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Gênero e Religião ST. 23 Erica Piovam de Ulhôa ... - Fazendo Gênero

Gênero e Religião ST. 23 Erica Piovam de Ulhôa ... - Fazendo Gênero

A participação da

A participação da mulher no trabalho em São Paulo no início do XX, mas não só lá, se faria presente nos mais variados setores e serviços das atividades fabris consideradas ‘masculinas’. E as diferenças entre os sexos se fariam notar de maneira acentuada, especialmente quando o tema era salário. Submetidas a condições de trabalho que estavam longe de ser as satisfatórias, as mulheres operárias – e crianças, muitas crianças (Bertucci, 1997; Moura, 1982) -, recebiam sempre muito menos que os homens, por exemplo, nas indústrias de fumo. Ali, onde as mulheres somavam em média 25% da mão-de-obra, seu salário era inferior ao dos homens em 40%. (Moura, 1989, p.84- 89). As diferenças são gritantes e provocam duas considerações. Se, por um lado, o recurso à mãode-obra feminina, mal remunerada (inclusive nos ‘setores femininos’ da produção fabril), acentua a exploração da trabalhadora, por outro, “a participação do sexo feminino no mundo do trabalho torna-se ainda mais controvertida porque já não está limitada, exclusivamente, ao universo dos tecidos, dos bordados e das flores artificiais.”(Moura, 1989, p.98). Presente no espaço público e exercendo atividades profissionais cada vez mais diversificadas, a mulher amplia e luta (e muito) por melhor remuneração salarial, mas também, por boas condições de trabalho, por maior reconhecimento e influência no mundo em que vive e atua. Nisto, a educação será uma arma. Da oficialização do ensino comercial à profissionalização da jovem mulher curitibana: a Escola Técnica de Comércio São José Com a oficialização do ensino comercial no Brasil, realizada por decreto em 1931 numa das primeiras ações de Francisco Campos (ministro da recém criada pasta da educação e saúde pública, 1930) que oficializa ainda a profissão de Contador, e, mais tarde, a reorganização do ensino comercial com a Lei Orgânica de 1943, com o ministro Gustavo Capanema, os cursos comerciais alcançam legitimidade no cenário nacional e têm esclarecidos não só os currículos de seus cursos, mas também as oportunidades de trabalho para os seus egressos nos mais variados campos da área comercial, desde o elementar, como auxiliares de escritório, ao mais especializado, como na profissão de Contador ou ainda Contabilista (Técnico em Contabilidade). Na legislação educacional empreendida nos anos de 1930 e de 1940, é patente a qualificação voltada para o atendimento dos setores produtivos em expansão, especialmente, o secundário (indústrias) e o terciário (comércio). A experiência com as grandes guerras, bem como, as novas situações advindas do processo de industrialização do país, incentivado pelo governo getulista desde 1930, também ressoaram na constituição das reformas e implementações educacionais deste período. O atendimento dos cenários econômico e produtivo certamente estava na pauta educacional. E, na capital paranaense, a centralização de um grande número de indústrias e de serviços se fazia notar desde o início da década seguinte: “em 1940, [Curitiba] contava com 140.656 habitantes e 83,4% das indústrias do Estado estavam na Capital, bem como 74,5% dos

serviços.” (Ganz, 1994, p.1). Eram muitas as possibilidades de trabalho que se apresentavam na cidade, inclusive para a mulher. A atuação das mulheres em atividades vinculadas à prestação de serviços e ao comércio não seria dado novo na cidade, posto que nos jornais em tempos anteriores, como nas décadas de 1920 e até 1940, o trabalho profissional da mulher era descrito: “nos empregos domésticos, livrarias, confeitarias, bares, lojas, salões, ateliers [sic] e escritórios. Atividades que exigiam andança pela cidade também eram realizadas pelas mulheres, na posição de leiteiras, floristas, vendedoras de verduras ou bilhetes de loteria. Atuavam também como enfermeiras, parteiras e professoras. Algumas chegaram às faculdades”. (Ganz, 1994, p.2-3). Ao lado da expansão industrial e comercial, e da participação da mulher em diferentes atividades dos setores produtivos, a capital paranaense sinalizava mudanças também na fisionomia da urbe que com a construção de arranha-céus em estilo modernista, o remodelamento das praças, o limite das ruas e outros signos da cidade visavam dar ao município aspectos de uma verdadeira capital do século XX. Exemplo disso é o Plano de Urbanização de Curitiba, de 1943: “no início dos anos 40, os jornais da capital propagandeavam o Plano Agache como uma verdadeira revolução urbana que mudaria completamente a fisionomia da ‘caboclinha dos pinheirais’.” (Boletim Informativo..., 1996, p.69 grifos no original) E, neste período, em Curitiba, qual seria o destino mais provável para o ensino profissional da jovem mulher curitibana? A ênfase na formação feminina em nível secundário e profissional não era na área comercial, e sim na escola normal, especialmente a que passou a denominar-se Instituto de Educação do Paraná (1946). Mas, se, por um lado, o magistério nas séries iniciais representava até mesmo um ideal de formação das jovens mulheres curitibanas da época - cujas raízes encerram discussões ambivalentes da participação da mulher brasileira no espaço público -, este ideal certamente não alcançaria todas as jovens mulheres curitibanas, haja vista a possibilidade que se vislumbrava da profissionalização desta mulher na área contábil e em colégio católico feminino. Assim, diferenciando-se das ações dos colégios congêneres, que na década de 1940 ainda se organizavam para a formação profissional da mulher no magistério primário 1 , as Irmãs de São José iniciam os trabalhos educacionais com o Instituto Comercial São José (fundado em 1942; depois, Escola Técnica de Comércio São José, 1944) e a formação de auxiliares de escritório e contadoras. Este foi o primeiro projeto educativo de ensino profissional feminino, em nível secundário, das Irmãs de São José no Paraná que já atuavam na área educacional – e não somente nesta área - na cidade e em outras localidades paranaenses, e com o qual destoaram do conjunto dos colégios católicos femininos na cidade com a oferta dos cursos comerciais. E um curso comercial destinado à mulher em colégio católico, aparentemente, pouco se encaixaria na perspectiva de uma formação feminina voltada para o espaço doméstico. Por outro lado, encaixava-se perfeitamente perante as mudanças provocadas pela expansão industrial e comercial vivenciadas pelo país e pela cidade

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