos institutos

de pesquisa e universidades com a indústria

automobilística. Como os recursos financeiros são

limitados, eles explicam que é importante concentrar

os trabalhos em algumas instituições mais

especializadas e melhor equipadas para evitar a

pulverização dos recursos em projetos de baixo ou

nenhum retorno prático.

Na pesquisa divulgada este ano, Francisco e

Alfred citam ainda que tanto as montadoras

como seus principais fornecedores instalados no

Brasil são empresas globais que procuram aproveitar

particularidades regionais para traçar

suas estratégias. Assim, várias dessas empresas

estabeleceram seus centros de competência

para combustíveis renováveis em suas filiais

brasileiras, por isso a importância de incentivar

políticas públicas voltadas ao fortalecimento da

engenharia automotiva dedicada à utilização do

etanol.

Uma medida apontada por eles para promover

uma competição ‘saudável’ entre as montadoras,

com a proposta de valorizar os veículos

energeticamente mais eficientes no mercado

junto ao consumidor, é o Programa Brasileiro de

Etiquetagem Veicular (PBEV), coordenado pelo

INMETRO. O Programa é aplicado de forma

voluntária aos veículos leves movidos a gasolina,

etanol ou GNV (de fábrica). Os fabricantes

que aderem ao programa testam parte dos

modelos que serão comercializados, declarando

ao INMETRO os valores de consumo de cada

combustível. Os modelos participantes são,

então, comparados de “A” a “E” dentro de suas

categorias. Os valores de consumo e a classificação

são informados nas páginas eletrônicas do

INMETRO e do CONPET e nas etiquetas afixadas

opcionalmente nos veículos pelos fabricantes

participantes.

Incentivos junto ao fabricante do veículo e ao

usuário final, de modo a valorizar a eficiência

energética e a sustentabilidade ambiental que

se pretende atingir, é um caminho verificado

pelos pesquisados para tornar o carro flex a

etanol mais competitivo. Outra ação sugerida

por eles, inclusive com ligação com incentivos a

pesquisas, é a criação de políticas de incentivo à

exportação da tecnologia flexível. Segundo

Francisco e Alfred, isso poderá fortalecer o

desenvolvimento da engenharia brasileira de

motores e certamente auxiliará no melhor aproveitamento

do etanol como combustível. A

exportação de veículos flexíveis para mercados

de países em desenvolvimento importadores de

petróleo e derivados pode ajudar a abrir novos

mercados para exportação de etanol e ajudar na

transformação do etanol em commodity.

Dezembro de 2012 • 27


Perfil

Na linha de frente

Leila Monteiro deixou uma promissora carreira no Jornalismo para se dedicar

ao setor sucroenergético. Hoje, está no comando da Biocana pelo segundo

mandato, engrossando a participação feminina nos cargos de alta gestão

igor Augusto Pereira

Mais uma semana de fechamento.

Embora um rigoroso planejamento

tenha sido feito, com

tarefas e prazos bastante definidos,

ainda há uma série de desafios que

emperram a conclusão do jornal. Os 30

dias que se passam entre a distribuição de

uma edição e outra podem parecer um

hiato considerável para o leitor, mas voam

para quem é responsável por fazer o fato

virar notícia.

Desta vez, uma dificuldade de última

hora coloca em risco a publicação da coluna

Perfil: avesso à ideia de revelar detalhes

sobre a própria trajetória em um veículo

de grande circulação, o personagem central

da matéria desiste de última hora de

conceder uma entrevista ao repórter do

CANAL. Em jargão jornalístico, a pauta cai.

É preciso pensar em um novo nome, ter

esperanças de que o perfilado seja capaz

de aderir à ideia em prazo hábil e, enfim,

agendar a entrevista – que, por excelência,

é mais longa que o habitual e tem como

objetivo principal jogar luz a fatos inusitados

e pouco explorados na trajetória do

personagem.

Surge, então, a ideia de antecipar o

contato com o nome indicado para a edição

seguinte da coluna. Para o alívio do

repórter, a personalidade atende com

prontidão e gentileza. Uma gentileza que

só poderia ser feminina. Uma prontidão

que só poderia ser de quem já esteve “do

outro lado do balcão” e conhece os percalços

para entregar ao público uma comunicação

clara e aprofundada tendo à sua

disposição o mínimo de tempo.

De um desencontro pontual e uma série

de encontros, nasce o perfil de Leila

Alencar Monteiro de Souza. Ao conceder

uma entrevista, retoma um caminho percorrido

muitas vezes durante os anos em

que foi profissional de imprensa. Hoje, sua

missão não é mais fazer perguntas, mas

ajudar a respondê-las.

Ex-editora da Rede Globo, Leila ocupa,

pela segunda vez, o posto de diretora-

-presidente da Associação de Produtores

de Açúcar, Etanol e Energia (Biocana) –

uma reorientação de carreira incomum,

mas que não a inibiu no momento de

aceitar o desafio.

– O jornalismo é uma atividade que nos

mantém conectado com os diversos setores

da sociedade, inclusive a economia. E a

agricultura sempre esteve no meu dia a

28 • CANAL, Jornal da Bioenergia

dia, bem como as questões ligadas ao meio

ambiente. Tudo isso caminhou para que um

dia eu atuasse no agronegócio. Trabalhar na

agroindústria canavieira foi um amadurecimento

profissional natural.

A dita relação com o campo vem da infância.

Nascida em Brasília (DF) e vivendo sempre

em grandes centros urbanos, em razão

do trabalho do pai, funcionário da Polícia

Federal, Leila aproveitava as férias para se

aproximar mais da vida rural.

“Costumava viajar para o interior de Minas

Gerais, onde moravam meus avós e tios. Era

a oportunidade de conviver mais de perto

com a natureza”, recorda. Nos demais meses

do ano, mesmo vivendo em apartamentos,

continuava a ganhar novas fronteiras graças

aos livros.

O sobrenome Alencar é compartilhado

com uma figura célebre da literatura brasileira:

o romancista José de Alencar, autor de

obras como O Guarani, Senhora e Iracema.

“Tenho descendência direta dele por parte de

minha avó paterna”, explica. À medida que

sua personalidade se moldava, a tradição das

letras criava novos contornos para o mundo

que criava para si.

– Quando concluí o Ensino Médio, cheguei

a fazer vestibular para Medicina, contrariando

minha vocação. Seria, talvez, a primeira

médica da família. Estudei muito e tive boa

colocação, mas não segui este caminho. No

ano seguinte, fui aprovada para os cursos de

Direito e Comunicação Social. Então, optei

pela carreira de comunicóloga.

Dividia seu tempo entre as atividades do

curso e o trabalho como revisora em um

jornal diário. Já graduada, foi radialista e

“Aprendi que não

devemos nos

acomodar em

nenhuma situação

da vida.”

redatora publicitária até chegar a emissoras

afiliadas da Rede Globo. “Hoje, tenho tarefas

ligadas à administração e à estratégia e, certamente,

trago para minha realidade as experiências

vividas”, argumenta.

A estreia no setor sucroenergético aconteceu

em 2004. Voltava de uma especialização em

Administração e Estratégia Empresarial focada

em responsabilidade social quando assumiu a

assessoria de comunicação de um grupo com

unidades em Minas Gerais e no Nordeste. “Não

pensei duas vezes em encarar este desafio”,

enfatiza.

No ano seguinte, chegou a Catanduva (SP),

onde está localizada a Biocana. Aquele era o

momento em que a entidade fazia planos para

reestruturar sua atuação na área do associativismo.

Assim, Leila foi convidada para o posto

de gerente executiva.

Para corresponder às exigências do cargo,

decidiu que era preciso aprender mais sobre a

realidade do mercado de cana-de-açúcar no

mundo. Assim, tornou-se mestre em Gestão

da Produção Industrial Sucroenergética.

A ascensão a diretora-presidente chegou

em 2010, ano em que coincidentemente o

Brasil elegeria, pela primeira vez, uma mulher

para o mais alto cargo do Poder Executivo.

Mas Leila prefere não falar em questões de

gênero e afirma que o compromisso com

resultados é o verdadeiro segredo para seu

destaque.

– Acredito que o bom profissional é aquele

que reúne as características necessárias para

exercer as funções a que se propõe e se adapta

aos requisitos exigidos pelo mercado de

trabalho. Isso não é uma questão de gênero.

Paixão pelo que se faz é o grande diferencial.

Aprendi que não devemos nos acomodar em

nenhuma situação da vida. É preciso estar

sempre atento ao que ocorre, porque as

mudanças são velozes. Quem não gosta de ser

surpreendido precisa aprender a antever as

situações.

Ao ser alçada a um cargo de alta gestão no

setor sucroenergético e discutir estratégias de

sustentabilidade junto a alguns dos maiores

players do mercado, Leila faz sua contribuição

para a construção de uma nova realidade

para a economia, o meio ambiente e a nação

brasileira. Em suas palavras, porém, é possível

enxergar além do discurso de grande executiva.

Ali está, também, a idealista, que se inspira

em outra personalidade visionária.

– Oscar Niemeyer dizia que quem não

sonha não realiza. É preciso sonhar. Tenho

projetos para o futuro, mas vivo um dia após

o outro. Cada passo é importante. Sou persistente

e, enquanto não realizo meus sonhos,

sigo trabalhando para conquistá-los.

Dezembro de 2012 • 29


destino de todos os carnavais

A capital de

Pernambuco

reúne, durante

todo o ano,

atrativos para

quem quer

descansar ou

mesmo desfrutar

de uma intensa

programação

cultural

Turista pode conhecer a cidade a bordo de um

catamarã, que percorre o centro histórico

30 • CANAL, Jornal da Bioenergia

igor Augusto Pereira

Hora de colocar as tradicionais roupas

brancas de Réveillon no armário e preparar

os ânimos para as próximas comemorações.

E que tal começar o primeiro

feriado prolongado do ano sentindo a energia

multicolorida do Carnaval? Para quem é adepto

do agito, uma grande pedida é Recife, capital de

Pernambuco. A festa popular tem ritmo próprio, o

frevo, que arrasta multidões pela cidade histórica.

O Galo da Madrugada, maior bloco de rua do

planeta, traz alegria a um público formado por

gente de diversas nações, idades e classes sociais.

Este ano, o bloco homenageia o Rio São Francisco,

curso d’água que é fonte de riquezas sociais e

culturais para a Região Nordeste.

Ao dançar o ritmo acelerado da marchinha

carnavalesca, observam os pernambucanos, os

foliões parecem estar descalços sobre água fervendo

– ou “frevendo”, no sotaque regional. Daí a

origem do nome frevo. Recife também é berço de

outras manifestações musicais, como o manguebeat,

um dos principais expoentes da agitação

cultural brasileira nos anos 1990. De caráter vanguardista,

o movimento reunia no mesmo espaço

a produção urbana e os ritmos tradicionais, sempre

enfocando temáticas sociais. A cidade também

está na rota da música eletrônica internacional,

graças à boa estrutura das casas de shows e

da realização de eventos temáticos durante todo

o ano.

Uma das explicações para a multiculturalidade

recifense está na forma como a região foi habitada.

Tribos indígenas, colonizadores portugueses,

franceses e holandeses, além de escravos trazidos

da África, foram povoando o lugar e agregando

seus hábitos à expressão local. Durante séculos, a

capitania de Pernambuco foi considerada o centro

político do País, sobretudo em virtude da

importância econômica da cana-de-açúcar. Até o

início do século XX, Recife era tida como a segunda

cidade mais influente no Brasil. Durante esse

período, a cidade passou por diversas reestruturações

urbanas, inspiradas em Paris. Perseguindo a

modernidade a todo o custo, a cidade ganhava

avenidas amplas e bem arborizadas. A iniciativa

teve reflexos sobre a vida cultural da elite e deixou

um inegável legado à arte produzida na região.

Ao desembarcar no Aeroporto Internacional

dos Guararapes, o caminho mais convencional

para as regiões de pousadas é pela orla da Boa

Viagem. Considerada a praia mais bonita do

Recife, é parada obrigatória para quem deseja

contemplar o mar. Com areias brancas e limpas,

é ótima para caminhadas ao fim da tarde.

Recentemente, o local recebeu reformas estruturais,

com luzes e calçamento mais modernos.

No site Trip Advisor, o internauta

PachecoPortoAlegre dá seu depoimento sobre o

cartão-postal da cidade:

– São sete quilômetros de areias claras, coqueiros

e um mar de águas verdes pontuado por piscinas

naturais. No extenso calçadão, há quiosques

padronizados, pista de caminhadas, bicicletas,

chuveiros, quadras. A água é morna e, dependendo

da maré, o banho é tranquilo. Ponto de encontro

de várias tribos – crianças, jovens e idosos de

todas as classes sociais –, a Praia de Boa Viagem

tem espaço para todo mundo. Creio que, além de

admirar a beleza, deve-se entrar no mar e experimentar.

Ainda conforme a maré, você terá banhos

Maior bloco de rua do

planeta, o Galo da

Madrugada anima o

carnal de Recife

e vistas diferentes do mar. Pra quem mora fora do

litoral, recomendo muito conhecer.

O mar, aliás, está bastante atrelado à formação

da identidade recifense. O nome da cidade vem das

formações rochosas que criam piscinas naturais no

mar, os arrecifes. Também abriga a maior concentração

de navios artificialmente naufragados do

País. São cerca de 17 locais em que é possível mergulhar

em águas claras, com visibilidade de até 50

metros de profundidade, e mornas, registrando

temperaturas médias de 26º C. Não deixe de conferir

o Navio Pirapama, um dos mais freqüentados. O

acesso é feito por operadoras de mergulho, que

contam com instrutores qualificados para a atividade.

Para o turista que não pretende se molhar, uma

excelente opção são os passeios de catamarã,

embarcação que percorre os rios Capibaribe e

Beberibe. Às margens do segundo está a Oficina

Brennand, conjunto arquitetônico construído a

partir das ruínas de uma olaria do século XX.

Exposição à céu aberto permanente, o local reúne

as obras do ceramista contemporâneo Francisco

Brennand, considerado um dos nomes brasileiros

mais expressivos no cenário artístico internacional.

São esculturas que povoam os espaços internos e

externos do ambiente, provocando reflexões sobre

a vida, o cosmos e o corpo.

Aos domingos, é realizada uma feira de artesanato

na Rua do Bom Jesus, localizada no centro

histórico do Recife. Durante a noite, a região concentra

bares e restaurantes bastante populares

entre nativos e turistas. Mas nem só de uma rica

programação cultural e paisagens paradisíacas se

alimenta o turista que decide ir à região. Vale experimentar

os pratos vendidos nos quiosques das

praias recifenses, como queijo coalho assado na

brasa, agulhinha e carangueijo. Se preferir uma

experiência gastronômica mais refinada, a recomendação

é provar as moquecas e caldeiradas

servidas pelos restaurantes da orla. A cidade é tida

como um dos grandes polos gastronômicos do

Nordeste brasileiro – são mais de seis mil estabelecimentos.

O calendário corre em Recife. Com tantas

opções, a dica é que o turista faça um roteiro prévio

para visitar todas as trilhas da cidade. Entretanto,

se não for possível cumprir a programação à risca,

a cidade abre os braços para uma segunda vez,

esperando o turista com uma água de coco na mão

e uma sombrinha de frevo na outra.

Não deixe de visitar:

n Oficina Brennand – Conjunto

arquitetônico que reúne galpões instalados

nas ruínas de uma olaria e áreas a céu

aberto, onde ficam expostas diversas

esculturas do premiado Francisco

Brennand. A cafeteria do local também tem

petiscos muito apreciados.

n Praia de Boa Viagem – Mais famosa

praia urbana de Recife, é destaque pelas

águas claras e mornas. Dedique alguns

minutos para pedalar ou caminhar pela

orla.

n Centro Histórico – Com construções do

período colonial, reúne comércio durante o

dia e lazer à noite. Confira o passeio de

catamarã.

n Marco Zero – Prédio situado em uma

bela praça. Dá uma boa noção da paisagem

urbana e geográfica do Recife, sobretudo

pelas influências holandesas.

n Mosteiro de São Bento – O mais

famoso templo religioso da cidade, tem

aspecto suntuoso. Na igreja, ergue-se um

altar de 14 metros. Uma aula prática de

arte barroca.

n Teatro Nova Jerusalém – Conjunto de

palcos ao ar livre, o local abriga uma das

mais tradicionais encenações brasileiras da

Paixão de Cristo.

n Casa dos Bonecos Gigantes – É onde

são produzidos as réplicas de celebridades

que são uma das marcas registradas do

Carnaval de Recife e Olinda.

Dezembro de 2012 • 31


Empresas e Mercado

A Camargo: duplamente premiada no “Empresas Destaque 2012”

A A Camargo foi premiada, no dia 05 de

dezembro de 2012, pela Ageap (Associação

Goiana de Empresários de Auto Peças), em evento

realizado no Master Hall, em Goiânia (GO). Na

ocasião, a Associação realizou a entrega do

prêmio “Empresas Destaque 2012” e, entre as 32

empresas premiadas, a A Camargo se sobressaiu,

sendo premiada em duas categorias: Peças para

tratores e Ferramentas. Na ocasião, o senhor

Antunes Alves Camargo recebeu, em nome da

empresa, os prêmios.

32 • CANAL, Jornal da Bioenergia

Fundada em 1964, a A Camargo é uma empresa

pioneira na venda de peças para tratores no

Estado de Goiás. Atualmente, a empresa possui

uma ampla linha de produtos, atendendo

produtores rurais, oficinas mecânicas, retíficas,

indústrias e consumidores em geral.

A empresa tem como compromisso atender às

necessidades de seus clientes com profissionalismo

e oferecer produtos de qualidade. Prêmios como

esses impulsionam a empresa a continuar

crescendo e avançando rumo à excelência.

Argus apresenta solução para incêndios em colhedoras de cana

Desde de janeiro de 2012, a Argus vem

instalando kits de combate a incêndio nas

colhedoras de cana de um dos maiores grupos

produtores de açúcar e etanol brasileiro: foram

instalados mais de 200 kits com redução de

perdas nas colhedoras por incêndio de 100%. O

kit de combate a incêndio comercializado pela

Argus é fabricado pela americana Amerex

Corporation, empresa com mais de 40 anos de

tradição no segmento de proteção contra

incêndio; projetado de acordo com normas

internacionais (NFPA 17) e aprovado pela

Factory Mutual Global, uma das maiores

organizações mundiais de gerenciamento de

risco e de resseguros industriais e comerciais,

com quase dois séculos de existência nos

Estados Unidos.

O sistema tem tecnologia para detectar e

avisar o operador da colhedora sobre um

princípio de incêndio e também para suprimir

automaticamente o fogo, evitando que o mesmo

se alastre. Como resultado, no caso de um

incêndio, a segurança do operador está a salvo,

os danos são limitados, a paralisação do veículo

e os prejuízos ao meio ambiente são reduzidos

ao mínimo.

Para maiores detalhes, acesse:

www.argus-engenharia.com.br

Equilíbrio registra

aumento na procura

de equipamentos

pelo BNDES Finame

A Equilíbrio registrou nos últimos

meses um aumento significativo na

procura por equipamentos pelo

BNDES Finame - Financiamento de

Máquinas e Equipamentos. Com

todo o portfólio de Peneiras

Rotativas, Ventiladores/Exaustores e

Telas de Ranhura Contínua

cadastrados no BNDES, a empresa

desenvolveu mais este canal para

facilitar o acesso dos clientes na

aquisição dos seus produtos. O

BNDES Finame divide-se em seis

linhas de créditos e três

modalidades de apoio para

financiamento por intermédio de

instituições financeiras

credenciadas, com condições

específicas para melhor atender as

demandas dos clientes.

Segundo Sérgio Bonissoni, do

departamento de Controladoria da

Equilíbrio, a empresa orienta o

departamento de vendas a auxiliar

o cliente em relação aos

equipamentos cadastrados

informando sobre o funcionamento

e os benefícios desta modalidade.

“Para ter acesso, basta a empresa

que vai adquirir produto ter em dia

suas certidões negativas de FGTS,

INSS e CQTF/Dívida Ativa”, explicou.

Bonissoni afirma que, embora o

formato não seja uma novidade

para as usinas, a Equilíbrio tem

registrado uma aceitação cada vez

maior deste financiamento, uma vez

que o custo de aquisição é

extremamente baixo e acessível e as

facilidades para a compra e

parcelamento do pagamento são

vantajosas.

Siemens fortalece atuação no setor sucroenergético

A Siemens fechou contrato inédito com a

Cocal Açúcar e Álcool para o fornecimento de

tecnologias capazes de impulsionar a eficiência

energética no mercado de açúcar e álcool

brasileiro. A companhia fornecerá, pela primeira

vez no setor sucroalcooleiro, dois turbo

geradores (2x51,3 MW) com solução de ciclo

regenerativo e otimização do balanço térmico. O

investimento, antes visto pelo setor como um

desafio tecnológico e também cultural, permite

às usinas duas opções: consumir a mesma

quantidade de combustível e gerar excedente

de energia ou manter a geração e reduzir a

quantidade de combustível.

“Trata-se da aplicação de uma tecnologia

dominada pela Siemens e já aplicada em outros

mercados, e que possibilita às usinas de açúcar

e álcool estenderem a geração de energia ao

período úmido do ano. Em linhas gerais, com os

novos equipamentos, a energia que era gerada

em oito meses, correspondentes ao período

seco do ano, pode ser estendida aos quatro

O Grupo Otavio Lage, proprietário das Usinas

Jalles Machado e Otavio Lage, e a Geociclo,

empresa nacional de biotecnologia, anunciam a

construção, em parceria, de uma fábrica de

fertilizante organomineral em Goiás a partir de

2013. O empreendimento demandará R$ 25

milhões em investimentos. O Grupo Otavio Lage

irá fornecer 100 mil toneladas dos resíduos

torta de filtro e cinza de caldeira, subprodutos

do processamento de cana e, em contrapartida,

comprará o fertilizante Geofert, fabricado a

partir desses resíduos. A unidade terá

capacidade produtiva de 50 mil toneladas de

fertilizantes/ano, podendo ser duplicada para

100 mil toneladas anuais em um ano. A ideia é

atender o mercado spot, gerando 90 empregos

diretos. A Geociclo planeja firmar outras

parcerias com usinas da região para receber

mais resíduos e dobrar a capacidade de

produção da fábrica.

Especializado em freio a ar.

Venda de kit para instalação de freios para reboque.

Conexões e flexíveis.

meses finais, em que ocorre o período úmido.

Ou seja, a economia de combustível favorece o

potencial para gerar energia nos períodos de

parada ou entressafra”, afirma Fernando Alves

dos Santos, Engenheiro de Vendas da Siemens.

Este contrato inédito com a Cocal é resultado

Grupo Otavio Lage e Geociclo anunciam fábrica de fertilizantes

Esta será a segunda planta industrial da

Geociclo no Brasil. A primeira, que acaba de

iniciar suas atividades, está localizada em

Uberlândia (MG) e sua produção tem atendido,

prioritariamente, os agricultores e produtores

do Triângulo Mineiro. Fundada há cinco anos, a

Geociclo se dedica, desde então, à pesquisa

para o desenvolvimento do fertilizante

organomineral, composto a partir de resíduos

provenientes do agronegócio. Para isso,

investiu R$ 30 milhões em pesquisa e

desenvolvimento . O Geofert é produzido a

partir dos resíduos da criação de aviários,

como o esterco in natura ou a cama de

aviários, e a torta de filtro e a cinza de caldeira,

subprodutos da produção de etanol, associado

a nutrientes minerais.

A fim de se instalar em Goianésia, a empresa

mapeou a região e constatou que no entorno da

unidade são gerados mais de 350 mil toneladas

Fone: Matriz (62) 3531-6000

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do avanço da Siemens no setor sucroalcooleiro

no Brasil e no aumento da capacidade de

produção e entrega de equipamentos. Nos

últimos cinco anos, a empresa mais que

triplicou a produção de turbinas e projeta

expansão para os próximos anos.

de resíduos orgânicos. Deste total, a Geociclo

utilizará menos de 30% para a produção inicial

de 50 mil toneladas de fertilizantes. Durante as

pesquisas, foram realizados mais de 40 testes

agronômicos em diversas culturas. Em média, o

fertilizante Geofert obteve aumento de 20% de

produtividade quando comparado aos

convencionais. Os testes apontaram ainda que o

produto proporciona a recuperação de solos

degradados e o aumento da vida útil dos

equipamentos.

Uma equipe multidisciplinar está à frente da

área de Pesquisa & Desenvolvimento da

companhia, com 13 novos projetos focados nos

mercados de agronegócios e mineração. A

empresa mantém diversos laboratórios, área de

testes e uma unidade experimental, em

Uberlândia (MG), onde também está localizada

a primeira fábrica. A sede administrativa fica no

Rio de Janeiro. (Com informações da Geociclo).

Dezembro de 2012 • 33


Setor energético

Especialistas afirmam que conceito

de Smart Grid já é uma realidade

Fórum reuniu

profissionais de

diversos países para

apresentar as projeções

do setor energético

para os próximos anos,

com a instalação das

redes inteligentes e a

conscientização dos

consumidores

Fórum contou com a presença de expositores de alto

nível e de vários representantes do governo brasileiro

34 • CANAL, Jornal da Bioenergia

Mais de 500 visitantes de toda a América Latina participaram do evento realizado em São Paulo

O

conceito de smart grid – ou rede inteligente

– não é mais apenas uma ideia de ficção

científica, mas está se tornando uma realidade

presente no cotidiano dos usuários

de energia no mundo inteiro, inclusive no Brasil. As

redes inteligentes são compostas pela aplicação de

tecnologia da informação ao sistema elétrico de

potência por meio de sensores, integrados com uma

infraestrutura de rede automatizada.

Realizado no último mês de novembro, em São

Paulo, o 5º Fórum Latino-Americano de Smart Grid

reuniu 49 palestrantes, sendo 22 internacionais, e

mais de 500 visitantes de toda a América Latina

para discutir os caminhos e as próximas etapas do

setor energético para a implantação eficaz das redes

inteligentes nos sistemas de transmissão em diversos

países, inclusive no Brasil.

De acordo com o Presidente do Fórum e membro-sênior

do IEEE (Instituto dos Engenheiros

Elétricos e Eletrônicos), Cyro Boccuzzi, a reunião de

profissionais do mundo inteiro promove a interação

entre locais onde a implantação das smart grids

está em andamento e outros, nos quais já estão

sendo usadas pelos governos. “A presença de expoentes

de alto nível de qualificação do setor elétrico

e de tecnologia, juntamente com representantes de

governos, ofereceu aos visitantes um debate pautado

nas discussões sobre a smart grid para os próximos

meses”, explica.

Apresentações

Membros do IEEE, uma das 36 organizações

apoiadoras do evento, ministraram palestras com

foco nos avanços das normativas para a estruturação

eficaz do sistema das redes inteligentes no

Brasil e em outros países da América Latina.

O vice-presidente do comitê IEEE P2030 Smart

Grid Architecture, Claudio Lima, participou do painel

“Uma visão sistêmica para a distribuição automatizada

– os progressos tecnológicos, arquiteturas

e de convergência com os recursos energéticos distribuídos”,

juntamente com o presidente da consultoria

Tempo Giusto, Eduardo José Bernini.

O doutor em economia e especialista em estratégias

de smart grid para os consumidores, Ahmad

Faruqui ministrou palestras sobre “Implementações

de tarifas dinâmicas em curso: Tendências e debates

relevantes” e “Teoria e prática para a implantação de

tarifas que realmente reflitam o custo do serviço”,

abordando as políticas de precificação adequada

para o setor energético, sobretudo com a adesão

das fontes renováveis.

As novas políticas de custo de energia previstas

pela Medida Provisória número 579 e seu impacto

na implantação do smart grid no sistema de transmissão

brasileiro foram discutidas durante a apresentação

do diretor-executivo da Harvard University,

Ashley C. Brown.

A palestra da presidente da consultoria To The

Point, Judith E. Schwartz, enfatizou a necessidade

de reeducar os consumidores para que saibam o que

é cobrado na conta de energia, como funciona esse

sistema e como é possível fazer o uso eficiente deste

recurso.

Segundo Cyro, o Fórum terminou com a apresentação

“Gerenciamento de capacidade da rede elétrica,

reduzindo a demanda de pico de clientes, sem interrupção

ou redução de serviço”, com o CEO da consultoria

Ecurv, Edison Almeida, explicando que o mercado

de smart grid está mais próximo de acontecer do

que muitos profissionais pensam. “As mudanças já

estão acontecendo no mundo e as empresas precisam

se preparar para migrar de um mercado muito

regulado para um mais competitivo,” explica.

presença do governo

A presença de representantes do governo federal,

como profissionais da Aneel, Anatel e de vários

ministérios foi considerada pelo presidente do

evento importante para a construção de alicerces

para o desenvolvimento nacional em diversos campos,

como acessibilidade, ciência e tecnologia,

indústria e comércio, entre outros.

“É importante notar que as tecnologias para o

smart grid não se restringem apenas ao sistema

elétrico nacional, mas também abrangem outras

áreas importantes, sendo um pilar estratégico relevante,

por exemplo, para o Programa Nacional de

Banda Larga, proposto pelo Ministério das

Telecomunicações”, afirma Cyro.

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