Odonatas no Algarve - iDescobrir - Avançada - Turismo do Algarve

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Odonatas no Algarve - iDescobrir - Avançada - Turismo do Algarve

LIBÉLULAS E LIBELINHAS

(Odonata) NO ALGARVE

Nuno de Santos Loureiro

Guias Digitais Biodiversidade e Natureza nº 1 2011


ÍNDICE

INTRODUÇÃO! 4

OS HABITATS DAS LIBÉLULAS E LIBELINHAS! 5

OBSERVAR LIBÉLULAS E LIBELINHAS! 6

ECOLOGIA, BIOLOGIA E TAXONOMIA! 7

CICLO DE VIDA! 8

CHAVE PARA IDENTIFICAÇÃO! 11

FOTOGRAFAR LIBÉLULAS E LIBELINHAS! 16

COLECIONAR LIBÉLULAS E LIBELINHAS! 19

ESPÉCIES COM PROTEÇÃO LEGAL! 20

FICHAS DE ESPÉCIES! 21

ZYGOPTERA! 22

CALOPTERYGIDAE! 22

Calopteryx haemorrhoidalis! 23

Calopteryx virgo meridionalis! 25

Calopteryx xanthostoma! 26

LESTIDAE! 28

Lestes barbarus! 29

Lestes dryas! 31

Lestes macrostigma! 33

Lestes virens! 35

Lestes viridis! 37

Sympecma fusca! 39

COENAGRIONIDAE! 41

Ceriagrion tenellum! 42

Coenagrion puella! 44

Coenagrion scitulum! 46

Enallagma cyathigerum! 48

Erythromma lindenii! 50

Erythromma viridulum! 52

Ischnura graellsii! 54

Ischnura pumilio! 56

Pyrrhosoma nymphula! 58

PLATYCNEMIDIDAE! 60

Platycnemis acutipennis! 61

Platycnemis latipes! 63

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ANISOPTERA! 65

AESHNIDAE! 65

Aeshna cyanea! 66

Aeshna isoceles! 68

Aeshna mixta! 69

Anax ephippiger! 71

Anax imperator! 73

Anax parthenope! 75

Boyeria irene! 77

GOMPHIDAE! 79

Gomphus graslinii! 80

Gomphus pulchellus! 81

Gomphus simillimus! 83

Onychogomphus forcipatus unguiculatus! 84

Onychogomphus uncatus! 86

Paragomphus genei! 88

CORDULEGASTRIDAE! 89

Cordulegaster boltonii! 90

CORDULIIDAE! 92

Oxygastra curtisii! 93

MACROMIIDAE! 95

Macromia splendens! 96

LIBELLULIDAE! 97

Brachythemis impartita! 98

Crocothemis erythraea! 100

Diplacodes lefebvrii! 102

Libellula depressa! 104

Libellula quadrimaculata! 106

Orthetrum cancellatum! 108

Orthetrum chrysostigma! 110

Orthetrum coerulescens! 112

Orthetrum trinacria! 114

Selysiothemis nigra! 116

Sympetrum fonscolombii! 118

Sympetrum meridionale! 120

Sympetrum striolatum! 122

Trithemis annulata! 124

Zygonyx torridus! 126

BIBLIOGRAFIA RECOMENDADA! 127

WEBSITES RECOMENDADOS! 128

GLOSSÁRIO! 129

SÍNTESE - ABSTRACT - SÍNTESIS - ZUSAMMENFASSUNG! 131

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INTRODUÇÃO

Os insetos da Ordem ODONATA, pelo seu tamanho, forma e cor, e especialmente pelo seu

comportamento diurno muito ativo, facilmente despertam a curiosidade de quem passa perto

de um local com água doce, o habitat privilegiado para libélulas e libelinhas. São totalmente

inofensivos para o Homem e podem até ser considerados benéficos, por se alimentarem de outros

insetos, alguns deles direta ou indiretamente prejudiciais ao nosso bem-estar.

O conhecimento detalhado da biologia e ecologia destas espécies, que têm muitos milhões de

anos de existência com a estrutura praticamente inalterada, certamente aumentará o fascínio.

Os primeiros fósseis de insetos com vincadas semelhanças às Odonata (os ‘protodonata’) encontraram-se

em formações datadas do período Carbonífero (320 milhões de anos). Os primeiros

fósseis de Anisoptera surgem no Jurássico (150 milhões de anos), enquanto que os de

Zygoptera no Cretáceo (120 milhões de anos). A partir desse período só um conjunto diversificado

de estratégias extremamente eficazes teria permitido resistir a múltiplas pressões ambientais,

a maior parte delas no sentido da extinção. Mas o sucesso no passado não é, infelizmente,

garantia para o futuro. A mudança global que atinge hoje o Planeta Terra está a ameaçar as

Odonata. Por isso, em paralelo a um crescente número de observadores da natureza e da vida

selvagem interessados em libélulas e libelinhas, é indispensável a existência de um número destacado

de especialistas, atentos e preocupados não só com os insetos em si, mas também com

os seus indissociáveis habitats. É que, à semelhança de muitos outros exemplos, a biodiversidade

associada à Ordem Odonata pode e deve ser alvo de uma gestão sustentável do território.

Em Portugal continental estão registadas 63 Espécies de Odonata (Ferreira et al. 2006). No Algarve,

onde popularmente eram chamadas de azeiteiros, podem encontrar-se, pelo menos, 51

(20 da Subordem Zygoptera e 31 Anisoptera), ou seja, mais de 80% do total nacional referido.

45 Espécies estavam já listadas em publicações da especialidade (ver Bibliografia Recomendada)

datadas do séc. XXI e com metadados de georeferenciação das observações suficientemente

detalhados. Seis são agora adicionadas (Lestes barbarus, L. macrostigma, Coenagrion

puella, Anax parthenope, Brachythemis impartita e Sympetrum meridionale), fruto de prospeções

efetuadas para a preparação deste Guia Digital e dos valiosos contributos de dois Data Contributors.

Das 51 Espécies referidas, no Algarve 16 têm distribuição ‘alargada’, 15 ‘limitada’ e 20 são

‘raridades’. A região posiciona-se, no contexto da União Europeia, ao nível máximo da hierarquia

de riqueza total de espécies, bem como da de endemismos (European Red List of Dragonflies,

2010). O Algarve acolhe, por outro lado, um considerável número de espécies ameaçadas

de extinção, o que não deixará de implicar um desafio e uma responsabilidade para a região.

Três Espécies (Gomphus graslinii, Oxigastra curtisii e Macromia splendens) estão incluídas no Anexo

B-IV da Diretiva Habitats, devendo beneficiar de medidas para a sua rigorosa proteção.

O objetivo deste Guia Digital iDescobrir - Natureza e Biodiversidade é contribuir para o conhecimento

das Libélulas e Libelinhas no Algarve. É resultado de um prolongado e intenso

trabalho, tanto no terreno como no gabinete. Milhares de quilómetros foram percorridos e o

Algarve foi repetidamente prospetado de lés-a-lés. Centenas de horas foram despendidas em

observações e milhares de fotografias digitais foram disparadas para ilustrar este Guia Digital.

Nenhuma libélula ou libelinha foi capturada e morta! Por isso tomamos a liberdade de lhe pedir

que utilize este Guia Digital iDescobrir - Natureza e Biodiversidade com o mesmo sentido

ético: desfrute do património natural e minimize o impacte ambiental!

Índice Chave para Identificação Zygoptera Anisoptera Glossário

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OS HABITATS DAS LIBÉLULAS E LIBELINHAS

As Odonata têm a sua vida associada a ambientes aquáticos de água doce ou, eventualmente,

salobra. Alimentação, crescimento e reprodução estão, de forma incontornável, dependentes da

água. Consequentemente, apenas durante breves períodos de dispersão e migração, ou por vezes

de colonização de novos locais, libélulas e libelinhas ficam afastadas dos sistemas aquáticos.

Diferentes Famílias, Géneros e Espécies de libélulas e libelinhas manifestam preferências por

distintos tipos de habitats. Os mesmos podem até servir como elemento complementar e auxiliar

de diagnóstico para a identificação porque, em geral, permitem restringir o conjunto de espécies

que é expectável encontrar num determinado local.

Os habitats das libélulas e libelinhas podem, numa primeira aproximação, classificar-se e descrever-se

de acordo com dois critérios diretamente associados ao elemento água: i. sistemas

lóticos (lotic systems), ou seja, aqueles em que um curso de água doce em movimento é o elemento

principal, e sistemas lênticos (lentic systems), quando o elemento preponderante é um

volume de água doce estática; ii. sistemas permanentes (perennial waters), ou seja, aqueles

em que se observa água à superfície durante todo o ano, e sistemas temporários (temporary

waters), quando durante alguns meses do ano não há água.

No Algarve, os sistemas lóticos são, na sua grande maioria, complexos, porque predominam os

regimes hidrológicos temporários, sazonais ou mesmo esporádicos, e poucos cursos de água

têm regime permanente. No entanto, só em condições excecionais os cursos de água de regime

sazonal ficam totalmente secos. O habitual é permanecerem numerosos volumes de água aparentemente

parada, interligados por um diminuto escoamento sub-superficial. Consequentemente,

os cursos de água de regime hidrológico temporário tendem a alternar entre uma ecologia

lótica, no inverno e primavera, e uma ecologia progressivamente lêntica, desde o início do

verão até ao outono, e ao incremento sensível dos caudais após as primeiras chuvas de outubro

e novembro.

Pode, então, adotar-se a seguinte classificação para os Habitats das Libélulas e Libelinhas no

Algarve:

I. Sistemas lóticos simples ✹ lotic systems with perennial flow

i. rio Guadiana (o único grande rio)

ii. outros rios e ribeiras de regime hidrológico permanente

iii. canais de rega

II. Sistemas lóticos complexos ✹ complex Mediterranean water bodies (seasonal lotic/lentic/

i. ribeiras na serra algarvia /dried systems)

ii. ribeiras montanhosas na serra de Monchique

iii. ribeiras do barrocal e litoral algarvios

III. Sistemas lênticos ✹ permanent and temporary (seasonal and episodic) lentic systems

i. lagoas naturais, charcas e açudes permanentes (< 8 ha ≈ 0,08 km 2 )

ii. lagoas naturais, charcas e açudes temporários (< 8 ha ≈ 0,08 km 2 )

iii. barragens ou albufeiras (≥ 8 ha ≈ 0,08 km 2 )

iv. pauis e arrozais

v. pequenos pontos de água (fontes, bebedouros de animais, etc.)

IV. Sapais e salinas abandonadas ✹ brackish waters

V. Locais afastados (≥ 100 m) de qualquer volume de água ✹ away from any water body

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À classificação acima referida poderão associar-se diversos critérios complementares de classificação

e descrição. Por exemplo: temperaturas e amplitudes térmicas da água e do ar; intensidade

luminosa e exposição direta à luz solar; precipitação total anual e sua distribuição intraanual;

vegetação (ocorrência e espécies) nas margens, submersa e emergente no próprio volume

de água; valor médio anual e regimes torrencial ou suave do escoamento; grau de mineralização,

pH, transparência ou turbidez, e grau de eutrofização da água; caraterísticas dos fundos

(rochas, pedras e seixos, sedimentos finos); ocorrência e concentração de poluentes.

Índice Chave para Identificação Zygoptera Anisoptera Glossário

OBSERVAR LIBÉLULAS E LIBELINHAS

A observação de Odonata adultos tem semelhanças com o birdwatching. É fundamental conhecer

o ciclo de vida e os hábitos destes insetos, e é indispensável conhecer os habitats preferidos

por cada espécie. São muito úteis os binóculos, devem vestir-se roupas de cores discretas, caminhar

tranquilamente e, particularmente, aguardar em pontos estratégicos.

Os modelos ideais de binóculos têm ampliação de 7 ou 8 vezes e distância mínima de focagem

reduzida (CF, acrónimo de close-focusing), especificações técnicas que devem ser associadas à

robustez indispensável para uso intensivo no campo. A generalidade das marcas conceituadas

produz e comercializa diversos modelos e, entre outras opções possíveis, podem-se referir os

Pentax Papilio (CF = 0,5 m) e os Steiner SkyHawk Pro 8x32 (2,0 m).

No entanto, a identificação até ao nível taxonómico base, ou seja, até à Espécie, baseada apenas

em observações efémeras, feitas a olho nu ou com o auxílio de binóculos, pode ser difícil ou

mesmo impossível, em particular se o objetivo é um rigoroso censo da ocorrência de Odonata

num território. A prudência científica recomenda que a identificação feita nas condições acima

descritas seja considerada fiável apenas até ao nível taxonómico da Família ou Género e, sendo

possível, que se recorra a procedimentos complementares de identificação, como a fotografia

macro, a observação à lupa, no campo e eventualmente no laboratório, de larvas e exuviae, ou a

cuidadosa captura dos adultos com uma rede para borboletas, imediatamente seguida da identificação

inequívoca e libertação dos exemplares.

A rede para captura de Odonata deverá ser adequada à Subordem: para a Zygoptera recomenda-se

uma pequena e de cabo curto; para a Anisoptera é preferível uma significativamente

maior e de cabo longo. Por exemplo, diâmetros de abertura das redes de 40 cm e 65 cm, e cabos

(preferencialmente extensíveis) de 90 e 180 cm.

Por fim, para além dos binóculos e/ou do equipamento fotográfico, e eventualmente das redes

para captura não letal de specimens, ao especialista em Odonata não deve faltar o caderno de

campo e o GPS. No caderno registará sistematicamente espécies, habitats, datas e outras anotações

relevantes; o GPS permitir-lhe-á conhecer com rigor as coordenadas geográficas do local. A

Garmin, por exemplo, é uma marca conceituada, com diversos modelos robustos e fiáveis para

uso intensivo em outdoor (eTrex).

Índice Chave para Identificação Zygoptera Anisoptera Glossário

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ECOLOGIA, BIOLOGIA E TAXONOMIA

As Odonata, como a quase totalidade das espécies da classe INSECTA, têm o corpo constituído

por três secções: cabeça, tórax e abdómen. Na cabeça (head) existem dois grandes olhos (eyes),

três ocelos (ocellae) e duas pequenas antenas (antennae). O sentido da visão é muito desenvolvido,

para a forma e cor, e igualmente para o movimento. Os olhos são proeminentes, compostos,

ocupam grande parte da cabeça e asseguram um amplo campo de visão. Os outros sentidos,

pelo contrário, são rudimentares ou até inexistentes. O diminuto tamanho das antenas,

que são órgãos olfativos, evidencia a pouca sensibilidade das libélulas e libelinhas aos cheiros e

aromas. Na cabeça também se destacam as várias peças bucais (mouthparts) mastigadoras, fortes

e sobressalientes, indicadoras de um comportamento predador e voraz. Aliás, a palavra

Odonata encontra a sua raiz etimológica em odontos, o termo grego para ‘dentes’, consequência

direta dos numerosos dentes de apreciável tamanho que existem nas mandíbulas.

A partir do tórax (thorax), que é formado por uma diminuta parte anterior, o protórax (prothorax),

e por uma posterior principal, o pterotórax (pterothorax or synthorax), surgem dois pares

de asas (wings), o anterior (Fw : forewings) e o posterior (Hw : hindwings), e três pares de patas

(legs). Estas últimas, relativamente compridas, são constituídas por quatro segmentos, coxa,

fémur, tíbia e tarso (coxa, femur, tibia and tarsus), e não estão adaptadas para a marcha, permitindo

apenas ao inseto pousar e fazer deslocações muito limitadas; em oposição, estão dotadas

de cerdas (bristles), tornando-as particularmente aptas para otimizar a eficácia da caça durante

o voo. Os dois pares de asas são bastante grandes. Têm uma rede estruturada de nervuras (veins

- venation) e membranas (membranes) bastante percetível, frequentemente utilizada para identificar

as Famílias e, frequentemente, as Espécies. O movimento das asas anteriores e posteriores

é controlado de forma independente; o ritmo de batimento é de 20 a 40 movimentos por segundo.

As Odonata atingem velocidades de voo da ordem dos 60 quilómetros por hora, a precisão

das trajetórias é enorme, podem ficar completamente estáticas no ar e, até, voar para trás.

O abdómen (abdomen) é consideravelmente longo, relativamente cilíndrico, fino e constituído

por dez segmentos (abdominal segments : em acrónimo indicados como de S1 a S10, numerados

do tórax para a extremidade posterior). No tórax e ao longo do abdómen existem os espiráculos

(spiracles), dez pares no total, um no tórax, designado metastigma (metastigma), e os restantes

no abdómen; é através dos espiráculos que as libélulas e libelinhas adultas respiram.

O dimorfismo sexual nas Odonata adultas é evidente e facilmente percetível. Os elementos de

diagnóstico fundamentais são: i. órgãos genitais externos; ii. cor. Os machos têm, na extremidade

posterior do abdómen, apêndices abdominais (abdominal appendages) destinados a

agarrar as fêmeas antes e durante o acasalamento (ou cópula) e, eventualmente, a oviposição;

têm, igualmente, órgãos genitais secundários (secondary or accessory male genitalia), localizados

na face ventral de S2, constituídos pela fossa genital (genital fossa) e por outras estruturas

complementares. O órgão copulatório, designado de vesica spermalis ou pseudo-pénis, está

posicionado na fossa genital. Os apêndices abdominais superiores são sempre dois; os inferiores

são dois ou apenas um, consoante as Famílias e Subordens; sob um ponto de vista funcional, o

número de apêndices abdominais masculinos condiciona a forma como o macho agarra a fêmea.

Entre as fêmeas há duas estratégias muito diferentes, na tarefa de assegurar a continuidade

das respetivas espécies: i. oviposição endofítica (endophytic oviposition) e ii. oviposição exofítica

(exophytic oviposition). No primeiro caso, os insetos introduzem os ovos em tecidos vegetais

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ecorrendo a um ovipositor bem desenvolvido, constituído por apêndices genitais localizados

na face ventral de S8 e S9. No segundo, os insetos depositam, em voo, os ovos na superfície livre

da água ou, em alternativa, depositam-nos sobre a superfície de plantas aquáticas (por vezes

designada de iii. oviposição epifítica : epiphytic oviposition) ou outros substratos, em contacto

direto com a água e/ou com elevado teor de humidade; p.ex., pedras, lamas e lodo, vegetação

marginal aos volumes de água. Os órgãos genitais externos são, então, a vulva (canal ou abertura

para o exterior, por onde saem os ovos) e a lâmina vulvar (elemento que canaliza os ovos

e facilita a oviposição). As implicações destas duas estratégias distintas são um tema particularmente

vivo; Philip S. Corbet tem referido repetidamente que a oviposição exofítica permite

às Odonata explorar novos habitats para as larvas (larval habitat), como os volumes de água

temporários onde a vegetação aquática é escassa ou inexistente; Natalia A. Matushkina acrescentou

outras variáveis relevantes para a análise, como as posturas depositadas num único local

ou espalhadas por áreas mais alargadas, na água ou em outros substratos, com a fêmea pousada

ou em voo.

A cor do corpo das Odonata resulta da existência de pigmentos, de fenómenos de difração da

luz sobre a cutícula, e da presença, em especial nos machos, de um exsudado produzido na hipoderme,

designado de pruína ou pruinescência (pruinosity or pruinescence), de cores esbranquiçada,

azulada ou violeta. As fêmeas são, em muitas Famílias, menos coloridas e, geralmente,

têm um padrão de comportamento distinto: estão mais afastadas dos volumes de água. Por

isso, são menos fáceis de observar.

CICLO DE VIDA

O ciclo de vida completo das Odonata é constituído por três fases: ovos, larvas e adultos

(imagos or imagines). As duas primeiras fases desenrolam-se em meio aquático e a fase final em

meio aéreo.

Em algumas espécies, logo após a oviposição começa o desenvolvimento (embriogénese) dos

ovos, o que poderá demorar entre uma e seis semanas; em outras espécies, após um desenvolvimento

inicial, os ovos atravessam um período de dormência fisiológica (diapausa : diapause

stage) durante o inverno, e seguidamente ocorre a formação completa das larvas. A fase larvar

que, por norma, é a mais prolongada, pode variar entre três meses e alguns anos. A plena maturidade

da fase adulta, especialmente concentrada na função reprodutora, tem, em geral, duração

mais curta: quatro a seis semanas para as libélulas e apenas uma a duas para as libelinhas.

Pode, no entanto, prolongar-se por um número significativamente maior de semanas.

Durante quase toda a vida, libélulas e libelinhas são predadores insaciáveis, sendo a dieta alimentar

constituída por recursos vivos de origem animal. O movimento das presas é fundamental

para que sejam identificadas. As larvas alimentam-se de ovos de anfíbios e pequenos girinos,

de pequenos peixes, de larvas de outros insetos ou outros invertebrados; por outro lado, peixes

e anfíbios são os principais predadores das larvas das Odonata. Os adultos são exímios caçadores

de outros insetos, capturados pleno em voo. Em contrapartida, as aves são os seus principais

predadores.

Ovos

As fêmeas adultas das libelinhas (Zygoptera) e de algumas Famílias (Aeshnidae, p.ex.) de libélulas

(Anisoptera) são espécies endofíticas. As fêmeas adultas das outras Famílias de libélulas

são espécies exofíticas. É normal que as espécies exofíticas produzam mais ovos, e que manifestem

preferência mais acentuada por sistemas lênticos ou sistemas lóticos simples e complexos

onde existam locais com escoamento muito suave.

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Os ovos são alongados e cilíndricos no caso das espécies endofíticas, e são de maior diâmetro e

elípticos no caso das espécies exofíticas. As dimensões dos mesmos variam, respetivamente, entre

0,23 e 0,48 mm de diâmetro, e entre 0,60 e 1,40 mm de comprimento. Numa das extremidades

do ovo existe um furo minúsculo, através do qual o esperma entra durante a oviposição,

e por onde, mais tarde, começará a sair a larva, num processo de eclosão que demorará várias

horas.

Larvas

A segunda fase do ciclo de vida das Odonata é a larvar. O esqueleto exterior (ou exosqueleto :

exoskeleton) está presente e, por não crescer, vai sendo mudado sucessivamente. Cada período

de vida da larva com um determinado exosqueleto designa-se de instar; a sua duração é condicionada

por fatores intrínsecos, como a espécie e o instar específico em que a larva está, e por

fatores externos, como a temperatura da água e a disponibilidade de alimento. O crescimento

completo das larvas implica uma sequência de oito a quinze instars. Os últimos dois ou três são,

por vezes, já adequados para a identificação das diferentes Famílias ou Espécies de Odonata.

As larvas vivem em meio aquático e respiram através de todo o corpo. Adicionalmente respiram

através de brânquias (gills), que servem também para a locomoção, funcionando como lemes e

propulsores, em particular através da expiração súbita e intensa. Nas larvas das Zypogtera existem

três brânquias externas na extremidade posterior do abdómen; nas Anisoptera as brânquias

são internas e apenas saem, pela abertura anal, cinco pequenos apêndices respiratórios. A

configuração das patas e a forma como as mesmas permitem às larvas agarrarem-se ao substrato

e permanecer em repouso são elementos de diagnóstico adequados na identificação dos microhabitats

para os quais a larva ou instar está melhor adaptada.

Quando a fase larvar estiver concluída todos os órgãos necessários para a vida em meio aéreo

estão formados. A larva entra então num pequeno período de emergência, que marca a metamorfose

para a fase adulta.

Emergência

A maior parte das espécies de libélulas necessita de um

suporte vertical para a emergência, embora outras e a

generalidade das espécies de libelinhas, possam metamorfosear-se

sobre suportes horizontais.

A larva sobe através de uma pedra ou caule de uma planta

aquática até ficar totalmente fora de água. Depois começa

a quebrar-se o exosqueleto, a partir da cabeça, e vai-se

libertando e saindo o teneral. O corpo aumenta de tamanho

e ganha a forma definitiva, no decurso de um processo

que pode demorar horas. No final, as asas estão direitas

e suficientemente robustas. Quando começa a voar, o

inseto entra finalmente na fase adulta.

O exosqueleto abandonado recebe o nome de exuvia. Poderá

permitir a identificação da espécie; consequentemente,

um domínio crucial de especialização na odonatologia

é a identificação de espécies a partir das suas exuviae.

Algumas espécies emergem durante a noite, mas

muitas outras emergem ao amanhecer ou durante o dia.

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Adultos

As Odonata adultas são insetos perfeitamente adaptados ao meio aéreo. São exímias voadoras

e caçam predominantemente durante o voo. No entanto, antes de atingirem a maturidade plena,

os imagos vivem um período pré-reprodutivo que se pode limitar a apenas dois dias ou prolongar-se

até três ou quatro semanas. Durante esse intervalo de tempo designam-se tenerals.

Dispersam-se então pelo território circundante e, enquanto asseguram a sua sobrevivência,

atingem verdadeiramente a fase adulta plena, caracterizada pela coloração própria da espécie e

do género, pelo fortalecimento da musculatura torácica e pelo ganho da capacidade reprodutora,

sempre tendo em vista assegurar o surgimento de novas gerações e, consequentemente, a

continuidade da espécie. Atingida a maturidade plena, acontece o retorno dos imagos às proximidades

dos sistemas aquáticos, com vista ao acasalamento e à oviposição, que passam a ser

os objetivos primeiros dos adultos, até à sua morte.

Os machos adultos das Famílias e Espécies que são territoriais adotam comportamentos distintos:

podem ser voadores ativos (fliers : terr.VA) ou vigilantes persistentes (perchers : terr.VP).

Os voadores ativos percorrem quase incessantemente todo o ‘seu território’, enquanto que os

vigilantes persistentes têm pontos de repouso estrategicamente escolhidos por permitirem a

boa observação do ‘seu território’, fazendo apenas voos periódicos para caçarem, acasalarem ou

afastarem algum ‘intruso’. A defesa dos territórios é sempre assegurada através de voos intimidatórios,

na direção e com perseguição dos visitantes indesejados, e frequentemente com violentas

e ruidosas colisões. Território, no entanto, não é necessariamente sinónimo de espaço

físico delimitado e permanente; na verdade, para muitas Espécies, o comportamento territorial

dos machos (designados então de territoriais efémeros) traduz-se apenas em não tolerar outros

machos nas suas proximidades, ou melhor, do local que elegeram como propício para o acasalamento

e para a postura da sua ‘descendência’.

O acasalamento, a cópula e a oviposição são muito peculiares nas Odonata. A poligamia é o

padrão sexual mais comum e, provavelmente por esse motivo, machos e fêmeas manifestam atitudes

diferentes: os machos adultos estão quase sempre mais próximos dos locais com condições

propícias para o acasalamento e para a oviposição. As fêmeas adultas só se aproximam

quando estão aptas a acasalar; caso contrário, adoptam atitudes mais reservadas e/ou defensivas,

por forma a condicionarem as insistentes tentativas masculinas de acasalamento.

O macho adulto produz o esperma nas gónadas, localizadas nas proximidades do limite posterior

do abdómen, e com o gonoporo, ou abertura para o exterior, na face ventral de S9. Antes

da cópula transfere-o (intramale sperm translocation) para a vesica spermalis (nos órgãos genitais

secundários). Quando o macho encontra uma fêmea recetiva, por ter ovos aptos a serem

fertilizados, agarra-a (to grasp or to clasp) pela cabeça ou pelo pronotum, prendendo-a com os

apêndices abdominais; constitui-se a ligação macho-fêmea em tandem (male-female tandem

linkage). Em seguida, os dois insetos curvam-se de tal forma que os órgãos genitais femininos,

também localizados próximo do limite posterior ventral do abdómen, entram em contacto com

os secundários masculinos. Ficam assim ligados em forma de ‘roda’ ou ‘coração’, em voo (a

maior parte das Anisoptera) ou pousados (as Zygoptera e algumas Anisoptera); o macho ejeta

o esperma, numa cópula que pode demorar desde poucos segundos até várias horas.

Terminado o acasalamento, a fêmea começa a oviposição. Dependendo das espécies, o macho

continua a agarrar a fêmea enquanto decorre a oviposição, retomando a ligação em tandem

(ovip.TD), ou liberta a fêmea mas mantém-se nas suas proximidades (ovip.PR), observando a

postura e afastando outros machos que se queiram aproximar. Um terceiro padrão de comportamento

é o do alheamento do macho (ovip.AF), mas então a fêmea faz a oviposição em locais

discretos e protegidos, onde não é provável ser incomodada por quaisquer machos. Estes três

padrões de comportamento traduzem estratégias distintas das espécies, para a escolha dos lo-

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cais propícios para a oviposição, com ou sem intervenção ativa do macho. Tal escolha deverá

ser, admite-se, o resultado de opções baseadas na avaliação de critérios diversificados, apreendidos

através de estímulos certamente visuais, e eventualmente também tácteis e/ou térmicos.

Finda a oviposição, afasta-se para gerar e maturar um novo conjunto de ovos. Se está nas proximidades

de um volume de água, mas indisponível para acasalar, impede a cópula. As Anisoptera

voam rápida e erraticamente, afastando-se dos machos, enquanto que as Zygoptera podem

permanecer pousadas, a abrir e agitar as asas, e a curvar o abdómen para cima.

Algumas espécies têm uma geração por ano e são, por isso, classificadas como univoltinas.

Outras espécies têm duas (bivoltinas) ou mais (multivoltinas) gerações por ano. Pelo contrário,

outras demoram mais de um ano para completar o ciclo de vida e são classificadas como

semivoltinas (dois anos) ou partivoltinas (três ou mais anos). Para uma dimensão geográfica

mais vasta que o Algarve, o voltinismo (voltinism), ou seja, o número de gerações completadas

por ano, está inversamente relacionado com a latitude e o fotoperíodo. À escala do Algarve parece

sobrepor-se outra variável independente: o carácter temporário ou permanente dos habitats;

nos primeiros, deverão predominar espécies com uma ou mais gerações por ano; nos segundos,

com menos de uma geração por ano. No entanto, não pode ser ignorada a hipótese de

algumas espécies bivoltinas ou multivoltinas completarem um ciclo de vida num habitat e outros

em distintos habitats, no mesmo ano, exemplificando assim a enorme capacidade de adaptação

das Odonata às variações sazonais dos ambientes aquáticos. Philip S. Corbet considerou

fundamental o aprofundamento deste assunto, tanto a nível regional como global. A recolha

sistemática e periódica de exuviae, em locais de estudo que possam ser metodicamente acompanhados

ao logo dos anos, é um dos procedimentos fundamentais que pode, sem grande exigência

técnico-científica, ser adotado.

Para as latitudes temperadas (acima dos 30º N), numa abordagem mais ampla e integrada, as

Odonata podem classificar-se em três tipos: T1. Espécies de primavera; T2. Espécies de verão;

T3. Espécies obrigatoriamente univoltinas. Nas T1 ocorre uma paragem fisiológica (diapausa)

num dos últimos instars da fase larvar, enquanto que nas T2 essa pausa ocorre nos instars iniciais

ou intermédios. Consequentemente, as T1 respondem rapidamente, e muitas vezes com

maior sincronismo, quer ao aquecimento primaveril, quer à superação de um limiar no fotoperíodo,

e as T2 mais gradualmente. O T3 é um caso particular do T2, mas em que a diapausa, ou

ocorre no ovo, ou a taxa de crescimento larvar é muito lenta. Uma vez mais e para concluir, sublinhe-se,

estes três tipos aplicam-se às populações de Odonata e não a espécies, ou seja, determinada

espécie pode manifestar tipos diversos consoante o bioma em que viva.

CHAVE PARA IDENTIFICAÇÃO

A Ordem Odonata é constituída por 2 Subordens: ZYGOPTERA (as libelinhas) e ANISOPTERA

(as libélulas). No Algarve, a Subordem Zygoptera agrega 4 Famílias e a Anisoptera 6. Por sua

vez essas 10 Famílias agregam 28 Géneros e 51 Espécies. Em síntese a distribuição é a seguinte:

Ordem: Odonata (nome comum em inglês: dragonfly)

! Subordem: Zygoptera (em inglês: damselflies)

! ! Família: Calopterygidae! ! Nº de Espécies presentes no Algarve: 03

! ! Família: Lestidae! ! ! Nº de Espécies presentes no Algarve: 06

! ! Família: Coenagrionidae! ! Nº de Espécies presentes no Algarve: 09

! ! Família: Platycnemididae! ! Nº de Espécies presentes no Algarve: 02

11


! Subordem: Anisoptera (em inglês: true dragonflies)

! ! Família: Aeshnidae! ! ! Nº de Espécies presentes no Algarve: 07

! ! Família: Gomphidae! ! Nº de Espécies presentes no Algarve: 06

! ! Família: Cordulegastridae! ! Nº de Espécies presentes no Algarve: 01

! ! Família: Corduliidae! ! Nº de Espécies presentes no Algarve: 01

! ! Família: Macromiidae! ! Nº de Espécies presentes no Algarve: 01

! ! Família: Libellulidae!! ! Nº de Espécies presentes no Algarve: 15

A identificação das Espécies de Odonata deve ser sempre assumida como tarefa exigente, onde

a prudência na decisão nunca poderá ser negligenciada, nem mesmo por odonatologistas experientes.

A aparência externa de uma espécie, mesmo na fase adulta, varia em função da idade,

das condições de luminosidade ambiental e do género. Por outro lado, o comportamento dos

exemplares, em voo ou pousados, pode mudar significativamente, em função de condições meteorológicas

e, por vezes, de caraterísticas dos habitats.

A Chave para Identificação aqui patente destina-se a auxiliar o utilizador deste Guia Digital

iDescobrir - Natureza e Biodiversidade na identificação das duas Subordens e das dez Famílias,

através de elementos de diagnóstico tão simples quanto possível. Os passos adicionais, ou

seja, a identificação dos Géneros e das Espécies, serão cumpridos com a consulta das Fichas de

Espécies que constituem a segunda parte do Guia Digital.

SE

SUBORDENS DA ORDEM ODONATA

• inseto de aparência frágil e delicada

• asas anteriores e posteriores semelhantes, na sua forma; na parte proximal, de ligação ao tórax,

as asas são praticamente simétricas, ou seja, pecioladas (embora existam exceções); células discoidais

tetragonais

• quando o inseto está pousado as suas asas ficam sobre o abdómen, junto ao corpo ou acima dele,

e as quatro asas ficam em sobreposição e em contacto entre si (embora existam exceções)

• cabeça mais larga do que o tórax e olhos claramente individualizados

• machos têm quatro apêndices abdominais, dois superiores e dois inferiores

• fêmeas têm ovipositor

SE

➔ ZYGOPTERA

• inseto de aparência robusta, indiciando ser excelente voador, observado quer próximo dos volumes

de água, quer em locais afastados dos sistemas aquáticos

• asas anteriores e posteriores, na sua forma, diferentes; para além disso, na parte proximal, de ligação

ao tórax, as asas nunca são simétricas

• quando o inseto está pousado as asas ficam afastadas do corpo e sem sobreposição entre si, e os

dois pares de asas, esquerdo e direito, formam um ângulo aproximado a 180º ou até podem ficar

com um ângulo superior (extremidades distais descaídas)

• cabeça mais estreita que o tórax e olhos unidos na parte superior anterior da cabeça

• machos têm apenas três apêndices abdominais, dois superiores e um inferior

• fêmeas não têm ovipositor funcional (embora existam importantes exceções)

12

➔ ANISOPTERA


SE

FAMÍLIAS DA SUBORDEM ZYGOPTERA

• corpo quase monocromático, de cor escura, acobreada ou púrpura e sem reflexos metálicos, ou de

cores verde ou azul e com reflexos metálicos

• asas largas e assimétricas, não pecioladas, número muito elevado de nervuras e, consequentemente,

células alares de dimensão diminuta; cores escuras, muitas vezes total ou parcialmente opacas, sem

pterostigmas no macho e com falsos pterostigmas brancos na fêmea

SE

• voo agitado e irregular, semelhante ao de muitas borboletas diurnas mas mais lento

➔ Calopterygidae

• corpo de cores predominantemente verde ou bronze, com reflexos metálicos intensos (Género Lestes),

ou de cores castanhas muito claras (Género Sympecma)

• asas simétricas, pecioladas e com número muito diminuto de nervuras na base; membranas alares

transparentes; células alares predominantemente pentagonais, pterostigmas retangulares (o comprimento

é, pelo menos, o dobro da largura) no macho e na fêmea

SE

• machos de algumas espécies apresentam pruinescência azulada (Lestes dryas, L. virens virens e L. macrostigma)

em algumas partes do corpo

no Género Lestes, os insetos quando pousados ficam com as asas abertas; no Género Sympecma os

dois pares de asas tocam-se e encostam ao abdómen

➔ Lestidae

• corpo sem reflexos metálicos (embora existam exceções), predomínio das cores azul e negra (embora

existam exceções)

• asas simétricas, pecioladas e com número muito diminuto de nervuras na base; membranas alares

transparentes; células alares predominantemente tetragonais, células discoidais trapezoidais, pterostigmas

quadrados ou rombóides no macho e na fêmea

➔ Coenagrionidae

NOMENCLATURA DA MORFOLOGIA EXTERNA DE UMA ZYGOPTERA

13


SE

• corpo sem quaisquer reflexos metálicos, com predomínio das cores branca ou alaranjada e negra

• cabeça particularmente larga

• asas simétricas, pecioladas e com número muito diminuto de nervuras na base; membranas alares

transparentes; células alares predominantemente tetragonais, células discoidais também retangulares,

pterostigmas quadrados ou rombóides no macho e na fêmea

SE

no macho, tíbias dos 2º e 3º pares de patas com forma ligeiramente oval e, consequentemente alargadas

e achatadas; cerdas numerosas e particularmente longas

➔ Platycnemididae

FAMÍLIAS DA SUBORDEM ANISOPTERA

• comportamento do macho adulto: voador ativo; quando pousado, fica em posição vertical

• comprimento total apreciável, sempre acima dos 60 mm; predomínio das cores azul, verde e/ou

amarela no tórax e no abdómen, sobressaindo de um ‘fundo’ escuro, castanho ou cinzento

• os dois olhos fundidos um no outro; no macho, pelo menos algumas partes são azuis ou verdes

no macho, presença de aurículas em S2 nos Géneros Aeshna e Boyeria, inexistência no Anax

• na fêmea, existência de pequeno ovipositor

• nas asas: i. triângulos das asas anteriores e posteriores apontam para a extremidade distal; ii. duas

das nervuras antenodais perpendiculares são mais grossas do que as restantes e cruzam, em alinhamentos

diferenciados, a nervura antenodal principal central; iii. nervuras oblíquas, a partir dos

vértices interiores proximais dos pterostigmas, orientadas para o centro das asas; iv. no macho, presença

de triângulos anais; membrânulas nos Géneros Aeshna e Boyeria, inexistência no Anax

➔ Aeshnidae

SE

• comportamento do macho adulto: vigilante persistente; muitas vezes pousado no chão, em pedras e

rochas, ou em vegetação baixa, quase sempre nas proximidades das margens dos cursos de água e

em locais soalheiros

• comprimento total médio acima dos 48 mm (com uma exceção); predomínio das cores amarela ou

esverdeada no tórax e no abdómen, sobressaindo de um ‘fundo’ negro ou cinzento escuro

• os dois olhos totalmente individualizados, separados um do outro na face dorsal da cabeça

• abdómen de secção aproximadamente cilíndrica; no macho, presença de aurículas em S2 e segmentos

posteriores de diâmetro significativamente maior (embora existam exceções)

• nas asas: i. triângulos das asas anteriores e posteriores apontam para a extremidade distal; ii. duas

das nervuras antenodais perpendiculares são mais grossas do que as restantes e cruzam, em alinhamentos

diferenciados, a nervura antenodal principal central; iii. no macho, presença de triângulos

anais; membrânulas muito reduzidas

• as patas são curtas

➔ Gomphidae

SE

• comportamento dos macho adulto: voador ativo

• inexistência das cores azul ou verde no corpo do inseto; pigmentação totalmente amarela e negra

• os dois olhos totalmente individualizados, mas as extremidades de um e outro tocam-se na face dorsal

da cabeça

14


no macho, presença de aurículas em S2

• na fêmea, existência de ovipositor, relativamente grande; trata-se assim de uma exceção, já que a

sua inexistência é uma das caraterísticas gerais da Subordem

• nas asas: i. triângulos das asas anteriores e posteriores apontam para a extremidade distal; ii. duas

das nervuras antenodais perpendiculares são mais grossas do que as restantes e cruzam, em alinhamentos

diferenciados, a nervura antenodal principal central; iii. no macho, presença de triângulos

anais

• representado no Algarve por apenas uma Espécie

➔ Cordulegastridae

SE

• comportamento do macho adulto: voador ativo

• inseto de tamanho médio, corpo com reflexos verdes escuros metalizados e pequenas manchas

amarelas; pelugem abundante e esbranquiçada no tórax

• patas relativamente compridas e tíbias distintas, entre o macho e a fêmea

• representado no Algarve por apenas uma Espécie

➔ Corduliidae

NOMENCLATURA DA MORFOLOGIA EXTERNA DE UMA ANISOPTERA

15


SE

• a Família Macromiidae surge, por vezes, integrada na Família Corduliidae, acima apresentada, e

com a qual partilha algumas semelhanças; em particular, toda a aparência geral

• representado no Algarve por apenas uma Espécie

➔ Macromiidae

SE

• comportamento do macho adulto: vigilante persistente

• comprimento total médio entre os 30 e os 48 mm, com duas exceções (Orthetrum trinacria e Zygonyx

torridus); entre a Subordem Anisoptera é a Família com comprimentos mais pequenos, já que as restantes

estão sempre acima dos 48 mm (apenas uma Espécie da Família Gomphidae é exceção)

• heterogeneidade grande de cores e, em alguns Géneros (Libellula e Orthetrum), os insetos do género

masculino ou de ambos os sexos apresentam pruinescência

no macho, inexistência de aurículas

• nas asas: i. triângulos das asas anteriores apontam para os apêndices abdominais e das posteriores

para a extremidade distal; todas as nervuras antenodais perpendiculares são de espessura semelhante;

iii. nos machos, inexistência de triângulo anal; iv. ângulo anal arredondado, semelhante no

macho e na fêmea

➔ Libellulidae

Adultos, exuviae e larvas

A identificação das diversas espécies de Odonata adota procedimentos distintos, consoante os

specimens estejam nas fases de larva ou de adulto. A especial atenção por uma fase ou outra, ou

o esforço redobrado para adquirir competências e recursos para a identificação das espécies nas

suas distintas fases, resulta de objetivos que devem ser estabelecidos com objetividade.

O naturalista e o fotógrafo de natureza estarão, muito provavelmente, mais focados na fase

adulta, enquanto que o investigador empenhado em aprofundar o conhecimento relativo à distribuição

da Ordem, e especialmente da Subordem Anisoptera, estará particularmente atento

à fase larvar e às exuviae. A presença comprovada de exuviae de determinada espécie, num determinado

local, é considerada o melhor ou até o único critério para determinar que o ciclo de

vida aí, efetivamente, se completou (Raebel et al. 2010). Entre os métodos de estudo que implicam

a captura momentânea ou definitiva de specimens, a análise de exuviae tem ainda a vantagem

de ser o único totalmente inofensivo para as populações de libélulas e libelinhas.

Índice Chave para Identificação Zygoptera Anisoptera Glossário

FOTOGRAFAR LIBÉLULAS E LIBELINHAS

As Odonata são um interessante motivo fotográfico. O conhecimento detalhado do taxon, baseado

na sua observação atenta, dos habitats próprios e ao longo das estações do ano, pode ser

aprofundado através da fotografia de natureza. Enfrenta-se, assim, um desafio aliciante e uma

forma de colecionismo ética e ecologicamente aceitável, até mesmo recomendável. Para além

disso, os registos fotográficos podem ser providenciais para memória futura, seja ela a simples

validação da identificação de uma espécie, seja o indispensável testemunho de uma observação

incomum ou imprevisível.

16


Da mesma forma que poderá ser indesejável a morte de specimens, também o será a captura

não letal seguida de qualquer ‘tratamento’ para facilitar os registos fotográficos. Dificilmente

essas libélulas e libelinhas adotarão posturas e comportamentos caraterísticos, e as imagens

perderão grande parte do seu valor documental.

Fotografar Odonata e constituir um banco de imagens não é tarefa difícil, embora seja necessária

paciência, perseverança e disponibilidade de tempo. Na verdade, as melhores oportunidades

para as melhores imagens não surgem todos os dias...

A qualidade das fotografias é função de diversos fatores: número de horas e dias dedicados à

atividade, conhecimento da ecologia e biologia das espécies, conhecimento dos locais onde os

specimens podem ser encontrados, escolha de condições meteorológicas propícias, boa iluminação

natural, uso de equipamento fotográfico adequado e seu correto manuseamento. Cada libélula

ou libelinha deve ser fotografada sob dois ou mais pontos de vista, de lado e de cima, e é

sempre desejável uma terceira imagem, para contextualização do local das fotografias anteriores.

O eixo principal do inseto deverá ficar perpendicular ao eixo da objetiva, possibilitando que

todo o corpo fique bem focado. Se tal não for possível, os olhos devem sempre ficar focados.

A fotografia dos Odonata é, predominantemente, o registo macro de imagens. Uma máquina

fotográfica digital semi-profissional ou profissional, com objetivas intermutáveis, é o ponto de

partida para o equipamento fotográfico recomendado. Mas se o mesmo não estiver disponível,

uma opção mais simples e certamente menos dispendiosa também proporcionará boas fotos!

A listagem seguinte apresenta algumas das diversas soluções óptimas possíveis.

• Corpo digital SLR Canon EOS 5D Mark II ou Canon EOS 7D - Estes dois corpos DSLR (acrónimo

de digital single-lens reflex) são excelentes opções. Permitem fotografar com sensibilidades ISO

de 320 ou mesmo 640, sem que ocorra perda sensível de qualidade na imagem registada. O

sensor CMOS (36 x 24 mm) da 5D Mark II é de qualidade extraordinária, mas em contrapartida

a 7D tem uma ampliação no sensor CMOS de 1,6 vezes, enquanto que a 5D Mark II é uma

full frame 1,0 vezes. Ambas permitem fotografar em RAW. A velocidade da exposição (shutter

speed) deverá ser sempre inferior a 1/250 ou 1/500, e nunca superior à relação 1/x, em que x

será a distância focal (focal length) da objetiva. A abertura (aperture or f-stop) será f/11, f/14,

ou ainda inferior, assegurando que a profundidade de campo (depth-of-field) é suficiente.

• Objetiva macro Canon EF 180 mm f/3.5 L USM Macro - Opção muito interessante, ou mesmo a

primeira opção caso não existam limitações de orçamento. Garante imagens nítidas, contornos

perfeitos, cor excelente e possibilita fotografar com ampliação máxima a uma distância de

segurança confortável para muitas espécies de Odonata, que não se sentirão ameaçadas pela

proximidade do fotógrafo. A distância focal da objetiva, quando conjugada com uma profundidade

de campo reduzida, proporciona uma desfocagem do fundo simultaneamente acentuada

e suave, ideal para destacar o elemento principal da imagem. A distância mínima de focagem,

a partir do sensor, é de 48 cm, e a máxima ampliação é de 1,0 vezes. Para além do preço

elevado, os principais inconvenientes são o peso, de cerca de 1,2 kg (com anel de apoio para

tripé e pára-sol), a necessidade de luz natural intensa para fotografar com uma relação abertura

/ velocidade de exposição / sensibilidade ISO adequada, a inexistência de estabilizador

de imagem (IS image stabilizer) e a lentidão do sistema de auto-foco. O foco manual é, em

contrapartida, muito ergonómico. Consequentemente, trata-se de uma objetiva para utilizar

em modo manual de focagem. Quase indispensável um monopé ou tripé, e muito conveniente

um flash. Pode ser conjugada com o teleconversor 1.4x e com o tubo de extensão 25 mm.

• Objetiva macro Canon EF 100 mm f/2.8 L IS USM Macro - Excelente opção, tanto para fotografar

insetos da Subordem Zygoptera, que em geral permitem maior aproximação do fotógrafo,

17


como para fotografar as Anisoptera, quando as condições de iluminação natural são propícias.

A qualidade das imagens é irrepreensível e não necessita de luz natural tão intensa quando a

objetiva acima, porque tem um Hybrid IS que possibilita um ganho entre 2 e 4 ‘passos’ na

abertura. A distância mínima de focagem é de 30 cm e a máxima ampliação é de 1,0 vezes. É

possível utilizar o auto-foco, especialmente se for utilizada com monopé ou tripé. Esta objetiva

é weather-sealed e uma das mais recente propostas da Canon (foi lançada em 2009). Pode

ser conjugada com o tubo de extensão 25 mm, mas não com o teleconversor 1.4x.

• Teleobjetiva Canon EF 70-200 mm f/2.8 L IS II USM - Não sendo uma macro, trata-se de uma

alternativa deveras interessante. Construção muito robusta e weather-sealed, proporciona

imagens de extraordinária qualidade. A distância mínima de focagem é de 1,2 m. O auto-foco

é rápido e rigoroso. O estabilizador de imagem bastante eficaz, com ganho de até 4 ‘passos’

na abertura; no entanto, em fotografias com tripé é indispensável desligar o IS. Pode, com sucesso,

ser conjugada com o teleconversor 1.4x (a distância focal máxima atinge os 280 mm)

proporcionando a obtenção de imagens bem distintas das resultantes do uso das macro acima

referidas, caraterística que não deve ser menosprezada. Para além do preço elevado, o único

verdadeiro inconveniente é o peso, de cerca de 1,6 kg (com anel de apoio para tripé e párasol).

À semelhança da objetiva anterior, está entre os mais recentes lançamentos da Canon

(final de 2010).

• Filtros neutro, UV e polarizador - Os primeiros são fundamentais e o último pode salvar algumas

fotografias aparentemente impossíveis. O filtro neutro (clear filter) tem como única função

proteger a lente exterior da objetiva, evitando que se cubra de poeiras, salpicos de água,

marcas e gordura dos dedos, etc. A limpeza da lente nem sempre é simples e poderá causar

danos irreversíveis (por vezes apenas microscópicos) que degradam a qualidade das imagens.

Substituir um filtro é muito menos dispendioso do que trocar de objetiva e se a qualidade do

filtro for elevada a sua presença não se fará notar. B+W, Heliopan e Hoya são marcas de reconhecida

qualidade. O filtro UV (UV filter) é transparente para os comprimentos de onda visíveis

da luz e elimina ou reduz os ultra-violetas; pode ser utilizado para proteger a lente exterior

da objetiva, em alternativa ao filtro neutro. O filtro polarizador (polarizer filter), por sua vez,

utiliza-se para eliminar reflexos da água e saturar as cores, podendo proporcionar condições

para fotografar mesmo em situações especialmente ‘ingratas’.

• Monopé e/ou tripé - Um monopé ligeiro e que permita um comprimento mínimo reduzido é

um acessório quase indispensável para fotografar Odonata, em particular quando se usam

objetivas pesadas. Adicionalmente, quando a escassa iluminação natural se torna um obstáculo

para boas imagens, o uso do tripé, do monopé e/ou do flash pode ser a solução. Mas se

para o corpo DSLR e para a objetiva se recomenda e ambiciona uma qualidade superior, no

monopé não se aconselha qualquer investimento significativo. As condições de utilização,

com frequentes imersões, dificilmente permitem vida longa a este acessório. Apenas se deve

exigir robustez suficiente e facilidade de regulação. O uso do tripé aumenta a qualidade das

imagens, pela estabilidade que proporciona, mas limita a liberdade de movimentação e aumenta

o tempo necessário para o enquadramento e preparação de cada fotografia.

• Flash Canon Flash Speedlite 580EX II - Muito mais útil do que à partida se poderia imaginar,

especialmente de for utilizado com um pequeno difusor, para suavizar a iluminação artificial.

• Tubo de extensão 25 mm (Canon Extension Tube EF25 II, p.ex.) - Permite reduzir a distância

mínima de focagem e obter uma ampliação adicional. No caso da objetiva macro 180 mm, a

ampliação máxima passa a ser de 1,21 vezes; para a 100 mm, de 1,37 vezes. Embora seja frequente

a utilização de tubos de extensão na fotografia macro, é necessário reconhecer que

provocam sempre degradação da qualidade da imagem, resultado da distorção originada pelas

próprias lentes da objetiva. Esse efeito é mínimo no centro da imagem e vai-se acentuando

18


para a periferia. Quando esteja a ser utilizado o tubo de extensão, a focagem terá de ser feita

em modo manual. Simultaneamente, é quase indispensável o tripé e o flash.

• Teleconversor Canon EF 1.4x Extender III - Permite obter um incremento da distância focal da

objetiva. A degradação da qualidade da imagem é percetível, embora as aberturas caraterísticas

da fotografia macro permitam contornar quase em absoluto esta limitação.

Índice Chave para Identificação Zygoptera Anisoptera Glossário

COLECIONAR LIBÉLULAS E LIBELINHAS

A saudável atitude naturalista de observação e estudo de espécies animais no seu contexto natural

confundiu-se, e ainda hoje por vezes se confunde, com uma injustificada apropriação de

specimens dessas espécies.

O colecionismo tem, de facto, longas tradições. Surgiram e consolidaram-se assim, por uma

parte, valiosos espólios, alguns depositados e conservados em museus de história natural. Por

outra parte, ocorreram impactes desnecessários à perenidade no equilíbrio natural. Hoje, em

face das ameaças globais sobre a biodiversidade, novas coleções de espécies animais devem ser

reduzidas ao mínimo necessário, e sempre sob a orientação de instituições científicas reconhecidas.

Tais coleções resultarão sempre de necessidades imperativas para a obtenção de voucher

specimens, ou seja, do número mínimo de exemplares de cada espécie aceite como indispensável

para o avanço do conhecimento científico.

Neste enquadramento, a WDA - Worldwide Dragonfly Association - estabeleceu em 2002 um

Código de Conduta, assente em quatro princípios fundamentais:

1. Respeitar a vida das Odonata. Traduz o respeito pelos indivíduos (specimens), pelas espécies

e pelos habitats. A captura só se justificará por exigências científicas incontornáveis e os

exemplares devem ser sujeitos a níveis mínimos de sofrimento. A distribuição a terceiros, gratuita

ou onerosa, é reprovável. O responsável e agentes que capturam Odonata ficam eticamente

obrigados a tomar as medidas adequadas para que os specimens capturados e mortos

estejam armazenados e conservados nas melhores condições, por forma a assegurar a sua perenidade

e evitar a necessidade de futuras capturas.

2. Cumprir as normas, regulamentos e leis nacionais e internacionais. Deverão respeitar-se

sempre todas as disposições relativas à captura, posse e transporte de specimens vivos ou

mortos, completos ou partes deles. As Odonata não estão incluídas na CITES (Convention on

International Trade in Endangered Species of Wild Fauna and Flora), o que facilita alguns procedimentos

legais de posse e transporte de libélulas e libelinhas.

3. Respeitar as exigências impostas pelo método científico. Destaque para a importância da

existência de voucher specimens e de voucher specimen collections, indispensável para o progresso

do conhecimento, nomeadamente para a sistemática e taxonomia, para a rigorosa

identificação e descrição das Espécies, em particular quando não pode ser totalmente feita no

campo, com o exemplar vivo na mão, e também para a caraterização da sua distribuição geográfica.

A existência de metadados (metadata) associados a cada voucher specimen é indispensável,

por forma a que a sua utilidade científica futura não seja diminuída ou eliminada. As

voucher specimen collections devem estar conservadas em locais onde a sua existência seja publicamente

conhecida e acessível aos estudiosos interessados.

19


4. Respeitar os comportamentos, atitudes e decisões de terceiros. Recorda a necessidade

de manter os bons princípios de cordialidade e tolerância, os quais devem sempre pautar o

relacionamento entre odonatologistas. É decisão individual de cada um o cumprimento do

presente Código de Conduta e é tarefa das autoridades competentes o cumprimento da legislação

aplicável.

A conservação dos specimens, após a sua captura, deve ser feita com acetona, pura ou corrente

(usada, p.ex., para remover verniz das unhas). O melhor procedimento técnico recomenda que

se mantenham os indivíduos vivos durante algumas horas, para que expilam os restos dos alimentos

ingeridos. Depois serão mergulhados em acetona durante alguns minutos, o suficiente

para morrerem. Serão retirados e cuidadosamente endireitam-se as asas, as pernas e o abdómen.

Seguidamente voltam a ser mergulhados em acetona durante 12 a 24 horas e depois retirados,

secos rapidamente ao ar e armazenados em envelopes de papel poroso, devidamente

identificados. A acetona, que é altamente inflamável e consequentemente tem de ser manuseada

com bastante cuidado, é um excelente conservante, já que ajuda a manter os voucher specimens

resistentes e inodoros, e as suas cores realistas e inalteradas.

Quando o objetivo das capturas é a obtenção de material biológico para estudos de genética

molecular, então os specimens inteiros, ou pernas com algum tecido muscular, devem ser conservados

em álcool etílico (etanol) a 96% e, sempre que possível, armazenados a 4ºC; se o período

de armazenamento for longo, o etanol deve ser verificado e substituído regularmente.

Índice Chave para Identificação Zygoptera Anisoptera Glossário

ESPÉCIES COM PROTEÇÃO LEGAL

A crescente preocupação com a biodiversidade levou a que muitas espécies de animais e plantas

fossem já objeto de disposições legais, nacionais e/ou internacionais, tendo em vista a sua

proteção formal mais efetiva. Em Portugal, com a transposição da Diretiva europeia ‘Habitats’

para o ordenamento jurídico nacional (Decreto-Lei n.º 49/2005, de 24 de Fevereiro, Diário da

República 1ª Série-A, nº 39), ficou proibida a captura, abate e detenção ou posse de exemplares

das Espécies incluídas nos Anexos na própria Diretiva, e ficou igualmente proibida a inclusão

de voucher specimens em coleções, salvo para comprovados e autorizados fins de investigação e

ensino.

O Anexo B-IV (espécies de interesse comunitário que exigem uma protecção rigorosa) integra

três Odonata que ocorrem no Algarve: Gomphus graslinii, Macromia splendens e Oxygastra curtisii.

O Anexo B-II (espécies de interesse comunitário cuja conservação exige a designação de zonas

especiais de conservação - ZEC) integra uma quarta espécie (Coenagrion mercuriale), que

ocorre em Portugal continental embora não no Algarve.

Índice Chave para Identificação Zygoptera Anisoptera Glossário

20


FICHAS DE ESPÉCIES

As 51 Fichas de Espécies adotam a seguinte estrutura:

• Nome binomial científico e nome comum em inglês

• Estatuto de Conservação, segundo a European Red List of Dragonflies e a Diretiva ‘Habitats’; as

espécies incluídas na The IUCN Red List of Threatened Species são assinaladas com o ícone

• Distribuição no Algarve, representada em mapas e diferenciando

• ocorrências descritas e georeferenciadas em publicações científicas mencionadas nas fontes de

informação e, simultaneamente, na Bibliografia Recomendada. Sécs. XIX e XX: Séc. XXI:

novas ocorrências descritas pela primeira vez neste Guia Digital iDescobrir - Natureza e Biodiversidade,

resultantes dos trabalhos de terreno realizados em 2011:

• outras ocorrências, provenientes dos Data Contributors:

• Habitat, segundo a classificação descrita nas páginas iniciais do Guia Digital

• Época de Voo, por meses, integrando informações provenientes das publicações científicas, observações

próprias e dos Data Contributors

• Identificação, com uma breve descrição dos adultos da Espécie, diferenciando machos e fêmeas, e

destacando os elementos de diagnóstico

• Outras informações: distribuição no Algarve: ‘alargada’, ‘limitada’ ou ‘raridade’; padrão de comportamento

dos machos adultos (terr.VA ou terr.VP) e de oviposição (ovip.TD, ovip.PR ou ovip.AF); voltinismo;

distribuição para além do Algarve.

21


ZYGOPTERA

CALOPTERYGIDAE

A Família Calopterygidae distingue-se por ter asas largas e assimétricas, ao contrário

do que é caraterístico da Subordem Zygoptera. Distingue-se também pela pigmentação

das asas, que as torna opacas na maior parte da sua extensão, pelo número muito

elevado de nervuras e, consequentemente, células alares numerosas e diminutas. Distingue-se

ainda por não existirem, nas asas, pterostigmas, embora as asas das fêmeas

tenham falsos pterostigmas brancos.

O corpo das libelinhas da Família Calopterygidae é quase monocromático, de cor escura,

acobreada ou púrpura, e sem reflexos metálicos, ou de cores verde ou azul, e com

reflexos metálicos. As patas são longas e dotadas de cerdas igualmente longas.

As libelinhas da Família Calopterygidae têm um voo agitado e irregular, semelhante

ao de muitas borboletas diurnas mas mais lento, e raramente se afastam dos volumes

de água. Em geral, qualquer uma das três Espécies que ocorre no Algarve tem manifesta

preferência por sistemas lóticos com abundante vegetação arbustiva e arbórea nas

margens, a proporcionar numerosas zonas de sombra.

A distinção entre as três Espécies não é simples, sendo um dos principais elementos de

diagnóstico a cor da parte inferior dos últimos segmentos do abdómen e também a cor

do tórax e abdómen dos machos. A pigmentação e a forma das asas podem também ser

elementos de diagnóstico complementares. Pode ocorrer hibridação entre as diversas

Espécies da Família Calopterygidae, o que, eventualmente, dificulta ainda mais a identificação

inequívoca.

22


Calopteryx haemorrhoidalis

(Vander Linden, 1825) nome comum em inglês: Copper Demoiselle

Subordem: Zygoptera

Família: Calopterygidae

Estatuto de Conservação (EU27 Red List 2010): LC (Least Concern)

Tendência: Estável

macho e fêmea adultos - Fonte Filipe, Querença - Maio

Distribuição ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! Habitats

Época de voo

sist. lóticos simples

I.ii.

sist. lóticos complexos

II.i. II.ii. II.iii.

fontes de informação

Ferreira & Grosso-Silva (2006)

Gardiner & Sturgess (1994)

Knijf & Demolder (2010)

Lohr (2005)

McLachlan (1880)

JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ

23


Identificação

Os adultos têm cerca de 45 a 47 mm de comprimento total. O MACHO tem o TÓRAX acobreado, púrpura

ou quase negro, mas nunca verde (elemento de diagnóstico); o ABDÓMEN pode ser de cor semelhante ao

tórax, ou verde com reflexos metálicos; a parte ventral dos segmentos posteriores do abdómen é cor de

rosa ou carmim (elemento de diagnóstico), por vezes intensa, e também as tíbias podem ter reflexos da

mesma cor. As ASAS do macho são quase completa e intensamente pigmentadas de castanho escuro, ou

de azul ou púrpura muito escuros; a parte proximal, no entanto, é transparente e a transição é oblíqua. A

FÊMEA tem o corpo mais claro, em verde ou castanho, geralmente com reflexos metálicos; as ASAS são

castanhas claras e translúcidas; a ASA POSTERIOR é mais pigmentada no quarto distal (elemento de diagnóstico

fundamental), em particular numa estreita faixa que delimita as partes translúcida e pigmentada.

As PATAS são acastanhadas.

Outras informações

Ocorre apenas nos países da bacia mediterrânica ocidental (sul da Europa e norte de África), mas tem distribuição

‘alargada’ no Algarve. As populações, quando ocorrem, são geralmente numerosas. Ferreira et

al. (2006) afirmam ser possível a existência de subespécies, já que o padrão das asas e o tamanho do corpo

são muito variáveis. Espécie semivoltina (Corbet et al. 2006).

casal em pré-cópula - Ribª da Perna da Negra - Julho macho adulto - Fonte Filipe - Maio

fêmeas adultas - Ribeira de Seixe - Julho - Fonte da Benémola - Maio

Índice Chave para Identificação Zygoptera Anisoptera Glossário

24


Calopteryx virgo meridionalis

(Linnaeus, 1758) Selys, 1873 nome comum em inglês: Beautiful Demoiselle

Subordem: Zygoptera

Família: Calopterygidae

Estatuto de Conservação (EU27 Red List 2010): LC (Least Concern)

Tendência: Estável

Distribuição ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! Habitats

sist. lóticos simples

I.ii.

sist. lóticos complexos

II.ii.

Época de voo

fontes de informação

Knijf & Demolder (2010)

JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ

Identificação

Os adultos têm cerca de 48 mm de comprimento total e constituição robusta; é a maior das três Espécies

de Calopteryx que ocorrem no Algarve. O MACHO adulto tem o TÓRAX e o ABDÓMEN verdes ou azuis com

reflexos metálicos (elemento de diagnóstico); a parte ventral dos segmentos posteriores do abdómen é

avermelhada (elemento de diagnóstico), embora menos percetível do que nas C. haemorrhoidalis; as ASAS

são mais largas do que nas restantes Calopteryx, castanhas escuras mas podendo apresentar reflexos azuis

metálicos eventualmente intensos (elemento de diagnóstico); a extremidade proximal das asas é transparente

e a transição entre as partes pigmentada e transparente é relativamente abrupta. A FÊMEA tem o

corpo em verde ou bronze mais claros, com reflexos metálicos; as ASAS são translúcidas e castanhas amareladas

com pigmentação uniforme (elemento de diagnóstico). As PATAS são negras, no macho e na fêmea.

Outras informações

Espécie de distribuição europeia. Em Portugal continental não surge no Alentejo, mas ocorre no Algarve,

embora com distribuição ‘limitada’. Espécie univoltina ou semivoltina (Corbet et al. 2006).

Índice Chave para Identificação Zygoptera Anisoptera Glossário

25


Calopteryx xanthostoma

(Charpentier, 1825) nome comum em inglês: Western Demoiselle

Subordem: Zygoptera

Família: Calopterygidae

Estatuto de Conservação (EU27 Red List 2010): LC (Least Concern) Endémica da EU27

Tendência: Estável

macho adulto - Ribeira de Seixe - Maio

Distribuição ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! Habitats

sist. lóticos simples

I.ii.

Época de voo

fontes de informação

Knijf & Demolder (2010)

Lohr (2005)

McLachlan (1880)

JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ

26


!

Identificação

Os adultos têm cerca de 46 mm de comprimento total. O MACHO tem o TÓRAX e o ABDÓMEN verdes ou

azuis, com reflexos metálicos (elemento de diagnóstico); no tórax, sobre a sutura metapleural, pode haver

uma faixa amarela mais ou menos evidente, completa ou incompleta; a parte ventral dos segmentos

posteriores do ABDÓMEN também é amarela (elemento de diagnóstico). As ASAS do macho são estreitas

e intensamente pigmentadas de azul metálico, mas apenas na metade distal, a partir do nódulo alar; a

metade proximal não é pigmentada; no entanto, há significativa variabilidade na pigmentação da parte

proximal das asas e podem, consequentemente, ser quase totalmente coloridas. A FÊMEA tem o corpo

verde ou verde-bronze mais claro e também com reflexos metálicos; as ASAS são totalmente transparentes,

embora com ligeira tonalidade esverdeada e com o falso PTEROSTIGMA branco. As PATAS são negras,

quer no macho, quer na fêmea.

Outras informações

Ocorre apenas, grosso modo, nas metades norte da Península Ibérica e sul de França, estendendo-se um

pouco para o norte da Itália. Por vezes é considerada uma ssp. de C. splendens. Aparentemente, uma ‘raridade’

no Algarve; no entanto, Boulot et al. 2009 sugerem que a distribuição é mais ampla do que a agora

cartografada.

A observação nas proximidades de São Marcos da Serra, publicada por McLachlan (1880), é o primeiro

registo da ocorrência da espécie em Portugal continental (Ferreira et al. 2006).

fêmea adulta - Ribeira de Seixe - Maio

Índice Chave para Identificação Zygoptera Anisoptera Glossário

27


ZYGOPTERA

LESTIDAE

A Família Lestidae está, no Algarve, representada por dois Géneros: o Lestes, com cinco

Espécies, e o Sympecma, com apenas uma Espécie. A morfologia externa dos dois Géneros

é significativamente distinta.

Uma libelinha da Família Lestidae (L. macrostigma) está classificada na European Red

List of Dragonflies 2010 com o estatuto EN, ou seja, espécie ameaçada de extinção.

A maior parte das Espécies da Família Lestidae distingue-se facilmente porque as libelinhas,

quando pousadas, ficam com as asas abertas, ao contrário do que é caraterístico

da Subordem Zygoptera. Simultaneamente a cor dominante do corpo é o verde ou o

bronze, com reflexos metálicos (Género Lestes). Os machos de algumas Espécies apresentam

pruinescência azulada (Lestes dryas, L. virens virens e L. macrostigma); outros (L.

viridis), em oposição, nunca apresentam.

As asas são simétricas, pecioladas e com um número muito diminuto de nervuras na

parte proximal; são transparentes, têm numerosas células alares pentagonais, ao contrário

do que acontece nas Famílias Platycnemidae e Coenagrionidae, e os pterostigmas,

que existem tanto no macho como na fêmea, são retangulares e alongados (o

comprimento é, pelo menos, o dobro da largura). As patas têm cerdas longas.

O Género Sympecma é a exceção na Família Lestidae; domina a cor castanha muito clara

e a quase total ausência reflexos metálicos, e os dois pares de asas tocam-se e encostam

ao abdómen quando os insetos estão pousados.

Os ovos das Lestidae manifestam capacidade de resistência às condições de secura sazonal,

o que facilita a distribuição da Família por habitats mais alargados. A oviposição

ocorre muitas vezes em tecidos vegetais vivos posicionados acima do nível da água ou

até em plantas distantes de volumes de água.

28


Lestes barbarus

(Fabricius, 1798) nome comum em inglês: Migrant Spreadwing

Subordem: Zygoptera

Família: Lestidae

Estatuto de Conservação (EU27 Red List 2010): LC (Least Concern)

Tendência: Estável

macho adulto - RNSCMVRSA - Junho

Distribuição ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! Habitats

Época de voo

sapais e salinas aband.

fontes de informação

---

JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ

29


Identificação

Os adultos têm cerca de 42 mm de comprimento total (elemento de diagnóstico particularmente útil na

diferenciação com L. virens). OLHOS acastanhados ou amarelados. Parte posterior e inferior da cabeça,

entre as peças bucais e o pronotum, amarelada. No TÓRAX, linha castanha muito clara sobre a carena

dorsal, fina mas bem percetível; faixas anteumerais notoriamente largas. No ABDÓMEN, tanto no MACHO

como na FÊMEA, a cor amarelada ventral estende-se para a face dorsal de S9 e S10, ficando apenas a verde

ou bronze, metálico, uma banda dorsal que, no macho adulto, pode ser coberta por muito ligeira pruinescência

azulada. Apêndices abdominais superiores, no MACHO, amarelados, com as extremidades escuras;

inferiores de tamanho médio, com as extremidades a apontar para fora (elemento de diagnóstico).

PTEROSTIGMAS estendendo-se por duas células alares adjacentes, bicromáticos, com a parte distal (entre

um terço e metade) de cor quase branca e a parte restante acastanhada; os pterostigmas são elemento de

diagnóstico fundamental, embora possa haver, eventualmente, confusão com L. virens; nos tenerals a distinção

entre as duas cores dos pterostigmas pode não ser ainda percetível. PATAS castanhas muito claras,

com uma linha negra a todo o comprimento do fémur e tíbia.

Outras informações

Poderá ser considerada uma ‘raridade’ no Algarve. Distribuída por toda a Europa e, pontualmente, no

norte de África. Embora a espécie não surja listada em qualquer das publicações referidas na Introdução

deste Guia Digital, Boulot et al. 2009 assinalam já a sua ocorrência na região, numa posição concordante

com a agora cartografada.

macho adulto - RNSCMVRSA - Junho

Índice Chave para Identificação Zygoptera Anisoptera Glossário

30


Lestes dryas

Kirby, 1890 nome comum em inglês: Robust Spreadwing

Subordem: Zygoptera

Família: Lestidae

Estatuto de Conservação (EU27 Red List 2010): LC (Least Concern)

Tendência: Estável

macho adulto - charca nas prox. de Vagens, Rogil - Julho

Distribuição ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! Habitats

Época de voo

sistemas lênticos

III.i. III.ii. III.iv.

fontes de informação

Knijf & Demolder (2010)

Lohr (2005)

JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ

31


Identificação

Os adultos têm cerca de 38 mm de comprimento total. No MACHO, OLHOS azuis escuros bastante evidentes;

parte posterior e inferior da cabeça, entre as peças bucais e o pronotum, verdes ou bronze muito

escuras, ou mesmo negras, eventualmente com alguma pruinescência que pode ocorrer também sobre o

pronotum e até o protórax. Predomina, no TÓRAX e no ABDÓMEN, em visão dorsal, o verde ou o bronze,

com reflexos metálicos; é elemento de diagnóstico fundamental a pruinescência azulada existente nas

partes ventral e lateral inferior do TÓRAX, no ABDÓMEN em S1, em parte de S2, em S9 e em S10. Apêndices

abdominais superiores totalmente de cor bronze a quase negra; inferiores da mesma cor e com metade

do comprimento dos superiores. A FÊMEA é também, em visão dorsal, verde ou bronze, com reflexos

metálicos; o pronotum é amarelado e o protórax verde ou bronze; em visão lateral, no TÓRAX, surge uma

pequena ‘espora’ a apontar para a cabeça (elemento de diagnóstico), desenhada no limite inferior da

parte verde ou bronze; olhos azuis escuros acinzentados; abdómen de constituição robusta. PTEROS-

TIGMAS negros (elemento de diagnóstico), no macho e na fêmea adultos, pequenos, com comprimento

de cerca do dobro da largura e estendendo-se por apenas duas células alares adjacentes; nos limites dos

dois lados menores evidenciam-se linhas finas muito claras. PATAS castanhas muito escuras.

Outras informações

Espécie no extremo do limite sul da sua distribuição; uma ‘raridade’ no Algarve. Obrigatoriamente univoltina

(Corbet et al. 2006).

fêmea adulta - charca (norte) de Queijeira, Rogil - Julho

Índice Chave para Identificação Zygoptera Anisoptera Glossário

32


Lestes macrostigma

(Eversmann, 1836) nome comum em inglês: Dark Spreadwing

Subordem: Zygoptera

Família: Lestidae

Estatuto de Conservação (EU27 Red List 2010): EN (Endangered)

Tendência: Decréscimo

macho adulto - Reserva Natural do Sapal de Castro Marim e Vila Real de Stº António - Maio

Distribuição ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! Habitats

sapais e salinas aband.

Época de voo

fontes de informação

---

JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ

33


Identificação

Os adultos têm cerca de 45 mm de comprimento total e constituição robusta. OLHOS azuis; partes posterior

e inferior da cabeça, entre as peças bucais e o pronotum, verdes ou bronze escuras e com ligeira pruinescência

azulada. Tanto no MACHO como na FÊMEA é elemento de diagnóstico fundamental a pruinescência

intensa de cor violeta azulada que existe ao longo do protórax, TÓRAX e ABDÓMEN, salvo nos

segmentos centrais (S3 a S7) que são verdes escuros e com reflexos metálicos. Os PTEROSTIGMAS muito

compridos e quase negros, estendendo-se por três a quatro células alares adjacentes, são outro elemento

de diagnóstico; no teneral são castanhos. PATAS negras.

Outras informações

Uma ‘raridade’ no Algarve. Embora a espécie não surja listada em qualquer das publicações referidas na

Introdução deste Guia Digital, Boulot et al. 2009 assinalam já a sua ocorrência na região, numa posição

concordante com a agora cartografada. A população existente na Reserva Natural do Sapal de Castro Marim

e Vila Real de Stº António (RNSCMVRSA) parece, no entanto, ser numerosa. Existem referências, mas

que não foi ainda possível confirmar, da ocorrência da espécie nas proximidades da Quinta do Lago, Almansil.

Para o Algarve existe ainda um registo publicado em 1999 por Kappes & Kappes.

Ocorre de forma distribuída por toda a Europa, mas somente em locais onde o habitat é adequado. A sua

especificidade e dependência de águas salobras e vegetação densa, com espécies caraterísticas dos sapais,

torna-a bastante suscetível às alterações e à degradação do habitat, e por isso é considerada, na Europa

dos 27, espécie ameaçada de extinção.

Foram recentemente publicados dois estudos (Matushkina & Lambret 2011 e Lambret & Stoquert 2011)

sobre tópicos de biologia e comportamento, no acasalamento e oviposição da espécie, que poderão contribuir

para, futuramente, se conhecer melhor a sua distribuição e a conservação no Algarve.

o tandem anterior à cópula mantém-se durante horas, de manhã - RNSCMVRSA - Maio

Índice Chave para Identificação Zygoptera Anisoptera Glossário

34


Lestes virens

(Charpentier, 1825) nome comum em inglês: Small Spreadwing

Subordem: Zygoptera

Família: Lestidae

Estatuto de Conservação (EU27 Red List 2010): LC (Least Concern)

Tendência: Estável

macho adulto - salinas abandonadas de Vale da Lama, Odiáxere - Junho

Distribuição ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! Habitats

Época de voo

sist. lóticos complexos

II.i.

sistemas lênticos

III.i. III.ii.

sapais e salinas aband.

fontes de informação

Knijf & Demolder (2010)

Lohr (2005)

JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ

35


Identificação

Os adultos são pequenos e só raramente têm comprimento total superior a 39 mm (elemento de diagnóstico,

em particular para a diferenciação com L. barbarus). OLHOS azulados e muito evidentes no MACHO,

embora no imaturo possam ser castanhos; na FÊMEA o azul é mais discreto ou até inexistente. Parte superior

da cabeça verde ou bronze metálicos, e partes posterior e inferior, entre as peças bucais e o pronotum,

amarelas. TÓRAX e ABDÓMEN de cores bronze ou verde e com reflexos metálicos; no TÓRAX, faixas

anteumerais finas e contínuas. No MACHO, pruinescência azulada intensa (elemento de diagnóstico) no

ABDÓMEN, em S9 e S10, mas nunca em S1, S2 e S8. Apêndices abdominais superiores, nos adultos, amarelados

e com as extremidades escuras; inferiores muito pequenos (elemento de diagnóstico). PTEROS-

TIGMAS monocromáticos, acastanhados (nunca cinzentos muito escuros ou negros); por vezes o terço

distal é mais claro, suscitando confusão com L. barbarus; esta forma de pigmentação dos pterostigmas

parece ser comum no Algarve. Os pterostigmas do teneral são monocromáticos e quase brancos.

Outras informações

Existem duas ssp.: virens e vestalis. Nas fêmeas adultas da ssp. virens o verde metálico não atinge a sutura

metapleural; nas da ssp. vestalis atinge. Espécie presente em praticamente toda a Europa, embora não na

parte sudeste da Península Ibérica. No Algarve tem distribuição ‘limitada’.

macho adulto - charca (N) de Queijeira, Rogil - Julho fêmea adulta - Vale da Lama, Odiáxere - Junho

tandem - oviposição - salinas abandonadas de Vale da Lama, Odiáxere - Junho

Índice Chave para Identificação Zygoptera Anisoptera Glossário

36


Lestes viridis

(Vander Linden, 1825) nome comum em inglês: Western Willow Spreadwing

Subordem: Zygoptera

Família: Lestidae

Estatuto de Conservação (EU27 Red List 2010): LC (Least Concern)

Tendência: Estável

macho adulto - Moinhos da Rocha, Ribeira da Asseca, Tavira - Junho

Distribuição ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! Habitats

Época de voo

sist. lóticos simples

I.ii.

sist. lóticos complexos

II.i. II.iii.

sistemas lênticos

III.i. III.ii.

fontes de informação

Ferreira & Grosso-Silva (2006)

Gardiner (1993)

Gardiner & Sturgess (1994)

Lohr (2005)

Malkmus & Ruf (2008)

JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ

37


Identificação

Os machos têm cerca de 45 mm de comprimento total e as fêmeas são ligeiramente mais pequenas. No

MACHO e na FÊMEA adultos os OLHOS são castanhos, (elemento de diagnóstico); partes superior, posterior

e inferior da cabeça em verde ou bronze, com reflexos metálicos. O TÓRAX e o ABDÓMEN são predominantemente

verde escuro, metálico, eventualmente com reflexos bronze; em visão ventral predomina

a cor amarelada; em visão lateral, no TÓRAX, a existência de uma ‘espora’ a apontar para a cabeça, no

limite inferior da parte verde, é outro elemento de diagnóstico fundamental da espécie (fêmea de L. dryas

tem uma ‘espora’ semelhante, mas menor). O MACHO nunca apresenta pruinescência, o que constitui

elemento de diagnóstico. Apêndices abdominais superiores amarelados com as extremidades escuras;

inferiores muito pequenos. PTEROSTIGMAS castanhos claro, por vezes mais claros no centro, estendendose

por duas células alares contíguas; nos tenerals são amarelados.

Outras informações

Ocorre na generalidade da Europa e de forma localizada no norte de África. No Algarve, distribuição ‘alargada’.

É um Lestes de comportamento muito discreto e, por esse motivo, mais difícil de observar: surge

quase apenas em zonas muito sombrias, no meio da vegetação arbustiva e arbórea. Espécie obrigatoriamente

univoltina (Corbet et al. 2006).

macho adulto - Ribª da Perna da Negra - Julho fêmea adulta - Ribª da Perna da Negra - Julho

Índice Chave para Identificação Zygoptera Anisoptera Glossário

38


Sympecma fusca

(Vander Linden, 1820) nome comum em inglês: Common Winter Damsel

Subordem: Zygoptera

Família: Lestidae

Estatuto de Conservação (EU27 Red List 2010): LC (Least Concern)

Tendência: Estável

fêmea adulta - Barranco dos Pisões, Monchique - Julho (fotografia de Nelson Fonseca)

Distribuição ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! Habitats

Época de voo

sist. lóticos complexos

II.ii.

sistemas lênticos

III.ii.

sapais e salinas aband.

fontes de informação

Gardiner & Wallis (1996)

Knijf & Demolder (2010)

JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ

39


Identificação

Os adultos têm cerca de 36 mm de comprimento total. Os OLHOS podem ser azulados ou castanhos claros,

em especial nos insetos jovens. O TÓRAX e o ABDÓMEN são pálidos, cor de areia (elemento de diagnóstico),

com partes mais escuras em tom verde seco e ligeiros reflexos metálicos (elemento de diagnóstico),

na face superior da cabeça, no tórax e na parte dorsal do abdómen. Apêndices abdominais superiores,

no macho, igualmente cor de areia; apêndices inferiores muito pequenos.

Outras informações

Em algumas regiões da Europa os insetos adultos hibernam durante o inverno e reproduzem-se na primavera

seguinte. Askew (2004) afirma ser o único Género de Odonata presente na Europa com tal comportamento,

mas a ocorrência deste padrão, no ciclo de vida da S. fusca, não foi ainda confirmada para o

Algarve, onde parece ser uma ‘raridade’.

macho adulto - margem alagada do Rio Séqua, Tavira - Maio

Índice Chave para Identificação Zygoptera Anisoptera Glossário

40


ZYGOPTERA

COENAGRIONIDAE

As libelinhas Coenagrionidae constituem a maior e mais diversificada Família de

Zygoptera, mesmo à escala global. No Algarve estão representadas por três Subfamílias

(Coenagrioninae, Ischnurinae e Nehalenniinae), e simultaneamente por seis Géneros e

nove Espécies.

As populações são, em geral, numerosas. Os machos, mais coloridos do que as fêmeas,

são intensamente azuis ou vermelhos. As asas são transparentes e as células alares predominantemente

retangulares.

Na Subfamília Coenagrioninae, na cabeça dominam formas arredondadas, a parte proximal

peciolada das asas é curta e as fêmeas não apresentam espinho vulvar. A esta

Subfamília pertencem os Géneros Erythromma e Pyrrhosoma.

Na Subfamília Ischnurinae, na cabeça dominam formas arredondadas, a parte proximal

peciolada das asas é longa e as fêmeas apresentam espinho vulvar. A esta Subfamília

pertencem os Géneros Enallagma e Ischnura.

Na Subfamília Nehalenniinae, na cabeça dominam formas angulosas e a parte proximal

peciolada das asas é curta. A esta Subfamília pertence o Género Ceriagrion.

41


Ceriagrion tenellum

(De Villers, 1789) nome comum em inglês: Small Red Damsel

Subordem: Zygoptera

Família: Coenagrionidae Subfamília: Nehalenniinae

Estatuto de Conservação (EU27 Red List 2010): LC (Least Concern)

Tendência: Estável

macho adulto - lagoa de Boi, Aljezur - Julho

Distribuição ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! Habitats

Época de voo

sist. lóticos simples

I.ii. I.iii.

sist. lóticos complexos

II.iii.

sistemas lênticos

III.i.

fontes de informação

Ferreira & Grosso-Silva (2006)

Gardiner & Sturgess (1994)

Knijf & Demolder (2010)

Lohr (2005)

JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ

42


Identificação

Os adultos têm cerca de 32 mm de comprimento total. No MACHO, OLHOS em vermelho-acastanhado;

sem manchas pós-oculares; no TÓRAX, faixas anteumerais não existem ou são muito finas e incompletas;

ABDÓMEN totalmente vermelho (elemento de diagnóstico); apêndices abdominais superiores muito pequenos.

As FÊMEAS têm quatro formas cromáticas: i. typica, a mais comum, com a parte dorsal do abdómen

predominantemente de cor bronze escuro, mas com os segmentos S1 a S4 e S10 vermelhos; ii.

erythrogastrum, muito semelhante ao macho; iii. intermedium, com a parte dorsal do abdómen predominantemente

vermelha, mas S5 ou S6 até S8 são de cor bronze escuro; iv. melanogastrum, com a parte dorsal

do abdómen quase totalmente em cor bronze escuro. Nas ASAS, parte proximal da nervação principal

avermelhada, mas com as membranas transparentes; PTEROSTIGMAS não são mais compridos do que as

células contíguas e são também avermelhados (elemento de diagnóstico). As PATAS são amarelas acastanhadas

ou vermelhas acastanhadas (elemento de diagnóstico).

Outras informações

Esta espécie e a P. nymphula são as únicas libelinhas que ocorrem no Algarve em que predominam as cores

vermelha e preta. Apenas foram encontradas as formas cromáticas femininas typica e erythrogastrum.

Distribuição ‘limitada’.

fêmea typica - Morgado do Reguengo - Junho tandem com f. erythrogastrum - Serra do Caldeirão - Julho

machos adultos - barrag. do Aterro Sanitário do Sotavento, Serra do Caldeirão - Ribeira de Algibre - Julho

Índice Chave para Identificação Zygoptera Anisoptera Glossário

43


Coenagrion puella

(Linnaeus, 1758) nome comum em inglês: Azure Bluet

Subordem: Zygoptera

Família: Coenagrionidae Subfamília: Coenagrioninae

Estatuto de Conservação (EU27 Red List 2010): LC (Least Concern)

Tendência: Estável

macho adulto - charca de Serominheiro, Aljezur - Maio

Distribuição ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! Habitats

sistemas lênticos

III.i.

Época de voo

fontes de informação

Gardiner & Sturgess (1995)

McLachlan (1880)

JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ

44


Identificação

Os adultos têm cerca de 34 mm de comprimento total. As partes não negras do TÓRAX e do ABDÓMEN,

no MACHO, são azuis; as FÊMEAS podem ter duas formas, dependendo da cor não negra: azuis (forma

homocromática) ou verdes (f. heterocromática). Na cabeça, marcas pós-oculares ovais ou circulares. No

TÓRAX, faixas anteumerais médias a largas e completas, uma linha negra incompleta na sutura interpleural

e outra completa na sutura metapleural. No ABDÓMEN do macho predomina a cor azul; o padrão dos

desenhos a negro nas partes dorsais dos diversos segmentos é o elemento de diagnóstico fundamental:

em S2 (elemento de diagnóstico), desenho em U completo; S3 a S5 com desenhos limitados ao terço posterior

de cada segmento e linhas laterais negras muito finas (elemento de diagnóstico fundamental); S7 é

o segmento mais escuro; S8 praticamente todo azul, mas com duas pequenas marcas negras laterais

(elemento de diagnóstico); apêndices abdominais superiores mais curtos do que os inferiores. FÊMEA

sem espinho vulvar. PTEROSTIGMAS monocromáticos cinzentos muito escuros ou negros.

Outras informações

Pode ser considerada uma ‘raridade’ no Algarve. Embora a espécie não surja listada em qualquer das publicações

com as caraterísticas referidas na Introdução deste Guia Digital, Boulot et al. 2009 assinalam já

a sua ocorrência na região, numa posição concordante com a agora cartografada.

A observação nas proximidades de São Marcos da Serra, publicada por McLachlan (1880), é o primeiro

registo da ocorrência da espécie em Portugal continental (Ferreira et al. 2006).

Índice Chave para Identificação Zygoptera Anisoptera Glossário

45


Coenagrion scitulum

(Rambur, 1842) nome comum em inglês: Dainty Bluet

Subordem: Zygoptera

Família: Coenagrionidae Subfamília: Coenagrioninae

Estatuto de Conservação (EU27 Red List 2010): LC (Least Concern)

Tendência: Estável

tandem - Morgado do Reguengo, Portimão - Junho

Distribuição ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! Habitats

Época de voo

sistemas lênticos

III.i.

fontes de informação

Lohr (2005)

JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ

46


Identificação

Os adultos têm cerca de 32 mm de comprimento total. As partes não negras do TÓRAX e do ABDÓMEN,

quer no MACHO, quer na FÊMEA, são azuis. Na cabeça, os OLHOS do MACHO são azuis, da FÊMEA verdes;

marcas pós-oculares circulares azuis. No TÓRAX, faixas anteumerais médias a largas e completas, uma linha

negra incompleta na sutura interpleural e outra linha negra completa, mas de espessura variável, na

sutura metapleural. No ABDÓMEN do MACHO predomina a cor azul; o padrão dos desenhos a negro nas

partes dorsais dos diversos segmentos é o elemento de diagnóstico fundamental; em S2 (elemento de

diagnóstico), desenho relativamente simples a lembrar uma cabeça estilizada de gato com orelhas compridas,

e que contacta com um anel negro que separa S2 de S3; em S3, desenho com uma oval ou lança

pedunculada, cujo eixo maior é paralelo ao eixo principal do abdómen; S6 e S7 são completamente negros;

S8 azul, bem como a parte anterior de S9; apêndices abdominais superiores mais curtos do que S10

e maiores que os inferiores. O ABDÓMEN da FÊMEA, em visão dorsal, é quase inteiramente negro, apenas

com azul nos limites dos segmentos; sem espinho vulvar. PTEROSTIGMAS trapezoidais, ligeiramente mais

longos no limite distal, castanhos claros.

Outras informações

Uma ‘raridade’ no Algarve. Oviposição em tandem (ovip.TD). A C. scitulum pode, eventualmente, ser confundida

com Coenagrion caerulescens, espécie cuja ocorrência no Algarve não está confirmada (de forma

inequívoca, embora seja referida por Vieira et al. 2010).

machos adultos - charca de Azia, Rogil - charca de Lotão, Martim Longo - Abril

cópula - Morgado do Reguengo, Portimão - Junho oviposição - charca de Lotão - Abril

Índice Chave para Identificação Zygoptera Anisoptera Glossário

47


Enallagma cyathigerum

(Charpentier, 1840) nome comum em inglês: Common Bluet

Subordem: Zygoptera

Família: Coenagrionidae Subfamília: Ischnurinae

Estatuto de Conservação (EU27 Red List 2010): LC (Least Concern)

Tendência: Estável

macho adulto - charca de Lotão, Martim Longo - Abril

Distribuição ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! Habitats

Época de voo

sistemas lênticos

III.i. III.iii.

sapais e salinas aband.

fontes de informação

Knijf & Demolder (2010)

Lohr (2005)

JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ

48


Identificação

Os adultos têm cerca de 34 mm de comprimento total e constituição robusta. As partes não negras do

TÓRAX e do ABDÓMEN, no MACHO, são azuis; as FÊMEAS podem ter duas formas, expressas na cor não

negra: azuis (forma homocromática) ou verdes (forma heterocromática). Na cabeça, marcas pós-oculares

circulares grandes (elemento de diagnóstico). No TÓRAX, presença de faixas anteumerais largas (elemento

de diagnóstico) e uma faixa negra lateral na sutura umeral; sobre a sutura metapleural pode ou não

existir uma fina linha negra. No ABDÓMEN do MACHO predomina a cor azul; o padrão dos desenhos a

negro nas partes dorsais dos diversos segmentos é o elemento de diagnóstico fundamental; em S2 há

uma marca negra em forma de cogumelo (elemento de diagnóstico), em contacto com um anel também

negro existente entre S2 e S3; S3 a S5 têm desenhos a negro em forma de copo com pé, preenchendo o

terço posterior dos segmentos; em S6 e S7 as partes negras são maiores e terminam com pequenos vértices

nos limites anteriores; S8 e S9 são totalmente azuis (elemento de diagnóstico); apêndices abdominais

diminutos, os inferiores maiores do que os superiores. No ABDÓMEN da FÊMEA, entre S3 e S7 há marcas

negras em forma de torpedo (elemento de diagnóstico fundamental); espinho vulvar bastante desenvolvido.

PTEROSTIGMAS cinzentos escuros, em forma de losango.

Outras informações

Distribuição ‘alargada’ no Algarve.

machos adultos - Barragem do Pereiro - Abril

tandem - Barragem do Pereiro - Abril cópula - charca de Azia, Rogil - Maio

Índice Chave para Identificação Zygoptera Anisoptera Glossário

49


Erythromma lindenii

(Selys, 1840) nome comum em inglês: Blue-eye

Subordem: Zygoptera

Família: Coenagrionidae Subfamília: Coenagrioninae

Estatuto de Conservação (EU27 Red List 2010): LC (Least Concern)

Tendência: Estável

macho adulto - Ribeira do Vascão - Junho

Distribuição ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! Habitats

Época de voo

sist. lóticos simples

I.ii.

sist. lóticos complexos

II.i. II.iii.

sistemas lênticos

III.i. III.ii. III.iii.

sapais e salinas aband.

fontes de informação

Ferreira & Grosso-Silva (2006)

Gardiner & Sturgess (1994)

Knijf & Demolder (2010)

Lohr (2005)

Vieira et al. (2010)

Weihrauch & Weihrauch (2003)

JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ

50


Identificação

Os adultos têm cerca de 34 mm de comprimento total. No MACHO, as partes não negras do TÓRAX e do

ABDÓMEN são azuis, na FÊMEA predomina o verde; no TÓRAX de ambos, as faixas anteumerais são largas

(elemento de diagnóstico) e da cor não negra dominante; faixa negra fina incompleta na sutura interpleural

e faixa negra completa na metapleural. O MACHO tem os OLHOS intensamente azuis e as manchas

pós-oculares são apenas faixas estreitas também azuis; no ABDÓMEN, não tem azul na parte dorsal

de S7 e S8, enquanto que S9 e S10 são intensamente azuis, o que permite identificar, mesmo à distância

e quase que inequivocamente a espécie (elemento de diagnóstico fundamental); S3 a S6 têm, dorsalmente,

setas ou flechas negras a apontar para a cabeça (elemento de diagnóstico), e que percorrem a quase

totalidade de cada segmento; os apêndices superiores abdominais têm comprimento igual ou superior a

S10. A FÊMEA tem a parte dorsal do ABDÓMEN quase totalmente escura ou negra; não tem espinho vulvar

(elemento de diagnóstico fundamental).

Outras informações

Distribuição ‘alargada’ no Algarve. Oviposição em tandem (ovip.TD). Espécie univoltina ou bivoltina

(Corbet et al. 2006). Plantas flutuantes, como o Ranunculus aquatilis (white water-crowfoot), são muito

frequentemente utilizadas para a deposição dos ovos.

macho adulto - charca de Azia, Rogil - Maio tandem - Ribª do Leitejo, Cachopo - Abril

oviposição - Ribeira do Vascão - Junho - Julho

Índice Chave para Identificação Zygoptera Anisoptera Glossário

51


Erythromma viridulum

(Charpentier, 1840) nome comum em inglês: Small Redeye

Subordem: Zygoptera

Família: Coenagrionidae Subfamília: Coenagrioninae

Estatuto de Conservação (EU27 Red List 2010): LC (Least Concern)

Tendência: Aumento

macho adulto - Morgado do Reguengo, Portimão - Junho

Distribuição ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! Habitats

Época de voo

sistemas lênticos

III.i.

fontes de informação

Lohr (2005)

JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ

52


Identificação

Os adultos têm cerca de 30 mm de comprimento total e são a única espécie de libelinhas que ocorre no

Algarve em que surgem, simultaneamente, as cores vermelha e azul. O MACHO tem os OLHOS vermelhos

(elemento de diagnóstico fundamental), sem manchas pós-oculares. No TÓRAX de machos e fêmeas as

faixas anteumerais são estreitas (elemento de diagnóstico) e da cor não negra dominante, podendo ser

completas ou incompletas; em geral são mais percetíveis na FÊMEA. No MACHO, a parte dorsal do AB-

DÓMEN entre S2 e S8 é escura e com reflexos metálicos; S9 e S10 são em azul intenso; em visão lateral, S2

e S8 são azuis, enquanto que S3 a S7 são, predominantemente, escuros.

Outras informações

Pode ser considerada uma ‘raridade’ no Algarve. A distribuição agora cartografada é mais ampla do que a

apresentada nas publicações referidas na Introdução deste Guia Digital e também por Boulot et al. 2009.

Índice Chave para Identificação Zygoptera Anisoptera Glossário

53


Ischnura graellsii

(Rambur, 1842) nome comum em inglês: Iberian Bluetail

Subordem: Zygoptera

Família: Coenagrionidae Subfamília: Ischnurinae

Estatuto de Conservação (EU27 Red List 2010): LC (Least Concern)

Tendência: Estável

macho adulto (a comer um inseto) - RNSCMVRSA - Março

Distribuição ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! Habitats

sist. lóticos simples

I.i. I.ii.

sist. lóticos complexos

II.i. II.ii. II.iii.

sistemas lênticos

III.i. III.ii. III.iii. III.iv.

sapais e salinas aband.

Época de voo

fontes de informação

Gardiner (1993)

Gardiner & Sturgess (1994)

Knijf & Demolder (2010)

Lohr (2005)

Malkmus & Ruf (2008)

McLachlan (1880)

Vieira et al. (2010)

Weihrauch & Weihrauch (2003)

JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ

54


Identificação

Os adultos têm cerca de 28 mm de comprimento total e aparência frágil. Na cabeça, as manchas pós-oculares

são muito reduzidas ou inexistentes. No MACHO há alguma heterogeneidade de tom; o TÓRAX é

predominantemente azul; faixas anteumerais negras e finas, podendo ser incompletas ou até inexistentes;

enquanto imaturo, o azul é pálido ou esverdeado; em visão dorsal, no ABDÓMEN todos os segmentos

são negros, eventualmente com reflexos metálicos acobreados, exceção feita para S8, que é azul (elemento

de diagnóstico fundamental); em visão lateral, S1 e S2 são azuis, S3 a S6 escuros ou acobreados, com

reflexos metálicos, S7, S9 e S10 parcialmente azuis, e S8 totalmente azul (elemento de diagnóstico);

apêndices abdominais muito reduzidos. As FÊMEAS têm três formas cromáticas: i. typica / violacea: muito

semelhante ao macho quando adulta; o tórax pode ser violeta ou lilás, particularmente se imatura; ii. infuscans:

as partes não negras da cabeça, do tórax e do abdómen (S8 incluído) são verde azeitona ou castanhas;

iii. rufescens: o tórax é cor de laranja e S8 é parcialmente azul. Em todas as formas, presença de

espinho vulvar pequeno em S8. As ASAS são proporcionalmente curtas, terminando a meio de S6 (elemento

de diagnóstico); no MACHO, o PTEROSTIGMA da ASA ANTERIOR é bicromático (elemento de diagnóstico

fundamental), escuro ou negro na metade proximal e quase branco na distal.

Outras informações

Uma das espécies com distribuição mais ‘alargada’ no Algarve, embora ocorra apenas na Península Ibérica

e no norte de África. Ver Identificação de I. pumilio. Espécie multivoltina (Corbet et al. 2006).

macho teneral - Nª Srª do Livramento - Fevereiro fêmea typica / violacea - RNSCMVRSA - Abril

fêmea rufescens - RNSCMVRSA - Abril cópula (fêmea infuscans) - Ribª de Odeleite - Maio

Índice Chave para Identificação Zygoptera Anisoptera Glossário

55


Ischnura pumilio

(Charpentier, 1825) nome comum em inglês: Small Bluetail

Subordem: Zygoptera

Família: Coenagrionidae Subfamília: Ischnurinae

Estatuto de Conservação (EU27 Red List 2010): LC (Least Concern)

Tendência: Estável

fêmea (a comer um inseto) - arrozal de Nª Srª do Rosário, Estômbar - Julho

Distribuição ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! Habitats

Época de voo

sist. lóticos simples

I.ii.

sistemas lênticos

III.i. III.ii. III.iii.

sapais e salinas aband.

fontes de informação

Knijf & Demolder (2010)

Lohr (2005)

JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ

56


Identificação

Os adultos têm cerca de 28 mm de comprimento total e aparência frágil. Na cabeça, manchas pós-oculares

azuis e bastante visíveis (elemento de diagnóstico). No MACHO o TÓRAX é predominantemente azul,

com faixas anteumerais negras bem evidentes (elemento de diagnóstico); enquanto imaturo, o azul é pálido;

há também uma linha negra incompleta na sutura interpleural e outra na metapleural; em visão

dorsal, no ABDÓMEN todos os segmentos são negros, com reflexos metálicos acobreados, exceção feita

para S9 (elemento de diagnóstico fundamental), que é predominantemente azul; em visão lateral, S1 e

S2 são azuis, S3 a S6 acobreados com reflexos metálicos, S7, S8 e S10 negros e azuis, e S9 total ou quase

totalmente azul (elemento de diagnóstico). A FÊMEA, enquanto imatura, é quase totalmente cor laranja

vivo, exceção feita para a parte dorsal do ABDÓMEN, escura ou acobreada em todos os segmentos, com

reflexos metálicos (elemento de diagnóstico fundamental - Askew (2004) designa-a como forma aurantiaca);

na adulta, o laranja é substituído pelo verde; na parte dorsal do abdómen as cores escura ou acobreada

com reflexos metálicos ficam mais alargadas. As ASAS são proporcionalmente pequenas e terminam

em S6. No MACHO, ASA POSTERIOR com PTEROSTIGMA bicromático (elemento de diagnóstico fundamental),

negro na metade proximal e branco na distal; PTEROSTIGMA da ASA ANTERIOR acinzentado e

de menor dimensão (elemento de diagnóstico).

Outras informações

Uma ‘raridade’ no Algarve. Ver Identificação de I. graellsii. Espécie bivoltina (Corbet et al. 2006).

macho imaturo (teneral) - RNSCMVRSA - Maio macho adulto - Lagoa de Budens - Março

fêmeas imaturas - arrozal de Nª Srª do Rosário, Estômbar - Julho

Índice Chave para Identificação Zygoptera Anisoptera Glossário

57


Pyrrhosoma nymphula

(Sulzer, 1776) nome comum em inglês: Large Red Damsel

Subordem: Zygoptera

Família: Coenagrionidae Subfamília: Coenagrioninae

Estatuto de Conservação (EU27 Red List 2010): LC (Least Concern)

Tendência: Estável

macho adulto - Fonte Filipe, Querença - Maio

Distribuição ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! Habitats

sist. lóticos simples

I.ii.

sist. lóticos complexos

II.i. II.ii. II.iii.

sistemas lênticos

III.i.

Época de voo

fontes de informação

Knijf & Demolder (2010)

Lohr (2005)

McLachlan (1880)

JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ

58


Identificação

Os adultos têm cerca de 35 mm de comprimento total e constituição robusta. Esta espécie e a C. tenellum

são as únicas libelinhas, entre todas as que ocorrem no Algarve, em que predominam as cores vermelha e

negra (elemento de diagnóstico). Todas as partes negras, dependendo da luz incidente, podem ter reflexos

metálicos em verde ou bronze escuro. Os OLHOS são vermelho-acastanhado e não existem manchas

pós-oculares. No TÓRAX, faixas anteumerais laranja-avermelhado; abaixo da sutura metapleural predomina

o amarelo (elemento de diagnóstico). O ABDÓMEN do MACHO é predominantemente vermelho,

com manchas negras ou verde-bronze e reflexos metálicos especialmente em S7, S8 e S9; em visão lateral

S1 é amarelo (elemento de diagnóstico); os apêndices superiores abdominais têm comprimento igual ou

superior a S10. As FÊMEAS podem ser de três formas: i. fulvipes, muito semelhante ao macho; ii. melanotum,

com o abdómen escuro e as faixas anteumerais amarelas; iii. typica, com coloração intermédia, entre

as duas formas anteriores); não têm espinho vulvar. PTEROSTIGMAS são negros e mais compridos do que

as células contíguas; PATAS são negras (outros elementos de diagnóstico).

Outras informações

Ocorre de forma alargada em toda a Europa e de forma localizada no norte de África. Distribuição ‘limitada’

no Algarve.

A observação nas encostas da Picota, Serra de Monchique, publicada por McLachlan (1880), é o primeiro

registo da ocorrência da espécie em Portugal continental (Ferreira et al. 2006).

macho adulto - Fóia, Monchique - Maio fêmea adulta, f. typica - Asseiceira, Cachopo - Abril

Índice Chave para Identificação Zygoptera Anisoptera Glossário

59


ZYGOPTERA

PLATYCNEMIDIDAE

A Família Platycnemididae é muito facilmente reconhecida pelo achatamento das tíbias

dos 2º e 3º pares de patas, mais evidente nos machos do que nas fêmeas; as patas

são de cor clara e as cerdas longas e numerosas.

São também elementos de diagnóstico fundamentais a cabeça muito larga, mais do que

o tórax, com uma faixa pós-ocular contínua, e, nas asas, as células discoidais praticamente

retangulares.

São libelinhas sem quaisquer reflexos metálicos, com predomínio das cores branca, por

vezes azulada, ou das alaranjada e negra. A sequência de faixas no tórax, castanhas

muito claras e negras, é outra caraterística identificadora da Família. Nas asas, a quase

totalidade das células é tetragonal e os pterostigmas são quadrados ou rombóides, nos

machos e nas fêmeas.

A distinção entre as duas Espécies que ocorrem no Algarve é particularmente simples,

no caso dos machos adultos, sendo feita com base na cor dominante do abdómen e

também por detalhes nas tíbias e apêndices abdominais. Nas fêmeas, pelo contrário, a

distinção é menos evidente e imediata, sendo determinante a observação das faixas negras

do tórax.

60


Platycnemis acutipennis

Selys, 1841 nome comum em inglês: Orange Featherleg

Subordem: Zygoptera

Família: Platycnemididae

Estatuto de Conservação (EU27 Red List 2010): LC (Least Concern) Endémica da EU27

Tendência: Estável

tandem - charca de Azia, Rogil - Maio

Distribuição ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! Habitats

Época de voo

sist. lóticos simples

I.ii.

sist. lóticos complexos

II.i. II.ii. II.iii.

sistemas lênticos

III.i.

fontes de informação

Knijf & Demolder (2010)

Lohr (2005)

McLachlan (1880)

Weihrauch & Weihrauch (2003)

JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ

61


Identificação

Os adultos têm cerca de 36 mm de comprimento total. No MACHO adulto os OLHOS são azuis (elemento

de diagnóstico); no teneral são castanhos; o TÓRAX é verde muito claro e, para além da faixa negra na carena

dorsal, destacam-se duas linhas negras paralelas (elemento de diagnóstico), uma sobre a sutura

umeral e outra imediatamente abaixo; o ABDÓMEN é cor de laranja, com marcas escuras de S7 a S9; os

apêndices abdominais superiores são bífidos e mais curtos do que os inferiores; as PATAS não são achatadas

como é caraterístico da Família, e são de cor verde pálido com uma linha fina negra a todo o comprimento.

A FÊMEA é predominantemente castanha clara ou laranja muito ténue; as duas linhas negras paralelas

no TÓRAX, muito semelhantes às do macho, são elemento de diagnóstico fundamental; no ABDÓ-

MEN há uma faixa negra dorsal bastante evidente e que se prolonga por quase todos os segmentos; as

tíbias são ligeiramente mais dilatadas do que as do macho.

Outras informações

Oviposição em tandem (ovip.TD). Espécie endémica da Europa, que ocorre apenas na Península Ibérica e

em França. Distribuição ‘alargada’ no Algarve. Os adultos podem observar-se nas proximidades dos volumes

de água, mas também a metros de distância dos mesmos.

A observação nas proximidades de São Marcos da Serra, publicada por McLachlan (1880), é o primeiro

registo da ocorrência da espécie em Portugal continental (Ferreira et al. 2006).

macho adulto - Ribeira do Vascão - Junho fêmea adulta - Fonte da Benémola - Maio

macho adulto - Fonte da Benémola - Maio macho imaturo (teneral) - Ribª do Vascão - Abril

Índice Chave para Identificação Zygoptera Anisoptera Glossário

62


Platycnemis latipes

Rambur, 1842 nome comum em inglês: White Featherleg

Subordem: Zygoptera

Família: Platycnemididae

Estatuto de Conservação (EU27 Red List 2010): LC (Least Concern) Endémica da EU27

Tendência: Estável

tandem - Moinho das Serralhas, Ribeira do Vascão - Junho

Distribuição ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! Habitats

Época de voo

sist. lóticos simples

I.ii.

sist. lóticos complexos

II.i. II.iii.

sistemas lênticos

III.i.

fontes de informação

Ferreira & Grosso-Silva (2006)

Knijf & Demolder (2010)

Lohr (2005)

JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ

63


Identificação

Os adultos têm cerca de 35 mm de comprimento total. No MACHO destaca-se a cor branca ou azul muito

clara (elemento de diagnóstico fundamental), predominante nos OLHOS e no ABDÓMEN; a face dorsal do

protórax é negra; o TÓRAX é castanho muito claro, exceção para a larga faixa negra na carena dorsal,

para a linha igualmente negra na sutura umeral e para outra linha muito fina, incompleta ou até inexistente,

entre as suturas umeral e interpleural; no ABDÓMEN, a parte dorsal de S6 a S9 é cinzenta ou negra

(elemento de diagnóstico), se bem que a extensão das manchas seja muito variável; as PATAS são acentuadamente

achatadas e dilatadas, brancas e com uma linha negra nos fémures (elemento de diagnóstico

fundamental); os apêndices abdominais superiores são pontiagudos e mais curtos do que os inferiores.

Na FÊMEA predomina também a coloração clara, quase branca, embora no TÓRAX o castanho seja mais

intenso (elemento de diagnóstico); os OLHOS são igualmente castanhos e as PATAS não são tão carateristicamente

achatadas e dilatadas. Machos e fêmeas têm PTEROSTIGMAS castanhos escuros.

Outras informações

Ocorre apenas na Península Ibérica e na parte sudoeste de França. Distribuição ‘alargada’ no Algarve,

com algumas populações muito numerosas. Oviposição em tandem (ovip.TD). Espécie univoltina (Corbet

et al. 2006).

macho adulto (à esquerda) - fêmea adulta (à direita) - Moinho das Serralhas, Ribeira do Vascão - Junho

macho adulto (à esquerda) - fêmea adulta (à direita) - Moinho das Serralhas, Ribeira do Vascão - Junho

Índice Chave para Identificação Zygoptera Anisoptera Glossário

64


ANISOPTERA

AESHNIDAE

No Algarve, a Família Aeshnidae está representada por três Géneros: Aeshna, Anax e

Boyeria.

Os adultos das diferentes Espécies têm dimensões apreciáveis, sempre acima de 60 mm

de comprimento. Aparentam ser insetos robustos e incansáveis, e a maior Odonata no

Algarve (Anax imperator) pertence a esta Família. Os machos são voadores ativos e,

quando pousados, ficam na vertical. As fêmeas dispõem de um pequeno ovipositor, o

que não é muito comum entre os Anisoptera.

Predominam as faixas oblíquas e as manchas de cores azuis, verdes e amarelas no tórax

e no abdómen dos insetos adultos, sobre ‘fundos’ castanhos ou cinzentos escuros.

Algumas Espécies têm comportamentos migratórios e, consequentemente, surgem picos

de registos de observações no final do verão e início do outono. A costa sudoeste

algarvia parece integrar uma rota preferencial de passagem. A complexa temática das

migrações das Odonata é ainda muito ‘quente’ no contexto da investigação científica.

65


Aeshna cyanea

(Müller, 1764) nome comum em inglês: Blue Hawker

Subordem: Anisoptera

Família: Aeshnidae

Estatuto de Conservação (EU27 Red List 2010): LC (Least Concern)

Tendência: Estável

fêmea adulta - Barranco do Inferno - Novembro (fotografia de João Tiago Tavares)

Distribuição ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! Habitats

Época de voo

sist. lóticos simples

I.ii.

sist. lóticos complexos

II.i.

fontes de informação

Malkmus & Ruf (2008)

JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ

66


Identificação

Os adultos têm cerca de 72 mm de comprimento total. OLHOS predominantemente azuis no MACHO

adulto, castanhos na FÊMEA. No TÓRAX de ambos, que é castanho escuro, faixas anteumerais verdes e

largas (elemento de diagnóstico); em visão lateral, duas faixas oblíquas, também verdes e muito estendidas.

No MACHO adulto, aurículas azuis; no ABDÓMEN, em visão dorsal, nos quartos posteriores de S2 a

S7 destacam-se duas manchas verdes por segmento; em S8 as duas manchas são azuis; em S9 e S10 o azul

é mais estendido (elemento de diagnóstico); em visão lateral, observam-se também manchas azuis, mas

nos quartos anteriores de S2 a S8. Na FÊMEA, o padrão das manchas abdominais é semelhante, mas sempre

de cor verde-amarelada (elemento de diagnóstico). Nas ASAS, de membranas incolores, PTEROS-

TIGMAS escuros e curtos; no macho, a membrânula termina antes do limite posterior do triângulo anal, o

qual tem pelo menos três células.

Outras informações

Filogeneticamente parece ser bastante distinta das restantes Aeshna sp. Pode ser considerada uma ‘raridade’

no Algarve. Ovip.AF. Espécie semivoltina (Corbet et al. 2006).

Índice Chave para Identificação Zygoptera Anisoptera Glossário

67


Aeshna isoceles

(Müller, 1767) nome comum em inglês: Green-eyed Hawker

Subordem: Anisoptera

Família: Aeshnidae

Estatuto de Conservação (EU27 Red List 2010): LC (Least Concern)

Tendência: Estável

Distribuição ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! Habitats

Época de voo

sistemas lênticos

III.ii.

fontes de informação

Gardiner & Wallis (1996)

JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ

Identificação

Os adultos têm cerca de 64 mm de comprimento total. Predomina o castanho avermelhado em todo o

corpo (elemento de diagnóstico); no ABDÓMEN não se observa o padrão de cores caraterístico do Género

nem surgem partes em azul e/ou verde. No MACHO, e também na FÊMEA, os OLHOS são verdes (elemento

de diagnóstico), a fronte e peças bucais amarelas; no TÓRAX existem, em visão lateral, duas faixas

oblíquas amarelas pouco percetíveis; no ABDÓMEN, em visão dorsal e a todo o comprimento de S2, destaca-se

um triângulo amarelo (elemento de diagnóstico); os PTEROSTIGMAS são alaranjados. No MACHO,

no triângulo anal da ASA POSTERIOR, contíguo à membrânula que é bastante alongada e cinzenta escura,

sobressai um alinhamento de membranas alares cor-de-laranja (elemento de diagnóstico).

Outras informações

Por vezes designada como Aeshna isosceles. Pode ser considerada uma ‘raridade’ no Algarve, onde deverá

ser a Aeshna sp. mais temporã. O único registo para o Algarve ocorreu no ano de 1995; no entanto, Boulot

et al. 2009 assinalam a sua ocorrência no litoral oeste da região. Ovip.AF.

Índice Chave para Identificação Zygoptera Anisoptera Glossário

68


Aeshna mixta

Latreille, 1805 nome comum em Inglês: Migrant Hawker

Subordem: Anisoptera

Família: Aeshnidae

Estatuto de Conservação (EU27 Red List 2010): LC (Least Concern)

Tendência: Aumento

macho adulto - Quinta do Lago, Almansil - Outubro

Distribuição ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! Habitats

sist. lóticos simples

I.ii.

sist. lóticos complexos

II.i. II.ii.

sistemas lênticos

III.i. III.ii.

afastado de v. de água

Época de voo

fontes de informação

Gardiner (1993)

Gardiner & Sturgess (1994)

Lohr (2005)

Malkmus & Ruf (2008)

JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ

69


Identificação

Os adultos têm cerca de 62 mm de comprimento total. O MACHO tem a fronte e peças bucais brancas, e

os OLHOS total ou parcialmente azuis; o TÓRAX é acastanhado e, em visão lateral, mostra duas faixas

oblíquas amarelas; o ABDÓMEN é profusamente colorido de amarelo e azul, sobre ‘fundo’ castanho (elemento

de diagnóstico fundamental); em visão dorsal, S1 é castanho, em S2 destaca-se, no eixo dorsal, um

triângulo amarelo e na parte posterior um anel azul (elemento de diagnóstico); S3 tem, no quarto posterior,

duas manchas azuis; entre S4 e S8 repetem-se, no quarto anterior, duas diminutas manchas amarelas

e, no posterior, duas grandes manchas azuis; em S9 e S10 só se observam as manchas azuis, mais pálidas

e esverdeadas; em visão lateral, em S1 há uma faixa amarela, em S2 e S3 predomina o azul, entre S4 e S8

a metade anterior é azul e na posterior observa-se o limite das manchas dorsais; S9 e S10 são castanhos

escuros e observam-se as manchas dorsais. A FÊMEA é semelhante mas o azul é parcialmente substituído

pelo amarelo esverdeado, e as partes castanhas são mais dominantes. Em ambos, os apêndices abdominais

são negros e longos, praticamente do mesmo comprimento do que S9 e S10. O apêndice abdominal

inferior, no macho, é mais claro e facilmente percetível, em visão dorsal (elemento de diagnóstico); na

fêmea, os apêndices abdominais têm, no conjunto, diâmetro inferior ao do abdómen. Os PTEROSTIGMAS

são escuros e estendem-se por três células alares; no macho, o triângulo alar tem três células.

Outras informações

Distribuição ‘alargada’ no Algarve; particularmente frequente no final do verão e início do outono, em

parte devido aos ocasionais acréscimos de exemplares durante as migrações; pode, igualmente, ser observada

em cópula e oviposição. Ovip.AF. Espécie univoltina (Corbet et al. 2006).

fêmea adulta - Qtª das Flores, Estoi - Outubro cópula - Fonte da Benémola, Querença - Outubro

fêmea a ovipositar - Qtª das Flores - Outubro macho imaturo - Qtª das Flores - Junho

Índice Chave para Identificação Zygoptera Anisoptera Glossário

70


Anax ephippiger

(Burmeister, 1839) nome comum em inglês: Vagrant Emperor

Subordem: Anisoptera

Família: Aeshnidae

Estatuto de Conservação (EU27 Red List 2010): LC (Least Concern)

Tendência: Estável

macho imaturo - Barragem do Pereiro - Abril

Distribuição ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! Habitats

sistemas lênticos

III.i. III.iii.

sapais e salinas aband.

afastado de v. de água

Época de voo

fontes de informação

Gardiner & Sturgess (1995)

Gardiner & Wallis 1996)

Lohr (2005)

JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ

71


Identificação

Os adultos têm cerca de 64 mm de comprimento total. OLHOS castanhos na parte superior e amarelos ou

amarelos esverdeados na inferior (elemento de diagnóstico). No MACHO adulto, TÓRAX castanho sem

faixas anteumerais; no ABDÓMEN, S1 é castanho; S2 com anel anterior castanho claro no limite anterior,

azul vivo na restante parte (elemento de diagnóstico fundamental); eventualmente o azul pode desvanecer-se

na parte anterior de S3; S3 a S7 são castanhos, eventualmente castanho-esverdeado, com manchas

mais escuras ao longo do eixo dorsal; S8 a S10 dorsalmente mais escuros, mas com manchas amareladas

(elemento de diagnóstico). Na FÊMEA, o azul intenso de S2 é substituído por uma tonalidade lilás discreta

(elemento de diagnóstico). Em ambos, apêndices abdominais castanhos. ASAS com nervação anterior

amarela, PTEROSTIGMAS longos e castanhos claros; membrânulas cinzentas ou esbranquiçadas.

Outras informações

Por vezes designada como Hemianax ephippiger. Distribuição ‘limitada’ no Algarve, ocorrendo particularmente

no final do verão e início do outono, em consequência do intenso comportamento migratório

caraterístico da espécie (Askew 2004), referido como sendo obrigatório por Corbet (2004). Deverá reproduzir-se,

pelo menos esporadicamente, no Algarve.

fêmea adulta - charca de Penteadeiros, Martim Longo - Junho

Índice Chave para Identificação Zygoptera Anisoptera Glossário

72


Anax imperator

Leach, 1815 nome comum em Inglês: Blue Emperor

Subordem: Anisoptera

Família: Aeshnidae

Estatuto de Conservação (EU27 Red List 2010): LC (Least Concern)

Tendência: Aumento

macho adulto - Morgado do Reguengo, Portimão - Outubro

Distribuição ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! Habitats

sist. lóticos simples

I.ii.

sist. lóticos complexos

II.i. II.ii. II.iii.

sistemas lênticos

III.i. III.ii. III.iii. III.iv.

sapais e salinas aband.

Época de voo

fontes de informação

Gardiner (1993)

Gardiner & Sturgess (1994)

Knijf & Demolder (2010)

Lohr (2005)

Vieira et al. (2010)

Weihrauch & Weihrauch (2003)

JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ

73


Identificação

Espécie quase inconfundível pela sua dimensão e pelo voo rápido bastante exposto. O MACHO adulto

tem cerca de 76 mm de comprimento total e é a maior Odonata no Algarve; a FÊMEA é ligeiramente mais

pequena. OLHOS azuis na parte superior e amarelos esverdeados na inferior; eventualmente castanhos na

fêmea jovem e verdes na adulta. A fronte do MACHO, em visão dorsal, é também azul. TÓRAX, em visão

dorsal, na parte anterior às asas, castanho esverdeado; não existem faixas anteumerais mas no macho

adulto observam-se duas evidentes faixas azuis (elemento de diagnóstico) imediatamente anteriores à inserção

das asas; em visão lateral, tórax é verde (elemento de diagnóstico fundamental). No ABDÓMEN,

S1 é verde ou azul; S2 a S10 predominante e intensamente azuis (elemento de diagnóstico fundamental),

com manchas regulares negras ao longo do eixo dorsal, e também na metade inferior, quando em visão

lateral; no adulto imaturo, o azul pode ter ainda uma tonalidade esverdeada. Na FÊMEA, as partes a azul

são bastante mais limitadas e podem ser parcial ou totalmente verdes. Apêndices abdominais escuros; o

inferior é bastante mais curto do que os superiores. ASAS incolores no macho, levemente verdes na fêmea

adulta; no macho, a ASA POSTERIOR tem membrânula mas o ângulo anal não é sobressaliente (elemento

de diagnóstico), assemelhando-se ao da fêmea.

Outras informações

Distribuição ‘alargada’ no Algarve, bem como por toda a Europa e norte de África. Ovip.AF (elemento de

diagnóstico).

oviposição - charca de Azia, Rogil - Maio

macho - Barr. de Vale de Asno - Maio macho a comer um S. fonscolombii - Morg. Reguengo - Outubro

Índice Chave para Identificação Zygoptera Anisoptera Glossário

74


Anax parthenope

(Selys, 1839) nome comum em inglês: Lesser Emperor

Subordem: Anisoptera

Família: Aeshnidae

Estatuto de Conservação (EU27 Red List 2010): LC (Least Concern)

Tendência: Aumento

macho adulto - Barragem de Vale de Asno, Altura - Julho

Distribuição ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! Habitats

Época de voo

sistemas lênticos

III.i. III.iii. III.iv.

sapais e salinas aband.

fontes de informação

Gardiner (1993)

Gardiner & Sturgess (1994)

JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ

75


Identificação

Os adultos têm cerca de 70 mm de comprimento total. OLHOS predominantemente verdes. TÓRAX castanho

ou castanho esverdeado e sem faixas anteumerais. No ABDÓMEN, S1 é castanho; S2 tem no limite

anterior um evidente anel amarelo (elemento de diagnóstico fundamental) e a restante parte é azul

(elemento de diagnóstico); S3 tem um triângulo castanho dorsal, é azul na restante parte anterior do

segmento e castanho na parte posterior; S4 a S10 são castanhos ou castanhos esverdeados com manchas

regulares mais escuras; eventualmente podem tem uma tonalidade azulada. MACHO e FÊMEA são muito

semelhantes; os apêndices abdominais são o principal elemento de diferenciação, salvo se for possível

observar a existência ou não de órgãos genitais secundários. ASAS podem ter uma ligeira tonalidade esverdeada

ou amarela acastanhada, mais percetível na parte central; PTEROSTIGMAS castanhos ou castanhos

alaranjados; membrânula estreita e longa.

Outras informações

Distribuição ‘limitada’ no Algarve; desperta curiosidade o facto de nenhuma das publicações referidas na

Introdução deste Guia Digital assinalar a ocorrência da espécie, exceção feita para os Reports de ‘A Rocha’,

relativos à zona da Quinta da Rocha / Ria de Alvor, Portimão, e datados da década de 1990. Em oposição,

Boulot et al. 2009 assinalam a sua ocorrência pela região, em posições concordantes com as agora

cartografadas. Ovip.TD (elemento de diagnóstico).

machos adultos - charca pequna de Viçoso, Martim Longo - Morgado do Reguengo, Portimão - Setembro

Índice Chave para Identificação Zygoptera Anisoptera Glossário

76


Boyeria irene

(Fonscolombe, 1838) nome comum em inglês: Western Spectre

Subordem: Anisoptera

Família: Aeshnidae

Estatuto de Conservação (EU27 Red List 2010): LC (Least Concern)

Tendência: Estável

macho adulto - Ribeira da Perna da Negra - Julho

Distribuição ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! Habitats

Época de voo

sist. lóticos simples

I.ii.

sist. lóticos complexos

II.i. II.ii. II.iii.

fontes de informação

Knijf & Demolder (2010)

Lohr (2005)

JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ

77


Identificação

Os adultos têm cerca de 67 mm de comprimento total. OLHOS verdes no macho, acastanhados na fêmea.

O TÓRAX e o ABDÓMEN são, pode-se afirmar, como um ‘camuflado militar’ (elemento de diagnóstico),

tanto no macho como na fêmea. Predominam complexos padrões de manchas, no MACHO com tonalidades

esverdeadas, na FÊMEA acastanhadas. As FÊMEAS têm duas formas: typica, com os apêndices abdominais

superiores bastante longos, 3x o comprimento de S10, e brachycerca, com os apêndices abdominais

superiores do comprimento de S10. Nas ASAS, os PTEROSTIGMAS são relativamente longos e estendem-se

por quatro células contíguas; as extremidades distais podem ser parcialmente pigmentadas de castanho

(elemento de diagnóstico).

Outras informações

Na identificação da B. irene, o habitat e o comportamento em voo são elementos de diagnóstico fundamentais.

A espécie tem preferência acentuada por troços sombrios nos cursos de água e os machos fazem

voos rápidos, retilíneos e longos, próximo da superfície da água e da margem. Só ocasionalmente são vistos

em troços longos e expostos à luz solar direta. Parecem ser mais ativos durante as primeiras horas da

manhã e as últimas da tarde. Os nomes comuns em alemão Geist Libelle e em inglês Twilight Dragonfly

são bem expressivos das caraterísticas referidas. Distribuição ‘limitada’ no Algarve. Espécie semivoltina

(Corbet et al. 2006).

macho adulto - Pêgo do Inferno, Tavira - Junho fêmea adulta f. brachycerca - Ribª de Seixe - Agosto

Índice Chave para Identificação Zygoptera Anisoptera Glossário

78


ANISOPTERA

GOMPHIDAE

A Família Gomphidae está representada, no Algarve, por seis Espécies; uma, no entanto,

deve aceitar o estatuto de ‘a requerer confirmação’. Nos Gomphus há cinco faixas no

tórax, em visão lateral, que devem ser contadas e numeradas a partir da carena dorsal.

São fundamentais para a identificação das três Espécies.

São insetos que, pela dimensão e pelas cores amarela ou verde e negra do corpo, chamam

a atenção do naturalista e do fotógrafo de natureza. Os segmentos posteriores e

os apêndices abdominais dos machos, em especial os das Espécies com distribuições

mais ‘alargadas’ e populações mais numerosas, são incomuns e não passam desapercebidos.

Em simultâneo, a Gomphidae é a Família de Odonata com maior comprimento total

médio e em que os machos adultos adoptam o comportamento descrito como de ‘vigilantes

persistentes’. Consequentemente, são mais fáceis de observar do que os insetos

de outras Famílias de Anisoptera.

Os Gomphidae, quando na fase adulta, têm vida breve; as larvas, em oposição, têm um

período de desenvolvimento bastante prolongado. Mesmo assim, os adultos podem ser

observados em locais apreciavelmente afastados dos cursos de água onde se reproduzem.

Não ocorre oviposição em tandem e as fêmeas depositam os ovos em voo.

79


Gomphus graslinii

Rambur, 1842 nome comum em inglês: Pronged Clubtail

Subordem: Anisoptera

Família: Gomphidae

Est. Cons. (EU27 R.L. 2010): NT (Near Threatened) Endémica da EU27 DH An. B-IV

Tendência: Decréscimo

Distribuição ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! Habitats

Época de voo

sist. lóticos simples

I.ii.

sist. lóticos complexos

II.i.

fontes de informação

Knijf & Demolder (2010)

Lohr (2005)

Vieira et al. (2010)

JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ

Identificação

Os adultos têm cerca de 48 mm de comprimento total. OLHOS azuis; fronte amarela. No TÓRAX, em visão

lateral, primeira e segunda (a partir da carena dorsal) faixas negras quase se tocam dorsalmente, junto à

carena; segunda faixa negra muito mais próxima da terceira do que da primeira, e bastante mais larga do

que a faixa amarela entre a segunda e terceira faixas negras. Quarta faixa negra visível apenas até ao nível

do metastigma (elementos de diagnóstico fundamentais). No MACHO, no ABDÓMEN, aurículas em S2;

quase não há dilatação em S8 e S9; todos os segmentos com manchas amarelas dorsais. Apêndices abdominais

superiores de comprimento semelhante a S10, notoriamente bifurcados (elemento de diagnóstico)

e sem curvatura para baixo. Nas ASAS, triângulos constituídos por uma única célula; entre sete ou

oito e dez nervuras postnodais perpendiculares, até ao pterostigma; PTEROSTIGMAS das asas anteriores

ligeiramente mais curtos do que os das posteriores. PATAS com linhas amarelas apenas nos fémures.

Outras informações

Espécie com distribuição muito limitada, restrita apenas a alguns locais em Portugal, Espanha e França.

Uma ‘raridade’ no Algarve.

Índice Chave para Identificação Zygoptera Anisoptera Glossário

80


Gomphus pulchellus

Selys, 1840 nome comum em inglês: Western Clubtail

Subordem: Anisoptera

Família: Gomphidae

Estatuto de Conservação (EU27 Red List 2010): LC (Least Concern) Endémica da EU27

Tendência: Estável

macho adulto - Ribeira do Vascão, prox. de Stª Cruz - Junho

Distribuição ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! Habitats

sist. lóticos simples

I.ii.

sist. lóticos complexos

II.i.

sistemas lênticos

III.i. III.iii.

afastado de v. de água

Época de voo

fontes de informação

Gardiner & Sturgess (1995)

Knijf & Demolder (2010)

Lohr (2005)

McLachlan (1880)

Vieira et al. (2010)

Weihrauch & Weihrauch (2003)

JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ

81


Identificação

Os adultos têm cerca de 48 mm de comprimento total. OLHOS azuis acinzentados; fronte amarela. No

TÓRAX, em visão lateral, todas as faixas negras são finas (elementos de diagnóstico fundamentais); a faixa

amarela entre as duas faixas negras da parte anterior do tórax é muito mais larga do que a primeira

faixa negra (a contígua à carena dorsal); segunda faixa negra pode ser incompleta e é sempre muito mais

fina do que a faixa amarela entre as segunda e terceira faixas negras; quarta faixa negra percorre toda a

face lateral do tórax e tem uma curvatura muito percetível (elemento de diagnóstico fundamental) acima

do metastigma. No ABDÓMEN, não há ou é mínima a dilatação em S8 e S9; todos os segmentos com

manchas amarelas dorsais. No MACHO, apêndices abdominais superiores de comprimento semelhante a

S10, ligeiramente bifurcados nas extremidades e a apontarem para fora (elemento de diagnóstico), mas

sem curvatura para baixo. Nas ASAS, triângulos constituídos por uma única célula; entre sete ou oito e

dez nervuras postnodais perpendiculares, até ao pterostigma; PTEROSTIGMAS das asas anteriores ligeiramente

mais curtos do que os das posteriores; ângulo anal relativamente pronunciado. PATAS com linhas

amarelas nos fémures e tíbias.

Outras informações

Ampla distribuição por Portugal, Espanha, França e Alemanha; distribuição ‘limitada’ no Algarve. Ovip.PR

ou ovip.AF.

macho adulto - Ribª do Vascão - Junho macho adulto - Ribª do Leitejo, Bernalflor - Abril

teneral - charca de Balurco de Cima - Abril macho adulto - Ribª do Vascão - Junho

Índice Chave para Identificação Zygoptera Anisoptera Glossário

82


Gomphus simillimus

Selys, 1840 nome comum em inglês: Yellow Clubtail

Subordem: Anisoptera

Família: Gomphidae

Estatuto de Conservação (EU27 Red List 2010): NT (Near Threatened)

Tendência: Decréscimo

Distribuição ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! Habitats

Época de voo

sist. lóticos complexos

II.i.

fontes de informação

Weihrauch & Weihrauch (2003)

JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ

Identificação

Os adultos têm cerca de 48 mm de comprimento total. OLHOS azuis esverdeados; fronte esverdeada. No

TÓRAX, em visão lateral, faixa amarela entre as segunda e terceira faixas negras (contadas a partir da carena

dorsal) de espessura semelhante à da segunda faixa negra; quarta faixa negra surge apenas entre a

base do tórax e um nível ligeiramente acima do metastigma. No ABDÓMEN, dilatação em S8 e S9 (elemento

de diagnóstico particularmente útil na diferenciação com G. graslinii); todos os segmentos com

manchas amarelas dorsais. No MACHO, apêndices abdominais superiores a apontar para fora mas sem serem

bifurcados nas extremidades (elemento de diagnóstico particularmente útil na diferenciação com G.

graslinii). Nas ASAS, triângulos constituídos por uma única célula; mais de dez nervuras postnodais perpendiculares,

até ao pterostigma (elemento de diagnóstico); PTEROSTIGMAS das asas anteriores ligeiramente

mais curtos do que os das posteriores; no macho, ângulo anal relativamente pronunciado. PATAS

com linhas amarelas finas nos fémures e tíbias.

Outras informações

Pode ser considerada uma ‘raridade’ no Algarve ou, até, espécie ‘a requerer confirmação’ de ocorrência.

Índice Chave para Identificação Zygoptera Anisoptera Glossário

83


Onychogomphus forcipatus unguiculatus

(Linnaeus, 1758) Vander Linden, 1823 nome comum em inglês: Small Pincertail

Subordem: Anisoptera

Família: Gomphidae

Estatuto de Conservação (EU27 Red List 2010): LC (Least Concern)

Tendência: Estável

macho adulto - Moinhos da Rocha, Ribeira da Asseca, Tavira - Junho

Distribuição ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! Habitats

Época de voo

sist. lóticos simples

I.ii.

sist. lóticos complexos

II.i. II.iii.

sistemas lênticos

III.i.

fontes de informação

Knijf & Demolder (2010)

Lohr (2005)

McLachlan (1880)

Vieira et al. (2010)

Weihrauch & Weihrauch (2003)

JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ

84


Identificação

Os adultos têm cerca de 48 mm de comprimento total. OLHOS azuis; a cabeça, atrás dos olhos, é negra,

com dois pontos amarelos. No TÓRAX e no ABDÓMEN as cores negras e amarelas estão muito bem delimitadas

e são as únicas presentes (elemento de diagnóstico). No TÓRAX, em visão lateral, faixa amarela

entre as segunda e terceira faixas negras (contadas a partir da carena dorsal) é mais larga do que a terceira

faixa negra (elemento de diagnóstico); quarta faixa negra é interrompida a meia altura e acima dela

surge uma mancha negra bastante percetível (elemento de diagnóstico fundamental para a espécie e,

simultaneamente, para a ssp. unguiculatus). No ABDÓMEN, aurículas amarelas e dilatação nos segmentos

posteriores, a começar em S7; todos os segmentos com manchas amarelas, dorsalmente diminutas em S8

e S9. No MACHO, apêndices abdominais superiores notoriamente longos e bastante curvados, sobrepondo-se

na extremidade; inferior com o mesmo comprimento dos superiores. Também no MACHO, na ASA

POSTERIOR, loop anal com duas ou três células, triângulo constituído por uma só célula; triângulo anal

com três células (elemento de diagnóstico fundamental); PTEROSTIGMAS muito escuros ou mesmo negros.

PATAS predominantemente negras; apenas as metades proximais dos fémures não são negras.

Outras informações

Distribuição ‘alargada no Algarve’. Necessita de locais com água permanente para se reproduzir mas manifesta

tolerância pelas condicionantes caraterísticas dos sistemas lóticos complexos próprios da região.

Espécie semivoltina (Corbet et al. 2006).

macho jovem - Ribª de Odeleite - Maio macho adulto - Moinhos da Rocha - Junho

macho adulto - Moinhos da Rocha - Junho fêmea adulta - Moinhos da Rocha - Junho

Índice Chave para Identificação Zygoptera Anisoptera Glossário

85


Onychogomphus uncatus

(Charpentier, 1840) nome comum em inglês: Large Pincertail

Subordem: Anisoptera

Família: Gomphidae

Estatuto de Conservação (EU27 Red List 2010): LC (Least Concern)

Tendência: Estável

macho adulto - Ribeira da Perna da Negra - Julho

Distribuição ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! Habitats

sist. lóticos simples

I.ii.

sist. lóticos complexos

II.i. II.ii.

Época de voo

fontes de informação

Knijf & Demolder (2010)

Lohr (2005)

JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ

86


Identificação

Os adultos têm cerca de 50 mm de comprimento total. OLHOS azuis esverdeados; a cabeça, atrás dos

olhos, é totalmente negra. No TÓRAX e no ABDÓMEN as cores negras e amarelas estão muito bem delimitadas

e são as únicas presentes (elemento de diagnóstico). No TÓRAX, em visão lateral, as segunda e terceira

faixas negras (contadas a partir da carena dorsal) são bastante largas, bastante mais do que a fina

faixa amarela existente entre elas (elemento de diagnóstico). No ABDÓMEN, aurículas amarelas e dilatação

moderada nos segmentos posteriores; todos os segmentos com manchas amarelas, dorsalmente diminutas

em S9. No MACHO, apêndices abdominais superiores notoriamente longos e bastante curvados,

sem sobreposição na extremidade; inferior com o mesmo comprimento dos superiores. Também no MA-

CHO, na ASA POSTERIOR, loop anal com duas ou três células, triângulo constituído por uma só célula; triângulo

anal com quatro células (elemento de diagnóstico fundamental); PTEROSTIGMAS muito escuros

ou mesmo negros. PATAS predominantemente negras.

Outras informações

Distribuição ‘limitada’ no Algarve. Preferência por pequenos cursos de água com velocidades médias a

rápidas, e vegetação nas margens proporcionando muitas sombras. Para concluir o ciclo de vida, preferência

por sistemas lóticos simples; esta deverá ser uma das justificações para a distribuição diferenciada

das duas espécies do Género Onychogomphus. Espécie semivoltina ou partivoltina (Corbet et al. 2006).

macho adulto - Lajeado, Monchique - Junho

fêmea adulta - Ribeira das Canas - Junho teneral - Ribeira de Odelouca - Maio

Índice Chave para Identificação Zygoptera Anisoptera Glossário

87


Paragomphus genei

(Selys, 1841) nome comum em inglês: Green Hooktail

Subordem: Anisoptera

Família: Gomphidae

Estatuto de Conservação (EU27 Red List 2010): LC (Least Concern)

Tendência: Estável

Distribuição ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! Habitats

Época de voo

sist. lóticos complexos

II.i.

fontes de informação

Vieira et al. (2010)

Weihrauch & Weihrauch (2003)

JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ

Identificação

Os adultos têm cerca de 44 mm de comprimento total e são os mais pequenos Gomphidae que ocorrem

no Algarve. OLHOS e fronte esverdeadas. TÓRAX verde (elemento de diagnóstico), com faixas escuras e

finas. ABDÓMEN em tons claros e escuros de castanho; dilatação muito caraterística em S8 e S9 (elemento

de diagnóstico fundamental), com protuberâncias que se assemelham a pequenos ‘lemes’ alares. No

MACHO, apêndices abdominais superiores notoriamente longos e curvados para baixo; inferior com metade

do comprimento dos superiores. Também no MACHO, na ASA POSTERIOR, triângulo constituído por

uma só célula; cinco ou seis nervuras postnodais perpendiculares, até ao pterostigma (elemento de diagnóstico);

ângulo anal relativamente pronunciado. PATAS acastanhadas.

Outras informações

Pode ser considerada uma ‘raridade’ no Algarve. Espécie caraterística do norte de África, onde ocorre em

sistemas lênticos, muitas vezes temporários e de pequenas dimensões.

Índice Chave para Identificação Zygoptera Anisoptera Glossário

88


ANISOPTERA

CORDULEGASTRIDAE

A família Cordulegastridae está representada, no Algarve, por uma única espécie e o

número de registos é diminuto.

As exigências de habitat são, certamente, um fator limitante a considerar: são insetos

de sistemas lóticos e as suas larvas têm um período de crescimento prolongado (espécies

semivoltinas ou partivoltinas); consequentemente, a distribuição da Cordulegaster

boltonii está dependente de sistemas lóticos simples ou sistemas lóticos complexos em

que a temperatura da água não atinja valores apreciáveis. Ferreras-Romero & Cano-Villegas

(2004), em ‘Los Alcornocales’, Andaluzia, lat. 36º30’N, referem que as larvas desta

espécie predominam nas cabeceiras dos cursos de água, em zonas montanhosas com

vegetação arbórea.

Os adultos evidenciam uma preferência por pequenos cursos de água com vegetação

nas margens. Os machos são ‘territoriais efémeros’ e as fêmeas depositam os ovos sobre

sedimentos finos nas margens dos cursos de água.

89


Cordulegaster boltonii

(Donovan, 1807) nome comum em inglês: Common Goldenring

Subordem: Anisoptera

Família: Cordulegastridae

Estatuto de Conservação (EU27 Red List 2010): LC (Least Concern)

Tendência: Estável

fêmea adulta ssp. iberica - Feteira, Tavira - Junho (fotografia de João Tiago Tavares)

Distribuição ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! Habitats

Época de voo

sist. lóticos simples

I.ii.

sist. lóticos complexos

II.ii.

afastado de v. de água

fontes de informação

Knijf & Demolder (2010)

Lohr (2005)

JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ

90


Identificação

O macho adulto tem cerca de 76 mm de comprimento total e a fêmea adulta cerca de 82 mm. Fronte

amarela, com uma faixa horizontal a meio; OLHOS verdes; parte posterior e inferior da cabeça negra, com

uma fina linha contígua à parte inferior dos olhos. Peças bucais amarelas. No TÓRAX, cinzento escuro,

faixas anteumerais amarelas; em visão lateral, há mais duas faixas amarelas largas e, entre elas, uma fina e

igualmente amarela (elemento de diagnóstico fundamental). No ABDÓMEN, em visão dorsal, S1 é cinzento

escuro, entre S1 e S2 há um anel amarelo; entre S3 e S9 há duas faixas amarelas que se prolongam lateralmente

com uma curvatura anterior; S10 é cinzento escuro. Apêndices abdominais superiores, no MA-

CHO, negros, a apontar para o exterior, com comprimentos semelhantes ou ligeiramente inferiores a S10,

e com um pequeno ‘dente’ na face ventral. Na FÊMEA adulta o ovipositor é bastante longo, com comprimento

semelhante a S9+S10, negro, e muito percetível no limite posterior do abdómen (elemento de diagnóstico

fundamental). Na ASA POSTERIOR do macho, triângulo anal com, em geral, cinco células (elemento

de diagnóstico). PTEROSTIGMAS bastante compridos, prolongando-se por cinco ou seis células

contíguas, e muito estreitos (elemento de diagnóstico); membrânulas cinzentas claras.

Outras informações

Uma ‘raridade’ no Algarve. São reconhecidas quatro subespécies distintas. Askew (2004) lista-as como

boltonii, trinacriae, immaculifrons e algirica. Dijkstra & Lewington (2010) e Boulot et al. 2009 não mencionam

a ssp. trinacriae mas, em alternativa, referem a iberica. O número de registos confirmados na região é

muito diminuto; a ssp. que deverá ocorrer, de acordo com Boulot et al. 2009, é a iberica.

Índice Chave para Identificação Zygoptera Anisoptera Glossário

91


ANISOPTERA

CORDULIIDAE

A Família Corduliidae distingue-se pelo comportamento bastante territorial dos machos

adultos. Percorrem repetidamente troços relativamente calmos de cursos de água

com vegetação abundante nas margens, independentemente de estarem ou não expostos

à luz solar direta. Voam nas proximidades das margens, não muito acima do nível da

água.

As larvas de Oxygastra curtisii, à semelhança das de Macromia splendens, necessitam de

sistemas lóticos para se desenvolverem, ocupando zonas de correntes moderadas ou

reduzidas. As exuviae podem encontrar-se nas rochas, por vezes em concavidades e reentrâncias

protegidas, entre 30 cm e 1 metro de altura; podem também ser encontradas

em vegetação baixa, próxima das margens.

No Algarve, a Família Corduliidae está representada por uma única Espécie.

92


Oxygastra curtisii

(Dale, 1834) nome comum em inglês: Orange-spotted Emerald

Subordem: Anisoptera

Família: Corduliidae

Estatuto de Conservação (EU27 Red List 2010): NT (Near Threatened) DH An. B-IV

Tendência: Estável

macho adulto - Ribeira de Alportel - Maio

Distribuição ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! Habitats

sist. lóticos simples

I.ii.

sist. lóticos complexos

II.i. II.ii. III.iii.

Época de voo

fontes de informação

Knijf & Demolder (2010)

Lohr (2005)

Weihrauch & Weihrauch (2003)

JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ

93


Identificação

Os adultos têm cerca de 50 mm de comprimento total. OLHOS e fronte verdes. ABDÓMEN delgado e significativamente

longo, com manchas dorsais amarelas entre S1 e S7; S10 com uma ‘crosta’ dorsal amarela

bastante percetível. Apêndices superiores do macho mais curtos do que S9+S10 e terminando cada

um com uma ponta curvada para baixo e para o exterior; apêndice inferior robusto. Na fêmea apêndices

diminutos. Membranas das ASAS predominantemente transparentes, embora possam ser, no MACHO, ligeiramente

amareladas nas células proximais; na FÊMEA e no IMATURO o amarelo é, em geral, mais estendido;

ASA ANTERIOR com, no máximo, nove nervuras antenodais perpendiculares; triângulos das asas

anteriores e posteriores formados por uma única célula; membrânulas brancas e bastante evidentes. PA-

TAS escuras e longas.

Outras informações

Distribuição ‘limitada’ no Algarve, aparentemente ausente no Alentejo, mas a surgir novamente a norte

do Tejo. Na Europa ocorre também em França e pontualmente em Espanha e Itália. Em Marrocos ocorre

de forma muito limitada. Terr.VA.

macho adulto - Monte de Baixo, Alferce - Junho

macho adulto - Ribª de Alportel - Maio macho adulto - Fonte da Benémola - Maio

Índice Chave para Identificação Zygoptera Anisoptera Glossário

94


ANISOPTERA

MACROMIIDAE

A Família Macromiidae é, por vezes, integrada na Família Cordulesgastridae; a aparência

geral dos insetos de ambos os taxa não é, na verdade, muito distinta.

No Algarve, a Família Macromiidae está representada por uma única Espécie que parece

ser particularmente difícil de encontrar, observar e fotografar. Admite-se que a Macromia

splendens tenha distribuições muito localizadas e populações muito diminutas.

Askew (2004) refere ainda que o período de voo deverá ser breve, não superior a seis

semanas.

Voadora veloz, prefere troços abertos e soalheiros, com águas pouco turbulentas e

margens rochosas, de sistemas lóticos. Poderá também ser observada a caçar em locais

relativamente afastados da água, em manchas de vegetação herbácea e arbustiva, e

ocasionalmente nas proximidades de árvores. As fêmeas parecem ser ainda mais discretas

do que os machos adultos...

95


Macromia splendens

(Pictet, 1843) nome comum em inglês: Splendid Cruiser

Subordem: Anisoptera

Família: Macromiidae

Est. Cons. (EU27 R.L. 2010): VU (Vulnerável) Endémica da EU27 DH An. B-IV

Tendência: Decréscimo

Distribuição ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! Habitats

Época de voo

sist. lóticos simples

I.ii.

sist. lóticos complexos

II.i.

fontes de informação

Lohr (2005)

Weihrauch & Weihrauch (2003)

JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ

Identificação

Cerca de 72 mm de comprimento total. OLHOS verdes, fronte amarela e negra. TÓRAX verde escuro, com

reflexos metálicos verdes ou acobreados; duas faixas amarelas largas e oblíquas, uma em posição anteumeral

e a outra metapleural (elemento de diagnóstico); faixa amarela dorsal na face anterior. ABDÓMEN

cinzento escuro ou quase negro, com manchas amarelas; ligeira dilatação a partir de S7; em visão dorsal,

faixa amarela em S2, manchas amarelas entre S3 e S4 ou S5, a decrescer progressivamente de dimensão,

mancha amarela percetível em S7 (elemento de diagnóstico). No MACHO, apêndices abdominais superiores

longos e robustos, tocando-se nas extremidades distais; inferior ligeiramente mais longo. ASA ANTE-

RIOR com cerca de quinze nervuras antenodais perpendiculares (elemento de diagnóstico fundamental);

na ASA POSTERIOR, loop anal com seis a nove células; membrânulas brancas. PATAS negras e grandes.

Outras informações

Por vezes designada como Cordulia splendens. Esta ‘raridade’ é a única espécie, entre as 51 que ocorrem

no Algarve, classificada na The IUCN Red List of Threatened Species com o estatuto de VU - Vulnerable

(vulnerável); todas as restantes apresentam estatutos de risco menos preocupantes.

Índice Chave para Identificação Zygoptera Anisoptera Glossário

96


ANISOPTERA

LIBELLULIDAE

A Família Libellulidae está, no Algarve, representada por 15 Espécies; entre elas estão

os Géneros Orthetrum e Sympetrum, com quatro e três Espécies respetivamente.

É de admitir, num futuro próximo, que tal número aumente, seja pela introdução de

Espécies que, eventualmente, ocorrerão já no Algarve, seja pela chegada de alguns ‘invasores’

provenientes do norte de África, como é o caso da Trithemis kirbyi que se admite

estar já em significativa expansão na Andaluzia.

Algumas Espécies da Família Libellulidae têm populações muito numerosas e outras,

pelo contrário, são particularmente difíceis de observar.

Em comum, as 15 Espécies da Família Libellulidae têm duas caraterísticas de muito fácil

reconhecimento: são insetos de tamanho médio, entre os 30 e os 48 mm, e os machos

são vigilantes persistentes que procuram, por norma, locais de paragem bastante

expostos. A diversidade de cores, em oposição, é acentuada. As diferenças de cores, entre

machos e fêmeas são, igualmente notórias.

Algumas Espécies, como a Crocothemis erythraea, podem ser observadas na generalidade

dos habitats. Outras manifestam preferências ou por sistemas lóticos simples e complexos,

ou por sistemas lênticos. Por fim, algumas Espécies, como a Sympetrum fonscolombii,

têm comportamentos migratórios muito evidentes e facilmente observáveis, em

particular no início do outono.

97


Brachythemis impartita

(Karsch, 1890) nome comum em inglês: Northern Banded Groundling

Subordem: Anisoptera

Família: Libellulidae

Estatuto de Conservação (EU27 Red List 2010): LC (Least Concern)

Tendência: Aumento

macho adulto - Vilamoura, Quarteira - Junho

Distribuição ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! Habitats

Época de voo

afastado de v. de água

fontes de informação

---

JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ

98


Identificação

Os adultos têm cerca de 32 mm de comprimento total. Espécie de identificação muito simples, por ser

quase inconfundível. MACHO adulto tem uma banda castanha escura no meio de cada ASA, entre o nódulo

e o PTEROSTIGMA (elemento de diagnóstico fundamental), que é praticamente branco; asas da FÊMEA

adulta têm, ocasionalmente, bandas semelhantes, mas menos visíveis. No MACHO adulto, OLHOS castanhos

escuros. TÓRAX castanho escuro ou quase negro, com abundante pelugem cinzenta. ABDÓMEN

quase negro; apêndices abdominais relativamente curtos, muito claros, curvados para baixo e com as extremidades

a tocarem-se. FÊMEA adulta tem o corpo castanho claro, com três sequências longitudinais de

pequenas manchas escuras no abdómen. ASAS têm membranas transparentes, à exceção da banda escura

referida; nervação predominantemente escura, embora algumas nervuras na parte anterior possam ser

muito claras. PATAS negras, com finas linhas castanhas claras nas tíbias.

Outras informações

Espécie Afrotropical e que ocorre também na Europa, a sul da latitude 40º N. No Algarve pode ser considerada

uma ‘raridade’. Durante muito tempo foi confundida com B. leucosticta e só recentemente, com o

estudo de Dijkstra & Matushkina, ficou estabelecida e clarificada a distinção entre as duas espécies. N’A

critical checklist of the Odonata of Portugal apenas se refere essa espécie para o Género Brachythemis.

No entanto, atualmente é consensual tratar-se de B. impartita (KD Dijkstra, pers. comm.). Embora a espécie

não surja listada em qualquer das publicações referidas na Introdução deste Guia Digital, Boulot et al.

2009 assinalam já a sua ocorrência na região, numa posição concordante com a agora cartografada.

machos adultos - Vilamoura, Quarteira - Junho

fêmeas adultas (à esquerda sem bandas nas asas - à direita com bandas nas asas) - Vilamoura - Junho

Índice Chave para Identificação Zygoptera Anisoptera Glossário

99


Crocothemis erythraea

(Brullé, 1832) nome comum em inglês: Broad Scarlet

Subordem: Anisoptera

Família: Libellulidae

Estatuto de Conservação (EU27 Red List 2010): LC (Least Concern)

Tendência: Aumento

macho adulto - Moinho das Serralhas, Ribeira do Vascão - Junho

Distribuição ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! Habitats

sist. lóticos simples

I.ii. I.iii.

sist. lóticos complexos

II.i. II.ii. I.iii.

sistemas lênticos

III.i. III.ii. III.iii. III.iv.

sapais e salinas aband.

afastado de v. de água

Época de voo

fontes de informação

Ferreira & Grosso-Silva (2006)

Gardiner & Sturgess (1994)

Knijf & Demolder (2010)

Lohr (2005)

Malkmus & Ruf (2008)

Vieira et al. (2010)

Weihrauch & Weihrauch (2003)

JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ

100


Identificação

Os adultos têm cerca de 40 mm de comprimento total. MACHO adulto é praticamente inconfundível, por

ser quase totalmente vermelho vivo (elemento de diagnóstico fundamental) e poder apenas apresentar

uma linha negra longitudinal nos segmentos posteriores do abdómen. FÊMEA adulta é castanha dourada,

com faixas anteumerais brancas (elemento de diagnóstico), faixa branca no alinhamento dorsal do tórax,

entre as asas esquerdas e direitas, e linha negra longitudinal no abdómen, em visão dorsal. ABDÓMEN

largo, ligeiramente ovalado em visão dorsal (elemento de diagnóstico). Nas ASAS anterior e posterior,

nervação anterior vermelha. Na ASA ANTERIOR, nove a onze nervuras antenodais perpendiculares, todas

com alinhamentos contínuos entre as nervuras antenodais principais exterior e interior, exceção para a

perpendicular mais próxima do nódulo alar, que existe entre as nervuras antenodais principal e central

mas não entre as central e interior; triângulo com duas células. Na ASA POSTERIOR, mancha proximal

bastante percetível, alaranjada no macho e amarela na fêmea (elemento de diagnóstico). PTEROSTIGMAS

castanhos amarelados, semelhantes nas asas anteriores e posteriores, e com cerca de 3,5 mm (elemento

de diagnóstico). PATAS predominantemente vermelhas (elemento de diagnóstico).

Outras informações

Espécie Paleártica e Afrotropical, de distribuição ‘alargada’ no Algarve. Cópula ocorre em voo e é bastante

rápida, demorando apenas 10 a 15 segundos; oviposição com a fêmea em solitário (ovip.AF). Espécie

bivoltina (Corbet et al. 2006).

teneral - Barragem de Ribª do Álamo - Maio macho imaturo - RNSCMVRSA - Junho

fêmea adulta - arrozal de Nª Srª do Rosário - Julho oviposição - Barr. de Ribª do Álamo - Setembro

Índice Chave para Identificação Zygoptera Anisoptera Glossário

101


Diplacodes lefebvrii

(Rambur, 1842) nome comum em inglês: Black Percher

Subordem: Anisoptera

Família: Libellulidae

Estatuto de Conservação (EU27 Red List 2010): LC (Least Concern)

Tendência: Estável

macho adulto - Barragem de Ribeira do Álamo - Maio

Distribuição ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! Habitats

sist. lóticos complexos

II.i. II.iii.

sistemas lênticos

III.i. III.ii. III.iii.

Época de voo

fontes de informação

Ferreira & Grosso-Silva (2006)

Gardiner & Sturgess (1995)

Gardiner & Wallis (1996)

Knijf & Demolder (2010)

Lohr (2005)

JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ

102


Identificação

Machos adultos têm cerca de 30 mm de comprimento total; fêmeas ligeiramente mais pequenas. MACHO

predominantemente negro (elemento de diagnóstico) e sem reflexos metálicos; OLHOS castanhos escuros,

fronte negra; TÓRAX negro, eventualmente com pruinescência cinzenta sempre limitada à face ventral;

ABDÓMEN igualmente negro, podendo apresentar, em visão lateral, diminutas manchas claras entre

S4 e S8 no imaturo; apêndices abdominais superiores castanhos claros (elemento de diagnóstico), podendo

ter as partes anteriores negras; apêndice abdominal inferior negro. FÊMEA em tons de castanho;

OLHOS castanhos escuros, fronte clara; no ABDÓMEN, em visão dorso-lateral, duas sequências mais ou

menos contínuas de manchas claras, cuja expressão se reduz bastante com o envelhecimento, paralelas a

uma faixa negra dorsal, central e longitudinal; face ventral muito escura (elemento de diagnóstico). ASAS

anterior e posterior com membranas incolores, embora na posterior possa existir, na extremidade proximal,

reduzida mancha (elemento de diagnóstico), castanha no macho, amarelada na fêmea. Na ASA AN-

TERIOR, até oito nervuras antenodais perpendiculares (elemento de diagnóstico), todas com alinhamentos

contínuos entre as nervuras antenodais principais exterior e interior, exceção para a perpendicular

mais próxima do nódulo alar, que existe entre as nervuras antenodais principal e central mas não entre as

central e interior; triângulo com uma única célula (elemento de diagnóstico). PTEROSTIGMAS muito escuros,

com cerca de 3,0 mm de comprimento. PATAS negras nos machos, castanhas nas fêmeas.

Outras informações

Espécie Afrotropical com elevada capacidade de dispersão. Nos mais recentes anos tem estado em significativa

expansão no Algarve onde, aparentemente, tem já uma distribuição ‘alargada’. Ovip.AF.

machos adultos - Barragem de Ribeira do Álamo - Maio

fêmeas adultas - Ribeira de Algibre - Julho

Índice Chave para Identificação Zygoptera Anisoptera Glossário

103


Libellula depressa

Linnaeus, 1758 nome comum em inglês: Broad-bodied Chaser

Subordem: Anisoptera

Família: Libellulidae

Estatuto de Conservação (EU27 Red List 2010): LC (Least Concern)

Tendência: Estável

macho adulto - charca de Lotão, Martim Longo - Abril

Distribuição ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! Habitats

sistemas lênticos

III.i. III.v.

Época de voo

fontes de informação

Knijf & Demolder (2010)

Lohr (2005)

JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ

104


Identificação

Os adultos têm cerca de 44 mm de comprimento total e aparência robusta. OLHOS e fronte castanhos escuros.

TÓRAX castanho ou verde acastanhado escuro, com faixas anteumerais largas e brancas (elemento

de diagnóstico); pelugem esbranquiçada na face dorsal. No MACHO adulto, ABDÓMEN com intensa pruinescência

azulada na face dorsal (elemento de diagnóstico fundamental); no entanto, no teneral e no

imaturo pruinescência inexistente; marcas amarelas laterais entre S4 e S9; nos segmentos anteriores, em

visão dorsal, são percetíveis; nos posteriores apenas o são em visão ventral. Na FÊMEA, ABDÓMEN muito

largo, da mesma cor do TÓRAX; marcas amarelas laterais entre S4 e S8, mas que se desvanecem com o

envelhecimento. Apêndices abdominais curtos e escuros no macho, muito diminutos na fêmea. ASA AN-

TERIOR com, pelo menos, quatorze nervuras antenodais perpendiculares; triângulo com três a cinco células.

ASAS anteriores e posteriores com mancha castanha escura proximal muito percetível; nas anteriores,

mancha retangular; nas posteriores, triangular (elemento de diagnóstico); restantes partes das asas com

membranas transparentes; membrânulas brancas; PTEROSTIGMAS muito escuros ou mesmo negros. PA-

TAS castanhas.

Outras informações

Espécie Paleártica, de distribuição alargada, mas no Algarve parece ser uma ‘raridade’. Machos muito territoriais.

A distribuição assinalada por Boulot et al. 2009 é discordante da agora cartografada.

macho imaturo - Malhada Quente - Junho macho adulto - Balurco de Cima, Alcoutim - Abril

macho adulto - charca de Lotão, Martim Longo - Abril

Índice Chave para Identificação Zygoptera Anisoptera Glossário

105


Libellula quadrimaculata

Linnaeus, 1758 nome comum em inglês: Four-spotted Chaser

Subordem: Anisoptera

Família: Libellulidae

Estatuto de Conservação (EU27 Red List 2010): LC (Least Concern)

Tendência: Estável

macho adulto - charca de Serominheiro, Aljezur - Maio

Distribuição ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! Habitats

sistemas lênticos

III.i. III.ii.

Época de voo

fontes de informação

Gardiner & Sturgess (1995)

Lohr (2005)

JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ

106


Identificação

Os adultos têm cerca de 44 mm de comprimento total e aparência robusta. OLHOS castanhos; fronte clara.

TÓRAX verde acastanhado escuro e com pelugem abundante. ABDÓMEN da mesma cor, com S6 ou S7

até S10 negros na face dorsal; marcas amarelas laterais entre S4 ou S5 e S8 ou S9. MACHO adulto nunca

apresenta pruinescência azulada (elemento de diagnóstico). Nas ASAS anteriores e posteriores, manchas

castanhas escuras nos nódulos, de dimensão variável mas sempre presentes (elemento de diagnóstico

fundamental, a estabelecer o próprio nome - quadrimaculata - da espécie). ASA ANTERIOR com, pelo menos,

quatorze nervuras antenodais perpendiculares; triângulo com três a cinco células; ausência de mancha

castanha escura proximal; pequena faixa alaranjada que se estende até ao nódulo, entre as nervuras

antenodais central e a interior. ASA POSTERIOR com mancha castanha escura proximal triangular bastante

percetível (elemento de diagnóstico), eventualmente mascarada por nervação esbranquiçada, podendo

ser delimitada por bordadura alaranjada na parte anterior, a qual se prolonga pelas nervuras antenodais

central e a interior. PTEROSTIGMAS castanhos escuros; membrânulas brancas. MACHO e FÊMEA têm

aparência geral semelhante, embora a fêmea seja de um castanho mais claro, quase dourado (elemento

de diagnóstico). Apêndices abdominais de dimensão semelhante, ligeiramente menores no macho do

que na fêmea; as extremidades no macho apontam para fora e na fêmea para dentro (elemento de diagnóstico).

PATAS predominantemente negras.

Outras informações

Espécie de distribuição ‘limitada’ no Algarve.

machos adultos - charcas de Carrascalinho e de Serominheiro, Aljezur - Maio

Índice Chave para Identificação Zygoptera Anisoptera Glossário

107


Orthetrum cancellatum

(Linnaeus, 1758) nome comum em inglês: Black-tailed Skimmer

Subordem: Anisoptera

Família: Libellulidae

Estatuto de Conservação (EU27 Red List 2010): LC (Least Concern)

Tendência: Estável

macho adulto - Barragem de Ribeira do Álamo, Altura - Maio

Distribuição ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! Habitats

sist. lóticos simples

I.ii. I.iii.

sistemas lênticos

III.i. III.ii. III.iii.

sapais e salinas aband.

Época de voo

fontes de informação

Gardiner & Sturgess (1994)

Knijf & Demolder (2010)

Lohr (2005)

JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ

108


Identificação

Os adultos têm cerca de 46 mm de comprimento total. O TÓRAX é verde acastanhado e nunca apresenta

pruinescência (elemento de diagnóstico fundamental). O ABDÓMEN, achatado e mais largo do que o das

restantes Orthetrum sp. que ocorrem no Algarve, é predominantemente amarelo, com duas evidentes faixas

longitudinais dorso-laterais negras; em visão lateral, entre S3 e S8 existem semicírculos amarelos

(elemento de diagnóstico fundamental). No MACHO adulto a intensa pruinescência dorsal entre S3 e S6

ou S7 mascara a faixa amarela dorsal e as faixas negras dorso-laterais, mas não os semicírculos amarelos;

S7 ou S8 a S10 são sempre quase totalmente negros (elemento de diagnóstico). Na FÊMEA, o amarelado

vai-se tornando castanho esverdeado com o envelhecimento. Apêndices abdominais superiores, no macho

e na fêmea, negros (elemento de diagnóstico). ASA ANTERIOR com doze ou mais nervuras antenodais

perpendiculares (elemento de diagnóstico), todas com alinhamentos contínuos entre as nervuras antenodais

principais exterior e interior (elemento de diagnóstico fundamental); triângulo constituído duas

ou mais células. ASA POSTERIOR sem qualquer mancha proximal pigmentada. PTEROSTIGMAS muito escuros

ou negros (elemento de diagnóstico fundamental), relativamente curtos, com menos de 3,0 mm de

comprimento; membrânulas cinzentas. PATAS negras no macho, castanhas na fêmea.

Outras informações

Espécie de distribuição ‘limitada’ no Algarve.

macho adulto - charca de Azia, Rogil - Maio fêmea adulta - lagoa de Boi, Aljezur - Julho

teneral - Morgado do Reguengo, Portimão - Junho cópula - charca de Azia, Rogil - Maio

Índice Chave para Identificação Zygoptera Anisoptera Glossário

109


Orthetrum chrysostigma

(Burmeister, 1839) nome comum em inglês: Epaulet Skimmer

Subordem: Anisoptera

Família: Libellulidae

Estatuto de Conservação (EU27 Red List 2010): LC (Least Concern)

Tendência: Estável

macho adulto - Ribeira de Odelouca - Maio

Distribuição ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! Habitats

Época de voo

sist. lóticos simples

I.ii. I.iii.

sist. lóticos complexos

II.i. II.ii. II.iii.

sistemas lênticos

III.i. III.ii. III.iii. III.iv.

sapais e salinas aband.

fontes de informação

Ferreira & Grosso-Silva (2006)

Gardiner (1993)

Gardiner & Sturgess (1994)

Knijf & Demolder (2010)

Lohr (2005)

Malkmus & Ruf (2008)

JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ

110


Identificação

Os adultos têm cerca de 44 mm de comprimento total. No TÓRAX, em toda a face lateral e contígua à sutura

umeral que é negra, há uma faixa oblíqua quase branca muito percetível (elemento de diagnóstico

fundamental); a parte dorsal, entre as asas, pode também ser acinzentada ou esbranquiçada. No entanto,

no MACHO adulto, a intensa pruinescência azulada pode cobrir quase totalmente o tórax e mascarar as

partes mais claras. O ABDÓMEN é relativamente estreito e tem um estrangulamento dorsal entre S3 e S4

(elemento de diagnóstico); é relativamente curto (em comparação, p.ex., com O. trinacria); apresenta

uma fina linha negra dorsal, longitudinal e descontínua sobre a ‘base’ amarelada; no macho adulto, com

a maturidade o abdómen fica gradualmente coberto por pruinescência azul; no entanto, S1 e S2 permanecem

sem pruinescência (elemento de diagnóstico). ASA ANTERIOR com dez ou mais nervuras antenodais

perpendiculares (elemento de diagnóstico), todas com alinhamentos contínuos entre as nervuras

antenodais principais exterior e interior (elemento de diagnóstico fundamental); nervura antenodal interior

negra; triângulo constituído por duas células. ASA POSTERIOR sem qualquer mancha proximal pigmentada.

PTEROSTIGMAS amarelados ou acastanhados (elemento de diagnóstico), com cerca de 3,0 mm

de comprimento; membrânulas acastanhadas. PATAS quase negras no macho, amareladas na fêmea.

Outras informações

Ocorre apenas no extremo sul do Paleártico, abrangendo o sul da Península Ibérica e o norte de África.

No Algarve, espécie de distribuição ‘alargada’. É, por vezes, muito difícil a diferenciação entre Orthetrum

chrysostigma e O. coerulescens.

macho adulto - Fonte Filipe, Querença - Maio macho imaturo - Moinhos da Rocha, Tavira - Junho

fêmea adulta - Sítio das Fontes de Estômbar - Setembro cópula - Ribeira de Odeleite - Julho

Índice Chave para Identificação Zygoptera Anisoptera Glossário

111


Orthetrum coerulescens

(Fabricius, 1798) nome comum em inglês: Keeled Skimmer

Subordem: Anisoptera

Família: Libellulidae

Estatuto de Conservação (EU27 Red List 2010): LC (Least Concern)

Tendência: Estável

macho adulto - Ribeira de Seixe - Julho

Distribuição ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! Habitats

sist. lóticos simples

I.ii. I.iii.

sist. lóticos complexos

II.i. II.ii. II.iii.

sistemas lênticos

III.i. III.iv.

Época de voo

fontes de informação

Ferreira & Grosso-Silva (2006)

Gardiner & Sturgess (1994)

Knijf & Demolder (2010)

Lohr (2005)

JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ

112


Identificação

Os adultos têm cerca de 42 mm de comprimento total. TÓRAX de coloração homogénea (elemento de

diagnóstico fundamental), exceção para duas faixas esbranquiçadas na face anterior, paralelas à carena

dorsal. No entanto, no MACHO adulto a intensa pruinescência azul pode mascarar essas partes mais claras.

ABDÓMEN relativamente estreito e sem qualquer estrangulamento dorsal entre S3 e S4 (elemento de

diagnóstico particularmente útil na diferenciação com O. chrysostigma); é relativamente curto (em comparação,

p.ex., com O. trinacria); apresenta uma fina linha negra dorsal, longitudinal e contínua sobre a

‘base’ amarelada; no macho adulto fica totalmente coberto por pruinescência azul (elemento de diagnóstico

particularmente útil na diferenciação com O. chrysostigma). ASA ANTERIOR com dez ou mais nervuras

antenodais perpendiculares (elemento de diagnóstico), todas com alinhamentos contínuos entre as nervuras

antenodais principais exterior e interior (elemento de diagnóstico fundamental); nervura antenodal

interior negra; triângulo constituído por duas células. ASA POSTERIOR sem mancha proximal pigmentada,

ou amarelada e muito limitada. PTEROSTIGMAS amarelados ou acastanhados (elemento de diagnóstico),

com 3,2 a 4,0 mm de comprimento; membrânulas esbranquiçadas.

Outras informações

Distribuição ‘limitada’ no Algarve. É, por vezes, muito difícil a diferenciação entre Orthetrum chrysostigma

e O. coerulescens. Admite-se a existência de duas ssp.: coerulescens e anceps; o macho da primeira tem o

tórax menos pruinescente, enquanto que o da segunda é mais pruinescente e pode, consequentemente,

parecer mais azulado; ocasionalmente O. coerulescens anceps surge referido como O. ramburii. Espécie univoltina

(Corbet et al. 2006).

macho adulto - Ribeira de Odeleite - Julho cópula - Ribª da Perna da Negra - Julho

fêmeas adultas - Ribª da Perna da Negra - Julho - Paul de Budens - Setembro

Índice Chave para Identificação Zygoptera Anisoptera Glossário

113


Orthetrum trinacria

(Selys, 1841) nome comum em inglês: Long Skimmer

Subordem: Anisoptera

Família: Libellulidae

Estatuto de Conservação (EU27 Red List 2010): LC (Least Concern)

Tendência: Estável

macho adulto - Barragem de Vale de Asno, Altura - Maio

Distribuição ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! Habitats

sistemas lênticos

III.i. III.iii.

Época de voo

fontes de informação

Knijf & Demolder (2010)

JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ

114


Identificação

Os adultos têm cerca de 58 mm (elemento de diagnóstico) de comprimento total, sendo a maior Orthetrum

sp. que ocorre no Algarve. No TÓRAX, suturas umeral e metapleural negras e bem percetíveis embora

finas; no MACHO adulto desenvolve-se pruinescência relativamente intensa. ABDÓMEN particularmente

comprido (elemento de diagnóstico fundamental), 3,0 a 4,0 mm mais longo do que as asas posteriores,

estreito e de secção semi-cilíndrica; tem uma linha dorsal e longitudinal negra muito percetível, bem

como duas linhas laterais igualmente negras mas finas e ténues; no MACHO adulto a pruinescência é limitada

e azul escura ou violeta. ASA ANTERIOR com dez ou mais nervuras antenodais perpendiculares

(elemento de diagnóstico), todas com alinhamentos contínuos entre as nervuras antenodais principais

exterior e interior (elemento de diagnóstico fundamental); triângulo constituído por duas células. ASA

POSTERIOR sem qualquer mancha proximal pigmentada. PTEROSTIGMAS amarelados ou acastanhados

claros (elemento de diagnóstico), com cerca de 4,0 mm de comprimento; membrânulas acastanhadas.

Nas PATAS, e especialmente nas tíbias posteriores, cerdas de dimensão apreciável.

Outras informações

Espécie Afrotropical e que provavelmente está em acentuada expansão no Algarve. No presente, de acordo

com a distribuição agora cartografada, é (ainda) uma espécie com distribuição ‘limitada’, mas sensivelmente

mais ampla do que a apresentada nas publicações referidas na Introdução deste Guia Digital e

também por Boulot et al. 2009.

machos adultos - Barragem de Vale de Asno - Maio - charca de Tremelgo de Baixo - Junho

cópula - macho e fêmea adultos - charca de Tremelgo de Baixo, Martim Longo - Junho

Índice Chave para Identificação Zygoptera Anisoptera Glossário

115


Selysiothemis nigra

(Vander Linden, 1825) nome comum em inglês: Black Pennant

Subordem: Anisoptera

Família: Libellulidae

Estatuto de Conservação (EU27 Red List 2010): LC (Least Concern)

Tendência: Aumento

macho adulto - salinas do Ludo, Faro - Julho (fotografia de Valter Jacinto)

Distribuição ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! Habitats

sistemas lênticos

III.i.

sapais e salinas aband.

Época de voo

fontes de informação

Lohr (2005)

JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ

116


Identificação

Os adultos têm cerca de 34 mm de comprimento total e grande capacidade de passarem desapercebidos.

OLHOS volumosos (elemento de diagnóstico), mais largos do que o TÓRAX, parecendo estar desproporcionados

em relação ao resto do corpo. MACHO predominantemente castanho escuro quando jovem,

negro quando atingida a maturidade, com pelugem esbranquiçada no tórax (elemento de diagnóstico);

ligeira pruinescência cinzenta ou violeta no ABDÓMEN; macho IMATURO e FÊMEA em tonalidades de

amarelos e castanhos. No MACHO adulto apêndices abdominais muito escuros ou negros (elemento de

diagnóstico). ASA ANTERIOR com apenas seis nervuras antenodais perpendiculares (elemento de diagnóstico

fundamental), todas com alinhamentos contínuos entre as nervuras antenodais principais exterior

e interior (elemento de diagnóstico particularmente útil na diferenciação com D. lefebvrii). ASA POS-

TERIOR bastante larga e com membranas incolores. PTEROSTIGMAS curtos, com 1,5 mm de comprimento,

castanhos muito claros, os dois lados mais longos com nervuras espessas e negras (elemento de diagnóstico

fundamental). PATAS predominantemente negras nos machos, acastanhadas nas fêmeas.

Outras informações

Pode ser considerada uma das ‘raridades’ interessantes no Algarve. Espécie com reconhecida capacidade

migratória, e que tem distribuição expressiva na Tunísia e Algéria; distribuição reduzida e muito localizada

em Marrocos e em diversos países do sul da Europa. A primeira observação da espécie em Portugal

aconteceu recentemente, em 2003, nas margens da ribeira de São Lourenço, Almansil, tendo sido reportada

por M Lohr (2005); esta pequena população parece estar a persistir na zona. J-P Boudot (2008) apresenta

um mapa detalhado com a distribuição da espécie na bacia mediterrânica.

fêmeas adultas - Quinta do Lago, Almansil - Junho

Índice Chave para Identificação Zygoptera Anisoptera Glossário

117


Sympetrum fonscolombii

(Selys, 1840) nome comum em inglês: Red-veined Darter

Subordem: Anisoptera

Família: Libellulidae

Estatuto de Conservação (EU27 Red List 2010): LC (Least Concern)

Tendência: Aumento

macho adulto - arrozal de Nª Srª do Rosário, Estômbar - Julho

Distribuição ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! Habitats

Época de voo

sist. lóticos simples

I.ii. I.iii.

sist. lóticos complexos

II.i.

sistemas lênticos

III.i. III.ii. III.iii. III.iv.

sapais e salinas aband.

afastado de v. de água

fontes de informação

Ferreira & Grosso-Silva (2006)

Gardiner (1993)

Knijf & Demolder (2010)

Lohr (2005)

Malkmus & Ruf (2008)

Weihrauch & Weihrauch (2003)

JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ

118


Identificação

Os adultos têm cerca de 38 mm de comprimento total. Parte superior dos OLHOS castanha ou avermelhada,

parte inferior cinzenta azulada (elemento de diagnóstico fundamental); fronte avermelhada delimitada

a amarelo. No MACHO adulto, face lateral do TÓRAX com faixa esbranquiçada, em geral evidente,

localizada no limite anterior da sutura interpleural (elemento de diagnóstico); face anterior do tórax sem

quaisquer faixas claras paralelas à carena dorsal; ABDÓMEN vermelho; a mesma cor ocorre nas nervuras

dos terços proximais das ASAS anteriores e posteriores; em visão dorsal, S8 e S9 com manchas negras; em

visão lateral, faixa negra descontínua de S1 a S9. Na FÊMEA, em visão ventral, limite posterior da escama

vulvar bilobado (elemento de diagnóstico fundamental); apêndices superiores a apontar para ‘fora’. Na

ASA ANTERIOR, sete (ou eventualmente oito) nervuras antenodais perpendiculares, entre as nervuras antenodais

principais exterior e central (elemento de diagnóstico); a nervura antenodal perpendicular mais

próxima do nódulo alar existe entre as nervuras antenodais principal e central mas não se prolonga entre

as central e interior; no lado distal do triângulo há três células (elemento de diagnóstico). ASA POSTERI-

OR com mancha pigmentada alaranjada bastante evidente na extremidade proximal. Na FÊMEA e no macho

IMATURO, nervuras dos terços proximais das asas anterior e posterior amareladas. PTEROSTIGMAS

amarelos claros com as duas nervuras envolventes mais longas grossas e negras (elemento de diagnóstico

fundamental), com 2,5 a 3,0 mm de comprimento. PATAS quase negras, com finas linhas amarelas.

Outras informações

Por vezes referido como S. fonscolombei. Distribuição ‘alargada’ no Algarve. Ovip.TD, geralmente em superfícies

de água amplas e sem obstáculos. Forte capacidade migradora e, por isso, número acrescido de

exemplares no outono, particularmente no sudoeste algarvio. Espécie multivoltina (Corbet et al. 2006).

teneral - margem do Rio Séqua, Tavira - Maio fêmea adulta - Barragem do Pereiro - Julho

cópula - Ribª de Odeleite, próx. de Bentos - Julho oviposição - Barragem de Vale de Asno - Setembro

Índice Chave para Identificação Zygoptera Anisoptera Glossário

119


Sympetrum meridionale

(Selys, 1841) nome comum em inglês: Southern Darter

Subordem: Anisoptera

Família: Libellulidae

Estatuto de Conservação (EU27 Red List 2010): LC (Least Concern)

Tendência: Aumento

macho imaturo - Ribeira de Budens - Agosto (fotografia de João Tiago Tavares)

Distribuição ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! Habitats

sist. lóticos complexos

II.i. II.iii.

sistemas lênticos

III.ii.

Época de voo

fontes de informação

---

JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ

120


Identificação

Os adultos têm cerca de 38 mm de comprimento total. Faixa negra no limite superior da fronte parcialmente

interrompida nas proximidades dos ocelos e sem se prolongar pelos limites frontais dos olhos; parte

superior dos OLHOS acastanhada e parte inferior amarelada (elementos de diagnóstico fundamentais).

Faces laterais do TÓRAX amarelas douradas, quase sem marcas negras a acentuar as suturas; dois pontos

negros evidentes, um sobre o metastigma e outro imediatamente acima (elementos de diagnóstico fundamentais);

na face anterior do tórax, duas faixas mais claras, paralelas à carena dorsal. No MACHO adulto,

ABDÓMEN vermelho; em visão dorsal, ausência de manchas negras em S8 e S9 (elemento de diagnóstico).

Na FÊMEA, em visão ventral, limite posterior da escama vulvar é linear (elemento de diagnóstico

fundamental); em visão lateral é muito pouco proeminente; apêndices superiores a apontar para ‘trás’,

ou seja, paralelos. Na ASA ANTERIOR, sete (ou eventualmente oito) nervuras antenodais perpendiculares,

entre as nervuras antenodais principais exterior e central (elemento de diagnóstico); a nervura antenodal

perpendicular mais próxima do nódulo alar existe entre as nervuras antenodais principal e central mas

não se prolonga entre as central e interior; no lado distal do triângulo há três células (elemento de diagnóstico).

ASA POSTERIOR sem qualquer mancha pigmentada na extremidade proximal. PTEROSTIGMAS

amarelados e longos. Nas PATAS, fémur e tíbia amarelos ou castanho-avermelhados, com linhas negras

diminutas.

Outras informações

Pode, com facilidade, ser confundida com S. striolatum. Atualmente deve ser considerada uma ‘raridade’

no Algarve, mas a sua efetiva distribuição necessita ainda de algum trabalho no terreno. A espécie não

surge listada em qualquer das publicações com as caraterísticas referidas na Introdução deste Guia Digital.

No entanto, Boulot et al. 2009 assinalam a sua ampla ocorrência na região.

Índice Chave para Identificação Zygoptera Anisoptera Glossário

121


Sympetrum striolatum

(Charpentier, 1840) nome comum em inglês: Common Darter

Subordem: Anisoptera

Família: Libellulidae

Estatuto de Conservação (EU27 Red List 2010): LC (Least Concern)

Tendência: Estável

macho adulto - Quinta das Flores, Estoi - Outubro (fotografia de Nelson Fonseca)

Distribuição ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! Habitats

sist. lóticos simples

I.ii.

sist. lóticos complexos

II.i. II.ii. II.iii.

sistemas lênticos

III.i. III.ii. III.iv.

sapais e salinas aband.

Época de voo

fontes de informação

Gardiner & Sturgess (1994)

Knijf & Demolder (2010)

Malkmus & Ruf (2008)

McLachlan (1880)

JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ

122


Identificação

Os adultos têm cerca de 40 mm de comprimento total. Faixa negra no limite superior da fronte, coincidindo

com a base das antenas e os ocelos, sem se prolongar pelos limites frontais dos olhos; parte superior

dos OLHOS acastanhada e parte inferior amarelada (elemento de diagnóstico). Face anterior do TÓRAX

da mesma cor ou tonalidades que a face lateral; no MACHO adulto, face lateral vermelha, no IMATURO e

na FÊMEA, face lateral amarelada mas sempre sem manchas escuras, embora as suturas sejam destacadas

com linhas negras. ABDÓMEN com pequenas manchas negras laterais. Na FÊMEA, em visão ventral, limite

posterior da escama vulvar é linear e relativamente longo (elemento de diagnóstico); em visão lateral é

proeminente; apêndices superiores a apontar para ‘fora’. Nas ASAS anterior e posterior, nervuras sempre

negras ou, eventualmente castanhas muito escuras (elemento de diagnóstico). Na ASA ANTERIOR, sete

(ou eventualmente oito) nervuras antenodais perpendiculares, entre as nervuras antenodais principais

exterior e central (elemento de diagnóstico); a nervura antenodal perpendicular mais próxima do nódulo

alar existe entre as nervuras antenodais principal e central mas não se prolonga entre as central e interior;

no lado distal do triângulo há três células (elemento de diagnóstico). ASA POSTERIOR sem qualquer mancha

pigmentada na extremidade proximal. Nas PATAS, fémur e tíbia amarelos com linhas negras.

Outras informações

Espécie com distribuição ‘alargada’ no Algarve e particularmente numerosa no outono.

macho adulto - Fonte da Benémola - Novembro fêmea adulta - Qtª das Flores, Estoi - Junho

tenerals - Fóia, Serra de Monchique - Julho

Índice Chave para Identificação Zygoptera Anisoptera Glossário

123


Trithemis annulata

(Palisot de Beauvois, 1807) nome comum em inglês: Violet Dropwing

Subordem: Anisoptera

Família: Libellulidae

Estatuto de Conservação (EU27 Red List 2010): LC (Least Concern)

Tendência: Aumento

macho adulto - Ribeira do Vascão - Julho

Distribuição ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! Habitats

Época de voo

sist. lóticos simples

I.ii.

sist. lóticos complexos

II.i. II.iii.

sistemas lênticos

III.i. III.ii. III.iii.

sapais e salinas aband.

afastado de v. de água

fontes de informação

Ferreira & Grosso-Silva (2006)

Gardiner & Sturgess (1995)

Knijf & Demolder (2010)

Lohr (2005)

Vieira et al. (2010)

JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ

124


Identificação

Os adultos têm cerca de 35 mm de comprimento total. A tonalidade vermelho-púrpura nos OLHOS, TÓ-

RAX e ABDÓMEN do MACHO adulto é inconfundível; no abdómen, em visão dorsal, manchas negras em

S8, S9 e S10. Órgãos GENITAIS secundários bastante sobressalientes; apêndices abdominais superiores

relativamente longos, com o dobro de S10. A FÊMEA e o MACHO imaturo são em tonalidades amarelas

acastanhadas, e a nervação das asas é também amarela. Parte significativa da nervação das ASAS anterior

e posterior é vermelha (elemento de diagnóstico). Na ASA ANTERIOR, nove ou dez nervuras antenodais

perpendiculares, entre as nervuras antenodais principais exterior e central (elemento de diagnóstico); a

nervura antenodal perpendicular mais próxima do nódulo alar existe entre as nervuras antenodais principal

e central mas não se prolonga entre as central e interior; triângulo com duas células; no lado distal

do triângulo há três células (elemento de diagnóstico). Na ASA POSTERIOR, mancha proximal alaranjada

evidente. PTEROSTIGMAS vermelhos-púrpura, semelhantes nas asas anteriores e posteriores, com cerca

de 2,6 mm. PATAS total ou predominantemente negras (elemento de diagnóstico fundamental).

Outras informações

Espécie africana em expansão no sul da Europa, um pouco por toda a bacia mediterrânica, e já com distribuição

‘alargada’ no Algarve. Espécie bivoltina (Corbet et al. 2006).

macho imaturo - charca de Azia, Rogil - Julho macho adulto - Morgado do Reguengo, Portimão - Junho

macho imaturo - fêmea adulta - Quinta do Lago, Almansil - Julho

Índice Chave para Identificação Zygoptera Anisoptera Glossário

125


Zygonyx torridus

(Kirby, 1889) nome comum em inglês: Ringed Cascader

Subordem: Anisoptera

Família: Libellulidae

Estatuto de Conservação (EU27 Red List 2010): VU (Vulnerável)

Tendência: Decréscimo

Distribuição ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! Habitats

Época de voo

sist. lóticos simples

I.ii.

sist. lóticos complexos

II.ii.

fontes de informação

Knijf & Demolder (2010)

JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ

Identificação

Os adultos têm cerca de 56 mm de comprimento total. Em visão dorsal, MACHO e FÊMEA são muito escuros,

com reflexos acastanhados nos OLHOS e TÓRAX, cinzentos no ABDÓMEN. Em visão lateral destacam-

-se grandes manchas semicirculares amarelas entre S1 e S8 (elemento de diagnóstico). PATAS escuras e

relativamente compridas. A primeira observação pode sugerir tratar-se de um Cordulegastridae, mas uma

observação mais atenta do inseto, do comportamento e do habitat é suficiente para desvanecer dúvidas.

Outras informações

Uma ‘raridade’ no Algarve; a população poderá já estar, até, extinta. Para além do registo acima representado

existe outro, na Serra de Monchique, datado de julho de 1985 (ver: Ferreira et al. 2006; Kunz et

al. 2006). Espécie Afrotropical; distribuição generalizada desde o Sahel, para sul. No Paleártico surge localizada

em numerosos spots, tanto na margem sul como na norte da bacia mediterrânica, com evidente

preferência por sistemas lóticos permanentes, em troços rápidos e com quedas de água. Parece ser um

migrador eficiente, dotado de elevada capacidade para colonizar novos locais.

Índice Chave para Identificação Zygoptera Anisoptera Glossário

126


BIBLIOGRAFIA RECOMENDADA

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Berardi, V. Dragonfly Photography. Available at: http://photonaturalist.net.

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Boudot, J-P, V J Kalkman, M Azpilicueta Amorín, T Bogdanović, A Cordero Rivera, G Degabriele, J-L

Dommanget, S Ferreira, B Garrigós, M Jović, M Kotarac, W Lopau, M Marinov, N Mihoković, E Riservato,

B Samraoui & W Schneider. 2009. Atlas of the Odonata of the Mediterranean and North Africa.

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summer species of odonata could help to make emergence date appropriate to latitude: a

testable hypothesis. Journal of the Entomological Society of British Columbia 100: 3-17.

Corbet, P S. 2004. Dragonflies. Behaviour and Ecology of Odonata. Revised edition. Harley Books,

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http://ecoevo.uvigo.es/wda/linked/beginners_guide_odonates.pdf.

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Vieira, C, V Gonçalves, A C Cardoso & I Patanita. 2010. Registo de quatro novas espécies de Odonata

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la Sociedad Entomológica Aragonesa 47: 461‒462.

Weihrauch, F & S Weihrauch. 2003. Spring Odonata records from Alentejo (Portugal), Andalusia

and Extremadura (Spain). Opuscula Zoologica Fluminensia 207: 1-18.

WEBSITES RECOMENDADOS

Asociación odonatológica de Andalucia: www.libelulas.org

British Dragonfly Society: www.british-dragonflies.org.uk

Global Species Database Odonata: www.odonata.info

Société francaise d’Odonatologie: www.libellules.org

Worldwide Dragonfly Association: ecoevo.uvigo.es/WDA

DATA CONTRIBUTORS

João Tiago Tavares

Nelson Fonseca

128


AGRADECIMENTOS

Sónia Ferreira, CIBIO (Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos, Universidade do Porto), e

Klaas-Douwe B. Dijkstra, Netherlands Centre for Biodiversity - NCB Naturalis, pelo permanente apoio e paciente disponibilidade,

no decurso da preparação deste Guia Digital.

Marcial Felgueiras, Diretor da Associação ‘A Rocha’ em Portugal, pela consulta das publicações de A J Gardiner,

P Sturgess e P Wallis. Jorge Papa, pela autorização para visitar o Morgado do Reguengo, Portimão, e pelo apoio proporcionado

durante essas visitas. Manuel Dinis Cortes, pelo auxílio na obtenção de fotografias de Oxygastra curtisii e

pela chamada de atenção para a ocorrência de Lestes macrostigma na RNSCMVRSA. Valter Jacinto, pela cordial disponibilização

da fotografia do macho adulto de Selysiothemis nigra. Guillaume Rethore, pela cordial disponibilização de

observações de Aeshna mixta e Cordulegaster boltonii. Peter Oefinger, www.bpo-natura.de, pela cordial disponibilização

de observações de Gomphus pulchellus e Libellula quadrimaculata.

Adolfo Cordero Rivera, Universidad de Vigo, pela tradução, para castelhano, da Síntese final. Christian Roder, Turtle

Foundation, pela tradução, para alemão, da Síntese final.

Bill Clark, pelas facilidades para a cordial utilização de todas as funcionalidades do Earth Point.

Fotógrafos de natureza portugueses, como Albano Soares, Dinis Cortes, Luís Louro, Nelson ‘Arade’ Fonseca e Valter

Jacinto, que partilham as suas melhores imagens de libélulas e libelinhas em plataformas online (flickr, p.ex.) e, involuntariamente,

ajudam nos esforços iniciais da prospeção.

Aquário Vasco da Gama - Biblioteca Oceanográfica do Rei D. Carlos I e, em particular, Paula Leandro, pela autorização

para consulta e reprodução fotográfica do desenho da Libella fluviatili, publicado em 1554 no ‘Libri de Piscibus

Marinis’, de G. Rondelet.

Severa Reis, minha mulher, e Rita, minha filha mais nova, pela paciência, durante as horas e horas de trabalho que

este ebook exigiu. Catarina Carolina, minha filha mais velha, pela agradável companhia em algumas das saídas de

campo...

GLOSSÁRIO

Abdómen - secção posterior do corpo, onde se identificam externamente os 10 segmentos (numerados, para efeitos

de descrição, do extremo proximal para o distal, S1 a S10) e os apêndices abdominais, bem como, nos machos,

os órgãos genitais secundários (na parte ventral de S2).

Ângulo anal - parte específica das asas das Anisoptera. Ver ilustração pág. 15.

Anterior - situado à frente, do lado da cabeça. Antónimo - posterior.

Apêndices abdominais femininos - peças existentes no limite posterior do Abdómen e que facilitam a deposição

dos ovos durante a Oviposição.

Apêndices abdominais masculinos - três (caso das Anisoptera) ou quatro (Zygoptera) peças existentes no limite

posterior do Abdómen, duas em posição superior ou dorsal, e uma ou duas em posição inferior ou ventral. Sinónimo

- apêndices anais masculinos.

Bivoltina - espécie que completa duas gerações por ano.

Carena dorsal - linha de contacto e união entre as metades direita e esquerda do Pterotórax. Ver ilustr. ps. 13 e 15.

Célula alar - elemento estrutural da asa, constituído por uma fina Membrana transparente ou pigmentada (translúcida

ou opaca), e delimitado por Nervuras.

Célula discoidal - parte específica da asa das Zygoptera, similar ao Triângulo das Anisoptera. Ver ilustr. pág. 13.

Cerda - pêlo rijo, existente nas patas, em particular nas tíbias.

Coxa - primeiro segmento (segm. proximal) da pata, entre o tórax e o fémur.

Distal - na parte afastada do eixo ou ponto central do corpo. Antónimo - proximal.

Dorsal - na parte superior do corpo. Antónimo - ventral.

Espiráculo - limite exterior do sistema respiratório; nas Anisoptera os espiráculos são dotados de capacidade interna

para fechar e têm micropêlos que atuam como filtro de ar; nas Zygoptera não existe a capacidade de fechar nem

micropêlos filtrantes. Ver - Metastigma.

Exosqueleto - esqueleto externo, constituído em grande percentagem por quitina, com funções estruturais (forma e

proteção do corpo) e suporte para ações funcionais (movimento).

Exuvia, pl. exuviae - último exosqueleto da fase larvar do ciclo de vida; após a metamorfose do inseto para a fase

adulta, fica abandonada em vegetação ou pedras, ou no solo, próximo do volume de água, e pode ser utilizada

para identificar a Família ou a Espécie, contribuindo para caraterizar a sua distribuição geográfica.

Faixa anteumeral - faixa ou banda de cor clara existente no tórax, paralela à Sutura umeral, a partir da mesma e

estendendo-se para a Carena dorsal. Ver ilustrações págs. 13 e 15.

Fémur - segundo segmento da pata, entre a coxa e a tíbia.

Heterocromática (forma) - pigmentação da fêmea adulta, distinta da do macho adulto. Sinónimo - Ginocromática.

129


Homocromática (forma) - pigmentação da fêmea adulta, muito semelhante à pigmentação do macho adulto.

Imago, pl. imagines ou imagos - fase final do ciclo de vida; é atingida a maturidade sexual e, por isso, é sinónimo

da fase de adulto dotado de capacidade reprodutora.

Instar, pl. instars - cada um dos períodos de vida da larva, cujo início e final são marcados pela mudança de exosqueleto.

Larva, pl. larvas - segunda fase do ciclo de vida.

Loop anal - parte específica da asa posterior das Anisoptera. Ver ilustração pág. 15.

Membrana alar - elemento constituinte da célula alar e delimitado pelas Nervuras alares.

Metastigma - pequena abertura do sistema respiratório, localizada na face lateral do Pterotórax. Ver - Espiráculo.

Multivoltina - espécie que completa três ou mais gerações por ano.

Nervação - rede de nervuras da asas anterior e posterior, que assegura a necessária rigidez estrutural e, consequentemente,

a possibilidade de sustentação no ar, em voo. A forma, a organização e a cor da nervação é específica

de cada Família, Género e, eventualmente, Espécie; por isso é determinante da identificação macroscópica das

diversas Odonata.

Nervura alar - elemento estrutural da asa, que constitui uma parte da rede estruturada e à qual estão ligadas Membranas

alares.

Nervura antenodal principal e nervura antenodal perpendicular. Ver ilustração pág. 15.

Nervura postnodal principal e nervura postnodal perpendicular. Ver ilustração pág. 15.

Nódulo alar - parte específica das asas anterior e posterior, onde se unem as nervuras antenodais e postnodais principais,

e que é específica de cada Família, Género e, eventualmente, Espécie e, por isso é determinante da identificação

macroscópica das diversas Odonata.

Oviposição endofítica - introdução de ovos em tecidos vegetais, pela fêmea, utilizando o respetivo ovipositor e peças

complementares.

Oviposição exofítica- deposição de ovos sobre a superfície livre da água, de plantas aquáticas ou de outros substratos,

pela fêmea.

Oviposição com alheamento do macho (ovip.AF) - padrão de comportamento dos machos adultos, que se desinteressam

das fêmeas após a cópula e que não as acompanham durante a oviposição.

Oviposição sob observação do macho (ovip.PR) - padrão de comportamento dos machos adultos, que se mantêm

nas proximidades das fêmeas durante a oviposição, afastando eventuais ‘intrusos’.

Oviposição em tandem (ovip.PR) - padrão de comportamento dos machos adultos, que retomam a ligação em

tandem após a cópula, e participam ativamente na oviposição.

Partivoltina - espécie que necessita de três ou mais anos para completar uma geração.

Posterior - situado atrás, do lado dos apêndices abdominais. Antónimo - anterior.

Pronotum - estrutura rígida entre a cabeça e o tórax, cobrindo a face dorsal anterior do protórax.

Protórax - limite anterior do tórax, a partir do qual surge o par de patas anteriores. Ver ilustr. das págs. 13 e 15.

Proximal - próximo do eixo ou ponto central do corpo. Antónimo - distal.

Pruína - o mesmo que pruinescência.

Pruinescência - exsudado produzido na hipoderme, de cores esbranquiçada, azulada ou violeta

Pterostigma - célula alar no limite anterior e próxima do limite distal da asa, com a membrana espessada e pigmentada,

de dimensão relativamente grande e, por isso, bastante perceptível; é elemento de diagnóstico para muitas

espécies de Odonata.

Pterotórax - parte posterior e principal do tórax das Odonata. Ver ilustrações das págs. 13 e 15.

Semivoltina - espécie que necessita de dois anos para completar uma geração.

Suturas umeral / interpleural / metapleural - linhas semelhantes a pequenos mas evidentes sulcos, não necessariamente

retilíneos, de união entre as peças que constituem cada um dos lados do Pterotórax. Ver ilustr. p. 13.

Tandem - forma de ligação entre o macho e a fêmea adultos; o macho, recorrendo aos apêndices abdominais, agarra

a fêmea pela cabeça ou pronotum, durante o acasalamento e, eventualmente, a oviposição e até a migração.

Tarso - último segmento (segm. distal) da pata.

Teneral, pl. tenerals - Odonata adulta mas sexualmente imatura, nas horas ou dias imediatos à emergência, quando

está ainda a ganhar a cor definitiva e a robustez estrutural do seu corpo e asas.

Tíbia - terceiro segmento da pata, entre o fémur e o tarso.

Triângulo - parte específica das asas das Anisoptera, similar à Célula discoidal das Zygoptera. Ver ilustr. pág. 15.

Triângulo anal - parte específica da asa posterior de diversas Anisoptera. Ver ilustração pág. 15.

Univoltina - espécie que completa uma geração por ano.

Ventral - na parte inferior do corpo. Antónimo - dorsal.

Vigilante persistente (terr.VP) - padrão de comportamento do macho adulto, que repousa em locais estrategicamente

escolhidos por permitirem uma boa observação do ‘seu território’ e que faz voos periódicos para caçar,

acasalar ou afastar outros machos considerados ‘intrusos’.

Voador ativo (terr.VA) - padrão de comportamento do macho adulto, que percorre quase incessantemente um troço

de um sistema lótico ou lêntico, afastando outros machos considerados ‘intrusos’ e aguardando por fêmeas

disponíveis para a cópula e oviposição.

130


SÍNTESE - ABSTRACT - SÍNTESIS - ZUSAMMENFASSUNG

SÍNTESE

! Este ebook é a primeira publicação especializada existente sobre a fauna odonatológica algarvia.

Não deve, no entanto, ser entendido como uma obra editada só após esgotadas todas as possibilidades

de aprofundamento dos conhecimentos sobre o assunto. Na verdade, temos consciência de que muito

haverá para acrescentar em futuras edições.

! A sua divulgação, neste momento, tem em vista contribuir para a satisfação de uma necessidade

reconhecida e, simultaneamente, colmatar uma lacuna assinalada no European Red List of Dragonflies

(pág 17). Neste Guia Digital sintetizam-se em língua portuguesa numerosas informações já antes disponíveis,

mas dispersas, e adicionam-se informações relevantes. Como resultados deste esforço: i. o número

de registos com observações de Odonata no Algarve foi duplicado, o que permite melhorar significativamente

a cartografia da distribuição regional das 51 espécies; ii. são adicionadas seis novas espécies à

checklist algarvia recente. A profusão de fotografias que ilustra este ebook contribui igualmente para a

sua fácil utilização, mesmo por públicos que não são, nem ambicionam vir a ser, experts no assunto.

! Este Guia Digital foi preparado para uma utilização autónoma; pode, mesmo assim, ser consultado

em paralelo com alguns guias de campo europeus, como o são os prestigiados Field Guide to the

Dragonflies of Britain and Europe, de K-D B Dijkstra & R Lewington, e The Dragonflies of Europe, de

R R Askew. Sob outro ponto de vista, este ebook pode ser facilmente consultado tanto por lusofalantes

como por não lusofalantes: o texto apresenta a tradução para inglês dos termos técnicos indispensáveis

para a interpretação dos conteúdos, e a cartografia e imagens falam por si. Assume-se, assim, que a comunidade

internacional interessada na fauna odonatológica algarvia encontrará, neste Guia Digital,

uma obra de consulta indispensável.

! Por último, apresenta-se nesta Síntese um derradeiro contributo, útil e enriquecedor para quem

quiser partir à descoberta das Odonata no Algarve: os 10 melhores locais para observar e fotografar

Libélulas e Libelinhas no Algarve. Desfrute em pleno este património natural, respeitando-o com ética

e dignidade, para que não se degrade ou extinga.

OS 10 MELHORES LOCAIS PARA OBSERVAR E FOTOGRAFAR LIBÉLULAS E LIBELINHAS NO ALGARVE

Mais informação AQUI.

131


ABSTRACT

! This ebook is the first publication focused on the Algarve’s Odonata Order. It shouldn’t, however,

be perceived as the definitive edition on the subject, published only after exhausting all knowledge

about. In fact, there still will be much to add in future editions.

! At this moment, its divulgation is aiming to contribute to the satisfaction of a recognized demand

and, simultaneously, to fill in a blank mentioned on the European Red List of Dragonflies (p. 17).

Therefore, this Digital Guide not only synthesizes, in Portuguese, a large amount of data already available

though scattered, but also adds new one. As main results of our efforts: i. The number of records was

duplicated, providing new data to significantly improved cartographies on the regional distribution of

the 51 species; ii. Six new species were added to the Algarve’s most recent checklist. The large number of

photographies in this ebook also contributes to the fact that it can be easily used by those who are not,

neither wish to be, experts on the subject.

! This Digital Guide has been prepared to be used as an independent source of information. It can,

however, be consulted in parallel with some European field guides, such as the Field Guide to the

Dragonflies of Britain and Europe, by K-D B Dijkstra & R Lewington, and/or The Dragonflies of

Europe, by R R Askew. In the other hand, this ebook can be easily consulted by non Portuguese speakers,

because the indispensable technical terms are translated to English, allowing the comprehension of fundamental

contents. In this way, it is assumed that the international community interested in the Algarve's

Odonata fauna will find this Digital Guide to be a reference work of great importance.

! At last, it is presented in this Abstract a new contribute, equally enriching for those who wish to

discover the Algarve’ Odonata fauna: the 10 hotspots to observe and photograph dragonflies and

damselflies at Algarve. Fully enjoy this natural resource, respecting it carefully and avoiding its degradation

and extinction.

SÍNTESIS

! Este libro electrónico es la primera publicación especializada disponible sobre la fauna odonatológica

de la región portuguesa de Algarve. No puede, sin embargo, ser considerado como una obra publicada

al final de un estudio profundo y completo de la temática. Somos plenamente conscientes de que

en futuras ediciones se podrá aportar mucha más información.

! Su divulgación, en este momento, tiene por tanto la intención de contribuir a la satisfacción de

una necesidad reconocida y, al mismo tiempo, a rellenar un hueco identificado en la European Red List

of Dragonflies (pág. 17). En la presente Guía Digital se compilan en lengua portuguesa la casi totalidad

de los datos anteriormente publicados, pero dispersos y muchas veces sólo accesibles a los especialistas, y

se añade un número considerable de nuevos datos. Los principales resultados de todo el esfuerzo son: i.

se ha duplicado el número de registros de observaciones de Odonata en el Algarve, lo que permite mejorar

la cartografía regional de la distribución de cada una de las 51 especies tratadas; ii. se han adicionado

seis especies al catálogo reciente (checklist) del Algarve. La profusión de fotografías que ilustra el

ebook es una enorme ayuda para su utilización, incluso por personas que no son, ni pretenden ser, especialistas

en el tema.

! La Guía Digital fue pensada para una utilización autónoma; puede, así mismo, consultarse conjuntamente

con algunas guías de campo europeas muy prestigiosas, como la Field Guide to the Dragonflies

of Britain and Europe, de K-D B Dijkstra & R Lewington, y el libro The Dragonflies of Europe,

de R R Askew. Además, este ebook puede ser muy útil incluso para aquellos que no hablan portugués; el

vocabulario técnico tiene su traducción al inglés, y la cartografía y fotos hablan por sí mismas. En consecuencia,

estamos seguros de que quienes tienen el idioma castellano como lengua materna van a encontrar

en esta Guía Digital una obra de consulta indispensable.

! Por último, se presenta en esta Síntesis una última contribución del ebook, útil para los que

quieran salir al descubrimiento de las Odonata en el Algarve: las 10 mejores localidades para observar

y fotografiar Libélulas en el Algarve. Lo que deseamos es que disfrute del patrimonio natural de la

región, respetándolo para que no se degrade o extinga.

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ZUSAMMENFASSUNG

! Dieses Ebook ist die erste spezialisierte Ausgabe über die Fauna der Libellen (Odonata) an der

Algarve (Portugal). Diese Ausgabe sollte jedoch nicht als endgültiges Werk angesehen werden, da es sicherlich

noch Vieles gibt, was in den zukünftigen Ausgaben hinzugefügt werden muss.

! Die Veröffentlichung soll zur Befriedigung einer anerkannten Nachfrage beitragen und gleichzeitig

eine Lücke in der Europäischen Roten Liste der Libellen (S.17) füllen. In diesem Ebook werden

zahlreiche bereits vorhandene, aber verstreute Informationen in der portugiesischen Sprache zusammengefasst

und neue Informationen hinzugefügt. Als Ergebnis all dieser Bemühungen wurde erstens die

Anzahl der registrierten Beobachtungen von Odonata verdoppelt; dies erlaubt eine wesentliche Verbesserung

der Kartographie der regionalen Verteilung jeder Spezies. Zweitens wurden drei neue Arten in die

Checkliste der Algarve aufgenommen. Die große Anzahl an Fotos in diesem Ebook erlaubt eine einfache

Bestimmung, auch für diejenigen die keine Experten auf diesem Gebiet sind.

! Dieses Digitale Bestimmungsbuch wurde als eigenständige Informationsquelle konzipiert, kann

jedoch auch parallel mit einigen europäischen Führern konsultiert werden, so wie der „Field Guide to

the Dragonflies of Britain and Europe“, von K-D B Dijkstra & R Lewington und/ oder „The Dragonflies

of Europe”, von R R Askew. Weiterhin kann dieses Ebook sowohl von Personen, die der Portugiesischen

Sprache mächtig sind, aber auch von Personen die der Sprache nicht mächtig sind konsultiert werden,

da wichtige Fachbegriffe ins Englische übersetzt wurden und so ein Verständnis der grundlegenden

Inhalte erlauben. So ist davon auszugehen, dass die internationale Gemeinschaft, die an der Fauna der

Libellen an der Algarve interessiert ist, in diesem digitalen Führer ein unentbehrliches Nachschlagwerk

findet.

! Zu guter Letzt stellt diese Zusammenfassung einen originellen und bereichernden Beitrag für

diejenigen, die die Fauna der Libellen an der Algarve entdecken möchten: Die Liste der 10 besten Plätze

zur Beobachtung und zum Fotografieren der Libellen in der Algarve. Genießen Sie diese natürliche

Ressource und respektieren Sie sie mit Sorgfalt um sie nicht zu beeinträchtigen.

133


!

!

FICHA TÉCNICA

Foto da capa" " " " " " " " " Ilustrações

Sympetrum fonscolombii macho adulto" " " " " Paula Gaspar

arrozal de Nª Srª do Rosário, Estômbar - Julho

Edição"" " " " " " " " " ISBN: 978-989-97560-0-7

http://www.idescobrir.pt"" " " " " " Apoio

Citar corretamente: Citation:

Loureiro, N. S. 2011. Libélulas e Libelinhas (Odonata)

no Algarve. Ebook, e.01.v.004. iDescobrir.pt. 134 pp.

Este ebook é propriedade de: Turismo do Algarve

e tem o número de identificação: OA-e.01-v.004-n.0022

De Libella 134fluviatili

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