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UNIVERSIDADE REGIONAL DO NOROESTE DO ESTADO ... - Unijuí

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<strong>UNIVERSIDADE</strong> <strong>REGIONAL</strong> <strong>DO</strong> <strong>NOROESTE</strong> <strong>DO</strong><br />

ESTA<strong>DO</strong> <strong>DO</strong> RIO GRANDE <strong>DO</strong> SUL<br />

Andre Luiz Bedendo<br />

MODELAGEM MATEMÁTICA DA DINÂMICA LINEAR DE<br />

MEMS BASEA<strong>DO</strong>S EM DEFORMAÇÃO ELÁSTICA<br />

E AÇÃO ELETROSTÁTICA<br />

Ijuí<br />

2012


Andre Luiz Bedendo<br />

MODELAGEM MATEMÁTICA DA DINÂMICA LINEAR DE<br />

MEMS BASEA<strong>DO</strong>S EM DEFORMAÇÃO ELÁSTICA<br />

E AÇÃO ELETROSTÁTICA<br />

Dissertação apresentada ao Programa de Pós-<br />

Graduação em Modelagem Matemática da<br />

Universidade Regional do Noroeste do Estado do<br />

Rio Grande do Sul - UNIJUÍ, como requisito parcial<br />

para a obtenção do título de Mestre em Modelagem<br />

Matemática.<br />

Orientador: Prof. Dr. Manuel Martín Pérez Reimbold<br />

Ijuí<br />

2012


<strong>UNIVERSIDADE</strong> <strong>REGIONAL</strong> <strong>DO</strong> <strong>NOROESTE</strong> <strong>DO</strong> ESTA<strong>DO</strong> <strong>DO</strong> RIO<br />

GRANDE <strong>DO</strong> SUL<br />

DCEEng - DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS EXATAS E ENGENHARIAS<br />

PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO STRICTU SENSU<br />

EM MODELAGEM MATEMÁTICA<br />

A Comissão Examinadora, abaixo assinada, homologa a Dissertação:<br />

MODELAGEM MATEMÁTICA DA DINÂMICA LINEAR DE<br />

MEMS BASEA<strong>DO</strong>S EM DEFORMAÇÃO ELÁSTICA<br />

E AÇÃO ELETROSTÁTICA<br />

Elaborada por<br />

ANDRE LUIZ BEDEN<strong>DO</strong><br />

Como requisito para obtenção do grau de Mestre em Modelagem Matemática<br />

Comissão Examinadora<br />

Prof. Dr. Manuel Martín Pérez Reimbold – UNIJUÍ (Orientador)<br />

Prof. Drª. Airam Teresa Zago Romcy Sausen – UNIJUÍ (Co-orientadora)<br />

Prof. Dr. Gideon Villar Leandro – UFPR<br />

Prof. Dr. Luiz Antonio Rasia - UNIJUÍ<br />

Ijuí, 30 de março de 2012.


A meus pais, Dorvalino e Elsa, e a minha<br />

irmã Andréia, pelo incentivo, carinho e<br />

confiança, lhes dedico este trabalho.


DEUS<br />

AGRADECIMENTOS<br />

Onipresente em todos os momentos de minha vida, especialmente em situações de frustrações<br />

e impaciência, dando-me coragem e ânimo para continuar minha caminhada.<br />

FAMÍLIA<br />

Aos meus pais Dorvalino e Elsa, os quais não mediram esforços para proporcionar minha<br />

formação moral e acadêmica. Obrigado pela confiança, pelo incentivo, coragem e paciência.<br />

Obrigado por terem acreditado no meu ideal. Por terem acreditado na minha persistência que<br />

chegaria ao final e por acreditarem que ainda chegarei a ser mais do que sonhamos. A minha<br />

irmã Andréia. Sem a sua ajuda, sem o seu incentivo eu não conseguiria retirar as pedras do<br />

caminho. Por isso dedico a você a minha conquista, quero lhe agradecer e compartilhar<br />

contigo minha alegria. A alegria da realização de um sonho.<br />

PROFESSORES<br />

Ao professor Dr. Manuel Martín Pérez Reimbold (Manolo). Não foram apenas dois anos de<br />

orientação acadêmica. Seus ensinamentos, sua motivação, seus ideais serviram-me como<br />

exemplo profissional, mas acima de tudo o caráter humano a ser seguido para a vida toda.<br />

Con su permiso, como o senhor sempre diz: “Companheiro, vamos que vamos.”<br />

A Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul, e demais professores<br />

do Mestrado em Modelagem Matemática da UNIJUÍ que contribuíram com minha formação.<br />

Em especial a professora Drª. Airam Sausen pela co-orientação.<br />

Ao CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) pela bolsa de<br />

estudos concedida para realização desta pesquisa.<br />

COLEGAS E AMIGOS<br />

Aos colegas e acima de tudo amigos. Não é um adeus, muito menos uma despedida, apenas<br />

até breve. Muitas histórias, muito estudo e conversas quase sempre na saudosa sala 519 da<br />

FIDENE. Em especial, aos colegas Cléber, Marília e Alan, o agradecimento pelo<br />

companheirismo, pelas ideias trocadas e amizade. Fica na lembrança os bons, divertidos e<br />

preocupantes momentos e situações que convivemos. Ao “nash” Cléber, pelas nossas viagens,<br />

congressos, discussões de artigos e muitas horas de boa conversa. A secretaria do mestrado,<br />

em especial à Geni pela amizade, atenção e disposição sempre prontamente a nos atender.<br />

A TO<strong>DO</strong>S, MUITO OBRIGA<strong>DO</strong>.


“O melhor resultado acontece quando<br />

todos em um grupo fazem o melhor por<br />

si próprios e pelo grupo."<br />

(John Nash)


RESUMO<br />

MEMS (Micro-Electro-Mechanical Systems) é uma tecnologia emergente, desafiadora por<br />

sua multidisciplinaridade e promissora para atender às necessidades da sociedade moderna.<br />

Seu desempenho, confiabilidade, invisibilidade e economia de energia são suas principais<br />

virtudes. MEMS desperta elevado interesse industrial e agrega investimentos significativos. A<br />

caracterização precoce destes, assegurando sua qualidade por intermédio de testes, diminuição<br />

do tempo e custos da produção são as exigências principais da indústria. Consequentemente,<br />

este trabalho propõe obter modelos matemáticos que descrevam o desempenho<br />

comportamental de microtransdutores MEMS, baseados em deformação elástica e ação<br />

eletrostática. Para isso utilizou-se a modelagem matemática e técnicas de Identificação de<br />

Sistemas, especificamente a modelagem “caixa-cinza”. Esta metodologia consiste na seleção<br />

da forma do modelo, o qual deve estar adaptado ás representações de dados comportamentais<br />

de entrada e saída e respectivamente, obtidos a partir de simulações desenvolvidas<br />

no software ANSYS. Aliado a isso, utiliza-se o conhecimento a priori das microestruturas. O<br />

sinal teste utilizado para excitar o sistema e gerar o conjunto de dados, consiste em um degrau<br />

de força. Quando contaminado com ruído, os dados experimentais permitem obter o modelo<br />

comportamental estocástico. Caso contrário o modelo é determinístico. São utilizados<br />

modelos matemáticos autoregressivos, com entradas exógenas e entradas exógenas com<br />

média móvel. Seus parâmetros são estimados usando o método de mínimos quadrados<br />

clássico e estendidos. Concomitantemente são investigados e avaliados métodos de<br />

discretização de forma que a transformação do modelo analógico em discreto seja exata. Os<br />

resultados obtidos demonstram a necessidade da combinação de elementos da modelagem<br />

para que os modelos estimados apresentem uma dinâmica compatível com a dinâmica real. O<br />

processo de discretização é um fator preponderante na forma em que os dados são<br />

aproximados durante a transformação analógico/digital. A precisão alcançada nos resultados é<br />

satisfatória. Os modelos determinísticos e estocásticos identificados apresentaram<br />

desempenho eficiente, especialmente quando discretizados por intermédio do método de<br />

Tustin. Estes resultados são validados pelo desempenho comportamental compatível, erro<br />

mínimo de resposta, validação cruzada e critérios estatísticos. Logo, as técnicas utilizadas se<br />

mostram práticas eficientes, não invasivas e válidas na identificação do modelo de<br />

dispositivos microscópicos.<br />

Palavras chave: Identificação de Sistemas. Caixa-cinza. Elastomassas. Comb-drive. Discreto.


ABSTRACT<br />

MEMS (Micro-Electro-Mechanical Systems) is a emergent technology, challenging by its<br />

multidisciplinarity and promising by meet the needs of modern society. Its performance, trust,<br />

invisibility and energy economy are the main strengths. MEMS arouses high industrial<br />

interests and adds significant investments. The early characterization of these, assuring its<br />

quality through testing, to decrease the time and costs of production are the main requirements<br />

of the industry. Consequently, this study proposes to obtain mathematical models that<br />

describe the behavioral performance of microtransducers MEMS, based in elastic deformation<br />

and electrostatic action. For this it was used mathematical modeling and system identification<br />

techniques to meet this demand. Specifically, the “gray-box” modeling was used. This<br />

methodology consists in selecting the form of the model, which must be adapted to the<br />

representations of behavioral data, input and output, e respectively, obtained from<br />

simulations developed in ANSYS software. Along with that, it uses a priori knowledge of<br />

microstructures. The test signal used to excite the system and generate the set of data, consists<br />

of a step of electromechanical force. When contaminated with noise, the experimental data<br />

allow obtaining the stochastic behavioral model. Otherwise the model is deterministic.<br />

Mathematical models autoregressive are used, with exogenous inputs and exogenous inputs<br />

with moving average. Its parameters are estimated using the classical and extended method of<br />

least squares. Concomitantly are investigated and evaluated methods of discretization so the<br />

transformation of the analog to discrete is accurate. The obtained results demonstrate the<br />

necessity of a combination of modeling elements for the estimated models have a compatible<br />

dynamic with the real dynamics. The discretization process is a major factor in how data are<br />

approximate during the analog/digital transformation. The accuracy achieved in the results is<br />

satisfactory. The deterministic and stochastic models identified were efficient performance,<br />

especially when discretized via method of Tustin. These results are validated by compatible<br />

behavioral performance, minimal error response, cross-validation and statistical criteria. Thus,<br />

the techniques used to show effective practices, non-invasive and valid in identification of<br />

microscopic devices model.<br />

Key Word: System Identification. Gray Box Model. Micro-Nucleus. Comb-drive. Discrete.


LISTA DE FIGURAS<br />

Figura 1- Estrutura física dos dispositivos MEMS ................................................................................................ 21<br />

Figura 2 - Blocos funcionais dos microssistemas integrados ................................................................................ 21<br />

Figura 3 - Primeiro dispositivo. (a) transistor em germânio; (b) circuito integrado; (c) circuito integrado lógico 22<br />

Figura 4 - Tecnologias envolvidas e aplicações típicas de MEMS........................................................................ 24<br />

Figura 5 - Aplicações dos MEMS em um automóvel ............................................................................................ 25<br />

Figura 6 - CARDIOMEMS - sensores de pressão sem fio implantado no corpo humano .................................... 26<br />

Figura 7 - BIOMEMS. (a) cauterizador; (b) microagulha; (c) protótipo de microrrobô MEMS ........................... 27<br />

Figura 8 - Insetos Cyborg. (a) traça Pupa mais chip MEMS; (b) sistema de estimulação sobre o dorso do inseto28<br />

Figura 9 - Previsão do mercado de MEMS ........................................................................................................... 29<br />

Figura 10 - Conversão de sinais em sensores eletrônicos ...................................................................................... 34<br />

Figura 11 - Fluxo de energia e estímulo/resposta do sensor transdutor ................................................................. 35<br />

Figura 12 - Diagrama de fluxo de energia em MEMS. (a) atuador; (b) sensor ..................................................... 36<br />

Figura 13 - Formas de deformação dos corpos. Linhas tracejadas representam a forma antes, e linhas sólidas,<br />

após a deformação. (a) Deformação normal por alongamento; (b) Deformação normal por compreensão; (c)<br />

Deformação por cisalhamento; (d) Deformação por torção .................................................................................. 38<br />

Figura 14 - Atuador eletromecânico em diagrama de blocos ................................................................................ 39<br />

Figura 15 - Viga engastada ou em balanço, microcantilever ................................................................................. 41<br />

Figura 16 - Topologias de elastomassas. (a) formato em U; (b) crab; (c) ponte dupla; (d) dobradiça; (e) ponte<br />

simples; (f) serpentina ........................................................................................................................................... 41<br />

Figura 17 - Capacitor de placas paralelas .............................................................................................................. 42<br />

Figura 18 - Topologias de dedos capacitivos. (a) reto; (b) grosso-oval; (c) copa fina; (d) copa grossa; (e) alfinete;<br />

(f) serra .................................................................................................................................................................. 43<br />

Figura 19 - Estrutura comb-drive........................................................................................................................... 43<br />

Figura 20 - Tipos de comb-drive. (a) translação; (b) rotação ................................................................................ 44<br />

Figura 21 - Direção de deslocamentos do comb-drive translacional. (a) longitudinal; (b) lateral; (c) vertical ...... 45<br />

Figura 22 - Representação pictórica das dificuldades de cada classe de modelos ................................................. 48<br />

Figura 23 - Concepção do modelo analítico dos atuadores eletrostáticos MEMS ................................................. 53<br />

Figura 24 - Atuador eletrostático MEMS. (a) parâmetros concentrados; (b) corpo livre ...................................... 54<br />

Figura 25 - Identificação de sistemas .................................................................................................................... 56<br />

Figura 26 - Geometria do elemento SOLID45 ...................................................................................................... 58


Figura 27 - TRANS126. (a) banco capacitivo; (b) símbolo; (c) equivalente mecânico......................................... 58<br />

Figura 28 - Características do TRANS126. (a) capacitância x deslocamento; (b) repulsão eletromecânica ......... 59<br />

Figura 29 - Tipos de sinais. (a) contínuo; (b) contínuo quantizado; (c) discretizado; (d) discretizado quantizado 61<br />

Figura 30 – Discretização no tempo de um sinal contínuo .................................................................................... 62<br />

Figura 31 - Mapeamento exponencial entre e .................................................................................................. 63<br />

Figura 32 - Sinal amostrado com segurador ZOH ................................................................................................. 68<br />

Figura 33 - Representação esquemática do modelo ARX. (a) equivalente à equação (46); (b) representada em<br />

novo formato após algumas operações matemáticas ............................................................................................. 69<br />

Figura 34 - Representação esquemática do modelo ARMAX. (a) equivalente à equação (49); (b) representada em<br />

novo formato após algumas operações matemáticas ............................................................................................. 71<br />

Figura 35 - Elastomassas. (a) ponte simples; (b) ponte dupla; (c) dobradiça ........................................................ 82<br />

Figura 36 - Atuadores eletrostáticos. (a) ponte simples; (b) ponte dupla; (c) dobradiça ....................................... 83<br />

Figura 37 - Dinâmica real/experimental as elastomassas sem ruído: Sinal Degrau. (a) ponte simples; (b) ponte<br />

dupla; (c) dobradiça. Sinal Sinusoidal. (d) ponte simples; (e) ponte dupla; (f) dobradiça ..................................... 84<br />

Figura 38 - Dinâmica real/experimental as elastomassas com ruído: Sinal Degrau. (a) ponte simples; (b) ponte<br />

dupla; (c) dobradiça. Sinal Sinusoidal. (d) ponte simples; (e) ponte dupla; (f) dobradiça ..................................... 85<br />

Figura 39 - Dinâmica real/experimental do microatuador: Sinal Degrau sem ruído. (a) ponte simples; (b) ponte<br />

dupla; (c) dobradiça. Sinal Degrau com ruído. (d) ponte simples; (e) ponte dupla; (f) dobradiça ........................ 86<br />

Figura 40 - Interface gráfica do programa desenvolvido ....................................................................................... 87<br />

Figura 41 - Fluxograma do algoritmo .................................................................................................................... 88<br />

Figura 42 - Vetor de regressores obtidos por cada processo de discretização ....................................................... 89<br />

Figura 43 - Comparativo entre as dinâmicas da plataforma de testes e o modelo ARX (sem ruído) de<br />

elastomassas MEMS: Discretizador MII. (a) ponte simples; (b) ponte dupla; (c) dobradiça. Discretizador Tustin.<br />

(d) ponte simples; (e) ponte dupla; (f) dobradiça .................................................................................................. 91<br />

Figura 44 - Erro relativo percentual entre plataforma de testes e o modelo ARX (sem ruído) de elastomassas<br />

MEMS: Discretizador MII. (a) ponte simples; (b) ponte dupla; (c) dobradiça. Discretizador Tustin. (d) ponte<br />

simples; (e) ponte dupla; (f) dobradiça .................................................................................................................. 92<br />

Figura 45 - Respostas de ambos os modelos ARX (sem ruído) de elastomassas MEMS submetidos ao sinal<br />

sinusoidal: Discretizador MII. (a) ponte simples; (b) ponte dupla; (c) dobradiça. Discretizador Tustin. (d) ponte<br />

simples; (e) ponte dupla; (f) dobradiça .................................................................................................................. 94<br />

Figura 46 - Comparativo entre as dinâmicas da plataforma de testes e o modelo ARX (com ruído) de<br />

elastomassas MEMS: Discretizador ZOH. (a) ponte simples; (b) ponte dupla; (c) dobradiça. Discretizador Tustin.<br />

(d) ponte simples; (e) ponte dupla; (f) dobradiça .................................................................................................. 96<br />

Figura 47 - Erro relativo percentual entre plataforma de testes e o modelo ARX (com ruído) de elastomassas<br />

MEMS: Discretizador ZOH. (a) ponte simples; (b) ponte dupla; (c) dobradiça. Discretizador Tustin. (d) ponte<br />

simples; (e) ponte dupla; (f) dobradiça .................................................................................................................. 97


Figura 48 - Respostas de ambos os modelos ARX (com ruído) de elastomassas MEMS submetidos ao sinal<br />

sinusoidal: Discretizador ZOH. (a) ponte simples; (b) ponte dupla; (c) dobradiça. Discretizador Tustin. (d) ponte<br />

simples; (e) ponte dupla; (f) dobradiça ................................................................................................................ 100<br />

Figura 49 - Comparativo entre as dinâmicas da plataforma de testes e o modelo ARMAX (sem ruído) de<br />

elastomassas MEMS: Discretizador ZOH. (a) ponte simples; (b) ponte dupla; (c) dobradiça. Discretizador Tustin.<br />

(d) ponte simples; (e) ponte dupla; (f) dobradiça ................................................................................................ 102<br />

Figura 50 - Erro relativo percentual entre plataforma de testes e o modelo ARMAX (sem ruído) de elastomassas<br />

MEMS: Discretizador ZOH. (a) ponte simples; (b) ponte dupla; (c) dobradiça. Discretizador Tustin. (d) ponte<br />

simples; (e) ponte dupla; (f) dobradiça ................................................................................................................ 103<br />

Figura 51 - Resposta de ambos os modelos ARMAX (sem ruído) de elastomassas MEMS submetidos ao sinal<br />

sinusoidal: Discretizador ZOH. (a) ponte simples; (b) ponte dupla; (c) dobradiça. Discretizador Tustin. (d) ponte<br />

simples; (e) ponte dupla; (f) dobradiça ................................................................................................................ 105<br />

Figura 52 - Comparativo entre as dinâmicas da plataforma de testes e o modelo ARMAX (com ruído) de<br />

elastomassas MEMS: Discretizador ZOH. (a) ponte simples; (b) ponte dupla; (c) dobradiça. Discretizador Tustin.<br />

(d) ponte simples; (e) ponte dupla; (f) dobradiça ................................................................................................ 107<br />

Figura 53 - Erro relativo percentual entre plataforma de testes e o modelo ARMAX (com ruído) de elastomassas<br />

MEMS: Discretizador ZOH. (a) ponte simples; (b) ponte dupla; (c) dobradiça. Discretizador Tustin. (d) ponte<br />

simples; (e) ponte dupla; (f) dobradiça ................................................................................................................ 108<br />

Figura 54 - Resposta de ambos os modelos ARMAX (com ruído) de elastomassas MEMS submetidos ao sinal<br />

sinusoidal: Discretizador ZOH. (a) ponte simples; (b) ponte dupla; (c) dobradiça. Discretizador Tustin. (d) ponte<br />

simples; (e) ponte dupla; (f) dobradiça ................................................................................................................ 110<br />

Figura 55 - Comparativo entre as dinâmicas da plataforma de testes e o modelo ARX (sem ruído) do atuador<br />

MEMS: Discretizador BwD. (a) ponte simples; (b) ponte dupla; (c) dobradiça. Discretizador Tustin. (d) ponte<br />

simples; (e) ponte dupla; (f) dobradiça ................................................................................................................ 112<br />

Figura 56 – Erro relativo percentual entre plataforma de testes e o modelo ARX (sem ruído) do atuador MEMS:<br />

Discretizador BwD. (a) ponte simples; (b) ponte dupla; (c) dobradiça. Discretizador Tustin. (d) ponte simples; (e)<br />

ponte dupla; (f) dobradiça ................................................................................................................................... 113<br />

Figura 57 - Comparativo entre as dinâmicas da plataforma de testes e o modelo ARX (com ruído) do atuador<br />

MEMS: Discretizador ZOH. (a) ponte simples; (b) ponte dupla; (c) dobradiça. Discretizador Tustin. (d) ponte<br />

simples; (e) ponte dupla; (f) dobradiça ................................................................................................................ 116<br />

Figura 58 – Erro relativo percentual entre plataforma de testes e o modelo ARX (com ruído) do atuador MEMS:<br />

Discretizador ZOH. (a) ponte simples; (b) ponte dupla; (c) dobradiça. Discretizador Tustin. (d) ponte simples; (e)<br />

ponte dupla; (f) dobradiça ................................................................................................................................... 117<br />

Figura 59 - Comparativo entre as dinâmicas da plataforma de testes e o modelo ARMAX (com ruído) do atuador<br />

MEMS: Discretizador ZOH. (a) ponte simples; (b) ponte dupla; (c) dobradiça. Discretizador Tustin. (d) ponte<br />

simples; (e) ponte dupla; (f) dobradiça ................................................................................................................ 120<br />

Figura 60 – Erro relativo percentual entre plataforma de testes e o modelo ARMAX (com ruído) do atuador<br />

MEMS: Discretizador ZOH. (a) ponte simples; (b) ponte dupla; (c) dobradiça. Discretizador Tustin. (d) ponte<br />

simples; (e) ponte dupla; (f) dobradiça ................................................................................................................ 121<br />

Figura 61 - Combinação das melhores estimativas dos modelos matemáticos .................................................. 124


LISTA DE TABELAS<br />

Tabela 1 - Representações de modelos discretos utilizando Identificação de Sistemas ........................................ 53<br />

Tabela 2 - Parâmetros estimados do modelo ARX (elastomassa sem ruído) com discretizador MII .................... 90<br />

Tabela 3 - Parâmetros estimados do modelo ARX (elastomassa sem ruído) com discretizador Tustin ................ 90<br />

Tabela 4 - Valores do para avaliação do modelo ARX determinístico de elastomassas MEMS ............... 93<br />

Tabela 5 - Valores do para avaliação do modelo ARX determinístico de elastomassas MEMS ................... 94<br />

Tabela 6 - Parâmetros estimados do modelo ARX (elastomassa com ruído) com discretizador ZOH .................. 95<br />

Tabela 7 - Parâmetros estimados do modelo ARX (elastomassa com ruído) com discretizador Tustin ................ 96<br />

Tabela 8 - Valores do para avaliação do modelo ARX estocástico de elastomassas MEMS .................... 99<br />

Tabela 9 - Valores do para avaliação do modelo ARX estocástico de elastomassas MEMS ........................ 99<br />

Tabela 10 - Parâmetros estimados do modelo ARMAX (elastomassa sem ruído) com discretizador ZOH ........ 101<br />

Tabela 11 - Parâmetros estimados do modelo ARMAX (elastomassa sem ruído) com discretizador Tustin ...... 101<br />

Tabela 12 - Valores do para avaliação do modelo ARMAX determinístico de elastomassas MEMS ..... 104<br />

Tabela 13 - Valores do para avaliação do modelo ARMAX determinístico de elastomassas MEMS ......... 105<br />

Tabela 14 - Parâmetros estimados do modelo ARMAX (elastomassa com ruído) com discretizador ZOH ....... 106<br />

Tabela 15 - Parâmetros estimados do modelo ARMAX (elastomassa com ruído) com discretizador Tustin ..... 106<br />

Tabela 16 - Valores do para avaliação do modelo ARMAX estocástico de elastomassas MEMS .......... 109<br />

Tabela 17 - Valores do para avaliação do modelo ARMAX estocástico de elastomassas MEMS .............. 110<br />

Tabela 18 – Tempo de execução em segundos da identificação do modelo ARX de elastomassas MEMS ....... 111<br />

Tabela 19 – Tempo de execução em segundos da identificação do modelo ARMAX de elastomassas MEMS . 111<br />

Tabela 20 - Parâmetros estimados do modelo ARX (atuador sem ruído) com discretizador BwD ..................... 112<br />

Tabela 21 - Parâmetros estimados do modelo ARX (atuador sem ruído) com discretizador Tustin ................... 112<br />

Tabela 22 - Valores do para avaliação do modelo ARX determinístico do atuador MEMS.................... 115<br />

Tabela 23 - Valores do para avaliação do modelo ARX determinístico do atuador MEMS ........................ 115<br />

Tabela 24 - Parâmetros estimados do modelo ARX (atuador com ruído) com discretizador ZOH ..................... 115<br />

Tabela 25 - Parâmetros estimados do modelo ARX (atuador com ruído) com discretizador Tustin ................... 115<br />

Tabela 26 - Valores do para avaliação do modelo ARX determinístico do atuador MEMS.................... 118<br />

Tabela 27 - Valores do para avaliação do modelo ARX determinístico do atuador MEMS ........................ 118<br />

Tabela 28 - Parâmetros estimados do modelo ARMAX (atuador com ruído) com discretizador ZOH .............. 119


Tabela 29 - Parâmetros estimados do modelo ARMAX (atuador com ruído) com discretizador Tustin ............ 119<br />

Tabela 30 - Valores do para avaliação do modelo ARMAX estocástico do atuador MEMS .................. 122<br />

Tabela 31 - Valores do para avaliação do modelo ARMAX estocástico do atuador MEMS ...................... 123<br />

Tabela 32 – Tempo de execução em segundos da identificação do modelo ARX do atuador MEMS ................ 123<br />

Tabela 33 – Tempo de execução em segundos da identificação do modelo ARMAX do atuador MEMS ......... 123


ABS Antilock Broking System<br />

LISTA DE ABREVIATURAS<br />

AIC Critério de Informação de Akaike (Akaike Information Criterion)<br />

ANSYS Analisys System<br />

AR Autoregressivo (Autoregressive)<br />

ARARMAX Ruído Autoregressivo em modelo Autoregressivo de Entradas Exógenas<br />

(Autoregressive Noise Autoregressive Moving Average with Exogenous<br />

inputs)<br />

ARARX Ruído Autoregressivo em modelo Autoregressivo de Entradas Exógenas<br />

(Autoregressive Noise Autoregressive with Exogeneous inputs)<br />

ARMA Autoregressivo de Média Móvel (Autoregressive Moving Average)<br />

ARMAX Autoregressivo de Média Móvel com Entradas Exógenas (Autoregressive<br />

Noise Autoregressive Moving Average with Exogenous inputs)<br />

ARX Autoregressivo com Entradas Exógenas (Autoregressive with Exogenous<br />

inputs)<br />

BEM Método de Elementos de Fronteira (Boundary Element Method)<br />

BIOMEMS Sistemas Microeletromecânicos Biológicos (Biological<br />

BJ Box-Jenkins<br />

microelectromechanical systems)<br />

BwD Backward Difference<br />

CA Corrente alternada (alternating current)<br />

CADMEMS (Computer Aids Design for MEMS)<br />

CC Corrente Contínua (direct current)<br />

CIs Circuitos Integrados (Integrat Circuits)<br />

CR Corpo Rígido<br />

DARPA Agência de Projetos de Pesquisa Avançada de Defesa (Defense Advanced<br />

Research Projects Agency)<br />

DNA Ácido desoxirribonucleico (Deoxyribonucleic acid)<br />

DP Desvio padrão (Standard deviation)<br />

FEM Método de Elementos Finitos (Finite Element Method)<br />

FIR Resposta ao impulso finito (Finite Impulse Response)<br />

FT Função de transferência (Trasnfer function)


FwD Forward Difference<br />

HI-MEMS (Híbrid Insect Microelectromechanical Systems)<br />

IEEE Instituto de Engenheiros Eletricistas e Eletrônicos (Institute of Electrical<br />

and Electronics Engineers)<br />

MEMS Sistemas microeletromecânicos (Microelectromechanical Systems)<br />

MII Método da invariância ao Impulso (Impulse invariance method)<br />

MIMO Multientradas, multisaídas (Multiple Inputs, Multiple Outputs)<br />

MISO Multientradas, uma saída (Multiple Inputs, Single Output)<br />

MQ Mínimos quadrados (Least Square LS)<br />

MQE Mínimos quadrados estendidos (Extended Least Square ELS)<br />

MQR Mínimos quadrados recursivos (Recursive Least Square RLS)<br />

NEMS Sistemas nanoeletromecânicos (Nanoelectromechanical systems)<br />

NEW-MEMS Novos MEMS<br />

ODEs Equações diferenciais ordinárias (Ordinary Differential Equations)<br />

OE Erro na Saída (Output Error)<br />

PDEs Equações Diferenciais Parciais (Partial Differential Equations)<br />

PRBS Sinal binário pseudo-aleatório (pseudo-random binary signal)<br />

RF Rádio Frequência (Radio Frequency)<br />

RMSE Raiz Quadrada do Erro Quadrático Médio (Root Mean Square Error)<br />

SIMO Uma entrada, multisaídas (Single Input, Multiple Outputs)<br />

SISO Uma entrada e uma saída (Single Input, Single Output)<br />

SoCs Sistemas em um chip (Systems on a chip)<br />

ZOH Retentor de Ordem Zero (Zero Order Hold)


Germânio<br />

Preço, peso, performance<br />

LISTA DE SÍMBOLOS<br />

Frequência de oscilação do sistema<br />

Frequência natural<br />

Frequência de ressonância<br />

Carga elétrica<br />

Potencial elétrico<br />

Capacitância elétrica<br />

Massa<br />

Coeficiente de elasticidade<br />

Coeficiente de amortecimento<br />

Ordem da derivada do sinal de saída<br />

Ordem da derivada do sinal de entrada<br />

Variável dinâmica de saída<br />

Variável dinâmica de entrada<br />

Transformada de Laplace<br />

Função de transferência do processo<br />

Função de transferência do ruído<br />

Operador de atraso,<br />

Máximo atraso entre os regressores da entrada<br />

Máximo atraso entre os regressores da saída<br />

Máximo atraso entre os regressores do ruído<br />

Instante de tempo<br />

Intervalo de tempo<br />

Operador diferencial discreto<br />

Permissividade do meio<br />

Distância entre as placas ou “dedos”<br />

Espessura dos “dedos”<br />

Deslocamento dos dedos<br />

Energia eletrostática<br />

Diferença de potencial


Frequência com amortecimento<br />

Período de amostragem<br />

Sinal de entrada no instante<br />

Sinal de saída no instante<br />

Frequência de amostragem<br />

Frequência do sinal a ser amostrado<br />

Frequência complexa em tempo contínuo<br />

Transformada<br />

Transformada de Fourier<br />

Frequência complexa em tempo discreto<br />

Função temporal contínua<br />

Função discreta de<br />

Função de transferência do sistema contínuo<br />

Função de transferência do sistema discreto<br />

Erro no instante<br />

Vetor de regressores<br />

̂ Vetor de parâmetros a ser estimado<br />

Erro no modelo<br />

Resíduos (diferença entre valores observados e respectivas estimativas)<br />

Função custo minimizada pelo método de MQ<br />

Vetor de regressores que contém observações até o instante<br />

Matriz de covariância<br />

Matriz de ganho<br />

Número de atrasos do processo<br />

Número de atrasos do ruído<br />

Erro relativo percentual<br />

Valor real da saída do sistema no instante<br />

̂ Estimativa do valor previsto pelo modelo do sistema no instante<br />

Número de amostras<br />

Verossimilhança maximizada<br />

Número de parâmetros do modelo<br />

Intervalo de tempo<br />

Operador delta


SUMÁRIO<br />

1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................... 19<br />

1.1 Considerações iniciais ...................................................................................................... 19<br />

1.2 Sistemas microeletromecânicos (MEMS) ....................................................................... 20<br />

1.3 Evolução dos MEMS ........................................................................................................ 21<br />

1.4 Aplicações .......................................................................................................................... 24<br />

1.4.1 Aplicações automotivas ................................................................................................. 24<br />

1.4.2 Aplicações em telecomunicações .................................................................................. 25<br />

1.4.3 Aplicações médicas e biomédicas ................................................................................. 26<br />

1.4.4 Aplicações militares ....................................................................................................... 27<br />

1.5 Mercado ............................................................................................................................. 28<br />

1.6 Motivação .......................................................................................................................... 30<br />

1.7 Objetivos ............................................................................................................................ 33<br />

1.8 Estrutura da dissertação .................................................................................................. 33<br />

2 ATUA<strong>DO</strong>RES MEMS ......................................................................................................... 34<br />

2.1 Transdução ou conversão de energia .............................................................................. 34<br />

2.1.1 Conceitos de dinâmica e cinemática ............................................................................ 36<br />

2.1.2 Movimento elástico ........................................................................................................ 37<br />

2.2 Atuadores eletromecânicos .............................................................................................. 39<br />

2.3 Microestruturas elásticas suspensas e elastomassas ...................................................... 40<br />

2.4 Estrutura comb-drive ........................................................................................................ 42<br />

3 MODELAGEM MATEMÁTICA ...................................................................................... 46<br />

3.1 Identificação de sistemas .................................................................................................. 46<br />

3.2 Classificação dos modelos dinâmicos .............................................................................. 48<br />

3.3 Representação linear de sistemas dinâmicos.................................................................. 51<br />

3.3.1 Representações discretas ............................................................................................... 52<br />

3.4 Modelo linear dos atuadores MEMS .............................................................................. 53<br />

3.5 Modelagem caixa-cinza .................................................................................................... 56<br />

3.5.1 Seleção de testes dinâmicos e coleta de dados ............................................................. 57<br />

3.5.1.1 Plataforma de teste ..................................................................................................... 57<br />

3.5.1.2 Experimentação do sistema ....................................................................................... 59<br />

3.5.1.3 Tempo de amostragem ............................................................................................... 60<br />

3.5.2 Discretizadores ............................................................................................................... 60


3.5.2.1 Forward Difference ..................................................................................................... 64<br />

3.5.2.2 Backward Difference ................................................................................................... 65<br />

3.5.2.3 Tustin ........................................................................................................................... 66<br />

3.5.2.4 Invariância ao impulso ............................................................................................... 67<br />

3.5.2.5 Zero Order Hold .......................................................................................................... 68<br />

3.5.3 Escolha da representação matemática ......................................................................... 68<br />

3.5.3.1 Representação ARX ................................................................................................... 69<br />

3.5.3.2 Representação ARMAX ............................................................................................. 70<br />

3.5.4 Determinação da Estrutura do Modelo ....................................................................... 71<br />

3.5.5 Estimação dos parâmetros ............................................................................................ 71<br />

3.5.5.1 Estimador de mínimos quadrados ............................................................................ 72<br />

3.6.4.2 Estimador de mínimos quadrados estendidos ......................................................... 77<br />

3.5.6 Validação dos modelos .................................................................................................. 80<br />

4 METO<strong>DO</strong>LOGIA E RESULTA<strong>DO</strong>S ................................................................................ 82<br />

4.1 Metodologia ....................................................................................................................... 82<br />

4.2 Resultados e discussões .................................................................................................... 89<br />

4.2.1.1 Resultados para modelo ARX de elastomassas ........................................................ 90<br />

4.2.1.2 Resultados para o modelo ARMAX de elastomassas ............................................ 101<br />

4.2.2.1 Resultados para modelo ARX do atuador eletrostático ........................................ 112<br />

4.2.2.2 Resultados para modelo ARMAX do atuador eletrostático ................................. 119<br />

5 CONCLUSÕES .................................................................................................................. 126<br />

5.1 Considerações finais ....................................................................................................... 126<br />

5.2 Propostas de trabalho ..................................................................................................... 128<br />

REFERÊNCIAS ................................................................................................................... 130<br />

APÊNDICE A - Relação do vetor de regressores com os parâmetros característicos ... 135<br />

ANEXO A – Topologias e dimensões das elastomassas .................................................... 146


1 INTRODUÇÃO<br />

Este capítulo apresenta os conceitos e a contextualização teórica dos diversos aspectos<br />

e fundamentos que caracterizam os MEMS. O capítulo visa também descrever a evolução<br />

desta tecnologia, bem como, a estreita ligação existente com a microeletrônica. Com ênfase<br />

nas potenciais aplicações destes microdispositivos são apresentados alguns dos segmentos<br />

industriais com destaque na utilização de MEMS. Também são expostas as projeções de<br />

mercado. Em seguida, apresenta-se a motivação para a realização do trabalho e o objetivo a<br />

ser alcançado. Por fim é apresentada a estrutura desta dissertação.<br />

1.1 Considerações iniciais<br />

Ao longo dos anos, a sociedade tem sido testemunha da constante evolução<br />

tecnológica desenvolvida pelo homem. No rastro desta evolução, alguns marcos foram<br />

essências para este crescimento tecnológico. A partir da metade do século XX, intitulado<br />

período pós-guerra, as investigações nos processos bélicos não eram mais o foco de interesse<br />

científico. A prioridade voltou-se as necessidades de avanços e estudos em materiais<br />

semicondutores. Conforme Swart (2000) o descobrimento do efeito “transistor” (transfer<br />

resistor) no final da década de 50 e o desenvolvimento da eletrônica promoveram inúmeros<br />

avanços científicos a partir deste período ocasionando, desta forma, o despertar para a ciência<br />

moderna.<br />

Esta descoberta permitiu ao homem uma constante miniaturização e integração de<br />

componentes eletrônicos em larga escala. Em seguida, o surgimento e o desenvolvimento do<br />

processo planar para a fabricação dos Circuitos Integrados (CIs), (integrated circuit),<br />

possibilitou o nascimento de um novo campo revolucionário, a Microeletrônica, a qual<br />

proporcionou uma revolução econômica mundial. Todavia, a busca por novas tecnologias foi<br />

uma consequência natural. O anseio em aperfeiçoar e produzir mecanismos inovadores<br />

tornou-se uma constante a cerca do desenvolvimento de modernas tecnologias.<br />

Nos dias atuais, uma nova revolução fundamentada nas micro e nanotecnologias<br />

encontra-se em plena ascensão. A sociedade vive agora o que é chamado de “era da<br />

informação”. Seu interesse está voltado aos bens de consumo e dispositivos de dimensões<br />

mínimas. Estes por sua vez, que apresentem características de portabilidade, confiabilidade,<br />

economia quanto ao consumo de energia e preço acessível. A maioria das atividades humanas<br />

depende de forma crescente nestas novas tecnologias.<br />

19


Neste sentido, o homem segue como parte integrante e atuante neste cenário de<br />

intensas mudanças tecnológicas. Na área da Microeletrônica, despertou-se o interesse na<br />

projeção e fabricação de dispositivos e mecanismos que combinassem, além dos componentes<br />

elétricos, outras estruturas. Segundo Ferreira e Fernandes (2003) unificadas com partes<br />

mecânicas, magnéticas, fluídicas, ópticas entre outras. Desta forma, os microdispositivos são<br />

integrados como sistema completo em um chip, (SoCs – Systems-on-a-Chip). Estes<br />

dispositivos ganharam caráter interativo em escala cada vez mais reduzida possibilitando a<br />

sua integração em nível de microssistemas.<br />

1.2 Sistemas microeletromecânicos (MEMS)<br />

A tecnologia dos microssistemas torna-se interessante devido as suas características<br />

micrométricas e versáteis vinculadas a produtos inteligentes. Um segmento emergente destes<br />

microssistemas são os Sistemas Microeletromecânicos (Micro-Electro-Mechanical Systems),<br />

ou MEMS. Esta tecnologia está ganhando crescente interesse tanto científico como industrial.<br />

MEMS encontra-se presente nas engenharias, física, matemática, computação, química,<br />

biologia entre outras ciências. Logo, se caracteriza por uma tecnologia desafiadora pela sua<br />

multidisciplinaridade e promissora por atender às necessidades da sociedade moderna.<br />

Segundo Maluf e Willians (2004) MEMS são definidos como microtransdutores que<br />

desempenham funções como sensoriamento e atuação. Estas funções gerenciadas por<br />

algoritmos matemáticos tornam estes microssistemas atrativos em inúmeras aplicações<br />

industriais e bens de consumo de dimensões micrométricas. Estes por sua vez, apresentam<br />

desempenho satisfatório, funcionalidades inteligentes e preço acessível. Reimbold (2008)<br />

define MEMS como,<br />

[...] um microssistema de princípio invasivo com capacidade de intermediação e<br />

interação que resulta da combinação das capacidades de sensação, atuação,<br />

autonomia, transporte e adaptação ao meio, pré-determinadas através de<br />

processamento computacional, condicionamento de sinal, transferência de dados.<br />

Estes gerenciados por algoritmos matemáticos que imitam o pensamento humano<br />

tornam o comportamento dos MEMS inteligente, versátil e eficiente.<br />

Fisicamente a concepção dos dispositivos MEMS consiste na integração de<br />

microssensores, microatuadores e microeletrônica. Estes microdispositivos são implantados<br />

em um único chip, em escala micrométrica, através de técnicas de microusinagem. De forma<br />

geral, os microssensores detectam os sinais das grandezas físicas, cujos sinais aos serem<br />

20


microprocessados geram comandos que ordenam ao microatuador executar determinadas<br />

funções de forma precisa e oferecem recursos superiores em economia de energia. A Figura 1<br />

exemplifica a integração da estrutura dos microcomponentes MEMS.<br />

Figura 1- Estrutura física dos dispositivos MEMS<br />

Fonte: Elaborada pelo autor<br />

Ribas (2000) define, de uma forma mais compacta, a tecnologia MEMS como<br />

sistemas miniaturizados compostos por três blocos fundamentais: (i) o sensor (e/ou atuador)<br />

responsável pela atuação com o meio externo; (ii) a interface analógica para a aquisição,<br />

transmissão e amplificação dos sinais provindos do sensor (e/ou atuador): (iii) e a parte de<br />

controle digital e processamento numérico, conforme apresentados na Figura 2.<br />

1.3 Evolução dos MEMS<br />

Figura 2 - Blocos funcionais dos microssistemas integrados<br />

Fonte: Elaborada pelo autor<br />

As raízes da tecnologia dos microssistemas no geral provêm da evolução tecnológica<br />

que acompanha a Segunda Guerra Mundial. Com o período pós-guerra, a economia mundial<br />

21


investigava novas necessidades uma vez que equipamentos bélicos não eram mais a<br />

prioridade. Em particular, o desenvolvimento do radar estimulou pesquisas na síntese de<br />

materiais semicondutores. O silício puro se tornaria a essência dos CIs e posteriormente a<br />

moderna tecnologia dos sistemas microeletromecânicos, de modo que os MEMS se tornaram<br />

produtos derivados diretamente das técnicas utilizadas na microeletrônica.<br />

Em um primeiro momento os processadores se consolidaram. Segundo Silva e<br />

Ibrahim (2009) somente em meados do século XX com a invenção do transistor usando<br />

material semicondutor é que houve um impulso significativo na área da eletrônica. Este fato<br />

foi marcado quando em 1947, os físicos William Shockley e Walter Brattain e o engenheiro<br />

eletricista John Bardeen, cientistas da Bell Telephone Laboratories, apresentaram o primeiro<br />

transistor em germânio (Ge) (Figura 3 (a)). Este fato valeu aos seus inventores o prêmio<br />

Nobel de Física de 1956 e foi citado na edição de janeiro de 1998 da revista Proceedings of<br />

the IEEE em edição comemorativa dos 50 anos do transistor como sendo "a invenção da<br />

engenharia elétrica mais revolucionária do século XX”.<br />

No entanto, apesar de representar um avanço importante na eletrônica essa fase ainda<br />

consistia em componentes dispostos individualmente, ou seja, utilizava componentes<br />

discretos. A invenção do transistor estimulou o desenvolvimento de circuitos eletrônicos cada<br />

vez mais complexos, o que culminou com a invenção dos CIs. O engenheiro Jack Kilby da<br />

Texas Instrument apresentou em 1958, o primeiro circuito integrado simples, (Figura 3 (b)).<br />

Este consistia em um oscilador de fase que convertia Corrente Contínua (CC), em Corrente<br />

Alternada (CA).<br />

Figura 3 - Primeiro dispositivo. (a) transistor em germânio; (b) circuito integrado; (c) circuito integrado lógico<br />

(a)<br />

(b)<br />

Fonte: Fruett (2010)<br />

Em 1959 na fábrica da Fairchild, Robert Noyce desenvolvia processos de<br />

interconexão dos microcomponentes dos CIs. Enquanto Kilby empregava pequenos fios nas<br />

conexões dos componentes, Noyce utilizava trilhas de alumínio ou ouro que podiam ser<br />

(c)<br />

22


aplicadas com ajuda de mascaras de litografia. Surgia então o primeiro circuito integrado<br />

lógico (Figura 3 (c)). Esse marco representa o aparecimento da microeletrônica, com<br />

mudanças significativas no processo de fabricação e montagem de circuitos eletroeletrônicos.<br />

Silva e Ibrahim (2009) destacam ainda que a redução do tamanho dos dispositivos<br />

eletrônicos tornou-se rápida seguindo a lei de Moore. Esta lei foi concebida por Gordon<br />

Moore um dos fundadores da Intel. Moore previu que a diminuição de tamanho dos<br />

dispositivos seria de aproximadamente uma ordem de magnitude a cada dois anos. Outro fato<br />

imprescindível neste desenvolvimento é concedido ao renomado e famoso físico<br />

norte-americano, Dr. Richard Phillips Feynman, considerado o pai da Nanotecnologia.<br />

Segundo Allen (2005), o Dr. Feynman apresentou uma palestra intitulada “There’s<br />

Plenty of Room at the Bottom” (Há mais espaços lá embaixo) em 29 de dezembro de 1959, na<br />

reunião anual da Sociedade Americana de Física no Instituto de Tecnologia da Califórnia<br />

(Caltech). Esta palestra é frequentemente citada como o início dos campos conceituais de<br />

MEMS e Nanotecnologia. O Dr. Feynman ofereceu alguns comentários esclarecedores sobre<br />

a escala de fenômenos físicos com tamanho reduzido. Na ocasião, ele ressaltou o fato de que<br />

as leis físicas permitem a fabricação de micro e nanomáquinas. Ele ainda destacou que um dia<br />

o homem conseguiria manipular objetos de dimensões atômicas e assim construir estruturas<br />

de dimensões micro e nanométricas segundo seu livre arbítrio.<br />

Conforme Melo e Pimenta (2004) ressaltam, esta previsão somente começou a tornar-<br />

se realidade no início da década de 80. Neste período, físicos europeus desenvolveram os<br />

chamados microscópios de varredura por sonda. Entre os quais, hoje incluem o microscópio<br />

de tunelamento e de força atômica. Segundo Tang (1989) no ano 1982, Robert T. Howe<br />

demonstrou a possibilidade de produzir vigas de silício cujo desfecho resultou no primeiro<br />

microatuador de índole eletrostática. Posteriormente foram construídas vigas biengastadas.<br />

Este fato marcou o despertar do interesse na consolidação dos primeiros MEMS.<br />

Segundo Allen (2005) desde meados dos anos de 1990 até os dias atuais tem-se<br />

assistido a uma mudança na ênfase de pesquisa em tecnologia MEMS. Segundo Ribas (2000),<br />

o crescente interesse do mercado mundial sobre os MEMS tem sido ocasionado pela<br />

“saturação” na evolução dos CIs. Os mesmos apresentam capacidades de integração e<br />

excelentes desempenhos, no entanto, é preciso um esforço cada vez maior para obter<br />

pequenos avanços. Por isso, passou-se a considerar a possibilidade de integrar sistemas<br />

completos dentro de um único chip, incluindo além da eletrônica outras estruturas físicas<br />

constituindo, assim, a tecnologia dos microssistemas.<br />

23


1.4 Aplicações<br />

O crescimento em aplicações que envolvem dispositivos MEMS está sendo<br />

impulsionada por tendências globais. Questões como o consumo de energia, meio ambiente e<br />

o bem-estar da população entre outros fatores, impulsiona o crescimento desta tecnologia.<br />

Aliado a isso, as características, tais como: tamanho compacto, peso leve, baixo custo de<br />

produção e fabricação em grandes quantidades, vinculado ao desempenho e confiabilidade na<br />

resposta deseja tornam os MEMS fundamentais na indústria de componentes miniaturizados.<br />

As aplicações para esta tecnologia são limitadas unicamente pela imaginação humana.<br />

A competência tecnológica e empresarial em MEMS compreende um ciclo composto<br />

pelos fatores de concepção, projeto, desenvolvimento, fabricação, testes e comercialização. O<br />

tamanho em nível micrométrico dos MEMS permite que eles se encaixem em uma ampla<br />

gama de produtos em diversos segmentos industriais. A Figura 4 ilustra a diversidade de<br />

tecnologias envolvidas em microssistemas e suas variadas aplicações.<br />

1.4.1 Aplicações automotivas<br />

Figura 4 - Tecnologias envolvidas e aplicações típicas de MEMS<br />

Fonte: Elaborada pelo autor<br />

A demanda por produtos MEMS em aplicações automotivas foi o segmento industrial<br />

pioneiro na utilização destes microdispositivos. Como exemplo, pode-se citar os<br />

acelerômetros para implementação dos modernos sistemas de segurança contra impactos<br />

(airbags) e sensores de pressão para freios ABS (Antilock Braking System).<br />

24


Segundo Dixon e Bouchaud (2007) um dos fatores do crescimento significativo de<br />

MEMS é o setor automotivo, uma vez que, o uso de sensores no apoio às tecnologias de<br />

segurança obrigatória é exigido pela legislação norte-americana e alguns países europeus.<br />

Entre algumas dessas orientações destacam-se o controle eletrônico de estabilidade e sistemas<br />

de monitoramento da pressão dos pneus. Inúmeros dispositivos sensores MEMS automotivos<br />

estão sendo produzidos e inseridos no mercado. Os mais relevantes incluem o uso de sensores<br />

de gás para controlar qualidade do ar no interior do veículo, termopilhas infravermelho para<br />

monitorar a temperatura, microbolômetros para ajudar em sistemas de visão noturna e<br />

osciladores para impulsionar câmeras retrovisoras. Conforme ilustrado na Figura 5 são<br />

apresentadas outras funções desenvolvidas por esses microssistemas vinculadas ao setor<br />

automobilístico.<br />

1.4.2 Aplicações em telecomunicações<br />

Figura 5 - Aplicações dos MEMS em um automóvel<br />

Fonte: Adaptada de Pruthveen e Sharam (2008)<br />

A utilização de micromecanismos em dispositivos eletrônicos está diretamente<br />

presente nas telecomunicações. A chave RF (radio frequency) MEMS, por exemplo, permite a<br />

transmissão de imagens de vídeo via celular sem dificuldades. A troca de imagens de vídeo<br />

via celular se tornou um fenômeno comum em todo o mundo. No futuro, a demanda por<br />

transmissão de grande quantidade de dados em alta velocidade deverá crescer.<br />

25


O sucesso dos MEMS, em especial, os ressonadores e indutores, nas telecomunicações<br />

conforme destaca Reimbold (2008) é resultado da flexibilidade, alto desempenho, sintonia e<br />

ampla faixa de frequências de operação que os mesmos apresentam. Segundo Nguyen (1995)<br />

os sensores e os atuadores MEMS quando combinados e integrados constituem-se em um<br />

novo dispositivo, o qual desempenha uma nova função como: transformação, amplificação,<br />

filtragem, mixagem, entre outras funcionalidades aplicadas nas telecomunicações.<br />

1.4.3 Aplicações médicas e biomédicas<br />

O desenvolvimento de MEMS para aplicações biológicas e médicas tornou-se um<br />

novo campo de própria investigação conhecido como BioMEMS, sistemas<br />

microeletromecânicos biológicos (biological microelectromechanical systems). As<br />

características inerentes aos BioMEMS promete na produção de dispositivos miniaturizados,<br />

inteligentes e de baixo custo para aplicações biomédicas. Conforme Bhansali ([s.d]) esses<br />

dispositivos destacam-se pela atuação eficiente dos medicamentos sobre a doença,<br />

substituindo os convencionais e longos tratamentos. Entre alguns dispositivos, destacam-se<br />

funções como neuroestimulação implantável e monitoramento cardíaco por intermédio dos<br />

CARDIOMEMS, conforme apresentado na Figura 6.<br />

Figura 6 - CARDIOMEMS - sensores de pressão sem fio implantado no corpo humano<br />

Fonte: Adaptada de Dolan (2010)<br />

Nas aplicações hospitalares, produtos MEMS mostram-se promissores em diversas<br />

aplicações como: diagnóstico, monitoração da pressão arterial, microagulhas, micropinças,<br />

26


dispositivos microfluídicos entre outros (Figura 7 (a) e (b)). Segundo Bhansali ([s.d.]) a<br />

inserção de microdispositivos capazes de agir diretamente dentro do organismo é a grande<br />

vantagem destes dispositivos. Os microrrobôs implantáveis nas veias e artérias são excelentes<br />

alternativas. Problemas de saúde que surgem com o acúmulo de substâncias orgânicas<br />

indesejáveis que interferem com as funções normais do corpo, tais como: tumores, coágulos<br />

sanguíneos, acúmulo de tecido cicatricial, obstrução arterial dentre outras, são diagnosticados<br />

e corrigidos pela ação destes microdispositivos, atuando diretamente no ponto doente. A<br />

capacidade de miniaturizar sistemas biomédicos, com o auxílio da tecnologia MEMS prevê<br />

significativa redução nos custos e aumento da qualidade da gestão de saúde.<br />

Figura 7 - BIOMEMS. (a) cauterizador; (b) microagulha; (c) protótipo de microrrobô MEMS<br />

1.4.4 Aplicações militares<br />

(a) (b) (c)<br />

Fonte: (a), (b) Sandia International Laboratories (2011), (c) Bhansali ([s.d])<br />

As aplicações militares usando dispositivos na escala micrométrica têm amplo<br />

incentivo financeiro nas pesquisas, essencialmente, por parte do governo norte-americano.<br />

Um exemplo revolucionário de aplicações dos MEMS para fins militares é desenvolvido pela<br />

Agência de Projetos de Pesquisa Avançada de Defesa ou DARPA (Defense Advanced<br />

Research Projects Agency), que realiza pesquisas para controlar insetos através da<br />

microtecnologia. O projeto chamado Hibrid-Insect MEMS (HI-MEMS) prevê os chamados<br />

“insetos Cyborg”.<br />

A pesquisadora Dra. Judy ([s.d]) gerente do programa HI-MEMS, relata que este visa<br />

desenvolver interfaces acopladas entre máquina e insetos através da colocação de sistemas<br />

microeletromecânicos no seu interior durante as primeiras fases da metamorfose. O programa<br />

objetiva equipar os insetos com uma gama de sensores MEMS, tais como: câmeras de vídeo,<br />

microfones, áudio e agentes químicos, guiados remotamente por dispositivos sem fio. Usando<br />

implantes conectados no cérebro e músculos (Figura 8), é possível o controle sobre as<br />

27


funcionalidades como a decolagem, voo e aterrissagem dos insetos. Desta forma, em um<br />

possível cenário de conflito, através dos “insetos Cyborg” é possível executar missões de<br />

reconhecimento e ataque em território inimigo sem a exposição do homem.<br />

Figura 8 - Insetos Cyborg. (a) traça Pupa mais chip MEMS; (b) sistema de estimulação sobre o dorso do inseto<br />

(a)<br />

Fonte: DARPA (2010)<br />

Outras aplicações estão consolidadas na área militar como a utilização dos MEMS.<br />

Estas desempenham um papel vital em aplicações como controle aerodinâmico,<br />

processamento de sinais usando calor e radiação, medição de inércia e orientação, detecção<br />

biológica, identificação de toxinas, análise de DNA (Deoxyribonucleic acid), análise celular,<br />

preparação e uso de drogas.<br />

Outro projeto em desenvolvimento pelo DARPA, visto como algo visionário é a<br />

implantação de redes de monitoramento permanente. Nada irá fugir ao controle da tecnologia<br />

em um futuro próximo através dos chamados Smart dust ou poeira inteligente. Segundo o<br />

pesquisador Dr. Pister ([s.d]) da Universidade da Califórnia, Berkeley, pioneiro no estudo e<br />

desenvolvimento desta tecnologia, Smart dust é um conjunto de sistemas<br />

microeletromecânicos (MEMS). Estes incluem sensores, robôs e ou outros dispositivos, que<br />

podem detectar luz, temperatura, vibração, produtos químicos, etc. Liberados na atmosfera em<br />

nível de pó eles formam uma rede de sensores com conexão sem fio, monitorando<br />

praticamente tudo oque acontece nesta região.<br />

1.5 Mercado<br />

Com base nas inúmeras aplicações, o crescimento da tecnologia MEMS está em ampla<br />

ascensão. Consequentemente, o mercado de MEMS tende a evoluir em ritmo acelerado. A<br />

(b)<br />

28


demanda por preços baixos e confiabilidade nos produtos é o fator principal que motiva o<br />

interesse neste mercado. Interagindo sobre uma gama de questões que envolvem desde o<br />

aquecimento global até o envelhecimento da população e consequente o consumo de bens, o<br />

mercado de MEMS está definindo para um crescimento rápido com significativos e<br />

diversificados segmentos industriais.<br />

Conforme Nancy (2010) os dispositivos médicos para as ciências da vida e<br />

microfluídicos para a medicina são as aplicações de MEMS promissoras para o futuro. Além<br />

destes, os tradicionais segmentos da indústria automobilística, espacial, militar,<br />

telecomunicações entre outras tendem a representar altos investimentos e lucros na área de<br />

MEMS. No entanto, um novo ramo comercial denominado NEW MEMS voltados a<br />

dispositivos de consumo representará um amplo crescimento na receita deste mercado.<br />

Segundo a YOLE DEVELOPMENTS (2011) líder mundial na análise dos mercados<br />

de MEMS, estima-se um crescimento no mercado a partir de 2011. Relatórios projetam que<br />

este mercado alcance US$ 19,6 bilhões em 2016, e 15,8 bilhões de unidades produzidas. A<br />

perspectiva do mercado de MEMS por segmento de aplicação, para os próximos anos até<br />

2016 é apresentada na Figura 9.<br />

Xxx<br />

xxxx<br />

Figura 9 - Previsão do mercado de MEMS<br />

Fonte: Adaptada de YOLE DEVELOPMENTS (2011)<br />

29


1.6 Motivação<br />

Atribuir qualidade aos MEMS implica garantir sua adequação ao uso. A garantia para<br />

produtos inovadores de baixo custo e alta qualidade como os que podem ser produzidos pela<br />

Microtecnologia, em especial, os MEMS, reflete um longo caminho com inúmeros desafios.<br />

Alguns destes incluem a superação de expectativas de mercado, concepção, tecnologia, mão-<br />

de-obra e confiabilidade. Além disso, outras limitações devem ser avaliadas para que ideias<br />

cheguem a protótipos e virem produtos.<br />

O funcionamento básico de microtransdutores MEMS está associado ao conhecimento<br />

da sua frequência de ressonância. Logo, há dependência da forma geométrica e das<br />

propriedades do material que os constituem. Contudo, segundo Lin e Wang (2006) cabe<br />

considerar que as dimensões de ordem micrométrica, a espessura fina do dispositivo, a não<br />

compreensão dos efeitos físicos das forças intermoleculares sob essas dimensões, a mudança<br />

das propriedades dos materiais dos elementos quando reduzidos a pequenas escalas, são<br />

fatores que comprometem a qualidade operacional dos dispositivos como um todo.<br />

Desta forma, altos níveis de rendimento e confiabilidade são fundamentais para o<br />

sucesso da produção de qualquer dispositivo MEMS. Segundo Arft (2011) isso inclui otimizar<br />

todos os aspectos do produto, incluindo o projeto de MEMS, fabricação, montagem e testes.<br />

Neste sentido, conforme destaca Song et al., (2011) as pesquisas na área de dispositivos<br />

MEMS visam diminuir custos e confirmar a qualidade dos mesmos. Estes fatores têm sido<br />

garantidos na produção em lote (batch), onde milhões de componentes são fabricados em uma<br />

única lâmina (ou wafer) e testados por amostragem. No entanto, conforme destaca Cigada,<br />

Leo e Vanalli (2006), é de fundamental importância testar cada um dos dispositivos<br />

fabricados, no menor tempo possível. Portanto, testes para detecção dos defeitos e falhas<br />

devem ser otimizados quanto ao tempo de duração e confiabilidade.<br />

A proliferação de dispositivos MEMS e as necessidades dos fabricantes em testar os<br />

produtos antes de liberá-los no mercado, coloca importância acrescida em equipamentos de<br />

testes automatizados. Conforme destaca MEMS Investor Journal (2011) testes em MEMS<br />

representam de a dos custos de produção total dos dispositivos. Embora estes testes<br />

sejam semelhantes aos testes de CIs na indústria de semicondutores, dispositivos MEMS<br />

apresentam novos desafios. Além das propriedades elétricas, partes mecânicas também devem<br />

ser testadas. Esta etapa, consiste em uma extensa caracterização dos dispositivos, visando<br />

acelerar a produção e otimizar o rendimento contra defeitos. Assim, o fator preponderante e<br />

de maior contribuição é o tempo despendido nesta etapa.<br />

30


Segundo Revel (2011) dispositivos MEMS requerem testes em várias fases do nível de<br />

produção. Os métodos e tipos de testes são geralmente definidos pela aplicação final do<br />

sistema e dependem de padrões diferentes. Um dos principais desafios para testar MEMS é<br />

desenvolver plataformas de avalição precisa para estes dispositivos. Isso se aplica tanto para o<br />

desenvolvimento de produtos, quanto aos testes de produção. Nesse sentido, fica claro a<br />

exigência da indústria em atender o chamado requisito 3P. O trinômio “preço, peso e<br />

performance (desempenho)” exige que, cada transdutor MEMS produzido seja verificado.<br />

Para isso se faz necessário otimizar o tempo de duração dos testes sem perder a<br />

confiabilidade.<br />

Com base nisso, a modelagem matemática é uma das alternativas que poderá atender<br />

essa demanda. Com o crescimento e interesse em MEMS, a modelagem e simulação destes<br />

microdispositivos tornam-se uma área emergente que vem ganhando interesse. No entanto, o<br />

conhecimento de todos os fenômenos que se manifestam nos MEMS não é trivial. Desafios<br />

em etapas de modelagem, manipulação e análise das características dinâmicas destes<br />

microssistemas torna-se um campo de ampla investigação.<br />

A descrição preliminar destes fenômenos a partir da construção e interpretação de<br />

modelos matemáticos, que representem o sistema físico real é fundamental. Este caminho<br />

torna-se uma alternativa viável no sentido de superar as dificuldades impostas na<br />

representação do desempenho comportamental e das características dinâmicas dos MEMS.<br />

Logo, a modelagem matemática e sua investigação ganha importância primordial nesta área.<br />

De acordo com Kerschen et. al., (2005) a “modelagem matemática se refere ao uso da<br />

linguagem matemática para simular o comportamento de um "mundo real" do sistema<br />

(prático). Seu papel é proporcionar uma melhor compreensão e caracterização do sistema”.<br />

Neste sentido, representar fenômenos observáveis através de dados com a informação<br />

da dinâmica do sistema físico, por intermédio de modelos matemáticos, torna-se uma<br />

tendência promissora como auxílio na análise e entendimento do funcionamento dos sistemas<br />

em investigação. Segundo Coelho A. e Coelho L. (2004) “A utilização de um modelo para<br />

simular um sistema real constitui um procedimento de baixo custo e seguro para experimentar<br />

o sistema. Entretanto, a validade (adequação) dos resultados de simulação depende<br />

completamente da qualidade do modelo matemático do sistema”.<br />

Conforme Chuang et al., (2010) para estes microssistemas, em um primeiro momento<br />

isto é possível através da utilização de CADMEMS (Computer Aids Design for MEMS). No<br />

entanto, este é ainda um trabalho em andamento. Reimbold (2008) destaca que a integração<br />

do computador no projeto de MEMS propicia a modelagem computacional. A partir dela,<br />

31


investiga-se a forma de desenvolver modelos analíticos e numéricos que ao serem<br />

implementados no computador permitem examinar gráficos e visualizar o dispositivo de<br />

forma facilitada.<br />

Segundo Ljung (1999) outra alternativa é a utilização de técnicas de Identificação de<br />

Sistemas, como procedimentos para a formulação de modelos matemáticos computacionais<br />

confiáveis. Este processo é fundamental na concepção e análise preliminar do desempenho da<br />

dinâmica de sistemas como um todo. Desta forma, sua utilização em nível de sistemas<br />

microscópicos pode tornar-se uma alternativa válida quanto às dificuldades impostas na<br />

análise de seu comportamento.<br />

Para Aguirre (2004) a Identificação de Sistemas “é uma área do conhecimento que<br />

estuda maneiras de modelar e analisar sistemas a partir de observações, ou seja, dados”.<br />

Contudo, o tratamento computacional destas observações requer seu armazenamento em<br />

quantidades finitas. Assim, a transformação do desempenho analógico para o desempenho<br />

discretizado, utilizando o computador é um fator adicional que dificulta a obtenção do modelo<br />

matemático comportamental de MEMS.<br />

O comportamento dinâmico de estruturas mecânicas de MEMS tem influência sobre<br />

as respostas elétricas através de princípio de transdução de energia. Portanto, a determinação<br />

de parâmetros mecânicos, tais como rigidez de elasticidade, o amortecimento e a massa das<br />

estruturas são de grande importância tecnológica para a caracterização e otimização destes<br />

dispositivos. A obtenção dos parâmetros físicos dos MEMS torna-se importante, ao passo que<br />

os mesmos contêm informações das propriedades dos materiais e geometrias utilizados para a<br />

construção dos próprios dispositivos.<br />

Desta forma, a inserção destes parâmetros tanto na modelagem matemática como na<br />

simulação possibilita desenvolver métodos eficientes, que permitam ao projetista de MEMS<br />

agilidade nos cálculos, pensamento rápido, análise de seu desempenho e inserção em nível de<br />

sistema. Logo, a concepção destes modelos se tornam procedimentos práticos, eficientes, não<br />

invasivos e válidos na obtenção do modelo de dispositivos microscópicos.<br />

Nesse sentido, a caracterização precoce de dispositivos MEMS, por meio da<br />

modelagem matemática, em uma faixa de frequência estreita e em um intervalo de tempo<br />

reduzido, assegurando a qualidade e o baixo custo é fundamental. Além disso, a avaliação do<br />

desempenho comportamental estimado em relação ao desempenho real é uma forma prática e<br />

eficiente de identificar possíveis alterações funcionais nos dispositivos. Com este pressuposto,<br />

este trabalho visa investigar uma proposta de aliar qualidade, precisão e interatividade do<br />

projeto, sob o desempenho comportamental de dispositivos MEMS.<br />

32


1.7 Objetivos<br />

Propor através das técnicas de Identificação de Sistemas, modelos matemáticos que<br />

descrevam o desempenho comportamental linear, de microtransdutores MEMS baseados em<br />

deformação elástica (elastomassas), e força eletrostática (estrutura comb-drive). Para que o<br />

objetivo principal seja alcançado, os seguintes objetivos específicos foram traçados:<br />

Investigar o princípio de funcionamento dos atuadores MEMS;<br />

Pesquisar os modelos matemáticos mais usados na obtenção do desempenho<br />

comportamental;<br />

Estudar alternativas que tenham sido propostas recentemente e possam contribuir na<br />

modelagem matemática de MEMS;<br />

Aplicar, comparar, e estabelecer a melhor combinação de critérios necessários para a<br />

identificação dos modelos matemáticos;<br />

A expectativa é reproduzir o desempenho comportamental dos microtransdutores<br />

MEMS em relação processo experimental com qualidade, precisão e menor tempo possível.<br />

1.8 Estrutura da dissertação<br />

Esta dissertação esta organizada em cinco capítulos. Cada um dos quais apresentam os<br />

aspectos essenciais para o desenvolvimento deste estudo.<br />

O Capítulo 2 é composto pela abordagem dos aspectos e conceitos inerentes aos<br />

atuadores MEMS e seu funcionamento. O estudo é dirigido aos dispositivos baseados em<br />

deformação elástica e atuação eletrostática, formas de atuação e topologias.<br />

O Capítulo 3 apresenta as técnicas de identificação e suas características, assim como,<br />

uma importante classificação dos modelos matemáticos. Ao mesmo tempo, é descrita<br />

formulação matemática do modelo físico que descreve o processo em estudo. Em seguida, o<br />

mesmo destaca a técnica de modelagem utilizada, onde cada etapa do processo é exposta.<br />

O Capítulo 4 é dividido em duas partes. Inicialmente é descrita de forma sucinta a<br />

metodologia desenvolvida durante o trabalho. Na segunda parte são apresentados os<br />

resultados obtidos através das simulações computacionais, com seus respectivos comentários<br />

decorrentes dos ensaios realizados sobre as topologias das estruturas selecionadas.<br />

Finalmente, no Capítulo 5, estão expostas as conclusões e comentários ao<br />

desenvolvimento do trabalho. Posteriormente, propõem-se as sugestões para novos trabalhos<br />

que consolidem e propiciem a continuidade desta investigação.<br />

33


2 ATUA<strong>DO</strong>RES MEMS<br />

Neste capítulo são abordados conceitos inerentes aos atuadores MEMS baseados em<br />

deformação elástica e ação eletrostática. O capítulo visa também, destacar o princípio de<br />

transdução eletrostático. De forma concomitante, é ressaltado a constituição destes<br />

dispositivos através das diferentes topologias baseadas deformação elástica (elastomassas) e<br />

estruturas comb-drive, bem como, o princípio de funcionamento. A ênfase é dada os<br />

dispositivos com um grau de liberdade e a estrutura comb-drive translacional de ação<br />

longitudinal.<br />

2.1 Transdução ou conversão de energia<br />

A energia, nas suas mais diversas formas, é extremamente necessária à sobrevivência<br />

do homem. Sua principal característica é a conservação, o que implica na impossibilidade de<br />

criá-la ou destruí-la. Consequentemente resta monitorá-la, transformá-la e utilizá-la de forma<br />

conveniente. Desta forma, conforme esta influencie as propriedades dos materiais e os<br />

parâmetros geométricos e transmitam seus resultados a um sistema de controle ou medida. Na<br />

Figura 10 são ilustrados estímulos de diferentes domínios de energia convertidos a sistemas<br />

de sensoriamento elétrico.<br />

Figura 10 - Conversão de sinais em sensores eletrônicos<br />

Fonte: Fruett (2010)<br />

O comportamento da energia é monitorado por meio de sistemas denominados de<br />

sensores, cuja nomenclatura deriva do latim sentire, que significa perceber. Os sensores são<br />

34


sistemas desenvolvidos para responder aos estímulos de determinadas formas de energia,<br />

como apresentada na Figura 10. Conforme Reimbold (2008)<br />

Os sensores são classificados obedecendo a vários aspectos considerados na<br />

“Análise de Sistemas”. Entre eles, alimentação para operação, energia de entrada<br />

versus energia de saída, características dos sinais de entrada, de perturbação e de<br />

saída, mensuração, parâmetros característicos, número de entradas e saídas e ligação<br />

externa entre entrada e saída.<br />

Ao analisar unicamente o aspecto energia de entrada versus energia de saída, é<br />

possível conceituar os termos, transdutor, atuador, gerador e motor. Estes conceitos são<br />

fundamentais quando se trata de conversão de energia. Os atuadores podem ser considerados<br />

mecanismos de ativação de equipamentos de controle de processo por uso de hidráulica,<br />

pneumática ou eletrônica de sinais.<br />

Conforme Allen (2005) sensores e atuadores são formas de transdutores. Basicamente<br />

a sua função consiste em transformar a energia de uma forma para outra. Um sensor é um<br />

transdutor 1 de entrada que detecta um sinal de entrada de energia (ou seja, mecânica, química,<br />

térmica, etc) e, na maioria dos casos, transforma-a em energia elétrica, o que facilita a<br />

integração de sistemas. Alternativamente, um atuador é um transdutor de saída que, na maior<br />

parte, transforma uma forma de energia em uma saída mecânica. Na Figura 11 é apresentado<br />

um esquema da forma de transdução de energia.<br />

Figura 11 - Fluxo de energia e estímulo/resposta do sensor transdutor<br />

Fonte: Adaptada de Reimbold (2008)<br />

Particularmente, quando os estímulos são provenientes de energia mecânica e energia<br />

elétrica, o transdutor ou conversor de energia é denominado de transdutor eletromecânico. Se<br />

o transdutor recebe energia elétrica e a transforma em energia mecânica ele é denominado de<br />

atuador ou motor, caso contrário, é definido simplesmente como um sensor ou gerador. Estes<br />

termos que definem inúmeros dispositivos conhecidos na escala macroscópica referenciam-se<br />

também, mantendo-se as devidas características, aos elementos que constituem os<br />

1 Termo que deriva do latim transducere, que significa “levar através”.<br />

35


microssistemas. Assim, esses transdutores, quando construídos com técnicas de<br />

miniaturização e integração utilizando os processos de fabricação da microeletrônica<br />

consolidam os MEMS. Um sensor e um atuador MEMS obedecem ao esquema de diagrama<br />

de blocos, conforme apresentado na Figura 12.<br />

Figura 12 - Diagrama de fluxo de energia em MEMS. (a) atuador; (b) sensor<br />

(a)<br />

Fonte: Elaborada pelo autor<br />

Segundo os autores Dorey e Morre (1995), Muller (2000) e Senturia (2003) a partir do<br />

princípio mostrado na Figura 12, vários dispositivos MEMS podem ser concebidos,<br />

projetados e construídos, levando em consideração as mais diversas aplicações e tecnologias<br />

desenvolvidas até o presente momento. Nos microssistemas, a trandução essencialmente se dá<br />

através do seguintes princípios: mecânicos; eletrostáticos; térmicos; piezoelétrico e fluídico.<br />

2.1.1 Conceitos de dinâmica e cinemática<br />

As teorias fundamentais básicas para o entendimento e estudos dos sistemas<br />

microeletromecânicos, são a mecânica clássica newtoniana e o eletromagnetismo. Nesse<br />

sentido, alguns conceitos e relações são vitais quanto ao estudo dos MEMS. Entre estes<br />

conceitos, a classificação entre corpos rígidos e não rígidos é essencial. Desta forma,<br />

conforme destaca Pesce (2004)<br />

[...] um Corpo Rígido (CR) pode ser definido como um corpo material que guarda a<br />

propriedade de invariância de distância relativa entre quaisquer pontos que o<br />

constituam. Esta é a propriedade fundamental de um CR. Trata-se, obviamente, de<br />

uma idealização, um modelo da realidade, porquanto inexistem, senso estrito, corpos<br />

materiais totalmente indeformáveis.<br />

Entre os movimentos possíveis, um CR realiza basicamente, duas formas de<br />

movimentação. O movimento de translação, quando a direção de qualquer segmento que une<br />

duas de suas partículas não se altera durante o movimento. Nesta situação, todos os pontos<br />

percorrem trajetórias paralelas.<br />

(b)<br />

36


Conforme destaca Reimbold (2008)<br />

Todas as partículas sofrem o mesmo deslocamento durante o mesmo intervalo de<br />

tempo, de modo que todas possuem em qualquer instante a mesma velocidade e<br />

aceleração. A direção das forças aplicadas define dois tipos de translação:<br />

longitudinal e transversal. É denominada “longitudinal” quando o movimento é<br />

paralelo à direção da força, e, caso o seja perpendicular á direção desta, o<br />

movimento de translação é dito “transversal”.<br />

Em contrapartida, o movimento é dito rotacional quando todos os pontos materiais do<br />

corpo percorrem trajetórias circulares em relação a outro ponto qualquer do mesmo corpo.<br />

Para um corpo sólido livre, as interferências destes movimentos estão suscetíveis a sofrer<br />

alguns deslocamentos, ou seja, descrever determinadas trajetórias denominadas de graus de<br />

liberdades. No plano, um corpo sólido tem três graus de liberdade, sendo duas translações,<br />

segundo duas direções ortogonais e uma rotação, em torno da direção perpendicular ao plano.<br />

Considerando o espaço, um corpo sólido tem seis graus de liberdade, sendo três translações,<br />

segundo três direções ortogonais e três rotações, em torno das mesmas direções ortogonais. A<br />

combinação de translação e rotação produz o movimento roto-translacional. Conforme<br />

destaca Tavares e Barbosa (2002) o movimento não rígido ou deformável pode ser<br />

classificado em apenas três classes: articulado, elástico ou fluídico. Com base nisso Reimbold<br />

(2008) afirma que,<br />

2.1.2 Movimento elástico<br />

O movimento articulado ocorre se as partes rígidas do corpo se movem<br />

independentemente das restantes. O movimento elástico caracteriza-se pelo<br />

movimento não rígido com algum grau de continuidade e suavidade de maneira a<br />

modificar a forma do corpo, os parâmetros geométricos e as propriedades intrínsecas<br />

do material. O movimento fluídico é um movimento não rígido que não satisfaz a<br />

restrição de continuidade, podendo envolver variações topológicas e deformações<br />

turbulentas.<br />

Todo corpo material sofre alguma deformação quando submetido à ação de forças.<br />

Desta forma, nenhum corpo é perfeitamente rígido. Estas forças podem causar tanto<br />

mudanças na forma ou mesmo no volume do corpo. Segundo Portela e Silva (1996) a posição<br />

oferecida a essas mudanças e o retorno à sua forma, ou volume inicial, quando retirada as<br />

forças é caracterizado como propriedade elástica dos corpos.<br />

Entre as formas de deformação mais relevantes vale destacar a deformação normal,<br />

cisalhante e de torque. A deformação normal, segundo Silva e Ibrahim (2009) “se refere, mais<br />

especificadamente, à variação percentual de comprimento num material solicitado por um<br />

37


esforço de tração ou compressão”. Ou de forma mais genérica, pode-se considerar a<br />

deformação cujo resultado físico é a alteração do volume do corpo sem modificar a forma<br />

quando a este é aplicada uma força perpendicular. Em contrapartida, a deformação cisalhante<br />

causa uma distorção angular, ou seja, a variação do ângulo de uma fibra em relação ao plano.<br />

Ou ainda, é o resultado físico da alteração da forma sem modificar o volume quando ao corpo<br />

é aplicada uma força tangencial. E por fim, a deformação por torção. Para Silva e Ibrahim<br />

(2009) esta, “é caracterizada por uma rotação em torno do eixo longitudinal devido a um<br />

momento de torção”. Na Figura 13 são ilustradas estas deformações nos materiais.<br />

Figura 13 - Formas de deformação dos corpos. Linhas tracejadas representam a forma antes, e linhas sólidas,<br />

após a deformação. (a) Deformação normal por alongamento; (b) Deformação normal por compreensão; (c)<br />

Deformação por cisalhamento; (d) Deformação por torção<br />

Fonte: Callister (2001)<br />

Qualquer material elástico ao sofrer uma deformação longitudinal, também sofre uma<br />

deformação transversal, proporcional á deformação longitudinal aplicada. A relação destas<br />

duas deformações, normal e cisalhante, obedece à expressão conhecida como razão de<br />

Poisson, definida pela equação (1). A razão de Poisson é fundamental para relacionar<br />

diferentes deformações,<br />

|<br />

Conforme afirma Silva e Ibrahim (2009) “os movimentos em MEMS não são<br />

transmitidos e controlados pelo uso de articulações (juntas), como nos mecanismos<br />

convencionais. Nos MEMS os movimentos, normalmente são obtidos por flexões de partes<br />

estruturais mais finas”. Ainda, de acordo com estes autores, os MEMS utilizam mecanismos<br />

compliantes, ou seja, flexíveis e sujeitos a grandes deflexões elásticas durante sua operação<br />

para substituir estes mecanismos convencionais. O intuito é assegurar as partes estruturais<br />

|<br />

38<br />

(1)


destes dispositivos aliando o comportamento elástico, semelhante a uma mola. Desta forma, é<br />

possível associar as deformações (deslocamentos) com as forças atuantes.<br />

2.2 Atuadores eletromecânicos<br />

Os atuadores eletromecânicos são transdutores que convertem energia elétrica em<br />

energia mecânica. Nise (2002) afirma que, “um motor é um componente eletromecânico que<br />

fornece um deslocamento de saída para uma tensão de entrada, isto é, uma saída mecânica<br />

gerada por uma entrada elétrica”. Esta relação entre os sinais de entrada e saída para a<br />

concepção de qualquer atuador eletromecânico demanda dois blocos funcionais e uma função<br />

unívoca, conforme apresentado na Figura 14.<br />

Figura 14 - Atuador eletromecânico em diagrama de blocos<br />

Conforme destaca Reimbold (2008),<br />

Fonte: Adaptada de Reimbold (2008)<br />

O bloco denominado de acionador, idealmente desempenha duas funções,<br />

monitoração e geração de força, sendo constituído por dois blocos: um sensor e um<br />

“gerador fenomenológico”. O bloco “meio” tem como finalidade canalizar a<br />

manifestação da força através do movimento. Dependendo da cinemática este bloco<br />

pode conter outros (corpo rígido ou/e corpo não rígido) de forma a aperfeiçoar o<br />

desempenho mecânico.<br />

De fato, como cita Reimbold (2008) “a ressonância e o limite de elasticidade são os<br />

parâmetros que definem a função unívoca na maior parte dos atuadores eletromecânicos<br />

baseados em deformação elástica”. A ressonância é um fenômeno físico produzido quando a<br />

frequência de vibração natural de um sistema coincide com a frequência de forças externas.<br />

Neste caso, há uma transferência de energia entre um sistema oscilante para outro sistema que<br />

entrará em regime de oscilação ou vibração, com amplitude cada vez maior. Este fenômeno<br />

pode ainda ser classificado como destrutivo ou não destrutivo.<br />

39


Com relação a esta classificação Reimbold (2008) relata que,<br />

O princípio não-destrutivo consiste em igualar a frequência do sistema oscilatório<br />

( ) à frequência natural ( ) do sistema vibratório, de forma que as propriedades<br />

intrínsecas desse não sejam alterados. Quando isto acontece à frequência do sistema<br />

é denominada de frequência de ressonância ( ). A ideia fundamental consiste em<br />

aumentar a amplitude de vibração respeitando os limites de elasticidade do sistema<br />

vibratório de forma que este atinja maiores deslocamentos dos que possuía em<br />

estado natural. A frequência natural como parâmetro é necessária para comparar o<br />

desempenho entre atuadores eletromecânicos.<br />

A indústria apresenta inúmeros atuadores eletromecânicos baseados, principalmente,<br />

nas formas de índole eletroquímica, eletromagnéticos, eletrorresistritivos e eletrostáticos.<br />

Cada uma destas formas apresenta vantagens e desvantagens quando comparadas suas<br />

funcionalidades. Em especial, os atuadores eletrostáticos são amplamente utilizados na<br />

concepção de dispositivos MEMS. Este fato é justificado por apresentarem facilidade de<br />

integração, respostas rápidas e beneficiaram-se dos processos de fabricação compatíveis com<br />

os processos dos CIs.<br />

Atuação eletrostática é baseada na força de Coulomb atrativa existente entre cargas<br />

opostas. Conforme Reimbold (2008) destaca, “[...] são poucos afetados pela temperatura<br />

ambiente e são altamente eficientes na atuação devido ao baixo consumo que apresentam.<br />

Estes podem gerar grandes forças, mas são limitados por deslocamentos curtos”. Allen (2005)<br />

destaca alguns dispositivos MEMS de sucesso baseados no princípio eletrostático, como:<br />

microbombas, microinterruptores, microespelhos, micro e nanopinças, entre outros.<br />

2.3 Microestruturas elásticas suspensas e elastomassas<br />

Microestruturas suspensas ou vigas em balanço são as estruturas usuais nos sistemas<br />

microeletromecânicos. Em síntese, são formas de arranjos constituídas de partes móveis sobre<br />

bases fixas. Conforme Reimbold et al., (2008) as elastomassas MEMS, também denominadas<br />

de micronúcleos elásticos, são constituídas de forma geral, utilizando-se de vigas e colunas,<br />

como elementos não rígidos, e de âncoras ou engastes e massa, como elementos rígidos.<br />

Segundo os autores, a viga é o elemento formado por uma barra de eixo plana submetida a<br />

esforços contidos no mesmo plano. Destacam-se duas importantes formas de vigas para a<br />

construção de elastomassas: vigas hiperestáticas e isostáticas. A diferença básica encontra-se<br />

unicamente nas formas de seus engastes. Outro elemento importante são as colunas, que<br />

suportam as forças de tensão ou compressão submetidas no eixo longitudinal.<br />

40


O cantilever é outro componente amplamente utilizado nos atuadores eletrostáticos.<br />

Esta microestrutura elementar permite a partir de sua flexibilidade e versatilidade torná-la um<br />

componente essencial em uma variedade de dispositivos MEMS. Aplicações de sucesso têm<br />

utilizado esta microestrutura, como acelerômetros e giroscópios. Sua estrutura consiste em<br />

uma microviga em balanço onde uma de suas extremidades está engastada, e a outra<br />

permanece livre, conforme apresentado na Figura 15.<br />

Figura 15 - Viga engastada ou em balanço, microcantilever<br />

Fonte: Elaborada pelo autor<br />

A aplicação específica define a melhor forma geométrica do cantilever e o material de<br />

que ela deve ser feita. Estes dois parâmetros definem as características da estrutura, como a<br />

rigidez (constante da mola). Conforme destaca Reimbold (2008), “as diferentes combinações<br />

do microcantilever podem gerar outras microestruturas suspensas, as quais permitem<br />

conceber variadas topologias de molas, cujo princípio se baseia em deformação elástica”.<br />

A integração de diferentes geometrias combinadas com micromolas e massas<br />

vibratórias permitem obter inúmeras topologias de massas elásticas, conhecidas como<br />

elastomassas. Estas, por sua vez, são responsáveis pela frequência de ressonância. Estas<br />

topologias podem apresentar determinados graus de liberdades. Algumas destas formas são<br />

apresentadas na Figura 16.<br />

Figura 16 - Topologias de elastomassas. (a) formato em U; (b) crab; (c) ponte dupla; (d) dobradiça; (e) ponte<br />

simples; (f) serpentina<br />

Fonte: Baidya, Gupta e Mukherjee (2002)<br />

41


2.4 Estrutura comb-drive<br />

Os principais atuadores eletromecânicos MEMS, utilizam-se essencialmente da<br />

atuação eletrostática ou capacitiva. Um atuador eletrostático simples disponível<br />

comercialmente, mais conhecido é o capacitor de placas paralelas. Este dispositivo tem a<br />

função de armazenar energia elétrica no campo elétrico existente em seu interior. Ao fornecer<br />

uma carga a um condutor, ele adquire um potencial elétrico . Verifica-se que o potencial<br />

elétrico é diretamente proporcional à quantidade de carga. Logo, a razão entre a quantidade de<br />

carga e o potencial elétrico , define a grandeza denominada capacitância, ou capacidade<br />

elétrica ( ) representada pela equação (2),<br />

Em síntese, a capacitância é a habilidade de armazenar cargas elétricas por unidade de<br />

potencial elétrico. O capacitor de placas paralelas é composto por duas placas condutoras<br />

paralelas ou eletrodos separadas por um material dielétrico de espessura uniforme, conforme<br />

apresentado na Figura 17. O valor da capacitância depende diretamente da geometria das<br />

placas, da distância entre ambas e também do material dielétrico.<br />

Figura 17 - Capacitor de placas paralelas<br />

Fonte: Elaborada pelo autor<br />

Quando o capacitor é submetido a variações na diferença de potencial aplicada em<br />

seus terminais, variação dos parâmetros geométricos e diferentes formas de movimentação<br />

das placas, este dispositivo apresenta a funcionalidade de gerar forças eletrostáticas. Esta<br />

possibilidade desperta o interesse na construção de diferentes formas de capacitores. Segundo<br />

Reimbold (2008) uma destas formas consiste na estrutura digital (inter-digited), nomeada pela<br />

forma análoga aos dedos. Na Figura 18 são apresentadas algumas destas estruturas.<br />

42<br />

(2)


Figura 18 - Topologias de dedos capacitivos. (a) reto; (b) grosso-oval; (c) copa fina; (d) copa grossa; (e) alfinete;<br />

(f) serra<br />

(a) (b) (c) (d) (e) (f)<br />

Fonte: Adaptada de Reimbold (2008)<br />

Uma estrutura baseada nas topologias de dedos capacitivos que veem despertando<br />

interesse é a estrutura comb-drive. Este micromecanismo autopropulsor funciona como<br />

transdutor eletromecânico. Seu princípio de funcionamento relaciona energia mecânica com<br />

energia elétrica, regido pelas leis físicas destes dois domínios. Em geral, apresentam resposta<br />

rápida, baixa potência de consumo e facilidade de integração com circuitos eletrônicos. Sua<br />

concepção é a base para a nova era da robótica. Neste sentido, estes atuadores MEMS são<br />

importantes para operação de vários manipuladores robóticos. Sua capacidade precisa de<br />

posicionar, orientar objetos micrométricos e realizar movimentos com alta resolução e<br />

confiabilidade garante a eficiência do sistema robótico.<br />

Sua estrutura é constituída normalmente por dois combs, um fixo, enquanto que outro<br />

é suspenso por molas de flexão e pode se movimentar. Eles se caracterizam por uma série de<br />

eletrodos (dedos) dispostos lado a lado, formando um conjunto semelhante a um “pente”,<br />

conforme apresentado na Figura 19.<br />

Figura 19 - Estrutura comb-drive<br />

Fonte: Elaborada pelo autor<br />

43


Ao se aplicar uma diferença de potencial entre os dois combs, é gerado um efeito<br />

capacitivo entre os “dedos” adjacentes devido à concentração de cargas opostas nas<br />

superfícies dos mesmos. Pequenas variações da diferença de potencial aplicada geram forças<br />

elétricas de atração e repulsão entre os combs, resultando em pequenos deslocamentos do<br />

comb móvel. Este se encaixa, porém sem contato físico, com o comb fixo. A amplitude dos<br />

deslocamentos gerados depende da frequência e da variação de diferença de potencial<br />

aplicada.<br />

Conforme Chavarette et al., (2009) para que o movimento ocasionado pela<br />

deformação aconteça, uma força de natureza eletrostática ou puramente mecânica é aplicada<br />

ao dispositivo. Este fato permite explorar o dispositivo tanto como sensor ou atuador.<br />

Aplicando-se uma tensão alternada entre os combs obtém-se como resposta um deslocamento<br />

do comb. Assim, a estrutura se comporta como um atuador e este deslocamento pode ser<br />

utilizado para acionar outros mecanismos do sistema. Por outro lado, medindo-se a variação<br />

de capacitância devido a algum movimento relativo entre os pentes observa-se que a estrutura<br />

se comporta como um sensor de deslocamento. Estas funções necessitam da interação e da<br />

integração de dois dispositivos, um móvel ou deformável o qual é denominado comumente de<br />

mola e outro de índole eletrostática, ou seja, a estrutura comb-drive. Estes dispositivos são<br />

constituídos, basicamente, de vigas, colunas, âncoras ou engates e massa. Os comb-drives<br />

podem apresentar tanto movimentos de translação como de rotação, dependendo da sua<br />

topologia, conforme apresentado na Figura 20.<br />

Figura 20 - Tipos de comb-drive. (a) translação; (b) rotação<br />

(a)<br />

Fonte: Sandia National Laboratories (2011)<br />

O comb-drive de movimento translacional pode ainda ser dividido em três formas de<br />

atuação conforme a direção de seu deslocamento: ação longitudinal, ação lateral e ação<br />

vertical. As três formas são apresentadas na Figura 21.<br />

(b)<br />

44


Figura 21 - Direção de deslocamentos do comb-drive translacional. (a) longitudinal; (b) lateral; (c) vertical<br />

(a)<br />

(b)<br />

Fonte: Sandia National Laboratories (2011)<br />

O funcionamento básico destes microdispositivos está associado ao conhecimento da<br />

frequência de ressonância dos mesmos, a qual é definida pelas propriedades dos materiais e<br />

sua forma geométrica. O desempenho ótimo da força aplicada versus o deslocamento depende<br />

do conhecimento preciso dos valores da massa ( ), do coeficiente de elasticidade (rigidez) da<br />

mola ( ) associado ao amortecimento do ambiente ( ) no qual está inserido.<br />

Segundo Chavarette et al., (2009) na indústria estes dispositivos quando disposto<br />

convenientemente como microssensores e microatuadores, possibilitam a integração como<br />

relés, pinças, osciladores, filtros, transformadores, giroscópios, acelerômetros, entre outros<br />

dispositivos micrométricos. Observa-se que as áreas de instrumentação, controle de processos,<br />

aeronáutica, agricultura de precisão e automação industrial veem nestes micromecanismos<br />

uma forma de desenvolver sensores e atuadores para aplicações antes limitadas pelo tamanho<br />

dos dispositivos.<br />

Com base nisso, neste trabalho o foco de interesse volta-se ao comb-drive de ação<br />

longitudinal. Esta escolha é baseada na topologia simples, polarização unipolar e<br />

funcionamento de fácil compreensão. No entanto, esta estrutura apresenta algumas<br />

desvantagens, como a utilização de altos níveis de potencial elétrico para reproduzir pequenos<br />

deslocamentos e a instabilidade gerada pela arquitetura das elastomassas e comprimentos dos<br />

eletrodos do comb-drive.<br />

(c)<br />

45


3 MODELAGEM MATEMÁTICA<br />

A necessidade em aprimorar as técnicas de modelagem e simulação de microestruturas<br />

MEMS mostra-se como um amplo campo de investigação. Etapas como a construção, análise,<br />

técnicas utilizadas, e interpretação dos modelos matemáticos destes microssistemas é<br />

fundamental no auxílio do projeto e otimização dos MEMS. Para o caso específico dos<br />

dispositivos baseados em deformação elástica e força eletrostática estas etapas são destacadas<br />

neste capítulo. Este capítulo, também ressalta as técnicas de identificação de Sistemas,<br />

especificamente, a modelagem caixa cinza. Além disso, os dados amostrados conforme<br />

Nyquist resultam da transformação de tempo continuo em discreto. Logo, os processos de<br />

discretização são abordados como fator fundamental na modelagem destes microssistemas.<br />

Neste sentido, este capítulo é uma contribuição científica quanto à modelagem matemática<br />

destes atuadores MEMS.<br />

3.1 Identificação de sistemas<br />

Conforme Monteiro (2002) um sistema pode ser definido como “um conjunto de<br />

objetos agrupados por alguma interação ou interdependência, de modo que existam relações<br />

de causa e efeito nos fenômenos que ocorrem com os elementos deste conjunto”. Para Ogata<br />

(1995) sistema é “uma combinação de componentes que atuam em conjunto e realizam um<br />

certo objetivo”.<br />

Uma forma de descrever as relações entre as variáveis e elementos dos sistemas é<br />

através de modelos. Em consequência disso, a modelagem matemática visa estudar maneiras<br />

de desenvolver e implementar modelos matemáticos adequados a estes sistemas reais. Esta<br />

prática torna-se uma alternativa para descrever as características de um sistema. Esta forma de<br />

modelagem simula saídas para o sistema conforme os estímulos (entradas) são aplicados,<br />

permitindo, desta forma, a descrição do comportamento dinâmico do sistema.<br />

A complexidade de um modelo matemático dependerá da aplicação visada. No<br />

entanto, o levantamento e a formulação matemática de todos os aspectos e fenômenos que<br />

afetam o comportamento do sistema não é uma tarefa simples. Logo, torna-se praticamente<br />

impossível reproduzir por intermédios de modelos matemáticos o comportamento exato do<br />

sistema real. Neste sentido, os modelos matemáticos devem ser capazes de reproduzir o<br />

comportamento original do sistema da melhor forma possível. Basicamente, existem três<br />

grupos de técnicas usadas para a obtenção de modelos matemáticos.<br />

46


O primeiro grupo é denominado modelagem pela física do processo, também<br />

conhecida como modelagem caixa-branca. Segundo Garcia (1997) todo o processo de<br />

obtenção do modelo se baseia em leis e princípios físicos. Desta forma, todos os parâmetros<br />

são conhecidos ou previamente determinados. Os dados de entrada e saída do sistema, quando<br />

disponíveis, são usados unicamente para validar o modelo. Nesta forma de identificação, os<br />

termos da estrutura e seus parâmetros detêm um sentido físico. Portanto, a principal vantagem<br />

é exatamente este significado físico do modelo obtido. No entanto, Corrêa e Aguirre (2004)<br />

reconhecem a dificuldade na obtenção de modelos por intermédio da modelagem caixa-<br />

branca. Segundo estes autores, a complexidade nas equações físicas envolvidas e por vezes, o<br />

desconhecimento das mesmas, assim como seus parâmetros e o tempo despendido em suas<br />

análises, são as principais desvantagens desta técnica.<br />

O segundo grupo é referenciado como modelagem empírica, também conhecida como<br />

modelagem (identificação) caixa-preta. Conforme Sjöberg et al., (1996) este procedimento<br />

normalmente não pressupõe qualquer conhecimento prévio do sistema. Neste caso, apenas os<br />

dados de entrada e saída do processo são usados durante a identificação. Desta forma, não<br />

existe nenhuma relação óbvia entre a estrutura e seus parâmetros com os aspectos físicos do<br />

sistema sendo identificado. Para Pottmann e Pearson (1998) este fator, aliado a dificuldade<br />

para a seleção dos modelos e, em alguns casos o número excessivo de parâmetros são as<br />

principais desvantagens desta técnica. Por outro lado, a relativa facilidade na obtenção e a<br />

possibilidade em escolher estruturas mais adequadas para o projeto de sistemas de controle,<br />

apresentam-se como vantagens nesta técnica de modelagem.<br />

Estes dois grupos podem ser interpretados como os dois extremos das técnicas de<br />

modelagem. No entanto, conforme Lindslong e Ljung (1994) ressaltam um avanço no<br />

interesse em desenvolver e aprimorar métodos de identificação que permitam incorporar<br />

informações adicionais que se tenha sobre o sistema durante sua investigação, e não apenas<br />

dados. Sobre isso Aguirre, Rodrigues e Jacomé (1998) afirmam que,<br />

Procedimentos com esta característica são denominados métodos de “identificação<br />

caixa-cinza” e são especialmente interessantes porque não exigem do usuário um<br />

profundo conhecimento “a priori” do processo, mas permitem a utilização de<br />

conhecimento prévio. Isso normalmente resulta em melhores modelos e,<br />

principalmente, modelos fisicamente mais significativos.<br />

Neste sentido, este tipo de informação a priori auxilia na obtenção de modelos mais<br />

concisos. Este tipo de informação varia conforme o caso, o que permite quantificar a<br />

47


identificação caixa-cinza em métodos claros e escuros. Uma síntese das vantagens e<br />

desvantagens de cada técnica de identificação é apresentada na Figura 22.<br />

Figura 22 - Representação pictórica das dificuldades de cada classe de modelos<br />

3.2 Classificação dos modelos dinâmicos<br />

Fonte: Corrêa e Aguirre (2004)<br />

Um modelo de um sistema dinâmico consiste em uma representação por elementos e<br />

operadores matemáticos que permitam analisar e prever com certo grau de precisão o seu<br />

48


comportamento futuro. A dinâmica consiste na existência de propriedades que relacionem<br />

valores passados e futuros, de variáveis de saída e entrada. Ou seja, relacionam variáveis que<br />

levam em consideração a sua dependência temporal. Segundo Aguirre (2004) todo o sistema<br />

real é dinâmico. No entanto, quando a sua dinâmica (variações no tempo) não for relevante,<br />

tais modelos podem ser descritos por sistemas estáticos.<br />

Conforme Ljung (1999) e Aguirre (2004) os modelos dinâmicos podem ser<br />

classificados de várias formas. Para sua distinção pode-se citar algumas características. Desta<br />

forma, uma possível classificação pode ser considerada como:<br />

Modelos Lineares e Modelos Não-Lineares: modelos lineares satisfazem o princípio<br />

da superposição (princípio da homogeneidade mais o princípio da aditividade). Estes<br />

modelos apresentam ainda a mesma forma de comportamento independente do ponto<br />

de operação. Sistemas lineares são mais simples de serem tratados. No entanto, a<br />

negligência de certas não-linearidades presentes pode comprometer a análise do<br />

sistema. Caso os modelos não satisfazem o princípio da superposição, os mesmos são<br />

classificados como não-lineares. Nesta situação é possível verificar inúmeros<br />

fenômenos específicos em virtude das não-linearidades presentes. Em síntese, todo o<br />

sistema é em princípio não-linear. No entanto, em inúmeros casos é possível linearizar<br />

estes sistemas em torno de um ponto de operação, aproximando-o a um sistema linear.<br />

Modelos Contínuos e Modelos Discretos: esta classificação é baseada nas<br />

características da variável independente temporal. Para modelos cuja sua evolução é<br />

observada continuamente, para qualquer intervalo de tempo são denominados como<br />

modelos contínuos. Estes são modelados por equações diferenciais. Modelos discretos<br />

tendem a sua evolução há instantes isolados de tempo devido a sua observação,<br />

intervalos de tempo ou eventos discretos (amostragem). Na natureza quase todos os<br />

processos são contínuos, porém em várias situações é interessante a discretização.<br />

Estes modelos são representados por equações a diferenças. Estas equações são mais<br />

fáceis de resolver em computador, pois podem ser calculadas recursivamente, ou seja,<br />

solução obtida numericamente.<br />

Modelos de Parâmetros Concentrados e Modelos de Parâmetros Distribuídos: O<br />

primeiro caso consiste em modelos de sistemas onde seu comportamento varia<br />

unicamente em função do tempo, sendo seus parâmetros constantes. Estes sistemas<br />

são descritos por equações diferenciais ditas ordinárias (ODE – Ordinary Differential<br />

49


Equations). No segundo caso, existe mais de uma variável independente como a<br />

posição espacial ( ). Se os parâmetros mudam de acordo com a variação destas<br />

coordenadas este modelo é dito de parâmetros distribuídos e representado por um<br />

conjunto de equações diferenciais parciais (PDE – Parcial Differential Equations).<br />

Modelos Paramétricos e Modelos Não-Paramétricos: modelos que relacionam a<br />

entrada e a saída por intermédio de um conjunto de parâmetros (números ou<br />

coeficientes) são denominados modelos paramétricos. Em contrapartida, os métodos<br />

não-paramétricos objetivam representações gráficas de um sistema.<br />

Modelos Determinísticos e Modelos Estocásticos: esta classificação é baseada quanto<br />

às incertezas presentes no contexto de um problema real. Modelos determinísticos<br />

possuem certeza nos dados de seu comportamento. No entanto, modelos estocásticos<br />

possuem certo nível de incerteza, na forma de variáveis aleatórias na saída do sistema.<br />

Modelos Autônomos e Modelos Não-Autônomos: modelos que não dependem<br />

explicitamente do tempo, ou ainda, sistemas que não apresentam sinais de entrada de<br />

forma explícita são denominados de modelos autônomos. Caso contrário, modelos que<br />

apresentam entradas e saídas bem definidas são caracterizados como não-autônomos.<br />

Modelos Monovariáveis e Modelos Multivariáveis: modelos que apresentam relação<br />

(causa e efeito) em um par de variáveis, ou seja, uma única entrada e saída são ditos<br />

como monovariáveis. Estes são conhecidos pela sigla SISO (single input, single<br />

output). Os modelos multivariáveis podem ser classificados conforme o número de<br />

entradas e saídas. A sigla MISO (multiple inputs, single output) refere-se a modelos<br />

com múltiplas entradas e uma saída. SIMO (single input, multiple outputs) para<br />

modelos com uma única entrada e várias saídas. E por fim, MIMO (multiple input,<br />

multiple outputs) para modelos com várias entradas e saídas.<br />

Modelos Causais e Modelos Antecipativos: um modelo é dito causal, quando o<br />

sistema dinâmico começa a responder a uma excitação no momento em que esta é<br />

efetivamente aplicada ao sistema. Em contrapartida, um sistema antecipativo (ou não-<br />

causal) é capaz de responder antes da aplicação dos sinais de entrada. Ainda que possa<br />

ser possível representar matematicamente modelos não-causais, nenhum sistema físico<br />

tem esta capacidade. Assim, todo o sistema físico real na natureza é causal.<br />

50


Modelos Variantes e Invariantes no Tempo: para o caso dos parâmetros de um<br />

modelo, sejam eles, concentrados ou distribuídos serem constantes ao longo do tempo,<br />

o modelo é denominado como invariante. Por outro lado, se os parâmetros são funções<br />

temporais o mesmo é considerado variante no tempo.<br />

3.3 Representação linear de sistemas dinâmicos<br />

Conforme ressalta Aguirre (2004) existem várias formas de representar os modelos<br />

matemáticos. As principais representações são a resposta ao impulso, à resposta em<br />

frequência, à Função de Transferência (FT), a representação no espaço de estados e as<br />

representações discretas. O autor afirma que “uma destas representações mais importantes na<br />

modelagem de sistemas dinâmicos lineares é a função de transferência”.<br />

De forma geral, um sistema dinâmico linear contínuo e invariante no tempo é descrito<br />

por equações diferenciais ordinárias lineares na forma representada pela equação (3)<br />

sendo a ordem da derivada do sinal de saída e entrada respectivamente, a variável<br />

dinâmica de saída, e de entrada, ou seja, o sinal de excitação. Os coeficientes e<br />

relacionam os sinais de entrada e saída, ou seja, os parâmetros físicos do sistema.<br />

Segundo Aguirre (2004) “funções de transferência são funções que modelam o<br />

comportamento dinâmico de um par, entrada-saída de um sistema, ou seja, descrevem como<br />

uma determinada entrada é dinamicamente “transferida” para a saída do sistema”. Por<br />

definição, a FT de um sistema contínuo é a Transformada de Laplace da sua<br />

resposta ao impulso do sistema conforme a representação dada pela equação (4)<br />

∫<br />

ou ainda, a FT é definida como a relação das transformadas de Laplace da saída e da entrada<br />

quando todas as condições iniciais são nulas. Assim, a FT da equação (3) é dada conforme (5)<br />

51<br />

(3)<br />

(4)


As raízes do polinômio são denominados de zeros e são dados por<br />

valores são dados por<br />

3.3.1 Representações discretas<br />

. Em contrapartida, as raízes do polinômio são chamados de pólos e seus<br />

As representações matemáticas são voltadas essencialmente à identificação de<br />

sistemas usando algoritmos para a estimação de parâmetros. Neste caso, a classe de modelos é<br />

denominada de modelos paramétricos. Dado um vetor de observações de entrada e saída do<br />

processo, objetiva-se obter os parâmetros do modelo que melhor descrevem o processo.<br />

Conforme Aguirre (2004) a estrutura geral de modelos paramétricos pode ser definida<br />

pelo conjunto de equações a seguir:<br />

onde é a FT do processo e , a FT do ruído, e ruído branco (variável aleatória).<br />

Considerando que os polinômios e são definidos como:<br />

sendo o operador de atraso, de forma que , e são<br />

as ordens dos respectivos polinômios. corresponde aos pólos comuns entre a modelagem<br />

52<br />

(5)<br />

(6)<br />

(7)<br />

(8)<br />

(9)


da dinâmica do sistema e a modelagem do ruído (útil nos casos que se assume que o ruído<br />

entra no sistema junto com a entrada). representam pólos e zeros que afetam<br />

somente a entrada, e os pólos e zeros que afetam somente o ruído. Desta forma,<br />

é possível elaborar uma família de modelos discretos lineares, conforme apresentado na<br />

Tabela 1. A forma estrutural depende dos polinômios na expressão (6) serem iguais a um.<br />

Tabela 1 - Representações de modelos discretos utilizando Identificação de Sistemas<br />

Polinômio no<br />

Modelo Geral<br />

Fonte: Ljung (1999)<br />

3.4 Modelo linear dos atuadores MEMS<br />

Nome do Modelo<br />

FIR (Resposta ao impulso finito)<br />

AR (Autoregressivo)<br />

ARX (Autoregressivo com Entradas Exógenas)<br />

ARMAX (Autoregressivo com Média Móvel e Entradas Exógenas)<br />

ARMA (Autoregressivo com Média Móvel)<br />

ARARX (Ruído Autoregressivo em um modelo ARX)<br />

ARARMAX (Ruído Autoregressivo em um modelo ARMAX)<br />

OE (Erro na saída)<br />

BJ (Box-Jenkins)<br />

Neste trabalho o modelo matemático proposto baseia-se no modelo analítico clássico<br />

que descreve o comportamento do microtransdutor eletromecânico MEMS proposto por Tang,<br />

Nguyen e Howe (1989). Este modelo relaciona o conjugado, força aplicada versus<br />

deslocamento obtido, que pode ser representado na forma de diagrama de blocos, conforme<br />

apresenta a Figura 23.<br />

Figura 23 - Concepção do modelo analítico dos atuadores eletrostáticos MEMS<br />

Fonte: Elaborada pelo autor<br />

53


Os três blocos da Figura 23 representam as três equações embarcadas no próprio<br />

modelo. Uma das equações descreve o comportamento elétrico e a outra mostra o<br />

desempenho mecânico. A terceira faz o acoplamento entre as duas primeiras, ou, entre as<br />

diferentes formas de energia. A relação estabelecida entre os fluxos de energia, elétrico e<br />

mecânico da Figura 23, também é representada através de um diagrama de corpo livre,<br />

resultado da aplicação da Segunda Lei de Newton, conforme pode ser visto na Figura 24.<br />

Figura 24 - Atuador eletrostático MEMS. (a) parâmetros concentrados; (b) corpo livre<br />

(a) (b)<br />

Fonte: Adaptado de Reimbold (2008)<br />

Através da análise da Figura 24, pode-se observar que o comportamento mecânico é<br />

descrito pela inércia do corpo „ ‟, o amortecimento „ ‟ e a rigidez ou elasticidade „ ‟ da<br />

estrutura, à qual é aplicada uma força de índole eletrostática. Portanto, o modelo matemático<br />

que decorre da análise do corpo livre e que a literatura técnica atribui é uma ODE de segunda<br />

ordem, linear e de parâmetros invariantes no tempo e não-homogênea. Esta representação tem<br />

sido atribuída indiferentemente a sensores ou atuadores. As expressões (10) e (11) definem o<br />

modelo para o domínio de tempo contínuo e discreto respectivamente, onde „ ‟ são os<br />

instantes de tempo e „ ‟ são os intervalos.<br />

Esse modelo proposto é válido para sistemas que incorporam o atuador e o sensor<br />

simultaneamente. A vibração ou movimento imposto ao comb-drive é consequência da<br />

aplicação de um campo elétrico. Conforme destaca Schmidt et al., (2004) as não-linearidades<br />

54<br />

(10)<br />

(11)


são inerentes a maioria destas microestruturas. No entanto, o capacitor de atuação longitudinal<br />

mostra-se como uma exceção a regra. Conforme apresentado na equação (12), a capacitância<br />

é diretamente proporcional ao deslocamento da estrutura.<br />

onde<br />

representa a capacitância em função do deslocamento;<br />

a permissividade do meio;<br />

a distância entre as placas, ou “dedos”;<br />

é o valor da espessura dos “dedos”;<br />

deslocamento dos “dedos”;<br />

O "2" na equação é (12) é devido à capacitância das placas fixadas em ambos os lados.<br />

A energia eletrostática armazenada em um capacitor pela aplicação de uma<br />

diferença de potencial é dada pela expressão (13)<br />

e a força eletrostática entre as placas ou conjunto de “dedos” interdigitados pode ser<br />

determinada através da diferenciação da função de energia em relação a coordenada da<br />

direção da força, da seguinte forma e expressa pela equação (14)<br />

(<br />

.<br />

A partir da solução da equação (10) pode-se obter tanto a frequência natural do<br />

sistema , como a frequência com amortecimento , definidas através das expressões (15) e<br />

(16),<br />

)<br />

/<br />

55<br />

(12)<br />

(13)<br />

(14)


√<br />

√<br />

assim, analisando a equação (15) verifica-se que a frequência natural do sistema depende, das<br />

características geométricas e das propriedades dos materiais que formam a estrutura. Neste<br />

sentido, torna-se importante a determinação dos parâmetros físicos para estabelecer o<br />

comportamento destes atuadores, bem como, a avaliação coerente de seu funcionamento.<br />

3.5 Modelagem caixa-cinza<br />

Para os MEMS, inicialmente, Tang, Nguyen e Howe (1990) no projeto do comb-drive<br />

utilizou-se da modelagem caixa branca, ou modelagem pela física. Por outro lado,<br />

Wolfram et al., (2005) destacou a utilização das técnicas de modelagem caixa preta,<br />

manipulação de dados, como alternativa para a modelagem de MEMS. Entretanto,<br />

combinando as vantagens destas duas formas de modelagem, têm-se conseguido progressos<br />

no sentido de melhorar a maneira de obter-se o modelo comportamental destes dispositivos.<br />

Assim, na identificação caixa cinza, além dos dados de entrada e saída obtidos do<br />

sistema, algum outro tipo de informação a priori são usados na extração do modelo<br />

matemático, conforme mostrado na Figura 25. Segundo Corrêa e Aguirre (2004) os principais<br />

pontos a favor desta forma de identificação na literatura técnica são: (i) diminuição do número<br />

de parâmetros nos modelos, (ii) maior capacidade de reproduzir características fora dos dados<br />

de identificação, (iii) maior robustez, e (iv) maior adequação para o desenvolvimento de<br />

sistemas de controle.<br />

Figura 25 - Identificação de sistemas<br />

Fonte: Reimbold (2008)<br />

56<br />

(15)<br />

(16)


Segundo Aguirre (2004) o processo de modelagem caixa preta é dividido em cinco<br />

etapas principais que são aplicadas à modelagem caixa cinza. Estas etapas são: testes<br />

dinâmicos e coleta de dados, escolha da representação matemática a ser usada, determinação<br />

da estrutura do modelo, estimação dos parâmetros e validação do modelo. Neste trabalho<br />

investigativo, as elastomassas são consideradas como um sistema linear, o que permite<br />

estudar seu desempenho em uma faixa relativamente estreita de operação.<br />

3.5.1 Seleção de testes dinâmicos e coleta de dados<br />

Os dados utilizados para identificar os sistemas dinâmicos são chamados de dados de<br />

identificação. Estes são gerados a partir de medições da resposta de sistema, de acordo com o<br />

sinal (excitação) pré-estabelecido em sua entrada. Eles devem conter a informação necessária<br />

sobre o sistema a ser modelado. Logo, espera-se que exista uma correlação significativa entre<br />

as variáveis que explique a relação causa e efeito presente nos dados. Conforme cita Aguirre,<br />

Rodrigues e Jacomé (1998) “o sinal de excitação deve apresentar espectro suficientemente<br />

amplo de frequência e amplitude de tal forma que excursione o sistema pelos regimes<br />

dinâmicos de interesse”.<br />

Segundo Aguirre (2004) nesta etapa alguns aspectos fundamentais devem ser<br />

observados. A realização dos testes dinâmicos e especificação dos ensaios envolve a definição<br />

dos sinais a serem medidos e ambiente de manipulação, caracterização dos sinais de excitação<br />

e a escolha do intervalo de amostragem são itens que devem ser criteriosamente analisados.<br />

3.5.1.1 Plataforma de teste<br />

A coleta de dados é realizada a partir da plataforma de testes desenvolvida no<br />

aplicativo ANSYS (Analysis System). Esta ferramenta computacional permite fazer diferentes<br />

tipos de análises pelo método de Elementos Finitos (FEM – Finite Element Method) e<br />

Elementos de Fronteira (BEM – Boundary Element Method). Segundo Swanson (1998) dentre<br />

estas análises destacam-se: Estática, Modal, Harmônica, Espectral, Dinâmica Transiente e<br />

análise de Flambagem.<br />

O aplicativo ANSYS apresenta uma ampla gama de capacidades de simulação de<br />

engenharia. O ambiente de plataformas de simulação unificada e personalizável permite que<br />

engenheiros realizem de forma eficiente simulações complexas que envolvem a interação de<br />

múltiplos domínios. Desta forma, o software de simulação é utilizado para prever como se<br />

57


comportará projetos de produtos, e como processos de fabricação serão operados em<br />

ambientes do mundo real. O mesmo fornece a qualidade para analisar os projetos no menor<br />

tempo possível e ter a certeza de resultados precisos. Seu prestígio a nível acadêmico garante<br />

caracterizar as simulações desenvolvidas como sendo a parte experimental do trabalho.<br />

Para a simulação de deformação de sólidos dispõe-se de elementos como o SOLID45<br />

e o SOLID95, entre outros. O SOLID45 é um elemento que tem plasticidade, dilatação,<br />

rigidez, estresse, deflexões e deformação. A simulação da elastomassa MEMS no aplicativo<br />

ANSYS, bem como, a geometria, a localização dos nodos e o sistema de coordenadas de cada<br />

elemento são apresentados respectivamente na Figura 26.<br />

Figura 26 - Geometria do elemento SOLID45<br />

Fonte: Adaptada de Swanson (1998)<br />

Para a estrutura comb-drive seguindo o proposto por Reimbold (2008) o dispositivo<br />

pode ser implementado utilizando-se diferentes soluções que envolvem forças eletrostáticas e<br />

estruturas mecânicas. No entanto, neste trabalho o elemento utilizado é o TRANS126.<br />

Segundo ANSYS o elemento é adequado para simular a resposta eletromecânica de<br />

dispositivos MEMS. Na Figura 27 é apresentado o elemento, onde e são as<br />

nomenclaturas dadas aos nodos, e . Estes nodos representam os capacitores,<br />

gap a distância entre as placas do capacitor e por fim, a rigidez do dispositivo.<br />

Figura 27 - TRANS126. (a) banco capacitivo; (b) símbolo; (c) equivalente mecânico<br />

(a) (b) (c)<br />

Fonte: Adaptada de Reimbold (2008)<br />

58


O TRANS126 é um elemento concentrado o qual converte energia eletrostática de seu<br />

domínio em um domínio estrutural e vice-versa e ao mesmo tempo, permite o armazenamento<br />

de energia. Em síntese, o TRANS126 representa a resposta capacitiva do dispositivo ao<br />

movimento em uma direção. As forças eletrostáticas são obtidas da derivada da capacitância<br />

como função da distância, cuja análise pode ser realizada a partir da Figura 28.<br />

Figura 28 - Características do TRANS126. (a) capacitância x deslocamento; (b) repulsão eletromecânica<br />

(a) (b)<br />

Fonte: Adaptada de ANSYS ([s.d])<br />

A capacitância do elemento TRANS126 do ANSYS é definida por meio da expressão<br />

(17). Logo, a força eletrostática é calculada através da equação (18)<br />

3.5.1.2 Experimentação do sistema<br />

[<br />

Os sinais de excitação aplicados ao sistema devem ser projetados para satisfazer o<br />

melhor conjunto de propriedades que garantirão a adequabilidade dos dados obtidos. Segundo<br />

Leontaritis e Billings (1987) na prática os sinais utilizados para excitar os sistemas são sinais<br />

binários pseudo-aleatórios (PRBS), especialmente para sistemas lineares. Ondas quadráticas e<br />

ruído branco, que contém um espectro de frequência relativamente largo também podem ser<br />

utilizados. Além destes, pode-se citar os sinais sinusoidal, degrau e impulso.<br />

A amplitude do sinal de teste é também um fator extremamente importante nesta<br />

etapa. Este é o responsável por levar o sistema a diferentes regiões de operação. No caso dos<br />

sistemas lineares, deseja-se aplicar uma amplitude que seja a menor possível para não excitar<br />

]<br />

59<br />

(17)<br />

(18)


as não-linearidades dos sistema. No entanto, ao mesmo tempo, seu valor deve ser<br />

suficientemente grande para garantir uma boa relação sinal-ruído. As propriedades dos dados<br />

selecionados na fase de testes e utilizados em seguida na estimação dos parâmetros são<br />

relevantes para garantir a qualidade do modelo estimado.<br />

3.5.1.3 Tempo de amostragem<br />

A escolha da realização dos testes é um problema relacionado além dos sinais de<br />

excitação, ao tempo de amostragem. A forma de modelagem computacional requer uma<br />

quantidade finita de amostras. Logo, torna-se necessário registrar as variáveis contínuas do<br />

sistema na forma discreta no tempo. Portanto, tais variáveis devem ser amostradas.<br />

Segundo Aguirre (2004) “o período entre duas amostras é chamado de período ou<br />

tempo de amostragem, ”. Esta importância quanto ao é devida ao fato em que tempos de<br />

amostragem diferentes, geram modelos diferentes. Se for demasiadamente curto, tende-se a<br />

obter dados superamostrados. Desta forma, as sucessivas medições tendem a estar<br />

correlacionadas, as quais poderá tornar a estimação dos parâmetros mal condicionada. Por<br />

outro lado, caso a obtenção dos dados torna-se subamostrados pode-se levar a uma perda de<br />

informação dinâmica entre uma amostra e outra. Em consequência disso, tem-se uma redução<br />

na qualidade do modelo estimado.<br />

Para os sinais amostrados, e reter as características fundamentais do sinal<br />

original, é necessário que o seja suficientemente curto. Uma forma de estabelecer este<br />

critério é obedecer ao teorema de Shannon/Nyquist definido através da equação (19)<br />

onde: é a frequência de amostragem, e é a frequência do sinal a ser amostrado. Assim,<br />

conforme Shannon (1949) deve-se garantir que a frequência de amostragem seja maior que o<br />

dobro da maior frequência do sinal original para evitar o falseamento do sinal amostrado.<br />

3.5.2 Discretizadores<br />

A transformação do desempenho analógico para o discretizado, através de<br />

processadores digitais é fundamental na obtenção do modelo matemático comportamental dos<br />

MEMS. Logo, sua importância é relevante em todo o processo de identificação. A formação<br />

60<br />

(19)


do vetor de regressores , necessário à estimação dos parâmetros do modelo matemático<br />

está diretamente vinculada ao método de discretização utilizado no processamento dos dados.<br />

Portanto, a eficácia do modelo proposto está relacionada à escolha do melhor discretizador.<br />

A discretização ou amostragem do sinal de um sistema consiste na transformação de<br />

uma representação no domínio de tempo contínuo para o tempo discreto. Esta é realizada por<br />

meio de amostragem de tempo e da quantização em amplitude, passíveis de serem tratadas por<br />

computadores digitais. Por outro lado, a passagem do tempo discreto para o domínio contínuo<br />

é denominada de reconstrução do sinal.<br />

Entre as formas de sinais disponíveis Ogata (1995) cita os sinais analógicos em<br />

tempos contínuos definidos para qualquer instante de tempo, cuja amplitude varia<br />

continuamente. Sinais em tempo contínuo quantizado, onde a amplitude somente pode<br />

assumir valor pré-determinados. Sinais discretizados que assumem valor em instantes de<br />

tempo determinados. E por fim, discretizados quantizados, que são sinais discretizados que<br />

unicamente podem assumir determinados valores de amplitude. Estas formas de sinais são<br />

apresentadas na Figura 29.<br />

Figura 29 - Tipos de sinais. (a) contínuo; (b) contínuo quantizado; (c) discretizado; (d) discretizado quantizado<br />

(a) (b)<br />

(c) (d)<br />

Fonte: Adaptada de Ogata (1995)<br />

61


Na análise de sistemas em tempo contínuo uma das ferramentas matemáticas uteis é a<br />

utilização da Transformada de Laplace com o uso da frequência complexa . De forma<br />

análoga, em sistemas discretos, a alternativa frequentemente utilizada na análise destes<br />

sistemas é a Transformada . E ambas relacionadas à Transformada de Fourier .<br />

Semelhantemente a , a utiliza-se da frequência complexa que neste caso é . No entanto,<br />

são baseadas em séries de potência, nas „Séries de Laurent‟, ou seja, uma representação de um<br />

sinal por séries de potência generalizando a conhecida expansão em séries de Taylor. A<br />

utilização da é vital para o desenvolvimento dos modernos sistemas de controle discretos,<br />

em especial, em processos de amostragem, processamento de sinais digitais e discretização de<br />

sistemas e controladores.<br />

Seja uma função temporal contínua e seu correspondente sinal discreto ,<br />

conforme apresentado na Figura 30,<br />

Figura 30 – Discretização no tempo de um sinal contínuo<br />

Fonte: Elaborada pelo autor<br />

onde é a soma de todas as amostras impulsivas conforme equação (20)<br />

desta forma,<br />

∑<br />

Aplicando a em (20), e sabendo-se que a do delta de Dirac é dado por<br />

{ { }} ∫<br />

{ ( )} {∑<br />

}<br />

62<br />

(20)<br />

(21)<br />

(22)


{ ( )} ∑ { }<br />

{ ( )} ∑<br />

Segundo Ogata (1995) com um simples ajuste na notação, tomando , a de<br />

uma função temporal contínua definida positivamente, ou de uma sequência de valores<br />

, tendo para valores inteiros positivos, e o período de amostragem é definido pela<br />

equação (25), conhecida como unilateral,<br />

uma variável complexa e indica no momento em que ocorre a amplitude . Assim,<br />

a transforma uma sequência em uma função da variável complexa .<br />

A expressão estabelece um mapeamento biunívoco entre os espaços das<br />

funções contínuas e discretas, conforme apresentado na Figura 31. Sendo uma função de<br />

variável complexa, é conveniente representá-la no plano complexo . Neste plano, a região<br />

| | corresponde ao círculo de raio unitário. Os valores de para os quais existe a , ou a<br />

série converge são chamados Região de Convergência. A partir deste plano é possível entre<br />

outros fatores verificar a estabilidade do sistema discreto. Além disso, de forma similar ao<br />

processo de obtenção da FT de uma função no domínio contínuo através da , a FT para<br />

∑<br />

o tempo discreto é obtida a partir da utilização da .<br />

Figura 31 - Mapeamento exponencial entre e<br />

Fonte: Elaborada pelo autor<br />

63<br />

(23)<br />

(24)<br />

(25)


Conforme apresenta Soares (1996) existem vários métodos que facilitam a<br />

discretização, de forma que a transformação de contínuo para o discreto seja a mais exata<br />

possível. Cada método apresenta uma forma distinta do tipo de aproximação numérica<br />

utilizada. Neste trabalho são utilizados os métodos: Forward Difference (FwD), Backward<br />

Difference (BwD), Invariância ao Impulso (MII), o método de retentores de ordem zero (Zero<br />

Order Hold - ZOH) e o método de Tustin.<br />

Cada um destes discretizam a FT do sistema analógico com diferentes números de<br />

fatores de regressão e tempos de atraso. A escolha destes métodos é baseada nas técnicas<br />

clássicas de discretização disponíveis na literatura. Sua escolha também está relacionada com<br />

a facilidade da implementação computacional. Para efeito de comparação e escolha do melhor<br />

método, deve-se levar em conta o que se espera do algoritmo de sistema discretizado em<br />

comparação com o desempenho do sistema analógico. Nas subseções seguintes será<br />

apresentada a formulação matemática dos métodos de discretização utilizados neste trabalho.<br />

3.5.2.1 Forward Difference<br />

Este método, também conhecido como método de Euler consiste em aproximar a<br />

derivada do sistema contínuo ,<br />

pela equação (26)<br />

64<br />

por uma aproximação à equação de diferenças dada<br />

onde corresponde ao período de amostragem dos dados. Considerando um sistema<br />

contínuo na seguinte forma,<br />

cuja transformada de Laplace fornece a FT representa pela equação (28),<br />

A aproximação discreta substituindo (26) em (27) é dada por<br />

(26)<br />

(27)<br />

(28)


de onde tem-se que<br />

organizando a equação (31) chega-se em,<br />

comparando (28) com (32), para obter a FT discreta a partir de , basta fazer a<br />

substituição de variáveis dos planos e , conforme apresentado na equação (33)<br />

[<br />

No entanto, Soares (1996) ressalta que “a simplicidade deste método contrasta com a<br />

possibilidade que o mesmo introduz de transformar um sistema contínuo estável, em um<br />

sistema discreto instável”.<br />

3.5.2.2 Backward Difference<br />

]<br />

De forma análoga ao método anterior, este processo também conhecido como método<br />

diferencial permite aproximar a derivada do sistema contínuo dado pela equação (27), por<br />

uma aproximação discreta que obedece a relação representada pela equação (34),<br />

Aplicando a transformada em (34) e considerando o domínio discreto e o<br />

domínio contínuo, de modo que , é possível realizar a substituição da variável<br />

65<br />

(29)<br />

(30)<br />

(31)<br />

(32)<br />

(33)<br />

(34)


pela variável na FT contínua , conforme a expressão apresentada na equação (35),<br />

permitindo a obtenção da FT discreta ,<br />

[<br />

]<br />

A proximidade com método anterior é aparente do ponto de vista da forma como é<br />

obtido e tratar-se de uma simples substituição das variáveis e . No entanto, neste caso, se o<br />

sistema contínuo é estável, a aplicação do BwD tornará o sistema discreto também estável.<br />

3.5.2.3 Tustin<br />

A aproximação de , também conhecida como método bilinear é baseado na<br />

aproximação numérica de integração na forma trapezoidal. Semelhante aos processos<br />

anteriores, este consiste também em um mapeamento entre os domínios e . Considerando<br />

um sistema de primeira ordem, dado por (27) e obedece a FT dada por (28), a aproximação<br />

discreta pelo método de Tustin para sistema é dado pela equação a diferenças conforme a<br />

equação (36)<br />

a versão amostrada para (27), é dada pela representação (37),<br />

ou atrasado no tempo<br />

Substituindo (38) e (37) em (36) resulta<br />

66<br />

(35)<br />

(36)<br />

(37)<br />

(38)


de onde tem-se aplicando a<br />

e portanto<br />

(<br />

comparando (28), com (41), para obter a partir de , basta fazer a substituição nas<br />

variáveis, conforme a equação (42),<br />

3.5.2.4 Invariância ao impulso<br />

[<br />

)<br />

67<br />

(39)<br />

(40)<br />

(41)<br />

] (42)<br />

Segundo Smith (2007) dada uma FT , sua forma equivalente em tempo discreto<br />

é obtida pelo Método de Invariância ao Impulso (MII), de forma que as respostas ao<br />

impulso nos instantes de amostragem sejam equivalentes à resposta ao impulso do sistema<br />

contínuo conforme a equação (43)<br />

[ ] { } (43)


3.5.2.5 Zero Order Hold<br />

A aproximação pelo segurador de ordem zero “Zero Order Hold” é também conhecido<br />

como método da invariância ao degrau. A FT discreta equivalente ao sistema contínuo<br />

descrito por , cuja FT é dada por é matematicamente obtida de acordo com a<br />

equação (44), e segue a representação como apresentado na Figura 32,<br />

{ {<br />

Figura 32 - Sinal amostrado com segurador ZOH<br />

}|<br />

Fonte: Elaborada pelo autor<br />

A função do segurador de ordem zero consiste em reter o último valor amostrado de<br />

. Sendo o sinal amostrado ideal representado por uma sequência de funções delta, o<br />

ZOH fornece uma aproximação em escada para . A saída do sistema é uma sequência de<br />

funções degrau cuja amplitude é no instante de amostragem, ou seja, .<br />

3.5.3 Escolha da representação matemática<br />

A escolha da representação matemática de um modelo recai sobre inúmeras<br />

possibilidades existentes na literatura, e algumas destas apresentadas na subseção 3.3.1.<br />

Considerando a identificação de sistemas lineares, para as microestruturas MEMS,<br />

prevalecerá a escolha do modelo que possibilite uma melhor representação do sistema em<br />

estudo. Neste sentido, as representações ARX (Autoregressive with Exogenous Inputs), e<br />

ARMAX (Autoregressive Moving Avarege with Exogenous Inputs) são as que melhor se<br />

adequam ao modelo. Ambas consideram o erro na equação, passivo de acontecer em<br />

estruturas cujas dimensões são de ordem micrométrica.<br />

}<br />

68<br />

(44)


3.5.3.1 Representação ARX<br />

A representação ARX é obtida a partir da equação do modelo geral (6), tomando<br />

. Seu modelo matemático obedece à expressão (45). O mesmo pode<br />

ser visualizado por meio de diagrama de blocos, conforme apresentado na Figura 33.<br />

ou reescrita conforme as equações (46) ou (47)<br />

onde em (47),<br />

é a saída do processo no instante ;<br />

é a entrada do processo no instante ;<br />

é o erro do processo no instante ;<br />

são os coeficientes do polinômio que relacionam a saída no instante atual com<br />

as saídas anteriores;<br />

são os coeficientes do polinômio que relacionam a saída no instante atual com<br />

as entradas anteriores.<br />

Figura 33 - Representação esquemática do modelo ARX. (a) equivalente à equação (46); (b) representada em<br />

novo formato após algumas operações matemáticas<br />

(a) (b)<br />

Fonte: Adaptada de Aguirre (2004)<br />

69<br />

(45)<br />

(46)<br />

(47)


Pela equação (46) percebe-se que o modelo ARX é adequado para representar uma FT<br />

entre a entrada e a saída perturbada por uma variável exógena entrando no<br />

sistema (Figura 33 (a)). Esta variável visa representar o erro de representação do modelo. O<br />

ruído que atua sobre o sistema que é adicionado na saída não é mais<br />

branco, pois o ruído branco original atuante sobre o sistema passa pelo filtro<br />

autoregressivo , com pólos idênticos aos do processo, que são as raízes do polinômio<br />

.<br />

3.5.3.2 Representação ARMAX<br />

O modelo autoregressivo com média móvel e entradas exógenas, de forma análoga ao<br />

modelo ARX a partir da representação geral discreta (6), tomando-se e . No<br />

entanto, neste caso há a inserção do polinômio arbitrário , além dos existentes e<br />

nos modelos ARX. Desta forma, o modelo matemático ARMAX considera a<br />

modelagem do ruído correlacionado, e obedece á expressão (48),<br />

ou reescrito conforme (49) ou (50)<br />

onde<br />

c q c q C<br />

1<br />

( ) 1 <br />

representa o polinômio que contém os pólos e zeros que<br />

1<br />

nv<br />

nvq <br />

afetam o ruído. Desta forma, O modelo ARMAX fornece uma flexibilidade extra para a<br />

modelagem do ruído em relação ao modelo ARX. A atuação da variável exógena no modelo é<br />

realizada através de um processo autoregressivo e média móvel. A representação ARMAX<br />

torna-se mais genérica, uma vez que considera o erro na equação modelado com um processo<br />

de média móvel para a determinação do estado futuro. Além disso, o ruído adicionado a saída,<br />

, é modelado como ruído branco filtrado pelo filtro ARMA, , assim<br />

, conforme apresentado na forma de diagrama de blocos, na Figura 34,<br />

70<br />

(48)<br />

(49)<br />

(50)


Figura 34 - Representação esquemática do modelo ARMAX. (a) equivalente à equação (49); (b) representada em<br />

novo formato após algumas operações matemáticas<br />

(a) (b)<br />

Fonte: Adaptada de Aguirre (2004)<br />

3.5.4 Determinação da Estrutura do Modelo<br />

Nesta fase é escolhido o valor da ordem do modelo proposto. Esta escolha é<br />

extremamente importante para adequada estimação dos parâmetros. A escolha equivocada da<br />

ordem do modelo pode não representar a sua complexidade estrutural, bem como, torná-la<br />

mal condicionada. No caso deste trabalho, esta escolha é baseada no conhecimento a priori do<br />

modelo analítico dos atuadores eletrostáticos da expressão (10), ou seja, o conhecimento<br />

físico do processo. Conforme cita Aguirre (2004) “no caso de modelos lineares, a escolha da<br />

sua estrutura se restringe, basicamente, à escolha do número de pólos e zeros”.<br />

3.5.5 Estimação dos parâmetros<br />

Esta etapa do processo de identificação de sistemas consiste em estimar (determinar),<br />

os parâmetros que compõem a representação do modelo matemático. O processo de estimar<br />

os parâmetros tende a estabelecer a associação entre a realidade física de um conjunto de<br />

dados (observações), sinais de entrada e saída, e a concepção abstrata do modelo. Em síntese<br />

o processo de estimação consiste em um problema de otimização. Pretende-se determinar um<br />

conjunto de parâmetros que minimize certa função custo.<br />

Conforme Ljung (1999) os parâmetros destas estruturas matemáticas são ajustados por<br />

algoritmos de estimação a partir dos dados medidos. A literatura específica dispõe de<br />

inúmeros métodos, algoritmos e técnicas de estimação de parâmetros. Cada um com suas<br />

especificações, vantagens e desvantagens quanto à eficácia no processo de estimação.<br />

Segundo o autor pode-se citar os métodos de mínimos quadrados e suas extensões, máxima<br />

verossimilhança e filtro de Kalman. Neste trabalho, será adotado o método de Mínimos<br />

71


Quadrados Clássico (MQ), também conhecido como ordinário, do inglês (Ordinary Lest<br />

Square - OLS), além da versão estendida, método de Mínimos Quadrados Estendido (MQE)<br />

(Extended Least Square – ELS). Para ambos os algoritmos, será aplicada as versões em<br />

batelada (batch) e recursiva para a estimação dos parâmetros dos modelos discretos das<br />

microestruturas MEMS.<br />

O método dos MQ é um dos mais conhecidos e utilizados processos de estimação. A<br />

partir de sua concepção proposta pelo matemático alemão Johann Carl Friedrich Gauss<br />

(1777 – 1855), inúmeros outros estimadores forem concebidos. A escolha por este método se<br />

justifica pela relação linear entre a entrada e saída, além da facilidade de implementação e<br />

eficiência na estimação de parâmetros de sistemas lineares. Este processo, pode ainda, ser<br />

estendido a representação não-lineares, levando em conta algumas especificações.<br />

3.5.5.1 Estimador de mínimos quadrados<br />

Considerando um sistema físico caracterizado por uma entrada, , e uma saída,<br />

, conforme a Figura 25. Supondo-se que o sistema possa ser modelado cuja representação<br />

por equações a diferenças é dada pela equação (51)<br />

( )<br />

o mesmo pode ser escrito de uma forma mais compacta conforme a equação (52),<br />

72<br />

(51)<br />

̂ (52)<br />

onde é o vetor de regressores que obedece ao discretizador utilizado, e ̂ é o vetor que<br />

contém os parâmetros a serem identificados, dados respectivamente pelas expressões (53) e<br />

(54). A dimensão do vetor de parâmetros é dada por . E ainda considera-se<br />

como o erro do modelo assumido de média nula.<br />

[ ( )]<br />

ou ainda, em termos de ̂, conforme (55)<br />

̂<br />

(53)<br />

(54)


̂ [ ̂ ̂ ̂ ̂ ] (55)<br />

Admitindo que sejam realizadas medidas, suficientes para estimar o conjunto de<br />

elementos do vetor ̂, tem-se a equação representada por (56)<br />

[<br />

]<br />

[<br />

]<br />

[ ̂]<br />

O método dos MQ tem por objetivo estimar ̂ de modo a minimizar a função custo<br />

dado pela equação (58). Ou seja, representa somatório do quadrado das diferenças entre os<br />

valores observados, e as respectivas estimativas. Estas diferenças são chamadas de resíduos,<br />

conforme a equação (57),<br />

a qual pode ser expressa por (59) e (60)<br />

̂<br />

∑( ̂)<br />

( ̂) ( ̂)<br />

̂ ̂ ̂ ̂<br />

onde , a fim de minimizar a função custo em relação a ̂, é necessário resolver<br />

Logo, tem-se as expressões (61) e (62)<br />

̂ ̂<br />

̂ ̂<br />

[<br />

]<br />

̂ .<br />

73<br />

(56)<br />

(57)<br />

(58)<br />

(59)<br />

(60)<br />

(61)<br />

(62)


considerando que as relações (63) e (64) são verdadeiras, no caso de uma matriz e os<br />

vetores e , tem-se<br />

desta forma, determina-se a equação (65)<br />

74<br />

(63)<br />

(64)<br />

̂ (65)<br />

Conforme Aguirre (2004) pode-se garantir pela equação (65) obtém-se a estimativa<br />

para o vetor de parâmetros , uma vez que ela representa o mínimo da função custo , visto<br />

que satisfaz a relação (66),<br />

̂ (66)<br />

pois, é definida positiva por construção. Desta forma, a equação (65) é o estimador que<br />

fornece o valor de ̂ que minimiza o somatório dos quadrados dos erros.<br />

A descrição do algoritmo de estimação por MQ pode ser classificado quanto à forma<br />

em que o conjunto de dados são computados. A aplicação direta da equação (65) é conhecida<br />

como processo em batelada ou (batch). Neste processo os dados de entrada e saída são<br />

medidos, armazenados e processados de uma única vez, para obter os parâmetros desejados.<br />

Neste caso, como todo o processo é realizado de forma única, não a limitação do tempo de<br />

execução. Porém, este procedimento requer grande quantidade de memória e demanda um<br />

aumento no esforço computacional conforme o tempo de ensaio.<br />

Diferentemente da versão batch, o método de Mínimos Quadrados Recursivo (MQR)<br />

utilizam pouca memória e baixo nível de esforço computacional. O processo consiste em<br />

estimar de forma sequencial a cada período de amostragem um conjunto de parâmetros. Neste<br />

caso, a cada , novas medidas dos sinais de entrada e saída tornam-se disponíveis e são<br />

processadas. Assim, o algoritmo torna-se um processo interativo. Isso torna os métodos<br />

recursivos extremamente uteis, além da possibilidade de resolução de problemas numéricos<br />

cuja solução em batelada seria difícil.


Conforme cita Aguirre (2004), “os termos estimação recursiva e estimação em<br />

batelada dizem respeito ao algoritmo”. No entanto, estimação on-line e off-line são expressões<br />

designadas quanto à obtenção dos dados. Estes termos são comumente usados para indicar<br />

algoritmos executados em tempo real ou não. Aguirre (2004) ressalta que,<br />

[...] a denominação tempo real refere-se ao fato do processamento (que tanto pode<br />

ser recursivo como em batelada) ocorrer suficientemente rápido de maneira que o<br />

resultado esteja disponível para influenciar o processo sendo monitorado ou<br />

controlado. [...] algoritmos recursivos podem ser executados em tempo real, ou não.<br />

Semelhantemente, algoritmos de estimação em batelada podem, em princípio, ser<br />

executados tanto em tempo real ou não.<br />

A obtenção do estimador recursivo segue o desenvolvimento apresentado a partir de<br />

(65). No contexto de atualização recursiva, é interessante expressar ̂ em função do último<br />

valor estimado, ou seja, ̂ . Um modelo para o sistema pode ser escrito conforme (67),<br />

75<br />

̂ (67)<br />

sendo o vetor de regressores formado na interação com informação<br />

disponível até a interação . Nesse sentido, o estimador de mínimos quadrados pode ser<br />

reescrito de acordo com a equação (68),<br />

̂ [∑<br />

]<br />

[∑<br />

a partir deste ponto, será utilizada a seguinte notação para a matriz de covariância :<br />

[∑<br />

[∑<br />

]<br />

O princípio dos algoritmos recursivos consiste em expressar as grandezas em um<br />

determinado instante , em função dos valores em instantes passados. Logo,<br />

]<br />

]<br />

(68)<br />

(69)


̂ [∑<br />

considerando o instante , a equação (70) pode ser apresentada por (71)<br />

[∑<br />

] ̂ [∑<br />

uma forma compacta de apresentar o lado esquerdo da equação (71) pode ser escrito como<br />

̂ Assim, substituindo esse resultado na equação (70), tem-se,<br />

̂ [<br />

̂ ]<br />

̂ *( ) ̂ +<br />

̂ ̂ ̂<br />

̂ ̂ [ ̂ ]<br />

̂ ̂<br />

onde uma matriz de ganho determinada a partir da covariância da rotina de<br />

atualização recursiva. E ̂ a inovação no instante . A<br />

atualização da equação (69) torna-se evidente no algoritmo recursivo a cada nova interação,<br />

para o novo conjunto de parâmetros estimados. A aplicação direta da equação (69) implica<br />

sua inversão a cada interação do algoritmo.<br />

Segundo Aguirre (2004) uma forma de resolver esta dificuldade pode ser obtida<br />

aplicando-se a seguinte identidade:<br />

Logo,<br />

]<br />

]<br />

76<br />

(70)<br />

(71)<br />

(72)


onde,<br />

ou, alternativamente,<br />

; ; e . Desta forma, obtém-se<br />

{ }<br />

utilizando a expressão (73) obtém-se a matriz ganho, conforme a equação (74)<br />

Finalmente o conjunto de equações que são utilizadas no algoritmo de estimação de<br />

parâmetros por MQR, é apresentado conforme o conjunto de equações (75),<br />

̂ ̂ [ ̂ ]<br />

3.6.4.2 Estimador de mínimos quadrados estendidos<br />

O estimador de mínimos quadrados estendido assume que as estruturas dos modelos<br />

são da forma ARMAX, o qual considera o ruído adicionado a saída modelado por<br />

⁄ . Neste caso, a simples implementação através de MQ causaria a polarização dos<br />

parâmetros estimados. Desta forma, o vetor de resíduos apresentaria alguma dinâmica que não<br />

foi devidamente explicada pelo modelo.<br />

A polarização em MQ surge do fato de existir correlação no vetor de resíduos e<br />

existirem regressores da forma no modelo. Isso acaba correlacionando a matriz de<br />

regressores com . Neste caso, para evitar a polarização, uma alternativa consiste a partir<br />

da equação (65), estender tanto na matriz de regressores , quanto no vetor de parâmetros a<br />

serem estimados ̂, novos termos que consideram a modelagem do erro correlacionado. O<br />

primeiro passo, para estimar estes modelos, consiste na estimação dos parâmetros do modelo<br />

77<br />

(73)<br />

(74)<br />

(75)


ARX. A partir deste modelo são estendidos os regressores e o vetor de parâmetros de forma a<br />

incluir o erro.<br />

Considerando que os resíduos de identificação forem modelados como um processo de<br />

média móvel de acordo com a equação (76), e o sistema possa ser modelado cuja<br />

representação por equações a diferenças é dada pela equação (77) da seguinte forma,<br />

( )<br />

sendo ruído branco, os termos podem ser incorporados à matriz de regressores<br />

e seus respectivos parâmetros. Logo, a equação matricial gerada por (77) pode ser reescrita<br />

conforme (78),<br />

onde 2<br />

ou<br />

, e<br />

[<br />

̂ ̂<br />

78<br />

(76)<br />

(77)<br />

̂ (78)<br />

]<br />

( )<br />

onde, se o modelo a ser estimado possuir termos do processo e termos do ruído, então<br />

( ) e . Da equação (77), tem-se a expressão (81)<br />

2 * Indica a estimação de forma interativa pelo método de MQE<br />

(79)<br />

(80)<br />

̂ (81)


logo,<br />

[<br />

Verifica-se que a parte parametrizada de (76) é inserida na matriz de regressores.<br />

Logo, é uma variável aleatória “branca”, de forma que em (76), não está correlacionado<br />

com . Como os termos não são medidos, estes precisam ser estimados. Logo, a<br />

partir deste ponto, a estimação do modelo ARMAX torna-se um processo interativo. Em<br />

Aguirre (2004) o autor descreve um algoritmo interativo para estimação de , divididos<br />

em seis passos, da seguinte maneira:<br />

1. a partir da equação de regressão ̂ e dos dados<br />

disponíveis, forma-se a equação matricial como no método de mínimos quadrados,<br />

e determina-se ̂ ;<br />

2. calcule-se o vetor de resíduos ̂;<br />

3. faça ( indica o número da interação);<br />

4. com , cria-se a matriz estendida de regressores, , e estima-se<br />

̂ ;<br />

5. determina-se o vetor de resíduos ̂ ;<br />

6. faça e volte ao passo 4. Repita até convergir.<br />

Conforme cita Aguirre (2004) “para verificar a convergência, pode-se monitorar a<br />

variância dos resíduos,<br />

]<br />

79<br />

(82)<br />

, ou o vetor de parâmetros ̂ . Na prática, é<br />

normalmente suficiente para atingir a convergência”. Além disso, o método MQE estima<br />

tanto o modelo do processo como o modelo ruído, ou seja, os parâmetros da equação (77).<br />

Logo, isso aponta para uma dificuldade em determinar a estrutura do modelo do ruído<br />

dado por (76). Se o objetivo da estimação do modelo do ruído for somente minimizar os<br />

efeitos de polarização, a estrutura e número de termos podem ser escolhidos o suficiente<br />

para garantir que os resíduos sejam brancos. Por fim, o modelo final deve conter apenas os<br />

termos do processo, e a parte estocástica deve ser desprezada.


3.5.6 Validação dos modelos<br />

A confiabilidade dos dados estimados e a necessidade de averiguar se um modelo<br />

proposto atende ao seu propósito, torna a validação dos modelos um processo extremamente<br />

importante. A validação consiste em verificar se os modelos estimados se comportam de<br />

forma aceitável dentro de seu domínio de aplicação. Ou seja, avalia-se a capacidade,<br />

habilidade de um dado modelo representar, ou reproduzir de forma adequada o<br />

comportamento dinâmico do sistema real. Entre as diversas técnicas de validação pode-se<br />

utilizar a comparação das respostas do sistema real com a do modelo estimado, ou investigar a<br />

magnitude de certos índices de desempenho. Estas técnicas são classificadas respectivamente<br />

em subjetivas e estatísticas.<br />

A forma mais usual de validar um modelo é comparar a simulação do modelo obtido<br />

com os dados experimentais. Conforme destaca Correa (2001) outra forma de validar a<br />

eficiência do modelo estimado consiste em verificar se este, responde da mesma forma que o<br />

modelo medido a diferentes dados daqueles utilizados na estimação. Este processo é<br />

conhecido como validação cruzada, e refere-se à capacidade de generalização do modelo. O<br />

resultado fornecido pelo modelo é comparado com os dados de saída reais, sendo realizada<br />

uma avaliação visual da capacidade do modelo acompanhar novas entradas.<br />

Outra forma, subjetiva, mas também quantitativa é a partir da avaliação comparativa<br />

visual dos erros entre os dados reais e as respectivas estimativas. O erro relativo percentual<br />

é a diferença entre o valor da estimativa ̂ prevista pelo modelo, e o valor real , cujo<br />

valor é dividido pelo próprio valor da estimativa ̂ , dado pela equação (83)<br />

Conforme cita Aguirre, Rodrigues e Jacomé (1998),<br />

| ̂<br />

̂<br />

|<br />

80<br />

(83)<br />

Uma vertente da validação de modelos dinâmicos utiliza funções de correlação para<br />

detectar possíveis dinâmicas não-modeladas nos resíduos de identificação. Tratandose<br />

de sistemas lineares, a validação deve verificar se os resíduos ξ(t) são brancos e<br />

não-correlacionados com a entrada. Esta verificação pode ser feita calculando-se as<br />

funções autocorrelação dos resíduos e correlação cruzada dos resíduos com a<br />

entrada.<br />

A validação estatística, entretanto utiliza os critérios de informação, ou índices de<br />

desempenho para avaliar a acurácia e performance do modelo proposto. Conforme apresenta


Fair (1986) existem diversos critérios e índices dispostos na literatura específica. Alguns<br />

indicadores são de precisão, outros de adequação relativa e alguns tentam capturar a<br />

capacidade de tendência de acerto dos modelos.<br />

Entre os critérios usuais pode-se destacar o Erro Quadrático Médio (Root Mean<br />

Square Error – ) como medida que consiste quantificar o erro obtido na previsão. O<br />

índice RMSE calcula os desvios em relação aos valores observados da variável Ou seja, as<br />

diferenças entre o valor de referência e sua respectiva estimativa ̂ prevista pelo modelo<br />

para a i-ésima amostra, sendo o número de amostras. Logo, representado pela<br />

equação (84) mede o erro em uma unidade de medida coerente com os dados reais. Quanto<br />

menor seu valor, melhor será considerado o modelo.<br />

√[∑ ̂<br />

A eleição do modelo mais parcimonioso dentro de uma família modelos pode ser<br />

escolhida ainda através do Critério de Informação de Akaike (Akaike Information Criterion –<br />

AIC). Akaike (1974) estabeleceu uma relação entre a informação ou distância de Kullback-<br />

Leibler, que é uma medida de discrepância relativa entre dois modelos. Segundo Burnham e<br />

Anderson (2011) o critério AIC fornece uma medida da qualidade do modelo estimando<br />

através da distância relativa entre o modelo na sua verossimilhança máxima e o processo real.<br />

Valores menores indicam modelos mais próximos ou que possuem menor perda de<br />

informação em relação à realidade. A distância é uma medida de discrepância entre as linhas<br />

do modelo experimental e o modelo estimado.<br />

Conforme Burnham e Anderson (2004) o critério de AIC é definido pela equação (85)<br />

onde é a Verossimilhança Maximizada do modelo candidato, e é o número de parâmetros<br />

do modelo. Para os casos especiais da estimação de modelos por mínimos quadrados com<br />

resíduos com distribuição normal, a equação (85) pode ser reescrita conforme a equação (86),<br />

] ⁄<br />

81<br />

(84)<br />

(85)<br />

(86)


4 METO<strong>DO</strong>LOGIA E RESULTA<strong>DO</strong>S<br />

Neste capítulo, inicialmente é destacada de forma sucinta a metodologia realizada<br />

durante o trabalho. Em seguida, a ênfase volta-se aos resultados obtidos nas simulações<br />

desenvolvidas no programa computacional desenvolvido para este fim. Finalmente, a<br />

comparação dos resultados quanto á eficácia e eficiência é apresentado, destacando o melhor<br />

conjunto na obtenção dos modelos mais parcimoniosos em relação ao desempenho<br />

comportamental real/experimental dos micronúcleos elásticos e dos atuadores MEMS.<br />

4.1 Metodologia<br />

O procedimento de identificação sistemas, neste caso, a técnica da modelagem caixa-<br />

cinza é baseada nas cinco etapas, descritas no capítulo anterior. Ela consiste na seleção da<br />

forma do modelo, o qual deve estar adaptado às representações dos dados comportamentais de<br />

entrada e saída, e respectivamente, obtidas através de simulações utilizando-se o<br />

software ANSYS e do conhecimento a priori das estruturas. A metodologia proposta neste<br />

trabalho tende a estabelecer a melhor combinação, da representação matemática, discretização<br />

e estimador de parâmetros para o modelo matemático que descreva o desempenho<br />

comportamental dos dispositivos MEMS.<br />

Na literatura, são identificadas três formas básicas de topologias de atuadores<br />

eletromecânicos MEMS baseados em deformação elástica e estrutura comb-drive. O conjunto<br />

de elastomassas, combinado com o comb-drive, as quais foram objeto de investigação neste<br />

trabalho são: Ponte Simples, Ponte Dupla e Dobradiça, conforme apresentados na Figura 35.<br />

Suas dimensões e propriedades geométricas encontram-se no Anexo A.<br />

Figura 35 - Elastomassas. (a) ponte simples; (b) ponte dupla; (c) dobradiça<br />

(a) (b) (c)<br />

Fonte: Reimbold (2008)<br />

82


O critério de seleção das elastomassas baseia-se na simplicidade das estruturas. Elas<br />

apresentam apenas um grau de liberdade e acessibilidade ao modelo analítico. O atuador<br />

ponte simples é teórico, o que permite compreender o princípio de atuação. O mesmo pode<br />

ainda ser empregado na construção de simples interruptores. O atuador ponte dupla, é<br />

utilizados em dispositivos como: acelerômetros, indutores, pinças, sensores e interruptores.<br />

Por outro lado, o atuador baseado na estrutura dobradiça, tem vasta aplicação em<br />

telecomunicações, como amplificadores, mixers, transformadores, entre outros dispositivos,<br />

além de aplicações na medicina. As três formas de atuadores são apresentados na Figura 36.<br />

Figura 36 - Atuadores eletrostáticos. (a) ponte simples; (b) ponte dupla; (c) dobradiça<br />

(a) (b) (c)<br />

Fonte: Adaptada de Reimbold (2008)<br />

A coleta de dados é realizada a partir da plataforma de testes desenvolvida no<br />

aplicativo computacional ANSYS. Utiliza-se a modelagem de elementos finitos e as<br />

propriedades e geometrias dos materiais de cada estrutura. Nesta plataforma aplicasse uma<br />

força e coletam-se os dados do deslocamento da estrutura. O sinal teste utilizado para excitar<br />

o sistema 3 e gerar o conjunto de dados, consiste em um degrau de força, aplicado no instante<br />

, com amplitude de para os micronúcleos elásticos e para o atuador<br />

MEMS. Estas amplitudes são selecionadas dentro de uma faixa de valores de forma que as<br />

estruturas não entrem em colapso quando aplicada a força.<br />

Os valores atribuídos à intensidade do sinal visam simplificar a expressão literal do<br />

modelo comportamental para facilitar a sua análise. Quando contaminado com ruído, os dados<br />

experimentais permitem obter o modelo comportamental estocástico. Caso contrário o modelo<br />

é determinístico. A amplitude do ruído é selecionada de forma a não despertar as não-<br />

linearidades de ambas as estruturas. A resposta a esses sinais permite obter a estabilidade,<br />

dinâmica assimétrica e fase mínima das estruturas. O utilizado que satisfaz as topologias<br />

3 Conjunto do atuador eletromecânico MEMS (elastomassas e estrutura comb-drive)<br />

83


de elastomassas e dos atuadores é de . A força versus o deslocamento são<br />

apresentadas na Figura 37 para as elastomassas. As mesmas descrevem a resposta transitória<br />

da simulação no aplicativo ANSYS, com dois sinais de excitação: degrau e sinusoidal.<br />

Figura 37 - Dinâmica real/experimental as elastomassas sem ruído: Sinal Degrau. (a) ponte simples; (b) ponte<br />

dupla; (c) dobradiça. Sinal Sinusoidal. (d) ponte simples; (e) ponte dupla; (f) dobradiça<br />

(a) (d)<br />

(b) (e)<br />

(c) (f)<br />

84


Em seguida, os mesmos testes foram realizados com a presença de ruído junto ao sinal<br />

de excitação. Estas dinâmicas são apresentadas na Figura 38. Neste caso, os dados obtidos por<br />

intermédio da plataforma de testes possibilitaram a estimação dos modelos estocásticos.<br />

Figura 38 - Dinâmica real/experimental as elastomassas com ruído: Sinal Degrau. (a) ponte simples; (b) ponte<br />

dupla; (c) dobradiça. Sinal Sinusoidal. (d) ponte simples; (e) ponte dupla; (f) dobradiça<br />

(a) (d)<br />

(b) (e)<br />

(c) (f)<br />

85


Alternativamente, o procedimento realizado anteriormente é realizado considerando as<br />

simulações do conjunto (elastomassas e comb-drive), caracterizando o microatuador MEMS.<br />

As respostas transientes para estas estruturas são apresentadas na Figura 39.<br />

Figura 39 - Dinâmica real/experimental do microatuador: Sinal Degrau sem ruído. (a) ponte simples; (b) ponte<br />

dupla; (c) dobradiça. Sinal Degrau com ruído. (d) ponte simples; (e) ponte dupla; (f) dobradiça<br />

(a) (d)<br />

(b) (e)<br />

(c) (f)<br />

86


Finalizada a etapa dos testes dinâmicos e coleta de dados, os mesmos foram utilizados<br />

como um banco de dados, para construção de um programa computacional desenvolvido com<br />

o software MATLAB (MATriz LABoratory). O programa consiste em uma interface gráfica<br />

onde o usuário define a combinação desejada para a estimação do modelo matemático.<br />

O programa dispõe das seguintes opções de escolha: representação matemática (ARX<br />

ou ARMAX); estrutura do dispositivo (elastomassas/núcleos elásticos ou atuador); topologia<br />

da estrutura (ponte simples, ponte dupla ou dobradiça), sinal de excitação do sistema (degrau<br />

com/sem ruído e sinusoidal com/sem ruído); estimador de parâmetros (MMQ e MQE,<br />

batelada ou recursivo); e o processo de discretização (FwD, BwD, MII, ZOH e Tustin). A<br />

partir destas informações, fornecidas pelo o usuário, o programa realiza o processo de<br />

estimação/identificação, do modelo comportamental das microestruturas MEMS. Além disso,<br />

o programa fornece as representações gráficas e informações pertinentes para cada estrutura<br />

física avaliada. Na Figura 40 é apresentada a interface do programa desenvolvido com a<br />

ferramenta Guide do MATLAB. Na Figura 41 é apresentado o fluxograma do algoritmo<br />

desenvolvido para a estimação/identificação dos modelos matemáticos.<br />

Figura 40 - Interface gráfica do programa desenvolvido<br />

Fonte: Elaborada pelo autor<br />

Em um primeiro momento foi constatada a eficácia do processo de identificação<br />

somente para os micronúcleos elásticos. Desta maneira, foi realizada todas as possíveis<br />

combinações de simulação para as representações ARX e ARMAX, tanto para o modelo<br />

determinístico, quanto para o estocástico. Em seguida, a mesma metodologia adotada para as<br />

elastomassas foram realizadas para o conjunto micronúcleos e comb-drive, caracterizado<br />

assim o atuador eletromêcanico MEMS baseado em deformação elástica e ação eletrostática.<br />

87


Figura 41 - Fluxograma do algoritmo<br />

Fonte: Elaborada pelo autor<br />

88


4.2 Resultados e discussões<br />

A FT correspondente à equação (10) no domínio de tempo contínuo é dada pela<br />

equação (87). A partir desta, utilizando-se os métodos descritos, com a manipulação das<br />

variáveis nos planos e , é possível encontrar , correspondente para cada processo de<br />

discretização, conforme apresentado na Figura 42. Cada possui a informação dos diferentes<br />

instantes em que aconteceram os eventos favoráveis ao processo. A dedução detalhada do<br />

procedimento para encontrar os vetores regressores com a relação física entre os parâmetros<br />

característicos da estrutura está disponível no Apêndice A.<br />

Figura 42 - Vetor de regressores obtidos por cada processo de discretização<br />

⁄<br />

Fonte: Elaborada pelo autor<br />

Por meio do conjunto de elementos que formam o vetor de regressores, verifica-se em<br />

todos os métodos de discretização há presença de dois termos de atraso idênticos,<br />

incorporados aos dados vinculados à saída do processo. Logo, as possíveis diferenças entre a<br />

estimação e identificação dos modelos volta-se a forma de aproximação entre os domínios<br />

contínuo e discreto, e aos termos de atraso do modelo relacionados aos dados de entrada do<br />

sistema.<br />

89<br />

(87)


4.2.1.1 Resultados para modelo ARX de elastomassas<br />

Diante nas inúmeras possibilidades de simulação do comportamento das<br />

microestruturas, são apresentadas os dois modelos mais eficientes encontrados para cada<br />

situação em relação aos discretizadores. Em um primeiro momento, os valores dos parâmetros<br />

dos modelos estimados para as três topologias são para o modelo ARX sem ruído, cujos<br />

valores são apresentados nas Tabelas 2 e 3.<br />

Tabela 2 - Parâmetros estimados do modelo ARX (elastomassa sem ruído) com discretizador MII<br />

Parâmetros estimados Ponte Simples Ponte Dupla Dobradiça<br />

̂<br />

̂<br />

̂<br />

Tabela 3 - Parâmetros estimados do modelo ARX (elastomassa sem ruído) com discretizador Tustin<br />

Parâmetros estimados Ponte Simples Ponte Dupla Dobradiça<br />

̂<br />

̂<br />

̂<br />

̂<br />

̂<br />

Para os sinais amostrados, e , reter as características fundamentais do sinal<br />

original, sendo que o degrau é um sinal sem frequência e sem energia, a amostragem não<br />

segue os critérios de Nyquist. Ensaios realizados mostram a necessidade mínima de 300<br />

amostras para comparar a resposta do modelo estimado com a do modelo real. Este<br />

comparativo visual pode ser observado a partir da Figura 43. Verifica-se a presença de dois<br />

regimes de operação distintos: um regime transitório e outro permanente para ambas as<br />

topologias. Com o valor da força aplicada a partir do instante zero, sendo a posição inicial da<br />

elastomassa zero a partir do meio, o sinal de entrada na forma degrau gera um movimento<br />

oscilatório no início do deslocamento, caracterizando o regime transitório. Na medida em que<br />

os dados são computados instantaneamente no processo em batelada o movimento oscilatório<br />

tende e diminuir. Neste sentido, a estrutura tende a operar em regime de estabilidade<br />

caracterizando o regime de operação permanente.<br />

90


Figura 43 - Comparativo entre as dinâmicas da plataforma de testes e o modelo ARX (sem ruído) de<br />

elastomassas MEMS: Discretizador MII. (a) ponte simples; (b) ponte dupla; (c) dobradiça. Discretizador Tustin.<br />

(d) ponte simples; (e) ponte dupla; (f) dobradiça<br />

Deslocamento (m)<br />

Deslocamento (m)<br />

Deslocamento (m)<br />

4.5<br />

4<br />

3.5<br />

3<br />

2.5<br />

2<br />

1.5<br />

1<br />

0.5<br />

x 10-7<br />

Dinâmica<br />

5<br />

da elastomassa MEMS<br />

Original<br />

Estimado<br />

Força<br />

0 0.5 1 1.5 2 2.5 3<br />

x 10 -3<br />

0<br />

Tempo (s)<br />

x 10-7<br />

Dinâmica<br />

2.5<br />

2<br />

1.5<br />

1<br />

0.5<br />

(a) (d)<br />

0 0.5 1 1.5 2 2.5 3<br />

x 10 -3<br />

0<br />

Tempo (s)<br />

4.5<br />

3.5<br />

2.5<br />

1.5<br />

0.5<br />

x 10-7<br />

Dinâmica<br />

5<br />

4<br />

3<br />

2<br />

1<br />

da elastomassa MEMS<br />

Original<br />

Estimado<br />

Força<br />

(b) (e)<br />

da elastomassa MEMS<br />

Original<br />

Estimado<br />

Força<br />

0 0.5 1 1.5 2 2.5 3<br />

x 10 -3<br />

0<br />

Tempo (s)<br />

(c) (f)<br />

Para avaliar de forma quantitativa as discrepâncias existentes em ambos os regimes, é<br />

necessário o comparativo dos erros entre a plataforma de teste e o modelo estimado a partir do<br />

Deslocamento (m)<br />

Deslocamento (m)<br />

Deslocamento (m)<br />

4.5<br />

4<br />

3.5<br />

3<br />

2.5<br />

2<br />

1.5<br />

1<br />

0.5<br />

x 10-7<br />

Dinâmica<br />

5<br />

da elastomassa MEMS<br />

91<br />

Original<br />

Estimado<br />

Força<br />

0 0.5 1 1.5 2 2.5 3<br />

x 10 -3<br />

0<br />

Tempo (s)<br />

x 10-7<br />

Dinâmica<br />

2.5<br />

2<br />

1.5<br />

1<br />

0.5<br />

da elastomassa MEMS<br />

Original<br />

Estimado<br />

Força<br />

0 0.5 1 1.5 2 2.5 3<br />

x 10 -3<br />

0<br />

Tempo (s)<br />

4.5<br />

4<br />

3.5<br />

3<br />

2.5<br />

2<br />

1.5<br />

1<br />

0.5<br />

x 10-7<br />

Dinâmica<br />

5<br />

da elastomassa MEMS<br />

Original<br />

Estimado<br />

Força<br />

0 0.5 1 1.5 2 2.5 3<br />

x 10 -3<br />

0<br />

Tempo (s)


desempenho dos discretizadores, conforme apresentado na Figura 44.<br />

Figura 44 - Erro relativo percentual entre plataforma de testes e o modelo ARX (sem ruído) de elastomassas<br />

MEMS: Discretizador MII. (a) ponte simples; (b) ponte dupla; (c) dobradiça. Discretizador Tustin. (d) ponte<br />

simples; (e) ponte dupla; (f) dobradiça<br />

Erro (%)<br />

Erro (%)<br />

Erro (%)<br />

25<br />

20<br />

15<br />

10<br />

5<br />

Erro relativo percentual<br />

0 0.5 1 1.5 2 2.5 3<br />

x 10 -3<br />

0<br />

Tempo (s)<br />

25<br />

20<br />

15<br />

10<br />

5<br />

Erro (%)<br />

0.035<br />

0.025<br />

0.015<br />

0.005<br />

(a) (d)<br />

Erro relativo percentual<br />

0 0.5 1 1.5 2 2.5 3<br />

x 10 -3<br />

0<br />

Tempo (s)<br />

25<br />

20<br />

15<br />

10<br />

5<br />

(b) (e)<br />

Erro relativo percentual<br />

0 0.5 1 1.5 2 2.5 3<br />

x 10 -3<br />

0<br />

Tempo (s)<br />

(c) (f)<br />

Erro (%)<br />

Erro (%)<br />

0.04<br />

0.03<br />

0.02<br />

0.01<br />

Erro relativo percentual<br />

92<br />

0 0.5 1 1.5 2 2.5 3<br />

x 10 -3<br />

0<br />

Tempo (s)<br />

0.9<br />

0.8<br />

0.7<br />

0.6<br />

0.5<br />

0.4<br />

0.3<br />

0.2<br />

0.1<br />

x 10-3<br />

1<br />

Erro relativo percentual<br />

0 0.5 1 1.5 2 2.5 3<br />

x 10 -3<br />

0<br />

Tempo (s)<br />

0.9<br />

0.8<br />

0.7<br />

0.6<br />

0.5<br />

0.4<br />

0.3<br />

0.2<br />

0.1<br />

Erro relativo percentual<br />

0 0.5 1 1.5 2 2.5 3<br />

x 10 -3<br />

0<br />

Tempo (s)


Observa-se nas Figuras 43 (a), (b) e (c) que o modelo estimado via discretização por<br />

MII apresenta um desempenho comportamental satisfatório durante todo o período de<br />

simulação em relação à dinâmica real para as três topologias. No período inicial de<br />

processamento dos dados o modelo estimado apresentou oscilações mais dispersas em relação<br />

à dinâmica real. No entanto, mesmo na existência destes erros mais acentuados, os modelos<br />

estimados conseguem acompanhar a dinâmica do sistema real. À medida que o sistema<br />

converge para o regime permanente, o erro entre os modelos tende a zero. Este fato pode ser<br />

comprovado conforme apresentado nas Figuras 44 (a), (b) e (c). Verifica-se no regime<br />

transitório um índice de erro acentuado nos instantes iniciais atingindo a faixa de entre a<br />

dinâmica real e a estimada. Após estes instantes, o erro diminui consideravelmente. Para<br />

ambas as topologias, verifica-se que e erro atinge níveis inferiores a por volta de .<br />

Para os modelos obtidos por intermédio do discretizador de Tustin, (Figura 43 (d), (e)<br />

e (f)), verifica-se visualmente, a sobreposição da dinâmica do modelo estimado sobre á<br />

resposta real, ou seja, ela é perfeitamente compatível com a dinâmica real, tanto no regime<br />

transitório quanto no permanente. Este fato pode ser avaliado de forma quantitativa através do<br />

erro percentual entre dinâmica experimental da plataforma de testes em relação ao modelo<br />

estimado. Conforme apresentado na Figura 44 (d), (e) e (f), estes erros tendem a zero. Para o<br />

caso da dobradiça existe uma variação mais visível do erro em virtude da complexidade da<br />

estrutura, no entanto, ele é mínimo. Estas variações mínimas do erro próximas a zero<br />

resultaram em representações gráficas com escalas distintas para cada topologia.<br />

A técnica de identificação que culminou na escolha dos métodos de discretização MII<br />

e Tustin para o modelo ARX sem ruído deu-se através do processo de estimação dos dados<br />

em batelada. Uma maneira de avaliar de forma estatística a escolha destes resultados pode ser<br />

analisada pelo uso do conjunto de índices , e , cujos valores são apresentados<br />

respectivamente nas Tabelas 4 e 5.<br />

Tabela 4 - Valores do para avaliação do modelo ARX determinístico de elastomassas MEMS<br />

Discretizadores Ponte Simples Ponte Dupla Dobradiça<br />

93


Tabela 5 - Valores do para avaliação do modelo ARX determinístico de elastomassas MEMS<br />

Discretizadores Ponte Simples Ponte Dupla Dobradiça<br />

Pela análise dos índices e critérios estatísticos apresentados, verifica-se a veracidade<br />

dos resultados gráficos quanto ao desempenho dos discretizadores. Para as três topologias<br />

constatam-se os métodos de discretização MII e Tustin como os mais eficazes na estimação<br />

do modelo ARX determinístico para os micronúcleos elásticos. De forma respectiva, os<br />

modelos obtidos por intermédio de Tustin e MII apresentam os menores valores de e<br />

, caracterizando os modelos estimados mais parcimoniosos em relação à dinâmica real.<br />

Outra forma de validar a eficiência dos modelos consiste em verificar se estes,<br />

respondem da mesma forma que o modelo medido a diferentes dados daqueles utilizados na<br />

estimação. Este processo é conhecido como validação cruzada. Desta forma, as respostas das<br />

elastomassas, sujeitas a um sinal sinusoidal com amplitude de , são<br />

apresentadas na Figura 46. Nesta é possível verificar que a aplicação do sinal sinusoidal as<br />

estruturas permite concluir que os valores preditos pelo modelo discreto e os valores<br />

experimentais demonstram que a representação encontrada por MII (Figura 45 (a), (b) e (c)), e<br />

Tustin (Figura 45 (d), (e) e (f)) prediz de forma satisfatória a dinâmica do processo.<br />

Figura 45 - Respostas de ambos os modelos ARX (sem ruído) de elastomassas MEMS submetidos ao sinal<br />

sinusoidal: Discretizador MII. (a) ponte simples; (b) ponte dupla; (c) dobradiça. Discretizador Tustin. (d) ponte<br />

simples; (e) ponte dupla; (f) dobradiça<br />

Deslocamento (m)<br />

x 10-7<br />

Validação<br />

2.5<br />

2<br />

1.5<br />

1<br />

0.5<br />

0<br />

-0.5<br />

-1<br />

-1.5<br />

-2<br />

cruzada<br />

Original<br />

Estimado<br />

Força<br />

-2.5<br />

0 0.002 0.004 0.006 0.008 0.01 0.012 0.014 0.016 0.018<br />

Tempo (s)<br />

(a) (d)<br />

Deslocamento (m)<br />

x 10-7<br />

Validação<br />

2.5<br />

2<br />

1.5<br />

1<br />

0.5<br />

0<br />

-0.5<br />

-1<br />

-1.5<br />

-2<br />

cruzada<br />

94<br />

Original<br />

Estimado<br />

Força<br />

-2.5<br />

0 0.002 0.004 0.006 0.008 0.01 0.012 0.014 0.016 0.018<br />

Tempo (s)


Deslocamento (m)<br />

Deslocamento (m)<br />

x 10-7<br />

Validação<br />

1.5<br />

1<br />

0.5<br />

0<br />

-0.5<br />

-1<br />

-1.5<br />

0 0.002 0.004 0.006 0.008 0.01 0.012 0.014 0.016 0.018<br />

Tempo (s)<br />

x 10-7<br />

Validação<br />

2.5<br />

2<br />

1.5<br />

1<br />

0.5<br />

0<br />

-0.5<br />

-1<br />

-1.5<br />

-2<br />

(b) (e)<br />

(c) (f)<br />

Em um segundo momento, os parâmetros estimados para a representação ARX são<br />

referentes aos dados contaminados por ruído junto ao sinal de excitação. Neste caso, os<br />

modelos mais precisos foram obtidos respectivamente por intermédio dos discretizadores<br />

Tustin e ZOH. Estes são apresentados respectivamente nas Tabelas 6 e 7.<br />

Tabela 6 - Parâmetros estimados do modelo ARX (elastomassa com ruído) com discretizador ZOH<br />

Parâmetros estimados Ponte Simples Ponte Dupla Dobradiça<br />

̂<br />

̂<br />

̂<br />

̂<br />

cruzada<br />

cruzada<br />

Original<br />

Estimado<br />

Força<br />

Original<br />

Estimado<br />

Força<br />

-2.5<br />

0 0.002 0.004 0.006 0.008 0.01 0.012 0.014 0.016 0.018<br />

Tempo (s)<br />

Deslocamento (m)<br />

Deslocamento (m)<br />

x 10-7<br />

Validação<br />

1.5<br />

1<br />

0.5<br />

0<br />

-0.5<br />

-1<br />

cruzada<br />

95<br />

Original<br />

Estimado<br />

Força<br />

-1.5<br />

0 0.002 0.004 0.006 0.008 0.01 0.012 0.014 0.016 0.018<br />

Tempo (s)<br />

x 10-7<br />

Validação<br />

2.5<br />

2<br />

1.5<br />

1<br />

0.5<br />

0<br />

-0.5<br />

-1<br />

-1.5<br />

-2<br />

cruzada<br />

Original<br />

Estimado<br />

Força<br />

-2.5<br />

0 0.002 0.004 0.006 0.008 0.01 0.012 0.014 0.016 0.018<br />

Tempo (s)


Tabela 7 - Parâmetros estimados do modelo ARX (elastomassa com ruído) com discretizador Tustin<br />

Parâmetros estimados Ponte Simples Ponte Dupla Dobradiça<br />

̂<br />

̂<br />

̂<br />

̂<br />

̂<br />

Os resultados encontrados apontam o processo de estimação em batelada como o mais<br />

eficiente para a estimação destes modelos. Novamente a partir da comparação visual entre as<br />

dinâmicas da plataforma de testes versus o modelo estimado, conforme apresentado na Figura<br />

46 é possível avaliar a eficácia do procedimento utilizado.<br />

Figura 46 - Comparativo entre as dinâmicas da plataforma de testes e o modelo ARX (com ruído) de<br />

elastomassas MEMS: Discretizador ZOH. (a) ponte simples; (b) ponte dupla; (c) dobradiça. Discretizador Tustin.<br />

(d) ponte simples; (e) ponte dupla; (f) dobradiça<br />

Deslocamento (m)<br />

Deslocamento (m)<br />

x 10-7<br />

Dinâmica<br />

4.5<br />

4<br />

3.5<br />

3<br />

2.5<br />

2<br />

1.5<br />

1<br />

0.5<br />

da elastomassa MEMS<br />

Original<br />

Estimado<br />

Força<br />

0 0.5 1 1.5 2 2.5 3<br />

x 10 -3<br />

0<br />

Tempo (s)<br />

x 10-7<br />

Dinâmica<br />

2.5<br />

2<br />

1.5<br />

1<br />

0.5<br />

x 10-7<br />

Dinâmica<br />

4.5<br />

(a) (d)<br />

da elastomassa MEMS<br />

Original<br />

Estimado<br />

Força<br />

0 0.5 1 1.5 2 2.5 3<br />

x 10 -3<br />

0<br />

Tempo (s)<br />

Deslocamento (m)<br />

Deslocamento (m)<br />

(b) (e)<br />

4<br />

3.5<br />

3<br />

2.5<br />

2<br />

1.5<br />

1<br />

0.5<br />

da elastomassa MEMS<br />

96<br />

Original<br />

Estimado<br />

Força<br />

0 0.5 1 1.5 2 2.5 3<br />

x 10 -3<br />

0<br />

Tempo (s)<br />

x 10-7<br />

Dinâmica<br />

2.5<br />

2<br />

1.5<br />

1<br />

0.5<br />

da elastomassa MEMS<br />

Original<br />

Estimado<br />

Força<br />

0 0.5 1 1.5 2 2.5 3<br />

x 10 -3<br />

0<br />

Tempo (s)


Deslocamento (m)<br />

4.5<br />

4<br />

3.5<br />

3<br />

2.5<br />

2<br />

1.5<br />

1<br />

0.5<br />

x 10-7<br />

Dinâmica<br />

5<br />

da elastomassa MEMS<br />

Original<br />

Estimado<br />

Força<br />

0 0.5 1 1.5 2 2.5 3<br />

x 10 -3<br />

0<br />

Tempo (s)<br />

(c) (f)<br />

A avaliação por intermédio do erro relativo percentual é apresentado na Figura 47.<br />

Figura 47 - Erro relativo percentual entre plataforma de testes e o modelo ARX (com ruído) de elastomassas<br />

MEMS: Discretizador ZOH. (a) ponte simples; (b) ponte dupla; (c) dobradiça. Discretizador Tustin. (d) ponte<br />

simples; (e) ponte dupla; (f) dobradiça<br />

Erro (%)<br />

Erro (%)<br />

18<br />

16<br />

14<br />

12<br />

10<br />

8<br />

6<br />

4<br />

2<br />

0 0.5 1 1.5 2 2.5 3<br />

x 10 -3<br />

0<br />

Tempo (s)<br />

18<br />

16<br />

14<br />

12<br />

10<br />

8<br />

6<br />

4<br />

2<br />

Erro relativo percentual<br />

(a) (d)<br />

Erro relativo percentual<br />

0 0.5 1 1.5 2 2.5 3<br />

x 10 -3<br />

0<br />

Tempo (s)<br />

Erro (%)<br />

(b) (e)<br />

Deslocamento (m)<br />

Erro (%)<br />

4.5<br />

4<br />

3.5<br />

3<br />

2.5<br />

2<br />

1.5<br />

1<br />

0.5<br />

0.045<br />

0.04<br />

0.035<br />

0.03<br />

0.025<br />

0.02<br />

0.015<br />

0.01<br />

0.005<br />

x 10-7<br />

Dinâmica<br />

5<br />

da elastomassa MEMS<br />

97<br />

Original<br />

Estimado<br />

Força<br />

0 0.5 1 1.5 2 2.5 3<br />

x 10 -3<br />

0<br />

Tempo (s)<br />

Erro relativo percentual<br />

0 0.5 1 1.5 2 2.5 3<br />

x 10 -3<br />

0<br />

Tempo (s)<br />

x 10-3<br />

2.5<br />

2<br />

1.5<br />

1<br />

0.5<br />

Erro relativo percentual<br />

0 0.5 1 1.5 2 2.5 3<br />

x 10 -3<br />

0<br />

Tempo (s)


Erro (%)<br />

16<br />

14<br />

12<br />

10<br />

8<br />

6<br />

4<br />

2<br />

0 0.5 1 1.5 2 2.5 3<br />

x 10 -3<br />

0<br />

Tempo (s)<br />

(c) (f)<br />

Nesta situação, diferentemente do caso determinístico, não é nítida a presença dos<br />

regimes encontrados no processo em que os dados não estavam sujeitos à presença de<br />

interferências. O uso de ZOH mostrou-se mais eficiente na medida em que foi comparado<br />

com MII. A presença de dados contaminados exigiu do discretizador a utilização de um termo<br />

adicional incorporado ao vetor de regressores. Logo, a estimação de quatro parâmetros, dois<br />

relacionados à saída e dois a entrada, resultaram em uma estimativa mais próxima a dinâmica<br />

real. Semelhantemente ao modelo determinístico, no período inicial de processamento dos<br />

dados percebe-se um movimento oscilatório mais acentuado. O mesmo mantem-se até em<br />

torno de (Figura 46 (a), (b) e (c)). Neste período o modelo estimado apresenta<br />

dificuldades em acompanhar a dinâmica real. Estes fatos são comprovados, inicialmente pelo<br />

elevado índice de erro no início do processo em torno de para ambas as topologias,<br />

conforme pode ser visualizado na Figura 47 (a), (b) e (c). No entanto, na medida em que os<br />

dados são computados, mesmo com variações acentuadas provocadas pelo ruído o modelo<br />

estimado acompanha a trajetória da dinâmica real, com o erro tendendo a estabilizar em níveis<br />

inferiores a .<br />

Erro relativo percentual<br />

De forma semelhante aos modelos determinísticos, a utilização de Tustin apresentou-se<br />

como o método de discretização mais eficiente para a estimação dos parâmetros do modelo.<br />

Conforme apresentado na Figura 46 (d), (e) e (f), as estimativas dos desempenhos<br />

comportamentais dos micronúcleos elásticos reproduziram uma dinâmica perfeitamente<br />

compatível com a resposta real. Este resultado é validado de forma quantitativa através do<br />

erro relativo percentual (Figura 47 (d), (e) e (f)). Os mesmos apresentam índices próximos à<br />

zero para as topologias ponte simples e dupla, e em torno de para a estrutura dobradiça.<br />

Erro (%)<br />

1.4<br />

1.2<br />

1<br />

0.8<br />

0.6<br />

0.4<br />

0.2<br />

Erro relativo percentual<br />

98<br />

0 0.5 1 1.5 2 2.5 3<br />

x 10 -3<br />

0<br />

Tempo (s)


Além destas avaliações, a utilização do conjunto de índices e critérios estatísticos<br />

consolida a escolha destes discretizadores. Conforme análise dos dados expostos nas Tabelas<br />

8 e 9 os menores valores de e , caracterizam os modelos estimados por e<br />

, respectivamente como os mais equivalentes à resposta real.<br />

Tabela 8 - Valores do para avaliação do modelo ARX estocástico de elastomassas MEMS<br />

Discretizadores Ponte Simples Ponte Dupla Dobradiça<br />

Tabela 9 - Valores do para avaliação do modelo ARX estocástico de elastomassas MEMS<br />

Discretizadores Ponte Simples Ponte Dupla Dobradiça<br />

Além destas avaliações, na Figura 48 é apresentado o desempenho dos modelos sob a<br />

forma de validação cruzada. Conforme pode-se constatar, a utilização desta técnica para o<br />

modelo ARX estocástico mostrou-se valida quanto a fidelidade em acompanhar o formato da<br />

dinâmica do sinal original. No entanto, as respostas das elastomassas aplicadas ao sinal<br />

sinusoidal contaminado por ruído apresentam dinâmicas dispersas, conforme exposto na<br />

Figura 48. Este fato é caracterizado pela inserção de ruído com significativa faixa de<br />

amplitude. No entanto, este fato não inválida o processo de obtenção dos modelos. A<br />

alternativa viável para superar esta dificuldade é a coleta de um número mais expressivo de<br />

amostras e principalmente a determinação da maior frequência do sinal sinusoidal.<br />

99


Figura 48 - Respostas de ambos os modelos ARX (com ruído) de elastomassas MEMS submetidos ao sinal<br />

sinusoidal: Discretizador ZOH. (a) ponte simples; (b) ponte dupla; (c) dobradiça. Discretizador Tustin. (d) ponte<br />

simples; (e) ponte dupla; (f) dobradiça<br />

X<br />

X<br />

Deslocamento (m)<br />

Deslocamento (m)<br />

Deslocamento (m)<br />

x 10-7<br />

Validação<br />

4<br />

3<br />

2<br />

1<br />

0<br />

-1<br />

-2<br />

-3<br />

cruzada<br />

Original<br />

Estimado<br />

Força<br />

-4<br />

0 0.002 0.004 0.006 0.008 0.01 0.012 0.014 0.016 0.018<br />

Tempo (s)<br />

1.5<br />

0.5<br />

-0.5<br />

-1.5<br />

x 10-7<br />

Validação<br />

2<br />

1<br />

0<br />

-1<br />

x 10-7<br />

Validação<br />

4<br />

aaaaaa(a) aaaaaa(d)<br />

-2<br />

0 0.002 0.004 0.006 0.008 0.01 0.012 0.014 0.016 0.018<br />

Tempo (s)<br />

x 10-7<br />

Validação<br />

3<br />

2<br />

1<br />

0<br />

-1<br />

-2<br />

-3<br />

cruzada<br />

aaaaaa (b) aaaaaa (e)<br />

cruzada<br />

Original<br />

Estimado<br />

Força<br />

Original<br />

Estimado<br />

Força<br />

-4<br />

0 0.002 0.004 0.006 0.008 0.01 0.012 0.014 0.016 0.018<br />

Tempo (s)<br />

aaaaaa (c) aaaaaa (f)<br />

Deslocamento (m)<br />

Deslocamento (m)<br />

Deslocamento (m)<br />

3<br />

2<br />

1<br />

0<br />

-1<br />

-2<br />

-3<br />

cruzada<br />

100<br />

Original<br />

Estimado<br />

Força<br />

-4<br />

0 0.002 0.004 0.006 0.008 0.01 0.012 0.014 0.016 0.018<br />

Tempo (s)<br />

1.5<br />

1<br />

0.5<br />

0<br />

-0.5<br />

-1<br />

-1.5<br />

x 10-7<br />

Validação<br />

2<br />

cruzada<br />

Original<br />

Estimado<br />

Força<br />

-2<br />

0 0.002 0.004 0.006 0.008 0.01 0.012 0.014 0.016 0.018<br />

Tempo (s)<br />

x 10-7<br />

Validação<br />

3<br />

2<br />

1<br />

0<br />

-1<br />

-2<br />

-3<br />

cruzada<br />

Original<br />

Estimado<br />

Força<br />

-4<br />

0 0.002 0.004 0.006 0.008 0.01 0.012 0.014 0.016 0.018<br />

Tempo (s)


4.2.1.2 Resultados para o modelo ARMAX de elastomassas<br />

Os resultados para os modelos mais parcimoniosos estimados em relação à<br />

representação ARMAX para o caso determinístico são apresentados nas Tabelas 10 e 11.<br />

Conforme esta representação, a utilização do estimador de mínimos quadrados estendidos<br />

para a modelagem do erro correlacionado foi um fator preponderante para a eficácia dos<br />

resultados obtidos. Estes originaram-se do processamento dos dados na forma em batelada.<br />

Tabela 10 - Parâmetros estimados do modelo ARMAX (elastomassa sem ruído) com discretizador ZOH<br />

Parâmetros estimados Ponte Simples Ponte Dupla Dobradiça<br />

̂<br />

̂<br />

̂<br />

̂<br />

Tabela 11 - Parâmetros estimados do modelo ARMAX (elastomassa sem ruído) com discretizador Tustin<br />

Parâmetros estimados Ponte Simples Ponte Dupla Dobradiça<br />

̂<br />

̂<br />

̂<br />

̂<br />

̂<br />

O fato de incluir a modelagem do erro correlacionado no procedimento de estimação<br />

dos parâmetros e consequentemente a construção da matriz estendida ao vetor de regresssores<br />

torna a representação ARMAX eficiente. O objetivo desta matriz é realizar a modelagem do<br />

erro correlacionado, uma vez que este polariza o estimador de mínimos quadrados e gera erro<br />

nas estimativas. Como é necessário estimar estes erros, a escolha arbitrária de cinco termos<br />

para os parâmetros do erro é considerada suficiente. Como as estimativas ocorrem de forma<br />

interativa foi escolhido um número fixo de 100 interações. Devido às estimativas com valores<br />

na ordem micrométrica, os erros possuem magnitudes menores que estas. Sendo assim, este<br />

deve ser considerado pequeno para que o critério de convergência seja válido. Como o<br />

algoritmo desenvolvido apresenta excelente desempenho para aplicações off-line, constata-se<br />

que o número de 100 interações não é abusivo. A partir destes resultados é possível avaliar o<br />

101


desempenho comportamental dos modelos estimados em relação ao processo real, conforme<br />

apresentado na Figura 49.<br />

Figura 49 - Comparativo entre as dinâmicas da plataforma de testes e o modelo ARMAX (sem ruído) de<br />

elastomassas MEMS: Discretizador ZOH. (a) ponte simples; (b) ponte dupla; (c) dobradiça. Discretizador Tustin.<br />

(d) ponte simples; (e) ponte dupla; (f) dobradiça<br />

Deslocamento (m)<br />

Deslocamento (m)<br />

Deslocamento (m)<br />

4.5<br />

4<br />

3.5<br />

3<br />

2.5<br />

2<br />

1.5<br />

1<br />

0.5<br />

x 10-7<br />

Dinâmica<br />

5<br />

da elastomassa MEMS<br />

Original<br />

Estimado<br />

Força<br />

0 0.5 1 1.5 2 2.5 3<br />

x 10 -3<br />

0<br />

Tempo (s)<br />

x 10-7<br />

Dinâmica<br />

2.5<br />

2<br />

1.5<br />

1<br />

0.5<br />

aaaaaa (a) aaaaaa (d)<br />

0 0.5 1 1.5 2 2.5 3<br />

x 10 -3<br />

0<br />

Tempo (s)<br />

4.5<br />

3.5<br />

2.5<br />

1.5<br />

0.5<br />

x 10-7<br />

Dinâmica<br />

5<br />

4<br />

3<br />

2<br />

1<br />

da elastomassa MEMS<br />

Original<br />

Estimado<br />

Força<br />

aaaaaa (b) aaaaaa (e)<br />

da elastomassa MEMS<br />

Original<br />

Estimado<br />

Força<br />

0 0.5 1 1.5 2 2.5 3<br />

x 10 -3<br />

0<br />

Tempo (s)<br />

aaaaaa (c) aaaaaa (f)<br />

Deslocamento (m)<br />

Deslocamento (m)<br />

Deslocamento (m)<br />

4.5<br />

4<br />

3.5<br />

3<br />

2.5<br />

2<br />

1.5<br />

1<br />

0.5<br />

x 10-7<br />

Dinâmica<br />

5<br />

da elastomassa MEMS<br />

102<br />

Original<br />

Estimado<br />

Força<br />

0 0.5 1 1.5 2 2.5 3<br />

x 10 -3<br />

0<br />

Tempo (s)<br />

x 10-7<br />

Dinâmica<br />

2.5<br />

2<br />

1.5<br />

1<br />

0.5<br />

da elastomassa MEMS<br />

Original<br />

Estimado<br />

Força<br />

0 0.5 1 1.5 2 2.5 3<br />

x 10 -3<br />

0<br />

Tempo (s)<br />

4.5<br />

4<br />

3.5<br />

3<br />

2.5<br />

2<br />

1.5<br />

1<br />

0.5<br />

x 10-7<br />

Dinâmica<br />

5<br />

da elastomassa MEMS<br />

Original<br />

Estimado<br />

Força<br />

0 0.5 1 1.5 2 2.5 3<br />

x 10 -3<br />

0<br />

Tempo (s)


Para avaliar as discrepâncias existentes entre as dinâmicas, o comparativo dos erros<br />

entre a plataforma de teste e o modelo estimado é fundamental. Estes resultados são<br />

apresentados na Figura 50.<br />

Figura 50 - Erro relativo percentual entre plataforma de testes e o modelo ARMAX (sem ruído) de elastomassas<br />

MEMS: Discretizador ZOH. (a) ponte simples; (b) ponte dupla; (c) dobradiça. Discretizador Tustin. (d) ponte<br />

simples; (e) ponte dupla; (f) dobradiça<br />

Erro (%)<br />

Erro (%)<br />

Erro (%)<br />

14<br />

12<br />

10<br />

8<br />

6<br />

4<br />

2<br />

Erro relativo percentual<br />

0 0.5 1 1.5 2 2.5 3<br />

x 10 -3<br />

0<br />

Tempo (s)<br />

30<br />

25<br />

20<br />

15<br />

10<br />

5<br />

0.035<br />

0.025<br />

0.015<br />

0.005<br />

aaaaaa (a) aaaaaa (d)<br />

Erro relativo percentual<br />

0 0.5 1 1.5 2 2.5 3<br />

x 10 -3<br />

0<br />

Tempo (s)<br />

12<br />

10<br />

8<br />

6<br />

4<br />

2<br />

aaaaaa (b) aaaaaa (e)<br />

Erro relativo percentual<br />

0 0.5 1 1.5 2 2.5 3<br />

x 10 -3<br />

0<br />

Tempo (s)<br />

aaaaaa (c) aaaaaa (f)<br />

Erro (%)<br />

Erro (%)<br />

Erro (%)<br />

0.04<br />

0.03<br />

0.02<br />

0.01<br />

Erro relativo percentual<br />

103<br />

0 0.5 1 1.5 2 2.5 3<br />

x 10 -3<br />

0<br />

Tempo (s)<br />

0.9<br />

0.8<br />

0.7<br />

0.6<br />

0.5<br />

0.4<br />

0.3<br />

0.2<br />

0.1<br />

x 10-3<br />

1<br />

Erro relativo percentual<br />

0 0.5 1 1.5 2 2.5 3<br />

x 10 -3<br />

0<br />

Tempo (s)<br />

0.9<br />

0.8<br />

0.7<br />

0.6<br />

0.5<br />

0.4<br />

0.3<br />

0.2<br />

0.1<br />

Erro relativo percentual<br />

0 0.5 1 1.5 2 2.5 3<br />

x 10 -3<br />

0<br />

Tempo (s)


O desempenho da dinâmica comportamental obtido por intermédio do modelo<br />

matemático estimado com o discretizador apresenta resultados satisfatórios. Conforme<br />

exposto na Figura 49 (a), (b) e (c), a estimativa do modelo representou tanto o regime<br />

transitório quanto o permanente. A dinâmica apresentada pelo modelo estimado para ambas as<br />

topologias consegue acompanhar a resposta transitória da plataforma de testes. Este fato é<br />

comprovado pela análise do erro entre a dinâmica real e estimado, de acordo com a avaliação<br />

através da Figura 50 (a), (b) e (c). Para as topologias ponte simples e dobradiça, no início de<br />

processamento dos dados, caracterizando o regime transitório o erro para estas topologias<br />

atingiu o nível máximo em torno de . No entanto, após estes valores encontram-se<br />

abaixo de tendendo a zero a medida que a dinâmica tende ao regime permanente. Para o<br />

caso da estrutura ponte dupla verifica-se erros mais acentuados no início do processo. Através<br />

de uma visualização criteriosa na Figura 49 (b) percebe-se a dinâmica do processo com<br />

estimativas dispersas a resposta real. Conforme apresentando na Figura 50 (b), os erros neste<br />

período inicial atingem valores próximos a , e níveis inferiores a em torno de .<br />

Este fato comprova a estabilidade atingida pela estrutura.<br />

Semelhantemente as representações ARX, os modelos obtidos por intermédio do<br />

discretizador Tustin apresenta-se como o mais eficaz para modelos do tipo ARMAX. Por<br />

meio da avaliação visual na Figura 49 (d), (e) e (f), constata-se uma dinâmica fiel à resposta<br />

experimental em ambos os regimes de operação. Aliado a isso, o erro relativo percentual entre<br />

estas dinâmicas, conforme apresentado na Figura 50 (d), (e) e (f), atinge o nível máximo de<br />

para a topologia dobradiça e valores tendendo a zero para as demais estruturas. Estas<br />

avaliações podem ser confirmadas pelas figuras de mérito, também conhecidas como índices e<br />

critérios estatísticos, e . Segundo os dados apresentados na Tabela 12 e 13,<br />

referentes a estes índices, comprova-se os menores valores obtidos pelos modelos estimados<br />

respectivamente via discretizador e .<br />

Tabela 12 - Valores do para avaliação do modelo ARMAX determinístico de elastomassas MEMS<br />

Discretizadores Ponte Simples Ponte Dupla Dobradiça<br />

104


Tabela 13 - Valores do para avaliação do modelo ARMAX determinístico de elastomassas MEMS<br />

Discretizadores Ponte Simples Ponte Dupla Dobradiça<br />

A generalização dos modelos estimados é validada quando os mesmos são submetidos<br />

a outro conjunto de dados, observado do mesmo sistema. A aplicação do sinal sinusoidal de<br />

de amplitude as estruturas permite concluir que os valores preditos pelos<br />

modelos discretos descrevem de forma satisfatória a dinâmica do processo. Este teste é<br />

apresentado na Figura 51 por meio da validação cruzada.<br />

Figura 51 - Resposta de ambos os modelos ARMAX (sem ruído) de elastomassas MEMS submetidos ao sinal<br />

sinusoidal: Discretizador ZOH. (a) ponte simples; (b) ponte dupla; (c) dobradiça. Discretizador Tustin. (d) ponte<br />

simples; (e) ponte dupla; (f) dobradiça<br />

Deslocamento (m)<br />

Deslocamento (m)<br />

x 10-7<br />

Validação<br />

2.5<br />

2<br />

1.5<br />

1<br />

0.5<br />

0<br />

-0.5<br />

-1<br />

-1.5<br />

-2<br />

cruzada<br />

Original<br />

Estimado<br />

Força<br />

-2.5<br />

0 0.002 0.004 0.006 0.008 0.01 0.012 0.014 0.016 0.018<br />

Tempo (s)<br />

x 10-7<br />

Validação<br />

1.5<br />

1<br />

0.5<br />

0<br />

-0.5<br />

-1<br />

aaaaaa (a) aaaaaa (d)<br />

cruzada<br />

Original<br />

Estimado<br />

Força<br />

-1.5<br />

0 0.002 0.004 0.006 0.008 0.01 0.012 0.014 0.016 0.018<br />

Tempo (s)<br />

x 10-7<br />

Validação<br />

2.5<br />

aaaaaa (b) aaaaaa (e)<br />

Deslocamento (m)<br />

Deslocamento (m)<br />

2<br />

1.5<br />

1<br />

0.5<br />

0<br />

-0.5<br />

-1<br />

-1.5<br />

-2<br />

cruzada<br />

105<br />

Original<br />

Estimado<br />

Força<br />

-2.5<br />

0 0.002 0.004 0.006 0.008 0.01 0.012 0.014 0.016 0.018<br />

Tempo (s)<br />

x 10-7<br />

Validação<br />

1.5<br />

1<br />

0.5<br />

0<br />

-0.5<br />

-1<br />

cruzada<br />

Original<br />

Estimado<br />

Força<br />

-1.5<br />

0 0.002 0.004 0.006 0.008 0.01 0.012 0.014 0.016 0.018<br />

Tempo (s)


Deslocamento (m)<br />

x 10-7<br />

Validação<br />

2.5<br />

2<br />

1.5<br />

1<br />

0.5<br />

0<br />

-0.5<br />

-1<br />

-1.5<br />

-2<br />

-2.5<br />

0 0.002 0.004 0.006 0.008 0.01 0.012 0.014 0.016 0.018<br />

Tempo (s)<br />

aaaaaa (c) aaaaaa (f)<br />

Para o modelo ARMAX estocástico, os parâmetros estimados são apresentados<br />

respectivamente nas Tabelas 14 e 15. Os melhores resultados foram obtidos através dos<br />

discretizadores e , com o algoritmo de estimação em batelada.<br />

Tabela 14 - Parâmetros estimados do modelo ARMAX (elastomassa com ruído) com discretizador ZOH<br />

Parâmetros estimados Ponte Simples Ponte Dupla Dobradiça<br />

̂<br />

̂<br />

̂<br />

̂<br />

Tabela 15 - Parâmetros estimados do modelo ARMAX (elastomassa com ruído) com discretizador Tustin<br />

Parâmetros estimados Ponte Simples Ponte Dupla Dobradiça<br />

̂<br />

̂<br />

̂<br />

̂<br />

̂<br />

cruzada<br />

Original<br />

Estimado<br />

Força<br />

A flexibilidade em modelar o erro correlacionado aos dados, em tese, faz da<br />

representação ARMAX indicada à identificação de modelos estocásticos. Este pressuposto é<br />

inicialmente verificado a partir da comparação entre o desempenho comportamental dos<br />

modelos estimados em relação aos dados reais, conforme apresentado na Figura 52.<br />

Deslocamento (m)<br />

x 10-7<br />

Validação<br />

2.5<br />

2<br />

1.5<br />

1<br />

0.5<br />

0<br />

-0.5<br />

-1<br />

-1.5<br />

-2<br />

cruzada<br />

106<br />

Original<br />

Estimado<br />

Força<br />

-2.5<br />

0 0.002 0.004 0.006 0.008 0.01 0.012 0.014 0.016 0.018<br />

Tempo (s)


Figura 52 - Comparativo entre as dinâmicas da plataforma de testes e o modelo ARMAX (com ruído) de<br />

elastomassas MEMS: Discretizador ZOH. (a) ponte simples; (b) ponte dupla; (c) dobradiça. Discretizador Tustin.<br />

(d) ponte simples; (e) ponte dupla; (f) dobradiça<br />

Deslocamento (m)<br />

Deslocamento (m)<br />

Deslocamento (m)<br />

x 10-7<br />

Dinâmica<br />

4.5<br />

4<br />

3.5<br />

3<br />

2.5<br />

2<br />

1.5<br />

1<br />

0.5<br />

da elastomassa MEMS<br />

Original<br />

Estimado<br />

Força<br />

0 0.5 1 1.5 2 2.5 3<br />

x 10 -3<br />

0<br />

Tempo (s)<br />

x 10-7<br />

Dinâmica<br />

2.5<br />

2<br />

1.5<br />

1<br />

0.5<br />

x 10-7<br />

Dinâmica<br />

4.5<br />

aaaaaa (a) aaaaaa (c)<br />

0 0.5 1 1.5 2 2.5 3<br />

x 10 -3<br />

0<br />

Tempo (s)<br />

4.5<br />

3.5<br />

2.5<br />

1.5<br />

0.5<br />

x 10-7<br />

Dinâmica<br />

5<br />

4<br />

3<br />

2<br />

1<br />

da elastomassa MEMS<br />

Original<br />

Estimado<br />

Força<br />

aaaaaa (b) aaaaaa (e)<br />

da elastomassa MEMS<br />

Original<br />

Estimado<br />

Força<br />

0 0.5 1 1.5 2 2.5 3<br />

x 10 -3<br />

0<br />

Tempo (s)<br />

aaaaaa (c) aaaaaa (f)<br />

Por meio da verificação gráfica dos erros apresentados entre as dinâmicas estimada e<br />

real, verifica-se a validade dos modelos determinados. Estes são apresentados na Figura 53.<br />

Deslocamento (m)<br />

Deslocamento (m)<br />

Deslocamento (m)<br />

4<br />

3.5<br />

3<br />

2.5<br />

2<br />

1.5<br />

1<br />

0.5<br />

da elastomassa MEMS<br />

107<br />

Original<br />

Estimado<br />

Força<br />

0 0.5 1 1.5 2 2.5 3<br />

x 10 -3<br />

0<br />

Tempo (s)<br />

x 10-7<br />

Dinâmica<br />

2.5<br />

2<br />

1.5<br />

1<br />

0.5<br />

da elastomassa MEMS<br />

Original<br />

Estimado<br />

Força<br />

0 0.5 1 1.5 2 2.5 3<br />

x 10 -3<br />

0<br />

Tempo (s)<br />

4.5<br />

4<br />

3.5<br />

3<br />

2.5<br />

2<br />

1.5<br />

1<br />

0.5<br />

x 10-7<br />

Dinâmica<br />

5<br />

da elastomassa MEMS<br />

Original<br />

Estimado<br />

Força<br />

0 0.5 1 1.5 2 2.5 3<br />

x 10 -3<br />

0<br />

Tempo (s)


Figura 53 - Erro relativo percentual entre plataforma de testes e o modelo ARMAX (com ruído) de elastomassas<br />

MEMS: Discretizador ZOH. (a) ponte simples; (b) ponte dupla; (c) dobradiça. Discretizador Tustin. (d) ponte<br />

simples; (e) ponte dupla; (f) dobradiça<br />

Erro (%)<br />

Erro (%)<br />

Erro (%)<br />

24<br />

22<br />

20<br />

18<br />

16<br />

14<br />

12<br />

10<br />

8<br />

6<br />

4<br />

2<br />

Erro relativo percentual<br />

0 0.5 1 1.5 2 2.5 3<br />

x 10 -3<br />

0<br />

Tempo (s)<br />

20<br />

18<br />

16<br />

14<br />

12<br />

10<br />

8<br />

6<br />

4<br />

2<br />

aaaaaa (a) aaaaaa (d)<br />

0 0.5 1 1.5 2 2.5 3<br />

x 10 -3<br />

0<br />

Tempo (s)<br />

20<br />

18<br />

16<br />

14<br />

12<br />

10<br />

8<br />

6<br />

4<br />

2<br />

Erro relativo percentual<br />

aaaaaa (b) aaaaaa (e)<br />

Erro relativo percentual<br />

0 0.5 1 1.5 2 2.5 3<br />

x 10 -3<br />

0<br />

Tempo (s)<br />

aaaaaa (c) aaaaaa (d)<br />

Sendo as representações gráficas apresentadas na Figura 52 (a), (b) e (c) os modelos<br />

ARMAX estimados, sob a influência de ruído aleatório, com o discretizador descrevem<br />

Erro (%)<br />

Erro (%)<br />

Erro (%)<br />

0.045<br />

0.04<br />

0.035<br />

0.03<br />

0.025<br />

0.02<br />

0.015<br />

0.01<br />

0.005<br />

Erro relativo percentual<br />

108<br />

0 0.5 1 1.5 2 2.5 3<br />

x 10 -3<br />

0<br />

Tempo (s)<br />

x 10-3<br />

2.5<br />

2<br />

1.5<br />

1<br />

0.5<br />

Erro relativo percentual<br />

0 0.5 1 1.5 2 2.5 3<br />

x 10 -3<br />

0<br />

Tempo (s)<br />

1.4<br />

1.2<br />

1<br />

0.8<br />

0.6<br />

0.4<br />

0.2<br />

Erro relativo percentual<br />

0 0.5 1 1.5 2 2.5 3<br />

x 10 -3<br />

0<br />

Tempo (s)


uma dinâmica compatível com o desempenho real. Novamente para estes modelos<br />

estocásticos não é possível distinguir os regimes transitório e permanente. Para as três<br />

topologias no início do processamento dos dados é verificada a dificuldade da resposta<br />

estimada acompanhar a dinâmica real. Este fato pode ser comprovado a partir dos valores do<br />

erro relativo percentual. Conforme apresentado na Figura 53 (a), (b) e (c), nos instantes<br />

iniciais os índices de erro atingem a faixa em torno de , superando desta forma o índice<br />

de erro em relação aos modelos sob as mesmas características, mas representado pelo modelo<br />

ARX. Estes por sua vez apresentaram valores máximos do erro de . Neste caso, esta<br />

situação é caracterizada pela aplicação de ruído com significativa faixa de amplitude. Outro<br />

fator a ser considerado deve ser vinculado à insuficiência computacional no tratamento dos<br />

dados numérico agregados a ordens de amplitude micrométricas. No entanto, desconsiderando<br />

este período inicial mínimo, o restante do processo comporta-se compatível com a resposta<br />

obtida através da representação ARX, estabilizando o erro em níveis de .<br />

Os resultados obtidos por meio do discretizador Tustin novamente são considerados<br />

ideais. O desempenho comportamental dos modelos estimados apresenta fidelidade à resposta<br />

da plataforma de testes durante todo o regime de operação, conforme exposto na Figura 52<br />

(c), (d) e (e). Esta eficiência é validada pelo percentual de erro entre as dinâmicas, segundo as<br />

representações gráficas da Figura 53 (a), (b) e (c), onde o erro percentual tende a zero.<br />

A utilização dos índices estatísticos validam quantitativamente as avaliações gráficas.<br />

De acordo com os dados apresentados nas Tabelas 16 e 17 referentes aos valores e<br />

, confirma os menores valores obtidos pelos modelos estimados, respectivamente, com os<br />

discretizadores e . Segundo a sua contextualização, estas ferramentas estatísticas<br />

garantem a estes modelos dentre os cinco estimados como sendo os mais precisos.<br />

Tabela 16 - Valores do para avaliação do modelo ARMAX estocástico de elastomassas MEMS<br />

Discretizadores Ponte Simples Ponte Dupla Dobradiça<br />

109


Tabela 17 - Valores do para avaliação do modelo ARMAX estocástico de elastomassas MEMS<br />

Discretizadores Ponte Simples Ponte Dupla Dobradiça<br />

A avaliação realizada para a representação ARX estocástico, quanto à utilização da<br />

técnica de validação cruzada, repete-se para o modelo ARMAX, conforme apresentado na<br />

Figura 54. No entanto, a técnica utilizada persiste como um procedimento eficiente.<br />

Figura 54 - Resposta de ambos os modelos ARMAX (com ruído) de elastomassas MEMS submetidos ao sinal<br />

sinusoidal: Discretizador ZOH. (a) ponte simples; (b) ponte dupla; (c) dobradiça. Discretizador Tustin. (d) ponte<br />

simples; (e) ponte dupla; (f) dobradiça<br />

Deslocamento (m)<br />

Deslocamento (m)<br />

x 10-7<br />

Validação<br />

4<br />

3<br />

2<br />

1<br />

0<br />

-1<br />

-2<br />

-3<br />

cruzada<br />

Original<br />

Estimado<br />

Força<br />

-4<br />

0 0.002 0.004 0.006 0.008 0.01 0.012 0.014 0.016 0.018<br />

Tempo (s)<br />

1.5<br />

0.5<br />

-0.5<br />

-1.5<br />

x 10-7<br />

Validação<br />

2<br />

1<br />

0<br />

-1<br />

x 10-7<br />

Validação<br />

4<br />

aaaaaa (a) aaaaaa (c)<br />

cruzada<br />

Original<br />

Estimado<br />

Força<br />

-2<br />

0 0.002 0.004 0.006 0.008 0.01 0.012 0.014 0.016 0.018<br />

Tempo (s)<br />

aaaaaa (b) aaaaaa (e)<br />

Deslocamento (m)<br />

Deslocamento (m)<br />

3<br />

2<br />

1<br />

0<br />

-1<br />

-2<br />

-3<br />

cruzada<br />

110<br />

Original<br />

Estimado<br />

Força<br />

-4<br />

0 0.002 0.004 0.006 0.008 0.01 0.012 0.014 0.016 0.018<br />

Tempo (s)<br />

1.5<br />

1<br />

0.5<br />

0<br />

-0.5<br />

-1<br />

-1.5<br />

x 10-7<br />

Validação<br />

2<br />

cruzada<br />

Original<br />

Estimado<br />

Força<br />

-2<br />

0 0.002 0.004 0.006 0.008 0.01 0.012 0.014 0.016 0.018<br />

Tempo (s)


Deslocamento (m)<br />

x 10-7<br />

Validação<br />

3<br />

2<br />

1<br />

0<br />

-1<br />

-2<br />

-3<br />

-4<br />

0 0.002 0.004 0.006 0.008 0.01 0.012 0.014 0.016 0.018<br />

Tempo (s)<br />

aaaaaa (c) aaaaaa (f)<br />

Outro resultado importante em relação ao procedimento realizado é o tempo de<br />

execução do processo de identificação. Os valores apresentados nas Tabelas 18 e 19 são<br />

decorrentes ao período inicial de leitura dos dados, até a estimação dos parâmetros e<br />

representação do desempenho comportamental de cada elastomassa.<br />

Tabela 18 – Tempo de execução em segundos da identificação do modelo ARX de elastomassas MEMS<br />

Representação ARX sem ruído ARX com ruído<br />

Tempo/Discretizador<br />

Ponte Simples<br />

Ponte Dupla<br />

Dobradiça<br />

Tabela 19 – Tempo de execução em segundos da identificação do modelo ARMAX de elastomassas MEMS<br />

Representação ARMAX sem ruído ARMAX com ruído<br />

Tempo/Discretizador<br />

Ponte Simples 0,4<br />

Ponte Dupla<br />

Dobradiça<br />

cruzada<br />

Original<br />

Estimado<br />

Força<br />

De acordo com os dados expostos, pode-se estabelecer uma média de tempo de<br />

execução em torno de e , respectivamente para os modelos ARX e ARMAX.<br />

Entretanto, cabe destacar que as funções de monitoramento de tempo do software MATLAB<br />

levam em conta toda e qualquer ação adicional realizada pelo computador. Logo, o período de<br />

tempo real despendido somente para durante a execução do programa seria menor.<br />

Deslocamento (m)<br />

x 10-7<br />

Validação<br />

3<br />

2<br />

1<br />

0<br />

-1<br />

-2<br />

-3<br />

cruzada<br />

111<br />

Original<br />

Estimado<br />

Força<br />

-4<br />

0 0.002 0.004 0.006 0.008 0.01 0.012 0.014 0.016 0.018<br />

Tempo (s)


4.2.2.1 Resultados para modelo ARX do atuador eletrostático<br />

Em um segundo momento as elastomassas analisadas anteriormente, foram acopladas<br />

ao comb-drive, resultando assim em três atuadores eletrostáticos MEMS (ver Figura 36). Os<br />

ensaios obedeceram aos mesmos procedimentos desenvolvidos nos micronúcleos elásticos.<br />

Os resultados obtidos para o modelo determinístico são apresentados nas Tabelas 20 e 21. A<br />

partir da dinâmica do desempenho comportamental do modelo estimado em relação à resposta<br />

real é possível analisar a sua eficiência. Estas avaliações são realizadas a partir da Figura 55.<br />

Tabela 20 - Parâmetros estimados do modelo ARX (atuador sem ruído) com discretizador BwD<br />

Parâmetros estimados Ponte Simples Ponte Dupla Dobradiça<br />

̂<br />

̂<br />

̂<br />

Tabela 21 - Parâmetros estimados do modelo ARX (atuador sem ruído) com discretizador Tustin<br />

Parâmetros estimados Ponte Simples Ponte Dupla Dobradiça<br />

̂<br />

̂<br />

̂<br />

̂<br />

̂<br />

Figura 55 - Comparativo entre as dinâmicas da plataforma de testes e o modelo ARX (sem ruído) do atuador<br />

MEMS: Discretizador BwD. (a) ponte simples; (b) ponte dupla; (c) dobradiça. Discretizador Tustin. (d) ponte<br />

simples; (e) ponte dupla; (f) dobradiça<br />

Deslocamento (m)<br />

4.5<br />

4<br />

3.5<br />

3<br />

2.5<br />

2<br />

1.5<br />

1<br />

0.5<br />

x 10-7<br />

Dinâmica<br />

5<br />

do atuador MEMS<br />

Original<br />

Estimado<br />

0 0.5 1 1.5 2 2.5 3<br />

x 10 -3<br />

0<br />

Tempo (s)<br />

aaaaaa (a) aaaaaa (d)<br />

Deslocamento (m)<br />

4.5<br />

4<br />

3.5<br />

3<br />

2.5<br />

2<br />

1.5<br />

1<br />

0.5<br />

x 10-7<br />

Dinâmica<br />

5<br />

do atuador MEMS<br />

112<br />

Original<br />

Estimado<br />

0 0.5 1 1.5 2 2.5 3<br />

x 10 -3<br />

0<br />

Tempo (s)


Deslocamento (m)<br />

Deslocamento (m)<br />

x 10-7<br />

Dinâmica<br />

2.5<br />

2<br />

1.5<br />

1<br />

0.5<br />

do atuador MEMS<br />

Original<br />

Estimado<br />

0 0.5 1 1.5 2 2.5 3<br />

x 10 -3<br />

0<br />

Tempo (s)<br />

4.5<br />

3.5<br />

2.5<br />

1.5<br />

0.5<br />

x 10-7<br />

Dinâmica<br />

5<br />

4<br />

3<br />

2<br />

1<br />

x 10-7<br />

Dinâmica<br />

2.5<br />

aaaaaa (b) aaaaaa (e)<br />

do atuador MEMS<br />

0 0.5 1 1.5 2 2.5 3<br />

x 10 -3<br />

0<br />

Tempo (s)<br />

aaaaaa (c) aaaaaa (f)<br />

O erro relativo permite quantificar a relação da discrepância existente entre a dinâmica<br />

real e a estimada. Estes resultados são apresentados na Figura 56.<br />

Figura 56 – Erro relativo percentual entre plataforma de testes e o modelo ARX (sem ruído) do atuador MEMS:<br />

Discretizador BwD. (a) ponte simples; (b) ponte dupla; (c) dobradiça. Discretizador Tustin. (d) ponte simples; (e)<br />

ponte dupla; (f) dobradiça<br />

Erro (%)<br />

12<br />

10<br />

8<br />

6<br />

4<br />

2<br />

Erro relativo percentual<br />

Original<br />

Estimado<br />

0 0.5 1 1.5 2 2.5 3<br />

x 10 -3<br />

0<br />

Tempo (s)<br />

aaaaaa (a) aaaaaa (d)<br />

Erro (%)<br />

Deslocamento (m)<br />

Deslocamento (m)<br />

2<br />

1.5<br />

1<br />

0.5<br />

do atuador MEMS<br />

113<br />

Original<br />

Estimado<br />

0 0.5 1 1.5 2 2.5 3<br />

x 10 -3<br />

0<br />

Tempo (s)<br />

4.5<br />

4<br />

3.5<br />

3<br />

2.5<br />

2<br />

1.5<br />

1<br />

0.5<br />

0.018<br />

0.016<br />

0.014<br />

0.012<br />

0.01<br />

0.008<br />

0.006<br />

0.004<br />

0.002<br />

x 10-7<br />

Dinâmica<br />

5<br />

do atuador MEMS<br />

Original<br />

Estimado<br />

0 0.5 1 1.5 2 2.5 3<br />

x 10 -3<br />

0<br />

Tempo (s)<br />

Erro relativo percentual<br />

0 0.5 1 1.5 2 2.5 3<br />

x 10 -3<br />

0<br />

Tempo (s)


Erro (%)<br />

Erro (%)<br />

12<br />

10<br />

8<br />

6<br />

4<br />

2<br />

0 0.5 1 1.5 2 2.5 3<br />

x 10 -3<br />

0<br />

Tempo (s)<br />

10<br />

9<br />

8<br />

7<br />

6<br />

5<br />

4<br />

3<br />

2<br />

1<br />

Erro relativo percentual<br />

aaaaaa (b) aaaaaa (e)<br />

Erro relativo percentual<br />

0 0.5 1 1.5 2 2.5 3<br />

x 10 -3<br />

0<br />

Tempo (s)<br />

aaaaaa (c) aaaaaa (f)<br />

Observa-se a partir da Figura 55 (a), (b) e (c) a eficiência do discretizador BwD quanto<br />

a resposta do desempenho comportamental do modelo estimado. O mesmo tende a<br />

acompanhar a reposta real durante todo o período de processamento dos dados, assegurando a<br />

confiabilidade em todos os regimes de operação. Este fato é validado por meio da avaliação<br />

do erro relativo existente entre as repostas. Cabe considerar que este erro diminuiu em<br />

amplitude para os atuadores em relação aos micronúcleos sob as mesmas condições de<br />

operação. Conforme exposto na Figura 56 (a), (b) e (c), o nível máximo de erro na faixa de<br />

acontece no início da simulação. Este é elevado devido à estimação iniciar-se no valor<br />

zero. Entretanto, na medida em que os dados são computados o erro tende a reduzir, atingindo<br />

a faixa de em e estabiliza-se em valores abaixo de .<br />

Apesar de apresentar desempenho satisfatório, o discretizador BwD é superado por<br />

Tustin. Conforme avaliação visual a partir da Figura 55 (c), (d) e (e) a resposta do modelo<br />

estimado por meio deste, coincide com a dinâmica real. Esta é comprovada pelo erro relativo<br />

tendendo a zero, conforme exposto na Figura 56 (c), (d) e (e). Além disso, a utilização dos<br />

Erro (%)<br />

Erro (%)<br />

x 10-3<br />

6<br />

5<br />

4<br />

3<br />

2<br />

1<br />

0.018<br />

0.016<br />

0.014<br />

0.012<br />

0.01<br />

0.008<br />

0.006<br />

0.004<br />

0.002<br />

Erro relativo percentual<br />

114<br />

0 0.5 1 1.5 2 2.5 3<br />

x 10 -3<br />

0<br />

Tempo (s)<br />

Erro relativo percentual<br />

0 0.5 1 1.5 2 2.5 3<br />

x 10 -3<br />

0<br />

Tempo (s)


critérios e comprovam estas análises. Os menores valores apresentados nas<br />

Tabelas 22 e 23 são referentes aos modelos estimados respectivamente, com Tustin e BwD.<br />

Tabela 22 - Valores do para avaliação do modelo ARX determinístico do atuador MEMS<br />

Discretizadores Ponte Simples Ponte Dupla Dobradiça<br />

Tabela 23 - Valores do para avaliação do modelo ARX determinístico do atuador MEMS<br />

Discretizadores Ponte Simples Ponte Dupla Dobradiça<br />

Em seguida, os resultados expostos são decorrentes aos modelos ARX estocásticos<br />

para o atuador MEMS. Estes são apresentados nas Tabelas 24 e 25.<br />

Tabela 24 - Parâmetros estimados do modelo ARX (atuador com ruído) com discretizador ZOH<br />

Parâmetros estimados Ponte Simples Ponte Dupla Dobradiça<br />

̂<br />

̂<br />

̂<br />

̂<br />

Tabela 25 - Parâmetros estimados do modelo ARX (atuador com ruído) com discretizador Tustin<br />

Parâmetros estimados Ponte Simples Ponte Dupla Dobradiça<br />

̂<br />

̂<br />

̂<br />

̂<br />

̂<br />

115


Com a estimação dos parâmetros é possível avaliar o desempenho comportamental do<br />

modelo. Esta é realizada através do comparativo entre as dinâmicas, a partir da Figura 57.<br />

Figura 57 - Comparativo entre as dinâmicas da plataforma de testes e o modelo ARX (com ruído) do atuador<br />

MEMS: Discretizador ZOH. (a) ponte simples; (b) ponte dupla; (c) dobradiça. Discretizador Tustin. (d) ponte<br />

simples; (e) ponte dupla; (f) dobradiça<br />

Deslocamento (m)<br />

Deslocamento (m)<br />

Deslocamento (m)<br />

4.5<br />

4<br />

3.5<br />

3<br />

2.5<br />

2<br />

1.5<br />

1<br />

0.5<br />

x 10-7<br />

Dinâmica<br />

5<br />

do atuador MEMS<br />

Original<br />

Estimado<br />

0 0.5 1 1.5 2 2.5 3<br />

x 10 -3<br />

0<br />

Tempo (s)<br />

x 10-7<br />

Dinâmica<br />

2.5<br />

2<br />

1.5<br />

1<br />

0.5<br />

aaaaaa (a) aaaaaa (d)<br />

0 0.5 1 1.5 2 2.5 3<br />

x 10 -3<br />

0<br />

Tempo (s)<br />

4.5<br />

3.5<br />

2.5<br />

1.5<br />

0.5<br />

x 10-7<br />

Dinâmica<br />

5<br />

4<br />

3<br />

2<br />

1<br />

do atuador MEMS<br />

Original<br />

Estimado<br />

aaaaaa (b) aaaaaa (e)<br />

do atuador MEMS<br />

Original<br />

Estimado<br />

0 0.5 1 1.5 2 2.5 3<br />

x 10 -3<br />

0<br />

Tempo (s)<br />

aaaaaa (c) aaaaaa (f)<br />

Deslocamento (m)<br />

Deslocamento (m)<br />

Deslocamento (m)<br />

4.5<br />

4<br />

3.5<br />

3<br />

2.5<br />

2<br />

1.5<br />

1<br />

0.5<br />

x 10-7<br />

Dinâmica<br />

5<br />

do atuador MEMS<br />

116<br />

Original<br />

Estimado<br />

0 0.5 1 1.5 2 2.5 3<br />

x 10 -3<br />

0<br />

Tempo (s)<br />

x 10-7<br />

Dinâmica<br />

2.5<br />

2<br />

1.5<br />

1<br />

0.5<br />

do atuador MEMS<br />

Original<br />

Estimado<br />

0 0.5 1 1.5 2 2.5 3<br />

x 10 -3<br />

0<br />

Tempo (s)<br />

4.5<br />

4<br />

3.5<br />

3<br />

2.5<br />

2<br />

1.5<br />

1<br />

0.5<br />

x 10-7<br />

Dinâmica<br />

5<br />

do atuador MEMS<br />

Original<br />

Estimado<br />

0 0.5 1 1.5 2 2.5 3<br />

x 10 -3<br />

0<br />

Tempo (s)


Além disso, é possível quantificar os níveis de erro entre estas dinâmicas por<br />

intermédio da analise do erro relativo percentual. Estes são apresentados na Figura 58.<br />

Figura 58 – Erro relativo percentual entre plataforma de testes e o modelo ARX (com ruído) do atuador MEMS:<br />

Discretizador ZOH. (a) ponte simples; (b) ponte dupla; (c) dobradiça. Discretizador Tustin. (d) ponte simples; (e)<br />

ponte dupla; (f) dobradiça<br />

Erro (%)<br />

Erro (%)<br />

Erro (%)<br />

25<br />

20<br />

15<br />

10<br />

5<br />

Erro relativo percentual<br />

0 0.5 1 1.5 2 2.5 3<br />

x 10 -3<br />

0<br />

Tempo (s)<br />

20<br />

18<br />

16<br />

14<br />

12<br />

10<br />

8<br />

6<br />

4<br />

2<br />

aaaaaa (a) aaaaaa (d)<br />

0 0.5 1 1.5 2 2.5 3<br />

x 10 -3<br />

0<br />

Tempo (s)<br />

20<br />

18<br />

16<br />

14<br />

12<br />

10<br />

8<br />

6<br />

4<br />

2<br />

Erro relativo percentual<br />

aaaaaa (b) aaaaaa (e)<br />

Erro relativo percentual<br />

0 0.5 1 1.5 2 2.5 3<br />

x 10 -3<br />

0<br />

Tempo (s)<br />

aaaaaa (c) aaaaaa (f)<br />

Erro (%)<br />

Erro (%)<br />

Erro (%)<br />

10<br />

9<br />

8<br />

7<br />

6<br />

5<br />

4<br />

3<br />

2<br />

1<br />

Erro relativo percentual<br />

117<br />

0 0.5 1 1.5 2 2.5 3<br />

x 10 -3<br />

0<br />

Tempo (s)<br />

9<br />

8<br />

7<br />

6<br />

5<br />

4<br />

3<br />

2<br />

1<br />

Erro relativo percentual<br />

0 0.5 1 1.5 2 2.5 3<br />

x 10 -3<br />

0<br />

Tempo (s)<br />

2.5<br />

2<br />

1.5<br />

1<br />

0.5<br />

Erro relativo percentual<br />

0 0.5 1 1.5 2 2.5 3<br />

x 10 -3<br />

0<br />

Tempo (s)


Com os dados contaminados por ruído, observa-se que a resposta dos modelos<br />

estimados com a utilização do discretizador ZOH apresenta níveis acentuados de erro. Este<br />

fato é comprovado a partir do erro relativo percentual (Figura 58 (a), (b) e (c)). Para ambas as<br />

topologias, no período inicial o erro atinge níveis na faixa de . Este valor é resultado da<br />

amplitude do ruído presente nos dados, proporcional à utilizada nos testes das elastomassas.<br />

No entanto, na medida em que os dados são computados, o erro tende a reduzir, estabilizando<br />

em torno de e para as topologias ponte simples e dupla e para a dobradiça.<br />

Em relação ao discretizador Tustin, os resultados obtidos foram satisfatórios. No<br />

entanto, o mesmo não apresentou a excelente eficiência das demais estimativas. Ao final do<br />

processamento dos dados, a resposta dos modelos estimados apresentou dispersões em relação<br />

à reposta dos dados reais. Esta pode ser avaliada a partir da Figura 57 (d), (e) e (f). Conforme<br />

as discrepâncias entre estas dinâmicas apresentadas na Figura 58 (d), (e) e (f), verifica-se o<br />

erro em torno de a , conforme a topologia das elastomassas acoplados ao comb-drive.<br />

No entanto, na medida em que os dados foram computados o erro tende a aumentar, atingindo<br />

valores próximos a para as topologias ponte simples e dupla, e ao final da dinâmica<br />

para a estrutura dobradiça. Apesar disso, os resultados obtidos apresentam-se satisfatórios.<br />

A validação estatística vem ao encontro dos resultados expostos. Conforme<br />

apresentado nas Tabelas 26 e 27, os menores valores de e , e consequentemente as<br />

melhores estimativas são obtidas respectivamente por meio dos discretizadores Tustin e ZOH.<br />

Tabela 26 - Valores do para avaliação do modelo ARX determinístico do atuador MEMS<br />

Discretizadores Ponte Simples Ponte Dupla Dobradiça<br />

Tabela 27 - Valores do para avaliação do modelo ARX determinístico do atuador MEMS<br />

Discretizadores Ponte Simples Ponte Dupla Dobradiça<br />

118


4.2.2.2 Resultados para modelo ARMAX do atuador eletrostático<br />

Os resultados obtidos referentes ao modelo ARMAX determinístico para os atuadores<br />

MEMS apresentou a mesma dinâmica e desempenho idêntico à representação ARX.<br />

Consequentemente a utilização de Tustin e BwD, respectivamente, são os métodos de<br />

discretização mais eficientes. Esta semelhança nos resultados pode ser resultado da aplicação<br />

do sinal degrau sem energia, o qual manteve os sinais de entrada constante. Além disso, como<br />

alguns parâmetros estimados apresentam valores variando na faixa de e , a<br />

insuficiência computacional para a modelagem do erro correlacionado no processo interativo<br />

é incapaz de aprimorar os parâmetros relacionados aos termos de entrada e saída presentes no<br />

modelo.<br />

Em contrapartida, na presença de ruído incorporado aos dados, a representação<br />

ARMAX apresentou resultados satisfatórios em relação aos modelos ARX. Os resultados<br />

obtidos para o modelo estocástico são apresentados nas Tabelas 28 e 29.<br />

Tabela 28 - Parâmetros estimados do modelo ARMAX (atuador com ruído) com discretizador ZOH<br />

Parâmetros estimados Ponte Simples Ponte Dupla Dobradiça<br />

̂<br />

̂<br />

̂<br />

̂<br />

Tabela 29 - Parâmetros estimados do modelo ARMAX (atuador com ruído) com discretizador Tustin<br />

Parâmetros estimados Ponte Simples Ponte Dupla Dobradiça<br />

̂<br />

̂<br />

̂<br />

̂<br />

̂<br />

A utilização dos discretizadores Tustin e ZOH, respectivamente, apresentaram<br />

novamente os melhores resultados para a estimação de modelos estocásticos. Neste caso,<br />

novamente a estimação em batelada apresentou melhor eficácia quando comparada ao<br />

119


processo recursivo. A partir da Figura 59 é possível verificar o desempenho comportamental<br />

da estimativa do modelo em relação à dinâmica real da plataforma de testes.<br />

Figura 59 - Comparativo entre as dinâmicas da plataforma de testes e o modelo ARMAX (com ruído) do atuador<br />

MEMS: Discretizador ZOH. (a) ponte simples; (b) ponte dupla; (c) dobradiça. Discretizador Tustin. (d) ponte<br />

simples; (e) ponte dupla; (f) dobradiça<br />

Deslocamento (m)<br />

Deslocamento (m)<br />

Deslocamento (m)<br />

4.5<br />

4<br />

3.5<br />

3<br />

2.5<br />

2<br />

1.5<br />

1<br />

0.5<br />

x 10-7<br />

Dinâmica<br />

5<br />

do atuador MEMS<br />

Original<br />

Estimado<br />

0 0.5 1 1.5 2 2.5 3<br />

x 10 -3<br />

0<br />

Tempo (s)<br />

x 10-7<br />

Dinâmica<br />

2.5<br />

2<br />

1.5<br />

1<br />

0.5<br />

aaaaaa (a) aaaaaa (d)<br />

0 0.5 1 1.5 2 2.5 3<br />

x 10 -3<br />

0<br />

Tempo (s)<br />

4.5<br />

3.5<br />

2.5<br />

1.5<br />

0.5<br />

x 10-7<br />

Dinâmica<br />

5<br />

4<br />

3<br />

2<br />

1<br />

do atuador MEMS<br />

Original<br />

Estimado<br />

aaaaaa (b) aaaaaa (e)<br />

do atuador MEMS<br />

Original<br />

Estimado<br />

0 0.5 1 1.5 2 2.5 3<br />

x 10 -3<br />

0<br />

Tempo (s)<br />

aaaaaa (c) aaaaaa (f)<br />

Deslocamento (m)<br />

Deslocamento (m)<br />

Deslocamento (m)<br />

4.5<br />

4<br />

3.5<br />

3<br />

2.5<br />

2<br />

1.5<br />

1<br />

0.5<br />

x 10-7<br />

Dinâmica<br />

5<br />

do atuador MEMS<br />

120<br />

Original<br />

Estimado<br />

0 0.5 1 1.5 2 2.5 3<br />

x 10 -3<br />

0<br />

Tempo (s)<br />

x 10-7<br />

Dinâmica<br />

2.5<br />

2<br />

1.5<br />

1<br />

0.5<br />

do atuador MEMS<br />

Original<br />

Estimado<br />

0 0.5 1 1.5 2 2.5 3<br />

x 10 -3<br />

0<br />

Tempo (s)<br />

4.5<br />

4<br />

3.5<br />

3<br />

2.5<br />

2<br />

1.5<br />

1<br />

0.5<br />

x 10-7<br />

Dinâmica<br />

5<br />

do atuador MEMS<br />

Original<br />

Estimado<br />

0 0.5 1 1.5 2 2.5 3<br />

x 10 -3<br />

0<br />

Tempo (s)


Através do erro relativo percentual verifica-se quantitativamente a discrepância entre<br />

estas repostas. O mesmo é apresentado na Figura 60.<br />

Figura 60 – Erro relativo percentual entre plataforma de testes e o modelo ARMAX (com ruído) do atuador<br />

MEMS: Discretizador ZOH. (a) ponte simples; (b) ponte dupla; (c) dobradiça. Discretizador Tustin. (d) ponte<br />

simples; (e) ponte dupla; (f) dobradiça<br />

Erro (%)<br />

Erro (%)<br />

Erro (%)<br />

15<br />

12.5<br />

10<br />

7.5<br />

5<br />

2.5<br />

12.5<br />

Erro relativo percentual<br />

0 0.5 1 1.5 2 2.5 3<br />

x 10 -3<br />

0<br />

Tempo (s)<br />

10<br />

7.5<br />

5<br />

2.5<br />

12.5<br />

aaaaaa (a) aaaaaa (d)<br />

0 0.5 1 1.5 2 2.5 3<br />

x 10 -3<br />

0<br />

Tempo (s)<br />

10<br />

7.5<br />

5<br />

2.5<br />

Erro relativo percentual<br />

aaaaaa (b) aaaaaa (e)<br />

Erro relativo percentual<br />

0 0.5 1 1.5 2 2.5 3<br />

x 10 -3<br />

0<br />

Tempo (s)<br />

aaaaaa (c) aaaaaa (f)<br />

Erro (%)<br />

Erro (%)<br />

Erro (%)<br />

7<br />

6<br />

5<br />

4<br />

3<br />

2<br />

1<br />

Erro relativo percentual<br />

121<br />

0 0.5 1 1.5 2 2.5 3<br />

x 10 -3<br />

0<br />

Tempo (s)<br />

3.5<br />

3<br />

2.5<br />

2<br />

1.5<br />

1<br />

0.5<br />

Erro relativo percentual<br />

0 0.5 1 1.5 2 2.5 3<br />

x 10 -3<br />

0<br />

Tempo (s)<br />

6<br />

5<br />

4<br />

3<br />

2<br />

1<br />

Erro relativo percentual<br />

0 0.5 1 1.5 2 2.5 3<br />

x 10 -3<br />

0<br />

Tempo (s)


A resposta do desempenho comportamental do modelo estimado com o discretizador<br />

ZOH apresenta dispersões acentuadas no início do processamento dos dados. Conforme<br />

apresentado na Figura 59 (a), (b) e (c), esta dinâmica ultrapassa a resposta real, elevando o<br />

índice de erro. Este é comprovado a partir da Figura 60 (a), (b) e (c). Nos instantes iniciais o<br />

erro varia de a conforme a estrutura elástica do dispositivo. A partir de , verifica-<br />

se que as estruturas tendem a operar em regime estável, com erro relativo abaixo de para<br />

as topologias ponte simples e dupla, e inferior a para dobradiça. Para a representação do<br />

modelo ARMAX estocástico, verifica-se uma melhora significativa quando comparado aos<br />

resultados referentes aos modelos ARX, sob as mesmas condições de operação.<br />

A superioridade do discretizador Tustin em relação à ZOH neste caso é referente à<br />

estabilidade durante todo o período de operação. Apesar de apresentarem resultados<br />

semelhantes ao final do processamento dos dados, os modelos obtidos por intermédio de<br />

Tustin apresentam maior compatibilidade em relação à dinâmica real, especialmente nos<br />

instantes iniciais de operação. Esta avaliação pode ser verificada a partir da Figura 59 (c), (d)<br />

e (f), e comprovada pelas discrepâncias entre as dinâmicas (Figura 60 (c), (d) e (e)). Durante<br />

todo o período de operação, os modelos estimados para as estruturas ponte dupla e dobradiça<br />

apresentaram respectivamente, erro abaixo de e . Em contrapartida, para a estrutura<br />

ponte simples o erro atingiu a faixa em torno de Estas diferenças do erro ao final do<br />

regime de operação dependem da adequabilidade dos dados influenciados pelo ruído em<br />

relação à topologia elástica. Apesar disso, os resultados obtidos são considerados satisfatórios.<br />

A validade dos resultados obtidos é confirmada através da análise dos critérios<br />

estatísticos e . A partir destes valores é comprovada a eficiência dos<br />

discretizadores Tustin e ZOH, respectivamente, para a identificação dos modelos matemáticos<br />

discretos ARMAX estocásticos mais parcimoniosos. Estes resultados são apresentados nas<br />

Tabelas 30 e 31.<br />

Tabela 30 - Valores do para avaliação do modelo ARMAX estocástico do atuador MEMS<br />

Discretizadores Ponte Simples Ponte Dupla Dobradiça<br />

122


Tabela 31 - Valores do para avaliação do modelo ARMAX estocástico do atuador MEMS<br />

Discretizadores Ponte Simples Ponte Dupla Dobradiça<br />

Similar aos micronúcleos elásticos, outro resultado importante é tempo de execução<br />

para a estimação dos parâmetros, e a resposta do desempenho comportamental de cada<br />

atuador. Estes valores são apresentados nas Tabelas 32 e 33.<br />

Tabela 32 – Tempo de execução em segundos da identificação do modelo ARX do atuador MEMS<br />

Representação ARX sem ruído ARX com ruído<br />

Tempo/Discretizador<br />

Ponte Simples<br />

Ponte Dupla<br />

Dobradiça<br />

Tabela 33 – Tempo de execução em segundos da identificação do modelo ARMAX do atuador MEMS<br />

Representação ARMAX sem ruído ARMAX com ruído<br />

Tempo/Discretizador<br />

Ponte Simples<br />

Ponte Dupla<br />

Dobradiça<br />

De acordo com os dados apresentados nas Tabelas 32 e 33, pode-se estabelecer uma<br />

média de tempo semelhante para o atuador quando comparado as elastomassas MEMS. O<br />

rápido processamento das informações e consequentemente à resposta a estas, qualificam o<br />

procedimento realizado como um processo prático, a fim de aliar qualidade e eficiência para<br />

simulação e testes de dispositivos MEMS. Desta forma, o procedimento realizado satisfaz a<br />

premissa quanto à redução do tempo nos testes para estes dispositivos.<br />

Os melhores resultados obtidos para todas as combinações possíveis comprovam a<br />

necessidade de métodos apropriados para cada representação analisada. Na Figura 61 é<br />

apresentado um resumo da combinação necessária para obter a eficácia nos resultados.<br />

123


Figura 61 - Combinação das melhores estimativas dos modelos matemáticos<br />

Fonte: Elaborada pelo autor<br />

124


Os resultados dos testes de validação dos modelos matemáticos identificados<br />

indicaram a capacidade de explicar a dinâmica linear contida nos dados, uma vez que não<br />

foram detectadas correlações acentuadas nos resíduos de identificação. Na medida em que se<br />

incorporou ruído ao sinal degrau, o desempenho comportamental dos modelos também<br />

manteve-se satisfatório.<br />

De forma geral, os modelos determinísticos para os micronúcleos elásticos<br />

apresentaram melhores resultados quando utilizada a representação ARMAX. Em<br />

contrapartida, os modelos estocásticos descreveram melhor desempenho quando modelados<br />

por intermédio do ARX. Alternativamente, para os atuadores MEMS, os modelos estimados<br />

sem a presença de ruídos e sob as representações discretas ARX e ARMAX apresentaram<br />

resultados semelhantes. No entanto, os modelos estocásticos estimados e representados por<br />

ARMAX proporcionaram maior adequabilidade e performance em relação a dinâmica<br />

experimental. Estas avaliações são validadas pela resposta comportamental, avaliações do<br />

erro relativo percentual, critérios estatísticos e quando possível por meio da validação<br />

cruzada.<br />

O processo de estimação dos parâmetros é consolidado pelos métodos de MQ e MQE.<br />

Estes por sua vez, sendo implementados em batelada. A eficiência deste quando comparado à<br />

estimação recursiva, neste trabalho está diretamente vinculada à obtenção dos dados em sua<br />

forma off-line.<br />

Além disso, a eficiência da dinâmica dos modelos esteve diretamente vinculada ao<br />

processo de conversão da FT do domínio contínuo para o discreto. Logo, a utilização do<br />

método de discretização adequado garantiu o melhor desempenho do modelo estimado em<br />

comparação com o desempenho real. Conforme os resultados expostos, cada situação avaliada<br />

atribui métodos mais adequados em comparação aos outros. A quantidade de termos<br />

vinculados ao vetor de regressores, necessariamente não representa o melhor discretizador,<br />

como o caso de modelos estimados com MII e BwD. O fator preponderante é a forma em que<br />

os dados são aproximados durante a transformação analógico/digital. Neste sentido, a eficácia<br />

do discretizador Tustin está diretamente relacionada à sua forma, baseado na aproximação<br />

numérica de integração trapezoidal, ou seja, em um formato de rampa.<br />

A escolha correta da combinação em cada situação analisada proporcionou a eficácia<br />

dos resultados. Consequentemente, com base nos resultados expostos, as expectativas da<br />

proposta neste trabalho são consideradas satisfatórias.<br />

125


5 CONCLUSÕES<br />

Este capítulo apresenta as considerações gerais sobre o trabalho desenvolvido. Além<br />

disso, é ressaltada a perspectiva de avanços na área de MEMS e nanotecnologia. Em seguida,<br />

são apresentadas sugestões e propostas de novos trabalhos a serem desenvolvidos, de forma<br />

que propiciem a continuidade desta investigação.<br />

5.1 Considerações finais<br />

Os avanços científicos desenvolvidos e aprimorados pelo homem crescem em ritmo<br />

acelerado. Atualmente, o resultado deste esforço inovador é direcionado a microtecnologia.<br />

Em especial, os MEMS são um segmento emergente. Esta tecnologia multidisciplinar e<br />

desafiadora tende a revolucionar e atender as necessidades do mundo moderno. MEMS utiliza<br />

tecnologia de semicondutores a fim de habilitar processamento em nível micrométrico. Este<br />

grau de precisão encontra-se além da compreensão humana. Baseados nestas características e<br />

funcionalidades inteligentes estes microdispositivos despertam elevado interesse comercial e<br />

agrega significativos investimentos e receita neste mercado.<br />

Entretanto, esta tecnologia inovadora requer pesquisa a fim de superar as dificuldades<br />

existentes nas etapas de projeto até comercialização. O desafio imediato da indústria de<br />

MEMS é garantir a qualidade dos dispositivos produzidos, aliados aos fatores de custos<br />

reduzidos e rapidez em sua caracterização. Com base nestas premissas, a proposta deste<br />

trabalho vem ao encontro destas exigências. Conforme os resultados expostos, o objetivo<br />

proposto neste estudo foi alcançado.<br />

A utilização da técnica de identificação de sistemas como alternativa para a<br />

modelagem e caracterização dos dispositivos MEMS tornou-se um procedimento eficiente e<br />

dinâmico. A modelagem caixa cinza permitiu combinar as vantagens dos procedimentos caixa<br />

preta e caixa branca. Neste sentido, a manipulação dos dados de sinais de entrada e saída<br />

obtidos na execução de testes sobre o protótipo de simulação, aliado ao conhecimento a priori<br />

das estruturas possibilitou obter novos modelos matemáticos. Estes apresentaram excelente<br />

desempenho comportamental e rapidez de resposta aliando desta forma, qualidade e baixo<br />

custo. A redução no custo é evidente, pois a demora na estimação e descrição do desempenho<br />

corresponde a intervalos de tempo variando entre e . Se os testes realizados forem<br />

executados na produção, a qualidade dos MEMS consolidar-se-á, tendo em vista que o teste<br />

em lote (batch) tende a ser substituindo pela verificação automática de cada unidade<br />

126


produzida. Logo, na melhor hipótese em um período de uma hora de testes pode ser avaliado<br />

em torno de 12000 dispositivos.<br />

As eficiências da dinâmica destes modelos estimados mostram dependência direta do<br />

processo de conversão da FT do domínio contínuo para o domínio discreto. Logo, a utilização<br />

do método de discretização adequado garante o melhor desempenho do modelo estimado em<br />

comparação com o desempenho real.<br />

No entanto, no contexto de identificação de sistemas, a literatura técnica em sua<br />

maioria não descreve todos os aspectos necessários a sua utilização. Verifica-se a inexistência<br />

de informações relevantes sob a etapa de discretização. A mesma, entretanto conforme<br />

exposta, com base nos resultados obtidos é essencialmente importante nesta etapa inicial da<br />

modelagem. Segundo o critério ou método adotado os resultados decorrentes do processo de<br />

estimação/identificação podem apresentar variações e erros acima do permitido para a análise<br />

do projeto, invalidando todo o procedimento. Neste sentido, os meios de discretização como<br />

forma de seleção e formação dos termos necessários ao vetor de regressores podem ser<br />

propostos como uma etapa adicional do processo de identificação de sistemas. Para estas<br />

estruturas micrométricas estudadas, consolida-se o método de discretização baseado na<br />

aproximação numérica de integração trapezoidal, conhecido como método de Tustin como o<br />

procedimento com melhor desempenho. Porém, este fato não pode ser generalizado para<br />

outras estruturas sem avaliações prévias.<br />

A experiência na realização do presente trabalho mostrou a necessidade de uma<br />

combinação adequada quanto à topologia dos dispositivos, representação matemática,<br />

discretização e estimação de parâmetros. A escolha correta destes fatores garante a<br />

identificação do modelo matemático e, o seu desempenho comportamental mais parcimonioso<br />

em relação à representação real/experimental. Para cada situação avaliada identificou-se um<br />

novo modelo matemático proposto com particularidades próprias para caracterizar o<br />

desempenho dos micronúcleos elásticos, bem como, para os atuadores eletromecânicos<br />

MEMS. Através destes, pode-se caracterizar a estrutura de projeto e verificar a funcionalidade<br />

dos mesmos, aliando a redução do tempo de testes e a diminuição dos custos de produção.<br />

Neste sentido, a escolha correta da representação do modelo, dos métodos de<br />

estimação e discretização são fatores preponderantes no desempenho da dinâmica destes<br />

modelos. Segundo Reimbold et al., (2008) a teoria da identificação estabelece que o modelo<br />

estimado é satisfatório quando apresenta uma precisão de 95%. Esta precisão é alcançada<br />

neste trabalho. Neste sentido, verificou-se a validade da técnica utilizada, mostrando-se<br />

interessante, uma vez que permite obter os modelos comportamentais sem alterar as<br />

127


propriedades intrínsecas das estruturas micrométricas e do meio em que se encontram<br />

inseridas. Portanto, é uma técnica não invasiva, prática e eficiente, uma vez que os parâmetros<br />

do modelo não são extraídos na plataforma de testes, e sim estimados através do tratamento<br />

dos dados dos sinais de entrada e saída. Desta forma, a precisão alcançada nos resultados<br />

deste trabalho é satisfatória.<br />

Por fim, conclui-se que dispositivos MEMS tendem a ser cada vez mais presentes na<br />

sociedade. Uma tecnologia real e viável por suas múltiplas funcionalidades. Como<br />

consequência dos benefícios que ela apresenta, constata-se a necessidade de ampla<br />

investigação. A tendência natural é sua expansão a níveis de escalas cada vez mais reduzidas.<br />

Estruturas moleculares, Nanocosmos, Nanomundo e Nanotecnologia são algumas das<br />

terminologias que definem sistemas nanoeletromecânicos (Nanoelectromechanical systems),<br />

ou simplesmente NEMS, como a nova fronteira para o desenvolvimento de sistemas<br />

eletromecânicos.<br />

5.2 Propostas de trabalho<br />

A investigação realizada e os fatos descritos motivam alguns direcionamentos de<br />

estudos em pesquisas futuras. Em seguida são apresentadas hipóteses, sugestões e propostas<br />

que propiciem a continuidade desta investigação.<br />

Implementar a plataforma computacional integrando ANSYS e MATLAB, a fim de<br />

obter, estimar e identificar os modelos e suas características em tempo real, ou seja,<br />

por intermédio da estimação on-line. A partir disso, pode-se verificar a eficiência de<br />

estimadores recursivos. Aliado a isso, implementar um microcontrolador com função<br />

de determinar o tempo exato despendido somente para a execução do programa.<br />

Inserir perturbações físicas como pressão, umidade e temperatura ao ambiente de<br />

operação dos dispositivos MEMS e avaliar seu desempenho sob estas interferências,<br />

utilizando-se da metodologia adotada neste trabalho.<br />

Aplicar outras representações matemáticas discretas como modelos de erro na saída, e<br />

outros estimadores como: variáveis instrumentais, kaczmarz, máxima verossimilhança<br />

e procura em rede. Além disso, investigar outros métodos de discretização, a fim de<br />

enriquecer o material técnico-científico disponibilizando para a obtenção do modelo<br />

linear de MEMS através da Identificação de Sistemas;<br />

128


Avaliar o desempenho do processo de identificação em malha fechada,<br />

consequentemente com a inserção de controlador, e processos de discretização<br />

compatíveis com este procedimento, como os métodos de Rattan, Kennedy e Evans,<br />

Keller e Anderson, entre outros.<br />

Nas representações discretas utilizou-se o operador de deslocamento unitário para<br />

estabelecer a relação da dependência temporal. Entretanto, este operador apresenta a<br />

desvantagem da inexistência de correspondência com o operador (<br />

129<br />

). Nesse sentido,<br />

é proposto investigar a aplicação do operador delta , o qual apresenta melhor<br />

relação entre o tempo contínuo e o tempo discreto.<br />

Determinar a faixa de amplitude máxima do ruído presente nos dados que ainda<br />

caracterize o comportamento linear do sistema. Introduzir os conceitos da<br />

Transformada de Fourier a fim de estabelecer alternativas na identificação da máxima<br />

frequência contidas nos dados e consequentemente, estabelecer com exatidão a<br />

amostragem dos mesmos.<br />

Determinar os valores dos parâmetros característicos do modelo estimado a partir de<br />

todos os métodos de discretização. Desta forma, pretende-se aliar a qualidade e<br />

precisão também sob o desempenho fenomenológico dos dispositivos MEMS.<br />

Utilizar a Identificação de Sistemas para obter o modelo não-linear dos atuadores<br />

MEMS. Avaliar a eficiência das representações matemáticas NARX e NARMAX. A<br />

maior dificuldade está na construção do vetor de regressores. A solução é automatizar<br />

a escolha dos componentes dos sinais de entrada e saída que apresentam maior<br />

influência no comportamento não-linear dos atuadores eletrostáticos.<br />

Implementar a estrutura comb-drive com número maior de “dedos”, aliado a outras<br />

topologias a fim de avaliar o desempenho do conjugado força versus deslocamento.<br />

Ao mesmo tempo, propõe-se integrar um mecanismo em tempo real que avalie as<br />

condições de funcionamento do dispositivo, como o diagnóstico de defeitos, falhas e<br />

rupturas nas estruturas.<br />

Avaliar a eficiência da técnica utilizada neste trabalho para outras estruturas de<br />

microdispostivos como: giroscópios, acelerômetros, transformadores entre outros.<br />

Aprimorar o programa desenvolvido para a estimação/identificação de dispositivos<br />

MEMS. O objetivo é elaborar um amplo banco de dados com informações referentes a<br />

todos os dispositivos avaliados. Ao mesmo tempo, desenvolver o software livre da<br />

linguagem MATLAB, ou seja, uma arquitetura própria de CADMEMS.


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Dissertação. (Mestrado em Engenharia Electrotécnica e de Computadores) - Universidade do<br />

Porto, Porto, 1996.<br />

SONG, M. T.; CAO, D. Q.; ZHU, W. D. Dynamic analysis of a micro-resonator driven by<br />

electrostatic combs. Communications in Nonlinear Science and Numerical Simulation, v.<br />

16, n. 8, p. 3425-3442, ago.2011.<br />

SWANSON ANALYSIS SYSTEMS INC. ANSYS User's Manual. Procudere Manual.<br />

Houton: Swanson Analysis Inc, 1998.<br />

SWART, J. W. Evolução de Microeletrônica a Micro-Sistemas, 2000. Disponível em:<br />

. Acesso em: 16 novembro<br />

2011.<br />

133


TANG, W. C.; NGUYEN, T. H.; HOWE, R. T. Laterally driven polysilicon resonant<br />

microstructures. In: AN INVESTIGATION OF MICRO STRUCTURES, SENSORS,<br />

ACTUATORS, MACHINES AND ROBOTS, 1989, Salt Lake City, USA.<br />

Proceedings…[S.l]: IEEE, 1989 p.55-59.<br />

TANG, W. C.; NGUYEN, T. H.; HOWE, R. T. Electrostatic-comb Driven of lateral<br />

polysilicon resonant. Sensors and Actuators, Salt Lake City, USA, v. A21-A23, p. 328-331,<br />

1990.<br />

TAVARES, M. R. S.; BARBOSA, J. M. G. Análise do movimento não rígido em visão do<br />

computador, 2002. Disponível em: . Acesso em: 29 out. 2011.<br />

WOLFRAM, H. et al. Implementation Issues on MEMS - A study on systems identificarion.<br />

Chemnitz Fachtagung MST, Chemnitz, p. 1-8, 2005.<br />

YOLE DEVELOPMENTS. Status of the MEMS Industry, 2011. Disponível em:<br />

. Acesso em: 7 dezembro 2011.<br />

134


APÊNDICE A - Relação do vetor de regressores com os parâmetros característicos<br />

Seja o modelo matemático analítico do sistema em estudo representado pela equação<br />

(A.1), cuja FT descreve como o sinal de entrada do sistema é dinamicamente “transferido”<br />

para a saída dada pela expressão (A.2)<br />

Forward Difference<br />

⁄<br />

135<br />

(A.1)<br />

(A.2)<br />

Para obter a FT discreta , e o , a partir de , basta fazer a substituição de<br />

variáveis dos planos e , substituindo a expressão (A.3) em (A.2)<br />

Considerando<br />

(<br />

(<br />

[<br />

)<br />

)<br />

]<br />

⁄<br />

(<br />

)<br />

(A.3)<br />

(A.4)<br />

(A.5)


Multiplicando, numerador e denominador por em (A.5)<br />

logo, o está relacionado com as seguintes temos, conforme a expressão (A.6)<br />

ou<br />

(<br />

Backward Difference<br />

) .<br />

/<br />

136<br />

(A.6)<br />

(A.7)<br />

Para obter a FT discreta , e o , a partir de , basta fazer a substituição de<br />

variáveis dos planos e , conforme a expressão (A.8) em (A.2)<br />

.<br />

(<br />

[<br />

)<br />

]<br />

⁄<br />

(<br />

)<br />

/<br />

(A.8)


Considerando<br />

.<br />

/ (<br />

)<br />

137<br />

(A.9)<br />

(A.10)<br />

Multiplicando, numerador e denominador por em (A.10), o está relacionado com os<br />

seguintes termos, conforme expressão (A.11) ou (A.12),<br />

Tustin<br />

(<br />

.<br />

.<br />

/<br />

) (<br />

/<br />

)<br />

(A.11)<br />

(A.12)<br />

Neste caso a FT discreta , e o , a partir de , é realizada a partir substituição<br />

de variáveis dos planos e , conforme a expressão (A.13) em (A.2)<br />

(<br />

) (A.13)


[<br />

(<br />

Considerando<br />

[<br />

[<br />

.<br />

(<br />

(<br />

)/<br />

] [<br />

)] [<br />

(<br />

⁄<br />

)<br />

⁄<br />

⁄<br />

.<br />

(<br />

(<br />

] [<br />

)] [<br />

Multiplicando, numerador e denominador por em (A.15)<br />

,<br />

e<br />

)/<br />

)<br />

(<br />

]<br />

]<br />

)]<br />

138<br />

(A.14)<br />

em (A.14), tem-se:<br />

(A.15)


logo, o está relacionado com as seguintes temos, conforme expressão (A.16) ou (A.17)<br />

[ (<br />

Invariância ao Impulso<br />

) (<br />

] (<br />

)<br />

)<br />

139<br />

(A.16)<br />

(A.17)<br />

Neste caso, para obter a FT discreta e o a partir de , inicialmente<br />

encontra-se a de (A.2). Com o resultado obtido, basta determinar o correspondente valor<br />

da , conforme apresentado no procedimento a seguir:<br />

{ } ,<br />

considerando as seguintes igualdades,<br />

{ } {<br />

{ }<br />

√<br />

√<br />

}<br />

(<br />

{<br />

,<br />

(<br />

{<br />

⁄<br />

e<br />

√<br />

)<br />

√<br />

)<br />

-<br />

.√<br />

, tem-se:<br />

.√<br />

/<br />

}<br />

/<br />

}<br />

(A.18)


√<br />

√<br />

√<br />

140<br />

(A.19)<br />

Realizando uma nova substituição de variáveis a fim de facilitar os cálculos, toma-se<br />

, e √<br />

se a expressão (A.20)<br />

*<br />

multiplicando, numerador e denominador por em (A.20)<br />

(<br />

Aplicando a em (A.19) com as devidas substituições, obtém-<br />

)<br />

+<br />

(A.20)<br />

(A.21)<br />

organizando (A.22), o está relacionado com as seguintes temos conforme (A.22) ou (A.23)


{ } ,<br />

considerando as seguintes igualdades,<br />

por frações parciais, tem-se:<br />

{<br />

}<br />

{<br />

{<br />

{ {<br />

{ } {<br />

}<br />

} ,<br />

{<br />

}<br />

[<br />

{<br />

}<br />

(<br />

,<br />

}|<br />

⁄<br />

- ,<br />

(<br />

{<br />

[ {<br />

e<br />

)<br />

}<br />

)<br />

-<br />

, tem-se:<br />

141<br />

(A.24)<br />

(A.25)<br />

} (A.26)<br />

.√<br />

-<br />

}]<br />

/<br />

} ]


considerando<br />

{<br />

}<br />

[<br />

√<br />

{<br />

√<br />

√<br />

}<br />

(<br />

{<br />

Aplicando a em (A.28) tem-se:<br />

,<br />

[<br />

√<br />

√<br />

[<br />

e √<br />

*<br />

*<br />

)<br />

(<br />

{<br />

√<br />

√<br />

√<br />

.√<br />

√<br />

√<br />

)<br />

√<br />

√<br />

/<br />

.√<br />

}<br />

em (A.29), tem-se:<br />

+<br />

√<br />

√<br />

+<br />

]<br />

/<br />

} ]<br />

]<br />

142<br />

(A.27)<br />

(A.28)<br />

(A.29)<br />

(A.30)


expandindo (A.30)<br />

[ (<br />

organizando (A.32), tem-se<br />

[<br />

[ (<br />

Tomando em (A.33),<br />

tem-se a expressão (A.34),<br />

logo,<br />

[<br />

(<br />

(<br />

(<br />

(<br />

(<br />

, obtém-se a expressão (A.35)<br />

)<br />

) (<br />

;<br />

)<br />

]<br />

)<br />

)<br />

)<br />

;<br />

)]<br />

]<br />

)]<br />

143<br />

(A.31)<br />

(A.32)<br />

(A.33)<br />

; ,<br />

(A.34)<br />

(A.35)


(<br />

(<br />

(<br />

(<br />

)<br />

[<br />

√<br />

√<br />

√<br />

√<br />

√<br />

(<br />

(<br />

(<br />

)<br />

)<br />

)<br />

(<br />

) (<br />

(<br />

)<br />

√<br />

)<br />

√<br />

(<br />

)<br />

(<br />

)<br />

)<br />

] )<br />

)<br />

145<br />

(A.40)


ANEXO A – Topologias e dimensões das elastomassas<br />

Elastomassa Ponte Simples<br />

Dimensões da Ponte Simples<br />

Propriedades do Ambiente e do Material<br />

Propriedade Símbolo Valor Unidade<br />

Caminho médio das partículas 65x10 -9<br />

Módulo de Young do Polí sílicio 140x10 9<br />

Densidade do Polí silício 2,33x10 3<br />

Permissividade do vácuo 8,854x10 -12<br />

Permissividade relativa do ar 1,006 Adimensional<br />

Viscosidade absoluta do ar 1,8x10 -5<br />

Viscosidade cinemática do ar 1,5x10 -5<br />

Densidade do ar 1,22<br />

Propriedades Geométricas<br />

Espessura 2,1x10 -6<br />

Largura da viga 2x10 -6<br />

Comprimento da viga 200x10 -6<br />

Largura da massa 102x10 -6<br />

Comprimento da massa 102x10 -6<br />

Vão abaixo da viga 2x10 -6<br />

Vão acima da viga 2x10 -6<br />

146


Elastomassa Ponte Dupla<br />

Dimensões da Ponte Dupla<br />

Propriedades do Ambiente e do Material<br />

Propriedade Símbolo Valor Unidade<br />

Caminho médio das partículas 65x10 -9<br />

Módulo de Young do Polí sílicio 140x10 9<br />

Densidade do Polí silício 2,33x10 3<br />

Permissividade do vácuo 8,854x10 -12<br />

Permissividade relativa do ar 1,006 Adimensional<br />

Viscosidade absoluta do ar 1,8x10 -5<br />

Viscosidade cinemática do ar 1,5x10 -5<br />

Densidade do ar 1,22<br />

Propriedades Geométricas<br />

Espessura 2,1x10 -6<br />

Largura da viga 2x10 -6<br />

Comprimento da viga 200x10 -6<br />

Largura da massa 102x10 -6<br />

Comprimento da massa 204x10 -6<br />

Vão abaixo da viga 2x10 -6<br />

Vão acima da viga 2x10 -6<br />

Separação entre as vigas 48x10 -6<br />

147


Elastomassa Dobradiça<br />

Dimensões da Dobradiça<br />

Propriedades do Ambiente e do Material<br />

Propriedade Símbolo Valor Unidade<br />

Caminho médio das partículas 65x10 -9<br />

Módulo de Young do Polí sílicio 140x10 9<br />

Densidade do Polí silício 2,33x10 3<br />

Permissividade do vácuo 8,854x10 -12<br />

Permissividade relativa do ar 1,006 Adimensional<br />

Viscosidade absoluta do ar 1,8x10 -5<br />

Viscosidade cinemática do ar 1,5x10 -5<br />

Densidade do ar 1,22<br />

Propriedades Geométricas<br />

Espessura 2,1x10 -6<br />

Largura da viga 2x10 -6<br />

Comprimento da viga 200x10 -6<br />

Largura da massa 86,66x10 -6<br />

Comprimento da massa 60x10 -6<br />

Largura da massa lateral 130x10 -6<br />

Comprimento da massa lateral 20x10 -6<br />

Largura da coluna 11x10 -6<br />

Comprimento da coluna 100x10-6<br />

Vão abaixo da viga 2x10 -6<br />

Vão acima da viga 2x10 -6<br />

Separação entre as vigas 34x10 -6<br />

148

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