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UNIJUI – Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio ...

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<strong>UNIJUI</strong> <strong>–</strong> <strong>Universidade</strong> <strong>Regional</strong> <strong>do</strong> <strong>Noroeste</strong> <strong>do</strong> Esta<strong>do</strong><br />

<strong>do</strong> <strong>Rio</strong> Grande <strong>do</strong> Sul<br />

DACEC <strong>–</strong> Departamento de Ciências Administrativas, Contábeis, Econômicas e da<br />

Comunicação<br />

Curso de Administração<br />

ANÁLISE DO FLUXO DAS PEÇAS ZINCADAS:<br />

A IMPORTÂNCIA DO PCP DENTRO DA ORGANIZAÇÃO<br />

ELAINE JUNG<br />

Professora Orienta<strong>do</strong>ra: Fernanda Pasqualini<br />

Panambi, 1° semestre de 2012.


Elaine Jung<br />

ANÁLISE DO FLUXO DAS PEÇAS ZINCADAS:<br />

A IMPORTÂNCIA DO PCP DENTRO DA<br />

ORGANIZAÇÃO.<br />

TCC <strong>–</strong> Trabalho de Conclusão de Curso.<br />

Professora Orienta<strong>do</strong>ra: Fernanda Pasqualini<br />

Panambi/RS, 1° semestre de 2012.<br />

Trabalho de Conclusão de Curso apresenta<strong>do</strong> a<br />

<strong>Universidade</strong> <strong>Regional</strong> <strong>do</strong> <strong>Noroeste</strong> <strong>do</strong> Esta<strong>do</strong> <strong>do</strong><br />

<strong>Rio</strong> Grande <strong>do</strong> Sul <strong>–</strong> <strong>UNIJUI</strong>, como um <strong>do</strong>s pré-<br />

requisitos para obtenção <strong>do</strong> grau de Bacharel<br />

em Administração.


AGRADECIMENTOS<br />

Primeiramente agradeço a Deus, com a ajuda Dele eu tive forças para chegar ao final<br />

dessa pequena jornada. O Cara Lá de Cima me deu toda coragem que eu precisava para ir<br />

além <strong>do</strong>s meus limites nesses anos de faculdade, e não me deixou faltar forças para ir até o<br />

final e quebrar as barreiras. Sem ele não somos nada e o que somos é simplesmente porque<br />

ele nos ama.<br />

Agradeço aos meus pais, ambos serão responsáveis por cada sucesso obti<strong>do</strong> e cada<br />

degrau avança<strong>do</strong> pelo resto da minha vida. Vocês são e sempre serão o meu maior porto<br />

seguro, meus maiores exemplos de vitória, meus heróis e simplesmente aqueles que mais<br />

amo. Obrigada por estarem sempre comigo. Obrigada simplesmente por participarem comigo<br />

durante essa caminhada, me ajudan<strong>do</strong> a construir os alicerces de um futuro que começa agora.<br />

Agradeço aos meus irmãos, que sempre confiaram em mim e me deram seu apoio. Ao<br />

meu queri<strong>do</strong> namora<strong>do</strong>, que de uma forma toda especial me deu forças e me incentivou a<br />

chegar até aqui, pelas horas de lazer que foram sacrificadas para que este sonho se tornasse<br />

realidade.<br />

Aos professores da Unijui, que a mim repassaram seus conhecimentos, fazen<strong>do</strong> que<br />

meu desenvolvimento fosse o melhor possível. Agradeço especialmente à minha professora e<br />

orienta<strong>do</strong>ra deste trabalho, Fernanda Pasqualini, obrigada pela sua disponibilidade, confiança<br />

e dedicação de seu tempo para que este trabalho chegasse a este nível.<br />

A empresa BruningTecnometal e aos meus colegas de trabalho, com quem passo a<br />

maior parte <strong>do</strong> dia. Dedico este trabalho a to<strong>do</strong>s os que tive e tenho o privilégio de trabalhar e<br />

que de alguma forma ou outra contribuíram com suas experiências.<br />

Agradeço aos colegas de faculdade, pelas risadas, horas de estu<strong>do</strong>, trabalhos em grupo.<br />

Enfim, agradeço a to<strong>do</strong>s que de uma forma ou outra contribuíram para o sucesso deste<br />

trabalho. Obrigada por tu<strong>do</strong>!


RESUMO<br />

Com a globalização, o ambiente no qual as empresas estão inseridas modifica-se<br />

continuamente. A competitividade acirrada exige das empresas decisões baseadas em fatos e<br />

da<strong>do</strong>s, não permitin<strong>do</strong> decisões concebidas de forma improvisada. Dessa forma, torna-se<br />

imprescindível a disponibilidade de um sistema de Planejamento e Controle da Produção<br />

(PCP) eficaz, que permita à empresa gerenciar a demanda, os materiais, a capacidade<br />

produtiva e a produção. Em função disso, este estu<strong>do</strong> foi realiza<strong>do</strong> na BruningTecnometal, de<br />

Panambi-RS, com o objetivo de analisar a importância <strong>do</strong> PCP dentro <strong>do</strong> fluxo das peças<br />

zincadas, e sugerir melhorias na operação da empresa BruningTecnometal. O trabalho<br />

classifica-se quanto aos fins como uma pesquisa exploratória e descritiva e quanto aos meios,<br />

em pesquisa bibliográfica e estu<strong>do</strong> de caso. A organização foi caracterizada, por meio de uma<br />

entrevista com quatro supervisores, e observações estruturadas de mo<strong>do</strong> a se obter um<br />

conhecimento detalha<strong>do</strong> da operação da mesma. Então foi realizada a análise <strong>do</strong> fluxo das<br />

peças zincadas,para tanto foram utilizadas bibliografias dentro da administração voltadas para<br />

o assunto. Após a análise, o resulta<strong>do</strong> encontra<strong>do</strong> mostra que os atrasos no processo produtivo<br />

ocorrem, mas em números bem menores <strong>do</strong> que há <strong>do</strong>is anos antes. Percebe-se que várias<br />

ações já foram tomadas, mas que ainda existem possibilidades de melhoria. Pode-se dizer que<br />

o estu<strong>do</strong> contribuiu de forma significativa para a acadêmica, pois possibilitou o confronto<br />

entre teoria estudada e a prática dentro da organização.<br />

Palavras chave: Administração da Produção e de Operações, Planejamento e Controle da<br />

Produção (PCP), Fluxo de produção.


LISTA DE ILUSTRAÇÕES<br />

Figura 1 - Modelo de Transformação 16<br />

Figura 2 - Atividades de planejamento e controle 22<br />

Figura 3 - Imagem da empresa 28<br />

Figura 4 - Organograma da Empresa 31<br />

Figura 5 - Processo setor comercial 34<br />

Figura 6 - Processo PCP 38<br />

Figura 7 - Processo de zincagem 41<br />

Figura 8 - Cadastro das peças 44<br />

Figura 9 - Estoque de bobinas 45<br />

Figura 10 - Controle NF envio e NF retorno 47<br />

Figura 11 - Sistema de prioridades 48<br />

Figura 12 - Armazenamento vertical - lean lift 50<br />

Figura 13 - Gráfico fretes especiais 51


SUMÁRIO<br />

INTRODUÇÃO 9<br />

1 CONTEXTUALIZAÇÃO DO ESTUDO 11<br />

1.1 Apresentação <strong>do</strong> Tema 11<br />

1.2 Questão de Estu<strong>do</strong> 12<br />

1.3 Objetivos 12<br />

1.3.1 Objetivo Geral 12<br />

1.3.2 Objetivos específicos 13<br />

1.4 Justificativa 13<br />

2 REFERENCIAL TEÓRICO 14<br />

2.1 Administração da Produção e de Operações 14<br />

2.2 Função Produção 16<br />

2.3 Planejamento e Controle da Produção 17<br />

2.3.1 A importância da demanda 19<br />

2.3.2 A importância <strong>do</strong> suprimentos 20<br />

2.3.3 Atividades de PCP 21<br />

3 METODOLOGIA 25<br />

3.1 Classificação da Pesquisa 25<br />

3.2 Universo amostral 26<br />

3.3 Coleta de da<strong>do</strong>s 26<br />

3.4 Análise e interpretação <strong>do</strong>s da<strong>do</strong>s 27<br />

4 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS 28<br />

4.1 Caracterização da Organização 28<br />

4.1.1 Estrutura Organizacional 30<br />

4.1.2 Missão 32<br />

4.1.3 Visão 32<br />

4.1.4 Valores 32


4.2 O processo produtivo da empresa Bruning Tecnometal 33<br />

4.2.1 Processo Comercial 33<br />

4.2.2 Processo de Engenharia 36<br />

4.2.3 Planejamento e Controle da Produção 37<br />

4.2.4 Produção 40<br />

4.2.5 Logistica 42<br />

4.3 Análise das causas que geram o atraso 43<br />

4.4 Melhorias propostas 51<br />

CONCLUSÃO 54<br />

BIBLIOGRAFIA 56<br />

APENDICE A 57<br />

8


INTRODUÇÃO<br />

Atualmente, com a velocidade com que o merca<strong>do</strong> se transforma e novas<br />

oportunidades e desafios se apresentam, as empresas devem estar preparadas para se<br />

moldarem às necessidades que surgem, adaptan<strong>do</strong>-se com rapidez e flexibilidade para assim<br />

garantir a sobrevivência e o crescimento em seu merca<strong>do</strong> de atuação.<br />

Nesse senti<strong>do</strong>, as organizações têm busca<strong>do</strong> implantar novas estratégias de produção<br />

cada vez mais modernas e eficazes, a fim de permitir à empresa um gerenciamento da sua<br />

demanda, <strong>do</strong>s materiais utiliza<strong>do</strong>s, da capacidade produtiva e <strong>do</strong> tempo de produção. Isso<br />

porque o gerenciamento da produção apresenta grande importância nos resulta<strong>do</strong>s<br />

empresariais, fazen<strong>do</strong> parte das novas estratégias que as organizações devem a<strong>do</strong>tar: redução<br />

<strong>do</strong> tempo de produção, eliminação <strong>do</strong>s problemas no decorrer <strong>do</strong>s processos e eliminação de<br />

perdas são alguns <strong>do</strong>s principais objetivos relaciona<strong>do</strong>s à otimização da produção.<br />

“O cliente em primeiro lugar.” Essa frase exprime uma postura indispensável para que<br />

qualquer organização alcance o êxito. O objetivo comum à todas as empresas é de fornecer<br />

soluções para as necessidades de seus clientes, e seu sucesso resultará de fazê-lo de mo<strong>do</strong> a<br />

satisfazer o cliente.<br />

A empresa BruningTecnometal, localizada na cidade de Panambi <strong>–</strong>RS está inserida<br />

nesse contexto, buscan<strong>do</strong> sempre a satisfação <strong>do</strong>s clientes. A Bruning é uma empresa que não<br />

possui produtos próprios, uma vez que seu produto é a tecnologia de processos. A empresa<br />

procura desenvolver processos de forma que possa oferecer ao cliente a melhor solução, com<br />

tecnologia e qualidade. Dentro <strong>do</strong>s processos ofereci<strong>do</strong>s pela Bruning aos seus clientes,<br />

encontra-se o tratamento superficial de peças. Percebe-se em alguns momentos atraso na<br />

entrega das peças que necessitam de tratamento superficial em presta<strong>do</strong>res terceiriza<strong>do</strong>s.<br />

Pensan<strong>do</strong> nisso, o presente estu<strong>do</strong> busca a análise <strong>do</strong> fluxo das peças para verificar a eficácia<br />

<strong>do</strong> sistema como um to<strong>do</strong>, desde a implantação <strong>do</strong> pedi<strong>do</strong> <strong>do</strong> cliente, passan<strong>do</strong> por todas as<br />

etapas necessárias dentro da empresa e envio das peças aos presta<strong>do</strong>res, buscan<strong>do</strong> identificar<br />

possíveis gargalos que possam ocasionar atraso na entrega ao cliente final.<br />

Quan<strong>do</strong> se fala em tratamento superficial estamos falan<strong>do</strong> de zincagem. A zincagem é<br />

um <strong>do</strong>s processos mais eficientes e econômicos emprega<strong>do</strong>s para proteger o aço da corrosão<br />

9


atmosférica. O revestimento de zinco atua como uma barreira isolante, protegen<strong>do</strong> o aço <strong>do</strong><br />

ambiente corrosivo. Este processo garante ao aço uma grande durabilidade contra a corrosão,<br />

mesmo nas condições mais severas, como a atmosfera marinha. Para identificar e analisar as<br />

causas <strong>do</strong> atraso a acadêmica se dispôs a conhecer e descrever as etapas <strong>do</strong> processo<br />

administrativo e de manufatura da empresa, <strong>do</strong> recebimento <strong>do</strong> pedi<strong>do</strong> <strong>do</strong> cliente até o último<br />

processo dentro da empresa. Acabar com os atrasos proporcionará uma relação de confiança<br />

entre a Bruning e seus presta<strong>do</strong>res e a satisfação <strong>do</strong> cliente a partir <strong>do</strong> cumprimento <strong>do</strong> prazo<br />

de entrega negocia<strong>do</strong>. Além é claro, de diminuir os custos extras de transporte, horas extras na<br />

Bruning e nos presta<strong>do</strong>res de serviço.<br />

Este estu<strong>do</strong> é subdividi<strong>do</strong> em cinco capítulos. Onde o primeiro capítulo apresenta a<br />

contextualização <strong>do</strong> estu<strong>do</strong>, onde é apresenta<strong>do</strong> o tema de estu<strong>do</strong>, a questão de estu<strong>do</strong>, a<br />

definição <strong>do</strong>s objetivos geral e específicos e ainda a justificativa <strong>do</strong> trabalho. O segun<strong>do</strong><br />

capítulo apresenta o referencial teórico, abordan<strong>do</strong> os principais conceitos e conteú<strong>do</strong>s<br />

relaciona<strong>do</strong>s ao tema. Trazen<strong>do</strong> para o estu<strong>do</strong> a base teórica necessária para a realização <strong>do</strong><br />

trabalho, bem como elementos para a interpretação <strong>do</strong>s resulta<strong>do</strong>s obti<strong>do</strong>s. O terceiro capítulo<br />

apresenta os procedimentos meto<strong>do</strong>lógicos. O quarto capítulo apresenta os da<strong>do</strong>s da empresa<br />

BruningTecnometal, seu processo produtivo, as causas que geram os atrasos, e apresenta as<br />

melhorias propostas.<br />

10


1 CONTEXTUALIZAÇÃO DO ESTUDO<br />

Este capítulo trata da apresentação e formulação da questão de estu<strong>do</strong>, <strong>do</strong>s objetivos<br />

geral e específicos e da justificativa da realização deste trabalho.<br />

1.1 Apresentação <strong>do</strong> Tema<br />

No contexto atual as organizações estão cada vez mais sen<strong>do</strong> pressionadas pelo<br />

merca<strong>do</strong> a melhorar seu desempenho, produzin<strong>do</strong> mais e melhor, com um custo menor. A<br />

concorrência faz com que hoje o foco seja volta<strong>do</strong> para redução de custos e melhoria da<br />

eficiência operacional, buscan<strong>do</strong> sempre atender e superar as expectativas <strong>do</strong>s clientes.<br />

A competitividade acirrada exige das empresas decisões baseadas em fatos e da<strong>do</strong>s,<br />

não permitin<strong>do</strong> decisões concebidas de forma improvisada. Dessa forma, torna-se<br />

imprescindível a disponibilidade de um sistema de Planejamento e Controle da Produção<br />

(PCP) eficaz, que permita à empresa gerenciar a demanda, os materiais, a capacidade<br />

produtiva e a produção.<br />

Na empresa BruningTecnometal S.A a área de PCP exerce papel fundamental na<br />

produção, pois é ele quem determina o que será prioridade na fábrica. É o PCP quem faz o<br />

planejamento e acompanhamento da produção, contatan<strong>do</strong> o cliente no caso de algum prazo<br />

acorda<strong>do</strong> não ser cumpri<strong>do</strong>. O PCP mantém contato direto com a área comercial, compras,<br />

controle de estoque e logística da empresa.<br />

Diante dessa realidade, o presente estu<strong>do</strong> busca a análise <strong>do</strong> fluxo das peças<br />

produzidas na empresa BruningTecnometal S.A e que necessitam de tratamento superficial<br />

em presta<strong>do</strong>res de serviço, a fim de verificar a eficácia <strong>do</strong> sistema como um to<strong>do</strong>, desde a<br />

implantação <strong>do</strong> pedi<strong>do</strong> <strong>do</strong> cliente, passan<strong>do</strong> por todas as etapas necessárias dentro da empresa<br />

e envio das peças aos presta<strong>do</strong>res. Quan<strong>do</strong> se fala em tratamento superficial está se falan<strong>do</strong> de<br />

zincagem. A zincagem é um <strong>do</strong>s processos mais eficientes e econômicos emprega<strong>do</strong>s para<br />

proteger o aço da corrosão atmosférica. O revestimento de zinco atua como uma barreira<br />

11


isolante, protegen<strong>do</strong> o aço <strong>do</strong> ambiente corrosivo. Este processo garante ao aço uma grande<br />

durabilidade contra a corrosão, mesmo nas condições mais severas, como a atmosfera<br />

marinha.<br />

O tema foi escolhi<strong>do</strong>, pois a acadêmica está inserida no contexto e percebe que<br />

ocorrem alguns atrasos na produção das peças que são destinadas a presta<strong>do</strong>res de serviço.<br />

Esse atraso acaba geran<strong>do</strong> custos extras com transporte especial para o envio e retorno das<br />

peças e custos de horas extras nos presta<strong>do</strong>res de serviço. Em conseqüência <strong>do</strong>s atrasos<br />

internos da organização, o presta<strong>do</strong>r de serviço acaba sen<strong>do</strong> prejudica<strong>do</strong>, pois o seu lead time<br />

não é respeita<strong>do</strong>.<br />

1.2 Questão de Estu<strong>do</strong><br />

Com base na delimitação <strong>do</strong> tema, a questão de estu<strong>do</strong> a ser apresentada é:<br />

Quais as causas que estão ocasionan<strong>do</strong> atraso na produção e consequentemente<br />

atraso no envio das peças zincadas para os presta<strong>do</strong>res de serviço terceiriza<strong>do</strong>s?<br />

1.3 Objetivos<br />

Objetivo é o resulta<strong>do</strong> que se busca alcançar com um determina<strong>do</strong> estu<strong>do</strong>. Os<br />

objetivos podem ser dividi<strong>do</strong>s em objetivos gerais e objetivos específicos.<br />

1.3.1 Objetivo Geral<br />

Identificar e analisar as causas que geram atraso na produção e consequentemente<br />

atraso no envio das peças zincadas aos presta<strong>do</strong>res terceiriza<strong>do</strong>s, e propor alternativas de<br />

melhoria no processo produtivo a fim de eliminar este problema.<br />

12


1.3.2 Objetivos específicos<br />

Os objetivos específicos priorizaram:<br />

a) Identificar o fluxo das peças que necessitam de tratamento superficial em presta<strong>do</strong>res<br />

de serviços terceiriza<strong>do</strong>s;<br />

b) Analisar as causas que geram os atrasos na produção;<br />

c) Propor alternativas de melhorias para o cumprimento <strong>do</strong>s prazos de entrega.<br />

1.4 Justificativa<br />

Em um sistema de manufatura, toda vez que são formula<strong>do</strong>s objetivos, é necessário<br />

formular planos de como atingi-los, organizar recursos humanos e físicos necessários para a<br />

ação, dirigir a ação <strong>do</strong>s recursos humanos sobre os recursos físicos e controlar esta ação para a<br />

correção de eventuais desvios.<br />

Dentro desse contexto, a importância deste trabalho se dá pelo fato de a empresa estar<br />

registran<strong>do</strong> atrasos frequentes no envio das peças zincadas aos terceiriza<strong>do</strong>s. A realização <strong>do</strong><br />

estu<strong>do</strong> será importante para a empresa, pois poderá receber sugestões de melhoria no fluxo<br />

das peças. A organização foi escolhida pois é onde a acadêmica desenvolve suas atividades<br />

profissionais. Poden<strong>do</strong>, dessa forma, identificar e analisar aspectos importantes que auxiliem<br />

o alcance <strong>do</strong>s objetivos.<br />

Para a acadêmica o trabalho será de extrema importância, pois a mesma tem ligação<br />

direta com o processo. E, dessa forma, vai facilitar suas atividades no dia a dia. Além disso, a<br />

realização <strong>do</strong> trabalho permitirá que a acadêmica busque subsídios teóricos para responder<br />

aos objetivos propostos.<br />

Para o ambiente acadêmico o trabalho justifica-se pela importância de proporcionar<br />

uma vivencia das práticas administrativas em uma empresa, relacionan<strong>do</strong> a teoria com a<br />

prática, proporcionan<strong>do</strong> assim um maior conhecimento e aumentan<strong>do</strong> sua experiência como<br />

estudante e profissional.<br />

13


2 REFERENCIAL TEÓRICO<br />

O referencial teórico tem por objetivo, criar a capacidade de diagnosticar, perceber e<br />

analisar a realidade <strong>do</strong> estu<strong>do</strong> dentro <strong>do</strong> ambiente organizacional.<br />

Desta maneira, serão aborda<strong>do</strong>s neste capítulo alguns aspectos relaciona<strong>do</strong>s a área de<br />

produção, para permitir que os objetivos inicialmente traça<strong>do</strong>s sejam alcança<strong>do</strong>s.<br />

2.1 Administração da Produção e de Operações<br />

A Administração da Produção e de Operações (APO) é o campo de estu<strong>do</strong> <strong>do</strong>s<br />

conceitos e técnicas aplicáveis à tomada de decisões na função de Produção (empresas<br />

industriais) ou Operações (empresas de serviços). Os conceitos e técnicas que se constituem<br />

no objeto da Administração da Produção e de Operações dizem respeito às funções<br />

administrativas clássicas (planejamento, organização, direção e controle) especificamente<br />

aplicadas às atividades envolvidas com a produção física de um produto ou à prestação de um<br />

serviço. Os conceitos e técnicas aplicam-se à tomada de decisão quanto aos recursos<br />

produtivos ou, mais diretamente, às formas de utilizá-los, <strong>do</strong> ponto de vista administrativo, de<br />

forma a conseguir melhores resulta<strong>do</strong>s.<br />

“A Administração da Produção e Operações é o campo de estu<strong>do</strong> <strong>do</strong>s conceitos e<br />

técnicas aplicáveis à tomada de decisões na função de Produção (empresas<br />

industriais) ou Operações (empresas de serviços)” (MOREIRA, 2008)<br />

“... a gestão de operações ocupa-se da atividade de gerenciamento estratégico <strong>do</strong>s<br />

recursos escassos (humanos, tecnológicos, informacionais e outros), de uma<br />

interação e <strong>do</strong>s processos que produzem e entregam bens e serviços.” (CORRÊA,<br />

2011)<br />

A Administração da Produção e Operações preocupa-se com o planejamento, a<br />

organização, a direção e o controle das operações produtivas, de forma a se harmonizarem<br />

com os objetivos da empresa. (MOREIRA, 2008)<br />

14


* O planejamento dá as bases para satisfazer objetivos estabeleci<strong>do</strong>s, bem como<br />

estipula o momento em que essas ações devem ocorrer.<br />

* Organização é o processo de juntar (combinar) os recursos produtivos: pessoal<br />

(mão-de-obra), matérias-primas, equipamentos e capital. Os recursos são essenciais à<br />

realização das atividades planejadas, mas devem ser organiza<strong>do</strong>s coerentemente para um<br />

melhor aproveitamento.<br />

* Direção é o processo de transformar planos que estão no papel em atividades<br />

concretas, designan<strong>do</strong> tarefas e responsabilidades específicas aos emprega<strong>do</strong>s, motivan<strong>do</strong>-os e<br />

coordenan<strong>do</strong> seus esforços.<br />

* O controle envolve a avaliação <strong>do</strong> desempenho <strong>do</strong>s emprega<strong>do</strong>s, de setores<br />

específicos da empresa e dela própria como um bloco, e a conseqüente aplicação de medidas<br />

corretivas se necessário. (MOREIRA, 2008)<br />

Ainda, a APO é a parte da administração que comanda o processo produtivo, pela<br />

utilização de meios de produção e <strong>do</strong>s processos administrativos, buscan<strong>do</strong> elevação da<br />

produtividade. Tem como objetivo: infra-estrutura, produto final, clientes satisfeitos e<br />

resulta<strong>do</strong>s financeiros. A produção objetiva operar máquinas e lidar com materiais, através da<br />

utilização de mão-de-obra apropriada, originan<strong>do</strong> um produto (fabricação de um bem<br />

tangível). As operações são atividades desenvolvidas em empresas de serviços. Prestação de<br />

serviços implica em uma ação, embora meios físicos possam estar presentes para facilitar ou<br />

justificar o serviço.<br />

Segun<strong>do</strong> Corrêa (2011), toda organização, quer vise ela a lucro quer não, tem dentro<br />

de si uma função de operações, pois gera algum “pacote de valor” para seus clientes, que<br />

inclui algum composto de produtos e serviços, mesmo que, dentro da organização, a função<br />

de operações não tenha esse nome.<br />

15


2.2 Função Produção<br />

A produção é a função organizacional que tem como atribuição transformar as<br />

matérias-primas em utilidades necessárias aos consumi<strong>do</strong>res e clientes. A produção existe em<br />

todas as organizações, inclusive nas presta<strong>do</strong>ras de serviço, onde os elementos de entrada são<br />

transforma<strong>do</strong>s em serviços que facilitam seu consumo.<br />

O processo da produção consiste em três estágios, a entrada, onde se encontram a<br />

tecnologia da organização, a força de trabalho, capital e as necessidades <strong>do</strong> merca<strong>do</strong>; o<br />

processo de transformação propriamente dito, que pode ser dividi<strong>do</strong> em três subsistemas:<br />

planejamento e controle da produção e as engenharias <strong>do</strong> produto e <strong>do</strong> processo. E por fim, o<br />

terceiro estágio <strong>do</strong> processo de produção que é a saída, onde o principal aspecto é o produto<br />

acaba<strong>do</strong> e/ou serviço, porém onde se encontram também as sucatas, novas tecnologias e<br />

energias degradadas. Para a melhoria contínua deste processo, é indispensável o<br />

monitoramento desta saída, que subsidia o processo para a realização de ajustes tanto <strong>do</strong><br />

processo como das entradas <strong>do</strong> processo (KWASNICKA, 1995).<br />

Segun<strong>do</strong> Slack et al (2002) to<strong>do</strong>s os processos são sistemas de entrada <strong>–</strong><br />

transformação <strong>–</strong> saída, que usam os chama<strong>do</strong>s recursos de transformação (pessoas e<br />

instalações), para trabalhar nos recursos transforma<strong>do</strong>s (materiais, informações ou clientes)<br />

afim de produzir produtos e serviços.<br />

Figura 1 - Modelo de Transformação<br />

Fonte: http://admnorte.blogspot.com.br/2010/12/1-administrar-producao-deve-ser.html<br />

16


Segun<strong>do</strong> Moreira (2008), sistema de produção é o conjunto de atividades e operações<br />

inter-relacionadas envolvidas na produção de bens ou serviços. O sistema de produção não<br />

funciona no vazio. Ele sofre influências, de dentro e de fora da empresa, que podem afetar seu<br />

desempenho.<br />

Para que a produção obtenha resulta<strong>do</strong>s positivos, um conjunto de operações e<br />

esforços tem de ser aplica<strong>do</strong>s na produção a fim de garantir que as entradas sejam<br />

transformadas em saídas com a máxima eficácia e agregação de valor. A esse conjunto de<br />

operações dá-se o nome de sistemas de produção.<br />

Os sistemas produtivos ao longo <strong>do</strong>s anos vêm apresentan<strong>do</strong>-se de maneiras diferentes<br />

<strong>–</strong> evolutivas, desafia<strong>do</strong>s pelas exigências <strong>do</strong> merca<strong>do</strong> e em busca de solução para problemas<br />

relativos à produção, porém esta é uma constante, soluciona<strong>do</strong> um problema, surgem outros e<br />

assim consequentemente. Esta evolução histórica pode ser apresentada em cinco tipos de<br />

sistema de produção de bens: oficina ou indústria artesanal, produção em lotes, produção em<br />

massa, baixa automação e produção flexível e alto nível de automação. (KWASNICKA,<br />

1995).<br />

A administração da produção também enfrenta atualmente outros desafios, tais como a<br />

escassez de certos recursos naturais, poden<strong>do</strong> ser matéria-prima, água, luz, etc., inflação,<br />

responsabilidade ambiental, e, sobretu<strong>do</strong>, concorrências cada vez mais acirradas entre<br />

empresas nacionais e internacionais. Assim, a eficiência e a eficácia <strong>do</strong>s processos produtivos<br />

são fundamentais para a manutenção de toda e qualquer organização (KWASNICKA, 1995).<br />

2.3 Planejamento e Controle da Produção<br />

Em um sistema de manufatura, toda vez que são formula<strong>do</strong>s objetivos, é necessário<br />

formular planos de como atingi-lo, organizar recursos humanos e físicos necessários para a<br />

ação, dirigir a ação <strong>do</strong>s recursos humanos sobre os recursos físicos e controlar esta ação para a<br />

correção de eventuais desvios. No âmbito da administração da produção, este processo é<br />

realiza<strong>do</strong> pela função de Planejamento e Controle da Produção (PCP).<br />

17


Lacombe e Heilborn (2003, p. 162) referem-se ao planejamento e controle da<br />

produção como sen<strong>do</strong> a engenharia da produção:<br />

A engenharia da produção responde à pergunta: quan<strong>do</strong> fazer? Cabe à engenharia<br />

de produção estabelecer o programa de produção e controlar sua execução. Para<br />

isso, ela tem que incumbir <strong>do</strong> controle de estoques (matérias-primas, material em<br />

processamento e produtos acaba<strong>do</strong>s), bem como administrar a armazenagem e<br />

transporte desses materiais. Cabe também à engenharia da produção, no caso de<br />

produção em lotes, determinar o lote econômico em função das vendas, <strong>do</strong>s custos<br />

financeiros <strong>do</strong>s estoques e <strong>do</strong> custo <strong>do</strong> set-up da fabricação [...]. Inclui ainda a<br />

expedição de produtos acaba<strong>do</strong>s, conforme os pedi<strong>do</strong>s recebi<strong>do</strong>s.<br />

Segun<strong>do</strong> Russomano (2000), PCP é aquele setor responsável pela coordenação <strong>do</strong>s<br />

vários departamentos da fábrica, com vistas ao bom atendimento das solicitações de vendas<br />

que lhe são encaminhadas, caben<strong>do</strong>-lhe providenciar que as mesmas sejam atendidas no prazo<br />

e quantidade exigi<strong>do</strong>s. E Tubino (2000) diz que o PCP é responsável pela coordenação e<br />

aplicação <strong>do</strong>s recursos produtivos de forma a atender da melhor maneira possível os planos<br />

estabeleci<strong>do</strong>s em níveis estratégico, tático e operacional.<br />

Para o bom funcionamento da empresa, o PCP precisa conhecer as necessidades <strong>do</strong><br />

departamento de vendas e fazer com que to<strong>do</strong>s os outros departamentos trabalhem para atingir<br />

os objetivos determina<strong>do</strong>s pela área de vendas. Alguns pré-requisitos são indispensáveis ao<br />

PCP: conhecer detalhadamente o roteiro da produção, conhecer a capacidade da produção,<br />

conhecer a disponibilidade financeira negociada pela área de vendas. O contato direto com a<br />

área de compras é fundamental, para que não ocorra a falta de matéria prima.<br />

Segun<strong>do</strong> Russomano (2000), as principais atividades <strong>do</strong> PCP são:<br />

Definição das quantidades a produzir;<br />

Gestão de estoques;<br />

Emissão de ordens de produção;<br />

Programação das ordens de fabricação;<br />

Movimentação das ordens de fabricação;<br />

Acompanhamento da produção.<br />

18


Tubino (2000) diz ainda que: como desempenha uma função de coordenação de apoio<br />

ao sistema produtivo, o PCP de forma direta ou indireta, relaciona-se praticamente com todas<br />

as funções deste sistema.<br />

2.3.1 A importância da demanda<br />

A previsão da demanda é a base para o planejamento estratégico da produção, vendas<br />

e finanças de qualquer empresa. A previsão permite que os administra<strong>do</strong>res antevejam o<br />

futuro e planejem adequadamente suas ações. A previsão da demanda é fundamental para<br />

to<strong>do</strong>s os elos da corrente estarem liga<strong>do</strong>s. O PCP precisa saber da previsão para alimentar as<br />

informações para o departamento de compras, para o financeiro e para planejar a produção<br />

como um to<strong>do</strong>.<br />

Alguns <strong>do</strong>s principais processos da previsão da demanda podem ser considera<strong>do</strong>s:<br />

previsão de vendas, previsão de cadastramento de pedi<strong>do</strong>s, promessa de data de entrega,<br />

definição e avaliação <strong>do</strong> nível de serviço ao cliente, planejamento de necessidades. O PCP se<br />

baseia na previsão da demanda em <strong>do</strong>is momentos: para planejar o sistema produtivo a longo<br />

prazo e para planejar o uso deste sistema a curto prazo.<br />

A responsabilidade pela preparação da previsão da demanda geralmente é <strong>do</strong> setor de<br />

marketing ou vendas, porém é fundamental que o PCP entenda como esta atividade é<br />

realizada, pois ela é a principal informação empregada na elaboração de suas atividades.<br />

Para Correa (2011, p. 486)... “para que o gestor de operação tome uma boa decisão, é<br />

necessário que ele tenha uma visão, a mais clara possível, de futuro, para que a decisão<br />

tomada hoje seja adequada, não ao presente, mas ao momento no futuro em que a decisão de<br />

fato tomar efeito”.<br />

Para analisar as demandas de uma organização, são considera<strong>do</strong>s <strong>do</strong>is tipos de<br />

demanda: dependente e independente. Produtos finais geralmente são itens de demanda<br />

independente, uma vez que sua demanda depende somente de aspectos de merca<strong>do</strong>, e não de<br />

outros itens. Já a demanda por um componente de um produto final depende diretamente da<br />

demanda <strong>do</strong> produto final, ou seja, são itens de demanda dependente.<br />

19


Segun<strong>do</strong> Slack et al (2002) demanda dependente é a demanda que é relativamente<br />

previsível devi<strong>do</strong> a sua dependência de alguns fatores conheci<strong>do</strong>s. O planejamento e controle<br />

da demanda dependente concentra-se nas consequências da demanda dentro da operação.<br />

Slack et al (2002) diz também que algumas operações não têm outra escolha que não<br />

tomar decisões sobre como suprirão a demanda sem ter qualquer visibilidade firme antecipada<br />

<strong>do</strong>s pedi<strong>do</strong>s <strong>do</strong>s consumi<strong>do</strong>res, sen<strong>do</strong> assim, a demanda independente.<br />

2.3.2 A importância <strong>do</strong> suprimentos<br />

PCP e Suprimentos precisam necessariamente trabalhar de mãos dadas. Se não<br />

estiverem em sintonia certamente o cliente será impacta<strong>do</strong>. A área de suprimentos precisa<br />

comprar a matéria prima dan<strong>do</strong> o tempo necessário para a produção trabalhar, no tempo e na<br />

quantidade que atenda o cliente. Para as empresas permanecerem competitivas, é preciso<br />

manter o foco constante na eficiência da cadeia de suprimentos, monitoran<strong>do</strong> estoques de<br />

mo<strong>do</strong> a manter níveis apropria<strong>do</strong>s.<br />

A decisão de manter ou não estoque dentro da organização vai depender de vários<br />

fatores, como por exemplo: disponibilidade de matéria prima no merca<strong>do</strong>, disponibilidade de<br />

mão de obra, capacidade de armazenamento da empresa e fluxo de caixa da organização. O<br />

processo de compras deve considerar também os aspectos de redução de custos, fazen<strong>do</strong><br />

planejamento de compras programadas, boa negociação de preços e prazos de entregas.<br />

“Entende-se por estoque quaisquer quantidades de bens físicos que sejam conserva<strong>do</strong>s,<br />

de forma improdutiva, por algum intervalo de tempo; constituem estoque tanto os produtos<br />

acaba<strong>do</strong>s que aguardam venda ou despacho, como matérias-primas e componentes que<br />

aguardam utilização na produção”. (MOREIRA, 2008, p. 447).<br />

Para Russomano (2000), estoque é qualquer quantidade de material que seja<br />

armazenada, para uso futuro, por algum intervalo de tempo. A gestão de estoques deve<br />

controlar o estoque no almoxarifa<strong>do</strong> e o sal<strong>do</strong> <strong>do</strong>s pedi<strong>do</strong>s não entregues, buscan<strong>do</strong> sempre<br />

encontrar o ponto de equilíbrio entre esses <strong>do</strong>is pontos. E para Corrêa (2011), estoques são<br />

considera<strong>do</strong>s acúmulos de recursos materiais entre fases específicas de processos de<br />

20


transformação. Os estoques estão, em geral, no topo das preocupações <strong>do</strong>s gestores de<br />

operações e <strong>do</strong>s gestores financeiros.<br />

“Algumas vezes, a palavra estoque é também utilizada para descrever recursos em<br />

transformação, mas o termo controle de estoque é quase sempre utiliza<strong>do</strong> em relação a<br />

recursos transforma<strong>do</strong>s”. (SLACK et al, 2002, p. 381)<br />

O ideal para qualquer organização seria a inexistência de estoques, na medida em que<br />

fosse possível atender ao cliente no momento em que ocorressem as demandas. Entretanto, na<br />

prática, isso não acontece, tornan<strong>do</strong>-se imprescindível a existência de um nível de estoques<br />

que sirva de regula<strong>do</strong>r entre o merca<strong>do</strong> supri<strong>do</strong>r e consumi<strong>do</strong>r, afim de que este último possa<br />

ser plena e sistematicamente atendi<strong>do</strong>.<br />

Para Moreira (2008) os principais objetivos <strong>do</strong>s estoques são: Cobrir mudanças<br />

previstas no suprimento e na demanda; proteger contra incertezas; permitir produção ou<br />

compra econômica. Do ponto de vista financeiro, vale lembrar que estoque é investimento e<br />

conta como parte <strong>do</strong> capital. A princípio, esses custos podem parecer indiretos, difusos e até<br />

mesmo irrelevantes, mas a redução desses custos ao manter estoques pode ser crucial na luta<br />

para competir por merca<strong>do</strong>s mundiais.<br />

2.3.3 Atividades de PCP<br />

Dentro de um processo produtivo, a área de PCP precisa estar ligada em todas as<br />

demais áreas da empresa, identifican<strong>do</strong> os gargalos existentes a fim de eliminá-los. O PCP é o<br />

responsável por fazer a ligação dentro da empresa, to<strong>do</strong>s devem olhar numa mesma direção,<br />

buscan<strong>do</strong> sempre a satisfação <strong>do</strong> cliente. Slack et al (2002, p. 322) diz que “o planejamento e<br />

controle requerem a conciliação <strong>do</strong> suprimento e da demanda em termos de volume, tempo e<br />

qualidade.” Para que essa conciliação aconteça de forma correta, quatro atividades devem ser<br />

desempenhadas pelo PCP: carregamento, sequenciamento, programação e controle, conforme<br />

mostra a figura:<br />

21


• Quan<strong>do</strong> fazer?<br />

• Em que ordem<br />

fazer?<br />

Figura 2 - Atividades de planejamento e controle<br />

Fonte: Slack et al 2002, p. 323<br />

Programação Carregamento<br />

Sequenciamento<br />

Carregamento: “...é a quantidade de trabalho aloca<strong>do</strong> para um centro de trabalho”<br />

(Slack et al 2002, p. 323). A atividade de carregamento deve acontecer de tal forma<br />

que consiga medir exatamente o que pode ser aloca<strong>do</strong> em cada máquina. Para tal<br />

atividade deve se levar em consideração algumas atividades que não são de produção,<br />

como por exemplo, a troca de ferramentas e manutenção preventivas das máquinas. Os<br />

tempos perdi<strong>do</strong> nessas tarefas não podem ser considera<strong>do</strong>s como disponibilidade da<br />

máquina. Outro ponto a ser analisa<strong>do</strong> são os finais de semana e feria<strong>do</strong>s, nesses<br />

momentos a máquina também vai estar parada, não sen<strong>do</strong> possível a produção.<br />

Sequenciamento: “... quan<strong>do</strong> o trabalho chega, decisões devem ser tomadas sobre a<br />

ordem em que as tarefas serão executadas.” (Slack et al 2002, p. 325). Ao analisar as<br />

prioridades dentro da produção, o PCP deve levar em consideração alguns pontos,<br />

como por exemplo: restrições físicas, prioridade ao consumi<strong>do</strong>r, data prometida,<br />

tempo de operação. Ao fazer tal análise, o PCP deve lembrar sempre <strong>do</strong> cliente, sua<br />

satisfação deve ser prioridade ao se tomar decisões. Data prometida deve ser data<br />

cumprida. As restrições físicas devem considerar sempre a otimização <strong>do</strong>s processos e<br />

de materiais. Dentro das prioridades ao consumi<strong>do</strong>r, as operações devem permitir que<br />

algum cliente importante ou prejudica<strong>do</strong> de alguma forma, consiga que um de seus<br />

itens sejam processa<strong>do</strong>s em primeiro lugar.<br />

Monitoramento<br />

e controle<br />

• Quanto fazer?<br />

• As atividades<br />

estão conforme<br />

o plano<br />

22


Programação: “ao determinar a sequencia em que o trabalho será desenvolvi<strong>do</strong>,<br />

algumas operações requerem um cronograma detalha<strong>do</strong>, mostran<strong>do</strong> em que momento<br />

os trabalhos devem começar e quan<strong>do</strong> eles devem terminar.” (Slack et al 2002, p. 330)<br />

A atividade de programação é que vai determinar o cronograma detalha<strong>do</strong>, data de<br />

inicio e término das atividades da fábrica. A programação é uma das atividades mais<br />

complexas dentro <strong>do</strong> PCP, pois precisa existir a ligação exata entre capacidade das<br />

máquinas e habilidade <strong>do</strong>s opera<strong>do</strong>res. O número de opera<strong>do</strong>res em cada turno de<br />

trabalho deve ser controla<strong>do</strong> de tal forma para a otimização máxima <strong>do</strong> tempo de<br />

máquina. Em algumas situações onde a produção não depender de máquinas, a<br />

atividade de programação consiste em garantir que tenha número suficiente disponível<br />

de opera<strong>do</strong>res para aquela prioridade.<br />

Monitoramento: “ao criar um plano para a operação por meio de carregamento,<br />

sequenciamento e programação, cada parte da operação precisa ser monitorada para<br />

assegurar que as atividades planejadas estejam de fato ocorren<strong>do</strong>.” (Slack et al 2002,<br />

p. 334). A atividade de monitorar se resume em detectar o que está acontecen<strong>do</strong> na<br />

produção, replanejan<strong>do</strong> quan<strong>do</strong> necessário e intervin<strong>do</strong> para mudar os planos. Dois<br />

importantes tipos de controle podem ser salienta<strong>do</strong>s dentro <strong>do</strong> monitoramento.<br />

Controle empurra<strong>do</strong> e controle puxa<strong>do</strong>. O controle puxa<strong>do</strong> e um sistema no qual a<br />

demanda é acionada com base em requisições de centros de trabalho internos. O setor<br />

que conclui sua operação, só pode enviar para a próxima etapa mediante solicitação <strong>do</strong><br />

receptor. O controle empurra<strong>do</strong> acontece quan<strong>do</strong> o setor que conclui a sua operação,<br />

deve imediatamente enviar as peças para a próxima estação de trabalho.<br />

As organizações devem buscar a conciliação entre essas quatro atividades, para que<br />

seus clientes recebam os pedi<strong>do</strong>s dentro <strong>do</strong> prazo e para que a organização consiga otimizar<br />

seus recursos internos.<br />

Um sistema produtivo é composto por diversas etapas, como: compra de matéria<br />

prima, manufatura (e to<strong>do</strong>s os seus processos e subprocessos), embalagem, estocagem,<br />

controle de qualidade e, finalmente, vendas.<br />

Dentro <strong>do</strong> processo produtivo, muitas vezes são encontra<strong>do</strong>s gargalos, os quais podem<br />

estar localiza<strong>do</strong>s na entrada <strong>do</strong> processo, na transformação e ainda na saída.<br />

23


Slack et al (2002, p. 655), diz que “nem todas as falhas são igualmente sérias e a<br />

atenção é geralmente dirigida àquelas que possuem impacto maior nas operações e nos<br />

consumi<strong>do</strong>res.” E Correa (2011, p. 649), diz “que um gargalo é um recurso cuja<br />

disponibilidade iguala-se ou é inferior à demanda.”<br />

Um gargalo significa a geração de ociosidade de uma ou mais partes de um sistema, o<br />

que adiciona a cada unidade <strong>do</strong>s produtos maior parcela <strong>do</strong>s custos fixos.<br />

O maior nível de ociosidade ocorre quan<strong>do</strong> o gargalo se localiza próximo ao input, ou<br />

seja, no início da produção, pois todas as fases seguintes <strong>do</strong> sistema ficam comprometidas.<br />

Por outro la<strong>do</strong> a ociosidade <strong>do</strong> sistema pode não ser o mais grave. Na verdade, quanto mais<br />

próximo ao output (saída), mais prejudicial ela será. Isto porque, avançan<strong>do</strong> dentro <strong>do</strong> sistema<br />

produtivo, teremos também a agregação <strong>do</strong>s custos variáveis, ou seja, aqueles que só existem<br />

com a produção. Neste caso, o bem foi produzi<strong>do</strong>, houve gasto de matéria prima, adição de<br />

mão-de-obra e outros recursos, mas, devi<strong>do</strong> ao gargalo na saída, não houve geração de receita<br />

com a venda.<br />

Muitas vezes o setor de vendas não é considera<strong>do</strong> como integrante da produção e tão<br />

pouco classifica<strong>do</strong> como gargalos.<br />

O fato, porém, é que, se houver alguma restrição à saída <strong>do</strong>s produtos,<br />

consequentemente não haverá entrada de receita. Assim, de nada adiantará haver produção se<br />

não houver suficiente fluxo de saída desta. E isso é sim um gargalo.<br />

Por outro la<strong>do</strong>, de nada adiantará uma enorme capacidade de vendas, se o setor<br />

produtivo não for capaz de suprir a demanda.<br />

Nem sempre é fácil localizar gargalos. E mais difícil ainda é eliminá-los. Ainda mais<br />

quan<strong>do</strong> houver vários deles combina<strong>do</strong>s dentro <strong>do</strong> sistema produtivo. Solucionar o problema,<br />

no entanto, é crucial para manter a competitividade da empresa, uma vez que sua existência<br />

pode representar enormes custos, enquanto sua eliminação pode trazer grande economia e<br />

eficácia produtiva.<br />

24


3 METODOLOGIA<br />

Neste capítulo, define-se como será executa<strong>do</strong> o relatório e a maneira como se realizou<br />

o estu<strong>do</strong>, também se aborda a classificação <strong>do</strong> estu<strong>do</strong>, a coleta de da<strong>do</strong>s, bem como a análise e<br />

interpretação destes da<strong>do</strong>s.<br />

3.1 Classificação da Pesquisa<br />

Para Gil (2002) pode-se definir pesquisa como o procedimento racional e sistemático<br />

que tem como objetivo proporcionar respostas aos problemas que são propostos. A pesquisa é<br />

desenvolvida mediante conhecimentos disponíveis e a utilização cuida<strong>do</strong>sa de méto<strong>do</strong>s,<br />

técnicas e outros procedimentos científicos.<br />

A meto<strong>do</strong>logia visa explicitar o caminho meto<strong>do</strong>lógico que direcionou o estu<strong>do</strong> <strong>do</strong><br />

presente trabalho. De acor<strong>do</strong> com Vergara (2000), há vários tipos de pesquisa e todas seguem<br />

basicamente <strong>do</strong>is critérios: quanto aos fins e quanto aos meios.<br />

O presente estu<strong>do</strong> é basea<strong>do</strong> em informações coletadas na empresa e confronta<strong>do</strong> com<br />

referenciais teóricos.<br />

Quanto aos meios, ela é caracterizada como pesquisa de campo, pois foi realizada uma<br />

investigação através de entrevista com o supervisor <strong>do</strong> departamento de Planejamento e<br />

Controle da Produção, Supervisor da área de Estamparia, de Solda e Logística. Documental,<br />

pois teve acesso aos <strong>do</strong>cumentos da empresa. Pesquisa bibliográfica, pois o estu<strong>do</strong> foi<br />

desenvolvi<strong>do</strong> com base em livros, revistas e artigos. Participante, pois a elabora<strong>do</strong>ra da<br />

pesquisa também faz parte <strong>do</strong> quadro de colabora<strong>do</strong>res da empresa. É, por fim, ainda é<br />

considera<strong>do</strong> um estu<strong>do</strong> de caso, pois se trata de uma empresa privada e tem características<br />

próprias.<br />

Quanto aos fins a pesquisa pode classificar-se como descritiva, pois expõe<br />

características de uma empresa e ainda exploratória, pois existe pouco conhecimento<br />

acumula<strong>do</strong> e sistematiza<strong>do</strong>.<br />

25


A pesquisa exploratória é qualitativa e, de acor<strong>do</strong> com Gil (2002) tem como objetivo<br />

proporcionar maior familiaridade com o problema. Vergara (2000) observa que a investigação<br />

exploratória é realizada em área na qual há pouco conhecimento acumula<strong>do</strong> e sistematiza<strong>do</strong>.<br />

E, segun<strong>do</strong> Yin (2001) os estu<strong>do</strong>s exploratórios também servem para o planejamento e<br />

preparação da fase de coleta de da<strong>do</strong>s.<br />

3.2 Universo amostral<br />

O universo da amostra, segun<strong>do</strong> Vergara (2000) são os sujeitos da pesquisa, ou seja, a<br />

população amostral, no caso a empresa BruningTecnometal situada a Rua 25 de Julho, 2305<br />

na cidade de Panambi / RS. A entrevista foi aplicada ao supervisor da área de Planejamento e<br />

Controle da Produção, supervisor da área de Solda, de Estamparia e Logística.<br />

3.3 Coleta de da<strong>do</strong>s<br />

Gil (2002) afirma que a principal forma de coleta de da<strong>do</strong>s é a leitura (livros, revistas,<br />

jornais, sites, CDs etc.), que certamente é utilizada para to<strong>do</strong>s os tipos de pesquisa. Esta<br />

técnica também é chamada de pesquisa bibliográfica.<br />

Para a coleta <strong>do</strong>s da<strong>do</strong>s foram utilizadas as técnicas de observação participante, já que<br />

a autora faz parte <strong>do</strong> quadro de colabora<strong>do</strong>res da empresa. Foi realizada entrevista com o<br />

supervisor da área de Planejamento e Controle da Produção, no dia vinte e cinco de fevereiro<br />

de <strong>do</strong>is mil e <strong>do</strong>ze durante a manhã. (Apêndice A). E no dia vinte e oito de fevereiro de <strong>do</strong>is<br />

mil e <strong>do</strong>ze na parte da tarde foram entrevista<strong>do</strong>s os supervisores da área de Estamparia de<br />

Solda e Logística.<br />

As observações foram realizadas de forma direta, ten<strong>do</strong> por objetivo a busca de<br />

informações que auxiliaram para que o objetivo geral fosse atingi<strong>do</strong><br />

Durante a entrevista com o supervisor de PCP foi discuti<strong>do</strong> o processo da organização<br />

como um to<strong>do</strong>, desde o recebimento <strong>do</strong> pedi<strong>do</strong> <strong>do</strong> cliente, passan<strong>do</strong> por todas as etapas na<br />

26


empresa. O entrevista<strong>do</strong> tem uma visão geral da empresa e conhecimento detalha<strong>do</strong> <strong>do</strong>s<br />

processos, pois essa é a principal função <strong>do</strong> PCP dentro da organização, conhecer os<br />

processos para saber onde intervir buscan<strong>do</strong> um resulta<strong>do</strong> satisfatório para a organização e<br />

para o cliente final. O entrevista<strong>do</strong> destacou a importância de conversas periódicas com a<br />

direção da empresa para alinhamento de ideias e estratégias.<br />

Os supervisores das demais áreas foram escuta<strong>do</strong>s individualmente em conversa<br />

informal, com anotações pertinentes feitas pela acadêmica. Foram destaca<strong>do</strong>s alguns pontos<br />

que os mesmos consideram que ainda causam os atrasos na produção e ressalta<strong>do</strong> as<br />

melhorias já implementadas nos últimos tempos e que estão auxilian<strong>do</strong> no dia a dia na<br />

produção.<br />

3.4 Análise e interpretação <strong>do</strong>s da<strong>do</strong>s<br />

Após a observação <strong>do</strong> ambiente foi feita a apresentação e análise <strong>do</strong>s da<strong>do</strong>s de forma<br />

qualitativa. Por meio de texto expositivo <strong>do</strong>s resulta<strong>do</strong>s encontra<strong>do</strong>s durante a pesquisa e, na<br />

seqüência, as informações foram avaliadas à luz <strong>do</strong> referencial teórico levanta<strong>do</strong>, descreven<strong>do</strong><br />

como acontece o fluxo das peças na organização, com posterior sugestão de melhorias nessa<br />

área.<br />

27


4 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS<br />

4.1<br />

Caracterização da Organização<br />

A Bruning faz da transformação de metais a razão de sua existência.<br />

A BruningTecnometal foi fundada pelo Sr. Ernesto Rehn em 1º de abril de 1947, na cidade de<br />

Panambi no <strong>Rio</strong> Grande <strong>do</strong> Sul, Brasil, localizada no centro geográfico <strong>do</strong> Mercosul.<br />

No inicio, a Bruning dedicava-se a manutenção de equipamentos agrícolas importa<strong>do</strong>s e na<br />

construção de pequenas máquinas agrícolas e de beneficiamento de madeiras.<br />

de atuação:<br />

Figura 3 - Imagem da empresa<br />

Fonte: Bruning Tecnometal <strong>–</strong> 2012<br />

Atualmente a Bruning é uma fornece<strong>do</strong>ra consolidada de três importantes segmentos<br />

merca<strong>do</strong> agrícola (colheitadeiras, tratores e plantadeiras);<br />

merca<strong>do</strong> ro<strong>do</strong>viário (caminhões e ônibus);<br />

indústria automobilística.<br />

28


E para a fabricação de todas as peças nestes três segmentos a organização utiliza os<br />

processos de estamparia, solda, usinagem, ferramentaria e tratamento de superfícies, atuan<strong>do</strong><br />

nestes processos cerca de 3.000 funcionários e estabelecida em um complexo industrial de<br />

63.000 m2 de área construída.<br />

Trata-se de uma empresa que não possui produtos próprios, uma vez que seu produto é<br />

a tecnologia de processos para atender seus clientes nas suas necessidades.<br />

A Bruning tem como política de qualidade desenvolver produtos, processos e serviços<br />

que satisfaçam os clientes, ter fornece<strong>do</strong>res competitivos, buscar o constante aperfeiçoamento<br />

tecnológico e ver no lucro o meio de sobrevivência.<br />

Localização <strong>do</strong>s principais clientes:<br />

* Curitiba <strong>–</strong> PR <strong>–</strong> Montagem de tratores e colheitadeiras<br />

* Sorocaba <strong>–</strong> SP <strong>–</strong> Montagem de colheitadeiras<br />

* Piracicaba <strong>–</strong> SP <strong>–</strong> Montagem de plantadeira sprayer<br />

* Contagem <strong>–</strong> MG <strong>–</strong> Montagem de máquinas para construção<br />

* Horizontina <strong>–</strong>RS <strong>–</strong> Montagem de colheitadeiras, plantadeiras e plataformas de corte<br />

* Montenegro <strong>–</strong> RS <strong>–</strong> Montagem de tratores<br />

* Catalão <strong>–</strong> GO <strong>–</strong> Montagem de colhe<strong>do</strong>ras de cana de açúcar e sprayer<br />

* Campinas <strong>–</strong> SP <strong>–</strong> Distribuição de peças para reposição<br />

29


* Santa Rosa <strong>–</strong> RS <strong>–</strong> Montagem de colheitadeiras MasseyFergusson e Valtra<br />

* Canoas <strong>–</strong>RS Montagem de tratores MasseyFergusson, retroescavadeiras e sprayer<br />

* Mogi das Cruzes <strong>–</strong> SP <strong>–</strong> Montagem <strong>do</strong>s tratores Valtra<br />

* Jundiaí <strong>–</strong> SP <strong>–</strong> Central de distribuição de peças para reposição<br />

Novo cliente da BruningTecnometal<br />

Sua linha de produtos é composta de 35 modelos de classe mundial entre escavadeiras<br />

hidráulicas, compacta<strong>do</strong>res, carregadeiras de rodas, motonivela<strong>do</strong>ras, retroescavadeiras e<br />

tratores de esteiras.<br />

Lider absoluta de merca<strong>do</strong> em seus segmentos de atuação. A empresa está entre as 30<br />

maiores exporta<strong>do</strong>ras brasileiras, com exportação para 120 países.<br />

4.1.1 Estrutura Organizacional<br />

O organograma clássico ou vertical é simplifica<strong>do</strong> e procura deixar bem claro os<br />

níveis de hierarquia.<br />

Chiavenato (1989, p. 26) conceitua organograma como sen<strong>do</strong> “o gráfico que<br />

representa a organização da empresa, isto é, os órgãos e cargos que compõem a estrutura<br />

organizacional da empresa.”<br />

30


Na empresa BruningTecnometal o organograma utiliza<strong>do</strong> é o clássico vertical, que<br />

mantém uma estrutura formal de poder e os níveis hierárquicos bem defini<strong>do</strong>s como<br />

demonstra a figura a seguir:<br />

Figura 4 - Organograma da Empresa<br />

Fonte: BruningTecnometal, 2012<br />

A estrutura da empresa não se esgota no nível de supervisão, mas por motivos de<br />

representação gráfica não foram representa<strong>do</strong>s os demais níveis. A diretoria é composta por<br />

superintendente, gerente de recursos humanos, gerente de gestão, diretor de operações, diretor<br />

industrial e diretor financeiro.<br />

31


4.1.2 Missão<br />

Atender os merca<strong>do</strong>s de máquinas agrícolas e automotivo com tecnologia de processos<br />

em estamparia, usinagem, soldagem e tratamento de superfícies, com qualidade e<br />

pontualidade.<br />

4.1.3 Visão<br />

Ser reconheci<strong>do</strong> no merca<strong>do</strong> pelo comprometimento e o constante aperfeiçoamento<br />

humano e tecnológico.<br />

4.1.4 Valores<br />

* Foco no cliente<br />

* Ética<br />

* Relacionamento<br />

* Compromisso com a Qualidade<br />

* Segurança e Meio Ambiente<br />

* Conhecimento Tecnológico<br />

* Disciplina<br />

* Comprometimento<br />

* Resulta<strong>do</strong> no Negócio<br />

32


4.2 O processo produtivo da empresa Bruning Tecnometal<br />

Neste subitem serão apresenta<strong>do</strong>s os principais processos de manufatura da empresa<br />

BruningTecnometal, fazen<strong>do</strong> comparativo entre teoria e prática detalhan<strong>do</strong> os processos de<br />

manufatura em etapas.<br />

4.2.1<br />

Processo Comercial<br />

“Nossos clientes atuam em um merca<strong>do</strong> extremamente competitivo, onde os<br />

concorrentes deles estão buscan<strong>do</strong> a to<strong>do</strong> o momento tomar merca<strong>do</strong>s para aumentar<br />

participações. Por este motivo nossos clientes são muito exigentes e esperam de nós respostas<br />

corretas, agilidade, capacidade de antever os fatos, poder de reação, conhecimento<br />

tecnológico e comprometimento com a causa deles.” Supervisor de PCP.<br />

O maior segre<strong>do</strong> está em estar prepara<strong>do</strong> para adaptar-se às novas exigências <strong>do</strong>s<br />

clientes. As empresas que não conseguirem acompanhar a velocidade das mudanças,<br />

infelizmente não permanecerão no merca<strong>do</strong>.<br />

O setor comercial possui responsabilidades cruciais, pois é o primeiro contato <strong>do</strong><br />

cliente com a empresa. A atividade comercial deve ser mantida durante to<strong>do</strong> o processo,<br />

desde o primeiro contato até o fechamento e entrega <strong>do</strong> pedi<strong>do</strong>.<br />

“Sem faturamento nosso negócio não tem como se sustentar.” Por este motivo, entre<br />

os valores da Bruning, esta lá, em primeiro lugar: foco no cliente.<br />

Diante deste cenário busca-se a análise <strong>do</strong> setor comercial dentro da empresa<br />

BruningTecnometal. Os da<strong>do</strong>s a seguir foram coleta<strong>do</strong>s através de entrevistas e observação<br />

direta realiza<strong>do</strong>s na empresa BruningTecnometal.<br />

33


Figura 5 - Processo setor comercial<br />

Fonte: Elabora<strong>do</strong> pela autora.<br />

34


A área comercial tem como objetivo principal manter contato com o cliente, sen<strong>do</strong><br />

canaliza<strong>do</strong> nesta área to<strong>do</strong>s os contatos, tais como recebimento de cotações, negociações de<br />

especificações, solicitação de <strong>do</strong>cumentos, etc. Em contrapartida, o pós-venda tem como<br />

principal atribuição receber as reclamações <strong>do</strong>s clientes, buscan<strong>do</strong> solucionar os problemas<br />

internamente, em conjunto com as demais áreas da empresa.<br />

A área comercial da Bruning faz o recebimento das necessidades <strong>do</strong>s clientes. O<br />

recebimento <strong>do</strong>s pedi<strong>do</strong>s <strong>do</strong>s clientes é feito pelo programa EDI (disponível no site de cada<br />

cliente). Essa programação é acessada pela área de pedi<strong>do</strong>s e integrada com o sistema interno<br />

da empresa. O setor comercial é o elo de ligação entre o cliente e a organização, por isso os<br />

vende<strong>do</strong>res e atendentes recebem treinamentos criteriosos de como atender, manter e fidelizar<br />

os clientes. Qualidade e pontualidade são pontos fundamentais para qualquer cliente, mas é no<br />

primeiro contato que a empresa pode, ou não, passar uma boa impressão.<br />

A organização apresenta aos clientes diversos pontos considera<strong>do</strong>s como diferenciais<br />

em relação à concorrência. Podem-se citar alguns como: Ferramentaria própria (projeto e<br />

construção); área exclusiva para desenvolvimento de protótipo; frota própria de caminhões<br />

para a realização das entregas aos clientes; históricos de qualidade e melhoria contínua;<br />

capacidade de colaborar com o desenvolvimento <strong>do</strong> projeto (definições); estrutura física<br />

existente na empresa (tecnologia de ponta, flexibilidade de processos, conhecimento e<br />

experiência nos processos forneci<strong>do</strong>s); também se oferece aos clientes toda uma sistemática<br />

de atendimento, transparência, comprometimento, honestidade e visão voltada ao cliente.<br />

Existem ainda outros pontos que variam de acor<strong>do</strong> com o cliente e com a estratégia de<br />

negociação a<strong>do</strong>tada, sempre levan<strong>do</strong> em consideração o fato de não estar negocian<strong>do</strong> um<br />

único produto junto ao cliente uma única vez, mas sim um processo de relacionamento em<br />

longo prazo, com fornecimentos periódicos ou até mesmo diários.<br />

Após a integração <strong>do</strong>s pedi<strong>do</strong>s recebi<strong>do</strong>s é realiza<strong>do</strong> a análise crítica, verifican<strong>do</strong><br />

possíveis discrepâncias dentro da programação. A análise é realizada pela área de pedi<strong>do</strong>s<br />

juntamente com o PCP da empresa. O próximo passo é o cadastro no CIV (cadastro de itens<br />

de venda). A partir desse cadastro todas as próximas etapas são liberadas.<br />

35


4.2.2<br />

Processo de Engenharia<br />

Conforme Tubino (2000), a engenharia de produção, ao enfatizar as dimensões <strong>do</strong><br />

sistema produtivo nas mais diversas organizações, ocupa-se das atividades de projetar novos<br />

equipamentos, processos produtivos, viabilizarem estratégias produtivas, planejar a produção,<br />

produzir e distribuir produtos que a sociedade valoriza. Essas atividades, tratadas em<br />

profundidade e de forma integrada por este setor, são de grande importância para a elevação<br />

da competitividade das empresas e, por conseguinte, <strong>do</strong> país.<br />

A Bruning é uma empresa que não possui produtos próprios, uma vez que seu produto<br />

é a tecnologia de processos. A Bruning tem como política de qualidade desenvolver produtos,<br />

processos e serviços que satisfaçam os clientes, ter fornece<strong>do</strong>res competitivos, buscar o<br />

constante aperfeiçoamento tecnológico e ver no lucro o meio de sobrevivência para atender<br />

seus clientes nas suas necessidades. A empresa procura desenvolver processos (que é o seu<br />

produto) de forma que possa oferecer ao cliente a melhor solução, com tecnologia e<br />

qualidade.<br />

O setor de engenharia da empresa BruningTecnometal dedica-se à melhoria e<br />

implementação de sistemas que envolvem pessoas, materiais, informações, equipamentos,<br />

energia e outros tipos de recursos, para que utilizan<strong>do</strong>-se desse conhecimento especializa<strong>do</strong><br />

possa especificar, prever e avaliar os resulta<strong>do</strong>s obti<strong>do</strong>s.<br />

É dentro <strong>do</strong> setor de engenharia que acontece o cadastro de to<strong>do</strong>s os centros de<br />

trabalho que as peças irão passar dentro <strong>do</strong> fluxo produtivo. A partir desse cadastro as<br />

necessidades de tempo de máquina são geradas.<br />

“A qualidade é entendida normalmente como um atributo de produtos ou serviços,<br />

mas pode referir-se a tu<strong>do</strong> que é feito pelas pessoas; fala-se na qualidade de um aparelho<br />

elétrico, de um carro, <strong>do</strong> serviço presta<strong>do</strong> por um hospital, <strong>do</strong> ensino provi<strong>do</strong> por uma escola,<br />

ou <strong>do</strong> trabalho de um determina<strong>do</strong> funcionário ou departamento.” MOREIRA, (2008)<br />

Pensan<strong>do</strong> em qualidade é que a Bruning desenvolve suas próprias ferramentas, para<br />

garantir que as dimensões das peças sejam totalmente atendidas, conforme solicitação <strong>do</strong><br />

cliente.<br />

36


4.2.3<br />

Planejamento e Controle da Produção<br />

Em um sistema de manufatura, toda vez que são formula<strong>do</strong>s objetivos, é necessário<br />

formular planos de como atingi-lo, organizar recursos humanos e físicos necessários para a<br />

ação, dirigir a ação <strong>do</strong>s recursos humanos sobre os recursos físicos e controlar esta ação para a<br />

correção de eventuais desvios. No âmbito da administração da produção, este processo é<br />

realiza<strong>do</strong> pela função de Planejamento e Controle da Produção (PCP).<br />

Segun<strong>do</strong> Russomano (2000), PCP é aquele setor responsável pela coordenação <strong>do</strong>s<br />

vários departamentos da fábrica, com vistas ao bom atendimento das solicitações de vendas<br />

que lhe são encaminhadas, caben<strong>do</strong>-lhe providenciar que as mesmas sejam atendidas no prazo<br />

e quantidade exigi<strong>do</strong>s. E Tubino (2000) diz que a função produção não compreende apenas as<br />

operações de fabricação, montagem de bens, armazenamento, movimentação, entre outras<br />

desde que voltadas para a área de serviços. Consiste também, em adicionar valor aos bens ou<br />

serviços durante o processo de transformação.<br />

Dentro da Bruning o cenário não é diferente. A seguir será apresenta<strong>do</strong> o processo <strong>do</strong><br />

PCP dentro da BruningTecnometal:<br />

37


Figura 6 - Processo PCP<br />

Fonte: Elabora<strong>do</strong> pela autora<br />

38


O PCP é o setor que concilia as demandas vindas da área comercial, verifican<strong>do</strong> a<br />

capacidade produtiva da fábrica e juntamente com a área de compras analisan<strong>do</strong> se o estoque<br />

de matéria prima será o suficiente para atender a demanda. O PCP da Bruning é composto<br />

hoje por oito pessoas, que atuam diariamente dentro de toda a fábrica. A área de PCP realiza<br />

reuniões diárias a fim de se inteirar das informações advindas das demais áreas, como<br />

reprogramação de clientes, atraso da matéria prima ou falta de mão de obra.<br />

O PCP juntamente com a área de compras deve realizar a análise <strong>do</strong> estoque de<br />

matéria prima disponível. Hoje a empresa conta com um estoque de noventa dias, para não<br />

correr o risco de falta de material. Essa análise é de extrema importância, pois de nada adianta<br />

ter tecnologia, mão de obra, disponibilidade de tempo e máquina, se não existir a matéria<br />

prima necessária.<br />

É o PCP quem coordena a liberação das ordens de fabricação. A liberação das mesmas<br />

é feita dentro de <strong>do</strong>is grandes grupos: Grupo 01 e Grupo 02. Essa liberação acontece em lotes<br />

de 15 dias e tem uma cobertura de 45 dias. A divisão entre grupo 01 e 02 foi feita de tal forma<br />

para se ter um melhor aproveitamento de matéria-prima, reduzin<strong>do</strong> o número de set up e<br />

otimizan<strong>do</strong> tempo da máquina.<br />

Os itens zinca<strong>do</strong>s são trata<strong>do</strong>s da mesma forma, a abertura das ordens de fabricação é<br />

feita junto com os demais itens, porém, dentro <strong>do</strong> sistema de prioridades da fábrica sua<br />

organização é calculada pelo sistema de maior esforço físico, verifican<strong>do</strong> o tempo de<br />

processo, quantidade de peças e centro de trabalhos que deverá passar. Portanto como os itens<br />

zinca<strong>do</strong>s são os que sofrem processos de terceiros são os que terão o maior lead time<br />

cadastra<strong>do</strong>, consequetemente, os primeiros a serem fabrica<strong>do</strong>s.<br />

To<strong>do</strong>s os itens que passam por tratamento superficial em presta<strong>do</strong>res terceiriza<strong>do</strong>s tem<br />

em seu cadastro o lead time correspondente. A produção trabalha com sistema de prioridades<br />

e tais itens estarão sempre em primeiro lugar.<br />

39


4.2.4<br />

Produção<br />

Para Moreira (2008), “A Administração da produção e Operações preocupa-se com o<br />

Planejamento, a Organização, a Direção e o Controle das Operações produtivas, de forma a se<br />

harmonizarem com os objetivos da empresa.”<br />

Russomano (2000) ressalta que “produção é um conceito intuitivo sem muitas<br />

definições e descreve produção como um processo organiza<strong>do</strong>, que utiliza insumos e<br />

transforma em bens ou serviços úteis obedecen<strong>do</strong> aos padrões de qualidade e preço.”<br />

A produção da Bruning destina-se a transformar matéria-prima em peças, atenden<strong>do</strong> as<br />

solicitações técnicas <strong>do</strong>s clientes. A Bruning conta hoje com aproximadamente 3.000<br />

funcionários. Desses, a grande maioria atuan<strong>do</strong> na produção da empresa. Os processos de<br />

produção se dividem em três etapas principais, estamparia, solda e pintura.<br />

A produção nada mais é <strong>do</strong> que o coração da empresa. É da produção que saem as<br />

peças para o cliente, é na produção que acontece a transformação da matéria-prima. O<br />

planejamento estratégico está por trás de tu<strong>do</strong> isso, mas é na produção que as coisas realmente<br />

acontecem. A produção é um processo de criação de valores, e a Bruning tem como objetivo,<br />

o atendimento aos valores de seus clientes.<br />

Pode-se dizer que uma das maiores conquistas da produção nos últimos anos foi o<br />

desenvolvimento <strong>do</strong> software de programação da fábrica, que informa para cada linha as<br />

prioridades de fabricação, interligadas com os pedi<strong>do</strong>s <strong>do</strong>s clientes.<br />

O fluxograma a seguir apresenta o processo de zincagem, parte <strong>do</strong> processo de<br />

produção da empresa Bruning Tecnometal:<br />

40


Figura 7 - Processo de zincagem<br />

Fonte: Elabora<strong>do</strong> pela autora<br />

41


Cada setor deve garantir que a peça esteja dentro <strong>do</strong>s requisitos exigi<strong>do</strong>s em desenho,<br />

para isso é feito a marcação manual na ordem de fabricação e também dentro <strong>do</strong> sistema de<br />

prioridades, através <strong>do</strong> registro <strong>do</strong> crachá, para que o próximo setor saiba qual opera<strong>do</strong>r da<br />

etapa anterior fez a liberação da peça.<br />

O departamento de produção tem eleva<strong>do</strong> grau de importância junto ao negócio da<br />

empresa, o êxito, lucro e satisfação <strong>do</strong>s clientes somente serão alcança<strong>do</strong>s se na produção os<br />

resulta<strong>do</strong>s de to<strong>do</strong> o planejamento realiza<strong>do</strong> anteriormente for alcança<strong>do</strong>. Atraso na produção<br />

gera perda de confiabilidade e comprometimento nas próximas cotações.<br />

4.2.5<br />

Logistica<br />

Logística é área da Administração que cuida <strong>do</strong> transporte e armazenamento das<br />

merca<strong>do</strong>rias. É um conjunto de planejamento, operações, controle <strong>do</strong> fluxo de materiais, além<br />

da área de apoio.<br />

Da mesma forma PCP e Logistica precisam andar juntos. PCP e Logistica juntos são<br />

responsáveis pela disposição, segregação e guarda de materiais.<br />

De acor<strong>do</strong> com Ballou (2001), “o nível de serviço logístico é o fator chave <strong>do</strong> conjunto<br />

de valores logísticos que as empresas oferecem aos seus clientes para assegurar sua<br />

fidelidade.”<br />

O almoxarifa<strong>do</strong> da empresa é responsável pelo envio e acompanhamento das peças<br />

nos presta<strong>do</strong>res de serviço. É através <strong>do</strong> almoxarifa<strong>do</strong> que as peças são enviadas,<br />

acompanhadas, retornadas para empresa, e enviadas para os clientes.<br />

Hoje os maiores presta<strong>do</strong>res de serviço da Bruning localizam-se na região da grande<br />

Porto Alegre. Para tanto, a Bruning conta com transporta<strong>do</strong>ras parceiras para os fretes diários<br />

de envio aos presta<strong>do</strong>res. O transporte precisa ser feito com segurança, para garantir a<br />

qualidade das peças. As entregas devem acontecer dentro <strong>do</strong> horário combina<strong>do</strong>, para o<br />

cumprimento <strong>do</strong>s prazos de entrega <strong>do</strong>s presta<strong>do</strong>res.<br />

42


Dentro da área de Logística destacam-se alguns <strong>do</strong>s principais problemas já<br />

registra<strong>do</strong>s no <strong>do</strong> fluxo das peças zincadas:<br />

Parada de linha de montagem interna <strong>–</strong> componentes envia<strong>do</strong>s para zincagem com<br />

atraso, retornan<strong>do</strong> também com atraso;<br />

Parada de linha de montagem no cliente com pagamento de multa contratual <strong>–</strong> peças<br />

enviadas para zincagem, com atraso no envio e retorno, atrasan<strong>do</strong> dessa forma o envio<br />

para os clientes;<br />

Despesas com frete especial;<br />

Hora extra no presta<strong>do</strong>r de serviço <strong>–</strong> para que o prazo <strong>do</strong> cliente final fosse atendi<strong>do</strong>;<br />

Hora extra interna <strong>–</strong> para montagem ou embalamento;<br />

Problemas de qualidade pela falta de tempo no processo da peça,<br />

Desgaste entre Bruning e presta<strong>do</strong>r, e entre Bruning e cliente.<br />

4.3 Análise das causas que geram o atraso<br />

A entrevista nesta pesquisa foi instrumento utiliza<strong>do</strong> para obter respostas referentes ao<br />

tema proposto, em analisar as causas que geram os atrasos dentro <strong>do</strong> fluxo produtivo da<br />

empresa BruningTecnometal. A elaboração da entrevista foi feita pela pesquisa<strong>do</strong>ra e seu<br />

preenchimento realiza<strong>do</strong> pelo informante, conforme anexo I.<br />

Diante das respostas obtidas nas entrevistas e após as observações feitas no campo de<br />

estu<strong>do</strong>, observaram-se algumas das causas que geram os atrasos:<br />

Falta de informações <strong>do</strong> lead-time <strong>do</strong> presta<strong>do</strong>r no cadastro das peças: dentro <strong>do</strong><br />

cadastro individual de cada peça que necessita tratamento superficial em presta<strong>do</strong>res<br />

terceiriza<strong>do</strong>s, o lead time <strong>do</strong> presta<strong>do</strong>r, não era considera<strong>do</strong>. Quan<strong>do</strong> a área comercial<br />

informava ao cliente da Bruning o prazo de entrega não se considerava o tempo de<br />

envio, tratamento e retorno, consequentemente o prazo de entrega não era atendi<strong>do</strong>,<br />

ou, para atender, demandava de ações paralelas, que acabavam geran<strong>do</strong> custos extras.<br />

43


Após alguns problemas encontra<strong>do</strong>s, percebeu-se essa falha e buscaram-se<br />

imediatamente formas de corrigi-la.<br />

Hoje cada peça que necessita ir para algum presta<strong>do</strong>r tem em seu cadastro o tempo<br />

correspondente de processo e tempo de transporte. Diante dessa melhoria buscou-se<br />

uma parceria ainda maior com os presta<strong>do</strong>res, pois dessa forma eles conseguem se<br />

programar internamente, buscan<strong>do</strong> um melhor atendimento para os demais clientes.<br />

Figura 8 - Cadastro das peças<br />

Fonte: Bruning Tecnometal, 2012<br />

Falta de matéria-prima:a busca pela matéria-prima no merca<strong>do</strong> tem-se torna<strong>do</strong> tarefa<br />

difícil, pois a cada dia surgem novas empresas, a demanda aumenta significativamente<br />

e a oferta nem sempre consegue acompanhar. Diante dessa realidade, a Bruning<br />

também encontrava dificuldades na compra de matéria-prima em um tempo às vezes<br />

curto para entrega. Por isso buscou-se a parceria com a USIMINAS (empresa<br />

consolidada na produção e comercialização de aços planos). A Usiminas hoje mantém<br />

um Centro de Distribuição dentro da empresa Bruning. O CD tem como objetivo<br />

manter estoque <strong>do</strong>s itens com maior consumo dentro da empresa, mas com o estoque<br />

em poder da própria Usiminas. O faturamento para Bruning só acontece dentro <strong>do</strong>s<br />

44


prazos combina<strong>do</strong>s, ou com alguma solicitação de faturamento imediato. Dessa forma<br />

a Bruning conseguiu diminuir drasticamente a falta de matéria-prima, garantin<strong>do</strong><br />

assim um melhor atendimento aos seus clientes.<br />

Figura 9 - Estoque de bobinas<br />

Fonte: Bruning Tecnometal, 2012<br />

Falta de acompanhamento interno das peças que necessitam de tratamento em<br />

presta<strong>do</strong>res terceiriza<strong>do</strong>s: todas as áreas da produção da empresa contam com o apoio<br />

<strong>do</strong> PCP. O PCP tem total autonomia dentro da empresa para definição <strong>do</strong> que é<br />

prioridade. As peças que necessitam de tratamento superficial eram tratadas de igual<br />

forma dentro da produção, não se lembran<strong>do</strong> que ainda haveria o tempo de envio e<br />

retorno das mesmas <strong>do</strong>s presta<strong>do</strong>res. Não havia ninguém que acompanhasse essas<br />

peças, para que sua produção fosse mantida como prioridade. Perceben<strong>do</strong> essa<br />

dificuldade, a área de Almoxarifa<strong>do</strong> junto com o Supervisor de PCP, desenvolveram a<br />

função de PCP da área logística, para planejamento e acompanhamento <strong>do</strong>s itens<br />

zinca<strong>do</strong>s, com o objetivo de cumprir os o envio das peças no prazo correto. A função<br />

45


desse PCP é de olhar sempre na frente, buscar as entregas com datas de dez a quinze<br />

dias para frente, e acompanhar para que a produção seja mantida na prioridade. Outra<br />

atribuição desse PCP é de verificar quais os itens que devem retornar para a Bruning<br />

em um prazo menor <strong>do</strong> que o estabeleci<strong>do</strong>, por motivo de antecipação de entrega <strong>do</strong><br />

cliente, formatação de carga, reposição, etc. Diante dessa ação conseguiu-se uma<br />

melhora considerável, pois agora to<strong>do</strong>s os itens que necessitam de tratamento<br />

superficial fora da empresa contam com o apoio e olhar detalha<strong>do</strong> <strong>do</strong> PCP.<br />

Falta de acompanhamento externo das peças enviadas aos presta<strong>do</strong>res de serviço<br />

terceiriza<strong>do</strong>s: as peças enviadas aos presta<strong>do</strong>res não contavam com nenhum<br />

acompanhamento. Eram enviadas, e conforme disponibilidade <strong>do</strong>s presta<strong>do</strong>res, as<br />

mesmas retornavam. Em grande parte, o fluxo funcionava, mas quan<strong>do</strong> acontecia<br />

algum imprevisto, o problema era detecta<strong>do</strong>. Não havia o controle de quantidades que<br />

retornavam, no físico e em nota fiscal. O preço cobra<strong>do</strong> era negocia<strong>do</strong> pela área<br />

comercial antes <strong>do</strong> envio, mas não havia a conferência na chegada <strong>do</strong> material, a nota<br />

fiscal de cobrança não era observada. Diante de todas essas dificuldades, foi<br />

desenvolvida a função de assistente administrativo, dentro da área de almoxarifa<strong>do</strong>,<br />

para acompanhar, verificar e inspecionar, quantidades, peço e prazo de entrega. PCP e<br />

Almoxarifa<strong>do</strong> andam juntos, de um la<strong>do</strong> o acompanhamento interno e de outro o<br />

acompanhamento externo. O contato com os presta<strong>do</strong>res é importantíssimo nesse<br />

momento, deve ser enviada a programação das prioridades mensal, semanal e diária.<br />

Todas as peças têm cadastro de valores e quantidades mínimas negociadas com os<br />

presta<strong>do</strong>res, quan<strong>do</strong> retornadas deve haver a conferencia das notas fiscais e o<br />

lançamento <strong>do</strong>s preços pratica<strong>do</strong>s pelos presta<strong>do</strong>res para verificar se está conforme o<br />

negocia<strong>do</strong>. Deve haver também o controle <strong>do</strong> sistema de prioridades, quan<strong>do</strong> as peças<br />

retornam o sistema deve ser alimenta<strong>do</strong>, para que as demais áreas da empresa saibam<br />

que aquela peça foi enviada, retornou e está disponível para ser usada. Com esse<br />

acompanhamento percebeu-se uma melhora considerável, pois agora as informações<br />

são reais, sabe-se exatamente onde a peça está.<br />

46


Figura 10 - Controle NF envio e NF retorno<br />

Fonte: Bruning Tecnometal, 2012<br />

Falta de sistema de prioridades para o setor de almoxarifa<strong>do</strong>: a área de almoxarifa<strong>do</strong><br />

não trabalhava com sistema de prioridades. Era apenas uma área receptora, não<br />

interferia dentro <strong>do</strong> processo produtivo para a busca <strong>do</strong> prazo de envio das peças para<br />

os presta<strong>do</strong>res. As ordens de fabricação chegavam até o setor, eram enviadas e não era<br />

verifica<strong>do</strong> se aquela era realmente a OF que estava na prioridade ou se a produção<br />

havia pula<strong>do</strong> alguma OF. Perceben<strong>do</strong>-se distorções de informações entre o informa<strong>do</strong><br />

pela produção e o que chegava até a área de almoxarifa<strong>do</strong>, foi solicita<strong>do</strong>a análise <strong>do</strong><br />

PCP para que o almoxarifa<strong>do</strong> também trabalhasse dentro <strong>do</strong> sistema de prioridades,<br />

assim como os demais setores da empresa. Após algumas análises, ajustes e<br />

treinamentos, foi disponibiliza<strong>do</strong> o sistema para acompanhamento das ordens de<br />

fabricação. Com isso ganhou-se uma confiabilidade maior nas informações, pois a<br />

partir <strong>do</strong> sistema de prioridades, qualquer área pode consultar se determinada peça foi<br />

enviada para o presta<strong>do</strong>r, qual o prazo que vai retornar, em qual OF foi enviada e em<br />

que quantidade.<br />

47


Figura 11 - Sistema de prioridades<br />

Fonte: Bruning Tecnometal, 2012<br />

Falta de estrutura física para contagem, embalamento, envio e recebimento das peças<br />

que vão para os presta<strong>do</strong>res terceiriza<strong>do</strong>s: nos últimos anos a empresa<br />

BruningTecnometal teve um aumento considerável em seu quadro de funcionários e<br />

em sua estrutura física, algumas áreas tiveram um grande aumento de tamanho. A área<br />

de almoxarifa<strong>do</strong> foi uma delas. Cada vez mais material para ser recebi<strong>do</strong>, armazena<strong>do</strong>,<br />

segrega<strong>do</strong>, etc. A área de envio e recebimento de peças de terceiros está dentro <strong>do</strong><br />

almoxarifa<strong>do</strong>, e com a demanda cada vez maior de peças zincadas, verificou-se a<br />

necessidade de reestruturar a área, pois o espaço destina<strong>do</strong> a isso não estava mais<br />

sen<strong>do</strong> compatível com as necessidades. Após estu<strong>do</strong>s junto a área de lay-out da<br />

empresa, foi disponibiliza<strong>do</strong> um espaço físico para reestruturar a área. Após isso, foi<br />

analisa<strong>do</strong> a necessidade de alteração no quadro funcional, que constava apenas com<br />

duas pessoas. Depois de várias seleções, treinamentos e orientações, conseguiu-se<br />

montar uma equipe onde to<strong>do</strong>s sabem fazer de tu<strong>do</strong>. Hoje a área conta com<br />

aproximadamente 70 m2 e equipe de quatro pessoas. A área é dividida em<br />

48


ecebimento e contagem, embalamento para os presta<strong>do</strong>res, recebimento das peças e<br />

embalamento para o cliente.<br />

Falta de estoque para itens pequenos, com frequência de giro: percebia-se um giro<br />

freqüente <strong>do</strong>s mesmos itens. Peças pequenas, que demandavam grandes set-ups de<br />

máquina para produzir pequenos lotes. Nos presta<strong>do</strong>res de serviço encontravam-se<br />

dificuldades, pois o tratamento para uma ou cem peças, teria o mesmo custo. Optou-se<br />

então pelo estoque dessas peças, várias necessidades eram incluídas em apenas um OF<br />

e o envio aos presta<strong>do</strong>res era feito da mesma forma, melhoran<strong>do</strong> assim o processo<br />

interno e externo. Quan<strong>do</strong> as peças retornavam para empresa, eram segregadas em um<br />

espaço dentro <strong>do</strong> setor de almoxarifa<strong>do</strong> ou na própria linha de produção, para<br />

consumir conforme necessidade. Percebeu-se que no momento <strong>do</strong> consumo, muitas<br />

peças estavam oxidadas, pois a guarda era feito em caixas abertas, sem a devida<br />

cobertura. No ano de 2010, a empresa adquiriu um sistema de armazenagem vertical<br />

(leanlift), para o armazenamento de itens com pequenos lotes e quantidades. Após a<br />

implantação <strong>do</strong> sistema, surgiu a idéia de armazenar as peças zincadas dentro desse<br />

méto<strong>do</strong>, pois as peças ficam em gavetas, protegidas <strong>do</strong> frio e calor. O sistema otimiza<br />

o aproveitamento de espaço no eixo vertical e associa da<strong>do</strong>s de localização e<br />

quantidades a um controle informatiza<strong>do</strong>. A geração de OF’s <strong>do</strong>s itens com cadastro<br />

dentro desse sistema acontece automaticamente. Deve ser feito um cadastro de lote<br />

mínimo e máximo, e intervalo de tempo de geração. Quan<strong>do</strong> atinge a quantidade<br />

mínima e dentro <strong>do</strong> intervalo determina<strong>do</strong> o próprio sistema faz a geração das ordens<br />

de fabricação. Com a implantação desse sistema muitos <strong>do</strong>s atrasos foram sana<strong>do</strong>s,<br />

pois as quantidades produzidas e armazenadas atendem um intervalo de tempo maior.<br />

49


Figura 12 - Armazenamento vertical - lean lift<br />

Fonte: Bruning Tecnometal, 2012<br />

50


4.4 Melhorias propostas<br />

O interesse da autora em realizar a análise <strong>do</strong> fluxo produtivo da empresa<br />

BruningTecnometal iniciou-se no ano de 2010, no componente curricular de Práticas<br />

Organizacionais. Desde aquela data onde começou a ser constata<strong>do</strong> atrasos no fluxo das peças<br />

zincadas, a autora iniciou um estu<strong>do</strong> com o intuito de buscar melhorias nesse processo. A<br />

partir daquele momento percebe-se que muita coisa mu<strong>do</strong>u. Naquele momento os atrasos<br />

estavam sen<strong>do</strong> registra<strong>do</strong>s com frequencia, a média de fretes especiais era surpreendente,<br />

observou-se registros de até dez fretes especiais em apenas um mês, conforme mostra o<br />

gráfico a seguir.<br />

jan-11<br />

fev-11<br />

mar-11<br />

abr-11<br />

mai-11<br />

jun-11<br />

Total Fretes Especiais 5 4 6 10 3 1 1 1 4 0 0 4 2 1 0 1 0<br />

Solicitação Bruning 3 2 6 6 2 1 1 1 4 0 0 3 2 1 0 1 0<br />

Atraso Presta<strong>do</strong>r 2 2 0 4 1 0 0 0 0 0 0 1 0 0 0 0 0<br />

16<br />

14<br />

12<br />

10<br />

8<br />

6<br />

4<br />

2<br />

0<br />

5<br />

4<br />

3<br />

2 2 2<br />

10<br />

6 6 6<br />

0<br />

4<br />

Figura 13 - Gráfico fretes especiais<br />

Fonte: Bruning Tecnometal, 2012<br />

jul-11<br />

ago-11<br />

set-11<br />

4 4<br />

4<br />

3<br />

3<br />

2<br />

2 2<br />

1 1 1 1 1 1 1<br />

1 1 1 1 1<br />

0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0<br />

Total Fretes Especiais Solicitação Bruning Atraso Presta<strong>do</strong>r<br />

out-11<br />

nov-11<br />

dez-11<br />

jan-12<br />

fev-12<br />

mar-12<br />

abr-12<br />

mai-12<br />

51


Se analisa<strong>do</strong> o custo desse processo, percebe-se que talvez não seja tão alto, mas a<br />

rotina <strong>do</strong> dia a dia era desgastante. A produção estava atrasada, o envio das peças para o setor<br />

de almoxarifa<strong>do</strong> também estava em atraso, e por conseqüência disso, os presta<strong>do</strong>res de<br />

serviços acabava sen<strong>do</strong> os maiores prejudica<strong>do</strong>s.<br />

Naquele ano iniciaram-se alguns estu<strong>do</strong>s, no senti<strong>do</strong> de buscar onde estavam os<br />

maiores problemas. Percebeu-se que o problema não era um só, mas sim um conjunto de<br />

problemas. Falhas de sistema, falhas operacionais, falhas de comunicação.<br />

Iniciou-se o estu<strong>do</strong> fazen<strong>do</strong> a análise de quais peças estavam atrasan<strong>do</strong> com maior<br />

freqüência, e percebeu-se que a mesma peça se repetia em vários meses. Buscan<strong>do</strong> a raiz de<br />

tu<strong>do</strong>, foi encontra<strong>do</strong> o cadastro da peça. No cadastro estava sen<strong>do</strong> considera<strong>do</strong> apenas o<br />

tempo de máquina interna e a disponibilidade de mão de obra e matéria prima, o tempo<br />

externo <strong>do</strong> tratamento em presta<strong>do</strong>res terceiriza<strong>do</strong>s era totalmente desconheci<strong>do</strong>.<br />

Em conseqüência disso, o prazo informa<strong>do</strong> pelo setor comercial para os clientes,<br />

estava erra<strong>do</strong>. Dificilmente o prazo de entrega <strong>do</strong> cliente seria atendi<strong>do</strong>, muitas vezes bem<br />

curto, se o lead time <strong>do</strong>s presta<strong>do</strong>res não fosse considera<strong>do</strong>, fala-se aqui de aproximadamente<br />

sete dias, totalmente anula<strong>do</strong>s.<br />

O próximo passo a ser analisa<strong>do</strong> foi o de como o fluxo das peças estava acontecen<strong>do</strong><br />

dentro da empresa. O setor de almoxarifa<strong>do</strong> trabalhan<strong>do</strong> apenas como receptor, se as peças<br />

chegassem até lá, estava tu<strong>do</strong> certo, se não chegassem, tu<strong>do</strong> certo também. Essa visão<br />

precisou ser urgentemente mudada. A empresa precisava trabalhar em conjunto, todas as áreas<br />

são responsáveis pelo resulta<strong>do</strong> final, pela satisfação final <strong>do</strong> cliente. Buscou-se então uma<br />

pessoa <strong>do</strong> próprio almoxarifa<strong>do</strong>, que conhecia as peças e as dificuldades <strong>do</strong> dia a dia. Essa<br />

pessoa passou a atuar dentro <strong>do</strong> PCP, com o intuito de buscar as peças dentro da fábrica, para<br />

que nenhum material ficasse para<strong>do</strong> no transporte interno ou em qualquer outra situação.<br />

Essas são algumas das ações que foram tomadas a partir daquele momento, buscan<strong>do</strong><br />

a melhoria no fluxo produtivo. Hoje percebe-se que ainda acontecem alguns atrasos, mas em<br />

menor número e freqüência.<br />

Um <strong>do</strong>s motivos <strong>do</strong>s atrasos que hoje ainda é percebi<strong>do</strong> é pela reprogramação <strong>do</strong><br />

cliente, por pedi<strong>do</strong>s de reposição, onde uma peça quebra em campo e precisa ser substituída, e<br />

52


nem sempre é possível esperar, então o pedi<strong>do</strong> entra na Bruning sem o devi<strong>do</strong> planejamento e<br />

prazo de entrega.<br />

Outro ponto que percebe-se hoje é a falta de mão de obra. Panambi é a cidade da<br />

região que mais gera empregos, diretos e indiretos, e com isso a mão de obra local ficou<br />

escassa. Buscou-se nas cidades vizinhas mão de obra qualificada, mas não foi encontrada na<br />

quantidade necessária. Apesar <strong>do</strong>s 3.000 funcionários que a empresa conta hoje, ainda<br />

existem vagas em aberto.<br />

Percebe-se, portanto, que muita coisa melhorou dentro da Bruning nos últimos <strong>do</strong>is<br />

anos. Atrasos ainda acontecem, mas em número bem menores.<br />

Após todas as observações, entrevistas realizadas e melhorias já implementadas e<br />

descritas, a acadêmica deixa como sugestão de melhoria alguns pontos:<br />

A qualificação da mão de obra dentro da empresa. Investimento em<br />

qualificação técnica, cursos que possam agregar valor ao produto final.<br />

Funcionário satisfeito produz mais e melhor.<br />

Busca de presta<strong>do</strong>res de serviços parceiros na cidade ou região mais próxima,<br />

buscan<strong>do</strong> redução de fretes e tempo de transporte.<br />

Análise da viabilidade de fazer os transportes diários até Porto Alegre e região<br />

com caminhões próprios, buscan<strong>do</strong> redução de custos e garantia de transporte<br />

de qualidade.<br />

Análise de viabilidade de implantar estoque de segurança para to<strong>do</strong>s os itens<br />

zinca<strong>do</strong>s que tenham previsão de consumo.<br />

Dentro das melhorias já implementadas, acredita-se que a mais importante seja a<br />

análise crítica no momento <strong>do</strong> recebimento <strong>do</strong> pedi<strong>do</strong> <strong>do</strong> cliente. Essa análise é de<br />

fundamental importância para o bom andamento de to<strong>do</strong> o processo. As etapas produtivas<br />

precisam de tempo, os presta<strong>do</strong>res precisam de tempo, o transporte precisa de tempo. To<strong>do</strong>s<br />

esses pontos precisam ser muito bem analisa<strong>do</strong>s no momento de firmar o prazo de entrega<br />

com o cliente.<br />

53


CONCLUSÃO<br />

Com a globalização <strong>do</strong>s merca<strong>do</strong>s, o ambiente no qual as empresas estão inseridas está<br />

se modifican<strong>do</strong> continuamente. O aumento da concorrência e as atuais condições de<br />

competitividade têm ocasiona<strong>do</strong> profundas transformações nos sistemas produtivos das<br />

organizações, as quais precisam de um sistema produtivo “moderno” que atenda as<br />

necessidades demandadas. E, esse sistema produtivo “moderno”, que vem sen<strong>do</strong> a<strong>do</strong>ta<strong>do</strong> pela<br />

maioria das empresas busca cada vez mais a atuação <strong>do</strong> PCP como fator determinante na<br />

busca de valores aos bens ou serviços durante o processo de transformação.<br />

A organização estudada, empresa Bruning Tecnometal, tem uma área de produção<br />

extremanente grande e complexa, que é administrada com o apoio de sistemas modernos de<br />

informatização e atua com base em processos. Dentro de qualquer sistema encontram-se<br />

problemas, e na produção da Bruning o cenário não é diferente.<br />

O desenvolvimento deste trabalho de conclusão de curso teve como principal objetivo<br />

descrever o fluxo produtivo da empresa, buscan<strong>do</strong> a análise das peças zincadas, com o<br />

objetivo de verificar onde estão localiza<strong>do</strong>s os problemas que resultam no atraso <strong>do</strong> envio das<br />

peças zincadas aos presta<strong>do</strong>res de serviço terceiriza<strong>do</strong>s, e propor alternativas de melhoria no<br />

processo produtivo a fim de eliminar este problema.<br />

As informações analisadas mostram que várias ações já foram tomadas no senti<strong>do</strong> de<br />

buscar solução para os problemas no fluxo das peças zincadas, mas que ainda existem<br />

possibilidades de melhoria. Referente aos controles, a empresa possui inúmeras formas de<br />

controle nas mais diversas áreas, muitos realiza<strong>do</strong>s de forma direta, por observação e muitos<br />

deles também informatiza<strong>do</strong>s.<br />

A empresa é uma organização com seus processos administrativos bem defini<strong>do</strong>s,<br />

onde foram identifica<strong>do</strong>s os processos de planejamento, organização, direção e controle.<br />

A área comercial trabalha voltada totalmente ao atendimento <strong>do</strong> cliente, buscan<strong>do</strong><br />

sempre oferecer produtos de qualidade com pontualidade na entrega.<br />

A empresa é um sistema aberto que interage continuamente com o ambiente em que<br />

está inserida. Este ambiente, por sua vez, é extremamente dinâmico e apresenta-se em<br />

54


constantes mudanças. Portanto, cabe aos administra<strong>do</strong>res da empresa prepará-la para enfrentar<br />

tais mudanças com propriedade e segurança.<br />

Trata-se de uma empresa em grande expansão, com muita demanda de serviço com os<br />

produtos atuais e uma grande procura de seus clientes para o fechamento de novos negócios.<br />

Portanto, a empresa deve preocupar-se em focar esforços no planejamento de suas atividades,<br />

para evitar problemas e retrabalhos.<br />

Percebe-se na empresa a preocupação constante com o ambiente externo, com a<br />

comunidade e com o meio ambiente e com todas as demais variáveis externas, bem como com<br />

seu ambiente específico, desenvolven<strong>do</strong> boas práticas de relacionamento com fornece<strong>do</strong>res e<br />

clientes. Seus processos são bem defini<strong>do</strong>s, ten<strong>do</strong> as responsabilidades delimitadas e<br />

organizadas para alcançarem os melhores resulta<strong>do</strong>s.<br />

Como recomendação final sugere-se o desenvolvimento de presta<strong>do</strong>res de serviço<br />

mais próximos da localização da empresa, buscan<strong>do</strong> dessa forma a redução de tempo e custo<br />

de transporte.<br />

Para o acadêmico fica o aprendiza<strong>do</strong> e a experiência que se obteve com a realização<br />

deste estu<strong>do</strong>, a partir <strong>do</strong> estu<strong>do</strong> <strong>do</strong> fluxo das peças zincadas dentro <strong>do</strong> sistema produtivo da<br />

empresa Bruning Tecnometal, assimilan<strong>do</strong> conceitos teóricos com a prática a<strong>do</strong>tada no dia a<br />

dia da organização.<br />

.<br />

55


BIBLIOGRAFIA<br />

BALLOU, R.H. Gerenciamento da cadeia de suprimentos: Planejamento, Organização e<br />

Logistica Empresarial. Porto Alegre: Bookman, 2001.<br />

CHIAVENATO, Idalberto. Administraçãonos novos tempos. <strong>Rio</strong> de Janeiro: Campus, 1989.<br />

CORRÊA. Henrique L. Corrêa, Carlos A. Administraçãode Produção e Operações, 2° Ed.<br />

São Paulo: Atlas, 2011<br />

GIL, Antonio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2002.<br />

KWASNICKA, Eunice Lacava. Introducao a administração. 5 ed.São Paulo: Atlas, 1995.<br />

LACOMBE, Francisco Jose Masset, HEILBORN, Gilberto Luiz Jose. Administração:<br />

princípios e tendências. São Paulo: Saraiva, 2003<br />

MOREIRA, Daniel Augusto. Administração da Produção e Operações. São Paulo:<br />

Thomson Learning, 2008.<br />

RUSSOMANO, Victor Henrique. Planejamento e Controle da Produção. São Paulo:<br />

Pioneira, 2000.<br />

SLACK, Nigel. CHAMBERS, Stuart. JOHNSTON, Robert. Administração da produção.<br />

São Paulo: Atlas, 2002.<br />

TUBINO, Dalvio Ferrari. Manual de Planejamento e Controle da Produção. São Paulo:<br />

Atlas, 2000.<br />

VERGARA, Sylvia Constant. Projetos e Realização de Pesquisas de Administração. São<br />

Paulo: Atlas, 2000.<br />

YIN, Robert. Estu<strong>do</strong> de caso: planejamento e méto<strong>do</strong>s. 2. ed. <strong>–</strong> Porto Alegre: Bookman, 2001.<br />

56


APENDICE A<br />

ENTREVISTA PARA CONHECER O FLUXO DAS PEÇAS ZINCADAS DENTRO DA<br />

EMPRESA BRUNING TECNOMETAL S.A<br />

Nome:__________________________________________________________<br />

Função que Desempenha:_________________________________________<br />

Escolaridade:____________________________________________________<br />

1. Como acontece o recebimento <strong>do</strong>s pedi<strong>do</strong>s <strong>do</strong>s clientes dentro da empresa?<br />

_____________________________________________________________________<br />

_____________________________________________________________________<br />

2. O que é feito se existir alguma alteração significativa dentro da programação<br />

previamente estabelecida?<br />

_____________________________________________________________________<br />

_____________________________________________________________________<br />

3. O estoque de matéria prima é analisa<strong>do</strong> no recebimento <strong>do</strong>s pedi<strong>do</strong>s <strong>do</strong> cliente?<br />

_____________________________________________________________________<br />

_____________________________________________________________________<br />

4. Como acontece a liberação das ordens de fabricação?<br />

_____________________________________________________________________<br />

_____________________________________________________________________<br />

57


5. A liberação de ordens de fabricação <strong>do</strong>s itens zinca<strong>do</strong>s acontece da mesma forma que<br />

os demais itens?<br />

_____________________________________________________________________<br />

_____________________________________________________________________<br />

6. O lead time <strong>do</strong>s presta<strong>do</strong>res são considera<strong>do</strong>s na abertura das ordens de fabricação?<br />

_____________________________________________________________________<br />

_____________________________________________________________________<br />

7. Qual o processo <strong>do</strong>s itens que deverão ser zinca<strong>do</strong>s?<br />

_____________________________________________________________________<br />

_____________________________________________________________________<br />

8. Quais os maiores problemas já encontra<strong>do</strong>s na organização no fluxo das peças<br />

zincadas?<br />

_____________________________________________________________________<br />

_____________________________________________________________________<br />

9. Quais as ações tomadas para eliminar os problemas lista<strong>do</strong>s?<br />

_____________________________________________________________________<br />

_____________________________________________________________________<br />

58<br />

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