A Caminho do dia do Agricultor

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A Caminho do dia do Agricultor

ASSESOAR-CX R 124-Fronchco Bettrõo - Pr

Nt 74 - JULHO - 1 982

A Caminho do dia do Agricultor


i

Dia 25 de julho

Dia do agricultor

Com mui to orgulho

Celebramos com amor

Vamos celebrar nossas lutas

Fracassos e vitórias

0 cheiro da terra bruta

Precisa ficar na história

Os agricultores do Sudoeste

Já deram prova de união

No ano cinqüenta e sete

Defenderam seu torrão

DIA DO AGRICULTOR

7

0 movimento dos colonos

Foi um passo decisivo

Para os posseiros serem donos

Do título defini tivo

Ha pouco tempo observamos

Um movimento regional

Que dizia: "Não aceitamos

A PROMISSÓRIA RURAL"!

Houve outro movimento

Lã na Foz do Iguaçu

Foi trancado por momentos

0 Escritório da ITAIPO

Houve a luta dos suinocultores

Exigindo preços justos

Porque os suinos prós criadores

Nao cobriam mais os custos

2


8

O povo tem lutado

Por um melhor sindicalismo

Muitos estão entrosados

Até no cooperativismo

Para alimentar o povo

A nossa classe produz

Os humiIdes de novo

Continuam a levar a cruz

10 14

12

Sindicato lutador

Orienta as lideranças

A união dos agricultores

Pode ser uma esperança

13

0 passado já mostrou

Vence quem luta unido

0 próprio Cristo provou

Nascendo entre os sofridos

Aquilo que consumimos 0 Cristo espera de nós

Os preços ja nao sao justos Dar ã Igreja continuidade

Aquilo que produzimos Num só eco, numa só voz

As vezes nao cobre os custos É que surge a -liberdade

11

Existem muitos fatos

Que se podia contar

Precisa que os Sindicatos

Comecem a reivindicar


— 8/BLM * -

Pe. Isidro Perin

Em números anteriores deste boletim

jã falamos quem é Abraão: convocado para

ser pai de um povo e para buscar uma vida

mais abençoada. Abraão gera Isaac, I saac

gera Jacõ. Jacó gera doze filhos. Os doze

filhos formam as doze tribus de Israel.As

doze tribus de Israel formam o Povo de Deus. Este povo vivia

na Palestina.

Todos lembram daquela história da venda de José pelos

irmãos aos reis do Egito. 0 livro do Gênesis, nos capítulos 37

a 49 conta como é que aconteceu esta história. Diante de uma

situação de muita miséria e fome na Palestina, parte deste po-

vo vai para o Egito em busca de alimentos e outras necessida-

des para poder viver. E acontece que muitos acabaram ficando

por lã.

Acontece ainda hoje quando a situação para o pobre co

meça a ficar meio desgraçada. 0 pessoal procura melhorar de vi

da.

Vendem suas terras no Rio Grande do Sul e Santa Cata-

rina e vem para o Paraná. Com o correr dos anos a situação na-

da boa daqui vai ficando sempre mais braba. Então o pessoal

volta a vender suas terras e se esparramam. Uns vão para as ei

dades, outros vao para Mato Grosso, outros para Rondônia, al-

guns voltam para os Estados do Sul, outros vão para o estran-

geiro (Paraguay). Todos ã busca de melhores condições da vida

para suas famílias. 0 fato é que para os pobres, em todos os

lugares, a situação de exploração continua a mesma.

Como é quz nõ& cujSitcujUjon.eA QAtxmo* montando uta

òÁMxaqJão de. hoje.? SeAa que. mudevi de lagan. leAolv^Ou tmoi, que

no& oiganlzcUL e en^íntoA uta. situação juntoò? 0 que. acham


díòto?

Olhando para o pessoal daquele tempo e olhando para o

pessoal de hoje: Pon. que. o pUòoaZ muda tanto de ZugaA paJva tu

ga/L? QuaÁA òão Oò COUóOó ciá>to? Ou é apenaó um aip^Ucho cfeó

ta gente.?

Esse povo que se mudou para o Egito caiu nas garras

do sistema dos Reis e dos grandes na ditadura dos Faraós.Pobre

é assim mesmo, escapa dos Faraós de um lado e acaba caindo nas

garras do outro Faraó.

0 povo que cai no Egito começa a aumentar muito (como

sempre, os pobres tem muitos filhos). E isto cria uma certa

preocupação para os Reis, isto é, para os ricos e os poderosos

daquela época. De certo Faraó deve ter dito: "um dia Zòta po

bieza vai começaA a InaomodoA e vão òe onganizaA e aaibaA dzn.-

Hubando oò HÁdOò do poleÃAo". 0 que faz o rei daquela época?

Chama as parte iras e manda que matem todo fi-lho homem que nas

cer e deixem as meninas viver. Acontece que as parteiras não

obedecem e não cumprem as ordens dadas pelo Governo (o Rei).

Passado certo tempo. Faraó percebe que há muito menino andando

por lã e chama a atenção das parteiras.As parteiras sabiam que

não deviam tirar a vida de nenhuma pessoa porque elas seguiam

o Deus da vida e não os deuses da morte do Faraó.Daí Faraó or

dena que todo menino que nascer entre os hebreus deve ser lan-

çado ao rio Nilo. E aí nós lembramos a história de Moisés.

Pon. que. úeAÕ. que, o& pob/ieá òão òempfie uma ame.aq.a pana

OA tticoò? Quem òão oò fatiado que. mandam matou para Leitura no Êxodo 1,1-22.


MULHER

MÃE E AGRICULTORA

"0 mundo necessita de mães

que sejam não meramente no "A mulher deve ocupar a posição

nome,mas em todo o sentido que Deus originariamente lhe de

da palavra , HDecisão-0 Atalaia) signou.de igualdade com o mari-

do" (idem).

br inal

kome.nò 1

- 0 que. voei acha diòAo qaz a tuiviAta diz,dona BeAta?

- Sabe que eu nem havia pensado sobre isso, dona Sa-

- SeAa que. Peoó queA memo que noi òejmoò -igucuííí aoò

- 01 ha,dona Sabrina,depende muito de como nós entend£

mos esta igualdade?

- MOó, dona BeAáa, a muíkeA nunca vai pode/i ée -f

ao komem'.

- Ora,Sabrina,nós temos os mesmos d irei tos,as mesmas

responsabilidades. Portanto, os mesmos objetivos. Será que adj^

anta os homens saberem das coisas, aprender sempre mais para

tentar mudar a sociedade, se nós mulheres ficamos paradas no

tempo e no espaço? Você sabia, dona Sabrina, que até em Puebla

já foi debatido sobre o papel da mulher na transformação da so

ciedade?

- Não, eu não Ligo muÁto paxá eó-íaó COíáCLá, Acho tudo

•iò-io uma gnande. beAteJJva. Se a gente cwidoA bm da aa&a e do&

IWnoò, tá muito bom'.

- Eu penso diferente, acho que nos mulheres devemos

pensar em alguma coisa para que a nossa libertação aconteça.Se

você ler o livro "Puebla para o Povo" de Frei Beto,nas páginas

75 a 79, garanto-lhe que irá mudar de idéia.


E você, que está lendo este CAMBOTA, o que acha da

conversa de dona Berta com dona Sabrina?

Escreva para a equipe da ASSESOAR, dizendo sua opini

io e a opinião de suas companheiras. Pensem como vão fazer pa

ra recomeçar um trabalho, prã valer, com mulheres e moças na

comunidade. A sua opinião a este respeito é muito importante.

Você sabia que em Salto do Lontra, na comunidade de

Santa Terezinha, existe um grupo de senhoras e de moças que se

reúnem de vez em quando, para estudar e aprender a fazer tri-

cô, crochê, costura, pratos deiiciososJÉbtc? Este grupo chama

se GRUPO FEMININO VI PARTICIPAÇÃO E OIMNTAÇAO, coordenado pe

Ia Monitora Dona Leonídia de Souza e mais uma equipe de apoio.

Nós da ASSESOAR orientamos e damos assistência,na me-

dida que este grupo solicitar. Como este grupo, também tem ou-

tros que já iniciaram e estamos aguardando solicitações.Aguar-

damos, também de vocês que ainda não começaram,mas que tem von

tade de fazer um trabalho bem organizado entre nós mulheres.

JV Em breve estaremos escrevendo experiências de grupos

já em andamento.

No próximo número do CAMBOTA, vamos continuar o papo

de dona Sabrina e dona Berta.

Até lá


SEMENTES

^^

As atuais sementes híbridas de milho produzem plantas

que exigem cuidados especiais, como: adubos químicos, insetici

das, herbicidas, etc. Sao sementes que degeneram,isto e,o agri

cultor nao consegue tirar delas outras sementes e conservar co

mo próprias. £ um jeito inventado para obrigar o colono a com-

prar sementes todos os anos, tornando-se dependente e escravo

da indústria e das multinacionais.

Mas tem, ainda hoje, alguns agricultores que desenvol

vem a sua própria tecnologia.

Vamos citar e analisar o comportamento dos índios Ma-

las que habitam no México, lã no centro da América.Quando capi

nam o milho, nao arrancam algumas plantas invasoras que tem a

propriedade, não somente de proteger o solo mas também, de fa-

vorecer o desenvolvimento do milho. Eles cuidam dessas "plan-

tas companheiras". 0 milho serve de alimento aos índios e não

somente aos animais. 0 milho, por eles cultivado, é uma varie-

dade extremamente resistente ãs doenças. É chamado de milho

crioulo.

Os índios Ma ias fazem uma seleção sobre o terreno,

8


^_

Acompanham a germinação, a floração, o crescimento das espigas

e das raízes secundárias, para marcar as melhores plantas. Tam

béra esterilizam, cortando o pendão, as piores plantas para que

elas nio se reproduzam. Quando começa a germinação das espigas

fértilizam as plantas médias que, assim, tornam-se melhores.Es

se trabalho é feito pelos índios, não custando nada, não com-

porta riscos de hibridização e tem a vantagem, sobre a selação

feita de forma industrial, de selecionar não apenas a semente

mas também a planta inteira: as folhas capazes de aproveitar

bem a luz do sol, os talos fortes e resistentes ao vento,a con

formação robusta e resistente ãs doenças, etc. Quer dizer que

apesar das diversidades climáticas, os índios conseguem salvar

as colheitas. Em fim,as sementes selecionadas pelos índios são

adaptadas ã região, e então produzirão mais.

Este método prático e naturalmente equi1ibrado,não ge

ra a violência da inovação mas, ao contrário, tem todo o pres-

tígio da tradição.

^7

PARA DEBATER

1. 0 que tem acontecido com o nosso milho crioulo?

2. f possível, hoje,voltar a produzir milho crioulo?

3. 0 milho crioulo quando se cruza com o milho hídrido.não

se degenera? *

4. Como podem os agricultores participar na produção e se-

leção de sementes?


REFORMA AGRÁRIA 10

Como já noticiamos em CAMBOTA anterior, nos dias 5 e

6 de junho realizou-se o 1? Encontro das Classes Trabalhadoras

(ENCLAT) do Sudoeste do Paraná. Do encontro participaram dele-

gações de trabalhadores de sete (7) Sindicatos do meio rural,

uma delegação do Sindicato da Imobiliária e das Associações de

Professores de dois municípios. A partir deste n? do Cambota,

vamos pubicar as conclusões tiradas nesses dois dias. Hoje va-

mos saber das conclusões tiradas sobre o tema REFORMA AGRARIA:

"Tendo em vÁJ,ta o cAeAcmte. aumtnto doò bÕ^cu^-^^vícu, ,

aAA&ndat(VvLO&, m&eÁAOA, paAceÁAOò, e. tambm o Quando, númufw de

tAjabalha.don.2A deAmptLzgadoò, tanto no campo como na cidade., a

tendo em vtáta que a potCtiaa o^lcÂxOL não utã de, faato ofieAe-

cendo òOIUçõZò e òÃm vem agravando aÀ.nda maÁJ> a Attaação fiel-

nante, nõò pcuiticípanteÁ deAte. mcont/io fizQlonat de étncUcaLU

ta& e. ctaAAe. tsiabaíkadon.a de^endemo^ ca òzgulnteA mudanças que.

devem conÁta/L na Re^onma Ag/L5)u.a:

19- Desapropriação das grandes áreas que se encontram nas

mãos de poucos e que nelas sejam assentados os trabalha-

dores sem terra ou com pouca terra para que tirem o sus-

tento para sua família e para os demais trabalhadores

brasileiros;

29- Criação do Módulo Máximo, não superior a duzentos (200)

hectares, e extinção do Módulo Mínimo;

39- A Reforma Agrária seja feita com a participação dos tra-

balhadores;

49- A terra deve ser para quem nela e dela vive, produz e

trabalha, e não para os grandes através de estímulos e

isenção de impostos;

59- Criação do Banco dos Trabalhadores para crédito no paga-

mento das terras, construção de casa própria e custeio

da lavoura;

69- Construção de Centros de Treinamentos para neles os agri

cultores trocarem suas experiências adquiridas na práti-

ca.


.

PÁGINA DOS ASSOCIADOS ■ **.

Amigos leitores do CAMBOTA

Fazendinha, aos 6 de junho de 1982

No dia 5 de junho teve reunião em nossa comunidade da

Fazend in ia. Na ocasião se estudou a História de Abrãao e nela

o Proj eto de Deus de como deve ser a sociedade. Eu escrevi es-j

te canto em verso que mando para o CAMBOTA publicar:


ESTR: Vamos mudar, vamos mudar,

vamos mudar de situação

Vamos ser uma mulher Sara

Vamos ser um homem Abrãao.

1 - Vamos buscar o nosso amor,

vamos juntar a nossa voz

Vamos buscar o poder de Deus

Ele está junto de nós.

2 - Nós somos um povo sofrido.

Vamos buscar a nossa união

Uma história verdadeira

é a história de Abrãao

Para juntos nós lutar

Para a nossa libertação.

Francisco Pizzatto

pequeno agricultor


PLANTAS MEDICINAIS

SAÚDE PARA TODOS

-^2-,

Uma senhora pediu-me uma receita para uma boa xaropa-

da contra tosse: - Cozinhe,juntas, um punhado de cascas das se

guintes plantas: angico, açoita-cavalo, guaviroba,figueira, eu^

calipto, curupiã. Depois de cozido,coar e cozinhar de novo com

mel ou com açúcar de cana ou branco (uma parte pode ser de açu

car queimado), até ficar xarope. Tomar de 3 a ^ colheres por

dia.

Planta de flor muito comum em nossos jardins. Conheci

da ainda pelos nomes de: sempre-bela, flor-de-setim,sempre-noi

va, sol-de-ouro. Distingue-se das outras flores porque não mu£

cha.

Suas folhas, esmagadas, tem aplicações medicinais.Seu

suco é colocado sobre calos e verrugas para fazê-los desapare-

cer. As folhas, preparadas em álcool, limpam as manchas da pe-

le, e passado na fronte alivia dores de cabeça. Hã gente que

prepara o suco em azeite para acalmar dores das ulceras, quei-

maduras e erisipela. 0 chã das folhas ê refrigerante,contra fe

bres, enfermidades do coração e dores reumaticas.

Três colheres deste suco, tomadas durante o dia, com-

batem diarréias com sangue, hemorrõides e regras abundantes.

Seu suco é aplicado também contra picadas de aranha.

Dose para chãs é de 15 gr. por litro de ãgua.

As Plantas São Suas Amigas l

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