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ANO NOVEMBRO 1984 C^2QQ.QQ M 0 17<br />

mm<br />

NUVENS<br />

SUBURBANAS<br />

SOB O SOL<br />

DE IPANEMA.<br />

Eles não seguem a moda, têm<br />

filhos demais, comem na praia<br />

Os velhos habitues não<br />

escondem que estão chocados,<br />

protestam e se perguntam se<br />

o» ônibus Padron terão<br />

incorporado para sempre os<br />

"japeris" à paisagem de<br />

Ipanema<br />

01/<br />

• • v<br />

CeÉfl t Pastoral 1i\m*<br />

* N.ogJ.,j.2.'H<br />

IBIBLÍOTÍCA<br />

'PEPAI /<br />

QVEü VOU<br />

MOSTRAR<br />

QUEM E.<br />

.MM!<br />

ELE NÃO<br />

5f\B>E O QUE<br />

P>Z «.o0 ELE<br />

SE ESQUECE<br />

QOE OS<br />

F^R0ff/R0><br />

PE FIM PE<br />

C^ PALCOM&Ttfr,<br />

Aí POMfyTICtó,<br />

tlOTORItTfifr.** QUE<br />

pURANTE A,<br />

fEMANA /


Favelão - pág. 2<br />

Vmcveu<br />

Esta é a campanha que o<br />

Jornal do Brasil vem desen-<br />

volvendo junto à população<br />

com o objetivo de resgatar<br />

a "beleza" da grande "ci-<br />

dade maravilhosa...<br />

A campanha está intima-<br />

mente ligada à linha edito-<br />

rial que este jornal vem ado-<br />

tando durante algum tem-<br />

po. E o alvo principal des-<br />

ses ataques somos nós fave-<br />

lados; no entender deste jor-<br />

nal e muitos outros de sua<br />

linha; somos o Câncer da<br />

Sociedade, lixos de encostas<br />

e por aí vai. . . moradores<br />

de bairros vem participan-<br />

do, individualmente, e de<br />

forma bastante preconcei-<br />

tuosa, tentando com isso<br />

formar uma forte campanha<br />

contra os favelados; pensan-<br />

do que vão fazer voltar os<br />

velhos tempos e colocar em<br />

pauta a política de remo-<br />

ç|o como acontecia cons-<br />

tantemente há alguns anos<br />

atrás onde várias comuni-<br />

dades foram removidas e co-<br />

locadas em lugares sem ne-<br />

nhuma infraestrutura. Mas<br />

isso não tornará a repetir.<br />

Temos memória. E a cada<br />

experiência que vivemos<br />

costumamos não querer re-<br />

peti-las. Redescobrimos<br />

nossos direitos enquanto ci-<br />

dadãos, e a partir daí nin-<br />

guém irá se sobrepor a<br />

nós, agora temos consciên-<br />

cia de nossos direitos jurí-<br />

dicos no que diz respeito a<br />

TERRA, a melhoria que nós<br />

fizemos, a importância da<br />

nossa organização em torno<br />

das nossas associações de<br />

Moradores, e por isso luta-<br />

remos até o último instan-<br />

te. Não nos intimidamos<br />

com a colocação de alguns<br />

rótulos pejorativos. Resis-<br />

tir, este sempre foi o nosso<br />

lema e a nossa prática des-<br />

de que os Portugueses che-<br />

garam a esta terra chama-<br />

da Brasil e expulsaram seus<br />

primeiros ocupantes, a par-<br />

tir daí, então, não tive-<br />

mos mais sossegos, tal prá-<br />

tica se alastrou até os dias<br />

de hoje. Fomos também ex-<br />

pulsos de participação igual<br />

nos lucros.<br />

NÃO DÂMAISPRÂ RE-<br />

MOVER TEM QUE URBA-<br />

NIZAR E RECONHECER<br />

QUE SOMOS 1/3 DA PO-<br />

PULAÇÃO DO RIO DE JA-<br />

NEIRO E TAMBÉM FOR-<br />

MAMOS 2/3 DA POPULA-<br />

ÇÃO POBRE DO PLANE-<br />

TA.<br />

o fAvelÃo reM o.<br />

£SPACO p/et) você<br />

T<br />

coMe. ^<br />

. QuiefiA<br />

VAMOS lA'/*<br />

l<br />

á<br />

EXPEDIENTE FAVELÃO<br />

Um Jornal feito por favelado para favelado<br />

Rio de Janeiro NP 17 — setembro/outubro 84<br />

Comunicamos à população em geral e,<br />

em particular, à todas as comunidades parti-<br />

cipantes do Projeto Urbanização Comunitá-<br />

ria/Mutirão, que se abriga há três anos na<br />

estrutura da Secretaria Municipal de Desen-<br />

volvimento Social, que a equipe que concedeu e.<br />

vem tocando o referido projeto ao longo de :<br />

toda a sua existência foi demitida sumaria-<br />

mente. 0 caráter arbitrário desta demissão<br />

surpreendeu-nos na medida que não houve o<br />

menor espaço para discussão, tanto dos nossos<br />

direitos como também da sorte política de<br />

nossa proposta.<br />

0 Projeto Mutirão, como era chamado<br />

originalmente, surgiu como uma conquista<br />

democrática na luta contra as práticas da<br />

política de remoção de favelas e como uma<br />

proposta de mudança da tradicional relação<br />

dientelista do Estado com as comunidades<br />

de baixa renda. Ele se desenvolveu numa pro-<br />

veitosa troca de experiência, desde o planeja-<br />

mento à ação, com a participação da comuni-<br />

dade organizada e da equipe interdisciplinar<br />

do Projeto, resultando na realização de inúme-<br />

ras obras de infraestrutura básica e outras<br />

melhorias.<br />

0 compromisso assumido junto às co-<br />

munidades, de efetivar ações coerentes com essa<br />

concepção, nos obriga a alertar para as mu-<br />

danças em curso na SM D e suas possíveis<br />

conseqüências. Está chegando ao fim, com a<br />

demissão sumária de toda a equipe, a expe-<br />

riência democrática do Projeto Mutirão.<br />

Atitudes com essa, tomadas em detrimento<br />

de proposta de cunho social, levadas à prática<br />

por profissionais que já demonstraram, em anos<br />

anteriores, indiscutível competência técnica,<br />

nos leva a questionar os rumos da orienta-<br />

ção política da atual administração. A Se-<br />

cretaria Municipal de Desenvolvimento Social<br />

não é, e nem pode pretender ser, uma Secretaria<br />

de Obras. Frisamos esta questão por vislum-<br />

brarmos uma política tecnocrática em ascenção,<br />

que minimiza os aspectos sociais que devem<br />

nortear todas as ações desta Secretaria.<br />

^<br />

Endereço<br />

Favela Parada de Lucas<br />

Rua da Democracia, 27<br />

Secretária<br />

Sandra Helena T. Bello<br />

Arte<br />

Sérgio Canda, Ykenga e Palermo<br />

- Reportagem<br />

Sandra, Palermo, Canda, Ykenga, Doca e Célia<br />

, Colaboradores<br />

Lauro e Elias<br />

Jornalista ResDonsável<br />

nilrla Gilda Vipira Vieira ^'<br />

Composição<br />

Hipotenusa-Composições Gráficas<br />

Av. Pres. Vargas, 583/1019 - Tel.: 231-1065<br />

Fotolito e Impressão<br />

0 Fluminense<br />

Rua Visconde de Itaboraí, 184- Niterói<br />

Tel.: 719-3311<br />

Distribuição<br />

Equipe<br />

TGL.R/ recados: 231 2010 R: 374 à tarde<br />

CARTA ABERTA A POPULAÇÃO<br />

ríitó<br />

Moramos numa Favela<br />

que muitos vivem a criticar<br />

nós somos crianças pobres<br />

Mas temos o direito de criar<br />

Dispensar a experiência e o potencial de<br />

trabalho de 21 profissionais, além de demons-<br />

trar o uso arbitrário do poder, revela objetivos<br />

políticos de determinado grupo se sobrepondo<br />

aos interesses da população comprometida com<br />

.a história do Projeto. Estamos sendo demi-<br />

tidos pelo que representamos. Represen-<br />

tamos uma experiência de trabalho marcada por<br />

uma visão democrática e pluralista e por um<br />

profundo respeito pela comunidade organizada.<br />

"Alertamos a todos para algumas manobras<br />

em curso: em primeiro lugar, os mesmos que<br />

estão obstruindo a aplicação da verba liberada<br />

desde abril e o início das obras, agora tentarão<br />

jogar a culpa pelo referido atraso nas costas da<br />

equipe do Projeto; em segundo lugar, ma-<br />

nifestamos a nossa preocupação com a efetiva<br />

realização das obras previstas para este ano bem<br />

como com a manutenção da metodologia de<br />

trabalho até então desenvolvida.<br />

Por fim, denunciamos que por trás da<br />

propalada "reformulação' 1 da SMD, (enca-<br />

minhada pela secretária Dilsa Terra e pelo seu<br />

Chefe de Gabinete Aristides da Matta), en-<br />

contra-se uma tentativa de reestruturação, das<br />

antigas práticas do clientelismo.<br />

Rio de Janeiro, 24/09/84<br />

A EQUIPE DO PROJETO<br />

'jP-^k O que tem dentro de nós<br />

"^à queríamos ter a chance de mostra<br />

a simplicidade e a beleza<br />

garanto que irão gostar -Ptifé/e/Ha<br />

Somos inteligentes<br />

Como qualquer outra criança<br />

Temos garra, temos pique<br />

Temos fé e esperança<br />

nome:<br />

Evfinia (Vidigal)<br />

ASSINE O FAVELAO POR 1 ANO Cr$ 5O00. OOl<br />

(mande cheque nominal a Célia Fernandes<br />

Correja e Gilda Rodrigues Vieira)<br />

I end.: n.o<br />

| apt.o tel.:<br />

I Envie este recorte para a redação do jornal<br />

V ftua dp Democracia, 27-- 1 -1 > airada de Lucas - CEP 2 V 20p


FavaUo - pég. 3<br />

'Despejo Mom/zoo MATMZ 9<br />

AMEAÇA DE REMOÇÃO<br />

llá mais de 27 anos, vi-<br />

vendo o tormento do "fan-<br />

tasma da remoção", a Co-<br />

munidade da Matriz, em<br />

Guaratiba, organizou-se em<br />

torno de sua Associação de<br />

Moradores (AMMG), e com<br />

apoio da Paróquia local po-<br />

de desenvolver uma grande<br />

mobilização onde todos<br />

com o desejo de obter o<br />

direito de moradia, foram<br />

em agosto do ano passado<br />

ao Palácio Guanabara, on-<br />

de promoveram uma mani-<br />

festação com faixas e pro-<br />

dutos extrafdos de sua re-<br />

serva biológica (peixe, co-<br />

co e aipim).<br />

A LUTA ORGANIZADA<br />

IfOrn 2 anos de luta,<br />

a Associação de Morado-<br />

res da Matriz de Gua-<br />

ratiba, tendo Luiza Ma-<br />

ria á frente da presidên-<br />

cia, veio comprar a briga<br />

com os grileiros. Com as<br />

constantes ameaças de des-<br />

pejo, a Paróquia São Sal-<br />

vador, localizada na Matriz,<br />

se solidarizou com a luta<br />

pelo direito a terra, foi<br />

quando a Pastoral de Fa-<br />

velas prestou o seu apoio<br />

jurídico.<br />

Após se manifestarem<br />

â frente do Palácio Gua-<br />

nabara, onde todos pediam<br />

uma posição das autorida-<br />

des competentes, desse mais<br />

um atentado ao povo, aos<br />

trabalhadores, a mola pro-<br />

pulsora da riqueza do Esta-<br />

do e do País, em detrimen-<br />

to de uma minoria que vê<br />

nas terras produtivas ape-<br />

nas dinheiro imobiliário,<br />

onde nada plantam, nada<br />

fazem, a não ser, em favor<br />

de sua riqueza individua-<br />

lista.<br />

/\pós a manifestação os<br />

moradores foram encami-<br />

nhados para a Secretaria de<br />

Agricultura, onde quase na-<br />

da foi resolvido.<br />

Em março desse ano, a<br />

Comunidade da Matriz de-<br />

parou com o fantasma da<br />

ATE m RM cmm A HORA<br />

C ?<br />

^om dezenas de faixas,fc<br />

na manhã de sexta-feira, 21^1<br />

de setembro, a Comunidade'<br />

da Matriz fez a sua festa.<br />

Palanque florido e tudo<br />

muito bem organizado, o<br />

clima estava num pique de<br />

vitória; cabendo a Vivaldo<br />

Barbosa, Secretário de Justiça,<br />

representante do governo<br />

do Estado, assegurar a<br />

posse da terra as 110 famílias,<br />

e prometendo que<br />

em breve serão entregues<br />

os títulos de propriedade. :<br />

/\s palavras emocionadas<br />

de José Medeiros, represen-<br />

Dr9 Maria de Lourdes, tante do Retiro de Guaraque<br />

representando os her- tiba, foram de um concendeiros<br />

do já falecido Antô- so de todos:<br />

nio Fernandes dos Santos, "— Espero que muitos<br />

remetia promissórias (direi- desses encontros (assegurar<br />

tos hereditários), onde os a terra aos posseiros) veduvidosos<br />

da vitória se cur- nham a surgir porque temos<br />

varam e pagaram tais taxas, um governo que está do<br />

que é sem dúvida, um pas- nosso lado". .<br />

sado a esquecer.<br />

|ã 58 anos morando na<br />

Matriz, Matri D. Júlia, apesar de<br />

pertencer a parte da Matriz<br />

O POVO CLAMOUE ainda não desapropriada, fa*<br />

O GOVERNADOR lou da importância do go-<br />

ESCUTOU<br />

verno em atender de imediato<br />

a parte que /'a ser<br />

desapropriada.<br />

^Jerca de 300 pessoas iam<br />

se acomodando para ouvir<br />

seus representantes e autori-<br />

dades governamentais. Das<br />

autoridades governamentais,<br />

por certo, todos estavam es-<br />

perando que este, reafirmas-<br />

se sua disposição a favor de<br />

seu povo; todos na especta-<br />

tiva de ouvir, dum gover-<br />

no popular que realmente<br />

aspire o anseio do povo,<br />

que é, o de assegurar, o de<br />

garantir justiça em iodos os<br />

níveis.<br />

José Fernandes, membro<br />

da Associação de Morado-<br />

res do Retiro, disse que<br />

na fazenda Engenho Novo,<br />

ao lado do Morgado, que<br />

fora desapropriado, ainda<br />

há intrigas por parte dos<br />

"grandes proprietários",<br />

que por falta de uma de-<br />

marcação precisa da área de-<br />

sapropriada, ainda se jul-<br />

gam donos das terras. Caso<br />

como o da companhia .Lpzer<br />

Imobiliária. E também colo-<br />

ca uma preocupação com a<br />

Comunidade de Santa Leo-<br />

cádia, que fora despejada,<br />

onde 84 famílias foram ex-<br />

pulsas da terra para dar<br />

lugar a meia dúzia de ca-<br />

sas de veraneios.<br />

/\ experiente Madalena,<br />

representando a Equipe Co-<br />

munitária da Pastoral de Fa-<br />

velas, colocou que há 14<br />

anos fora despejada, uma<br />

experiência muito triste, diz<br />

|/lada lena: "E se a Comunida-<br />

de da Matriz, não se organi-<br />

za e grita, como é que os<br />

governantes ouviriam. Eu<br />

acredito na união do povo,<br />

assim como nesta santa<br />

equipe de governantes, que<br />

sem dúvida vem lutando<br />

com todos os esforços para<br />

acabar com esses despejos".<br />

r^. José, representando a<br />

Coordenação da Pastoral de<br />

Favelas da Zona Oeste, fa-<br />

lou da importância da união<br />

para reivindicação. "Um po-<br />

vo que reivindique seus di-<br />

reitos, e que este cobra o<br />

seu direito de serem reco-<br />

nhecidos como pessoas".<br />

QjSecrtário de Assuntos<br />

Fundiários, Dr. Edgard Ri-<br />

beiro, exalta a direção de<br />

Luisa junto â Associação de<br />

Moradores da Matriz, que<br />

soube organizá-la e conquis-<br />

tou a vitória, e diz: "Nos-<br />

so governo mais uma vez<br />

não se curvou diante de<br />

luta em defesa do direito<br />

á terra pra quem nela mo-<br />

ra, evintando que se consu-<br />

masse mais uma violência<br />

contra o povo. Se vendo<br />

no comprimosso de acabar<br />

com a insegurança dos que<br />

vivem na terra, e se' sen-'<br />

remoção, mas os moradores<br />

já estavam organizados e bo-<br />

taram a boca no trombone.<br />

O Estado se solidarizou com<br />

as vítimas dessa lei atual-<br />

anti-povo. De imediato a Se-<br />

cretaria de assuntos Fundi-<br />

ários, na pessoa do Dr. Ed-<br />

gar Ribeiro, atual Secretá-<br />

rio, desapropriou parte do<br />

terreno. Foram 162 milhões<br />

que o Estado teve que inde-<br />

nizar os herdeiros da terra<br />

que seria do povo.<br />

■<br />

judô vai bem, até que<br />

se vê que o governo tra-<br />

balha no que se trata de<br />

desapropriação da terra (de-<br />

volverão povo o que é do<br />

fl combativa Luisa Carrillo.<br />

tem ameaçados de a qual-<br />

quer momento perdê-la, e<br />

sem dúvida, ao garantir a<br />

terra pra quem nela vive,<br />

nós estamos cumprindo o<br />

que é nosso dever".<br />

|_Jr. Fernando Lopes, Secretário<br />

de Planejamento,<br />

iguala a vitória da Matriz,<br />

á vitória de Nuã (Município<br />

de Maricá), onde também<br />

se assegurou a terra<br />

aos seus moradores: "Sem<br />

dúvida essa luta é dura,<br />

ela não é só do Rio de Janeiro,<br />

é uma luta, nacional,<br />

é uma luta pela reforma<br />

agrária, é uma luta pelo<br />

direito à moradia<br />

E—~"<br />

^é Vivaldo Barbosa, que<br />

com suas palavras,veio coroar<br />

o encontro que já era<br />

de alegria e passou a ser<br />

prosperidade. "Vemos a alegria<br />

em todos, mas garanto<br />

que a nossa é maior, assim<br />

como o governador Brizola,<br />

que não pode vir por ter<br />

um compromisso do encontro<br />

dos Prefeitos, em São<br />

Paulo, não podendo comparecer<br />

ao evento. E fala<br />

que ao pensarmos no presente<br />

e no futuro, devemos<br />

preservar a todos o direito<br />

de moradia inviolável, onde<br />

a família preserve seus valores.<br />

Em nome da história<br />

de nosso país e todas as religões,<br />

que sempre sagraram<br />

a qualidade da família,<br />

faremos de tudo o que<br />

pudermos e até o que não<br />

podermos para cumprirmos<br />

o que é nosso dever. O lado<br />

que não foi desapropriado<br />

devemos lhes assegurar que<br />

estamos juntos nessa luta;<br />

não esquecemos de ninguém<br />

e, será num processo, que<br />

haveremos de assegurar todos<br />

o seu direito de mora-*<br />

povo). O Estado atua como<br />

um bomberinho, onde o<br />

mesmo só atua quando há<br />

uma ameaça e até mesmo<br />

a realização de um despe-<br />

jo. Prova disso, a desapro-<br />

priação da Matriz foi par-<br />

cial, só aonde estava pegan-<br />

do fogo.<br />

E hoje, lá estão os<br />

que dormem tranqüilos e os<br />

que ainda enfrentam a pos-<br />

sibilidade de se verem dian-<br />

te do despejo - perdendo<br />

sua casa!<br />

fotas:Gilda V/ieira<br />

dia. Que ninguém venha ar-<br />

rancar famílias de suas ca-<br />

sas. Nós só conseguiremos<br />

cumprir a nossa grande<br />

meta, só quando acabar-<br />

mos com os conflitos de<br />

terra, e haveremos de che-<br />

gar lá".<br />

As Grandes Nações só<br />

se asseguram quando garen-<br />

tem os direitos a seus po-<br />

vos, e nós iremos conse-<br />

guir isso, porque haveremos<br />

de ser um grande país''.


Favelão - pág. 4<br />

Uor )m um saldo positivo<br />

em rr matéria de conquista.<br />

Vila Brasil, que fica em<br />

Magalhães Bastos, hoje, sendo<br />

uma favela, é considerada<br />

um bairro popular, onde<br />

ha' rede de esgoto, iluminação<br />

pública, e até pequenos<br />

becos são asfaltados.<br />

Ha uma infra-estrutura que<br />

é básica, mas que, no entanto<br />

poucas são as Comunidades<br />

que já têm suas'<br />

necessidades básicas atendidas.<br />

BH<br />

-PAl^MOJ<br />

ASSOCIAÇÃO DE<br />

MORADORES<br />

^ao 32 anos de Associa-<br />

ção de Moradores, e, é,<br />

Bonerge Borges da Fonseca,<br />

o conhecido Boá, que cum-<br />

prindo seu mandato já de-<br />

sempenhou grandes con-<br />

quistas.<br />

Em tempos passados foi<br />

um mediador no que se re-<br />

fere o problema luz entre<br />

10 casas. Não havia casas<br />

de alvenaria, existiam imen-<br />

sas valas que acarretavam<br />

uma grande umidade no ter-<br />

reno e nas casas, onde eram<br />

freqüentes os cados graves<br />

de doenças, principalmente<br />

em crianças; quando chovia<br />

tudo era barro e lama.<br />

[Jione da Silva e Tereza<br />

Lima, ambas tesoureiras da<br />

Associação de Moradores,<br />

no mandato de 80 a 82,<br />

contam o quanto foi mara-<br />

vilhoso a experiência do<br />

trabalho direto com a Co-<br />

munidade onde todos par-<br />

ticipavam. Uma das coisas<br />

boas que teve por lá foi o<br />

curso de crochê e corte e<br />

costura financiado pelo Mo-<br />

bral, e até tratamento den-<br />

tário, oferecido pela LBA.<br />

Foi uma época em que a As-<br />

sociação de Moradores con-<br />

seguiu atender todos os an-<br />

seios da comunidade. Mas<br />

hoje, por problemas de di-<br />

vergências, a divisão impe-<br />

ra, atrapalhando, assim a<br />

todos.<br />

Vila Brasil, conta com<br />

uma confortável sede, onde<br />

há uma quadra coberta, es-<br />

critório e um pré-escolar.<br />

O presidente, o Boá, vem<br />

assistindo constantes reu-<br />

niões com a CIMES (Co-<br />

missão Interinstitucional<br />

Municipal de Saúde) para a<br />

construção do posto médico,<br />

na área de Magalhães Bas-<br />

tos, pois segundo Boá, este<br />

posto tem que se localizar<br />

o mais próximo possfvel de<br />

tão imensa área favelada,<br />

onde também se concentra<br />

a Comunidade Santo Expe-<br />

dito.<br />

LEGALIZAÇÃO DA<br />

TERRA<br />

problema de legalização<br />

da Terra, também vem sen-<br />

do a grande batalha dos<br />

moradores da Vila Brasil,<br />

como também a de Santo<br />

Expedito. Boá lamenta do<br />

terreno que ainda não está<br />

em poder da Comunidade,<br />

mas vai á luta, já tendo<br />

ao 16 mil moradias, so-<br />

mando uma média de 48<br />

mil moradores. Vila São<br />

Jorge enfrenta no mo-<br />

mento o problema de sanea-<br />

mento; situada entre o Cea-<br />

sa e a Estrada do Colégio,<br />

esta imensa Comunidade<br />

chega a tomar uma parte<br />

de Irajá e outra de Colé-<br />

gio, e em sua grande exten-<br />

são, tem o terreno mon-<br />

tanhoso na qual os mora-<br />

dores utilizam para escuo<br />

de esgotos que se multi-<br />

plicam pelas ruas correndo<br />

a céu-aberto até uma outra<br />

vala que margea o Ceasa.<br />

lom apenas 1 ano de<br />

mandato, Luiz Carlos — o ELEIÇÃO<br />

^gordo — assumiu a direção<br />

da Associação de Mo-<br />

[radores da Vila São Jorge,<br />

^Jem Colégio, onde já conta<br />

wMcom vitórias que vieram rea-<br />

Vu ijnimar a Comunidade em<br />

'fl torno'de sua Associação de , em sócios, quer dizer com<br />

.[ r 1 ordo, como é chamado<br />

carinhosamente o presidente,<br />

declara que assumiu a<br />

Associação com dívidas e<br />

Moradores.<br />

MnmHnroe aoenas apenas 14 14 assnniftríns associados, mas<br />

I<br />

exigido uma posição do Es-<br />

tado diante desta situação.<br />

Illlllllllllllllllllllllllllllllilllllllllllllllllllllllllllllllllllllll<br />

SO ALEGRIA<br />

CDMIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIÍ<br />

IVa Vila Brasil, nem tudo<br />

é tristeza e luta, os mo-<br />

radores de lá tem como di-<br />

versão o famoso bloco car-<br />

navalesco Boca na Garrafa,<br />

que modestamente, já toma<br />

postura de uma escola de<br />

hoje já conta com 1.500;<br />

com a nova diretoria os mo-<br />

radores estão tendo voz e<br />

vez e os trabalhos estão<br />

sendo bem sucedidos. Há 1<br />

ano a Comunidade conta<br />

com o apoio de órgãos co-<br />

mo: XIV Região Adminis-<br />

trativa, na pessoa do Profes-<br />

sor César Augusto, Projeto<br />

Ftondon, Fundação Leão<br />

XIII, FAFERJ, 13Q DEC<br />

e o Núcleo V do Suple-<br />

tivo, na pessoa do profes-<br />

sor Marcos Mendonça, que<br />

simplesmente tem seu tra-<br />

balho reconhecido pelos<br />

moradores da Vila São Jor-<br />

ge.<br />

CONQUISTAS<br />

yjarantido a vitória, já<br />

empossado. Gordo foi á lu-<br />

ta, e com a Comunidade<br />

vem realizando mutirão por<br />

toda área; foi feita a re-<br />

forma da sede da Associa-<br />

ção, a creche foi reaberta,<br />

além de reformas nas Esco-<br />

las Municipais Mendes Via-,<br />

samba. Localizado na Vila<br />

Brasil, o bloco, vem sendo<br />

um dos destaques da região,<br />

com 1.200 componentes, e<br />

com a conquista do 39 lu-<br />

gar, para o próximo carna-<br />

val o bloco promete um<br />

grande desfile na passare-<br />

la do Méier, tendo o seu<br />

enredo em homenagem ao<br />

Caribe.<br />

na e Francisco Certório Por-<br />

tinho.<br />

^erá com o respaldo e<br />

engajamento dos moradores<br />

na Associação e o compro-<br />

metimento das autoridades<br />

governamentais do Estado,<br />

com pensamento positivo os<br />

moradores da Vila São Jor-<br />

ge esperam que as valas<br />

em breve deixem de mo-<br />

lestar. Que o saneamento<br />

básico, escolas, comida e<br />

condições de lazer, sejam<br />

um direito reconhecido e<br />

conquistados pelas Comuni-


Logo no infcio Io<br />

"Processo de abertura"<br />

foi um tal de fundar as-<br />

sociações de morado-<br />

res. . . mas da mesma for-<br />

ma que apareceram tam-<br />

bém sumiram. Só resis-<br />

tiram mesmo aquelas nue<br />

tinham uma verdadeira<br />

proposta de luta, de<br />

transformação, dessa so-<br />

ciedade e entenderam<br />

que depende da nossa<br />

organização o processo<br />

de libertação. Para po-<br />

dermos enfrentar esta so-<br />

ciedade de exploração a<br />

•e#<br />

fim de construir L'ma so-<br />

ciedade mais justa onde<br />

todos tenham os seus<br />

direitos prima'rios garan-<br />

tidos, ou seja. Terra, Em-<br />

prego, IVIoradia e Educa-<br />

ção; foi pensando nisso<br />

que hoje as comunida-<br />

des da Rocinha, Morro<br />

do Encontro, r, atriz e<br />

'•larcilio Dias e outras<br />

resolveram enfrentar cara<br />

a cara os tiranos, inter-<br />

nos, arregimentando for-<br />

ças para uma luta de âm-<br />

bito maior:<br />

Ei-las.<br />

«19<br />

mmm Mmm ddô<br />

Sob as bênçãos dos San-<br />

tos meninos S.Cosme e S.<br />

Damião transcorreu no dia<br />

vinte e sete de setembro de<br />

mil novecentos e oitenta e<br />

quatro a escolha da nova di-<br />

retoria da comunidade de<br />

Marcilio Dias. Apesar do<br />

mau tempo, mais de 200<br />

moradores estiveram presen-<br />

te ao grande evento.<br />

A nova diretoria foi eleita<br />

por aclamação já que apenas<br />

uma chapa se candidatou ao<br />

pleito. Os trabalhos foram<br />

dirigidos pelos agentes pas-<br />

torais Paulinho(do Vidigal)<br />

e Tonico{do Morro Azul). A<br />

atual diretoria esta assim<br />

constituída: Presidente-<br />

Francisco Salles, Vice-Presi-<br />

dente: Aurelito S. Bonfim,<br />

Io Secretário Celso C. Ca-<br />

bral, 10 Tesoureiro: Carlos<br />

Duarte. 2o Tesoureiro:Moa-<br />

*9 9<br />

Com aproximadamente<br />

3.000 habitantes, a Comu-<br />

nidade do Fogueteiro fica<br />

entre o Catumbi e Santa<br />

Tereza.<br />

Como não podia deixar<br />

de ser, os moradores tam-<br />

bém sofrem com o desca-<br />

so das autoridades em rela-<br />

ção a seus problemas bási-<br />

cos.<br />

ÁGUA E LUZ<br />

A Comunidade através de<br />

um encaminhamento conse-<br />

guiu a água depois de<br />

muita luta. Os moradores<br />

do Fogueteiro já tem ilu-<br />

m 1 nação, rrias. Jtarabém Co-.<br />

wkàá<br />

cir Chagas, Presidente do<br />

Conselho Fiscal: Manoel<br />

Francisco.<br />

Secretaria do Conselho<br />

Fiscal: Maria Madalena Sil-<br />

va. Na ocasião usando de<br />

discurso o presidente anun-<br />

ciou sua plataforma que se-<br />

rá a continuação de um tra-<br />

balho em conjunto com o<br />

Banco Nacional de Habita-<br />

ção em prol da comunidade<br />

(não percam no próximo<br />

numero maiores detalhes so-<br />

bre este assunto). A posse o-<br />

correrá no dia 14 de outu-<br />

bro de 1984. Que bons ven-<br />

tos proteja a rota " da '"<br />

Marcilio Dias.<br />

PARABÉNS<br />

No dia 14 foi empos-<br />

sada mais uma diretoria<br />

de associações de Mora-<br />

dores de Favelas. Desta<br />

vez - Marcflio Dias, na Pe-<br />

mo outras Comunidades<br />

não estão conseguindo pa-<br />

gar o elevado preço das ta-<br />

rifas de energia.<br />

ENCOSTAS<br />

Há vários anos ocorreu<br />

deslizamento de terra, sem-<br />

pre no período das grandes<br />

chuvas. Diversas famílias já<br />

ficaram desabrigadas, como:<br />

Tânia Regina Campos e Ro-<br />

sângela da Silva Veiga.<br />

TEPRA<br />

Os herdeiros do espólio<br />

(morto). Cândido José Fer-<br />

.• a diretoria que tomou oosae no dia Ik de outubro,<br />

a direita do leitor o presidente Francisco Salles.<br />

nha — Encabeçada pelo<br />

Companheiro Francisco Sal-<br />

les - O CHICO, Chico há<br />

muitos anos vem lutando<br />

pelos interesses da comuni-<br />

dade e resolveu oficializar<br />

um cargo que já vinha exer-<br />

cendo de fato.<br />

PRESENTES<br />

Foram compartilhar des-<br />

se grande momento José de<br />

Oliveira Pres. do Conselho<br />

Fiscal da Vila Turismo —<br />

Maia da Penha, da Vila<br />

Cabuçu - - José Franca Pres.<br />

da Vila Bethánia, Doacyr -<br />

0 "Doca" Pres. da Vila<br />

Padre Nóbrega que em seu<br />

discurso ressaltou a impor-<br />

tância de todos os morado-<br />

res, que não ficar só na con-<br />

reira de Carvalho, há 1 ano<br />

vem explorando a Comu-<br />

nidade cobrando uma taxa<br />

que varia entre Cr$<br />

1.400,00 a Cr$ 30.000,00,<br />

mas os moradores cansados<br />

e contrariados com o au-<br />

mento de 3 em 3 meses,<br />

resolveram parar de pa-<br />

gar. Em represália, os her-<br />

deiros entraram na justiça<br />

com 1 limiar que embar-<br />

gava qualquer iniciativa de<br />

melhoramento.<br />

SAÚDE<br />

Devidos as valas abertas<br />

e a falta de coleta do lixo<br />

oela Comlurby a Co munida^<br />

fiança do Companheiro elei-<br />

to é necessário que todos<br />

participem a fim de dimi-<br />

nuir o fardo. Nilton - 0<br />

"Diquinho" Pres. do Itara-<br />

ré, este secretariou e tam-<br />

bém em seu discurso ressal-<br />

tou a "importância da orga-<br />

nização das associações de<br />

moradores para que juntos<br />

possamos enfrentar as arbi-<br />

trariedades da realidade em<br />

que vivemos" Gessy, repre-<br />

sentando a FAFERJ (Fede-<br />

ração das Favelas do Estado<br />

•do Rio de Janeiro), presi-<br />

diu toda a solenidade; He-<br />

loísa Marcondes represen-<br />

tando a Diretoria do Par-<br />

que Jardim, em Vila Isabel,<br />

a Pastoral de Favelas na pre-<br />

sença da Dra. Eliane Athay-<br />

de, Dr. Saulo e a sua coor-<br />

de está sujeita a todos os fo-<br />

cos de doença, tais como<br />

Tifo, Meningite e doenças<br />

de pele.<br />

REIVINDICAÇÕES<br />

Em relação ao problema<br />

da terra, a Comunidade deve-<br />

rá acionar o Estado, através<br />

da Secretaria de Habitação<br />

e Trabalho, para que haja<br />

um acordo que favoreça os<br />

moradores do local.<br />

A LUTA PELO DIREITO<br />

À MORADIA<br />

A Associação de Morado-<br />

res Unidos, de Santa Tereza.<br />

Favelão — pág. 5<br />

Foto: Ykenga<br />

denadora Ana Maria Noro-<br />

nha e o Agente de Pasto-<br />

ral Paulo Muniz o "Pauli-<br />

nho do Vidigal" e o Fave-<br />

lão.<br />

E a presença maciça da<br />

Comunidade prestigiando e<br />

legitimando o voto que eles<br />

colocaram DIRETAMENTE<br />

nas urnas.<br />

REFESTANÇA<br />

Até quem não é de dan-<br />

çar dançou. . . logo após<br />

ato solene fomos todos de-<br />

liciar uma porca da regada a<br />

cerveja batida e como tira<br />

gosto mexilhão e sardinha.<br />

Muita gente saiu torti-<br />

nho, só não vou falar pra<br />

não deixar os companheiros<br />

em má situação. Valeu<br />

mesmo Marcilio Dias.<br />

realizou uma reunião no dia<br />

28 de setembro, em sua se-<br />

de. Na ocasião os morado-<br />

res discutiram os seus pro-<br />

blemas como: posse da ter-<br />

ra — "Projeto Cada Famí-<br />

lia um Lote", pela desapro-<br />

priação da terra pelo Esta-<br />

do; contra ordem de despe-<br />

jo proposta pelo espólio,<br />

atingido a todos as famílias,<br />

como também, a Associação<br />

que está localizada nos fun-<br />

dos do terreno da Eliseu<br />

Visconti; pela construção<br />

dos muros de contenção das<br />

encostas; pela atual taxa de<br />

manutenção. A luta não<br />

parpu aí, continua. t ,<br />

»: ■■. ■■■-


FavaWo - pigína 6<br />

|á muitos e muitos anos<br />

as Comunidades Faveladas<br />

vem lutando pelo sanea-<br />

mento básico que engloba,<br />

água, esgoto — condições<br />

primárias para se ter uma<br />

melhor qualidade de vida.<br />

Foi pensando nisso que o<br />

Favelão resolveu especular<br />

as condições de atendimen-<br />

to dos órgãos governamen-<br />

tais, que se propõe a esta<br />

finalidade ou seja, melho-<br />

rar a qualidade de vida.<br />

'Conversamos com a Sra.<br />

Carmem, diretora . do Pro-<br />

face (Programa em Favela<br />

daCedae). 1^_<br />

i^F — Carmem, conta pra<br />

gente como surgiu o Profa-<br />

ce e porque?<br />

C — Foi criado dentro<br />

da CEDAE um programa<br />

sistemático às Comunida-<br />

des Faveladas, isso tá dentro<br />

da política do governo de<br />

dá toda atenção a essas<br />

áreas. Isso realmente é uma<br />

conquista das comunidades,<br />

na qual o governo foi sen-<br />

sível. Mas isso já vem sen-<br />

do batalhado há muito e<br />

muitos anos. Então de uma<br />

forma clientelística, passou-<br />

se a um programa de go-<br />

verno sistemático.<br />

í^F — Uma Comunidade<br />

que deseja água, como ela<br />

deve proceder?<br />

C - Ela vem à CEDAE,<br />

e procura o Projeto de Fave-<br />

las, se inscreve e marca<br />

uma entrevista. Já temos<br />

180 Comunidades cadastra-<br />

das; _.<br />

í^F — As Comunidades lon-<br />

ge da central do Proface,<br />

como devem proceder?<br />

C — Podem procurar as<br />

PROFACE<br />

agências mais próximas a<br />

partir daí serão programa-<br />

das as obras.<br />

Na parte de água o Pro-<br />

face está ainda no sistema<br />

de mutirão para abertura e<br />

fechamento de valas. No es-<br />

goto a coisa fica mais com-<br />

plicada, porque o esgoto é<br />

uma obra mais difícil e mais<br />

demorada e exige uma<br />

técnica mais especializada.<br />

#f — Exige algum prin-<br />

cípio por parte do Profa-<br />

ce de quando fazer a ins-<br />

talação d'água também fa-<br />

zer o esgoto?<br />

C — Nas 30 Comunida-<br />

des que fizemos como 1a<br />

etapa, estamos concluindo.<br />

Entramos com água e esgo-<br />

to, mas devido a escassez<br />

de recursos em outras áreas,<br />

só estamos entrando com a<br />

água. Isso foi possível por-<br />

que temos dentro da Com-<br />

panhia, já temos uma estru-<br />

tura para obra e ainda não<br />

temos essa estrutura para o<br />

esgoto. _____<br />

#F - E a cobrança da ta-<br />

rifa?<br />

C — Só cobramos a água,<br />

o esgoto só é cobrado quan-<br />

do efetuamos o serviço.<br />

^F — Nós estivemos no<br />

Borél e lá pudemos ver uni<br />

grande castelo de água cons-<br />

truída pela CEDAE, mas<br />

está vazia há algum tempo<br />

eaí?<br />

C — Lá existem reser-<br />

vatórios construídos pela<br />

CEDAE. Na época que foi<br />

construído osreservatóriosa<br />

CEDAE não entrava total-<br />

mente nas Favelas. Só nas<br />

partes principais, que cha-<br />

mamos de tronco principal<br />

a rede ficava por conta da<br />

Comunidade.<br />

-^F — Por que esta discri-<br />

minação?<br />

C — Nesse caso especial,<br />

eu acredito que tenha sido<br />

em função do número de<br />

quartos da Comunidade.<br />

#F - Mas esta água só<br />

serve a 12 moradores e este<br />

valor dividido por essas<br />

famílias é de Cr$ 13.220,00<br />

não está dentro nem um<br />

pouco da tarifa de casas<br />

populares?<br />

C — Existe um decretp<br />

que casa popular independe<br />

de números de quartos, é<br />

sujeito a uma tarifa mí-<br />

nima em que a CEDAE<br />

está fixando agora a partir<br />

de setembro Cr$ 1.355,00,<br />

até então não havia uma<br />

•tarifa específica pras fave-<br />

las, então foi adotada uma<br />

tarifa de casa popular.<br />

í^F — Quando o Proface<br />

entra com as obras nas<br />

Comunidades o sistema de<br />

trabalho é em regime de<br />

mutirão. A mão-de-obra é<br />

paga?<br />

C — O que acontece é<br />

o seguinte, nós estamos no<br />

momento com uma obra de<br />

porte no Escondidinho e<br />

Morro dos Prazeres. A Co-<br />

munidade veio aqui junta-<br />

mente com o Circo Voador<br />

e se propôs fazer a obra co-<br />

mo Empreiteira, nesse caso<br />

ela está funcionando como<br />

se fosse uma Empreiteira da<br />

CEDAE. é uma experiência<br />

piloto onde vamos ver a<br />

possibilidade de estender a<br />

outras Comunidades.<br />

F ~ Mas um organogra-<br />

ma para que as Comunida-<br />

des saibam concretamente<br />

quando vão ser realmente<br />

atendidas para não levanta-<br />

rem falsas expectativas?<br />

C — Esse critério de se-<br />

leção não é como o da<br />

Light. Nós lidamos com<br />

saúde. As Comunidades ge-<br />

ralmente têm ajguma forma<br />

de abastecimento. Com saú-<br />

de você não pode usar só<br />

o critério chegada.<br />

^{■F — Não estou colocando<br />

o critério chegada. Então<br />

qual o critério do Proface?<br />

C — Isso era uma filo-<br />

sofia da época, com a mu-<br />

dança de filosofia de go-<br />

verno houve toda uma mu-<br />

dança. Trata-se a favela co-<br />

mo se fosse um condomí-<br />

nio. Com essa nova postu-<br />

ra de governo essas coisas<br />

mudaram, e a CEDAE assu-<br />

me as outras redes, manu-<br />

tenção e a cobrança da ta-<br />

rifa.<br />

^F - No Borel faltam 2<br />

bombas é a Comunidade<br />

que assume este gasto?<br />

C — O Borel já está no<br />

Programa para completar<br />

todo sistema, as redes inter-<br />

nas, enfim as ligações.<br />

^F — Qual o sistema de<br />

cobrança do Proface?<br />

C — Para as Comunida-<br />

des faveladas; a cobrança<br />

é feita pela tarifa mínima<br />

que, agora a partir de se-<br />

tembro é de Cr$ 2.220,00<br />

para água e Cr$ 2.220,00<br />

para esgoto. Este valor é<br />

para casas populares, e as<br />

favelas estão enquadradas<br />

em casas populares.<br />

^F — Tem acréscimo?<br />

C — Não. Este é o valor<br />

para todas as casas de fa-<br />

velas, exceto casas comer-<br />

ciais.<br />

$F — Como se justifica<br />

algumas contas altíssimas<br />

como por exemplo, no Mor-<br />

ro dos Cabritas, no Núcleo<br />

17 - a tarifa foi de Cr$<br />

119.000,00, sendo que Cr$<br />

59.800,00 para esgoto, que<br />

nem tem? São valas a céu<br />

aberto? E nem tem hidrô-<br />

metro? E nem medidor?<br />

Que meios a CEDAE usou<br />

para computar essa água?<br />

C — Carência, interesse<br />

da Comunidade, é evidente<br />

que a chegada é importante.<br />

Carência e o interesse é que<br />

também ofereçam algo mais<br />

para acelerar o avanço dos<br />

trabalhos, ex: arranjar a<br />

planta do local,.. .<br />

^F — O que dificulta a<br />

implantação dos serviços<br />

por parte do Proface?<br />

C — As vezes pegamos<br />

Comunidades que não tem<br />

um grau de organização e is-<br />

so dificulta um pouco o tra-<br />

balho.<br />

í^F — Quais as mais fre-<br />

qüentes?<br />

C — Falta de organização<br />

da Comunidade, falta de se-<br />

gurança. Nós tivemos uma<br />

situação bastante desagradá-<br />

vel no Morro do Alemão,<br />

em Nova Brasília, em que<br />

desapareceu a bomba de<br />

SOHPs, que tinha sido leva-<br />

da pra lá. É uma situação<br />

que prejudica o coletivo;<br />

até agora não apareceu, esta<br />

bomba sumiu levada por<br />

uma carreta, pelo seu por-<br />

te, a bomba não tem uti-<br />

lidade caseira.<br />

tyf — O que o Proface<br />

está fazendo para melhor<br />

atender as Comunidades no<br />

que diz respeito a esgoto?<br />

C — Se integrando com<br />

outros órgãos, como no ca-<br />

so do S. M. D. apoiando<br />

o projeto mutirão. E no<br />

próprio exercício nós vamos<br />

ter recursos, porque os re-<br />

cursos para obra vem atra-<br />

vés de financiamento do B.<br />

N. H. Nós estamos aguar-<br />

dando o dimensionamento<br />

desses recursos.<br />

í^F — Esse recursos não<br />

dependem só do governo do<br />

Estado?<br />

C — É meio a meio ou<br />

seja 50% Estadual e 50%<br />

Federal.<br />

^F — Então para melho-<br />

rar os serviços falta di-<br />

nheiro?<br />

C — Acho que vem a<br />

nossa perspectiva é aten-<br />

der a 40 mil casas, mas<br />

estamos condicionados a es-<br />

ses recursos do B. N. H.<br />

O dinheiro que a CE-<br />

DAE arrecada das tarifas dá<br />

pra fazer a manutenção,<br />

agora pra investir depende-<br />

mos de financiamento. Isso<br />

está dentro do Planejamen-<br />

to Nacional de Saneamento<br />

(PLANASA), que pra verba<br />

do B. N. H. para fazer obras<br />

de saneamento. Ano passa-<br />

do houve corte nas verbas<br />

e atrazo na entrada do di-<br />

nheiro, que estava previsto<br />

para outubro do ano pas-<br />

sado e até agora, não en-<br />

trou.<br />

Foto: Pai ermo —<br />

A esquerda, Carmen, diretora da PROFACE, é entrevistada.


SCCOMAQUA<br />

0 morro dos Prazeres em<br />

Santa Thereza com uma po-<br />

pulação aproximada de 20<br />

mil moradores com seus 21<br />

anos de luta por melhores<br />

condições de vida conse-<br />

guem parte da vitória.<br />

VITORIA<br />

_<br />

A Associação de moradores<br />

num trabalho conjunto<br />

com o Circo Voador, conseguiram<br />

da CEDAE a aprovação<br />

da obra para abastecimento<br />

de água e instalações<br />

das redes de esgoto<br />

com a remuneração da mãode-obra<br />

da comunidade,<br />

funcionando como uma empreteira<br />

sob a coordenação<br />

e supervisão da associação<br />

de moradores, seguindo os<br />

critérios de obra por parte<br />

dos técnicos da CEDAE.<br />

ZÉ BERNARDES<br />

X PRESIDENTE<br />

"Quando soubemos que a<br />

CEDAE contrataria uma em-<br />

preiteira, logo pensamos,<br />

por que não a gente? a pró-<br />

pria comunidade assumir is-<br />

so? discutimos bastante<br />

com os moradores a fim de<br />

amadurecer a idéia conta-<br />

mos com o apoio do arqui-<br />

teto José Carlos Fernandes<br />

e Márcio Galvão ambos do<br />

Circo.<br />

O MOVIMENTO *""<br />

O movimento da água ini-<br />

ciou com a queima da bom-<br />

ba e seu custo era muito<br />

elevado e nós não tínhamos<br />

a quantia necessária para<br />

bancar o conserto. A partir<br />

dai' começamos a nossa bus-<br />

ca para solução do proble-<br />

ma foi neste momento que<br />

encontramos o pessoal do<br />

Circo. E fomos procurar o<br />

programa especial de água-<br />

nas favelas.<br />

TRABALHO<br />

1<br />

i ymmfa<br />

O trabalho é dividido em<br />

várias frentes totalizando<br />

uns 40 homens. Todo o<br />

material fica na sede da<br />

Associação e lá pudemos ver<br />

uma mostra de como os mo-<br />

radores devem fazer as<br />

instalações sanitárias.<br />

DISCRIMINAÇÃO<br />

continuaZÊ. . . A luta<br />

foi bastante grande enfren-<br />

tamos várias barreiras, prin-<br />

cipalmente por parte de al-<br />

guns técnicos da própria<br />

CEDAE. Não desanimamos,<br />

pois tínhamos objetivo e<br />

uma certeza QUEM TRA-<br />

BALHARIA PRA EMPREI-<br />

TEIRA CONTRATADA<br />

SERIA UM DE NOS SEJA,<br />

DA NOSSA CLASSE PO-<br />

BRE?! e foi pensando nis-<br />

so que continuamos as nos-<br />

sas buscas para que a CE-<br />

DAE aceitasse a nossa pro-<br />

posta. . . E conseguimos af<br />

está, todos trabalhando; se<br />

bem que tem alguns ele-<br />

mentos da CEDAE que ain-<br />

da nos olha atravessado mas<br />

estamos mostrando a eles e<br />

todos os "outros" que<br />

acham que favelado não<br />

tem condição de assumir<br />

nada.<br />

REMUNERAÇÃO<br />

O preço do serviço é por<br />

metragem esgoto Cr??<br />

4.700,00 água Cr$<br />

1.710,00 o pagamento do<br />

pessoal ésemanal. Pergunta-<br />

mos ao operário Luís se o<br />

preço está utilizado, se fai-<br />

xa é mesmo essa - ele fa-<br />

lou que está bom.<br />

ATENÇÃO<br />

Zé Bernardes disse que<br />

todas as comunidades de-<br />

vem lutar por sua autono-<br />

mia fazendo valer seus direi-<br />

tos e respeitando suas po-<br />

tencialidades.<br />

VILA<br />

TUREMA<br />

Com o apoio da Asso-<br />

ciação de Moradores do<br />

Morro São Bento, em Padre<br />

Miguel, que a Associação<br />

de Moradores de Vila Jure-<br />

ma, em Realengo, encami-<br />

nhou o seu pedido de água<br />

a Proface. Lá foi deixado<br />

uma documentação reivindi-<br />

cando água em 30 de maio<br />

desse ano. Com os docu-<br />

mentos sob a responsabi-<br />

lidade da CEDAE - Rea-<br />

lengo, D. Iza dos Santos,<br />

representante da Associação<br />

de Moradores foi esclarecida<br />

de que um fiscal lhe faria<br />

uma visita em breve, dando<br />

andamento ao pedido.<br />

A Associação de Morado-<br />

res existe há 6 meses, cer-<br />

ca de 30 barracos estão<br />

em péssimas condições de<br />

vida. A Vila Jurema fica<br />

situada num terreno que<br />

margea a Av. Brail, que se-<br />

gundo informações pertence<br />

ao DER (Departamento de<br />

Estradas e Rodagem), mui-<br />

tos moradores afirma que o<br />

DER está sendo camarada<br />

com eles, pois poderão per-<br />

manecer no local desde que<br />

não construam suas casas<br />

em alvenaria, tudo bem.<br />

Em épocas difíceis, a Co-<br />

munidade do Borel, mais<br />

especificamente a parte do<br />

topo do morro, chamado<br />

Chácara do Céu, recorria<br />

a água de poços, que há<br />

em grande quantidade na<br />

área.<br />

Com o problema da falta<br />

d'água que sofria a co-<br />

munidade do Borel, usando<br />

o seu próprio recurso, ar-<br />

quitetura e mão de obra,<br />

construiu em 1979 3km de<br />

tubulação pvc, buscando<br />

água das cascatas da Tiju-<br />

ca, por entre mata até 2<br />

caixas d'água, que redes-<br />

tribuem a toda comunida-<br />

de.<br />

Ainda com serviço por<br />

vezes vacilante, principal-<br />

mente na época de calor,<br />

em 1982 foi construí-<br />

da uma imensa caixa d'água<br />

pela CEDAE, bem no alto<br />

do morro, local denomi-<br />

nado Chácara do Céu, que<br />

segundo Carlos da Silva,<br />

manobreiro da Comunida-<br />

de, por falta de 2 máqui-<br />

nas de bombeamento, a cai-<br />

xa até hoje não jèstá em<br />

atendimento à Comunidade.<br />

TRéS Poures<br />

O presidente da Associa-<br />

ção de Moradores do Bair-<br />

ro Três Pontes, enviou pedi-<br />

do de abastecimento d'água<br />

este ano â CEDAE de São<br />

João de Mareti. Não tar-<br />

dando o EngQ Inácio, en-<br />

viou técnicos à área para<br />

fazer o levantamento e,<br />

em 15 dias as obras foram<br />

iniciadas.<br />

MA QUALIDADE DOS<br />

SERVIÇOS PRESTADOS<br />

O Município ficou res-<br />

ponsável pela realização das<br />

obras, indicando para a<br />

área, a empreiteira Cario-<br />

ca Engenharia. O Encarrega-<br />

do da obra, Jacy Fernando<br />

da Silva, queixa-se da di-<br />

reção da Associação, que<br />

foi denunciar à CEDAE as<br />

arbitrariedade da empreitei-<br />

ra em relação a qualidade<br />

de serviços prestados: a tu-<br />

bulação central com<br />

4.600m de 4 polegadas de<br />

espessura teve seus tubos<br />

de ligação para as casas, ma-<br />

liciosamente montados a<br />

15cm do solo, onde o<br />

mínimo é de 50cm. As<br />

casas teriam dois registros<br />

para entrada da tubulação,<br />

mas só havia um.<br />

A resposta da CEDAE foi<br />

imediata, e agora, a emprei-<br />

teira tem que pagar Cr$ .. .<br />

2.500,00 aos seus emprega-<br />

dos para que eles reca-<br />

vem o mais rápido possí-<br />

vel tudo o que eles execu-<br />

taram indevidamente.<br />

SANTA<br />

LUZIA<br />

Preocupados com a falta<br />

d'água, os moradores da Co-<br />

munidade de Santa Luzia,<br />

em Realengo, tendo Maria-<br />

no da Costa á frente da Pre-<br />

sidência da Associação de<br />

Moradores, encaminhou o<br />

pedido ao ex-Secretário de<br />

Desenvolvimento Social,<br />

Roberto Ribeiro (PDT),<br />

que, com o seu ex-chefe de<br />

gabinete, elaboraram com<br />

Mariano um grande encon-<br />

tro na comunidade. O pre-<br />

sidente da Associação fizera<br />

o convite ao Deputado Fe-<br />

derai Casanova e ao Depu-<br />

tado Estadual José Miguel,<br />

ambos do PDT.<br />

O encontro foi realizado,<br />

no qual Roberto Ribeiro se<br />

comprometera diante de<br />

100 moradores, fornecer à<br />

Comunidade materiais de á-<br />

gua e esgoto. A construção<br />

do esgoto foi feita com a as-<br />

sessoria de técnicos da CE-<br />

DAE, a mão de obra foi<br />

através de mutirão da Co-<br />

munidade.<br />

ATENDIMENTO<br />

Para a Proface a Vila<br />

Santa Luzia só poderia ser<br />

atendida nesse ano, e dian-<br />

te dessa discrepância, a Co-<br />

munidade se vira obrigada<br />

a obter água clandestina-<br />

mente. A CEDAE tentou<br />

deixar a Vila Santa Luzia<br />

sem água, mas os morado-<br />

res foram buscar apoio. E<br />

foi no 99 Distrito da CE-<br />

DAE, em Deodoro, que seu<br />

chefe Dr. Plínio se sensi-<br />

bilizou de tal circunstância<br />

e se comprometeu em estu<br />

dar o problema para garan-<br />

tir o pleno direito dos mo-<br />

radores em ter água. Mais<br />

tarde o 9Q Distrito da CE-<br />

DAE, enviou técnicos ao<br />

locai e acabaram constando<br />

erros nas tubulações, e foi<br />

a própria CEDAE que tro-<br />

cou os registros, ampliou<br />

as tubulações, garantindo<br />

enfim, o pleno abasteci-<br />

mento d'água.<br />

Hoje através de mutirão<br />

e grande quantidade de di-<br />

nheiro empregado pelos mo-<br />

radores, com as tubulações<br />

doadas, a Comunidade já<br />

não sofre o problema de<br />

água e esgoto.<br />

Com cerca de 350 famí-<br />

lias, a Vila de Santa Luzia<br />

reconhece os esforços em-<br />

preendidos por Irineu Gui-<br />

marães, presidente da FA-<br />

FERJ e seu 19 tesoureiro<br />

e delegado da Zonal Oeste,<br />

Abílio Domingos, que tive-<br />

ram grande importância nas<br />

conquistas de Vila Santa<br />

Luzia.


Favalfc — página 8<br />

16, 54 e 57 são os ar-<br />

tigos mais freqüentes no<br />

centro de triagem, de me-<br />

nores infratores. Padre Viei-<br />

ra. Tais artigos do Código Pe-<br />

nal correspondem a vicio,<br />

roubo e assalto a mão arma-<br />

da. Mas de 200 jovens<br />

andando de um lado pro<br />

outro completamente ocio-<br />

sos e alguns no castigo por<br />

tentativa de fuga e espan-<br />

cados. Este foi o quadro<br />

que a Comissão Harser en-<br />

controu.<br />

ENTRADA<br />

Fomos recebidos pela<br />

Educadora Flora que é di-<br />

retora do Centro de Educa-<br />

ção<br />

A Sra. Flora nos contou<br />

um pouco da vida<br />

daquele Centro — "Este<br />

centro é um centro de Triagem,<br />

os menores não deveriam<br />

ficar aqui por muito<br />

tempo, mas a demanda é<br />

bastante grande e nós não<br />

dispomos de material suficiente<br />

ex: nesse momento<br />

não temos cama para todos<br />

os internos. A Srô Flora<br />

foi indagada sobre o processo<br />

de transferência dos<br />

menores — Olha, a Primeira<br />

coisa que fazemos quando<br />

o menor dá entrada aqui,<br />

procuramos o contato com<br />

a sua família" para saber<br />

das suas condições, pois não<br />

podemos trabalhar com menor<br />

sem trabalhar a sua<br />

família", o processo de<br />

transferência dependerá do<br />

próprio menor, ou seja, na<br />

medida que ele dá as devidas<br />

informações corretas e<br />

com o grau de periculosidade,<br />

logicamente se ele<br />

for um bandido não poderá<br />

ter as mesmas regalias de<br />

um outro".<br />

I^a<br />

/\ Comunidade do Mor-<br />

ro da Lagartixa, que fica<br />

em Barros Filhos, co-<br />

memorou no dia 1 de se-<br />

tembro o seu 6Q ano de<br />

conquista da posse da ter-<br />

ra.<br />

Foi lembrado o episódio<br />

daquela manhã, quando um<br />

grande aparato policial ali<br />

chegou para expulsão os<br />

moradores daquela área e<br />

•-'v".<br />

Sr9 Flora explicou tam-<br />

bém sobre os espanca-<br />

mentos por parte dos ins-<br />

trutores. Aqui eles sofrem<br />

punição sim nós não pode-<br />

mos garantir que que ne-<br />

nhum dos funcionários se<br />

exalte, pois trabalhamos em<br />

constante insegurança, pois,<br />

aqui não tem cela, não tem<br />

cubículos".<br />

Foi confirmada, por tele-<br />

fone, a presença das entida-<br />

des, segundo D. Flora "não<br />

fazemos nada sem a autori-<br />

zação do juizado de Meno-<br />

res Dr. Campos Neto" D.<br />

Flora achou estranho está<br />

compondo a Comissão um<br />

motorista e vários ex-alu-<br />

nos.<br />

COMISSÃO<br />

A vereadora Benedita da<br />

Silva, a Deputada Estadual<br />

Lúcia Arruda, Antônio Ma-<br />

noel o Tunico do Morro<br />

Azul, representando o Ve-<br />

reador Sérgio Cabral, Délio<br />

representando o Vereador<br />

Lui's Henrique Lima do<br />

PDT, Odinaldo Ferreira,<br />

Willmann, Joaquim Jorge<br />

dos Santos Lui's Tadeu,<br />

Presidente da Comissão Har-<br />

ser, Sandra pelo Jornal<br />

Favelão, Liga dos direitos<br />

humanos. Comissão Arco<br />

íris. Comissão Oscar Rome-<br />

ro grupo de trabalho c/me-<br />

ninos de rua Arco íris.<br />

O QUE VIMOS<br />

Durante nossa estadia no<br />

centro de Triagem Padre<br />

Vieira, que foi de 2 h<br />

e 30min; pudemos observar<br />

a ociosidade de quase 200<br />

internos. Todos uniformiza-<br />

dos de calça cinza e cami-<br />

seta branca andando pra ci-<br />

ma e pra baixo; com exce-<br />

ção de alguns que estavam<br />

houve uma grande resistên-<br />

cia por pressão dos mora-<br />

dores e até por meio de<br />

oração. Lembrou-se ainda a<br />

atuação da Pastoral das Fa-<br />

velas nas presenças da Dr9<br />

Eliana Athayde, Ana Mari-<br />

nha Noronha, Dr. Bento<br />

Rubião e arlguns políticos<br />

que se aliaram aos mora-<br />

dores.<br />

Em comemoração ao 69<br />

aniversário da conquista da<br />

'- » • - • ■<br />

,: ?**>':/> :<br />

A COMISSÃO QUE UISITOÜ 0 CENTRO DE TRIAGEM<br />

jogando bola e os outros<br />

num total de 10 que eram<br />

egresso da última fuga ocor-<br />

rida no Mês de setembro,<br />

esses estavam de castigo,<br />

que durará um Mês e com a<br />

responsabilidade da faxina<br />

de toda a escola, isso depois<br />

das pancadas que também<br />

fizeram parte do castigo.<br />

VIGILÂNCIA<br />

A cada compartimento<br />

observamos 2 monitores,<br />

em constante vigilância,<br />

prontos pra reprimir.<br />

SURPRESA<br />

Enquanto estávamos con-<br />

versando com os que esta-<br />

vam no castigo de repente<br />

surge L. M. todo machuca-<br />

do, vários ferimentos na ca-<br />

terra, foi celebrada uma<br />

missa pelos padres que na<br />

ocasião trabalhavam na<br />

área, Pe, Ruan e Pe. Idel-<br />

fonso, após a cerimônia,<br />

aconteceu a entrega de di-<br />

plomas aos alunos que fize-<br />

ram o curso de datilo-<br />

grafia, no curso profissiona-<br />

lizante criado na sede da<br />

Comunidade; inaugurou-se<br />

também um bazar comuni-<br />

tário com artigos fabricados<br />

na própria Comgnidade.<br />

''■<br />

beça e marcas roxas pelas<br />

costas e na parte superior<br />

da bunda, e vomitando san-<br />

gue — segundo L. M. foi<br />

espancado porque se esten-<br />

deu com um companheiro e<br />

também porque á noite gri-<br />

tava de dor devido as agres-<br />

sões. A versão de L. M. Fora<br />

confirmada por inúmeros<br />

colegas que o apontava co-<br />

mo exemplo de surra recen-<br />

te e que a Direção da casa<br />

por deslize não pudera<br />

esconder.<br />

Durante a conversa com a<br />

comissão ficou patentiada a<br />

questão do espancamento,<br />

ninguém se atrevia a falar,<br />

temendo á represálias como<br />

por ex: ficar s/jantar ou no-<br />

vo espancamento.<br />

Durante nossa conversa<br />

com os que fugiram D. Flo-<br />

ra estava por perto e ne-<br />

nhum deles falou ficou evi-<br />

denciado as denúncias de<br />

espancamento foi feita pe-<br />

los internos que estavam no<br />

pátio e esses eram mui-<br />

tos e lá pudemos ficar<br />

mais a vontade e os meni-<br />

nos também, fora de con-<br />

trole.<br />

A Comissão voltará a fa-<br />

zer novas visitas a outros<br />

estabelecimentos.<br />

Objetivo dessa comissão<br />

que é representada por vá-<br />

rios segmentos da sociedade<br />

tem como objetivo uma po-<br />

lítica decente a setores ca-<br />

rentes da população e den-<br />

tro desses segmentos está o<br />

menor abandonado. Que pe-<br />

la sociedade já deixou de ser<br />

criança e recebeu o estigma<br />

de "menor abandonado".<br />

Se ele é menor abandona-<br />

do é porque existe maio-<br />

res abandonados.<br />

No domingo dia 30 de setembro<br />

no Morro do Encontro (Engenho<br />

Novo), houve uma festa regada<br />

a cervejinha e um delicioso angu<br />

a baiana, para empossar a nova<br />

diretoria da associação de mora-<br />

dores, constituída em sua maioria<br />

por mulheres e encabeçada mais<br />

uma vez pela companheira Edna.<br />

A comunidade prestigiou com-<br />

parecendo massiçamente. Além da<br />

comunidade estiveram presentes<br />

vários grupos e entidades: O grupo<br />

A Amigos Negros de Favela e Pe-<br />

riferia, representante da R. A. lo-<br />

cal representando o governo do Es-<br />

tado, o G. T. I., o pessoal da cre-<br />

che e muitos outros. ■.-.-. ■ ,':<br />

• .-.- t;cr, u f.r^ú OCfítrô/ "'.t ',■


p Crierqiâ^m favelas<br />

)m o temário de "Cri-<br />

Jrbana", Energia e De-<br />

senvolvimento Alternativo,<br />

foi realizado um Seminário,<br />

no auditório João Teotônio<br />

Mendes de Almeida, na rua<br />

da Assembléia, 10. O Semi-<br />

nário Crise Urbana, teve<br />

início no dia 17 encer-<br />

rando no dia 19 de setem-<br />

bro. O programa teve gran-<br />

des temas como: Habitação<br />

e Crise, o Abastecimento<br />

Alimentar e a Crise Ener-<br />

gética, Tecnologias Alter-<br />

nativas para prestação de<br />

serviços públicos às popula-<br />

ções carentes. Com exposi-<br />

tores como Jô Rezende<br />

(FAMERJ), América Unga-<br />

retti (UNICEF), Celso Bre-<br />

dariol (FEEMA), Caó (Se-<br />

cretaria de Habitação e Tra-<br />

balho), Renato Vasconcelos<br />

(LIGHT)...<br />

E é o Engenheiro, Renato<br />

Vasconcelos, que represen-<br />

tando a Light, fez uma es-<br />

planação sobre a experiên-<br />

cia da Companhia sobre a<br />

instalação de luz nas fa-<br />

velas. O mesmo programou<br />

uma apostila falando sobre<br />

a Eletrificação de Interesse<br />

Social da Light, na qual<br />

viemos obter todos os da-<br />

dos.<br />

IUIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIPIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII<br />

ELETRIFICAÇÃO EM<br />

FAVELAS VERSUS<br />

OS ALTOS CUSTOS<br />

DA EMERGIA<br />

iiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiNiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiniiiiiiiiiiimmi<br />

l^m 1/3 da população<br />

do grande Rio, sendo as Co-<br />

munidades Faveladas, um<br />

grande público consumidor,<br />

de baixa renda, não poderia<br />

deixar de ser considerada<br />

como um novo mercado<br />

para a Companhia de Ener-<br />

gia (Light).<br />

Em 1979, a Light criou<br />

o seu Programa de Eletrifi-<br />

cação de Favelas, que em<br />

1982 surge com o SEI. O<br />

(Superintendência de Ele-<br />

trificação de Interesse So-<br />

cial).<br />

Nesses 5 anos de Progra-<br />

ma de Eletrificação em Fa-<br />

velas, é estimado que a<br />

Companhia tenha feito uma<br />

média de 149.570 ligações,<br />

uma estimativa de 79% a<br />

80% do total de Comuni-<br />

dade de baixa renda já<br />

atendidas.<br />

A Light, atende as Co-<br />

munidades que procuram os<br />

serviços, é necessário o se-<br />

guinte: o primeiro passo é-<br />

ir ao SEI. O (área de Fave-<br />

las), onde são esclarecidos<br />

os processos de eletrificação<br />

de determinada área e seu<br />

espaço de tempo para a con-<br />

clusão do serviço.<br />

As Comunidades partici-<br />

pam fornecendo mapas da<br />

área e cadastramento de to-<br />

da localidade. O SEI. O pro-<br />

grama reuniões com os mo-<br />

radores locais das áreas a se-<br />

rem eletrificadas. Com As-<br />

sistentes Sociais, apresen-<br />

tam o programa de Eletri-<br />

ficação de Interesse Social<br />

através de folhetos e pales-<br />

tras. . . A Light, passa à<br />

Comunidade, que seu tra-<br />

balho é feito sem cobrança<br />

de taxa, e, frisa que a res-<br />

ponsabilidade pela ilumi-<br />

nação pública está a cargo<br />

das Comissões Municipal de<br />

Energia.<br />

OS AUMENTOS<br />

CONSTANTES DE LUZ<br />

|as as Comunidades es-<br />

barram-se num grande pro-<br />

blema, que é o do alto cus-<br />

to de energia em suas con-<br />

tas. A própria Companhia<br />

reconhece a discrepância de<br />

seus /4d/mentos periódicos,<br />

em contradição a média dos<br />

baixos salários das Comuni-<br />

dades Faveladas.<br />

E é o alto custo de sua<br />

energia que a Light tenta<br />

explicar que há uma péssi-<br />

ma qualidade das instala-<br />

ções internas nas favelas,<br />

sendo um dos fatores que<br />

elevam os gastos, aumen-<br />

tando as contas.<br />

É por aqui que ela se<br />

esbarra com os cortes e<br />

fraudes no consumo e, um<br />

grande número de pedidos<br />

de parcelamento das contas,<br />

são pedidos pelos morado-<br />

res de baixa renda.<br />

luiiumuuumiiimiiuiiiuiiiiiininiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii<br />

NAO DÂ MAIS PRA<br />

SEGURAR<br />

iiiiiiiimiiini iiiiimiiiiiiniiii iiiiiiiimiiiilliiniiimiii<br />

preocupada em que o<br />

projeto não seja visto como<br />

um favor prestado aos seg-<br />

mentos mais pobres da so-<br />

ciedade, a Light se justifi-<br />

ca colocando-a na faixa dos<br />

consumidores normais. . . E<br />

é claro e evidente que isso<br />

não dá pra engolir, tanto<br />

que no 40 Congresso da<br />

FAFERJ foi tirado uma<br />

grande manifestação a se<br />

realizar na porta da Light,<br />

onde todas as Comunida-<br />

des Faveladas irão exigir a<br />

redução de 50% nas contas,<br />

de energia.<br />

\j que bater na rede é<br />

peixe! Fala Maria Rita, vice-<br />

presidente das Pioneiras de<br />

São Miguel . Todos estão<br />

vendo que o momento é de<br />

participação de todos, no<br />

qual já se tem realizado<br />

forró, bingo, bazar, almo-<br />

ço. . . tudo já se tem feito<br />

para obter fundo necessário<br />

para a construção do segun-<br />

do andar da sede, mas ainda<br />

falta um bocado.<br />

A Comunidade pensou<br />

em ampliar o espaço de sua<br />

sede, que é de 7x7m, por-<br />

que este espaço é insufi-<br />

ciente, fazendo necessário a<br />

construção duma cozinha,<br />

mais um banheiro, pois o<br />

que já tem é precário, uma<br />

sala para a diretoria, e em<br />

especial a construção do tão<br />

necessário posto-médico.<br />

OPOSTO MÉDICO<br />

Vila São Miguel esteve<br />

Faveláo - pág. 9<br />

W4 SÁàMmeí<br />

cousT/iucão 6QP05T0 Metico<br />

presente nas várias reuniões,<br />

realizadas no Hospital Val-<br />

dir Franco, em Padre Mi-<br />

guel. Reuniões estas presidi-<br />

das pela Dra. Ilka, onde fo-<br />

ram debatidos os problemas<br />

de vacinação nas Comunida-<br />

des e a implantação de pos-<br />

tos-médico. Como produto<br />

final dessas reuniões foi as-<br />

segurado que as Comunida-<br />

des onde houvesse espaço<br />

para que seja instalado um<br />

consultório médico, não ha-<br />

verá problema algum para<br />

que o hospital da área ce-<br />

da médicos, que prestarão<br />

serviços gratuitamente, nas<br />

Comunidades carentes.<br />

O QUE JÂ SE<br />

CONQUISTOU<br />

Nessa batalha, a Comu-<br />

nidade já conseguiu 10 sa-<br />

cos de cimento (faltando<br />

ainda 40), 300 kg de ver-<br />

galhões (faltando ainda<br />

150Kg), 2m de areia e pe-<br />

dra (faltando ainda<br />

cada), e os 2 mil tijolos<br />

necessários também estão<br />

faltando. É uma luta que Jo-<br />

sé Roberto, presidente da<br />

Associação, Abflio Domin-<br />

gos, delegado da FAFERJ —<br />

Zona Oeste, e outros mais,<br />

arrao^não escondem a sua<br />

disposição para realizar o<br />

feito: o posto médico é a<br />

grande meta.<br />

COLABORAÇÃO<br />

Já está acontecendo a<br />

campanha dos tijolos, a Co-<br />

munidade continua promo-<br />

vendo bazar, festinhas e jo-<br />

gos para angariar fundos, e<br />

todos que desejarem colabo- ><br />

rar, o que cair na rede é<br />

peixe!<br />

A Vila São Miguel, em<br />

Magalhães Bastos, fica na<br />

Estrada São Pedro de Alcân-<br />

tara, 3907. E a sede da As-<br />

"* iação de Moradores fica<br />

r ravessa Souza Lima, 2.<br />

A quela imagem paternalista,<br />

em que a diretora, "Superdo-<br />

tada de poderes", exercia um<br />

papel imperioso na escola, cujo<br />

os pais, alunos e funcionários<br />

só cabiam num segundo, pra<br />

não dizer, terceiro plano: e<br />

isso, assim como todas as coi-<br />

sas absurdas, tiveram ou tem,<br />

seus dias contados.<br />

Hoje as escolas estaduais e<br />

Municipais já fazem o pleno<br />

exercício do voto.<br />

E foi num pique de quem<br />

quer descentralizar as coisas, dis-<br />

tribuir responsabilidades, e, de<br />

conquistar a democracia e seus<br />

direitos, que pais de alunos,<br />

professores, alunos e funcioná-<br />

rios foram as urnas. Entre se-<br />

tembro e final de outubro,<br />

todas as escolas escolheram seus<br />

representantes, e isso é o C.E.C<br />

(Conselho Escola Comunidade),<br />

sem dúvida um grande espaço,<br />

que cabe aos democratas à sua<br />

construção, assim como sua evo-<br />

lução.


f<br />

Favelao — pág. 10<br />

lèaesmJTâ<br />

A a assembléia da Pastoral<br />

do Vicariato Suburbano<br />

realizada no último dia<br />

8, na Cidade de Deus, onde<br />

17 Comunidades que lá estiveram<br />

presentes, entrevistaram<br />

a presidente recém eleita,<br />

Terezinha Justo de Jesus.<br />

Ao final da mesma,<br />

juntamente com o Pe. Valentim,<br />

visitaram toda a área<br />

acompanhados pelos visitantes,<br />

incluindo o Mons.<br />

Gilson, Pe. Frank e José<br />

Ramos Coordenador da Pastoral<br />

do Trabalhador, que<br />

aproveitou a ocasião para<br />

falar do Congresso dos Trabalhadores<br />

A Associação de Morado-<br />

res tem nova diretoria, e é<br />

Maria Terezinha Justo de<br />

Jesus, de 46 anos, casada<br />

com o mecânico — Norival<br />

Menezes de Jesus, ela minei-<br />

ra de Poços de Caldas e<br />

moradora da Cidade de<br />

Deus, há 18 anos, responde<br />

algumas perguntas:<br />

D - Quantos tem a Ci-<br />

dade de Deus?<br />

T — Aproximadamente<br />

180 mil habitantes.<br />

D - Como você chegou<br />

a presidência?<br />

T — Já fazia trabalho<br />

com crianças e jovens atra-<br />

vés da igreja, que é quem<br />

sempre me deu o maior<br />

apoio.<br />

D - Qual o maior proble-<br />

ma existente aqui?<br />

T — São muitos de toda<br />

a natureza, mas o que mais<br />

me preocupa é a discrimi-<br />

nação que sofremos: Se al-<br />

guém busca uma vaga de<br />

emprego e diz que mora<br />

na Cidade de Deus, não é<br />

aceito, isto entre outras coi-<br />

sas faz com que as pessoas<br />

tenham vergonha de dizer<br />

que mora aqui.<br />

D — E a violência aqui,<br />

como anda?<br />

T — O mdice de violên-<br />

cia tem aumentado mais em<br />

decorrência do desemprego<br />

e da miséria, mas a gran-<br />

de imprensa dá uma dimen-<br />

são muito maior justamente<br />

para nos desmobilizar, mas<br />

não mostra o que temos<br />

de bom aqui dentro.<br />

D - Vocês recebem algu-<br />

ma ajuda?<br />

T — Muito pouco, qua-<br />

se nada, apenas o Mobrai<br />

ajuda a nossa creche que<br />

Terezinha (de^ocul<br />

da Associação de<br />

atende a dezenas de crian-<br />

ças; a alimentação é precá-<br />

ria, é mais da base de fubá<br />

e as pessoas trabalham na<br />

base do amor, sem ne-<br />

nhuma remuneração.<br />

A<br />

LBA nunca apareceu por<br />

aqui, usamos material de<br />

sucata e papel de com-<br />

putador na nossa escoli-<br />

nha, o giz é feito de car-<br />

vão.<br />

os ), atual presidente<br />

Moradores. __^<br />

D - Quanto pagam pelas<br />

prestações das casas?<br />

T — Varia, são diversas<br />

a prestações de acordo com<br />

as_casas, sendo a mais ba-<br />

rata em torno de Cr$<br />

8.000,00, o que achamos<br />

caro e a luz havendo casos<br />

absurdos, pois com 3 bicos<br />

de luz pagamos até Cr$ ....<br />

17.000,00.<br />

D - Quantos sócios pa-<br />

gam a Associação?<br />

T - Apesar do grande<br />

\i/. 'BOMmm pfNsjim âMãMHA<br />

fcj Secretário de Habita-<br />

ção e Trabalho, Caó, esteve<br />

no dia 12 de agosto, na Co-<br />

munidade Bom Menino, em<br />

Irajá, para discutir com os<br />

-^^ X / / /' /<br />

moradores o problema que<br />

os mesmos vem enfrentando<br />

aproximadamente 2 anos,<br />

com a proprietária da área,<br />

a Empresa de Transporte<br />

Três Amigos.<br />

Foi apresentado pelo Se-<br />

Jcretário, a proposta dos mo-<br />

radores mudarem-se para o<br />

conjunto habitacional de<br />

;Xapecó, que fica em Ita-<br />

juaí, mas a maioria se<br />

manifestou contrária, em-<br />

^bora reconhecendo na visita<br />

'ao local, que as casas são<br />

boas porém á distancia do<br />

rjocal de trabalho — visto<br />

Io alto custo das passagens<br />

e pelo fato da grande<br />

maioria dos moradores esta-<br />

rem desempregados, viven-<br />

do de biscates e do subem-<br />

prego; Ia em Itaguaf não<br />

oferece nenhuma alterna-<br />

tiva de sobrevivência, le-<br />

vando assim os moradores<br />

a continuarem a luta pela<br />

fixação no local em que<br />

estão ou o governo propor<br />

um local mais próximo, vis-<br />

to que todas as tentati-<br />

vas foram emvão.<br />

Os proprietários não<br />

abrem mão de nenhum<br />

acordo, nem diálogo. A<br />

preocupação maior é que<br />

por haver alguns moradores<br />

decididos em ir para Xape-<br />

có, inclusive a presidente<br />

da Associação de Morado-<br />

res, uma atitude dessa só<br />

vem enfraquecer o movi-<br />

mento, e só Deus sabe o<br />

que será o amanhã do Bom<br />

Menino.<br />

PASSADQ UM MÊS<br />

Continua a expectativa<br />

do que o amanhã da Co-<br />

munidade Bom Menino.<br />

A única proposta de<br />

opção no momento, apre-<br />

sentada pelo Secretário de<br />

Habitação e Trabalho, Caó,<br />

criou um problema sério.<br />

número de casas, apenas<br />

480 associados estão pagan-<br />

do em dia as suas mensali-<br />

dades<br />

M<br />

D - E a polícia, como<br />

vem agindo aqui?<br />

T — Houve épocas que<br />

sofríamos muito com a<br />

repressão policial, hoje po-<br />

rém o batalhão da área<br />

tem um comandante bom<br />

que tenta nos ajudar abrin-<br />

do espaços para o diálogo,<br />

inclusive fazendo um traba-<br />

lho com nossos adolescentes<br />

e nos respeitando como pes-<br />

soas de bem.<br />

D E verdade que que-<br />

rem remover a Cidade de<br />

Deus?<br />

T - Existe sim este boa-<br />

to e até sabemos que quan-<br />

do viemos prá cá isto não va-<br />

lia nada, porém com a expan-<br />

são da Barra da Tijuca e<br />

valorização desta terra, eles<br />

descobriram que nós esta-<br />

mos em cima da mina do<br />

ouro, por isso é que tudo<br />

fazem para nos desmobili-<br />

zar, jogando toda a socie-<br />

dade contra nós, como se<br />

nós fôssemos uma pedra<br />

no caminho dos especula-<br />

dores imobiliários.<br />

pois dividiu as opiniões, pe-<br />

lo fato de a maioria achar<br />

impossível a ida para o<br />

conjunto Xapecó, em Ita-<br />

guaí; visto pela distancia<br />

é o alto custo das passa-<br />

gens e outras dificuldades<br />

como: falta de escola, posto<br />

de saúde, comércio e ou-<br />

tras.<br />

Os moradores da Bom<br />

Menino, sentem-se insegu-<br />

ros, na medida que uma<br />

parte se dispõe a ir para o<br />

conjunto, isto sem dúvidas<br />

enfraquece a luta, e os que<br />

não tem condições de irem<br />

não sabem o que será o<br />

futuro.<br />

Ae/£


COHCRKSD-BIFÉRT A<br />

presidente Congresso.<br />

Com surdos e tamborins,<br />

num clima aparentemente<br />

de festa, assim estava a As-<br />

sociação Brasileira de Im-<br />

prensa (ABI) no último dia<br />

31 de agosto, quando se deu<br />

inicio do 40 Congresso da<br />

FAFERJ.<br />

Inúmeras Associações es-<br />

tavam presentes como tam-<br />

bém as autoridades governa-<br />

mentais.<br />

Dirigindo a mesa estava o<br />

vice-presidente da Federa-<br />

ção, Jonas Rodrigues, pois,<br />

o presidente não pode com-<br />

parecer por motivo de saú-<br />

de.<br />

A abertura solene teve<br />

início com todos os presen-<br />

tes cantando o Hino Nacio-<br />

nal depois teve prossegui-<br />

mento com o discurso dos<br />

dirigentes de Associações e<br />

autoridades.<br />

AUTORIDADES<br />

Compareceram a mesa<br />

Jonas Rodrigues, Carlos Al-<br />

berto de Oliveira, Caó, Se-<br />

cretário de Habitação e Tra-<br />

balho, Ana Maria Noronha,<br />

Coordenadora da Pastoral<br />

de Favelas, Jó Rezende,<br />

Presidente da FAME RJ (Fe-<br />

deração das Associações de<br />

Bairro do Rio de Janeiro)<br />

Abdias Nascimento, Depu-<br />

tado Federal e líder do Mo-<br />

vimento Negro, Walter Gui-<br />

marães Sobral Pinto, Jurista<br />

Marcelo Alencar, Prefeito<br />

da Cidade do Rio de Janei-<br />

ro, Nilza Pacheco Mariano<br />

(tia do Vicente Mariano),<br />

José Eudes, Deputado Fede-<br />

ral do PT, Vivaldo Barbosa,<br />

Secretário de Justiça, José<br />

Miguel, Deputado ÉstaduaJ<br />

do PDT, Benedita da Silva,<br />

Vereadora do PT, Nenes<br />

Nogueira, Secretário de<br />

Campos e outros.<br />

FALAÇÃO<br />

Jonas Rodrigues, iniciou<br />

o Congresso, fez um pe-<br />

queno histórico sobre a<br />

FAFERJ, os representantes<br />

das Comunidades puderam<br />

falar sobre a importância da<br />

FAFERJ, e, deste 40 Con-<br />

gresso, pudemos anotar al-<br />

gumas falações:<br />

MAZINHO — representante<br />

de Campos<br />

"Nossos problemas não<br />

divergem dos problemas da<br />

capital, falta água, há falta<br />

de humanidade dos poli-<br />

ciais. As autoridades têm<br />

que reconhecer que nós tra-<br />

balhamos na produção di-<br />

reta dos bens desse país.<br />

A luta dos favelados, hoje,<br />

conta com vários segmen-<br />

tos da sociedade".<br />

CARLOS DUQUE - pre-<br />

sidente do Conselho de Re-<br />

presentante da FAFERJ..<br />

"Vamos lutar para ter<br />

uma federação; mas para is-<br />

so é necessário que estejam<br />

todos lá dentro levando o<br />

pensamento do nosso com-<br />

panheiro Vicente Mariano".<br />

MILTON MENDONÇA -<br />

diretor da FAFERJ<br />

"Neste momento tenho a<br />

honra de saudar o Congres-<br />

so ressaltando a urbanização<br />

e não a remoção".<br />

Muita polemica no 4C Congresaa da FAFERJ<br />

DIQUINHO<br />

do Itararé<br />

"É muito importante no<br />

dia 9/9/84, estarmos participando<br />

da primeira atividade<br />

do Congresso, pois vamos<br />

começar a discutir a<br />

organização do movimento.<br />

Muitas Associações divergem<br />

da atual diretoria, é<br />

bom esclarecer isso para que<br />

não fique só no momento<br />

festivo".<br />

ABÍLIO DOMINOU ES -<br />

coordenador do 40 Congresso.<br />

"Cobrou do Governador<br />

o compromisso com o povo<br />

favelado<br />

JOSÉ IVAN - presidente<br />

do Morro do Borel<br />

"Estamos representando<br />

um povo injustiçado, é desumano<br />

as condições das favelas".<br />

CLÁUDIO DE MORAES -<br />

presidente das Guararapes<br />

"É com muita tristeza<br />

que ainda vejo faixas ao alto<br />

reivindicando um direito básico<br />

que é o de morar,<br />

negado até hoje pela alta<br />

burguesia".<br />

Várias comunidades levaram<br />

faixas e cartazes, e a<br />

que mais se destacou foi a<br />

de Rios da Pedra, que estão<br />

há 8 meses acampados em<br />

Jacarepaguá.<br />

0 prefeito, Marcelo Alencar,<br />

pediu 1 minuto de silêncio<br />

pelas vítimas da Comunidade<br />

do Pavão-Pavãozinho,<br />

depois iniciou agradecendo<br />

o fato da Cidade do<br />

Rio de Janeiro sediar o 49<br />

■Fnto : palermoi<br />

40 CONGRESSO<br />

DA FAFERJ<br />

O 40 Congresso da Fede-<br />

ração das Associações de<br />

Favelas do Rio de Janeiro,<br />

"Vicente Mariano" (home-<br />

nagem póstuma a seu presi-<br />

dente, que mobilizou gran-<br />

des resistências as remoções<br />

na década de 60).<br />

A realização do 40 Con-<br />

gresso foi feita através de<br />

encontros regionais, onde a<br />

FAFERJ, com um temário<br />

formulado, debateu os se-<br />

guintes temas:<br />

— A luta pela transfor-<br />

mação das favelas em bair-<br />

ros populares.<br />

— Política de saúde.<br />

— Política Educacional e<br />

assistência à infância.<br />

— Segurança pública.<br />

— Relação da FAFERJ<br />

com os Poderes Públicos.<br />

— Assuntos diversos de<br />

interesse da comunidade.<br />

—A luta pela Democracia e<br />

pela Soberania Nacional.<br />

As áreas onde aconteceu<br />

os encontros foram: na re-<br />

gião do Centro, na Leo-<br />

poldina, na Zona Oeste, Ja-<br />

carepaguá (RJ); em Petró-<br />

polis, Niterói e Campos.<br />

O PALCO DAS<br />

DISCUSSÕES<br />

No dia 30 de setembro,<br />

se reuniram as regiões de<br />

Madureira, Jacarepaguá e<br />

Barra da Tijuca, no Colégio<br />

Baik. Onde foi palco<br />

de uma verdadeira guerra de<br />

nervos, ocasião esta onde a<br />

delegacia da FAFERJ, Jacarepaguá-Barra<br />

da Tijuca,<br />

formulou um documento de<br />

duras críticas à direção de<br />

Irineu Guimarães, à FA-<br />

FERJ, e, que este, por outro<br />

lado, acusava o documento<br />

de omitir as participações,<br />

em que<br />

esteve presente com a Delegacia<br />

Zonal Jacarepaguá —<br />

Barra.<br />

m<br />

^<br />

•„: - i -: ■><br />

^<br />

Favelão - pág. 11<br />

W<br />

m<br />

#<br />

o H<br />

CRUZADA SÃO<br />

SEBASTIÃO<br />

NÚCLEO PARADA<br />

DE LUCAS<br />

Curso de Marcenaria<br />

para menores<br />

(Aprendizagem e<br />

Produção)<br />

Aceita-se encomendas de:<br />

Móveis para creches, ca-<br />

deiras para saias, reuniões.<br />

Sindicatos, Igrejas, etc; brin-<br />

quedos-pedagógicos, móveis<br />

populares, reformas de mó-<br />

veis em geral - entreguas a<br />

domicílio.<br />

Obs.: Aceita-se doações de<br />

móveis usados.<br />

Rua da Democracia, 31 — Fa-<br />

vela Parada de Lucas. —<br />

Tel.: 391-8075 e 280-4675 -<br />

Rio de Janeiro.<br />

ALCÓOLICOS'<br />

ANÔNIMOS<br />

Grupo Catumbi<br />

Se o seu caso é beber o<br />

problema é seu.<br />

Se o seu caso é parar é<br />

nosso.<br />

Todos os sábados de 20h<br />

às 22h. Reunião aberta — Rua<br />

Catumbi, 68 — igreja da<br />

Salete.


Favelâo — pág. 12<br />

lão é bTrincadeira, e foi<br />

"um processo de ampla dis-<br />

cussão que seria batalha de<br />

confetes, num desenrolar de<br />

opiniões, se transformou em<br />

10 Revellion Popular Tiju-<br />

cano, onde os blocos farão<br />

um carnaval de rua, desfi-<br />

lando na terça-feira de car-<br />

naval.<br />

E é um pique de quem<br />

quer reavivar o carnaval de<br />

rua, que a Coordenadora de<br />

Eventos Carnavalescos Pró-<br />

Tijuca vem contando com a<br />

participação de: Sebastião<br />

Gonçalves, diretor da Asso-<br />

ciação de Moradores e Pró-<br />

Melhoramentos do Salguei-<br />

ro, Elizabeth Loureiro, dire-<br />

tora do 170 DEC, Paulo<br />

Márcio, diretor executivo da<br />

Coordenadoria de Desenvol-<br />

vimento Estadual, José Ro-<br />

berto, 10 tesoureiro da<br />

AMO AP R A (Associação de<br />

Moradores da Praça Saens<br />

Pena), Antônio CarlosAssad,<br />

presidente do PDT da Tiju-<br />

ca, representantes da Asso-<br />

ciação Comercial da Tijuca,<br />

SESC, AMABOA (Associa-<br />

\JAzj0.<br />

Numa 7 bela manhã de sá-<br />

bado de agosto, Virgínia<br />

Marciel Furtado 0. Didi<br />

convidou seus netos e vizi-<br />

nhos para lhes passar um se-<br />

gredo secular.<br />

Com lenha, barros, capim<br />

e papéis, construiu o bafêo<br />

de carvão. Já se foram 54<br />

anos, que com seu pai Os-<br />

waldo Lima, que na ocasião<br />

^íSS^^<br />

ção de Moradores do Alto<br />

da Boa Vista, 69 Batalhão<br />

da Polícia Militar, Comuni-<br />

dade do Bananal, Juventude<br />

Socialista do PDT, Comlurb<br />

Bloco Unidos da Curtição.<br />

Sem dúvida o movimento<br />

vem com força total, e na<br />

terceira reunião, realizada<br />

no SESC da Tijuca, em se-<br />

tembro, já estavam amarra-<br />

das as datas para os eventos,<br />

sendo o IP Revellion Po-<br />

pular Tijucano programado<br />

para sugestiva data de 31 de<br />

dezembro, com início mar-<br />

cado para às 20:00 h e<br />

plena Praça Saens Pena.<br />

No domingo de carnaval<br />

as escolas desfilarão, to-<br />

mando um pouco da segun-<br />

da-feira, onde os blocos<br />

também dão sua presença<br />

nas avenidas; e é Roberto<br />

Maggessi — representando o<br />

Bloco Unidos da Curtição<br />

que propusera a terça-feira,<br />

já que se encerraram os des-<br />

files.<br />

É bom que isso pegue,<br />

que a Tijuca dê seu exem-<br />

plo, e que todos nós caia-<br />

mos na folia,<br />

r#<br />

na fazenda VJaqueire cons-<br />

truía dezenas de balões, foi<br />

com ele que 0. Didi apren-<br />

deu essa técnica. Seu pai<br />

conseguia obter 200 sacas<br />

de carvão.<br />

PROJETO<br />

w<br />

Os balões são construídos<br />

em terreno plano: arma-se 4<br />

É o projeto que está<br />

sendo desenvolvido na Co-<br />

munidade do Morro do Sal-<br />

gueiro, que culminou com o<br />

grande Show na noite de 25<br />

de setembro, no Teatro<br />

João Caetano. O projeto vi-<br />

sa o resgate da Memória<br />

Cultural e Social desta co-<br />

munidade.<br />

A renda do show foi rer-<br />

tida pra Associação de Mo-<br />

radores e também custeará<br />

os gastos da mostra de foto-<br />

grafias no Museu da Cidade.<br />

A Comunidade do Sal-<br />

gueiro, segundo seu presi-<br />

dente, Zé Santos, - tem<br />

uma característica muito<br />

própria; em seus 50 anos de<br />

vida, ela conseguiu manter-<br />

se como uma grande famí-<br />

lia ou seja, o Salgueiro não<br />

sofreu um grande proces-<br />

so de miscegenação, qua-<br />

se .todos são negros, cario-<br />

cas e parentes.<br />

Emocionado diz Zé San-<br />

tos: "Queremos mostrar que<br />

na favela também se ouve.<br />

Bethoven e se lê o jornal do<br />

Brasil". Continua. . .,<br />

Zé, como é que fica a<br />

participação da Comunida-<br />

de com ingresso a 5 mil<br />

cruzeiros?<br />

— Eu achei caro, mas as<br />

pessoas que coordenaram o<br />

espetáculo acharam que o<br />

preço estava de acordo,<br />

porque reuniria vários artis-<br />

tas numa mesma noite.<br />

Quem é a coordenação?<br />

- Haroldo Costa, Museu<br />

da Cidade e Associação de<br />

Tõcõ^^n^oêirã^^ãm^<br />

nho desejado, que em forma<br />

vertical são amarrados sepa-<br />

radamente para servir de<br />

ostentação das pequenas<br />

partes de madeiras. As ma-<br />

deiras encherão o balão com<br />

três tamanhos, entre médi-<br />

os e pequenos. Como uma<br />

fogueira, preservando o va-<br />

zio entre as 4 primeiras ma-<br />

deiras, que formam a boca<br />

do balão; as madeiras são<br />

cobertas por capim, e, logo<br />

após coberta com barro.<br />

Como um bolo, são feitas<br />

muitas perfurações para o<br />

escape do fumaça e, com<br />

uma tampa,<br />

pela boca, tampa-o<br />

e espere até que o bojo<br />

fique bem formado — para<br />

isso dura 1 dia.<br />

A um balão<br />

de 3m de larg. 80 cm de<br />

alt., com tocos de goia-<br />

beiras, cedro primeiro e lou-<br />

ro.<br />

D. Didi, ao amanhacer<br />

de domingo colheu grande<br />

quantidade de carvão vege-<br />

tal, o segredo taí, bom<br />

aproveito.<br />

Moradores com o apoio da<br />

Funarj.<br />

O SHOW<br />

Participaram do show, o<br />

conjunto Som Sete, Velha<br />

Guarda do Salgueiro, que<br />

fala com simplicidade as<br />

coisas bonitas da vida, na<br />

presença de Iracy Serra,<br />

Noel Rosa de Oliveira, Ney<br />

Lopes, Dinalva de Moraes e<br />

Djalma Xavier e os alunos<br />

da Escola Bombeiro Ge-<br />

raldo Dias. O Caxambu,<br />

dança profana e religiosa;<br />

profana pelo fato de ser<br />

alegre, descompromissada;<br />

religiosa devido a sua estreita<br />

ligação com a terra, o chão<br />

e as almas. Dançada pelos<br />

negros no final feliz da<br />

colheita ou quando os fei-<br />

tores; mocinhas e senhoras<br />

se distraiam; assim definiu o<br />

Jongueiro e Haroldo Costa.<br />

Ainda colaboraram com a<br />

linda noite a nossa grande<br />

sambista e esquecida petos<br />

donos dos meios de co-<br />

municação musicais, Elza<br />

Soares, o cantor e com-<br />

positor Luiz Carlos da Vila,<br />

Silvio César, Milton Gon-<br />

çalves, Emilinha Borba e a<br />

nossa grande batalhadora e<br />

resistente Leci Brandão, que<br />

homenageou a Comunidade<br />

do Salgueiro e também em<br />

sua canção "Zé do Ca-<br />

roço, a Comunidade do<br />

Morro Pau da Bandeira, que<br />

fica em Vila Isabel. As<br />

Gatas com suas belíssimas<br />

vozes renderam homenagem<br />

à Clara Nunes, numa qua-<br />

lificada interpretação, talen-<br />

to é talento mesmo !!!!<br />

A foto mostra o time de futebol<br />

do morro do Urubu (Urubu Rei F.<br />

O. Depois da visita de D. Eugênio<br />

Sales, a Comunidade do Morro do<br />

Urubu, ainda espera uma solução<br />

para os seus problemas, sendo a<br />

água e esgoto os mais necessários.<br />

De bom mesmo na Comunidade só<br />

o time de futebol, que aceita con-<br />

vites para jogos com outras Co-<br />

munidades, contatos pelo telefone<br />

359-8977 (soldado Henrique).

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