Resumo: Aos Homens do meu Tempo A Universidade - Centro ...

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AOS

HOMENS DO

MEU TEMPO

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inconfessáveis, obrigado a sorrir para quem detesta, e

a esperar favores de quem despreza.

A que se reduz então, a tal desenvoltura e o tal

desembaraço do incrédulo? A uma enchente sem

margens que tudo cobre e reduz tudo à igualdade do

lodo. Não há nisto a mínima independência. O que há

é uma curiosa predisposição a aceitar qualquer coisa,

contanto que seja contra.

Vede, porém, o cristão autêntico de que fala o

Cardeal Saliège. Ele tem na sua fé um meio de discernir

o verdadeiro do falso, como um afinador tem no

diapasão o instrumento para pôr um piano em ordem.

Não quer dizer que o cristão saiba tudo ou possa julgar

de tudo. A clarividência não é isto. A clarividência é

conhecer o caminho, é saber aonde se vai, é ter a

capacidade de não julgar antes do tempo, de

desconfiar do bombástico, de possuir um faro que

pressente os miasmas e se premune contra as

infecções. Ao cristão autêntico não interessam as

nutrições malsãs; não interessa povoar a cabeça com

as últimas descobertas, ou com “furos” jornalísticos. O

cristão autêntico é um homem com estrutura, um

homem que sabe o que pensa e que tem a firmeza de

suas convicções.

É por isto que o cristão autêntico sorri ante muito

profeta, muito pregador de novas fórmulas, ante muitos

telegramas de última hora. O cristão autêntico crê no

milagre, mas sabe que Deus não fez milagres a três por

dois, donde a sua atitude crítica diante de narrações

maravilhosas e dos prodígios contados de boca em

boca. O cristão autêntico é pois o menos crédulo dos

homens. O que não acredita em Marx nem nos

determinismos históricos, rotulados de científicos. O

que não acredita nas panacéias das conferências

internacionais, se o remédio moral profundo for

esquecido. O que não acredita nas façanhas da técnica,

se o coração do homem continuar chagado. O que não

acredita nas frases feitas e nos ditirambos à democracia,

se o regime econômico não for radicalmente

humanizado. Há no cristão autêntico a clarividência que

mostra, pela fé, as causas profundas dos males e através

dos acontecimentos da história, o dono da história.

Muitos indecisos no meio de nós?

Muita mocidade puramente instintiva e sem

finalidade?

Muito homem e mulher amargurados?

Muita atitude de avestruz a meter a cabeça na areia

para não ver o perigo que vem vindo?

Muita gente sem ideal e só confiada no braço e no

golpe?

É que proporcionalmente há muita credulidade, e

pouca fé; muita crendice e pouca crença. E quando o

homem chega a não saber em que é que ele crê, não

admira que ele já não creia nem em si mesmo e se

torne um joguete de seus momentos, de seus

caprichos, de suas veleidades, porque simplesmente

não sabe o que fazer de si mesmo...

Bem disse S. João Apóstolo: – a fé é a vitória sobre

o mundo!

E é essa vitória, a única que instala a paz.

FREI NlCOSTRATO da Ordem da Redenção dos Cativos

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