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1 Articulando Gênero e Geração aos Estudos de ... - Fazendo Gênero

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percebemos que

percebemos que alcançamos a saturação teórica almejada, no que se refere ao tema em questão com o número de sujeitos entrevistados. 2 No que se refere aos tipos de respostas à homossexualidade na infância e adolescência identificados nos relatos, dois caminhos emergiram com bastante força: 1) Aquele tomado pelas psicólogas que percebem e se opõem às estruturações à homossexualidade – localizando a pratica clínica como uma ação emancipadora, de fomento à construção de autonomia; 2) Aquele tomado pelas que incorporam as referidas estruturações opressoras como a régua à qual devem fazer caminhar seus clientes. Neste âmbito, as psicólogas humanistas entrevistadas aparecem todas perfiladas dentro da primeira perspectiva. De forma geral, as atuações referidas pelas nossas entrevistadas estão calcadas em uma ênfase na compreensão de como a homossexualidade pode estar, na sua atualização em um dado contexto, trazendo sofrimento para a pessoa. (...) a maioria vem com um sofrimento muito grande, e eu percebo que ainda pagam um preço muito alto por essas escolhas. A maioria ainda se sente muito discriminado, apesar de que percebo o número de homossexuais está, cada vez mais, aumentado. Não sei se é aumentando ou se, com toda essa abertura, eles estão se mostrando mais, se sentindo mais à vontade para assumir realmente suas escolhas. Mesmo assim eles se sentem muito marginalizados discriminados pela sociedade, pela família. Existe uma pressão muito grande da família. (Josefina iii , 41 anos, católica) A perspectiva é localizar a homossexualidade como fenômeno normal, mas que não é percebido assim pela sociedade em que vivemos. O esforço é de caminhar com o cliente para que ele encontre formas de lidar com a sociedade, e que respeitem seus próprios sentimentos e escolhas. ... ela vai tomar consciência dessa sexualidade, dessa escolha sexual. Vai entrar em contato com esse sentimento, e vai aprender, principalmente, a lidar com a sociedade, que é contra isso, né?! (...) Quer ser homossexual? Tá! E agora, como é que vai lidar com os outros? Porque você não muda os outros. Você tem que se mudar... Se mudar não seria deixar de ser homossexual, mas aprender a lidar com o que a sociedade te traz, né?! É dar um chute na sociedade? É simplesmente conviver bem com essa crítica? (Fernanda, 26 anos, católica) Muitas vezes, o projeto terapêutico exige um deslocamento da criança, adolescente ou jovem em direção à família.

Anais do VII Seminário Fazendo Gênero 28, 29 e 30 de 2006 Bem, eu tomo uma postura muito mais compreensiva, em relação ao sofrimento, e de aconselhamento. Como eu trabalho com pessoas de classe econômica menos favorecida, então percebo que muitas famílias têm posturas agressivas em relação ao homossexualismo. Então, com medo disso, o adolescente tenta desviar, reprimir, sua conduta homossexual. E tudo que eu faço é, também, que não é fácil pra eles, e aconselhar como melhor lidar com isso. [E como é melhor lidar com isso?] Não indo de encontro, aceitar, perceber que filho tem grandes qualidades, e potenciais e que a opção sexual dele é meramente uma questão de gosto. Ele pode ser bom profissional, bom amigo, bom caráter e é por essas coisas que ele tem que ser visto. (Josefina) Sintetizando, a perspectiva de localizar a sexualidade e o gênero como mais uma dimensão do humano, reforçando a apreensão das outras dimensões (relações de amizade, vida profissional, caráter etc) da pessoa em questão, re-humanizando-a, desestigmatizando à homossexualidade. Antes de seguirmos adiante na apresentação e análise dos relatos das psicólogas de base psicanalítica, vale destacar que as de base humanista, quando questionadas sobre as origens/causas da homossexualidade, se deslocam dela, acenando ser desnecessário pensa-la nestes termos. No caso das de base psicanalítica, entretanto, a questão da causa é fundamental. Sintetizando de forma bastante simplificada suas formulações, e em um nível descritivo que dê conta da pluralidade de posicionamentos explicativos, podemos dizer que para elas a homossexualidade se inscreve num quadro teórico, onde os conceitos de inconsciente, repressão/recalque, sexualidade/bissexualidade latente e identificação vão ser articulados. Conceitos que serão alinhavados, explicita ou implicitamente pelo de Complexo de Édipo – pilar da teorização psicanalítica sobre a estruturação da personalidade. Apresentado o campo teórico orientador das práticas psicanalíticas, vale destacar que enquanto as psicólogas humanistas entrevistadas aparecem todas perfiladas dentro da primeira perspectiva, três das psicólogas de base psicanalítica entrevistadas se encontram “imobilizadas” à serviço da opressão, duas assumem o primeiro caminho identificado, fazendo de sua prática clínica uma ação emancipadora; e três, embora explicitamente considerem a homossexualidade um forma normal de expressão da sexualidade humana, nas entrelinhas deslizam em concepções e ações estigmatizantes. Vejamos um pouco mais detidamente relatos localizados dentro de cada uma dos três tipos de respostas identificados. No primeiro caso, o das que explicitamente percebem a homossexualidade como um problema, temos o exemplo de Marina (60 anos, católica). Ela foca sua compreensão da emergência de práticas homossexuais como relacionadas ao modo como a criança valora as atuações do pai e da mãe. Para exemplificar suas afirmações, ela nos traz o seguinte caso: Eu atendi um menino na clínica que acontecia isso: o pai era um pai omisso, e um marido 3

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