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meninos e meninas de rua, sexu - Fazendo Gênero

meninos e meninas de rua, sexu - Fazendo Gênero

mudança

mudança de condição: de meninos, passam a homens adultos, provedores. Podemos traçar um paralelo com o que acontece entre a Galera : afirmar que faz sexo é um meio de se integrar a esta, de tentar se igualar aos mais velhos, e se diferenciar dos “nenéns”, das crianças de família. E neste sentido, é um elemento símbolo da passagem para a vida de bicho solto, e, paralelamente, para a situação de não criança, para a condição plena de sujeito social das ruas.“ A iniciação sexual é assim um dos apanágios de uma identidade de não mais criança e se integra no processo de constituição da masculinidade adulta” vi Neste contexto, as demandas sociais de se mostrar e de se constituir homem são satisfeitas e legitimadas pelo reconhecimento intragênero de suas capacidades e atividades sexuais, sendo cruciais para a construção da identidade masculina.Segundo Paulinho vii , 13 anos: “num existe pessoa que vive sem trepar, né, que é bom demais! Se eu pudesse, eu ficava era o dia inteiro nisso.Agora,não tenho(namorada) não, sabe, mas eu bem que queria. É muito melhor, mais limpinha, tem que preocupar menos, né. Porque essas mulé que fica dano pra qualquer um aí, é tudo um bando de puta, sabe. eu como porque sou foda, né (risos). Mas mulé tem que se preservar.(...) Mulé tem assim, vamos dizer , menas vontade, né, num é que nem homem, que num agüenta. Tem que valorizar, sabe, dar só pra namorado” A disposição para o sexo é reafirmada : apesar de condenar a conduta de mulheres sem um parceiro sexual fixo (as “mulheres fáceis”) utiliza-se delas para saciar seus impulsos sexuais. Deseja, porém, uma namorada, uma menina “séria”, que só mantenha relações com ele e que o valorize com relação aos seus pares. Cabem aqui algumas considerações sobre as relações homossexuais dentro da Galera. Entre os meninos e meninas estudados/as, ninguém se identificou como homossexual ou bissexual. As relações sexuais entre mulheres não apareceram em nenhuma fala, e as entre homens eram admitidas apenas com meninos mais novos ou efeminados, e que não fossem da Galera. Nestes casos, o ímpeto sexual insaciável aparecia como justificativa , e o uso da camisinha como indispensável. Pretendo, em outra ocasião, analisar mais detidamente as relações homossexuais e homoafetivas entre os meninos e as meninas da Galera do Gramado. No presente artigo, dedico-me principalmente as relações heterossexuais, e entre crianças e adolescentes. Apesar de o lugar construído do masculino ser o da disposição ativa para o sexo,

e, portanto, aberto a qualquer possibilidade de intercurso heterossexual, as parceiras sexuais que os meninos têm desempenham um papel importante no tocante ao valor que eles têm perante si próprios e seus pares[Heilborn, 1999].A sexualidade feminina aparece aqui como relacionada ao desejo masculino: o desejo que sentem é muito menor do que o masculino, e, portanto, devem se preocupar em atender aos desejos masculinos e em zelar por sua honra, preservando-se e tendo relações sexuais só com o namorado. A reputação e o respeito reconhecido são valores importantes para os meninos e meninas do Gramado. É preciso impor e inspirar respeito, e a sexualidade é um dos mecanismos utilizados para tanto. Mesmo que não totalmente, os “muleques” da Galera se constróem enquanto indivíduos adultos, tanto intelectual quanto fisiologicamente: procuram conjugar a esperteza do marmanjo a uma vida sexual ativa. Querem se mostrar espertos e sexuados, distanciado-se da imagem de seres inocentes e infantis. É interessante perceber como a idéia de uma sexualidade feminina menos aflorada aparece de modo diferente , de maneira geral, nos discursos das meninas. Segundo Meriene, 12 anos: “Por exemplo, eu mesma. Perdi o cabaço foi com nove pra dez anos, mais porque o Kleber queria mesmo. Acho que mulher é assim, maior parte das vez. Só que assim, eu me amarro muito em trepar (risos). Inda mais hoje em dia, que nem dói mais nem nada. Mas num sou que nem esses bicho aí, que num pode ver nada caminhando que já ataca. A gente, mulheres, se controla mais né? Tem vez que fico mês sem trepar. Num é que num faz falta, mas é só ir ali na bica, esfriar a cabeça, né?” Meriene é uma das meninas da Galera do Gramado. Está na rodoviária há seis meses, tempo no qual teve por “macho” Wallace, 16 anos. Afirma ser fiel ao seu macho, mesmo sabendo que ele “acaba comendo umas piranhas por aí, que mulher pra dar em cima de homem dos outros é o que não falta mesmo”. Mais uma vez, a vontade sexual da mulher aparece no domínio do controlável, e mais, do subordinado à vontade masculina. Mais do que isto, a sexualidade das meninas da Galera parece vir atrelada à noção de esperteza ,seja para não “pegar barriga”, seja para engravidar.A maternidade (e, em certo sentido, também a paternidade) é uma forma rápida de mudança de status: em nove meses, passa-se de filha ou filho para mãe ou pai, ou seja, passa-se de criança para adulto. Enquanto trepar significa ser “mais adulto”, conhecer seus “segredos’; tornar-se mãe significa virar totalmente adulto, penetrar no universo adulto das responsabilidades e

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