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Saúde do homem: até onde a masculinidade interfere - Itaporanga.net

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O que se evidencia em

O que se evidencia em nossa sociedade é uma naturalização dos papéis sociais, os espaços são ocupados de acordo com o sexo, construídos historicamente e legitimados pela sociedade. O espaço privado naturalizou-se como o espaço feminino, mesmo quando a mulher sai deste para os campos de trabalho ainda continua sendo responsável pela tarefa de preparar as gerações mais jovens para a vida, isso decorre da capacidade da mulher de ser mãe, de conceber e dar à luz. A sociedade só “permite” que a mulher passe a outrem a atividade doméstica se ela precisar trabalhar para seu sustento e de seus filhos ou para complementar a renda do marido. É atribuída também a mulher o papel de cuidar da sua saúde e da sua família, o homem só procura os serviços médicos em último caso quando os problemas se agravam, isso ocorre por que existe uma cultura difundida em nossa sociedade de que o homem é um ser dominador, invencível e que, portanto não sente “dor”, assim a masculinidade acaba sendo o principal fator do aumento da mortalidade entre homens. Em 2003, as causas externas mataram 89.580 homens, contra 11.467 mulheres; as doenças do aparelho circulatório mataram 40.287, contra 26.323; as do aparelho digestivo, 16.371 a 5.032. No caso das doenças crônicas não-transmissíveis (como diabetes, hipertensão, insuficiência cardíaca, tumores, infarto, acidente vascular cerebral, enfisema pulmonar), a diferença entre os dados é atribuída a uma série de fatores de riscos, muito mais presentes entre os homens. A quantidade de fumantes é muito maior entre os homens (20,3%) contra (12,8%) entre as mulheres, assim como a de sedentários (39,8% ante 20,1%) e de pessoas que consumem em maior grau bebidas alcoólicas (16,1% ante 8,1%). Mesmo com esses dados notificados a resistência masculina em cuidar da saúde ainda persiste. A naturalização desses papéis traz crescentes marcas da intervenção humana, a ideologia cumpre uma finalidade de mascarar a realidade, ao mesmo tempo em que legitima a “superioridade” do homem, como provedor, detentor de força física e inteligência superior a da mulher. Na outra face encontra-se a inferioridade da mulher. É atribuída à mesma a responsabilidade pela prole e pela casa, este fato acaba reduzindo as probabilidades de desenvolvimento de outras potencialidades de que são portadoras. 4

A igualdade de oportunidades pressupõe a partilha de responsabilidade por homens e mulheres. No entanto o que ocorre é uma naturalização exclusivamente sociocultural. Travam-se, cotidianamente, lutas para fazer cumprir um preceito já consagrado na constituição brasileira: “todos são iguais perante a lei, sem distinção de sexo, raça, trabalho, credo religioso e convicções políticas” (1º do art. 153). É importante salientar que estruturas de dominação não se deixam afetar pela legislação. A lei é importante, na medida em que permite a qualquer cidadão prejudicado pelas práticas discriminatórias recorrer à justiça. A sociedade brasileira tem como princípios estruturadores: as desigualdades de gênero, classe social e raça. A supremacia masculina perpassa todas as classes sociais, estando também presente no campo da discriminação racial. As relações homem-mulher são permeadas pelo poder. Saúde do homem: hora de quebrar paradigmas A partir da abordagem traçada até aqui sobre gênero como principio estruturador das relações sociais e sobre a naturalização dos papéis sociais atribuídos a diferentes categorias de sexo em nossa sociedade, é possível compreender os determinantes culturais que levam o “sexo forte” a não cuidar da saúde. O homem é influenciado pela ideologia do patriarcado que legitima sua superioridade. O papel que lhe é atribuído é o de ser provedor, detentor de força física superior a da mulher. Assim, no momento em que o homem procura os serviços de saúde para atendimentos de rotina, ele é discriminado até mesmo por profissionais da área, a atitude é vista como “sensível, coisa de mulher”. Na tentativa de quebrar paradigmas culturais, ano passado o ministro da saúde, José Gomes Temporão, lançou como uma de suas prioridades a Política Nacional de Atenção a saúde do Homem. Tal política tem como objetivo, além de facilitar, ampliar o acesso do homem aos serviços de saúde. A iniciativa se explica pela preocupação de Temporão com os expressivos casos de morte notificados nos últimos tempos, que demonstram o fato dos homens cuidarem pouco da saúde. A política será realizada em 5

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