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1 Articulando Gênero e Geração aos Estudos de ... - Fazendo Gênero

1 Articulando Gênero e Geração aos Estudos de ... - Fazendo Gênero

e econômicos. Desse

e econômicos. Desse movimento intelectual nasceu a moderna divisão dos seres humanos em “heterossexuais e homossexuais”, em contraposição à divisão sócio-moral anterior de homens e mulheres, que se apoiava em critérios que não enfatizavam as particularidades sexuais de uns e de outros para a orientação moral de condutas (“one sex model”) – sintetizando: havia apenas o sexo médico-biológico masculino. A bipartição da sexualidade foi, desde o começo, uma forma de hierarquizar as desigualdades entre sujeitos que, legalmente, deveriam ser iguais. 6 Nos aproximando propriamente da teorização psicanalítica, vemos que por um lado os fenômenos sexuais perversos – aquilo que caminhava em sentido distinto da suposta meta reprodutiva do instinto sexual – foram elementos fundamentais para a construção de uma teoria sexual, onde o desejo, a pulsão, não possuiria objetivo e objeto pré-definidos. Por outro, também foram, de certo modo, o “calcanhar de Aquiles” da teorização freudiana (e pós freudiana) que, por respeitar uma norma sócio-cultural, tomada como uma lei natural (a norma reprodutiva), continuou a perceber como desvios as organizações desejantes que não culminassem na sexualidade reprodutiva (Freud, 1997). Sobre isso Costa (1995: 251) assinala: Diversidade sexual e diferença sexual são formas opcionais de se descrever o que distingue homens e mulheres, tendo como fundamento o two-sex model inicialmente biológico e, em seguida, psíquico, criado no século XIX. Diferença e diversidade não existem na natureza ou no céu das formas perfeitas. Quem decide o que vai funcionar como diferença ou mera diversidade é a prática lingüística hegemônica. É porque estava convertido a esta prática que Freud reiteradamente, trazia suas novas invenções teóricas para o campo imaginário da maioria, científica e leiga. Em outras palavras, quando falava como psicanalista, Freud afirmava que temos incontáveis possibilidades de descrever aquilo que, sexual, erótica ou carnalmente, nos distingue ou nos assemelha uns aos outros; quando falava como homem comum e como cientista, insistia em falar da perspectiva do “two-sex model”. Perseverava dizendo que a anatomia era destino, e em afirmar as inexoráveis conseqüências psíquicas das diferenças anatômicas entre os sexos. Após passar em revista a literatura psicanalítica desde os primeiros escritos de Freud até a década de 1980, vai apontar que os autores apresentam, por um lado uma “enorme antipatia moral ‘inconsciente’ ou ‘consciente’ pelas pessoas descritas”, e por outro um grave problema teórico: Os desejos passivos, masoquistas, sádicos etc., também existem entre heterossexuais, e até aí, os citados psicanalistas estariam de acordo com esta asseção. Acontece que, quando se trata de heterossexuais, nenhum destes desejos ou fantasias é tomado como prova clínicoteórica de que heterossexuais não sabem, não podem ou não devem amar pessoas de outros sexos, sob pena de serem pervertidos, doentes, anormais, desviantes etc. (…) dado as premissas de que partiam, outras inferências eram possíveis, e caso fossem estabelecidas, não só seriam mais coerentes com as premissas como teriam efeitos morais mais desejáveis e aceitáveis. (Costa, 1995: 279-280)

Anais do VII Seminário Fazendo Gênero 28, 29 e 30 de 2006 Retornando às falas de nossas entrevistadas da Psicanálise munidos dos apontamentos de Costa (1995) sugerimos que a dificuldade em um real deslocamento de uma atuação opressiva rumo a uma ação emancipadora residira na prisão conceitual em uma doutrina explicativa do mundo, uma discursividade que vem apreendendo a homossexualidade em um vocabulário da doença, da anormalidade, da anti-naturalidade, da perversão. Em resposta a esta dificuldade em avançar no conhecimento e intervenção psicanalíticos, rumo a uma clínica que contribua para a construção da Justiça Erótica, sugerimos, junto com Rubin (1993), que os seus praticantes resgatem, quando necessitem lidar com a homossexualidade, “as normas habituais da argumentação psicanalítica”, percebendo como o “inconsciente teórico” atua “perversamente”, oprimindo as crianças e adolescentes que, a princípio, se propõem a ajudar. Vale destacar que estamos conceitualizando justiça erótica como a garantia do respeito por diferentes possibilidades de estruturação da pessoa, concebida enquanto ser desejante. Neste contexto, propomos que entendamos erótico como indo além da excitação bio-fisiológica, resultante do friccionar de partes erógenas dos corpos, incorporando na sua formulação as diversas formas sensíveis que as pessoas se utilizem para se expressar no mundo; de forma mais ampla, os mais diferentes agenciamentos pessoais de características que são, por convenção social, arroladas e valoradas em categorias de gênero (histórico e culturalmente contingentes); agenciamentos que têm implicações no fato dos sujeitos, ao se singularizarem de tal ou qual modo, se sentirem plenos e felizes – tenham prazer na existência (cf. Corrêa, 2004). Referências BARBERO, G. Homossexualidade e perversão na psicanálise. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2005. BRASIL. Estatuto de Criança e do Adolescente. Lei n.º 8.069, de 13 de julho de 1990. CARRARA, S. & VIANA, A. Violência letal contra homossexuais no município do Rio de Janeiro. Características gerais. In: Anais da Reunião Regional: Sexualidades, saúde e Direitos Humanos na América-Latina. Lima, maio de 2003. Retirado em 18/12/2003 do site Ciudadania Sexual no World Wide Web http://www.ciudadaniasexual.org/publicaciones/1b.pdf ., 2003. CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA RESOLUÇÃO 001/99. Retirado em 13/04/2005, do Psicologia On Line no World Wide Web http://www.pol.org.br/legislacao/pdf/resolucao1999_001.pdf#search='resoluçãoconselhofeder aldepsicologiahomossexualidade'. 1999. CORRÊA, S. Direitos Sexuais numa perspectiva internacional e histórica. In: Corpus - Cadernos do NUPACS - Núcleo de Pesquisa em Antropologia do Corpo e da Saúde, v.04, 2004. 7

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