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Modelagem da dinâmica de uma paisagem do Planalto de Ibiúna ...

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Ana Maria <strong>de</strong> Go<strong>do</strong>y Teixeira<br />

<strong>Mo<strong>de</strong>lagem</strong> <strong>da</strong> <strong>dinâmica</strong> <strong>de</strong> <strong>uma</strong> <strong>paisagem</strong> <strong>do</strong><br />

<strong>Planalto</strong> <strong>de</strong> <strong>Ibiúna</strong> (1962-2000) e inferências<br />

sobre a sua estrutura futura (2019)<br />

São Paulo<br />

2005


Ana Maria <strong>de</strong> Go<strong>do</strong>y Teixeira<br />

<strong>Mo<strong>de</strong>lagem</strong> <strong>da</strong> <strong>dinâmica</strong> <strong>de</strong> <strong>uma</strong> <strong>paisagem</strong> <strong>do</strong><br />

<strong>Planalto</strong> <strong>de</strong> <strong>Ibiúna</strong> (1962-2000) e inferências<br />

sobre a sua estrutura futura (2019)<br />

Dissertação apresenta<strong>da</strong> ao Instituto <strong>de</strong><br />

Biociências <strong>da</strong> Universi<strong>da</strong><strong>de</strong> <strong>de</strong> São Paulo<br />

para a obtenção <strong>de</strong> Título <strong>de</strong> Mestre em<br />

Ciências, na Área <strong>de</strong> Ecologia.<br />

Orienta<strong>do</strong>r: Prof. Dr. Jean Paul Metzger<br />

São Paulo<br />

2005


Teixeira, Ana Maria <strong>de</strong> Go<strong>do</strong>y<br />

<strong>Mo<strong>de</strong>lagem</strong> <strong>da</strong> <strong>dinâmica</strong> <strong>de</strong> <strong>uma</strong><br />

<strong>paisagem</strong> <strong>do</strong> <strong>Planalto</strong> <strong>de</strong> <strong>Ibiúna</strong> (1962-2000)<br />

e inferências sobre a sua estrutura futura<br />

(2019)<br />

118 páginas<br />

Dissertação (Mestra<strong>do</strong>) - Instituto <strong>de</strong><br />

Biociências <strong>da</strong> Universi<strong>da</strong><strong>de</strong> <strong>de</strong> São Paulo.<br />

Departamento <strong>de</strong> Ecologia.<br />

1. Dinâmica <strong>de</strong> paisagens 2. Mo<strong>de</strong>los<br />

<strong>de</strong> simulação espacial 3. Ecologia <strong>de</strong><br />

Paisagens I. Universi<strong>da</strong><strong>de</strong> <strong>de</strong> São Paulo.<br />

Instituto <strong>de</strong> Biociências. Departamento <strong>de</strong><br />

Ecologia.<br />

Comissão Julga<strong>do</strong>ra:<br />

Prof(a). Dr(a) Brital<strong>do</strong> Soares Filho Prof(a). Dr(a) Mateus Batistella<br />

Orienta<strong>do</strong>r: Prof. Dr. Jean Paul Metzger


a meus amigos...<br />

eternos e efêmeros...<br />

amigos...


Pren<strong>de</strong>i o rio<br />

Maltratai o rio<br />

Truci<strong>da</strong>i o rio<br />

A água não morre<br />

A água que é feita<br />

De gotas inermes<br />

Que um dia serão<br />

Maiores que o rio<br />

Gran<strong>de</strong>s como o oceano<br />

Fortes como os gelos<br />

Os gelos polares<br />

Que tu<strong>do</strong> arrebentam<br />

(Manuel Ban<strong>de</strong>ira)


AGRADECIMENTOS<br />

Agra<strong>de</strong>ço, <strong>de</strong>s<strong>de</strong> já, a quem me pôs no mun<strong>do</strong>... Gloriosos Sr. Teixeira e Dona Margari<strong>da</strong>,<br />

sempre me colocan<strong>do</strong> no caminho <strong>do</strong> bem, <strong>do</strong> sonho, <strong>da</strong> infância & <strong>da</strong> vi<strong>da</strong> adulta, <strong>do</strong><br />

compromisso, <strong>da</strong> realização, <strong>da</strong> luta, <strong>da</strong> in<strong>de</strong>pendência, <strong>do</strong>s ver<strong>da</strong><strong>de</strong>iros valores.<br />

Agra<strong>de</strong>ço à minha irmã, Inês, que, nos últimos anos, tem si<strong>do</strong> <strong>uma</strong> companhia intensiva à<br />

divisão <strong>de</strong> conquistas e frustrações.<br />

Agra<strong>de</strong>ço à minha irmã Camila, ao meu irmão Gustavo e à minha sobrinha Marina. Estes,<br />

sim, são os responsáveis pelos momentos <strong>de</strong> <strong>de</strong>scontração únicos, seja em São Paulo, seja<br />

na maravilhosa ci<strong>da</strong><strong>de</strong> <strong>de</strong> Ilhéus.<br />

Agra<strong>de</strong>ço à minha família <strong>de</strong> plantão: Jacyra, Mike, Simone, Michele e Tetel (estes últimos<br />

internacionais), sempre dispostos a encontrar soluções para problemas diversos, que vão<br />

<strong>de</strong>s<strong>de</strong> pedi<strong>do</strong>s <strong>de</strong> socorro para conter a explosão populacional <strong>de</strong> gatos em minha casa até<br />

pedi<strong>do</strong>s para encontrar fórmulas para cálculos dificílimos.<br />

Agra<strong>de</strong>ço ao meu orienta<strong>do</strong>r, Prof. Dr. Jean Paul Metzger. Durante a graduação em<br />

Ciências Biológicas, Jean Paul, para mim, sempre representou um ícone, um mito, <strong>uma</strong><br />

pessoa um tanto quanto inatingível. Durante o mestra<strong>do</strong>, Jean Paul foi, aos poucos, me<br />

fazen<strong>do</strong> perceber o quão h<strong>uma</strong>no é, <strong>do</strong>ta<strong>do</strong> <strong>de</strong> extrema sensibili<strong>da</strong><strong>de</strong>, ética, <strong>de</strong>terminação,<br />

princípios. Entretanto, Jean Paul continua a representar um ícone, um mito, para mim.<br />

Agra<strong>de</strong>ço ao Prof. Dr. Brital<strong>do</strong> Soares Filho e à sua equipe, principalmente ao Hermann, ao<br />

William e à Eliana e à sua família, pela iniciação paciente ao mun<strong>do</strong> <strong>da</strong> simulação espacial,<br />

e, porque não, pelos divertidíssimos momentos em Belorizonte.<br />

Agra<strong>de</strong>ço o financiamento concedi<strong>do</strong> pela CNPq.<br />

Agra<strong>de</strong>ço também a Gior<strong>da</strong>no Ciocheti, pela extrema paciência, pelo carinho e pelas<br />

oportuni<strong>da</strong><strong>de</strong>s <strong>de</strong> reencontro com a velha-guar<strong>da</strong> são carlense ao som <strong>de</strong> muito samba-rock.


Agra<strong>de</strong>ço aos amigos <strong>do</strong> Laboratório <strong>de</strong> Ecologia <strong>de</strong> Paisagens & Conservação. Miltinho<br />

Astronauta e Alexandre Uezu, pela iniciação, também paciente, ao mun<strong>do</strong> <strong>do</strong><br />

geoprocessamento, e Wellington, por enten<strong>de</strong>r a minha fobia <strong>de</strong> vírus <strong>de</strong> computa<strong>do</strong>res e<br />

por manter o sistema to<strong>do</strong> funciona<strong>do</strong>, sempre! Agra<strong>de</strong>ço à Cristina Simonetti, pela<br />

iniciação à fotointerpretação. Ao William, por confiar parte <strong>do</strong>s seus <strong>da</strong><strong>do</strong>s a mim. Aos<br />

companheiros <strong>de</strong> aflição e risa<strong>da</strong>s nervosas, André Nogueira, Fabiana Umetsu e Flávia<br />

Jesus. Às meninas cheias-<strong>de</strong>-graça Daniela Petenon & Mariana Vi<strong>da</strong>l. À nova geração<br />

lepaquiana: Leandro Tambosi & Alexandre Igari, que já chegaram com muitas coisas a<br />

ensinar. E, é claro, à velha e diverti<strong>da</strong> guar<strong>da</strong> <strong>do</strong> LEPaC: Pedro Develey, Tank, Renata<br />

Pardini, Luciana Alves, Adriana Fi<strong>da</strong>lgo, Daniela Ferraz, Carol, Mariana, Danilo, Rafael,<br />

Kiwi, D2, Laura, Gerar<strong>do</strong>, Jorge, entre tantos outros. Em especial gostaria <strong>de</strong> agra<strong>de</strong>cer à<br />

velha-nova amiga Cristina Banks, <strong>uma</strong> companhia preciossísima em momentos aleatórios.<br />

Agra<strong>de</strong>ço à Tita e à Cristina Oka por terem me <strong>da</strong><strong>do</strong> asas para voar ao me confiarem a<br />

tarefa <strong>de</strong> <strong>da</strong>r continui<strong>da</strong><strong>de</strong> a um velho sonho: a elaboração <strong>de</strong> material volta<strong>do</strong> à educação<br />

ambiental para a população <strong>de</strong> Caucaia <strong>do</strong> Alto. E às Profas. Dras. Vânia Pivello e Silvana<br />

Buzato e, mais <strong>uma</strong> vez, ao Prof. Dr. Jean Paul Metzger, entre outros tantos alunos, pelas<br />

colaborações, correções e sugestões essenciais à quase-finalização <strong>de</strong>sse projeto.<br />

Agra<strong>de</strong>ço às alemãs Jutta e Jana, por me mostrarem que a <strong>dinâmica</strong> <strong>de</strong> paisagens não se<br />

restringe apenas à sobreposição <strong>de</strong> mapas e análise <strong>da</strong> influência <strong>de</strong> variáveis proximais.<br />

Agra<strong>de</strong>ço às minhas mães <strong>de</strong> plantão: Marisa Salles, Neuza Ciocheti e Maria Pia Castiglia.<br />

Agra<strong>de</strong>ço à minha re<strong>de</strong> <strong>de</strong> amigos Ana Crisitina, Indhira, Fábio Lima, Pluck, Thiago<br />

Salga<strong>do</strong>, Magno, entre muitos, interliga<strong>do</strong>s <strong>de</strong> <strong>uma</strong> maneira ou <strong>de</strong> outra.<br />

Agra<strong>de</strong>ço ao corpo <strong>de</strong> funcionários <strong>do</strong> Instituto <strong>de</strong> Biociências pelo suporte burocrático<br />

imprescindível.


ABSTRACT<br />

The study of the dynamics of land use and occupation in the Atlantic Forest regions is quite<br />

important in or<strong>de</strong>r to un<strong>de</strong>rstand the processes of <strong>de</strong>forestation and forest regeneration and<br />

further for the territorial planning of a region that has historically been suffering serious<br />

forest loss and fragmentation. The objective of this study was to i) quantify the landscape<br />

dynamics from 1962 to 2000 in a specific Atlantic Forest region, assessing the importance<br />

of the relevant variables (relief, hydrography, proximity with roads, urban areas or units of<br />

use and land cover) in or<strong>de</strong>r to offer a gui<strong>de</strong>line for changes; ii) infer over the future<br />

changes of the structure (2019) and the potential implications in terms of biological<br />

conservation. The region selected for this study, called Caucaia <strong>do</strong> Alto, is located in the<br />

Ibiuna Plateau in the counties of Cotia and Ibiuna, in the State of São Paulo, not too far off<br />

Sao Paulo. This is an essentially agricultural area, very heterogeneous, featuring different<br />

kinds of land use and occupation such as agriculture, reforestation with exotic species,<br />

urban and rural facilities, and fragments of forests and natural vegetation in an early<br />

regeneration stage. The analysis of the historical <strong>de</strong>velopment of this region has been<br />

performed based on the visual interpretation of air photographs taken in 1962 (1:25,000),<br />

1981 (1:35,000) and 2000 (1:10,000). These three mosaics with the relevant photo<br />

interpretation and also the set of supporting <strong>da</strong>ta (obtained at 1:10,000 scale) used as close<br />

variables were all entered in a georeferenced <strong>da</strong>tabank in the program ArcView © and<br />

further reviewed in the program DINAMICA © .<br />

During the period 1962 and 1981, the Caucaia <strong>do</strong> Alto region un<strong>de</strong>rwent a heavy<br />

modification of its structure with a pre<strong>do</strong>minance of the regeneration process over<br />

<strong>de</strong>forestation, which resulted in an expansion of the forest areas. This dynamics occurred<br />

probably in connection with crops-sod rotations that feature long aban<strong>do</strong>nment with further<br />

cutting of the re-emerging natural vegetation. The intense regeneration observed may be<br />

explained by the reduction of timber extraction and vegetal coal production after the end of<br />

World War II and by the compliance to the Forest Co<strong>de</strong> issued in 1965. On the other hand,<br />

during the period of 1981 and 2000, <strong>de</strong>forestation was more intense and regeneration was<br />

reduced, with a distinct loss of forest cover. This is the period that features the expansion of<br />

urban <strong>de</strong>velopments, which are probably directly and indirectly responsible for<br />

<strong>de</strong>forestation. The space trends show that <strong>de</strong>forestation has occurred preferentially in areas


more favorable to agricultural activities (flatter and low lands and with better access), while<br />

regeneration has occurred in areas which are closer to the rivers, probably due to the<br />

influence of legislative restrictions, in steeper areas and in those farther away from urban<br />

settlements and roads.<br />

The dynamics <strong>da</strong>ta also allowed inferences on the future spatial stan<strong>da</strong>rd landscape<br />

for Caucaia <strong>do</strong> Alto (2019) through the use of a spatial simulation program based on<br />

cellular automata (DINAMICA © ). The mo<strong>de</strong>ls used to generate future scenarios were based<br />

on the trends observed between the years 1981 and 2000, and the year 2000 was chosen as<br />

a vali<strong>da</strong>tion parameter. Four different scenarios were selected, each one with 10 landscape<br />

replicas (all told 40 separate landscapes were simulated): i) the actual scenario projected<br />

the trends of the last 20 years (1981-2000), without any interference; ii) the optimistic<br />

scenario simulated a condition of no <strong>de</strong>forestation and keeping the same regeneration<br />

rhythm observed between 1981 and 2000; iii) the pessimistic scenario maintained the same<br />

<strong>de</strong>forestation rate as in the past and increased agricultural stability thus avoiding forest<br />

regeneration; and iv) the ran<strong>do</strong>m scenario that was used as control scenario, followed past<br />

trends similarly to the real scenario, yet taking out the influence of the close variables. All<br />

the scenarios that were obtained had their landscape rates calculated in connection with<br />

composition (forest cover) and configuration (spatial distribution in terms of fragments<br />

number, size and <strong>de</strong>gree of isolation/proximity). Results show that the optimistic scenario,<br />

which is equivalent to a policy of “zero <strong>de</strong>forestation” is the only one capable of increasing<br />

the forest cover and reduce the number of forest fragments in the landscape. When<br />

compared to the real scenario of recent trends maintenance for landscape dynamics, this<br />

scenario allows a projected increase of about 50% in the size of the largest fragment, it<br />

<strong>do</strong>ubles the fragments average area and increases almost three times proximity between<br />

remaining forest fragments. On the other hand, in an adverse situation, where a greater<br />

agricultural stabilization would occur and less aban<strong>do</strong>nment of the land and therefore<br />

interruption of natural regeneration (pessimistic scenario), there is a clear loss of forest<br />

areas (1.238 ha), increase in the number of fragments, reduction of the size and closeness of<br />

the fragments. These results indicate that firm interventions that avoid <strong>de</strong>forestation and the<br />

maintenance of current regeneration rates would be highly beneficial in terms of<br />

conservation.


RESUMO<br />

O estu<strong>do</strong> <strong>da</strong> <strong>dinâmica</strong> <strong>de</strong> uso e cobertura <strong>da</strong>s terras em regiões <strong>de</strong> Floresta Atlântica é <strong>de</strong><br />

relevante importância ao entendimento <strong>do</strong>s processos que <strong>de</strong>terminam o <strong>de</strong>smatamento e a<br />

regeneração florestal e, em conseqüência, ao planejamento territorial <strong>de</strong> <strong>uma</strong> região que<br />

vem, historicamente, sofren<strong>do</strong> intensas per<strong>da</strong>s e fragmentação <strong>de</strong> florestas. O objetivo <strong>de</strong>ste<br />

trabalho consistiu em: i) quantificar a <strong>dinâmica</strong> <strong>da</strong> <strong>paisagem</strong> observa<strong>da</strong> para o perío<strong>do</strong> <strong>de</strong><br />

1962 a 2000 em <strong>uma</strong> região <strong>de</strong> Mata Atlântica, verifican<strong>do</strong> a importância <strong>de</strong> variáveis<br />

proximais (relevo, hidrografia, proximi<strong>da</strong><strong>de</strong> a estra<strong>da</strong>s, a áreas urbanas ou a uni<strong>da</strong><strong>de</strong>s <strong>de</strong><br />

uso e cobertura <strong>da</strong>s terras) no direcionamento <strong>da</strong>s modificações; ii) inferir sobre as<br />

mu<strong>da</strong>nças na estrutura <strong>da</strong> <strong>paisagem</strong> em um tempo futuro (2019) e as possíveis implicações<br />

em termos <strong>de</strong> conservação biológica. A região <strong>de</strong> estu<strong>do</strong>, <strong>de</strong>nomina<strong>da</strong> <strong>de</strong> Caucaia <strong>do</strong> Alto,<br />

localiza-se no <strong>Planalto</strong> <strong>de</strong> <strong>Ibiúna</strong>, nos municípios <strong>de</strong> Cotia e <strong>Ibiúna</strong>, SP, próximo à ci<strong>da</strong><strong>de</strong><br />

<strong>de</strong> São Paulo. Trata-se <strong>de</strong> <strong>uma</strong> <strong>paisagem</strong> essencialmente agrícola, bastante heterogênea,<br />

pontua<strong>da</strong> por diferentes tipos <strong>de</strong> uso e cobertura <strong>da</strong>s terras, entre eles a agricultura, o<br />

reflorestamento com espécies exóticas, as instalações rurais e urbanas e os fragmentos <strong>de</strong><br />

florestas e <strong>de</strong> vegetação natural em estádio inicial <strong>de</strong> regeneração. A análise <strong>da</strong> evolução<br />

histórica <strong>de</strong>ssa região foi feita a partir <strong>da</strong> interpretação visual <strong>de</strong> fotografias aéreas relativas<br />

aos anos <strong>de</strong> 1962 (1:25.000), 1981 (1:35.000) e 2000 (1:10.000). Estes três mosaicos<br />

fotointerpreta<strong>do</strong>s, assim como o conjunto <strong>de</strong> <strong>da</strong><strong>do</strong>s auxiliares (obti<strong>do</strong>s na escala 1:10.000),<br />

utiliza<strong>do</strong>s como variáveis proximais, foram inseri<strong>do</strong>s em um banco <strong>de</strong> <strong>da</strong><strong>do</strong>s<br />

georeferrencia<strong>do</strong> no programa ArcView © e posteriormente analisa<strong>do</strong>s no programa<br />

DINAMICA © .<br />

No perío<strong>do</strong> <strong>de</strong> 1962 e 1981, a região <strong>de</strong> Caucaia <strong>do</strong> Alto sofreu <strong>uma</strong> intensa<br />

modificação em sua estrutura, porém com pre<strong>do</strong>mínio <strong>do</strong> processo <strong>de</strong> regeneração sobre o<br />

<strong>de</strong>smatamento, resultan<strong>do</strong> em <strong>uma</strong> expansão <strong>de</strong> áreas floresta<strong>da</strong>s. Essa <strong>dinâmica</strong><br />

provavelmente esteve relaciona<strong>da</strong> a culturas rotacionais, caracteriza<strong>da</strong>s pelo intenso<br />

aban<strong>do</strong>no agrícola e corte <strong>de</strong> vegetação natural. A intensa regeneração observa<strong>da</strong> po<strong>de</strong> ser<br />

explica<strong>da</strong> pela redução <strong>da</strong>s ativi<strong>da</strong><strong>de</strong>s volta<strong>da</strong>s à extração <strong>de</strong> lenha e carvão vegetal após o<br />

final <strong>da</strong> Segun<strong>da</strong> Guerra Mundial e ao cumprimento <strong>do</strong> Código Florestal, implanta<strong>do</strong> em<br />

1965. Por outro la<strong>do</strong>, no perío<strong>do</strong> <strong>de</strong> 1981 e 2000, houve <strong>uma</strong> intensificação <strong>do</strong>


<strong>de</strong>smatamento e <strong>uma</strong> redução <strong>da</strong> regeneração, com níti<strong>da</strong> per<strong>da</strong> <strong>da</strong> cobertura florestal. Este<br />

perío<strong>do</strong> é marca<strong>do</strong> pela expansão <strong>do</strong>s loteamentos urbanos, sen<strong>do</strong> os mesmos,<br />

provavelmente, responsáveis diretos e indiretos pelo <strong>de</strong>smatamento. As tendências<br />

espaciais mostram que o <strong>de</strong>smatamento ocorre preferencialmente em áreas mais propícias à<br />

agricultura (terras mais planas e baixas e <strong>de</strong> fácil acesso), enquanto a regeneração ocorre<br />

em áreas próximas aos rios, <strong>de</strong>vi<strong>do</strong>, provavelmente, à influência <strong>da</strong> legislação, em áreas <strong>de</strong><br />

maior <strong>de</strong>clivi<strong>da</strong><strong>de</strong> e mais afasta<strong>da</strong>s <strong>do</strong>s centros urbanos e <strong>de</strong> estra<strong>da</strong>s.<br />

Os <strong>da</strong><strong>do</strong>s <strong>de</strong> <strong>dinâmica</strong> permitiram, ain<strong>da</strong>, inferir sobre o padrão espacial futuro <strong>da</strong><br />

<strong>paisagem</strong> <strong>de</strong> Caucaia <strong>do</strong> Alto (2019) pela utilização <strong>de</strong> um programa <strong>de</strong> simulação espacial<br />

basea<strong>do</strong> em autômatos celulares (DINAMICA © ). Os mo<strong>de</strong>los utiliza<strong>do</strong>s para a geração <strong>do</strong>s<br />

cenários futuros foram basea<strong>do</strong>s nas tendências observa<strong>da</strong>s entre os anos <strong>de</strong> 1981 e 2000,<br />

com a vali<strong>da</strong>ção feita toman<strong>do</strong>-se como parâmetro o ano <strong>de</strong> 2000. Foram utiliza<strong>do</strong>s quatro<br />

cenários distintos, ca<strong>da</strong> um com 10 réplicas <strong>de</strong> <strong>paisagem</strong> (no total 40 paisagens distintas<br />

foram simula<strong>da</strong>s): i) o cenário real seguiu as tendências <strong>do</strong>s últimos 20 anos (1981-2000),<br />

sem qualquer alteração; ii) o cenário otimista procurou simular <strong>uma</strong> condição <strong>de</strong> ausência<br />

<strong>de</strong> <strong>de</strong>smatamento, manten<strong>do</strong>-se o mesmo ritmo <strong>de</strong> regeneração observa<strong>do</strong> entre 1981 e<br />

2000; iii) o cenário pessimista manteve a taxa <strong>de</strong> <strong>de</strong>smatamento passa<strong>da</strong> e aumentou a<br />

estabili<strong>da</strong><strong>de</strong> agrícola, impedin<strong>do</strong> a regeneração florestal; iv) o cenário aleatório, utiliza<strong>do</strong><br />

como cenário controle, seguiu as tendências passa<strong>da</strong>s, <strong>de</strong> forma similar ao cenário real,<br />

porém as influências <strong>da</strong>s variáveis proximais foram anula<strong>da</strong>s. To<strong>do</strong>s os cenários obti<strong>do</strong>s<br />

foram submeti<strong>do</strong>s a cálculos <strong>de</strong> índices <strong>de</strong> <strong>paisagem</strong> referentes tanto à composição<br />

(cobertura florestal) como à configuração (distribuição espacial em termos <strong>de</strong> número <strong>de</strong><br />

fragmentos, tamanho e grau <strong>de</strong> isolamento/proximi<strong>da</strong><strong>de</strong>). Os resulta<strong>do</strong>s mostram que o<br />

cenário otimista, o qual equivale a <strong>uma</strong> política <strong>de</strong> “<strong>de</strong>smatamento zero”, é o único capaz<br />

<strong>de</strong> aumentar a quanti<strong>da</strong><strong>de</strong> <strong>de</strong> mata e reduzir o número <strong>de</strong> fragmentos florestais <strong>da</strong> <strong>paisagem</strong>.<br />

Quan<strong>do</strong> compara<strong>do</strong> ao cenário real, <strong>de</strong> continui<strong>da</strong><strong>de</strong> nas tendências recentes <strong>de</strong> <strong>dinâmica</strong> <strong>de</strong><br />

<strong>paisagem</strong>, esse cenário permitiu o aumento em cerca <strong>de</strong> 50% no tamanho <strong>do</strong> maior<br />

fragmento florestal, <strong>do</strong>brou a área média <strong>do</strong>s fragmentos e aumentou em quase três vezes a<br />

proximi<strong>da</strong><strong>de</strong> entre os fragmentos florestais remanescentes. Por outro la<strong>do</strong>, em <strong>uma</strong> situação<br />

adversa, on<strong>de</strong> há <strong>uma</strong> maior estabilização agrícola e menor aban<strong>do</strong>no <strong>da</strong>s terras com<br />

conseqüente interrupção <strong>da</strong> regeneração natural (cenário pessimista), há <strong>uma</strong> níti<strong>da</strong> per<strong>da</strong>


<strong>de</strong> áreas florestais (1.238 ha), aumento no número <strong>de</strong> fragmentos e redução <strong>do</strong> tamanho e<br />

<strong>do</strong> grau <strong>de</strong> proximi<strong>da</strong><strong>de</strong> <strong>do</strong>s mesmos. Estes resulta<strong>do</strong>s ressaltam que intervenções firmes,<br />

impedin<strong>do</strong> o <strong>de</strong>smatamento e manten<strong>do</strong> as taxas atuais <strong>de</strong> regeneração, seriam altamente<br />

benéficas em termos <strong>de</strong> conservação <strong>da</strong> diversi<strong>da</strong><strong>de</strong> biológica.


ÍNDICE<br />

CAPÍTULO 1 1<br />

Introdução 2<br />

Área <strong>de</strong> estu<strong>do</strong> 7<br />

Méto<strong>do</strong>s 10<br />

Montagem <strong>do</strong>s fotomosaicos 10<br />

Classificação <strong>da</strong>s fotografias aéreas 14<br />

Quantificação <strong>da</strong> <strong>dinâmica</strong> <strong>da</strong> <strong>paisagem</strong> 18<br />

Análise <strong>do</strong>s <strong>da</strong><strong>do</strong>s 30<br />

Resulta<strong>do</strong>s 32<br />

Dinâmica <strong>da</strong> <strong>paisagem</strong> <strong>de</strong> Caucaia <strong>do</strong> Alto 32<br />

Influência <strong>da</strong>s variáveis proximais 36<br />

Discussão 43<br />

Perío<strong>do</strong> <strong>de</strong> 1962-1981 43<br />

Perío<strong>do</strong> <strong>de</strong> 1981-2000 46<br />

Localização <strong>do</strong>s <strong>de</strong>smatamentos 47<br />

Localização <strong>da</strong>s regenerações 48<br />

Conclusão 50<br />

Bibliografia 51<br />

CAPÍTULO 2 57<br />

Introdução 58<br />

Área <strong>de</strong> estu<strong>do</strong> 63<br />

Méto<strong>do</strong>s 64<br />

Variáveis proximais 68<br />

Matrizes <strong>de</strong> mu<strong>da</strong>nças e <strong>do</strong>s pesos <strong>de</strong> evidência 69<br />

Calibração <strong>do</strong> mo<strong>de</strong>lo <strong>de</strong> simulação “i<strong>de</strong>al” 71<br />

Cenários para o ano <strong>de</strong> 2019 72<br />

Análise <strong>do</strong>s diferentes cenários 74<br />

Resulta<strong>do</strong>s 80<br />

Or<strong>de</strong>nação <strong>do</strong>s cenários para conservação <strong>de</strong> espécies florestais 91<br />

Discussão 93<br />

Conclusão 97<br />

Bibliografia 98


INTRODUÇÃO GERAL<br />

A Mata Atlântica, originalmente, cobria cerca <strong>de</strong> 1.360.000 km 2 <strong>do</strong> território brasileiro,<br />

sen<strong>do</strong> que, <strong>de</strong>ste total, restam apenas 8% (108.000 km 2 ). Além <strong>da</strong> baixa representativi<strong>da</strong><strong>de</strong>,<br />

a Floresta Atlântica atual se encontra subdividi<strong>da</strong> em pequenos fragmentos, estan<strong>do</strong> a<br />

maioria imersa em matrizes <strong>de</strong> uso e cobertura <strong>da</strong>s terras por vezes bastante distinta. Frente<br />

a essa <strong>dinâmica</strong>, muito se tem perdi<strong>do</strong> em relação à diversi<strong>da</strong><strong>de</strong> <strong>de</strong> espécies florestais, pelo<br />

fato <strong>de</strong> que as mesmas são afeta<strong>da</strong>s diretamente pela fragmentação <strong>de</strong> seus habitats<br />

naturais. Com o intuito <strong>de</strong> melhor compreen<strong>de</strong>r o processo <strong>de</strong> fragmentação, frente às suas<br />

causas e conseqüências, foi elabora<strong>do</strong> o Projeto Temático Conservação <strong>da</strong> biodiversi<strong>da</strong><strong>de</strong><br />

em paisagens fragmenta<strong>da</strong>s no <strong>Planalto</strong> Atlântico <strong>de</strong> São Paulo (processo FAPESP n°<br />

99/05123-4). Este projeto engloba diversos sub-projetos, os quais buscam respostas quanto<br />

à relação entre os processos biológicos e o padrão estrutural <strong>de</strong> <strong>paisagem</strong>, assim como a sua<br />

<strong>dinâmica</strong>. Como objetos <strong>de</strong> estu<strong>do</strong>, este projeto selecionou tanto <strong>uma</strong> <strong>paisagem</strong><br />

pre<strong>do</strong>minantemente agrícola, pontua<strong>da</strong> por manchas <strong>de</strong> vegetação natural (Caucaia <strong>do</strong><br />

Alto), como <strong>uma</strong> <strong>paisagem</strong> controle, a Reserva Florestal <strong>do</strong> Morro Gran<strong>de</strong>, a qual<br />

representa <strong>uma</strong> área <strong>de</strong> vegetação natural relativamente contínua. Ambas as áreas <strong>de</strong> estu<strong>do</strong><br />

estão localiza<strong>da</strong>s próximo à ci<strong>da</strong><strong>de</strong> <strong>de</strong> São Paulo, sen<strong>do</strong> que a Reserva <strong>do</strong> Morro Gran<strong>de</strong><br />

está inseri<strong>da</strong> no município <strong>de</strong> Cotia e Caucaia <strong>do</strong> Alto, nos municípios <strong>de</strong> Cotia e <strong>Ibiúna</strong>,<br />

SP. Foram estu<strong>da</strong><strong>do</strong>s, com diferentes enfoques, fragmentos <strong>de</strong> vegetação natural conti<strong>do</strong>s<br />

na <strong>paisagem</strong> fragmenta<strong>da</strong> e na área contínua. Este trabalho, por sua vez, contribuiu para a<br />

execução <strong>de</strong> um <strong>do</strong>s sub-projetos relaciona<strong>do</strong> à compreensão <strong>da</strong> evolução histórica <strong>da</strong><br />

<strong>paisagem</strong> <strong>de</strong> Caucaia <strong>do</strong> Alto entre os anos <strong>de</strong> 1962 e 2000, a fim <strong>de</strong> enten<strong>de</strong>r o padrão<br />

espacial atual observa<strong>do</strong> na região. Foram analisa<strong>do</strong>s tanto o processo <strong>de</strong> <strong>de</strong>smatamento<br />

como o <strong>de</strong> regeneração frente a diversas variáveis proximais, as quais po<strong>de</strong>riam estar<br />

favorecen<strong>do</strong> espacialmente esses tipos <strong>de</strong> transição. Os <strong>da</strong><strong>do</strong>s obti<strong>do</strong>s permitiram também<br />

inferir sobre possíveis cenários <strong>de</strong> tipos <strong>de</strong> uso e cobertura <strong>da</strong> terra para o ano <strong>de</strong> 2019, a<br />

saber, real, aleatório, otimista e pessimista. Os resulta<strong>do</strong>s foram analisa<strong>do</strong>s quanto à<br />

proximi<strong>da</strong><strong>de</strong> a <strong>uma</strong> <strong>paisagem</strong> dita “i<strong>de</strong>al” à conservação <strong>de</strong> espécies florestais.


CAPÍTULO 1<br />

Quantificação <strong>da</strong> <strong>dinâmica</strong> (1962-2000) e análise <strong>da</strong> influência <strong>de</strong><br />

variáveis proximais na estrutura espacial atual (2000) <strong>da</strong> <strong>paisagem</strong> <strong>de</strong><br />

Caucaia <strong>do</strong> Alto (<strong>Planalto</strong> <strong>de</strong> <strong>Ibiúna</strong>, SP)


INTRODUÇÃO<br />

A Floresta Atlântica Brasileira (Mata Atlântica), localiza<strong>da</strong> na costa leste <strong>da</strong> América <strong>do</strong><br />

Sul, é <strong>de</strong>scrita como um conjunto complexo <strong>de</strong> tipos florestais (<strong>de</strong>cídua, semi-<strong>de</strong>cídua,<br />

pluviais, tropicais a subtropicais), que ocupava terras <strong>de</strong>s<strong>de</strong> 8 o a 28 o <strong>de</strong> latitu<strong>de</strong> sul e<br />

interiorizava-se por cerca <strong>de</strong> 100 km <strong>da</strong> costa norte, alargan<strong>do</strong>-se em mais <strong>de</strong> 500 km na<br />

região sul. Totalizava, antigamente, cerca <strong>de</strong> 1.360.000 km 2 (Ministério <strong>do</strong> Meio Ambiente<br />

2000) sen<strong>do</strong> <strong>do</strong>ta<strong>da</strong> <strong>de</strong> extraordinária biodiversi<strong>da</strong><strong>de</strong>, boa parte constituí<strong>da</strong> <strong>de</strong> espécies<br />

endêmicas (Dean 1997).<br />

Segun<strong>do</strong> Dean (1997), a ocupação <strong>da</strong> Mata Atlântica provavelmente iniciou-se há<br />

13 mil anos, com a chega<strong>da</strong> <strong>do</strong>s caça<strong>do</strong>res-coletores, os quais se estabeleceram<br />

preferencialmente na zona <strong>de</strong> encontro (ecótono) entre o cerra<strong>do</strong> e a floresta, às margens <strong>de</strong><br />

corpos d’água. O fogo era <strong>uma</strong> <strong>da</strong>s principais ferramentas utiliza<strong>da</strong>s para a caça, tanto para<br />

encurralar os animais como para converter a floresta mais <strong>de</strong>nsa em ver<strong>da</strong><strong>de</strong>iros campos a<br />

fim <strong>de</strong> facilitar a localização <strong>de</strong> presas. Com o incremento <strong>da</strong> população, iniciou-se o<br />

cultivo agrícola (sistema <strong>de</strong> corte-e-queima) em áreas florestais, nas quais o solo era mais<br />

fértil <strong>do</strong> que o encontra<strong>do</strong> no cerra<strong>do</strong>, com produção inicial <strong>de</strong> milho, mandioca e inhame,<br />

que se esten<strong>de</strong>u por mais <strong>de</strong> mil anos antes <strong>da</strong> chega<strong>da</strong> <strong>do</strong>s europeus.<br />

Des<strong>de</strong> então, a crescente ocupação <strong>do</strong> território brasileiro tem impulsiona<strong>do</strong> <strong>de</strong><br />

forma extraordinária a <strong>de</strong>man<strong>da</strong> pela <strong>do</strong>mesticação <strong>de</strong> áreas nativas, principalmente as<br />

localiza<strong>da</strong>s próximo à costa litorânea, <strong>da</strong><strong>do</strong> o contexto histórico <strong>de</strong> imigração européia<br />

(Souza et al. 2002). Os antigos <strong>do</strong>mínios <strong>da</strong> Mata Atlântica abrigam, nos dias <strong>de</strong> hoje, mais<br />

<strong>de</strong> 70% <strong>da</strong> população, além <strong>da</strong>s maiores ci<strong>da</strong><strong>de</strong>s e os mais importantes pólos industriais <strong>do</strong><br />

Brasil (Ministério <strong>do</strong> Meio Ambiente 2000). Atualmente, soma-se apenas 8% <strong>da</strong> área<br />

originalmente ocupa<strong>da</strong> pela Floresta Atlântica Brasileira (cerca <strong>de</strong> 108.800 km 2 ), subdivi<strong>da</strong><br />

em pequenos fragmentos, a maioria <strong>de</strong>les sob a forma <strong>de</strong> remanescentes <strong>de</strong> vegetação<br />

natural secundária em diferentes estádios sucessionais.<br />

Tal ocupação, feita, em gran<strong>de</strong> parte <strong>da</strong>s vezes, <strong>de</strong> forma <strong>de</strong>sor<strong>de</strong>na<strong>da</strong>, <strong>da</strong><strong>do</strong> o atraso<br />

no surgimento <strong>da</strong> conscientização mundial em relação ao meio ambiente (déca<strong>da</strong> <strong>de</strong> 70),<br />

gerou inúmeras e varia<strong>da</strong>s crises ambientais. Segun<strong>do</strong> Almei<strong>da</strong> et al. (1999), a atual crise,<br />

anuncia<strong>da</strong> principalmente pelo <strong>de</strong>sequilíbrio <strong>da</strong>s leis ecológicas e conseqüente per<strong>da</strong> <strong>da</strong>


diversi<strong>da</strong><strong>de</strong> biológica, “tem raiz antrópica <strong>de</strong> proporções gigantescas”. A per<strong>da</strong> e a<br />

fragmentação <strong>de</strong> habitats, relaciona<strong>da</strong>s principalmente à substituição <strong>da</strong> vegetação natural<br />

original por diferentes tipos <strong>de</strong> uso e cobertura <strong>da</strong>s terras, como áreas <strong>de</strong>stina<strong>da</strong>s à<br />

urbanização, ao reflorestamento <strong>de</strong> espécies exóticas ou à agricultura, são conseqüências<br />

diretas <strong>da</strong> transformação <strong>da</strong>s florestas induzi<strong>da</strong> pelo homem, ou seja, <strong>do</strong> <strong>de</strong>smatamento.<br />

Como herança <strong>da</strong>s modificações <strong>de</strong> habitats contínuos, tem-se, geralmente,<br />

remanescentes <strong>de</strong> vegetação natural subdividi<strong>do</strong>s em fragmentos <strong>de</strong> distribuição espacial<br />

varia<strong>da</strong>, os quais se encontram sob diversas condições físicas e ambientais, possuem<br />

diferentes tipos <strong>de</strong> vegetação e variam em tamanho, forma, graus <strong>de</strong> isolamento e<br />

conectivi<strong>da</strong><strong>de</strong> e tipos <strong>de</strong> entorno (Saun<strong>de</strong>rs et al. 1991). As intervenções antrópicas em<br />

áreas <strong>de</strong> vegetação natural, portanto, resultam em alterações nos processos ecológicos<br />

estabeleci<strong>do</strong>s ao longo <strong>do</strong> tempo evolutivo, <strong>da</strong><strong>da</strong> a <strong>dinâmica</strong> na estrutura espacial <strong>da</strong>s<br />

paisagens (Turner 1989). Em relação à manutenção <strong>da</strong> biodiversi<strong>da</strong><strong>de</strong>, as modificações <strong>de</strong><br />

habitats geralmente têm como conseqüência o empobrecimento <strong>da</strong> diversi<strong>da</strong><strong>de</strong> e <strong>da</strong><br />

abundância <strong>de</strong> espécies, acarretan<strong>do</strong>, com isso, a diminuição <strong>da</strong> complexi<strong>da</strong><strong>de</strong> ecológica<br />

<strong>do</strong>s ecossistemas, a per<strong>da</strong> <strong>de</strong> genes <strong>de</strong> fauna e flora ain<strong>da</strong> não-cataloga<strong>do</strong>s e o<br />

<strong>de</strong>pauperamento <strong>da</strong>s reservas genéticas em nível global (Lambin 1994).<br />

O <strong>de</strong>sequilíbrio ambiental causa<strong>do</strong> pela percepção tardia <strong>do</strong>s efeitos adversos <strong>do</strong><br />

<strong>de</strong>smatamento tornou crucial o <strong>de</strong>senvolvimento <strong>de</strong> estu<strong>do</strong>s científicos dirigi<strong>do</strong>s ao<br />

monitoramento e à conceitualização <strong>do</strong>s processos que levam às mu<strong>da</strong>nças <strong>do</strong> uso e<br />

cobertura <strong>da</strong>s terras (Nagendra et al. 2003), além <strong>da</strong> criação <strong>de</strong> teorias relaciona<strong>da</strong>s às<br />

forças motrizes responsáveis pelo direcionamento <strong>da</strong>s ações <strong>de</strong> <strong>de</strong>smatamento (Lambin<br />

1994, Geist & Lambin 2002) .<br />

A <strong>dinâmica</strong> <strong>de</strong> uso e cobertura <strong>da</strong>s terras assisti<strong>da</strong> em paisagens rurais ao longo <strong>do</strong><br />

tempo é <strong>de</strong>termina<strong>da</strong> por complexas interações <strong>de</strong> fatores ambientais e sócio-econômicos<br />

(Hietel et al. 2004), em diferentes níveis. Blois (2001) especifica ain<strong>da</strong> mais essa relação,<br />

afirman<strong>do</strong> que, em sistemas <strong>de</strong> cultivo misto, compostos tanto por áreas florestais como por<br />

áreas agrícolas, o <strong>de</strong>smatamento é freqüentemente um processo seletivo que <strong>de</strong>pen<strong>de</strong> <strong>da</strong><br />

capaci<strong>da</strong><strong>de</strong> <strong>do</strong>s atributos físicos presentes em sustentar <strong>uma</strong> <strong>de</strong>termina<strong>da</strong> ativi<strong>da</strong><strong>de</strong> agrícola,<br />

on<strong>de</strong> os fragmentos <strong>de</strong> vegetação natural em estádios mais avança<strong>do</strong>s <strong>de</strong> sucessão estão<br />

geralmente relaciona<strong>do</strong>s a variáveis ambientais que a princípio impediriam o sucesso <strong>da</strong>


produção agrícola (Hobbs & Saun<strong>de</strong>rs 1993 apud Blois 2001). Lambin (1994), em seu<br />

trabalho intitula<strong>do</strong> Mo<strong>de</strong>lling <strong>de</strong>forestation process: a review, <strong>de</strong>screve as principais causas<br />

<strong>da</strong>s ações <strong>de</strong> <strong>de</strong>smatamento, agrupan<strong>do</strong>-as em variáveis proximais, as quais exercem<br />

influências regionais na configuração espacial <strong>do</strong>s padrões <strong>de</strong> mu<strong>da</strong>nça, e causais, forças<br />

estas que explicam as motivações <strong>do</strong> <strong>de</strong>smatamento em âmbito global. Localmente, as<br />

variáveis que influenciam o <strong>de</strong>smatamento po<strong>de</strong>m estar relaciona<strong>da</strong>s ao tipo <strong>de</strong> manejo <strong>da</strong><br />

terra, ao requerimento por combustíveis vegetais, à conversão <strong>de</strong> áreas naturais em<br />

pastagens, ao planejamento (ou à sua ausência <strong>de</strong>) na utilização e comercialização <strong>de</strong><br />

produtos florestais, entre outros. Em <strong>uma</strong> escala global, tais variáveis são influencia<strong>da</strong>s<br />

principalmente pelo crescimento populacional, condições sociais, políticas ambientais,<br />

pressões econômicas etc.<br />

A regeneração <strong>de</strong> áreas <strong>de</strong> vegetação natural, por sua vez, também apresenta<br />

tendências particulares em relação à localização espacial em que irá preferencialmente<br />

ocorrer, sen<strong>do</strong> teoricamente influencia<strong>da</strong> pelo tempo <strong>de</strong> pousio, <strong>de</strong>fini<strong>do</strong> muitas vezes em<br />

função <strong>do</strong> tipo <strong>de</strong> uso (intensivo ou extensivo) <strong>de</strong>termina<strong>do</strong> pelo proprietário <strong>da</strong>s terras. Em<br />

proprie<strong>da</strong><strong>de</strong>s on<strong>de</strong> o uso <strong>da</strong>s terras é <strong>do</strong> tipo intensivo, com tempo <strong>de</strong> pousio curto, as áreas<br />

<strong>de</strong> vegetação natural em estádios avança<strong>do</strong>s <strong>de</strong> sucessão secundária ten<strong>de</strong>m a <strong>de</strong>saparecer,<br />

o que leva a <strong>paisagem</strong> a apresentar um aspecto relativamente homogêneo, com áreas<br />

agrícolas contínuas. Por outro la<strong>do</strong>, em proprie<strong>da</strong><strong>de</strong>s on<strong>de</strong> o uso <strong>da</strong> terra é <strong>do</strong> tipo<br />

extensivo, com tempo <strong>de</strong> pousio longo, a <strong>paisagem</strong> assume um aspecto heterogêneo, on<strong>de</strong><br />

são observa<strong>da</strong>s áreas <strong>de</strong> vegetação natural em estádios sucessionais varia<strong>do</strong>s, imersas em<br />

<strong>uma</strong> matriz pre<strong>do</strong>minantemente agrícola (Metzger 2003). Um outro fator relevante para a<br />

regeneração <strong>de</strong> fragmentos <strong>de</strong> vegetação natural em paisagens modifica<strong>da</strong>s pelo homem é a<br />

distância <strong>da</strong>s mesmas em relação a áreas-fonte florestais, as quais possibilitariam o<br />

fornecimento <strong>de</strong> propágulos, necessários à regeneração (Guariguata & Ostertag 2001,<br />

DeWalt et al. 2003). Paisagens fun<strong>da</strong>mentalmente agrícolas, portanto, possuem dinamismo<br />

em relação à estrutura, à função e ao padrão espacial, sen<strong>do</strong> compostas por um conjunto <strong>de</strong><br />

habitats naturais e <strong>de</strong> tipos <strong>de</strong> uso <strong>da</strong>s terras diversos (Dunn et al 1991). O termo <strong>dinâmica</strong><br />

envolve, per se, <strong>uma</strong> variação temporal intrínseca, <strong>de</strong>ntro <strong>da</strong> qual observam-se mu<strong>da</strong>nças<br />

nos elementos que compõem <strong>uma</strong> <strong>de</strong>termina<strong>da</strong> <strong>paisagem</strong>, <strong>de</strong>fini<strong>do</strong>s, na Ecologia <strong>de</strong><br />

Paisagens, como manchas, corre<strong>do</strong>res e matriz (Forman 1995). Portanto, a questão


temporal, ou histórica, alia<strong>da</strong> à influência <strong>de</strong> variáveis ambientais e sócio-econômicos, são<br />

atualmente consi<strong>de</strong>ra<strong>da</strong>s peças-chave para o entendimento <strong>da</strong> disposição atual <strong>do</strong>s<br />

elementos em <strong>uma</strong> <strong>da</strong><strong>da</strong> <strong>paisagem</strong> (Blois 2001).<br />

O estu<strong>do</strong> <strong>do</strong> conjunto <strong>de</strong> fatores espaciais <strong>de</strong> conotação extremamente complexa,<br />

que envolve a conversão entre tipos <strong>de</strong> uso e cobertura <strong>da</strong>s terras, a influência <strong>de</strong> variáveis<br />

proximais nestas conversões e as questões sócio-econômicas que coman<strong>da</strong>m a direção, em<br />

última análise, <strong>do</strong>s processos <strong>de</strong> <strong>de</strong>smatamento e regeneração <strong>de</strong> vegetação natural em <strong>uma</strong><br />

<strong>da</strong><strong>da</strong> <strong>paisagem</strong>, exige a utilização <strong>de</strong> ferramentas específicas, como os Sistemas <strong>de</strong><br />

Informação Geográfica, estatísticas espaciais e mo<strong>de</strong>los matemáticos.<br />

Os mo<strong>de</strong>los <strong>de</strong> mu<strong>da</strong>nças <strong>de</strong> paisagens vêm sen<strong>do</strong> utiliza<strong>do</strong>s com o intuito <strong>de</strong><br />

quantificar e localizar espacialmente as transições <strong>de</strong> uso e cobertura <strong>da</strong>s terras ao longo <strong>de</strong><br />

um <strong>de</strong>termina<strong>do</strong> perío<strong>do</strong> <strong>de</strong> tempo, além <strong>de</strong> verificar as influências <strong>de</strong> variáveis proximais e<br />

causais nessas transições. Como to<strong>da</strong> a meto<strong>do</strong>logia acadêmica, esses mo<strong>de</strong>los exibem um<br />

longo histórico evolutivo, envolven<strong>do</strong> a sua utilização e conseqüente modificação a fim <strong>de</strong><br />

aten<strong>de</strong>r aos pressupostos exigi<strong>do</strong>s pelas análises estatísticas espaciais. Tal trajetória é o<br />

cerne <strong>de</strong> diversos trabalhos <strong>de</strong> revisão bibliográfica (Baker 1989, Soares-Filho 1998,<br />

Pedrosa & Câmara 2003).<br />

Para a quantificação <strong>de</strong> mu<strong>da</strong>nças em um <strong>da</strong><strong>do</strong> perío<strong>do</strong> <strong>de</strong> tempo, por exemplo, a<br />

meto<strong>do</strong>logia utiliza<strong>da</strong> relaciona-se principalmente à álgebra cartográfica, através <strong>da</strong><br />

tabulação cruza<strong>da</strong> <strong>de</strong> mapas <strong>de</strong> diferentes anos, os quais representam as chama<strong>da</strong>s séries<br />

temporais, on<strong>de</strong>, a partir <strong>de</strong> então, tem-se a base para a elaboração <strong>da</strong>s matrizes <strong>de</strong> mu<strong>da</strong>nça<br />

(Muller & Middleton 1994). Porém, para a verificação <strong>da</strong> influência <strong>de</strong> variáveis proximais<br />

nas conversões entre os diferentes tipos <strong>de</strong> uso e cobertura <strong>da</strong>s terras, outra gama <strong>de</strong><br />

análises é normalmente emprega<strong>da</strong>, como a utilização <strong>de</strong> índices <strong>de</strong> paisagens (Nagendra et<br />

al. 2003), regressões logísticas (Soares-Filho et al. 2002) e pesos <strong>de</strong> evidência (Almei<strong>da</strong> et<br />

al. 2002, Felicíssimo et al. 2002, Soares-Filho et al. 2004).<br />

O presente capítulo, portanto, tem como objetivo principal a compreensão <strong>do</strong>s<br />

processos históricos ocorri<strong>do</strong>s entre os anos <strong>de</strong> 1962 e 2000 que culminaram na<br />

configuração <strong>do</strong>s elementos <strong>da</strong> <strong>paisagem</strong> <strong>de</strong> Caucaia <strong>do</strong> Alto observa<strong>da</strong> no ano <strong>de</strong> 2000.<br />

Para se chegar a esse objetivo mais amplo, foi necessário cumprir, previamente, <strong>do</strong>is<br />

objetivos secundários: i) quantificar as mu<strong>da</strong>nças ocorri<strong>da</strong>s na região <strong>de</strong> Caucaia <strong>do</strong> Alto no


perío<strong>do</strong> <strong>de</strong> tempo compreendi<strong>do</strong> entre os anos <strong>de</strong> 1962 e 2000, utilizan<strong>do</strong>-se, para tal, <strong>uma</strong><br />

série temporal com <strong>da</strong><strong>do</strong>s obti<strong>do</strong>s a partir <strong>de</strong> fotografias aéreas referentes aos anos <strong>de</strong> 1962,<br />

1981 e 2000 e ii) verificar a influência <strong>de</strong> variáveis proximais, a saber, variações na<br />

altimetria e <strong>de</strong>clivi<strong>da</strong><strong>de</strong>, distância à re<strong>de</strong> hidrográfica, às estra<strong>da</strong>s principais e secundárias,<br />

aos núcleos urbanos e aos diferentes tipos <strong>de</strong> uso e cobertura <strong>da</strong>s terras, nos processos <strong>de</strong><br />

regeneração florestal e <strong>de</strong>smatamento, utilizan<strong>do</strong>-se <strong>de</strong> matrizes <strong>de</strong> mu<strong>da</strong>nça e pesos <strong>de</strong><br />

evidência para os intervalos temporais 1962-1981 e 1981-2000.<br />

A partir <strong>de</strong>sse contexto, foram formula<strong>da</strong>s duas hipóteses:<br />

1. O <strong>de</strong>smatamento é mais intenso em regiões <strong>de</strong> relevo plano, <strong>de</strong> menor inclinação e<br />

próximo a vias <strong>de</strong> acesso, à re<strong>de</strong> hidrográfica e a áreas modifica<strong>da</strong>s pelo homem.<br />

2. A regeneração <strong>de</strong> florestas é mais intensa em regiões próximas a áreas <strong>de</strong> vegetação<br />

natural, sen<strong>do</strong> menos intensa em regiões <strong>de</strong> relevo plano, <strong>de</strong> menor inclinação e<br />

próximo a vias <strong>de</strong> acesso, à re<strong>de</strong> hidrográfica e a áreas modifica<strong>da</strong>s pelo homem.


ÁREA DE ESTUDO<br />

A área <strong>de</strong> estu<strong>do</strong>, <strong>de</strong>nomina<strong>da</strong> Caucaia <strong>do</strong> Alto, está inseri<strong>da</strong> no <strong>Planalto</strong> Cristalino <strong>de</strong><br />

<strong>Ibiúna</strong> (Ponçano et al. 1981), próximo à Serra <strong>de</strong> Paranapiacaba, nos municípios <strong>de</strong> Cotia e<br />

<strong>Ibiúna</strong>, Esta<strong>do</strong> <strong>de</strong> São Paulo (limites em UTM: 283603 a 292333 e 7367793 a 7379680;<br />

área total: 7.461 ha) (Figura 1).<br />

O tipo climático pre<strong>do</strong>minante é Cfa, tempera<strong>do</strong> chuvoso, conforme Köppen (1948).<br />

A temperatura anual na região oscila, em média, entre 27 º C, no mês mais quente, e 11 º C,<br />

no mês mais frio (SABESP 1997). A precipitação anual varia em torno <strong>de</strong> 1.400 mm; nos<br />

meses chuvosos, atinge entre 200 e 260 mm, nos meses mais secos, estabelece-se em<br />

aproxima<strong>da</strong>mente 60 mm (SABESP 1997). A altitu<strong>de</strong>, que varia entre 860 a 1.060 m, e a<br />

ocorrência freqüente <strong>de</strong> ventos e neblinas caracterizam um clima frio. O relevo local é <strong>de</strong><br />

<strong>de</strong>nu<strong>da</strong>ção, com morros convexos e inclinações maiores <strong>do</strong> que 15%, <strong>de</strong> solos altamente<br />

frágeis, em geral latossolos vermelho-amarelos, argissolos vermelho-amarelos e<br />

cambissolos háplicos (Ross & Moroz 1997, Oliveira et al. 1999).<br />

A floresta original é classifica<strong>da</strong> como floresta ombrófila montana <strong>de</strong>nsa (Veloso et<br />

al. 1991) e po<strong>de</strong> ser consi<strong>de</strong>ra<strong>da</strong> transicional entre a floresta atlântica <strong>de</strong> encosta e a floresta<br />

mesófila semi<strong>de</strong>cídua <strong>do</strong> interior <strong>do</strong> esta<strong>do</strong> <strong>de</strong> São Paulo (Struffaldi-<strong>de</strong>-Vuono 1985,<br />

Gomes 1992, Aragaki & Mantovani 1998). A maior parte <strong>da</strong>s florestas fragmenta<strong>da</strong>s <strong>da</strong><br />

região foi classifica<strong>da</strong> em estádio médio <strong>de</strong> sucessão, segun<strong>do</strong> critérios <strong>da</strong> Resolução<br />

Conjunta SMA/IBAMA/SP-1 <strong>de</strong> 17 <strong>de</strong> fevereiro <strong>de</strong> 1994. As famílias <strong>de</strong> maior riqueza em<br />

espécies são Myrtaceae, Lauraceae, Fabaceae e Rubiaceae, e as espécies mais abun<strong>da</strong>ntes,<br />

Guapira opposita, Clethra scabra, Casearia sylvestris, Myrcia multiflora, Matayba<br />

elaeagnoi<strong>de</strong>s, Rudgea jasminoi<strong>de</strong>s, Rapanea umbellata e Croton floribundus (Bernacci et<br />

al. 2003).<br />

A <strong>de</strong>limitação <strong>da</strong> área <strong>de</strong> estu<strong>do</strong> correspon<strong>de</strong> à região que inclui os 21 fragmentos<br />

florestais na qual foram <strong>de</strong>senvolvi<strong>do</strong>s os trabalhos engloba<strong>do</strong>s pelo Projeto Conservação<br />

<strong>da</strong> Biodiversi<strong>da</strong><strong>de</strong> em Paisagens Fragmenta<strong>da</strong>s no <strong>Planalto</strong> Atlântico <strong>de</strong> São Paulo,<br />

Processo FAPESP N o 99/05123-4, sen<strong>do</strong> tal <strong>de</strong>limitação equivalente à utiliza<strong>da</strong> por Goulart<br />

(2004). Essa área abrange parte <strong>da</strong>s bacias <strong>do</strong>s rios Sorocamirim e Sorocabuçu, estan<strong>do</strong>


¹<br />

fonte: http://www.guiageografico.com<br />

285000 287000 289000 291000<br />

2.000<br />

m<br />

escala <strong>da</strong>s fotografias 1:10.000<br />

fonte: http://www.sosmataatlantica.org.br<br />

Figura 1. Área <strong>de</strong> estu<strong>do</strong>, localiza<strong>da</strong> nos municípios <strong>de</strong> Cotia e <strong>Ibiúna</strong>.<br />

7369000 7371000 7373000 7375000 7377000 7379000<br />

Ibiún<br />

fonte: http://www.sosmataatlantica.org.br


<strong>de</strong>limita<strong>da</strong> a oeste pela estra<strong>da</strong> <strong>de</strong> furnas, ao norte pela estra<strong>da</strong> <strong>de</strong> <strong>Ibiúna</strong>, a leste pelo rio<br />

Sorocamirim e ao sul pelo limite <strong>da</strong> serra <strong>de</strong> Paranapiacaba.<br />

Esta região apresenta <strong>uma</strong> gran<strong>de</strong> heterogenei<strong>da</strong><strong>de</strong> <strong>de</strong> uso e cobertura <strong>da</strong>s terras<br />

<strong>da</strong><strong>da</strong> provavelmente pelo histórico <strong>de</strong> ocupação. Segun<strong>do</strong> Seabra (1971), a região <strong>de</strong><br />

Caucaia <strong>do</strong> Alto, SP, principalmente a partir <strong>da</strong> déca<strong>da</strong> <strong>de</strong> 30, passou a apresentar vocação<br />

comercial volta<strong>da</strong> ao cultivo <strong>de</strong> produtos hortifrutigranjeiros e fornecimento <strong>de</strong> lenha e<br />

carvão vegetal a fim <strong>de</strong> abastecer as ci<strong>da</strong><strong>de</strong>s <strong>de</strong> São Paulo e Rio <strong>de</strong> Janeiro. O<br />

estabelecimento <strong>de</strong>ssas culturas <strong>de</strong>u-se principalmente ao longo <strong>da</strong>s várzeas <strong>de</strong> rios, com<br />

solos hidromórficos, pé <strong>de</strong> serra e encostas <strong>de</strong> morro <strong>de</strong> <strong>de</strong>clivi<strong>da</strong><strong>de</strong> baixa a mo<strong>de</strong>ra<strong>da</strong>.<br />

Áreas mais <strong>de</strong>clivosas e <strong>de</strong> topo <strong>de</strong> morro a princípio mantiveram-se recobertas por<br />

vegetação natural secundária e capoeira pontua<strong>da</strong>s por manchas <strong>de</strong> reflorestamento, sen<strong>do</strong><br />

alg<strong>uma</strong>s <strong>de</strong>ssas áreas posteriormente utiliza<strong>da</strong>s para plantio <strong>de</strong> vastas monoculturas,<br />

especialmente a bataticultura, com o auxílio <strong>de</strong> técnicas <strong>de</strong> irrigação e mecanização, que<br />

amenizaram a textura mais ári<strong>da</strong> <strong>do</strong> solo quan<strong>do</strong> compara<strong>da</strong> à <strong>de</strong> regiões <strong>de</strong> menor altitu<strong>de</strong>.<br />

Caucaia <strong>do</strong> Alto encontra-se conecta<strong>da</strong> à ci<strong>da</strong><strong>de</strong> São Paulo pela Ro<strong>do</strong>via Raposo Tavares<br />

<strong>de</strong>s<strong>de</strong> a déca<strong>da</strong> <strong>de</strong> 50 e, antes <strong>de</strong>sse perío<strong>do</strong>, por um <strong>do</strong>s mais importantes eixos <strong>de</strong><br />

circulação que partia <strong>da</strong> metrópole e seguia até o Sul <strong>do</strong> Brasil (via Sorocaba), fator este<br />

que possibilitou o avanço tanto <strong>da</strong> comercialização <strong>de</strong> produtos como <strong>da</strong> especulação<br />

imobiliária, <strong>da</strong><strong>da</strong> a vocação <strong>da</strong> região como um pólo <strong>de</strong> lazer para os habitantes <strong>da</strong> ci<strong>da</strong><strong>de</strong><br />

<strong>de</strong> São Paulo. Atualmente, a <strong>paisagem</strong> na região é composta principalmente <strong>de</strong> vegetação<br />

natural em diferentes estádios <strong>de</strong> sucessão, campos em pousio, culturas agrícolas<br />

(horticulturas e olericulturas diversas, tomate, batata, cultivo <strong>de</strong> flores, entre outros),<br />

reflorestamento e instalações rurais/chácaras/loteamentos (Secretaria <strong>de</strong> Recursos Hídricos<br />

e Saneamento <strong>do</strong> Esta<strong>do</strong> <strong>de</strong> São Paulo 2001, Metzger & Simonetti 2003).


Montagem <strong>do</strong>s fotomosaicos<br />

MÉTODOS<br />

Para o presente trabalho, como fonte <strong>de</strong> imagens, foram utiliza<strong>da</strong>s fotografias aéreas<br />

obti<strong>da</strong>s nos anos <strong>de</strong> 1962 (1:25.000; 12 fotos), 1981 (1:35.000; 5 fotos) e 2000 (1:10.000;<br />

61 fotos), adquiri<strong>da</strong>s em <strong>uma</strong> empresa priva<strong>da</strong> (BASE Aerofotogrametria S. A.). A<br />

escolha <strong>da</strong>s <strong>da</strong>tas foi basea<strong>da</strong> na disponibili<strong>da</strong><strong>de</strong> <strong>da</strong>s imagens e na possibili<strong>da</strong><strong>de</strong> <strong>de</strong> se obter<br />

intervalos regulares (19 anos) entre os anos estu<strong>da</strong><strong>do</strong>s.<br />

As fotografias aéreas foram digitaliza<strong>da</strong>s, geran<strong>do</strong> imagens <strong>de</strong> resoluções<br />

equivalentes a 0,988 m em 1962, 1 m em 1981 e 1,333 m em 2000. Diferenças nos<br />

<strong>de</strong>talhamentos escolhi<strong>do</strong>s durante a digitalização amenizaram as diferenças nas escalas<br />

originais <strong>da</strong>s fotografias. Deve-se ain<strong>da</strong> ressaltar que a fotointerpretação foi realiza<strong>da</strong> com<br />

base na observação <strong>da</strong>s fotografias em papel, com o auxílio <strong>de</strong> estereoscópio. A correção<br />

geométrica foi feita basean<strong>do</strong>-se em <strong>uma</strong> única referência cartográfica, o fotomosaico <strong>de</strong><br />

2000 (erro médio <strong>de</strong> georeferrenciamento inferior a 5 m, UTM, SAD 1969, 23-S),<br />

elabora<strong>do</strong> previamente (Metzger et al. 2002).<br />

As fotos digitaliza<strong>da</strong>s foram então georreferencia<strong>da</strong>s no programa Er<strong>da</strong>s © (versão<br />

8.4, 1999) utilizan<strong>do</strong>-se, em média, 30 pontos <strong>de</strong> controle bem distribuí<strong>do</strong>s em ca<strong>da</strong><br />

fotografia. O polinômio <strong>de</strong> 2º grau, que, além <strong>de</strong> <strong>de</strong>screver translação, rotação, escala e<br />

obliqüi<strong>da</strong><strong>de</strong> <strong>da</strong> imagem, adiciona parâmetros <strong>de</strong> torção e convexi<strong>da</strong><strong>de</strong> (Loch 2000), foi o<br />

que melhor respon<strong>de</strong>u aos testes <strong>de</strong> sobreposição <strong>da</strong>s imagens feitos durante o<br />

georreferenciamento. A seguir, as imagens corrigi<strong>da</strong>s correspon<strong>de</strong>ntes a ca<strong>da</strong> ano foram<br />

sobrepostas, ain<strong>da</strong> no programa Er<strong>da</strong>s © , <strong>da</strong>n<strong>do</strong> origem a três fotomosaicos distintos,<br />

comparáveis entre si (Figuras 2, 3 e 4). Os <strong>de</strong>svios médios, representan<strong>do</strong> os resíduos nos<br />

registros <strong>da</strong>s fotografias aéreas isola<strong>da</strong>s em relação ao georreferenciamento feito para o ano<br />

<strong>de</strong> 2000, foram equivalentes a 7,8 m, para o ano <strong>de</strong> 1962, e 12,5 m, para o ano <strong>de</strong> 1981.


¹<br />

285000 287000 289000 291000<br />

2.000<br />

Figura 2. Fotomosaico referente à região <strong>de</strong> Caucaia <strong>do</strong> Alto, SP, no ano <strong>de</strong> 1962.<br />

m<br />

7369000 7371000 7373000 7375000 7377000 7379000


¹<br />

285000 287000 289000 291000<br />

2.000<br />

Figura 3. Fotomosaico referente à região <strong>de</strong> Caucaia <strong>do</strong> Alto, SP, no ano <strong>de</strong> 1981.<br />

m<br />

7369000 7371000 7373000 7375000 7377000 7379000


¹<br />

285000 287000 289000 291000<br />

2.000<br />

Figura 4. Fotomosaico referente à região <strong>de</strong> Caucaia <strong>do</strong> Alto, SP, no ano <strong>de</strong> 2000.<br />

m<br />

7369000 7371000 7373000 7375000 7377000 7379000


Classificação <strong>da</strong>s fotografias aéreas<br />

O fotomosaico <strong>de</strong> 1981, por apresentar <strong>uma</strong> escala mais “grosseira” (1:35.000), foi<br />

utiliza<strong>do</strong> como base para o estabelecimento <strong>da</strong>s 5 classes <strong>de</strong> uso e cobertura <strong>da</strong> terra,<br />

utiliza<strong>da</strong>s para a realização <strong>da</strong> fotointerpretação, a saber: instalações rurais e urbanas,<br />

campos agrícolas, reflorestamento, vegetação natural em estádio inicial <strong>de</strong> sucessão<br />

secundária e vegetação natural em estádio médio a avança<strong>do</strong> <strong>de</strong> sucessão secundária<br />

(Tabela 1). Tal classificação foi também utiliza<strong>da</strong> para os anos <strong>de</strong> 1962 e 2000 (Figuras 5, 6<br />

e 7). É importante ressaltar que as áreas naturais foram <strong>de</strong>nomina<strong>da</strong>s segun<strong>do</strong> resoluções nº<br />

10 e 01 <strong>do</strong> CONAMA, <strong>da</strong>ta<strong>da</strong>s <strong>de</strong> 19/10/1993 e 31/1/1994, respectivamente, e resolução<br />

conjunta SMA/IBAMA/SP-1, <strong>de</strong> 17/2/1994 (Die<strong>de</strong>richsen 2003). O procedimento <strong>de</strong><br />

classificação <strong>do</strong>s fotomosaicos foi feito com a utilização <strong>do</strong> programa ArcView © (versão<br />

8.3, 1999-2002).<br />

Tabela 1. Classes utiliza<strong>da</strong>s nas fotointerpretações feitas para os anos <strong>de</strong> 1962, 1981 e<br />

2000, com suas respectivas <strong>de</strong>finições e termos utiliza<strong>do</strong>s ao longo <strong>do</strong> texto, na região <strong>de</strong><br />

Caucaia <strong>do</strong> Alto, SP (Metzger et al. 2002).<br />

CLASSES<br />

Instalações rurais e<br />

urbanas<br />

TERMOS UTILIZADOS AO<br />

LONGO DO TEXTO<br />

Instalações rurais e<br />

urbanas<br />

Campos agrícolas Agricultura<br />

Reflorestamento Reflorestamento<br />

Vegetação natural em<br />

estádio inicial <strong>de</strong> sucessão<br />

secundária<br />

Vegetação natural em<br />

estádio médio a avança<strong>do</strong><br />

<strong>de</strong> sucessão secundária<br />

Vegetação inicial<br />

Floresta<br />

DEFINIÇÃO<br />

Edificações isola<strong>da</strong>s, bosques, cercas-vivas,<br />

edificações agrupa<strong>da</strong>s, con<strong>do</strong>mínios,<br />

loteamentos.<br />

Agricultura anual, pastos limpo e sujo,<br />

vegetação herbácea rala a herbáceaarbustiva,<br />

homogênea ou heterogênea.<br />

Florestas planta<strong>da</strong>s com espécies exóticas,<br />

e.g. Pinus spp. e Eucalyptus spp.<br />

Vegetação herbácea-arbustiva a arbustiva,<br />

homogênea ou heterogênea.<br />

Vegetação arbórea-arbustiva a arbórea<br />

<strong>de</strong>nsa, homogênea ou heterogênea,<br />

presença <strong>de</strong> espécies emergentes.


¹<br />

Legend<br />

62_0_5_tiff.tif<br />

Classes <strong>de</strong> uso e<br />

cobertura <strong>da</strong>s<br />

VALUE terras<br />

285000 287000 289000 291000<br />

0Não-analisa<strong>do</strong><br />

1Instalações<br />

rurais e urbanas<br />

2Agricultura<br />

3Reflorestamento<br />

4Vegetação<br />

inicial<br />

5 Floresta<br />

2.000<br />

m<br />

escala 1:55.000<br />

Figura 5. Uso e cobertura <strong>da</strong>s terras na região <strong>de</strong> Caucaia <strong>do</strong> Alto, SP, em 1962.<br />

7369000 7371000 7373000 7375000 7377000 7379000


¹<br />

Legend<br />

Classes <strong>de</strong> uso e<br />

62_0_5_tiff.tif<br />

cobertura <strong>da</strong>s<br />

terras<br />

VALUE<br />

285000 287000 289000 291000<br />

Não-analisa<strong>do</strong><br />

0<br />

Instalações 1<br />

rurais e urbanas<br />

Agricultura 2<br />

Reflorestamento<br />

3<br />

Vegetação 4 inicial<br />

Floresta 5<br />

2.000<br />

Figura 6. Uso e cobertura <strong>da</strong>s terras na região <strong>de</strong> Caucaia <strong>do</strong> Alto, SP, em 1981.<br />

m<br />

7369000 7371000 7373000 7375000 7377000 7379000


¹<br />

Classes <strong>de</strong> uso e<br />

cobertura <strong>da</strong>s<br />

terras<br />

62_0_5_tiff.tif<br />

VALUE<br />

285000 287000 289000 291000<br />

0 Não-analisa<strong>do</strong><br />

1 Instalações rurais e urbanas<br />

2 Agricultura<br />

3 Reflorestamento<br />

4 Vegetação inicial<br />

5 Floresta<br />

2.000<br />

Figura 7. Uso e cobertura <strong>da</strong>s terras na região <strong>de</strong> Caucaia <strong>do</strong> Alto, SP, em 2000.<br />

m<br />

7369000 7371000 7373000 7375000 7377000 7379000


Quantificação <strong>da</strong> <strong>dinâmica</strong> <strong>da</strong> <strong>paisagem</strong><br />

A representação vetorial <strong>da</strong> área <strong>de</strong> estu<strong>do</strong> realiza<strong>da</strong> para os três diferentes anos,<br />

originalmente feita por polígonos na fotointerpretação, foi primeiramente converti<strong>da</strong> a <strong>uma</strong><br />

representação matricial, on<strong>de</strong> o espaço total foi subdividi<strong>do</strong> em células unitárias (pixels) <strong>de</strong><br />

225 m 2 ou 0,0225 ha (15 m <strong>de</strong> resolução). A escolha <strong>do</strong> tamanho <strong>da</strong>s células foi feita em<br />

função <strong>da</strong> escala <strong>de</strong> observação <strong>da</strong>s fotografias aéreas com menor resolução (1981;<br />

1:35.000). Diversos autores enfatizam as vantagens <strong>de</strong> se subdividir <strong>uma</strong> <strong>paisagem</strong> em<br />

células unitárias <strong>de</strong> igual tamanho para tratamento matemático (mo<strong>de</strong>lagem), <strong>uma</strong> vez que<br />

to<strong>do</strong>s os pixels <strong>de</strong>scritores <strong>da</strong> área analisa<strong>da</strong> possuem dimensões passíveis <strong>de</strong> comparação<br />

(Soares-Filho et al. no prelo).<br />

O passo seguinte consistiu na quantificação tanto <strong>do</strong> total <strong>da</strong> área ocupa<strong>da</strong> por ca<strong>da</strong><br />

<strong>uma</strong> <strong>da</strong>s 5 classes nos três diferentes anos, em ha, como <strong>da</strong>s transições ocorri<strong>da</strong>s entre as<br />

mesmas nos intervalos temporais compreendi<strong>do</strong>s entre os anos 1962-1981 e 1981-2000.<br />

Para tal, utilizou-se o programa DINAMICA © (versão 2.3, 1999-2002), <strong>de</strong>senvolvi<strong>do</strong> pelo<br />

Centro <strong>de</strong> Sensoriamento Remoto/Instituto <strong>de</strong> Geociências <strong>da</strong> Universi<strong>da</strong><strong>de</strong> Fe<strong>de</strong>ral <strong>de</strong><br />

Minas Gerais, sob a coor<strong>de</strong>nação <strong>do</strong> Prof. Dr. Brital<strong>do</strong> Soares Filho. Como resulta<strong>do</strong>, esta<br />

abor<strong>da</strong>gem gerou matrizes <strong>de</strong> mu<strong>da</strong>nça, <strong>uma</strong> para ca<strong>da</strong> intervalo <strong>de</strong> tempo estu<strong>da</strong><strong>do</strong> (1962-<br />

1981 e 1981-2000), a fim <strong>de</strong> <strong>de</strong>screver as mu<strong>da</strong>nças discretas no uso e cobertura <strong>da</strong>s terras<br />

ocorri<strong>da</strong>s na área <strong>de</strong> estu<strong>do</strong> com base na sobreposição <strong>da</strong>s séries temporais. Ca<strong>da</strong> <strong>uma</strong> <strong>da</strong>s<br />

células <strong>de</strong>ssas matrizes <strong>de</strong>tectou e quantificou a mu<strong>da</strong>nça ou a permanência <strong>do</strong>s pixels entre<br />

ou nas diversas classes estabeleci<strong>da</strong>s nos perío<strong>do</strong>s estu<strong>da</strong><strong>do</strong>s.<br />

To<strong>da</strong>s as células classifica<strong>da</strong>s como corpos d’água, áreas <strong>de</strong> mineração e campos<br />

antrópicos ripários no ano <strong>de</strong> 2000 tiveram seus i<strong>de</strong>ntifica<strong>do</strong>res zera<strong>do</strong>s e foram excluí<strong>da</strong>s<br />

<strong>da</strong>s análises por dificul<strong>da</strong><strong>de</strong>s na distinção <strong>de</strong>sses elementos nas escalas 1:25.000 (1962) e<br />

1:35.000 (1981), o mesmo ocorren<strong>do</strong> para os pixels correspon<strong>de</strong>ntes nos anos <strong>de</strong> 1962 e<br />

1981.<br />

Neste estu<strong>do</strong>, to<strong>da</strong>s as transições entre as diferentes classes foram consi<strong>de</strong>ra<strong>da</strong>s<br />

possíveis, <strong>uma</strong> vez que o intervalo escolhi<strong>do</strong> entre os anos analisa<strong>do</strong>s (19 anos) possibilita<br />

tal <strong>dinâmica</strong>. A fim <strong>de</strong> facilitar a interpretação <strong>do</strong>s resulta<strong>do</strong>s obti<strong>do</strong>s, optou-se por


estringir a análise <strong>da</strong> influência <strong>da</strong>s variáveis proximais apenas às transições equivalentes à<br />

regeneração e ao <strong>de</strong>smatamento (Tabela 2).<br />

Tabela 2. Transições analisa<strong>da</strong>s entre as classes instalações rurais e urbanas, agricultura,<br />

reflorestamento, vegetação inicial e floresta na região <strong>de</strong> Caucaia <strong>do</strong> Alto, SP.<br />

CLASSES INICIAIS<br />

Instalações rurais e<br />

urbanas<br />

Agricultura<br />

Reflorestamento<br />

Instalações<br />

rurais e<br />

urbanas<br />

CLASSES FINAIS<br />

Agricultura Reflorestamento<br />

Vegetação inicial Corte <strong>de</strong> vegetação inicial<br />

Floresta Desmatamento <strong>de</strong> floresta<br />

Variáveis proximais<br />

Vegetação<br />

inicial<br />

Regeneração<br />

<strong>de</strong> vegetação<br />

inicial<br />

Floresta<br />

Regeneração<br />

<strong>de</strong> floresta<br />

Para a análise <strong>da</strong> influência <strong>da</strong>s variáveis proximais, utilizou-se um conjunto substancial <strong>de</strong><br />

<strong>da</strong><strong>do</strong>s cartográficos (hidrografia, <strong>de</strong>clivi<strong>da</strong><strong>de</strong>, altimetria, estra<strong>da</strong>s principais e secundárias e<br />

distância aos núcleos urbanos e às classes <strong>de</strong>fini<strong>da</strong>s na fotointerpretação), os quais, segun<strong>do</strong><br />

revisão <strong>da</strong> literatura (Tinker et al. 1998, Endress & Chinea 2001, Felicíssimo et al. 2002,<br />

Nagendra et al. 2003, Soares-Filho et al. 2004, Hietel et al. 2004) e a própria evolução<br />

histórica <strong>da</strong> <strong>paisagem</strong> <strong>de</strong> Caucaia <strong>do</strong> Alto (Seabra 1971), po<strong>de</strong>m potencialmente esclarecer<br />

as principais mu<strong>da</strong>nças observa<strong>da</strong>s na região nos últimos 40 anos.<br />

A fim <strong>de</strong> simplificar as análises <strong>de</strong> influência, optou-se, inicialmente, por agrupar as<br />

classes referentes a intervenções h<strong>uma</strong>nas diretas (instalações rurais e urbanas, agricultura e<br />

reflorestamento) em apenas <strong>uma</strong> classe (Tabela 3).


Tabela 3. Transições analisa<strong>da</strong>s quanto à influência exerci<strong>da</strong> pelas variáveis proximais na<br />

região <strong>de</strong> Caucaia <strong>do</strong> Alto, SP.<br />

Uso antrópico<br />

Vegetação inicial<br />

CLASSES<br />

TRANSIÇÕES<br />

Uso antrópico Vegetação inicial Floresta<br />

Corte <strong>de</strong><br />

vegetação inicial<br />

Regeneração <strong>de</strong><br />

vegetação inicial<br />

Floresta Desmatamento <strong>de</strong> floresta<br />

Regeneração <strong>de</strong><br />

floresta<br />

As curvas <strong>de</strong> nível, consi<strong>de</strong>ra<strong>da</strong>s em intervalos <strong>de</strong> 5 em 5 m, e a re<strong>de</strong> hidrográfica<br />

(Figura 8) foram previamente digitaliza<strong>da</strong>s a partir <strong>de</strong> cartas (1:10.000) <strong>do</strong> Instituto<br />

Geográfico e Cartográfico <strong>do</strong> Esta<strong>do</strong> <strong>de</strong> São Paulo, com base em aerolevantamentos<br />

realiza<strong>do</strong>s em 1979 (IGC 1979). A partir <strong>da</strong>s curvas <strong>de</strong> nível, foi gera<strong>do</strong> um mo<strong>de</strong>lo<br />

numérico a fim <strong>de</strong> produzir os mapas <strong>de</strong> <strong>de</strong>clivi<strong>da</strong><strong>de</strong> (0 a > 30°) (Figura 9) e altimetria (860<br />

a > 1.060 m) (Figura 10), utilizan<strong>do</strong>-se o programa ArcView © .<br />

Os mapas que representam as estra<strong>da</strong>s principais e secundárias no ano <strong>de</strong> 2000<br />

foram previamente feitos com base em cartas (1:10.000) <strong>do</strong> Instituto Geográfico e<br />

Cartográfico <strong>do</strong> Esta<strong>do</strong> <strong>de</strong> São Paulo (IGC), <strong>da</strong>ta<strong>da</strong>s <strong>de</strong> 1979. O mapa <strong>de</strong> estra<strong>da</strong>s principais<br />

manteve-se único para to<strong>do</strong>s os anos analisa<strong>do</strong>s (Figura 11). Por outro la<strong>do</strong>, os mapas <strong>de</strong><br />

estra<strong>da</strong>s secundárias, referentes ao ano <strong>de</strong> 1962 (Figura 12) e 1981 (Figura 13), tiveram<br />

elementos adiciona<strong>do</strong>s e/ou suprimi<strong>do</strong>s conforme verificação direta nas fotografias aéreas<br />

utiliza<strong>da</strong>s no presente estu<strong>do</strong>. Os mapas referentes à localização <strong>do</strong>s núcleos urbanos foram<br />

obti<strong>do</strong>s diretamente a partir <strong>da</strong> fotointerpretação, sen<strong>do</strong> que os respectivos cálculos <strong>de</strong><br />

distância foram gera<strong>do</strong>s pelo programa DINAMICA © (Figuras 14 e 15).<br />

O passo seguinte consistiu na <strong>de</strong>finição <strong>de</strong> intervalos <strong>de</strong> distância para ca<strong>da</strong> variável<br />

proximal estu<strong>da</strong><strong>da</strong> (Tabela 4). Procurou-se estabelecer, <strong>de</strong> maneira in<strong>de</strong>pen<strong>de</strong>nte, o<br />

fatiamento <strong>de</strong> ca<strong>da</strong> um <strong>do</strong>s mapas gera<strong>do</strong>s. No caso <strong>de</strong> alg<strong>uma</strong>s variáveis proximais, ao<br />

invés <strong>de</strong> um intervalo regular, foi feito um fatiamento mais <strong>de</strong>talha<strong>do</strong> nas áreas adjacentes<br />

ao alvo consi<strong>de</strong>ra<strong>do</strong> (estra<strong>da</strong>s, núcleos urbanos, hidrografia, entre outros).


¹<br />

285000 287000 289000 291000<br />

2.000<br />

m<br />

escala <strong>do</strong> mapa-base 1:10.000<br />

Figura 8. Mapa <strong>de</strong> distância (m) à re<strong>de</strong> hidrográfica <strong>da</strong> região <strong>de</strong> Caucaia <strong>do</strong> Alto, SP.<br />

7369000 7371000 7373000 7375000 7377000 7379000<br />

Intervalos <strong>de</strong><br />

valores hidro_n_dist_rec.tif<br />

<strong>de</strong><br />

distância Value (m)<br />

0-25 0 - 25<br />

25-50 25,00000001 - 50<br />

50-100 50,00000001 - 100<br />

100-200 100,0000001 - 200<br />

200-300 200,0000001 - 300<br />

300-400 300,0000001 - 400<br />

>400 400,0000001 - 458


¹<br />

285000 287000 289000 291000<br />

2.000<br />

m<br />

escala <strong>do</strong> mapa-base: 1:10.000<br />

Figura 9. Mapa <strong>de</strong> intervalos (graus) <strong>de</strong> <strong>de</strong>clivi<strong>da</strong><strong>de</strong> <strong>da</strong> região <strong>de</strong> Caucaia <strong>do</strong> Alto, SP.<br />

7369000 7371000 7373000 7375000 7377000 7379000<br />

Intervalos <strong>de</strong><br />

valores <strong>de</strong><br />

hidro_n_dist_rec.tif<br />

<strong>de</strong>clivi<strong>da</strong><strong>de</strong><br />

(graus)<br />

Value<br />

0-5 0 - 25<br />

5-10 25,00000001 - 50<br />

10-15 50,00000001 - 100<br />

15-20 100,0000001 - 200<br />

20-25 200,0000001 - 300<br />

25-30 300,0000001 - 400<br />

>30 400,0000001 - 458


¹<br />

285000 287000 289000 291000<br />

2.000<br />

Figura 10. Mapa <strong>de</strong> intervalos (m) <strong>de</strong> valores altimétricos <strong>da</strong> região <strong>de</strong> Caucaia <strong>do</strong> Alto, SP.<br />

m<br />

escala <strong>do</strong> mapa-base: 1:10.000<br />

7369000 7371000 7373000 7375000 7377000 7379000<br />

Intervalos<br />

altimétricos hidro_n_dist_rec.tif<br />

(graus) Value<br />

860-900 0 - 25<br />

900-940 25,00000001 - 50<br />

940-980 50,00000001 - 100<br />

980-1.020<br />

100,0000001 - 200<br />

1.020-1.060<br />

200,0000001 - 300<br />

>1.060 300,0000001 - 400<br />

>30 400,0000001 - 458


¹<br />

285000 287000 289000 291000<br />

2.000<br />

m<br />

escala <strong>do</strong> mapa-base: 1:10.000<br />

Figura 11. Mapa <strong>de</strong> distância (m) às estra<strong>da</strong>s principais <strong>da</strong> região <strong>de</strong> Caucaia <strong>do</strong> Alto, SP.<br />

7369000 7371000 7373000 7375000 7377000 7379000<br />

Intervalos estp_n_dist_rec.tif<br />

<strong>de</strong><br />

distância (m)<br />

0 0-50 - 50<br />

50,00000001 50-100 - 100<br />

100,0000001 100-200 - 200<br />

200,0000001 200-400 - 400<br />

400,0000001 400-800 - 800<br />

800-1.600<br />

1.600-3.200<br />

>3.200<br />

800,0000001 - 1.600<br />

1.600,000001 - 3.200<br />

3.200,000001 - 4.206,530762


¹<br />

285000 287000 289000 291000<br />

2.000<br />

m<br />

escala <strong>do</strong> mapa-base 1:10.000<br />

1<br />

7369000 7371000 7373000 7375000 7377000 7379000<br />

ests62_n_dist_rec.tif<br />

Intervalos <strong>de</strong><br />

<br />

distância (m)<br />

0-50<br />

0 - 50<br />

50,00000001<br />

50-100<br />

- 100<br />

100,0000001<br />

100-200<br />

- 200<br />

200,0000001 200-400 - 400<br />

400,0000001 400-600 - 600<br />

600,0000001 600-800 - 800<br />

800,0000001 800-1.000 - 1.000<br />

1.000,000001 1.000-1.200 - 1.200<br />

1.200,000001 1.200-1.400 - 1.400<br />

>1.400<br />

Figura 12. Mapa <strong>de</strong> distância (m) às estra<strong>da</strong>s secundárias <strong>de</strong> 1962 <strong>da</strong> região <strong>de</strong> Caucaia <strong>do</strong> Alto, SP.<br />

1.400,000001 - 1.559,495117


¹<br />

285000 287000 289000 291000<br />

2.000<br />

m<br />

escala <strong>do</strong> mapa-base 1:10.000<br />

7369000 7371000 7373000 7375000 7377000 7379000<br />

ests62_n_dist_rec.tif<br />

Intervalos <strong>de</strong><br />

<br />

distância (m)<br />

0-50<br />

0 - 50<br />

50,00000001<br />

50-100<br />

- 100<br />

100,0000001<br />

100-200<br />

- 200<br />

200,0000001 200-400 - 400<br />

400,0000001 400-600 - 600<br />

600,0000001 600-800 - 800<br />

800,0000001 800-1.000 - 1.000<br />

1.000,000001 1.000-1.200 - 1.200<br />

1.200,000001 1.200-1.400<br />

> 1.200 - 1.400<br />

>1.400<br />

Figura 13. Mapa <strong>de</strong> distância (m) às estra<strong>da</strong>s secundárias <strong>de</strong> 1981 <strong>da</strong> região <strong>de</strong> Caucaia <strong>do</strong> Alto, SP.<br />

1.400,000001 - 1.559,495117


¹<br />

285000 287000 289000 291000<br />

2.000<br />

m<br />

escala <strong>da</strong>s fotografias 1:25.000<br />

Figura 14. Mapa <strong>de</strong> distância (m) aos núcleos urbanos <strong>de</strong> 1962 <strong>da</strong> região <strong>de</strong> Caucaia <strong>do</strong> Alto, SP.<br />

7369000 7371000 7373000 7375000 7377000 7379000<br />

ests62_n_dist_rec.tif<br />

Intervalos <strong>de</strong><br />

distância (m)<br />

0 0-50 - 50<br />

50,00000001 50-100 - 100<br />

100,0000001 100-200 - 200<br />

200,0000001 200-400 - 400<br />

400,0000001 400-600 - 600<br />

600,0000001 600-800 - 800<br />

800,0000001 800-1.000 - 1.000<br />

1.000,000001 > 1.000 - 1.200<br />

1.200,000001 1.200-1.400 - 1.400<br />

1.400,000001 >1.400 - 1.559,495117


¹<br />

285000 287000 289000 291000<br />

2.000<br />

escala <strong>da</strong>s fotografias 1:35.000<br />

Figura 15. Mapa <strong>de</strong> distância (m) aos núcleos urbanos <strong>de</strong> 1981 <strong>da</strong> região <strong>de</strong> Caucaia <strong>do</strong> Alto, SP.<br />

m<br />

7369000 7371000 7373000 7375000 7377000 7379000<br />

nucleo81_n_dist_rec.tif<br />

Intervalos <strong>de</strong><br />

distância (m)<br />

0 0-50 - 50<br />

50,00000001 50-100 - 100<br />

100,0000001 100-200 - 200<br />

200,0000001 200-400 - 400<br />

400,0000001 400-600 - 600<br />

600,0000001 600-800 - 800<br />

800,0000001 >800 - 886,3972168


Tabela 4. Extensão, em metros e em graus (<strong>de</strong>clivi<strong>da</strong><strong>de</strong>), <strong>do</strong>s intervalos estabeleci<strong>do</strong>s para<br />

o estu<strong>do</strong> <strong>da</strong> influência <strong>da</strong>s variáveis proximais na <strong>dinâmica</strong> <strong>da</strong> <strong>paisagem</strong> <strong>de</strong> Caucaia <strong>do</strong><br />

Alto, SP.<br />

VARIÁVEIS<br />

Hidrografia<br />

(máx. =<br />

458 m)<br />

Declivi<strong>da</strong><strong>de</strong><br />

(máx = 32 o )<br />

Altimetria<br />

(máx. =<br />

1.051 m)<br />

Estra<strong>da</strong>s<br />

principais<br />

(máx. =<br />

4.207 m)<br />

Estra<strong>da</strong>s<br />

secundárias<br />

(1962)<br />

(máx. =<br />

1.559 m)<br />

Estra<strong>da</strong>s<br />

secundárias<br />

(1981)<br />

(máx. =<br />

1.342 m)<br />

Distância às<br />

instalações<br />

urbanas e<br />

rurais (1962)<br />

(máx. =<br />

1.060 m)<br />

Distância às<br />

instalações<br />

urbanas e<br />

rurais (1981)<br />

(máx. = 940<br />

m)<br />

Distância à<br />

classe uso<br />

antrópico<br />

(máx. =<br />

688 m)<br />

Distância à<br />

classe<br />

vegetação<br />

inicial (máx. =<br />

720 m)<br />

Distância à<br />

classe floresta<br />

(máx. =<br />

651 m)<br />

INTERVALO<br />

(1) (2) (3) (4) (5) (6) (7) (8) (9) (10)<br />

0 a 25 25 a 50<br />

50 a<br />

100<br />

100 a<br />

200<br />

200 a<br />

300<br />

300 a<br />

400<br />

> 400<br />

0 a 5 5 a 10 10 a 15 15 a 20 20 a 25 25 a 30 >30<br />

860 a<br />

900<br />

0 a 50<br />

0 a 50<br />

0 a 50<br />

0 a 50<br />

0 a 50<br />

0 a 50<br />

0 a 50<br />

0 a 50<br />

900 a<br />

940<br />

50 a<br />

100<br />

50 a<br />

100<br />

50 a<br />

100<br />

50 a<br />

100<br />

50 a<br />

100<br />

50 a<br />

100<br />

50 a<br />

100<br />

50 a<br />

100<br />

940 a<br />

980<br />

100 a<br />

200<br />

100 a<br />

200<br />

100 a<br />

200<br />

100 a<br />

200<br />

100 a<br />

200<br />

100 a<br />

200<br />

100 a<br />

200<br />

100 a<br />

200<br />

980 a<br />

1.020 >1.020<br />

200 a<br />

400<br />

200 a<br />

400<br />

200 a<br />

400<br />

200 a<br />

400<br />

200 a<br />

400<br />

200 a<br />

300<br />

200 a<br />

300<br />

200 a<br />

300<br />

400 a<br />

800<br />

400 a<br />

600<br />

400 a<br />

600<br />

400 a<br />

600<br />

400 a<br />

600<br />

300 a<br />

400<br />

300 a<br />

400<br />

300 a<br />

400<br />

800 a<br />

1.600<br />

600 a<br />

800<br />

600 a<br />

800<br />

600 a<br />

800<br />

600 a<br />

800<br />

400 a<br />

500<br />

400 a<br />

500<br />

400 a<br />

500<br />

1.600 a<br />

3.200 >3.200<br />

800 a<br />

1.000<br />

800 a<br />

1.000<br />

1.000 a<br />

1.200<br />

800 a<br />

1.000 >1.000<br />

>800<br />

500 a<br />

600<br />

500 a<br />

600<br />

500 a<br />

600<br />

1.200 a<br />

1.400<br />

1.000 a<br />

1.200 >1.200<br />

>600<br />

600 a<br />

700<br />

>600<br />

>700<br />

>1.400


Análise <strong>do</strong>s <strong>da</strong><strong>do</strong>s<br />

A fim <strong>de</strong> analisar a influência <strong>da</strong>s variáveis proximais na ocorrência <strong>do</strong>s processos <strong>de</strong> corte<br />

<strong>de</strong> vegetação inicial, <strong>de</strong>smatamento e regeneração, tanto <strong>de</strong> vegetação inicial como <strong>de</strong><br />

floresta, utilizou-se um méto<strong>do</strong> basea<strong>do</strong> nos pesos <strong>de</strong> evidência. Trata-se <strong>de</strong> um méto<strong>do</strong><br />

bayesiano, originalmente utiliza<strong>do</strong> na Geologia (Bonham-Carter 1994) e posteriormente<br />

introduzi<strong>do</strong> na mo<strong>de</strong>lagem espacial <strong>de</strong> <strong>dinâmica</strong> <strong>de</strong> paisagens pela equipe <strong>do</strong> Prof. Dr.<br />

Brital<strong>do</strong> Soares Filho (Soares-Filho et al. submeti<strong>do</strong>).<br />

No presente estu<strong>do</strong>, foram analisa<strong>da</strong>s as probabili<strong>da</strong><strong>de</strong>s a posteriori <strong>de</strong> ocorrência<br />

<strong>do</strong>s eventos <strong>de</strong> <strong>de</strong>smatamento e regeneração em relação às variáveis proximais altimetria,<br />

<strong>de</strong>clivi<strong>da</strong><strong>de</strong>, distância à re<strong>de</strong> hidrográfica, às estra<strong>da</strong>s principais e secundárias, aos núcleos<br />

urbanos e às três classes <strong>de</strong>fini<strong>da</strong>s na fotointerpretação. Foram utiliza<strong>da</strong>s as seguintes<br />

equações:<br />

{ D +<br />

} = log{<br />

D}<br />

+ W<br />

log (1)<br />

B<br />

{ D −<br />

} = log{<br />

D}<br />

+ W<br />

log (2)<br />

B<br />

on<strong>de</strong><br />

+<br />

W representa o peso <strong>de</strong> evidência positivo<br />

⎧ { } ⎫<br />

⎪P<br />

B<br />

+<br />

⎪<br />

W = ln ⎨<br />

D<br />

⎬<br />

(3)<br />

⎪⎩<br />

P{<br />

B }⎪⎭<br />

D<br />

e W - o peso <strong>de</strong> evidência negativo<br />

W<br />

⎧<br />

⎪P<br />

B<br />

ln D<br />

⎪<br />

⎩<br />

⎫<br />

⎪<br />

(4)<br />

{ } −<br />

e = ⎨<br />

⎬<br />

P{<br />

B }⎪<br />

D ⎭


para a ocorrência ( D ) ou a não-ocorrência ( D ) <strong>da</strong>s transições relaciona<strong>da</strong>s ao<br />

<strong>de</strong>smatamento e à regeneração frente à presença ( B ) ou à ausência ( B ) <strong>de</strong> um <strong>da</strong><strong>do</strong> padrão<br />

espacial, representa<strong>do</strong> aqui pelas variáveis proximais categoriza<strong>da</strong>s cita<strong>da</strong>s na Tabela 4.<br />

A fim <strong>de</strong> testar a significância <strong>da</strong> associação espacial entre a ocorrência <strong>da</strong>s<br />

transições referentes ao <strong>de</strong>smatamento e à regeneração a ca<strong>da</strong> um <strong>do</strong>s intervalos <strong>de</strong>fini<strong>do</strong>s<br />

para as variáveis proximais, utilizou-se <strong>uma</strong> medi<strong>da</strong> <strong>de</strong> contraste entre os valores positivos<br />

e negativos <strong>do</strong>s pesos <strong>de</strong> evidência calcula<strong>do</strong>s pelo programa DINAMICA ©<br />

+ −<br />

( = W −W<br />

)<br />

C . Tal medi<strong>da</strong> é consi<strong>de</strong>ra<strong>da</strong> estatisticamente significante (95% <strong>de</strong><br />

probabili<strong>da</strong><strong>de</strong>) caso C 1,<br />

96s(<br />

C)<br />

s<br />

2<br />

= 1<br />

área<br />

> , sen<strong>do</strong> que a variância <strong>do</strong> contraste é <strong>de</strong>termina<strong>da</strong> por:<br />

1<br />

1<br />

+<br />

+<br />

+<br />

( B ∩ D)<br />

área(<br />

B ∩ D)<br />

área(<br />

B ∩ D)<br />

área(<br />

B ∩ D)<br />

(Soares-Filho et al. submeti<strong>do</strong>).<br />

Alg<strong>uma</strong>s a<strong>da</strong>ptações ao méto<strong>do</strong> bayesiano original foram feitas pela equipe <strong>do</strong> Prof.<br />

Dr. Brital<strong>do</strong> Soares Filho a fim <strong>de</strong> analisar a <strong>dinâmica</strong> <strong>de</strong> paisagens, entendi<strong>da</strong>, no<br />

programa DINAMICA © , como as transições ocorri<strong>da</strong>s entre as diferentes classes <strong>de</strong>fini<strong>da</strong>s<br />

na fotointerpretação. Uma a<strong>da</strong>ptação relevante a este estu<strong>do</strong> refere-se à análise<br />

uniformiza<strong>da</strong> <strong>da</strong> influência <strong>da</strong>s variáveis proximais, excluin<strong>do</strong>-se os valores <strong>da</strong>s<br />

probabili<strong>da</strong><strong>de</strong>s a priori <strong>de</strong> ocorrência <strong>do</strong>s processos <strong>de</strong> <strong>de</strong>smatamento e regeneração com o<br />

valor <strong>de</strong> ( { D}<br />

)<br />

log igual a 1 em to<strong>do</strong>s os cálculos efetua<strong>do</strong>s (Soares-Filho et al. submeti<strong>do</strong>).<br />

1<br />

(5)


Dinâmica <strong>da</strong> <strong>paisagem</strong> <strong>de</strong> Caucaia <strong>do</strong> Alto<br />

RESULTADOS<br />

Os tipos <strong>de</strong> uso e cobertura <strong>da</strong>s terras <strong>do</strong>minantes, para os três anos estu<strong>da</strong><strong>do</strong>s, foram<br />

representa<strong>do</strong>s por floresta (43,8% <strong>do</strong> total <strong>da</strong> <strong>paisagem</strong> em 1962, 48,3% em 1981, 33,3%<br />

em 2000) e agricultura (36,2%, 37,7%, 35,8%). Em 1962 e 1981, instalações rurais e<br />

urbanas (0,6%, 1,5%) e reflorestamento (2,2%, 3%) são pouco representativas, porém, em<br />

2000, estas uni<strong>da</strong><strong>de</strong>s tiveram significativo aumento (cobertura <strong>de</strong> 16,6% e 6,8%,<br />

respectivamente). A vegetação inicial ten<strong>de</strong>u a <strong>uma</strong> constante redução ao longo <strong>do</strong> tempo<br />

(1962: 17,2%; 1981: 9,6%; 2000: 7,6%).<br />

Os <strong>do</strong>is intervalos <strong>de</strong> tempo foram bastante dinâmicos, sen<strong>do</strong> que, no perío<strong>do</strong> <strong>de</strong><br />

1962 a 1981, apenas 49,3% <strong>da</strong> área permaneceu inaltera<strong>da</strong> (Tabela 5), enquanto entre 1981<br />

e 2000, esta porcentagem aumentou para 54,2% (Tabela 6). No primeiro intervalo temporal<br />

analisa<strong>do</strong> (1962-1981), a <strong>dinâmica</strong> foi marca<strong>da</strong> por <strong>uma</strong> maior regeneração florestal em<br />

relação ao <strong>de</strong>smatamento. Esse <strong>de</strong>smatamento ocorreu sobretu<strong>do</strong> para a instalação <strong>de</strong> áreas<br />

<strong>de</strong> agricultura (852,82 ha, ou 26,1% <strong>do</strong> total <strong>de</strong> floresta em 1962, Tabela 5) e, em segui<strong>da</strong>,<br />

para reflorestamento (3,5%) e instalações rurais e urbanas (0,8%). O mesmo ocorreu com o<br />

corte <strong>de</strong> vegetação inicial, volta<strong>do</strong> principalmente ao estabelecimento <strong>de</strong> agricultura (393,7<br />

ha, ou 30,7% <strong>do</strong> total <strong>de</strong> vegetação inicial em 1962, Tabela 5). A regeneração <strong>de</strong> floresta,<br />

por outro la<strong>do</strong>, foi obti<strong>da</strong> igualmente a partir <strong>de</strong> vegetação inicial (46,9% <strong>do</strong> total <strong>de</strong><br />

floresta regenera<strong>do</strong> em 1981, 57,5% <strong>do</strong> total <strong>de</strong> vegetação inicial em 1962) e <strong>de</strong> agricultura<br />

(47% <strong>do</strong> total regenera<strong>do</strong>, 27,2% <strong>do</strong> total <strong>de</strong> agricultura em 1962), sen<strong>do</strong> as regenerações a<br />

partir <strong>de</strong> reflorestamento e instalações rurais e urbanas <strong>de</strong> baixa representativi<strong>da</strong><strong>de</strong> (Tabela<br />

5). A regeneração <strong>de</strong> vegetação inicial, por sua vez, foi <strong>da</strong><strong>da</strong> principalmente a partir <strong>de</strong><br />

áreas <strong>de</strong> agricultura (337,4 ha <strong>de</strong> vegetação inicial regenera<strong>da</strong> em 1981, 12,5% <strong>do</strong> total <strong>de</strong><br />

agricultura em 1962, Tabela 5). A transição <strong>de</strong> floresta para vegetação inicial (238,8 ha),<br />

que provavelmente representa áreas <strong>de</strong>smata<strong>da</strong>s e posteriormente regenera<strong>da</strong>s, também<br />

contribui significativamente para a formação <strong>de</strong> vegetação inicial em 1981 (Tabela 5).<br />

Portanto, consi<strong>de</strong>ran<strong>do</strong>-se a <strong>dinâmica</strong> florestal, o total <strong>de</strong> <strong>de</strong>smatamento observa<strong>do</strong><br />

entre os anos <strong>de</strong> 1962 e 1981 na região <strong>de</strong> Caucaia <strong>do</strong> Alto foi <strong>de</strong> 1.232,5 ha, o que resulta


Tabela 5. Matriz <strong>de</strong> mu<strong>da</strong>nça para o intervalo compreendi<strong>do</strong> entre os anos <strong>de</strong> 1962 e 1981,<br />

em ha, na região <strong>de</strong> Caucaia <strong>do</strong> Alto, SP.<br />

1<br />

9<br />

6<br />

2<br />

Instalações rurais<br />

e urbanas<br />

Instalações<br />

rurais e<br />

urbanas<br />

em <strong>uma</strong> per<strong>da</strong> média anual <strong>de</strong> 64,9 ha. A regeneração florestal, por sua vez, foi equivalente<br />

a 1.565,9 ha, resultan<strong>do</strong> em um acréscimo anual <strong>de</strong> 82,4 ha/ano. Em relação à vegetação<br />

inicial, no conjunto <strong>do</strong> intervalo temporal houve um acréscimo <strong>de</strong> 593,6 ha e <strong>uma</strong> per<strong>da</strong> <strong>de</strong><br />

1.162,9 ha. Na soma, esta <strong>dinâmica</strong> levou à retração <strong>da</strong> vegetação inicial e à expansão <strong>da</strong>s<br />

áreas floresta<strong>da</strong>s (Figura 16).<br />

O segun<strong>do</strong> intervalo temporal analisa<strong>do</strong> (1981-2000) mostrou <strong>uma</strong> <strong>dinâmica</strong> marca<strong>da</strong> pelo<br />

níti<strong>do</strong> aumento <strong>da</strong> área <strong>de</strong> instalações rurais e urbanas (incremento <strong>de</strong> 1.125,2 ha), e pela<br />

pre<strong>do</strong>minância <strong>da</strong> per<strong>da</strong> <strong>de</strong> vegetação natural em relação à regeneração. O aumento <strong>da</strong>s<br />

instalações rurais e urbanas foi feito essencialmente em <strong>de</strong>trimento <strong>da</strong>s áreas agrícolas<br />

(602,3 ha), mas também <strong>de</strong> áreas florestais (395,3 ha) e <strong>de</strong> vegetação inicial (130 ha). As<br />

áreas <strong>de</strong> floresta <strong>de</strong>ram essencialmente lugar, em 2000, à agricultura (17,7% <strong>do</strong> total <strong>de</strong><br />

floresta em 1981) e às instalações rurais e urbanas (11%). De forma similar, o corte <strong>de</strong><br />

vegetação inicial foi volta<strong>do</strong> principalmente ao estabelecimento <strong>de</strong> agricultura (36,3% <strong>do</strong><br />

total <strong>de</strong> vegetação inicial em 1981) e <strong>de</strong> instalações rurais (18,3%). A regeneração <strong>de</strong><br />

floresta (424,5 ha), por sua vez, <strong>de</strong>u-se principalmente a partir <strong>de</strong> agricultura (50,3% <strong>do</strong><br />

total <strong>de</strong> floresta regenera<strong>do</strong> em 2000, 7,6% <strong>do</strong> total <strong>de</strong> agricultura em 1981) e <strong>da</strong> vegetação<br />

inicial (45,5% <strong>da</strong> regeneração, 27,2% <strong>do</strong> total <strong>de</strong> vegetação inicial em 1981, Tabela 6). A<br />

maior parte <strong>da</strong> vegetação inicial em 2000 era floresta em 1981 (359,1 ha, ou seja, 63,2% <strong>do</strong><br />

1981<br />

Agricultura Reflorestamento Vegetação<br />

inicial<br />

Floresta TOTAL<br />

5,13 20,92 0,85 6,39 11,61 44,90<br />

Agricultura 64,71 1.500,46 66,87 337,36 734,22 2.703,62<br />

Reflorestamento 0,58 47,41 22,09 11,07 84,33 165,48<br />

Vegetação inicial 12,42 393,70 21,04 117,40 735,77 1.280,33<br />

Floresta 27,47 852,82 113,38 238,81 2.034,45 3.266,93<br />

TOTAL 110,31 2.815,31 224,23 711,00 3.600,38 7.461,00


total <strong>de</strong> vegetação inicial em 2000, Tabela 6), sugerin<strong>do</strong> que houve corte florestal e uso<br />

antrópico relativamente curto antes <strong>do</strong> aban<strong>do</strong>no. Excetuan<strong>do</strong> esta transição, a regeneração<br />

<strong>de</strong> vegetação inicial foi <strong>da</strong><strong>da</strong> principalmente pelo aban<strong>do</strong>no <strong>de</strong> áreas <strong>de</strong> agricultura (112,2<br />

ha, Tabela 6).<br />

INSTALAÇÕES<br />

RURAIS E URBANAS<br />

AGRICULTURA - 72,34<br />

830,16<br />

354,82 735,77<br />

VEGETAÇÃO<br />

INICIAL<br />

427,16 238,81<br />

- 163,51<br />

REFLORESTAMENTO 993,67<br />

+ 496,96 FLORESTA<br />

Figura 16. Áreas, em hectares, relaciona<strong>da</strong>s aos fenômenos <strong>de</strong> <strong>de</strong>smatamento e<br />

regeneração para o intervalo temporal compreendi<strong>do</strong> entre os anos <strong>de</strong> 1962-1981 na região<br />

<strong>de</strong> Caucaia <strong>do</strong> Alto, SP, com per<strong>da</strong>s e ganhos líqui<strong>do</strong>s <strong>de</strong> vegetação inicial e floresta.<br />

Portanto, o total <strong>de</strong> <strong>de</strong>smata<strong>do</strong> entre os anos <strong>de</strong> 1981 e 2000 foi <strong>de</strong> 1.543,7 ha, o que<br />

equivale a <strong>uma</strong> per<strong>da</strong> média anual <strong>de</strong> 81,2 ha, enquanto a regeneração florestal representou<br />

apenas 424,6 ha (22,3 ha ao ano, Figura 17). A vegetação inicial, por sua vez, teve um<br />

acréscimo <strong>de</strong> 479,8 ha e <strong>uma</strong> per<strong>da</strong> <strong>de</strong> 623,1 ha. Como resulta<strong>do</strong>, no perío<strong>do</strong> <strong>de</strong> 1981 a<br />

2000, houve tanto per<strong>da</strong> <strong>de</strong> área florestal (1.117,1 ha) quanto <strong>de</strong> vegetação inicial (143,3<br />

ha, Figura 17).


Tabela 6. Matriz <strong>de</strong> mu<strong>da</strong>nça para o intervalo compreendi<strong>do</strong> entre os anos <strong>de</strong> 1981 e 2000,<br />

em ha, na região <strong>de</strong> Caucaia <strong>do</strong> Alto, SP.<br />

1<br />

9<br />

8<br />

1<br />

Instalações rurais<br />

e urbanas<br />

Instalações<br />

rurais e<br />

urbanas<br />

2000<br />

Agricultura Reflorestamento<br />

Vegetação<br />

inicial<br />

Floresta TOTAL<br />

80,35 20,27 3,08 2,05 4,57 110,32<br />

Agricultura 602,35 1.702,01 185,31 112,18 213,46 2.815,31<br />

Reflorestamento 27,63 56,65 120,15 6,50 13,30 224,23<br />

Vegetação inicial 129,98 258,10 41,69 87,95 193,32 711,04<br />

Floresta 395,26 635,49 153,85 359,1 2.056,68 3.600,38<br />

TOTAL 1.235,57 2.672,52 504,08 567,78 2.481,33 7.461,00<br />

INSTALAÇÕES<br />

RURAIS E URBANAS<br />

AGRICULTURA - 309,04<br />

231,33<br />

- 953,27<br />

120,73 193,32<br />

VEGETAÇÃO<br />

INICIAL<br />

429,77 359,1<br />

- 953,27<br />

REFLORESTAMENTO 1.184,6<br />

- 165,7 FLORESTA<br />

Figura 17. Áreas, em hectares, relaciona<strong>da</strong>s aos fenômenos <strong>de</strong> <strong>de</strong>smatamento e<br />

regeneração para o intervalo temporal compreendi<strong>do</strong> entre os anos <strong>de</strong> 1981-2000 na região<br />

<strong>de</strong> Caucaia <strong>do</strong> Alto, SP, com per<strong>da</strong>s e ganhos líqui<strong>do</strong>s <strong>de</strong> vegetação inicial e <strong>de</strong> floresta.


Influência <strong>da</strong>s variáveis proximais<br />

A. Regeneração <strong>de</strong> vegetação inicial<br />

Segun<strong>do</strong> as curvas <strong>de</strong> tendência obti<strong>da</strong>s com base nos valores <strong>de</strong> contraste para as variáveis<br />

proximais analisa<strong>da</strong>s, a regeneração <strong>de</strong> vegetação inicial no perío<strong>do</strong> compreendi<strong>do</strong> entre os<br />

anos <strong>de</strong> 1962 e 2000 ocorreu preferencialmente próximo a corpos d’água, em locali<strong>da</strong><strong>de</strong>s<br />

<strong>de</strong> maior <strong>de</strong>clivi<strong>da</strong><strong>de</strong> e mais afasta<strong>da</strong>s <strong>da</strong>s estra<strong>da</strong>s secundárias (Figura 18). Entre os anos<br />

<strong>de</strong> 1962 e 1981, a regeneração <strong>de</strong> vegetação inicial se <strong>de</strong>u também em regiões afasta<strong>da</strong>s <strong>da</strong><br />

própria vegetação inicial e próximo <strong>da</strong>s estra<strong>da</strong>s principais. Já entre os anos <strong>de</strong> 1981 e<br />

2000, a mesma regeneração ocorreu preferencialmente em locais próximos à vegetação<br />

inicial e à floresta (Figura 18).<br />

B. Regeneração <strong>de</strong> floresta<br />

A regeneração <strong>de</strong> floresta entre os anos <strong>de</strong> 1962 e 2000 ocorreu, <strong>de</strong> um mo<strong>do</strong> geral,<br />

próximo à vegetação inicial, em regiões <strong>de</strong> maiores <strong>de</strong>clivi<strong>da</strong><strong>de</strong> e altimetria e distantes <strong>da</strong>s<br />

estra<strong>da</strong>s principais e secundárias, sen<strong>do</strong> esta última tendência mais evi<strong>de</strong>nte para o<br />

intervalo temporal compreendi<strong>do</strong> entre os anos <strong>de</strong> 1962 e 1981. Adicionalmente, observouse<br />

<strong>uma</strong> tendência <strong>de</strong>sse tipo <strong>de</strong> regeneração, entre os anos <strong>de</strong> 1981 e 2000, em áreas mais<br />

afasta<strong>da</strong>s aos núcleos urbanos (Figura 19).<br />

C. Corte <strong>de</strong> vegetação inicial<br />

Em relação ao corte <strong>de</strong> vegetação inicial, locali<strong>da</strong><strong>de</strong>s próximas anos núcleos urbanos e <strong>de</strong><br />

menores <strong>de</strong>clivi<strong>da</strong><strong>de</strong> e altimetria favoreceram esse tipo <strong>de</strong> transição no perío<strong>do</strong><br />

compreendi<strong>do</strong> entre os anos <strong>de</strong> 1962 e 2000. Adicionalmente, entre os anos <strong>de</strong> 1962 e 1981,<br />

o corte <strong>de</strong> vegetação inicial se <strong>de</strong>u também em áreas afasta<strong>da</strong>s à re<strong>de</strong> hidrográfica e entre os<br />

anos <strong>de</strong> 1981 e 2000, em locali<strong>da</strong><strong>de</strong>s distantes às estra<strong>da</strong>s secundárias (Figura 20).


C<br />

3<br />

2<br />

1<br />

0<br />

Distância à classe [VI]<br />

-1<br />

0 100 200 300 400 500 600 700<br />

Distância (m )<br />

2<br />

1<br />

0<br />

C -1<br />

C<br />

-2<br />

-3<br />

Distância à re<strong>de</strong> hidrográfica<br />

-4<br />

0 100 200 300 400<br />

Distância (m )<br />

2<br />

1<br />

0<br />

Valores altimétricos<br />

-1<br />

860 900 940 980 1020<br />

Altimetria (m )<br />

1<br />

Distância às estra<strong>da</strong>s secundárias (1962)<br />

[UA]/[VI]62-81<br />

62-81<br />

[UA]/[VI]81-00<br />

81-00<br />

[UA]/[VI]62-81<br />

62-81<br />

[UA]/[VI]81-00<br />

81-00<br />

[UA]/[VI]62-81<br />

62-81<br />

[UA]/[VI]81-00<br />

81-00<br />

C<br />

C<br />

C<br />

2<br />

1<br />

0<br />

Distância à classe [VMA]<br />

-1<br />

0 100 200 300 400 500 600<br />

Distância (m )<br />

Distância às estra<strong>da</strong>s secundárias (1981)<br />

C 0<br />

[UA]/[VI]62-81<br />

62-81 C [UA]/[VI]81-00<br />

81-00<br />

-1<br />

0 200 400 600 800 1000 1200 1400<br />

Distância (m )<br />

2<br />

1<br />

0<br />

1<br />

0<br />

Valores <strong>de</strong> <strong>de</strong>clivi<strong>da</strong><strong>de</strong><br />

-1<br />

0 5 10 15 20 25 30<br />

Declivi<strong>da</strong><strong>de</strong> (graus )<br />

1<br />

0<br />

-1<br />

Distância às estra<strong>da</strong>s principais<br />

-2<br />

0 500 1000 1500 2000 2500 3000 3500 4000<br />

Distância (m)<br />

-1<br />

0 200 400 600 800 1000 1200<br />

Distância (m )<br />

[UA]/[VI]62-81<br />

62-81<br />

[UA]/[VI]81-00<br />

81-00<br />

[UA]/[VI]62-81<br />

62-81<br />

[UA]/[VI]81-00<br />

81-00<br />

[UA]/[VI]62-81<br />

62-81<br />

[UA]/[VI]81-00<br />

81-00


3<br />

2<br />

1<br />

0<br />

C<br />

-1<br />

C<br />

-2<br />

-3<br />

Figura 18. Valores <strong>de</strong> contraste referentes à regeneração <strong>de</strong> vegetação inicial nos intervalos<br />

temporais compreendi<strong>do</strong>s entre os anos <strong>de</strong> 1962-1981 e 1981-2000 na região <strong>de</strong> Caucaia <strong>do</strong><br />

Alto, SP. Os pontos preenchi<strong>do</strong>s representam os valores <strong>de</strong> contraste significativos. As<br />

curvas <strong>de</strong> tendência receberam ajustes polinomiais <strong>de</strong> segun<strong>da</strong> or<strong>de</strong>m.<br />

Distância à classe [UA]<br />

-4<br />

0 100 200 300 400 500 600<br />

Distância (m )<br />

2<br />

1<br />

0<br />

-1<br />

-2<br />

1<br />

Distância aos núcleos urbanos (1962)<br />

C 0<br />

[UA]/[VI]62-81<br />

62-81<br />

-1<br />

0 200 400 600 800 1000<br />

Distância (m )<br />

Distância à classe [VMA]<br />

-3<br />

0 100 200 300 400 500 600<br />

Distância (m )<br />

[VI]/[VMA]62-81<br />

[VI]/[VMA]81-00<br />

[UA]/[VMA]62-81<br />

[UA]/[VMA]81-00<br />

[VI]/[VMA]62-81<br />

[VI]/[VMA]81-00<br />

C<br />

C<br />

1<br />

0<br />

Distância à classe [VI]<br />

-1<br />

0 100 200 300 400 500 600 700<br />

Distância (m )<br />

1<br />

0<br />

-1<br />

1<br />

Distância aos núcleos urbanos (1981)<br />

C 0<br />

[UA]/[VI]81-00<br />

81-00<br />

-1<br />

0 200 400 600 800<br />

Distância (m )<br />

Distância à re<strong>de</strong> hidrográfica<br />

-2<br />

0 100 200 300 400<br />

Distância (m )<br />

[UA]/[VMA]62-81<br />

[UA]/[VMA]81-00<br />

[UA]/[VMA]62-81<br />

[UA]/[VMA]81-00<br />

[VI]/[VMA]62-81<br />

[VI]/[VMA]81-00


C<br />

C<br />

C<br />

C<br />

2<br />

1<br />

0<br />

-1<br />

Valores <strong>de</strong> <strong>de</strong>clivi<strong>da</strong><strong>de</strong><br />

-2<br />

0 5 10 15 20 25 30<br />

Declivi<strong>da</strong><strong>de</strong> (graus )<br />

2<br />

1<br />

0<br />

Distância às estra<strong>da</strong>s principais<br />

-1<br />

0 500 1000 1500 2000 2500 3000 3500 4000<br />

Distância (m )<br />

3<br />

2<br />

1<br />

0<br />

-1<br />

-2<br />

Distância às estra<strong>da</strong>s secundárias (1981)<br />

-3<br />

0 200 400 600 800 1000 1200<br />

Distância (m )<br />

4<br />

3<br />

2<br />

1<br />

0<br />

-1<br />

Distância aos núcleos urbanos (1981)<br />

-2<br />

0 200 400 600 800<br />

Distância (m )<br />

[UA]/[VMA]62-81<br />

[UA]/[VMA]81-00<br />

[VI]/[VMA]62-81<br />

[VI]/[VMA]81-00<br />

[UA]/[VMA]62-81<br />

[UA]/[VMA]81-00<br />

[VI]/[VMA]62-81<br />

[VI]/[VMA]81-00<br />

[UA]/[VMA]81-00<br />

[VI]/[VMA]81-00<br />

[UA]/[VMA]81-00<br />

[VI]/[VMA]81-00<br />

Valores altimétricos<br />

-2<br />

860 900 940 980 1020<br />

Altimetria (m )<br />

Figura 19. Valores <strong>de</strong> contraste referentes à regeneração <strong>de</strong> floresta [VMA] a partir <strong>de</strong> uso<br />

antrópico [UA] e <strong>de</strong> vegetação inicial [VI] nos intervalos temporais compreendi<strong>do</strong>s entre os<br />

anos <strong>de</strong> 1962-1981 e 1981-2000 na região <strong>de</strong> Caucaia <strong>do</strong> Alto, SP. Os pontos preenchi<strong>do</strong>s<br />

representam os valores <strong>de</strong> contraste significativos. As curvas <strong>de</strong> tendência receberam<br />

ajustes polinomiais <strong>de</strong> segun<strong>da</strong> or<strong>de</strong>m.<br />

C<br />

C<br />

C<br />

3<br />

2<br />

1<br />

0<br />

-1<br />

3<br />

2<br />

1<br />

0<br />

-1<br />

Distância às estra<strong>da</strong>s secundárias (1962)<br />

-2<br />

0 200 400 600 800 1000 1200 1400<br />

Distância (m )<br />

1<br />

0<br />

Distância aos núcleos urbanos (1962)<br />

-1<br />

0 200 400 600 800 1000<br />

Distância (m )<br />

[UA]/[VMA]62-81<br />

[UA]/[VMA]81-00<br />

[VI]/[VMA]62-81<br />

[VI]/[VMA]81-00<br />

[UA]/[VMA]62-81<br />

[VI]/[VMA]62-81<br />

[UA]/[VMA]62-81<br />

[VI]/[VMA]62-81


1<br />

0<br />

-1<br />

-2<br />

C<br />

-3<br />

C<br />

C<br />

-4<br />

-5<br />

Distância à classe [UA]<br />

-6<br />

0 100 200 300 400 500 600<br />

Distância (m )<br />

2<br />

1<br />

0<br />

Distância à re<strong>de</strong> hidrográfica<br />

-1<br />

0 100 200 300 400<br />

Distância (m )<br />

1<br />

0<br />

-1<br />

Valores altimétricos<br />

-2<br />

860 900 940 980 1020<br />

Altimetria (m )<br />

1<br />

0<br />

Distância às estra<strong>da</strong>s secundárias (1962)<br />

[VI]/[UA]62-81<br />

62-81<br />

[VI]/[UA]81-00<br />

81-00<br />

[VI]/[UA]62-81<br />

62-81<br />

[VI]/[UA]81-00<br />

81-00<br />

[VI]/[UA]62-81<br />

62-81<br />

[VI]/[UA]81-00<br />

81-00<br />

C [VI]/[UA]62-81<br />

62-81<br />

-1<br />

-2<br />

0 200 400 600 800 1000 1200 1400<br />

Distância (m )<br />

C<br />

C<br />

C<br />

2<br />

1<br />

0<br />

-1<br />

-2<br />

Distância à classe [VMA]<br />

-3<br />

0 100 200 300 400 500 600<br />

Distância (m )<br />

1<br />

0<br />

Valores <strong>de</strong> <strong>de</strong>clivi<strong>da</strong><strong>de</strong><br />

-1<br />

0 5 10 15 20 25 30<br />

Declivi<strong>da</strong><strong>de</strong> (graus )<br />

2<br />

1<br />

0<br />

Distância às estra<strong>da</strong>s principais<br />

-1<br />

0 500 1000 1500 2000 2500 3000 3500 4000<br />

Distância (m )<br />

1<br />

0<br />

-2<br />

Distância às estra<strong>da</strong>s secundárias (1981)<br />

-3<br />

0 200 400 600 800 1000 1200<br />

Distância [m]<br />

[VI]/[UA]62-81<br />

62-81<br />

[VI]/[UA]81-00<br />

81-00<br />

[VI]/[UA]62-81<br />

62-81<br />

[VI]/[UA]81-00<br />

81-00<br />

[VI]/[UA]62-81<br />

62-81<br />

[VI]/[UA]81-00<br />

81-00<br />

C -1<br />

[VI]/[UA]81-00<br />

81-00


2<br />

1<br />

0<br />

C<br />

-1<br />

-2<br />

1<br />

0<br />

-1<br />

Distância aos núcleos urbanos (1962)<br />

C [VI]/[UA]62-81<br />

62-81 C 0<br />

[VI]/[UA]81-00<br />

81-00<br />

-2<br />

0 200 400 600 800 1000<br />

Distância (m )<br />

Figura 20. Valores <strong>de</strong> contraste referentes ao corte <strong>de</strong> vegetação inicial nos intervalos<br />

temporais compreendi<strong>do</strong>s entre os anos <strong>de</strong> 1962-1981 e 1981-2000 na região <strong>de</strong> Caucaia <strong>do</strong><br />

Alto, SP. Os pontos preenchi<strong>do</strong>s representam os valores <strong>de</strong> contraste significativos. As<br />

curvas <strong>de</strong> tendência receberam ajustes polinomiais <strong>de</strong> segun<strong>da</strong> or<strong>de</strong>m.<br />

D. Desmatamento <strong>de</strong> floresta<br />

Distância aos núcleos urbanos (1981)<br />

-2<br />

0 200 400 600 800<br />

Distância (m )<br />

Em relação ao <strong>de</strong>smatamento <strong>de</strong> floresta, tem-se que o mesmo ocorreu, no geral,<br />

preferencialmente em locali<strong>da</strong><strong>de</strong>s distantes à re<strong>de</strong> hidrográfica, em regiões <strong>de</strong> menor<br />

<strong>de</strong>lcivi<strong>da</strong><strong>de</strong> e próximo aos núcleos urbanos, este último com maior intensi<strong>da</strong><strong>de</strong> entre os<br />

anos <strong>de</strong> 1981 e 2000 (Figura 21).<br />

Distância à classe [UA]<br />

-3<br />

0 100 200 300 400 500 600<br />

Distância (m )<br />

[VMA]/[UA]62-81<br />

[VMA]/[UA]81-00<br />

[VMA]/[VI]62-81<br />

[VMA]/[VI]81-00<br />

C<br />

-1<br />

2<br />

1<br />

-1<br />

1<br />

0<br />

Distância à classe [VI]<br />

-2<br />

0 100 200 300 400 500 600 700<br />

Distância (m )<br />

[VMA]/[UA]62-81<br />

[VMA]/[UA]81-00<br />

[VMA]/[VI]62-81<br />

[VMA]/[VI]81-00


C<br />

C<br />

C<br />

C<br />

5<br />

4<br />

3<br />

2<br />

1<br />

0<br />

Distância à re<strong>de</strong> hidrográfica<br />

-1<br />

0 100 200 300 400<br />

Distância (m )<br />

1<br />

0<br />

-1<br />

Valores altimétricos<br />

-2<br />

860 900 940 980 1020<br />

Altimetria (m )<br />

2<br />

1<br />

0<br />

Distância às estra<strong>da</strong>s secundárias (1962)<br />

-1<br />

0 200 400 600 800 1000 1200 1400<br />

Distância (m )<br />

1<br />

0<br />

Distância aos núcleos urbanos (1962)<br />

-1<br />

0 200 400 600 800 1000<br />

Distância (m )<br />

[VMA]/[UA]62-81<br />

[VMA]/[UA]81-00<br />

[VMA]/[VI]62-81<br />

[VMA]/[VI]81-00<br />

[VMA]/[UA]62-81<br />

[VMA]/[UA]81-00<br />

[VMA]/[VI]62-81<br />

[VMA]/[VI]81-00<br />

[VMA]/[UA]62-81<br />

[VMA]/[VI]62-81<br />

[VMA]/[UA]62-81<br />

[VMA]/[VI]62-81<br />

C<br />

C<br />

Valores <strong>de</strong> <strong>de</strong>clivi<strong>da</strong><strong>de</strong><br />

-1<br />

0 5 10 15 20 25 30<br />

Declivi<strong>da</strong><strong>de</strong> (graus )<br />

C<br />

C<br />

Figura 21. Valores <strong>de</strong> contraste referentes ao <strong>de</strong>smatamento <strong>de</strong> floresta [VMA] para<br />

conversão à uso antrópico [UA] e à vegetação inicial [VI] nos intervalos temporais<br />

compreendi<strong>do</strong>s entre os anos <strong>de</strong> 1962-1981 e 1981-2000 na região <strong>de</strong> Caucaia <strong>do</strong> Alto, SP.<br />

Os pontos preenchi<strong>do</strong>s representam os valores <strong>de</strong> contraste significativos. As curvas <strong>de</strong><br />

tendência receberam ajustes polinomiais <strong>de</strong> segun<strong>da</strong> or<strong>de</strong>m.<br />

1<br />

0<br />

1<br />

0<br />

-1<br />

Distância às estra<strong>da</strong>s principais<br />

-2<br />

0 500 1000 1500 2000 2500 3000 3500 4000<br />

Distância (m )<br />

4<br />

3<br />

2<br />

1<br />

0<br />

Distância às estra<strong>da</strong>s secundárias (1981)<br />

-1<br />

0 200 400 600 800 1000 1200<br />

Distância (m )<br />

2<br />

1<br />

0<br />

-1<br />

Distância aos núcleos urbanos (1981)<br />

-2<br />

0 200 400 600 800<br />

Distância (m )<br />

[VMA]/[UA]62-81<br />

[VMA]/[UA]81-00<br />

[VMA]/[VI]62-81<br />

[VMA]/[VI]81-00<br />

[VMA]/[UA]62-81<br />

[VMA]/[UA]81-00<br />

[VMA]/[VI]62-81<br />

[VMA]/[VI]81-00<br />

[VMA]/[UA]81-00<br />

[VMA]/[VI]81-00<br />

[VMA]/[UA]81-00<br />

[VMA]/[VI]81-00


DISCUSSÃO<br />

A <strong>paisagem</strong> <strong>de</strong> Caucaia <strong>do</strong> Alto vem se mostran<strong>do</strong>, <strong>de</strong>s<strong>de</strong> 1962, muito <strong>dinâmica</strong>, porém<br />

com padrões <strong>de</strong> transição contrastantes para os <strong>do</strong>is perío<strong>do</strong>s estu<strong>da</strong><strong>do</strong>s. No primeiro<br />

perío<strong>do</strong>, entre 1962 e 1981, houve um pre<strong>do</strong>mínio <strong>da</strong> regeneração florestal em relação ao<br />

<strong>de</strong>smatamento, enquanto a situação inversa ocorreu no perío<strong>do</strong> seguinte, <strong>de</strong> 1981 a 2000.<br />

Esta alteração na <strong>dinâmica</strong> <strong>da</strong> <strong>paisagem</strong> po<strong>de</strong> ser melhor entendi<strong>da</strong> à luz <strong>da</strong>s mu<strong>da</strong>nças<br />

sócio-econômicas ocorri<strong>da</strong>s na região nos últimos 40 anos e pela aplicação <strong>da</strong> legislação<br />

ambiental.<br />

Perío<strong>do</strong> <strong>de</strong> 1962-1981<br />

Este perío<strong>do</strong> é caracteriza<strong>do</strong> por <strong>do</strong>is processos: i) <strong>uma</strong> alta rotativi<strong>da</strong><strong>de</strong> agrícola,<br />

relaciona<strong>da</strong> a altas taxas <strong>de</strong> aban<strong>do</strong>no <strong>de</strong> áreas <strong>de</strong> agricultura e <strong>de</strong> <strong>de</strong>smatamento e ii) <strong>uma</strong><br />

intensa regeneração florestal, relaciona<strong>da</strong> tanto ao aban<strong>do</strong>no agrícola quanto à regeneração<br />

<strong>de</strong> vegetação inicial, a qual resulta em um aumento <strong>da</strong> cobertura florestal.<br />

A alta rotativi<strong>da</strong><strong>de</strong> agrícola está liga<strong>da</strong> ao uso <strong>do</strong> sistema <strong>de</strong> pousio por agricultores<br />

<strong>da</strong> região, o qual é típico <strong>de</strong> paisagens que apresentam <strong>uma</strong> alta heterogenei<strong>da</strong><strong>de</strong> (Metzger<br />

2003), como a observa<strong>da</strong> em Caucaia <strong>do</strong> Alto. Entre os anos <strong>de</strong> 1904 e 1905, o município<br />

<strong>de</strong> Cotia apresentava 47,2% <strong>de</strong> suas terras ocupa<strong>da</strong>s por capoeiras, 35,5% por campos,<br />

9,7% recobertas por florestas e apenas 7,1% <strong>de</strong>stina<strong>da</strong>s à agricultura (Seabra 1971). A<br />

presença marcante <strong>de</strong> capoeiras e <strong>de</strong> campos, nesse perío<strong>do</strong>, refletia o pre<strong>do</strong>mínio <strong>do</strong><br />

sistema <strong>de</strong> roça, <strong>de</strong> ativi<strong>da</strong><strong>de</strong>s relaciona<strong>da</strong>s a <strong>de</strong>rruba<strong>da</strong>s para obtenção <strong>de</strong> lenha e ma<strong>de</strong>ira e<br />

<strong>de</strong> agricultura itinerante. Mais tar<strong>de</strong>, com a entra<strong>da</strong> <strong>de</strong> estrangeiros (japoneses, italianos,<br />

portugueses e espanhóis), a região foi conduzi<strong>da</strong> à <strong>de</strong>rroca<strong>da</strong> <strong>da</strong>s ativi<strong>da</strong><strong>de</strong>s ditas “caipiras”,<br />

isto é, <strong>de</strong> subsistência, <strong>uma</strong> vez que passaram a implementar <strong>uma</strong> cultura <strong>de</strong> caráter<br />

comercial. Segun<strong>do</strong> <strong>da</strong><strong>do</strong>s forneci<strong>do</strong>s pela Cooperativa Agrícola <strong>de</strong> Cotia (CAC), a<br />

produção agrícola, entre os anos <strong>de</strong> 1963 e 1964, era principalmente volta<strong>da</strong> a produtos<br />

hortifrutigranjeiros, como tomate, batata, ovos, frango e alcachofra, entre outros, os quais<br />

abasteciam as ci<strong>da</strong><strong>de</strong>s <strong>de</strong> São Paulo, Rio <strong>de</strong> Janeiro e Santos. As áreas cultiva<strong>da</strong>s, naquele<br />

perío<strong>do</strong>, não extrapolavam entre 18,8 e 56,8% <strong>da</strong>s proprie<strong>da</strong><strong>de</strong>s como um to<strong>do</strong>, sen<strong>do</strong> que o


estante era ocupa<strong>do</strong> por floresta e capoeira relaciona<strong>da</strong>s à “(...) obtenção <strong>da</strong> lenha e <strong>do</strong><br />

carvão vegetal (...) ou ain<strong>da</strong> com as formas <strong>de</strong> cultivo por rotação <strong>de</strong> terras, que, <strong>de</strong> mo<strong>do</strong><br />

mais sistemático, existiam ain<strong>da</strong> em proprie<strong>da</strong><strong>de</strong>s (...)” (Seabra 1971). Neste perío<strong>do</strong>, havia<br />

ain<strong>da</strong> <strong>uma</strong> tendência, por parte <strong>do</strong>s proprietários, em rotacionar as suas culturas em solos<br />

potencialmente mais férteis. Desta forma, eram escolhi<strong>do</strong>s os solos recobertos por<br />

vegetação natural, principalmente em estádios mais avança<strong>do</strong>s <strong>de</strong> regeneração, explican<strong>do</strong><br />

assim as altas taxas <strong>de</strong> <strong>de</strong>smatamento observa<strong>da</strong>s no perío<strong>do</strong>.<br />

Um outro fator que possivelmente contribuiu tanto para a regeneração como para o<br />

<strong>de</strong>smatamento, po<strong>de</strong> ter si<strong>do</strong> a ocorrência <strong>de</strong> arren<strong>da</strong>mentos em gran<strong>de</strong>s proprie<strong>da</strong><strong>de</strong>s,<br />

geralmente pertencentes a japoneses ou a seus <strong>de</strong>scen<strong>de</strong>ntes. Segun<strong>do</strong> Seabra (1971), os<br />

japoneses que adquiriam gran<strong>de</strong>s proprie<strong>da</strong><strong>de</strong>s o faziam, em parte, para fins especulativos,<br />

<strong>uma</strong> vez que “alugavam” pe<strong>da</strong>ços <strong>de</strong> terra a famílias cujas culturas próprias já haviam si<strong>do</strong><br />

extermina<strong>da</strong>s pela <strong>de</strong>cadência <strong>do</strong> cinturão caipira frente à expansão <strong>da</strong> agricultura <strong>de</strong><br />

caráter estritamente comercial. Por sua vez, Seabra (1971) <strong>de</strong>stacou que parte <strong>da</strong>s “matas e<br />

capoeiras” encontra<strong>da</strong>s nas proprie<strong>da</strong><strong>de</strong>s era <strong>de</strong>vi<strong>da</strong> ao aban<strong>do</strong>no <strong>de</strong> “arren<strong>da</strong>mentos<br />

passa<strong>do</strong>s”.<br />

A regeneração florestal está ain<strong>da</strong> relaciona<strong>da</strong> ao processo <strong>de</strong> extração <strong>de</strong> lenha e<br />

carvão vegetal, observa<strong>do</strong> em praticamente to<strong>da</strong> a extensão florestal atlântica paulista<br />

durante a primeira meta<strong>de</strong> <strong>do</strong> século XX. A proletarização <strong>da</strong> comuni<strong>da</strong><strong>de</strong> local, <strong>de</strong> certo<br />

mo<strong>do</strong>, foi o ponto-chave para a expansão <strong>da</strong> produção <strong>de</strong> lenha e carvão vegetal. O carvão,<br />

produto gera<strong>do</strong> a partir <strong>da</strong> <strong>de</strong>rruba<strong>da</strong> <strong>da</strong>s florestas, passou a substituir o valor monetário <strong>do</strong>s<br />

exce<strong>de</strong>ntes <strong>da</strong> produção <strong>de</strong> subsistência, que antes eram comercializa<strong>do</strong>s pelos locais.<br />

Entretanto, esse comércio não foi suficiente para elevar o padrão <strong>de</strong> vi<strong>da</strong> <strong>da</strong> população<br />

local, fazen<strong>do</strong>-os retornar ao plantio <strong>de</strong> produtos agrícolas ou submeterem-se aos<br />

“ven<strong>de</strong>iros”, intermediários <strong>do</strong> comércio <strong>de</strong> carvão, que arren<strong>da</strong>vam florestas e contratavam<br />

locais cujas terras encontravam-se esgota<strong>da</strong>s (Queiroz & Garcia 1968 apud Seabra 1971).<br />

Langencuch (1968 apud Seabra 1971) ressaltou ain<strong>da</strong> que a ativi<strong>da</strong><strong>de</strong> extrativista<br />

relaciona<strong>da</strong> à produção <strong>de</strong> lenha e carvão vegetal era <strong>uma</strong> <strong>da</strong>s mais expressivas nos<br />

arre<strong>do</strong>res <strong>da</strong> ci<strong>da</strong><strong>de</strong> <strong>de</strong> São Paulo <strong>de</strong>s<strong>de</strong> o fim <strong>do</strong> século XIX. Dean (1997), em sua obra<br />

intitula<strong>da</strong> A Ferro e Fogo, enfatizou a contribuição <strong>da</strong>s florestas primárias <strong>de</strong> Mata<br />

Atlântica <strong>do</strong> esta<strong>do</strong> <strong>de</strong> São Paulo para o comércio <strong>de</strong> combustível vegetal. As florestas


primárias eram ti<strong>da</strong>s como recursos não-renováveis pelos explora<strong>do</strong>res, <strong>uma</strong> vez que as<br />

espécies normalmente presentes em matas secundárias em estádios iniciais <strong>de</strong> regeneração<br />

possuem lenha <strong>de</strong> menor <strong>de</strong>nsi<strong>da</strong><strong>de</strong> e carvão com quanti<strong>da</strong><strong>de</strong>s reduzi<strong>da</strong>s <strong>de</strong> carbono. Os<br />

produtos oriun<strong>do</strong>s <strong>de</strong> florestas secundárias eram geralmente utiliza<strong>do</strong>s para consumo<br />

<strong>do</strong>méstico. O autor também apontou o aumento no fornecimento <strong>de</strong> lenha e carvão vegetal<br />

<strong>de</strong>vi<strong>do</strong> à crise no abastecimento <strong>de</strong> produtos petrolíferos durante a Segun<strong>da</strong> Guerra<br />

Mundial (com a a<strong>da</strong>ptação <strong>de</strong> gera<strong>do</strong>res <strong>de</strong> gás movi<strong>do</strong>s à queima <strong>de</strong> carvão até mesmo em<br />

carros), apesar <strong>de</strong>, já na déca<strong>da</strong> <strong>de</strong> 50, gran<strong>de</strong> parte <strong>do</strong>s gera<strong>do</strong>res <strong>de</strong> energia industriais<br />

(89%) serem aciona<strong>do</strong>s à combustão interna ou por eletrici<strong>da</strong><strong>de</strong>. Entretanto, após 1960,<br />

com o fim <strong>da</strong> guerra e a normalização <strong>do</strong> fornecimento <strong>de</strong> petróleo, a utilização <strong>de</strong> produtos<br />

florestais <strong>de</strong>stina<strong>da</strong> à geração <strong>de</strong> energia diminuiu sensivelmente. A instalação maciça <strong>de</strong><br />

fogões <strong>do</strong>miciliares movi<strong>do</strong>s a gás, querosene ou energia elétrica contribuiu sobremaneira<br />

para <strong>uma</strong> menor utilização <strong>de</strong> lenha e carvão vegetal. Provavelmente, essa diminuição na<br />

<strong>de</strong>pendência <strong>de</strong> produtos florestais para produção <strong>de</strong> energia, a partir <strong>da</strong> déca<strong>da</strong> <strong>de</strong> 60,<br />

contribuiu para a significativa regeneração natural <strong>de</strong> florestas, em particular a partir <strong>do</strong><br />

aban<strong>do</strong>no <strong>de</strong> áreas <strong>de</strong> vegetação em estádio inicial, observa<strong>da</strong> no primeiro intervalo<br />

temporal analisa<strong>do</strong> (1962-1981). É importante ressaltar que, em visitas à área <strong>de</strong> estu<strong>do</strong>,<br />

foram realiza<strong>da</strong>s alg<strong>uma</strong>s entrevistas informais a pessoas resi<strong>de</strong>ntes há pelo menos 40 anos<br />

na região, nas quais foram confirma<strong>da</strong>s as ativi<strong>da</strong><strong>de</strong>s referentes à extração <strong>de</strong> lenha e<br />

carvão vegetal, sen<strong>do</strong> a mesma não-seletiva, com o corte raso feito pela utilização <strong>de</strong><br />

correntes ata<strong>da</strong>s a tratores (com. pess.).<br />

Um outro fator que po<strong>de</strong> explicar a intensa regeneração florestal neste primeiro<br />

perío<strong>do</strong> <strong>de</strong> estu<strong>do</strong> é a implantação <strong>do</strong> Código Florestal (Lei n o 4.771), em 15 <strong>de</strong> setembro<br />

<strong>de</strong> 1965. Com a implantação <strong>do</strong> Código Florestal, diversas restrições acerca <strong>da</strong> exploração<br />

<strong>de</strong> recursos naturais, principalmente em relação à extração <strong>de</strong> lenha e carvão vegetal,<br />

passaram a vigorar, o que po<strong>de</strong> ter contribuí<strong>do</strong>, também, para a diminuição <strong>de</strong>sse tipo <strong>de</strong><br />

ativi<strong>da</strong><strong>de</strong> antrópica. O Artigo 11, por exemplo, passa a exigir medi<strong>da</strong>s preventivas quanto<br />

ao controle <strong>de</strong> emissão <strong>de</strong> fagulhas no emprego <strong>de</strong> produtos florestais como combustível; o<br />

Artigo 12 limita a extração <strong>de</strong> produtos ma<strong>de</strong>ireiros apenas em florestas planta<strong>da</strong>s nãositua<strong>da</strong>s<br />

em áreas <strong>de</strong> preservação permanente (APPs); o Artigo 14 (b) proíbe o corte <strong>de</strong><br />

espécies vegetais em extinção; o Artigo 19 prevê a retira<strong>da</strong> <strong>de</strong> espécies naturais, mas obriga


o proprietário a replantá-las; o Artigo 21 obriga si<strong>de</strong>rúrgicas a manterem florestas próprias<br />

para exploração racional; o Artigo 24, refere-se ao registro <strong>de</strong> estabelecimentos que<br />

comercializam moto-serra e confere apenas a órgão competentes a autori<strong>da</strong><strong>de</strong> <strong>de</strong> liberar<br />

licenças <strong>de</strong> utilização <strong>da</strong> mesma, as quais <strong>de</strong>vem ser renova<strong>da</strong>s a ca<strong>da</strong> <strong>do</strong>is anos, entre<br />

outros.<br />

Perío<strong>do</strong> <strong>de</strong> 1981-2000<br />

O intervalo temporal compreendi<strong>do</strong> entre os anos <strong>de</strong> 1981 a 2000 foi caracteriza<strong>do</strong> por um<br />

intenso <strong>de</strong>smatamento, quantitativamente maior <strong>do</strong> que o observa<strong>do</strong> no primeiro intervalo<br />

temporal analisa<strong>do</strong>, e pela explosão <strong>da</strong>s áreas <strong>de</strong> instalação rural e urbana, principalmente<br />

relaciona<strong>da</strong>s a loteamentos. Estes <strong>do</strong>is processos parecem estar atrela<strong>do</strong>s ao aumento <strong>de</strong><br />

culturas feitas em estufa, como verduras hidropônicas e flores (com. pess.), à instalação <strong>de</strong><br />

re<strong>de</strong> elétrica (linhão, <strong>de</strong>tecta<strong>do</strong> apenas em fotografias aéreas referentes aos anos <strong>de</strong> 1981 e<br />

2000) e à melhora e duplicação <strong>da</strong> Ro<strong>do</strong>via Raposo Tavares, a qual é a principal via <strong>de</strong><br />

acesso entre a área <strong>de</strong> estu<strong>do</strong> e a ci<strong>da</strong><strong>de</strong> <strong>de</strong> São Paulo. Estes últimos fatores foram<br />

provavelmente <strong>de</strong>terminantes à expansão, em <strong>uma</strong> taxa bastante eleva<strong>da</strong>, <strong>de</strong> loteamentos<br />

<strong>de</strong>stina<strong>do</strong>s à construção <strong>de</strong> chácaras <strong>de</strong> fim-<strong>de</strong>-semana e con<strong>do</strong>mínios em Caucaia <strong>do</strong> Alto.<br />

Esse novo perfil “empreen<strong>de</strong><strong>do</strong>r” vem, nos últimos 20 anos, atrain<strong>do</strong> mora<strong>do</strong>res <strong>da</strong><br />

metrópole, os quais, motiva<strong>do</strong>s pela facili<strong>da</strong><strong>de</strong> <strong>do</strong> acesso via Raposo Tavares, elegeram a<br />

região <strong>de</strong> Caucaia <strong>do</strong> Alto como um “paraíso ecológico”. A presença <strong>de</strong> remanescentes <strong>de</strong><br />

Mata Atlântica, os quais conferem à região um atrativo tanto para lazer como para moradia,<br />

fazem <strong>da</strong> especulação imobiliária algo bastante rentável. Um levantamento realiza<strong>do</strong> sobre<br />

a UGRHI-10, <strong>da</strong> qual faz parte a região <strong>de</strong> Caucaia <strong>do</strong> Alto, também aponta que “a<br />

proximi<strong>da</strong><strong>de</strong> com a região metropolitana <strong>de</strong> São Paulo é “(...) um atrativo para contínuo<br />

parcelamento <strong>do</strong> solo e a criação <strong>de</strong> chácaras <strong>de</strong> recreio, muitas <strong>de</strong>las invadin<strong>do</strong> áreas<br />

<strong>de</strong> vegetação nativa e preservação permanente (...)” (Secretaria <strong>de</strong> Recursos Hídricos e<br />

Saneamento <strong>do</strong> Esta<strong>do</strong> <strong>de</strong> São Paulo 2000). Esse mesmo levantamento classifica <strong>Ibiúna</strong>,<br />

entre os <strong>de</strong>mais municípios que compõem a sub-bacia <strong>do</strong> Alto Sorocaba, como um <strong>do</strong>s<br />

municípios que mais recebeu autos <strong>de</strong> infração ambiental por <strong>de</strong>smatamento ilegal ou<br />

irregular entre os anos <strong>de</strong> 1993 e 1995, com per<strong>da</strong> <strong>de</strong> gran<strong>de</strong> área florestal.


É importante ressaltar que as instalações rurais e urbanas ocorreram não apenas em<br />

áreas florestais (395 ha <strong>de</strong>smata<strong>do</strong>s), mas também, e principalmente, em áreas agrícolas<br />

(602 ha converti<strong>do</strong>s). A quanti<strong>da</strong><strong>de</strong> <strong>de</strong> área agrícola converti<strong>da</strong> a instalações rurais e<br />

urbanas é semelhante à <strong>de</strong> área florestal converti<strong>da</strong> a agricultura, o que po<strong>de</strong> indicar que a<br />

ampliação <strong>de</strong> loteamentos foi feito às custas <strong>de</strong> áreas agrícolas, porém estas, em<br />

compensação, se expandiram sobre as áreas florestais. Os loteamentos seriam, assim,<br />

indiretamente responsáveis pelo <strong>de</strong>smatamento. Esta tendência já havia si<strong>do</strong> observa<strong>da</strong> por<br />

Seabra (1971), que, em sua tese intitula<strong>da</strong> Vargem Gran<strong>de</strong>: organização e transformações<br />

<strong>de</strong> um setor <strong>do</strong> cinturão-ver<strong>de</strong> paulistano, <strong>de</strong>screveu que “os elementos mais atuais e mais<br />

dinâmicos <strong>da</strong> ação <strong>de</strong> São Paulo sobre a área estão relaciona<strong>do</strong>s <strong>de</strong> mo<strong>do</strong> ca<strong>da</strong> vez mais<br />

significativo com a presença <strong>de</strong> chácaras e clubes <strong>de</strong> fim-se-semana <strong>de</strong> mora<strong>do</strong>res <strong>de</strong> São<br />

Paulo (...) (diga-se <strong>de</strong> passagem que Vargem Gran<strong>de</strong> é servi<strong>da</strong>, já há alguns anos, por<br />

ônibus com freqüência urbana hoje com ponto final no bairro <strong>de</strong> Pinheiros)”. Ruiz-Luna &<br />

Berlanga-Robles (2003), no noroeste <strong>do</strong> México, encontraram o mesmo padrão <strong>de</strong> <strong>dinâmica</strong><br />

<strong>de</strong> <strong>paisagem</strong>, apontan<strong>do</strong> <strong>uma</strong> seqüência comum <strong>de</strong> substituição <strong>da</strong> vegetação natural por<br />

áreas agrícolas, segui<strong>da</strong> <strong>de</strong> expansão urbana sobre os campos agrícolas.<br />

Apesar <strong>de</strong>sta expansão urbana, o perío<strong>do</strong> <strong>de</strong> 1981 a 2000 se caracteriza ain<strong>da</strong> por<br />

um aumento na estabili<strong>da</strong><strong>de</strong> <strong>da</strong>s áreas agrícolas. A região <strong>de</strong> Caucaia <strong>do</strong> Alto ain<strong>da</strong> tem na<br />

produção agrícola um importante suporte econômico, com a pre<strong>do</strong>minância <strong>de</strong><br />

proprie<strong>da</strong><strong>de</strong>s <strong>de</strong>, em média, 10 ha (Secretaria <strong>de</strong> Recursos Hídricos e Saneamento <strong>do</strong><br />

Esta<strong>do</strong> <strong>de</strong> São Paulo 2000), o que po<strong>de</strong> caracterizar, atualmente, <strong>uma</strong> agricultura <strong>de</strong><br />

caráter mais intensivo em <strong>de</strong>trimento <strong>do</strong> sistema <strong>de</strong> pousio sugeri<strong>do</strong> pelas evidências<br />

encontra<strong>da</strong>s no intervalo 1962-1981. No intervalo compreendi<strong>do</strong> entre os anos <strong>de</strong> 1981 e<br />

2000, os proprietários diminuíram consi<strong>de</strong>ravelmente o aban<strong>do</strong>no <strong>de</strong> seus cultivos, porém,<br />

continuaram a <strong>de</strong>smatar áreas <strong>de</strong> vegetação natural, principalmente em estádios<br />

sucessionais mais avança<strong>do</strong>s, em taxas relativamente semelhantes às observa<strong>da</strong>s no<br />

intervalo temporal anterior (1962-1981), provavelmente em busca <strong>de</strong> solos mais férteis.<br />

Tais evidências possivelmente indicam que as áreas agrícolas, já <strong>de</strong>sgasta<strong>da</strong>s pelo uso<br />

intensivo, ao invés <strong>de</strong> serem simplesmente aban<strong>do</strong>na<strong>da</strong>s, passaram a abrigar outros tipos <strong>de</strong><br />

usos antrópicos, como as instalações rurais e urbanas. A maior estabili<strong>da</strong><strong>de</strong> agrícola<br />

também se repercute em taxas bem menores, quan<strong>do</strong> compara<strong>do</strong> com o perío<strong>do</strong> anterior, <strong>de</strong>


aban<strong>do</strong>no agrícola para regeneração <strong>de</strong> vegetação inicial ou <strong>de</strong> matas, não mais<br />

compensan<strong>do</strong> o intenso <strong>de</strong>smatamento.<br />

Localização <strong>do</strong>s <strong>de</strong>smatamentos (hipótese 1)<br />

Nos <strong>do</strong>is perío<strong>do</strong>s analisa<strong>do</strong>s, o <strong>de</strong>smatamento se <strong>de</strong>u, <strong>de</strong> mo<strong>do</strong> geral, conforme o<br />

postula<strong>do</strong> na primeira hipótese <strong>de</strong>ste trabalho, ou seja, próximo a núcleos urbanos e às<br />

estra<strong>da</strong>s, e em regiões <strong>de</strong> menores altimetria e <strong>de</strong>clivi<strong>da</strong><strong>de</strong>. Tais observações confirmam a<br />

importância <strong>de</strong>ssas características à conversão, pelo homem, <strong>de</strong> áreas <strong>de</strong> vegetação natural<br />

em áreas <strong>de</strong> caráter pre<strong>do</strong>minantemente antrópico. As regiões <strong>de</strong> relevo menos aci<strong>de</strong>nta<strong>do</strong><br />

teoricamente facilitam o transporte e a mecanização <strong>de</strong> culturas para fins comerciais (Apan<br />

& Peterson 1998), o que corrobora os resulta<strong>do</strong>s encontra<strong>do</strong>s em trabalhos foca<strong>do</strong>s na<br />

região <strong>do</strong>s trópicos (Nagendra et al. 2003). Em relação à proximi<strong>da</strong><strong>de</strong> aos núcleos urbanos<br />

e às estra<strong>da</strong>s, esta favoreceu o <strong>de</strong>smatamento provavelmente <strong>de</strong>vi<strong>do</strong> ao processo <strong>de</strong><br />

expansão <strong>da</strong>s próprias instalações rurais ou à facili<strong>da</strong><strong>de</strong> <strong>de</strong> escoamento <strong>de</strong> merca<strong>do</strong>ria. Tais<br />

resulta<strong>do</strong>s corroboram os resulta<strong>do</strong>s prévios <strong>de</strong> trabalhos realiza<strong>do</strong>s em regiões tropicais,<br />

on<strong>de</strong> o <strong>de</strong>smatamento é prioriza<strong>do</strong> em locali<strong>da</strong><strong>de</strong>s próximas a vias <strong>de</strong> acesso (Grainger<br />

1993 apud Apan & Peterson 1998, Tinker et al. 1998, Nagendra et al. 2003, Soares-Filho et<br />

al. 2004). O único fator <strong>de</strong>stoante, pelo postula<strong>do</strong> na primeira hipótese <strong>de</strong> trabalho, é a<br />

maior probabili<strong>da</strong><strong>de</strong> <strong>de</strong> ocorrência <strong>de</strong> <strong>de</strong>smatamento em regiões mais afasta<strong>da</strong>s <strong>do</strong>s corpos<br />

d’água. Duas razões po<strong>de</strong>m ser aponta<strong>da</strong>s para tanto. Primeiro, os rios não funcionam como<br />

<strong>uma</strong> via <strong>de</strong> acesso às terras, <strong>uma</strong> vez que há <strong>uma</strong> extensa re<strong>de</strong> viária. A<strong>de</strong>mais, os<br />

resulta<strong>do</strong>s refletem, provavelmente, o cumprimento <strong>da</strong> legislação ambiental volta<strong>da</strong> à<br />

proteção <strong>de</strong> áreas <strong>de</strong> preservação permanente (APPs), implanta<strong>da</strong> no ano <strong>de</strong> 1965 (Lei nº<br />

4.771, <strong>de</strong> 15/set/1965).<br />

Localização <strong>da</strong>s regenerações (hipótese 2)<br />

De um mo<strong>do</strong> geral e <strong>de</strong> forma consistente para os <strong>do</strong>is perío<strong>do</strong>s <strong>de</strong> estu<strong>do</strong>, a regeneração <strong>de</strong><br />

vegetação natural se <strong>de</strong>u próximo aos corpos d’água, em locali<strong>da</strong><strong>de</strong>s afasta<strong>da</strong>s <strong>da</strong>s estra<strong>da</strong>s<br />

secundárias e em terrenos <strong>de</strong>clivosos. A proximi<strong>da</strong><strong>de</strong> à re<strong>de</strong> hidrográfica parece estar


elaciona<strong>da</strong>, a princípio, à implementação <strong>do</strong> Código Florestal no ano <strong>de</strong> 1965, o qual<br />

instaurou a preservação <strong>de</strong> áreas cobertas ou não por vegetação nativa próximas a<br />

nascentes, ao longo <strong>de</strong> rios ou <strong>de</strong> qualquer curso d’água (Lei n o 4.771, <strong>de</strong> 15/set/1965,<br />

artigo 2 o ). Em relação ao relevo, o qual, em Caucaia <strong>do</strong> Alto, não apresentou variações<br />

consi<strong>de</strong>ráveis, a maior regeneração em terrenos mais íngremes po<strong>de</strong> refletir a dificul<strong>da</strong><strong>de</strong><br />

tanto no acesso como no manejo <strong>de</strong>stas áreas. Além <strong>do</strong> que, a partir <strong>da</strong> implementação <strong>da</strong><br />

Lei n o 4.771, <strong>de</strong> 15/set/1965, artigo 10 o , em inclinações superiores a 25 o , não foram mais<br />

permiti<strong>do</strong>s manejos excessivos <strong>de</strong> vegetação natural, sen<strong>do</strong> tolera<strong>da</strong> apenas a extração<br />

racional <strong>de</strong> toras, visan<strong>do</strong> rendimentos permanentes, o que provavelmente levou alguns<br />

proprietários a aban<strong>do</strong>narem tipos <strong>de</strong> manejo intensivos nessas locali<strong>da</strong><strong>de</strong>s.<br />

O favorecimento <strong>da</strong> regeneração <strong>de</strong> vegetação natural em locali<strong>da</strong><strong>de</strong>s afasta<strong>da</strong>s <strong>da</strong>s<br />

estra<strong>da</strong>s secundárias po<strong>de</strong> estar relaciona<strong>do</strong> a <strong>uma</strong> maior grau <strong>de</strong> perturbação <strong>da</strong>s áreas<br />

adjacentes às estra<strong>da</strong>s. Caucaia <strong>do</strong> Alto, <strong>de</strong>s<strong>de</strong> pelo menos a déca<strong>da</strong> <strong>de</strong> 60, já era servi<strong>da</strong>,<br />

em termos espaciais e quantitativos, por <strong>uma</strong> extensa re<strong>de</strong> <strong>de</strong> estra<strong>da</strong>s secundárias em<br />

<strong>de</strong>trimento <strong>de</strong> <strong>uma</strong> única estra<strong>da</strong> principal. Portanto, estas estra<strong>da</strong>s secundárias representam<br />

<strong>uma</strong> importante via <strong>de</strong> acesso e ocupação <strong>da</strong> região, o que <strong>de</strong>ve ter reduzi<strong>do</strong> a tendências <strong>de</strong><br />

regeneração em suas proximi<strong>da</strong><strong>de</strong>s.<br />

O favorecimento <strong>de</strong> regeneração <strong>de</strong> floresta em áreas próximas à vegetação inicial,<br />

por sua vez, corrobora com a segun<strong>da</strong> hipótese postula<strong>da</strong> neste trabalho, sen<strong>do</strong> semelhante<br />

ao observa<strong>do</strong> em estu<strong>do</strong>s realiza<strong>do</strong>s por Guariguata & Ostertag (2001) e DeWalt et al.<br />

(2003). Estes apontam a importância <strong>da</strong> presença <strong>de</strong> manchas <strong>de</strong> vegetação natural,<br />

funcionan<strong>do</strong> como fontes <strong>de</strong> propágulos, em locali<strong>da</strong><strong>de</strong>s próximas a áreas <strong>de</strong> regeneração.


CONCLUSÃO<br />

A região <strong>de</strong> Caucaia <strong>do</strong> Alto, SP, sofreu, ao longo <strong>do</strong> perío<strong>do</strong> temporal analisa<strong>do</strong> (1962-<br />

2000), <strong>dinâmica</strong>s diferencia<strong>da</strong>s, <strong>uma</strong> vez que, no primeiro intervalo (1962-1981), observouse<br />

transições relaciona<strong>da</strong>s a processos <strong>de</strong> regeneração <strong>de</strong> valores quantitativamente maiores<br />

<strong>do</strong> que aquelas relaciona<strong>da</strong>s ao <strong>de</strong>smatamento, com expansão <strong>da</strong> cobertura florestal. O<br />

segun<strong>do</strong> intervalo temporal analisa<strong>do</strong> (1981-2000), por sua vez, apresentou marcante<br />

processo <strong>de</strong> <strong>de</strong>smatamento, sen<strong>do</strong> este <strong>de</strong>vi<strong>do</strong>, em parte, pela substituição <strong>de</strong> vegetação<br />

natural por agricultura e <strong>de</strong>sta por instalações rurais e urbanas. Tal <strong>dinâmica</strong> leva à<br />

conclusão <strong>de</strong> que a especulação imobiliária provavelmente é a principal responsável pelas<br />

transições assisti<strong>da</strong>s entre os anos <strong>de</strong> 1981 e 2000.<br />

Em relação às hipóteses propostas neste trabalho, houve consistência entre os <strong>do</strong>is<br />

perío<strong>do</strong>s estu<strong>da</strong><strong>do</strong>s. O <strong>de</strong>smatamento ou corte <strong>de</strong> vegetação inicial ten<strong>de</strong> a ocorrer em áreas<br />

mais propícias para a agricultura: terras mais planas e baixas e <strong>de</strong> fácil acesso, enquanto a<br />

regeneração ocorre em áreas mais próximas aos rios, <strong>de</strong>vi<strong>do</strong>, provavelmente, à influência<br />

<strong>da</strong> legislação, em áreas mais <strong>de</strong>clivosas e mais afasta<strong>da</strong>s <strong>do</strong>s centros urbanos e <strong>de</strong> estra<strong>da</strong>s.<br />

A regeneração <strong>de</strong> floresta foi a que melhor respon<strong>de</strong>u à proximi<strong>da</strong><strong>de</strong> a áreas naturais<br />

preexistentes, sugerin<strong>do</strong> um efeito significativo <strong>da</strong> proximi<strong>da</strong><strong>de</strong> à fonte <strong>de</strong> propágulos,<br />

conforme observa<strong>do</strong> em outros estu<strong>do</strong>s (Endress & Chinea 2001, DeWalt et al. 2003,<br />

Metzger 2003).<br />

Em última análise, os resulta<strong>do</strong>s obti<strong>do</strong>s em relação ao <strong>de</strong>smatamento concor<strong>da</strong>ram<br />

com as conclusões encontra<strong>da</strong>s por Geist & Lambin (2002) em seu trabalho intitula<strong>do</strong><br />

Proximate Causes and Un<strong>de</strong>rlying Driving Forces of Tropical Deforestation, as quais<br />

apontam que, nos trópicos, a substituição <strong>de</strong> vegetação natural por diferentes tipos <strong>de</strong> usos<br />

antrópicos <strong>de</strong>ve ser explica<strong>da</strong> por múltiplos fatores, não sen<strong>do</strong> possível i<strong>de</strong>ntificar <strong>uma</strong><br />

única relação causal. Em Caucaia <strong>do</strong> Alto, o fim <strong>da</strong> exploração <strong>do</strong> carvão em larga escala, o<br />

aban<strong>do</strong>no ou a intensificação agrícola (<strong>de</strong>pen<strong>de</strong>n<strong>do</strong> <strong>do</strong> perío<strong>do</strong>), a aplicação <strong>da</strong> legislação<br />

ambiental, a proximi<strong>da</strong><strong>de</strong> com a ci<strong>da</strong><strong>de</strong> <strong>de</strong> São Paulo e o aumento na facili<strong>da</strong><strong>de</strong> <strong>de</strong> acesso<br />

pela Raposo Tavares são fatores que vêm agin<strong>do</strong> conjuntamente na <strong>dinâmica</strong> <strong>da</strong> <strong>paisagem</strong>.<br />

Esta, por sua vez, n<strong>uma</strong> escala mais local, não ocorre ao acaso, sen<strong>do</strong> fortemente


<strong>de</strong>termina<strong>da</strong> por características <strong>de</strong> relevo, hidrografia e proximi<strong>da</strong><strong>de</strong> <strong>de</strong> estra<strong>da</strong>s e áreas<br />

urbanas.


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CAPÍTULO 2<br />

Previsão <strong>da</strong> disposição <strong>do</strong>s elementos <strong>da</strong> <strong>paisagem</strong> <strong>de</strong> Caucaia <strong>do</strong> Alto, SP<br />

(2019), segun<strong>do</strong> tendências históricas (1981-2000), em perspectivas<br />

realista, aleatória, otimista e pessimista


INTRODUÇÃO<br />

A Floresta Atlântica Brasileira (Mata Atlântica), localiza<strong>da</strong> na costa leste <strong>da</strong> América <strong>do</strong><br />

Sul, vem sofren<strong>do</strong> perturbações <strong>de</strong> origem antrópica <strong>de</strong>s<strong>de</strong> há, aproxima<strong>da</strong>mente, 10 mil<br />

anos, com a chega<strong>da</strong> <strong>do</strong>s primeiros caça<strong>do</strong>res-coletores, sen<strong>do</strong> que tais perturbações<br />

passaram a apresentar um caráter intensamente transforma<strong>do</strong>r apenas a partir <strong>da</strong><br />

colonização européia, inicia<strong>da</strong> há cerca <strong>de</strong> 500 anos (Dean 1997). Com isso, a área<br />

originalmente ocupa<strong>da</strong> por esse bioma, equivalente a 1 milhão <strong>de</strong> km 2 , sofreu <strong>uma</strong> drástica<br />

redução – atualmente, apenas 8% <strong>da</strong> Floresta Atlântica Brasileira (cerca <strong>de</strong> 108.800 km 2 )<br />

ain<strong>da</strong> persiste, sen<strong>do</strong> que a maior parte <strong>de</strong>la encontra-se sob a forma <strong>de</strong> remanescentes <strong>de</strong><br />

vegetação natural secundária em diferentes estádios sucessionais, subdivi<strong>do</strong>s em pequenos<br />

fragmentos imersos em tipos <strong>de</strong> uso e cobertura dsa terras estritamente antrópicos, <strong>de</strong><br />

composição por vezes altamente contrastante à vegetação natural adjacente (Ministério <strong>do</strong><br />

Meio Ambiente 2000).<br />

Da<strong>do</strong> o contexto histórico <strong>de</strong> ocupação <strong>do</strong> território brasileiro, feita, em gran<strong>de</strong><br />

parte <strong>da</strong>s vezes, <strong>de</strong> forma <strong>de</strong>sor<strong>de</strong>na<strong>da</strong> <strong>de</strong>vi<strong>do</strong> o atraso no surgimento <strong>da</strong> conscientização<br />

mundial em relação ao meio ambiente (déca<strong>da</strong> <strong>de</strong> 70), po<strong>de</strong>-se afirmar que a <strong>do</strong>mesticação<br />

<strong>da</strong> Floresta Atlântica Brasileira teve como principal conseqüência ambiental o<br />

<strong>de</strong>smatamento e a fragmentação. Esta é traduzi<strong>da</strong> não apenas pela subdivisão e redução na<br />

distribuição espacial <strong>da</strong> cobertura florestal, mas também pela introdução <strong>de</strong> diferentes tipos<br />

<strong>de</strong> uso e cobertura <strong>da</strong>s terras, como áreas <strong>de</strong>stina<strong>da</strong>s à urbanização, ao reflorestamento <strong>de</strong><br />

espécies exóticas ou à agricultura (Andrén 1994, Villard et al. 1999).<br />

Tanto a per<strong>da</strong> como a ruptura <strong>da</strong> continui<strong>da</strong><strong>de</strong> <strong>de</strong> habitats naturais trazem, na<br />

maioria <strong>da</strong>s vezes, efeitos negativos à persistência <strong>de</strong> gran<strong>de</strong> parte <strong>da</strong>s espécies originais,<br />

tanto <strong>da</strong> flora como <strong>da</strong> fauna, principalmente em relação àquelas que apresentam maior<br />

sensibili<strong>da</strong><strong>de</strong> aos efeitos <strong>da</strong> fragmentação. Este é o caso <strong>de</strong> espécies: a. <strong>de</strong> tamanho<br />

populacional relativamente diminuto; b. cujas populações não mantêm sua estabili<strong>da</strong><strong>de</strong><br />

frente a mu<strong>da</strong>nças ambientais; c. que <strong>de</strong>senvolvem especializações em relação a seu<br />

microhabitat; d. que apresentam incompatibili<strong>da</strong><strong>de</strong> em relação à matriz; e. raras e <strong>de</strong> menor<br />

abundância (Henle et al 2004). Tais efeitos negativos originam-se, basicamente, a partir <strong>de</strong><br />

mu<strong>da</strong>nças físicas nas bor<strong>da</strong>s florestais (alteração <strong>do</strong> microclima original, relaciona<strong>da</strong>


principalmente a modificações na incidência <strong>de</strong> luz solar, na intensi<strong>da</strong><strong>de</strong> <strong>do</strong> vento e no<br />

fluxo <strong>de</strong> água – efeitos <strong>de</strong> bor<strong>da</strong>) e alterações na disposição espacial <strong>do</strong>s remanescentes<br />

(aumento <strong>do</strong> grau <strong>de</strong> isolamento <strong>do</strong>s remanescentes <strong>de</strong> vegetação natural e redução <strong>da</strong><br />

conectivi<strong>da</strong><strong>de</strong> <strong>da</strong><strong>da</strong>, em particular, pela alteração e/ou empobrecimento <strong>da</strong> matriz interhabitat<br />

(Saun<strong>de</strong>rs et al. 1991).<br />

Muitos <strong>de</strong>sses padrões espaciais observa<strong>do</strong>s, resultantes <strong>de</strong> modificações <strong>de</strong> cunho<br />

antrópico, são dirigi<strong>do</strong>s por complexas interações entre forças físicas, sociais e biológicas,<br />

as quais, muitas vezes, originam paisagens heterogêneas, compostas por manchas naturais,<br />

com cobertura florestal em diferentes estádios sucessionais, e altera<strong>da</strong>s/antrópicas. Ambos<br />

os tipos <strong>de</strong> manchas, por sua vez, po<strong>de</strong>m apresentar variações temporais relaciona<strong>da</strong>s a<br />

tamanho, forma e disposição espacial – <strong>de</strong>pen<strong>de</strong>ntes <strong>da</strong> magnitu<strong>de</strong> e extensão <strong>do</strong>s<br />

distúrbios inci<strong>de</strong>ntes (Turner 1989). Diversos estu<strong>do</strong>s apontam que as taxas relativas às<br />

mu<strong>da</strong>nças na cobertura <strong>da</strong>s uni<strong>da</strong><strong>de</strong>s que compõem <strong>uma</strong> <strong>paisagem</strong> são, por vezes, mais<br />

importantes à manutenção <strong>de</strong> <strong>uma</strong> <strong>de</strong>termina<strong>da</strong> população <strong>do</strong> que o padrão espacial per se<br />

(Harrison & Fahrig 1995). Nas regiões tropicais, por exemplo, as mu<strong>da</strong>nças no uso e<br />

cobertura <strong>da</strong>s terras, relaciona<strong>da</strong>s principalmente à conversão <strong>de</strong> florestas em campos, serão<br />

provavelmente as principais responsáveis pela per<strong>da</strong> <strong>da</strong> diversi<strong>da</strong><strong>de</strong> biológica nos próximos<br />

100 anos (Sala et al. 2000).<br />

A veloci<strong>da</strong><strong>de</strong> e o tipo <strong>de</strong> <strong>dinâmica</strong> <strong>de</strong> uso e cobertura <strong>da</strong>s terras promovi<strong>da</strong> pelo<br />

homem po<strong>de</strong>m estar atrela<strong>da</strong>s à capaci<strong>da</strong><strong>de</strong> apresenta<strong>da</strong> por um <strong>da</strong><strong>do</strong> sistema <strong>de</strong> se<br />

recuperar após a ocorrência <strong>de</strong> perturbações diversas (resiliência). Por exemplo, a<br />

manutenção <strong>de</strong> <strong>uma</strong> alteração severa, como a urbanização, po<strong>de</strong> ser um fator que contribui<br />

para a diminuição <strong>da</strong> ocorrência <strong>de</strong> transições entre os diferentes tipos <strong>de</strong> uso e cobertura<br />

<strong>da</strong>s terras (García-Romero et al. 2005). Por outro la<strong>do</strong>, paisagens com uso agrícola <strong>do</strong> tipo<br />

corte-queima, que permitem a regeneração <strong>da</strong> vegetação natural a partir <strong>de</strong> usos agrícolas<br />

rotacionais, po<strong>de</strong>m apresentar, em função <strong>da</strong> relação entre o tempo <strong>de</strong> pousio e <strong>de</strong> plantio,<br />

um equilíbrio dinâmico, com manutenção <strong>da</strong> composição <strong>da</strong>s uni<strong>da</strong><strong>de</strong>s <strong>de</strong> uso e cobertura<br />

ao longo <strong>do</strong> tempo (Metzger 2003).<br />

Segun<strong>do</strong> Grainger (1993 apud Apan & Peterson 1998), a ocupação antrópica <strong>de</strong><br />

ambientes naturais localiza<strong>do</strong>s nos trópicos, <strong>da</strong><strong>da</strong> em um primeiro momento pela retira<strong>da</strong><br />

<strong>da</strong> vegetação original, ou seja, pelo <strong>de</strong>smatamento, é influencia<strong>da</strong>, na maioria <strong>da</strong>s vezes,


por fatores ambientais (tipo <strong>de</strong> relevo, distância à re<strong>de</strong> hidrográfica etc.) e facili<strong>da</strong><strong>de</strong> <strong>de</strong><br />

acesso (presença <strong>de</strong> estra<strong>da</strong>s, proximi<strong>da</strong><strong>de</strong> a núcleos urbanos preexistentes etc.), entre<br />

outros. Tais consi<strong>de</strong>rações, entretanto, <strong>de</strong>vem ser interpreta<strong>da</strong>s com cautela, <strong>uma</strong> vez que<br />

essas tendências não são obrigatoriamente observáveis em to<strong>da</strong>s as regiões, sen<strong>do</strong> as<br />

mesmas mol<strong>da</strong><strong>da</strong>s pelas particulari<strong>da</strong><strong>de</strong>s sociais, econômicas e ambientais encontra<strong>da</strong>s em<br />

ca<strong>da</strong> locali<strong>da</strong><strong>de</strong> (Geist & Lambin 2002). Com isso, tem-se que a compreensão <strong>do</strong>s padrões<br />

espaciais encontra<strong>do</strong>s nas diferentes paisagens, os quais exercem influência direta sobre os<br />

processos ecológicos atualmente observa<strong>do</strong>s, po<strong>de</strong> ser obti<strong>da</strong>, <strong>de</strong> maneira confiável, pela<br />

análise <strong>da</strong> evolução histórica <strong>da</strong>s transformações <strong>de</strong> uso e cobertura <strong>da</strong>s terras, sen<strong>do</strong> esta<br />

<strong>uma</strong> proprie<strong>da</strong><strong>de</strong> particular para ca<strong>da</strong> <strong>paisagem</strong> estu<strong>da</strong><strong>da</strong>, em <strong>uma</strong> <strong>da</strong><strong>da</strong> escala <strong>de</strong><br />

observação.<br />

Análises <strong>da</strong> <strong>dinâmica</strong> <strong>de</strong> uso e cobertura <strong>da</strong>s terras po<strong>de</strong>m ain<strong>da</strong> fornecer subsídios<br />

para a compreensão <strong>da</strong>s tendências transicionais históricas <strong>de</strong> paisagens a fim <strong>de</strong> serem<br />

utiliza<strong>da</strong>s como <strong>da</strong><strong>do</strong>s <strong>de</strong> entra<strong>da</strong> em mo<strong>de</strong>los <strong>de</strong> simulação espacial preditivos (Baker<br />

1989, Lambin 1994, Almei<strong>da</strong> et al. 2002, Soares-Filho et al. 2004). Recentes avanços no<br />

<strong>de</strong>sempenho <strong>do</strong>s computa<strong>do</strong>res, associa<strong>do</strong>s à elaboração <strong>de</strong> mo<strong>de</strong>los específicos à <strong>dinâmica</strong><br />

<strong>de</strong> paisagens, propiciaram o <strong>de</strong>senvolvimento <strong>de</strong> diversos tipos <strong>de</strong> mo<strong>de</strong>los <strong>de</strong> simulação,<br />

geralmente subdividi<strong>do</strong>s em três diferentes categorias: i) basea<strong>do</strong>s em indivíduos, os quais<br />

são construí<strong>do</strong>s a partir <strong>de</strong> <strong>da</strong><strong>do</strong>s individuais (os elementos <strong>de</strong> um sistema) para<br />

posteriormente enten<strong>de</strong>r as proprie<strong>da</strong><strong>de</strong>s <strong>do</strong> to<strong>do</strong> (i.e., <strong>do</strong> sistema), ii) basea<strong>do</strong>s em<br />

processos, foca<strong>do</strong>s, como o nome indica, a enten<strong>de</strong>r os processos que governam as<br />

mu<strong>da</strong>nças no sistema e iii) basea<strong>do</strong>s em autômatos celulares, nos quais o esta<strong>do</strong> <strong>de</strong> ca<strong>da</strong><br />

<strong>uma</strong> <strong>da</strong>s células inseri<strong>da</strong>s em um arranjo n-dimensional <strong>de</strong>pen<strong>de</strong> <strong>do</strong> seu esta<strong>do</strong> prévio e <strong>do</strong><br />

esta<strong>do</strong> <strong>de</strong> suas células vizinhas em <strong>uma</strong> região cartograficamente <strong>de</strong>fini<strong>da</strong>, sen<strong>do</strong> esses<br />

esta<strong>do</strong>s atualiza<strong>do</strong>s a ca<strong>da</strong> iteração segun<strong>do</strong> um algoritmo específico, <strong>de</strong>nomina<strong>do</strong> regra<br />

local <strong>do</strong> autômato celular (Sirakoulis et al. 2000).<br />

Em geral, os mo<strong>de</strong>los basea<strong>do</strong>s em autômatos celulares exigem como <strong>da</strong><strong>do</strong>s <strong>de</strong><br />

entra<strong>da</strong> informações espaciais <strong>de</strong> mu<strong>da</strong>nças no uso e cobertura <strong>da</strong>s terras previamente<br />

obti<strong>da</strong>s através <strong>da</strong> classificação <strong>de</strong> séries temporais. Estas englobam <strong>uma</strong> seqüência<br />

cronológica <strong>de</strong> fotografias ou imagens <strong>de</strong> satélite, combina<strong>da</strong>s a um substancial conjunto <strong>de</strong><br />

<strong>da</strong><strong>do</strong>s cartográficos, os quais, por sua vez, representam as variáveis proximais estáticas,


isto é, variáveis ambientais e/ou antrópicas que potencialmente orientam as mu<strong>da</strong>nças no<br />

uso e cobertura <strong>da</strong>s terras quanto à sua localização espacial, e <strong>dinâmica</strong>s, recalcula<strong>da</strong>s a<br />

ca<strong>da</strong> iteração (Soares-Filho et al. no prelo). O programa DINAMICA, <strong>de</strong>senvolvi<strong>do</strong> pela<br />

equipe <strong>do</strong> Centro <strong>de</strong> Sensoriamento Remoto <strong>da</strong> Universi<strong>da</strong><strong>de</strong> Fe<strong>de</strong>ral <strong>de</strong> Minas Gerais,<br />

coor<strong>de</strong>na<strong>da</strong> pelo Prof. Dr. Brital<strong>do</strong> Soares-Filho, é um exemplo <strong>de</strong> mo<strong>de</strong>lo basea<strong>do</strong> em<br />

autômatos celulares, o qual envolve simulações estocásticas <strong>de</strong> múltiplos passos, basea<strong>da</strong>s<br />

em probabili<strong>da</strong><strong>de</strong>s <strong>de</strong> transição calcula<strong>da</strong>s para ca<strong>da</strong> um <strong>do</strong>s pixels, conforme a sua<br />

localização espacial e os esta<strong>do</strong>s <strong>da</strong>s células vizinhas (Soares-Filho et al. 2002). Neste<br />

programa, a influência <strong>da</strong> vizinhança é <strong>de</strong>termina<strong>da</strong> pelas funções patcher, para criação <strong>de</strong><br />

novas manchas, e expan<strong>de</strong>r, para extensão <strong>de</strong> manchas preexistentes – ambas as funções<br />

estão embuti<strong>da</strong>s no programa DINAMICA, as quais <strong>de</strong>terminam se as transições entre os<br />

diferentes tipos <strong>de</strong> uso e cobertura <strong>da</strong> terra serão ou não <strong>de</strong>pen<strong>de</strong>ntes <strong>da</strong> preexistência <strong>de</strong><br />

células semelhantes ao esta<strong>do</strong> final <strong>da</strong> transição. As probabili<strong>da</strong><strong>de</strong>s espaciais <strong>de</strong> mu<strong>da</strong>nças<br />

são <strong>da</strong><strong>da</strong>s pela utilização <strong>do</strong>s chama<strong>do</strong>s pesos <strong>de</strong> evidência, um méto<strong>do</strong> bayesiano que<br />

envolve conceitos <strong>de</strong> probabili<strong>da</strong><strong>de</strong>s a priori e a posteriori <strong>de</strong> ocorrência <strong>de</strong> um <strong>da</strong><strong>do</strong><br />

evento, <strong>de</strong>pen<strong>de</strong>ntes <strong>da</strong> locali<strong>da</strong><strong>de</strong> espacial em relação às variáveis proximais previamente<br />

escolhi<strong>da</strong>s pelo pesquisa<strong>do</strong>r (Bonham-Carter 1994, Soares-Filho et al. no prelo). É<br />

importante ressaltar que a escolha <strong>da</strong>s variáveis proximais utiliza<strong>da</strong>s no estu<strong>do</strong> <strong>de</strong> <strong>dinâmica</strong><br />

<strong>de</strong> paisagens é geralmente basea<strong>da</strong> em levantamentos históricos, características abióticas e<br />

tendências sócio-econômicas <strong>de</strong> um <strong>de</strong>termina<strong>do</strong> local. Estes <strong>da</strong><strong>do</strong>s, particulares a ca<strong>da</strong><br />

região, soma<strong>do</strong>s à quantificação <strong>da</strong>s transições entre os tipos <strong>de</strong> uso e cobertura <strong>da</strong>s terras<br />

<strong>de</strong>tecta<strong>da</strong>s e ao esta<strong>do</strong> dinâmico <strong>da</strong> vizinhança, recalcula<strong>do</strong> a ca<strong>da</strong> iteração, fornecem as<br />

probabili<strong>da</strong><strong>de</strong>s <strong>de</strong> mu<strong>da</strong>nça particulares a ca<strong>da</strong> um <strong>do</strong>s pixels que compõem <strong>uma</strong> <strong>da</strong><strong>da</strong><br />

<strong>paisagem</strong>.<br />

O objetivo geral <strong>de</strong>ste trabalho consistiu em gerar diferentes cenários para região <strong>de</strong><br />

Caucaia <strong>do</strong> Alto, referentes ao ano <strong>de</strong> 2019, a partir <strong>da</strong> organização <strong>da</strong> evolução histórica<br />

<strong>de</strong> uso e cobertura <strong>da</strong>s terras assisti<strong>da</strong> nessa região nos últimos 19 anos (1981-2000). A<br />

<strong>dinâmica</strong> <strong>da</strong> <strong>paisagem</strong> <strong>de</strong> Caucaia <strong>do</strong> Alto, neste estu<strong>do</strong>, ressaltou essencialmente os<br />

processos relaciona<strong>do</strong>s ao <strong>de</strong>smatamento e à regeneração <strong>de</strong> vegetação natural. O objetivo<br />

específico, por sua vez, consistiu na análise tanto <strong>da</strong> composição como <strong>da</strong> estrutura <strong>do</strong>s<br />

diferentes cenários hipotéticos para a <strong>paisagem</strong> <strong>de</strong> Caucaia <strong>do</strong> Alto, SP, utilizan<strong>do</strong>-se <strong>de</strong>


índices <strong>de</strong> estrutura <strong>de</strong> <strong>paisagem</strong> a fim <strong>de</strong> verificar em qual <strong>de</strong>les seriam encontra<strong>da</strong>s<br />

melhores condições à manutenção <strong>da</strong> diversi<strong>da</strong><strong>de</strong> biológica.


(Consultar Capítulo 1.)<br />

ÁREA DE ESTUDO


Mapeamento <strong>de</strong> uso e cobertura <strong>da</strong>s terras<br />

MÉTODOS<br />

Os mapeamentos foram basea<strong>do</strong>s em fotografias aéreas obti<strong>da</strong>s nos anos <strong>de</strong> 1981<br />

(1:35.000) e 2000 (1:10.000). As fotografias aéreas foram digitaliza<strong>da</strong>s, geran<strong>do</strong> imagens<br />

<strong>de</strong> resoluções equivalentes a 1 m em 1981 e 1,3 m em 2000. Diferenças nos <strong>de</strong>talhamentos<br />

escolhi<strong>do</strong>s durante a digitalização amenizaram as diferenças nas escalas originais <strong>da</strong>s<br />

fotografias. Deve-se ain<strong>da</strong> ressaltar que a fotointerpretação foi realiza<strong>da</strong> com base na<br />

observação <strong>da</strong>s fotografias em papel, com o auxílio <strong>de</strong> estereoscópio. A correção<br />

geométrica foi feita basean<strong>do</strong>-se em <strong>uma</strong> única referência cartográfica, o fotomosaico <strong>de</strong><br />

2000 (erro médio <strong>de</strong> georeferrenciamento inferior a 5 m, UTM, SAD 1969, 23-S),<br />

elabora<strong>do</strong> previamente (Metzger et al. 2002).<br />

As fotografias digitaliza<strong>da</strong>s foram georreferencia<strong>da</strong>s no programa Er<strong>da</strong>s © (versão<br />

8.4, 1999) utilizan<strong>do</strong>-se, em média, 30 pontos <strong>de</strong> controle bem distribuí<strong>do</strong>s em ca<strong>da</strong><br />

fotografia. O polinômio <strong>de</strong> 2º grau, que, além <strong>de</strong> <strong>de</strong>screver translação, rotação, escala e<br />

obliqüi<strong>da</strong><strong>de</strong> <strong>da</strong> imagem, adiciona parâmetros <strong>de</strong> torção e convexi<strong>da</strong><strong>de</strong> (Loch 2000), foi o<br />

que melhor respon<strong>de</strong>u aos testes <strong>de</strong> sobreposição <strong>da</strong>s imagens feitos durante o<br />

georreferenciamento. A seguir, as imagens corrigi<strong>da</strong>s correspon<strong>de</strong>ntes a ca<strong>da</strong> ano foram<br />

sobrepostas, ain<strong>da</strong> no programa Er<strong>da</strong>s © , <strong>da</strong>n<strong>do</strong> origem a <strong>do</strong>is fotomosaicos distintos,<br />

comparáveis entre si. O <strong>de</strong>svio médio, representan<strong>do</strong> os resíduos nos registros <strong>da</strong>s<br />

fotografias aéreas <strong>de</strong> 1981 em relação às <strong>de</strong> 2000, foi <strong>de</strong> 12,4 m (consultar Figuras 3 e 4,<br />

Capítulo 1).<br />

O mapeamento em 1981 e 2000 foi basea<strong>do</strong> em três classes, em função <strong>da</strong> escala<br />

mais “grosseira” (1:35.000) relativa às fotografias aéreas <strong>de</strong> 1981: uso antrópico, vegetação<br />

natural em estádio inicial e vegetação natural em estádio médio a avança<strong>do</strong> <strong>de</strong> sucessão<br />

secundária (Tabela 1). É importante ressaltar que as áreas naturais foram <strong>de</strong>nomina<strong>da</strong>s<br />

segun<strong>do</strong> resoluções nº 10 e 01 <strong>do</strong> CONAMA, <strong>da</strong>ta<strong>da</strong>s <strong>de</strong> 19/10/1993 e 31/1/1994,<br />

respectivamente, e resolução conjunta SMA/IBAMA/SP-1, <strong>de</strong> 17/2/1994 (estádios inicial,<br />

médio e avança<strong>do</strong> <strong>de</strong> sucessão secundária (Die<strong>de</strong>richsen 2003)). Após a <strong>de</strong>finição <strong>do</strong>s<br />

polígonos, a partir <strong>de</strong> interpretação visual em estereoscopia <strong>de</strong> pares <strong>de</strong> fotografias aéreas,


estes foram <strong>de</strong>limita<strong>do</strong>s sobre os fotomosaicos utilizan<strong>do</strong>-se o programa ArcView © (Versão<br />

8.3, 1999-2002) (Figuras 1 e 2). To<strong>da</strong>s as células classifica<strong>da</strong>s como corpos d’água, áreas<br />

<strong>de</strong> mineração e campos antrópicos ripários no ano <strong>de</strong> 2000 e as células correspon<strong>de</strong>ntes na<br />

fotointerpretação feita para o ano <strong>de</strong> 1981 tiveram seus i<strong>de</strong>ntifica<strong>do</strong>res zera<strong>do</strong>s e foram<br />

excluí<strong>da</strong>s <strong>da</strong>s análises por dificul<strong>da</strong><strong>de</strong>s na distinção <strong>de</strong>sses elementos na escala 1:35.000<br />

(1981).<br />

Tabela 1. Classes utiliza<strong>da</strong>s nas fotointerpretações feitas para os anos <strong>de</strong> 1981 e 2000, com<br />

suas respectivas <strong>de</strong>finições, na região <strong>de</strong> Caucaia <strong>do</strong> Alto, SP.<br />

CLASSES<br />

TERMOS<br />

UTILIZADOS AO<br />

LONGO DO TEXTO<br />

Uso antrópico Uso antrópico<br />

Vegetação natural em estádio<br />

inicial <strong>de</strong> sucessão secundária<br />

Vegetação natural em estádio<br />

médio a avança<strong>do</strong> <strong>de</strong> sucessão<br />

secundária<br />

Vegetação inicial<br />

Floresta<br />

DEFINIÇÃO<br />

Instalações rurais e urbanas (edificações isola<strong>da</strong>s,<br />

bosques, cercas-vivas, edificações agrupa<strong>da</strong>s,<br />

con<strong>do</strong>mínios, loteamentos), campos agrícolas<br />

(agricultura anual, campos limpo e sujo, vegetação<br />

herbácea rala a herbácea-arbustiva, homogênea ou<br />

heterogênea), áreas <strong>de</strong> reflorestamento (Pinus spp. ou<br />

Eucalyptus spp., espécies exóticas).<br />

Vegetação herbácea-arbustiva a arbustiva, homogênea<br />

ou heterogênea.<br />

Vegetação arbórea-arbustiva a arbórea <strong>de</strong>nsa,<br />

homogênea ou heterogênea, presença <strong>de</strong> espécies<br />

emergentes.<br />

A representação vetorial <strong>da</strong> área <strong>de</strong> estu<strong>do</strong>, originalmente feita por polígonos na<br />

fotointerpretação realiza<strong>da</strong> para os <strong>do</strong>is diferentes anos, foi converti<strong>da</strong> a <strong>uma</strong> representação<br />

matricial, on<strong>de</strong> o espaço total foi subdividi<strong>do</strong> em células unitárias (pixels) <strong>de</strong> 225 m 2 ou<br />

0,0225 ha (15 m <strong>de</strong> resolução). A escolha <strong>do</strong> tamanho <strong>da</strong>s células foi feita em função <strong>da</strong><br />

escala <strong>de</strong> observação, que, neste trabalho, variou para os <strong>do</strong>is anos analisa<strong>do</strong>s (1:35.000 e<br />

1:10.000). Diversos autores enfatizam as vantagens <strong>de</strong> se subdividir <strong>uma</strong> <strong>paisagem</strong> em<br />

células unitárias <strong>de</strong> igual tamanho para tratamento matemático (mo<strong>de</strong>lagem), <strong>uma</strong> vez que<br />

to<strong>do</strong>s os pixels <strong>de</strong>scritores <strong>da</strong> área analisa<strong>da</strong> possuem dimensões passíveis <strong>de</strong> comparação<br />

(Soares-Filho et al. no prelo).


¹<br />

81_0_3_tiff.tif<br />

VALUE<br />

285000 287000 289000 291000<br />

Tipos <strong>de</strong> uso e cobertura <strong>da</strong>s terras<br />

0Não-analisa<strong>do</strong><br />

1Uso<br />

antrópico<br />

2Vegetação<br />

inicial<br />

3Floresta<br />

2.000<br />

Figura 1. Uso e cobertura <strong>da</strong>s terras na região <strong>de</strong> Caucaia <strong>do</strong> Alto, SP, no ano <strong>de</strong> 1981.<br />

m<br />

7369000 7371000 7373000 7375000 7377000 7379000


¹<br />

81_0_3_tiff.tif<br />

VALUE<br />

Tipos <strong>de</strong> uso e cobertura <strong>da</strong>s terras<br />

0Não-analisa<strong>do</strong><br />

1Uso<br />

antrópico<br />

2Vegetação<br />

inicial<br />

3Floresta<br />

285000 287000 289000 291000<br />

2.000<br />

Figura 2. Uso e cobertura <strong>da</strong>s terras na região <strong>de</strong> Caucaia <strong>do</strong> Alto, SP, no ano <strong>de</strong> 2000.<br />

m<br />

7369000 7371000 7373000 7375000 7377000 7379000


Variáveis proximais<br />

Para o presente estu<strong>do</strong>, foram escolhi<strong>da</strong>s alg<strong>uma</strong>s variáveis proximais estáticas que<br />

possivelmente representam os principais fatores que contribuíram para a conformação atual<br />

<strong>da</strong> <strong>paisagem</strong> estu<strong>da</strong><strong>da</strong>, segun<strong>do</strong> o próprio histórico <strong>de</strong> ocupação: altitu<strong>de</strong>, <strong>de</strong>clivi<strong>da</strong><strong>de</strong>,<br />

distância à re<strong>de</strong> <strong>de</strong> drenagem, distância às estra<strong>da</strong>s principais e secundárias e aos núcleos<br />

urbanos.<br />

Os mapas que representam as variáveis proximais estáticas <strong>de</strong> <strong>de</strong>clivi<strong>da</strong><strong>de</strong> (860 a<br />

1.051 m) e altimetria (0 a 32°) foram gera<strong>do</strong>s a partir <strong>de</strong> um mo<strong>de</strong>lo numérico basea<strong>do</strong> em<br />

curvas <strong>de</strong> nível, consi<strong>de</strong>ra<strong>da</strong>s em intervalos <strong>de</strong> 5 em 5 m, e digitaliza<strong>da</strong>s com base em<br />

cartas (1:10.000; aerolevantamentos <strong>de</strong> 1979) <strong>do</strong> Instituto Geográfico e Cartográfico <strong>do</strong><br />

Esta<strong>do</strong> <strong>de</strong> São Paulo. Estas mesmas cartas serviram para <strong>de</strong>finir o mapa <strong>de</strong> distância à re<strong>de</strong><br />

hidrográfica e às estra<strong>da</strong>s principais e secundárias <strong>de</strong> 1981. O mapa <strong>de</strong> distância aos<br />

núcleos urbanos, encontra<strong>do</strong>s no ano <strong>de</strong> 1981, foi feito com base em <strong>uma</strong> classificação mais<br />

<strong>de</strong>talha<strong>da</strong> <strong>da</strong> classe uso antrópico, na qual foram <strong>de</strong>staca<strong>do</strong>s os polígonos referentes às<br />

instalações rurais e urbanas. (Consultar Figuras 8, 9, 10, 11, 13 e 15, Capítulo 1.)<br />

As variáveis proximais <strong>dinâmica</strong>s (distância às classes uso antrópico, vegetação<br />

inicial e floresta) foram obti<strong>da</strong>s através <strong>da</strong>s próprias fotointerpretações realiza<strong>da</strong>s para os<br />

anos <strong>de</strong> 1981 e 2000 e tiveram suas distâncias recalcula<strong>da</strong>s em ca<strong>da</strong> <strong>uma</strong> <strong>da</strong>s iterações<br />

realiza<strong>da</strong>s pelo programa DINAMICA © .<br />

O passo seguinte consistiu na <strong>de</strong>finição <strong>de</strong> intervalos <strong>de</strong> distância para ca<strong>da</strong> variável<br />

proximal estática utiliza<strong>da</strong> (categorização). Procurou-se estabelecer o fatiamento <strong>da</strong>s<br />

distâncias a ca<strong>da</strong> variável <strong>de</strong> maneira in<strong>de</strong>pen<strong>de</strong>nte, <strong>uma</strong> vez que as mesmas apresentaram<br />

distâncias máximas distintas entre si. Priorizou-se um fatiamento mais <strong>de</strong>talha<strong>do</strong> em<br />

locali<strong>da</strong><strong>de</strong>s próximas às variáveis propostas e um fatiamento grosseiro em áreas mais<br />

distantes (Tabela 2).


Tabela 2. Extensão, em metros e em graus (<strong>de</strong>clivi<strong>da</strong><strong>de</strong>), <strong>do</strong>s intervalos estabeleci<strong>do</strong>s para<br />

o estu<strong>do</strong> <strong>da</strong> influência <strong>da</strong>s variáveis proximais estáticas na <strong>dinâmica</strong> <strong>da</strong> <strong>paisagem</strong> <strong>de</strong><br />

Caucaia <strong>do</strong> Alto, SP.<br />

VARIÁVEIS<br />

Hidrografia<br />

[máx. = 458 m]<br />

Declivi<strong>da</strong><strong>de</strong><br />

[máx = 32 o ]<br />

Altimetria<br />

[máx. = 1051 m]<br />

Estra<strong>da</strong>s principais<br />

[máx. = 4207 m]<br />

Estra<strong>da</strong>s<br />

secundárias<br />

[1981]<br />

[máx. = 1342 m]<br />

Distância às<br />

instalações<br />

urbanas e rurais<br />

[1981]<br />

[máx. = 940 m]<br />

INTERVALO<br />

[1] [2] [3] [4] [5] [6] [7] [8] [9]<br />

0 a 25 25 a 50 50 a 100<br />

100 a<br />

200<br />

200 a<br />

300<br />

300 a<br />

400<br />

> 400<br />

0 a 5 5 a 10 10 a 15 15 a 20 20 a 25 25 a 30 >30<br />

860 a<br />

900<br />

900 a<br />

940<br />

0 a 50 50 a 100<br />

0 a 50 50 a 100<br />

0 a 50 50 a 100<br />

940 a<br />

980<br />

100 a<br />

200<br />

100 a<br />

200<br />

100 a<br />

200<br />

Matrizes <strong>de</strong> mu<strong>da</strong>nça e <strong>do</strong>s pesos <strong>de</strong> evidência<br />

980 a<br />

1.020<br />

200 a<br />

400<br />

200 a<br />

400<br />

200 a<br />

400<br />

> 1.020<br />

400 a<br />

800<br />

400 a<br />

600<br />

400 a<br />

600<br />

800 a<br />

1.600<br />

600 a<br />

800<br />

600 a<br />

800<br />

1.600 a<br />

3.200<br />

800 a<br />

1.000<br />

> 800<br />

> 3.200<br />

1.000 a<br />

1.200<br />

O cálculo <strong>da</strong>s probabili<strong>da</strong><strong>de</strong>s <strong>de</strong> ocorrência <strong>da</strong>s transições entre as três classes <strong>de</strong> uso e<br />

cobertura <strong>da</strong>s terras (número <strong>de</strong> pixels <strong>de</strong> <strong>uma</strong> <strong>da</strong><strong>da</strong> transição entre diferentes classes<br />

dividi<strong>do</strong> pelo número total <strong>de</strong> pixels <strong>da</strong> classe no perío<strong>do</strong> inicial, i.e. 1981) foi feito<br />

utilizan<strong>do</strong>-se o programa DINAMICA © , com base na sobreposição <strong>do</strong>s mapas inicial<br />

(1981) e final (2000). Com isso, foi gera<strong>da</strong> <strong>uma</strong> matriz probabilística <strong>de</strong> mu<strong>da</strong>nça anual<br />

(Tabela 3), obti<strong>da</strong> a partir <strong>de</strong> <strong>uma</strong> matriz para o perío<strong>do</strong> (1981-2000) pela proprie<strong>da</strong><strong>de</strong> <strong>de</strong><br />

matrizes ergódicas, a qual “anualiza” as matrizes <strong>de</strong> perío<strong>do</strong> convergin<strong>do</strong>-as a <strong>uma</strong><br />

distribuição estacionária (Soares-Filho et al. no prelo). Cabe ressaltar, aqui, que as matrizes<br />

<strong>de</strong> mu<strong>da</strong>nça gera<strong>da</strong>s não representam, per se, mo<strong>de</strong>los espaciais, mas refletem apenas a<br />

quantificação <strong>da</strong>s mu<strong>da</strong>nças em relação à <strong>paisagem</strong> como um to<strong>do</strong>, funcionan<strong>do</strong> como<br />

componentes primários <strong>do</strong> mo<strong>de</strong>lo <strong>de</strong> <strong>dinâmica</strong> <strong>de</strong> paisagens (Soares-Filho et al. no prelo).<br />

> 1.200


Tabela 3. Matriz probabilística <strong>de</strong> mu<strong>da</strong>nça anual gera<strong>da</strong> com base no intervalo temporal<br />

compreendi<strong>do</strong> entre os anos <strong>de</strong> 1981 e 2000 na região <strong>de</strong> Caucaia <strong>do</strong> Alto, SP.<br />

(UA)<br />

2000<br />

(VI) (VMA)<br />

TOTAL<br />

(UA) Uso antrópico 2.797,8 120,7 231,3 3.149,8<br />

1<br />

9<br />

8<br />

(VI) Vegetação natural em estádio inicial <strong>de</strong><br />

sucessão secundária<br />

429,8 88<br />

193,3<br />

711,1<br />

1 (VMA) Vegetação natural em estádio médio<br />

a avança<strong>do</strong> <strong>de</strong> sucessão secundária<br />

1.184,6 359,1 2.056,7 3.600,4<br />

Cabe ressaltar que, neste estu<strong>do</strong>, to<strong>da</strong>s as transições entre as diferentes classes<br />

foram consi<strong>de</strong>ra<strong>da</strong>s possíveis, <strong>uma</strong> vez que o intervalo escolhi<strong>do</strong> entre os anos analisa<strong>do</strong>s<br />

(19 anos) possibilita tal <strong>dinâmica</strong>.<br />

Com base na probabili<strong>da</strong><strong>de</strong> <strong>de</strong> ocorrência <strong>da</strong>s diferentes transições entre os tipos <strong>de</strong><br />

uso e cobertura <strong>da</strong>s terras, toma<strong>da</strong>s pixel a pixel, o programa DINAMICA © gerou valores<br />

<strong>de</strong> pesos <strong>de</strong> evidência para ca<strong>da</strong> um <strong>do</strong>s intervalos <strong>de</strong> distância <strong>de</strong>fini<strong>do</strong>s em relação às<br />

variáveis proximais estáticas e <strong>dinâmica</strong>s utiliza<strong>da</strong>s neste estu<strong>do</strong>, através <strong>do</strong> algoritmo<br />

{ D +<br />

} = log{<br />

D}<br />

+ W<br />

B<br />

P{<br />

B }<br />

log com (1)<br />

+<br />

W = ln<br />

on<strong>de</strong><br />

P<br />

D<br />

{ B }<br />

D<br />

+<br />

W representa o peso <strong>de</strong> evidência positivo para a probabili<strong>da</strong><strong>de</strong> <strong>de</strong> ocorrência ( D )<br />

ou a não-ocorrência ( D ) <strong>da</strong>s possíveis transições entre as 3 classes frente à presença ( B )<br />

<strong>de</strong> um <strong>da</strong><strong>do</strong> padrão espacial, representa<strong>do</strong> aqui pelas variáveis proximais categoriza<strong>da</strong>s,<br />

tanto estáticas como <strong>dinâmica</strong>s. Para <strong>uma</strong> análise uniformiza<strong>da</strong> <strong>da</strong> influência <strong>da</strong>s variáveis<br />

proximais, o programa DINAMICA <strong>de</strong>sconsi<strong>de</strong>ra os valores <strong>da</strong>s probabili<strong>da</strong><strong>de</strong>s a priori,<br />

igualan<strong>do</strong> log { D } a 1. Nesta etapa, ca<strong>da</strong> um <strong>do</strong>s pesos <strong>de</strong> evidência calcula<strong>do</strong>s representa o<br />

grau <strong>de</strong> associação entre um <strong>do</strong>s intervalos <strong>de</strong> <strong>uma</strong> <strong>da</strong><strong>da</strong> variável proximal e <strong>uma</strong> <strong>da</strong>s<br />

possíveis transições ( i → j ).<br />

(2)


Ao final <strong>da</strong> execução <strong>do</strong>s cálculos, to<strong>do</strong>s os pixels <strong>da</strong> área analisa<strong>da</strong> receberam um<br />

valor correspon<strong>de</strong>nte à probabili<strong>da</strong><strong>de</strong> a posteriori <strong>de</strong> ocorrência <strong>de</strong> <strong>uma</strong> <strong>da</strong><strong>da</strong> transição<br />

(segun<strong>do</strong> a soma <strong>do</strong>s valores <strong>de</strong><br />

+<br />

W encontra<strong>do</strong>s para ca<strong>da</strong> <strong>uma</strong> <strong>da</strong>s variáveis), o qual foi<br />

relaciona<strong>do</strong> estritamente à localização espacial <strong>do</strong>s pixels frente ao conjunto <strong>da</strong>s variáveis<br />

proximais analisa<strong>da</strong>s, conforme a equação:<br />

P<br />

+<br />

∑W<br />

N<br />

{ i → j<br />

} = e<br />

∑<br />

B I C I DK<br />

I N<br />

1+<br />

e<br />

+<br />

W N<br />

(Bonham-Carter 1994, Soares-Filho et al. submeti<strong>do</strong>).<br />

A premissa básica para a utilização <strong>do</strong>s pesos <strong>de</strong> evidência e a conseqüente<br />

<strong>de</strong>rivação <strong>do</strong>s mapas <strong>de</strong> probabili<strong>da</strong><strong>de</strong> exige que as variáveis proximais utiliza<strong>da</strong>s nos<br />

cálculos sejam espacialmente in<strong>de</strong>pen<strong>de</strong>ntes, o que pô<strong>de</strong> ser verifica<strong>do</strong>, neste estu<strong>do</strong>, pelo<br />

coeficiente <strong>de</strong> Crammer (V), que, para to<strong>do</strong>s os pareamentos, resultou em valores menores<br />

<strong>do</strong> que 0,45 (limiar empiricamente estabeleci<strong>do</strong> (Almei<strong>da</strong> et al. 2002)).<br />

Calibração <strong>do</strong> mo<strong>de</strong>lo <strong>de</strong> simulação “i<strong>de</strong>al”<br />

A fim <strong>de</strong> se obter diferentes cenários para o ano <strong>de</strong> 2019, coerentes com o histórico <strong>de</strong><br />

evolução <strong>da</strong> <strong>paisagem</strong> <strong>de</strong> Caucaia <strong>do</strong> Alto entre os anos <strong>de</strong> 1981 e 2000, optou-se por<br />

encontrar primeiramente um mo<strong>de</strong>lo <strong>de</strong> simulação espacial que, a partir <strong>do</strong> ano <strong>de</strong> 1981,<br />

fosse capaz <strong>de</strong> gerar, como resulta<strong>do</strong>, um mapa <strong>de</strong> uso e cobertura <strong>da</strong>s terras semelhante à<br />

fotointerpretação feita para o ano <strong>de</strong> 2000. Para isso, foram utiliza<strong>do</strong>s como <strong>da</strong><strong>do</strong>s <strong>de</strong><br />

entra<strong>da</strong> no programa DINAMICA © : i) o mapa <strong>de</strong> uso e cobertura <strong>da</strong>s terras obti<strong>do</strong> para o<br />

ano <strong>de</strong> 1981; ii) a matriz probabilística <strong>de</strong> mu<strong>da</strong>nça anual e iii) os pesos <strong>de</strong> evidência<br />

previamente calcula<strong>do</strong>s para o intervalo 1981-2000. Diversas iterações foram então<br />

realiza<strong>da</strong>s, <strong>uma</strong> vez que o programa DINAMICA © disponibiliza ferramentas para<br />

monitoramento e ajuste <strong>do</strong> processo <strong>de</strong> mo<strong>de</strong>lagem basea<strong>da</strong>s em duas funções: i) a função<br />

expan<strong>de</strong>r, a qual controla apenas o grau <strong>de</strong> expansão ou contração <strong>de</strong> manchas<br />

preexistentes <strong>de</strong> um tipo <strong>de</strong> uso ou cobertura <strong>da</strong>s terras e ii) a função patcher, a qual<br />

promove o surgimento <strong>de</strong> novas manchas, assim como o controle <strong>de</strong> variáveis relaciona<strong>da</strong>s<br />

(3)


ao tamanho médio, variância e formato <strong>da</strong>s manchas gera<strong>da</strong>s e valores <strong>de</strong> saturação <strong>de</strong> tipos<br />

<strong>de</strong> transições (Soares-Filho et al. 2002).<br />

A escolha <strong>do</strong> mo<strong>de</strong>lo para a realização <strong>da</strong> simulação <strong>de</strong> cenários futuros foi feita<br />

comparan<strong>do</strong>-se os mapas <strong>de</strong> uso e cobertura <strong>da</strong> terra simula<strong>do</strong>s (n = 10 para ca<strong>da</strong> um <strong>do</strong>s<br />

mo<strong>de</strong>los utiliza<strong>do</strong>s) à fotointerpretação realiza<strong>da</strong> para o ano <strong>de</strong> 2000, através <strong>do</strong> cálculo <strong>de</strong><br />

diferentes índices <strong>de</strong> <strong>paisagem</strong>. Tais índices foram relaciona<strong>do</strong>s principalmente à<br />

configuração <strong>da</strong>s manchas <strong>de</strong> floresta, a saber, i) número <strong>de</strong> manchas (NP), ii) porcentagem<br />

<strong>da</strong> <strong>paisagem</strong> coberta pela maior mancha <strong>de</strong> floresta (LPI), iii) média pon<strong>de</strong>ra<strong>da</strong> <strong>do</strong> tamanho<br />

<strong>da</strong>s manchas (AREA_AM) e iv) medi<strong>da</strong> <strong>de</strong> agregação <strong>da</strong>s manchas <strong>de</strong> mata (CLUMPY). A<br />

partir <strong>de</strong>stes índices, foram feitas análises multivaria<strong>da</strong>s <strong>de</strong> agrupamento e or<strong>de</strong>nação<br />

(análises <strong>de</strong> componentes principais) (Zar 1999) para <strong>de</strong>finir qual <strong>do</strong>s mo<strong>de</strong>los mais se<br />

assemelhou com a <strong>paisagem</strong> real <strong>de</strong> 2000, em termos <strong>de</strong> configuração espacial.<br />

Cenários para o ano <strong>de</strong> 2019<br />

O mo<strong>de</strong>lo <strong>de</strong> simulação em perspectiva realista seguiu as tendências observa<strong>da</strong>s nos<br />

últimos 19 anos na região <strong>de</strong> Caucaia <strong>do</strong> Alto. Os parâmetros <strong>de</strong>ste mo<strong>de</strong>lo foram: 80% <strong>de</strong><br />

função expan<strong>de</strong>r e 20% <strong>de</strong> função patcher, tamanho médio <strong>da</strong>s manchas transiciona<strong>da</strong>s<br />

equivalente a 20 ha com variância zero e valores calcula<strong>do</strong>s para as matrizes probabilísticas<br />

<strong>de</strong> transição anual (Tabela 4) e pesos <strong>de</strong> evidência previamente <strong>de</strong>fini<strong>do</strong>s (Consultar<br />

Teixeira (2005), Capítulo 1).<br />

Tabela 4. Matriz probabilística <strong>de</strong> mu<strong>da</strong>nça anual gera<strong>da</strong> com base no intervalo temporal<br />

compreendi<strong>do</strong> entre os anos <strong>de</strong> 1981 e 2000 na região <strong>de</strong> Caucaia <strong>do</strong> Alto, SP.<br />

Uso antrópico<br />

2019<br />

Vegetação inicial Floresta<br />

2 Uso antrópico 0,9910 0,0048 0,0042<br />

0<br />

0<br />

Vegetação inicial 0,079 0,8722 0,0488<br />

0 Floresta 0,0168 0,0187 0,9646<br />

O mo<strong>de</strong>lo <strong>de</strong> simulação em perspectiva aleatória, por sua vez, baseou-se apenas nas<br />

tendências <strong>de</strong> transição entre os diferentes tipos <strong>de</strong> uso e cobertura <strong>da</strong>s terras conti<strong>da</strong>s nas


matrizes probabilísticas <strong>de</strong> mu<strong>da</strong>nça, sen<strong>do</strong> que os valores calcula<strong>do</strong>s para os pesos <strong>de</strong><br />

evidência foram zera<strong>do</strong>s para to<strong>da</strong>s as variáveis proximais utiliza<strong>da</strong>s. Este mo<strong>de</strong>lo foi<br />

construí<strong>do</strong> com o intuito <strong>de</strong> verificar a estrutura espacial para o ano <strong>de</strong> 2019 <strong>da</strong> <strong>paisagem</strong> <strong>de</strong><br />

Caucaia <strong>do</strong> Alto caso não houvesse restrições quanto à localização espacial <strong>de</strong>ssas<br />

mu<strong>da</strong>nças, e relacioná-la ao padrão encontra<strong>do</strong> para os <strong>de</strong>mais cenários gera<strong>do</strong>s, a saber,<br />

real, pessimista e otimista.<br />

O mo<strong>de</strong>lo em perspectiva pessimista seguiu os padrões <strong>de</strong> mu<strong>da</strong>nças espaciais<br />

estabeleci<strong>do</strong>s pelos valores <strong>do</strong>s pesos <strong>de</strong> evidência encontra<strong>do</strong>s para o intervalo 1981-2000.<br />

Porém, as probabili<strong>da</strong><strong>de</strong>s <strong>de</strong> mu<strong>da</strong>nça conti<strong>da</strong>s na matriz previamente calcula<strong>da</strong> foram<br />

altera<strong>da</strong>s, sen<strong>do</strong> que as transições <strong>de</strong> regeneração à floresta a partir <strong>de</strong> áreas <strong>de</strong> uso<br />

antrópico e <strong>de</strong> vegetação inicial foram impossibilita<strong>da</strong>s (as probabili<strong>da</strong><strong>de</strong>s <strong>de</strong> ocorrência<br />

relaciona<strong>da</strong>s a essas transições foram iguala<strong>da</strong>s a zero) e os valores correspon<strong>de</strong>ntes às<br />

regenerações a floresta foram adiciona<strong>do</strong>s tanto à probabili<strong>da</strong><strong>de</strong> <strong>de</strong> permanência <strong>da</strong> classe<br />

uso antrópico como à probabili<strong>da</strong><strong>de</strong> <strong>de</strong> transição entre vegetação inicial e uso antrópico<br />

(Tabela 5).<br />

Tabela 5. Matriz probabilística <strong>de</strong> mu<strong>da</strong>nça anual (1981-2000) utiliza<strong>da</strong> para gerar<br />

simulações <strong>de</strong> perspectiva pessimista para o ano <strong>de</strong> 2019 na região <strong>de</strong> Caucaia <strong>do</strong> Alto, SP.<br />

Uso antrópico<br />

2019<br />

Vegetação inicial Floresta<br />

2 Uso antrópico 0,9952 0,0048 0<br />

0<br />

0<br />

Vegetação inicial 0,1278 0,8722 0<br />

0 Floresta 0,0168 0,0187 0,9646<br />

O mo<strong>de</strong>lo em perspectiva otimista baseou-se, mais <strong>uma</strong> vez, nos padrões <strong>de</strong><br />

mu<strong>da</strong>nça espacial estabeleci<strong>do</strong>s pelos valores <strong>do</strong>s pesos <strong>de</strong> evidência encontra<strong>do</strong>s para o<br />

intervalo temporal 1981-2000. Entretanto, as probabili<strong>da</strong><strong>de</strong>s <strong>de</strong> mu<strong>da</strong>nça conti<strong>da</strong>s na matriz<br />

previamente calcula<strong>da</strong> foram altera<strong>da</strong>s, sen<strong>do</strong> as probabili<strong>da</strong><strong>de</strong>s <strong>de</strong> transições relaciona<strong>da</strong>s<br />

a processos <strong>de</strong> <strong>de</strong>smatamento anula<strong>da</strong>s – os valores exce<strong>de</strong>ntes foram adiciona<strong>do</strong>s à<br />

probabili<strong>da</strong><strong>de</strong> <strong>de</strong> permanência <strong>de</strong> floresta (Tabela 6).


Tabela 6. Matriz probabilística <strong>de</strong> mu<strong>da</strong>nça anual utiliza<strong>da</strong> para gerar simulações <strong>de</strong><br />

perspectiva otimista para o ano <strong>de</strong> 2019 na região <strong>de</strong> Caucaia <strong>do</strong> Alto, SP.<br />

Uso antrópico<br />

2019<br />

Vegetação inicial Floresta<br />

2 Uso antrópico 0,9910 0,0048 0,0042<br />

0<br />

0<br />

Vegetação inicial 0,0790 0,8722 0,0488<br />

0 Floresta 0 0 1<br />

Para ca<strong>da</strong> um <strong>do</strong>s cenários consi<strong>de</strong>ra<strong>do</strong>s (real, aleatório, pessimista e otimista),<br />

foram gera<strong>da</strong>s 10 paisagens (i.e., réplicas) (Figuras 3, 4, 5 e 6).<br />

Análise <strong>do</strong>s diferentes cenários<br />

To<strong>da</strong>s as 10 réplicas obti<strong>da</strong>s para ca<strong>da</strong> um <strong>do</strong>s 4 tipos <strong>de</strong> mo<strong>de</strong>los/cenários <strong>de</strong> simulação<br />

<strong>de</strong>fini<strong>do</strong>s foram analisa<strong>da</strong>s em relação à composição <strong>do</strong>s tipos <strong>de</strong> uso e cobertura <strong>da</strong>s terras<br />

preestabeleci<strong>do</strong>s e à configuração <strong>da</strong>s manchas <strong>de</strong> floresta através <strong>da</strong> utilização <strong>de</strong> índices<br />

<strong>de</strong> <strong>paisagem</strong>, calcula<strong>do</strong>s com a aju<strong>da</strong> <strong>do</strong> programa FRAGSTATS (versão 3.3; 2002)<br />

(Tabela 7). Para testar a existência <strong>de</strong> diferenças significativas entre os cenários, foram<br />

utiliza<strong>da</strong>s análises <strong>de</strong> variância (ANOVA) para ca<strong>da</strong> índice <strong>de</strong> <strong>paisagem</strong> e, quan<strong>do</strong><br />

encontra<strong>da</strong>s diferenças significativas, foram realiza<strong>do</strong>s testes a posteriori (Teste <strong>de</strong> Tukey<br />

HSD, α = 0,05) (Zar 1999).<br />

Tabela 7. Índices <strong>de</strong> <strong>paisagem</strong> utiliza<strong>do</strong>s para quantificar a configuração espacial <strong>da</strong>s<br />

manchas <strong>de</strong> floresta nos cenários obti<strong>do</strong>s para a <strong>paisagem</strong> <strong>de</strong> Caucaia <strong>do</strong> Alto, SP, no ano<br />

<strong>de</strong> 2019. Para maiores <strong>de</strong>talhes, consultar McGarigal & Marks (1995)<br />

ÍNDICE DE PAISAGEM DEFINIÇÃO<br />

NP Contabiliza o número <strong>de</strong> fragmentos florestais.<br />

LPI<br />

Refere-se à porcentagem total <strong>da</strong> área conti<strong>da</strong> pela mancha <strong>de</strong> maior tamanho <strong>de</strong><br />

mata.<br />

AREA_MN Equivale ao tamanho médio <strong>da</strong>s manchas <strong>de</strong> mata, em hectares.<br />

ENN_MN Mensura a distância média, em metros, entre as manchas <strong>de</strong> mata.<br />

PROX_MN<br />

Fornece o grau <strong>de</strong> proximi<strong>da</strong><strong>de</strong> <strong>de</strong> manchas <strong>de</strong> mata em <strong>uma</strong> região<br />

preestabeleci<strong>da</strong> em função <strong>da</strong> área e <strong>do</strong> isolamento entre as manchas.


81_0_3_tiff.tif<br />

VALUE<br />

Tipos <strong>de</strong> uso e cobertura <strong>da</strong>s terras<br />

0Não-analisa<strong>do</strong><br />

1Uso<br />

antrópico<br />

2Vegetação<br />

inicial<br />

3Floresta<br />

Figura 3. Cenário real para o ano <strong>de</strong> 2019 na região <strong>de</strong> Caucaia <strong>do</strong> Alto, SP.


81_0_3_tiff.tif<br />

VALUE<br />

Tipos <strong>de</strong> uso e cobertura <strong>da</strong>s terras<br />

0Não-analisa<strong>do</strong><br />

1Uso<br />

antrópico<br />

2Vegetação<br />

inicial<br />

3Floresta<br />

Figura 4. Cenário aleatório para o ano <strong>de</strong> 2019 na região <strong>de</strong> Caucaia <strong>do</strong> Alto, SP.


81_0_3_tiff.tif<br />

VALUE<br />

Tipos <strong>de</strong> uso e cobertura <strong>da</strong>s terras<br />

0Não-analisa<strong>do</strong><br />

1Uso<br />

antrópico<br />

2Vegetação<br />

inicial<br />

3 Floresta<br />

Figura 5. Cenário pessimista para o ano <strong>de</strong> 2019 na região <strong>de</strong> Caucaia <strong>do</strong> Alto, SP.


81_0_3_tiff.tif<br />

VALUE<br />

Tipos <strong>de</strong> uso e cobertura <strong>da</strong>s terras<br />

0Não-analisa<strong>do</strong><br />

1Uso<br />

antrópico<br />

2Vegetação<br />

inicial<br />

3Floresta<br />

Figura 6. Cenário otimista para o ano <strong>de</strong> 2019 na região <strong>de</strong> Caucaia <strong>do</strong> Alto, SP.


Os resulta<strong>do</strong>s obti<strong>do</strong>s para ca<strong>da</strong> simulação foram, ain<strong>da</strong>, valora<strong>do</strong>s, toman<strong>do</strong>-se<br />

como parâmetro <strong>uma</strong> <strong>paisagem</strong> dita “i<strong>de</strong>al” à conservação <strong>da</strong> diversi<strong>da</strong><strong>de</strong> <strong>de</strong> espécies<br />

florestais. Uma <strong>paisagem</strong> próxima ao “i<strong>de</strong>al” <strong>de</strong>ve apresentar simultaneamente: <strong>uma</strong><br />

extensa área <strong>de</strong> cobertura florestal; um pequeno número <strong>de</strong> manchas; <strong>uma</strong> mancha<br />

relativamente gran<strong>de</strong> a fim <strong>de</strong> atuar como fonte <strong>de</strong> propágulos às manchas menores;<br />

tamanho médio <strong>da</strong>s manchas preferencialmente <strong>de</strong> gran<strong>de</strong> extensão e eleva<strong>do</strong> grau <strong>de</strong><br />

conectivi<strong>da</strong><strong>de</strong>, o que implica em <strong>uma</strong> menor probabili<strong>da</strong><strong>de</strong> <strong>de</strong> essas manchas encontraremse<br />

isola<strong>da</strong>s na <strong>paisagem</strong>, facilitan<strong>do</strong>, assim, a movimentação <strong>do</strong>s diversos organismos entre<br />

as mesmas, o que corrobora à sobrevivência <strong>da</strong>s populações (Forman 1995, Metzger 1999).<br />

Ca<strong>da</strong> <strong>paisagem</strong> foi pontua<strong>da</strong>, para ca<strong>da</strong> índice calcula<strong>do</strong>, <strong>de</strong> 1 a 40, em função <strong>de</strong> sua<br />

or<strong>de</strong>m em relação ao valor i<strong>de</strong>al, e os pontos para ca<strong>da</strong> índice <strong>de</strong> <strong>paisagem</strong> foram, então,<br />

soma<strong>do</strong>s. O resulta<strong>do</strong> é um índice <strong>de</strong> quali<strong>da</strong><strong>de</strong> <strong>da</strong> <strong>paisagem</strong>. Quanto maior este índice,<br />

mais próxima está a <strong>paisagem</strong>, em relação às <strong>de</strong>mais, <strong>da</strong> condição i<strong>de</strong>al para a conservação<br />

<strong>de</strong> espécies florestais.


Dinâmica 1981-2000<br />

RESULTADOS<br />

As mu<strong>da</strong>nças no uso e cobertura <strong>da</strong> terra na região <strong>de</strong> Caucaia <strong>do</strong> Alto, entre os anos <strong>de</strong><br />

1981 e 2000, foram principalmente relaciona<strong>da</strong>s à conversão <strong>de</strong> áreas <strong>de</strong> vegetação inicial<br />

(429,8 ha) e <strong>de</strong> florestas (1.184,6 ha) em áreas <strong>de</strong> uso antrópico (Tabela 8, Figura 7). A<br />

estas per<strong>da</strong>s, somam-se ain<strong>da</strong> os valores relativos à conversão <strong>de</strong> florestas em vegetação<br />

inicial (359,1 ha), o que provavelmente está relaciona<strong>do</strong> a um <strong>de</strong>smatamento e posterior<br />

regeneração para vegetação inicial. Desta forma, a área total <strong>de</strong>smata<strong>da</strong>, <strong>de</strong> 1981 a 2000,<br />

totaliza 1.543,7 ha. A regeneração <strong>de</strong> vegetação natural pelo aban<strong>do</strong>no agrícola (352 ha) ou<br />

transformação <strong>de</strong> vegetação inicial em floresta (193,3 ha), por sua vez, totalizou 545,3 ha,<br />

sen<strong>do</strong> que, <strong>de</strong>sse total, 424,6 ha ou 78%, correspon<strong>de</strong>u a regenerações para estádios<br />

sucessionais mais avança<strong>do</strong>s. Portanto, a <strong>dinâmica</strong> recente <strong>da</strong> <strong>paisagem</strong> <strong>de</strong> Caucaia <strong>do</strong> Alto<br />

esteve mais fortemente atrela<strong>da</strong> ao <strong>de</strong>smatamento, sen<strong>do</strong> que o mesmo ocorreu a um valor<br />

anual médio aproxima<strong>do</strong> <strong>de</strong> 81,2 ha/ano, já a regeneração florestal alcançou um valor anual<br />

médio próximo a 22,3 ha/ano.<br />

Tabela 8. Matriz <strong>de</strong> mu<strong>da</strong>nças <strong>de</strong> uso e cobertura <strong>da</strong>s terras na região <strong>de</strong> Caucaia <strong>do</strong> Alto,<br />

SP, obti<strong>da</strong> entre os anos <strong>de</strong> 1981 e 2000, em hectares.<br />

2000<br />

Uso antrópico Vegetação inicial Floresta<br />

TOTAL<br />

1 Uso antrópico 2.797,8 120,7 231,3 3.149,8<br />

9<br />

8<br />

Vegetação inicial 429,7 88 193,3 711,1<br />

1 Floresta 1.184,6 359,1 2.056,7 3.600,4<br />

TOTAL 4.412,2 567,8 2.481,3 7.461,3


INSTALAÇÕES<br />

RURAIS E URBANAS<br />

AGRICULTURA - 309<br />

Figura 7. Dinâmica <strong>de</strong> mu<strong>da</strong>nça <strong>de</strong> uso e cobertura <strong>da</strong>s terras na região <strong>de</strong> Caucaia <strong>do</strong> Alto,<br />

SP, observa<strong>da</strong> entre os anos <strong>de</strong> 1981 e 2000, em hectares.<br />

Comparação <strong>do</strong>s cenários para 2019<br />

231,3<br />

120,7 193,3<br />

VEGETAÇÃO<br />

INICIAL<br />

429,7 359,1<br />

- 953,3<br />

REFLORESTAMENTO 1.184,6<br />

- 165,8 FLORESTA<br />

Em termos <strong>de</strong> composição, os cenários real e aleatório, ambos basea<strong>do</strong>s nas tendências <strong>de</strong><br />

mu<strong>da</strong>nça observa<strong>da</strong>s entre os anos <strong>de</strong> 1981 e 2000, resultaram em paisagens <strong>de</strong> composição<br />

semelhante, sen<strong>do</strong> que, para a classe <strong>de</strong> uso antrópico, foi <strong>de</strong>tecta<strong>do</strong> um aumento em sua<br />

área <strong>de</strong> ocupação equivalente a 671 ha (15% <strong>do</strong> total observa<strong>do</strong> em 2000, Figura 4(a)), em<br />

<strong>de</strong>trimento <strong>da</strong> vegetação inicial (84 ha, 15,5%, Figura 4(b)) e <strong>de</strong> floresta (587 ha, 23,5%,<br />

Figura 4(c)).<br />

O mo<strong>de</strong>lo pessimista, por sua vez, gerou as paisagens que apresentaram os maiores<br />

aumentos <strong>da</strong> classe uso antrópico, equivalentes a 1.367 ha (39,7% <strong>da</strong> área originalmente<br />

ocupa<strong>da</strong> em 2000; Figura 4(a)). As reduções, nestes casos, foram observa<strong>da</strong>s tanto para a<br />

classe <strong>de</strong> vegetação inicial (129 ha ou 22,3%, Figura 4(b)) como para a classe <strong>de</strong> floresta<br />

(1.238 ha ou 49,7%, Figura 4(c)), sen<strong>do</strong> esta a maior redução encontra<strong>da</strong> entre os diferentes<br />

cenários.


O cenário otimista para o ano <strong>de</strong> 2019 apresentou reduções em relação à classe <strong>de</strong><br />

uso antrópico (109 ha ou 2,5% <strong>da</strong> área originalmente ocupa<strong>da</strong> por essa classe, Figura 8(a)).<br />

Entretanto, esse mesmo cenário resultou em maiores per<strong>da</strong>s quanto às áreas <strong>de</strong> vegetação<br />

natural em estádio inicial <strong>de</strong> sucessão secundária (245 ha ou 42,4%, Figura 8(b)) e em<br />

maiores ganhos em relação à floresta (354 ha ou 14,2%, Figura 8(c)).<br />

Uso antrópico (ha)<br />

ha<br />

Vegetação inicial (ha)<br />

ha<br />

7000<br />

6000<br />

5000<br />

4000<br />

3000<br />

2000<br />

1000<br />

800<br />

700<br />

600<br />

500<br />

400<br />

300<br />

200<br />

100<br />

0<br />

0<br />

1981 2000<br />

Intervalos<br />

2019<br />

1981 2000<br />

Intervalos<br />

2019<br />

REAL<br />

ALEATÓRIO<br />

PESSIMISTA<br />

OTIMISTA<br />

REAL<br />

ALEATÓRIO<br />

PESSIMISTA<br />

OTIMISTA<br />

(a)<br />

(b)


Floresta (ha)<br />

ha<br />

4.000<br />

3.500<br />

3.000<br />

2.500<br />

2.000<br />

1.500<br />

1.000<br />

500<br />

0<br />

1981 2000<br />

Intervalos<br />

2019<br />

REAL<br />

ALEATÓRIO<br />

PESSIMISTA<br />

OTIMISTA<br />

Figuras 8(a), 4(b) e 4(c). Uso e cobertura <strong>da</strong> terra em relação às classes <strong>de</strong> (a) uso<br />

antrópico, (b) vegetação inicial e (c) floresta na região <strong>de</strong> Caucaia <strong>do</strong> Alto, SP (1981-2019),<br />

frente a diferentes cenários para o ano <strong>de</strong> 2019.<br />

Em termos <strong>de</strong> configuração espacial <strong>da</strong>s áreas floresta<strong>da</strong>s, as piores paisagens são<br />

em geral obti<strong>da</strong>s com os cenários pessimista e aleatório, enquanto o cenário otimista é<br />

consistentemente melhor, em termos <strong>de</strong> conservação <strong>de</strong> espécies florestais, sen<strong>do</strong> o cenário<br />

real aquele que apresenta <strong>uma</strong> situação intermediária.<br />

O número <strong>de</strong> manchas (NP) obti<strong>do</strong> foi maior para os cenários pessimista ( X = 369<br />

manchas) e aleatório ( X = 386 manchas), os quais não apresentaram diferença<br />

significativa (p = 0,075). Os cenários real ( X = 308 manchas) e otimista ( X = 231<br />

manchas), por sua vez, resultaram em paisagens com os menores números <strong>de</strong> manchas<br />

florestais. O cenário otimista foi o único a apresentar menor número <strong>de</strong> fragmentos <strong>do</strong> que<br />

o observa<strong>do</strong> para o ano <strong>de</strong> 2000 (267 manchas) (Figuras 9 e 10).<br />

(c)


NP<br />

Figura 9. Número <strong>de</strong> manchas (NP) <strong>de</strong> floresta frente a diferentes cenários <strong>de</strong> uso e<br />

cobertura <strong>da</strong>s terras para o ano <strong>de</strong> 2019 na região <strong>de</strong> Caucaia <strong>do</strong> Alto, SP.<br />

NP<br />

600<br />

500<br />

400<br />

300<br />

200<br />

100<br />

420<br />

400<br />

380<br />

360<br />

340<br />

320<br />

300<br />

280<br />

260<br />

240<br />

220<br />

200<br />

0<br />

1981 2000<br />

Intervalos<br />

2019<br />

A<br />

B<br />

REAL ALEAT PESS OTIM<br />

Mo<strong>de</strong>los<br />

Figura 10. Média e <strong>de</strong>svio padrão <strong>do</strong> número <strong>de</strong> manchas (NP) <strong>de</strong> floresta frente a<br />

diferentes cenários (REAL, ALEATório, PESSimista, OTIMista) <strong>de</strong> uso e cobertura <strong>da</strong><br />

terra para o ano <strong>de</strong> 2019 na região <strong>de</strong> Caucaia <strong>do</strong> Alto, SP. Os cenários que não diferiram<br />

significativamente são representa<strong>do</strong>s por letras que se repetem.<br />

B<br />

C<br />

REAL<br />

ALEATÓRIA<br />

PESSIMISTA<br />

OTIMISTA<br />

F = 199,16<br />

P < 0,05


O cenário que apresentou a maior porcentagem <strong>de</strong> área total ocupa<strong>da</strong> pela maior<br />

mancha <strong>de</strong> floresta foi o otimista ( X = 11,49 %), segui<strong>do</strong> pelo cenário real ( X = 7,93 %),<br />

aleatório ( X = 4,19 %) e pessimista ( X = 2,41 %). To<strong>da</strong>s as diferenças foram<br />

significativas (p < 0,05), salvo, mais <strong>uma</strong> vez, os cenários pessimistas e aleatório (p =<br />

0,116) (Figuras 11 e 12). Estes <strong>do</strong>is últimos valores foram menores <strong>do</strong> que o obti<strong>do</strong> no ano<br />

<strong>de</strong> 2000 (6,45 %). Porém, nota-se que a maior per<strong>da</strong> no tamanho <strong>do</strong> maior fragmento<br />

ocorreu entre 1981 e 2000, sen<strong>do</strong> que nenhum <strong>do</strong>s cenários para 2019 permite retornar a<br />

valores próximos aos <strong>de</strong> 1981 (Figura 11).<br />

LPI (%)<br />

%<br />

30<br />

25<br />

20<br />

15<br />

10<br />

5<br />

0<br />

1981 2000<br />

Intervalos<br />

2019<br />

REAL<br />

ALEATÓRIA<br />

PESSIMISTA<br />

OTIMISTA<br />

F = 54,707<br />

p < 0,05<br />

Figura 11. Porcentagem <strong>da</strong> <strong>paisagem</strong> ocupa<strong>da</strong> pela maior mancha (LPI) <strong>de</strong> floresta<br />

frente a diferentes cenários <strong>de</strong> uso e cobertura <strong>da</strong>s terras para o ano <strong>de</strong> 2019 na região<br />

<strong>de</strong> Caucaia <strong>do</strong> Alto, SP.


LPI<br />

14<br />

12<br />

10<br />

8<br />

6<br />

4<br />

2<br />

0<br />

A<br />

B<br />

REAL ALEAT PESS OTIM<br />

Mo<strong>de</strong>los<br />

Figura 12. Média e <strong>de</strong>svio padrão <strong>da</strong> porcentagem <strong>da</strong> <strong>paisagem</strong> ocupa<strong>da</strong> pela maior<br />

mancha (LPI) <strong>de</strong> floresta frente a diferentes cenários (REAL, ALEATório, PESSimista,<br />

OTIMista) <strong>de</strong> uso e cobertura <strong>da</strong>s terras para o ano <strong>de</strong> 2019 na região <strong>de</strong> Caucaia <strong>do</strong> Alto,<br />

SP, em porcentagem. Os cenários que não diferiram significativamente são representa<strong>do</strong>s<br />

por letras que se repetem.<br />

O mo<strong>de</strong>lo otimista foi o que gerou as paisagens <strong>de</strong> maiores áreas médias <strong>de</strong><br />

manchas <strong>de</strong> floresta ( X = 12,32 ha) e o único a ter este valor médio maior <strong>do</strong> que o<br />

encontra<strong>do</strong> em 2000 (9,34 ha). Os <strong>de</strong>mais cenários apresentaram valores bastante reduzi<strong>do</strong>s<br />

para esse índice (real: X = 6,16 ha, aleatório: X = 4,95 ha e pessimista: X = 3,41 ha)<br />

(Figuras 13 e 14). To<strong>da</strong>s as diferenças são significativas.<br />

B<br />

C<br />

F = 54,707<br />

p < 0,05


AREA_MN (ha)<br />

ha<br />

Figura 13. Área média <strong>da</strong>s manchas (AREA_MN) <strong>de</strong> floresta, em hectares, frente a<br />

diferentes cenários <strong>de</strong> uso e cobertura <strong>da</strong>s terras para o ano <strong>de</strong> 2019 na região <strong>de</strong><br />

Caucaia <strong>do</strong> Alto, SP.<br />

AREA_MN<br />

14<br />

12<br />

10<br />

8<br />

6<br />

4<br />

2<br />

0<br />

14<br />

13<br />

12<br />

11<br />

10<br />

9<br />

8<br />

7<br />

6<br />

5<br />

4<br />

3<br />

2<br />

1981 2000<br />

Intervalos<br />

2019<br />

A<br />

B<br />

REAL ALEAT PESS OTIM<br />

Mo<strong>de</strong>los<br />

Figura 14. Média e <strong>de</strong>svio padrão <strong>da</strong> área média <strong>da</strong>s manchas (AREA_MN) <strong>de</strong> floresta, em<br />

hectares, frente a diferentes cenários (REAL, ALEATório, PESSimista, OTIMista) <strong>de</strong> uso e<br />

cobertura <strong>da</strong>s terras para o ano <strong>de</strong> 2019 na região <strong>de</strong> Caucaia <strong>do</strong> Alto, SP.<br />

C<br />

REAL<br />

ALEATÓRIA<br />

PESSIMISTA<br />

OTIMISTA<br />

D<br />

F = 2.586,34<br />

p < 0,05


Os cenários otimista ( X = 73,75 m) e aleatório ( X = 82,46 m) foram aqueles que<br />

apresentaram manchas florestais <strong>de</strong> menores distâncias (ENN_MN), o que, a princípio,<br />

indica um menor grau <strong>de</strong> isolamento nessas paisagens. Por outro la<strong>do</strong>, as paisagens gera<strong>da</strong>s<br />

pelos mo<strong>de</strong>los real e pessimista tiveram, como resulta<strong>do</strong>, valores maiores <strong>de</strong> ENN_MN<br />

(real: X = 103,37 m, aleatório: X = 100,22 m), o que indica um maior grau <strong>de</strong><br />

isolamento para esses cenários, que não diferiram significativamente entre si (p = 0,265)<br />

(Figuras 15 e 16). To<strong>do</strong>s os cenários apresentaram a distância média entre as manchas <strong>de</strong><br />

(VMA) maiores <strong>do</strong> que a observa<strong>da</strong> para o ano <strong>de</strong> 2000 (71,91 m).<br />

ENN_MN (m)<br />

m<br />

120<br />

100<br />

80<br />

60<br />

40<br />

20<br />

0<br />

1981 2000<br />

Intervalos<br />

2019<br />

REAL<br />

ALEATÓRIA<br />

PESSIMISTA<br />

OTIMISTA<br />

F = 139,84<br />

p < 0,05<br />

Figura 15. Distância média (ENN_MN), em metros, entre as manchas <strong>de</strong> floresta frente<br />

a diferentes cenários <strong>de</strong> uso e cobertura <strong>da</strong>s terras para o ano <strong>de</strong> 2019 na região <strong>de</strong><br />

Caucaia <strong>do</strong> Alto, SP.


ENN_MN<br />

110<br />

105<br />

100<br />

95<br />

90<br />

85<br />

80<br />

75<br />

70<br />

65<br />

A<br />

A<br />

B<br />

REAL ALEAT PESS OTIM<br />

Mo<strong>de</strong>los<br />

Figura 16. Média e <strong>de</strong>svio padrão <strong>da</strong> distância média (ENN_MN), em metros, entre as<br />

manchas <strong>de</strong> floresta frente a diferentes cenários (REAL, ALEATório, PESSimista,<br />

OTIMista) <strong>de</strong> uso e cobertura <strong>da</strong>s terras para o ano <strong>de</strong> 2019 na região <strong>de</strong> Caucaia <strong>do</strong> Alto,<br />

SP. Os cenários que não diferiram significativamente são representa<strong>do</strong>s por letras que se<br />

repetem.<br />

Em relação ao índice <strong>de</strong> proximi<strong>da</strong><strong>de</strong> média (PROX_MN), o cenário otimista ( X =<br />

840,75) apresentou resulta<strong>do</strong> niti<strong>da</strong>mente superior aos <strong>de</strong>mais cenários (p < 0,05) e também<br />

superior ao ano <strong>de</strong> 2000 (441,46). Os <strong>de</strong>mais mo<strong>de</strong>los, por sua vez, apresentaram poucas<br />

diferenças significativas (apenas o mo<strong>de</strong>lo pessimista diferiu <strong>do</strong> real), com valores<br />

ligeiramente inferiores aos <strong>de</strong> 2000 (Figuras 17 e 18). A per<strong>da</strong> principal <strong>de</strong> proximi<strong>da</strong><strong>de</strong><br />

ocorreu entre 1981 e 2000, sen<strong>do</strong> to<strong>do</strong>s os valores <strong>de</strong> 2000 em diante muito baixos (Figura<br />

17).<br />

A<br />

C


PROX_MN<br />

Figura 17. Proximi<strong>da</strong><strong>de</strong> média (PROX_MN) entre as manchas florestais frente a diferentes<br />

cenários <strong>de</strong> uso e cobertura <strong>da</strong> terra para o ano <strong>de</strong> 2019 na região <strong>de</strong> Caucaia <strong>do</strong> Alto, SP.<br />

PROX_MN<br />

6000<br />

5000<br />

4000<br />

3000<br />

2000<br />

1000<br />

0<br />

1100<br />

1000<br />

900<br />

800<br />

700<br />

600<br />

500<br />

400<br />

300<br />

200<br />

100<br />

0<br />

-100<br />

1981 2000<br />

Intervalos<br />

2019<br />

A<br />

AB<br />

REAL ALEAT PESS OTIM<br />

Mo<strong>de</strong>los<br />

Figura 18. Média e <strong>de</strong>svio padrão <strong>da</strong> proximi<strong>da</strong><strong>de</strong> média (PROX_MN) entre as manchas <strong>de</strong><br />

floresta frente a diferentes cenários (REAL, ALEATório, PESSimista, OTIMista) <strong>de</strong> uso e<br />

cobertura <strong>da</strong>s terras para o ano <strong>de</strong> 2019 na região <strong>de</strong> Caucaia <strong>do</strong> Alto, SP. Os cenários que<br />

não diferiram significativamente são representa<strong>do</strong>s por letras que se repetem.<br />

B<br />

C<br />

REAL<br />

ALEATÓRIA<br />

PESSIMISTA<br />

OTIMISTA<br />

F = 89,896<br />

p < 0,05


Or<strong>de</strong>nação <strong>do</strong>s cenários para conservação <strong>de</strong> espécies florestais<br />

A or<strong>de</strong>nação <strong>do</strong>s cenários a partir <strong>do</strong> índice <strong>de</strong> “quali<strong>da</strong><strong>de</strong> <strong>da</strong> <strong>paisagem</strong>” para a conservação<br />

<strong>de</strong> espécies florestais mostra <strong>uma</strong> forte tendência <strong>de</strong> agrupamento <strong>da</strong>s paisagens por tipo <strong>de</strong><br />

mo<strong>de</strong>lo, salvo no caso <strong>do</strong>s cenários pessimista e aleatório (Tabela 9). De <strong>uma</strong> forma geral,<br />

os resulta<strong>do</strong>s confirmam a análise estrutural prece<strong>de</strong>nte, sen<strong>do</strong> o mo<strong>de</strong>lo otimista mais<br />

propício à conservação <strong>da</strong> biodiversi<strong>da</strong><strong>de</strong> florestal, segui<strong>do</strong> <strong>do</strong> real, e, num último bloco,<br />

pelos cenários pessimista e aleatório.


Tabela 9. Valores <strong>do</strong>s índices <strong>de</strong> cobertura e configuração florestal simula<strong>do</strong>s para as 40<br />

paisagens no ano <strong>de</strong> 2019 na região <strong>de</strong> Caucaia <strong>do</strong> Alto, SP, e or<strong>de</strong>nação <strong>da</strong>s paisagens<br />

conforme a sua “quali<strong>da</strong><strong>de</strong>” para a conservação <strong>de</strong> espécies florestais. Cenários real<br />

(REAL), aleatório (ALEAT), pessimista (PESS) e otimista (OTIM).<br />

MODELO RÉPLICA CA V NP V LPI V AREA_MN V ENN_MN V PROX_MN V SOMA<br />

(ha) (%) (ha) (m) QUALIDADE AMBIENTAL<br />

OTIM 1 2847 31 230 35 15,29 40 12,38 35 74,97 32 1249,38 40 213<br />

OTIM 5 2847 31 232 33 13,43 39 12,27 33 72,81 39 889,97 37 212<br />

OTIM 4 2847 31 239 32 12,9 37 11,91 32 70,54 40 959,15 39 211<br />

OTIM 10 2847 31 227 39 10,81 32 12,54 39 74,15 34 784,63 35 210<br />

OTIM 7 2847 31 229 37 10,99 33 12,43 37 74,57 33 924,88 38 209<br />

OTIM 9 2847 31 231 34 11,8 36 12,32 34 74,04 35 859,4 36 206<br />

OTIM 2 2847 31 229 37 9,17 30 12,43 37 73,39 38 642,15 32 205<br />

OTIM 8 2847 31 225 40 8,36 28 12,65 40 75,12 31 743,24 33 203<br />

OTIM 6 2847 31 240 31 13,32 38 11,86 31 74,04 35 768,63 34 200<br />

OTIM 3 2847 31 230 35 8,85 29 12,38 35 73,84 37 586,11 30 197<br />

REAL 3 1906 11 307 25 11,49 34 6,21 25 102,96 9 606,52 31 135<br />

REAL 5 1906 11 307 25 11,57 35 6,21 25 105,43 5 396,28 29 130<br />

REAL 8 1906 11 311 23 9,91 31 6,13 23 98,83 14 307,7 27 129<br />

REAL 4 1906 11 298 28 5,37 20 6,4 28 101,75 12 254,33 24 123<br />

REAL 7 1906 11 330 21 8,09 27 5,78 21 97,45 15 328,73 28 123<br />

REAL 2 1906 11 321 22 6,49 24 5,94 22 94,11 20 249,97 23 122<br />

REAL 1 1906 11 298 28 6,48 23 6,4 28 112,36 1 301,16 26 117<br />

REAL 9 1906 11 310 24 7,34 26 6,15 24 105,24 6 292,23 25 116<br />

REAL 10 1906 11 306 27 7,21 25 6,23 27 105,65 3 248,73 22 115<br />

ALEAT 3 1906 11 354 17 5,62 21 5,38 19 83,97 23 235,67 20 111<br />

ALEAT 8 1906 11 342 20 4,44 17 5,57 20 85,33 21 233,1 18 107<br />

REAL 6 1906 11 295 30 5,32 18 6,46 30 109,89 2 156,88 14 105<br />

ALEAT 10 1906 11 384 8 4,42 16 4,96 17 83,44 24 240,15 21 97<br />

ALEAT 5 1906 11 396 4 5,64 22 4,81 14 82,74 27 213,09 17 95<br />

ALEAT 7 1906 11 385 7 4,18 15 4,95 16 83,16 26 233,56 19 94<br />

ALEAT 4 1906 11 381 12 2,59 8 5 18 79,98 29 139,58 12 90<br />

ALEAT 6 1906 11 387 6 5,33 19 4,92 15 84,01 22 182,48 16 89<br />

ALEAT 9 1906 11 405 3 3,35 13 4,71 13 76,24 30 151,07 13 83<br />

ALEAT 1 1906 11 410 2 3,8 14 4,65 12 83,4 25 181,31 15 79<br />

ALEAT 2 1906 11 425 1 2,51 6 4,48 11 82,28 28 136,13 11 68<br />

PESS 3 1255 1 347 19 2,75 11 3,62 10 102,94 10 84,63 8 59<br />

PESS 8 1255 1 368 14 2,58 7 3,41 6 96,39 17 86,27 9 54<br />

PESS 1 1255 1 354 17 2,84 12 3,55 9 105,61 4 93,21 10 53<br />

PESS 5 1255 1 384 8 2,7 10 3,27 2 94,49 19 67,69 7 47<br />

PESS 10 1255 1 373 13 2,23 3 3,37 5 94,72 18 59,27 4 44<br />

PESS 7 1255 1 383 11 2,25 4 3,28 4 96,5 16 66,59 5 41<br />

PESS 4 1255 1 355 15 1,88 1 3,54 7 101,05 13 58,86 3 40<br />

PESS 2 1255 1 384 8 2,64 9 3,27 2 102,59 11 67,2 6 37<br />

PESS 9 1255 1 355 15 2,25 4 3,54 7 104,07 7 56,3 2 36<br />

PESS 6 1255 1 389 5 1,95 2 3,23 1 103,82 8 56,01 1 18


DISCUSSÃO<br />

O <strong>de</strong>smatamento observa<strong>do</strong> na região <strong>de</strong> Caucaia <strong>do</strong> Alto entre os anos <strong>de</strong> 1981 e 2000 foi<br />

equivalente, em <strong>da</strong><strong>do</strong>s brutos (basea<strong>do</strong>s apenas nas quanti<strong>da</strong><strong>de</strong>s <strong>de</strong> floresta observa<strong>da</strong>s nos<br />

anos <strong>de</strong> 1981 e 2000), a 1.543,7 ha (81,2 ha/ano), ou seja, a 42,9% <strong>da</strong> área florestal presente<br />

no ano <strong>de</strong> 1981. No esta<strong>do</strong> <strong>de</strong> São Paulo, por sua vez, a per<strong>da</strong> <strong>da</strong> Floresta Atlântica, entre os<br />

anos <strong>de</strong> 1995 e 2000, foi estima<strong>da</strong> em 50.458 ha (10.092 ha/ano), ou seja, 1,7% <strong>da</strong> área<br />

florestal observa<strong>da</strong> em 1995 (3.046.341 ha) (SOS Mata Atlântica/INPE 2002).<br />

Transforman<strong>do</strong>-se ambas as taxas anuais <strong>de</strong> <strong>de</strong>smatamento em termos percentuais, para fins<br />

comparativos, tem-se que, para o intervalo 1981-2000, na região <strong>de</strong> Caucaia <strong>do</strong> Alto, a taxa<br />

<strong>de</strong> <strong>de</strong>smatamento obti<strong>da</strong> foi equivalente a 2,9%/ano, enquanto que, para o esta<strong>do</strong> <strong>de</strong> São<br />

Paulo, a mesma taxa igualou-se a 0,3%/ano. Portanto, a região <strong>de</strong> Caucaia <strong>do</strong> Alto<br />

apresentou <strong>uma</strong> taxa estima<strong>da</strong> <strong>de</strong> <strong>de</strong>smatamento <strong>da</strong> Floresta Atlântica muito superior em<br />

relação à observa<strong>da</strong> no esta<strong>do</strong> <strong>de</strong> São Paulo, o que <strong>de</strong>monstra <strong>uma</strong> rápi<strong>da</strong> aceleração na<br />

ocupação <strong>da</strong>s áreas <strong>de</strong> floresta na região estu<strong>da</strong><strong>da</strong>. Essas taxas são maiores <strong>do</strong> que as<br />

encontra<strong>da</strong>s em regiões <strong>de</strong> expansão <strong>de</strong> fronteira agrícola, como no caso <strong>do</strong> município <strong>de</strong><br />

Ariquemes, Esta<strong>do</strong> <strong>de</strong> Rondônia, com taxas <strong>de</strong> 2,2%/ano, em pleno arco <strong>do</strong> <strong>de</strong>smatamento<br />

amazônico (Ferraz et al. 2005). O rápi<strong>do</strong> <strong>de</strong>smatamento em Caucaia se <strong>de</strong>ve, em particular,<br />

ao crescente avanço <strong>de</strong> loteamentos para construção <strong>de</strong> chácaras <strong>de</strong> fim-<strong>de</strong>-semana e <strong>de</strong><br />

con<strong>do</strong>mínios volta<strong>do</strong>s principalmente à população <strong>da</strong> ci<strong>da</strong><strong>de</strong> <strong>de</strong> São Paulo (ver capítulo 1).<br />

Com a ampliação <strong>da</strong>s vias <strong>de</strong> acesso que ligam a metrópole à Caucaia <strong>do</strong> Alto, SP (Revista<br />

em Cotia 2002), o <strong>de</strong>smatamento ten<strong>de</strong> a se intensificar ain<strong>da</strong> mais.<br />

É interessante notar que pequenas mu<strong>da</strong>nças nas matrizes <strong>de</strong> transição po<strong>de</strong>m<br />

resultar em paisagens muito distintas em termos <strong>de</strong> cobertura e configuração florestal. O<br />

cenário otimista, que equivale a <strong>uma</strong> política <strong>de</strong> “<strong>de</strong>smatamento zero”, é o único capaz <strong>de</strong><br />

aumentar a quanti<strong>da</strong><strong>de</strong> <strong>de</strong> mata e reduzir o número <strong>de</strong> manchas florestais <strong>da</strong> <strong>paisagem</strong>.<br />

Quan<strong>do</strong> compara<strong>do</strong> ao cenário real, <strong>de</strong> continui<strong>da</strong><strong>de</strong> nas tendências recentes <strong>de</strong> <strong>dinâmica</strong> <strong>de</strong><br />

<strong>paisagem</strong>, o cenário otimista permite o aumento em cerca <strong>de</strong> 50% no tamanho <strong>da</strong> maior<br />

mancha, <strong>do</strong>bra a área média <strong>da</strong>s manchas e aumenta em quase três vezes a proximi<strong>da</strong><strong>de</strong><br />

entre as manchas florestais remanescentes. Por outro la<strong>do</strong>, n<strong>uma</strong> situação adversa, on<strong>de</strong> há<br />

<strong>uma</strong> maior estabilização agrícola e menor aban<strong>do</strong>no <strong>da</strong>s terras com conseqüente


interrupção <strong>da</strong> regeneração natural (cenário pessimista), há <strong>uma</strong> níti<strong>da</strong> per<strong>da</strong> <strong>de</strong> áreas<br />

florestais (1.238 ha) e aumento no número <strong>de</strong> manchas. Em relação a <strong>uma</strong> situação <strong>de</strong><br />

continui<strong>da</strong><strong>de</strong> <strong>da</strong>s tendências atuais, o cenário pessimista reduz pela meta<strong>de</strong> o tamanho <strong>da</strong><br />

maior mancha e o tamanho média <strong>da</strong>s manchas, reduzin<strong>do</strong> a um terço a proximi<strong>da</strong><strong>de</strong> entre<br />

as manchas florestais.<br />

As implicações <strong>de</strong>sses últimos cenários em termos <strong>de</strong> conservação <strong>da</strong><br />

biodiversi<strong>da</strong><strong>de</strong> florestal po<strong>de</strong>m ser drásticas, <strong>uma</strong> vez que: i) a conservação <strong>da</strong>s maiores<br />

manchas em ca<strong>da</strong> um <strong>da</strong>s paisagens obti<strong>da</strong>s (<strong>da</strong><strong>da</strong>s pelo índice <strong>de</strong> <strong>paisagem</strong> LPI) é <strong>de</strong><br />

importância máxima à conservação <strong>de</strong> espécies <strong>de</strong> interior; ii) é preferível manter manchas<br />

extensas a manchas <strong>de</strong> tamanho reduzi<strong>do</strong>, <strong>uma</strong> vez que as mesmas são afeta<strong>da</strong>s por efeitos<br />

<strong>de</strong> bor<strong>da</strong> mais acentua<strong>do</strong>s e iii) a escolha por manchas <strong>de</strong> habitat natural agrega<strong>da</strong>s po<strong>de</strong><br />

garantir <strong>uma</strong> maior chance à manutenção <strong>da</strong> diversi<strong>da</strong><strong>de</strong> biológica <strong>do</strong> que aquelas isola<strong>da</strong>s<br />

por tipos <strong>de</strong> matrizes ti<strong>da</strong>s como impermeáveis aos fluxos biológicos (Ranta et al. 1998).<br />

Além <strong>de</strong> se aproximar mais <strong>de</strong>sstas condições espaciais ótimas, o cenário otimista é o único<br />

que permite um aumento na cobertura florestal em relação a 2000, resultan<strong>do</strong> em 37,8% <strong>de</strong><br />

matas na região. Esse valor está acima <strong>de</strong> um suposto limiar <strong>de</strong> fragmentação, proposto por<br />

Andrén (1994), abaixo <strong>do</strong> qual os efeitos <strong>da</strong> fragmentação ten<strong>de</strong>riam a se acentuar. Dessa<br />

forma, a configuração espacial no cenário otimista seria mais propícia à conservação <strong>de</strong><br />

espécies sensíveis à diminuição <strong>da</strong> área florestal, como as espécies <strong>da</strong> avifauna Trogon<br />

surrucura, ou as espécies <strong>de</strong> aves com maior sensibili<strong>da</strong><strong>de</strong> à conectivi<strong>da</strong><strong>de</strong> <strong>de</strong> manchas<br />

florestais, como Basileuterus leucoblepharus e Pyriglena leucoptera (Uezu et al. 2005). O<br />

cenário pessimista, por sua vez, gerou paisagens pouco propícias à conservação <strong>da</strong><br />

diversi<strong>da</strong><strong>de</strong> biológica florestal, tanto em termos <strong>de</strong> cobertura florestal (16,7%), bem abaixo<br />

<strong>do</strong> limiar <strong>de</strong> fragmentação, quanto em termos <strong>de</strong> disposição espacial <strong>do</strong>s fragmentos<br />

florestais remanescentes. Nessas paisagens, possivelmente, seriam encontra<strong>da</strong>s apenas<br />

alg<strong>uma</strong>s espécies menos sensíveis à fragmentação, como, no caso <strong>de</strong> aves, Batara cinerea e<br />

Chiroxiphia cau<strong>da</strong>tta (Uezu et al. 2005). A presença <strong>de</strong>ssas espécies em ambientes menos<br />

favoráveis é possível apenas pelo fato <strong>de</strong> as mesmas serem capazes <strong>de</strong> se <strong>de</strong>slocar através<br />

<strong>da</strong> matriz e <strong>de</strong> utilizá-las como fonte <strong>de</strong> recursos e como extensões <strong>de</strong> suas áreas <strong>de</strong> vi<strong>da</strong>, o<br />

que, a princípio, não <strong>de</strong>man<strong>da</strong> necessariamente altos índices <strong>de</strong> conectivi<strong>da</strong><strong>de</strong>.


Outro resulta<strong>do</strong> relevante é obti<strong>do</strong> pela comparação <strong>do</strong>s cenários reais e aleatórios.<br />

Ambos foram gera<strong>do</strong>s pela mesma matriz <strong>de</strong> transição anual (<strong>de</strong> acor<strong>do</strong> com a tendência<br />

atual), porém diferem na distribuição espacial <strong>da</strong>s transições entre os diferentes tipos <strong>de</strong> uso<br />

e cobertura <strong>da</strong>s terras, sen<strong>do</strong> aleatório em um <strong>do</strong>s casos e <strong>de</strong>pen<strong>de</strong>nte <strong>do</strong>s pesos <strong>de</strong><br />

evidência em outro. A análise <strong>do</strong>s índices <strong>da</strong> <strong>paisagem</strong> mostra claramente que a presença <strong>de</strong><br />

tendências espaciais, <strong>de</strong>fini<strong>da</strong>s pelos pesos <strong>de</strong> evidência, as quais direcionam os processos<br />

<strong>de</strong> <strong>de</strong>smatamento e regeneração, são preferíveis à preservação <strong>da</strong> diversi<strong>da</strong><strong>de</strong> biológica<br />

florestal a processos <strong>de</strong> caráter totalmente estocástico.<br />

É importante ressaltar, no entanto, que os diferentes cenários, valora<strong>do</strong>s a priori<br />

pelos índices <strong>de</strong> <strong>paisagem</strong> preestabeleci<strong>do</strong>s, po<strong>de</strong>m não refletir a real condição para a<br />

conservação <strong>da</strong>s espécies florestais. Isso ocorre porque as mesmas apresentam diferentes<br />

vulnerabili<strong>da</strong><strong>de</strong>s aos fenômenos <strong>de</strong> extinção local, sen<strong>do</strong> que essas diferenças são <strong>da</strong><strong>da</strong>s<br />

principalmente pelos próprios atributos biológicos <strong>da</strong>s espécies. Em particular, espécies <strong>de</strong><br />

gran<strong>de</strong> porte, que estão situa<strong>da</strong>s no topo <strong>da</strong> ca<strong>de</strong>ia alimentar, <strong>de</strong> maior longevi<strong>da</strong><strong>de</strong>, <strong>de</strong><br />

pequeno sucesso reprodutivo e que <strong>de</strong>pen<strong>da</strong>m diretamente <strong>de</strong> estratos arbóreos são<br />

geralmente ti<strong>da</strong>s como vulneráveis. Castro e Fernan<strong>de</strong>z (2003) observaram que <strong>uma</strong> mesma<br />

<strong>paisagem</strong> po<strong>de</strong> se apresentar fragmenta<strong>da</strong> a <strong>uma</strong> <strong>da</strong><strong>da</strong> espécie, porém, para <strong>uma</strong> outra<br />

espécie, a mesma <strong>paisagem</strong> po<strong>de</strong> ter um caráter pre<strong>do</strong>minantemente contínuo, <strong>da</strong><strong>da</strong> a<br />

habili<strong>da</strong><strong>de</strong>, inerente à espécie, em utilizar os corre<strong>do</strong>res e até mesmo a matriz para se<br />

movimentar <strong>de</strong> <strong>uma</strong> mancha florestal a outra. Uma metapopulação subdividi<strong>da</strong> em<br />

populações locais confina<strong>da</strong>s em manchas <strong>de</strong> floresta, mas que recebam periodicamente<br />

indivíduos imigrantes, po<strong>de</strong> ter sucesso em <strong>uma</strong> <strong>paisagem</strong> altamente fragmenta<strong>da</strong>, <strong>de</strong>s<strong>de</strong><br />

que a mesma possua <strong>uma</strong> matriz permeável a essa população. A<strong>de</strong>mais, além <strong>da</strong> estrutura<br />

<strong>da</strong> <strong>paisagem</strong> e <strong>da</strong>s características intrínsecas <strong>da</strong>s espécies, é necessário também consi<strong>de</strong>rar a<br />

quali<strong>da</strong><strong>de</strong> ou estrutura <strong>da</strong> vegetação presente nas diferentes manchas. Manchas <strong>de</strong> maior<br />

tamanho po<strong>de</strong>m apresentar <strong>uma</strong> baixa quali<strong>da</strong><strong>de</strong> <strong>da</strong> vegetação <strong>de</strong>vi<strong>do</strong> a características<br />

históricas <strong>de</strong> perturbação, enquanto, em outras situações, manchas <strong>de</strong> menor tamanho<br />

po<strong>de</strong>m apresentar estruturas <strong>de</strong> vegetação relativamente mais íntegras. Com isso, manchas<br />

florestais <strong>de</strong> menor porte po<strong>de</strong>m ter maior interesse à conservação <strong>do</strong> que manchas extensas<br />

(Harrison & Fahrig 1995).


Da<strong>do</strong> esse contexto, po<strong>de</strong>-se dizer que os cenários otimistas gera<strong>do</strong>s foram ti<strong>do</strong>s<br />

como os <strong>de</strong> maior viabili<strong>da</strong><strong>de</strong> à manutenção <strong>da</strong> biodiversi<strong>da</strong><strong>de</strong> florestal apenas partin<strong>do</strong>-se<br />

<strong>do</strong> princípio <strong>de</strong> que os índices <strong>de</strong> <strong>paisagem</strong> escolhi<strong>do</strong>s seriam suficientes para inferir sobre<br />

tal pressuposto, in<strong>de</strong>pen<strong>de</strong>nte <strong>da</strong> quali<strong>da</strong><strong>de</strong> <strong>da</strong> vegetação e <strong>da</strong> percepção inerente <strong>de</strong> ca<strong>da</strong><br />

espécie em relação aos cenários obti<strong>do</strong>s. Os cenários gera<strong>do</strong>s em perspectiva realista, por<br />

sua vez, são os que, após os cenários otimistas, apresentaram melhores condições<br />

estruturais e <strong>de</strong> composição à manutenção <strong>da</strong>s espécies florestais, <strong>da</strong><strong>da</strong>s tanto pela soma<br />

<strong>do</strong>s valores estabeleci<strong>do</strong>s para os índices <strong>de</strong> <strong>paisagem</strong> como pela presença <strong>da</strong> maior<br />

quanti<strong>da</strong><strong>de</strong> <strong>de</strong> vegetação inicial em relação aos cenários otimista e pessimista. Finalmente,<br />

como espera<strong>do</strong>, os cenários pessimistas e aleatórios apresentaram os piores resulta<strong>do</strong>s<br />

estruturais e certamente representam a configuração espacial menos propícia à conservação<br />

florestal na região <strong>de</strong> Caucaia <strong>do</strong> Alto. É importante ressaltar que as diferentes paisagens<br />

(réplicas), gera<strong>da</strong>s a partir <strong>de</strong> um mesmo cenário, foram agrupa<strong>da</strong>s <strong>de</strong> maneira<br />

significativamente distinta em relação à maioria <strong>do</strong>s índices <strong>de</strong> <strong>paisagem</strong>, mostran<strong>do</strong> gran<strong>de</strong><br />

coerência nos cenários propostos.<br />

Segun<strong>do</strong> simulações <strong>de</strong> diferentes cenários para o ano <strong>de</strong> 2100 feitas por Sala et al.<br />

(2000), a principal força motriz responsável pela redução <strong>da</strong> biodiversi<strong>da</strong><strong>de</strong> para os<br />

ambientes tropicais, como no caso <strong>da</strong> Floresta Atlântica, está relaciona<strong>da</strong> à mu<strong>da</strong>nça no uso<br />

e cobertura <strong>da</strong>s terras. Apesar <strong>da</strong>s limitações <strong>de</strong>ste trabalho, que está basea<strong>do</strong><br />

essencialmente em <strong>uma</strong> interpretação estrutural <strong>da</strong>s paisagens, fica claro o potencial <strong>do</strong> uso<br />

<strong>de</strong> programas <strong>de</strong> simulação espacial <strong>de</strong> <strong>paisagem</strong>, tal como o DINAMICA © , como <strong>uma</strong><br />

primeira ferramenta à compreensão <strong>do</strong>s processos históricos <strong>de</strong> evolução <strong>do</strong> uso e cobertura<br />

<strong>da</strong>s terras e avaliação <strong>da</strong>s conseqüências em termos <strong>de</strong> conservação biológica. Os<br />

resulta<strong>do</strong>s ressaltam que intervenções firmes, impedin<strong>do</strong> o <strong>de</strong>smatamento e manten<strong>do</strong> as<br />

taxas atuais <strong>de</strong> regeneração, seriam altamente benéficas em relação à conservação <strong>da</strong><br />

biodiversi<strong>da</strong><strong>de</strong>. Uma perspectiva promissora para o aperfeiçoamento <strong>da</strong>s análises feitas,<br />

subsidian<strong>do</strong> <strong>de</strong> forma mais consistente as toma<strong>da</strong>s <strong>de</strong> <strong>de</strong>cisão por gestores territoriais, seria<br />

acoplar aos mo<strong>de</strong>los <strong>de</strong> <strong>dinâmica</strong> <strong>de</strong> uso e cobertura <strong>da</strong>s terras, os mo<strong>de</strong>los <strong>de</strong> <strong>dinâmica</strong> <strong>de</strong><br />

populações em paisagens fragmenta<strong>da</strong>s, particularmente em biomas ameaça<strong>do</strong>s, como no<br />

caso <strong>da</strong> Mata Atlântica. Outro aperfeiçoamento estaria relaciona<strong>do</strong> ao uso <strong>de</strong> <strong>da</strong><strong>do</strong>s <strong>de</strong><br />

cunho social para a predição <strong>de</strong> cenários, como os já utiliza<strong>do</strong>s em previsões relativas ao<br />

<strong>de</strong>smatamento <strong>da</strong> Floresta Amazônica a partir <strong>de</strong> re<strong>de</strong>s viárias (Soares-Filho et al. 2004).


CONCLUSÃO<br />

Os diferentes cenários gera<strong>do</strong>s para a região <strong>de</strong> Caucaia <strong>do</strong> Alto, SP, mostraram que as<br />

paisagens otimistas foram aquelas que apresentaram as maiores semelhanças às paisagens<br />

ditas “i<strong>de</strong>ais” à conservação <strong>da</strong> diversi<strong>da</strong><strong>de</strong> <strong>de</strong> espécies florestais no ano <strong>de</strong> 2019, com base<br />

nos índices <strong>de</strong> <strong>paisagem</strong>. Uma política basea<strong>da</strong> no “<strong>de</strong>smatamento zero”, a qual,<br />

teoricamente, já está em vigor <strong>de</strong>s<strong>de</strong> a implantação <strong>do</strong> Decreto n° 750, <strong>de</strong> 10 <strong>de</strong> fevereiro<br />

<strong>de</strong> 1993, em conjunto com àquela que prioriza a proteção <strong>de</strong> áreas <strong>de</strong> APP, garantiria esse<br />

tipo <strong>de</strong> cenário à região, em um futuro próximo. Por sua vez, o cenário real, ti<strong>do</strong> com base<br />

nas tendências observa<strong>da</strong>s entre os anos <strong>de</strong> 1981 e 2000, seria <strong>uma</strong> segun<strong>da</strong> opção a <strong>uma</strong><br />

<strong>paisagem</strong> “conservacionista”, bastan<strong>do</strong>, para isso, que os toma<strong>do</strong>res <strong>de</strong> <strong>de</strong>cisão baseassem<br />

os planejamentos futuros no histórico <strong>de</strong> mu<strong>da</strong>nças no uso e cobertura <strong>da</strong>s terras ocorri<strong>do</strong><br />

na região. Entretanto, <strong>de</strong>ve-se ressaltar que este último cenário não é o <strong>de</strong>sejável,<br />

principalmente por ter si<strong>do</strong> mo<strong>de</strong>la<strong>do</strong> pelas eleva<strong>da</strong>s taxas <strong>de</strong> <strong>de</strong>smatamento observa<strong>da</strong>s<br />

entre 1981 e 2000. Porém, tal cenário é preferível em <strong>de</strong>trimento <strong>do</strong>s cenários aleatório,<br />

on<strong>de</strong> as transições se dão sem qualquer restrição à sua localização, e pessimista, o qual<br />

incrementa ain<strong>da</strong> mais as taxas <strong>de</strong> <strong>de</strong>smatamento e diminui as relaciona<strong>da</strong>s à regeneração.


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CONSIDERAÇÕES FINAIS<br />

Este estu<strong>do</strong>, a partir <strong>da</strong> análise <strong>da</strong>s mu<strong>da</strong>nças no uso e ocupação <strong>da</strong>s terras entre os anos <strong>de</strong><br />

1962 e 2000, na região <strong>de</strong> Caucaia <strong>do</strong> Alto, SP, mostrou que<br />

i) nesse perío<strong>do</strong>, Caucaia <strong>do</strong> Alto apresentou duas tendências distintas,<br />

<strong>de</strong>pen<strong>de</strong>n<strong>do</strong> <strong>do</strong> intervalo temporal analisa<strong>do</strong>: entre os anos <strong>de</strong> 1962 e 1981,<br />

Caucaia <strong>do</strong> Alto sofreu um intenso <strong>de</strong>smatamento <strong>de</strong> florestas para conversão a<br />

áreas agrícolas, porém, o mesmo foi em parte compensa<strong>do</strong> pela regeneração <strong>de</strong><br />

florestas a partir <strong>do</strong>s próprios campos agrícolas. Tal <strong>dinâmica</strong> po<strong>de</strong> estar<br />

relaciona<strong>da</strong> tanto a <strong>uma</strong> agricultura <strong>de</strong> pousio como à regeneração <strong>de</strong> vegetação<br />

natural frente à que<strong>da</strong> na extração <strong>de</strong> lenha e carvão. Já entre os anos <strong>de</strong> 1981 e<br />

2000, as taxas <strong>de</strong> regeneração observa<strong>da</strong>s foram bem menores, sen<strong>do</strong> que a<br />

<strong>dinâmica</strong> <strong>de</strong>sse intervalo provavelmente estaria relaciona<strong>da</strong> à expansão <strong>do</strong>s<br />

loteamentos sobre as áreas agrícolas e <strong>de</strong>stas sobre a vegetação natural. As<br />

tendências a essas transições apontaram um possível cumprimento à legislação<br />

ambiental quanto à regeneração, <strong>uma</strong> vez que esta ocorreu próximo a corpos<br />

d’água. Já os <strong>de</strong>smatamentos, por sua vez, foram localiza<strong>do</strong>s em áreas <strong>de</strong> fácil<br />

acesso/manejo pelo homem;<br />

ii) entre os diferentes cenários simula<strong>do</strong>s para a região <strong>de</strong> Caucaia <strong>do</strong> Alto, no ano<br />

<strong>de</strong> 2019, tem-se que o cenário otimista foi o que apresentou <strong>uma</strong> maior<br />

semelhança à <strong>uma</strong> <strong>paisagem</strong> “i<strong>de</strong>al” à conservação <strong>da</strong> biodiversi<strong>da</strong><strong>de</strong> florestal<br />

em <strong>de</strong>trimento <strong>do</strong>s <strong>de</strong>mais cenários, a saber, real, aleatório e pessimista.<br />

Portanto, po<strong>de</strong>-se dizer que a a. <strong>dinâmica</strong> <strong>de</strong> Caucaia <strong>do</strong> Alto esteve atrela<strong>da</strong> à<br />

mu<strong>da</strong>nças <strong>de</strong> caráter basicamente econômico, como culturas rotacionais, extração <strong>de</strong><br />

lenta e carvão vegetal e expansão <strong>do</strong>s loteamentos urbanos; b. parece existir um certo<br />

cumprimento à legislação ambiental por parte <strong>da</strong> população, <strong>uma</strong> vez que a regeneração<br />

foi historicamente localiza<strong>da</strong> próximo a corpos d’agua.;c.a a<strong>do</strong>ção <strong>de</strong> <strong>uma</strong> política <strong>de</strong><br />

“<strong>de</strong>smatamento zero” po<strong>de</strong> levar a região a apresentar <strong>uma</strong> <strong>paisagem</strong> <strong>de</strong> maior


semelhança àquela ti<strong>da</strong> como “i<strong>de</strong>al” à conservação <strong>da</strong> diversi<strong>da</strong><strong>de</strong> <strong>de</strong> espécies<br />

florestais.

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