UMA INTRODUÇÃO AO PENSAMENTO EM REDE - Fluxos

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UMA INTRODUÇÃO AO PENSAMENTO EM REDE - Fluxos

O RIZOMA

DELEUZIANO

TRECHOS DO LIVRO “mIL PLATÔS - CAPITALISMO E ESQUIZOFRENIA - vOL. 1”

UMA INTRODUÇÃO AO PENSAMENTO EM REDE

PROF. ALEMAR RENA


RIZOMA

“É preciso fazer o múltiplo, não

acrescentando sempre uma instância

superior, mas ao contrário, de maneira

simles, com força e sobriedade, no nível

das dimensões de que se dispõe, sempre

n-1 (é somrente assim que o uno faz

parte do múltiplo, estando sempre

subtraído dele). (...) Um tal sistema

poderia ser chamado de rizoma.”


“Um rizoma como aste

subterrânea distingue-se

absolutamente das raízes e

radículas. Os bulbos, od

turbéculos são rizomas.”


“Até animais o são, sob sua forma

matilha; ratos são rizomas. As tocas

o são, com todas as suas funções de

hábitat, de provisão, de deslocamento,

de evasão e de ruptura. Há rizoma

quando os ratos deslizam uns sobre

os outros.”


“Sentimos que não convenceremos

ninguém se não enumerarmos certas

características aproximativas do rizoma.

1 e 2 - princípio de conexão e

heterogeneidade: qualquer ponto de um

rizoma pode ser conectado a qualquer

outro e deve sê-lo. É muito diferente da

árvore ou da raiz, que fixam um ponto,

uma ordem.”


“Um rizoma não cessaria de

conectar cadeias semióticas,

organizações de poder,

ocorrências que remetem às

artes, às ciências, às lutas

sociais.”


“Uma cadeia semiótica é como um

tubérculo que aglomera atos

muito diversos, lingüísticos, mas

também perceptivos, mímicos,

gestuais, cogitativos: não existe

língua em si, nem universalidade da

linguagem, mas um concurso de

dialetos, de patoás, de gírias, de

línguas especiais.”


“Não existe uma língua mãe, mas tomada

de poder por uma língua dominante

dentro de uma multiplicidade política. A

língua se estabiliza em torno de uma

paróquia, de um bispado, de uma capital.

Ela faz bulbo. Ela evolui por hastes e

fluxos subterrâneos, ao longo de vales

fluviais ou de linhas de estrada de ferro,

espalha-se como manchas de óleo.”


“3 - Princípio de multiplicidade: é

somente quando o múltiplo é

efetivamente tratado como substantivo,

multiplicidade, que ele não tem mais

nenhuma relação com o uno como sujeito

ou como objeto, como realidade natural

ou espiritual, como imagem e mundo.

Inexistência, pois, de unidade que sirva de

pivô no objeto ou que se divida no

sujeito.”


“Uma multiplicidade não tem nem

sujeito nem objeto, mas somente

determinações, grandezas,

dimensões que não podem crescer

sem que mude de natureza. (...)”


“A noção de unidade aparece

unicamente quando se produz

numa multiplicidade uma tomada

de poder pelo significante ou um

processo correspondente de

subjetivação”


“...é o caso da unidade-pivô que

funda um conjunto de correlações

biunívocas entre elementos ou

pontos objetivos, ou do Uno que se

divide segundo a lei de uma lógica

binária da diferenciação no sujeito.”


“Contra os sistemas centrados (e

mesmo policentrados), de comunicação

hierárquica e ligações preestabelecidas,

o rizoma é um sistema a-centrado não

hierárquico e não significante, sem

general, sem memória organizadora ou

autômato central, unicamente definido

por uma circulação de estados.”


“O que está em questão no rizoma

é uma relação com a sexualidade,

mas também com o animal, com o

vegetal, com o mundo, com a

política, com o livro, com as

coisas da natureza e do

artifício...”


“4 - O princípio da ruptura a-significante:

contra os cortes demasiado significantes

que separam as estruturas, ou que

atravessam uma estrutura.”


“Um rizoma pode ser rompido, quebrado

em um lugar qualquer, e também retoma

segundo uma ou outra de suas e segundo

outras linhas.

É impossível exterminar as formigas,

porque elas formam um rizoma animal

do qual a maior parte pode ser

destruída sem que ele deixe de se

reconstruir.”


“Faz-se um ruptura, traça-se uma linha

de fuga, mas corre-se sempre o risco de

reencontrar nela organizações que

reestratificam o conjunto, formações

que dão novamente o poder a um

significante, atribuições que reconstituem

um sujeito - tudo o que se quiser, desde

as ressurgências edipianas até as

concreções fascistas.

Os grupos e os indivíduos contêm

microfascismos sempre à espera de

cristalização.”


“Como é possível que os movimentos de

desterritorialização e os processos de

reterritorialização não fossem relativos,

não estivem em perpétua ramificação,

presos uns aos outros? A orquídea se

desterritorializa, formando uma imagem,

um decalque de vespa; mas a vespa se

reterritorializa sobre esta imagem. >>>


“5 e 6: Princípio de cartografia e de

decalcomania: um rizoma não pode ser

justificado por nenhum modelo

estrutural ou gerativo. Ele é estranho a

qualquer ideía de eixo genético ou de

estrutura profunda. Um eixo genético é

como uma unidade pivotante objetiva

sobre a qual se organizam estados

sucessivos...”


“Do eixo genético ou da

estrutura profunda, dizemos

que eles são antes de tudo

princípios de decalque,

reprodutíveis ao infinito. Toda

lógica da árvore é uma lógica

do decalque e da reprodução”


“Diferente é o rizoma, mapa e

não decalque. Fazer o mapa, não

o decalque. Se o mapa se opõe

ao decalque é por estar

inteiramente voltado para uma

experimentação ancorada no

real. O mapa não reproduz o

inconsciente fechado sobre ele

mesmo, ele constrói.”


“Ele faz parte do rizoma. O mapa

é aberto, é conectável em todas

as suas dimensões, desmontável,

reversível, suscetível de receber

modificações constantemente. Ele

pode ser rasgado, revertido,

adaptar-se a montagens de

qualquer natureza, ser preparado

por um indivíduo, um grupo, uma

formação social..”


“Pode-se desenhá-lo numa parede,

concebê-lo como obra de arte,

construí-lo como uma ação

política ou como uma meditação.”


“Entretanto será que nós não

restauramos um simples dualismo

opondo os mapas aos decalques,

como um bom e um mau lado? Não

é próprio do mapa poder ser

decalcado? Não é próprio do

rizoma cruzar as raízes,

confundir-se às vezes com elas?”


O decalque é como “uma foto, um

rádio que começaria por eleger o

que ele tem intenção de

reproduzir, com a ajuda de meios

artificiais, com ajuda de

colorantes ou outros

procedimentos de coação.”


Ele gerou, estruturalizou o

rizoma, e o decalque já não

reproduz senão ele mesmo quando

crê reproduzir outra coisa. Por

isso ele é tão perigoso. Ele injeta

redundâncias e as propaga. O que

o decalque reproduz do mapa são

somente os impasses, os

bloqueios, os germes de pivô ou os

pontos de estruturação.”


Links Interessantes

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