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Gênero, raça/etnia e escolarização. ST 23 Rosemeire dos Santos ...

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Anais do VII Seminário

Anais do VII Seminário Fazendo Gênero 28, 29 e 30 de 2006. Entretanto, no desenrolar da coleta de dados, essa hipótese foi sendo revista, novos questionamentos surgiram para a análise dos dados empíricos: quais garotos estavam fracassando? Em relação a que critérios de avaliação? Em que áreas? Quais eram os modelos de masculinidades/feminilidades valorizados pela escola a partir do olhar da educadora? O foco deslocou-se e para a possibilidade de uma ampla diversidade de referenciais masculinos e femininos, construídos na intersecção com outras categorias formadoras das hierarquias sociais: as relações de classe, raça, gênero e etnia 4 . 2) Metodologia/procedimentos adotados Foram utilizadas técnicas qualitativas de investigação: entrevistas semi-estruturadas, observações em sala de aula, com inspiração na etnografia escolar 5 . E preocupada com a incorporação dos relatos infantis em minha análise recorri a uma técnica de entrevista específica para as crianças 6 . No final do trabalho de campo, foram escolhidas quatro crianças e suas respectivas famílias para fazer entrevistas semi-estruturadas com maior profundidade, de acordo com os seguintes critérios: um menino e uma menina considerados bons alunos pela professora, o garoto que ela via como seu aluno mais difícil e também uma menina que apresentava comportamento semelhante ao dos estudantes do sexo masculino com baixo rendimento. Apresento a seguir a análise dos depoimentos da professora, crianças e famílias. 3) Resultados obtidos As explicações fornecidas pela educadora apontavam para complexidade muito maior do que a prevista na idéia de uma socialização doméstica, do ponto de vista do gênero, incompatível com o ofício de aluno. Na opinião da educadora, o aluno precisava ter outros atributos além desse para ser avaliado de forma negativa, sendo que a partir desse critério ela classificava os (as) alunos(as) em mais difíceis, intermediários e bons. Os dados apontam que, de fato, o insucesso escolar estava localizado, sobretudo entre os estudantes do sexo masculino. Mas, esse quadro estava restrito a três garotos (Carlos, Davi e Manoel 7 ) que embora tenham participado de atividades paralelas de reforço, apresentaram resultados considerados insatisfatório em Matemática e Língua Portuguesa durante todo o ano letivo, 2

Anais do VII Seminário Fazendo Gênero 28, 29 e 30 de 2006. Para Fernanda esses eram os alunos mais difíceis da classe. Eram crianças que passavam a maior parte do tempo rindo dos colegas, fazendo piadas sobre a professora, brincando e, em mais de uma ocasião, foram flagrados em lutas corporais e agressões verbais mútuas, momentos que sempre exigiam uma intervenção mais rigorosa. O meu aluno que tem mais dificuldade em termos de aprendizagem é o Carlos, até agora está bem aquém do grupo. Ele tem muitas dificuldades, principalmente em Português e Matemática. (...) É um aluno que tem problema de concentração, (...) qualquer vírgula que aconteceu do lado dele é motivo para ele levantar, para falar, enfim, ele não se concentra, é difícil, isso talvez interfira na aprendizagem dele, (...). Acho que ele poderia..., mesmo com essas dificuldades todas, poderia estar melhor. (...) O Davi, o problema é assim, ele conversa, ele fala muito, eu já falei isso para o pai dele (...), essa história de você estar falando com a turma e ele toda hora interrompe para fazer algum comentário. (...) O Manoel, ele é muito agitado, além de ser desatento, ele também é agitado, tem dias que ele está elétrico (Fernanda). Nesse sentido, o que realmente definia sua classificação como os mais difíceis da classe era essa ausência de autonomia, tendo em vista que outros garotos também tinham uma postura indisciplinada e, não obstante essa condição eram vistos como alunos médios e bons. Os medianos apresentavam desempenho considerado satisfatório e uma postura menos resistente às normas escolares. Esse agrupamento era composto de nove meninos e treze meninas. Ao compará-los com os outros três, ela ressaltou que eles tinham mais chances de avançar no conhecimento, superando as dificuldades que surgiam sem depender de forma tão constante de seu auxílio: “acho que os medianos são assim: em alguns assuntos, que são mais difíceis, demoram um pouco mais, precisa explorar mais aquilo para eles” (Fernanda). Por sua vez, cinco meninas e dois garotos foram classificados como pertencentes ao grupo dos bons alunos. Para Fernanda, a primeira distinção desses estudantes era a facilidade de aprendizagem: “é essa coisa de que quando você começa a trabalhar com um conceito, mesmo que seja novo para eles, pegam com muita facilidade”. Essa característica era vista como uma conseqüência direta dos conhecimentos extraescolares que possuíam, assim como do forte incentivo de suas famílias à escolarização: Muitas vezes a coisa já vem dos conhecimentos prévios deles, então eles só estão vendo uma coisa que eles já conhecem, então tem esse estímulo do meio que ajuda bastante (Fernanda). 3

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