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Gênero e Religião ST. 23 Erica Piovam de Ulhôa ... - Fazendo Gênero

Gênero e Religião ST. 23 Erica Piovam de Ulhôa ... - Fazendo Gênero

naquele período em que

naquele período em que despontava a diversidade de atividades produtivas desempenhadas por mulheres, e não só nas instâncias da educação e da saúde. O setor educacional também havia se adaptado a nova realidade produtiva dos setores econômicos da sociedade. E então, à candidata citadina aos cursos de nível secundário, seriam ofertados, além do ensino secundário, os cursos de ensino profissional: normal, comercial e doméstico. O próprio curso comercial não significaria novidade à educação das jovens curitibanas. As mulheres da chamada Primeira República já contavam, no sistema público, com o Instituto Comercial do Paraná, fundado 1905 e ativo nos anos de 1910-1931. Outras instituições se somariam ao ensino comercial. Aliás, é nos anos 1940 que ocorre uma guinada do ensino comercial em Curitiba quando novas instituições, como a Escola Técnica de Comércio São José (antes Instituto Comercial São José, 1942 – a alteração se deu em função da reorganização do ensino comercial com a Lei Orgânica de 26 dez. de 1943, mas estas são páginas para outra história), e outras não tão novas assim, como a Escola Técnica de Comércio anexa à Faculdade de Direito do Paraná (antigo Curso Comercial da Escola Alemã/Colégio Progresso), a Escola Técnica de Comércio ‘De Plácido e Silva’, e a Escola Técnica de Comércio Remington do Paraná se somam às possibilidades de realização deste ensino profissional, no início da década de 1940, em Curitiba – Paraná. Expectativas na formação de mulheres em terreno há muito ocupado pelos homens, o comércio Com a crescente urbanização e industrialização do país no pós-guerra, o setor terciário (comércio e serviços) reservaria à mulher possibilidades de trabalho nas suas mais variadas funções, mas requereriam antes certa especialização especialmente para o atendimento em escritórios, comércio e em serviços públicos. Este seria um espaço ocupado em geral pelas jovens da classe média e “representa a medida mais importante da integração das mulheres na atividade produtiva; marca, de certa forma, uma ruptura com o trabalho doméstico, exige qualificação, coloca as mulheres competindo em relativa igualdade de condições com os homens no mercado de trabalho, torna as mulheres assalariadas – membros remunerados da família.” (Bassanezi, 1996, p.209-210). Observando as importantes alterações políticas, econômicas, sociais e culturais ocorridas no país, as Irmãs de São José radicadas no Paraná correspondem a esta expectativa de expansão do ensino profissional e mais especialmente no incentivo a profissionalização da mulher com a oferta dos cursos comerciais da Escola Técnica de Comércio São José, e para o público exclusivamente feminino. Era a profissionalização de jovens mulheres num terreno há muito ocupado pelos homens: o comércio. Para as jovens mulheres, vislumbrava-se aí o acesso ao mercado de trabalho e o domínio de uma profissão ainda jovem. A profissão de Técnico em Contabilidade (Contabilista) poderia ser conferida antes dos 20 anos de idade, o que ocorreu com boa parte da demanda atendida pela Escola. O futuro aparentemente garantido de trabalho na cidade em desenvolvimento

concorreu para o crédito que os cursos comerciais da Escola começariam a receber. Cada vez mais e com maior intensidade, as candidatas procuravam os cursos de 1º e de 2º ciclos do ensino comercial ofertados pela Escola. Então, ser contadora ou contabilista permitiria àquelas jovens mulheres, quando solteiras, pensar na independência (pelo menos financeira) em relação aos seus familiares ou ainda inversamente, como a principal mantenedora da casa paterna; e quando casadas, até visualizar uma perspectiva de parceria com o homem quando o tema fosse o sustento do lar. Com um pouco menos de expectativa, ser auxiliar de escritório, permitiria que as jovens mulheres colaborassem com o orçamento doméstico. Em ambos os casos, a profissionalização em uma área que despontava como oportunidade de trabalho na cidade e também como oportunidade de trabalho para a mulher, garantiria a elas sonhar com um futuro melhor. O trabalho em casas comerciais, nos bancos, nos escritórios, ou mesmo como autônomas na área contábil, significaria, como ainda hoje e na maioria das vezes, ofícios rentáveis e muito mais atrativos se considerados em perspectiva a situação de trabalho e de retorno financeiro das professoras primárias ou normalistas do mesmo período. Certamente, o ‘trabalho como missão’ ou como ‘extensão do lar’ não seria, em definitivo, atrativo para as mulheres que estudavam visando entender os negócios contábeis do país. Novos caminhos de atuação para a mulher que se desdobrariam nas décadas seguintes. No exercício profissional, a participação destas mulheres em diversas atividades produtivas Em toda a trajetória do curso comercial básico (curso do 1º ciclo do ensino comercial), a Escola Técnica de Comércio São José formou 6 turmas (1943 a 1948): 36 auxiliares de escritório aptas ao trabalho em tarefas administrativas da prática de escritório. A última turma ali iniciada foi a do ano de 1947 e o curso só foi encerrado porque os custos (incluindo os gastos com o professorado) não se pagavam: a relação entre o número de freqüentadoras e as despesas apontava déficit para a instituição. O curso de contador (o mesmo da reforma de 1931), por sua vez, formou, em todo o período, 21 contadoras e só não teve continuidade porque, em nome de uma maior adequação ao Brasil de meados do século XX, a legislação educacional – com base na Lei Orgânica do Ensino Comercial (1943) - havia regulamentado seu encerramento enfático no ano de 1946. E o curso de contabilidade (curso técnico, do 2º ciclo do ensino comercial, valendo em substituição ao curso de contador) da Escola Técnica de Comércio São José, que teve sua origem com o curso de contador ainda quando “Instituto Comercial São José”, foi o curso de maior permanência na história da escola nas décadas de 1940 e 1950. Somente este curso formou, em toda a trajetória do período investigado (1942-1955): 223 contabilistas. Ao todo, são aproximadamente 280 jovens mulheres aptas ao exercício profissional no comércio e em diferentes frentes de atuação: do mais elementar, como auxiliares de escritório, ao de especialização em curso técnico de nível secundário, como

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