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Performance musical e políticas emancipatórias: uma etnografia na ...

Performance musical e políticas emancipatórias: uma etnografia na ...

observá-las/los em

observá-las/los em performances musicais fora da Orquestra, pois que, em geral são com música: todas/os dão aulas de música e do instrumento que tocam, e/ou, tocam em casas noturnas de samba, casamentos e festejos em geral. Este fato, mesmo antes do trabalho de campo, me parece estar prenhe de sentidos a serem desvelados: as musicistas e os músicos não são remunerados para tocar na Orquestra; e, a partir de ensaios que presenciei, vi que tocar ali implica estudar muito, decorar sua parte (a partir de partitura ou não), estar e se manter tecnicamente em alto rendimento em seu instrumento, tocar outro/s instrumento/s além do seu principal, ensaiar várias vezes por semana com o grupo todo, além do ensaio de naipe. Com os objetivos de: 1) conhecer e registrar, em diários de campo e meios audiovisuais, as performances musicais vivenciadas pelas/os instrumentistas, na Orquestra e, eventualmente também, em seus outros respectivos espaços em que tocam; 2) analisar e interpretar estas performances musicais a partir do diálogo, sobre elas, com as/os próprias/os instrumentistas; e 3) traçar redes de relações entre as performances musicais – tanto na Orquestra como nos diferentes espaços/grupos dos quais os sujeitos participam – com aspectos de sua vida social mais ampla; este trabalho buscará compreender como as práticas musicais e o discurso nativo sobre elas se relacionam, bem como os possíveis processos de subjetivação promovidos pelas performances, que apontarem na direção de suas singularidades e discursos/práticas emancipatórias em geral. O acompanhamento desses sujeitos, ampliado para suas respectivas redes de relações e afazeres cotidianos, pretende verificar suas trajetórias sócio históricas e musicais, para desvelar – através das concepções dos atores sociais, a partir do convívio etnográfico – se, em alguma medida, a performance musical é um tempo/espaço emancipatório. Temáticas & argumentos Esta questão – produção de significados emancipatórios – está colocada de modo geral e mais abrangente na investigação, por considerar-se os tempos/espaços opressivos no cotidiano urbano e das sociabilidades contemporâneas, conseqüentes da condição neoliberal, mercadológica; por considerar-se, também, que as/os 17 jovens instrumentistas estão inseridos – e reagem – numa sociedade que tem a massificação e o individualismo dentre suas características – aspectos que abordarei pontualmente no trabalho de campo – ; e, considerando-se ainda, a “verdade” produzida pela “naturalidade”, “inevitabilidade” e “imutabilidade” como reafirmadores sistêmicos dessa sociedade 2 . As adaptações do ser humano às “verdades” impingidas externa e cotidianamente vão produzindo, entre outros aspectos, 2

sentimentos que podem variar entre impotência frente à realidade, insignificância e exclusão 3 , para citar alguns, e ao mesmo tempo, invizibilizando o poder estrutural da verdade do sistema essencialmente mercantilista. Ellen Wood (2001) assim se refere dimensionando de forma extremada o poder desta verdade, chamando a atenção para a insignificância e descaracterização do ser humano nesse sistema e, também, alertando para o não-lugar que este ocupa dentro dele porque, de fato, o ser humano é por ele ocupado: Visto que os seres humanos e a natureza – sob a forma do trabalho e da terra – são tratados, ainda que da maneira mais fictícia, como mercadorias, num sistema de mercados auto-regulados e movidos pelo mecanismo dos preços, a própria sociedade torna-se um apêndice do mercado. A economia de mercado só pode existir numa sociedade de mercado, isto é, numa sociedade em que em vez de uma economia inserida nas relações sociais, as relações sociais é que se inserem na economia (Wood, 2001, p. 31). O psicólogo e analista Félix Guattari (1993), que – com forte influência do pensamento de Foucault e Deleuze – estudou, com profundidade, os efeitos do contexto sócio-histórico e cultural na subjetividade humana, desde a década de 60 já alertara que, mesmo inconscientemente, nos lançamos e nos empreendemos em “buscas diárias por demarcações das territorialidades sociais, que foram perdidas quando a humanidade passou a ter o capital como universo de referência. Hoje, o sociólogo Zygmunt Bauman (2001) alertando para as conseqüências da modernidade mercantil globalizada, caracteriza nosso tempo como “anistórico e fluido”, os espaços como “não-lugares”, as relações sociais “sem encontros reais” e tudo – tempo, espaço e relações sociais – sempre acompanhados por “falta de garantias”. A partir de colocações como estas, me senti instigada a formular algumas questões sobre as quais proponho – e agradeço – a reflexão conjunta: se, e de que formas, a performance musical, para os integrantes da Itiberê Orquestra Família faz parte de – parafraseando Guattari – suas buscas diárias por marcações que dêem algum tipo de sentido para eles, por exemplo, relacionados ao individualismo e à massificação? Se, em alguma medida, as performances musicais da Itiberê Orquestra Família são o lugar oposto dos “lugares fágicos, não-lugares, espaços vazios”, característicos de nosso tempo onde o lugar dominante é o “templo do consumo” (Bauman, 2001, p. 115)? Se as performances musicais neste grupo de instrumentistas são buscadas, também, como possibilidade de relações sociais distintas dos “laços humanos no mundo fluido” (id. p. 184), formais, institucionalizadas, sem encontros reais? Se suas performances musicais podem ser o tempo/espaço “onde o público e o privado se encontram” (id. 1999, p. 48)? E possibilitariam, em alguma medida, a dissolução da “não-santíssima trindade de incerteza, insegurança e falta de garantias” (id. p. 207)? 3

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