Revista 20 fevereiro - a melhor opção - revista

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Revista 20 fevereiro - a melhor opção - revista

Fevereiro Fevereiro n.1 n.1 online online

2013 2013

Algarve Algarve • • Portugal Portugal

Vamos Vencer Isto!


Vamos Vencer Isto!

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Fevereiro / February

Edição Online n. 1 - 2013

Ficha Técnica

Vamos Vencer Isto!

Foto: Arquivo

Proprietário: Inácio A. S. Silva Alves

Sede: R. António Henrique Cabrita lote 2

r/c Dt. 8700-247 Olhão

Publicação Inscrita c/n. 125012

Editor/Director: Inácio Alves

Design: Elizabeth Rodriguez

Contactos Publicidade: Inácio Alves

Tel. 00351289721050 • Fax. 289721702

Tlm. 00351 968639468 - 917292576

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Impressão: Gráfica Comercial - Loulé

Publicação mensal

Tiragem: 2000 exemplares

Distribuição Gratuíta

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que as enviam. Os artigos publicados são da

responsabilidade dos seus autores e não refletem

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Director.

Editorial

O Copo Meio Cheio

Sumário Fevereiro

1

Carta de Janeiro ao Amigo José

Prós e Contras

Vinte Paradoxos Célebres

Conselhos e Dicas da Isilda Sopas

Culinária - Massa com Natas e Alheira

Cartoon

O Correio que nos chega, internet. Bebam muita água

Fotografias - Carnaval infantil / Olhão 2013

Fotografias Carnaval Loulé 2013

Vitor Silva

Contos de áfrica - O primeiro contacto com África

Passatempos

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2013

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2 Fevereiro 2013

Editorial

Vamos vencer isto! Começo este editorial com o habitual socialistas radicais, por muito que o secretário geral da

optimismo com que costumo terminar os meus editoriais. CGTP grite e se esganice até quase perder a voz, a

Isto porque já entrámos no segundo mês desta difícil verdade é que não consegue convencer o povo que

viagem que iniciámos em 2011, e os portugueses trabalha e que sabe que só com esforço e mais trabalho é

continuam estoicamente a aguentar os sacrifícios e a que se consegue sair da crise, e motivar os portugueses

austeridade a que o país está sujeito por força do plano de que ainda têm algum dinheiro, a investir para que haja

ajustamento financeiro. Os portugueses continuam a criação de postos de trabalho que permitam criar riqueza

trabalhar e a tentar cumprir metas de ajustamento que remunere o investimento e garanta a sua

económico e financeiro das contas públicas apesar da sustentabilidade. Quem trabalha sabe que não é com

conjuntura económica na Europa não nos ser favorável, greves, nem sentados á sombra da bananeira, que se cria

devido ao baixo crescimento da economia no velho riqueza e bem estar, que o digam os africanos em África

continente. Apesar de tudo os portugueses, que trabalham que, por Deus ou a natureza ser sido tão pródiga e

no duro, continuam a esforçar-se para ajudar a manter os benévola com eles, e lhes ter dado uma espécie de paraíso

seus postos de trabalho, do mesmo modo que os para viver em que só aprenderam a colher, mas não a

empresários da micro, pequenas e médias empresas se semear, estão hoje em quase todo o continente, a morrer

esforçam, não só para manterem os seus meios de de fome, e outros preferem arriscar a vida em pequenas

subsistência, mas também para corresponderem ás embarcações na tentativa de atravessar o mediterrâneo

expectativas dos seus empregados. No meio destes para vir trabalhar na Europa. O meu optimismo no início

heróicos patrões e trabalhadores que, no sentido figurado, deste editorial, testemunha a minha satisfação por ver que,

formaram muitos pequenos quadrados, por todo o país, apesar de haver muitas “vozes de burros” a que os

para defenderem as suas posições e combaterem com portugueses que trabalham não dão ouvidos, e desde logo

sucesso a crise que ameaça a independência de Portugal, e muito particularmente ao líder da oposição, que não se

mas no meio destes quadrados estratégicos aparecem cansa de gritar, clamar e até gesticular, dizendo que o

outros portugueses como os muitos Vasconcelos, que governo errou em toda a linha, em todos os objectivos, e

sempre os houve na história de Portugal, desde a ancestral que com a política de austeridade lançou o país numa

Lusitânia, para minar e sabotar o esforço dos que amam, espiral recessiva do qual o país não poderá sair sem outra

lutam e se sacrificam pela sua terra. Os portugueses que estratégia política ou outro primeiro ministro, verifica-se

desde o inicio desta crise nunca baixaram os braços e que o homem que lidera o PS, que também é Dr. licenciado

sempre lutaram e lutam para a vencer a crise e sair do não sei no quê? Mais parece o Dr Cunhal do tempo da

buraco, em que muitos gananciosos e corruptos, cassete, só que o actual líder do PS usa uma USB, de

banqueiros, accionistas e bancários, políticos, deputados muito pouca capacidade, porque o discurso é sempre o

e a administração pública, empresários e administradores mesmo, ao ponto até de os seus correligionário o quererem

e quadros, os trabalhadores e sindicatos meteram o país, substituir por outro secretário geral, tipo Obama que está

não conseguem compreender porque é que continua a na moda, e serve os interesses daqueles que pretendem

haver gente que, no seu emprego faz greves, vai para africanizar Portugal. Mas ainda a propósito deste

manifestações e clama por melhores condições de vida, secretário geral do PS que se diz líder da oposição, será

quer mais emprego, mais saúde, mais educação, quer que o homem não se enxerga, nem o Zorrinho, arremedo

mais tudo sem trabalhar? do defensor do povo, não vê e nem lhe faz ver que a expiral

O meu optimismo, reflectido neste editorial, resulta recessiva que ele afirma o país estar mergulhado,

exactamente dos tais portugueses que se organizaram começou exactamente nos governos de José Sócrates

como quadrados de Aljubarrota que trabalham e lutam, esse ex-primeiro ministro socialista, que se esfumou e

para sair da crise, sem dar ouvidos aqueles que continuam desapareceu não em terras de Alcácer Quibir mas vive á

a gritar e a clamar que o país não consegue sair da crise, grande e á francesa na cidade luz, e que alguns socialistas

que o esforço é inglório, que vamos todos para o abismo, da sua corte esperam que volte um dia como D. Sebastião

que estamos todos condenados miséria e á fome, se não para salvar o país, e os socialistas que estão a contas com

deitarem abaixo a cabeça que governa e o governo. Os a justiça. O meu optimismo neste editorial também tem a

portugueses, na sua quase milenar história, têm ditos ver com o cansaço e o ar compungido que se espelha no

populares, provérbios que ilustram bem o povo que somos rosto do velho Jerónimo, cansado de lutar contra a

e que temos, como por exemplo este provérbio; “vozes de burguesia e o patronato, nas confortáveis cadeiras do

burro não chegam ao céu”. E a grande lição que se tira parlamento, nas manifestações organizadas pela CGTP

deste provérbio é que por muito que o líder da CGTP em que sempre participa junto com os trabalhadores em

organize manifestações, umas atrás das outras, a que só jornadas de luta e de festa, como nas festas do avante, o

vão os militantes do PCP, do bloco de esquerda, dos velho e enrugado líder começa a perceber que a geração

verdes e simpatizantes destes partidos bem como alguns

da internet, do facebook e do twiter, não vai alinhar na


Editorial

ideologia doutrinária do partido comunismo português, que

ainda é um decalco da ideologia soviética que levou

milhões de pessoas á morte na Sibéria, e nos inúmeros

Gulags que o regime comunista gerou para tentar moldar o

povo e criar a utopia socialista. Dos Verdes, minúsculo

partido satélite do PCP no parlamento, nem me merece

grandes comentários, a não ser que a Heloísa bem faz juz

ao apelido de Apolónia, quando intervém nas sessões do

parlamento com a sua estridente voz que faz lembrar a

Estação de comboios a que foi buscar o nome. O

optimismo neste editorial também advém de olhar para a

liderança bicéfala do Bloco com um idoso que já tinha

idade para ter juízo e uma moça que sonhava com as luzes

da ribalta, mas as trocou pela notoriedade das luzes do

hemiciclo, mais bem pagas e com garantia de aparições no

canal parlamento, e de ver também que o Bloco continua a

ser um grupo de burgueses de esquerda, ou militantes de

esquerda caviar, que luta contra a extinção desta espécie,

e não tendo como fazer oposição se perde em

intervenções de “chaxa” no parlamento, e aparições em

manifestações de rua onde as câmaras de televisão

sempre lhes dão alguns segundos de antena. Uma razão

objectiva para o meu optimismo no início do editorial, é que

apesar de tudo, dos cães ladrarem e os burros zurrarem, o

Governo continua a governar para tentar cumprir os

acordos internacionais firmados para o país poder ter um

plano de assistência financeira, também a UGT, a outra

central sindical que assinou o acordo de concertação

social com o governo continua a colaborar para que, no

que se refere aos sindicatos seus associados, continue a

haver apoio ao programa financeiro a que Portugal está

obrigado. Felicito daqui, em primeiro lugar todos os

portugueses que trabalham e se esforçam para a

recuperação do país, patrões e empregados. Felicito os

membros do governo que continuam, apesar das

campanhas de descrédito, maledicência da comunicação

social e no parlamento, entraves, protestos, greves e

ameaças físicas, continuarem firmes nos seus postos de

comando governando para que o país supere as presentes

e futuras dificuldadse que ainda teremos que vencer.

Felicito o cidadão comum por respeitar as instituições que

nos governam e representam, e sobretudo por não se

deixar intoxicar pelas campanhas daqueles que gostariam

de ver mais manifestações, greves, tumultos e o país a

ferro e fogo como na Grécia para aparecerem depois como

os salvadores da pátria.

Caro leitor esta edição ainda é on line, Deus queira que as

razões que enumerei para justificar o meu optimismo, se

concretizem e que a economia do país recupere este ano

para que, entre outras coisa os desempregados voltem a

ter emprego, o poder de compra e o bem estar sustentado

dos portugueses se restabeleça, e que nós possamos

voltar a editar a nossa revista em papel outra vez.

O Editor

Fevereiro 2013

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4 Carta de Janeiro para o meu amigo José

Caro Amigo Zé, aqui vai a minha carta do mês de até lá. Acredita meu bom amigo

Janeiro, com algum atraso é certo mas também com um que muitas saudades tive

pouco mais de ânimo. É verdade meu amigo, no final de daquela aldeia na serra da Lapa

Janeiro apareceu um pouco mais de trabalho para que encanta e prende quem a

animar a malta, quero dizer, para me animar a mim que visita. Tivesse eu uma reforma

bem preciso de trabalho para andar contente e feliz. que me permitisse ausentar-me

Também é verdade que para finalizar a encomenda em do trabalho e partiria com o

cinco dias também me saiu do corpo o esforço, imagina cavalete e tintas na bagagem para passar, pelo menos

tu que tive que dar ao lombo uma sessão de exercício de um mês na tua aldeia. Se as minhas esperanças se

800 impressões com um prensa para cima e para baixo realizarem, e eu espero que sim, no fim de 2013 vou com

durante horas, que foi pior que uma calisténica das que a minha cara metade passar uns dias na tua casa de

fazíamos em Tancos. Mas meu amigo tu já sabes que não Pinheiro. Já comecei a juntar dinheiro para isso.

me queixo quando tenho trabalho, clamo e reclamo sim Bem meu amigo, as notícias da política são como

quando ele é pouco ou escasseia como tem vindo a calculas, está tudo como dantes no quartel de Abrantes,

acontecer durante anos, e pior ainda foi o ano de 2012 o governo vai governando e vai conseguindo manter o

que já lá vai. 2013 promete ser um ano melhor para todos rumo que levará a nau a bom porto, apesar das gaivotas

aqueles que desde há anos remam contra a maré para e os corvos que a sobrevoam grasnarem o tempo todo.

chegar a terra e a um porto, não digo seguro por causa Quanto mais eles grosnam mais certos estamos de que

das conotações políticas, mas pelo menos que seja de vamos no bom caminho. É certo que neste percurso que a

águas tranquilas para recuperar e restaurar a minha nau catrineta vai fazendo com corvos e as gralhas de

pequena embarcação e poder continuar a ganhar a vida. mau agouro a voar por cima, também tem no seu bojo os

De facto no primeiro mês deste ano que também já lá vai, ratos que continuam a roubar tudo o que podem á

e apesar das previsões para o ano em curso continuarem marinhagem que se esforça e sacrifica para manter a

negativas, pareceu-me ver renascer o ânimo em muita nau a flutuar e navegar. Como se não bastasse os corvos

gente que, como eu, trabalham e sacrificam-se para e as gaivotas a voar á volta da nau, os ratos no porão,

fazer os seus negócios andarem para a frente. Muitos ainda temos a bordo inúmeros papagaios que imitam

deles parecem até ter superado o síndroma da crise e todas as outras espécies e não se cansam soltar toda a

estão a entrar naquela fase da trabalhoterapia que os sorte de bocas que mais não fazem do que semear a

ajuda a recuperar os orgãos vitais dos seus negócios, confusão, a descrença e a desconfiança no povo que vai a

desde logo o coração sai fortalecido com esse novo bordo que dá atenção e acredita nas bocas desses

estado de alma, depois recuperar nervos e tendões e papagaios que viajam na nossa nau, e são tolerados a

fortalecer músculos dependerá apenas das horas e do bordo por causa do colorido da sua plumagem, da

esforço que cada empresário puser no exercício da sua eloquência e da liberdade de exprimirem o que querem

actividade. Estou certo que este ano o país começará a ou o que lhes mandam dizer. Apesar de tudo, e dos

recuperar da sua recessão e o Algarve também parasitas que temos a bordo, papagaios, ratos e outros

começará a ver a sua economia melhorar. Duma coisa males, continuamos a navegar seguindo o rumo que foi

estou certo amigo Zé, a maioria dos portugueses, e neles traçado em 2011.

incluo os meus conterrâneos algarvios, já perceberam

Zé, meu amigo, por hoje é tudo sobre notícias do teu país

que o tempo das vacas gordas há muito que acabou, e

no mês de Janeiro, e se não me faltar tempo prometo,

agora é preciso investir na criação de vitelas se quiserem

dar-te notícias do mês de Fevereiro mais cedo. Um

vir a ter as vacas que garantam a sua subsistência no

abraço e até um dia destes.

futuro, tanto para darem leite ás criancinhas mas

também para transformar os produtos das vacas em

Com um abraço António

bens transacionaveis, que criem riqueza e dêem a quem

trabalha, e ao povo que já trabalhou, o bem estar

relativo que os bons portugueses merecem. Como vês por

esta carta já estou a acreditar mais que o governo e os

portugueses sejam capazes de dobrar o cabo das

tormentas este ano, assim será se não lhes faltar a

coragem e as forças, por mim, apesar dos meus 65 anos

cá estarei para dar o meu contributo para dobrarmos

este obstáculo.

Falando agora da tua aldeia, que não visito desde

Dezembro de 2011, pelas razões que tu conheces, a falta

de trabalho e de dinheiro em 2012, impediram-me de ir


Voltando agora á questão da emigração que também a RTP

explora para tentar conquistar audiência, tentam mostrar a

emigração como um drama para aqueles que decidem deixar

a santa terrinha em busca de uma terra melhor. Os jornalistas,

os jornais, os canais de televisão nacionais são na verdade, na

minha modesta opinião, os causadores do espírito de

desânimo, descrença e fraqueza a que os portugueses

chegaram. De facto têm sido os meios de comunicação que,

na sociedade actual no século XXI têm representado bem

essa figura derrotista do velho de Belém, quando clamava

onde iam e para que iam os portugueses aventurar-se por

Em Janeiro a RTP num dos seus programa Prós e Contras mares nunca dantes navegados. Se na altura a prensa que

conduzido como habitualmente por Fátima Campos Ferreira, e Johannes Gutenberg inventou já estivesse a funcionar em

agora apresentado ao domingo, foi abordado o tema da nova pleno, por certo muitos panfletos e manifestos teriam sido

emigração portuguesa que leva muita gente, particularmente impressos para fazer e moldar a opinião do povo contra essa

jovens, a partirem em busca de um melhor futuro. O tema deste aventura que haveria de custar tantas vidas e sofrimento ao

prós e contras por comparação com as vagas de emigração nos povo português para dar novos mundos ao mundo.

anos sessenta e setenta em que o tipo de portugueses que É pena que a Dr.ª Fátima Campos Ferreira não faça um “Prós

emigravam legalmente ou a salto, na maioria dos casos eram e Contras” para discutir a porcaria de jornalismo que se faz

pessoas com pouca instrução escolar, muitos quase em Portugal. Este é um tema que não interessa á RTP nem ás

analfabetos, e hoje os novos emigrantes são na sua formação outras estações de televisão, assim como não interessa ás

académica e profissional diametralmente o oposto já que na rádios nem aos jornais. Discutir a porcaria de comunicação

maioria são pessoas com formação profissional especializada , social que se faz em Portugal, seria discutir a mediocridade

indivíduos com cursos médios e superiores. dos profissionais que fazem essa comunicação social. E ainda

No programa em que se pretendia mostrar e discutir o surto de há gente que se admira por haver, cada vez mais, mais

emigração que se vem verificando desde há dois anos, como jornalistas no desemprego. A razão do aumento do

sendo prejudicial para Portugal por saírem do país as desemprego nesta classe profissional privilegiada reside no

inteligências que as universidades portuguesas formaram, e simples facto dos jornais fecharem por falta de gente que os

que irão ajudar ao desenvolvimentos de outros países, ficou compre. Em Portugal até a Agência Lusa teve que despedir

demonstrado que os emigrantes portugueses entrevistado não pessoal porque não geram receitas que suporte o custo do

lamentavam o facto de terem emigrado, muito pelo contrário. pessoal que lá estava a trabalhar. E já que falamos da porcaria

Outro aspecto a que os portugueses emigrados em vários de comunicação social que se faz nas televisões, salvo

países do mundo deram particular destaque, nas criticas que algumas honrosas excepções de jornalistas que tentam fazer

fizeram á actual sociedade portuguesa e á péssima situação um trabalho sério, seria interessante que os experts na

sócio económica e financeira que o pais vive foi, mais do que matéria, se debruçassem sobre este assunto, para ajudarem a

criticar os políticos, criticaram os media, como tendo grande melhorar este sector de actividade que muito influencia a

responsabilidade na situação deprimente e depressiva a que o opinião pública. Um exemplo flagrante da influência que os

seu país chegou. muitos desses emigrantes afirmaram que nos meios de comunicação exercem na opinião pública, é a

países onde estavam embora tivessem acesso a canais de presente campanha publicitária do semanário Expresso que

televisão portugueses não viam as notícias nacionais por as se vangloria e afirma claramente que “ Faz opinião pública há

acharem negativistas, sempre a falar dos insucessos, da 40 anos”. O semanário Expresso diz que “há 40 anos que faz

incapacidade e incompetência dos portugueses para vencerem a opinião dos seus leitores” assim pode deduzir-se que os

a crise que afecta o país. leitores do Expresso não têm capacidade para formar as suas

próprias opiniões, por isso assimilam como suas as opiniões

do semanário que lêem. Por este exemplo tão abertamente

assumido pelo mais importante semanário português se pode

constatar, como um meio de comunicação pode influenciar e

condicionar a opinião das pessoas, ao ponto de ser pernicioso

para indivíduos, comunidades ou países. Oxalá um dia destes

o” Prós e Contras”, aborde o problema da comunicação

social, na sua falta de profissionalismo, de ética e de moral.

Se houvesse em Portugal uma melhor comunicação social,

mais séria, mais objectiva, mais pedagógica acredito que o

país viveria noutro clima social que a todos daria ânimo e

encorajaria a trabalhar mais e melhor para recuperarmos mais

depressa da situação em que os banqueiros, bancários,

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6

políticos e funcionários da administração pública, bem como versando o tema da emigração, presto aqui a minha

os empresários que também comeram á mesa do orçamento e homenagem a todos os jovens e menos jovens que têm a

roubam do erário público com as ppp, conduziram o país. Se coragem de emigrar na procura de melhores perspectivas de

tivéssemos uma melhor comunicação social, certamente não futuro. O melhor futuro que procuram no estrangeiro, a muitos

haveria tanta gente a ter que emigrar, não porque no país não dar-lhes-á porventura desafogo financeiro, bem estar e riqueza

haja oportunidade para conseguirem trabalho ou criar os seus e a outros talvez não lhes dê tanto de material, mas dar-lhes-á

próprios postos de trabalho, mas porque a comunicação social sempre uma experiência de vida em que também se enriquece

em todos os momentos lhes diz e repete que as alternativas para em conhecimento e cultura. Em ambos os casos dos emigrantes

os jovens é a emigração, porque no seu país não têm que são bem sucedidos e dos que voltam tão pobres como

oportunidade de trabalho. A comunicação social inclusive, partiram, uma coisa todos têm em comum, é o seu amor

consegue transformar a emigração numa anátema para o país incondicional a este jardim á beira mar plantado a que chamam

porque, á falta de produzir bens transaccionáveis para exportar, o seu país.

exporta trabalhadores. Os jornalistas por ignorância da nossa

história, ou por má fé esquecem-se de dizer e explicar aos seus

leitores que o espírito da emigração e da aventura está na

génese dos portucalenses desde 1145 e nos genes dos

portugueses desde o século XIV. Os portugueses não têm que

se lamentar ou envergonhar por terem sido, desde o século XIV

emigrantes que se aventuraram por mares que não conheciam

para descobrir e reclamar para o seu Reino e o seu Rei a posse

de terras desconhecidas, que por força do seu espirito

colonizador e evangelizador transformaram em países em que

se fala português, sendo um desses países maior, em superfície,

que a própria Europa, donde partiu um dia uma caravela com

emigrantes portugueses que transformaram o mundo.

Como conclusão do comentário sobre o “Prós e Contras”

1. Paradoxo dos Sentimentos (e a Lógica): “O coração tem razões que a razão Antonio Marina).

desconhece” (Pascal).

11. Paradoxo da Sabedoria: “Quem sabe muito, escuta; quem sabe pouco,

2. Paradoxo da Cegueira: “O essencial é invisível aos olhos. Só se vê bem com o fala. Quem sabe muito, pergunta; quem sabe pouco, opina”.

coração” (O Principezinho).

12. Paradoxo da Generosidade: “Quanto mais damos, mais recebemos”.

3. Paradoxo da Improvisação: “A melhor improvisação é aquela que melhor é

preparada”.

13. Paradoxo do Conhecimento: “O homem procura respostas e encontra

perguntas”.

4. Paradoxo da Cultura: “A televisão é uma fonte de cultura. Sempre que

alguém a liga, vou para o quarto ler um livro” (Groucho Marx).

14. Paradoxo do Humor: “O riso é uma coisa demasiado séria” (Groucho

Marx).

5. Paradoxo da Ajuda: “Se precisas que alguém te faça um

trabalho, pede a quem já estiver ocupado; quem está sem fazer

nada dir-te-á que não tem tempo”.

15. Paradoxo do Quotidiano: “O mais pequeno é o maior”

16. Paradoxo do Silêncio: “O silêncio é o grito mais forte” (Shopenhauer).

6. Paradoxo do Dinheiro: “Era um homem tão pobre, tão pobre, tão pobre, que

apenas tinha dinheiro”.

17. Paradoxo do Especialista: “Não há nada pior que um perito perto, para

impedir o progresso numa matéria”.

7. Paradoxo do Tempo: “Anda devagar que tenho pressa”.

18. Paradoxo da Riqueza: “Não é mais rico aquele que mais tem mas aquele

8. Paradoxo da Tecnologia: “A tecnologia aproxima-nos de quem está longe e que menos necessita”.

afasta-nos de quem está mais próximo” (Michele Norsa).

19. Paradoxo do Amor: “Quem mais te ama, mais te fará sofrer”

9. Paradoxo da Inteligência: “Não chega primeiro quem vai mais depressa mas

quem sabe onde vai” (Séneca).

10. Paradoxo da Felicidade: “Quando, objectivamente , estamos melhor que

nunca, subjectivamente sentimo-nos profundamente insatisfeitos” (José

20. Paradoxo do Prazer: “Sofremos demasiado por causa do pouco que nos

falta, e alegramo-nos pouco com o muito que temos” (Shakespeare).


Conselhos Conselhos e Dicas

da Isilda

Isilda Nunes

PASTA – MASSA – COM NATAS E ALHEIRA

É uma receita de origem italiana, mas com um toque

e sabor bem português.

Para 4 pessoas:

Coza 500g de tagliatele (ou outra massa) al dente.

Paralelamente frite duas alheiras sem que fiquem

muito douradas. Abra-as, retire o recheio, volte a

colocá-lo na frigideira juntamente com um dente de

alho picado finamente picado. deixe fritar um pouco

pais e retire o excesso de gordura.

Junte um copo de leite e deixe ferver um pouco,

mexendo de vez em quando, até fazer um creme.

Junte 200ml de natas (creme de leite no Brasil),

incorpore, deixe levantar fervura. Corrija os

temperos e desligue o fogão.

Verta este preparado

sobre a massa cozida,

incorpore e sirva de

imediato. Tempere com

pimenta acabada de

moer e polvilhe com

queijo ralado.

Bom apetite.

PIPA

o que é

uma factura?

LP,

tens que pedir um

papel com o teu NIF sempre

que compras uma pastilha

elástica, se não apanhas

multa!

7


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O Correio que nos chega, internet.

Acredito que muita gente recebe e-mails especiais dos amigos ou de instituições. Alguns desses mails merecem, particular atenção e

reflexão pela mensagem que transmitem. “A melhor opção” sempre que tiver espaço vai publicar alguns desses e-mails que nos são

enviados, agradecendo desde já aos amigos que os enviam e agradecendo também aos autores desses mails (muitas vezes desconhecidos)

que se deram ao trabalho de criar a mensagem e pôr na net, para que o maior número de pessoas tenha acesso a essas mensagens, a

entendam e pensem no que podem fazer para mudar alguma coisa nas suas vidas e no pedaço de mundo em que vivem.

Bebam muita água

MUDANÇA DE HÁBITOS

Beber água é um hábito saudável que deve ser

desenvolvido por todas as pessoas.

Recebemos este e-mail com este conselho do Dr. Ícaro Alves

Alcântara -Médico docente da disciplina Semiologia do

UNICEUB - Centro Universitário de Brasília.

“Há cerca de um ano, atendi no HFA uma senhora dos seus

"quase 30 anos” com uma enxaqueca bastante comum:

Cefaléia (Dor de cabeça). A paciente relatava que já havia

passado por otorrinos, oftalmo, neuro, clínico e até

endocrinologista, com as prescrições dos mais diversos

tratamentos e a presunção de várias h i p ó t e s e s

diagnósticas, sem qualquer melhora, entretanto.

Durante sua consulta, entre várias perguntas habituais,

questionei o quanto de ÁGUA ela bebia por dia e de que forma

(ou seja, com qual periodicidade).A mesma me afirmou que

bebia pouquíssima água, porque não sentia sede,

principalmente à noite.

Após várias outras perguntas, suspendi todos os

medicamentos e disse-lhe que ela precisava apenas tomar

água adequadamente.Um tanto quanto descrente, ela voltou

para casa.

Após apenas uma semana, retornou contando que não sentia

mais dor de cabeça, que seu intestino funcionava melhor e que

sua disposição havia melhorado.

Milagre? Não, todos nós sabemos o quanto é importante uma

ingestão adequada de água diariamente, mas quase sempre

negligenciamos.Todos os organismos vivos apresentam de

50% a 90% de água em si.

O próprio corpo humano é constituído em 70% por água que,

em constante movimento, hidrata, lubrifica, aquece,

transporta nutrientes, elimina toxinas e repõe energia... entre

inúmeras outras utilidades!

Preconiza-se o número de 1 copo de 200ml de água por hora

em que se estiver acordado. Assim sendo, a ingestão de água

deve ser independente da sede, constante e rigorosa. E não

adianta deixar para tomar os 2 a 3 litros necessários

diariamente de uma só vez.

Estudos mostram que o estômago capacita apenas

12ml/kg/hora, ou seja um adulto não conseguirá tomar mais

de um litro de uma só vez sem “passar mal".

Se você ainda não se convenceu, observe:

•Cabelos, falta de vitalidade •Couro cabeludo, descamação •

Concentração, distúrbios • Sono e memória com perda da

disposição para realizar actividades diárias, em virtude da

circulação cerebral por baixa quantidade de água que faz o

sangue ficar mais "viscoso" e "grosso"de circulação lenta •

Ressecamento dos olhos e tecido das vias aéreas que com

baixa humidade, sofrem lesões com mais facilidade por

ficarem mais frágeis, assim tornando-se mais propensos a

inflamações / infecções • Conjuntivites • Sinusites •

Bronquites • Pneumonias •Lesões

da pele com aparecimento

de cravos e espinhas pela não eliminação adequada das

toxinas via pele e seu acúmulo local • Queda e

enfraquecimento dos pêlos • Baixa produção de saliva •

Distúrbio no aproveitamento adequado de vitaminas e sais

minerais, com excesso em alguns lugares e falta em outros,

levando a cãibras, dormências, perdas de força muscular e

problemas ósseos dentais • Respiração dificultada, por vezes

levando à falta de ar, principalmente nos exercícios físicos •

Constipação e por vezes, sangramento retal (fezes

endurecidas que ferem o tecido intestinal ao moverem-se em

seu interior) • Impotência ou disfunções eréteis ou, no caso das

mulheres, sangramentos vaginais.

É certo que há água nos alimentos, mesmo os sólidos, mas a

complementação da ingestão diária de água deve ser feita,

periodicamente.

Uma forma de se observar se a quantidade de água é adequada,

é observar a cor da urina, que deve ser incolor. Quanto mais

forte, pouca ingestão de água está sendo feita. Vale lembrar

que é sempre bom evitar bebidas alcoólicas, ou não alcoólicas,

que apesar de serem diuréticas evitam que se beba a água.

Evite também, a ingestão de água pelo menos meia hora antes

do almoço, para não prejudicar a digestão.

Uma curiosidade: Há trabalhos científicos evidenciando que

muitos tratamentos com medicações orais, sobretudo

anticoncepcionais, terapia de reposição hormonal e antihipertensivos

não alcançam o devido

sucesso em virtude da baixa ingestão de

água por parte do paciente; isto se

deveria tanto à má circulação da

substância pelo corpo quanto à má

absorção da mesma no intestino,

processo este dependente da água como

veículo de transporte para a substância.

(Ícaro Alves Alcântara Revista UNICEUB

Ano IV - Abril 2003 - Nº 8)


Carnaval das Crianças em Olhão

Carnaval infantil

Olhão 2013

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10 Fotografia Carnaval das Crianças em Olhão


Carnaval das Crianças em Olhão

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Carnaval das Crianças em Olhão

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Este ano de 2013, fomos ver o Carnaval de Loulé.

Como sempre o carnaval mais antigo do Algarve, é

um espectáculo de cor, alegria e diversão. Nos anos

em que por afazeres profissionais ou desinteresse

não vou ao carnaval de Loulé, fica-me sempre uma

nostalgia, ou sensação de perda que só o passar do

tempo até ao ano seguinte faz esquecer. Eu gosto de

ir ver o carnaval de Loulé por uma simples razão, é

porque gosto de fotografia e o corso carnavalesco

tem um para se fotografar. As cores exuberantes dos

carros alegóricos, independentemente dos temas

que satirizam, homenageiam, enaltecem pessoas

ou instituições, são de facto motivos de interesse e

satisfação para qualquer fotógrafo, profissional ou

amador, fotografar.

Todos os anos que vou ao Carnaval de Loulé percome

no número de fotografias que faço. Fotografo os

carros e os temas que representam, os figurantes,

as pessoas que participam no corso, mas também

fotografo os espectadores em particular as crianças

que com os seus familiares vêem aquela festa sem

perceber muito bem o que é o carnaval. A nossa

edição deste ano tem muitas das fotos que fiz na

terça feira gorda, infelizmente cheguei a Loulé tarde,

o dia estava cinzento demais para o meu gosto e

ainda por cima estava frio e desconfortável. Presto

aqui a minha homenagem ás raparigas que com

trajos reduzidos, andando, dançando e rodopiando

na avenida ao som do samba, pareciam não sentir

frio. Mais frio deveriam ter sentido as belas moças

que se bamboleavam no carro mais brasileiro do

carnaval e com maior densidade de moças giras por

metro quadrado. Fotografei a bela negra quase

totalmente despida e pena foi que não tivesse flash

para lhe dar mais luz e luminosidade ás cores e ás

sensuais formas do seu corpo.

Caro leitor se estiver em alguma das fotos do

carnaval publicadas nesta edição, e querer uma

cópia pode copiar ou mesmo contactar-me por email

e terei muito gosto em enviar-lhe uma cópia.

Disponha


Carnaval de

Loulé 2013

Momentos!

Fotografia

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16 18 Fotografia


atenção, no mapa, pelo seu nome diferente, proporcionou-se quando fui á

Argentina efectuar espectáculo no aniversário do Clube Português de

Buenos Aires, em Pedro Goyena, salvo erro em 1994. Já que ali estava, o

director do Jonal Portugues, o meu meu amigo Campina (de Faro), tentou

aproveitar a minha presença e sugeriu á direção da Asso-ciação

portuguesa de Comodoro Rivadavia a possibilidade de me deslocar a esta

cidade (2.000 kilometros de Buenos Aires) para efectuar um show para a

referida Comunidade “Algarvia aqui radicada. Em principio, não foi fácil

porque, tinham tido a festa do aniversário há pouco tempo e em temos

monetários seria uma despesa extra e com a qual não estavam contando

mas…depois de lhes fazer ver que não eram todos os dias que aparecia

um cantor por aquelas paragens (o ultimo tinha sido o….Tristão da Silva!!!)

e ainda por cima algarvio, que era eu,…..resolveram dizer sim. Isso

ajudou-me então a que eu fizesse a aventura de me deslocar, de avião, de

Bunos Aires a Comodoro, duas horas e meia de viagem mais ou menos.

Fui excepcionalmente bem recebido e actuei no salão da Calle Belgrano,

propriedade da associação, tipo teatro Lethes mas não tão requintado.

Sei que foi uma actuação da qual gostaram imenso, tendo havido a

oportunidade de lhes poder cantar canções nossas, antigas, de que todos

pareciam estar á espera há anos….

Vitor Silva

Lembro-me de ver seus rostos, trauteando comigo e parecendo

agradecer-me o facto de eu lhes levar “um pouco da nossa terra nas

musicas que cantei”.De facto assim foi. Houve um agradecimento que

gerou uma amizade que até hoje permanece. E desde aquele dia que lá

voltei mais seis vezes.

Claro que o encontro com estes Algarvios, proporcionou a possibilidade de

O director da Melhor Opcção convenceu-me a escrever mensalmente tentar ajudá.lo no que fosse possivel, uma vez que parece terem pouco

para a revista, tentando dar uma ideia sobre as minhas voltinhas(?) por descobertos pelos nossos governantes.

esse mundo fora, no contexto da minha actividade, que é cantando, levar Concretamente, havia a necessidade da mudança do consul Honorário,

um pouco de alegria a quantos portugueses se encontram radicados no pela sua idade e que durante bastante tempo (talvez tres anos) nunca foi

estrangeiro, mais exactamente, para lá da Europa. assunto para ser tratado pelos serviços competentes .

Vou tentar e fazer chegar aos leitores, quer por intermédio do papel ou em Em função do seu pedido, tomei a iniciativa e falei com o Governador Civil

online, o meu contributo sobre as pessoas anónimas que vivem e de faro, na altura, o meu amigo Fialho, que se prontificou a tentar junto do

trabalham fora do nosso País e que por razões várias o tiveram de deixar ministro dos Negócios Estrangeiros na altura, o Dr. Jaime Gama, a

mas que conservam as suas raizes e a sua saudade em relação ao lugar solução para o problema. E passados que foram mais ou menos tres

onde nasceram. E inclusive, o que fazem para conservar as tradições e o meses, estava nomeado um novo Consul honorário, médico, Dr. Amado,

seu apego á Pátria, mesmo por vezes a milhares de kilómetros de formado na Argentina, mas nascido no serro da Águia, na freguesia de

distância. Boliqueime. Uma meta tinha sido atingida. E lógicamente ficaram bastante

Sendo cantor de profissão, lógicamente o meu contacto com a Emigração reconhecidos.

Portuguesa de há longos anos a esta parte, reveste-se de pormenores de Outra meta, seria a vinda do Rancho Folclórico dos jovens lusoviagem

onde a amizade com gente nos mais diversos paises me argentinos descendentes em viagem ao Algarve, cerca de 20 e tal,

proporcionaram e continuam, a momentos felizes. proporcionando assim um encontro com a realidade da provincia de onde

Há lugares que me atraem mais, quer em função da receptividade que sairam seus avós e pais e onde ainda tinham e têm familia para visitar.

sempre tenho tido, como tambem pelos amigos que hoje conservo. Durante dois anos, foram fazendo festas, rifas, actuando, etc, para

Um lugar que sempre me tem proporcionado muitas alegrias, fica, para angariarem dinheiro para a referida viagem. Eu consegui alguns contactos

nós, quase no fim do mundo, a cerca de 12 horas de avião…de Lisboa. com algumas Câmaras Municipais do Algarve e tambem com o apoio do

Chama-se Comodoro Rivadavia e encontra-se na provincia de Chubut, na Inatel, o que proporcionou a sua apresentação em diversos lugares, com

Patagónia-.Existe nesta cidade, com cerca de 300 mil habitantes, ao sul contrapartida com a alimentação. Foi possivel conseguir nessa altura, a

da Argentina e a mil kilómetros da Terra do Fogo, uma comunidade sua instalação na residência da Universidade, em Faro, e durante quase

portuguesa que na sua maioria é 99% algarvia e com bastantes um mês.

descendentes. Para eles, isto era simplesmente um sonho e bastante diferente da

Todos oriundos dos concelhos de São Bras de Alportel, Loulé, Tavira e Argentina, pois aqui encontraram montes ( o que na Patagónia não há),

Faro, em especial e extremamente muito ligados á sua terra e ás suas praia com água bem quente, casinhas brancas e uma experiência

origens,.. totalmente diferente da sua vida quotidiana e ainda o contacto possivel

Sei que nos finais de do século XIX foi descoberto petróleo em com familia que sabiam existir mas não conheciam. E foi de facto um

abundância, quando procuravam água….que ali não existe e que vem de sucesso,. Quer pelas suas apresentações, pela sua juventude, pelo seu

um glaciar a cerca de 150 kilometros. caráter amigo e interessado nas coisas, em especial do nosso e

Sei tambem que o primeiro algarvio que se deve ter radicado por aquelas concer6teza que esses jovens, jamais se esqueceram da experiência que

paragens, (segundo informções) teria sido no inicio do século XX o que tiveram nesta nossa provincia.

está fazendo 100 anos. Aliás, tive a oportunidade de ter sido convidado Tudo isto facilitou a amizade que hoje nos une, incluindo os responsáveis

para actuar na Festa do Centenário do Petróleo, em pela a Associação Portuguesa de Comodoro de Rivadavia, quer na

Calleta del Mar, população de pescadores muito perto de Comodoro, o pessoa da Dona Maria Amado, e seu esposo Martin do amigos Correia,

que para mim foi uma honra, tendo sido no único estrangeiro presente no Anibal, Madeira e respectivas esposas, Hilda e todos aqueles com quem

espectáculo. Fazendo aqui um aparte, tenho de admitir que não foi uma tenho confraternizado de uma maneira muito especial, incluindo o nosso

actuação fácil, dado que esta é uma terra onde o vento é rei e em cima do Consul, Dr. Amado e o actual Presidente da Associação, Daniel. Amado.

palco “tive de me agarrar ao microfone”, para me aguentar…..Nem faço Um conselho quem poder ler estas linhas: entre no Google e faça “ uma

ideia a velocidade do vento nessa noite. viagem até Comodoro Rivadavia”. Se poder ir pessoalmente….melhor.

O meu contacto com esta nossa Comunidade, que sempre me chamou a Continua na próxima edição. OK? Vitor Silva - www.vitorsilva.web.pt

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20

O primeiro contacto com África

Embarcou, ás primeiras horas do dia 1 de Abril de 1969, os três pára-quedistas o tínhamos feito, como

no Aeroporto da Portela num DC3 de passageiros, na mandavam as regras, mas de forma relutante porque no

que seria a sua primeira viagem aérea de longo curso e nosso inconsciente, e instinto de sobrevivência, um

muitas horas até Moçambique. Sentou-se no lugar que pára-quedista não se amarra ao avião! Um páralhe

destinaram naquele avião que havia de o levar para quedista faz-se para saltar dos aviões. Rolando com

outro continente, tirou a boina verde, automaticamente alguns ligeiros solavancos para o início da pista, e aí

dobrou-a, pousou-a no sobre a perna, e recostou-se no chegado, o piloto alinhou o aparelho com a linha central,

assento, como que, para lhe tomar as medidas, a ver se deu potência aos motores e deixou o avião correr até

era suficientemente confortável para lhe permitir dormir descolar do chão para começar a subir ao céu deixando

durante a viagem. Afinal aquela era a primeira viagem de lentamente para trás a pista e o casario que circunda o

avião em que não teria que sair porta fora antes do avião aeroporto. No seu assento ao lado da janela o jovem

aterrar. Todas as outras vezes em que tinha entrado num pára, olhava para os flaps das asas, tensas na sua

avião desde o barrigudo Nordatlas, ao antiquado Junker, função de fazer subir o aparelho, e mais uma vez olhou

havia sido para saltar porta fora, excepção feita no para baixo para ver as ruas e avenidas de Lisboa, ver o

primeiro voo que fez no curso de pára-quedismo. De rio Tejo e a ponte Salazar que ligava as duas margens

facto nesse primeiro voo, de adaptação ás alturas, em deste rio que dividia Portugal. Nem por um momento

que todos os candidatos a bordo iam equipados com pensou que aquela poderia ser a última vez que via

pára-quedas e, um a um, eram chamados á porta do Lisboa. A viagem que agora se iniciava e que o levaria a

avião para, em posição de saltar, olharem a terra lá de Moçambique, se Deus quisesse? Se o piloto fosse bom,

cima por alguns segundos e responderem á pergunta do se os motores não falhassem, só tinha como certa a

instrutor, preparado? Não havia saído porta fora nesse viagem de ida. A garantia ou a promessa da viagem de

voo porque o instrutor não gritou: Já! Se tivesse ouvido o volta ninguém lhe havia dado ou prometido. Ainda via a

grito, Já! Certamente teria saltado mesmo sem saber se cidade de Lisboa, viu o Cristo Rei, Almada e as coisas

a “mochila” que levava nas costas tinha dentro um pára- que lá em baixo iam diminuindo de tamanho ao contrário

quedas, ou se o saco que levava pendurado do arnês, do que, quando saltava de pára-quedas, e lá de cima via

no peito, a “dois palmos dos queixos” tinha dentro o o que estava por baixo ir aumentando á medida que

pára-quedas de reserva. A verdade é que esse primeiro descia e lhe parecia que era a terra que subia ao seu

voo de avião foi uma viagem com bilhete de ida e volta encontro, para o receber com aquele habitual bate cu e

de pouco mais de meia hora para que ele, e os outros costas no chão duro. Subitamente as nuvens foram se

mancebos dentro do aparelho vissem lá das alturas, se

não lhes ia faltar a coragem no momento de saltar de

pára-quedas para disputar o céu com as águias e os

falcões.

Recostou-se no assento que até lhe pareceu muito

confortável, comparado com os assentos amovíveis

montados nos lados dos aviões NordAtlas ou no Junker.

Olhou pela pequena janela do DC3 para ver o lado de

fora. Era ainda noite mas como começava a nascer o dia

dava para perceber que no lugar em que estava, para

além de ver a asa do avião, ia poder apreciar a paisagem

lá de cima. Olhou para o companheiro de viagem a seu

lado, o Gomes, e comentou: É pá desta vez deram-nos

um bilhete de viagem completa sem termos que sair do

avião a meio da viagem. Ao que o outro respondeu:

espero que não falte a gasolina a esta merda e o motor

não avarie! No assento do outro lado o furriel

Nascimento ouviu estes comentários e deu uma

gargalhada contida, sussurrando para o Gomes;

Sossega que isto é um DC3, tem 2 motores e além disso

os aviões da FAP não avariam porque o pessoal da

aviação também tem que viajar neles. O comentário do

jovem Furriel, Pára-quedista um par de anos mais velho

que nós, jovens de pouco mais que vinte anos,

tranquilizou-nos.

Os primeiros raios de luz começavam a despontar para

dar origem a um novo dia, quando os motores do DC3,

entretanto ligados e em aquecimento, começaram a

mover o aparelho para a pista. Nessa altura já todos os

passageiros a bordo haviam apertado os cintos, até nós

Contos de África

interpondo entre as imagens de terra, agora mais

esbatidas e mostrando apenas os contornos da costa e

linhas das estradas. Deixou de olhar para baixo para

olhar para o céu azul que o nascer do sol dava

tonalidades douradas ao imenso azul do céu, e

recostou-se na cadeira para tentar dormir porque na

noite anterior tinha tido poucas horas de sono e muita

excitação. Fechou os olhos para se alhear do que via e

esperar que o sono chegasse, mas outro sentido ficou

mais alerta. O facto de fechar os olhos, despertou-lhe os

ouvidos e a sua atenção concentrou-se no barulho dos

motores do avião. Parecia-lhe que não trabalhavam

certinhos, sincronizados. Mas a verdade é que deviam

estar a trabalhar bem, ele que nunca tinha estado dentro

de um avião sem pára-quedas, por mais de meia hora, é

que estava a passar por outra experiência nunca antes

vivida, a de voar sem pára-quedas e durante tanto

tempo. Para controlar a inquietação de estar a voar

dentro daquele DC3 sem pára-quedas, mentalmente

rezou um Pai Nosso e uma Ave Maria para que a viagem

corresse bem e chegassem sãos e salvos ao primeiro

destino, algures na Guiné Bissau. Para mais se

tranquilizar pensou que com a graça de Deus e a

competência dos Cabos Especialistas e dos pilotos da

Força Aérea Portuguesa haveriam de chegar bem.

De olhos cerrados tentando abstrair-se do ruído dos

motores, fez por pensar em coisas mais agradáveis que

o distraíssem da sensação incómoda de voar sem páraquedas.

Acionou mentalmente no comutador da

memória, para se fazer transportar ás recordações dos

dois dias anteriores que foram vividos de forma muito


Contos de África

O primeiro contacto com África

interpondo entre as imagens de terra, agora mais classe na baixa de Lisboa, perto de tudo o que

esbatidas e mostrando apenas os contornos da costa e precisavam para se divertirem, com a certeza de que os

linhas das estradas. Deixou de olhar para baixo para viriam buscar de madrugada para os levar ao aeroporto

olhar para o céu azul que o nascer do sol dava e embarcarem. Ele, vamos dar-lhe um número de

tonalidades douradas ao imenso azul do céu, e identificação, o 26, assim que se apanhou no quarto que

recostou-se na cadeira para tentar dormir porque na dividia com o Gomes, tratou de trocar a farda militar por

noite anterior tinha tido poucas horas de sono e muita roupa civil, mais a condizer com a sua idade e a moda da

excitação. Fechou os olhos para se alhear do que via e sua época. Vestiu as calças de ganga Lois e a camisa

esperar que o sono chegasse, mas outro sentido ficou comprada no Porfírios, por via postal, toda Hippie e

mais alerta. O facto de fechar os olhos, despertou-lhe os cheia de floreados. Olhou-se no espelho e se não fosse

ouvidos e a sua atenção concentrou-se no barulho dos o cabelo cortado, não á escovinha mas quase, pareceria

motores do avião. Parecia-lhe que não trabalhavam um hippie do Woodstock, daqueles que, com ares

certinhos, sincronizados. Mas a verdade é que deviam amaricados queriam e clamavam por “Make Love Not

estar a trabalhar bem, ele que nunca tinha estado dentro War”, não que ele discordasse do slogan, com a parte

de um avião sem pára-quedas, por mais de meia hora, é do”make love” até concordava e fazia por isso sempre

que estava a passar por outra experiência nunca antes que podia, afinal ser jovem e macho é isso mesmo,

vivida, a de voar sem pára-quedas e durante tanto procurar fêmea para acasalar e make love, não para

tempo. Para controlar a inquietação de estar a voar procriar, porque isso seria para uns anos mais tarde

dentro daquele DC3 sem pára-quedas, mentalmente quando a idade, a energia e o desejo o tornassem mais

rezou um Pai Nosso e uma Ave Maria para que a viagem racional e selectivo nos acasalamentos. Estava belo na

corresse bem e chegassem sãos e salvos ao primeiro sua imagem de jovem macho latino com calças de

destino, algures na Guiné Bissau. Para mais se ganga e camisa folclórica como os alfacinhas hipies de

tranquilizar pensou que com a graça de Deus e a Lisboa. Desceu com o camarada Gomes para a sala de

competência dos Cabos Especialistas e dos pilotos da jantar da pensão, afinal havia que aproveitar a diária

Força Aérea Portuguesa haveriam de chegar bem. jantando na pensão porque o pré dos soldados páraquedistas

não dava para luxos de ir comer a um sítio fino

e, além disso, havia que poupar dinheiro para chegar a

um destino chamado Nacala, que estava a dez mil

quilómetros de distância, para lá do mediterrâneo, na

costa de África banhada pelo oceano Índico, uma

distância inimaginável para ele que, as viagens mais

longas que havia feito, havia sido do Algarve até Tancos,

por comboio até ao Barreiro, de barco para atravessar o

rio Tejo e comboio outra vez até Almourol, o resto a pé

até Tancos.

Na pequena sala de jantar da pensão além do cheiro de

uma tradicional sopa (de entulho) bem portuguesa

também havia para comer umas pataniscas de bacalhau

para reconfortarem o estômago daqueles dois distintos

De olhos cerrados tentando abstrair-se do ruído dos soldados caçadores pára-quedistas, e só por

motores, fez por pensar em coisas mais agradáveis que curiosidade, acrescentamos, se os personagens da

o distraíssem da sensação incómoda de voar sem pára- nossa história fossem soldados do exército seriam

quedas. Acionou mentalmente no comutador da designados por magalas, o que definia bem a diferença

memória, para se fazer transportar ás recordações dos que havia entre os três ramos das forças armadas

dois dias anteriores que foram vividos de forma muito portuguesas. Tanto o 26 como o Gomes sentaram-se á

rápida e intensa, desde o espólio do fardamento e mesa para saciarem a barriga porque, como diziam os

apetrechos militares feito no RCP em Tancos, em que pescadores de Viana do Castelo donde o Gomes era

tudo correu bem na entrega desse material, graças aos natural, e no Algarve donde vinha o 26, “quem vai pró

amigos que lhe deram todos os artigos que lhe faltavam, mar avia-se em terra!” que é como quem diz em Lisboa:

com particular destaque para o Antas que arranjou a quem vai para a noite na cidade, acomoda a barriga em

maior parte desse material. O dia seguinte, o último dia casa. Acabada a sopa e as pataniscas acompanhadas

do mês de Março foi o dia da despedida de Tancos e dos por legítimas cervejas Sagres, para sobremesa o

camaradas que ficavam á espera de serem mobilizados, Gomes olhou para a ementa para ver o que havia, o 26

enquanto ele mais dois camaradas, um furriel e outro olhou para a madura e ainda bela mulher loura que

soldado, tinham guia de marcha para se apresentarem entrou na sala. O Gomes escolheu a sobremesa para

no dia um de Abril no Aeroporto de Lisboa, afim de completar a refeição, como sempre fazia em Tancos no

embarcarem para África. O último dia em Lisboa, o resto refeitório, ao almoço e ao jantar, comia a sopa, o prato

do dia, ia ser para cada um destes jovens uma noite de principal com um copo de vinho a acompanhar e depois

farra que cada um aproveitaria da melhor maneira. A a sobremesa. O 26 pelo contrário sempre gostou de

carrinha da Força Aérea deixou-os numa pensão de 3ª trocar com o camarada do lado no refeitório, o vinho por

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22

O primeiro contacto com África

Contos de África

fruta, por isso quando a mulher loura entrou na sala e e zap porque a trepidação, e alguns poços de ar que

passou perto dele, pensou nela como uma rica tiravam sustentabilidade ao avião e o fazia descer e

sobremesa para o resto da noite. Pediu também uma subir abruptamente, o faziam passar por oscilações do

sobremesa para fazer tempo e pensar na estratégia de sono. Acordou. De olhos fechados ainda teve vontade

aproximação ao objectivo acantonada no canto oposto de espreguiçar-se, esticou os braços para a frente e para

da pequena sala. Percebeu que a mulher de meia idade, cima mas conteve-se a tempo no movimento

ainda bela e apetitosa, era americana dos states por descendente para não dar uma cotovelada no camarada

falar um inglês com o sotaque das artistas dos filmes do lado. O Gomes também acordou nesse momento,

americanos como a Marilin Monroe, Catherine Hepburn, quase por instinto de sobrevivência, e olhando para o

Jane Russel ou das canções da Janis Joplin, que era 26 percebeu que por pouco não tinha levado uma

diferente do inglês claro e harmonioso que falavam as cotovelada na cabeça e foi logo avisando baixinho:

bifas que havia conhecido e amado no Algarve. Como a - “Oi 26 vê lá se não te esticas muito, porque aqui no

sobremesa que tinha na sua frente não ia ficar ali para banco do avião não tens muito espaço para fazer

sempre, e se não fosse consumida ia estragar-se, o 26 ginástica.”! E continuou curioso, diz-me lá como é que foi

pensava que era preciso pensar depressa uma o resto da noite! Onde é que levaste a americana?

estratégia e agir, não fosse alguém antecipar-se e levar- Comeste a gaja! Como é que foi?

lhe o petisco. Se estivesse no Algarve, para conquistar

uma bifa de férias havia tempo de sobra e bastava um

olhar lânguido e matador! Um olhar doce acompanhado

de um sorriso enigmático tipo monalisa, ou até mesmo

um simples hellô era o suficiente para lhes atrair a

atenção quando elas não reparavam no olhar tipo raio x

nem no sorriso a mostrar os caninos como o conde

drácula. Agora, e ali num ambiente estranho ao seu

habitat, o jovem militar mesmo estando vestido á civil

deu-se conta que era um pára-quedista, tropa de

intervenção rápida, que saltava sem temores sobre o

objectivo. Se bem o pensou melhor o fez. Aproximou-se

da americana, cumprimentou-a, conversaram, ele no

seu inglês de praia macarrónico que ela entendia

perfeitamente por o ouvir nos filmes de gangsters desde

o al capone ao rocky marciano e ele porque á força de

ver muitos filmes de cawboys com o Jonh Wayne, Dean

Martin ou o James Caguey como dizia o apregoador dos

filmes que passavam lá na terra, percebia mais ou - Mosse Gomes, faz uma pergunta de cada vez! Tu não

menos perfeitamente o que a americana dizia. O 26 vês que ainda estou meio a dormir. Mas se queres saber

despediu-se dos dois camaradas de viagem, deu a mão onde fui, não sei muito bem explicar-te. Primeiro porque

á americana, não fosse ele perder-se nas ruas de não conheço nada de Lisboa. Segundo porque não me

Lisboa, e saíram para a noite da capital para passear. lembro se fui eu que levei a mulher ou se foi ela que me

Acabaram por ir a um cinema ver um filme que ele pouco levou a mim! Lembro-me que fomos a um cinema, mas

viu por estar concentrado na exploração que as suas não me perguntes o nome do filme, o nome dos artistas

mãos, ás cegas iam fazendo por baixo das saias da nem o enredo porque estava concentrado no corpo da

opulenta loura. No intervalo, no hall do cinema, loura e a jogar com ela ás apalpadelas e ao tira a mão

aproveitou para expirar ar fresco e deixar a loura daí!

descansar os braços do exercício a que esteve -Não me digas pá!...Então porque foi que chegaste mais

submetida durante a primeira parte do filme a tentar tarde ao quarto? Nem dei por te deitares? Deixei-me

parar as mãos que suavemente a acariciavam para em adormecer a pensar “o sacana do 26 já se safou” na

rápidas investidas tentarem chegar aos pontos mais noite de despedida de Lisboa caçou e comeu uma bifa

íntimos do corpo da bela loura, que ela sempre travava e americana. .

impedia. As mãos dele e dela pareciam estar a jogar ao -Essa de caçar tem piada!...lá caçar, pescar, apanhar,

gato e a rata. A mão que procurava era o gato, a mão que engatar como lhe queiras chamar eu consegui sim! A

protegia a rata era a dela. Acabou o filme, voltaram pior parte da noite foi ver o tempo a escoar-se e ela a não

juntos para a pensão e subiram para o andar, nas águas se deixar montar, nem com suaves pressões nos

furtadas, onde ficavam os seus quartos. Foi com estas flancos, e carícias no baixo ventre, nem com falinhas

memórias das últimas horas e Lisboa que se deixou mansas, nem com beijos melados dos rebuçados de

adormecer com o som do barulho dos motores e a ligeira mel com que ia adoçando a boca e o hálito. E enquanto

trepidação do avião que o embalaram num sono eu lhe dizia que aquela era a minha última noite em

reparador do corpo, por muitas horas sem dormir, e da Lisboa, e que tínhamos que aproveitar porque nunca

mente por tantas emoções vividas nas últimas 24 horas. mais nos veríamos, ela respondia-me com uma frase

Dormiu quase três horas num sono intermitente entre zin que ainda não percebi bem o que queria dizer; Im not a


Contos de África

O primeiro contacto com África

Fwoman for one night stand”. O que percebi da frase foi aterrou em Bissau, a primeira escala daquela viagem do

que não era mulher para uma noite. Infelizmente não continente até á África Portuguesa no Indico. O avião

tinha outra noite para passar com ela e foi assim que imobilizou-se, a pequena porta abriu-se e as escadas

acabou a noite. encostaram para os passageiros descerem e esperar no

O Gomes ficou satisfeito com a resposta. Lá no seu bar do aeroporto, durante outro par de horas enquanto o

íntimo algo lhe dizia que o seu amigo 26 tinha comido a avião era reabastecido e fariam algumas verificações

bifa, mas como era um cavalheiro, não lhe contava os para ver se estava tudo em ordem para continuarem

pormenores nem fazia alarde dessa conquista. Por seu viagens. Para quem nunca havia estado em África e não

lado o 26 também não insistiu em esclarecer o amigo lhe havia sido explicado como era o clima, ao abrir-se a

que não tinha feito sexo com a última mulher que tinha porta a lufada de ar quente e húmido que entrou no

conhecido, e conquistado, na última noite passada em aparelho surpreendeu os jovens militares que depressa

Lisboa. Por um lado porque o Gomes não ia acreditar notaram que o ar parecia irrespirável e que a humidade

que tivesse deixado escapar a presa, por outro, se se colava ao corpo de maneira pegajosa que os fazia

eventualmente acreditasse, teria ficado decepcionado desejar ter um chuveiro á mão para se limpar. Se não

por ter sido tão magnânimo e, por outro, chateado por podiam tomar um duche para se limparem daquela

não ter insistido mais no esforço de deitar abaixo, com pegajosa humidade, podiam ao menos dirigir-se ao bar

bons argumentos ou apertões as últimas resistências da militar que estava no programa da paragem pra se

mulher. “Era melhor assim, deixar o final da história da refrescarem por dentro com frescas cervejas a que na

minha última conquista em Lisboa por conta da sua guiné chamavam bazukas. Quantas beberam? Não

imaginação”. temos registos. Que impressão tiveram deste primeiro

Recostou-se de novo no banco do DC3, olhou a janela contacto com África também não temos relatório.

para ver as nuvens e a terra que sobrevoavam. Reparou Como foi passado o par de horas na Guiné ou como foi o

na asa e no motor que via, e ouvia trabalhar resto da viagem? É outra história que continua na

perfeitamente, e por momentos pareceu-lhe que a asa próxima edição.

oscilava em movimentos de pequena amplitude para

cima e para baixo como se de asas de um pássaro se

tratasse. Pensou de novo nas últimas horas vividas na

grande cidade capital de Portugal e do Império, e o

pensamento levou-o de volta para as memórias mais

recentes, momentos vividos poucas horas antes.

Depois do cinema tinha ficado com a americana mais

uns minutos de conversa, de carícias e apalpões á porta

do quarto dela, mas não consegui convence-la a deixalo

entrar para ficar com ela o resto da noite. Havia

chegado á conclusão de que não valeria a pena insistir

em entrar para, eventualmente ficar entalado na porta

como Martin Moniz, e depois também já estava farto de

ouvir a americana repetir “ Im not a woman for one nigth

stand” uma frase que nenhuma inglesa lhe havia dito e

por isso não lhe percebia bem o significado.

Lentamente, deixou que a sonolência fosse tomando

conta dos sentidos, ao ponto de deixar de ouvir os

motores, deixar de sentir a trepidação, os solavancos e

as inclinações do avião. Mais 4 horas e chegaria á Guiné

Portuguesa, a meio caminho de Moçambique.

Acordou uma hora antes de aterrar no primeiro destino.

A seu lado o Gomes dormia, o furriel relia mais uma vez

o jornal que havia trazido da metrópole. Outros

passageiros, militares também, dividiam-se entre os

que dormiam, os que passavam o tempo lendo um livro,

ou jornais como a Bola, o Record, o Século ou o DN.

Olhou a asa e o motor que via da sua janela e mais uma

vez lhe pareceu que a asa continuava a oscilar como as

asas de uma ave em voo planado. Sentiu uma ligeira

trepidação no aparelho, que perdeu alguma altitude,

olhou para baixo e, por entre as nuvens pareceu-lhe ver

o mar o que lhe deu uma vaga sensação de alivio porque

se o avião caísse e amarasse no mar sempre se havia

de safar porque sabia nadar.

Diogo Gomes / Guiné Bissau 1969

Mais um par de horas de voo sem precalços e o DC3

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1. Lisboa, a maior cidade do país, é a flexibilidade. Iorque, Queens, deve o seu nome,

capital desde o século XII. É também o 7. A maioria da população é Católica também a D. Catarina de Bragança,

maior pólo económico e possui o Apostólica Romana, mas existe total então, rainha de Inglaterra.

principal porto marítimo. liberdade religiosa e o Estado é laico. 14. Na idade média as freiras tinham o

2. Portugal é conhecido como o “jardim 8. Portugal é o maior produtor mundial hábito de utilizar as claras dos ovos para

plantado à beira-mar”. de cortiça. engomar as toucas que possuíam abas

3. Um dos menores países do mundo 9. Lisboa é a capital mundial dos imensas. Entretanto desperdiçar as

apresenta por outro lado, grande restaurantes macrobióticos. gemas seria um grande pecado. Daí

diversidade culinária, com pratos 10. As ilhas do Hawai (EUA), foram nasceram variados doces à base de ovos

diferentes que se diferenciam em cada descobertas por um Português ao com nomes que lembram a influência da

província. serviço da Espanha. igreja católica na vida quotidiana.

4. O Império Português foi um dos 11. O mais importante porto de 15. As Festas e Romarias são um traço

maiores da história não só em tamanho, Nagasaki (Japão), foi aberto pelos típico da cultura popular e tradicional

mas também em duração. portugueses em 1571. d o p o v o p o r t u g u ê s . E s t a s

5. O nome do aeroporto militar de 12. O glamoroso chá das cinco foi m a n i f e s t a ç õ e s , e x t r e m a m e n t e

Lisboa é Figo Maduro. introduzido na Inglaterra pela rainha D. numerosas e variadas, ocorrem por todo

6. A semana de trabalho normal é de 40 Catarina de Bragança. o país durante o ano inteiro.

horas, apesar de poder existir alguma 13. O mais famoso bairro de Nova


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