Leia aqui - Bruno Felin

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Falar de maconha apenas dez anos após o fim da ditadura militar

no Brasil não era uma tarefa fácil. O Planet Hemp disse “foda-se

às leis e a todas as regras” e no ano de 1995 lançou um dos discos

fundamentais daquela década. Revisitamos algumas histórias por

trás do álbum mais enfumaçado da história desse país.

Por pouco eles não ficaram calados—e não

era por motivo de polícia. Quando o vocalista Luis

Antonio, o Skunk, faleceu em decorrência da AIDS,

sua mãe fez um pedido irrecusável aos amigos que

ficaram no planeta: eles deveriam seguir tocando e

continuar o sonho do filho. A semente foi plantada,

o mundo seguiu seu movimento de translação anual,

alinhou-se com os astros e o “Planeta Maconha”

cresceu e floriu. Como eles já fizeram, é preciso

pedir licença para falar em nome de Bezerra e dizer

que “de repente brotou um tremendo matagal” +1.

O disco Usuário foi um marco da música

brasileira por ter incomodado muita gente, algo que

estava fazendo falta no cenário da época. Além de

ressaltar (cientificamente, segundo eles) os “efeitos

naturais” da erva, conseguia reunir todo o submundo

envolvido ao redor de seu consumo: tráfico, corrupção

policial, injustiça social e a própria liberdade

de expressão. Ao quebrar as barreiras do rádio, o

grupo conhecido no underground carioca tomou

o Brasil, vendeu mais de 140 mil cópias, chegou ao

disco de ouro e conseguiu o incrível apoio do então

Ministro da Justiça, Nelson Jobim +2, para a causa da

descrimina-lização. Mas até isso acontecer, a história

é longa. Então acende.

Rio cidade desespero

No Rio de Janeiro do começo dos anos 1990

havia um circuito de bares e shows onde as pessoas

se encontravam e onde tudo acontecia. Circo Voador,

Baixo Gávea, Bar do Cinema, Estação Botafogo, Dr.

Smith, Kitinet, Garage. Por ali, o baixista Formigão e

o guitarrista Rafael já haviam tocado juntos em outra

banda e conheceram Skunk. BNegão, que mais tarde

o substituiria, diz ter conhecido “Skunk e Formigão

em 1988, um 15 minutos depois do outro”.

O tempo passou e o destino colocou Skunk,

então artesão e vendedor de camisas de bandas,

frente a frente com Marcelo D2 +3 nas ruas do bairro

do Catete. Reza a lenda que uma camiseta do Dead

Kennedys uniu a dupla. Marcelo não tinha nenhuma

experiência musical e aos poucos conheceu a rua 13

Planet hemP //035

[+1] Na letra de

“Porcos Fardados”

eles citam Bezerra

da Silva: “Você com

uma arma na mão é

um bicho feroz, sem

ele anda rebolando e

muda até de voz”.

[+2] Nelson Jobim

hoje é o Ministro da

Defesa.

[+3] Procuramos D2

pela assessoria, e-mail,

Facebook, Twitter,

telefone e amigos,

mas não conseguimos

falar com ele. Fez falta

Marcelo!

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