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Ol.via Candeia Lima Rocha - Fazendo Gênero

Ol.via Candeia Lima Rocha - Fazendo Gênero

Ednólia Fontenele

Ednólia Fontenele figura entre as autoras piauienses que a partir da década de 1970, que ousam extravasar sensualidade em suas poesias, como pode se perceber na poesia “Erotizada”: Quero tomar banho nua nas águas dos teus olhos onde aportam navios que não alcanço. Quero viver meu amor ciumento violento, devastador e escrever declarações de amor de tão verdadeiras nem eu mesma as sinta. Quero viver meu amor - eterno viajante no país do nunca - sem ansiedades i ne(m)edidas 7 . Nessa terceira fase do feminismo, a reivindicação de liberação da sexualidade feminina trouxe o corpo para o eixo das reflexões feministas, como lugar de realização e afirmação de uma singularidade e autonomia, perspectiva que pode ser observada na poesia Circunferência 8 de Anna Miranda: Deus me fez mulher Mas dou pernada No homem que achar que eu vou ser dele. Pertenço a mim Fui delimitada em território e espaço Desde sempre. Circunscrita nas veias Do meu próprio sangue Implantada no espaço Da minha própria carne Não sou rei. Nem rainha Sou de mim E de nada serei. A poesia de Anna Miranda apresenta-se como um discurso feminista, que se opõe à idéia de que a mulher naturalmente tem que ser submissa, mas pelo contrário marca sua autonomia ao enfatizar que pertence a si mesma. Acompanhando os recortes que marcam a emergência das ondas feministas, verifica-se que os anseios femininos por ampliação de direitos e de possibilidades de atuação e realização pessoal

transformam-se e redirecionam-se. Os discursos feministas que circularam na sociedade brasileira nos séculos XIX e XX foram acompanhados pelas mulheres piauienses como se percebe nos questionamentos expressos sobre o lugar social feminino, bem como, na subversão de interdições sociais, culturais e literárias. O desvelar de transgressões que perpassam o enveredamento pelo cenário literário, a reivindicação de novas perspectivas de atuação e reconhecimento para as mulheres, além do estabelecimento de novas relações com o dizível revelam a configuração de práticas na sociedade piauiense que nos permitem falar na existência de uma produção escriturística feminista no Piauí. Ao mesmo passo, que se percebe a configuração de um discurso feminista liberal que privilegiou o acesso feminino à educação como meio de ampliar os espaços de atuação e reconhecimento das mulheres na sociedade, em detrimento da articulação de um movimento sufragista. Descortina-se assim, a circulação de idéias feministas pelas searas piauienses. Guardadas as singularidades do contexto local desvela-se o véu de silêncio que encobre a produção de mulheres que deixaram vazar em seus escritos seus desejos por reconhecimento intelectual e romperam com o silêncio que se colocava sobre suas vozes questionando a sociedade e o relacionamento entre homens e mulheres. Referências A.B. O adorno da mulher. Borboleta, Teresina, 29 dez. 1905, p.1. ALVES, Branca M. PITANGUY, Jacqueline. O que é feminismo? São Paulo: Abril Cultural, brasiliense, 1985. (Coleção Primeiros Passos; 20). COSTA, Ana Alice Alcântara. O Movimento Feminista no Brasil: dinâmicas de uma intervenção política. Labrys: estudos feministas. jan. / jul. 2005. Disponível em: http://www.unb.br/ih/his/gefem. Acesso em: 18 nov. 2005. FONTENELE, Ednólia. Erotizada. IN: ADRIÃO NETO. (Org.). A Poesia Parnaibana: antologia. 2ª ed. Teresina: FUNDEC/COMEPI, 2001. MAGNÓLIA. Correio elegante. Correio do Piauí, Teresina, 14 mar. 1922, p. 4. QUEIRÓS, Luísa Amélia de. Flores Incultas. Parnaíba, PI: s.n., 1875. RAGO, Margareth. Adeus ao Feminismo. Cadernos AEL - Arquivo Edgard Leuenroth: mulher, história e feminismo, n. 3/4, Campinas, SP: AEL, 1995, 1996, p. 11- 43. SCHUMAHER, Schuma. SCHUMAHER, Schuma. Primeira onda Feminista. Disponível em: http://www.mulher500.org.br. Acesso em: 28 mai. 2005. 1 QUEIRÓS, Luísa Amélia de. Flores Incultas. Parnaíba, PI: s.n., 1875. p. 71. 2 A.B. O adorno da mulher. Borboleta, Teresina, 29 dez. 1905, p.1.

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