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Gênero e Religião. ST 24 Clarice Bianchezzi ... - Fazendo Gênero

Gênero e Religião. ST 24 Clarice Bianchezzi ... - Fazendo Gênero

mudarem o foco, o olhar,

mudarem o foco, o olhar, a saírem das paredes frias dos conventos, dos colégios e templos religiosos para a vida que acontecia do outro lado. Ao abrir horizontes diversificados no universo religioso, criaram-se possibilidades de viver a vocação religiosa inserindo-se na vida cotidiana das populações, indo ao encontro das pessoas e não mais esperando que elas venham em busca dos servidores e “porta vozes” de Deus nos templos religiosos. Florianópolis, 1968, um grupo de religiosas da Congregação das Irmãs da Divina Providencia após um tempo de estudos de ensaios e documentos católicos dos anos sessenta, desafia-se a pensar uma forma diferenciada de viver a opção de vida consagrada. As Irmãs começaram, aqui em Florianópolis, a morar em comunidades pequenas na periferia, isso foi uma alerta, um piscar de luz vermelha prá quem não queria essa abertura. 3 Esse grupo de Irmãs elege a prática no meio do povo como meta, ao estilo do que incentivava o documento final da Conferência Episcopal latino americana ocorrida em Medellín 4 , que indicava as lideranças religiosas essa opção de vida por amor a causa de Cristo, a qual eram seguidoras. Criando uma linha de ação e trabalho que teve início num colégio de confissão religiosa católica: o Colégio Coração de Jesus, que atendia meninas, filhas da elite de Florianópolis. O Coração de Jesus teve uma direção que abriu as portas para a periferia, pró povo (...) ela abriu o Coração de Jesus pro povo, tirou uniforme tudo isso criou uma polêmica dentro de Florianópolis. Ela colocou os filhos de funcionários do lado dos filhinhos de papai, ela abriu creches nos morros, e tudo isso criou, ferveu na Província 5 então isso acho que foi um fator muito importante na nossa história. 6 A partir desse Colégio criaram-se braços que se estenderam aos Morros de Florianópolis onde criou-se creches que atendem os filhos pobres dessa cidade, ou seja, as crianças que não tinham acesso às creches particulares. Pela ação desse grupo de religiosas, bem como, auxiliadas pela linha pedagógica adotada no colégio por elas dirigidas, dá-se início ao conflito religioso e também ampliação de horizontes para essas mulheres: na periferia a vida pulsava e era lá que seus sonhos ganharam vida... É importante salientar aqui que o espaço ocupado por essas creches foi exatamente onde imperava a pobreza, o abandono político e religiosos, foi nos Morros:

Foi levar o Colégio para a periferia. Os professores do Colégio, com o mesmo nível pedagógico, a mesma sistemática. E a primeira experiência foi no Caieira. Então, criou-se uma escola ali, uma creche, um centro materno-infantil, como a gente chamava. E, quem trabalhava aí, quem orientava, era o Colégio Coração de Jesus e o pessoal que trabalhava era o pessoal de classe média que estava fazendo o materno-infantil que não precisava, de dinheiro do salário, mas servia como experiência, mas algumas pessoas recebiam pelo Colégio, porque era uma opção deles atender os pobres como não podia atender no Colégio, então foram, vieram atender na comunidade. Isso foi bem aceito no começo. 7 No local onde ficava confinada a população pobre de Florianópolis essas religiosas iniciaram sua inserção social para além dos murros e portões dos colégios e hospitais. Falamos em hospitais porque as mesmas atuavam em hospitais também e essa prática de atuar em outros espaços junto a população marginalizada da cidade passou a Ponte da capital e atingiu os outros locais onde a Divina Providência tinha casas como Tubarão, Joinville, Lages... Com a adesão dessas irmãs somam-se forças e idéias, que contribuíram para que a Província fosse alinhada na “educação libertária” de modo a atuar em espaços até então restritos ao poder público, fora do institucional da Divina Providência. Talvez os principais fatores que levaram a desencadear um longo conflito dentro dessa Congregação tenham sido: 1) a linha de trabalho vigente até 1968; 2) O questionamento aberto e ousado contra o autoritarismo presente na hierarquia da Igreja e da Congregação das Irmãs da Divina Providencia. Com isso uma pergunta passa a ser constante no meio religioso e social de Florianópolis: como pode as religiosas da Divina Providencia estarem morando e atendendo nas áreas pobres da cidade? 3) A questão financeira – patrimonial da Congregação, isso porque já em 1971 nascia no Morro da Caieira o primeiro Centro de Materno Infantil mantido pelo corpo docente, administrativa e financeiramente 8 pelo Colégio Coração de Jesus e as Irmãs da Divina Providencia. Com isso gerou-se um conflito, que já dava sinais desde 1968 quando se iniciou esse trabalho diferenciado dentro da Divina Providencia, mas que vive as cenas de enfrentamento no ano de 1971, e em 1975, esses enfrentamentos tornam-se mais constantes após a eleição do Conselho Provincial 9 que ficou todo composto pelas irmãs 10 adeptas desse trabalho de cunho social. Acirrou-se os ânimos na ala tradicionalista da Congregação e aí se seguiu a uma série de situações desgastantes, desde a intervenção canônica a expulsão de uma das religiosas, até definitivamente o pedido de desligamento da Divina Providência por um grupo em torno de 68 religiosas, culminando com o nascimento em 03 de setembro

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