Views
4 years ago

Gênero e Religião ST. 23 Erica Piovam de Ulhôa ... - Fazendo Gênero

Gênero e Religião ST. 23 Erica Piovam de Ulhôa ... - Fazendo Gênero

contadoras ou

contadoras ou contabilistas. 2 A área comercial era evidentemente o destino para o qual foram formadas, mas tiveram elas se encaminhado somente nesta via? Vejamos. Desde 1946, no Paraná, era obrigatório, para o exercício da profissão, o registro profissional no recém-criado Conselho Regional de Contabilidade. Entretanto, das 244 contadoras e contabilistas egressas da Escola Técnica de Comércio São José, apenas 13% realizaram o registro profissional em órgão competente da classe e tornaram-se profissionais exercendo a profissão em algum período de suas trajetórias de vida ou durante toda ela – o número é pequeno em comparação ao número de egressas da Escola, mas não deixa de ser representativo da intencionalidade deste grupo de mulheres: o trabalho. E o trabalho com as próprias famílias ou com ‘conhecidos’ nos pequenos comércios, indústrias, lojas, etc, em Curitiba - e que não exigiria o registro profissional - era ainda uma realidade para as egressas. Algumas das famílias das alunas eram proprietárias de pequeno comércio e pequenas indústrias na cidade, conforme o informado nos breves questionários que as famílias das alunas respondiam por ocasião da inscrição e matrícula de suas filhas. Mas nem todas as egressas se encaminhariam para o trabalho na área comercial. O magistério dos cursos comerciais era outra possibilidade de inserção efetiva no mundo do trabalho. E a maioria das alunas, sozinha, mediada por professores ou com experiência de estágios realizados em fábricas ou escritórios, buscaria alguma vaga nos estabelecimentos que povoavam a cidade nos anos de 1940 e 1950. Outras egressas daquele período investigado foram localizadas em situações bastante diversas. Além de comerciárias, contadoras e contabilistas, as egressas da Escola Técnica de Comércio São José foram ainda funcionárias públicas, representantes comerciais, chefe de departamento de serviço público essencial, conselheira municipal, dirigente de associações de caridade, tesoureira, aspirantes a vereança, militante política, e outras se aprofundaram na sua própria existência (uma monja), circularam pelas casas de chás, desfilaram por entre flashes e até por alguns escândalos tributários... As ‘jovens mulheres’ de ontem, muitas delas hoje já mães, provavelmente avós, estão ainda em vários cenários, em todas as instâncias da sociedade e em todos os lugares em que a existência humana faz-se possível. Considerações finais A constituição da Escola Técnica de Comércio São José, então, deu-se na articulação de um momento histórico, nacional e local, específico e na conjugação de projetos educacionais que pretenderam responder as demandas da época: o das mudanças estruturais da economia brasileira, o das mudanças culturais em relação a presença da mulher no trabalho (e nos trabalhos considerados masculinos), o das políticas públicas em educação e para o ensino profissional na década de 1930/1940, e mesmo o da estratégia política e afirmativa da Igreja Católica (colégio católico feminino). E é na Curitiba que se transforma, ao lado do desenvolvimento econômico, industrial e urbano da cidade, nas alterações que se processam especialmente a partir da década de 1940, que

um novo campo de ação torna-se possível para estas mulheres que seriam formadas para o comércio, para a lide dos negócios e do erário público e privado. É a emergência daquele tempo que permite compreender o engajar da jovem mulher no comércio, em Curitiba, nas décadas de 1940 e 1950. Espaços públicos que se tornam possibilidades de ação da jovem mulher no cenário do trabalho e de sua própria profissionalização. À tecelã e à professora soma-se a comerciária, a contadora e a contabilista. Referências ARIÈS, P.; DUBY, G. (Ed.) História da Vida Privada, 4: Da Revolução Francesa à Primeira Guerra, M. Perrot (Org.). São Paulo: Companhia das Letras, 1991. BASSANEZI, C. Virando as páginas, revendo as mulheres. Revistas femininas e relações homemmulher, 1945-1964. RJ: Civilização Brasileira, 1996. BERTUCCI, L. M. A ameaça do futuro: os descendentes. In: Saúde: arma revolucionária. São Paulo, 1891-1925. Campinas: Publicações CMU/UNICAMP, 1997, p. 125-168. BOLETIM Informativo da Casa Romário Martins. Rui Barbosa: a praça na trilha do tempo. Curitiba, vol. 23, num. 119, dez. 1996. CINTRA, E. P. de U. Ensino profissional feminino em Curitiba: a Escola Técnica de Comércio São José (1942-1955). Curitiba, 2005. 281f. Dissertação (Mestrado em Educação) – Programa de Pós- Graduação em Educação, Universidade Federal do Paraná. D’INCAO, M. A. Mulher e família burguesa. In: DEL PRIORE, M. (Org.) História das Mulheres no Brasil. São Paulo: Contexto, 2001, p.223-240. FEDALTO, P. A arquidiocese de Curitiba na sua história. Curitiba, (1958?). GANZ, A. M. Vivências e falas: trabalho feminino em Curitiba, 1925-1945. Curitiba, 1994. 172 f. Dissertação (Mestrado em História) – Setor de Ciências Humanas, Letras e Artes da UFPR. MOURA, E. B. B. Além da indústria têxtil: o trabalho feminino em atividades ‘masculinas’. In: BRESCIANI, M. S. M. (Org.) A mulher no espaço público. Revista Brasileira de História, São Paulo, ANPUH/Marco Zero, vol.9, n.18, p.83-98, ago.set. 1989. _____. Mulheres e menores no trabalho industrial: os fatores sexo e idade na dinâmica do capital. Petrópolis: Vozes, 1982. PERROT, M. Mulheres. In: Os excluídos da história. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1988, p.167-212. RIBEIRO, A. I. M. Vestígios da educação feminina no século XVIII em Portugal. São Paulo: Arte & Ciência, 2002. ∗ O presente artigo, em versão aumentada, foi apresentado sob o título “À tecelã e à professora soma-se a comerciária, a contadora e a contabilista” no VI Congresso Luso-Brasileiro de História da Educação, em Uberlândia – MG, abr. 2006. 1 Na capital, são criadas 4 escolas de normalistas nas décadas de 1940 e 1950, as dos Colégios: Nossa Senhora de Lourdes (1946), Sagrado Coração de Jesus (1946), Sion (1949) e, mais tarde, a do próprio São José (1955). (FEDALTO, [1958?]). 2 O curso de contabilidade manteve-se na instituição até o encerramento das atividades educacionais da Escola: 1988.

1 Gênero e Religião ST. 24 Joice Meire ... - Fazendo Gênero
1 Gênero, raça/etnia e escolarização. ST 23 Ana ... - Fazendo Gênero
Gênero e Religião – ST 24 Sônia Cristina Hamid ... - Fazendo Gênero
Gênero e Religião – ST 24 Nadia Maria Guariza ... - Fazendo Gênero
Gênero e Religião. ST 24 Clarice Bianchezzi ... - Fazendo Gênero
Genêro e Religião – ST 24 Maria Cristina Leite ... - Fazendo Gênero
Gênero e sexualidade nas práticas escolares. ST ... - Fazendo Gênero
Gênero, Ciência e Tecnologia. ST 22 Maria de ... - Fazendo Gênero
gênero, idade média e interdisciplinaridade ST ... - Fazendo Gênero
gênero, idade média e interdisciplinaridade. ST ... - Fazendo Gênero
Gênero Ciência e Tecnologia. ST 22 Claudia ... - Fazendo Gênero
Gênero na Literatura e na Mídia. ST. 4 ... - Fazendo Gênero
Violência de Gênero ST.5 Ana Luiza dos Santos ... - Fazendo Gênero
1 Questões de gênero e educação – ST 58 ... - Fazendo Gênero
1 Gênero , Ciências e Tecnologia. ST. 22 Auri ... - Fazendo Gênero
Gênero, memória e narrativas - ST 41 Lucia M. A. ... - Fazendo Gênero
Gênero, Ciência e Tecnologia. ST 22 Isabel ... - Fazendo Gênero
Gênero, violência e segurança pública ST. 39 ... - Fazendo Gênero
Gênero e sexualidade nas práticas escolares ST ... - Fazendo Gênero
Práticas corporais e esportivas. ST 21 Silvana ... - Fazendo Gênero
mulheres e canções. ST 3 Márcio Ferreira de ... - Fazendo Gênero
Sujeitos do feminismo: políticas e teorias - ST 06 - Fazendo Gênero
História, gênero e trajetórias biográficas – ST 42 - Fazendo Gênero ...
classe, etnia e gerações. ST 34 Neuza de Farias ... - Fazendo Gênero
ST 38 Márcia Maria Severo Ferraz Vera Lúcia ... - Fazendo Gênero
Sujeitos do feminismo: políticas e teorias. ST 6 ... - Fazendo Gênero
Gênero, memória e narrativas ST. 41 Pedro ... - Fazendo Gênero
Gênero e Religião ST. 24 Cristiana Tramonte UFSC Palavras-chave ...