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Ana Cristina Leal Moreira Lima - Fazendo Gênero

Ana Cristina Leal Moreira Lima - Fazendo Gênero

Fazendo

Fazendo Gênero 9 Diásporas, Diversidades, Deslocamentos 23 a 26 de agosto de 2010 Esta temática não aparece de forma recorrente, no entanto sua abordagem contempla a construção social das questões de gênero de forma articulada e aprofundada. A Revista Electrónica de Enseñaza de las Ciencias (REEC) apresenta um artigo em que Magalhães e Ribeiro (2009) analisam redes de discurso sobre gênero presentes em revistas de divulgação científica no Brasil, com a hipótese de que tais revistas vêm produzindo significados e diferenças sobre as questões de gênero. No periódico Educação e Realidade, Macedo (2007) investiga as tradições hegemônicas dos currículos de ciências, com destaque para a diferença de gênero, evidenciadas nos livros didáticos mais vendidos na década de 90. Considera que os endereçamentos da ciência escolar, ao tentar controlar as posições de sujeito que podem ser assumidas, têm implicações pedagógicas e impactam fortemente a vida dos sujeitos. Apoiando-se em Butler acrescenta: Nesse sentido, considero que, no discurso da ciência escolar, o sexo tem funcionado como ponto nodal no disciplinamento das diferenças de gênero e sexualidade. Obviamente, isso não indica uma correspondência perfeita, mas explicita que a diferença de sexo, embora pareça ingênua (e apenas científica), acaba sendo central para a definição de gênero e de comportamentos sexuais. (Macedo, 2007, p. 47) Conclusão Nas revistas de relevante expressividade no campo do ensino de ciências e da educação podemos observar uma associação entre gênero e saúde, com ênfase na educação sexual, prevenção de DSTs/AIDS e gravidez na adolescência. Destacam-se também artigos que contemplam questões de gênero associadas ao ensino e aprendizado tanto no contexto formal como não formal, evidenciando ou refletindo acerca das diferenciações sexuais no ambiente de ensino. Por fim identificamos artigos que abordavam de forma problematizadora gênero no discurso da ciência. Encontramos abordagens em que gênero foi tratado de forma fixa, associado predominantemente à materialidade do corpo, constituindo-se apenas como uma distinção de ordem biológica entre homens e mulheres, no entanto tais paradigmas predominantemente biologicistas não foram preponderantes e o aspecto reflexivo no tratamento de gênero como uma categoria analítica, mostrou-se bastante presente nos artigos, principalmente naqueles com foco nas construções identitárias e nas construções sócio históricas de diferenças de gênero. 6

Fazendo Gênero 9 Diásporas, Diversidades, Deslocamentos 23 a 26 de agosto de 2010 Consideramos que há no campo de educação em ciências um crescente debate acerca das questões de gênero a partir de enfoques variados, no entanto é importante atentar para uma distinção no tratamento de gênero como categoria analítica e gênero apenas como descritor temático, representando uma espécie de substituto do termo mulher (Rohden, 2009). Gênero como categoria analítica, sugere a adoção de uma determinada perspectiva teórico metodológica que permita sua problematização através de amplos e complexos quadros epistêmicos Referências Bibliográficas ADAMUTI-TRACHE , M; ANDRES, L. Embarking on and Persisting in Scientific Fields of Study: Cultural capital, gender, and curriculum along the science pipeline International Journal of Science Education, v. 30, Issue 12, October 2008 p. 1557 – 1584. ASINELLI-LUZ, A e JÚNIOR, N F. Gênero, adolescências e prevenção ao HIV/AIDS. Proposições. Campinas, v. 19, n.2 (56), mai/ago 2008, p.81-97. BUTLER, Judith. Corpos que pesam: sobre os limites discursivos do “sexo”. In: Louro, Guacira Lopes. O Corpo Educado: pedagogias da sexualidade. 2ª edição. Belo Horizonte: Autentica, 2001, p.151-172. BEZERRA JUNIOR, B. C. O normal e o patológico: uma discussão atual. In: Souza, Alicia Navarro; Pitanguy, Jacqueline. (Org.). Saúde, corpo e sociedade. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 2006, p.91-109. BRAGA, P. E.; CARDOSO M. R. A.; SEGURADO, A. C. Diferenças de gênero ao acolhimento de pessoas vivendo com HIV em serviço universitário de referência de São Paulo, Brasil. Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 23, n.11, nov 2007, p. 2653-2662, CAPES, 2010. Doumentos de área 2009. Disponível em: . Acesso em: 23/03/2010. CHETCUTI, D. Identifying a Gender-inclusive Pedagogy from Maltese Teachers' Personal Practical Knowledge. International Journal of Science Education. v. 31, Issue 1, Jan 2009, p. 81 – 99. COLARES V.; FRANCA C.; GONZALEZ E. Condutas de saúde entre universitários: diferenças entre gêneros. Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 25, n.3, mar 200, p. 521-528. DINIS, N. F. e CAVALCANTI, R. F. Discursos sobre homossexualidade e gênero na formação em pedagogia. Pro- Posições. Campinas, v. 19, n.2 (56), mai/ago 2008, p.99-109. 7

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